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Numero do processo: 16024.000281/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 16/12/2009, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 01/2005 a 12/2007. Com isso, as competências posteriores a 12/2003 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 16/12/2009, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 01/2005 a 12/2007. Com isso, as competências posteriores a 12/2003 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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PARCELA SEGURADOS Recorrente SISTER ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 16/12/2009, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 01/2005 a 12/2007. Com isso, as competências posteriores a 12/2003 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 02 81 /2 00 9- 17 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000281/200917 Acórdão n.º 2402004.195 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida aos cofres públicos. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2005 a 12/2007. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 11/12) informa que o crédito tributário foi constituído através de arbitramento devido a “evidentes indícios de omissão de mão de obra”, em conformidade com o art. 33 e parágrafos da Lei 8.212/91 e art. 447 e 450 da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil n° 971 de 13/11/2009. Esse Relatório Fiscal assenta que “A empresa, não teve mão de obra de segurados empregados, no período de 01/2005 a 07/2005, apenas 1 segurado empregado para o período 08/2005 a 10/2006 e uma média de quatro segurados empregados de 12/2006 a 12/2007, além dos segurados empregados responde pelos serviços um dos sócios da empresa, completando o quadro de empregados 1 segurado autônomo que presta serviços contábeis (...)”. Para melhor dimensionar a insuficiência de mão de obra apresentada, a fiscalização relaciona em várias competências, os valores faturados mensalmente pela empresa, confrontados como os números de empregados utilizados nos serviços. Relata ainda que não constam nos Livros Diários lançamentos de pagamentos a subempreitadas e que um dos serviços contratados foi de construção civil de edificações e patente, logo a empresa teria que contar com um número razoável de empregados qualificados para a execução do serviço. Os fatos geradores das obrigações lançadas foram obtidos através dos contratos e notas fiscais de prestação de serviços, sem registro em sua contabilidade de mão de obra correspondente aos serviços prestados. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 16/12/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 16/23), alegando, em síntese, que: 1. “Por ter sofrido retenções em excesso, a Autuada formulou pedido administrativo de restituição, originando o processo 10855.002037/200750, o qual resultou no reconhecimento de crédito no valor original de R$ 20.279,98, e em quatro autos de infração (DEBCAD 372347746, 372347754, 372347762 e 37234 7770) no valor total de R$200.321,38. Referidos Autos de Infração foram lavrados com o fim específico de impedir a restituição dos valores retidos em excesso”; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2. considera que o critério adotado pela fiscalização para arbitrar o valor das contribuições é insubsistente, pois os autos abrangem fatos geradores atingidos pela decadência, já que as contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial de 5 anos contados do fato gerador, conforme art. 150, § 4o, do CTN. Sendo assim: “O critério temporal do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salário é a data da prestação de serviços e não a data do faturamento, fato gerador da COFINS”. Os serviços contidos nas notas fiscais n° 28 e 31, emitidas em 01/2005 e 03/2005 (data do faturamento), foram prestados no período de 01/10/2004 a 31/11/2004, conforme contrato n° 67/2004 firmado com a Prefeitura Municipal de Votorantim, portanto, já atingidos pela decadência”. Assim há de ser julgado extinto o crédito tributário constituído sobre essas notas fiscais pela consumação da decadência”; 3. os serviços representados nas notas fiscais sofreram retenção e os valores retidos não foram compensados no cálculo do crédito tributário. Todas as notas fiscais emitidas pela Autuada no período da fiscalização sofreram retenção de 11% dos serviços prestados pelos tomadores. Ocorre que os valores retidos não foram compensados pela fiscalização no momento da apuração do crédito tributário. Afirma que: “A fiscalização optou por deferir a restituição dos valores retidos no processo 10.855.002037/200750 e cobrar integralmente o valor das contribuições previdenciárias, com a finalidade de majorar indevidamente o valor da multa. Assim, os valores retidos pelos tomadores, destacados nas notas fiscais, devem ser compensados com as contribuições previdenciárias do mesmo período, para que a multa incida somente sobre o saldo remanescente”; 4. os serviços eram perfeitamente realizados pelo sócio e pelos empregados registrados devido à natureza dos serviços. Logo, somente nas obras contratadas pela Prefeitura de Votorantim é que foi necessária a subempreitada, por envolver serviços de construção civil, porém, as contribuições relativas aos serviços foram todas retidas pela municipalidade. Afirma que: “Os valores das notas fiscais também não representam o volume de serviços, pois neles estão incluídos o fornecimento de equipamentos eletrônicos de elevado custo e despesas operacionais. Houve prestação de serviços pela Autuada sem receber quaisquer valores, pois os preços eram acumulados e pagos em períodos posteriores, conforme estabelecidos nos contratos ou após as medições. Se o agente fiscal presumiu a omissão de mão deobra em razão da existência de contrato envolvendo serviços de construção civil firmados com a Prefeitura, onde houve subempreitada dos serviços, mas com a devida retenção do INSS, não poderia ter arbitrado as contribuições previdenciárias dos demais períodos (...)”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1236.433 da 11a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 192/200) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000281/200917 Acórdão n.º 2402004.195 S2C4T2 Fl. 4 5 A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que seja declarada em parte a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os créditos apurados até a competência 11/2004 foram fulminados pelo instituto jurídico da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Afirma que os serviços contidos nas notas fiscais n° 28 e 31, emitidas em 01/2005 e 03/2005 (data do faturamento), foram prestados no período de 01/10/2004 a 31/11/2004, conforme contrato n° 67/2004 firmado com a Prefeitura Municipal de Votorantim, portanto, já atingidos pela decadência. Tal alegação não será acatada pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000281/200917 Acórdão n.º 2402004.195 S2C4T2 Fl. 5 7 O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2005 a 12/2007 e foi efetuado em 16/12/2009, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 01). Contudo, no caso ora em análise, verificase que a conclusão fiscal foi de que a empresa simulou ou fraudou uma situação que não aparenta a realidade dos fatos contábeis, eis que ela registrou faturamento decorrente da prestação de serviços sem a correspondente mão de obra de segurados empregados, no período de 01/2005 a 07/2005, e apenas 1 segurado Fl. 252DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 empregado para o período 08/2005 a 10/2006 e uma média de quatro segurados empregados de 12/2006 a 12/2007 (itens 4, 4.1 e 4.2 do Relatório Fiscal, processo 16024.000280/200964). Esses fatos evidenciam que a escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Ao contrário do afirmado pela Recorrente e considerando que o próprio art. 150, § 4º, do CTN, excetua a sua aplicação na ocorrência dessa situação (simulação ou fraude), entendese pela aplicação da regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que nenhuma competência lançada foi abrangida pela decadência tributária. Além disso, a alegação da existência da decadência nas competências 01/2005 e 03/2005, por se referirem a serviços prestados no período 01/10/2004 a 30/11/2004, não há como prosperar, pois, por se tratar de aferição indireta, considerase a remuneração da mão de obra utilizada na prestação de serviços, no mínimo 40% do valor dos serviços da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que as competências posteriores a 12/2003 não foram abarcadas pela decadência e o lançamento fiscal referese ao período de 01/2005 a 12/2007, fora do período decadencial, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. Diante disso, rejeito a preliminar de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega revisão ou cancelamento do lançamento fiscal, pois o arbitramento das contribuições é insubsistente, na medida em que ela sempre prestou serviços utilizando a mão de obra qualificada de seus dois sócios (engenheiro eletricista), e de empregados, em número compatível com o volume dos serviços. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – itens “3” a “6” (fls. 12/16, processo 16024.000280/200964), visto que a auditoria fiscal demonstrou que os valores de mão de obra de segurados empregados não condizem com os valores dos serviços prestados, conforme contratos e notas fiscais, bem como não apresentou registro de mão de obra efetuada por subempreitada no período 01/2005 a 12/2007. Para tanto, demonstrouse que a escrituração contábil e folhas de pagamento não continham as remunerações da mão de obra necessária para a execução dos serviços constantes das notas fiscais e contratos. Com isso, o Fisco apontou que a escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Essa demonstração ficou assentada no Relatório Fiscal nos seguintes termos (fls. 12/16): “[...] 4. A empresa, não teve mão de obra remunerada de segurados empregados, no período 01/2005 a 07/2005, apenas 1 segurado empregado para o período 08/2005 a 10/2006 e uma media de 4 segurados empregados de 12/2006 a 12/2007, alem dos segurados empregados, responde pelos serviços um dos Fl. 253DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000281/200917 Acórdão n.º 2402004.195 S2C4T2 Fl. 6 9 sócios da empresa, completando o quadro de empregados 1 segurado autônomo que presta serviços contábeis. 4.1 Para melhor dimensionar a insuficiência de mão de obra apresentada, relacionase os valores faturados mensalmente pela empresa, confrontados com o numero de empregados utilizados nos serviços: Competência 01/2005. Via Oeste 3.705,00 / Prefeitura 50.415,05 / Pessoal utilizado apenas 1 sócio da empresa. Competência 03/2005 Via Oeste 19.000,00 /Prefeitura 49.839,08 / Tyco 2.000,00 Pessoal utilizado apenas 1 sócio da empresa. (...) 4.2 Não constam nos Livros Diários lançamentos de pagamentos a subempreiteiras. 4.3 Conforme exposto nos itens anteriores, dado o volume de serviços contratados, sendo 1 deles de construção civil de edificações, e patente que para a execução dos mesmos, a empresa teria que contar com um considerável numero de empregados devidamente qualificados. [...]” (g.n.) (Relatório Fisca, processo 16024.000280/200964) Nesses itens “4.1” a “4.3” do Relatório Fiscal, constatase que é incontroverso que a escrituração contábil e as folhas de pagamento não continham as remunerações da mão de obra necessária para a execução dos serviços constantes das notas fiscais e contratos, configurando que a escrita contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, a teor do contido nos §§ 1°, 3° e 6° do art. 33 da Lei 8.212/1991. Isso ensejou a lavratura do Auto de Infração n° 37.234.7770 (processo 16024.000283/200906) pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. Conforme documentos acostados aos autos, os contratos de prestação de serviços, firmados entre a Recorrente e as empresas contratantes, tinham como objeto o fornecimento de mão de obra. Nesse caminhar, a Recorrente afirma que, para a execução das obras contratadas pela Prefeitura de Votorantim, foi necessária a contratação de subempreitada. Por outro lado, o Fisco demonstrou que os Livros Diário não registram o lançamento de pagamentos a subempreitada, demonstrando assim a apresentação de documentação deficiente, já que houve o contrato de prestação de serviço com a Prefeitura. Acrescentase ainda que a Recorrente admite o fato de que todas as notas fiscais sofreram a retenção da contribuição previdenciária de 11%, isso materializa necessariamente que houve a colocação de segurados empregados nas dependências das Fl. 254DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 contratantes e, por consectário lógico, a contratação de empregados pela Recorrente, a teor do art. 31, § 3o, da Lei 8.212/19911, nos seguintes termos: “[...] DA AUSÊNCIA DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS PELOS TOMADORES DE SERVIÇOS NO CÁLCULO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Todas as notas fiscais emitidas pela Autuada no período fiscalizado sofreram a retenção de 11 % do valor dos serviços pelos tomadores, conforme destacado no corpo das notas fiscais e previsão expressa dos contratos. [...]” (g.n.) (peças de impugnação e de recurso, fls. 45) Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de arbitramento é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6o, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do 1 Lei 8.212/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5º do art. 33. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 255DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000281/200917 Acórdão n.º 2402004.195 S2C4T2 Fl. 7 11 Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que a escrituração contábil da Recorrente não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço ou ocorreu a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Com relação à ausência de compensação dos valores retidos, constatase que há um processo administrativo de restituição desses valores (processo 10855.002037/2007 50). Isso impossibilita a compensação dos valores retidos com os valores apurados no presente lançamento fiscal. Deixo ainda consignado que, caso haja o deferimento do processo de restituição, poderá haver a operação de compensação na respectiva competência do pagamento, e, por consectário lógico, o sujeito passivo irá liquidar o presente débito, total ou parcialmente, utilizandose de crédito oriundo do processo de restituição. Esta operação concomitante poderá ocorrer a pedido da Recorrente, por escrito, a teor do § 8o do art. 89 da Lei 8.212/91. Lei 8.212/1991: § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei no 11.196, de 2005). Fl. 256DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903610/2011-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. INTIMAÇÃO POR AR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9).
É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressalte-se que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumir-se que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida.
A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo.
PIS-SIMPLES E COFINS-SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA.
A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada.
À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1802-002.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 NULIDADE. INTIMAÇÃO POR AR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9). É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressalte-se que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumir-se que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. PIS-SIMPLES E COFINS-SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marciel Eder Costa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 86 1 85 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.903610/201192 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.311 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria DCOMP Eletrônica Compensação Tributária Recorrente DOMINIUM MATERIAS HIDRÁULICOS E FERRAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 NULIDADE. INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9). É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 10 /2 01 1- 92 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 87 2 PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 88 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 89 4 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 61/75 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (efls. 49/54) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 14/12/2007, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 38654.00272.141207.1.3.042375 (efls. 35/39), informando compensação tributária: débito informado no valor de R$ 959,09m especificado: a) – SIMPLES, código de receita 6106, período de apuração novembro/2007, data de vencimento 14/12/2007, valor R$ 959,09; crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 567,61: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido do Simples Federal (parcelas do PISSimples e da CofinsSimples) do período de apuração 31/01/2003, código de receita 6106, data de arrecadação 10/02/2003, valor original do recolhimento – DARF R$ 3.404,60. Em 01/11/2011, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 32, pela DRF/Guarulhos, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do crédito creditório está limitada ao valor do “crédito original na data da transmissão” informado no PER/DCOMP, correspondendo a R$ 567,61 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 90 5 (...) Ciente dessa decisão em 21/11/2011 – Aviso de Recebimento – AR (efl. 40), a Contribuinte, em 16/12/2011 (efls. 28 e 48 ), apresentou Manifestação de Inconformidade por via postal (efls.02/14), juntando ainda documentos de efls. 15/40, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão a quo e que, nessa parte, transcrevo (efl. 50), in verbis: (...) DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa; que conforme disciplinado no art. 215 do Código de Processo Civil as pessoas jurídicas devem ser citadas nas pessoas de seus representantes legais, indicadas em seus estatutos sociais; que o Despacho Decisório não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei e dessa forma traz consigo a nulidade do ato praticado e a nulidade do processo, sendo assim requer seja declarada a nulidade da notificação do DD, entregue sem a observância da lei, contrariando os arts. 214,215 e 247 do Código Processo Civil; que o fato gerador do PIS/COFINS é o faturamento; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da Manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser incluído na base de cálculo do PIS. Pede a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. (...) A 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, à luz dos fatos e da legislação de regência, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão, de 26/11/2013 (efls. 49/54), cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 50), in verbis: (...) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 91 6 Ciente desse decisum em 02/01/2014 (efls. 57), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls.61/75 em 22/01/2014 comprovante de postagem ECT (efls. 59/60), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao objeto social: que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, ramo de comércio varejista de materiais/produtos ou equipamentos elétricos e eletrônicos e materiais de construção; 2) – Preliminar de nulidade: que, apesar da pessoa jurídica Recorrente ter sido notificada do despacho decisório, a notificação não ocorreu conforme determina a lei, ou seja, não houve notificação na pessoa física dos sócios ou administradores, implicando nulidade do ato por prejuízo à defesa e ao contraditório (cerceamento do direito de defesa). que, se o endereço eleito pela pessoa jurídica, é o local para receber intimações e notificações, isso não autoriza que qualquer pessoa que esteja ocasionalmente no estabelecimento, por exemplo um cliente, seja pessoa capacitada juridicamente para receber notificação em nome da empresa. que, por conseguinte, deve ser declarada nula a ciência do despacho decisório, pois realizada em desconformidade com a lei. 3) – Quanto ao direito creditório: que é pessoa jurídica sujeita a pagamento de tributos federais; que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta, sem exclusão da parcela do ICMS; que a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, as receitas de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar a parcela do ICMS, que não é receita própria; que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; que na DCOMP não tem como esclarecer a origem do crédito (no caso de declaração expressa de inconstitucionalidade pelo STF) e não tem como usar o direito de peticionar, restando na manifestação de inconformiade o direito de peticionar, esclarecer e requerer; que efetuou o recolhimento do Simples sobre a receita bruta, em DARF; porém, isso implicou pagamento do PISSimples e Cofins –Simples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 92 7 que, consoante melhor doutrina pátria e decisão do STF, faz jus à restituição do PIS/Cofins incidente sobre o ICMS; que o crédito pleiteado do PISSimples e CofinsSimples decorreu, portanto, da exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). que, por fim, pediu deferimento do direito creditório pleiteado, mediante reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 93 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária. Nas decisões anteriores objeto deste processo, o crédito pleiteado foi denegado, por ser inexistente; faltou comprovar sua liquidez e certeza. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida, suscitando, primeiro, preliminar de nulidade e, no mérito, matéria de direito. NULIDADE. INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. Nas razões do recurso voluntário, a Recorrente sucitou preliminar de nulidade da intimação atinente ao Despacho Decisório da DRF/Guarulhos, por via postal, Aviso de RecebimentoAR, na pessoa física diversa da designada pela empresa. Na primeira instância de julgamento, a Contribuinte, também, suscitou esta preliminar de nulidade, conforme razões constantes da Manifestação de Inconformidade que, nessa parte, transcrevo no que pertinente (efls. 05/08), in verbis: PRELIMINARMENTE Em 20/07/2011 a manifestante recebeu o DESPACHO DECISÓRIO, (DOC 03) oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil, conforme AR em poder desta delegacia, (...) Senhor Delegado o despacho decisório foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa DOMINIUM MATERIAIS HIDRÁULICOS E FERRAGENS LTDA, (...) O representante legal da manifestante é seu sócio gerente (DOC 01) razão pela qual somente ele poderia ter recebido a correspondência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, máxime por tratarse de intimação para pagamento postada com aviso de recebimento. Da assinatura oposta no documento do correio, o assinante não é sócio, não é procurador, e nem legitimado e não representa legalmente a requerente. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 94 9 Portanto, quem recebeu e assinou o despacho decisório, não é sócio, não é procurador, nem legitimada, não representa legalmente a requerente, e nem tem vínculos com a Manifestante. (...) Entretanto para eficácia da intimação ou notificação, e para sua validade, deve a mesma ser revestida na forma da lei, e a lei dispõem que deve a mesma ser entregue na pessoa do sócio, procurador, ou legitimado, e não a um estranho que não tem relação processual (art. 222 do CPC). (...) A garantia da ampla defesa do "due process of law" deve impor que obrigatoriamente se faculte a parte o direito de produzir provas, argüir legitimidade, enfim, o amplo contraditório, tudo dento dos ditames da lei, evitando assim remeter a parte à via administrativa em toda a sua inteireza. A manifestante entende que o DESPACHO DECISÓRIO não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei, e trás a nulidade do processo. (...) Assim sendo, em preliminares requer que V.S. se digne determinar seja declarada a nulidade da notificação do despacho decisório, (...) Data venia, a preliminar suscitada não merece prosperar, pois carece de pressupostos fáticos e jurídicos. Diversamente do alegado pela Recorrente, a notificação por via postal, com Avisto de Recebimento – AR, deuse nos termos da lei. A propósito, estatui o art. 23 do Decreto 70.235/72, in v erbis: Art. 23. Farseá a intimação: I – (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 95 10 No caso, a Contribuinte foi notificada do Despacho Decisório por via postal – Aviso de Rececimento – AR em 21/11/2011 (efl. 40), assinado por André R. Cruz. A Recorrente confirma, em suas razões, que recebeu a correspondência no dia seguinte, ou seja, em 22/11/2011 e que, porém, a ciência do recebimento no AR foi dada por pessoa sem vículo funcional com a empresa; que apenas estariam aptos a receber correspondência e dar ciência no AR sócio da empresa ou representante legal. Não tem guarida a pretensão da Recorrente. Primeiro, André Ribeiro da Cruz é sócio da Recorrente, conforme cópia do Instrumento Particular de Alteração e Consolidação do Contrato Social, de 29/01/2002 (efl. 16/22), e consta assinatura de Andre R. Cruz no Aviso de RecebimentoAR (efl. 40). Ainda que não sejam a mesma pessoa, isso é irrelevante. A legislação processual administrativa não exige, não estabelece que a ciência do recebimento de correspondência por via postal, Aviso de Recebimento – AR, seja dada exclusivamente a sócio ou representante legal de empresa. Inclusive, para informação da Recorrente, porteiro do Prédio, onde funciona a empresa, pode receber a correspondência e assinar o AR. A matéria é pacífica neste CARF, inclusive, encontrase sumulada, conforme Súmula CARF nº Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A Recorrente não comprovou prejuízo algum à sua defesa. Pelo contrário, mencionou expressamente que recebeu a correspondência no dia 22/11/2011 (dia seguinte à data de assinatura constante do AR). E, conforme consta dos autos, exerceu plenamente o contraditório e a ampla defesa na instância a quo, em alentada defesa, suscitando preliminar e defesa de mérito, revelando conhecer plenamente a lide objeto do processo. Como visto, a intimação, entrega do Despacho Decisório por via postal, cumpriu plenamente sua função, sem prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Ademais, em observância do princípio da instrumentalidade das formas, ainda que o ato processual tenha sido realizado de outro modo ou forma, mas restou atingido, alcançado o seu objetivo sem prejuízo às partes, é plenamente válido, não existindo razão alguma para suscitar sua nulidade. Nesse sentido, são também os precedentes da jurisprudencia dos tribunais pátrios: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 96 11 TJSP Apelação : APL 491469820098260000 SP 0049146 98.2009.8.26.0000 NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. Relator(a):Roberto Mac Cracken. Julgamento:03/03/2011. Órgão Julgador:37ª Câmara de Direito Privado. Publicação:24/03/2011. Ementa NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa de grande porte a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. Recurso não provido TJRJ AGRAVO DE INSTRUMENTO: AI 00229201220138190000 RJ Relator(a):DES. CLAUDIO BRANDAO DE OLIVEIRA. Julgamento:16/10/2013. Órgão Julgador:SÉTIMA CAMARA CIVEL. Publicação:24/03/2014 11:09 Ementa: Agravo de Instrumento. Direito Processual Civil. Recurso no qual se alega nulidade da citação postal, por ter sido recebida por terceiro. Matéria de ordem pública que não é passível de preclusão, eis que ainda não foi apreciada. Citação via postal de Pessoa Jurídica recebida pelo porteiro do prédio. Citação válida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. Recurso a que se nega provimento. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 97 12 TRF2APELAÇÃO CIVEL: AC 388942 RJ 2006.51.01.0153937 TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. Relator(a):Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES. Julgamento:05/05/2009. Órgão Julgador:QUARTA TURMA ESPECIALIZADA. Publicação:DJU Data::01/07/2009 Página::99. Ementa TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. 1. Consoante os dispositivos acima citados, e mesmo em face do que dispõe o art.223, parágrafo único do CPC, convém ressaltar que em respeito ao princípio da aparência, bem como ao princípio da instrumentalidade do processo, a jurisprudência pátria, de longa data já possui entendimento que a citação/intimação realizada em pessoa que não possui poderes de gerência/administração da pessoa jurídica é válida, não lhe sendo exigido que possua poder de gerência ou que receba costumeiramente correspondências. 2. Segundo a jurisprudência dominante no STJ, e regular a citação de pessoa jurídica, por via postal, quando a correspondência é encaminhada ao estabelecimento da ré, sendo ali recebida por um seu funcionário. Desnecessário que o ato de comunicação processual recaia em pessoa ou pessoas que, instrumentalmente ou por delegação expressa, representem a sociedade (REsp 161167). 3. Consoante entendimento já consolidado nesta Corte Superior, adotase a teoria da aparência, considerando válida a citação de pessoa jurídica, por meio de funcionário que se apresenta a oficial de justiça sem mencionar qualquer ressalva quanto à inexistência de poderes para representação em juízo (AgRg no Ag 547864). 4. Apelação improvida. STJ EMBARGOS DE DIVERGENCIA NO RECURSO ESPECIAL : EREsp 156970 SP 1999/00158032. Ministro Vicente Leal. Julgamento 02/08/2000. CECorte Especial. Publicação: DJ 22.10.2001 p. 261RDR vol. 22 p. 164 Ementa PROCESSUAL CIVIL. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. RECEBIMENTO QUE SE APRESENTA COMO REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA. Em consonância com o moderno princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovida de efeitos prejudiciais, é de se aplicar Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 98 13 a teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada em quem, na sua sede, se apresenta como sua representante legal e recebe a citação sem qualquer ressalva quanto a inexistência de poderes para representála em Juízo. Embargos de Divergência conhecidos e acolhidos. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar suscitada. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO DO SIMPLES FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR DE PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Nas razões do recurso, a Recorrente informou que apurou direito creditório do Simples Federal do anocalendário 2003, da seguinte forma: a) que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta (faturamento), sem exclusão da parcela do ICMS; b) que, pela legislação de regência, a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, a receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; c) que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar, não deve compreender, a parcela do ICMS, pois não é receita própria; d) que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; e) que, pela decisão do STF, a base de cálculo da Contribuição para PIS e da Cofins é o faturamento bruto (receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços); f) que efetuou o recolhimento do Simples, em DARF, que implicou apuração e pagamento da Contribuição PIS – Simples e da CofinsSimples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; g) que tem direito de crédito sobre o pagamento do PISSimples e da Cofins –Simples sobre a parcela do ICMS, quanto ao anocalendário 2003; h) que, por iniciativa própria, recalculou o valor devido no Simples Federal, a título de PISSimples e CofinsSimples dos períodos mensais do anocalendário 2003, excluindo o ICMS da receita bruta, e apurou, assim, valor pago a maior dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 99 14 i) que pediu, por fim, o reconhecimento do crédito utilizado na DCOMP. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. O crédito demandado pela Recorrente não tem respaldo fáticojurídico. Na legislação do ICMS (Lei Complementar nº 87/96, art. 13, § 1º, I) e suas ulteriores atualizações, o ICMS é calculado “por dentro”, nos seguintes termos: Art. 13. (...) § 1º. Integra a base de cálculo do imposto, inclusive o inciso V da caput deste artigo: I O montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. (...). O ICMS integra a receita bruta, ou seja, o faturamento bruto. Ainda, quanto à legislação do ICMS, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) ratificou, recentemente (18/05/2011), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461SP (18/05/2011). A seguir trancrevo a Ementa do Acórdão do Pleno do STF, proferido nos autos do processo do RE 582461SP, sessão de 18/05/2011, Relator Min. Gilmar Mendes: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 100 15 ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Na legislação de regência da Cofins e da Contribuição para o PIS (Lei 9.718/1998, Lei 10.637/200, Lei 10.833/2003 e Lei nº 10.865/2004) também não há previsão legal de exclusão do ICMS da receita bruta (faturamento), em relação às operações de venda de mercadorias e prestação de serviços quando incide esse imposto. Diversamente do alegado pela Recorrente, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, como efeito erga omnes, não tratou da questão do ICMS, se cabível ou não sua exclusão da receita bruta =faturamento bruto. Vale dizer, em relação à legislação da Contribuição para o PIS e da CSLL, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 o STF fixou o entendimento de que a receita bruta = faturamento bruto corresponde a vendas de mercadorias, prestação de serviços ou vendas de mercadorias com prestação de serviços, não abarcando outras receitas, mormente receitas financeiras para as pessoas jurídicas cujo objeto social seja o comércio de mercadorias e prestação de serviços em geral; afastou, por conseguinte, o alargamento da base de cálculo desse dispositivo. Como demonstrado, a parcela do ICMS faz parte da receita bruta (faturamento), base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins.. Logo, enquanto não houver mudança da legislação de regência da Contribuição para o PIS e da Cofins para exclusão do ICMS da receita bruta ou decisão judicial erga omnes excluindo o ICMS da receita bruta, a base de cálculo dessas exações continua abarcando o ICMS. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 101 16 Ainda, não consta dos autos que a Recorrente tenha decisão transitada em julgado conferindolhe o direito de excluir a parcela do ICMS da apuração da base de cálculo da Cofins e da Contribuição do PIS. Quanto ao afastamento da exigência da Contribuição para o PIS e da Cofins nas operações de importação de mercadorias e serviços, a decisão do STF no Recurso Extraordinário 559.937RS tem efeito, apenas, inter partes, não beneficia a Recorrente, pois não é parte daquele processo. No citado RE, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 .O ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições PIS/Cofins no desembaraço de importação de bens e serviços, sessão de 20/03/2013. O citado dispositivo extrapolou o art. 149, § 2º, II, “a”, da CF que constitucionalizou o conceito técnicojurídico de valor aduaneiro, base de cálculo das contribuições PIS/Cofins incidentes na importação. A Fazenda Nacional, porém requereu a modulação dos efeitos dessa decisão do STF. Como visto, a Recorrente não tem respaldo legal para excluir o ICMS da receita bruta. E, também, não é beneficiária de decisão judicial nesse sentido. Logo, o crédito pleiteado não tem liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN. Além disso, apenas para argumentar, a Recorrente sequer demonstrou como apurou o suposto crédito (não juntou demonstrativo, planilha, memória de cálculo, nem cópia da escrituração contábil/fiscal). A arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação de regência dessas exações fiscais federais que não prevê a exclusão do ICMS da receita bruta, não pode ser enfrentada na órbita administrativa, por não ser a esfera competente. A matéria é da alçada do Poder Judiciário, e não da esfera administrativa. Esse entendimento, por ser pacífico, já está sumulado neste CARF, conforme Súmula CARF nº 02, que transcrevo a seguir, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como visto, a Recorrente não comprovou o direito creditório pleiteado. A Contribuinte é autora do pedido de crédito, no processo de compensação tributária. À luz do Código de Processo Civil Brasileiro, de aplicação subsidiária, o ônus probatório é do autor quanto ao fato constituitivo do direito creditório alegado contra o fisco (CPC, art. 333, I). O momento para a produção das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903610/201192 Acórdão n.º 1802002.311 S1TE02 Fl. 102 17 Portanto, não restando comprovado o direito creditório pleiteado, pela falta de demonstração da liquidez e certeza, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906225/2012-26
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/04/2007
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 25 /2 01 2- 26 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/04/2007 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906225/201226 Acórdão n.º 1802003.192 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10120.009528/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em instituição financeira, em relação aos quais o titular, intimado, não comprove, a origem dos recursos utilizados.
SIGILO BANCÁRIO.
É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001.
CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
De acordo com a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional - CTN o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária na qualidade de responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Configurada a existência de falhas e irregularidades na escrituração contábil da pessoa jurídica, que se revela imprestável para efeito de determinação do lucro real, bem como para identificar com precisão sua movimentação financeira, resta autorizado o arbitramento do lucro, sendo que este, no caso presente, foi efetuado com base nas receitas reconhecidas pelo próprio sujeito passivo.
Numero da decisão: 1302-001.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: Relator
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OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em instituição financeira, em relação aos quais o titular, intimado, não comprove, a origem dos recursos utilizados. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. De acordo com a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional CTN o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária na qualidade de responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ARBITRAMENTO DO LUCRO. Configurada a existência de falhas e irregularidades na escrituração contábil da pessoa jurídica, que se revela imprestável para efeito de determinação do lucro real, bem como para identificar com precisão sua movimentação financeira, resta autorizado o arbitramento do lucro, sendo que este, no caso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 95 28 /2 01 0- 11 Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 2 presente, foi efetuado com base nas receitas reconhecidas pelo próprio sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 10120.009528/201011 Acórdão n.º 1302001.379 S1C3T2 Fl. 2.733 3 Relatório Contra o Contribuinte foram lavrados Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, referentes ao anocalendário de 2006, no montante de R$ 10.736.102,50. Relata a Fiscalização que, ao averiguar indícios de sonegação fiscal da contribuinte, sociedade de fomento mercantil factoring, verificou inconsistências entre a movimentação financeira apontada na DCPMF, entregue pelo Bradesco de R$ 60.533.543,71, e o valor de IRPJ informado na DIPJ oferecido à tributação de R$3.368,00. Esclarece que, aplicado o fator de compra padrão de títulos com deságio, apurado pela Anfac Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring, para o ano de 2006, de 4,28%, sobre a movimentação financeira, encontrase uma receita estimada de R$ 2.590.835,00. Complementa a autoridade tributária informando que o Banco Bradesco informou ter pago, a título de rendimento de aplicações financeiras, o valor de R$ 469.297,71enquanto a fiscalizada informou R$ 166.264,00. Tendo frustradas as tentativas de entregar, via postal, o termo de início da ação fiscal, primeiro no domicílio fiscal, e em seguida para os sócios da empresa, foi dada a ciência por meio de edital, afixado em 16/07/2009 e 06/08/2009. Transcorrido o prazo sem resposta, foi solicitada a expedição da requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF), em razão das divergências encontradas. A contribuinte ainda foi declarada inapta, contudo, ao responder o Termo de Intimação Fiscal lavrado em 17/11/2009, em 08/12/2009 e comprovar a funcionalidade do domicílio fiscal da pessoa jurídica, a declaração de inaptidão foi reconsiderada. Uma vez efetuada a análise dos livros fiscais e comerciais e dos extratos bancários, foi intimada a comprovar os depósitos que não foram lançados na escrita contábil, de valor superior a R$5.000,00, e a manifestarse sobre o demonstrativo de rendimento obtido com a aplicação de CDB. Em resposta, a fiscalizada não se pronunciou quanto aos rendimentos de CDB e apresentou borderôs de negociação que comprovaram parte dos recursos depositados. Nesse contexto, foram apuradas três infrações. A primeira, referente aos depósitos bancários não comprovados, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, a segunda, relativa aos depósitos comprovados com a apresentação dos borderôs, nos quais os lucros das operações de factoring não foram oferecidos á tributação, e a terceira, em razão da contribuinte não ter contabilizado as aplicações e os rendimentos de renda fixa obtidos com os CDB´s. Tendo em vista que a escrituração contábil não contemplou a movimentação bancária junto ao Banco Bradesco, inviabilizando a apuração pelo lucro real, Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 4 decidiu a Fiscalização arbitrar o lucro com fundamento no art. 531, inciso II, alíneas "a" e " b" do RIR/99. Assim, sobre as receitas de depósitos não comprovados e operações de factoring foi aplicado o coeficiente de lucro arbitrado de 38,4% de IRPJ e 32% de CSLL, e, obtido o lucro arbitrado, foi somado aos rendimentos referentes às aplicações de renda fixa. Para o PIS/Pasep e a Cofins, a base de cálculo foi obtida mediante a soma das receitas auferidas. Relata ainda a autoridade fiscal que parte dos recursos não oferecidos à tributação teria sido utilizado na aquisição de um apartamento, com pagamento através de vinte e oito cheques emitidos pela fiscalizada e assinados pelo sócio Renílton Nunes de R$ 38.571,43, totalizando R$1.080.000,04. Mesmo tendo sido excluído do quadro societário da contribuinte em 03/10/2006, o sr. Renílton Nunes continuou praticando atos de gestão, assinando cheques emitidos pela pessoa jurídica e contando com procuração por instrumento público de sócia da empresa onde lhe foram conferidos poderes de administração. Diante dos fatos apurados, concluiu a autoridade tributária que a empresa encontravase predisposta a sonegar tributos federais e deixar que o ônus tributário recaísse sobre as duas sócias de direito. Assim, com base no art. 135, inciso III do CTN e nos parágrafos 85 a 95 do PARECER/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 e no Parecer PGFN/CAT n° 1474/2009, o administrador de fato, o sr. Renílton Nunes, foi responsabilizado solidariamente. Em razão das ocorrências, foi feita Representação Fiscal para Fins Penais, nos autos do processo administrativo n° 10120.009580/201078. Por fim, tendo em vista as condutas adotadas pela contribuinte e pelo responsável, que tenderam retardar o conhecimento da Fazenda sobre a ocorrência do fato gerador, além da utilização de interpostas pessoas que não detinham capacidade para adimplir as obrigações fiscais foi imputada a multa qualificada de 150% com base no art. 44, § Iº da Lei n° 9.430/96, com nova redação conferida pela Lei n° 11.488, de 2007. Cientificados dos lançamentos em 01/12/2010, foi apresentada impugnação tempestiva em conjunto, em 30/12/2010 onde se alegou em síntese o seguinte: que os impugnantes foram intimados sobre a existência da fiscalização, nos mesmos endereços das intimações anteriores que haviam sido frustradas e mesmo diante dos documentos entregues e dos esclarecimentos prestados, sem que o agente fiscalizador tivesse realizado qualquer diligência, foram desconsideradas todas justificativas apresentadas e lavrados os autos de infração. que o Termo de Verificação Fiscal possui inúmeras inconsistências. O fiscal reconhece que os valores constantes nos extratos bancários estão relacionados aos borderôs de negociação referentes à atividade de factoring, e que de acordo com o índice publicado pela ANFAC o "spread" médio praticado pelas empresas de fomento mercantil no ano de 2006 teria sido de 4,6%. Contraditoriamente, o auditor arbitrou um lucro no importe de 38,4% para o IRPJ e de 32% para a CSLL, PIS e Cofins. que o auditor também reconhece que parte dos valores que transitaram na conta decorrem da aquisição de cheques prédatados que foram devolvidos e reapresentados, Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 10120.009528/201011 Acórdão n.º 1302001.379 S1C3T2 Fl. 2.734 5 gerando duplicidade de lançamentos na movimentação bancária, no entanto, conclui que todos os créditos lançados na conta são omissão de receita. que o fiscal desconsiderou a personalidade jurídica da empresa, sem qualquer fundamento e responsabilizou solidariamente o Sr. Renílton Nunes (exsócio e atual procurador da sociedade). preliminarmente, requer a nulidades no procedimento tendo em vista o cerceamento de defesa, junta jurisprudência do STJ neste sentido. que os impugnantes não tiveram oportunidade de se manifestar sobre a constituição e o arbitramento que originou o crédito tributário, vez que a ação fiscal ocorreu, em grande parte à revelia. que a ausência de sinais exteriores de riqueza e acréscimo patrimonial evidencia a necessidade da realização de perícia. que o fiscal não apresentou qualquer documento, além dos extratos bancários (obtidos de forma ilegal e inconstitucional) e das informações fornecidas pela empresa impugnante. que a fiscalização não aprofundou a investigação e não mencionou quais operações deveriam ser esclarecidas. que a quebra do sigilo bancário e fiscal da impugnante é ilegal e teve início a partir de presunções infundadas e acusações descabidas. que ao contrário do alegado pelo fiscal, os negócios jurídicos realizados entre os impugnantes não configuram nenhum ilícito. Todos os atos praticados pelo Sr. Renílton Nunes foram praticados no exercício de mandato através de procuração pública. que assim, a desconsideração da personalidade jurídica, assim como, a atribuição da responsabilidade "solidária" ao Sr. Renílton Nunes, ora impugnante, fere a constituição, a legislação e a jurisprudência. que a desconsideração somente pode ser realizada pelo Poder Judiciário, conforme entendimento ratificado pelo STJ. que ademais o art. 134 do CTN permite a responsabilização de terceiros somente quando ficar demonstrada a impossibilidade do cumprimento da obrigação tributária pela pessoa jurídica e desta forma, deve ser excluído do pólo passivo o Sr. Renílton Nunes. que só existe renda se houver, acréscimo patrimonial, não podendo o legislador ordinário extrapolar esta definição. A fiscalização lavrou os autos de infração baseada em meras presunções. que os depósitos bancários desacompanhados de outros indícios não podem ensejar presunção válida de omissão de rendimentos. Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 6 que o Sr. Renílton Nunes, não sendo o responsável pela movimentação bancária não poderia provar os depósitos que não foram individualizados, restando totalmente nulo e ineficaz o pedido de informações. requer seja reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária, referente ao auto de infração em epígrafe, relativo ao anocalendário de 2006, em razão dos seguintes fundamentos: a) o art. 3 o , §1° e 4 o da Lei n° 7.713/88, ofendem o princípio constitucional da hierarquia das leis e da segurança jurídica, descritos no art. 59 e 69 da Constituição Federal/1988 ao alterar o conceito de renda através de lei ordinária, conforme previsto no art. 146, III e art. 153 da Constituição Federai/88; b) a aplicação do art. 3 o , §1° e 4 o da Lei n° 7.713/88 é ilegal uma vez que altera o concerto de renda previsto no art. 43 e 110 do CTN; c) não houve comprovação de sinais exteriores de riqueza e acréscimo patrimonial dos impugnantes, conforme determina art. 6 o do Lei n° 8.021/90, o art. 43 do CTN e o art. 146, III e art. 153 da Constituição Federal/88; d) o lançamento foi realizado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, sendo contrário ao entendimento consolidado na Súmula 182/TFR. que o Fisco Federal não obedeceu aos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade e incorreu em erros que interferem na constituição do "suposto" crédito tributário. que onforme planilhas anexadas "Demonstrativo das Inconsistências do Auto de Infração", o somatório dos depósitos mensais e dos cheques devolvidos constantes no extrato bancário da empresa impugnante diverge do somatório dos depósitos mensais e dos cheques devolvidos apurados pela fiscalização. que a fiscalização se equivocou no somatório dos cheques devolvidos. Através de análise dos extratos fornecidos pelo Banco Bradesco S/A a impugnante identificou uma diferença absurda no valor de RS 13.831.175,28, devidamente demonstrada em planilha anexada "Demonstrativo das Inconsistências do Auto de Infração" e no quadro de fls. que no levantamento realizado pela fiscalização, não foram considerados os títulos negociados pela empresa impugnante no anocalendário anterior, emitidos nos meses de 10/2005, 11/2005 e 12/2005, cujos vencimentos/descontos ocorreram nos meses 01/2006, 02/2006 e 03/2006. que se a fiscalização tivesse considerado a totalidade dos cheques devolvidos, não haveria depósitos não justificados e sem origem comprovada. A relação detalhada dos títulos com data de aquisição, data de vencimento, valor do título e nome do sacado encontrase anexada apresente Impugnação. que o arbitramento efetuado pela Fiscalização não condiz com a natureza das atividades desenvolvidas pela impugnante, já que o próprio fiscal reconhece que a Associação Nacional de Fomento Mercantil Anfac, em 2006, apresentou como índice para a atividade de factoring o percentual de 4,58% sobre os valores negociados nas empresas. Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 10120.009528/201011 Acórdão n.º 1302001.379 S1C3T2 Fl. 2.735 7 que tal índice inclui uma serie de outros serviços que a empresa impugnante jamais exerceu. que contraditoriamente, a autoridade fiscal arbitrou um lucro no importe de 38,4% para o IRPJ e de 32% para a CSLL., sendo que os valores depositados em conta bancária jamais poderia representar receita de comissões da empresa de factoring. ressaltese que o índice supracitado referese a uma expectativa de lucro, e não necessariamente lucro, como no caso da impugnante, no qual no mês de dezembro/2006, auferiu 2,79%, sua maior porcentagem de lucro. que o Conselho já manifestou entendimento em diversos julgados no sentido de que o arbitramento deve obedecer aos limites publicados pela entidade reguladora ANFAC, como se pode observar no Acórdão n° 19100.030. que as incorreções e os questionamentos em relação ao procedimento fiscal utilizado pela fiscalização, requerem os impugnantes perícia contábil, nos termos do art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72 e para tanto, nomeiam como assistente técnico contábil o Sr. LÁZARO BATISTA BARROS, contador inscrito no CRCGO sob o n° 6.132, inscrito no CPF/MP n° 197.452.90106, com endereço profissional na av. Nona Avenida, n° 226, qd. 76, lt. 01, esq. com a rua 219, Setor Leste universitário, Goiânia, Goiás, te!.: (62) 32185060, a fim de que sejam respondidos os seguintes quesitos: c.1.1) Os valores apurados mensalmente pelo agente fiscalizador a título de movimentação bancária estão relacionados com a atividade mensal da empresa impugnante? c.l.2) A fiscalização considerou as origens dos depósitos efetuados no Banco Bradesco S/A, conforme planilhas anexadas pela empresa impugnante? c.l.3) Foram consideradas a totalidade dos cheques devolvidos e duplicidade de lançamentos em razão de reapresentação dos referidos cheques? o 1.4) A presunção de acréscimo patrimonial efetuada pela fiscalização com base na movimentação bancária da empresa impugnante, considerou os cheques devolvidos e os lançamentos em duplicidade em razão de reapresentação de cheques? c.l.5) Além dos extratos bancários, existem nos autos do processo administrativo, diligências e/ou documentos que comprovem acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza do impugnante? c.l.6) A metodologia utilizada pela fiscalização considerou as disponibilidades financeiras declaradas pelos impugnantes em exercícios anteriores? c.l.7) A metodologia utilizada pela fiscalização considerou a totalidade das atividades econômicas e/ou financeiras exercidas pela empresa impugnante, em nome próprio e de terceiros? requerem os impugnantes ainda a juntada posterior de documentos, que se fizerem necessárias à comprovação de todo o alegado. A 2ª Turma da DRJ/BSB, através do acórdão nº 0341.918, por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: IRPJ Anocalendário: 2006 PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. I Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 8 financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea. II Operase a inversão do ônus da' prova, situação em que cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. PRESUNÇÃO LEGAL. APRECIAÇÃO DE LEGALIDADE. A presunção de omissão de receitas encontrase prevista em lei. Nesse contexto, não cabe a órgão de julgamento administrativo apreciar argüição de sua legalidade. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. EMISSÃO DE RMF. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. O fornecimento de informações pelas instituições financeiras sobre a movimentação do sujeito passivo, na forma da Lei Complementar n°. 105, de 2001, não constitui quebra de sigilo. Tratase de medida que prescinde de autorização judicial, quando promovida nos termos da lei, durante procedimento fiscal em curso no qual a autoridade tributária constate ser indispensável o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras. CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. Eventual decisão do STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide. RELAÇÃO OBRIGACIONAL. TRIBUTÁRIA. PÓLO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. SÓCIO DE FATO. ATOS DE GESTÃO. EXCESSO DE PODERES. SOLIDARIEDADE. I A responsabilização tributária, decorrente de relação obrigacional, prevista no CTN, não implica em desconsideração da pessoa jurídica, sendo institutos diferentes. II Condutas do administrador, no qual, apesar de ter se retirado formalmente da sociedade, continuou praticando atos de gestão, assinando todos os cheques da empresa e não escriturando vultuosa movimentação financeira, em uma série de atos ordenados, um por um, caracterizam sua atuação na condição de sócio de fato, agindo com excesso de poderes. Tais ações e omissões, além de infringirem a legislação comercial e tributária vigente, implicam na subsunção ao art. 135, inciso III, do CTN. III Tratase de responsabilidade solidária, no qual integram o pólo passivo a pessoa jurídica e o sócio de fato, sem benefício de ordem. ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. COEFICIENTE PARA A DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DO TRIBUTO. APLICAÇÃO DAS ALÍQUOTAS. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 do RIR/99 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento. Por sua vez, sobre a base de cálculo encontrada, serão aplicadas as alíquotas previstas na legislação regente para apurar o IRPJ e a CSLL devidos. Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 10120.009528/201011 Acórdão n.º 1302001.379 S1C3T2 Fl. 2.736 9 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontram se amparados em lei. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. As provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão processual, exceto nas situações previstas no art. 16, § 4 o do PAF. Intimada da decisão da DRJ em 18/03/2011, sexta feira, apresentou recurso voluntário tempestivo em 19/04/2011, reiterando os argumentos aduzidos em sede de impugnação e acrescentando em apertada síntese o seguinte: que somente após um ano de fiscalização a recorrente foi regularmente intimada sobre a fiscalização. Que a intimação se deu no mesmo local onde as demais foram devolvidas. que apesar dos documentos e esclarecimentos prestados pela empresa recorrente, ao final da fiscalização e sem que o agente fiscalizador tivesse realizado qualquer diligência, foram desconsideradas todas justificativas apresentadas, culminando com a Iavratura do presente auto de infração, em face da empresa recorrente e do Sr. Renílton Nunes (exsócio e atual procurador da sociedade) com base apenas em extratos bancários obtidos de forma ilícita. que para fundamentar a autuação, o agente fiscal cotejou as informações prestadas pela empresa recorrente com a movimentação bancária obtida procedeu ao arbitramento apurando um "suposto" crédito tributário de R$ 10.736.102,50. requer a nulidade do auto e o reconhecimento do cerceamento do direito de defesa e quebra de sigilo. que a fiscalização se limitou a arbitrar o lucro , tributando toda sua movimentação financeira. que a quebra de sigilo é inconstitucional e já foi decidida pelo STF. que a fiscalização de forma arbitrária e sem qualquer respaldo fático e legal desconsiderou a personalidade jurídica da empresa recorrente, responsabilizando de forma "solidária" o exsócio e atual procurador da sociedade Sr. Renílton Nunes. que os negócios jurídicos realizados entre os recorrentes encontramse respaldados pela legislação vigente e não configuram nenhum ilícito. que todos os atos praticados pelo Sr. Renílton Nunes foram praticados no exercício de mandato através de procuração pública. Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 10 que a desconsideração da personalidade jurídica, assim como, a atribuição da responsabilidade "solidária", só pode ser realizada pelo poder judiciário, conforme legislação vigente e jurisprudência pacífica. que é entendimento já pacificado o Colendo Superior Tribunal de Justiça nos ensina que o mero inadimplemento tributário por si só não caracteriza hipótese de responsabilidade subsidiária. que para ser considerada renda deve haver disponibilidade econômica, acréscimo patrimonial e haver sinais exteriores de riqueza. Depósitos bancários não é renda conforme súmula nº 182 do TRF. que não foram respeitados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. que a metodologia utilizada para proceder ao arbitramento, além de não ser suficientemente clara, contém erros que interferem fundamentalmente na constituição do crédito tributário. conforme planilhas anexadas "Demonstrativo das Inconsistências do Auto de Infração", o somatório dos depósitos mensais e dos cheques devolvidos constantes no extrato bancário da empresa recorrente diverge em R$ 1.281.114,34, do somatório dos depósitos mensais e dos cheques devolvidos apurados pela fiscalização, ainda que a fiscalização tenha desconsiderado depósitos inferiores a R$ 5.000,00 . que também se equivocou no somatório dos cheques devolvidos. Através de análise dos extratos fornecidos pelo Banco Bradesco S/A a empresa recorrente identificou uma diferença absurda no valor de R$ 13.831.175,28 devidamente demonstrada em planilha anexada "Demonstrativo das Inconsistências do Auto de Infração". que não foram considerados ainda os títulos negociados pela empresa recorrente no anocalendário anterior, emitidos nos meses de 10/2005, 11/2005 e 12/2005, cujos vencimentos/descontos ocorreram nos meses 01/2006, 02/2006 e 03/2006. A relação detalhada dos títulos com data de aquisição, data de vencimento, valor do título e nome do sacado encontrase anexada aos autos. que o Conselho de Contribuintes, atual CARF, manifestou entendimento em diversos julgados, no sentido de que o arbitramento deve obedecer aos limites publicados pela entidade reguladora ANFAC. É o relatório. Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 10120.009528/201011 Acórdão n.º 1302001.379 S1C3T2 Fl. 2.737 11 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Conheço do recurso voluntário por ser tempestivo e preencher os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Em relação a quebra de sigi lo bancário argüida pela Recorrente, esclareço que já tinha despachado, do dia 16/11/12 , determinado o sobrestamento do julgamento, por conta da determinação do art. 62A do RICARF diante de recurso repetitivo sobre a matéria estar pendente de julgamento no STF. Porém com a publicação da Portaria nº 545, de 18/11/2013, o art. 62 do RICARF foi revogado e com ele o impedimento do julgamento de processos que envolvam a quebra de sigilo bancário. Com isso o processo retornou para minha relatoria para julgamento, e é o que faço neste momento. Conforme demonstrado, não obstante ter sido intimada reiteradas vezes, a Recorrente não se manifestou, razão pela qual a Fiscalização, para verificar a razão das divergências constatadas entre a movimentação financeira e os valores declarados, teve que se socorrer da faculdade autorizada art. 6o da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n°. 3.724, de 2001 Nesse contexto, tendo em vista que a emissão do RMF deuse nos termos da legislação de regência, não há nenhum vício que possa macular o lançamento fiscal. No que concerne ao RE n° 389808, citado pela impugnante, tratase de controle incidental de constitucionalidade, exercido de modo difuso pelo Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos aplicamse apenas às partes do processo. Para que a decisão tenha efeito erga omnes, não basta que seja proferida pelo STF em sede de controle difuso, deve, ainda, haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional (CF, art. 52, X), ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que o Supremo Tribunal Federal edite súmula vinculante, nos termos da Lei n° 11.417, de 2006. Superado este impedimento, passo a analisar a alegação de nulidade do auto de infração e vejo que a mesma não pode prosperar já que o auto foi lavrado por servidor competente e não ocorreu qualquer cerceamento de defesa da Recorrente. Defendo que o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, prevê as possibilidades de nulidades do processo administrativo fiscal e assim dispõe sobre a matéria: Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 12 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)” Por sua vez, o art. 10 do mesmo diploma legal, determina: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Sendo assim, somente estes vícios são capazes de determinar a nulidade de um ato administrativo e como nenhum deles veio, efetivamente a ocorrer descarto qualquer pretensão de nulidade levantada em relação ao auto de infração. A Recorrente teve ciência de todos os atos e elementos que necessitava para sua defesa, tendo sido intimada de todos os atos praticados e oferecidos os prazos de resposta. Além do mais depreendese da leitura da impugnação e do recurso que a Recorrente conhece plenamente todas as acusações que lhe foram atribuídas. No que concerne às jurisprudências administrativas e judiciais anexadas em seu favor, cumpre esclarecer que nos termos do art. 4º do Decreto n° 2.346/1997, a extensão dos efeitos daquelas decisões, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio, o que definitivamente não ocorreu. Assim sendo, não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças administrativas e judiciais só produzem efeitos em relação às matérias e às partes envolvidas na lide, não se aplicando a terceiros. Portanto descabidas, suas pretensões de nulidade. Protesta os critérios adotados pela Fiscalização ao efetuar o lançamento fiscal amparada na presunção prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, já que tal dispositivo não poderia alterar o conceito de renda previsto no art. 43 do CTN e não caracterizaria acréscimo patrimonial ou sinais exteriores de riqueza.. Alega cerceamento ao princípio do contraditório e da ampla defesa, na medida em que a Fiscalização valeuse apenas dos extratos bancários para efetuar os lançamentos, sem o necessário aprofundamento dos trabalhos. Recorre ainda aos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, contesta a responsabilização tributária do sócio de fato e a base de cálculo adotada pelo arbitramento. Teve início a ação fiscal em razão das inconsistências encontradas pela autoridade tributária ao comparar os valores declarados pela contribuinte e a sua movimentação financeira. Ao contrário do que afirma a Recorrente, sua DCPMF apontou uma movimentação no decorrer do ano calendário de 2006 no montante de R$60.533.543,71. Aplicandose sobre tal valor do fator ANFAC Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring, cujo valor médio em 2006 foi de 4,28%, para se apurar a Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 10120.009528/201011 Acórdão n.º 1302001.379 S1C3T2 Fl. 2.738 13 receita estimada, encontrase o resultado de R$ 2.590.835,00. Por sua vez, na DIPJ, a contribuinte apurou IRPJ no valor de R$ 3.368,00. O Bradesco ainda informou ter recolhido, a título de rendimento de aplicações financeiras, o valor de R$ 469.297,71, enquanto que na DIPJ da impugnante consta o montante de R$166.264,00. A autoridade tributária, tendo efetuado as análises dos depósitos bancários, encaminhou Termo de Verificação Fiscal para a Recorrente, no qual apresenta demonstrativo detalhado, no qual relaciona os depósitos bancários, um a um, e solicitou a apresentação de documentação que comprovasse a origem dos recursos movimentados na conta corrente. A Recorrente logrou comprovar apenas parte dos depósitos bancários e para aqueles depósitos cuja origem não restou comprovada, restou caracterizada situação que autoriza aplicação de presunção legal, de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Os depósitos bancários revelamse, há tempos, matéria exaustivamente discutida na administração tributária, mostrandose eficazes na tarefa de proporcionar ao Fisco as evidências necessárias da ocorrência dos fatos geradores previstos em norma. Não por acaso, trata o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 de presunção legal, que se amolda perfeitamente aos fatos do caso concreto em análise. Os acontecimentos trazidos ao presente processo ilustram com bastante clareza a situação na qual a administração tributária, na busca da apuração dos fatos, intima a contribuinte a se manifestar, oferece oportunidades para a devida apresentação de documentação probatória, e, no fim, deparase com inúmeros depósitos sem nenhuma comprovação. No caso de presunção legal, o ônus da prova invertese, ou seja, caberia à contribuinte, no decorrer da ação fiscal, para afastar a. presunção de omissão de receitas, produzir prova em contrário. Portanto, caberia a Recorrente, para desconstituir a presunção de omissão de receitas, apresentar documentação hábil e idônea, que pudesse comprovar a origem dos depósitos bancários. Contudo, optou a Recorrente por discutir sobre questões de direito, sobre a aplicabilidade da presunção legal de omissão de receitas, a motivação do lançamento, a legalidade do ato, ou seja, discorreu sobre tudo, menos o que interessava, a produção de provas para desconstituir a presunção legal. A Fiscalização ainda descobriu parcela do destino das receitas que não foram oferecidas à tributação, ao constatar a emissão de vinte e oito cheques no valor de R$38.571,43, totalizando R$1.080.000,00, em favor do Condomínio Residencial Portanto não resistem as argumentações da Recorrente, de que as investigações deveriam ter sido aprofundadas, e que a ação fiscal teria ocorrido em grande parte à revelia. Ao contrário do que aduz, ela foi intimada reiteradas vezes, comprovando apenas uma pequena parcela dos depósitos e assim, não há que se falar, em cerceamento ao direito do contraditório e da defesa. Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 14 Sujeição Passiva. Responsabilidade Tributária. Sócio de Fato. Excesso de Poderes. Contesta a Recorrente a suposta desconsideração da personalidade jurídica que teria sido realizada no âmbito administrativo, quando poderia apenas ser concretizada pelo Poder Judiciário, porém cabe esclarecer que no caso não trata de desconsideração da personalidade jurídica. Na realidade, encontrase em debate uma relação obrigacional, tributária, no qual compõem o pólo passivo a pessoa jurídica e o sr. Renílton Nunes. A sujeição passiva no Direito Tributário, prevista no CTN, não se confunde com desconsideração da pessoa jurídica, sendo institutos diferentes Pelos esclarecimentos expostos ao longo da fiscalização, restou claro que o Sr. Renílton Nunes na realidade sempre deteve os poderes de gestão , seja através do quadro societário, seja através de procurações, ou seja, sempre esteve na condição de sócio de fato e nesse contexto, restou caracterizada a subsunção ao inciso III do artigo 135 do CTN. Observase que o elemento subjetivo da conduta do agente, de dolo gênero, mostrase evidente, na medida em que, a partir do momento em que obteve procuração para administrar a empresa, em prazo inferior a três meses retirouse do quadro societário, o que não o impediu de continuar a praticar atos de gestão. Uma vez fora do quadro societário, incorreu em práticas irregulares no sentido de não promover a devida escrituração contábil da movimentação financeira, não oferecer à tributação os rendimentos aplicados em CDB, omitir informações em DCTF e não recolher os tributos devidos. Se verifica no caso que o atuando como sócio de fato, restou caracterizada situação no qual o sr. Renílton Nunes agiu com excesso de poderes, razão pela qual se torna responsável pelos créditos tributários devidos. Enfim, ao contrário do que aduz em sua defesa, não há que se falar em responsabilidade subsidiária, e sim, solidária, ou seja, integram o pólo passivo da relação tributária a pessoa jurídica e o sócio de fato, igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem beneficio de ordem. Assim, pelo exposto, não há reparos a serem feitos na sujeição passiva, devendo ser mantido o entendimento da autoridade tributária. Levantamento dos Depósitos Bancários. Planilhas Demonstrativas. Protesta a Recorrente que a autoridade fiscal teria se equivocado ao elaborar as planilhas demonstrativas de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Teriam sido constatados erros no somatório dos depósitos mensais e dos cheques que foram devolvidos, e também não teriam sido considerados títulos negociados pela impugnante no ano calendário anterior, mas que teriam sido recebidos em 2006. Ocorre que a Recorrente durante todo o processo apresenta apenas planilhas sintéticas, globais, no qual são relacionados somatórios gerais correspondentes a cada mês, como se pode observar das peças de defesa, e das planilhas demonstrativas. Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 10120.009528/201011 Acórdão n.º 1302001.379 S1C3T2 Fl. 2.739 15 Registrese que a Fiscalização, ao intimar a Recorrente, no curso da ação fiscal, identificou, um a um, os depósitos bancários, oferecendo à contribuinte a oportunidade de comprovar a origem, de cada um deles. Por sua vez, não discrimina a Recorrente, em nenhum momento, quais os depósitos bancários com que manifesta sua discordância. Ou seja, tendo em vista que não se demonstrou, com o devido detalhamento, quais seriam os depósitos de conta corrente no qual manifesta sua discordância, não há reparos a serem feitos no trabalho da Fiscalização. Arbitramento do Lucro. Aplicação do Coeficiente de Determinação da Base de Cálculo. Contesta a Recorrente que, não obstante o fator ANFAC ter apresentado como índice o percentual de 4,58%, a autoridade tributária arbitrou um lucro no montante de 38,4%o para o IRPJ e de 32% para a CSLL. Ressalta que o valor total dos depósitos na conta corrente não poderiam representar a receita de comissões de uma empresa de factoring, e que, o índice ANFAC referese a uma expectativa de lucro. Cita, como exemplo, o mês de abril, quando teria auferido sua maior percentagem de lucro, de 2,79%, ou seja, valor inferior ao percentual referência estipulado pela ANFAC. A princípio, vale destacar que a Recorrente não apresenta nenhuma discordância quanto aos motivos que levaram a Fiscalização a adotar, como forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda, o lucro arbitrado. Na realidade protesta apenas pela não aplicação do fator ANFAC para determinação da base de cálculo para o lucro arbitrado, tanto para ser utilizado como coeficiente, como para ser aplicado sobre os somatórios dos valores depositados em conta corrente. Vale esclarecer que a base de cálculo para a determinação do lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, encontrase disposta no art. 532 do RIR/99: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, ai\ 27, inciso I). Por sua vez, levandose em consideração o ramo de atividade da impugnante, determina o art. 519 do RIR/99 o coeficiente de 32% para o IRPJ, que acrescido de 20%> nos termos do art. 532, resulta em 38,4%). Para a CSLL, o coeficiente a ser aplicado é de 32%. Aplicandose o coeficiente de 38,4% para o IRPJ, e 32% para a CSLL, sobre a receita bruta (soma dos depósitos bancários de origem comprovada e daqueles de origem comprovada) e somando com o valor dos rendimentos auferidos em aplicações financeiras (CDB), foi encontrada a base de cálculo do arbitramento, denominada lucro arbitrado. Sobre o lucro arbitrado encontrado, foram aplicadas as alíquotas de IRPJ (15%) mais o adicional de 10%) e da CSLL (9%), nos termos da legislação vigente. Ainda, conforme se pode observar no Demonstrativo de Apuração de fls. 2492/2493, que integra o Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 16 Auto de Infração, foram levados em consideração pela autoridade tributária, na apuração do tributo devido, os valores de imposto de renda retidos na fonte sobre as aplicações em CDB. Verificase, portanto, que a fiscalização procedeu exatamente como determina a legislação de regência. No que concerne à jurisprudência colacionada pela Recorrente, apesar de tratar da aplicação do fator ANFAC sobre o somatório dos valores creditados na conta corrente, para determinar a base de cálculo do lucro arbitrado, referese a fatos geradores anteriores ao art. 42 da Lei n° 9.430/96, tratandose de jurisprudência que não se aplica ao caso em tela, tendo em vista que as infrações discutidas nos presentes autos, referemse ao ano calendário de 2006. Nesse sentido, cabe ser mantido o arbitramento efetuado pela autoridade tributária. No que concerne às argumentações expostas pela defesa a respeito da violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, mostrase oportuno esclarecer que não cabe ao administrador questionar a constitucionalidade de lançamento fiscal efetuado nos termos da lei. Tratase de atribuição privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Neste sentido, oportunizase a citação do enunciado da Súmula Carf n° 2, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação à solicitação da realização de perícia, não vislumbro tal necessidade, por considerála prescindível para a solução da controvérsia. Por fim, protestou a Recorrente pela produção de todas as provas em direito admitidas, porém não as produziu. Caberia, a Recorrente apresentálas no curso do procedimento, porém o que se constata é que a Requerente elaborou seu pedido baseada somente em alegações. Aplicase o disposto em relação ao lançamento do IRPJ e da CSLL, ao PIS e à Cofins, por decorrerem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 10120.009528/201011 Acórdão n.º 1302001.379 S1C3T2 Fl. 2.740 17 Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Numero do processo: 13830.001642/2004-37
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de obscuridade, embora sem alteração no resultado do julgamento.
SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE POR TRANSFERÊNCIA. IMUNIDADE DO ADQUIRENTE. DESCABIMENTO.
A responsabilidade tributária prevista no art. 130 do CTN (responsabilidade por transferência) alcança os créditos já constituídos, os que estão em curso de constituição à época da sucessão e os que forem posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. Descabe falar em imunidade quando a obrigação tributária nasceu para uma pessoa não imune e, posteriormente, foi atribuída a pessoa imune em face de responsabilidade tributária por transferência, na espécie, por força da sub-rogação decorrente da aquisição de bem imóvel.
Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes
Numero da decisão: 2801-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, apenas para explicitar que a responsabilidade tributária prevista no art. 130 do CTN (responsabilidade por transferência) alcança os créditos já constituídos, os que estão em curso de constituição à época da sucessão e os que forem posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de obscuridade, embora sem alteração no resultado do julgamento. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE POR TRANSFERÊNCIA. IMUNIDADE DO ADQUIRENTE. DESCABIMENTO. A responsabilidade tributária prevista no art. 130 do CTN (responsabilidade por transferência) alcança os créditos já constituídos, os que estão em curso de constituição à época da sucessão e os que forem posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. Descabe falar em imunidade quando a obrigação tributária nasceu para uma pessoa não imune e, posteriormente, foi atribuída a pessoa imune em face de responsabilidade tributária por transferência, na espécie, por força da sub-rogação decorrente da aquisição de bem imóvel. Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, apenas para explicitar que a responsabilidade tributária prevista no art. 130 do CTN (responsabilidade por transferência) alcança os créditos já constituídos, os que estão em curso de constituição à época da sucessão e os que forem posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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OBSCURIDADE. Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de obscuridade, embora sem alteração no resultado do julgamento. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE POR TRANSFERÊNCIA. IMUNIDADE DO ADQUIRENTE. DESCABIMENTO. A responsabilidade tributária prevista no art. 130 do CTN (responsabilidade por transferência) alcança os créditos já constituídos, os que estão em curso de constituição à época da sucessão e os que forem posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. Descabe falar em imunidade quando a obrigação tributária nasceu para uma pessoa não imune e, posteriormente, foi atribuída a pessoa imune em face de responsabilidade tributária por transferência, na espécie, por força da subrogação decorrente da aquisição de bem imóvel. Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, apenas para explicitar que a responsabilidade tributária prevista no art. 130 do CTN (responsabilidade por transferência) alcança os créditos já constituídos, os que estão em curso de constituição à época da sucessão e os que forem posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 16 42 /2 00 4- 37 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13830.001642/200437 Acórdão n.º 2801003.660 S2TE01 Fl. 409 2 Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 401/404 deste processo digital) opostos em face do Acórdão nº 2801003.058 (fls. 376/384), de 18 de junho de 2013, que negou provimento, por maioria de votos, ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Aponta a Embargante obscuridade no acórdão hostilizado, decorrente dos seguintes fatos: O voto vencedor nada esclareceu sobre o lançamento contra o contribuinte originário. A ocorrência do fato gerador, por si só, não constitui o crédito tributário. Para tanto se faz necessário o lançamento, por via do qual se identifica o sujeito passivo. Não há notícia de anterior e regular lançamento contra o exproprietário do imóvel. Há obscuridade no acórdão embargado, porquanto este considerou que, à data da aquisição do imóvel pela Embargante, estava regularmente constituído o crédito tributário contra o contribuinte originário, haja vista que a subrogação de que trata o art. 130 do CTN atine ao crédito tributário e não ao mero fato gerador. Ao final, requer a admissão dos presentes embargos e o seu acolhimento integral para o efeito de aclarar a obscuridade apontada. Os embargos foram acolhidos por intermédio do despacho de fls. 406/407 deste processo digital. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Os embargos são tempestivos e vieram subscritos por procurador regularmente constituído nos autos (fl. 126). Fl. 409DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13830.001642/200437 Acórdão n.º 2801003.660 S2TE01 Fl. 410 3 Um dos fundamentos do voto condutor do acórdão embargado foi que a imunidade da alínea “c” do inciso VI do art. 150 da CF/1988 deveria ser afastada quando a obrigação tributária nasce para uma pessoa não imune e, posteriormente, é atribuída a pessoa imune em face de responsabilidade tributária por transferência, por força da subrogação decorrente da aquisição de bem imóvel, nos termos do art. 130 do CTN. Ocorre que o art. 130 do CTN, ao dispor sobre a responsabilidade tributária do adquirente de bens imóveis, referiuse a “créditos tributários”, e não à “obrigação tributária”, conforme constou do acórdão embargado. Evidenciase, assim, uma obscuridade no acórdão embargado, apontada pela Embargante, haja vista que o CTN distinguiu a obrigação tributária (art. 113) do crédito tributário (art. 139). Observo, todavia, que a obscuridade se dissipa mediante uma interpretação conjunta dos artigos 129 e 130 inseridos na Seção II (Responsabilidade dos Sucessores) do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do CTN, assim descritos: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Ao dispor sobre a responsabilidade dos sucessores, a primeira regra estabelecida pelo CTN foi fixar quais os “créditos tributários” alcançados. Assim, os já constituídos e os que estão em curso de constituição à época da sucessão passam a ser de responsabilidade do sucessor, o mesmo ocorrendo com os que forem posteriormente constituídos, “desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data”. Em outras palavras: o art. 129 estabelece o critério temporal em que se aplica a responsabilidade dos sucessores, firmando que tal responsabilidade enlaça todos os fatos jurídicos tributários (fatos geradores) verificados até a data da sucessão, ainda que o respectivo crédito tributário venha a ser apurado após aquela data. Explicitando mais este entendimento, a doutrina de Eduardo Sabbag (Manual de Direito Tributário, Editora Saraiva, 2009, p. 654), ao comentar o art. 129 do CTN: Em síntese, podese afirmar que o sucessor assume todos os débitos tributários do sucedido, relativo a fatos geradores ocorridos antes da data do ato ou fato que demarcou a sucessão, sendo irrelevante o andamento da constituição definitiva do crédito. Assim, o que vai regular o conjunto de obrigações transferidas é o fato gerador, e não o “momento do lançamento”, inibindose a alegação de vício de retroatividade da atuação administrativofiscal. No referido dispositivo, fica Fl. 410DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13830.001642/200437 Acórdão n.º 2801003.660 S2TE01 Fl. 411 4 explicitado que os débitos conhecidos à data da sucessão, ou seja, já lançados, bem como aqueles que estiverem em via de sê los, ou mesmo os débitos desconhecidos, mas que venham a ser posteriormente lançados, podem ser irrogados aos sucessores. Na mesma linha, leciona Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro, Editora Saraiva, 9ª edição, p. 312): A sucessão dáse no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Se se trata de obrigação cujo cumprimento independe de providência do sujeito ativo, cabe ao sucessor adimplila, nos termos da lei. Se depende de providência do sujeito ativo (lançamento), já tomada, competelhe também satisfazer o direito do credor. Se falta essa providência, cabelhe aguardála e efetuar o pagamento, do mesmo modo que o faria o sucedido. Não discrepa destes entendimentos, Luiz Alberto Gurgel de Faria (Código Tributário Nacional Comentado, Coordenador Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, 3ª edição, p. 591). Confira: Embora o CTN comece falando de crédito para depois se referir à obrigação, esta é que será importante para a compreensão da norma, podendose resumir o comando dizendo que todas as obrigações porventura existentes à época da sucessão se transferem ao sucessor, independentemente de ter havido o lançamento ou não, sendo, pois, despiciendo que o crédito tributário correspondente já tenha sido constituído. O que irá regular o conjunto de obrigações transferidas para o sucessor será, pois, o fato gerador. As obrigações tributárias originárias de fatos geradores já ocorridos ao tempo da sucessão passam para a responsabilidade do sucessor, ainda que o crédito tributário não tenha sido composto. Em resumo: o momento da constituição do crédito tributário (lançamento) é irrelevante para definir a responsabilidade tributária dos sucessores, pois o que importa realmente é a data do surgimento da obrigação (ocorrência do fato gerador), como aponta a parte final do confuso art. 129 do CTN (“desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data”). Na espécie, o contribuinte adquiriu o imóvel em 14 de janeiro de 2000, após o nascimento da obrigação tributária e da ocorrência do respectivo fato gerador do imposto, que ocorreu em 1° de janeiro de 2000, não constando da escritura a prova da quitação do ITR. Tratase, portanto, de responsabilidade por sucessão, na modalidade “por transferência”, conforme explicitado no acórdão embargado. Nesse contexto, descabe falar em imunidade quando a obrigação tributária nasceu para uma pessoa não imune e, posteriormente, foi atribuída a pessoa imune em face de responsabilidade tributária por transferência, espécie de modalidade de responsabilidade por sucessão, imposta ao adquirente de bens imóveis por força do art. 130 do CTN, acima transcrito. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13830.001642/200437 Acórdão n.º 2801003.660 S2TE01 Fl. 412 5 Face ao exposto, voto por conhecer dos presentes embargos apenas para explicitar que a responsabilidade tributária prevista no art. 130 do CTN (responsabilidade por transferência) alcança os créditos já constituídos, os que estão em curso de constituição à época da sucessão e os que forem posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 412DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905771/2012-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO. Versa o imbróglio sobre a não homologação de declaração de compensação transmitida pela contribuinte, em razão do mesmo não haver logrado comprovar de maneira inconteste a certeza, liquidez e a exigibilidade do direito creditorio, oriundo de Cofins Importação de Serviços, código de receita 5442, sob a alegação de se tratar de recolhimento indevido a título de Cofins, proveniente de pagamento de royalties a empresa sediada no exterior, o que lhe daria o direito à compensação de tais valores (DARF de R$ 29.955,14 valor original), com débito de mesma natureza relacionado ao período de apuração de abril/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 05 77 1/ 20 12 -9 0 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 15 2 A autoridade administrativa por meio de Despacho Decisório constatou a inexistência de saldo credor o bastante para solver a compensação declarada, eis que o crédito informado na DComp transmitida foi integralmente utilizado para a liquidação de outros débitos própros. Com a ciência do despacho decisório adveio a manifestação de inconformidade, quando aduziu ser o valor original do DARF declarado em DCTF, utilizado para pagamento de licença de uso da marca (royaties), não gerando com isso uma contrapartida de serviços provenientes do exterior. Assim sendo sobre tais valores não incide a Cofinsimportação de serviços. Para consubstanciar a sua tese menciona fragmentos do processo de consulta nº 263/11, exarado pela SRRF/8ª RF, que versa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS e firma conclusão de que o pagamento ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, por simples licença de uso de marca, a título de royalties, não caracteriza contrapartida de serviços provenientes do exterior, não cabendo, portanto, a hipótese de incidência da contribuição para o PIS/Pasepimportação, bem assim para a Cofinsimportação. A contribuinte informou que à época dos fatos apesar de haver identificado o pagamento a maior e ingressado com o pedido de compensação, cometeu a falha de não retificar a DCTF original que informava o valor indevido, o que ocasionou o não reconhecimento do crédito pelo sistema da RFB. Finalmente, nos termos do caput e do § 1º do art. 11 da IN SRF nº 903/08, apresentou à repartição fiscal a DCTF retificadora, com a mesma natureza da original, que a substituiu integralmente, eficaz para declarar novos/velhos débitos, entretanto a mesma não foi recepcionada pela RFB, eis que já havia decorrido mais de cinco anos de janeiro/07, contados consoante a regra esculpida no artigo 173, I, do CTN. A título de elemento probante de seu direito apresentou cópia de uma fatura de pagamento de royalties, com base em suposto contrato vigente em 2000/2001. Conclusos foram os autos para apreciação pela 2ª Turma da DRJ/BHE que, em sessão realizada em 09/07/13, por meio do Acórdão nº 0245.962, proferiu decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade, consoante a ementaadiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido As razões de decisão constantes do voto condutor do acórdão em questão, resumidamente, entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Fl. 272DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 16 3 Compensação de iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, o que não ocorreu no caso. Ademais disso o aresto firmou posição que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, conforme reza o Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação, e que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Uma vez ciente do teor da decisão de piso em 19/08/13 (vide AR), a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 18/09/13, para aduzir resumidamente: Em 13/12/00 celebrou um acordo de licenciamento para uso de marcas diversas de propriedade da Licenciante, empresa italiana denominada F. L. Itália S.p.A (doc. 06) e, desde então, remete ao exterior mensalmente pagamento a título de royalties pela exploração dessas máquinas (doc. 07). Deduziu que da leitura do aditivo contratual datado de 08/10/01 (doc. 06) e com efeitos retroativos à data da contratação inicial, não se tem dúvidas de que o objeto do contrato é EXCLUSIVAMENTE o licenciamento para uso de marcas, não envolvendo importação de quaisquer serviços conexos. Todavia, através de 52 despachos decisórios distintos a autoridade administrativa não homologou as compensações declaradas, pelo fato de que a recorrente não havia retificado as informações em sua DCTF, anteriormente ao protocolo dos pedidos de compensação. Alegou a contribuinte possuir direito creditório oriundo de Cofinsimportação, referentes à remessas de royalties para o exterior, apurados desde janeiro/2007 a maio/2011, atrelados ao mesmo contrato já referenciado. Por conseguinte, apresentou 52 pedidos de compensação, atinentes a recolhimentos indevidos, com idêntica fundamentação e resultados de decisões pela DRJ/BHEMG. Para consubstanciar o alegado menciona julgados no âmbito do CARF (10860.905038/200941, em 23/04/13), AC. CSRF/0304.382 (26/12/06), e a solução de divergência COSIT nº 11, de 28/04/2011. A fim de possibilitar o julgamento em conjunto dos 52 processos, por sua vinculação, a contribuinte requereu a reunião dos autos, ex vi do art. 47 do RICARF/09, com redação da Portaria MF nº 586/10. Arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência no seu interesse. Arguiu sobre a possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp. Sustentou que não há norma procedimental, seja ela de ordem legal ou regulamentar, que impeça a retificação da DCTF em período posterior ao despacho decisório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 17 4 Mesmo o art. 9º da atual IN/RFB 1.110/2010, veda a retificação que vise à redução ou alteração de (i) débitos que já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para inscrição em Dívida ativa da União, ou (ii) que tenham sido objeto de procedimento de fiscalização. No presente caso, nenhuma das hipóteses de vedação está presente, uma vez que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. No mais a decisão administrativa versa sobre pedido de compensação, que pressupõe confissão de débito confessado pelo contribuinte, a ser compensado, não pode ser considerada como procedimento fiscal procedimento destinado a apurar débito do contribuinte. Enfatizou que o próprio CARF já admitiu que não há nenhum impedimento à retificação da DCTF após o despacho decisório, não estando tal direito, portanto, condicionado à prévia retificação da declaração, conforme decisões contidas nos Acórdãos 3802001.849 (25/06/2013), 380201.005 (22/05/12), 380201.125 (28/07/12), 330200.809 (03/02/11). A defendente arguiu acerca da necessidade de recebimento da DCTF de ofício pela autoridade administrativa, ante a impossibilidade de transmissão eletrônica, relativamente a declarações originais transmitidas há mais de cinco anos, por restrição formal à verdade material, contra senso que não pode ser admitido. Nesse passo mencionou que inobstante não haja prescrição do direito ao crédito, posto que a compensçaão foi realizada dentro do prazo prescricional quinquenal, a retificação da DCTF está sendo obstada pelo sistema, de forma a impedir a comprovação da verdade material. Justificou que é por conta dessa situação que a DCTF retificadora, relativa ao crédito postulado do ano base de 2007, está sendo ora apresentada em versão impressa, a fim de que V. Sas, determinem o seu processamento e, via de consequência, analisem o seu conteúdo para fins de deferimento do direito creditório. Menciona fragmento do Acórdão 3802001.642, de 28/02/13, para consubstanciar a sua tese. A comprovação documental do direito de crédito da recorrente fazse mediante a apresentação do contrato de licença para uso de marcas (sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties, e memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas). Aduziu que outro não foi o entendimento firmado pelo Acórdão 3801001.813, em análise de matéria e de situações fáticas idênticas, julgado em 23/04/13. Resumidamente, esclareceu que a comprovação do pagamento indevido de Cofinsimportação sobre royalties, fezse mediante a retificação da DCTF e, com isso, deuse o reconhecimento do direito creditório. Em suma a retificação foi realizada para fins de desvincular a existência de débitos atrelados aos pagamentos de Cofinsimportação que foram realizados (doc. 04), a fim de que a declaração espelhasse a existência do crédito compensável (pagamento sem respectivo débito vinculado = crédito compensável). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 18 5 Ou seja, para a recorrente tratase de mero erro formal incorrido, que não altera a situação fática, na qual ela efetuou o pagamento do débito de Cofinsimportação indevidamente, o que lhe garante o direito de restituir/compensar tal quantia correspondente. A título de requerimentos temse: A reunião dos 52 processos conexos para julgamento em conjunto, em razão de sua interdependência, a fim de evitar eventual julgamento despido de congruência. O reconhecimento da integralidade do direito creditório e, via de consequência, a homologação integral da compensação processada via Per/DComp referenciado nos autos (doc. 05). Caso se entenda pela baixa dos autos em diligência para que a 2ª turma da DRJ/BHE reaprecie a questão à luz das provas juntadas aos autos em sede recursal, requer o provimento do presente recurso nestes termos, a exemplo do que ocorrido em sessão de julgamento de 28/06/2012, nos autos do PAF nº 16443.000318/201045, (Resolução nº 3402 000.422, da 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara). Caso ainda se entenda que são necessárias outras provas documentais para evidenciar o direito creditório postulado, a fim de se confirmar ainda mais a verdade material, requerse seja determinada a baixa dos autos em diligência, com intimação da recorrente para que possa providenciar o suporte documental julgado indispensável e ainda não acostado aos autos, retornando em seguida ao CARF para conclusão do julgamento. A recorrente fez colação aos autos dentre outros documentos, de cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia do contrato de licença para uso de marca comercial e respectivo aditivo contratual (doc. 06); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Por fim relacionou os processos que pretende sejam julgados em conjunto, a saber: É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 19 6 VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese à comprovação pela recorrente da existência de certeza e de liquidez do direito creditório alegado, da existência ou não de prescrição do direito à repetição do indébito, bem assim da suficiência de crédito para a extinção dos débitos declarados por meio de Per/DComp, no período de janeiro/2007 a maio/2011. A decisão a quo ao examinar a controvérsia entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, para concluir que na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Ademais disso o aresto mencionou que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, mediante a aplicação ao caso vertente, por analogia do contido no Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, para concluir que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Em oposição às razões de decisão do acórdão recorrido a contribuinte informou que a origem do direito creditório resulta do indébito de CofinsImportação, proveniente da remessa de royalties para o exterior pela exploração de máquinas, no período de apuração compreendido entre janeiro/2007 a maio/2011, respectivamente. A título de comprovação ao alegado colacionou aos autos, em sede de recurso, cópia xerográfica do contrato de licença para uso de marcas (doc. 06 sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties; as memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas); cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Uma vez apresentados tais documentos a título de elementos probantes da existência do direito credittório suscitado, a recorrente arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência administrativa no seu interesse. Arguiu também acerca da possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp, sustentando pela inexistência de norma legal ou regulamentar que impeça o feito, notadamente tendo em vista que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 20 7 Finalmente a recorrente, acerca da decisão administrativa, arguiu que pressupondo ser o pedido de compensão uma confissão de débito formulado pelo contribuinte, não pode ser considerado como procedimento fiscal, tendente à apuração de débito. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: a) Há nos autos cópia de comprovante de pagamento indevido da Cofins Importação, confirmado pelos sistemas de arrecadação da RFB (extrato de comprovante de arrecadação), que menciona o valor do pagamento efetuado, a data de vencimento da obrigação, o código da receita arrecadada e o código de controle eletrônico de realização da operação, ou seja houve o recolhimento do valor do indébito de R$ R$ 29.955,14 (informado no pedido de compensação não homologado doc. 05), valor esse constante do despacho decisório, como sendo o valor originário utilizado (doc. 03); b) Há nos autos cópia do Contrato de Licença para Uso de Marca Comercial e para Transferência de knowhow em marketing e propaganda, e o respectivo aditivo, celebrado com a proprietária da marca, que atestam a origem e justifica a remessa de royalties para o exterior, por conseguinte a origem do indébito (doc. 06); c) Há o Certificado de Averbação nº 010589/10 (Processo INPI/DIRTEC), fornecido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, em conformidade com o art. 211, Lei nº 9.279/96, que autoriza o licenciamento exclusivo dos produtos objeto do contrato em comento, inclusive estabelece o valor percentual do faturamento líquido mensal (1%), que é remetido para o exterior mensalmente, em cumprimento de cláusula contratual de nº 3, pois representa a remuneração para a licença de uso das marcas listadas no Anexo I, com informações atualizadas até 24/04/2012 (doc. 06); d) Constam dos autos cópia da fatura comercial de pagamento de royalties (Invoice nº 1107160012 e data 17/01/2007), cujo campo de descrição menciona os royalties relacionados ao contrato em comento, e respectivo demonstrativo de cálculo dos tributos recolhidos e incidentes sobre a cofins no valor de R$ 22.801,26, para a data de 17/01/2007, em conformidade à Lei nº 10.865/ (doc. 07); e, por fim, Constam dos autos cópia da DCTF original (vide fl. 12/22, débito apurado e créditos vinculados/pagamento) e retificadora (vide fls. 15/16), correspondente ao mês de janeiro/2007, em substituição àquela original de nº 19.15.32.19.59 06, onde não mais registra valores de créditos vinculados/pagamento e sujeitos a compensação, em razão da realização de pagamento a maior ou indevido (doc. 08). No que atine à colação aos autos de documentos e de razões complementares à defesa contida na exordial, mesmo que extemporaneamente, a jurisprudência administrativa firmou escólio a respeito dessa possibilidade, em razão da natureza do informalismo ou do formalismo moderado que regem o processo administrativo, em conformidade ao disposto na Lei nº 9.784/99, utilizada subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 21 8 tributários por força de seu art. 69, que autoriza a autoridade administrativa a rever os seus próprios atos, conforme estabelece o art. 65 desse mandamus, bem assim por não prejudicar o desenvolvimento do processo em trâmite e, principalmente por dar a oportunidade para que se exerça o princípio da verdade material, inclusive no caso vertente, pois as provas acostadas foram úteis para auxiliar na formação da convicção deste julgador acerca da existência do direito creditório. Quanto ao direito creditório alegado, proveniente da não incidência de Cofins Importação, para os royalties remetidos ao exterior, em razão da concessão de direitos pelo uso de marcas, de transferência de conhecimento e de tecnologia, o mesmo encontra respaldo no contido na legislação tributária vigente. Neste sentido se transcreve excertos extraídos do Acórdão nº 3801001.813, cuja sessão de julgamento se realizou em 23/04/13 (fl. 208), cujo voto condutor ao apreciar caso semelhante, fundamentou suas razões de decidir de acordo com a legislação tributária vigente e aplicável ao caso em concreto, inclusive citando a solução de divergência nº 11, de 28 de abril de 2011, senão vejamos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Os “royalties”, no direito pátrio são remunerações decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, além do direito de explorar recursos vegetais, minerais e direitos autorais, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506/64,in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 22 9 e) Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” Da simples leitura efetuada da transcrição acima fazse possível inferir que estão contemplados os requisitos para a não incidência da CofinsImportação ao caso de que se cuida, eis a matéria sob exame e o contrato possui as características de contrato de knowhow, por cessão de direitos, concedente de autonomia administrativa e financeira ao licenciado, versam sobre o licenciamento de patentes (marcas), os produtos licenciados estão descritos no Anexo I, os valores devidos a esse título encontramse expressos, e não há serviços conexos. Assiste razão à recorrente quanto a existência de direito creditório sob tal argumentação. Passase ao exame da decadência/prescrição do direito ao exercício da compensação pelo sujeito passivo, de indébito oriundo de erro formal. Defende o Fisco que a constituição do crédito tributário em definitivo se dá com a entrega da DCTF, por constituir confissão de débito irrevogável e imprescritível, pela via do autolançamento, o que implica no afastamento do instituto da decadência, como no marco inicial para a promoção da execução fiscal, bem assim para a contagem do prazo quinquenal prescricional, o que se dá nesse caso, sob o auspício do contido nos incisos I, V, ou VII, do art. 156, ou mesmo de acordo com o disposto no art. 174, I, ambos do CTN, sendo que esta hipótese ocorre pela ausência do exercício do direito de ação do sujeito passivo. É o que se verifica do artigo 156, I , V e VII, do CTN (Lei 5.172/66), in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...); V a prescrição e a decadência; (...); VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. (Grifei). À hipótese descrita no inciso I do artigo 156 aplicase a regra de contagem do prazo previsto no art. 168, I, c/c o disposto no art. 165, I, ambos do CTN, cujo dies a quo é a data do pagamento. À hipótese descrita no inciso V corresponde à ausência da constituição do crédito tributário ou à ausência do exercício de cobrança, ou do direito de ação do sujeito passivo, contado de acordo com as regras estabelecidas no art. 150, §§ 1º e 4º, ou do art. 173, I, do CTN. À hipótese contemplada no inciso VII, específica para os casos de lançamento por homologação, para que ocorra a extinção se faz necessário a realização tanto do pagamento antecipado, quanto da ulterior homologação pela autoridade administrativa, é o que determinam os dispositivos contidos no caput e §§ 1º e 4º do CTN, verifiquese: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 23 10 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...); § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O fundamento legal suso transcrito encontra guarida no § 2º do mesmo mandamus, vejamos: § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Como visto a condição para a extinção do crédito tributário no lançamento por homologação dáse, exclusivamente, com o pagamento antecipado e a ulterior homologação desse lançamento pela autoridade administrativa, eis que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo, visando à extinção desse crédito. Com o advento da LC nº 118/05, que veio com a finalidade dentre outras de interpretar o contido no inciso I do artigo 168 do CTN, as regras de contagem do prazo decadencial/prescricional sofreram alteração substancial, passando a contagem desse prazo, para os créditos constituídos anteriormente ao dia 09/05/2005, ter a duração de dez anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e, nos casos de constituição do crédito após essa data, o prazo da contagem passou a ser de cinco anos, a contar da data do pagamento do tributo devido. Assim sendo, com o fito de disciplinar a aplicação da regra adequada no âmbito do CARF, veio o RICARF/2009, por meio do seu art. 62A, a determinar que os conselheiros deste órgão judicante, passassem a utilizar essa regra nos julgamentos de processos administrativos fiscais. Cumpre registrar que a narrativa até então efetuada, tem a finalidade de circunstanciar as situações jurídicas, onde a cobrança ou o pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, relacionase à RESTITUIÇÃO parcial ou total, em face da legislação tributária aplicável, ou das circunstâncias materiais do FATO GERADOR efetivamente ocorrido, ex vi do art. 165, I, do CTN. Ressaltase, por relevante, que no caso sob exame, como já visto não se trata de restituição de tributo pago indevidamente/maior que o devido, porém de declaração de compensação eletrônica transmitida em 18/11/2011, cuja hipótese de extinção do crédito Fl. 280DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 24 11 tributário encontrase prevista no art. 156, II, do CTN, tratandose neste caso de direito potestativo do sujeito passivo. Acrescentese a isto o fato de que não há incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de royalties, em conformidade com o disposto no caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865/04. Vale dizer que no caso em apreço não há se falar em tributo recolhido, porém há a existência de um erro de fato, configurado em razão de recolhimento indevido realizado pelo sujeito passivo, de natureza financeira (não há incidência tributaria sobre royalties remetidos para o exterior nas condições do caso sob exame), portanto, que não tem o condão de fazer surgir à ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, pois não há subsunção desse recolhimento indevido à quaisquer das hipóteses previstas no art. 165, I, do CTN, que trata de restituição, em face da legislação aplicável e, desde que, ocorra as circunstâncias materiais efetivas do fato gerador. Descartada, então, a possibilidade de utilização do instituto da restituição neste caso. Logo, não havendo ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, por conseguinte não há a instalação da relação jurídica tributária ensejadora da subsunção do fato à norma legal primária, ou mesmo àquela sancionadora. Também não se verifica as possibilidades para se estabelecer os critérios da regra matriz de incidência tributária e aplicá los ao caso concreto, pois, in caso, não há exigidor, nem exigido. Ao tratar de tributo indevidamente pago, notadamente dos temas “prazo extintivo do direito de pleitear restituição e o direito de compensar”, o jurisconsultor e Prof. Hugo de Brito Machado, assim se referiu: A Constituição Federal assegura a todos o direito de pagar apenas os tributos que tenham sido estabelecidos em lei. Em outras palavras, assegura o direito de não pagar tributos legalmente indevidos. Em sendo assim, é induvidoso o direito do contribuinte que tenha pago um tributo indevido de obter a restituição respectiva, ou de fazer a compensação do valor respectivo com tributo que deva pagar O direito à restituição, todavia, não se confunde com o direito à compensação. Por isto mesmo o prazo extintivo, restrição legalmente prevista para o direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente, não se aplica ao direito de compensar. Normas restritivas de direitos não podem ser objeto de interpretação ampliativa de alcance. Este é um princípio da hermenêutica jurídica universalmente consagrado. Dúvida, portanto, não pode haver. “Não se aplica o lapso decadencial previsto no art. 168 do CTN, que diz respeito tão somente ao direito de pleitear a restituição de tributo indevidamente pago, mas não à compensação de tributos1” Nem poderia ser de outra forma. “O direito de compensar é um direito potestativo, porque o seu exercício independe da vontade, e pode darse mesmo contra a vontade da Fazenda Pública. Só em situações excepcionais os direitos potestativos são alvo de extinção, pela decadência, que a lei estabelece apenas para 1 TRF da 4ª Região, Embargos de Declaração na AC nº 97.04.039174SC, DOU II, de 02/07/97, p. 50898, e RDDT Nº 26, P. 141 Trânsito em julgado em 04/07/2002, DOU de 16/07/2002. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 25 12 aqueles direitos potestativos cuja falta de exercício concorre de forma mais acentuada para perturbar a paz social”2. (...). 6. Síntese conclusiva É possível, portanto, concluirse que: f) O prazo extintivo de que se cuida não se aplica ao direito de fazer a compensação de tributo pago indevidamente, que é direito potestativo e portanto imprescritível. (Grifei). É isto. O direito de compensação de indébito de natureza financeira, pago indevidamente, é direito potestativo, portanto imprescritível. Já a declaração retificadora decorre de uma necessidade imposta pelo Fisco, em face do “autolançamento”, para atender ao regime do lançamento por homologação e ao curto prazo estabelecido para a apuração do tributo devido, além do adimplemento da obrigação acessória, ante à complexidade da legislação fiscal vigente. Outrossim, a declaração retificadora não importa em novo reconhecimento de débito existente, nem tampouco em interrupção do prazo prescricional, uma vez que tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada ao Fisco, substituindoa integralmente, inclusive servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores, sendo esta a modalidade do caso de que se cuida, tudo isto de acordo com o disposto na IN SRF nº 842/04. A DCTF retificadora não tem o condão de revisar o lançamento que não existiu, como no caso em comento (autolançamento = ausência de lançamento), por força do disposto no art. 142, ou mesmo porque a revisão de lançamento somente tem lugar quando ocorre uma ou mais das hipóteses descritas no art. 149, ambos do CTN, o que também só pode ser realizada pela autoridade administrativa, sob pena de responsabilização funcional. E mais, entendo que é a DCTF original a ensejadora à ocorrência do fato gerador, pois declara a existência da obrigação e da constituição do crédito tributários, representa a confissão de dívida irretratável e irrevogável, o que dispensa qualquer outra providência nesse sentido, inobstante tal procedimento constitua um mero dever instrumental. É dessa maneira que tem se pronunciado o Poder Judiciário, cujo entendimento do julgado, a título de exemplo, transcrevese resumidamente na forma de ementa, adiante: Ementa:TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.DCTF.PRESCRIÇÃO.DECLARAÇÃORETIFICADORA.AR TIGO 174 , PARÁGRAFO ÚNICO , IV , DO CTN . INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO QUE NÃO SE APLICA À ESPÉCIE. 1. A exequente sustenta que o contribuinte entregou aDCTF em 13/6/2000, sendo objeto deretificaçãoem 1º/7/2003, momento em que defende que houve a interrupção do prazo prescricional, nos termos do artigo 174 , IV , do CTN . 2 Agnelo Amorim Filho, Critério científico para distinguir a prescrição da decadência e para identificar as ações imprescritíveis, em Revista Forense, nº 193, p. 39 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 26 13 2. A Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC ), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensandose qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008. 3. Na hipótese de entrega de declaração retificadora com constituição de créditos não declarados na original, não estaria a se falar de prescrição, mas do instituto da decadência, pois estaria a se discutir o prazo para o contribuinte constituir aquele saldo remanescente que não constou quando da entrega da declaração originária. Importa registrar que ainda na hipótese de lançamento suplementar pelo Fisco estaria a se discutir o momento da constituição do crédito e, portanto, de prazo decadencial. 4. Ocorre que não há reconhecimento de débito tributário pela simples entrega de declaração retificadora, pois o contribuinte já reconheceu os valores constantes na declaração original, quando constituiu o crédito tributário. A declaração retificadora, tão somente, corrigiu equívocos formais da declaração anterior, não havendo que se falar em aplicação do artigo 174 , parágrafo único , IV , do CTN . 5. Recurso não provido... (STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1167677 SC 2009/02242332 , Data de publicação: 29/06/2010). (Grifei). O entendimento ora esposado, como visto, encontra respaldo em matéria similar julgada e consolidada em sede de recurso repetitivo pelo STJ, nos termos da sistemática contida no art. 543C, do CPC, bem assim consoante dispõe o art. 62A do RICARF/2009, adiante transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Os termos do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça vincula os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os quais devem ser reproduzidos nos julgamentos realizados por este Colegiado. Assim no que pertine a DCTF retificadora, não há se falar em prazo prescricional, por dar azo a enriquecimento sem causa ao Erário. Isto posto e, considerando a documentação acostada aos autos mesmo que a destempo, pois elucidativa quanto à existência e demonstração dos valores pagos a título de royalties (fl. 24, do RV), e demonstrada e reconhecida à existência do direito creditório pelo seu valor original nestes autos, cabe verificar o valor atualizado do mesmo e a sua contrapartida, ou seja, a existência e o valor do débito original e atualizado da contribuinte, na data da transmissão da declaração de compensação, bem assim verificar se o valor informado a título de direito creditório é o bastante para a extinção do débito declarado, na forma prevista Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905771/201290 Resolução nº 3803000.483 S3TE03 Fl. 27 14 no art. 156, II, do CTN, uma vez que os débitos mencionados no despacho decisório não se encontram discriminados, portanto não há a certeza de sua liquidez e exigibilidade. Proponho pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, para que a autoridade administrativa informe acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada. Uma vez atendido ao pleito ora formulado, que seja oportunizado a contribuinte se pronunciar nos autos, em prazo razoável, se assim lhe aprouver para, em seguida, serem remetidos os autos a este Colegiado para se retomar o julgamento do feito, ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.005446/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL EXCEPCIONANDO A REGRA GERAL.
A compensação de prejuízos fiscais não é elemento inerente ao cálculo da base de cálculo do imposto de renda, constituindo-se, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei.
À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL EXCEPCIONANDO A REGRA GERAL. A compensação de prejuízos fiscais não é elemento inerente ao cálculo da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 54 46 /2 00 9- 03 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 250 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 251 3 Relatório COMPANHIA BRASILIANA DE ENERGIA, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 04.128.563/000110, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua. Lourenço Marques, nº 158, 1° andar sala C Bairro Vila Olímpia, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 154/169, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 179/217. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP, em 07/12/2009, Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (fls. 91/96), com ciência pessoal, em 07/12/2009 (fl. 95), exigindose o recolhimento de crédito tributário no valor total de R$ 20.050.322,94), a título de imposto, correspondente ao anocalendário de 2006. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de declaração de pessoa jurídica, referente ao exercício de 2007, onde a autoridade lançadora entendeu haver compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, conforme Termo de Constatação e Intimação n ° 02, lavrado em 17 de março de 2.009, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/99. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Constatação e Intimação nº 2 (fls. 33/37), entre outros, os seguintes aspectos: que como se e infere das compensações de Prejuízos Fiscais e da Base de Calculo Negativa da CSLL, ficou evidenciado que a empresa incorporada, a AES TIETÊ EMPREENDIMENTOS S.A., vulnerou as normas contidas nos Artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/99, e, no Artigo 16 da Lei n° 9.065, de 20 de Junho de 1.995; que o art. 510 fixou o limite máximo de 30% para a compensação dos Prejuízos Fiscais Acumulados até 31 de dezembro de 1994 e posteriores; que limite de 30% para a compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL de anos anteriores foi fixada pelo Artigo 16 da Lei 9.065, de 20 de Junho de 1.995, nos termos seguintes: “Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada ate 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995. Parágrafo Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 252 4 único, 0 disposto neste artigo somente se aplica as pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios": da base de cálculo negativa utilizada para a compensação; que o art. 58 da Lei n° 8.981, de 20 de Janeiro de 1.995, citado no caput, in fine, do Artigo da Lei n° 9.065, de 20 de Junho de 1.995, contém a seguinte redação: “Art. 58. Para efeito de determinação da base de calculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento; que os valores tributáveis, para a multa isolada por postergação de IRPJ e da CSLL, bem como os saldos do IRPJ A PAGAR e da CSLL A PAGAR têm como base de cálculo os valores declarados na DIPJ 2006, ora ajustados, os quais não foram declarados, via de conseqüência, na DCTF correspondente, como se demonstra a seguir o correto preenchimento das fichas 11, 9A, 16 e 17. Em sua peça impugnatória de fls. 101/124, instruída pelos documentos de fls. 123/153, apresentada, tempestivamente, em 05/01/2010, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, em 28 de dezembro de 2006, a Impugnante — Companhia Brasiliana de Energia (inscrita no CNPJ/MF sob no 04.128.563/000110), incorporou a AES TIETÊ EMPREENDIMENTOS S.A. inscrita no CNPJ/MF sob nº 02.670.218/000189 (docs. anexos), absorvendo, dessa forma, todos os direitos e obrigações inerentes sociedade incorporada; que, assim, em razão da mencionada incorporação, em 07/12/2009, a Impugnante foi intimada da lavratura do auto de infração ora impugnado (doc. anexo), por meio do qual a Fiscalização, aparentemente, determinou a redução do saldo negativo de IRPJ apurado pela Impugnante no anocalendário de 2006; que ao se defrontar com as informações contidas no auto de infração ora combatido, a Impugnante não pôde, de imediato, certificarse do que estava sendo exigido; que, isso porque, o Sr. Agente Fiscal apurou, no próprio auto de infração, um suposto crédito tributário devido no valor de R$ 20.050.322,94, e não apenas a redução do saldo negativo de IRPJ, o que, conforme será demonstrado mais detalhadamente a seguir, dificultou o entendimento da Impugnante sobre o objeto real da presente autuação; que verificase pela descrição dos fatos e do enquadramento legal (fls. 36 a 42) que o valor que o Sr. Agente Fiscal considera como tributável a titulo de IRPJ é de R$ 80.297.297,15, que corresponde, exatamente ao montante superior a 30% do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões, apurado na DIPJ de encerramento do CNPJ incorporado; que quanto à obscuridade do Auto de Infração, é de se dizer que conforme demonstrado alhures, o auto de infração ora combatido foi lavrado de forma obscura, que gera inequívoca dúvida sobre o resultado dos trabalhos da Fiscalização, devendo ser cancelado por essa C. Turma Julgadora; que, isso porque, como mencionado anteriormente, a despeito de o auto de infração ser de "Redução de Imposto de Renda a Compensar ou a ser Restituído", o Sr. Agente Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 253 5 Fiscal efetuou o cálculo do que denomina de "Imposto Total Devido em R$ por Percentual de Multa" (fls. 92 dos autos), e, ainda, indica por extenso o "Valor do Crédito Tributário Apurado" (fls. 94 dos autos), que totaliza R$ 20.050.322,94; que, assim, o não cumprimento das formalidades essenciais (intrínsecas) aos atos de lançamento, tais como a liquidez e certeza do montante exigido, tornaos nulos, gerando a obrigação para a Autoridade Julgadora de cancelálos de oficio; que, considerandose o exposto, verificase, no presente caso, que há nítida incerteza quanto ao lançamento realizado, eis que não é possível aferir, com certeza, como demanda o artigo 142 do CTN, se o Sr. Agente Fiscal simplesmente reduziu o saldo negativo de IRPJ apurado pela Impugnante no anocalendário de 2006 de R$ 20.781.555,56 para R$ 389.857,74 ou, se, além disso, lançou também o crédito tributário de R$ 20.050.322,94; que, em razão da incerteza do lançamento realizado, a Impugnante aguarda que essa C. Turma Julgadora declare a nulidade do auto de infração; que, no que diz respeito da possibilidade de compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de calculo negativas acumulados nas hipóteses de incorporação, é de se dizer que como mencionado anteriormente, a Impugnante, incorporou, em 28/12/2006, a AES. Em razão da incorporação, entendeu o Sr. Agente Fiscal que, quando da apresentação da DIPJ de encerramento, teria ocorrido excesso de compensação do saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL acumulados pela empresa incorporada; que não há que se falar em excesso de compensação e em violação aos dispositivos legais no presente caso, uma vez que ocorreu a extinção da pessoa jurídica (que se beneficiou dessas compensações) e, consequentemente, o encerramento de suas atividades por conta da incorporação mencionada; que da operação de incorporação, portanto, de acordo com o artigo 227, caput, da Lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 — Lei das Sociedades Anônimas ("LSA"), a incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra que lhe sucede em todos os direitos e obrigações; que, apesar da "responsabilidade tributária por sucessão", passase a demonstrar a possibilidade de aproveitamento integral dos saldos de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados pela empresa incorporada no encerramento de suas atividades (DIPJ do período de 01/01/2006 a 31/12/2006), motivo pelo qual não subsiste qualquer responsabilidade tributária Impugnante, pelo que as autuações em questão deverão ser canceladas por essa C. Turma Julgadora; que, no que diz respeito da não aplicação da "trava" de 30% para as compensações nos casos de incorporação, é de se dizer a legislação tributária estabelece regras gerais que limitam o direito de compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, acumulados pela empresa, à porcentagem de 30% do lucro tributável, aplicável a cada período base, para o IRPJ e para a CSLL; que, com efeito, os dispositivos supra mencionados extinguiram o prazo decadencial anteriormente existente na legislação tributária e, simultaneamente, estabeleceram um limite para a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL apurados, aplicável a cada período base, qual seja, 30% do lucro tributável do período; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 254 6 que ocorre que, muito embora a norma trazida pelos dispositivos legais acima mencionados tenha limitado a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL, o direito à compensação continua assegurado para os anos seguintes. Por esse entendimento é que o antigo Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça reconhecem a legalidade da norma (Lei no 8.981/95), com fundamento na inexistência de cerceamento ao direito à compensação, já que o contribuinte poderá compensar o saldo remanescente dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL, não utilizados em razão da limitação de 30%, nos exercícios seguintes; que o fundamento principal para tais decisões é a possibilidade da compensação do prejuízo e da base de cálculo negativa da CSLL em períodos subseqüentes, ou seja, pressupõese que o contribuinte dará continuidade As suas atividades nos exercícios seguintes; que, entretanto, no caso de "desaparecimento" da pessoa jurídica, in casu, por meio da incorporação (insistase que a AES foi incorporada pela Impugnante, deixando, portanto, de existir no mundo jurídico), não há que se falar em compensação do saldo remanescente, dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL, em períodos subsequentes, pois não haverá mais que se falar em períodos posteriores; que, portanto, o procedimento adotado pela AES, de se utilizar da integralidade do saldo de base de cálculo negativa da CSLL/prejuízo fiscal no momento da sua incorporação, está totalmente de acordo com as jurisprudências da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça, pelo que não poderá ser mantida qualquer exigência em face da Impugnante; que, no entanto, ad argumentandum, da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, neste sentido, conforme exposto em sede de preliminar, o lançamento realizado pelo Sr. Agente Fiscal é incerto, pois não é possível aferir, com certeza, se o Sr. Agente Fiscal simplesmente reduziu o saldo negativo de IRPJ apurado pela Impugnante no anocalendário de 2006 de R$ 20.781.555,56 para R$ 389.857,74 ou, se, além disso, lançou também o crédito tributário de R$ 20.050.322,94; que a impugnante aguarda que essa E. Turma Julgadora determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a eventual multa de oficio que possa vir a ser exigida da Impugnante em decorrência do auto de infração originário do presente processo administrativo. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a Impugnante, em sede de preliminar, clama pela nulidade do lançamento em virtude de "incerteza quanto ao lançamento realizado", pois não seria possível "aferir, com certeza, como demanda o artigo 142 do CTN, se o Sr. Agente Fiscal simplesmente reduziu o saldo negativo de IRPJ apurado pela Impugnante no anocalendário de 2006 de R$ 20.781.555,56, para R$ 389.857,74 ou, se, além disso, lançou também o crédito tributário de R$ 20.050.322,94"; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 255 7 que tendo sido o Auto de Infração lavrado por pessoa competente, só restaria à hipótese de nulidade por cerceamento do direito de defesa, que somente pode ocorrer se houver vicio insanável, e de tal forma que impeça o autuado de se defender plenamente. Isso não ocorreu neste caso, como demonstra a própria impugnação e provas apresentadas; que no Termo de Constatação e Intimação nº 2, existem detalhamentos, minuciosos, relativos tanto ao IRPJ quanto à CSLL (que foi objeto de lançamento no Processo n° 19515.005447/200940), os quais foram desconsiderados pela Impugnante quando da formulação de sua alegação; que a recomposição da apuração constante da Ficha 12 A, resultou na exigência do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (Total Devido), no valor de R$ 20.050.322,94, sendo realizadas, contudo, as deduções informadas na DIPJ/2006, procedimento que beneficiou o contribuinte, pois, na prática, deixouse de exigirse multa de oficio de 75% e juros de mora sobre o indébito; que o resultado final prático do Auto de Infração foi a redução do Imposto de Renda a compensar ou a ser restituído, de R$ 20.440.180,67, para R$ 389.857,74, (20.440.180,67 20.050.322,94 = 389.857,74), tendo havido, entretanto, a exigência do montante de R$ 20.050.322,9, extinguido por compensação, no próprio Auto de Infração, antes mesmo do vencimento da obrigação; que, em resumo, em decorrência da glosa da compensação de prejuízos fiscais, houve o recalculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (linhas 1 e 3, da Ficha 12 A, da DIPJ — fl. 41), que só não foi objeto de carta de cobrança em razão de deduções, previstas pela legislação e constantes da DIPJ da Impugnante. Os cálculos salientese foram exaustivamente demonstrados no Auto de Infração e no Termo de Constatação c Intimação n° 2; que, portanto, patente a ausência de erro ou obscuridade no Auto de Infração lavrado, que implicasse em vicio de qualquer ordem, a ensejar a necessidade de sua anulação ou retificação; que, no que diz respeito da Impossibilidade de Compensar o Lucro Real Apurado, com Prejuízo Fiscal Acumulado de Períodos Anteriores, no Caso de Evento de Incorporação, sem Respeitar a "Trava De 30%" Prevista na Legislação, é de se dizer que a Fiscalização verificou compensação indevida de prejuízos fiscais, em face da inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido apurado no anocalendário de 2006, ajustado pelas adições e exclusões, previstas e autorizadas pela legislação do imposto de renda; que a Impugnante alega que a norma legal que prevê a "trava" dos 30% não se aplica quando a empresa é incorporada; que em que pese as alegações trazidas à baila terem sido fundamentadas em entendimento jurisprudencial administrativo e judicial, verificase que acompanhar a argumentação da empresa, resulta em negar a aplicação da norma esculpida no caput, in fine, do art. 510 do RIR/1999, cuja base legal é o art. 15 da Lei n° 9.065/1995, ao caso de incorporação. Não há, na legislação tributária, previsão de exceção à aplicação dessa norma nos casos de incorporação; Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 256 8 que, assim, tendo a Fiscalização se mantido firmemente nos limites da legislação de regência vigente, cumpre ao julgador da esfera administrativa apenas verificar a legalidade do ato e a observância das normas pertinentes; que, como os argumentos dos Impugnantes restringiramse à matéria de legalidade e constitucionalidade, mantémse a glosa levada a cabo pela Fiscalização, posto que se revestiu da legalidade necessária; que, no que diz respeito da Inexistência de Lançamento de Multa de Oficio, em Decorrência da Fiscalização ter Considerado as Deduções Informadas pela Contribuinte na Ficha 12 A da Dipj (Apuração do Imposto de Renda). Da Incidência de Juros sobre a Multa de Oficio, que, já foi objeto de exaustiva análise no titulo "Da Validade do Auto de Infração Lavrado" que o resultado final prático do Auto de Infração é a redução do Imposto Renda a compensar ou a ser restituído, de R$ 20.440.180,67, para R$ 389.857,74, (20.440.180,67 20.050.322,94 = 389.857,74), em razão da exigência do valor de R$ 20.050.322,94, de IR sobre o lucro real, do que se conclui não haver cobrança de multa de ofício; que a titulo de argumentação, a Impugnante que em prevalecendo o lançamento do crédito tributário de R$ 20.050.322,94, a incidência dos juros de mora, que poderiam vir a ser cobrados, sobre urna suposta multa de oficio, seria manifestadamente ilegal, conforme jurisprudência administrativa (Acórdão n.° 10196.523, Acórdão 10516754, Acórdão n.° 20178.718, acórdão CSRF/0203.133 ainda não formalizado à data da Impugnação); que expliquese, novamente, que, em razão das deduções informadas na Ficha 12 A da DIPJ, deixou de exigirse multa de oficio de 75%, sobre o imposto apurado no montante de R$ 20.050.322,94, e, consequentemente, qualquer juros de mora sobre o indébito tributário, esvaziando necessidade de apreciar a argüição em apreço; que por essas razões, poderiam não ser analisadas, no presente Voto, as alegações relativas à suposta ilegalidade da cobrança de juros sobre multa de oficio, por ausência de objeto; que as referidas decisões não tem efeito vinculante, razão pela qual somente aproveitam it pessoa jurídica que integrou a lide contra a União, e por não ser o posicionamento atual desta Turma de Julgamento acolher o argumento de ilegalidade da incidência dos juros de mora sobre multa de oficio; que em apertada síntese, o argumento da Impugnante se pauta pela tese de que a incidência de juros sobre a multa de oficio não encontraria amparo legal, visto que a legislação que rege a matéria autorizaria a incidência de juros somente sobre o valor do tributo ou contribuição; que, assim, tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, visto que se trata de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A presente decisão está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 257 9 Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Por terem sido levados ao conhecimento do contribuinte todos os cálculos concernentes à autuação, não se verifica incerteza no tocante ao lançamento de oficio, razão pela qual é plenamente válido o auto de infração lavrado pela autoridade fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A instância administrativa não se manifesta a respeito de supostas inconstitucionalidades e/ou ilegalidades da legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO REAL. APURAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. APLICABILIDADE. Para determinação do lucro real, o prejuízo fiscal apurado a partir do exercício financeiro de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas, observado o limite máximo, para compensação, de 30% (trinta por cento) do referido lucro liquido ajustado na data do evento de extinção por incorporação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 29/01/2013 conforme Termo constante às fl. 176, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, tempestivamente (21/02/2013), o recurso voluntário de fls. 179/217, instruído pelos documentos de fls. 219/243, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que inicialmente, antes de se discutir o mérito do presente processo administrativo, importa esclarecer que a decisão ora recorrida é nula de pleno direito, Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 258 10 porquanto, a Turma Julgadora deixou de apreciar todos os argumentos expostos pela recorrente em sua peça impugnatória, dentre eles o item 3, que trata da ausência de previsão legal para a limitação de compensação de saldo de prejuízo fiscal de IRPJ em caso de incorporação, e sobre o qual a decisão recorrida faz análise extremamente superficial; que concluise que (i) é requisito indispensável da decisão de primeira instância administrativa fiscal federal a abordagem expressa de todos os aspectos e argumentos levantados na peça impugnatória; (ii) o não cumprimento de tal obrigatoriedade enseja caracterização de cerceamento de defesa e (iii) a caracterização do cerceamento de defesa implica nulidade da decisão de primeira instância; que da possibilidade de compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de calculo negativas acumulados nas hipóteses de incorporação, portanto, ainda que não seja decretada a nulidade da decisão ora recorrida, diante da evidente afronta ao principio do contraditório e da ampla defesa, o que se alega a título de argumentação, também no mérito a Turma Julgadora não obteve melhor êxito; que a Recorrente passará a demonstrar, novamente, os motivos pelos quais o auto de infração do IRPJ originário do presente processo administrativo não pode ser mantido intacto, e, portanto, os motivos pelos quais a decisão recorrida, que é de pronto nula, deve ser integralmente reformada; que dos fatos concreto discutido no presente processo administrativo, como restou consignado na peça impugnatória, a Recorrente incorporou, em 28/12/2006, a AES Tietê Empreendimentos S/A (CNPJ/MF n° 02.670.218/000189). Em razão da incorporação, entendeu o Sr. Agente Fiscal que, quando da apresentação da DIPJ de encerramento, teria ocorrido excesso de compensação do saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativo da CSLL acumulados pela empresa incorporada; que não há que se falar em excesso de compensação e em violação aos dispositivos legais no presente caso, uma vez que ocorreu a extinção da pessoa jurídica (que se beneficiou dessas compensações) e, conseqüentemente, o encerramento de suas atividades por conta da incorporação mencionada; que da operação de incorporação, portanto, de acordo com o artigo 227, caput, da Lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 — Lei das Sociedades Anônimas ("LSA"), a incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra que lhe sucede em todos os direitos e obrigações; que a Recorrente, uma vez mais, demonstrará que mediante uma análise sistemática da legislação atualmente vigente a conclusão a que se chega é pela possibilidade de aproveitamento integral dos saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativas da CSLL acumulados pela empresa incorporada no encerramento de suas atividades (no presente caso no momento da entrega da DIPJ do período de 01/01/2006 a 31/12/2006), o que servirá como fundamento suficiente para que este E. CARF determine a reforma integral da decisão recorrida, com o consequente cancelamento do auto de infração de IRPJ originário do presente processo administrativo; que da não aplicação da "trava" de 30% para as compensações nos casos de incorporação, a legislação tributária estabelece regras gerais que limitam o direito de compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, acumulados pela Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 259 11 empresa, à porcentagem de 30% do lucro tributável, aplicável a cada período base, para o IRPJ e para a CSLL; que, portanto, o procedimento adotado pela AES (incorporação pela Recorrente), de se utilizar da integralidade do Aldo de base de cálculo negativo da CSLL no momento da sua incorporação, está totalmente de acordo com as jurisprudências desde E. CARF e do Superior Tribunal de Justiça, pelo que, outra solução não se espera que não a determinação da reforma integral da decisão ora recorrida; que da relevância da jurisprudência no presente caso, ou seja, não merece também prosperar o entendimento da Turma Julgadora no sentido de que as decisões transcritas pela Recorrente na peça impugnatória não teriam efeito vinculante; que em razão dos precedentes jurisprudenciais administrativos acerca da matéria, aguarda a Recorrente que esse E. Conselho os leve em consideração para que seja reconhecida a legitimidade do procedimento adotado pela empresa incorporada pala Recorrente, quando, no ato de incorporação, compensou integralmente o saldo de prejuízo fiscal que detinha; que do conteúdo da norma insculpida no artigo 510 do RIR/1999, cuja Base Legal é o artigo 15 da Lei n° 9.065/1995, portanto, conforme já mencionado anteriormente, o que pretendeu a Recorrente com seus argumentos de defesa apresentados na peça impugnatória foi evidenciar a necessidade de interpretar de modo sistemático as normas atualmente vigentes, para, com isso, demonstrar que não há, atualmente, qualquer norma que proíba a compensação integral do saldo de prejuízo fiscal nas hipóteses em que determinada empresa é extinta por incorporação; que, diante de todo o exposto, deve ser analisado de forma sistemática o conteúdo e alcance da norma insculpida no artigo 15 da Lei n° 9.065/95, o que resultará, sem sombra de dúvidas, na reforma da decisão ora recorrida por esse E. CARF, já que não há qualquer norma no ordenamento jurídico que vede a compensação integral dos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativo da CSLL em casos de incorporação de empresa. É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 260 12 Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 92/96) que reduz o saldo de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica — IRPJ — a compensar ou a ser restituído de R$ 20.781.555,56, para R$ 389.857,74, em face da compensação do imposto de renda devido sobre o lucro real apurado pela Fiscalização (R$ 20.050.322,94), com as deduções a que tinha direito o contribuinte IRRF e estimativas. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora observou que a contribuinte foi autuada na condição de responsável, em razão de ter incorporado a empresa AES TIETÊ EMPREENDIMENTOS S.A., inscrita no CNPJ n° 02.670.218/000189, conforme a Ata da Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 2 de Dezembro de 2006, a qual foi registrada na JUCESP, na sessão do dia 23 de fevereiro de 2007. A infração verificada foi à compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, em face da inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido, ajustado pelas adições e exclusões, previstas e autorizadas pela legislação do imposto de renda. Em razão do constatado, glosouse prejuízos fiscais no total de R$ 80.057.291,75 (fl. 40), recalculandose o imposto de renda sobre o lucro real. O aumento do imposto apurado nas linhas 1 e 3 da Ficha 12 A da DIPJ foi de R$ 0,00 (11. 35), para R$ 20.050.322,94 (fl. 41). 0 valor devido foi extinto por compensação com os valores a serem deduzidos nas linhas 13 e 17 da mesma Ficha (antecipações — IRRF e estimativas), no total de 20.440.180,67 (fls. 39/41 e 93), resultando na diminuição do saldo negativo de IRPJ de R$ 20.781.555,56 (fl. 35), para R$ 389.857,74 (fl. 41). Inconformado com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação contra o auto de infração lavrado. A decisão recorrida entendeu que para determinação do lucro real, o prejuízo fiscal apurado a partir do exercício financeiro de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas, observado o limite máximo, para compensação, de 30% (trinta por cento) do referido lucro liquido ajustado na data do evento de extinção por incorporação. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminar de nulidade da decisão recorrida e razões de mérito. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 261 13 Conforme relatado, a discussão versa sobre a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais por pessoa jurídica incorporada no balanço de encerramento de atividades sem o limite de 30% estabelecido no caput do artigo art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995. A legislação tributária estabelece regras gerais que limitam o direito de compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, acumulados pela empresa, à porcentagem de 30% do lucro tributável, aplicável a cada período base, para o IRPJ e para a CSLL. De fato, disciplina a Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 que: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados ate 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento Por sua vez, os artigos 15 e 16 da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995, determinam o seguinte: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro liquido ajustado. (...) Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995 poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei no 8.981, de 1995. Sempre foi meu entendimento de que, em casos de descontinuidade da pessoa jurídica, como na incorporação, não se pode aplicar a limitação à compensação, mais comumente denominada por "trava". Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 262 14 Ora, uma vez interrompido o exercício da atividade, notadamente em face de fusão ou incorporação, desaparece ou deixa de existir o pressuposto que conferiu ao empreendimento a possibilidade de diferir, no tempo, a compensação de seus prejuízos e da base de cálculo negativa da CSLL. É indiscutível que desde o advento do Decretolei n° 1.598, de 1977, o prejuízo apurado em determinado períodobase poderia ser compensado com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes, sistemática que perdurou até a edição da Lei n° 8.981, de 1995, oportunidade na qual restou determinado que o prejuízo verificado em um períodobase tivesse sua dedução diferida para os anoscalendário subseqüentes, sem limitação temporal. Cumpre consignar que o artigo 33 da Lei n° 2.341, de 1987, veda a compensação de prejuízos fiscais, pela sucessora, da sucedida, em razão de incorporação, fusão ou cisão. Ensina Ricardo Mariz de Oliveira, em sua obra Fundamentos do Imposto de Renda (Editora Quartier Latin do Brasil, São Paulo: 2008, p. 895/900), ao tratar do poder legal para impedir, condicionar ou limitar a compensação de prejuízos fiscais: Para os que sustentam haver um direito verdadeiramente imanente à obrigação tributária relativa ao imposto de renda, inatingível por lei ordinária, portanto um metadireito que até prescinde de declaração por lei ordinária, o seu fundamento está no fato de que a hipótese de tributação é sempre um acréscimo patrimonial, e acréscimo patrimonial exige que se deduzam prejuízos anteriores para que somente possa ser alvo de incidência o valor que representar efetivo aumento ao capital trazido pelos sócios para o empreendimento gerador do lucro. Se assim não for, estarseá tributando o próprio capital ou o patrimônio do contribuinte, descaracterizando e desnaturando o fato gerador do imposto de renda. E, sendo assim, não poderia haver limite de prazo ou de valor, assim como outras condições não poderiam ser impostas para o exercício (já que aquisição sempre existiria) desse direito. Muito menos ele poderia ser eliminado. Edson Vianna de Brito, assim discorreu sobre a norma de limitação, em seu livro Imposto de Renda, Frase Editora, São Paulo, 1995, pp. 161 e segs.: Este dispositivo estabelece uma base de cálculo mínima, para efeito da determinação do imposto de renda devido, através da fixação de um limite máximo de redução — por compensação de prejuízos fiscais — do lucro tributável apurado em cada ano calendário. Em outras palavras, as pessoas jurídicas que detenham estoque de prejuízos fiscais apurados em anos anteriores passam a sujeitarse a um imposto de renda mínimo, uma vez que o lucro tributável só poderá ser reduzido em no máximo trinta por cento. Notese, preliminarmente, que em nenhum momento, o texto legal cerceou o direito do contribuinte de compensar os Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 263 15 prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994 com o lucro real obtido a partir de 1° de janeiro de 1995. Pelo contrário, ao fixar um limite máximo para compensação em cada anocalendário, o dispositivo legal, em seu parágrafo único, faculta a compensação da parcela que seria compensável se não houvesse a limitação com o lucro real de anoscalendário subseqüentes. Como visto a norma nunca teve intenção de cercear direito à compensação. Daí inclusive tornar os prejuízos imprescritíveis para a compensação. Essa certeza mais se concretiza quanto mais se busca o histórico da legislação quando em tramitação. No Diário Oficial do Congresso Nacional de 14 de junho de 1995, consta a exposição de motivos da Medida Provisória n° 998/95, reedição das Medidas Provisórias 947/95 e 972/95 e convertida na Lei 9.065/95. Dela se pode destacar o seguinte excerto: Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n° 812194 (Lei 8.981195). Ocorre hoje vacado legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo. A expressão "sem retirar do contribuinte o direito de compensar reforça o meu entendimento de que, em casos de descontinuidade da empresa, na declaração de encerramento cabe integral compensação dos prejuízos acumulados, sendo inaplicável a trava. Todo o interesse protegido foi somente regular o fluxo de caixa do Governo, sem extirpar do contribuinte o direito à compensação de prejuízos. Qualquer hipótese na qual o efeito seja eliminar a compensação não estará abrangida pelo campo de incidência da norma de limitação. A avaliação da questão pressupõe a consideração do ordenamento legal da apuração do IRPJ como um todo. Para isso, há de se considerar outra vedação legal à compensação de prejuízos fiscais, aquela estabelecida pelo art. 514 do RIR/1999, nos seguintes termos: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Vêse, então, que os prejuízos da incorporada não se transferem para a incorporadora, sua sucessora, por expressa disposição legal. A aplicação da “trava” de 30% é justificável enquanto existente a presunção de continuidade da pessoa jurídica. A extinção via incorporação afasta a exigência de observância do limite à compensação. Entendimento contrário significaria negação da faculdade conferida à contribuinte e resultaria no abandono forçado de um ativo seu, representado por benefício assegurado em lei. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 264 16 Enfim, caso a recorrente obedecesse à limitação de 30% imposta pela Lei nº 8.891, de 1995 e Lei nº 9.065, de 1995, a AES (incorporada), ao fechar o balanço no encerramento de suas atividades e apresentar sua declaração de encerramento, deixaria de utilizar aproximadamente 65% de seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados, os quais não poderiam ser aproveitados futuramente, seja pelo encerramento de suas atividades, seja pela expressa vedação imposta utilização desses mesmos prejuízos ou bases pelo seu incorporador. Fato esse que modifica o conceito de lucro inserido no ordenamento jurídico brasileiro. Desse modo, e considerando que à empresa incorporadora é vedado o aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal da empresa incorporada (Decretolei 2341/87, arts. 32 e 33), deixa de existir a premissa de inexistência de limitação de aproveitamento do prejuízo com os lucros futuros, o que compromete a legitimidade da trava do prejuízo. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 265 17 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre Conselheiro Relator. A limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores é prevista em lei, não havendo qualquer previsão no sentido de sua limitação em caso de extinção da pessoa jurídica. Por concordar integralmente com sua fundamentação, peço vênia aos meus pares para adotar como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior nos autos do PAF 11065.001759/200756, em julgamento ocorrido na 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Com a devida vênia dos que defendem a compensação sem trava do prejuízo fiscal no último balanço da empresa a ser incorporada, ouso discordar, por enxergar, nos argumentos que assim sustentam, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustentase que o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo recorrente, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir "renda". Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu decréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 266 18 Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial n° 188.855GO, in verbis: "Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores." Data maxima venia, confundese aqueles que citam o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que "o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores". Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6° e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustentase também que a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que "somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados", conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). Enganase também quem defende que a não submissão dos prejuízos à trava, nos casos de que se trata, não se encontra vedada pelas normas veiculadas pelos artigos 32 e 33 do Decretolei 2.341/1987, pois, teleologicamente, o art. 33 visa impedir que o saldo de prejuízo fiscal da empresa a ser incorporada cause qualquer impacto Fl. 266DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 267 19 financeiro na incorporadora, o que ocorreria se, no seu último exercício, fosse permitido a incorporada pagar menos IRPJ compensando o saldo de prejuízos além dos 30% permitidos. Todavia, a questão principal não gira em torno do art. 33 do DL 2.341/87, mas da total falta previsão legal para que se afaste a regra geral da trava de 30% no último período de apuração da empresa a ser incorporada. Isso mesmo, não há previsão legal, mas um mero esforço exegético do recorrente, o qual desborda os parâmetros hermenêuticos das normas de regência da matéria. Ademais, permissa venia, a interpretação, digamos, sistemática feita pelo recorrente já que não se baseia em nenhum dispositivo legal específico, mas no sistema jurídico como um todo é contraditória e ofende a isonomia, pois, "já que sustenta que o prejuízo fiscal deve ser integralmente compensável no tempo, para que a tributação não ofenda o conceito de renda, como fazer então se houver saldo remanescente de prejuízo no último período de existência da pessoa jurídica ainda que lhe fosse afastada a trava dos 30%? Ora, em alguns países, a exemplo dos Estados Unidos da América Unidos da América1, é permitida a compensação retroativa de prejuízos fiscais (ou seja, com lucros anteriores). Será então que, para respeitar o conceito de renda, o intérprete deveria também entender autorizada a compensação retroativa na situação em tela sem lei que a preveja? A resposta é, por tudo que já demonstramos antes, indubitavelmente, negativa. Ocorre, porém, que, nessa hipótese, o recorrente aceita que se perca o direito à compensação do saldo de prejuízo fiscal, criando um situação não isonômica entre a incorporada que tem lucro no seu último exercício suficiente para ser compensado 100% do saldo de prejuízos acumulados e aqueloutra que não o tenha, a qual ficará com saldo de prejuízo fiscal que jamais será compensado. Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado 1 Refirome ao carryback, previsto: na section 172 (b) do Internal Revenue Code. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.005446/200903 Acórdão n.º 1402001.754 S1C4T2 Fl. 268 20 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE O LIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10680.013594/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
O recurso de ofício é incabível quando a DRJ não exonera nenhum valor do lançamento.]
Numero da decisão: 3401-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso de ofício. Vencidos os conselheiro Júlio César Alves Ramos e Eloy da Silva Nogueira.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇCA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente).
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O recurso de ofício é incabível quando a DRJ não exonera nenhum valor do lançamento.]
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso de ofício. Vencidos os conselheiro Júlio César Alves Ramos e Eloy da Silva Nogueira. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. RELATOR JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇCA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente).
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IOF. Recorrente DRJ BELO HORIZONTE/MG Interessado BANCO ITAÚ BBA S.A (BANCO BEMGE S/A) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O recurso de ofício é incabível quando a DRJ não exonera nenhum valor do lançamento.] Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso de ofício. Vencidos os conselheiro Júlio César Alves Ramos e Eloy da Silva Nogueira. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇCA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 35 94 /2 00 3- 11 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 13 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela DRJ em Belo Horionte/MG que julgou auto de infração pelo qual foi lançado IOF, supostamente não recolhido, em 1998. O auto de infração foi lavrado em junho de 2003 (fls.10/45) e exigia o total de R$ 1.141.650, 35. Após apresentação de impugnação (fls.02/08) com alguns DARFs comprovando parte do recolhimento (fls.50/79), a própria delegacia de origem reviu o lançamento de ofício (fls.93/97), reduzindoo para R$ 26.348,83, já calculado o IOF, juros e multa (fl.103). A Contribuinte foi intimada da revisão de ofício em 12/06/2010 (fl. 105), mas não se manifestou. Os autos foram encaminhados para a DRJ em Belo Horizonte/MG, que analisou o lançamento, a revisão e impugnação anterior à revisão, mantendo o lançamento conforme revisão (fls.107/109). A Recorrente foi intimada da decisão da DRJ, mas não apresentou o recurso voluntário. A DRJ em Belo Horizonte/MG remeteu o processo para CARF em forma de recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Jean Cleuter Simões Mendonçca O recurso de ofício tem previsão no art. 34, do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: “Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência”. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 13 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.013594/200311 Acórdão n.º 3401002.638 S3C4T1 Fl. 137 3 Ocorre que no presente caso não havia pena de perdimento e também a DRJ não exonerou nenhum valor, pois o lançamento já havia sido revisto de ofício. Dessa forma, quando chegou para julgamento da DRJ, ela não estava apreciando o lançamento inicial, no valor de R$ 1.141.650,35, mas sim o lançamento remanescente. Levando em consideração que a DRJ manteve integralmente o valor da revisão de ofício, não há que se falar em exoneração, de modo que não cabe recurso de ofício. Ex positis¸ não conheço do recurso de ofício e mantenho o acórdão da DRJ. É como voto. Relator Jean Cleuter Simões Mendonçca Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 13 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003107/2005-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes.
NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Numero da decisão: 2202-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 31/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins, Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite e Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente. (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: 31/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins, Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite e Fabio Brun Goldschmidt
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 31/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 31 07 /2 00 5- 26 Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins, Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite e Fabio Brun Goldschmidt Relatório Tratase de auto de infração (fls. 4/22) constituído em razão de omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, correspondente aos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF exigindo o crédito tributário na monta de R$ 1.610.087,42, já acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. O detalhamento da infração imputada ao recorrente vem bem descrito no auto de infração (fls. 04/22): “001DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Com a publicação da Lei n°. 9.430/1996 de 27.12.1996 e acréscimos do art. 58 a Medida Provisória n°. 66, de 29/08/2002, a partir do anocalendário de 1997 os valores depositados em contascorrentes ou de investimentos, no Brasil e no exterior, estão sujeitos a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, dentro dos limites e condições estabelecidos no art. 42 da supracitada Lei. O presente auto de infração é decorrente de fiscalização levada a efeito junto ao contribuinte, objeto do MPF 0520100001052005, através da qual foi investigada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados nas declarações de ajuste dos anoscalendário de 2000 a 2003. Este contribuinte foi selecionado a partir de documentos enviados pelo Ministério Público Federal sobre empresas do ramo de medicamentos, sediadas no estado de Sergipe, supostamente envolvidas em casos de sonegação de tributos, culminando no enriquecimento patrimonial de seus sócios. Dando continuidade ao procedimento, foi lavrado em 20 de junho de 2005 o Termo de Inicio de Fiscalização, do qual o contribuinte tomou ciência no dia 23 do mesmo mês, através de Aviso de Recebimento AR, constante nos autos. Através deste Termo o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários de conta corrente, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança mantidas pelo declarante, cônjuge e seus dependentes, junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes aos períodos de 2000 a 2003. Dentro do prazo inicialmente dado, que foi de vinte dias, apresentou o contribuinte em 11 de julho de 2005 pedido de prorrogação do prazo por igual período para apresentação da documentação solicitada, o que foi concedido pelo AuditorFiscal responsável pela fiscalização. Em 23 de agosto foi lavrado um Termo de Intimação, através do qual o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores creditados e Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10510.003107/200526 Acórdão n.º 2202002.720 S2C2T2 Fl. 12 3 depositados em suas contascorrente, relativamente ao ano de 2000, conforme relação anexa àquela intimação. Este Termo foi recebido pelo seu legal preposto mediante procuração em 25 de agosto de 2005. Também dentro do prazo estipulado, de novo apresentou o contribuinte em 14 de setembro de 2005 pedido de prorrogação de prazo por igual período para apresentação dos documentos, o que foi novamente concedido pelo Auditor Fiscal autuante. Importante esclarecer que estas prorrogações de prazo, embora não previstas na legislação em vigor, foram concedidas para garantir ao contribuinte a ampla defesa, direito pátrio da nossa Constituição. Em 30 de setembro de 2005 o contribuinte apresentou documento no qual tenta justificar as movimentações financeiras para o ano de 2000. Em síntese, a argumentação é que os depósitos foram efetuados pela pessoa jurídica Mega Farma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Hospitalares Ltda., da qual é sócio majoritário. Segue discorrendo que a aparente relevância da movimentação bancária não consagrou acréscimo patrimonial para o informante e independe de maior análise a convicção de que a rotatividade dos lançamentos não tem repercussão porque está caracterizada pela utilização de cheques prédatados entregues em operações de crédito a fornecedores da referida empresa e regular cobertura destes. Em cumprimento ao determinado no Mandado de Procedimento Fiscal, foi lavrado em 26 de outubro, novo Termo de Intimação, agora solicitando a comprovação da origem dos valores creditados e depositados nas contas correntes dos anos de 2001 a 2003, conforme relação anexa aquele Termo. Devido ao grande número de depósitos a serem analisados foi feito um 'corte' no valor dos créditos de R$ 1.000,00, a fim de não onerar os trabalhos, procedimento este previsto no Manual de Fiscalização. Portanto, somente para os créditos de valor igual ou superior a R$ 1.000,00 foi solicitada a comprovação da origem. No dia 16 de novembro o contribuinte apresentou justificativa ao que foi solicitado. Seguindo a mesma linha de argumentação, assevera que os depósitos foram efetuados pela empresa Mega Farma Ltda, cuja finalidade foi a cobertura de cheques emitidos em garantia de aquisições efetuadas por esta empresa. O contribuinte anexou alguns extratos bancários da empresa acima para tentar justificar que os depósitos na pessoa física foram, em sua maioria, feitos por aquela empresa. Porém, estes extratos por si sós não comprovam que os depósitos nas contas da pessoa física foram efetuados pela pessoa jurídica. Porém, analisando cada justificativa para cada depósito individualmente, constatase que há uma forte relação entre alguns depósitos e a justificativa apresentada, motivo pelo qual os depósitos abaixo foram excluídos da tributação: (...) Quanto aos demais depósitos, não obstante as pesquisas efetuadas, o contribuinte não logrou êxito em comprovar sua origem, considerados assim omissão de rendimentos sujeitos a tributação. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 4 Outro ponto de extrema importância é que a movimentação financeira na pessoa física no ano de 2000, tomando este anocalendário somente a titulo de exemplo, foi de R$ 3.256.088,73 (três milhões, duzentos e cinqüenta e seis mil, oitenta e oito reais e setenta e três centavos) e o valor declarado da receita da revenda de mercadoria da empresa Mega Farma Ltda. Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica para aquele anocalendário foi de R$ 1.554.426,08 (um milhão, quinhentos e cinqüenta e quatro mil, quatrocentos e vinte e seis reais e oito centavos). Ou seja, mesmo considerando que toda a receita da pessoa jurídica era depositada nas contas da pessoa física, ainda assim não justificaria aquele montante movimentado.” Procedimento de Fiscalização O procedimento fiscalizatório iniciouse em virtude da fiscalização do Ministério Público Federal sobre empresas do ramo de medicamentos sediada no Estado do Sergipe, que supostamente estariam envolvidas em casos de sonegação de tributos que culminava no enriquecimento patrimonial de seus sócios. O contribuinte foi selecionado, pois, além de ser sócio de empresa sobre fiscalização, sua movimentação financeira era incompatível com os rendimentos declarados nas declarações de ajuste dos anoscalendário de 2000 a 2003. O contribuinte foi intimado, em 23/06/2005, por Termo de Início de Fiscalização (fl. 23), para apresentar relativamente aos anoscalendário 2000 a 2003, todos os extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, mantidas por ele, sua esposa e seus dependentes, junto às instituições financeiras no Brasil e no exterior. O recorrente solicitou prorrogação do prazo em 20 dias para apresentar a documentação solicitada pelo Fisco, os quais foram concedidos. (fl.25). O recorrente, por intermédio de seu procurador (fl. 26), em 02/08/2005, apresentou resposta alegando que a maior parte dos depósitos ocorridos em suas contas correntes, dizem respeito a valores da empresa Mega Farma Distribuidora de Produtos Farmacêutico e Hospitalares Ltda da qual é sócio. Para comprovar suas alegações elaborou planilhas (fls. 32/130) e acostou os extratos bancários de suas contas correntes. O auditor fiscal refere na fl. 29 que recebeu todos os documentos listados na manifestação de fls. 29/31, exceto os extratos do Banco do Brasil e os do Mercantil de São Paulo S.A. Em 23 de agosto foi lavrado um Termo de Intimação (fls.131), através do qual o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores creditados e depositados em suas contas correntes, relativamente ao ano de 2000, conforme relação anexa àquela intimação (fls.132/138). Novamente o recorrente solicitou a prorrogação do prazo, o qual foi concedido (fl.139). O recorrente apresentou resposta em 30/09/2005, reiterando a manifestação do dia 02/05/2005. Em 16/11/05 apresentou documentos: a) planilha descritiva de depósitos bancários dos anos de 2001 a 2003 e justificativa das origens dos recursos; b) extratos bancários da MegaFarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Hospitalares Ltda., relativos aos anoscalendário 2000 a 2003; c) cópias de cheques de emissão do informante em favor da MegaFarma; d) folhas dos livros diários da MegaFarma dos anos de 2001 e 2002. (fls. 151/162). Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10510.003107/200526 Acórdão n.º 2202002.720 S2C2T2 Fl. 13 5 Em 26/10/2012, foi lavrado novo Termo de Intimação (fl. 145), solicitando ao recorrente a comprovação da origem dos valores creditados e depositados nas contas correntes dos anos de 2001 a 2003, conforme relação anexa naquele Termo (fls. 146/150). O recorrente apresentou resposta, em 16/11/2005, (fls. 151/161), elaborando planilhas, repisando os mesmos argumentos das manifestações anteriores. Em 29/11/2005, foi lavrado Termo de Intimação, solicitando ao recorrente a comprovação das origens dos valores creditados e depositados nas contas correntes do ano calendário de 2000 (fl. 164/170) O recorrente apresentou resposta em 16/12/2005, elaborando planilha e mais uma vez reiterando o teor das manifestações anteriormente lançadas. (fls. 171/186) Toda a documentação entregue pelo contribuinte na fase fiscalizatória encontra se às fls. 212/848 (extratos bancários da pessoa física, depósitos bancários da empresa Mega Farma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Hospitalares Ltda.). Da análise da documentação acostada aos autos, bem como das informações prestadas pelo recorrente, entendeu a fiscalização por lavrar auto de infração (fls. 04/14). Impugnação O contribuinte foi cientificado do lançamento do crédito tributário, apresentando tempestivamente a impugnação (fl. 851/867), acostando vasta documentação: Planilhas descritivas da origem dos depósitos, fichas de depósito em poupança ou conta corrente, comprovantes de depósitos (fls. 870/1294), alegando em síntese: a) os depósitos foram efetuados pela Mega Farma Ltda. E tinham como objetivo cobrir cheques emitidos por ele próprio como fiança para contratos da empresa com fornecedores, sendo que essas operações não precisavam ser contabilizadas; b) a inexistência de saldo elevado nas contas comprova a rotatividade e os objetivos alegados para os depósitos; c) o fluxo de caixa não decorre apenas do faturamento, mas também de operações de crédito, é justificável a discrepância apontada pela fiscalização entre o volume dos depósitos em 2000 e o faturamento da empresa; d) não há outra fonte de rendas senão as decorrentes da sua participação na empresa, o que fica comprovado pela situação profissional; e) a fiscalização não dispôs de tempo suficiente para obtenção da documentação solicitada, a fim de comprovar que os depósitos das suas contas correntes decorreram da empresa Mega Farma Ltda, sendo que em impugnação apresenta todos os recibos de depósitos com o carimbo “DEPÓSITO EFETUADO PELA MEGA FARMA”, comprovando assim Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 6 todas as origens dos depósitos realizados, não havendo razão a aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos, sendo que se houvesse omissão de rendimentos, esta deveria ser apurada na pessoa jurídica, à qual se referem todas as transações devidamente comprovadas, sendo mais consistente e lógica, neste caso, a hipótese de suprimento de caixa por parte do sócio, suplantando a presunção imputada. Antes mesmo da análise da impugnação pela DRJ, o recorrente apresentou manifestação na qual sustentou a sua tempestividade, tendo em vista o fato de ser intimado do em 06/01/2006, conforme cópia do AR que juntou naquele momento. Às fls. 1228 foi juntado outro AR devolvido pela ECT, como se verifica na certidão de fls. 1307, relativo à ciência do auto de infração, por meio do qual se verifica que a data de recebimento está rasurada. Tendo em vista a divergência foi expedido Ofício nº 10/2006/GABSacat ao gerente de vendas da ECT para que fosse confirmada a data do efetivo recebimento pelo contribuinte do auto de infração. Em resposta de fls. 1311/1312 a ECT informou o recebimento da carta contendo o AI se deu em 23/12/2005. Em que pese a divergência das datas, a impugnação é tempestiva, motivo pelo a DRJ analisou o mérito da questão. Acórdão da DRJ A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o auto de infração. (fls. 1312/1315). Disse em síntese: a) o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996 diz que, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; b) a lei estabelece que os depósitos presumam rendimentos do titular, salvo se este demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. O ônus da prova recai sobre o responsável pela conta bancária. Não se trata, portanto, de procedimento de arbitramento, em que caberia à autoridade lançadora comprovar, com base em outros indícios, a ocorrência do fato gerador; c) o fato de constar nos recibos de depósito (fls. 910/1039) carimbo com os dizeres: "Depósito efetuado pela Mega Farma", não é suficiente para comprovar a origem dos depósitos, pois não demonstra que os recursos provieram da empresa. Primeiramente, este carimbo pode ter sido afixado por qualquer pessoa, já que não é preenchido pelos bancos. O impugnante também não demonstra que os depósitos tenham sido efetuados com cheques da empresa nem através de transferência da sua conta bancária, sendo evidente, pelo contrário, que se trata de cheques de terceiros e depósitos em espécie. Ademais, o contribuinte não apresenta qualquer registro contábil Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10510.003107/200526 Acórdão n.º 2202002.720 S2C2T2 Fl. 14 7 que demonstre que estes recursos sejam provenientes de operações regulares da sua empresa; d) considerarse ainda que a hipótese de aplicação da presunção legal foi cumprida no momento em o sujeito passivo deixou de comprovar a origem dos depósitos durante a fiscalização. A norma que cria a presunção de omissão de rendimentos em virtude de depósitos de origem não comprovada estabelece ao mesmo tempo o procedimento que deve ser observado durante a fase inquisitorial do lançamento: o contribuinte, regularmente intimado, deve comprovar a origem dos depósitos. Não o fazendo, os depósitos são considerados rendimentos tributáveis, sujeitandose ao imposto no lançamento de oficio; e) constituído o crédito tributário, cabe ao contribuinte o ônus da prova, não mais da origem dos depósitos, pois não mais se trata de depósitos, mas da inocorrência do fato gerador, não bastando, portanto, a simples indicação da fonte pagadora. Ou seja, deverá demonstrar a que titulo os recursos lhe foram transferidos, e se esta transferência já foi regularmente tributada. Se os recursos foram de fato transferidos da empresa, deverá comprovar este fato através da contabilidade da empresa, e demonstrar a natureza não tributável da operação. Mas isto o contribuinte não logra realizar. Procura transferir para a fiscalização o ônus da prova, propondo uma investigação na contabilidade da sua empresa apresentando apenas alegações de transações de fiança com cheques do sócio que ele próprio reconhece serem tão incomuns que escapam a qualquer precedente jurídico; f) não é relevante também o argumento de que as alegadas operações atípicas de “fiança” não precisariam ser contabilizadas. Isto porque não estão em questão estas operações, mas os recursos em cheques de terceiros e dinheiro em espécie que foram depositados em sua conta bancária. Se fossem ativos da empresa, deveriam, sim, estar contabilizados. E só esta prova poderia demonstrar a origem regular de recursos que somente estariam transitando pela conta do contribuinte. Os demais argumentos apresentados também não são relevantes, pois não levam comprovação, através de documentação hábil e idônea, da origem regular dos depósitos. Recurso Voluntário Intimado em 11/08/2006 (fl. 1318), da decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 1319/1351, repisando os argumentos da impugnação, acostando documento (fotocópia de cheques). Acórdão 1º Conselho de Contribuintes 4ª Câmara A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, entendeu por acolher a preliminar de decadência relativamente ao anocalendário de 2000 e, no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 38.141,00, no anocalendário de 2002. (fls. 1392/1406). Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 8 Recurso Especial A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 1410/1419), no qual insurgiuse quanto à decadência do anocalendário 2000. O recorrente apresentou contrarrazões ao Recurso Especial. O presidente da então 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes entendeu por dar seguimento ao recurso. (fls. 1424/1426). O recorrente, também, apresentou Recurso Especial, alegando a divergência jurisprudencial, requerendo o provimento do recurso e a improcedência do auto de infração. No exame de admissibilidade a 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes entendeu que o recorrente buscava reabrir a discussão no que tange ao conjunto probatório nos autos, motivo pelo qual negoulhe seguimento. Ao analisar o recurso da Fazenda Nacional, a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu: “NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, para afastar a decadência. Por consequência, devem os autos serem remetidos a instância a quo para apreciação do lançamentos relativos ao anocalendário de 2000.”. (fls. 1491/1495). O processo foi distribuído à minha relatoria. É o relatório. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10510.003107/200526 Acórdão n.º 2202002.720 S2C2T2 Fl. 15 9 Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator A questão versa, exclusivamente, a respeito do anocalendário de 2000, pois a CSRF reconheceu que naquele período não houve decadência do crédito tributário. Diante disso, determinou a análise do mérito quanto à omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada daquele período. Omissão de Rendimento Decorrente de Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada No que toca à alegação de omissão de rendimentos em face de depósitos bancários em contas do contribuinte com origem não comprovada, verificase que a autuação está respaldada no art. 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Como se verificou no caso em questão, diante dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, foram identificados diversos depósitos em montantes consideráveis (conforme totais mensais detalhados às fls. 08/12), os quais, contudo, não foram declarados na DIRPF, e, menos ainda, tiveram sua origem minimamente comprovada ou justificada. Em sua defesa, o recorrente limitase a sustentar que o lançamento é ilegítimo na medida em que os valores apontados pela fiscalização como rendimentos omitidos correspondem a depósitos efetuados pela empresa Mega Farma, da qual é sócio principal, para pagamento de cheques por ele emitidos para garantia ou cumprimento de obrigações da empresa. Para comprovar as suas alegações o recorrente acostou aos autos comprovantes de depósitos bancários (fls. 870/1294), na grande maioria das vezes de suas contas correntes. Ao analisar os comprovantes, verificase que a sua grande maioria apresenta a estampa de um carimbo com a informação “depositado por Mega Farma”, todavia não há correlação destes com documentação hábil e idônea, a fim de comprovar a origem dos recursos utilizados na operação, nem mesmo documentação que leve a intuir que de fato, pelas justificativas esgrimadas, os depósitos foram realizados pela empresa referida. Vejase, ademais, com relação aos depósitos bancários, não há como a autoridade julgadora de 1ª e 2ª instância intuir no sentido de que a grande maioria dos comprovantes serve como prova da origem, pois a inserção do carimbo pode ter ocorrido em momento posterior e realizada por qualquer pessoa. Já que não foram prestadas outras informações pelas instituições financeiras e o contribuinte deixou de apresentar cópia de todos Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 10 os cheques relacionados no auto de infração ou os livros contábeis que dessem suporte às alegações das operações realizadas, não há como entender de outra forma, se não pela manutenção dos auto de infração. Há de se destacar também que, na fase de fiscalização, o recorrente se limita a apresentar planilhas, sem, no entanto, acostar qualquer documentação que confirme a realização das ditas operações. Portanto, a meu ver, não há duvida quanto à aplicação da Lei 9.430/96 toda vez que a fiscalização ao se deparar com a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso dos autos, a aplicação de tal dispositivo é inquestionável, pois, como já dito, sequer houve mínima justificativa ou rasa comprovação quanto à origem do considerado valor de depósitos realizados na conta do contribuinte no anocalendário fiscalizado, sendo correta a tributação, como, aliás, vem entendendo essa Turma: Processo nº 16004.000110/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.331 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente ALFEU CROZATO MOZAQUATRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. ART. 42, LEI N. 9.430/96. LEGITIMIDADE. É legítimo o lançamento de imposto de renda com base em omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem origem comprovada tendo como fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, desde que sejam seguidos todos os procedimentos nela presentes. MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. É devida a qualificação de omissão de rendimentos quando comprovada omissão dolosa. Considerase a omissão como dolosa quando a renda for decorrente de esquemas fraudulentos. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10510.003107/200526 Acórdão n.º 2202002.720 S2C2T2 Fl. 16 11 É inaplicável o agravamento de multa quando o não atendimento a intimação da Fiscalização não inviabilizar o lançamento do tributo. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todos estes motivos, não merece reparos a decisão da DRJ. Conclusão Isso posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para manter a autuação. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 02/09/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000868/2007-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de omissão, embora sem alteração no resultado do julgamento.
ATIVIDADE RURAL. PRODUÇÃO DE CARVÃO NA QUALIDADE DE ARRENDATÁRIO.
Se a pessoa física explora atividade rural como arrendatário, as quantias recebidas com a venda do carvão vegetal produzido são incluídas na receita da atividade rural explorada.
Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes
Numero da decisão: 2801-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a omissão apontada pela Embargante, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de omissão, embora sem alteração no resultado do julgamento. ATIVIDADE RURAL. PRODUÇÃO DE CARVÃO NA QUALIDADE DE ARRENDATÁRIO. Se a pessoa física explora atividade rural como arrendatário, as quantias recebidas com a venda do carvão vegetal produzido são incluídas na receita da atividade rural explorada. Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a omissão apontada pela Embargante, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de omissão, embora sem alteração no resultado do julgamento. ATIVIDADE RURAL. PRODUÇÃO DE CARVÃO NA QUALIDADE DE ARRENDATÁRIO. Se a pessoa física explora atividade rural como arrendatário, as quantias recebidas com a venda do carvão vegetal produzido são incluídas na receita da atividade rural explorada. Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a omissão apontada pela Embargante, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 08 68 /2 00 7- 97 Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13609.000868/200797 Acórdão n.º 2801003.520 S2TE01 Fl. 2.371 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 2.363/2.364 deste processo digital) opostos em face do Acórdão nº 280101.509 (fls. 2.307/2.311) que deu provimento parcial, por unanimidade de votos, ao recurso interposto pela Recorrente. Aponta a Embargante omissão no acórdão hostilizado, em face da ausência de manifestação acerca dos seguintes pontos suscitados no recurso voluntário: O proprietário do imóvel participava do contrato recebendo R$ 1,00 (um real) por metro de carvão produzido. Portanto, a ocorrência de problemas relacionados com a produtividade e rendimento da madeira, lucro ou prejuízo na consecução do empreendimento e, ainda, a cotação do produto, atingiria aos dois intervenientes (contratante e contratado), evidenciandose tratar de típica parceria rural. Tratandose de contrato de parceria rural, com rendimentos destinados ao proprietário do imóvel, os tributos relativamente a essas parcelas dele devem ser exigidos, já que, em relação a ele, ocorreu o fato gerador do tributo. Não se vê no acórdão recorrido qualquer manifestação sobre os pontos acima destacados, explicitamente debatidos no recurso voluntário, não havendo, por conseguinte, o necessário enfretamento, caracterizando manifesta deficiência na sua fundamentação. Ao fim, requer sejam conhecidos e recebidos com efeitos modificativos os presentes embargos, para sanar a omissão apontada. Por intermédio do despacho de fls. 2.367/2.369 os presentes embargos foram admitidos pela Presidente desta Turma de Julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço dos embargos, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Constatase, no acórdão recorrido, que os pontos levantados pela Embargante foram enfrentados no acórdão recorrido mediante a denominada motivação per relationem, assim entendida aquela em que o julgador, sobre determinado ponto, não elabora justificação autônoma, mas se serve do reenvio à justificação contida em outra decisão. Observo, por oportuno, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ admite a motivação com base em manifestações exaradas em outras peças do processo, desde que haja transcrição de trechos das peças às quais há indicação. Nesse sentido, as seguintes ementas de acórdãos do Egrégio Tribunal: Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13609.000868/200797 Acórdão n.º 2801003.520 S2TE01 Fl. 2.372 3 PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. NULIDADE. MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. (...) 2. O Superior Tribunal de Justiça entende possível a adoção, pelo julgador, de motivação exarada em outra peça processual juntada aos autos como fundamento da decisão (per relationem), desde que haja sua transcrição no acórdão. 3. Recurso Especial não provido. (REsp 1314518/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2013, DJe 17/05/2013) PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO. JULGAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO BASTANTE. SIMPLES MENÇÃO A PEÇAS DO PROCESSO. (...) 2 A jurisprudência tem admitido a chamada fundamentação per relationem, mas desde que o julgado faça referência concreta às peças que pretende encampar, transcrevendo delas partes que julgar interessantes para legitimar o raciocínio lógico que embasa a conclusão a que se quer chegar. (...) (HC 210.978/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 13/08/2013, DJe 22/08/2013). No caso concreto, a decisão tida como omissa foi proferida nos seguintes termos: Assevera a interessada, em síntese, que exerceria tal atividade em parceria, de sorte que os valores lançados, considerados como receitas da atividade rural percebidos exclusivamente por ela, não o seriam. Ora, do exame dos elementos de provas constantes dos autos, não é o que se verifica. De fato, como já exposto no acórdão recorrido, a contribuinte arrendava áreas rurais para a exploração de suas atividades, sendo incabível a alegação de parceria rural. A simples remissão ao acórdão recorrido, empreendida pela Relatora do acórdão embargado, foi o motivo que determinou o juízo de admissibilidade positivo dos presentes embargos, ou seja, o acórdão foi considerado omisso em face da impossibilidade de se aferir, pela sua leitura, quais as razões ou fundamentos foram determinantes para considerar como incabível a alegação de parceria rural. Registro, por primeiro, que foi a própria autuada, na peça impugnatória (fls. 2.206/2.208 deste processo digital), que definiu a natureza jurídica dos contratos por ela celebrados. Confira: Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13609.000868/200797 Acórdão n.º 2801003.520 S2TE01 Fl. 2.373 4 2.1) A Impugnante se dedicou nos anos de 2003 e 2004, à produção de carvão vegetal para fornecimento a algumas siderúrgicas, que utiliza como insumo em seu processo industrial. (...) 2.3) A Impugnante, não sendo proprietária dos imóveis, sempre desenvolveu suas atividades mediante arredamento de áreas para efetivação do corte da madeira utilizada na produção do carvão, apesar dos contratos pertinentes, erroneamente, serem rotulados de compra e venda. (...) 3.8) Percebese, pois, que enquanto a parceria é contrato aleatório, pois a vantagem esperada é incerta, o arrendamento não o é. O certo é que, na parceria os parceiros assumem riscos recíprocos do negócio, ao passo que o arrendamento não assumem. 3.9) Feitos esses esclarecimentos, verificase que os contratos firmados pela Impugnante e os proprietários dos imóveis donde retirouse a madeira necessária à produção do carvão, são tipicamente de arrendamento. 3.10) O preço ajustado, conforme cláusula contratual é de R$1,00 (hum real) por metro de carvão, evidenciando, conseqüentemente nenhum risco para o proprietário do imóvel arrendado. 3.11) Nos termos ajustados, não existe para o proprietário do imóvel (arrendante), nenhum risco quanto ao que lhe caberá em decorrência do contrato firmado. 3.12) Problemas relacionados com produtividade e rendimento da madeira, lucro ou prejuízo na consecução do empreendimento e ainda cotação do produto no mercado, serão riscos apenas do arrendatário, donde, os contratos firmados configuram arrendamentos mediante pagamento de aluguel em dinheiro, ou espécie, já que fixado no valor de R$1,00 (hum real) por metro de carvão. Os julgadores da instância de piso, analisando os documentos carreados aos autos, entenderam, na mesma linha das alegações da contribuinte, que as atividades por ela desenvolvidas ocorreram “mediante contrato agrário na modalidade de arrendamento rural” (fl. 2.276) e transcreveram a legislação tributária pertinente à matéria, evidenciando que os rendimentos auferidos pela ora Embargante deveriam ser considerados receitas de atividade rural, apurada mediante arbitramento da receita bruta (20%), em consonância com o disposto no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 2.246/2.248), parte integrante do Auto de Infração. Em seu recurso voluntário (fls. 2.288/2.303), no entanto, a Recorrente, ora Embargada, mudou a estratégia, passando a sustentar que suas atividades não mais decorriam de contrato de arrendamento, mas sim de parceria rural. Confira: Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13609.000868/200797 Acórdão n.º 2801003.520 S2TE01 Fl. 2.374 5 2.4) A ora Recorrente, quando de sua impugnação, esclareceu inicialmente sobre suas atividades nos períodos objeto da ação fiscal, e acrescentou equivocadamente, que não sendo proprietária dos imóveis, havia desenvolvido essas atividades mediante arrendamento, quando na verdade, seria parceria em áreas para efetivação do corte da madeira utilizada na produção do carvão, apesar dos contratos pertinentes, erroneamente, serem rotulados de compra e venda. (...) 3.7) Percebese, pois, que enquanto a parceria é contrato aleatório, pois a vantagem esperada é incerta, o arrendamento não o é. O certo é que, na parceria os parceiros assumem riscos recíprocos do negócio, ao passo que o arrendamento não assumem. 3.8) Feitos esses esclarecimentos, verificase que os contratos firmados pela ora Recorrente e os proprietários dos imóveis donde retirouse a madeira necessária à produção do carvão, são tipicamente parceria rural. 3.9) O preço ajustado, conforme cláusula contratual é de R$1,00 (hum real) por metro de carvão, evidenciando, conseqüentemente participação direta do proprietário do imóvel, na produção do carvão vegetal produzido. Concorrência direta com o parceiro, já que assume também os riscos da produção, ou seja, quanto menor a produção, menor a remuneração, e viceversa. Evidentemente, que a participação em R$ 1,00 (hum real) por metro de carvão produzido, faz com que o propietário fiscalize todo o empreendimento. 3.10) Nos termos ajustados, existe para o proprietário do imóvel evidente risco quanto ao que lhe caberá em decorrência do contrato firmado. 3.11) Problemas relacionados com produtividade e rendimento da madeira, lucro ou prejuízo na consecução do empreendimento e ainda cotação do produto no mercado, serão riscos apenas os 2 (dois), donde, os contratos firmados configuram parceria mediante pagamento de R$ 1,00 (hum real) do proprietário do imóvel, pó metro cúbico de carvão produzido. À evidência, a guinada nas alegações da ora Embargante ocorreu única e exclusivamente em decorrência da legislação tributária exposta na decisão de piso, que se mostrou mais gravosa aos seus interesses. As inúmeras notas fiscais de entrada, notas fiscais avulsas, cheques emitidos pelas adquirentes do carvão e documentos de arrecadação estadual acostados aos autos revelam, de forma inequívoca, que quem atuava na produção e comercialização de carvão era única e exclusivamente a Embargante. Por outro lado, os ajustes celebrados com os proprietários dos imóveis não evidenciam quaisquer riscos para estes, haja vista que o valor contratado era recebido na forma estipulada em cada contrato. Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13609.000868/200797 Acórdão n.º 2801003.520 S2TE01 Fl. 2.375 6 Nesse contexto, entendo que a omissão apontada pela Embargante resta suprida com a reprodução das pertinentes razões utilizadas na decisão de piso, pelo que me permito transcrevêlas na parte que interessa: É certo, pelo que consta dos autos, que nos anos de 2003 e de 2004, a autuada se dedicou à produção de carvão na Bahia para fornecimento a siderurgias mineiras. Igualmente correto é que suas atividades foram desenvolvidas mediante contrato agrário na modalidade de arrendamento rural. Vejase legislação acerca da matéria: "DECRETO N° 59.566. DE 14 DE NOVEMBRO DE 1966. (...) Art 1° O arrendamento e a parceria são contratos agrários que a lei reconhece, para o fim de posse ou uso temporário da terra, entre o proprietário, quem detenha a posse ou tenha a livre administração de um imóvel rural, e aquele que nela exerça qualquer atividade agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista (art. 92 da Lei n° 4.504 de 30 de novembro de 1964 Estatuto da Terra e art. 13 da Lei n° 4.947 de 6 de abril de 1966). Art 2o Todos os contratos agrários regerseão pelas normas do presente Regulamento, as quais serão de obrigatória aplicação em todo o território nacional e irrenunciáveis os direitos e vantagens nelas instituídos (art. 13, inciso IV da Lei n° 4.947 66). Parágrafo único. Qualquer estipulação contratual que contrarie as normas estabelecidas neste artigo, será nula de pleno direito e de nenhum efeito. Art 3° Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel, observados os limites percentuais da Lei. § 1o Subarrendamento é o contrato pelo qual o Arrendatário transfere a outrem, no todo ou em parte, os direitos e obrigações do seu contrato de arrendamento. § 2° Chamase Arrendador o que cede o imóvel rural ou o aluga; e Arrendatário a pessoa ou conjunto familiar, representado pelo seu chefe que o recebe ou toma por aluguel. § 3° O Arrendatário outorgante de subarrendamento será, para todos os efeitos, classificado como arrendador. Art 4° Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso especifico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13609.000868/200797 Acórdão n.º 2801003.520 S2TE01 Fl. 2.376 7 com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (artigo 96, VI do Estatuto da Terra). Parágrafo único, para os fins deste Regulamento denominase parceiro outorgante, o cedente, proprietário ou não, que entrega os bens; e parceirooutorgado, a pessoa ou o conjunto familiar, representado pelo seu chefe, que os recebe para os fins próprios das modalidades de parcerias definidas no art. 5o." (grifos não são do original) A impugnante, entretanto, assevera que "a cobrança pretendida pelo lançamento contra a ora impugnante perde a juridicidade, na medida em que se exige da mesma, renda cuja responsabilidade é de outrem". Em seguida afirma pela "insubsistência do lançamento, em decorrência de injurídica e errônea eleição do sujeito passivo, relativamente à parcela de aluguel embutida ao valor de venda de carvão vegetal produzido nas referidas propriedades rurais". Por fim, insistindo nesse ponto, alega que a base de cálculo está errada, eis que "a parcela relativa aos valores de rendimentos do proprietário da terra, arrendante, não foi expurgada". Bem, acerca desse ponto, algumas considerações serão feitas adiante para mostrar que não cabe guarida à pretensão da autuada, visto que o auto de infração cercouse de todas as cautelas, conforme a legislação tributária preceitua. O arrendamento de imóveis rurais não faz parte das atividades cujos rendimentos podem ser tributados como provenientes de atividade rural, estando sujeito ao pagamento de carnêleão e ao ajuste anual na data da entrega da Declaração de Ajuste. Esse raciocínio é correto para o arrendante, obviamente. Se o arrendante omite rendimentos decorrentes de contrato de arrendamento rural, a Fiscalização corretamente os deve tributar como omissão de rendimentos de aluguéis. Nesse sentido, observese a legislação correlata: "DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARCO DE 1999. (...) Aluguéis ou Arrendamento Art.49. São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 3º Lei nº 4.506, de 1964, art. 21, e Lei7.713, de 1988, art. 3?, §V): I aforamento, locação ou sublocação, arrendamento ousubarrendamento, direito de uso ou passagem de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza; Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13609.000868/200797 Acórdão n.º 2801003.520 S2TE01 Fl. 2.377 8 II locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento de pastos naturais ou artificiais, ou campos de invernada;” (...) Está devidamente comprovado pelos elementos integrantes do processo que a natureza do rendimento é, estreme de dúvida, de arrendamento, e não, de parceria rural. Acontece que, porém, o presente auto de infração incidiu sobre o arrendatário, e não, sobre o arrendante. O arrendante, como visto, deve reconhecer suas receitas como de aluguel. O arrendatário, não, deve considerálas receitas da atividade rural. Confirase a norma pertinente: "INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 83. DE 11 DE OUTUBRO DE 2001. (...) Art. 1 O resultado da atividade rural, apurado pelas pessoas físicas, quando positivo, integra a base de cálculo do imposto de renda devido no anocalendário. Disposições Gerais Art. 2 Considerase atividade rural: (...) VI a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como: (...) d) transformação de produtos florestais: 1. produção de carvão vegetal;" (...) Portanto, no caso posto, correto o procedimento da Fiscalização que considerou as quantias recebidas pela atividade da impugnante como integrantes da receita da atividade rural explorada. Obviamente, então, não há cogitar errônea eleição do sujeito passivo. Afinal, a própria impugnante admite que atuava no ramo de produção e comércio de carvão de origem vegetal, situação essa devidamente comprovada pelas inúmeras notas fiscais de entrada e notas fiscais avulsas constantes dos autos. (...) Afastase, assim, a alegação de ilegitimidade passiva. Noutro ponto. também assevera a autuada que a base de cálculo está ampliada, eis que as parcelas relativas aos valores de rendimentos dos arrendantes não foram expurgadas. Quanto a essa questão, salientese que a impugnante faria jus a essas Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13609.000868/200797 Acórdão n.º 2801003.520 S2TE01 Fl. 2.378 9 despesas com arrendamento rural se devidamente escrituradas em livro Caixa, nos termos do art. 22 da IN SRF n°83, de 2001: Art. 22. O resultado da exploração da atividade rural exercida pelas pessoas físicas é apurado mediante escrituração do livro Caixa, abrangendo as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1 O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou o beneficiário, o valor e a data da operação, a qual é mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. § 2 A ausência da escrituração prevista no caput implica o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário." (grifos não são do original) Porém, devido à inexistência do livro Caixa (fl. 5), a Fiscalização corretamente apurou o resultado da atividade rural pelo arbitramento da receita bruta do anocalendário (vide art. 71 do RIR/99), ou seja, 20 % da receita bruta, conforme planilha de fl. 2.170. Face ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a omissão apontada pela Embargante. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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