Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15165.721935/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014
BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
Para fim de apuração da base de cálculo do II, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014
BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
Para fim de apuração da base de cálculo do IPI, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014
BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
Para fim de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014
BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
Para fim de apuração da base de cálculo da Cofins-Importação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014
MULTA REGULAMENTAR. OMISSÃO OU PRESTAÇÃO DE FORMA INEXATA OU INCOMPLETA. DESCABIMENTO.
A aplicação de penalidade depende da subsunção dos fatos à norma legal e, inexistindo, no caso do autos, infração à norma, não há se falar em aplicação da multa imposta.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, que davam provimento ao Recurso e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar e o Conselheiro Walker Araújo, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa votaram pelas conclusões em relação à exclusão da multa. Fez sustentação oral: o Procurador da Fazenda Nacional Miquerlam Chaves Cavalcante e o Representante da empresa o Advogado Dr. Alberto Daudt de Oliveira - OAB 50.932 - RJ.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo do II, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo do IPI, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo da Cofins-Importação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 MULTA REGULAMENTAR. OMISSÃO OU PRESTAÇÃO DE FORMA INEXATA OU INCOMPLETA. DESCABIMENTO. A aplicação de penalidade depende da subsunção dos fatos à norma legal e, inexistindo, no caso do autos, infração à norma, não há se falar em aplicação da multa imposta. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15165.721935/2014-21
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5595025
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.177
nome_arquivo_s : Decisao_15165721935201421.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LENISA RODRIGUES PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 15165721935201421_5595025.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, que davam provimento ao Recurso e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar e o Conselheiro Walker Araújo, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa votaram pelas conclusões em relação à exclusão da multa. Fez sustentação oral: o Procurador da Fazenda Nacional Miquerlam Chaves Cavalcante e o Representante da empresa o Advogado Dr. Alberto Daudt de Oliveira - OAB 50.932 - RJ. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6399726
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417907769344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 22.285 1 22.284 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.721935/201421 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.177 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2016 Matéria II/IPI/PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo do II, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo do IPI, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Importação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 19 35 /2 01 4- 21 Fl. 22285DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo da CofinsImportação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 MULTA REGULAMENTAR. OMISSÃO OU PRESTAÇÃO DE FORMA INEXATA OU INCOMPLETA. DESCABIMENTO. A aplicação de penalidade depende da subsunção dos fatos à norma legal e, inexistindo, no caso do autos, infração à norma, não há se falar em aplicação da multa imposta. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, que davam provimento ao Recurso e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar e o Conselheiro Walker Araújo, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa votaram pelas conclusões em relação à exclusão da multa. Fez sustentação oral: o Procurador da Fazenda Nacional Miquerlam Chaves Cavalcante e o Representante da empresa o Advogado Dr. Alberto Daudt de Oliveira OAB 50.932 RJ. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Fl. 22286DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/201421 Acórdão n.º 3302003.177 S3C3T2 Fl. 22.286 3 Relatório A questão tem início em procedimento de fiscalização1 sobre as importações registradas pela contribuinte no período de janeiro/2010 a fevereiro/2014, de onde foram extraídas as seguintes informações que subsidiaram a lavratura do auto de infração: "Como informado pela própria empresa Volkswagen, estes custos de descarga relativos a operação portuária não foram incluídos na base de cálculo dos tributos recolhidos por ocasião do despacho aduaneiro, sendo este o objeto deste auto de infração, o de lançar as diferenças de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS e COFINS não recolhidos devido a não inclusão dos custos portuários no valor aduaneiro dos veículos importados, além de lançar a multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas, conforme o disposto no art. 711, inciso III do Decreto n. 6.759/2009" (fl. 22132). Cientificada sobre o referido lançamento, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 22148/22169), oportunidade na qual alega, em síntese: A autuação fiscal é descabida, já que arrimada em uma leitura equivocada sobre a legislação pertinente, que afronta os Princípios da Tipicidade, da Norma Penal Tributária, e da Razoabilidade e da Proporcionalidade; As despesas nacionais de capatazia, ou, em outras palavras, os custos de carga, descarga e manuseio associados ao transporte da mercadoria importada, não integram o valor aduaneiro; O art. 77 do Decreto 6.759/2009 determina que integram o valor aduaneiro os custos suportados até a chegada da mercadoria no porto onde será cumprida as formalidades de importação, e não "e não os custos de capatazia do porto até o recinto alfandegado ou terminal" (fl. 22153 grifos no original); O Ato Declaratório COANA n. 003/2000 corrobora a interpretação do art. 77 do RA: 'os gastos relativos à descarga e manuseio de mercadorias importadas, associadas ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro" (fl. 22154 grifos no original); É inaplicável a multa prevista no art. 711, III, do RA por "completa dissonância com a hipótese dos autos" já que "o fato de não declarar o valor da capatazia nacional nas Declarações de Importação é o mesmo que não informar os custos de descarga e manuseio das mercadorias importadas quando da sua chegada ao país" o que faz incidir o inciso I, do art. 44 da Lei n. 9.430/96 (fl. 22157). A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: 1 Inaugurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n. 0915200 2014 000558 (fl. 22129), que encontra fundamento no dever de verificar o correto valor aduaneiro declarado em operações de importação de veículos em função dos ajustes na base de cálculo de que trata o artigo VIII do Acordo de Valoração Aduaneira AVA, promulgado pelo Decreto n. 1.355/1994.. Fl. 22287DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. AJUSTE. DESPESAS RELATIVAS A DESCARGA E MANUSEIO DA MERCADORIA. Integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associadas ao transporte internacional, até o porto de destino onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro. A alteração do valor aduaneiro declarado implica exigência reflexa das diferenças de tributos e contribuições incidentes na importação, em razão da modificação de suas bases de cálculo. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. OMISSÃO OU PRESTAÇÃO DE FORMA INEXATA OU INCOMPLETA. MULTA. O importador que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial, necessária ao procedimento de controle aduaneiro, fica sujeito à multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Assunto: Normas de Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação da norma sob o fundamento de inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, motivo pelo qual os autos do processo ascenderam a este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Fl. 22288DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/201421 Acórdão n.º 3302003.177 S3C3T2 Fl. 22.287 5 Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora. A contribuinte foi cientificada sobre o teor do acórdão proferido pela instância de origem em 8/5/2015 (aviso de recebimento postal à folha 22214) e interpôs tempestivamente o recurso voluntário em 8/6/2015, motivo pelo qual tomo conhecimento sobre as razões contidas no apelo. 1. MÉRITO A recorrente aduz que a interpretação conferida pela instância de origem sobre a legislação internacional pertinente (artigos 1 e 8 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VIII do Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994) é descabida e distorcida, imprestável para manter a autuação fiscal. Sustenta que a legislação pátria não prevê a inclusão dos custos com capatazia interna na base de cálculo dos tributos aduaneiros. Defende que a interpretação conferida pela Delegacia de Julgamentos é contraposta pelo item 3 da Nota ao Artigo 1 do Acordo de Implementação do Artigo VII do Acordo Geral de Tarifas e Comércio 1994 (AVA/GATT) onde "expressamente veda a inclusão de custos (de transporte inclusive) incorridos após a importação" (fl. 22222). Informa que: "A decisão recorrida, se reportando às normas acima transcritas, conclui que os custos de transporte, carregamento, descarregamento e manuseio executados até o Porto ou local de importação poderiam ser objeto de ajuste no valor aduaneiro caso a legislação do País importador assim o determine, e cita os arts. 543, 544, 545, e 571 do Decreto 6.759/09 como se este fosse lei, o que não é" (fl. 22224). Ato contínuo a recorrente pondera sobre a limitação de ato do Poder Executivo (no caso, o Decreto 6.759/09) em incluir o custo de capatazia no valor aduaneiro, já que não tem autorização legislativa, conseqüentemente, não atende aos termos do Acordo Internacional. Indica, por outro lado, que o mencionado decreto não contém nenhum dispositivo que inclua no valor aduaneiro os custos de capatazia. Existem somente artigos que dispõem efetivamente o contrário do que sustentado na autuação fiscal e mantido pela instância de origem (arts. 79, II; art. 77, I; e art. 71 do Regulamento Aduaneiro). Refuta a adoção do conteúdo do Ato Declaratório COANA n. 3/2000 como legislação pertinente. Por fim, traz a conhecimento precedente do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n. 1.434.6501, de relatoria do Ministro Herman Benjamin). Por ser essencial para o julgamento do recurso voluntário em tela, transcrevo trecho do relatório de fiscalização inserto no acórdão recorrido: "Na descrição dos fatos relativa ao Imposto de Importação (fl. 03), consta: Fl. 22289DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 '001 OUTROS AJUSTES OBRIGATÓRIOS NÃO EFETUADOS O importador por meio das DI abaixo, registradas entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2014, submeteu a despacho diversos modelos de veículos importados, classificáveis na Tarifa Externa Comum nas posições 8702, 8703 e 8704, tendo sido pago o imposto de importação à alíquota de 35% quando proveniente de países de fora do Mercosul e de 0% quando provenientes da Argentina. Para a apuração do valor aduaneiro, segundo o Acordo de Valoração Aduaneira, ao valor das mercadorias deveriam ser somados os valores relativos a frete, seguro e os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte de mercadoria importada, até a chegada ao porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro. Ocorre que o importador não incluiu os valores relativos à descarga e manuseio dos veículos importados descarregados no Porto de Paranaguá PR, que foi por onde ingressaram no território nacional todos os veículos, no cômputo do valor aduaneiro, e que importavam em R$ 5,00 durante janeiro de 2010 e abril de 2012 e de R$ 7,50 a partir de maio de 2012. Sendo assim, cobrase a diferença do imposto de importação, apurada em face de tal incorreção, somado aos acréscimos legais devidos. (...) O Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto n. 1.355/1994, estabelece em seu artigo 8, § 2º, alínea (b) que os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio , associados ao transporte de mercadorias importadas até o porto ou local de importação, poderão ser incluídos no valor aduaneiro, conforme previsão do país signatário. O Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) traz essa previsão em seu artigo 77, inciso II. No caso de transporte marítimo é usual, segundo o autuante, que os importadores informem essas despesas sob a denominação capatazia ou THC nas 'Informações Complementares' da DI, adicionandoas ao valor informado do frete ou preenchendo seu valor no campo 'Acréscimos' da adição. A fiscalização explica que o Ato Declaratório Coana n. 003/2000 estabelece que os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. Informa, ainda, que a Notícia Siscomex importação n. 24/2000, de 16/05/2000, também trata do assunto" (fls. 22196/22198 grifos nossos). O voto condutor do acórdão recorrido, após transcrever os fundamentos da autuação, conclui que: Fl. 22290DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/201421 Acórdão n.º 3302003.177 S3C3T2 Fl. 22.288 7 "Como se depreende dos dispositivos que regulamentam a matéria, a importação de mercadorias estrangeiras acontece por meio do despacho de importação, cujo desembaraço encerra a conclusão do procedimento de conferência aduaneira, sendo então admitido o documento comprobatório da importação, passando então a mercadoria a ser considerada como nacionalizada. Também se conclui, das referidas normas, que não se incluem no valor aduaneiro os gastos relacionados ao transporte das mercadorias nacionalizadas, isto é, os gastos incorridos após o desembaraço aduaneiro e relacionados à logística para transferência das mercadorias já importadas para o estabelecimento ou local determinado pelo importador. Logo, a conclusão é de que a legislação pátria optou por dar ao termo 'importação' um sentido relacionado a um conjunto de procedimentos que culminam com o desembaraço das mercadorias estrangeiras. No País, por força de sua própria legislação, o procedimento de importação somente termina com o ato final do desembaraço aduaneiro e, assim, os ajustes previstos no Artigo 8 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII, do Acordo Geral de Tarifas e Comércio 1994 (AVA/GATT) incluem os gastos discutidos no âmbito do presente processo administrativo fiscal, visto que incorridos antes do desembaraço". (fl. 22205 grifos nossos) Vêse que a questão central dos autos é saber qual a extensão do termo "importação": se a recepção dos produtos importados no território nacional ou se este corresponde a série de procedimentos burocráticos que culminam com o desembaraço aduaneiro. A) IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. CAPATAZIA. PRODUTOS EM SOLO BRASILEIRO. A Lei n. 12.815/2013 (conhecida como Lei dos Portos) define em seu artigo 40, § 1º, inciso I, que o trabalho portuário de capatazia promovido na importação e exportação de produtos é "a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário". O Decreto n. 2.498/19982 , conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira, elenca de forma taxativa quais são os custos a serem incluídos no valor aduaneiro: Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): 2 Que dispõe sobre a aplicação do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT. Fl. 22291DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; Il os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e III o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e Il. (grifos nossos). Não obstante, se o entendimento acolhido pela instância de origem prevalecesse (de que a importação, para fins de apuração do valor aduaneiro, fosse o conjunto de atos burocráticos que culminam com o desembaraço da mercadoria do espaço portuário), estarseia esvaziando o conteúdo do artigo 13 do mencionado decreto3, o que indica a falha na interpretação adotado pelo fiscal autuante. Ademais, vale ressaltar que o Decreto 6.759/2009 posterior ao acima transcrito mantém os mesmos os custos a serem incluídos no valor aduaneiro, como se percebe da leitura dos artigos abaixo transcritos: Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 1994; e Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias, Artigo 7o, aprovado pela Decisão CMC no 13, de 2007, internalizada pelo Decreto no 6.870, de 4 de junho de 2009): (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II. Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafo 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e 3 Art. 13. No caso de desembaraço de mercadoria antes da conclusão do controle do valor aduaneiro, o importador será notificado, por intermédio do SISCOMEX, de que, para os efeitos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, permanece sob procedimento fiscal. (grifos nossos). Fl. 22292DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/201421 Acórdão n.º 3302003.177 S3C3T2 Fl. 22.289 9 II os custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77. (grifos nossos). É de fácil conclusão que os mencionados decretos, ao disporem sobre os gastos que devem ser incluídos no valor aduaneiro, referemse às despesas com carga, descarga e manuseio das mercadorias importadas até o porto alfandegado. É de rigor esclarecer que na hipótese dos autos a autuação foi feita sobre a capatazia de destino, que difere da internacional, conhecida como Terminal Handling Charges (THC) que ocorre no exterior. Essa assertiva decorre do Termo de Verificação Fiscal, onde está registrado: "Em 17 de abril de 2014 foi apresentado o Contrato Social Consolidado da empresa Volkswagen do Brasil e a informação que a descarga portuária dos veículos importados após o transporte internacional é realizado pelo armador até a rampa do navio, sendo a interessada responsável pela retirada dos veículos até o terminal de veículos, onde opera o recinto alfandegado como concessionária" (fl. 22129). Não se desconhece que a Instrução Normativa n. 327/20034 determina que as despesas decorrentes da descarga da mercadoria importada, já no território nacional, deveriam compor o valor aduaneiro. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça5, ao exercer a sua finalidade máxima que é apreciar a legalidade de atos públicos, ao se deparar com o posicionamento da Receita Federal consolidado na edição da Instrução Normativa n. 327/2003, concluiu que: "ao permitir, em seu artigo 4º, § 3º, que computem os gastos com descarga da mercadoria no território nacional, no valor aduaneiro, desrespeita os limites impostos pelo Acordo de Valoração Aduaneiro e pelo Decreto 6.759/2009, tendo em vista que a realização de tais procedimentos de movimentação de mercadorias ocorre apenas após a chegada da embarcação, ou seja, após a sua chegada ao porto alfandegado". Diante do que foi exposto, é de rigor a reforma da decisão recorrida, para cancelar o auto de infração no que concerne a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados calculados sobre o custo da capatazia em solo pátrio. B) PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 559.937. 4 Art. 4º. Na determinação do valor aduaneiro, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte de mercadorias importadas, até a chegada aos locais referidos no inciso anterior . § 3º. Para os efeitos do inciso II, os gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional serão incluídos no valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. 5 Recurso Especial n. 1.239.625/SC, julgado pela 1ª Turma em 04/09/2014, sob a relatoria do Ministro Benedito Gonçalves. Ver também o acórdão proferido pela 2ª Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial n. 1.434.650/CE, de relatoria do Ministro Herman Benjamin. Fl. 22293DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 A autuação fiscal pretende recolher aos cofres públicos a diferença que corresponde às parcelas pagas a menor e o valor que entende por devido referentes ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS e COFINS importação, ante a "não inclusão dos custos portuários na base de cálculo dos veículos importados entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2014"6 . Em setembro de 2010 o Supremo Tribunal Federal julgou recurso extraordinário representativo de repercussão geral7, esse interposto pelo então Procurador Geral da Fazenda Nacional, onde defendeu a constitucionalidade do art. 7º, I, da Lei n. 10.865/2004, dispositivo legal que determinou que a base de cálculo do PIS e da COFINS incidentes sobre a importação deve ser o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do Imposto de Importação, agregando o valor correspondente ao ICMS devido pela operação. Naquela assentada, o Plenário da Suprema Corte acolheu o entendimento da relatora original Ministra Ellen Gracie que assentia que "as contribuições sobre a importação (no caso PIS/COFINS Importação), pois, não podem extrapolar a base do valor aduaneiro, sob pena de inconstitucionalidade por violação à norma de competência no ponto constante do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição". E sua conclusão foi acolhida pelos demais Ministros que compunham a Corte. Por que muito bem espelha as lições proferidas pelos demais julgadores, transcrevo a elucidação sobre valor aduaneiro nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Valor Aduaneiro, na importação, não é necessariamente aquele pelo qual foi realizado o negócio jurídico. O CTN, art. 20, II, referese ao Valor Aduaneiro como o 'preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria ao tempo da importação, em uma venda em condições de livre concorrência, para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País'. Na rodada do GATT, realizada no período de 1973 a 1979, em Tóquio, foi retomada a discussão acerca do modo de verificação do valor aduaneiro, restando concluída em 1994, no Uruguai, assim denominada 'Rodada do Uruguai'. O acordo passou a ser obrigatório para todos os países membros da Organização Mundial do Comércio – OMC, da qual o Brasil faz parte, e veio a definir um modelo de valoração aduaneira que pudesse por fim ao protecionismo e evitar a discricionariedade, fundado em maior objetividade e na garantia da segurança jurídica. 6 Trecho do Termo de Verificação Fiscal:"Considerando os fatos apresentados, lavramos Auto de Infração para lançamento de parcelas pagas a menor do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, PIS e Cofins devido a não inclusão dos custos portuários na base de cálculo dos veículos importados entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2014, assim como multa de ofício prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96, alterado pelo artigo 14 da Lei n. 11.488/2007 e juros de mora, calculados com o percentual equivalente a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) para títulos federais, acumulada mensalmente , e incidentes desde a data do registro da DI para imposto de importação, o PIS e o Cofins e desde a data do desembaraço da DI para o Imposto sobre produtos industrializados, conforme o disposto no art. 61 parágrafo 3º da Lei n. 9.430/96" (fl. 22132). 7 Recurso Extraordinário n. 559.937/RS, relatora original Ministra Ellen Gracie, relator para acórdão Ministro Dias Tóffoli, julgado pelo Tribunal Pleno em 20/03/2013, publicado no DJe em 17/10/2013. Fl. 22294DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/201421 Acórdão n.º 3302003.177 S3C3T2 Fl. 22.290 11 Restou definido que “valor aduaneiro” seria o valor da transação da mercadoria. Não foi por outro motivo que o CTN quedouse superado, sendo o DecretoLei n.º 37, de 18 de novembro de 1966, alterado, pelo DecretoLei n.º 2.472, de 1º de setembro de 1988, que passou a prever, em seu art. 2º, como sendo a base de cálculo do imposto de importação, quando a alíquota fosse ad valorem, o “valor aduaneiro”, apurado segundo as normas do Artigo VII do GATT. O GATT foi incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto n.º 92.930/86, que promulgou o Acordo sobre a Implementação do artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Código de Valoração Aduaneira) e seu Protocolo Adicional. Este decreto foi regulamentado pelos Decretos n.º 2.498/88, 4.543/2002 e 6.759/2009 (Regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior), verbis: Art. 75. A base de cálculo do imposto é (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 2º, com a redação dada pelo Decreto Lei no 2.472, de 1988, art. 1o, e Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 1, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994): I quando a alíquota for ad valorem, o valor aduaneiro apurado segundo as normas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994; e II quando a alíquota for específica, a quantidade de mercadoria O Conceito de valor aduaneiro é o mesmo corrente no âmbito do comércio exterior, com referências expressas na legislação, de modo que se deve considerar a previsão constitucional como dizendo respeito ao sentido técnico da expressão constante do próprio GATT. Nesta linha de pensar, a base de cálculo é o preço CIF (Cost, Insurance and Freigt), ou seja, referência ao preço para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País, considerando o seu custo, o seguro e o frete, nada mais! Portanto, o “valor aduaneiro” é a base de cálculo do imposto de importação e por força de previsão constitucional, também delimita a base de cálculo das contribuições sociais sobre a importação". (grifos nossos) Por força da conclusão sobre a inexigibilidade da inclusão dos custos com capatazia no valor aduaneiro, é de rigor afastar a pretensão do fiscal autuante em exigir o PIS/COFINS Importação sobre os custos decorrentes da descarga e manuseio dos veículos importados recebidos no Porto de Paranaguá. Fl. 22295DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 Em atenção ao que determina o Regimento Interno deste Conselho, em seu artigo 62A, é imperativo que o pronunciamento da Suprema Corte seja conhecido e aplicado as decisões administrativas aqui proferidas. Assim, voto pelo cancelamento da autuação fiscal no que concerne a exigência de PIS/COFINS Importação, adotando os fundamentos elencados no pronunciamento do Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. C) MULTA REGULAMENTAR. ART. 711, III, REGULAMENTO ADUANEIRO. A ora recorrente se insurge contra a aplicação da multa prevista no artigo 711, III, do Regulamento Aduaneiro, por não incluir no valor aduaneiro os custos decorrentes de capatazia. Sobre essa questão, transcrevo parte do acórdão recorrido: "O caso em apreço amoldase a esta definição, uma vez que o valor aduaneiro da mercadoria deve ser perfeitamente informado, haja ou não tributo a ser recolhido. (...) Como se vê, está clara a interpretação da RFB no sentido de que a falta da prestação de qualquer informação presente no Anexo único, da IN SRF n. 680, de 2006, leva à exigência da multa de 1%. Neste aspecto, colacionase excerto do referido anexo, onde é possível ver a obrigatoriedade dos acréscimos ao valor aduaneiro na DI: (...) 44 Valoração Aduaneira Método, acréscimos, deduções e informações complementares para composição do valor aduaneiro, base de cálculo do imposto de importação. 44.1 Método de Valoração Método utilizado para valoração da mercadoria, conforme a tabela 'Método de Valoração', administrada pela SRF, e indicativo de vinculação entre comprador e vendedor. 44.2 Acréscimos Valores a serem adicionados ao preço efetivamente pago ou a pagar, para composição do valor aduaneiro, conforme a tabela 'Acréscimos', administrada pela SRF" (fls. 22208/22209 grifos no original). É evidente que a aplicação e manutenção da multa se deu pela omissão de informações sobre custos que deveriam compor o valor aduaneiro base de cálculo dos tributos exigidos nesses autos. A autoridade fiscal aplicou a penalidade diante do suposto prejuízo ao erário, e não pelo incorreto/incompleto preenchimento da declaração de importação. Não é possível, em sede de recurso voluntário, aditarse a autuação fiscal para alterar o fundamento legal nela utilizado. Fl. 22296DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/201421 Acórdão n.º 3302003.177 S3C3T2 Fl. 22.291 13 A irregularidade na apuração da base de cálculo, na hipótese dos autos, implica na redução do tributo exigível e não tem qualquer relevância que determinar o procedimento aduaneiro apropriado. Como visto nos tópicos acima, não é passível de exigência tributária os custos decorrentes do serviço de capatazia dos produtos importados dentro dos portos brasileiros, por absoluta inexistência de previsão legal. Assim, sendo certo que a aplicação de penalidade depende da subsunção dos fatos à norma legal8 e, inexistindo, no caso do autos, infração à norma, não há se falar em aplicação da multa imposta. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e cancelar a autuação fiscal. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado 8 Nesse sentido: Acórdão 3302002.052, prolatado pela 2ª Turma da 3ª Câmara desta 3ª Seção. Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Conforme dispositivo do julgado, este Conselheiro foi designado para redigir o voto vencedor, concernente à controvérsia sobre a cobrança das diferenças a maior devidas do II, IPI, Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação, em face da não inclusão das despesas de capatazia (custos de descarga e manuseio) ocorridas no porto de chegada no País das mercadorias importadas (veículos). Fl. 22297DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 Da leitura do relatório e do voto da lavra da i. Relatora, inferese que, em relação a esse ponto, o cerne da controvérsia gira em torna da inclusão (ou não) no valor aduaneiro da despesa com descarga (ou despesa de capatazia) dos veículos importados pela recorrente, ocorridas no porto brasileiro, antes do desembaraço aduaneiro, tal qual definido pelo Acordo sobre Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, doravante denominado de AVAGATT9, e disciplinado pela legislação interna, dentro das faculdades outorgadas pelo referido acordo. De acordo com o AVAGATT, o valor aduaneiro é determinado por seis métodos sequenciais e sucessivos, em que há primazia na aplicação do primeiro método (valor da transação), com os ajustes obrigatórios e facultativos. Os ajustes facultativos estão previstos no parágrafo 2 do Artigo 8º do Acordo, a seguir transcrito: 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (c) Custo do seguro. (grifos não originais) O Brasil, desde a promulgação do primeiro Acordo (AVAGATT 1979), celebrado em 1979 na Rodada Tóquio do GATT, por meio do Decreto 92.930/1986, no seu art. 2º, já manifestou a opção pela inclusão dos encargos previstos as alíneas a, b,e c do parágrafo 210 do citado Artigo 8. Após a incorporação e promulgação do AVAGATT 1994, o art. 17 do Decreto 2.498/1998, o primeiro preceito normativo a dispor sobre os referidos ajustes facultativos, manteve a obrigatória da sua adição para fim de apuração do valor aduaneiro da mercadoria importada para o Páis, com os seguinte dizeres, in verbis: Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; Il os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e III o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e Il. (grifos não originais). 9 No Brasil, o referido Acordo foi regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, por meio do Decreto Legislativo 30/1994, e promulgado pelo Decreto 1.355/1994, que promulgou a Ata Final incorporadora dos Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT1994 10 "Art. 2º Na base de cálculo do imposto de importação, definida de conformidade com o acordo que com este decreto se promulga, serão incluídos os elementos a que se referem as alíneas a, b,e c,do parágrafo 2, de seu artigo oitavo." Fl. 22298DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/201421 Acórdão n.º 3302003.177 S3C3T2 Fl. 22.292 15 No mesmo sentido, o assunto foi disciplinado nos decretos posteriores, até o vigente Decreto 6.759/2009, que instituiu o Regulamento Aduaneiro 2009 (RA/2009), onde o assunto foi disciplinado no art. 77, com a seguinte redação, ipsis litteris: Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 1994; e Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias, Artigo 7o, aprovado pela Decisão CMC nº 13, de 2007, internalizada pelo Decreto nº 6.870, de 4 de junho de 2009): (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e II o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II. (grifos não originais) Como se depreende dos textos normativos acima transcritos, os custos de transporte (incluídos os gastos de carregamento, descarregamento e manuseio) executados até o porto ou local de importação podem ser objeto de inclusão no valor aduaneiro, caso a legislação do País importador assim o determine. E a legislação brasileira, expressamente, optou pela inclusão dos referidos elementos de custos no valor aduaneiro. Aliás, em relação a esse ponto, inexiste controvérsia. Assim, uma vez definido que há previsão normativa que obriga a inclusão dos gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a sua chegada ao porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado no País, a questão remanescente e que, portanto, constitui o ponto fulcral da controvérsia consiste em definir a extensão do significado da locução “até a chegada” no local habilitado, onde serão cumpridas as formalidades de entrada da mercadoria no País. No caso em tela, a fiscalização, com respaldo no Ato Declaratório Coana 003/2000 e na Notícia Siscomex importação 24/2000, manifestou o entendimento de que os gastos relativos à descarga e ao manuseio das mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, ocorridas no porto de descarga brasileiro e até que ocorra o desembaraço, integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. De outra parte, a recorrente apresentou o entendimento de que o disposto no art. 77, II, do Decreto 6.759/2009, assegura a inclusão no valor aduaneiro apenas dos gastos com carga, descarga e manuseio associados ao navio (transporte da mercadoria importada) “até a chegada ao porto, ou seja, os custos de capatazia internacional”. Para a recorrente, não compõem o valor aduaneiro os custos de descarga e manuseio ocorridos no País, as denominadas despesas de capatazia nacional. Fl. 22299DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 Assim, fica demonstrado que o cerne da controvérsia está associado ao tipo despesa de capatazia que deve integrar o valor aduaneiro. Para a recorrente, somente a despesa de capatazia internacional, até a chegada do novio, ao passo que para a fiscalização a despesa de capatazia interna, ocorrida no porto de descarga da mercadoria, previamente ao seu desembaraço aduaneiro, integram o valor aduaneiro. A razão está com a fiscalização. Com efeito, os gastos com a descarga e manuseio associados ao transporte da mercadoria importada no porto de chegada do País ainda integram os gastos com o transporte internacional, embora ocorridas no porto de descarga nacional, conforme expressamente dispõe o art. 4º, § 3º, da Instrução Normativa SRF 327/2003, a seguir transcrito: Art. 4º Na determinação do valor aduaneiro, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas, até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro das mercadorias durante as operações referidas nos incisos I e II. [...] § 3º Para os efeitos do inciso II, os gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional serão incluídos no valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. (grifos não originais) Com todas as vênias a nobre Relatora, a exegese restritiva por ela defendida no seu voto, em consonância com o entendimento da recorrente, revelase inaceitável. O art. 77, II, do RA/2009, ao se referir aos gastos relativos à descarga e associados ao transporte da mercadoria, certamente, inclui os gastos com descarga e manuseio no porto nacional de chegada da mercadoria, sem o que a própria importação não se aperfeiçoaria. Logo, revelase apropriado asseverar que o ato de transporte internacional das mercadorias importadas não se esgote com o seu mero carregamento, no país de origem, mas abranja, por imperativo lógico, também o descarregamento no local de destino, sob pena de não se concretizar a efetiva introdução da mercadoria no recinto alfandegado do local de chegada no território nacional. Induvidosamente, tratase de um conjunto de atos que precedem os atos de formalização da entrada da mercadoria no território aduaneiro, que se encerra com ato de desembaraço aduaneiro. No caso, a taxa portuária cobrada da recorrente pelos veículos descarregados no Porto de Paranaguá, durante o período da autuação, subsumese perfeitamente à situação prevista nos preceitos normativos em destaque, porque se trata de despesa necessária à conclusão do serviço transporte da mercadoria e colocação da mercadoria no recinto habilitado a processar a liberação da mercadoria. Fl. 22300DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/201421 Acórdão n.º 3302003.177 S3C3T2 Fl. 22.293 17 Por outro lado, a referida taxa não se enquadra como despesa de capatazia interna, ocorrida a partir dos locais de entrada da mercadoria no território aduaneiro e após a realização do desembaraço, conforme alegado pela recorrente. Com efeito, as despesas de capatazia interna, ocorridas a partir do porto descarga e após cumpridas às formalidades aduaneiras, certamente, não integram o valor aduaneiro, conforme expressamente prevê o art. 79, II, do RA/2002, que segue transcrito: Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafo 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 1994): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e II os custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77. (grifos não originais) Também não merece guarida, por não atender a condição estabelecida no art. 62, § 2º, do RICARF/2015, a pretensão da recorrente no sentido de que fosse adotado no presente julgamento o entendimento esposado pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1.239.625/SC, não realizado sob o regime do art. 543C do CPC, que entendeu que a Instrução Normativa SRF 327/2003, ao permitir, em seu art. 4º, § 3º, que fosse computados os gastos com descarga da mercadoria no território nacional, no valor aduaneiro, desrespeitara os limites impostos pelo AVAGATT e pelo Decreto 6.759/2009, tendo em vista que a realização de tais procedimentos de movimentação de mercadorias ocorria apenas após a chegada da embarcação, ou seja, após a sua chegada ao porto alfandegado, segundo disposto no enunciado da ementa que segue transcrito: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS DE CAPATAZIA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 4º, § 3º, DA IN SRF 327/2003. ILEGALIDADE. 1. Cingese a controvérsia em saber se o valor pago pela recorrida ao Porto de Itajaí, referente às despesas incorridas após a chegada do navio, tais como descarregamento e manuseio da mercadoria (capatazia), deve ou não integrar o conceito de "Valor Aduaneiro", para fins de composição da base de cálculo do Imposto de Importação. 2. Nos termos do artigo 40, § 1º, inciso I, da atual Lei dos Portos (Lei 12.815/2013), o trabalho portuário de capatazia é definido como "atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem Fl. 22301DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 18 como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário". 3. O Acordo de Valoração Aduaneiro e o Decreto 6.759/09, ao mencionar os gastos a serem computados no valor aduaneiro, referemse à despesas com carga, descarga e manuseio das mercadorias importadas até o porto alfandegado. A Instrução Normativa 327/2003, por seu turno, referese a valores relativos à descarga das mercadorias importadas, já no território nacional. 4. A Instrução Normativa 327/03 da SRF, ao permitir, em seu artigo 4º, § 3º, que se computem os gastos com descarga da mercadoria no território nacional, no valor aduaneiro, desrespeita os limites impostos pelo Acordo de Valoração Aduaneira e pelo Decreto 6.759/09, tendo em vista que a realização de tais procedimentos de movimentação de mercadorias ocorre apenas após a chegada da embarcação, ou seja, após a sua chegada ao porto alfandegado. 5. Recurso especial não provido. (REsp 1239625/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2014, DJe 04/11/2014) Enfim, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, com a devida vênia da nobre Relatora, não se aplica ao caso em tela o entendimento da decisão plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 559.607/SC, com repercussão geral reconhecida, que reconheceu a inconstitucionalidade do acréscimo do ICMS e das próprias contribuições à base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, por se tratar de matéria estranha aos autos. Com base nessas considerações, mantémse a exigência das diferenças a maior devidas do II, IPI, Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação, por serem devida a inclusão, nas respectivas base cálculo (valor aduaneiro) dos referidos tributos, das despesas de capatazia (gastos de descarga e manuseio) ocorridas no porto de chegada no País das mercadorias importadas (veículos) pela recorrente. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, para excluir a exigência apenas da cobrança da multa regulamentar, prevista no artigo 711, III, do RA/2009. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 22302DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.720753/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DECISÃO JUDICIAL .EFEITOS.
Havendo decisão judicial que determina o pagamento do imposto de renda incidente sobre o abono de permanência de anos anteriores, através da DIPF de ano calendário diverso, cabe a autoridade administrativa verificar na DIRF do período da restituição se os valores coincidem e providenciar o cumprimento da decisão.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2201-003.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
assinado digitalmente
Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Relatora.
EDITADO EM: 26/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah -Presidente.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DECISÃO JUDICIAL .EFEITOS. Havendo decisão judicial que determina o pagamento do imposto de renda incidente sobre o abono de permanência de anos anteriores, através da DIPF de ano calendário diverso, cabe a autoridade administrativa verificar na DIRF do período da restituição se os valores coincidem e providenciar o cumprimento da decisão. Recurso Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.720753/2014-52
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5587709
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.084
nome_arquivo_s : Decisao_13888720753201452.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 13888720753201452_5587709.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Relatora. EDITADO EM: 26/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah -Presidente.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6369064
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417920352256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 53 1 52 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.720753/201452 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.084 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2016 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA Recorrente NILCEU BENVINDO MACIEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DECISÃO JUDICIAL .EFEITOS. Havendo decisão judicial que determina o pagamento do imposto de renda incidente sobre o abono de permanência de anos anteriores, através da DIPF de ano calendário diverso, cabe a autoridade administrativa verificar na DIRF do período da restituição se os valores coincidem e providenciar o cumprimento da decisão. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Relatora. EDITADO EM: 26/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 07 53 /2 01 4- 52 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 2 Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah Presidente. Relatório Tratase de recurso contra o acórdão 0260.628 9ªTurma DRJ/BHE, de fls.27/30, interposto por NILCEU BENVINDO MACIEL. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: Trata este processo da Notificação de Lançamento nº 2009/766364708821757, juntada nas fls. 14 a 17 destes autos, relativa ao ano calendário de 2008, exercício de 2009 com registro imposto a restituir ajustado para R$1.175,67. Nos termos da Notificação, o ajuste foi feito após revisão dos dados da Declaração do contribuinte, quando se constatou infração por omissão de rendimento tributável no valor de R$14.571,08, que corresponde à diferença entre o rendimento tributável informado em Dirf para o notificado pelo Ministério da Fazenda, R$191.916,79, e o valor por ele declarado na DIRPF de 2009 retificadora, que foi de R$177.345,71. Ciente do lançamento o contribuinte apresentou Solicitação de Revisão do Lançamento – SRL, e analisado o pedido a autoridade revisora concluiu pela manutenção da infração – fls. 20, destes autos, motivando a decisão nos seguintes termos: “omissão parcial de rendimentos tributáveis recebidos do MINISTÉRIO DA FAZENDA, CNPJ nº 00.394.460/011771, no valor de R$14.571,08, relativamente aos valores pagos a título de abono de permanência, e indevidamente considerados como isentos, por falta de comprovação da existência de determinação judicial para se restituir valores relativos a anos anteriores.” Ciente da decisão o contribuinte apresentou defesa, manifestando seu inconformismo e alegando que retificou sua declaração original com fundamento na Nota COSIT nº 07, de 14.01.2011, item 4, subitem 4.1 e item 5, que garante aos contribuintes o direito de retificar suas DIRRF para excluir da base de cálculo do imposto devido, os valores recebidos a título de abono de permanência. Acresce que aquele dispositivo legal foi expedido pela Receita Federal após concluir que aquela verba não possui natureza salarial. Junta à defesa cópia de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança de nº 00530850.2008.4.3.6100 impetrado pelo SINDIFISPSP – fls. 4/6. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.084 S2C2T1 Fl. 54 3 Requer deferimento favorável à impugnação. Ciente da decisão em 04 de novembro de 2014,conforme AR de fls.32, interpôs o recurso voluntário às fls.34/3, em 07 de novembro de 2014, onde reclama do procedimento adotado pela Delegacia de Julgamento, com menosprezo à orientação da Nota Cosit 07 de 14 de janeiro de 2011, que disciplinou a forma de reaver os valores retidos indevidamente. Destaca o caráter taxativo da nota, elaborada, em seu entender, em cumprimento às determinações judiciais. Informa que ilustrou os autos com as planilhas explicativas, relacionando os valores do abono de permanência com a retenção na fonte no período de dezembro de 2007 a novembro de 2008 e somente a partir de maio de 2009 a Receita Federal passou a se abster de efetuar a retenção. A declaração retificadora do exercício 2009, ano calendário de 2008, está de acordo com a normativa e gerou um valor de imposto a restituir a maior, devendo ser restituído acrescidos dos juros correspondentes. Informa que o valor apurado após a retificação é de R$ 5.182,72, que subtraído do valor apurado antes da retificação , de R$ 1.175,67, é igual ao valor a restituir de R$ 4.007,05. No tocante ao direito aponta que se encontra amparado pela sentença patrocinada pelo Unafisco Sindical, processo nº 2007.34.00.0405520, da 1ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal , expedida em 05 de agosto de 2010, onde na sentença, a juíza Solange Salgado estendeu o benefício da ação à toda categoria dos Auditores da Receita Federal do Brasil, do qual o recorrente é integrante. Embora a sentença date de 2010, faz menção aos valores retidos indevidamente, obedecendo a prescrição decenal. Alude como preliminar o transtorno causado pela COGEP que deixou de elaborar, com base na sentença judicial, a DIRF retificadora, bem como a emissão de novo comprovante de rendimentos, para que pudesse efetivar a retificação das declarações. Exterioriza sua indignação com o procedimento do órgão julgador. No mérito informa que junta a cópia da sentença antes referida. Pede a improcedência da notificação e a devolução da diferença do valor retido indevidamente, conforme declaração retificadora nº 01 do ano calendário de 2008. Não junta a sentença. Despacho de fls. 52 remete os autos para conhecimento. É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 4 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Conforme anteriormente relatado tratase de exigência para o imposto de renda de pessoas físicas, conforme Notificação de Lançamento 2009/766364708821757, fls.14/17, por suposta omissão de rendimentos, no ano calendário de 2008, no valor de base de cálculo de R$ 14.571,08, o que implicou no reconhecimento do imposto a restituir no valor de R$ 1.175,67, enquanto o recorrente apurou o imposto a restituir no valor de R$ 5.182,72. O recorrente é beneficiária da sentença 241/2010 Tipo B, inclusa às fls 37/47 e invoca em seu socorro a Nota Cosit 07/2011. A decisão recorrida nas suas razões de decidir apontou: Em sua defesa, o contribuinte alega que o valor do rendimento considerado omitido se refere ao abono de permanência em serviço por ele recebido, verba de natureza não salarial já reconhecida pela Receita Federal. Para provar a sua assertiva junta aos autos tão somente cópia de extrato de andamento processual – fls. 04 a 06, referente ao Mandado de Segurança Nº 000530850.2008 4.036100, impetrado pelo SINDIFISP SP cujo objeto é “RETENÇÃO NA FONTE/IRPF . IMPOSTOS TRIBUTÁRIO SUSP. DESCONTO SOB ABONO DE PERMNAÊNCIA NOS PROVENTOS C/ MESMO TRIBUTO”. Não foi juntada aos autos a decisão proferida naquele processo. Porém o contribuinte a juntou no processo de nº 13888.720752/201416, julgado nesta 9ª Turma. Naquele processo nas fls. 7, está a cópia do dispositivo da Sentença proferida, onde ficou determinada a suspensão do desconto de imposto de renda sobre o valor do abono de permanência pago aos Auditores filiados àquele Sindicato, bem como que fosse realizada a compensação dos valores descontados com parcelas futuras que seriam retidas para pagamento de imposto de renda. Não se trouxe aos autos nenhum documento que comprove que foi o notificado foi abrangido por aquela decisão; que de fato ele recebe abono de permanência em serviço; o valor acaso a este título recebido em 2008; a compensação acaso feita, como determinado na sentença e mais, que o valor do abono está compondo o total do rendimento tributável informado em dirf – que foi de R $191.916,79. Esclareçase que o documento hábil a comprovar a assertiva do contribuinte seria o seu comprovante de rendimentos emitido pela sua fonte pagadora onde se acham informados todos os dados relativos aos rendimentos recebidos durante o ano, sua natureza, mormente os valores relativos a abono de permanência em serviço instituído pela Emenda Constitucional nº 41, de 2003, bem como se esta parcela encontrase com exigibilidade suspensa. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.084 S2C2T1 Fl. 55 5 Ou seja, as razões da negativa seriam de três ordens: a) falta de comprovação de que estaria albergado pelo mandado se segurança que gerou o direito à restituição; b)que de fato recebe abono de permanência em serviço;c) o valor acaso a este título recebido em 2009. Essas questões são respondidas ao longo do voto, não na ordem direta. Às fls. 26, consta a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte Dirf, do ano calendário de 2008, onde aponta todos os valores correspondentes às contribuições descontadas para a previdência oficial. A sentença 242/2010, datada de 05 de agosto de 2010, no relatório, às fls.39 assim consignou: (...) Pedido de antecipação dos efeitos da tutela deferido (fls.582/584) Cópias do agravo de instrumento nº 2008.01.00.0024085, interposto pela União às fls.589/599. A União apresentou contestação às fls.601/608, na qual pugna pela improcedência dos pedidos. às fls.610/611, 614;612/622,637 e 645/646, com documentos(fls.612;615;623;626/628;638;647/650) noticia a parte autora o descumprimento da decisão que deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela. Embargos de declaração opostos pelo Sindicato autor às fls.617/618. Decisão integrativa às fls.634/635. (...) Às fls.703/4 foi proferida nova decisão para determinar a ´Ré que expedisse nova Declaração de Rendimentos aos substituídos. Embargos de Declaração opostos pela União às fls.706/707. Decisão Integrativa às fls.713/715. Às fls. 747/749,com documentos (fls.750/762) noticia o Sindicato, uma vez mais, o descumprimento da decisão , época em que foi determinado que a multa fixada às fls.943/945 incidiria a partir da publicação da decisão de fls.763/764. Os efeitos da decisão proferida às fls.78/80 foi estendido a toda a categoria de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, nos termos da decisão de fls.793.(Destaque deste voto) Cópia do Agravo de Instrumento nº001906904.2010.4.01.0000 interposto pela União às fls.805/810. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 6 (...) Decido. (...)fls.48 Ante o exposto julgo PROCEDENTE os pedidos formulados para determinar à parte ré que se abstenha de efetuar o desconto do imposto de renda sobre as parcelas mensais de abono de permanência percebida pelos autores substituídos. Condeno, ainda, a União Federal (Fazenda Nacional) a restituir as importâncias indevidamente retidas a esse título, observada a prescrição decenal, acrescidas da taxa Selic desde a data dos recolhimentos indevidos. (...) Ás fls. 20, no termo de Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, consignou a autoridade julgadora o seguinte: ”Complementação da descrição dos fatos Omissão parcial de rendimentos tributáveis recebidos do Ministério da Fazenda,CNPJ 00.394.460/011771, no valor de R$ 14.571,08 relativamente aos valores pagos a título de abono de permanência e individualmente considerados como isentos, por falta de comprovação de determinação judicial para se restituir valores relativos a anos anteriores." Há determinação judicial para devolução das importâncias não alcançados pela prescrição decendial. A autoridade executora tem condição de conferir os valores apresentados (são aqueles das contribuições previdenciárias constantes de DIRF do ano base), portanto, só resta obedecer à decisão judicial. Nessa conformidade, voto no sentido de dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 58DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.084 S2C2T1 Fl. 56 7 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13982.721025/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - PRESIDENTE
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13982.721025/2012-28
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5583089
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-000.415
nome_arquivo_s : Decisao_13982721025201228.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13982721025201228_5583089.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - PRESIDENTE Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6351552
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417929789440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.882 1 1.881 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.721025/201228 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.415 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 5 de abril de 2016 Assunto Exclusão do Simples. IRPJ e outros. Recorrente FÁBRICA DE CAMAS E BELICHES MARIFLOR LTDAEPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA PRESIDENTE Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 82 .7 21 02 5/ 20 12 -2 8 Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.883 ___________ Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0434.504 da 2ª Turma da DRJ/CGE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Constatada a ocorrência de prática reiterada de infração à Lei Complementar nº 123/2006, correta a exclusão do Simples Nacional com efeito retroativo ao primeiro mês em que incorridas as infrações. DECADÊNCIA. A decadência regese pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, nos casos em que não ocorreu prática de infração apenada com multa qualificada. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. LANÇAMENTOS. Tendo havido a exclusão do Simples Nacional com efeito retroativo, corretos os lançamentos, ficando o crédito tributário com a exigibilidade suspensa até o julgamento definitivo da exclusão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários não contabilizados, cuja origem não foi comprovada, consubstanciase em omissão de receitas, em face da presunção estabelecida em lei. SIMPLES NACIONAL. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO. Os pagamentos efetuados por meio do DARF específico do Simples Nacional não são dedutíveis no caso de a apuração nos autos de infração se dar pela sistemática do Lucro Presumido. MULTA. QUALIFICAÇÃO. A qualificação da multa de ofício ocorre nos casos de apuração de evidente intuito de fraude. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1145.263 em 02/05/2014 (AR a fls. 981), interpôs, em 30/05/2014 (Termo a fls. 982), recurso voluntário (doc. a fls. 983 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) quanto à manifestação sobre a exclusão do Simples: a.1) que a recorrente tão logo tomou conhecimento da sua exclusão do Simples Nacional (no dia 29.01.2013), apresentou tempestivamente impugnação específica contra o ato administrativo que decretou a referida exclusão; a.2) que a impugnação específica contra o ato que decretou a sua exclusão do Simples Nacional foi realizada dentro do prazo de 30 (trinta) dias, tendo sido protocolizada no dia 27.02.2013. como comprova a peça impugnatória e demais documentos (procuração, identidade profissional, contrato social, etc.), juntados aos autos as fls. 15921614; a.3) que no documento apresentado pela recorrente a fl. 1466, ela deixa claro que tomou conhecimento da sua exclusão do Simples Nacional por AR no dia 25.01.2013 Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/201228 Resolução nº 1302000.415 S1C3T2 Fl. 1.884 3 (sextafeira) e que dentro do prazo legal iria ofertar impugnação (manifestação) ao ato administrativo indicado; a.4) que, portanto, diferentemente do que alega o fisco e do que sustenta a decisao constante do Acórdão 0434.504, a exclusão da recorrente do Simples Nacional ainda não é definitiva, razão pela qual os lançamentos fiscais debatidos nestes autos administrativos devem ser anulados, pois pendente de solução definitiva a circunstância fática que, apenas se confirmada em definitivo, permitiria a constituição dos tributos exigidos; b) quanto a obrigatoriedade de escrituração detalhada para optantes pelo Simples Nacional: b.1) que, como já esclarecido na peça impugnatória, segundo afirma o fisco por meio do "item 4" do Termo de Verificação Fiscal (fls. 14541456), a impugnante teria deixado de declarar/contabilizar uma parte dos seus movimentos bancários; b.2) que os bancos citados pelo fisco e para os quais a recorrente não teria declarado/contabilizado os respectivos movimentos financeiros, são: Caixa Economica Federal, Banco Bradesco S/A, Banco Real S/A e Sicoob/Sao Miguel do Oeste; b.3) que de acordo com o que prescrevem os arts. 25, 26 e 27, todos da LC 123/2006, o fato e que a recorrente, por ser optante do Simples Nacional, não é obrigada a manter escrituração contábil completa, como ocorre com as empresas normais; b.4) que, por ser optante pelo Simples Nacional de que trata a LC 123/2006, é obrigada apenas a manter o livro caixa em dia, no qual deve relatar as vendas que realiza, para que essas vendas sejam tributadas de acordo com os percentuais fixados para a modalidade do Simples Nacional, enfim, por expressa determinação legal, a recorrente está dispensada de elaborar contabilidade, com emissão dos respectivos livros razão e diário; c) quanto à movimentação bancária: c.1) que, no Acórdão 0434.504, o julgador da DRJ/CGE menciona que até a data do julgamento, a recorrente não teria apresentado a mencionada planilha comparativa, e que se feita tal comprovação em qualquer fase do processo, obviamente esses valores seriam excluídos da tributação; c.2) que o fato é que a recorrente aguardava a apreciação do referido pedido, para que lhe fosse deferido o prazo requerido, uma vez que via de regra, os documentos devem ser apresentados com a impugnação, e a juntada a posteriori dependeria de autorização, como prescreve o art. 16 do Decreto 70235/72; c.3) que, na peça impugnatória a recorrente esclarece que não conseguiria apresentar a referida planilha comparativa no prazo da impugnação (30 dias) porque dependia de documentos que deveriam ser fornecidos por bancos (copias de cheques e outros), pois já não mais os tinha e foi por esse motivo que requereu o prazo para apresentálos posteriormente, para o qual aguardava deferimento pela autoridade julgadora; c.4) que é forçoso concluir que, mesmo que a autoridade julgadora de primeira instância não tenha deferido o pedido de juntada da planilha comparativa e documentos, a Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/201228 Resolução nº 1302000.415 S1C3T2 Fl. 1.885 4 própria legislação processual administrativa federal permite tal prática, e que esses documentos devem ser analisados pela instância ad quem; c.5) que, deste modo, neste tópico da peça recursal, a recorrente passa a argumentar e comprovar a referida tributação indevida (tributação de valores de simples movimentação entre as próprias contas da recorrente e de valores de financiamentos); c.6) que, segundo o fisco, o movimento bancario nao declarado pela recorrente, seria decorrente de vendas supostamente nao tributadas; c.7) que a partir de tal convencimento (falta de tributação de valores movimentados em bancos), o fisco elaborou a planilha de fls. 15841585, a qual intitulou de "Resumo dos depósitos bancários de origem não comprovada após análise das respostas do contribuinte"; c.8) que observandose a referida planilha (elaborada pelo fisco e constante das fls. 15841585), a recorrente verifica que nos movimentos totais mensais indicados, não foram considerados (não foram diminuídos ou não foram abatidos) os valores que apenas foram transferidos de uma para outra conta corrente bancária de titularidade da recorrente, via emissão de cheques, de TEDs, de DOCs, etc., como também não foram efetivamente considerados (diminuídos/abatidos) os valores recebidos por vendas de ativos imobilizados, e de repasses de financiamentos bancários para aquisicão de maquinários e veículos; c.9) que para comprovar a tributação indevida de valores de movimentos bancários (créditos em conta corrente), a recorrente apresenta os seguintes documentos (planilhas e cópias de documentos): c.9.1) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco do Brasil, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Besc, Bradesco, CEF e Sicoob), cujas contas são igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 285.859.30 (duzentos e oitenta e cinco mil, oitocentos e cinquenta e nove reais e trinta centavos), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha a planilha acima indicada as cópias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 01 apresentado com este recurso); c.9.2) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco Bradesco, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Banco do Brasil, Banco Real, Besc, CEF e Sicoob), cujas contas são igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 199.676,50 (cento e noventa e nove mil, seiscentos e setenta e seis reais e cinquenta centavos), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha esta planilha as copias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 02 apresentado com este recurso); c.9.3) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco Siccob, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Banco do Brasil, Bradesco e CEF), cujas contas são igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 180.470,00 (cento Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/201228 Resolução nº 1302000.415 S1C3T2 Fl. 1.886 5 e oitenta mil, quatrocentos e setenta reais), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha esta planilha as copias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 03 apresentado com este recurso); c.9.4) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco Besc, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Banco do Brasil, Bradesco e CEF), cujas contas são igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 64.467,20 (sessenta e quatro mil quatrocentos e sessenta e sete reais e vinte centavos), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha esta planilha as cópias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 04 apresentado com este recurso); e c.9.5) planilha indicando os documentos emitidos pela Caixa Econômica Federal, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Sicoob, Besc, Bradesco e Banco do Brasil), cujas contas sao igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 200.490.00 (duzentos mil, quatrocentos e noventa reais), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha esta planilha as cópias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 05 apresentado com este recurso); c.10) que, considerando o valor total indicado nas cinco planilhas referidas acima, o valor total incluso indevidamente na base de cálculo dos tributos exigidos por meio desse processo administrativo alcança o montante de R$ 931.263.00 (novecentos e trinta e um mil, duzentos e sessenta e tres reais); c.11) que os valores mencionados nas cinco planilhas acima referidas, diferentemente do que informa o fisco, são representados por cheques emitidos em um banco e depositados em outro banco, sempre nas contas da própria recorrente e o mesmo com relação aos TEDs/DOCs, sendo que esses movimentos financeiros não representam renda ou faturamento que possam se sujeitar a incidência, razão pela qual devem ser excluídos da base de cálculo dos tributos exigidos por meio desse processo administrativo, cuja reducão deve alcançar proporcionalmente os juros e multas; d) quanto à necessidade de abatimento dos valores antecipados pela recorrente – constituição de diferenças: d.1) que, na decisão recorrida (Acórdão 0434.504), mais especificamente a fl. 1655, a autoridade julgadora da DRI/CGE, julga improcedente o pedido relativo à compensação/abatimentos dos valores pagos pela recorrente a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, na modalidade de Simples Nacional; d.2) que a decisão recorrida se baseia na afirmação do fisco no "item 5" do Termo de Verificacao Fiscal (fls. 14561457), considerando que a recorrente recolheu para o periodo de 01/2008 ate 12/2010, os valores de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, pela modalidade de Simples Nacional, logo, isso é incontroverso; Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/201228 Resolução nº 1302000.415 S1C3T2 Fl. 1.887 6 d.3) que, entretanto, como o fisco, por meio dos lançamentos fiscais indicados nestes autos administrativos, exige diferenças de tributos sobre supostos movimentos financeiros não declarados/contabilizados, deveria ter considerado (descontado/abatido) os valores que foram recolhidos antecipadamente pela recorrente, a título dos mesmos IRPJ, CSLL, COFINS e PIS; d.4) que a afirmação do fisco se confirma pelos DARFs anexos (doc. 04), pois a recorrente para o período de 01/2008 até 12/2010, os valores de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, sobre o faturamento, calculados segundo as alíquotas do Simples Nacional, daí que o fisco, caso entenda ter ocorrido recolhimento a menor desses tributos, deveria ter constituído apenas a diferença, e não o total, como fez, sendo que essa dedução, caso tivesse sido realizada pelo fisco, teria diminuído consideravelmente o montante dos tributos, das multas e dos juros exigidos por meio dos lançamentos em comento; d.5) que a autoridade julgadora de primeira instância, no texto do Acórdão 04 34.504 (fl. 1655), entende que compensação ou o abatimento pretendido pela recorrente não seria possível, por causa da alegada "especialidade" do Simples Nacional, porém, a compensação é autorizada ao próprio contribuinte (art. 74 da Lei 9430/96, atualizada pelas leis posteriores), ou de ofício, pela autoridade fiscal, no mais, o fisco possui informações suficientes para saber destacar do valor da guia do Simples Nacional qual é o valor de cada tributo, segundo as alíquotas para cada faixa de faturamento; d.6) que os lancamentos devem ser revisados e diminuídos parcialmente, para o efeito de excluir do total de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, os valores já pagos (recolhidos) pela recorrente, no período de 01/2008 ate 12/2010, diminuindose, igualmente, na proporção a multa e os juros; e) quanto a multa qualificada de 150%: e.1) que segundo a decisão recorrida (Acórdão 0434.504), mais especificamente as fls. 16561657, a autoridade julgadora da DRJ/CGE, julgou parcialmente procedente o pedido relativo a desqualificação e redução da multa de ofício de 150% para 75%; e.2) que alega a autoridade julgadora de primeira instância, que teria ficado comprovado nos autos o evidente intuito de fraude e o dolo da recorrente, com relação aos supostos atos infracionais e que resultaram na diminuição indevida de tributos devidos à União; e.3) que se pode concluir da narrativa dos fatos, confirmados pelos documentos juntados, e que os valores exigidos pelo fisco através dos autos de infração aqui debatidos foram apurados justamente a partir das informações repassadas espontaneamente pela recorrente, sem exceções, em cumprimento das intimações fiscais, sem qualquer tentativa de maquiar situação de fato no sentido de tentar impedir ou evitar a exigibilidade dos tributos; e.4) que a existência de movimentos bancários não declarados, como a simples omissão de rendimentos, ou até mesmo o acréscimo patrimonial a descoberto não caracterizam fraude, dolo ou simulação, tal como delineado pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, o que afasta a aplicação da penalidade qualificada de 150%, devendo ser aplicada a penalidade de 75%, nos termos do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96; Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/201228 Resolução nº 1302000.415 S1C3T2 Fl. 1.888 7 e.5) que, portanto, considerando o conjunto probatório dos autos, considerando a suposta infração fiscal atribuída a recorrente (depósitos bancários não declarados), considerando ainda ser inegável que todo o procedimento de fiscalização contou com a participação espontânea e efetiva da recorrente, não há como se admitir, nos termos da legislação vigente (art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96), que a movimentação bancária eventualmente não declarada não pode ser punida com multa acima de 75%, devem ser anulados parcialmente os autos de infração, para diminuir a multa ao patamar maximo de 75%; f) quanto à decadência: f.1) que, segundo se verifica da decisão recorrida (Acórdão 0434.504), mais especificamente as fls. 16531654, a autoridade julgadora da DRJ/CGE, julgou parcialmente procedente o pedido relativo a alegada decadência; f.2) que, em resumo, decidiu a autoridade julgadora pela anulação parcial do crédito tributário de PIS e COFINS em relação ao mês de Janeiro de 2008, mas somente para os referidos tributos apenados com multa de 75%, segundo a sua interpretação do art. 150, § 4", e art. 173, inciso I, ambos do CTN; f.3) que, entretanto, o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, não faz distinção para que seja aplicado de acordo com relação às multas (simples ou qualificada), pois o prazo é contado apenas e unicamente em decorrência da forma em que se dará o seu lancamento, que no caso e por homologação; f.4) que, assim, considerando que as contribuições PIS estão sujeitas ao lançamento por homologação, e que a recorrente foi intimada da lavratura dos autos de infração no dia 25.02.2013, tendo recolhido antecipadamente valores de PIS e COFINS (via Simples Nacional), nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, todos os valores exigidos para a competência de Janeiro de 2008 foram alcançadas pela decadência, inclusive aqueles valores de PIS e COFINS apenados com multa qualificada (150%), razao pela qual os autos de infracao devem ser anulados tambem nesta parte. É o relatório. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1605, razão pela qual dele conheço. Há que se inverter a ordem de apreciação das matérias em razão da relação de causa e efeito entre o ponto relativo às infrações objeto dos lançamentos em tela e a exclusão do Simples, uma vez que foram as infrações imputadas nos autos de infração que motivaram o Ato Declaratório. Ocorre, porém, que antes de apreciarmos o recurso voluntário, duas questões levam a conversão do julgamento em diligência: a primeira, referese a uma série de documentos juntados pela recorrente, quando da apresentação do seu recurso voluntário, os quais, segundo alega, poderiam comprovar a origem de alguns depósitos bancários; a segunda, é que a recorrente alega e as autoridades lançadora e julgadora de primeira instância não negam que houve recolhimento pela Sistemática do Simples Nacional durante todo o período autuado e que não foram deduzidos do valor devido. Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/201228 Resolução nº 1302000.415 S1C3T2 Fl. 1.889 8 Com relação à primeira questão, cabe esclarecer que a documentação juntada a fls. 1701 a 1878, além de serem fotocópias de pouca qualidade, devem ter sua autenticidade conferida. Por sua vez, com relação aos pagamentos feitos pela Sistemática do Simples Nacional, a sua dedutibilidade dos valores lançados é, hoje, matéria sumulada no CARF, se não vejamos: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Assim, para que seja garantida a liquidez da futura decisão a ser proferida por este Colegiado, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba adote as seguintes providências: a) verifique a autenticidade dos documentos a fls. 1701 a 1878 e se manifeste se tais documentos comprovam a origem de depósitos bancários de origem não comprovada, relacionados nas planilhas “VALORES REMANESCENTES APÓS ANÁLISE DAS RESPOSTAS DO CONTRIBUINTE” (vide item 4, in fine, do TVF a fls. 1456), após o que, elabore planilha na qual sejam relacionados os documentos e respectivos valores que se enquadram em tal condição; b) verifique a autenticidade dos Recibos de Entrega do Simples Nacional a fls. 1485 a 1487, especialmente a veracidade dos pagamentos ali informados, após o que, elabore planilha na qual os valores dos pagamentos sejam decompostos em valores de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e outros tributos, observandose os percentuais previstos sobre o montante pago de forma unificada, conforme tabela da Lei Complementar 123/06 em que se enquadrava a recorrente à época de cada pagamento; c) dê ciência à recorrente do relatório final de diligência, concedendolhe prazo para que se manifeste nos autos, após o que retorne os autos ao CARF, para prosseguimento do feito. Alberto Pinto Souza Junior – Relator. Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 13856.720351/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS. SÚMULA N.º 63 DO CARF.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Ausente a comprovação do cumprimento do requisito referente à natureza dos rendimentos auferidos, inexiste direito à isenção.
Numero da decisão: 2201-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ausente a comprovação do cumprimento do requisito referente à natureza dos rendimentos auferidos, inexiste direito à isenção.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13856.720351/2014-25
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5583085
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.011
nome_arquivo_s : Decisao_13856720351201425.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 13856720351201425_5583085.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6351548
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417935032320
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-03-29T01:30:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-03-29T01:30:19Z; Last-Modified: 2016-03-29T01:30:19Z; dcterms:modified: 2016-03-29T01:30:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:4cdf60fd-3da8-4aa8-b19b-14f52849ee2a; Last-Save-Date: 2016-03-29T01:30:19Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-03-29T01:30:19Z; meta:save-date: 2016-03-29T01:30:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-03-29T01:30:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-03-29T01:30:19Z; created: 2016-03-29T01:30:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2016-03-29T01:30:19Z; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-03-29T01:30:19Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 82 1 81 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13856.720351/201425 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.011 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2016 Matéria IRPF Recorrente IBRAHIM FARAH NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ausente a comprovação do cumprimento do requisito referente à natureza dos rendimentos auferidos, inexiste direito à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 72 03 51 /2 01 4- 25 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 03/11/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2011, anocalendário 2010, na qual foi constatado que os rendimentos do contribuinte foram indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial. Assim, restou identificada a omissão de rendimentos no valor de R$ 284.985,19 (duzentos e oitenta e quatro mil novecentos e oitenta e cinco reais e dezenove centavos), o que gerou a redução do imposto a restituir na Declaração de Ajuste Anual do IRPF de R$ 62.183,47 (sessenta e dois mil cento e oitenta e três reais e quarenta e sete centavos) para R$ 4.295,74 (quatro mil duzentos e noventa e cinco reais e setenta e quatro centavos). Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 e 03, alegando, em síntese, que os valores dos rendimentos tidos como omitidos estão isentos de tributação, por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) manteve o crédito tributário, em sua totalidade, com a seguintes considerações: a) a partir de 01/01/2005, as hepatopatias graves são consideradas no rol de moléstias cujos proventos de aposentadoria ou pensão estão isentos do IRPF; b) segundo o Laudo Pericial da folha 19, o contribuinte era portador de Cirrose Hepática, CID 10K74 e K72, desde 14/12/2010 e aposentado desde 31/07/2009 (Diário Oficial do DF, OS nº 196, fl.17). Portanto, a partir de 14/12/2010, passou a ter direito a isenção, visto que atende aos dois requisitos: proventos de aposentadoria e portador de moléstia grave; c) a isenção alcança os rendimentos recebidos após 14/12/2010 e não retroage a 01/01/2010. Cabe ao contribuinte ou responsável comprovar ter o notificado recebido rendimentos de aposentadoria ou pensão após a data de início da doença e dentro do anocalendário 2010. Assim, a DRJ entendeu pela existência do direito à isenção do contribuinte, contudo, para período posterior a 14/12/2010, data de início da doença constante do laudo médico, salientando o ônus do contribuinte de comprovar o recebimento dos proventos de aposentadoria dentro do anocalendário de 2010 e após a referida data apontada no laudo. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13856.720351/201425 Acórdão n.º 2201003.011 S2C2T1 Fl. 83 3 Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte indicou e realizou a juntada do extrato bancário do mês de dezembro de 2010, comprovando o recebimento da rubrica "crédito de pagamento", em 17/12/2010. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme consta do relatório, cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial. A DRJ/POA, com a análise da documentação apresentada pelo contribuinte, reconheceu a existência do direito à isenção, a partir de 14/12/2010, diante do atendimento aos dois requisitos: proventos de aposentadoria e portador de moléstia grave. Não obstante a constatação da isenção, a partir de 14/12/2010, foi mantido o lançamento, em sua integralidade, sob o fundamento de que caberia ao contribuinte ou responsável comprovar ter recebido rendimentos de aposentadoria ou pensão após a referida data e dentro do anocalendário de 2010. O contribuinte, quando da interposição do recurso voluntário, apresentou extrato bancário referente ao recebimento da rubrica "crédito de pagamento", em 17/12/2010, fl. 71. Porém, a partir da análise da tal documento, verificase que não se pode inferir dele a natureza dos rendimentos para fins de isenção. Dessa forma, tendo em vista a ausência do cumprimento do requisito referente à natureza dos rendimentos auferidos, aplicase o disposto no Enunciado de Súmula 63 do CARF, conforme abaixo transcrito: Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002802/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE.
A previsão de dedutibilidade das despesas para fins da definição da renda tributável pelo imposto de renda decorre da lei, conforme consolidado na jurisprudência. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº9.249, de 1995. Assim, é correta a sua glosa e adição à base de cálculo do IRPJ.
RECEITAS FINANCEIRAS. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. CARACTERIZAÇÃO.
Comprovada a postergação do pagamento do imposto devido na medida em que a recorrente ofereceu espontaneamente as diferenças de receitas financeiras à tributação, em período imediatamente posterior ao devido, há que ser considerada na apuração da base de cálculo do IRPJ de forma a evitar o bis in idem. Não tendo sido constituído o crédito devido pelo lançamento, mas tão somente ajustada a base de cálculo para fins de determinação do valor passível de restituição/compensação, não há como proceder-se à exigência dos juros e multas que seriam devidos no âmbito deste processo, pois falece competência à autoridade julgadora para constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente.
Numero da decisão: 1302-001.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação de nulidade da exigência não formalizada em auto de infração, suscitada apenas nos memoriais entregues na sessão de julgamento e na sustentação oral, pela patrona da recorrente. No mérito, acordam, por unanimidade: 1 - em negar provimento ao recurso voluntário com relação à despesas com brindes; e 2 - dar provimento ao recurso voluntário quanto à adição de receitas financeiras à base de cálculo da CSLL.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A previsão de dedutibilidade das despesas para fins da definição da renda tributável pelo imposto de renda decorre da lei, conforme consolidado na jurisprudência. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº9.249, de 1995. Assim, é correta a sua glosa e adição à base de cálculo do IRPJ. RECEITAS FINANCEIRAS. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Comprovada a postergação do pagamento do imposto devido na medida em que a recorrente ofereceu espontaneamente as diferenças de receitas financeiras à tributação, em período imediatamente posterior ao devido, há que ser considerada na apuração da base de cálculo do IRPJ de forma a evitar o bis in idem. Não tendo sido constituído o crédito devido pelo lançamento, mas tão somente ajustada a base de cálculo para fins de determinação do valor passível de restituição/compensação, não há como proceder-se à exigência dos juros e multas que seriam devidos no âmbito deste processo, pois falece competência à autoridade julgadora para constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10283.002802/2007-63
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5613646
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.911
nome_arquivo_s : Decisao_10283002802200763.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10283002802200763_5613646.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação de nulidade da exigência não formalizada em auto de infração, suscitada apenas nos memoriais entregues na sessão de julgamento e na sustentação oral, pela patrona da recorrente. No mérito, acordam, por unanimidade: 1 - em negar provimento ao recurso voluntário com relação à despesas com brindes; e 2 - dar provimento ao recurso voluntário quanto à adição de receitas financeiras à base de cálculo da CSLL. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6450228
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417948663808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2504; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 626 1 625 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.002802/200763 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.911 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2016 Matéria Compensação de Saldo Negativo de CSLL Recorrente SIEMENS ELETROELETRÔNICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A previsão de dedutibilidade das despesas para fins da definição da renda tributável pelo imposto de renda decorre da lei, conforme consolidado na jurisprudência. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº9.249, de 1995. Assim, é correta a sua glosa e adição à base de cálculo do IRPJ. RECEITAS FINANCEIRAS. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Comprovada a postergação do pagamento do imposto devido na medida em que a recorrente ofereceu espontaneamente as diferenças de receitas financeiras à tributação, em período imediatamente posterior ao devido, há que ser considerada na apuração da base de cálculo do IRPJ de forma a evitar o bis in idem. Não tendo sido constituído o crédito devido pelo lançamento, mas tão somente ajustada a base de cálculo para fins de determinação do valor passível de restituição/compensação, não há como procederse à exigência dos juros e multas que seriam devidos no âmbito deste processo, pois falece competência à autoridade julgadora para constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação de nulidade da exigência não formalizada em auto de infração, suscitada apenas nos memoriais entregues na sessão de julgamento e na sustentação oral, pela patrona da recorrente. No mérito, acordam, por unanimidade: 1 em negar provimento ao recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 28 02 /2 00 7- 63 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 627 2 voluntário com relação à despesas com brindes; e 2 dar provimento ao recurso voluntário quanto à adição de receitas financeiras à base de cálculo da CSLL. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 628 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 0112.663, proferido pela 1ª Turma da DRJBelém/PA, em 04/12/2008, que acolheu parcialmente a manifestação de conformidade apresentada tendo em vista o Despacho Decisório, de 10/09/2007 (fls.133/139), que não havia reconhecido o direito creditório de saldo negativo CSLL do anocalendário 2004 no valor pleiteado e declarou não homologadas todas as compensações. Foram efetuadas as seguintes alterações de valores declarados na DIPJ: • Despesas com brindes, glosa no valor de R$ 5.712.638,13. Deve ser adicionada ao lucro liquido; • Rendimentos de aplicações financeiras, não oferecidos à tributação, no valor de R$ 115.051,61 • Provisões para despesas pendentes, mantidas no passivo (passivo fictício), no valor de R$ 47.428.952,43. Deve ser adicionada ao lucro liquido; • Depreciação de estoque, provocando Subavaliação do estoque e aumento do custo, no valor de R$ 11.205.064,01. Deve ser adicionada ao lucro liquido. Tendo em vista as adições acima relacionadas, houve recomposição da base de cálculo da CSLL, a qual, com as alterações efetuadas, foi calculada em R$ 117.764.333,45. O cálculo do saldo negativo também foi recomposto, tendo sido apurada CSLL a pagar de R$ 1.922.048,33. Devidamente cientificada do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, tempestivamente, que foi julgada parcialmente procedente pelo colegiado recorrido que proferiu o acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 SALDO NEGATIVO CSLL. Tendo sido apurado saldo negativo CSLL, homologamse as compensações até o limite do crédito reconhecido. DESPESAS COM BRINDES. Valores gastos pelo contribuinte referentes a bens distribuídos gratuitamente não se caracterizam como despesas com propaganda, mas sim brindes, devendo ser adicionados ao lucro líquido. RECEITAS FINANCEIRAS. Diante da ausência de comprovação de que houve o oferecimento à tributação de receitas financeiras correspondentes a juros sobre empréstimo concedido a coligada, tais valores devem ser adicionados ao lucro líquido. PROVISÃO PARA DESPESAS PENDENTES. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 629 4 Tendo sido comprovada a adição ao lucro líquido para fins de apuração da CSLL, incabível a adição procedida pelo Fisco. DEPRECIAÇÃO DE ESTOQUE. Tendo sido comprovada a adição ao lucro líquido para fins de apuração da CSLL, incabível a adição procedida pelo Fisco. O acórdão recorrido acatou grande parte dos argumentos da recorrente, com exceção da adição de glosa de despesas com brindes e de receitas financeiras não oferecidas à tributação e apurou um saldo negativo recomposto no montante de R$ 5.894.271,17. Ciente da decisão de primeira instância em 16/02/2009 e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 17/03/2009, mediante o qual oferece, em síntese, os seguintes argumentos: a) Com relação às despesas no valor de R$ 5.712.638,13, lançadas na escrituração contábil na conta 605320000, glosadas pelo Fisco sob o argumento de se constituírem em despesas com brindes refuta tal enquadramento afirmando trataremse de materiais promocionais cedidos aos clientes e potenciais clientes com intuito de incrementar as vendas b) Que, visando demonstrar a dedutibilidade das despesas com os referidos materiais promocionais, a Recorrente, por ocasião da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, juntou, de forma exemplificativa, cópia dos registros dos documentos fiscais que suportam as despesas escrituradas (doc. 03 acostado à Manifestação de Inconformidade). c) Que com base nos referidos documentos a Recorrente esclareceu, por meio de sua Manifestação de Inconformidade, que as despesas escrituradas eram, de fato, materiais promocionais (camiseta de time de futebol patrocinado pela Recorrente e com o seu logotipo, porta celular com o logotipo da Recorrente, camiseta Siemens Móbile; bolsa com o logotipo da Recorrente, etc.), cedido pela Recorrente a clientes e potenciais clientes visando incrementar as vendas das mercadorias produzidas pela mesma. d) Que, entretanto, na decisão recorrida, o d. Julgador a quo não concordou com a contabilização da despesa em questão como dedutivel sob a alegação de que se tratava de despesa com brindes que, após o advento da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, não é passível de dedução para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda. e) Que, todavia, não pode concordar com a r. Decisão recorrida, uma vez que as despesas lançadas na conta 605320000 não se prestaram para lançamentos de despesas como brindes, mas sim como material promocional, necessário para o desenvolvimento da atividade da empresa. f) Que atendendo a uma prática bastante usual do mercado, de forma freqüente, cede a clientes e potenciais clientes material promocional visando o incremento de suas vendas. g) Que esses materiais visaram divulgar e promover os produtos fabricados pela Recorrente, possuindo assim relação direta com a atividade desenvolvida pela empresa. h) Que, a titulo exemplificativo, junta noticias publicadas por meio da internet nas quais constam algumas promoções realizadas pela empresa visando o incremento Fl. 667DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 630 5 de suas vendas, com a distribuição de produtos promocionais, e.g camisa oficial do Real Madrid (doc. 02). i) Que campanhas como estas acima mencionadas são corriqueiramente apresentadas pela Recorrente, nas quais há distribuição de materiais promocionais, bem como a distribuição de diversos prêmios, sempre com o intuito único e exclusivo de fomentar as vendas da companhia. j) Que não há qualquer ato de liberalidade na distribuição direcionada dos materiais promocionais. Há, sim, clara expectativa de retorno comercial que a divulgação da marca da Recorrente, nos produtos promocionais, junto a uma classe estratégica de pessoas poderá trazer. k) Que o intuito é, por meio de propaganda, divulgar a seus potenciais clientes a boa qualidade dos produtos que colocou no mercado, tratandose de típica despesa necessária à manutenção da fonte produtora de rendimento, enquadrandose tais despesas perfeitamente na condição prevista no artigo 366 do RIR/99, permite a sua dedução. l) Que a dedutibilidade das despesas de propaganda na apuração do lucro real, em casos nos quais, como o presente, tais despesas estão essencialmente ligadas às atividades dos contribuintes, é reconhecida pelo E. Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão nº 10808.421, que transcreve. m) Que a norma invocada pelo Sr. Auditor Fiscal para dar suporte á glosa das despesas foi introduzida no Ordenamento Jurídico com o objetivo único de afastar a dedutibilidade de gastos incorridos pelos contribuintes que em absolutamente nada se coadunem com suas atividades, ou seja, gastos não vinculados à operacionalidade de seu objeto social. n) Que neste caso, não estamos diante de produto de diminuto valor comercial e que são distribuídos aleatoriamente (Parecer Normativo n° 15/1976), mas, sim, de materiais promocionais que são confeccionados com o logotipo da Recorrente no intuito único e exclusivo de atingir um público alvo, fomentando, cada vez mais as vendas realizadas pela Recorrente. o) Que não pode deixar de manifestar sua indignação quanto á manutenção, pelo acórdão recorrido, da adição ao lucro liquido dos valores contabilizados na conta contábil 6053200, ao argumento de que "o contribuinte juntou apenas as notas fiscais de entrada dos referidos produtos, inexistindo nos autos as notas fiscais emitidas pelos estabelecimentos vendedores." p) Que é incoerente e sem qualquer fundamento a justificativa apontada pelo acórdão recorrido para fins de manutenção da adição ao lucro liquido de despesas que, pela natureza, são classificadas como material promocional. q) Que, entretanto, visando única e exclusivamente afastar qualquer dúvida quanto aos documentos contábeis até então apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, apresenta as cópias das notas fiscais de aquisição dos produtos promocionais objeto de discussão (doc. 03). Fl. 668DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 631 6 r) Que pelo exposto, não procede a glosa das despesas sob análise, uma vez que os gastos incorridos na aquisição dos materiais de propaganda mantém claro vinculo com a atividade desenvolvida pela Recorrente e, portanto, são necessários á manutenção da fonte produtora de rendimentos, sendo, portanto, dedutíveis a teor do que dispõe o art. 366 do RIR. s) Que, com relação à adição ao lucro real, de receitas financeiras no montante de R$ 115.051,61, à despeito de ter demonstrado que havia oferecido tais rendimentos à tributação, o acórdão recorrido manteve a adição com nítida alteração dos fatos que ensejaram tal adição. t) Que a razão da adição pelo despacho decisório do montante de R$ 115.051,61 decorreu do fato de que a Recorrente não havia levado à tributação "juros sobre empréstimo concedido à empresa coligada Siemens Serviços Técnicos", nada sendo manifestado quanto aos "juros sobre empréstimo concedido à empresa coligada Siemens Ltda." u) Que, no entanto, resta nítido na decisão recorrida que a manutenção da adição ao lucro liquido do montante de R$ 115.051,61 decorreu do fato de que no ano calendário de 2004 o total de juros recebidos da coligada Siemens Ltda foi de R$ 24.137.685,28 e tal quantia é aproximadamente igual a escriturada pelo contribuinte no Diário Geral a titulo de juros recebidos sobre empréstimos a coligadas R$ 24.126.075,29. v) Que a decisão recorrida alterou, assim, o fundamento do lançamento, o que é vedado pelo art. 145 e 146 do CTN . x) Que visando a demonstrar a lisura do procedimento, reconhece que o valor tributado a título de receitas financeiras decorrentes de empréstimos recebidos da empresa coligada Siemens Ltda, conforme registrado na conta contábil 85720, foi de R$ 24.011.023,68, sendo certo que o valor efetivamente recebido era de R$ 24.137.685,28. z) Que, em conciliação periódica realizada na conta contábil 85720, foi verificado que no mês de dezembro de 2004 havia sido registrado a menor o montante de R$ 126.661,57 correspondente rendimentos com juros sobre empréstimo concedido à Siemens Ltda. (R$ 1.563.492,87 1.690.154,44). aa) Que, em razão do equivoco ocorrido, acabou por adicionar ao lucro liquido o montante em questão (R$ 126.661,57) no período seguinte (docs. 05, 06 e 07). bb) Que, diante de tal fato, na hipótese de não ser acatada a alegação de impossibilidade de alteração do lançamento, caberia ao d. Julgador a quo movimentar, de oficio, a base de cálculo fiscalizada e aquela dos períodos seguintes a fim de cobrar somente encargos acessórios, exclusivamente, se aplicável, com base no Parecer Normativo CST n° 02/96, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes que menciona. cc) Que, assim, não procede a adição do montante referente a rendimentos decorrentes de juros sobre empréstimo concedido à empresa coligada, uma vez que referido valor foi contabilizado como receita financeira, sendo levado à tributação pela Recorrente. dd) Que não concorda com a fixação dos juros moratórios com base na Taxa Selic, em vista da violação aos princípios da estrita legalidade em matéria tributária (art. 150, I da CF), da indelegabilidade de competência (art. 48, I e 150, I da CF); e segurança jurídica (art. 5° da CF), além da disposição contida no art. 161, § 1° do CTN. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 632 7 ee) Que o valor da multa foi corrigido, aplicandose, para tanto, a taxa Selic, em flagrante descumprimento ás determinações do artigo 61 da Lei 9.430/96. ff) Que essa correção não foi efetuada à época do lançamento efetuado pela DRF, tendo em vista consistir em inovação perpetrada após a emissão da decisão de lª Instância. Esse fato, importa salientar, é muito grave, na medida em que altera os critérios jurídicos do lançamento dos encargos acessórios. gg) Que, na remota hipótese de ser mantida a cobrança decorrente do indeferimento das compensações, é mister a exclusão da parcela equivalente A aplicação da taxa Selic sobre a multa. Ao final requer que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e homologadas as compensações realizadas na sua íntegra. É o relatório. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 633 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos referese a adições feitas à base de cálculo da CSLL com vistas a apuração do saldo negativo da contribuição, remanescendo após o acórdão proferido pelo colegiado de primeiro grau as questões referentes à despesas com brindes e receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação. Idêntica discussão foi travada no recurso voluntário interposto no âmbito do Processo nº 10283.000705/200736, também por mim relatado, no qual se discutiu o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ. Assim, adoto neste processo as mesmas razões externadas no voto proferido no Acórdão nº1301001.597, de 31/07/2014, transcritas abaixo: Examino inicialmente a questão relativa a adição de despesas com brindes à base de cálculo do IRPJ. A recorrente sustenta que não se trata de despesa com brindes, mas sim de materiais promocionais, com o intuito único e exclusivo de fomentar as vendas da Companhia. Sustenta que não há qualquer ato de liberalidade na distribuição direcionada dos materiais promocionais e que há, sim, clara expectativa de retorno comercial que a divulgação da marca da Recorrente, nos produtos promocionais, junto a uma classe estratégica de pessoas poderá trazer. Alega que o intuito é, por meio de propaganda, divulgar a seus potenciais clientes a boa qualidade dos produtos que colocou no mercado, tratandose de típica despesa necessária à manutenção da fonte produtora de rendimento, enquadrandose tais despesas perfeitamente na condição prevista no artigo 366 do RIR/99, permite a sua dedução. Defende que a dedutibilidade das despesas de propaganda na apuração do lucro real, em casos nos quais, como o presente, tais despesas estão essencialmente ligadas às atividades dos contribuintes, é reconhecida pelo E. Conselho de Contribuintes. Aduz que a norma invocada pelo Fisco para dar suporte á glosa das despesas foi introduzida no Ordenamento Jurídico com o objetivo único de afastar a dedutibilidade de gastos incorridos pelos contribuintes que em absolutamente nada se coadunem com suas atividades, ou seja, gastos não vinculados à operacionalidade de seu objeto social e que, neste caso, não estamos diante de produto de diminuto valor comercial e que são distribuídos aleatoriamente (Parecer Normativo n° 15/1976), mas, sim, de materiais promocionais que são confeccionados com o logotipo da Recorrente no intuito único e exclusivo de atingir um público alvo, fomentando, cada vez mais as vendas realizadas pela Recorrente. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 634 9 A discussão passa, portanto, pela identificação da real natureza dos dispêndios, se são brindes ou despesas com propaganda ou promocionais, como defende a recorrente. O acórdão recorrido afastou a hipótese de trataremse tais despesas como propaganda, mediante a análise do art. 366 do RIR/1999, concluindo que: Como se vê, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, as despesas com propaganda admitidas são aquelas referentes a pagamentos efetuados a empresas jornalísticas, a empresas de radiodifusão ou televisão e despesas pagas a quaisquer empresas, inclusive de propaganda. Exigese ainda que a empresa beneficiada seja registrada no CNPJ e mantenha escrituração regular. Assim, não se pode aceitar como despesas de propaganda aquelas efetuadas mediante a aquisição de diversos materiais para fins de distribuição gratuita a clientes e potenciais clientes. (...) O Parecer Normativo CST nº 15/1976 analisando a questão da dedutibilidade dos brindes, também se reportava à norma específica do Regulamento do Imposto de Renda então vigente, para definir seu alcance, in verbis: 4. Por sua vez, o art. 191 do Regulamento do Imposto de Renda indica, expressamente, as despesas qualificadas como de propaganda. Correspondem elas a gastos estritamente de natureza publicitária, efetivamente realizadas com profissionais ou empresas especializadas (as despesas de propaganda). No que tange aos brindes, a Solução de Consulta Cosit nº 58/2014, definiu o seu conceito para fins de aplicação do art. 13, inc. VII da Lei nº 9.249/1995, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. BRINDES. CONCEITO. Nos termos do art. 13, VII, e do art. 35 da Lei nº 9.249, 16 de dezembro de 1995, são indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, as despesas com brindes. O termo “brindes” do art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249, de 1995, referese às mercadorias que não constituam objeto normal da atividade da empresa, adquiridas com a finalidade específica de distribuição gratuita ao consumidor ou ao usuário final, objetivando promover a empresa ou o produto, em que a forma de contemplação é instantânea. Embora possam ser de diminuto ou nenhum valor comercial, como as amostras, conceituadas no art. 54, inciso III, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, destas se diferenciam pois não se tratam de produto, fragmento ou parte de mercadoria em quantidade estritamente necessária a dar a conhecer a sua natureza, espécie e qualidade. (grifei) Fl. 672DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 635 10 Do exame dos argumentos e documentos apresentados pela recorrente entendo que a distribuição dos bens adquiridos, com efeito, têm o intuito de promover a empresa e/ou seus produtos e que, evidentemente, tais mercadorias não constituem objeto normal de suas atividades (indústria de eletroeletrônicos). Os documentos (fls.270/379 e 525/656) referemse a canetas, mochilas, cadernos capa dura Claro, relógios, Nécessaire de viagem, Blusas moleton Siemens, camisa Real Madrid, sacolas nylon, porta CD, porta retrato, caderno pequeno, camisas Cruzeiro, porta celular, camiseta gola careca, jaquetas, luvas, kit caneta/chaveiro, conjunto caneta e lapiseira, microsystem Toshiba, camisa Palmeiras, canecas personalizáves, camisa branca, bolas volley, entre outros produtos. A empresa contabilizou os produtos adquirido na conta 6053200 Brindes prom. Agendas + folhinhas Empr. (cfe. balancete fls. 161) Em que pese a distribuição de tais brindes possa contribuir para a divulgação da marca da empresa, tais dispêndios têm sua dedutibilidade expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249, de 1995. De se ressaltar que a previsão de dedutibilidade das despesas, para fins da definição da renda tributável pelo imposto de renda, decorre da lei, conforme consolidado na jurisprudência 1. A jurisprudência deste conselho é sólida no sentido de manter a glosa das despesas com brindes, a despeito de seu caráter promocional ou de divulgação, como se extrai dos acórdãos, cujas ementas abaixo transcrevo: DESPESAS COM DISTRIBUIÇÃO DE BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A partir do anocalendário de 1996, as despesas com distribuição de brindes, independentemente de seu valor ou de sua eventual necessidade para o incremento da atividade econômica da empresa, são indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, nos termos preceituados pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249/1995. (Acórdão 130200.514, de 23/02/2011) 1 TRF4 APELAÇÃO CIVEL AC 15143 RS 2004.71.08.0151435 (TRF4) Data de publicação: 11/10/2006 Ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO RETIDO. AUSÊNCIA DE REITERAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. INDEFERIMENTO DA PROVA TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 9.249 /95. CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA. FATO GERADOR DEFINIDO POR LEI ORDINÁRIA. DESPESAS COM BRINDES. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. DECRETO 3.000 /99 RIR/ 99. DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTÍVEIS. ADIANTAMENTO DE COMISSÃO A REPRESENTANTE COMERCIAL. LEI 4.886 /65. CONDUTA DE ACORDO COM O PRINCÍPIO DA BOA FÉ SUBJETIVA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. [...]. O conceito de renda é fixado livremente pelo legislador, segundo considerações pragmáticas, em função da capacidade contributiva e da comodidade técnica de arrecadação. Precedente do Supremo Tribunal Federal.Não havendo um conceito ontológico de renda ou de lucro, pois lucro e renda tributável são conceitos legais, não há falarse em direito constitucional à dedução das despesas com brindes, haja vista que os critérios para dedução são estabelecidos em lei, qual seja, a Lei 9.249/95. O Código Tributário Nacional descreve apenas a figura do imposto sobre a renda e Proventos de qualquer Natureza e estabelece os limites da sua conceituação. A definição do fato gerador desse imposto, no sentido técnico exato do termo, compete à lei federal ordinária, e não complementar como afirmado pela parte Fl. 673DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 636 11 DESPESAS COM DISTRIBUIÇÃO DE BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A partir do ano calendário de 1996, as despesas com distribuição de brindes, independentemente de seu valor ou de sua eventual necessidade para o incremento da atividade econômica da empresa, são indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, nos termos preceituados pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249/1995. (Acórdão nº 180301.113, de 23/11/2011) GLOSA DE DESPESAS — BRINDES — por expressa previsão legal, as despesas com brindes, que se caracterizam como um bem oferecido gratuitamente, não são dedutiveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (Acórdão nº 120100.325, de 02/09/2010). BRINDES. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. As despesas com brindes não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real por disposição expressa de lei (art. 13, VII, da Lei 9.249/95) (Acórdão nº 110300.638, de 15/03/2012) DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido são vedadas as deduções de despesas com brindes. (Lei n º 9.249, de 1995, artigo 13, VII). (Acórdão nº 180101.132, de 08/08/2012) Assim, existindo vedação legal expressa, é correta a glosa das despesas com brinde e sua adição à base de cálculo do IRPJ. Ante ao exposto, rejeito as alegações da recorrente neste ponto. Com relação à receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação, a recorrente alega que o acórdão recorrido teria inovado nos fundamentos que determinaram a sua adição ao lucro real, na medida em que restou comprovado que as receitas decorrentes de empréstimos para a empresa coligada Siemens Serviços Técnicos foi devidamente contabilizada e reconhecida no resultado. Não obstante tal comprovação, o acórdão recorrido teria mantido a adição da parcela ao resultado com base no fato de que as receitas financeiras contabilizadas totais, provenientes de empréstimos, correspondem praticamente ao valor declarado em DIRF pela empresa coligada Siemens Ltda. A recorrente informa ainda que, de fato, registrou a menor o valor relativo a receitas de juros sobre empréstimos à coligada Siemens Ltda, no mês de dezembro de 2004, no montante de R$ 126.661,57 e que verificada a falha em conciliação de contas realizada posteriormente, efetuou a correção mediante adição ao lucro do período seguinte. Entendo que, embora a recorrente tenha, de fato, comprovado que registrou contabilmente o valor dos juros recebidos da empresa coligada Siemens Serviços Técnicos, também restou demonstrado pelo seu próprio relato que ofereceu receitas financeiras relativas a empréstimos às coligadas em valor menor que o devido em Fl. 674DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 637 12 2004, de sorte que a adição da diferença correspondente, ao lucro líquido, sob este prisma revelase correta. No caso, o Fisco, por equívoco, entendeu que a diferença à menor referiase ao valor dos juros recebidos da empresa Siemens Serviços Ltda de que resultou na adição da importância de R$ 115.051,61 ao invés de R$ 126.661,57 que seria correto. Não enxergo uma mudança no fundamento da adição levada ao lucro líquido pelo Fisco, porquanto a diferença se refere à receitas financeiras decorrentes de empréstimos à coligadas, independente do rendimento de qual fonte pagadora foi omitido. Alega ainda a recorrente que, tendo oferecido à tributação da diferença no período seguinte, deveria o Fisco ter considerado apenas o efeito da postergação, exigindo exclusivamente os encargos acessórios, com base no Parecer Normativo CST n° 02/96. A recorrente trouxe aos autos cópias dos registros contábeis comprovando ter reconhecido as diferenças no mês de janeiro de 2005 e que apurou lucro tributável naquele exercício (fls. 661 a 674). O Parecer Normativo CST nº 02/1996 ao tratar da postergação de pagamento de tributos, procedido espontaneamente pelo sujeito passivo em período posterior, assim dispôs: 6.2 O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados, deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. No caso dos autos não se trata de lançamento de diferenças de tributos, mas sim da aferição do saldo negativo de IRPJ passível de restituição pelo sujeito passivo. De qualquer sorte, o fato da recorrente ter oferecido espontaneamente as diferenças de receitas à tributação em período imediatamente posterior há que ser considerado de forma a evitar o bis in idem. Não tendo havido a constituição do crédito devido pelo lançamento, mas tão somente ajustada a base de cálculo para fins de determinação do valor passível de restituição/compensação, não há como proceder à exigência dos juros e multas que seriam devidos no âmbito deste procedimento, caso o contribuinte ainda não tenha pagado tais acréscimos, pois falece competência à autoridade julgadora para constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente. [...] Desta feita, estando comprovada a postergação do pagamento do imposto devido em face das diferenças identificadas no âmbito do processo de compensação, deve ser excluída a importância de R$ 115.051,61, adicionada à base de cálculo do CSLL pela autoridade fiscal, com vistas à apuração do saldo de CSLL a restituir. O acórdão recorrido havia recomposto a base de cálculo (R$ 66.316.387,14) e o valor do saldo negativo de CSLL (R$ 2.708.266,84), em face do acolhimento parcial das Fl. 675DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 638 13 alegações da recorrente. Assim, excluindose o valor de R$ 115.051,61, têmse a seguinte apuração de saldo negativo: Item Discriminação Valor (R$) 1 Base de Cálculo da CSLL apurada após acórdão de primeiro grau 66.316.387,14 2 () Exclusão das Receitas Financeiras 115.051,61 3 Recomposição da Base de Cálculo da CSLL = (12) 66.201.335,53 4 CSLL Devida (9% da Base de Cálculo) 5.958.120,20 5 () Estimativas 8.670.718,81 6 () CSLL retida na fonte 6.022,87 7 Saldo Negativo CSLL = (04) – (05+06) 2.718.621,48 Por fim, a recorrente questiona a incidência dos juros Selic sobre os tributos exigidos em face da não homologação integral das compensações e, ainda, especificamente quanto a incidência dos juros Selic sobre as multas incidentes sobre os tributos. Esta questão também foi por mim enfrentada no Acórdão nº 1301001.597, sendo rejeitada pelos fundamentos que adoto neste voto, verbis: Entendo que tais matérias não integram o litígio, que trata do reconhecimento de direito creditório e conseqüente homologação das compensações pleiteadas. O reconhecimento parcial do crédito e do pedido de compensação tem como consequência a extinção parcial dos débitos confessados e a não extinção dos demais. A exigência dos créditos não extintos pela compensação, consequência direta do indeferimento parcial, do pedido de compensação, juntamente com os demais consectários legais (juros e multa de mora), compete à autoridade administrativa que jurisdiciona a interessada, não cabendo a este colegiado conhecer de tais alegações no âmbito do procedimento de compensação. Pelo exposto, entendo que o recurso não deve ser conhecido, nesta parte. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório adicional de R$ 10.354,64, relativo ao saldo negativo de CSLL, no anocalendário 2004, e homologar as compensações até o limite do crédito total reconhecido (R$ 2.718.621,48). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 676DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/200763 Acórdão n.º 1302001.911 S1C3T2 Fl. 639 14 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004458/2010-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10715.004458/2010-15
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5592229
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.551
nome_arquivo_s : Decisao_10715004458201015.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10715004458201015_5592229.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6386989
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417953906688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2174; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 250 1 249 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10715.004458/201015 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.551 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AMERICAN AIRLINES INC. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 44 58 /2 01 0- 15 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/201015 Acórdão n.º 9303003.551 CSRFT3 Fl. 251 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.797, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido conforme despacho do Presidente da Câmara recorrida. Em suas contrarrazões, o sujeito passivo pugna pela não admissibilidade do apelo fazendário, e, caso admitido, o requer o seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, relator. O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... Fl. 251DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/201015 Acórdão n.º 9303003.551 CSRFT3 Fl. 252 3 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/201015 Acórdão n.º 9303003.551 CSRFT3 Fl. 253 4 No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' Fl. 253DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/201015 Acórdão n.º 9303003.551 CSRFT3 Fl. 254 5 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 254DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/201015 Acórdão n.º 9303003.551 CSRFT3 Fl. 255 6 por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/201015 Acórdão n.º 9303003.551 CSRFT3 Fl. 256 7 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/201015 Acórdão n.º 9303003.551 CSRFT3 Fl. 257 8 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/201015 Acórdão n.º 9303003.551 CSRFT3 Fl. 258 9 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Henrique Pinheiro Torres Fl. 258DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020383/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 16/12/1998 a 31/12/2006
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 16/12/1998 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15504.020383/2008-02
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578736
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.125
nome_arquivo_s : Decisao_15504020383200802.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
nome_arquivo_pdf_s : 15504020383200802_5578736.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6334113
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417963343872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 335 1 334 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.020383/200802 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.125 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria Ação Judicial Recorrente SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 16/12/1998 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 03 83 /2 00 8- 02 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020383/200802 Acórdão n.º 2401004.125 S2C4T1 Fl. 336 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal. Adotamos trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 321 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a Secretaria de Estado de Ciência Tecnologia e Ensino Superior do Estado de MG, no montante de R$ 1.086.002,56 (um milhão, oitenta e seis mil e dois reais e cinqüenta e seis centavos), consolidado em 20/11/2008, consolidado em 20/11/2008, referente a contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuições dos segurados, apuradas com base em remunerações pagas ou creditadas a segurados não efetivos (comissionados e função pública), vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme Relatório Fiscal de fls. 108/112. A ação fiscal teve inicio com o Termo de Inicio de Ação Fiscal — TIAF de fls. 97. • A interessada foi cientificada da presente NFLD em 09/12/2008 (cópia de AR juntada à fl. 115) e apresentou impugnação em 22/12/2008, as fls. 119/157 (…) (...) Como afirmado, a impugnação foi julgada improcedente. Cientificada do julgamento, a recorrente apresentou, tempestivamente, o recurso de fls. 349 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * nulidade da intimação dirigida à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais, sendo válida somente aquela dirigida à Advocacia Geral do Estado, devendo ser esta considerada como termo inicial para fluência do prazo recursal; * decadência do direito de lançar, nos termos do artigo 173 do CTN, pois os débitos se referem ao período de 16/12/1998 a 31/12/2006 e foram constituídos em 20/11/2008, sendo que a recorrente somente foi intimada em 05/12/2008. Assim, devem ser excluídos do lançamento os valores referentes ao período compreendido entre 16/12/1998 a 31/12/2002. Nos termos da decisão recorrida, a concessão de liminar no Mandado de Segurança 1999.38.0.017.8182, cassada em 27/02/2007, obstou o exercício do dever legal de constituir o crédito, não fluindo o prazo decadencial enquanto vigorou a liminar, confirmada pela sentença de 1. grau. Entretanto, esse entendimento não pode prevalecer, haja vista posicionamento contrário sedimentado no STJ (STJ, REsp 216.298); Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 * quanto aos dados constantes dos arquivos digitais fornecidos pela Secretaria de Estado Planejamento e Gestão, aduz que não poderia lhe ser exigida a ratificação/retificação, por falta de competência da autoridade fiscal para tais exigências. Ademais, os dados careceriam de processo de certificação disponibilizado pela ICPBrasil; * necessidade de prova pericial para provar os fatos alegados; * no que se refere aos servidores não efetivos, aduz que estão vinculados a regime próprio, nos termos da legislação estadual (Lei Estadual n. 869/52, Decreto Estadual n. 31.390). Discorre sobre a autonomia política do Estado de Minas Gerais e sobre a competência concorrente prevista na Constituição Federal de o Estado instituir tributo dos servidores, nos termos do art. 149, §1° da Constituição Federal. Alega que desde a Constituição Federal de 1988, o Estado tinha competência para reger matéria previdenciária de seus servidores, incluindo os designados para o exercício da função pública, regidos pela Lei n° 10.254 de 20.07.1990, que instituiu o regime jurídico único no Estado de Minas Gerais. O art. 4° da citada lei, dispôs sobre a situação jurídica do detentor de função pública. Aos servidores não efetivos aplicamse os dispositivos da Lei Estadual 869/52, do Decreto Estadual 31.930/90 e da Lei 9.380/86, em cujos artigos prevêem os benefícios previdenciários aos servidores estaduais, incluindo aposentadoria nas diversas modalidades e pensão a seus dependentes, existindo, assim, RPPS — Regime Próprio de Previdência Social para os servidores não efetivos o que afasta a competência da Receita Federal do Brasil para cobrar contribuição relativa aos servidores públicos estaduais. Argumenta o Impugnante que após a Emenda Constitucional — EC Estadual n° 49, de 13.06.2001, os servidores públicos estaduais detentores de função pública passaram a ter os mesmos direitos inerentes ao exercício do cargo efetivo. Cita os artigos 105 a 108 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição do Estado de Minas Gerais de 1989, inseridos pela EC 49. Conclui que ainda que antes da EC n° 49/01, os detentores de função pública fossem considerados não efetivos, após referida emenda passaram a ter os mesmos direitos dos servidores que eram titulares de cargo efetivo, o que significa que passaram a pertencer (se já não pertenciam) ao RPPS dos servidores do Estado de Minas Gerais, competindo a esse ente federativo arrecadar contribuições e efetuar o pagamento dos benefícios previdenciários em relação a estes servidores. Destaca que a EC 49/01 foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADI/STF 2578/MG, cujo resultado foi o seu não conhecimento. Cita trecho do voto do Ministro Celso de Mello. Diz que as normas de regência dos detentores de função pública no âmbito do Poder Executivo estadual é a Lei 10.254/90 e no âmbito do Poder Legislativo estadual é a Resolução ALEMG 463/90, sendo que reconhecem o regime previdenciário nos mesmos moldes dos demais servidores titulares de cargo efetivo. Não foi a EC 49/01 que disciplinou a situação de tais servidores, mas as normas editadas desde 1990, tendo a citada emenda fortalecido o entendimento já consagrado na federação brasileira. Assim, faleceria competência à Receita Federal do Brasil para cobrar contribuições previdenciárias dos servidores estaduais não efetivos, quando vigente as leis e Constituição Estadual vinculando estes servidores a RPPS. Argumenta que até 1998 a Constituição Federal nada mencionou sobre o custeio da aposentadoria dos servidores estaduais, distritais e municipais. Somente com a EC 20/98, previuse o caráter contributivo do regime de previdência dos servidores estaduais e exigiuse o requisito de tempo de contribuição para a concessão da aposentadoria. Assim, não haveria que se falar em contribuição de servidores públicos estaduais de qualquer categoria vinculados ao Estado de Minas Gerais, para custeio de aposentadoria antes da EC 20/98. Acrescenta que os servidores só efetuaram contribuições a partir de 1996, nos moldes da Lei 12.278/96, revogada pela LC 64/02 e pela LC 100/07. Conclui que, no período de autuação, os servidores não efetivos — ocupantes de cargos comissionados de recrutamento amplo e detentores de função pública — estavam amparados pelo RPPS do Estado de Minas Gerais não tendo que se falar em contribuições devidas à Receita Federal do Brasil. Em tópico seguinte alega que além dos argumentos relativos ao pacto federativo brasileiro, a obrigação principal de recolhimento das contribuições Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020383/200802 Acórdão n.º 2401004.125 S2C4T1 Fl. 337 5 previdenciárias pelo Estado de Minas Gerais relativa a servidores "não efetivos" também inexiste. Transcrevendo o § 1° do artigo 149 da Constituição Federal, e invocando a sua redação anterior dada pela emenda Constitucional n° 33/2001 a qual dispunha que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderiam instituir contribuição para custeio do regime previdenciário de que trata o art. 40 da CF, alega que temse por legitima a capacidade do Estado de Minas Gerais para a instituição de contribuição previdenciária de seus servidores nos moldes de sua própria legislação. Ressalta que os recursos porventura arrecadados pelos Estados no exercício de sua competência tributária previdenciária integram os próprios orçamentos, de acordo com o estabelecido pelo artigo 195, § 1° da Constituição Federal, não cabendo à União tais recursos. Argumenta que sendo tal contribuição um tributo, devese submeter as limitações constitucionais ao poder de tributar, sendo a primeira delas a legalidade da lei tributária da qual se tem que não se pode exigir ou aumentar qualquer tributo sem lei que o estabeleça. Alega que a Lei 8.212/91 em momento algum elenca como contribuintes os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos comissionados dos Estados ou detentores de função pública ou designados, como o faz para os servidores públicos da União, conforme se depreende do seu artigo 12, inciso I, alínea g (na redação dada pela Lei n° 8.647/1993). Prossegue argumentando que a Lei 8.212/91 só prevê como contribuintes, fora dos casos elencados no art. 12 os servidores ocupantes de cargo efetivo dos Estados, não fazendo alusão aos cargos em comissão, função pública ou designados. Conclui que o tributo — contribuição previdenciária relativa aos servidores públicos "nãoefetivos dos Estados membros — não foi instituído pela União, falecendo mesma capacidade para cobrálo do Estado de Minas Gerais. Inexistindo amparo para o crédito principal, também não há amparo para exigir que o Estado cumpra com as obrigações acessórias decorrentes do principal. Ressalta que o Estado de Minas Gerais sempre agiu de acordo com a legislação, não havendo ofensa aos dispositivos legais apontados pelo fisco, uma vez que não estava obrigado a cumpri los; * ainda que fosse devida contribuição, esta seria passível de compensação, nos moldes da Lei n. 9.796/99. É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Ação Judicial. Em que pese a ausência de notícia nos autos, a memória e os arquivos deste Relator permitiram rememorar julgamento de recurso voluntário ocorrido em 19 de setembro de 2013, nos autos do processo 15504.010514/200916, que tratava de Auto de Infração lavrado em face da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. O desfecho daquele recurso voluntário dependia da mesma questão debatida nos presentes autos: incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de servidores não efetivos. Naqueles autos, a mesma AdvocaciaGeral do Estado, que elaborou a peça recursal aqui em análise, informou que o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS celebraram acordo perante o STJ, nos autos do REsp n° 1.135/162/MG, que envolve a questão referente à incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de servidores não efetivos. Deveras, ali constou que: Preliminarmente, alega que o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS celebraram acordo perante o STJ, nos autos do REsp n° 1.135/162/MG, que envolve a questão debatida nos presentes autos. Segundo constado item J, as partes devem comunicar a homologação daquele acordo em cada ação judicial e também nos processos administrativos, como no caso. Nos termos deste acordo o Estado de Minas Gerais reconhece que após o advento da Emenda Constitucional n.° 20, de 15 de dezembro de 1998, a União é credora das contribuições previdenciárias devidas ao Regime Geral de Previdência Social, relativas a seus servidores não efetivos; as quais serão quitadas por meio de parcelamento, nos termos da Lei n.° 11.941, de 27 de maio de 2009; observandose, para tanto, a decadência e prescrição qüinqüenais; nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do STF, cuja consolidação obedecerá aos termos do acordo. Este Acordo foi homologado em decisão proferida pelo Exmo. Sr. Ministro Humberto Martins, publicada em 06/08/2010, após parecer favorável do Ministério Público Federal. Ainda nos termos do Acordo, o Estado, de Minas Gerais deverá peticionar em cada processo que verse sobre a mesma matéria, comunicando a homologação deste. O Estado comunica que o pagamento dos referidos débitos consolidados neste auto de infração após exclusão dos valores indevidos, serão quitados por meio de parcelamento, nos termos da Lei Federal n° 11.941, de 27 de maio de 2009, ao qual o Estado já indicou o valor que entende devido. Assim, requer, requer a extinção e arquivamento do processo administrativo tendo em vista a transação havida entre as partes, por aplicação do artigo 52 da Lei Federal 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Assim, apesar de não constar dos autos ter a recorrente aqui cumprindo o estatuído no item J, comunicando a homologação daquele acordo e informando que o pagamento dos referidos débitos consolidados neste Auto de Infração, após exclusão dos valores indevidos, seriam quitados por meio de parcelamento, cumpre a este relator aqui Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020383/200802 Acórdão n.º 2401004.125 S2C4T1 Fl. 338 7 reconhecer a existência dessa questão preliminar, consignando que, pelo item C do referido acordo, quanto aos lançamentos já efetuados, a recorrente realmente reconhece o débito e obrigase ao pagamento/parcelamento. Diante da existência de acordo judicial que engloba todas as questões suscitadas no Recurso Voluntário, incluindo as demais matérias preliminares e também o mérito, forçoso reconhecer que houve renúncia ao contencioso administrativo. Senão vejamos. O artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que seja afastada da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao Judiciário e este não pode furtarse da apreciação e solução da matéria. As decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. É por essa razão que ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por “o mesmo objeto” ou “pedido” do processo administrativo. É o que dispõem a Súmula CARF n° 1; o artigo 126, § 3º, da Lei no 8.213/91; o artigo 38 da Lei n° 6.830/80; e o artigo 87 do Decreto 7.574/11: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Lei n° 8.213/91: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Parágrafo único. Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada” (sem grifos no original) Lei n° 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto Decreto 7.574/2011: (Regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) (...) Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n° 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. (Todos destaques são nossos) Assim, tendo em vista que a recorrente manejou ação judicial, na qual celebrou acordo que engloba todas as questões suscitadas no Recurso Voluntário, incluindo as demais matérias preliminares e também o mérito, forçoso reconhecer que houve renúncia ao contencioso administrativo. Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020383/200802 Acórdão n.º 2401004.125 S2C4T1 Fl. 339 9 (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 10314.725666/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10314.725666/2014-06
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5582266
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-000.314
nome_arquivo_s : Decisao_10314725666201406.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10314725666201406_5582266.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6350830
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417968586752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 831 1 830 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.725666/201406 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1301000.314 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 05 de abril de 2016 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrentes FAZENDA NACIONAL INTERCEMENT BRASIL LTDA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 25 66 6/ 20 14 -0 6 Fl. 831DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/201406 Resolução nº 1301000.314 S1C3T1 Fl. 832 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativas ao anocalendário de 2009. Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões de defesa trazidas pela contribuinte em sede de impugnação, reproduzo fragmentos do relato feito em primeira instância. [...] INFRAÇÕES APURADAS IRPJ – IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA 2.1 RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Receitas não operacionais escrituradas e não declaradas, apuradas conforme relatório fiscal em anexo. ... CSLL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 2.2 RECEITAS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Receitas não operacionais escrituradas e não declaradas, apuradas conforme relatório fiscal em anexo. ... COFINS– CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL 2.3 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Receitas não operacionais escrituradas e não declaradas, apuradas conforme relatório fiscal em anexo. ... PIS/PASEP– CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 2.4 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 832DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/201406 Resolução nº 1301000.314 S1C3T1 Fl. 833 3 Receitas não operacionais escrituradas e não declaradas, apuradas conforme relatório fiscal em anexo. ... Descrição dos fatos – Detalhamento 3. A descrição dos fatos encontrase no TERMO DE CONSTATAÇÃO às fls. 261 a 270, onde, em síntese, o fisco detalha o procedimento: 3.1 A ação fiscal tem origem em MPF inicialmente emitido em 2012, com primeira intimação cientificada ao contribuinte em 11/04/2012; em 13/01/2014 o MPF inicial foi encerrado e substituído por MPF emitido em 2014, cujo termo de ciência ao contribuinte data de 20/02/2014. 3.2 Consta dos cadastros da empresa o exercício da atividade de "Fabricação de Cimento", com domicílio em São Paulo/SP. O contribuinte optou pelo Lucro Real Anual no AC de 2009, com DIPJ retificadora apresentada em 11/01/2011. O contribuinte informou a existência de ações judiciais em andamento, contudo, tais ações não impedem a constituição do crédito tributário referente ao IRPJ AC 2009. 3.3 Em pesquisa ao sistema DIRF, constatouse a existência de receitas advindas de Juros Sobre Capital Próprio JCP no valor de R$ 73.135.994,51. Em diligências junto às fontes pagadoras, as informações prestadas nas DIRF's foram ratificadas. 3.4 Verificando a DIPJ apresentada pelo contribuinte, constatase que foi informada a receita sob a rubrica de JCP no valor de R$ 7.007.770,69. Intimado a explicar a diferença observada, a autuada informou que tais diferenças receberam o tratamento contábil de dividendos. 3.5 Verificando os documentos apresentados pelo contribuinte, concluise que, não apenas a totalidade dos valores pagos a título de JCP não foi oferecida à tributação, como um deles, no valor de R$ 17.438.746,79, pagos pela ITAÚ SA, foram dela excluída. 3.6 Não resta dúvida que os rendimentos em questão são de fato de JCP e que os valores, os beneficiários e as datas estão corretos. Embora não modifique a conclusão quanto à natureza tributável dos rendimentos recebidos, a análise da contabilidade do contribuinte revela que o mesmo não apenas não ofereceu à tributação a totalidade dos rendimentos em discussão como também deduziu os impostos dele retidos a título de JCP. 3.6.1 Se por um lado a dedução dos impostos retidos está prevista legalmente, por outro lado, indica também que o próprio contribuinte reconhece a natureza tributável desses rendimentos uma vez que, não estando sujeitos à tributação exclusiva na fonte, devem ser necessariamente oferecidos à tributação na hipótese de possibilidade de aproveitamento do imposto retido. 3.7 A diferença entre o total dos rendimentos recebidos a título de JCP declarado em DIRF e o valor líquido já oferecido à tributação pelo contribuinte resulta no total de rendimentos não oferecidos à tributação no valor de R$ 66.047.028,26. 3.8 Observase que o contribuinte apurou, no próprio AC de 2009, prejuízo de R$27.430.368,83 o qual foi deduzido dos rendimentos não oferecidos à tributação apurados nesta fiscalização. Quanto ao prejuízo de anos anteriores nenhum valor foi utilizado. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/201406 Resolução nº 1301000.314 S1C3T1 Fl. 834 4 3.9 O contribuinte fica sujeito à multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. 4. O contribuinte foi cientificado do lançamento aos 20/08/2014 conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 298. Irresignado, o contribuinte apresenta aos 19/09/2014 a impugnação anexada às fls. 302 a 313. Em síntese, o documento apresentado: IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO 5. A tempestividade da impugnação. Da decisão recorrida Nulidades 6. O auto de infração padece de graves nulidades eis que, não poderia ser efetuado lançamento com relação à CSLL, tendo em vista que o MPF apenas abrangia o IRPJ, PIS e COFINS; não compensou os prejuízos acumulados de anos anteriores; não considerou os valores recolhidos a título de IRRF por ocasião dos pagamentos de JCP. 6.1 Também não poderia exigir os valores de PIS e COFINS referentes ao período de março a junho de 2009, pela inequívoca decadência e pela impossibilidade de incidência destas contribuições sobre JCP. 6.2 Invoca a Portaria MF nº 3.014, de 2011 e transcreve ementa e trecho de voto condutor de decisões do CARF para amparar seu argumento de nulidade. Alega que o procedimento adotado pelo fisco afronta os princípios da segurança jurídica e da não surpresa. Compensação de prejuízos fiscais 7. O auto de infração também possui vício em relação à apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, eis que não considerou o prejuízo acumulado dos anos anteriores, resultando numa majoração indevida da base de cálculo. 7.1 Deve o auto de infração ser cancelado por nulidade na apuração da base de cálculo, em virtude da necessária consideração dos prejuízos e bases negativas referidos. Não consideração dos valores de IRRF 8. O auto de infração também incorreu em vício de nulidade uma vez que desconsiderou por completo os valores relativos ao IRRF quando do pagamento dos rendimentos. Invoca o art. 9º, § 3º, inciso I da Lei nº 9.249, de 1995 em amparo de seu argumento. 8.1 Acrescenta que, ao não realizar a compensação das antecipações, a autoridade tornou incontroverso o direito de crédito da IMPUGNANTE pleiteado no processo administrativo 10880.996932/201289. 8.2 Esclarece que utilizou o Saldo Negativo de IRPJ AC 2009 em DCOMP, em análise no processo 10880.996932/201289. Solicita que, na eventualidade do crédito referente ao IRF não ser reconhecido no julgamento da manifestação de inconformidade apresentada naquele processo, deve ser aqui considerado na apuração do IRPJ exigido. Decadência 9. O auto de infração contestado também deve ser cancelado, já que exigiu créditos de PIS e COFINS extintos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/201406 Resolução nº 1301000.314 S1C3T1 Fl. 835 5 Acrescenta que é inequívoca a aplicação do dispositivo invocado, uma vez que a IMPUGNANTE realizou pagamento antecipado dos referidos tributos. 9.1 Neste contexto, argumenta que devem ser canceladas as exigências de PIS e COFINS relativas aos fatos geradores de março a junho/2009. Impossibilidade de exigência do PIS e da COFINS 10. O auto de infração deve ser cancelado face à impossibilidade de exigência do PIS e da COFINS sobre as receitas auferidas a título de JCP, que não integram o faturamento da IMPUGNANTE. 10.1 O STF definiu que o faturamento corresponde ao resultado das vendas e produtos e prestação de serviços decorrentes do exercício da atividade empresarial. Os rendimentos de JCP não têm qualquer vinculação com a atividade desenvolvida pelo acionista, de modo que, não compõem o faturamento, não caracterizando receita operacional. Do pedido 11. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração e protesta pela apresentação posterior de novos documentos, provas e alegações para a perfeita elucidação dos fatos, bem como realização de perícia, vistoria e quaisquer outras provas necessárias ao esclarecimento do processo. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas na defesa interposta, decidiu, por meio do acórdão nº 0263.076, de 07 de janeiro de 2015, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentados com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. DEDUÇÃO. IRRF. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. No caso da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto retido na fonte a título de juros sobre capital próprio é considerado antecipação do devido ou pode ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito por ocasião do pagamento ou crédito de juros a título de remuneração de capital próprio a seu titular, sócios ou acionistas. LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL PRAZO. No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de Fl. 835DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/201406 Resolução nº 1301000.314 S1C3T1 Fl. 836 6 ocorrência do fato gerador, que, em se tratando do IRPJ apurado no ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário. Tendo exonerado a contribuinte de parte do crédito tributário constituído, a Turma Julgadora de primeiro grau recorreu de ofício. Inconformada, a contribuinte interpôs o recurso de fls. 760/772, em que, em apertada síntese, sustenta: a nulidade do lançamento de CSLL, haja vista que o MPF abrangia apenas o IRPJ, o PIS e a COFINS; nulidade do lançamento de CSLL, visto que não foram compensadas as bases negativas de períodos anteriores; e a impossibilidade de incidência do PIS e da COFINS sobre os juros sobre capital próprio. É o Relatório. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/201406 Resolução nº 1301000.314 S1C3T1 Fl. 837 7 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativas ao anocalendário de 2009, formalizadas a partir da imputação de falta de oferecimento à tributação de receitas de juros sobre capital próprio auferidas. Ressalto que entre as razões trazidas pela contribuinte em sede de recurso voluntário, ela alega que a justificativa apresentada no ato decisório recorrido para não considerar a compensação de bases negativas de períodos anteriores ausência de localização nas DIPJ's apresentadas pelo contribuinte de base de cálculo negativa de CSLL apurados em períodos anteriores, passíveis de compensação não é plausível, visto que a Receita Federal possui em seu sistema todas as informações prestadas por ela e, além disso, apresentou em sua impugnação documentos que demonstram a existência das bases negativas de períodos anteriores. De fato, o ato decisório recorrido assegura que a autuada "não trouxe junto com a impugnação a comprovação dos valores dedutíveis a este título, conforme previsão expressa na legislação tributária vigente." Contudo, constato que a Recorrente juntou aos autos, fls. 378/652, cópia de páginas do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), especialmente as de fls. 441, 480, 529 e 586, em que são apontadas apurações de bases negativas de CSLL nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente. Destaco que, se consideramos como RELATÓRIO o TERMO DE CONSTATAÇÃO de fls. 261/269, a informação contida na decisão de primeiro grau no sentido de que "não foram localizados saldo de prejuízo fiscal não operacional ou base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, passível de dedução, conforme informações prestadas pelo fisco em seu relatório" é digna de reparo, vez que o que ali foi consignado não diz respeito exatamente ao fato de não ter sido localizada base negativa de períodos anteriores passível de aproveitamento, mas, sim, da não utilização de prejuízos fiscais por parte da contribuinte, senão vejamos: 03.06. Dos Prejuízos Apurados em 2009 e Anos Anteriores Da ficha 09A da DIPJ2010/2009 (ND 0001434909) observase que o contribuinte apurou, no próprio anocalendário de 2009, prejuízo de R$ 27.430.368,83 o qual foi deduzido dos rendimentos não oferecidos à tributação apurados por essa fiscalização, conforme auto de infração lavrado. Quanto ao prejuízo de anos anteriores nenhum valor foi utilizado, conforme a referida ficha 09A Verificase, pois, que o Termo de Constatação só faz alusão a prejuízos fiscais e apenas assinala que nenhum valor foi utilizado na Ficha 9 A da DIPJ, o que é evidente, haja Fl. 837DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/201406 Resolução nº 1301000.314 S1C3T1 Fl. 838 8 vista o fato de a contribuinte ter apurado resultado negativo, não cabendo, em razão disso, utilização de prejuízo fiscal em qualquer montante. Observo ainda que, em conformidade com o consignado nos autos, o imposto de renda na fonte incidente sobre as receitas que não foram oferecidas à tributação por parte da Recorrente integrou, para fins de compensação tributária, o crédito apontado no processo administrativo nº 10880.996932/201289. Nele, o citado crédito não foi acolhido haja vista o fato de a receita não ter sido tributada, isto é, discutese naqueles autos a mesma matéria apreciada no presente (ausência de tributação da receita referente a juros sobre o capital próprio). Diante das razões expostas, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que: a) a unidade administrativa de origem verifique se os resultados indicados no LALUR (fls. 441, 480, 529 e 586, dos autos) guardam correspondência com os registros efetuados na escrituração da contribuinte; b) seja distribuído para a minha relatoria, para fins de julgamento conjunto, o processo nº 10880.996932/201289. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 838DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000203/2002-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos e converter o julgamento em diligência. Fez sustentação, pela recorrente, o advogado Bernardo Maltz, OAB/RJ nº 162.051.
Robson José Bayerl Presidente substituto e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.000203/2002-02
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578502
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-000.924
nome_arquivo_s : Decisao_19515000203200202.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 19515000203200202_5578502.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos e converter o julgamento em diligência. Fez sustentação, pela recorrente, o advogado Bernardo Maltz, OAB/RJ nº 162.051. Robson José Bayerl Presidente substituto e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6330848
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417971732480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000203/200202 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401003.143 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de março de 2016 Assunto COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PROMON TELECOM LTDA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos e converter o julgamento em diligência. Fez sustentação, pela recorrente, o advogado Bernardo Maltz, OAB/RJ nº 162.051. Robson José Bayerl – Presidente substituto e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão 3401002.155, julgado na sessão de 27/02/2013, na parte que reconheceu a decadência do período anterior a julho/1997, exclusive, por força do disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Alega a embargante que houve omissão do julgado quanto à existência de antecipação de pagamentos, ainda que parciais, nas competências 05/1997 e 06/1997, o que implicaria o afastamento do art. 150, § 4º do CTN e conseqüente aplicação do art. 173, I do mesmo diploma, conforme entendimento fixado no REsp 973.733/SC, julgado sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 20 3/ 20 02 -0 2Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000203/200202 Resolução nº 3401003.143 S3C4T1 Fl. 3 2 É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O aclaratório sub examine foi submetido ao juízo de admissibilidade exigido pelo art. 65, §§ 2º e 7º do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015), preenchendo os requisitos exigidos para seu conhecimento. Revendo os termos do aresto argüido, verifico que o colegiado, naquela assentada, acolheu o entendimento ora defendido pela embargante, consoante o qual o emprego do art. 150, § 4º do CTN exigiria o recolhimento, ao menos parcial, do valor apurado a título de tributo, como se extrai da seguinte passagem do voto condutor: “Alega a Recorrente que estão decaídos os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos na data do lançamento, pois o prazo de decadência para o lançamento dos tributos sujeitos à homologação é de cinco anos, a contar da data do fato gerador. Neste ponto, tem razão a Recorrente. Conforme o demonstrativo elaborado pelo auditorfiscal, juntado na fl. 447, houve antecipação do pagamento, ainda que não tenha sido em sua integralidade. Por essa razão o prazo decadencial é de cinco anos, a contar da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Conforme decisão do STJ no Recurso Especial nº 973.733, julgado pela sistemática do art. 543C, do CPC, a exceção ao termo a quo no prazo decadencial para o lançamento de ofício dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorre somente quando o contribuinte não antecipa o pagamento, o que não é caso.” Como acentuado pelo embargante, a irresignação repousa na afirmação que haveria antecipação de pagamento para os períodos de apuração questionados, a partir dos dados constantes da planilha de apuração de fls. 447. Neste ponto, de fato, há uma inconsistência na premissa adotada pelo eminente Relator, porquanto aludido demonstrativo não afirma categoricamente que houve recolhimentos nos períodos indagados, mas tãosomente a existência de valores pagos e/ou declarados em DCTF, não sendo possível concluir, diante dos elementos acostados aos autos, que os valores indicados tenham sido, de fato, extintos por pagamento, ainda que parcialmente. Compulsando os autos não logrei encontrar informação segura que tenha se verificado tal fato, mas apenas a observação do próprio contribuinte, desacompanhada de cópia do DARF respectivo, que efetuara o recolhimento da quantia de R$ 279.146,01, referente ao mês de maio/1997, conforme demonstrativo de fl. 445, nada havendo sobre a situação do período de apuração junho/1997. Ante as circunstâncias relatadas, concluise que o processo não está devidamente instruído a ponto de permitir o julgamento da questão argüida, a decadência, razão pela qual proponho a conversão do feito em diligência para que seja providenciado o seguinte: Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000203/200202 Resolução nº 3401003.143 S3C4T1 Fl. 4 3 1) Que seja informado se houve recolhimento em documento de arrecadação (DARF) específico; 2) Em caso positivo, juntar extrato do sistema SIEFPagamentos ou equivalente; 3) Juntar DCTF do período exonerado pela decadência, anterior a julho/1997; e, 4) Após providências, abrir vista dos autos ao contribuinte para, querendo, apresentar manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias. Finda a diligência, devolvamse os autos para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720384/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOP. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
Encontra-se homologado tacitamente, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, parte do Crédito Tributário lançado mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.751-1 e 37.320.577-5.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
Sujeitam-se ao regime do art. 173, I, do CTN os Auto de Infração de Obrigação Acessória, uma vez que a constituição do Crédito Tributário correspondente sempre decorre de lançamento de ofício.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmios e/ou gratificações integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HIRING BONUS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor pago pela empresa a segurado obrigatório do RGPS a título de hiring bonus, configura-se como antecipação salarial, integrando o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não comprovadamente disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Considera-se Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REQUISITOS.
As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do CTN, estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, mesmo que o crédito tributário decorrente tenha sido constituído em data posterior.
Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa sucedida que se transfere ao sucessor, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos).
Entretanto, na hipótese de penalidade aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, a multa fiscal passaria a integrar o passivo da empresa apenas quando do lançamento, ainda que relativa à obrigação tributária surgida até a data da sucessão.
Ressalvam-se os casos comprovados de empresas pertencentes a grupo econômico ou sob controle comum, antes da sucessão empresarial, em que é cabível a imputação da multa por descumprimento de obrigação acessória à sucessora, por infração cometida pela sucedida, conforme enunciado da Súmula CARF nº 47.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 35. INFRAÇÃO DE CONSUMAÇÃO INSTANTANEA. VALOR ÚNICO E INDIVISÍVEL.
O Auto de Infração CFL 35 é de consumação instantânea, e se aperfeiçoa e se exaure definitivamente no vencimento do prazo consignado pela Fiscalização, não mais admitindo convalescência ou correção ulterior.
A infração tipificada no CFL 35 possui valor único e indivisível, de maneira que o valor da multa a ele associado independe da gravidade e do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração à obrigação tributária violada. Dessarte, a prestação parcial das informações e esclarecimentos requeridos pela Fiscalização não implica o afastamento da imputação, tampouco modificação no valor da multa aplicada, devendo esta ser mantida em sua integralidade individual.
PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Órgão Fazendário Federal competente.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao órgão fazendário federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC.
É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário consolidado. Precedentes do STJ: REsp 1.129.990-PR, DJe 14/9/2009; REsp 834.681-MG, DJe 2/6/2010 e REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543-C do CPC.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-004.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CLEBERSON ALEX FRIESS e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, que não conheciam da matéria referente à exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros de mora sobre multa de ofício), restaram vencidos os Conselheiros THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por unanimidade de votos, nos termos do quando decidido pelos integrantes do colegiado da sessão de fevereiro de 2016, quando se iniciou o julgamento, ACOLHER a preliminar de mérito (decadência) do Recurso Voluntário, excluindo dos lançamentos relativos às obrigações principais as competências de janeiro e fevereiro de 2006, pela aplicação da regra decadência prevista no art. 150, §4°, do CTN; (iii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao "Benefício Luvas, sendo que os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO acompanharam o Relator pelas conclusões e que o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (iv) Por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à rubrica "Indenização adicional CCT - FENABAN". Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário quanto à referida rubrica "Indenização adicional CCT - FENABAN", em razão do resultado da diligência fiscal ter alterado fundamentação do lançamento quanto a tal rubrica (v) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento as multas por obrigação acessória imputadas à sucessora, em decorrência de infrações cometidas pelas sucedidas até a competência da incorporação, por terem sido lançadas posteriormente à sucessão e por não ter a autoridade fiscal comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula 47 do CARF), de forma que a multa do AI nº 37.314.743-0 deverá ser recalculada para que se proceda a exclusão. Quanto aos demais Autos de Infração de Obrigação Acessória, por abarcaram competências posteriores à incorporação e o valor da multa ser aplicado em valor único, independentemente do período ou do número de infrações, não haverá alteração dos valores lançados. Vencido o RELATOR e os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e MARIA CLECI COTI MARTINS; O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor. (vi) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que o valor das penalidades pecuniárias aplicadas mediante os Autos de Infração de Obrigação Acessória nº 37.314.742-2 e 37.314.743-0, AIOA CFL 68, seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto à matéria. (vii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante às demais matérias.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Cleberson Alex Friess Redator Designado.
Carlos Alexandre Tortato - Declaração de Voto.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.720384/2011-07
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5597704
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.194
nome_arquivo_s : Decisao_16327720384201107.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16327720384201107_5597704.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CLEBERSON ALEX FRIESS e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, que não conheciam da matéria referente à exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros de mora sobre multa de ofício), restaram vencidos os Conselheiros THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por unanimidade de votos, nos termos do quando decidido pelos integrantes do colegiado da sessão de fevereiro de 2016, quando se iniciou o julgamento, ACOLHER a preliminar de mérito (decadência) do Recurso Voluntário, excluindo dos lançamentos relativos às obrigações principais as competências de janeiro e fevereiro de 2006, pela aplicação da regra decadência prevista no art. 150, §4°, do CTN; (iii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao "Benefício Luvas, sendo que os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO acompanharam o Relator pelas conclusões e que o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (iv) Por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à rubrica "Indenização adicional CCT - FENABAN". Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário quanto à referida rubrica "Indenização adicional CCT - FENABAN", em razão do resultado da diligência fiscal ter alterado fundamentação do lançamento quanto a tal rubrica (v) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento as multas por obrigação acessória imputadas à sucessora, em decorrência de infrações cometidas pelas sucedidas até a competência da incorporação, por terem sido lançadas posteriormente à sucessão e por não ter a autoridade fiscal comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula 47 do CARF), de forma que a multa do AI nº 37.314.743-0 deverá ser recalculada para que se proceda a exclusão. Quanto aos demais Autos de Infração de Obrigação Acessória, por abarcaram competências posteriores à incorporação e o valor da multa ser aplicado em valor único, independentemente do período ou do número de infrações, não haverá alteração dos valores lançados. Vencido o RELATOR e os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e MARIA CLECI COTI MARTINS; O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor. (vi) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que o valor das penalidades pecuniárias aplicadas mediante os Autos de Infração de Obrigação Acessória nº 37.314.742-2 e 37.314.743-0, AIOA CFL 68, seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto à matéria. (vii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante às demais matérias. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Cleberson Alex Friess Redator Designado. Carlos Alexandre Tortato - Declaração de Voto. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6406672
ano_sessao_s : 2016
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOP. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Encontra-se homologado tacitamente, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, parte do Crédito Tributário lançado mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.751-1 e 37.320.577-5. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Sujeitam-se ao regime do art. 173, I, do CTN os Auto de Infração de Obrigação Acessória, uma vez que a constituição do Crédito Tributário correspondente sempre decorre de lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmios e/ou gratificações integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HIRING BONUS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor pago pela empresa a segurado obrigatório do RGPS a título de hiring bonus, configura-se como antecipação salarial, integrando o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não comprovadamente disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Considera-se Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REQUISITOS. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do CTN, estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, mesmo que o crédito tributário decorrente tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa sucedida que se transfere ao sucessor, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Entretanto, na hipótese de penalidade aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, a multa fiscal passaria a integrar o passivo da empresa apenas quando do lançamento, ainda que relativa à obrigação tributária surgida até a data da sucessão. Ressalvam-se os casos comprovados de empresas pertencentes a grupo econômico ou sob controle comum, antes da sucessão empresarial, em que é cabível a imputação da multa por descumprimento de obrigação acessória à sucessora, por infração cometida pela sucedida, conforme enunciado da Súmula CARF nº 47. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 35. INFRAÇÃO DE CONSUMAÇÃO INSTANTANEA. VALOR ÚNICO E INDIVISÍVEL. O Auto de Infração CFL 35 é de consumação instantânea, e se aperfeiçoa e se exaure definitivamente no vencimento do prazo consignado pela Fiscalização, não mais admitindo convalescência ou correção ulterior. A infração tipificada no CFL 35 possui valor único e indivisível, de maneira que o valor da multa a ele associado independe da gravidade e do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração à obrigação tributária violada. Dessarte, a prestação parcial das informações e esclarecimentos requeridos pela Fiscalização não implica o afastamento da imputação, tampouco modificação no valor da multa aplicada, devendo esta ser mantida em sua integralidade individual. PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Órgão Fazendário Federal competente. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao órgão fazendário federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário consolidado. Precedentes do STJ: REsp 1.129.990-PR, DJe 14/9/2009; REsp 834.681-MG, DJe 2/6/2010 e REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543-C do CPC. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício Negado.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048417998995456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 75; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.972 1 1.971 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720384/201107 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401004.194 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrentes BANCO SANTANDER S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOP. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Encontrase homologado tacitamente, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, parte do Crédito Tributário lançado mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.7511 e 37.320.5775. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Sujeitamse ao regime do art. 173, I, do CTN os Auto de Infração de Obrigação Acessória, uma vez que a constituição do Crédito Tributário correspondente sempre decorre de lançamento de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 84 /2 01 1- 07 Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmios e/ou gratificações integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HIRING BONUS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor pago pela empresa a segurado obrigatório do RGPS a título de hiring bonus, configurase como antecipação salarial, integrando o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não comprovadamente disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Considerase Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REQUISITOS. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do CTN, estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, mesmo que o crédito tributário decorrente tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa sucedida que se transfere ao sucessor, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.973 3 Entretanto, na hipótese de penalidade aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, a multa fiscal passaria a integrar o passivo da empresa apenas quando do lançamento, ainda que relativa à obrigação tributária surgida até a data da sucessão. Ressalvamse os casos comprovados de empresas pertencentes a grupo econômico ou sob controle comum, antes da sucessão empresarial, em que é cabível a imputação da multa por descumprimento de obrigação acessória à sucessora, por infração cometida pela sucedida, conforme enunciado da Súmula CARF nº 47. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 35. INFRAÇÃO DE CONSUMAÇÃO INSTANTANEA. VALOR ÚNICO E INDIVISÍVEL. O Auto de Infração CFL 35 é de consumação instantânea, e se aperfeiçoa e se exaure definitivamente no vencimento do prazo consignado pela Fiscalização, não mais admitindo convalescência ou correção ulterior. A infração tipificada no CFL 35 possui valor único e indivisível, de maneira que o valor da multa a ele associado independe da gravidade e do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração à obrigação tributária violada. Dessarte, a prestação parcial das informações e esclarecimentos requeridos pela Fiscalização não implica o afastamento da imputação, tampouco modificação no valor da multa aplicada, devendo esta ser mantida em sua integralidade individual. PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Órgão Fazendário Federal competente. Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 4 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao órgão fazendário federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constituise fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário consolidado. Precedentes do STJ: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009; REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010 e REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543C do CPC. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício Negado. Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.974 5 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CLEBERSON ALEX FRIESS e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, que não conheciam da matéria referente à exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros de mora sobre multa de ofício), restaram vencidos os Conselheiros THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por unanimidade de votos, nos termos do quando decidido pelos integrantes do colegiado da sessão de fevereiro de 2016, quando se iniciou o julgamento, ACOLHER a preliminar de mérito (decadência) do Recurso Voluntário, excluindo dos lançamentos relativos às obrigações principais as competências de janeiro e fevereiro de 2006, pela aplicação da regra decadência prevista no art. 150, §4°, do CTN; (iii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao "Benefício Luvas”, sendo que os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO acompanharam o Relator pelas conclusões e que o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (iv) Por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à rubrica "Indenização adicional CCT FENABAN". Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário quanto à referida rubrica "Indenização adicional CCT FENABAN", em razão do resultado da diligência fiscal ter alterado fundamentação do lançamento quanto a tal rubrica (v) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento as multas por obrigação acessória imputadas à sucessora, em decorrência de infrações cometidas pelas sucedidas até a competência da incorporação, por terem sido lançadas posteriormente à sucessão e por não ter a autoridade fiscal comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula 47 do CARF), de forma que a multa do AI nº 37.314.7430 deverá ser recalculada para que se proceda a exclusão. Quanto aos demais Autos de Infração de Obrigação Acessória, por abarcaram competências posteriores à incorporação e o valor da multa ser aplicado em valor único, independentemente do período ou do número de infrações, não haverá alteração dos valores lançados. Vencido o RELATOR e os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e MARIA CLECI COTI MARTINS; O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor. (vi) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que o valor das penalidades pecuniárias aplicadas mediante os Autos de Infração de Obrigação Acessória nº 37.314.7422 e 37.314.7430, AIOA CFL 68, seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 6 assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto à matéria. (vii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante às demais matérias. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Cleberson Alex Friess – Redator Designado. Carlos Alexandre Tortato Declaração de Voto. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.975 7 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Data da lavratura do Auto de Infração: 31/03/2011. Data da Ciência do Auto de Infração: 31/03/2011. Temse em pauta Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em São Paulo I/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.7511 e 37.320.5775 consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais, não declaradas em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 144/155. Integram o vertente Processo Administrativo Fiscal os seguintes Autos de Infração: · AI DEBCAD nº 37.314.7511, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I, II e III, e parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91, correspondentes à parte da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP e não recolhidas, relativas a competências de 01/2006 a 12/2006; · AI DEBCAD nº 37.320.5775, referente a contribuições destinadas a terceiros – Salário Educação e INCRA – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP e não recolhidas, relativas a competências de 01/2006 a 12/2006; · AI DEBCAD nº 37.314.7422, código de fundamento legal 68, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, e parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, referente ao CNPJ 90.400.888/000142; · AI DEBCAD nº 37.314.7430, código de fundamento legal 68, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, e parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91, e na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e no artigo 225, inciso Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 8 IV, e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, referente às empresas incorporadas; · AI DEBCAD nº 37.314.7449, código de fundamento legal 30, por infração ao disposto no artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, inciso I ,e parágrafo 9º, do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, referente ao CNPJ 90.400.888/000142; · AI DEBCAD n.º 37.314.7457, com código de fundamento legal 30, por infração ao disposto no artigo 32, inciso I da Lei nº 8.212/91, e no artigo 225, inciso I e parágrafo 9º ,do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, referente às empresas incorporadas; · AI DEBCAD n.º 37.314.7465, com código de fundamento legal 35, por infração ao disposto no artigo 32, inciso III e parágrafo 11 da Lei nº 8.212/91, com a redação da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 225, inciso III, do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. De acordo com a resenha fiscal, foi solicitado, mediante Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF e Termos de Intimação Fiscal – TIF, documentos e esclarecimentos acerca das remunerações pagas, creditadas ou devidas a empregados e contribuintes individuais, sendo que, da documentação e dos esclarecimentos prestados, se verificou que diversos benefícios concedidos aos empregados e parte dos pagamentos a contribuintes individuais não tinham sido oferecidos à tributação para a Previdência Social. Constatou a Fiscalização que o grupo SANTANDER concede a diversos empregados ocupantes de determinadas funções, alguns benefícios, na maioria, utilizandose de planos de previdência privada, sem inclusão dos mesmos na folha de pagamento e sem tributação para a previdência social, a saber: · Plano de previdência a título de benefício luvas; · Plano de previdência BANESPREV II, que não prevê benefício de aposentadoria; · Prêmios pagos em retribuição a diversas campanhas promocionais, entre elas “OLHO VIVO” e “SEGURA ELE”; · Plano de previdência a título de benefício autos; · Indenização adicional CCT FENABAN; Em atendimento a diversas intimações formais, o Autuado apresentou diversos arquivos digitais com informações referentes à folha de pagamento no formato estipulado no Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD, porém, em nenhum dos arquivos gerados, foram disponibilizadas as informações referentes aos pagamentos realizados aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços às empresas do grupo SANTANDER. Intimado a esclarecer as divergências entre os valores declarados na DIRF em Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.976 9 relação aos valores declarados na GFIP, como remuneração a contribuintes individuais, o SANTANDER não logrou atender às intimações. O SANTANDER apresentou de forma completa, qual seja, identificação, mês do pagamento e valor, somente a relação dos beneficiários dos planos de previdência BANESPREV II e luvas em planilhas, estando os beneficiários de indenização adicional CCT – FENABAN no padrão MANAD; Consta nos itens 4 e Relatório Fiscal as razões de fato e de Direito que motivaram o lançamento do crédito tributário em debate, sendo relacionados os pontos considerados motivadores do lançamento do crédito, tendo por base a análise da documentação apresentada, e a falta de esclarecimentos, por parte do SANTANDER, sobre a divergência entre os valores declarados na GFIP e os valores declarados na DIRF; que os benefícios concedidos aos empregados têm nítida natureza salarial, devendo esses valores integrar o salário para todos os efeitos legais; que a verba previdência complementar luvas, segundo informações do SANTANDER, representa um benefício a empregado contratado pelo banco, portanto equiparada às "luvas" do atleta profissional, sobre a qual incidem as contribuições para a previdência social, estando diretamente relacionada com o trabalho desenvolvido ou a desenvolver pelo empregado; que a verba previdência complementar autos representa um benefício a empregado relacionado a automóveis, não é extensiva a todos os empregados e não foram apresentados os seus beneficiários; que os prêmios estão relacionados a diversas campanhas promocionais, sendo que, em algumas, existe a premiação a clientes e empregados; o SANTANDER, para algumas dessas campanhas, forneceu a relação dos vencedores, não constando, nestas, porém, o valor recebido pelos mesmos, de modo que não foram identificados corretamente tais pagamentos; que o plano BANESPREV II não é extensivo a todos os empregados, não tem a participação dos empregados e não fornece o principal benefício previsto na legislação para que seja considerado um plano de previdência privada, qual seja, aposentadoria; que a indenização adicional CCT – FENABAN é adicional às obrigadas pelas empresas e não consta na Convenção Coletiva, não lhe garantindo isenção; que, em relação aos contribuintes individuais, tendo em vista a documentação apresentada, bem como a falta de esclarecimentos por parte do SANTANDER sobre a divergência entre os valores declarados na GFIP com os valores declarados na DIRF, não restou outra opção a não ser efetuar o lançamento das contribuições sobre a diferença entre os totais declarados na GFIP e na DIRF; quanto aos empregados, os valores objeto de lançamento foram aqueles informados pelo SANTANDER em planilhas e no MANAD, sendo que, para os benefícios sem identificação dos beneficiários, os valores constam na contabilidade; quanto aos contribuintes individuais, os valores objeto de lançamento representam as diferenças entre os valores totais declarados em GFIP e em DIRF, do SANTANDER e dos incorporados – CNPJ 61.411.633/000187, 61.472.676/000172, 90.400.888/000142; que, no Discriminativo do Débito — DD, de cada Auto, constam o período, a base de cálculo e a alíquota aplicada; que foi aplicada a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN, sendo tal entendimento coerente com a sistemática adotada pelo CTN, na qual o prazo decadencial se inicia, nas hipóteses em que o fisco desconhece a ocorrência do fato gerador, a partir do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento; que a Lei n° 11.941/2009 alterou a Lei n° 8.212/91, quanto aos cálculos de multas previstos no §5° do art. 32 e no inciso II do art. 35, que estabeleciam multa por falta de declaração, ou declaração inexata, e de mora, por atraso no pagamento, devendo ser comparada a situação anterior com a nova sistemática imposta pela MP n° 449/2008 para fins de aferição da norma mais benéfica ao contribuinte e, consequentemente, de eventual retroação, nos termos do art. 106, II, "c", do CTN; que, sob a égide da sistemática anterior à Lei n° 11.941/2009, a constatação pelo Fisco Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 10 de que o contribuinte apresentara declaração inexata implicaria a aplicação da multa prevista no §5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, e que, nessa mesma hipótese, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa de mora prevista na redação anterior do inciso II, do art. 35 da Lei nº 8.212/91; Consultas realizadas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) confirmaram a existência de diversos Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrados em ações fiscais anteriores na empresa autuada e suas sucedidas, a serem considerados, para fins de reincidência. A Fiscalização apurou que o SANTANDER e demais empresas do grupo deixaram de declarar em GFIP diversas remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, o que representou violação à Obrigação Tributária Acessória prevista no art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, da Lei nº 8.212/91. A Fiscalização apurou que tanto o SANTANDER quanto as empresas incorporadas não prepararam as Folhas de Pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto no art. 32, I, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, I, e § 9º , do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99; Relata a Autoridade Lançadora que o Autuado não atendeu às seguintes solicitações de intimações: I) que, apesar de diversas intimações, o SANTANDER deixou de apresentar documentos e prestar esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto na Lei nº 8.212/91, art. 32, III e § 11, com redação da MP n.º 449/2008, combinado com o art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99; II) que o contribuinte não prestou esclarecimentos quanto à divergência entre os valores declarados na GFIP e os valores declarados na DIRF como pagamento a contribuintes individuais, não forneceu a relação de pagamentos feitos a segurados contribuintes individuais e não identificou os beneficiários de benefícios fornecidos a título de incentivos diversos; Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 918/939, e a fls. 1.154/1.181. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP baixou o feito em diligência, a fls. 1322/1327, para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse com relação às alegações da impugnante, e apreciasse os documentos apresentados pela empresa em sua defesa. Requereu, ainda, esclarecimentos a respeito das razões para a inclusão dos valores relativos ao Plano de Previdência BANESPREV II no saláriodecontribuição dos empregados, e a origem dos valores lançados no levantamento IF (indenização adicional CCT FENABAN), bem como manifestação quanto à alteração ou não dos valores lançados nos Autos de Infração, apresentando, caso verifique a necessidade de retificação, demonstrativo com os valores que devem ser excluídos do lançamento, por DEBCAD, competência e levantamento, e especificando os motivos de sua alteração e elaboração e juntada de novas Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.977 11 planilhas de cálculo da multa relativas aos Auto de Infração com código de fundamento legal 68, se for o caso. Em atendimento à diligência requestada, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente mediante a Informação Fiscal a fls. 1343/1347, e documentos a fls. 1349/1380. Formalmente notificado do conteúdo do resultado da Informação Fiscal antes mencionada, o Sujeito Passivo, no prazo que lhe fora assinalado, apresentou aditamento à impugnação a fls. 1386/1399. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1638.543 11ª Turma da DRJ/SPO1, a fls. 1490/1549, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele fazer excluir as Obrigações Tributárias decorrentes dos pagamentos efetuados a título de “plano de previdência complementar BANESPREV II”, retificando o débito na forma exposta no Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR a fls. 1482/1489, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/07/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1670. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1672/1730, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Decadência Parcial; · Ausência de habitualidade no pagamento de Benefício Luvas, Campanha Olho Vivo e Campanha Segura Ele; · Que há isenção de Contribuições Previdenciárias sobre os planos de previdência complementar; · Que não há incidência de Contribuições Previdenciárias sobre a indenização prevista na convenção coletiva FENABAN; · Que todos os pagamentos efetuados sob a rubrica “Indenização Adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN” foram lastreados pelos respectivos acordos coletivos; · Necessária exclusão da penalidade por descumprimento de obrigação acessória; · Descabimento da multa de ofício em face da Recorrente por fato gerador anterior à incorporação; · Que a Recorrente somente deixou de declarar os supostos débitos ora cobrados em GFIP em face do entendimento de que verbas relacionadas aos presentes Autos de Infração não constituem remuneração e, portanto, não estariam sujeitas à incidência de Contribuições Previdenciárias; Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 12 · Que prestou pleno atendimento às intimações da Fiscalização; · Que devem ser excluídos os juros de mora incidente sobre a multa de ofício; · Protesta pela produção ulterior de provas; Ao fim, requer o provimento do Recurso Voluntário e a negativa de provimento ao Recurso de Ofício. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.978 13 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 02/07/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 01/08/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADENCIA O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 14 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.979 15 beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 16 contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.980 17 contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 18 b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2005 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2007, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.981 19 geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2011, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência dos Autos de Infração em debate realizada aos 31/03/2011, os efeitos o lançamento em questão alcançarão com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2005, inclusive, nos termos do art. 173, I, do CTN. 2.1.1. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Ocorre, todavia, que, em 18/09/2009, houvese por publicado o Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, tendo por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja ementa ora se vos segue: Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) Rel. : Min. Luiz Fux Data de Publicação: 18/09/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 20 antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na fundamentação do Acórdão, o Ministro Relator destaca que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN, conforme se depreende do excerto extraído do voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos: “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece à regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.982 21 jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170).” (REsp 973.733 – SC, Rel.: Min. Luiz Fux, DJ: 18/09/2009) O entendimento esposado pela Suprema Corte de Justiça houvese por assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. Pelo exposto, considerando ser de 01/01/2006 a 31/12/2006 o período de apuração do crédito tributário ora em constituição, considerando ser a data de ciência do lançamento 31/03/2011 e sendo constatada a ocorrência de recolhimentos antecipados no período, concluímos que, exclusivamente em relação aos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.7511 e 37.320.5775, encontramse homologados tacitamente os Créditos Tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro e fevereiro de 2006, inclusive, nos termos expostos no §4º do art. 150 do CTN e da Súmula 99 do CARF. 2.1.2. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA No que se refere aos Autos de Infração de Obrigação Acessória, não há que se falar em lançamento por homologação, mas, tão somente, lançamento de ofício, circunstância que atrai a incidência da regra estabelecida no inciso I do art. 173, I, do CTN. Com efeito, o regime do lançamento por homologação, conforme expressamente consignado no caput do art. 150 do CTN, somente ocorre quanto aos tributos (obrigação tributária principal) cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, jamais quanto às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação tributária acessória, estas, sempre formalizadas mediante lançamento de ofício. Assim, nos lançamentos tributários de penalidade pecuniária decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, o crédito tributário consequente é sempre oriundo de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 22 Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de apurar a ocorrência de eventual infração a dispositivos da Lei e, em consequência, proceder à lavratura do competente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006. Nesse caso, tendo sido a ciência dos Autos de Infração de Obrigação Acessória em debate realizada aos 31/03/2011, os efeitos o lançamento em questão alcançarão com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2005, inclusive, nos termos do art. 173, I, do CTN, inexistindo, portanto, que se falar em decadência. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DOS FATOS GERADORES O Recorrente alega ausência de habitualidade no pagamento de Benefício Luvas, Campanha Olho Vivo e Campanha Segura Ele. Pondera haver isenção de Contribuições Previdenciárias sobre os planos de previdência complementar e, ainda, que não há incidência de Contribuições Previdenciárias sobre a indenização prevista na convenção coletiva FENABAN. Aduz que todos os pagamentos efetuados sob a rubrica “Indenização Adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN” foram lastreados pelos respectivos acordos coletivos. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.983 23 Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 24 Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.984 25 trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 26 independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a contar da EC n° 20/98, que incluiu o §11 no art. 201 da CF/88, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.985 27 RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" Contudo, a base de incidência das Contribuições Previdenciárias não se restringe ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho). A matéria tributável em foco compreende o SALÁRIO e todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, conforme expressamente consignado na alínea ‘a’ do inciso I do art. 195 da CF/88, abraçando, portanto, até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira eventual, ou seja, sem habitualidade, ressalvadas as hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO TODOS OS DEMAIS RENDIMENTOS DE = SALÁRIO + DO TRABALHO, PAGOS OU CREDITADOS CONTRIBUIÇÃO A QUALQUER TÍTULO AO SEGURADO. Conforme demonstrado, a habitualidade não é condição para a subsunção de uma rubrica remuneratória ao conceito jurídico de Salário de Contribuição. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do alínea ‘a’ do inciso I do art. 195 da CF/88 c.c. art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 28 forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas concebidos para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos lucros a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.986 29 uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente do seu patrimônio inercial. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 30 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.987 31 s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II, do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conforme esclarecido, a ausência de habitualidade no pagamento de Benefício Luvas, Campanha Olho Vivo e Campanha Segura Ele não se configura como motivo para a sua exclusão da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. 3.1.1. DO BENEFÍCIO LUVAS A rubrica ora em apreciação, batizada pelo Autuado pelo singelo nome de “Benefício Luvas”, possui a mesma natureza jurídica da verba conhecida internacionalmente pelo nome “hiring bonus”, ou mesmo “signon bonus”, a qual se configura como prática corporativa consistente no oferecimento de verba de atração de empregados de alto escalão, em regra, executivos. Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 32 Tratase o hiring bonus de um incentivo salarial, que pode ser compreendido como o valor pago a executivos a título de luvas ou bônus de atração, de molde a atrair profissionais de elevada qualificação para integrar o quadro de funcionários de alta estatura da empresa. Configurase, portanto, o hiring bonus como uma soma em dinheiro paga a novos empregados, como um incentivo ao seu ingresso no quadro de empregados da empresa. Ostenta igualmente a função de incentivar o novo empregado a se manter vinculado à empresa, em razão da faculdade de se estabelecerem cláusulas contratuais que sujeitem o empregado a devolver o valor assim auferido, ou parte dele, caso se desligue da empresa dentro de um determinado período de tempo, ou caso não alcance um desempenho desejável. Nessa perspectiva, o signon bonus cumpre também a função de reduzir o risco do empregador na medida em que se configura como pagamento único, muitas vezes devolvível, não comprometendo a empresa ao pagamento de elevados salários no período de aclimatação do novo funcionário. No caso em apreço, o Benefício Luvas, nas palavras da própria Autuada, “é um pagamento realizado pela Recorrente aos seus funcionários recém contratados. Tratase de uma soma em dinheiro que a empresa oferece, como atrativo à contratação de profissionais com o perfil altamente especializado. E pago, portanto, somente no momento da admissão do funcionário”. Tratase a toda vista de uma antecipação de salário, motivado, obviamente, pelos serviços que o trabalhador irá prestar à empresa. Não resta dúvida de que tal rubrica é paga exclusivamente em razão do trabalho e não para o trabalho, figurando, portanto, como parcela integrante do conceito jurídico de Salário de Contribuição. A empresa alega que: “tratase de uma gratificação, isto é, um pagamento realizado pela Recorrente aos seus funcionários recémcontratados. Tratase de uma soma em dinheiro que a empresa oferece como atrativo à contratação de profissionais com perfil altamente especializado, sem prejuízo do salário que irão receber após o inicio do desempenho das suas atividades”. Pois é .... Conforme demonstrado anteriormente, mesmo as gratificações eventuais configuramse parcelas integrantes do conceito Jurídico de Salário de Contribuição, espécie do subgênero “Incentivos Salariais”. Não procede a alegação de que “o pagamento de tal gratificação pode, inclusive, ser interpretada com uma forma de indenização, pois o empregado recém contratado abriu mão de uma certa segurança que possuía no seu trabalho anterior”. Tal alegação é risível e pueril, eis que a saída do trabalhador de seu emprego anterior se deu de acordo com a sua consciente vontade e desígnio, atraído pela perspectiva de melhores condições de trabalho/remuneração. Atentese que o conceito jurídico de dano traz subjacente a ideia de prejuízo injusto decorrente de ato ilícito, a ser reparado por aquele que, mediante ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.988 33 Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Art. 188. Não constituem atos ilícitos: I os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; II a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a reparálo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Inexiste qualquer dano a ser indenizado no caso em estudo. A uma, porque não houve ato ilícito. A mudança de emprego, nessas condições, decorre do pleno arbítrio do trabalhador e do exercício regular do seu direito de romper o vínculo de emprego com a empresa anterior; A duas, porque nem sempre o hiring bonus é oferecido a empregados de outras empresas, sendo comumente ofertados a recém formados de excelente desempenho nos bancos universitários e de pós graduação; A três, porque não houve demonstração de prejuízo. O empregado que deixa uma empresa para ingressar em outra, o faz mediante ato volitivo e por interesse nas condições de trabalho e remuneração que a nova empresa oferece, as quais, em tese, se apresentam mais atrativas ao trabalhador que as anteriores. Daí a razão de o hiring bonus ser conhecido como “verba de atração”; A quatro, porque mesmo em caso da existência de dano, o quê, repisese, não é o caso, este teria que ser reparado por aquele que, mediante ato ilícito, lhe deu causa. No caso presente, não se nos afigura que o Recorrente tenha praticado qualquer ato ilícito ao oferecer tal rubrica a trabalhadores como atrativo para a celebração de vínculo laboral. As verbas pagas a título de hiring bonus são lícitas e possuem natureza remuneratória, assim como lícito é o pagamento de salários, razão pela qual tais verbas deveriam ter sido declaradas, com esse caráter, nas GFIP correspondentes. Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 34 No idioma que me foi ensinado pelo Prof. Antonio Luís Randan, conjugado aos ensinamentos adquiridos dos mestres Amauri Mascaro Nascimento e Mauricio Godinho Delgado, tal “indenização” recebe um nome bem apropriado às condições de contorno em que foram pagas: “antecipação de salários”. Notese que, nos termos expressos da lei, o Salário de Contribuição deve ser entendido como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador. Ou seja, mesmo que não haja efetiva prestação de serviços, basta que o segurado esteja à disposição do empregador para que a verba por ele auferida em razão do contrato de trabalho se subsuma ao conceito legal de Salário de Contribuição. Nesse contexto, ostentando o hiring bonus natureza remuneratória, este deveria ter sido, NECESSÁRIA E OBRIGATÓRIAMENTE, declarado nessa condição nas GFIP correspondentes, nas Folhas de Pagamento, bem como nos títulos próprios da contabilidade do Recorrente. 3.1.2. DA CAMPANHA “OLHO VIVO” e CAMPANHA “SEGURA ELE” Conforme reconhecido pelo próprio Recorrente, “A campanha Olho Vivo consistiu em uma premiação aos funcionários e agências da Recorrente que apresentaram o melhor resultado no cumprimento das metas estabelecidas no regulamento da campanha, ora colacionado aos autos”. “Outrossim, a campanha “Segura Ele” visava à premiação dos funcionários e equipes que conseguissem aumentar as vendas líquidas do produto Seguro Vida, conforme se verifica no regulamento da campanha” Conforme se extrai das palavras do próprio Recorrente, tratamse as verbas pagas em decorrências das campanhas “olho vivo” e “segura ele” de meros prêmios pagos pela empresa em razão do atingimento das metas previamente estabelecidas nos regulamentos das campanhas correspondentes. Os prêmios e as gratificações frequentemente são utilizados pelas empresas como fonte de incentivo ao aumento de produtividade do trabalhador, visando a que este venha a participar da dinâmica da pessoa jurídica não somente como um dos fatores objetivos de produção trabalho em troca da contrapartida salarial, mas, principalmente, a que este se comprometa subjetivamente com a atividade econômica da empresa, dando o máximo de si para o sucesso do empreendimento. Tratase de parcela salarial cuja aquisição pelo trabalhador depende do adimplemento de parâmetros objetivos, subjetivos e circunstanciais previamente estabelecidos pelas partes em comum acordo, consubstanciandose, assim, num direito subjetivo do trabalhador sujeito a condição suspensiva, o qual, uma vez adimplida a condição, passa a ser exigível, até mesmo judicialmente, pelo empregado, circunstância que acentua a sua natureza jurídica remuneratória. Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.989 35 Aqui, se hipoteticamente suprimirmos o trabalho realizado por cada um dos segurados que auferiram as rubricas intituladas “Campanha Olho Vivo” e “campanha Segura Ele”, na consecução do objeto social da empresa autuada, a importância que cada um iria receber a esses títulos seria exatamente igual a ZERO, o que demonstra insofismavelmente que tais verbas decorrem da contraprestação pelo trabalho efetivamente prestado pelo trabalhador na realização dos objetivos sociais da pessoa jurídica. Logo, remuneração. Daí, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Conforme muito bem pontuado pelo Recorrente, “o importante para presente análise é o fato de que a legislação aplicável ao caso é a PREVIDENCIÁRIA”. Com efeito. Já vimos no tópico 3.1. Supra que: "a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Contudo, a base de incidência das Contribuições Previdenciárias não se restringe ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho). A matéria tributável em foco compreende o SALÁRIO e todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, conforme expressamente consignado na alínea ‘a’ do inciso I do art. 195 da CF/88, abraçando, portanto, até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira eventual, ou seja, sem habitualidade, ressalvadas as hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91”. SALÁRIO TODOS OS DEMAIS RENDIMENTOS DE = SALÁRIO + DO TRABALHO. PAGOS OU CREDITADOS CONTRIBUIÇÃO A QUALQUER TÍTULO AO SEGURADO. Conforme já demonstrado alhures, a habitualidade não é condição para a subsunção de uma rubrica remuneratória ao conceito jurídico de Salário de Contribuição. Consoante apelo do Recorrente, a observância da legislação previdenciária importa na caracterização das verbas pagas a título de prêmios, decorrentes das campanhas “olho vivo” e “segura ele” como parcelas integrantes do conceito jurídico de Salário de Contribuição. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de prêmios e gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo de produtividade, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 36 É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque representam, nada mais, do que uma contraprestação remuneratória auferida pelos empregados que lograram alcançar as metas estabelecidas previamente pela Recorrente, sendo irrelevante para o caso se os beneficiários são servidores próprios ou servidores cedidos por outros órgãos. Atingindo o trabalhador as metas definidas pelo empregador, ele se titulariza no direito subjetivo ao prêmio/gratificação. Os benefícios auferidos pelos segurados a título de prêmios, decorrentes das campanhas “olho vivo” e “segura ele” possuem natureza remuneratória, na forma de incentivos salariais. Tais ganhos ingressaram na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho, dos regulamentos das campanhas, e da prestação de serviços ao Recorrente, sendo, portanto, um benefício concedido pelo trabalho e não para o trabalho. Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários, dada a sua natureza jurídica de prêmio/gratificação e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. Nesse contexto, ostentando os prêmios pagos em decorrência das campanhas “olho vivo” e “segura este” natureza remuneratória, estes deveriam ter sido NECESSÁRIA E OBRIGATÓRIAMENTE declarados, nessa condição, nas GFIP correspondentes, nas Folhas de Pagamento, bem como nos títulos próprios da contabilidade do Recorrente. 3.1.3. DO PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR BANESPREV II No que pertine ao plano de previdência complementar BANESPREV II, de acordo com o relato da Autoridade Lançadora veiculado na Informação Fiscal, a fl. 1346, “realmente houve um equívoco na leitura dos esclarecimentos prestados pelo SANTANDER no decorrer da auditoria fiscal. Tratase de plano que atende à legislação de planos de previdência, prevê aposentadoria, está disponível a todos os empregados e há participação da patrocinadora e dos participantes, portanto, tais valores devem ser excluídos dos autos”. Nessa esteira, atendendo às informações consignadas na Informação Fiscal acima referida, o Órgão Julgador de 1ª Instância já procedeu à exclusão de tal rubrica da matéria tributável coberta pela vertente autuação, retificando o Crédito Tributário remanescente. Com efeito, atendendo as condições de contorno com que tal verba houvese por paga aos requisitos fixados no inciso XV do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, como assim atestado pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, imperioso é o reconhecimento da isenção pretendida, motivo pelo qual, nesse específico particular, negase provimento ao Recurso de Ofício. 3.1.4. DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR AUTOS O Recorrente alega que há isenção de Contribuições Previdenciárias sobre os planos de previdência complementar. Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.990 37 Com certeza .... mas desde que se trate de programa de previdência complementar, aberto ou fechado, e que esteja disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) No que tange à verba em questão, a Fiscalização informa que a referida verba é representativa de um benefício concedido a seus empregados relacionado a automóveis, não extensivo a todos os empregados. A empresa, em sua impugnação, afirma que esta rubrica seria isenta de contribuição previdenciária, mas não trouxe aos autos os documentos hábeis e indispensáveis a comprovar o adimplemento das condições exigidas pela lei para o reconhecimento da isenção alegada em sede de defesa. SEQUER O CONTRATO. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público e de reserva legal, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho e/ou Acordos Coletivos de Trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 38 Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos, a ônus do Contribuinte. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o encargo de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. O Órgão Julgador de 1ª Instância, de forma fundamentada e devidamente consignada em seu acórdão, apreciando as alegações de defesa e os elementos de prova contidos nos autos, já havia refutado as razões de impugnação e rechaçado a pretensão do Autuado ao fundamento de que este não houvera logrado comprovar o adimplemento das condições necessárias ao reconhecimento da isenção pretendida, previstas na alínea ‘p’ do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, pugnando pela manutenção do lançamento das contribuições sobre tal rubrica. Nada obstante, mesmo ciente de que seu pedido houvera sido negado em razão da carência da comprovação material do Direito alegado, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, retornando à carga, agora em grau de Recurso Voluntário, formulando exatamente os mesmos argumentos de defesa, sem fazer acostar aos autos qualquer elemento de convicção, tão menos indícios de prova material, com aptidão de demonstrar que o mencionado Plano de Previdência Complementar Autos atendia a todas as condições previstas na alínea ‘p’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, gravitando a larga distância do núcleo fáticojurídico sensível do qual se irradiaram os fundamentos legais e constitucionais que forneceram esteio ao lançamento ora em debate, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus probatório que lhe era avesso, nem, tampouco ilidir o lançamento que lhe fora infligido pela Fiscalização previdenciária. A defesa por negativa geral não se apruma com a dinâmica do Processo Administrativo Fiscal cujo mecanismo de contradita às autuações do Fisco exige que o sujeito passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de rechear a peça de defesa com Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.991 39 todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em lei. Nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, em sede de Impugnação e agora, em grau de Recurso Voluntário, o Sujeito Passivo não honrou produzir as provas necessárias à contradita das razões erigidas pelo Órgão Julgador a quo para o não acatamento de suas pretensões de defesa, tampouco desobstruir o óbice probatório apontado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Tal vazio, não permite a lei que seja preenchido com alegações filosóficas ou principiológicas, tampouco com argumentações de fatos e de ações desprovidas de esteio em indício de prova material idônea. Como é cediço, no Processo Administrativo Fiscal a voz de defesa do sujeito passivo em matéria tributária se propaga em ondas documentais, falando ao vácuo as alegações recursais não acompanhadas pelos indícios de prova material que lhes forneçam o devido esteio probatório. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Ostentando, todavia, a presunção de veracidade dos Atos Administrativos eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Autuado, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo dos Autos de Infração em debate. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Dessarte, não tendo sido comprovada, pelo Sujeito Passivo, a subsunção dos valores pagos a título de “previdência complementar autos” em nenhuma das hipóteses de não incidência tributária previstas taxativamente no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, há que ser mantida a qualificação de tal rubrica como parcela integrante do conceito jurídico de Salário de Contribuição. Nesse contexto, ostentando os valores pagos a título de “previdência complementar autos” natureza remuneratória, estes deveriam ter sido, NECESSÁRIA E OBRIGATÓRIAMENTE, declarados, nessa condição, nas GFIP correspondentes, nas Folhas de Pagamento, bem como nos títulos próprios da contabilidade do Recorrente. 3.1.5. DA INDENIZAÇÃO FENABAN O Recorrente alega que não há incidência de Contribuições Previdenciárias sobre a indenização prevista na convenção coletiva FENABAN. Aduz que todos os Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 40 pagamentos efetuados sob a rubrica “Indenização Adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN” foram lastreados pelos respectivos acordos coletivos. Extraise dos autos que o Autuado utilizava nas Folhas de Pagamento a denominação “indenização adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN” para pagamento da rubrica em xeque. Não encontrando na Convenção Coletiva qualquer cláusula referente a tal “indenização adicional CCT – FENABAN”, e constatando que a referida rubrica não se ajustava a nenhuma das hipóteses de isenção previstas na legislação previdenciária, a Fiscalização procedeu ao lançamento dos tributos incidentes sobre as verbas em foco. “A indenização adicional CCT FENABAN, como o próprio nome diz, ela é adicional às obrigadas pelas empresas e não consta na Convenção Coletiva. Existem sim diversas indenizações previstas na CCT FENABAN, menos a adicional (anexa a Convenção), o que não lhe garantia isenção”. Em sede de defesa administrativa, o impugnante alegou em seu item 55, a fl. 937, que o suporte de tais pagamentos era uma indenização prevista na cláusula sétima da convenção coletiva. “55. A Autoridade Fiscal equivocouse completamente na identificação da indenização, uma vez que não se trata de “adicional” a outras indenizações, mas, sim, de indenização do adicional por tempo de serviço, a qual se encontra expressamente prevista na cláusula sétima da suscitada convenção coletiva”. Visando a sanear a dúvida, a DRJ em São Paulo I baixou o feito em Diligência Fiscal, solicitando o pronunciamento da fiscalização com relação às alegações suscitadas pela Autuada em sua impugnação, referentes à indenização adicional CCTFENABAN e ao plano de previdência Banesprev II, e de apreciação dos documentos relativos a estes mesmos itens, juntados aos autos e ali mencionados, tendo sido estes atendidos pelo Fiscal Autuante na forma que se vos segue: “Ao analisarmos a Convenção, notase que realmente não há uma indenização adicional CONTA CONTÁBIL FENABAN, denominação utilizada pelo SANTANDER para pagamento aos empregados, conforme folhas de pagamentos. A cláusula mencionada, na impugnação, como suporte a tais pagamentos diz (g.n.): CLÁUSULA SÉTIMA OPÇÃO POR INDENIZAÇÃO DO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO O empregado admitido até 22.11.2000 poderá optar, junto ao banco, por uma das disposições abaixo: a) receber indenização em valor único de R$ 1.100,00 (um mil e cem reais) para não ter agregados novos adicionais a partir da data da opção, ou b) continuar mantendo o direito a novos adicionais em suas datas de aniversário de tempo de serviço, prestado ao mesmo empregador, nas condições da Cláusula Sexta letra "a" desta Convenção. Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.992 41 (...) PARAGRAFO TERCEIRO ' Não haverá supressão ou extinção dos Adicionais por 'Tempo de Serviço adquiridos até a data da opção prevista na letra "a" do caput desta Cláusula. PARÁGRAFO QUARTO . O Adicional por Tempo de Serviço, previsto nas Cláusulas Sexta e Sétima, terá seu valor reajustado na data base da categoria, pelo mesmo índice de correção dos salários constante de Convenção Coletiva de Trabalho e deverá ser sempre considerado e pago destacadamente. A denominação da rubrica foi de Indenização do Adicional por Tempo de Serviço, da qual temse a seguinte interpretação: 4.1.1. Não se trata de verba indenizatória, mas, de uma antecipação dos valores que o empregado poderia adquirir, caso permaneça como empregado, a título de adicional por tempo de serviço; 4.1.2. Só tem direito a tal verba, empregado admitido até 22/11/2000, entretanto o SANTANDER efetuou pagamento a esse título aos empregados demitidos, não considerando a data de admissão; 4.1.3. Ao pagar para empregados demitidos, o SANTANDER, o fez por mera liberalidade, pois não há obrigação de pagar tal verba, ela está vinculada à substituição de possíveis aumentos no adicional por tempo de serviço; logo, não há a mínima possibilidade de um empregado demitido alcançar mais tempo de serviço, com direito ao adicional; 4.1.4. A maioria dos pagamentos é para empregados admitidos após 22/11/2000, portanto sem direito a tal rubrica; 4.1.5. O valor determinado na Convenção é de R$ 1.100,00 reajustado pelos mesmos índices de reajustes dos salários. Pela relação de beneficiários notase valores pagos muito acima do valor estipulado. Em anexo planilhas, validadas no SVA, com relação da maioria dos beneficiários, constando data de admissão e demissão, com os seguintes nomes: Beneficiários 33517 (C175055e9a4c7fe6 64b1d8b31c7f4dec), Beneficiários 61411 (bf8b1eadf54fO8c7 6b5ba95a417e2b77), Beneficiários 61472 (33f7e34b097e512c 09e9ff91c68dda48) e Beneficiários 90400 (8748ef6637580231 530d9d40b64d4dbf); entregues ao representante em mídia digital não regravável. Na dicção do art. 944 do nosso Código Civil: “A indenização mede se pela extensão do dano". A preocupação, portanto, é exclusivamente com a figura da vítima, cujo dano se busca apagar ou ao menos minorar. Estabelecida a responsabilidade, o valor da indenização é medido somente pela extensão do dano ou prejuízo. É tradicional em nosso direito a ideia de que a função da responsabilidade civil se limita à reparação do dano. Em não sendo possível a reparação in natura do dano, buscase ressarcir o prejuízo sofrido pela vítima ou compensar seu dano através de um equivalente ou sucedâneo pecuniário. Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 42 Na situação em questão, como já dito, não há perda, mas substituição na forma de recebimento de um benefício adicional por tempo de serviço de forma mensal ou em um único pagamento. Portanto os valores lançados a título de indenização adicional FENABAN estão corretos, pois sob os mesmos incide contribuição para a previdência social e outras entidades”. Em atendimento à Diligência Fiscal requestada, a Autoridade Lançadora procedeu ao exame dos termos da referida cláusula sétima e concluiu, igualmente, que a natureza jurídica da rubrica ali estampada também não se ajustava a nenhuma das hipóteses de isenção previstas na legislação tributária, pugnando pela manutenção do débito. Como visto, inexiste qualquer alteração do critério jurídico do lançamento. A rubrica paga aos segurados, apuradas nas Folhas de Pagamento da empresa sobre a denominação “indenização adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN”, não se ajusta a nenhuma das hipóteses legais de não incidência tributária, motivo pelo qual, nos termos assentados no art. 195 da CF/88, configuramse parcelas integrantes do conceito jurídico de Salário de Contribuição. Notese, de outro eito, que inexistiu qualquer prejuízo à defesa do Autuado, uma vez que o inteiro teor do resultado da Diligência Fiscal requerida foi levado à ciência do Recorrente, sendolhe garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, tendo ele efetivamente exercido tal direito a fls. 1386/1399. Exatamente para esse fim se prestam as Diligências Fiscais requeridas pelo Órgão Julgador. Para auxiliar, mediante os esclarecimentos, na formação da convicção do Julgador. Não procede, portanto, o inconformismo do Recorrente. Quanto ao mérito do lançamento referente a tal rubrica, o Recorrente alega que todos os pagamentos efetuados sob a rubrica “Indenização Adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN” foram lastreados pelos respectivos acordos coletivos. Ora, conforme já assinalado anteriormente, as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público e de reserva legal, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho e/ou Acordos Coletivos de Trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Dessarte, no que se refere às Contribuições Previdenciárias, apenas estarão a salvo da tributação previdenciária as rubricas cuja natureza jurídica se ajustar com perfeição às hipóteses de não incidência legal previstas de maneira exaustiva no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, apreciadas sob o prisma oclusivo estabelecido pelo art. 111, II, do CTN, recaindo sobre o Interessado o ônus da demonstração e comprovação do cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.993 43 Analisandose, contudo, a cláusula sétima da Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007, a fls. 1129/1153, indicada pelo Autuado, em sede de defesa, como o fundamento da Rubrica paga em Folha de Pagamento sob a denominação “indenização adicional CCT – FENABAN”, verificamos que tal rubrica não se enquadra em qualquer das hipóteses de isenção legal previstas no já aludido §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, tampouco o Recorrente indica qual, limitandose ao argumento de que “os pagamentos efetuados sob a rubrica “Indenização Adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN” foram lastreados pelos respectivos acordos coletivos”. Acordo coletivo de trabalho não concede isenção. Quem concede isenção é a lei formal. Acordo coletivo estabelece obrigação entre as partes acordantes, não vinculando, de forma alguma, a vontade da lei. Com efeito, o disposto na citada Cláusula Sétima nada mais é do que uma das estipulações da política salarial da empresa, que concede ao empregado admitido até 22.11.2000 a faculdade de optar por receber: a) um valor fixo de R$ 1.100,00 para não ter agregados novos adicionais a partir da data da opção, ou, alternativamente, b) nada receber em dinheiro naquela ocasião, mas continuar mantendo o direito a novos adicionais em suas datas de aniversário de tempo de serviço. A opção é do trabalhador. Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007 CLÁUSULA SÉTIMA OPÇÃO POR INDENIZAÇÃO DO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO O empregado admitido até 22.11.2000 poderá optar, junto ao banco, por uma das disposições abaixo: a) receber indenização em valor único de R$ 1.100,00 (um mil e cem reais) para não ter agregados novos adicionais a partir da data da opção, ou b) continuar mantendo o direito a novos adicionais em suas datas de aniversário de tempo de serviço, prestado ao mesmo empregador, nas condições da Cláusula Sexta letra “a” desta Convenção. PARÁGRAFO PRIMEIRO A opção mencionada acima deverá ser formalizada por escrito. PARÁGRAFO SEGUNDO Optando o empregado pelo recebimento da indenização, o pagamento pelo banco será procedido observandose as seguintes condições: a) Quando a opção for feita junto ao banco até o dia 10 (dez), o crédito será efetuado até a data da folha de pagamento do mês; b) Quando a Opção for feita junto ao banco após o dia 10 (dez), o crédito será efetuado até a data da folha de pagamento do mês seguinte. PARÁGRAFO TERCEIRO Não haverá supressão ou extinção dos Adicionais por Tempo de Serviço adquiridos até a data da opção prevista na letra “a” do caput desta Cláusula. PARÁGRAFO QUARTO Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 44 O Adicional por Tempo de Serviço, previsto nas Cláusulas Sexta e Sétima, terá seu valor reajustado na data base da categoria, pelo mesmo índice de correção dos Salários constante de Convenção Coletiva de Trabalho e deverá ser sempre considerado e pago destacadamente. Conforme se observa, a quantia fixa de R$ 1.100,00 referida na alínea ‘a’ do caput da cláusula sétima da Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007 nada mais é do que uma antecipação dos futuros adicionais por tempo de serviço. A empresa concede ao empregado a faculdade de receber antecipadamente aquilo que lhe seria pago, no futuro, a título de “adicional por tempo de serviço”. A escolha é livre e exclusiva do empregado, o qual, se considerar conveniente e vantajosa a troca, tem que fazêla por escrito. Tal circunstância joga por terra a alegação de indenização. Não há que se falar em indenização por autodano. Merece ser registrado que a referida antecipação dos futuros adicionais de tempo de serviço no valor de R$ 1.100,00, à opção do trabalhador, possui assento cativo na cláusula 7ª das Convenções Coletivas de Trabalho da FENABAN desde, pelo menos, 2001 até 2014, circunstância que demonstra não se tratar a referida antecipação de rubrica de natureza eventual. Ao revés, tratase de uma faculdade do trabalhador que lhe é oferecida de maneira habitual. Dessarte, ao pagar para empregados demitidos, o SANTANDER o fez por mera liberalidade, pois não haveria obrigação de pagar tal verba, pois ela estaria condicionada à opção escrita e estria vinculada à substituição de possíveis aumentos no adicional por tempo de serviço. logo, não há a mínima possibilidade de um empregado demitido alcançar mais tempo de serviço, com direito ao adicional. Constatou, igualmente, que a maioria dos pagamentos foi realizada em favor de empregados admitidos após 22/11/2000, portanto sem direito a tal rubrica. Além disso, apesar de o valor determinado na Convenção ser de R$ 1.100,00 reajustado pelos mesmos índices de reajustes dos salários, a Fiscalização apurou que, pela relação de beneficiários, houve valores pagos muito acima do valor estipulado. Além disso, a Fiscalização apurou que, apesar de só ter direito ao recebimento de tal verba os empregados admitidos até 22/11/2000, o SANTANDER efetuou pagamento a esse título aos empregados demitidos, não considerando a data de admissão. Agora, exclusivamente em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente alega que tal verba não mais se refere à cláusula sétima do CCT 2006/2007, mas, sim, da cláusula 49 da CCT 2005/2005. Depois, vem aos autos alegar “mudança de critério jurídico”. “O empregado dispensado sem justa causa, com data de comunicação da dispensa entre a data da assinatura da presente convenção (17.10.2005) até 31.03.2006, não computado, para este fim, o prazo do aviso prévio indenizado, fará jus a uma indenização adicional, nos valores abaixo discriminados, a ser paga juntamente com as verbas rescisórias. Para os efeitos desta cláusula, o empregado com data de comunicação de dispensa anterior a data Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.994 45 da assinatura da presente convenção (17.10.2005), mesmo que o período de aviso prévio coincida ou ultrapasse esta data, não faz jus à indenização adicional”. Como dessai dos termos da citada cláusula 49, o pagamento da rubrica acima não ostenta natureza jurídica de indenização, mas de mera liberalidade da empresa. Ora, a indenização não se configura como uma liberalidade da empresa. Ao contrário, o dever jurídico de indenizar pressupõe a existência de um ato ilícito prévio e de um dano dele diretamente decorrente, sem o qual não há o que se reparar. INDENIZAÇÃO É OBRIGAÇÃO JURÍDICA, NÃO LIBERALIDADE ! Dessarte, o conceito jurídico de dano traz subjacente a ideia de prejuízo injusto decorrente de ato ilícito, a ser reparado por aquele que, mediante ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, tenha violado direito e causado dano a outrem. Nessa perspectiva, a dispensa sem justa causa do trabalhador não se constitui ato ilícito, mas, sim, direito potestativo do empregador. De outro lado, as indenizações trabalhistas do empregado decorrente da dispensa sem justa causa encontramse taxativamente previstas na Legislação Trabalhista, a qual não inclui a rubrica de que trata a citada cláusula 49. Esta é apenas uma gratificação pelos serviços prestados pelo trabalhador à empresa, e como tal, base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Dessarte, configurandose os valores pagos a título de “indenização adicional CCT – FENABAN” como mera antecipação daquilo que lhe seria pago, no futuro, a segurados empregados a título de “adicional por tempo de serviço”, e não se subsumindo os valores pagos a esse título a nenhuma das hipóteses de não incidência tributária previstas taxativamente no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, há que ser mantida a qualificação de tal rubrica como parcela integrante do conceito jurídico de Salário de Contribuição. Nesse contexto, ostentando os valores pagos a título de “indenização adicional CCT – FENABAN” natureza remuneratória, estes deveriam ter sido, NECESSÁRIA E OBRIGATÓRIAMENTE, declarados, nessa condição, nas GFIP correspondentes, nas Folhas de Pagamento, bem como nos títulos próprios da contabilidade do Recorrente. 3.2. DA DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP O Recorrente alega que somente deixou de declarar os supostos débitos ora cobrados em GFIP em face do entendimento de que verbas relacionadas aos presentes Autos de Infração não constituem remuneração e, portanto, não estariam sujeitas à incidência de Contribuições Previdenciárias. Não procede. Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 46 Conforme exaustivamente demonstrado na primeira parte do tópico “3.1. – DOS FATOS GERADORES” supra, o conceito jurídico de Salário de contribuição foi constitucionalmente estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo trabalhador, não somente as parcelas integrantes do SALÁRIO, como, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, compreendendo, até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira eventual, em decorrência não apenas dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho, ressalvadas as hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. A dicção do §9º art. 28 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que não integram o Salário de Contribuição para fins de incidência de Contribuições Previdenciárias, EXCLUSIVAMENTE, as hipóteses ali arroladas. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) Dessarte, deflui da regra tributária acima referida que apenas e tão somente as hipóteses expressamente elencadas no citado §9º, numa interpretação literal exigida pelo art. 111, II, do CTN, encontramse a salvo da tributação previdenciária. Nessa esteira, não se ajustando perfeitamente uma determinada rubrica a nenhuma das hipóteses de isenção previstas no dispositivo legal em debate, é de ser aplicada, por decorrência lógica, a regra geral de tributação prevista no art. 195 da CF/88 c.c. art. 28 da Lei nº 8.212/91. O mero autoentendimento do Recorrente de que uma determinada rubrica não estaria sujeita à incidência de Contribuições Previdenciárias, sem qualquer embasamento legal, não se configura hipótese de isenção. Alertese que para os casos de dúvidas acerca da incidência ou não de Contribuições Previdenciárias sobre determinada verba, a Legislação Tributária disponibiliza o Processo de Consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado, nos termos dos artigos 48 a 50 da Lei nº 9.430/96 e artigos 46 a 58 do Dec. nº 70.235/72, sendo certo que nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão que, eventualmente, tenha sido desfavorável ao Contribuinte. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.995 47 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Processo Administrativo de Consulta Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. § 1º A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia será atribuída: I a órgão central da Secretaria da Receita Federal, nos casos de consultas formuladas por órgão central da administração pública federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional; II a órgão regional da Secretaria da Receita Federal, nos demais casos. § 2º Os atos normativos expedidos pelas autoridades competentes serão observados quando da solução da consulta. § 3º Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia. § 4º As soluções das consultas serão publicadas pela imprensa oficial, na forma disposta em ato normativo emitido pela Secretaria da Receita Federal. § 5º Havendo diferença de conclusões entre soluções de consultas relativas a uma mesma matéria, fundada em idêntica norma jurídica, cabe recurso especial, sem efeito suspensivo, para o órgão de que trata o inciso I do § 1º. § 6º O recurso de que trata o parágrafo anterior pode ser interposto pelo destinatário da solução divergente, no prazo de trinta dias, contados da ciência da solução. § 7º Cabe a quem interpuser o recurso comprovar a existência das soluções divergentes sobre idênticas situações. § 8º O juízo de admissibilidade do recurso será feito pelo órgão que jurisdiciona o domicílio fiscal do recorrente ou a que estiver subordinado o servidor, na hipótese do parágrafo seguinte, que solucionou a consulta. § 9º Qualquer servidor da administração tributária deverá, a qualquer tempo, formular representação ao órgão que houver proferido a decisão, encaminhando as soluções divergentes sobre a mesma matéria, de que tenha conhecimento. § 10. O sujeito passivo que tiver conhecimento de solução divergente daquela que esteja observando em decorrência de resposta a consulta anteriormente formulada, sobre idêntica matéria, poderá adotar o procedimento previsto no § 5º, no prazo de trinta dias contados da respectiva publicação. § 11. A solução da divergência acarretará, em qualquer hipótese, a edição de ato específico, uniformizando o entendimento, com imediata ciência ao destinatário da solução reformada, aplicando se seus efeitos a partir da data da ciência. § 12. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 48 § 13. A partir de 1º de janeiro de 1997, cessarão todos os efeitos decorrentes de consultas não solucionadas definitivamente, ficando assegurado aos consulentes, até 31 de janeiro de 1997: I a não instauração de procedimento de fiscalização em relação à matéria consultada; II a renovação da consulta anteriormente formulada, à qual serão aplicadas as normas previstas nesta Lei. Art. 49. Não se aplicam aos processos de consulta no âmbito da Secretaria da Receita Federal as disposições dos arts. 54 a 58 do Decreto nº 70.235/72. Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 48 desta Lei. § 1º O órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. § 2º Da alteração ou reforma mencionada no parágrafo anterior, deverá ser dada ciência ao consulente. § 3º Em relação aos atos praticados até a data da ciência ao consulente, nos casos de que trata o § 1º deste artigo, aplicamse as conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal. § 4º O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, será efetuado exclusivamente pelo órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Do Processo da Consulta Art. 46. O sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado. Parágrafo único. Os órgãos da administração pública e as entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais também poderão formular consulta. Art. 47. A consulta deverá ser apresentada por escrito, no domicílio tributário do consulente, ao órgão local da entidade incumbida de administrar o tributo sobre que versa. Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Art. 49. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.996 49 Art. 50. A decisão de segunda instância não obriga ao recolhimento de tributo que deixou de ser retido ou autolançado após a decisão reformada e de acordo com a orientação desta, no período compreendido entre as datas de ciência das duas decisões. Art. 51. No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, os efeitos referidos no artigo 48 só alcançam seus associados ou filiados depois de cientificado o consulente da decisão. Ao confiar exclusivamente “no seu taco”, dispensando os esclarecimentos do Processo de Consulta, o Recorrente volitivamente se colocou em situação de risco calculado perante o Fisco, consciente de que a constatação de tal irregularidade iria desaguar em apenação condizente com a gravidade da infração perpetrada, uma vez que a aplicação de penalidade pecuniária em razão de descumprimento de Obrigação Tributária Acessória ostenta natureza objetiva, dispensando a investigação do elemento subjetivo da conduta, a teor dos artigos 113, §3º, e 136 do CTN. Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nessa prumada, configurandose as verbas pagas pelo Recorrente a seus segurados a título de “Indenização Adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN”, “plano de previdência benefício autos”, “Benefício Luvas”, “Campanha Olho Vivo” e “Campanha Segura Ele”, como parcelas integrantes do conceito jurídico de Salário de Contribuição, estas deveriam ter sido NECESSÁRIA E OBRIGATÓRIAMENTE, declaradas, nessa condição, nas GFIP correspondentes, nas Folhas de Pagamento, bem como nos títulos próprios da contabilidade do Recorrente. Mas não o foram. As condutas omissivas perpetradas pelo Recorrente representaram ofensa às obrigações tributárias assentadas no: a) Art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 CFL 30: Infração que motivou a lavratura do Auto de Infração nº 37.314.7449, referente ao CNPJ nº 90.400.888/000142; Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 50 b) Art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 CFL 30: Infração que motivou a lavratura do Auto de Infração nº 37.314.7457, referente às empresas incorporadas, cujos fatos geradores ocorreram antes da incorporação; c) Art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91 CFL 68: Infração que motivou a lavratura do Auto de Infração nº 37.314.7422, referente ao CNPJ nº 90.400.888/000142; d) Art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91 CFL 68: Infração que motivou a lavratura do Auto de Infração nº 37.314.7430, referente às empresas incorporadas, cujos fatos geradores ocorreram antes da incorporação; Mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.997 51 Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose o Auto de Infração como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do seu conteúdo. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este que deve ser adimplido pelo Interessado, de molde a se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em xeque. No caso em pareço, relata a Autoridade Lançadora que o Autuado, apesar de reiteradamente intimado mediante Termos Próprios, não prestou esclarecimentos quanto à divergência entre os valores declarados na GFIP e os valores declarados na DIRF, como pagamento a contribuintes individuais, não forneceu a relação de pagamentos a contribuintes individuais e não identificou os beneficiários de benefícios fornecidos a título de incentivos diversos. Não se mostra suficiente a desintegrar a presunção de veracidade do Ato Administrativo em questão a mera afirmação verbal do Recorrente de que atendeu a todas as solicitações da Fiscalização. Com efeito, compulsando os autos, verificamos que os esclarecimentos a que se refere o Relatório Fiscal foram reiteradamente requeridos pela Fiscalização, mediante Termos Próprios de Intimação formal, fato que reforça a presunção de veracidade do conteúdo ato administrativo em tela, não tendo o Recorrente produzido nenhuma prova em sentido contrário. Registrese que, no caso em estudo, a infração que deu ensejo à lavratura do Auto de Infração CFL 35, consistente na não prestação de todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização, é de consumação instantânea, Nessas circunstâncias, vencido o prazo consignado pela Fiscalização, a infração se aperfeiçoa e se exaure definitivamente, não mais admitindo convalescência ou correção ulterior. Não procede, portanto, a alegação de que prestou pleno atendimento às intimações da Fiscalização. A conduta omissiva assim praticada pela Autuada representa ofensa à Obrigação Tributária Acessória prevista no Art. 32, III, e §11, da Lei nº 8.212/91 CFL 35: Infração que motivou a lavratura do Auto de Infração nº 37.314.7465, referente ao CNPJ nº 90.400.888/000142. Ademais, a infração tipificada no Código de Fundamentação Legal 35 possui valor único e indivisível, de maneira que o quantum debeatur a ele associado independe da gravidade e do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração à obrigação tributária violada. Dessarte, a prestação parcial Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 52 das informações e esclarecimentos requeridos pela Fiscalização não implica o afastamento da imputação, tampouco modificação no valor da multa aplicada, devendo esta ser mantida em sua integralidade individual. 3.3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA – AIOA CFL 68 Mudamse os tempos, mudamse as vontades, Mudase o ser, mudase a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as magoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já cuberto foi de neve fria, E enfim converte em choro o doce canto. E, afora este mudarse cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soia. Luís de Camões Preliminarmente, deve ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.998 53 Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 54 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 1.999 55 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 56 De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.000 57 previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 58 §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, em relação aos Autos de Infração de Obrigação Acessória nº 37.314.7422 e 37.314.7430, CFL 68, tratandose o caso neles versado de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3.4. DAS MULTAS APLICADAS O Recorrente alega as multas aplicadas decorrem de supostas infrações praticadas por empresas sucedidas por incorporação pela Recorrente, sendo que o lançamento ora combatido ocorreu posteriormente à referida incorporação, de modo que a Recorrente não pode ser responsabilizada pelo ônus da sanção imposta. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.001 59 De acordo com o art. 115 do CTN, o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Não é do desconhecimento de ninguém que mediante o procedimento administrativo do Lançamento promovese a convolação da Obrigação Tributária, decorrente do fato gerador apurado, no Crédito Tributário correspondente. Código Tributário Nacional CTN Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, como cediço, o lançamento tributário ostenta natureza jurídica dúplice, sendo declaratória da obrigação tributária, e constitutiva do Crédito Tributário correspondente. Ocorre que, de acordo com o §3º do art. 113 do Código Tributário Nacional, obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Nessa esteira, mediante o lançamento tributário, a penalidade aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória convolase em crédito tributário, conforme artigos 113, §3º, e 142, ambos do CTN. A responsabilidade da Incorporadora pelos tributos devidos pela empresa incorporada decorre diretamente de previsão legal assentada nos artigos 129 e 132 do CTN. Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 60 Código Tributário Nacional CTN Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Ocorre, todavia, que, de acordo com o art. 129 do CTN, o disposto no art. 132 do codex aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Ora, a expressão monetária resultante do lançamento de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de Obrigação Acessória possui, portanto, natureza jurídica de “Crédito Tributário”. Por isso, da conjugação dos preceitos inscritos nos artigos 129 e 132 do CTN, deflui que a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos créditos tributários devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. A norma tributária estabelece a responsabilidade tributária da sucessora pelos Créditos Tributários de responsabilidade da sucedida decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, mesmo que o crédito tributário decorrente tenha sido constituído em data posterior. Nesse sentido, a súmula nº 554 do STJ, vazado nos seguintes termos: "Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão". Merece também ser citada a súmula nº 47 do CARF. Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.002 61 Não procede, portanto, o inconformismo dor Recorrente. 3.5. DA MULTA DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO O Recorrente alega que deve ser excluída a juros de mora incidente sobre a multa de ofício. Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social, pagas em atraso, estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à data dos fatos geradores. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também, há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 62 repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Mostrase auspicioso esclarecer que o conceito de crédito tributário abarca não somente o principal como, também, os seus acessórios pecuniários legais, in casu, os juros moratórios e a multa punitiva, consolidados até a data da lavratura do Auto de Infração. Ou seja, verificado o inadimplemento do tributo, é cabível a incidência de juros moratórios sobre o principal, desde a data do vencimento da obrigação até a data da lavratura do Auto de Infração, bem como a aplicação de multa punitiva, que passam a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Uma vez consolidado o crédito tributário (Crédito Tributário = principal + juros + multa), ao Sujeito Passivo é concedido prazo legal para o adimplemento espontâneo da obrigação. Não se deve perder de vista que os juros moratórios representam, efetivamente, o preço do dinheiro, isto é, o valor que o detentor da moeda (o Sujeito Passivo) paga ao seu legítimo proprietário (o Fisco) pela posse temporária do numerário que desde o vencimento da obrigação já é de sua titularidade. No caso dos autos, a partir da data de vencimento especificado, o Sujeito Passivo passa a figurar como potencial devedor do montante consolidado objeto do lançamento tributário. Nessa perspectiva, os juros de mora são devidos para compensar a demora do Sujeito Passivo no pagamento do crédito tributário consolidado. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário consolidado, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Com efeito, a incidência de juros moratórios sobre o montante do Crédito Tributário, a contar da data de constituição, espelha a jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme se depreende dos seguintes julgados adiante ementados: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.003 63 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJ de 10/12/2012) Aditese que a matéria em questão já se houve por decidida pela 1ª Seção do STJ, no REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543C do CPC, com eficácia vinculativa desse precedente, que deverá ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força do preceito insculpido no art. 62A do Regimento Interno do CARF. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879.844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, §7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010). Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por tais razões, entendemos inexistir irregularidade na incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário consolidado. 3.6. DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente prova documental suplementar. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 64 Sem problema algum, desde que observados os requisitos legais. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.004 65 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Diante de tal panorama, após o oferecimento da impugnação, a juntada de novos documentos há que ser requerida ao Órgão que irá apreciar e julgar o recurso eventualmente interposto, in casu, ao CARF, se se tratar de Recurso Voluntário, ou à CSRF, nas hipóteses de Recurso Especial, repousando aos ombros do Peticionante o encargo processual de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo quarto do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 66 Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §4º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 4. DO RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1638.543 11ª Turma da DRJ/SPO1, a fls. 1490/1549, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele fazer excluir as Obrigações Tributárias decorrentes dos pagamentos efetuados a título de “plano de previdência complementar BANESPREV II”, retificando o débito na forma exposta no Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR a fls. 1482/1489, e recorrendo de ofício de sua decisão. Conforme já consignado no tópico “3.1.3. DO PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR BANESPREV II”, supra, de acordo com o relato da Autoridade Lançadora veiculado na Informação Fiscal, a fl. 1346, “realmente houve um equívoco na leitura dos esclarecimentos prestados pelo SANTANDER no decorrer da auditoria fiscal. Tratase de plano que atende à legislação de planos de previdência, prevê aposentadoria, está disponível a todos os empregados e há participação da patrocinadora e dos participantes, portanto, tais valores devem ser excluídos dos autos”. Nessa esteira, atendendo às informações consignadas na Informação Fiscal acima referida, o Órgão Julgador de 1ª Instância procedeu à exclusão de tal rubrica da matéria tributável coberta pela vertente autuação, retificando o Crédito Tributário remanescente, e recorrendo de ofício de sua decisão. Com efeito, atendendo as condições de contorno com que tal verba houvese por paga aos requisitos fixados no inciso XV do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, como assim atestado pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, imperioso é o reconhecimento da isenção pretendida, motivo pelo qual, nesse específico particular, negase provimento ao Recurso de Ofício. 5. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento, tão somente, as Obrigações Tributárias Principais constituídas, exclusivamente, por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.7511 e 37.320.5775, decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro e fevereiro de 2006, em razão da homologação tácita, nos termos expostos no §4º do art. 150 do CTN e em atenção à Súmula 99 do CARF. Além disso, o valor das penalidades pecuniárias aplicadas mediante os Autos de Infração de Obrigação Acessória nº 37.314.7422 e 37.314.7430, AIOA CFL 68, devem ser recalculados, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.005 67 assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Outrossim, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 68 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess. Peço licença ao nobre relator para discordar de um ponto específico contido no sempre didático e criterioso voto proferido. Cuidase das multas por obrigação acessória imputadas à sucessora, em decorrência de infrações cometidas pelas sucedidas até antes da incorporação. Transcrevo, inicialmente, a disciplina legal da responsabilidade por sucessão empresarial prevista nos arts. 129 e 132 do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (...) Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (grifouse) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. A sucessão empresarial implica sucessão tributária. A fim de orientar o viés interpretativo, ressalto que o patrimônio é composto por um conjunto de bens, direitos e obrigações, de maneira que o sucessor não recebe somente os bens e direitos, mas também as obrigações integrantes do patrimônio do sucedido. Conquanto o art. 132 do CTN refirase tão somente aos tributos, ao interpretálo conjuntamente com o art. 129, dispositivo que inaugura a Seção denominada "Responsabilidade dos sucessores", chegase à conclusão de que a regra também aplicase aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos. Nesse raciocínio, o momento da constituição do crédito tributário pelo ato de lançamento, que compreende também a penalidade, consoante o § 1º do art. 113 do CTN, acaba tornandose irrelevante, porquanto o que interessa é a data da ocorrência do fato gerador. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.006 69 Essa linha de pensamento é prevalente no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo da decisão no Recurso Especial (REsp) nº 923.012/MG, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, da relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja ementa reproduzo parcialmente, na parte que interessa ao presente feito: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) (...) Entretanto, ao ler integralmente o voto do atual ilustre Ministro do Supremo Tribunal Federal, tenho para mim que a multa moratória ou punitiva analisada e mencionada diz respeito ao descumprimento da obrigação principal, decorrente do não pagamento de tributo na época do vencimento, coerente assim com a interpretação conjunta dos arts. 129 e 132 do CTN, antes referida. Pareceme que nesse sentido foi redigido o voto nos Embargos de Declaração do mesmo REsp nº 923.012/MG, de lavra do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, para o qual também transcrevo a ementa do julgado, na parte de interesse à questão em debate: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543 C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 70 INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. (...) 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. (grifei) 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. (...) Estender a interpretação para as obrigações acessórias, com a devida vênia, é um passo adiante. Tenho consciência que as decisões definitivas de mérito proferidas na sistemática dos recursos definitivos pelo STJ devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (Carf), conforme o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Sempre que aplicável ao caso sob apreciação do colegiado, adoto o entendimento da Corte, por dever do ofício, independentemente do meu ponto de vista pessoal sobre a matéria. Todavia, nessa questão específica, não estou convencido que o julgado abrange igualmente, com a clareza necessária e suficiente, as multas por descumprimento de obrigações acessórias. Sob a ótica do direito tributário, os §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN prescrevem a respeito da obrigação acessória: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.007 71 É evidente que a obrigação acessória não se converte imediatamente em principal pelo fato da sua inobservância, conforme a dicção do § 3º do art. 113. Se assim fosse, o sujeito passivo poderia pagar a multa e não cumprir a prestação positiva ou negativa estabelecida na legislação. Quer dizer o dispositivo que uma vez identificado pelo Fisco o descumprimento do dever instrumental, será imposta uma multa, de cunho patrimonial, reportandose ao momento do seu fato gerador e sendo exigida e cobrada por intermédio dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos. De modo que enquanto não aplicada a penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória a multa fiscal não passa a integrar o passivo da empresa, não sendo correto afirmar, ainda que relativa à obrigação tributária surgida até a data da sucessão, que fazia parte do patrimônio da sucedida. Ressalvo a hipótese de empresas pertencentes a grupo econômico ou sob controle comum, antes da sucessão empresarial, todas sabedoras das condutas perpetradas por uma e outra. Essa posição encontra amparo no enunciado da Súmula Carf nº 47, assim vazado: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Contudo, não localizei comprovação nos autos que as sociedades envolvidas estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Dessa feita, voto no sentido de excluir do lançamento as multas por obrigação acessória imputadas à sucessora, em decorrência de infrações cometidas pelas sucedidas até a competência da incorporação, por terem sido lançadas posteriormente à sucessão, recalculandose, portanto, a penalidade do AI nº 37.314.7430. Quanto aos demais autos de obrigação acessória, por abarcaram competências posteriores à incorporação e o valor da multa aplicado em montante único, independentemente do período ou do número de infrações, não haverá alteração dos valores lançados. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 72 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato a) Do "Benefício Luvas" Acompanhei o ilustre relator para o fim de declarar improcedente o recurso voluntário e manter o lançamento sobre as verbas indicadas pelo contribuinte como sendo "Benefício Luvas" (item 3.1.1.). Apresento esta declaração de voto para pontuar os fundamentos que me levaram a entender pela manutenção do auto de infração sobre as referidas verbas, também conhecidas como "Hiring Bonus", por serem estes distintos dos apresentados pelo nobre relator. Divirjo frontalmente do posicionamento de que se tratam estas verbas como sendo "atencipação de salário, motivado, obviamente, pelos serviços que o trabalhador irá prestar à empresa". As demais razões apresentadas seguem no entendimento de se tratar ,nitidamente, de verba que se amolda ao conceito de remuneração e, portanto, passível de inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não se destina, esta declaração de voto, a combater os argumentos do sábio relator, mas sim de apresentar o entendimento deste conselheiro e a sua motivação para negar provimento ao recurso voluntário. Entendo que o "Hiring Bonus" é, em sua essência, um pagamento decorrente de um contrato de natureza civil, sem qualquer cunho ou repercussão trabalhista, tanto o é que, nitidamente, se pactua e se concretiza anteriormente ao início da relação de trabalho. Utilizome das claras e precisas palavras do também conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, em "Aspectos Trabalhistas e Tributários dos Bônus de Contratação", que se encontra no prelo pela editora Revista dos Tribunais, onde apresenta a norteadora e fulminante conclusão: "Em conclusão, podemos asseverar que o bônus de contratação não possui natureza remuneratória, pois: i) não apresenta caráter de contraprestação pelo contrato de trabalho; ii) também não decorre do tempo à disposição do empregador; iii) não é recebido em razão de interrupção do pacto laboral; iv) por fim, não é pago em razão de ajuste constante do contrato individual ou coletivo de trabalho. Tratase, portanto, de verba paga pelo empregador ao trabalhador para que esse assine um contrato de trabalho, nos termos ajustados pela parte, não integrando o contrato de trabalho e nem refletindo, para fins fiscais ou trabalhistas, como decorrência desse contrato. Eventuais inadimplementos na execução do ajuste, por qualquer das partes, deve ser demandando na Justiça do Trabalho, por força do artigo 114 da Constituição Federal, porém sob as normas do Direito Civil." Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.008 73 Embora compartilhe das conclusões acima reproduzidas e sendo estas absolutamente opostas à apresentadas pelo conselheiro relator, no presente caso acompanhei este no seu voto pelo único e simples motivo de, no presente processo, o contribuinte, ora recorrente, não ter apresentado qualquer prova de que os valores apresentados como pagamento de "Benefício Luvas" sejam, de fato, benefícios que ostentem tal natureza. Ainda que o recurso voluntário traga toda a fundamentação teórica (apresentando a mesma conclusão acerca da natureza da verba que a presente declaração de voto), tais alegações não passam do campo conceitual, ou seja, não se apresentou individualizadamente (sequer exemplificativamente) qualquer contrato firmado que ostente a natureza da pagamento de hiring bonus. Tampouco se demonstrou, para cada um dos beneficiários desses pagamentos, a composição desses valores, bem como as datas em que firmados possíveis contratos e o início dos respectivos pactos laborais etc. Em resumo, não houve qualquer comprovação documental no presente caso. Assim, não há condições do julgador administrativo declarar a natureza, se salarial ou não, de uma determinada verba paga pelo contribuinte que a conteste, somente pela nomenclatura dada por este em sua contabilidade. Com a autuação, transferese ao contribuinte o ônus da prova acerca da natureza não remuneratória das verbas pagas e, contestandoas simplesmente de maneira retórica, conceitual, independente de qual seja a alegação, não há como averiguar e, consequentemente, concluir, que referidos pagamentos ostentem a natureza de pagamentos a título de hiring bonus. Por estes motivos, entendo que deve ser negado provimento ao recurso voluntário no tocante à manutenção do lançamento sobre os pagamentos realizados pelo contribuinte sob a denominação de "Benefício Luvas". b) Dos juros de mora sobre a multa de ofício Divirjo do Relator no ponto específico da incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, consoante as razões que apresento a seguir. A recorrente pleiteia a exclusão da incidência dos juros de mora (TAXA SELIC) sobre o montante devido a título de “multa de ofício”. Entendo que a recorrente tem razão, posto que não há previsão legal que albergue a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. O fundamento legal que supostamente dá abrigo à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício é o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, contudo, entendo não ser esta a melhor interpretação. Eis a redação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 74 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O caput do referido artigo é bastante claro: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal [...]”. O § 3º estabelece a incidência dos juros de mora sobre os débitos “a que se refere este artigo”. Para se defender a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, temse que entender ser esta “decorrente de tributos e contribuições”. Ora, as multas de ofício não são débitos decorrentes de tributos, pois são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas as seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal; e b) falta de declaração e declaração inexata. Incorridas alguma dessas condutas, surge o direito da fiscalização de imputar ao contribuinte a multa de ofício, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 (redação atual): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Assim, entendo que a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 se dá sobre “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Ainda, destacase que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional é frequentemente usado como fundamento para autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Do mesmo modo, entendo que o referido dispositivo legal não autoriza esta incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/201107 Acórdão n.º 2401004.194 S2C4T1 Fl. 2.009 75 Portanto, discordo do entendimento do ilustre Relator apresentando as razões pela qual afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que tanto o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, quanto o art. 161, do CTN, não são fundamento legal apto a permitir tal incidência. Carlos Alexandre Tortato Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
