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Numero do processo: 11020.901280/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PER/DCOMP. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO PELA AUTORIDADE FISCAL. HOMOLOGAÇÃO.
Uma vez comprovado e, inclusive, reconhecido o crédito pela autoridade fiscal, é de rigor a homologação da DCOMP, para extinguir o débito nela apresentado pela contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator.
EDITADO EM: 01/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luiz Fabiano Alves Pentado, Ester Marques Lins de Sousa, João Carlos de Figueiredo Neto, Gilberto Baptista e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator. EDITADO EM: 01/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luiz Fabiano Alves Pentado, Ester Marques Lins de Sousa, João Carlos de Figueiredo Neto, Gilberto Baptista e Marcelo Cuba Netto.
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RECONHECIMENTO DO CRÉDITO PELA AUTORIDADE FISCAL. HOMOLOGAÇÃO. Uma vez comprovado e, inclusive, reconhecido o crédito pela autoridade fiscal, é de rigor a homologação da DCOMP, para extinguir o débito nela apresentado pela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. EDITADO EM: 01/04/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 12 80 /2 00 6- 57 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luiz Fabiano Alves Pentado, Ester Marques Lins de Sousa, João Carlos de Figueiredo Neto, Gilberto Baptista e Marcelo Cuba Netto. Relatório Tratase de dois pedidos de compensação formalizados pela Contribuinte, para o fim de compensar saldo negativo de CSLL, do período de 01/01/2003 a 30/06/2003, no valor de R$ 257.180,75, com débitos de estimativa de CSLL de julho e agosto de 2003, nos valores de, respectivamente, R$ 223.771,11 e R$ 42.040,50. O pedido de compensação relativo a agosto (28645.32893.260903.1.3.030708) foi homologado por conta do decurso do prazo de cinco anos para sua apreciação, conforme artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. O pedido de compensação relativo a julho (21380.95123.260803.1.3.038385) remanesce em discussão. Tendo sido devidamente contextualizada a lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Em 26/08/2003, a Contribuinte apresentou a DCOMP original nº 21380.95123.260803.1.3.038385 (fls. 01/05), por meio da qual buscou compensar débito de estimativa de CSLL de julho de 2003, no valor de R$ 223.771,11, com crédito de saldo negativo de CSLL, do período de 01/01/2003 a 30/06/2003, no valor de R$ 257.180,75. Em 25/09/2003, a Contribuinte apresentou DCOMP retificadora (29159.29096.250903.1.7.033720 fls. 6/10), para o fim de especificar que, do débito compensado, R$ 217.084,90 correspondia a “parcela utilizada do crédito original”. Em 14/09/2006, a Contribuinte apresentou nova DCOMP retificadora (34151.86036.140906.1.7.038619 fls. 11/17), para o fim de acrescentar informações sobre a composição do saldo negativo de CSLL. Em 26/09/2003, a Contribuinte apresentou a DCOMP sequencial nº 28645.32893.260903.1.3.030708 (fls. 18/21), na qual buscou compensar débito de estimativa de CSLL de agosto de 2003, no valor de R$ 42.040,50, com crédito de saldo negativo de CSLL, do período de 01/01/2003 a 30/06/2003, no valor de R$ 257.180,75. Tabelando essas informações, temos: Retificadora DCOMP nº 34151.86036.140906.1.7.038619 DCOMPs Retificadas DCOMP Nº 21380.95123.260803.1.3.038385 DCOMP nº 29159.29096.250903.1.7.033720 Envio: 14/09/2006 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.901280/200657 Acórdão n.º 1201001.381 S1C2T1 Fl. 481 3 Crédito: Saldo Negativo de CSLL de 01/01 a 30/06/2003 R$ Crédito: Histórico R$ 217.084,90 R$ 223.771,11 jul/03 Estimativa CSLL R$ Débitos: Histórico TOTAL R$ 223.771,11 Despacho Decisório Não homologou por inexistência de saldo negativo com base nas informações prestadas pela contribuinte. Sequencial DCOMP Nº 28645.32893.260903.1.3.030708 Envio: 26/09/2003 Crédito: Saldo Negativo de CSLL de 01/01 a 30/06/2003 Valor : R$ 40.095,85 R$ 42.040,50 ago/03 Estimativa CSLL Débitos: TOTAL R$ 42.040,50 Despacho Decisório Cf. fl. 86, homologado por conta do decurso do prazo de cinco anos para sua apreciação. Em 06/02/2009, foi emitido Despacho Decisório (fls. 84/87), nos seguintes termos: “Verificase que o saldo negativo da CSLL foi composto de pagamentos das estimativas referentes aos meses de março a maio de 2003, conforme DCTF’s de fls. 76/80, as quais foram pagas integralmente por meio de Darf’s, conforme extrato do sistema interno Sinal 10 de fl. 43. Constatase, por outro lado, que as estimativas referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2003 não foram compensadas, por falta de crédito, conforme prova o documento de fl. 81, tendo em vista que referidos débitos constam dos processos administrativos de nº 11020.005075/200235, o qual está no Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme extrato do sistema Comprot de fl. 82. O evento cisão parcial restou comprovado pelos documentos de fls. 30 e 32. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 A contribuição social retida na fonte solicitada na declaração de compensação de n° 34151.86036.140906.1.7.038619 e, na DIPJ de n° 113684794, anexada às fls. 33/40, no valor de R$ 761,90, não restou comprovada pelas DIRF’s de fls. 45/70. Desta forma, é inexistente o saldo negativo solicitado com base nas informações prestadas pela interessada em sua declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídica, bem como na declaração de compensação eletrônica de nº 34151.86036.140906.1.7.038619, conforme planilha de fl. 83 [...]” – fl. 85. (...) “Em face do exposto e mais o que dos autos consta, reconheço a homologação por disposição legal da declaração de compensação, transmitida em 26/09/2003, documento de fls. 18/21 [em virtude do transcurso do prazo de cinco anos, nos termos do artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96], e não homologo a compensação do(s) débito(s) objeto(s) da declaração de compensação constante dos autos, transmitida eletronicamente e inserida nestes autos às fls. 11/17” – fl. 86. Intimada (fl. 133, AR sem indicação de data), a Contribuinte, em 26/06/2009, protocolou manifestação de inconformidade (fls. 134/154 e docs. anexos fls. 155/368), aduzindo, em suma, que: Ø O Despacho Decisório seria nulo em razão da falta de fundamentação para a não homologação da compensação realizada; Ø O presente processo e os de nºs 11020.005075/200235 e 11020.000801/200312 seriam conexos, razão pela qual se pleiteou que o presente processo fosse suspenso até que se encerrasse o julgamento dos outros dois ou que todos os processos fossem julgados conjuntamente; e Ø Subsidiariamente, fosse integralmente homologada a compensação, pois o imposto de renda retido na fonte por órgãos públicos, no valor de R$ 761,90, referente à estimativa de fevereiro de 2003, estaria demonstrado pelo comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte (doc. nº 27) e existiriam os créditos do processo nº 11020.005075/2002 35. Em 31/10/2011, a 5ª Turma da DRJ/POA, por meio do acórdão de nº 10 35.313 (fls. 378/382), decidiu, por unanimidade de votos, julgar a manifestação de inconformidade improcedente. O aludido acórdão foi assim ementado à fl. 378: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.901280/200657 Acórdão n.º 1201001.381 S1C2T1 Fl. 482 5 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O despacho decisório não é nulo quando não se verificam os casos taxativos enumerados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, especialmente o relativo ao direito de defesa, o qual é garantido à contribuinte através de manifestação de inconformidade. QUESTÃO PREJUDICIAL. SUSPENSÃO DO PROCESSO. Não há previsão legal, no âmbito do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal), de suspensão de julgamento de processo que dependa de outro processo ainda não definitivamente julgado na esfera administrativa. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A homologação da compensação depende, como requisito fundamental, da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pela contribuinte, sem o que não deve ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Os fundamentos do acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/POA podem ser assim resumidos: DA PRELIMINAR DE NULIDADE “Ademais, ressaltese que não houve prejuízo de entendimento do que motivou a não homologação da compensação da contribuinte e que pudesse prejudicar o exercício do seu contraditório e a ampla defesa. O despacho decisório da DRF/CXL é claro quando menciona que “é inexistente saldo negativo solicitado com base nas informações prestadas pela interessada...” (fl. 85). A base legal citada no despacho decisório (caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96 – fls. 85 e 86) condiciona a compensação à “apuração de crédito” pelo sujeito passivo e, portanto, a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório por parte da contribuinte é condição básica para que ocorra a homologação da sua compensação.” – fl. 381. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 DO PEDIDO DE SUSPENSÃO DO JULGAMENTO “Não há amparo legal, no âmbito do Decreto n° 70.235/72, para a anexação de processos correlatos ou a suspensão do julgamento de um processo que dependa do trâmite de outro ainda não definitivamente julgado na esfera administrativa, conforme pretensão da contribuinte em sua argumentação” fl. 381. DO MÉRITO “No despacho decisório, a DRF/CXL constatou um saldo “a pagar” de CSLL de R$ 312.352,33, enquanto a contribuinte informou na DIPJ/2003 (período de 01/01/03 a 30/06/03 evento de cisão parcial) um “saldo negativo” de CSLL de R$ 257.180,75. A diferença de R$ 569.533,08 é composta pela adição de três parcelas: de R$ 761,90 de CSLL retida na fonte por órgão público (quantia não confirmada nas DIRF onde a contribuinte consta como beneficiaria e para a qual anexou comprovante de retenção na manifestação de inconformidade fls. 356 e 357) e dos pagamentos das estimativas de janeiro/2003 (R$ 142.165,44) e fevereiro (R$ 426.605,74) realizados através de compensações “não homologadas” pela DRF/CXL, constantes no processo administrativo 11020.005075/200235” fl. 318. (...) “A contribuinte incluiu, na manifestação de inconformidade, o comprovante de retenção na fonte referente ao valor de R$ 761,90 (fls. 356 e 357), o qual aceito como prova de parte do pagamento da estimativa mensal do mês de fevereiro/2003, [...]. Esse valor, porém, já foi concedido à contribuinte, englobado nos valores concedidos pela DRF/CXL em virtude da homologação por disposição legal do PER/DCOMP n° 28645.32893.260903.1.3.030708 (R$ 40.095,85). Por fim, não reconheço o montante de R$ 568.771,18 relativo aos pagamentos das estimativas de janeiro/2003 e fevereiro/2003, uma vez que o direito creditório a eles relativos não é nem líquido e nem certo, porquanto foram realizados por compensações não homologadas pela DRF/CXL (processo nº 11020.005075/200235), encontrandose pendente de decisão administrativa no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (fl. 365)” fl.382. Cientificada em 14/11/2011 (fl. 385), a Contribuinte, em 05/12/2011, interpôs Recurso Voluntário (fls. 386/405 e docs. anexos fls. 406/425), sustentando que: DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Fl. 500DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.901280/200657 Acórdão n.º 1201001.381 S1C2T1 Fl. 483 7 “Diante do conteúdo do despacho decisório não foi possível encontrar, no entanto, em nenhum momento, qualquer trecho que fizesse referência ao(s) dispositivo(s) legal(is) que teria(m) sido infringido(s) pela Recorrente, assim como a consequente penalidade aplicável. Ou seja, em momento algum a decisão administrativa explica qual(is) o(s) fundamento(s) legal(is) que teria(m) impedido a homologação da compensação realizada pela Recorrente” fl. 389. DAS ESTIMATIVAS REFERENTES AOS MESES DE JANEIRO E FEVEREIRO DE 2003 “Em 22 de abril de 2002, a empresa Randon S.A. Implementos e Sistemas Automotivos procedeu à cisão parcial da companhia, tendo por incorporadora da parcela cindida a empresa Suspensys Sistemas Automotivos Ltda., conforme comprovado pelos documentos nºs 11 a 23, juntados à manifestação de inconformidade. Em 01 de outubro de 2002, foi realizada nova cisão parcial, na qual participaram como cindida e incorporadora as mesmas pessoas jurídicas da primeira operação comercial. Em decorrência dessas cisões parciais, foram apurados saldos negativos que poderiam ser compensados, tanto de IRPJ quanto de CSLL, os quais foram apresentados à D. Autoridade Fiscal para que fosse realizado o citado procedimento [discutido no processo nº 11020.005075/200235]” – fl. 396. (...) Não obstante, a Recorrente, entendendo que todos os procedimentos adotados estariam corretos, o que se reafirma, efetuou a compensação do saldo negativo apurado em 2002, nas operações de cisão e incorporação, e compensou com tributos vincendos no primeiro trimestre de 2003, o que originou a autuação de outro processo administrativo, de nº 11020.000801/200312.” – fl. 398. (...) “Atualmente, ambos processos, tanto o de nº 11020.005075/2002 35, quanto o de nº 11020.000801/200312, encontramse pendentes de julgamento perante o E. Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo os Recursos Voluntários sido autuados, respectivamente, sob os nºs 150.940 e 156.561. Cumpre salientar, ainda, que os dois processos estão correndo conjuntamente, e encontramse sob a relatoria do Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno” fl. 398. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS “Pois bem. Analisandose as duas PER/DCOMPs e seus respectivos conteúdos (fls. 11/21), verificase que o valor em questão foi lançado na PER/DCOMP nº 34151.86036.140906.1.7.038619 (fls. 13) e não na PER/DCOMP nº 28645.32893.260903.1.3.030708, razão pela qual referido valor, em hipótese alguma, pode ter sido “concedido à contribuinte” em virtude da homologação da PER/DCOMP nº 28645.32893.260903.1.3.030708, já que dela não fazia parte, não tendo sido mencionado em nenhuma das folhas que compuseram o referido PER/DCOMP” fl. 400. DA SUSPENSÃO OU DA CONEXÃO “Assim, ante o princípio da conexão, trazido da Lei Processual Civil, e aplicado por analogia, devese determinar que o presente processo seja suspenso, ou ao menos, anexado aos autos dos processos de nº 11020.005075/200235 e 11020.000801/200312, para se evitar conflito de decisões e a completa inutilidade da prestação julgadora da autoridade administrativa fiscal ao qual foi imposto o crivo.” – fl. 404. Em 07/11/2014, a antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por meio da Resolução nº 1102000.221 (fls. 429/437), decidiu, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas pela Contribuinte e converter o julgamento em diligência, com base nos seguintes argumentos: DA NULIDADE “Com razão a DRJ/POA. Efetivamente, a autoridade fiscal descreveu os fatos, bem como apontou norma legal (art. 74 da Lei nº 9.430/96) que exige a apuração do crédito para haver compensação. (...) Ademais, haja vista que a Contribuinte defendeuse de todos os fatos, não há que se falar em prejuízo nem de cerceamento de defesa.” – fl. 436. SUSPENSÃO OU CONEXÃO DO PROCESSO “Quanto ao pedido de suspensão do processo, impossível por falta de previsão legal. Já o pedido de conexão entre os quatro processos, apesar da previsão legal constante do art. 47 e especialmente do art. 49, §7º, ambos do Regimento Interno do CARF, Fl. 502DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.901280/200657 Acórdão n.º 1201001.381 S1C2T1 Fl. 484 9 não há mais interesse, posto que os processos de número 11020.005075/200235 e 11020.000801/200312 já foram julgados.” – fl. 436. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA “Por esta razão [conclusão do processo nº 11020.005075/200235, com decisão parcialmente favorável a Contribuinte], o julgamento deve ser convertido na realização de diligências para que a unidade de jurisdição da recorrente: · Reavalie a constituição dos créditos da Contribuinte, calculando o quanto será afetado pelo reconhecimento da compensação ou da cobrança do débito nos demais processos. · A recorrente deverá tomar ciência do Relatório Fiscal e serlhe concedido prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar, se desejar. · Encerrados todos os procedimentos, os autos deverão retornar a este Conselheiro para dar continuidade ao julgamento do litígio.” – fl. 437. Em 08/04/2015, foi formalizada a Informação DRF/CXL/Seort nº 11 (fls. 443/445), trazendo, em síntese, a seguinte informação: “Com relação às estimativas que eram objeto de declarações de compensação não homologadas à data do despacho decisório proferido por esta Delegacia, cabe registrar que, com base no extrato atualizado do sistema Profisc do processo administrativo nº 11020.005075/200235 (doc. de fls. 439 a 442), a importância de R$ 568.771,18 foi quitada por meio do referido processo. Assim, fica confirmado o crédito de R$ 257.180,75. Porém, de acordo com os documentos de fls. 105/107, foi utilizado o montante de R$ 40.095,85 do crédito em tela para quitar o débito do Perdcomp nº 28645.32893.260903.1.3.030708, cuja compensação estava homologada por disposição legal há data do despacho decisório nº 16, de 06/02/2009, doc. de fls. 84/87. Em consequência remanesce a importância de R$ 217.084,90” – fl. 444. Intimada em 28/04/2015 (fl. 450), a Contribuinte, em 14/05/2015, apresentou petição (fl. 452 e docs. anexos fls. 453/475), manifestando sua concordância com o resultado da diligência e pleiteando o reconhecimento do direito creditório pleiteado na PER/DCOMP objeto do presente processo. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte, fazemse presentes, senão, vejamos. Nos termos do art. 7º, § 1º1, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 2º, inciso II2, desse mesmo diploma, os recursos interpostos em processo de compensação, cujo crédito alegado seja decorrente de CSL, são da competência desta Primeira Seção. Ademais, o presente processo é de competência deste conselheiro, nos termos do artigo 49, § 5º3, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pois foi ele quem relatou a Resolução nº 1102000.221, que converteu o julgamento em diligência. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogada (fls. 386 e 405), a qual possui poderes para a prática deste ato, conforme se comprova pelo Instrumento Público de Procuração (fls. 408/410). Por fim, quanto à tempestividade, a decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/POA em 31/10/2011 (fls. 378/382) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 14/11/2011, uma segundafeira (fl. 385), e o recurso foi interposto em 05/12/2011(fl. 386), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72, afinal o dies ad quem era em 14/12/2011, uma quartafeira. Nesse caminho, recebo o Recurso Voluntário. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS 1 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. 2 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); 3 Art. 49. O presidente da Câmara participará do planejamento da quantidade de lotes a ser sorteada aos conselheiros dos colegiados vinculados à Câmara e dos recursos repetitivos. § 5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os Fl. 504DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.901280/200657 Acórdão n.º 1201001.381 S1C2T1 Fl. 485 11 Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos são os seguintes: 1. O Acórdão DRJ padece de nulidade? 2. O curso deste processo deve ser suspenso até que seja proferida decisão final nos PAFs 11020.005075/200235 e 11020.000801/200312? 3. A Contribuinte comprovou ter o crédito de (i) R$ 761,90 de IRFonte Órgão Público e (ii) Estimativas de janeiro de R$ 142.165,44 e fevereiro de R$ 426.605,74, os três compondo o Saldo Negativo de CSLL de 2003? III. DAS PRELIMINARES Em 07/11/2014, a extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por meio da Resolução nº 1102000.221 (fls. 429/437), decidiu, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas pela Contribuinte, com base nos seguintes argumentos: DA NULIDADE “Com razão a DRJ/POA. Efetivamente, a autoridade fiscal descreveu os fatos, bem como apontou norma legal (art. 74 da Lei nº 9.430/96) que exige a apuração do crédito para haver compensação. (...) Ademais, haja vista que a Contribuinte defendeuse de todos os fatos, não há que se falar em prejuízo nem de cerceamento de defesa.” – fl. 436. SUSPENSÃO OU CONEXÃO DO PROCESSO “Quanto ao pedido de suspensão do processo, impossível por falta de previsão legal. Já o pedido de conexão entre os quatro processos, apesar da previsão legal constante do art. 47 e especialmente do art. 49, §7º, ambos do Regimento Interno do CARF, não há mais interesse, posto que os processos de número 11020.005075/200235 e 11020.000801/200312 já foram julgados.” – fl. 436. A despeito de as preliminares terem sido rejeitadas no julgamento realizado em 07/11/2014 pela extinta 2ª TO, o RICARF impõe nova apreciação, nos termos do art. 63, § 5º, do Anexo II: com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Assim, considerando que, por meio de resolução, o processo foi remetido em diligência, retornando agora para novo julgamento, as questões preliminares outrora julgadas devem ser reapreciadas. III.1 Da alegada nulidade do Despacho Decisório A Contribuinte alegou a nulidade do Despacho Decisório, argumentando que o referido ato administrativo “sequer demonstra quais os critérios legais utilizados para não ser reconhecida a compensação pleiteada” – fl. 395 e, por fim, pediu: “Seja acolhida a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, uma que o Despacho Decisório não apresentou qualquer fundamento que suportasse a decisão de não homologar a compensação efetuada pela Recorrente – fl. 404. Entendo que deve ser rejeitada a alegada nulidade. A autoridade fiscal descreveu os fatos, bem como apontou a norma legal que exige a comprovação do crédito para haver a compensação. Ainda que não tivesse explicitado o dispositivo legal, explicado o porquê de a DCOMP não ter sido homologada, não poderia ser acolhida a preliminar apresentada pela Contribuinte. Nesse sentido, o Acórdão nº 2802002.810, de 14 de abril de 2014: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1993 DESPACHO DECISÓRIO. EXPLICITAÇÃO DE CONCEITO JURÍDICO. FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. DESCABIMENTO DA ALEGAÇÃO DE FALTA DE MENÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. Definir conceitos jurídicos não é tarefa própria das leis. A alegação de nulidade por falta de menção a dispositivo legal é descabida por ter o despacho decisório se ocupado de explicitar conceitos jurídicos de compensação e de saldo negativo, hipótese em que é inadmissível exigir menção a Fl. 506DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.901280/200657 Acórdão n.º 1201001.381 S1C2T1 Fl. 486 13 dispositivo legal. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. DESCABIMENTO DA ALEGAÇÃO DE FALTA DE MENÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO IMPLICA INEXISTIR NULIDADE Uma vez que era descabido exigir menção a dispositivo legal no despacho decisório, não há que se falar em prejuízo à defesa se o acórdão de primeira instância também não menciona os dispositivos legais. Não há nulidade sem prejuízo. Ademais, haja vista que a Contribuinte se defendeu de todos os fatos, não há que se falar em prejuízo, nem em cerceamento ao exercício do direito de defesa. A preliminar deve ser rejeitada. III.2 da suspensão do curso deste processo A Contribuinte pediu a suspensão do curso deste PAF para aguardar “a decisão final a ser proferida nos autos dos processos administrativos nº 11020.005075/200235 e 11020.000801/200312, haja vista a cristalina conexão existente entre eles” – fl. 405. O pedido deve ser rejeitado, haja vista que ambos os processos citados pela Contribuinte já foram julgados. IV. DA ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO Como relatado acima, a DRJ, quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade, não reconhecera a existência dos seguintes créditos que compunham o Saldo Negativo de CSLL de 01 a 06/2003: (i) R$ 761,90 de IRFonte Órgão Público e (ii) Estimativas de janeiro de R$ 142.165,44 e de fevereiro de R$ 426.605,74. Executada a diligência nos termos da Resolução nº 1102000.221 (fls. 429/437), é possível constatar que houve o reconhecimento do crédito pleiteado pela contribuinte na PER/DCOMP nº 34151.86036.140906.1.7.038619, no valor de R$ 217.084,90. É o que se extrai da Informação DRF/CXL/Seort nº 11 (fls. 443/445): “De acordo com a tela de Sinal 10, doc. de fl. 43, a contribuinte pagou a título de estimativa de CSLL para o período, por meio de DARF, a importância de R$ 1.326.033,37. A CSLL retida, embora não conste da DIRF, foi confirmada pelo comprovante de fl. 367, no valor de R$ 761,90. Com relação às estimativas que eram objeto de declarações de compensação não homologadas à data do despacho decisório proferido por esta Delegacia, cabe registrar que, com base no Fl. 507DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO 14 extrato atualizado do sistema Profisc do processo administrativo nº 11020.005075/200235 (doc. de fls. 439 a 442), a importância de R$ 568.771,18 foi quitada por meio do referido processo. Assim, fica confirmado o crédito de R$ 257.180,75. Porém, de acordo com os documentos de fls. 105/107, foi utilizado o montante de R$ 40.095,85 do crédito em tela para quitar o débito do Perdcomp nº 28645.32893.260903.1.3.030708, cuja compensação estava homologada por disposição legal há data do despacho decisório nº 16, de 06/02/2009, doc. de fls. 84/87. Em consequência remanesce a importância de R$ 217.084,90” – fl. 444. Sobre o tema, a Contribuinte manifestou sua expressa concordância quanto ao disposto na informação fiscal supracitada (fl. 452), pleiteando a homologação do crédito veiculado na PER/DCOMP objeto do presente processo. Confrontando o débito de CSLL do período e os recolhimentos efetuados, restou comprovando o Saldo Negativo de CSLL 2003 no valor de R$ 257.207,75, como demonstra a tabela abaixo: Composição do Saldo Negativo de 2003 P.A DCOMP Pagamentos Débito CSLL Extinto por: Valor considerado no S.N. Fisco Fl. R$ 761,90 IRFonte Órgão Público R$ 761,90 R$ 761,90 Fl. 444 mar/03 R$ 522.699,53 Estimativa DARF R$ 522.699,53 R$ 522.699,53 abr/03 R$ 709.130,87 Estimativa DARF R$ 709.130,87 R$ 709.130,87 mai/03 R$ 94.229,97 Estimativa DARF R$ 94.229,97 R$ 94.229,97 Fl. 444 jan/03 R$ 142.165,44 Estimativa compensada com saldo de períodos anteriores 11020.005075/200235 R$ 142.165,44 R$ 142.165,44 fev/03 R$ 426.605,74 Estimativa compensada com saldo de períodos anteriores 11020.005075/200235 R$ 426.605,74 R$ 426.605,74 Fl. 444 TOTAL R$ 1.895.593,45 R$ 1.638.385,70 R$ 257.207,75 R$ 1.895.593,45 R$ 1.895.593,45 Confrontando o Relatório da Diligência com os documentos constantes nos autos, temos: 01. Ficha 17 da DIPJ que demonstra o valor que deveria ter sido recolhido pela Contribuinte no período de 01/01 a 30/06/2003, qual seja, R$ 1.638.385,70 (fl. 38); 02. Comprovação da CSLL retida no valor de R$ 761,90 (fl. 368); 03. DARFs que comprovam o pagamento das estimativas de março (R$ 522.699,53), abril (R$ 709.130,87) e maio (R$ 94.229,97) de 2003 (fl. 43); e Fl. 508DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11020.901280/200657 Acórdão n.º 1201001.381 S1C2T1 Fl. 487 15 04. Extrato do Sistema PROFISC que comprova a quitação das estimativas de janeiro (R$ 142.165,44) e fevereiro de 2003 (R$ 426.605,74) compensadas com saldo negativo de período anterior, outrora em discussão no PAF nº 11020.005075/200235 (fl. 440). Ou seja, todos os valores constantes na tabela acima estão devidamente comprovados nestes autos. Diante do exposto, voto no sentindo de homologar integralmente a PER/DCOMP nº 34151.86036.140906.1.7.038619, posto que o valor nela pleiteado foi comprovado e, inclusive, reconhecido pela Autoridade Fiscal em sede de diligência. V. DISPOSITIVO Por tudo quanto exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento para HOMOLOGAR INTEGRALMENTE a DCOMP nº 34151.86036.140906.1.7.038619 e extinguir o débito de R$ 217.084,90 acrescido dos respectivos juros e multa, nos termos do voto. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Fl. 509DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10494.000659/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan. A turma decidiu ainda, por maioria, pela inexistência de nulidade em relação à indicação de sujeição passiva, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Waltamir Barreiros, tendo o Conselheiro Rosaldo Trevisan, sobre a matéria, votado pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Sustentou pela contribuinte o Advogado Miguel Zachia Paulo OAB/RS n. 81.555.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan. A turma decidiu ainda, por maioria, pela inexistência de nulidade em relação à indicação de sujeição passiva, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Waltamir Barreiros, tendo o Conselheiro Rosaldo Trevisan, sobre a matéria, votado pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Sustentou pela contribuinte o Advogado Miguel Zachia Paulo OAB/RS n. 81.555. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
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Subfaturamento. Recorrente ANDRE D TECNOLOGI E SERVIÇOS EPP (nova denominação de SECURITECH TECNOLOGIA EM SEGURANÇA LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan. A turma decidiu ainda, por maioria, pela inexistência de nulidade em relação à indicação de sujeição passiva, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Waltamir Barreiros, tendo o Conselheiro Rosaldo Trevisan, sobre a matéria, votado pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Sustentou pela contribuinte o Advogado Miguel Zachia Paulo OAB/RS n. 81.555. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. RELATÓRIO Trata o presente de autos de infração que constituem e exigem Imposto de Importação, IPI, PIS Importação e Cofins Importação, além de multa de ofício à alíquota de 150% e juros de mora. Constituem o pólo passivo dessa autuação as empresas Granzotto, Granzotto & cia Ltda e Securitech Sistema Eletrônicos Ltda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 94 .0 00 65 9/ 20 08 -7 1Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 3 2 A autoridade fiscal acusa ocorrência de importações realizadas para ocultar o real adquirente, no caso a empresa Andre Tecnologia (anteriormente denominada Securitech), com uso de faturas no mínimo ideologicamente falsas por informarem preços não verdadeiros, a ocorrência de subfaturamento e evasão de divisas. O relatório fiscal traz a seguinte descrição da apuração dos fatos: 1.No dia 3 de maio de 2007, a fiscalização da Receita Federal, em operação conjunta com a Policia Federal, auxiliou na execução do Mandado de Busca e Apreensão, MBA n° 70024553, nas dependências de Securitech Tecnologia em Segurança Ltda (Securitech POA), assim como na execução de mais quatro MBA, sendo o de n° 70024548 executado nas dependências da RIMAR —Assessoria Contábil e Tributária Sociedade Simples Ltda; os de números 70027534 e 70024546 executados nas dependências de Granzotto, Granzotto & Cia Ltda e o ultimo, sem número, nas dependências de Securitech Sistemas Eletrônicos Ltda (Securitech SP), na cidade de São Paulo. 2.Vários documentos foram encontrados nas dependências da Securitech POA durante a execução do MBA n° 70024553, como cópias de faturas comerciais de fornecedores estrangeiros com preços muito maiores do que aqueles declarados pelos importadores das mercadorias negociadas pela Securitech POA, assim como demonstrativos de pagamentos efetuados ou a serem efetuados ao exterior, referentes às importações dessas mercadorias. Os demonstrativos de pagamentos efetuados ou a serem efetuados ao exterior, referentes a importações realizadas, com valores muito maiores do que os realizados pelo sistema regular de câmbio, evidenciam que a diferença entre o valor negociado (efetivo) e o valor pago por meio do fechamento de contratos de câmbio (valor declarado) foi remetido ao exterior ilegalmente. A existência de faturas comerciais verdadeiras de fornecedores estrangeiros, controles de pagamentos ao exterior para estes mesmos fornecedores, direta ou indiretamente, em conjunto com outros documentos encontrados, comprovam também que o real importador, importador de fato, real adquirente das mercadorias estrangeiras era a Securitech POA, que utilizava importadores de fachada para se ocultar nas operações de importação. A Securitech POA utilizou esquemas fraudulentos de importação, simulando operações normais de importação, em conluio com importadores de fachada, pseudoexportadores e com os próprios exportadores/fabricantes dos produtos importados. Para isso, seus importadores de fachada apresentavam faturas, no mínimo, ideologicamente falsas em seus despachos de importação, pois as mesmas não traduziam a real negociação efetivada entre o real importador (Securitech POA) e os seus fornecedores estrangeiros, ocultando o real adquirente e declarando preços subfaturados. 6. O crédito tributário lançado relativo as infrações originadas pela prática de subfaturamento dos preços de importação foi contra a empresa Securitech POA, tendo a empresa Granzotto, Granzotto & Cia Ltda como responsável tributário. No entanto, no que se refere a infração de entrega a consumo, ou consumo de mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente, apenas a sociedade Securitech POA figurou como sujeito passivo. Esse Relatório acrescenta, ainda, descrição de como: (a) a Securittech negociava junto aos fornecedores estrangeiros a compra das mercadorias; e de como essa empresa cuidava do subfaturamento; e de como ela, após a efetivação dessas compras, providenciava o pagamento do preço a parcela declarada e a não declarada. Ao fim, o relatório conclui que houve dolo e fraude, e demonstra e explica os procedimentos adotados para se calcular os valores considerados devidos. Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 4 3 As empresas autuadas apresentaram impugnações com as razões por que rogaram pela desconstituição das exigências. Em síntese fixada pelo relator da turma julgadora de 1º piso, que aqui repito pela sua objetividade e clareza, seriam os seguintes os argumentos das impugnantes: 1 — Requer, em preliminar, a nulidade do lançamento: · Por entender que o mesmo é intempestivo e que houve cerceamento do direito de defesa. Aduz que deve ser aberto um processo de valoração, intimando o importador a prestar informação sobre a valoração da mercadoria. Também, que somente no caso de recusa do atendimento as exigências ou de respostas insuficientes é que a autoridade fiscal poderá decidir pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação. · Pela presença de documentos redigidos em língua estrangeira sem a devida tradução para o vernáculo. · Por erro de identificação do sujeito passivo. Defende que é terceiro de boa fé, não é o importador, nem tão pouco praticou qualquer transgressão ou violação aos princípios que norteiam a importação por conta própria ou por ordem de terceiros. 2 — No mérito, requer a improcedência dos autos de infração em razão: · • Da empresa Trading Granzotto — Referida empresa, da qual a impugnante é cliente, encontrase devidamente legalizada perante todos os órgãos e repartições públicas, portanto autorizada está a emitir notas fiscais das vendas das mercadorias importadas. Logo, as aquisições feitas pela Securitech POA são absolutamente regulares. Assim, as acusações representam uma mera suposição, sem qualquer credibilidade. · Do pretenso subfaturamento A acusação de prática de subfaturamento dos preços declarados, objetivando sonegar IPI simplesmente não pode ser considerada autêntica, uma vez que a impugnante não importou qualquer mercadoria ou produto estrangeiro. Ainda, se tal fato ocorreu, a irregularidade não pode ser imputada à impugnante, mas sim a quem importou as mercadorias. · Da legalidade, legitimidade e independência das revendas — O fisco presumiu que as vendas de produtos da Securitech, efetuadas as demais empresas denominadas de "pontos de vendas" ou "revendas" seriam irregulares. No entanto, as indigitadas revendas são empresas absolutamente independentes, não passando de simples clientes da impugnante. · Das aquisições no mercado interno de produtos importados —fisco estava prejulgando as operações realizadas, inadmitindo que a Securitech pudesse ter adquirido mercadoria importada no mercado interno, como foi feito e comprovado, pelas faturas emitidas pelas trading ou estabelecimentos nacionais importadores, devidamente legalizados e autorizados para tanto. Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 5 4 · Das presunções, indícios e suposições — Todas as afirmativas do fisco, analisadas ate o momento, não passam de singelas presunções, conjecturas e suposições absolutamente equivocadas. · Da pretensa ocultação do verdadeiro importador — O fisco jamais comprovou ou demonstrou a existência de quaisquer adiantamentos, pagamentos ou remessa, mesmo porque eles nunca existiram. Como conseqüência, nunca houve a alegada interposição de terceiros. A Securitech, por conseguinte, adquiriu as mercadorias importadas já nacionalizadas, o que descaracteriza a pretensão dos fisco de afirmar que a impugnante é a real importadora das mercadorias apreendidas. · •Dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade — A jurisprudência na âmbito do Poder Judiciário é unânime no sentido de que o fisco deve obedecer os preceitos da proporcionalidade e da razoabilidade, cujos postulados são primordiais nos casos de apreensão de mercadorias, justamente para mitigar procedimentos injustificados quando fundado em presunções e indícios não comprovados. · Da boa fé da impugnante em suas transações negociais e comerciais — O trabalho realizado pelo fisco, fica claro que a empresa, seus sócios ou funcionários, não atuavam, ou sequer participavam de qualquer operação fraudulenta. A documentação fiscal e contábil apresentada à fiscalização comprova que a empresa Securitech POA adquiria no mercado os produtos da marca "Paradox", ou quaisquer outros, para revendêlos aos seus clientes e revendedores. · Da rejeição do fisco aos documentos fiscais e aos registros contábeis da empresa — As mercadorias foram integralmente respaldadas através de planilhas, que conciliavam os documentos fiscais com as mercadorias adquiridas dos diversos fornecedores da impugnante, remanescendo em aberto, somente, produtos obsoletos ou sem qualquer utilização, situação que, por si só, demonstrou a mais absoluta ausência de dolo, fraude ou simulação que pudessem ter causado algum tipo de prejuízo ao Erário Nacional. Também, que embora todas as mercadorias tivessem sido conciliadas com notas fiscais de fornecedores, comprovando efetivamente as suas compras, o fisco simplesmente desconsiderou a sua condição de mera adquirente, preferindo acusála da prática de irregularidades totalmente absurdas. · Da impossibilidade de presunção na imputação de subfaturamento— Há que se questionar onde estaria comprovado, no relatório fiscal, a prova e a demonstração cabal e inequívoca de que a impugnante teria promovido o alegado subfaturamento. O relatório limitase tão somente a presumir a ocorrência do subfaturamento a partir de meras tabelas de preços e cotações de compras, que não são, nem de longe, os meios de prova juridicamente aceitos e válidos para a efetiva comprovação do subfaturamento. · Da inexistência de acréscimo patrimonial da sociedade ou dos seus sócios. Demonstração da incoerência do alegado subfaturamento —O patrimônio liquido da impugnante, no período compreendido entre 2003 e 2006, regrediu. Por sua vez, o patrimônio pessoal dos sócios teve uma pífia evolução. Fl. 3852DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 6 5 · •Da valoração aduaneira. Critérios equivocados O fisco desconsiderou os valores declarados nas DI's e supôs que os preços "verdadeiros" destas importações havidas entre 2003 a 2006 seriam aqueles contidos nas cotações realizadas em datas bastante posteriores a tais importações. · 7 • Da impossibilidade do arbitramento do valor por simples cotação de preços — Que a apuração do valor aduaneiro não seguiu os trâmites previstos na legislação e que não houve possibilidade de reexame do procedimento de valoração anteriormente à lavratura do auto de infração, com apresentação de dados novos, não solicitados, pelo descumprimento por parte dos autuantes do art. 32 da IN SRF no 16/98. · Do efetivo exame comparativo com outras importações similares — Que o relatório fiscal não apresenta nenhuma, uma sequer, operação de importação realizada por outra empresa com preços superiores aqueles praticados pelas trading, verdadeiras e únicas adquirentes das mercadorias. · Da impossibilidade de imposição concomitante das multas do controle administrativo (II) e multa regulamentar do IPI com as multas agravadas do II e IPI — Temse que a sobreposição das multas ao controle administrativo do II e a multa regulamentar do IPI são absolutamente indevidas, porquanto já há a imposição de multas de oficio da forma mais agravada, isto é, a razão de 150%. · Por fim, não sendo declarada a nulidade dos autos de infração requer a improcedência dos mesmos. A empresa Granzotto, Granzotto & Cia Ltda, qualificada no presente auto de infração como responsável solidária, foi cientificada em 27/11/2008, fls. 644, apresentando impugnação em 15/12/2008, fls. 3277 a 3288, alegando, em síntese: · •Que a responsabilidade solidária foi atribuida com base no art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, por ter interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. · Que o interesse comum deve ser interpretado restritivamente, porquanto implica a determinado sujeito a imputação de ônus tributário. · Que o relatório de fiscalização é bastante claro ao afirmar que as negociações das mercadorias eram realizadas pela empresa Securitech, sem qualquer ingerência por parte das denominadas "importadoras de fachada". · Que as provas colhidas pela fiscalização elidem a imputação de interesse comum entre a impugnante e a empresa Securitech. A impugnante exercia sua atividade de prestadora de serviços na importação de mercadorias e nos estritos limites que lhe eram cabíveis sem qualquer ingerência, e isto se encontra provado pela fiscalização, nas operações realizadas pela contribuinte autuada. · Que, se a impugnante agiu (por conta e ordem de terceiro) dentro dos limites das orientações que lhe eram repassadas, não pode ser responsabilizada pelos fatos dos terceiros. Também, que os sujeitos Fl. 3853DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 7 6 passivos somente respondem pelos atos que praticarem e não ,pelos atos de terceiros, não comportando a extensão da responsabilidade pela força da alegada solidariedade. Não vigora qualquer solidariedade passiva em relação ao pagamento das penalidades pecuniárias. · Que a impugnante entende que as faturas tidas como "verdadeiras" não servem para identificação do real valor das operações porquanto possuem, a priori, os mesmos vícios daqueles reputados falsos e não é o fato de terem valores maiores que os torna aptos a servir de base para a valoração aduaneira. · Que a impugnante manifesta sua discordância com os encargos punitivos constituídos e que se revelam manifestamente ilegais e inconstitucionais, além de haver a incidência de dupla punição sobre o mesmo fato praticado. Também, que são penas da mesma natureza e cuja sobreposição deve ser repudiada através da reforma dos autos de infração. · Que a fiscalização atuou ilegalmente ao imputar responsabilidade pelas penalidades à empresa Securitech, pois a legislação expressamente prevê penalidade especifica para as denominadas "importadoras de fachada", de acordo com o art. 33 da Lei n° 11.488/2007. Requer, por fim: · A exclusão da responsabilidade solidária pelos tributos e penalidades. · O reconhecimento do caráter abusivo e da duplicidade das multas aplicadas com a determinação de incidência de apenas uma punição aos fatos apurados. · A aplicação à impugnante apenas da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007. É o relatório. Passo ao voto. A respeitável 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto apreciou as contestações e demais documentos que instruem este processo e concluíram pela manutenção da exigência fiscal. O Acórdão ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Período de apuração: 06/05/2004 a 27/04/2007 SUBFATURAMENTO. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. FRAUDE DOCUMENTAL. PENALIDADES. AGRAVAMENTO DA MULTA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovado o subfaturamento nas importações e, uma vez caracterizada a fraude fiscal, é aplicável a multa de que trata o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, sobre os tributos não recolhidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 06/05/2004 a 27/04/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. Fl. 3854DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 8 7 Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do principio do contraditório e da ampla defesa. DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/05/2004 a 27/04/2007 SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO. Nos casos de subfaturamento, aplicase a multa do controle administrativo, equivalente a 100% do valor da diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado na importação, nos termos do art. 169, II e §6° do Decretolei n 37 de 18 de novembro de 1966 (art. 631, I, do Decreto n° 4.543/2002 art. 88, parágrafo único da MP no 2.15835/2001). PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA REGULAMENTAR. IPI. Os que entregarem a consumo, produtos de procedência estrangeira, importados irregular ou fraudulentamente, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria, nos termos do artigo 83, inciso I, da Lei no 4.502/64, com a redação dada pelo art. 1° do DecretoLei n° 400/68, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As autuadas ingressaram com recurso voluntário repisando as alegações postas em suas impugnações. Este processo chegou ao CARF e foi submetido a plenário, mas na sessão de 29 de janeiro de 2013, o julgamento foi convertido em diligência (Resolução n.º 3402000.272) nos seguintes termos: Resolução n.º 3402000.272 Preliminarmente verifico a intempestividade do recurso voluntário (fls. 3508 vol 14) apresentado pela recorrente GRANZOTTO, GRANZOTTO & CIA LTDA. Consta do processo que a cientificação do Acórdão exarado pela Delegacia de Julgamento de Florianópolis ocorreu, com AR (fls 3353 Vol 13), em 16 de março de 2010, tendo sido recebido pelo Sr. Edilson Araújo, no endereço situado na Avenida Carlos Gomes, n° 1.200, Sala 401, Porto Alegre RS. O recurso protocolado é datado de 17 de junho de 2010, e foi recebido pela IRF/POÁ na mesma data. ..... Fl. 3855DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 9 8 Em relação ao Recurso Voluntário proposto por SECURITECH TECNOLOGIA EM SEGURANÇA LTDA verifico que é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Antes de adentramos no mérito propriamente dito da discussão travada neste processo, destaco questão preliminar que pode ser prejudicial ao prosseguimento do feito, na forma como ele hoje se encontra. Tal questão decorre, precipuamente, da afirmação da autoridade autuante de que a SECURITECH teria promovido diversas irregularidades visando promover o subfaturamento das importações efetuadas por diversos importadores que promoveram operações em seu nome. Do complexo e detalhado relatório fiscal que acompanha o auto de infração, destaco o seguinte trecho: 18. Explicase tal procedimento por ser a SECURITECH POA o real importador (de fato), real adquirente das mercadorias estrangeiras introduzidas em território nacional com preços declarados comprovadamente subfaturados, implicando o recolhimento muito menor dos tributos incidentes na importação, bem como com reflexos diretos na tributação interna. SEAAIR, PROAD, SAB, SANDAZ e GRANZOTTO (principalmente esta última) eram meros importadores de fachada, importadores por conta e ordem da SECURITECH POA, registrando em seus nomes declarações de importação (DI) de mercadorias estrangeiras que na realidade eram encomendadas, negociadas e pagas pela SECURITECH POA, ou a sua ordem, que se ocultava como real adquirente daquelas mercadorias estrangeiras, ficando invisível a qualquer controle estatal de suas atividades ilícitas. Ou seja, a Recorrente é acusada de subfaturar suas importações e utilizar importadoras, ditas de fachada, para operacionalizar suas importações por meio de operações por conta e ordem. Neste contexto, o primeiro tema que deve ser analisado é a questão da sujeição passiva, uma vez que a autoridade fiscal entendeu por bem enquadrar a empresa SECURITECH no conceito de importador, em detrimento da condição de responsável solidário. A respeito desta discussão, importa destacar que, quando do julgamento efetuado pela DRJ de Florianópolis, dois dos julgadores da 2a Turma de Julgamento, entre eles o Presidente, entenderam que havia erro na sujeição passiva do auto de infração lavrado. (reproduz parte da Declaração de Voto que defendeu erro de sujeição passiva) Entendo que não há reparos a fazer ao brilhante voto exarado pelo julgador da Regional de Julgamento, uma vez que muito bem fundamentado. Ressalto que este entendimento vem encontrado eco em diversos julgados do CARF, senão vejamos: ...... (reproduz excerto de ementas de Acórdãos do CARF) Fl. 3856DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 10 9 Em que pese a convicção deste Relator quanto a nulidade do presente auto de infração pelas acima expostas, verifico que também há dúvida razoável quanto a existência do efetivo subfaturamento nas importações efetuadas, motivo pelo qual, em respeito inclusive ao previsto no art. 63, § 6° do RICARF, passo a discorrer sobre a possibilidade de conversão do presente processo em diligência. Após análise do extenso e detalhado relatório apresentado pelo auditor fiscal que promoveu o presente lançamento fiscal, entendo que a matéria tem por foco principal a existência, ou não, do subfaturamento nas importações promovidas por conta e ordem pela Recorrente. A Fiscalização alega que de acordo com documentos apreendidos na sede da Recorrente, as negociações efetuadas entre ela e seus fornecedores internacionais apresentavam valores bastante superiores aos praticados nas DI de importação. A partir desta "constatação" entendeu que as operações praticadas pelas Importadoras contratadas pela Recorrente estavam lastreadas em documentos ideologicamente falsos, pois não registravam o verdadeiro valor das negociações efetuadas. Do outro lado, a SECURITECH alega que os valores praticados são os reais e correspondem aos comercialmente praticados por outros players do mercado. Aduziu que as divergências encontradas entre os valores de cotação e os valores informados em suas Declarações de Importação tem por origem uma série de situações que em nenhum momento podem ser taxadas de subfaturadas. Um dos argumentos trazidos informa que tais cotações era realizadas com base em pequenas quantidades e a preço de varejo, visando a pesquisa de condições de mercado e a analise de preço entre seus fornecedores. Juntou aos autos tabelas do fornecedor Paradox (Fls. 3.138 a 3.146) onde se verifica que os preços ali praticados, para o mercado varejista, são os mesmos constantes nas suas cotações. Da analise dos autos verifico que a principal prova trazida aos autos pela fiscalização se consubstancia em listas de preços decorrentes de cotações efetuadas pela Recorrente junto a seus fornecedores. (......) A Recorrente carreou aos autos pesquisa realizada no sistema ALICEWEB, junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, com o mesmo código NCM das mercadorias objeto do presente processo, com intuito de demonstrar que os preços declaradas nas DI's eram superiores aos obtidos junto àquele Ministério. A decisão recorrida por sua vez, ignorou tais informações sob o argumento de que: .... (reproduz trecho do voto do Acórdão de 1º piso) Assim entendendo, estabeleceu a autoridade julgadora como único critério lícito para determinar o valor das mercadorias importadas o critério utilizado pela fiscalização, qual seja as "cotações" encontradas na sede da Recorrente. Em primeira análise a adoção exclusiva de tal critério me parece despropositada, principalmente por ser a NCM a principal fonte de identificação de mercadorias em nosso sistema. Ainda mais inadequada quando em confronto com os Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 11 10 dispositivos do art. 881 da MP 2.15835/01 que , determina que nestes procedimentos sejam considerados o preço de mercadorias similares, os dados disponíveis e o principio da razoabilidade. E é exatamente o princípio da razoabilidade que me faz adotar uma posição mais atenta aos acontecimentos ocorridos no presente processo. Ora, a Recorrente alega por diversas vezes que os preços praticados por ela são os comumente praticados no mercado para as aquisições do setor atacadista, e por isso diferentes das cotações realizadas para aquisições para o mercado varejista. Junta planilhas com pesquisa junto a órgão de controle da União que atestaria suas alegações. Isto não pode ser ignorado. Também é importante destacar que a Recorrente não deve ser a única empresa a atuar na importação das mercadorias relacionados no presente auto de infração, bastando uma simples pesquisa junto aos registros da Receita Federal relacionados ao SISCOMEX, para verificarse a existência de mercadorias iguais as adquiridas pela Recorrente, sendo adquiridas por outras empresas atuantes no mercado brasileiro. Tal comparação seria definitiva para determinarmos se de fato existiu subfaturamento na importação das mercadorias listadas. Neste sentido, entendo por bem baixar o processo em diligência para que a autoridade preparadora informe: i. a existência, no período do presente auto de infração, de outras importações de mercadorias identicas as importadas pela Recorrente, informação esta a ser obtida junto aos registros do SISCOMEX, ou outras fontes oficiais; ii. demonstre, por meio de relatório detalhado, o valor praticado pela Recorrente e os valores encontrados nos registros de importação de produtos idênticos aos listados no presente Recurso; iii. informe as diferenças eventualmente existentes entre as mercadorias importadas pela recorrente e as mercadorias listadas no relatório de fls. 3.165 a 3.173, tendo em vista a informação constante da decisão recorrida de que um mesmo NCM pode abranger diversas mercadorias que não guardem nenhuma similaridade; iv. intime a Recorrente para que apresente outras informaçoes que entenda necessárias ao deslinde deste processo, bem como se manifeste a repseito dos dados levantados por meio desta diligencia; v. e, traga outras informações que entenda necessárias ao deslinde do presente processo. Cumprida a diligência, retorne os autos a este Conselho para continuidade do julgamento. Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 12 11 Em resposta a essa diligência, a autoridade de jurisdição, trouxe relatório fiscal, onde constam as seguintes informações: Em relação à letra "a", temos as seguintes considerações: Não há como uma fiscalização afirmar se uma mercadoria é idêntica ou similar à outra se não for realizada uma análise mais apurada sobre essas mercadorias, pois todas as informações que existem no Siscomex sobre as mercadorias importadas são informações declaradas pelos importadores, sendo essas informações muitas vezes incompletas, imprecisas, equivocadas etc, para dizer o mínimo. Assim, seria muita irresponsabilidade afirmar que uma mercadoria é idêntica à outra com base apenas em informações constantes de declarações de importação (Dl) de pessoas jurídicas diferentes, sem que tenham sido submetidos tais despachos a um exame fiscal mais criterioso em relação aos bens declarados. Se assim não fosse, o mesmo critério que definiria uma mercadoria como sendo idêntica à outra serviria para desqualificála como tal, gerando autos de infração descolados, em princípio, da realidade dos fatos, os quais sempre devem ser levados em conta em um procedimento de fiscalização. Fiscalizar tendo como único critério de decisão informações declaradas, mas não analisadas taticamente, seria com certeza um atentado à legalidade e ao direito à ampla defesa. As únicas mercadorias que podemos afirmar serem idênticas às importadas pela SECURITECH são as que constam deste processo administrativo fiscal, pois sobre elas foi realizada uma ampla e apurada análise por esta fiscalização. Tanto é assim, que do total das mercadorias analisadas (433.265 itens), em 22,25% foram encontrados os documentos verdadeiros que comprovaram a realidade comercial das respectivas operações de importação. Com base nessas 22,25% de mercadorias valoradas pelo efetivo valor da transação, 73,8% foram valoradas como mercadorias idênticas e 1,17% como mercadorias similares, ou seja, em 97,22% do total de mercadorias importadas foi possível a esta fiscalização identificar o preço efetivamente pago ou vinculálas como idênticas e similares entre si. Assim, para atendermos, responsavelmente, a letra "a" da presente diligência precisaríamos analisar mais detalhadamente, se não todas, muitas das importações que foram declaradas por outros importadores de mercadorias potencialmente idênticas às importadas pela SECURITECH, inclusive com intimações aos importadores dessas mercadorias. Em relação à letra "b", temos as seguintes considerações: Além das razões alegadas acima por nós sobre a impossibilidade de afirmar que mercadorias importadas por diferentes pessoas jurídicas são idênticas, sem uma análise mais apurada, mais fortes ainda são as razões no que diz respeito a preços de mercadorias importadas por diferentes pessoas jurídicas. A base primeira para a valoração aduaneira, em conformidade com o Acordo sobre Valoração Aduaneira AVAGATT, é o valor de transação, tal como definido no Artigo 1 do Acordo: .... Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 13 12 O art. 88 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, utiliza, exceto no inciso II, alíneas "a" e "c", os princípios do AVAGATT em seus critérios de arbitramento. É a legislação aplicada ao presente processo, que é um caso de fraude. ...... Assim, a comparação de preços deve ser realizada entre preços efetivamente praticados, ou seja, preços que comprovadamente foram transacionados nas respectivas operações de importação. Novamente, o que temos no Siscomex são os preços declarados pelos importadores. Para que esses preços possam ser qualificados como os efetivamente praticados, estes preços teriam que passar pela análise da fiscalização aduaneira. Os únicos preços que podemos afirmar que foram os preços efetivamente praticados para importações dos mesmos códigos NCM que foram importados pela SECURITECH já constam do presente processo, pois estas operações de importação foram analisadas por esta fiscalização, que pôde identificar para 41 Dl (de um total de 173 Dl. As outras 132 Dl foram valoradas segundo o art. 88 da MP 2.158, de 2001) os preços efetivamente praticados, fls. 809 a 1.347, 2.770 a 2.779 e 2791 a 2799. Em relação à letra "c", temos as seguintes considerações: Insistimos em afirmar que um critério de comparação estabelecido apenas em comparar preços declarados em um sistema de comércio exterior ensejaria um ataque grave à legalidade e ao princípio da ampla defesa. Tal critério levaria à irresponsável conclusão de que todos os preços abaixo de um valor arbitrado pela fiscalização estariam subfaturados, gerando os respectivos autos de infração, sem a necessidade de uma análise da real situação de cada importador. Por exemplo, se buscarmos um código NCM no sistema, ou mesmo uma descrição qualquer, e apurarmos o preço médio de US$ 10 por unidade para essa NCM ou descrição, poderíamos afirmar com uma certeza aceitável que quem pratica o preço de US$ 7 está subfaturando seus preços? Poderíamos afirmar, com certeza, que não há problema algum em praticar o preço de US$ 12? Não, com certeza, não. Desta forma, discordamos respeitosamente da afirmação do sr. Relator na fl. 3.590 de que "Tal comparação seria definitiva para determinarmos se de fato existiu subfaturamento na importação das mercadorias listadas", pois levarianos a inferir que as demoradas, trabalhosas e responsáveis fiscalizações sobre valores aduaneiros declarados nas importações brasileiras, trazendo à baila um enorme conjunto de provas das fraudes de valor cometidas, são dispensáveis, bastando aplicar o critério exemplificado em 2, acima Continuando nesse raciocínio, bastaria escolher o código NCM, calcular a média de seus preços, ou escolher um preço que satisfaça à fiscalização, e efetuar o lançamento de todos os importadores que estão abaixo do preço determinado ou escolhido, lançando inclusive as multas agravadas. 5. Pelo exposto neste item, ficam claros os dois motivos que nos impedem de atender à letra "b" desta Diligência: a.Não há como comparar preços praticados por pessoas jurídicas diferentes sem uma análise mais apurada das condições que ampararam cada operação de importação, visto que os preços que constam no Siscomex são preços declarados, Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 14 13 enquanto que devemos utilizar em comparações os preços efetivamente praticados. Aliado a isso, temos o fato de que também não podemos comparar mercadorias, com uma certeza aceitável, pela simples descrições e códigos NCM informados pelos importadores no Siscomex. b.Seria um critério arbitrário, ilegal e atentatório ao direito à ampla defesa a determinação da condição de preços subfaturados, ou não, com base em médias ou preços parâmetros calculados com base em preços declarados sem uma análise mais apurada de tais preços. Este processo administrativo fiscal é a maior prova da impossibilidade da aplicação de critérios préestabelecidos em qualquer tipo de fiscalização, ainda mais se tratando de valor aduaneiro. Em relação à letra "e", temos as seguintes considerações: 1. Sobre a questão da sujeição passiva, esta fiscalização em momento algum enquadrou a SECURITECH no conceito formal de importador (dado pela Lei). Materialmente, a relação entre SECURITECH e seus importadores de fachada foi uma relação de importação por conta e ordem, ocupando a SECURITECH o papel de real adquirente e os importadores de fachada, o de importadores. Tudo isso provado amplamente pela fiscalização. Ou seja, foram simuladas operações formalmente de importação "comum" que foram materialmente realizadas como operações por conta e ordem, à margem da Lei, de forma fraudulenta. O que a fiscalização fez, com base no DecretoLei n° 37, de 1966, e na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 225, de 2002, foi definir a relação entre SECURITECH e seus importadores de fachada como uma relação de solidariedade passiva. A qualificação da SECURITECH também como contribuinte, com base no art. 121 da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), em nada prejudica a sua condição de sujeito passivo, amplamente demonstrada no Relatório de Fiscalização. Quanto à qualificação de quem seriam os contribuintes, na ausência de norma específica para operações de importação simuladas, a fiscalização simplesmente recorreu ao Código Tributário Nacional, CTN (Lei n° 5.172, de 1966), que está abaixo apenas da Constituição brasileira em matéria tributária. Por isso o enquadramento da SECURITECH como contribuinte, conforme os ditames do art. 121 do CTN, apenas a qualificando como contribuinte principal, pois esta foi a realidade dos fatos apurados pela fiscalização. Em momento algum os importadores de fachada foram desqualificados como contribuintes, em respeito à formalidade das operações, mas esta formalidade não pode e não deve, de jeito algum, escravizar a materialidade dos fatos. Tudo isso foi minuciosamente detalhado no Relatório de Fiscalização, especialmente, quanto a esse aspecto, às folhas fls. 2.799 a 2.803 deste processo administrativo fiscal. ... Pelo texto acima, fica claro que a Administração não está presa às qualificações de contribuinte ou responsável ao proceder ao lançamento de ofício, mas sim à verdade material da existência da sujeição autuado. E foi isto que esta fiscalização fez ao provar que a SECURITECH foi o principal sujeito passivo nas operações fraudulentas fiscalizadas, de acordo o art. 121 do CTN. Tal decisão, somada ao entendimento acima extraído do art. 124, também do CTN, mostrase acertada, legal e atual. Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 15 14 Ainda que pudesse ser entendido que houve algum erro na identificação do sujeito passivo (ou na qualificação do sujeito passivo, conforme alegado), algo que não ocorreu no presente processo, ainda assim não seria caso de nulidade do lançamento, visto que não houve nenhuma interferência no seu direito de defesa, tanto que a recorrente não cita esses argumentos quando da contestação perante a DRJ. Não há nulidade sem prejuízo da parte. No caso de erro na identificação do sujeito passivo que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. Conforme Leandro Paulsen...... 10. Sobre as afirmações da Recorrente de que "tais cotações eram realizadas com base em pequenas quantidades e a preço de varejo, visando a pesquisa de condições de mercado e a análise de preço entre seus fornecedores" e do sr. Relator de que "Da analise dos autos verifico que a principal prova trazida aos autos pela fiscalização se consubstancia em listas de preços decorrentes de cotações efetuadas pela Recorrente junto a seus fornecedores" temos o seguinte: a.A base de toda a fiscalização foi a identificação dos preços efetivamente praticados pela SECURITECH em 41 declarações de importação, as quais foram utilizadas como parâmetro de identidade e similaridade com as 132 Dl restantes, conforme critérios do art. 88 da MP 2.158, de 2001. b.Os documentos que comprovaram os preços efetivamente praticados nessas 41 Dl eram, em mais de 97% delas, faturas proformas, que são documentos comerciais com status de contratos de compra e venda, logo não eram simples cotações ou listas de preços. c.Reforçando o que foi dito acima, as quantidades constantes nessas faturas proforma eram as mesmas daquelas constantes nas respectivas Dl, ou seja, não procede de forma alguma a afirmação da Recorrente de que eram cotações em "pequenas quantidades e a preço de varejo". d.As faturas proforma, como contratos de compra e venda que são, tinham em todas elas a identificação da SECURITECH como comprador (importador). Tudo que foi aqui afirmado está amplamente explicado no Relatório de Fiscalização integrante deste processo, fls. 809 a 1.347, 2.770 a 2.779 e 2791 a 2799. e.Mais, nas fls. 2.779 a 2.789, que trata dos pagamentos enviados ao exterior, de forma fraudulenta, pela SECURITECH a seus fornecedores estrangeiros, temos inúmeras trocas de mensagens eletrônicas (email) entre eles comprovando que os preços declarados nas respectivas Dl eram muito menores do que os efetivamente praticados, cristalizando o subfaturamento perpetrado por SECURITECH e seus exportadores nas operações de importações integrantes deste processo administrativo fiscal. Intimadas, as autuadas apresentaram manifestação a essa diligência e relatório fiscal. A Granzotto contestou a conclusão da Resolução do CARF de que seu recurso voluntário era intempestivo, e invocou as razões nele postas. A Securitech, por sua vez, repisou os argumentos quanto à nulidade dos autos pelo erro na nomeação da Securitech como contribuinte, ao invés de responsável solidária, e que a autoridade fiscal deixou de atender a diligência, que os dados do SISCOMEX Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 16 15 confirmariam sua tese de que não houve subfaturamento, e atacou as informações do relatório, com os seguintes argumentos, in verbis: Conseqüentemente, é inarredável a conclusão no sentido de que as informações da base de dados do SISCOMEX são o critério adequado para análise da ocorrência, ou não, de subfaturamento em importações. Contudo, como no presente caso a pesquisa de informações na base de dados do SISCOMEX pode corroborar a defesa do sujeito passivo e, dessa forma, fulminar a autuação, a Autoridade Fiscal sustenta a impossibilidade de sua utilização. Ora, tamanha falta de coerência deve ser rechaçada através do reconhecimento de que o Fisco não se desincumbiu de seu ônus de provar o subfaturamento pelo meio correto (pesquisa comparativa na base de dados do SISCOMEX). De todo modo, apesar de estar definitivamente comprovada a inocorrência de subfaturamento na situação dos autos, reforçada agora pela clara omissão da Autoridade Fiscal quanto à produção da prova requerida pelo CARF, convém tecer breves considerações acerca de outras questões levantadas no Relatório de Diligência Fiscal com base no item "e" da Resolução n°. 3302000.272 que possibilitou à Autoridade Tributária que trouxesse outras informações que, no seu entendimento, seriam necessárias ao deslinde do processo. Em segunda Manifestação, a Securitech pede sejam aceitos para instruir os autos provas de que os preços que praticou estavam compatíveis com as importações feitas por outras empresas no período em análise. Conforme se depreende do Relatório de Diligência Fiscal, os nobres AFRFB não lograram comprovar, de acordo com o método comparativo solicitado pelo Egrégio CARF, a efetiva existência do alegado subfaturamento. Com efeito, o Relatório, em vez de cumprir o determinado pelo CARF e apresentar a pesquisa junto à base de dados do SISCOMEX dos preços praticados por outros importadores em operações de produtos idênticos ocorridas no mesmo período, limitouse a criticar a diligência solicitada. vem apresentar a esta Colenda Turma de Julgamento provas cabais e definitivas da ausência de sub faturamento com base em informações obtidas junto ao SISCOMEX, as quais permitem a comparação dos valores de importações praticados por outra empresa para os mesmos produtos e na mesma época com os valores declarados nas operações autuadas no caso em comento. Assim, no intuito de fomentar o livre convencimento dos Nobres Conselheiros no julgamento do feito, a Recorrente requer a consideração e a juntada aos autos das novas provas que, de forma cabal, comprovam a ausência de subfaturamento, e, por conseguinte, a total insubsistência dos Autos de Infração. Tais provas, que seguem anexas, consistem em Declarações de Importação registradas no SISCOMEX pela empresa TWS Internacional Trade Ltda. entre 13.09.2003 e 14.09.2004 (mesmo período das operações da Granzotto, Granzotto & Cia. Ltda.) de produtos idênticos do mesmo fabricante Paradox Securitv Systems (doc. 01). Tal documentação, com efeito, apresenta os valores relativos a importações realizadas por outra empresa de produtos exatamente idênticos na mesma época das operações autuadas. Referida informação, portanto, extraída do sistema oficial (SISCOMEX), é plenamente hábil a demonstrar, de forma inequívoca, que os preços declarados nas importações objeto do presente feito correspondiam Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 17 16 àqueles efetivamente praticados no mercado no período ou se estavam, em alguma medida, subfaturados. Justamente com essa finalidade, a Recorrente elaborou tabela comparativa, na qual constam, detalhadamente, os preços declarados nas Dl's da Granzotto, Granzotto & Cia. Ltda. e aqueles informados nas Dl's de outra importadora para os mesmos produtos (doc. 02). Destarte, o exame dos valores arrolados na tabela mencionada, que nada mais são do que o espelho daqueles declarados nas Dl's, evidencia que os preços praticados estão no mesmo nível, sem qualquer distorção relevante. Disso se infere, através de elementos extraídos do próprio SISCOMEX, que os montantes declarados nas importações autuadas estão plenamente de acordo com os preços praticados no mercado para os produtos à época dos fatos. Inferese, pois, a manifesta ausência do alegado subfaturamento nas operações autuadas. É o relatório. Voto Tempestividade Na sessão de 29 de janeiro de 2013, a Colenda 2ª Turma da 3ª Câmara desta Seção do CARF já havia se pronunciado favorável e positivamente sobre o atendimentos dos requisitos de admissibilidade dos recursos voluntários, com exceção da intempestividade do apresentado por Granzotto, Granzotto & Cia Ltda. (doravante identificado como Granzotto). A meu ver, necessário retomar essa decisão de intempestividade e reformála, pois, após rever o que consta nos autos, de fato o recurso da Granzotto é tempestivo. A intimação a essa empresa foi refeita por que a primeira tinha sido enviada a endereço errado. Preliminares Prioritário debruçarmonos sobre a alegação da recorrente de que o auto de infração é nulo por que errou na designação de quem compõe o polo passivo, ao constituir o crédito tributário contra a Securitech, como contribuinte, e contra a Granzotto, como responsável solidária, quando o correto seria o contrário, uma vez que a autoridade fiscal reconhece que foi a Granzotto a empresa que registrou as declarações de importação (era a importadora), mas que essa operação teria ocultada a verdadeira interessada a Securitech . Vejamos em suas palavras essas alegações: Antes de entrar na análise do mérito, a Recorrente destaca, em caráter preliminar, a completa nulidade de todos os autos de infração relacionados no presente processo. De acordo com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento fiscal é atividade administrativa plenamente vinculada e, nessa condição, não pode jamais discrepar da qualificação legal expressamente prevista na norma de regência. Isso equivale dizer que o auto de infração é a materialização da relação obrigacional de direito tributário, em cuja peça será indicado o sujeito ativo, o Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 18 17 sujeito passivo, o fato gerador e os demais elementos previstos na legislação tributária material. Assim, se, por exemplo, o lançamento fiscal destinase a constituir crédito tributário relativo a imposto de importação, a peça fiscal deverá indicar no pólo passivo aquele que a lei do imposto de importação qualifica como contribuinte do imposto. Vale dizer, não pode o lançamento fiscal, sob pena de incorrer em nulidade, apontar como sujeito passivo da obrigação tributária aquele que a lei não define como contribuinte do respectivo imposto. No caso dos autos, a nulidade aqui apontada afigurase inquestionável. Reparese que o próprio relatório fiscal indica que a trading Granzotto & Granzotto Cia. Ltda., teria realizado as importações por conta e ordem da ora Recorrente. Mesmo que não tenha havido importação por conta e ordem da Recorrente, o que será provado nos tópicos seguintes, o fato é que se a autoridade fiscal baseou todo o lançamento fiscal na certeza de que as importa o . foram realizadas pela trading Granzotto por conta e ordem da Securitech, não poderia colocar no pólo passivo do lançamento fiscal a empresa Securitech, ora Recorrente, uma vez que não foi ela a importadora de tais mercadorías. Aliás, independente de ter sido importação por conta e ordem, ainda assim, seja qualquer o ângulo de análise, é inquestionável que a importadora das mercadorias constante em todos os documentos fiscais é a empresa Granzotto & Granzotto e Cia. Ltda. Neste caso, e sempre partindo da premissa defendida pela autuação fiscal, a qualificação jurídica da ora Recorrente não é a de sujeito passivo da relação tributária, mas sim a de responsável solidária pelos tributos eventualmente devidos pelo importador das mercadorias, no caso a trading Granzotto & Granzotto, esta sim a correta e única pessoa jurídica a figurar no passivo da relação obrigacional. No caso do imposto de importação, esta certeza advém da própria legislação aplicável ao caso concreto. Vejase o que dispõe o inciso I do art. 31 e o inciso III, alínea "c" do art. 32, todos do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação que lhe deu o Decretolei n° 2.472/88, a Medida Provisória 2.15835/2001 e aLe i n 0 11.281/06: Art. 31 É contribuinte do imposto: I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria no Território Nacional. Art. 32 É responsável pelo imposto: III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (grifouse) Até mesmo a Instrução Normativa SRF n° 225/2002 ratificou que nos casos de importação "de fachada" o contribuinte do imposto de importação é aquele que promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação, mesmo que a mercadoria seja adquirida por outrem. Confirase: "Parágrafo único Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 19 18 relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial." A autoridade fiscal, por sua vez, expôs as razões para o lançamento de ofício da forma como realizado e o seu entendimento de que não se trata de nulidade. In verbis: Sobre a questão da sujeição passiva, esta fiscalização em momento algum enquadrou a SECURITECH no conceito formal de importador (dado pela Lei). Materialmente, a relação entre SECURITECH e seus importadores de fachada foi uma relação de importação por conta e ordem, ocupando a SECURITECH o papel de real adquirente e os importadores de fachada, o de importadores. Tudo isso provado amplamente pela fiscalização. Ou seja, foram simuladas operações formalmente de importação "comum" que foram materialmente realizadas como operações por conta e ordem, à margem da Lei, de forma fraudulenta. O que a fiscalização fez, com base no DecretoLei n° 37, de 1966, e na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 225, de 2002, foi definir a relação entre SECURITECH e seus importadores de fachada como uma relação de solidariedade passiva. A qualificação da SECURITECH também como contribuinte, com base no art. 121 da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), em nada prejudica a sua condição de sujeito passivo, amplamente demonstrada no Relatório de Fiscalização. Quanto à qualificação de quem seriam os contribuintes, na ausência de norma específica para operações de importação simuladas, a fiscalização simplesmente recorreu ao Código Tributário Nacional, CTN (Lei n° 5.172, de 1966), que está abaixo apenas da Constituição brasileira em matéria tributária. Por isso o enquadramento da SECURITECH como contribuinte, conforme os ditames do art. 121 do CTN, apenas a qualificando como contribuinte principal, pois esta foi a realidade dos fatos apurados pela fiscalização. Em momento algum os importadores de fachada foram desqualificados como contribuintes, em respeito à formalidade das operações, mas esta formalidade não pode e não deve, de jeito algum, escravizar a materialidade dos fatos. Tudo isso foi minuciosamente detalhado no Relatório de Fiscalização, especialmente, quanto a esse aspecto, às folhas fls. 2.799 a 2.803 deste processo administrativo fiscal. ... Pelo texto acima, fica claro que a Administração não está presa às qualificações de contribuinte ou responsável ao proceder ao lançamento de ofício, mas sim à verdade material da existência da sujeição autuado. E foi isto que esta fiscalização fez ao provar que a SECURITECH foi o principal sujeito passivo nas operações fraudulentas fiscalizadas, de acordo o art. 121 do CTN. Tal decisão, somada ao entendimento acima extraído do art. 124, também do CTN, mostrase acertada, legal e atual. Ainda que pudesse ser entendido que houve algum erro na identificação do sujeito passivo (ou na qualificação do sujeito passivo, conforme alegado), algo que não ocorreu no presente processo, ainda assim não seria caso de nulidade do lançamento, visto que não houve nenhuma interferência no seu direito de defesa, tanto que a recorrente não cita esses argumentos quando da contestação perante a DRJ. Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 20 19 Não há nulidade sem prejuízo da parte. No caso de erro na identificação do sujeito passivo que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. Conforme Leandro Paulsen [apresenta trecho deste doutrinador]. Os julgadores de 1º piso, em sua maioria, decidiram por rejeitar essa preliminar. Em sua visão, as pessoas incluídas no polo passivo são infratores, e a materialidade desses fatos exigem os sujeitos das causas e das infrações, não se restringindo ao estabelecido pela lei para a formação dos créditos tributários. Nessa ocasião da instância antecedente, o Presidente da Turma e o Em. Julgador Jorge Frederico C. Menezes foram vencidos, pois defendiam a nulidade dos autos de infração por vicio formal. O entendimento deste Julgador foi adotado pela Securitech como parte de suas razões de recurso, e também foi adotada pelo Em. Conselheiro Alexandre Gomes, relator da Resolução, como antecipação de seu voto. O texto de defesa da nulidade por vício formal por este Julgador foi o seguinte: Declaração de Voto No caso dos autos, divirjo, respeitosamente, do entendimento do eminente relator, no sentido de que, uma vez demonstrado o interesse comum no fato apontado pela fiscalização, seria irrelevante a forma pela qual os impugnantes foram incluídos no pólo passivo da relação jurídica obrigacional tributária traduzida pelo presente lançamento. É que, a meu sentir, a correta identificação do sujeito passivo, a exemplo dos demais elementos que constituem o crédito tributário, é atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, art. 142 e parágrafo único) e, portanto, não pode discrepar da qualificação legal expressamente prevista na norma de regência. Mais precisamente, é bem de ver que o crédito tributário, nos termos do art. 139 do supracitado diploma legal, decorre da obrigação tributária principal e tem a mesma natureza desta, havendo, portanto, o lançamento de retratar com fidelidade todos os elementos balizadores dessa obrigação, que sempre nasce ex vi legis. Por conseguinte, ocorrido o fato imponível previsto na norma legal, esta incide com todos os elementos balizadores da obrigação tributária, descabendo à autoridade autuante, ao constituir o respectivo crédito tributário, dar a este fato e a seus elementos, por erro ou por convicção, outra qualificação jurídica que não aquela que se encontra expressa e legalmente prevista. No caso vertente, a própria autoridade autuante informa no Relatório fiscal que a empresa Granzotto realizou importações por conta e ordem da empresa Securitech e, sendo este o fato, a qualificação jurídica dos sujeitos passivos presente no feito encontrase em evidente desacordo com a legislação, eis que, nas importações realizadas por conta e ordem de terceiros, a norma legal qualifica como contribuinte dos tributos sob apreço o importador (no caso a Granzotto) que realizou as importações por conta e ordem do adquirente, ao passo que o adquirente (no caso a Securitech) é qualificado legalmente como responsável solidário, e não o contrário, conforme consta erroneamente dos lançamentos presentes no auto de infração. A rigor, no que tange ao Imposto de Importação, a qualificação jurídica dos sujeitos passivos que atuam nas operações de importação realizadas por conta e ordem de terceiros encontrase prévia e expressamente definida nos termos do inciso I do art. Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 21 20 31 e do inciso III e alínea "c" do art. 32, todos do Decretolei n.° 37, de 1966, com redação dada pelos Decretolei n.° 2.472, de 1988, Medida Provisória 2.15835, de 2001, e Lei n.° 11.281, de 2006, que determinam in l i t teris: Art. 31 É contribuinte do imposto: I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional (...) Art. 32. É responsável pelo imposto: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (grifei). Na mesma linha, aliás, seguiu, como não poderia deixar de ser, a Instrução Normativa SRF n.° 225, de 18 de outubro de 2002, que não definiu como "importador de fachada" aquele que realiza importações por conta e ordem de outrem, mas sim como importador, e, portanto, como contribuinte do imposto, a pessoa jurídica que promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, nos seguintes termos: Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. (grifei). (....) Dito isso, é bem de ver que identificar o sujeito passivo não é tarefa que se resuma à mera aposição de nomes de pessoas (físicas ou jurídicas) no feito, sob o rótulo de sujeito passivo, mas implica, sobretudo, segundo o lapidar escolio doutrinário acima reproduzido, identificar corretamente contribuinte e responsáveis, conforme subsunção aos critérios definidos em lei. Em outras palavras, identificar os sujeitos passivos significa qualificálos juridicamente, em razão dos fatos, de forma consentânea com a qualificação jurídica que, em razão desses mesmíssimos fatos, já se encontra presente na norma legal de regência. Por conseguinte, se isto não acontece, se, bem ao contrário, há um evidente desacordo entre a qualificação adotada no feito e aquela que preexiste na legislação, então, a meu sentir, há um claro erro de identificação dos sujeitos passivos, erro este que, muito embora não afete a questão meritória da exigência fiscal, constitui, ainda assim, vício formal que implica a nulidade dos lançamentos prejudicados pela errônea e, portanto, ilegal, qualificação jurídica dos sujeitos passivos, devendo o prazo para o saneamento do feito ser balizado nos termos da disposição contida no inciso II do art. 172 do Código Tributário Nacional. Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 22 21 Como se vê, senhores Conselheiros, ha pontos de vistas opostos para a questão preliminar, os que defendem a nulidade por vício formal, e os que justificam a posição contrária. Exponho aos Senhores Conselheiros meu entendimento a respeito. Creio na possibilidade de ultrapassar essas condições postas pela recorrente quando se aponta que a verdadeira adquirente é a autora intelectual dos atos que consubstanciam a infração à lei. Nessa situação, a empresa que consta como importadora titular das declarações de importação estaria atendendo ao definido pela autora intelectual. Nesse quadro, o lançamento de ofício não se circunscreve a fixar o crédito tributário devido, mas a apurar fatos que demonstrariam uma conduta, a formação de um esquema inter pessoas jurídicas para fraudar a legislação e as infrações ocorridas. As pessoas indicadas no polo passivo são infratoras antes de serem enquadradas como contribuintes ou responsáveis tributárias. Por isso, tenho como correto as razões adotadas pela maioria dos julgadores a quo, que reproduzo a seguir e adoto como parte desta minha proposição: Voto vencedor do acórdão de 1º piso (trecho): Assim, necessário se faz tecer algumas considerações sobre a sujeição passiva tributária. É de se registrar que a solidariedade que então se estabelece encontra previsão em instituto há muito contemplado no Código Tributário Nacional, no inciso I de seu art. 124, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Assim, para que a responsabilidade seja estabelecida, basta estar configurado o chamado interesse comum no fato. A solidariedade de que se trata é espécie de sujeição passiva, assim positivada pela própria Lei, conforme se depreende do disposto no parágrafo único, inciso III, do artigo 32 do Decretolei n2 37, de 1966, com redação dada pelo artigo l2, do Decretolei n2 2.472, de 1988, que atribuiu responsabilidade solidária ao adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem. Ao encontro desse entendimento veio a edição da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, cujo teor dos arts. 77 e 78, reproduzido mais adiante, reitera a solidariedade já firmada no CTN: Art. 77 O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei n 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32". Parágrafo único. É responsável solidário: III O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 78 O art. 95 do DecretoLei n 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 23 22 Portanto, não se trata da responsabilidade solidária de terceiro que, mesmo sem revestirse da condição de contribuinte, está obrigado ao pagamento do crédito tributário. Tratase de responsabilidade pela efetiva prática da infração apontada. Todos agiram em conjunto, todos se revestem da condição de infratores e, portanto, de sujeito passivo, devendo responder, conjunta e objetivamente, pelas decorrências tributárias de seus atos. O caso é de coautoria, portanto, de coresponsabilidade. Prosseguindo o julgamento: A contribuinte insiste que as informações dos preços praticados por outros importadores para o mesmo produto concorreriam para demonstrar que não houve subfaturamento. Na sessão de 29 de janeiro de 2013, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição informasse: Neste sentido, entendo por bem baixar o processo em diligência para que a autoridade preparadora informe: · a existência, no período do presente auto de infração, de outras importações de mercadorias identicas as importadas pela Recorrente, informação esta a ser obtida junto aos registros do SISCOMEX, ou outras fontes oficiais; · demonstre, por meio de relatório detalhado, o valor praticado pela Recorrente e os valores encontrados nos registros de importação de produtos idênticos aos listados no presente Recurso; · informe as diferenças eventualmente existentes entre as mercadorias importadas pela recorrente e as mercadorias listadas no relatório de fls. 3.165 a 3.173, tendo em vista a informação constante da decisão recorrida de que um mesmo NCM pode abranger diversas mercadorias que não guardem nenhuma similaridade; · intime a Recorrente para que apresente outras informações que entenda necessárias ao deslinde deste processo, bem como se manifeste a respeito dos dados levantados por meio desta diligencia; e, · traga outras informações que entenda necessárias ao deslinde do presente processo. A autoridade fiscal, em resposta à essa demanda do CARF, expôs: Não há como uma fiscalização afirmar se uma mercadoria é idêntica ou similar à outra se não for realizada uma análise mais apurada sobre essas mercadorias, pois todas as informações que existem no Siscomex sobre as mercadorias importadas são informações declaradas pelos importadores, sendo essas informações muitas vezes incompletas, imprecisas, equivocadas etc, para dizer o mínimo. Assim, seria muita irresponsabilidade afirmar que uma mercadoria é idêntica à outra com base apenas em informações constantes de declarações de importação (Dl) de pessoas jurídicas diferentes, sem que tenham sido submetidos tais despachos a um exame fiscal mais criterioso em relação aos bens declarados. Se assim não fosse, o mesmo critério que definiria uma mercadoria como sendo idêntica à outra serviria para desqualificála como tal, gerando autos de infração descolados, em Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 24 23 princípio, da realidade dos fatos, os quais sempre devem ser levados em conta em um procedimento de fiscalização. Fiscalizar tendo como único critério de decisão informações declaradas, mas não analisadas taticamente, seria com certeza um atentado à legalidade e ao direito à ampla defesa. Nessa informação, a autoridade fiscal põe em relevo que ela se apoiou primariamente pelas informações presentes nos próprios documentos que estava em posse da contribuinte. E que 97% das mercadorias autuadas tiveram os preços fixados pela autoridade fiscal com base nos preços verdadeiros para mercadorias idênticas, com apoio nesses documentos encontrados com a contribuinte. Não sendo verdadeiro que tenha se apoiado em listas ou dados de internet. Em suas palavras: As únicas mercadorias que podemos afirmar serem idênticas às importadas pela SECURITECH são as que constam deste processo administrativo fiscal, pois sobre elas foi realizada uma ampla e apurada análise por esta fiscalização. Tanto é assim, que do total das mercadorias analisadas (433.265 itens), em 22,25% foram encontrados os documentos verdadeiros que comprovaram a realidade comercial das respectivas operações de importação. Com base nessas 22,25% de mercadorias valoradas pelo efetivo valor da transação, 73,8% foram valoradas como mercadorias idênticas e 1,17% como mercadorias similares, ou seja, em 97,22% do total de mercadorias importadas foi possível a esta fiscalização identificar o preço efetivamente pago ou vinculálas como idênticas e similares entre si. O art. 88 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, utiliza, exceto no inciso II, alíneas "a" e "c", os princípios do AVAGATT em seus critérios de arbitramento. É a legislação aplicada ao presente processo, que é um caso de fraude. a. Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: · preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; · preço no mercado internacional, apurado: · em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; · de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c)mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Assim, a comparação de preços deve ser realizada entre preços efetivamente praticados, ou seja, preços que comprovadamente foram transacionados nas respectivas operações de importação. Novamente, o que temos no Siscomex são os preços declarados pelos importadores. Para que esses preços possam ser qualificados como os efetivamente praticados, estes preços teriam que passar pela análise da fiscalização aduaneira. Os únicos preços que podemos afirmar que foram os preços efetivamente praticados para importações dos mesmos códigos NCM que foram importados pela SECURITECH já constam do presente processo, pois estas operações de importação foram analisadas por esta fiscalização, que pôde identificar para 41 Dl (de um total de 173 Dl. As outras 132 Dl foram valoradas segundo o art. 88 da MP 2.158, de 2001) os preços efetivamente praticados, fls. 809 a 1.347, 2.770 a 2.779 e 2791 a 2799. O entendimento da autoridade fiscal ficou claro. Entretanto, as informações prestadas não atenderam ao que foi solicitado. Em nome da ampla defesa e do contraditório, Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10494.000659/200871 Resolução nº 3401000.927 S3C4T1 Fl. 25 24 entendo que devemos converter o julgamento em diligência para a unidade de jurisdição providenciar o atendimento das demandas na Resolução de 29 de janeiro de 2013. De fato, a simples NCM não pode ser critério para se aferir a identidade entre bens e se chegar a comparar preços praticados. Mercadorias idênticas às objeto da autuação implica em correspondência na sua descrição. Caso não haja mercadorias idênticas, que essa constatação seja demonstrada e justificada. Não se trata aqui de propor mudança no fundamento do procedimento da autoridade de lançamento, nem de antecipar argumento de apreciação do mérito. Está nas mãos da autoridade estatal, sem ferir a lei (ex.: o sigilo), concorrer para atender ao contraditório. Sendo assim proponho ao Colegiado a retomada da diligência para que a autoridade fiscal de jurisdição providencie o atendimento ao seguinte: 1. informar a existência, no período do presente auto de infração, de outras importações de mercadorias idênticas as importadas pela Recorrente, informação esta a ser obtida junto aos registros do SISCOMEX, ou outras fontes oficiais; 2. demonstrar, por meio de relatório detalhado, o valor praticado pela Recorrente e os valores encontrados nos registros de importação de produtos idênticos aos listados no presente Recurso; 3. informar as diferenças eventualmente existentes entre as mercadorias importadas pela recorrente e as mercadorias listadas no relatório de fls. 3.165 a 3.173, tendo em vista a informação constante da decisão recorrida de que um mesmo NCM pode abranger diversas mercadorias que não guardem nenhuma similaridade; 4. intimar a Recorrente para que apresente outras informações que entenda necessárias ao deslinde deste processo, bem como se manifeste a respeito dos dados levantados por meio desta diligencia; e, traga outras informações que entenda necessárias ao deslinde do presente processo. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 12466.721306/2013-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.789
Decisão: Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Esteve presente ao julgamento o Dr. André de Souza Carvalho, OAB/RJ n. 99.428, advogado da recorrente.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Esteve presente ao julgamento o Dr. André de Souza Carvalho, OAB/RJ n. 99.428, advogado da recorrente. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro.
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Recorrida União Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Esteve presente ao julgamento o Dr. André de Souza Carvalho, OAB/RJ n. 99.428, advogado da recorrente. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro. 1. Relatório 1. Conforme se observa dos autos, o presente caso decorre de auto de infração (fls. 2/15) constituído pela Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Vitória (ALF/VIT) e que impõe ao Recorrente pena de perdimento convertida em multa no valor de R$ 125.528.640,07 (cento e vinte e cinco milhões, quinhentos e vinte e oito mil, seiscentos e quarenta reais e sete centavos). 2. Segundo a acusação a Recorrente teria embarcado para o exterior aproximadamente 135.000,00 m3 de óleo bruto de petróleo (conhecimentos de carga de fls. 71, 122 e 171) sem que houvesse a prévia autorização da Receita Federal do Brasil (RFB), incorrendo, o interessado, em infração definida como dano ao erário, estando sujeito à multa equivalente ao preço constante nas notas fiscais de exportação nº 7, 12, 13, 16, 20 e 21 (fls. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .7 21 30 6/ 20 13 -3 8 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12466.721306/201338 Resolução nº 3402000.789 S3C4T2 Fl. 695 2 61/64; 117; 119; 160), conforme dispõe art. 23, inc. IV, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/761, c.c. art. 105, inciso I do Decretolei nº 37/662. 3. Para o devido esclarecimento acerca do substrato fático que permeia a presente autuação, mister se faz nesse instante delimitar algumas questões essenciais ao presente julgamento. 4. Nesse esteio, insta destacar que a Recorrente é pessoa jurídica que, dentre outras atividades sociais (contrato social de fls. 282/303), exerce a atividade de exploração e exportação de petróleo cru. 5. Referida atividade empresarial está sujeita a determinados regimes especiais. No caso, a Recorrente encontravase beneficiada pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 02, de 17 de março de 2010 (fls. 367/371), que previa um procedimento próprio e simplificado para a exportação de petróleo. Segundo o referido ADE, o contribuinte poderia exportar referida mercadoria mediante formalização do registro da declaração de exportação em até 60 (sessenta) dias após o embarque das mercadorias a granel, nos termos dos arts. 52 e 56 da IN/SRF n. 28/94, in verbis: Art. 52. O registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação, no SISCOMEX, poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional, nos seguintes casos: (...). Parágrafo único. A critério do chefe da unidade local da SRF, o registro da declaração poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional, na exportação: I de granéis, inclusive petróleo bruto e seus derivados; (...). (g.n.). Art. 56 A declaração para despacho aduaneiro de exportação nas situações indicadas no art. 52, deverá ser apresentada, na forma estabelecida nos arts. 3º a 9º, no que couber: (...). 1 "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...). IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...). § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...). § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. 2 "Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: I em operação de carga ou já carregada, em qualquer veículo ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito da autoridade aduaneira ou não cumprimento de outra formalidade especial estabelecida em texto normativo; (...)." Fl. 696DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12466.721306/201338 Resolução nº 3402000.789 S3C4T2 Fl. 696 3 IV pelo exportador, na hipótese prevista no inciso I do parágrafo único do art. 52, relativamente a petróleo bruto e seus derivados, até sessenta dias corridos após a conclusão do embarque, à unidade da SRF que jurisdiciona o porto de embarque das mercadorias. (...). 6. Não obstante, em relação a Recorrente ainda se aplicava o regramento extraído da Portaria ALF/VIT n. 37, de 12 de março de 2007, com incidência apenas no âmbito da Alfândega do Porto de Vitória, a qual previa que o embarque da mercadoria a ser exportada demandava a elaboração de um prévio pedido de embarque (PEM), conforme se observa dos seguintes trechos da citada Portaria: 7. Assim, em razão do procedimento simplificado ao qual estava sujeito a Recorrente, competialhe, em suma, tomar as seguintes providências: (i) promover o pedido de embarque ("PEM") junto as autoridades aduaneiras competentes; (ii) solicitar perante a RFB a designação de engenheiro para a arqueação da embarcação (mensuração do seu volume interno), indicando o volume da carga; e, por fim (iii) apresentar a declaração de exportação (DE) até 60 dias após o embarque das mercadorias. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12466.721306/201338 Resolução nº 3402000.789 S3C4T2 Fl. 697 4 8. Em princípio, o não cumprimento das regras destinadas de forma específica para a Recorrente poderia ensejar a suspensão do regime especial e, por conseguinte, a submissão do contribuinte ao regime comum de exportação. 9. Pois bem. Seguindo a sistemática especialmente tracejada para a Recorrente, entre abril e julho de 2010, esta apresentou os seguintes PEMs para a autoridade aduaneira competente: (a) 153144 (20/04/2010); 153853 (20/04/2010); 154388 (09/06/2010); e 155465 (05/07/2010). Registrese que referidos PEMs não constituem o motivo direto da presente autuação, afetandoa, todavia, de forma reflexa e de modo substancial, conforme se pontuará a seguir. Não obstante, tentando facilitar a compreensão do caso, passaremos a chamar tais documentos de "conjunto de PEMs 01". 10. Em momento posterior, mais precisamente entre novembro e dezembro de 2010, Recorrente apresentou os seguintes PEMs.: (b) 160400 (30/11/2010); 159479 (03/11/2010); e 11/150840 (24/01/2011). Estes são os PEMs que constituem o motivo direto da presente autuação.Também com o fito de aclarar a compreensão dos fatos aqui tratados, passaremos a chamar tais documentos de "conjunto de PEMs 02". 11. Conforme se observa dos autos, o agente aduaneiro encarregado de analisar o conjunto de PEMs 02, propôs indeferilos ao fundamento que o conjunto de PEMs 01 estariam com prazo vencido para entrega das correlatas Declarações de Exportações, o que impediria o conhecimento de novos PEMs posteriormente apresentados. Nessa mesma oportunidade foi proposto o cancelamento do ADE n. 02/2010 expedido em favor da Recorrente e anteriormente referido. 12. A proposta de cancelamento do ADE sobredito não foi acolhida, mas o Serviço de Despacho Aduaneiro (SEAD) entendeu por bem acolher o indeferimento do conjunto de PEMs 01 e que repitase não são objetos direto do presente processo administrativo. 13. Diante deste quadro, o efeito cascata foi desconsiderar as Declarações de Exportação relacionadas ao conjunto de PEMs 02 e, por conseguinte, tratar as exportações realizadas como não declaradas à fiscalização aduaneira, o que, em razão do suposto dano causado ao erário, deu ensejo, em um primeiro momento, a um processo administrativo de perdimento (PA n. 12466.721679/201147) e, em momento seguinte, ao presente processo administrativo para aplicação de multa por conta da não localização dos bens sobre os quais deveria recair o perdimento. 14. Devidamente intimado, o contribuinte impugnou a presente autuação (fls. 226/263 a qual, uma vez processada, foi julgada improcedente pela DRJ/Fortaleza, o que se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 09/11/2010, 04/12/2010, 28/01/2011 PROCEDIMENTOS SIMPLIFICADOS PARA O DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO DE PETRÓLEO. AUTORIZAÇÃO Fl. 698DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12466.721306/201338 Resolução nº 3402000.789 S3C4T2 Fl. 698 5 DE EMBARQUE PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. OBRIGATORIEDADE. A habilitação aos procedimentos simplificados para o despacho aduaneiro de exportação de petróleo em unidades de produção ou estocagem situadas em águas jurisdicionais brasileiras não elide a obrigação do beneficiário de submeter o embarque ao crivo da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/11/2010, 04/12/2010, 28/01/2011 EMBARQUE DE MERCADORIA SEM AUTORIZAÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DANO AO ERÁRIO. MULTA EQUIVALENTE AO PREÇO CONSTANTE DA RESPECTIVA NOTA FISCAL, NA EXPORTAÇÃO. PROCEDÊNCIA O embarque de mercadorias sem a autorização da Secretaria da Receita Federal do Brasil é conduta considerada lesiva ao Erário, passível de punição com multa equivalente ao preço constante da respectiva nota fiscal, na exportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 15. Inconformado com a r. decisão o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário sub judice, oportunidade em que repisou as alegações de Impugnação. 16 . É o relatório. 2. Resolução Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 17. Conforme se observa dos fatos debatidos no presente processo administrativo, é possível constatar a existência de uma íntima relação entre a análise do conjunto de PEMs 01 (registrados sob os n.s 153144, 153853, 154388 e 155465) e o conjunto de PEMs 02 (registrados sob os n.s 160400, 159479 e 11/150840). 18. Tal fato, inclusive, fica ainda mais claro quando se observa um dos fundamentos aduzidos pela Recorrente. Segundo suas alegações, o indeferimento do conjunto de PEMs 01 alhures referidos nunca foi comunicado ao Recorrente, o que macularia a validade deste ato administrativo. Em outros termos, não foi dada publicidade a tais indeferimentos. Ocorre que, a ausência desta publicidade impediria a propagação dos correlatos efeitos jurídicos daí decorrentes, i.e., a suspensão momentânea do ADE n. 02/10 e impedimento do registro de novos PEMs de forma simplificada (dentre eles o conjunto de PEMs 02) até que houvesse o saneamento dos problemas apontados no primeiro conjunto de PEMs. 19. Assim, se o ADE n. 02/10 estava operando efeitos de forma plena à época do registro do conjunto de PEMs 02, a embarcação das mercadorias então referidas e a sua correlata exportação foram válidas, não havendo que se falar em aplicação de pena de perdimento e sua conversão em multa. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12466.721306/201338 Resolução nº 3402000.789 S3C4T2 Fl. 699 6 20. Compulsando os autos, não é possível constatar a existência de intimação do Recorrente para regularizar o conjunto de PEMs 01 e, por conseguinte, a data em que esta suposta intimação teria sido proferida, de modo a se verificar se anterior ou posterior ao registro do conjunto de PEMs 02, aqui debatidos. Os únicos documentos presentes são as propostas de indeferimento do conjunto de PEMs 01 e de cancelamento do ADE n. 02/2010, bem como o acolhimento pelo órgão supervisor apenas da primeira medida mencionada. 21. Tal fato, por seu turno, impede o devido conhecimento de um dos fundamentos apresentados pelo contribuinte, razão pela qual tornase imprescindível a conversão do presente julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes medidas: (i) deverá a fiscalização esclarecer se o contribuinte foi intimado do indeferimento do conjunto de PEMs 01 (registrados sob os n.s 153144, 153853, 154388 e 155465), bem como a data que tal indeferimento foi perpetrado, apontando, pois, se anterior ou posterior ao registro do conjunto de PEMs 02 (registrados sob os n.s 160400, 159479 e 11/150840); (ii) deverá a fiscalização juntar nos autos os documentos pertinentes e que deverão atestar as informações que serão prestadas em resposta ao item imediatamente anterior, em especial no que tange a publicidade do ato administrativo referido e a data em que isto ocorreu; e, por fm (iii) o contribuinte deverá ser intimado para, querendo, possa se manifestar a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias. 22. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 700DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19740.000451/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002
DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO EQUIVALÊNCIA À DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O depósito judicial não equivale ao procedimento da denúncia espontânea, pois gera ônus à Administração Pública.
PAGAMENTO MEDIANTE DARF. RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
No caso em análise, houve pagamento mediante DARF e, na época, a apresentação de DCTF não constituía crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. COFINS DECLARADA EM DCTF
No lançamento efetuado com base no art. 90 da MP nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, com a vinculação de pagamento incorreto, a multa de ofício deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN, em razão da retroatividade benigna.
Numero da decisão: 3302-003.194
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a denúncia espontânea dos valores efetivamente recolhidos mediante DARF no período entre 09/2001 a 12/2002 e exonerar a multa de ofício dos valores constituídos no Auto de Infração decorrente da imputação dos valores depositados em atraso, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que exonerava todo o crédito tributário tendo em vista declaração em DCTF.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002 DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO EQUIVALÊNCIA À DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O depósito judicial não equivale ao procedimento da denúncia espontânea, pois gera ônus à Administração Pública. PAGAMENTO MEDIANTE DARF. RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No caso em análise, houve pagamento mediante DARF e, na época, a apresentação de DCTF não constituía crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. COFINS DECLARADA EM DCTF No lançamento efetuado com base no art. 90 da MP nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, com a vinculação de pagamento incorreto, a multa de ofício deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN, em razão da retroatividade benigna.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-06-02T20:46:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-06-02T20:46:27Z; Last-Modified: 2016-06-02T20:46:27Z; dcterms:modified: 2016-06-02T20:46:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:c91ad0a3-5ad4-4872-ab1e-29dee01faf18; Last-Save-Date: 2016-06-02T20:46:27Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-06-02T20:46:27Z; meta:save-date: 2016-06-02T20:46:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-06-02T20:46:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-06-02T20:46:27Z; created: 2016-06-02T20:46:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2016-06-02T20:46:27Z; pdf:charsPerPage: 2216; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-06-02T20:46:27Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000451/200613 Recurso nº 33.020.03194 Voluntário Acórdão nº 3302003.194 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente FUNDAÇÃO ELETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL ELETROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002 DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO EQUIVALÊNCIA À DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O depósito judicial não equivale ao procedimento da denúncia espontânea, pois gera ônus à Administração Pública. PAGAMENTO MEDIANTE DARF. RECONHECIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No caso em análise, houve pagamento mediante DARF e, na época, a apresentação de DCTF não constituía crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. COFINS DECLARADA EM DCTF No lançamento efetuado com base no art. 90 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a vinculação de pagamento incorreto, a multa de ofício deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN, em razão da retroatividade benigna. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a denúncia espontânea dos valores efetivamente recolhidos mediante DARF no período entre 09/2001 a 12/2002 e exonerar a multa de ofício dos valores constituídos no Auto de Infração decorrente da imputação dos valores depositados em atraso, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que exonerava todo o crédito tributário tendo em vista declaração em DCTF. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 51 /2 00 6- 13 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 3 2 Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de auto de infração, referente à COFINS, cujo valor expressa o montante de R$ 292.167,43 no período de apuração de setembro de 2001 a dezembro de 2002. Do termo de verificação fiscal, fls. 214/2191, extraemse os seguintes trechos: A ação fiscal de que trata o presente Termo de Verificação foi determinada pela Administração Tributária Federal mediante Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 07.1.66.002005 000113, e foi motivada pela constatação, em procedimento de acompanhamento da Ação Ordinária n° 2002.34.00.0045875, junto à 6a Vara Federal da 1a Região, pelo processo administrativo n° 10768.017624/200218, que os recolhimentos/depósitos judiciais referentes aos períodos de apuração de setembro de 2001 e posteriores foram, algumas vezes, integralizados em atraso. (...) O MPF acima mencionado teve origem no Processo Administrativo Fiscal n° 10768.017624/200218, formalizado para acompanhamento da Ação Ordinária de n° 2002.34.00.0045875 e da Medida Cautelar Inominada a ela vinculada de n° 2002.34.00.002358 5, ambas junto à 6a Vara Federal no Distrito Federal DF. Por meio da Ação Ordinária a interessada pleiteia a inexistência de relação jurídicotributária que a obrigue ao recolhimento da Cofins, já que a mesma não aufere receita própria, ou, subsidiariamente, pelas inconstitucionalidades existente na Lei n° 9.718/98 (fls. 22 a 81). Pela anteriormente mencionada Ação Cautelar Inominada, impetrada em 28 de janeiro de 2002, objetiva o autor obter autorização para efetivar depósitos judiciais dos valores do principal da Cofins considerados devidos até 31.08.2001, sem juros e sem multa, para fins de garantir a anistia instituída pelo artigo 5o da MP n° 2.222/2001, sem renúncia ao direito de questionar a sua respectiva cobrança (fls. 22 a 81) 1 Todas as páginas citadas no voto são do eprocesso. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 4 3 Como se verifica às fls. 82 a 84, em 30 de janeiro de 2002 foi concedida a liminar requerida autorizando o depósito judicial dos valores do principal da Cofins considerados devidos até 31.08.2001, sem juros e sem multa, na forma do art.5°, caput, da MP n° 2.222/2001, c/c o art.17 da Lei n° 9.779/99, sem que seja exigido do autor, para usufruir da anistia parcial, a comprovação da desistência das ações judiciais como previsto no § 1o do art 5o, anteriormente citado. Posteriormente a ELETROS manifestou a desistência da referida ação cautelar (fls. 89 a 92) bem como sua renúncia a qualquer alegação de direito formulado na ação, tendo o Juízo homologado a desistência da ação cautelar, declarando o processo extinto sem julgamento do mérito e determinando a conversão em renda da União dos depósitos efetuados nos autos da cautelar (fls. 92) Quanto ao discutido na ação ordinária (principal) onde o contribuinte se insurge contra a Cofins instituída pela Lei n° 9.718/98, também foi requerida sua desistência ao Juízo (fls. 93), sem, contudo, mencionar o dispositivo que ampararia a citada desistência. (...) Pela análise procedida nos autos do processo n° 10768.017624/20218, como se verifica às fls. 113 a 115, concluiuse que os depósitos efetuados nos autos da ação cautelar foram suficientes à cobertura do montante devido relativo aos fatos geradores compreendidos entre 02/1999 e 08/2001. Ocorre que, para os períodos de apuração de 09/2001 a 12/2002, o contribuinte continuou a depositar as quantias consideradas devidas, porém, muitas das vezes, integralizados em atraso sem o cômputo da multa de mora. Na ocasião em que os montantes devidos a título de Cofins, referentes aos PA de 09/2001 a 12/2002, foram depositados, inexistia norma de caráter exonerativo que permitisse sua integralização em atraso sem a incidência da multa de mora. Por ter o contribuinte efetuado o depósito judicial da Cofins em atraso, sem o acréscimo da multa de mora, está sujeito ao lançamento de multa de ofício conforme determina o art.43 combinado com o art.44 da Lei n° 9.430/96, abaixo transcritos: (...) Com base nos depósitos judiciais efetuados,(fls. 126 a 142), procedemos à apuração do imposto (principal), utilizando o denominado "método proporcional", que consiste em desconsiderar a distribuição do valor pago no DARF nos campos das diversas rubricas, sendo a Fazenda Pública responsável quem arbitra a repartição proporcional do valor pago entre as mesmas (principal, multa e juros). A cada Fl. 463DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 5 4 pagamento parcial efetuado, não importando em que linha do DARF ele esteja, o débito é abatido na três rubricas de modo proporcional ao valor devido em cada uma delas. Às fls. 268/282, há a impugnação da contribuinte, que alega em síntese: i) cabimento da denúncia espontânea em sede de tributos sujeitos ao lançamento por homologação; ii) irregularidade na constituição do lançamento; iii) inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. Às fls. 353/361, há o resultado do julgamento da DRJ/Rio de Janeiro II, cuja ementa colacionase abaixo: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002 PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. Nos pagamentos extemporâneos, as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei e de natureza indenizatória, nitidamente apartadas das penalidades pecuniárias. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO. Na apuração do saldo devedor remanescente de crédito tributário recolhido em valor insuficiente e em atraso, não se pode romper o vínculo de proporcionalidade entre o principal (tributo) e seus acessórios (juros e multa de mora), por se tratar de relação jurídicotributária em que o valor do tributo, o principal, deve ser identificado no momento de liquidação. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. A Recorrente foi cientificada da decisão da DRJ/Rio da Janeiro II em 24 de julho de 2012 e interpôs recurso voluntário em 20 de agosto de 2012. No recurso, a contribuinte repisa os argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 6 5 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, sendo que a contribuinte teve ciência em 24 de julho de 2012 e o recurso protocolado em 20 de agosto de 2012. Tratase de matéria da competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2. Do mérito O recurso voluntário, em síntese, alegou que: 1. que os depósitos efetuados em razão das ações nº 2002.34.00.00223585 e 2002.51.01.0186664 quitam integralmente os débitos até 31 de agosto de 2001; 2. Alega a aplicação da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN; 3. A revogação da hipótese de incidência da multa de ofício disposta no artigo 44, inciso I, pela revogação da expressão "pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo", pelas Medidas Provisórias nº 303/2006 e 351/2007. 2.1. Matéria estranha aos autos Quanto à primeira alegação, esclareçase que a matéria é estranha ao processo, pois não houve autuação relativa ao período até 3 de agosto de 2001, o período de apuração é de 01º de setembro de 2001 a 30 de novembro de 2002. 2.2. Das Medidas Provisórias nº 215835, de 24 de agosto de 2001, 303, de 29 de junho de 2006, 351, de 22 de janeiro de 2007 Em relação à revogação promovida pelas Medidas Provisórias nº 303/2006 e 35/2007, entendese que não há mais hipótese de incidência de multa para a ausência de multa de mora. Em um breve comparativo de redações: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) Após as referidas medidas provisórias: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 465DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 7 6 declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Entretanto, a falta de recolhimento e a falta de declaração continuam vigentes como hipóteses de incidência da multa de ofício. No caso, ao se efetivar a imputação proporcional, conforme pacificado no Parecer PGFN 1936/2005 e Repetitivo do STJ REsp 960.239/SC, restaram parcelas de tributos não recolhidos, sujeitos a lançamento de ofício. Tais parcelas deveriam ser comparados com os valores declarados e confessados e que seriam lançados apenas os valores devidos excedentes à declaração. Ocorre que no período de setembro de 2001 a dezembro de 2002, as DCTFs estavam sujeitas à regra do artigo 90 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e os valores ali informados, relativos à exigibilidade suspensa ou pagamento, acaso não comprovados, eram sujeitos a lançamento de ofício com multa de ofício, para se efetivar a cobrança: MP nº 215835/2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Nas fls. 191, verificase que as DCTFs originais foram entregues no período de vigência do artigo 90 da MP nº 215835/2001 e várias retificadoras foram entregues de 2003 a 15/08/2005. As últimas retificadoras foram entregues em 15/07/2004 (07/2001 a 06/2002) e 15/08/2005 (07/2002 a 12/2002). A ação fiscal iniciouse em 28/01/2005. No caso, as DCTFs retificadoras devem possuir a mesma natureza das originais, segundo artigo 18 da MP nº 2.189, de 23 de agosto de 2001: MP nº 2.189/2001 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração Assim, os valores declarados para este período estão sujeitos ao lançamento de ofício das diferenças de pagamentos e de exigibilidade suspensa não comprovados. Porém, a multa de ofício lançada deve ser exonerada, a teor da SCI 3/20042 e Acórdão CSRF 9101 001.557, processo 16327.001976/200651, cuja ementa dispôs: 2 Os lançamentos que foram efetuados, com base no art. 90 da MP no 2.15835, no período compreendido entre a edição da MP no 2.15835, e a MP no 135, de 2003, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram elaborados, devendo ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas previstas para o processo administrativo fiscal; Fl. 466DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 8 7 CSLL MULTA DE OFICIO RETROATIVIDADE BENIGNA CSLL DECLARADA EM DCTF No lançamento efetuado com base no art. 90 da MP 215835 de 24/08/2001, com vinculação de pagamento incorreta, a multa de oficio deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN, em razão da retroatividade benigna. Ressaltase, porém, que para se definir os valores a serem mantidos no lançamento, devese analisar a questão da denúncia espontânea. 2.2. Denúncia espontânea depósito judicial e pagamento mediante DARF Relativamente à aplicação da denúncia espontânea aos depósitos judiciais, há entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o depósito judicial não configura denúncia espontânea, vide precedente abaixo: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. ATUAL ENTENDIMENTO DE AMBAS AS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO DO STJ. ENFOQUE ECONÔMICO DO INSTITUTO. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE TROCA ENTRE CUSTO DE OPORTUNIDADE E CUSTO ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONHECIDOS E NÃO PROVIDOS. 1. Discutese nos autos a ocorrência ou não de denúncia espontânea em caso de depósito judicial dos valores do tributo devido antes da instauração de procedimento fiscal pelo Fisco. O Embargante alega dissídio interpretativo com julgado proferido pela Segunda Turma desta Corte nos autos do REsp nº 196.037/PE de relatoria do Min. Francisco Peçanha Martins, caso em que se reconheceu a ocorrência de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, na hipótese do depósito judicial do tributo e seus consectários antes de procedimento de fiscalização realizado pelo Fisco. 2. O acórdão embargado entendeu que a ocorrência da denúncia espontânea pressupõe a consolidação definitiva da relação jurídica tributária mediante confissão do contribuinte e imediato pagamento de sua dívida fiscal, o que não ocorre por depósito judicial, pois, por meio dele subsiste a controvérsia sobre a obrigação tributária, retirando, dessa forma, o efeito desejado pela norma de mitigar as discussões administrativas ou judiciais a esse respeito. No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo Fl. 467DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 9 8 3. Em recente julgado da Segunda Turma desta Corte, nos autos do REsp nº 1.340.174/PR, de minha relatoria, DJe 28.9.2015, foi negado provimento recurso especial onde se pretendia o reconhecimento de denúncia espontânea em caso de depósito judicial dos valores do tributo e respectivos juros, ocasião em que foi explicitado, nas razões de decidir, o precedente da Primeira Turma desta Corte nos autos do REsp nº 1.131.090/RJ, DJe 19.9.2013, objeto dos presentes embargos de divergência. 4. O instituto da denúncia espontânea, mais que um benefício direcionado ao contribuinte que dele se favorece ao ter excluída a responsabilidade pela multa, está direcionado à Administração Tributária que deve ser preservada de incorrer nos custos administrativos relativos à fiscalização, constituição, administração e cobrança do crédito. Para sua ocorrência deve haver uma relação de troca entre o custo de conformidade (custo suportado pelo contribuinte para se adequar ao comportamento exigido pelo Fisco) e o custo administrativo (custo no qual incorre a máquina estatal para as atividades acima elencadas) balanceado pela regra prevista no art. 138 do CTN. 5. O depósito judicial integral do tributo devido e respectivos juros de mora, a despeito de suspender a exigibilidade do crédito, na forma do art. 151, II, do CTN, não implicou relação de troca entre custo de conformidade e custo administrativo a atrair caracterização da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, sobretudo porque, constituído o crédito pelo depósito, nos termos da jurisprudência desta Corte (EREsp 464.343/DF, Rel. Min. José Delgado, DJ de 29.10.2007; EREsp 898.992/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 27.8.2007; EREsp. n. 671.773RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 23.6.2010), pressupõese a inexistência de custo administrativo para o Fisco já eliminado de antemão, a exemplo da entrega da declaração constitutiva de crédito tributário. 6. Por outro lado, além de não haver relação de troca entre custo de conformidade e custo administrativo a atrair caracterização da denúncia espontânea na hipótese, houve a criação de um novo custo administrativo para a Administração Tributária em razão da necessidade de ir a juízo para discutir, nos autos do mandado de segurança impetrado pelo contribuinte, o crédito tributário cuja exigibilidade se encontra suspensa pelo depósito, ao contrário do que ocorre, v. g., em casos ordinários de constituição de crédito realizado pelo contribuinte pela entrega da declaração acompanhada do pagamento integral do tributo. 7. Embargos de divergência conhecidos e não providos. (STJ; EREsp 1131090 / RJ; EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL 2013/03513625; Relator: Ministro Mauro Campbell Marques; Primeira Seção; Data do julgamento: 28.10.2005) Fl. 468DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 10 9 Assim, não há como considerar o depósito judicial equivalente à denúncia espontânea. O depósito judicial não significa denúncia da infração, mas, ao contrário, é uma medida de suspensão da exigibilidade, enquanto a recorrente continua a litigar contra a União. No caso em análise, a ação ordinária 2002.34.00.045875 foi distribuída por dependência à ação cautelar nº 2002.34.00.00223585. Na ação ordinária pediuse a declaração de inexistência de relação jurídica da obrigação tributária relativa à Cofins, por inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 5º da MP 2.222/2001 e art. 8º da MP nº 25, de 23 de janeiro de 2002 e a realização de depósito judicial posteriores a 09/2001. A sentença em 11/09/2002 na ação ordinária julgou o pedido improcedente. Em 14/11/2002, fls.95, a Recorrente desistiu da ação ordinária e requereu a conversão em renda dos depósitos judiciais. No DJ, fls. 103, houve a declaração da extinção do processo com julgamento do mérito, desfavorável à Recorrente. Na ação cautelar 2002.34.00.00223585, o pedido restringese aos fatos geradores até 31/08/2001, fls.. 138, os quais não fazem parte desta autuação. Nas fls. 194 a 195, consta a relação de depósitos/pagamentos. Nas fls. 196 a 212, constam os documentos de depósito ou DARF. O código de receita 7987 se refere à Cofins de instituições financeiras. O código 7498 referese a depósito judicial. Verificase que no período de 09/2001 a 12/2002, houve tanto depósitos judiciais quanto recolhimento em DARFs. A ação fiscal foi iniciada em 28/01/2005. O AI, lavrado em 21/12/2006, lançou os períodos de 09/2001 a 12/2002 e foi fundamentado na existência de depósitos e recolhimentos sem multa de mora, em período no qual inexistia norma de caráter exonerativo que permitisse a integralização em atraso sem multa moratória, efetuando a imputação proporcional. Assim, entendo que os depósitos efetuados de 09/2001 a 12/2002 não estão amparados por norma de anistia, bem como a liminar deferida referese apenas aos débitos até 31/08/2001, não sendo, portanto, objeto deste processo. Deveriam, portanto, serem recolhidos com multa de mora, por não se aplicar a eles a denúncia espontânea. Porém, relativamente aos recolhimentos em DARF efetuados, entendo aplicável o instituto da denúncia espontânea, conforme decisões na sistemática de recursos repetitivos nos seguintes Recursos Especiais: nº 962.379 – RS, nº 886.462 – RS e de nº 1.149.022 SP. Assim, nos termos dos Acórdãos dos REsp nº 962.379 – RS e REsp nº 886.462, a prévia declaração e constituição do crédito tributário pelo contribuinte, mediante a entrega de declaração com natureza de confissão de dívida, afasta a aplicação do instituto da denúncia espontânea quanto ao recolhimentos extemporâneos, posteriores ao prazo de entrega da declaração, relativamente aos tributos previamente declarados. Por outro lado, o REsp nº 1.149.022 – SP decidiu que no caso de declaração parcial do débito, acompanhada do respectivo pagamento integral, aplicase a denúncia espontânea em relação à diferença a maior objeto de declaração retificadora, desde que o Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 11 10 contribuinte efetue o pagamento desta diferença, concomitante à apresentação da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. As declarações a que aludem as decisões do STJ são as que possuem a natureza de confissão de dívida e dispensam a administração tributária de empreender esforços administrativos para a constituição do crédito tributário, pois que tais declarações são passíveis de cobrança administrativa. Transcrevese ementa e excerto do voto no REsp 962.379/RS que informa a questão: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Os excertos abaixo esclarecem: [...] 3. Realmente, a jurisprudência sedimentada na 1ª Seção é no sentido de que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. A propósito, ao julgar o AgRg nos EResp 670.326, de minha relatoria, esta 1ª Seção decidiu o seguinte: [...] Na condição de relator do caso, sustentei, na oportunidade, o seguinte: " (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 12 11 referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Conseqüentemente, não há possibilidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários cuja existência já esteja formalizada (= créditos tributários já constituídos) e, portanto, líquidos, certos e exigíveis. Em tais casos, o recolhimento fora de prazo não é denúncia espontânea e, portanto, não afasta a incidência de multa moratória. Nesse sentido: Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 10ª ed., SP, Saraiva, 2004, p. 440. Conforme assentado em precedente do STJ, "não há denúncia espontânea quando o crédito em favor da Fazenda Pública encontrase devidamente constituído por autolançamento e é pago após o vencimento" (EDcl no REsp 541.468, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ de 15.03.2004). [...] 3. Bem se vê, portanto, que, com a constituição do crédito tributário, por qualquer das citadas modalidades (entre as quais a da apresentação de DCTF ou GIA pelo contribuinte), o tributo pode ser exigido administrativamente, gerando, por isso mesmo, conseqüências peculiares em caso de não recolhimento no prazo previsto em lei: (a) fica autorizada a sua inscrição em dívida ativa, fazendo com que o crédito tributário, que já era líquido, certo e exigível, se torne também exeqüível judicialmente; (b) desencadeiase o início do prazo de prescrição para a sua cobrança pelo Fisco (CTN, art. 174); e (c) inibese a possibilidade de expedição de certidão negativa correspondente ao débito. Quanto a esses aspectos, a jurisprudência do Tribunal é reiterada, conforme se constata dos seguintes precedentes: [...] 4. À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante conseqüência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. Assim, v.g, ficou decidido no ERESP 531249/RS, DJ de 09.08.2004, Min. Castro Meira: [...] Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 13 12 Restou assentado nos julgados relativos à denúncia espontânea, que a entrega de declaração com natureza de confissão de dívida constitui o crédito tributário, conferindolhe liquidez, certeza e exigibilidade, e dispensa o Fisco da tomada de qualquer outra providência, possibilitando a imediata cobrança administrativa e posterior execução em DAU. Verificase, porém, para o período autuado que as DCTFs não possuíam esta natureza, haja vista a necessidade de lançamento de ofício com base no artigo 90 da MP 215835/2001. O próprio STJ aplica este entendimento, conforme, por exemplo, no acórdão proferido no AgRg no REsp 1521071/AL: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM DCTF. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. PRECEDENTES. DECADÊNCIA CONFIGURADA. 1. Discutese a ocorrência da decadência para os casos em que a compensação foi indevidamente informada na DCTF e o fisco requer a cobrança das diferenças. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, nas hipóteses em que o contribuinte declarou os tributos via DCTF e realizou a compensação nesse mesmo documento, é necessário o lançamento de ofício para que seja cobrada a diferença apurada caso a DCTF tenha sido apresentada antes de 31.10.2003. A partir de 31.10.2003, é desnecessário o lançamento de ofício, todavia os débitos decorrentes da compensação indevida só devem ser encaminhados para inscrição em dívida ativa após notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, cujo recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário. 3. Caso em que as DCTFs foram entregues antes de 31.10.2003, logo indispensável o lançamento de ofício, levando à declaração a ocorrência da decadência nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Agravo regimental improvido. Defluise que a denúncia espontânea deve ser admitida para os pagamentos efetuados, pois as DCTFs não possuem o condão de constituir o crédito tributário, fundamento utilizado pelo STJ para afastar a denúncia espontânea. Na realidade, se as DCTFs constituíssem o crédito tributário, o lançamento relativo ao período, deveria ser todo cancelado, pois a cobrança deveria ser efetuada mediante a DCTF, o que não é o caso. 3. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e conceder parcial provimento para: em relação aos depósitos não há denúncia espontânea, nem são albergados pela anistia do art. 5º da MP 2222/2001, mas todos os valores lançados foram informados em DCTF, cuja autuação com base no artigo 90 da MP 215835/2001 implica a exoneração da multa de ofício; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000451/200613 Acórdão n.º 3302003.194 S3C3T2 Fl. 14 13 em relação aos pagamentos, é aplicável a denúncia espontânea, o que, em vista do demonstrativo de imputação de fls. 220 a 222, implica em reconhecer o valor original dos recolhimentos em DARF constantes na fls. 195, exonerandose todo o lançamento relativo a estes recolhimentos. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 473DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Numero do processo: 10435.722733/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ESQUIZOFRENIA.ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA.
Comprovada, através de laudo emitido por serviço médico oficial, a ......., considerada moléstia grave para efeito do art. 6º da Lei nº 7.713/88, com as modificações da Lei nº 11.052/2004, é de se reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria, ou de complementação de aposentadoria recebida de entidade de previdência privada, percebidos pelo portador, a partir da data em que a doença foi contraída.
Não basta que o contribuinte apresente laudo pericial, no qual se tem que o mesmo é portador de esquizofrenia para que a ele seja conferido o direito à isenção do imposto de renda por alienação mental sobre proventos auferidos. Para concessão do benefício, no caso de Esquizofrenia, o laudo terá que especificar se houve em decorrência da mencionada doença a alienação mental.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira, e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ESQUIZOFRENIA.ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Comprovada, através de laudo emitido por serviço médico oficial, a ......., considerada moléstia grave para efeito do art. 6º da Lei nº 7.713/88, com as modificações da Lei nº 11.052/2004, é de se reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria, ou de complementação de aposentadoria recebida de entidade de previdência privada, percebidos pelo portador, a partir da data em que a doença foi contraída. Não basta que o contribuinte apresente laudo pericial, no qual se tem que o mesmo é portador de esquizofrenia para que a ele seja conferido o direito à isenção do imposto de renda por alienação mental sobre proventos auferidos. Para concessão do benefício, no caso de Esquizofrenia, o laudo terá que especificar se houve em decorrência da mencionada doença a alienação mental. Recurso Voluntário Negado.
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MOLÉSTIA GRAVE. ESQUIZOFRENIA.ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Comprovada, através de laudo emitido por serviço médico oficial, a ......., considerada moléstia grave para efeito do art. 6º da Lei nº 7.713/88, com as modificações da Lei nº 11.052/2004, é de se reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria, ou de complementação de aposentadoria recebida de entidade de previdência privada, percebidos pelo portador, a partir da data em que a doença foi contraída. Não basta que o contribuinte apresente laudo pericial, no qual se tem que o mesmo é portador de esquizofrenia para que a ele seja conferido o direito à isenção do imposto de renda por alienação mental sobre proventos auferidos. Para concessão do benefício, no caso de Esquizofrenia, o laudo terá que especificar se houve em decorrência da mencionada doença a alienação mental. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 27 33 /2 01 3- 75 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10435.722733/201375 Acórdão n.º 2402005.382 S2C4T2 Fl. 63 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira, e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10435.722733/201375 Acórdão n.º 2402005.382 S2C4T2 Fl. 64 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por MARIA DAS GRAÇAS LIMA CANDIDO, em face do acórdão n° 1657.980, proferido pela 15ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO, de São Paulo SP, em sessão de 20 de maio de 2014, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela recorrente. 2. Por bem retratar os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido que assim descreve: 2.1. Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 04 a 05, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano calendário 2010, que constatou a seguinte infração: a) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de R$ 29.990,00. Consta ainda da descrição dos fatos e enquadramento legal que: "Doença não elencada para efeito de isenção de Imposto de Renda conforme art. 39, XXXIII do Decreto 3.000/99." b) cientificada do lançamento em 02/10/2013 (fl. 28), a contribuinte apresentou a impugnação de fl. 02 em 03/10/2013, alegando que os rendimentos são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. 3. Analisada a defesa apresentada pela recorrente, entendeu o julgador de primeira instância pela improcedência da peça impugnatória, cuja decisão restou assim ementada (fl. 45): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A concessão de isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portadora de moléstia grave só poderá ser deferida, se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e a moléstia estiver prevista em dispositivo legal. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados." Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10435.722733/201375 Acórdão n.º 2402005.382 S2C4T2 Fl. 65 4 4. Em 10/06/2014, às fls 57, a recorrente foi regularmente notificada da decisão proferida pelo julgador a quo (fls. 45/48, e, para demonstrar seu inconformismo, tempestivamente, conforme despacho exarado às fl. 52, em 01/07/2014, interpôs recurso voluntário (fl. 52), onde, em síntese, assim como fez na impugnação, reitera seu pedido de isenção, sob o argumento de que os valores recebidos no anocalendário de 2010 tratamse de rendimentos provenientes de aposentadoria, e, por ela tratarse de pessoa portadora doença grave, conforme laudo médico oficial juntado aos autos, não são os referidos proventos tributados pelo IR. 5. O julgador de primeira instância não acolheu a pretensão da isenção reclamada pela recorrente, uma vez que esta apresentou laudo médico particular, não válido portanto, e, sem a identificação da moléstia grave constante do rol de doenças mencionadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. 6. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10435.722733/201375 Acórdão n.º 2402005.382 S2C4T2 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto n°. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. 2. Como bem já apontou o julgador a quo, discutese a isenção concedida aos portadores de moléstias graves, outorgada pelo art. 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, com nova redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23/12/1992, ficando assim regulamentada a questão: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla,neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei n" 11.052, de 2004). (...). XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei n° 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995")." 3. Desde 01/01/1996, para fins de fruição do benefício isencional supra é necessário que o interessado, portador de doença grave, comprove essa circunstância por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, in verbis: "Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial Fl. 66DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10435.722733/201375 Acórdão n.º 2402005.382 S2C4T2 Fl. 67 6 emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. " § 1° O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). 4. O julgador a quo, ao analisar a impugnação oferecida pela recorrente, decidiu pela improcedência o pedido de reconhecimento de isenção. Isto porque a interessada, naquela oportunidade, apresentou laudo emitido por médico particular, além do que o referido documento não identifica moléstia elencada no rol do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Confirase (fl. 48): "No caso em tela, não obstante a impugnante comprovar sua condição de aposentada (conforme Portaria SAAJ/DRH/136/2003 do Município de Caruaru a fl. 22), não foi apresentado laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou Municípios (Grifei). Ademais, o Laudo Médico de fl. 13, além de não poder ser aceito por ter sido emitido por médico particular da contribuinte, não identifica moléstia elencada no rol do inciso XIV do art. 6° da Lei n.° 7.713/88, acusando CID 10 F 20.9, correspondente a esquizofrenia não especificada (Grifei). (...). Com efeito, do que foi trazido ao presente processo, concluise que, no caso concreto, a impugnante não logrou demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela norma legal como necessários e imprescindíveis para usufruir a isenção do imposto de renda." 5. Das transcrições do trecho da decisão exarada em primeira instância, inferese que, reiterese, o não reconhecimento da isenção do imposto de renda prendese ao fato de que a recorrente não comprovou ser portadora de doença grave, na forma estabelecida na legislação de regência, ou seja deixou de apresentar laudo oficial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF ou dos Municípios. 6. A recorrente, objetivando reverter a decisão de primeira instância, somente em seu recurso voluntário veio juntar laudo médico oficial (fl. 53), emitido por Unidade de Saúde da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Caruaru, assinado pela Psiquiatra Dra. Ana Maria Begott, CRM nº 7695, onde consta que a contribuinte esteve internada no período de 26/06/2001, com grave surto psicótico esquizofrênico, teve alta e continua em tratamento desde então, identificando a doença por meio do CID 10 F20.9. 7. No entanto, ainda que conste em laudo médico oficial, afirmar que a contribuinte é portadora do CID 10 F20.9 (Esquizofrenia não especificada), por si só não significa que os rendimentos de aposentadoria recebido por ela estão isentos do imposto de Fl. 67DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10435.722733/201375 Acórdão n.º 2402005.382 S2C4T2 Fl. 68 7 renda, pois a referida doença não consta do rol estabelecido no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, cujo dispositivo, por se tratar de uma norma isencional, não deve ser interpretada não extensiva ou analogicamente, mas literalmente como determina o art. 111 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...); II outorga de isenção; (...)." 8. Nesse contexto, concordo com o apontado pelo julgador de primeira instância ao afirmar que "em se tratando de concessão de isenção de imposto de renda, é taxativa a lista das doenças incapacitantes constante dos dispositivos legais citados" (fl. 48). 9. Notese que, no caso de alienação mental, a qual pode ser decorrente, dentre outras doenças, de Esquizofrenia não especificada (CID 10 F20.9), quando preenchidos os demais requisitos, esta sim, é de reconhecer como isento do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria obtidos pelo portador de tal alienação, o que não é revelado ou não constante do laudo médico junto ao recurso voluntário da recorrente. Ou seja, no caso em análise, o laudo (fl. 53) em nenhum momento informa que o interessado sofre de alienação mental por decorrência de esquizofrenia, identificada pelo CID 10 F20.9. 10. De outro modo, significa dizer que, não basta que o contribuinte apresente laudo pericial, no qual se tem que o mesmo é portador de esquizofrenia para que a ele seja conferido o direito à isenção do imposto de renda por alienação mental sobre proventos auferidos. Para concessão do benefício, no caso de Esquizofrenia, o laudo terá que especificar se houve em decorrência da mencionada doença a alienação mental, de modo a ficar evidenciada sua cronicidade. 11. Assim, embora tenha a recorrente comprovado, através de laudo emitido por serviço médico oficial, ser portadora de Esquizofrenia não especificada (CID 10 F20.9), verificase que razão não lhe assiste pretender ver reconhecida a isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria, inaplicável ao caso, portanto, o disposto no art. 6º da Lei nº 7.713/88, com as modificações da Lei nº 11.052/2004. 12. Apenas com vistas a infirmar a assertiva acima, registrese que, além de se tratar de esquizofrenia não especificada, segundo o laudo, este ou outros quaisquer documentos juntados aos autos não demonstram ou comprovam que se trata de doença em estado crônico, de forma que tenha dela decorrido a alienação mental da recorrente. 13. Desta feita, não estando comprovado nos autos que se trata de esquizofrenia crônica não resta outra alternativa que não seja a de não acatar os argumentos da recorrente, pelas razões anteriormente citadas. 14. Assim, tendo em conta os apontamentos anteriores, entendo que o acórdão recorrido não merece reparo, haja vista não ter ficado comprovado de que a recorrente é portadora de uma das doenças mencionadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10435.722733/201375 Acórdão n.º 2402005.382 S2C4T2 Fl. 69 8 CONCLUSÃO 15. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11042.720172/2012-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2009 a 04/05/2011
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.
A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama declarou-se impedida de votar.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 04/05/2011 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama declarouse impedida de votar. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 2. 72 01 72 /2 01 2- 75 Fl. 8974DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11042.720172/201275 Acórdão n.º 9303003.348 CSRFT3 Fl. 227 2 Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3401002.540, de 26/03/2014, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 04/05/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Os juros de mora, mesmo em lançamento com a exigibilidade suspensa, são exigíveis, exceto na hipótese de depósito do montante integral. Em face da decisão acima, o contribuinte interpôs o já referido recurso especial, no qual questionou a aplicação da Súmula CARF nº 1, alegando que não havia concomitância entre as demandas pois a causa de pedir do processo judicial e do processo administrativo são distintas. Foi dado seguimento ao recurso especial pelo Presidente da Câmara recorrida através do despacho de fls. 8888/8889. Cientificado, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 8891/8898. É o relatório. Fl. 8975DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11042.720172/201275 Acórdão n.º 9303003.348 CSRFT3 Fl. 228 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão a ser analisada diz respeito à existência de concomitância entre demandas judicial e administrativa. Segundo relatado, trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário referente a PIS/Pasep importação e Cofins importação, em razão de importações promovidas pela contribuinte, sem o recolhimento de PIS/Pasep importação e Cofins importação por força de decisão judicial na ação ordinária nº 2004.61.00.0131745 e na ação cautelar nº 2006.61.00.0122467. O objeto do presente auto também é discutido no processo nº 2004.61.00.0332672, que trata de Ação Ordinária proposta com o fim de garantir a recorrente a pretenso direito de não recolher a COFINS e o PIS por ocasião das importações, conforme previsto na Lei 10.865/04, alegando a Inconstitucionalidade da criação de novas contribuições através de lei ordinária e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo dessas contribuições para além do valor aduaneiro, que foi julgada procedente, declarando a inexistência de relação jurídica que obrigue a empresa ao recolhimento das contribuições em suas importações. No recurso especial apresentado alega a Recorrente que a causa de pedir do processo administrativo, que seria a não utilização do crédito de PIS e COFINS importação para abatimento dos débitos de PIS e COFINS faturamento, e a do processo judicial são distintas, o que conduz à conclusão de inexistência de concomitância. A identificação da causa de pedir é premissa básica, porque, de acordo com os ensinamentos de José Frederico Marques, citado no Acórdão da Apelação Cível 55.4772 do Tribunal de Justiça de São Paulo: A coisa julgada alcança a parte dispositiva da sentença ou acórdão, e ainda o fato constitutivo do pedido (a causa petendi). As questões que se situam no âmbito da causa petendi, igualmente se tornam imutáveis, no tocante à solução que lhes deu o julgamento, quando essas questões se integram no fato constitutivo do pedido. E mais adiante, com apoio de Liebman, observa que a parte dispositiva da sentença deve ser entendida em sentido substancial e não apenas formalístico, de modo que compreenda não apenas a frase final da sentença, mas também tudo quanto o Juiz porventura haja considerado e resolvido acerca do pedido feito pelas partes. Podemos dividir a causa de pedir como próxima e remota, composta, respectivamente, pelos fundamentos de fato e de direito. Ou seja, para haver a identidade de ações, é preciso que esses fundamentos envolvidos sejam idênticos. Consta no Auto de Infração lavrado que a ora recorrente efetuou diversas importações sem recolher os valores do PIS e COFINS Importação, previstos na Lei 10.865/04, Fl. 8976DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11042.720172/201275 Acórdão n.º 9303003.348 CSRFT3 Fl. 229 4 amparado por decisão judicial em ação ordinária de nº 2004.61.00.0131745, origem da Apelação Cível registrada sob o nº 2004.61.00.0332672 em trâmite no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. O Auto de Infração foi lavrado de modo a prevenir a decadência do direito à constituição do crédito tributário pelo respectivo lançamento, com a exigibilidade suspensa, não cabendo lançamento de multa de ofício. Para solucionar a questão, reproduzo o voto da I. Relatora do acórdão recorrido: Como relatado, foi lavrado auto de infração para a constituição de crédito tributário com a finalidade de prevenir a decadência, haja vista a discussão judicial buscada pela interessada. Dessa forma, a decisão a respeito da procedência ou não do crédito tributário constituído fica a cargo do Poder Judiciário, pois, como se sabe, ao impetrar ação judicial a interessada renuncia às instâncias da esfera administrativa, em relação ao objeto discutido. A interessada quer fazer crer que não há identidade entre as ações judiciais e o processo administrativo fiscal em curso. Alega que as matérias tratadas em ambos são diferentes, fato que determinaria o conhecimento da impugnação e do Recurso Voluntário, e o julgamento administrativo da lide. Ocorre que, diferentemente do que afirma, a matéria que quer ver analisada no âmbito administrativo foi sim por ela levada à apreciação judicial. Basta observar seus argumentos na petição inicial da ação cautelar nº 001039919.2011.4.03.6100, copiada no presente processo às folhas 549 a 560. Ademais, foi juntado aos autos Certidão de objeto e pé 2484073 onde está claro a existência de uma medida cautelar para suspender a exigibilidade do crédito tributário até o julgamento da ação principal que julgará o mérito (processo 2004.61.00.0332672). Em síntese, a alegação da interessada em ambos processos é de que seria indevida a constituição do crédito tributário relativo ao PIS/Pasep importação e à Cofins importação que deixaram de ser recolhidos no registro das Declarações de Importação por força da medida judicial impetrada, pois o PIS e Cofins incidentes sobre o faturamento teriam sido recolhidos na etapa posterior sem o aproveitamento do crédito das importações, nos termos do art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Sobre a possibilidade de lançamento do crédito tributário mesmo durante a vigência de medida judicial que determinou a suspensão da sua exigibilidade, importante salientar que constituição do crédito tributário, visando prevenir a decadência, não deve ser confundida com algum procedimento fiscal visando efetivar cobrança de crédito tributário. Mesmo as matérias submetidas à via judicial, deverão ter o crédito tributário lançado, restando protegidos os direitos do Fl. 8977DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11042.720172/201275 Acórdão n.º 9303003.348 CSRFT3 Fl. 230 5 Recorrente pela suspensão dos procedimentos de exigência concreta do crédito tributário até decisão administrativa final, ou, independentemente desta, pela existência de alguma das outras causas elencadas no art. 151 do CTN. Como acima se viu, apenas uma medida liminar ou antecipatória, ordenando expressamente o não lançamento, é que poderia evitar o procedimento de ofício; mas tal não tem a contribuinte a seu favor, até porque, como visto acima, não costuma o Poder Judiciário obstar em tal extensão a atividade fiscal. Como se vê pela descrição dos fatos do auto de infração bem como pela certidão de objeto e pé que a matéria relativa ao PIS/Pasep importação e à Cofins importação foi objeto de propositura, pela interessada, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial. Como se depreende do relato acima sobre os fatos jurídicos acontecidos e pelo que consta nos autos, resta evidente a concomitância entre as demandas judiciais e administrativas. Dessa forma, por ter sido a matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, nesta fase, restanos tão somente cumprir o que for determinado no decisum judicial. Consoante noção cediça, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. O art. 38, parágrafo único, da Lei nº. 6.830/80, assim dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifouse) A respeito de eventual inconstitucionalidade desse dispositivo, por ofensa ao direito constitucional de petição ou ao livre acesso ao Poder Judiciário, já se manifestou contrariamente o plenário do STF, conforme acórdão proferido nos autos do RE nº 233.582/RJ: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE Fl. 8978DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11042.720172/201275 Acórdão n.º 9303003.348 CSRFT3 Fl. 231 6 AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Neste mesmo sentido, dispõe o art. 78, § 2º do RICARF, in verbis: § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Tais normativas tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, prevalecendo a decisão judicial sobre eventual decisão administrativa e consoante garantia constitucional inserta no art. 5º, inciso XXXV, da CF/88, que prevê que a lei não poderá excluir da apreciação judicial lesão ou ameaça a direito. Neste sentido também o Ato Declaratório Normativo n.º 03, de 14/02/1996: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT n.º 27/96, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.); c) no caso da letra “a”, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; Fl. 8979DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11042.720172/201275 Acórdão n.º 9303003.348 CSRFT3 Fl. 232 7 d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento de mérito (art. 297 do CPC). Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula Carf nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, com a seguinte regra: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Além disso, cumpre ressaltar, apenas, que a jurisprudência consolidada do CARF, cristalizada na sua Súmula nº 48, aprovada pelo Pleno na sessão de 29/11/2010, também impede o acolhimento da pretensão do Contribuinte veiculada no seu recurso especial: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. A interposição de ação judicial, seja qual for a modalidade, não tem o condão de impedir o lançamento de oficio. Pela inteligência do art. 142 e parágrafo único do Código Tributário Nacional, a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos, como no presente caso. A lavratura do auto de infração para a constituição de crédito tributário com exigibilidade suspensa, em face de ação judicial, não traz prejuízo algum ao contribuinte, sendo o lançamento mero ato de formalização do crédito, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão judicial transitada em julgado, e, se for o caso, extinguir o crédito tributário nos termos do art 156, X do Código Tributário Nacional. Impende observar que os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Diante do exposto, uma vez que o objeto da demanda judicial é o mesmo do presente processo administrativo fiscal, caracterizando a concomitância entre esses processos, implicando na renúncia à esfera administrativa, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado. Fl. 8980DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11042.720172/201275 Acórdão n.º 9303003.348 CSRFT3 Fl. 233 8 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 8981DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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Numero do processo: 10680.009766/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 01/11/2005
ALTERAÇÃO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE PRAZO FIXADO POR LEI. A MERA DECLARAÇÃO DO TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, SEM O SEU PAGAMENTO NO CONFIGURA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INTELIGÊNCIA DA LEI TRIBUTÁRIA, ACOMPANHADA PELA JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. SELIC. APLICAÇÃO NO CAMPO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. DETERMINAÇÃO LEGAL RECONHECIDA PELAS CORTES SUPERIORES. ESTÁ FORA DA ÁREA DE ATUAÇÃO DO CARF AS QUESTÕES SOBRE AS PEÇAS DE INFORMAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL - MPF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente COPIADORA EXATA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 01/11/2005 ALTERAÇÃO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE PRAZO FIXADO POR LEI. A MERA DECLARAÇÃO DO TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, SEM O SEU PAGAMENTO NO CONFIGURA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INTELIGÊNCIA DA LEI TRIBUTÁRIA, ACOMPANHADA PELA JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. SELIC. APLICAÇÃO NO CAMPO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. DETERMINAÇÃO LEGAL RECONHECIDA PELAS CORTES SUPERIORES. ESTÁ FORA DA ÁREA DE ATUAÇÃO DO CARF AS QUESTÕES SOBRE AS PEÇAS DE INFORMAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL MPF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 97 66 /2 00 7- 86 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10680.009766/200786 Acórdão n.º 2202003.259 S2C2T2 Fl. 297 2 Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10680.009766/200786 Acórdão n.º 2202003.259 S2C2T2 Fl. 298 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NLFD – DEBCAD 37.065.5656, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a parte descontada do trabalhador, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal prólabore e parte da descontada do trabalhador, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 128 e 129, com período de apuração de 01/2002 a 10/2005, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 124. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 09/04/2007, conforme Histórico de Objeto, fls. 131. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 140 a 151, recebida, em 23/04/2007, conforme espelho do sistema SIPPS, de fls. 139, estando acompanhada dos documentos, de fls. 152 a 284. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 278 e 278. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0214.996 7ª, Turma DRJ/BHE, em 10/07/2007, fls. 288 a 296. O lançamento foi considerado procedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 21/07/2007, conforme AR, de fls. 298. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 304 a 322, remetido via postal, conforme envelope de remessa, postado, em 28/08/2008, fls. 302 e 303, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Mérito. · que o fisco nada falou sobre o pedido de maior prazo para defesa, pois a notificação se refere a mais de três exercícios; · que o débito já havia sido reconhecido pelo contribuinte, em busca de forma alternativa de recolhimento, mas, ainda, assim, o fisco iniciou o procedimento fiscal, promoveu o lançamento e passou a exigir multa e juros, o que não se justificada ante a incidência do artigo 138, do CTN, cita doutrina e jurisprudência; · que a aplicação de juros de mora representado pela SELIC padece de ilegalidade e contrária a jurisprudência do STJ, devendo ser aplicado o artigo 161, §1º, do CTN; Fl. 339DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10680.009766/200786 Acórdão n.º 2202003.259 S2C2T2 Fl. 299 4 · que a impossibilidade econômica da empresa resulta na inexistência de conduta diversa por parte dos administradores, o que descaracteriza o crime; · Pedido e requerimento: a) que o recurso seja provido, sendo o crédito desconstituído. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao Segundo Conselho de Contribuintes, despacho de fls. 332. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 12/03/2015, Lote 01, fls. 335. É o Relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10680.009766/200786 Acórdão n.º 2202003.259 S2C2T2 Fl. 300 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Mérito. O prazo para apresentação de defesa é determinado por lei e o fisco não tem competência para alterar o que o Congresso Nacional por meio do processo legislativo determinado na CRFB/88 estabeleceu. Ademais, o prazo é o mesmo estabelecido pelo artigo 297, da Lei 5.869/73, o que indica uma regularidade do prazo de defesa geral determinado pelo ordenamento jurídico pátrio. O fato de o contribuinte ter declarado as contribuições devidas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, não implica em denúncia espontânea, pois tal declaração não está acompanhada do pagamento do tributo. O pagamento do tributo é exigência do artigo 138, da Lei 5.172/66 suscitado pelo contribuinte, bem como da jurisprudência de nossos tribunais superiores, inclusive, do Supremo Tribunal Federal STF e do Superior Tribunal de Justiça STJ, como as que a seguir se colacionam. Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRECATÓRIO. DÍVIDA DO IPERGS. DÉBITO DE ICMS. QUESTÃO DECIDIDA PELO TRIBUNAL A QUO À LUZ DE INTERPRETAÇÃO DE LEI LOCAL. LEI ESTADUAL Nº 6.537/73, CUJA REDAÇÃO FOI ALTERADA PELA LEI Nº 11.475/00. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO DA SÚMULA 280/STF. PEDIDO DE SUSPENSÃO DOS AUTOS INDEFERIDO. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE EM RELAÇÃO AO RECURSO ESPECIAL PENDENTE DE JULGAMENTO E DE IDENTIDADE COM O RE N.º 566.349/RG. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. SEGUNDOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRETENSÃO DE REJULGAMENTO DA MATÉRIA Fl. 341DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10680.009766/200786 Acórdão n.º 2202003.259 S2C2T2 Fl. 301 6 SOLUCIONADA NO JULGAMENTO DO AGRAVO REGIMENTAL, QUE NÃO FOI OBJETO DAS RAZÕES DOS PRIMEIROS EMBARGOS. MATÉRIA PRECLUSA. SEGUNDOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO CONHECIDOS. 1. A ofensa ao direito local não viabiliza o apelo extremo (Súmula 280 do STF). Precedentes: AI 835.748AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 01.08.2011; AI 461.855AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Dje de 30.4.2010 e AI 544.721AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Dje de 31.10.2007; AI 694.656AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 12.03.2009. 2. In casu, o acórdão recorrido assentou: “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRECATÓRIO. DÍVIDA DO IPERGS. DÉBITO DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE QUITAÇÃO DO DÉBITO. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA QUE NÃO SE VERIFICA. 1) O precatório para ser compensado com dívidas de ICMS, a teor do art. 134 da Lei 6537/73, com a redação dada pela Lei 11.475/00, deveria ser oriundo de dívida contraída pelo Estado do Rio Grande do Sul, não podendo ser aceito se originário de débito de autarquia com autonomia financeira. Precedentes Jurisprudenciais. 2) Para a caracterização da denúncia espontânea, com exclusão da multa, como pretendido pela apelante, a confissão deve estar acompanhada do pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora. Só então a responsabilidade será excluída. Simples entrega das GIAS não configura denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 do CTN. À unanimidade, negaram provimento ao recurso” (fl. 167). 3. Ausência de prejudicialidade no julgamento destes autos pelo eventual provimento do recurso especial (artigo 543, caput e § 1º, CPC). 4. Embargos de declaração visando o alargamento do âmbito dos destinatários da Lei estadual nº 6.537/73, que disciplina o direito à compensação de precatórios com dívida contraída com o Estado do Rio Grande do Sul, direito não deferido a autarquia estadual detentora de autonomia administrativa e financeira. Pretensão de rejulgamento da causa. Inexistência de vício. 5. Segundos embargos de declaração, por meio dos quais se pretende reexaminar a questão relacionada com a identidade do tema debatido neste processo e a controvérsia suscitada no RE nº 566.349, relatora Ministra Cármen Lúcia, em sede do qual foi reconhecida a existência de repercussão geral da questão constitucional. Matéria solucionada no julgamento do agravo regimental, quando foi demonstrada a ausência de similitude entre os referidos processos. Inexistência de impugnação nos primeiros embargos declaratórios interpostos. Preclusão da matéria e não cabimento destes embargos, haja vista que “nos segundos embargos de declaração devem ser alegadas obscuridade, omissão, dúvida, ou evidente erro material do acórdão prolatado nos primeiros embargos, não cabendo atacar aspectos já resolvidos nesta decisão declaratória precedente e, muito menos, questões situadas no acórdão primitivamente embargado” (RE (AgRgEdclEdcl) nº 229.3288/DF, relatora Ministra Ellen Gracie, DJ de 01.08.2003; RE (EdclEdcl) nº 271.266, relator Ministro Moreira Alves; RE (EdclEdcl) nº 220.546, relator Ministro Marco Aurélio e RE (EdclEdcl) nº Fl. 342DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10680.009766/200786 Acórdão n.º 2202003.259 S2C2T2 Fl. 302 7 104.963, relator Ministro Rafael Mayer, iter alia. 6. Embargos de Declaração não conhecidos. (AIAgREDED 856698, LUIZ FUX, STF. (destaquei). EMEN: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO INEXISTENTE. INCONFORMISMO COM O ENTENDIMENTO FIRMADO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. PAGAMENTO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA JULGADA EM RECURSO REPETITIVO. RECURSOS ESPECIAIS PARADIGMAS N. 886.462/RS E 962.379/RS. MULTA EM EMBARGOS PROTELATÓRIOS. MANUTENÇÃO. 1. "A prática eletrônica de ato judicial, na forma da Lei n. 11.419/2006, reclama que o titular do certificado digital utilizado possua procuração nos autos, sendo irrelevante que na petição esteja ou não grafado o seu nome" (AgRg no REsp 1347278/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/06/2013, DJe 01/08/2013). 2. Não há violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 3. Entendimento contrário ao interesse da parte e omissão no julgado são conceitos que não se confundem. 4. "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" (Súmula 360 do STJ). 5. Entendimento sumular reiterado no julgamento dos Recursos Especiais 886.462/RS e 962.379/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). 6. Multa por embargos de declaração protelatórios que se mantém, ante a oposição de dois embargos declaratórios com a finalidade de modificação do julgado, distanciandose do propósito legal de sanar omissão porventura existente, ou mesmo de prequestionar a matéria. 7. A interposição de agravo regimental para debater questão já apreciada em recurso submetido ao rito do art. 543C do CPC atrai a aplicação da multa prevista no art. 557, § 2º, CPC. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos para conhecer do agravo regimental, mas lhe negar provimento. ..EMEN: EEAARESP 201300843692 EEAARESP EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 318640. HUMBERTO MARTINS. STJ. SEGUNDA TURMA. DJE DATA:17/09/2013 ..DTPB. (grifei). No caso sob vergasta não houve o pagamento do tributo, mas apenas a sua declaração em GFIP, e, assim, não há que se falar em denúncia espontânea. A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 34, da Lei 8.212/91, assim o determinava, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10680.009766/200786 Acórdão n.º 2202003.259 S2C2T2 Fl. 303 8 Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Fl. 344DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10680.009766/200786 Acórdão n.º 2202003.259 S2C2T2 Fl. 304 9 Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141). (realcei). Desta forma, os juros representados pela SELIC devem ser mantidos. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10680.009766/200786 Acórdão n.º 2202003.259 S2C2T2 Fl. 305 10 O CARF não tem competência para analisar a questão relativa a inexigibilidade de conduta diversa do contribuinte, uma vez que a Súmula 28 limita esse conhecimento, haja vista a relação com a Representação Fiscal para Fins Penais RFFP. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Destarte, com os esclarecimentos acima afasto todos os pedidos da recorrente considerandoos improcedentes. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10540.720775/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, na dicção do inc. I do art. 168 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OUTROS Recorrente EDGAR OLIVEIRA MOREIRA Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1994 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, na dicção do inc. I do art. 168 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 07 75 /2 01 4- 55 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10540.720775/201455 Acórdão n.º 2402005.229 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da DRJ/CGE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, para, em face dos efeitos da decadência, não reconhecer o direito creditório pleiteado em 25/06/2014 mediante formulário constante do Anexo I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Segundo a DRJ, a data da extinção do crédito tributário ocorreu em 1994 e o pedido de restituição ocorreu mais de vinte anos após a extinção do crédito tributário, de forma que ocorreu a decadência. Ainda segundo a DRJ, o contribuinte não podia se valer do regime previsto no art. 12A da Lei nº 7.713/88, visto que a norma vigente à época dos fatos era a do art. 12 da mesma lei, que determina que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. O contribuinte foi notificado da decisão em 02/12/2014 e interpôs recurso voluntário em 08/12/2014, no qual alega que: a) a recorrente é esposa do falecido Edgar Oliveira Moreira, conforme Certidões de Casamento e Óbito (fls. 6 e 7); b) seu falecido esposo, por haver sido despedido da empresa onde laborava (Banco Nacional), ajuizou Reclamação Trabalhista, tendo feito acordo em 10/05/1994; c) sobre o valor recebido à época, o valor deduzido a título de IRRF foi sobre o valor total recebido; d) o IRRF deveria ter sido calculado sobre o valor mensal, e não sobre o valor global, conforme o art. 12A da Lei nº 7.713; e) a decadência não deve prevalecer, até porque a previsão para restituição dos valores com base em retenção indevida era dos últimos vinte anos; f) toda a documentação probante com relação à declaração do imposto de renda está acostada ao PAF. Com base nessas razões, o recorrente pede a reforma da decisão da DRJ. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Decadência Muito embora o recorrente não tenha anexado aos autos a prova da retenção do IR, ele mesmo noticia que o acordo foi celebrado em maio de 1994 e que o valor foi recebido e que a retenção foi efetuada à época. A despeito disso, o pedido de restituição somente foi realizado em junho de 2014, quando já havia transcorrido aproximadamente vinte anos desde a aludida retenção. Logo, é indubitável que o direito de pleitear a restituição se extinguiu pelo decurso do prazo decadencial de cinco anos, na dicção do art. 168, inc. I, do CTN, segundo o qual o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Diante do largo tempo transcorrido, e por apreço aos princípios da celeridade e da economia processual, nem mesmo é necessário cogitar se a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento antecipado ou com a sua homologação. Isto é, não se faz necessário analisar a aplicabilidade ou não da tese dos cinco mais cinco. 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 10166.730682/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/04/2012
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho.
PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTOS. PRINCÍPIO INQUISITÓRIO
Não há que se falar em ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa na fase de fiscalização, pois essa é regida pelo princípio inquisitório. São deveres do administrado perante a Administração Pública expor os fatos conforme a verdade, além de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, sendo que, somente após a ciência do feito é que se abre o prazo legal para a impugnação e instauração do litígio, fase em que, conhecedor da valoração jurídica dos elementos probatórios coligidos pela fiscalização, a autuada estará, então, aparelhada para exercer o seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. REINQUIRIÇÃO. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado.
EXIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. FATOS GERADORES DISTINTOS.
Inexiste duplicidade de exigência fiscal quando se verifica que os fatos geradores das contribuições exigidas não são os mesmos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA.
A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação.
MULTA QUALIFICADA
Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007.
Numero da decisão: 2202-003.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as 8 (oito) pessoas que se declararam prestadoras de serviços.
Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Saulo Martins Mesquita, OAB/DF nº 44.421.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
EDITADO EM: 29/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTOS. PRINCÍPIO INQUISITÓRIO Não há que se falar em ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa na fase de fiscalização, pois essa é regida pelo princípio inquisitório. São deveres do administrado perante a Administração Pública expor os fatos conforme a verdade, além de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, sendo que, somente após a ciência do feito é que se abre o prazo legal para a impugnação e instauração do litígio, fase em que, conhecedor da valoração jurídica dos elementos probatórios coligidos pela fiscalização, a autuada estará, então, aparelhada para exercer o seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. REINQUIRIÇÃO. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 06 82 /2 01 3- 72 Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 EXIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Inexiste duplicidade de exigência fiscal quando se verifica que os fatos geradores das contribuições exigidas não são os mesmos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as 8 (oito) pessoas que se declararam prestadoras de serviços. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Saulo Martins Mesquita, OAB/DF nº 44.421. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. EDITADO EM: 29/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.573 3 Por bem sintetizar os fatos até a decisão de primeira instância, reproduzo, resumidamente, o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC): Versa o presente processo sobre Autos de Infração (fls. 6 a 26) lavrados contra a contribuinte em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário nos valores de R$ 4.081.148,45 (DEBCAD 51.015.0314) e de R$ 1.443.197,43 (DEBCAD 51.015.0322), valores esses já acrescidos de multa de ofício proporcional a 150% do valor da contribuição não declarada em GFIP e não recolhida, além de juros moratórios, relativamente aos períodos de apuração de setembro de 2009 a abril de 2012. Segundo descreve a autoridade autuante no Relatório Fiscal (fls. 27 a 93), o lançamento da contribuição, cumulada com os mencionados consectários legais, referese, mais precisamente, ao seguinte: a) DEBCAD 51.015.0314: Contribuições sociais devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa (patronal), considerando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados; e a contribuição correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT); b) DEBCAD 51.015.0322: Contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição de segurados empregados incidentes sobre remunerações pagas por meio de empresa interposta. Relata a fiscalização que o objetivo do procedimento fiscal era averiguar, entre outras questões, a natureza de pagamentos efetuados à empresa PRÁTICA SERVIÇOS EMPRESA GESTORA DE ADMINISTRAÇÃO E VENDAS S/S LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 10.683.275/000120 (doravante denominada Prática), a título de despesas com consultoria, porquanto verificouse que esta empresa era utilizada para intermediar pagamentos efetuados pelas empresas do Grupo SMAFF a segurados empregados que lhes prestavam serviços. Mais precisamente, aduz a autoridade autuante que estes segurados eram admitidos como sócios da empresa PRÁTICA com a finalidade de trabalhar como gerentes de área nas concessionárias que integram o Grupo SMAFF e, deste modo, os rendimentos destas pessoas eram pagos por meio de empresa interposta e o contribuinte se beneficiava com a redução indevida de encargos tributários e trabalhistas, ao que ressalta que muitos destes segurados eram empregados registrados das empresas do Grupo que, para assumir cargos de gerência, com maiores salários, eram coagidos a integrar o quadro societário da PRÁTICA, sob pena de não serem promovidos aos cargos de gerência. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Prossegue relatando a fiscalização ter intimado três empresas do Grupo SMAFF (SMAFF IMPORT, SMART AUTOMÓVEIS e ÚNICA BRASÍLIA AUTOMÓVEIS) a apresentar a relação das gerências, áreas, divisões e/ou setores em que tais empresas sesubdividem, indicando nome e CPF dos respectivos responsáveis, porém, as empresas intimadas omitiram todos os gerentes que foram contratados por intermédio da empresa PRÁTICA, além de apresentar a improvável situação em que três grandes empresas, com filiais em outros estados, são administradas diretamente pelos mesmos quatro sócios sem que haja nenhuma outra cadeia de comando. (...) A este quadro, aduz a fiscalização ter verificado que a sede da empresa PRÁTICA era localizada em Valparaíso de Goiás, Trecho 1 RP II, Lotes 1, 2 e 3 Parte A, e no mesmo endereço Parte B funcionou, até 30/10/2011, a Filial 03 da SMAFF IMPORT, denominada SMAFF VALPARAÍZO, onde hoje, existe a concessionária SMAXX CHEVROLET, também pertencente ao Grupo SMAFF, ao passo que, atualmente, a situação da empresa PRÁTICA junto à Receita Federal do Brasil, é a de "BAIXADA", com data de 29/03/2012, sendo que o deferimento da baixa só foi efetuado em novembro de 2013. Relativamente à indigitada empresa PRÁTICA, relata a fiscalização que referida empresa foi constituída como uma sociedade simples por quotas de responsabilidade limitada, registrada em 22/01/2009, no 1º Registro Notarial e Registral de Pessoas Jurídicas de Valparaíso de Goiás GO, embora o contrato social seja datado de 22/09/2008, e seu objeto social era a prestação de serviços de gestão de toda e qualquer atividade relacionada às seguintes áreas: Recursos Humanos, Financeira, Administrativa, Gerenciamento de Força de Vendas e Participações em Outra Sociedades. Destaca a autoridade autuante que, inicialmente, o capital da empresa PRÁTICA era dividido em três mil quotas de valor unitário igual a R$ 1,00, divididas da seguinte maneira: Sócios Número de Quotas Fernanda Accioly Carlos Machado Farah 2567 Márcio Antônio Carlo Machado 200 Márcio Antônio Carlos Machado Junior 200 Outros 33 Esclarece a autoridade lançadora que, afora a participação dos sócios majoritários com 2767 quotas do capital social, as 33 (trinta e três) quotas restantes pertenciam a outros 33 (trinta e três) sócios, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00, ao passo que a administração da empresa PRÁTICA cabia à sócia Fernanda Accioly, que detinha a maioria das ações. Esclarece, ainda, que na primeira alteração contratual, datada de julho de 2009, mas registrada no cartório somente em Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.574 5 dezembro do mesmo ano, Fernanda Accioly cedeu 12 (doze) quotas de sua titularidade para 12 (doze) sócios, que ingressaram na sociedade, ao passo que outros 14 (quatorze) sócios cederam suas 14 (quatorze) quotas para Fernanda Accioly e se retiraram da sociedade, ocasião em que a cláusula décima do contrato social, que regulamentava as deliberações dos sócios na empresa PRÁTICA, foi acrescida dos §§ 1º e 2º, cujas disposições passaram a estabelecer que as deliberações de matérias que promovessem quaisquer atos que alterassem o contrato social da sociedade, só poderiam ser praticadas por sócios que representassem a maioria do capital social da sociedade, ao passo que os sócios minoritários ficariam desobrigados de assinar os atos da sociedade nos termos do Decreto1.800, de 1996, artigo 53, VII. Prossegue a fiscalização relatando que, dessa mesma forma, ocorreram outras cinco alterações contratuais, com entrada e saída de vários sócios, sempre adquirindo e cedendo uma quota cada, para a sócia majoritária Fernanda Accioly, de forma que, no "auge" do funcionamento da empresa, após a quinta alteração contratual, em 28/12/2010, a PRÁTICA apresentava o seguinte quadro societário: Sócios Número de Quotas Fernanda Accioly Carlos Machado Farah 2548 Márcio Antônio Carlos Machado 200 Márcio Antônio Carlos Machado Júnior 200 Outros 52 No ponto, esclarece a fiscalização que as 52 (cinquenta e duas) quotas restantes pertenciam a 52 (cinquenta e dois) sócios que trabalhavam como gestores de área em alguma das empresas do Grupo SMAFF, cada um com uma quota no valor de R$ 1,00, sendo que, em 25/10/2011 ocorreu a penúltima alteração contratual, na qual os três sócios majoritários se retiraram da sociedade para, logo a seguir, em 29/02/2012, celebrarem o distrato social da PRÁTICA, que foi registrado em 29/03/2012 no Cartório de Valparaíso de Goiás GO. (...): De outro lado, no concernente à relação mantida entre a empresa PRÁTICA e os diretores do Grupo SMAFF, a fiscalização teceu as seguintes considerações: a) Márcio Antônio, Márcio Júnior e Fernanda Accioly, juntamente com o irmão Marcelo Accioly, administram as empresas do Grupo SMAFF, que contrataram os serviços da PRÁTICA; b) Márcio Antônio, Márcio Júnior e Fernanda Accioly constituíram a empresa PRÁTICA; Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 c) A empresa PRÁTICA prestava serviços exclusivamente para empresas do Grupo SMAFF. d) Podese concluir, em razão disso, que os diretores do Grupo SMAFF constituíram a empresa PRÁTICA para prestar serviços exclusivamente para o próprio Grupo SMAFF. Ademais disso, prossegue relatando a autoridade lançadora que a empresa PRÁTICA, com sede na pequena cidade de Valparaíso de Goiás, se apresentava como uma empresa de consultoria constituída por especialistas de diferentes áreas, com atuação em várias unidades da Federação, que nos anos de 2009 a 2012 faturou mais de R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais) e cujos clientes exclusivos eram empresas do Grupo SMAFF, grupo este administrado pelos sócios da própria empresa PRÁTICA, e que atuam prioritariamente no ramo automobilístico. A par disso, informa a fiscalização que, ao observar a situação cadastral e fiscal da empresa PRÁTICA, junto à Receita Federal do Brasil constatouse que, apesar de todo o faturamento noticiado, a PRÁTICA se manteve à margem de uma empresa em funcionamento normal, pois: a) Não registrou um empregado; b) Até junho de 2013 não havia apresentado GFIP. No mês de julho de 2013, apresentou todas as GFIP relativas ao período em que esteve ativa (2009 a 2012) SEM MOVIMENTO, ou seja, sem trabalhadores no período; c) Até setembro de 2013 não havia apresentado DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. No mês de outubro de 2013 apresentou todas as DIPJ relativas ao período em que esteve ativa (2009 a 2012), informando apenas a Receita Bruta, porém sem prestar informações nas fichas de Balanço Contábil, de Lucros ou Prejuízos ou de Informações Previdenciárias; d) Não apresentou DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte; e) Não apresentou contabilidade após ter sido intimada e reintimada para fazêlo pela fiscalização. (...) Ademais disso, informa o Fisco que outra cláusula do referido contrato evidencia a preocupação das empresas do Grupo SMAFF em evitar que seja caracterizado o vínculo empregatício entre os prestadores de serviço e as contratantes, simplesmente consignando nos termos do contrato a inexistência de subordinação e de cumprimento de jornada de trabalho, porém, nos depoimentos colhidos junto aos sócios minoritários da PRÁTICA, todos afirmaram que tinham horário de trabalho a cumprir, ao passo que, em relação à subordinação, afirmaram que tinham que se reportar a um superior que, na maioria dos casos, era Fernanda Accioly ou Márcio Júnior, sócios tanto da Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.575 7 contratante (empresas do Grupo SMAFF) como da contratada (PRÁTICA). (...) Ademais disso, relata o Fisco ter observado que até o mês de julho de 2013, nenhuma GFIP havia sido apresentada pela PRÁTICA, apesar da obrigatoriedade prevista no referido contrato de prestação de serviços, e que, entre os dias 17 e 19 de julho de 2013 a empresa PRÁTICA enviou as GFIP relativas aos anos de 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, todas SEM MOVIMENTO, embora o distrato da empresa tenha sido registrado em março de 2012. (...) Da mesma forma, segundo o Fisco, as DIPJ apresentadas em outubro de 2013, embora registrassem a receita da empresa PRÁTICA, não informam a ocorrência de qualquer despesa, bem como não apresentam balanços contábeis, sendo que a empresa emitiu nota fiscal em todo o período fiscalizado e mantinha contratos de prestação de serviços. Intimada reiteradamente a apresentar a documentação solicitada, informa a fiscalização que a empresa PRÁTICA não apresentou os documentos exigidos e, durante o procedimento fiscal, solicitou baixa junto à Receita Federal do Brasil, baixa esta que foi concedida em novembro de 2013. No entanto, informa o Fisco, a empresa manteve como domicílio tributário, durante todo o período desta fiscalização, o mesmo endereço, que coincide com a SMAFF Chevrolet Valparaíso, em Valparaíso de Goiás. (...) A partir desses depoimentos, constatou a fiscalização que o contrato de prestação de serviço de consultoria celebrado com a empresa PRÁTICA, na verdade é um instrumento simulatório, uma vez que os depoentes continuaram trabalhando em condições idênticas, com as mesmas cargas horárias e nos mesmos locais de trabalho do período de carteira anotada, restando claro que sempre que um empregado assumia um cargo de gerência, era forçado a rescindir seu contrato de trabalho e entrar como sócio da empresa PRÁTICA e a maioria desses gerentes desconhecia o nome dessa empresa e até o local de seu funcionamento, além de desconhecer também as receitas e os lucros auferidos pela PRÁTICA no período em que tais gerentes integraram o seu quadro societário, pelo que considerou o Fisco ser óbvia a presença da subordinação jurídica, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade na relação de emprego em questão. (...) No Relatório Fiscal, informa, ainda, a autoridade autuante ter localizado uma reclamatória trabalhista relacionada aos Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 8 negócios realizados pela PRÁTICA e as empresas do Grupo SMAFF, processo este que tramitou no Tribunal Regional do Trabalho da 18a Região, figurando como reclamante o Sr. Linário José Leal e como reclamada a empresa ÚNICA BRASÍLIA AUTOMÓVEIS LTDA (SMAFF FORD); Solicitada à Presidência do Tribunal uma cópia do inteiro teor do referido processo n° 000196890.2010.5.18.0001, a fiscalização pôde examinar as provas levadas a efeito naqueles autos e que, segundo a autoridade autuante, corroboram com a conclusão de que a prestação de serviços de consultoria em gestão por meio da empresa PRÁTICA tratavase apenas de um simulacro utilizado por empresas do Grupo SMAFF para furtarse ao cumprimento de suas obrigações trabalhistas e previdenciárias decorrentes do vínculo empregatício que ultimou por ser reconhecido pela Justiça do Trabalho nos autos do citado processo. (...) Dado este quadro, relata a fiscalização que referidas empresas omitiram todos os gerentes que foram contratados por intermédio da PRÁTICA, ou seja, de acordo com a informação prestada, os sócios proprietários dessas empresas do Grupo SMAFF seriam responsáveis por gerenciar um Grupo de 23 estabelecimentos, espalhados pelas regiões centro oeste e nordeste do Brasil, sendo que abaixo desses sócios todos os demais colaboradores estariam no mesmo nível hierárquico, o que seria absolutamente inconcebível. (...) Relativamente ao elemento fáticojurídico da onerosidade relata a fiscalização que os gerentes do Grupo SMAFF, contratados por intermédio da empresa PRÁTICA, recebiam salários em contraprestação aos serviços prestados e os depoimentos de sócios ou exsócios da PRÁTICA afirmam que a remuneração comportava parcelas fixas (valor mínimo) e variáveis, estas em decorrência do alcance de metas. Os rendimentos de cada sócio eram definidos pelas próprias empresas do Grupo SMAFF e, em muitos casos, os sócios da PRÁTICA recebiam na própria tesouraria das empresas do grupo, além do que observouse na reclamatória trabalhista já relatada que houve o devido reconhecimento dos valores pagos como salário ao reclamante, exsócio da empresa PRÁTICA que trabalhava como gerente de recursos humanos de uma das empresas do Grupo SMAFF (ÚNICA BRASÍLIA AUTOMÓVEIS). Quanto ao elemento fáticojurídico da não eventualidade, assinala a autoridade autuante que os sócios da empresa PRÁTICA prestavam serviços relacionados direta ou indiretamente com a atividade fim das empresas contratantes, como venda de veículos novos e usados, serviços de oficina, venda de peças, administração e finanças, negócios, contabilidade, operação de concessionárias, dentre outras, sendo, portanto, óbvia a essencialidade e a necessidade permanente desta relação para que se desse andamento normal às atividades das contratantes. São, enfim, serviços de natureza Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.576 9 não eventual, de necessidade permanente, e essenciais ao funcionamento normal das empresas do Grupo SMAFF. (...) Quanto ao elemento da pessoalidade, assinala a fiscalização que a existência da pessoa jurídica (PRÁTICA) era totalmente dispensável na execução dos trabalhos executados. Indispensável somente era a existência de uma pessoa física específica, preparada e com capacidade técnica adequada para cumprimento da demanda contratada. Daí a pessoalidade, pois quem detinha o conhecimento e realizava as tarefas designadas era a pessoa física. Destaca, ainda, o Fisco que o contrato celebrado com a empresa PRÁTICA foi elaborado exclusivamente para possibilitar a contratação de gerentes, por parte das empresas do Grupo SMAFF. O trabalho que o empregador pretendia obter ao contratar a pessoa jurídica era o de determinados e específicos profissionais e ficou comprovado que eles não podiam se fazer substituir por qualquer pessoa. Os serviços eram prestados por pessoas físicas que exerciam funções de gerência, apesar da simulação envolvendo a pessoa jurídica (empresa PRÁTICA). Relativamente ao elemento fáticojurídico da subordinação, pondera a autoridade autuante que esta decorria da relação de trabalho por meio do qual o prestador de serviço na pessoa do sócio (empregado) passava a se sujeitar aos comandos e objetivos da instituição (empregador) tomadora dos serviços (empresas do Grupo SMAFF). Tais empresas, por sua vez, definiam quais e quando as tarefas ou serviços – atividadesfim da instituição necessitavam e deveriam ser executadas e, em função disso, após designarem o trabalhador,sócio da pessoa jurídica PRÁTICA, com características que melhor lhe atenderiam, determinavam a tarefa/serviço que este deveria executar. Com isso, o trabalhador, na pessoa física do sócio da contratada, passava a se sujeitar, nas condições determinadas pela empresa do Grupo SMAFF (contratante) e o contrato, ao cumprimento do encargo que lhe foi atribuído. Assinala, ainda, a fiscalização que os profissionais (sócios da PRÁTICA) se encontravam inquestionavelmente à disposição da empresa contratante, cumprindo ordens ou determinações para a realização de sua atividadefim, de forma continua e por conta e risco da contratante. Caracterizase, nessa situação, a interferência do poder jurídico das empresas do Grupo SMAFF (empregadores) no procedimento de seus empregados (sócios da PRÁTICA), colimando a manutenção e adequação de suas atividades em favor dos empreendimentos das empresas do citado grupo. (...) De todo o exposto, concluiu o Fisco que estão presentes na espécie todos os elementos caracterizadores da relação de emprego, uma vez que não há como desconhecer o vínculo Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 10 empregatício entre o sujeito passivo e trabalhadores que lhe prestaram serviços, mesmo que tais serviços estejam mascarados sob o rótulo de serviços de consultoria prestados pela empresa PRÁTICA. Neste passo, aduz a fiscalização que as empresas do Grupo SMAFF, ao pagar remunerações a trabalhadores por meio de empresa interposta, se esquivavam indevidamente de pagar benefícios trabalhistas e contribuições previdenciárias. (...) Quanto à base de cálculo das contribuições exigidas, relata a fiscalização que a contratação por empresa interposta impede a contabilização em títulos próprios, já que a empresa fiscalizada contabilizou os pagamentos efetuados à PRÁTICA em conta de despesa de serviços prestados por pessoa jurídica e, da mesma forma, a empresa também não incluiu os trabalhadores que prestaram serviços por intermédio da PRÁTICA em suas folhas de pagamento, concluindose, assim, que as informações prestadas pela empresa, tanto relacionadas à folha de pagamento, quanto à contabilidade, não registravam o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Neste quadro, aduz o Fisco que, dada a impossibilidade de identificar os trabalhadores e respectivas remunerações pela contabilidade e pela folha de pagamento, o sujeito passivo foi intimado a relacionar os sócios da PRÁTICA que prestaram serviços no período fiscalizado, com indicação do local, período e valor da remuneração, ocasião em que a empresa fiscalizada (SMAFF AUTOMÓVEIS LTDA) respondeu que não possuía a relação dos sócios da empresa PRÁTICA e nem teria como informar os seus rendimentos. Relata, ainda, a fiscalização que a empresa PRÁTICA também foi intimada a apresentar relação de todos os sócios que prestaram serviços no período compreendido entre 01/2009 a 05/2012, com indicação do período e empresa contratante em que cada sócio prestou os serviços, além do que também foi intimada a apresentar o rendimento mensal de cada sócio no período fiscalizado, desmembrando esse rendimento em valor bruto, valor líquido, verbas creditadas, porém, tais documentos não foram apresentados à fiscalização. Diante desta situação em que a folha de pagamento e a contabilidade não registram o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço e que documentos necessários à fiscalização não foram apresentados pelo sujeito passivo, inviabilizando a apuração direta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, a identificação dos estabelecimentos e o período em que os serviços foram realizados, relata a autoridade autuante ter utilizado a aferição indireta para determinação da base de cálculo das contribuições em causa, conforme previsto nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212, de 1991. Mais precisamente, o valor tributável referente às remunerações pagas aos segurados empregados das empresas fiscalizadas, por intermédio da empresa interposta PRÁTICA, foi aferido considerandose como base de cálculo das contribuições Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.577 11 previdenciárias o valor total mensal das notas fiscais emitidas pela PRÁTICA para as empresas fiscalizadas (SMAFF AUTOMÓVEIS, ÚNICA E SMAFF IMPORT) e, para fins de lançamento fiscal, foram utilizadas as datas de emissão da notas fiscais como competência de ocorrência do fato gerador. (...) Finalmente, relata a fiscalização que a contribuinte remunerou segurados que lhe prestaram serviços por meio da PRÁTICA. A tentativa do sujeito passivo de simular situação que não reflete a realidade dos fatos para se eximir do pagamento de tributos, mediante utilização de empresa interposta, caracteriza fraude, em razão de que foi aplicada a multa qualificada (150 %), conforme determina o § 1º do art. 44 da Lei n. 9.430, de 1996. Inconformada com os lançamentos, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1391 a 1425, onde, em síntese: Preliminarmente Alega que os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil não possuem competência para reconhecer nulidade de negócio jurídico celebrado, pois o decreto de invalidade de qualquer ato jurídico é matéria privativa do Poder Judiciário; Alega que, segundo a tese da fiscalização, houve coação em desfavor de trabalhadores para que se associassem à determinada empresa, sendo inequívoco que o reconhecimento da nulidade de um negócio jurídico por coação requer provimento jurisdicional de natureza constitutivonegativo, e esta fatia de poder não foi atribuída à ilustre carreira dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil; Aduz que a autoridade autuante sustenta a ilegalidade na existência de coação, e o decreto de eventual vício desta natureza não pode ser alcançado pelas vias administrativas, em que pese opiniões em sentido contrário; Argumenta que, mesmo que assim não fosse, e que o fundamento se assentasse simplesmente em simulação ou fraude, o legislador não poderia ter atribuído à carreira dos auditores o poder de reconhecer a relação de emprego, principalmente após a EC n° 45/2004, que deu nova redação ao art. 114 da CF/88, estabelecendo ser da Justiça do Trabalho a competência para dirimir as controvérsias atinentes às relações de trabalho, dentre elas, a de emprego; Em razão disso, sustenta ser nula a autuação, em face da usurpação da competência da Justiça do Trabalho para dirimir a controvérsia, o que, a seu ver, impõe que seja julgado improcedente o auto de infração hostilizado; Em outro plano, aduze que a matéria em exame tratase de bis in eadem, pois o mesmo objeto ora em discussão, inclusive o período, foi abordado nos autos do processo n° Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 12 10166.730264/201385, pelo que, a presente autuação caracteriza dupla punição sobre o mesmo fato, logo, deve ser julgado improcedente a exigência fiscal; Reclama, ademais disso, que houve cerceamento de defesa no curso do procedimento fiscal, em virtude da inversão na ordem de processamento do feito, pois boa parte do convencimento a que chegaram os auditores partiu de depoimentos colhidos entre funcionários das empresas fiscalizadas, mediante audiência de instrução onde as testemunhas foram compromissadas ainda na fase preliminar, antes de se tornar litigiosa, ou seja, antes da impugnação do contribuinte, caracterizando incontestável mácula às garantias do contraditório e da ampla defesa; (...); Aduz que a possibilidade de apresentação de defesa, com ampla dilação probatória não supre o vício que inquina a autuação, pois o contraditório deve ser prévio, não posterior, ao que argumenta que a fase preliminar de investigação, de natureza inquisitorial, comporta apenas meras entrevistas com funcionários, porém, na medida em que os depoimentos foram tomados dos sócios da empresa PRÁTICA sem sequer serem intimados os representantes das empresas autuadas, tornase óbvio que houve preterição do direito de defesa, pois sequer foi oportunizada a possibilidade de contradita das testemunhas e menos ainda foi franqueada a palavra para argüições que de certo revelariam situação bem distante das conclusões a que chegou a fiscalização; (...); Mérito Quanto ao mérito, alega que não houve terceirização ilícita, bem como não restaram demonstrados os elementos da relação de emprego, pois, nada há de ilegal no fato de uma empresa ter cliente único, assim como nada há de ilegal em possuírem quadro societário parcialmente coincidente, já que a empresa PRÁTICA sempre existiu de fato, não sendo "fantasma", sendo, portanto, lícita a terceirização e válido o respectivo contrato, além do que na prestação de serviços não estavam presentes os elementos da relação de emprego; Aduz que não há qualquer disposição normativa que obrigue um estabelecimento a contratar gerentes, sendo absolutamente lícita a gestão centralizada do empreendimento pelos próprios donos e direção, assessorada por corpo técnico vinculado ou desvinculado, e disso obviamente não decorre fato gerador de qualquer tributo; (...) Alega que os diretores do Grupo SMAFF não poderiam se imiscuir nos detalhes da gestão do empreendimento, todavia, para atender esses detalhes não são obrigados a se valerem de empregados, pois sua atividade finalística é a venda de veículos zero quilômetro, de forma que avaliações de veículos seminovos dados como parte do pagamento e procedimentos Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.578 13 administrativos entravam o processo produtivo, e por serem atividadesmeio, tais atividades foram desvinculadas da atividadefim, e nisso não há nenhuma irregularidade; (...) Alega também que, da mesma forma, tudo o que as montadoras podem dizer é que tratavam com pessoas que não eram diretamente os diretores, mas disso não resulta concluir que no organograma funcional existia a Direção e a Controladoria, e as Gerências apontadas e vinculadas a cada direção; Aduz que as informações prestadas pelas montadoras partem de seus próprios dados e foram prestadas a partir de suas convicções, todavia, jamais qualquer empresa do Grupo SMAFF disse às montadoras que tal ou qual pessoa era gerente seu e menos ainda que possuía com a concessionária relação de emprego reconhecida; (...) Relativamente à empresa PRÁTICA, alega que a parcial identidade societária e a gestão nas mãos da sócia Fernanda não torna referida empresa uma empresa "fantasma", pois se assim fosse cada empresário só poderia ser sócio e só poderia ser diretor de uma empresa por vez, o que obviamente não condiz com o ordenamento jurídico pátrio, além do que uma empresa não é obrigada a ter empregados, assim como é perfeitamente possível que em determinado endereço, se física e contabilmente for possível, funcione mais de uma empresa, principalmente se há ligação entre elas, o que não é negado nesta impugnação e também não é ilegal; Alude a descumprimento parcial ou total de obrigações acessórias por parte da PRÁTICA, como entrega de documentos fiscais, para alegar que disso também não resulta a conclusão de que a PRÁTICA é empresa de fachada, ainda que tal descumprimento atraia a aplicação de penalidades previstas em lei, não sendo possível, contudo, concluir, a partir disso, que se trata de empresa fantasma, ao que aduz que a identidade societária parcial, a questão do endereço, a gestão por determinado sócio, a ausência de empregados, e eventual descumprimento de obrigações acessórias são, no máximo, indícios de empresa de fachada,mas não sua prova cabal; (...) Alega, ainda, que nem mesmo a fraude imputada pela fiscalização, no que se refere à contratação de sócios para ocultar relação de emprego, tem o condão de convolar empresa real em empresa de fachada, mas tão somente teria o condão de contribuir para o reconhecimento da relação de emprego se, e somente se, estivessem presentes os requisitos do art. 2º e 3º da CLT; Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 14 Sustenta a licitude da terceirização em qualquer atividademeio, desde que não haja pessoalidade e subordinação direta, entendendose por pessoalidade o impedimento de subcontratar o serviço sem anuência do tomador, e por subordinação direta a sujeição do empregado ao poder disciplinar do tomador do serviço, sendo que no caso dos autos, a seu ver,nem uma nem outra estiveram presentes; (...) Em outro plano, alega que, uma vez rompida a relação de emprego com o Grupo SMAFF, nenhuma relação de emprego possuíam os sócios da PRÁTICA com o Grupo, sendo que a mera habitualidade na prestação dos serviços não pode levar à conclusão diversa pois não é esse o único elemento caracterizador da relação de emprego; Aduz que, além de a tese de coação de empregados para a vinculação societária não ter sido demonstrada cabalmente pela fiscalização, há várias nuances que diferenciam contratos de prestação de serviços continuados das relações de emprego comuns, ao que ressalta que o modelo adotado pelo Grupo SMAFF não afronta a legislação tributária, pois o art. 3º da CLT conceitua empregado como toda pessoa física que presta serviços de natureza não eventual a empregador sob a dependência deste mediante salário, e quem prestou serviços ao Grupo SMAFF foi a pessoa jurídica PRÁTICA, não a pessoa física dos sócios, tanto que o próprio contrato admite a delegação, tratandose de mero contrato de resultado, e não intuitu personae, qual seja, a pessoa dos sócio não atuava em nome próprio; (...) Reconhece a existência de tarefas cotidianas a cumprir, conforme apurado nas entrevistas, mas disso não decorre subordinação, pois esta só existe se restar inconteste a presença de poder diretivo, especificamente na modalidade de poder disciplinar, com sujeição à punição tais como advertência, suspensão e dispensa por justa causa; (...) Reclama, ademais disso, que a fiscalização não pode entender que todo o valor da fatura possui natureza salarial e é base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois, como o próprio nome diz, as faturas representam o faturamento, não o valor especifico que foi entregue a cada “empregado", e que consubstanciaria a folha de pagamento e o fato gerador das obrigações; Relativamente às multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória, alega ser ilegal que o Fisco exija que sejam apresentados documentos de outra empresa acerca de pessoas que não eram seus empregados, além do que, se acaso restasse caracterizada a fraude, a penalidade aplicável, a seu ver, seria apenas a multa por falta de pagamento de contribuição, não multa por descumprimento de obrigação Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.579 15 acessória, pois esta infração estaria inserida na análise da suposta infração maior; Quanto à aplicação da multa de ofício qualificada, alega que não houve, na hipótese, dolo, fraude ou máfé, mas sim, mera interpretação da legislação de regência que afirma categoricamente que o empregado deve ser pessoa física, sendo que a contratação se deu com pessoa jurídica, além do que, na execução contratual, o Grupo SMAFF distanciouse dos elementos da subordinação, adotando sistema de gestão alternativo e legalmente previsto,sendo que em momento algum restou demonstrada a máfé, o dolo no sentido de prejudicar o Fisco, pelo que, na hipótese de a autuação ser julgada procedente, vindica a redução da multa aplicada a seu patamar mínimo; Requer a produção de prova testemunhal, inclusive com a reinquirição dos sócios da PRÁTICA já ouvidos, além de oitiva de testemunhas a serem oportunamente arroladas com vistas a demonstrar que não houve coação para que se associassem à PRÁTICA, que não havia subordinação, e que foi um meio de gestão sem intuito de fraudar o Fisco, além de demonstrar que a empresa PRÁTICA de fato existiu e não era uma empresa de fachada; Requer também a produção de prova pericial para que seja apurado efetivamente quanto foi pago a cada "empregado" que atuou como gestor na condição de sócio, para avaliar a efetiva base de cálculo da tributação, requerendo prazo para indicação do assistente técnico; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis julgou improcedente a impugnação em decisão cuja a ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2009 a 30/04/2012 PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTOS. São deveres do administrado perante a Administração Pública expor os fatos conforme a verdade, além de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, sendo que, somente após a ciência do feito é que se abre o prazo legal para a impugnação e instauração do litígio, fase em que, conhecedor da valoração jurídica dos elementos probatórios coligidos pela fiscalização, a autuada estará, então, aparelhada para exercer o seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 16 Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. REINQUIRIÇÃO. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. EXIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Inexiste duplicidade de exigência fiscal quando se verifica que os fatos geradores das contribuições exigidas não são os mesmos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. Cientificado da decisão acima (AR fls. 1490), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ( 1523 a 1533), no qual reitera as alegações formuladas na Impugnação. É o Relatório Voto Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.580 17 Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso está dotado pelos pressupostos legais de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 1) Preliminares 1.1) Incompetência da fiscalização para decretar nulidade de negócio jurídico A competência para que a fiscalização reconheça o vínculo laboral vem expressamente prevista no artigo 229, §2º do Regulamento da Previdência Social que assim dispõe: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado O Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, já se manifestou, diversas vezes, quanto a possibilidade de reconhecimento de vínculo laborar pela fiscalização para efeito de cobrança das contribuições previdenciárias, conforme se verifica pela ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (...) II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços.Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821∕RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086∕PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). (grifamos) Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 18 Ademais, a alegação do Recorrente no sentido de que "é preciso que se entenda que há uma diferença entre reconhecer uma situação fática que revele um fato gerador de um tributo e desconsiderar o negócio jurídico em virtude de sua nulidade" é despropositada. Isso porque, no próprio relatório fiscal, a autoridade autuante deixa claro que não estava promovendo a desconsideração ou decretando a nulidade da pessoa jurídica PRÁTICA, mas, simplesmente, reconhecendo que os seus "sócios minoritários" eram, na verdade, empregados da Recorrente. 1.2) "Bis in idem" com o processo 10166.730.264/201365 Em relação a alegação de que teria ocorrido duplicidade de exigência em razão do lançamento constante do 10166.730.264/201365, a DRJ esclareceu a improcedência da alegação pela singela razão de que, no referido processo, o sujeito passivo era outro, qual seja, a empresa SMAFF IMPORT e que, sendo assim, os empregados a nele abrangidos seriam os dela e não os da Recorrente. Não obstante, mesmo reconhecendo que "é verdade que as partes investigadas são outras" (fls. 1440) alega a Recorrente que fato é exatamente o mesmo. A obrigação tributária, como, aliás, qualquer outro vínculo obrigacional, compõese de três partes. Sujeito ativo, sujeito passivo e objeto. Ora, para se falar em dupla tributação é indispensável a dupla incidência sobre o mesmo fato gerador e o mesmo sujeito passivo, o que, como reconhece a própria Recorrente, não ocorreu. 1.3) Cerceamento do direito de defesa Alega ainda a Recorrente que as provas testemunhais não poderiam ter sido colhidas unilateralmente pela fiscalização e que a, possibilidade da defesa posterior, com ampla dilação probatória, não supre o vício da autuação, pois o contraditório deve ser prévio, não anterior. Como bem esclarecido pela DRJ, não há se que falar em contraditório no procedimento de fiscalização, uma vez que esse é, essencialmente, inquisitorial. Nesse sentido esclarecedoras as lições de JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.581 19 possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” (MARINS, James – Direito Processual Tributário Brasileiro – ed. Dialética, 4ª edição, p. 231) A característica inquisitorial do lançamento é reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa pela ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7∕STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7∕STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.445.477 – S, Relator: Ministro Herman Benjamin, DJ 24/06/2014) Sendo assim, não há que se falar no direito ao contraditório pleiteado pela Recorrente. Além disso, a oitiva dos funcionário é apenas um dentre os diversos elementos trazidos pela fiscalização para demonstrar as operações realizadas. 1.4 ) Indeferimento de prova pericial Conforme decidido pela DRF e reconhecido pela própria Recorrente, o pedido de perícia, previsto do artigo 16, IV, considerase não formulado quando não houver a Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 20 indicação do assistente técnico e a formulação dos quesitos, o que não foi feito quando da Impugnação. Ademais, o objetivo da perícia seria especificar quais os valores devidos. Todavia, a demonstração dos valores pagos aos sócios minoritários da empresa PRATICA foi solicitada, mais de uma vez, pela fiscalização não tendo a Recorrente atendido a qualquer dessas solicitações. Em face de todo exposto, rejeito todas as preliminares. 2) MÉRITO Em suas razões de mérito, a Recorrente se limita a reiterar as razões expostas quando da Impugnação no sentido de que não houve fraude e que a operação tratavase, na verdade, de uma terceirização lícita, não trazendo aos autos qualquer elemento probatório que pudesse suportar suas alegações. Por outro lado, o extenso conjunto probatório trazido aos autos no trabalho fiscal deixa clara a contratação de empregados da Recorrente sob a roupagem de sócios da pessoa jurídica prática. Tais fatos, como já evidenciado no relatório, permitem concluir pela existência de vínculo de emprego diante da presença dos elementos de onerosidade, subordinação e habitualidade constantes do artigo 12 da Lei 8.212/91. Tais elementos podem ser identificados pelas seguintes situações, já descritas no relatório: a) A empresa Prática localizavase no mesmo endereço; b) A empresa Prática prestava serviços exclusivamente para empresas do próprio Grupo SMAFF; c) A Prática se manteve à margem de uma empresa em funcionamento normal, uma vez que não registrou qualquer empregado, não havia apresentado GFIP até junho de 2013 quando apresentou todas as GFIPs do período em que esteve ativa (2009 a 2012) como "sem movimento", não apresentou DIPJ até setembro de 2013, em outubro de 2013 apresentou todas as DIPJ´s relativas ao período em que esteve ativa informando apenas a receita bruta, porém sem prestar informações nas fichas de balanço contábil de lucros ou prejuízos ou de Informações Previdenciárias, não apresentou DIRF nem contabilidade mesmo após ter sido intimada e reintimada para fazêlo. d) nos depoimentos colhidos junto aos sócios minoritários da PRÁTICA, todos afirmaram que tinham horário de trabalho a cumprir, ao passo que, em relação à subordinação, afirmaram que tinham que se reportar a um superior que, na maioria dos casos, era Fernanda Accioly ou Márcio Júnior, sócios tanto da contratante (empresas do Grupo SMAFF) como da contratada (PRÁTICA). e) os depoentes continuaram trabalhando em condições idênticas, com as mesmas cargas horárias e nos mesmos locais de trabalho do período de carteira anotada, restando claro que sempre que um empregado assumia um cargo de gerência, era forçado a rescindir seu contrato de trabalho e entrar como sócio da empresa PRÁTICA e a maioria desses gerentes desconhecia o nome dessa empresa e até o local de seu funcionamento, além de desconhecer também as receitas e os lucros auferidos pela PRÁTICA no período em que tais gerentes integraram o seu quadro societário; Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.730682/201372 Acórdão n.º 2202003.477 S2C2T2 Fl. 1.582 21 f) Foi identificada reclamatória trabalhista relacionada aos negócios realizados pela Prática e as empresas do Grupo SMAFF na qual foi reconhecido o vínculo empregatício. Finalmente, alega que Recorrente que não houve, no caso dos autos, dolo fraude ou simulação, mas mera divergência quanto a interpretação dos conceitos da legislação de regência. Nesse ponto, como já extensamente demonstrado pelo trabalho fiscal e pela decisão recorrida, entendo que resta claramente demonstrada a simulação da qualidade de "sócios" por parte da Recorrente para se esquivar das suas obrigações tributárias e trabalhistas. Sendo assim, considero correto o procedimento fiscal e a decisão recorrida, devendo ser mantida a penalidade qualificada porquanto aplicada nos exatos termos das disposições contidas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007, as quais determinam: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 22 Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.720635/2014-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011, 2012, 2013
Ementa:
REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO. ARTIFICIALIDADE. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tão-somente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecê-las, promovendo-se a glosa dos referidos dispêndios.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1301-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Paulo Cézar Zumpano, OAB/MG nº 40.174.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011, 2012, 2013 Ementa: REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO. ARTIFICIALIDADE. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tão-somente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecê-las, promovendo-se a glosa dos referidos dispêndios. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Paulo Cézar Zumpano, OAB/MG nº 40.174. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 658 1 657 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720635/201469 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.980 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2016 Matéria IRPJ ÁGIO Recorrente ROYAL FIC DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011, 2012, 2013 Ementa: REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO. ARTIFICIALIDADE. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tãosomente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecêlas, promovendose a glosa dos referidos dispêndios. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 35 /2 01 4- 69 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 659 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Paulo Cézar Zumpano, OAB/MG nº 40.174. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 660 3 Relatório ROYAL FIC DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO S/A, já devidamente qualificada nos presentes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anos calendário de 2010, 2011 e 2012, formalizadas com base em glosa de despesas com amortização de ágio e falta de declaração e recolhimento de exações devidas. Aproveito fragmentos do relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever os fatos, as infrações imputadas e as razões de impugnação trazidas pela contribuinte fiscalizada. [...] Como se nota, em relação aos anoscalendário 2010 e 2011, os valores lançados de ofício decorrem da glosa de despesas de amortização de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo patrimônio líquido, e por conta dessa infração a autoridade fiscal exigiu a multa de ofício qualificada de 150%. Segundo esclarece a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Solidária (fls. 4 a 14), nos anos de 2010 e 2011, a Contribuinte registrou em sua escrituração contábil despesa de amortização de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, nos montantes de R$ 40.094.564,20 e R$ 40.094.894,52, respectivamente. Conforme restou consignado no Termo de Verificação Fiscal, os mesmos fatos aqui analisados constituíram o objeto de lançamentos fiscais relativos a anos calendário anteriores (processo nº 19515.721363/201171, referente aos anos de 2006, 2007 e 2008; processo nº 19515.721874/201355, referente ao ano de 2009). Nesse sentido, segundo a autoridade fiscal, “a despesa de amortização de ágio apropriada pelo contribuinte referese à incorporação de sua controladora, ocorrida no anocalendário de 2006. Tal operação, denominada incorporação às avessas, onde a controlada incorpora a controladora, teve como única finalidade o não pagamento dos tributos federais devidos, configurando operação simulada, sem qualquer motivação extratributária subjacente, ou seja, sem finalidade negocial, conforme demonstraremos a seguir”. As operações que deram origem ao ágio e ao aproveitamento das despesas com sua amortização foram assim descritas pela autoridade fiscal: 1.2 HISTÓRICO DA OPERAÇÃO A empresa FIC DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA. (atual ROYAL FIC), foi constituída em 19/03/1999, com capital social de R$ 20.000,00, tendo como sócios EDIO NOGUEIRA,CPF nº 725.103.40859 e Fl. 660DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 661 4 OSVALDO ZAGUINE, CPF nº 199.944.60978, cada um com 50% de participação na sociedade. Em 17/06/1999 o capital social foi alterado para R$ 1.000.000,00, retirando se da sociedade OSVALDO ZAGUINE e admitido VILSON NOGUEIRA, CPF nº 261.624.63968, com participação na sociedade de R$ 1.000,00 e os R$ 999.000,00 restantes participando o sócio EDIO NOGUEIRA. Até outubro de 2005 não houve alteração no quadro societário e no capital social. Tal informação é importante, pois foi em outubro de 2005 que foi elaborado o mencionado Laudo de Avaliação Econômica, onde empresa ROYAL FIC foi avaliada em R$ 401.751.980,00. Tal avaliação se deu com a utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, que leva em consideração a expectativa de rentabilidade futura, com base no desempenho da empresa em anos anteriores. O Grupo FIC, até outubro de 2005, era composto pelas empresas EN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ nº 04.587.678/000173 e a ROYAL FIC. São diretores da EN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, desde sua constituição até hoje, EDIO NOGUEIRA e CARMEN SILVA JUNQUEIRA NOGUEIRA (CPF nº 004.310.78939). Após a reavaliação da ROYAL FIC, procedeuse ao aumento de capital social da EN; O Sr. EDIO NOGUEIRA, detentor de 50% do capital da sociedade passou a possuir 76,9% do capital social; a integralização do aumento da participação no capital social da EN se deu com parte das cotas de capital que o Sr. EDIO possuía na ROYAL FIC, no montante de R$ 998.000,00. Assim, a EN passou a possuir as quotas que representavam 99,8% do capital social da ROYAL FIC que era de R$ 1.000.000,00, restando R$ 1.000,00 pertencentes a EDIO NOGUEIRA e R$ 1.000,00 pertencentes a VILSON NOGUEIRA. Ato contínuo, em novembro de 2005, foi constituída em empresa PETROFIC PARTICIPAÇÃO E INVESTIMENTOS EMPRESARIAIS LTDA., CNPJ nº 07.947.041/000139, tendo como sócios EDIO NOGUEIRA e EN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A. O capital social desta nova sociedade, no valor de R$ 400.950.000,00, foi assim composto (conforme Contrato Social): O sócio EDIO NOGUEIRA é titular de 1.504 (hum mil, quinhentos e quatro) quotas, no valor total de R$ 1.504,00, integralizadas em moeda corrente nacional; A sócia EN ADMINSTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A é titular de 400.948.496 (quatrocentas milhões, novecentas e quarenta e oito mil, quatrocentas e noventa e seis) quotas, no valor total de R$ 400.948.496,00, integralizadas mediante transferência de 998.000 (novecentas e noventa e oito mil) quotas, no valor nominal de R$ 1,00 (hum real) cada, totalizando R$ 998.000,00 (novecentos e noventa e oito mil reais), direito este que detém na sociedade ROYAL FIC DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO S/A. Para efeito de integralização de capital, as referidas quotas foram avaliadas a valor de mercado, pelo valor de R$ 400.948.496,00, conforme Laudo de Avaliação. No Balanço Patrimonial da PETROFIC, elaborado em 30/09/2006, um mês antes da incorporação, a contrapartida do capital social integralizado pela EN é a conta do Ativo Permanente Investimentos Ágio Investimentos R$ 400.948.496,00. Assim, a PETROFIC passou a ser controladora da ROYAL FIC, detendo 99,8% do capital social. Até este momento não se consegue vislumbrar qual a Fl. 661DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 662 5 finalidade negocial deste arranjo societário, uma vez que as três empresas pertencem a uma mesma pessoa: EDIO NOGUEIRA. Por fim, completando a operação e esclarecendo qual o motivo desta "reorganização societária", a ROYAL FIC (controlada) incorporou a PETROFIC (controladora) menos de um ano após a constituição desta, recepcionando o ágio contabilizado, para utilizálo na apuração do resultado, reduzindo o lucro real apurado. A ROYAL FIC contabilizou o ágio em ativo diferido, amortizando 1/120 ao mês (10% ao ano). 1.3 DA SIMULAÇÃO Apesar de o Contrato Social de Constituição da PETROFIC ter sido elaborado e assinado em 21/11/2005, a sociedade adquiriu personalidade jurídica somente em 21/03/2006, data em que o referido instrumento foi arquivado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, sendo aplicável a este fato os artigos 32, inciso II, alínea “a” e 36 da Lei nº 8.934/94, abaixo transcritos: Lei nº 8.934/94: Art. 32. O Registro compreende: (...) II o Arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; (...) rt. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na Junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. A incorporação da PETROFIC pela ROYAL FIC se deu em 01/10/2006; portanto, a PETROFIC existiu juridicamente no período de 21/03/2006 a 01/10/2006, ou seja, 07 (sete) meses e 10 (dez) dias. O objeto social da PETROFIC é a participação em outras sociedades como "holding", bem como efetuar investimentos financeiros e/ou societários. Consta no Anexo I Protocolo e Justificação de Incorporação, que faz parte da 1ª Alteração Contratual da PETROFIC, de 01/10/2006: "Através da incorporação total, objetivam os sócios a otimização dos recursos disponíveis com redução de estruturas administrativas aplicadas no desenvolvimento das atividades objeto das respectivas empresas. A redução dessas estruturas deverá proporcionar, em razão da redução de custos, uma melhora na rentabilidade das operações, ajuste necessário em face da situação de concorrência no mercado." Ora, conforme se verifica no Balanço Patrimonial da PETROFIC, não houve qualquer atividade operacional no seu curto período de existência; a "empresa" não teve uma única movimentação contábil em sua escrita fiscal que não a relativa à sua constituição. Além disto, a PETROFIC jamais teve um único funcionário sequer, conforme se verifica nas GFIP apresentadas. Sob este aspecto, não faz o menor sentido ter a incorporação como finalidade "a otimização dos recursos Fl. 662DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 663 6 disponíveis com redução de estruturas administrativas aplicadas no desenvolvimento das atividades objeto das respectivas empresas". Oobjeto social da PETROFIC, conforme contrato social, é: participação em outras sociedades como "holding", bem como efetuar investimentos financeiros e/ou societários. O que esta atividade tem a ver com a atividade exercida pela ROYAL FIC? Qual é a estrutura da PETROFIC? O que seria exatamente reduzir a estrutura de uma empresa que não realiza qualquer atividade operacional? Por não ter custos e despesas, o que há para otimizar em relação à PETROFIC? E, por fim, qual a real finalidade com que a PETROFIC foi constituída? A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles, o fato de as três empresas envolvidas na operação terem como sócio majoritário a mesma pessoa física, revelam que nunca houve a real intenção de constituir uma empresa existente de fato (e não apenas de direito), no caso a PETROFIC (constituída em março de 2006 e extinta por incorporação em outubro de 2006), para efetivamente operar segundo seu objetivo social, mas sim de criar uma sociedade efêmera, de passagem, que possibilitasse um registro de ágio a ser amortizado por empresa do mesmo grupo econômico. Mais adiante no Termo de Verificação Fiscal, apoiandose no OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1/2007, a autoridade autuante conclui que, no presente caso, como o investimento em sociedade controlada se deu em empresa do mesmo grupo econômico, o ágio gerado nessa operação não foi constituído em condições de livre mercado e, por consequência, faltalhe legitimidade para fins de seu enquadramento no que dispõe o art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977. Para justificar a imposição da multa de ofício qualificada de 150%, a autoridade fiscal assim se manifestou: 1.6 DA MULTA QUALIFICADA Conforme demonstrado acima, a real intenção camuflada pelos atos praticados pelo contribuinte, foi o de suprimir/reduzir tributo e contribuição social, configurando a prática de simulação, sendo cabível a aplicação da multa qualificada de 150%, nos termos do Artigo 44, inciso I, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/07. Quanto ao anocalendário de 2012, a autoridade fiscal esclarece no Termo de Verificação que a questão da amortização do ágio não produziu efeito sobre o Lucro Real, e a exigência fiscal decorre simplesmente da falta de declaração e recolhimento do IRPJ e da CSLL apurados pela Contribuinte. A essa infração, encontrase associada a multa ordinária de 75%. Cumpre registrar que, no curso da ação fiscal, a Contribuinte apresentou DIPJ retificadora, na qual apropriou despesa com amortização do ágio. Considerando que a espontaneidade encontravase excluída, a declaração retificadora não foi admitida pela fiscalização. Por fim, a responsabilidade solidária do Sr. Édio Nogueira foi assim justificada: DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A responsabilidade solidária, no âmbito das normas gerais e aplicável ao presente caso, é tratada nos artigos 121 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/66, nestes termos: ... Fl. 663DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 664 7 Portanto, diante de todos os fatos constatados por esta fiscalização, ficou caracterizada a responsabilidade solidária do sócioadministrador qualificado no caput do presente termo, pelo crédito tributário apurado nesta ação fiscal, nos termos da legislação acima transcrita. IMPUGNAÇÃO Do lançamento fiscal a Contribuinte foi cientificada em 10 de junho de 2014 (fl. 513). Irresignada, em 3 de julho de 2014 apresentou a impugnação de fls. 517 a 527, abaixo transcrita na íntegra1: ROYAL FIC DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO S.A., com sede na Rua Coelho Lisboa, no 442, 1º andar, conjunto 14, São Paulo, CEP 03323 040, inscrita no CNPJ/MF n.° 01.349.764/000150, por seu representante legal, vem apresentar sua IMPUGNAÇÃO ao Auto de Infração em epígrafe, fazendoo, tempestivamente, com o aguardo de sua anulação, na forma do disposto no Decreto no. 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações posteriores, pelos fatos e fundamentos de direito a seguir enunciados. ... A totalidade exigida do Auto de Infração é indevida por tudo o que adiante passará a expor, no entanto também para não deixar de argumentar neste meio cabível, não concordando com a exação do principal e indevido este, também lhe seguirão os acessório, mas apenas por apego a argumentação os acréscimos na mais improvável eventualidade de o principal ser considerado devido, devem ser reduzidos, pelas razões que adiante também passará a discutir: II Da iliquidez do lançamento Conforme determinado no artigo 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é pressuposto fundamental para a constituição do crédito tributário, sendo que somente a partir do lançamento pode ser auferida a qualificação do montante a ser passível de cobrança pelo fisco. Com efeito, somente o montante o lançamento será declarada a existência do crédito tributário, apurando ou definindo os limites e alcances do fato gerador, conferindo validade e exigibilidade a este. Assim, a nulidade de qualquer parte do lançamento, macula o mesmo do vício de nulidade, tratandose de um ato vinculado e obrigatório, conforme determinação legal (art. 142 do CTN). À administração compete verificar a existência do débito apontado, para, na hipótese de quaisquer irregularidades, providenciar o lançamento, nos termos do Código Tributário Nacional, bem como formalizar sua cobrança, através de respectiva notificação, conforme estabelecem as normas que regulamentam o processo tributário administrativo. Como ao contribuinte cabe o direito à ampla defesa, a nulidade de qualquer dos tópicos integrantes do lançamento, que a seguir passa a contribuinte a defender, macula o cálculo do montante do tributo devido, não tendo mais a matéria lançada, se revestindo mais o ato administrativo do lançamento, de todas as exigências do art. 142, devendo o ato administrativo, ser totalmente nulo. III DA ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA COBRANÇA 1 Na presente transcrição, algumas passagens foram suprimidas. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 665 8 III.1 Conceituação e utilização do ágio como forma de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL Equivocada a premissa utilizada pelo I. auditor fiscal quanto impinge a ilegitimidade da utilização do ágio existente na incorporação de empresas, como despesa operacional a ser deduzida da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL. Por uma definição simplista, podemos conceituar o ágio de forma genérica, como "expectativa de rentabilidade futura". O chamado "ágio interno" igualmente é um derivado de atuação da própria empresa sem quaisquer outras operações ou transações. O incentivo tributário originário do aproveitamento do ágio como despesa operacional para fins de dedução na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoal Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL passou a ser previsto na lei 9.532/1997, em seus artigos 7º e 8º, este último, prevê expressamente, que: ... Ora, Ilustres Julgadores, ao conceder o incentivo tributário, autorizando o aproveitamento do ágio na circunstância em questão, a Lei 9.532/1997, não fez restrição alguma a sua utilização por "holdings", inclusive vindo a permitir o uso do ágio como despesa operacional a ser deduzida da base de cálculo do imposto nestas circunstâncias. A interpretação que tem sido dada para autuações como a presente, se prende no sentido de que tal procedimento seria vedado pela Instrução número 349/2001 da CVM Comissão de Valores Mobiliários, que veio a lume para trazer o tratamento contábil na incorporação. Citado dispositivo regulamentador de procedimentos contábeis trouxe a interpretação de que seria irregular a criação de uma sociedade com a única finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, entendendo ainda, que a situação ora mencionada acaba por distorcer a figura da incorporação em sua dimensão econômica. Não podemos admitir, em nosso ordenamento pátrio, que para lançamento de tributos federais, cuja atividade, de acordo com o já citado artigo 142 do Código Tributário Federal seja absolutamente vinculada ao texto legal, seja utilizada uma norma interpretativa de lógica econômica, prevista na Instrução da Comissão de Valores Mobiliários, com o condão de distorcer disposto em lei, sob pena de estar se ferindo o próprio principio constitucional da Legalidade, previsto no artigo 150 da Constituição Federal: ... E a Lei, a que se refere o dispositivo citado acima é a lei no sentido estrito, ou de acordo com o artigo 97 do Código Tributário Nacional: ... Ora, novamente apelando para o bom senso dos julgadores, desconsiderar um benefício tributário outorgado por lei, é uma forma indireta de majoração de tributo. Ao I. Auditor Fiscal quando admitiu tal poder a uma instrução normativa, Fl. 665DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 666 9 sem que inclusive seja materialmente competente para tal utilização, EQUIVALE A IGNORAR TODO O SISTEMA JURÍDICO TRIBUTÁRIO VIGENTE!!! III.2 DA LEGITIMIDADE DA INCORPORAÇÃO NO PRESENTE CASO CONCRETO Não pode também admitir que o presente caso concreto guarde similaridade às situações de vedação à utilização dos prejuízos fiscais decorrentes da sucessão, prevista nos artigos 513 e 514 do Regulamento do Imposto de Renda. Inicialmente, não é demais repetir, que em direito tributário, a atividade de lançamento obrigatoriamente é vinculada à lei, não pode haver lançamento baseado em similaridades. Citados dispositivos de lei tratam de compensação de prejuízos fiscais o que não é o ocorrido nos presentes autos administrativos. Se configuraram, no presente caso, todas as exigências previstas no parágrafo 2º, do Artigo 20, do Decretolei no. 1598/1977, o ágio foi comprovado na documentação fiscal, completamente regular e na forma da legislação. APENAS PARA REFORÇAR A FUNDAMENTAÇÃO DE QUE ATÉ HOJE É TOTALMENTE LEGAL O PROCEDIMENTO EM QUESTÃO É QUE TAIS REGRAS FORAM EXPRESSAMENTE ALTERADAS PARA A VEDAÇÃO DA UTILIZAÇÃO EM QUESTÃO PARA A PARTIR DE 2015, POR MEIO DA MEDIDA PROVISÓRIA 627/2013. OU SEJA, ATÉ HOJE É LEGALMENTE PERMITIDO!!! Exemplo clássico, como jurisprudência administrativa para esse caso é o do grupo Gerdau (processo 10680.724392/201028 Acórdão no. 110100.708 – 1ª Cam/ 1ª Turma Ordinária, j. em 11/04/2012), cuja ementa da decisão a seguir passa a transcrever: ... Por tudo quanto se demonstrou, portanto, a autuação se faz totalmente indevida e deve ser anulada. IV DA MULTA Apenas para não deixar de tratar aqui, todos os tópicos defensáveis, em absoluto reconhecendo como admissível que o Auto de Infração ora questionado não venha a ser anulado. O faz apenas para esgotar a argumentação no sentido de que a multa aplicada também não pode ser mantida. No presente caso, houve imposição de multa de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor do pretenso Imposto devido, conforme se depreende do próprio auto de infração. "Data venia", a multa aplicada à base de 150% (cento e cinquenta por cento) pela ilustre autoridade fiscal, configurase num verdadeiro abuso do poder fiscal, na exata medida em que seu montante é excessivo e despropositado. Nesse passo, a norma insculpida no artigo 150, IV, da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco está sendo desrespeitada, cabendo, portanto, tanto aos Tribunais Administrativos como aos Judiciais coibir as multas exigidas de feitio confiscatório. Aliás, a jurisprudência do Colendo Supremo Fl. 666DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 667 10 Tribunal Federal é mansa e pacífica neste sentido e determina reduzir as multas excessivas aplicadas pelo fisco, conforme decisões abaixo transcritas: ... Com efeito, conforme se pode verificar pela remansosa jurisprudência do C. Supremo Tribunal Federal acima transcrita, deve haver redução de multa excessiva. Nesse sentido, vale mencionar a louvável doutrina do mestre ALIOMAR BALEEIRO que, com grande capacidade de análise e agudeza de crítica, na sua obra "Direito Tributário Brasileiro", diz o seguinte: ... A Impugnante, cumpridora dos seus deveres para com o fisco, ressalta estar plenamente imbuída da consciência cívica e política a que alude o ilustre Professor, porém, no estrito cumprimento de seus deveres, não pode concordar de forma alguma, com a cobrança de multa excessiva e confiscatória a base de 150% do valor principal, pois tal fato não é condizente com a realidade democrática pela qual atravessa o país e, que vai de encontro aos ditames constitucionais. Cumpre ressaltar também, que com o advento do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), o Governo Federal determinou que as multas não podem ser cobradas acima do percentual de 2% sobre o valor do débito (Art. 52, § 1º). Tal fato fere o princípio da moralidade administrativa, constitucionalmente consagrado. Por todo o acima exposto, requer a impugnante seja acatada a presente defesa, com a conseqüente ANULAÇÃO do presente Auto de Infração,ou caso V.Sa. assim não entenda, o que se aventa sem se admitir, seja declarada improcedente pela incorreta imputação de multa, como medida de pleno direito e de inteira Justiça!!! A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 07 35.949, de 07 de novembro de 2014, pela procedência das lançamentos tributários. O referido julgado foi assim ementado: AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO COM ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. POSSIBILIDADES LEGAIS DE DEDUTIBILIDADE. Além da alienação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo patrimônio líquido, a outra possibilidade legal de deduzir a amortização do ágio na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL fica restrita à hipótese prevista no art. 386, inciso III, do RIR de 1999, qual seja, em que a pessoa jurídica absorve o patrimônio de outra em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou em que a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS ENTRE EMPRESAS LIGADAS. AVALIAÇÃO UNILATERAL DE PATRIMÔNIO. ÁGIO. REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA INDEVIDA. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 668 11 O ágio somente pode ser admitido quando decorrente de transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Por consequência, não tem existência jurídica, e a despesa com sua amortização é indedutível. A INEXISTÊNCIA DE ÁGIO INTERNO. DENOMINAÇÃO INADEQUADA. Eventual valorização de investimento ou patrimônio de empresa, verificada em Laudo de Avaliação, na hipótese de transferência a outra empresa por força de operações societárias envolvendo apenas empresas de um mesmo grupo econômico, não tem natureza de ágio, seja porque não se pode reconhecer a existência de uma mais valia originada de forma unilateral, ou mesmo porque não há custo de aquisição, principalmente quando restar evidenciado que seu surgimento só se fez presente para uma única finalidade, qual seja, a redução artificial de tributos. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estendese ao lançamento decorrente (CSLL) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). Irresignada, a contribuinte fiscalizada interpôs recurso voluntário, fls. 625/637, em que, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, traz razões no sentido de sustentar a iliquidez do lançamento e a legalidade e constitucionalidade das operações realizadas e, por consequência, a ilegalidade e inconstitucionalidade da autuação, bom como da multa de ofício de 150%. No que tange à imputação de responsabilidade tributária, a Recorrente, destacando que "o fato de não estar na impugnação não significa dizer que concordou a impugnante com tal absurdo", alega que "não há qualquer fundamento legal para se manter o sócio da recorrente como solidário na imposição tributária atacada". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 647/655. É o Relatório. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 669 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anos calendário de 2010, 2011 e 2012, formalizadas com base em glosa de despesas com amortização de ágio e falta de declaração e recolhimento de exações devidas. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária, fls. 04/14, temos: i) nos anoscalendário 2010 e 2011, a fiscalizada apropriou despesas de amortização de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido nos montantes de R$ 40.094.564,20 e R$ 40.094.894,52, respectivamente; ii) a empresa FIC DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA (atual ROYAL FIC), foi constituída em 19/03/1999, com capital social de R$ 20.000,00, tendo como sócios os Srs. ÉDIO NOGUEIRA e OSVALDO ZAGUINE, cada um com 50% de participação na sociedade; iii) em 17/06/1999, o capital social foi alterado para R$ 1.000.000,00, retirandose da sociedade o Sr. OSVALDO ZAGUINE e sendo admitido o Sr. VILSON NOGUEIRA, com participação na sociedade de R$ 1.000,00, sendo os R$ 999.000,00 restantes de titularidade do Sr. ÉDIO NOGUEIRA.; iv) em outubro de 2005, por meio de Laudo, a ROYAL FIC foi avaliada em R$ 401.751.980,00 (avaliação efetuada pelo método do fluxo de caixa descontado, levando em consideração a expectativa de rentabilidade futura com base no desempenho da empresa em anos anteriores); v) até outubro de 2005, o denominado GRUPO FIC era composto pelas empresas EN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A e ROYAL FIC; vi) desde a sua constituição, o Sr. ÉDIO NOGUEIRA e a Sra. CARMEN SILVA JUNQUEIRA NOGUEIRA são os diretores da EN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A; vii) após a reavaliação da ROYAL FIC, foi promovido aumento de capital social da EN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, cuja integralização foi efetuada pelo Sr. ÉDIO NOGUEIRA com parte da quotas que ele possuía na ROYAL FIC; viii) a EN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A passou, então, a possuir as quotas representativas de 99,8% do capital social da ROYAL FIC, ficando o Sr. ÉDIO NOGUEIRA com 0,1% e o Sr. VILSON NOGUEIRA com os outros 0,1%; Fl. 669DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 670 13 ix) em novembro de 2005, foi constituída a empresa PETROFIC PARTICIPAÇÃO E INVESTIMENTOS EMPRESARIAIS LTDA, tendo como sócios o Sr. ÉDIO NOGUEIRA e a EN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A; x) o capital social da PETROFIC, no valor de R$ 400.950.000,00, foi assim dividido: ÉDIO NOGUEIRA ficou com 1.504 quotas, no valor total de R$ 1.504,00, integralizadas em moeda corrente; e a EN ADMINSTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A ficou com 400.948.496 quotas, no valor total de R$ 400.948.496,00, integralizadas por meio de quotas da ROYAL FIC; xi) para efeito de integralização de capital, as quotas da ROYAL FIC foram avaliadas a valor de mercado, pelo valor de R$ 400.948.496,00, conforme Laudo de Avaliação; xii) no Balanço Patrimonial da PETROFIC, elaborado em 30/09/2006, a contrapartida do capital social integralizado pela EN no Ativo Permanente foi INVESTIMENTOS ÁGIO INVESTIMENTOS: R$ 400.948.496,00; xiii) a PETROFIC passou, então, a ser controladora da ROYAL FIC, detendo 99,8% do seu capital social. xiv) completando a operação, a ROYAL FIC (controlada) incorporou a PETROFIC (controladora), recepcionando o ágio contabilizado e passando a amortizálo. Diante da glosa das despesas com amortização de ágio e da manutenção dos lançamentos tributários pela autoridade julgadora de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário, cujas razões passo a apreciar. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DA OPERAÇÃO E CONSEQUENTE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA IMPOSIÇÃO TRIBUTÁRIA, BEM COMO DA MULTA QUALIFICADA DE 150% Alega a Recorrente que o fundamento utilizado para qualificar a multa aplicada "não se confirma". Diz que a operação se deu dentro dos estritos limites da lei vigente à época da ocorrência dos fatos. Alega que a Lei nº 9.532/97, ao conceder incentivo tributário autorizando o aproveitamento do ágio na circunstância versada nos autos, não trouxe qualquer restrição a sua utilização por meio de holdings. Fazendo referência à INSTRUÇÃO CVM nº 349, assinala: "Como já dissemos, não podemos admitir, em nosso ordenamento pátrio, que para lançamento de tributos federais, cuja atividade, de acordo com o já citado artigo 142 do Código Tributário Federal seja absolutamente vinculada ao texto legal, seja utilizada uma norma interpretativa de lógica econômica, prevista na Instrução da Comissão de Valores Mobiliários, com o condão de distorcer disposto em lei, sob pena de estar se ferindo o próprio princípio constitucional da legalidade, previsto no artigo 150 da Constituição Federal (dispositivos retro transcritos)". Registro que, nos termos do consignado no Termo de Verificação Fiscal, as despesas de ágio aqui tratadas decorrem das mesmas operações apreciadas nos autos do processo administrativo nº 19515.721874/201355, julgado em segunda instância por esta Turma Julgadora em sessão realizada em 04 de fevereiro de 2015, tendo como Relator o Ilustre Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 671 14 Na ocasião, o Colegiado, por unanimidade de votos, decidiu dar provimento ao recurso de ofício então interposto e negar provimento ao recurso voluntário. Tendo integrado a Turma Julgadora por ocasião do julgamento acima referenciado, peço licença para reproduzir fragmentos do voto proferido no acórdão nº 1301 000.762, que, a meu ver, são suficientes para rebater em boa medida as razões recursais trazidas pela autuada. [...] Seguindo nas considerações da contribuinte, analisase, então, as circunstâncias próprias e específicas a respeito da operação societária encetada, e, no caso, a discussão a respeito da (in)validade do ágio e a (im)possibilidade de sua amortização. Analisando, de forma geral, a operação societária perpetrada, verificase que, no caso, ao contrário do que sustenta a recorrente, a acusação fiscal não se limita a simplesmente discutir a desnecessidade da criação de uma (outra) empresa holding, absolutamente. Na verdade, existe um emaranhado de circunstâncias próprias levantadas pelos agentes da fiscalização que, no caso, conduzem à inadmissibilidade dos fatos praticados. Inicialmente, relevante destacar que ambas as empresas apontadas (Petrofic Participação e EN Administração) tratavamse de "empresas de papel, com capital social registrado em valor simbólico, e, todas elas, submetidas ao comando de um único agente, o Sr. Édio Nogueira". Conforme aqui antes destacado, estes foram os fatos relacionados à operação analisada: ... A sociedade Fic Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. (depois Royal Fic Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda.), em março de 1999, tinha por sócios Édio Nogueira e Osvaldo Zaguine. O capital social era de R$ 20.000,00. Em junho de 1999, o capital social foi alterado para R$ 1.000.000,00 e o sócio Osvaldo Zaguine se retirou, ingressando em seu lugar Vilson Nogueira. Em outubro de 2005, procedeuse a uma avaliação econômica da empresa, que apontava para um valor de R$ 401.751.980,00, com base na expectativa de rentabilidade em exercícios futuros. Ao mesmo tempo, procedeuse na sociedade EN Administração e Participações S/A um aumento do capital social. Édio Nogueira, um de seus sócios, integralizou o capital social mediante a transferência das quotas do capital da Fic Distribuidora (atual Royal Fic). A EN Administração e Participações S/A passou a possuir a quase totalidade das quotas do capital da Fic Distribuidora (atual Royal Fic). O capital social, à época, era de R$ 1.000.000,00, assim distribuído: EN Administração e Participações: R$ 998.000,00 (99,8%); Édio Nogueira R$ 1.000,00 (0,1%) e Vilson Nogueira: R$ 1.000,00 (0,1%). Em novembro de 2005, foi constituída a sociedade Petrofic Participação e Investimentos Empresariais Ltda., com um capital social de R$ 400.950.000,00, Fl. 671DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 672 15 tendo por sócios Édio Nogueira, cuja participação societária era de R$ 1.504,00, e EN Administração e Participações que detinha o restante do capital no valor de R$ 400.948.496,00. A EN Administração e Participações integralizou o capital mediante a transferência das quotas do capital da Fic Distribuidora (atual Royal Fic) para a Petrofic Participações por R$ 400.948.496,00. A transferência das quotas se fez com um ágio estratosférico, superior a 40.000%. Em novembro de 2005, no balanço patrimonial da Petrofic Participações, existia uma conta do ativo permanente registrando um ágio em investimento de R$ 400.948.496,00. A Petrofic Participações passou a ser controladora da Fic Distribuidora (atual Royal Fic), com 99,8% do capital social. Em 2006, a Fic Distribuidora (atual Royal Fic), empresa controlada, incorporou a controladora Petrofic Participações, o que rendeu ensejo à transferência do ágio da contabilidade da empresa incorporada para a contabilidade da incorporadora. Daí em diante, a Fic Distribuidora (atual Royal Fic) passou a amortizar o ágio, que, na origem, foi constituído a partir da expectativa de rentabilidade da própria Fic Distribuidora (atual Royal Fic). A partir desse contexto fático, verificase que, no caso, tratase de operação societária entabulada entre empresas que compõem o mesmo grupo empresarial, o que, apesar de sozinho não ser (à época), a meu sentir, suficiente para a invalidação do procedimento, para a sua efetiva validação exigiria uma série de outras comprovações, efetivamente não observadas no caso. Em primeiro lugar, chama a atenção a indicação do "ágio estratosférico", obtido a partir da simples reavaliação das quotas da empresa que, sob o suposto fundamento da expectativa de rentabilidade futura, promoveu um saldo superior a 40.000% (quarenta mil por cento), sem que, para tanto, houvesse qualquer registro de transferência própria de riquezas. Aliás, todos os fundamentos das operações apresentadas decorrem desse "surgimento" de patrimônio, o que, com toda a certeza, mostrandose absurdo, fragiliza a confiabilidade pretendida nas operações encetadas. A engenharia apontada consubstanciase, no caso, na espúria prática da constituição do chamado "ágio de si mesmo", que demonstra, até não mais caber, efetiva e própria prática de simulação, inadmissível em nosso sistema normativo tributário. Aliás, a par de ainda muito discutidas as circunstâncias próprias de configuração da invalidade das operações de constituição de ágio por meio dos chamados "atos simulados" ou ainda, em certas circunstâncias, a existência do chamado "planejamento tributário irregular", conforme, inclusive, verificase no seguinte precedente colhido: ... Conforme se verifica, a jurisprudência deste Conselho tem se desenhado no sentido de exigir, para a regularidade da constituição do ágio, a presença dos seguintes e específicos requisitos: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; Fl. 672DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 673 16 ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. No caso presente, todas as três considerações apontadas apresentamse ausentes, tendo em vista i) a inexistência de prova de pagamento do montante do ágio indicado; ii) a efetiva existência de umbilical vinculação entre cada uma das empresas relacionadas; e iii) a total inadequação do laudo apontado que, como se verificou, indicava uma estratosférica expectativa de rentabilidade futura. A operação, da forma como delineada, por se apresentar como efetiva e verdadeira hipótese de "ágio de si mesmo", sobretudo porque o valor da expectativa considerada era, exatamente, da própria empresa ulteriormente beneficiada na amortização, o que, também por isso, impõe a total e completa invalidade do ágio constituído, e, a partir daí, a impossibilidade de sua utilização na amortização pretendida. Em face dessas considerações, entendo, no presente caso, restar completa e efetivamente configurada a invalidade da operação societária pretendida, sobretudo por considerarse como efetiva e própria apuração de "ágio de si mesmo", não havendo, assim, condições lícitas de admissão de sua amortização, da forma como pretendido. Da aplicação da multa agravada Ultrapassada a questão a respeito da avaliação da invalidade da geração do ágio na presente vertente, relevante agora observar, especificamente, a regularidade da aplicação de qualificação da multa aplicada. Inicialmente, como se sabe, o fundamento básico e próprio para a aplicação da qualificadora das multas de ofício, encontramse nas sendas próprias disposições do Art. 44 da Lei 9.430/96, que, em sua redação atual, assim, inclusive, especificamente se apresenta: ... Para a adequada aplicação das disposições, devese observar as especificas disposições da Lei 4.502/64, que, definindo as condutas específicas em seus art. 71, 72 e 73, assim então especificamente aponta: ... Pela análise dessas disposições, verificase que a conduta descrita da contribuinte enquadrase, sim, perfeitamente, nas disposições do art. 72 daquele diploma, sobretudo porque, conforme verificado, com as operações aqui descritas intentavase a prática dolosa tendente a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Diante dessas considerações, verificandose a efetiva e própria prática de atuação fraudulenda pelos agentes da contribuinte, regular, verificase, é a aplicação da qualificação da multa de ofício aplicada, sendo mantida, assim, no patamar de 150% (cento e cinquenta por certo) nos termos e fundamentos então especificamente apresentados. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 674 17 Não me parece que outra seja a decisão no presente caso, que não a integral manutenção da exigência formalizada, inclusive com a exasperação da penalidade aplicada, seja em virtude do audacioso "plano" engendrado pela Recorrente objetivando evitar a incidência tributária, seja em razão da rasa argumentação trazida pela peça de defesa. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio. Diante dos fatos retratados, não me parece restar dúvida de que a fiscalizada agiu intencionalmente (dolosamente) no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das suas condições pessoais, afetando, assim, as obrigações tributárias principais. No caso vertente, a meu ver, a qualificação da penalidade é ínsita à própria infração imputada, isto é, se existente essa, não há como deixar de admitir a exasperação da multa de ofício, vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Relativamente à inclusão do Sr. ÉDIO NOGUEIRA como responsável solidário, a Recorrente argumenta que o fato de não estar na impugnação não significa dizer que concordou com a imputação feita pela Fiscalização. Afirma que, ao pleitear a anulação total da autuação, incluiu também a "responsabilização". Adiante, traz considerações acerca da SOLIDARIEDADE, fazendo referência às disposições dos arts. 121 e 135 do Código Tributário Nacional. A meu ver, múltiplas são as razões para que não se exclua o Sr. ÉDIO NOGUEIRA do pólo passivo da obrigação tributária formalizada. Entre tantas outras, cito apenas as seguintes: essa questão (imputação de responsabilidade tributária) não foi objeto de impugnação; a pessoa jurídica não tem legitimidade para apresentar defesa administrativa relacionada à imputação formalizada contra o seu sócio; e, ainda que se ultrapasse tais razões, a peça de defesa, a rigor, não traz qualquer argumento no sentido de demonstrar que o Sr. ÉDIO NOGUEIRA não participou ativamente dos atos que resultaram na evasão fiscal descortinada pela Fiscalização. No que tange ao primeiro dos motivos acima apontados, esclareço que, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, abaixo transcrito, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720635/201469 Acórdão n.º 1301001.980 S1C3T1 Fl. 675 18 "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 675DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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