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Numero do processo: 10283.720938/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADE.CARÊNCIADEFUNDAMENTOLEGAL. INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não havendo que se falar em nulidade poroutrasrazões, ainda mais quando o fundamento arguido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTODODIREITODEDEFESA. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. INOCORRÊNCIA
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade para apresentação de documentos e esclarecimentos, bem comoseosujeitopassivo revela conhecer plenamente asacusaçõesquelhe foramimputadas,rebatendo-as uma a uma de forma de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito,descabeaproposição de cerceamento de defesa.
VERDADE MATERIAL. CONJUNTO PROBATÓRIO ROBUSTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. JULGAMENTO. NEGATIVA DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Em sede de fiscalização, o objetivo da produção de provas é formar a convicção do julgador no âmbito do processo administrativo fiscal (Dec. nº 70.235/72, Art. 29). Entendendo a autoridade julgadora que o conjunto probatório possibilita a compreensão do caso, bem como a análise fática e material do quanto nele ocorrido, deve-se proceder ao julgamento. O requerimento do contribuinte para a realização de perícia somente será determinado pela autoridade julgadora quando esta entende-la necessária, podendo indeferi-lo quando entendê-la prescindível (Dec. nº 70.235/72, Art. 18), não ocorrendo cerceamento de defesa a sua negativa.
OMISSÃODERENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO-COMPROVADA - ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96.
Caracterizaomissão de rendimentos a existência de valores creditados em contadedepósitooudeinvestimentomantidajuntoainstituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmenteintimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕESLEGAISRELATIVASDO ÔNUS DA PROVA.
A presunçãoestabelecidanoartigo 42 daLei nº 9.430/96 dispensa oFisco de comprovar oconsumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origemcomprovada(SúmulaCARF26).
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
Constitui rendimento bruto sujeito ao imposto de renda a quantia correspondente a acréscimo patrimonial quando esse não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não-tributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte, apurado por meio do confronto entre os recursos e os dispêndios realizados pelo contribuinte. Em razão da presunção legal, o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais.
Numero da decisão: 2201-003.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Redator designado.
EDITADO EM: 09/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não havendo que se falar em nulidade poroutrasrazões, ainda mais quando o fundamento arguido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTODODIREITODEDEFESA. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. INOCORRÊNCIA Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade para apresentação de documentos e esclarecimentos, bem comoseosujeitopassivo revela conhecer plenamente asacusaçõesquelhe foramimputadas,rebatendoas uma a uma de forma de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito,descabeaproposição de cerceamento de defesa. VERDADE MATERIAL. CONJUNTO PROBATÓRIO ROBUSTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. JULGAMENTO. NEGATIVA DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Em sede de fiscalização, o objetivo da produção de provas é formar a convicção do julgador no âmbito do processo administrativo fiscal (Dec. nº 70.235/72, Art. 29). Entendendo a autoridade julgadora que o conjunto probatório possibilita a compreensão do caso, bem como a análise fática e material do quanto nele ocorrido, devese proceder ao julgamento. O requerimento do contribuinte para a realização de perícia somente será determinado pela autoridade julgadora quando esta entendela necessária, podendo indeferilo quando entendêla prescindível (Dec. nº 70.235/72, Art. 18), não ocorrendo cerceamento de defesa a sua negativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 38 /2 00 9- 11 Fl. 505DF CARF MF 2 OMISSÃODERENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃOCOMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Caracterizaomissão de rendimentos a existência de valores creditados em contadedepósitooudeinvestimentomantidajuntoainstituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmenteintimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕESLEGAISRELATIVASDO ÔNUS DA PROVA. A presunçãoestabelecidanoartigo 42 daLei nº 9.430/96 dispensa oFisco de comprovar oconsumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origemcomprovada(SúmulaCARF26). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Constitui rendimento bruto sujeito ao imposto de renda a quantia correspondente a acréscimo patrimonial quando esse não for justificado pelos rendimentos tributáveis, nãotributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte, apurado por meio do confronto entre os recursos e os dispêndios realizados pelo contribuinte. Em razão da presunção legal, o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Redator designado. EDITADO EM: 09/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 506 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJBelém que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através do Auto de Infração de fls. 102/127, relativa à Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005 e 2006 da Recorrente, que em procedimento fiscalização apurou imposto no valor de R$ 222.380,37, com multa de ofício no percentual de 75% (R$ 57.120,52); e juros de mora de R$ 166.785,26, no valor total de R$ 446.286,15. O lançamento é fundamentado nas seguintes infrações: i) Omissão de rendimentos de aluguéis (fls. 116/118); ii) Acréscimo patrimonial a descoberto (fls. 118/122); iii) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (fls. 122/125); e iv) Omissão de rendimentos (fls. 125/129). A partir desse ponto, adoto como Relatório parte daquele reportado pela autoridade julgadora de piso, por consistente e pormenorizado, noticiando eficazmente o procedimento de fiscalização e os fatos a ele relacionados, na forma como abaixo transcrito: “Noticia a descrição dos fatos, integrante do Auto de Infração, fls. 104/121, que apesar de a contribuinte negar o recebimento de rendimentos de aluguéis, estes foram confirmados via inquilino, que os declarou e ainda forneceu provas do Contrato de Locação e dos recibos dos pagamentos de aluguéis, fls. 54/76. Em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto afirma a "Descrição dos fatos" que a contribuinte adquiriu em 2005 três imóveis, apesar da negativa por parte da contribuinte. Em resposta à intimação alegou, a interessada, que não ter auferido rendimentos em 2005. A fiscalização sustenta que: "O resultado revelado pelo demonstrativo/análise de evolução patrimonial exprime o fato de a contribuinte ter empregado, para promover o crescimento do seu patrimônio em 2005, recursos não declarados (omitidos de tributação), indispensáveis à cobertura dos dispêndios realizados ". "Percebese, na referida planilha (fls.100), que lá estão contemplados todos os rendimentos conhecidos da contribuinte no campo de recursos/origens/fontes, inclusive os de aluguel, que ele não declara, os depósitos bancários de origem não comprovada e outros rendimentos também omitidos. Entretanto, a despeito disto, nos meses mencionados houve excessos de gastos sobre disponibilidades, o que implica a utilização de outros recursos financeiros para pagamento dos desembolsos realizados ". No que diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada a interessada foi "intimada a apresentar documentos comprobatórios da origem dos recursos financeiros que viabilizaram diversos créditos bancários em contas mantidas por ela no Banco do Brasil, uma das quais em conjunto com o cônjuge (fls. 48/49) ". Fl. 507DF CARF MF 4 Após a resposta da contribuinte, restaram três depósitos bancários "cuja origem dos recursos financeiros lá empregados deixou de ser documentada, concluiuse que os seguintes valores deveriam ser submetidos à tributação, na condição de depósitos bancários de origem não comprovada". Foram lançados apenas 50% destes valores, em razão da conta bancária ser conjunta com o cônjuge da impugnante. O lançamento da omissão de rendimentos é decorrência da constatação, durante a ação fiscal, que a contribuinte foi beneficiada por créditos bancários transferidos pela empresa ERAM ESTALEIRO RIO AMAZONAS LTDA e não declarados pela interessada. Salienta a fiscalização que "Ressalvando que 50% dos valores vinculados à conta conjunta deverão ser excluídos da tributação ". Em sua impugnação, fls. 133/145, a Interessada alega, em síntese, que: "Em virtude da existência de erros formais no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual Retiflcadora (doc. n. 05) do cônjuge da Impugnante, relativa ao anocalendário 2005, exercício de 2006, a mesma deixou de figurar na qualidade de dependente ". "No anocalendário de 2005, o cônjuge da Impugnante recebeu a título de lucros e dividendos da ERAM ESTALEIROS RIO AMAZONAS LTDA. (ERAM) o montante de R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais), valor suficiente para respaldar o seu Acréscimo Patrimonial, erroneamente vislumbrado pela Autoridade Administrativa ". "Diante da absoluta inexatidão da base de cálculo adotada pela Autoridade Administrativa para lançamento do IRPF, por suposta existência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, a presente autuação por conter erro material insanável deve ser totalmente anulada ". "O lançamento efetuado pela Autoridade Administrativa não corresponde à realidade fiscal da ora Impugnante, uma vez que no anocalendário de 2005 ela foi desqualificada como dependente de seu cônjuge, de modo que deixou de considerar para o computo do suposto Acréscimo Patrimonial a Descoberto os valores recebidos a título de lucro e dividendos pelo mesmo ". "Para que reste configurada a existência de omissão de receitas, primeiramente é necessário que os "depósitos" estejam sujeitos a incidência do IRPF, o que não é o caso por se tratarem de lucros e dividendos, como também, é imprescindível que seja demonstrada Autoridade Administrativa o nexo de causalidade entre o depósito de origem não comprovada e aumento patrimonial". "Em outras palavras, o mero ingresso de receitas por meio de depósitos bancários não é suficiente para caracterizar a omissão de receitas, conforme pretende a Autoridade Administrativa". “Os valores indicados "foram receitas da ERAM que ingressaram na contacorrente da Impugnante, sendo que as mesmas foram destinadas para pagamentos de despesas da própria ERAM". Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 507 5 Defende a impugnante que os lançamentos devem ser anulados em razão da autoridade administrativa ter realizado os lançamentos com base em presunção de omissão de receitas. "No que tange aos depósitos efetuados na conta conjunta da impugnante e de seu cônjuge realizados em 05/01/2004 (R$ 12.500,00), 14/12/2004 (R$ 20.000,00) e 16/11/2005 (RS 15.000,00), importante considerar que a transferência foi necessária porque as contas bancárias da ERAM estavam bloqueadas por determinação da Justiça do Trabalho, por isso ingressaram na conta de seus titulares, exclusivamente para efetuar o pagamento de despesas da pessoa jurídica ". "Portanto, pelo fato da Autoridade Administrativa por constatar a existência de "depósitos sem origem " sem ao menos ter verificado qual destinação foi dada para tais recursos, ou seja, procedeu o lançamento por mera presunção, razão pela qual tais lançamentos devem ser integramente anulados ". Cita a doutrina e ementas de julgados do então Conselho de Contribuintes para salientar a importância do princípio da verdade material no âmbito do Processo Administrativo Fiscal e fundamentar suas alegações acerca do acréscimo patrimonial a descoberto e da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não justificada. A impugnante elabora os quesitos para "a produção de prova pericial contábil" e requer a procedência da manifestação de inconformidade e cancelado o Auto de Infração.” A Impugnação foi julgada improcedente e manteve a autuação contestada, com a manutenção do crédito tributário exigido no lançamento, conforme assim ementado pela DRJBelém: “ELEMENTOS DE PROVA. PEDIDO DE PERÍCIA. FINALIDADE. Quando os elementos de prova existentes nos autos são suficientes para lastrear o relato dos fatos ocorridos, que se subsume as normas legais, e se o lançamento está em consonância com essas provas, cabe ao impugnante produzir provas ao seu favor para refutar o lançamento. Não sendo suficientes alegações desacompanhadas de provas, tampouco o requerimento de perícias que resulte na inversão do ônus da prova, do contribuinte para o Fisco. Este requerimento deve ser indeferido quando se revelar meramente protelatório ou que esteja em pleno desacordo com os propósitos que devem motivar uma perícia no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Se o sujeito passivo for regularmente intimado a comprovar a origem de depósitos bancários e não utiliza para isso documentação hábil e idônea, o Fisco tem autorização legal para lançar esses depósitos não comprovados como omissão de rendimentos. Ocorre, em razão da presunção legal, a inversão do ônus da prova. A fiscalização fica, então, dispensada de outras provas, sendo suficiente demonstrar que foi oportunizada ao contribuinte Fl. 509DF CARF MF 6 uma justificação na fase de prélançamenlo e que a comprovação da origem dos depósitos não ocorreu, no mais é própria lei, presumidamente constitucional, que infere a omissão de rendimentos. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Constitui rendimento bruto sujeito ao imposto de renda a quantia correspondente a acréscimo patrimonial quando esse não for justificado pelos rendimentos tributáveis, nãotributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte, apurado por meio do confronto entre os recursos e os dispêndios realizados pelo contribuinte. Em razão da presunção legal, o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais. PAF. PRINCÍPIO CONTÁBIL DA OPORTUNIDADE. MEIO DE PROVA. LIVROS FISCAIS. CONFIABILIDADE. ENTREGA TEMPESTIVA. A confiabilidade da escrituração fiscal está intimamente relacionada à tempestividade dos registros das variações patrimoniais é o que nos informa o Princípio Contábil da Oportunidade. Se o livro contábil foi escriturado tempestivamente não tem razão para não ser apresentado, como meio de prova, durante a ação fiscal, quando solicitado, ou por ocasião da impugnação. Sua entrega posterior à decisão de primeira instância deve ser acompanhada da demonstração da impossibilidade de sua apresentação oportuna, como determinado pela lei do PAF. E a norma processual tributária administrativa estabelecendo, nos moldes do que ocorrem no judiciário, limites temporais à produção das provas. IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL. DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO. LEGISLAÇÃO VIGENTE. As ementas de julgados e sumidas editadas com fundamento em legislação revogada têm apenas valor histórico. O Direito Positivo é dinâmico, constantemente são editadas novas leis. O impugnante para não desperdiçar a oportunidade de defesa deve ficar atento à fundamentação constante no Auto de Infração, com base nas leis vigentes na época do falo gerador e, principalmente, das provas que possui, confeccionar sua impugnação na tentativa de refutar a pretensão do fisco, ainda mais quando o lançamento é realizado sob o manto de uma presunção legal, que exige um esforço probatório preciso por parle do contribuinte. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. REGRA GERAL E ESPECIAL. VINCULAÇÃO. Só em casos especiais, devidamente expressos na Constituição Federal ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos e judiciais têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu oficio de julgar. A regra geral é que as decisões administrativas e judiciais tenham eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. ESPONTANEIDADE PARA RETIFICAÇÃO. O contribuinte é livre para retificar sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, respeitado o prazo decadencial. No entanto, após a ciência do lançamento ou de procedimento preparatório do Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 508 7 mesmo, consumase a perda da espontaneidade do interessado para alterar a sua Declaração. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” i. Cientificado da decisão em 04/05/2011 (fls. 384), a Recorrente interpôs tempestivamente, em 03/06/2011, Recurso Voluntário (fls. 387/410 e 414/438), nos seguintes termos: ii. Apesar dos vícios contidos no lançamento fiscal em testilha, demonstrados desde a sua origem, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento de BelémPA entendeu em não apreciar os argumentos atinentes ao somatório dos rendimentos percebidos, inclusive das receitas isentas e não tributadas, que seriam o bastante para elidir as supostas infrações, para ratificar o posicionamento exarado no auto de infração; iii. Existem falhas pontuais nos preenchimentos das Declarações de Ajustes Anuais Simplificadas da Recorrente, relativas aos exercícios de 2004 a 2006, constatadas no auto de infração combatido, que permitem conferir a boafé da Recorrente, o que possibilitou à mesma ter conhecimento que foi ludibriada pelo contador da empresa a quem remunerou pelo preenchimento dessas declarações, porquanto este declarou informações em descompasso com a sua realidade fiscal da autuada; iv. Deixou de ser apontado no lançamento perpetrado quaisquer indícios de fraude, dolo ou simulação, pelo que foi admitida a existência de erros de fato de iniciativa da contribuinte, os quais não foram impugnados pelo juízo a quo, ressalvada a observação efetuada pela autoridade julgadora de que não houve a juntada de documentos probante aos autos; v. A autoridade administrativa, erroneamente, ao se deparar com a Declaração de Ajuste Anual – Retificadora apresentada pelo seu cônjuge, na qual constou a Recorrente como dependente, presumiu a existência de rendimentos tributáveis no anocalendário de 2005, ocasionando em lançamento por Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Contudo, por mais que haja erros formais na Declaração de Ajuste apresentada pelo seu cônjuge, devem ser trazidos à baila todos os elementos e provas necessários para a obtenção da verdade material intrínseca ao caso em tela; vi. Pela simples leitura das Declarações de Ajuste Anual Simplificada originais do cônjuge nos exercícios de 2005 e 2006, podese verificar no campo atinente aos dependentes, no código 11, o registro do nome da Recorrente nesta condição; vii. Tendo em vista a necessidade de promover ajustes na DIRPF/2006, seu cônjuge a retificou, porém, esqueceu de incluir a Recorrente como sua dependente, havendo sido constatado o equívoco, a posteriori, pela fiscalização, que ao invés de autuar a Recorrente, poderia ter notificado seu cônjuge para que retificasse o equívoco, sanando o imbróglio; viii. A Recorrente não exerce nenhuma atividade profissional remunerada e, por isso, no exercício de 2007, apresentou ao Fisco DIRPF Simplificada, sem registrar nenhuma fonte pagadora, eis que não auferiu rendimento; Fl. 511DF CARF MF 8 ix. A Recorrente é casada com ADALBERTO FERNANDES DE AZEVEDO, em regime de comunhão parcial, conforme assentado na Certidão de Casamento n° 94, fls. 268, Livro 77B, depositada no Registro Civil da Comarca de Manaus; x. O caso demonstra a insubsistência das assertivas formuladas pela autoridade fiscal da "não comprovação da origem dos recursos", ou mesmo de "depósitos bancários de origem não comprovada", relacionados a parcos depósitos bancários indicados no auto de infração dentre tantos outros verificados, que resultaram na alegação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e, em acréscimo patrimonial a descoberto; xi. No que tange aos depósitos efetuados na conta conjunta da Recorrente e de seu cônjuge, realizados em 05/10/2004 (R$ 12.500,00), de 14/12/2004 (R$ 20.000,00) e de 16/11/2005 (R$ 15.000,00), importante considerar que, por anuência do cônjuge, sócio majoritário e gestor da empresa ERAM Estaleiro, foram realizadas as transferências dessa empresa a crédito da conta correnteconjunta com a Recorrente de n° 26.5594, ag. 1.1975, do Banco do Brasil S.A. Referida transferência foi necessária porque as contas bancárias da mencionada empresa estavam bloqueadas por determinação da Justiça do Trabalho, tendo, por isso, transferidas para a conta de seus titulares, exclusivamente para efetuar o pagamento de despesas da pessoa jurídica, restando esclarecidas, portanto, a origem e o destino de dois dos três valores; xii. O mesmo se deu com todos os créditos lançados na conta corrente n° 16.6715, agência n° 3.4797, do Banco do Brasil S.A., de utilização pela Recorrente, posto que todos os valores ali depositados foram transferidos a partir da empresa ERAM Estaleiro; xiii. Notese que a análise realizada pela autoridade administrativa foi totalmente superficial, posto que se limitou a analisar apenas o ingresso de receita, deixando de verificar a destinação das mesmas, o que por si só torna nulo o lançamento do crédito tributário; xiv. Portanto, pelo fato da autoridade administrativa ter apenas constatado a existência de "depósitos sem origem", sem ao menos ter verificado qual destinação foi dada para tais recursos, ela procedeu ao lançamento por mera presunção, razão pela qual tais lançamentos devem ser integralmente anulados; xv. No caso concreto, em face do então exposto, não há como dissociar a pessoa jurídica ERAM Estaleiro da pessoa física da contribuinte, muito embora haja entendido o acórdão vergastado que o patrimônio dos sócios não se confunde com o patrimônio da pessoa jurídica, sendo esta uma regra genérica, portanto não aplicável ao caso em específico; xvi. Conferiuse que é a partir da empresa ERAM Estaleiro, mediante a realização de cotejamento entre documentos contábeis de sua propriedade e os lançamentos bancários realizados em face do cônjuge da Recorrente, que se pode fazer valer a realidade material dos fatos, mediante a comprovação da existência da origem dos recursos que transitaram na conta conjunta, mesmo aqueles valores decorrentes do recebimento de dividendos, que supostamente não teriam sido declarados e que foram utilizados para a aquisição dos imóveis indicados no auto de infração, cujo somatório seria o bastante para a comprovação e respaldo ao aumento do acervo do patrimônio pessoal; xvii. A ERAM Estaleiro é a fonte pagadora do cônjuge da Recorrente, que é sócio majoritário e gestor da referida empresa, com 97% das cotas, bem assim é o próprio gestor quem determina a realização dos depósitos e transferências on line da ERAM Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 509 9 Estaleiro para a conta conjunta do casal. Portanto, há uma confusão entre outorgante e usuários, cujo vínculo tem natureza indissociável; xviii. Isto porque, no ano calendário de 2005, o cônjuge da Recorrente recebeu à título de lucros e dividendos da ERAM Estaleiro o montante de R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais), valor suficiente para respaldar o seu acréscimo patrimonial, erroneamente vislumbrado pela autoridade Administrativa e, dessa forma, restaria explicitada a origem dos recursos da Recorrente, e resolvidas em parte as questões específicas enfrentadas no recurso voluntário, quais sejam: Acréscimo Patrimonial a Descoberto; Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada; xix. Há contradição nas argumentações que conduziram à decisão vergastada, haja vista que a jurisprudência administrativa mencionada pela recorrente a consubstanciar a sua tese de defesa é refutada pela autoridade julgadora, que se vale de enunciado de súmulas emanadas pelo mesmo órgão, com o fito de ilustrar os seus argumentos de decidir; xx. Cabe discordar da decisão de piso no tocante ao afastamento do pedido de nulidade, bem como do pedido de perícia, pois o que se busca é a persecução da verdade material; xxi. O artigo 69 da Lei nº 9.784/99 permite à Administração anular seus próprios atos quando eivados de vício de ilegalidade, ex vi dos artigos 53 e 54 do mesmo diploma normativo. xxii. Há incertezas quanto à legalidade do lançamento para exigência do crédito tributário e dos valores nele apurados, não logrando a decisão recorrida apontar, de forma analítica e inconteste, como suprir os questionamentos formulados pela recorrente, quais sejam: Quais os valores pagos a título de prólabore pela ERAM Estaleiro a Recorrente nos exercícios de 2004, 2005 e 2006?; Houve a retenção de IR nos respectivos exercícios? Qual foi o valor retido em cada exercício?; Existe recolhimentos de DARF's vinculados ao CPF da Recorrente oriundos de recolhimentos de prólabore no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil? Estas e outras questões formuladas na exordial estão sem respostas e justificam a realização da prova pericial, sem a qual não há como exigir crédito, posto que incerto; xxiii. Logo, não havendo certeza do quantum debeatur, cabe a conversão do julgamento em diligência para a elaboração de laudo pericial contábil, nos termos do artigo 18 do Regulamento do PAF, posto que não atendidos aos pressupostos de certeza, liquidez e exigibilidade, preconizados na legislação de regência fiscal para imprimir eficácia ao crédito tributário constituído; xxiv. A decisão recorrida menciona as Súmulas CARF nºs 26 e 30, com o intuito de instruir as suas teses em face da decisão proferida, ao tempo em que rejeita a jurisprudência colacionada aos autos pela Recorrente, por exemplificar o deslinde dado pelo CARF, no caso de controvérsias semelhantes, só que com resultado contrário ao adotado na decisão guerreada, que podem vir a ser adotadas por essa Corte em novo julgamento; xxv. Como a origem dos recursos da Recorrente está comprovada, não pode 50% dos seus valores mantidos em conta bancária conjunta serem tributados, nem sofrer a aplicação de multa de ofício de 75%; Fl. 513DF CARF MF 10 xxvi. O expediente engendrado pela autoridade julgadora caracteriza cerceamento de direito ao contraditório e à ampla defesa da Recorrente, conforme disposto no artigo 5º, LIV e LV, CF/88, implicando tal conduta em nulidade do ato administrativo, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72; xxvii. A força probante da autoridade julgadora para justificar a exigência de omissão de rendimentos e de sua origem não comprovada escudase, exclusivamente, numa relação de depósitos bancários realizados em conta conjunta, fornecida pelo Banco do Brasil S.A., que não refletem a verdade material dos fatos, uma vez que nem todos os valores ali depositados representam rendimentos provenientes de salários da Recorrente ou do seu cônjuge; xxviii. A presunção legal estabelecida pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96 é o único argumento esposado pela fiscalização e reiterado na decisão a quo, utilizado como certeza absoluta, para dar suporte à tributação da pessoa física da contribuinte em relação a esta controvérsia, havendo mera presunção legal; xxix. Para que reste configurada a existência de omissão de receitas, primeiramente é necessário que os depósitos estejam sujeitos a incidência do IRPF, o que não é o caso por se tratarem de lucros e dividendos, como também, é imprescindível que seja demonstrada pela autoridade administrativa o nexo de causalidade entre o depósito de origem não comprovada e aumento patrimonial. Em outras palavras, o mero ingresso de receitas por meio de depósitos bancários, não é suficiente para caracterizar a omissão de receitas, conforme pretende a autoridade administrativa; xxx. Partindo do pressuposto que todo o depósito bancário necessariamente não é rendimento, desfeita está esta presunção por inadequação da correlação direta, pela incerteza que resulta da realização desse cotejamento, ou seja, não restou demonstrada a existência de causalidade entre eles; xxxi. Há vícios de procedimento, por desconsideração dos lucros acumulados e dividendos percebidos, equivocadamente registrados, em desobediência ao disposto no artigo 33, da IN SRF N° 15/2001; como também de materialidade, por inclusão dos valores decorrentes de suposto acréscimo patrimonial a descoberto na base de cálculo para formalização do crédito constituído, ex vi do artigo 142 do CTN. Tal situação também leva à nulidade do auto de infração, bem assim da decisão que o respaldou; xxxii. Se o caminho trilhado pela autoridade fiscal for simplesmente somar depósitos e exigir do contribuinte a comprovação da origem dos recursos, jamais se chegará à verdade material dos fatos; os lançamentos tributários não atingirão a sua finalidade social, e não haverá segurança jurídica nos julgados, eis que imperará a incerteza; xxxiii. Em outras palavras a autoridade lançadora buscou associar à falta de registros correspondentes os pagamentos referentes aos imóveis, para presumir a omissão de rendimentos, ou viceversa e, com isso, caracterizar o acréscimo patrimonial a descoberto; xxxiv. Não há base legal para Fisco exigir da Recorrente exação que restou configurada como acréscimo patrimonial injustificado, baseado em suposto fato gerador, no qual não se demonstrou a existência de nexo causal entre o fato indiciário e o fato presuntivo, que é o que efetivamente se constatou no presente caso; xxxv. Portanto, laborou em equívoco a fiscalização ao assim proceder, consubstanciada em premissa falsa, ou mesmo não por não fundamentar corretamente a suposta exação Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 510 11 caracterizada por depósitos bancários de origem não identificada/omissão de rendimentos, estando assim a malfadar o princípio da tipificação legal, ex vi o artigo 150, I, CF/88, além de dar azo à ocorrência de vício insanável que enseja a anulação do auto de infração, bem como do acórdão recorrido; xxxvi. Ao final, requereu: i) o recebimento e provimento do recurso, para anular o Acórdão recorrido e cancelar a exigência fiscal; ii) a realização de perícia contábil, para que se esclareçam as incertezas constantes do auto de infração e da decisão recorrida; e iii) o julgamento conjunto com o PAF nº 10283.720939/200965, relativo ao cônjuge da Recorrente, aproveitandose das provas ali carreadas. Em 21 de fevereiro de 2013, (Fls. 444 a 453) a C. 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento do recurso, com base no disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema (quebra de sigilo bancário LC 105/2001), pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Finalizado o sobrestamento, o processo voltou para julgamento, e, em 4 de novembro de 2014, (Fls. 454 a 463) a C.1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência no sentido de retornar os autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informasse se houve a intimação do cotitular da conta bancária conjunta e para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e fazer juntada de documentos hábeis a comprovar tal intimação. A Delegacia da Receita Federal em Manaus apresentou a resposta às fls. 468 a 476; em síntese: “Conforme comprovam documentos de cópias agora juntadas a este processo, o segundo participante da conta conjunta de que trata a citada resolução também foi intimado a comprovar a origem dos recursos financeiros lá creditados. A referida conta, que recebeu na agência n° 1.197 do Banco do Brasil o n° 26.5594, tinha como titulares ADALBERTO FERNANDES DE AZEVEDO, CPF 321.293.86253 e ALESSANDRA MACEDO DE CASTRO AZEVEDO, CPF 417.202.96200, ambos simultaneamente submetidos a procedimentos de fiscalização. Em nome do Sr. Adalberto Fernandes de Azevedo foi constituído o processo administrativo fiscal n° 10283.720939/200965, do qual foram extraídas cópias das folhas 01, 47, 59, 60, 61 e 62 do volume I, que estão sendo agregadas a este processo.” A Recorrente foi cientificada em 17/04/2015, conforme se verifica às fls.477 e 478. Em 07/05/2015 a Contribuinte informou às fls.479 que: “Informo ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus/Am, que foram adotadas as seguintes providencias para a regularização do débito constante do Processo em epigrafe, objeto do Fl. 515DF CARF MF 12 TERMOS DE CIÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL DILIGENCIA DATA EMISSÃO: 06/ABR/2015: Inclusão do débito total relativo ao Processo 10283.720938/200911, no Parcelamento Especial do REFIS Lei 12.865 e Lei 12.996/2014, conforme Carta de Adesão anexa. Anexando às fls. 480 a 482 o Recibo de Pedido de Parcelamento da Reabertura da Lei N° 11.941 de 27 de Maio de 2009; em nome da empresa ERAM ESTALEIRO RIO AMAZONAS LTDA, CNPJ: 02.709.163/000173, e cópias de DARFs.” Encerrada a diligência, o processo voltou à pauta de julgamento, ocasião na qual foi determinada nova diligência à DRFB de origem (fls. 488/498) para que informasse se o CPF da Recorrente estava vinculado a qualquer parcelamento no âmbito da RFB, a qual, por sua vez, juntou aos autos extrato de pesquisa/consulta à adesão de parcelamentos no sistema da RFB (fls. 502), que veio a reportar a não localização de parcelamentos válidos para o CPF da Recorrente, sendo essa informação confirmada pelo Despacho EQPAR/SECAT/DRF/MNS acostado às fls. 503. Ao término de mais essa diligência, o processo voltou à pauta de julgamento, sendo distribuído a este conselheiro. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de tempestividade e admissibilidade e, portanto, dele conheço. Entendo estar documentalmente suficientemente instruídos os autos, cujo robusto conjunto probatório conforta seu julgamento no estágio em que se encontra. Assim, passo ao julgamento. Preliminares de Nulidade A Recorrente discorda da decisão de piso no tocante ao afastamento do pedido preliminar de nulidade, fundamentado pelo julgador vestibular no sentido de que os argumentos que fundamentam tal pedido se confundem com o próprio mérito do litígio e no mérito serão analisados, além de não ter vislumbrado a ocorrência dos pressupostos de nulidade expressos no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Alega a Recorrente, neste ponto, que o artigo 69 da Lei nº 9.784/99 permite à Administração anular seus próprios atos quando eivados de vício de ilegalidade, ex vi dos artigos 53 e 54 do mesmo diploma normativo. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 511 13 Da mesma forma, fundamenta seu pedido de nulidade do lançamento sob o argumento de ilegalidade do lançamento decorrente de erro na apuração do quantum debeatur. Ainda, alega nulidade do lançamento por cerceamento do direito à ampla defesa e contraditório, devido à negativa de determinação de diligência para que fosse realizada perícia que apurasse a real base de cálculo autorizadora do crédito tributário, em respeito à persecução da verdade material. Pois bem. Pelas alegações da Recorrente, se percebe que esta justificou seu pedido preliminar de nulidade apoiado em três temas, quais sejam: i) a ilegalidade do ato do julgador de piso em entender pela unicidade de fundamentos entre o pedido preambular de nulidade e os pedidos feitos no mérito, que o levou a analisar o primeiro em sede de mérito; ii) a ilegalidade do lançamento decorrente de erro na apuração do quantum debeatur; iii) o cerceamento do direito à ampla defesa e contraditório, devido à negativa de realização de perícia. Assim, passo à análise. Ilegalidade do ato do julgador em analisar diretamente no mérito as alegações de nulidade Pela leitura da peça defensiva inicial (fls. 141/153), se percebe que a Recorrente não elegeu um tópico preambular para tratar preliminarmente das nulidades que aponta (do procedimento fiscal e do lançamento). Após ter narrado os fatos sob a sua ótica, no item “I – DOS FATOS” (fls. 143), sem haver mencionado a nulidade do lançamento fiscal, a Recorrente passa diretamente para o item seguinte da sua defesa “II DO DIREITO – a) Da Prevalência da Verdade material e da Inexistência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto”, no qual discorre sobre o direito que entende possuir e inicia tratar das questões de Mérito. Assim, temse que não houve alegação preambular de nulidade, as quais foram alegadas somente nos tópicos a partir daquele acima mencionado, que trataram conjuntamente das alegações de Direito e de Mérito. Somente neste momento da defesa é que se passou a tratar das alegações de nulidade, senão vejamos. No item II, “a”, da sua defesa – II – “DO DIREITO – a) Da Prevalência da Verdade material e da Inexistência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto” , a Recorrente alega nulidade do lançamento fiscal afirmando inexatidão quanto à base de cálculo apurada, fato do qual decorre erro material insanável, capaz de eivar de nulidade o lançamento e gerar sua anulação (fls. 146). No mesmo tópico, alega ainda que, pelo fato da autoridade administrativa ter “errado” no critério de apuração da base de cálculo, o lançamento materializado no auto de infração é nulo (fls. 147). No item II, “b”, da sua defesa – II – “DO DIREITO – a) Da Inexistência de Omissão de Receita” , a Recorrente alega que, pelo fato da autoridade administrativa ter efetuado o lançamento por mera presunção de omissão de receitas, não restou demonstrado nos autos o nexo de causalidade entre os depósitos de origem não comprovada e o aumento patrimonial, que não foi evidenciado, o que autoriza a anulação dos lançamentos a esse título. Fl. 517DF CARF MF 14 No item II, “c”, da sua defesa – II – “DO DIREITO – a) Da Inexistência de Depósitos Bancários Sem Origem” , a Recorrente alega que, pelo fato da autoridade administrativa ter deixado de verificar a destinação dos valores creditados em sua conta sob o título de “depósitos sem origem”, culminou por proceder o lançamento por mera presunção, o que gera a anulação dos lançamentos a esse título. Pelo que foi demonstrado, a Recorrente tratou do tema “nulidade” apenas no Mérito da sua peça defensiva, sem haver segregado este tema de forma preliminar em sua peça. A partir disso, entendo como legalmente correto o ato do julgador de piso em afastar a análise deste tema em sede de preliminar, passando a analisalo juntamente ao Mérito. Assim, não assiste razão à alegação da Recorrente quanto ao ato do julgador inicial, estando legalmente adequado para aquilo que se destinou a proceder. Ilegalidade do lançamento decorrente de erro na apuração da base de cálculo Conforme já colocado, a Recorrente aduz ilegalidade do lançamento decorrente da inexatidão quanto à determinação da base de cálculo geradora do crédito tributário exigido, fato do qual decorre erro material insanável, capaz de eivar de nulidade o lançamento e gerar sua anulação. Outrossim, alega “erro” no critério de apuração desta base, pois desconsiderou os rendimentos isentos e não tributados percebidos pela Recorrente, além de ter realizado análise superficial, tendo se limitado a considerar apenas os ingressos de receita, deixando de verificar a destinação destas. Neste ponto, entendo não caber razão à Recorrente, conforme demonstrado a seguir. A base de cálculo do crédito ora exigido da Recorrente foi apurada a partir do robusto conjunto probatório encartado aos autos, em especial os comprovantes hábeis que provaram, oficialmente, os depósitos e transferências realizados em favor das suas contas bancárias, reais entradas de valores em seu benefício que, quando legalmente exigido, devem ser tributados. Esse fato não foi documentalmente desconstituído pela Recorrente, mediante a apresentação de documentos também hábeis e oficiais, como por exemplo, que provassem a distribuição de lucros que recebeu da empresa Eram Estaleiro Rio Amazonas Ltda., da qual alega ser sócia, também sem juntar documento que ateste essa alegação. Exemplo dos comprovantes das entradas havidas nas contas da Recorrente são: declarações de ajuste anual (fls. 04/12), matrículas de imóveis adquiridos (fls. 18/23), extratos de movimentação de contas bancárias (fls. 41/46), extrato de conta bancária exclusiva da Recorrente (fls. 48/55), contrato de locação e recibos vinculados (fls. 61/84), extratos bancários da Empresa Eram Estaleiro Rio Amazonas Ltda. (86/92), comprovantes de transferências financeiras da Eram Estaleiro Rio Amazonas Ltda. em favor da Recorrente, em sua conta individual (fls. 93/107), TED (fls. 244), extrato de movimentação de conta bancária exclusiva da Recorrente (fls.189/193), comprovantes bancários de transferência de valores (fls. 249, 299, 315), comprovante de intimação do cônjuge da Recorrente quanto aos lançamentos havidos na sua contaconjunta (fls. 473 e 476), dentre outros. Aliado a estes, há o reconhecimento da Recorrente de que valores provenientes da empresa Eram Estaleiro Rio Amazonas Ltda. foram depositados em suas contas bancárias, além desta não ter refutado os lançamentos decorrentes dos recebimentos de valores de aluguel (cujos créditos se tornaram definitivos na esfera administrativa). Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 512 15 No caso deste tipo de fiscalização (“acréscimo patrimonial à descoberto” e “omissão de rendimentos”), cabe à autoridade fiscal apenas comprovar as entradas e os dispêndios/aplicações que originaram a variação patrimonial a descoberto e a omissão, posto que ao contribuinte cabe o ônus de provar os recursos utilizados, pois o parágrafo 1° do artigo 3º da Lei n° 7.713/88 estabelece uma presunção legal juris tantum ou relativa e o principal efeito desta presunção legal é a inversão do ônus da prova. Assim, verificada a ocorrência de acréscimos patrimoniais incompatíveis com a renda declarada, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos sujeitos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal, ainda mais diante do farto conjunto probatório acima mencionado. Dessa forma, entendo correta a forma de apuração da base de cálculo para a formação do crédito tributário lançado contra a Recorrente, o que me conduz a afastar a preliminar de nulidade (por ilegalidade) neste ponto. Cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório – Negativa do pedido de perícia Segundo alega a Recorrente, houve cerceamento do seu direito à ampla defesa e ao contraditório obstruído pela autoridade fiscal ao negar seu pedido de realização de perícia contábil com a finalidade de se apurar a real base de cálculo ensejadora da exigência de suposto crédito tributário, o que denota a ilegalidade do trabalho fiscal. A Recorrente aduz que existe incerteza quanto à legalidade do lançamento para exigência do crédito tributário e dos valores nele apurados, não logrando a decisão recorrida ter apontado, de forma analítica e inconteste, como suprir os questionamentos formulados por ela na sua Impugnação, quais sejam: i) Quais os valores pagos a título de pró labore pela ERAM Estaleiro Rio Amazonas Ltda. à Recorrente nos exercícios de 2004, 2005 e 2006?; ii) Houve a retenção de IR nos respectivos exercícios? iii) Qual foi o valor retido em cada exercício?; iv) Existe recolhimentos de DARF's vinculados ao seu CPF oriundos de recolhimentos de prólabore no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil? No entender da Recorrente, estas e outras questões formuladas na exordial restaram sem respostas e justificam a realização da prova pericial, sem a qual não há como exigir crédito, posto que incerto. Conclui este questionamento aduzindo que, por não haver certeza quanto ao quantum debeatur, cabe a conversão do julgamento em diligência para a elaboração de laudo pericial contábil, nos termos do artigo 18 do Regulamento do PAF, posto que não foram atendidos os pressupostos de certeza, liquidez e exigibilidade, preconizados na legislação de regência fiscal para imprimir eficácia ao crédito tributário constituído. Neste ponto, melhor sorte não assiste à Recorrente, senão vejamos. Conforme preceitua o citado artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o requerimento do contribuinte para a realização de perícia somente será determinado pela autoridade julgadora quando esta entendela necessária, podendo indeferilo quando entendêla prescindível, na forma abaixo: Fl. 519DF CARF MF 16 “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Ora, diante do já elencado robusto conjunto probatório encartado aos autos, informadores dos valores aptos a comporem a base tributável dos rendimentos omissos formadores do acréscimo patrimonial a descoberto da Recorrente no período fiscalizado, entendeu a autoridade julgadora inicial por desnecessária a realização de perícia no caso, pensamento ao qual me filio. Na forma do quanto dispõe o artigo 28 do citado decreto, a decisão que julgar preliminar e mérito deverá indeferir o pedido de perícia, se for o caso, senão vejamos: “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” Ademais, o artigo 29 do mesmo diploma normativo confere à esta autoridade liberdade na formação da sua livre convicção, conforme abaixo: “Art. 29. “” Dessa forma, não paira dúvida sobre a estrita legalidade com a qual agiu o julgador vestibular, carecendo de questionamento sua conduta, a qual entendo não haver suprimido o direito da Recorrente à ampla defesa e ao contraditório, motivo pelo qual afasto a preliminar de nulidade neste ponto. Preliminares Decisão Pelas razões expostas e fundamentos legalmente justificados, afasto as preliminares de ilegalidade e nulidade, concordando com o entendimento do julgador de piso, que da mesma forma não observou a ocorrência dos pressupostos de nulidade expressos no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, verbis: “Art. 59. São mãos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Dessa forma, tendo os atos administrativos deste processo sido lavrados e proferidos por autoridades competentes, dos quais não decorreram preterição do direito de defesa da Recorrente, afasto as preliminares de ilegalidade e nulidade. Assim, passo à análise do mérito. Mérito Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 513 17 Omissão de Rendimentos – Depósitos Bancários de Origem Não Identificada A Recorrente alega insubsistência das assertivas formuladas pela autoridade fiscal quanto à "não comprovação da origem dos recursos", ou mesmo quanto aos "depósitos bancários de origem não comprovada", relacionados a parcos depósitos bancários indicados no auto de infração dentre tantos outros verificados, que resultaram na alegação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Aduz que os depósitos efetuados na conta conjunta da Recorrente e de seu cônjuge (n° 26.5594, ag. 1.1975, do Banco do Brasil), realizados em 05/10/2004 (R$ 12.500,00), em 14/12/2004 (R$ 20.000,00) e em 16/11/2005 (R$ 15.000,00) foram transferidos pela empresa ERAM Estaleiro Rio Amazonas Ltda., da qual seu cônjuge é sócio majoritário, gestor e quem determinou as mencionadas operações pois, em razão das contas bancárias da empresa estarem bloqueadas por determinação da Justiça do Trabalho, necessitaram ocorrer para que efetuassem pagamentos de despesas da pessoa jurídica. Assim, estariam esclarecidas a origem e o destino dos valores. Confessa a Recorrente que a mesma situação se deu com todos os créditos lançados na sua exclusiva conta corrente n° 16.6715, agência n° 3.4797, mantida no Banco do Brasil e que, pelo fato da autoridade administrativa ter apenas constatado a existência de "depósitos sem origem", sem ao menos ter verificado qual destinação foi dada para tais recursos, o lançamento ocorreu por mera presunção, razão pela qual deve ser integralmente anulado. Informou que, do confronto dos documentos contábeis da mencionada empresa com os lançamentos bancários das contas fiscalizadas, se pode observar a realidade material dos fatos, diante da comprovação da origem dos recursos que nelas transitaram, inclusive dos valores dos dividendos (R$ 450.000,00), que justificam a aquisição dos imóveis. Indignase a Recorrente aduzindo que a presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 é o único argumento esposado pela fiscalização e reiterado na decisão a quo como certeza absoluta para balizar a tributação levada a efeito contra si. Por derradeiro, sustenta que, para que reste configurada omissão de receitas, primeiramente é necessário que os depósitos estejam sujeitos à incidência do IRPF, o que não é o caso por se tratarem de distribuição de lucros e dividendos; como também é imprescindível que seja demonstrado o nexo de causalidade entre o depósito de origem não comprovada e o aumento patrimonial. Resumiu alegando que o mero ingresso de receitas por meio de depósitos bancários não é suficiente para caracterizar a omissão de receitas e, por conta disso, há vícios de procedimento, por desconsideração da distribuição de lucros acumulados registrados, em desobediência ao disposto no artigo 33, da IN SRF nº 15/2001. Inicialmente, cumpre esclarecer que o lançamento fundamentado na omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada se balizou na falta de comprovação de três depósitos listados no Termo de Intimação Fiscal nº 2 (fls. 56/57), quais sejam aqueles efetuados na conta conjunta da Recorrente e de seu cônjuge (n° 26.5594, ag. 1.1975, do Banco do Brasil), realizados em 05/10/2004 (R$ 12.500,00), em 14/12/2004 (R$ 20.000,00) e em 16/11/2005 (R$ 15.000,00). Fl. 521DF CARF MF 18 Apesar da Recorrente ter alegado que as transferências ocorreram com a finalidade de pagamento de contas da empresa da qual o marido é sócio majoritário, em razão de possíveis contrições de ordem da Justiça do Trabalho, não logrou carrear aos autos qualquer documento que confortasse sua alegação. Neste ponto, cabe frisar que a legislação que trata da matéria (artigo 42 da Lei nº 9.430/96) definiu como omissão de receita ou de rendimento “os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A presunção legal de omissão de rendimentos estabelecida pela legislação mencionada autoriza o lançamento do imposto de renda nas hipóteses em que o contribuinte titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta. O fato de a presunção estar estabelecida em lei, dispensa a autoridade lançadora de produzir outras provas. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na conta corrente do contribuinte. Quando o interessado é devidamente intimado a comprovar a origem de determinados depósitos e essa comprovação não é realizada, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador. Por isso, entendo que devem ser tributados os valores lançados sob esse fundamento legal. Pelo exposto, neste ponto, negro provimento ao recurso. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Aduz a Recorrente nas suas razões de recurso que, pelo fato da autoridade administrativa ter apenas constatado a existência de "depósitos sem origem", sem ao menos ter verificado qual destinação foi dada para tais recursos, ela procedeu ao lançamento por mera presunção, razão pela qual tais lançamentos devem ser integralmente anulados. Inicialmente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 13), a Recorrente informou, via apresentação de petição (fls. 17), que não obteve qualquer rendimento em 2005. Sustentou posteriormente, em suas razões recursais, inexistir base legal para o Fisco lhe exigir exação que restou configurada como acréscimo patrimonial injustificado, baseado em suposto fato gerador, que não demonstrou a existência de nexo causal entre o fato indiciário e o fato presuntivo. No entanto, entendo não merecerem prosperar tais alegações, senão vejamos. Conforme se observa da leitura de trecho do relatório fiscal às fls. 118/122, a fiscalização elaborou demonstrativo da evolução patrimonial da Recorrente (fls. 130) com base em informações disponíveis, o qual revelou variação patrimonial a descoberto no período de janeiro a agosto de 2005. Intimada a se manifestar, a Recorrente reafirmou que deixou de apresentar a declaração de ajuste anual 2006 pois estava declarada como dependente na declaração do seu cônjuge, a qual, por simples análise, se percebe que a mesma não foi declarada nessa condição (fls. 06/08). Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 514 19 Pela análise do mencionado demonstrativo de evolução patrimonial, se verifica que estão contemplados os rendimentos conhecidos da Recorrente no campo de recursos/origens/fontes, inclusive os de aluguel – não declarados por ela , os depósitos bancários de origem não comprovada e outros rendimentos também omitidos. Aludido documento reporta ainda que, nos meses mencionados, houve excessos de gastos sobre disponibilidades, o que implica a utilização de outros recursos financeiros para pagamento dos desembolsos realizados. Demonstra, também, dispêndios ou investimentos no mês em que foram realizados, com os recursos/rendimentos/disponibilidades existentes naquele momento. Diante disso, quando as saídas excedem o saldo de rendimentos disponível, resta evidenciado que outros recursos concorreram para a efetivação dos gastos, sem os quais estes não poderiam ter sido realizados. Conforme dispõe o artigo 55, XIII, do RIR/99, devem ser tributadas as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, senão vejamos: “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva;” Outrossim, o artigo 807 do mesmo diploma normativo preceitua que: “Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.” Por sua vez, o § 1º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88 dispõe que constituem rendimento bruto os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, na forma seguinte: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.” (grifei) O dispositivo legal acima transcrito estabelece uma presunção legal juris tantum ou relativa, e o principal efeito desta presunção legal é a inversão do ônus da prova. Assim, verificada a ocorrência de acréscimos patrimoniais incompatíveis com a renda Fl. 523DF CARF MF 20 declarada, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos sujeitos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal. Por sua vez, mediante presunção legal, o artigo 42 considera ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o Fisco produzir provas complementares, tais como a comprovação de sinais exteriores de riqueza ou do consumo da renda fruto dos rendimentos omitidos. Esse é o entendimento vinculante da Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita: “Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Assim, considerase que, ao realizar dispêndios em valores superiores aos recursos conhecidos, a Recorrente necessariamente recorreu a outras fontes para cobrir seus excessos, as quais ela não provou que tiveram por origem rendimentos tributáveis, tributados diretamente na fonte ou definitivamente ou não tributáveis. Por derradeiro, aduziu a Recorrente que a autoridade lançadora buscou associar à falta de declaração dos depósitos, os pagamentos referentes aos imóveis, para presumir a omissão de rendimentos, ou viceversa e, com isso, caracterizar o acréscimo patrimonial a descoberto. Ocorre, na verdade, não se sustentar a alegação de presunção da Recorrente, pois, da análise dos contratos de compra e venda dos imóveis, acostadas às fls. 18/23, se percebe terem os mesmos sido adquiridos pela Recorrente no anocalendário de 2005, mais precisamente em 27/01/2005, 23/02/2005 e 15/08/2005, cuja competente Declaração de Ajuste Anual 2006 do seu cônjuge não registrou aludido evento, nem mesmo reportou ao Fisco rendimentos da Recorrente que justificaram sua aquisição, fato que caracteriza “acréscimo patrimonial a descoberto”. Dessa forma, quanto ao lançamento relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto, entendo que a Recorrente não logrou desconstituir a imputação fiscal mediante a apresentação de documentação hábil, pelo que nego provimento ao recurso neste ponto. Omissão de Rendimentos O lançamento da omissão de rendimentos, nos termos da descrição dos fatos do Auto de Infração (fls. 125/128) decorre da constatação, durante a ação fiscal, que a Recorrente foi beneficiada por créditos bancários transferidos pela empresa ERAM ESTALEIRO RIO AMAZONAS LTDA. e não declarados por ela. Essa imputação foi confirmada pela Recorrente, ao afirmar que todos os valores transferidos foram receitas da ERAM que ingressaram na sua conta corrente, sendo que as mesmas foram destinadas a pagamentos de despesas dessa empresa. Antes de passar à análise do tema, cumpre esclarecer o que dispõe a legislação tributária (Decreto nº 3.000/99) sobre “rendimentos tributáveis”: Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 515 21 “Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário.” Para a legislação tributária, segundo os normativos precedentes, não importa que denominação tenham os rendimentos, sendo suficiente para determinar a incidência do imposto o benefício do contribuinte por qualquer forma. A lei também prevê que a tributação ocorrerá no mês em que os rendimentos forem auferidos, podendo ser considerado, para tanto, depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Para comprovar que as receitas que ingressaram na conta corrente eram receitas da empresa e foram destinadas ao pagamento de despesas desta, a Recorrente juntou aos autos apenas uma planilha (fls. 193) que relaciona parte da movimentação bancária com a descrição de débitos, no entanto, esta planilha não é documento hábil e idôneo para comprovação de operações que envolvam pessoa jurídica, que tem a obrigação legal de manter os registros contábeis de todas suas operações, lastreada pelos respectivos documentos. De outra sorte, não há qualquer referência aos aludidos rendimentos na declaração de ajuste anual que a Recorrente apresentou em 2007, relativa ao anocalendário 2006 (fls. 09/11), ao passo que, a propósito do anocalendário 2005, ela não apresentou declaração. Assim, resta evidente, portanto, que todos estes ganhos deixaram de ser oferecidos à tributação do Imposto de Renda. Desta forma, entendo que os valores lançados sob o título de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica não foram oferecidos à tributação. Pelo exposto, neste ponto, negro provimento ao recurso. A única matéria que reconheço de ofício, por entender ser de ordem pública e que a meu ver, inclusive, foi objeto de diligência determinada anteriormente é quanto a questão da intimação do cotitular da conta bancária. Fl. 525DF CARF MF 22 A meu ver de acordo com a súmula CARF nº 29 que diz: Todos os co titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” não foi atendida pela fiscalização. Veja que na resposta à diligência determinada na resolução de fls. (454/463) para que a autoridade preparadora informasse se houve a intimação do cotitular da conta bancária conjunta e para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e fazer juntada de documentos hábeis a comprovar tal intimação nesse processo em que a contribuinte teve o lançamento a DRF de Manaus assim respondeu às fls. 468/476: “Conforme comprovam documentos de cópias agora juntadas a este processo, o segundo participante da conta conjunta de que trata a citada resolução também foi intimado a comprovar a origem dos recursos financeiros lá creditados. A referida conta, que recebeu na agência n° 1.197 do Banco do Brasil o n° 26.5594, tinha como titulares ADALBERTO FERNANDES DE AZEVEDO, CPF 321.293.86253 e ALESSANDRA MACEDO DE CASTRO AZEVEDO, CPF 417.202.96200, ambos simultaneamente submetidos a procedimentos de fiscalização. Em nome do Sr. Adalberto Fernandes de Azevedo foi constituído o processo administrativo fiscal n° 10283.720939/200965, do qual foram extraídas cópias das folhas 01, 47, 59, 60, 61 e 62 do volume I, que estão sendo agregadas a este processo.” Vejo que na realidade, nesse processo, não houve na fase que precede à lavratura do auto de infração intimação do co titular da conta, no caso o marido da contribuinte Sr. Adalberto Fernandes de Azevedo. Na realidade, a autoridade preparadora quando da resposta à resolução e com o fito de evitar a nulidade do lançamento, acabou justificando que procedeu a intimação do co titular, contudo em outro processo de que a contribuinte não faz parte, mesmo que seja esposa, não é sujeito passivo nos autos do marido, sendo que a intimação deve ser efetuada no bojo desse processo e não através de processos de terceiros. Portanto, a meu ver, entendo que houve nulidade no lançamento unicamente sobre os depósitos em conta conjunta do casal, na medida em que não houve nesses autos a intimação do co titular, sendo que dou provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores utilizados do Banco do Brasil Ag. n° 1.197 Conta n° 26.5594 – CONJUNTA. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10283.720938/200911 Acórdão n.º 2201003.637 S2C2T1 Fl. 516 23 Conclusão Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e Dar Parcial Provimento ao Recurso para excluir do lançamento os valores da omissão de receita relativos a conta conjunta do Banco do Brasil Ag. n° 1.197 Conta n° 26.5594. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Voto Vencedor Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Redator Designado De início deve ser reconhecido a excelente análise de preliminar e mérito e a apresentação dos elementos que compõem o voto do Conselheiro Relator, argumentos os quais tomamos como verdadeiros e consistentes, divergindo tão somente na parte que se refere a questão da suporta falta de notificação do cotitular da conta conjunta, o que teria motivado a decisão de provimento parcial do ilustre Relator, o que abrangeria unicamente esta particularidade do lançamento em questão. Razão pela qual o colegiado diverge do Relator ao negar provimento ao Recurso Voluntário na sua integralidade, cabendo a redação deste Voto Vencedor, por este Redator Designado, explicitar a decisão nos termos que segue: A autoridade julgadora de piso aponta como consistente o procedimento de fiscalização e os fatos a ele relacionados e, especialmente no que se refere os valores constantes na conta no Banco do Brasil, conjunta com o seu cônjuge, que foram considerados para lançamento somente 50% do que lá foi depositado, na forma como abaixo transcrito: “No que diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada a interessada foi "intimada a apresentar documentos comprobatórios da origem dos recursos financeiros que viabilizaram diversos créditos bancários em contas mantidas por ela no Banco do Brasil, uma das quais em conjunto com o cônjuge (fls. 48/49) ". Após a resposta da contribuinte, restaram três depósitos bancários "cuja origem dos recursos financeiros lá empregados deixou de ser documentada, concluiuse que os seguintes valores deveriam ser submetidos à tributação, na condição de depósitos bancários de origem não comprovada". Foram lançados apenas 50% destes valores, em razão da conta bancária ser conjunta com o cônjuge da impugnante.” No que se refere a notificação do cônjuge, em atendimento ao disposto na Súmula CARF nº 29, pelo que consta nos autos, o processo foi para diligência em 4 de novembro de 2014, conforme fls. 454 a 463, por julgamento na 1ª Turma Especial da Segunda Sessão, no sentido de retornar os autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informasse se houve a intimação do cotitular da conta bancária conjunta e para comprovar, Fl. 527DF CARF MF 24 com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e fazer juntada de documentos hábeis a comprovar tal intimação. Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal em Manaus se manifestou, objetivamente sobre o quesito, às fls. 468 a 476, na seguinte resposta: “Conforme comprovam documentos de cópias agora juntadas a este processo, o segundo participante da conta conjunta de que trata a citada resolução também foi intimado a comprovar a origem dos recursos financeiros lá creditados. A referida conta, que recebeu na agência n° 1.197 do Banco do Brasil o n° 26.5594, tinha como titulares ADALBERTO FERNANDES DE AZEVEDO, CPF 321.293.86253 e ALESSANDRA MACEDO DE CASTRO AZEVEDO, CPF 417.202.96200, ambos simultaneamente submetidos a procedimentos de fiscalização. Em nome do Sr. Adalberto Fernandes de Azevedo foi constituído o processo administrativo fiscal n° 10283.720939/200965, do qual foram extraídas cópias das folhas 01, 47, 59, 60, 61 e 62 do volume I, que estão sendo agregadas a este processo.” Na sequência, a Recorrente foi cientificada em 17/04/2015, conforme se verifica às fls.477 e 478, não tendo feito qualquer contestação pertinente à intimação, ou a falta dela, em relação a seu cônjuge, a vista da afirmação da autoridade lançadora. Assim, pelo fato de ambos os cônjuges estarem submetidos a procedimentos de fiscalização, simultaneamente, sobre a mesma matéria, mesmo período e mesmo caso fático, e mediante intimação sobre a mesma conta conjunta, é forçoso concluir que foi atendido o que comanda o texto da Súmula CARF nº 29 que diz: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Neste sentido, considerando o que consta no processo e atendido os requisitos legais, especialmente no que respeita a Súmula CARF nº 29, concluise mantida a decisão de piso para a manutenção do lançamento, por sua consistência. Ante o acima exposto e o que consta nos autos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Alfredo Duarte Filho – Redator Designado Fl. 528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900073/2008-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A teor do contido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543-B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005.
Numero da decisão: 1803-001.617
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 57 1 56 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.900073/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.617 – 3ª Turma Especial Sessão de 5 de fevereiro de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente IACAR VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A teor do contido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório IACAR VEICULOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELÉM (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 00 73 /2 00 8- 13 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Versa o presente processo sobre PER/DCOMP nº 20251.64358.080504.1.3.024094 (fls.4/15) em que o contribuinte aponta crédito de saldo negativo IRPJ do 1º trim/1999 no valor de R$ 2.946,58 para compensar débitos próprios. Ainda segundo consta da declaração de compensação, o crédito seria constituído por IRRF sob o código 6800. Através do Despacho Decisório de 07/03/2008, nº 749310364 (fl.16), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, não homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo.” Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 17/03/2008 (fl.18), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 16/04/2008 (fls.1/3) via representante legal (fl.1), alegando em síntese que: 1) Os fatos descritos na fundamentação destoam da realidade dos fatos; 2) O PER/DCOMP foi efetuado em data posterior à apuração do crédito, crédito este levantado quando da fiscalização ocorrida nesta empresa do período 01/01/1999 a 30/06/2003; 3) A data de apuração do saldo negativo foi efetuada em 16/09/2003, conforme atesta o auto de infração nº 0210100/00193/03 da DRF/Belém; 4) Sendo a data de apuração do saldo negativo 16/09/2003 e a PER/DCOMP transmitida em 08/05/2004, não foi atingido o prazo de cinco anos para utilização do crédito; 5) Consta do auto de infração o levantamento do saldo do imposto a compensar ou a ser restituído; 6) Requer a nulidade do Despacho Decisório. A DRJ BELÉM (PA), através do acórdão nº 0122.609, de 11 de agosto de 2011 (fls. 21/24), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 SALDO NEGATIVO IRPJ. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição de saldo negativo IRPJ é de cinco anos a partir do encerramento do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Ciente da decisão em 17/11/2001, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 30), apresentou o recurso voluntário em 09/12/2011 fls. 31/40, onde reafirma seu direito ao crédito alegando que a prescrição somente ocorre decorridos 5 anos da homologação tácita (tese dos 5 + 5 anos). Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.900073/200813 Acórdão n.º 1803001.617 S1TE03 Fl. 58 3 É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação de saldo negativo de IRPJ do 1º trimestre do ano calendário 1999, indeferido ante o fundamento de prescrição qüinqüenal do indébito tributário. Alega a recorrente em síntese: a) Que o direito á repetição do indébito tributário não prescreveu pois a contagem somente se inicia após a ocorrência da homologação tácita ou expressa; b) Que teria havido ação fiscal em 2003 que expressamente reconheceu a existência de imposto de renda na fonte compensável fazendo surgir em conseqüência o direito à repetição do indébito tributário representado pelo saldo negativo; c) Que conforme o Superior Tribunal de Justiça já reconheceu, a prescrição de valores pagos indevidamente somente se inicia após decorrido o prazo de homologação tácita ou expressa, forte nos arts. 156 e 168 do Código Tributário Nacional. Assiste razão à interessada. Não obstante a Lei Complementar nº 118/2005, tenha deixado assentado de que o prazo para repetição do indébito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorre a partir do pagamento indevido ou a maior, suas disposições não se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial até 08 de junho de 2005. Tal exegese encontra guarida na decisão exarada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621, proferida no rito do art. 543B do Código de Processo Civil e que vincula este colegiado julgador administrativo por força do contido no art. 62A do RICARF, restando assentado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como o pedido foi formalizado em 08/05/2004 (fl. 04), e o crédito se refere ao 1º Trimestre de 1999 resta incontroversa a inaplicabilidade do disposto na Lei Complementar nº 118/2005, ao presente pedido estando assegurado o efetivo direito da recorrente a ver apreciado o seu pedido de restituição e compensação do saldo negativo. Considerando no entanto, a ausência de maior comprovação para se aferir a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deve ser o mesmo apreciado pela unidade de origem, afastandose no entanto a argüição de prescrição/decadência do direito creditório. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de afastar as alegações de prescrição/decadência devendo o processo retornar para a unidade de origem para que aprecie a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.900073/200813 Acórdão n.º 1803001.617 S1TE03 Fl. 59 5 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910842/2009-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/12/2004
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.854
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2004 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.910842/200980 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.854 – 3ª Turma Sessão de 23 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2004 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 42 /2 00 9- 80 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11065.910842/200980 Acórdão n.º 9303004.854 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.148, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2004 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11065.910842/200980 Acórdão n.º 9303004.854 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11065.910842/200980 Acórdão n.º 9303004.854 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11065.910842/200980 Acórdão n.º 9303004.854 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.904457/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões apontadas pela embargante.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões apontadas pela embargante. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 44 57 /2 01 1- 18 Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3301003.441 S3C3T1 Fl. 904 2 Relatório Reproduzo o relatório constante do Acórdão n° 3801004.621, em face do qual o contribuinte opôs embargos: "Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, mercado externo, do terceiro trimestre de 2006, apurado de conformidade com o art.3° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a Contribuição para o PIS/Pasep devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$237.597,63. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba procedeu à fiscalização e por meio do Relatório da Ação Fiscal (fls. 642/663) constatou as seguintes incorreções: 1 – utilização incorreta de receitas na apuração do rateio dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas; 2 – aquisição de canadeaçúcar, em desacordo com a legislação, de contribuinte pessoa física e jurídica; 3 – bens não incluídos no conceito de insumos: Combustíveis e Lubrificantes utilizados nos veículos para cultivo e transporte de canadeaçúcar; desconto de créditos sobre os valores das aquisições de Óleo Diesel tributado à alíquota zero; Lubrificantes; Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa – (Bens Utilizados com Insumos fls. 128/238 e Serviços Utilizados com Insumos Serviços Utilizados com Insumos); 4 Despesas de Fretes e Armazenagem de Mercadorias/Produtos: documentos hábeis e idôneos (notas fiscais) para ter direito ao desconto do respectivo crédito; 5 Créditos apurados sobre as Despesas de Depreciação; (a contribuinte não produziu canadeaçúcar em nenhum dos períodos de apuração analisados nesta ação fiscal); 6 Receitas de exportações de álcool carburante (incidência cumulativa) classificadas incorretamente como receitas nãocumulativas pela contribuinte; 7 – Variação Cambial decorrente das exportações efetuadas pela empresa. Após a auditoria, foi glosado o valor de R$ 189.309,23 no trimestre, sendo que a empresa tem direito ao ressarcimento nos montantes de R$ 16.511,42 no mês de julho, R$ 17.175,01 no mês de agosto e R$ 14.601,98 no mês de setembro de 2006, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 665, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 675/690. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3301003.441 S3C3T1 Fl. 905 3 Inicialmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e discorda do rateio proporcional, alegando que não é esta a forma prevista pelas normas aplicáveis. Afirma que toda a canadeaçúcar adquirida pela Manifestante tem como único destino a produção de açúcar e etanol, e, por conseguinte, tem direito ao crédito presumido. Continua, rebatendo que não utilizou crédito presumido de PIS para compensar com outros tributos e alega ilegalidade quanto à Instrução Normativa nº 660/2006. Quanto ao crédito presumido de aquisição de canadeaçúcar de pessoa jurídica, alega inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004. Referese aos insumos utilizados no processo produtivo, defendo os créditos do óleo diesel com alíquota zero e, ainda, óleo e lubrificante desconsiderados, são utilizados em fase procedimental intrínseca à atividade principal e defende a ilegalidade da Instrução Normativa nº 404/2004. Afirma que “as receitas decorrentes de exportação de álcool enquadramse no regime não cumulativo”. Defende que os documentos apresentados comprovam a armazenagem de álcool para exportação e combate o entendimento do Auditor fiscal que somente seria possível crédito sobre o frete pago para aquisição de canadeaçúcar. Discorda da glosa de despesas de depreciação dos bens não utilizados diretamente na produção, sob a alegação de que são utilizados em etapas indispensáveis da atividade da Manifestante e, ainda, transcreve jurisprudência do TRF 4º Região, para enquadrar variação cambial como receita de exportação. Finalmente, solicita o acolhimento da Manifestação de Inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/ RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: 'Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3301003.441 S3C3T1 Fl. 906 4 Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação às despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.' Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação e acrescenta: Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3301003.441 S3C3T1 Fl. 907 5 i) Houve cerceamento do direito de defesa, pois, no voto condutor da decisão recorrida, afirmouse que a manifestação de inconformidade foi genérica e, por isso, a decisão também seria genérica. Segundo a recorrente, todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade, porém, a DRJ deixou de apreciar argumentos e documentos colacionados. ii) Os créditos da contribuição devem ser apurados segundo o critério de rateio proporcional, conforme legislação aplicável. iii) Que juntou notas fiscais de remessa e de transporte e conhecimentos de transporte para remessa de produtos exportados até o porto de embarque. É o relatório." O recurso voluntário foi considerado parcialmente procedente e o Acórdão n° 3801004.621, de 11 de novembro de 2014, foi assim ementado (fls. 819 e 820): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3301003.441 S3C3T1 Fl. 908 6 MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime nãocumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA DEAÇÚCAR. A nãoocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de canadeaçúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte." O contribuinte então opôs embargos de declaração, alegando que o Acórdão cuja ementa foi acima reproduzida teria incorrido nas seguintes omissões (fls. 937 e 938): Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3301003.441 S3C3T1 Fl. 909 7 O Presidente da 1° Câmara da 3° Seção acolheu os embargos, por ter constatado as omissões neles indicadas. O Exame de Admissibilidade encontrase nos autos (fls. 962 a 964). É o relatório. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3301003.441 S3C3T1 Fl. 910 8 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração, em face do Acórdão n° 3801 004.621, os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Câmara da 3° Seção. Alegase que a turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro dos seguintes tipos créditos: a) "bens utilizados como insumos"; b) "serviços utilizados como insumos"; e c) "depreciação de bens do imobilizado". Em relação aos créditos mencionados nas letras "a" e "b", o contribuinte preparou planilhas em que indicou número de nota fiscal de compra, razão social de fornecedor, descrição de produto ou serviço e valor. Estas planilhas encontramse nos autos, nas fls. 137 a 247 ("bens utilizados como insumos") e 249 a 305 ("serviços utilizados como insumos") e dizem respeito ao grupo de contas contábeis n° 411.40. Semelhante planilha também foi elaborada para a "depreciação de bens do imobilizado" (letra "c") e reproduzida no Relatório Fiscal (fls. 673 a 675). Dela também constam informações sobre o cálculo da depreciação e o emprego no processo produtivo. Neste último caso, os itens da planilha foram classificados em "indústria", "transporte de cana" e "agrícola". Com efeito, sobre depreciação, consta que as irregularidades foram identificadas no valor da depreciação computada na base de cálculo dos créditos do mês de junho de 2006. A fiscalização apurou que não houve produção de canadeaçúcar naquele mês, o que tornava injustificável a tomada a de créditos sobre depreciação de veículos utilizados no transporte de produto e de equipamentos "colhedores de canade açúcar". Adicionalmente, glosou créditos calculados sobre depreciação de veículos empregados no transporte de peças ("Semi Reboque Prancha") e no de pessoal ("ônibus MB"), considerados estranhos ao processo fabril. Da leitura do Relatório Fiscal (fls. 658 a 679), resta claro que a fiscalização revisou as planilhas elaboradas pelo contribuinte, para então concluir quanto à legitimidade ou não dos créditos de PIS e COFINS. Na Manifestação de Inconformidade (fls. 699 a 713), especificamente nas fls. 708 e 709 e 712, defendese a embargante, de forma genérica, alegando que os referidos bens e serviços (grupo contábil 411.40) e despesas com depreciação eram necessários às suas atividades. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3301003.441 S3C3T1 Fl. 911 9 Diante da ausência de elementos que relacionassem os itens glosados com o processo produtivo, a DRJ julgou improcedente as alegações. Ao Recurso Voluntário (fls. 787 a 810), nada adicionou acerca dos bens e serviços classificados no grupo contábil n° 411.40. Sobre a depreciação, contudo, discorreu acerca do ciclo produtivo de canadeaçúcar e alegou que não houve paralisação de atividades. Ademais, que o transporte de "meios e bens intermediários" e "de pessoal" eram "indispensáveis à consecução final da produção". O Acórdão CARF n° 3801004.621 (fls. 819 a 841), assim tratou dos bens e serviços considerados pela embargante como insumos (trecho também reproduzido nos embargos): "Falta de demonstração da utilização de bens e serviços no processo produtivo. Com base no exposto nas seções acima sobre a preliminar de nulidade e sobre o conceito de insumo, tendo em vista que o conceito aqui adotado é o mesmo adotado pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil que já decidiram neste processo; que é ônus daquele que alega o direito provar os fatos em que se fundamenta, conforme art. 333 do Código de Processo Civil; que, no Processo Administrativo Fiscal Federal, a prova deve ser feita na impugnação ou, excepcionalmente, no recurso voluntário; que a contribuinte, até o presente, não alegou nem demonstrou que os gastos com bens ou serviços excluídos pela fiscalização poderiam se enquadrar neste conceito restritivo; devese manter a decisão, quanto aos gastos com bens e serviços constantes das planilhas “Bens Utilizados como Insumo” e “Serviços Utilizados como Insumo”, excluídos pela fiscalização." (g.n.) Nos embargos (fls. 936 a 938), há as seguintes alegações: "Todavia, encontramse já no Relatório Fiscal constatação de que a ora embargante juntou aos autos planilhas (fls. 128/238 e fls. 239/295) discriminando os bens e serviços necessários para o exercício da atividade empresarial da embargante, não podendo ser alegado que não houve a demonstração da utilização desses bens e serviços." Da leitura dos excertos do Acórdão CARF e dos embargos de declaração, notadamente das partes em negrito, verificase que os documentos que o contribuinte alega não terem sido apreciados pelo CARF, consistentes nas planilhas que se encontram nas fls. 137 a 247 ("bens utilizados como insumos") e 249 a 305 ("serviços utilizados como insumos") e que dizem respeito ao grupo de contas contábeis n° 411.40, na verdade, foram sim examinados por este colegiado, o qual, todavia,considerou as informações neles contidas insuficientes para a comprovação da conexão dos bens e serviços computados nas bases de cálculos dos créditos de PIS e COFINS com o processo produtivo. Isto posto, concluise que não houve a primeira omissão apontada nos embargos de declaração, relativa à falta de exame das planilhas que continham informações acerca dos "bens e serviços utilizados como insumos". A segunda omissão foi assim descrita nos embargos: Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3301003.441 S3C3T1 Fl. 912 10 "Quanto às despesas de depreciação, o acórdão entendeu que 'A norma exige que os equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado sejam adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens' para gerar o crédito. No entanto, às fls. 17 do Relatório da Ação Fiscal temos relacionada torre de processamento de massa, equipamento utilizado na produção, que geram créditos do PIS/PASEP, mas que não houve apreciação no acórdão recorrido (. . .)." (g.n.) A legitimidade dos créditos de PIS e COFINS sobre o ativo imobilizado "torre de processamento de massa" não foi examinada pelo CARF, pelo simples fato de que não havia controvérsia acerca dos créditos correlatos, isto é, foram admitidos pela fiscalização, como se verifica da leitura da planilha contida no item "V.1.1.3.4 – Créditos apurados sobre as Despesas de Depreciação" do Relatório Fiscal (fl. 674). Assim sendo, também neste caso, não houve omissão. Conclusão Voto por rejeitar os embargos de declaração, opostos em face do Acórdão CARF n° 3801004.621, uma vez que não ocorreram as omissões apontadas pela embargante. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 912DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.004708/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2006
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base no revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, somada à multa por inadimplemento da obrigação principal, deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da mesma lei, para definição da norma mais benéfica.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
OBRIGAÇÃO DA ENTREGA DA GFIP. PERIODICIDADE MENSAL. MULTA CALCULADA POR COMPETÊNCIA.
A obrigação acessória de entrega da GFIP sem incorreções/omissões deve ser satisfeita mensalmente, sob pena de multa, a qual é calculada por cada competência onde se verifica a conduta infracional.
Numero da decisão: 2402-005.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, por maioria, dar-lhe provimento parcial para que a multa fique limitada a 75% do tributo não declarado deduzidas as multas impostas nas NFLD correlatas. Vencidos a Conselheira Bianca Felícia Rothschild (Relatora) e o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base no revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, somada à multa por inadimplemento da obrigação principal, deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da mesma lei, para definição da norma mais benéfica. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. OBRIGAÇÃO DA ENTREGA DA GFIP. PERIODICIDADE MENSAL. MULTA CALCULADA POR COMPETÊNCIA. A obrigação acessória de entrega da GFIP sem incorreções/omissões deve ser satisfeita mensalmente, sob pena de multa, a qual é calculada por cada competência onde se verifica a conduta infracional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 47 08 /2 00 8- 75 Fl. 1631DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, por maioria, darlhe provimento parcial para que a multa fique limitada a 75% do tributo não declarado deduzidas as multas impostas nas NFLD correlatas. Vencidos a Conselheira Bianca Felícia Rothschild (Relatora) e o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 18050.004708/200875 Acórdão n.º 2402005.809 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de Auto de Infração lavrado por ter o contribuinte acima identificado apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 1999. Segundo relato da Fiscalização (fl. 13), constatouse, do confronto entre as informações declaradas em GFIP e os documentos entregues, que algumas informações consideradas bases de cálculo de contribuições previdencidrias não foram declaradas em GFIP, assim como algumas contribuições descontadas de segurados. Seguem, em anexo, planilhas que demonstram essas bases de cálculos com as respectivas contribuições devidas. Consta dos autos planilhas que detalham o cálculo da multa aplicada (fls.17/21). Consoante Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fls. 17/21), a multa é o equivalente a 100% (cem por cento) do valor da contribuição devida e não declarada, calculada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observado o limite mensal previsto no art. 32, parágrafo 4° da Lei n.° 8.212, de 1991, totalizando o valor de R$ 117.055,51 (cento e dezessete mil cinqüenta e cinco reais e cinqüenta e um centavos). Os valores utilizados para o cálculo foram os atualizados pela Portaria MPS n.° 342, de 2006. O sujeito passivo foi cientificado deste lançamento em 20 de novembro de 2006 (fl. 216), conforme assinatura aposta no AR (Aviso de Recebimento). Apresentou defesa em 04 de janeiro de 2007 (fls. 218228), aduzindo, em síntese, o que se segue: Quanto a suposta omissão na GFIP dos valores pertinentes à receita bruta dos espetáculos esportivos, a impugnante rechaça a procedência da autuação, apresentando, por amostragem, cópias das GFIP contendo o valor da receita bruta dos espetáculos esportivos em valor superior ao encontrado pela fiscalização, provando que a mesma sequer verificou as GFIP para lançamento da multa, provando que não houve omissão na citada declaração. Antes do julgamento administrativo de primeira instância, a FBF apresentará relatório circunstanciado provando a inexistência da omissão quanto ao campo BF1 contido no item 7 do Relatório de Fiscalização, e a necessidade de sua exclusão no cômputo da multa indevidamente aplicada para fins de eventual recálculo da penalidade aplicada. No que diz respeito a não informação das verbas pagas aos árbitros, auxiliares, reservas, quadro móvel, equipes de exame antidoping (quadro móvel da FBF) Fl. 1633DF CARF MF 4 BOR, após apuração da procedência dos valores levantados, antes do julgamento administrativo de primeira instância, promoverá, se for o caso, a necessária retificação da GFIP para fazer incluir tais verbas, para fins de possibilitar a relevação da multa imposta neste particular. Por fim, quanto a não informação das remunerações pagas aos contribuintes individuais, diretores e autônomos (FSG), a impugnante está analisando os números apontados pela fiscalização para análise analítica da autuação, o que, após apuração da procedência dos valores levantados, antes do julgamento administrativo de primeira instância, também promoverá, se for o caso, a necessária retificação da GFIP para fazer incluir tais verbas, para fins de possibilitar a relevação da multa imposta neste particular. Além da peticionante corrigir a falta apontada antes do julgamento da infração pela autoridade competente, se for o caso, a recorrente é primária e não incorreu em qualquer das circunstâncias agravantes contidas no art. 290 do mesmo diploma legal. Ademais, analisando o relatório fiscal da infração (fl. 7), a planilha demonstrativa do total de contribuição que a contribuinte deixou de declarar em GFIP, o auditor aplicou a multa por competência, aplicação esta que não encontra qualquer respaldo legal; e Ainda quanto ao valor mínimo da multa imposta, a autuação contém erros gravíssimos quanto a sua definição (fls. 224/227). A Seção do Contencioso Administrativo, à época integrante da Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador/Ba, requereu ao Serviço de Fiscalização pronunciamento fiscal (fls. 306/308). Da informação fiscal (fls. 1485/1495), constatase que houve o cumprimento da ordem solicitada, haja vista que o Auditor Fiscal notificante acolhe em parte as alegações do contribuinte. Destarte, devidamente notificado, em 16/09/2008, do resultado da diligencia acima solicitada (fl.1495), o sujeito passivo requereu mais uma vez a improcedência do presente Auto de Infração AI (fls. 1498/1500). Em sessão do dia 10 de fevereiro de 2010, a decisão da autoridade de primeira instancia julgou procedente em parte a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2006 GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO PARCIAL. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA TODAS AS COMPETÊNCIAS. A obtenção do beneficio da relevação pressupõe o atendimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no § 1° do art. 291, do Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, na redação dada pelo Decreto n.6.103, de 30 de abril de 2007. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 18050.004708/200875 Acórdão n.º 2402005.809 S2C4T2 Fl. 4 5 Cientificado da decisão de primeira instancia em 09/03/2010, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 1591 e segs., em 17/03/2010, o recurso voluntário aduzindo, em síntese: 1. Que deve o presente processo ser apensado, por conexão, aos de nº 18050004723/200813 e 18050000015/200722 por se tratarem da mesma matéria. 2. Que a decisão de primeira instancia deixou de aplicar lei superveniente mais benéfica na forma preconizada pelo Art. 106 do Código Tributário Nacional; 3. Impossibilidade de aplicação da multa de mora e 4. Erro no calculo da multa imputada. Requer, por fim, conhecimento do recurso voluntário e reforma do acórdão recorrido para aplicar a lei mais benéfica, assim como exclusão de aplicação da multa de mora. Na sessão de 12 de Abril de 2012, foi decidido pela 3ª Câmara da 1ª Turma, converter o julgamento em diligencia a fim de ser analisada a conexão entre o presente processo e os processos de nº 18050004723/200813 e 18050000015/200722. Em despacho de 14 de Outubro de 2014 (fl. 1623), foi deferida a conexão entre o processo indicado acima e o de nº 18050004723/200813 da 4ª Câmara, 2ª Seção, ficando prejudicada a conexão com o 18050000015/2007 22, que já teve o seu Recurso Voluntário julgado. Em despacho de encaminhamento datado de 24 de Abril de 2015, foi solicitado retorno dos autos do presente processo à 3ª Turma desta Seção, em razão dos processos 18050004723200813 e 18050000015200722 já terem sido julgados. Tendo em vista a extinção da 3ª Turma, o processo foi sujeito a nova redistribuição. É o relatório. Fl. 1635DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 09/03/2010, interpôs recurso voluntário no dia 17/03/2010, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Retroatividade da Legislação mais Benéfica De acordo com o Recorrente, a decisão de primeira instancia julgou que a retificação das GFIPs foi realizada em tempo hábil, atenuando a multa aplicada, mas, no entanto, ao seu entender, deixou de aplicar a legislação superveniente mais benéfica ao Recorrente, na forma preconizada pelo art. 106, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, requer aplicação das regras contidas na Lei nº 11.491/09. O Auto de Infração foi lavrado pelo fato do Recorrente ter apresentado GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, Inciso IV, parágrafo 5° da Lei n° 8.212/91, abaixo transcrito, então vigente a época do fato gerador. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar A. Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. (...) §5°A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo a contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Ocorre que as penalidades aplicadas em razão do descumprimento das obrigações acessórias vinculadas a GIFP, antes estabelecidas no art. 32 da Lei no 8.212/91, agora estão previstas no art. 32A do referido diploma normativo, conforme Lei n° 11.941/09, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá as seguintes multas: Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 18050.004708/200875 Acórdão n.º 2402005.809 S2C4T2 Fl. 5 7 I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, e (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). § 3 A multa mínima a ser aplicada será de: II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Desta forma, como o presente caso se trata exclusivamente de descumprimento de obrigação acessória vinculada a GFIP, quanto a omissão de informações consideradas bases de cálculo da contribuição previdenciária, não resta dúvida que se aplica à questão a penalidade contida no artigo supra transcrito, por se tratar de legislação superveniente mais benéfica ao contribuinte. Assim exposto e face a legislação superveniente mais benéfica para tratar da mesma questão, não resta dúvida que deveriase a penalidade prevista no inciso I do art. 32A, por se tratar de caso de omissão de informações na GFIP, penalidade esta que é menos severa ao contribuinte, luz do art. 106, II, "c" do CTN. Erro de calculo da multa imputada Alega o Recorrente que na planilha demonstrativa do total de contribuição que a contribuinte deixou de declarar em GFIP, o auditor aplicou a multa por competência, aplicação esta que não encontra qualquer respaldo legal. Para melhor entendimento segue abaixo transcrição do inciso II do artigo 284 do RPS: Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável as seguintes penalidades administrativas: II cem por cento do valor devido relativamente à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação as bases de cálculo, seja em relação as informações que alterem o valor das contribuições. No caso concreto, a penalidade imposta, determinada pelo art. 284, II, do RPS, acima transcrito é completamente ilegal, pois foi aplicada multa por cada competência, não tendo a norma acima transcrita feito qualquer referência a aplicação de multa por competência. Não há na legislação qualquer dispositivo legal que determine que a imposição do valor mínimo seja limitada por competência. A limitação está exclusivamente vinculada aos valores mínimos constantes na tabela do inciso II do art. 284, que também, ressaltese, não determina que a limitação seja por competência. Se a lei não atribui multa para cada competência, não pode a autoridade fiscalizadora ampliar a sanção, já que lhe foge autorização legal para tal, razão pela qual a multa deverá ser reduzida para o valor legalmente estipulado pelo inciso II do art. 284 do RPS. Fl. 1637DF CARF MF 8 Pelo que exige o art. 284, II, do RPS, a multa a ser imposta é cem por cento do valor devido relativamente contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I. CONCLUSÃO Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER o Recurso Voluntário e DAR PROVIMENTO, a fim de que seja recalculada a multa, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 18050.004708/200875 Acórdão n.º 2402005.809 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator designado Designado que fui para redigir o voto divergente, apresento as minhas considerações. Aplicação da legislação mais benéfica De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1639DF CARF MF 10 É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Devese, então, verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas, resulta em valor mais benéfico ao contribuinte. Erro na aplicação da multa O sujeito passivo alega que, por ter efetuado o cálculo da multa mês a mês, o fisco teria incorrido em erro que conduziria à retificação do seu valor. Incorreto este raciocínio. Vejamos os dispositivos aplicáveis na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 18050.004708/200875 Acórdão n.º 2402005.809 S2C4T2 Fl. 7 11 § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). A redação transcrita do inciso IV do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 não deixa dúvida de que a obrigação de declarar às informações à Administração Tributária mediante a GFIP é mensal. Daí que a verificação das infrações se realiza na mesma periodicidade, sendo que cada GFIP com incorreção corresponde a uma infração. Nesta toada, fácil perceber que a inclusão das várias infrações e a multa correspondente em auto de infração único é apenas uma opção administrativa que leva em conta a economia processual, posto que toda a sistemática de apuração das contribuições previdenciárias e, obviamente, a verificação das obrigações acessórias relacionadas, leva em conta o período de um mês. Diante dessas considerações, dúvida não há de que a imposição da multa e o procedimento para o seu cálculo são feitas para cada GFIP apresentada, o que leva inexoravelmente à fixação da penalidade mensal e, a seguir, a sua consolidação por auto de infração. Assim, carece de razão este argumento acerca da incorreção no cálculo da penalidade. Conclusão Fl. 1641DF CARF MF 12 Voto por dar provimento parcial ao recurso para que a multa fique limitada a 75% do tributo não declarado deduzidas as multas impostas nas NFLD correlatas. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1642DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.008356/98-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 29/08/1997 a 10/03/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NOVO JULGAMENTO.
Princípio do Devido Processo Legal. Devem ser analisadas todas as questões de mérito suscitadas pelas partes. Não pode, por desobediência ao princípio de devido processo legal, o órgão julgador deixar de analisar o mérito da demanda, no caso, a classificação fiscal propriamente dita. Necessidade de novo julgamento.
DEVOLVA-SE OS AUTOS PARA DRJ.
Numero da decisão: 3301-003.673
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, devolver o processo para a 1ª instância, DRJ/Florianópolis/SC, para a realização de novo julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 29/08/1997 a 10/03/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NOVO JULGAMENTO. Princípio do Devido Processo Legal. Devem ser analisadas todas as questões de mérito suscitadas pelas partes. Não pode, por desobediência ao princípio de devido processo legal, o órgão julgador deixar de analisar o mérito da demanda, no caso, a classificação fiscal propriamente dita. Necessidade de novo julgamento. DEVOLVASE OS AUTOS PARA DRJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 00 83 56 /9 8- 35 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 515 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, devolver o processo para a 1ª instância, DRJ/Florianópolis/SC, para a realização de novo julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 516 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adequações de minha iniciativa, o relatório do Julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão 930300128, Sessão de 08 de julho de 2009, fls. 493/499 "O presente processo è decorrente de revisão aduaneira e iniciouse com Auto de Infração de fls. 1/28, lavrado em 23/12/98, em que foram exigidos os impostos de importação (de R$ 324.384,64) e sobre produtos industrializados (de R$ 172.208,15), acrescidos da multa de mora prevista no art. 61, § 2", da Lei n" 9.430, de 1996 e de juros de mora, incidentes nas importações da mercadoria descrita pelo importador como "Conversor de padrão de televisão FL/UHFVHF 550 MHZ", e que foi classificada no código TEC 8543.89.40 nas declarações de importação registradas entre 29/8/97 e 10/3/98. de controle remoto, desprovido de cinescópio, altofalante e circuito de decodificação, próprio para receber sinais cuja freqüência compatível com a utilizada pelos aparelhos de televisão comerciais, denominado comercialmente "Conversor" modelo 3661 Series". A autuação deveuse ao fato de ter a contribuinte desembaraçado as mercadorias em data anterior à protocolização do processo de consulta cuja decisão implicou aplicação de alíquotas superiores às utilizadas nos despachos de importação. Em sua impugnação (fls. 189/193) a contribuinte contestou a conclusão adotada pela Coana, entendendoa equivocada, assim como a anterior, e alegando que, além de ser decisão extrapetita, deu uma solução completamente diversa e não Préquestionada. Alegou, também, que o parecer da Coana agravou os valores que seriam devidos se prevalecesse a decisão reformada, e que a nova classificação é de 2a Instância e nula por alterar as conclusões da decisão singular contra a qual havia sido interposto recurso, e só poderia ser aplicada aos fatos geradores subseqüentes, de acordo com o art. 146 do CTN. O processo foi decidido em primeira instância pela Chefe da DITEX da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, com base na delegação de competência contida na Portaria DRJ/RJ n" 7/99 (DOU de 3/2/99), que proferiu a Decisão DRJ/RJO n° 1.636, de 19/10/99, cuja ementa transcrevo (fls. 301 a 306): CONSULTA SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EFEITOS. Parecer da CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro (COANA) que reforma, de oficio, decisão proferida por órgão regional em processo de consulta sobre a classificação de mercadorias. Correta a sua aplicação em relação a fatos geradores ocorridos antes da protocolização da consulta. LANÇAMENTO PROCEDENTE " A contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 314/320), questionando, basicamente, dois aspectos: Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 517 4 1) A vigência no tempo de decisões que alteram a classificação de mercadorias em razão de resposta à consulta formulada pela suplicante. A respeito, sustenta a recorrente que a nova classificação fiscal não tem caráter retroativo, entendendo que a decisão recorrida no processo de consulta era pela natureza definitiva, e que a avocatória constituise em prerrogativa da autoridade, mas representa reforma de uma decisão final anterior, que produzia efeitos até que fosse revogada. Entende que a consulta abrange todos os lançamentos realizados antes e no curso do processo administrativo e que a classificação final adotada pela Coana, reformando de oficio a decisão anterior, só poderia ser aplicada a partir da data da decisão que a instituiu, ou seja, 15/10/98; e 2) o mérito da classificação fiscal pretendida. Nessa parte, ratifica as alegações já expendidas por ocasião da impugnação, entendendo ser equivocada a classificação dada pela Coana e afirmando, pelas razões ali expendidas, "que se trata de conversores de padrão de TV classificados na Posição 85.43.8940 e não de receptores ou decodificadores da Posição 85.43.8990 ex13 ou muito menos de receptores de televisão da Posição 85.28.1290." O processo foi encaminhado a este Conselho sem a exigência do depósito para garantia de instancia, em vista de Acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região em apelação a mandado de segurança decidido favoravelmente à recorrente (certidão à fl. 346). As fls. 378/179 a recorrente aditou esclarecimentos sobre a matéria de direito, já expendidos na sustentação oral feita nesta Câmara, arguindo a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por considerar que as nulidades absolutas podem ser invocadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição, devendo, inclusive o julgador pronunciálas de ofício, mesmo quando não invocadas pelas partes. Em decorrência, apontou as irregularidades seguintes, solicitando a nulidade da decisão, em vista do disposto no art. 59, II, do Decreto n" 70.235/72: a) decisão prolatada por pessoa incompetente, a saber, a Chefe da DITEX/DRJ/RJ, em lugar de ser proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento, afrontando a lei e contrariando jurisprudência dos Segundo e Terceiro Conselho de Contribuintes; e b) cerceamento do direito de defesa, em vista de a autoridade prolatora da decisão se ter recusado a apreciar os fundamentos de mérito apresentados na impugnação, ao consignar "Pretende a Interessada reabrir a discussão sobre a classificação fiscal dos referidos CONVERSORES, insistindo em que seja acolhido o código tributário por ela adotado. Importa aqui, observar que o aspecto técnico da classificação fiscal da mercadoria já se encontra examinado pela Administração (Parecer COANA na 13/98). Não compete a este órgão julgador rediscuti lo." O processo foi julgado nessa 3ª Câmara na sessão de 5/11/2003, nos termos do Acórdão n° 30130.795, que declarou , por unanimidade, nulo os atos do processo a partir da decisão de primeira instancia, inclusive, e cuja ementa dispôs, verbis: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO A competência para decisão em primeira instancia administrativa de processos de determinação e exigência de créditos tributários, foi atribuída aos Delegados da Receita Federal de Julgamento, na vigência do art. Io da Lei n° 8.748/93, descabendo a delegação dessa atribuição a outra pessoa Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 518 5 que não o titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em face do disposto no art. 13 da Lei n° 9.784/99. ANULADO O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, INCLUSIVE" O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Florianópolis/SC para julgamento, em vista da competência desse órgão, decorrente da nova distribuição de atribuições para julgamento de processos, tendo sido a decisão consubstanciada no Acórdão DRJ/FNS n" 3.732, de 5/3/2004. Em que, por unanimidade de votos, concluise pela improcedência do lançamento, adotada a seguinte ementa, verbis: "HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO Não constitui homologação de lançamento o ato de desembaraço aduaneiro, salvo se a autoridade fiscal expressamente assim o declarar. CONSULTA SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EFEITOS Tendo em vista que os processos administrativos de consulta são solucionados em instancia única, decisões em tais tipos de processos, exarados pelas Superintendências Regionais da Receita Federal e que estabelecem classificação fiscal de determinado produto, consolidam, para o consulente, um critério jurídico que deve ser seguido no lançamento. O critério jurídico adotado pela administração relativamente à classificação fiscal, abrange todas as importações pretéritas de produtos idênticos que estejam dentro do prazo que a SRF dispõe para proceder sua revisão, ou seja, 5 (cinco) anos a contar da data de registro da DI. Pareceres da CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro que modifiquem a classificação fiscal obtida em processo de consulta somente são aplicáveis para importações realizadas em data posterior à da ciência desse parecer, por parte do interessado. Lançamento Improcedente. Em vista da exclusão integral do crédito tributário, em valor superior ao limite de instancia, foi feita a interposição de recurso de oficio, em obediência ao disposto no art. 34 do Decreto n" 70.235/72. O colegiado deu provimento ao Recurso de Ofício, e pode ser resumido no trecho final do Acórdão (fls. 410): Pelos motivos aqui expostos, não posso concordar com as afirmações do relator do processo no julgamento de primeira instância e que culminou com a improcedência do lançamento, o qual considerou que as importações foram efetuadas em período anterior ao da formalização da consulta e, ao mesmo tempo, entendeu que as mercadorias estariam abrigadas pela Decisão SRRF/7ª RF posteriormente reformada , e ainda acrescentou que a fiscalização deveria ter alterado a classificação fiscal das importações para o código da decisão reformada. E não há como se concordar por que, como acima explicitado, a consulta formulada pela recorrente não poderia produzir qualquer efeito em Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 519 6 relação aos fatos pretéritos, em face da legislação de regência e, em especial, do disposto no art.52, III, combinado com o art. 7º, III, do Decreto nº 70.235/72 e no Parecer Normativo CST nº 67/77. Diante do exposto, e em face do crédito tributário constituído dizer respeito tão somente a fatos geradores ocorridos antes da protocolização da consulta, entendo não terem alicerce lógico e jurídico as alegações retrocitadas contidas na decisão de primeira instância, relativas aos efeitos do processo de consulta, razão pela qual voto pelo provimento do recurso de oficio, para manter em sua integralidade o auto de infração. Desse Acórdão de segunda Instância (Acórdão de Recurso de Ofício), o contribuinte interpôs recurso1 à Câmara Superior para alegar que houve cerceamento ao seu direito de defesa quando não foram analisadas as razões meritórias trazidas por ele, no que tange à classificação adotada no auto de infração. Informa que apresentou dois laudos periciais que sequer foram analisados tanto pelos julgadores de 1ª Instância como pelos julgadores de 2ª Instância. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões (fls. 498 e seguintes) propondo que o Recurso Voluntário fosse negado. Ao apreciar o recurso a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão 9303000.128, fls. 493/499, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 29/08/1997 a 10/03/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Princípio do Devido Processo Legal. Devem ser analisadas todas as questões de mérito suscitadas pelas partes. Não pode, por desobediência ao princípio de devido processo legal, o órgão julgador deixar de analisar o mérito da demanda, no caso, a classificação fiscal propriamente dita. Necessidade de novo julgamento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Foime distribuído, por sorteio, o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. 1 Pelo princípio da fungibilidade foi acatado o Recurso interposto pela Recorrente, à época, como Recurso Voluntário (fls. 476), apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 520 7 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator Conforme relatado, tratase de cumprimento de decisão da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais conforme Acórdão 9303000.128, fls. 493/499, no sentido de se apreciar o mérito quanto à Classificação Fiscal da mercadoria importada. Originariamente o litígio centravase em duas questões: (i) os efeitos de Consulta sobre Classificação Discal formulada pelo contribuinte e (ii) a correta Classificação das mercadorias importadas. Em passagem anterior pela Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, aquele Colegiado, ao apreciar Recurso de Ofício, Deu Provimento ao Recurso, restabelecendo o lançamento. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso à Câmara Superior que, acolhendoo, devolveu os autos ao Colegiado ordinário para novo julgamento ora em apreciação, em face de caracterização de cerceamento do direito de defesa. Isso porque, tanto a decisão de primeira instância quanto a de Segunda instância trataram especificamente sobre os efeitos da Consulta formulada pelo contribuinte, não se manifestando quanto a correta Classificação Fiscal da mercadoria, tópico defendido pela recorrente desde a impugnação. Quanto ao primeiro item litigado, os efeitos da Consulta formulada pelo contribuinte, a Decisão da Câmara Superior já o declara definitivamente decidido, na esfera administrativa, restando concluso que os efeitos da Consulta de classificação formalizado pela recorrente não atinge o período compreendido no presente lançamento. Assim, no presente julgamento, a matéria a ser tratada é unicamente quanto à correta classificação fiscal da mercadoria importada e, por conseqüência a procedência da exigência fiscal lançada. Conforme já dito, tanto esta instância recursal quanto a decisão de primeira instância incorreram em igual cerceamento de defesa, daí que a apreciação do mérito por parte desse colegiado, nessa oportunidade, implicaria supressão da primeira instância. Nessa mesma esteira, manifestouse a Relatora do voto precursor da Decisão da Câmara Superior: "Na verdade, entendo que o Acórdão Recorrido deveria ter devolvido o processo para que a DRJ fizesse a análise de mérito, uma vez que o resultado do Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10783.008356/9835 Acórdão n.º 3301003.673 S3C3T1 Fl. 521 8 processo de consulta ou o parecer da COANA não vincula o julgamento deste Tribunal Administrativo." Assim tenho que os autos devem retornar à Primeira Instância para apreciação do mérito acerca da correta Classificação Fiscal. Dispositivo Ante o exposto, voto no sentido de devolver os autos à DRJ/Florianópolis/SC para novo julgamento, ultrapassada a questão dos efeitos da Consulta, e com o enfrentamento do mérito acerca da classificação fiscal. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 521DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720148/2014-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser rejeitados de pronto conforme regimento interno deste Conselho.
Numero da decisão: 3201-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Não havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser rejeitados de pronto conforme regimento interno deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 01 48 /2 01 4- 39 Fl. 377DF CARF MF 2 Trata o presente processo de embargos declaratórios opostos pelo contribuinte em fls. 365, que alega a existência de omissão no julgado do Acórdão de fls. 348, que foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO." O contribuinte apresentou embargos afirmando a existência de omissão no Acórdão, nos seguintes termos: (i) quanto ao seu pedido para que fosse reconhecida a não incidência de juros moratórios em relação ao período em que o crédito tributário esteve com a exigibilidade suspensa; (ii) sobre o seu pedido de não restrição nos registros da RFB. O Despacho de admissibilidade de fls 374 assim concluiu pela admissibilidade parcial dos Embargos: "(...) O que se verifica da leitura do Acórdão embargado, em relação ao primeiro ponto suscitado nos embargos, é que realmente houve omissão. O acórdão corretamente não conheceu do recurso voluntário em face da existência de concomitâncias entre os processos administrativos e judiciais (Súmula CARF nº 01). Foi, contudo, omisso em relação ao pedido do contribuinte para que fosse reconhecida a não incidência de juros moratórios em relação ao período em que o crédito tributário esteve com a exigibilidade suspensa. Pela simples leitura do voto condutor do julgado, verificase que tal assunto não foi analisado. Em relação ao segundo ponto embargado o pedido de não restrição nos registros da RFB – não há previsão legal para analisar tal matéria em sede de embargos. Aliás, tal matéria não é nem mesmo de competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento ou deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Tal pedido, se cabível, deve ser endereçado à Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF de jurisdição do contribuinte. Com essas considerações, ADMITO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pela interessada, apenas em relação à primeira matéria (discussão sobre a não incidência de juros moratórios). Tendo em vista que o relator não mais integra este CARF e que a turma julgadora não foi extinta, nos termos do art. 5o. da Portaria Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10166.720148/201439 Acórdão n.º 3201002.845 S3C2T1 Fl. 378 3 CARF no. 30, de 31 de agosto de 2015, encaminhese o processo para sorteio a relator integrante da 1a. TO da 2a. Câmara. Alega a DRJ, que por tratarse de órgão julgador da RFB não poderia exercer o controle administrativo sobre decisão prolatada em processo de consulta no âmbito da própria RFB. A decisão do CARF foi no sentido da obrigatoriedade da DRJ prolatar decisão determinando a correta classificação da mercadoria. Consultando o acórdão, verificase que da decisão não consta o enfrentamento da questão suscitada pela embargante quanto a vinculação dos órgãos administrativos à solução de consulta." Os autos foram distribuídos e pautados conforme determinação do Presidente desta Turma apresentada acima, no despacho de admissibilidade. É este o breve relato que importa ao julgamento dos Embargos de Declaração. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme Art. 65, §3.º, do Anexo II do regimento interno deste conselho e manual dos conselheiros, os embargos declaratórios que não possuírem os requisitos para sua propositura devem ser rejeitados de pronto. Dessa forma, verificase na leitura do Acórdão Embargado de fls. 348 que não há qualquer omissão, contradição ou obscuridade conforme alegado pelo contribuinte em seus embargos de fls. 365. Isto porque a razão de decidir do Acórdão embargado foi clara em afirmar que houve concomitância e optou por não conhecer do recurso. Ora, esta é uma situação clássica de rediscussão do mérito por parte do embargante. Se o recurso não foi sequer conhecido, como discutir alguma matéria do mérito? Não há como. Qualquer análise de mérito iria atuar contra o próprio propósito da concomitância, a celeridade nos processos e a concentração de discussões de objetos e causas de pedir idênticas em um só âmbito de solução de controvérsias. Não há qualquer omissão, contradição ou obscuridade nos fundamentos e motivos apresentados na decisão embargada. Se por acaso houvesse alguma omissão na discussão temática sobre a incidência dos juros, esta possível omissão seria somente discutida na possibilidade do Acórdão ter conhecido o recurso e julgado este no mérito. Diante de todo o exposto, não sendo os Embargos declaratórios o meio correto para contestar decisão deste Conselho que não tenha omissão, contradição ou obscuridade, votase para que sejam REJEITADOS os Embargos de Declaração opostos. Fl. 379DF CARF MF 4 Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.720354/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2011
PAGAMENTO A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. EFEITOS.
Comprovado pela Autoridade Fiscal o descumprimento dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/00 para instituição de um programa de PLR, os valores totais pagos sob essa rubrica integram o salário de contribuição. É dever do Fisco a determinação correta da base de cálculo do tributo devido, consoante preceitua o artigo 142 do CTN, sendo vedado a adoção de valores parciais.
Numero da decisão: 2201-003.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. EFEITOS. Comprovado pela Autoridade Fiscal o descumprimento dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/00 para instituição de um programa de PLR, os valores totais pagos sob essa rubrica integram o salário de contribuição. É dever do Fisco a determinação correta da base de cálculo do tributo devido, consoante preceitua o artigo 142 do CTN, sendo vedado a adoção de valores parciais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente Redator Designado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 03 54 /2 01 4- 66 Fl. 974DF CARF MF 2 EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, valhome do relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância: Do lançamento O Auto de Infração Debcad nº 51.061.6569 referese ao lançamento nas competências 01/2011 a 12/2011 das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O relato fiscal de fls. 11 a 36 informa que a auditoria detectou indícios de irregularidades nas informações prestadas pelo sujeito passivo relativas à massa salarial das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs, quando comparadas com as remunerações aos segurados empregados, código 0561 (rendimentos do trabalho assalariado), constantes das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Questionados, os responsáveis pela empresa declararam que a diferença de aproximadamente 169% a maior na DIRF em 2011 referiase à premiação a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, e que, a partir da implantação do novo regime de tributação previdenciária, com a contribuição incidente sobre a receita bruta operacional, deixou de utilizar este sistema de remuneração. Com base nos elementos analisados, a fiscalização constatou que no exercício de 2011 a BRQ utilizou o esquema de fazer pagamentos mensais aos empregados, contabilizados sob a forma de empréstimos, e semestralmente lançava tais valores na DIRF, assim como nos resumos das folhas de pagamento de salários de março/2011 e setembro/2011, a título de Participação nos Resultados, com o intuito de dissimular o cumprimento do § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000: Art. 3º. A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 975 3 A diferença desproporcional entre o salário nominal destacado nas GFIPs em comparação com os rendimentos informados na DIRF levou a auditoria fiscal a concluir que os valores efetivamente pagos aos segurados substituem e complementam a remuneração devida a qualquer empregado, fato que infringe o artigo 3º da Lei nº 10.101/2000. O Anexo 06 ao Relatório Fiscal (fls. 209 a 333) contém 6.114 registros e consiste em uma planilha comparativa, por beneficiário, entre a DIRF dos meses de 04/2011 e 10/2011 e as GFIPs das competências 03/2011 e 09/2011. Dos registros do Anexo 06, 1.519 se referiam a segurados com rendimentos no código 0561 da DIRF que não constavam nas GFIPs transmitidas pela BRQ. Por amostragem, a fiscalização identificou tratarse em muitos casos de exempregados da BRQ que, mesmo sem qualquer vínculo empregatício ativo, recebiam remunerações retributivas da prestação de serviços, conforme informado na DIRF/2011. Estes trabalhadores estão relacionados na planilha de fls. 334 a 361 (Anexo 7), de onde devem ser excluídos os estagiários cuja remuneração está contabilizada na conta contábil 0000.4.1.1.010. O Anexo 02 ao Relatório Fiscal (fls. 40 a 170) contém 12.240 lançamentos contábeis referentes a empréstimos mensais feitos individual e nominalmente aos segurados empregados da empresa, obtidos do cotejo entre as contas contábeis código 00001.1.3122, denominada Mútuo a Funcionários – Folha, e sua contrapartida no passivo, conta contábil 00002.1.22099 – Conta Transitória. Com relação aos Acordos Coletivos de Participação nos Resultados, a fiscalização verificou que, apesar de estarem assinados por uma comissão de empregados, a BRQ não apresentou quaisquer documentos que comprovassem que estes tivessem sido eleitos ou escolhidos para esta representação. Observou ainda: a) no acordo firmado com o SINDPDSP, que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que o Sindicato evidenciou interesse financeiro ao impor a cobrança de taxa negocial de todos os participantes do quadro de lotação da BRQ, deixando de lado sua principal função, que é a proteção do trabalhador; que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 02/2011 e 08/2011, mas os pagamentos foram lançados nas folhas de pagamento de 03/2011 e 09/2011; que uma das representantes, Sra. Núbia Paula Galvão, tinha apenas um dia de serviço quando assinou o acordo coletivo; b) no acordo firmado com o SINDPDRJ, que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 03/2011 e 09/2011, requisito que foi cumprido formalmente, mas que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que dois dos representantes foram admitidos em 01/06/2010, ou seja, 30 dias antes da vigência proposta na Fl. 976DF CARF MF 4 cláusula contratual, e que como o acordo coletivo não tem data de assinatura, não há como afirmar se estes empregados tinham realmente o poder de representação de todo o grupo; c) no acordo firmado com o SINDPDPR, que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 03/2011 e 09/2011, requisito que foi cumprido formalmente, mas que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que um dos representantes foi admitido somente em 13/10/2010, ou seja, 105 dias após a data do acordo coletivo. A fiscalização concluiu que as partes não observaram os interesses de sua própria coletividade, não obedeceram aos critérios legais para pagamento semestral do PLR, não deixaram clara a participação e concordância dos empregados envolvidos e deixaram registrado, no item 3.1, que as regras definidas foram resultado da livre negociação entre a empresa e o Sindicato, atuando em prejuízo da Previdência Social e dos próprios segurados empregados. Outro ponto destacado no Relatório Fiscal foi a análise de documentos oriundos da Justiça do Trabalho. A fiscalização relata que em uma sentença trabalhista a própria reclamada sustentou que o valor pago bimestralmente como adiantamento correspondia à participação nos resultados, fixado em acordo coletivo, segundo critérios de assiduidade e performance do empregado. No texto da sentença, a justiça trabalhista relata sobre a confirmação do não cumprimento do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000 e sobre as conseqüências nocivas aos trabalhadores com a forma de retribuição adotada pela BRQ. A conclusão da fiscalização à vista dos fatos e documentos coletados é que a freqüência e o número exagerado de remunerações pagas a título de adiantamentos ou empréstimos, muito superior aos salários informados nas folhas de pagamento e GFIPs, indica que, na realidade, tratase de parcelamento mensal de salários disfarçado de mútuo e lançado somente nas folhas de pagamento de 03/2011 e 09/2011, sob a rubrica PLR. Estes valores não foram incluídos pela autuada na base de cálculo das contribuições devidas a terceiras entidades. A utilização de procedimentos contábeis irregulares demonstra a intenção da empresa de ocultar fatos geradores de contribuições previdenciárias e simular como distribuição de lucros as remunerações feitas a segurados empregados, contratados para prestar serviços inerentes à sua atividadefim. Diante da constatação da conduta de sonegação, a multa de ofício foi majorada para 150%, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. O montante do crédito, consolidado em 03/12/2014, corresponde a 12.029.244,49 (doze milhões, vinte e nove mil, duzentos e quarenta e quatro reais e quarenta e nove centavos). Da impugnação Fl. 977DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 976 5 Cientificado da autuação por via postal em 09/12/2014, o sujeito passivo apresentou impugnação em 07/01/2015 (fls. 476 a 515), alegando, em síntese: 1) a nulidade do auto de infração em razão da falta de clareza e precisão do relatório fiscal e do discriminativo de débito. Consta no 1.1 do relatório que o processo se refere a contribuições previdenciárias patronais (20% e SAT), assim como ocorreu no processo 15956.720318/201401, atribuindo para este outro processo as contribuições a outras entidades. A confusão retrata bis in idem, e é contraditória com o discriminativo de débito, onde constam contribuições a “terceiros” sem apresentar as bases de cálculo, as alíquotas e as contribuições que comporiam esses “terceiros”; 2) a nulidade absoluta da autuação por apresentar vício material insanável, em razão do equívoco no fato gerador e na base de cálculo eleitos pela fiscalização, sob pena de violação direta e frontal ao artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN e aos artigos 5º, LIV e LV e 37 da Constituição Federal. Diz que a fiscalização afirmou que os planos de PLR da empresa infringiram a lei de regência e se prestavam apenas para substituir parcela remuneratória devida aos empregados, inclusive com o adiantamento de valores (mensal ou bimestralmente) por meio de mútuos/empréstimos, mas que por esse raciocínio não haveria outra conclusão lógica senão a de desconsiderar integralmente todos os planos de PLR da empresa firmados com três entidades sindicais distintas, caracterizando todos os valores pagos a título de PLR aos empregados como parte do salário, o que não ocorreu. Citando o artigo 142 do CTN, sustenta que não poderia a autoridade administrativa criticar uma matéria (PLR) e eleger como fato gerador e base de cálculo outra matéria (mútuos/empréstimos), até porque nesse caso o contribuinte tem seu direito de defesa prejudicado, não sabendo se deve se defender de um ponto ou de outro. Questiona a motivação para ter a fiscalização considerado legítima uma parte do PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros, na ordem de R$ 74.000.000,00 para R$ 92.000.000,00. Entende que o valor dos empréstimos, feitos a cada dois meses aos empregados interessados, jamais poderia ter sido eleito como fato gerador ou base de cálculo de contribuições previdenciárias por não representar vantagem econômica definitiva dos empregados. Afirma que, como comprovam os contratos de mútuo, os empréstimos eram feitos na forma da lei, com incidência de juros, taxa administrativa e data de vencimento, quando eram integralmente quitados pelos empregados, não integrando o seu patrimônio. Como apenas o valor da Participação nos Lucros e Resultados era creditado aos empregados definitivamente, esse seria o único pagamento que poderia, em tese, ser objeto de discussão pelo AuditorFiscal; 3) contextualiza o mercado dos profissionais de tecnologia da informação (TI) com o objetivo de demonstrar a necessidade e legalidade dos mútuos feitos pela empresa em favor de boa parte Fl. 978DF CARF MF 6 de seus empregados. Afirma que no seu caso os profissionais de TI eram contratados nos termos estritos da legislação trabalhista (CLT), estabelecendose cargos e níveis de remuneração mensal de acordo com a senioridade e especialidade, além de outros benefícios in natura, tais como assistência médica, assistência odontológica, seguro de vida, valerefeição, valealimentação e previdência privada. Além desses benefícios, também negociava anualmente com a Comissão de Empregados e com Sindicatos de três diferentes estados da federação os programas de PLR que permitam o recebimento de valores decorrentes da performance da empresa e da performance individual dos empregados, com metas que variam desde as margens de lucro dos projetos até as competências e habilidades dos profissionais como elementos importantes na obtenção dos resultados da empresa como um todo. Frisa que nunca reduziu salários ou pagou benefícios em dinheiro para deixar de pagar contribuições sociais e FGTS, que nunca suprimiu bônus, gratificações habituais ou quaisquer outros benefícios, nem comissões ou outras verbas salariais para que fosse instituído o programa de PLR, agindo sempre em conformidade com a CLT e com a Lei nº 8.212/1991. Relata que a figura do mútuo/empréstimo somente foi utilizada pela empresa em razão de necessidade e pedido de muitos empregados, que precisavam de maior fluxo de caixa em razão de compromissos pessoais. Esses profissionais, que outrora prestavam serviços a diversas empresas sem exclusividade, estavam se adaptando ao regime CLT e a ter seu desempenho medido semestralmente, e por isso a empresa permitiu que aqueles que necessitassem de empréstimos pudessem ter acesso a uma linha de crédito bimestral. Destaca que não havia pagamentos mensais, pois os empréstimos eram concedidos apenas nos meses pares (fevereiro, abril, etc), sendo que apenas algumas exceções foram feitas nos meses ímpares, notadamente para empregados recém admitidos. Informa que recolhia os impostos devidos pelas receitas recebidas dos empregados (IOF), e que nem todos os empregados solicitavam o mútuo/empréstimo, conforme comprova a amostragem dos contracheques, em que consta o pagamento da PLR dos empregados e não consta qualquer desconto de mútuo; 4) a legalidade do seu programa de PLR, que observou a irredutibilidade da remuneração dos empregados, a elegibilidade de todos os empregados, a formalização em documento escrito e único, a existência de regras objetivas e claras, a negociação e assinatura logo no início do período de apuração e antes de qualquer pagamento, a periodicidade semestral, a participação do Sindicato da categoria de cada base territorial e o arquivamento no Sindicato. As acusações fiscais de que os Sindicatos, em especial o de São Paulo, não protegeram os interesses dos empregados e visaram interesses financeiros, são indevidas, seja porque os acordos contam com metas bastante detalhadas e com fórmula matemática de aferição do valor da PLR, seja porque nenhum Sindicato recebeu nada por isso. Com o advento da legislação de desoneração da folha de pagamento, a empresa não se desfez do instrumento de incentivo à produtividade que é a PLR, tanto é que pagou a esse título em 2010 R$ 48.620.297,33, em 2011 R$ 91.022.106,46, em 2012 R$ 104.331.193,16 e em 2013 R$ 67.696.566,27. Os Fl. 979DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 977 7 empréstimos de mútuo eram feitos mediante solicitação do empregado, não eram obrigatórios e não tinham seu valor vinculado direta ou indiretamente ao valor da PLR. A PLR dependia do atingimento de metas mensais mas de apuração semestral, nesta também avaliadas habilidades e competências individuais, não sendo possível antecipar valores relativos a resultados não sabidos e impossíveis de prever. A forma de comparação entre os valores informados em DIRF (que incluem a PLR) e os informados em GFIP (sem PLR) foi indevida, pois deixou de descontar o valor do próprio salário que está na DIRF e ignorou que o valor informado em DIRF corresponde a seis meses de apuração de PLR, enquanto que o valor da GFIP corresponde a apenas um mês de salário. Se fosse o caso, deveria ter sido comparada a PLR (semestral) com seis meses de salário dos empregados, mas esta questão não tem relevância jurídica, pois a Lei nº 10.101/2000 não impõe qualquer limitação aos valores da PLR, de modo que não existe vedação legal para o pagamento de participações relevantes aos empregados, bastando que decorra de regras claras e objetivas; 5) que na reclamatória trabalhista cuja sentença foi mencionada pela fiscalização não houve sequer a oitiva de testemunhas, tendo havido grave cerceamento do direito de defesa da empresa, o que foi objeto da medida cautelar juntada aos autos. Existem outras decisões judiciais, inclusive do Tribunal Regional do Trabalho, no sentido de reconhecer que os empregados recebiam seu salário corretamente, recebiam mútuos bimestralmente – se fosse de seu interesse – e recebiam valores variáveis, conforme metas atingidas, a título de PLR. Estas decisões destacam que a PLR paga pela empresa não tem natureza salarial, fato que, por si só, considerando a coisa julgada e a força das decisões judiciais, devem acarretar na nulidade das presentes autuações; 6) que com relação à nomeação dos membros da Comissão de Empregados que negociavam e assinavam os acordos de PLR, os planos foram implementados mediante acordo coletivo de trabalho, o que dispensaria a existência da Comissão; que ainda que houvesse a exigência de que o Plano tivesse sido negociado via Comissão, não há obrigação de eleição formal ou mesmo elaboração de ata de escolha da comissão, sendo certo que todos os subscritores dos acordos eram empregados e foram assistidos pelo Sindicato de cada localidade, não havendo qualquer irregularidade nesse sentido; que a Sra. Janaína de Paula Cavalheiro, após ser admitida, juntouse à Comissão e complementou as assinaturas do Plano, não havendo dispositivo legal que proíba esta situação; 7) que a postergação da data de pagamento da participação no estabelecimento de São Paulo, que havia sido pactuada para 02/2011 e 08/2011 mas ocorreu em março e setembro daquele ano, deuse em virtude das negociações havidas com os Sindicatos de outras localidades, para que se mantivesse uma isonomia entre os pagamentos; Fl. 980DF CARF MF 8 8) que os exempregados que tiveram o contrato de trabalho rescindido no curso do período de apuração da PLR tiveram que aguardar as datas previstas nos acordos para receber o pagamento, pois não havia nenhuma previsão de adiantamento de valores na ocasião da rescisão, até porque nesta data ainda não haviam sido apuradas todas as metas estabelecidas; 9) a ilegalidade da multa de 150%, fundamentada pela fiscalização na omissão de informações e fatos geradores, e que por isso teria incorrido no crime previsto no artigo 337A do Código Penal. Sustenta que não houve cometimento de qualquer ato ilícito pela empresa, muito menos doloso, no sentido de se elidir do recolhimento de contribuições sociais. Tanto é que o próprio fiscal pode localizar, com clareza, os mútuos registrados no Livro Razão. Caso mantida a autuação, o que admite apenas para argumentar, a multa de ofício não pode ultrapassar 75%; 10) a necessidade de exclusão dos representantes legais e dos contadores da empresa, indicados no Relatório de Vínculos: Roberto Gennaro Mannarino, Andréa Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros; 11) o descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais, que não deve prosseguir, tendo em vista a ausência de infração por parte da impugnante. Ao final, a impugnante requer: a) o julgamento da improcedência dos Autos de Infração e a extinção dos créditos tributários; b) a não aplicação da multa qualificada de 150%; c) o sobrestamento da Representação, a teor do disposto no artigo 83 da Lei nº 9.430/1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 12.350/2010; d) a produção de todas as provas admitidas em direito, prova documental, notadamente a exibição e juntada posterior de documentos, realização de perícia e tantas quantas forem as provas necessárias para a real apuração da verdade material; e) que todas as notificações sejam também expedidas ao seu patrono, no endereço que indica. No julgamento da impugnação, acordaram os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos que podem ser assim resumidos: Da ausência de impugnação A fase litigiosa do procedimento não foi instaurada com relação ao responsável solidário Benjamin Ribeiro Quadros, que não apresentou impugnação à exigência. Das alegações de vícios no procedimento fiscal (...) Fl. 981DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 978 9 No âmbito do processo administrativo fiscal, os requisitos obrigatórios que devem fazer parte do Auto de Infração estão dispostos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235/1972. Efetivamente, como salientou a impugnante, a autoridade lançadora cometeu uma inversão na descrição dos processos originados da mesma ação fiscal no início do Relatório Fiscal deste processo nº 15956.720354/201466, como se demonstra a seguir: 1 INTRODUÇÃO 1.1 Este relatório é parte integrante do AI Auto de Infração n°. 15.956.720.354/201466, referente aos lançamentos das contribuições previdenciárias patronais e tem por objetivo informar ao notificado a origem do débito que motivou o lançamento fiscal em referência, assim como propiciar adequada análise do processo de débito decorrente do mesmo e compreende os seguintes Debcad: 1.2 Nesta mesma ação fiscal foi lavrado outro Auto de Infração, com processo Comprot n°. 15.956.720.318/201401, referente aos lançamentos das contribuições destinadas a Outras Entidades (FNDE, Sesc, Senac, Incra e Sebrae), cujos relatórios seguem separadamente e compreendem o Debcad n°. 51.061.6550 Verificase que, apesar da descrição ter sido invertida, a tabela logo abaixo demonstra com exatidão o nº do Debcad, o tipo de processo, o período, o valor e a espécie de contribuição lançada. Creio que esta inversão não tem o condão de tornar nulo o lançamento, pois o próprio contribuinte a percebeu e compreendeu o que aconteceu. Tanto é que, na folha 5 da impugnação (fls. 480 dos autos), consta sua descrição dos processos, corretamente efetuada: O Auto de Infração DEBCAD nº 51.061.6569 (COMPROT: 15956.720354/2014 66), é equivalente a R$ 12.029.244,49 (R$ 4.292.324,42principal; R$ 1.298.433,41 – juros; R$ 6.438.486,66 – multa de ofício), autalizado até 03.12.2014. O outro Auto de Infração lavrado, DEBCAD nº 51.061.6550 (COMPROT: 15956.720318/201401), por sua vez, é equivalente a 36.358.523,57 (R$ 12.930.002,30 principal; R$ 4.033.517,78 Fl. 982DF CARF MF 10 – juros; R$ 19.395.003,49 multa de ofício), atualizado até 03.12.2014. (...) Portanto, tendo o Auto de Infração sido lavrado de acordo com as disposições legais e normativas que regem a matéria, não há motivos para a declaração da nulidade do lançamento, sendo improcedentes os argumentos do sujeito passivo neste ponto. Do mérito (...) O sujeito passivo questiona a motivação para ter a fiscalização considerado legítima uma parte do PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros, na ordem de R$ 74.000.000,00 para R$ 92.000.000,00. Na realidade, não se identifica qualquer legitimação da PLR nos autos, tanto é que a fiscalização examinou os acordos coletivos e apontou as inconsistências que neles identificou, assim como fez referência ao descumprimento do artigo 3º e § 2º da Lei nº 10.101/2000. No entanto, o objeto deste lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração que foi paga aos segurados empregados e contabilizada no ano de 2011 como se empréstimo fosse, quando na realidade não o era. Assim, a discussão, em tese, se as contribuições deveriam incidir sobre todo o valor da PLR não aproveita a este lançamento. Os documentos juntados aos autos não deixam dúvidas quanto aos fatos relatados e a conclusão da fiscalização a respeito das irregularidades cometidas pela empresa autuada. A própria impugnante, nas ações trabalhistas, admitiu que efetuava adiantamentos bimestrais relativos à participação nos lucros e resultados. Cito como exemplo excertos extraídos das decisões: (...) Além dos fatos já relatados, concorreu para a convicção da fiscalização de que os valores pagos aos segurados desta forma substituíam e complementavam a remuneração devida a enorme quantidade de empregados envolvidos, a freqüência dos pagamentos, o alto valor dos pretensos empréstimos constantes da conta contábil 0000113122 – Mútuo a Funcionários – Folha, em comparação com a remuneração do segurado, e o fato de que tais “empréstimos” eram compensados nos meses de pagamento da participação nos lucros. Para ilustrar a disparidade entre o valor da remuneração do empregado e o valor do empréstimo, citase o exemplo do segurado Haroldo Ricceto Filho, que, conforme consta da GFIP, recebeu em 03/2011 R$ 2.869,66, e em 09/2011 R$ 3.084,91. Já de acordo com o item 3.4 do Relatório Fiscal, este segurado firmou os seguintes contratos de mútuo: DATA DO CONTRATO VALOR CONTRATADO DATA DO PAGAMENTO Fl. 983DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 979 11 09/08/2010 R$ 15.756,65 31/03/2011 09/10/2010 R$ 15.693,38 31/03/2011 09/12/2010 R$ 22.975,04 31/03/2011 09/02/2011 R$ 22.683,77 30/09/2011 08/04/2011 R$ 67.734,86 30/09/2011 09/07/2011 R$ 67.734,96 30/09/2011 (...) Consta da contabilidade da empresa autuada que foram efetuados empréstimos em todos os meses de 2011, ainda que não estivessem abrangidos todos os empregados em todos os meses. É o que se verifica, por exemplo, em relação ao empregado Haroldo Ricceto Filho, já mencionado neste voto, cujos contratos apresentados pelo sujeito passivo tinham como data 09/08/2010, 09/10/2010, 09/12/2010, 09/02/2011, 08/04/2011 e 09/07/2011. (...) Por todo o exposto, concluise que os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo disfarçados de adiantamentos/empréstimos tratavamse, na realidade, de remuneração destinada a retribuir o trabalho. Não se inserindo em nenhuma hipótese de exceção da Lei nº 8.212/1991, os valores pagos aos segurados nesta condição constituem base de cálculo das contribuições desstinadas a outras entidades e fundos (terceiros). Da multa qualificada A multa qualificada de 150% está definida na legislação tributária, conforme detalha o Relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 7 e 8). O artigo 35A da Lei nº 8.212/1991 remete ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, cujo caput, , inciso I e § 1º assim dispõem: (...) No caso sob exame, restou constatado que a empresa BRQ agiu intencionalmente com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais, e com isso evitou o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos empregados que lhe prestavam serviços, incorrendo na prática de sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. (...) Considerando o conjunto de elementos trazidos aos autos, justificase a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições não recolhidas pela autuada. Fl. 984DF CARF MF 12 Do pedido para exclusão das pessoas relacionadas no Relatório de Vínculos O sujeito passivo entende necessária a exclusão de Roberto Gennaro Mannarino, Andrea Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros do Relatório de Vínculos, juntado às fls. 39 dos autos, e que traz a seguinte redação: (...) Como se verifica neste texto reproduzido, a inclusão no Relatório de Vínculos não implica automaticamente na co responsabilização pelo crédito lançado, tendo caráter meramente informativo. (...) Pelo exposto, indeferese o pedido do sujeito passivo. Da Representação Fiscal para Fins Penais A análise de questões relacionadas à Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, que tramita em processo próprio, não é de competência da DRJ, pois não faz parte das atribuições definidas no artigo 233 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, publicada no DOU de 17/05/2012. (...) O que se pode informar ao contribuinte é que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) tem por dever formalizar representação fiscal para fins penais perante o Delegado ou o InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal sempre que, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social, entre outros. Os procedimentos estão definidos na Portaria RFB nº 2.439/2010 que, em seu artigo 4º, § 1º, determina que a representação fiscal, nestes casos, deverá permanecer no âmbito da unidade de controle até a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente ou na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 5º, respeitado o prazo legal para cobrança amigável, caso o processo seja formalizado em meio papel. Da produção de provas O sujeito passivo requer genericamente a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, prova documental, realização de perícias e tantas quantas forem as provas necessárias para a real apuração da verdade material. Em relação a este pedido, salientase que a produção de provas deve obedecer às disposições do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Não se conhece, portanto, do protesto do impugnante pela produção de provas além daquelas já arroladas neste processo, exceção feita, à evidência, ao disposto nos parágrafos 4º a 6º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 980 13 Da intimação do procurador Por fim, indeferese o pedido para que as intimações e notificações sejam enviadas em nome dos procuradores da impugnante, no endereço que indica na impugnação, já que não há previsão na legislação para tal procedimento. O inciso II do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que as intimações feitas por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via devem ter prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Conclusão Nestes termos, voto por julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ciente do Acórdão da DRJ em 29/07/2015, conforme termo de ciência eletrônica de fl. 915, ainda inconformado, o contribuinte juntou o Recurso Voluntário de fl. 917 e seguintes, em 13 de agosto de 2015, no qual reiterou as razões expressas em sede de impugnação, as quais serão tratadas no voto a seguir, considerando exatamente a sequência alegada pelo contribuinte. É o relatório necessário. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. NULIDADE ABSOLUTA: FALTA DE CLAREZA E PRECISÃO DO RELATÓRIO FISCAL No presente item de defesa, o contribuinte busca a declaração de nulidade do lançamento em razão de equívoco do Fiscal no momento da elaboração do Relatório, onde teria cometido um erro ao relacionar débitos lançados aos respectivos processos. Teria o fiscal invertido a correlação entre os débitos e seus processos. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É importante ressaltar que o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente aquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada nula pela autoridade julgadora. Com efeito, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Fl. 986DF CARF MF 14 Toda a manifestação do contribuinte nos presente autos, bem assim no processo em que foi lançada a exigência relativa à parte patronal, não deixa dúvidas de que a autuação foi devidamente entendida, demonstrando, inequivocamente, que o erro do Auditor Fiscal não causou qualquer prejuízo à recorrente. Assim, nesta parte, entendo que não merece retoques a decisão recorrida DA NULIDADE ABSOLUTA: EQUÍVOCO NO FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO ELEITOS PELA FISCALIZAÇÃO O recorrente alega que, segundo a fiscalização, os planos de PLR da empresa infringiram a lei de regência da matéria, prestandose apenas para substituir parcela remuneratória devida aos empregados, inclusive com adiantamento de valores por meio de mútuos/empréstimos. Entende o contribuinte que, por conclusão lógica, todos os valores pagos a título de PLR deveriam ser considerados como salário. Contudo, a fiscalização concluiu o procedimento considerando como salário dos empregados apenas os valores creditados a título de mútuo. Sustenta que, sendo o lançamento um procedimento vinculado, não poderia a autoridade administrativa praticar ato discricionário ou ainda arbitrário, em que se criticou uma matéria (PLR), mas elegendo como fato gerador e base de cálculo outra matéria (mútuo/empréstimo), o que prejudicaria seu direito de defesa por não saber se deveria se defender de um ponto ou de outro. Por fim, apresenta os questionamentos abaixo, alegando que os mesmos não foram respondidos pela DRJ. 1º Por que a fiscalização considerou legítima uma parte da PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros e resultados (92 milhes / 72milhes, respectivamente)? 2º Qual a natureza jurídica dessa diferença de quase 20 milhões? 3º Por que essa parte da PLR foi considerada, já que considerada pela autuação fora dos requisitos legais? 4º Afinal, a PLR cumpriu os requisitos legais? Substituiu parcelas remuneratórias ou não? O contribuinte levanta questões que não aproveitam à alegação de nulidade. Como bem pontuado pelo julgador de 1ª Instância, o lançamento foi efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa, já que o Relatório Fiscal é rico em detalhes e esclarecedor em relação aos motivos que levaram à exigência fiscal. O próprio julgamento da lide já em segunda instância, em cujo recurso o contribuinte contesta com detalhes as infrações a ele atribuídas, ratificam a inexistência de vício que prejudique a sua defesa e macule a legalidade do lançamento. É irrelevante para o lançamento a questão de estar relacionado ao mútuo ou à PLR, já que, no caso em tela, os dois instrumentos estão intimamente ligados, pois, como visto, ocorreram pagamentos bimestrais relativos a supostos mútuos, cuja quitação estaria expressamente vinculada aos valores que seriam pagos semestralmente a título de PLR. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 981 15 O que temos, na verdade, é um lançamento decorrente da constatação da autoridade fiscal de pagamento de verbas contidas no conceito de salário de contribuição escrituradas como se fossem empréstimos e que seriam quitados apenas no momento da recepção da participação nos lucros e resultados. Por outro lado, de fato, a autoridade fiscal aponta o que considera irregularidades dos Acordos Coletivos firmados, o que, diretamente, teria impacto na regularidade do programa de PLR por não terem observado a legislação de regência, a qual entendo que merece ser aqui relembrada: LEI No 10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. (texto vigente na época da ocorrência dos fatos geradores em discussão 2011) Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) II convenção ou acordo coletivo. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) Assim, considerando os fatos narrados pela Autoridade lançadora, que apontam que, em sua essência, a antecipação bimestral dos valores que seriam devidos a título de participação nos lucros e resultados se configura em complementação de salário, há de se concluir que, pela avaliação da fiscalização, o programa instituído pela recorrente não atendeu aos preceitos legais para ter os valores pagos excluídos do conceito de salário de contribuição a que alude a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Tal conclusão está alinhada à opinião pessoal desta Conselheiro e, neste sentido, entendo que o lançamento deveria alcançar todos os valores pagos em razão do suposto programa de PLR. Não obstante, o fato de a Autoridade fiscal somente ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária o montante que foi antecipado via contrato de Fl. 988DF CARF MF 16 mútuo, não invalida o lançamento nesta parte, mas aponta para a possibilidade de, havendo ainda amparo legal, em particular por conta da decadência, lançamento complementar. Ademais, pelo que se vê nos autos, não me parece razoável a alegação do contribuinte de que os empréstimos não representavam vantagem econômica definitiva dos empregados. Fosse tal ferramenta utilizada de forma eventual por parcela irrelevante do todo, observandose situações pessoais que a justificassem, outras seriam as conclusões da fiscalização, mas o que temos é a maioria absoluta dos funcionários socorrendose a empréstimos com seu empregador bimestralmente, situação incomum e que iria de encontro às finalidades sociais da entidade, que não se dedica à área financeira. Assim, respondendo aos questionamentos do contribuinte, 1º Por que a fiscalização considerou legítima uma parte da PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros e resultados (92 milhes / 72milhes, respectivamente)? Resposta: Este julgador entende que caberia lançamento na totalidade dos valores pagos a título de PLR. Entretanto, a autoridade lançadora, decerto, considerou que os valores que excederam às antecipações (os excedentes dos pagamentos efetuados nos meses de março e setembro), por observarem o lapso temporal previsto no programa e na lei, poderiam ser considerados como efetiva participação nos lucros. 2º Qual a natureza jurídica dessa diferença de quase 20 milhões? Resposta: como se trata de lançamento por homologação, até que haja manifestação da Administração, a natureza desses quase 20 milhes é de Participação nos Lucros e Resultados. 3º Por que essa parte da PLR foi considerada, já que considerada pela autuação fora dos requisitos legais? Resposta: Vide resposta ao 1º questionamento. 4º Afinal, a PLR cumpriu os requisitos legais? Substituiu parcelas remuneratórias ou não? Resposta: A opinião pessoal deste julgador aponta para o descumprimento dos requisitos legais do PLR. Contudo, como já visto, a autoridade lançadora considerou os pagamentos que foram efetuados respeitandose o lapso temporal legal e considerou como parcelas remuneratórias apenas as antecipações que foram levadas a termo sob o manto dos supostos mútuos/empréstimos. Por todo o exposto, entendo que não procedem as alegações de nulidade do lançamento, razão pela qual considero irreparável a decisão de 1ª instância sobre o tema. DO CONTEXTO DO MERCADO DA LEGALIDADE DA CONCESSÃO DE MÚTUOS A EMPREGADOS Reiterando os termos já expressos na impugnação, o contribuinte traz um relato histórico das alterações do marcado de profissionais da área de tecnologia da informação, demonstrando que algumas empresas, inclusive na época do lançamento em tela, adotavam a rotina de contratar pessoas jurídicas constituídas pelos profissionais, enquanto outras passaram a contratar empregados (CLT), o que foi o caso da recorrente, que estabeleceu Fl. 989DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 982 17 estrutura de cargos e níveis de remuneração, com outras benesses como assistência médica, seguros de vida, etc, classificando suas condições contratuais até que satisfatória ao se comparar com o mercado da época. Alega que, adicionalmente, negocia anualmente com a comissão de empregados e com sindicados de diferentes Estados, Programas de Participação nos Lucros e Resultados que permitam o recebimento de valores decorrentes da performance da empresa e dos empregados, estabelecendo metas que com critérios variáveis. Aduz que a empresa nunca reduziu salários ou pagou benefícios em dinheiro para deixar de pagar Contribuições Sociais ou FGTS; que nunca suprimiu bônus, gratificações habituais, comissões ou verbas salariais para que fosse instituído o programa de PLR. Atesta que sempre agiu em conformidade com a CLT e a lei 8.212/91, registrando seus empregados com salários condizentes, concedendo benefícios como política de recursos humanos e recolhendo todas as contribuições sociais devidas. Que a figura do mútuo sempre foi utilizada pela empresa, na forma da lei, em razão de pedidos de muitos empregados, os quais se socorriam de tal expediente de maneira absolutamente voluntária. Ressalta que não que não havia pagamentos mensais a este título e que os tributos decorrentes da operação sempre foram devidamente recolhidos. Continua seus argumentos alegando que nem todos os funcionários formalizavam tais empréstimos. Inicialmente, importante ressaltar que os erros e acertos da política de recursos humanos levada a termo pela empresa não estão em discussão, sendo louváveis suas ações que visem criar melhores condições de trabalho para seus colaboradores, os quais, em plena Era do Conhecimento, constituem o grande diferencial para as empresas, onde o capital humano se firma como um dos principais elementos na diferenciação de qualidade agregada ao produto final e, por fim, na formação do lucro empresarial. Mas o que interessa de fato à presente lide, é verificar se há materialidade tributária que justifique o lançamento fiscal. É indiscutível que não há ilegalidade nenhuma quando uma empresa empresta valores a seus funcionários, o que não justifica que tal política ocorra em prejuízo ao interesse público e aos próprios empregados. Assim, apenas a título de exemplo, entendo importante destacar o que ocorreu com a remuneração mensal do mesmo colaborador já citado acima, o Sr. Haroldo Ricceto Filho, em anos posteriores à presente Ação fiscal. Vejamos a DIRF apresentada pela Recorrente em 2012 e 2013, código 0561, pois 2011 já consta dos autos. Fl. 990DF CARF MF 18 Ora, como se vê, o procedimento em relação ao contribuinte no ano seguinte ao fiscalizado, 2012, continuou o mesmo, com a concentração do valor da remuneração em apenas dois meses do ano, o que nos indica que foi mantida a prática de concessão de empréstimos durante o período, com desconto nos meses da suposta PLR. Já em 2013, notase clara mudança do formato da remuneração paga ao mesmo funcionário, que se mostra mais homogênea no tempo, sendo certo que a Participação nos Lucros ou Resultados em 2013 foi objeto de código específico (3562), não sendo razoável acreditar que a variação mensal da remuneração superior a 380% possa se justificar apenas pelo incremento da contribuição do Sr. Haroldo Ricceto ao objeto empresarial da recorrente. Por outro lado, seria mais razoável entender que, até o ano de 2012 a contribuinte registrava seus funcionários por salários menores que o reais. Com relação ao fato de que nem todos os empregados recorriam a tais empréstimos, tal alegação não ajuda em nada ao presente caso, já que a sua quantidade em relação ao todo não altera em nada o fato de que os empréstimos eram concedidos, na realidade, como complementação de salário. Ademais, para os valores percebidos por estes pela suposta PLR, não houve incidência tributária previdenciária. Desta forma, ainda que haja amparo legal para operações de mútuo entre empregado e empregador, entendo que os excessos identificados pela fiscalização demonstram que, neste caso, a essência econômica de tais operações prevalece sobre a sua forma jurídica, não restando dúvidas de que há, isto sim, é complementação de salários ocultada pela formalização de empréstimos. A LEGALIDADE DO PROGRAMA DE PLR DA EMPRESA Insurgese a recorrente contra a conclusão de que a empresa teria celebrado acordos de PLR em contrariedade à Lei 10.101/2000. Para tanto, cita os requisitos legais objetivando demonstrar que os cumpriu integralmente e contesta as alegações fiscais sobre a regularidade da participação dos sindicatos nos Programas de PLR. Alega que as alterações da legislação não alteraram sua forma de distribuir lucros, tendo mantido a distribuição a este título de valores relevantes nos anos posteriores, contestando a conclusão da fiscalização de que haveria desproporcionalidade entre salário e PLR, citando planilha que aponta o percentual do mútuo em relação à PLR de alguns funcionários, concluindo que os valores dos empréstimos equivalem, na média, a 41% do valor da PLR da amostra utilizada. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 983 19 Aduz o interessado que a Decisão de 1ª Instância se equivoca ao comparar o valor salarial mensal do empregado Haroldo Ricceto Filho com os empréstimos, pois estes não visam remunerar o empregado que, repitase, fica devendo à empresa o valor do mútuo. Afirma que, ainda que se considerasse que o empréstimo seria uma antecipação da PLR, não há qualquer limite ou vedação legal quanto ao seu pagamento em valor superior ao salário mensal. Continua sua argumentação questionando o procedimento da fiscalização que deixou de descontar o próprio salário que está na dirf e ignorou que o valor informado em dirf corresponde a seis meses de apuração do PLR, enquanto o valor da GFIP corresponde a apenas um mês. Alega que, no mínimo, a fiscalização deveria ter comparado a PLR mensal com seis meses do salário dos empregados, tudo para contestar a conclusão da fiscalização da existência de situação e que a PLR correspondia a 126 vezes a remuneração do empregado. Quanto a este último parágrafo, abro parênteses para, de plano, desconsiderá lo, pois entendo absolutamente despropositado, já que o lançamento partiu dos valore pagos a título de mútuo, devidamente registrados na contabilidade, cuja essência foi considerada pela fiscalização como de natureza salarial. Assim, esses números comparativos em nada mudam o valor do crédito lançado. Prosseguindo, a recorrente alega que a fiscalização se apegou a uma sentença trabalhista de primeira instância onde sustenta ter havido cerceamento do seu direito de defesa e afirma há outras decisões que asseguram que os funcionários recebiam mútuos bimestralmente, voluntariamente. Afirma que há decisões que destacam que a PLR da empresa não tem natureza salarial, o que, por si só, considerando os efeitos da coisa julgada e a força das decisões judiciais, devem acarretar a nulidade das presentes autuações. Questiona o fato de serem consideradas como indício decisões judiciais que não lhe aproveitam, ao mesmo tempo em que as decisões que lhe aproveitam são desconsideradas. Afirma que se discutíssemos a legalidade da PLR da empresa, teríamos de considerar que a discussão se restringiria à interpretação sobre a possibilidade de adiantamento ou antecipação da PLR por meio de mútuos em periodicidade inferior a seis meses, apontando decisões judiciais que mitigam a exigência legal que proíbe, como regra, pagamentos em prazo inferior a um semestre civil ou duas vezes ao ano. Sustenta que os argumentos da fiscalização em relação à nomeação dos membros da comissão de empregados que negociavam e assinavam os acordos de PLR, afirmando que não há lei que proíba um funcionário recém contratado de participar de tal comissão. Questiona as conclusões da fiscalização em relação às datas dos pagamentos da PLR em São Paulo, bem assim pelos pagamentos efetuados a exfuncionários da recorrente, concluindo seus argumentos neste tópico afirmando que programa de PLR da empresa sempre foi tratado com seriedade pelas partes envolvidas, objetivando incentivo à produtividade e maior integração entre capital e trabalho. Fl. 992DF CARF MF 20 Como já expresso acima, concordo com a Fiscalização ao entender que o Programa de Participação nos Lucros ou Resultados instituído pela recorrente se apresenta contrário aos preceitos da Lei 10.101/2000. Entretanto, entendo irrelevantes parte das considerações da autoridade fiscal e parte das alegações do contribuinte em sede recursal. Ora, não aproveita ao caso o fato de um funcionário contratado há pouco tempo ter participado do Acordo Coletivo celebrado, já que não há restrição legal para tal, ou se o sindicado recebeu ou não alguma quantia por ter participado, ou mesmo da empresa ter alterado o mês do pagamento das parcelas devidas. O que temos é saber se, de fato, foram cumpridos os requisitos legais não para pagamento de Participação nos Lucros, mas para que tais pagamentos não integrem o salário de contribuição para fins de incidência do tributo previdenciário. As decisões judiciais apresentadas tanto pelo contribuinte quanto pela fiscalização, apenas servem como indícios, nada mais. Não vinculam a atuação do fisco, tampouco este julgamento em 2ª Instância administrativa, não sendo relevante para este caso eventuais decisões transitadas em julgado em que a União não seja parte. É relevante observar a forma com que os funcionários do requerente enxergam esse formato de pagamento através de mútuos bimestrais para desconto apenas na data do recebimento do PLR. Para tanto, os recursos ao judiciário são um indicativo robusto de que, na percepção dos funcionários, os valores em tela têm natureza salarial. A desproporcionalidade citada pela fiscalização e contestada pelo recorrente não são as mesmas. O Fiscal compara a PLR com os salários, já o recorrente compara o mútuo como a PLR e, ressaltese, apresenta uma amostra que não espelha nem de perto a realidade, pois o que temos, e isto já ficou acima evidente, ´é que foram registrados valores de PLR na monta de 92 milhes, e de empréstimos na ordem de 72 milhes. Ora, um contra o outro daria algo em torno de 80% e não 41 como a amostra do contribuinte quer fazer crer. O que o Fiscal tentava demonstrar é que o valor da PLR é muito maior do que aquele que é pago a título de salário. O exemplo das dirf citadas acima é bem claro quanto a isto. De fato, não há legislação que faça alguma correlação entre valor de PLR e salário e se, neste caso, todo o valor da PLR fosse pago dentro do lapso temporal legal, particularmente, não veria qualquer problema. Mas é realmente curioso um funcionário receber R$ 3.500,00 por mês, ao passo que sua importância para o processo é tamanha que justifica uma participação nos lucros de R$ 300.000,00. E mais, após a intervenção do fisco federal, o salário do mesmo funcionário passa, de um mês para o outro, dos tais R$ 3.500,00 para algo acima de R$ 16.000,00. Possivelmente, tivesse o judiciário se socorrido da experiência e conhecimento técnico do Fisco federal, muito do que lá foi decidido poderia ter seguido outro caminho. Portanto, reiterando manifestação já expressa de que, em sua essência, a antecipação bimestral dos valores que seriam devidos a título de participação nos lucros e resultados se configura em complementação de salário, já que não observou as restrições previstas no art. 3ª e § 2º da Lei 10.101/2000, não alcançando, portanto, o direito de ter os valores pagos excluídos do conceito de salário de contribuição a que alude a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 984 21 Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário neste tema, já que não observo razões que justifiquem a alteração da Decisão Recorrida DA ILEGALIDADE DA MULTA DE 150% O Recorrente, sustentando que não cometeu qualquer ato ilícito, muito menos doloso, insurgese contra a qualificação da multa de ofício, alegando que não teria havido omissão de informações e fato geradores, que pudessem justificar a ocorrência de crime contra a ordem tributária alegada pela Fiscalização, em particular porque tudo consta como devidamente contabilizado e em razão da fiscalização ter tido livre acesso e tranqüilidade para executar o seu mister. Questiona a decisão recorrida por não ter refutado seus argumentos, limitandose, exclusivamente, a tratar a questão de forma genérica apontando a constatação de ação intencional com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador. Vejamos os argumentos da Fiscalização para levar a termo a qualificação da multa de ofício: 10.1.5 Demonstrouse ao longo desta auto e pelos recortes legais, aqui em destaque, que a contribuinte sob fiscalização, na pessoa de seu representante legal, cometeu, em tese, crime de sonegação de contribuições previdenciárias, incorrendo na prática de sonegação fiscal, ao não declarar à RFB a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, com a finalidade de eximirse do pagamento de contribuintes federais (art.334A, no DecretoLei nº 2.848/1940 (Código Penal) (acrescentados pela lei nº 9.983/2000 e art. 2º, I, da lei 8.137) e, desta forma, aumentar seus lucros, com a redução de despesas como os recolhimentos das contribuições devidas; 10.1.6 A prática de omissão de salários pagos sob o disfarce de PLR, foi evidenciada a partir do exame da escrituração contábil, dos documentos fiscais apresentados pela própria fiscalizada, em face dos quais, formase a convicção de que a linha de sonegação adotada pela contribuinte foi: suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante a condutas de omissão de remunerações pagas ma segurados empregados nas folhas de pagamentos e nas GFIP, para eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, respectivamente, na linha do art. 337 A, do DecretoLei nº 2.848/1940 inciso I, art. 1º da Lei 8.137/90. 10.1.7 Diante de todos os fator comprovados nos autos, em que ficou clara a prática de crime contra a previdência social e a ordem tributária na modalidade de sonegação fiscal, e tendo em vista o Inciso II do art.44 da Lei 9.430, de 27/12/1996, a multa de ofício apurada, referente à infração de omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, deverá ser majorada para 150%. Fl. 994DF CARF MF 22 Em relação à qualificação da multa de ofício, entendo oportuno destacar que se trata de medida de exceção, já que a regra é a aplicação do percentual de 75%, razão pela qual é necessário buscar apoio na legislação de regência: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez a Lei 4.502/64 prescreve: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A leitura integrada dos dispositivos legais supracitados evidencia que, seja no caso de sonegação, fraude ou conluio, indispensável que, inequivocamente, esteja presente o elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que este quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71 e 72 da Lei 4.502/64. Ainda que seja difícil aferir o ponto a partir do qual uma conduta deixa de constituir mera infração à legislação tributária e passa ser uma conduta dolosa, punível com a qualificação da multa de ofício, é certo que, no caso em tela, a Autoridade Fiscal apenas justificou a duplicação do percentual da penalidade pelo fato de ter constatado que a empresa não declarou à RFB a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, sem, contudo, dedicar uma única linha parar demonstrar que tal fato foi resultado de ação dolosa, praticada pelo contribuinte com o objetivo de reduzir o tributo devido ou impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 985 23 Como se vê nos autos, o lançamento lastreouse unicamente pelas informações devidamente registradas na contabilidade do recorrente, plenamente franqueadas ao Agente Fiscal e informadas à Receita Federal do Brasil. Os institutos relacionados à infração (mútuos e PLR) nada têm de ilegal, restando o lastro do lançamento na convicção de que foram utilizados indevidamente ao considerar seus efeitos sobre o cálculo das contribuições previdenciárias, importando infração à legislação tributária, situação que, por si só, não justifica a qualificação da multa de ofício. Ora, nada impede que o contribuinte institua programas de PLR em sua empresa e que o pagamento de tais valores possam ser feitos até semanalmente, seja diretamente ou através de mútuos. O que não tem amparo legal é a exclusão da natureza de salário de contribuição e, consequentemente, do campo de incidência da Contribuição Previdenciária, dos valores pagos a este título que não tiverem observado as restrições legais para gozar do benefício fiscal. Assim, entendendo que a descrição realizada pela Autoridade Fiscal está limitada à infração à legislação tributária, não demonstrando a conduta fraudulenta dolosa, entendo que merece reparo a decisão recorrida, excluindose a qualificação da multa de ofício, que deve ser alterada para 75% DA EXCLUSÃO DO REPRESENTANTES LEGAIS DA EMPRESA Neste tema, o contribuinte limitase a requerer a aplicação da Súmula Carf nº 88, cujo teor destaco abaixo: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sobre tal matéria, assim se manifestou a Decisão Recorrida: Como se verifica neste texto reproduzido, a inclusão no Relatório de Vínculos não implica automaticamente na co responsabilização pelo crédito lançado, tendo caráter meramente informativo. Desta forma, considerando que o requerido está exatamente alinhado ao que já foi objeto da manifestação da Delegacia de Julgamento, entendo que não há objeto a ser tratado, sendo certo de que os conteúdo da Súmula Carf. nº 88 se aplica integralmente ao caso em tela. DO DESCABIMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O recorrente pleiteia a suspensão do andamento da Representação Fiscal para Fins Penais pelas razões que enumera. Fl. 996DF CARF MF 24 Contudo, como já pontuado pela DRJ, a citada Representação não tem seu curso externo à RFB antes que o crédito tributário lançado seja considerado definitivamente constituído e, ainda assim, se o contribuinte não promover sua extinção. Por outro lado, quanto ao mérito do procedimento administrativo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Por fim, quanto ao pedido de ciência de termos e atos processuais na pessoa do patrono do requerente, não há reparos a serem feitos na decisão de 1ª instância, posto que regular a ciência do contribuinte em qualquer uma das hipóteses descritas no art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Em que pesem os argumentos e fundamentos apresentados pelo eminente Conselheiro Relator, ouso, com o devido pedido de licença, dele discordar. Verifico que o lançamento tributário realizado descumpriu os requisitos determinados pelo Código Tributário Nacional para o procedimento administrativo constitutivo do crédito tributário. Explico. Como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 986 25 Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias deve ser corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a adoção, por parte do Auditor Fiscal, de base de cálculo diversa daquela efetivamente ocorrida. Tal fato não deixou de ser observado pelo ínclito Conselheiro Relator. Transcrevo suas considerações sobre o tema: "Assim, considerando os fatos narrados pela Autoridade lançadora, que apontam que, em sua essência, a antecipação bimestral dos valores que seriam devidos a título de participação nos lucros e resultados se configura em complementação de salário, há de se concluir que, pela avaliação da fiscalização, o programa instituído pela recorrente não atendeu aos preceitos legais para ter os valores pagos excluídos do conceito de salário de contribuição a que alude a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Tal conclusão está alinhada à opinião pessoal desta Conselheiro e, neste sentido, entendo que o lançamento deveria alcançar todos os valores pagos em razão do suposto programa de PLR. Não obstante, o fato de a Autoridade fiscal somente ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária o montante que foi antecipado via contrato de mútuo, não invalida o lançamento nesta parte, mas aponta para a possibilidade de, havendo ainda amparo legal, em particular por conta da decadência, lançamento complementar" (grifos não constam do voto do Relator) Aqui a essência da minha discordância. As possibilidades de lançamento completar se encontram textualmente previstas no Código Tributário Nacional. Recordemos a dicção dos artigos 145 e 149: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Fl. 998DF CARF MF 26 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." (grifos não constam do texto legal) A leitura do Códex Tributário deixa claro que uma vez aperfeiçoado o lançamento tributário, que se perfaz com a ciência do sujeito passivo, a alteração do mesmo só pode ocorrer nos casos determinados no artigo 145, entre os quais se encontram as situações previstas no artigo 149. Analisemos, mesmo que de maneira perfunctória, as hipóteses de tal revisão. Os incisos I e II do artigo 145, afirmam que tal revisão pode decorrer de impugnação ou recurso o que, por imperativo processual, ocorrem no caso de comprovação da existência de fatos modificativos do lançamento, por parte do Contribuinte. Já as hipóteses previstas no artigo 149, que permitem a revisão do ato praticado de ofício constitutivo do crédito tributário, pressupõe a existência de determinação legal, falta de declaração, ausência de esclarecimento pelo contribuinte de declaração prestada, falsidade, erro ou omissão praticado pelo sujeito passivo quando da declaração, ou a prática de fraude, dolo ou simulação por parte do sujeito passivo ou mesmo da autoridade lançadora. Por Fl. 999DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 987 27 fim, há previsão de revisão de lançamento quando se observe que determinado fato não era conhecido pela autoridade à época do lançamento. Nenhuma dessa hipóteses se verificou no caso concreto. Há flagrante e reconhecido erro na determinação do critério quantitativo do tributo devido pelo sujeito passivo. Houve equívoco da autoridade na determinação da base de cálculo da contribuição previdenciária. O Fisco não cumpriu seu dever, posto que equivocouse ao determinar o valor do tributo devido, e assim, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir a quantificação do tributo, posto que em seu artigo 10º, preceitua: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." (destaques nossos) Voltemos ao lançamento. Assevera o Auditor Fiscal (...) Fl. 1000DF CARF MF 28 É clara a imputação fiscal. O pagamento realizado pelo Recorrente a título de PLR contraria as disposições da Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91, e segundo a própria Autoridade Lançadora: "(...) reforçam a conclusão da fiscalização, para a caracterização de todos os pagamentos feitos em desacordo com os dispositivos legais aos segurados empregados da BRQ, em salário de contribuição e base de cálculo para as contribuições previdenciárias" (destaques não constam do relatório fiscal) Ora, o próprio Fisco reconhece a base de cálculo do tributo devido, aliás, a explicita! Todo os pagamentos feitos em desacordo com a legislação! E quais pagamentos foram feitos em desacordo? Como acima reproduzido do Relatório Fiscal, há a efetiva explicitação: os pagamentos a título de PLR. Todos eles e não somente os valores pagos a título de antecipação, por meio de mútuo, da PLR devida, como foi adotado pela Autoridade Lançadora. Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: Atos irregulares são aqueles padecentes de vícios materiais irrelevantes, reconhecíveis de plano, ou incursos em formalização defeituosa consistente em transgressão de normas cujo real alcance é meramente o de impor a padronização interna dos instrumentos pelos quais se veiculam os atos administrativos Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 15956.720354/201466 Acórdão n.º 2201003.594 S2C2T1 Fl. 988 29 Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do Fl. 1002DF CARF MF 30 prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não determinou o Fisco com correção o valor devido pelo Contribuinte, posto que adotou base de cálculo diversa daquela prevista na Lei, o salário de contribuição, e mais, base de cálculo diversa daquela que o próprio Auditor Fiscal, asseverou ser a correta. Como visto é dever do Fisco determinar as grandezas que embasam a constituição do crédito tributário, e tal determinação é ponto fulcral do crédito posto que expressa sua grandeza. Tal determinação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do artigo 145 do CTN, o que impede salvo as hipóteses ali previstas, e aqui inexistentes a revisão do lançamento, após a cientificação do contribuinte. Por via de consequência, forçoso reconhecer a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1003DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902909/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 29 09 /2 01 1- 97 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.902909/201197 Acórdão n.º 3301003.500 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.899. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.902909/201197 Acórdão n.º 3301003.500 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.902909/201197 Acórdão n.º 3301003.500 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.003284/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.867
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2129; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 242 1 241 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.003284/201061 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.867 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Recorrente Bluetrade Importação e Exportação Ltda.EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 32 84 /2 01 0- 61 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15165.003284/201061 Acórdão n.º 3301003.867 S3C3T1 Fl. 243 2 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15165.003284/201061 Acórdão n.º 3301003.867 S3C3T1 Fl. 244 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15165.003284/201061 Acórdão n.º 3301003.867 S3C3T1 Fl. 245 4 Relatório A Recorrente pleiteia a restituição dos valores recolhidos a maior de PIS Importação e Cofins Importação, sob a alegação de alargamento inconstitucional da base de cálculo da contribuição, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004. Alega que o dispositivo é inconstitucional e ilegal, na medida em que não respeita o art.149, §2º, III, alínea “a”, da Constituição Federal; o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 (GATT), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994 e ainda, o disposto no art. 110 CTN, por alargar o conceito de “valor aduaneiro”. O despacho decisório não reconheceu o crédito e indeferiu o pedido. Após a impugnação, o colegiado de primeira instância não acatou os argumentos de inconstitucionalidade defendidos pela Recorrente, por impossibilidade da Administração Pública em reconhecer a inconstitucionalidade de lei, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição pleiteada. Em seu recurso voluntário, a Recorrente requer seu provimento interpretandose o artigo 7º, I, da Lei 10.865/2004 de modo compatível com a Constituição, extirpando da base do PISImportação e da Cofins Importação os valores correspondentes ao ICMS e os das próprias Contribuições Sociais, deferindose o pedido de restituição e a homologação da compensação. Em primeira assentada o colegiado do Carf deliberou por converter o julgamento em diligência para que os autos retornassem à Unidade da Receita Federal do Brasil de origem para: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as DIs, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. Em seguida, os autos retornaram para julgamento, incumbindome, por sorteio, relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 15165.003284/201061 Acórdão n.º 3301003.867 S3C3T1 Fl. 246 5 Desde já é de se registrar que encontramse sob apreciação nessa oportunidade um conjunto doze processos do mesmo sujeito passivo, versando sobre a mesma matéria litigada (alargamento da base de cálculo), diferenciandose quanto às datas dos fatos geradores, conforme planilha a seguir, todos regularmente pautados para julgamento. Processo Modalidade de importação Tributo Período das DI 15165.000271/200904 Conta Própria PIS Importação 2004 a 2005 15165.000272/200941 Conta Própria Cofins Importação 2004 a 2005 15165.000278/200918 Conta Própria PIS Importação 2006 15165.002153/201066 Conta e Ordem PIS Importação Janeiro a maio 2010 15165.002155/201055 Conta e Ordem Cofins Importação Janeiro a maio 2010 15165.002465/201070 Conta e Ordem PIS Importação Maio a junho 2010 15165.002466/201014 Conta e Ordem Cofins Importação Maio a junho 2010 15165003291/201062 Conta e Ordem PIS Importação Agosto 2010 15165003292/201015 Conta e Ordem Cofins Importação Agosto 2010 15165003285/201013 Conta e Ordem PIS Importação Junho a setembro 2010 15165003284/201061 Conta e Ordem Cofins Importação Junho a setembro 2010 15165720786/201131 Conta Própria e Conta e Ordem Cofins Importação 2011 Assim, visando celeridade processual e procedimental, o voto que ora submeto a apreciação do colegiado contempla, simultaneamente, o conjunto dos processos suso relacionados, preservandose contudo a individualidade e autonomia de cada um. 1 Do Mérito 1.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE NO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Conforme relatado, a matéria posta em controvérsia diz respeito à alegação de inconstitucionalidade no alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004, ao incluir o ICMS, bem como as próprias contribuições, na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Nesse pormenor, faço meus os fundamentos de recente voto proferido pela Conselheira Semíramis de Oliveira Duro nos autos do processo 15165720784201141, Acórdão 3301003.240, de 28 de março de 2017, nos seguintes termos: Quanto à questão expressa de mérito, ou seja, o alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP trazido pelo art. 7º da Lei nº 10.865/2004, Fl. 246DF CARF MF Processo nº 15165.003284/201061 Acórdão n.º 3301003.867 S3C3T1 Fl. 247 6 ressaltese que o Plenário do STF já declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Tratase do RE nº 559.937, julgado na sistemática de repercussão geral, no qual o STF reconheceu que o art. art. 7º da Lei nº 10.865/2004 extrapolou os limites previstos no artigo 149, §2º, III, “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional nº 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. A ementa do julgado se reproduz a seguir: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4. Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a, da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 15165.003284/201061 Acórdão n.º 3301003.867 S3C3T1 Fl. 248 7 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Este Colegiado está vinculado a essa decisão, por imperativo do art. 62, §1º, I, do RICARF. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado, e conseqüentemente acolher o Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado acima colacionado. Dispositivo Ante o exposto voto por Dar Provimento ao Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da Cofins Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 248DF CARF MF
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