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Numero do processo: 15165.721935/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo do II, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo do IPI, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 BASE DE CÁLCULO.. GOSTOS DE CAPATAZIA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. Para fim de apuração da base de cálculo da Cofins-Importação, integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga da mercadoria importada do veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014 MULTA REGULAMENTAR. OMISSÃO OU PRESTAÇÃO DE FORMA INEXATA OU INCOMPLETA. DESCABIMENTO. A aplicação de penalidade depende da subsunção dos fatos à norma legal e, inexistindo, no caso do autos, infração à norma, não há se falar em aplicação da multa imposta. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, que davam provimento ao Recurso e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar e o Conselheiro Walker Araújo, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa votaram pelas conclusões em relação à exclusão da multa. Fez sustentação oral: o Procurador da Fazenda Nacional Miquerlam Chaves Cavalcante e o Representante da empresa o Advogado Dr. Alberto Daudt de Oliveira - OAB 50.932 - RJ. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   2 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014  BASE  DE  CÁLCULO..  GOSTOS  DE  CAPATAZIA  NO  TERRITÓRIO  NACIONAL. INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.  Para  fim de  apuração da base de  cálculo da Cofins­Importação,  integram o  valor  aduaneiro  os  gastos  relativos  à  descarga  da mercadoria  importada  do  veículo de transporte internacional no território nacional, independentemente  da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014  MULTA REGULAMENTAR. OMISSÃO OU  PRESTAÇÃO DE  FORMA  INEXATA OU INCOMPLETA. DESCABIMENTO.  A aplicação de penalidade depende da subsunção dos fatos à norma legal e,  inexistindo, no caso do autos, infração à norma, não há se falar em aplicação  da multa imposta.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  dar  parcial  provimento  ao Recurso Voluntário,  para  excluir  a multa  de  1%  (um  por  cento)  do  valor  da  mercadoria, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, Relatora,  que  davam  provimento  ao  Recurso  e  a  Conselheira  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar  e  o  Conselheiro Walker Araújo,  que negavam provimento  ao Recurso. Designado para  redigir  o  voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Os Conselheiros José Fernandes  do Nascimento, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa votaram pelas  conclusões  em  relação  à  exclusão  da multa.  Fez  sustentação  oral:  o  Procurador  da  Fazenda  Nacional  Miquerlam  Chaves  Cavalcante  e  o  Representante  da  empresa  o  Advogado  Dr.  Alberto Daudt de Oliveira ­ OAB 50.932 ­ RJ.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Lenisa Rodrigues Prado ­ Relatora.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Redator Designado.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  Filho,  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Lenisa  Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de  Souza e Walker Araújo.  Fl. 22286DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/2014­21  Acórdão n.º 3302­003.177  S3­C3T2  Fl. 22.286          3 Relatório  A questão tem início em procedimento de fiscalização1 sobre as importações  registradas  pela  contribuinte  no  período  de  janeiro/2010  a  fevereiro/2014,  de  onde  foram  extraídas as seguintes informações que subsidiaram a lavratura do auto de infração:  "Como  informado  pela  própria  empresa  Volkswagen,  estes  custos  de  descarga  relativos  a  operação  portuária  não  foram  incluídos na base de cálculo dos tributos recolhidos por ocasião  do  despacho  aduaneiro,  sendo  este  o  objeto  deste  auto  de  infração,  o  de  lançar  as  diferenças  de  imposto  de  importação,  imposto  sobre  produtos  industrializados,  PIS  e  COFINS  não  recolhidos devido a não inclusão dos custos portuários no valor  aduaneiro  dos  veículos  importados,  além  de  lançar  a multa  de  1%  sobre  o  valor  aduaneiro  das  mercadorias  importadas,  conforme  o  disposto  no  art.  711,  inciso  III  do  Decreto  n.  6.759/2009" (fl. 22132).  Cientificada  sobre  o  referido  lançamento,  o  contribuinte  apresentou  sua  impugnação (fls. 22148/22169), oportunidade na qual alega, em síntese:  ­ A autuação fiscal é descabida, já que arrimada em uma leitura equivocada  sobre  a  legislação  pertinente,  que  afronta  os  Princípios  da  Tipicidade,  da  Norma  Penal­  Tributária, e da Razoabilidade e da Proporcionalidade;  ­ As  despesas  nacionais  de  capatazia,  ou,  em  outras  palavras,  os  custos  de  carga, descarga e manuseio associados ao transporte da mercadoria importada, não integram o  valor aduaneiro;  ­ O art. 77 do Decreto 6.759/2009 determina que integram o valor aduaneiro  os custos suportados até a chegada da mercadoria no porto onde será cumprida as formalidades  de  importação,  e  não  "e não os  custos  de  capatazia  do  porto  até  o  recinto  alfandegado ou  terminal" (fl. 22153 ­ grifos no original);  ­ O Ato Declaratório COANA n. 003/2000 corrobora a  interpretação do art.  77 do RA: 'os gastos relativos à descarga e manuseio de mercadorias importadas, associadas  ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro" (fl. 22154 ­ grifos no original);  ­  É  inaplicável  a  multa  prevista  no  art.  711,  III,  do  RA  por  "completa  dissonância  com a  hipótese  dos  autos"  já  que  "o  fato  de  não  declarar  o  valor  da  capatazia  nacional nas Declarações de Importação é o mesmo que não informar os custos de descarga e  manuseio  das mercadorias  importadas  quando da  sua  chegada ao  país"  o  que  faz  incidir  o  inciso I, do art. 44 da Lei n. 9.430/96 (fl. 22157).  A  7ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Fortaleza  julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado:                                                              1  Inaugurado  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  n.  0915200  2014  00055­8  (fl.  22129),  que  encontra  fundamento no dever de verificar o correto valor aduaneiro declarado em operações de importação de veículos  em função dos ajustes na base de cálculo de que trata o artigo VIII do Acordo de Valoração Aduaneira ­ AVA,  promulgado pelo Decreto n. 1.355/1994..  Fl. 22287DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   4   Assunto: Imposto sobre a Importação ­ II  Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  ADUANEIRO.  AJUSTE.  DESPESAS  RELATIVAS  A  DESCARGA  E  MANUSEIO  DA  MERCADORIA.  Integram o valor aduaneiro os gastos relativos à descarga e ao  manuseio de mercadorias  importadas, associadas ao transporte  internacional, até o porto de destino onde devam ser cumpridas  as  formalidades  de  entrada  no  território  aduaneiro,  independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro. A  alteração  do  valor  aduaneiro  declarado  implica  exigência  reflexa das diferenças de  tributos e  contribuições  incidentes na  importação, em razão da modificação de suas bases de cálculo.  Assunto: Obrigações Acessórias  Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014  INFORMAÇÃO  DE  NATUREZA  ADMINISTRATIVO­ TRIBUTÁRIA.  OMISSÃO  OU  PRESTAÇÃO  DE  FORMA  INEXATA OU INCOMPLETA. MULTA.  O  importador  que  omitir  ou  prestar  de  forma  inexata  ou  incompleta  informação  de  natureza  administrativo­tributária,  cambial  ou  comercial,  necessária  ao  procedimento  de  controle  aduaneiro, fica sujeito à multa de 1% sobre o valor aduaneiro da  mercadoria.  Assunto: Normas de Gerais de Direito Tributário  Período de apuração: 04/01/2010 a 17/02/2014  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMA  LEGAL.  INCOMPETÊNCIA  DA  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA.  A instância administrativa não possui competência para afastar  a  aplicação  da  norma  sob  o  fundamento  de  inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do  Poder  Judiciário,  nos  termos  dos  artigos  97  e  102  da  Constituição Federal.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.    Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, motivo pelo qual os  autos do processo ascenderam a este Conselho.  É o relatório.  Voto Vencido  Fl. 22288DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/2014­21  Acórdão n.º 3302­003.177  S3­C3T2  Fl. 22.287          5 Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora.  A  contribuinte  foi  cientificada  sobre  o  teor  do  acórdão  proferido  pela  instância  de  origem  em  8/5/2015  (aviso  de  recebimento  postal  à  folha  22214)  e  interpôs  tempestivamente o recurso voluntário em 8/6/2015, motivo pelo qual tomo conhecimento sobre  as razões contidas no apelo.  1. MÉRITO  A  recorrente  aduz  que  a  interpretação  conferida  pela  instância  de  origem  sobre a legislação internacional pertinente (artigos 1 e 8 do Acordo sobre a Implementação do  Artigo  VIII  do  Acordo  Geral  de  Tarifas  e  Comércio  de  1994)  é  descabida  e  distorcida,  imprestável para manter a autuação fiscal.  Sustenta  que  a  legislação  pátria  não  prevê  a  inclusão  dos  custos  com  capatazia interna na base de cálculo dos tributos aduaneiros.   Defende  que  a  interpretação  conferida  pela  Delegacia  de  Julgamentos  é  contraposta pelo  item 3 da Nota ao Artigo 1 do Acordo de  Implementação do Artigo VII do  Acordo Geral de Tarifas e Comércio 1994 (AVA/GATT) onde "expressamente veda a inclusão  de custos (de transporte inclusive) incorridos após a importação" (fl. 22222).  Informa que:  "A  decisão  recorrida,  se  reportando  às  normas  acima  transcritas,  conclui  que  os  custos  de  transporte,  carregamento,  descarregamento e manuseio executados até o Porto ou local de  importação  poderiam  ser  objeto  de  ajuste  no  valor  aduaneiro  caso a legislação do País  importador assim o determine, e cita  os arts. 543, 544, 545, e 571 do Decreto 6.759/09 como se este  fosse lei, o que não é" (fl. 22224).  Ato  contínuo  a  recorrente  pondera  sobre  a  limitação  de  ato  do  Poder  Executivo (no caso, o Decreto 6.759/09) em incluir o custo de capatazia no valor aduaneiro, já  que  não  tem  autorização  legislativa,  conseqüentemente,  não  atende  aos  termos  do  Acordo  Internacional.  Indica,  por  outro  lado,  que  o  mencionado  decreto  não  contém  nenhum  dispositivo que inclua no valor aduaneiro os custos de capatazia. Existem somente artigos que  dispõem efetivamente o contrário do que sustentado na autuação fiscal e mantido pela instância  de origem (arts. 79, II; art. 77, I; e art. 71 do Regulamento Aduaneiro).  Refuta a adoção do conteúdo do Ato Declaratório COANA n. 3/2000 como  legislação pertinente.  Por  fim,  traz  a  conhecimento  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (Recurso Especial n. 1.434.6501, de relatoria do Ministro Herman Benjamin).  Por ser essencial para o julgamento do recurso voluntário em tela, transcrevo  trecho do relatório de fiscalização inserto no acórdão recorrido:  "Na descrição  dos  fatos  relativa  ao  Imposto  de  Importação  (fl.  03), consta:  Fl. 22289DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   6 '001 ­ OUTROS AJUSTES OBRIGATÓRIOS NÃO EFETUADOS  O importador por meio das DI abaixo, registradas entre janeiro  de  2010  e  fevereiro  de  2014,  submeteu  a  despacho  diversos  modelos de veículos importados, classificáveis na Tarifa Externa  Comum  nas  posições  8702,  8703  e  8704,  tendo  sido  pago  o  imposto de importação à alíquota de 35% quando proveniente de  países  de  fora  do  Mercosul  e  de  0%  quando  provenientes  da  Argentina.  Para  a  apuração  do  valor  aduaneiro,  segundo  o  Acordo  de  Valoração  Aduaneira,  ao  valor  das mercadorias  deveriam  ser  somados os valores relativos a frete, seguro e os gastos relativos  à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte de  mercadoria  importada, até a chegada ao porto ou o aeroporto  alfandegado  de  descarga  ou  ponto  de  fronteira  alfandegado  onde  devam  ser  cumpridas  as  formalidades  de  entrada  no  território aduaneiro.  Ocorre  que  o  importador  não  incluiu  os  valores  relativos  à  descarga e manuseio dos veículos importados descarregados no  Porto  de  Paranaguá­  PR,  que  foi  por  onde  ingressaram  no  território  nacional  todos  os  veículos,  no  cômputo  do  valor  aduaneiro,  e  que  importavam  em  R$  5,00  durante  janeiro  de  2010 e abril de 2012 e de R$ 7,50 a partir de maio de 2012.  Sendo  assim,  cobra­se  a  diferença  do  imposto  de  importação,  apurada  em  face  de  tal  incorreção,  somado  aos  acréscimos  legais devidos.  (...)  O Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto n.  1.355/1994,  estabelece  em  seu artigo 8, § 2º,  alínea  (b) que os  gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio ,  associados ao transporte de mercadorias importadas até o porto  ou  local  de  importação,  poderão  ser  incluídos  no  valor  aduaneiro,  conforme  previsão  do  país  signatário.  O  Decreto  6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) traz essa previsão em seu  artigo 77, inciso II.  No caso de transporte marítimo é usual, segundo o autuante, que  os  importadores  informem  essas  despesas  sob  a  denominação  capatazia  ou  THC  nas  'Informações  Complementares'  da  DI,  adicionando­as ao valor informado do frete ou preenchendo seu  valor no campo 'Acréscimos' da adição.  A fiscalização explica que o Ato Declaratório Coana n. 003/2000  estabelece que os gastos relativos à descarga e ao manuseio de  mercadorias  importadas,  associados  ao  transporte  internacional,  integram  o  valor  aduaneiro,  independentemente  da  responsabilidade  pelo  ônus  financeiro  e  da  denominação  adotada.  Informa, ainda, que a Notícia Siscomex  importação n.  24/2000,  de  16/05/2000,  também  trata  do  assunto"  (fls.  22196/22198 ­ grifos nossos).    O  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  após  transcrever  os  fundamentos  da  autuação, conclui que:  Fl. 22290DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/2014­21  Acórdão n.º 3302­003.177  S3­C3T2  Fl. 22.288          7   "Como  se  depreende  dos  dispositivos  que  regulamentam  a  matéria,  a  importação  de  mercadorias  estrangeiras  acontece  por  meio  do  despacho  de  importação,  cujo  desembaraço  encerra  a  conclusão  do  procedimento  de  conferência  aduaneira,  sendo  então  admitido  o  documento  comprobatório  da importação, passando então a mercadoria a ser considerada  como nacionalizada.  Também  se  conclui,  das  referidas  normas, que não  se  incluem  no  valor  aduaneiro  os  gastos  relacionados  ao  transporte  das  mercadorias nacionalizadas, isto é, os gastos incorridos após o  desembaraço  aduaneiro  e  relacionados  à  logística  para  transferência  das  mercadorias  já  importadas  para  o  estabelecimento ou local determinado pelo importador.  Logo, a conclusão é de que a legislação pátria optou por dar ao  termo  'importação' um  sentido  relacionado a um conjunto  de  procedimentos  que  culminam  com  o  desembaraço  das  mercadorias  estrangeiras.  No  País,  por  força  de  sua  própria  legislação, o procedimento de importação somente termina com  o  ato  final  do  desembaraço  aduaneiro  e,  assim,  os  ajustes  previstos  no  Artigo  8  do  Acordo  sobre  a  Implementação  do  Artigo  VII,  do  Acordo  Geral  de  Tarifas  e  Comércio  1994  (AVA/GATT) incluem os gastos discutidos no âmbito do presente  processo  administrativo  fiscal,  visto  que  incorridos  antes  do  desembaraço". (fl. 22205 ­ grifos nossos)    Vê­se  que  a  questão  central  dos  autos  é  saber  qual  a  extensão  do  termo  "importação":  se  a  recepção  dos  produtos  importados  no  território  nacional  ou  se  este  corresponde  a  série  de  procedimentos  burocráticos  que  culminam  com  o  desembaraço  aduaneiro.  A)  IMPORTAÇÃO.  VALOR  ADUANEIRO.  CAPATAZIA.  PRODUTOS  EM  SOLO  BRASILEIRO.   A Lei n. 12.815/2013 (conhecida como Lei dos Portos) define em seu artigo  40, § 1º, inciso I, que o trabalho portuário de capatazia promovido na importação e exportação  de produtos é "a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto,  compreendendo o  recebimento,  conferência,  transporte  interno,  abertura  de  volumes  para  a  conferência  aduaneira,  manipulação,  arrumação  e  entrega,  bem  como  o  carregamento  e  descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário".  O Decreto n. 2.498/19982 , conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira,  elenca de forma taxativa quais são os custos a serem incluídos no valor aduaneiro:  Art.  17.  No  valor  aduaneiro,  independentemente  do método  de  valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do  Acordo de Valoração Aduaneira):                                                              2 Que dispõe sobre a aplicação do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e  Comércio ­ GATT.  Fl. 22291DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   8 I ­ o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto  ou local de importação;  Il ­ os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados  ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local  de importação; e  III ­ o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e Il.  (grifos nossos).  Não  obstante,  se  o  entendimento  acolhido  pela  instância  de  origem  prevalecesse (de que a importação, para fins de apuração do valor aduaneiro, fosse o conjunto  de  atos burocráticos que  culminam com o desembaraço da mercadoria  do  espaço portuário),  estar­se­ia esvaziando o conteúdo do artigo 13 do mencionado decreto3, o que indica a falha na  interpretação adotado pelo fiscal autuante.  Ademais,  vale  ressaltar  que  o  Decreto  6.759/2009  ­  posterior  ao  acima  transcrito  ­  mantém  os  mesmos  os  custos  a  serem  incluídos  no  valor  aduaneiro,  como  se  percebe da leitura dos artigos abaixo transcritos:  Art.  77.  Integram  o  valor  aduaneiro,  independentemente  do  método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira,  Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no  30,  de  1994,  e  promulgado  pelo Decreto  no  1.355,  de  1994;  e  Norma  de  Aplicação  sobre  a  Valoração  Aduaneira  de  Mercadorias, Artigo 7o, aprovado pela Decisão CMC no 13, de  2007,  internalizada  pelo  Decreto  no  6.870,  de  4  de  junho  de  2009): (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010).  I ­ o  custo  de  transporte  da mercadoria  importada  até  o  porto  ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira  alfandegado  onde  devam  ser  cumpridas  as  formalidades  de  entrada no território aduaneiro;  II ­ os  gastos  relativos  à  carga,  à  descarga  e  ao  manuseio,  associados  ao  transporte  da  mercadoria  importada,  até  a  chegada aos locais referidos no inciso I; e  III ­ o  custo  do  seguro  da  mercadoria  durante  as  operações  referidas nos incisos I e II.   Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do  valor  de  transação,  desde  que  estejam  destacados  do  preço  efetivamente  pago  ou  a  pagar  pela  mercadoria  importada,  na  respectiva  documentação  comprobatória  (Acordo de Valoração  Aduaneira,  Artigo  8,  parágrafo  2,  aprovado  pelo  Decreto  Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355,  de 1994):  I ­ os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem,  à  manutenção  ou  à  assistência  técnica,  relacionados  com  a  mercadoria importada, executados após a importação; e                                                              3  Art.  13.  No  caso  de  desembaraço  de  mercadoria  antes  da  conclusão  do  controle  do  valor  aduaneiro,  o  importador  será  notificado,  por  intermédio  do  SISCOMEX,  de  que,  para  os  efeitos  do  inciso  I  do  art.  7º  do  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, permanece sob procedimento fiscal. (grifos nossos).    Fl. 22292DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/2014­21  Acórdão n.º 3302­003.177  S3­C3T2  Fl. 22.289          9 II ­ os  custos  de  transporte  e  seguro,  bem  como  os  gastos  associados ao  transporte,  incorridos no  território aduaneiro, a  partir dos locais referidos no inciso I do art. 77. (grifos nossos).  É  de  fácil  conclusão  que  os  mencionados  decretos,  ao  disporem  sobre  os  gastos que devem ser incluídos no valor aduaneiro, referem­se às despesas com carga, descarga  e manuseio das mercadorias importadas até o porto alfandegado.  É de  rigor esclarecer que na hipótese dos autos a autuação  foi  feita  sobre a  capatazia de destino, que difere da internacional, conhecida como Terminal Handling Charges  (THC) que ocorre no exterior. Essa assertiva decorre do Termo de Verificação Fiscal, onde está  registrado:    "Em  17  de  abril  de  2014  foi  apresentado  o  Contrato  Social  Consolidado da empresa Volkswagen do Brasil  e a  informação  que  a  descarga  portuária  dos  veículos  importados  após  o  transporte  internacional é  realizado pelo armador até a  rampa  do  navio,  sendo  a  interessada  responsável  pela  retirada  dos  veículos  até  o  terminal  de  veículos,  onde  opera  o  recinto  alfandegado como concessionária" (fl. 22129).  Não se desconhece que a Instrução Normativa n. 327/20034 determina que as  despesas decorrentes da descarga da mercadoria importada, já no território nacional, deveriam  compor o valor aduaneiro.  No  entanto,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça5,  ao  exercer  a  sua  finalidade  máxima que é apreciar a legalidade de atos públicos, ao se deparar com o posicionamento da  Receita Federal consolidado na edição da Instrução Normativa n. 327/2003, concluiu que:  "ao permitir, em seu artigo 4º, § 3º, que computem os gastos com  descarga  da  mercadoria  no  território  nacional,  no  valor  aduaneiro,  desrespeita  os  limites  impostos  pelo  Acordo  de  Valoração Aduaneiro e pelo Decreto 6.759/2009, tendo em vista  que  a  realização  de  tais  procedimentos  de  movimentação  de  mercadorias ocorre apenas após a chegada da embarcação, ou  seja, após a sua chegada ao porto alfandegado".  Diante  do  que  foi  exposto,  é  de  rigor  a  reforma  da  decisão  recorrida,  para  cancelar o auto de infração no que concerne a exigência de Imposto de Importação e Imposto  sobre Produtos Industrializados calculados sobre o custo da capatazia em solo pátrio.  B)  PIS/COFINS  IMPORTAÇÃO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO N. 559.937.                                                              4 Art. 4º. Na determinação do valor aduaneiro, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado,  serão incluídos os seguintes elementos:  II ­ os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte de mercadorias importadas, até a  chegada aos locais referidos no inciso anterior .  §  3º.  Para  os  efeitos  do  inciso  II,  os  gastos  relativos  à  descarga  da  mercadoria  do  veículo  de  transporte  internacional no território nacional serão incluídos no valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade  pelo ônus financeiro e da denominação adotada.  5 Recurso Especial n. 1.239.625/SC, julgado pela 1ª Turma  em 04/09/2014, sob a relatoria do Ministro Benedito  Gonçalves. Ver  também o acórdão  proferido pela 2ª Turma, no  julgamento do Agravo Regimental  no Recurso  Especial n. 1.434.650/CE, de relatoria do Ministro Herman Benjamin.  Fl. 22293DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   10 A  autuação  fiscal  pretende  recolher  aos  cofres  públicos  a  diferença  que  corresponde às parcelas pagas a menor e o valor que entende por devido referentes ao Imposto  de  Importação,  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  PIS  e  COFINS  importação,  ante  a  "não inclusão dos custos portuários na base de cálculo dos veículos importados entre janeiro  de 2010 e fevereiro de 2014"6 .  Em  setembro  de  2010  o  Supremo  Tribunal  Federal  julgou  recurso  extraordinário  representativo  de  repercussão  geral7,  esse  interposto  pelo  então  Procurador­ Geral  da  Fazenda  Nacional,  onde  defendeu  a  constitucionalidade  do  art.  7º,  I,  da  Lei  n.  10.865/2004,  dispositivo  legal  que  determinou  que  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  incidentes sobre a importação deve ser o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo  do Imposto de Importação, agregando o valor correspondente ao ICMS devido pela operação.  Naquela assentada, o Plenário da Suprema Corte acolheu o entendimento da  relatora  original  ­  Ministra  Ellen  Gracie  ­  que  assentia  que  "as  contribuições  sobre  a  importação  (no caso PIS/COFINS Importação), pois, não podem extrapolar a base do valor  aduaneiro, sob pena de inconstitucionalidade por violação à norma de competência no ponto  constante do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição".  E  sua  conclusão  foi  acolhida  pelos  demais  Ministros  que  compunham  a  Corte.  Por  que  muito  bem  espelha  as  lições  proferidas  pelos  demais  julgadores,  transcrevo a elucidação sobre valor aduaneiro nas palavras do Ministro Luiz Fux:  "Valor Aduaneiro, na importação, não é necessariamente aquele  pelo  qual  foi  realizado  o negócio  jurídico. O CTN,  art.  20,  II,  refere­se  ao  Valor  Aduaneiro  como  o  'preço  normal  que  o  produto,  ou  seu  similar,  alcançaria  ao  tempo  da  importação,  em  uma  venda  em  condições  de  livre  concorrência,  para  entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País'.  Na rodada do GATT, realizada no período de 1973 a 1979, em  Tóquio, foi retomada a discussão acerca do modo de verificação  do  valor  aduaneiro,  restando  concluída  em  1994,  no Uruguai,  assim denominada 'Rodada do Uruguai'.  O acordo passou a ser obrigatório para todos os países membros  da Organização Mundial do Comércio – OMC, da qual o Brasil  faz parte, e veio a definir um modelo de valoração aduaneira que  pudesse por fim ao protecionismo e evitar a discricionariedade,  fundado  em  maior  objetividade  e  na  garantia  da  segurança  jurídica.                                                               6 Trecho do Termo de Verificação Fiscal:"Considerando os fatos apresentados, lavramos Auto de Infração para  lançamento de parcelas pagas a menor do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados ­  IPI, PIS e Cofins devido a não inclusão dos custos portuários na base de cálculo dos veículos importados entre  janeiro  de  2010  e  fevereiro  de  2014,  assim  como  multa  de  ofício  prevista  no  artigo  44,  inciso  I,  da  Lei  n.  9.430/96, alterado pelo artigo 14 da Lei n. 11.488/2007 e juros de mora, calculados com o percentual equivalente  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  (SELIC)  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente , e incidentes desde a data do registro da DI para imposto de importação, o PIS e o Cofins e desde a  data  do  desembaraço  da  DI  para  o  Imposto  sobre  produtos  industrializados,  conforme  o  disposto  no  art.  61  parágrafo 3º da Lei n. 9.430/96" (fl. 22132).  7  Recurso  Extraordinário  n.  559.937/RS,  relatora  original Ministra  Ellen Gracie,  relator  para  acórdão Ministro  Dias Tóffoli, julgado pelo Tribunal Pleno em 20/03/2013, publicado no DJe em 17/10/2013.  Fl. 22294DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/2014­21  Acórdão n.º 3302­003.177  S3­C3T2  Fl. 22.290          11 Restou  definido  que  “valor  aduaneiro”  seria  o  valor  da  transação da mercadoria. Não foi por outro motivo que o CTN  quedou­se  superado,  sendo  o  Decreto­Lei  n.º  37,  de  18  de  novembro de  1966,  alterado,  pelo Decreto­Lei n.º  2.472,  de  1º  de setembro de 1988, que passou a prever, em seu art. 2º, como  sendo  a  base  de  cálculo  do  imposto  de  importação,  quando  a  alíquota  fosse  ad  valorem,  o  “valor  aduaneiro”,  apurado  segundo as normas do Artigo VII do GATT.   O  GATT  foi  incorporado  ao  ordenamento  jurídico  brasileiro  pelo  Decreto  n.º  92.930/86,  que  promulgou  o  Acordo  sobre  a  Implementação  do  artigo  VII  do  Acordo  Geral  sobre  Tarifas  Aduaneiras e Comércio (Código de Valoração Aduaneira) e seu  Protocolo  Adicional.  Este  decreto  foi  regulamentado  pelos  Decretos n.º 2.498/88, 4.543/2002 e 6.759/2009 (Regulamenta a  administração  das  atividades  aduaneiras,  e  a  fiscalização,  o  controle  e  a  tributação  das  operações  de  comércio  exterior),  verbis:  Art. 75. A base de cálculo do imposto é (Decreto­Lei nº  37, de 1966, art. 2º, com a redação dada pelo Decreto­ Lei  no  2.472,  de  1988,  art.  1o,  e  Acordo  sobre  a  Implementação  do  Artigo  VII  do  Acordo  Geral  sobre  Tarifas e Comércio ­ GATT 1994 ­ Acordo de Valoração  Aduaneira, Artigo 1, aprovado pelo Decreto Legislativo  no 30, de 15 de dezembro de 1994,  e promulgado pelo  Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994):  I ­ quando a alíquota for ad valorem, o valor aduaneiro  apurado  segundo as normas  do Artigo VII  do Acordo  Geral sobre Tarifas e Comércio ­ GATT 1994; e  II  ­ quando a  alíquota  for  específica,  a  quantidade de  mercadoria  O Conceito de valor aduaneiro é o mesmo corrente no âmbito do  comércio  exterior,  com  referências  expressas  na  legislação,  de  modo  que  se  deve  considerar  a  previsão  constitucional  como  dizendo  respeito  ao  sentido  técnico  da  expressão  constante  do  próprio GATT.  Nesta  linha de pensar, a base de  cálculo é o preço CIF  (Cost,  Insurance  and  Freigt),  ou  seja,  referência  ao  preço  para  entrega  no  porto  ou  lugar  de  entrada  do  produto  no  País,  considerando o seu custo, o seguro e o frete, nada mais!  Portanto, o “valor aduaneiro” é a base de cálculo do  imposto  de  importação e por  força de previsão constitucional,  também  delimita  a  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  sobre  a  importação". (grifos nossos)  Por  força  da  conclusão  sobre  a  inexigibilidade  da  inclusão  dos  custos  com  capatazia  no  valor  aduaneiro,  é  de  rigor  afastar  a  pretensão  do  fiscal  autuante  em  exigir  o  PIS/COFINS  Importação  sobre  os  custos  decorrentes  da  descarga  e  manuseio  dos  veículos  importados recebidos no Porto de Paranaguá.  Fl. 22295DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   12 Em atenção ao que determina o Regimento  Interno deste Conselho, em seu  artigo 62­A, é imperativo que o pronunciamento da Suprema Corte seja conhecido e aplicado  as decisões administrativas aqui proferidas.  Assim,  voto  pelo  cancelamento  da  autuação  fiscal  no  que  concerne  a  exigência de PIS/COFINS Importação, adotando os fundamentos elencados no pronunciamento  do Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.  C) MULTA REGULAMENTAR. ART. 711, III, REGULAMENTO ADUANEIRO.   A  ora  recorrente  se  insurge  contra  a  aplicação  da multa  prevista  no  artigo  711, III, do Regulamento Aduaneiro, por não incluir no valor aduaneiro os custos decorrentes  de capatazia.   Sobre essa questão, transcrevo parte do acórdão recorrido:  "O  caso  em apreço amolda­se a  esta  definição,  uma  vez  que o  valor  aduaneiro  da  mercadoria  deve  ser  perfeitamente  informado, haja ou não tributo a ser recolhido.  (...)  Como  se  vê,  está  clara  a  interpretação da RFB no  sentido  de  que  a  falta  da  prestação  de  qualquer  informação  presente  no  Anexo único, da IN SRF n. 680, de 2006, leva à exigência da  multa  de  1%.  Neste  aspecto,  colaciona­se  excerto  do  referido  anexo, onde é possível ver a obrigatoriedade dos acréscimos ao  valor aduaneiro na DI:  (...)  44­ Valoração Aduaneira  Método,  acréscimos,  deduções  e  informações  complementares  para composição do valor aduaneiro, base de cálculo do imposto  de importação.  44.1 ­ Método de Valoração  Método  utilizado  para  valoração  da  mercadoria,  conforme  a  tabela  'Método  de  Valoração',  administrada  pela  SRF,  e  indicativo de vinculação entre comprador e vendedor.  44.2 ­ Acréscimos  Valores  a  serem  adicionados  ao  preço  efetivamente  pago  ou  a  pagar, para composição do valor aduaneiro, conforme a  tabela  'Acréscimos', administrada pela SRF" (fls. 22208/22209 ­ grifos  no original).  É evidente que  a  aplicação e manutenção da multa  se deu pela omissão  de  informações sobre custos que deveriam compor o valor aduaneiro ­ base de cálculo dos tributos  exigidos nesses autos. A autoridade fiscal aplicou a penalidade diante do suposto prejuízo ao  erário,  e  não  pelo  incorreto/incompleto  preenchimento  da  declaração  de  importação.  Não  é  possível, em sede de recurso voluntário, aditar­se a autuação fiscal para alterar o fundamento  legal nela utilizado.  Fl. 22296DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/2014­21  Acórdão n.º 3302­003.177  S3­C3T2  Fl. 22.291          13 A  irregularidade  na  apuração  da  base  de  cálculo,  na  hipótese  dos  autos,  implica  na  redução  do  tributo  exigível  e  não  tem  qualquer  relevância  que  determinar  o  procedimento aduaneiro apropriado.  Como  visto  nos  tópicos  acima,  não  é  passível  de  exigência  tributária  os  custos  decorrentes  do  serviço  de  capatazia  dos  produtos  importados  dentro  dos  portos  brasileiros, por absoluta inexistência de previsão legal.  Assim, sendo certo que a aplicação de penalidade depende da subsunção dos  fatos  à  norma  legal8  e,  inexistindo,  no  caso  do  autos,  infração  à  norma,  não  há  se  falar  em  aplicação da multa imposta.  Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e cancelar  a autuação fiscal.  (assinado digitalmente)  Lenisa Rodrigues Prado                                                              8 Nesse sentido: Acórdão 3302­002.052, prolatado pela 2ª Turma da 3ª Câmara desta 3ª Seção.  Voto Vencedor  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado.  Conforme dispositivo do julgado, este Conselheiro foi designado para redigir  o voto vencedor, concernente à controvérsia sobre a cobrança das diferenças a maior devidas  do  II,  IPI,  Contribuição  para  o  PIS/Pasep­Importação  e  Cofins­Importação,  em  face  da  não  inclusão  das  despesas  de  capatazia  (custos  de  descarga  e  manuseio)  ocorridas  no  porto  de  chegada no País das mercadorias importadas (veículos).  Fl. 22297DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   14 Da  leitura  do  relatório  e  do  voto  da  lavra  da  i. Relatora,  infere­se  que,  em  relação  a  esse  ponto,  o  cerne  da  controvérsia  gira  em  torna  da  inclusão  (ou  não)  no  valor  aduaneiro  da  despesa  com  descarga  (ou  despesa  de  capatazia)  dos  veículos  importados  pela  recorrente,  ocorridas  no  porto  brasileiro,  antes  do  desembaraço  aduaneiro,  tal  qual  definido  pelo Acordo sobre  Implementação do Artigo VII do Acordo Geral  sobre Tarifas e Comércio  1994, conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, doravante denominado de  AVA­GATT9,  e  disciplinado  pela  legislação  interna,  dentro  das  faculdades  outorgadas  pelo  referido acordo.  De  acordo  com  o  AVA­GATT,  o  valor  aduaneiro  é  determinado  por  seis  métodos sequenciais e sucessivos, em que há primazia na aplicação do primeiro método (valor  da transação), com os ajustes obrigatórios e facultativos. Os ajustes facultativos estão previstos  no parágrafo 2 do Artigo 8º do Acordo, a seguir transcrito:  2.  Ao  elaborar  sua  legislação,  cada  Membro  deverá  prever  a  inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte,  dos seguintes elementos:  (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto  ou local de importação;  (b)  os  gastos  relativos  ao  carregamento,  descarregamento  e  manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas  até o porto ou local de importação; e   (c) Custo do seguro. (grifos não originais)  O  Brasil,  desde  a  promulgação  do  primeiro  Acordo  (AVA­GATT  1979),  celebrado em 1979 na Rodada Tóquio do GATT, por meio do Decreto 92.930/1986, no seu art.  2º, já manifestou a opção pela inclusão dos encargos previstos as alíneas a, b,e c do parágrafo  210 do citado Artigo 8.  Após  a  incorporação  e  promulgação  do  AVA­GATT  1994,  o  art.  17  do  Decreto  2.498/1998,  o  primeiro  preceito  normativo  a  dispor  sobre  os  referidos  ajustes  facultativos, manteve a obrigatória da sua adição para fim de apuração do valor aduaneiro da  mercadoria importada para o Páis, com os seguinte dizeres, in verbis:  Art.  17.  No  valor  aduaneiro,  independentemente  do método  de  valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do  Acordo de Valoração Aduaneira):  I ­ o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto  ou local de importação;  Il ­ os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados  ao  transporte das mercadorias  importadas até o porto ou  local  de importação; e  III ­ o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e Il.  (grifos não originais).                                                              9  No  Brasil,  o  referido  Acordo  foi  regularmente  incorporado  ao  ordenamento  jurídico  nacional,  por  meio  do  Decreto Legislativo 30/1994, e promulgado pelo Decreto 1.355/1994, que  promulgou a Ata Final incorporadora  dos Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT­1994  10 "Art. 2º Na base de cálculo do imposto de importação, definida de conformidade com o acordo que com este  decreto se promulga, serão incluídos os elementos a que se referem as alíneas a, b,e c,do parágrafo 2, de seu artigo  oitavo."  Fl. 22298DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/2014­21  Acórdão n.º 3302­003.177  S3­C3T2  Fl. 22.292          15 No mesmo sentido, o assunto foi disciplinado nos decretos posteriores, até o  vigente Decreto 6.759/2009, que instituiu o Regulamento Aduaneiro 2009 (RA/2009), onde o  assunto foi disciplinado no art. 77, com a seguinte redação, ipsis litteris:  Art.  77.  Integram  o  valor  aduaneiro,  independentemente  do  método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira,  Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo nº  30,  de  1994,  e  promulgado  pelo  Decreto  no  1.355,  de  1994;  e  Norma  de  Aplicação  sobre  a  Valoração  Aduaneira  de  Mercadorias, Artigo 7o, aprovado pela Decisão CMC nº 13, de  2007,  internalizada  pelo  Decreto  nº  6.870,  de  4  de  junho  de  2009): (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010).  I ­ o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou  o  aeroporto  alfandegado  de  descarga  ou  o  ponto  de  fronteira  alfandegado  onde  devam  ser  cumpridas  as  formalidades  de  entrada no território aduaneiro;  II  ­  os  gastos  relativos  à  carga,  à  descarga  e  ao  manuseio,  associados  ao  transporte  da  mercadoria  importada,  até  a  chegada aos locais referidos no inciso I; e   II  ­  o  custo  do  seguro  da  mercadoria  durante  as  operações  referidas nos incisos I e II. (grifos não originais)  Como  se  depreende  dos  textos  normativos  acima  transcritos,  os  custos  de  transporte (incluídos os gastos de carregamento, descarregamento e manuseio) executados até o  porto  ou  local  de  importação  podem  ser  objeto  de  inclusão  no  valor  aduaneiro,  caso  a  legislação  do  País  importador  assim  o  determine.  E  a  legislação  brasileira,  expressamente,  optou pela inclusão dos referidos elementos de custos no valor aduaneiro. Aliás, em relação a  esse ponto, inexiste controvérsia.  Assim,  uma  vez  definido  que  há  previsão  normativa  que  obriga  a  inclusão  dos gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria  importada, até a sua chegada ao porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de  fronteira alfandegado no País, a questão remanescente e que, portanto, constitui o ponto fulcral  da controvérsia consiste em definir  a extensão do significado da  locução “até  a chegada” no  local habilitado, onde serão cumpridas as formalidades de entrada da mercadoria no País.  No  caso  em  tela,  a  fiscalização,  com  respaldo  no  Ato  Declaratório  Coana  003/2000  e  na Notícia Siscomex  importação  24/2000, manifestou  o  entendimento  de  que os  gastos relativos à descarga e ao manuseio das mercadorias importadas, associados ao transporte  internacional,  ocorridas  no  porto  de  descarga  brasileiro  e  até  que  ocorra  o  desembaraço,  integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da  denominação adotada.  De outra parte, a recorrente apresentou o entendimento de que o disposto no  art. 77,  II, do Decreto 6.759/2009, assegura a  inclusão no valor aduaneiro apenas dos gastos  com carga, descarga e manuseio associados ao navio (transporte da mercadoria importada) “até  a  chegada  ao  porto,  ou  seja,  os  custos  de  capatazia  internacional”.  Para  a  recorrente,  não  compõem  o  valor  aduaneiro  os  custos  de  descarga  e  manuseio  ocorridos  no  País,  as  denominadas despesas de capatazia nacional.  Fl. 22299DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   16 Assim, fica demonstrado que o cerne da controvérsia está associado ao tipo  despesa de capatazia que deve integrar o valor aduaneiro. Para a recorrente, somente a despesa  de capatazia internacional, até a chegada do novio, ao passo que para a fiscalização a despesa  de  capatazia  interna,  ocorrida  no  porto  de  descarga  da  mercadoria,  previamente  ao  seu  desembaraço aduaneiro, integram o valor aduaneiro.  A razão está com a fiscalização.  Com efeito, os gastos com a descarga e manuseio associados ao transporte da  mercadoria importada no porto de chegada do País ainda integram os gastos com o transporte  internacional, embora ocorridas no porto de descarga nacional, conforme expressamente dispõe  o art. 4º, § 3º, da Instrução Normativa SRF 327/2003, a seguir transcrito:  Art. 4º Na determinação do valor aduaneiro, independentemente  do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os  seguintes elementos:  I ­ o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto  ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira  alfandegado  onde  devam  ser  cumpridas  as  formalidades  de  entrada no território aduaneiro;  II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados  ao  transporte  das  mercadorias  importadas,  até  a  chegada  aos  locais referidos no inciso anterior; e  III  o  custo  do  seguro  das  mercadorias  durante  as  operações  referidas nos incisos I e II.  [...]  § 3º Para os efeitos do inciso II, os gastos relativos à descarga  da  mercadoria  do  veículo  de  transporte  internacional  no  território  nacional  serão  incluídos  no  valor  aduaneiro,  independentemente  da  responsabilidade  pelo  ônus  financeiro  e  da denominação adotada. (grifos não originais)  Com todas as vênias a nobre Relatora, a exegese restritiva por ela defendida  no seu voto, em consonância com o entendimento da  recorrente,  revela­se  inaceitável. O art.  77, II, do RA/2009, ao se referir aos gastos relativos à descarga e associados ao transporte da  mercadoria,  certamente,  inclui  os  gastos  com  descarga  e  manuseio  no  porto  nacional  de  chegada da mercadoria, sem o que a própria importação não se aperfeiçoaria. Logo, revela­se  apropriado asseverar que o ato de transporte internacional das mercadorias importadas não se  esgote com o seu mero carregamento, no país de origem, mas abranja, por imperativo lógico,  também  o  descarregamento  no  local  de  destino,  sob  pena  de  não  se  concretizar  a  efetiva  introdução  da mercadoria  no  recinto  alfandegado do  local  de  chegada no  território  nacional.  Induvidosamente,  trata­se  de um conjunto  de  atos  que  precedem os  atos  de  formalização  da  entrada  da  mercadoria  no  território  aduaneiro,  que  se  encerra  com  ato  de  desembaraço  aduaneiro.  No caso, a taxa portuária cobrada da recorrente pelos veículos descarregados  no Porto  de Paranaguá,  durante  o  período  da  autuação,  subsume­se perfeitamente  à  situação  prevista  nos  preceitos  normativos  em  destaque,  porque  se  trata  de  despesa  necessária  à  conclusão do serviço transporte da mercadoria e colocação da mercadoria no recinto habilitado  a processar a liberação da mercadoria.  Fl. 22300DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.721935/2014­21  Acórdão n.º 3302­003.177  S3­C3T2  Fl. 22.293          17 Por  outro  lado,  a  referida  taxa  não  se  enquadra  como despesa de  capatazia  interna, ocorrida a partir dos locais de entrada da mercadoria no território aduaneiro e após a  realização  do  desembaraço,  conforme  alegado  pela  recorrente.  Com  efeito,  as  despesas  de  capatazia  interna,  ocorridas  a  partir  do  porto  descarga  e  após  cumpridas  às  formalidades  aduaneiras, certamente, não integram o valor aduaneiro, conforme expressamente prevê o art.  79, II, do RA/2002, que segue transcrito:  Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do  valor  de  transação,  desde  que  estejam  destacados  do  preço  efetivamente  pago  ou  a  pagar  pela mercadoria  importada,  na  respectiva  documentação  comprobatória  (Acordo de Valoração  Aduaneira,  Artigo  8,  parágrafo  2,  aprovado  pelo  Decreto  Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355,  de 1994):  I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem,  à  manutenção  ou  à  assistência  técnica,  relacionados  com  a  mercadoria importada, executados após a importação; e  II  os  custos  de  transporte  e  seguro,  bem  assim  os  gastos  associados  ao  transporte,  incorridos  no  território  aduaneiro,  a  partir  dos  locais  referidos  no  inciso  I  do  art.  77.  (grifos  não  originais)  Também não merece guarida, por não atender a condição estabelecida no art.  62,  §  2º,  do  RICARF/2015,  a  pretensão  da  recorrente  no  sentido  de  que  fosse  adotado  no  presente  julgamento o entendimento esposado pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça  (STJ) no julgamento do REsp 1.239.625/SC, não realizado sob o regime do art. 543­C do CPC,  que entendeu que a Instrução Normativa SRF 327/2003, ao permitir, em seu art. 4º, § 3º, que  fosse  computados  os  gastos  com  descarga  da  mercadoria  no  território  nacional,  no  valor  aduaneiro,  desrespeitara  os  limites  impostos  pelo  AVA­GATT  e  pelo  Decreto  6.759/2009,  tendo em vista que a realização de tais procedimentos de movimentação de mercadorias ocorria  apenas  após  a  chegada  da  embarcação,  ou  seja,  após  a  sua  chegada  ao  porto  alfandegado,  segundo disposto no enunciado da ementa que segue transcrito:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  IMPOSTO  DE  IMPORTAÇÃO.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  ADUANEIRO.  DESPESAS DE CAPATAZIA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.  ART. 4º, § 3º, DA IN SRF 327/2003. ILEGALIDADE.  1.  Cinge­se  a  controvérsia  em  saber  se  o  valor  pago  pela  recorrida  ao  Porto  de  Itajaí,  referente  às  despesas  incorridas  após  a  chegada  do  navio,  tais  como  descarregamento  e  manuseio  da  mercadoria  (capatazia),  deve  ou  não  integrar  o  conceito de "Valor Aduaneiro", para fins de composição da base  de cálculo do Imposto de Importação.  2. Nos termos do artigo 40, § 1º, inciso I, da atual Lei dos Portos  (Lei 12.815/2013), o  trabalho portuário de capatazia é definido  como  "atividade  de  movimentação  de  mercadorias  nas  instalações  dentro  do  porto,  compreendendo  o  recebimento,  conferência,  transporte  interno,  abertura  de  volumes  para  a  conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem  Fl. 22301DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   18 como  o  carregamento  e  descarga  de  embarcações,  quando  efetuados por aparelhamento portuário".  3. O Acordo de Valoração Aduaneiro e o Decreto 6.759/09, ao  mencionar  os  gastos  a  serem  computados  no  valor  aduaneiro,  referem­se  à  despesas  com  carga,  descarga  e  manuseio  das  mercadorias  importadas  até  o  porto  alfandegado.  A  Instrução  Normativa 327/2003, por seu turno, refere­se a valores relativos  à  descarga  das  mercadorias  importadas,  já  no  território  nacional.  4.  A  Instrução Normativa  327/03  da  SRF,  ao  permitir,  em  seu  artigo  4º,  §  3º,  que  se  computem  os  gastos  com  descarga  da  mercadoria  no  território  nacional,  no  valor  aduaneiro,  desrespeita  os  limites  impostos  pelo  Acordo  de  Valoração  Aduaneira  e  pelo  Decreto  6.759/09,  tendo  em  vista  que  a  realização  de  tais  procedimentos  de  movimentação  de  mercadorias ocorre apenas após a chegada da embarcação, ou  seja, após a sua chegada ao porto alfandegado.  5.  Recurso  especial  não  provido.  (REsp  1239625/SC,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado em 04/09/2014, DJe 04/11/2014)  Enfim, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, com a devida  vênia  da  nobre Relatora,  não  se  aplica  ao  caso  em  tela  o  entendimento  da  decisão  plenária  proferida  pelo Supremo Tribunal  Federal,  no  julgamento  do Recurso Extraordinário  (RE)  nº  559.607/SC,  com  repercussão  geral  reconhecida,  que  reconheceu  a  inconstitucionalidade  do  acréscimo  do  ICMS  e  das  próprias  contribuições  à  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP­importação e da COFINS­importação, por se tratar de matéria estranha aos autos.  Com  base  nessas  considerações,  mantém­se  a  exigência  das  diferenças  a  maior devidas do II, IPI, Contribuição para o PIS/Pasep­Importação e Cofins­Importação, por  serem devida a inclusão, nas respectivas base cálculo (valor aduaneiro) dos referidos tributos,  das despesas de capatazia  (gastos de descarga e manuseio) ocorridas no porto de chegada no  País das mercadorias importadas (veículos) pela recorrente.  Por  todo  o  exposto,  vota­se  pelo  PROVIMENTO  PARCIAL  do  recurso  voluntário,  para  excluir  a  exigência  apenas  da  cobrança  da multa  regulamentar,  prevista  no  artigo 711, III, do RA/2009.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                  Fl. 22302DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 13888.720753/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DECISÃO JUDICIAL .EFEITOS. Havendo decisão judicial que determina o pagamento do imposto de renda incidente sobre o abono de permanência de anos anteriores, através da DIPF de ano calendário diverso, cabe a autoridade administrativa verificar na DIRF do período da restituição se os valores coincidem e providenciar o cumprimento da decisão. Recurso Provido.
Numero da decisão: 2201-003.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Relatora. EDITADO EM: 26/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah -Presidente.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH     2 Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente  convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah ­Presidente.      Relatório  Trata­se  de  recurso  contra  o  acórdão  02­60.628  ­  9ªTurma  DRJ/BHE,  de  fls.27/30, interposto por NILCEU BENVINDO MACIEL.  Transcrevo  o  relatório  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  por  bem  definir o litígio:  Trata  este  processo  da  Notificação  de  Lançamento  nº  2009/766364708821757,  juntada  nas  fls.  14  a  17  destes  autos,  relativa  ao  ano  calendário  de  2008,  exercício  de  2009  com  registro imposto a restituir ajustado para R$1.175,67.  Nos  termos  da  Notificação,  o  ajuste  foi  feito  após  revisão  dos  dados  da  Declaração  do  contribuinte,  quando  se  constatou  infração  por  omissão  de  rendimento  tributável  no  valor  de  R$14.571,08,  que  corresponde  à  diferença  entre  o  rendimento  tributável  informado  em Dirf  para  o  notificado  pelo Ministério  da  Fazenda,  R$191.916,79,  e  o  valor  por  ele  declarado  na  DIRPF de 2009 retificadora, que foi de R$177.345,71.  Ciente  do  lançamento  o  contribuinte  apresentou  Solicitação  de  Revisão  do  Lançamento  –  SRL,  e  analisado  o  pedido  a  autoridade revisora concluiu pela manutenção da infração – fls.  20, destes autos, motivando a decisão nos seguintes termos:  “omissão  parcial  de  rendimentos  tributáveis  recebidos  do  MINISTÉRIO DA FAZENDA, CNPJ nº 00.394.460/0117­71, no  valor de R$14.571,08, relativamente aos valores pagos a título de  abono  de  permanência,  e  indevidamente  considerados  como  isentos, por falta de comprovação da existência de determinação  judicial para se restituir valores relativos a anos anteriores.”  Ciente  da  decisão  o  contribuinte  apresentou  defesa,  manifestando  seu  inconformismo  e  alegando  que  retificou  sua  declaração original  com  fundamento  na Nota COSIT nº  07,  de  14.01.2011,  item  4,  subitem  4.1  e  item  5,  que  garante  aos  contribuintes o direito de  retificar  suas DIRRF para excluir da  base de cálculo do imposto devido, os valores recebidos a título  de abono de permanência.  Acresce  que  aquele  dispositivo  legal  foi  expedido  pela  Receita Federal após concluir que aquela verba não possui  natureza salarial.  Junta  à  defesa  cópia  de  decisão  judicial  proferida  no  Mandado  de  Segurança  de  nº  005308­50.2008.4.3.6100  impetrado pelo SINDIFISP­SP – fls. 4/6.  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13888.720753/2014­52  Acórdão n.º 2201­003.084  S2­C2T1  Fl. 54          3 Requer deferimento favorável à impugnação.  Ciente  da  decisão  em  04  de  novembro  de  2014,conforme  AR  de  fls.32,  interpôs  o  recurso  voluntário  às  fls.34/3,  em  07  de  novembro  de  2014,  onde  reclama  do  procedimento  adotado pela Delegacia de  Julgamento,  com menosprezo à orientação da Nota  Cosit  07  de  14  de  janeiro  de  2011,  que  disciplinou  a  forma  de  reaver  os  valores  retidos  indevidamente.  Destaca  o  caráter  taxativo  da  nota,  elaborada,  em  seu  entender,  em  cumprimento às determinações judiciais.  Informa que ilustrou os autos com as planilhas explicativas, relacionando os  valores do abono de permanência com a retenção na fonte no período de dezembro de 2007 a  novembro de 2008 e somente a partir de maio de 2009 a Receita Federal passou a se abster de  efetuar a retenção.  A declaração retificadora do exercício 2009, ano calendário de 2008, está de  acordo com a normativa e gerou um valor de imposto a restituir a maior, devendo ser restituído  acrescidos dos juros correspondentes. Informa que o valor apurado após a retificação é de R$  5.182,72, que subtraído do valor apurado antes da retificação , de R$ 1.175,67, é igual ao valor  a restituir de R$ 4.007,05.  No  tocante  ao  direito  aponta  que  se  encontra  amparado  pela  sentença  patrocinada  pelo  Unafisco  Sindical,  processo  nº  2007.34.00.040552­0,  da  1ª  Vara  da  Seção  Judiciária do Distrito Federal  , expedida em 05 de agosto de 2010, onde na sentença, a  juíza  Solange  Salgado  estendeu  o  benefício  da  ação  à  toda  categoria  dos  Auditores  da  Receita  Federal  do  Brasil,  do  qual  o  recorrente  é  integrante.  Embora  a  sentença  date  de  2010,  faz  menção aos valores retidos indevidamente, obedecendo a prescrição decenal.  Alude  como  preliminar  o  transtorno  causado  pela  COGEP  que  deixou  de  elaborar,  com  base  na  sentença  judicial,  a DIRF  retificadora,  bem  como  a  emissão  de  novo  comprovante  de  rendimentos,  para  que  pudesse  efetivar  a  retificação  das  declarações.  Exterioriza sua indignação com o procedimento do órgão julgador.  No  mérito  informa  que  junta  a  cópia  da  sentença  antes  referida.  Pede  a  improcedência  da  notificação  e  a  devolução  da  diferença  do  valor  retido  indevidamente,  conforme declaração retificadora nº 01 do ano calendário de 2008.   Não junta a sentença.  Despacho de fls. 52 remete os autos para conhecimento.  É o Relatório.        Voto             Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro.  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH     4 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço.  Conforme  anteriormente  relatado  trata­se  de  exigência  para  o  imposto  de  renda  de  pessoas  físicas,  conforme  Notificação  de  Lançamento  2009/766364708821757,  fls.14/17, por suposta omissão de rendimentos, no ano calendário de 2008, no valor de base de  cálculo de R$ 14.571,08, o que implicou no reconhecimento do imposto a restituir no valor de  R$ 1.175,67, enquanto o recorrente apurou o imposto a restituir no valor de R$ 5.182,72.  O recorrente é beneficiária da sentença 241/2010 ­Tipo B, inclusa às fls 37/47  e invoca em seu socorro a Nota Cosit 07/2011.  A decisão recorrida nas suas razões de decidir apontou:  Em sua defesa, o contribuinte alega que o valor do rendimento  considerado  omitido  se  refere  ao  abono  de  permanência  em  serviço  por  ele  recebido,  verba  de  natureza  não  salarial  já  reconhecida pela Receita Federal.  Para provar a  sua assertiva  junta aos autos  tão somente cópia  de extrato de andamento processual – fls. 04 a 06, referente ao  Mandado  de  Segurança  Nº  0005308­50.2008­  4.03­6100,  impetrado pelo SINDIFISP­ SP cujo objeto é “RETENÇÃO NA  FONTE/IRPF ­.  IMPOSTOS  ­  TRIBUTÁRIO  SUSP.  DESCONTO  SOB  ABONO  DE  PERMNAÊNCIA  NOS  PROVENTOS  C/  MESMO  TRIBUTO”.  Não foi juntada aos autos a decisão proferida naquele processo.  Porém  o  contribuinte  a  juntou  no  processo  de  nº  13888.720752/2014­16, julgado nesta 9ª Turma.  Naquele  processo  nas  fls.  7,  está  a  cópia  do  dispositivo  da  Sentença  proferida,  onde  ficou  determinada  a  suspensão  do  desconto  de  imposto  de  renda  sobre  o  valor  do  abono  de  permanência pago aos Auditores filiados àquele Sindicato, bem  como  que  fosse  realizada  a  compensação  dos  valores  descontados  com  parcelas  futuras  que  seriam  retidas  para  pagamento de imposto de renda.  Não  se  trouxe aos autos nenhum documento que comprove que  foi o notificado foi abrangido por aquela decisão; que de fato ele  recebe abono de permanência em serviço; o valor acaso a este  título  recebido  em  2008;  a  compensação  acaso  feita,  como  determinado  na  sentença  e  mais,  que  o  valor  do  abono  está  compondo o total do rendimento tributável  informado em dirf –  que foi de R $191.916,79.  Esclareça­se que o documento hábil a comprovar a assertiva do  contribuinte  seria  o  seu  comprovante  de  rendimentos  emitido  pela  sua  fonte  pagadora  onde  se  acham  informados  todos  os  dados  relativos  aos  rendimentos  recebidos  durante  o  ano,  sua  natureza, mormente os valores relativos a abono de permanência  em  serviço  instituído  pela  Emenda Constitucional  nº  41,  de  2003,  bem  como  se  esta  parcela  encontra­se  com  exigibilidade suspensa.    Fl. 56DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13888.720753/2014­52  Acórdão n.º 2201­003.084  S2­C2T1  Fl. 55          5 Ou seja, as razões da negativa seriam de três ordens: a) falta de comprovação  de que estaria albergado pelo mandado se segurança que gerou o direito à restituição; b)que de  fato recebe abono de permanência em serviço;c) o valor acaso a este título recebido em 2009.  Essas questões são respondidas ao longo do voto, não na ordem direta.  Às fls. 26, consta a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte ­  Dirf, do ano calendário de 2008, onde aponta todos os valores correspondentes às contribuições  descontadas para a previdência oficial.  A sentença 242/2010, datada de 05 de agosto de 2010, no relatório, às fls.39  assim consignou:  (...)  Pedido  de  antecipação  dos  efeitos  da  tutela  deferido  (fls.582/584)  Cópias  do  agravo  de  instrumento  nº  2008.01.00.002408­5,  interposto pela União às fls.589/599.  A União  apresentou  contestação  às  fls.601/608,  na qual  pugna  pela improcedência dos pedidos.  às  fls.610/611,  614;612/622,637  e  645/646,  com  documentos(fls.612;615;623;626/628;638;647/650)  noticia  a  parte autora o descumprimento da decisão que deferiu o pedido  de antecipação dos efeitos da tutela.  Embargos  de  declaração  opostos  pelo  Sindicato  autor  às  fls.617/618.  Decisão integrativa às fls.634/635.  (...)  Às  fls.703/4  foi proferida nova decisão para determinar a ´Ré  que  expedisse  nova  Declaração  de  Rendimentos  aos  substituídos.  Embargos de Declaração opostos pela União às fls.706/707.  Decisão Integrativa às fls.713/715.  Às  fls.  747/749,com  documentos  (fls.750/762)  noticia  o  Sindicato,  uma vez mais, o descumprimento da decisão  ,  época  em  que  foi  determinado  que  a  multa  fixada  às  fls.943/945  incidiria a partir da publicação da decisão de fls.763/764.  Os efeitos da decisão proferida às fls.78/80 foi estendido a toda  a categoria de Auditores­Fiscais da Receita Federal do Brasil,  nos termos da decisão de fls.793.(Destaque deste voto)  Cópia  do Agravo  de  Instrumento  nº0019069­04.2010.4.01.0000  interposto pela União às fls.805/810.  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH     6 (...)  Decido.  (...)fls.48  Ante o exposto julgo PROCEDENTE os pedidos formulados para  determinar à parte ré que se abstenha de efetuar o desconto do  imposto  de  renda  sobre  as  parcelas  mensais  de  abono  de  permanência  percebida  pelos  autores  substituídos.  Condeno,  ainda,  a  União  Federal  (Fazenda  Nacional)  a  restituir  as  importâncias  indevidamente  retidas  a  esse  título,  observada  a  prescrição  decenal,  acrescidas  da  taxa  Selic  desde  a  data  dos  recolhimentos indevidos.  (...)   Ás  fls.  20,  no  termo  de  Resultado  da  Solicitação  de  Retificação  de  Lançamento ­ SRL, consignou a autoridade julgadora o seguinte:  ”Complementação da descrição dos fatos  Omissão  parcial  de  rendimentos  tributáveis  recebidos  do  Ministério  da  Fazenda,CNPJ  00.394.460/0117­71,  no  valor  de  R$ 14.571,08 relativamente aos valores pagos a título de abono  de  permanência  e  individualmente  considerados  como  isentos,  por  falta  de  comprovação  de  determinação  judicial  para  se  restituir valores relativos a anos anteriores."   Há  determinação  judicial  para  devolução  das  importâncias  não  alcançados  pela  prescrição  decendial.  A  autoridade  executora  tem  condição  de  conferir  os  valores  apresentados (são aqueles das contribuições previdenciárias constantes de DIRF do ano base),  portanto, só resta obedecer à decisão judicial.  Nessa conformidade, voto no sentido de dar provimento ao recurso.  assinado digitalmente   Ivete Malaquias Pessoa Monteiro                    Fl. 58DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13888.720753/2014­52  Acórdão n.º 2201­003.084  S2­C2T1  Fl. 56          7                               Fl. 59DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH

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Numero do processo: 13982.721025/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - PRESIDENTE Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - PRESIDENTE Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 1.882          1 1.881  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13982.721025/2012­28  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.415  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  5 de abril de 2016  Assunto  Exclusão do Simples. IRPJ e outros.   Recorrente  FÁBRICA DE CAMAS E BELICHES MARIFLOR LTDA­EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Os  membros  da  Turma  resolvem,  por  unanimidade,  em  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.  (documento assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ PRESIDENTE    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (Presidente),  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Luiz  Tadeu  Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.             RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 82 .7 21 02 5/ 20 12 -2 8 Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 1.883  ___________       Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte  em face do Acórdão nº 04­34.504 da 2ª Turma da DRJ/CGE, cuja ementa assim dispõe:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008, 2009, 2010  EXCLUSÃO DO SIMPLES.  Constatada a ocorrência de prática reiterada de infração à Lei Complementar  nº 123/2006, correta a exclusão do Simples Nacional com efeito retroativo ao  primeiro mês em que incorridas as infrações.  DECADÊNCIA.  A decadência rege­se pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, nos casos em  que não ocorreu prática de infração apenada com multa qualificada.  EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. LANÇAMENTOS.  Tendo havido a exclusão do Simples Nacional com efeito retroativo, corretos  os lançamentos, ficando o crédito tributário com a exigibilidade suspensa até  o julgamento definitivo da exclusão.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  A existência de depósitos bancários não contabilizados, cuja origem não foi  comprovada, consubstancia­se em omissão de receitas, em face da presunção  estabelecida em lei.  SIMPLES NACIONAL. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO.  Os pagamentos efetuados por meio do DARF específico do Simples Nacional  não  são  dedutíveis  no  caso  de  a  apuração  nos  autos  de  infração  se  dar pela  sistemática do Lucro Presumido.  MULTA. QUALIFICAÇÃO.  A qualificação da multa de ofício ocorre nos casos de apuração de evidente  intuito de fraude.  AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  E COFINS.  Aplica­se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte        A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1145.263 em 02/05/2014 (AR a fls.  981), interpôs, em 30/05/2014 (Termo a fls. 982), recurso voluntário (doc. a fls. 983 e segs.),  no qual alega as seguintes razões de defesa:  a) quanto à manifestação sobre a exclusão do Simples:   a.1) que a recorrente tão logo tomou conhecimento da sua exclusão do Simples  Nacional (no dia 29.01.2013), apresentou tempestivamente impugnação específica contra o ato  administrativo que decretou a referida exclusão;  a.2) que  a  impugnação específica  contra o  ato que decretou a sua exclusão do  Simples Nacional foi realizada dentro do prazo de 30 (trinta) dias, tendo sido protocolizada no  dia  27.02.2013.  como  comprova  a  peça  impugnatória  e  demais  documentos  (procuração,  identidade profissional, contrato social, etc.), juntados aos autos as fls. 1592­1614;  a.3) que  no  documento  apresentado  pela  recorrente  a  fl.  1466,  ela  deixa  claro  que  tomou  conhecimento  da  sua  exclusão  do  Simples  Nacional  por  AR  no  dia  25.01.2013  Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/2012­28  Resolução nº  1302­000.415  S1­C3T2  Fl. 1.884          3 (sexta­feira)  e  que  dentro  do  prazo  legal  iria  ofertar  impugnação  (manifestação)  ao  ato  administrativo indicado;  a.4)  que,  portanto,  diferentemente  do  que  alega  o  fisco  e  do  que  sustenta  a  decisao constante do Acórdão 04­34.504, a exclusão da recorrente do Simples Nacional ainda  não é definitiva, razão pela qual os lançamentos fiscais debatidos nestes autos administrativos  devem ser anulados, pois pendente de solução definitiva a circunstância fática que, apenas  se  confirmada em definitivo, permitiria a constituição dos tributos exigidos;  b) quanto a obrigatoriedade de escrituração detalhada para optantes pelo  Simples Nacional:  b.1) que, como já esclarecido na peça impugnatória, segundo afirma o fisco por  meio do "item 4" do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1454­1456), a impugnante teria deixado  de declarar/contabilizar uma parte dos seus movimentos bancários;  b.2)  que  os  bancos  citados  pelo  fisco  e  para  os  quais  a  recorrente  não  teria  declarado/contabilizado os respectivos movimentos financeiros, são: Caixa Economica Federal,  Banco Bradesco S/A, Banco Real S/A e Sicoob/Sao Miguel do Oeste;  b.3)  que  de  acordo  com  o  que  prescrevem  os  arts.  25,  26  e  27,  todos  da  LC  123/2006,  o  fato  e  que  a  recorrente,  por  ser  optante  do  Simples Nacional,  não  é  obrigada  a  manter escrituração contábil completa, como ocorre com as empresas normais;  b.4) que, por ser optante pelo Simples Nacional de que trata a LC 123/2006, é  obrigada apenas a manter o livro caixa em dia, no qual deve relatar as vendas que realiza, para  que essas vendas sejam tributadas de acordo com os percentuais fixados para a modalidade do  Simples  Nacional,  enfim,  por  expressa  determinação  legal,  a  recorrente  está  dispensada  de  elaborar contabilidade, com emissão dos respectivos livros razão e diário;  c) quanto à movimentação bancária:  c.1) que,  no Acórdão  04­34.504,  o  julgador  da DRJ/CGE menciona que  até  a  data do  julgamento, a  recorrente não  teria apresentado a mencionada planilha comparativa, e  que se feita  tal comprovação em qualquer fase do processo, obviamente esses valores seriam  excluídos da tributação;  c.2) que  o  fato  é  que  a  recorrente  aguardava  a  apreciação  do  referido  pedido,  para que lhe fosse deferido o prazo requerido, uma vez que via de regra, os documentos devem  ser apresentados com a impugnação, e a juntada a posteriori dependeria de autorização, como  prescreve o art. 16 do Decreto 70235/72;  c.3)  que,  na  peça  impugnatória  a  recorrente  esclarece  que  não  conseguiria  apresentar a referida planilha comparativa no prazo da impugnação (30 dias) porque dependia  de documentos que deveriam ser  fornecidos por bancos (copias de cheques e outros), pois  já  não mais os tinha e foi por esse motivo que requereu o prazo para apresentá­los posteriormente,  para o qual aguardava deferimento pela autoridade julgadora;  c.4) que é forçoso concluir que, mesmo que a autoridade julgadora de primeira  instância  não  tenha  deferido  o  pedido  de  juntada  da  planilha  comparativa  e  documentos,  a  Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/2012­28  Resolução nº  1302­000.415  S1­C3T2  Fl. 1.885          4 própria legislação processual administrativa federal permite tal prática, e que esses documentos  devem ser analisados pela instância ad quem;  c.5)  que,  deste  modo,  neste  tópico  da  peça  recursal,  a  recorrente  passa  a  argumentar  e  comprovar  a  referida  tributação  indevida  (tributação  de  valores  de  simples  movimentação entre as próprias contas da recorrente e de valores de financiamentos);  c.6) que, segundo o fisco, o movimento bancario nao declarado pela recorrente,  seria decorrente de vendas supostamente nao tributadas;  c.7)  que  a  partir  de  tal  convencimento  (falta  de  tributação  de  valores  movimentados em bancos), o  fisco elaborou a planilha de fls. 1584­1585, a qual  intitulou de  "Resumo  dos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  após  análise  das  respostas  do  contribuinte";  c.8) que observando­se a referida planilha (elaborada pelo fisco e constante das  fls. 1584­1585), a recorrente verifica que nos movimentos totais mensais indicados, não foram  considerados  (não  foram  diminuídos  ou  não  foram  abatidos)  os  valores  que  apenas  foram  transferidos  de  uma  para  outra  conta  corrente  bancária  de  titularidade  da  recorrente,  via  emissão  de  cheques,  de  TEDs,  de  DOCs,  etc.,  como  também  não  foram  efetivamente  considerados (diminuídos/abatidos) os valores recebidos por vendas de ativos imobilizados, e  de repasses de financiamentos bancários para aquisicão de maquinários e veículos;  c.9)  que  para  comprovar  a  tributação  indevida  de  valores  de  movimentos  bancários  (créditos  em  conta  corrente),  a  recorrente  apresenta  os  seguintes  documentos  (planilhas e cópias de documentos):  c.9.1) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco do Brasil, agência  e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências  para outros bancos (Besc, Bradesco, CEF e Sicoob), cujas contas são igualmente de titularidade  da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 285.859.30 (duzentos e oitenta  e  cinco mil,  oitocentos  e cinquenta  e nove  reais  e  trinta  centavos),  que deve  ser  excluído da  tributação,  pois  esses  valores  estão  indicados  nas  planilhas  de  fls.  1516­1583  e  por  consequência  na  planilha­resumo  mensal  de  fls.  1584­1585  ­  acompanha  a  planilha  acima  indicada as cópias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 01  ­ apresentado com este recurso);  c.9.2) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco Bradesco, agência  e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências  para  outros  bancos  (Banco  do  Brasil,  Banco  Real,  Besc,  CEF  e  Sicoob),  cujas  contas  são  igualmente  de  titularidade  da  recorrente,  sendo  que  essa  planilha  apresenta  um  total  de  R$  199.676,50 (cento e noventa e nove mil, seiscentos e setenta e seis reais e cinquenta centavos),  que  deve  ser  excluído  da  tributação,  pois  esses  valores  estão  indicados  nas  planilhas  de  fls.  1516­1583 e por consequência na planilha­resumo mensal de fls. 1584­1585 ­ acompanha esta  planilha as copias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 02  ­ apresentado com este recurso);  c.9.3) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco Siccob, agência e  conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências  para  outros  bancos  (Banco  do  Brasil,  Bradesco  e  CEF),  cujas  contas  são  igualmente  de  titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 180.470,00 (cento  Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/2012­28  Resolução nº  1302­000.415  S1­C3T2  Fl. 1.886          5 e  oitenta mil,  quatrocentos  e  setenta  reais),  que  deve  ser  excluído  da  tributação,  pois  esses  valores estão indicados nas planilhas de fls. 1516­1583 e por consequência na planilha­resumo  mensal  de  fls.  1584­1585  ­  acompanha  esta  planilha  as  copias  microfilmadas  dos  referidos  cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 03 ­ apresentado com este recurso);  c.9.4) planilha  indicando os  documentos  emitidos  pelo Banco Besc,  agência  e  conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências  para  outros  bancos  (Banco  do  Brasil,  Bradesco  e  CEF),  cujas  contas  são  igualmente  de  titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 64.467,20 (sessenta  e quatro mil  quatrocentos e sessenta e  sete  reais  e vinte centavos), que deve ser excluído da  tributação,  pois  esses  valores  estão  indicados  nas  planilhas  de  fls.  1516­1583  e  por  consequência na planilha­resumo mensal de fls. 1584­1585 ­ acompanha esta planilha as cópias  microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 04 ­ apresentado com  este recurso); e  c.9.5)  planilha  indicando  os  documentos  emitidos  pela  Caixa  Econômica  Federal, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto  de transferências para outros bancos (Sicoob, Besc, Bradesco e Banco do Brasil), cujas contas  sao igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$  200.490.00 (duzentos mil, quatrocentos e noventa reais), que deve ser excluído da tributação,  pois  esses  valores  estão  indicados  nas  planilhas  de  fls.  1516­1583  e  por  consequência  na  planilha­resumo mensal de fls. 1584­1585 ­ acompanha esta planilha as cópias microfilmadas  dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 05 ­ apresentado com este recurso);  c.10)  que,  considerando  o  valor  total  indicado  nas  cinco  planilhas  referidas  acima, o valor  total  incluso indevidamente na base de cálculo dos tributos exigidos por meio  desse processo administrativo alcança o montante de R$ 931.263.00 (novecentos e trinta e um  mil, duzentos e sessenta e tres reais);  c.11)  que  os  valores  mencionados  nas  cinco  planilhas  acima  referidas,  diferentemente do que informa o fisco, são representados por cheques emitidos em um banco e  depositados em outro banco, sempre nas contas da própria recorrente e o mesmo com relação  aos  TEDs/DOCs,  sendo  que  esses  movimentos  financeiros  não  representam  renda  ou  faturamento que possam se sujeitar a incidência, razão pela qual devem ser excluídos da base  de  cálculo  dos  tributos  exigidos  por meio  desse  processo  administrativo,  cuja  reducão  deve  alcançar proporcionalmente os juros e multas;  d)  quanto  à  necessidade  de  abatimento  dos  valores  antecipados  pela  recorrente – constituição de diferenças:  d.1) que, na decisão recorrida (Acórdão 04­34.504), mais especificamente a  fl.  1655,  a  autoridade  julgadora  da  DRI/CGE,  julga  improcedente  o  pedido  relativo  à  compensação/abatimentos  dos  valores  pagos  pela  recorrente  a  título  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS, na modalidade de Simples Nacional;  d.2)  que  a  decisão  recorrida  se  baseia  na  afirmação  do  fisco  no  "item  5"  do  Termo de Verificacao Fiscal  (fls. 1456­1457), considerando que a  recorrente  recolheu para o  periodo de 01/2008 ate 12/2010, os valores de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, pela modalidade  de Simples Nacional, logo, isso é incontroverso;  Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/2012­28  Resolução nº  1302­000.415  S1­C3T2  Fl. 1.887          6 d.3) que, entretanto, como o fisco, por meio dos  lançamentos fiscais  indicados  nestes  autos  administrativos,  exige  diferenças  de  tributos  sobre  supostos  movimentos  financeiros  não  declarados/contabilizados,  deveria  ter  considerado  (descontado/abatido)  os  valores  que  foram  recolhidos  antecipadamente  pela  recorrente,  a  título  dos  mesmos  IRPJ,  CSLL, COFINS e PIS;  d.4) que a afirmação do fisco se confirma pelos DARFs anexos (doc. 04), pois a  recorrente para o período de 01/2008 até 12/2010, os valores de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS,  sobre  o  faturamento,  calculados  segundo  as  alíquotas  do  Simples Nacional,  daí  que  o  fisco,  caso entenda ter ocorrido recolhimento a menor desses tributos, deveria ter constituído apenas  a diferença, e não o total, como fez, sendo que essa dedução, caso tivesse sido realizada pelo  fisco,  teria  diminuído  consideravelmente  o  montante  dos  tributos,  das  multas  e  dos  juros  exigidos por meio dos lançamentos em comento;  d.5) que a autoridade julgadora de primeira instância, no texto do Acórdão 04­ 34.504  (fl.  1655),  entende que  compensação ou o  abatimento pretendido pela  recorrente não  seria  possível,  por  causa  da  alegada  "especialidade"  do  Simples  Nacional,  porém,  a  compensação é autorizada ao próprio contribuinte (art. 74 da Lei 9430/96, atualizada pelas leis  posteriores),  ou  de  ofício,  pela  autoridade  fiscal,  no  mais,  o  fisco  possui  informações  suficientes para  saber destacar do valor da guia  do Simples Nacional qual  é o valor de  cada  tributo, segundo as alíquotas para cada faixa de faturamento;  d.6) que os lancamentos devem ser revisados e diminuídos parcialmente, para o  efeito de excluir do total de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, os valores já pagos (recolhidos) pela  recorrente,  no  período  de  01/2008  ate  12/2010,  diminuindo­se,  igualmente,  na  proporção  a  multa e os juros;  e) quanto a multa qualificada de 150%:  e.1)  que  segundo  a  decisão  recorrida  (Acórdão  04­34.504),  mais  especificamente  as  fls.  1656­1657,  a  autoridade  julgadora da DRJ/CGE,  julgou  parcialmente  procedente  o  pedido  relativo  a  desqualificação  e  redução  da  multa  de  ofício  de  150%  para  75%;  e.2)  que  alega  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  que  teria  ficado  comprovado  nos  autos  o  evidente  intuito  de  fraude  e  o  dolo  da  recorrente,  com  relação  aos  supostos  atos  infracionais  e  que  resultaram  na  diminuição  indevida  de  tributos  devidos  à  União;  e.3) que se pode concluir da narrativa dos fatos, confirmados pelos documentos  juntados,  e  que  os  valores  exigidos  pelo  fisco  através  dos  autos  de  infração  aqui  debatidos  foram  apurados  justamente  a  partir  das  informações  repassadas  espontaneamente  pela  recorrente,  sem exceções, em cumprimento das  intimações  fiscais,  sem qualquer  tentativa de  maquiar situação de fato no sentido de tentar impedir ou evitar a exigibilidade dos tributos;  e.4) que a existência de movimentos bancários não declarados, como a simples  omissão de rendimentos, ou até mesmo o acréscimo patrimonial a descoberto não caracterizam  fraude, dolo ou simulação,  tal como delineado pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, o que  afasta  a  aplicação  da  penalidade  qualificada  de  150%,  devendo  ser  aplicada  a penalidade  de  75%, nos termos do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96;  Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/2012­28  Resolução nº  1302­000.415  S1­C3T2  Fl. 1.888          7 e.5) que, portanto, considerando o conjunto probatório dos autos, considerando a  suposta  infração  fiscal  atribuída  a  recorrente  (depósitos  bancários  não  declarados),  considerando  ainda  ser  inegável  que  todo  o  procedimento  de  fiscalização  contou  com  a  participação  espontânea  e  efetiva  da  recorrente,  não  há  como  se  admitir,  nos  termos  da  legislação  vigente  (art.  44,  inciso  I,  da  Lei  9.430/96),  que  a  movimentação  bancária  eventualmente  não  declarada  não  pode  ser  punida  com  multa  acima  de  75%,  devem  ser  anulados parcialmente os autos de infração, para diminuir a multa ao patamar maximo de 75%;  f) quanto à decadência:  f.1)  que,  segundo  se  verifica  da  decisão  recorrida  (Acórdão  04­34.504),  mais  especificamente  as  fls.  1653­1654,  a  autoridade  julgadora da DRJ/CGE,  julgou  parcialmente  procedente o pedido relativo a alegada decadência;  f.2)  que,  em  resumo,  decidiu  a  autoridade  julgadora  pela  anulação  parcial  do  crédito tributário de PIS e COFINS em relação ao mês de Janeiro de 2008, mas somente para  os referidos tributos apenados com multa de 75%, segundo a sua interpretação do art. 150, §  4", e art. 173, inciso I, ambos do CTN;  f.3) que, entretanto, o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, não faz distinção para  que  seja  aplicado  de  acordo  com  relação  às multas  (simples  ou  qualificada),  pois  o  prazo  é  contado apenas e unicamente em decorrência da forma em que se dará o seu lancamento, que  no caso e por homologação;  f.4)  que,  assim,  considerando  que  as  contribuições  PIS  estão  sujeitas  ao  lançamento  por  homologação,  e  que  a  recorrente  foi  intimada  da  lavratura  dos  autos  de  infração no dia 25.02.2013,  tendo  recolhido  antecipadamente valores de PIS  e COFINS  (via  Simples Nacional),  nos  termos  do  art.  150,  §  4°,  do CTN,  todos  os  valores  exigidos  para  a  competência de Janeiro de 2008 foram alcançadas pela decadência,  inclusive aqueles valores  de  PIS  e  COFINS  apenados  com  multa  qualificada  (150%),  razao  pela  qual  os  autos  de  infracao devem ser anulados tambem nesta parte.    É o relatório.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  foi  subscrito  por  mandatário  com  poderes para tal, conforme procuração a fls. 1605, razão pela qual dele conheço.  Há que se inverter a ordem de apreciação das matérias em razão da relação  de  causa  e  efeito  entre  o  ponto  relativo  às  infrações  objeto  dos  lançamentos  em  tela  e  a  exclusão  do  Simples,  uma  vez  que  foram  as  infrações  imputadas  nos  autos  de  infração  que  motivaram o Ato Declaratório.    Ocorre, porém, que antes de apreciarmos o recurso voluntário, duas questões  levam  a  conversão  do  julgamento  em  diligência:  a  primeira,  refere­se  a  uma  série  de  documentos  juntados  pela  recorrente,  quando  da  apresentação  do  seu  recurso  voluntário,  os  quais, segundo alega, poderiam comprovar a origem de alguns depósitos bancários; a segunda,  é que a recorrente alega e as autoridades lançadora e julgadora de primeira instância não negam  que houve recolhimento pela Sistemática do Simples Nacional durante todo o período autuado  e que não foram deduzidos do valor devido.  Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13982.721025/2012­28  Resolução nº  1302­000.415  S1­C3T2  Fl. 1.889          8   Com relação à primeira questão, cabe esclarecer que a documentação juntada  a fls. 1701 a 1878, além de serem fotocópias de pouca qualidade, devem ter sua autenticidade  conferida.    Por sua vez, com relação aos pagamentos feitos pela Sistemática do Simples  Nacional, a sua dedutibilidade dos valores lançados é, hoje, matéria sumulada no CARF, se não  vejamos:   Súmula CARF nº 76: Na determinação dos  valores  a  serem  lançados  de  ofício  para  cada  tributo,  após  a  exclusão  do  Simples,  devem  ser  deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa  sistemática,  observando­se  os  percentuais  previstos  em  lei  sobre  o  montante pago de forma unificada.    Assim, para que seja garantida a liquidez da futura decisão a ser proferida por  este Colegiado, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba adote  as seguintes providências:  a) verifique a autenticidade dos documentos a fls. 1701 a 1878 e se manifeste  se  tais documentos comprovam a origem de depósitos bancários de origem não comprovada,  relacionados  nas  planilhas  “VALORES  REMANESCENTES  APÓS  ANÁLISE  DAS  RESPOSTAS DO CONTRIBUINTE” (vide item 4,  in  fine, do TVF a fls. 1456), após o que,  elabore  planilha  na  qual  sejam  relacionados  os  documentos  e  respectivos  valores  que  se  enquadram em tal condição;  b) verifique a autenticidade dos Recibos de Entrega do Simples Nacional  a  fls.  1485  a  1487,  especialmente  a  veracidade  dos  pagamentos  ali  informados,  após  o  que,  elabore planilha na qual os valores dos pagamentos  sejam decompostos  em valores de  IRPJ,  CSLL,  COFINS,  PIS  e  outros  tributos,  observando­se  os  percentuais  previstos  sobre  o  montante pago de forma unificada, conforme  tabela da Lei Complementar 123/06 em que se  enquadrava a recorrente à época de cada pagamento;   c)  dê  ciência  à  recorrente  do  relatório  final  de  diligência,  concedendo­lhe  prazo  para  que  se  manifeste  nos  autos,  após  o  que  retorne  os  autos  ao  CARF,  para  prosseguimento do feito.  Alberto Pinto Souza Junior – Relator.      Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA

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Numero do processo: 13856.720351/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ausente a comprovação do cumprimento do requisito referente à natureza dos rendimentos auferidos, inexiste direito à isenção.
Numero da decisão: 2201-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ausente a comprovação do cumprimento do requisito referente à natureza dos rendimentos auferidos, inexiste direito à isenção.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 convocado),  IVETE  MALAQUIAS  PESSOA  MONTEIRO,  MARIA  ANSELMA  COSCRATO  DOS  SANTOS  (Suplente  convocada),  CARLOS  ALBERTO  MEES  STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS  PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou  provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo.  Em 03/11/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício  de 2011, ano­calendário 2010, na qual foi constatado que os rendimentos do contribuinte foram  indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de  moléstia grave, por meio de laudo médico oficial.  Assim, restou identificada a omissão de rendimentos no valor de R$ 284.985,19  (duzentos  e  oitenta  e  quatro mil  novecentos  e  oitenta  e  cinco  reais  e  dezenove  centavos),  o  que  gerou a  redução do  imposto a  restituir na Declaração de Ajuste Anual do IRPF de R$ 62.183,47  (sessenta e dois mil cento e oitenta e três reais e quarenta e sete centavos) para R$ 4.295,74 (quatro  mil duzentos e noventa e cinco reais e setenta e quatro centavos).  Irresignado,  o  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  02  e  03,  alegando,  em  síntese,  que  os  valores  dos  rendimentos  tidos  como  omitidos  estão  isentos  de  tributação,  por  se  tratarem  de  proventos  de  aposentadoria,  reforma  ou  pensão  recebidos  por  portador de moléstia grave.  A Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Porto  Alegre  (RS) manteve o crédito tributário, em sua totalidade, com a seguintes considerações:  a)  a  partir  de  01/01/2005,  as  hepatopatias  graves  são  consideradas  no  rol  de  moléstias  cujos  proventos  de  aposentadoria ou pensão estão isentos do IRPF;  b)  segundo  o  Laudo  Pericial  da  folha  19,  o  contribuinte  era  portador  de  Cirrose  Hepática,  CID  10­K74  e  K72,  desde  14/12/2010  e  aposentado  desde  31/07/2009  (Diário  Oficial  do  DF, OS nº 196, fl.17). Portanto, a partir de 14/12/2010, passou a  ter  direito  a  isenção,  visto  que  atende  aos  dois  requisitos:  proventos de aposentadoria e portador de moléstia grave;  c) a isenção alcança os rendimentos recebidos após 14/12/2010  e  não  retroage  a  01/01/2010.  Cabe  ao  contribuinte  ou  responsável comprovar ter o notificado recebido rendimentos de  aposentadoria  ou  pensão  após  a  data  de  início  da  doença  e  dentro do ano­calendário 2010.    Assim, a DRJ entendeu pela existência do direito à  isenção do contribuinte,  contudo,  para  período  posterior  a  14/12/2010,  data  de  início  da  doença  constante  do  laudo  médico,  salientando  o  ônus  do  contribuinte  de  comprovar  o  recebimento  dos  proventos  de  aposentadoria dentro do ano­calendário de 2010 e após a referida data apontada no laudo.  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13856.720351/2014­25  Acórdão n.º 2201­003.011  S2­C2T1  Fl. 83          3 Posteriormente,  dentro  do  lapso  temporal  legal,  foi  interposto  recurso  voluntário, no qual o contribuinte indicou e realizou a juntada do extrato bancário do mês de  dezembro  de  2010,  comprovando  o  recebimento  da  rubrica  "crédito  de  pagamento",  em  17/12/2010.   É o relatório.    Voto             Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade.  Conforme  consta  do  relatório,  cuida  o  presente  lançamento  de  omissão  de  rendimentos recebidos de pessoa jurídica indevidamente considerados isentos, em decorrência  da não comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial.  A  DRJ/POA,  com  a  análise  da  documentação  apresentada  pelo  contribuinte,  reconheceu a existência do direito  à  isenção, a partir de 14/12/2010, diante do atendimento aos  dois requisitos: proventos de aposentadoria e portador de moléstia grave.  Não  obstante  a  constatação  da  isenção,  a  partir  de  14/12/2010,  foi  mantido  o  lançamento, em sua integralidade, sob o fundamento de que caberia ao contribuinte ou responsável  comprovar ter recebido rendimentos de aposentadoria ou pensão após a referida data e dentro do  ano­calendário de 2010.  O contribuinte, quando da interposição do recurso voluntário, apresentou extrato  bancário  referente  ao  recebimento  da  rubrica  "crédito  de  pagamento",  em  17/12/2010,  fl.  71.  Porém, a partir da análise da tal documento, verifica­se que não se pode inferir dele a natureza dos  rendimentos para fins de isenção.  Dessa  forma,  tendo  em  vista  a  ausência  do  cumprimento  do  requisito  referente à natureza dos rendimentos auferidos, aplica­se o disposto no Enunciado de Súmula  63 do CARF, conforme abaixo transcrito:  Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos  portadores  de  moléstia  grave,  os  rendimentos  devem  ser  provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou  pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo  pericial  emitido  por  serviço  médico  oficial  da  União,  dos  Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.  Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário.  Assinado digitalmente.  Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4                           Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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6450228 #
Numero do processo: 10283.002802/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A previsão de dedutibilidade das despesas para fins da definição da renda tributável pelo imposto de renda decorre da lei, conforme consolidado na jurisprudência. A distribuição de brindes em caráter promocional, embora possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos, constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº9.249, de 1995. Assim, é correta a sua glosa e adição à base de cálculo do IRPJ. RECEITAS FINANCEIRAS. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Comprovada a postergação do pagamento do imposto devido na medida em que a recorrente ofereceu espontaneamente as diferenças de receitas financeiras à tributação, em período imediatamente posterior ao devido, há que ser considerada na apuração da base de cálculo do IRPJ de forma a evitar o bis in idem. Não tendo sido constituído o crédito devido pelo lançamento, mas tão somente ajustada a base de cálculo para fins de determinação do valor passível de restituição/compensação, não há como proceder-se à exigência dos juros e multas que seriam devidos no âmbito deste processo, pois falece competência à autoridade julgadora para constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente.
Numero da decisão: 1302-001.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação de nulidade da exigência não formalizada em auto de infração, suscitada apenas nos memoriais entregues na sessão de julgamento e na sustentação oral, pela patrona da recorrente. No mérito, acordam, por unanimidade: 1 - em negar provimento ao recurso voluntário com relação à despesas com brindes; e 2 - dar provimento ao recurso voluntário quanto à adição de receitas financeiras à base de cálculo da CSLL. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2504; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 626          1 625  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.002802/2007­63  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.911  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de julho de 2016  Matéria  Compensação de Saldo Negativo de CSLL  Recorrente  SIEMENS ELETROELETRÔNICA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2004  DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE.  A  previsão  de  dedutibilidade  das  despesas  para  fins  da  definição  da  renda  tributável  pelo  imposto  de  renda  decorre  da  lei,  conforme  consolidado  na  jurisprudência.  A  distribuição  de  brindes  em  caráter  promocional,  embora  possa contribuir para a divulgação da marca da empresa ou de seus produtos,  constitui dispêndio cuja dedutibilidade é expressamente vedada pelo art. 13,  inciso VII, da Lei nº9.249, de 1995. Assim, é correta a sua glosa e adição à  base de cálculo do IRPJ.  RECEITAS  FINANCEIRAS.  POSTERGAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  CARACTERIZAÇÃO.  Comprovada a postergação do pagamento do imposto devido na medida em  que  a  recorrente  ofereceu  espontaneamente  as  diferenças  de  receitas  financeiras  à  tributação,  em  período  imediatamente  posterior  ao  devido,  há  que ser considerada na apuração da base de cálculo do IRPJ de forma a evitar  o bis in idem. Não tendo sido constituído o crédito devido pelo lançamento,  mas  tão  somente  ajustada  a  base  de  cálculo  para  fins  de  determinação  do  valor  passível  de  restituição/compensação,  não  há  como  proceder­se  à  exigência dos  juros  e multas que seriam devidos no  âmbito deste processo,  pois  falece  competência  à  autoridade  julgadora  para  constituir  créditos  tributários não exigidos pela autoridade competente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer da alegação de nulidade da exigência não formalizada em auto de infração, suscitada  apenas nos memoriais entregues na sessão de julgamento e na sustentação oral, pela patrona da  recorrente.  No  mérito,  acordam,  por  unanimidade:  1  ­  em  negar  provimento  ao  recurso     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 28 02 /2 00 7- 63 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 627          2 voluntário  com  relação  à  despesas  com  brindes;  e  2  ­  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  quanto à adição de receitas financeiras à base de cálculo da CSLL.   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (presidente),  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Marcelo  Calheiros  Soriano,  Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix.  Fl. 665DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 628          3   Relatório  Trata­se de  recurso voluntário  em  face do Acórdão nº 01­12.663, proferido  pela 1ª Turma da DRJ­Belém/PA, em 04/12/2008, que acolheu parcialmente a manifestação de  conformidade apresentada tendo em vista o Despacho Decisório, de 10/09/2007 (fls.133/139),  que  não  havia  reconhecido  o  direito  creditório  de  saldo  negativo  CSLL  do  ano­calendário  2004 no valor pleiteado e declarou não homologadas todas as compensações. Foram efetuadas  as seguintes alterações de valores declarados na DIPJ:  •  Despesas  com  brindes,  glosa  no  valor  de  R$  5.712.638,13.  Deve  ser  adicionada ao lucro liquido;  •  Rendimentos  de  aplicações  financeiras,  não  oferecidos  à  tributação,  no  valor de R$ 115.051,61  • Provisões para despesas pendentes, mantidas no passivo (passivo fictício),  no valor de R$ 47.428.952,43. Deve ser adicionada ao lucro liquido;  • Depreciação de estoque, provocando Subavaliação do estoque e aumento do  custo, no valor de R$ 11.205.064,01. Deve ser adicionada ao lucro liquido.  Tendo em vista as adições acima relacionadas, houve recomposição da base  de cálculo da CSLL, a qual, com as alterações efetuadas, foi calculada em R$ 117.764.333,45.  O cálculo do saldo negativo também foi recomposto, tendo sido apurada CSLL a pagar de R$  1.922.048,33.  Devidamente  cientificada  do  despacho  decisório,  a  recorrente  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  tempestivamente,  que  foi  julgada  parcialmente  procedente  pelo colegiado recorrido que proferiu o acórdão com a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2004  SALDO NEGATIVO CSLL.  Tendo  sido  apurado  saldo  negativo  CSLL,  homologam­se  as  compensações  até  o  limite do crédito reconhecido.  DESPESAS COM BRINDES.   Valores gastos pelo contribuinte referentes a bens distribuídos gratuitamente não se  caracterizam  como  despesas  com  propaganda,  mas  sim  brindes,  devendo  ser  adicionados ao lucro líquido.  RECEITAS FINANCEIRAS.   Diante  da  ausência  de  comprovação  de  que  houve  o  oferecimento  à  tributação  de  receitas financeiras correspondentes a juros sobre empréstimo concedido a coligada,  tais valores devem ser adicionados ao lucro líquido.   PROVISÃO PARA DESPESAS PENDENTES.  Fl. 666DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 629          4 Tendo sido comprovada a adição ao  lucro  líquido para  fins de apuração da CSLL,  incabível a adição procedida pelo Fisco.  DEPRECIAÇÃO DE ESTOQUE.  Tendo sido comprovada a adição ao  lucro  líquido para  fins de apuração da CSLL,  incabível a adição procedida pelo Fisco.  O acórdão recorrido acatou grande parte dos argumentos da recorrente, com  exceção da adição de glosa de despesas com brindes e de receitas financeiras não oferecidas à  tributação e apurou um saldo negativo recomposto no montante de R$ 5.894.271,17.  Ciente  da  decisão  de  primeira  instância  em  16/02/2009  e  com  ela  inconformada,  a  empresa  apresentou  recurso  voluntário  em  17/03/2009,  mediante  o  qual  oferece, em síntese, os seguintes argumentos:  a)  Com  relação  às  despesas  no  valor  de  R$  5.712.638,13,  lançadas  na  escrituração  contábil  na  conta  605320000,  glosadas  pelo  Fisco  sob  o  argumento  de  se  constituírem  em  despesas  com  brindes  refuta  tal  enquadramento  afirmando  tratarem­se  de  materiais promocionais cedidos aos clientes e potenciais clientes com intuito de incrementar as  vendas  b) Que, visando demonstrar  a dedutibilidade das despesas  com os  referidos  materiais  promocionais,  a  Recorrente,  por  ocasião  da  apresentação  de  sua  Manifestação  de  Inconformidade, juntou, de forma exemplificativa, cópia dos registros dos documentos fiscais  que suportam as despesas escrituradas (doc. 03 acostado à Manifestação de Inconformidade).  c) Que com base nos referidos documentos a Recorrente esclareceu, por meio  de sua Manifestação de Inconformidade, que as despesas escrituradas eram, de fato, materiais  promocionais (camiseta de time de futebol patrocinado pela Recorrente e com o seu logotipo,  porta celular com o logotipo da Recorrente, camiseta Siemens Móbile; bolsa com o logotipo da  Recorrente, etc.), cedido pela Recorrente a clientes e potenciais clientes visando incrementar as  vendas das mercadorias produzidas pela mesma.  d) Que, entretanto, na decisão recorrida, o d. Julgador a quo não concordou  com a contabilização da despesa em questão como dedutivel sob a alegação de que se tratava  de despesa com brindes que, após o advento da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, não é  passível de dedução para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda.  e) Que, todavia, não pode concordar com a r. Decisão recorrida, uma vez que  as despesas lançadas na conta 605320000 não se prestaram para lançamentos de despesas como  brindes, mas sim como material promocional, necessário para o desenvolvimento da atividade  da empresa.  f)  Que  atendendo  a  uma  prática  bastante  usual  do  mercado,  de  forma  freqüente, cede a clientes e potenciais clientes material promocional visando o incremento de  suas vendas.  g) Que esses materiais visaram divulgar e promover os produtos  fabricados  pela Recorrente, possuindo assim relação direta com a atividade desenvolvida pela empresa.  h)  Que,  a  titulo  exemplificativo,  junta  noticias  publicadas  por  meio  da  internet nas quais constam algumas promoções realizadas pela empresa visando o incremento  Fl. 667DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 630          5 de  suas  vendas,  com  a  distribuição  de  produtos  promocionais,  e.g  camisa  oficial  do  Real  Madrid (doc. 02).  i)  Que  campanhas  como  estas  acima  mencionadas  são  corriqueiramente  apresentadas pela Recorrente, nas quais há distribuição de materiais promocionais, bem como a  distribuição  de  diversos  prêmios,  sempre  com  o  intuito  único  e  exclusivo  de  fomentar  as  vendas da companhia.  j) Que  não  há  qualquer  ato  de  liberalidade  na  distribuição  direcionada  dos  materiais promocionais. Há,  sim, clara expectativa de retorno comercial  que a divulgação da  marca  da Recorrente,  nos  produtos  promocionais,  junto  a  uma  classe  estratégica  de  pessoas  poderá trazer.  k)  Que  o  intuito  é,  por  meio  de  propaganda,  divulgar  a  seus  potenciais  clientes a boa qualidade dos produtos que colocou no mercado,  tratando­se de  típica despesa  necessária  à  manutenção  da  fonte  produtora  de  rendimento,  enquadrando­se  tais  despesas  perfeitamente na condição prevista no artigo 366 do RIR/99, permite a sua dedução.  l)  Que  a  dedutibilidade  das  despesas  de  propaganda  na  apuração  do  lucro  real,  em  casos  nos  quais,  como  o  presente,  tais  despesas  estão  essencialmente  ligadas  às  atividades  dos  contribuintes,  é  reconhecida  pelo  E.  Conselho  de  Contribuintes,  conforme  Acórdão nº 108­08.421, que transcreve.  m) Que a norma invocada pelo Sr. Auditor Fiscal para dar suporte á glosa das  despesas  foi  introduzida  no  Ordenamento  Jurídico  com  o  objetivo  único  de  afastar  a  dedutibilidade  de  gastos  incorridos  pelos  contribuintes  que  em  absolutamente  nada  se  coadunem com suas atividades, ou seja, gastos não vinculados à operacionalidade de seu objeto  social.  n)  Que  neste  caso,  não  estamos  diante  de  produto  de  diminuto  valor  comercial e que são distribuídos aleatoriamente (Parecer Normativo n° 15/1976), mas, sim, de  materiais promocionais que são confeccionados com o logotipo da Recorrente no intuito único  e exclusivo de atingir um público alvo, fomentando, cada vez mais as vendas realizadas pela  Recorrente.  o) Que não pode deixar de manifestar sua indignação quanto á manutenção,  pelo acórdão recorrido, da adição ao lucro liquido dos valores contabilizados na conta contábil  6053200, ao argumento de que "o contribuinte juntou apenas as notas fiscais de entrada dos  referidos  produtos,  inexistindo  nos  autos  as  notas  fiscais  emitidas  pelos  estabelecimentos  vendedores."  p) Que é incoerente e sem qualquer fundamento a justificativa apontada pelo  acórdão  recorrido  para  fins  de manutenção  da  adição  ao  lucro  liquido  de despesas  que,  pela  natureza, são classificadas como material promocional.   q) Que,  entretanto,  visando única  e  exclusivamente  afastar qualquer dúvida  quanto  aos  documentos  contábeis  até  então  apresentados  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade, apresenta as cópias das notas fiscais de aquisição dos produtos promocionais  objeto de discussão (doc. 03).  Fl. 668DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 631          6 r) Que pelo exposto, não procede a glosa das despesas sob análise, uma vez  que os gastos incorridos na aquisição dos materiais de propaganda mantém claro vinculo com a  atividade  desenvolvida  pela  Recorrente  e,  portanto,  são  necessários  á  manutenção  da  fonte  produtora de rendimentos, sendo, portanto, dedutíveis a teor do que dispõe o art. 366 do RIR.  s)  Que,  com  relação  à  adição  ao  lucro  real,  de  receitas  financeiras  no  montante  de  R$  115.051,61,  à  despeito  de  ter  demonstrado  que  havia  oferecido  tais  rendimentos à tributação, o acórdão recorrido manteve a adição com nítida alteração dos fatos  que ensejaram tal adição.  t)  Que  a  razão  da  adição  pelo  despacho  decisório  do  montante  de  R$  115.051,61 decorreu do  fato de que  a Recorrente não havia  levado à  tributação  "juros  sobre  empréstimo  concedido  à  empresa  coligada  Siemens  Serviços  Técnicos",  nada  sendo  manifestado quanto aos "juros sobre empréstimo concedido à empresa coligada Siemens Ltda."  u) Que,  no  entanto,  resta  nítido  na  decisão  recorrida  que  a manutenção  da  adição  ao  lucro  liquido  do  montante  de  R$  115.051,61  decorreu  do  fato  de  que  no  ano­ calendário  de  2004  o  total  de  juros  recebidos  da  coligada  Siemens  Ltda  foi  de  R$  24.137.685,28  e  tal  quantia  é  aproximadamente  igual  a  escriturada  pelo  contribuinte  no  Diário Geral a titulo de juros recebidos sobre empréstimos a coligadas R$ 24.126.075,29.  v) Que a decisão recorrida alterou, assim, o fundamento do lançamento, o que  é vedado pelo art. 145 e 146 do CTN .  x) Que visando a demonstrar a lisura do procedimento, reconhece que o valor  tributado  a  título  de  receitas  financeiras  decorrentes  de  empréstimos  recebidos  da  empresa  coligada Siemens Ltda, conforme registrado na conta contábil 85720, foi de R$ 24.011.023,68,  sendo certo que o valor efetivamente recebido era de R$ 24.137.685,28.  z)  Que,  em  conciliação  periódica  realizada  na  conta  contábil  85720,  foi  verificado que no mês de dezembro de 2004 havia sido registrado a menor o montante de R$  126.661,57  correspondente  rendimentos  com  juros  sobre  empréstimo  concedido  à  Siemens  Ltda. (R$ 1.563.492,87 1.690.154,44).  aa)  Que,  em  razão  do  equivoco  ocorrido,  acabou  por  adicionar  ao  lucro  liquido o montante em questão (R$ 126.661,57) no período seguinte (docs. 05, 06 e 07).  bb)  Que,  diante  de  tal  fato,  na  hipótese  de  não  ser  acatada  a  alegação  de  impossibilidade  de  alteração  do  lançamento,  caberia  ao  d.  Julgador  a  quo movimentar,  de  oficio, a base de cálculo fiscalizada e aquela dos períodos seguintes a fim de cobrar somente  encargos  acessórios,  exclusivamente,  se  aplicável,  com  base  no  Parecer  Normativo  CST  n°  02/96, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes que menciona.  cc) Que,  assim,  não  procede  a  adição  do montante  referente  a  rendimentos  decorrentes  de  juros  sobre  empréstimo  concedido  à  empresa  coligada,  uma vez  que  referido  valor foi contabilizado como receita financeira, sendo levado à tributação pela Recorrente.  dd) Que não concorda com a fixação dos juros moratórios com base na Taxa  Selic, em vista da violação aos princípios da estrita legalidade em matéria tributária (art. 150, I  da CF), da indelegabilidade de competência (art. 48, I e 150, I da CF); e segurança jurídica (art.  5° da CF), além da disposição contida no art. 161, § 1° do CTN.  Fl. 669DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 632          7 ee) Que o valor da multa foi corrigido, aplicando­se, para tanto, a taxa Selic,  em flagrante descumprimento ás determinações do artigo 61 da Lei 9.430/96.  ff) Que essa correção não foi efetuada à época do lançamento efetuado pela  DRF,  tendo  em  vista  consistir  em  inovação  perpetrada  após  a  emissão  da  decisão  de  lª  Instância.  Esse  fato,  importa  salientar,  é  muito  grave,  na medida  em  que  altera  os  critérios  jurídicos do lançamento dos encargos acessórios.  gg)  Que,  na  remota  hipótese  de  ser  mantida  a  cobrança  decorrente  do  indeferimento  das  compensações,  é mister  a  exclusão  da parcela  equivalente A  aplicação  da  taxa Selic sobre a multa.  Ao  final  requer  que  seja  reconhecido  o  direito  creditório  pleiteado  e  homologadas as compensações realizadas na sua íntegra.  É o relatório.  Fl. 670DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 633          8 Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  pressupostos  legais  e  regimentais. Portanto, dele conheço.  A controvérsia dos autos refere­se a adições feitas à base de cálculo da CSLL  com  vistas  a  apuração  do  saldo  negativo  da  contribuição,  remanescendo  após  o  acórdão  proferido  pelo  colegiado  de  primeiro  grau  as  questões  referentes  à  despesas  com  brindes  e  receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação.  Idêntica discussão foi travada no recurso voluntário interposto no âmbito do  Processo  nº  10283.000705/2007­36,  também por mim  relatado,  no  qual  se  discutiu  o  direito  creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ.   Assim, adoto neste processo as mesmas razões externadas no voto proferido  no Acórdão nº1301­001.597, de 31/07/2014, transcritas abaixo:  Examino inicialmente a questão relativa a adição de despesas com brindes à  base de cálculo do IRPJ.  A  recorrente  sustenta  que não  se  trata  de  despesa  com brindes, mas  sim de  materiais promocionais, com o  intuito único e exclusivo de fomentar as vendas da  Companhia.  Sustenta  que  não  há  qualquer  ato  de  liberalidade  na  distribuição  direcionada dos materiais promocionais e que há, sim, clara expectativa de retorno  comercial  que  a  divulgação  da  marca  da  Recorrente,  nos  produtos  promocionais,  junto a uma classe estratégica de pessoas poderá trazer.  Alega  que  o  intuito  é,  por  meio  de  propaganda,  divulgar  a  seus  potenciais  clientes a boa qualidade dos produtos que colocou no mercado, tratando­se de típica  despesa necessária à manutenção da fonte produtora de rendimento, enquadrando­se  tais despesas perfeitamente na condição prevista no artigo 366 do RIR/99, permite a  sua dedução. Defende que a dedutibilidade das despesas de propaganda na apuração  do  lucro  real,  em  casos  nos  quais,  como  o  presente,  tais  despesas  estão  essencialmente  ligadas  às  atividades  dos  contribuintes,  é  reconhecida  pelo  E.  Conselho de Contribuintes.   Aduz que a norma invocada pelo Fisco para dar suporte á glosa das despesas  foi  introduzida  no  Ordenamento  Jurídico  com  o  objetivo  único  de  afastar  a  dedutibilidade de gastos  incorridos pelos contribuintes que em absolutamente nada  se coadunem com suas atividades, ou seja, gastos não vinculados à operacionalidade  de seu objeto social e que, neste caso, não estamos diante de produto de diminuto  valor  comercial  e  que  são  distribuídos  aleatoriamente  (Parecer  Normativo  n°  15/1976),  mas,  sim,  de  materiais  promocionais  que  são  confeccionados  com  o  logotipo  da  Recorrente  no  intuito  único  e  exclusivo  de  atingir  um  público  alvo,  fomentando, cada vez mais as vendas realizadas pela Recorrente.  Fl. 671DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 634          9 A  discussão  passa,  portanto,  pela  identificação  da  real  natureza  dos  dispêndios,  se  são  brindes  ou  despesas  com  propaganda  ou  promocionais,  como  defende a recorrente.  O  acórdão  recorrido  afastou  a  hipótese  de  tratarem­se  tais  despesas  como  propaganda, mediante a análise do art. 366 do RIR/1999, concluindo que:  Como  se  vê,  de  acordo  com  o  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  as  despesas  com  propaganda  admitidas  são  aquelas  referentes  a  pagamentos  efetuados  a  empresas  jornalísticas,  a  empresas  de  radiodifusão  ou  televisão  e  despesas  pagas  a  quaisquer  empresas,  inclusive  de  propaganda.  Exige­se  ainda  que a empresa beneficiada seja registrada no CNPJ e mantenha  escrituração regular.  Assim,  não  se  pode  aceitar  como  despesas  de  propaganda  aquelas  efetuadas  mediante  a  aquisição  de  diversos  materiais  para fins de distribuição gratuita a clientes e potenciais clientes.  (...)  O Parecer Normativo CST nº 15/1976 analisando a questão da dedutibilidade  dos brindes, também se reportava à norma específica do Regulamento do Imposto de  Renda então vigente, para definir seu alcance, in verbis:  4. Por sua vez, o art. 191 do Regulamento do Imposto de Renda  indica,  expressamente,  as  despesas  qualificadas  como  de  propaganda.  Correspondem  elas  a  gastos  estritamente  de  natureza publicitária, efetivamente realizadas com profissionais  ou empresas especializadas (as despesas de propaganda).  No que tange aos brindes, a Solução de Consulta Cosit nº 58/2014, definiu o  seu  conceito  para  fins  de  aplicação  do  art.  13,  inc.  VII  da  Lei  nº  9.249/1995,  in  verbis:  Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  IRPJ  Ementa:  DESPESAS  COM  BRINDES.  INDEDUTIBILIDADE.  BRINDES. CONCEITO.  Nos  termos do art. 13, VII,  e do art. 35 da Lei nº 9.249, 16 de  dezembro de 1995, são indedutíveis, para efeito de apuração do  lucro real, as despesas com brindes.  O  termo  “brindes”  do  art.  13,  inciso VII,  da Lei  nº  9.249,  de  1995,  refere­se  às  mercadorias  que  não  constituam  objeto  normal  da  atividade  da  empresa,  adquiridas  com a  finalidade  específica de distribuição gratuita ao consumidor ou ao usuário  final, objetivando promover a empresa ou o produto, em que a  forma  de  contemplação  é  instantânea.  Embora  possam  ser  de  diminuto  ou  nenhum  valor  comercial,  como  as  amostras,  conceituadas no art. 54, inciso III, do Decreto nº 7.212, de 15 de  junho  de  2010,  destas  se  diferenciam  pois  não  se  tratam  de  produto,  fragmento  ou  parte  de  mercadoria  em  quantidade  estritamente necessária a dar a conhecer a sua natureza, espécie  e qualidade.  (grifei)  Fl. 672DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 635          10 Do  exame  dos  argumentos  e  documentos  apresentados  pela  recorrente  entendo  que  a  distribuição  dos  bens  adquiridos,  com  efeito,  têm  o  intuito  de  promover a empresa e/ou seus produtos e que, evidentemente, tais mercadorias não  constituem objeto normal de suas atividades (indústria de eletroeletrônicos).  Os  documentos  (fls.270/379  e  525/656)  referem­se  a  canetas,  mochilas,  cadernos capa dura Claro, relógios, Nécessaire de viagem, Blusas moleton Siemens,  camisa  Real  Madrid,  sacolas  nylon,  porta  CD,  porta  retrato,  caderno  pequeno,  camisas  Cruzeiro,  porta  celular,  camiseta  gola  careca,  jaquetas,  luvas,  kit  caneta/chaveiro,  conjunto  caneta  e  lapiseira,  microsystem  Toshiba,  camisa  Palmeiras,  canecas  personalizáves,  camisa  branca,  bolas  volley,  entre  outros  produtos.  A  empresa  contabilizou  os  produtos  adquirido  na  conta  6053200  Brindes  prom.  Agendas  +  folhinhas  Empr.  (cfe.  balancete  fls.  161)  Em  que  pese  a  distribuição de tais brindes possa contribuir para a divulgação da marca da empresa,  tais dispêndios têm sua dedutibilidade expressamente vedada pelo art. 13, inciso VII,  da Lei nº 9.249, de 1995.  De  se  ressaltar  que  a  previsão  de  dedutibilidade  das  despesas,  para  fins  da  definição  da  renda  tributável  pelo  imposto  de  renda,  decorre  da  lei,  conforme  consolidado na jurisprudência 1.  A  jurisprudência  deste  conselho  é  sólida  no  sentido  de  manter  a  glosa  das  despesas  com  brindes,  a  despeito  de  seu  caráter  promocional  ou  de  divulgação,  como se extrai dos acórdãos, cujas ementas abaixo transcrevo:  DESPESAS  COM  DISTRIBUIÇÃO  DE  BRINDES.  INDEDUTIBILIDADE.  A  partir  do  ano­calendário  de  1996,  as  despesas  com  distribuição  de  brindes,  independentemente  de  seu  valor  ou  de  sua  eventual  necessidade  para  o  incremento  da  atividade  econômica  da  empresa,  são  indedutíveis,  para  efeito  de  apuração  do  lucro  real,  nos  termos  preceituados  pelo  art.  13,  inciso  VII,  da  Lei  nº  9.249/1995.  (Acórdão  1302­00.514,  de  23/02/2011)                                                              1 TRF­4 ­ APELAÇÃO CIVEL AC 15143 RS 2004.71.08.015143­5 (TRF4)  Data de publicação: 11/10/2006  Ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO RETIDO. AUSÊNCIA DE REITERAÇÃO.  NÃO  CONHECIMENTO. INDEFERIMENTO DA PROVA TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO  OCORRÊNCIA. LEI 9.249 /95. CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA. FATO GERADOR DEFINIDO  POR LEI ORDINÁRIA. DESPESAS COM BRINDES. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. DECRETO 3.000  /99  RIR/  99.  DESPESAS  OPERACIONAIS  DEDUTÍVEIS.  ADIANTAMENTO  DE  COMISSÃO  A  REPRESENTANTE COMERCIAL. LEI 4.886 /65. CONDUTA DE ACORDO COM O PRINCÍPIO DA BOA­ FÉ  SUBJETIVA.  POSSIBILIDADE  DE  DEDUÇÃO.  [...].  O  conceito  de  renda  é  fixado  livremente  pelo  legislador, segundo considerações pragmáticas, em função da capacidade contributiva e da comodidade técnica de  arrecadação. Precedente do Supremo Tribunal Federal.Não havendo um conceito ontológico de renda ou de lucro,  pois lucro e renda tributável são conceitos legais, não há falar­se em direito constitucional à dedução das despesas  com brindes, haja vista que os critérios para dedução são estabelecidos em lei, qual seja, a Lei 9.249/95. O Código  Tributário  Nacional  descreve  apenas  a  figura  do  imposto  sobre  a  renda  e  Proventos  de  qualquer    Natureza  e  estabelece os limites da sua conceituação. A definição do fato gerador desse imposto, no sentido técnico exato do  termo, compete à lei federal ordinária, e não complementar como afirmado pela parte    Fl. 673DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 636          11 DESPESAS  COM  DISTRIBUIÇÃO  DE  BRINDES.  INDEDUTIBILIDADE.  A  partir  do  ano  calendário  de  1996,  as  despesas  com  distribuição  de  brindes,  independentemente  de  seu  valor  ou  de  sua  eventual  necessidade  para  o  incremento  da  atividade  econômica  da  empresa,  são  indedutíveis,  para  efeito  de  apuração  do  lucro  real,  nos  termos  preceituados  pelo  art.  13,  inciso  VII,  da  Lei  nº  9.249/1995.  (Acórdão  nº  180301.113,  de  23/11/2011)  GLOSA  DE  DESPESAS  —  BRINDES  —  por  expressa  previsão  legal,  as  despesas  com  brindes,  que  se  caracterizam  como  um  bem  oferecido  gratuitamente,  não  são  dedutiveis  da  base de cálculo do  IRPJ e da CSLL.  (Acórdão nº 120100.325,  de 02/09/2010).  BRINDES.  DEDUÇÃO  NA  APURAÇÃO  DO  LUCRO  REAL.  VEDAÇÃO  LEGAL  EXPRESSA.  As  despesas  com  brindes  não  são  dedutíveis  para  fins  de  apuração  do  lucro  real  por  disposição  expressa  de  lei  (art.  13,  VII,  da  Lei  9.249/95)  (Acórdão nº 1103­00.638, de 15/03/2012)  DESPESAS COM BRINDES. INDEDUTIBILIDADE.   Para efeito de apuração do  lucro real  e da base de cálculo da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  são  vedadas  as  deduções  de  despesas  com  brindes.  (Lei  n  º  9.249,  de  1995,  artigo 13, VII). (Acórdão nº 1801­01.132, de 08/08/2012)  Assim, existindo vedação legal expressa, é correta a glosa das despesas com  brinde e sua adição à base de cálculo do IRPJ.  Ante ao exposto, rejeito as alegações da recorrente neste ponto.  Com relação à receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação,  a  recorrente  alega  que  o  acórdão  recorrido  teria  inovado  nos  fundamentos  que  determinaram a sua adição ao lucro real, na medida em que restou comprovado que  as  receitas decorrentes de empréstimos para  a  empresa  coligada Siemens Serviços  Técnicos foi devidamente contabilizada e reconhecida no resultado. Não obstante tal  comprovação,  o  acórdão  recorrido  teria mantido  a  adição  da  parcela  ao  resultado  com base no fato de que as receitas financeiras contabilizadas totais, provenientes de  empréstimos, correspondem praticamente ao valor declarado em DIRF pela empresa  coligada Siemens Ltda.  A recorrente informa ainda que, de fato, registrou a menor o valor relativo a  receitas de juros sobre empréstimos à coligada Siemens Ltda, no mês de dezembro  de 2004, no montante de R$ 126.661,57 e que verificada a falha em conciliação de  contas  realizada  posteriormente,  efetuou  a  correção  mediante  adição  ao  lucro  do  período seguinte.  Entendo que,  embora  a  recorrente  tenha, de  fato, comprovado que  registrou  contabilmente  o  valor  dos  juros  recebidos  da  empresa  coligada  Siemens  Serviços  Técnicos, também restou demonstrado pelo seu próprio relato que ofereceu receitas  financeiras  relativas a empréstimos às coligadas em valor menor que o devido em  Fl. 674DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 637          12 2004, de sorte que a adição da diferença correspondente, ao lucro líquido, sob este  prisma revela­se correta.  No caso, o Fisco, por equívoco, entendeu que a diferença à menor referia­se  ao valor dos juros recebidos da empresa Siemens Serviços Ltda de que resultou na  adição  da  importância  de  R$  115.051,61  ao  invés  de  R$  126.661,57  que  seria  correto.  Não enxergo uma mudança no fundamento da adição levada ao lucro líquido  pelo  Fisco,  porquanto  a  diferença  se  refere  à  receitas  financeiras  decorrentes  de  empréstimos  à  coligadas,  independente  do  rendimento  de  qual  fonte  pagadora  foi  omitido.  Alega  ainda  a  recorrente  que,  tendo  oferecido  à  tributação  da  diferença  no  período  seguinte,  deveria  o  Fisco  ter  considerado  apenas  o  efeito  da  postergação,  exigindo  exclusivamente  os  encargos  acessórios,  com  base  no  Parecer Normativo  CST  n°  02/96.  A  recorrente  trouxe  aos  autos  cópias  dos  registros  contábeis  comprovando ter reconhecido as diferenças no mês de janeiro de 2005 e que apurou  lucro tributável naquele exercício (fls. 661 a 674).  O Parecer Normativo CST nº 02/1996 ao tratar da postergação de pagamento  de  tributos,  procedido espontaneamente  pelo  sujeito passivo  em período posterior,  assim dispôs:  6.2 O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em  período­base posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou  da  contribuição  social  postergados,  deve  ser  considerado  no  momento  do  lançamento  de  ofício,  o  qual,  em  relação  às  parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido  pagas,  deve  ser  efetuado  para  exigir,  exclusivamente,  os  acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não  os tenha pago.  No caso dos autos não se trata de lançamento de diferenças de tributos, mas  sim  da  aferição  do  saldo  negativo  de  IRPJ  passível  de  restituição  pelo  sujeito  passivo. De  qualquer  sorte,  o  fato  da  recorrente  ter  oferecido  espontaneamente  as  diferenças  de  receitas  à  tributação  em período  imediatamente  posterior  há  que  ser  considerado de forma a evitar o bis in idem.  Não tendo havido a constituição do crédito devido pelo lançamento, mas tão  somente ajustada a base de cálculo para  fins de determinação do valor passível de  restituição/compensação, não há como proceder à exigência dos juros e multas que  seriam devidos no âmbito deste procedimento, caso o contribuinte ainda não tenha  pagado  tais  acréscimos,  pois  falece  competência  à  autoridade  julgadora  para  constituir créditos tributários não exigidos pela autoridade competente.  [...]  Desta  feita,  estando  comprovada  a  postergação  do  pagamento  do  imposto  devido em face das diferenças identificadas no âmbito do processo de compensação, deve ser  excluída  a  importância  de  R$  115.051,61,  adicionada  à  base  de  cálculo  do  CSLL  pela  autoridade fiscal, com vistas à apuração do saldo de CSLL a restituir.  O acórdão recorrido havia recomposto a base de cálculo (R$ 66.316.387,14)  e o valor do saldo negativo de CSLL (R$ ­2.708.266,84), em face do acolhimento parcial das  Fl. 675DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 638          13 alegações  da  recorrente.  Assim,  excluindo­se  o  valor  de  R$  115.051,61,  têm­se  a  seguinte  apuração de saldo negativo:  Item  Discriminação  Valor (R$)  1  Base de Cálculo da CSLL apurada após acórdão de primeiro grau  66.316.387,14  2  (­) Exclusão das Receitas Financeiras  115.051,61  3  Recomposição da Base de Cálculo da CSLL = (1­2)  66.201.335,53  4  CSLL Devida (9% da Base de Cálculo)  5.958.120,20  5  (­) Estimativas   8.670.718,81  6  (­) CSLL retida na fonte   6.022,87  7  Saldo Negativo CSLL = (04) – (05+06)  ­2.718.621,48  Por fim, a recorrente questiona a incidência dos juros Selic sobre os tributos  exigidos  em  face  da  não  homologação  integral  das  compensações  e,  ainda,  especificamente  quanto a incidência dos  juros Selic sobre as multas  incidentes sobre os tributos. Esta questão  também  foi  por  mim  enfrentada  no  Acórdão  nº  1301­001.597,  sendo  rejeitada  pelos  fundamentos que adoto neste voto, verbis:  Entendo que tais matérias não integram o litígio, que trata do reconhecimento  de  direito  creditório  e  conseqüente  homologação  das  compensações  pleiteadas.  O  reconhecimento  parcial  do  crédito  e  do  pedido  de  compensação  tem  como  consequência  a  extinção  parcial  dos  débitos  confessados  e  a  não  extinção  dos  demais.  A exigência dos créditos não extintos pela compensação, consequência direta  do  indeferimento  parcial,  do  pedido  de  compensação,  juntamente  com  os  demais  consectários legais (juros e multa de mora), compete à autoridade administrativa que  jurisdiciona a interessada, não cabendo a este colegiado conhecer de tais alegações  no âmbito do procedimento de compensação.  Pelo exposto, entendo que o recurso não deve ser conhecido, nesta parte.  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  direito  creditório  adicional  de  R$  10.354,64,  relativo  ao  saldo  negativo  de  CSLL,  no  ano­calendário  2004,  e  homologar  as  compensações  até  o  limite  do  crédito total reconhecido (R$ 2.718.621,48).  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator                              Fl. 676DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10283.002802/2007­63  Acórdão n.º 1302­001.911  S1­C3T2  Fl. 639          14   Fl. 677DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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Numero do processo: 10715.004458/2010-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2174; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 250          1 249  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10715.004458/2010­15  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­003.551  –  3ª Turma   Sessão de  26 de abril de 2016  Matéria  Denuncia espontânea ­ multa por atraso na prestação de informações sobre  veículo ou carga nele transportada  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  AMERICAN AIRLINES INC.    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007   PENALIDADE  ADMINISTRATIVA.  ATRASO  NA  ENTREGA  DE  DECLARAÇÃO  OU  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.  A  denúncia  espontânea  não  alcança  as  penalidades  infligidas  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais,  como  os  decorrentes  da  inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  para  prestação  de  informações  à  administração  aduaneira,  mesmo  após  o  advento da nova  redação do art.  102 do Decreto­Lei nº 37/1966, dada  pelo  art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.   Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  especial  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto  de  deliberação  por  aquele Colegiado.  Vencidos  os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama,  Júlio César Alves Ramos, Érika Costa  Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam  provimento.     Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente    Henrique Pinheiro Torres ­ Relator      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 44 58 /2 01 0- 15 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/2010­15  Acórdão n.º 9303­003.551  CSRF­T3  Fl. 251          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando  o  feito,  a  Turma  recorrida  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  Acórdão  3801­004.797,  aplicando  a  denúncia  espontânea  para  afastar  a  exigência da multa em comento.   Cientificada  do  acórdão mencionado  o Representante  da  Fazenda Nacional  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  exoneração  da  penalidade  em  comento  por  aplicação  da  denúncia  espontânea  prevista  no  art.  102,  §  2º,  do Decreto­lei  nº  37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010.  O  recurso  foi  admitido  conforme  despacho  do  Presidente  da  Câmara  recorrida.  Em suas contrarrazões, o sujeito passivo pugna pela não admissibilidade do  apelo fazendário, e, caso admitido, o requer o seu improvimento.   É o relatório.    Voto             Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, relator.  O  recurso  é  tempestivo  e,  ao  contrário  do  alegado  pelo  sujeito  passivo  em  suas contrarrazões, atende aos demais  requisitos de admissibilidade, merecendo, por  isso, ser  admitido.  De  fato,  ao  cotejarmos  o  objeto  desta  lide  com  o  da  discutida  no  acórdão  paradigma, vê­se que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea  "e"  do  inciso  IV  do  art.  107  do  Decreto­Lei  nº  37/1966,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.833/2003:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) .  I­ omissis  .....................................................................................................  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/2010­15  Acórdão n.º 9303­003.551  CSRF­T3  Fl. 252          3 IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003) .  a) omissis  .......................................................................................................  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga; e  As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma,  como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações  previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo  ou  aéreo. O  dispositivo  legal  interpretado  é,  absolutamente,  idêntico, mas  os  resultados  dos  julgamentos  foram  distintos.  No  recorrido,  aplicou­se  a  denúncia  espontânea,  já  no  acórdão  paradigma,  não.  Acrescente­se  ainda  que  a  matéria  foi  prequestionada  e  o  recurso  foi  apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.   Importante  frisar  que  recorrido  e  paradigma,  além  de  tratarem  da  mesma  matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei  12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do  Decreto­Lei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras.   Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do  apelo apresentado pela Fazenda Nacional.  A matéria devolvida ao Colegiado cinge­se, exclusivamente, à possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010,  para  afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga  nele transportada.  O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como  o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos  são  como  uma  ponte  de  ouro,  como  diriam  os  penalistas,  para  aqueles  que  se  encontram  à  margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte  de  ouro  para  a  legalidade.  Por  essa  ponte  só  podem  passar  aqueles  que,  voluntariamente,  desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitam­lhe o resultado.   Nos delitos unissubsistentes1  não  se admite desistência voluntária,  uma vez  que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os  crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que,  encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser  evitado".                                                               1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta.  2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes  formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa  produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele  poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada.  3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra.  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/2010­15  Acórdão n.º 9303­003.551  CSRF­T3  Fl. 253          4 No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais  é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado,  o que não veio a ocorrer no caso em exame.  Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não  são  suscetíveis  de  denúncia  espontânea.  São  aquelas  em  que  a  mera  conduta,  por  si  só,  já  configura  o  ilícito,  o  qual,  uma  vez  ocorrido,  não  há  possibilidade  jurídica,  ou  até  mesmo  física, de se evitar o resultado.  O  exemplo  mais  característico  desse  tipo  de  infração,  é,  justamente,  a  referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se  exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o  atraso não poderá ser reparado.   Em  outras  palavras,  atendo­se  às  normas  do  Direito  Tributário,  o  dano  relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagando­se o tributo e os  consectários  legais.  Todavia,  se  se  tratar  de  infrações  referentes  a  obrigações  acessórias  autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o  núcleo do bem  jurídico protegido, uma vez violado, não  tem como ser  restabelecido. Assim,  por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi  apresentada  no  prazo  determinado,  não  há  como  cumprir  a  obrigação  acessória  tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível  hoje.  No  caso  dos  autos,  a  obrigação  acessória  autônoma,  descumprida  pelo  transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados  de  embarque  de  mercadorias  no  prazo  estabelecido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil. Note­se  que,  uma  vez  exaurido  o  prazo  para  se  prestar  as  informações  sem  que  elas  tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais  possibilidade de se evitar o resultado.  Note­se que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão­somente, a punir o não  cumprimento  da  obrigação  acessória,  poder­se­ia  admitir  que,  o  adimplemento  a  destempo,  desde  que  espontâneo,  poderia  ser  beneficiado  com  a  norma  excludente  da  penalidade.  Entretanto,  se a  sanção é destinada a  coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez  ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea.  Essa  questão  da  denúncia  espontânea  envolvendo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontrava­se  apascentada,  tanto  no  Judiciário4  quanto  no  âmbito  administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº  49, cujo enunciado transcreve­se a seguir:                                                               4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO  DE RENDIMENTOS.  1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do  atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2.  Agravo  Regimental  não  provido.”  (STJ.  2ª  T.  AgRg  nos  EDcl  no  AREsp  209663/BA.  Rel.  Min.  Herman  Benjamin. DJe 10/05/2013).'    Fl. 253DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/2010­15  Acórdão n.º 9303­003.551  CSRF­T3  Fl. 254          5 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso na entrega de declaração.  Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação  ao art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência  e  na  doutrina,  mas,  a  meu  sentir,  não  há  razão  alguma  para  se  modificar  o  entendimento  anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança  a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da Terceira Seção, Acórdão 3102­00.988, cujo voto condutor  foi da lavra do insigne  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui  transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto.  "O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações positivas  (fazer  ou  tolerar) ou  negativas  (não  fazer)  instituídas no  interesse  fiscalização das operações de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No âmbito da  legislação aduaneira, em consonância com  o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades  de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações                                                              5  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no  curso  do despacho aduaneiro,  até o desembaraço da mercadoria;  (Incluído  pelo Decreto­Lei nº  2.472, de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela  Lei nº 12.350, de 2010).   (...)    Fl. 254DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/2010­15  Acórdão n.º 9303­003.551  CSRF­T3  Fl. 255          6 por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado  art. 102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea  da  infração.  São  dessa modalidade  as  infrações  que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão de desfazer  ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade toda infração que tem o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do  tipo  é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  De fato, se registro extemporâneo da informação da carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De modo geral,  se admitida a denúncia  espontânea para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/2010­15  Acórdão n.º 9303­003.551  CSRF­T3  Fl. 256          7 Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui  um  contrassenso  jurídico,  uma  espécie  de  revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática de infração desse jaez."  No  mesmo  sentido,  posicionou­se  o  Conselheiro  Solon  Sehn  no  Acórdão  3802­002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "Destarte,  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas  pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia  ser  cumprido  há  qualquer  tempo,  ao  alvedrio  do  sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais  no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6.  Entende­se,  portanto,  que  a  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN  e  art.  102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  Não destoando desse entendimento, manifestou­se recentemente o e. Tribunal  Regional Federal da 4ª Região, conforme se  infere do enunciado da ementa e dos  trechos do  voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.                                                              6  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/2010­15  Acórdão n.º 9303­003.551  CSRF­T3  Fl. 257          8 1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar  a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107,  inciso IV, alínea  "e",  do DL 37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria  embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc.   Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  necessário  verificar  o  efeito  desse  entendimento  sobre  o  resultado  do  julgamento,  tendo  em  vista  que  a  decisão  neste  processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF (recursos repetitivos).  Como  a  denúncia  espontânea  é  questão  prejudicial  de  mérito,  impede  o  julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que  o  voto  condutor  do  recorrido  tenha  se  pronunciado  sobre  outras  questões  de  mérito,  tal  pronunciamento  não  representa  julgamento  pelo  colegiado  a  quo,  constituindo,  apenas,  manifestação pessoal do relator.  Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância  a  quo  para  que  sejam  enfrentadas  as  questões  de  mérito  trazidas  pelo  Sujeito  Passivo  no  recurso voluntário.  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO Processo nº 10715.004458/2010­15  Acórdão n.º 9303­003.551  CSRF­T3  Fl. 258          9 Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado.    Henrique Pinheiro Torres                           Fl. 258DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/ 2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BA RRETO

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Numero do processo: 15504.020383/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 16/12/1998 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 16/12/1998 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.

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2401­004.125  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de fevereiro de 2016  Matéria  Ação Judicial  Recorrente  SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO  SUPERIOR  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 16/12/1998 a 31/12/2006  AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.  SÚMULA CARF N° 1.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.  Recurso Voluntário Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  NÃO  CONHECER  do  recurso  em  virtude  da  renúncia  tácita  às  Instâncias  Administrativas,  nos  termos da Súmula CARF nº 01.       (assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 03 83 /2 00 8- 02 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  André  Luís  Mársico  Lombardi  (Presidente),  Luciana Matos  Pereira  Barbosa  (Vice­Presidente),  Carlos  Alexandre  Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos  Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.    Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020383/2008­02  Acórdão n.º 2401­004.125  S2­C4T1  Fl. 336          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que julgou procedente o lançamento fiscal.  Adotamos trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a  quo (fls. 321 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos:  Trata­se de crédito lançado pela fiscalização contra a Secretaria  de Estado de Ciência Tecnologia e Ensino Superior do Estado de  MG, no montante de R$ 1.086.002,56 (um milhão, oitenta e seis  mil  e  dois  reais  e  cinqüenta  e  seis  centavos),  consolidado  em  20/11/2008,  consolidado  em  20/11/2008,  referente  a  contribuição  social  destinada  à  seguridade  social  correspondente  à  contribuições  dos  segurados,  apuradas  com  base  em  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  segurados  não  efetivos  (comissionados  e  função  pública),  vinculados  ao  Regime  Geral  de  Previdência  Social  ­  RGPS,  conforme  Relatório Fiscal de fls. 108/112.  A ação fiscal  teve inicio com o Termo de Inicio de Ação Fiscal  — TIAF de fls. 97.  • A interessada foi cientificada da presente NFLD em 09/12/2008  (cópia  de  AR  juntada  à  fl.  115)  e  apresentou  impugnação  em  22/12/2008, as fls. 119/157 (…)  (...)    Como  afirmado,  a  impugnação  foi  julgada  improcedente.  Cientificada  do  julgamento,  a  recorrente  apresentou,  tempestivamente,  o  recurso  de  fls.  349  e  seguintes,  no  qual alega, em apertada síntese, que:  *  nulidade  da  intimação  dirigida  à  Secretaria  de  Estado  de  Ciência,  Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais, sendo válida somente aquela dirigida  à Advocacia Geral do Estado, devendo ser esta considerada como termo inicial para fluência  do prazo recursal;  * decadência do direito de lançar, nos termos do artigo 173 do CTN, pois os  débitos se referem ao período de 16/12/1998 a 31/12/2006 e foram constituídos em 20/11/2008,  sendo que a  recorrente somente foi  intimada em 05/12/2008. Assim, devem ser excluídos do  lançamento os valores referentes ao período compreendido entre 16/12/1998 a 31/12/2002. Nos  termos  da  decisão  recorrida,  a  concessão  de  liminar  no  Mandado  de  Segurança  1999.38.0.017.818­2, cassada em 27/02/2007, obstou o exercício do dever legal de constituir o  crédito, não fluindo o prazo decadencial enquanto vigorou a liminar, confirmada pela sentença  de  1.  grau.  Entretanto,  esse  entendimento  não  pode  prevalecer,  haja  vista  posicionamento  contrário sedimentado no STJ (STJ, REsp 216.298);  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   4 *  quanto  aos  dados  constantes  dos  arquivos  digitais  fornecidos  pela  Secretaria  de  Estado  Planejamento  e  Gestão,  aduz  que  não  poderia  lhe  ser  exigida  a  ratificação/retificação,  por  falta  de  competência  da  autoridade  fiscal  para  tais  exigências.  Ademais, os dados careceriam de processo de certificação disponibilizado pela ICP­Brasil;  * necessidade de prova pericial para provar os fatos alegados;  * no que se  refere aos  servidores não efetivos, aduz que estão vinculados a  regime próprio, nos termos da legislação estadual (Lei Estadual n. 869/52, Decreto Estadual n.  31.390). Discorre sobre a autonomia política do Estado de Minas Gerais e sobre a competência  concorrente prevista na Constituição Federal de o Estado  instituir  tributo dos  servidores, nos  termos  do  art.  149,  §1°  da Constituição Federal. Alega que  desde  a Constituição Federal  de  1988,  o  Estado  tinha  competência  para  reger  matéria  previdenciária  de  seus  servidores,  incluindo  os  designados  para  o  exercício  da  função  pública,  regidos  pela  Lei  n°  10.254  de  20.07.1990,  que  instituiu  o  regime  jurídico  único  no  Estado  de Minas  Gerais.  O  art.  4°  da  citada lei, dispôs sobre a situação  jurídica do detentor de função pública. Aos servidores não  efetivos aplicam­se os dispositivos da Lei Estadual 869/52, do Decreto Estadual 31.930/90 e da  Lei 9.380/86, em cujos artigos prevêem os benefícios previdenciários aos servidores estaduais,  incluindo  aposentadoria  nas  diversas  modalidades  e  pensão  a  seus  dependentes,  existindo,  assim, RPPS — Regime Próprio de Previdência Social para os servidores não efetivos o que  afasta  a  competência  da  Receita  Federal  do  Brasil  para  cobrar  contribuição  relativa  aos  servidores públicos estaduais. Argumenta o Impugnante que após a Emenda Constitucional —  EC  Estadual  n°  49,  de  13.06.2001,  os  servidores  públicos  estaduais  detentores  de  função  pública  passaram  a  ter  os  mesmos  direitos  inerentes  ao  exercício  do  cargo  efetivo.  Cita  os  artigos  105  a  108  do Ato  das Disposições Transitórias  da Constituição  do Estado  de Minas  Gerais  de  1989,  inseridos  pela  EC  49.  Conclui  que  ainda  que  antes  da  EC  n°  49/01,  os  detentores de função pública fossem considerados não efetivos, após referida emenda passaram  a ter os mesmos direitos dos servidores que eram titulares de cargo efetivo, o que significa que  passaram  a  pertencer  (se  já  não  pertenciam)  ao  RPPS  dos  servidores  do  Estado  de  Minas  Gerais,  competindo a esse ente  federativo arrecadar contribuições e efetuar o pagamento dos  benefícios previdenciários em relação a estes servidores. Destaca que a EC 49/01 foi objeto da  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade —  ADI/STF  2578/MG,  cujo  resultado  foi  o  seu  não  conhecimento. Cita trecho do voto do Ministro Celso de Mello. Diz que as normas de regência  dos detentores de função pública no âmbito do Poder Executivo estadual é a Lei 10.254/90 e no  âmbito do Poder Legislativo estadual é a Resolução ALEMG 463/90, sendo que reconhecem o  regime  previdenciário  nos mesmos moldes  dos  demais  servidores  titulares  de  cargo  efetivo.  Não foi a EC 49/01 que disciplinou a situação de tais servidores, mas as normas editadas desde  1990, tendo a citada emenda fortalecido o entendimento já consagrado na federação brasileira.  Assim,  faleceria  competência  à  Receita  Federal  do  Brasil  para  cobrar  contribuições  previdenciárias  dos  servidores  estaduais  não  efetivos,  quando  vigente  as  leis  e  Constituição  Estadual vinculando estes servidores a RPPS. Argumenta que até 1998 a Constituição Federal  nada  mencionou  sobre  o  custeio  da  aposentadoria  dos  servidores  estaduais,  distritais  e  municipais.  Somente  com  a  EC  20/98,  previu­se  o  caráter  contributivo  do  regime  de  previdência dos  servidores  estaduais  e exigiu­se  o  requisito de  tempo de contribuição para  a  concessão  da  aposentadoria.  Assim,  não  haveria  que  se  falar  em  contribuição  de  servidores  públicos estaduais de qualquer categoria vinculados ao Estado de Minas Gerais, para custeio de  aposentadoria  antes da EC 20/98. Acrescenta que os  servidores  só  efetuaram contribuições a  partir  de  1996,  nos  moldes  da  Lei  12.278/96,  revogada  pela  LC  64/02  e  pela  LC  100/07.  Conclui  que,  no  período  de  autuação,  os  servidores  não  efetivos  —  ocupantes  de  cargos  comissionados de  recrutamento amplo e detentores de função pública — estavam amparados  pelo  RPPS  do  Estado  de  Minas  Gerais  não  tendo  que  se  falar  em  contribuições  devidas  à  Receita  Federal  do  Brasil.  Em  tópico  seguinte  alega  que  além  dos  argumentos  relativos  ao  pacto  federativo  brasileiro,  a  obrigação  principal  de  recolhimento  das  contribuições  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020383/2008­02  Acórdão n.º 2401­004.125  S2­C4T1  Fl. 337          5 previdenciárias  pelo  Estado  de  Minas  Gerais  relativa  a  servidores  "não  efetivos"  também  inexiste.  Transcrevendo  o  §  1°  do  artigo  149  da  Constituição  Federal,  e  invocando  a  sua  redação anterior dada pela emenda Constitucional n° 33/2001 a qual dispunha que os Estados,  o  Distrito  Federal  e  os  Municípios  poderiam  instituir  contribuição  para  custeio  do  regime  previdenciário  de  que  trata  o  art.  40  da CF,  alega  que  tem­se  por  legitima  a  capacidade  do  Estado de Minas Gerais para a instituição de contribuição previdenciária de seus servidores nos  moldes  de  sua  própria  legislação.  Ressalta  que  os  recursos  porventura  arrecadados  pelos  Estados  no  exercício  de  sua  competência  tributária  previdenciária  integram  os  próprios  orçamentos, de acordo com o estabelecido pelo artigo 195, § 1° da Constituição Federal, não  cabendo  à  União  tais  recursos.  Argumenta  que  sendo  tal  contribuição  um  tributo,  deve­se  submeter as limitações constitucionais ao poder de tributar, sendo a primeira delas a legalidade  da lei tributária da qual se tem que não se pode exigir ou aumentar qualquer tributo sem lei que  o  estabeleça.  Alega  que  a  Lei  8.212/91  em  momento  algum  elenca  como  contribuintes  os  servidores  públicos  ocupantes  exclusivamente  de  cargos  comissionados  dos  Estados  ou  detentores de função pública ou designados, como o faz para os servidores públicos da União,  conforme  se  depreende  do  seu  artigo  12,  inciso  I,  alínea  g  (na  redação  dada  pela  Lei  n°  8.647/1993).  Prossegue  argumentando que  a Lei  8.212/91  só  prevê  como  contribuintes,  fora  dos  casos  elencados  no  art.  12  os  servidores  ocupantes  de  cargo  efetivo  dos  Estados,  não  fazendo alusão aos cargos em comissão, função pública ou designados. Conclui que o tributo  —  contribuição  previdenciária  relativa  aos  servidores  públicos  "não­efetivos  dos  Estados  membros  —  não  foi  instituído  pela  União,  falecendo  mesma  capacidade  para  cobrá­lo  do  Estado de Minas Gerais. Inexistindo amparo para o crédito principal, também não há amparo  para  exigir  que  o  Estado  cumpra  com  as  obrigações  acessórias  decorrentes  do  principal.  Ressalta que o Estado de Minas Gerais sempre agiu de acordo com a legislação, não havendo  ofensa aos dispositivos legais apontados pelo fisco, uma vez que não estava obrigado a cumpri­ los;  *  ainda  que  fosse  devida  contribuição,  esta  seria  passível  de  compensação,  nos moldes da Lei n. 9.796/99.  É o relatório.  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   6 Voto             Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator    Ação Judicial. Em que pese a ausência de notícia nos autos, a memória e os  arquivos deste Relator permitiram rememorar julgamento de recurso voluntário ocorrido em 19  de  setembro de 2013, nos  autos do processo 15504.010514/2009­16, que  tratava de Auto de  Infração  lavrado  em  face da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas  Gerais.   O desfecho daquele recurso voluntário dependia da mesma questão debatida  nos  presentes  autos:  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  a  remuneração  de  servidores não efetivos.   Naqueles  autos,  a mesma Advocacia­Geral  do Estado,  que  elaborou  a peça  recursal aqui em análise, informou que o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS celebraram  acordo perante o STJ, nos autos do REsp n° 1.135/162/MG, que envolve a questão referente à  incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de servidores não efetivos.  Deveras, ali constou que:  Preliminarmente,  alega  que  o  Estado  de  Minas  Gerais,  a  União  e  o  INSS  celebraram acordo perante o STJ, nos autos do REsp n° 1.135/162/MG, que envolve  a questão debatida nos presentes autos. Segundo constado item J, as partes devem  comunicar  a  homologação  daquele  acordo  em  cada  ação  judicial  e  também  nos  processos  administrativos,  como  no  caso.  Nos  termos  deste  acordo  o  Estado  de  Minas Gerais reconhece que após o advento da Emenda Constitucional n.° 20, de  15  de  dezembro  de  1998,  a  União  é  credora  das  contribuições  previdenciárias  devidas  ao  Regime  Geral  de  Previdência  Social,  relativas  a  seus  servidores  não  efetivos; as quais serão quitadas por meio de parcelamento, nos termos da Lei n.°  11.941,  de  27  de  maio  de  2009;  observando­se,  para  tanto,  a  decadência  e  prescrição  qüinqüenais;  nos  termos  da  Súmula  Vinculante  n°  8  do  STF,  cuja  consolidação  obedecerá  aos  termos  do  acordo.  Este  Acordo  foi  homologado  em  decisão  proferida  pelo  Exmo.  Sr.  Ministro  Humberto  Martins,  publicada  em  06/08/2010,  após  parecer  favorável  do  Ministério  Público  Federal.  Ainda  nos  termos do Acordo, o Estado, de Minas Gerais deverá peticionar em cada processo  que  verse  sobre  a  mesma matéria,  comunicando  a  homologação  deste. O  Estado  comunica  que  o  pagamento  dos  referidos  débitos  consolidados  neste  auto  de  infração  após  exclusão  dos  valores  indevidos,  serão  quitados  por  meio  de  parcelamento, nos termos da Lei Federal n° 11.941, de 27 de maio de 2009, ao qual  o Estado já indicou o valor que entende devido. Assim, requer, requer a extinção e  arquivamento do processo administrativo  tendo em vista a transação havida entre  as  partes,  por  aplicação  do  artigo  52  da  Lei  Federal  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999.    Assim,  apesar  de  não  constar  dos  autos  ter  a  recorrente  aqui  cumprindo  o  estatuído  no  item  J,  comunicando  a  homologação  daquele  acordo  e  informando  que  o  pagamento  dos  referidos  débitos  consolidados  neste  Auto  de  Infração,  após  exclusão  dos  valores  indevidos,  seriam  quitados  por  meio  de  parcelamento,  cumpre  a  este  relator  aqui  Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020383/2008­02  Acórdão n.º 2401­004.125  S2­C4T1  Fl. 338          7 reconhecer  a  existência  dessa  questão  preliminar,  consignando  que,  pelo  item C  do  referido  acordo,  quanto  aos  lançamentos  já  efetuados,  a  recorrente  realmente  reconhece  o  débito  e  obriga­se ao pagamento/parcelamento.  Diante  da  existência  de  acordo  judicial  que  engloba  todas  as  questões  suscitadas  no  Recurso  Voluntário,  incluindo  as  demais  matérias  preliminares  e  também  o  mérito, forçoso reconhecer que houve renúncia ao contencioso administrativo. Senão vejamos.  O  artigo  5º,  XXXV,  da  Constituição  Federal,  veda  que  seja  afastada  da  apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado  em seus direitos pode recorrer ao Judiciário e este não pode furtar­se da apreciação e solução  da matéria.   As decisões deste Poder sobrepõem­se às decisões administrativas, pelo que,  tendo  sido  proposta  ação  judicial  na  qual  são  discutidas  as  mesmas  questões  de  mérito  suscitadas  em  defesa  administrativa,  encerrando­se  o  processo  judicial,  a  decisão  administrativa  seria  substituída  pela  sentença.  É  por  essa  razão  que  ocorrerá  renúncia  ao  contencioso  quando  a  ação  judicial  tiver  por  “o  mesmo  objeto”  ou  “pedido”  do  processo  administrativo. É o que dispõem a Súmula CARF n° 1; o artigo 126, § 3º, da Lei no 8.213/91; o  artigo 38 da Lei n° 6.830/80; e o artigo 87 do Decreto 7.574/11:     Súmula CARF nº 1:   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de  ação  judicial  por  qualquer modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.      Lei n° 8.213/91:  Art.  126. Das decisões do  Instituto Nacional do Seguro Social­ INSS  nos  processos  de  interesse  dos  beneficiários  e  dos  contribuintes  da  Seguridade  Social  caberá  recurso  para  o  Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser  o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997)  (...)  §  3º  A  propositura,  pelo  beneficiário  ou  contribuinte,  de  ação  que  tenha  por  objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  versa  o  processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer  na  esfera  administrativa  e  desistência  do  recurso  interposto.  (Incluído  pela  Lei  nº  9.711,  de  20.11.98)  “(sem  grifos  no  original)  Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   8 Parágrafo único. Se na impugnação houver matéria distinta da  constante  do  processo  judicial,  o  julgamento  limitar­se­á  à  matéria diferenciada” (sem grifos no original)      Lei n° 6.830/80:   Art.  38  ­  A  discussão  judicial  da  Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo  as  hipóteses  de  mandado  de  segurança,  ação  de  repetição  do  indébito  ou  ação  anulatória  do  ato  declarativo  da  dívida,  esta  precedida  do  depósito  preparatório  do  valor  do  débito,  monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora  e demais encargos.  Parágrafo  Único  ­  A  propositura,  pelo  contribuinte,  da  ação  prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer  na  esfera  administrativa  e  desistência  do  recurso  acaso  interposto      Decreto 7.574/2011:   (Regulamenta  o  processo  de  determinação  e  exigência  de  créditos  tributários  da  União,  o  processo  de  consulta  sobre  a  aplicação da legislação tributária federal e outros processos que  especifica,  sobre  matérias  administradas  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil)  (...)  Art. 87.  A  existência  ou  propositura,  pelo  sujeito  passivo,  de  ação  judicial  com o mesmo  objeto  do  lançamento  importa  em  renúncia  ou  em  desistência  ao  litígio  nas  instâncias  administrativas  (Lei  n°  6.830,  de  1980,  art.  38,  parágrafo  único).   Parágrafo único.  O  curso  do  processo  administrativo,  quando  houver matéria  distinta  da  constante  do  processo  judicial,  terá  prosseguimento em relação à matéria diferenciada.   (Todos destaques são nossos)    Assim,  tendo  em  vista  que  a  recorrente  manejou  ação  judicial,  na  qual  celebrou acordo que engloba todas as questões suscitadas no Recurso Voluntário, incluindo as  demais matérias preliminares  e  também o mérito,  forçoso  reconhecer que houve  renúncia  ao  contencioso administrativo.  Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário.    Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020383/2008­02  Acórdão n.º 2401­004.125  S2­C4T1  Fl. 339          9   (assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi ­ Relator      Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI   10                               Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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Numero do processo: 10314.725666/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/2014­06  Resolução nº  1301­000.314  S1­C3T1  Fl. 832          2   Relatório  Trata  o  presente  processo  de  exigências  de  Imposto  de Renda Pessoa  Jurídica  (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de  Integração Social  (PIS)  e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social  (COFINS),  relativas ao ano­calendário de 2009.  Por  bem  sintetizar  os  fatos  apurados  e  as  razões  de  defesa  trazidas  pela  contribuinte  em  sede  de  impugnação,  reproduzo  fragmentos  do  relato  feito  em  primeira  instância.  [...]  INFRAÇÕES  APURADAS  IRPJ  –  IMPOSTO  DE  RENDA  DA  PESSOA  JURÍDICA   2.1  RESULTADOS  NÃO  OPERACIONAIS  RECEITAS  NÃO  OPERACIONAIS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS   Receitas  não  operacionais  escrituradas  e  não  declaradas,  apuradas  conforme  relatório fiscal em anexo.  ...  CSLL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO   2.2  RECEITAS  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DA  CSLL  SOBRE RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS   Receitas  não  operacionais  escrituradas  e  não  declaradas,  apuradas  conforme  relatório fiscal em anexo.  ...  COFINS–  CONTRIBUIÇÃO  PARA  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL   2.3 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA   PADRÃO INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS   Receitas  não  operacionais  escrituradas  e  não  declaradas,  apuradas  conforme  relatório fiscal em anexo.  ...  PIS/PASEP– CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   2.4 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Fl. 832DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/2014­06  Resolução nº  1301­000.314  S1­C3T1  Fl. 833          3 Receitas  não  operacionais  escrituradas  e  não  declaradas,  apuradas  conforme  relatório fiscal em anexo.  ...  Descrição dos fatos – Detalhamento   3. A descrição dos  fatos  encontra­se  no TERMO DE CONSTATAÇÃO às  fls.  261 a 270, onde, em síntese, o fisco detalha o procedimento:  3.1  A  ação  fiscal  tem  origem  em  MPF  inicialmente  emitido  em  2012,  com  primeira intimação cientificada ao contribuinte em 11/04/2012; em 13/01/2014 o MPF  inicial foi encerrado e substituído por MPF emitido em 2014, cujo termo de ciência ao  contribuinte data de 20/02/2014.  3.2 Consta dos cadastros da empresa o exercício da atividade de "Fabricação de  Cimento",  com  domicílio  em  São  Paulo/SP.  O  contribuinte  optou  pelo  Lucro  Real  Anual  no  AC  de  2009,  com  DIPJ  retificadora  apresentada  em  11/01/2011.  O  contribuinte informou a existência de ações judiciais em andamento, contudo, tais ações  não impedem a constituição do crédito tributário referente ao IRPJ AC 2009.  3.3 Em pesquisa ao sistema DIRF, constatou­se a existência de receitas advindas  de  Juros  Sobre Capital  Próprio  ­  JCP  no  valor  de  R$  73.135.994,51.  Em  diligências  junto às fontes pagadoras, as informações prestadas nas DIRF's foram ratificadas.  3.4  Verificando  a  DIPJ  apresentada  pelo  contribuinte,  constata­se  que  foi  informada  a  receita  sob  a  rubrica  de  JCP  no  valor  de  R$  7.007.770,69.  Intimado  a  explicar  a  diferença  observada,  a  autuada  informou  que  tais  diferenças  receberam  o  tratamento contábil de dividendos.  3.5 Verificando  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  conclui­se  que,  não apenas a totalidade dos valores pagos a título de JCP não foi oferecida à tributação,  como  um  deles,  no  valor  de  R$  17.438.746,79,  pagos  pela  ITAÚ  SA,  foram  dela  excluída.  3.6 Não resta dúvida que os rendimentos em questão são de fato de JCP e que os  valores, os beneficiários e as datas estão corretos. Embora não modifique a conclusão  quanto à natureza  tributável dos rendimentos  recebidos, a análise da contabilidade do  contribuinte revela que o mesmo não apenas não ofereceu à tributação a totalidade dos  rendimentos em discussão como  também deduziu os  impostos dele  retidos a  título de  JCP.  3.6.1 Se  por  um  lado a  dedução dos  impostos  retidos  está prevista  legalmente,  por  outro  lado,  indica  também  que  o  próprio  contribuinte  reconhece  a  natureza  tributável desses rendimentos uma vez que, não estando sujeitos à tributação exclusiva  na  fonte,  devem  ser  necessariamente  oferecidos  à  tributação  na  hipótese  de  possibilidade de aproveitamento do imposto retido.  3.7 A diferença entre o total dos rendimentos recebidos a título de JCP declarado  em DIRF e o valor líquido já oferecido à tributação pelo contribuinte resulta no total de  rendimentos não oferecidos à tributação no valor de R$ 66.047.028,26.  3.8 Observa­se que o  contribuinte  apurou, no próprio AC de 2009, prejuízo de  R$27.430.368,83  o  qual  foi  deduzido  dos  rendimentos  não  oferecidos  à  tributação  apurados  nesta  fiscalização. Quanto  ao  prejuízo  de  anos  anteriores  nenhum  valor  foi  utilizado.  Fl. 833DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/2014­06  Resolução nº  1301­000.314  S1­C3T1  Fl. 834          4 3.9  O  contribuinte  fica  sujeito  à  multa  de  ofício  de  75%  e  juros  de  mora  regulamentares.  4. O contribuinte foi cientificado do lançamento aos 20/08/2014 conforme AR ­  Aviso de Recebimento à fl. 298. Irresignado, o contribuinte apresenta aos 19/09/2014 a  impugnação anexada às fls. 302 a 313. Em síntese, o documento apresentado:  IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO   5. A tempestividade da impugnação.  Da decisão recorrida ­ Nulidades   6.  O  auto  de  infração  padece  de  graves  nulidades  eis  que,  não  poderia  ser  efetuado lançamento com relação à CSLL, tendo em vista que o MPF apenas abrangia o  IRPJ, PIS e COFINS; não compensou os prejuízos acumulados de anos anteriores; não  considerou os valores recolhidos a título de IRRF por ocasião dos pagamentos de JCP.  6.1  Também  não  poderia  exigir  os  valores  de  PIS  e  COFINS  referentes  ao  período de março a junho de 2009, pela inequívoca decadência e pela impossibilidade  de incidência destas contribuições sobre JCP.  6.2 Invoca a Portaria MF nº 3.014, de 2011 e transcreve ementa e trecho de voto  condutor de decisões do CARF para amparar seu argumento de nulidade. Alega que o  procedimento  adotado pelo  fisco  afronta os princípios da  segurança  jurídica  e da não  surpresa.  Compensação de prejuízos fiscais   7. O  auto  de  infração  também  possui  vício  em  relação  à  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL,  eis  que  não  considerou  o  prejuízo  acumulado  dos  anos  anteriores, resultando numa majoração indevida da base de cálculo.  7.1 Deve o auto de infração ser cancelado por nulidade na apuração da base de  cálculo,  em  virtude  da  necessária  consideração  dos  prejuízos  e  bases  negativas  referidos.  Não consideração dos valores de IRRF   8.  O  auto  de  infração  também  incorreu  em  vício  de  nulidade  uma  vez  que  desconsiderou  por  completo  os  valores  relativos  ao  IRRF  quando  do  pagamento  dos  rendimentos. Invoca o art. 9º, § 3º, inciso I da Lei nº 9.249, de 1995 em amparo de seu  argumento.  8.1 Acrescenta que, ao não realizar a compensação das antecipações, a autoridade  tornou  incontroverso  o  direito  de  crédito  da  IMPUGNANTE  pleiteado  no  processo  administrativo 10880.996932/2012­89.  8.2 Esclarece que utilizou o Saldo Negativo de IRPJ AC 2009 em DCOMP, em  análise  no  processo  10880.996932/2012­89.  Solicita que,  na  eventualidade  do  crédito  referente ao IRF não ser reconhecido no julgamento da manifestação de inconformidade  apresentada naquele processo, deve ser aqui considerado na apuração do IRPJ exigido.  Decadência 9.   O auto de infração contestado também deve ser cancelado, já que exigiu créditos  de  PIS  e  COFINS  extintos  pela  decadência,  nos  termos  do  art.  150,  §  4º  do  CTN.  Fl. 834DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/2014­06  Resolução nº  1301­000.314  S1­C3T1  Fl. 835          5 Acrescenta  que  é  inequívoca  a  aplicação  do  dispositivo  invocado,  uma  vez  que  a  IMPUGNANTE realizou pagamento antecipado dos referidos tributos.  9.1 Neste contexto, argumenta que devem ser canceladas as exigências de PIS e  COFINS relativas aos fatos geradores de março a junho/2009.  Impossibilidade de exigência do PIS e da COFINS   10. O auto de infração deve ser cancelado face à impossibilidade de exigência do  PIS  e  da  COFINS  sobre  as  receitas  auferidas  a  título  de  JCP,  que  não  integram  o  faturamento da IMPUGNANTE.  10.1 O  STF  definiu  que  o  faturamento  corresponde  ao  resultado  das  vendas  e  produtos e prestação de serviços decorrentes do exercício da atividade empresarial. Os  rendimentos  de  JCP não  têm qualquer  vinculação  com a  atividade  desenvolvida  pelo  acionista,  de  modo  que,  não  compõem  o  faturamento,  não  caracterizando  receita  operacional.  Do pedido   11.  Por  fim,  requer  o  cancelamento  do  auto  de  infração  e  protesta  pela  apresentação  posterior  de  novos  documentos,  provas  e  alegações  para  a  perfeita  elucidação dos fatos, bem como realização de perícia, vistoria e quaisquer outras provas  necessárias ao esclarecimento do processo.  A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte,  Minas Gerais, apreciando as razões trazidas na defesa interposta, decidiu, por meio do acórdão  nº 02­63.076, de 07 de janeiro de 2015, pela procedência parcial dos lançamentos tributários.  O referido julgado restou assim ementado:  PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.  Os motivos  de  fato,  de  direito  e  a  prova  documental  deverão  ser  apresentados  com  a  impugnação,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  ressalvadas  as  situações  previstas  nas  hipóteses  do  §  4º  do  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72.  DEDUÇÃO. IRRF. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO.  No caso da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto retido na  fonte  a  título  de  juros  sobre  capital  próprio  é  considerado  antecipação  do  devido  ou  pode ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito por ocasião do  pagamento ou crédito de juros a título de remuneração de capital próprio a seu titular,  sócios ou acionistas.  LANÇAMENTOS DECORRENTES   O decidido para o lançamento de IRPJ estende­se aos lançamentos que com ele  compartilham o mesmo  fundamento  factual,  salvo  se houver  razão  de  ordem  jurídica  que lhes recomende tratamento diverso.  DECADÊNCIA  ­  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO  ­  TERMO  INICIAL ­ PRAZO.  No  caso  de  lançamento  por  homologação,  o  direito  de  a  Fazenda  Nacional  constituir o crédito tributário extingue­se no prazo de cinco anos, contados da data de  Fl. 835DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/2014­06  Resolução nº  1301­000.314  S1­C3T1  Fl. 836          6 ocorrência  do  fato  gerador,  que,  em  se  tratando  do  IRPJ  apurado  no  ajuste  anual,  considera­se ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário.  Tendo  exonerado  a  contribuinte  de  parte  do  crédito  tributário  constituído,  a  Turma Julgadora de primeiro grau recorreu de ofício.  Inconformada,  a  contribuinte  interpôs  o  recurso  de  fls.  760/772,  em  que,  em  apertada síntese, sustenta: a nulidade do lançamento de CSLL, haja vista que o MPF abrangia  apenas  o  IRPJ,  o  PIS  e  a COFINS;  nulidade  do  lançamento  de CSLL,  visto  que  não  foram  compensadas as bases negativas de períodos  anteriores; e a  impossibilidade de  incidência do  PIS e da COFINS sobre os juros sobre capital próprio.  É o Relatório.  Fl. 836DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/2014­06  Resolução nº  1301­000.314  S1­C3T1  Fl. 837          7 VOTO  Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.  Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos.  Cuida  a  lide  de  exigências  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração Social  (PIS)  e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social  (COFINS),  relativas  ao  ano­calendário  de  2009,  formalizadas  a  partir  da  imputação  de  falta  de  oferecimento à tributação de receitas de juros sobre capital próprio auferidas.  Ressalto  que  entre  as  razões  trazidas  pela  contribuinte  em  sede  de  recurso  voluntário,  ela  alega  que  a  justificativa  apresentada  no  ato  decisório  recorrido  para  não  considerar a compensação de bases negativas de períodos anteriores ­ ausência de localização  nas DIPJ's apresentadas pelo contribuinte de base de cálculo negativa de CSLL apurados em  períodos  anteriores,  passíveis de  compensação  ­  não  é plausível,  visto que  a Receita Federal  possui em seu sistema todas as informações prestadas por ela e, além disso, apresentou em sua  impugnação  documentos  que  demonstram  a  existência  das  bases  negativas  de  períodos  anteriores.  De fato, o ato decisório recorrido assegura que a autuada "não trouxe junto com  a impugnação a comprovação dos valores dedutíveis a este título, conforme previsão expressa  na legislação tributária vigente."  Contudo,  constato  que  a  Recorrente  juntou  aos  autos,  fls.  378/652,  cópia  de  páginas do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), especialmente as de fls. 441, 480, 529  e 586, em que são apontadas apurações de bases negativas de CSLL nos anos de 2005, 2006,  2007 e 2008, respectivamente.  Destaco  que,  se  consideramos  como  RELATÓRIO  o  TERMO  DE  CONSTATAÇÃO  de  fls.  261/269,  a  informação  contida  na  decisão  de  primeiro  grau  no  sentido  de  que  "não  foram  localizados  saldo  de  prejuízo  fiscal  não  operacional  ou  base  de  cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, passível de dedução, conforme informações  prestadas pelo fisco em seu relatório" é digna de reparo, vez que o que ali foi consignado não  diz respeito exatamente ao fato de não ter sido localizada base negativa de períodos anteriores  passível  de  aproveitamento,  mas,  sim,  da  não  utilização  de  prejuízos  fiscais  por  parte  da  contribuinte, senão vejamos:  03.06. Dos Prejuízos Apurados em 2009 e Anos Anteriores   Da  ficha  09A  da  DIPJ­2010/2009  (ND  0001434909)  observa­se  que  o  contribuinte apurou, no próprio ano­calendário de 2009, prejuízo de R$ 27.430.368,83  o  qual  foi  deduzido  dos  rendimentos  não  oferecidos  à  tributação  apurados  por  essa  fiscalização, conforme auto de infração lavrado.  Quanto ao prejuízo de anos anteriores nenhum valor foi utilizado, conforme  a referida ficha 09A  Verifica­se, pois, que o Termo de Constatação só faz alusão a prejuízos fiscais e  apenas assinala que nenhum valor foi utilizado na Ficha 9 A da DIPJ, o que é evidente, haja  Fl. 837DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10314.725666/2014­06  Resolução nº  1301­000.314  S1­C3T1  Fl. 838          8 vista  o  fato  de  a  contribuinte  ter  apurado  resultado  negativo,  não  cabendo,  em  razão  disso,  utilização de prejuízo fiscal em qualquer montante.  Observo ainda que, em conformidade com o consignado nos autos, o imposto de  renda na  fonte  incidente sobre as  receitas que não foram oferecidas à  tributação por parte da  Recorrente  integrou,  para  fins  de  compensação  tributária,  o  crédito  apontado  no  processo  administrativo nº 10880.996932/2012­89. Nele, o citado crédito não foi acolhido haja vista o  fato  de  a  receita  não  ter  sido  tributada,  isto  é,  discute­se  naqueles  autos  a  mesma  matéria  apreciada  no  presente  (ausência  de  tributação  da  receita  referente  a  juros  sobre  o  capital  próprio).  Diante das razões expostas, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O  JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que:  a)  a  unidade  administrativa  de  origem  verifique  se  os  resultados  indicados  no  LALUR  (fls.  441,  480,  529  e  586,  dos  autos)  guardam  correspondência  com  os  registros  efetuados na escrituração da contribuinte;  b)  seja distribuído para  a minha  relatoria,  para  fins de  julgamento  conjunto,  o  processo nº 10880.996932/2012­89.    “documento assinado digitalmente”   Wilson Fernandes Guimarães – Relator    Fl. 838DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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Numero do processo: 19515.000203/2002-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos e converter o julgamento em diligência. Fez sustentação, pela recorrente, o advogado Bernardo Maltz, OAB/RJ nº 162.051. Robson José Bayerl – Presidente substituto e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos e converter o julgamento em diligência. Fez sustentação, pela recorrente, o advogado Bernardo Maltz, OAB/RJ nº 162.051. Robson José Bayerl – Presidente substituto e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000203/2002­02  Resolução nº  3401­003.143  S3­C4T1  Fl. 3            2 É o relatório.    Voto  Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O  aclaratório  sub  examine  foi  submetido  ao  juízo  de  admissibilidade  exigido  pelo  art.  65,  §§  2º  e  7º  do RICARF/15  (Portaria MF  343/2015),  preenchendo  os  requisitos  exigidos para seu conhecimento.  Revendo  os  termos  do  aresto  argüido,  verifico  que  o  colegiado,  naquela  assentada, acolheu o entendimento ora defendido pela embargante, consoante o qual o emprego  do art. 150, § 4º do CTN exigiria o recolhimento, ao menos parcial, do valor apurado a título de  tributo, como se extrai da seguinte passagem do voto condutor:  “Alega  a  Recorrente  que  estão  decaídos  os  lançamentos  referentes  aos  fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos na data do lançamento, pois o  prazo de decadência para o lançamento dos tributos sujeitos à homologação é  de cinco anos, a contar da data do fato gerador.  Neste  ponto,  tem  razão  a  Recorrente.  Conforme  o  demonstrativo  elaborado  pelo  auditor­fiscal,  juntado  na  fl.  447,  houve  antecipação  do  pagamento, ainda que não  tenha sido  em sua  integralidade. Por essa razão o  prazo decadencial é de cinco anos, a contar da data do fato gerador, nos termos  do  art.  150,  §  4º,  do CTN. Conforme decisão  do STJ  no Recurso Especial  nº  973.733, julgado pela sistemática do art. 543­C, do CPC, a exceção ao termo a  quo no prazo decadencial para o lançamento de ofício dos tributos sujeitos ao  lançamento  por  homologação  ocorre  somente  quando  o  contribuinte  não  antecipa o pagamento, o que não é caso.”  Como  acentuado  pelo  embargante,  a  irresignação  repousa  na  afirmação  que  haveria  antecipação  de  pagamento  para  os  períodos  de  apuração  questionados,  a  partir  dos  dados constantes da planilha de apuração de fls. 447.  Neste ponto, de fato, há uma inconsistência na premissa adotada pelo eminente  Relator,  porquanto  aludido  demonstrativo  não  afirma  categoricamente  que  houve  recolhimentos  nos  períodos  indagados, mas  tão­somente  a  existência  de  valores  pagos  e/ou  declarados em DCTF, não sendo possível concluir, diante dos elementos acostados aos autos,  que os valores indicados tenham sido, de fato, extintos por pagamento, ainda que parcialmente.  Compulsando  os  autos  não  logrei  encontrar  informação  segura  que  tenha  se  verificado tal fato, mas apenas a observação do próprio contribuinte, desacompanhada de cópia  do DARF respectivo, que efetuara o recolhimento da quantia de R$ 279.146,01, referente ao  mês  de  maio/1997,  conforme  demonstrativo  de  fl.  445,  nada  havendo  sobre  a  situação  do  período de apuração junho/1997.  Ante  as  circunstâncias  relatadas,  conclui­se  que  o  processo  não  está  devidamente  instruído  a  ponto  de  permitir  o  julgamento  da  questão  argüida,  a  decadência,  razão  pela  qual proponho  a  conversão do  feito  em  diligência  para que  seja  providenciado  o  seguinte:  Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000203/2002­02  Resolução nº  3401­003.143  S3­C4T1  Fl. 4            3 1)  Que  seja  informado  se  houve  recolhimento  em  documento  de  arrecadação (DARF) específico;  2)  Em  caso  positivo,  juntar  extrato  do  sistema  SIEF­Pagamentos  ou  equivalente;  3)  Juntar  DCTF  do  período  exonerado  pela  decadência,  anterior  a  julho/1997; e,  4)  Após providências, abrir vista dos autos ao contribuinte para, querendo,  apresentar manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias.  Finda a diligência, devolvam­se os autos para prosseguimento.    Robson José Bayerl  Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL

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Numero do processo: 16327.720384/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOP. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Encontra-se homologado tacitamente, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, parte do Crédito Tributário lançado mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.751-1 e 37.320.577-5. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Sujeitam-se ao regime do art. 173, I, do CTN os Auto de Infração de Obrigação Acessória, uma vez que a constituição do Crédito Tributário correspondente sempre decorre de lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmios e/ou gratificações integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HIRING BONUS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor pago pela empresa a segurado obrigatório do RGPS a título de hiring bonus, configura-se como antecipação salarial, integrando o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não comprovadamente disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Considera-se Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REQUISITOS. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do CTN, estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, mesmo que o crédito tributário decorrente tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa sucedida que se transfere ao sucessor, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Entretanto, na hipótese de penalidade aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, a multa fiscal passaria a integrar o passivo da empresa apenas quando do lançamento, ainda que relativa à obrigação tributária surgida até a data da sucessão. Ressalvam-se os casos comprovados de empresas pertencentes a grupo econômico ou sob controle comum, antes da sucessão empresarial, em que é cabível a imputação da multa por descumprimento de obrigação acessória à sucessora, por infração cometida pela sucedida, conforme enunciado da Súmula CARF nº 47. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 35. INFRAÇÃO DE CONSUMAÇÃO INSTANTANEA. VALOR ÚNICO E INDIVISÍVEL. O Auto de Infração CFL 35 é de consumação instantânea, e se aperfeiçoa e se exaure definitivamente no vencimento do prazo consignado pela Fiscalização, não mais admitindo convalescência ou correção ulterior. A infração tipificada no CFL 35 possui valor único e indivisível, de maneira que o valor da multa a ele associado independe da gravidade e do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração à obrigação tributária violada. Dessarte, a prestação parcial das informações e esclarecimentos requeridos pela Fiscalização não implica o afastamento da imputação, tampouco modificação no valor da multa aplicada, devendo esta ser mantida em sua integralidade individual. PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Órgão Fazendário Federal competente. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao órgão fazendário federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário consolidado. Precedentes do STJ: REsp 1.129.990-PR, DJe 14/9/2009; REsp 834.681-MG, DJe 2/6/2010 e REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543-C do CPC. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-004.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CLEBERSON ALEX FRIESS e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, que não conheciam da matéria referente à exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros de mora sobre multa de ofício), restaram vencidos os Conselheiros THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por unanimidade de votos, nos termos do quando decidido pelos integrantes do colegiado da sessão de fevereiro de 2016, quando se iniciou o julgamento, ACOLHER a preliminar de mérito (decadência) do Recurso Voluntário, excluindo dos lançamentos relativos às obrigações principais as competências de janeiro e fevereiro de 2006, pela aplicação da regra decadência prevista no art. 150, §4°, do CTN; (iii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao "Benefício Luvas”, sendo que os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO acompanharam o Relator pelas conclusões e que o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (iv) Por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à rubrica "Indenização adicional CCT - FENABAN". Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário quanto à referida rubrica "Indenização adicional CCT - FENABAN", em razão do resultado da diligência fiscal ter alterado fundamentação do lançamento quanto a tal rubrica (v) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento as multas por obrigação acessória imputadas à sucessora, em decorrência de infrações cometidas pelas sucedidas até a competência da incorporação, por terem sido lançadas posteriormente à sucessão e por não ter a autoridade fiscal comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula 47 do CARF), de forma que a multa do AI nº 37.314.743-0 deverá ser recalculada para que se proceda a exclusão. Quanto aos demais Autos de Infração de Obrigação Acessória, por abarcaram competências posteriores à incorporação e o valor da multa ser aplicado em valor único, independentemente do período ou do número de infrações, não haverá alteração dos valores lançados. Vencido o RELATOR e os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e MARIA CLECI COTI MARTINS; O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor. (vi) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que o valor das penalidades pecuniárias aplicadas mediante os Autos de Infração de Obrigação Acessória nº 37.314.742-2 e 37.314.743-0, AIOA CFL 68, seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto à matéria. (vii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante às demais matérias. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Cleberson Alex Friess – Redator Designado. Carlos Alexandre Tortato - Declaração de Voto. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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secao_s : Segunda Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CLEBERSON ALEX FRIESS e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, que não conheciam da matéria referente à exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros de mora sobre multa de ofício), restaram vencidos os Conselheiros THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por unanimidade de votos, nos termos do quando decidido pelos integrantes do colegiado da sessão de fevereiro de 2016, quando se iniciou o julgamento, ACOLHER a preliminar de mérito (decadência) do Recurso Voluntário, excluindo dos lançamentos relativos às obrigações principais as competências de janeiro e fevereiro de 2006, pela aplicação da regra decadência prevista no art. 150, §4°, do CTN; (iii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao "Benefício Luvas”, sendo que os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO acompanharam o Relator pelas conclusões e que o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (iv) Por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à rubrica "Indenização adicional CCT - FENABAN". Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário quanto à referida rubrica "Indenização adicional CCT - FENABAN", em razão do resultado da diligência fiscal ter alterado fundamentação do lançamento quanto a tal rubrica (v) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento as multas por obrigação acessória imputadas à sucessora, em decorrência de infrações cometidas pelas sucedidas até a competência da incorporação, por terem sido lançadas posteriormente à sucessão e por não ter a autoridade fiscal comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula 47 do CARF), de forma que a multa do AI nº 37.314.743-0 deverá ser recalculada para que se proceda a exclusão. Quanto aos demais Autos de Infração de Obrigação Acessória, por abarcaram competências posteriores à incorporação e o valor da multa ser aplicado em valor único, independentemente do período ou do número de infrações, não haverá alteração dos valores lançados. Vencido o RELATOR e os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e MARIA CLECI COTI MARTINS; O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor. (vi) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que o valor das penalidades pecuniárias aplicadas mediante os Autos de Infração de Obrigação Acessória nº 37.314.742-2 e 37.314.743-0, AIOA CFL 68, seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário quanto à matéria. (vii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante às demais matérias. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Cleberson Alex Friess – Redator Designado. Carlos Alexandre Tortato - Declaração de Voto. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOP. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Encontra-se homologado tacitamente, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, parte do Crédito Tributário lançado mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.751-1 e 37.320.577-5. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Sujeitam-se ao regime do art. 173, I, do CTN os Auto de Infração de Obrigação Acessória, uma vez que a constituição do Crédito Tributário correspondente sempre decorre de lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmios e/ou gratificações integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HIRING BONUS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor pago pela empresa a segurado obrigatório do RGPS a título de hiring bonus, configura-se como antecipação salarial, integrando o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não comprovadamente disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Considera-se Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO TRIBUTÁRIO DA EMPRESA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REQUISITOS. As normas tributárias assentadas na Seção II do Capítulo V do CTN, estabelecem a responsabilidade tributária da sucessora pelos créditos tributários de responsabilidade da sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, mesmo que o crédito tributário decorrente tenha sido constituído em data posterior. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio da empresa sucedida que se transfere ao sucessor, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança (Recurso Especial nº 923.012/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Entretanto, na hipótese de penalidade aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, a multa fiscal passaria a integrar o passivo da empresa apenas quando do lançamento, ainda que relativa à obrigação tributária surgida até a data da sucessão. Ressalvam-se os casos comprovados de empresas pertencentes a grupo econômico ou sob controle comum, antes da sucessão empresarial, em que é cabível a imputação da multa por descumprimento de obrigação acessória à sucessora, por infração cometida pela sucedida, conforme enunciado da Súmula CARF nº 47. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 35. INFRAÇÃO DE CONSUMAÇÃO INSTANTANEA. VALOR ÚNICO E INDIVISÍVEL. O Auto de Infração CFL 35 é de consumação instantânea, e se aperfeiçoa e se exaure definitivamente no vencimento do prazo consignado pela Fiscalização, não mais admitindo convalescência ou correção ulterior. A infração tipificada no CFL 35 possui valor único e indivisível, de maneira que o valor da multa a ele associado independe da gravidade e do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração à obrigação tributária violada. Dessarte, a prestação parcial das informações e esclarecimentos requeridos pela Fiscalização não implica o afastamento da imputação, tampouco modificação no valor da multa aplicada, devendo esta ser mantida em sua integralidade individual. PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Órgão Fazendário Federal competente. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao órgão fazendário federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário consolidado. Precedentes do STJ: REsp 1.129.990-PR, DJe 14/9/2009; REsp 834.681-MG, DJe 2/6/2010 e REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543-C do CPC. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício Negado.

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2401­004.194  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de março de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  AIOP  Recorrentes  BANCO SANTANDER S.A.              FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006   CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  E  DE  TERCEIROS.  OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.   A  empresa  é  obrigada  a  recolher,  nos  prazos  definidos  em  lei,  as  contribuições  a  seu  cargo,  incidentes  sobre  as  remunerações pagas,  devidas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais a seu serviço.   CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  AIOP.  PRAZO  DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL  DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  exarado  na  Súmula  Vinculante  nº  8,  no  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.   Encontra­se homologado  tacitamente, nos  termos do art. 150, §4º, do CTN,  parte  do  Crédito  Tributário  lançado  mediante  os  Autos  de  Infração  de  Obrigação Principal nº 37.314.751­1 e 37.320.577­5.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  AIOA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  exarado  na  Súmula  Vinculante  nº  8,  no  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.   Sujeitam­se  ao  regime  do  art.  173,  I,  do  CTN  os  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória,  uma  vez  que  a  constituição  do  Crédito  Tributário  correspondente sempre decorre de lançamento de ofício.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 84 /2 01 1- 07 Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     2 CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRÊMIOS  E  GRATIFICAÇÕES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.  Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de prêmios  e/ou  gratificações  integram  o  Salário  de  Contribuição  para  todos  os  fins  previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HIRING BONUS. SALÁRIO DE  CONTRIBUIÇÃO.  O valor pago pela empresa a segurado obrigatório do RGPS a título de hiring  bonus, configura­se como antecipação salarial, integrando o conceito jurídico  de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da  Seguridade Social.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PLANO  DE  PREVIDÊNCIA  COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE  CONTRIBUIÇÃO.  O valor das  contribuições  efetivamente pago pela pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  quando  não  comprovadamente  disponível  à  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins  de incidência de contribuições previdenciárias.   SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  HIPÓTESE  DE  INCIDÊNCIA  DAS  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.   Considera­se Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração  por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título,  durante  o mês,  destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de  trabalho ou sentença normativa.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  DÉBITO  TRIBUTÁRIO  DA  EMPRESA  SUCEDIDA  ANTERIOR  À  SUCESSÃO.  RESPONSABILIDADE  DA  EMPRESA  SUCESSORA.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA. REQUISITOS.  As  normas  tributárias  assentadas  na  Seção  II  do  Capítulo  V  do  CTN,  estabelecem  a  responsabilidade  tributária  da  sucessora  pelos  créditos  tributários  de  responsabilidade  da  sucedida,  decorrentes  de  fatos  geradores  ocorridos até a data da sucessão, mesmo que o crédito  tributário decorrente  tenha sido constituído em data posterior.   Tanto  o  tributo  quanto  as multas  a  ele  associadas  pelo  descumprimento  da  obrigação  principal  fazem parte  do  patrimônio  da  empresa  sucedida que  se  transfere  ao  sucessor,  de  modo  que  não  pode  ser  cingida  a  sua  cobrança  (Recurso  Especial  nº  923.012/MG,  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos).  Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.973          3 Entretanto,  na  hipótese  de  penalidade  aplicada  pelo  descumprimento  de  obrigação acessória, a multa  fiscal passaria a  integrar o passivo da empresa  apenas  quando  do  lançamento,  ainda  que  relativa  à  obrigação  tributária  surgida até a data da sucessão.   Ressalvam­se  os  casos  comprovados  de  empresas  pertencentes  a  grupo  econômico ou sob controle comum, antes da sucessão empresarial, em que é  cabível a  imputação da multa por descumprimento de obrigação acessória à  sucessora,  por  infração  cometida  pela  sucedida,  conforme  enunciado  da  Súmula CARF nº 47.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE  E  LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.  Tendo  em  vista  o  consagrado  atributo  da  presunção  de  veracidade  que  caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é  espécie,  opera­se  a  inversão  do  encargo  probatório,  repousando  sobre  o  Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  impugnado  eficazmente  pela  parte  contrária,  o  desfecho  há  de  ser  em  favor  dessa  presunção.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  CFL  35.  INFRAÇÃO  DE  CONSUMAÇÃO  INSTANTANEA. VALOR ÚNICO E INDIVISÍVEL.  O Auto de Infração CFL 35 é de consumação instantânea, e se aperfeiçoa e se  exaure  definitivamente  no  vencimento  do  prazo  consignado  pela  Fiscalização, não mais admitindo convalescência ou correção ulterior.  A infração tipificada no CFL 35 possui valor único e indivisível, de maneira  que o valor da multa a ele associado independe da gravidade e do número de  infrações  cometidas,  bastando  para  a  sua  caracterização  e  imputação  a  ocorrência de uma única  infração à obrigação  tributária violada. Dessarte, a  prestação  parcial  das  informações  e  esclarecimentos  requeridos  pela  Fiscalização não implica o afastamento da imputação, tampouco modificação  no  valor  da multa  aplicada,  devendo  esta  ser mantida  em  sua  integralidade  individual.  PREMIAÇÃO.  PROGRAMA DE  INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  A  verba  paga  pela  empresa  a  segurados  obrigatórios  do  RGPS  a  título  de  Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto,  fato gerador de contribuições previdenciárias.  AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.   Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I, da Lei n° 8212/91 c/c  art. 225,  I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa  de  preparar  folha  de  pagamento  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  obrigatórios  do RGPS  a  seu  serviço,  de  acordo  com os  padrões e normas estabelecidos pelo Órgão Fazendário Federal competente.  Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     4 OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS.  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  CADASTRAIS,  FINANCEIRAS  E  CONTÁBEIS  DE  INTERESSE  DO  FISCO. CFL 35.  Constitui  infração às disposições  inscritas no art. 32,  III, da Lei n° 8212/91  c/c art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de  prestar  ao  órgão  fazendário  federal  todas  as  informações  cadastrais,  financeiras e contábeis do seu  interesse, na forma por ele estabelecida, bem  como os esclarecimentos necessários à fiscalização.  A inobservância de obrigação tributária acessória constitui­se fato gerador do  auto  de  infração,  convertendo­se  em  obrigação  principal  relativamente  à  penalidade pecuniária aplicada.  AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91.  Constitui  infração às disposições  inscritas no  inciso  IV do art. 32 da Lei n°  8212/91  a  entrega  de  GFIP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases  de  cálculo,  seja  em  relação  às  informações  que  alterem  o  valor  das  contribuições,  ou  do  valor  que  seria  devido  se  não  houvesse  isenção  (Entidade  Beneficente)  ou  substituição  (SIMPLES,  Clube  de  Futebol,  produção  rural),  sujeitando  o  infrator  à  multa  prevista  na  legislação  previdenciária.  AUTO DE  INFRAÇÃO. GFIP.  CFL  68. ART.  32­A DA LEI Nº  8212/91.  RETROATIVIDADE BENIGNA.  As  multas  decorrentes  de  entrega  de  GFIP  com  incorreções  ou  omissões  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o  art. 32­A à Lei nº 8.212/91.   Incidência  da  retroatividade benigna  encartada no  art.  106,  II,  ‘c’  do CTN,  sempre que a norma posterior cominar ao  infrator penalidade menos severa  que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  INCIDÊNCIA DE  JUROS DE MORA SOBRE  MULTA FISCAL PUNITIVA. TAXA SELIC.  É  legítima a incidência de  juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual  integra  o  crédito  tributário  consolidado.  Precedentes  do  STJ:  REsp  1.129.990­PR,  DJe  14/9/2009;  REsp  834.681­MG,  DJe  2/6/2010  e  REsp  879.844/MG,  DJe  de  25/11/2009,  julgado  sob  o  regime  do  art.  543­C  do  CPC.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  MOMENTO  PRÓPRIO.  JUNTADA  DE  NOVOS  DOCUMENTOS  APÓS  PRAZO  DE  DEFESA.  REQUISITOS  OBRIGATÓRIOS.  A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamentar,  bem  como  os  pontos  de  discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual,  salvo  nas  hipóteses  taxativamente  previstas  na  legislação  previdenciária,  sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Recurso de Ofício Negado.  Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.974          5     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGAR­LHE  PROVIMENTO.  Por  maioria  de  votos,  CONHECER  do  Recurso  Voluntário.  Vencidos  os  Conselheiros  ANDRÉ  LUÍS  MÁRSICO  LOMBARDI,  CLEBERSON  ALEX  FRIESS  e  LUCIANA  MATOS  PEREIRA  BARBOSA,  que  não  conheciam  da  matéria  referente  à  exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i)  Por maioria  de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário  quanto  ao  pedido  de  exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros  de mora  sobre multa de ofício),  restaram vencidos os Conselheiros THEODORO VICENTE  AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que  davam  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário  para  reconhecer  a  impossibilidade  de  incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE  TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por unanimidade de votos, nos  termos  do  quando  decidido  pelos  integrantes  do  colegiado  da  sessão  de  fevereiro  de  2016,  quando se iniciou o  julgamento, ACOLHER a preliminar de mérito  (decadência) do Recurso  Voluntário, excluindo dos  lançamentos  relativos às obrigações principais as competências de  janeiro  e  fevereiro de 2006, pela  aplicação da  regra decadência prevista no  art.  150, §4°,  do  CTN; (iii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto  ao "Benefício Luvas”, sendo que os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA,  THEODORO  VICENTE  AGOSTINHO,  RAYD  SANTANA  FERREIRA  e  CARLOS  ALEXANDRE  TORTATO  acompanharam  o  Relator  pelas  conclusões  e  que  o  Conselheiro  CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (iv) Por  voto  de  qualidade,  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário  quanto  à  rubrica  "Indenização  adicional  CCT  ­  FENABAN".  Vencidos  os  Conselheiros  LUCIANA MATOS  PEREIRA  BARBOSA,  THEODORO  VICENTE  AGOSTINHO,  RAYD  SANTANA  FERREIRA  e  CARLOS  ALEXANDRE  TORTATO,  que  davam  provimento  ao  Recurso  Voluntário quanto à referida rubrica "Indenização adicional CCT ­ FENABAN", em razão do  resultado da diligência fiscal ter alterado fundamentação do lançamento quanto a tal rubrica (v)  Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do  lançamento  as  multas  por  obrigação  acessória  imputadas  à  sucessora,  em  decorrência  de  infrações  cometidas  pelas  sucedidas  até  a  competência  da  incorporação,  por  terem  sido  lançadas  posteriormente  à  sucessão  e  por  não  ter  a  autoridade  fiscal  comprovado  que  as  sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula  47 do CARF), de forma que a multa do AI nº 37.314.743­0 deverá ser recalculada para que se  proceda  a  exclusão.  Quanto  aos  demais  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Acessória,  por  abarcaram competências posteriores  à  incorporação e o valor da multa ser aplicado em valor  único,  independentemente  do  período  ou  do  número  de  infrações,  não  haverá  alteração  dos  valores  lançados.  Vencido  o  RELATOR  e  os  Conselheiros  ANDRÉ  LUÍS  MÁRSICO  LOMBARDI  e  MARIA  CLECI  COTI  MARTINS;  O  Conselheiro  CLEBERSON  ALEX  FRIESS fará o voto vencedor. (vi) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  Recurso Voluntário para que o valor das penalidades pecuniárias aplicadas mediante os Autos  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  nº  37.314.742­2  e  37.314.743­0,  AIOA  CFL  68,  seja  recalculado, tomando­se em consideração as disposições inscritas no art. 32­A, inciso I e §3º,  II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa  Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     6 assim  calculado  se  mostrar  menos  gravoso  ao  Recorrente,  em  atenção  ao  princípio  da  retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ  LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao  Recurso  Voluntário  quanto  à  matéria.  (vii)  Por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante às demais matérias.    André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Cleberson Alex Friess – Redator Designado.    Carlos Alexandre Tortato ­ Declaração de Voto.    Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico  Lombardi  (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa,  Cleberson Alex  Friess,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira,  Theodoro Vicente  Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.   Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.975          7    Relatório  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006   Data da lavratura do Auto de Infração: 31/03/2011.  Data da Ciência do Auto de Infração: 31/03/2011.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  e  Recurso  de  Ofício  interpostos  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  DRJ  em  São  Paulo  I/SP  que  julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado  por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.751­1 e 37.320.577­5  consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio  da  Seguridade  Social,  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras  Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados  empregados  e  Segurados  Contribuintes  Individuais,  não  declaradas  em  GFIP,  conforme  descrito no Relatório Fiscal, a fls. 144/155.  Integram  o  vertente  Processo  Administrativo  Fiscal  os  seguintes  Autos  de  Infração:   · AI  DEBCAD  nº  37.314.751­1,  referente  a  contribuições  destinadas  à  Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I, II e III, e parágrafo 1º  da  Lei  nº  8.212/91,  correspondentes  à  parte  da  empresa,  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  não  declaradas  em  GFIP  e  não  recolhidas,  relativas  a  competências  de  01/2006 a 12/2006;   · AI  DEBCAD  nº  37.320.577­5,  referente  a  contribuições  destinadas  a  terceiros – Salário Educação e  INCRA –  incidentes sobre a  remuneração  paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP e não recolhidas,  relativas a competências de 01/2006 a 12/2006;   · AI  DEBCAD  nº  37.314.742­2,  código  de  fundamento  legal  68,  por  infração  ao  disposto  no  artigo  32,  inciso  IV,  e  parágrafo  5º  da  Lei  nº  8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e no artigo 225, inciso IV  e  parágrafo  4º  do  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  aprovado  pelo Decreto nº 3.048/99, referente ao CNPJ 90.400.888/0001­42;   · AI  DEBCAD  nº  37.314.743­0,  código  de  fundamento  legal  68,  por  infração  ao  disposto  no  artigo  32,  inciso  IV,  e  parágrafo  5º  da  Lei  nº  8.212/91, e na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e no artigo 225, inciso  Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     8 IV, e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado  pelo Decreto n.º 3.048/99, referente às empresas incorporadas;  · AI  DEBCAD  nº  37.314.744­9,  código  de  fundamento  legal  30,  por  infração ao disposto no artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225,  inciso  I  ,e  parágrafo  9º,  do  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n.º  3.048/99,  referente ao CNPJ 90.400.888/0001­42;   · AI DEBCAD n.º 37.314.745­7, com código de fundamento  legal 30, por  infração ao disposto no artigo 32, inciso I da Lei nº 8.212/91, e no artigo  225, inciso I e parágrafo 9º ,do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99,  referente às empresas incorporadas;  · AI DEBCAD n.º 37.314.746­5, com código de fundamento  legal 35, por  infração  ao  disposto  no  artigo  32,  inciso  III  e  parágrafo  11  da  Lei  nº  8.212/91, com a redação da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na  Lei  nº  11.941/2009,  c.c.  art.  225,  inciso  III,  do  RPS,  aprovado  pelo  Decreto n.º 3.048/99.     De acordo com a resenha fiscal, foi solicitado, mediante Termo de Início de  Ação  Fiscal  —  TIAF  e  Termos  de  Intimação  Fiscal  –  TIF,  documentos  e  esclarecimentos  acerca  das  remunerações  pagas,  creditadas  ou  devidas  a  empregados  e  contribuintes  individuais,  sendo  que,  da  documentação  e  dos  esclarecimentos  prestados,  se  verificou  que  diversos  benefícios  concedidos  aos  empregados  e  parte  dos  pagamentos  a  contribuintes  individuais não tinham sido oferecidos à tributação para a Previdência Social.  Constatou  a  Fiscalização  que  o  grupo  SANTANDER  concede  a  diversos  empregados  ocupantes  de determinadas  funções,  alguns  benefícios,  na maioria,  utilizando­se  de  planos  de  previdência  privada,  sem  inclusão  dos  mesmos  na  folha  de  pagamento  e  sem  tributação para a previdência social, a saber:   · Plano de previdência a título de benefício luvas;   · Plano  de  previdência  BANESPREV  II,  que  não  prevê  benefício  de  aposentadoria;   · Prêmios pagos  em  retribuição  a diversas  campanhas promocionais,  entre  elas “OLHO VIVO” e “SEGURA ELE”;   · Plano de previdência a título de benefício autos;   · Indenização adicional CCT ­ FENABAN;     Em  atendimento  a  diversas  intimações  formais,  o  Autuado  apresentou  diversos  arquivos  digitais  com  informações  referentes  à  folha  de  pagamento  no  formato  estipulado  no Manual Normativo  de Arquivos Digitais  – MANAD,  porém,  em  nenhum  dos  arquivos gerados, foram disponibilizadas as informações referentes aos pagamentos realizados  aos  segurados  contribuintes  individuais  que  prestaram  serviços  às  empresas  do  grupo  SANTANDER. Intimado a esclarecer as divergências entre os valores declarados na DIRF em  Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.976          9 relação  aos  valores  declarados  na  GFIP,  como  remuneração  a  contribuintes  individuais,  o  SANTANDER não logrou atender às intimações.  O SANTANDER apresentou de forma completa, qual seja, identificação, mês  do  pagamento  e  valor,  somente  a  relação  dos  beneficiários  dos  planos  de  previdência  BANESPREV II e luvas em planilhas, estando os beneficiários de indenização adicional CCT  – FENABAN no padrão MANAD;   Consta  nos  itens  4  e  Relatório  Fiscal  as  razões  de  fato  e  de  Direito  que  motivaram  o  lançamento  do  crédito  tributário  em  debate,  sendo  relacionados  os  pontos  considerados motivadores do lançamento do crédito, tendo por base a análise da documentação  apresentada,  e  a  falta  de  esclarecimentos,  por  parte  do  SANTANDER,  sobre  a  divergência  entre  os  valores  declarados  na  GFIP  e  os  valores  declarados  na  DIRF;  que  os  benefícios  concedidos  aos  empregados  têm  nítida  natureza  salarial,  devendo  esses  valores  integrar  o  salário  para  todos  os  efeitos  legais;  que  a  verba  previdência  complementar  luvas,  segundo  informações do SANTANDER, representa um benefício a empregado contratado pelo banco,  portanto  equiparada  às  "luvas"  do  atleta  profissional,  sobre  a  qual  incidem  as  contribuições  para a previdência social, estando diretamente relacionada com o  trabalho desenvolvido ou a  desenvolver  pelo  empregado;  que  a  verba  previdência  complementar  autos  representa  um  benefício a empregado relacionado a automóveis, não é extensiva a todos os empregados e não  foram  apresentados  os  seus  beneficiários;  que  os  prêmios  estão  relacionados  a  diversas  campanhas promocionais, sendo que, em algumas, existe a premiação a clientes e empregados;  o  SANTANDER,  para  algumas  dessas  campanhas,  forneceu  a  relação  dos  vencedores,  não  constando,  nestas,  porém,  o  valor  recebido  pelos  mesmos,  de  modo  que  não  foram  identificados  corretamente  tais  pagamentos;  que  o  plano BANESPREV  II  não  é  extensivo  a  todos  os  empregados,  não  tem  a  participação  dos  empregados  e  não  fornece  o  principal  benefício previsto na  legislação para que  seja  considerado um plano de  previdência privada,  qual  seja,  aposentadoria;  que  a  indenização  adicional  CCT  –  FENABAN  é  adicional  às  obrigadas  pelas  empresas  e  não  consta  na  Convenção  Coletiva,  não  lhe  garantindo  isenção;  que,  em  relação  aos  contribuintes  individuais,  tendo  em  vista  a  documentação  apresentada,  bem como a falta de esclarecimentos por parte do SANTANDER sobre a divergência entre os  valores declarados na GFIP com os valores declarados na DIRF, não restou outra opção a não  ser efetuar o lançamento das contribuições sobre a diferença entre os totais declarados na GFIP  e na DIRF; quanto aos empregados, os valores objeto de lançamento foram aqueles informados  pelo  SANTANDER  em  planilhas  e  no  MANAD,  sendo  que,  para  os  benefícios  sem  identificação dos beneficiários, os valores constam na contabilidade; quanto aos contribuintes  individuais, os valores objeto de lançamento representam as diferenças entre os valores totais  declarados  em  GFIP  e  em  DIRF,  do  SANTANDER  e  dos  incorporados  –  CNPJ  61.411.633/0001­87,  61.472.676/0001­72,  90.400.888/0001­42;  que,  no  Discriminativo  do  Débito — DD, de cada Auto, constam o período, a base de cálculo e a alíquota aplicada; que  foi aplicada a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN,  sendo  tal  entendimento  coerente  com  a  sistemática  adotada  pelo  CTN,  na  qual  o  prazo  decadencial se inicia, nas hipóteses em que o fisco desconhece a ocorrência do fato gerador, a  partir do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento; que a Lei n°  11.941/2009 alterou a Lei n° 8.212/91, quanto aos cálculos de multas previstos no §5° do art.  32  e  no  inciso  II  do  art.  35,  que  estabeleciam multa  por  falta  de  declaração,  ou  declaração  inexata, e de mora, por atraso no pagamento, devendo ser comparada a situação anterior com a  nova sistemática imposta pela MP n° 449/2008 para fins de aferição da norma mais benéfica ao  contribuinte  e,  consequentemente,  de  eventual  retroação,  nos  termos  do  art.  106,  II,  "c",  do  CTN; que, sob a égide da sistemática anterior à Lei n° 11.941/2009, a constatação pelo Fisco  Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     10 de que o contribuinte apresentara declaração  inexata  implicaria a aplicação da multa prevista  no §5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, e que, nessa mesma hipótese, caso se verificasse, além da  declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, ter­se­ia, em acréscimo, a incidência  da multa de mora prevista na redação anterior do inciso II, do art. 35 da Lei nº 8.212/91;   Consultas  realizadas  nos  sistemas  informatizados  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  confirmaram  a  existência  de  diversos  Autos  de  Infração  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  lavrados  em  ações  fiscais  anteriores  na  empresa  autuada e suas sucedidas, a serem considerados, para fins de reincidência.  A  Fiscalização  apurou  que  o  SANTANDER  e  demais  empresas  do  grupo  deixaram  de  declarar  em  GFIP  diversas  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  e  contribuintes individuais, o que representou violação à Obrigação Tributária Acessória prevista  no art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, da Lei nº 8.212/91.  A  Fiscalização  apurou  que  tanto  o  SANTANDER  quanto  as  empresas  incorporadas não prepararam as Folhas de Pagamento das remunerações pagas ou creditadas a  todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão  competente  da  Seguridade  Social,  conforme  previsto  no  art.  32,  I,  da  Lei  nº  8.212/91,  combinado com o art. 225, I, e § 9º , do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99;   Relata  a  Autoridade  Lançadora  que  o  Autuado  não  atendeu  às  seguintes  solicitações de intimações:   I) que, apesar de diversas intimações, o SANTANDER deixou de apresentar  documentos e prestar esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto na Lei nº  8.212/91, art. 32, III e § 11, com redação da MP n.º 449/2008, combinado com o art. 225, III,  do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99;   II) que o contribuinte não prestou esclarecimentos quanto à divergência entre  os  valores  declarados  na  GFIP  e  os  valores  declarados  na  DIRF  como  pagamento  a  contribuintes  individuais,  não  forneceu  a  relação  de  pagamentos  feitos  a  segurados  contribuintes individuais e não identificou os beneficiários de benefícios fornecidos a título de  incentivos diversos;     Irresignado  com o  supracitado  lançamento  tributário,  o Autuado apresentou  impugnação a fls. 918/939, e a fls. 1.154/1.181.    A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP  baixou  o  feito  em  diligência,  a  fls.  1322/1327,  para  que  a  Autoridade  Lançadora  se  pronunciasse  com  relação  às  alegações  da  impugnante,  e  apreciasse  os  documentos  apresentados pela empresa em sua defesa.   Requereu,  ainda,  esclarecimentos  a  respeito  das  razões  para  a  inclusão  dos  valores  relativos  ao  Plano  de  Previdência  BANESPREV  II  no  salário­de­contribuição  dos  empregados, e a origem dos valores lançados no levantamento IF (indenização adicional CCT  FENABAN),  bem  como  manifestação  quanto  à  alteração  ou  não  dos  valores  lançados  nos  Autos  de  Infração,  apresentando,  caso  verifique  a  necessidade  de  retificação,  demonstrativo  com  os  valores  que  devem  ser  excluídos  do  lançamento,  por  DEBCAD,  competência  e  levantamento,  e  especificando  os motivos  de  sua  alteração  e  elaboração  e  juntada  de  novas  Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.977          11 planilhas de cálculo da multa relativas aos Auto de Infração com código de fundamento legal  68, se for o caso.   Em  atendimento  à  diligência  requestada,  a  Autoridade  Lançadora  se  pronunciou  formalmente mediante a  Informação Fiscal a  fls. 1343/1347,  e documentos a  fls.  1349/1380.   Formalmente notificado do conteúdo do resultado da Informação Fiscal antes  mencionada,  o  Sujeito  Passivo,  no  prazo  que  lhe  fora  assinalado,  apresentou  aditamento  à  impugnação a fls. 1386/1399.    A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP  lavrou  Decisão  Administrativa  textualizada  no  Acórdão  nº  16­38.543  ­  11ª  Turma  da  DRJ/SPO1, a fls. 1490/1549, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele  fazer  excluir  as  Obrigações  Tributárias  decorrentes  dos  pagamentos  efetuados  a  título  de  “plano de previdência complementar BANESPREV II”, retificando o débito na forma exposta  no Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR a fls. 1482/1489, e recorrendo de  ofício de sua decisão.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  02/07/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1670.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  1672/1730,  respaldando  sua  contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos:   · Decadência Parcial;   · Ausência de habitualidade no pagamento de Benefício Luvas, Campanha  Olho Vivo e Campanha Segura Ele;   · Que  há  isenção  de  Contribuições  Previdenciárias  sobre  os  planos  de  previdência complementar;   · Que  não  há  incidência  de  Contribuições  Previdenciárias  sobre  a  indenização prevista na convenção coletiva FENABAN;   · Que todos os pagamentos efetuados sob a rubrica “Indenização Adicional  CONTA  CONTÁBIL  –  FENABAN”  foram  lastreados  pelos  respectivos  acordos coletivos;   · Necessária  exclusão  da  penalidade  por  descumprimento  de  obrigação  acessória;   · Descabimento da multa de ofício em face da Recorrente por fato gerador  anterior à incorporação;   · Que  a  Recorrente  somente  deixou  de  declarar  os  supostos  débitos  ora  cobrados  em GFIP em  face do  entendimento de  que verbas  relacionadas  aos presentes Autos de Infração não constituem remuneração e, portanto,  não estariam sujeitas à incidência de Contribuições Previdenciárias;   Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     12 · Que prestou pleno atendimento às intimações da Fiscalização;   · Que  devem  ser  excluídos  os  juros  de  mora  incidente  sobre  a  multa  de  ofício;   · Protesta pela produção ulterior de provas;     Ao  fim,  requer  o  provimento  do  Recurso  Voluntário  e  a  negativa  de  provimento ao Recurso de Ofício.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.978          13   Voto Vencido  Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO   O  sujeito passivo  foi  valida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  em 02/07/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 01/08/2012, há que se  reconhecer a tempestividade do recurso interposto.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.    2.  DAS PRELIMINARES  2.1.   DA DECADENCIA  O  Supremo Tribunal  Federal,  em  julgamento  realizado  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu  a  inconstitucionalidade  dos  artigos  45  e  46  da  Lei  nº  8.212/91,  conforme  entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem:  Súmula Vinculante nº 8  “São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.    Conforme  estatuído  no  art.  103­A  da  Constituição  Federal,  a  Súmula  Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela  Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá­la de imediato.  Constituição Federal de 1988   Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.    Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     14 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos  45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo  inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência.  A  decadência  tributária  conceitua­se  como  a  perda  do  poder  potestativo  da  Fazenda  Pública  de  constituir  o  crédito  tributário  mediante  o  lançamento,  em  razão  do  exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente.  O  instituto  da  decadência  no  Direito  Tributário,  malgrado  respeitadas  posições  em  sentido  diverso,  encontra­se  regulamentado  no  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional ­ CTN, que reza ipsis litteris:  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.    Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302­ 01.387  proferido  nesta  2ª  TO/3ª  CÂMARA/2ª  SEJUL/CARF/MF/DF,  na  Sessão  de  26  de  outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/2008­65, convicto encontra­se este  Conselheiro  de  que,  após  a  implementação  do  sistema  GFIP/SEFIP,  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  não  mais  se  enquadra  na  sistemática  de  lançamento  por  homologação, mas,  sim,  na  de  lançamento  por  declaração,  nos  termos  do  art.  147  do CTN,  contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do  CTN.  Além do mais,  a  verve  de  fundamentação  do  lançamento  por  homologação  baseia­se  no  fato  de,  desde  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  até  a  ocorrência  do  lançamento, o que existe é,  tão somente, obrigação  tributária, a qual é  ilíquida e  incerta, não  dispondo  a  Administração  Tributária  de  justo  título  para  a  cobrança.  Torna­se,  por  isso,  necessário  o  procedimento  administrativo  do  lançamento  para,  conferindo  à  obrigação  tributária os atributos da liquidez e certeza, convolá­la em crédito tributário, este sim exigível  pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e  constitutiva do crédito tributário.  Trocando em miúdos,  somente após a efetiva convolação, pelo  lançamento,  da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo  título  para  a  exigência  do  crédito  decorrente.  Antes  não.  Antes  do  lançamento  há,  apenas,  obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível.  No  caso  das  contribuições  previdenciárias,  como  originariamente  o  sujeito  passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em  crédito  tributário,  tal  recolhimento,  nessa  condição,  era  ainda  indevido,  haja  vista  que  o  Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.979          15 beneficiário  do  pagamento  –  o  Fisco,  até  então,  não  dispunha  de  justo  título,  o  qual  é  constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN.  Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento  realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo  lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em  crédito  tributário  sendo  este,  imediatamente  extinto  pelo  recolhimento  antecipado  efetuado  pelo Sujeito Passivo.  É o que diz o §1º do art. 150 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §1º O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue o  crédito,  sob  condição  resolutória da ulterior  homologação ao lançamento. (grifos nossos)   §2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  §4º  Se  a  lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.    Em  outras  palavras,  a  extinção  do  crédito  tributário  pelo  pagamento  antecipado  realiza­se  sob  condição  resolutória  de  ulterior  homologação  ao  lançamento.  Ou  seja, se não houver lançamento, resolve­se a extinção do crédito tributário correspondente ao  pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja  vista que o pagamento deu­se com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em  virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível.  Daí  a  necessidade  de  lançamento  associado,  especificamente,  ao  montante  que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com  os  fatos  geradores  praticados  pelo  Contribuinte  no  crédito  tributário  correspondente,  este  dotado  de  liquidez,  certeza  e  exigibilidade,  excluindo,  a  partir  de  então  a  possibilidade  do  Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente.  Note­se  que,  nos  termos  do  §1º  do  art.  150  do CTN,  a  extinção  do  crédito  tributário encontra­se sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do  art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extingue­se após 5 anos  Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     16 contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido  efetuado.  Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que  tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve  por recolhido antecipadamente.   Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do  lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de  tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN.   Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato  gerador,  a Lei homologa o valor  recolhido  correspondente como  se  lançamento  fosse. Daí  o  lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e  jurisprudência pelo  termo “auto  lançamento”.  Note­se que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer  antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN.    Registre­se,  todavia,  que  a  modalidade  de  lançamento  por  homologação  somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar  o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento  por homologação opera­se pelo  ato  em que a  referida autoridade,  tomando conhecimento do  recolhimento  antecipado  realizado pelo Sujeito Passivo,  expressamente o homologa  como  se  lançamento fosse.  Inexistindo  tal homologação expressa, esta soerá advir  tacitamente, após o  decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.  Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal  surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade  pecuniária e extingue­se juntamente com o crédito dela decorrente”.  Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação  tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com  o pagamento.  Ilumine­se  que  a  própria  lei  estatui  que  não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  aqui  incluído  por  óbvio  o  ato  do  pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total  ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido.  Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra­ se  extinta  pelo  pagamento  antecipado  e  correspondente  homologação  tácita  a  fração  da  obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado.   Dessarte,  as  obrigações  tributárias  decorrentes  dos  fatos  geradores  cujo  crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado  permanecem  hígidas,  não  sofrendo  qualquer  influência  do  pagamento  realizado  pelo  Sujeito  Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN.  Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário  referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extingue­se após 5 anos,  Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.980          17 contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia  ter sido  efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN.  De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do  Processo Administrativo Fiscal  referido nos parágrafos  anteriores,  entende este  relator que o  lançamento tributário encontra­se perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela  assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de  publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não,  atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária,  em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte  produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial.  Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostra­se isolado  perante  o  Colegiado.  Dessarte,  em  atenção  aos  clamores  da  eficiência  exigida  pela  Lex  Excelsior,  curvo­me  ao  entendimento majoritário  deste  Sodalício,  em  respeito  à  opinio  iuris  dos demais Conselheiros.     Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo  decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário.  O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício  de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no  recolhimento das exações em apreço.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.  Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou  segurado  terá  o  prazo  de  15  (quinze)  dias  para  apresentar  defesa, observado o disposto em regulamento.    De  outro  canto,  o  art.  30  do mesmo Diploma  Legal,  na  redação  vigente  à  época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as  contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios  do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)   I ­ a empresa é obrigada a:   a)  arrecadar  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva remuneração;   Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     18   b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a  contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como  as  contribuições a  seu  cargo  incidentes  sobre as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a  seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).    No  caso  da  competência  dezembro,  até  que  se  expire  o  prazo  para  o  recolhimento,  diga­se,  o  dia  02  de  janeiro  do  ano  seguinte,  não  pode  a  autoridade  administrativa  proceder  ao  lançamento  de  oficio,  eis  que  o  sujeito  passivo  ainda  não  se  encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Trata­se de concepção análoga  ao  o  princípio  da  actio  nata,  impondo­se  que  o  prazo  decadencial  para  o  exercício  de  um  direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor  pode, efetivamente, exerce­lo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês  de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte.   Nesse  contexto,  a  contagem do  prazo  decadencial  assentado  no  inciso  I  do  art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º  de janeiro do ano xx + 2.  Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal  de  Justiça  assentou  em  sua  jurisprudência  a  interpretação  que  deve  prevalecer,  espancando  definitivamente  qualquer  controvérsia  ainda  renitente,  conforme  dessai  em  cores  vivas  do  julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no  Recurso Especial nº 674.497, assim ementado:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.   2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.   3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.    No  caso  vertente,  o  prazo  decadencial  relativo  às  obrigações  tributárias  nascidas na competência dezembro de 2005 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro  de  2007,  o  que  implica  dizer  que  a  constituição  do  crédito  tributário  referente  aos  fatos  Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.981          19 geradores  ocorridos  nessa  competência  poderia  ser  objeto  de  lançamento  até  o  dia  31  de  dezembro de 2011, inclusive.  Assim  delimitadas  as  nuances  materiais  do  lançamento,  nesse  específico  particular, tendo sido a ciência dos Autos de Infração em debate realizada aos 31/03/2011, os  efeitos  o  lançamento  em  questão  alcançarão  com  a  mesma  eficácia  constitutiva  todas  as  obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2005, inclusive, nos termos  do art. 173, I, do CTN.    2.1.1.   DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL   Ocorre,  todavia, que, em 18/09/2009, houve­se por publicado o Acórdão do  Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543­C do Código  de  Processo  Civil,  tendo  por  objeto  de  mérito  questão  referente  ao  termo  inicial  do  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  pelo  Fisco  nas  hipóteses  em  que  o  contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento  por homologação, cuja ementa ora se vos segue:  Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/0176994­0)  Rel. : Min. Luiz Fux  Data de Publicação: 18/09/2009.  PROCESSUAL CIVIL.  RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173,  I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração prévia do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz  Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina abalizada, encontra­se regulada por cinco regras jurídicas  gerais e abstratas, entre as quais  figura a regra da decadência do  direito  de  lançar  nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     20 antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo,  2004, págs. 163/210).  3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial  rege­se pelo disposto no artigo 173,  I, do CTN,  sendo certo que o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do  fato imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e  173,  do  Codex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro,  2005,  págs.  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10ª  ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In  casu,  consoante  assente  na  origem:  (i)  cuida­se  de  tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de  pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou  adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos  fatos  imponíveis  ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)  a  constituição  dos  créditos  tributários  respectivos  deu­se  em  26.03.2001.   6. Destarte, revelam­se caducos os créditos tributários executados,  tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que  o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.    Na  fundamentação  do  Acórdão,  o  Ministro  Relator  destaca  que,  em  se  tratando  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  quando  ocorre  pagamento  antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude,  dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a  decadência  do  direito  do  Fisco  de  constituir  o  crédito  tributário  obedece  à  regra  prevista  na  primeira parte do §4º do  artigo 150 do CTN,  conforme  se depreende do excerto  extraído do  voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos:  “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em  se  tratando  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  quando  ocorre  pagamento  antecipado  inferior  ao  efetivamente  devido, sem que o contribuinte  tenha incorrido em fraude, dolo ou  simulação,  nem  sido  notificado  pelo  Fisco  de  quaisquer  medidas  preparatórias,  obedece à  regra prevista na primeira parte do §4º,  do  artigo  150,  do Codex Tributário,  segundo  o  qual,  se  a  lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência do  fato gerador:  "Neste  caso,  concorre a  contagem do  prazo  para  o  Fisco  homologar  expressamente  o  pagamento  antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso  de  não  homologação,  empreender  o  correspondente  lançamento  tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam­ se  simultaneamente  a  homologação  tácita,  a  perda  do  direito  de  homologar  expressamente  e,  consequentemente,  a  impossibilidade  Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.982          21 jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito  Tributário,  Eurico Marcos Diniz  de  Santi,  3ª  Ed., Max  Limonad  ,  pág.  170).”  (REsp  973.733  –  SC,  Rel.:  Min.  Luiz  Fux,  DJ:  18/09/2009)    O  entendimento  esposado  pela  Suprema  Corte  de  Justiça  houve­se  por  assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da  Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo:  SÚMULA CARF Nº 99  Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como  devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a  autuação,  mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente  exigida  no  auto  de infração.  Acórdãos  Precedentes:  9202­002.669,  de  25/04/2013;  9202­002.596,  de  07/03/2013;  9202­002.436,  de  07/11/2012;  9202­01.413,  de  12/04/2011;  2301­003.452,  de  17/04/2013;  2403­001.742,  de  20/11/2012;  2401­ 002.299, de 12/03/2012; 2301­002.092, de 12/ 05/ 2011.    Pelo  exposto,  considerando  ser  de  01/01/2006  a  31/12/2006  o  período  de  apuração  do  crédito  tributário  ora  em  constituição,  considerando  ser  a  data  de  ciência  do  lançamento  31/03/2011  e  sendo  constatada  a  ocorrência  de  recolhimentos  antecipados  no  período,  concluímos  que,  exclusivamente  em  relação  aos  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal nº 37.314.751­1 e 37.320.577­5, encontram­se homologados tacitamente os Créditos  Tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro e fevereiro  de 2006, inclusive, nos termos expostos no §4º do art. 150 do CTN e da Súmula 99 do CARF.    2.1.2.   DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA   No que se refere aos Autos de Infração de Obrigação Acessória, não há que  se  falar  em  lançamento  por  homologação,  mas,  tão  somente,  lançamento  de  ofício,  circunstância que atrai a incidência da regra estabelecida no inciso I do art. 173, I, do CTN.  Com  efeito,  o  regime  do  lançamento  por  homologação,  conforme  expressamente consignado no caput do art. 150 do CTN, somente ocorre quanto aos  tributos  (obrigação tributária principal) cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  jamais  quanto  às  penalidades  pecuniárias  decorrentes  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  acessória,  estas,  sempre  formalizadas mediante lançamento de ofício. Assim, nos lançamentos tributários de penalidade  pecuniária  decorrentes  do  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  o  crédito  tributário  consequente  é  sempre  oriundo  de  lançamento  de  ofício,  jamais  de  lançamento  por  homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no  §4º do art. 150 do CTN.  Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     22 Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de  fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de  apurar a ocorrência de eventual infração a dispositivos da Lei e, em consequência, proceder à  lavratura do competente Auto de Infração de Obrigação Acessória.  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006.  Nesse  caso,  tendo  sido  a  ciência  dos  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Acessória em debate realizada aos 31/03/2011, os efeitos o lançamento em questão alcançarão  com  a  mesma  eficácia  constitutiva  todas  as  obrigações  tributárias  exigíveis  a  contar  da  competência  dezembro/2005,  inclusive,  nos  termos  do  art.  173,  I,  do  CTN,  inexistindo,  portanto, que se falar em decadência.    Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado  qualquer  litígio  a  ser  dirimido  por  este  Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não  oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª  Instância,  em razão da preclusão prevista no  art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    3.1.  DOS FATOS GERADORES   O  Recorrente  alega  ausência  de  habitualidade  no  pagamento  de  Benefício  Luvas, Campanha Olho Vivo e Campanha Segura Ele. Pondera haver isenção de Contribuições  Previdenciárias sobre os planos de previdência complementar e, ainda, que não há incidência  de  Contribuições  Previdenciárias  sobre  a  indenização  prevista  na  convenção  coletiva  FENABAN. Aduz  que  todos  os  pagamentos  efetuados  sob  a  rubrica  “Indenização Adicional  CONTA CONTÁBIL – FENABAN” foram lastreados pelos respectivos acordos coletivos.    Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a  serôdia  ideia  de  que  a  remuneração  do  empregado  é  constituída,  tão  somente,  por  verbas  representativas  de  contraprestação  de  serviços  efetivamente  prestados  pelos  empregados.  A  retidão  de  tal  concepção  poderia  até  ter  sua  primazia  aferida  ao  tempo  da  promulgação  do  Decreto­Lei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho.  Hoje, não mais.  CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO ­CLT   Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.983          23 Art.  457  ­ Compreendem­se na  remuneração do empregado, para  todos os  efeitos  legais,  além  do  salário  devido  e  pago  diretamente  pelo  empregador,  como  contraprestação  do  serviço,  as  gorjetas  que  receber.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  1.999, de 1.10.1953)  §1º  ­  Integram  o  salário  não  só  a  importância  fixa  estipulada,  como  também  as  comissões,  percentagens,  gratificações  ajustadas,  diárias  para  viagens  e  abonos  pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953)  §2º ­ Não se  incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para  viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo  empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953)  §3º ­ Considera­se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente  ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como  adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados.  (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)    Art. 458 ­ Além do pagamento em dinheiro, compreende­se no salário, para todos os  efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura"  que  a  empresa,  por  forca  do  contrato  ou  do  costume,  fornecer  habitualmente  ao  empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou  drogas nocivas. (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis,  não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes  do salário­mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as  seguintes  utilidades  concedidas  pelo  empregador:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.243, de 19.6.2001)  I  –  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  aos  empregados  e  utilizados no  local de  trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº  10.243, de 19.6.2001)  II  –  educação,  em  estabelecimento  de  ensino  próprio  ou  de  terceiros,  compreendendo  os  valores  relativos  a  matrícula,  mensalidade,  anuidade,  livros  e  material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso  servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  IV  –  assistência  médica,  hospitalar  e  odontológica,  prestada  diretamente  ou  mediante seguro­saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  V  –  seguros  de  vida  e  de  acidentes  pessoais;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.243,  de  19.6.2001)  VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  §3º  ­  A  habitação  e  a  alimentação  fornecidas  como  salário­utilidade  deverão  atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25%  (vinte  e  cinco  por  cento)  e 20%  (vinte  por  cento)  do  salário­contratual.  (Incluído  pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994)  §4º  ­  Tratando­se  de  habitação  coletiva,  o  valor  do  salário­utilidade  a  ela  correspondente  será  obtido  mediante  a  divisão  do  justo  valor  da  habitação  pelo  número  de  coabitantes,  vedada,  em  qualquer  hipótese,  a  utilização  da  mesma  unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94)    Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     24 Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de  Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui,  as  relações  jurídicas  se  transformam,  acompanhando...,  os  conceitos  evolvem­se...  Nesse  compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações.  Ao  contrário,  tais  são  exigíveis.  A  sucessiva  evolução  na  interpretação  das  normas  já  positivadas  ajustam­nas  à  nova  realidade  mundial,  resgatando­lhes  o  alcance  visado  pelo  legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo  real.  Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito  às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao  empregador.  Se  assim  o  fosse,  o  décimo  terceiro  salário,  as  férias,  o  final  de  semana  remunerado,  as  faltas  justificadas  e  outras  tantas  rubricas  frequentemente  encontradas  nos  contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por  serviços executados pelo obreiro.  Paralelamente,  as  relações  de  trabalho  hoje  estabelecidas  tornaram­se  por  demais  complexas  e  diversificadas,  assistimos  à  introdução  de  novas  exigências  de  exclusividade  e  de  imagem,  novas  rubricas  salariais  foram  criadas  para  contemplar  outras  prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos,  dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente  démodé.   Antenada  a  tantas  transformações,  a  doutrina  mais  balizada  passou  a  interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo  empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho.   Com  efeito,  o  liame  jurídico  estabelecido  entre  empregador  e  empregado  segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum  minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer  ao  contratante,  além  do  seu  labor,  também  a  sua  imagem,  o  seu  não  labor  nas  empresas  concorrentes,  a  sua  disponibilidade,  sua  credibilidade  no  mercado,  ceteris  paribus.  Já  o  contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como  também uma série de vantagens diretas,  indiretas, em utilidades,  in natura, e assim adiante...  Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas  elas  ostentam,  em  sua  essência,  uma  nota  contraprestativa.  Todas  elas  colimam,  inequivocamente,  oferecer  um  atrativo  financeiro/econômico  para  que  o  obreiro  estabeleça  e  mantenha vínculo jurídico com o empregador.   Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente  figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos  patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de  trabalho e da  lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo  trabalho  realizado.  Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento:  “Fatores  diversos  multiplicaram  as  formas  de  pagamento  no  contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do  salário­base  há  modos  diversificados  de  remuneração  do  empregado,  cuja  variedade  de  denominações  não  desnatura  a  sua natureza salarial ...  (...)  Salário  é  o  conjunto  de  percepções  econômicas  devidas  pelo  empregador  ao  empregado  não  só  como  contraprestação  pelo  Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.984          25 trabalho,  mas,  também,  pelos  períodos  em  que  estiver  à  disposição  daquele  aguardando  ordens,  pelos  descansos  remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por  força  de  lei”  Nascimento,  Amauri  M.  ,  Iniciação  ao  Direito  do  Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005.    Registre­se, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo  “remuneração”  esposado  pelos  diplomas  jurídicos  mais  atuais  se  divorciou  de  forma  substancial daquele conceito antiquado presente na CLT.   O baluarte desse novo entendimento  tem sua pedra  fundamental  fincada na  própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece:  Constituição Federal de 1988   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos  ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos)     Do  marco  primitivo  constitucional  deflui  que  a  base  de  incidência  das  contribuições  em  realce  não  é  mais  o  salário,  mas,  sim,  a  “folha  de  salários”,  propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos  os  lançamentos  efetuados  em  favor  do  trabalhador  em  contraprestação  direta  pelo  trabalho  efetivo  prestado  à  empresa,  acrescido  dos  “demais  rendimentos  do  trabalho,  pagos  ou  creditados, a qualquer título, à pessoa  física que  lhe preste  serviço, mesmo sem vínculo  empregatício”,  parcela  esta  que  abraça  todas  as  demais  rubricas  devidas  ao  trabalhador  em  decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação  paga  pela  empresa,  a  qualquer  título,  aos  segurados  obrigatórios  do  RGPS  encontram­se  abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição.  Nessa  perspectiva,  todo  e  qualquer  lançamento  a  conta  de  despesa  da  empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS,  que  tiver  por  motivação  e  origem  o  trabalho  realizado  pela  pessoa  física  em  favor  do  Contribuinte,  ostentará  natureza  jurídica  remuneratória,  e  como  tal,  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias.   Na prática,  inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente  suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A  importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho  que  o  obreiro  dedicou  à  empresa.  Ao  revés,  a  fração  que  ainda  for  devida  à  pessoa,  Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     26 independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera  liberalidade do empregador.  Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no  Texto  Constitucional  a  real  amplitude  da  base  de  incidência  da  contribuição  social  em  destaque:  as  contribuições previdenciárias  incidem não  somente  a “folha de  salários”,  como  também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à  pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”.  Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11  do  artigo  201  da  Constituição  Federal,  que  estendeu  a  abrangência  do  conceito  de  salário  (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a  qualquer título.  Constituição Federal de 1988   Art.  201. A  previdência  social  será  organizada  sob a  forma de  regime geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  (...)  §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  consequente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº  20, de 1998)    Assim,  a  contar  da  EC  n°  20/98,  que  incluiu  o  §11  no  art.  201  da CF/88,  todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e  título, passam a integrar, por  força de norma constitucional, o conceito  jurídico de SALÁRIO  (Instituto  de  Direito  do  Trabalho)  e,  nessa  condição,  passam  a  compor  obrigatoriamente  o  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO  (Instituto  de  Direito  Previdenciário)  do  segurado,  se  sujeitando  compulsoriamente  à  incidência  de  contribuição  previdenciária  e  repercutindo  no  benefício previdenciário do empregado.  Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do  seguinte julgado:  TRT­7 ­Recurso Ordinário:   Processo:  RECORD  53007520095070011  CE  0005300­ 7520095070011   Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO   Órgão Julgador: TURMA 2  Publicação: 22/03/2010 DEJT  RECURSO DA RECLAMANTE CTVA ­NATUREZA SALARIAL ­ CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.  A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir  de  compromisso  aos  ganhos  mensais  do  empregado,  detém  natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os  fins,  inclusive  para  o  cálculo  da  contribuição  a  entidade  de  previdência privada.   Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.985          27 RECURSO  DO  RECLAMADO  CEF  ­  CTVA.  Com  efeito,  se  referidas  gratificações  são  pagas  com  habitualidade  se  incorporam  ao  patrimônio  jurídico  do  reclamante,  de  forma  definitiva,  compondo  sua  remuneração  para  todos  os  efeitos.  Atente­se  que  a  natureza  de  tal  verba  não  mais  será  de  "gratificação" mas  sim  de  "Adicional Compensatório  de Perda  de Função"    Contudo,  a  base  de  incidência  das  Contribuições  Previdenciárias  não  se  restringe  ao  SALÁRIO  (instituto  de  direito  do  trabalho).  A  matéria  tributável  em  foco  compreende o SALÁRIO e todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a  qualquer  título,  pela  empresa  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício,  conforme  expressamente  consignado  na  alínea  ‘a’  do  inciso  I  do  art.  195  da  CF/88, abraçando, portanto, até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira  eventual,  ou  seja,  sem  habitualidade,  ressalvadas  as  hipóteses  de  não  incidência  tributária  previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.     SALÁRIO   TODOS OS DEMAIS RENDIMENTOS  DE   = SALÁRIO +   DO TRABALHO, PAGOS OU CREDITADOS  CONTRIBUIÇÃO   A QUALQUER TÍTULO AO SEGURADO.    Conforme demonstrado, a habitualidade não é condição para a subsunção de  uma rubrica remuneratória ao conceito jurídico de Salário de Contribuição.   A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO  (instituto  de direito  do  trabalho)  todos  os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título.  Ocorre,  contudo,  que  o  conceito  de  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO  (instituto  de  direito  previdenciário)  é muito mais  amplo  que  o  conceito  trabalhista mencionado,  compreendendo  não  somente  o  SALÁRIO  (instituto  de  direito  do  trabalho),  mas,  também,  todos  os  demais  rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física  que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.  A  norma  constitucional  acima  citada  não  exclui  da  tributação,  de  maneira  alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual.  Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme  o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram  o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do alínea ‘a’ do inciso I do  art. 195 da CF/88 c.c. art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em  seu §9º.  Leinº8.212,de24 de julho de 1991  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     28 forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial, quer pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos)  II ­ para o empregado doméstico: a remuneração registrada na  Carteira  de  Trabalho  e  Previdência  Social,  observadas  as  normas  a  serem  estabelecidas  em  regulamento  para  comprovação  do  vínculo  empregatício  e  do  valor  da  remuneração;  III ­ para o contribuinte individual: a remuneração auferida em  uma  ou mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que  se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  IV  ­  para  o  segurado  facultativo:  o  valor  por  ele  declarado,  observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela  Lei nº 9.876, de 1999).    Note­se que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência  das  contribuições  previdenciárias,  foi  estruturado  de molde  a  abraçar  toda  e  qualquer  verba  recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente  prestados,  mas  também,  no  interstício  em  que  o  trabalhador  estiver  à  disposição  do  empregador, nos termos do contrato de trabalho.  Advirta­se que o termo “remunerações” encontra­se empregado no caput do  transcrito  art.  28  em  seu  sentido  amplo,  abarcando  todos  os  componentes  atomizados  que  integram  a  contraprestação  da  empresa  aos  segurados  obrigatórios  que  lhe  prestam  serviços.  Em  verdade,  até  mesmo  a  remuneração  referente  ao  tempo  ocioso  em  que  o  empregado  permanecer  à  disposição  do  empregador  não  escapa  da  amplitude  do  conceito  de  salário  de  contribuição.  Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a  literalidade  dos  enunciados  normativos  supratranscritos,  eis  que  o  texto  legal  revela­se  cristalino  ao  estabelecer,  como  base  de  incidência,  o  “total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título”.  Nesses  termos,  compreendem­se  no  conceito  legal  de  remuneração  os  três  componentes do gênero, assim especificados pela doutrina:  1­  Remuneração  Básica  –  Também  denominada  “Verbas  de  natureza  Salarial”. Refere­se à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador  pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o  obreiro  aufere  de  maneira  regular,  na  forma  de  salário  mensal  ou  na  forma de salário por hora.   2­  Incentivos  Salariais  ­  São  programas  concebidos  para  recompensar  funcionários  com  bom  desempenho.  Os  incentivos  são  concedidos  sob  diversas  formas,  como  bônus,  gratificações,  prêmios,  participação  nos  lucros a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros.   3­  Benefícios  ­ Quase  sempre denominados como “remuneração  indireta”.  Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem  Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.986          29 uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in  natura”,  que  culminam  por  representar  um  ganho  patrimonial  para  o  trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o  profissional deixa de desembolsar diretamente do seu patrimônio inercial.    Nesse  novel  cenário,  a  regra  primária  importa  na  tributação  de  toda  e  qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que  a  própria  lei  excluir  do  campo  de  incidência.  No  caso  específico  das  contribuições  previdenciárias,  a  regra  de  excepcionalidade  encontra­se  estatuída  no  parágrafo  9º  do  citado  art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   (...)  §9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97) (grifos nossos)  a)  Os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).   b)  As  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  As  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho ­CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e)  As  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   1.  Previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;   2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço ­FGTS;   3. Recebidas a  título da  indenização de que  trata o art. 479 da  CLT;   4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;   5. Recebidas a título de incentivo à demissão;  6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  Recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação  dada  pela  Lei nº 9.711, de 1998).   Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     30 8.  Recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº  9.711, de 1998).  f)  A  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;   g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97).  h)  As  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinquenta por cento) da remuneração mensal;   i) A  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;   j) A participação nos  lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;   l)  O  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   m)  Os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n)  A  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  As  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  p)  O  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts.  9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97) (grifos nossos)   q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r) O  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.987          31 s)  O  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   t)  O  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  u)  A  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   v)  Os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)     Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II, do CTN, deve­se emprestar  interpretação  restritiva  às  normas  que  concedam  outorga  de  isenção.  Nesse  diapasão,  em  sintonia  com  a  norma  tributária  há  pouco  citada,  para  se  excluir  da  regra  de  incidência  é  necessária  a  fiel  observância  dos  termos  da  norma  de  exceção,  tanto  assim  que  as  parcelas  integrantes do supra­aludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação  pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem  prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;   II ­ outorga de isenção;    Conforme  esclarecido,  a  ausência  de  habitualidade  no  pagamento  de  Benefício Luvas, Campanha Olho Vivo e Campanha Segura Ele não se configura como motivo  para a sua exclusão da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias.    3.1.1.   DO BENEFÍCIO LUVAS  A  rubrica  ora  em  apreciação,  batizada  pelo Autuado  pelo  singelo  nome  de  “Benefício Luvas”, possui  a mesma natureza  jurídica da verba conhecida  internacionalmente  pelo  nome  “hiring  bonus”,  ou  mesmo  “sign­on  bonus”,  a  qual  se  configura  como  prática  corporativa consistente no oferecimento de verba de atração de empregados de alto escalão, em  regra, executivos.  Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     32 Trata­se o hiring bonus de um incentivo salarial, que pode ser compreendido  como  o  valor  pago  a  executivos  a  título  de  luvas  ou  bônus  de  atração,  de  molde  a  atrair  profissionais de elevada qualificação para integrar o quadro de funcionários de alta estatura da  empresa.  Configura­se, portanto, o hiring bonus como uma soma em dinheiro paga a  novos empregados, como um incentivo ao seu ingresso no quadro de empregados da empresa.  Ostenta igualmente a função de incentivar o novo empregado a se manter vinculado à empresa,  em razão da faculdade de se estabelecerem cláusulas contratuais que sujeitem o empregado a  devolver  o  valor  assim  auferido,  ou  parte  dele,  caso  se  desligue  da  empresa  dentro  de  um  determinado período de tempo, ou caso não alcance um desempenho desejável.  Nessa  perspectiva,  o  sign­on  bonus  cumpre  também  a  função  de  reduzir  o  risco  do  empregador  na medida  em  que  se  configura  como  pagamento  único, muitas  vezes  devolvível, não comprometendo a empresa ao pagamento de elevados  salários no período de  aclimatação do novo funcionário.  No caso em apreço, o Benefício Luvas, nas palavras da própria Autuada, “é  um pagamento realizado pela Recorrente aos  seus  funcionários  recém contratados. Trata­se  de uma soma em dinheiro que a empresa oferece, como atrativo à contratação de profissionais  com o perfil altamente especializado. E pago, portanto, somente no momento da admissão do  funcionário”.   Trata­se a  toda vista de uma antecipação de  salário, motivado, obviamente,  pelos serviços que o trabalhador irá prestar à empresa.  Não  resta  dúvida  de  que  tal  rubrica  é  paga  exclusivamente  em  razão  do  trabalho  e  não  para  o  trabalho,  figurando,  portanto,  como  parcela  integrante  do  conceito  jurídico de Salário de Contribuição.  A empresa alega que: “trata­se de uma gratificação,  isto  é,  um pagamento  realizado pela Recorrente aos seus funcionários recém­contratados. Trata­se de uma soma em  dinheiro  que  a  empresa  oferece  como  atrativo  à  contratação  de  profissionais  com  perfil  altamente  especializado,  sem  prejuízo  do  salário  que  irão  receber  após  o  inicio  do  desempenho das suas atividades”.  Pois  é  ....  Conforme  demonstrado  anteriormente,  mesmo  as  gratificações  eventuais configuram­se parcelas integrantes do conceito Jurídico de Salário de Contribuição,  espécie do subgênero “Incentivos Salariais”.     Não  procede  a  alegação  de  que  “o  pagamento  de  tal  gratificação  pode,  inclusive,  ser  interpretada  com  uma  forma  de  indenização,  pois  o  empregado  recém­ contratado abriu mão de uma certa segurança que possuía no seu trabalho anterior”.  Tal alegação é risível e pueril, eis que a saída do trabalhador de seu emprego  anterior se deu de acordo com a sua consciente vontade e desígnio, atraído pela perspectiva de  melhores condições de trabalho/remuneração.  Atente­se que o conceito jurídico de dano traz subjacente a ideia de prejuízo  injusto  decorrente  de  ato  ilícito,  a  ser  reparado  por  aquele  que,  mediante  ação  ou  omissão  voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem.  Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil  Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.988          33 Art.  186.  Aquele  que,  por  ação  ou  omissão  voluntária,  negligência  ou  imprudência,  violar  direito  e  causar  dano  a  outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.    Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que,  ao exercê­lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu  fim econômico ou social, pela boa­fé ou pelos bons costumes.    Art. 188. Não constituem atos ilícitos:  I ­ os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de  um direito reconhecido;  II  ­  a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a  lesão a  pessoa, a fim de remover perigo iminente.  Parágrafo  único.  No  caso  do  inciso  II,  o  ato  será  legítimo  somente  quando  as  circunstâncias  o  tornarem  absolutamente  necessário,  não  excedendo  os  limites  do  indispensável  para  a  remoção do perigo.    Art.  927.  Aquele  que,  por  ato  ilícito  (arts.  186  e  187),  causar  dano a outrem, fica obrigado a repará­lo.  Parágrafo  único.  Haverá  obrigação  de  reparar  o  dano,  independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou  quando  a  atividade  normalmente  desenvolvida  pelo  autor  do  dano  implicar,  por  sua  natureza,  risco  para  os  direitos  de  outrem.    Inexiste qualquer dano a ser indenizado no caso em estudo.  A  uma,  porque  não  houve  ato  ilícito.  A  mudança  de  emprego,  nessas  condições,  decorre  do  pleno  arbítrio  do  trabalhador  e  do  exercício  regular  do  seu  direito  de  romper o vínculo de emprego com a empresa anterior;  A  duas,  porque  nem  sempre  o  hiring  bonus  é  oferecido  a  empregados  de  outras empresas, sendo comumente ofertados a recém formados de excelente desempenho nos  bancos universitários e de pós graduação;  A três, porque não houve demonstração de prejuízo. O empregado que deixa  uma empresa para ingressar em outra, o faz mediante ato volitivo e por interesse nas condições  de trabalho e remuneração que a nova empresa oferece, as quais, em tese, se apresentam mais  atrativas ao trabalhador que as anteriores. Daí a razão de o hiring bonus ser conhecido como  “verba de atração”;  A quatro, porque mesmo em caso da existência de dano, o quê, repise­se, não  é o caso, este teria que ser reparado por aquele que, mediante ato ilícito, lhe deu causa. No caso  presente, não se nos afigura que o Recorrente tenha praticado qualquer ato ilícito ao oferecer  tal rubrica a trabalhadores como atrativo para a celebração de vínculo laboral. As verbas pagas  a  título de hiring bonus são  lícitas  e possuem natureza  remuneratória,  assim como  lícito  é o  pagamento  de  salários,  razão  pela  qual  tais  verbas  deveriam  ter  sido  declaradas,  com  esse  caráter, nas GFIP correspondentes.  Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     34 No idioma que me foi ensinado pelo Prof. Antonio Luís Randan, conjugado  aos  ensinamentos  adquiridos  dos mestres Amauri Mascaro Nascimento  e Mauricio Godinho  Delgado, tal “indenização” recebe um nome bem apropriado às condições de contorno em que  foram pagas: “antecipação de salários”.  Note­se que, nos termos expressos da lei, o Salário de Contribuição deve ser  entendido como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer pelo tempo à disposição do empregador. Ou seja, mesmo que não haja efetiva prestação  de serviços, basta que o segurado esteja à disposição do empregador para que a verba por ele  auferida  em  razão  do  contrato  de  trabalho  se  subsuma  ao  conceito  legal  de  Salário  de  Contribuição.  Nesse  contexto,  ostentando  o  hiring  bonus  natureza  remuneratória,  este  deveria  ter  sido,  NECESSÁRIA  E  OBRIGATÓRIAMENTE,  declarado  nessa  condição  nas  GFIP  correspondentes,  nas  Folhas  de  Pagamento,  bem  como  nos  títulos  próprios  da  contabilidade do Recorrente.    3.1.2.  DA CAMPANHA “OLHO VIVO” e CAMPANHA “SEGURA ELE”  Conforme  reconhecido  pelo  próprio  Recorrente,  “A  campanha  Olho  Vivo  consistiu em uma premiação aos  funcionários e agências da Recorrente que apresentaram o  melhor resultado no cumprimento das metas estabelecidas no regulamento da campanha, ora  colacionado aos autos”.  “Outrossim, a campanha “Segura Ele” visava à premiação dos funcionários  e equipes que conseguissem aumentar as vendas líquidas do produto Seguro Vida, conforme se  verifica no regulamento da campanha”    Conforme se extrai das palavras do próprio Recorrente,  tratam­se as verbas  pagas em decorrências das campanhas “olho vivo” e “segura ele” de meros prêmios pagos pela  empresa em razão do atingimento das metas previamente estabelecidas nos regulamentos das  campanhas correspondentes.     Os prêmios e  as gratificações  frequentemente são utilizados pelas empresas  como fonte de incentivo ao aumento de produtividade do trabalhador, visando a que este venha  a  participar  da  dinâmica  da  pessoa  jurídica  não  somente  como  um  dos  fatores  objetivos  de  produção  ­  trabalho  ­  em  troca  da  contrapartida  salarial, mas,  principalmente,  a  que  este  se  comprometa  subjetivamente  com  a  atividade  econômica  da  empresa,  dando  o máximo  de  si  para o sucesso do empreendimento.  Trata­se  de  parcela  salarial  cuja  aquisição  pelo  trabalhador  depende  do  adimplemento de parâmetros objetivos, subjetivos e circunstanciais previamente estabelecidos  pelas  partes  em  comum  acordo,  consubstanciando­se,  assim,  num  direito  subjetivo  do  trabalhador sujeito a condição suspensiva, o qual, uma vez adimplida a condição, passa a ser  exigível, até mesmo judicialmente, pelo empregado, circunstância que acentua a sua natureza  jurídica remuneratória.  Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.989          35 Aqui, se hipoteticamente suprimirmos o trabalho realizado por cada um dos  segurados que auferiram as rubricas intituladas “Campanha Olho Vivo” e “campanha Segura  Ele”,  na  consecução  do  objeto  social  da  empresa  autuada,  a  importância  que  cada  um  iria  receber a esses títulos seria exatamente igual a ZERO, o que demonstra insofismavelmente que  tais verbas decorrem da contraprestação pelo  trabalho efetivamente prestado pelo  trabalhador  na realização dos objetivos sociais da pessoa jurídica. Logo, remuneração. Daí, base de cálculo  das contribuições previdenciárias.  Conforme muito bem pontuado pelo Recorrente, “o importante para presente  análise é o fato de que a legislação aplicável ao caso é a PREVIDENCIÁRIA”.  Com efeito. Já vimos no tópico 3.1. Supra que:  "a  contar  da  EC  n°  20/98,  todas  as  verbas  recebidas  com  habitualidade  pelo  empregado,  qualquer  que  seja  a  sua  origem  e  título,  passam  a  integrar,  por  força  de  norma  constitucional,  o  conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e,  nessa  condição,  passam  a  compor  obrigatoriamente  o  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO  (Instituto  de  Direito  Previdenciário)  do  segurado,  se  sujeitando  compulsoriamente  à  incidência  de  contribuição  previdenciária  e  repercutindo  no  benefício  previdenciário do empregado.  Contudo,  a  base  de  incidência  das  Contribuições  Previdenciárias  não se restringe ao SALÁRIO  (instituto de direito do  trabalho). A  matéria  tributável  em  foco  compreende  o  SALÁRIO  e  todos  os  demais  rendimentos do  trabalho pagos ou creditados,  a qualquer  título, pela empresa à pessoa  física que  lhe preste  serviço, mesmo  sem vínculo  empregatício,  conforme  expressamente  consignado na  alínea  ‘a’  do  inciso  I  do art.  195  da CF/88,  abraçando,  portanto,  até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira  eventual,  ou  seja,  sem  habitualidade,  ressalvadas  as  hipóteses  de  não  incidência  tributária previstas numerus clausus no §9º do art.  28 da Lei nº 8.212/91”.       SALÁRIO   TODOS OS DEMAIS RENDIMENTOS  DE  = SALÁRIO +   DO TRABALHO. PAGOS OU CREDITADOS  CONTRIBUIÇÃO   A QUALQUER TÍTULO AO SEGURADO.    Conforme  já  demonstrado  alhures,  a  habitualidade  não  é  condição  para  a  subsunção de uma rubrica remuneratória ao conceito jurídico de Salário de Contribuição.   Consoante  apelo  do  Recorrente,  a  observância  da  legislação  previdenciária  importa  na  caracterização  das  verbas  pagas  a  título  de  prêmios,  decorrentes  das  campanhas  “olho  vivo”  e  “segura  ele”  como  parcelas  integrantes  do  conceito  jurídico  de  Salário  de  Contribuição.  Da  pena  de  Plá  Rodriguez,  citado  por  Mascaro  Nascimento,  grafou­se  singular  conceito  de  prêmios  e  gratificações  como  as  “somas  em  dinheiro  de  tipo  variável,  outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo  de produtividade, para lograr a maior dedicação e perseverança destes.  Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     36 É  exatamente  o  que  ocorre  no  caso  concreto  sobre  o  qual  ora  nos  debruçamos.  As  verbas  em  destaque  representam,  nada  mais,  do  que  uma  contraprestação  remuneratória  auferida  pelos  empregados  que  lograram  alcançar  as  metas  estabelecidas  previamente pela Recorrente, sendo irrelevante para o caso se os beneficiários são servidores  próprios ou servidores cedidos por outros órgãos.  Atingindo o trabalhador as metas definidas pelo empregador, ele se titulariza  no direito subjetivo ao prêmio/gratificação. Os benefícios auferidos pelos segurados a título de  prêmios,  decorrentes  das  campanhas  “olho  vivo”  e  “segura  ele”  possuem  natureza  remuneratória,  na  forma de  incentivos  salariais.  Tais  ganhos  ingressaram na  expectativa  dos  segurados  empregados  em  decorrência  do  contrato  de  trabalho,  dos  regulamentos  das  campanhas, e da prestação de serviços ao Recorrente, sendo, portanto, um benefício concedido  pelo trabalho e não para o trabalho.  Por  tudo  o  quanto  foi  ora  discutido,  avulta  que  o  benefício  auferido  pelos  beneficiários,  dada  a  sua  natureza  jurídica  de  prêmio/gratificação  e  por  não  constar  expressamente  no  rol numerus  clausus de  hipóteses  de  não  incidência  tributária,  constitui­se  parcela  integrante do Salário de contribuição dos  segurados, estando sujeito, por decorrência  legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias.  Nesse contexto, ostentando os prêmios pagos em decorrência das campanhas  “olho vivo” e “segura este” natureza remuneratória, estes deveriam ter sido NECESSÁRIA E  OBRIGATÓRIAMENTE declarados,  nessa  condição,  nas GFIP  correspondentes,  nas  Folhas  de Pagamento, bem como nos títulos próprios da contabilidade do Recorrente.    3.1.3.  DO PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR BANESPREV II  No que pertine ao plano de previdência complementar BANESPREV II, de  acordo  com  o  relato  da  Autoridade  Lançadora  veiculado  na  Informação  Fiscal,  a  fl.  1346,  “realmente houve um equívoco na leitura dos esclarecimentos prestados pelo SANTANDER no  decorrer  da  auditoria  fiscal.  Trata­se  de  plano  que  atende  à  legislação  de  planos  de  previdência, prevê aposentadoria, está disponível a todos os empregados e há participação da  patrocinadora e dos participantes, portanto, tais valores devem ser excluídos dos autos”.  Nessa  esteira,  atendendo  às  informações  consignadas  na  Informação  Fiscal  acima  referida,  o  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância  já  procedeu  à  exclusão  de  tal  rubrica  da  matéria  tributável  coberta  pela  vertente  autuação,  retificando  o  Crédito  Tributário  remanescente.  Com efeito, atendendo as condições de contorno com que tal verba houve­se  por paga aos requisitos fixados no inciso XV do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, como assim  atestado  pelo  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância,  imperioso  é  o  reconhecimento  da  isenção  pretendida, motivo  pelo  qual,  nesse  específico  particular,  nega­se  provimento  ao Recurso  de  Ofício.     3.1.4.  DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR AUTOS  O Recorrente alega que há isenção de Contribuições Previdenciárias sobre os  planos de previdência complementar.  Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.990          37 Com  certeza  ....  mas  desde  que  se  trate  de  programa  de  previdência  complementar,  aberto ou  fechado,  e que esteja disponível à  totalidade de  seus empregados  e  dirigentes.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante  o mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer  pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou  sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  (...)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta Lei,  exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  (...)  p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado, desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados  e  dirigentes,  observados,  no  que  couber,  os  arts.  9º  e  468  da CLT;  (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos)     No que tange à verba em questão, a Fiscalização informa que a referida verba  é representativa de um benefício concedido a seus empregados relacionado a automóveis, não  extensivo a todos os empregados.   A  empresa,  em  sua  impugnação,  afirma  que  esta  rubrica  seria  isenta  de  contribuição previdenciária, mas não trouxe aos autos os documentos hábeis e indispensáveis a  comprovar o adimplemento das condições exigidas pela lei para o reconhecimento da isenção  alegada em sede de defesa. SEQUER O CONTRATO.  Se  nos  antolha  auspicioso  assinalar  que  as  questões  atinentes  à  isenção  tributária constituem­se matéria de interesse público e de reserva legal, figurando a lei stricto  sensu  como  o  único  instrumento  normativo  com  aptidão  para  determinar  as  hipóteses  de  renúncia  fiscal,  não  previstas  constitucionalmente,  não  irradiando  efeitos  na  seara  pública  qualquer  disposição  pactuada  entre  empregador  e  empregado  em  seus  contratos  de  trabalho  e/ou Acordos Coletivos de Trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a  se sobrepor aos públicos. O contrário, sim.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  (...)  VI  ­  as  hipóteses  de  exclusão,  suspensão  e  extinção  de  créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  (...)  Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     38   Não  se  deve  olvidar  que,  sendo  a  isenção  tributária  uma  norma  legal  de  exceção,  de  interpretação  restritiva  e  em  benefício  do  Contribuinte,  o  adimplemento  cumulativo  de  todas  as  condições  e  requisitos  previstos  na  lei  para  a  sua  concessão  não  se  presume, se comprova mediante documentos idôneos, a ônus do Contribuinte.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;   II ­ outorga de isenção;  III ­ dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.    Art.  176. A  isenção, ainda quando prevista  em contrato, é  sempre  decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos  para a sua concessão, os  tributos a que se aplica e, sendo caso, o  prazo de sua duração.  Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região  do  território da entidade  tributante, em  função de condições a  ela  peculiares.    Dessarte,  ao  beneficiário  da  isenção  recai  o  encargo  de  demonstrar  e  comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos  legais para a fruição da isenção  pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação.  O  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância,  de  forma  fundamentada  e  devidamente  consignada  em  seu  acórdão,  apreciando  as  alegações  de  defesa  e  os  elementos  de  prova  contidos  nos  autos,  já  havia  refutado  as  razões  de  impugnação  e  rechaçado  a  pretensão  do  Autuado  ao  fundamento  de  que  este  não  houvera  logrado  comprovar  o  adimplemento  das  condições  necessárias  ao  reconhecimento  da  isenção  pretendida,  previstas  na  alínea  ‘p’  do  parágrafo 9º do  artigo 28 da Lei nº 8.212/91, pugnando pela manutenção do  lançamento das  contribuições sobre tal rubrica.  Nada  obstante,  mesmo  ciente  de  que  seu  pedido  houvera  sido  negado  em  razão da carência da comprovação material do Direito alegado, o Recorrente quedou­se inerte  no  sentido  de  suprir  a  falta  em  destaque,  retornando  à  carga,  agora  em  grau  de  Recurso  Voluntário,  formulando  exatamente os mesmos  argumentos de defesa,  sem  fazer  acostar  aos  autos qualquer elemento de convicção,  tão menos indícios de prova material, com aptidão de  demonstrar que o mencionado Plano de Previdência Complementar Autos  atendia  a  todas  as  condições  previstas  na  alínea  ‘p’  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91,  gravitando  a  larga  distância  do  núcleo  fático­jurídico  sensível  do  qual  se  irradiaram  os  fundamentos  legais  e  constitucionais  que  forneceram  esteio  ao  lançamento  ora  em  debate,  não  logrando  se  desincumbir,  dessarte,  do  ônus  probatório  que  lhe  era  avesso,  nem,  tampouco  ilidir  o  lançamento que lhe fora infligido pela Fiscalização previdenciária.  A  defesa  por  negativa  geral  não  se  apruma  com  a  dinâmica  do  Processo  Administrativo Fiscal cujo mecanismo de contradita às autuações do Fisco exige que o sujeito  passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de  direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que  possuir. Mas não pára por aí:  Impõe ao  impugnante o ônus de rechear a peça de defesa com  Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.991          39 todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de  fazê­lo  em  momento  futuro,  ressalvadas,  excepcionalmente,  as  hipóteses  taxativamente  arroladas em lei.  Nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, em  sede de  Impugnação  e  agora,  em grau de Recurso Voluntário,  o Sujeito Passivo não honrou  produzir as provas necessárias à contradita das razões erigidas pelo Órgão Julgador a quo para  o  não  acatamento  de  suas  pretensões  de  defesa,  tampouco  desobstruir  o  óbice  probatório  apontado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.  Tal vazio, não permite a lei que seja preenchido com alegações filosóficas ou  principiológicas,  tampouco com argumentações de fatos e de ações desprovidas de esteio em  indício de prova material idônea.  Como é cediço, no Processo Administrativo Fiscal a voz de defesa do sujeito  passivo em matéria tributária se propaga em ondas documentais, falando ao vácuo as alegações  recursais  não  acompanhadas  pelos  indícios  de  prova  material  que  lhes  forneçam  o  devido  esteio probatório.  Allegatio et non probatio, quasi non allegatio.     Tendo  em  vista  o  consagrado  atributo  da  presunção  de  veracidade  que  caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera­se a  inversão  do  encargo  probatório,  repousando  sobre  o  Autuado  o  ônus  de  desconstituir  o  lançamento ora em consumação.   Ostentando,  todavia,  a  presunção  de  veracidade  dos  Atos  Administrativos  eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não  adimplido pelo Autuado, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo dos Autos de  Infração em debate.  Assim,  havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.  Dessarte, não tendo sido comprovada, pelo Sujeito Passivo, a subsunção dos  valores pagos a título de “previdência complementar autos” em nenhuma das hipóteses de não  incidência  tributária previstas  taxativamente no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, há que ser  mantida a qualificação de tal rubrica como parcela integrante do conceito jurídico de Salário de  Contribuição.   Nesse  contexto,  ostentando  os  valores  pagos  a  título  de  “previdência  complementar  autos”  natureza  remuneratória,  estes  deveriam  ter  sido,  NECESSÁRIA  E  OBRIGATÓRIAMENTE, declarados, nessa condição, nas GFIP  correspondentes, nas Folhas  de Pagamento, bem como nos títulos próprios da contabilidade do Recorrente.    3.1.5.  DA INDENIZAÇÃO FENABAN  O Recorrente  alega que não há  incidência de Contribuições Previdenciárias  sobre  a  indenização  prevista  na  convenção  coletiva  FENABAN.  Aduz  que  todos  os  Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     40 pagamentos  efetuados  sob  a  rubrica  “Indenização  Adicional  CONTA  CONTÁBIL  –  FENABAN” foram lastreados pelos respectivos acordos coletivos.    Extrai­se  dos  autos  que  o  Autuado  utilizava  nas  Folhas  de  Pagamento  a  denominação  “indenização adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN”  para  pagamento  da  rubrica em xeque.  Não  encontrando  na  Convenção  Coletiva  qualquer  cláusula  referente  a  tal  “indenização  adicional  CCT  –  FENABAN”,  e  constatando  que  a  referida  rubrica  não  se  ajustava  a  nenhuma  das  hipóteses  de  isenção  previstas  na  legislação  previdenciária,  a  Fiscalização procedeu ao lançamento dos tributos incidentes sobre as verbas em foco.   “A indenização adicional CCT ­ FENABAN, como o próprio nome  diz,  ela  é  adicional  às  obrigadas  pelas  empresas  e  não  consta  na  Convenção Coletiva. Existem sim diversas indenizações previstas na  CCT ­ FENABAN, menos a adicional  (anexa a Convenção), o que  não lhe garantia isenção”.    Em sede de defesa administrativa, o impugnante alegou em seu item 55, a fl.  937,  que  o  suporte  de  tais  pagamentos  era  uma  indenização  prevista  na  cláusula  sétima  da  convenção coletiva.   “55.  A  Autoridade  Fiscal  equivocou­se  completamente  na  identificação  da  indenização,  uma  vez  que  não  se  trata  de  “adicional”  a  outras  indenizações,  mas,  sim,  de  indenização  do  adicional por  tempo de  serviço,  a qual  se  encontra expressamente  prevista na cláusula sétima da suscitada convenção coletiva”.    Visando  a  sanear  a  dúvida,  a  DRJ  em  São  Paulo  I  baixou  o  feito  em  Diligência  Fiscal,  solicitando  o  pronunciamento  da  fiscalização  com  relação  às  alegações  suscitadas  pela  Autuada  em  sua  impugnação,  referentes  à  indenização  adicional  CCT­FENABAN  e  ao  plano  de  previdência  Banesprev  II,  e  de  apreciação  dos  documentos  relativos a estes mesmos itens, juntados aos autos e ali mencionados, tendo sido estes atendidos  pelo Fiscal Autuante na forma que se vos segue:   “Ao analisarmos a Convenção, nota­se que realmente não há uma  indenização  adicional  CONTA  CONTÁBIL  ­  FENABAN,  denominação  utilizada  pelo  SANTANDER  para  pagamento  aos  empregados,  conforme  folhas  de  pagamentos.  A  cláusula  mencionada,  na  impugnação,  como  suporte  a  tais  pagamentos  diz  (g.n.):   CLÁUSULA  SÉTIMA  OPÇÃO  POR  INDENIZAÇÃO  DO  ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO  O  empregado  admitido  até  22.11.2000  poderá  optar,  junto  ao  banco, por uma das disposições abaixo:   a)  receber  indenização  em  valor  único  de  R$  1.100,00  (um mil  e  cem reais) para não ter agregados novos adicionais a partir da data  da opção, ou   b) continuar mantendo o direito a novos adicionais em suas datas  de  aniversário  de  tempo  de  serviço,  prestado  ao  mesmo  empregador,  nas  condições  da  Cláusula  Sexta  letra  "a"  desta  Convenção.   Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.992          41 (...)  PARAGRAFO TERCEIRO '  Não  haverá  supressão  ou  extinção  dos  Adicionais  por  'Tempo  de  Serviço  adquiridos  até  a  data  da  opção  prevista  na  letra  "a"  do  caput desta Cláusula.   PARÁGRAFO QUARTO .  O Adicional por Tempo de Serviço, previsto nas Cláusulas Sexta e  Sétima,  terá  seu  valor  reajustado  na  data  base  da  categoria,  pelo  mesmo  índice  de  correção  dos  salários  constante  de  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  e  deverá  ser  sempre  considerado  e  pago  destacadamente.    A  denominação  da  rubrica  foi  de  Indenização  do  Adicional  por  Tempo de Serviço, da qual tem­se a seguinte interpretação:  4.1.1. Não se trata de verba indenizatória, mas, de uma antecipação  dos  valores  que  o  empregado  poderia  adquirir,  caso  permaneça  como empregado, a título de adicional por tempo de serviço;  4.1.2.  Só  tem  direito  a  tal  verba,  empregado  admitido  até  22/11/2000,  entretanto  o  SANTANDER  efetuou  pagamento  a  esse  título  aos  empregados  demitidos,  não  considerando  a  data  de  admissão;  4.1.3. Ao pagar para empregados demitidos, o SANTANDER, o fez  por mera  liberalidade,  pois  não  há obrigação de  pagar  tal  verba,  ela está vinculada à substituição de possíveis aumentos no adicional  por  tempo de serviço;  logo, não há a mínima possibilidade de um  empregado demitido alcançar mais tempo de serviço, com direito ao  adicional;  4.1.4. A maioria dos pagamentos é para empregados admitidos após  22/11/2000, portanto sem direito a tal rubrica;  4.1.5.  O  valor  determinado  na  Convenção  é  de  R$  1.100,00  reajustado  pelos  mesmos  índices  de  reajustes  dos  salários.  Pela  relação de beneficiários nota­se valores pagos muito acima do valor  estipulado.  Em anexo planilhas, validadas no SVA, com relação da maioria dos  beneficiários,  constando  data  de  admissão  e  demissão,  com  os  seguintes  nomes:  Beneficiários  33517  (C175055e­9a4c7fe6­ 64b1d8b3­1c7f4dec),  Beneficiários  61411  (bf8b1ead­f54fO8c7­ 6b5ba95a­417e2b77),  Beneficiários  61472  (33f7e34b­097e512c­ 09e9ff91­c68dda48)  e  Beneficiários  90400  (8748ef66­37580231­ 530d9d40­b64d4dbf);  entregues  ao  representante  em mídia  digital  não regravável.  Na dicção do art. 944 do nosso Código Civil: “A indenização mede­ se  pela  extensão  do  dano".  A  preocupação,  portanto,  é  exclusivamente com a figura da vítima, cujo dano se busca apagar  ou ao menos minorar. Estabelecida a responsabilidade, o valor da  indenização é medido somente pela extensão do dano ou prejuízo. É  tradicional  em  nosso  direito  a  ideia  de  que  a  função  da  responsabilidade civil se limita à reparação do dano. Em não sendo  possível  a  reparação  in  natura  do  dano,  busca­se  ressarcir  o  prejuízo sofrido pela vítima ou compensar seu dano através de um  equivalente ou sucedâneo pecuniário.   Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     42 Na  situação  em  questão,  como  já  dito,  não  há  perda,  mas  substituição  na  forma  de  recebimento  de  um  benefício  ­  adicional  por tempo de serviço ­ de forma mensal ou em um único pagamento.  Portanto  os  valores  lançados  a  título  de  indenização  adicional  FENABAN estão corretos, pois sob os mesmos  incide contribuição  para a previdência social e outras entidades”.    Em  atendimento  à  Diligência  Fiscal  requestada,  a  Autoridade  Lançadora  procedeu  ao  exame  dos  termos  da  referida  cláusula  sétima  e  concluiu,  igualmente,  que  a  natureza jurídica da rubrica ali estampada também não se ajustava a nenhuma das hipóteses de  isenção previstas na legislação tributária, pugnando pela manutenção do débito.  Como visto, inexiste qualquer alteração do critério jurídico do lançamento. A  rubrica  paga  aos  segurados,  apuradas  nas  Folhas  de  Pagamento  da  empresa  sobre  a  denominação  “indenização  adicional  CONTA  CONTÁBIL  –  FENABAN”,  não  se  ajusta  a  nenhuma  das  hipóteses  legais  de  não  incidência  tributária,  motivo  pelo  qual,  nos  termos  assentados  no  art.  195  da CF/88,  configuram­se  parcelas  integrantes  do  conceito  jurídico  de  Salário de Contribuição.  Note­se, de outro eito, que inexistiu qualquer prejuízo à defesa do Autuado,  uma vez que o inteiro teor do resultado da Diligência Fiscal requerida foi  levado à ciência do  Recorrente, sendo­lhe garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa,  tendo ele efetivamente exercido tal direito a fls. 1386/1399.  Exatamente para esse  fim se prestam as Diligências Fiscais  requeridas pelo  Órgão  Julgador.  Para  auxiliar,  mediante  os  esclarecimentos,  na  formação  da  convicção  do  Julgador.  Não procede, portanto, o inconformismo do Recorrente.    Quanto ao mérito do  lançamento  referente a  tal  rubrica, o Recorrente alega  que todos os pagamentos efetuados sob a rubrica “Indenização Adicional CONTA CONTÁBIL  – FENABAN” foram lastreados pelos respectivos acordos coletivos.  Ora,  conforme  já  assinalado  anteriormente,  as  questões  atinentes  à  isenção  tributária constituem­se matéria de interesse público e de reserva legal, figurando a lei stricto  sensu  como  o  único  instrumento  normativo  com  aptidão  para  determinar  as  hipóteses  de  renúncia  fiscal,  não  previstas  constitucionalmente,  não  irradiando  efeitos  na  seara  pública  qualquer  disposição  pactuada  entre  empregador  e  empregado  em  seus  contratos  de  trabalho  e/ou Acordos Coletivos de Trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a  se sobrepor aos públicos. O contrário, sim.  Dessarte, no que se refere às Contribuições Previdenciárias, apenas estarão a  salvo da tributação previdenciária as rubricas cuja natureza jurídica se ajustar com perfeição às  hipóteses de não  incidência  legal previstas de maneira  exaustiva no §9º do  art.  28 da Lei nº  8.212/91,  apreciadas  sob  o  prisma oclusivo  estabelecido  pelo  art.  111,  II,  do CTN,  recaindo  sobre o  Interessado  o  ônus  da  demonstração  e  comprovação  do  cumprimento  cumulativo  de  todos  os  requisitos  legais  para  a  fruição  da  isenção  pretendida,  sob  pena  de manutenção  da  regra geral, isto é, a tributação.  Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.993          43 Analisando­se,  contudo,  a  cláusula  sétima  da  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  2006/2007,  a  fls.  1129/1153,  indicada  pelo  Autuado,  em  sede  de  defesa,  como  o  fundamento  da  Rubrica  paga  em  Folha  de  Pagamento  sob  a  denominação  “indenização  adicional CCT – FENABAN”,  verificamos  que  tal  rubrica  não  se  enquadra  em qualquer  das  hipóteses de isenção legal previstas no já aludido §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, tampouco o  Recorrente  indica  qual,  limitando­se  ao  argumento  de  que  “os  pagamentos  efetuados  sob  a  rubrica  “Indenização  Adicional  CONTA  CONTÁBIL  –  FENABAN”  foram  lastreados  pelos  respectivos acordos coletivos”.  Acordo coletivo de trabalho não concede isenção. Quem concede isenção é a  lei formal. Acordo coletivo estabelece obrigação entre as partes acordantes, não vinculando, de  forma alguma, a vontade da lei.  Com efeito, o disposto na citada Cláusula Sétima nada mais é do que uma das  estipulações  da  política  salarial  da  empresa,  que  concede  ao  empregado  admitido  até  22.11.2000  a  faculdade  de  optar  por  receber:  a)  um  valor  fixo  de R$  1.100,00  para  não  ter  agregados novos adicionais a partir da data da opção, ou, alternativamente, b) nada receber em  dinheiro naquela ocasião, mas continuar mantendo o direito a novos adicionais em suas datas  de aniversário de tempo de serviço. A opção é do trabalhador.  Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007  CLÁUSULA  SÉTIMA  OPÇÃO  POR  INDENIZAÇÃO  DO  ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO  O  empregado  admitido  até  22.11.2000  poderá  optar,  junto  ao  banco, por uma das disposições abaixo:  a)  receber  indenização  em  valor  único  de  R$  1.100,00  (um mil  e  cem reais) para não ter agregados novos adicionais a partir da data  da opção, ou   b) continuar mantendo o direito a novos adicionais em suas datas  de  aniversário  de  tempo  de  serviço,  prestado  ao  mesmo  empregador,  nas  condições  da  Cláusula  Sexta  letra  “a”  desta  Convenção.    PARÁGRAFO PRIMEIRO  A opção mencionada acima deverá ser formalizada por escrito.    PARÁGRAFO SEGUNDO  Optando  o  empregado  pelo  recebimento  da  indenização,  o  pagamento  pelo  banco  será  procedido  observando­se  as  seguintes  condições:  a) Quando a  opção  for  feita  junto  ao  banco  até  o  dia  10  (dez),  o  crédito será efetuado até a data da folha de pagamento do mês;  b) Quando a Opção for feita junto ao banco após o dia 10 (dez), o  crédito  será  efetuado  até  a  data  da  folha  de  pagamento  do  mês  seguinte.  PARÁGRAFO TERCEIRO  Não  haverá  supressão  ou  extinção  dos  Adicionais  por  Tempo  de  Serviço  adquiridos  até  a  data  da  opção  prevista  na  letra  “a”  do  caput desta Cláusula.  PARÁGRAFO QUARTO  Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     44 O Adicional por Tempo de Serviço, previsto nas Cláusulas Sexta e  Sétima,  terá  seu  valor  reajustado  na  data  base  da  categoria,  pelo  mesmo  índice  de  correção  dos  Salários  constante  de  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  e  deverá  ser  sempre  considerado  e  pago  destacadamente.    Conforme se observa, a quantia fixa de R$ 1.100,00 referida na alínea ‘a’ do  caput da cláusula sétima da Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007 nada mais é do que  uma  antecipação  dos  futuros  adicionais  por  tempo  de  serviço.  A  empresa  concede  ao  empregado  a  faculdade  de  receber  antecipadamente  aquilo  que  lhe  seria  pago,  no  futuro,  a  título de “adicional por tempo de serviço”. A escolha é livre e exclusiva do empregado, o qual,  se  considerar  conveniente  e  vantajosa  a  troca,  tem  que  fazê­la  por  escrito.  Tal  circunstância  joga por terra a alegação de indenização.  Não há que se falar em indenização por autodano.    Merece  ser  registrado  que  a  referida  antecipação  dos  futuros  adicionais  de  tempo de  serviço no valor de R$ 1.100,00,  à opção do  trabalhador,  possui  assento  cativo na  cláusula 7ª das Convenções Coletivas de Trabalho da FENABAN desde, pelo menos, 2001 até  2014, circunstância que demonstra não se tratar a referida antecipação de rubrica de natureza  eventual. Ao  revés,  trata­se de uma  faculdade do  trabalhador que  lhe  é oferecida de maneira  habitual.  Dessarte,  ao  pagar  para  empregados  demitidos,  o  SANTANDER  o  fez  por  mera liberalidade, pois não haveria obrigação de pagar tal verba, pois ela estaria condicionada  à opção escrita e estria vinculada à substituição de possíveis aumentos no adicional por tempo  de  serviço.  logo,  não  há  a  mínima  possibilidade  de  um  empregado  demitido  alcançar  mais  tempo de serviço, com direito ao adicional.  Constatou, igualmente, que a maioria dos pagamentos foi realizada em favor  de empregados admitidos após 22/11/2000, portanto sem direito a tal rubrica.  Além disso, apesar de o valor determinado na Convenção ser de R$ 1.100,00  reajustado  pelos  mesmos  índices  de  reajustes  dos  salários,  a  Fiscalização  apurou  que,  pela  relação de beneficiários, houve valores pagos muito acima do valor estipulado.  Além  disso,  a  Fiscalização  apurou  que,  apesar  de  só  ter  direito  ao  recebimento de  tal verba os empregados admitidos até 22/11/2000, o SANTANDER efetuou  pagamento a esse título aos empregados demitidos, não considerando a data de admissão.  Agora,  exclusivamente  em  sede  de Recurso Voluntário,  o Recorrente  alega  que tal verba não mais se refere à cláusula sétima do CCT 2006/2007, mas, sim, da cláusula 49  da CCT 2005/2005. Depois, vem aos autos alegar “mudança de critério jurídico”.  “O  empregado  dispensado  sem  justa  causa,  com  data  de  comunicação  da  dispensa  entre  a  data  da  assinatura  da  presente  convenção  (17.10.2005) até 31.03.2006, não computado, para este  fim, o prazo do aviso prévio indenizado, fará jus a uma indenização  adicional, nos valores abaixo discriminados, a ser paga juntamente  com  as  verbas  rescisórias.  Para  os  efeitos  desta  cláusula,  o  empregado com data de  comunicação de dispensa anterior a data  Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.994          45 da  assinatura  da  presente  convenção  (17.10.2005),  mesmo  que  o  período de aviso prévio coincida ou ultrapasse esta data, não faz jus  à indenização adicional”.    Como dessai dos termos da citada cláusula 49, o pagamento da rubrica acima  não ostenta natureza jurídica de indenização, mas de mera liberalidade da empresa.  Ora, a  indenização não se configura como uma liberalidade da empresa. Ao  contrário, o dever jurídico de indenizar pressupõe a existência de um ato ilícito prévio e de um  dano dele diretamente decorrente, sem o qual não há o que se reparar.   INDENIZAÇÃO É OBRIGAÇÃO JURÍDICA, NÃO LIBERALIDADE !  Dessarte,  o  conceito  jurídico  de  dano  traz  subjacente  a  ideia  de  prejuízo  injusto  decorrente  de  ato  ilícito,  a  ser  reparado  por  aquele  que,  mediante  ação  ou  omissão  voluntária, negligência ou imprudência, tenha violado direito e causado dano a outrem.  Nessa perspectiva, a dispensa sem justa causa do trabalhador não se constitui  ato  ilícito,  mas,  sim,  direito  potestativo  do  empregador.  De  outro  lado,  as  indenizações  trabalhistas do empregado decorrente da dispensa sem justa causa encontram­se taxativamente  previstas na Legislação Trabalhista, a qual não inclui a rubrica de que trata a citada cláusula 49.  Esta é apenas uma gratificação pelos serviços prestados pelo trabalhador à empresa, e como tal,  base de cálculo das Contribuições Previdenciárias.    Dessarte, configurando­se os valores pagos a título de “indenização adicional  CCT – FENABAN” como mera antecipação daquilo que lhe seria pago, no futuro, a segurados  empregados  a  título  de  “adicional  por  tempo  de  serviço”,  e  não  se  subsumindo  os  valores  pagos  a  esse  título  a  nenhuma  das  hipóteses  de  não  incidência  tributária  previstas  taxativamente no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, há que ser mantida  a qualificação de  tal  rubrica como parcela integrante do conceito jurídico de Salário de Contribuição.   Nesse  contexto,  ostentando  os  valores  pagos  a  título  de  “indenização  adicional CCT – FENABAN” natureza remuneratória, estes deveriam ter sido, NECESSÁRIA  E OBRIGATÓRIAMENTE, declarados, nessa condição, nas GFIP correspondentes, nas Folhas  de Pagamento, bem como nos títulos próprios da contabilidade do Recorrente.    3.2.  DA DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP  O Recorrente alega que somente deixou de declarar os supostos débitos ora  cobrados em GFIP em face do entendimento de que verbas relacionadas aos presentes Autos de  Infração  não  constituem  remuneração  e,  portanto,  não  estariam  sujeitas  à  incidência  de  Contribuições Previdenciárias.  Não procede.    Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     46 Conforme  exaustivamente  demonstrado  na  primeira  parte  do  tópico  “3.1.  –  DOS  FATOS  GERADORES”  supra,  o  conceito  jurídico  de  Salário  de  contribuição  foi  constitucionalmente  estruturado  de  molde  a  abraçar  toda  e  qualquer  verba  recebida  pelo  trabalhador,  não  somente  as  parcelas  integrantes  do  SALÁRIO,  como,  também,  todos  os  demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à  pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, compreendendo, até  mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira eventual, em decorrência não  apenas dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador  estiver  à  disposição  do  empregador,  nos  termos  do  contrato  de  trabalho,  ressalvadas  as  hipóteses  de não  incidência  tributária previstas numerus  clausus  no  §9º  do  art.  28  da Lei  nº  8.212/91.  A dicção do §9º art. 28 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que  não  integram  o  Salário  de  Contribuição  para  fins  de  incidência  de  Contribuições  Previdenciárias, EXCLUSIVAMENTE, as hipóteses ali arroladas.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante  o mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer  pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou  sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  (...)  §9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta Lei,  exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)  (...)    Dessarte, deflui da regra tributária acima referida que apenas e tão somente as  hipóteses  expressamente  elencadas no  citado §9º,  numa  interpretação  literal  exigida pelo  art.  111, II, do CTN, encontram­se a salvo da tributação previdenciária.  Nessa  esteira,  não  se  ajustando  perfeitamente  uma  determinada  rubrica  a  nenhuma das hipóteses de isenção previstas no dispositivo legal em debate, é de ser aplicada,  por decorrência lógica, a regra geral de tributação prevista no art. 195 da CF/88 c.c. art. 28 da  Lei nº 8.212/91.  O mero autoentendimento do Recorrente de que uma determinada rubrica não  estaria sujeita à incidência de Contribuições Previdenciárias, sem qualquer embasamento legal,  não se configura hipótese de isenção.  Alerte­se  que  para  os  casos  de  dúvidas  acerca  da  incidência  ou  não  de  Contribuições Previdenciárias sobre determinada verba, a Legislação Tributária disponibiliza o  Processo de Consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado,  nos termos dos artigos 48 a 50 da Lei nº 9.430/96 e artigos 46 a 58 do Dec. nº 70.235/72, sendo  certo que nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à  espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data  da ciência da decisão que, eventualmente, tenha sido desfavorável ao Contribuinte.  Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.995          47 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Processo Administrativo de Consulta  Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos  administrativos de consulta serão solucionados em instância única.  §  1º  A  competência  para  solucionar  a  consulta  ou  declarar  sua  ineficácia será atribuída:  I ­ a órgão central da Secretaria da Receita Federal, nos casos de  consultas  formuladas  por  órgão  central  da  administração  pública  federal  ou  por  entidade  representativa  de  categoria  econômica  ou  profissional de âmbito nacional;   II ­ a órgão regional da Secretaria da Receita Federal, nos demais  casos.  §  2º Os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  competentes  serão observados quando da solução da consulta.  § 3º Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da  consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia.  §  4º  As  soluções  das  consultas  serão  publicadas  pela  imprensa  oficial, na forma disposta em ato normativo emitido pela Secretaria  da Receita Federal.  § 5º Havendo diferença de  conclusões  entre  soluções de  consultas  relativas  a  uma  mesma  matéria,  fundada  em  idêntica  norma  jurídica, cabe recurso especial, sem efeito suspensivo, para o órgão  de que trata o inciso I do § 1º.  § 6º O recurso de que trata o parágrafo anterior pode ser interposto  pelo  destinatário  da  solução  divergente,  no  prazo  de  trinta  dias,  contados da ciência da solução.  § 7º Cabe a quem interpuser o recurso comprovar a existência das  soluções divergentes sobre idênticas situações.  § 8º O juízo de admissibilidade do recurso será feito pelo órgão que  jurisdiciona  o  domicílio  fiscal  do  recorrente  ou  a  que  estiver  subordinado  o  servidor,  na  hipótese  do  parágrafo  seguinte,  que  solucionou a consulta.  §  9º  Qualquer  servidor  da  administração  tributária  deverá,  a  qualquer  tempo,  formular  representação  ao  órgão  que  houver  proferido a decisão, encaminhando as soluções divergentes sobre a  mesma matéria, de que tenha conhecimento.  §  10.  O  sujeito  passivo  que  tiver  conhecimento  de  solução  divergente  daquela  que  esteja  observando  em  decorrência  de  resposta  a  consulta  anteriormente  formulada,  sobre  idêntica  matéria,  poderá adotar o procedimento previsto no § 5º,  no prazo  de trinta dias contados da respectiva publicação.  § 11. A solução da divergência acarretará, em qualquer hipótese, a  edição  de  ato  específico,  uniformizando  o  entendimento,  com  imediata ciência ao destinatário da solução reformada, aplicando­ se seus efeitos a partir da data da ciência.  §  12.  Se,  após  a  resposta  à  consulta,  a  administração  alterar  o  entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os  fatos  geradores  que  ocorram  após  dado  ciência  ao  consulente  ou  após a sua publicação pela imprensa oficial.  Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     48 § 13. A partir de 1º de  janeiro de 1997,  cessarão  todos os  efeitos  decorrentes de consultas não solucionadas definitivamente, ficando  assegurado aos consulentes, até 31 de janeiro de 1997:  I ­ a não instauração de procedimento de fiscalização em relação à  matéria consultada;  II ­ a renovação da consulta anteriormente formulada, à qual serão  aplicadas as normas previstas nesta Lei.    Art.  49.  Não  se  aplicam  aos  processos  de  consulta  no  âmbito  da  Secretaria da Receita Federal as  disposições dos arts.  54 a 58 do  Decreto nº 70.235/72.    Art.  50.  Aplicam­se  aos  processos  de  consulta  relativos  à  classificação  de  mercadorias  as  disposições  dos  arts.  46  a  53  do  Decreto nº 70.235/72 e do art. 48 desta Lei.  § 1º O órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48 poderá alterar  ou  reformar,  de  ofício,  as  decisões  proferidas  nos  processos  relativos à classificação de mercadorias.  §  2º Da  alteração  ou  reforma mencionada no  parágrafo  anterior,  deverá ser dada ciência ao consulente.  §  3º  Em  relação  aos  atos  praticados  até  a  data  da  ciência  ao  consulente, nos casos de que trata o § 1º deste artigo, aplicam­se as  conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria  da Receita Federal.  § 4º O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em  processos  de  consulta  sobre  classificação  de  mercadorias,  para  órgãos  do Mercado  Comum  do  Sul  ­ MERCOSUL,  será  efetuado  exclusivamente pelo órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48.    Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Do Processo da Consulta  Art.  46.  O  sujeito  passivo  poderá  formular  consulta  sobre  dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado.  Parágrafo  único.  Os  órgãos  da  administração  pública  e  as  entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais  também poderão formular consulta.  Art. 47. A consulta deverá ser apresentada por escrito, no domicílio  tributário do consulente, ao órgão  local da entidade incumbida de  administrar o tributo sobre que versa.  Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento  fiscal  será  instaurado  contra  o  sujeito  passivo  relativamente  à  espécie  consultada,  a  partir  da  apresentação  da  consulta  até  o  trigésimo dia subsequente à data da ciência:  I ­ de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto  recurso;  II ­ de decisão de segunda instância.  Art.  49.  A  consulta  não  suspende  o  prazo  para  recolhimento  de  tributo,  retido  na  fonte  ou  autolançado  antes  ou  depois  de  sua  apresentação,  nem  o  prazo  para  apresentação  de  declaração  de  rendimentos.  Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.996          49 Art. 50. A decisão de segunda instância não obriga ao recolhimento  de tributo que deixou de ser retido ou autolançado após a decisão  reformada  e  de  acordo  com  a  orientação  desta,  no  período  compreendido entre as datas de ciência das duas decisões.  Art. 51. No caso de consulta formulada por entidade representativa  de  categoria  econômica  ou  profissional,  os  efeitos  referidos  no  artigo  48  só  alcançam  seus  associados  ou  filiados  depois  de  cientificado o consulente da decisão.    Ao confiar exclusivamente “no seu taco”, dispensando os esclarecimentos do  Processo de Consulta, o Recorrente volitivamente  se colocou em situação de  risco calculado  perante  o  Fisco,  consciente  de  que  a  constatação  de  tal  irregularidade  iria  desaguar  em  apenação  condizente  com  a  gravidade  da  infração  perpetrada,  uma  vez  que  a  aplicação  de  penalidade pecuniária em razão de descumprimento de Obrigação Tributária Acessória ostenta  natureza  objetiva,  dispensando  a  investigação  do  elemento  subjetivo  da  conduta,  a  teor  dos  artigos 113, §3º, e 136 do CTN.  Código Tributário Nacional   Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  (...)  §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente  à  penalidade  pecuniária.    Art. 136. Salvo disposição de  lei  em contrário, a responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos  efeitos do ato.    Nessa  prumada,  configurando­se  as  verbas  pagas  pelo  Recorrente  a  seus  segurados  a  título  de  “Indenização Adicional CONTA CONTÁBIL – FENABAN”, “plano de  previdência  benefício  autos”,  “Benefício  Luvas”,  “Campanha  Olho  Vivo”  e  “Campanha  Segura Ele”, como parcelas integrantes do conceito jurídico de Salário de Contribuição, estas  deveriam ter sido NECESSÁRIA E OBRIGATÓRIAMENTE, declaradas, nessa condição, nas  GFIP  correspondentes,  nas  Folhas  de  Pagamento,  bem  como  nos  títulos  próprios  da  contabilidade do Recorrente.  Mas não o foram.    As condutas omissivas perpetradas pelo Recorrente representaram ofensa às  obrigações tributárias assentadas no:  a)  Art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 ­ CFL 30: Infração que motivou a lavratura  do  Auto  de  Infração  nº  37.314.744­9,  referente  ao  CNPJ  nº  90.400.888/0001­42;  Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     50 b)  Art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 ­ CFL 30: Infração que motivou a lavratura  do Auto de Infração nº 37.314.745­7, referente às empresas incorporadas,  cujos fatos geradores ocorreram antes da incorporação;  c)  Art.  32,  IV,  da  Lei  nº  8.212/91  ­  CFL  68:  Infração  que  motivou  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  nº  37.314.742­2,  referente  ao  CNPJ  nº  90.400.888/0001­42;  d)  Art.  32,  IV,  da  Lei  nº  8.212/91  ­  CFL  68:  Infração  que  motivou  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  nº  37.314.743­0,  referente  às  empresas  incorporadas, cujos fatos geradores ocorreram antes da incorporação;    Mostra­se valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos,  assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e  veracidade.  Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade  e  legitimidade  consiste  na  "conformidade  do  ato  à  lei.  Em  decorrência  desse  atributo,  presumem­se,  até  prova  em  contrário,  que  os  atos  administrativos  foram  emitidos  com  observância  da  lei"  (Direito Administrativo,  18ª  Edição,  2005, Atlas,  São  Paulo).  Ainda  de  acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência  desse atributo, presumem­se verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág.  191). Dessarte,  a  aplicação  da  presunção  de  veracidade  tem o  condão  de  inverter o  ônus  da  prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo  agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do  Código de Processo Civil.  Deflui  da  interpretação  sistemática  dos  dispositivos  encartados  nos  artigos  19,  II, da CF/88 e 364 do CPC que os  fatos  consignados  em documentos públicos carregam  consigo  a  presunção  de  veracidade  atávica  aos  atos  administrativos,  ostentando  estes  fé  pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como  verdadeiros até que se produza prova válida em contrário.  Constituição Federal de 1988   Art.  19. É  vedado à União,  aos Estados,  ao Distrito Federal  e  aos Municípios:  (...)  II ­ recusar fé aos documentos públicos;  (...)      Código de Processo Civil   Art.  364.  O  documento  público  faz  prova  não  só  da  sua  formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o  funcionário declarar que ocorreram em sua presença.    Nessa  prumada,  existindo  no  mundo  jurídico  um  ato  administrativo  comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de  legitimidade  e  veracidade  das  informações  nele  assentadas.  Como  prerrogativa  inerente  ao  Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.997          51 Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no  processo administrativo  fiscal como meio de prova hábil  a comprovar as alegações do órgão  tributário,  cabendo  à  parte  adversa  demonstrar,  ante  a  sua  natureza  relativa,  por  meio  de  documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce.   Configurando­se  o  Auto  de  Infração  como  um  documento  público  representativo  de  Ato  Administrativo  formado  a  partir  da  manifestação  da  Administração  Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do  seu conteúdo.  Ostentando,  todavia,  tal  presunção  eficácia  relativa,  esta  admite  prova  em  sentido  contrário  a  ônus  da  parte  interessada,  encargo  este  que  deve  ser  adimplido  pelo  Interessado, de molde a se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em  xeque.   No caso em pareço, relata a Autoridade Lançadora que o Autuado, apesar de  reiteradamente  intimado  mediante  Termos  Próprios,  não  prestou  esclarecimentos  quanto  à  divergência  entre  os  valores  declarados  na  GFIP  e  os  valores  declarados  na  DIRF,  como  pagamento a contribuintes  individuais, não forneceu a  relação de pagamentos a contribuintes  individuais  e  não  identificou  os  beneficiários  de  benefícios  fornecidos  a  título  de  incentivos  diversos.  Não  se  mostra  suficiente  a  desintegrar  a  presunção  de  veracidade  do  Ato  Administrativo em questão a mera afirmação verbal do Recorrente de que atendeu a todas as  solicitações da Fiscalização.  Com efeito, compulsando os autos, verificamos que os esclarecimentos a que  se  refere  o  Relatório  Fiscal  foram  reiteradamente  requeridos  pela  Fiscalização,  mediante  Termos Próprios de Intimação formal, fato que reforça a presunção de veracidade do conteúdo  ato  administrativo  em  tela,  não  tendo  o  Recorrente  produzido  nenhuma  prova  em  sentido  contrário.  Registre­se que, no caso em estudo, a infração que deu ensejo à lavratura do  Auto  de  Infração  CFL  35,  consistente  na  não  prestação  de  todas  as  informações  cadastrais,  financeiras  e  contábeis  de  seu  interesse,  na  forma  por  ela  estabelecida,  bem  como  os  esclarecimentos  necessários  à  Fiscalização,  é  de  consumação  instantânea,  Nessas  circunstâncias,  vencido  o  prazo  consignado  pela  Fiscalização,  a  infração  se  aperfeiçoa  e  se  exaure definitivamente, não mais admitindo convalescência ou correção ulterior.  Não  procede,  portanto,  a  alegação  de  que  prestou  pleno  atendimento  às  intimações da Fiscalização.  A  conduta  omissiva  assim  praticada  pela  Autuada  representa  ofensa  à  Obrigação Tributária Acessória prevista no Art. 32,  III, e §11, da Lei nº 8.212/91 ­ CFL 35:  Infração que motivou a  lavratura do Auto de  Infração nº 37.314.746­5,  referente ao CNPJ nº  90.400.888/0001­42.  Ademais, a infração tipificada no Código de Fundamentação Legal 35 possui  valor  único  e  indivisível,  de maneira  que  o quantum debeatur  a  ele  associado  independe  da  gravidade e do número de infrações cometidas, bastando para a sua caracterização e imputação  a ocorrência de uma única infração à obrigação tributária violada. Dessarte, a prestação parcial  Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     52 das informações e esclarecimentos requeridos pela Fiscalização não implica o afastamento da  imputação,  tampouco modificação  no  valor da multa  aplicada,  devendo  esta  ser mantida  em  sua integralidade individual.    3.3.  DA RETROATIVIDADE BENIGNA – AIOA CFL 68    Mudam­se os tempos, mudam­se as vontades,   Muda­se o ser, muda­se a confiança;   Todo o mundo é composto de mudança,   Tomando sempre novas qualidades.    Continuamente vemos novidades,   Diferentes em tudo da esperança;   Do mal ficam as magoas na lembrança,  E do bem (se algum houve) as saudades.    O tempo cobre o chão de verde manto,  Que já cuberto foi de neve fria,   E enfim converte em choro o doce canto.    E, afora este mudar­se cada dia,   Outra mudança faz de mor espanto,  Que não se muda já como soia.  Luís de Camões    Preliminarmente,  deve  ser  destacado  que  no  Direito  Tributário  vigora  o  princípio  tempus  regit  actum,  conforme  expressamente  estatuído  pelo  art.  144  do  CTN,  de  modo  que  o  lançamento  tributário  é  regido  pela  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.    Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.998          53 Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma  tributária  haver  sido  revogada,  ou  modificada,  após  a  ocorrência  concreta  do  fato  jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o  crédito tributário correspondente.  O  princípio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado  pela  superveniência  de  lei  nova,  nas  estritas  hipóteses  em  que  o  ato  jurídico  tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de  ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha  sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a  novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo  da sua prática.  Ocorre, no entanto, que as normas  jurídicas que disciplinavam a cominação  de  penalidades  decorrentes  da  não  entrega  de GFIP  ou  de  sua  entrega  contendo  incorreções  foram  alteradas  pela  Lei  nº  11.941/2009,  produto  da  conversão  da  Medida  Provisória  nº  449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram  mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas.   Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32­A, ad litteris  et verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações  incorretas  ou  omitidas;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.941/2009)   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no §3º deste artigo.  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  (grifos nossos)   §1º Para  efeito  de  aplicação  da multa  prevista  no  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não  apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  §2º Observado  o  disposto  no  §3º  deste  artigo,  as multas  serão  reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009).  Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     54 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei  nº 11.941/2009).  §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº  11.941/2009).  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  II  –  R$  500,00  (quinhentos  reais),  nos  demais  casos.  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009).    Originariamente, a conduta  infracional consistente em apresentar GFIP com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  era  punível  com  pena  pecuniária  correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada  aos valores previstos no parágrafo 4º do  art.  32  da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº  449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em  tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações  incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível.  A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este  ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor  do  inciso  I  do  art.  32­A  acima  transcrito,  fato  que  demonstra  tratar­se  a  ora  discutida  imputação,  de  penalidade  administrativa  motivada,  unicamente,  pelo  descumprimento  de  obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstancia­se infração e  implica  a  imposição de penalidade pecuniária,  em atenção às disposições  estampadas no  art.  113, §3º do CTN.  A Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  editou  a  IN RFB  nº  1.027/2010,  que assim dispôs em seu art. 4º:  Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010  Art.  4º  A  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  2009,  passa  a  vigorar acrescida do art. 476­A:  Art. 476­A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos  geradores ocorridos:  I  ­  até  30  de  novembro  de  2008,  deverá  ser  aplicada  a  penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  1966  (CTN),  cuja  análise  será  realizada  pela  comparação  entre  os  seguintes  valores:  a)  somatório  das  multas  aplicadas  por  descumprimento  de  obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de  1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das  aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos  moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e  b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35­A da Lei nº  8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009.    Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 1.999          55 II ­ a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicam­se as multas  previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela  Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei  nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009.  §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no  caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta  para a qual não havia antes penalidade prevista.    Óbvio  está  que  os  dispositivos  selecionados  encartados  na  IN  RFN  nº  1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos,  que  não  podem  ultrapassar  o  âmbito  da  norma  legal  que  rege  a  matéria  ora  em  relevo,  tampouco inovar o ordenamento jurídico.  Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não  vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação  principal  e  com  aquelas  decorrentes  da  inobservância  de  obrigações  acessórias,  para,  em  seguida,  se  confrontar  tal  somatório  com  o  valor  da multa  calculada  segundo  a metodologia  descrita no art. 35­A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa  se revela mais benéfica ao infrator.   Entendo  que  o  exame  da  retroatividade  benigna  deve  se  adstringir  ao  confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória,  calculada  segundo  a  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores  e  a  penalidade  pecuniária  prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo  que  se  imiscuir  com  a  multa  decorrente  de  lançamento  de  ofício  de  obrigação  tributária  principal. Lé com lé, cré com cré.   A análise da lei mais benéfica não pode superar  tais condições de contorno,  pois,  como  já  afirmado  alhures,  trata­se  de  obrigação  acessória  que  é  absolutamente  independente de qualquer obrigação principal.  Note­se que o princípio  tempus regit actum somente será afastado quando a  lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação  acessória,  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática.  Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação  entre  (a)  o  somatório  das multas  aplicadas  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  nos  moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos  moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei  nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair  dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação  entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476­A da IN RFB  nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea  ‘b’ do  inciso  I do mesmo dispositivo  legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica.  Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     56 De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente  a  lei  formal  pode  dispor  sobre  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos  e  tratar  de  hipóteses  de  exclusão,  suspensão  e  extinção  de  créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  II  ­  a  majoração  de  tributos,  ou  sua  redução,  ressalvado  o  disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  III  ­  a  definição  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e  do seu sujeito passivo;  IV  ­  a  fixação de alíquota do  tributo  e da sua base de  cálculo,  ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  V  ­  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos,  ou  para  outras  infrações  nela  definidas;  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.    Mostra­se  flagrante que  a  alínea  ‘a’  do  inciso  I  do  art.  476­A da  Instrução  Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela  IN RFB nº 1.027/2010, é  tendente a excluir,  sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação  acessória  nos  casos  em  que  a  multa  de  ofício,  aplicada  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  for mais  benéfica  ao  infrator.  Tal  hipótese  não  se  enquadra,  de  forma  alguma,  na  situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106,  II, ‘c’ do CTN, pois emprega como  parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento  de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória.  Há que se  reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e  independentes  entre  si,  pois que a  aplicação de uma não afasta  a  incidência da outra  e vice­ versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa  de  penalidade  pecuniária  estabelecida  mediante  Instrução  Normativa,  favor  tributário  que  somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN.   É  mister  ainda  destacar  que  o  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela  Medida  Provisória  nº  449/2008,  apenas  se  refere  ao  lançamento  de  ofício  das  contribuições  Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.000          57 previdenciárias previstas nas alíneas  ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma  Lei, das contribuições instituídas a  título de substituição e das contribuições devidas a outras  entidades  e  fundos,  não  produzindo  qualquer  menção  às  penalidades  administrativas  decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art.  44 da Lei nº 9.430/96.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.     Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  (...)  § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela  Lei nº 11.488/2007)   II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts.  11  a  13  da  Lei  nº  8.218,  de  29  de  agosto  de  1991;  (Renumerado  da  alínea  "b",  com  nova  redação  pela  Lei  nº  11.488/2007)   III  ­ apresentar a documentação  técnica de que  trata o art.  38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação  pela Lei nº 11.488/2007)  Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     58 §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.    Assim,  em  virtude  da  total  independência  e  autonomia  entre  as  obrigações  tributárias principal e acessória, o preceito  inscrito no art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído  pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão  exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do  FGTS e Informações à Previdência Social.  Uma  vez  que  a  penalidade  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontra­se  prevista  em  lei,  somente  o  Poder  Legislativo  dispõe  de  competência  para  dela  dispor.  A  legislação  complementar,  na  forma  de  Instrução  Normativa  emanada  do  Poder  Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a  diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu,  a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão  de  crédito  tributário,  em  flagrante  violação  às  disposições  insculpidas  no  §6º  do  art.  150  da  CF/88, o qual exige lei em sentido estrito.   Vislumbra­se inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser  flagrantemente  ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa  isolada em GFIP,  mesmo  que  o  sujeito  passivo  haja  promovido,  tempestivamente,  o  exato  recolhimento  do  tributo correspondente, conforme assentado no art. 32­A da Lei nº 8.212/91.   Nesse  contexto,  afastada  por  ilegalidade  a norma  estatuída  pela  IN RFB  nº  1.027/2010, por  representar a novel  legislação encartada no art. 32­A da Lei nº 8.212/91 um  benefício ao contribuinte, verifica­se a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso  II  do  art.  106 do CTN, devendo  ser observada a  retroatividade benigna,  sempre que  a multa  decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32­A da Lei nº 8.212/91  cominar  ao  Sujeito  Passivo  uma  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo da ocorrência da infração.  Assim,  em  relação  aos  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  nº  37.314.742­2 e 37.314.743­0, CFL 68, tratando­se o caso neles versado de hipótese de entrega  de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada  a penalidade prevista no inciso I do art. 32­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei  nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente.    3.4.  DAS MULTAS APLICADAS  O  Recorrente  alega  as  multas  aplicadas  decorrem  de  supostas  infrações  praticadas por empresas sucedidas por incorporação pela Recorrente, sendo que o lançamento  ora combatido ocorreu posteriormente à referida incorporação, de modo que a Recorrente não  pode ser responsabilizada pelo ônus da sanção imposta.  Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.001          59 De acordo com o art. 115 do CTN, o fato gerador da obrigação acessória é  qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato  que não configure obrigação principal.  Não  é  do  desconhecimento  de  ninguém  que  mediante  o  procedimento  administrativo do Lançamento promove­se a convolação da Obrigação Tributária, decorrente  do fato gerador apurado, no Crédito Tributário correspondente.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação  que,  na  forma  da  legislação  aplicável,  impõe  a  prática  ou  a  abstenção de ato que não configure obrigação principal.    Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade  cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.    Assim,  como  cediço,  o  lançamento  tributário  ostenta  natureza  jurídica  dúplice,  sendo  declaratória  da  obrigação  tributária,  e  constitutiva  do  Crédito  Tributário  correspondente.  Ocorre que, de acordo com o §3º do art. 113 do Código Tributário Nacional,  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal relativamente à penalidade pecuniária.  Código Tributário Nacional   Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador,  tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e  extingue­se juntamente com o crédito dela decorrente.  §2º  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por objeto as prestações, positivas ou negativas,  nela previstas no  interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.  §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente  à  penalidade  pecuniária.    Nessa  esteira, mediante  o  lançamento  tributário,  a penalidade  aplicada pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  convola­se  em  crédito  tributário,  conforme  artigos  113, §3º, e 142, ambos do CTN.  A  responsabilidade  da  Incorporadora  pelos  tributos  devidos  pela  empresa  incorporada decorre diretamente de previsão legal assentada nos artigos 129 e 132 do CTN.  Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     60 Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  129. O  disposto  nesta  Seção  aplica­se  por  igual  aos  créditos  tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição  à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos  mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas  até a referida data.    Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão,  transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável  pelos  tributos devidos até à data do ato pelas pessoas  jurídicas de  direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se  aos  casos  de  extinção  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  quando  a  exploração  da  respectiva  atividade  seja  continuada  por  qualquer  sócio  remanescente,  ou  seu  espólio,  sob  a  mesma  ou  outra  razão  social, ou sob firma individual.    Ocorre,  todavia,  que,  de  acordo  com o art.  129  do CTN, o disposto no  art.  132  do codex  aplica­se  por  igual  aos  créditos  tributários  definitivamente  constituídos  ou  em  curso  de  constituição  à  data  dos  atos  nela  referidos,  e  aos  constituídos  posteriormente  aos  mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.  Ora,  a  expressão  monetária  resultante  do  lançamento  de  penalidade  pecuniária  decorrente do  descumprimento  de Obrigação Acessória  possui,  portanto,  natureza  jurídica de “Crédito Tributário”.  Por isso, da conjugação dos preceitos inscritos nos artigos 129 e 132 do CTN,  deflui  que  a  pessoa  jurídica  de  direito  privado  que  resultar  de  fusão,  transformação  ou  incorporação de outra ou em outra é responsável pelos créditos tributários devidos até à data do  ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.  A norma tributária estabelece a responsabilidade tributária da sucessora pelos  Créditos Tributários de responsabilidade da sucedida decorrentes de fatos geradores ocorridos  até  a  data  da  sucessão, mesmo que o  crédito  tributário  decorrente  tenha  sido  constituído  em  data posterior.   Nesse sentido, a súmula nº 554 do STJ, vazado nos seguintes termos:  "Na  hipótese  de  sucessão  empresarial,  a  responsabilidade  da  sucessora  abrange  não  apenas  os  tributos  devidos  pela  sucedida,  mas  também  as  multas  moratórias  ou  punitivas  referentes  a  fatos  geradores ocorridos até a data da sucessão".    Merece também ser citada a súmula nº 47 do CARF.  Súmula CARF nº 47:   Cabível  a  imputação da multa  de  ofício  à  sucessora,  por  infração  cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam  sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.    Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.002          61   Não procede, portanto, o inconformismo dor Recorrente.    3.5. DA MULTA DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO  O Recorrente alega que deve ser excluída a  juros de mora incidente sobre a  multa de ofício.    Com  efeito,  as  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  seguridade  social, pagas em atraso, estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de  juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia  ­ SELIC, nos  termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela  sua  importância  ao deslinde da  questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à data dos fatos geradores.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­ SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Restabelecido  com  redação  alterada  pela  MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97)    A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema  Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do  julgado a seguir ementado:   TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA  TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO.   1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no  vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa  de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro,  a  possibilidade  de  sua  regulamentação  por  lei  extravagante.  o  que  ocorre  no  caso  dos  créditos  tributários,  em  que  a  Lei  9.065/95  prevê  a  cobrança  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de  Liquidação  e  de Custódia  ­  SELIC para títulos federais (art. 13).   2.  Diante  dai  previsão  legal  e  considerando  que  a  mora  é  calculada  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época  de  sua  apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC  sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram  objeto de parcelamento administrativo.   3.  Também,  há  de  se  considerar  que  os  contribuintes  têm  postulado  a  utilização  da  Taxa  SELIC  na  compensação  e  Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     62 repetição  dos  indébitos  tributários  de que  são  credores. Assim,  reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor  dos  contribuintes,  do  mesmo  modo  deve  ser  aplicada  na  cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia.   4.  Embargos  de  divergência  a  que  se  dá  provimento.  STJ  ­  EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª  SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167.    Mostra­se  auspicioso  esclarecer  que  o  conceito  de  crédito  tributário  abarca  não somente o principal como, também, os seus acessórios pecuniários legais, in casu, os juros  moratórios  e a multa punitiva,  consolidados  até  a data da  lavratura do Auto de  Infração. Ou  seja, verificado o inadimplemento do tributo, é cabível a incidência de juros moratórios sobre o  principal, desde a data do vencimento da obrigação até a data da lavratura do Auto de Infração,  bem  como  a  aplicação  de multa  punitiva,  que  passam  a  integrar  o  crédito  fiscal,  ou  seja,  o  montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco.  Uma  vez  consolidado  o  crédito  tributário  (Crédito  Tributário  =  principal  +  juros + multa), ao Sujeito Passivo é concedido prazo legal para o adimplemento espontâneo da  obrigação.   Não  se  deve  perder  de  vista  que  os  juros  moratórios  representam,  efetivamente, o preço do dinheiro, isto é, o valor que o detentor da moeda (o Sujeito Passivo)  paga ao  seu  legítimo proprietário  (o Fisco) pela posse  temporária do numerário que desde o  vencimento da obrigação já é de sua titularidade.   No  caso  dos  autos,  a  partir  da  data  de  vencimento  especificado,  o  Sujeito  Passivo passa a figurar como potencial devedor do montante consolidado objeto do lançamento  tributário.  Nessa  perspectiva,  os  juros  de  mora  são  devidos  para  compensar  a  demora  do  Sujeito Passivo no pagamento do crédito  tributário consolidado. Se ainda assim há atraso na  quitação  da  dívida,  os  juros  de  mora  devem  incidir  sobre  a  totalidade  do  crédito  tributário  consolidado, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda  Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora  no pagamento.  Com  efeito,  a  incidência  de  juros moratórios  sobre  o montante  do  Crédito  Tributário,  a  contar  da  data  de  constituição,  espelha  a  jurisprudência  firmada  por  ambas  as  Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme se depreende dos seguintes julgados  adiante ementados:  TRIBUTÁRIO.  MULTA  PECUNIÁRIA.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE.   1.  É  legítima  a  incidência  de  juros  de mora  sobre multa  fiscal  punitiva, a qual integra o crédito tributário.   2.  Recurso  especial  provido.  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.  Castro Meira, DJ de 14/9/2009).     PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.   Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.003          63 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que:  "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira,  DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.   2.  Agravo  regimental  não  provido.  (AgRg  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.335.688  –  PR,  Rel.  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJ de 10/12/2012)    Adite­se que a matéria em questão já se houve por decidida pela 1ª Seção do  STJ, no REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543­C do CPC,  com eficácia vinculativa desse precedente,  que deverá  ser  reproduzido pelos  conselheiros no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força do preceito insculpido no art. 62­A do  Regimento Interno do CARF.  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  À  EXECUÇÃO  FISCAL.  TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO  PARA  TRIBUTOS  ESTADUAIS  DIANTE  DA  EXISTÊNCIA  DE  LEI  AUTORIZADORA.  MATÉRIA  DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879.844/MG, DJE DE  25/11/2009,  JULGADO  SOB O  REGIME DO  ART.  543­C  DO  CPC.  ESPECIAL  EFICÁCIA  VINCULATIVA  DESSE  PRECEDENTE  (CPC,  ART.  543­C,  §7º),  QUE  IMPÕE  A  ADOÇÃO  EM  CASOS  ANÁLOGOS.  MULTA  PECUNIÁRIA.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA.  LEGITIMIDADE.  PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL  A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010).    Regimento Interno do CARF   Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.    Por  tais  razões,  entendemos  inexistir  irregularidade  na  incidência  de  juros  moratórios sobre o crédito tributário consolidado.    3.6.   DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS  Protesta a Recorrente pela produção de todas as provas em direito admitidas,  especialmente prova documental suplementar.  Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     64 Sem problema algum, desde que observados os requisitos legais.     A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que  o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentra­se na fase processual  da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento.   No âmbito do Ministério da Fazenda,  a disciplina da matéria em  relevo  foi  confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de  bloqueio  deve  consignar  os motivos  de  fato  e  de  direito  em que  se  fundamenta  a defesa,  os  pontos  de  discordância,  as  razões  e  as  provas  que  possuir. Mas  não  pára  por  aí:  Impõe  ao  impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de  preclusão  do  direito  de  fazê­lo  em  momento  futuro,  ressalvadas,  excepcionalmente,  as  hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Art. 16. A impugnação mencionará:  I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II ­ a qualificação do impugnante;  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos)   IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93)  V ­ se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo  ser  juntada  cópia  da  petição.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196/2005)  §1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)  §2º  É  defeso  ao  impugnante,  ou  a  seu  representante  legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo, cabendo ao  julgador, de ofício ou a  requerimento do  ofendido, mandar riscá­las. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)  §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou  estrangeiro,  provar­lhe­á  o  teor  e  a  vigência,  se  assim  o  determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que:  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532/97) (grifos nossos)   Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.004          65 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força maior;  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532/97)  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;  (Incluído pela  Lei nº 9.532/97)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)  §5º A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído  pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos)   §6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)    Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante.  (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos)    Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos)     Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela  produção de provas documentais no processo  administrativo  fiscal. Tem  sim, por disposição  legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação,  colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão.  Nos  termos  expressos  da  lei,  a  juntada  de  novos  documentos  no  Processo  Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do  lançamento  ou  do  recurso,  mediante  petição  escrita  na  qual  reste  demonstrado,  com  fundamentos  idôneos  e  comprovados,  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  no  momento  próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se  refiram a fato ou a  direito  superveniente,  ou  ainda,  que  se  destinem  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação.  Diante  de  tal  panorama,  após  o  oferecimento  da  impugnação,  a  juntada  de  novos  documentos  há  que  ser  requerida  ao  Órgão  que  irá  apreciar  e  julgar  o  recurso  eventualmente interposto,  in casu, ao CARF, se se tratar de Recurso Voluntário, ou à CSRF,  nas  hipóteses  de  Recurso  Especial,  repousando  aos  ombros  do  Peticionante  o  encargo  processual de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas  alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo quarto do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.  Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     66 Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente  a  ocorrência  de  qualquer  das  hipóteses  autorizadoras  previstas  no  aludido  §4º  do  art.  16  do  citado  Decreto  nº  70.235/72,  a  autorização  de  juntada  de  novas  provas  ou  a  apreciação  de  documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado,  negativa  de  vigência  à  Legislação  tributária,  providência  que  somente  poderia  emergir  do  Poder Judiciário.    4.  DO RECURSO DE OFÍCIO  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP  lavrou  Decisão  Administrativa  textualizada  no  Acórdão  nº  16­38.543  ­  11ª  Turma  da  DRJ/SPO1, a fls. 1490/1549, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele  fazer  excluir  as  Obrigações  Tributárias  decorrentes  dos  pagamentos  efetuados  a  título  de  “plano de previdência complementar BANESPREV II”, retificando o débito na forma exposta  no Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR a fls. 1482/1489, e recorrendo de  ofício de sua decisão.  Conforme  já consignado no  tópico  “3.1.3. DO PLANO DE PREVIDÊNCIA  COMPLEMENTAR BANESPREV II”, supra, de acordo com o relato da Autoridade Lançadora  veiculado  na  Informação  Fiscal,  a  fl.  1346,  “realmente  houve  um  equívoco  na  leitura  dos  esclarecimentos  prestados  pelo  SANTANDER  no  decorrer  da  auditoria  fiscal.  Trata­se  de  plano que atende à legislação de planos de previdência, prevê aposentadoria, está disponível a  todos os  empregados  e  há participação da patrocinadora e dos participantes,  portanto,  tais  valores devem ser excluídos dos autos”.  Nessa  esteira,  atendendo  às  informações  consignadas  na  Informação  Fiscal  acima referida, o Órgão Julgador de 1ª Instância procedeu à exclusão de tal rubrica da matéria  tributável  coberta  pela  vertente  autuação,  retificando  o  Crédito  Tributário  remanescente,  e  recorrendo de ofício de sua decisão.  Com efeito, atendendo as condições de contorno com que tal verba houve­se  por paga aos requisitos fixados no inciso XV do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, como assim  atestado  pelo  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância,  imperioso  é  o  reconhecimento  da  isenção  pretendida, motivo  pelo  qual,  nesse  específico  particular,  nega­se  provimento  ao Recurso  de  Ofício.     5.   CONCLUSÃO:  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento, tão somente, as  Obrigações Tributárias  Principais  constituídas,  exclusivamente,  por  intermédio  dos Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  nº  37.314.751­1  e  37.320.577­5,  decorrentes  dos  fatos  geradores  ocorridos  nas  competências  de  janeiro  e  fevereiro  de  2006,  em  razão  da  homologação tácita, nos termos expostos no §4º do art. 150 do CTN e em atenção à Súmula 99  do CARF.  Além disso, o valor das penalidades pecuniárias aplicadas mediante os Autos  de Infração de Obrigação Acessória nº 37.314.742­2 e 37.314.743­0, AIOA CFL 68, devem ser  recalculados, tomando­se em consideração as disposições inscritas no art. 32­A, inciso I e §3º,  II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa  Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.005          67 assim  calculado  se  mostrar  menos  gravoso  ao  Recorrente,  em  atenção  ao  princípio  da  retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN.    Outrossim, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGAR­LHE  PROVIMENTO.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.   Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     68   Voto Vencedor  Conselheiro Cleberson Alex Friess.  Peço licença ao nobre relator para discordar de um ponto específico contido  no sempre didático e criterioso voto proferido.  Cuida­se  das  multas  por  obrigação  acessória  imputadas  à  sucessora,  em  decorrência de infrações cometidas pelas sucedidas até antes da incorporação.  Transcrevo, inicialmente, a disciplina legal da responsabilidade por sucessão  empresarial prevista nos arts. 129 e 132 do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela  Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966:  Art.  129.  O  disposto  nesta  Seção  aplica­se  por  igual  aos  créditos  tributários definitivamente constituídos ou em curso  de  constituição  à  data  dos  atos  nela  referidos,  e  aos  constituídos  posteriormente  aos  mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações  tributárias  surgidas  até  a  referida  data.  (...)  Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de  fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é  responsável  pelos  tributos  devidos  até  à  data  do  ato  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  fusionadas,  transformadas ou incorporadas. (grifou­se)  Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica­se aos casos  de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a  exploração  da  respectiva  atividade  seja  continuada  por  qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou  outra razão social, ou sob firma individual.  A sucessão empresarial implica sucessão tributária. A fim de orientar o viés  interpretativo,  ressalto  que  o  patrimônio  é  composto  por  um  conjunto  de  bens,  direitos  e  obrigações, de maneira que o sucessor não recebe somente os bens e direitos, mas também as  obrigações integrantes do patrimônio do sucedido.  Conquanto  o  art.  132  do  CTN  refira­se  tão  somente  aos  tributos,  ao  interpretá­lo  conjuntamente  com  o  art.  129,  dispositivo  que  inaugura  a  Seção  denominada  "Responsabilidade dos sucessores", chega­se à conclusão de que a regra também aplica­se aos  créditos  tributários  definitivamente  constituídos  ou  em  curso  de  constituição  à  data  dos  atos  nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos.  Nesse raciocínio, o momento da constituição do crédito tributário pelo ato de  lançamento,  que  compreende  também  a  penalidade,  consoante  o  §  1º  do  art.  113  do  CTN,  acaba tornando­se irrelevante, porquanto o que interessa é a data da ocorrência do fato gerador.  Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.006          69 Essa  linha  de  pensamento  é  prevalente  no  âmbito  do  Superior  Tribunal  de  Justiça (STJ), a exemplo da decisão no Recurso Especial (REsp) nº 923.012/MG, proferida na  sistemática dos recursos repetitivos, da relatoria do Ministro Luiz Fux, cuja ementa reproduzo  parcialmente, na parte que interessa ao presente feito:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  RECURSO  ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.  543­C,  DO  CPC.  RESPONSABILIDADE  POR  INFRAÇÃO.  SUCESSÃO  DE  EMPRESAS.  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  DA  OPERAÇÃO  MERCANTIL.  INCLUSÃO  DE  MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS  INCONDICIONAIS.  IMPOSSIBILIDADE.  LC  N.º  87/96.  MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1ª  SEÇÃO,  NO  RESP  1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543­C DO CPC.  1.  A  responsabilidade  tributária  do  sucessor  abrange,  além  dos  tributos devidos pelo  sucedido, as multas moratórias ou  punitivas,  que,  por  representarem  dívida  de  valor,  acompanham  o  passivo  do  patrimônio  adquirido  pelo  sucessor,  desde  que  seu  fato  gerador  tenha  ocorrido  até  a  data  da  sucessão.  (Precedentes:  REsp  1085071/SP,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  21/05/2009,  DJe  08/06/2009;  REsp  959.389/RS,  Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado  em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC,  Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  23/04/2009,  DJe  13/05/2009;  REsp  3.097/RS,  Rel.  Ministro  GARCIA  VIEIRA,  PRIMEIRA  TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990)  (...)  Entretanto, ao ler integralmente o voto do atual ilustre Ministro do Supremo  Tribunal Federal,  tenho para mim que a multa moratória ou punitiva analisada e mencionada  diz  respeito  ao  descumprimento  da  obrigação  principal,  decorrente  do  não  pagamento  de  tributo na época do vencimento, coerente assim com a interpretação conjunta dos arts. 129 e  132 do CTN, antes referida.  Parece­me que nesse sentido foi redigido o voto nos Embargos de Declaração  do mesmo REsp nº 923.012/MG, de lavra do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, para o qual  também transcrevo a ementa do julgado, na parte de interesse à questão em debate:  EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  RESPONSABILIDADE  POR  INFRAÇÃO.  SUCESSÃO  DE  EMPRESAS  (INCORPORAÇÃO).  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  DA  OPERAÇÃO  MERCANTIL.  EXCLUSÃO  DE  MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE  INCONDICIONAL.  MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1a.  SEÇÃO,  NO  RESP.  1.111.156/SP,  REL  .MIN.  HUMBERTO  MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543­ C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE  QUE  NÃO  FICOU  COMPROVADA  ESSA  Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     70 INCONDICIONALIDADE,  NA  HIPÓTESE  DOS  AUTOS.  AUSÊNCIA  DE  OMISSÃO,  CONTRADIÇÃO  OU  OBSCURIDADE.  PRETENSÃO  DE  ALTERAÇÃO  DO  JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.  (...)  4.  Tanto  o  tributo  quanto  as  multas  a  ele  associadas  pelo  descumprimento  da  obrigação  principal  fazem  parte  do  patrimônio  (direitos  e  obrigações)  da  empresa  incorporada  que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser  cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada  deixa de ostentar personalidade jurídica. (grifei)  5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência  do  fato gerador,  que  faz  surgir a obrigação  tributária,  e do  ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como  restou  assentado  no  aresto  embargado,  que  esse  crédito  já  esteja  formalizado  por  meio  de  lançamento  tributário,  que  apenas o materializa.  (...)  Estender a interpretação para as obrigações acessórias, com a devida vênia, é  um passo adiante.   Tenho  consciência  que  as  decisões  definitivas  de  mérito  proferidas  na  sistemática  dos  recursos  definitivos  pelo  STJ  devem  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo  de  Recurso  Fiscais  (Carf),  conforme  o  disposto  no  §  2º  do  art.  62  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno,  aprovado  pela  Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015.   Sempre  que  aplicável  ao  caso  sob  apreciação  do  colegiado,  adoto  o  entendimento da Corte, por dever do ofício, independentemente do meu ponto de vista pessoal  sobre  a  matéria.  Todavia,  nessa  questão  específica,  não  estou  convencido  que  o  julgado  abrange  igualmente, com a clareza necessária  e  suficiente,  as multas por descumprimento de  obrigações acessórias.  Sob a ótica do direito tributário, os §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN prescrevem  a respeito da obrigação acessória:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem  por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou  penalidade pecuniária e extingue­se juntamente com o crédito  dela decorrente.  § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos  tributos.  §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente à penalidade pecuniária.  Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.007          71 É  evidente  que  a  obrigação  acessória  não  se  converte  imediatamente  em  principal pelo fato da sua inobservância, conforme a dicção do § 3º do art. 113. Se assim fosse,  o  sujeito  passivo  poderia  pagar  a  multa  e  não  cumprir  a  prestação  positiva  ou  negativa  estabelecida na legislação.  Quer  dizer  o  dispositivo  que  uma  vez  identificado  pelo  Fisco  o  descumprimento  do  dever  instrumental,  será  imposta  uma  multa,  de  cunho  patrimonial,  reportando­se ao momento do seu fato gerador e sendo exigida e cobrada por intermédio dos  mesmos mecanismos aplicados aos tributos.  De modo que  enquanto  não  aplicada  a  penalidade  pelo  descumprimento  da  obrigação acessória a multa fiscal não passa a integrar o passivo da empresa, não sendo correto  afirmar, ainda que relativa à obrigação tributária surgida até a data da sucessão, que fazia parte  do patrimônio da sucedida.  Ressalvo  a  hipótese  de  empresas  pertencentes  a  grupo  econômico  ou  sob  controle comum, antes da sucessão empresarial, todas sabedoras das condutas perpetradas por  uma e outra.  Essa  posição  encontra  amparo  no  enunciado  da  Súmula  Carf  nº  47,  assim  vazado:  Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício  à  sucessora,  por  infração  cometida  pela  sucedida,  quando  provado que  as  sociedades  estavam sob controle  comum ou  pertenciam ao mesmo grupo econômico.  Contudo, não localizei comprovação nos autos que as sociedades envolvidas  estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.  Dessa feita, voto no sentido de excluir do lançamento as multas por obrigação  acessória imputadas à sucessora, em decorrência de infrações cometidas pelas sucedidas até a  competência  da  incorporação,  por  terem  sido  lançadas  posteriormente  à  sucessão,  recalculando­se, portanto, a penalidade do AI nº 37.314.743­0.  Quanto  aos  demais  autos  de  obrigação  acessória,  por  abarcaram  competências  posteriores  à  incorporação  e  o  valor  da  multa  aplicado  em  montante  único,  independentemente do  período  ou  do  número  de  infrações,  não  haverá  alteração  dos  valores  lançados.  É como voto.    Cleberson Alex Friess    Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     72   Declaração de Voto  Conselheiro Carlos Alexandre Tortato  a) Do "Benefício Luvas"  Acompanhei o  ilustre  relator para o  fim de declarar  improcedente o  recurso  voluntário  e  manter  o  lançamento  sobre  as  verbas  indicadas  pelo  contribuinte  como  sendo  "Benefício Luvas" (item 3.1.1.).  Apresento  esta  declaração  de  voto  para  pontuar  os  fundamentos  que  me  levaram  a  entender  pela manutenção  do  auto  de  infração  sobre  as  referidas  verbas,  também  conhecidas  como  "Hiring  Bonus",  por  serem  estes  distintos  dos  apresentados  pelo  nobre  relator.  Divirjo frontalmente do posicionamento de que se tratam estas verbas como  sendo  "atencipação  de  salário,  motivado,  obviamente,  pelos  serviços  que  o  trabalhador  irá  prestar  à  empresa".  As  demais  razões  apresentadas  seguem  no  entendimento  de  se  tratar  ,nitidamente,  de  verba  que  se  amolda  ao  conceito  de  remuneração  e,  portanto,  passível  de  inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias.  Não se destina, esta declaração de voto, a combater os argumentos do sábio  relator, mas sim de apresentar o entendimento deste conselheiro e a sua motivação para negar  provimento ao recurso voluntário.  Entendo que o "Hiring Bonus" é, em sua essência, um pagamento decorrente  de um contrato de natureza civil, sem qualquer cunho ou repercussão trabalhista, tanto o é que,  nitidamente, se pactua e se concretiza anteriormente ao início da relação de trabalho.  Utilizo­me  das  claras  e  precisas  palavras  do  também  conselheiro  Carlos  Henrique  de Oliveira,  em  "Aspectos  Trabalhistas  e  Tributários  dos Bônus  de Contratação",  que  se  encontra  no  prelo  pela  editora  Revista  dos  Tribunais,  onde  apresenta  a  norteadora  e  fulminante conclusão:  "Em conclusão, podemos asseverar que o bônus de contratação  não  possui  natureza  remuneratória,  pois:  i)  não  apresenta  caráter  de  contraprestação  pelo  contrato  de  trabalho;  ii)  também não decorre do tempo à disposição do empregador; iii)  não é recebido em razão de interrupção do pacto laboral; iv) por  fim,  não  é  pago  em  razão  de  ajuste  constante  do  contrato  individual ou coletivo de trabalho.  Trata­se,  portanto,  de  verba  paga  pelo  empregador  ao  trabalhador para que  esse assine um contrato de  trabalho, nos  termos  ajustados  pela  parte,  não  integrando  o  contrato  de  trabalho e nem refletindo, para fins fiscais ou trabalhistas, como  decorrência  desse  contrato.  Eventuais  inadimplementos  na  execução  do  ajuste,  por  qualquer  das  partes,  deve  ser  demandando na Justiça do Trabalho, por força do artigo 114 da  Constituição Federal, porém sob as normas do Direito Civil."  Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.008          73 Embora  compartilhe  das  conclusões  acima  reproduzidas  e  sendo  estas  absolutamente opostas  à  apresentadas  pelo  conselheiro  relator,  no  presente  caso  acompanhei  este  no  seu  voto  pelo  único  e  simples motivo  de,  no  presente  processo,  o  contribuinte,  ora  recorrente,  não  ter  apresentado  qualquer  prova  de  que  os  valores  apresentados  como  pagamento de "Benefício Luvas" sejam, de fato, benefícios que ostentem tal natureza.  Ainda  que  o  recurso  voluntário  traga  toda  a  fundamentação  teórica  (apresentando  a mesma  conclusão  acerca  da  natureza da  verba  que  a presente  declaração  de  voto),  tais  alegações  não  passam  do  campo  conceitual,  ou  seja,  não  se  apresentou  individualizadamente  (sequer  exemplificativamente) qualquer  contrato  firmado que  ostente  a  natureza  da  pagamento  de  hiring  bonus.  Tampouco  se  demonstrou,  para  cada  um  dos  beneficiários  desses  pagamentos,  a  composição  desses  valores,  bem  como  as  datas  em  que  firmados possíveis contratos e o início dos respectivos pactos laborais etc.  Em resumo, não houve qualquer comprovação documental no presente caso.  Assim, não há condições do julgador administrativo declarar a natureza, se salarial ou não, de  uma determinada verba paga pelo contribuinte que a conteste, somente pela nomenclatura dada  por este em sua contabilidade. Com a autuação,  transfere­se ao contribuinte o ônus da prova  acerca  da  natureza  não  remuneratória  das  verbas  pagas  e,  contestando­as  simplesmente  de  maneira  retórica, conceitual,  independente de qual seja a alegação, não há como averiguar e,  consequentemente,  concluir,  que  referidos pagamentos ostentem a natureza de pagamentos  a  título de hiring bonus.  Por  estes  motivos,  entendo  que  deve  ser  negado  provimento  ao  recurso  voluntário  no  tocante  à  manutenção  do  lançamento  sobre  os  pagamentos  realizados  pelo  contribuinte sob a denominação de "Benefício Luvas".    b) Dos juros de mora sobre a multa de ofício  Divirjo  do  Relator  no  ponto  específico  da  incidência  dos  juros  moratórios  sobre a multa de ofício, consoante as razões que apresento a seguir.  A  recorrente  pleiteia  a  exclusão  da  incidência  dos  juros  de  mora  (TAXA  SELIC) sobre o montante devido a título de “multa de ofício”. Entendo que a recorrente tem  razão, posto que não há previsão legal que albergue a incidência dos juros moratórios sobre a  multa de ofício.   O  fundamento  legal  que  supostamente  dá  abrigo  à  incidência  dos  juros  moratórios  sobre a multa de ofício é o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, contudo, entendo  não ser esta a melhor interpretação. Eis a redação:    Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.   Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS     74 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere  o §  3º  do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.   O caput  do  referido  artigo  é bastante claro:  “Os débitos  para  com a União,  decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal  [...]”. O § 3º estabelece a incidência dos juros de mora sobre os débitos “a que se refere este  artigo”. Para se defender a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, tem­se que  entender  ser  esta  “decorrente  de  tributos  e  contribuições”. Ora,  as multas  de  ofício  não  são  débitos decorrentes de  tributos,  pois  são penalidades que decorrem de punição  aplicada pela  fiscalização quando verificadas as seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento  dos  tributos  e contribuições, após o vencimento do prazo para  tal;  e b)  falta de declaração e  declaração  inexata.  Incorridas  alguma  dessas  condutas,  surge  o  direito  da  fiscalização  de  imputar ao contribuinte a multa de ofício, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 (redação  atual):    Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  Assim, entendo que a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art.  61 da Lei nº. 9.430/96 se dá sobre “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ao passo  que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do  dever legal de declará­lo e/ou pagá­lo.   Ainda,  destaca­se  que  o  art.  161,  §  1º  do  Código  Tributário  Nacional  é  frequentemente usado como fundamento para autorizar a incidência dos juros de mora sobre a  multa de ofício. Do mesmo modo, entendo que o  referido dispositivo  legal não autoriza esta  incidência, posto que a previsão ali  contida está condicionada a edição de uma  lei específica  regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício:    Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 08/05/20 16 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 16327.720384/2011­07  Acórdão n.º 2401­004.194  S2­C4T1  Fl. 2.009          75 Portanto, discordo do entendimento do ilustre Relator apresentando as razões  pela qual afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que tanto o artigo  61,  §  3º,  da  Lei  nº.  9.430/96,  quanto  o  art.  161,  do CTN,  não  são  fundamento  legal  apto  a  permitir tal incidência.    Carlos Alexandre Tortato  Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/06/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS 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