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Numero do processo: 13002.720521/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos percebidos por pessoas físicas correspondente ao auxílio-alimentação, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado.
Numero da decisão: 2301-004.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. São isentos do imposto de renda os rendimentos percebidos por pessoas físicas correspondente ao auxílio-alimentação, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado.
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Recorrente GABRIEL DOMINGOS SALOMONI Recorrida UNIÃO (REPRESENTADA PELA FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. São isentos do imposto de renda os rendimentos percebidos por pessoas físicas correspondente ao auxílioalimentação, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1652.692, de 14/11/2013, (fls. 58 a 62). Em procedimento de revisão efetuada na DIRPF/2012, anocalendário 2011, foi alterado o resultado de imposto a restituir no valor de R$4.860,70 para crédito tributário apurado no valor de R$4.454,77 (fls. 14/18). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 72 05 21 /2 01 3- 31 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 O lançamento foi decorrente de omissão de rendimentos decorrentes de ação judicial, no valor total de R$26.375,48, e compensação indevida de imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF), no valor de R$126,25. Na impugnação foi alegado, em síntese, que (efl. 02): (a) não houve omissão de rendimentos, pois não foi recebido rendimento algum a título de ação trabalhista; tratase de R$24.938,01 (valor do alvará) + R$1.437,47 (atualização) (total da ação judicial trabalhista: R$26.375,48) + despesas com honorários do advogado, declarado como rendimento isento e não tributável, igual a R$33.386,79 ; (b) o valor de R$126,25 referese ao acréscimo do valor do alvará a contar de 17/06/2011, correspondente à retenção de imposto de renda sobre rendimentos recebidos em virtude de ação judicial. Constou na fundamentação da notificação de lançamento: A base de cálculo dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, em relação às ações judiciais, incluem o IRRF, ou seja, R$33.386,69, conforme documentação apresentada pelo contribuinte, abatendo os honorários advocatícios/perito no valor de R$7.011,21, resulta R$26.375,48. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Os rendimentos recebidos por força de decisão judicial devem ser tributados no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis recebidos por força de decisão judicial incluídos no lançamento. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE Não restando comprovada, mediante documentação hábil e idônea, parte da retenção correspondente a rendimento recebido no anocalendário em questão, fica mantida a glosa da dedução do imposto retido na fonte. A ciência dessa decisão ocorreu em 02/12/2013 (fl. 67). Em 20/12/2013, foi apresentado recurso voluntário (efls. 69 a 70), no qual é afirmado que o valor teria sido recebido a título de auxílioalimentação, sendo, portanto, isento, face ao disposto no art. 6º, I, da Lei 7713, de 1988. Foi requerida a anulação do auto de infração. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13002.720521/201331 Acórdão n.º 2301004.755 S2C3T1 Fl. 91 3 É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. A sentença da reclamatória trabalhista juntada aos autos (fls. 72 a 81) demonstra que o seu objeto versa sobre “o item auxílioalimentação”. De acordo com o art. 6, I, da Lei 7.713, de 1988, tais verbas são isentas do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: I a alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado; Provada a natureza das verbas recebidas, a qual é alcançada pela citada norma isentiva, impõese o cancelamento da autuação. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. João Bellini Júnior – relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001465/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/1996
PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO CO-OBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA.
Na forma da Portaria MPS n°520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co-obrigado solidário.
Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raiss
JOÃO BELINNI JÚNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
EDITADO EM: 21/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/1996 PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO CO-OBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. Na forma da Portaria MPS n°520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co-obrigado solidário. Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO COOBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. Na forma da Portaria MPS n°520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado solidário. Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raiss AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 14 65 /2 00 7- 71 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 JOÃO BELINNI JÚNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. EDITADO EM: 21/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.001465/200771 Acórdão n.º 2301004.457 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Li o Relatório produzido pela instância a quo, e tendo corroborado , por economia processual, com grifos de minha autoria, abaixo o reproduzo na íntegra: "Tratase de crédito previdenciário relativo a contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social rubricas segurados, empresa, e contribuições destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho rubrica sat/rat, incidentes sobre a remuneração de trabalhadores contratados por cessão de mãodeobra na atividade de consultoria, nas competências 02/96, 04/96, 08/96 e 09/96, conforme Relatório Fiscal, de $s. 92/95, que substituiu o Relatório Fiscal, de $s. 23/25, no montante de R$ 13.248,28 (treze mil, duzentos e quarenta e oito Reais e vinte e oito centavos), consolidado em 20/1212005. 2. O Relatório Fiscal esclarece: 2.1. no exame de serviços discriminados em Notas Fiscais da empresa prestadora de serviços OBTRAN PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA, CNPJ 00.034.77810001 11, com endereço na Rua Frei Gaspar , 293, Centro, São Vicente, SP, CEP 96205 000, verificouse a colocação de segurados à disposição do contribuinte para a realização de serviços de Consultoria executados no estabelecimento da empresa contratante; 2.2. o contribuinte deixou de apresentar cópia das folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas dos segurados que lhe prestaram serviço, ensejando a lavratura de Auto de Infração pela não apresentação de todos os documentos solicitados, bem como a presente notificação fiscal, conforme determinação do art. 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91 e OS INSS/DAF n"83, de 13/08193; 2.3. as contribuições foram apuradas com base nas notas fiscais e faturas disponibilizadas pelo contribuinte, obtendose o salário de contribuição pela aplicação de 40% (quarenta por cento) sobre o valor total do serviço discriminado nas notas fiscais, conforme demonstrativo, nos termos do item 11 da OS INSS/DAF n° 83/93; 2.4. verificado o cadastro da Previdência Social não foi constatada fiscalização total na empresa contratada, sendo que os recolhimentos existentes no contacorrente não permitem concluir que se refiram aos valores de contribuição devida pela cessão de trabalhadores a Bunge Fertilizantes S/A; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 2.5. será emitido subsídio fiscal encaminhado para a Delegacia circunscrncionante do estabelecimento sede da empresa prestadora de serviço. 3. Cientificado pessoalmente da notificação em 21112/2005 (fls.01), o contribuinte fiscalizado interpôs aos 0310112006, sob protocolo e 35464.0000951200662, a defesa, de fls.32/48, acompanhada de Instrumento deProcuração Substabelecimento (fls.49/51), cópia de Atas de Assembléia de 29/11/2002 e 29/0412005 (fls. 52153), cópias de notas fiscais de serviço ($s. 54/57), e de Consulta ao Extrato do Devedor do Sistema Dívida da Procuradoria GCREDEXT; EERDEB 3.1. de acordo com osart_173 e 1.564o CTN, doutrina e julgados do TRF e STJ, é patente a decadência dos tributos lançados, visto que o período fiscalizado é de 0111995 a 12/1996 e a data limite para cobrar os tributos referentes ao último período seria o mês de dezembro de 2001, e não dezembro de 2005 como no presente caso, concluindo, após citação do art. 475L do Código de Processo Civil, ser inexigível o título judicial fundado em Lei ou ato normativo inconstitucional ou incompatível com a Constituição; 3.2. os documentos não foram apresentados em razão do STJ já ter pacificado a matéria decadência em 5 anos, não havendo como se exigir da Defendente documentos referentes a períodos anteriores, pois conforme art. 5% inc. II da Constituição Federal, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; No Mérito 3.3. houve observância do art. 31, § 3° da Lei n° 8.212/91, razão pela qual a responsabilidade deve ser elidida. Ante a farta documentação comprobatória apresentada à fiscalização, novamente aqui anexada, concluise que as contribuições lançadas sobre o valor das notas fiscais foram regular e devidamente recolhidas, pois a Defendente sempre condicionou todo e qualquer pagamento devido a prestador de serviços, à comprovação por parte destes dos recolhimentos previdenciários com a cópia da folha de pagamento e os respectivos recolhimentos, sob pena de suspensão de qualquer crédito que eventualmente lhe fosse devido; 3.4. a Defendente transcreve acórdão da 1° Turma do STJ no RESP 200200136497PR, no sentido de que a solidariedade prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91 não comporta beneficio de ordem, e que para incidir na possibilidade de elisão estabelecida no § 3°,do art. 31, o contratante deveria ter exigido do executor a apresentação dos comprovantes relativos às obrigações previdenciárias, previamente ao pagamento da nota fiscal ou fatura; 3.5. ressalta que no tocante aos juros, uma vez que o valor principal se encontra sob o valor atualizado, e a multa decorrer de percentual incidente, eventuais juros, somente seriam devidos a contar de 21/12/2005, data da lavratura da NFLD; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.001465/200771 Acórdão n.º 2301004.457 S2C3T1 Fl. 4 5 3.6. a Defendente, cita o art. 292, inc. V, combinado com o art. 291, §1° do Decreton°3.048199,argumentando que aprova documentalanexadademonstra que é primária, cumprindo rigorosamente a legislação previdenciária, não incorrendo em nenhuma circunstancia agravante, fazendo jus à redução de 50% do valor da infração lavrada na presente NFLD, caso não seja julgada insubsistente a notificação; 3.7. diante do exposto, protesta pela juntada'posterior de outras provas em direito admitidas, aguarda o acolhimento das preliminares e, no mérito, requer seja julgada insubsistente a NFLD com o cancelamento da multa imposta de forma indevida ou, pelo principio da eventualidade, a redução da multa imposta e ainda a eventuais juros, somente a contar de 21/12/2005, requerendo através do PT n° 35464.004592/200660(fl'/s. 84/89), que as procurações sejam feitas em nome de seu Procurador." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de fls.133 , a 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SPOI , em 17 de abril de 2008, exarou o Acórdão n° 1616.932 , mantendo o crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, a autuada interpôs Recurso Voluntário de fls. 157, onde reiterou e as alegações que fizera em sede aquo É o Relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE Por questão de ordem, é relevante registrar que a empresa tomadora fora intimada do acórdão de primeira instância na forma do AR de fls 156, em 28/07/2008. Entretanto, é compulsório consignar que não se verifica nos autos documento probante de que a empresa prestadora tenha sido notificada Conforme registro de fls. 76 o i. Julgador a quo requereu DILIGÊNCIA. Na forma do item 7 e seguintes da referida solicitação, a instância a quo ao explicitar as razões de fazêlo acabou por motivar de forma extemporânea o lançamento original: "7. Apesar de constar do Relatório Fiscal que o lançamento foi resultado do exame de lançamentos contábeis, notas fiscais/faturas e contratos , não se observa a indicação do tipo de serviço executado, tampouco a justificativa do enquadramento do serviço prestado como sendo por cessão de mão de obra. 8. Considerando que o Relatório Fiscal informa o exame dos registros contábeis, embora do TEAF não conste o Livro Diário entre os documentos examinados. 9. Considerando a necessidade de se resguardar o direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa. 10. Nos termos do art. 11 da Portaria MPAS n° 520/2004, encaminhamos os autos para realização de diligência fiscal , solicitando à AFPS Notificante: 10.1. que esclareça se o lançamento foi obtido com base nos lançamentos contábeis, contratos e notas fiscais apresentados pela empresa ou somente a partir dos lançamentos contábeis; 10.2. que informe, a partir da análise de contrato(s) de prestação de serviços, se possível, com a juntada de cópia do mesmo aos autos, o tipo de serviço executado, bem como justificando o enquadramento do lançamento no conceito de cessão de mão de obra; 10.3. confirmandose a prestação de serviços por cessão de mão de obra, deverá ser elaborado Relatório Fiscal Substitutivo (em Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.001465/200771 Acórdão n.º 2301004.457 S2C3T1 Fl. 5 7 duas vias, anexandose a 2a via à contracapa destes autos), do qual conste: a) o correto período abrangido por esta NFLD; b) o tipo de serviço prestado; c) as razões de seu enquadramento no conceito de cessão de mão de obra; d) as demais informações constantes dos artigos 45 e 52 da OI SRP n° 1112005, conforme item 6 supra; 10.4. em caso de recusa ou não apresentação de documentos para viabilizar a diligência fiscal, ressaltar esta informação no Relatório Fiscal Substitutivo; 10.5. demais esclarecimentos que julgar necessários. 11. À Sra. Chefe do Serviço de Contencioso Administrativo para conhecimento e encaminhamento ao Serviço de Fiscalização para prossegui " Como se nota, o expediente acima orientando o refazimento do lançamento original não só abriu novo prazo para manifestação mas , também, ensejou a nulidade do ato . DA DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial. DA PORTARIA MPS nº 520/2004 Por relevante, impõese revelar que à época das notificações. " in casu" vigia a Portaria MPS n° 520/2004 trazendo comando enfático ao estabelecer que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co obrigado solidário. Dispondo sobre os processos administrativos no âmbito do INSS, a sobredita Portaria disciplinava os processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, Auto de Infração. Neste sentido , impende transcrever o art. 34, com destaque para o comando do § 4º da referida norma vigente na oportunidade do lançamento : “Art. 34 A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado.”( grifos de minha autoria) Conforme fls.92/95, o novo relatório fiscal determinado pela instância a quo foi realizado em 28/03/2007, reabrindose prazo para nova defesa..Aduz que fora entregue para a tomadora dos serviços via AR em 30/05/2007, fls.100. Às fls. 98, no item 3 do despacho em comento, se nota orientação plural para intimar os contribuintes. Entretanto , é de se ressaltar que a prestadora no foi notificada: "Analisados os autos, considerando o direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa, o julgamento foi convertido em diligência com a solicitação de esclarecimentos sobre o lançamento fiscal e, se necessário, a emissão de Relatório Fiscal Substitutivo. 2. A diligência fiscal foi cumprida pela Auditora Fiscal Notificante com emissão da S Informação Fiscal, de fls. 96. 3. Assim sendo, encaminhamos os presentes autos ao Serviço de Orientação dá Recuperação de Créditos Previdenciários para comunicar os contribuintes tomador e prestador de serviços deste despacho, além dos seguintes: despacho de conversão do julgamento em diligência (fls. 76/82), Relatório Fiscal Substitutivo (fls. 92/95), e Informação Fiscal resultante da diligência (fis. 96), cujas 2' vias encontramse anexas à contracapa, cientificandoos de que têm o prazo de 15 (quinze) Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.001465/200771 Acórdão n.º 2301004.457 S2C3T1 Fl. 6 9 dias para, se assim desejar, manifestarse nos autos com a interposição de nova defesa. 4. Esgotado o prazo, com ou sem manifestação da empresa, retornar os autos a este Serviço para emissão de decisão." Em razão do sobredito,considerando a data 30/05/2007 para contagem do prazo decadencial, as competências 04/2002 e anteriores se observam decaídas e os créditos então constituídos no interregno apontado, restaram fulminados pelo Instituto da Decadência. Relevante ressaltar que ainda que se considere a data 21/12/2005, referida às fls 01, como marco para contagem decadencial quando a tomadora fora pessoalmente cientificada da autuação, as competências 11/2000 e anteriores já teriam sido alvejadas pelos efeitos do Instituto da Decadência desconstituindo integralmente o lançamento suportado no período 02/96 a 09/96. A realidade encimada, suplanta o ato nulo apontado alhures de vez que o sobredito novo relatório fiscal de fls.161, fora realizado em 28/03/2007 motivando lançamento já então decaído. CONCLUSÃO Diante do exposto, por quaisquer dos critérios previstos no Código Tributário Nacional CTN., todos os créditos tributários constituídos restaram fulminadas pelo Instituto da Decadência.Compulsório portanto,reconhecer e declarar a DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário para EM PRELIMINAR , quer seja nos termos do comando do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou nos do 173 do mesmo Diploma Legal, RECONHECER e DECLARAR A DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10675.001816/00-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos acolhidos para rerratificar o Ac. CSRF nº 9303-00.308, de 23 de outubro de 2009, cuja ementa passa a ter a seguinte redação:
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO
As receitas provenientes de revenda de produtos no mercado interno devem ser excluídas da receita operacional bruta para fins de apuração do crédito presumido de IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO. COMBUSTÍVEIS E LENHA. SÚMULA CARF Nº 19
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
Recurso Especial do Procurador parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-003.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer a omissão, alterando o resultado do julgamento do recurso especial de "recurso especial do procurador negado" para "recurso especial do procurador provido em parte".
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos acolhidos para rerratificar o Ac. CSRF nº 9303-00.308, de 23 de outubro de 2009, cuja ementa passa a ter a seguinte redação: CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO As receitas provenientes de revenda de produtos no mercado interno devem ser excluídas da receita operacional bruta para fins de apuração do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COMBUSTÍVEIS E LENHA. SÚMULA CARF Nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Recurso Especial do Procurador parcialmente provido.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos acolhidos para rerratificar o Ac. CSRF nº 930300.308, de 23 de outubro de 2009, cuja ementa passa a ter a seguinte redação: CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO As receitas provenientes de revenda de produtos no mercado interno devem ser excluídas da receita operacional bruta para fins de apuração do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COMBUSTÍVEIS E LENHA. SÚMULA CARF Nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Recurso Especial do Procurador parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer a omissão, alterando o resultado do julgamento do recurso especial de "recurso especial do procurador negado" para "recurso especial do procurador provido em parte". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 18 16 /0 0- 17 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de análise de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão da CSRF nº 930300.308, correspondente a pedido de restituição/ressarcimento do crédito presumido de IPI, consubstanciado, apresentado em 11 de outubro de 2000, relativamente aos períodos de julho a setembro de 2000, sob o argumento de que teria havido omissão no bojo do acórdão proferido: (...) O colegiado somente analisou se a receita de produtos revendidos no mercado interno integra a receita operacional bruta. Ocorre que, no caderno processual às fls. 792/797, consta recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para discutir também se os valores de aquisição de óleo combustível e lenha geram direito ao crédito presumido de IPI. Este recurso, aliás, foi admitido pelo despacho de fls. 799/801. Sobre o aludido apelo especial, o colegiado não se manifestou, incorrendo em omissão que merece ser sanada por meio destes embargos. A ementa dessa decisão embargada possui a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO. As receitas provenientes de revenda de produtos no mercado interno devem ser excluídas da receita operacional bruta para fins de apuração do crédito presumido de IPI. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10675.001816/0017 Acórdão n.º 9303003.883 CSRFT3 Fl. 989 3 Recurso Especial do Procurador Negado. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López Tratase de análise de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional. DOS FATOS O Acórdão 20178.588, do então Segundo Conselho de Contribuintes, objeto de recurso para a CSRF, possui a seguinte redação: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EMPRESA PRODUTORA EXPORTADORA. CONCEITO. 0 conceito de empresa produtora e exportadora, para efeito da concessão do credito presumido, inclui as empresas que possuem estabelecimentos equiparados a industrial e promovem industrialização por encomenda (PN CST nºs 86/70 e 458/70). CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E IMPORTADAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI REFERENTE AO PIS E COFINS. COMBUSTÍVEIS E LENHA. 0 valor da aquisição de tais itens, quando consumidos no processo produtivo das mercadorias exportadas, gera o direito ao crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. COMBUSTÍVEIS EMPREGADOS EM EMPILHADEIRA. PRODUTOS QUÍMICOS. VARIAÇÕES CAMBIAIS. Somente é admissível a inclusão, na base de cálculo do incentivo, de valores relativos a aquisições de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários. As variações cambiais não compõem a receita operacional bruta e a receita de exportação, para efeito de apuração do crédito presumido de IPI. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. Inexiste previsão legal para incidência de juros sobre os valores ressarcidos. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 4 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BRASPELCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (...) III) por maioria de votos: a) deuse provimento quanto ao crédito sobre óleo combustível e lenha para caldeira. Vencidos os Conselheiros (...). Designado o Conselheiro (...) para redigir o voto vencedor nesta parte; e b) negouse provimento quanto à atualização monetária entre a data do pedido de ressarcimento e o ressarcimento e/ou a compensação. Vencidos os Conselheiros (...) consta do voto vencedor: VOTO DO CONSELHEIRO ROGÉRIO GUSTAVO DREYER (DESIGNADO QUANTO AO CRÉDITO SOBRE ÓLEO COMBUSTÍVEL E LENHA PARA CALDEIRA) Meu entendimento, relativamente aos itens combustíveis e lenha, na condição de produtos intermediários, tem se pautado pelo entendimento de que, havendo participação do produto no processo produtivo, como indispensáveis para a obtenção do produto exportado, tais devem beneficiarse do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e Cofins. Não tenho dúvidas da essencialidade da aplicação do óleo combustível e a lenha para a obtenção de produto. Sem a utilização de tais itens no processo industrial de curtimento do couro (aquecimento de fulões), não há como fabricar tal mercadoria. Indispensável, portanto, a sua utilização. Divirjo, então, do ilustre Relator nesta parte para, quanto a ela, dar provimento ao recurso interposto. A UNIÃO (Fazenda Nacional) com fundamento no art. 32, inciso I, do então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria no 55, de 12/03/98, apresenta Recurso Especial (contrariedade à lei). Insurgese quanto à inclusão na base de cálculo dos valores relativos á aquisições de óleo combustível e lenha para caldeira na base de cálculo do crédito presumido do IPI referente ao PIS. Pelo Despacho nº 201 060, de fls. 799, o recurso foi recebido: Assim, RECEBO 0 RECURSO interposto pela Procuradora da Fazenda Nacional as fls. 792/797, quanto á inclusão dos valores relativos á aquisições de óleo combustível e lenha para caldeira na base de cálculo do crédito presumido do IPI referente ao PIS. O contribuinte apresenta contrarrazões (e Embargos de Declaração) pela qual pede pela manutenção do acórdão recorrida. Aduz: Óleo combustível e lenha para caldeira são insumos que compõem o custo de produção para efeitos de cálculo do credito presumido de IPI, pois se conformam ao conceito de produto intermediário, na medida em que são imprescindíveis para a obtenção do produto final exportado. Dizer que são Fl. 991DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10675.001816/0017 Acórdão n.º 9303003.883 CSRFT3 Fl. 990 5 imprescindíveis significa dizer que sem eles o produto final — couro exportado — não existiria. Conforme reiteradas decisões deste Segundo Conselho, amparadas no conceito do inciso I, do art. 82, do RIPI/82: (...) Não se discute que o óleo combustível e a lenha para caldeira não se integraram no couro fabricado (produto final); o que se afirma é que sem eles, os fulões, nos quais o couro sofre um de seus processos de transformação, não teriam se aquecido e, com isso, o couro não teria se transformado no produto final que foi exportado. Logo, tendo sido consumidos no processo de obtenção do produto final, enquadramse perfeitamente na hipótese do art. 82, inciso I, do RIPI182, também reconhecido pela Fazenda Nacional como a norma a ser aplicada no presente caso. Quanto ao parecer CST no 65, de 31 de outubro de 1979, expressamente citado nas razões recursais, observase que o mesmo dá respaldo ao direito do contribuinte, na medida em que os requisitos por ele exigido para a configuração de determinado insumo como matériaprima ou produto intermediário são plenamente satisfeitos pelo óleo combustível e lenha para caldeira. Vejamos: 1. devem ser consumidos (além do consumo normal, também o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicoquímicas), em decorrência de uma ação direta sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida; 2. não pode ser parte nem peça de máquina; 3. não pode estar compreendido no ativo permanente. Não obstante isso, inúmeras decisões do Conselho de Contribuintes acenam para a possibilidade de fruição de crédito presumido a partir da aquisição de lenha e combustível. Vejamos: (...) O contribuinte, conforme exposto, também apresentou Embargos de Declaração. Segundo a embargante, "A presente decisão deixou de contemplar a análise e julgamento do pedido de exclusão, da receita operacional bruta, do resultado da venda no mercado interno dos produtos adquiridos de terceiros e revendidos no mercado interno, devidamente suscitados na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário". Ademais, teria sido "obscura no que se relaciona ao pedido de exclusão da multa de mora (20%) sobre os débitos que foram compensados com o crédito presumido de IPI (...)". Sob o entendimento de que o acórdão embargado deixou de apreciar, efetivamente, a questão da exclusão das revendas do total da receita bruta, apreciou a questão da multa como se se tratasse de outra hipótese e omitiuse, no dispositivo, relativamente à inclusão de insumos adquiridos pela interessada e utilizados na fabricação por encomenda de produtos exportados, os embargos foram admitidos. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 6 Ante o exposto, na condição de Presidente da Câmara onde o Acórdão foi prolatado, entendo que são cabíveis os embargos declaratórios sobre o Acórdão nº 20178.588, nos termos do artigo 27 do Anexo II da Portaria MF nº 55/1998. Por meio do Acórdão 20179.879, o acórdão foi retificado. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Demonstrada a omissão e obscuridade no Acórdão nº 202 78.588, devese retificálo por meio de outro acórdão, cuja ementa passa a ter a seguinte redação: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IP1 Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. São admissíveis, na base de cálculo do incentivo, os créditos sobre matériaprima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos pelo encomendante para a industrialização por encomenda. A receita operacional bruta deve ser excluída da receita de produtos adquiridos de terceiros e revendidos no mercado interno, para efeito de apuração do crédito presumido de IPI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. DÉBITO VENCIDO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A extinção do crédito tributário por meio de compensação ocorre na data de apresentação da respectiva declaração, incidindo os encargos moratórios devidos sobre o crédito compensado. Recurso provido em parte." ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar e reratificar o Acórdão nº 20278.588 para: 1. retificar o resultado do julgamento para "por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso, quanto ó admissão dos créditos sobre matériaprima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos pelo encomendante para a industrialização por encomenda"; 2. retificar o acórdão para sanar incorreção relativa à multa de mora, passando o resultado Fl. 993DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10675.001816/0017 Acórdão n.º 9303003.883 CSRFT3 Fl. 991 7 do julgamento para: 'Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, quanto à exclusão da multa de mora na compensação", e 3. sanar a omissão do acórdão quanto à exclusão da receita operacional bruta da receita de produtos adquiridos de terceiros e revendidos no mercado interno, cujo resultado passa a ser o seguinte: "por unanimidade de votos, deu se provimento ao recurso". Consta, no entanto do voto: A vista do exposto, voto por acolher os embargos para retificar e ratificar o acórdão embargado, passando o resultado global do julgamento a ser o seguinte: "Deuse provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos: a) negouse provimento quanto ao fato de o cálculo do último trimestre englobar o resultado negativo do trimestre anterior; quanto ao crédito sobre insumos adquiridos do exterior; quanto ao gás combustível para empilhadeira; quanto à inclusão da variação cambial sobre o preço das exportações e quanto a exclusão da multa de mora na compensação; e b) deuse provimento quanto suspensão c/a cobrança dos débitos até a apreciação final do ressarcimento, para admitir o crédito sobre matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo encomendante para a industrialização por encomenda e quanto a exclusão da receita operacional bruta da receita de produtos adquiridos de terceiros e revendidos no mercado interno; II) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto ao crédito sobre matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo encomendante para a industrialização por encomenda e quanto ao crédito sobre insztinos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Vencidos os Conselheiros (...) que davam provimento quanto ao crédito sobre o total da industrialização por terceiros e por encomenda; e II) por maioria de votos: a) deuse provimento quanto ao crédito sobre óleo combustível e lenha para caldeira. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco (Relator), Mauricio Taveira e Silva e Josefa Maria Coelho Marques. Designado o Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer para redigir o voto vencedor nesta parte; e b) negouse provimento quanto à atualização monetária entre a data do pedido de ressarcimento e o ressarcimento e/ou a compensação. Vencidos os Conselheiros (...) Dessa nova decisão, a Fazenda Nacional interpõe outro Recurso Especial, desta vez "de divergência": A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), pelo procurador infraassinado, com fundamento no art. 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem interpor RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA, em face do acórdão proferido por esta colenda Câmara, no processo administrativo Fl. 994DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 8 em referência, requerendo seu regular processamento e posterior remessa à egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. (...) Insurgese a União (Fazenda Nacional) contra acórdão em que a Primeira Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para excluir do conceito de receita operacional bruta a receita de produtos adquiridos de terceiros e revendidos no mercado interno. Pelo DESPACHO nº 201103/08, o recurso especial de divergência foi também recebido: Pela divergência de interpretação trazida, RECEBO 0 RECURSO interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional , quanto a exclusão da receita de produtos adquiridos de terceiros e revendidos no mercado interno, da apuração do percentual entre receita de exportação e receita operacional bruta. O contribuinte foi cientificado do Acórdão no 20179.879 e do novo Recurso Especial da Procuradora da Fazenda Nacional, através do oficio de fls. 887 (AR da ciência fls. 888). O contribuinte apresentou em 20/06/2008, Contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 889 a 906) onde pede pelo não conhecimento do recurso. Se conhecido, pela manutenção da decisão "a quo". Por meio do Ac. da CSRF nº 930300.308, 3ª Turma, Sessão de 23 de outubro de 2009, o Colegiado negou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I PI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO. As receitas provenientes de revenda de produtos no mercado interno devem ser excluídas da receita operacional bruta para fins de apuração do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Procurador Negado. Conforme relatado, tratam os presentes autos de divergência acerca da apuração do crédito presumido de IPI. A decisão recorrida reconheceu de forma unânime a exclusão das receitas provenientes de revenda no mercado interno da receita operacional bruta no cálculo do crédito presumido de IPI. Percebese que a matéria analisada foi exclusivamente quanto a interposição do segundo recurso especial da Fazenda Nacional, fruto do acolhimento dos embargos interpostos pela contribuinte. Estabelece o artigo 65 do RICARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma". Fl. 995DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10675.001816/0017 Acórdão n.º 9303003.883 CSRFT3 Fl. 992 9 Razão assiste à embargante. Consta do Despacho nº 201060 (fl. 854): Assim, RECEBO O RECURSO interposto pela Procuradora da Fazenda Nacional as fls. 792/797, quanto à inclusão dos valores relativos à aquisições de óleo combustível e lenha para caldeira na base de cálculo do crédito presumido do IPI referente ao PIS. No entanto, o acórdão apenas se manifestou sobre: "As receitas provenientes de revenda de produtos no mercado interno devem ser excluídas da receita operacional bruta para fins de apuração do crédito presumido de IPI." Dentro do que especificamente dispôs o art. 65 do RICARF, claro está ter ocorrido no julgamento, omissão de matéria recorrida, que deveria terse pronunciado a Eg. CSRF à época do julgamento do feito. Em síntese, duas matérias foram acolhidas para análise da CSRF, eis que dois recursos foram apresentados. Porém, apenas uma foi objeto de apreciação. Passo então à análise da matéria em que houve omissão no acórdão julgado. aquisições de óleo combustível e lenha para caldeira na base de cálculo do crédito presumido do IPI A questão central do primeiro recurso fazendário diz respeito a inclusão dos custos com aquisição de óleo combustível e lenha na base de cálculo do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/96. Muito embora, entenda esta Conselheira que o óleo combustível e lenha para caldeira são insumos que compõem o custo de produção para efeitos de cálculo do credito presumido de IPI, pois se conformam ao conceito de produto intermediário, na medida em que são imprescindíveis para a obtenção do produto final exportado, essa matéria encontrase pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 19, in verbis: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Impende observar que as Súmulas do CARF são de observância obrigatória, pelos conselheiros, sob pena de perda de mandato. Portanto, há de se dar provimento ao recurso especial da Fazenda Pública para afastar o aproveitamento dos custos com aquisição de óleo diesel e lenha, para fins de crédito presumido do IPI. CONCLUSÃO Embargos acolhidos com efeitos infringentes para rerratificar o Ac. CSRF nº 930300.308, de 23 de outubro de 2009, cuja ementa passa a ter a seguinte redação: CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 10 As receitas provenientes de revenda de produtos no mercado interno devem ser excluídas da receita operacional bruta para fins de apuração do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COMBUSTÍVEIS E LENHA. SÚMULA CARF Nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Dessa forma, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer a omissão, alterando o resultado do julgamento do recurso especial, de "Recurso Especial do Procurador Negado" para "Recurso Especial do Procurador Provido em Parte". É como voto. Maria Teresa Martínez López Fl. 997DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003747/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
FOLHA DE PAGAMENTO. PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO.
A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, deixou de ser incluída em folha de pagamento, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9o do art. 225 do RPS/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 FOLHA DE PAGAMENTO. PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, deixou de ser incluída em folha de pagamento, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9o do art. 225 do RPS/99. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, deixou de ser incluída em folha de pagamento, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9o do art. 225 do RPS/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 37 47 /2 00 8- 81 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CONSTRUTORA ITAMARACÁ LTDA em face do Acórdão n.º 0220.904, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Belo Horizonte, fls. 140148, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra os Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) nº 37.160.0758, o qual trata de aplicação de penalidade por infração ao art. 32, inciso I, da Lei n.° 8.212/91, decorrente do fato de a empresa ter deixado de incluir, em folha de pagamento, os valores de salário alimentação in natura, fornecidos aos segurados empregados, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A autuada apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) que possui inscrição no PAT, conforme documento anexado à impugnação, extraído do sítio do Ministério do Trabalho; b) que o fornecimento de alimentação in natura está previsto em convenção coletiva, não tem natureza salarial e não integra a remuneração do empregado. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado, cujo julgado restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PREPARO DE FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES. Constitui infração ao art. 32, I da Lei n.° 8.212/91, combinado com o correspondente artigo do Decreto regulamentador, a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados a seu serviço, nos termos da legislação pertinente. Lançamento Procedente O sujeito passivo foi intimado dos autos de infração em 17/03/2008, fls. 02, e teve ciência do acórdão da DRJ em 05/11/2009 (quintafeira), fls. 156. O prazo de trinta dias para interposição de recurso iniciouse em 18/03/2008 (sextafeira), encerrando em 05/12/2009 (sábado), caso em que o termo final fica prorrogado para o primeiro dia útil subsequente, 07/12/2009, segundafeira. Em 07/12/2009, a interessada, representada por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso, f. 160177, reiterando os pedidos e os fundamentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15504.003747/200881 Acórdão n.º 2301004.494 S2C3T1 Fl. 266 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito Auxílio Alimentação in natura. Inclusão em Folha de Pagamento A fiscalização, com base nos registros contábeis da empresa, identificou que essa fornecia alimentação in natura aos seus empregados, cuja parcela não foi incluída na folha de pagamento. A interpretação literal do art. 28, § 9o, alínea "c", da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, leva ao entendimento de que só ocorre isenção da parcela in natura quando concedida nos termos do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura é considerada salário indireto e, por consectário lógico, integra a remuneração do trabalhador: Lei 8.212/91 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça passou a interpretar esse dispositivo legal à luz dos arts. 195, I, alínea "a", e 201, § 11, da Constituição Federal, pacificando o entendimento de que este pagamento se trata de verba indenizatória não sujeita à incidência de contribuição social previdenciária, sendo irrelevante o fato de a empresa estar ou não inscrita no PAT. O entendimento de que a alimentação in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT, foi adotado pelo Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro Fl. 267DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". JURISPRUDÊNCIA: Resp n° 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp n° 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp n° 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp n° 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp n° 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp n° 977.238/RS (dJ 29/11/2007). Ocorre que a materialidade da infração é caracterizada pela omissão, em folha de pagamento, de parcela da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9º do art. 225 do RPS/99: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; ... § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, empresário, trabalhador autônomo ou a este equiparado, e demais pessoas físicas; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e (g.n.) V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Em suma, a infração está materializada, e, por conseguinte, incide a multa, nos termos do auto de infração. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15504.003747/200881 Acórdão n.º 2301004.494 S2C3T1 Fl. 267 5 Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO e NEGAR LHE PROVIMENTO. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000957/2007-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não haver divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-003.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não haver divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não haver divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 57 /2 00 7- 69 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000957/200769 Acórdão n.º 9202003.864 CSRFT2 Fl. 486 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 220200.360, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 03 de dezembro de 2009 (efls. 294 a 311). Ali, por unanimidade de votos, foram rejeitadas as preliminares e deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R P F Exercício: 2002, 2003 DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo o imposto de renda das pessoas físicas sujeito a apuração e ajuste na declaração anual, independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar somente decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano calendário questionado. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1o. CC n. 14). OPERAÇÕES BANCÁRIAS NO EXTERIOR ILEGITIMIDADE PASSIVA PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada não justificada por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis é capaz de elidir a presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto devidamente apurada pela autoridade lançadora. Arguição de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido. Decisão: por unanimidade de votos, tendo em vista a desqualificação da multa de ofício, acolher a arguição de Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000957/200769 Acórdão n.º 9202003.864 CSRFT2 Fl. 487 3 decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2001. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o item 3 (omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários) e desqualificar a multa de lançamento de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e João Carlos Cassuli, que proviam o recurso em maior extensão. Cientificada a Fazenda Nacional do Acórdão em 17/03/11 (efl. 312), esta opôs embargos de declaração de efls. 315 a 317, rejeitados consoante despacho de efls. 318/319. Uma vez enviados os autos à Fazenda Nacional em 05/05/2011 (efl. 320) para fins de ciência da decisão quanto aos embargos, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta, em 20/05/2011 (efl. 321), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 322 a 331). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 04/11/2009, no Acórdão 9.10100.460, de lavra da 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 9.10100.460 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Decisão: pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e afastar a decadência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior (substituto convocado) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho/que aplicavam a contagem de prazo do artigo 150 do CTN, em face "do contribuinte ter realizado "a apuração do IRPJ,'bem como apresentando a DIPJ sem saldo de tributo a pagar. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que, em não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4o , do mesmo diploma legal. Entende a Fazenda Nacional que: " (...) consoante a linha de interpretação pela recorrente adotada, o art. 150, Fl. 488DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000957/200769 Acórdão n.º 9202003.864 CSRFT2 Fl. 488 4 §4° do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação). Segue a Fazenda: "Com efeito, nos casos, como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar. Ora, não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos.". Colaciona jurisprudência e doutrina que suportariam seu entendimento, defendendo que, in casu, para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001, a contagem do prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003, expirando somente em 31/12/2007. Assim, como o lançamento data de 17/04/2007, não há que se falar em decadência no período mencionados. Requer, assim, o conhecimento do recurso e seu provimento para que seja reformado o Acórdão proferido e afastada a decadência do crédito tributário acolhida pelo recorrido . O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 332 a 336. Encaminhados os autos ao autuado, para fins de ciência, ocorrida em 21/11/2011 (efl. 346), o contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 351 a 355, onde alega: a) falta de interesse recursal quanto ao item 3 da autuação, visto que cancelado pela decisão do Colegiado recorrido; b) Inexistência de prequestionamento da matéria, uma vez que a acusação da fiscalização se baseou tão somente na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para fins de aplicação do art. 173, I do CTN na contagem do prazo decadencial. Ressalta inexistir nos autos qualquer prova de que não houve recolhimento antecipado e que não existe mais espaço processual ou procedimental para fazêlo; c) Finalmente, alega que o contexto fático do paradigma diverge daquele dos presentes autos, uma vez que ali se estava diante de hipótese de ausência de recolhimento, enquanto no presente caso não houve averiguação ou debate neste sentido. Ainda, o contribuinte apresentou de Recurso Especial de sua iniciativa de e fls. 361 a 456, que teve seu seguimento negado, conforme despachos de efls. 461 a 469, cientificado ao contribuinte em 17/04/14 (efl. 474). É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Fl. 489DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000957/200769 Acórdão n.º 9202003.864 CSRFT2 Fl. 489 5 Em que pese rejeitar as alegações da autuada quanto à falta de interesse recursal e falta de prequestionamento (esta última desnecessária, no caso de Recurso Especial da Fazenda Nacional) e, ainda, reconhecer a tempestividade do pleito fazendário, ouso discordar do despacho de efls. 332 a 336 quanto ao conhecimento do Recurso sob análise. Explico. Noto que no Acórdão Paradigma trazido aos autos se está a tratar de situação fática onde restou caracterizada a ausência de qualquer recolhimento (pagamento) antecipado para os fatos geradores em questão, daí a conclusão no sentido de contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, I da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). O voto condutor do referido paradigma reproduz em seu bojo, inclusive, como razão de decidir, jurisprudência onde se acede de forma expressa à tese de que, em havendo antecipação de pagamento, há de se contar o prazo na forma do art. 150, §4o. do mesmo Código (vide efl. 330). No caso em questão, noto que ainda que afastada a existência de dolo, fraude ou simulação, há antecipação de recolhimento para o anocalendário em litígio (de 2001) para o qual se acolheu a decadência, na forma de documentos de efls. 23 a 27, ainda que não esteja tal antecipação mencionada de forma expressa pelo recorrido. Assim, o critério jurídico para fins de contagem do prazo decadencial adotado no recorrido não diverge do adotado no paradigma, decorrendo a diferença no resultado da aplicação do critério, simplesmente, da diversidade de situações fáticas, a saber: No paradigma, inexiste recolhimento; No recorrido, há recolhimentos sob a forma de antecipação carnêleão do autuado consoante efls. 23 a 27. De se notar que, em se examinando a situação fática dos autos no âmbito do Colegiado do Acórdão paradigma, permaneceria mantida a aplicação do art. 150 §4o. como critério jurídico para fins de contagem do prazo decadencial uma vez que há recolhimentos antecipados para o anocalendário de 2001 a título de carnêleão, consoante efls. 23 a 27. Assim, rejeito a caracterização da divergência propugnada pela Fazenda Nacional e, diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 490DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10314.001091/2011-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/01/2011
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.561
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 10 91 /2 01 1- 81 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.001091/201181 Acórdão n.º 9303003.561 CSRF‐T3 Fl. 206 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.251, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.001091/201181 Acórdão n.º 9303003.561 CSRF‐T3 Fl. 207 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.001091/201181 Acórdão n.º 9303003.561 CSRF‐T3 Fl. 208 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.001091/201181 Acórdão n.º 9303003.561 CSRF‐T3 Fl. 209 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.001091/201181 Acórdão n.º 9303003.561 CSRF‐T3 Fl. 210 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.001091/201181 Acórdão n.º 9303003.561 CSRF‐T3 Fl. 211 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.001091/201181 Acórdão n.º 9303003.561 CSRF‐T3 Fl. 212 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.001091/201181 Acórdão n.º 9303003.561 CSRF‐T3 Fl. 213 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732131/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. ISENÇÃO.
São isentos os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, quando estiver comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para tornar insubsistente a exigência fiscal consubstanciada na Notificação Fiscal nº 2011/887301099731001, relativamente ao ano-calendário 2010.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para tornar insubsistente a exigência fiscal consubstanciada na Notificação Fiscal nº 2011/887301099731001, relativamente ao ano-calendário 2010. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE Recorrente JOSE LUIZ CRIPPA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. ISENÇÃO. São isentos os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, quando estiver comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao anocalendário a que se referem os rendimentos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento para tornar insubsistente a exigência fiscal consubstanciada na Notificação Fiscal nº 2011/887301099731001, relativamente ao ano calendário 2010. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 21 31 /2 01 3- 56 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.732131/201356 Acórdão n.º 2401004.335 S2C4T1 Fl. 60 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1534.569 (fls. 46/48): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse o lançamento quando rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte tenham sido omitidos na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Tratase de Notificação de Lançamento nº 2011/887301099731001, relativa ao anocalendário 2010, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social INSS (fls. 7/10). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificado da notificação por via postal em 04/10/2013, às fls. 12 e 53, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2). 4. Intimado pessoalmente em 20/3/2014 da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 49, o recorrente apresentou recurso voluntário na mesma data, no qual argumenta a isenção dos rendimentos por corresponderem a proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, conforme laudo médicopericial em anexo (fls. 50/52). É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.732131/201356 Acórdão n.º 2401004.335 S2C4T1 Fl. 61 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Depreendese dos autos que o litígio diz respeito ao marco inicial a partir do qual o contribuinte é portador de moléstia grave, atestada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União. 7. Segundo a fiscalização, o laudo médicopericial apresentado inicialmente pelo contribuinte, que lhe reconhecia a condição de portador de moléstia grave, enquadrandoa como "nefropatia grave", não identificou a data em que a doença havia sido contraída (fls. 30/31). 7.1 Daí porque, emitido em set/2013, não legitimava a isenção dos proventos de aposentadoria auferidos no ano de 2010 (fls. 40). 8. De tal ponto de vista não destoou a instância julgadora de primeira instância, pois concluiu, tendo em vista o documento emitido pela perícia médica do INSS, que os proventos de aposentadoria passaram a contar com a isenção do imposto sobre a renda, nos termos da legislação aplicável, somente a partir do mês de emissão do laudo (fls. 48). 9. Acontece que, na fase recursal, o interessado juntou novo laudo médicopericial, igualmente assinado pelo mesmo médico do quadro do INSS, Drª Fabiane Arnez Praetzel, CRM 23.908 e matrícula SIAPE 1564639, mediante o qual há a complementação das informações anteriores, agora com a identificação da data em que a pessoa física faz jus a isenção do imposto sobre a renda (fls. 52). 9.1 Este último laudo contém expressamente a data de 22/4/2008, termo inicial da concessão da aposentadoria pelo INSS (fls. 24). Vale dizer, a conclusão médica revela a preexistência da moléstia, ou seja, que o contribuinte, anteriormente ao mês da concessão da aposentadoria, já era portador de "nefropatia grave" (CID: N18). 10. Logo, revestido o laudo pericial emitido por serviço oficial da União das formalidades mínimas essenciais, a isenção aplicase aos rendimentos de aposentadoria recebidos no anocalendário de 2010, o que torna improcedente o crédito tributário apurado pela fiscalização (art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, c/c art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995). Fl. 61DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.732131/201356 Acórdão n.º 2401004.335 S2C4T1 Fl. 62 4 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para tornar insubsistente a exigência fiscal consubstanciada na Notificação Fiscal nº 2011/887301099731001, relativamente ao anocalendário 2010. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.726200/2014-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a filho maior de 24 anos, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução fiscal, ainda que homologado em juízo para efeitos civis.
Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a filho maior de 24 anos, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução fiscal, ainda que homologado em juízo para efeitos civis. Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 62 00 /2 01 4- 61 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.726200/201461 Acórdão n.º 2402005.017 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) por meio da qual se exige crédito tributário oriundo de dedução da base de cálculo de pensão alimentícia concedida para filho maior de 24 anos idade, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2012, o seguinte fato: 1. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, no valor de R$ 45.562,60, conforme fl. 55, pelo fato de as pensões serem pagas a alimentando maiores de 24 anos e sem comprovação de incapacidade física ou mental para o trabalho. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, conforme fls. 03/07, alegando, em síntese, que não há qualquer restrição ao pagamento de pensão alimentícia a alimentando maiores de 24 anos sem comprovação de incapacidade física ou mental para o trabalho e que apresenta decisão judicial de alimentos que só pode ser cancelada, mediante ação própria. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/11/2014 (fl. 76), o interessado interpôs, em 19/12/2014, o recurso de fls. 78/111. Nas razões recursais aduz que: · a pensão é paga com base em acordo homologado judicialmente; · o desfazimento desse acordo depende de uma ação judicial de exoneração de pensão alimentícia cujo êxito depende de concordância das partes envolvidas que ocorreu somente em outubro desse ano, impedindo o Recorrente de qualquer ação unilateral antes daquela data; · a dedução está amparada na legislação vigente sem qualquer motivação de máfé; · além da notificação de lançamento, ora impugnada, o Recorrente foi notificado de mais quarto intimações referentes aos anos de, 2010, 2011, 2013 e 2014 que, se também resultarem em lançamento de crédito decorrente da glosa do valor da pensão alimentícia, será gerada uma de uma dívida astronômica. E, consequentemente, impagável em face das precárias condições financeiras do RECORRENTE que, além da verba de alimento que continua pagando até que seja concluída a ação de exoneração, ainda arca com o sustento de mais uma filha e uma enteada, frutos de seu atual casamento. Ademais é responsável pelos cuidados com sua mãe, pois tornouse filho único com o falecimento de seu pai e, recentemente, Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 de sua irmã. Para tanto tem recorrido a empréstimos bancários conforme se observa no seu último contracheque (anexo). Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.726200/201461 Acórdão n.º 2402005.017 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA Extraise do direito de família duas modalidades de obrigações alimentares a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos. A primeira, decorrente do pátrio poder (atualmente poder familiar), sujeita os pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade. Seu fundamento encontrase no art. 1.566, IV, do atual Código Civil/20021. A segunda, com a maioridade pode surgir obrigação alimentar dos pais em relação aos filhos, porém de natureza diversa, fundada nos arts. 1.694, 1.695 e 1.701 do CC/2002. Essa obrigação, que deriva da relação de parentesco, diz respeito aos filhos maiores que não estão em condições de prover a sua própria subsistência. Embora ambas as modalidades terem título jurídico radicado expressamente no Livro IV do CC/2002, todo ele dedicado ao Direito de Família, não se pode emprestar somente uma interpretação literal do art. 4º, II, da Lei 9.250/1995, o qual autoriza a dedução da base de cálculo do imposto de renda das importâncias pagas a título de pensão alimentícia, em face das normas do Direito de Família, para permitir que as deduções a esse título se perpetuem de forma eterna no lapso temporal. Impõese afirma que, de acordo com os princípios informadores do Direito Tributário, uma solução plausível pode ser extraída de uma interpretação sistemática das normas do Direito Civil e dos arts. 4o, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei 9.250/1995, assim descritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) 1 Código Civil CC/2002: Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: (...) IV Sustento, guarda e educação dos filhos; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Percebese, então, que os dispositivos transcritos, em conjunto com as normas do Direito de Família estabelecidas no CC/2002, admitem a interpretação de que as deduções de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda devem se restringir aos valores pagos a esse título durante o período do dever de sustento até complementar 21 anos, além de casos especialíssimos, como o dos filhos maiores inválidos e dos filhos maiores até 24 anos de idade que estiverem cursando o ensino superior ou escola técnica de segundo grau. É que a invalidez não propicia a exoneração do encargo alimentar pela aquisição da maioridade, pois a necessidade de recebimento dos alimentos não deriva, neste caso, da faixa etária, mas sim do estado precário de saúde do alimentando. Por outro lado, a dedução de pensão alimentícia paga a filhos estudantes maiores, de até 24 anos de idade, justificase pelo dever de educação dos filhos, imanente ao poder familiar, sem o condão de transmudar o dever de sustento em obrigação alimentar perpétua. Nesse caminhar, somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores de 21 anos ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. O Recorrente alega que a pensão é paga com base em acordo homologado judicialmente e que o desfazimento desse acordo depende de uma ação judicial de exoneração de pensão alimentícia, estando amparado na legislação vigente sem qualquer motivação de máfé. Com isso, entende que a glosa da pensão alimentícia foi realizada de forma indevida pelo Fisco. Tais alegações não serão acatadas, pois as pensões foram pagas a alimentandos maiores de 24 anos e sem comprovação de incapacidade física ou mental para o trabalho, conforme Notificação de lançamento de fl. 55. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.726200/201461 Acórdão n.º 2402005.017 S2C4T2 Fl. 5 7 Embora a concessão de alimentos só pode ser cancelada mediante ação judicial própria, como afirma o Recorrente, não há qualquer impedimento para que ele continue a prestar alimentos aos seus filhos maiores ou a avós ou a quem a justiça determinar. A teor do raciocínio desenvolvido acima, tais alimentos devem observar os requisitos de dependência para que sejam utilizados como dedução para fins de Imposto de Renda, nos termos da interpretação sistemática das normas do Código Civil/2002 e dos arts. 4o, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei 9.250/1995. Na época do fato gerador ora discutido (anocalendário 2011), as filhas já possuíam idade superior a 24 anos, de tal sorte que não se poderia mais falar em “pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família”, tendo em vista que, pelo direito de família, não seria mais obrigatório o pagamento dos alimentos aos filhos maiores de 24 anos. Além disso, mesmo em relação à época da homologação do acordo judicial, cumpre mencionar que este tribunal administrativo tem diferenciado o dever de sustento decorrente do poder familiar, do dever de prestar alimentos, nos seguintes termos: “AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE E FILHOS. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, Proc. 10840.001792/200786, Sessão de 18 de outubro de 2012)” Dessa forma, se mesmo na época da formulação da proposta de alimentos, homologada em juízo, datada em 12/09/1989, seria questionável a dedução fiscal, quanto mais após as filhas completarem os 24 anos. Não se ignora o fato de que no Novo Código Civil (arts. 1.694 a 1.710)2 e mesmo no Codex anterior, a obrigação de alimentar perdura e se dá em razão do parentesco, ou 2 Código Civil/2002: Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 seja, em razão do dever de assistência e de solidariedade existentes entre pessoas que têm a sua gênese em um mesmo tronco familiar, quer seja nas linhas ascendente e descendente, quer seja na colateral até o segundo grau. No caso dos autos, para que seja objeto de dedução do imposto de renda a prestação de alimentos, devese comprovar que os alimentandos não possuem bens nem tem condições de prover, pela sua labuta, a sua própria mantença, hipótese esta que não foi objeto de discussão ou deferimento no acordo homologado. Portanto, como à época do fato gerador ora discutido (exercício de 2012), o pagamento de alimentos aos filhos maiores de 24 anos era feito por mera liberalidade, e não “em face das normas do Direito de Família”, não se aplica a regra de isenção do art. 78 do RIR/1999. Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). §5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Assim, deve ser mantida a glosa de pensão alimentícia relativa das duas filhas do Recorrente que completaram 25 anos em 05/03/2006 e 26/02/2007, conforme fl. 55, já que não poderia ser deduzida a pensão alimentícia delas a partir do mês seguinte ao completarem 24 anos e não há nos autos qualquer documento que comprove a incapacidade para o trabalho dos alimentandos e sem meios de proverem a própria subsistência. Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou darlhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.726200/201461 Acórdão n.º 2402005.017 S2C4T2 Fl. 6 9 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13609.901872/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia De Carli Germano.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia De Carli Germano.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia De Carli Germano. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 01 87 2/ 20 10 -7 0 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.901872/201070 Resolução nº 1401000.359 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 241242: O despacho decisório de fl. 18 foi emitido contra o interessado acima identificado, para homologar parcialmente as compensações efetuadas no PER/DCOMP n.º 38877.14968.300606.1.3.028991. A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar o débito informado. Tal crédito decorreria da apuração de saldo negativo de IRPJ referente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005. Conforme PER/DCOMP e DIPJ, o valor desse saldo negativo seria igual a R$ 1.600.478,90. Os valores das parcelas de composição do crédito informados PER/DCOMP e os valores confirmados pelo fisco foram assim discriminados no despacho decisório: Considerandose que, conforme DIPJ, a IRPJ anual devida é igual R$ 14.686.314,86, foi reconhecido saldo negativo disponível no valor de R$ 1.408.449,91. Os débitos indevidamente compensados somam R$ 206.002,28 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 168 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); § 1º do art. 6º e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996; art. 4º da IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. As retenções não confirmadas são identificadas no documento intitulado “Despacho Decisório Análise de Crédito”, fls. 233 e 234, no trecho abaixo reproduzido: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.901872/201070 Resolução nº 1401000.359 S1C4T1 Fl. 4 3 A ciência do despacho se deu em 28/09/2010 (fl. 236). Em 21/10/2010, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fl. 2 a 5. Nela constam os seguintes argumentos: • foi informada no PER/DCOMP retenção na fonte no valor de R$ 1.270.667,42; • os valores informados no PER/DCOMP guardam correspondência com os valores discriminados em DIPJ, conforme quadro comparativo em anexo (doc. 5); • em ambas as declarações foi feita discriminação individual das retenções, por CNPJ da fonte pagadora, código de receita e por valor retido; • portanto, não pode o fisco alegar falta de confirmação de parte das retenções, sem apontar quais dos valores declarados de forma individualizada não foram reconhecidos; • a alegação genérica fere o princípio da ampla defesa; • em atenção ao princípio “In Dúbio pro Contribuinte”, o despacho deve ser reformado, para reconhecer a totalidade do crédito compensado; • por fim, com fundamento na alínea “a” do § 4º do art. 16 do Dec. n.º 70.235, de 1972, pedese prazo de 30 dias para a juntada dos comprovantes das retenções declaradas no PER/DCOMP e DIPJ. A 2ª Turma da DRJ Belo Horizonte, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 240): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que não se comprova existente. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.901872/201070 Resolução nº 1401000.359 S1C4T1 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do Acórdão em 24/09/2012 (fls. 246), a contribuinte apresentou em 24/10/2012 o recurso voluntário de fls. 248257, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase de impugnação. Defendeu a possibilidade de apresentação de provas no curso do processo administrativo fiscal, com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Requereu a realização de diligência, solicitando que seja intimadas as fontes pagadores do IRRF (discriminadas no Ficha 50 da sua DIPJ) para que apresentem os comprovantes de pagamento do imposto retido, de modo a confirmar o direito creditório pleiteado pela Recorrente. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.901872/201070 Resolução nº 1401000.359 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Versa o presente litígio sobre a ausência de comprovação das retenções de IRRF informadas pela contribuinte no PER/DCOMP. Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão recorrida, fls. 243: Na falta da confirmação em DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos, é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e pela Instrução Normativa SRF nº 578, de 6 de janeiro de 2005. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida no art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, no art. 815 do RIR de 1999 e no art. 4º da IN SRF n.º 119, de 2000. Conforme bem apontado na decisão de piso, “é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN)”. Em situações de repetição de indébito, cabe ao contribuinte a iniciativa de pleitear seu direito creditório, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, mediante a apresentação do PER/DCOMP. Conseqüentemente, incumbirá ao contribuinte o ônus de demonstrar a liquidez e certeza do seu direito. Afigurase, pois, totalmente lícito à RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não preenchidos simultaneamente os requisitos de certeza e liquidez do crédito, tal como ocorre nos casos em que as retenções alegadas não se confirmam. No caso concreto, a contribuinte efetivamente não apresentou os comprovantes de retenção prescritos em lei. Arguiu a possibilidade de trazer tais documentos em qualquer fase do processo administrativo, nos termos do 16 do Decreto nº 70.235/72. E, por fim, requereu a realização de diligência, para que a RFB intime as fontes pagadores do IRRF (discriminadas no Ficha 50 da sua DIPJ) a apresentar os comprovantes de pagamento do imposto retido. Inicialmente, entendi que tal pedido não mereceria ser acolhido. Afinal, a apresentação dos comprovantes de retenção constituía ônus probatório da própria interessada. No entanto, após ouvir atentamente as ponderações dos meus pares, modifiquei meu entendimento. À luz do regramento processual administrativo vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir o pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 16, IV do Decreto n°70.235, de 1972. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.901872/201070 Resolução nº 1401000.359 S1C4T1 Fl. 7 6 No caso concreto, considero razoável a solicitação da recorrente de que sejam intimadas as fontes pagadores do IRRF (discriminadas no Ficha 50 da sua DIPJ) para que apresentem os comprovantes de pagamento do imposto retido, de modo a confirmar o direito creditório pleiteado pela Recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de deferir a realização da diligência requerida pela recorrente, determinando que a autoridade diligenciante intime as fontes pagadores do IRRF (discriminadas no Ficha 50 da sua DIPJ) para que apresentem os comprovantes de pagamento do imposto retido, de modo a confirmar o direito creditório pleiteado pela Recorrente. Concluída esta etapa, deve a autoridade diligenciante elaborar um relatório conclusivo, dando ciência à contribuinte e concedendolhe prazo razoável para se manifestar. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.000605/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DEVOLVIDA À TURMA ORDINÁRIA. TRANSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO.
A apreciação da matéria objeto de recurso especial admitido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, torna definitiva todas as demais constantes do recurso voluntário ou de ofício que não foram objeto do recurso especial.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Verificado pelo Fisco por meio de provas documentais a existência de movimentação financeira no exterior, surge o poder/dever do lançamento tributário contra aquele indicado nos meios de prova como sendo o detentor do recursos movimentados.
COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DE RECURSOS DEPOSITADOS NO EXTERIOR. DOCUMENTOS EMITIDOS PELO BANCO ADMINISTRADOR DOS RECURSOS. COMPROVAÇÃO.
A existência de documentos emitidos pelo banco estrangeiro, devidamente periciados por órgão oficial, comprova a titularidade dos recursos mantidos no exterior.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos à taxa SELIC, a partir de abril de 1995
Numero da decisão: 2201-003.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr Luiz Romano OAB/DF 14303.
(assinado digitalmente)
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 04/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DEVOLVIDA À TURMA ORDINÁRIA. TRANSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. A apreciação da matéria objeto de recurso especial admitido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, torna definitiva todas as demais constantes do recurso voluntário ou de ofício que não foram objeto do recurso especial. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Verificado pelo Fisco por meio de provas documentais a existência de movimentação financeira no exterior, surge o poder/dever do lançamento tributário contra aquele indicado nos meios de prova como sendo o detentor do recursos movimentados. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DE RECURSOS DEPOSITADOS NO EXTERIOR. DOCUMENTOS EMITIDOS PELO BANCO ADMINISTRADOR DOS RECURSOS. COMPROVAÇÃO. A existência de documentos emitidos pelo banco estrangeiro, devidamente periciados por órgão oficial, comprova a titularidade dos recursos mantidos no exterior. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4 Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos à taxa SELIC, a partir de abril de 1995
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr Luiz Romano OAB/DF 14303. (assinado digitalmente) EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DEVOLVIDA À TURMA ORDINÁRIA. TRANSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. A apreciação da matéria objeto de recurso especial admitido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, torna definitiva todas as demais constantes do recurso voluntário ou de ofício que não foram objeto do recurso especial. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Verificado pelo Fisco por meio de provas documentais a existência de movimentação financeira no exterior, surge o poder/dever do lançamento tributário contra aquele indicado nos meios de prova como sendo o detentor do recursos movimentados. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DE RECURSOS DEPOSITADOS NO EXTERIOR. DOCUMENTOS EMITIDOS PELO BANCO ADMINISTRADOR DOS RECURSOS. COMPROVAÇÃO. A existência de documentos emitidos pelo banco estrangeiro, devidamente periciados por órgão oficial, comprova a titularidade dos recursos mantidos no exterior. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4 Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos à taxa SELIC, a partir de abril de 1995 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 05 /2 00 7- 11 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr Luiz Romano OAB/DF 14303. (assinado digitalmente) EDUARDO TADEU FARAH Presidente. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 6ª Turma da DRJ São Paulo/SPII que manteve o lançamento tributário realizado em desfavor do Recorrente, relativo ao IRPF supostamente devido no anocalendário de 2001. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (folhas 126 do processo digitalizado), devidamente explicitado no Termo de Verificação Fiscal (folhas 138), pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 762.930,00 que compreende imposto (R$ 229.818,96), multa de ofício de 150% (R$ 344.728,44) e juros de mora (R$ 188.382,60), tudo calculado em 14/03/2007, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos recebidos do exterior. O contribuinte foi cientificado do lançamento tributário referente ao IRPF ano calendário 2001, por via postal, em 15/03/2007, como se comprova pela cópia do AR anexado às folhas 150. A decisão da 6ª Turma da DRJ SPO II restou assim ementada: " Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Não se tratando de homologação expressa, tampouco tácita, o prazo para constituição do crédito tributário é o estabelecido no artigo 173, inciso I do CTN. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR Comprovados nos autos a transferência de recursos do exterior, Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000605/200711 Acórdão n.º 2201003.234 S2C2T1 Fl. 433 3 caracterizando rendimentos auferidos e não declarados, correto o lançamento por omissão de rendimentos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EFEITO DE CONFISCO Configurado, em tese, crime contra a ordem tributária, além da utilização de mecanismos à revelia do sistema financeiro nacional, resta caracterizada a fraude, com a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%. Descaracterizado o efeito confiscatório na aplicação da Lei que rege a Multa de Ofício. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A utilização da taxa SELIC como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Os juros de mora são devidos sobre todos os débitos e de qualquer natureza com a União, não quitados no seu devido prazo, incluindose, assim, a multa de ofício. Lançamento Procedente." A ciência do decisão de primeira instância ocorreu, novamente por via postal, em 20/06/2008 (AR. fls. 278), tendo sido protocolizado em 22 de julho de 2008 o presente recurso voluntário, conforme se verifica às folhas 279. Tal recurso foi apreciado em sessão da 1ª Turma da 2ª Câmara desta Segunda Seção do dia 19 de agosto de 2009. O recurso, a decisão de primeiro grau e a imputação fiscal constam do Relatório Fiscal do acórdão 220100.388. Vejamos: "Tratase de exigência de IRPF com valor total de R$ 762.930,00, j á incluído os acréscimos legais cabíveis, calculados até 14/03/2007. A infração apurada pela fiscalização foi de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Cientificado do auto de infração, em 15/03/2007 (fl. 129), o recorrente interpôs Impugnação (fls. 132 a 160), sustentando, em síntese: a) descrição deficiente dos fatos. A fundamentação do auto de infração deveria conter dispositivos referentes à tributação de recursos disponibilizados por pessoa jurídica estrangeira, e não dispositivos genéricos que tratam da tributação de rendimentos auferidos por pessoas físicas; b) a aplicação da multa de 150%. Em nenhum momento, a Fiscalização alegou no TVF, ou mesmo apontou qualquer evidência de que o Recorrente empregara fraude na forma do artigo 2 o , inciso I, da Lei n° 8.137/1990; c) a autuação fora lavrada em verdadeira afronta aos princípios da verdade material, da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório, ofendendo, ainda, as determinações do artigo 142 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 do CTN, do artigo 7 o do Decreto n° 70.235/1972, além do artigo 5o , inciso LV, da Constituição Federal; d) decadência da exigência. O IRPF, tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase, para cômputo do prazo decadencial, o disposto no § 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional CTN, contandose 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; e) que o objeto dos questionamentos se refere a três ordens de pagamento na conta n° 30172802, localizadas no MTB Hudson Bank, nas datas de 01.10.2001, 31.10.2001 e 06.11.2001, com os respectivos valores de R$ 80.574,00, R$ 35.181,90 e R$ 735.658,50. Todavia, as movimentações financeiras relacionadas foram efetivamente realizadas em favor da empresa CRS Business Corporation e não do recorrente, sendo totalmente improcedente as alegações da Fiscalização no sentido de que tais valores deveriam ser submetidos à tributação no Brasil; í) que dos três depósitos questionados pela Fiscalização, o recorrente somente identificou dois como tendo sido realizados em benefício da empresa CRS Business Corporation, isso pois, o depósito de valor correspondente a R$ 35.181,90, que a Fiscalização alega ter ocorrido em 31.10.2001, não é de conhecimento do contribuinte, da sociedade em que possui participação e nem do próprio Citibank NA, que em sua carta, confirma desconhecer o referido depósito; g) inexiste qualquer elemento que justifique a desconsideração da personalidade jurídica da CRS Business Corporation por parte da Fiscalização, além do fato de que as autoridades fiscais não poderiam ignorar a autonomia dessa empresa e determinar que suas receitas fossem tratadas como rendimentos da pessoa física de seu sócio; h) que a titularidade da conta bancária em que se operaram os depósitos questionados no presente auto de infração é da CRS Business Corporation e não do recorrente. A CRS Business Corporation jamais disponibilizou tais recursos para o recorrente; i) contesta a taxa Selic e a aplicação dos Juros Selic sobre a multa. A 6a . Turma da D RJ de São Paulo/SP II proferiu Acórdão 17 22.400, mantendo integralmente o lançamento, consubstanciado nas seguintes ementas: (...) Cientificado da decisão de primeira instância (fl. 257), o autuado apresenta Recurso Voluntário alegando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação." (destacamos) Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000605/200711 Acórdão n.º 2201003.234 S2C2T1 Fl. 434 5 A decisão da 1ª TO da 2ª Câmara, representada pelo Acórdão 220100.388 (fls. 320), restou assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 IRPF PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O prazo para a autoridade fiscal constituir o crédito tributário é aquele fixado no parágrafo 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional. O fato gerador do IRPF ocorre no dia 31/12 do respectivo ano calendário, sendo este o termo inicial da contagem qüinqüenal, quando não há hipótese de dolo, fraude ou simulação. Preliminar acolhida. MULTA QUALIFICADA INOCORRÊNCIA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício deverá ser minuciosamente justificada e, principalmente, comprovada nos autos. Preliminar acolhida.." Em 01 de dezembro de 2009, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada da decisão prolatada pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção, tendo protocolizado recurso especial no dia 09/12/09 (fls. 321), que restou admitido. Devidamente cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário e do Especial proposto pela Fazenda, o contribuinte apresentou, em 24 de junho de 2011, contrarrazões (fls 380). A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 08 de maio de 2014, analisando o especial da Fazenda Nacional, por meio do Acórdão 9202003.222, decidiu que (fls 407): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DISTINÇÃO NECESSÁRIA ENTRE MATÉRIA E TESE JURÍDICA. A divergência jurisprudencial deve ser demonstrada em relação a cada matéria suscitada, debatida no acórdão recorrido, sem a necessidade de vinculação do paradigma à tese aventada no acórdão recorrido. DECISÕES JUDICIAIS. APLICAÇÃO NO CARF. OBRIGATORIEDADE REGIMENTAL Por força do art. 62A, do Anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC)definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN). DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE. No caso de rendimentos sujeitos aos Ajuste Anual, o pagamento antecipado apto a atrair a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, é aquele que tenha conexão com o respectivo fato gerador, aperfeiçoado em 31 de dezembro do anocalendário. Recurso especial conhecido e provido." Por força da decisão proferida, a Conselheira Relatora, Dra. Maria Helena Cotta Cardozo, ao final do voto condutor da decisão adotada por unanimidade, determinou: "Quanto aos pagamentos alegados pelo Contribuinte em sede de ContraRazões, tratase de Imposto de Renda sobre ganho de capital e sobre aplicações financeiras, que não estão sujeitos ao Ajuste Anual, mas sim a tributação exclusiva/definitiva. Destarte, o fato gerador do tributo em questão ocorreu em 31/12/2001, portanto a exação só poderia ser lançada e exigida a partir de 2002. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º/01/2003, expirando em 31/12/2007. Considerando que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 15/03/2007 (AR –Aviso de Recebimento de fls. 129), não ocorreu a decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e doulhe provimento, determinando o retorno dos autos à Câmara de origem, para julgamento das demais questões objeto do Recurso Voluntário." (destacamos) Tal recurso foi distribuído por sorteio eletrônico para este Conselheiro. São os argumentos do Recurso (fls 279): · Em preliminar, alega deficiência no auto de infração quanto a descrição do fato ensejador da autuação, uma vez que faz um breve resumo da operação "Beacon Hill", sem que fosse demonstrado qualquer nexo de causalidade entre a operação e o Recorrente, que Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000605/200711 Acórdão n.º 2201003.234 S2C2T1 Fl. 435 7 aliás explicitou à Fiscalização que nunca manteve conta na referida instituição financeira. · Requer em razão da deficiência de fundamentação demonstrada, que acarreta afronta ao princípios da ampla defesa e contraditório o cancelamento do auto de infração. · Que a autuação não determinou corretamente o dispositivo legal infringido ; · Que a a multa aplicada de 150% foi aplicada imotivadamente; · Que houve decadência do crédito tributário para o ano calendário de 2001. · Que os valores constantes do AI foram auferidos por uma pessoa jurídica estrangeira, a CRS Busines Corporation, do qual o Recorrente é mero cotista. · Que o valor de R$ 35.181,90 lançado em 31 de outubro de 2001 na conta 30.172.802 não foi reconhecido pelo Recorrente, nem pela CRS, nem pelo próprio Citibank NA · Que a Fiscalização não pode desconsiderar a personalidade jurídica da CRS sem motivação. · Que a multa de 150% não é aplicável, uma vez que não se verificou a ocorrência dos motivos legais que ensejam sua aplicação.. · Que os juros SELIC não são aplicáveis; É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira Em face da tempestividade verificada e presentes os demais pressupostos de admissibilidade passo a apreciar o recurso voluntário interposto. Como relatado, a presente análise abordará os argumentos constantes do voluntário com exceção da decadência arguída em razão da decisão da egrégia CSRF sobre o tema. Insurgese o recorrente, como preliminar, contra o lançamento tributário apontando vício de fundamentação em razão da ausência de nexo causal entre a situação objeto do processo e a suposta infração praticada pelo Recorrente. Entende também, ainda como Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 preliminar, que o lançamento padece de erro de determinação do sujeito passivo, uma vez que os recursos tributados pertencem a pessoa jurídica, do qual o Recorrente é mero cotista. Não observo os vícios apontados. O lançamento tributário está devidamente fundamentado, embasado não só em procedimento judicial, como em documentos. Vejamos. Toda fundamentação da autuação se encontra relatada no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, acostado às folhas 138 do processo digitalizado. Recordemos alguns trechos constantes do TVF. O item VI Resumo das Infrações Apuradas explicita (fls. 141): "O contribuinte foi intimado através do Termo de Início de Fiscalização referente aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, a apresentar os documentos comprobatórios da origem dos recursos financeiros movimentados no exterior, através de contas constantes no quadro abaixo mantidas no "MTB Hudson Bank" onde o contribuinte foi identificado como beneficiário enviado por via postal, com Aviso de Recebimento A.R., recebido em 27/12/2006. Em 15/01/2003 atendendo ao solicitado acima, o Sr. Cássio informou que "nunca manteve conta no MTB Hudson Bank e nunca movimentou recursos em conta de sua titularidade na referida instituição financeira razão pela qual não existe qualquer documento a ser apresentado à D. Autoridade Fiscal nem tampouco registro de conta no MTB Hudson Bank em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física". Tendo em vista as informações do contribuinte transcritas acima, foi lavrado, então, o Termo de Intimação Fiscal n°. 02/2007, apresentando um resumo dos dados constantes nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, e enviando cópias das fichas de movimentação financeira onde constam a empresa CRS Business Corporation e/ou o Sr. Cássio como beneficiários dos recursos movimentados no MTB Hudson Bank, para que fossem justificadas as divergências entre os dados disponíveis pela SRF e os informados pelo fiscalizado. Diante do solicitado, em 07/02/2007, o contribuinte esclareceu resumidamente que: 1. Todas as movimentações financeiras relacionadas foram efetivamente cursadas pela CRS Business Corporation e não pela pessoa física; 2. A pessoa física nunca manteve conta no MTB Hudson Bank e nunca movimentou recursos em conta de sua titularidade (pessoa física) na referida instituição financeira; 3. A pessoa física é sócia da CRS Business Corporation, e que as cotas da sociedade encontramse declaradas em sua DIRPF e em sua Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior; 4. A CRS Business Corporation é sociedade estrangeira, que não detém qualquer conta de sua titularidade (pessoa jurídica) no MTB Hudson Bank, mas tão somente realizou operações Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000605/200711 Acórdão n.º 2201003.234 S2C2T1 Fl. 436 9 financeiras que envolviam conta de titularidade de terceiro na referida instituição. Diante do exposto e considerando que a empresa CRS Business Corporation, CNPJ: 05.692.291/000140, é uma holding de instituições não financeiras domiciliada no exterior Bahamas, de acordo com os dados disponíveis nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, as contas n° 30171954 e 30173019 mantidas no MTB Hudson Bank pela CRS Business Corporation não serão objeto da ação fiscal. Passaremos a tratar apenas da conta n° 30172802 cujo beneficiário é o Sr. CÁSSIO ROTHSCHILD DE SOUZA, CPF: 006.460.18892." Continua a autoridade autuante a explicitar: "CONSIDERAÇÕES FINAIS À vista dos fatos relacionados e extensamente documentados acima, podese inferir que o contribuinte movimentou divisas no exterior, a revelia do sistema financeiro nacional como Beneficiário de recursos em divisas estrangeiras, cujas remessas saíram do CBC NY, n° ABA 26012894 para o Citibank NYC, n° ABA 21000089 através da conta 30172802 do MTB Hudson Bank, evidenciando a existência de Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior. Peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) do Departamento de Polícia Federal atestaram a autenticidade das ordens de pagamento obtidas, identificado a título de Beneficiário no exterior, conforme laudos em anexo. Assim sendo, esta fiscalização CONSTATOU que o contribuinte deixou de oferecer à tributação no Ano Calendário de 2001 o valor de R$ 851.414,40, pelo que será lavrado o competente Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física, pelas fundamentações abaixo descritas." (destacamos) Como todos os documentos mencionados constam do Auto de Infração, entendo que não há a falta de fundamentação alegada, ao reverso, se observa que o Fisco, diante da comprovação da movimentação financeira ocorrida no exterior, intima o contribuinte para que preste os esclarecimentos devidos e este, ao não comprovar o recolhimento tributário devido ou os casos de inexistência de tributação, sofre a autuação determinada pela legislação. Logo, afasto a preliminar de vício de fundamentação apontada e, por via de consequência, não constato o erro quanto ao responsável pelos recursos financeiros, uma vez que como comprovado pelos documentos constantes de folhas 102 a 136 e demonstrado no TFV o Recorrente é o efetivo beneficiário dos recursos movimentados no exterior, consoante se observa ainda uma vez mais pelo Laudo de folhas 74. Tal constatação, afasta de maneira peremptória, o equivoco alegado quanto à falha de fundamentação legal, vez que o lançamento decorre da falta de recolhimento de imposto sobre a renda da pessoa física. Rejeito, pelo exposto, as preliminares de vício de fundamentação e confusão entre a personalidade jurídica da CRS Business Corporation e a pessoa física do Recorrente. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Quanto ao mérito, analisemos a questão da exclusão do valor de R$ 35.181,90, não reconhecido pelo contribuinte. Como mencionado no relatório fiscal, a presente autuação se encontra lastreada em documentos obtidos por meio de determinação judicial junto a fontes bancárias sediadas no exterior. Tais documentos, frutos de cooperação entre autoridades internacionais, foram devidamente periciados pela Polícia Federal e aceitos pelo Juízo competente, o que por óbvio, lhes emprestam validade. Dentre esses, se encontra o comprovante de depósito objeto da controvérsia (fls. 88). Tal documento, segundo o Fisco, é a prova da ocorrência do fato gerador, expressando sua base de cálculo. Nesse sentido, a Administração Tributária comprova seu direito de crédito. Já o contribuinte, alegando possuir prova modificativa do direito de crédito do autor, alega que tal valor não transitou pela conta corrente acima identificada, não o reconhecendo portanto. Como comprovação, anexa, declaração do Citibank NA, devidamente traduzida (fls 252), na qual textualmente se afirma: "Fazemos referência a sua carta de 26 de março de 2007. De acordo com sua solicitação, providenciamos a revisão das informações da conta e podemos confirmar os seguintes lançamentos: Data do lançamento Valor Número da conta Titular da Conta 1° de outubro de 2001 US$ 30.000,00 10.380.203 CRS Business Corp 6 de novembro de 2001 US$ 283.000,00 10.380.203 CRS Business Corp Não foi possível confirmar as informações relativas ao seguinte lançamento: Data do lançamento Valor Número da conta Titular da Conta 31 de outubro de 2001 US$ 13.000,00 10.380.280 Desconhecido Informenos caso necessite de mais informações." Tal situação se configura inusitada. Há informações obtidas de forma oficial, devidamente periciadas e valoradas pelo Poder Judiciário no sentido da existência do depósito na conta do Recorrente. Por outro lado, o banco mantenedor da conta confirma dois depósitos realizados, e quanto ao objeto da insurgência textualmente afirma que "não foi possível confirmar as informações relativas ao lançamento". Indubitavelmente surge, com a ausência de confirmação do lançamento, dúvidas sobre sua existência, ou ao menos, sobre o beneficiário. Portanto, nesse diapasão, tornase necessário que o julgador valore as provas constantes dos autos. Entendo que há comprovação do depósito na conta do Recorrente. Explico. Como dito acima, as movimentações financeiras ensejadoras da autuação decorrem de documentos oficiais valorados por autoridades judiciais, emprestando ao conjunto probatório do Fisco a necessária comprovação para o lançamento tributário. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000605/200711 Acórdão n.º 2201003.234 S2C2T1 Fl. 437 11 Já a comprovação do fato modificativo do direito do Fisco em realizar o lançamento tributário, alegada pelo Recorrente, padece da essencial confirmação uma vez que, o Banco responsável pela conta corrente somente afirma que não foi possível a confirmação e não assevera que não houve a movimentação financeira. Tal constatação nos convence da ocorrência do depósito bancário na conta do Recorrente nos termos da documentação oficial acostada aos autos. Necessário frisar que existem nos autos a comprovação, por extrato bancário, do depósito realizado. Nesse sentido, nego provimento ao recurso nessa parte. Quanto à alegada imotivada desconsideração da personalidade jurídica da empresa CRS Business Corporation, uma vez que as movimentações financeiras foram realizadas em conta de sua titularidade, melhor sorte não cabe ao Recorrente. Novamente a dialética das provas não socorre o Autuado. Segundo suas alegações os valores movimentados pertenciam à pessoa jurídica da qual o Recorrente é, segundo consta do Voluntário, 'mero cotista'. Segundo o Fisco, o Recorrente é o beneficiário dos valores que transitaram pela conta corrente da empresa CRS. O Termo de Verificação Fiscal, ao mencionar os documentos que embasaram o lançamento, explicita (fls 139): Resumo das Operações Constantes em mídia Caso Beacon Hill e Similares; Movimentação das Contas no MTB Hudson Bank com a identificação pela Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n°. 463/04, do CPF e nome do Contribuinte "CÁSSIO ROTHSCHILD DE SOUZA" com total da operação realizada; Transcrição das Ordens de Pagamento abaixo relacionado, da mídia eletrônica com informações das operações, em que o contribuinte identificado, aparece como beneficiário através de contas mantida/administrada pelo MTB Hudson Bank. • Conta n°. 30172802 informações das operações, em que o contribuinte identificado aparece como beneficiário, sendo que os recursos foram remetidos pelo CBC NY n° ABA 26012894 e recebidos pelo CITIBANK NYC n° ABA 21000089, com tipo de transação "out" ordens remetidas para outros bancos." Com base nesses documentos, a Autoridade Fiscal, cumprindo seu mister, identifica o sujeito passivo, e faz constar do TVF (folhas 140) textualmente a motivação para tanto: "IV IDENTIFICAÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA Cópia de ordem de pagamento de 01/10/2001, referente às operações relacionadas na conta 30172802 localizada no MTB Hudson Bank, cuja operação referese às transferências eletrônicas (wire transfers) tendo como beneficiário o Sr. CÁSSIO ROTHSCHILD DE SOUZA. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Cópia de ordem de pagamento de 31/10/2001, referente às operações relacionadas na conta 30172802 localizada no MTB Hudson Bank, cuja operação referese às transferências eletrônicas (wire transfers) tendo como beneficiário o Sr. CÁSSIO ROTHSCHILD DE SOUZA. Cópia de ordem de pagamento de 06/11/2001, referente às operações relacionadas na conta 30172802 localizada no MTB Hudson Bank, cuja operação referese às transferências eletrônicas (wire transfers) tendo como beneficiário o Sr. CÁSSIO ROTHSCHILD DE SOUZA. Resumo das Operações Constantes em mídia Caso Beacon Hill e Similares; Movimentação das Contas no MTB Hudson Bank com a identificação pela Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n°. 463/04, do CPF e nome do Contribuinte "CÁSSIO ROTHSCHILD DE SOUZA" com total da operação realizada; Transcrição das Ordens de Pagamento abaixo relacionado, da mídia eletrônica com informações das operações, em que o contribuinte identificado, aparece como beneficiário através de contas mantida/administrada pelo MTB Hudson Bank" Como todas as afirmações acima se encontram inequivocamente comprovadas, soube o Fisco se desincumbir do ônus da comprovação da sujeição passiva. Alega o Contribuinte que os valores pertencem a pessoa jurídica da qual ele é mero cotista. Com essa alegação, caberia ao Recorrente comprovar fato modificativo do direito do Fisco, ou seja, que a pessoa jurídica era a real proprietária dos valores depositados em suas contas. Para tanto, bastaria demonstrar a origem desses recursos. Não se observou tal comprovação nos autos. Do exposto, não acolho as alegações do Recorrente nessa parte. Passemos à análise da multa aplicada. Insurgese o Recorrente quanto à aplicação da multa qualificada de 150% aplicada pelo Fisco. Alega ausência de comprovação da ocorrência de fraude, dolo ou sonegação. Em que pese a opinião desse relator, entendo que tal tema já transitou em julgado, pois, decidido na sessão de 19 de agosto de 2009, assim constou do acórdão de recurso voluntário 220100.388: "Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Física I R P F Anocalendário: 2001 IRPF PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O prazo para a autoridade fiscal constituir o crédito tributário é aquele fixado no parágrafo 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional. O fato gerador do IRPF ocorre no dia 31/12 do respectivo ano calendário, sendo este o termo inicial da contagem qüinqüenal, Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000605/200711 Acórdão n.º 2201003.234 S2C2T1 Fl. 438 13 quando não há hipótese de dolo, fraude ou simulação. Preliminar acolhida. MULTA QUALIFICADA INOCORRÊNCIA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício deverá ser minuciosamente justificada e, principalmente, comprovada nos autos. Preliminar acolhida." (negritamos) Como se pode observar do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls 321) e do Acórdão de Recurso Especial prolatado pela E. CSRF (fls.407), não houve insurgência da Procuradoria contra tal aspecto da decisão e, por óbvio, não foi a questão da multa qualificada apreciada pela Colenda Câmara Superior. Mister realçar que a decisão que reformou a decadência reconhecida pela 1ª Turma da 2ª Câmara se pautou pelo reconhecimento da inexistência de pagamento, e não por conta da observação da ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Assim, voto pelo provimento ao recurso quanto à aplicação da multa, determinando o percentual de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/97. Por fim, insurgese o Recorrente contra a aplicação da taxa SELIC, sobre o valor do crédito tributário e ainda, ad argumentandum, em especial sobre a multa de ofício. Tratase de tema pacificado no âmbito deste Colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4 expressamente determina: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Ao se recordar que os débitos tributários são integrados não só pelos créditos tributários em si como também pelas multas devidas nos termos do artigo 161 do CTN, patente a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Nesse sentido, nego provimento ao recurso nesse ponto. Conclusões Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, afastando as preliminares arguída e no mérito, negar provimento ao recurso, ressaltando, porém, a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, nos termos do Acórdão 220100.388, em razão do trânsito em julgado da questão. Relator Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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