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Numero do processo: 16707.003878/2006-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
Não se admite Recurso Especial quando os paradigmas tratam de situação fática diversa da situação do recorrido.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Realizou sustentação oral o representante do contribuinte, Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ 45.196.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GERSON MACEDO GUERRA - Relator.
EDITADO EM: 04/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Realizou sustentação oral o representante do contribuinte, Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ 45.196. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA - Relator. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Realizou sustentação oral o representante do contribuinte, Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ 45.196. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA Relator. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 38 78 /2 00 6- 83 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 2 Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe pela constatação de acréscimo patrimonial a descoberto, em função de remessas de recursos para o exterior em valores não suportados pelos rendimentos tributáveis e não tributáveis declarados nos anos de 2000 e 2001, acrescido multa qualificada, pela constatação de se tratar de operação fraudulenta. Conforme descrito no Auto de Infração (fls. 05 a 21), o caso em apreço está inserido na operação fiscal desenvolvida em função de informações recebidas no âmbito da denominada Beacon Hill, onde foi identificado que o contribuinte em questão efetuou remessas de recursos em valores superiores aos rendimentos tributáveis e não tributáveis declarados nos meses 09/2000 e 11/2000 e no período de 03/2001 a 12/2001. No regular andamento do processo administrativo a Impugnação do contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ e o Recurso Voluntário interposto foi julgado parcialmente procedente, pela 1ª Turma Ordinária da, 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, que reconheceu o acréscimo patrimonial a descoberto nos anos calendário 2000 e 2001, em função de remessas de recursos para o exterior, porém foi afastada a aplicação da multa qualificada e reconhecida a decadência parcial do IRPF lançado. Inconformada com essa decisão a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, nos termos do artigo 67, do RICARF então vigente. Visando demonstrar a admissibilidade de seu recurso foram trazidos como paradigma os Acórdãos nº 10323588 e 10323495, tratando da multa qualificada e os Acórdãos 10196298 e 10515955, tratando da decadência. Na análise de admissibilidade do Recurso Especial, o Presidente da 2ª Câmara da 2ª Sessão, considerando que em todos os casos houve uma conduta dolosa reiterada dos contribuintes e que nos casos dos paradigmas foi reconhecida a presença do dolo, fraude ou simulação deu seguimento ao recurso da União. Intimado da decisão e do Recurso da Fazenda, o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial e contra razões. Ao Recurso Especial do contribuinte não foi dado seguimento, pela falta de préquestionamento da matéria recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Inicialmente, entendo pertinente a discussão acerca da admissibilidade do Recurso da Fazenda Nacional. Como visto, no caso em questão houve a lavratura do Auto de Infração, tendo em vista a constatação acréscimo patrimonial a descoberto, em função de remessas de recursos para o exterior em 09/2000 e 11/2000 e no período de 03/2001 a 12/2001. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 16707.003878/200683 Acórdão n.º 9202003.971 CSRFT2 Fl. 429 3 Importante, ainda, frisar que no quadro “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(S)” do Auto de Infração não consta qualquer menção à conduta dolosa reiterada para fins de aplicação da penalidade qualificada, conforme se exige nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Além disso, a conduta reiterada sequer foi mencionada no julgamento do vergastado. Por outro lado, é claro nas próprias ementas dos paradigmas trazidos pela União que a prática reiterada é o elemento cerne da constatação da conduta dolosa dos contribuintes respectivos, senão vejamos os trechos da ementa que aqui importam: Acórdão 10323588 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. Acórdão 10323495: (...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. (...) Também no que toca a admissibilidade quanto à decadência, o mesmo raciocínio foi utilizado pela União, que ao tratar da admissibilidade de seu recurso em relação à essa matéria alega que se cabível a multa qualificada em decorrência da atitude fraudulenta, tornase forçoso o afastamento da decadência, pela aplicação do artigo 173, I, do CTN. Os paradigmas trazidos tratam de casos em que o contribuinte não contabilizou notas fiscais emitidas nem como receita, nem nas contas a receber e caso em que houve a prática reiterada da omissão, senão vejamos os trechos que aqui importam: Acórdão 10196298: DECADÊNCIA Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, na presença de fraude, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência regese pelo art. 173 do CTN. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovada a emissão de notas fiscais de receitas de prestação de serviços não contabilizada nem oferecidas à Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 4 tributação, e recebidas através de contacorrente bancária também não contabilizada, caracterizado está o evidente intuito de fraude ensejando multa agravada. Acórdão 10515955 DECADÊNCIA DOLO, FRAUDE, SIMULAÇÃO Quando a autoridade lançadora demonstra que ocorreu dolo, fraude ou simulação, a decadência regese conforme o disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional tendo em vista que o sujeito passivo utilizouse de artifícios para ocultar a ocorrência do fato gerador. (...) MULTA QUALIFICADA APLICABILIDADE E PERCENTUAL Caracterizado o evidente intuito de fraude, pela prática reiterada de omitir receitas através da falta de contabilização da movimentação bancária, é aplicável a multa de ofício qualificada no percentual legalmente definido de 150%. Como se pode ver, o primeiro dos paradigmas em questão nem sequer trata de prática reiterada, como vem alegando a União, mas de falta de contabilização de receita e de conta a receber. Portanto, não guarda qualquer similitude com o presente. Já o segundo paradigma trata de pratica reiterada e a classifica como conduta fraudulenta para fins de contagem do prazo decadencial. Assim, como no presente caso não houve qualquer menção à prática reiterada para fins de qualificação da multa na lavratura do Auto de Infração e esse ponto sequer foi tratado no julgamento do vergastado, entendo não estarem presentes os requisitos para se admitir o recurso da União. Nesse contexto, voto por não conhecer o recurso da União. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000155/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTERPOSTA PESSOA.
Reunidos indícios consistes e convergentes no sentido de que o responsável tributário fez uso de interposta pessoa para realizar operações bancárias, resta evidenciado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador e a correta a atribuição, àquele, do crédito tributário resultante.
QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas (Súmula CARF nº 34).
Numero da decisão: 1402-002.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação à exigência do PIS e da Cofins. Na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou para dar provimento para excluir o coobrigado do polo passivo da relação jurídico tributária. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator designado
Demetrius Nichele Macei- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTERPOSTA PESSOA. Reunidos indícios consistes e convergentes no sentido de que o responsável tributário fez uso de interposta pessoa para realizar operações bancárias, resta evidenciado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador e a correta a atribuição, àquele, do crédito tributário resultante. QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas (Súmula CARF nº 34).
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INTERPOSTA PESSOA. Reunidos indícios consistes e convergentes no sentido de que o responsável tributário fez uso de interposta pessoa para realizar operações bancárias, resta evidenciado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador e a correta a atribuição, àquele, do crédito tributário resultante. QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas (Súmula CARF nº 34). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação à exigência do PIS e da Cofins. Na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou para dar provimento para excluir o coobrigado do polo passivo da relação jurídico tributária. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator designado Demetrius Nichele Macei Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 55 /2 00 8- 59 Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.344 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado pela Delegacia de Fiscalização (RJ), referente aos fatos geradores apurados no exercício de 2002, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 69.642.191,84 (fls. 1792/1798 e termo de constatação às fls. 2/15), a contribuição para o Pis, no valor de R$ 4.716.981,72 (fls. 1799/1805), a contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins, no valor de R$ 21.770.684,96 (fls. 1806/1810), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 7.837.446,54 (fls. 1811/1817), acrescidos da multa qualificada de 150% e dos encargos moratórios. Fundamentaram as exações do IRPJ e da CSLL: arbitramento do lucro, tendo em vista a não apresentação dos livros e documentos da escrituração. Tomouse como receita conhecida para de terminação das bases de cálculo os depósitos bancários de origem não comprovada. O Pis e a Cofins foram apurados por omissões de receita, tendo como bases os mesmos depósitos bancários de origem não comprovada. Por apresentar movimentação financeira incompatível com as receitas declaradas e por não ter sido localizado o sujeito passivo, os sócios Alzemir Xavier Machado e Armando Carneiro da Silva foram intimados por via postal a apresentar os livros e documentos comerciais e fiscais. Em relação ao primeiro sócio, o aviso de recebimento – AR retornou com a indicação de “recebida por terceiros” e ao segundo sócio com a indicação de “ausente”. Como alternativa, o interessado foi intimado por edital. Por meio da quebra do sigilo bancário, obtiveramse extratos e documentos das contas correntes mantidas pelo sujeito passivo no Unibanco e no Banco Cruzeiro do Sul. Em diligência à cerca de 60 pessoas e empresas que receberam valores do interessado, somente um confirmou ter realizado transação comercial ou financeira com o interessado e outros diretamente com o Banco Cruzeiro do Sul. Na documentação analisada constatouse o envio de mensagens por correio eletrônico de terceiros para o Banco Cruzeiro do Sul, cheques descontados no caixa desse banco, bem como a abertura da conta em 8/1/2001, nesse banco, quando o interessado só foi constituído em 1/8/2001. A advogada da sócia Alzenir Xavier Machado, no processo administrativo 19515.000050/200881, informou que ela (sócia) nunca exerceu atividade empresarial, não é sócia do interessado e nem conhece o outro sócio (Armando Carneiro da Silva). A farsa pode ser constatada na leitura do contrato social, ao colocaremna como sendo do sexo masculino e comerciário, bem como na comparação das assinaturas constantes no contrato social e na carteira de identidade. Diante de indícios de que o Banco Cruzeiro do Sul seria o verdadeiro gestor do sujeito passivo, foi imputada a esse banco a responsabilidade solidária, lavrandose o termo de ciência de fls. 20/35. Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Em face disso, o Banco Cruzeiro do Sul foi intimado para comprovar as origens e as naturezas dos créditos realizados nas contas correntes do interessado (fls. 242/243, 247/364, 1596/1612, 1726/1733 e 1741/1743). Diante da falta de comprovação, os valores foram considerados como receitas omitidas, exigindose os respectivos tributos trimestralmente (resumo das bases de cálculos à fl. 1789). O sujeito passivo foi cientificado por edital publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro em 15/12/2008 (fl. 1790) e o Banco Cruzeiro do Sul por via postal em 27/12/2008 (fl. 1791). A sujeito passivo não impugnou o Auto. O Banco Cruzeiro do Sul, ao impugnar a exigência, fls. 1843/1889 (documentos de fls. 1890/1958), alegou, em síntese, que: o pedido de vista dos autos em 7/1/2009 foilhe negado, ocasionando o cerceamento no direito de defesa; ocorreu a decadência, tanto se aplicando o art. 150, §4º, quanto se aplicando o art. 173, ambos do CTN; as declarações obtidas de terceiros pela fiscalização são evasivas e não guardam qualquer relação ou nexo de causalidade que pudessem justificar a responsabilidade solidária; os emails nada provam, além de serem em reduzido número em relação ao volume das operações realizadas; com a mudança decorrente da implantação do sistema brasileiro de pagamento – SBP instituindose a liquidação em tempo real, o Banco Cruzeiro do Sul optou, por uma questão de segurança, informar como remetente dos TED ou EDOC seu próprio nome e respectiva conta, para ao final do dia, após conciliação dos valores e ordens emitidas, debitar a conta do cliente emissor da ordem de transferência, sem incorrer em riscos de erro; a autorização de saques antes da compensação de cheques depositados é usual e não encontra qualquer vedação regulatória, dependendo exclusivamente da confiança da instituição financeira; a conta bancária foi aberta em 8/1/2002 e não em 8/1/2001. Ocorreu um erro de digitação. Junta documento emitido pelo Banco Central (relatório de consulta de clientes BACEN) para comprovação; colocou à disposição da fiscalização cópia de todos os documentos necessários à abertura da conta corrente do interessado; as denúncias da advogada da sócia Alzenir Xavier Machado nada significam ou provam contra o Banco Cruzeiro do Sul; não foi produzida prova pela fiscalização do interesse comum entre o interessado e o Banco Cruzeiro do Sul; não foi identificado pela fiscalização qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; da aplicação do art. 135, III, do CTN excluemse as hipóteses de simulação dos atos societários, mediante as quais interpostas pessoas, comumente denominada “laranjas”; Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.345 5 o Banco Cruzeiro do Sul nunca exerceu os cargos de mandatário, preposto, empregado, diretor, gerente ou representante do interessado ou sequer teria praticado qualquer ato com excesso de poderes, infração de lei ou contrato social que legitimasse a imputação de responsabilidade nos termos do art. 135 do CTN; não cabe a aplicação da multa agravada, em face da inexistência de provas e da imaterialidade dos indícios acerca da suposta existência de fraude, dolo ou simulação. A Delegacia de Julgamento, inicialmente, cancelou o lançamento, acolhendo o segundo argumento acima, i. e., de que teria ocorrido a decadência. Em sede de Recurso de Ofício, o lançamento do IRPJ e da CSLL foi totalmente REESTABELECIDO, afastandose a alegação de decadência em favor do sujeito passivo. O mesmo ocorreu em relação ao Pis e a Cofins, contudo foi afastada a decadência apenas para a competência de dezembro de 2002, sendo mantida a decisão da DRJ quanto ao cancelamento relativo aos meses anteriores (janeiro a novembro de 2002). Este acórdão foi objeto de Recurso Especial dirigido à Câmara Superior de Recursos desse Conselho, que restou NÃO admitido. Em conseqüência dessa decisão, o processo retornou à DRJ para julgamento do mérito da Autuação Fiscal quanto aos tributos e períodos não atingidos pela decadência. A Delegacia de Julgamento, a seu turno, manteve a autuação e a responsabilidade do Banco Cruzeiro do Sul, cuja ementa da decisão transcrevo abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 IMPUGNAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Tendo em vista o princípio da ampla defesa e do contraditório e o contido no art. 58 da Lei n° 9.784/99, admitese a apresentação de impugnação por pessoa incluída no rol dos responsáveis tributários. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados em infração de lei os representantes de fato das pessoas jurídicas de direito privado. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PROCEDIMENTO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DO CONTENCIOSO. O sujeito passivo pode exercer seu direito ao contraditório e a ampla defesa na impugnação ao lançamento, quando se instaura o contencioso administrativo fiscal. COMPETÊNCIA. DRJ. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Com exceção das matérias de ordem pública como a decadência, a prescrição e as nulidades que devem ser conhecidas de ofício pela autoridade julgadora, falece competência ao órgão julgador para o tratamento de matéria que não foi objeto de impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Se a interessada concorda com a autuação ou deixa de impugná la, a matéria correspondente situase fora dos limites da lide, descabendo a sua apreciação pelo órgão julgador. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Verificada por indícios a ocorrência do evidente intuito de fraude, cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.346 7 o Imposto de Renda, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Em virtude da decisão desfavorável aos sujeitos passivos, o Banco Cruzeiro do Sul, na qualidade de responsável tributário, recorreu voluntariamente a este Conselho. É o relatório. Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Voto Vencido Conselheiro Demetrius Nichele Macei Compulsando o despacho de encaminhamento de fls. 2339, constatei que o presente Recurso, interposto pelo Banco Cruzeiro do Sul S/A, foi tempestivo, pelo que dele conheço. O recorrente maneja, em síntese, os seguintes itens de defesa: 1. "Ausência de prova da acusação fiscal" Neste item o recorrente desenvolve seus argumentos para afastar a responsabilidade tributária a ele atribuída; 2. "Ausência de prova do evidente intuito de fraude e conseqüente impossibilidade de ser aplicada multa qualificada"; 3. "Erro na apuração do PIS e da COFINS do mês de Dezembro de 2002 Apuração trimestral" 4. "Erro na apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anocalendário 2002 Valores declarados em DIPJ e depósitos em conta mantida em outra instituição financeira" Neste item o contribuinte argumenta que deve excluída da sua responsabilidade os depósitos ocorridos no Unibanco S/A em fevereiro, março e abril de 2002; 5. "Impossibilidade de aplicação de multa e juros à instituição financeira em liquidação extrajudicial" Adianto meu entendimento de que: a meu ver está correta a fiscalização ao identificar e apurar os fatos geradores constantes no Auto de Infração, considerada obviamente a limitação temporal imposta pela decadência, já discutidos e resolvidos anteriormente neste processo. Neste particular, não entendo que a Recorrente trouxe em seu recurso novos elementos que possam modificar isso. Contudo, antes de qualquer análise quanto a ocorrência ou não dos fatos geradores apontados pela fiscalização, é fundamental tratarmos da responsabilidade tributária da ora Recorrente, que é seu primeiro e principal item de defesa. O fiscal autuante fundamentou a responsabilização da Recorrente nos artigos 121, inciso I, 124, inciso I e 135, incisos II e III, todos do Código Tributário Nacional CTN1. 1 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: (...) II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;(...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.347 9 Os argumentos que convenceram a fiscalização desta responsabilidade podem ser extraídos da conclusão dos seus trabalhos, constante das fls. 1315, das quais copio alguns trechos abaixo: (...) (...) (...) II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Destaquei uma parte, apenas, dos argumentos da autoridade fiscal. Os que me pareceram mais relevantes. Mas mesmo com a leitura integral, cheguei a mesma constatação: de que, de fato, a conduta do Banco é reprovável sob muitos aspectos. Está sujeito à reprimenda das autoridades bancárias, está "em tese" sujeito até mesmo à prática de crime financeiro etc. Mas daí a enquadrar o Banco como responsável pelos tributos devidos por terceiro, vejo uma distancia muito maior. Observo que aqui não estamos discutindo os fatos geradores cometidos pelo banco, decorrentes da receita ou do lucro das operações financeiras realizadas pelo sujeito passivo (cliente), mas sim os benefícios obtidos pelo próprio sujeito passivo (cliente) nos tributos devidos por ele e não recolhidos. Tenho dificuldade de ver, nesta linha de raciocínio, qual o beneficio econômico obtido pelo Banco além daqueles inerentes a movimentação financeira praticada pelos seus clientes. A fiscalização, por mais robustos que sejam seus argumentos em relação aos "laranjas" do sujeito passivo (sócios da empresa Vila) em momento algum identifica as pessoas físicas vinculadas ao banco, que estariam utilizando o sujeito passivo como veículo para suas operações. Apenas identifica um email de determinado funcionário (João) a respeito de detalhes de determinada transação bancaria, que a mim pareceu normal no contexto cliente banco. Esta identificação (de pessoas físicas) é importante não apenas para a apuração pessoal de eventual responsabilidade penal das mesmas, mas especialmente para demonstrar que o Banco por meio de seus prepostos Fulano, Cicrano ou Beltrano agiu em nome, ou por conta e ordem, do sujeito passivo, extrapolando suas funções de gerentes de conta corrente, passando a agir como gerentes da própria empresa. Em momento algum o Banco nega a existência das contas correntes. Noto do exame do processo que o Banco atendeu às intimações da fiscalização, apresentando documentos e extratos, sem a necessidade de intervenção judicial ou administrativa e, no momento oportuno, apresentou suas defesas e recursos. Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.348 11 Não há nenhum indicativo de que o banco, seus gerentes, diretores ou socios acionistas, atuaram como gerentes, diretores ou representantes legais de seu cliente, originalmente autuado. Ademais, a fundamentação legal utilizada pela fiscalização, a meu ver, não se aplica ao presente caso. O artigo 121, inciso I, do CTN, por si só não tem o condão de concretamente atribuir responsabilidade, pois depende necessariamente da combinação de outros comandos legais. Segundo a fiscalização esses "outros" seriam então os artigos 124, I e o 135, II e III. O artigo 124, I, trata da hipótese de solidariedade tributária daqueles que tenham "interesse comum" em relação aos fatos geradores. O interesse comum previsto no CTN não se verifica em casos de simulação ou abuso, mas sim naqueles casos em que haja pluralidade de sujeitos passivos, e o fisco necessite de um critério de escolha para a cobrança. É o caso do condomínio nos tributos sobre a propriedade, por exemplo. Isto fica evidenciado quando o legislador, mais adiante, diferencia os efeitos da solidariedade tributaria daquela civil, ao estabelecer, por exemplo, a ausência de beneficio de ordem para a cobrança do tributo (parágrafo único), entre outros. É um mero mecanismo de otimização da arrecadação tributária. Assim, não vejo aplicabilidade da hipótese do artigo 124 no caso concreto. Seguindo ao artigo 135, a fiscalização enquadra a conduta do Recorrente em dois incisos ao mesmo tempo que, somados, referemse a seis categorias distintas de pessoas, a saber: (1) mandatários, (2) prepostos, (3) empregados, (4) diretores, (5) gerentes ou (6) representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pois bem. Não vislumbro, com base nos elementos trazidos no processo, que o banco possa se enquadrar em nenhum deles. É preciso lembrar que a aplicação do artigo 135 a essas pessoas exige dolo, intenção de agir na conduta fraudulenta ou excessiva. Assim, não vejo possibilidade de apurar qualquer intenção ou fortes indícios disso se, sequer são identificadas pessoas físicas vinculadas ao banco que tenham agido de forma a enquadrar o banco no dispositivo mencionado. A única hipótese de não exigência de dolo das pessoas seria a hipótese de dissolução irregular da sociedade, o que não foi objeto de discussão neste processo. Destaco que os sócios do sujeito passivo (Vila), mesmo identificados, não foram incluídos no pólo passivo da autuação fiscal. As atitudes supostamente ilegais ou questionáveis do banco na gestão de suas contas e clientes, a culpa do banco ao admitir que seus clientes se utilizem de "laranjas" ou coisa do gênero, não é suficiente, a meu ver, para atribuir ao banco a responsabilidade tributaria relativamente aos fatos geradores de seus clientes, como é o caso em análise. Os fatos geradores em questão se referem ao IRPJ e reflexos. Se é assim, que evidência ou prova há de que esse lucro ou receita foram auferidos pelo banco, e não pelo sujeito passivo (Vila)? Se o banco, ao agir como depositário dos seus clientes, por essa razão em si, assumisse a responsabilidade tributária, deveria se assim para toda a sua carteira de clientes inadimplentes com o fisco, o que não é nem um pouco razoável de se imaginar, muito menos previsto em lei. Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Entendo que em tese seria possível sim atribuir a responsabilidade tributária ao banco, mas o processo não traz elementos para isso, além das deduções ou suposições relatadas pela fiscalização. Em alguns momentos a fiscalização afirma que o banco é o "real gestor" do sujeito passivo. Se é assim, talvez o correto fosse então enquadrar o Recorrente na hipótese do artigo 134, III ou 135, I, do CTN, mas não o fez. E mesmo se fizesse, entendo que o suporte fático e probatório constante nos autos não é suficiente para fundamentar sua aplicação. Outra hipótese seria, por exemplo, estabelecer vínculo das empresas por meio da constatação de grupo econômico, para aí sim responsabilizar os administradores do banco com base no artigo 135, o que tão pouco ventilouse no caso. Uma vez afastada a responsabilidade da Recorrente, entendo que todos os demais item de defesa do contribuinte restam prejudicados, especialmente sobre as multas. Mesmo assim, destaco que não assiste razão ao Recorrente quanto aos argumentos versados nos itens relativos a suposto erro de apuração dos tributos. Quanto à alegação de erro de apuração do PIS e da COFINS, que foi trimestral quando deveria ser mensal, destaco que tal discussão ficou superada na decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, visto que apenas o relator desse órgão votou nesse sentido, não sendo acompanhado porém pelos demais membros da turma julgadora. Ressalvo aqui meu entendimento pessoal de que, em razão do principio da busca da verdade material, mesmo não tendo esse sido argumento de defesa em sede de impugnação (motivo pelo qual o relator na DRJ foi vencido) o tema deveria ser conhecido e julgado. Se prevalecesse este entendimento, apenas para argumentar, o tema da apuração de PIS e COFINS só teria relevância na medida em que, aplicada a decisão anterior desse Conselho, vigente para este mesmo processo, e que afastou a incidência pela decadência dessas contribuições para os meses de janeiro a novembro de 2002, a fiscalização, ao recalcular o tributo devido, teria que levar em consideração apenas a receita de dezembro de 2002. Com isso, automaticamente, restaria suprido eventual equivoco na apuração, pois exigirá do fisco a identificação da receita exclusivamente do mês de dezembro. Em último lugar, em relação ao alegado erro na inclusão dos depósitos ocorridos no Unibanco, é preciso dizer que, caso prevalecesse a responsabilidade da Recorrente, o que não acredito, essa sujeição seria por todo o tributo devido pelo sujeito passivo, pois se o fundamento é de que o "real gestor" da empresa foi o banco, o banco seria responsável então por toda a atividade tributária da empresa "gerida", por assim dizer, pouco importando em qual instituição financeira tenha depósitos registrados. Ainda neste item, mesmo que fosse procedente, entendo que não haveria que se excluir ou recalcular o PIS ou a COFINS, pois os depósitos noutro banco ocorreram apenas, segundo afirma a própria Recorrente (fls. 2256 à 2281), nos meses de fevereiro, março e abril de 2002, já alcançados pela decadência. Assim sendo, não conheço do recurso exclusivamente na parte relativa ao erro de apuração trimestral/mensal e dou provimento ao Recurso Voluntário para afastar a responsabilidade tributária atribuída ao Recorrente. É o meu Voto. Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.349 13 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Com os respeitos que o I. Relator merece, ouso dele discordar no que se refere à imputação da responsabilidade ao coobrigado Banco Cruzeiro do Sul. Entendo que a matéria foi muito bem analisada no Acórdão 1101001.211 de lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa , nos autos do processo 16832.000998/200936 onde foram discutidas as mesmas questões aqui tratadas, em relação ao anocalendário de 2003. Sob esse prisma faço minhas as palavras da relatora: Delineada a acusação fiscal, passase, então, aos argumentos da defesa. Inicialmente a recorrente pretende desqualificar o resultado obtido em razão das diligências realizadas pela Fiscalização, asseverando que nelas inexistiria menção à prática da realização de operações com o Banco Cruzeiro do Sul S/A ou, tão interessante quanto, com a própria AUTUADA. Questiona, ainda, a representatividade da amostragem colhida pela Fiscalização. É possível observar nos relatórios de fls. 1121/1188 que milhares de pessoas foram beneficiadas com transferências bancárias advindas das contas mantidas por VILA, mas em sua maioria por valores que oscilaram entre R$ 100,00 e R$ 5.000,00. As diligências, por sua vez, foram dirigidas a beneficiários que receberam créditos acima de R$ 30.000,00, e notase nas respostas recebidas uma constante: desconhecem VILA e receberam os créditos do Banco Cruzeiro do Sul, freqüentemente em razão de cheques administrativos emitidos por esta instituição financeira por ordem de terceiros pessoa física. Um dos declarantes, inclusive, consigna que os cheques administrativos foram emitidos pelo BANCO CRUZEIRO DO SUL S/A, apenas pelo fato deste Banco à época cobrar taxas baratas para este serviço, destacando que não era cliente do banco e que, como o vendedor do imóvel a ser adquirido exigiu pagamento por meio de cheque administrativo, o declarante levou a importância em espécie para solicitar a emissão do referido cheque. No mesmo sentido, outro declarante aduz que recebeu cheque administrativo emitido pela recorrente em troca de recursos em espécie entregues no ato da troca Merecem destaque duas declarações que apontam para operações de outra natureza. A primeira nos seguintes termos: Passo a informar que os valores recebidos de R$ 100.000,00, (cem mil reais) do Banco Cruzeiro do Sul SA no dia 17/03/2003 referiuse remessa recebida de meu irmão [...], que mora e desenvolve suas atividades na Suíça, de onde contraiu um empréstimo no dia 10/03/2003 no valor de CHF 41.332,00 (quarenta e um mil, trezentos e trinta e dois francos suíço), perfazendo na época R$ 100.000,00 (cem mil reais) conforme cópia do comprovante de empréstimo do banco UBS (união do banco suíço) e serviram para aquisição de um imóvel residencial na rua [...] no dia 17/03/2003 no valor de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais), conforme cópia do contrato de compra e venda onde comprova a transferência pela escritura pública em que o Sr. [...], proprietário imóvel ora adquirido, escritura para [...],tendo como procuradora [...], e os valores passaram pela minha conta para fazer o pagamento ao vendedor conforme comprovações. _ Anexo cópia contrato de compra e venda entre [...]_ Contrato de empréstimo para ser pago em 60 meses conforme contrato de credito privado (privatkreditvertrág) Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 _ Demonstrativo de crédito em conta dos CHF 41.132,00 no UBS= União de Bancos Suíços. Desta documentação comprobatória, passo a informar que não desfrutei destes valores, nem mesmo fiz aquisições, apenas fui a intermediária da compra do imóvel no Brasil, por meu irmão morar lá e comprado esta casa para voltar a residir no Brasil. Disposto a fornecer maiores informações e documentos necessários, Na seqüência, a declarante complementa que foi contratada a agência de câmbio Trans Bras GMBH, para remessa de dinheiro para o Brasil, informando que nem meu irmão que remeteu os valores com a corretora Vila Cruzeiro Promotora de Créditos e Vendas, nem mesmo com o Banco Cruzeiro do Sul, pois não sabia como proceder e os tramites para uma remessa de valores para o Brasil. Outro declarante também informa desconhecer VILA e afirma que os valores recebidos são provenientes de remessas advindas do exterior (no caso Geórgia, nos Estados Unidos da América), afirmando que as remessas foram feitas de maneira legal em empresas do segmento nos Estados Unidos, muito embora sem apresentação dos correspondentes comprovantes. A única declaração com conteúdo aparentemente divergente é aquela prestada por Wanderson Gomes Pereira, em razão do questionamento acerca de 5 (cinco) créditos em seu favor, de 17/02/2003 a 24/03/2003, em valores individuais de R$ 31.280,00 a R$ 62.135,00 (fls. 1267/1274): 1) Que a empresa Vila Promotora de Créditos e Vendas Ltda., CNPJ n° 04.696.350/000195, utilizou minha conta corrente apenas para facilitar a redistribuição dos valores a diversos beneficiários; 2) Que os valores creditados em minha conta corrente, foram distribuídos aos beneficiários, e que o remanescente não atingiu o limite estabelecido para a obrigatoriedade da entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física 2004/2003, sendo procedida a entrega naquele ano como ISENTO; 3) Que tendo em vista tratarse de valores pequenos redistribuídos a diversos beneficiários, que de uma maneira ou de outra, buscavam a sua sobrevivência, de maneira simples e humilde, não houve nenhuma preocupação em documentar tais operações;. 4) Que a atitude de disponibilizar a minha conta corrente para receber os referidos créditos, se deu com o propósito único e exclusivo, de garantir e facilitar a liberação dos valores às pessoas (beneficiários) de direito; 5) Que em momento algum, houve intenção de má fé e nem de burlar o fisco, principalmente por se tratar de pequenos valores individuais, alcançados pelo limite de isenção da legislação em vigor naquela época; 6) Que envidei todos os esforços, junto à empresa Vila Promotora de Créditos e Vendas Ltda., no sentido de buscar informações tais como: Comprovante de Rendimentos Pagos e Creditados ano 2003 (não enviado a nenhum dos beneficiários); relação de todos beneficiários contendo N° CPF e valor do rendimento ou ainda qualquer informativo que pudesse identificar os beneficiários, bem como os respectivos valores, porém todos os esforços foram em vão, não conseguindo sequer falar com o responsável pela empresa que deu origem aos créditos (administrador/contador etc); 7) Que diante dos fatos acima relatados, não consegui reunir nenhum documento, para que pudesse ser apresentado à V.Sa. em tempo hábil e ainda mais considerando que já se passaram mais de cinco anos do referido ato; A autoridade lançadora, porém, consigna que estas afirmações não foram acompanhadas de qualquer elemento comprobatório. De outro lado, cabe recordar que a recorrente declarou à Fiscalização que suas atividades concentramse no crédito consignado para servidores públicos federais, estaduais, aposentados e pensionistas do INSS, sendo que suas operações são encaminhadas ao banco através de uma rede de correspondentes. Assim, o grande volume de operações de baixa expressão financeira quando individualmente consideradas, e a referência a VILA como operadora de transferências que foram, ao final, redistribuídas a vários beneficiários, não desqualificam a acusação fiscal, mas sim apontam na mesma direção da conclusão fiscal, de que a recorrente era a verdadeira gestora das operações cadastradas sob a titularidade de VILA. Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.350 15 Em verdade, o conteúdo das declarações deve ser apreciado em conjunto com as demais evidências de que VILA foi admitida como cliente da recorrente sem qualquer demonstração de sua capacidade financeira ou operacional, e realizou milhares de operações, movimentando quase R$ 900 milhões em dois anos calendário sem qualquer intervenção, provada, de seu administrador Armando Carneiro da Silva, acerca do qual somente se tem conhecimento de duas declarações de isenção, no âmbito do IRPF, nos anoscalendário 1999 e 2000 (fl. 32). Somese a isto o fato de a recorrente não demonstrar qualquer ordem expedida por VILA para realização das numerosas e vultosas operações questionadas pela Fiscalização. A anormalidade da conduta da instituição financeira, em um ambiente extremamente regrado e sujeito à verificações do COAF, associada às declarações reiteradas de desconhecimento de operações com VILA e afirmações de que as operações foram realizadas diretamente com a recorrente, indicam para uma única direção: a recorrente valeuse de VILA como interposta pessoa para realização de operações destacadas de sua atividade. Daí porque as declarações não podem ser genericamente classificadas como evasivas, ambíguas, incertas ou superficiais. A imprecisão ocasionalmente verificada decorre, certamente, do tempo transcorrido entre as operações e o questionamento fiscal e a inexperiência dos declarantes em tais circunstâncias, especialmente quando inquiridos acerca de relações comerciais que não existiram. Ainda, consideradas tais circunstâncias, a negativa de qualquer operação realizada com VILA ou com a recorrente pode também ser evidência de simulação nos registros da recorrente acerca do beneficiário ou ordenante da operação. A recorrente também pretende apartar, da acusação fiscal, declarações pertinentes a operações do anocalendário 2002, mas nada justifica este procedimento, na medida em que se pretende, justamente, aferir a existência de VILA, cujas operações foram iniciadas naquele período. Irrelevante, portanto, se as exigências decorrentes daquelas operações integram outro processo administrativo e, até mesmo, se foram canceladas em virtude do decurso do prazo decadencial para sua constituição. A defesa também articula argumentos em face da conta bancária mantida por VILA junto ao Unibanco. Questiona quem teria autorizado as operações ali realizadas no anocalendário 2002 e se Unibanco não seria o “dono” de VILA. Ocorre que as operações com o Unibanco somente se verificaram no anocalendário 2002 e totalizaram créditos de R$ 2 milhões, ao passo que as operações com a recorrente se estenderam pelos dois anos fiscalizados e totalizaram quase R$ 900 milhões. Para além disso, os extratos fornecidos por aquela instituição financeira e juntados às fls. 52/97 revelam suprimentos decorrentes de transferências eletrônicas e cheques pagos com saldo disponível em conta, mas a maior parte dos movimentos referemse a cheques depositados e devolvidos, de pequena monta, mas que, apesar do volume, não converteram em devedor o saldo da conta corrente. Nos movimentos finais da conta corrente observase a existência, inclusive, de valores investidos que eram resgatados para cobertura dos insignificantes saldos devedores que se formavam com a dedução, apenas, de tarifas bancárias. A movimentação bancária, portanto, não exigiu a intervenção de representantes de VILA, e revelou uma cliente operando com terceiros inadimplentes, mas ainda assim dispondo de recursos suficientes para satisfazer os cheques por ela emitidos, ao contrário do que verificado nas operações com a recorrente, que permitiu transferências bancárias já nos primeiros movimentos da conta corrente de titularidade VILA sem créditos disponíveis. Acrescentese, ainda, a diferença entre os elementos cadastrais reunidos por Unibanco para abertura da contacorrente (fls. 102/116) e aqueles fornecidos pela recorrente quando questionada a respeito (fls. 170/171, apenas declarando os Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 dados cadastrais sem fornecer as fichas correspondentes, e fls. 966/971, apresentando ficha cadastral desacompanhada dos documentos pessoais dos sócios da pessoa jurídica, associado à indicação da sócia Alzenir Xavier Machado como do sexo masculino, circunstância infirmada nos documentos reunidos por Unibanco para a abertura da conta corrente). Por tais razões, está demonstrado nos autos que as operações de VILA com a recorrente eram totalmente distintas daquelas realizadas junto ao Unibanco, e naquelas não se verifica a alegada relação costumeira entre instituição financeira e seu respectivo correntista. Quanto à falta de esclarecimento detalhado acerca das “vantagens pessoais” bem como quais seriam as condutas classificadas como crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, a recorrente possivelmente pretende que se imponha ao Fisco o dever da prova direta das irregularidades subjacentes aos indícios de interposição reunidos nestes autos, desmerecendo a validade da prova presuntiva defendida com sólidos argumentos por Maria Rita Ferragut (in Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não só requer, mas impõe, a utilização da presunção no caso de dissimulação, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada com a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenomênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada “presumem” juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. Mais à frente, abordando diretamente a questão da prova da fraude, a mesma autora acrescenta: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfe em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. A recorrente prossegue desqualificando os elementos que a Fiscalização classificou como Documentos estranhos à contabilidade. Diz que a movimentação da conta corrente de todo correntista é operacionalmente executada por um funcionário do banco em que este mantém a respectiva conta corrente, e reputa normal as operações ordenadas nos seguintes termos: (...)O endereço eletrônico do ordenante das transferências não evidencia qualquer relação com VILA, e a mensagem é enviada em termos codificados que apontam para operações costumeiras entre as partes, a exigir apenas a indicação do destinatário dos recursos, os quais foram transferidos aos beneficiários a partir da conta mantida por VILA junto ao recorrente. Por sua vez, a possibilidade de estas Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.351 17 operações representarem transações de terceiros formalizadas com a interposição de VILA é congruente com as declarações colhidas pela Fiscalização no sentido de que as transações se verificaram apenas com a recorrente, sem qualquer contato com VILA. Por esta razão, inclusive, é irrelevante o fato de estas mensagens representarem apenas 3 das 18.000 operações nos períodos fiscalizados, mormente tendo em conta o interesse da recorrente em não fornecer à autoridade lançadora elementos que poderiam facilitar a constatação das irregularidades praticadas. A recorrente também questiona as objeções fiscais a cheques emitidos por VILA, asseverando que a Fiscalização não aponta quais motivos existiram para suspeita acerca dos seguintes documentos: (...)Como já se disse, o controle cadastral da conta corrente mantida por VILA junto à recorrente era precário, mas ainda assim foi apresentado o seguinte cartão de assinatura: (...)O confronto dos documentos deixa patente a conclusão fiscal de que os cheques fogem a todos os requisitos formais para o preenchimento e pagamento de valores vultosos, mormente tendo em conta que as assinaturas são irreconhecíveis. A Fiscalização também questiona o cheque de R$ 698.690,68 sacado na boca do caixa, mas sem indicação do beneficiário do recurso, e acerca deste a recorrente afirma que se prestaria ao pagamento de obrigações da empresa VILA com o Banco Cruzeiro do Sul S/A, como indicado no extrato bancário e em recibos de pagamento de crédito parcelado juntados à impugnação. Contudo, como observado pela autoridade julgadora de 1a instância, a concessão do empréstimo não foi provada pela recorrente, que reitera sua desnecessidade ante os demais elementos apresentados, olvidandose que ante a reunião de indícios contrários à regularidade das operações investigadas, a demonstração documental das operações é indispensável. Quanto à alteração de procedimento na emissão de DOCE, a recorrente a justifica reportandose a novas exigências do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional que condicionaram as transferências de recursos das contas de reservas bancárias a existência de saldo suficiente de recursos em tempo real. Por tal razão, teria passado a informar como remetente dos recursos o seu próprio nome para, ao final do dia, promover a conciliação e debitar a conta do cliente, sem incorrer em erros. De plano observase que a recorrente enuncia a Lei nº 10.214/2001, a Resolução CMN nº 30/2001 e a Circular BACEN nº 3100/2002, para afirmar a instituição do Sistema de Transferência de Reservas – STR, com entrada em funcionamento em 22 de abril de 2002, e reportase a estas alterações para justificar o procedimento constatado pela Fiscalização apenas no anocalendário 2003. De outro lado, como antes abordado, em razão das diligências promovidas no curso do procedimento fiscal, constatouse que os beneficiários dos créditos supostamente promovidos por VILA afirmaram, de forma consistente, não conhecer aquela pessoa jurídica, sendo que relativamente aos créditos promovidos por meio de DOCE é pertinente destacar as seguintes ocorrências: Transferência de R$ 82.070,00 em 01/08/2003, por meio de DOCE tendo como remetente a recorrente, mas debitado à conta da contribuinte: a beneficiária pessoa física informada no documento diz que nunca teve qualquer tipo de movimentação financeira com a empresa citada nos autos e também nunca teve conta corrente no banco citado (fls. 1226/1228); Transferência de R$ 120.000,00 em 27/08/2003, por meio de DOCE tendo como remetente a recorrente, mas debitado à conta da contribuinte: o beneficiário pessoa física diz que não obstante seu empenho não foi possível recuperar os elementos relativos aos supostos depósitos bancários, dado o tempo transcorrido, acrescentando Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 que não lhe consta ter tido qualquer espécie de relacionamento, tanto com a empresa Vila Promotora de Créditos e Vendas Ltda ou o Banco Cruzeiro do Sul, ressalvada a natural dificuldade decorrente do longo período transcorrido desde os eventos mencionados na intimação (fls. 1232/1235); Transferência de R$ 100.000,00 em 14/01/2003, por meio de DOCE tendo como remetente a recorrente, mas debitado à conta da contribuinte: o beneficiário pessoa física diz que não consegue lembrarse quem possa ter transferido para sua conta o valor de R$ 100.000,00, mas observa que nunca manteve relações comerciais com a empresa Vila Promotora de Créditos e Vendas Ltda, pois é pecuarista, cogitando que alguém que tenha comprado gado em suas mãos, transferiu o dinheiro através do TED em apreço (fls.1230/1232); Transferência de R$ 100.000,00 em 13/01/2003, por meio de DOCE tendo como remetente a recorrente, mas debitado à conta da contribuinte: o beneficiário pessoa física diz que não tem nenhum tipo de relacionamento com a empresa Vila Promotora de Créditos e Vendas Ltda e nem conta corrente ou relacionamento com o Banco Cruzeiro do Sul (fls. 1242/1245); Transferência de R$ 150.000,00 em 06/01/2003, por meio de DOCE tendo como remetente a recorrente, mas debitado à conta da contribuinte: o beneficiário pessoa física esclarece que o crédito tem sua origem na venda de um imóvel rural, identificado a localização do imóvel e o adquirente, também pessoa física, acrescentando que nunca teve qualquer contato e nem transações comerciais com VILA (fls. 1246/1249); Transferências nos valores de R$ 50.000,00, R$ 20.000,00 e R$ 30.000,00, em 16 e 17/01/2003, tendo como remetente a recorrente, mas debitado à conta da contribuinte: o beneficiário pessoa física diz não ter efetuado nenhuma transação com VILA, e que embora não tenha encontrado os documentos que justifiquem as operações, em razão do tempo transcorrido, cogita que os créditos poderiam ser justificados por transações imobiliárias por ele intermediadas,informando seu registro junto ao CRECI/MG, ou venda de produtos rurais de sua propriedade (fls. 1249/1255); e Transferências nos valores de R$ 22.000,00, R$ 20.640,00 e R$ 33.400,00, entre 03/01/2003 e 26/03/2003, tendo como remetente a recorrente, mas debitado à conta da contribuinte: o beneficiário pessoa física diz que desconhece a empresa VILA e seus sócios, e afirma nunca ter firmado compromisso de compra e venda com a mesma, seja para aquisição de gado ou para qualquer outro bem, imóvel ou móvel, razão pela qual acredita que tais depósitos foram feitos pela empresa VILA como forma de pagamento de crédito que terceiros possuíam com a mesma (fls. 1256/1262). Acrescentese que também foram feitas por DOCE, com as mesmas características, as transferências antes mencionadas cujos beneficiários esclareceram tratarse de créditos decorrentes de remessas do exterior. Recordese, ainda, as mensagens eletrônicas reunidas pela Fiscalização demonstrando um procedimento rotineiro no qual o ordenante, sem qualquer vinculação aparente com VILA, determina transferências em favor de terceiros que são promovidas a débito da contacorrente por ela mantida junto à recorrente. Estas evidências apontam num único sentido: que a recorrente prestou serviços bancários a terceiros e valeuse da contabancária aberta em nome de VILA para realizar as correspondentes operações, inicialmente indicando VILA como remetente dos recursos, e depois passando a consignar no documento de transferência ela própria como remetente. A recorrente argumenta, ainda, que os procedimentos para tais transferências já haviam sido informados, em outro procedimento fiscal, à DEINF/SP. Junta à sua defesa as cartas assim redigidas em 08/06/2007 e 23/08/2007: Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.352 19 Em atendimento à diligência referenciada e complementando nossa correspondência CTRL.ML/026.07 de 25.04.2007, que trata das transferências realizados para a empresa [...], no período de 01/02 a 12/02, informamos que a conta mencionada no documento de transferência não é uma conta de titularidade de cliente e sim uma conta operacional do Banco Cruzeiro do Sul por onde transitam movimentos como adiante esclarecido. Os clientes tomadores de empréstimo do Banco Cruzeiro do Sul, as operações de crédito reembolsados, os pagamentos por solicitação de clientes e outras situações similares têm os recursos disponibilizados em conta corrente, mantida em outras instituições financeiras e por exigência do SPB Sistema de Pagamentos Brasileiro deve ser indicado uma conta corrente do remetente. Desta forma, as contas do Banco Cruzeiro do Sul S.A., números 9999139 e 9999135, são utilizadas para dar curso a essas operações. Com o objetivo de demonstrar claramente a afirmativa acima, estamos anexando à presente,a guisa de exemplo, relatório de nosso sistema que registra as transferências realizadas em 3 (três) movimentos atuais, 04.06.07, 05.06.07 e 06.06.07, Entendemos que o relatório atual servirá para o correto entendimento das citadas contas operacionais. Na primeira coluna à direita aparece o motivo da transferência. PAGCPP quer dizer: pagamento de crédito pessoal parcelado. REEMBOL quer dizer: operações de crédito reembolsado por desconto indevido e SDCONTA quer dizer: transferência digitada manualmente no sistema. Na quarta coluna está indicada a conta utilizada para as citadas transferências. As transferências efetuadas para a empresa [...] foram realizadas a pedido de cliente e não temos conhecimento do tipo de transação envolvida entre aquela empresa e nosso correntista já que inexiste (no presente como no passado) qualquer relação comercial da [...] com o Banco Cruzeiro do Sul, o que aqui ratificamos expressamente. Complementando informações anteriores, através das correspondências CTRL.043/07, CTRL.032/07 e CTRL.26/07, sobre transferências realizadas para a empresa [...], no período de 01/02 a 12/02, informamos que identificamos as transações listadas no item I, realizadas por conta e ordem do cliente Vila Promotora de Créditos e Vendas Ltda., cujos dados cadastrais estão informados no item II. ITEM I: [...]ITEM II: Dados cadastrais do cliente Vila Promotora de Créditos e Vendas Ltda [...]Os documentos não estão acompanhados das intimações respondidas, ou dos demonstrativos que teriam sido apresentados. Inferese, do conteúdo antes transcrito, que a recorrente foi intimada a informar a origem de créditos que beneficiaram terceira empresa fiscalizada, por esta razão declarando que as transferências se originaram de conta transitória mantida pela instituição financeira. Os créditos questionados ocorreram de maio/2002 a dezembro/2002, e assim contrariam a explicação da recorrente no sentido de que apenas no anocalendário 2003 alterou seu procedimento em razão das novas normas aplicáveis à operação. De fato, se desde meados do anocalendário 2002 a instituição financeira mantinha uma conta transitória para aquelas operações, não há um motivo razoável para que os documentos de transferência DOCE passassem a apresentar o nome da recorrente, e não da contribuinte fiscalizada, como ordenante da transferência. A defesa também se vale da referida resposta a outra intimação fiscal para observar que, naquela ocasião, informou os dados cadastrais de VILA, documentos que a D. Autoridade Fiscalizadora insiste em afirmar que não foram dolosamente disponibilizados à Receita Federal. Consta do corpo da resposta apenas a informação do CNPJ, atividade, endereço e data de constituição da VILA, sem qualquer referência à apresentação, também, da proposta de abertura de conta Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 corrente, cartão de assinaturas, ficha cadastral, documentos pessoais e comprovantes de endereço dos sócios (fls. 2380/2400). Assim, a apresentação das informações cadastrais da correntista no corpo da correspondência é conduta idêntica aquela à verificada no presente procedimento fiscal, diversamente do que observado na resposta oferecida pela outra instituição financeira questionada (Unibanco S/A), como bem anotou a autoridade fiscal e será abordado mais adiante. A recorrente também defende que a cobertura de cheques depositados e ainda não compensados seria prática usual e que não encontra qualquer vedação regulatória, dependendo exclusivamente da confiança da instituição em seus clientes. Referida confiança, portanto, somente encontra algum respaldo na alegada indicação da correntista por um dos administradores da recorrente, que poderia ter considerado como digna de crédito a contribuinte fiscalizada, muito embora sem qualquer referência comercial da pessoa jurídica, até porque constituída contemporaneamente à época da abertura da conta corrente, ou de seus de atividades a contribuinte realizasse transferências a descoberto, assim como posteriormente se valesse de recursos não disponíveis em conta, decorrentes de cheques depositados e ainda não compensados. E isto sem demonstrar materialmente qualquer ordem proveniente do representante da fiscalizada, mas sim, ao contrário, promovendo operações em favor de declarantes que afirmaram não possuir qualquer vínculo com a fiscalizada, e sim com recorrente. Em tais circunstâncias, mostrase inadmissível a justificativa das operações como prática usual em instituições financeiras. Quanto à alegação de erro no preenchimento da data de abertura da conta corrente na ficha cadastral da empresa, é razoável admitir sua ocorrência. Todavia, não prosperam as comparações feitas com o procedimento de Unibanco S/A, ante as características das movimentações ali verificadas, como já exposto neste voto. Também não tem razão a recorrente quando alega que o Fisco não teria investigado o faturamento ou a renda dos sócios de VILA, pois estas apurações constam dos autos e ensejaram a declaração de inaptidão daquela pessoa jurídica. E, com referência à forma de apresentação dos dados cadastrais da empresa fiscalizada, o fato é que as correspondentes requisições são dirigidas de forma padrão a todas instituições financeiras, tendo por objeto dados constantes da ficha cadastral do sujeito passivo apresentados em papel (fl. 45 e 168), como disposto no art. 5º do Decreto nº 3.724/2001. Seu atendimento, por sua vez, se dá mediante apresentação da ficha cadastral e dos documentos que a instruem, especialmente tendo em conta a necessidade de demonstração das assinaturas daqueles responsáveis pelas operações bancárias. Assim, a resposta oferecida pela recorrente neste procedimento fiscal, embora também adotado em procedimento anterior, é anormal em relação àquele praticado pelas demais instituições financeiras, e embora isoladamente pouco represente, passa a ter relevo no contexto presente, em que várias evidências apontam para a utilização de VILA como interposta pessoa de operações realizadas, em verdade, pela recorrente. O mesmo se diga em relação às impropriedades na identificação cadastral da sócia de VILA, Alzenir Xavier Machado. A recorrente também se contrapõe à denúncia de Alzenir Xavier Machado, aduzindo que não se justificaria sua responsabilização mesmo se provada a declaração de que Alzenir Xavier Machado foi vítima de fraude, acrescentando que a declaração de procuradora da referida sócia depois de sua morte seria nula. Novamente, somente é possível concordar com a recorrente se considerada esta denúncia isoladamente, olvidandose que a abertura da conta corrente se deu por recomendação de um dos administradores da recorrente e não reuniu qualquer acervo documental para resguardo da instituição financeira, seguindose operações vultosas e recorrentes a descoberto, também sem qualquer lastro documental das ordens que as autorizaram, identificandose diversas operações que não teriam sido determinadas por VILA, associadas a evidências de que a recorrente realizou operações próprias sob a titularidade de VILA. Acrescentese que tal contexto é totalmente diferente daquele realizado nas operações promovidas pelo Unibanco Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000155/200859 Acórdão n.º 1402002.116 S1C4T2 Fl. 2.353 21 S/A, subsistindo também este indício de inexistência de fato de VILA, e de que suas operações eram de interesse da recorrente. Por fim, a recorrente se opõe às referências fiscais à matéria publicada no jornal Valor Econômico em 19/11/2009, dizendo que não foi tecido qualquer vínculo de correlação com os lançamentos ora impugnados, e que a falta de fundamentação da notícia já havia sido objeto de comunicado ao mercado pelo recorrente. A autoridade lançadora assim se reporta à notícia em referência: Tratase de matéria, com o título "CRUZEIRO DO SUL É ALVO DE COBRANÇA” relatando que o Banco responde, na 12a Vara Cível ! da Justiça do Estado de São Paulo, no fórum João Mendes Júnior, por uma ação de indenização de R$ 206 milhões, junto com seus controladores e uma segunda empresa, da qual seus acionistas são proprietários, de desvio de recursos do antigo Banco Santos. A matéria informa que o Banco Central abriu processo contra o Banco Cruzeiro do Sul, seus controladores, a empresa BCS ASSET MANAGEMENT empresa ligada aos acionistas do Banco Cruzeiro do Sul), com sede em Montevidéu, no Uruguai. O relatório do Banco Central acusa o Banco Cruzeiro do Sul, a empresa BCS e seus controladores de terem realizados diversas transferências de recursos sem objetivos econômicos. Essas movimentações de recursos, que tiveram a BCS ASSET MANAGEMENT como destinatário dos recursos, utilizou diversas empresas, entre elas Ambra (Associação de músicos e militares brasileiros) e Vila Promotora de Crédito e Vendas. A empresa Uruguaia BCS ASSET MANAGEMENT depois de receber movimentações financeiras das empresas Vila Promotora de Crédito, Ambra e outras, remeteu parte dos valores para contas da própria BCS nos bancos Sofísa Bank of Flórida, Pine Bank Miami e Safra Nacional Bank of New York. Como se vê, os fatos narrados são coerentes com a acusação fiscal de que a recorrente se valeu de VILA como interposta pessoa para realizar operações que não se vinculavam às atividades daquela pessoa jurídica. Por sua vez, observase em consulta ao sítio da Justiça Estadual de São Paulo que a ação judicial mencionada de fato está em curso na 12ª Vara Cível do Foro Central da capital de São Paulo, sob número 019350909.2008.8.26.0100 (583.00.2008.193509), mas ainda em fase de instrução. Por todo o exposto, não se pode admitir que a presente acusação se vale de meros indícios isolados como prova da ocorrência de fatos jurídicos geradores de exigências tributárias. A recorrente não logrou apresentar qualquer elemento probatório que conferisse regularidade às operações questionadas pela Fiscalização, restando evidenciado que todos os indícios reunidos apontam para a utilização de VILA, pela recorrente, como interposta pessoa, permitindo presumir que as operações realizadas na conta corrente por ela mantida junto à recorrente foram promovidas, em verdade, por conta e ordem desta. Em tais circunstâncias, embora seja imprópria a referência fiscal ao art. 135, incisos II e III do CTN, resta patente o interesse comum na situação que constitui o fato gerador que autoriza a aplicação do art. 124, I do CTN, para situar no pólo passivo da obrigação tributária aquele que, embora oculto sob uma pessoa jurídica interposta, reveste a real condição de sujeito passivo das obrigações tributárias, na forma do art. 121, I do CTN. Observese que a indicação da recorrente como sujeito passivo direto e responsável revela, precisamente, o contexto ambíguo criado pela interessada para realizar as operações questionadas sem sofrer as conseqüências tributárias daí decorrentes. Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 Assim, afastadas as alegações da recorrente no sentido de que VILA era apenas sua correntista, assim como do Unibanco S/A, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e manter a sujeição passiva aqui imputada à recorrente. No que se refere à multa qualificada, o voto em comento merece ser aqui adotado pela precisão com que tratou a matéria: E, quanto à qualificação da penalidade, importa observar que é pacífico neste Conselho o entendimento de que a utilização de interposta pessoa para ocultar o real titular de conta bancária, na qual são apurados depósitos de origem não comprovada, demonstra o intuito de fraude necessário para aplicação daquele encargo: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Demonstrada a congruência dos indícios reunidos pela Fiscalização para sustentar a acusação de interposição de pessoa, os tributos devidos em razão da omissão da recorrente em comprovar a origem dos depósitos bancários questionados sujeitamse à exigência de ofício com acréscimo de multa qualificada, pois embora a base imponível também seja presumida com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, os fatos indiciários desta presunção legal são extraídos de movimentação bancária operada em nome de interposta pessoa, autorizando a conclusão de que houve fraude. E, demonstrada a interposição, não tem valor a argüição de caráter personalíssimo da penalidade, de modo a restringila à pessoa jurídica interposta. No mais, as dúvidas quanto ao evidente intuito de fraude e a ausência de prova direta da intenção de fraudar são decorrentes, justamente, da mencionada interposição de pessoa e da impossibilidade de se alcançar, em razão da fraude, a pretendida prova direta, como bem exposto por Maria Rita Ferragut nos excertos doutrinários aqui já transcritos. Em tais condições, admitese a prova da fraude por presunção, e estando ela assim demonstrada a qualificação da penalidade é pertinente. Do exposto, voto por negar provimento ao recuso voluntário e manter a responsabilidade tributária do cobrigado. Leonardo de Andrade Couto – Redator Designado. Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19515.722140/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO
A receita apurada junto à escrituração contábil da empresa que deixar de ser oferecida à tributação deve ser objeto de lançamento de ofício.
GLOSA DE CRÉDITOS.
Os créditos não-cumulativos utilizados pelo contribuinte na apuração do tributo devido que não forem comprovados devem ser glosados pela fiscalização.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Deve ser mantido o Termo de Sujeição Passiva lavrado pela fiscalização quando ficar demonstrada a responsabilidade solidária do recorrente.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário: 2007, 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO
A receita apurada junto à escrituração contábil da empresa que deixar de ser oferecida à tributação deve ser objeto de lançamento de ofício.
GLOSA DE CRÉDITOS.
Os créditos não-cumulativos utilizados pelo contribuinte na apuração do tributo devido que não forem comprovados devem ser glosados pela fiscalização.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário: 2007, 2008, 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Recurso voluntário apresentado em desacordo com o prazo legal estabelecido pelas normas de regência não deve ser conhecido.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Deve ser mantido o Termo de Sujeição Passiva lavrado pela fiscalização quando ficar demonstrada a responsabilidade solidária do recorrente.
Recurso Voluntário Negado
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-002.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES e por não conhecer do recurso voluntário do responsável solidário GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS, por intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A receita apurada junto à escrituração contábil da empresa que deixar de ser oferecida à tributação deve ser objeto de lançamento de ofício. GLOSA DE CRÉDITOS. Os créditos não-cumulativos utilizados pelo contribuinte na apuração do tributo devido que não forem comprovados devem ser glosados pela fiscalização. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Deve ser mantido o Termo de Sujeição Passiva lavrado pela fiscalização quando ficar demonstrada a responsabilidade solidária do recorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A receita apurada junto à escrituração contábil da empresa que deixar de ser oferecida à tributação deve ser objeto de lançamento de ofício. GLOSA DE CRÉDITOS. Os créditos não-cumulativos utilizados pelo contribuinte na apuração do tributo devido que não forem comprovados devem ser glosados pela fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Recurso voluntário apresentado em desacordo com o prazo legal estabelecido pelas normas de regência não deve ser conhecido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Deve ser mantido o Termo de Sujeição Passiva lavrado pela fiscalização quando ficar demonstrada a responsabilidade solidária do recorrente. Recurso Voluntário Negado Recurso Voluntário Não Conhecido
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Voluntário Acórdão nº 3301002.968 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2016 Matéria PIS e Cofins Insuficiência de Recolhimento Responsabilidade Solidária Recorrente VERDURAMA COMÉRCIO ATACADISTA DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A receita apurada junto à escrituração contábil da empresa que deixar de ser oferecida à tributação deve ser objeto de lançamento de ofício. GLOSA DE CRÉDITOS. Os créditos nãocumulativos utilizados pelo contribuinte na apuração do tributo devido que não forem comprovados devem ser glosados pela fiscalização. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Deve ser mantido o Termo de Sujeição Passiva lavrado pela fiscalização quando ficar demonstrada a responsabilidade solidária do recorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 40 /2 01 2- 11 Fl. 4139DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.403 2 às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A receita apurada junto à escrituração contábil da empresa que deixar de ser oferecida à tributação deve ser objeto de lançamento de ofício. GLOSA DE CRÉDITOS. Os créditos nãocumulativos utilizados pelo contribuinte na apuração do tributo devido que não forem comprovados devem ser glosados pela fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Recurso voluntário apresentado em desacordo com o prazo legal estabelecido pelas normas de regência não deve ser conhecido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Deve ser mantido o Termo de Sujeição Passiva lavrado pela fiscalização quando ficar demonstrada a responsabilidade solidária do recorrente. Recurso Voluntário Negado Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES e por não conhecer do recurso voluntário do responsável solidário GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS, por intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 4140DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.404 3 Relatório VERDURAMA COMÉRCIO ATACADISTA DE ALIMENTOS LTDA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento fiscal. Durante a realização dos trabalhos de auditoria, a fiscalização constatou os seguintes fatos, relativos aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, narrados no Termo de Verificação, de fls. 298/310: A fiscalização foi iniciada em 18/03/2011 mediante o Termo de Início de Fiscalização, com ciência pessoal dada ao então sócio da empresa Leandro Santos. Foi exigida a apresentação dos livros comerciais e fiscais, e dos arquivos digitais das notas fiscais. Em 31/03/2011 foi reiterada a exigência da apresentação dos arquivos digitais, bem como a memória de cálculo demonstrando a apuração mensal da COFINS. De forma sistemática, a fiscalizada não tem atendido às exigências feitas através do Termo de Início de Fiscalização, e nem tampouco com relação a todas as Intimações subsequentes. Não foram apresentados quaisquer documentos e/ou esclarecimentos solicitados. Foi lavrado o Termo de Embaraço à Fiscalização pela falta injustificada da apresentação dos extratos da sua movimentação financeira. Assim, a auditoria foi realizada à luz dos documentos e informações disponíveis. Pela falta de atendimento pelo sujeito passivo, nos prazos fixados pelas intimações, será aplicado agravamento de penalidade, com fundamento no art. 44, § 2º da Lei n° 9.430/1996, sem prejuízo das demais penalidades aplicáveis. O arquivo da escrituração contábil digital do anocalendário 2007 foi obtido através da diligência de coleta de arquivos contábeis, de acordo com o Termo de Intimação e os relatórios de acompanhamento gerados pelo aplicativo SINCO, validado e autenticado pelo aplicativo SVA, conforme a determinação do MPFD n° 0819002009025030 (vide cópias anexas). Os arquivos da escrituração contábil digital (ECD) dos anos calendário 2008 e 2009 foram obtidos do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), instituído pelo Decreto n° 6.022, de 22 de janeiro de 2007, conforme as requisições de cópia de escrituração contábil digital anexos. Tendo sido constatada a ocorrência de lançamentos resumidos de compras de mercadorias em 2009, a fiscalizada foi intimada (Intimação Fiscal n° 4, 20, e 22) para apresentar os livros auxiliares em meio digital, mas nada apresentou O exsócio Genivaldo Marques dos Santos esclareceu em resposta subscrita através dos seus advogados em 19/07/2012: Fl. 4141DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.405 4 A empresa Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda pertence ao Grupo SP Alimentação e Serviços Ltda, controlado por Eloiso Afonso Gomes Durães. A Verdurama tem como sócio proprietário um exfuncionário da SP Alimentação e Serviços Ltda, Vilson do Nascimento. Também já figuraram como sócios da Verdurama os Srs. Edvaldo Leite dos Santos e Genivaldo Marques dos Santos, que não tinham poder de administrar a empresa, sendo verdadeiros "testas de ferro" e, por esse motivo, nomearam procuradores específicos outros Diretores do Grupo SP Alimentação, como Olésio Magno de Carvalho e Silvio Marques. Os valores que foram depositados por empresas ligadas ao Grupo SP Alimentação (inclusive a Verdurama), apenas transitavam em suas contas bancárias e de seus familiares mais próximos, entre elas Sandra Aparecida Marques dos Santos, cônjuge, Maria Simone da Silva cunhada, e a empresa L&S Comércio e Serviços Ltda. A L&S é uma empresa registrada com o CNPJ 03.944.635/000135 sob a denominação L & S Comercial e Sérvios Ltda, que tinha como sócios Genivaldo Marques dos Santos e Amauri Ferreira Leonel, funcionário da SP Alimentação e Serviços Ltda até 2009, conforme a pesquisa no Sistema DIRF e ficha cadastral completa da Jucesp. Genivaldo declarou também que esses valores nunca lhe pertenceram. Neste aspecto foi exigido pela Intimação Fiscal n° 4 o esclarecimento sobre os valores recebidos da Verdurama em 2008, que ora foi atendido. Conforme o Termo de Declarações, prestado em 08/04/2010 junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, "os valores que formavam o "Caixa 2" eram obtidos da seguinte forma: inicialmente a SP ALIMENTAÇÃO comprava as notas frias de Baltazar Luis de Melo e Maria Aparecida Maia, lançandoas no livro caixa, juntamente com as duplicatas, como se fossem pagamentos normais; em seguida o dinheiro era sacado por meio de cheque ao portador, caso em que, no banco, era escrito no título o nome da SP ALIMENTAÇÃO, que em seguida efetuava o endosso, por meio de Olésio Magno, Osmar Henrique, Antonio Franco, Eloizo Durães e Silvio Marques". Esclareceu também que passou a utilizar as contas bancárias da L&S Comercial e Serviços Ltda, e que por determinação de Eloizo Durães, ele (Genivaldo) movimentava essas contas para receber o dinheiro da SP ALIMENTAÇÃO e da Verdurama, e em seguida efetuou saques que formavam o "Caixa 2". Esses valores eram utilizados também para pagamento de propina a agentes públicos e outras despesas do "Caixa 2". A empresa Verdurama (assim como outras empresas ligadas pertencentes ao Grupo SP Alimentação) transferia vultosas quantias para sua conta corrente pessoal (vide o anexo da Intimação Fiscal n° 4 emitida para Genivaldo Marques dos Santos), que depois eram sacados em dinheiro, geralmente realizadas nos dias subseqüentes. Os valores tinham duas destinações específicas: (i) durante os primeiros dias do mês, os valores eram utilizados para efetuar o pagamento "por fora" de Fl. 4142DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.406 5 salário de colaboradores do alto escalão da Verdurama; (ii) durante o restante do mês, o valor era utilizado primordialmente para pagar "propinas" a políticos e funcionários públicos, destinados a garantir que empresas do Grupo SP Alimentação não apenas se sagrassem vencedoras de certames licitatórios, como também mantivessem os referidos contratos. Confirmamos através do cadastro da Verdurama junto ao Banco Indusval Multistock a informação de que Olésio Magno de Carvalho ocupava o cargo de Superintendente e era procurador (vide anexo 7 de Termo de Verificação), e que Antonio Marques Franco era Gerente Financeiro e Silvio Marques o Tesoureiro, sendo ambos também procuradores. A situação alegada na letra "b", onde consta a informação de que Genivaldo Marques dos Santos não tinha poder de administrar a empresa, não possui fundamento, pois apuramos que esse sócio assinou cheques do Bradesco agência 3394, contacorrente 613738, destinadas ao pagamento das notas fiscais inidôneas, conforme o quadro demonstrativo abaixo. Tinha, portanto, poder de administrar a empresa assinando por ela Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física de 2007 o sócio Vílson do Nascimento informou possuir dívida e ônus junto à Verdurama no valor de R$ 3.840.000,00 em 31/12/2007. Em 31/12/2008 declarou a quantia de R$ 5.610.000,00, e em 31/12/2009 R$ 3.940.000,00. Esclareceu em resposta à intimação que a aquisição da participação no capital social de Verdurama deuse mediante assunção de dívida pelo sócio perante a empresa. Contrariando essas afirmações, na contabilidade da Verdurama desse período há apenas um saldo de contacorrente de sócio a receber no valor de R$ 28.839,22 em 30/05/2008. Efetivamente, não comprovou a aquisição das cotas no valor de R$ 1.800.000,00 de Genivaldo Marques dos Santos, e nem a capacidade financeira para possuir os outros R$ 4.800.000,00 em cotas da sociedade. O exsócio Eloiso Gomes Afonso foi um dos fundadores da Verdurama em 20/07/1994, junto com Valmir Rodrigues dos Santos, sendo que ambos são os atuais sócios das empresas SP Alimentação e Serviços Ltda e Ceazza Distribuidora de Frutas e Legumes Ltda. Alternouse no quadro societário com o seu ex cônjuge Maria de Lourdes Dalazoana, conforme a ficha cadastral completa da Jucesp. Quanto aos demais sócios da empresa (Valmir Rodrigues dos Santos, Edivaldo Leite dos Santos (sobrinho de Valmir), Genivaldo Marques dos Santos, e Leandro dos Santos) podese notar que se tratavam de pessoas humildes que residiam em bairros da periferia (sem capacidade financeira para adquirir as cotas da sociedade), o que pode ser conferido pela pesquisa com as fotos dos locais onde estão domiciliados (conforme o endereço constante no contrato social Fl. 4143DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.407 6 ou cadastro das pessoas físicas), obtidos do sítio do "Google Mapas" Ressaltase ainda que Vílson do Nascimento foi um dos sócios fundadores da SP Alimentação e Serviços Ltda em 05/09/1997. Deixou a sociedade em 30/09/2005, e em seguida ingressou como sócio na Verdurama em 10/10/2005. Após intimado (Intimação Fiscal n° 1), o sócio Leandro Santos apresentou esclarecimentos, por escrito, em 23/04/2012, onde demonstrou que o seu nome fora utilizado indevidamente, e que moveu uma ação judicial para a sua exclusão do quadro societário da empresa. Foi contratado em 24/03/2008 como estagiário, sendo posteriormente promovido a assistente jurídico em abril de 2009, na ocasião em que ingressou no quadro societário. Declarou que: "Esclareço que nunca fui de fato sócio da referida Verdurama, sendo que o Sr. Vílson pediu que eu emprestasse meu nome vez que pela Lei, O Contrato Social não pode ficar mais de 6 meses com apenas um sócio, mas que seria alguns dias, pois já havia a negociação com novo sócio; pela minha subordinação, fui compelido a aceitar o pedido e me colocaram como sócio da empresa" (sic). Diante do acima exposto ficou caracterizada a interposição de pessoas no quadro societário, haja vista que o sócio minoritário Leandro Santos declarou que teve o seu nome usado, ao passo que o sócio majoritário Vílson do Nascimento não demonstrou possuir capacidade financeira para adquirir as cotas atribuídas ao seu nome. Ficou evidente que as empresas SP Alimentação e Serviços Ltda (CNPJ n° 02.293.852/000140), Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda (CNPJ n° 00.567.949/000178), e Gourmaitre Cozinha Industrial e Refeições Ltda (CNPJ n° 00.567.949/000178) fazem parte do mesmo grupo, com estreita ligação entre elas No período fiscalizado de 2007 a 2009 o contribuinte apurou o Imposto de Renda Pessoa Jurídica através do lucro real, ficando portanto sujeito à apuração das contribuições do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo. a) No Dacon do último trimestre de 2008 e no ano inteiro de 2009 a fiscalizada não informou nenhum valor para a base de cálculo do PIS e da COFINS, enquanto que a escrituração apresentou as seguintes receitas tributáveis, extraídas da sua Escrituração Contábil Digital, das contas 310100100001 e 310100100002. Os demonstrativos da apuração da receita bruta, se encontram detalhados em planilhas anexas. Nesse período na DCTF constaram débitos "zerados". Será efetuado o lançamento de ofício para a exigência das contribuições do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo, Fl. 4144DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.408 7 pois a fiscalizada apurou o Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo lucro real e deixou de apurálos na forma devida. b) Glosa de créditos da não cumulatividade do PIS e COFINS, do período de janeiro/2007 a setembro de 2008, por falta da apresentação dos documentos que deram origem aos créditos. No período de outubro/2008 a dezembro de 2009 os valores apresentados no DACON encontramse totalmente "zerados". Foi devidamente intimada (Intimações Fiscais n° 8 e 18) para apresentar a memória de cálculo demonstrando a apuração do PIS e COFINS de todo o período sob fiscalização, assim como apresentar toda a documentação relativa aos créditos a deduzir. Apesar de ter sido novamente intimada (intimações Fiscais n° 19 e 20), não logrou apresentar a memória de cálculo e nem a documentação que deu origem aos créditos. Desta forma, não há como computar crédito da não cumulatividade do PIS e COFINS, sem a devida comprovação através de documentação hábil e idônea, conforme o previsto no art. 3o da Lei n° 10.637/02 e alterações posteriores, e do art. 3o da Lei n° 10.833/03 e alterações posteriores. Como consequência, TODOS os créditos informados serão, portanto, objetos de glosa. Conforme o que foi amplamente detalhado nos itens 6, Da interposição de pessoas no quadro societário e 7 Da formação de grupo econômico, a responsabilidade passiva solidária dos créditos tributários ora constituídos serão atribuídos ao verdadeiro controlador da Verdurama e mentor das infrações praticadas, ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES CPF n° 806.302.86868, também sócio e responsável perante a RFB da empresa SP Alimentação e Serviços Ltda, VÍLSON DO NASCIMENTO CPF 007.004.03892 sócio controlador com 99% das quotas do capital social, e GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS CPF N° 093.310.46855 no período em que foi sócio e assinou pela empresa (01/01/2007 a 13/11/2008), nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN (Lei n° 5.172, de 25/10/1966). Em decorrência das infrações apuradas, foram lavrados os seguintes autos de infração: a) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 1.807/1.808): Total do crédito tributário de R$ 42.394.824,15, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até 12/2012. O fundamento legal foi citado nas fls. 1.810/1.811 e 1.813; b) Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 1.824/1.825): Total do crédito tributário de R$ 9.203.557,23, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até 12/2012. O fundamento legal foi citado nas fls. 1.827/1.829 e 1.831. Em decorrência dos fatos descritos no Termo de Verificação foram lavrados os seguintes Termos de Sujeição Passiva: Fl. 4145DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.409 8 a) Termo de Sujeição Passiva em face de ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES CPF n° 806.302.86868 (fls. 1.799/1.801); b) Termo de Sujeição Passiva em face de VÍLSON DO NASCIMENTO CPF 007.004.03892 (fls. 1.802/1.803); c) Termo de Sujeição Passiva em face de GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS CPF N° 093.310.46855 (fls. 1.804/1.805); O contribuinte e os sujeitos passivos solidários foram cientificados do Termo de Verificação, dos Termos de Sujeição Passiva e dos Autos de Infração por via postal, conforme Avisos de Recebimento de fls. 3.891 (24/12/2012, GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS), 3.893 (27/12/2012, VERDURAMA COMÉRCIO ATACADISTA DE ALIMENTOS LTDA), 3.895 (23/12/2012, VÍLSON DO NASCIMENTO) e 3.897 (22/12/2012, ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES). O Sr. GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS apresentou a impugnação de fls. 3.901/ 3.905 em 18/01/2013, que pode ser assim sintetizada: a) Requer que as notificações e intimações sejam feitas, exclusivamente, em nome de CARLOS VIEIRA COTRIM, OAB/SP 69.218 e enviadas pelo correio para o escritório situado na Rua Vergueiro; b) Ocorre que, apesar do Impugnante constar no quadro societário como "gerente administrador" e, ainda, ter assinado cheques pela empresa VERDURAMA, como apurado na fiscalização, este na realidade nunca atuou como sóciogerente; c) Tais fatos foram claramente esboçados na delação premiada realizada pelo Impugnante perante o Ministério Público, onde o mesmo relatou o "esquema de propinas" e "pagamentos indevidos", perpetrados pela empresa investigada; d) Os atos praticados pelo Impugnante na qualidade de "sóciogerente" da Verdurama, durante o período de 29/03/04 a 22/09/08 não podem ser considerados como "atos de gestão" ou "com excesso de poderes", pois o mesmo apenas conduzia os negócios da empresa como "testa de ferro"; e) O Impugnante é pessoa simples e os lucros indevidos das movimentações relatadas na fiscalização não geraram proveito direto ao seu patrimônio, mas sim, ao patrimônio dos reais responsáveis pelo esquema, nos amplos termos relatados ao Ministério Público Estadual; f) Registrese que a empresa Verdurama não se dissolveu após a saída do Impugnante do seu quadro societário. Nesse passo, aplicável o entendimento de que somente no caso de dissolução irregular, se poderia responsabilizar os sócios; g) Impõese a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em razão da presente impugnação, até o julgamento definitivo do procedimento fiscal; h) Protestase, provar o alegado por todos os meios admitidos em direito Fl. 4146DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.410 9 ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES apresentou impugnação de fls. 3.922/3.936 em 22/01/2013, na qual alega: a) O Sr. Delegado da Receita Federal, que deveria ter assinado o auto de infração não o fez; tampouco autorizou seus subordinados (o chefe de equipe de fiscalização e o chefe de fiscalização) e muito menos autorizou o Sr. Fiscal, deixando, assim, de observar todos os pressupostos legais contidos no artigo 11 do Decreto 70235, pelo que, É NULO O LANÇAMENTO; b) Não tendo sido o auto de infração assinado pelo chefe do órgão expedidor ou por outro servidor autorizado, o Sr. Fiscal é incompetente para assinálo, motivo pelo qual impõese a nulidade do auto de infração conforme estabelece o artigo 59 do decreto 70.235; c) O Auto de Infração é passível de nulidade, eis que o Termo de Verificação Fiscal menciona diversos apensos NÃO RECEPCIONADOS pelo Defendente; d) Sem a consulta dos documentos, o Defendente está incapacitado de elaborar com perfeição sua defesa sendo visível o cerceamento de defesa ora praticado pelo Fisco; e) Houve ofensa aos princípios da legalidade, segurança jurídica, do contraditório e da oficialidade; f) Requer seja entregue cópia dos documentos que instruíram o presente processo ou seja disponibilizada vista dos autos à Defendente com consequente devolução de prazo a fim de elaborar e apresentar sua Defesa com perfeição sob pena de Cerceamento de Defesa; g) Reitera que o Sr. Eloizo retirouse da sociedade Verdurama em março de 2004 e não podendo ser penalizado mais de cinco anos após deixar a sociedade, com a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária eis que não gerencia a Verdurama desde sua saída do quadro societário; h) O fato do Sr. Eloizo continuar como pessoa autorizada a movimentar as contas bancária da Verdurama e o fato de manter conta de mútuo com pessoas ligadas na Verdurama em 30/06/2009, não significa que continua gerindo a empresa. Efetivamente, o presente Termo de Sujeição Passiva Solidária foi embasada em indícios e presunção que deve ser afastada em nome da Justiça; i) A responsabilidade solidária está descrita no artigo 124, do Código Tributário Nacional e através de sua leitura é evidente não existir qualquer compatibilidade com a sujeição passiva solidária atribuída ao Defendente, eis que NÃO É sócio administrador do sujeito passivo e não se enquadra em nenhum dos incisos existentes na referida norma; j) Resta claro que só existe solidariedade nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte VERDURAMA, o que não vem ao caso, já que o sujeito passivo é empresa constituída e o sócio compareceu para atender o procedimento fiscal; k) Importante atentarse para o previsto no parágrafo único, do artigo 134, do Código Tributário Nacional, que prevê somente a aplicação das penalidades moratórias, o que Fl. 4147DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.411 10 significa dizer que o responsável tributário somente seria atingido pelo atraso no pagamento do tributo e não pelas penalidades decorrentes da infração efetivamente praticada pelo contribuinte, ressalvada a hipótese de existência de dolo do responsável tributário, que não foi o que ocorreu no caso em tela; l) Não se aplica ainda o disposto no inciso III, do artigo 135 do CTN, eis que o Sr. Eloizo não é diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica de direito privado (Verdurama); não há como comprovar excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto pois NÃO É SÓCIO ADMINISTRADOR DA VERDURAMA DESDE 29/03/2004; m) Requer à Vossa Senhoria, acolha a preliminar aduzida, determinando a nulidade do procedimento fiscal; ou caso assim não entenda, entrega dos documentos (apensos)que acompanham auto de infração ou a disponibilização dos autos para vistas e assim devolver prazo para apresentar defesa sob pena de cerceamento de defesa; n) Protesta provar a veracidade do alegado por todos os meios de prova em direito admitidos; o) Requer, se digne Vossa Senhoria conhecer a presente Defesa e julgála totalmente procedente, declarando insubsistente o Termo de Sujeição Passiva Solidária. O Sr. VÍLSON DO NASCIMENTO apresentou a impugnação de fls. 3.944/ 3.954 em 29/01/2013, em que alega a nulidade do auto de infração e do Termo de Sujeição Passiva e requer a redução das penalidades aplicadas e a produção de todas as provas em direito admitidas. A empresa VERDURAMA COMÉRCIO ATACADISTA DE ALIMENTOS LTDA manifestou seu inconformismo contra o lançamento de ofício por intermédio da impugnação de fls. 3.956/3.963, protocolizada em 29/01/2013, na qual entende ser nulo o auto de infração e o Termo de Sujeição Passiva, requer a redução das penalidades aplicadas e produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ/SP1 indeferiu a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A receita apurada junto à escrituração contábil da empresa que deixar de ser oferecida à tributação deve ser objeto de lançamento de ofício. GLOSA DE CRÉDITOS. Os créditos nãocumulativos utilizados pelo contribuinte na apuração do tributo devido que não forem comprovados devem ser glosados pela fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Fl. 4148DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.412 11 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A receita apurada junto à escrituração contábil da empresa que deixar de ser oferecida à tributação deve ser objeto de lançamento de ofício. GLOSA DE CRÉDITOS. Os créditos nãocumulativos utilizados pelo contribuinte na apuração do tributo devido que não forem comprovados devem ser glosados pela fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. As impugnações apresentadas em desacordo com o prazo legal estabelecido pelas normas de regência não devem ser conhecidas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Deve ser mantido o Termo de Sujeição Passiva lavrado pela fiscalização quando ficar demonstrada a responsabilidade solidária do recorrente. O acórdão recorrido também decidiu: 1) Deixar de conhecer as impugnações apresentadas por VERDURAMA COMÉRCIO ATACADISTA DE ALIMENTOS LTDA e VÍLSON DO NASCIMENTO CPF nº 007.004.03892, por serem intempestivas; 2) Considerar improcedentes as impugnações apresentadas por ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES CPF n° 806.302.86868 e GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS CPF n° 093.310.46855. ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES CPF n° 806.302.86868 e GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS CPF n° 093.310.46855, apresentaram recurso voluntário, em que repetem os argumentos das respectivas impugnações. É o relatório. Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.413 12 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Preliminarmente, cumpre informar que o responsável solidário GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS foi cientificado do acórdão da DRJ em 12/01/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 4.029 e apresentou recurso voluntário em 18/02/2014. Portanto o recurso voluntário é intempestivo e não será conhecido. O responsável solidário ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES apresentou recurso voluntário tempestivo. A empresa autuada apurou o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica por meio do lucro real, nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, sujeitandose assim ao regime não cumulativo, para fins de tributação do PIS e da COFINS neste período. Ao analisar as DCTF apresentadas pelo contribuinte, referentes aos períodos de apuração de 10/2008 a 12/2009, fls. 3.979/3.993, observouse que nada foi declarado como débito de PIS e de COFINS. Na escrituração contábil digital do contribuinte, mais precisamente nas contas 310100100001 e 310100100002 fica demonstrado que a empresa autuada auferiu relevantes receitas mensais. A título de exemplo, nos meses de Outubro/2008 e Novembro/2008, auferiu R$ 12.989.367,05 e R$ 12.321.405,03, respectivamente. Não há nenhum documento que indique que a receita bruta apurada na Escrituração Contábil Digital do contribuinte contenha erros. Assim, está correto o procedimento fiscal que apurou PIS e COFINS decorrentes do faturamento indicado na escrituração contábil da empresa. Por intermédio da Intimação Fiscal nº 18 (fl. 264), cientificada ao contribuinte em 21/05/2012 (fl. 265), a empresa autuada foi instada a comprovar os créditos nãocumulativos de PIS e de COFINS apurados nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, entretanto, o interessado não comprovou os créditos nãocumulativos de PIS e de COFINS. Em consequência foram glosados os seguintes créditos relevantes de PIS e de COFINS nãocumulativos. A título de exemplo, nos meses de Agosto/2008, computou créditos de PIS de R$ 176.565,96 e de R$ 813.273,61 para a Cofins. Já em Setembro/2008 computou R$ 239.987,53 para o PIS e R$ 1.105.397,11 para a Cofins. Da mesma forma, não se identificam documentos capazes de demonstrar a idoneidade destes créditos, assim, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. A fiscalização aplicou a penalidade equivalente a 112,5 % do tributo devido, com fundamento no artigo 44, I e § 2º, da Lei nº 9.430/1996, por falta de atendimento no prazo devido das intimações. Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.414 13 Como bem dito no acórdão recorrido, encontramse nas fls. 6 a 297 cerca de 26 intimações para esclarecimentos, apresentação de documentos e arquivos que deixaram de ser atendidas ou foram cumpridas a destempo pelo contribuinte, fato que se subsume ao disposto no artigo 44, I e § 2º, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (....) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Feito esse preâmbulo sobre o auto de infração, passo à análise do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário: O responsável solidário ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES apresentou recurso voluntário tempestivo, onde, apesar de isso não estar claro no texto do recurso, aparentemente o recorrente queria atacar o mérito da autuação e também atacar a responsabilidade solidária. Portanto analisarei todos as matérias apresentadas. Preliminarmente, o responsável solidário ataca aspectos formais do lançamento, questionando o fato de o Delegado da Receita Federal do Brasil não ter assinado os autos de infração em tela. O responsável solidário alega também cerceamento ao direito de defesa, pois diversos apensos citados no Termo de Verificação Fiscal não teriam lhe sido entregues. Não assiste razão ao recorrente. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972 Em relação aos apensos do auto de infração, como bem dito no acórdão recorrido, caso o responsável solidário entendesse que os apensos citados no Termo de Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.415 14 Verificação seriam importantes para a formulação de sua defesa, ele deveria ter se dirigido a qualquer unidade da RFB, com o intuito de obter cópias destes documentos, tendo em vista que os autos são digitais. De nenhuma maneira seria concebível que estes apensos fossem encaminhados por via postal pois as peças processuais enviadas ao contribuinte são mais do que suficientes para a formulação da defesa. O Sr. Eloizo contesta o Termo de Sujeição Passiva, que teria sido lavrado com base em indícios e presunções. Afirma que teria se retirado da sociedade em março de 2004 e a autorização para a movimentação da conta bancária da Verdurama não significaria de forma alguma o exercício da gerência desta empresa. A fiscalização entendeu “que o verdadeiro controlador e gestor da Verdurama é o Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães”. Entendeu também que “Mesmo não constando mais no quadro societário da Verdurama, Eloizo Gomes Afonso Durães continuou gerenciando, de fato, a Verdurama”. Para corroborar este entendimento a fiscalização fez remissão à denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, em face do Sr. Eloizo, entre outros, que se encontra no anexo 6 do Termo de Verificação (fls. 565/644). Este trabalho, elaborado pelo Grupo Especial de Repressão aos Delitos Econômicos, teve como fulcro demonstrar que o impugnante associouse a outras pessoas “com a finalidade de exercer domínio do mercado no fornecimento de merenda às escolas públicas municipais, mediante ajustes e acordos, que visavam controlar os vencedores dos certames e permitir um rodízio entre as empresas cartelizadas”. Especificamente quanto à ligação existente entre o Sr. Eloizo e a empresa Verdurama, o Ministério Público relatou os seguintes fatos, transcritos no Termo de Sujeição Passiva: (...) d) em 30/11/2007. Eloíso Gomes Afonso Durâes foi avalista de "cédula de crédito bancário" em contrato entre a "Verdurama" e o Banco do Brasil (fls. 53 PIC 13/09);(..) f) em 8/1/2008. Eloíso figurou como garantidor de mútuo feito pela "Verdurama" junto ao Bic Banco (fls. 38/41 PIC 13/09);(...) g) em março de 2007. Eloíso figurou como fiador de financiamento feito pela "Verdurama" junto ao Banco do Brasil (fls. 42/48 PIC 13/09); h) em 24/10/2008. ELOISO foi surpreendido tendo no portamalas do veículo BMW, de placas FRA 5460 (SP), registrado em nome da "Verdurama", uma bolsa contendo RS 150 mil em espécie (fls. 3410 PIC 7/08). As notas estavam dentro de um envelope com os dizeres: "De merenda Londrina para Rose Diretoria"; Os fatos acima narrados demonstram a relação mantida entre o Sr. Eloizo e a empresa Verdurama, mesmo após sua retirada dos quadros societários desta empresa. Afinal Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.416 15 qual interesse teria uma pessoa física em assumir a responsabilidade pelo pagamento de dívidas contraídas por uma empresa estranha. Outro fato que demonstra esta ligação e ressalta a influência do Sr. Eloizo na empresa Verdurama, é a posse de um automóvel de luxo de propriedade da Verdurama. A administração da empresa Verdurama pelo Sr. Eloizo ficou evidenciada também pela existência de autorização expressa para que ele pudesse movimentar contas bancárias da Verdurama, conforme destacado pela fiscalização (fl. 302): Ressaltase que apesar de não ser mais sócio da Verdurama, Eloizo Gomes Afonso Durães ainda figurou no cadastro dos bancos Daycoval, Pine e Safra como habilitado para assinar pela empresa. Por fim, o próprio sócio da empresa Verdurama Genivaldo Marques dos Santos, em depoimento prestado à Polícia Civil de São Paulo em 26/04/2011, ratificou a atividade gerencial exercida pelo responsável solidário: (...) afirma o declarante que quem gerenciava a Verdurama era Eloizo Durões, sócio majoritário da SP Alimentação. Por todos estes fatos entendo ser correto o procedimento fiscal que resultou na lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado em face do recorrente, nos termos do artigo 135, III, do CTN, assim fundamentado pela fiscalização: Mesmo não constando mais no quadro societário da Verdurama, Eloizo Gomes Afonso Durães continuou gerenciando, de fato, a Verdurama, o que configurou infração ao contrato social ou estatuto. O recorrente entende que deve cumprir a obrigação tributária somente no caso de o contribuinte não ser capaz de honrála, entretanto, este benefício de ordem não existe quando se trata do instituto da responsabilidade solidária, sendo reservado à responsabilidade subsidiária. Em relação ao requerimento para a produção de todas as provas em direito admitidas, cabe ressaltar que as provas admitidas no processo administrativo fiscal são a diligência, perícia e prova documental. Não há razão para aceitar a solicitação para a realização de diligência, se as provas necessárias para a autuação e para a defesa já estão nos autos. Portanto, entendo que não assiste razão ao recorrente responsável solidário. Como dito, o responsável solidário GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS foi cientificado do acórdão da DRJ em 12/01/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 4029 e apresentou recurso voluntário em 18/02/2014. Portanto o recurso voluntário é intempestivo. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES e voto por não conhecer do recurso voluntário do responsável solidário GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS por ter apresentado recurso voluntário intempestivo. Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 19515.722140/201211 Acórdão n.º 3301002.968 S3C3T1 Fl. 1.417 16 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 13971.000923/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008
AUXÍLIO EDUCAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária.
COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE FORNECIDO AOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA E SUJEIÇÃO PASSIVA.
Fornecimento de plano de saúde aos empregados representam a não incidência das contribuições previdenciárias. As cooperativas de prestação de serviços médicos não são os sujeitos passivos da regra matriz de imposição tributária obtida do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, pois não podem ser qualificadas como cooperativas de trabalho.
ALUGUÉIS. SALÁRIO IN NATURA. HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. Precedentes do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Numero da decisão: 2803-002.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reformando o julgamento anterior e o lançamento no sentido de: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos Levantamentos: BOL Auxílio Instrução Superior e UNI Cooperativa Unimed, por insubsistência; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior quanto ao levantamento: UNI Cooperativa Unimed, e Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto ao levantamento: UNI Cooperativa Unimed e à multa.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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NATUREZA INDENIZATÓRIA. O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE FORNECIDO AOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA E SUJEIÇÃO PASSIVA. Fornecimento de plano de saúde aos empregados representam a não incidência das contribuições previdenciárias. As cooperativas de prestação de serviços médicos não são os sujeitos passivos da regra matriz de imposição tributária obtida do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, pois não podem ser qualificadas como cooperativas de trabalho. ALUGUÉIS. SALÁRIO IN NATURA. HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. Precedentes do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reformando o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 09 23 /2 00 9- 72 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 julgamento anterior e o lançamento no sentido de: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos Levantamentos: BOL Auxílio Instrução Superior e UNI Cooperativa Unimed, por insubsistência; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior quanto ao levantamento: UNI Cooperativa Unimed, e Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto ao levantamento: UNI Cooperativa Unimed e à multa. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de Recurso Voluntário que manteve o Auto de Infração de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.204.6533, de que o sujeito passivo em 20/03/2009 (fls. 02). Conforme o relatório fiscal, fls. 50/51, os créditos tributários referem se à contribuições devidas à Seguridade Social correspondente à parte patronal sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada, bem como ao SAT. O período do lançamento do crédito: 03/2004 até 10/2008. Cita se parte do relatório: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3.1 Levantamento “BOL Auxílio Instrução Superior” remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados como bolsa de estudo de nível superior (relação nominal anexa), contabilizado na rubrica “Auxílio Instrução” no período de 03/2004 a 10/2008. Tais valores foram extraídos dos livros Diário/Razão, que não foram considerados na base de cálculo nesse período nem declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social). A legislação diz: “que os gastos relativos a educação superior (graduação e pós graduação) de que trata o Capítulo IV, Lei n° 9.394, de 1996, integram o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a “qualquer título”, conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991” (Ver também Cap. III da Lei 11.741/2008). 3.2 Levantamento “UNI Cooperativa Unimed” valores contabilizados no período 03/2004 a 10/2008 como pagamento à cooperativa médica para benefício dos segurados e não declarados em GFIP. (Lei 8.212/91 art. 12, 1, V; 15; 21; 22; 28; 30 e 31). Fl. 401DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 3.3 Levantamento “ALU Aluguel e Condomínio” valores contabilizados no período 04/2007 a 10/2008 como pagamento de aluguel e condomínio de apto no Ed. Spazzio da Vinci para benefício do segurado Christian Henrique Luef, cujo montante não foi considerado como base de cálculo nesse período nem declarados em GFIP (relação anexa). Considerado salários indiretos, conforme lei 8.212/91 art. 28, inc. I. O lançamento foi apurado com base nos documentos fornecidos pela contribuinte. O Recurso Voluntário alega ser improcedente o lançamento em razão dos seguintes motivos, resumidamente: nulidade do auto de infração por vício formal, por comporem no relatório “Fundamentos Legais do Débito” dispositivos não aplicáveis à lavratura, criando prejuízos de compreensão do ato; inconstitucionalidade da contribuição de 15% sobre valores pagos à cooperativas de saúde, em face dos princípios da competência legal, bem como a não ocorrência do fato gerador, pois o custeio dos serviços prestados pela ooperativa é integralmente descontada em folha de seus funcionários; que os valores referentes a auxílio instrução superior e ressarcimento de despesas com aluguel e condomínio não têm natureza remuneratória; que o lançamento de diferença de 2% de SAT/GILSAT não poderia ser aplicável pois desconsiderou se os funcionários administrativos que estão sob risco leve; abusividade das multas e vedação ao confisco, e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Quanto à preliminar de nulidade da lavratura, por falta de clareza do Relatório “Fundamentos Legais do Débito”, causado em razão de ter algo como um “exagero” de indicações de dispositivos legais, o que aferia a clareza da motivação do ato de lançamento, entendo que não há vício formal, em face dos artigos 33 a 37, ou 9º do Dec. 70235, ou do art. 142, do CTN, ou art. 37 da CF/1988. Isso porque, o vício efetivamente ocorreria caso houvesse ausência de indicações dos dispositivos legais que deram base ao ato de lançamento, dificultando a defesa. Acrescenta se, considerando que a motivação do ato administrativo encontra se justamente na demonstração do fenômeno da subsunção da norma, em que a autoridade explicita claramente, não somente os dispositivos legais, mas toda a formação fática e jurídica da norma individual e concreta. No caso, isso é plenamente demonstrado no Relatório Fiscal, tanto que permitiu a plena defesa e contraditório por parte da Recorrente, não havendo vícios causadores de prejuízos, como prescreve o art. 59, do Dec. 70235. Portanto, não acolhe se as preliminares de cerceamento de defesa e nulidade por vício formal do auto de infração. III – Quanto aos créditos tributários constituídos com base no levantamento de valores pagos pela recorrente aos seus empregados a título de auxílio instrução superior, o lançamento simplesmente aplicou a norma de incidência tributária por entender que não se trata de curso de capacitação ou aprimoramento profissional, em sua interpretação do art. 28, §9º, t, da Lei n. 8.212/1991. Em momento algum descaracterizou a finalidade de tais valores. Esta turma especial, bem como o CARF/MF, com base de reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, entende que a natureza desse tipo de auxílio pago pelas empresas aos seus empregados, que possibilite que os mesmos possam cursar o ensino superior é claro em entender que o disposto da norma extraída do art. 28, §9º, t, aplica se excluindo se a incidência da norma de exação. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Vai se além, o acima entendimento é de que não se trata sequer de verba remuneratória (pagamento pelo trabalho), mas verba indenizatória, ou investimento propriamente dito, pois é um pagamento para melhoria da execução dos trabalhos prestados (pagamento para o trabalho). E qualquer curso superior, mesmo que aparentemente não vinculado à atividade fim da empresa, representa em claro aumento de produtividade do trabalhador e de suas funções cognitivas. Ora, tais verbas estão fora do conceito de remuneração dos arts. 22, I e 28, I, da Lei n. 8.212/1991, logo, entendo que não se trata de aplicação da norma isentiva, mas sim de um caso de não incidência. Como já alertado, o entendimento é o mesmo do Superior Tribunal de Justiça de forma pacífica, a ponto da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no o art. 2º, inciso I, da Portaria n. 294/2010, declara que deixará de recorrer das decisões desfavoráveis na matéria, conforme o item 35 e informa as bases de tal decisão: Contribuição Previdenciária. Valores despendidos a título de bolsa de estudo dos empregados. Não incidência. Os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não podem ser considerados como salário 'in natura', pois não retribuem o trabalho efetivo, não integrando a remuneração. Trata se de investimento da empresa na qualificação de seus empregados. Assim, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes: RESP 479056/SC, RESP 1079978/PR, RESP 916208/ES, RESP 729901/MG, RESP 784887/SC, RESP 1079978/PR, RESP 676627/PR. Como esse é o único motivo que fundamenta esse tipo de lançamento, e o mesmo é inválido, o ato de constituição torna se insubsistente. Assim, entendo que os créditos tributários com base no Levantamento “BOL – Auxílio Instrução Superior” deve ser cancelado e excluídos do lançamento. IV – Quanto aos créditos lançados com base na contribuição de 15% sobre valores pagos a cooperativas, venho a modificar meu entendimento, especialmente após as atuais discussões inauguradas nesta Turma Especial, em especialmente conduzidas pelo Cons. Amílcar Teixeira. No caso presente, reforça o meu entendimento em razão de que a Recorrente comprova nos autos de que os reais beneficiários e tomadores dos serviços da Cooperativa de Serviço Médico (Unimed)são os empregados e diretores, bem com são deles integralmente os custos com tal prestação de serviço, como se verifica mediante comparação do boleto/fatura e os recibos de pagamento de vencimentos dos empregados. Ou seja, a empresa além de não se beneficiar de tais serviços, ela também não é a real contratante, mas seus empregados. Peço vênia e paciência aos demais conselheiros e contribuintes para transcrever o voto vista do Cons. Amílcar Teixeira, proferido e lido no dia 21.11.2013, nos autos do processo n. 10660.721971/201138, mas que ainda está em apreciação desta turma na sessão de janeiro de 2014: Solicitei vistas destes autos objetivando realizar um estudo mais aprofundado sobre a matéria, tendo em conta que o assunto, desde a sua implementação pela Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, vem sendo motivo de calorosos debates entre o Fisco Federal, tomadores de serviços das cooperativas de trabalho e também das próprias cooperativas do referido ramo. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 5 7 Os debates referidos no parágrafo anterior ocorreram e ocorrem tanto no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, como também no âmbito do contencioso judicial. A propósito, a discussão sobre a obrigatoriedade de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, já chegou ao Supremo Tribunal Federal – STF, e é objeto de ADIN, bem como de Repercussão Geral, estando as duas situações ainda pendentes de julgamento. Em seu recurso, o contribuinte demonstra indignação em face do resultado obtido no julgamento de sua impugnação. De acordo com o relatório elaborado pelo relator originário, o Conselheiro Oseas Coimbra Júnior, “trata se de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. O DEBCAD 37.286.2454 se refere às contribuições de 15% da empresa sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços por cooperativas, no período de 05/2006 a 12/2010, compreendendo os levantamentos CT, CT1 e CT2”. Como se pode observar, a autoridade lançadora realizou seu trabalho sem qualquer investigação sobre o fenômeno da prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, e sequer cogitou de a prestação de serviços ter sido realizada em atividade exclusiva de assistência à saúde, situação que mereceu especial atenção do próprio legislador ao elaborar a lei que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e que instituiu o Plano de Custeio, ou seja, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Do mesmo modo, entendeu o ilustre relator quando afirma em seu voto que “demonstrada a contratação com cooperativa de trabalho, para a prestação de serviços prestados por cooperados, devida a contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91”. Nota se, pois, que a exemplo da autoridade lançadora, o relator Oseas Coimbra Júnior também dispensou qualquer analise mais acurada dos fatos e entendeu pela manutenção do lançamento, aplicando diretamente a regra do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. No ponto, alerto mais uma vez, que a prestação de serviços em questão diz respeito exclusivamente à assistência à saúde, matéria que, como já mencionado, mereceu especial atenção do legislador. Mais adiante, cuidaremos da explicitação a respeito da tal atenção especial do legislador quando o assunto versar sobre assistência à saúde. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Seguindo em frente, com a manutenção do lançamento pelo acórdão recorrido, o contribuinte alega, dentre vários argumentos, o seguinte: A Recorrente é simplesmente mandatária dos seus associados, não contratando diretamente os serviços da cooperativa de médicos, mas, sim, viabilizando a contratação dos serviços, diretamente por cada um dos seus associados, consumidores finais, e, portanto, tomadores daqueles serviços. A contribuição previdenciária de que se trata é legal sob a justificativa de que sua incidência se reporta ao rendimento pago à pessoa física que se insere numa cooperativa, mas presta serviço diretamente à empresa, a Recorrente não pode ser contribuinte da exação, pois, quem se beneficia do serviço prestado é a pessoa física associada à entidade, sendo aquela pessoa física que efetivamente paga a contraprestação financeira ao cooperado. Inexiste relação jurídico tributária entre a Recorrente e a União Federal. (grifou se e destacou se) Os argumentos do contribuinte, com se vê, estão em perfeita sintonia com a vontade do legislador, conforme se pode inferir de parte da exposição de motivos da Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Proposta Propõe se que a contribuição previdenciária a cargo à empresa, quando da contratação de contribuintes individuais, mesmo que por intermédio de cooperativas de trabalho, seja a mesma que aquela existente quando da contratação de segurados empregados. Note se que, no caso de autônomos com baixo valor de remuneração sujeita a contribuição, esta medida significa uma redução da carga global de contribuição (a redução da parcela do contribuinte individual mais do que compensa o aumento da parcela a cargo da empresa), estimulando a filiação do contribuinte à Previdência Social. Com isso, haverá a equalização do custo previdenciário da mão de obra para as empresas no que se refere à contratação dos contribuintes individuais e empregados, eliminando se o atual viés favorável à redução de empregos formais, exercido pela estrutura de alíquotas previdenciárias em vigor. Na proposta está prevista a majoração da alíquota patronal quando da contratação de contribuintes individuais, concomitantemente à instituição de mecanismo de compensação na contribuição do segurado. Este poderá deduzir de sua contribuição até 9 pontos percentuais da alíquota que incide sobre o seu salário de contribuição, de forma a neutralizar a elevação da contribuição da empresa. O referido mecanismo de compensação também inibe fraudes no sistema, pois o contribuinte individual torna se fiscal das contribuições da empresa, devido à necessidade de comprová las para obter a redução em sua própria contribuição. Além disso, há o incentivo à formalização do vínculo entre contribuinte individual e empresa, porque a prestação de serviços a empresas Fl. 406DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 6 9 implica redução da carga contributiva para o contribuinte individual. No caso da intermediação das cooperativas de trabalho, a atual sistemática de contribuição, em que cabe à cooperativa a contribuição patronal de quinze por cento sobre os valores distribuídos aos cooperados, tem se revelado frágil diante dos diferentes artifícios legais criados para evadir a contribuição previdenciária, tais como: a inclusão de pessoas jurídicas na condição de cooperadas ao lado de pessoas físicas, a criação de uma série de fundos estatutários como forma de diminuir a distribuição da retribuição pelos serviços prestados, o reinvestimento dessa retribuição e outras. Proposta Propõe se estabelecer que a contribuição da empresa contratante dos serviços por intermédio de cooperativas de trabalho incida sobre o valor bruto da nota fiscal', ou fatura, cuja base de cálculo é de imediato conhecida. Trata se de uma sistemática de fácil operacionalização e que propiciará um controle efetivo sobre a contribuição desse segmento. A medida proposta encontra similitude naquela já adotada para outros segmentos econômicos, a exemplo do que ocorre com os clubes de futebol profissional, cuja contribuição incide sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. O percentual proposto de quinze por cento decorre do fato de que o valor pago pelo tomador de serviços do cooperado, contratado mediante a interposição de cooperativa de trabalho, não é totalmente distribuído a ele. Parte do pagamento é destinada a despesas administrativas, tributárias e constituição de fundos de reserva. Assim, o valor distribuído ao cooperado corresponde ao valor bruto da nota fiscal ou fatura, deduzidas as parcelas antes referidas, diferentemente do que ocorre quando a empresa contrata um contribuinte individual que não é cooperado, onde a remuneração não sofre qualquer abatimento. Neste último caso, a contribuição pretendida é de vinte por cento sobre a totalidade da remuneração. Logo, o percentual proposto, quando há a intermediação da cooperativa de trabalho, a incidir sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, deve ser tal que produza a mesma contribuição que o percentual de vinte por cento sobre a parcela destinada ao cooperado, em igualdade de condições a um contribuinte individual que não é cooperado. Partindo deste pressuposto, e analisando diversas planilhas de custos e distribuição de remunerações a cooperados em diferentes cooperativas, de segmentos variados, verifica se que, em média, os valores correspondentes a despesas administrativas, tributárias e fundos de reservas correspondem a vinte e cinco por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de Fl. 407DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 prestação de serviços, destinando se, o restante – setenta e cinco por cento – à retribuição do cooperado. Assim, buscando a isonomia de tratamento entre as diferentes formas de contratação, o percentual a incidir sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços é aquele correspondente a vinte por cento sobre os setenta e cinco por cento distribuídos ao cooperado, o que resulta em um percentual de quinze por cento, conforme proposto. Em outras palavras, é um percentual que mantém constante a contribuição previdenciária, independentemente de a empresa contratar um cooperado ou outro contribuinte individual. Não cabe aqui o argumento de que se estaria instituindo uma nova modalidade de custeio, diferente daquelas autorizadas pelo art. 195 da Constituição, para o que seria necessária a edição de Lei complementar. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado – contribuinte individual – e não a cooperativa. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviço a terceiros, senão aos próprios cooperados. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. O terceiro que contrata a cooperativa é, na verdade, tomador dos serviços do cooperado, em igualdade de condições com aquele que contrata qualquer outro contribuinte individual. Um trabalhador, seja ele empregado ou contribuinte individual, seja diretamente ou por intermédio de cooperativa de trabalho, de tal forma a, mais uma vez, resguardar se o caráter de neutralidade da Previdência Social diante das diversas formas e possibilidades de contratação de mão de obra. (grifou se e destacou se)” Da leitura dos argumentos apresentados pelo contribuinte, em confronto com a vontade do legislador, nomeadamente nos pontos em destaque, é possível concluir que a norma impositiva (Inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91) diz respeito somente à situação em que a empresa se beneficia de forma direta dos serviços que lhes são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, o que definitivamente não é o caso dos autos. Neste contexto, numa clara evolução do julgador administrativo, considerando a similitude das situações, os membros da 1 ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, na sessão de 20 de janeiro de 2012, no julgamento do Processo 11444.000189/200984, Acórdão nº 240102.243, assim decidiram por unanimidade de votos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. CUSTO Fl. 408DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 7 11 RATEADO ENTRE BENEFICIÁRIOS E EMPREGADOR. EMISSÃO DE FATURA EM NOME DE SINDICATO REPRESENTATIVO DA CATEGORIA DOS BENEFICIÁRIOS PARA REPASSE DOS VALORES DESCONTADOS DOS MESMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A contribuição incidente sobre as faturas emitidas por serviços prestados para empresa por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico não incidem sobre a parcela a cargo dos empregados, quando constante de fatura emitida a parte, mesmo que o valor seja faturado em nome do Sindicato representativo da categoria dos beneficiários, quando este apenas repassa o valor descontado dos seus filiados para custeio do convênio saúde. (grifou se e negritou se) Ao tratar especificamente do fato gerador e a sua previsão legal, o Relator Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo teve o seguinte posicionamento: “Assim dispõe o art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991: Art 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV – quinze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestado por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Da norma acima, pode se extrair que o fato gerador da contribuição em questão é a prestação de serviços à empresa pelos cooperados, os quais tenham sido intermediados por cooperativa de trabalho. Assim, somente configura se a hipótese de incidência se: A destinatária da prestação de serviços for a empresa; Os serviços forem prestados por pessoa física; e A contratação tenha se dado por intermédio de cooperativa de trabalho (...) De acordo com a norma inserta no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, dos requisitos a justificar a exação é a prestação de serviço ao sujeito passivo, o que não se verifica para o Sindicato, uma vez que os serviços não foram prestados aos funcionários do mesmo. O que ocorreu foi a disponibilização dos serviços médicos a filiados de sua base, porém, o custeio da parcela que foi faturada em nome da entidade sindical foi o valor integral descontado dos trabalhadores. Não se vê na espécie o Sindicato custeando qualquer parcela pelos serviços executados, mas apenas figurando como Fl. 409DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 intermediário no repasse da quantia de responsabilidade dos beneficiários, seus filiados. Situação diversa ocorreria se o Sindicato estivesse suportando todo o ônus do contrato, ou mesmo se as faturas tivessem sido integramente emitidas em seu nome, Verifica se, no caso em tela, que deve ser aplicada a norma do art. 293 da Instrução Normativa – IN nº 03/2005 (vigente no período do lançamento), a qual prevê que, nos contratos de plano de saúde coletivo, havendo uma fatura correspondente à parte do empregador no custeio do plano e outra vinculada ao encargo dos beneficiários, apenas deve incidir contribuição sobre o valor faturado contra a empresa, verbis: Art. 293. Na celebração de contrato coletivo de plano de saúde da cooperativa médica ou odontológica com empresa, em que o pagamento do valor seja rateado entre a contratante e seus beneficiários, deverão ser consideradas, para efeito da apuração da base de cálculo da contribuição, nos termos dos arts. 291 e 292, as faturas emitidas contra a empresa. Parágrafo único. Caso sejam emitidas faturas específicas contra a empresa e faturas individuais contra os beneficiários do plano de saúde, cada qual se responsabilizando pelo pagamento da respectiva fatura, somente as faturas emitidas contra a empresa serão consideradas para efeito de contribuição. A situação que ora se analisa pode ser equiparada à hipótese tratada na norma acima, uma vez que o valor da fatura destinada ao Sindicato é exatamente o montante descontado dos beneficiários do plano de saúde. Nesse sentido, sou forçado a admitir que, na espécie, somente caberia tributação sobre o valor arcado pela SANTA CRUZ, sendo improcedentes as contribuições lançadas contra o Sindicato da categoria profissional a que pertencem os beneficiários da prestação de serviços médicos realizada pela UNIMED DE OURINHOS. (grifou se e negritou se) A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. De qualquer modo, o que se deve observar, em casos como o em discussão, é a verdade material, assunto que será tratado adiante. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a organização e o funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho – PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, in verbis: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 8 13 Art. 1º. A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde complementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, quando entrou em vigor a Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde, in verbis: Art.1o Submetem se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotando se, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) I Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) II Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) III Carteira: o conjunto de contratos de cobertura de custos assistenciais ou de serviços de assistência à saúde em qualquer das modalidades de que tratam o inciso I e o §1o deste artigo, com todos os direitos e obrigações nele contidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §1o Está sub ordinada às normas e à fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS qualquer modalidade de produto, serviço e contrato que apresente, além da garantia de cobertura financeira de riscos de assistência médica, hospitalar e odontológica, outras características que o diferencie de atividade exclusivamente financeira, tais como: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) a)custeio de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) b) oferecimento de rede credenciada ou referenciada; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) c)reembolso de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) d)mecanismos de regulação; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) e) qualquer restrição contratual, técnica ou operacional para a cobertura de procedimentos solicitados por prestador escolhido pelo consumidor; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) f) vinculação de cobertura financeira à aplicação de conceitos ou critérios médico assistenciais. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 9 15 §2o Incluem se na abrangência desta Lei as cooperativas que operem os produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo, bem assim as entidades ou empresas que mantêm sistemas de assistência à saúde, pela modalidade de autogestão ou de administração. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §3o As pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior podem constituir ou participar do capital, ou do aumento do capital, de pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob as leis brasileiras para operar planos privados de assistência à saúde. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §4o É vedada às pessoas físicas a operação dos produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 5o É vedada às pessoas físicas a operação de plano ou seguro privado de assistência à saúde. Com efeito, não há qualquer sombra de dúvida a respeito da natureza jurídica das cooperativas que atuam na área da saúde suplementar, ou seja, tais cooperativas há muito tempo já não são consideradas como cooperativas de trabalho pelo Poder Público. Nesse compasso, considerando a forma em que a fiscalização foi realizada, nomeadamente no que concerne à descrição do fato gerador da exação discutida, bem como em relação à análise do relator originário, pode se afirmar com absoluta segurança que a verdade material não foi perseguida por aqueles que me antecederam. A verdade material, como é do conhecimento dos operadores do direito, constitui se num dos princípios específicos do Processo Administrativo Fiscal – PAF. Dela ninguém pode imiscuir se. Sobre o assunto, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López (In Processo Administrativo Fiscal Feral Comentado. – 2. Ed. – São Paulo : Dialética, 2004. p. 74) asseveram: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, Fl. 413DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos”. Vê se, portanto, que determinar o fato gerador sob a alegação de que se trata de cooperativa de trabalho e, por isso, deve se aplicar diretamente o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sem buscar a verdade material exposta pelos doutrinadores acima citados, data máxima vênia, é prova cabal de que a constituição do crédito tributário não atendeu às exigências previstas no CTN, em especial aquelas descritas no art. 142 do referido diploma legal. Ademais, no caso destes autos, tanto a autoridade administrativa lançadora, os julgadores de primeira instância administrativa, com também o ilustre relator originário deixaram de observar que a prestação de serviços foi realizada em atividade exclusiva de assistência a saúde, mediante convênio saúde firmado por uma cooperativa operadora de plano de assistência à saúde com a Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região. Não observando importante detalhe envolvendo a prestação de serviços na área da saúde suplementar, entendo que aqueles que me antecederam falharam em seus julgamentos, pois deixaram de observar o comando inserto no § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, que remetendo o assunto para o § 9º do art. 28 do mesmo diploma legal, criou uma regra de não incidência tributária condicionada. Os dispositivos legais citados contém a seguinte redação: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º. Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Art. 28. Entende se por salário de contribuição: (...) § 9º. Não integram o salário de contribuição para os fins desta lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ora, se não integram o salário de contribuição os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, como é o caso dos autos, a única maneira para efetuar o lançamento em discussão, seria o enquadramento da relação contratual às disposições contidas na parte final da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 10 17 na hipótese de a cobertura não abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Destarte, por se tratar expressamente de regra de não incidência de tributos, concordo parcialmente com os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, quando eles por unanimidade deram provimento ao recurso voluntário do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Energia de Ipauçu, de acordo com o que consta no Acórdão 240102.243, originário da Sessão de 20 de janeiro de 2012, que julgou o Processo 11444.000189/200984. A concordância parcial, explico, se dá pelo simples motivo de os membros da citada Turma não terem estendido o provimento também à empresa Santa Cruz. O fato de a empresa ter arcado às suas expensas com parte do custo com o plano de saúde firmado com a Unimed de Ourinhos, sem a estrita observância da verdade material c/c as regras da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, para mim não atendeu os regramentos dispostos na legislação de regência. Como já referido anteriormente, no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento, situação que, objetivamente, não foi observada nestes autos. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contração de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência prevista na Lei de Custeio da Previdência Social. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 18 Ao voto transcrito acima, filio me integralmente de forma a torná lo parte integrante do presente voto. Ainda, mesmo com o aprofundado estudo do Cons. Amílcar Teixeira, entendo apenas que deve ser acrescentado um ponto: a impossibilidade da legislação tributária, em especial a infralegal, alterar conteúdo e alcances das instituições e conceitos do direito privado. Ao caso, ficou claro que a legislação privada que regula as atividades das cooperativas separa cooperativas de trabalho e cooperativas de serviços médicos, como plenamente já explanado. Inclusive cada um dos tipos tem especificações, conteúdos e regimes jurídicos próprios e diversos. Ou seja, não pode a legislação tributária, sem previsão legal específica e competente, ser amalgamada para fins de incidência tributária, sob ofensa ao princípio da legalidade e de interpretação restritiva dos institutos de direito privado (art. 150, da CF/1988, arts. 97 e 110 do CTN). Rememoramos que os princípios gerais de direito privado tem um papel importante na aplicação das normas que compõe o Direito Tributário. Importância visível pela própria natureza de sobreposição de suas normas. Observe se que as normas de direito tributário somente incidem sobre vínculos oriundos de outros ramos jurídicos, por exemplo, citamos Imposto sobre Serviços, que incide somente quanto há uma prestação de serviços entre particulares, isso é, a realização de um contrato de prestação de serviços, regulados todos pelo Direito Civil. Em face dessa importância os arts. 109 e 110, do CTN, in verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Isso remonta à crítica de que é vedada à legislação tributária alterar conceitos como renda, lucro, compra e venda, receita, faturamento, constituição social, prestação de serviço, capacidades que são de natureza tipicamente privada com o intuito de aumentar a sua arrecadação e campo de competência, conforme o art. 110, do CTN (AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. ed. 9, São Paulo: Saraiva, 2003, p. 216). Alterações conceituais como essas são, literalmente, fulminadas judicialmente. Exemplo clássico do assunto é o julgado do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional as alterações dos conceitos de salário e pró labore para fins de contribuições previdenciárias (Recurso Extraordinário n. 166.7729/RS, do Plenário do STF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em maio de 1994). De fato, estamos perante a mais um caso de não incidência, pois as cooperativas de prestação de serviços médicos não são os sujeitos passivos da regra matríz de imposição tributária obtida do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Assim, entendo que os créditos tributários com base no Levantamento “UNI – Cooperativa Unimed” devem ser cancelados e excluídos do lançamento. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 11 19 III O presente caso tem como objeto a interpretação se os valores pagos pela Recorrente de aluguel e condomínio de imóvel para servir de moradia a um de seus funcionários pode ser ou não considerado remuneração e, por conseqüência, excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias (art. 28, I, § 9º, m, da Lei n. 8.212/1991). Conforme a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, o elemento cabal para exclusão dos valores pagos a título de aluguel é a habitualidade ou a eventualidade do pagamento. “Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária.” (RESP 200200665800, DENISE ARRUDA, STJ PRIMEIRA TURMA, 22/09/2008; no mesmo sentido o Acórdão n. 20600577, 6ª Cam. Do 2º Conselho de Contribuintes, Rel. Cons. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, julg. 12/03/2008). Isso quer dizer que para o julgamento do recurso será necessário analisar as provas trazidos nos autos. Em que pese a alegação do contribuinte que o funcionário em questão seja o aluguel tem natureza de agregar aos estudos do funcionário beneficiado, para fins de frequentar o Curso de Engenharia de Alimentos, por tempo determinado. Contudo, não traz nenhum documento referente a tal alegação pelo período do curso e da lavratura, para devida produção probatória como oportuniza art. 16, do Dec. 70.235/1992. IV – Quanto às alegações de inconstitucionalidade das contribuições ao SAT, da multa aplicada e aplicação da Taxa Selic, o CARF/MF não pode aprecia a ilegalidade ou inconstitucionalidade para afastar tais imposições legais. Indiferentemente da opinião pessoal do Relator ou dos demais conselheiros, é vedado aos Conselheiros do CARF MF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob o argumento de inconstitucionalidade/ilegalidade do tributo que está previsto em lei, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. O que não ocorre no presente processo. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62 A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 417DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 20 artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2}o que no caso em nada foi apresentado ou se configura nos autos Logo, nesses pontos, não é possível acolher as razões da recorrente. V – Contudo, entendo que a fiscalização aplicou a sanção de forma equivocada. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.212 1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Note se que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.11031109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para Fl. 418DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2803002.969 S2TE03 Fl. 12 21 fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Ao presente lançamento, deve se atentar que houve a não declaração de fatos geradores em GFIP, assim seria aplicada a multa de ofício caso a infração tivesse ocorrido ao tempo da nova legislação (art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008), logo a mesma deve ser sempre comprada com a aplicada a época dos fatos considerando a sua fase processual da constituição do crédito até a sua cobrança. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.212/1991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. VI – Conclusão: Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, reformando o julgamento anterior e o lançamento no sentido de: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos Levantamentos “BOL – Auxílio Instrução Superior” e “UNI – Cooperativa Unimed” por insubsistência”; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao contribuinte. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 419DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 22 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10650.901317/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS.
Uma vez que o acórdão recorrido foi omisso quanto ao uso do composto orgânico da uréia, e que esta informação é essencial à conclusão da incidência ou não do PIS e da COFINS, deverão ser acolhidos os presentes aclaratórios, com efeitos infringentes, para fins de sanar o vício apontado.
Embargos acolhidos em parte, para fins de integrar o teor do acórdão recorrido, o qual passa a ter o seguinte conteúdo:
ASSUNTO: PIS E COFINS
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004.
Numero da decisão: 3301-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS. Uma vez que o acórdão recorrido foi omisso quanto ao uso do composto orgânico da uréia, e que esta informação é essencial à conclusão da incidência ou não do PIS e da COFINS, deverão ser acolhidos os presentes aclaratórios, com efeitos infringentes, para fins de sanar o vício apontado. Embargos acolhidos em parte, para fins de integrar o teor do acórdão recorrido, o qual passa a ter o seguinte conteúdo: ASSUNTO: PIS E COFINS CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 17 /2 01 2- 14 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10650.901317/201214 Acórdão n.º 3301002.913 S3C3T1 Fl. 215 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional com fundamento no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão proferido em razão do julgamento do Recurso Voluntário interposto pela COOPERATIVA AGRO PECUÁRIA DE ARAXÁ LTDA. nos autos em epígrafe, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PIS E COFINS Período de apuração: Diversos CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Argumenta o embargante que a concessão de crédito sobre a aquisição de uréia não poderia ter sido concedida, uma vez que o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre se a uréia fora adquirida para fins de alimentação de ruminantes ou se para fertilizantes agrícolas. Segue dispondo que este ponto seria importante para a solução da lide, visto que, na segunda hipótese (fertilizantes agrícolas), a uréia teria a classificação 3102.10, sendo aplicável a alíquota zero de PIS e Cofins. Para que melhor se compreenda o cerne dos embargos declaratórios, transcrevese abaixo os principais fundamentos constantes dos mesmos: O r. acórdão deu ‘provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia’. Nas razões do v. voto condutor do r. acórdão são invocadas as razões abaixo, verbis: ‘7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com suspensão da alíquota, não gera crédito; também o calcário bicálcio e o fosfato por ter sido adquiridos com alíquota zero não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 4 do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento;’ Portanto, no ver do r. acórdão a Embargada não poderia excluir o milho, o calcário bicálcio e o fosfato em virtude dos referidos bens não gerarem crédito. De outra sorte, em relação à uréia a Embargada poderia se creditar, pois, aquele bem geraria crédito. Ocorre que o composto orgânico uréia tem inúmeras utilidades. Listamos algumas: 1) manufatura de plásticos, especificamente da resina ureiaformaldeído; 2) fabricação de fertilizantes agrícolas; 3) estabilizador em explosivos de nitrocelulose; 4) alimentação de ruminantes; 5) composto para condicionadores de cabelo e loções; 6) composto para aumentar a solubilidade de corantes na indústria têxtil; 7) na produção de ARLA32 (AddBlue), reagente utilizado no SCR para reduzir NOx em veículos Diesel SCR (Catalizador de Redução Seletiva). Nos autos não está esclarecido de forma peremptória qual seria a utilização da uréia pela Embargada. Contudo, pelo objetivo social da Embargada podemos presumir duas utilidades: 1) alimentação de ruminantes; 2) fertilizantes agrícolas. A uréia utilizada como fertilizante agrícola é classificada na posição 3102.10 da NCM. Consoante a Lei nº 10.925. art. 1º, inciso I, os adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas, tem alíquota zero da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno. O r. acórdão presumiu que o calcário bicálcio e o fosfato eram fertilizantes agrícolas e, por força da Lei nº 10.925, art. 1º, inciso I, c/c a Lei nº 10.637, art. 3º, inciso I, não caberia o creditamento. Ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositivo Resulta, assim, que em relação ao fertilizante agrícola de uréia não poderia haver creditamento, visto que a teor da Lei nº 10.925, art. 1º, inciso I, incide a alíquota zero sobre o bem. De outra sorte, se o composto orgânico de uréia for utilizado para alimentação de ruminantes há incidência de PIS/COFINS. Em face dessa diferenciação, a Confederação Nacional da Agricultura encaminhou pedido de alteração legislativa, abraçado pelo Senador Assis Gurgacz que propôs o Projeto de Lei do Senado nº 319 de 2012, cuja ementa diz: ‘ Acresce o inciso XIX e § 4º ao art. 1º da Lei nº 10.925/04 (reduz as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e na comercialização do mercado interno de fertilizantes e defensivos agropecuários), para prever no inciso XIX que ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de ácido fosfórico, hidrogenoortofosfato de cálcio (fosfato dicálcico) e ureia pecuária e para dispor no § 4º que a mencionada redução aplicase até 31 de dezembro de 2018 (art. 1º). O Poder Executivo estimará a renúncia fiscal decorrente das alterações promovidas pela Lei, em consonância com o dispõem a Lei Complementar nº 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal) e o § 6º do art. 165 da Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10650.901317/201214 Acórdão n.º 3301002.913 S3C3T1 Fl. 216 5 Constituição Federal (art. 2º). A Lei entra em vigor na data de sua publicação, sendo que a redução de que exercício financeiro imediatamente posterior àquele em que for implementado o disposto no art. 2º (art.3º).’ O Projeto de Lei do Senado nº 319 de 2012 ainda se encontra em trâmite. Temos, então, que conforme o uso do composto orgânico de uréia há ou não incidência de PIS/COFINS. Caso a uréia seja utilizada como fertilizante agrícola incide a alíquota zero. De outra sorte, se a uréia for empregada para alimentação de ruminantes incide o PIS/COFINS normalmente. Em relação a utilização da uréia pela Embargada, entende a Embargante que aquele composto orgânico foi empregado como fertilizante agrícola, tanto que foi listado ao lado de outros produtos de mesma utilidade, o calcário bicálcio e o fosfato. Devendo, pois, ser aplicado a uréia o mesmo princípio e norma que foram adotados pelo r. acórdão para não admitir o creditamento. Por outro lado, entendendo este i. Colegiado que há dúvida acerca da utilização da uréia. Pugna a Embargante que consoante o PAF, art. 28, o ônus da prova é da Embargada. Se essa não instruiu o seu pedido de forma correta, incabível prover a pretensão de ressarcimento. Corroborando nosso entendimento pontifica a jurisprudência pacífica do e. CARF, verbis: ‘IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS INCENTIVADOS. Tratandose de crédito incentivado, o ônus de provar o direito alegado é de quem o reclama, não sendo dever da Administração produzir prova a seu favor. Não prova, tornase incerto e ilíquido o pedido. ACÓRDÃO 20311733’. Ao realizar o Juízo de admissibilidade, o presidente desta turma julgadora admitiu os embargos de declaração opostos, nos termos do art. 65 e parágrafos do Regimento Interno do CARF, entendendo que a matéria ventilada em tal recurso, de fato, não havia sido apreciada sobre este ângulo, configurando, portanto, omissão do acórdão embargado. Ato contínuo, os embargos declaratórios foram distribuídos para minha relatoria. É o breve relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Consoante acima indicado, o acõrdão recorrido concluiu que "os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento". O referido dispositivo legal assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; O Embargante, então, destaca a omissão do acórdão quanto ao uso do composto orgânico da uréia, visto que, na hipótese de este ser utilizada como fertilizante agrícola, estaria classificada na posição 3102.10 da NCM, e, portanto, sujeita à alíquota zero, nos termos do art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004, in verbis: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; O capítulo 31 da TIPI, por seu turno, assim dispõe: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 3101.00.00 Adubos (fertilizantes) de origem animal ou vegetal, mesmo misturados entre si ou tratados quimicamente; adubos (fertilizantes) resultantes da mistura ou do tratamento químico de produtos de origem animal ou vegetal. NT 31.02 Adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados). 3102.10 Ureia, mesmo em solução aquosa Ou seja, verificase que a redução à alíquota zero apenas foi adotada para o caso da uréia, mesmo em solução aquosa, utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10650.901317/201214 Acórdão n.º 3301002.913 S3C3T1 Fl. 217 7 Nesse contexto, entendo que assiste parcial razão à Embargante, consoante restará devidamente esclarecido a seguir. De um lado, há de se reconhecer que o acórdão recorrido se omitiu quanto a tal ponto, tornandose necessário sanar a omissão apontada nesta oportunidade. Diante da análise da legislação acima apontada, assiste razão à recorrente quando dispõe que a uréia enquadrada no item 3102.10, sujeita à alíquota zero, não daria direito a creditamento, inclusive com base na fundamentação adotada pelo acórdão recorrido que não admitiu o creditamento quanto ao calcáreo bicálcio e o fosfato, por serem estes utilizados como fertilizantes agrícolas, por força do disposto na Lei nº 10.925/2004, art. 1º, inciso I, cumulado com o disposto na Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso I. Por outro lado, embora seja forçoso reconhecer que não há nos presentes autos elementos suficientes para se confirmar se a uréia utilizada pelo contribuinte era ou não utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, entendo que este fato, por si só, não impede a concessão do crédito pleiteado pelo contribuinte, desde que excetuado o direito ao crédito quanto à uréia enquadrada no NCM nº 31.02.10. Isso porque, como é cediço, a informação quanto ao NCM da uréia comercializada pelo contribuinte neste caso concreto pode ser facilmente verificada pela fiscalização através da análise do SPED Fiscal da empresa, onde há a indicação dos NCM´s das mercadorias adquiridas e alienadas pela mesma. Logo, em atenção ao princípio da verdade material, que deve reger os julgamentos na esfera administrativa, concluo pela manutenção da conclusão constante do r. acórdão recorrido, no sentido de admitir que os custos com aquisições da uréia geram crédito da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, passíveis de dedução/ressarcimento, excetuando, contudo, a uréia enquadrada no NCM nº 31.02.10, face à alíquota zero aplicável à mesma. Até porque, entendo que não há nenhum prejuízo ao Fisco na concessão do pleito do contribuinte nestes termos, visto que a exclusão de eventuais créditos relacionados ao referido NCM poderá ser facilmente realizada quando da execução do presente julgado. Nesse contexto, acolho os embargos de declaração opostos, para fins de sanar a omissão apontada, e, em razão da necessária inclusão das razões aqui emanadas ao acórdão recorrido, alterar o seu teor, para que passe a vigorar da seguinte forma: ASSUNTO: PIS E COFINS Período de apuração: Diversos CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 8 adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004. É o voto. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10921.000338/2009-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/02/2005 a 04/01/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.599
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 03 38 /2 00 9- 70 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 9303003.599 CSRF‐T3 Fl. 151 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101001.531, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 9303003.599 CSRF‐T3 Fl. 152 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 9303003.599 CSRF‐T3 Fl. 153 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 9303003.599 CSRF‐T3 Fl. 154 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 9303003.599 CSRF‐T3 Fl. 155 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 9303003.599 CSRF‐T3 Fl. 156 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 9303003.599 CSRF‐T3 Fl. 157 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 9303003.599 CSRF‐T3 Fl. 158 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.725388/2010-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA.
Os valores pagos aos integrantes do ministério público federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Juridicamente não é razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas ao mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-002.636
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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NÃO INCIDÊNCIA. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. Os valores pagos aos integrantes do ministério público federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Juridicamente não é razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas ao mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ALICE GRECCHI Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 53 88 /2 01 0- 13 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (fls. 02/05), correspondente aos anoscalendário de 2005 e 2006, referente diferenças de remuneração recebidas como membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003. O crédito tributário lançado totalizou o valor de R$ 25.363,52, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. De acordo com o auto de infração (fls. 02/05), o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Segundo o Fisco as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. A contribuinte, em sua impugnação (fls. 31/102), alegou, em síntese, que (excertos extraídos do relatório do Acórdão da DRJ): a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este Fl. 304DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2102002.636 S2C1T2 Fl. 304 3 tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Em seu recurso, em extenso arrazoado, fls.129 a 225, no mérito reprisa os fundamentos da impugnação, voltando a se insurgir contra a multa de ofício e dos juros. Para dar guarida as suas alegações traz jurisprudência deste CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em especial desta Egrégia Turma, bem como, jurisprudência do STF Supremo Tribunal Federal, do STJ – Superior Tribunal de Justiça, em relação aos Membros do Ministério Público Federal. Transcreve doutrina. Acosta consulta formulada ao jurista Marco Aurélio Greco, de fls. 244 a 299. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi, Relatora Fl. 305DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 O recurso apresentado é tempestivo e atende a todos os requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Aqui não se apreciarão pleitos sucessivos da recorrente no tocante aos juros de mora e à multa de ofício, pois se demonstrará que a autuada tem razão no mérito. Tratase de Recurso Voluntário em processo no qual se discute lançamento para exigência do IRPF sobre valores recebidos pela Recorrente do Ministério Público da Bahia em decorrência do disposto na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003. A referida lei estabeleceu, em seus arts. 2º e 3º, o pagamento a todos os promotores do Estado dos seguintes valores: Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Entendeu a autoridade autuante ser irrelevante o fato de a legislação estadual ter determinado que tais verbas teriam natureza indenizatória, na medida em que lhe faltaria competência para estabelecer a incidência a título de Imposto de Renda, a qual somente poderia ser instituída pela União. Em sua defesa da Recorrente sustenta que tais verbas são realmente indenizatórias, principalmente em razão do que determinou o STF através da Resolução nº 245/2002. A temática resta pacificada no âmbito desta Turma Julgadora, no sentido de que tais verbas são, de fato, indenizatórias, e, por isso o imposto não incidiria sobre as mesmas. Inúmeros precedentes poderiam ser sucitados, todavia, merece transcrição a ementa do acórdão nº 210201.727, de 20 de janeiro de 2012, que teve como relator o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos membros do ministério público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com Fl. 306DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2102002.636 S2C1T2 Fl. 305 5 supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso provido. Ilustrando ainda melhor a questão, merece transcrição também o seguinte trecho, extraído do próprio voto proferido pelo il. Relator daquele julgado, que tomo aqui como razão de decidir, verbis: Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003 (...) Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Prescindindo de maiores digressões pela remansosa jurisprudência desta turma, comungando do mesmo entendimento, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 307DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11080.726596/2012-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO
A verba paga a título de auxílio educação em desconformidade com o disposto no art. 28, §9º, alínea t" da Lei n.º 8.212/91, compõe o salário de contribuição, sendo objeto de incidência das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-004.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GERSON MACEDO GUERRA - Relator.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator-designado.
EDITADO EM: 04/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005 AUXÍLIOEDUCAÇÃO A verba paga a título de auxílio educação em desconformidade com o disposto no art. 28, §9º, alínea ”t”" da Lei n.º 8.212/91, compõe o salário de contribuição, sendo objeto de incidência das contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 65 96 /2 01 2- 97 Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JU NIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 2 HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redatordesignado. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de contribuição previdenciária patronal e contribuições destinadas à terceiros, bem como contribuição devida pela contratação de cooperativas de trabalho e contribuições devidas sobre publicidade paga à clubes de futebol. Referidas contribuições tiveram como base de cálculo verbas pagas a título de (i) auxílio educação, (ii) remuneração paga ao conselho fiscal; (iii) serviços prestados por cooperativas de trabalho; (iv) remuneração dos diretores; (v) remuneração paga a auditores, palestrantes e plantonistas; e (vi) valores de publicidade paga a associação desportiva que mantém equipe de futebol. No julgamento da impugnação administrativa, a DRJ competente decidiu pela procedência parcial do Auto de Infração. Inconformado o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, cuja análise pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da 2ª Sessão do CARF redundou em seu provimento parcial, afastando as contribuições previdenciárias sobre o auxílio educação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PRELIMINAR. PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Cabimento da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE DO AUTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JU NIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 11080.726596/201297 Acórdão n.º 9202004.010 CSRFT2 Fl. 1.993 3 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. ASSOCIAÇÕES DESPORTIVAS QUE MANTÊM EQUIPE DE FUTEBOL PROFISSIONAL. A empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculo, é obrigada a reter e recolher o percentual de 5% da receita bruta, inadmitida qualquer dedução. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes ao auxílioeducação, nos termos do voto. Inconformada com essa decisão a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, nos termos do artigo 67, do RICARF então vigente. Visando demonstrar a admissibilidade de seu recurso, a União trouxe aos autos o Acórdão nº 2302 003.181, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara. Na análise de admissibilidade do Recurso Especial, o Presidente da 4ª Câmara da 2ª Sessão, entendeu que há divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, na medida em que: · o acórdão recorrido e o acórdão paradigma tratam exatamente da mesma questão – se os valores pagos a título de auxílioeducação devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição previdenciária, quando há condições a serem cumpridas pelos segurados para ter direito à sua utilização, tendo em vista o disposto no art. 28 §9º, alínea “t” da Lei nº 8.212/91; · enquanto o acórdão ora recorrido entendeu que aqueles pagamentos estão de acordo com a legislação, o acórdão paradigma fixou Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JU NIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 4 entendimento de que tais valores, por terem sido pagos em desacordo com a lei, representam remuneração e devem compor o salário contribuição. Intimado da decisão e do Recurso da Fazenda, o contribuinte apresentou e contra razões, argumentando que por não possuir natureza remuneratória o salário educação não deve ser incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme já decidiu o STJ. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Inicialmente, entendo prudente tecer alguns comentários acerca da admissibilidade do Recurso da União. Sobre a não inclusão do popularmente chamado auxilio educação na base de cálculo das contribuições previdenciárias, o valor a esse título pago deve obedecer a alguns requisitos constantes do § 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91 vigente à época dos fatos, dentre os quais se destaca, para o presente caso, “que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo”, nos seguintes termos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) No caso do recorrido, a turma de julgamento, ao cotejar tal requisito legal com o fato posto, ou seja, com o critério estipulado pelo contribuinte para seu empregado fazer jus ao auxílio educação – vínculo empregatício superior a um ano – assim se posicionou: Pois bem. O fato de a legislação prever como condição de isenção o alcance do benefício a todos os funcionários da empresa não significa que esta não possa estabelecer critérios de concessão desse benefício. O prazo mínimo de vínculo empregatício é um desses critérios. Ressaltese, entretanto, que apesar da aparente exclusão que a exigência impõe (exclui todos aqueles que possuem menos de um ano de vínculo), em verdade o benefício não deixa de estar à disposição de todos os empregados. Isto porque, o critério estabelecido é aplicável a todos aqueles que pretendam obter o benefício, sem exceção. Estarseia diante de uma irregularidade em razão de exclusão se, por exemplo, o acordo coletivo previsse que somente uma categoria de Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JU NIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 11080.726596/201297 Acórdão n.º 9202004.010 CSRFT2 Fl. 1.994 5 empregados teria direito ao benefício ou, ainda, se somente uma categoria tivesse que atender ao requisito de tempo mínimo de vínculo. Não é o caso. Sendo assim, considerando que o critério apontado pela fiscalização como impeditivo de gozo da isenção previdenciária pela empresa Recorrente, em verdade, é exigido de forma igualitária de todos os empregados, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre tais valores. Já o caso analisado no processo que originou a decisão paradigma ora posta, tratavase de critério que de fato excluía parte dos empregados do contribuinte do acesso ao auxílio educação, na medida em que apenas franqueava tal benesse a empregados de auferissem remuneração acima de determinados valores. Sob esse ponto vale a seguinte transcrição do voto condutor do referido Acórdão: A legislação ordinária impõe como requisito para a caracterização da verba educacional o fato do benefício ser estendido a todos os funcionários. No entanto, os acordos coletivos de trabalho aqui analisados dispõem que a verba auxiliar seria concedida apenas para alguns funcionários que recebessem determinado valor. Como se vê, o limite exposto pela empresa contraria a norma incentiva de modo a configurar como verba salarial o recebimento da respectiva "ajuda de custo". Notese que como norma incentiva a sua interpretação deve ser literal....” Pois bem. A meu ver estamos diante de situação fática distinta daquela tratada no paradigma, de modo que não se pode afirmar que há uma divergência de interpretação entre ambas Turmas de julgamento. Houvesse a Turma julgadora do recorrido analisado a o caso posto em análise pela Turma que analisou o paradigma as decisões seriam as mesmas. Isso porque, como visto, no entendimento daquela Turma, em havendo qualquer critério que exclua qualquer pessoa do acesso ao auxílio a alínea “t” do §9º, do artigo 28 em questão seria ferida, de modo a tornar tributável tal auxilio. Nesse contexto, entendo que não há divergência de interpretação da legislação, haja vista a distinção fática dos casos em questão, de modo que não deve ser admitido o recurso da União. Sendo vencido no que toca à admissibilidade do recurso, passo à analise de seu mérito. Tal como decidido pela Turma a quo, entendo que apenas critérios que excluam o acesso de pessoas ou categorias do auxílio tornam este, remuneração para fins das contribuições previdenciárias. O critério tempo não impede o acesso, de modo que continua sendo este franqueado a todos. Assim no presente caso não vislumbro situação que impeça a aplicação do artigo 28, § 9º, “t”, da Lei 8.212/91. Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JU NIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 6 Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso da União, mantendo, in totum, a decisão a quo. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JU NIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 11080.726596/201297 Acórdão n.º 9202004.010 CSRFT2 Fl. 1.995 7 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pelo Relator, ouso discordar, tanto quanto à admissibilidade do recurso quanto ao mérito recursal. Inicialmente, no que tange ao conhecimento, entendo que enquanto o recorrido adota, para fins de exclusão do valor do referido benefício da base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma tese de aceitação de critério de exclusão de funcionários do benefício, desde que o critério seja aplicável a todos os funcionários, o recorrido estabelece como base de sua interpretação, para fins de possibilidade da referida exclusão, a extensão indistinta a todos os funcionários, vedandose a exclusão de qualquer parcela da base funcional a fim de que se possa usufruir daquela. São critérios jurídicos notadamente distintos, o que se pode perceber pelo fato de que em se levando o julgado recorrido ao Colegiado paradigmático, a decisão seria diversa uma vez que, nas palavras do paradigma, estaria, sim, caracterizado limite (tempo mínimo de serviço de um ano) que contraria a norma incentivadora, vedada assim a exclusão tencionada. Assim, caracterizada a divergência jurisprudencial, de se conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito da questão, com a devida vênia aos Conselheiros desta casa que possuem posicionamento diverso, não vislumbro, no âmbito do § 9º, "t", do artigo 28, da Lei no. 8.212, de 1991, possibilidade de elastério hermenêutico que levasse a concluir que estivessem ali abrangidos planos onde a empresa instituidora estabelecesse uma sistemática de extensão formal a todos os funcionários, mas sujeita a determinados critérios de concessão. Noto que adotar tal tese, permitiria que, sempre que necessário, se transmudasse uma possível exclusão desejada de parcela dos funcionários em "critério concessivo" destinado a realizar tal exclusão, sendo, em meu entendimento, o norte a ser seguido para aplicação da exclusão estabelecida pelo texto legal o acesso indistinto ao benefício, disponível a todos empregados e dirigentes da empresa, independentemente de critérios, conclusão plenamente consistente com uma interpretação literal do dispositivo, prevista no art. 111, do CTN e aplicável nos casos de redução de base de cálculo de tributo. No caso em questão, entendo que a restrição estabelecida pela empresa, no sentido de exigir tempo de vínculo empregatício para fins de que se usufrua do benefício, restringiu o acesso àquele e, assim, violou o estabelecido no dispositivo em análise, vedada assim a exclusão tencionada. Diante do exposto, conheço do recurso, para, no mérito dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JU NIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 8 Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JU NIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722093/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
José Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. José Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. José Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 20 93 /2 01 1- 14 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado, foi lavrada Notificação de Lançamento em 13/04/2011 ( fls. 3, 5 e 7), exigindo crédito tributário, no valor de R$ 5.339,22. A omissão foi constatada de acordo com a DIRF, enviada pela Fonte Pagadora (INSS), no valor de R$ 20.111,30. Irresignado, o contribuinte apresenta impugnação (fl. 02), alegando que os rendimentos são isentos por ser portador de CARDIOPATIA GRAVE. Acosta Laudo Oficial, firmado por médico da Secretaria Municipal de Saúde de Juiz de Fora (fl. 09); Atestado Médico e Laudos de Cateterismo (fls. 10/14). A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por entender que não foi demonstrada vinculação entre a Secretaria Municipal de Saúde o médico que assinou o Laudo Oficial ( fl. 09), carecendo, portando, da força probante pretendida pelo interessado. Ainda, que em consultas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que até dezembro de 2011, a fonte pagadora em questão INSS não havia suspendido o desconto do imposto de renda sobre os rendimentos pagos ao interessado. Cientificado do Acordão nº 0940.925 4ª Turma da DRJ/JFA em 30/07/12 (fl.57). Sobreveio recurso voluntário em 30/08/2012 postagem via correios em 28/07/12 (fls. 59/65), acompanhado de documentos ( fl. 66/72). Em apertada síntese, argüiu acerca da desnecessidade de comprovação de vínculo entre o médico que assinou o Laudo Oficial (fl.09) com a Secretaria Municipal de Saúde, eis que tratase de "uma inovação da DRJ/JFA, que não tem respaldo na lei e nem amparo no direito...". Repisou os fundamentos da Impugnação, reafirmando que o recorrente é portador de Cardiopatia Grave, fazendo jus à isenção prevista no XIV, do Art. 6º, da Lei nº 7.713/88, bem como no inciso XXXIII, do Art.39, do Decreto nº 3000/99 RIR. Novamente acostou Laudo Oficial ( fl. 69), Relatório de Alta Hospitalar (fl. 70). É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10640.722093/201114 Acórdão n.º 2301004.633 S2C3T1 Fl. 78 3 Alega o contribuinte ser portador de patologia identificada como Cardiopatia Grave, CID I 25.8, prevista no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, conforme laudo médico pericial emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Juiz de Fora MG (fl. 09), desde maio de 2005, e por esta razão, isento do imposto sobre a renda de pessoa física – IRPF. Argumentou a DRJ/JFA que "Muito embora nesse laudo médico tenha sido aposto o carimbo da Municipal de Saúde – Juiz de Fora – Unidade Regional Norte, não há identificação de vínculo entre este serviço médico e o referido profissional. Tal documento carece, pois, da força probante pretendida pelo interessado." O artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte acostou Laudo Médico Pericial, emitido pelo Serviço Médico Oficial do Município de Juiz de Fora – MG (fl. 09), que faz remissão ao CID I 25.8 – Cardiopatia Grave, e refere expressamente à moléstia especificada na legislação de regência (art. 1º da Lei 11.052/2004), a qual é isentiva do imposto de renda. O médico perito, Dr. Carlos Alberto de Oliveira, que assinou o laudo oficial emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Juiz de Fora MG, têm competência para emitir laudo atestando a existência de moléstia grave que justifique a isenção do IRPF, sendo inadmissível requerer como fez a decisão a quo, que o contribuinte comprove e identifique o vínculo entre o profissional médico que assinou o laudo e o órgão de saúde oficial. Inclusive, o Laudo Pericial (fl. 09) aponta expressamente o art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, com redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541/92, que passou a vigorar com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei 11.052/04, demonstrando que o quadro apresentado pelo Recorrente se insere nas doenças inscritas no referido dispositivo legal, que abaixo transcrevo: Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifei) Conforme se verifica do dispositivo legal supra, a moléstia acometida pelo Recorrente, se enquadra entre as doenças isentivas do IRPF, (CARDIOPATIA GRAVE), conforme foi comprovado pelo documento acostado em fl. 09. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 80DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721323/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/03/2009 a 30/05/2011
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários à formação da convicção do julgador quanto ao adequado deslinde da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia formulado.
NULIDADE. DECISÃO PRIMEIRA GRAU. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por afronta ao contraditório e ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, adequada e suficientemente fundamentada, indefere pedido de realização de diligência/perícia.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURDO O CONTRADITÓRIO E PLENO EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, a quem foi oportunizado o contraditório e o pleno exercício do direito defesa, na forma da legislação vigente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do Colegiado, pelo Voto de Qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Walker Araújo, que negavam provimento. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o Dr. João Sandro Paolin - OAB 17.001 - SC.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator
(assinatura digital)
José Fernandes do Nascimento - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/03/2009 a 30/05/2011 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários à formação da convicção do julgador quanto ao adequado deslinde da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia formulado. NULIDADE. DECISÃO PRIMEIRA GRAU. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por afronta ao contraditório e ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, adequada e suficientemente fundamentada, indefere pedido de realização de diligência/perícia. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURDO O CONTRADITÓRIO E PLENO EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, a quem foi oportunizado o contraditório e o pleno exercício do direito defesa, na forma da legislação vigente. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, pelo Voto de Qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Walker Araújo, que negavam provimento. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o Dr. João Sandro Paolin - OAB 17.001 - SC. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator (assinatura digital) José Fernandes do Nascimento - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 4.381 1 4.380 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.002 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SISTEX COMÉRCIO IMPORTACÃO E EXPORTACÃO LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 02/03/2009 a 30/05/2011 DESPACHO ADUANEIRO. IMPORTAÇÃO DE PRÉFORMAS PET. PESSOA JURÍDICA INDUSTRIAL. ALÍQUOTA AD VALOREM. APLICAÇÃO. A cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep na importação de “préformas de PET” será realizada com base na alíquota ad valorem, quando ficar demonstrado que a referida importação não foi realizada por pessoa jurídica comercial, mas sim por pessoa jurídica industrial, independentemente da destinação que for dada ao produto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 02/03/2009 a 30/05/2011 DESPACHO ADUANEIRO. IMPORTAÇÃO DE PRÉFORMAS PET. PESSOA JURÍDICA INDUSTRIAL. ALÍQUOTA AD VALOREM. APLICAÇÃO. A cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins na importação de “préformas de PET” será realizada com base na alíquota ad valorem, quando ficar demonstrado que a referida importação não foi realizada por pessoa jurídica comercial, mas sim por pessoa jurídica industrial, independentemente da destinação que for dada ao produto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/03/2009 a 30/05/2011 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO ADUANEIRA. APURADA INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO PAGO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DA DIFERENÇA APURADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 13 23 /2 01 2- 10 Fl. 4382DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 2 Não caracteriza mudança de critério jurídico o lançamento de ofício decorrente de procedimento de revisão aduaneira, em que apurada insuficiência de recolhimento de tributos, por aplicação incorreta de alíquota, se não houve lançamento de ofício anterior, realizado sobre o mesmo sujeito passivo, no qual autoridade administrativa tenha introduzido critério jurídico idêntico ao do lançamento objeto dos autos. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF). AFASTAMENTO DA MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O afastamento de multa, em razão de efeito confiscatório, implica apreciação da constitucionalidade da norma legal vigente e eficaz, que serviu de fundamento para a aplicação da multa exigida nos autos. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/03/2009 a 30/05/2011 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários à formação da convicção do julgador quanto ao adequado deslinde da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia formulado. NULIDADE. DECISÃO PRIMEIRA GRAU. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por afronta ao contraditório e ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau que, adequada e suficientemente fundamentada, indefere pedido de realização de diligência/perícia. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURDO O CONTRADITÓRIO E PLENO EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, a quem foi oportunizado o contraditório e o pleno exercício do direito defesa, na forma da legislação vigente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, pelo Voto de Qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Walker Araújo, que negavam provimento. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o Dr. João Sandro Paolin OAB 17.001 SC. Fl. 4383DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.382 3 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Redator (assinatura digital) José Fernandes do Nascimento Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 2/205), em que formalizada a exigência dos débitos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação do período de março de 2009 a maio de 2011, que somados a multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/5/2012, totalizou a importância de R$ 8.148.196,33. De acordo Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 206/283, a autuada Sistex Comércio Importação e Exportação Ltda., doravante denominada de autuada Sistex, submeteu a despacho aduaneiro de importação, por conta e ordem da pessoa jurídica Bel Indústria de Embalagens Plásticas Ltda., doravante denominada de responsável solidária Bel, por meio das Declarações de Importação (DI), relacionadas nos demonstrativos de fls. 211 a 218, mercadorias descritas como préformas “PET”, gramaturas diversas e destinadas à fabricação de embalagens, classificadas no código NCM 3923.30.00, “Ex” 01, e tributadas de acordo com a destinação, ou seja, quando os produtos são destinados ao envasamento de água, refrigerantes ou cervejas estão sujeitos a recolhimento por alíquota específica; na hipótese de envasamento de outros produtos é aplicada alíquota “ad valorem”. Ademais, independentemente da destinação dada às embalagens, se tais mercadorias forem importadas por pessoa jurídica comercial a alíquota a ser aplicada, para fins de determinação do crédito tributário, seria a alíquota específica. No curso procedimento fiscal, a fiscalização apurou que, nas adições das DI de fls. 211/218, as contribuições incidentes nas operações de importação foram tributadas, por ocasião do respectivo despacho, mediante a aplicação de alíquotas “ad valorem”, enquanto que, com base em planilha e notas fiscais de saída apresentadas pela responsável solidária, a fiscalização identificou duas informações importantes: o produto efetivamente vendido (PET ou produto resultante de sua transformação) e quantidade vendida. Com base no cruzando dessas informações com as informações apresentadas nas DI, foi construída a planilha de fls. 220/258, de onde se extrai que a imensa maioria das mercadorias importadas foi simplesmente revendida, com exceção apenas das operações relativas a 58 notas fiscais, onde se constatou a saída de garrafas resultantes de industrialização ou transformação das PET importadas, sendo considerada correta a utilização de alíquota “ad valorem” para estes casos (fl. 219). Tais fatos, segundo a fiscalização caracterizavam as operações puramente comerciais, devendo ser aplicado ao caso o disposto no art. 8º, § 6A, da Lei 10.865/2004, que determina que, independentemente do destino dado às mercadorias, a caracterização como operações de revenda implicam na adoção de alíquota específica. Fl. 4384DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 4 As bases de cálculo e as diferenças apuradas lançadas nos citados Autos de Infração constam das planilhas de fls. 261 a 271 e 272 a 280, respectivamente. A responsável Bel foi incluída no polo passivo na condição de responsável solidário. Em sede de impugnação (fls. 2325/2370), a responsável solidária alegou que: a) era nula as autuações, sob o argumento de que houve enquadramento legal errado da infração, pois, o preceito legal apontado pela fiscalização era exatamente o que fora adotado nos despachos aduaneiros; b) a lei não afastava a possibilidade de uma empresa “industrial” praticar atividades de comercialização; c) no âmbito do processo n° 13971.722.405/201128, seu requerimento de habilitação ao regime especial fora indeferido, sob o fundamento de que era “indústria”, logo, não era razoável nem proporcional a aplicação de efeitos distintos a um mesmo fenômeno; d) o raciocínio adotado pela fiscalização era esdrúxulo e inadmissível, pois, se assim não fosse, o regime especial requerido poderia ter sido parcialmente deferido, devendo ser aplicado apenas as mercadorias importadas para comercialização; e) houve mudança de critério jurídico pela fiscalização, tanto em razão do teor do despacho proferido no processo n° 13971.722.405/201128, quanto da existência de diversos despachos desembaraçados, com a devida conferência (canal vermelho), e cujas mercadorias foram liberadas sem que tivesse sido apontada qualquer irregularidade. Não cabia mais qualquer revisão acerca dos critérios e parâmetros utilizados pelo importador, pois estava precluso o direito; f) houve evidente boafé do contribuinte; g) a empresa industrial não tinha condições de identificar com exatidão qual a destinação que seria dada as mercadorias no momento da importação; h) disposto no § 6ºA do art. 8º, da Lei 10.865/2004 devia ser interpretado de forma restritiva, aplicado unicamente àquelas empresas que exercessem exclusivamente operações de comercialização; i) as importações foram realizadas para consumo em processo produtivo (de industrialização), havendo o devido recolhimento das contribuições, por unidade de produto, na saída, quando destinada ao envasamento dos produtos mencionados na Lei; j) inexistia qualquer prejuízo ao Fisco, pois procedera ao recolhimento de seus impostos pelo “lucro real”, sendo aplicável o regime não cumulativo das contribuições, logo os valores recolhidos no registro da importação geraram créditos que foram compensados por ocasião das operações de saída das mercadorias. Portanto, eventual diferença era recolhida na saída, havendo tão somente mera postergação do recolhimento, sem qualquer prejuízo ao Fisco; Fl. 4385DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.383 5 k) a multa de ofício aplicada era indevida, estava fundamentada no artigo 80 da Lei 4.502/1964, que tratava do imposto sobre produtos industrializados, tributo não tratado na presente autuação. Ademais, tratavase de imposição nitidamente confiscatória e atentatória aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Na hipótese de sua manutenção deve ser reduzida; l) inaplicável a penalidade prevista no artigo 69 da Lei 10.833/2003, pois não restara caracterizada a infração por declaração inexata, uma vez que houvera perfeita identificação da mercadoria, do importador e demais elementos necessários para a verificação da operação e o regular desembaraço aduaneiro. Por sua vez, em sede de impugnação (fls. 1681/1725), a autuada alegou: a) a fiscalização originouse com objetivo de verificação quanto às contribuições, entretanto desvencilhouse deste objetivo, partindo para uma verdadeira devassa fiscal, com intimações de terceiros, cruzamento de dados e por fim cerceando a defesa da impugnante. Sequer foi analisada a fundo a contabilidade e documentos apresentados; b) houve violação do princípio do contraditório e ampla defesa, a autuação está baseada em meros indícios, os quais o contribuinte não teve acesso. Cabia ao Fisco o ônus da prova, pois quem alega um fato deve proválo; c) ocorreu nulidade da autuação ante a violação da determinação estipulada no mandado de procedimento fiscal (períodos anteriores a 09/2010). A fiscalização abrangeu o período de 06/2007 a 05/2011, deveria ser emitida MPFC para tal fim; d) ocorre a nulidade dos atos praticados pelo auditor fiscal após o vencimento do mandado de procedimento fiscal. O MPF foi prorrogado via sistema, sem ciência ao contribuinte; e) laborou como prestadora de serviços, como se comprova com o contrato e notas fiscais de prestação de serviços em anexo. Não poderia ser autuada por algo que não dera causa. Houve erro de sujeição passiva; f) para as mercadorias que foram revendidas pelo real adquirente para outras finalidades que não o envase de água, cerveja ou refrigerante, a aplicação da alíquota “ad valorem” estava correta. Já as vendas para o envase daqueles produtos foram realizadas com o recolhimento das contribuições de acordo com a sistemática de tributação adotada pela fiscalização, logo não havia que se falar em autuação sob esta ótica; g) a autoridade fiscalizadora utilizouse do conceito “receita” para autuar a impugnante, que nunca auferiu qualquer receita de vendas sobre ditos produtos, apenas prestou serviços no desembaraço aduaneiro e, também não pode, a impugnante, utilizar tais créditos (a autuação teve por base a receita das vendas dos produtos importados – haja vista a intimação para apresentação dos destinatários); Fl. 4386DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 6 h) as declarações da real adquirente, nas DI, deixavam claro que aquela empresa não tinha conhecimento para quem seria vendida a mercadoria; i) as multas de ofício eram confiscatórias, o que era vedado pela Constituição Federal; j) as informações registradas nas DI estavam corretas, pois não havia previsão para o registro de informações de etapas futuras/vendas (o que foi utilizado para autuação); k) requereu perícia nos documentos apresentados, que estão sendo mantidos na sede da empresa, indica o Perito e os quesitos; l) requereu dilatação de prazo para apresentação de Laudos/Razões complementares a esta impugnação. Depois da apresentação da peça impugnatória, a responsável solidária pediu a juntada aos autos de declarações de seus clientes (fls. 4157/4168), com vistas a atestar a não utilização das mercadorias para o envase de água, refrigerante e cerveja. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 4172/4198), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, cancelando o valor de R$ 90.853,28, referente à multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro, com base nos fundamentos resumido nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 02/03/2009 a 30/05/2011 IMPORTAÇÃO DE PRÉFORMAS. FINS EXCLUSIVAMENTE COMERCIAIS DE REVENDA. A importação de préformas, fica sujeita ao recolhimento da CofinsImportação fixada por unidade de produto, de acordo com as alíquotas previstas na legislação de regência, ainda que realizada por pessoa jurídica que se intitule industrial, independentemente da destinação dada às embalagens, quando restar demonstrado que, de fato, a atividade desenvolvida foi exclusivamente comercial com fins de revenda das mercadorias importadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 02/03/2009 a 30/05/2011 IMPORTAÇÃO DE PRÉFORMAS. FINS EXCLUSIVAMENTE COMERCIAIS DE REVENDA. A importação de préformas, fica sujeita ao recolhimento da PIS/PasepImportação fixada por unidade de produto, de acordo com as alíquotas previstas na legislação de regência, ainda que realizada por pessoa jurídica que se intitule industrial, independentemente da destinação dada às embalagens, quando restar demonstrado que, de fato, a atividade desenvolvida foi exclusivamente comercial com fins de revenda das mercadorias importadas. Fl. 4387DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.384 7 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/03/2009 a 30/05/2011 INFRAÇÃO. INFORMAÇÃO INEXATA. FUNDAMENTAÇÃO E PROVAS. AUSÊNCIA. A multa aplicase ao importador que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Para que a penalidade possa ser aplicada é necessário comprovar objetivamente qual a omissão, inexatidão ou parcialidade da informação prestada. Ausentes os fundamentos e provas relacionados à prática da infração, deve ser o crédito correspondente cancelado. Em 26/3/2014, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 4203). Inconformada, em 9/4/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 4205/4258, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou nulidade da decisão de primeiro grau sob o argumento de que não fora obedecido o quorum mínimo de três julgadores e porque indeferida a realização de perícia considerada por necessária. Por sua vez, em 17/3/2014, a responsável solidária foi cientificada da referida decisão (fl. 4204). Inconformada, em 14/4/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 4265/4346, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia diz respeito a questões preliminares e de mérito. I Das Questões Preliminares Em sede de preliminar, as recorrentes suscitaram nulidade da decisão de primeiro grau e das autuações, que a seguir analisadas. Da nulidade da decisão de primeira instância. A autuada alegou nulidade da decisão de primeiro grau sob o argumento de que não foi obedecido quórum mínimo de três julgadores. Para recorrente, havia participado da Sessão de julgamento apenas dois julgadores, o Relator e o Presidente, pois, embora registrado corpo da decisão a presença da julgadora Marta de Souza Marques, esta sequer assina o acórdão, o que levava a conclusão de que ela estava presente. Fl. 4388DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 8 Não procede a alegação da recorrente. Há no corpo do julgado expressa menção a presença da julgadora Marta de Souza Marques, que, inclusive, votou pela conclusão, conforme expressamente registrado no texto da decisão. Ademais, por expressa determinação do art. 21 da Portaria MF nº 341/2011, somente o relator, o redator designado, se for o caso, e o Presidente da Turma assinam as decisões. No caso, como a julgadora Marta de Souza Marques não era relatora e não fora designada redatora, logo, ela estava dispensada de assinadar o citada decisão. A recorrente ainda alegou a nulidade da decisão de primeiro grau, com base no argumento de que, ao contrário do que alegara a Turma de Julgamento de primeiro grau, o art. 16, § 4º, “a” a “c”, do Decreto 70.235/1972, assegurava o deferimento do prazo de prorrogação do prazo para apresentar laudos/razões complementares à impugnação. Também não procede essa alegação, pois, como não comprovou que o seu pedido se enquadrava nas hipóteses excepcionais previstas nas alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972, com correção decidiu o órgão julgador a quo por indeferir tal pleito. Asssim, fica demonstrada a improcedência das alegações de nulidade da decisão recorrida, suscitadas pela recorrente e autuada Sistex. Da nulidade das autuações por erro de enquadramento legal: alegações da contribuinte. A autuada alegou nulidade total das autuações por (i) afronta ao princípio da objetividade fiscal e em face da impossibilidade de realização de devassa fiscal, (ii) violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa e (iii) descumprimento de requisitos do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Em relação ao primeiro ponto, a recorrente alegou que a fiscalização originouse com objetivo de verificação regularidade do recolhimento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação, entretanto desvencilhouse deste objetivo, partindo para uma verdadeira devassa fiscal, com intimações de terceiros, cruzamento de dados e, por fim, cerceando a sua defesa, extrapolando o poder de inspeção que os órgãos fiscalizadores e desrespeitando os princípios constitucionais da inviolabilidade da liberdade, da segurança e da propriedade. Sem razão a recorrente. Nos termos do art. 195 do CTN, a autoridade fiscal é assegurado o direito de examinar “livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores” e estes tem a obrigação de exibilos. Com base no referido preceito legal e com observância dos parâmetros fixados na legislação de regência, nos casos em que necessário à instrução do procedimento fiscal, a fiscalização poderá intimar o sujeito passivo para que este apresente documentos ou esclarecimentos necessários à verificação do correto cumprimento das obrigações tributárias. No caso de operações de importação por conta e ordem, há determinação legal expressa que tanto o importador (real importador) quanto o dquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem (importador por conta e ordem), sob pena de imposição de multas, têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às Fl. 4389DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.385 9 transações que realizarem, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos, nos termos do art. 70 da Lei 10.833/2003. No mesmo sentido, em conformidado com o disposto no referido preceito legal, dispõe o art. 18 do Decreto 6.759/2009, cujos excertos relevantes para o caso em apreço, seguem transcritos: Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentá los à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): §1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no10.833, de 2003, art. 70, §1o). [...] Logo, diferentemente do alegado pela recorrente, as intimações feitas e os documentos apresentados pela responsável solidária, no âmbito do procedimento fiscal que deu origem as presentes autuações, não configuram devassa fiscal e tampouco acarretou qualquer agressão aos princípios constitucionais da inviolabilidade da liberdade, da segurança e da propriedade, porque foram realização em conformidade com a legislação de regência. Pela mesma razão, também fica demonstrada que não tem cabimento o argumento da recorrente de que a fiscalização deveria ter se restringido apenas à análise da contabilidade e declaração por ela apresentada e somente caso houver indícios de irregularidades é que ela deveria ser intimada a apresentar considerações e retificações, caso fosse necessárias. Também não procede a alegação da recorrente de que as autuações seriam nulas por violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, pois, sabidamente, na fase que antecede a conclusão do lançamento e põe fim ao procedimento fiscal, com a ciência do contribuinte do auto de infração, regese pelo princípio da inquisitoriedade, sendo conferido à autoridade fiscal, nesta fase, amplos poderes para, observando os parâmetro da legislação de regência, coligir os elementos de provas necessários à comprovação dos fatos que serviram de fundamento às autuações. Com o término da fase procedimental, ao autuado é facultado o exercíco do contraditório, podendo se manifestar contra todos os pontos do procedimento fiscal, com os meios de defesa legítimos que disponha, o que deve ser realizado por meio de impugnação, na forma estabelecida no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. E no caso em tela, tanto o contraditório quanto o do direito de defesa foram adequadamente exercidos, haja vista as robustas peças defensivas coligidas aos autos. Fl. 4390DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 10 Enfim, também não procede o alegado descumprimento dos requisitos do MPF. Em relação ao período da fiscalização, encontrase expressamente consignado no citado documento (fl. 284) que o período compreende o mês de junho de 2007 ao mês de maio de 2011, ao invés do período de setembro de 2010 a maio de 2011, conforme alegou a recorrente. Segundo a recorrente as prorrogações do prazo de validade do MPF, feitas via sistema (eletronicamente) e sem a ciência da contribuinte, eram ilegal e reprovável, acarretando a nulidade insanável do procedimento fiscal. Mais uma vez, equivocase a recorrente. Na época da realização do procedimento fiscal encotravase em vigor a Portaria RFB 3.014/2011, que previa a emissão do exclusivamente na forma eletrônica e a ciência ao sujeito passivo darseia no sítio da RFB na Internet, conforme estabelecido nos arts. 4º e 9º da citada Portaria, que seguem transcritos: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dosAnexosde I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darse á no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. [...] Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4º. Assim, fica demonstrado que tanto o procedimento de emissão quanto a forma de ciência do MPF foi realizada em conformidade com a legislação vigente, portanto, inexiste alegada ilegalidade ou reprovabilidade suscitada pela recorrente. Com base nessas considerações, rejeitase a presente alegação de nulidade das autuações. Da nulidade das autuações por erro de enquadramento legal: alegações da responsável solidária. A recorrente (responsável solidária) alegou que o preceito legal citado no enquadramento legal das autuações (art. 8º, I e II, da Lei 10.865/2004) previa expressamente a incidência das alíquotas ad valorem adotada pela contribuinte, logo seria esta que deveria prevalecer, e não a descrição dada pelo agente fiscalizador, notadamente porque sua descrição encontravase repleta de incongruências. Ademais, segundo a recorrente, não havia como negar que: a) a menção fiscal ocasionara absoluta confusão no procedimento, cerceando o direito de defesa da recorrente; b) o erro de fundamentação das autuações era causa legal de sua nulidade, em face da disposição contida no art. 10, IV, do Decreto 70.235/1972 Fl. 4391DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.386 11 Sem razão a recorrente. No caso em tela, a simples omissão do preceito legal que serviu de fundamento para as autuações (art. 51 da Lei 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 8º, § 6ºA, da Lei 10.865/2004), no campo destinado ao “ENQUADRAMENTO LEGAL” dos respectivos Autos de Infração (fls. 16 e 94), a meu ver, não representa motivo suficiente para a nulidade do procedimento fiscal, pois, há menção expressa dos citados preceitos legais, tanto no texto dos instrumentos dos Autos de Infração (fls. 6 e 85), quanto no citado Relatório de Procedimento Fiscal que integra os citados Autos de Infração (fl. 259), que, para fim de confirmação, respectivamente, seguem reproduzidos: A alíquota do PIS incidente sobre a importação, deveria ter sido a ‘específica’ nos valores definidos pelo art. Art 51 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 com a aplicação dos coeficientes de redução dados pelo art. 1º do Decreto n° 5.062, de 30 de abril de 2004. Tal enquadramento está fundamentado no Relatório de Procedimento Fiscal Anexo. Ocorre que o importador declarou e recolheu o imposto à alíquota ad valorem. [...] A alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre a importação, deveria ter sido a ‘específica’ nos valores definidos pelo art. Art 51 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 com a aplicação dos coeficientes de redução dados pelo art. 1º do Decreto n° 5.062, de 30 de abril de 2004. Tal enquadramento está fundamentado no Relatório de Procedimento Fiscal Anexo. Ocorre que o importador declarou e recolheu o imposto à alíquota ad valorem. [...] Todas estas três situações caracterizam operações puramente comerciais o que nos remete ao já citado parágrafo 6°A do artigo 8o da Lei n° 10.865 de 30 de abril de 2004, e nestes casos as importações deveriam ter sido tributadas em PIS e COFPNS com a utilização de alíquotas específicas em lugar da 'ad valorem' aplicada pelo importador. Remetendose então ao art. 51 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e aplicados os coeficientes de redução dados pelo art. 1o do Decreto n° 5.062, de 30 de abril de 2004, temos o valor para cada uma destas alíquotas conforme a gramatura da PET e que são reproduzidas aqui na TABELA 3. No mesmo sentido, compulsando o tópico 2 do citado Relatório de Procedimento Fiscal (fls. 207/208), verificase que, além de transcrever os preceitos legais que serviram de fundamento para a atuação, a fiscalização descreveu, com clareza, as duas formas de tributação das referidas contribuições incidentes sobre as operações de importação das mercadorias classificadas na NCM 3923.30.00, Ex 01, onde se inclui a mercadoria importada pelas recorrentes, denominada de “Préforma de PET”, e esclareceu que o enquadramento em cada uma das duas formas de tributação dependia da destinação dada a mercadoria, ou seja, a) se destinada ao envasamento de água, refrigerantes ou cervejas, estava sujeita ao recolhimento das referidas contribuições por alíquota específica, conforme estabelecido no art. 51 da Lei 10.833/2003, observado o coeficiente de redução fixado no Decreto 5.602/2004; b) Fl. 4392DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 12 se destinada para outras finalidades, que não o envasamento de água, refrigerante ou cervejas, estava sujeitas ao recolhimento das referidas contribuições por alíquotas ad valorem, conforme a regra geral instituída no art. 8º, I e II, da Lei 10.865/2004. Ainda foi esclarecido pela fiscalização que, nos termos § 6°A do artigo 8° da Lei 10.865/2004, a mercadoria classificada na NCM 3923.30.00, Ex 01, proveniente de importação realizada por pessoa jurídica comercial, independentemente da destinação, também se enquadrava na forma de tributação com base na alíquota específica. Essa, conforme excertos anteriormente transcritos, foi a situação em que fiscalização enquadrou as operações de importação realizadas pelas recorrentes. Portanto, embora a fiscalização tenha mencionado no citado campo do “ENQUADRAMENTO LEGAL”, apenas o dispositivo legal relacionado à aplicação de alíquota “ad valorem”, a menção, de forma expresa, do enquadramento legal e da fundamentação jurídica tando no campo que Descrição dos Fatos como no Relatório de Procedimento Fiscal, que integram os citados Autos de Infração, são suficientes para informar os fundamentos fáticos e jurídicos das autuações, bem como os dispositivos legais que dão sustentação ao crédito tributário lançado. Tanto é assim que a própria impugnante, em sua peça de defesa, à folhas 2.331 a 2.333 reproduz os textos legais e apresenta seu entendimento sobre os fatos. Logo não se vislumbra qualquer equívoco relacionado ao tema, não há nulidade, não há cerceamento ao direito de defesa, o contraditório pôde ser devidamente apresentado. Além disso, as robustas peças de defesa apresentadas pelas recorrentes, em mencionado e analisados os textos legais que serviram de fundamento das autuações e apresentar a sua versão sobre fatos apurados pela fiscalização, evidenciam que as recorrentes tiveram pleno conheciemento dos fatos e enquadramento legal das autuações, o que torna descabida a alegada nulidade das autuações por cerceamento do direito de defesa. Por todas essas razões e tendo em conta que as autuações foram realizadas em perfeita consonância com o disposto no art. 142 do CTN e que atende os requisitos estabalecidos no art. 10 do Decreto 70.235/1972, rejeitase a presente alegação de nulidade. Da exclusão da autuada do polo passivo das autuações. A recorrente (autuada e contribuinte) alegou que, na condição de mera prestadora de serviços, realizara apenas procedimentos burocráticos concernentes ao despacho aduaneiro, não tinha direito de crédito oriundos dos pagamentos das contribuições e não fora beneficiária dos lucros das vendas dos produtos ou da suposta redução no recolhimento das contribuições lançadas nas DI, logo, não podia ser incluída no polo passivo da autuação como principal ou solidária. Entretanto, caso esse entendimento não prevalecesse, que fosse colocada na condição de responsável solidária. Tratase de questão que prescinde da análise da definição de contribuinte e responsável solidário pela Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação, matéria que se encontra definida nos arts. 5º e 6º da Lei 10.865/2004, seguir reproduzidos: Art. 5o São contribuintes: I o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; Fl. 4393DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.387 13 [...]. Art. 6o São responsáveis solidários: I o adquirente de bens estrangeiros, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; [...] (Grifos não originais) Da simples leitura dos transcritos preceitos legais, fica evidenciado que a pretensão da recorrente não pode ser atendida, pois, na condição de contribuinte, ela deve pernecer no polo passivo das autuações. Dessa forma, estando a sujeição passiva legalmente definida, e considerando que os autuados se enquadram perfeitamente nas hipóteses descritas na legislação que rege a matéria, há que se concluir pela ausência de qualquer mácula quanto a este aspecto. Da mudança de critério jurídico. A responsável solidária alegou insubsistência das autuações por mudança de critério jurídico e evidente ofensa ao princípio da confiança e da segurança jurídica. Previamente, a análise da alegação da recorrente, entendese pertinente trazer ao lume uma rápida digressão acerca do que seja mudança de critério jurídico, denominado pela doutrina de princípio da proteção da confiança. Para esse fim, cabe inicial pela análise do teor do art. 146 do CTN, que, no âmbito tributário positivo, é o preceito legal que dispõe sobre a matéria, com os seguintes termos, ipsis litteris: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) Da leitura do referido preceito legal, extraise algumas conclusões básicas. A primeira é que somente tem sentido de falar em mudança de critério jurídico em relação à lançamento realizado pela autoridade fiscal atinente a um mesmo sujeito passivo. A segunda é que a modificação do critério jurídico adotado no lançamento (de ofício) anterior, tenha sido realizada de ofício (ato de ofício) ou em decorrência de decisão administrativa ou judicial (ato de julgamento). A terceira é o novo critério jurídico somente se aplica aos fatos geradores futuros (ocorrido posteriormente à sua introdução do critério jurídico), sendo vedada a sua aplicação aos fatos geradores pretéritos. Assim, para que haja mudança de critério jurídico, necessariamente, precisa haver um prévio lançamento (de ofício), pois a modificação é em relação aos critérios jurídicos adotados pela autoridade fiscal no lançamento anterior. Além dessa condição básica, a vedação da mudança do critério jurídico somente se aplica ao mesmo sujeito passivo e em relação aos fatos geradores pretéritos, o que compreende os lançamentos anteriores já realizados, que não podem se modificados. Nesse sentido, o entendimento doutrinário de Luciano Amaro, para quem: Fl. 4394DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 14 O que o texto legal de modo expresso proíbe não é a mera revisão de lançamento com base em novos critérios jurídicos; é a aplicação desses novos critérios a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução (que não necessariamente terão sido já objeto de lançamento). Se, quanto ao fato gerador de ontem, a autoridade não pode, hoje, aplicar novo critério jurídico (diferente do que, no passado, tenha aplicado em relação a outros fatos geradores atinentes ao mesmo sujeito passivo), a questão não se refere (ou não se resume) à revisão de lançamento (velho), mas abarca a consecução de lançamento (novo). É claro que, não podendo o novo critério ser aplicado para lançamento novo com base em fato gerador ocorrido antes da introdução do critério, com maior razão este também não poderá ser aplicado para rever lançamento velho. Todavia, o que o preceito resguardaria contra a mudança de critério não seriam apenas lançamentos anteriores, mas fatos geradores passados. 1 (grifos do original) Além disso, mudança de critério não se confunde com erro de direito. Este decorre da ignorância da lei ou da sua inadequada interpretação, sendo que no caso de ignorância da lei, a autoridade lançadora se baseia em preceito legal inexistente, revogado ou incompatível com a situação de fato (erro de enquadramento legal), ao passo que na interpretação inadequada, o aplicador interpreta erroneamente o preceito legal, extraindolhe um falso conhecimento (erro de fundamentação jurídica). Por sua vez, a mudança de critéiro jurídico decorre de nova interpretação do preceito legal, atribuindolhe um outro significado idôneo, ou quando autoridade lançadora opta por uma outra alternativa legítima de aplicação do preceito legal. Esse ententimento, está em consonância com a lição de Hugo de Brito Machado, conforme explicitado excerto a seguir transcrito: Não se trata da questão relativa ao erro. Mudança de critério jurídico não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito, embora a distinção, relativamente a este último, seja sutil. Há erro de direito quando o lançamento é feito ilegalmente, em virtude de ignorância ou errada compreensão da lei. O lançamento, vale dizer, a decisão da autoridade administrativa, situase, neste caso, fora da moldura ou quadro de interpretação que a Ciência do Direito oferece. Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado. 2 (grifos do original). Com base nesse entendimento, verificase que, no caso em tela não houve mudana critério jurídico. Pois, além de não ter havido lançamento de ofício anterior, o novo lançamento realizado foi decorrente de nova interpretação da autoridade fiscal, mas da apuração de fato novo, isto é, o produto não fora importado para industrialização, como 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 351. 2 MACCHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 28. ed. São Pualo: Malheiros, 2007, p. 203. Fl. 4395DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.388 15 informado na DI, mas para comercialização no mesmo estado em que fora importado, conforme revelado pelas notas fiscais de venda. De qualquer modo, passase a análise dos argumentos suscitados pela recorrente. A primeira mudança de critério jurídico implementada pela autoridade fiscal, segundo a recorrente, estaria configurado pelo o fato de que num determinado momento a recorrente era autuada por ser “comercial”, e noutro momento, esta mesma empresa tem indeferido regime especial de tributação, por não era puramente comercial. Sem razão a recorrente. A situação por ela relatada não se enquadra na definição de mudança de critério jurídico, pois, a suposta alteração de critério não se refere a lançamento anterior, mas a indeferimento de regime especial tributação, por falta cumprimento de exigências previstas em lei, conforme se infere dos documentos de fls. 2383/2386. A segunda mudança de critério jurídico alegada pela recorrente estaria relacionada ao fato de que autoridade fiscal havia fiscalizado diversos despachos aduaneiros e não apontara qualquer irregularidade. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. O procedimento de despacho aduaneiro não tem natureza de lançamento de ofício. Com efeito, nos termos no art. 542 do Decreto 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009) , o despacho aduaneiro de importação “é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, aos documentos apresentados e à legislação específica”, com vistas liberação ao desembaraço ou liberação da mercadoria importada. Assim, se o despacho aduaneiro de importação não se equipara a lançamento de ofício, certamente, não há mudança critério jurídico no ato de revisão do despacho aduaneiro de importação, que tem por base as informações prestadas na DI pelo próprio importador. Logo, se há algum critério jurídico nessa fase, ele foi introduzido pelo importador e não pela autoridade fiscal. Situação distinta ocorre se, já no curso do despacho aduaneiro, a autoridade fiscal constatando a insuficiência de tributos pagos, procede ao lançamento de ofício da diferença. Nessa hipótese, certamente, fica configurada o lançamento de ofício e a definição de um critério jurídico por parte da autoridade fiscal lançadora, que, se modificado posteriormente, não pode implicar qualquer alteração em relação ao lançamento anteriormente realizado, para majorar o tributo lançado. Além dessas características peculiares aos lançamentos dos tributos aduaneiros, há expressa previsão legal que assegura a autoridade fiscal, antes de concluído o prazo de decadência, a proceder a revisão do despacho aduaneiro, no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, instituído no art. 638 do RA/2009, a seguir transcrito: Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação(DecretoLei nº 37, de Fl. 4396DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 16 1966, art. 54,com a redação dada pelo DecretoLei no2.472, de 1988, art. 2o; eDecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente(DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54,com a redação dada pelo DecretoLei no2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Assim, se há previsão legal, o lançamento por homologação realizado pelo sujeito passivo, por meio da DI, pode ser revisto de ofício pela autoridade fiscal, a qualquer tempo, desde que antes de findo o prazo decadencial, o que está conformidade com o disposto no art. 149, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] (grifos não originais) Logo, se há previsão legal que assegura revisão do despacho aduaneiro, com vistas apurar a regularidade do pagamento dos tributos devidos na operação de importação, evidentemente, não há que se falar em mudança de critério jurídico no âmbito do procedimento de revisão aduaneira que resulta na apuração de recolhimento a menor de tributo por parte do importador, especialmente quando este aplicou procedimento de apuração dos tributos dissonte daquele previsto em lei. Neste caso, por força do disposto no art. 142 do CTN, o lançamento de ofício da diferença apurada deve ser feito, sem qualquer óbice. Com base nessas considerações, fica demonstrado que, no caso em tela, não houve a alegada mudança de critério jurídico, consequentemente, não havia qualquer impedimento para que os lançamentos das diferenças das contribuições devidas e pagas fossem efetuados. Dos pedidos de realização de diligência ou perícia. A responsável solidária alegou que era certo que os elementos probatórios deviam ser acostados aos autos na fase de impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/1972), porém tal providencia não era preclusiva, podendo ser deliberada pela produção de novas provas e realização de diligências, ou até mesmo ajuntada de novos documentos, a qualquer momento, desde que verificado sua necessidade. Não é de todo verdade o que asseverou a recorrente. Diferentemente do alegado, a regra geral no âmbito do processo administrativo fiscal é a ocorrência da preclusão do direito de apresentar provas após encerrado o prazo de impugnação. Esta regra somente é excepcionada nas hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972. Como a Fl. 4397DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.389 17 pretensão da não enquadrava nas situações excepcionais, decidiu com acerto a Turma de Julgamento de primeiro grau não deferir o pedido de juntada posterior de documentos (produção de provas) e correspondente aditamento da impugnação inicial (extensão do prazo). Por sua vez, a autuada reiterou o pedido de realização de perícia apresentado na peça impugnatória, inclusive indicou o perito e formulou os quesitos, conforme exige o art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972. O pleito da autuada não merece acatamento. A uma, porque limitase a análise de meras provas documentais que, em face da natureza do conteúdo, dispensa o concurso de profissional especializado, o que, por si só, torna desnecessária a realização da perícia requerida, conforme expressamente prevê o art. 4203, parágrafo único, I, do Código de Processo Civil. A duas, porque os quesitos formulados podem ser facilmente respondidos com base nos documentos colacionados aos autos. A três, porque as respostas aos quesitos apresentados não terá qualquer relevância para o deslinde da controvérsia. Além disso, em conformidade com o disposto no art. 29 do Decreto 70.235/1972, com vistas a formar livremente sua convicção, a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligência ou perícia quando entendêlas necessárias ou imprescindíveis ao deslinde do litígio, o que não se vislumbra no caso em tela. Por todas essas razões, com respaldo nos art. 18 e 29 do Decreto 70.235/1972, por entender prescindíveis, deve ser indeferidos os pedidos de diligência e perícia formulados pelas recorrentes. II Das Questões de Mérito No mérito, a controvérsia cingese (i) a forma de cobrança das contribuições na operação de importação, (ii) a não dedução (ou “compensação”) dos créditos pagos nas operações de saída dos débitos lançados e (iii) a imposição e efeitos das multas de ofício aplicadas. Da forma de cobrança das contribuições na operação de importação. A forma de apuração dos valores devidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e CofinsImportação nas operações de importação de “préformas de PET”, classificadas na NCM 3923.30.00 Ex 01, dependendo da sua forma de destinação, estão sujeitas (i) à alíquota ad valorem, previstas no art. 8º, I e II, da Lei 10.865/2004, ou (ii) à alíquota específica (faixa de gramatura), prevista no art. 51, II, “b”, da Lei 10.833/2003, combinado com disposto no art. 8º, §§ 6º e 6ºA, da Lei 10.865/2004, a seguir transcritos: Lei 10.865/2004: Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: 3 Eis a redação do citado preceito legal: "Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável." Fl. 4398DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 18 I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. [...] § 6o A importação de embalagens para refrigerante e cerveja, referidas no art. 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e de embalagem para água fica sujeita à incidência do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, fixada por unidade de produto, às alíquotas previstas naquele artigo, com a alteração inserida pelo art. 21 desta Lei. § 6oA A importação das embalagens referidas no art. 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep – Importação e da Cofins – Importação nos termos do § 6o deste artigo, quando realizada por pessoa jurídica comercial, independentemente da destinação das embalagens. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Lei 10.833/2003: Art. 51. As receitas decorrentes da venda e da produção sob encomenda de embalagens pelas pessoas jurídicas industriais ou comerciais e pelos importadores destinadas ao envasamento dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02 e 22.03 da Tipi, ficam sujeitas ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fixadas por unidade de produto, respectivamente, em: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) [...] II embalagens para água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] b) préformas classificadas no Ex 01 do código de que trata a alínea a deste inciso, com faixa de gramatura: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) 1 até 30g (trinta gramas): R$ 0,0102 (cento e dois décimos de milésimo do real) e R$ 0,0470 (quarenta e sete milésimos do real); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) 2 acima de 30g (trinta gramas) até 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0255 (duzentos e cinqüenta e cinco décimos de milésimo do real) e R$ 0,1176 (um mil e cento e setenta e seis décimos de milésimo do real); e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) 3 acima de 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0425 (quatrocentos e vinte e cinco décimos de milésimo do real) e R$ Fl. 4399DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.390 19 0,1960 (cento e noventa e seis milésimos do real); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais) Do cruzamento das informações contidas na planilha de dados das notas fiscais de saída e nas próprias notas fiscais, apresentadas pela responsável solidária e real importadora Bel, com os tipos e quantidade de “préformas de PET” importadas, a fiscalização apurou que a real importadora havia dado saída aos produtos no mesmo estado em que importado, ou seja, sem qualquer industrialização ou transformação, o que caracterizava tais operações com sendo puramente comerciais, logo, por força do disposto no art. 8º, § 6ºA, da Lei 10.865/2004, as ditas operações de importação deveriam ser submetida a forma de tributação por alíquota específica, fixada no art. 51, II, “b”, da Lei 10.833/2003, e não pelas alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a Cofins Importação, determinada no art. 8º, I e II, da Lei 10.865/2004, que foram utilizadas no pagamento das referidas contribuições no âmbito dos respectivos despachos aduaneiros de importação. Em suma, concluiu a fiscalização que as operações de importações, discriminadas na Tabela 6 (fls. 276/280), a real importadora atuara como uma pessoa jurídica comercial, logo, independentemente da destinação das embalagens, por força do disposto no art. 8º, § 6ºA, da Lei 10.865/2004, o cálculo das contribuições devidas deveria ter sido feito com base na citada alíquota específica e não com a utilização das ditas alíquotas ad valorem, como procedera a autuada. Por sua vez, a autuada alegou que, como os referidos produtos, descriminados nas notas fiscais, não foram utilizados para o envasamento de água, refrigerante ou cerveja, a aplicação da alíquota “ad valorem” estava correta, como afirmara a própria fiscalização em suas razões. Não está correta a conclusão da recorrente, pois a referida afirmação da fiscalização não se refere, especificamente, a presente autuação, mas às duas formas de tributação na importação de bens classificados na NCM 3923.30.00, Ex 01, analisadas no item 2 do citado Relatório de Procedimento Fiscal (fls. 207/208). A autuada alegou que a fiscalização utilizou o conceito de “receita” para autuála, mas, notadamente ela nunca auferiu qualquer receita de vendas sobre os ditos produtos (préformas PET), apenas prestou serviço no desembaraço aduaneiro, ficando a responsável solidária Bel com todo os lucros/receitas sobre estas vendas. Com essa alegação a recorrente demonstrou não ter compreendido bem os motivos das autuações nem a forma de apuração das diferenças das contribuições lançadas. As presentes autuações não tratam da cobrança de contribuições sobre receita, nem da autuada e tampouco da responsável solidária, mas da cobrança da diferença entre o valor recolhido, calculado sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, com base nas referidas alíquotas ad valorem, e o valor devido, calculado com base nas citadas alíquotas específicas, conforme explicitado na Tabela 5 (fls. 272/276). Logo em seguida, ao afirmar que sequer tinha direito aos créditos das conbtribuições pagas na operação de importação, pois, nos termos do art. 18 da Lei Fl. 4400DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 20 10.865/2004, pertenciam a real importadora, a recorrente confirma o que foi anteriormente afirmado. As autuações não se trata de cobrança das contribuições sobre as receitas de venda da real importadora no mercado interno, quando esta poderia deduzir, a título de crédito, o valor das contribuições pagas na operação de importação. No caso, enfatizase novamente, tratase de cobrança de diferença das ditas contribuições devidas na operação de importação, em que a autuada, na condição de importadora por conta e ordem, é considerada a contribuinte, nos termos do art. 5º, I, da Lei 10.865/2004. A autuada alegou que a real importadora Bel, no ato da importação, recolhia as contribuições com base na alíquota ad valorem, porque não tinha conhecimento para quem seria vendida a mercadoria. Posteriormente, quando do envio do dito produto ao seu cliente, se por ventura fosse para envase de água, refrigerante ou cerveja, recolhia de acordo com o art. 51 da Lei 10.833/2003, como designa a autoridade fiscalizadora Mais uma vez a recorrente revela desconhecer o motivo das autuações. A cobrança das diferenças apuradas, reafirmase mais uma vez, não foi motivada pela destinação do produto, como alegou a recorrente, mas pelo fato dele ter sido vendido no mercado no mesmo estado em que fora importado, isto é, sem ser submetido a qualquer processo de industrialização, contrariando o que expressamente declarara a real importadora nas respectivas DI de que era uma empresa que industrializava 100% (cem por cento) das préformas importadas. Em suma, o motivo autuação decorreu da constatação pela fiscalização que, de fato, a real importadora atuara como empresa comercial e, nessa condição, por força do disposto no citado no art. 8º, § 6ºA, da Lei 10.865/2004, a operação estava sujeita à alíquota específica das contribuições. A autuada alegou ainda que a fiscalização não considerou o descrito nas DI nem os recolhimentos efetuados pela real importadora, assim havendo nova cobrança de tributos já quitados, tornando as autuações insubsistentes. A fiscalização não levou em consideração a declaração da real importadora no corpo das DI, porque tal declaração revelouse não ser verdadeira. Com efeito, conforme anteriormente já mencionado, nas citadas DI, a real importadora afirmara que importava o produto para industrialização, no entanto, com base nas notas fiscais de venda, por ela própria emitida, ficou demonstrado, de forma irrefutável, que as “préformas de PET” importadas eram revendidas no mesmo estado, sem qualquer transformação. Quanto aos recolhimentos realizados na operação de venda, no mercado interno, pela real importadora, por ser matéria estranha aos autos e diante da falta de informações sobre este fato, este Relator não tem como se manifestar a respeito. De qualquer modo, se houve cobrança em duplicade, certamente, a parcela paga a maior do que a devida é considerada indevida e a real importadora poderá utilizar os meios processuais pertinentes para pleitear a restituição ou compensação do indébito. Da dedução dos crédito pagos na operação de venda. Por medida de justiça e para evitar dupla penalização, a responsável solidária e real importadora alegou que devia ser reconhecido o direito da recorrente à compensação (dedução) dos valores recolhidos “por unidade de medida” nas saídas das mercadorias de seu estabelecimento, com os valores devidos a título de Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação, sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do não confisco, da capacidade contributiva e da vedação ao enriquecimento sem causa. Para a recorrente, não Fl. 4401DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.391 21 houve prejuízo ao fisco na operação, visto que, as contribuições eventualmente não recolhidas no momento do desembaraço aduaneiro foram devidamente recolhidas na saída das mercadorias, pois nestas operações o recolhimento se deu “por unidade de medida”, nos termos do art. 51 da Lei 10.833/2003. Sem adentrar no mérito da justiça do procedimento de dedução ou compensação pleiteado pela recorrente, o certo é que não há previsão legal para realização da dedução ou compensação pretendida. E, na ausência de previsão legal, não pode julgador inovar o feito e determinar um procedimento sem respaldo legal. Não se pode olvidar que as questionadas autuações tratam de lançamento de débitos das citadas contribuições, cujos fatos geradores, nos termos dos arts. 3º, I, e 4º, I, da Lei 10.865/2004, ocorreram na data do registro das respectivas DI. Logo, se houve pagamento dos débitos das citadas contribuições nas fases seguintes ao desembaraço aduaneiro, ainda que segundo a forma e no mesmo valor do débito devido na fase de despacho aduaneiro, evidentemente, tal valor não pode ser utilizado como crédito para deduzir ou compensar os débitos relativos à operação de importação, pois, além de contrariar a própria sistemática ao regime da não cumulatividade, em que a dedução do valor devido (ou presumido como devido) na fase anterior pode ser deduzido com débito devido na operação seguinte, não tem como ser operacionalizada tal dedução (ou “compensação”) sem que haja expressa previsão legal. E sem respaldo legal, este Colegiado, certamente, não tem competência para instituir, deferir ou determinar que seja adotado um novo procedimento de dedução créditos das referidas contribuições com débitos devidos no âmbito do despacho aduaneiro. No caso, é oportuno ressaltar, que há expressa previsão legal de se creditar apenas dos valores de aquisição das embalagens e somente no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. Aliás, nesta hipótese, não sendo possível a deduçao dos créditos com os débitos das próprias contribuições, a lei assegura à empresa comercial adquirente e revendora de embalagens o direito de compensar tais crédito com débitos tributários próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, desde que observada a legislação específica aplicável à matéria, conforme expressamente previsto no art. 51, §§ 2º a 4º, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 51. As receitas decorrentes da venda e da produção sob encomenda de embalagens pelas pessoas jurídicas industriais ou comerciais e pelos importadores destinadas ao envasamento dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02 e 22.03 da Tipi, ficam sujeitas ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fixadas por unidade de produto, respectivamente, em: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) [...] § 2º As receitas decorrentes da venda a pessoas jurídicas comerciais das embalagens referidas neste artigo ficam sujeitas ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na forma aqui disciplinada, independentemente da destinação das embalagens. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 4402DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 22 § 3º A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no § 2º deste artigo poderá se creditar dos valores das contribuições estabelecidas neste artigo referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Na hipótese de a pessoa jurídica comercial não conseguir utilizar o crédito referido no § 3º deste artigo até o final de cada trimestre do ano civil, poderá compensálo com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Dessa forma, por falta previsão legal, ainda que não tenha havido sonegação, dolo ou máfé, conforme alega pela recorrente, não há como ser atendida a pretensão da recorrente de deduzir eventual débito pago na operação de venda no mercador com os débitos devidos na operação de importação, objeto das presentes autuações. Do efeito confiscatório da multa de ofício. A autuada alegou que a multa de ofício aplicada de 75% (setenta e cinco por cento) tinha efeito confiscatório, pois era totalmente desproporcional entre o objetivo de reprimir/desestimular e o de apenar. A multa aplicada está prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.488/2007, e se encotra em plean vigência. Logo, se ela tem ou não efeito confiscatório, tratase de questão que envolve apreciação da constitucionalidade da norma veiculada no citado preceito legal, matéria que, sabidamente, foge da competência deste Colegiado julgador. Por essa razão, não se toma conhecimento dessa questão, que é vedado à instância administrativa de julgamento apreciála, conforme expressamente determinado no art. 26A4 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com redação dada Lei nº 11.941, de 2008. Tal atribuição é reservada, em caráter privativo, ao Poder Judiciário. No âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase determinada no art. 625 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de 4 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 5 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 4403DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.392 23 junho de 2009, e consolidada na sua jurisprudência, conforme disposto no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da exclusão ou redução da multa de ofício. A responsável solidária alegou o direito à exclusão da multa de ofício imposta, por estar fundamentada em disposição legal impertinente (art. 80 da Lei 4.502/1964) ou, na hipótese desta Colegiado manter a imposição, pleiteou que a penalidade fosse aplicada tomando por base apenas a diferença entre as obrigações devidas e as recolhidas à época. De fato, analisando o enquadramento legal da multa aplicada de fl. 81, verificase que, ao invés do art. 44, I, da Lei 9.430/1996, por equívoco foi informado o art. 80 da Lei da Lei 4.502/1964. Entranto, analisando o enquadramento legal de fl. 160, verificase que o equívoco foi corrigido, e o vício completamente sanado, o que conduz a rejeição do pedido da exclusão da multa de ofício aplicada. No que concerne ao pedido de que o percentual da multa incida apenas sobre o valor da diferença entre os valores das contribuições devidas e as recolhidas na DI, tratase de pedido sem o menor sentido, haja vista que foi dessa forma que a fiscalização procedeu e assim deve ser mantido, sem qualquer reparo. III Da Conclusão Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Fl. 4404DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 24 Por todo o exposto, votase por rejeitar as preliminares suscitadas, negar os pedidos de diligência e perícia pleiteados e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO aos recursos, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator. Em que pese a sempre elogiável abordagem feita pelo i. Relator do processo, com as quais concordo em quase sua integralidade, ouso divergir, apenas, em relação ao tópico nominado "Da forma de cobrança das contribuições na operação de importação". O cerne da controvérsia pode ser facilmente compreendido pela leitura do excerto abaixo reproduzido, extraído do Voto do i. Relator, com grifos acrescidos por este Redator. A forma de apuração dos valores devidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e CofinsImportação nas operações de importação de “préformas de PET”, classificadas na NCM 3923.30.00 Ex 01, dependendo da sua forma de destinação, estão sujeitas (i) à alíquota ad valorem, previstas no art. 8º, I e II, da Lei 10.865/2004, ou (ii) à alíquota específica (faixa de gramatura), prevista no art. 51, II, “b”, da Lei 10.833/2003, combinado com disposto no art. 8º, §§ 6º e 6ºA, da Lei 10.865/2004, a seguir transcritos: Com efeito, ao contrário do entendimento expresso no fragmento do Voto acima reproduzido, não vejo como extrair das disposições normativas que disciplinam a matéria condição isentiva que esteja vinculada à destinação do bem (condição objetiva), mas, exclusivamente, à qualidade do importador (condição subjetiva). Para chegar a essa conclusão, creio que seja suficiente a simples leitura do teor do § 6oA, do artigo 8º, da Lei 10.865/2004, conforme segue. Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS Importação. (...) § 6o A importação de embalagens para refrigerante e cerveja, referidas no art. 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e de embalagem para água fica sujeita à incidência do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, fixada por unidade de produto, às alíquotas previstas naquele artigo, com a alteração inserida pelo art. 21 desta Lei. § 6oA A importação das embalagens referidas no art. 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep – Importação e da Cofins – Importação nos termos do § 6o deste artigo, quando Fl. 4405DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 10983.721323/201210 Acórdão n.º 3302003.002 S3C3T2 Fl. 4.393 25 realizada por pessoa jurídica comercial, independentemente da destinação das embalagens. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos acrescidos) Sobressai cristalino do texto do § 6oA, que a incidência das Contribuições com base em alíquota específica (nos termos do § 6º) ocorre quando a importação foi realizada por pessoa jurídica comercial (condição subjetiva presente), independentemente da destinação da embalagem (condição objetiva ausente). E de fato, extraise dos autos que a acusação que originou a exigência crédito tributário controvertido não está fundamentada na condição vinculada à destinação do bem presente no § 6o (embalagem para cerveja, refrigerante ou água), mas, somente, no fato de a importação ter sido destinada à revenda e não à industrialização, o que, segundo o Fisco, ensejaria a aplicação do § 6oA. Contudo, como visto, o texto do § 6oA em nenhum momento condiciona a aplicação da alíquota específica à destinação do bem (se para industrialização ou para revenda), somente à qualidade do importador (se industrial ou comercial). Quanto a isso, data maxima venia, que nem se diga, como pretendeu a instância a quo, que o estabelecimento industrial, no caso da lide, por revender matériasprimas a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, são considerados estabelecimento comercial6 para fins de aplicação do critério definido no § 6oA. A toda evidência, a equiparação em epígrafe destinase a atribuir ao estabelecimento industrial, em atividade comercial, nas condições em que especifica, a condição de equiparado a industrial, nunca o contrário, ou seja, nunca se pretendeu qualificar o industrial que revende como pessoa jurídica comercial. Finalmente, para que não fiquem pendentes outras questões que possam ser suscitadas, releva dizer que a acusação veiculada nos autos em nada refere o fato de a importação ter sido realizada por conta e ordem, figurando como importador pessoa jurídica prestadora de serviços de importação. Ante a ausência de qualquer menção ao assunto no Auto de Infração guerreado, deixo de tecer qualquer consideração a respeito dessa questão específica. Por todo o exposto, uma vez que o direito tributário prestigie o princípio da interpretação cerrada da legislação que disciplina a atuação do adminitrado, e, ainda, que o contribuinte não pode adivinhar que esteja sujeito a condições não especificadas de forma objetiva nessa legislação, VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário. 6 Decreto 4.544/02: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: (...) § 4º Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME , adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª). Fl. 4406DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 26 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Redator Fl. 4407DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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