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6819258 #
Numero do processo: 10380.014873/2008-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submete-se a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-002.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA

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Acórdão nº  9101­002.816  –  1ª Turma   Sessão de  11 de maio de 2017  Matéria  IRPJ ­ MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO  DE ESTIMATIVA MENSAL  Recorrente  JOSE ABRAHAO OTOCH & CIA LTDA ­ EPP   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVA  MENSAL.  MULTA  ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO.  A  sanção  imposta  pelo  descumprimento  da  apuração  e  pagamento  da  estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente  sobre percentual do imposto que deveria  ter sido antecipado. O lançamento,  sendo  de  ofício,  submete­se  a  limitador  temporal  estabelecido  por  regra  decadencial  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN,  não  havendo  óbice  que  se  seja  efetuado após encerramento do ano­calendário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidos os  conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente  convocado), que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro  José Eduardo Dornelas Souza.    (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 48 73 /2 00 8- 91 Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 648          2   Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego,  Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose  Eduardo  Dornelas  Souza  (suplente  convocado  em  substituição  à  ausência  da  conselheira  Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra  e Carlos Alberto Freitas Barreto  (Presidente).    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  por  JOSÉ ABRAHÃO OTOCH  E  CIA LTDA (e­fls. 557/567) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1202­000.731 (e­fls.  507/511),  pela  2ª  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara  da  Primeira  Seção,  na  sessão  de  16/03/2012, no qual foi negado ao recurso voluntário.  Resumo Processual  Foram  lançados  os  autos  de  infração  de multa  isolada  por  insuficiência  no  recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL (e­fls. 03/14).  Após apreciar a impugnação (e­fls. 261/281) apresentada pela Contribuinte, a  primeira  instância  (DRJ)  julgou  a  impugnação  improcedente  (e­fls.  355/362).  Foi  interposto  recurso voluntário pela Contribuinte.  A  turma ordinária do CARF negou provimento ao recurso voluntário  (e­fls.  507/511). Foram opostos embargos de declaração (e­fls. 519/530) pela Contribuinte, que foram  rejeitados (e­fls. 547/550).  A Contribuinte interpôs recurso especial (e­fls. 557/567) que foi admitido por  despacho de exame de admissibilidade (e­fls. 617/620). A PGFN apresentou contrarrazões (e­ fls. 622/629).  A seguir, maiores detalhes da fase contenciosa.  Da Fase Contenciosa.  A contribuinte apresentou impugnação (e­fls. 261 e segs.). A impugnação foi  julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/Fortaleza, nos  termos do Acórdão nº 08­15.989,  de 20/08/2009 (e­fls. 355 e segs.), conforme ementa a seguir:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007  MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS.  Constatado  que  o  contribuinte  deixou  de  efetuar  ou  efetuou  a  menor  os  recolhimentos  das  estimativas  devidas,  correta  é  a  exigência da multa isolada sobre a parcela não recolhida.  Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 649          3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007  JURISPRUDÊNCIA  ADMINISTRATIVA  E  JUDICIAL.  NÃO  VINCULAÇÃO.  As  referências  a  entendimentos  proferidos  em  acórdãos  do  Conselho  de  Contribuintes  ou  em  manifestações  Judiciais  não  vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro  grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  A  exclusão  de  penalidade  pela  alegada  denúncia  espontânea  pressupõe o  pagamento  do  principal  e,  quando  for o  caso,  dos  acréscimos  legais  devidos,  anteriormente  a  qualquer  procedimento  fiscal  de  oficio,  hipótese  não  comprovada  nos  autos.  MULTA DE OFÍCIO LANÇADA.  Estando a multa lançada devidamente prevista em lei, não cabe  a  discussão  administrativa  sobre  uma  suposta  infringência  ao  princípio de vedação ao confisco  Foi  interposto  recurso  voluntário  pela  Contribuinte  (e­fls.  459/489),  apreciado  pela  2ª  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara  da  Primeira  Seção,  na  sessão  de  16/03/2012, que, no Acórdão nº 1202­000.731  (e­fls. 507/511), decidiu negar provimento ao  recurso voluntário, nos termos da ementa a seguir:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007  Ementa:  MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS.  Constatado  que  o  contribuinte  deixou  de  efetuar  ou  efetuou  a  menor  os  recolhimentos  das  estimativas  devidas,  correta  é  a  exigência da multa isolada sobre a parcela não recolhida.  Foram  opostos  embargos  de  declaração  (e­fls.  519/530)  pela  Contribuinte,  que foram rejeitados pela 2ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, na sessão  de 12/03/2014, no Acórdão nº 1202­001.123, conforme ementa:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007  EMBARGOS.  Inexistindo  omissão,  contradição,  dúvida  no  acórdão  embargado,  é  de  se  manter  a  decisão  consubstanciada  no  mesmo.  Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 650          4 A Contribuinte  interpôs  recurso especial  (e­fls. 557/567), discorrendo que é  incabível  a  exigência  de multa  isolada  por meio  de  lançamento  realizado  após  o  período  de  apuração e no caso em que o valor recolhido é suficiente para quitar o valor do tributo devido,  caso dos autos. Apresenta paradigmas no sentido de que a multa isolada em debate só pode ser  lançada no decorrer do próprio ano­calendário e que, só caberia após o encerramento do ano­ calendário  caso  a  irregularidade  praticada  resultar  em  prejuízo  ao  fisco,  o  que  não  ocorre  quando  se  apura  base  de  cálculo  negativa  no  período.  Registra  que,  nos  autos,  os  valores  recolhidos a título de IRPJ foram suficientes para quitar o IRPJ efetivamente devido. Destaca  que o fato de a autoridade fiscal ter lavrado auto de infração para exigir apenas a multa isolada  demonstra que,  durante  o período da  ação  fiscal,  verificou­se que os valores  recolhidos pela  pessoa  jurídica  foram  suficientes  para  quitar  o  tributo.  Requer  pela  reforma  de  decisão  recorrida.  O  recurso  especial  da Contribuinte  foi  admitido por despacho de  exame de  admissibilidade (e­fls. 617/620).  A  PGFN  apresentou  contrarrazões  (e­fls.  622/629),  aduzindo  que  a  lei  não  restringiu  a  aplicação  da  multa  isolada  ao  lançamento  efetuado  antes  do  término  do  ano­ calendário. Entende que a multa isolada prevista no artigo 44, § 1º, inciso IV da Lei nº. 9.430,  de 1996 (atual art. 44, II, b, da mesma lei, na redação dada pela Lei n.º 11.488/07), decorre do  descumprimento  da  obrigação  de  recolher  a  estimativa  apurada  no  mês­calendário,  independentemente de  se apurar ou não  resultado anual  tributável,  e  é devida mesmo após o  encerramento do ano­calendário, e não tem nenhuma relação com a multa devida pela falta de  recolhimento  do  tributo  apurado  com  base  no  lucro  real  anual  ou  trimestral.  Pugna  pela  manutenção da decisão recorrida.  É o relatório.    Voto             Conselheiro André Mendes de Moura, Relator.  Em  relação  à  admissibilidade,  adoto  as  razões  do  Despacho  de  Admissibilidade de e­fls. 617/620, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que  regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer o  Recurso Especial da Contribuinte.  Passo ao exame do mérito.                                                              1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos  jurídicos,  quando:  (...)  V ­ decidam recursos administrativos;  (...)  § 1º  A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com  fundamentos de anteriores pareceres,  informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte  integrante  do ato.  Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 651          5 Trata­se de autuação fiscal exclusivamente tratando de lançamento de multa  isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa mensal do regime do lucro real anual.  O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário,  atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do ano­calendário de 1997:  Capítulo I  IMPOSTO DE RENDA ­ PESSOA JURÍDICA  Seção I  Apuração da Base de Cálculo  Período de Apuração Trimestral  Art. 1º A partir do ano­calendário de 1997, o imposto de renda  das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real,  presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração  trimestrais,  encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e  31 de dezembro de cada ano­calendário, observada a legislação  vigente, com as alterações desta Lei. (grifei)  No  lucro  real,  pode­se  optar  pelo  regime  de  apuração  trimestral  ou  anual.  Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral.  E, no caso do  regime anual,  a  lei  é expressa ao dispor  sobre a  apuração de  estimativas  mensais.  Transcrevo  redação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores  objeto  da  autuação:  Lei nº 9.430, de 1996  Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro  real  poderá  optar  pelo  pagamento  do  imposto,  em  cada mês,  determinado  sobre  base  de  cálculo  estimada,  mediante  a  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  dos  percentuais  de  que  trata  o  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29  e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.  ................................................................................  Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995  Art.  35.  A  pessoa  jurídica  poderá  suspender  ou  reduzir  o  pagamento  do  imposto  devido  em  cada  mês,  desde  que  demonstre,  através  de  balanços  ou  balancetes  mensais,  que  o  valor  acumulado  já  pago  excede  o  valor  do  imposto,  inclusive  adicional,  calculado  com  base  no  lucro  real  do  período  em  curso.  § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo:    a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais  e fiscais e transcritos no livro Diário;  Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 652          6  b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do  Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos  no decorrer do ano­calendário.  § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e  29  as  pessoas  jurídicas  que,  através  de  balanço  ou  balancetes  mensais, demonstrem a existência de prejuízos  fiscais apurados  a partir do mês de janeiro do ano­calendário.  Observa­se,  portanto,  com  base  em  lei,  a  obrigatoriedade  de  a  contribuinte  optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base  de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que,  inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor  acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês.  Contudo,  a  hipótese  de  não  pagamento  de  estimativa  deve  atender  aos  comandos  legais,  no  sentido  de  que  os  balanços  ou  balancetes  deverão  ser  levantados  com  observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário.  Trata­se de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro  real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o  seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação  dada pela Lei nº 11.488, de 2007)):  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  (...)  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (grifei)  A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento  da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se  pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e  o  efetivamente  pago,  apurado  a  cada  mês  do  ano­calendário.  Penaliza­se  a  conduta  de  descumprimento  de  obrigação  tributária,  de  pagamento  de  tributo  de  maneira  antecipada  conforme determinação expressa da legislação.  A sanção tem base legal.   E  mais:  expressamente  dispõe  que  é  cabível  ainda  que  a  pessoa  jurídica  tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL.  Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 653          7 E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo  prazo  decadencial  é  regido  pelo  art.  173,  inciso  I  do  CTN.  Pode  sim  ser  efetuado  lançamento  após  o  ano­calendário,  naturalmente  dentro  do  período  não  atingido  pela  decadência.  E  não  há  que  se  falar  em  falta  de  prejuízo  ao  Fisco,  conforme  aduz  a  Contribuinte.  Pelo  contrário.  O  descumprimento  de  norma  que  determina  o  pagamento  do  tributo em regime de antecipação proporciona, sim, prejuízo, por permitir uma liberalidade no  ordenamento  jurídico  sem  base  legal,  por  fomentar  um  tratamento  desigual  entre  os  contribuintes, e por implicar em não ingresso de recursos aos cofres do Estado.  Consumar­se­ia  situação de exceção, e um prêmio para as pessoas  jurídicas  que  descumprissem  deliberadamente  a  lei  tributária.  Por  qual  razão  a  pessoa  jurídica  que  descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que  cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os  recolhimentos?  Como  acolher  conduta  de  contribuinte  que  ignorou  a  legislação  tributária  vigente, e se considerou apto a  receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas  jurídicas que cumpriram com suas obrigações?  Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídico­tributário deve  ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações.  Não  se  deve  fomentar  lacunas  para  se  ignorar  a  lógica  do  sistema,  para  conceder  tratamentos  vantajosos  para  condutas  lesivas,  em  afronta  à  proporcionalidade  e  razoabilidade.  Enfim, não há que se falar em concomitância,  tendo em vista que a matéria  em debate  diz  respeito  exclusivamente  a  lançamento  de multa  isolada  sobre  insuficiência  de  estimativa mensal.   Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  e  negar  provimento  ao  recurso da Contribuinte.    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura  Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 654          8                 Declaração de Voto  Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.  Na sessão de julgamento deste processo, embora vencido, solicitei declaração  de voto no tocante à concomitância das multas, aproveitando­se das discussões que ocorreram  em plenário, em torno deste assunto, e demais discussões que participo na 1ª Turma Ordinária,  3ª Câmara, da 1ª Seção do CARF.  Esta matéria vem sendo debatida no âmbito deste Conselho, encontrando­se  decisões  favoráveis e contrárias à aplicação simultânea da multa  isolada pelo não pagamento  de estimativas apuradas no curso do ano­calendário e da multa proporcional concernente à falta  de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano­calendário.  A  própria  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  em  outra  composição,  rejeitava a aplicação simultânea das referidas multas, sob o argumento de que o não pagamento  das estimativas seria apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como estimativas  caracterizam  meras  antecipações  dos  tributos  devidos,  a  concomitância  significaria  dupla  imposição  de  penalidade  sobre  a  mesma  infração,  qual  seja,  o  descumprimento  de  uma  obrigação principal a pagar.  Nesse  sentido,  peço  vênia  para  reproduzir  trecho  do  voto  proferido  pela  ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias no julgamento realizado em 15/08/2012 (Acórdão nº  9101­01.455):  A  MULTA  ISOLADA  POR  NÃO  RECOLHIMENTO  DAS  ANTECIPAÇÕES  A  multa  isolada,  aplicada  por  ausência  de  recolhimento  de  antecipações,  é  regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis2:  “Art.  44. Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas:  (...)                                                              2 Redação Original:  Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou  diferença de tributo ou contribuição:  § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:  IV  isoladamente, no caso de pessoa  jurídica sujeita ao pagamento do  imposto de renda e da contribuição social  sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê­lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de  cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano­calendário correspondente.  Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 655          9 II  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  pagamento mensal:  (...)  b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha  sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano  calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.”  A  norma  prevê,  portanto,  a  imposição  da  referida  penalidade  quando  o  contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover  as  antecipações  devidas  em  razão  da  disposição  contida  no  artigo  2º  da  Lei  nº  9.430/96, verbis:  “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá  optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo  estimada, mediante  a  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  auferida mensalmente,  dos  percentuais  de  que  trata  o  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro  de  1995,  observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº  8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho  de 1995.  §1º  O  imposto  a  ser  pago  mensalmente  na  forma  deste  artigo  será  determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze  por cento.  §2º  A  parcela  da  base  de  cálculo,  apurada mensalmente,que  exceder  a  R$  20.000,00  (vinte  mil  reais)ficará  sujeita  à  incidência  de  adicional  de  imposto  de  renda à alíquota de dez por cento.  §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do  imposto na  forma deste  artigo  deverá  apurar  o  lucro  real  em  31  de  dezembro  de  cada  ano,  exceto  nas  hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior.  §4º  Para  efeito  de  determinação  do  saldo  de  imposto  a  pagar  ou  a  ser  compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor:  I  ­  dos  incentivos  fiscais  de  dedução  do  imposto,  observados  os  limites  e  prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei  nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995;  II  ­ dos  incentivos  fiscais de  redução e  isenção do  imposto, calculados com  base no lucro da exploração;  III  ­  do  imposto  de  renda pago ou  retido  na  fonte,  incidente  sobre  receitas  computadas na determinação do lucro real;  IV ­ do imposto de renda pago na forma deste artigo.”  A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior  Tribunal de  Justiça,  que manifestou  entendimento no  sentido de  considerar que as  antecipações  se  referem  ao  pagamento  de  tributo,  conforme  se  depreende  dos  seguintes julgados:  Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 656          10 “TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  IMPOSTO  DE  RENDA.  CSSL.  RECOLHIMENTO  ANTECIPADO.  ESTIMATIVA.  TAXA  SELIC.  INAPLICABILIDADE.  1.  "É  firme  o  entendimento  deste  Tribunal  no  sentido  de  que  o  regime  de  antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de  cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos,  segundo  a  faculdade  prevista  no  art.  2°  da  Lei  n.  9430/96"  (AgRg  no  REsp  694278RJ,relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006).  2.  A  antecipação  do  pagamento  dos  tributos  não  configura  pagamento  indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic.  3. Recurso especial improvido.”  (Recurso  Especial  529570  /  SC  Relator  Ministro  João  Otávio  de  Noronha  Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277)  “AGRAVO  REGIMENTAL  EM  RECURSO  ESPECIAL  TRIBUTÁRIO  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  CSSL  APURAÇÃO  POR  ESTIMATIVA  PAGAMENTO  ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96.  É  firme  o  entendimento  deste  Tribunal  no  sentido  de  que  o  regime  de  antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de  cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos,  segundo  a  faculdade  prevista  no  art.  2°  da  Lei  n.  9430/96.  Precedentes:  REsp  492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min.  José Delgado, DJ 27.9.2004. Agravo regimental improvido.”  (Agravo  Regimental  No  Recurso  Especial  2004/01397180  Relator Ministro  Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341)  Do  exposto,  infere­se  que  a multa  em  questão  tem  natureza  tributária,  pois  aplicada  em  razão  do  descumprimento  de  obrigação  principal,  qual  seja,  falta  de  pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei.  Debates  instalaram­se  no  âmbito  desse  Conselho  Administrativo  sobre  a  natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa  isolada  não  poderia  prosperar  porque  penalizava  conduta  que  não  se  configurava  obrigação  principal,  tampouco  obrigação  acessória.  Ou  seja,  mantinha  o  entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista  no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta  que,  a meu  ver  à  época,  não  podia  ser  considerada  obrigação  principal,  já  que  o  tributo  não  estava  definitivamente  apurado,  tampouco  poderia  ser  considerada  obrigação  acessória,  pois  evidentemente  não  configura  uma  obrigação  de  caráter  meramente  administrativo,  uma  vez  que  a  relação  jurídica  prevista  na  norma  primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação.  Nada  obstante,  modifiquei  meu  entendimento,  mormente  por  concluir  que  trata­se,  em  verdade,  de  multa  pelo  não  pagamento  do  tributo  que  deve  ser  antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido  de  IRPJ  e CSLL  ao  final  do  exercício,  fato  é  que  caberá multa  isolada  quando  o  contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração  promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa  Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 657          11 que  o  cálculo  das  multas  ali  estabelecidas  seria  realizado  “sobre  a  totalidade  ou  diferença de tributo ou contribuição”.  Destaco  trecho  do  voto  proferido  pelo  Ilustre  Conselheiro Marcos Vinícius  Neder  de  Lima,  no  julgamento  do  Recurso  nº  105139.794,  Processo  n°  10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis:  “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano  devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do  tributo  há  de  coincidir  com  valor  pago  de  estimativa  ao  final  do  exercício.  Eventuais  diferenças,  a  maior  ou  menor,  na  confrontação  de  valores  geram  pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria  base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há  falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”.  É  bem  verdade  que melhor  seria  se  a  penalidade  em  comento  fosse  tratada  como  uma  pena  aplicada  pela  postergação  do  pagamento  de  imposto  ou  contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou  pagamento  a  menor  de  antecipação  devida  de  IRPJ  e  CSLL,  sobrepondo­se,  portanto, à regra da postergação.  Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento  norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação  principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou  recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se  admitir  que  o  valor  da  antecipação  seja,  após  o  encerramento  do  ano­ calendário, um tributo  isolado. A antecipação não é  inconstitucional, nem ilegal.  Isto porque,  como o próprio nome enseja,  é mera  antecipação de  tributo –  IRPJ e  CSLL  –  apurado  de  forma  definitiva  após  o  encerramento  do  ano­calendário,  no  caso de apuração na forma de lucro real anual.  O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma  que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e  CSLL, de  forma antecipada. Dado o  fato do não  recolhimento do  tributo no prazo  estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada.  No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, tem­se de  um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como  sujeito ativo. Como critério quantitativo tem­se o percentual atual de 50% do tributo  devido  e  não  pago. Utiliza­se  o  termo  tributo  porque  a  sanção  é  aplicada  sobre  o  descumprimento de obrigação principal.  Neste passo, até o encerramento do ano­calendário o que se  tem por  tributo  devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já  após o encerramento do ano­calendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real,  não  há  como  negar  que  o  montante  do  tributo  devido  é  aquele  definitivamente  apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei.  Considerando  que  o  IRPJ  e  a  CSLL  são  auferidos  ao  final  do  ano­ calendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, conclui­se  que:  i) Quando a multa isolada é aplicada durante o ano­calendário, a base é o  tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não  existe a substituí­lo por definitividade naquele momento.  Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 658          12 ii)  Quando  a  multa  isolada  é  imputada  após  o  encerramento  do  ano­ calendário  e  apuração  definitiva  do  tributo  devido,  sem dúvida a  hipótese de  aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua  base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado.  Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que  ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressalte­ se  que  não  se  trata  sequer  de  contradição,  mas  de  mera  e  aparente  contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm  seu  lugar,  bem  como  a  multa  isolada  pode  ser  aplicada  inclusive  após  o  encerramento  do  ano­calendário,  mas,  em  se  tratando  de multa  de  natureza  tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e  CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento  do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período.  Neste  ponto,  peço  vênia  para  novamente  transcrever  trecho  do  voto  do  brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do  recurso nº 105139.794, já mencionado anteriormente, verbis:  “(...)  Vale  dizer,  após  o  encerramento  do  período,  o  balanço  final  (de  dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois  esse acumula todos os meses do próprio ano­calendário.  Nesse momento,  ocorre  juridicamente  o  fato  gerador  do  tributo  e  pode­se  conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há  base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).”  Se  o  lançamento  é  efetuado  antes  do  fim  do  exercício  –  portanto  antes  dos  ajustes  /  apuração do  lucro,  base de cálculo do  IRPJ e da CSLL devidos –  a base  para  imposição  da  sanção  é  aquela  devida  por  antecipação  e  calculada  até  aquele  momento.  Naquele  momento,  inclusive,  não  há  autorização  para  constituição  de  obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não  se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes  termos  dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis:  “Art. 15. O  lançamento de ofício, caso a pessoa  jurídica  tenha optado pelo  pagamento  do  imposto  por  estimativa,  restringir­se­á  à  multa  de  ofício  sobre  os  valores não recolhidos.”  De outra feita, em momento posterior ao encerramento do ano­calendário, já  existe  quantificação  do  tributo  devido  definitivamente  pelos  ajustes  determinados  em  legislação  de  regência,  então  esta  é  a  limitação  ao  critério  quantitativo  da  imposição de multa isolada.  Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis:  “(...)  mensalmente  o  que  se  dá  é  apenas  o  pagamento  por  imposto  determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade  tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art.  2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles  apurados  ao  final  do  ano.  O  recolhimento  mensal  não  resulta  de  outro  fato  gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde  a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato  gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer  no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se  reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o  Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 659          13 período  de  apuração,  o  contribuinte  pode  suspender  o  recolhimento  se  o  valor  acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em  curso  (art.  35  da Lei  n°  8.891/95)”.  (In:“Multa Agravada  em Duplicidade” São  Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159).  Tampouco  é  de  se  questionar  esta  interpretação  com  base  no  fato  de  que  a  multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da  CSLL  e  de  prejuízo  fiscal  no  ano­calendário  correspondente,  conforme  dispõe  a  alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no  § 1º do citado artigo.  O  direito,  in  casu,  deve  ser  analisado  à  luz  da  relação  de  coordenação  existente  entre  a  norma  veiculada  pelo  artigo  44,  inciso  II,  alínea  “b”  da  Lei  nº  9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91,  verbis:  “Art.  39.  As  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real  poderão  optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido  mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte:  (...)  § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto  mensal  estimado,  enquanto  balanços  ou  balancetes mensais  demonstrarem  que  o  valor acumulado  já pago excede o valor do  imposto calculado com base no  lucro  real do período em curso.(...)”  Referido  dispositivo,  conforme  é  possível  constatar,  autoriza  que  o  contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que  demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente  paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base  no lucro ajustado no período em curso.  (G.N)    Assim, encerrado o ano­calendário não há o que se falar em recolhimento de  estimativa, mas sim no efetivo  imposto devido. Aqui, diferentemente das estimativas,  tem­se  infração que diz  respeito ao não pagamento de  tributo e, portanto, cominada com penalidade  mais grave. Nestes casos a multa devida é a de ofício  incidente sobre o  tributo devido e não  pago. Não sendo apurado tributo devido não há o que se falar em multa isolada.  Quando  se  fala  em  multa  isolada  esta  só  pode  estar  relacionada  ao  não  recolhimento  das  estimativas  devidas  durante  o  ano­calendário.  É  devida  até  o  momento  previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça  lucros à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos  devidos com multa de 75%.  Por  esta  razão,  não  subsiste  o  argumento  de  que  a  multa  isolada  deve  ser  exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa  de  ofício,  em  virtude  de  estar  prevista  em  norma  autônoma  e  por  não  ter  o  sujeito  passivo  adimplido a obrigação na data do vencimento.  Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10380.014873/2008­91  Acórdão n.º 9101­002.816  CSRF­T1  Fl. 660          14 Não  se  pode  interpretar  um  dispositivo  legal  desconsiderando  as  demais  normas  que  integram  o  sistema.  Se  assim  fosse,  pressupondo  atraso  do  sujeito  passivo  em  relação  ao  vencimento  do  tributo,  chegaríamos  ao  ponto  de  formar  raciocínio  equivocado  cumulando multa  de  ofício  com multa moratória.  Para  tal,  bastaria  dizer  que  sendo  a multa  moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter­ sei­a  situação  em  que  ambas  as  multas  seriam  devidas.  Mais,  sempre  que  uma  conduta  de  menor  gravidade  se  constituir  em  pressuposto  para  que  ocorra  uma  infração  punida  com  penalidade  mais  grave,  esta  absorve  a  menor.  Neste  sentido  basta  observar  o  princípio  da  consunção, expresso na súmula 17 do STJ.  Ainda  em  relação à multa  isolada,  na  interpretação do artigo 44,  II,  alíneas  “a”  e  “b”  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  com  a  redação  atribuída  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007,  resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não se pode desprezar a exposição  de motivos que ao tratar da necessidade de alteração da lei apresentou a seguinte justificativa:  8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada  pelo art. 14 do Projeto,  tem o objetivo de  reduzir o percentual da multa de ofício,  lançada  isoladamente,  nas  hipóteses  de  falta  de  pagamento  mensal  devido  pela  pessoa física a título de carnê­leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem  como  retira  a hipótese de  incidência da multa de ofício no  caso de pagamento do  tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora.  Pelo  que  se  depreende  da  exposição  de  motivos,  ao  usar  as  expressões  “multa de ofício,  lançada  isoladamente”, se está a  falar de uma única multa, pois se assim  não  fosse  não  teria  usado  as  expressões  “lançada  isoladamente”,  mas  sim,  “lançada  em  concomitância com a multa de ofício.  Desta forma, é incabível a exigência de multa isolada pelo não recolhimento  de estimativas, e, por isso, entendo que deve ser mantida a multa de ofício e excluída a multa  isolada.    (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza    Fl. 660DF CARF MF

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Numero do processo: 11686.000077/2008-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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9303­005.119  –  3ª Turma   Sessão de  17 de maio de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE  PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA  EMPRESA.  Recorrente  SLC ALIMENTOS LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS  ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.  Cabe  a  constituição  de  crédito  de  PIS/Pasep  e  da  Cofins  sobre  os  valores  relativos a  fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da  mesma  empresa,  considerando  sua  essencialidade  à  atividade  do  sujeito  passivo.   Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar  ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art.  3º,  inciso  IX,  da  Lei  10.637/02  ­  eis  que  a  inteligência  desses  dispositivos  considera  para  a  r.  constituição  de  crédito  os  serviços  intermediários  necessários para a efetivação da venda ­ quais sejam, os fretes na “operação”  de  venda.  O  que,  por  conseguinte,  cabe  refletir  que  tal  entendimento  se  harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação  de  venda”,  e  não  “frete  de  venda”  ­  quando  impôs  dispositivo  tratando  da  constituição de crédito das r. contribuições.  Recurso Especial do Contribuinte Provido.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar­lhe provimento,  vencidos  os  conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos,  Andrada  Márcio  Canuto  Natal  e  Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 77 /2 00 8- 08 Fl. 900DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 3          2 Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa  Pôssas  (Presidente  em  Exercício),  Júlio  César  Alves  Ramos,  Tatiana Midori Migiyama,  Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa  Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  pelo  sujeito  passivo  contra  o  Acórdão nº 3302­002.788, que, no tocante à matéria de interesse, não reconheceu o direito  de  crédito  das  contribuições  não  cumulativas  sobre  os  fretes  de  produtos  acabados  transportados entre estabelecimentos da mesma empresa.  Cientificada,  a  Fazenda  Nacional  não  apresentou  recurso  à  Câmara  Superior de Recursos Fiscais.  Irresignado, o contribuinte interpôs apelo suscitando divergência quanto ao  direito à tomada dos créditos em foco, argumentando, em resumo, que:  · O  objeto  do  presente  recurso  especial  diz  respeito  ao  direito  de  apuração  de  créditos  de  PIS  e  de  Cofins,  atinentes  aos  fretes  de  transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos;  · É pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio,  importação  e  exportação  de  alimentos,  em  especial,  o  arroz,  estando  sujeita ao recolhimento de tributos, dentre as quais se destacam o PIS e  a Cofins na sistemática não cumulativa;  · As despesas ora em discussão são desdobramentos do frete de venda;  · Para o regular desempenho de sua atividade, transfere os seus produtos  para Centros de Distribuição de  sua propriedade,  com o  intuito de  se  obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado,  em  não  havendo  estes  centros,  tornar­se­ia  inviável  a  venda  de  seus  produtos  para  compradores  das  Regiões  Sudeste,  Centro­Oeste  e  Nordeste do país;  · Os  grandes  consumidores  dos  produtos  industrializados  e  comercializados  pelo  sujeito  passivo,  possuem  uma  logística  que  não  mais  comporta  grandes  estoques,  devido  à  extensa  diversidade  de  produtos  necessários  para  abastecer  suas  unidades,  bem como devido  ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo  de  estocagem,  visto  a  alta  rotatividade  dos  produtos  em  seus  estabelecimentos;  · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a  manter Centros  de Distribuição  em  pontos  estratégicos  do  país,  visto  que seus grandes clientes, adquirentes de seus produtos, situam­se, em  sua  grande  maioria,  na  Região  Sudeste  e  necessitam  do  produto  à  pronta entrega quase que diariamente;  Fl. 901DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 4          3 · Tendo em vista que a maioria dos  fretes  são destinados ao Centro de  Distribuição  da  empresa,  para  que  se  torne  viável  a  remessa  dos  produtos,  os  fretes  são  realizados  por  transporte  ferroviário,  como  desdobramentos do frete de venda – o que demora 15 dias;  · Para  conseguir  atender  a  sua  demanda  de  pedidos,  remete  grandes  quantidades  por  trem  que,  devido  à  demora  no  trânsito  das  mercadorias, quando chegam ao destino já estão vendidos;  · A mercadoria, em muitos casos, já é vendida em trânsito, para quando  chegar  ao  Centro  de  Distribuição  já  sair  para  a  pronta  entrega  ao  adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com  venda posterior.  Em  Despacho  do  Presidente  da  Terceira  Câmara  da  Terceira  Seção  do  CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo.  Contrarrazões  foram  apresentadas  pela  Fazenda Nacional,  contemplando,  entre outros argumentos, que não é todo frete que pode ser considerado para fins de crédito  da contribuição para  fins de diminuição do débito ou ressarcimento. E que o entendimento  administrativo somente permite o frete quando é feito diretamente para a venda do bem ou  produto.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada  pelo  art.  47,  §§  1º  e  2º,  do  RICARF,  aprovado  pela  Portaria MF 343,  de  09  de  junho de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no  Acórdão  9303­005.116,  de  17/05/2017,  proferido  no  julgamento  do  processo  11686.000082/2008­11,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos  que  prevaleceram  naquela  decisão,  quanto  à  admissibilidade  do  recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303­005.116):  "Eis  que,  pela  leitura  do  acórdão  recorrido  e  do  indicado  como  paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão  recorrido,  entendeu­se  que  não  há  previsão  legal  para  crédito  de  PIS  e  Cofins  não  cumulativos  sobre  valores  de  fretes  de  produtos  acabados  realizados  entre  os  estabelecimentos  da  mesma  empresa,  somente  tendo  direito  de  crédito  o  frete  contratado  para  entrega  de  mercadorias  aos  clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor.   Fl. 902DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 5          4 Enquanto, no acórdão  indicado como paradigma, concluiu­se que  as  despesas  com  fretes  para  transporte  de  produtos  em  elaboração  e,  ou  produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas  jurídicas,  mediante  conhecimento  de  transporte  ou  de  notas  fiscais  de  prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução  da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação.  Quanto  às Contrarrazões  apresentadas,  não  se  devem  ignorá­las,  pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional.  Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre  os  critérios  a  serem  observados  para  a  conceituação  de  insumo  para  a  constituição  do  crédito  de  PIS  e  de Cofins  trazida  pelas  Leis  10.637/02  e  10.833/03,  bem  como para  a  aplicação do  art.  3º,  inciso  IX,  das  referidas  Leis  (“IX – armazenagem de mercadoria e  frete na operação de venda, nos  casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”).  Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito  de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de  matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes  para  a  autoridade  fazendária  definir  livremente  o  conteúdo  da  não  cumulatividade.   O  que,  por  conseguinte,  concluo  que  a  devida  observância  da  sistemática  da  não  cumulatividade  exige  que  se  avalie  a  natureza  das  despesas  incorridas  pelo  contribuinte –  considerando a  legislação  vigente,  bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade.  Sempre  que  estas  despesas/custos  se  mostrarem  essenciais  ao  exercício  de  sua  atividade,  devem  implicar,  a  rigor,  no  abatimento  de  tais  despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida.   Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste  durante  o  processo  produtivo  em  contato  direto  com  o  bem  produzido  ou  composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição  sofre contornos subjetivos.  Tenho  que,  para  se  estabelecer  o  que  é  o  insumo  gerador  do  crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, torna­se necessário analisar a  essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele  não participe diretamente.   Continuando, frise­se tal entendimento que vincula o bem e serviço  para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade  no processo produtivo o Acórdão 3403­002.765 – que, por sua vez, traz em  sua ementa:  "O  conceito  de  insumo,  que  confere  o  direito  de  crédito  de  PIS/Cofins  não­cumulativo,  não  se  restringe  aos  conceitos  de  matéria­ prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados  pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis  nºs  10.637/2002 e  10.833/2003,  depende da  demonstração  da  aplicação  do  bem  e  serviço  na  atividade  produtiva  concretamente  desenvolvida  pelo contribuinte."  Fl. 903DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 6          5 Vê­se  que  na  sistemática  não  cumulativa  do PIS  e  da COFINS  o  conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do  IPI, porém mais restrito do que aquele da  legislação do  imposto de renda,  abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção.  Ademais, nota­se que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ,  é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da  essencialidade para  fins de conceituação de  insumo  ­ o que, em respeito a  segurança  jurídica  das  jurisprudências  emitidas  pelo  Conselho  e  pelo  Tribunal  Superior,  é  de  se  atestar  a  observância  do  princípio  da  essencialidade  para  a  adoção  do  conceito  de  insumo,  afastando  o  entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02.  Não  obstante  a  esses  pontos,  ressurgindo­me  à  questão  posta,  passo  a  discorrer  sobre  o  tema  desde  a  instituição  da  sistemática  não  cumulativa das r. contribuições.  Em  30  de  agosto  de  2002,  foi  publicada  a  Medida  Provisória  66/02,  que  dispôs  sobre  a  sistemática  não  cumulativa  do  PIS,  o  que  foi  reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu  art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  produtos  destinados à venda.   É a seguinte a redação do referido dispositivo:  “Art.  3º Do valor  apurado na  forma do art.  2º  a pessoa  jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:   [...]  II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e  na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto  em  relação  ao  pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da TIPI;”  Em relação à COFINS, tem­se que, em 31 de outubro de 2003, foi  publicada  a MP  135/03,  convertida  na  Lei  10.833/03,  que  dispôs  sobre  a  sistemática  não  cumulatividade  dessa  contribuição,  destacando  o  aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art.  3º,  inciso  II,  em  redação  idêntica àquela  já  existente para o PIS/Pasep,  in  verbis (Grifos meus):  “Art.  3º Do valor  apurado na  forma do art.  2º  a pessoa  jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e  na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento  de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  Fl. 904DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 7          6 entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da TIPI;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”.  Posteriormente,  em  31  de  dezembro  de  2003,  foi  publicada  a  Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o §  12 ao art. 195:  “Art. 195. A seguridade social  será financiada por  toda a  sociedade, de  forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes  dos  orçamentos  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios, e das seguintes contribuições:  [...]  §12  A  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais  as  contribuições  incidentes na forma dos  incisos  I, b; e  IV do caput, serão  não cumulativas.”  Com  o  advento  desse  dispositivo,  restou  claro  que  a  regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à  COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário.  Vê­se, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional,  que  não  há  respaldo  legal  para  que  seja  adotado  conceito  excessivamente  restritivo  de  "utilização  na  produção"  (terminologia  legal),  tomando­o  por  "aplicação  ou  consumo  direto  na  produção"  e  para  que  seja  feito  uso,  na  sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de  "insumos" adotado pela legislação própria do IPI.  Nessa  lei,  há  previsão  para  que  sejam  utilizados  apenas  subsidiariamente  os  conceitos  de  produção,  matéria  prima,  produtos  intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI.  É  de  se  lembrar  ainda  que  o  IPI  é  um  imposto  que  onera  efetivamente  o  consumo,  diferentemente  do  PIS  e  da  Cofins  que  são  contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente.  E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo,  a não cumulatividade relaciona­se ao conceito de insumo como sendo o de  bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos.   Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e  a  Cofins  está  diretamente  relacionada  às  receitas  auferidas  com  a  venda  desses produtos.  Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade  das  contribuições  é  diversa  daquela  do  IPI,  visto  que  a  previsão  legal  possibilita  a  dedução  dos  valores  de  determinados  bens  e  serviços  suportados  pela  pessoa  jurídica  dos  valores  a  serem  recolhidos  a  título  dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente  sobre a totalidade das receitas por ela auferidas.  Não menos importante, constata­se que, para fins de creditamento  do PIS  e  da COFINS,  admite­se  também  que  a  prestação  de  serviços  seja  considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis  Fl. 905DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 8          7 10.637/2002  e  10.833/2003  ampliaram  a  definição  de  "insumos",  não  se  limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto.  Nesse ponto, Marco Aurélio Grego  (in "Conceito de  insumo à  luz  da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT,  ano1,  n.  1,  jan/fev.2003,  Belo  Horizonte:  Fórum,  2003)  diz  que  será  efetivamente  insumo  ou  serviço  com  direito  ao  crédito  sempre  que  a  atividade  ou  a  utilidade  forem necessárias  à  existência  do  processo  ou  do  produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que  faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado.   Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo  de  produção  –  o  que,  pode­se  concluir  que  o  conceito  de  insumo  efetivamente  é  amplo,  alcançando  as  utilidades/necessidades  disponibilizadas  através  de  bens  e  serviços,  desde  que  essencial  para  o  processo  ou  para  o  produto  finalizado,  e  não  restritivo  tal  como  traz  a  legislação do IPI.  Frise­se  que  o  raciocínio  do  ilustre  Prof.  Marco  Aurélio  Greco  traz,  para  tanto,  os  conceitos de essencialidade  e necessidade ao processo  produtivo.  O  que  seria  inexorável  se  concluir  também  pelo  entendimento  da  autoridade  fazendária  que,  por  sua  vez,  validam  o  creditamento  apenas  quando  houver  efetiva  incorporação  do  insumo  ao  processo  produtivo  de  fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o  conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada  pela legislação do IPI,  ferindo os termos  trazidos pelas Leis 10.637/2002 e  10.833/2003,  que,  por  sua  vez,  não  tratou,  tampouco  conceituou  dessa  forma.  Resta,  por  conseguinte,  indiscutível  a  ilegalidade  das  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  404/04  quando  adotam  a  definição  de  insumos  semelhante à da legislação do IPI.   As  Instruções  Normativas  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  que  restringem  o  conceito  de  insumos,  não  podem  prevalecer,  pois  partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam  semelhança com os créditos de IPI.  Isso, ao dispor:  ·  O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos  meus):  “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não­cumulativo com a  alíquota  prevista  no  art.  60  pode  descontar  créditos,  determinados  mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores:   [...]  § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­se como  insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  Fl. 906DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 9          8 I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  a.  Matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação,  desde que não estejam  incluídas no ativo  imobilizado;  (Incluído pela  IN SRF 358, de 09/09/2003)  b.  Os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN  SRF 358, de 09/09/2003)  [...]”  · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):  “Art.  8  º Do valor  apurado na  forma do art.  7  º,  a pessoa  jurídica pode  descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota,  sobre os valores:   [...]  § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­se como  insumos:   ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a) a matéria­prima, o produto  intermediário, o material de embalagem e  quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não  estejam incluídas no ativo imobilizado;   b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:   a)  os bens  aplicados  ou  consumidos na prestação de  serviços,  desde  que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  país,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.   [...]”  Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo  para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicando­se os mesmos  já  trazidos  pela  legislação  do  IPI.  O  que  entendo  que  a  norma  infraconstitucional  não  poderia  extrapolar  essa  conceituação  frente  a  intenção  da  instituição  da  sistemática  da  não  cumulatividade  das  r.  contribuições.  A  Receita  Federal  do  Brasil  extrapolou  sua  competência  administrativa  ao  “legislar”  limitando  o  direito  creditório  a  ser  apurado  pelo sujeito passivo.  Considerando  que  as  Leis  10.637/02  e  10.833/03  trazem  no  conceito de insumo:  a.  Serviços utilizados na prestação de serviços;  Fl. 907DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 10          9 b.  Serviços  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos destinados à venda;  c.  Bens utilizados na prestação de serviços;  d.  Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos  destinados à venda;  e.  Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços;  f.  Combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  na  produção  ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda.  Vê­se claro, portanto, que não poder­se­ia considerar para fins de  definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são  efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma.  Não  obstante,  depreendendo­se  da  análise  da  legislação  e  seu  histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível  adotar  de  forma  ampla  o  conceito  trazido  pela  legislação  do  IRPJ  como  arcabouço  interpretativo,  tendo  em  vista  que  nem  todas  as  despesas  operacionais  consideradas  para  fins  de  dedução  de  IRPJ  e  CSLL  são  utilizadas  no  processo  produtivo  e  simultaneamente  tratados  como  essenciais à produção.  Ora, o  termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos  nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu  que  algumas  despesas  não  operacionais  fossem  passíveis  de  creditamento,  tais  como  Despesas  Financeiras,  energia  elétrica  utilizada  nos  estabelecimentos da empresa, etc.   O  que  entendo  que  os  itens  trazidos  pelas  Leis  10.637/02  e  10.833/03  que  geram  o  creditamento,  são  taxativos,  inclusive  porque  demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam  ser  objeto  na  geração  do  crédito  dessas  contribuições.  Eis  que,  se  fossem  exemplificativos,  nem  poderiam  estender  a  conceituação  de  insumos  as  despesas operacionais que nem compõem o produto e  serviços – o que até  prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma  essencial na produção.  Nesse  ínterim,  cabe  trazer  que  a  observância  do  critério  de  se  aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal  como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois  direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à  sistemática  de  dedutibilidade  aplicada  para  o  imposto  incidente  sobre  o  lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas  destinadas  à  aferição  e  lucro  possam  ser  considerados  como  insumos  necessários para o aferimento da receita.  Com  efeito,  por  conseguinte,  pode­se  concluir  que  a  definição  de  “insumos”  para  efeito  de  geração  de  crédito  das  r.  contribuições,  deve  observar o que segue:  · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação  de serviço ou produção;  Fl. 908DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 11          10 · Se  a  produção  ou  prestação  de  serviço  são  dependentes  efetivamente  da  aquisição  dos  bens  e  serviços  –  ou  seja,  sejam  considerados essenciais.   Tanto  é  assim  que,  em  julgado  recente,  no  REsp  1.246.317,  a  Segunda  Turma  do  STJ  reconheceu  o  direito  de  uma  empresa  do  setor  de  alimentos  a  compensar  créditos  de PIS  e Cofins  resultantes  da  compra  de  produtos de  limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da  essencialidade.  Para  melhor  transparecer  esse  entendimento,  trago  a  ementa  do  acórdão (Grifos meus):  “PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  AO  ART.  535,  DO  CPC.  VIOLAÇÃO  AO  ART.  538,  PARÁGRAFO  ÚNICO,  DO  CPC.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA  N.  98/STJ.  CONTRIBUIÇÕES  AO  PIS/PASEP  E  COFINS  NÃO­ CUMULATIVAS.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.637/2002  E  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  SRF N. 247/2002 E 404/2004.  1. Não  viola  o  art.  535,  do CPC,  o  acórdão  que  decide  de  forma  suficientemente  fundamentada  a  lide,  muito  embora  não  faça  considerações  sobre  todas  as  teses  jurídicas  e  artigos  de  lei  invocados  pelas partes.   2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica  multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito  de  prequestionamento.  Súmula  n.  98/STJ:  "Embargos  de  declaração  manifestados  com  notório  propósito  de  prequestionamento  não  têm  caráter protelatório ".  3. São  ilegais  o  art.  66,  §5º,  I,  "a"  e  "b",  da  Instrução Normativa  SRF n. 247/2002 ­ Pis/Pasep  (alterada pela  Instrução Normativa SRF n.  358/2003)  e  o  art.  8º,  §4º,  I,  "a"  e  "b",  da  Instrução Normativa  SRF  n.  404/2004  ­  Cofins,  que  restringiram  indevidamente  o  conceito  de  "insumos"  previsto  no  art.  3º,  II,  das  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática  de não­cumulatividade das ditas contribuições.  4.  Conforme  interpretação  teleológica  e  sistemática  do  ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos  do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º,  II, da Lei n. 10.833/2003,  não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre Produtos Industrializados ­ IPI, posto que excessivamente restritiva.  Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e  Despesas Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto  de Renda  ­  IR, por que demasiadamente elastecidos.   5.  São  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam o  processo  produtivo  e  a  prestação de serviços, que neles possam ser direta ou  indiretamente  empregados e cuja subtração  importa na  impossibilidade mesma da  prestação do  serviço ou da produção,  isto  é,  cuja  subtração obsta  a  Fl. 909DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 12          11 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade  do produto ou serviço daí resultantes.  6. Hipótese  em  que  a  recorrente  é  empresa  fabricante  de  gêneros  alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e  limpeza. No  ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações  se não atendidas implicam na própria  impossibilidade da produção e em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  resultante.  A  assepsia  é  essencial  e  imprescindível  ao  desenvolvimento  de  suas  atividades.  Não  houvessem  os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação  de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para  o  consumo.  Assim,  impõe­se  considerar  a  abrangência  do  termo  "insumo"  para  contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção,  bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente  produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios.  7. Recurso especial provido. ”  Aquele  colegiado  entendeu  que  a  assepsia  do  local,  embora  não  esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao  desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício.  Em  outro  caso,  o  STJ  reconheceu  o  direito  aos  créditos  sobre  embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos  durante  o  transporte,  condição  essencial  para  a  manutenção  de  sua  qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa  do acórdão:  COFINS  –  NÃO  CUMULATIVIDADE  –  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA  –  POSSIBILIDADE  –  EMBALAGENS  DE  ACONDICIONAMENTO  DESTINADAS  A  PRESERVAR  AS  CARACTERÍSTICAS  DOS  BENS  DURANTE  O  TRANSPORTE,  QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO  NOS  TERMOS  DO  ART.  3º,  II,  DAS  LEIS  N.  10.637/2002  E  10.833/2003.  1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a  simples  inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que  não ofende a legalidade estrita.  Precedentes.  2.  As  embalagens  de  acondicionamento,  utilizadas  para  a  preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser  consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n.  10.637/2002  e  10.833/2003  sempre  que  a  operação  de  venda  incluir  o  transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ”  Torna­se necessário se observar o princípio da essencialidade para  a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do  direito ao creditamento ao PIS/Cofins não­cumulativos.  Sendo  assim,  entendo  não  ser  aplicável  o  entendimento  de  que  o  consumo  de  tais  bens  e  serviços  sejam  utilizados  DIRETAMENTE  no  processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à  produção ou atividade da empresa.  Fl. 910DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 13          12 Dessa  forma,  para  fins  de  se  elucidar  a  atividade  do  sujeito  passivo,  importante  recordar que  é pessoa  jurídica de direito privado, dos  ramos  de  indústria,  comércio,  importação  e  exportação  de  alimentos,  em  especial, o arroz.   Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade  de  comercialização,  são  essenciais  para  a  sua  atividade  de  “comercialização”, eis que:  · Sua  atividade  impõe  a  transferência  de  seus  produtos  para  Centros  de  Distribuição  de  sua  propriedade;  caso  contrário,  tornar­se­ia inviável a venda de seus produtos para compradores  das Regiões Sudeste, Centro­Oeste e Nordeste do país;  · Os  grandes  consumidores  dos  produtos  industrializados  e  comercializados  pelo  sujeito  passivo,  possuem  uma  logística  que  não  mais  comporta  grandes  estoques,  devido  à  extensa  diversidade  de  produtos  necessários  para  abastecer  suas  unidades,  bem  como  devido  ao  custo  que  lhes  geraria  a  manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto  a  alta  rotatividade  dos  produtos  em  seus  estabelecimentos;  O  que,  impõe­se para  fins de comercialização e  sobrevivência da  empresa, os Centros de Distribuição;  · O  sujeito  passivo,  que  possui  sede  em  Porto  Alegre,  se  viu  obrigada  a  manter  Centros  de  Distribuição  em  pontos  estratégicos  do  país,  considerando  a  localidade  dos  maiores  demandantes de seus produtos.  Considerando,  então,  a  atividade  do  sujeito  passivo,  deve­se  considerar  os  fretes  como  essenciais  e,  aplicando­se  o  critério  da  essencialidade,  é  de  se  dar  provimento  ao  recurso  interposto  pelo  sujeito  passivo.  Não  obstante  à  essa  fundamentação  e  ignorando­a,  cabe  trazer  que, tendo em vista que:   · A maioria dos  fretes  são destinados  ao Centro de Distribuição  da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e  são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do  produto,  para  conseguir  atender  a  sua  demanda  de  pedidos,  o  sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já  transacionou  as  mercadorias,  sendo  que  ao  chegarem  as  mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas;  · A mercadoria  já é vendida em trânsito, para quando chegar ao  Centro  de  Distribuição  já  sair  para  a  pronta  entrega  ao  adquirente,  descaracterizando,  assim,  um  frete  para  mero  estoque com venda posterior.  É de se entender que, em verdade, se  trata de  frete para a venda,  passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º,  inciso  IX,  das  Lei  10.833/03  e  Lei  10.637/02  –  pois  a  inteligência  desse  Fl. 911DF CARF MF Processo nº 11686.000077/2008­08  Acórdão n.º 9303­005.119  CSRF­T3  Fl. 14          13 dispositivo  considera  o  frete  na  “operação”  de  venda. A  venda de  per  si  para  ser  efetuada  envolve  vários  eventos.  Por  isso,  que  a  norma  traz  o  termo  “operação”  de  venda,  e não  frete  de  venda.  Inclui,  portanto,  nesse  dispositivo  os  serviços  intermediários  necessários  para  a  efetivação  da  venda, dentre as quais o frete ora em discussão.  Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial  interposto pelo sujeito passivo, dando­lhe provimento."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  conheço  do  recurso especial do contribuinte e, no mérito, dou­lhe provimento.  assinado digitalmente  Rodrigo da Costa Pôssas                            Fl. 912DF CARF MF

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6762481 #
Numero do processo: 16327.903508/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1  1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.903508/2010­07  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­002.334  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2017  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  BANCO VOLKSWAGEN S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Exercício: 1999  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.  Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de  junho  de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica­se  o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da  Súmula CARF nº 91.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.  PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS  DA PROVA.  O  ônus  da  prova  recai  sobre  quem  alega  o  direito.  No  caso  concreto,  não  restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada  no  processo  administrativo  e  aquela  que  figurava  como  litisconsorte  no  processo  judicial,  nem  a  existência  de  eventos  societários  que  permitissem  considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  [assinado digitalmente]  Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator  Participaram do presente  julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Roberto  Silva  Júnior,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Milene  de  Araújo  Macedo,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto  e  Waldir  Veiga  Rocha. Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 08 /2 01 0- 07 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.903508/2010­07  Acórdão n.º 1301­002.334  S1­C3T1  Fl. 3          2  BANCO  VOLKSWAGEN  S.A.,  já  devidamente  qualificada  nestes  autos,  recorre  a  este  Conselho  contra  a  decisão  prolatada  pela  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em São Paulo  I  /  SP,  que  indeferiu  os  pedidos  veiculados  através  de  manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP.  Trata  a  lide  de  Pedido  de  Restituição  (PER/DCOMP),  no  qual  o  alegado  direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido (CSLL).  Posteriormente,  o  contribuinte  usou  esse  alegado  direito  creditório  para  a  compensação  com  débito  de  sua  titularidade,  mediante  a  Declaração  Eletrônica  de  Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008.  Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele  especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instando­o à regularização. Não  consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte.  A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela  empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do  DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade  contra  o  Despacho  Decisório,  a  interessada,  inicialmente,  junta  comprovante  de  arrecadação  obtido  no  sítio  eletrônico  da  Receita Federal. Na sequência, esclarece:  Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que  ele  dispunha  de  decisão  judicial  definitiva,  proferida  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança  n°  89.0011205­8,  que  o  exonerava  do  recolhimento  da  Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997  (data do  trânsito em  julgado da decisão judicial).  Nem se alegue que o pagamento  foi efetuado após o  trânsito em julgado da  decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo  em  vista  que,  além  desses  fatos  não  servirem  de  fundamento  para  a  negativa  do  pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita  Federal,  mesmo  em  face  da  decisão  judicial  favorável  ao  Recorrente,  insistia  na  cobrança  de  tais  valores,  ao  argumento  de  que  os  efeitos  da  decisão  judicial  alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989.  Apenas  com  a  decisão  do  1º  Conselho  de  Contribuintes  (acórdão  n°  101­ 93.610),  proferida  em  19/09/01,  com  acórdão  formalizado  em  11/12/01,  que  reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no  Mandado de Segurança  n°  89.0011205­8,  de  não  recolher  a CSLL,  no  período  de  1990  a  1997,  ou  seja,  desde  a  propositura  da  medida  judicial  até  o  trânsito  em  julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a  comprovação  de  que  também estava  desobrigado  do  recolhimento da CSLL nesse  período  e  que,  portanto,  tinha  direito  de  reaver  os  montantes  indevidamente  recolhidos:  "Ementa:  IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial.  Trânsito em Julgado. Efeitos.  A  sentença  judicial  reconhecendo  a  inconstitucionalidade  dos  artigos  1º,  2º,  3º  e  8º,  da  Lei  n°  7689,  de  1988,  e,  de  consequência,  desobrigando  a  pessoa  jurídica  do  recolhimento  da  CSLL,  irradia  seus  efeitos  jurídicos  até  o  período  no  qual  tenha ocorrido seu trânsito em julgado.  Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.903508/2010­07  Acórdão n.º 1301­002.334  S1­C3T1  Fl. 4          3  Recurso conhecido e provido.  Trecho do Voto  do Conselheiro  Sebastião Rodrigues Cabral —  Relator:  Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso:  i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no  sentido de desobrigá­la do recolhimento da Contribuição Social  sobre  o  Lucro  Líquido  instituída  pela  Lei  n°  7689,  de  1988,  transitou  em  julgado  em  02  de  setembro  de  1997,  tal  qual  atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos  autos às fls.;  ii)  O  Mandado  de  Segurança  interposto  pela  Recorrente,  em  1989,  objetivou  a  dispensa  do  recolhimento  da  referida  Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a  instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido  pela referida sentença transitada em julgado;   iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende  exigir  da  Recorrente  a  Contribuição  Social  relativa  aos  períodos­base  de  1990 a  1994,  portanto,  anteriores ao  trânsito  em  julgado  da  sentença  judicial;  só  nos  resta  concluir  que  referidos  períodos  estão  albergados  pela  'coisa  julgada',  sendo  defeso  ao  Fisco  exigir  a  Contribuição  em  causa  relativamente  àqueles períodos­base."  Assim, deve ser prontamente revisto o despacho­decisório, ora recorrido, ante  a  comprovação  do  recolhimento  indevido,  a  ensejar  o  direito  à  restituição,  nos  termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional.  A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I /  SP  analisou  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte  e  indeferiu  a  solicitação.  Ciente  da  decisão  de  primeira  instância  e  com  ela  inconformada,  a  interessada  apresentou  recurso  voluntário,  mediante  o  qual  oferece,  em  apertada  síntese,  os  seguintes argumentos:  Acerca  do  prazo  para pleitear  o  indébito,  a  recorrente  se  reporta  ao Pedido  Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria  plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do  CTN.  A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº  89.0011205­8,  em  que  foi  proferida  a  decisão  transitada  em  julgado  que  a  exonerava  do  recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma,  anexa  documentos  que  comprovam  ser  a  recorrente  a  sucessora  de  Autolatina  Financiadora  S/A, que foi parte no processo judicial.  A  interessada  reitera,  ainda,  os  argumentos  trazidos  na  Manifestação  de  Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001.  Conclui  com  o  pedido  de  provimento  de  seu  recurso  e  homologação  da  compensação declarada.  É o Relatório.  Voto             Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.903508/2010­07  Acórdão n.º 1301­002.334  S1­C3T1  Fl. 5          4  Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 1301­002.287, de  12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/2012­48, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301­002.287):  O  recurso  voluntário  e  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade. Dele conheço.  Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com  declaração de compensação.   No  atual  estágio  da  discussão  administrativa,  o  alegado  direito  creditório  não  foi  reconhecido  por  dois  fundamentos  autônomos,  ou  seja,  cada  um  deles  é  suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório.  O  primeiro  fundamento  adotado  pelo  julgador  de  primeira  instância,  de  caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito.  Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido  entre  a  data  do  recolhimento,  em  1999,  e  a  data  do  protocolo  do  pedido  de  restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata  o art. 168, I, do CTN.  Examinando  a  decisão  recorrida,  constata­se  que,  efetivamente,  houve  um  equívoco  do  julgador  ao  não  considerar  o  pedido  de  restituição  originalmente  formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observa­se que  somente em 2008 veio pleitear compensação do  referido crédito, ou seja,  cerca de  sete  anos  após  ‘obter  a  comprovação’,  e  nove  após  a  extinção  do  débito,  pelo  pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reporta­se  ao anterior pedido de  restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para  fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a  seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão.  Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos  inicial  e  final  para  a  contagem,  já  foram  objeto  de  acirrados  debates,  tanto  no  âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei  Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as  divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais.  Finalmente,  a  questão  foi  pacificada  pelo  Poder  Judiciário.  De  especial  interesse,  o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no  regime do art. 543­C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321,  de  04/08/2011,  proferido  pelo  STF  no  regime  do  art.  543­B  do  mesmo  diploma  legal.  A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação,  em  09/12/2013,  pelo  Pleno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  da  súmula  CARF nº 91, a seguir reproduzida.  Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional  de  10  (dez)  anos,  contado  do  fato  gerador.  Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.903508/2010­07  Acórdão n.º 1301­002.334  S1­C3T1  Fl. 6          5  As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão  administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela  Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes.  No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da  data limite prevista na súmula, aplicando­se, portanto, o prazo prescricional de dez  anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato  gerador.  O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição.  Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo  prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição.  Observe­se  que  a  data  do  recolhimento  não  é  considerada  para  este  fim,  muito  menos  a  circunstância  alegada  pela  interessada  acerca  do  julgamento  administrativo  de  um  auto  de  infração  no  qual  o  sujeito  passivo  seria  um  dos  litisconsortes  na  ação  judicial.  Não  se  vislumbra  qual  a  relação  entre  aquele  julgamento  administrativo  e  o  prazo  para  a  formulação  do  pedido  de  restituição  aqui discutido.  A  constatação  que  se  impõe  é  de  que  o  decurso  do  prazo  prescricional  impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer  considerações de mérito, negando­se provimento ao recurso voluntário.  O segundo  fundamento adotado pelo  julgador de primeira  instância para o  indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do  voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo:  Observe­se que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça  do processo judicial que afirma ampara­la, de forma a se poder verificar  a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado  acima, seria ônus da empresa.  E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizando­se do número de  processo  judicial  fornecido  pela  Interessada,  na  opção  “Consulta  Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte,  mas  sim  as  seguintes  empresas:  Consórcio  Nacional  Ford  Ltda.,  Autolatina  S/A,  Autolatina  Financiadora  S/A  Crédito  Financiamento  e  Investimentos e Ford Brasil S/A.  Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do  processo  judicial,  e documentos que,  segundo ela, comprovariam ser a  recorrente  sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial.  Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de  Segurança nº 89.11205­8, constato que a impetrante  foi Consórcio Nacional Ford  Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A;  (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e  Investimentos;  e  (iii)  Ford Brasil S/A.   Prosseguindo  na  análise,  encontro  Ata  da  AGE  de  31/05/1996  de  Banco  Autolatina  S.A.,  na  qual  se  registra  a  cisão  parcial  dessa  pessoa  jurídica,  com  a  versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome  da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen  S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão  do patrimônio.  No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da  ação  judicial.  No  documento  datado  de  17/02/2004,  dirigido  à  DEINF/SP,  a  interessada  se  identifica  como “BANCO VOLKSWAGEN S/A.,  atual  denominação  de  BANCO  AUTOLATINA  S.A.,  anteriormente  denominado  AUTOLATINA  Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.903508/2010­07  Acórdão n.º 1301­002.334  S1­C3T1  Fl. 7          6  FINANCIADORA S.A., ...”. Mas trata­se de mera afirmação, da qual não encontro  prova documental nos autos.  Apesar  de  saber  que  esse  ponto  foi  um  dos  fundamentos  adotado  pelo  julgador  de  primeira  instância  para  negar  seu  pedido,  a  interessada  apresentou  apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança  de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando  em  rastrear  e  comprovar  os  eventos  societários  desde  a  litisconsorte  na  ação  judicial  (Autolatina  Financiadora  S/A  –  Crédito,  Financiamento  e  Investimentos)  até a atual pessoa  jurídica, nem os direitos que  teriam sido  transmitidos em cada  um desses eventos.  Em  se  tratando  de  pedido  de  restituição,  é  ônus  de  quem  alega  o  direito  creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa  jurídica  que  efetuou  o  recolhimento  seria  a  sucessora  em  todos  os  direitos  e  obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar  nos autos essa comprovação,  também por esse motivo o recurso voluntário há que  ser negado.  Os dois  fundamentos autônomos anteriormente discutidos  já  seriam  (e  são)  suficientes  para  que  o  recurso  voluntário  seja  desprovido.  Penso,  entretanto,  que  uma consideração adicional há de ser feita.   É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei  nº 9.779/1999. Confira­se seu teor (grifos não constam do original):  Art.17.Fica  concedido  ao  contribuinte  ou  responsável  exonerado  do  pagamento  de  tributo  ou  contribuição  por  decisão  judicial  proferida,  em  qualquer  grau  de  jurisdição,  com  fundamento  em  inconstitucionalidade  de  lei,  que  houver  sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal,  em  ação  direta  de  constitucionalidade  ou  inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de  janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de  mora,  da  exação  alcançada  pela  decisão  declaratória,  cujo  fato  gerador  tenha  ocorrido  posteriormente  à  data  de  publicação  do  pertinente  acórdão  do  Supremo  Tribunal  Federal.(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Vide  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  §1oO disposto neste artigo estende­se:(Vide Medida Provisória  nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­ 35, de 2001)  I­aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha  sido  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  em  recurso  extraordinário;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­a  contribuinte  ou  responsável  favorecido  por  decisão  judicial  definitiva  em  matéria  tributária,  proferida  sob  qualquer  fundamento,  em  qualquer  grau  de  jurisdição;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  III­aos  processos  judiciais  ajuizados  até  31  de  dezembro  de  1998,  exceto  os  relativos  à  execução  da  Dívida  Ativa  da  União.(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.903508/2010­07  Acórdão n.º 1301­002.334  S1­C3T1  Fl. 8          7  §2oO  pagamento  na  forma  do  caput  deste  artigo  aplica­se  à  exação  relativa  a  fato  gerador:(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35,  de 2001)  I­ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão  do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese  do  inciso  I  do  §  1o;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial,  na  hipótese  do  inciso  II  do  §  1o;(Vide Medida  Provisória  nº  1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35,  de 2001)  III­alcançado  pelo  pedido,  na  hipótese  do  inciso  III  do  §  1o.(Vide Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  §3oO  pagamento  referido  neste  artigo:(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  I­importa  em  confissão  irretratável  da  dívida;(Vide Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348,  353  e  354  do  Código  de  Processo  Civil;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  [...]  Insisto: os pagamentos nesses  termos são confissão  irretratável da dívida e  confissão  extrajudicial.  Ou  seja,  ainda  que  pudessem  ser  superados  os  dois  fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo  inarredável  na  disposição  expressa  da  lei  acima  transcrita.  Supondo­se,  como  hipótese  argumentativa,  que  a  interessada  fosse,  como  afirma,  sucessora  da  litisconsorte na ação  judicial, o  fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do  direito  conquistado  na  ação  judicial  (possivelmente  por  vê­lo  ameaçado  por  reiteradas  manifestações  do  STF  no  sentido  da  inconstitucionalidade  da  CSLL  apenas  para  o  primeiro  ano  de  sua  vigência)  e  parcelar  o  valor  da  contribuição  para os anos subsequentes.  A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal  insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse  era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto  pelo  sucesso  obtido  em  ações  rescisórias  diversas  propostas  perante  o  Poder  Judiciário,  quanto  por  Pareceres  da  douta  PGFN.  Se  a  interessada  tivesse  plena  convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e  discuti­lo  administrativa  e  judicialmente,  nunca  o  de  se  antecipar,  confessando  a  dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo.  A  recorrente  reclama,  ainda,  que  esse  aspecto  não  teria  sido  fundamento  para  a  negativa  do  pedido  de  restituição,  pelo  que  não  poderia,  agora,  ser  abordado.  Observe­se  que  a  DEINF/SP  originalmente  negou  o  pedido  porque  o  pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a  interessada  não  se  preocupou  em  trazer  aos  autos  os  esclarecimentos  que  Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.903508/2010­07  Acórdão n.º 1301­002.334  S1­C3T1  Fl. 9          8  permitissem  essa  correta  identificação.  Essa  questão  foi  plenamente  superada  em  primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos,  a  saber,  o  prazo  para  pleitear  o  indébito  e  a  comprovação  do  direito  alegado.  Quanto  a  este  último  aspecto,  o  julgador  a  quo  se  deteve  na  falta  das  peças  do  processo  judicial  e  na  falta  de  comprovação  de  que  a  interessada  no  processo  administrativo  fosse  também  uma  das  partes  do  processo  judicial.  Penso  que  as  considerações  aqui  tecidas  sobre  esse  ponto  nada  mais  são  do  que  um  aprofundamento  acerca  da  análise  de  mérito  do  pedido.  Seriam,  talvez,  dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a  conclusão.  Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  [assinado digitalmente]  Waldir Veiga Rocha                              Fl. 181DF CARF MF

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Numero do processo: 10805.722021/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, que votavam pela nulidade parcial do lançamento correspondente ao item 4.1 do Termo de Verificação Fiscal. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização desta Resolução, transcrevo abaixo a íntegra do relatório apresentado pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 14 de fevereiro de 2017, verbis: "CVC BRASIL OPERADORA E AGÊNCIA DE VIAGENS S/A, empresa que se dedica à prestação do serviço de intermediação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a contratação de programas, roteiros e itinerários no Brasil e exterior, insurge-se contra a cobrança de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de lançamento lavrado em 18/07/2014 e cientificação ocorrida, pessoalmente, em 31/07/2014, cujo crédito tributário totaliza o montante de R$ 50.834.812,03, de materialidade relativa a dezembro de 2009. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Em 18/07/2014, foram lavrados os sete autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza a exigência do crédito tributário no valor total de R$ 50.834.812,03, conforme a seguir indicado: Tributo Juros de Mora Multa Proporcional Multa Regulamentar IRPJ 9.705.992,37 4.053.222,41 7.279.494,28 CSLL 3.494.157,26 1.459.160,08 2.620.617,94 Cofins 8.422.009,96 3.517.031,36 6.316.507,47 PIS 1.824.768,82 762.023,46 1.368.576,62 Multa Regulamentar 11.250,00 Descrição das infrações imputadas O autuante, reportando-se ao termo de verificação fiscal a fls. 1556/1618, atribui à autuada as seguintes infrações: Autos de infração de IRPJ e reflexos (CSLL, Cofins e PIS) – fls. 1620/1643 0001.OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDAS E SERVIÇOS. Omissão de receitas relativas a contratos (recibos) complementares, conforme item 2 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 143.321,22. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1633. Enquadramento legal para a Cofins: vide fls. 1628. Enquadramento legal para a contribuição para o PIS: vide fls. 1639. 0002.EXCLUSÕES INDEVIDAS DA RECEITA BRUTA. Valor referente a custos e despesas excluídos diretamente da receita bruta, a título de “repasses a fornecedores”, glosados pelo fato de não obedecerem ao princípio da competência ou por não terem sido comprovados, conforme item 4 e respectivos subitens do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 37.489.065,28. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1633. Enquadramento legal para a Cofins: vide fls. 1628. Enquadramento legal para a contribuição para o PIS: vide fls. 1639. 0003.PASSIVO FICTÍCIO PELA NÃO COMPROVAÇÃO INTEGRAL DO SALDO EXISTENTE NA CONTA IRPJ A RECOLHER. Vide item 7 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 175.000,00. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, III, e 288 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1633. Enquadramento legal para a Cofins: vide fls. 1628. Enquadramento legal para a contribuição para o PIS: vide fls. 1639. 0004.DEDUÇÃO DE PIS E COFINS NÃO COMPROVADOS. Vide item 5 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 426.239,69. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1634. 0005.DEDUÇÃO DE IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS (ISS) NÃO COMPROVADO. Vide item 6 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 590.343,27. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1634. Auto de infração de multa regulamentar – fls. 1644/1647 0001.APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). O sujeito passivo apresentou extemporaneamente a ECD exigida nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/99, ensejando a aplicação de multa no valor de R$ 1.500,00 por mês-calendário ou fração de atraso, uma vez que, na última declaração apresentada, apurou lucro real, conforme termo de verificação fiscal. Datas dos fatos geradores: 30/07/2010 (multa de R$ 9.000,00) e 30/06/2011 (multa de R$ 2.250,00). Enquadramento legal: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57, I, “b”, e §§ 2º e 3º, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.766/12. Auto de infração de Cofins – fls. 1648/1652 0001.INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS. Omissão de receitas por exclusões indevidas da base de cálculo da Cofins, conforme item 3 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 242.926.278,72. Multa: 75%. Enquadramento legal: art. 8º da Lei nº 9.718/1998; art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 2º da Lei nº 9.718/98, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158-35/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. Auto de infração de PIS – fls. 1653/1657 0001.INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Omissão de receitas por exclusões indevidas da base de cálculo do PIS, conforme item 3 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 242.926.278,72. Multa: 75%. Enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; arts. 2º, I, e 9º da Lei nº 9.715/98; art. 2º da Lei nº 9.718/98; art. 8º, I, da Lei nº 9.715/98; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; art. 79 da Lei nº 11.941/2009; art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158-35/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. Ciência dos lançamentos Em 31/07/2014, conforme termo a fls. 1661, a autuada tomou ciência, pessoalmente, dos lançamentos. Impugnação Em 29/08/2014, foi apresentada a impugnação a fls. 1681/1725, cujo teor pode ser assim resumido: I. Tempestividade A impugnação é tempestiva. II. O auto de infração Com relação ao item 2 (omissão de receitas relativas a recibos complementares), ao item 5 (dedução de PIS e de Cofins não comprovada) e ao item 6 (dedução de ISS não comprovada), todos do termo de verificação fiscal, a requerente informa que incluiu os débitos no Refis. Vide documento nº 5 (fls. 1820/1823). Com relação ao item 4 (glosa de exclusões da receita bruta), ela informa que efetuou o pagamento de todos os débitos constantes dos subitens 4.2 e 4.4, com a redução no valor da multa em razão de o pagamento ter sido efetuado no prazo de até 30 dias contados da lavratura do auto de infração. Vide documento nº 6 (fls. 1824/1825). Informa-se ainda o pagamento integral do débito do item 8 (multa por atraso de entrega da ECD). Vide documento nº 6 (fls. 1826). O entendimento fiscal está equivocado no que diz respeito ao item 3 (exclusões indevidas da base de cálculo do PIS e da Cofins – receita de intermediação), ao item 4.1 (custos com transporte aéreo), ao item 4.3 (deduções de despesas com pagamento de comissões não comprovadas) e ao item 7 (passivo fictício). III. Supostas exclusões indevidas da receita bruta (item 3): a não incidência de PIS e de Cofins sobre os valores repassados aos fornecedores de serviços turísticos O item 3 da autuação exige PIS/Cofins em razão da suposta falta de tributação sobre valores repassados a terceiros, fornecedores de serviços turísticos e agências de turismo (lojas). Conforme se verifica do termo de verificação fiscal (fls. 1581), em dezembro de 2009, a requerente teria auferido receita bruta de R$ 349.788.292,00 e indevidamente excluído de tal montante o valor de R$ 331.303.424,00, relativo aos “repasses a fornecedores” e a “Tx. Serviços – Agências”. No entanto, tais valores, por se tratarem de receitas de terceiros, foram corretamente desconsiderados para fins de determinação da base de cálculo do PIS/Cofins. III.1. A atividade de intermediação de serviços turísticos (a) As atividades desenvolvidas pela requerente e a intermediação de serviços turísticos A requerente é empresa brasileira que se dedica à prestação do serviço de intermediação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a contratação de programas, roteiros e itinerários no Brasil e no exterior. Na condição de intermediadora de serviços turísticos, a requerente está sujeita ao recolhimento do ISS, e a sua atividade está prevista no item 9 da lista de serviços anexa à LC 116/2003. A requerente mantém uma rede de contatos e acordos com os fornecedores dos serviços turísticos (hotéis, companhias aéreas etc), realizando a organização, estruturação e oferecimento dos serviços turísticos prestados por tais fornecedores aos clientes/passageiros tomadores dos serviços, de forma individual ou em pacotes (conjunto de serviços turísticos de diferentes naturezas). A requerente atua por intermédio de agências filiais (lojas filiais) ou agências terceirizadas (lojas terceirizadas), com as quais firmou contratos de franquia empresarial, responsáveis pela comercialização de pacotes turísticos previamente estruturados ou serviços turísticos individuais prestados pelos fornecedores aos clientes/passageiros. As lojas filiais são detidas por outra empresa do grupo, denominada CVC Serviços Agência de Viagens Ltda. e, pois, representam pessoa jurídica diversa da requerente. Originalmente, a CVC firmou contratos de cooperação comercial e operacional com as agências terceirizadas. Mais recentemente, visando reestruturar as suas operações, estreitar as relações comerciais existentes e fidelizar as agên1cias terceirizadas, a CVC firmou contratos de franquia com tais agências. A natureza e extensão do serviço de intermediação realizado pela requerente é definido, de forma precisa, pelo artigo 27 da Lei n° 11.771/2008 (Lei Geral do Turismo - LGT). O art. 27 da Lei n° 11.771/2008 prevê que a agência de turismo é a pessoa jurídica que: realiza a intermediação entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos; ou fornece os serviços turísticos diretamente aos consumidores. O § 3º do artigo 27 da Lei n° 11.771/2008 esclarece que as atividades de intermediação das agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a comercialização dos serviços turísticos fornecidos por terceiros aos consumidores. A agência de turismo que fornece diretamente os serviços turísticos aos clientes é aquela que disponibiliza e comercializa os serviços em seu próprio nome, ou seja, ela própria é responsável pelo fornecimento/realização/execução dos serviços turísticos aos clientes/passageiros. Um bom exemplo é a assessoria de embarque/desembarque, serviço prestado na origem, no local de destino e/ou nas escalas de viagens, com o objetivo de recepcionar, instruir, informar e auxiliar os clientes/passageiros em relação às suas viagens, serviço normalmente prestado por funcionários das próprias agências (ou seja, diretamente por elas). Outro exemplo são os serviços de guias turísticos no destino, que em algumas localidades são prestados por funcionários das próprias agências de viagens locais (ou seja, e mais uma vez, diretamente por elas). A Lei n° 12.974, de 15/05/2014, previu dois diferentes tipos de agências de turismo: agência de viagens, que realiza tão somente a venda comissionada ou a intermediação na comercialização de serviços turísticos; e agência de viagens e turismo, que, além de realizar a venda comissionada ou a intermediação na comercialização de serviços turísticos, realiza de forma privativa o assessoramento, planejamento e organização das atividades relacionadas às viagens e/ou a organização de programas, serviços, roteiros e itinerários de viagens (inclusive educacionais ou culturais) e intermediação remunerada na sua execução e comercialização. O § 2° do art. 5º da Lei n° 12.974/2014 estabelece, de forma clara, que a agência de viagens e turismo que realiza o assessoramento, planejamento e organização de atividades associadas às viagens e/ou a organização e comercialização de programas, serviços, roteiros e itinerários de viagens pode denominar-se operadora turística. A previsão legal mencionada apenas reflete a prática já adotada no mercado e igualmente refletida na legislação anterior que tratava da matéria. Na linguagem comum e na sistemática legal até então em vigor, a agência de viagens operadora é – e sempre foi – aquela que organiza e contrata os serviços turísticos, individuais ou em pacotes turísticos, com o objetivo de que sejam oferecidos aos turistas, enquanto a agência de viagens, em regra, não organiza ou contrata estes serviços em favor dos clientes/passageiros, mas apenas os comercializa nos pontos de venda ou pela internet. Na literatura de Carlos Alberto Tomelin, é possível identificar tal conceituação: “Agências operadoras (conhecidas no mercado nacional como operadoras) elaboram e operam seus próprios programas de viagens (pacotes) ‘com seus próprios equipamentos ou subcontratação de operadores terrestres locais’, e podem vender seus produtos às agências detalhistas e ao público em geral através de seus escritórios locais”. “As operadoras, que elaboram e operam seus próprios programas de viagens (pacotes), podem vendê-los diretamente ao consumidor final, através de seus escritórios locais, ou indiretamente, através das agências de viagens”. “Mas sempre mantendo seu papel de intermediação entre os fornecedores e os consumidores finais. Além disso, podem operar com seus próprios equipamentos e pessoal e/ou podem subcontratar agências receptivas locais”. “No caso de comercialização através das agências (detalhistas) e de subcontratação das receptivas, pagam comissão sobre o produto/serviço comercializado/prestado”. “Agências de viagens detalhistas (conhecidas no mercado nacional como agências de viagens ou agências varejistas) geralmente ‘não elaboram seus próprios produtos’, mas principalmente comercializam ‘viagens com roteiros preestabelecidos’ (pacotes), organizados por agências maioristas ou operadoras de turismo, e podem ou não oferecer serviços de receptivo”. “Mas agências detalhistas podem montar ‘pacotes’ customizados para clientes específicos, incluindo todos os tipos de serviços turísticos”. “Algumas optam por trabalhar com segmentos de mercado específicos (ex: agências de intercâmbio), além de atender o público em geral”. A operadora turística se diferencia da simples “agência” ao negociar e contratar com os fornecedores os serviços turísticos, individuais ou na forma de pacotes, realizando a comercialização de tais serviços diretamente ou, como é mais comum, por intermédio de agências filiais ou terceirizadas. Portanto, haja vista os conceitos previstos nas Leis ns. 11.771/2008 e 12.974/2014, bem como na legislação anterior que tratava da matéria, para se caracterizar como agência de turismo, a pessoa jurídica deve realizar a intermediação ou oferecer os serviços turísticos ela própria (diretamente, em seu nome) e, dependendo da natureza e extensão da atividade específica desenvolvida, a agência poderá denominar-se agência de turismo ou agência de viagens e turismo / operadora turística. O fato de determinado contribuinte caracterizar-se como agência de viagens e turismo / operadora turística não significa, diferentemente da errônea classificação defendida pelo agente fiscal, que tal empresa oferece os serviços turísticos diretamente aos clientes/passageiros. Pelo contrário, o mínimo conhecimento do mercado de que ora se cuida demonstra que as agências de viagens e turismo / operadoras turísticas, na esmagadora maioria de suas operações, realizam a intermediação entre os fornecedores e passageiros, ainda que comercialize os serviços turísticos, individuais ou em pacotes turísticos, por meio de outras Agências. Seja agência de viagens ou agência de viagens e turismo / operadora turística, a caracterização da espécie de serviço por ela realizado não é determinável a priori, mas sim com base nas atividades que são, de fato, realizadas. Se a agência de viagens ou a agência de viagens e turismo / operadora turística prestar determinados serviços de forma direta (e não por intermédio dos terceiros fornecedores), não restará configurada a atividade de intermediação. Por outro lado, se a agência de viagens ou a agência de viagens e turismo / operadora turística tiver como propósito a organização e oferecimento de serviços turísticos prestados por terceiros aos clientes/passageiros (passagens áreas, hospedagem etc), estará realizando a atividade de intermediação de que trata a legislação do setor. (b) Enquadramento da requerente como agência de viagens que realiza a atividade econômica de intermediação remunerada A requerente é uma agência de viagens e turismo/operadora turística que realiza a intermediação entre fornecedores e passageiros, por meio da estruturação e disponibilização/comercialização, pelas lojas filiais ou lojas terceirizadas, de serviços turísticos prestados por terceiros. A requerente sabidamente não presta serviços turísticos diretamente. De outra sorte, estaria também listada entre as companhias aéreas ou redes hoteleiras e não somente entre as agências de viagem. No relatório fiscal (fls. 1583/1584), o autuante alega que “a operadora de turismo, conforme se depreende da leitura do caput do art. 27 da LGT, é empresa que fornece os serviços diretamente em seu nome” e conclui que “o sujeito passivo CVC Brasil atua sempre como operadora de turismo”. O autuante aponta que enquanto a requerente “atuou como operadora de turismo, pois comprou e revendeu, em seu nome, diárias de hotéis”, as lojas “atuaram como agências de viagens (de turismo em sentido estrito) (...) que representaram o sujeito passivo e realizaram as vendas diretamente junto ao cliente”. O esforço em descaracterizar a requerente como agência de turismo se justifica para fundamentar a errônea premissa de que os valores referentes aos repasses aos fornecedores e as comissões às lojas seriam custos dela e não receitas de terceiros. O fato de a requerente também realizar atividades próprias de operadora turística não afasta a sua caracterização como agência de viagem que tem como atividade principal a intermediação remunerada de serviços turísticos. A requerente reserva, negocia e contrata os serviços turísticos junto aos fornecedores e, na maior parte das vezes, os organiza/estrutura na forma de pacotes para facilitar as viagens dos clientes/passageiros, disponibilizando-os por intermédio das lojas (filiais ou terceirizadas). A requerente não presta ela própria os serviços turísticos aos clientes/passageiros. A sua atividade é de mera intermediação destes serviços. Para fornecer diretamente os serviços (e, pois, ter a obrigação de oferecer os valores totais recebidos pelos clientes/passageiros à tributação), a requerente teria que prestar diretamente os serviços turísticos comercializados, afastando qualquer atuação por parte dos terceiros fornecedores (companhias áreas, hotéis etc), o que não é o caso. A lógica fiscal leva à absurda e impossível conclusão de que a requerente estaria prestando serviços aéreos, de hospedagem, de transporte de passageiros por via terrestre etc. Seria ela, pois, uma companhia aérea, capaz de transportar passageiros entre os aeroportos brasileiros e internacionais? Estaria, portanto, atuando no ramo hoteleiro, em estabelecimentos próprios? Utilizando-se, então, de veículos próprios para percorrer as estradas pelo mundo? A atividade desenvolvida pela requerente é a de intermediação de serviços turísticos, englobando a oferta, a reserva e a venda desses serviços, que serão prestados pelos fornecedores e tomados pelos clientes/passageiros. III.2. A não incidência de PIS/Cofins sobre os valores repassados aos fornecedores de serviços turísticos e comissões repassadas às lojas O autuante entendeu que a requerente realizaria “compra e venda de serviços turísticos”. Portanto, os valores repassados aos fornecedores e as comissões repassadas às lojas seriam verdadeiros custos de suas operações, não sendo passíveis de exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins, por ausência de previsão legal. Contudo, a requerente presta serviço de intermediação de serviços turísticos. Tais valores não compõem a base de cálculo das contribuições em questão; são, na verdade, receitas de outras empresas. (a) O conceito de receita para fins de PIS/Cofins e a impossibilidade de tributação das receitas de terceiros A requerente está sujeita ao regime cumulativo de PIS/Cofins, regulado pela Lei n° 9.718/1998. O seu art. 1º prevê que tais contribuições incidirão sobre o faturamento mensal da pessoa jurídica, que corresponde à sua receita bruta. É possível identificar receita como um ingresso que se incorpore de maneira positiva e definitiva ao patrimônio de uma empresa, decorrente de remuneração ou contraprestação de suas atividades sociais, isto é, proveniente da venda de bens e prestação de serviços (fls. 1691). Apenas os valores que efetivamente modificam o patrimônio líquido da empresa, de forma a incrementá-lo, e que ingressam nas contas da empresa de forma definitiva e incondicional, em decorrência das atividades sociais desenvolvidas pela empresa, devem ser considerados receita para fins de cômputo da base das contribuições. Os valores que não se enquadrem nesse conceito e não possuam estas específicas características (positividade, definitividade e causalidade) não podem assim ser caracterizados. A doutrina mais abalizada afirma que as receitas de terceiros devem ser desconsideradas para fins de determinação da receita tributável, justamente por não integrarem o patrimônio da empresa que as recebe (fls. 1692). Segundo tanto o antigo Conselho de Contribuintes como o atual Carf, os valores recebidos e repassados a terceiros não devem ser objeto de tributação pelo PIS/Cofins (fls. 1692/1693). No âmbito contábil, as receitas de terceiros também não são consideradas como receitas próprias da empresa que as recebe, como demonstram o CPC n° 30/2012 e a Resolução CFC n° 1.255/2009 (fls. 1693/1694). As receitas transferidas a terceiros não podem ser caracterizadas juridicamente como “receita”, uma vez que não representam um acréscimo patrimonial efetivo e definitivo e não decorrem de uma atividade desenvolvida pela empresa, o que indica a inexistência da natureza causal que legitime a exigência. E nem se diga que a revogação do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que expressamente permitia a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de “valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica”, seria capaz de alterar essa conclusão. Tal revogação não pode implicar tributação das receitas de terceiros. O texto do referido inciso III (como, aliás, de todas as hipóteses de exclusão previstas naquele dispositivo) tinha função meramente didática, pedagógica, visando instruir os contribuintes que haviam, indevidamente, incluído como receita própria valores que tivessem “sido transferidos” para outra empresa (fls. 1694). Como aponta José Antonio Minatel, as previsões do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 – seja na sua redação anterior ou na atualmente em vigor – revelam “realidades desprovidas de conteúdo material que permita qualificá-las como receitas”,sendo, portanto, “inócua a pretensão de excluí-las de conjunto no qual nunca estiveram incluídas” (fls. 1694). A expressa autorização para excluir as receitas de terceiros contida no referido inciso III é irrelevante para determinar a tributação ou não sobre receitas de terceiros. Tais valores – com ou sem essa previsão – não constituem receita. (b) A determinação da receita auferida pela requerente e a correta não tributação dos valores repassados a terceiros/fornecedores O conceito jurídico de “receita” abarca apenas os valores que representam acréscimos patrimoniais efetivos e definitivos e que resultam diretamente da atividade econômica desenvolvida pela empresa. A legislação específica do turismo confirma que a receita da agência de turismo não pode abarcar a integralidade dos valores recebidos, mas apenas a verdadeira remuneração auferida pela atividade de intermediação. O § 2° do art. 27 da Lei n° 11.771/2008 esclarece qual é a receita (preço do serviço) auferida pela agência de turismo: “O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultando-se à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados”. O preço do serviço de intermediação das agências de turismo é – e somente pode ser –a comissão recebida dos fornecedores e/ou o valor agregado ao preço de custo desses fornecedores, e não o valor total dos ingressos. Não obstante, o autuante faz verdadeiro “exercício interpretativo” para justificar que o § 2° do referido art. 27 não poderia ser analisado em sua literalidade e, com isso, defender a tributação sobre o valor bruto recebido pela requerente da venda de pacotes turísticos. Conforme relatório fiscal (fls. 1587), o autuante entende que “ao se fazer uma interpretação teleológica, percebe-se que o legislador não teve por objetivo, no artigo 27 da LGT, a exclusão dos custos (repasse a fornecedores, segundo o sujeito passivo) das bases de cálculo do PIS e da Cofins”. Para sustentar o seu teratológico posicionamento sobre a – inexistente – obrigação de submeter à tributação o valor total recebido dos clientes em remuneração à aquisição de pacotes turísticos, que inviabilizaria a atividade de toda e qualquer agência de turismo no Brasil, o autuante, além de partir de premissas equivocadas quanto à natureza das atividades da requerente, utiliza quatro argumentos principais: a requerente não realiza repasse de valores aos fornecedores, mas sim a compra e (re)venda de serviços turísticos em nome próprio; as notas fiscais foram emitidas pelos fornecedores dos serviços turísticos (companhias aéreas, hotéis etc) em nome da requerente; o art. 46 da Lei n° 11.771/2008, que permitira a tributação exclusiva das receitas de intermediação de forma expressa, foi vetado pelo Poder Executivo; e as orientações emitidas pela RFB, por meio de soluções de consulta, determinam a tributação integral dos valores recebidos pela requerente. Contudo, conforme será detalhado abaixo, nenhum destes argumentos se sustenta. (b.l) Intermediação versus compra e venda O primeiro argumento fiscal está embasado na equivocada premissa de que a requerente não realiza atividade de intermediação de serviços turísticos, mas sim a compra e (re)venda de serviços turísticos em nome próprio. O agente fiscal alega que a requerente não realizaria repasses de receitas a terceiros (no caso, os fornecedores) e que os valores a eles remetidos configurariam custo da sua atividade. A requerente é agência de viagens e turismo / operadora turística que realiza a intermediação entre fornecedores e cliente/passageiros, por meio da estruturação e disponibilização/comercialização, pelas lojas filiais ou lojas terceirizadas, de serviços turísticos prestados por terceiros. O fato de ser uma operadora turística não afasta a caracterização da sua atividade principal de intermediação de serviços turísticos. A requerente julga pertinente tecer breves observações sobre as evidentes diferenças técnicas e jurídicas sobre as operações de intermediação e compra e venda. Na operação de compra e venda, prevista no art. 481 do CC/2002, a empresa adquire determinada mercadoria de seu fornecedor e a revende ao consumidor, cobrando uma margem de lucro. O ganho da empresa provém do próprio cliente, que acaba pagando um valor maior pelas mercadorias adquiridas. É o típico caso dos supermercados, que compram mercadorias e as revendem aos consumidores, agregando um valor adicional ao preço. No que se refere à compra e venda, a empresa adquire a titularidade da mercadoria que será revendida. O principal aspecto do negócio jurídico de compra e venda é a efetiva transferência de titularidade/propriedade sobre o bem em questão. Diferentemente, no caso da intermediação, a empresa efetua o contato entre os participantes da cadeia (no caso, o fornecedor e consumidor), atuando como verdadeiro elo. A empresa intermediadora é remunerada em função do serviço desenvolvido. Na intermediação, o elemento da remuneração decorre da existência da prestação do serviço e não se verifica a transferência de titularidade/propriedade para a empresa que realiza a intermediação. É possível citar, além da intermediação de serviços turísticos, uma série de atividades de natureza análoga: representação comercial, em que determinada empresa realiza a mediação para realização de negócios mercantis, em nome do representado; planos de saúde e assistência médica, em que a administradora do plano disponibiliza a rede de médicos e hospitais e laboratórios aos conveniados; administração de cartão de crédito/débito, em que a empresa administradora recebe os pagamentos e os transfere para os vendedores credenciados; corretagem de imóveis, em que a corretora realiza a intermediação para possibilitar a compra/venda ou a locação de imóveis; agenciamento de publicidade, em que a agência de publicidade promove a divulgação de serviços/produtos em nome do anunciante, entre outros. Em nenhuma dessas atividades se verifica o negócio de “compra e venda”, uma vez que a intermediadora apenas realiza o elo entre as partes envolvidas. Todas as atividades estão previstas como serviços na lista anexa à LC 116/2003. É o caso da intermediação de serviços turísticos (item 9.01 da lista). A atividade desenvolvida pela requerente é a efetiva prestação de serviço de intermediação. Ela não compra passagens e hospedagens e as revende em seu nome, mas sim organiza, reserva e contrata os serviços turísticos prestados pelos fornecedores e os oferece e comercializa aos clientes/passageiros. A prestação de serviços no caso concreto envolve obrigação de fazer, ou seja, realizar o contato entre os fornecedores e os passageiros, viabilizando as viagens que serão por estes últimos usufruídas. A prestação de serviços no direito brasileiro envolve, essencialmente, obrigações de fazer — as quais se opõem às obrigações de dar, em que uma das partes cede um bem à outra. Prestar serviço é disponibilizar um bem imaterial, uma utilidade, que se produz mediante o esforço humano, físico ou intelectual, que é colocado à disposição do tomador. É desarrazoado pensar na hipótese de compra e venda no caso concreto. A requerente realiza verdadeira obrigação de fazer, consubstanciada na reserva e oferta aos clientes/passageiros de serviços turísticos (individuais ou por meio de pacotes) prestados por fornecedores habilitados para tanto. Logo, é incorreta – e jurídica e taticamente impossível — a premissa adotada pelo autuante. Os valores repassados aos fornecedores de serviços turísticos não podem ser caracterizados como “custos”. A requerente não compra e revende serviços turísticos, mas atua na intermediação entre fornecedores e clientes/passageiros. O conceito de “custo” abarca os dispêndios básicos da empresa, necessários à manutenção da atividade e comercialização, conforme se depreende da legislação do imposto de renda. Não podem ser caracterizados como custos os valores referentes aos repasses efetuados aos fornecedores e às lojas em relação aos serviços que serão prestados aos clientes/passageiros. Tais montantes não correspondem a insumos ou qualquer outra espécie de ativo/bem/direito adquirido pela requerente, necessários ao desenvolvimento de suas atividades operacionais. Os serviços turísticos são reservados, negociados e contratados pela requerente em nome e benefício dos clientes/passageiros, seus verdadeiros tomadores. Portanto, a pretensão do autuante não se sustenta sob qualquer óptica. Os valores referentes aos repasses não refletem custos da requerente, mas receitas de terceiros recebidas dos clientes/passageiros e remetidas aos verdadeiros titulares, os efetivos fornecedores dos serviços turísticos. (b.2.) A irrelevância do destinatário indicado nas notas fiscais para determinar a natureza das operações e a caracterização da receita tributável O segundo argumento fiscal para sustentar a tributação da receita bruta da venda de pacotes turísticos é o de que as notas fiscais e/ou faturas comerciais foram emitidas pelos fornecedores dos serviços turísticos (companhias aéreas, hotéis etc) em nome da requerente. No relatório fiscal (fls. 1583/1584), o autuante busca reforçar a tese de que a requerente não presta serviço de intermediação, mas sim realiza a compra e revenda de serviços turísticos. Ele aponta que “os hotéis não emitiram as faturas/notas fiscais em nome do hóspede, mas sim em nome do sujeito passivo, CVC Brasil” e ainda “foram juntadas cópias das faturas emitidas pelas cias aéreas em face do sujeito passivo CVC Brasil”. O fato de os fornecedores (efetivos prestadores dos serviços aos clientes) emitirem as notas fiscais e/ou faturas comerciais contra a requerente, por razões legais, estritamente operacionais e/ou alheias à sua vontade, não desnatura a essência da atividade de intermediação dela. A requerente realiza intermediação de serviços turísticos, o que por si só afasta a possibilidade de que a simples emissão de documentos fiscais ou comerciais pelos fornecedores altere a natureza de suas atividades e, consequentemente, da sua tributação. Exemplo desta circunstância são os faturamentos relacionados às passagens aéreas. As companhias aéreas não emitem notas fiscais contra os passageiros por expressa determinação legal. Os bilhetes aéreos as substituem e são considerados, para todos os efeitos legais, como documentos fiscais válidos. A título exemplificativo, no Estado de São Paulo, tal sistemática está regulada nos arts. 124 e 171 do Regulamento do ICMS (fls. 1700/1701). As faturas comerciais emitidas pelas companhias aéreas contra a requerente apenas formalizam os valores que deverão ser repassados por ela aos efetivos prestadores dos serviços de transporte aéreo usufruídos pelos clientes/passageiros. Concomitantemente, os bilhetes aéreos, que substituem as notas fiscais, são emitidos contra cada um dos passageiros, tomadores de tais serviços. As alegações do agente fiscal não passam de ilações desarrazoadas que ignoram o mercado e a própria legislação de regência. No âmbito do procedimento de fiscalização, a requerente apresentou uma série de documentos contábeis e fiscais que atestam a regularidade dos procedimentos adotados. Conforme exigido pela fiscalização, para determinadas operações, a requerente apresentou descrição completa de todos os lançamentos realizados, comprovando que os valores recebidos dos clientes não alteram positivamente o seu patrimônio e são regularmente repassados aos fornecedores dos serviços turísticos (Doc. n° 7 – fls. 1827/1871). A requerente demonstrou que os valores a serem remetidos a terceiros são lançados em uma conta específica e transitória e são efetivamente transferidos aos verdadeiros titulares. Os documentos que suportam tal procedimento – contratos firmados com os passageiros, extratos bancários que atestam os valores recebidos e repassados aos fornecedores, faturas emitidas pelos fornecedores e notas fiscais emitidas com o valor da intermediação da requerente – foram apresentados na fiscalização (Doc. n° 8 – fls. 1872/1938). A despeito do destinatário indicado nas faturas / boletos / notas fiscais, não há como desconsiderar a real natureza das operações e entender que a requerente é a tomadora dos serviços turísticos prestados pelos fornecedores quando a sua atividade é nitidamente de intermediação. A premissa adotada pelo autuante ao lavrar a presente autuação está incorreta. A receita auferida pela requerente não abarca a totalidade dos valores pagos pelos clientes/passageiros na aquisição dos serviços turísticos, mas tão somente as comissões a que faz jus, apuradas mediante a diferença entre os valores recebidos e os repassados a terceiros (fornecedores e lojas). (b.3.) O veto ao artigo 46 da Lei n° 11.771/2008 O terceiro argumento para defender a exigência fiscal se refere ao veto do art. 46 da Lei n° 11.771/2008. A redação inicial do projeto de lei que deu origem à Lei n° 11.771/2008 trazia artigo específico sobre a tributação das receitas de intermediação das agências de turismo. Indicava-se que deveria ser considerada receita apenas a comissão recebida dos fornecedores ou o valor agregado ao preço de custo. O artigo foi vetado sob a justificativa de que o dispositivo, supostamente: deformaria o conceito de lucro e faturamento/receita bruta; ofenderia o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, por ausência de estudo de impacto nas finanças públicas e previsão orçamentária; e principalmente, seria contrário ao interesse público, por aumentar a complexidade do sistema tributário. O veto foi efetuado de maneira genérica e pouco aprofundada, levando em consideração razões políticas que não se coadunam com o sistema de tributação do PIS e da Cofins. O veto não é capaz de gerar obrigação tributária, ainda mais sobre valores que não podem ser configurados como receita. O STF já reconheceu que as razões de veto correspondem a ato de natureza eminentemente política, não podendo servir como parâmetro interpretativo das normas de Direito Tributário. Consequentemente, são insuficientes para justificar qualquer incidência tributária. A aplicação do Direito Tributário deve se pautar na legislação tributária, que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (arts. 96 e 100 do CTN). Os atos legais que tratam do tema não permitem a tributação de valores que não incrementam o patrimônio da requerente de forma definitiva e que são posteriormente repassados aos fornecedores de serviços turísticos O fato de o artigo específico sobre a tributação das receitas de intermediação das agências de turismo ter sido vetado, por razões estritamente políticas, não significa que o PIS/Cofins deve incidir sobre a totalidade dos valores recebidos. O conceito jurídico de “receita” não abarca os valores recebidos e repassados a terceiros. A “interpretação teleológica” do autuante, embasada no veto, não altera essa conclusão. A análise teleológica e sistemática das normas que cuidam do tema levam a conclusão oposta. Os valores repassados a terceiros pelas agências de turismo devem ser desconsiderados na determinação da receita própria passível de tributação, o que é corroborado pela doutrina pátria e pela jurisprudência dominante. (b.4.) A correção dos procedimentos adotados pela requerente com base nas soluções de consulta editadas pela RFB Como último argumento, o autuante baseia-se em supostas soluções de consulta que estabeleceriam a impossibilidade das agências de turismo de excluir receitas de terceiros da base de cálculo do PIS/Cofins. A interpretação dada pelo autuante às soluções de consulta se embasa na equivocada premissa de que a requerente não realizaria intermediação de serviços turísticos. Na verdade, as soluções de consulta da RFB confirmam os procedimentos da requerente. Mesmo antes da edição da Lei n° 11.771/2008, a RFB já havia editado várias soluções de consulta admitindo que os valores repassados a terceiros não integram a receita bruta das agências de turismo, conforme ementas transcritas a fls. 1704/1705. A Solução de Divergência n° 2, de 21/03/2007, mencionada pelo autuante a fls. 1588, de fato determina a incidência do PIS/Cofins sobre a totalidade das receitas auferidas, impedindo a exclusão dos valores repassados a terceiros. Mas ela reflete posicionamento isolado e que logo foi modificado. Conforme ementas transcritas a fls. 1705/1707, desde 2008 a RFB vem proferindo uma série de soluções de consulta no sentido de que apenas as comissões auferidas ou adicional percebido em razão da intermediação pelas agências deverão ser objeto de tributação. O autuante se reporta à Solução de Divergência n° 3, de 30/04/012, e à Solução de Consulta n° 17, de 13/03/013, para respaldar a sua autuação. Mas conclusões ali delineadas confirmam os procedimentos da requerente. Nas referidas soluções, é consignado que, no caso de agência de turismo que realiza a atividade de intermediação, como é o caso da requerente, a receita corresponderá à comissão ou ao adicional por ela recebido. O trecho final das mencionadas soluções indica que “caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes”. O autuante alega que esse trecho “vai ao encontro da tese da fiscalização que veda a exclusão dos custos (repasses aos fornecedores) das bases de cálculo do PIS e da Cofins”. Ainda segundo o atuante, “o sujeito passivo atua sempre como operadora de turismo, na medida em que restou comprovado (...) que todos os serviços turísticos, mesmo diárias de hotel e bilhetes aéreos vendidos isoladamente, sempre são vendidos em nome do sujeito passivo, representado por uma loja credenciada (agência de viagem ou turismo em sentido estrito)”. Não obstante, a requerente não fornece serviços turísticos diretamente, mas realiza a atividade de intermediação a eles relacionada. A requerente atua como elo entre os fornecedores e os clientes tomadores de tais serviços, o que exclui a possibilidade de aplicação da parte final da solução de consulta. O entendimento de que a “receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes” se aplica exclusivamente no caso em que a agência de viagens prestar/executar ela própria os serviços aos clientes/passageiros (e.g., realizar o serviço de assessoramento de embarque/desembarque, proceder ao transporte de passageiros etc), o que não se verifica no caso. O fato de a requerente ser caracterizada como operadora turística, por proceder à organização dos serviços turísticos, oferecidos isolada ou conjuntamente, na forma de pacotes, não tem o condão de afastar ou desnaturar a essência da atividade de intermediação empreendida. As soluções de consulta citadas comprovam que os procedimentos da requerente para a determinação da sua base tributável pelo PIS e pela Cofins foram absolutamente regulares. (b.5) A orientação da jurisprudência a respeito da não tributação das receitas de terceiros relacionadas às agências de turismo O Carf entendeu que, tratando-se de atividade de intermediação de serviços turísticos, é indevida a tributação sobre os valores recebidos e repassados a terceiros, conforme decisões transcritas a fls. 1709/1710. Os nossos tribunais superiores também têm reconhecido que as agências de turismo intermediadoras têm direito de computar na sua receita somente as comissões auferidas, conforme ementa transcrita a fls. 1710. O Órgão Especial do TJ/SP, ao analisar a constitucionalidade de lei municipal de Barueri, reconheceu que os valores que ingressam nos cofres da empresa para serem repassados a terceiros não correspondem ao preço do serviço. O voto vencedor valeu-se expressamente do exemplo das agências de turismo, conforme excerto transcrito a fls. 1711. Quando se discute o tema de receitas de terceiros em relação às atividades de turismo ou situações análogas, a jurisprudência vem repetidamente afirmando que tais valores não compõem a receita tributável. Exemplo disso são as atividades relacionadas às agências de propaganda e publicidade, nas quais a jurisprudência vem admitindo de forma unânime a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores por elas repassados aos veículos de divulgação (i.e., terceiras empresas, tais como as de televisão, rádio, jornais etc), conforme acórdãos do Carf citados a fls. 1711/1712. Os TRFs vêm reconhecendo que os valores objeto de repasse a terceiros pelas agências de publicidade (e, via de consequência, em quaisquer outras atividades em que exista sistemática de repasse de receitas equivalentes) não devem ser integrados à receita para fins de tributação. A mesma orientação é seguida pelos tribunais no caso de empresas agenciadoras de mão-de-obra, que também recebem determinados valores, referentes aos salários e encargos, que são repassados a terceiros e que, portanto, não devem compor a receita para fins de tributação. O STJ também já entendeu que a empresa agenciadora de mão-de-obra tem o direito de recolher os impostos apenas sobre os valores de suas comissões, indicando que as receitas de terceiros não caracterizam “preço do serviço”. Os nossos tribunais também afastaram a tributação integral sobre os valores recebidos pelas operadoras de planos de saúde, ressaltando que os valores referentes aos repasses feitos aos prestadores de serviços de saúde (tais como hospitais, clínicas, laboratórios, médicos etc.) não consistem em receita própria da operadora. Ali também, a exemplo do que ocorre com as agências de turismo, existe mera intermediação entre os fornecedores (em um caso, hospitais, clínicas, laboratórios, médicos etc; em outro, hotéis, passagens etc) e os clientes finais, beneficiários e tomadores efetivos destes serviços (na primeira hipótese, os pacientes; na segunda, os turistas). Os exemplos são múltiplos e a conclusão sempre idêntica. Valores recebidos por terceiros intermediários, cuja atividade, pela sua natureza, implique no recebimento de valores que serão posteriormente repassados a terceiros, sem afetar o seu patrimônio de forma positiva, não podem ser tributados pelo PIS/Cofins. Os tribunais administrativos e judiciais têm reiteradamente afastado a tributação sobre os valores relativos a receitas de terceiros, tanto no caso de agência de viagens como em outras situações envolvendo empresas intermediadoras. III.3. A exclusão das comissões pagas e dos valores relacionados aos navios fretados Em seu relatório (fls. 1590), o autuante admite a hipótese de um julgamento favorável à tese do sujeito passivo, no sentido de permitir a exclusão dos custos (repasses a fornecedores). Nessa eventualidade, o autuante requer, ao menos, seja mantida a exigência fiscal em relação ao: valor de R$ 39.207.736,00 pago às lojas a título de comissão pelas “vendas dos pacotes turísticos”; e valor de R$ 44.307.221,00 referente aos gastos com navios. No que tange às comissões remetidas às lojas, tais valores correspondem às remunerações devidas em contrapartida ao serviço de intermediação – não da requerente, mas das próprias lojas – prestado aos passageiros. Da mesma forma como a requerente é remunerada pela intermediação realizada entre os fornecedores de serviços turísticos e os clientes/passageiros, as agências que realizam a intermediação comercial destes produtos também são remuneradas pela prestação de serviços que realizam. Não existe dúvida quanto à impossibilidade de exigência de tributação destes valores pela requerente. Eles se referem a comissões devidas pelos passageiros diretamente às lojas que comercializam os serviços / pacotes turísticos e que, inclusive, são objeto de emissão de notas fiscais diretamente por elas aos passageiros, no exato valor de suas remunerações. No caso de pagamento em espécie ou cheque, em regra os clientes/passageiros pagam a totalidade dos serviços turísticos adquiridos às lojas. Estas retêm as parcelas relativas às respectivas taxas de serviço/comissões e remetem os valores remanescentes à requerente que, por sua vez, repassará os valores devidos aos fornecedores de serviços turísticos. Tais valores sequer ingressam na requerente, razão pela qual, além de todos os motivos já expostos, não se pode considerar tais montantes como sua receita própria. Não há que se falar em exclusão indevida dos valores relativos às comissões, por se tratar de receitas próprias das lojas e não da requerente, formalizadas por notas fiscais emitidas diretamente contra os clientes/passageiros. No que tange aos gastos com navios, a requerente esclarece que no período de 2009 estava em vigor o contrato de afretamento firmado com a empresa Pullmantur Cruises S.L., domiciliada na Espanha. Mencionado contrato previa que a Pullmantur coordenaria e administraria os cruzeiros, enquanto a requerente seria responsável por oferecer e disponibilizar os pacotes turísticos aos passageiros. Por razões logísticas e visando facilitar as operações, a requerente realizou o pagamento, em nome da Pullmantur e no âmbito do contrato de afretamento, de determinadas despesas, como combustível, encargos portuários, serviços a bordo, shows e animações etc. Contudo, tal fato não impacta nem modifica a natureza da atividade desenvolvida pela requerente nessa situação particular, qual seja, intermediação de serviços marítimos, de modo que a receita de intermediação auferida pela requerente continua sendo a sua comissão recebida e o valor agregado aos serviços. IV. Glosa de despesas com pagamento de comissões (item 4.3) A fiscalização desconsiderou determinados repasses efetuados a título de comissões e exigiu o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no valor total de R$ 88.926,79. A requerente apresenta a comprovação relativa a cada uma das glosas efetuadas, conforme tabela a fls. 1715 e documentos a fls. 1939/1967. Tendo em vista a documentação apresentada, deve o presente auto de infração ser cancelado neste ponto. Caso os bilhetes sejam referentes a meses distintos de dezembro de 2009, o que se admite apenas para argumentar, eventual exigência deve se limitar ao valor dos juros em razão de suposta antecipação no reconhecimento do repasse, em linha com o art. 273 do RIR/99. V. Glosa de despesas com transporte aéreo (item 4.1) Os fatos Na consecução de suas atividades, a requerente recebe recursos e repassa para terceiros em razão da intermediação de transporte aéreo em benefício de seus clientes. Estes repasses não são considerados na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Ao examinar a documentação entregue pela requerente, o autuante entendeu equivocadamente que: 57.420 bilhetes aéreos, no montante de R$ 32.410.000,04, não diziam respeito a embarques ou desembarques ocorridos em dezembro de 2009; e 885 bilhetes aéreos, no montante de R$ 972.286,74, diziam respeito a embarques ocorridos após dezembro de 2009. A conclusão da fiscalização está pautada em amostra de 30 bilhetes obtidos mediante diligência junto ao sujeito passivo. Destes 30 bilhetes, 28 diziam respeito a embarques ocorridos após dezembro de 2009 e 2 bilhetes eram relativos a embarques ocorridos no mês de dezembro de 2009 (mas que não constavam dos relatórios de despesas do mês entregues pela requerente). A fiscalização glosou os repasses relativos a 58.305 bilhetes aéreos tendo como fundamento uma amostragem de 30 bilhetes. O autuante toma como base uma amostragem correspondente a 0,051% do total dos recibos aéreos deduzidos pela requerente, para materializar uma exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no valor total de R$ 27.243.330,98. Deve o presente auto de infração ser reconhecido nulo neste ponto. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, a requerente apresenta a comprovação de que a integralidade das despesas cujo repasse foi registrado em dezembro de 2009 corresponde a passageiros que embarcaram no mês. Nulidade do auto de infração - amostragem insignificante A requerente invoca os seguintes dispositivos: art. 10 do Decreto nº 70.235/72; art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99; art. 142 do CTN. A autoridade administrativa deve efetivamente verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável e calcular o montante do imposto devido. Trata-se de obrigação funcional, não sendo cabível a exigência genérica com base em análise de amostragem ínfima. Não se nega a possibilidade de utilização da amostragem como um critério técnico válido para a determinação de probabilidades ou até mesmo para imputar aos contribuintes o ônus de comprovar as alegações da fiscalização. Não obstante, a amostragem deve ser relevante e ter validade estatística que justifique a sua utilização. De acordo com o item 11.2.9 do Manual de Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileira de Contabilidade, editado pelo CFC, os auditores podem empregar técnicas de amostragem para determinar a extensão de um teste de auditoria ou método de seleção de itens a serem testados (fls. 1718). Todavia, a amostra selecionada deve guardar uma relação direta com o volume das transações relacionadas e objeto da pesquisa. O auto de infração é nulo neste ponto, em razão da ausência de apuração, indicação e descrição pormenorizada dos fatos praticados pela requerente, supostamente tidos como irregulares pela fiscalização. A utilização de mera presunção com base em amostragem ínfima não se coaduna com os comandos normativos contidos nos art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/72. (c) A comprovação da efetividade das despesas De forma a comprovar a legitimidade dos repasses efetuados às companhias aéreas, a requerente junta à sua impugnação: relação de 153.490 bilhetes relativos a embarques ocorridos no mês de dezembro de 2009 (doc. n° 14 – fls. 1970/5319); e amostragem de aproximadamente 800 bilhetes efetivamente embarcados no mês de dezembro de 2009 (doc. n° 15 – fls. 5320/6309). Estes bilhetes constam dos relatórios apresentados pela requerente durante o procedimento de fiscalização (recibos com embarque em dez/09) e atestam a legitimidade do registro dos repasses no mês de dezembro de 2009. A amostragem apresentada pela requerente é suficiente para afastar a presunção da fiscalização no sentido de que a empresa registrou o repasse de bilhetes aéreos relativos a embarques de outros meses. Fica comprovado que os valores cujos repasses às companhias aéreas foram registrados em dezembro de 2009 são referentes a repasses efetuados no próprio mês. Caso os bilhetes sejam referentes a meses distintos de dezembro de 2009, o que se admite apenas para argumentar, eventual exigência deve se limitar ao valor dos juros em razão de suposta antecipação no reconhecimento do repasse, em linha com o art. 273 do RIR/99. V. Passivo fictício (item 7) Exige-se IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre suposto passivo não comprovado e registrado na contabilidade da empresa. O passivo decorre da diferença entre o valor provisionado a título de imposto de renda e o valor efetivamente pago na DIPJ, de R$ 175.000,00. Ora, se a própria fiscalização esclarece a origem do passivo, não há que se falar na existência de passivo não comprovado. Trata-se apenas de provisão para pagamento de IRPJ efetuada em valor superior ao efetivamente devido. No momento em que foi apurado o tributo devido no período, a requerente baixou a provisão no valor do IRPJ devido, permanecendo um saldo de R$ 175.000,00. Este saldo deveria ter sido baixado à época, mas permaneceu registrado nos livros da requerente por um lapso do seu departamento contábil. A constituição da provisão não gera qualquer impacto na apuração dos tributos da requerente, uma vez que o lançamento é efetuado abaixo da linha do lucro real. Tanto a constituição da provisão, quanto a sua baixa, podem ser efetuadas sem qualquer impacto fiscal. O passivo possui origem e a razão da sua constituição foi devidamente comprovada. A requerente pode baixar o passivo a qualquer momento (como efetivamente foi efetuado), sem que seja verificado qualquer impacto fiscal. Considerando que o passivo pode ser liquidado a qualquer momento sem qualquer impacto fiscal, não há que se falar na presunção de omissão de receitas. VI. A multa de ofício e os juros aplicados a impossibilidade de incidência de juros Selic sobre a multa Para assegurar que, diante de um futuro resultado desfavorável, a atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa Selic sobre a multa aplicada, a requerente esclarece o quanto segue. Os débitos tributários exigidos através do auto de infração em referência são acrescidos de multa, agravada ou de ofício. Na prática, após a lavratura dos autos de infração, essas multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros Selic. Essa atualização é realizada pelas autoridades fiscais com amparo não na lei, mas no Parecer MF n° 28, de 02/04/1998, emitido pela Cosit (fls. 1720). Mas o artigo 61 da Lei 9.430/96, utilizado pela Cosit para sustentar a incidência de juros sobre as multas, trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo menção às multas de ofício aplicadas pela RFB. O dispositivo que embasa o entendimento do fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Foi pela ausência de base legal que o Carf já pacificou o entendimento de que tais multas não são atualizáveis, conforme decisões citadas a fls. 1721. A CSRF, no julgamento do recurso de divergência n° 202-131.351, pacificou a questão acerca da ilegalidade da incidência dos juros moratórios sobre a multa aplicada (fls. 1722). Evidencia-se a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso. (b) A improcedência dos juros Selic A jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa Selic aos créditostributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários. Transcreve-se decisão do STJ nos autos do RE n° 450.422/PR. Não obstante a posição sumulada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, e tendo em vista a possibilidade de a taxa Selic vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, requer-se sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. VII. A conclusão e o pedido A impugnação é tempestiva e deve ser apreciada e acolhida em suas preliminares e razões de fato e de direito, que demonstram a improcedência da exigência fiscal. Em relação ao item 3 do auto de infração, a requerente demonstrou que: a requerente se dedica à prestação do serviço de intermediação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a contratação de programas, roteiros e itinerários no Brasil e no exterior, conforme o item 9 da lista de serviços anexa à LC nº 116/2003; de acordo com o art. 27 da Lei n° 11.771/2008 e com os arts. 2°, 3° e 5º da Lei n° 12.974/2014, a requerente se caracteriza como agência de viagens e turismo / operadora turística, por realizar o assessoramento, planejamento e organização de atividades associadas às viagens e/ou a organização e comercialização de programas, serviços, roteiros e itinerários de viagens; o fato de ser denominada de operadora não significa que a requerente realiza o “fornecimento direto” de serviços turísticos. Pelo contrário, ela apenas reserva e contrata os serviços turísticos, que serão prestados pelos fornecedores diretamente aos clientes/passageiros, realizando nítida atividade de intermediação; os valores coletados e posteriormente repassados a terceiros (efetivos fornecedores dos serviços turísticos) não compõem a receita tributável da requerente, na medida em que não se incorporam ao seu patrimônio de maneira positiva e definitiva (sequer transitam por resultado, aliás), nem advém de suas atividades operacionais. Tal posicionamento é confirmado pelo § 2º do artigo 27 da Lei n° 11.771/2008, que expressamente determina que o preço do serviço das agências de turismo é a comissão recebida dos fornecedores e/ou a taxa de serviços cobrada dos clientes, e não o valor total dos ingressos; e a jurisprudência tem afastado a tributação em relação a valores repassados a terceiros pelas agências de turismo, justamente por reconhecer que os repasses não integram o patrimônio das agências. Aliás, analisando o caso específico da própria requerente, recentemente o Carf afastou a pretensão fiscal de tributar a totalidade das receitas recebidas dos clientes, indicando de forma expressa que apenas os valores correspondentes às comissões ou taxas cobradas pela requerente poderiam ser objeto de tributação pelo PIS/Cofins. No que diz respeito ao item 4.1 (despesas com passagens aéreas), restou comprovado que o auto de infração é nulo, em razão da ínfima amostragem utilizada pela fiscalização. Além disso, caso o auto de infração seja válido, o que se admite apenas para argumentar, restou comprovado que a requerente apenas registrou repasses às companhias aéreas relativos a embarques efetivamente ocorridos em dezembro de 2009. Especificamente quanto ao item 4.3 (glosa de despesa com pagamento de comissões), a requerente apresentou a documentação que comprova o efetivo pagamento das despesas, de forma que a glosa pretendida não deve ser admitida. Além disso, no que diz respeito ao item 7 (passivo fictício), foi comprovada a origem do passivo (provisão de IRPJ) e a inexistência de impactos fiscais para a sua baixa. Por este motivo, não há que se falar na existência de presunção de omissão de receitas. Por fim, foi demonstrado que a taxa Selic não pode ser aplicada aos créditos tributários e, se admitida a sua aplicação, só poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária. Pelo exposto, a requerente tem por comprovada a exatidão dos procedimentos adotados e a total improcedência do auto de infração, bem como o equívoco cometido autoridade fiscal ao interpretar os fatos e o direito a eles aplicável neste caso, razão pela qual pleiteia o acolhimento da impugnação e o cancelamento do auto de infração, com o arquivamento do presente processo administrativo. A requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4º, “a” do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. É o relatório. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 3a Turma da DRJ/BHE proferiu o Acórdão de Impugnação n. 02-63.599 (fls. 6.460/6.514), em sessão realizada em 28/01/2015, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, para indeferir o pedido de juntada posterior de documentos, rejeitar a alegação de nulidade e manter integralmente o crédito tributário em discussão, cuja ementa restou assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, em se tratando de operadora turística que elabore e opere seus próprios pacotes turísticos ou mesmo ofereça outros produtos isoladamente, como passagens, hospedagens e demais serviços turísticos, mas sempre comercializados em seu próprio nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, em se tratando de operadora turística que elabore e opere seus próprios pacotes turísticos ou mesmo ofereça outros produtos isoladamente, como passagens, hospedagens e demais serviços turísticos, mas sempre comercializados em seu próprio nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 EXCLUSÕES INDEVIDAS DA RECEITA BRUTA. Correta a glosa de custos e despesas excluídos diretamente da receita bruta a título de “repasses a fornecedores”, nos casos de não comprovação da sua efetiva existência ou de inobservância do princípio da competência. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PASSIVO. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, ambos da Lei nº 9.430, de 1996. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignado com a referida decisão, o sujeito passivo interpõe Recurso Voluntário reiterando todos os argumentos trazidos na impugnação, acrescentando apenas: (i) o pleito pela procedência do pedido de perícia, ora rejeitado, e; (ii) a nulidade do processo devido a ocorrência de supressão de instância, tendo em vista, que a 3a Turma da DRJ/BHE não procedeu à análise de todos os pedidos contidos na peça impugnatória. Vale ressalvar que as infrações descritas nos itens 2, 5, 6 e subitens 4.2 e 4.4 foram integralmente quitadas pela contribuinte, razão pela qual não serão objeto de abordagem nesta instância recursal. É como relato."
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, que votavam pela nulidade parcial do lançamento correspondente ao item 4.1 do Termo de Verificação Fiscal. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização desta Resolução, transcrevo abaixo a íntegra do relatório apresentado pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 14 de fevereiro de 2017, verbis: "CVC BRASIL OPERADORA E AGÊNCIA DE VIAGENS S/A, empresa que se dedica à prestação do serviço de intermediação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a contratação de programas, roteiros e itinerários no Brasil e exterior, insurge-se contra a cobrança de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de lançamento lavrado em 18/07/2014 e cientificação ocorrida, pessoalmente, em 31/07/2014, cujo crédito tributário totaliza o montante de R$ 50.834.812,03, de materialidade relativa a dezembro de 2009. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Em 18/07/2014, foram lavrados os sete autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza a exigência do crédito tributário no valor total de R$ 50.834.812,03, conforme a seguir indicado: Tributo Juros de Mora Multa Proporcional Multa Regulamentar IRPJ 9.705.992,37 4.053.222,41 7.279.494,28 CSLL 3.494.157,26 1.459.160,08 2.620.617,94 Cofins 8.422.009,96 3.517.031,36 6.316.507,47 PIS 1.824.768,82 762.023,46 1.368.576,62 Multa Regulamentar 11.250,00 Descrição das infrações imputadas O autuante, reportando-se ao termo de verificação fiscal a fls. 1556/1618, atribui à autuada as seguintes infrações: Autos de infração de IRPJ e reflexos (CSLL, Cofins e PIS) – fls. 1620/1643 0001.OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDAS E SERVIÇOS. Omissão de receitas relativas a contratos (recibos) complementares, conforme item 2 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 143.321,22. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1633. Enquadramento legal para a Cofins: vide fls. 1628. Enquadramento legal para a contribuição para o PIS: vide fls. 1639. 0002.EXCLUSÕES INDEVIDAS DA RECEITA BRUTA. Valor referente a custos e despesas excluídos diretamente da receita bruta, a título de “repasses a fornecedores”, glosados pelo fato de não obedecerem ao princípio da competência ou por não terem sido comprovados, conforme item 4 e respectivos subitens do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 37.489.065,28. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1633. Enquadramento legal para a Cofins: vide fls. 1628. Enquadramento legal para a contribuição para o PIS: vide fls. 1639. 0003.PASSIVO FICTÍCIO PELA NÃO COMPROVAÇÃO INTEGRAL DO SALDO EXISTENTE NA CONTA IRPJ A RECOLHER. Vide item 7 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 175.000,00. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, III, e 288 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1633. Enquadramento legal para a Cofins: vide fls. 1628. Enquadramento legal para a contribuição para o PIS: vide fls. 1639. 0004.DEDUÇÃO DE PIS E COFINS NÃO COMPROVADOS. Vide item 5 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 426.239,69. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1634. 0005.DEDUÇÃO DE IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS (ISS) NÃO COMPROVADO. Vide item 6 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 590.343,27. Multa: 75%. Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide fls. 1634. Auto de infração de multa regulamentar – fls. 1644/1647 0001.APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). O sujeito passivo apresentou extemporaneamente a ECD exigida nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/99, ensejando a aplicação de multa no valor de R$ 1.500,00 por mês-calendário ou fração de atraso, uma vez que, na última declaração apresentada, apurou lucro real, conforme termo de verificação fiscal. Datas dos fatos geradores: 30/07/2010 (multa de R$ 9.000,00) e 30/06/2011 (multa de R$ 2.250,00). Enquadramento legal: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57, I, “b”, e §§ 2º e 3º, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.766/12. Auto de infração de Cofins – fls. 1648/1652 0001.INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS. Omissão de receitas por exclusões indevidas da base de cálculo da Cofins, conforme item 3 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 242.926.278,72. Multa: 75%. Enquadramento legal: art. 8º da Lei nº 9.718/1998; art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 2º da Lei nº 9.718/98, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158-35/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. Auto de infração de PIS – fls. 1653/1657 0001.INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Omissão de receitas por exclusões indevidas da base de cálculo do PIS, conforme item 3 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 242.926.278,72. Multa: 75%. Enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; arts. 2º, I, e 9º da Lei nº 9.715/98; art. 2º da Lei nº 9.718/98; art. 8º, I, da Lei nº 9.715/98; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; art. 79 da Lei nº 11.941/2009; art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158-35/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. Ciência dos lançamentos Em 31/07/2014, conforme termo a fls. 1661, a autuada tomou ciência, pessoalmente, dos lançamentos. Impugnação Em 29/08/2014, foi apresentada a impugnação a fls. 1681/1725, cujo teor pode ser assim resumido: I. Tempestividade A impugnação é tempestiva. II. O auto de infração Com relação ao item 2 (omissão de receitas relativas a recibos complementares), ao item 5 (dedução de PIS e de Cofins não comprovada) e ao item 6 (dedução de ISS não comprovada), todos do termo de verificação fiscal, a requerente informa que incluiu os débitos no Refis. Vide documento nº 5 (fls. 1820/1823). Com relação ao item 4 (glosa de exclusões da receita bruta), ela informa que efetuou o pagamento de todos os débitos constantes dos subitens 4.2 e 4.4, com a redução no valor da multa em razão de o pagamento ter sido efetuado no prazo de até 30 dias contados da lavratura do auto de infração. Vide documento nº 6 (fls. 1824/1825). Informa-se ainda o pagamento integral do débito do item 8 (multa por atraso de entrega da ECD). Vide documento nº 6 (fls. 1826). O entendimento fiscal está equivocado no que diz respeito ao item 3 (exclusões indevidas da base de cálculo do PIS e da Cofins – receita de intermediação), ao item 4.1 (custos com transporte aéreo), ao item 4.3 (deduções de despesas com pagamento de comissões não comprovadas) e ao item 7 (passivo fictício). III. Supostas exclusões indevidas da receita bruta (item 3): a não incidência de PIS e de Cofins sobre os valores repassados aos fornecedores de serviços turísticos O item 3 da autuação exige PIS/Cofins em razão da suposta falta de tributação sobre valores repassados a terceiros, fornecedores de serviços turísticos e agências de turismo (lojas). Conforme se verifica do termo de verificação fiscal (fls. 1581), em dezembro de 2009, a requerente teria auferido receita bruta de R$ 349.788.292,00 e indevidamente excluído de tal montante o valor de R$ 331.303.424,00, relativo aos “repasses a fornecedores” e a “Tx. Serviços – Agências”. No entanto, tais valores, por se tratarem de receitas de terceiros, foram corretamente desconsiderados para fins de determinação da base de cálculo do PIS/Cofins. III.1. A atividade de intermediação de serviços turísticos (a) As atividades desenvolvidas pela requerente e a intermediação de serviços turísticos A requerente é empresa brasileira que se dedica à prestação do serviço de intermediação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a contratação de programas, roteiros e itinerários no Brasil e no exterior. Na condição de intermediadora de serviços turísticos, a requerente está sujeita ao recolhimento do ISS, e a sua atividade está prevista no item 9 da lista de serviços anexa à LC 116/2003. A requerente mantém uma rede de contatos e acordos com os fornecedores dos serviços turísticos (hotéis, companhias aéreas etc), realizando a organização, estruturação e oferecimento dos serviços turísticos prestados por tais fornecedores aos clientes/passageiros tomadores dos serviços, de forma individual ou em pacotes (conjunto de serviços turísticos de diferentes naturezas). A requerente atua por intermédio de agências filiais (lojas filiais) ou agências terceirizadas (lojas terceirizadas), com as quais firmou contratos de franquia empresarial, responsáveis pela comercialização de pacotes turísticos previamente estruturados ou serviços turísticos individuais prestados pelos fornecedores aos clientes/passageiros. As lojas filiais são detidas por outra empresa do grupo, denominada CVC Serviços Agência de Viagens Ltda. e, pois, representam pessoa jurídica diversa da requerente. Originalmente, a CVC firmou contratos de cooperação comercial e operacional com as agências terceirizadas. Mais recentemente, visando reestruturar as suas operações, estreitar as relações comerciais existentes e fidelizar as agên1cias terceirizadas, a CVC firmou contratos de franquia com tais agências. A natureza e extensão do serviço de intermediação realizado pela requerente é definido, de forma precisa, pelo artigo 27 da Lei n° 11.771/2008 (Lei Geral do Turismo - LGT). O art. 27 da Lei n° 11.771/2008 prevê que a agência de turismo é a pessoa jurídica que: realiza a intermediação entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos; ou fornece os serviços turísticos diretamente aos consumidores. O § 3º do artigo 27 da Lei n° 11.771/2008 esclarece que as atividades de intermediação das agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a comercialização dos serviços turísticos fornecidos por terceiros aos consumidores. A agência de turismo que fornece diretamente os serviços turísticos aos clientes é aquela que disponibiliza e comercializa os serviços em seu próprio nome, ou seja, ela própria é responsável pelo fornecimento/realização/execução dos serviços turísticos aos clientes/passageiros. Um bom exemplo é a assessoria de embarque/desembarque, serviço prestado na origem, no local de destino e/ou nas escalas de viagens, com o objetivo de recepcionar, instruir, informar e auxiliar os clientes/passageiros em relação às suas viagens, serviço normalmente prestado por funcionários das próprias agências (ou seja, diretamente por elas). Outro exemplo são os serviços de guias turísticos no destino, que em algumas localidades são prestados por funcionários das próprias agências de viagens locais (ou seja, e mais uma vez, diretamente por elas). A Lei n° 12.974, de 15/05/2014, previu dois diferentes tipos de agências de turismo: agência de viagens, que realiza tão somente a venda comissionada ou a intermediação na comercialização de serviços turísticos; e agência de viagens e turismo, que, além de realizar a venda comissionada ou a intermediação na comercialização de serviços turísticos, realiza de forma privativa o assessoramento, planejamento e organização das atividades relacionadas às viagens e/ou a organização de programas, serviços, roteiros e itinerários de viagens (inclusive educacionais ou culturais) e intermediação remunerada na sua execução e comercialização. O § 2° do art. 5º da Lei n° 12.974/2014 estabelece, de forma clara, que a agência de viagens e turismo que realiza o assessoramento, planejamento e organização de atividades associadas às viagens e/ou a organização e comercialização de programas, serviços, roteiros e itinerários de viagens pode denominar-se operadora turística. A previsão legal mencionada apenas reflete a prática já adotada no mercado e igualmente refletida na legislação anterior que tratava da matéria. Na linguagem comum e na sistemática legal até então em vigor, a agência de viagens operadora é – e sempre foi – aquela que organiza e contrata os serviços turísticos, individuais ou em pacotes turísticos, com o objetivo de que sejam oferecidos aos turistas, enquanto a agência de viagens, em regra, não organiza ou contrata estes serviços em favor dos clientes/passageiros, mas apenas os comercializa nos pontos de venda ou pela internet. Na literatura de Carlos Alberto Tomelin, é possível identificar tal conceituação: “Agências operadoras (conhecidas no mercado nacional como operadoras) elaboram e operam seus próprios programas de viagens (pacotes) ‘com seus próprios equipamentos ou subcontratação de operadores terrestres locais’, e podem vender seus produtos às agências detalhistas e ao público em geral através de seus escritórios locais”. “As operadoras, que elaboram e operam seus próprios programas de viagens (pacotes), podem vendê-los diretamente ao consumidor final, através de seus escritórios locais, ou indiretamente, através das agências de viagens”. “Mas sempre mantendo seu papel de intermediação entre os fornecedores e os consumidores finais. Além disso, podem operar com seus próprios equipamentos e pessoal e/ou podem subcontratar agências receptivas locais”. “No caso de comercialização através das agências (detalhistas) e de subcontratação das receptivas, pagam comissão sobre o produto/serviço comercializado/prestado”. “Agências de viagens detalhistas (conhecidas no mercado nacional como agências de viagens ou agências varejistas) geralmente ‘não elaboram seus próprios produtos’, mas principalmente comercializam ‘viagens com roteiros preestabelecidos’ (pacotes), organizados por agências maioristas ou operadoras de turismo, e podem ou não oferecer serviços de receptivo”. “Mas agências detalhistas podem montar ‘pacotes’ customizados para clientes específicos, incluindo todos os tipos de serviços turísticos”. “Algumas optam por trabalhar com segmentos de mercado específicos (ex: agências de intercâmbio), além de atender o público em geral”. A operadora turística se diferencia da simples “agência” ao negociar e contratar com os fornecedores os serviços turísticos, individuais ou na forma de pacotes, realizando a comercialização de tais serviços diretamente ou, como é mais comum, por intermédio de agências filiais ou terceirizadas. Portanto, haja vista os conceitos previstos nas Leis ns. 11.771/2008 e 12.974/2014, bem como na legislação anterior que tratava da matéria, para se caracterizar como agência de turismo, a pessoa jurídica deve realizar a intermediação ou oferecer os serviços turísticos ela própria (diretamente, em seu nome) e, dependendo da natureza e extensão da atividade específica desenvolvida, a agência poderá denominar-se agência de turismo ou agência de viagens e turismo / operadora turística. O fato de determinado contribuinte caracterizar-se como agência de viagens e turismo / operadora turística não significa, diferentemente da errônea classificação defendida pelo agente fiscal, que tal empresa oferece os serviços turísticos diretamente aos clientes/passageiros. Pelo contrário, o mínimo conhecimento do mercado de que ora se cuida demonstra que as agências de viagens e turismo / operadoras turísticas, na esmagadora maioria de suas operações, realizam a intermediação entre os fornecedores e passageiros, ainda que comercialize os serviços turísticos, individuais ou em pacotes turísticos, por meio de outras Agências. Seja agência de viagens ou agência de viagens e turismo / operadora turística, a caracterização da espécie de serviço por ela realizado não é determinável a priori, mas sim com base nas atividades que são, de fato, realizadas. Se a agência de viagens ou a agência de viagens e turismo / operadora turística prestar determinados serviços de forma direta (e não por intermédio dos terceiros fornecedores), não restará configurada a atividade de intermediação. Por outro lado, se a agência de viagens ou a agência de viagens e turismo / operadora turística tiver como propósito a organização e oferecimento de serviços turísticos prestados por terceiros aos clientes/passageiros (passagens áreas, hospedagem etc), estará realizando a atividade de intermediação de que trata a legislação do setor. (b) Enquadramento da requerente como agência de viagens que realiza a atividade econômica de intermediação remunerada A requerente é uma agência de viagens e turismo/operadora turística que realiza a intermediação entre fornecedores e passageiros, por meio da estruturação e disponibilização/comercialização, pelas lojas filiais ou lojas terceirizadas, de serviços turísticos prestados por terceiros. A requerente sabidamente não presta serviços turísticos diretamente. De outra sorte, estaria também listada entre as companhias aéreas ou redes hoteleiras e não somente entre as agências de viagem. No relatório fiscal (fls. 1583/1584), o autuante alega que “a operadora de turismo, conforme se depreende da leitura do caput do art. 27 da LGT, é empresa que fornece os serviços diretamente em seu nome” e conclui que “o sujeito passivo CVC Brasil atua sempre como operadora de turismo”. O autuante aponta que enquanto a requerente “atuou como operadora de turismo, pois comprou e revendeu, em seu nome, diárias de hotéis”, as lojas “atuaram como agências de viagens (de turismo em sentido estrito) (...) que representaram o sujeito passivo e realizaram as vendas diretamente junto ao cliente”. O esforço em descaracterizar a requerente como agência de turismo se justifica para fundamentar a errônea premissa de que os valores referentes aos repasses aos fornecedores e as comissões às lojas seriam custos dela e não receitas de terceiros. O fato de a requerente também realizar atividades próprias de operadora turística não afasta a sua caracterização como agência de viagem que tem como atividade principal a intermediação remunerada de serviços turísticos. A requerente reserva, negocia e contrata os serviços turísticos junto aos fornecedores e, na maior parte das vezes, os organiza/estrutura na forma de pacotes para facilitar as viagens dos clientes/passageiros, disponibilizando-os por intermédio das lojas (filiais ou terceirizadas). A requerente não presta ela própria os serviços turísticos aos clientes/passageiros. A sua atividade é de mera intermediação destes serviços. Para fornecer diretamente os serviços (e, pois, ter a obrigação de oferecer os valores totais recebidos pelos clientes/passageiros à tributação), a requerente teria que prestar diretamente os serviços turísticos comercializados, afastando qualquer atuação por parte dos terceiros fornecedores (companhias áreas, hotéis etc), o que não é o caso. A lógica fiscal leva à absurda e impossível conclusão de que a requerente estaria prestando serviços aéreos, de hospedagem, de transporte de passageiros por via terrestre etc. Seria ela, pois, uma companhia aérea, capaz de transportar passageiros entre os aeroportos brasileiros e internacionais? Estaria, portanto, atuando no ramo hoteleiro, em estabelecimentos próprios? Utilizando-se, então, de veículos próprios para percorrer as estradas pelo mundo? A atividade desenvolvida pela requerente é a de intermediação de serviços turísticos, englobando a oferta, a reserva e a venda desses serviços, que serão prestados pelos fornecedores e tomados pelos clientes/passageiros. III.2. A não incidência de PIS/Cofins sobre os valores repassados aos fornecedores de serviços turísticos e comissões repassadas às lojas O autuante entendeu que a requerente realizaria “compra e venda de serviços turísticos”. Portanto, os valores repassados aos fornecedores e as comissões repassadas às lojas seriam verdadeiros custos de suas operações, não sendo passíveis de exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins, por ausência de previsão legal. Contudo, a requerente presta serviço de intermediação de serviços turísticos. Tais valores não compõem a base de cálculo das contribuições em questão; são, na verdade, receitas de outras empresas. (a) O conceito de receita para fins de PIS/Cofins e a impossibilidade de tributação das receitas de terceiros A requerente está sujeita ao regime cumulativo de PIS/Cofins, regulado pela Lei n° 9.718/1998. O seu art. 1º prevê que tais contribuições incidirão sobre o faturamento mensal da pessoa jurídica, que corresponde à sua receita bruta. É possível identificar receita como um ingresso que se incorpore de maneira positiva e definitiva ao patrimônio de uma empresa, decorrente de remuneração ou contraprestação de suas atividades sociais, isto é, proveniente da venda de bens e prestação de serviços (fls. 1691). Apenas os valores que efetivamente modificam o patrimônio líquido da empresa, de forma a incrementá-lo, e que ingressam nas contas da empresa de forma definitiva e incondicional, em decorrência das atividades sociais desenvolvidas pela empresa, devem ser considerados receita para fins de cômputo da base das contribuições. Os valores que não se enquadrem nesse conceito e não possuam estas específicas características (positividade, definitividade e causalidade) não podem assim ser caracterizados. A doutrina mais abalizada afirma que as receitas de terceiros devem ser desconsideradas para fins de determinação da receita tributável, justamente por não integrarem o patrimônio da empresa que as recebe (fls. 1692). Segundo tanto o antigo Conselho de Contribuintes como o atual Carf, os valores recebidos e repassados a terceiros não devem ser objeto de tributação pelo PIS/Cofins (fls. 1692/1693). No âmbito contábil, as receitas de terceiros também não são consideradas como receitas próprias da empresa que as recebe, como demonstram o CPC n° 30/2012 e a Resolução CFC n° 1.255/2009 (fls. 1693/1694). As receitas transferidas a terceiros não podem ser caracterizadas juridicamente como “receita”, uma vez que não representam um acréscimo patrimonial efetivo e definitivo e não decorrem de uma atividade desenvolvida pela empresa, o que indica a inexistência da natureza causal que legitime a exigência. E nem se diga que a revogação do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que expressamente permitia a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de “valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica”, seria capaz de alterar essa conclusão. Tal revogação não pode implicar tributação das receitas de terceiros. O texto do referido inciso III (como, aliás, de todas as hipóteses de exclusão previstas naquele dispositivo) tinha função meramente didática, pedagógica, visando instruir os contribuintes que haviam, indevidamente, incluído como receita própria valores que tivessem “sido transferidos” para outra empresa (fls. 1694). Como aponta José Antonio Minatel, as previsões do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 – seja na sua redação anterior ou na atualmente em vigor – revelam “realidades desprovidas de conteúdo material que permita qualificá-las como receitas”,sendo, portanto, “inócua a pretensão de excluí-las de conjunto no qual nunca estiveram incluídas” (fls. 1694). A expressa autorização para excluir as receitas de terceiros contida no referido inciso III é irrelevante para determinar a tributação ou não sobre receitas de terceiros. Tais valores – com ou sem essa previsão – não constituem receita. (b) A determinação da receita auferida pela requerente e a correta não tributação dos valores repassados a terceiros/fornecedores O conceito jurídico de “receita” abarca apenas os valores que representam acréscimos patrimoniais efetivos e definitivos e que resultam diretamente da atividade econômica desenvolvida pela empresa. A legislação específica do turismo confirma que a receita da agência de turismo não pode abarcar a integralidade dos valores recebidos, mas apenas a verdadeira remuneração auferida pela atividade de intermediação. O § 2° do art. 27 da Lei n° 11.771/2008 esclarece qual é a receita (preço do serviço) auferida pela agência de turismo: “O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultando-se à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados”. O preço do serviço de intermediação das agências de turismo é – e somente pode ser –a comissão recebida dos fornecedores e/ou o valor agregado ao preço de custo desses fornecedores, e não o valor total dos ingressos. Não obstante, o autuante faz verdadeiro “exercício interpretativo” para justificar que o § 2° do referido art. 27 não poderia ser analisado em sua literalidade e, com isso, defender a tributação sobre o valor bruto recebido pela requerente da venda de pacotes turísticos. Conforme relatório fiscal (fls. 1587), o autuante entende que “ao se fazer uma interpretação teleológica, percebe-se que o legislador não teve por objetivo, no artigo 27 da LGT, a exclusão dos custos (repasse a fornecedores, segundo o sujeito passivo) das bases de cálculo do PIS e da Cofins”. Para sustentar o seu teratológico posicionamento sobre a – inexistente – obrigação de submeter à tributação o valor total recebido dos clientes em remuneração à aquisição de pacotes turísticos, que inviabilizaria a atividade de toda e qualquer agência de turismo no Brasil, o autuante, além de partir de premissas equivocadas quanto à natureza das atividades da requerente, utiliza quatro argumentos principais: a requerente não realiza repasse de valores aos fornecedores, mas sim a compra e (re)venda de serviços turísticos em nome próprio; as notas fiscais foram emitidas pelos fornecedores dos serviços turísticos (companhias aéreas, hotéis etc) em nome da requerente; o art. 46 da Lei n° 11.771/2008, que permitira a tributação exclusiva das receitas de intermediação de forma expressa, foi vetado pelo Poder Executivo; e as orientações emitidas pela RFB, por meio de soluções de consulta, determinam a tributação integral dos valores recebidos pela requerente. Contudo, conforme será detalhado abaixo, nenhum destes argumentos se sustenta. (b.l) Intermediação versus compra e venda O primeiro argumento fiscal está embasado na equivocada premissa de que a requerente não realiza atividade de intermediação de serviços turísticos, mas sim a compra e (re)venda de serviços turísticos em nome próprio. O agente fiscal alega que a requerente não realizaria repasses de receitas a terceiros (no caso, os fornecedores) e que os valores a eles remetidos configurariam custo da sua atividade. A requerente é agência de viagens e turismo / operadora turística que realiza a intermediação entre fornecedores e cliente/passageiros, por meio da estruturação e disponibilização/comercialização, pelas lojas filiais ou lojas terceirizadas, de serviços turísticos prestados por terceiros. O fato de ser uma operadora turística não afasta a caracterização da sua atividade principal de intermediação de serviços turísticos. A requerente julga pertinente tecer breves observações sobre as evidentes diferenças técnicas e jurídicas sobre as operações de intermediação e compra e venda. Na operação de compra e venda, prevista no art. 481 do CC/2002, a empresa adquire determinada mercadoria de seu fornecedor e a revende ao consumidor, cobrando uma margem de lucro. O ganho da empresa provém do próprio cliente, que acaba pagando um valor maior pelas mercadorias adquiridas. É o típico caso dos supermercados, que compram mercadorias e as revendem aos consumidores, agregando um valor adicional ao preço. No que se refere à compra e venda, a empresa adquire a titularidade da mercadoria que será revendida. O principal aspecto do negócio jurídico de compra e venda é a efetiva transferência de titularidade/propriedade sobre o bem em questão. Diferentemente, no caso da intermediação, a empresa efetua o contato entre os participantes da cadeia (no caso, o fornecedor e consumidor), atuando como verdadeiro elo. A empresa intermediadora é remunerada em função do serviço desenvolvido. Na intermediação, o elemento da remuneração decorre da existência da prestação do serviço e não se verifica a transferência de titularidade/propriedade para a empresa que realiza a intermediação. É possível citar, além da intermediação de serviços turísticos, uma série de atividades de natureza análoga: representação comercial, em que determinada empresa realiza a mediação para realização de negócios mercantis, em nome do representado; planos de saúde e assistência médica, em que a administradora do plano disponibiliza a rede de médicos e hospitais e laboratórios aos conveniados; administração de cartão de crédito/débito, em que a empresa administradora recebe os pagamentos e os transfere para os vendedores credenciados; corretagem de imóveis, em que a corretora realiza a intermediação para possibilitar a compra/venda ou a locação de imóveis; agenciamento de publicidade, em que a agência de publicidade promove a divulgação de serviços/produtos em nome do anunciante, entre outros. Em nenhuma dessas atividades se verifica o negócio de “compra e venda”, uma vez que a intermediadora apenas realiza o elo entre as partes envolvidas. Todas as atividades estão previstas como serviços na lista anexa à LC 116/2003. É o caso da intermediação de serviços turísticos (item 9.01 da lista). A atividade desenvolvida pela requerente é a efetiva prestação de serviço de intermediação. Ela não compra passagens e hospedagens e as revende em seu nome, mas sim organiza, reserva e contrata os serviços turísticos prestados pelos fornecedores e os oferece e comercializa aos clientes/passageiros. A prestação de serviços no caso concreto envolve obrigação de fazer, ou seja, realizar o contato entre os fornecedores e os passageiros, viabilizando as viagens que serão por estes últimos usufruídas. A prestação de serviços no direito brasileiro envolve, essencialmente, obrigações de fazer — as quais se opõem às obrigações de dar, em que uma das partes cede um bem à outra. Prestar serviço é disponibilizar um bem imaterial, uma utilidade, que se produz mediante o esforço humano, físico ou intelectual, que é colocado à disposição do tomador. É desarrazoado pensar na hipótese de compra e venda no caso concreto. A requerente realiza verdadeira obrigação de fazer, consubstanciada na reserva e oferta aos clientes/passageiros de serviços turísticos (individuais ou por meio de pacotes) prestados por fornecedores habilitados para tanto. Logo, é incorreta – e jurídica e taticamente impossível — a premissa adotada pelo autuante. Os valores repassados aos fornecedores de serviços turísticos não podem ser caracterizados como “custos”. A requerente não compra e revende serviços turísticos, mas atua na intermediação entre fornecedores e clientes/passageiros. O conceito de “custo” abarca os dispêndios básicos da empresa, necessários à manutenção da atividade e comercialização, conforme se depreende da legislação do imposto de renda. Não podem ser caracterizados como custos os valores referentes aos repasses efetuados aos fornecedores e às lojas em relação aos serviços que serão prestados aos clientes/passageiros. Tais montantes não correspondem a insumos ou qualquer outra espécie de ativo/bem/direito adquirido pela requerente, necessários ao desenvolvimento de suas atividades operacionais. Os serviços turísticos são reservados, negociados e contratados pela requerente em nome e benefício dos clientes/passageiros, seus verdadeiros tomadores. Portanto, a pretensão do autuante não se sustenta sob qualquer óptica. Os valores referentes aos repasses não refletem custos da requerente, mas receitas de terceiros recebidas dos clientes/passageiros e remetidas aos verdadeiros titulares, os efetivos fornecedores dos serviços turísticos. (b.2.) A irrelevância do destinatário indicado nas notas fiscais para determinar a natureza das operações e a caracterização da receita tributável O segundo argumento fiscal para sustentar a tributação da receita bruta da venda de pacotes turísticos é o de que as notas fiscais e/ou faturas comerciais foram emitidas pelos fornecedores dos serviços turísticos (companhias aéreas, hotéis etc) em nome da requerente. No relatório fiscal (fls. 1583/1584), o autuante busca reforçar a tese de que a requerente não presta serviço de intermediação, mas sim realiza a compra e revenda de serviços turísticos. Ele aponta que “os hotéis não emitiram as faturas/notas fiscais em nome do hóspede, mas sim em nome do sujeito passivo, CVC Brasil” e ainda “foram juntadas cópias das faturas emitidas pelas cias aéreas em face do sujeito passivo CVC Brasil”. O fato de os fornecedores (efetivos prestadores dos serviços aos clientes) emitirem as notas fiscais e/ou faturas comerciais contra a requerente, por razões legais, estritamente operacionais e/ou alheias à sua vontade, não desnatura a essência da atividade de intermediação dela. A requerente realiza intermediação de serviços turísticos, o que por si só afasta a possibilidade de que a simples emissão de documentos fiscais ou comerciais pelos fornecedores altere a natureza de suas atividades e, consequentemente, da sua tributação. Exemplo desta circunstância são os faturamentos relacionados às passagens aéreas. As companhias aéreas não emitem notas fiscais contra os passageiros por expressa determinação legal. Os bilhetes aéreos as substituem e são considerados, para todos os efeitos legais, como documentos fiscais válidos. A título exemplificativo, no Estado de São Paulo, tal sistemática está regulada nos arts. 124 e 171 do Regulamento do ICMS (fls. 1700/1701). As faturas comerciais emitidas pelas companhias aéreas contra a requerente apenas formalizam os valores que deverão ser repassados por ela aos efetivos prestadores dos serviços de transporte aéreo usufruídos pelos clientes/passageiros. Concomitantemente, os bilhetes aéreos, que substituem as notas fiscais, são emitidos contra cada um dos passageiros, tomadores de tais serviços. As alegações do agente fiscal não passam de ilações desarrazoadas que ignoram o mercado e a própria legislação de regência. No âmbito do procedimento de fiscalização, a requerente apresentou uma série de documentos contábeis e fiscais que atestam a regularidade dos procedimentos adotados. Conforme exigido pela fiscalização, para determinadas operações, a requerente apresentou descrição completa de todos os lançamentos realizados, comprovando que os valores recebidos dos clientes não alteram positivamente o seu patrimônio e são regularmente repassados aos fornecedores dos serviços turísticos (Doc. n° 7 – fls. 1827/1871). A requerente demonstrou que os valores a serem remetidos a terceiros são lançados em uma conta específica e transitória e são efetivamente transferidos aos verdadeiros titulares. Os documentos que suportam tal procedimento – contratos firmados com os passageiros, extratos bancários que atestam os valores recebidos e repassados aos fornecedores, faturas emitidas pelos fornecedores e notas fiscais emitidas com o valor da intermediação da requerente – foram apresentados na fiscalização (Doc. n° 8 – fls. 1872/1938). A despeito do destinatário indicado nas faturas / boletos / notas fiscais, não há como desconsiderar a real natureza das operações e entender que a requerente é a tomadora dos serviços turísticos prestados pelos fornecedores quando a sua atividade é nitidamente de intermediação. A premissa adotada pelo autuante ao lavrar a presente autuação está incorreta. A receita auferida pela requerente não abarca a totalidade dos valores pagos pelos clientes/passageiros na aquisição dos serviços turísticos, mas tão somente as comissões a que faz jus, apuradas mediante a diferença entre os valores recebidos e os repassados a terceiros (fornecedores e lojas). (b.3.) O veto ao artigo 46 da Lei n° 11.771/2008 O terceiro argumento para defender a exigência fiscal se refere ao veto do art. 46 da Lei n° 11.771/2008. A redação inicial do projeto de lei que deu origem à Lei n° 11.771/2008 trazia artigo específico sobre a tributação das receitas de intermediação das agências de turismo. Indicava-se que deveria ser considerada receita apenas a comissão recebida dos fornecedores ou o valor agregado ao preço de custo. O artigo foi vetado sob a justificativa de que o dispositivo, supostamente: deformaria o conceito de lucro e faturamento/receita bruta; ofenderia o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, por ausência de estudo de impacto nas finanças públicas e previsão orçamentária; e principalmente, seria contrário ao interesse público, por aumentar a complexidade do sistema tributário. O veto foi efetuado de maneira genérica e pouco aprofundada, levando em consideração razões políticas que não se coadunam com o sistema de tributação do PIS e da Cofins. O veto não é capaz de gerar obrigação tributária, ainda mais sobre valores que não podem ser configurados como receita. O STF já reconheceu que as razões de veto correspondem a ato de natureza eminentemente política, não podendo servir como parâmetro interpretativo das normas de Direito Tributário. Consequentemente, são insuficientes para justificar qualquer incidência tributária. A aplicação do Direito Tributário deve se pautar na legislação tributária, que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (arts. 96 e 100 do CTN). Os atos legais que tratam do tema não permitem a tributação de valores que não incrementam o patrimônio da requerente de forma definitiva e que são posteriormente repassados aos fornecedores de serviços turísticos O fato de o artigo específico sobre a tributação das receitas de intermediação das agências de turismo ter sido vetado, por razões estritamente políticas, não significa que o PIS/Cofins deve incidir sobre a totalidade dos valores recebidos. O conceito jurídico de “receita” não abarca os valores recebidos e repassados a terceiros. A “interpretação teleológica” do autuante, embasada no veto, não altera essa conclusão. A análise teleológica e sistemática das normas que cuidam do tema levam a conclusão oposta. Os valores repassados a terceiros pelas agências de turismo devem ser desconsiderados na determinação da receita própria passível de tributação, o que é corroborado pela doutrina pátria e pela jurisprudência dominante. (b.4.) A correção dos procedimentos adotados pela requerente com base nas soluções de consulta editadas pela RFB Como último argumento, o autuante baseia-se em supostas soluções de consulta que estabeleceriam a impossibilidade das agências de turismo de excluir receitas de terceiros da base de cálculo do PIS/Cofins. A interpretação dada pelo autuante às soluções de consulta se embasa na equivocada premissa de que a requerente não realizaria intermediação de serviços turísticos. Na verdade, as soluções de consulta da RFB confirmam os procedimentos da requerente. Mesmo antes da edição da Lei n° 11.771/2008, a RFB já havia editado várias soluções de consulta admitindo que os valores repassados a terceiros não integram a receita bruta das agências de turismo, conforme ementas transcritas a fls. 1704/1705. A Solução de Divergência n° 2, de 21/03/2007, mencionada pelo autuante a fls. 1588, de fato determina a incidência do PIS/Cofins sobre a totalidade das receitas auferidas, impedindo a exclusão dos valores repassados a terceiros. Mas ela reflete posicionamento isolado e que logo foi modificado. Conforme ementas transcritas a fls. 1705/1707, desde 2008 a RFB vem proferindo uma série de soluções de consulta no sentido de que apenas as comissões auferidas ou adicional percebido em razão da intermediação pelas agências deverão ser objeto de tributação. O autuante se reporta à Solução de Divergência n° 3, de 30/04/012, e à Solução de Consulta n° 17, de 13/03/013, para respaldar a sua autuação. Mas conclusões ali delineadas confirmam os procedimentos da requerente. Nas referidas soluções, é consignado que, no caso de agência de turismo que realiza a atividade de intermediação, como é o caso da requerente, a receita corresponderá à comissão ou ao adicional por ela recebido. O trecho final das mencionadas soluções indica que “caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes”. O autuante alega que esse trecho “vai ao encontro da tese da fiscalização que veda a exclusão dos custos (repasses aos fornecedores) das bases de cálculo do PIS e da Cofins”. Ainda segundo o atuante, “o sujeito passivo atua sempre como operadora de turismo, na medida em que restou comprovado (...) que todos os serviços turísticos, mesmo diárias de hotel e bilhetes aéreos vendidos isoladamente, sempre são vendidos em nome do sujeito passivo, representado por uma loja credenciada (agência de viagem ou turismo em sentido estrito)”. Não obstante, a requerente não fornece serviços turísticos diretamente, mas realiza a atividade de intermediação a eles relacionada. A requerente atua como elo entre os fornecedores e os clientes tomadores de tais serviços, o que exclui a possibilidade de aplicação da parte final da solução de consulta. O entendimento de que a “receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes” se aplica exclusivamente no caso em que a agência de viagens prestar/executar ela própria os serviços aos clientes/passageiros (e.g., realizar o serviço de assessoramento de embarque/desembarque, proceder ao transporte de passageiros etc), o que não se verifica no caso. O fato de a requerente ser caracterizada como operadora turística, por proceder à organização dos serviços turísticos, oferecidos isolada ou conjuntamente, na forma de pacotes, não tem o condão de afastar ou desnaturar a essência da atividade de intermediação empreendida. As soluções de consulta citadas comprovam que os procedimentos da requerente para a determinação da sua base tributável pelo PIS e pela Cofins foram absolutamente regulares. (b.5) A orientação da jurisprudência a respeito da não tributação das receitas de terceiros relacionadas às agências de turismo O Carf entendeu que, tratando-se de atividade de intermediação de serviços turísticos, é indevida a tributação sobre os valores recebidos e repassados a terceiros, conforme decisões transcritas a fls. 1709/1710. Os nossos tribunais superiores também têm reconhecido que as agências de turismo intermediadoras têm direito de computar na sua receita somente as comissões auferidas, conforme ementa transcrita a fls. 1710. O Órgão Especial do TJ/SP, ao analisar a constitucionalidade de lei municipal de Barueri, reconheceu que os valores que ingressam nos cofres da empresa para serem repassados a terceiros não correspondem ao preço do serviço. O voto vencedor valeu-se expressamente do exemplo das agências de turismo, conforme excerto transcrito a fls. 1711. Quando se discute o tema de receitas de terceiros em relação às atividades de turismo ou situações análogas, a jurisprudência vem repetidamente afirmando que tais valores não compõem a receita tributável. Exemplo disso são as atividades relacionadas às agências de propaganda e publicidade, nas quais a jurisprudência vem admitindo de forma unânime a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores por elas repassados aos veículos de divulgação (i.e., terceiras empresas, tais como as de televisão, rádio, jornais etc), conforme acórdãos do Carf citados a fls. 1711/1712. Os TRFs vêm reconhecendo que os valores objeto de repasse a terceiros pelas agências de publicidade (e, via de consequência, em quaisquer outras atividades em que exista sistemática de repasse de receitas equivalentes) não devem ser integrados à receita para fins de tributação. A mesma orientação é seguida pelos tribunais no caso de empresas agenciadoras de mão-de-obra, que também recebem determinados valores, referentes aos salários e encargos, que são repassados a terceiros e que, portanto, não devem compor a receita para fins de tributação. O STJ também já entendeu que a empresa agenciadora de mão-de-obra tem o direito de recolher os impostos apenas sobre os valores de suas comissões, indicando que as receitas de terceiros não caracterizam “preço do serviço”. Os nossos tribunais também afastaram a tributação integral sobre os valores recebidos pelas operadoras de planos de saúde, ressaltando que os valores referentes aos repasses feitos aos prestadores de serviços de saúde (tais como hospitais, clínicas, laboratórios, médicos etc.) não consistem em receita própria da operadora. Ali também, a exemplo do que ocorre com as agências de turismo, existe mera intermediação entre os fornecedores (em um caso, hospitais, clínicas, laboratórios, médicos etc; em outro, hotéis, passagens etc) e os clientes finais, beneficiários e tomadores efetivos destes serviços (na primeira hipótese, os pacientes; na segunda, os turistas). Os exemplos são múltiplos e a conclusão sempre idêntica. Valores recebidos por terceiros intermediários, cuja atividade, pela sua natureza, implique no recebimento de valores que serão posteriormente repassados a terceiros, sem afetar o seu patrimônio de forma positiva, não podem ser tributados pelo PIS/Cofins. Os tribunais administrativos e judiciais têm reiteradamente afastado a tributação sobre os valores relativos a receitas de terceiros, tanto no caso de agência de viagens como em outras situações envolvendo empresas intermediadoras. III.3. A exclusão das comissões pagas e dos valores relacionados aos navios fretados Em seu relatório (fls. 1590), o autuante admite a hipótese de um julgamento favorável à tese do sujeito passivo, no sentido de permitir a exclusão dos custos (repasses a fornecedores). Nessa eventualidade, o autuante requer, ao menos, seja mantida a exigência fiscal em relação ao: valor de R$ 39.207.736,00 pago às lojas a título de comissão pelas “vendas dos pacotes turísticos”; e valor de R$ 44.307.221,00 referente aos gastos com navios. No que tange às comissões remetidas às lojas, tais valores correspondem às remunerações devidas em contrapartida ao serviço de intermediação – não da requerente, mas das próprias lojas – prestado aos passageiros. Da mesma forma como a requerente é remunerada pela intermediação realizada entre os fornecedores de serviços turísticos e os clientes/passageiros, as agências que realizam a intermediação comercial destes produtos também são remuneradas pela prestação de serviços que realizam. Não existe dúvida quanto à impossibilidade de exigência de tributação destes valores pela requerente. Eles se referem a comissões devidas pelos passageiros diretamente às lojas que comercializam os serviços / pacotes turísticos e que, inclusive, são objeto de emissão de notas fiscais diretamente por elas aos passageiros, no exato valor de suas remunerações. No caso de pagamento em espécie ou cheque, em regra os clientes/passageiros pagam a totalidade dos serviços turísticos adquiridos às lojas. Estas retêm as parcelas relativas às respectivas taxas de serviço/comissões e remetem os valores remanescentes à requerente que, por sua vez, repassará os valores devidos aos fornecedores de serviços turísticos. Tais valores sequer ingressam na requerente, razão pela qual, além de todos os motivos já expostos, não se pode considerar tais montantes como sua receita própria. Não há que se falar em exclusão indevida dos valores relativos às comissões, por se tratar de receitas próprias das lojas e não da requerente, formalizadas por notas fiscais emitidas diretamente contra os clientes/passageiros. No que tange aos gastos com navios, a requerente esclarece que no período de 2009 estava em vigor o contrato de afretamento firmado com a empresa Pullmantur Cruises S.L., domiciliada na Espanha. Mencionado contrato previa que a Pullmantur coordenaria e administraria os cruzeiros, enquanto a requerente seria responsável por oferecer e disponibilizar os pacotes turísticos aos passageiros. Por razões logísticas e visando facilitar as operações, a requerente realizou o pagamento, em nome da Pullmantur e no âmbito do contrato de afretamento, de determinadas despesas, como combustível, encargos portuários, serviços a bordo, shows e animações etc. Contudo, tal fato não impacta nem modifica a natureza da atividade desenvolvida pela requerente nessa situação particular, qual seja, intermediação de serviços marítimos, de modo que a receita de intermediação auferida pela requerente continua sendo a sua comissão recebida e o valor agregado aos serviços. IV. Glosa de despesas com pagamento de comissões (item 4.3) A fiscalização desconsiderou determinados repasses efetuados a título de comissões e exigiu o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no valor total de R$ 88.926,79. A requerente apresenta a comprovação relativa a cada uma das glosas efetuadas, conforme tabela a fls. 1715 e documentos a fls. 1939/1967. Tendo em vista a documentação apresentada, deve o presente auto de infração ser cancelado neste ponto. Caso os bilhetes sejam referentes a meses distintos de dezembro de 2009, o que se admite apenas para argumentar, eventual exigência deve se limitar ao valor dos juros em razão de suposta antecipação no reconhecimento do repasse, em linha com o art. 273 do RIR/99. V. Glosa de despesas com transporte aéreo (item 4.1) Os fatos Na consecução de suas atividades, a requerente recebe recursos e repassa para terceiros em razão da intermediação de transporte aéreo em benefício de seus clientes. Estes repasses não são considerados na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Ao examinar a documentação entregue pela requerente, o autuante entendeu equivocadamente que: 57.420 bilhetes aéreos, no montante de R$ 32.410.000,04, não diziam respeito a embarques ou desembarques ocorridos em dezembro de 2009; e 885 bilhetes aéreos, no montante de R$ 972.286,74, diziam respeito a embarques ocorridos após dezembro de 2009. A conclusão da fiscalização está pautada em amostra de 30 bilhetes obtidos mediante diligência junto ao sujeito passivo. Destes 30 bilhetes, 28 diziam respeito a embarques ocorridos após dezembro de 2009 e 2 bilhetes eram relativos a embarques ocorridos no mês de dezembro de 2009 (mas que não constavam dos relatórios de despesas do mês entregues pela requerente). A fiscalização glosou os repasses relativos a 58.305 bilhetes aéreos tendo como fundamento uma amostragem de 30 bilhetes. O autuante toma como base uma amostragem correspondente a 0,051% do total dos recibos aéreos deduzidos pela requerente, para materializar uma exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no valor total de R$ 27.243.330,98. Deve o presente auto de infração ser reconhecido nulo neste ponto. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, a requerente apresenta a comprovação de que a integralidade das despesas cujo repasse foi registrado em dezembro de 2009 corresponde a passageiros que embarcaram no mês. Nulidade do auto de infração - amostragem insignificante A requerente invoca os seguintes dispositivos: art. 10 do Decreto nº 70.235/72; art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99; art. 142 do CTN. A autoridade administrativa deve efetivamente verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável e calcular o montante do imposto devido. Trata-se de obrigação funcional, não sendo cabível a exigência genérica com base em análise de amostragem ínfima. Não se nega a possibilidade de utilização da amostragem como um critério técnico válido para a determinação de probabilidades ou até mesmo para imputar aos contribuintes o ônus de comprovar as alegações da fiscalização. Não obstante, a amostragem deve ser relevante e ter validade estatística que justifique a sua utilização. De acordo com o item 11.2.9 do Manual de Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileira de Contabilidade, editado pelo CFC, os auditores podem empregar técnicas de amostragem para determinar a extensão de um teste de auditoria ou método de seleção de itens a serem testados (fls. 1718). Todavia, a amostra selecionada deve guardar uma relação direta com o volume das transações relacionadas e objeto da pesquisa. O auto de infração é nulo neste ponto, em razão da ausência de apuração, indicação e descrição pormenorizada dos fatos praticados pela requerente, supostamente tidos como irregulares pela fiscalização. A utilização de mera presunção com base em amostragem ínfima não se coaduna com os comandos normativos contidos nos art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/72. (c) A comprovação da efetividade das despesas De forma a comprovar a legitimidade dos repasses efetuados às companhias aéreas, a requerente junta à sua impugnação: relação de 153.490 bilhetes relativos a embarques ocorridos no mês de dezembro de 2009 (doc. n° 14 – fls. 1970/5319); e amostragem de aproximadamente 800 bilhetes efetivamente embarcados no mês de dezembro de 2009 (doc. n° 15 – fls. 5320/6309). Estes bilhetes constam dos relatórios apresentados pela requerente durante o procedimento de fiscalização (recibos com embarque em dez/09) e atestam a legitimidade do registro dos repasses no mês de dezembro de 2009. A amostragem apresentada pela requerente é suficiente para afastar a presunção da fiscalização no sentido de que a empresa registrou o repasse de bilhetes aéreos relativos a embarques de outros meses. Fica comprovado que os valores cujos repasses às companhias aéreas foram registrados em dezembro de 2009 são referentes a repasses efetuados no próprio mês. Caso os bilhetes sejam referentes a meses distintos de dezembro de 2009, o que se admite apenas para argumentar, eventual exigência deve se limitar ao valor dos juros em razão de suposta antecipação no reconhecimento do repasse, em linha com o art. 273 do RIR/99. V. Passivo fictício (item 7) Exige-se IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre suposto passivo não comprovado e registrado na contabilidade da empresa. O passivo decorre da diferença entre o valor provisionado a título de imposto de renda e o valor efetivamente pago na DIPJ, de R$ 175.000,00. Ora, se a própria fiscalização esclarece a origem do passivo, não há que se falar na existência de passivo não comprovado. Trata-se apenas de provisão para pagamento de IRPJ efetuada em valor superior ao efetivamente devido. No momento em que foi apurado o tributo devido no período, a requerente baixou a provisão no valor do IRPJ devido, permanecendo um saldo de R$ 175.000,00. Este saldo deveria ter sido baixado à época, mas permaneceu registrado nos livros da requerente por um lapso do seu departamento contábil. A constituição da provisão não gera qualquer impacto na apuração dos tributos da requerente, uma vez que o lançamento é efetuado abaixo da linha do lucro real. Tanto a constituição da provisão, quanto a sua baixa, podem ser efetuadas sem qualquer impacto fiscal. O passivo possui origem e a razão da sua constituição foi devidamente comprovada. A requerente pode baixar o passivo a qualquer momento (como efetivamente foi efetuado), sem que seja verificado qualquer impacto fiscal. Considerando que o passivo pode ser liquidado a qualquer momento sem qualquer impacto fiscal, não há que se falar na presunção de omissão de receitas. VI. A multa de ofício e os juros aplicados a impossibilidade de incidência de juros Selic sobre a multa Para assegurar que, diante de um futuro resultado desfavorável, a atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa Selic sobre a multa aplicada, a requerente esclarece o quanto segue. Os débitos tributários exigidos através do auto de infração em referência são acrescidos de multa, agravada ou de ofício. Na prática, após a lavratura dos autos de infração, essas multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros Selic. Essa atualização é realizada pelas autoridades fiscais com amparo não na lei, mas no Parecer MF n° 28, de 02/04/1998, emitido pela Cosit (fls. 1720). Mas o artigo 61 da Lei 9.430/96, utilizado pela Cosit para sustentar a incidência de juros sobre as multas, trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo menção às multas de ofício aplicadas pela RFB. O dispositivo que embasa o entendimento do fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. Foi pela ausência de base legal que o Carf já pacificou o entendimento de que tais multas não são atualizáveis, conforme decisões citadas a fls. 1721. A CSRF, no julgamento do recurso de divergência n° 202-131.351, pacificou a questão acerca da ilegalidade da incidência dos juros moratórios sobre a multa aplicada (fls. 1722). Evidencia-se a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso. (b) A improcedência dos juros Selic A jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa Selic aos créditostributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários. Transcreve-se decisão do STJ nos autos do RE n° 450.422/PR. Não obstante a posição sumulada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, e tendo em vista a possibilidade de a taxa Selic vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, requer-se sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. VII. A conclusão e o pedido A impugnação é tempestiva e deve ser apreciada e acolhida em suas preliminares e razões de fato e de direito, que demonstram a improcedência da exigência fiscal. Em relação ao item 3 do auto de infração, a requerente demonstrou que: a requerente se dedica à prestação do serviço de intermediação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a contratação de programas, roteiros e itinerários no Brasil e no exterior, conforme o item 9 da lista de serviços anexa à LC nº 116/2003; de acordo com o art. 27 da Lei n° 11.771/2008 e com os arts. 2°, 3° e 5º da Lei n° 12.974/2014, a requerente se caracteriza como agência de viagens e turismo / operadora turística, por realizar o assessoramento, planejamento e organização de atividades associadas às viagens e/ou a organização e comercialização de programas, serviços, roteiros e itinerários de viagens; o fato de ser denominada de operadora não significa que a requerente realiza o “fornecimento direto” de serviços turísticos. Pelo contrário, ela apenas reserva e contrata os serviços turísticos, que serão prestados pelos fornecedores diretamente aos clientes/passageiros, realizando nítida atividade de intermediação; os valores coletados e posteriormente repassados a terceiros (efetivos fornecedores dos serviços turísticos) não compõem a receita tributável da requerente, na medida em que não se incorporam ao seu patrimônio de maneira positiva e definitiva (sequer transitam por resultado, aliás), nem advém de suas atividades operacionais. Tal posicionamento é confirmado pelo § 2º do artigo 27 da Lei n° 11.771/2008, que expressamente determina que o preço do serviço das agências de turismo é a comissão recebida dos fornecedores e/ou a taxa de serviços cobrada dos clientes, e não o valor total dos ingressos; e a jurisprudência tem afastado a tributação em relação a valores repassados a terceiros pelas agências de turismo, justamente por reconhecer que os repasses não integram o patrimônio das agências. Aliás, analisando o caso específico da própria requerente, recentemente o Carf afastou a pretensão fiscal de tributar a totalidade das receitas recebidas dos clientes, indicando de forma expressa que apenas os valores correspondentes às comissões ou taxas cobradas pela requerente poderiam ser objeto de tributação pelo PIS/Cofins. No que diz respeito ao item 4.1 (despesas com passagens aéreas), restou comprovado que o auto de infração é nulo, em razão da ínfima amostragem utilizada pela fiscalização. Além disso, caso o auto de infração seja válido, o que se admite apenas para argumentar, restou comprovado que a requerente apenas registrou repasses às companhias aéreas relativos a embarques efetivamente ocorridos em dezembro de 2009. Especificamente quanto ao item 4.3 (glosa de despesa com pagamento de comissões), a requerente apresentou a documentação que comprova o efetivo pagamento das despesas, de forma que a glosa pretendida não deve ser admitida. Além disso, no que diz respeito ao item 7 (passivo fictício), foi comprovada a origem do passivo (provisão de IRPJ) e a inexistência de impactos fiscais para a sua baixa. Por este motivo, não há que se falar na existência de presunção de omissão de receitas. Por fim, foi demonstrado que a taxa Selic não pode ser aplicada aos créditos tributários e, se admitida a sua aplicação, só poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária. Pelo exposto, a requerente tem por comprovada a exatidão dos procedimentos adotados e a total improcedência do auto de infração, bem como o equívoco cometido autoridade fiscal ao interpretar os fatos e o direito a eles aplicável neste caso, razão pela qual pleiteia o acolhimento da impugnação e o cancelamento do auto de infração, com o arquivamento do presente processo administrativo. A requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4º, “a” do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. É o relatório. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 3a Turma da DRJ/BHE proferiu o Acórdão de Impugnação n. 02-63.599 (fls. 6.460/6.514), em sessão realizada em 28/01/2015, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, para indeferir o pedido de juntada posterior de documentos, rejeitar a alegação de nulidade e manter integralmente o crédito tributário em discussão, cuja ementa restou assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, em se tratando de operadora turística que elabore e opere seus próprios pacotes turísticos ou mesmo ofereça outros produtos isoladamente, como passagens, hospedagens e demais serviços turísticos, mas sempre comercializados em seu próprio nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, em se tratando de operadora turística que elabore e opere seus próprios pacotes turísticos ou mesmo ofereça outros produtos isoladamente, como passagens, hospedagens e demais serviços turísticos, mas sempre comercializados em seu próprio nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 EXCLUSÕES INDEVIDAS DA RECEITA BRUTA. Correta a glosa de custos e despesas excluídos diretamente da receita bruta a título de “repasses a fornecedores”, nos casos de não comprovação da sua efetiva existência ou de inobservância do princípio da competência. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PASSIVO. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, ambos da Lei nº 9.430, de 1996. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignado com a referida decisão, o sujeito passivo interpõe Recurso Voluntário reiterando todos os argumentos trazidos na impugnação, acrescentando apenas: (i) o pleito pela procedência do pedido de perícia, ora rejeitado, e; (ii) a nulidade do processo devido a ocorrência de supressão de instância, tendo em vista, que a 3a Turma da DRJ/BHE não procedeu à análise de todos os pedidos contidos na peça impugnatória. Vale ressalvar que as infrações descritas nos itens 2, 5, 6 e subitens 4.2 e 4.4 foram integralmente quitadas pela contribuinte, razão pela qual não serão objeto de abordagem nesta instância recursal. É como relato."

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 6.895          1 6.894  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10805.722021/2014­81  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.467  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  14 de fevereiro de 2017  Assunto  IRPJ E REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  CVC BRASIL OPERADORA E AGÊNCIA DE VIAGENS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o  julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Alberto  Pinto Souza Junior e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, que votavam pela nulidade parcial  do lançamento correspondente ao item 4.1 do Termo de Verificação Fiscal.  (assinado digitalmente)  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente e Redator Ad Hoc.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Rogério  Aparecido  Gil,  Ana  de  Barros  Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.                   RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 22 02 1/ 20 14 -8 1 Fl. 6895DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.896          2 Relatório  Designado  como Redator Ad Hoc  para  fins  de  formalização  desta  Resolução,  transcrevo abaixo a íntegra do relatório apresentado pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta  Félix, na Sessão de Julgamento de 14 de fevereiro de 2017, verbis:  "CVC  BRASIL  OPERADORA  E  AGÊNCIA  DE  VIAGENS  S/A,  empresa que se dedica à prestação do serviço de intermediação de viagens e excursões,  individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a contratação de programas,  roteiros  e  itinerários  no  Brasil  e  exterior,  insurge­se  contra  a  cobrança  de  crédito  tributário  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS,  de  lançamento  lavrado  em  18/07/2014  e  cientificação ocorrida,  pessoalmente,  em 31/07/2014,  cujo  crédito  tributário  totaliza o  montante de R$ 50.834.812,03, de materialidade relativa a dezembro de 2009.  Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso:   Em 18/07/2014, foram lavrados os sete autos de infração objeto deste processo, nos  quais  se  formaliza  a  exigência  do  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$ 50.834.812,03, conforme a seguir indicado:    Tributo  Juros  de Mora  Multa  Proporcional  Multa  Regulamentar  IRPJ  9.705.992,37  4.053.222,41  7.279.494,28     CSLL  3.494.157,26  1.459.160,08  2.620.617,94     Cofins  8.422.009,96  3.517.031,36  6.316.507,47     PIS  1.824.768,82  762.023,46  1.368.576,62    Multa Regulamentar        11.250,00    Descrição das infrações imputadas  O autuante,  reportando­se ao  termo de verificação fiscal a  fls. 1556/1618, atribui à  autuada as seguintes infrações:  Autos de infração de IRPJ e reflexos (CSLL, Cofins e PIS) – fls. 1620/1643  0001.  OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDAS E SERVIÇOS. Omissão de  receitas  relativas  a contratos  (recibos)  complementares,  conforme  item 2 do  termo  de  verificação  fiscal.  Data  do  fato  gerador:  31/12/2009.  Valor  apurado:  R$ 143.321,22. Multa: 75%.  Enquadramento  legal  para  o  IRPJ:  art.  3º  da Lei  nº 9.249/95;  arts.  247,  248,  249,  inciso  II,  251,  277,  278,  279,  280  e  288  do RIR/99.  Enquadramento  legal  para  a  CSLL:  vide  fls. 1633.  Enquadramento  legal  para  a  Cofins:  vide  fls. 1628.  Enquadramento legal para a contribuição para o PIS: vide fls. 1639.  0002.  EXCLUSÕES INDEVIDAS DA RECEITA BRUTA. Valor referente a  custos  e  despesas  excluídos  diretamente  da  receita  bruta,  a  título  de  “repasses  a  fornecedores”, glosados pelo fato de não obedecerem ao princípio da competência  ou  por  não  terem  sido  comprovados,  conforme  item  4  e  respectivos  subitens  do  termo  de  verificação  fiscal.  Data  do  fato  gerador:  31/12/2009.  Valor  apurado:  R$ 37.489.065,28. Multa: 75%.  Fl. 6896DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.897          3 Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, II,  251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. Enquadramento legal para a CSLL: vide  fls. 1633. Enquadramento  legal para a Cofins: vide fls. 1628. Enquadramento  legal  para a contribuição para o PIS: vide fls. 1639.  0003.  PASSIVO FICTÍCIO PELA NÃO COMPROVAÇÃO INTEGRAL DO  SALDO EXISTENTE NA CONTA IRPJ A RECOLHER. Vide item 7 do termo de  verificação fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 175.000,00.  Multa: 75%.  Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, II,  251,  277,  278,  279,  280,  281,  III,  e  288  do  RIR/99.  Enquadramento  legal  para  a  CSLL:  vide  fls. 1633.  Enquadramento  legal  para  a  Cofins:  vide  fls. 1628.  Enquadramento legal para a contribuição para o PIS: vide fls. 1639.  0004.  DEDUÇÃO DE PIS E COFINS NÃO COMPROVADOS. Vide item 5  do  termo  de  verificação  fiscal.  Data  do  fato  gerador:  31/12/2009.  Valor  apurado:  R$ 426.239,69. Multa: 75%.  Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, I,  251,  277,  278,  299  e  300  do  RIR/99.  Enquadramento  legal  para  a  CSLL:  vide  fls. 1634.  0005.  DEDUÇÃO  DE  IMPOSTO  SOBRE  SERVIÇOS  (ISS)  NÃO  COMPROVADO. Vide item 6 do termo de verificação fiscal. Data do fato gerador:  31/12/2009. Valor apurado: R$ 590.343,27. Multa: 75%.  Enquadramento legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, I,  251,  277,  278,  299  e  300  do  RIR/99.  Enquadramento  legal  para  a  CSLL:  vide  fls. 1634.  Auto de infração de multa regulamentar – fls. 1644/1647  0001.  APRESENTAÇÃO  EXTEMPORÂNEA  DE  ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL DIGITAL (ECD). O sujeito passivo apresentou extemporaneamente a  ECD  exigida  nos  termos  do  art.  16  da  Lei  nº  9.779/99,  ensejando  a  aplicação  de  multa no valor de R$ 1.500,00 por mês­calendário ou fração de atraso, uma vez que,  na última declaração apresentada, apurou lucro real, conforme termo de verificação  fiscal. Datas dos fatos geradores: 30/07/2010 (multa de R$ 9.000,00) e 30/06/2011  (multa de R$ 2.250,00).  Enquadramento  legal:  art.  16  da  Lei  nº  9.779/99;  art.  57,  I,  “b”,  e  §§  2º  e  3º,  da  Medida Provisória nº 2.158­35/01, com redação dada pela Lei nº 12.766/12.  Auto de infração de Cofins – fls. 1648/1652  0001.  INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. OMISSÃO DE RECEITA  SUJEITA  À  COFINS.  Omissão  de  receitas  por  exclusões  indevidas  da  base  de  cálculo  da  Cofins,  conforme  item  3  do  termo  de  verificação  fiscal.  Data  do  fato  gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 242.926.278,72. Multa: 75%.  Enquadramento legal: art. 8º da Lei nº 9.718/1998; art. 1º da Lei Complementar nº  70/91; art. 2º da Lei nº 9.718/98, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações  introduzidas  pelo  art.  29  da  Lei  nº  11.941/09;  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  com  as  alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158­35/01, pelo art. 41  da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09.  Fl. 6897DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.898          4 Auto de infração de PIS – fls. 1653/1657  0001.  INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. OMISSÃO DE RECEITA  SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O  PIS. Omissão  de  receitas  por  exclusões  indevidas da base de cálculo do PIS, conforme item 3 do termo de verificação fiscal.  Data do fato gerador: 31/12/2009. Valor apurado: R$ 242.926.278,72. Multa: 75%.  Enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; arts. 2º, I, e 9º da Lei nº  9.715/98; art. 2º da Lei nº 9.718/98; art. 8º, I, da Lei nº 9.715/98; art. 24, § 2º, da Lei  nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; art. 79  da Lei  nº  11.941/2009;  art.  3º  da Lei  nº  9.718/98,  com  as  alterações  introduzidas  pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158­35/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e  pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09.  Ciência dos lançamentos  Em 31/07/2014, conforme termo a fls. 1661, a autuada tomou ciência, pessoalmente,  dos lançamentos.  Impugnação   Em 29/08/2014, foi apresentada a impugnação a  fls. 1681/1725, cujo  teor pode ser  assim resumido:  I. Tempestividade  · A impugnação é tempestiva.  II. O auto de infração  · Com  relação  ao  item  2 (omissão  de  receitas  relativas  a  recibos  complementares),  ao  item 5 (dedução  de  PIS  e  de  Cofins  não  comprovada)  e  ao  item 6 (dedução  de  ISS  não  comprovada),  todos  do  termo  de  verificação  fiscal,  a  requerente  informa  que  incluiu  os  débitos  no  Refis.  Vide  documento  nº  5  (fls.  1820/1823).  · Com  relação ao  item 4 (glosa de exclusões da  receita bruta),  ela  informa que  efetuou o pagamento de  todos os débitos constantes dos  subitens 4.2 e 4.4, com a  redução no valor da multa em razão de o pagamento ter sido efetuado no prazo de  até  30  dias  contados  da  lavratura  do  auto  de  infração. Vide  documento  nº  6  (fls.  1824/1825).  · Informa­se ainda o pagamento integral do débito do item 8 (multa por atraso de  entrega da ECD). Vide documento nº 6 (fls. 1826).  · O entendimento fiscal está equivocado no que diz respeito ao item 3 (exclusões  indevidas da base de cálculo do PIS e da Cofins – receita de intermediação), ao item  4.1 (custos  com  transporte  aéreo),  ao  item 4.3  (deduções  de  despesas  com  pagamento de comissões não comprovadas) e ao item 7 (passivo fictício).  III. Supostas exclusões indevidas da receita bruta (item 3): a não incidência de  PIS  e  de  Cofins  sobre  os  valores  repassados  aos  fornecedores  de  serviços  turísticos  · O item 3 da autuação exige PIS/Cofins em razão da suposta falta de tributação  sobre valores  repassados a  terceiros,  fornecedores de serviços  turísticos e agências  de turismo (lojas).   · Conforme se verifica do termo de verificação fiscal (fls. 1581), em dezembro de  2009,  a  requerente  teria  auferido  receita  bruta  de  R$  349.788.292,00  e  indevidamente excluído de tal montante o valor de R$ 331.303.424,00, relativo aos  “repasses a fornecedores” e a “Tx. Serviços – Agências”.  Fl. 6898DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.899          5 · No  entanto,  tais  valores,  por  se  tratarem  de  receitas  de  terceiros,  foram  corretamente  desconsiderados  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  do  PIS/Cofins.  III.1. A atividade de intermediação de serviços turísticos  (a) As atividades desenvolvidas pela requerente e a intermediação de serviços  turísticos  · A  requerente  é  empresa  brasileira  que  se  dedica  à  prestação  do  serviço  de  intermediação  de  viagens  e  excursões,  individuais  ou  coletivas,  compreendendo  a  organização  e  a  contratação  de  programas,  roteiros  e  itinerários  no  Brasil  e  no  exterior.   · Na condição de intermediadora de serviços turísticos, a requerente está sujeita  ao recolhimento do ISS, e a sua atividade está prevista no item 9 da lista de serviços  anexa à LC 116/2003.  · A requerente mantém uma rede de contatos e acordos com os fornecedores dos  serviços  turísticos  (hotéis,  companhias  aéreas  etc),  realizando  a  organização,  estruturação e  oferecimento  dos  serviços  turísticos  prestados  por  tais  fornecedores  aos clientes/passageiros tomadores dos serviços, de forma individual ou em pacotes  (conjunto de serviços turísticos de diferentes naturezas).  · A requerente atua por  intermédio de agências  filiais (lojas  filiais) ou agências  terceirizadas  (lojas  terceirizadas),  com  as  quais  firmou  contratos  de  franquia  empresarial,  responsáveis  pela  comercialização  de  pacotes  turísticos  previamente  estruturados  ou  serviços  turísticos  individuais  prestados  pelos  fornecedores  aos  clientes/passageiros.  · As  lojas  filiais  são  detidas  por  outra  empresa  do  grupo,  denominada  CVC  Serviços Agência de Viagens Ltda. e, pois,  representam pessoa  jurídica diversa da  requerente.  · Originalmente, a CVC firmou contratos de cooperação comercial e operacional  com  as  agências  terceirizadas.  Mais  recentemente,  visando  reestruturar  as  suas  operações,  estreitar  as  relações  comerciais  existentes  e  fidelizar  as  agên1cias  terceirizadas, a CVC firmou contratos de franquia com tais agências.  · A natureza e extensão do serviço de intermediação realizado pela requerente é  definido,  de  forma  precisa,  pelo  artigo  27  da  Lei  n°  11.771/2008  (Lei  Geral  do  Turismo ­ LGT).  · O  art.  27  da  Lei  n°  11.771/2008  prevê  que  a  agência  de  turismo  é  a  pessoa  jurídica que:   o  realiza  a  intermediação  entre  fornecedores  e  consumidores  de  serviços  turísticos; ou  o  fornece os serviços turísticos diretamente aos consumidores.  · O  § 3º  do  artigo  27  da  Lei  n°  11.771/2008  esclarece  que  as  atividades  de  intermediação  das  agências  de  turismo  compreendem  a  oferta,  a  reserva  e  a  comercialização dos serviços turísticos fornecidos por terceiros aos consumidores.  · A agência de turismo que fornece diretamente os serviços turísticos aos clientes  é aquela que disponibiliza e comercializa os serviços em seu próprio nome, ou seja,  ela  própria  é  responsável  pelo  fornecimento/realização/execução  dos  serviços  turísticos aos clientes/passageiros.  · Um bom exemplo é a assessoria de embarque/desembarque, serviço prestado na  origem,  no  local  de  destino  e/ou  nas  escalas  de  viagens,  com  o  objetivo  de  recepcionar,  instruir,  informar e auxiliar os clientes/passageiros em relação às suas  viagens,  serviço  normalmente  prestado  por  funcionários  das  próprias  agências  (ou  seja, diretamente por elas).   Fl. 6899DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.900          6 · Outro exemplo são os serviços de guias turísticos no destino, que em algumas  localidades  são prestados por  funcionários das próprias agências de viagens  locais  (ou seja, e mais uma vez, diretamente por elas).  · A Lei  n°  12.974,  de  15/05/2014,  previu  dois  diferentes  tipos  de  agências  de  turismo:  o  agência  de  viagens,  que  realiza  tão  somente  a  venda  comissionada  ou  a  intermediação na comercialização de serviços turísticos; e   o  agência de viagens e turismo, que, além de realizar a venda comissionada ou a  intermediação na comercialização de serviços turísticos, realiza de forma privativa o  assessoramento, planejamento e organização das atividades relacionadas às viagens  e/ou  a  organização  de  programas,  serviços,  roteiros  e  itinerários  de  viagens  (inclusive educacionais ou culturais) e intermediação remunerada na sua execução e  comercialização.  · O  §  2°  do  art.  5º  da  Lei  n°  12.974/2014  estabelece,  de  forma  clara,  que  a  agência  de  viagens  e  turismo  que  realiza  o  assessoramento,  planejamento  e  organização  de  atividades  associadas  às  viagens  e/ou  a  organização  e  comercialização  de  programas,  serviços,  roteiros  e  itinerários  de  viagens  pode  denominar­se operadora turística.  · A previsão legal mencionada apenas reflete a prática já adotada no mercado e  igualmente refletida na legislação anterior que tratava da matéria.   · Na linguagem comum e na sistemática legal até então em vigor, a agência de  viagens  operadora  é  –  e  sempre  foi  –  aquela  que  organiza  e  contrata  os  serviços  turísticos,  individuais  ou  em  pacotes  turísticos,  com  o  objetivo  de  que  sejam  oferecidos aos  turistas,  enquanto  a  agência  de  viagens,  em  regra,  não  organiza  ou  contrata  estes  serviços  em  favor  dos  clientes/passageiros,  mas  apenas  os  comercializa nos pontos de venda ou pela internet.  · Na literatura de Carlos Alberto Tomelin, é possível identificar tal conceituação:   o  “Agências  operadoras  (conhecidas  no  mercado  nacional  como  operadoras)  elaboram  e  operam  seus  próprios  programas  de  viagens  (pacotes)  ‘com  seus  próprios  equipamentos  ou  subcontratação  de  operadores terrestres locais’, e podem vender seus produtos às agências  detalhistas e ao público em geral através de seus escritórios locais”.  o  “As  operadoras,  que  elaboram  e  operam  seus  próprios  programas  de  viagens  (pacotes),  podem  vendê­los  diretamente  ao  consumidor  final,  através de seus escritórios locais, ou indiretamente, através das agências  de viagens”.  o  “Mas  sempre  mantendo  seu  papel  de  intermediação  entre  os  fornecedores e os consumidores finais. Além disso, podem operar com  seus próprios equipamentos e pessoal e/ou podem subcontratar agências  receptivas locais”.  o  “No  caso  de  comercialização  através  das  agências  (detalhistas)  e  de  subcontratação das receptivas, pagam comissão sobre o produto/serviço  comercializado/prestado”.  o  “Agências  de  viagens  detalhistas  (conhecidas  no  mercado  nacional  como  agências  de  viagens  ou  agências  varejistas)  geralmente  ‘não  elaboram  seus  próprios  produtos’,  mas  principalmente  comercializam  ‘viagens  com  roteiros  preestabelecidos’  (pacotes),  organizados  por  agências maioristas ou operadoras de turismo, e podem ou não oferecer  serviços de receptivo”.   o  “Mas agências  detalhistas podem montar  ‘pacotes’  customizados  para  clientes específicos, incluindo todos os tipos de serviços turísticos”.  o  “Algumas optam por trabalhar com segmentos de mercado específicos  (ex: agências de intercâmbio), além de atender o público em geral”.   Fl. 6900DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.901          7 · A operadora turística se diferencia da simples “agência” ao negociar e contratar  com  os  fornecedores  os  serviços  turísticos,  individuais  ou  na  forma  de  pacotes,  realizando a comercialização de tais serviços diretamente ou, como é mais comum,  por intermédio de agências filiais ou terceirizadas.  · Portanto,  haja  vista  os  conceitos  previstos  nas  Leis  ns.  11.771/2008  e  12.974/2014,  bem  como  na  legislação  anterior  que  tratava  da  matéria,  para  se  caracterizar  como  agência  de  turismo,  a  pessoa  jurídica  deve  realizar  a  intermediação  ou  oferecer  os  serviços  turísticos  ela  própria  (diretamente,  em  seu  nome) e, dependendo da natureza e extensão da atividade específica desenvolvida, a  agência  poderá  denominar­se  agência  de  turismo  ou  agência  de  viagens  e  turismo / operadora turística.  · O fato de determinado contribuinte caracterizar­se como agência de viagens e  turismo / operadora  turística  não  significa,  diferentemente  da  errônea  classificação  defendida  pelo  agente  fiscal,  que  tal  empresa  oferece  os  serviços  turísticos  diretamente aos clientes/passageiros.   · Pelo  contrário,  o  mínimo  conhecimento  do  mercado  de  que  ora  se  cuida  demonstra  que  as  agências  de  viagens  e  turismo / operadoras  turísticas,  na  esmagadora  maioria  de  suas  operações,  realizam  a  intermediação  entre  os  fornecedores e passageiros, ainda que comercialize os serviços turísticos, individuais  ou em pacotes turísticos, por meio de outras Agências.  · Seja agência de viagens ou agência de viagens e turismo / operadora turística, a  caracterização da  espécie de  serviço por  ela  realizado não é determinável  a priori,  mas sim com base nas atividades que são, de fato, realizadas.   · Se a agência de viagens ou a agência de viagens e turismo / operadora turística  prestar  determinados  serviços  de  forma  direta  (e  não  por  intermédio  dos  terceiros  fornecedores), não restará configurada a atividade de intermediação.   · Por  outro  lado,  se  a  agência  de  viagens  ou  a  agência  de  viagens  e  turismo / operadora turística  tiver como propósito a organização e oferecimento de  serviços turísticos prestados por terceiros aos clientes/passageiros (passagens áreas,  hospedagem  etc),  estará  realizando  a  atividade  de  intermediação  de  que  trata  a  legislação do setor.    (b)  Enquadramento  da  requerente  como  agência  de  viagens  que  realiza  a  atividade econômica de intermediação remunerada    · A requerente é uma agência de viagens e turismo/operadora turística que realiza  a  intermediação  entre  fornecedores  e  passageiros,  por  meio  da  estruturação  e  disponibilização/comercialização,  pelas  lojas  filiais  ou  lojas  terceirizadas,  de  serviços turísticos prestados por terceiros.  · A requerente sabidamente não presta serviços turísticos diretamente.   · De  outra  sorte,  estaria  também  listada  entre  as  companhias  aéreas  ou  redes  hoteleiras e não somente entre as agências de viagem.  · No  relatório  fiscal  (fls.  1583/1584),  o  autuante  alega  que  “a  operadora  de  turismo, conforme se depreende da  leitura do caput do art. 27 da LGT, é empresa  que fornece os serviços diretamente em seu nome” e conclui que “o sujeito passivo  CVC Brasil atua sempre como operadora de turismo”.   · O  autuante  aponta  que  enquanto  a  requerente  “atuou  como  operadora  de  turismo,  pois  comprou  e  revendeu,  em  seu  nome,  diárias  de  hotéis”,  as  lojas  “atuaram  como  agências  de  viagens  (de  turismo  em  sentido  estrito)  (...)  que  representaram o sujeito passivo e realizaram as vendas diretamente junto ao cliente”.  · O esforço em descaracterizar a requerente como agência de turismo se justifica  para  fundamentar a errônea premissa de que os valores  referentes aos  repasses aos  fornecedores e as comissões às lojas seriam custos dela e não receitas de terceiros.  Fl. 6901DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.902          8 · O  fato  de  a  requerente  também  realizar  atividades  próprias  de  operadora  turística  não  afasta  a  sua  caracterização  como  agência  de  viagem  que  tem  como  atividade principal a intermediação remunerada de serviços turísticos.  · A  requerente  reserva,  negocia  e  contrata  os  serviços  turísticos  junto  aos  fornecedores e, na maior parte das vezes, os organiza/estrutura na forma de pacotes  para facilitar as viagens dos clientes/passageiros, disponibilizando­os por intermédio  das lojas (filiais ou terceirizadas).   · A  requerente  não  presta  ela  própria  os  serviços  turísticos  aos  clientes/passageiros. A sua atividade é de mera intermediação destes serviços.  · Para  fornecer  diretamente  os  serviços  (e,  pois,  ter  a  obrigação  de  oferecer  os  valores  totais  recebidos  pelos  clientes/passageiros  à  tributação),  a  requerente  teria  que  prestar  diretamente  os  serviços  turísticos  comercializados,  afastando  qualquer  atuação  por  parte  dos  terceiros  fornecedores  (companhias  áreas,  hotéis  etc),  o que  não é o caso.  · A  lógica  fiscal  leva  à  absurda  e  impossível  conclusão  de  que  a  requerente  estaria prestando serviços aéreos, de hospedagem, de transporte de passageiros por  via terrestre etc.  · Seria ela, pois, uma companhia aérea, capaz de transportar passageiros entre os  aeroportos brasileiros e internacionais?   · Estaria, portanto, atuando no ramo hoteleiro, em estabelecimentos próprios?   · Utilizando­se,  então,  de  veículos  próprios  para  percorrer  as  estradas  pelo  mundo?  · A  atividade  desenvolvida  pela  requerente  é  a  de  intermediação  de  serviços  turísticos,  englobando  a  oferta,  a  reserva  e  a  venda  desses  serviços,  que  serão  prestados pelos fornecedores e tomados pelos clientes/passageiros.    III.2.  A  não  incidência  de  PIS/Cofins  sobre  os  valores  repassados  aos  fornecedores de serviços turísticos e comissões repassadas às lojas    · O autuante  entendeu que  a  requerente  realizaria  “compra  e venda de  serviços  turísticos”.  · Portanto, os valores repassados aos fornecedores e as comissões repassadas às  lojas seriam verdadeiros custos de suas operações, não sendo passíveis de exclusão  da base de cálculo do PIS/Cofins, por ausência de previsão legal.  · Contudo, a requerente presta serviço de intermediação de serviços turísticos.  · Tais valores não compõem a base de cálculo das contribuições em questão; são,  na verdade, receitas de outras empresas.    (a)  O  conceito  de  receita  para  fins  de  PIS/Cofins  e  a  impossibilidade  de  tributação das receitas de terceiros    · A  requerente  está  sujeita  ao  regime  cumulativo  de  PIS/Cofins,  regulado  pela  Lei  n°  9.718/1998.  O  seu  art.  1º  prevê  que  tais  contribuições  incidirão  sobre  o  faturamento mensal da pessoa jurídica, que corresponde à sua receita bruta.  · É  possível  identificar  receita  como  um  ingresso  que  se  incorpore  de maneira  positiva e definitiva ao patrimônio de uma empresa, decorrente de remuneração ou  contraprestação  de  suas  atividades  sociais,  isto  é,  proveniente  da  venda  de  bens  e  prestação de serviços (fls. 1691).  · Apenas  os  valores  que  efetivamente  modificam  o  patrimônio  líquido  da  empresa, de forma a incrementá­lo, e que ingressam nas contas da empresa de forma  definitiva e incondicional, em decorrência das atividades sociais desenvolvidas pela  empresa,  devem  ser  considerados  receita  para  fins  de  cômputo  da  base  das  contribuições.   Fl. 6902DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.903          9 · Os  valores  que  não  se  enquadrem  nesse  conceito  e  não  possuam  estas  específicas  características (positividade,  definitividade  e  causalidade)  não  podem  assim ser caracterizados.  · A  doutrina  mais  abalizada  afirma  que  as  receitas  de  terceiros  devem  ser  desconsideradas para fins de determinação da receita tributável, justamente por não  integrarem o patrimônio da empresa que as recebe (fls. 1692).  · Segundo  tanto  o  antigo  Conselho  de  Contribuintes  como  o  atual  Carf,  os  valores recebidos e repassados a  terceiros não devem ser objeto de tributação pelo  PIS/Cofins (fls. 1692/1693).  · No âmbito contábil, as receitas de terceiros também não são consideradas como  receitas próprias da empresa que as recebe, como demonstram o CPC n° 30/2012 e a  Resolução CFC n° 1.255/2009 (fls. 1693/1694).  · As receitas transferidas a terceiros não podem ser caracterizadas juridicamente  como “receita”, uma vez que não representam um acréscimo patrimonial efetivo e  definitivo e não decorrem de uma atividade desenvolvida pela empresa, o que indica  a inexistência da natureza causal que legitime a exigência.  · E  nem  se  diga  que  a  revogação  do  inciso  III  do  §  2º  do  art.  3º  da  Lei  n°  9.718/98,  que  expressamente  permitia  a  exclusão  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  de  “valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  outra pessoa jurídica”, seria capaz de alterar essa conclusão.  · Tal revogação não pode implicar tributação das receitas de terceiros.   · O texto do  referido  inciso  III  (como,  aliás,  de  todas as hipóteses de exclusão  previstas naquele dispositivo) tinha função meramente didática, pedagógica, visando  instruir os contribuintes que haviam,  indevidamente,  incluído como receita própria  valores que tivessem “sido transferidos” para outra empresa (fls. 1694).  · Como aponta  José Antonio Minatel,  as previsões do § 2º do  art.  3º da Lei nº  9.718/98  –  seja  na  sua  redação  anterior  ou  na  atualmente  em  vigor  –  revelam  “realidades  desprovidas  de  conteúdo  material  que  permita  qualificá­las  como  receitas”,sendo,  portanto,  “inócua  a  pretensão  de  excluí­las  de  conjunto  no  qual  nunca estiveram incluídas” (fls. 1694).  · A expressa autorização para excluir as receitas de terceiros contida no referido  inciso  III  é  irrelevante  para  determinar  a  tributação  ou  não  sobre  receitas  de  terceiros. Tais valores – com ou sem essa previsão – não constituem receita.    (b)  A  determinação  da  receita  auferida  pela  requerente  e  a  correta  não  tributação dos valores repassados a terceiros/fornecedores    · O  conceito  jurídico  de  “receita”  abarca  apenas  os  valores  que  representam  acréscimos  patrimoniais  efetivos  e  definitivos  e  que  resultam  diretamente  da  atividade econômica desenvolvida pela empresa.  · A legislação específica do turismo confirma que a receita da agência de turismo  não  pode  abarcar  a  integralidade  dos  valores  recebidos,  mas  apenas  a  verdadeira  remuneração auferida pela atividade de intermediação.   · O § 2° do art.  27 da Lei n° 11.771/2008 esclarece qual  é  a  receita  (preço do  serviço) auferida pela agência de turismo: “O preço do serviço de intermediação é a  comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses  fornecedores,  facultando­se  à  agência  de  turismo  cobrar  taxa  de  serviço  do  consumidor pelos serviços prestados”.  · O preço  do  serviço  de  intermediação  das  agências  de  turismo  é  –  e  somente  pode ser –a comissão recebida dos fornecedores e/ou o valor agregado ao preço de  custo desses fornecedores, e não o valor total dos ingressos.   · Não obstante, o autuante faz verdadeiro “exercício interpretativo” para justificar  que o § 2° do referido art. 27 não poderia ser analisado em sua literalidade e, com  Fl. 6903DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.904          10 isso, defender a tributação sobre o valor bruto recebido pela requerente da venda de  pacotes turísticos.   · Conforme relatório fiscal (fls. 1587), o autuante entende que “ao se fazer uma  interpretação  teleológica,  percebe­se  que  o  legislador  não  teve  por  objetivo,  no  artigo 27 da LGT, a exclusão dos custos (repasse a fornecedores, segundo o sujeito  passivo) das bases de cálculo do PIS e da Cofins”.  · Para  sustentar  o  seu  teratológico  posicionamento  sobre  a  –  inexistente  –  obrigação  de  submeter  à  tributação  o  valor  total  recebido  dos  clientes  em  remuneração à aquisição de pacotes turísticos, que inviabilizaria a atividade de toda  e  qualquer  agência  de  turismo  no  Brasil,  o  autuante,  além  de  partir  de  premissas  equivocadas  quanto  à  natureza  das  atividades  da  requerente,  utiliza  quatro  argumentos principais:  o  a requerente não realiza repasse de valores aos fornecedores, mas sim a  compra e (re)venda de serviços turísticos em nome próprio;   o  as  notas  fiscais  foram  emitidas  pelos  fornecedores  dos  serviços  turísticos (companhias aéreas, hotéis etc) em nome da requerente;   o  o  art.  46  da Lei  n°  11.771/2008,  que  permitira  a  tributação  exclusiva  das receitas de intermediação de forma expressa, foi vetado pelo Poder  Executivo; e   o  as  orientações  emitidas  pela  RFB,  por meio  de  soluções  de  consulta,  determinam a tributação integral dos valores recebidos pela requerente.   · Contudo,  conforme  será  detalhado  abaixo,  nenhum  destes  argumentos  se  sustenta.    (b.l) Intermediação versus compra e venda    · O primeiro  argumento  fiscal  está  embasado na  equivocada premissa de que a  requerente não realiza atividade de intermediação de serviços turísticos, mas sim a  compra e (re)venda de serviços turísticos em nome próprio.   · O  agente  fiscal  alega  que  a  requerente  não  realizaria  repasses  de  receitas  a  terceiros (no caso, os fornecedores) e que os valores a eles remetidos configurariam  custo da sua atividade.  · A requerente é agência de viagens e turismo / operadora turística que realiza a  intermediação entre  fornecedores  e  cliente/passageiros,  por meio da  estruturação e  disponibilização/comercialização,  pelas  lojas  filiais  ou  lojas  terceirizadas,  de  serviços turísticos prestados por terceiros.  · O  fato  de  ser  uma  operadora  turística  não  afasta  a  caracterização  da  sua  atividade principal de intermediação de serviços turísticos.  · A  requerente  julga  pertinente  tecer  breves  observações  sobre  as  evidentes  diferenças  técnicas  e  jurídicas  sobre  as  operações  de  intermediação  e  compra  e  venda.  · Na operação de compra e venda, prevista no art. 481 do CC/2002, a empresa  adquire  determinada  mercadoria  de  seu  fornecedor  e  a  revende  ao  consumidor,  cobrando uma margem de lucro.   · O ganho da empresa provém do próprio cliente, que acaba pagando um valor  maior pelas mercadorias adquiridas.   · É o  típico caso dos  supermercados, que compram mercadorias e as  revendem  aos consumidores, agregando um valor adicional ao preço.  · No  que  se  refere  à  compra  e  venda,  a  empresa  adquire  a  titularidade  da  mercadoria que será revendida.   · O  principal  aspecto  do  negócio  jurídico  de  compra  e  venda  é  a  efetiva  transferência de titularidade/propriedade sobre o bem em questão.  Fl. 6904DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.905          11 · Diferentemente, no caso da intermediação, a empresa efetua o contato entre os  participantes  da  cadeia  (no  caso,  o  fornecedor  e  consumidor),  atuando  como  verdadeiro elo.  ·  A empresa intermediadora é remunerada em função do serviço desenvolvido.   · Na  intermediação,  o  elemento  da  remuneração  decorre  da  existência  da  prestação  do  serviço  e  não  se  verifica  a  transferência  de  titularidade/propriedade  para a empresa que realiza a intermediação.  · É  possível  citar,  além  da  intermediação  de  serviços  turísticos,  uma  série  de  atividades de natureza análoga:   o  representação  comercial,  em  que  determinada  empresa  realiza  a  mediação  para  realização  de  negócios  mercantis,  em  nome  do  representado;   o  planos de saúde e assistência médica, em que a administradora do plano  disponibiliza  a  rede  de  médicos  e  hospitais  e  laboratórios  aos  conveniados;   o  administração  de  cartão  de  crédito/débito,  em  que  a  empresa  administradora recebe os pagamentos e os transfere para os vendedores  credenciados;  o  corretagem de imóveis, em que a corretora realiza a intermediação para  possibilitar a compra/venda ou a locação de imóveis;   o  agenciamento  de  publicidade,  em  que  a  agência  de  publicidade  promove  a  divulgação  de  serviços/produtos  em  nome  do  anunciante,  entre outros.  · Em nenhuma dessas atividades se verifica o negócio de “compra e venda”, uma  vez que a intermediadora apenas realiza o elo entre as partes envolvidas.  · Todas  as  atividades  estão  previstas  como  serviços  na  lista  anexa  à  LC  116/2003. É o caso da intermediação de serviços turísticos (item 9.01 da lista).  · A  atividade  desenvolvida  pela  requerente  é  a  efetiva  prestação  de  serviço  de  intermediação.  · Ela não compra passagens e hospedagens e as revende em seu nome, mas sim  organiza, reserva e contrata os serviços turísticos prestados pelos fornecedores e os  oferece e comercializa aos clientes/passageiros.  · A prestação de serviços no caso concreto envolve obrigação de fazer, ou seja,  realizar o contato entre os fornecedores e os passageiros, viabilizando as viagens que  serão por estes últimos usufruídas.   · A  prestação  de  serviços  no  direito  brasileiro  envolve,  essencialmente,  obrigações  de  fazer — as  quais  se  opõem  às  obrigações  de  dar,  em  que  uma  das  partes cede um bem à outra.   · Prestar serviço é disponibilizar um bem imaterial, uma utilidade, que se produz  mediante  o  esforço  humano,  físico  ou  intelectual,  que  é  colocado  à  disposição do  tomador.  · É desarrazoado pensar na hipótese de compra e venda no caso concreto.  · A requerente realiza verdadeira obrigação de fazer, consubstanciada na reserva  e oferta aos  clientes/passageiros de  serviços  turísticos  (individuais ou por meio de  pacotes) prestados por fornecedores habilitados para tanto.  ·  Logo, é  incorreta – e jurídica e taticamente impossível — a premissa adotada  pelo autuante.  · Os  valores  repassados  aos  fornecedores  de  serviços  turísticos  não  podem  ser  caracterizados como “custos”.  · A  requerente  não  compra  e  revende  serviços  turísticos,  mas  atua  na  intermediação entre fornecedores e clientes/passageiros.  Fl. 6905DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.906          12 · O conceito de “custo” abarca os dispêndios básicos da empresa, necessários à  manutenção da atividade e comercialização, conforme se depreende da legislação do  imposto de renda.   · Não podem ser  caracterizados  como custos os valores  referentes  aos  repasses  efetuados  aos  fornecedores  e  às  lojas  em  relação aos  serviços que  serão prestados  aos clientes/passageiros.  · Tais  montantes  não  correspondem  a  insumos  ou  qualquer  outra  espécie  de  ativo/bem/direito adquirido pela requerente, necessários ao desenvolvimento de suas  atividades operacionais.  · Os serviços turísticos são reservados, negociados e contratados pela requerente  em nome e benefício dos clientes/passageiros, seus verdadeiros tomadores.   · Portanto, a pretensão do autuante não se sustenta sob qualquer óptica.  · Os  valores  referentes  aos  repasses  não  refletem  custos  da  requerente,  mas  receitas de  terceiros  recebidas dos clientes/passageiros e  remetidas aos verdadeiros  titulares, os efetivos fornecedores dos serviços turísticos.    (b.2.) A irrelevância do destinatário indicado nas notas fiscais para determinar  a natureza das operações e a caracterização da receita tributável    · O  segundo  argumento  fiscal  para  sustentar  a  tributação  da  receita  bruta  da  venda de pacotes turísticos é o de que as notas fiscais e/ou faturas comerciais foram  emitidas pelos  fornecedores dos  serviços  turísticos  (companhias aéreas, hotéis etc)  em nome da requerente.  · No relatório  fiscal  (fls. 1583/1584), o autuante busca  reforçar a  tese de que a  requerente não presta serviço de intermediação, mas sim realiza a compra e revenda  de serviços turísticos.  · Ele  aponta  que  “os  hotéis  não  emitiram  as  faturas/notas  fiscais  em  nome  do  hóspede, mas sim em nome do sujeito passivo, CVC Brasil” e ainda “foram juntadas  cópias  das  faturas  emitidas  pelas  cias  aéreas  em  face  do  sujeito  passivo  CVC  Brasil”.  · O  fato  de  os  fornecedores  (efetivos  prestadores  dos  serviços  aos  clientes)  emitirem  as  notas  fiscais  e/ou  faturas  comerciais  contra  a  requerente,  por  razões  legais, estritamente operacionais e/ou alheias à sua vontade, não desnatura a essência  da atividade de intermediação dela.  · A requerente realiza intermediação de serviços turísticos, o que por si só afasta  a possibilidade de que a simples emissão de documentos fiscais ou comerciais pelos  fornecedores  altere  a  natureza  de  suas  atividades  e,  consequentemente,  da  sua  tributação.  · Exemplo  desta  circunstância  são  os  faturamentos  relacionados  às  passagens  aéreas.   · As  companhias  aéreas  não  emitem  notas  fiscais  contra  os  passageiros  por  expressa determinação legal.  · Os  bilhetes  aéreos  as  substituem  e  são  considerados,  para  todos  os  efeitos  legais, como documentos fiscais válidos.  · A título exemplificativo, no Estado de São Paulo, tal sistemática está regulada  nos arts. 124 e 171 do Regulamento do ICMS (fls. 1700/1701).  · As  faturas  comerciais  emitidas  pelas  companhias  aéreas  contra  a  requerente  apenas  formalizam  os  valores  que  deverão  ser  repassados  por  ela  aos  efetivos  prestadores dos serviços de transporte aéreo usufruídos pelos clientes/passageiros.   · Concomitantemente,  os  bilhetes  aéreos,  que  substituem  as  notas  fiscais,  são  emitidos contra cada um dos passageiros, tomadores de tais serviços.   · As alegações do agente fiscal não passam de ilações desarrazoadas que ignoram  o mercado e a própria legislação de regência.  Fl. 6906DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.907          13 · No âmbito do procedimento de fiscalização, a requerente apresentou uma série  de  documentos  contábeis  e  fiscais  que  atestam  a  regularidade  dos  procedimentos  adotados.   · Conforme exigido pela fiscalização, para determinadas operações, a requerente  apresentou  descrição  completa  de  todos  os  lançamentos  realizados,  comprovando  que os valores recebidos dos clientes não alteram positivamente o seu patrimônio e  são  regularmente  repassados  aos  fornecedores dos  serviços  turísticos  (Doc. n° 7 –  fls. 1827/1871).  · A  requerente  demonstrou  que  os  valores  a  serem  remetidos  a  terceiros  são  lançados em uma conta específica e  transitória e são efetivamente transferidos aos  verdadeiros titulares.  · Os  documentos  que  suportam  tal  procedimento  –  contratos  firmados  com  os  passageiros,  extratos  bancários  que  atestam  os  valores  recebidos  e  repassados  aos  fornecedores,  faturas  emitidas  pelos  fornecedores  e  notas  fiscais  emitidas  com  o  valor da intermediação da requerente – foram apresentados na fiscalização (Doc. n°  8 – fls. 1872/1938).  · A despeito do destinatário indicado nas  faturas / boletos / notas fiscais, não há  como desconsiderar  a  real natureza das operações  e entender que a  requerente  é  a  tomadora  dos  serviços  turísticos  prestados  pelos  fornecedores  quando  a  sua  atividade é nitidamente de intermediação.  · A premissa adotada pelo autuante ao lavrar a presente autuação está incorreta.  · A  receita  auferida  pela  requerente  não  abarca  a  totalidade  dos  valores  pagos  pelos  clientes/passageiros na  aquisição dos  serviços  turísticos, mas  tão  somente as  comissões a que faz jus, apuradas mediante a diferença entre os valores recebidos e  os repassados a terceiros (fornecedores e lojas).    (b.3.) O veto ao artigo 46 da Lei n° 11.771/2008    · O terceiro argumento para defender a exigência fiscal se refere ao veto do art.  46 da Lei n° 11.771/2008.   · A redação inicial do projeto de lei que deu origem à Lei n° 11.771/2008 trazia  artigo  específico  sobre  a  tributação  das  receitas  de  intermediação  das  agências  de  turismo.  · Indicava­se que deveria ser considerada receita apenas a comissão recebida dos  fornecedores ou o valor agregado ao preço de custo.  · O artigo foi vetado sob a justificativa de que o dispositivo, supostamente:  o  deformaria o conceito de lucro e faturamento/receita bruta;   o  ofenderia o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, por ausência de estudo  de impacto nas finanças públicas e previsão orçamentária; e  o  principalmente,  seria  contrário  ao  interesse  público,  por  aumentar  a  complexidade do sistema tributário.  · O  veto  foi  efetuado  de  maneira  genérica  e  pouco  aprofundada,  levando  em  consideração razões políticas que não se coadunam com o sistema de tributação do  PIS e da Cofins.  · O veto não é capaz de gerar obrigação tributária, ainda mais sobre valores que  não podem ser configurados como receita.  · O STF  já  reconheceu  que  as  razões  de  veto  correspondem  a  ato  de  natureza  eminentemente  política,  não  podendo  servir  como  parâmetro  interpretativo  das  normas de Direito Tributário.  · Consequentemente,  são  insuficientes  para  justificar  qualquer  incidência  tributária.  Fl. 6907DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.908          14 · A aplicação  do Direito Tributário deve  se  pautar  na  legislação  tributária,  que  compreende  as  leis,  os  tratados  e  as  convenções  internacionais,  os  decretos  e  as  normas complementares (arts. 96 e 100 do CTN).   · Os atos legais que tratam do tema não permitem a tributação de valores que não  incrementam  o  patrimônio  da  requerente  de  forma  definitiva  e  que  são  posteriormente repassados aos fornecedores de serviços turísticos  · O fato de o  artigo  específico  sobre a  tributação das  receitas de  intermediação  das  agências  de  turismo  ter  sido  vetado,  por  razões  estritamente  políticas,  não  significa que o PIS/Cofins deve incidir sobre a totalidade dos valores recebidos.  ·  O conceito jurídico de “receita” não abarca os valores recebidos e repassados a  terceiros.  · A  “interpretação  teleológica”  do  autuante,  embasada  no  veto,  não  altera  essa  conclusão.   · A  análise  teleológica  e  sistemática  das  normas  que  cuidam  do  tema  levam  a  conclusão oposta.   · Os  valores  repassados  a  terceiros  pelas  agências  de  turismo  devem  ser  desconsiderados na determinação da receita própria passível de tributação, o que é  corroborado pela doutrina pátria e pela jurisprudência dominante.    (b.4.)  A  correção  dos  procedimentos  adotados  pela  requerente  com  base  nas  soluções de consulta editadas pela RFB    · Como último argumento, o autuante baseia­se em supostas soluções de consulta  que estabeleceriam a impossibilidade das agências de turismo de excluir receitas de  terceiros da base de cálculo do PIS/Cofins.  · A  interpretação  dada  pelo  autuante  às  soluções  de  consulta  se  embasa  na  equivocada  premissa  de  que  a  requerente  não  realizaria  intermediação de  serviços  turísticos.  · Na verdade,  as  soluções de  consulta da RFB confirmam os procedimentos da  requerente.  · Mesmo antes da edição da Lei n° 11.771/2008, a RFB já havia editado várias  soluções de consulta admitindo que os valores repassados a terceiros não integram a  receita bruta das agências de turismo, conforme ementas transcritas a fls. 1704/1705.  · A Solução de Divergência n° 2, de 21/03/2007, mencionada pelo autuante a fls.  1588, de  fato determina  a  incidência do PIS/Cofins  sobre a  totalidade das  receitas  auferidas, impedindo a exclusão dos valores repassados a terceiros.   · Mas ela reflete posicionamento isolado e que logo foi modificado.  · Conforme  ementas  transcritas  a  fls.  1705/1707,  desde  2008  a  RFB  vem  proferindo uma série de soluções de consulta no sentido de que apenas as comissões  auferidas ou adicional percebido em razão da intermediação pelas agências deverão  ser objeto de tributação.  · O autuante se reporta à Solução de Divergência n° 3, de 30/04/012, e à Solução  de Consulta n° 17, de 13/03/013, para respaldar a sua autuação.   · Mas conclusões ali delineadas confirmam os procedimentos da requerente.  · Nas  referidas  soluções, é  consignado que, no caso de  agência de  turismo que  realiza  a  atividade  de  intermediação,  como  é  o  caso  da  requerente,  a  receita  corresponderá à comissão ou ao adicional por ela recebido.  · O  trecho  final  das  mencionadas  soluções  indica  que  “caso  o  serviço  seja  prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá  a totalidade dos valores auferidos de seus clientes”.  · O autuante alega que esse trecho “vai ao encontro da  tese da fiscalização que  veda a exclusão dos custos (repasses aos fornecedores) das bases de cálculo do PIS e  da Cofins”.  Fl. 6908DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.909          15 · Ainda  segundo  o  atuante,  “o  sujeito  passivo  atua  sempre  como  operadora  de  turismo, na medida em que restou comprovado (...) que todos os serviços turísticos,  mesmo  diárias  de  hotel  e  bilhetes  aéreos  vendidos  isoladamente,  sempre  são  vendidos  em  nome  do  sujeito  passivo,  representado  por  uma  loja  credenciada  (agência de viagem ou turismo em sentido estrito)”.  · Não  obstante,  a  requerente  não  fornece  serviços  turísticos  diretamente,  mas  realiza a atividade de intermediação a eles relacionada.   · A requerente  atua  como elo  entre os  fornecedores  e os  clientes  tomadores de  tais serviços, o que exclui a possibilidade de aplicação da parte final da solução de  consulta.  · O  entendimento  de  que  a  “receita  bruta  incluirá  a  totalidade  dos  valores  auferidos de  seus  clientes”  se  aplica  exclusivamente no  caso  em que  a  agência de  viagens  prestar/executar  ela  própria  os  serviços  aos  clientes/passageiros  (e.g.,  realizar  o  serviço  de  assessoramento  de  embarque/desembarque,  proceder  ao  transporte de passageiros etc), o que não se verifica no caso.  · O fato de a requerente ser caracterizada como operadora turística, por proceder  à organização dos serviços turísticos, oferecidos isolada ou conjuntamente, na forma  de  pacotes,  não  tem o  condão  de  afastar  ou  desnaturar  a  essência  da  atividade  de  intermediação empreendida.  · As  soluções  de  consulta  citadas  comprovam  que  os  procedimentos  da  requerente para a determinação da sua base tributável pelo PIS e pela Cofins foram  absolutamente regulares.    (b.5) A orientação da jurisprudência a respeito da não tributação das receitas  de terceiros relacionadas às agências de turismo    · O  Carf  entendeu  que,  tratando­se  de  atividade  de  intermediação  de  serviços  turísticos, é indevida a tributação sobre os valores recebidos e repassados a terceiros,  conforme decisões transcritas a fls. 1709/1710.  · Os  nossos  tribunais  superiores  também  têm  reconhecido  que  as  agências  de  turismo  intermediadoras  têm  direito  de  computar  na  sua  receita  somente  as  comissões auferidas, conforme ementa transcrita a fls. 1710.  · O Órgão Especial do TJ/SP, ao analisar a constitucionalidade de lei municipal  de Barueri,  reconheceu  que  os  valores  que  ingressam  nos  cofres  da  empresa  para  serem  repassados  a  terceiros  não  correspondem  ao  preço  do  serviço.  O  voto  vencedor  valeu­se  expressamente  do  exemplo  das  agências  de  turismo,  conforme  excerto transcrito a fls. 1711.  · Quando se discute o tema de receitas de terceiros em relação às atividades de  turismo ou  situações  análogas,  a  jurisprudência  vem  repetidamente  afirmando que  tais valores não compõem a receita tributável.  · Exemplo  disso  são  as  atividades  relacionadas  às  agências  de  propaganda  e  publicidade, nas quais a jurisprudência vem admitindo de forma unânime a exclusão  da base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores por elas repassados aos veículos  de divulgação (i.e., terceiras empresas, tais como as de televisão, rádio, jornais etc),  conforme acórdãos do Carf citados a fls. 1711/1712.  · Os TRFs vêm reconhecendo que os valores objeto de repasse a terceiros pelas  agências de publicidade (e, via de consequência, em quaisquer outras atividades em  que exista sistemática de repasse de receitas equivalentes) não devem ser integrados  à receita para fins de tributação.  · A  mesma  orientação  é  seguida  pelos  tribunais  no  caso  de  empresas  agenciadoras  de  mão­de­obra,  que  também  recebem  determinados  valores,  referentes aos salários e encargos, que são repassados a terceiros e que, portanto, não  devem compor a receita para fins de tributação.   Fl. 6909DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.910          16 · O STJ também já entendeu que a empresa agenciadora de mão­de­obra tem o  direito de recolher os impostos apenas sobre os valores de suas comissões, indicando  que as receitas de terceiros não caracterizam “preço do serviço”.  · Os  nossos  tribunais  também  afastaram  a  tributação  integral  sobre  os  valores  recebidos pelas operadoras de planos de saúde, ressaltando que os valores referentes  aos  repasses  feitos  aos  prestadores  de  serviços  de  saúde  (tais  como  hospitais,  clínicas, laboratórios, médicos etc.) não consistem em receita própria da operadora.  · Ali também, a exemplo do que ocorre com as agências de turismo, existe mera  intermediação entre os  fornecedores  (em um caso, hospitais,  clínicas,  laboratórios,  médicos  etc;  em  outro,  hotéis,  passagens  etc)  e  os  clientes  finais,  beneficiários  e  tomadores efetivos destes serviços (na primeira hipótese, os pacientes; na segunda,  os turistas).  · Os exemplos são múltiplos e a conclusão sempre idêntica.  · Valores  recebidos  por  terceiros  intermediários,  cuja  atividade,  pela  sua  natureza, implique no recebimento de valores que serão posteriormente repassados a  terceiros, sem afetar o seu patrimônio de forma positiva, não podem ser  tributados  pelo PIS/Cofins.  · Os tribunais administrativos e judiciais têm reiteradamente afastado a tributação  sobre os valores relativos a receitas de terceiros, tanto no caso de agência de viagens  como em outras situações envolvendo empresas intermediadoras.    III.3.  A  exclusão  das  comissões  pagas  e  dos  valores  relacionados  aos  navios  fretados    · Em  seu  relatório  (fls.  1590),  o  autuante  admite  a  hipótese  de  um  julgamento  favorável  à  tese  do  sujeito  passivo,  no  sentido  de  permitir  a  exclusão  dos  custos  (repasses a fornecedores).  · Nessa  eventualidade,  o  autuante  requer,  ao  menos,  seja  mantida  a  exigência  fiscal em relação ao:  o  valor  de  R$  39.207.736,00  pago  às  lojas  a  título  de  comissão  pelas  “vendas dos pacotes turísticos”; e   o  valor de R$ 44.307.221,00 referente aos gastos com navios.  · No  que  tange  às  comissões  remetidas  às  lojas,  tais  valores  correspondem  às  remunerações  devidas  em  contrapartida  ao  serviço  de  intermediação  –  não  da  requerente, mas das próprias lojas – prestado aos passageiros.   · Da mesma forma como a requerente é remunerada pela intermediação realizada  entre os fornecedores de serviços turísticos e os clientes/passageiros, as agências que  realizam a  intermediação comercial destes produtos  também são  remuneradas pela  prestação de serviços que realizam.  · Não existe dúvida quanto à  impossibilidade de  exigência de  tributação destes  valores pela requerente.  · Eles se referem a comissões devidas pelos passageiros diretamente às lojas que  comercializam os serviços / pacotes turísticos e que, inclusive, são objeto de emissão  de  notas  fiscais  diretamente  por  elas  aos  passageiros,  no  exato  valor  de  suas  remunerações.  · No caso de pagamento em espécie ou cheque, em regra os clientes/passageiros  pagam  a  totalidade  dos  serviços  turísticos  adquiridos  às  lojas.  Estas  retêm  as  parcelas  relativas  às  respectivas  taxas  de  serviço/comissões  e  remetem  os  valores  remanescentes  à  requerente  que,  por  sua  vez,  repassará  os  valores  devidos  aos  fornecedores de serviços turísticos.   · Tais valores sequer ingressam na requerente, razão pela qual, além de todos os  motivos já expostos, não se pode considerar tais montantes como sua receita própria.  Fl. 6910DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.911          17 · Não há que se  falar em exclusão  indevida dos valores  relativos às comissões,  por  se  tratar  de  receitas  próprias  das  lojas  e  não  da  requerente,  formalizadas  por  notas fiscais emitidas diretamente contra os clientes/passageiros.  · No que tange aos gastos com navios, a requerente esclarece que no período de  2009 estava em vigor o contrato de afretamento firmado com a empresa Pullmantur  Cruises S.L., domiciliada na Espanha.   · Mencionado  contrato  previa  que  a  Pullmantur  coordenaria  e  administraria  os  cruzeiros,  enquanto  a  requerente  seria  responsável por oferecer  e disponibilizar os  pacotes turísticos aos passageiros.  · Por  razões  logísticas  e  visando  facilitar  as  operações,  a  requerente  realizou  o  pagamento,  em  nome  da  Pullmantur  e  no  âmbito  do  contrato  de  afretamento,  de  determinadas  despesas,  como  combustível,  encargos  portuários,  serviços  a  bordo,  shows e animações etc.   · Contudo,  tal  fato  não  impacta  nem  modifica  a  natureza  da  atividade  desenvolvida pela  requerente nessa situação particular, qual  seja,  intermediação de  serviços marítimos, de modo que a receita de intermediação auferida pela requerente  continua sendo a sua comissão recebida e o valor agregado aos serviços.    IV. Glosa de despesas com pagamento de comissões (item 4.3)    · A  fiscalização  desconsiderou  determinados  repasses  efetuados  a  título  de  comissões e exigiu o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no valor total de R$ 88.926,79.   · A  requerente  apresenta  a  comprovação  relativa  a  cada  uma  das  glosas  efetuadas, conforme tabela a fls. 1715 e documentos a fls. 1939/1967.  · Tendo em vista a documentação apresentada, deve o presente auto de infração  ser cancelado neste ponto.   · Caso os bilhetes sejam referentes a meses distintos de dezembro de 2009, o que  se admite apenas para argumentar, eventual exigência deve se  limitar ao valor dos  juros em razão de suposta antecipação no reconhecimento do repasse, em linha com  o art. 273 do RIR/99.    V. Glosa de despesas com transporte aéreo (item 4.1)    (a)  Os fatos    · Na consecução de suas atividades, a requerente recebe recursos e repassa para  terceiros  em  razão  da  intermediação  de  transporte  aéreo  em  benefício  de  seus  clientes.   · Estes repasses não são considerados na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e  Cofins.  · Ao  examinar  a  documentação  entregue  pela  requerente,  o  autuante  entendeu  equivocadamente que:   o  57.420 bilhetes aéreos, no montante de R$ 32.410.000,04, não diziam respeito  a embarques ou desembarques ocorridos em dezembro de 2009; e   o  885  bilhetes  aéreos,  no  montante  de  R$  972.286,74,  diziam  respeito  a  embarques ocorridos após dezembro de 2009.  · A  conclusão  da  fiscalização  está  pautada  em  amostra  de  30  bilhetes  obtidos  mediante diligência junto ao sujeito passivo.   · Destes 30 bilhetes, 28 diziam respeito a embarques ocorridos após dezembro de  2009 e 2 bilhetes eram relativos a embarques ocorridos no mês de dezembro de 2009  (mas  que  não  constavam  dos  relatórios  de  despesas  do  mês  entregues  pela  requerente).  Fl. 6911DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.912          18 · A fiscalização glosou os repasses relativos a 58.305 bilhetes aéreos tendo como  fundamento uma amostragem de 30 bilhetes.   · O autuante toma como base uma amostragem correspondente a 0,051% do total  dos  recibos  aéreos  deduzidos  pela  requerente,  para materializar  uma  exigência  de  IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no valor total de R$ 27.243.330,98.  · Deve o presente auto de infração ser reconhecido nulo neste ponto.   · Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, a  requerente  apresenta  a  comprovação  de  que  a  integralidade  das  despesas  cujo  repasse  foi  registrado  em  dezembro  de  2009  corresponde  a  passageiros  que  embarcaram no mês.    (b)  Nulidade do auto de infração ­ amostragem insignificante    · A requerente invoca os seguintes dispositivos: art. 10 do Decreto nº 70.235/72;  art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99; art. 142 do CTN.  · A  autoridade  administrativa  deve  efetivamente  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação,  determinar  a  matéria  tributável  e  calcular  o  montante  do  imposto devido.   · Trata­se  de  obrigação  funcional,  não  sendo  cabível  a  exigência  genérica  com  base em análise de amostragem ínfima.  · Não  se  nega  a  possibilidade  de  utilização  da  amostragem  como  um  critério  técnico válido para a determinação de probabilidades ou até mesmo para imputar aos  contribuintes o ônus de comprovar as alegações da fiscalização.   · Não  obstante,  a  amostragem  deve  ser  relevante  e  ter  validade  estatística  que  justifique a sua utilização.  · De  acordo  com  o  item  11.2.9  do  Manual  de  Princípios  Fundamentais  de  Contabilidade e Normas Brasileira de Contabilidade, editado pelo CFC, os auditores  podem empregar técnicas de amostragem para determinar a extensão de um teste de  auditoria ou método de seleção de itens a serem testados (fls. 1718).   · Todavia, a amostra selecionada deve guardar uma relação direta com o volume  das transações relacionadas e objeto da pesquisa.  · O  auto  de  infração  é  nulo  neste  ponto,  em  razão  da  ausência  de  apuração,  indicação  e  descrição  pormenorizada  dos  fatos  praticados  pela  requerente,  supostamente tidos como irregulares pela fiscalização.   · A  utilização  de  mera  presunção  com  base  em  amostragem  ínfima  não  se  coaduna com os  comandos normativos contidos nos art. 142 do CTN e  art. 10 do  Decreto n° 70.235/72.    (c) A comprovação da efetividade das despesas    · De  forma  a  comprovar  a  legitimidade  dos  repasses  efetuados  às  companhias  aéreas, a requerente junta à sua impugnação:   o  relação de 153.490 bilhetes relativos a embarques ocorridos no mês de  dezembro de 2009 (doc. n° 14 – fls. 1970/5319); e   o  amostragem  de  aproximadamente  800  bilhetes  efetivamente  embarcados no mês de dezembro de 2009 (doc. n° 15 – fls. 5320/6309).  · Estes  bilhetes  constam  dos  relatórios  apresentados  pela  requerente  durante  o  procedimento  de  fiscalização  (recibos  com  embarque  em  dez/09)  e  atestam  a  legitimidade do registro dos repasses no mês de dezembro de 2009.   · A amostragem apresentada pela requerente é suficiente para afastar a presunção  da fiscalização no sentido de que a empresa  registrou o  repasse de bilhetes aéreos  relativos a embarques de outros meses.  Fl. 6912DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.913          19 · Fica  comprovado  que  os  valores  cujos  repasses  às  companhias  aéreas  foram  registrados  em  dezembro  de  2009  são  referentes  a  repasses  efetuados  no  próprio  mês.   · Caso os bilhetes sejam referentes a meses distintos de dezembro de 2009, o que  se admite apenas para argumentar, eventual exigência deve se  limitar ao valor dos  juros em razão de suposta antecipação no reconhecimento do repasse, em linha com  o art. 273 do RIR/99.    V. Passivo fictício (item 7)    · Exige­se  IRPJ, CSLL, PIS  e Cofins  sobre  suposto passivo não comprovado e  registrado na contabilidade da empresa.   · O passivo decorre da diferença entre o valor provisionado a título de imposto de  renda e o valor efetivamente pago na DIPJ, de R$ 175.000,00.  · Ora, se a própria fiscalização esclarece a origem do passivo, não há que se falar  na existência de passivo não comprovado.   · Trata­se apenas de provisão para pagamento de IRPJ efetuada em valor superior  ao efetivamente devido.   · No momento  em  que  foi  apurado  o  tributo  devido  no  período,  a  requerente  baixou  a  provisão  no  valor  do  IRPJ  devido,  permanecendo  um  saldo  de  R$  175.000,00.  · Este  saldo  deveria  ter  sido  baixado  à  época, mas  permaneceu  registrado  nos  livros da requerente por um lapso do seu departamento contábil.   · A constituição da provisão não gera qualquer impacto na apuração dos tributos  da requerente, uma vez que o lançamento é efetuado abaixo da linha do lucro real.   · Tanto a constituição da provisão, quanto a sua baixa, podem ser efetuadas sem  qualquer impacto fiscal.  · O  passivo  possui  origem  e  a  razão  da  sua  constituição  foi  devidamente  comprovada.  · A  requerente  pode  baixar o  passivo  a  qualquer momento  (como  efetivamente  foi efetuado), sem que seja verificado qualquer impacto fiscal.  · Considerando  que  o  passivo  pode  ser  liquidado  a  qualquer  momento  sem  qualquer impacto fiscal, não há que se falar na presunção de omissão de receitas.    VI. A multa de ofício e os juros aplicados    (a)  a impossibilidade de incidência de juros Selic sobre a multa    · Para assegurar que, diante de um futuro resultado desfavorável, a atualização do  débito  não  será  feita  com  a  incidência  de  juros  pela  taxa  Selic  sobre  a  multa  aplicada, a requerente esclarece o quanto segue.  · Os  débitos  tributários  exigidos  através  do  auto  de  infração  em  referência  são  acrescidos de multa, agravada ou de ofício.  · Na prática,  após  a  lavratura dos  autos de  infração,  essas multas passam a  ser  mensalmente atualizadas com base na taxa de juros Selic.  · Essa  atualização  é  realizada  pelas  autoridades  fiscais  com amparo  não  na  lei,  mas no Parecer MF n° 28, de 02/04/1998, emitido pela Cosit (fls. 1720).  · Mas o artigo 61 da Lei 9.430/96, utilizado pela Cosit para sustentar a incidência  de  juros  sobre  as  multas,  trata  tão  somente  da  incidência  de  juros  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  não  havendo menção  às multas  de  ofício  aplicadas pela RFB.  · O dispositivo que embasa o entendimento do fisco é expresso no sentido de que  apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis.  Fl. 6913DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.914          20 · Foi pela ausência de base legal que o Carf já pacificou o entendimento de que  tais multas não são atualizáveis, conforme decisões citadas a fls. 1721.  · A CSRF, no julgamento do recurso de divergência n° 202­131.351, pacificou a  questão  acerca  da  ilegalidade  da  incidência  dos  juros  moratórios  sobre  a  multa  aplicada (fls. 1722).   · Evidencia­se  a  impossibilidade  de  cobrança  de  juros  à  taxa  SELIC  sobre  a  multa aplicada no presente caso.    (b) A improcedência dos juros Selic    · A jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos  tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários.  · Transcreve­se decisão do STJ nos autos do RE n° 450.422/PR.  · Não obstante  a posição  sumulada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes,  e  tendo em vista a possibilidade de a taxa Selic vir a ser considerada inconstitucional  para  fins  tributários  pelo  Poder  Judiciário,  requer­se  sua  desconsideração  no  cômputo do crédito tributário principal.    VII. A conclusão e o pedido    · A  impugnação  é  tempestiva  e  deve  ser  apreciada  e  acolhida  em  suas  preliminares  e  razões  de  fato  e  de  direito,  que  demonstram  a  improcedência  da  exigência fiscal.  · Em relação ao item 3 do auto de infração, a requerente demonstrou que:  o  a  requerente  se  dedica  à  prestação  do  serviço  de  intermediação  de  viagens  e  excursões,  individuais  ou  coletivas,  compreendendo  a  organização  e  a  contratação  de  programas,  roteiros  e  itinerários  no  Brasil e no exterior, conforme o item 9 da lista de serviços anexa à LC  nº 116/2003;  o  de acordo com o art. 27 da Lei n° 11.771/2008 e com os arts. 2°, 3° e 5º  da  Lei  n°  12.974/2014,  a  requerente  se  caracteriza  como  agência  de  viagens  e  turismo /  operadora  turística,  por  realizar o  assessoramento,  planejamento e organização de atividades associadas às viagens e/ou a  organização  e  comercialização  de  programas,  serviços,  roteiros  e  itinerários de viagens;  o  o fato de ser denominada de operadora não significa que a  requerente  realiza  o  “fornecimento  direto”  de  serviços  turísticos.  Pelo  contrário,  ela apenas reserva e contrata os serviços turísticos, que serão prestados  pelos  fornecedores  diretamente  aos  clientes/passageiros,  realizando  nítida atividade de intermediação;  o  os  valores  coletados  e  posteriormente  repassados  a  terceiros  (efetivos  fornecedores dos serviços turísticos) não compõem a receita  tributável  da requerente, na medida em que não se incorporam ao seu patrimônio  de maneira positiva e definitiva (sequer transitam por resultado, aliás),  nem  advém  de  suas  atividades  operacionais.  Tal  posicionamento  é  confirmado  pelo  §  2º  do  artigo  27  da  Lei  n°  11.771/2008,  que  expressamente  determina  que  o  preço  do  serviço  das  agências  de  turismo é a comissão recebida dos fornecedores e/ou a taxa de serviços  cobrada dos clientes, e não o valor total dos ingressos; e  o  a  jurisprudência  tem  afastado  a  tributação  em  relação  a  valores  repassados  a  terceiros  pelas  agências  de  turismo,  justamente  por  reconhecer  que  os  repasses  não  integram  o  patrimônio  das  agências.  Aliás, analisando o caso específico da própria requerente, recentemente  o  Carf  afastou  a  pretensão  fiscal  de  tributar  a  totalidade  das  receitas  Fl. 6914DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.915          21 recebidas  dos  clientes,  indicando  de  forma  expressa  que  apenas  os  valores correspondentes às comissões ou taxas cobradas pela requerente  poderiam ser objeto de tributação pelo PIS/Cofins.  · No  que  diz  respeito  ao  item  4.1 (despesas  com  passagens  aéreas),  restou  comprovado que o auto de infração é nulo, em razão da ínfima amostragem utilizada  pela fiscalização. Além disso, caso o auto de infração seja válido, o que se admite  apenas  para  argumentar,  restou  comprovado  que  a  requerente  apenas  registrou  repasses  às  companhias  aéreas  relativos  a  embarques  efetivamente  ocorridos  em  dezembro de 2009.  · Especificamente  quanto  ao  item  4.3 (glosa  de  despesa  com  pagamento  de  comissões),  a  requerente  apresentou  a  documentação  que  comprova  o  efetivo  pagamento das despesas, de forma que a glosa pretendida não deve ser admitida.  · Além disso, no que diz respeito ao item 7 (passivo fictício), foi comprovada a  origem do passivo (provisão de IRPJ) e a inexistência de impactos fiscais para a sua  baixa. Por este motivo, não há que se falar na existência de presunção de omissão de  receitas.  · Por  fim,  foi  demonstrado que  a  taxa Selic não pode ser  aplicada aos  créditos  tributários e, se admitida a sua aplicação, só poderá incidir sobre o crédito tributário  principal, não podendo recair sobre o valor da multa de ofício, que é penalidade e  não tem natureza tributária.  · Pelo exposto, a requerente tem por comprovada a exatidão dos procedimentos  adotados  e  a  total  improcedência  do  auto  de  infração,  bem  como  o  equívoco  cometido autoridade  fiscal  ao  interpretar os  fatos e o direito  a eles aplicável neste  caso,  razão  pela  qual  pleiteia  o  acolhimento  da  impugnação  e  o  cancelamento  do  auto de infração, com o arquivamento do presente processo administrativo.  · A requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam  se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4º, “a” do Decreto 70.235/72, bem  como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal.  É o relatório.    Ao  apreciar  a  impugnação  apresentada,  a  3a  Turma  da  DRJ/BHE  proferiu o Acórdão de Impugnação n. 02­63.599 (fls. 6.460/6.514), em sessão realizada  em  28/01/2015,  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  Impugnação,  para  indeferir  o  pedido  de  juntada  posterior  de  documentos,  rejeitar  a  alegação  de  nulidade e manter integralmente o crédito tributário em discussão, cuja ementa restou  assim redigida:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2009  AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA.   A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de  negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome  de  terceiros,  será  o  valor  correspondente  à  comissão  ou  ao  adicional  percebido  em  razão  da  intermediação  de  serviços  turísticos. Contudo,  em se tratando de operadora turística que elabore e opere seus próprios  pacotes  turísticos  ou  mesmo  ofereça  outros  produtos  isoladamente,  como passagens, hospedagens e demais serviços turísticos, mas sempre  comercializados  em  seu  próprio  nome,  sua  receita  bruta  incluirá  a  totalidade dos valores auferidos de seus clientes.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2009  AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA.   Fl. 6915DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.916          22 A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de  negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome  de  terceiros,  será  o  valor  correspondente  à  comissão  ou  ao  adicional  percebido  em  razão  da  intermediação  de  serviços  turísticos. Contudo,  em se tratando de operadora turística que elabore e opere seus próprios  pacotes  turísticos  ou  mesmo  ofereça  outros  produtos  isoladamente,  como passagens, hospedagens e demais serviços turísticos, mas sempre  comercializados  em  seu  próprio  nome,  sua  receita  bruta  incluirá  a  totalidade dos valores auferidos de seus clientes.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  EXCLUSÕES INDEVIDAS DA RECEITA BRUTA.   Correta  a  glosa  de  custos  e  despesas  excluídos  diretamente  da  receita  bruta  a  título  de  “repasses  a  fornecedores”,  nos  casos  de  não  comprovação da sua efetiva existência ou de inobservância do princípio  da competência.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DO  PASSIVO.  Caracteriza­se  como  omissão  no  registro  de  receita,  ressalvada  ao  contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no  passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.   O decidido para o lançamento de IRPJ estende­se aos lançamentos que  com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não  há  nenhuma  razão  de  ordem  jurídica  que  lhes  recomende  tratamento  diverso.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia ­ Selic para títulos federais.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   A  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  após  o  seu  vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, ambos da Lei nº  9.430, de 1996.  Impugnação improcedente.   Crédito Tributário Mantido.    Irresignado  com  a  referida  decisão,  o  sujeito  passivo  interpõe  Recurso  Voluntário  reiterando  todos  os  argumentos  trazidos  na  impugnação,  acrescentando apenas: (i) o pleito pela procedência do pedido de perícia, ora rejeitado,  e; (ii) a nulidade do processo devido a ocorrência de supressão de instância, tendo em  vista,  que  a  3a  Turma  da  DRJ/BHE  não  procedeu  à  análise  de  todos  os  pedidos  contidos na peça impugnatória.    Vale ressalvar que as infrações descritas nos itens 2, 5, 6 e subitens 4.2 e  4.4 foram integralmente quitadas pela contribuinte, razão pela qual não serão objeto de  abordagem nesta instância recursal.   É como relato."  Fl. 6916DF CARF MF Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 6.917  ___________       Voto  Conselheiro  Luiz  Tadeu Matosinho Machado  ­  Redator  Ad  Hoc  para  fins  de  formalização da Resolução.  Designado  como Redator Ad Hoc  para  fins  de  formalização  desta  Resolução,  transcrevo abaixo a íntegra do voto proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix,  na Sessão de Julgamento de 14 de fevereiro de 2017, verbis:   "1.  PRELIMINARMENTE    1.1  Da Tempestividade  Conforme  enuncia  o  art.  33  do  Decreto  nº  70.235/72,  o  Recurso  Voluntário  formalizado  por  escrito  e  instruído  com  os  documentos  em  que  se  fundamentar, será apresentado no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita  a intimação da exigência.   A destinatária  (CVC Brasil Operadora  e Agência  de Viagens  S.A),  via  “Termo  de  Registro  de Mensagem  de Ato Oficial  na  Caixa  Postal  DTE”,  datado  de  03/02/2015,  recebeu  mensagem  em  que  constam  os  seguintes  documentos:  (i)  Intimação de Resultado de Julgamento, (ii) Acórdão de Impugnação n. 02­63.599 da 3a  Turma da DRJ/BHE, e (iii) Darf. Tem­se que a “data da ciência, para fins processuais,  será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou,  não o fazendo, o 15o dia após a data de entrega acima informada” (fls. 6.541).   Em  20/02/2015,  via  e­CAC,  foi  acessado  o  “Termo  de  Abertura  de  Documento” (fls. 6.542) e, consequentemente considerado aberta a mensagem (“Termo  de  Ciência  por  Abertura  de  Mensagem”,  fls.  6.543),  com  isto,  o  prazo  final  para  interposição  recursal  seria  em 24/03/2015. Uma vez que protocolizou seu  recurso  em  23/02/2015 (fls. 6.545/6.737), nos termos do art. 23, parágrafo 2o, inciso III, alínea “b”,  do Decreto n. 70.235/72, cumpre­se o requisito da tempestividade (fls. 6.748), motivo  pelo qual deve ser conhecida e processada.  Nestes  termos,  o  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  pressupostos legais e regimentais, assim, dele conheço.  1.2  Da Produção Probatória – e seu momento  Após a  interposição do Recurso Voluntário, a Recorrente peticiona nos  autos  fazendo  juntada  de  um Parecer  Técnico  de Natureza  Contábil.  Ocorre  que  tal  comportamento, apresentação de prova a destempo, não se coaduna com o disposto no  art. 16 do PAT (Decreto n. 70.235/1972), vide:  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)   III  –  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância e as razões e provas que possuir;   (...)  Fl. 6917DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.918          24 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de  o impugnante fazê­lo em outro momento processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo de força maior;  b)  refira­se a fato ou a direito superveniente;  c)  destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente apresentadas aos autos;  §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a  ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.  §  6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso,  serem  apreciados  pela  autoridade julgadora de segunda instância.    Em  consonância  com  o  prescrito  neste  dispositivo,  decidiu  a  3a  Turma da DRJ/BHE, ao se pronunciar sobre o fato, conforme se depreende:    Quanto  ao  protesto  pela  juntada  posterior  de  documentos,  vale  observar  que,  nos  termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação mencionará os  motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as  razões e provas que o impugnante possuir.   Já  o  §  4º  do  mesmo  artigo  dispõe  que  a  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por motivo  de  força maior;  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente; ou c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente  trazidos  aos autos.   No  presente  caso,  a  impugnante  não  demonstrou  a  ocorrência  de  nenhuma  dessas  condições excetivas. Com efeito, ela se limita a invocar em seu favor o princípio da  verdade material.   Cabe lembrar, porém, que, nos termos do art. 7º, V, da Portaria MF nº 341, de 12 de  julho  de  2011,  é  dever  do  julgador  observar  o  disposto  no  art.  116,  III,  da Lei  nº  8.112,  de  1990,  o  qual  dispõe,  por  sua  vez,  que  é  dever  do  servidor  observar  as  normas legais e regulamentares.   Acolher  a  pretensão  da  impugnante  configuraria  inobservância  das  normas,  já  citadas,  que  prescrevem,  de  forma  categórica,  a  preclusão  temporal  do  direito  de  produzir a prova documental.   Cumpre, pois, indeferir o pedido de juntada posterior de documentos.  Pois  bem.  Quanto  à  apresentação  de  prova  extemporânea,  e  por  bem  sintetizar  as  perspectivas,  respectivamente,  passada  (2010)  e  atual  (2016)  deste  Conselho,  cito  estudo  realizado  por Maria  Teresa Martínez  Lopes  e Marcela Cheffer  Bianchini1,  e  reiterado  por  Maria  Rita  Ferragut2,  donde  revelam,  nas  palavras  desta  última, que:  (...) encontramos  três grandes correntes: (i) a que não aceita a apresentação de provas  após  a  impugnação;  (ii)  a  que  aceita,  desde  que  apresentadas  até  o  julgamento  em                                                              1Fls. 34/51. Todos os comentários dessas autoras estão compreendidos neste intervalo de páginas.  2As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica  Fl. 6918DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.919          25 primeira  instância  (se  as  informações  forem  complementares);  e,  (iii)  a  que  aceita  a  apresentação de documentos em qualquer fase do julgamento administrativo, inclusive  em segunda instância.  Com o intuito de representar o mais fielmente os pensamentos de Lopes  e Bianchini, quanto à  terceira corrente,  registro que falam em apresentação de provas  até  a  fase  recursal.  Diverso  do  apontado  por  Ferragut,  que  a  retrata  até  a  segunda  instância. Ponto que não será enfrentado nestes autos.  Dito isto, após registrar cada uma das três correntes, Ferragut conclui por  entender  de  modo  semelhante  ao  segundo  posicionamento,  ou  seja,  que  as  provas  apresentadas depois da impugnação podem ser aceitas – com ressalvas. Já as primeiras  autoras,  Lópes  e  Bianchini,  defendem  a  produção  probatória  em  um  modelo  mais  flexível  de  análise  temporal.  E  para  explicar  tal  elasticidade,  irretocável  são  suas  palavras, segue:  Parece­nos,  portanto,  que  a  tendência  das  decisões  da  Câmara  de  Recursos  Fiscais está na aplicação de critérios de pertinência e utilidade na aceitação da  documentação apresentada (...).  Acertadas  estão  as  decisões  que,  a  depender  da  documentação  juntada  pelo  contribuinte,  se  posicionem  alternativamente,  ora  no  sentido  de  aplicarem  a  literalidade  da  restrição  do  artigo  16  do  PAF,  ora  no  sentido  de  caracterizarem  a  inocorrência  da  preclusão,  adequando  a  situação  como  excepcionais  e  em  conformidade  com  as  exceções  elencadas  no  dispositivo  legal  e,  para  tanto,  deve  existir  uma prévia  análise dos documentos  juntados, mesmo que para  se  recusar  a  documentação, em respeito a livre convicção do julgador na apreciação das provas,  conforme determina o artigo 29 do Decreto n. 70/235/72. (Sem grifo no original)  Neste momento,  tocam  em  ponto  peculiar  desta  análise,  referem­se  ao  conhecimento/cabimento  de  tais  provas.  Em  outras  linhas,  seria  a  ‘abertura  do  envelope’, para somente após, ser possível  tomar conhecimento do que dentro consta.  Com  isto,  tem­se  que  para  as  duas  últimas  correntes,  nas  palavras  das  duas  juristas,  “ainda que o contribuinte  faça a  juntada de documentos após o prazo legal, parece  inconteste  que  deve  existir  uma  prévia  análise  destes, mesmo  que  para  se  recusar  a  documentação,  já  que  determinados  documentos  comprobatórios  podem  ser  aceitos  a  qualquer  momento  por  se  referirem  a  fatos  que  permitem  o  fácil  e  rápido  convencimento do julgador” (sem grifo no original). Não parece logicamente possível  realizar a desconstrução deste raciocínio, para ambas as correntes. Raciocínio contrário  implicará no entendimento de ser possível aferir os documentos, sem deles se conhecer,  ou, em outras palavras, conhecer o teor da carta, sem abrir o envelope.  Uma consequência, nada  irrelevante, diz  respeito à – possibilidade de ­  influência da prova, na formação de uma posição, independente do conhecimento de tal  dado  pelo  corpo  de  julgadores.  Não  há  como  se  negar  tal  fato.  Claro  que  esta  abordagem comporta  restrições, em razão do teor do anexo juntado, o que não parece  ser o caso dos autos, seja pela procedência ou improcedência deste crédito tributário.   Ainda  quanto  à  formação  da  convicção  do  julgador,  tem­se  que  a  lei  prescreve (art. 29) a possibilidade de este solicitar a realização de diligências. Pois bem.  Aqui  fala­se  em  oportunidade  de  o  julgador  solicitar  diligências  com  o  fito  de  sanar  eventuais dúvidas, sempre com fins a proceder a uma decisão segura; e noutro giro tem­ Fl. 6919DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.920          26 se  a  preclusão  temporal  (art.  16),  que  pode  ser  compreendida  como  uma  norma  de  comportamento, que, voltada à regulação da conduta da contribuinte, estabelece prazos  rígidos à apresentação de provas. Seria possível entender aqui, que há uma “preclusão”  para  a  contribuinte,  e  outra  para  a  “autoridade  julgadora”?  Não  parece  um  absurdo  pensar assim, já que tal premissa, neste caso, toma como referência partes do processo.  No  entanto,  não  seria  mais  compatível  com  o  ordenamento  jurídico  entender  que  o  enfoque não deve, necessariamente, estar nas partes, mas sim no objeto que se pretende  conhecer? Por hora, parece o caminho mais viável.  Retornando à necessidade de comunicação entre os artigos 16 e 29, tem­ se que sua ausência poderia levar à situação em que a contribuinte apresenta uma prova  que o  julgador entende necessária à sua convicção, porém, ele não poderia  fazê­lo,  já  que  fora  do  prazo  legal,  e  esta  é  rejeitada;  em  contrapartida,  tal  prova  poderia  ser  requerida  pelo  julgador,  por  este  entendê­la  indispensável.  Tal  ocorrência  é  perfeitamente  possível,  o  que  poderia,  inclusive,  ser  o  caso  dos  autos.  Assim  sendo,  adoto  a  forma  de  sistematização  dos  dispositivos  legais  defendida  por  Lópes  e  Bianchini,  ou  seja,  que  a  análise  da  pertinência  probatória  deve  ser  realizada  caso  a  caso.  Outra  especificidade  há  de  ser  esclarecida,  o  documento  em  questão  é  um parecer técnico contábil, ou seja, “apesar de ainda ser entendimento majoritário no  julgamento em segunda instância a aplicação do prazo de preclusão para a apresentação  de  provas,  verifica­se  a  tendência  de  atenuar  os  rigores  da  norma,  afastando  a  preclusão em alguns casos excepcionais, como exemplo a apresentação de laudo ou  de  parecer  jurídico,  considerando  que  estes  não  podem  ser  tidos  como  ‘prova’  no  conceito estabelecido pelo parágrafo 4o do artigo 16 do PAF, por ser complemento da  impugnação ou dos argumentos apresentados nesta”3.   No caso em tela, não há como negar a possível influência exercida pela  juntada  do  parecer  técnico,  seja  para  confirmar,  ou  infirmar  a  imputação  debatida.  Nestes termos, se tal documento é hábil a permitir a formação da convicção, sabendo­se  possível a extensão dessa discussão via Poder Judiciário, não parece – juridicamente –  coerente não conhecer e acolhê­las.   Ainda  segundo  López  e  Bianchini,  “na  prática,  quer  nos  parecer  que,  cada caso vai requerer uma análise mais apurada. Como dissemos, o direito à parte à  produção  de  provas  comporta  graduação  a  critério  da  autoridade  julgadora,  com  fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar  o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da  justiça.  Parece­nos  ser  esta  a  tendência  a  ser  aplicada  nas  decisões  da  Câmara  Administrativa de Recursos Fiscais atualmente”4 (s.g.).   Assim,  entendo  plenamente  possível  a  apresentação  de  documentos,  como  no  caso  em  tela,  antes  do  julgamento  em  segunda  instância,  de  acordo  com  o  solicitado pela contribuinte. Nestes termos, voto por conhecê­los. Ademais, mesmo para                                                              3Alguns  doutrinadores  entendem  que  falar­se  em  “complemento”  da  impugnação  seria  uma  representação  da  preclusão material.  4Ressalvo que, ainda que tenham publicado tal artigo em 2010, os critérios que foram adotados nas duas pesquisas  são atuais, apenas com a distinçãode que para Ferragut a aceitação de provas poderia ocorrer até a impugnação, e  para as outras duas, até a fase recursal. Ainda, com tal apontamento não nego a possibilidade de apresentação de  provas/documentos até a fase recursal, o que se pretende aqui é apenas a descrição do que disseram as autoras.  Fl. 6920DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.921          27 aqueles que tenham numa leitura mais restrita e entendam precluso o direito de juntar  novos documentos, a missão do conselheiro transborda a de mero julgador para também  exercer  o  devido  controle  de  legalidade  do  lançamento.  Desta  forma,  mesmo  não  conhecendo ­ na acepção mais processual da palavra ­ ainda assim entendo que devam  ser  analisados  e  considerados,  caso  revelem  qualquer  ilegalidade  no  procedimento  fiscalizatório.  Da Proposta de Resolução5  No presente caso, ao examinar os argumentos  trazidos pela Recorrente,  em cotejo  com as alegações da Autoridade Fiscal,  entendo necessária  a conversão do  julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever.  Pois  bem,  dentre  as  autuações  impostas  à  contribuinte,  o  Item  4.1  do  Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.591) refere­se à glosa de exclusões da receita bruta,  por  dedução  indevida  de  custos  com  transporte  aéreo,  e  tal  fato  fundamenta­se  na  compreensão  de  que  a  Recorrente  não  teria  o  direito  de  deduzir  de  sua  receita  bruta  passagens  aéreas  cujos  embarques  ou  desembarques  não  tenham  ocorrido  no mês  de  dezembro de 2009.   São essas as palavras da Autoridade Fiscal (fls. 1.591/1.594):    4) ­ GLOSAS DE EXCLUSÕES DA RECEITA BRUTA:  De  acordo  com  o  relatado  nos  itens  01  e  03  deste  termo,  o  sujeito  passivo  considera indevidamente os custos como exclusão da receita bruta. Contabiliza  os custos a débito    Tal distorção de tratamento contábil gera redução indevida das bases de cálculo  do PIS e da Cofins, conforme relatado no item 03 deste termo; mas não produz  efeito na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, exceto nos casos  em que não haja comprovação fática dos custos excluídos.                                                              5 Nos  termos do “Manual de elaboração de atos administrativos” do CARF, 1a Ed., Brasília: 2012,  tem­se que:  “Resolução é o  ato decisório,  interlocutório,  expedido por colegiado,  que não  conclui  o  julgamento. É  adotado  quando  for  cabível  à  turma  pronunciar­se  sobre  o  mesmo  recurso  em  momento  posterior,  como  nos  casos  de  sobrestamento ou de conversão do julgamento do litígio em diligência. Como a resolução não conclui o exame da  matéria,  as  questões  preliminares  ou  prejudiciais  já  examinadas  são  reapreciadas  quando  do  julgamento  do  recurso”. (Sem grifo no original).   Bem como, de acordo com o “Manual do Conselheiro”, Versão 1.0, Brasília: 2016, dispõe tal documento que: “O  voto proferido com vistas à  realização de diligência ou perícia, seja pelo relator ou por redator designado, deve  conter os motivos que fundamentam a solicitação e que demonstram que o processo não esta em condições de ser  julgado sem que as providências sejam atendidas.   Além disso, deve conter de forma clara e precisa as providências requeridas e quem as executará, se a unidade de  origem,  a  Câmara  a  quo,  a  Secretaria  de  Câmara  etc.  No  caso  de  diligência    a  ser  cumprida  pela  unidade  de  origem, a resolução deve inclusive especificar os elementos que devam ser solicitados ao interessado no processo,  com vistas à obtenção das informações necessárias ao deslinde do feito, ou mesmo especificar o que precisa ser  esclarecido nos autos.  Recomenda­se  que  seja  determinada  à  unidade  de  origem  a  elaboração  de  relatório  fiscal  conclusivo  sobre  as  apurações, novos documentos juntados aos autos e levantamentos realizados.  O parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574, de 2011, determina que o sujeito passivo deverá ser cientificado  do  resultado  da  realização  de  diligências  e  perícias,  sempre  que  novos  fatos  ou  documentos  sejam  trazidos  ao  processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação.    Fl. 6921DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.922          28 Por isso, mediante os TIFs 10, 11, 13, 15, 19 e 20, intimou­se, por amostragem,  o  sujeito  passivo  a  apresentar  documentação  comprobatória  dos  custos  excluídos da receita bruta no mês de dez/09.  Após analisar as respostas do sujeito passivo, apurou­se as deduções indevidas  da  receita  bruta  listadas  nos  itens  4.2  a  4.4,  e  respectivos  sub  itens,  a  seguir  deste termo.  Porém, antes dessa análise, apurou­se a dedução indevida descrita no item 4.1 a  seguir:  Nota:  O  sujeito  passivo  poderá  alegar,  eventualmente,  que  muitos  dos  custos  (repasses) excluídos, que não se referem a receitas auferidas em dez/09, como  aqueles mais  expressivos  glosados  no  item 4.1  a  seguir,  referem­se  a  receitas  ocorridas antes de dez/09 e que, dessa  forma, não houve prejuízo ao fisco, na  medida que a dedução dos mesmos foi feita após o mês em que poderia ter sido  feita.  No entanto, se contrapõe a esse possível argumento o fato do sujeito passivo ter  iniciado suas atividades operacionais em dez/09, sendo que os custos ocorridos  antes desse mês foram suportados pela CVC TUR, CNPJ 44.191.666/0001­40;  pessoa jurídica antecessora que explorou o negócio e marca CVC até 30/11/09.  Portanto, para esses casos,  somente essa pessoa  jurídica é que poderia excluir  custos diferidos do lucro real do AC de 2009.  4.1)  ­  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  CUSTOS  COM  TRANSPORTE  AÉREO:  Mediante carta entregue em 28/08/13, em resposta ao TIF 06, re­ratificada por  carta  entregue  em  11/09/13,  o  sujeito  passivo  entregou  o  relatório  4.2.1,  sub  relatório  do  relatório  4.2,  onde  são  relacionados  custos  de  transporte  aéreo,  tratados  pelo  sujeito  passivo  como  repasses  a  fornecedores,  deduzidos  da  receita bruta de dez/09, no montante de R$67.091.292,34.  Posteriormente,  em  29/10/13,  em  resposta  ao  item  2  do  TIF  09,  o  sujeito  passivo  entregou  arquivo  do  referido  relatório  em  planilha  eletrônica  formato  Excel: Relatório R4.2.1.xlsx.  Com base nesse  arquivo, gravado no CD ROM entregue pelo  sujeito passivo,  procedeu­se a um cruzamento de dados pelo qual foi possível apurar o relatório  "421­NAO  EMB  OU  DESEMB  EM  DEZ09.xls",  no  montante  de  R$35.114.231,49;  onde  constam  60.990  bilhetes  aéreos,  cujas  datas  de  embarque  ou  de  desembarque  dos  respectivos  recibos  (contratos),  não  ocorreram em dez/09.  Isto  porque  os  recibos  (contratos)  relativos  a  esses  bilhetes  não  constam  dos  seguintes relatórios entregues pelo sujeito passivo:  ­ Relatório R1 R2 R3, entregue pelo sujeito passivo em 24/10/13, em formatos  PDF e Excel (xlsx); em resposta ao item 2 do TIF 08, DE 17/10/13; e  ­ Relatório constante do arquivo "ANEXO TIF 21.xlsx", gravado em CD ROM  entregue pelo sujeito passivo em 21/3/14; em resposta ao TIF 21, de 11/3/14.  Fl. 6922DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.923          29 Conforme já informado nos itens 01 e 03 deste termo, no Relatório R1 R2 R3  são  relacionados  todos  os  recibos  (contratos)  em  que  a  data  de  embarque  da  excursão  tenha ocorrido em dez/09, para os quais houve o  reconhecimento de  receita em dez/09.  Já,  no  relatório  constante do  arquivo  "ANEXO TIF 21.xlsx"  são  relacionados  recibos relativos às 10.969 NFs, cujos desembarques ocorreram em dez/09, para  os quais deveria ter ocorrido o reconhecimento de receita em dez/09, mas não o  foi, conforme relatado no item 01 deste termo.  Analisando­se o relatório "421­NAO EMB OU DESEMB EM DEZ09.xls", no  montante  de  R$35.114.231,49;  foi  possível  verificar  diversos  bilhetes  aéreos  para os quais o campo "recibo" estava em branco.  Por isso, referido relatório foi desdobrado nos seguintes sub relatórios:  421­NAO  EMB  OU  DESEMB  EM  DEZ09­COM  RECIBO.xls,  contendo  57.420 bilhetes, no montante de R$32.410.000,04; e  421­NAO EMB OU DESEMB EM DEZ09­SEM RECIBO.xls, contendo 3.570  bilhetes, no montante de R$2.704,231,45.  Para os 57.420 bilhetes aéreos constantes do relatório 421­NAO EMB OU  DESEMB  EM  DEZ09­COM  RECIBO.xls  será  glosado  o  montante  de  R$32.410.000,04; pois, conforme já dito, os recibos (contratos) relativos a eles  não constam do relatório R1 R2 R3 (recibos com embarques em dez/09) ou do  relatório  constante  do  arquivo  "ANEXO  TIF  21.xlsx"  (recibos  com  desembarques em dez/09).  Já,  para  o  relatório  421­NAO  EMB  OU  DESEMB  EM  DEZ09­SEM  RECIBO.xls foi possível verificar, mediante amostragem em diligência junto ao  sujeito passivo, que as datas assinaladas na coluna DT Competência conferem  com as datas de embarques constantes dos bilhetes, obtidas mediante pesquisas  junto aos sistemas de controle interno do sujeito passivo.  Em função disso, desdobrou­se o relatório 421­NAO EMB OU DESEMB EM  DEZ09­SEM RECIBO.xls nos seguintes sub relatórios:  421­NAO  EMB  OU  DESEMB  EM  DEZ09­SEM  RECIBO­COMP  DEZ_09.xls,  contendo  2.685  bilhetes  cuja  data  de  competência  (embarque)  ocorreu em dez/09, no montante de R$1.731.944,71; e  421­NAO EMB OU DESEMB EM DEZ09­SEM RECIBO­COMP A PARTIR  DE  JAN_10.xls,  contendo  885  bilhetes  cuja  data  de  competência  (embarque)  ocorreu a partir de jan/10, no montante de R$972.286,74.  Também  para  os  885  bilhetes  aéreos  constantes  do  relatório  421­NAO  EMB  OU  DESEMB  EM  DEZ09­SEM  RECIBO­COMP  A  PARTIR  DE  JAN_10.xls  será  glosado  o  montante  de  R$972.286,74;  pois  as  datas  de  competência  (embarques)  dos  bilhetes  ocorreram  a  partir  de  jan/10,  não  podendo ser deduzidos das receitas que tiveram como data de embarque ou de  desembarque o mês de dez/09.  Portanto, para que os valores dos bilhetes aéreos relacionados no Relatório 4.2.1  possam  ser  deduzidos  das  receitas  de  dez/09,  é  necessário  que  os  recibos  relativos  a  eles  tenham  como  data  de  desembarque  (critério  inicial  de  Fl. 6923DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.924          30 reconhecimento  de  receitas)  ou  de  embarque  (novo  critério,  item  01  deste  termo) o mês de dez/09.  Além  dos  relatórios  e  arquivos  entregues  pelo  sujeito  passivo,  mencionados  neste termo, para comprovar a presente infração foram juntados ao PAF, como  anexos, arquivos contendo os seguintes documentos:  Relatório 421­NAO EMB OU DESEMB EM DEZ09.xls;  Relatório 421­NAO EMB OU DESEMB EM DEZ09­COM RECIBO.xls;  ­ Amostra de 30 bilhetes, no valor de R$82.656,81; constantes do relatório 421­ NAO EMB OU DESEMB  EM DEZ09­COM RECIBO.xls;  obtidos mediante  diligência junto ao sujeito passivo. Observe­se que 28 bilhetes  foram emitidos  em dez/09, mas o vôo de  ida  (embarque)  só ocorreu em 2010. Para 02 casos,  consta  no  bilhete  que  o  embarque  ocorreu  em  dez/09,  mas  os  recibos  não  constam dos relatórios R1 R2 R3 ou do arquivo ANEXO TIF 21.xlsx, sendo um  dos recibos emitido em 2010;  ­ Amostra de 21 recibos,  relativos aos 30 bilhetes  relacionados na amostra do  item anterior;  Relatório 421­NAO EMB OU DESEMB EM DEZ09­SEM RECIBO.xls;  Relatório  421­NAO  EMB  OU  DESEMB  EM  DEZ09­SEM  RECIBO­COMP  DEZ_09.xls;  Relatório 421­NAO EMB OU DESEMB EM DEZ09­SEM RECIBO­COMP A  PARTIR DE JAN_10.xls; e  ­ Amostra de 08 bilhetes, constantes do relatório 421­NAO EMB OU DESEMB  EM  DEZ09­SEM  RECIBO­COMP  A  PARTIR  DE  JAN_10.xls;  obtidos  mediante diligência junto ao sujeito passivo.  Em  outras  linhas,  teria  a  Recorrente  (CVC  S/A),  sucessora  de  CVC  LTDA, deduzido de  sua  receita bruta,  no mês de dezembro de 2009, despesas  com a  aquisição de passagens aéreas, cujos embarques ou desembarques de seus clientes não  tenham ocorrido no mês em tela, razão pela qual, no entender da fiscalização, a glosa  seria devida.   Antes de avançar, cabe mencionar que, independentemente da eleição da  principal premissa a ser adotada neste voto, se atua a Recorrente como intermediadora  ou  prestadora direta  de  serviços  turísticos  ao  consumidor,  a  correta  compreensão  dos  valores  que  devem  (ou  não)  ser  glosados  no  mês  de  dezembro  de  2009  precisa  ser  melhor  investigada.  Tal  fato  se  afirma,  pois,  nos  dois  casos  há  que  se  esclarecer  os  valores devidos no mês de dezembro,  em  razão de  seus  reflexos  em outras  infrações.  Assim, sendo considerada  intermediadora, os valores  repassados  aos  fornecedores de  transporte aéreo deverão ser excluídos, com fins a formar base em que se compreenda  apenas  o  valor  relativo  à  intermediação,  já descontados  tais  repasses;  agora,  acaso  se  entenda ser a Recorrente uma prestadora direta de serviços turísticos, há que se atestar,  com segurança, qual o montante correspondente à totalidade dos bilhetes aéreos poderia  ser deduzido de sua base tributável. Com isto nota­se que, independente, do fundamento  base adotado, a correta aferição deste dado é imprescindível.     Fl. 6924DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.925          31 Do Contexto Fático  Durante  o  procedimento  de  fiscalização  a  contribuinte  forneceu  à  Autoridade  Fiscal  alguns  relatórios  (4.2.1  e  R.4.2.1),  cujo  conteúdo  se  referiria  aos  custos de transporte aéreos, tratados pelo sujeito passivo como repasses a fornecedores,  os quais foram deduzidos da receita bruta de dez/09, no montante de R$ 67.091.292,34.  Respectivos  relatórios  serviram  como  base material  para  a  fiscalização  pautar a autuação em tela, uma vez que ao cruzar estes dados, a RFB apurou que 60.990  bilhetes  aéreos  não  possuíam  data  de  embarque  ou  desembarque  em  dez/09,  o  que  impediria a Recorrente de proceder à dedução dos custos glosados. Vale registar que a  Recorrente  anexa,  aos  autos,  relação  com  registro  de  153.490  bilhetes  relativos  a  embarques ocorridos no mês de dezembro de 2009.  Dois fatos, até o momento, sob a perspectiva desta Conselheira, merecem  melhor elucidação por apresentarem­se conflitantes: primeiro, utilização do critério do  embarque e do desembarque para validar a dedução dos custos com passagens, e,  (ii)  segundo,  amostragem  que  representa  percentual  irrisório  ao  total  de  bilhetes  aéreos  registrados.   Assim, tem­se que no primeiro caso as partes adotaram critérios distintos  para apurar o montante devido a título de dedução com custos de repasse às cias. aéreas,  pela  emissão  de  bilhetes  de  viagem.  Melhor  elucidando,  a  Recorrente  adotou  como  parâmetro para registro destas  receitas, quando da venda de bilhetes aéreos, a data do  embarque de seus clientes, e não a data do desembarque. Porém, sua antecessora, CVC  TUR,  adotava  como  critério  para  reconhecimento  de  suas  receitas  o  momento  do  desembarque  dos  passageiros.  Já,  quanto  à  fiscalização,  nota­se,  que  posiciona­se  no  sentido  de  que  o  reconhecimento  da  receita  possa  ocorrer,  tanto  no  momento  do  embarque, como no momento do desembarque, conforme se depreende:  Já, no relatório constante do arquivo "ANEXO TIF 21.xlsx" são relacionados  recibos relativos às 10.969 NFs, cujos desembarques ocorreram em dez/09,  para os quais deveria  ter ocorrido o  reconhecimento de  receita em dez/09,  mas não o foi, conforme relatado no item 01 deste termo.  (...)  Portanto, para que os valores dos bilhetes aéreos relacionados no Relatório  4.2.1  possam  ser  deduzidos  das  receitas  de  dez/09,  é  necessário  que  os  recibos relativos a eles tenham como data de desembarque (critério inicial de  reconhecimento  de  receitas)  ou  de  embarque  (novo  critério,  item  01  deste  termo) o mês de dez/09.  Neste ponto vale mencionar que a Recorrente afirma haver, no início de  suas  atividades,  cometido  alguns  equívocos  de  escrituração,  registrando  algumas  receitas/vendas levando em consideração as datas de desembarque. Porém, informa que  tal  erro  foi  corrigido  antes  do  início  da  fiscalização,  ou  seja,  logo  após  o  mês  de  dezembro de 2009, período autuado.   Este dado é, extremamente, relevante para os fins de compreensão desta  infração,  uma  vez  que,  além  de  ser  imprescindível  que  se  estabeleça  um  parâmetro  Fl. 6925DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.926          32 legal, esse critério é o ponto de partida para se considerar (ou não) dedutíveis tais custos  do mês de dezembro de 2009.   Pois bem, ao realizar o confronto entre as informações apresentadas pela  contribuinte,  a  fiscalização desdobrou o  relatório  (421 – NÃO EMB OU DESEM EM  DEZ09), no montante de R$ 35.114.231,49, em duas partes, uma referindo­se aos não  embarques  e  desembarques  em  dez/09  com  recibo,  e  outra,  aos  não  embarques  e  desembarques  em  dez/09  sem  recibo.  Percebe­se  que  o  referencial  adotado,  neste  momento,  é  o  fato  de  o  documento  possuir  (ou  não)  recibo,  ou  melhor,  contrato.  O  relatório pode ser assim delimitado:  (i)  não  embarcados  ou  desembarcados  em  dez/09  com  recibo,  contendo  57.420 bilhetes  aéreos,  no montante de R$ 32.410.000,04, glosados por  não  se  comprovar  que  os  embarques  e  desembarques  ocorreram  neste  mês, pois os contratos não constavam no relatório R1, R2 e R3 (recibos  com embarques em dez/09) ou do relatório constante do arquivo ANEXO  TIF  21  (recibos  com  desembarques  em  dez/09),  valor  glosado.  Neste  caso,  a  fiscalização  realizou  amostragem  com  30,  dos  57.420  bilhetes/recibos, e;   (ii)  não  embarcados  ou  desembarcados  em dez/09  sem  recibo,  competência  dezembro de 2009, 3.570 bilhetes, no valor de R$ 2.704,231,45, montante  não glosado.  Em momento posterior, em diligência realizada junto ao sujeito passivo,  a  fiscalização  aferiu  que  “as  datas  assinaladas  na  coluna DT  Competência  conferem  com as datas de  embarques  constantes dos bilhetes,  obtidas mediante pesquisas  junto  aos  sistemas  de  controle  interno  do  sujeito  passivo”.  Fato  este  que  conduziu  a  novo  desdobramento,  uma  vez  que  foi  possível  suprir  algumas  lacunas  constantes  do  subrelatório (421 – NÃO EMB OU DESEM EM DEZ09­SEM RECIBO). Com isto, foi  produzida uma nova divisão, agora, relatório 421­NAO EMB OU DESEM EM DEZ09­ SEM  RECIBO,  adotando­se  como  critério  de  discrímen  (deste  relatório)  o  mês  de  embarque, restando assim subdvidido:    (i)  2.685 bilhetes cuja data de competência (embarque) ocorreu em dez/09,  no montante de R$ 1.731.944,71, valor não glosado;  (ii)  885  bilhetes  cuja  data  de  competência  (embarque)  ocorreu  a  partir  de  jan/10, no montante de R$ 972.286,74, os quais foram glosados “pois as  datas  de  competência  (embarques)  dos  bilhetes  ocorreram  a  partir  de  jan/09, não podendo ser deduzidos das receitas que tiveram como data de  embarque ou de desembarque o mês de dez/09”, valor glosado. Aqui, a  fiscalização realizou amostragem com 21, dos 885 bilhetes/recibos.  Após respectiva descrição, a fiscalização conclui que, para que os valores  dos bilhetes aéreos relacionados nestes relatórios possam ser deduzidos das receitas de  dez/09, é necessário que os recibos relativos a eles tenham como data de desembarque,  ou de embarque, o mês de dez/09.  Neste  ponto  encerro  os  esclarecimentos  necessários  à  primeira  divergência presente nos autos. Elucidação imprescindível à proposta de diligência, que  se refere ao segundo dado a ser esclarecido.  Fl. 6926DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.927          33 Em  relação  ao  segundo  aspecto,  que diz  sobre  a  amostragem  realizada  pela  fiscalização,  tem­se  que  esta  procedeu  de modo  a  considerar  apenas  51  bilhetes  aéreos, de um total de 58.305, percentual que equivaleria à,  aproximadamente, 0,05%  do total de contratos glosados.   Em parecer  técnico  colacionado aos  autos,  a Recorrente  apresenta uma  contra prova, donde conclui que dos 1.453 bilhetes aéreos auditados (por escritório de  auditoria  terceirizado),  aqui  considerando  como  total  a  quantidade  de  57.420  bilhetes  glosados pela fiscalização, verificou que:    i)  48.243 bilhetes, 84,9%, referem­se a eventos ocorridos em dezembro de  2009;    ii)  8.686 bilhetes, 15,1%, são relativos a eventos posteriores.     Com isto, concluo que a Recorrente concorda, ainda que indiretamente,  com  o  glosa  de,  pelo  menos,  15%  do  total  de  (1.453)  bilhetes  aéreos  (auditados).  Porém, desde a apresentação de sua Impugnação requer a realização de diligência para  sanar a deficiência apresentada na amostragem realizada pela fiscalização.    Realizados  tais  esclarecimentos  fáticos  e  apontadas  as  dúvidas  que  surgiram durante a análise deste processo, voto no sentido de converter este julgamento  em diligência para que a fiscalização proceda à seguinte verificação:    1.  ao  fazer  contraprova,  a  DRJ  diz  que  a  Recorrente  juntou  bilhetes  distintos  dos  quais  foram  realizados  as  glosas,  isso  procede?  A  contribuinte colaciona os bilhetes os quais fez a amostragem?     2.  Os  documentos  anexados  pela  Recorrente  (fls.  1.970/6.309),  comprovam  (ou  não)  os  repasses  efetuados  às  companhias  aéreas,  quando de embarques realizados no mês de dezembro de 2009?    A  fiscalização  deverá  confrontar  os  dados  e  elementos  apresentados  e  apresentar  relatório  conclusivo  sobre  as  comprovações  solicitadas.  Em  caso  de  comprovação  parcial,  quantificar  tais  valores.  Após  a  finalização  de  seu  trabalho,  a  Recorrente  deve  ser  intimada para, desejando, manifestar­se no prazo de 30 dias. Após, devem os autos retornar  ao CARF para julgamento.  É como voto."  Este foi o voto proferido pela Conselheira Relatora, Talita Pimenta Félix.    (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Redator Ad Hoc para fins de formalização da  Resolução.  Fl. 6927DF CARF MF Processo nº 10805.722021/2014­81  Resolução nº  1302­000.467  S1­C3T2  Fl. 6.928          34   Fl. 6928DF CARF MF

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Numero do processo: 10976.000061/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. AJUSTE NA BASE DE CALCULO. No caso em que há pagamento antecipado, deve ser observado o prazo de homologação quinquenal, contado a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, previsto no art. 150, §4º, do CTN. Os equívocos cometidos quando do lançamento devem ser corrigidos, a fim de que esse possa adequar-se à realidade dos fatos. COFINS MONOFÁSICO. FABRICANTE DE VEÍCULOS NOVOS. CONTRIBUINTE DE DIREITO. ARTIGO 1º A 3º DA LEI Nº 10.485/2002. A subsunção como contribuinte de direito da COFINS e o seu dever de cumprir a obrigação tributária decorrem de regra de direito material tributário ligada ao implemento da situação definida como fato gerador da contribuição, não podendo ser afastada por regra de direito processual. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. APLICAÇÃO ANALÓGICA DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Nos casos em que o contribuinte - que figure como terceiro em processo judicial - seja compelido a não recolher o tributo em virtude de tutela jurisdicional provisória obtida pelo autor da ação, ficam excluídos os consectários do lançamento de ofício, por aplicação analógica do art. 100, parágrafo único, do CTN. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. AJUSTES NA BASE DE CÁLCULO. No caso em que há pagamento antecipado, deve ser observado o prazo de homologação quinquenal, contado a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, previsto no art. 150, §4º, do CTN. Os equívocos cometidos quando do lançamento devem ser corrigidos, a fim de que esse possa adequar-se à realidade dos fatos. PIS MONOFÁSICO. FABRICANTE DE VEÍCULOS NOVOS. CONTRIBUINTE DE DIREITO. ARTIGO 1º A 3º DA LEI Nº 10.485/2002. A subsunção como contribuinte de direito da COFINS e o seu dever de cumprir a obrigação tributária decorrem de regra de direito material tributário ligada ao implemento da situação definida como fato gerador da contribuição, não podendo ser afastada por regra de direito processual. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. APLICAÇÃO ANALÓGICA DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Nos casos em que o contribuinte - que figure como terceiro em processo judicial - seja compelido a não recolher o tributo em virtude de tutela jurisdicional provisória obtida pelo autor da ação, ficam excluídos os consectários do lançamento de ofício, por aplicação analógica do art. 100, parágrafo único, do CTN. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, que: (1) por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Oficio; e (2) dar provimento parcial ao Recurso voluntário da seguinte forma: (a) pelo voto de qualidade, manter o lançamento de ofício dos tributos (PIS e a COFINS) em relação ao Contribuinte FCA FIAT. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowics, Renato Vieira de Avila e Carlos Augusto Daniel Neto; e, (b) por maioria de votos, excluir a multa de ofício com os mesmos fundamentos adotados pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim na declaração de voto apresentada no Acórdão nº 3403-003.538. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Renato Vieira de Avila, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Esteve presente ao julgamento o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibraim, OAB nº 110.372 (MG).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­004.119  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de maio de 2017  Matéria  PIS e COFINS ­ Auto de Infração  Recorrente  FCA FIAT CHRYSLER AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA (atual  denominalçao de FIAT AUTOMÓVEIS S/A).   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  RECURSO  DE  OFÍCIO.  DECADÊNCIA.  AJUSTE  NA  BASE  DE  CALCULO. No caso em que há pagamento antecipado, deve ser observado o  prazo  de  homologação  quinquenal,  contado  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  previsto  no  art.  150,  §4º,  do  CTN.  Os  equívocos  cometidos quando do  lançamento devem ser corrigidos, a  fim de  que esse possa adequar­se à realidade dos fatos.  COFINS  MONOFÁSICO.  FABRICANTE  DE  VEÍCULOS  NOVOS.  CONTRIBUINTE DE DIREITO. ARTIGO 1º A 3º DA LEI Nº 10.485/2002.  A  subsunção  como  contribuinte  de  direito  da  COFINS  e  o  seu  dever  de  cumprir a obrigação tributária decorrem de regra de direito material tributário  ligada ao implemento da situação definida como fato gerador da contribuição,  não podendo ser afastada por regra de direito processual.  MULTA  DE  OFICIO.  JUROS  DE  MORA.  EXCLUSÃO.  APLICAÇÃO  ANALÓGICA DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.  Nos  casos  em  que  o  contribuinte  ­  que  figure  como  terceiro  em  processo  judicial  ­  seja  compelido  a  não  recolher  o  tributo  em  virtude  de  tutela  jurisdicional  provisória  obtida  pelo  autor  da  ação,  ficam  excluídos  os  consectários  do  lançamento  de  ofício,  por  aplicação  analógica  do  art.  100,  parágrafo único, do CTN.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  RECURSO  DE  OFÍCIO.  DECADÊNCIA.  AJUSTES  NA  BASE  DE  CÁLCULO. No caso em que há pagamento antecipado, deve ser observado o  prazo  de  homologação  quinquenal,  contado  a  partir  da  ocorrência  do  fato     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 00 61 /2 01 0- 83 Fl. 2019DF CARF MF     2 gerador  da  obrigação  tributária,  previsto  no  art.  150,  §4º,  do  CTN.  Os  equívocos  cometidos quando do  lançamento devem ser corrigidos, a  fim de  que esse possa adequar­se à realidade dos fatos.  PIS  MONOFÁSICO.  FABRICANTE  DE  VEÍCULOS  NOVOS.  CONTRIBUINTE DE DIREITO. ARTIGO 1º A 3º DA LEI Nº 10.485/2002.  A  subsunção  como  contribuinte  de  direito  da  COFINS  e  o  seu  dever  de  cumprir a obrigação tributária decorrem de regra de direito material tributário  ligada ao implemento da situação definida como fato gerador da contribuição,  não podendo ser afastada por regra de direito processual.  MULTA  DE  OFICIO.  JUROS  DE  MORA.  EXCLUSÃO.  APLICAÇÃO  ANALÓGICA DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.  Nos  casos  em  que  o  contribuinte  ­  que  figure  como  terceiro  em  processo  judicial  ­  seja  compelido  a  não  recolher  o  tributo  em  virtude  de  tutela  jurisdicional  provisória  obtida  pelo  autor  da  ação,  ficam  excluídos  os  consectários  do  lançamento  de  ofício,  por  aplicação  analógica  do  art.  100,  parágrafo único, do CTN.  Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, que: (1) por unanimidade de votos, negar  provimento  ao  Recurso  de  Oficio;  e  (2)  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  voluntário  da  seguinte forma: (a) pelo voto de qualidade, manter o lançamento de ofício dos tributos (PIS e a  COFINS)  em  relação  ao  Contribuinte  FCA  FIAT.  Vencidos  os  Conselheiros  Diego  Diniz  Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowics, Renato Vieira de Avila e Carlos Augusto Daniel Neto;  e, (b) por maioria de votos, excluir a multa de ofício com os mesmos fundamentos adotados  pelo  Conselheiro  Antonio  Carlos  Atulim  na  declaração  de  voto  apresentada  no  Acórdão  nº  3403­003.538.  Vencidos,  nesta  parte,  os  Conselheiros  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  Waldir  Navarro  Bezerra  e  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula.  Designado  o  Conselheiro  Antonio  Carlos Atulim. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto.    (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente e redator designado  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  seguintes  Conselheiros:  Antônio  Carlos  Atulim,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  Maria  Aparecida  Martins de Paula, Renato Vieira de Avila, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz  e Waldir Navarro Bezerra.  Esteve presente ao julgamento o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibraim, OAB nº  110.372 (MG).   Relatório  Fl. 2020DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.020          3 O  presente  litígio  decorre  de  processo  de  Auto  de  Infração  (fls.  05/43),  lavrado contra a empresa FCA FIAT CHRYSLER AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA (nova  denominação de FIAT AUTOMÓVEIS S/A), doravante denominada de FCA FIAT, mediante  o qual foi efetuado o lançamento tributário relativo à falta ou insuficiência de recolhimento da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento da Seguridade Social ­ COFINS, correspondentes aos períodos de apuração de  janeiro a dezembro de 2005, conforme abaixo discriminado:  (i)  Auto  de  infração  relativo  à  Contribuição  para  o  PIS, multa  de  ofício  e  juros de mora, no montante de R$ 5.315.571,56 (fls. 9/17);  (ii) Auto de infração relativo à Contribuição para o PIS e juros de mora, no  montante de R$ 6.682.172,58 (fls. 18/26);  (iii)  Auto  de  infração  relativo  à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social ­ Cofins, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 25.671.795,05  (fls. 36/43); e  (iv)  Auto  de  infração  relativo  à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social ­ Cofins e juros de mora, no montante de R$ 32.527.348,54 (fls. 27/35).  Segundo  o TVF  ­  Termo  de Verificação  Fiscal  de  fls.  44/73,  a  ação  fiscal  teve  início  em  razão  da  constatação  da  existência  de  ações  judiciais  intentadas  pelas  concessionárias revendedoras da marca FIAT, questionando a incidência monofásica do PIS e  da COFINS para veículos novos (zero km), nos termos da Lei nº 10.865, de 2004.  Nas diversas ações judiciais, as revendedoras buscavam a declaração judicial  de  inconstitucionalidade  do  regime  de  tributação  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  veículos  automotores, estabelecido pelos artigos 1º a 3º, da Lei n° 10.485, de 2002, alterada pelo artigo  36,  da  Lei  n°  10.865/2004  e,  regra  geral,  a  inserção  das  concessionárias  nos  regimes  não­ cumulativos das citadas contribuições previstas pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003.  Com  o  intuito  de  elucidar  os  fatos  e  os  argumentos  trazidos  pelas  partes  transcreve­se o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, in verbis:   Foram  lavrados  contra  o  contribuinte  acima  identificado  os  presentes  Autos  de  Infração,  relativos  à  falta/insuficiência  de  recolhimento  da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS  (fls.  09/26)  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  (fls.  27/43),  correspondentes  aos  períodos  de  apuração  de  janeiro  a  dezembro  de  2005,  nos  montantes  de  R$  5.315.571,56  (incluindo  multa  de  ofício  e  juros  de  mora)  e  R$  6.682.172,58  (incluindo  juros  de mora)  para  o PIS,  e  de R$  32.527.348,54  (incluindo  juros  de  mora) e R$ 25.671.795,05 (incluindo multa de ofício e juros de mora) para a Cofins.  As autuações de PIS e Cofins ocorreram em virtude da ausência de declaração em  DCTF e de recolhimento dos valores das contribuições vinculados a ações judiciais  promovidas  pelas  concessionárias  da  Fiat  Automóveis  S/A,  que  buscam  a  declaração  de  inconstitucionalidade  do  regime  de  tributação  do  PIS  e  da  Cofins  sobre veículos automotores estabelecido pela Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002,  alterada pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004  (regime monofásico)  e,  regra  geral,  a  inserção  das  concessionárias  nos  regimes  não­cumulativos  das  contribuições previstos pelas Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  Fl. 2021DF CARF MF     4 de  29  de  dezembro  de  2003.  Em  atendimento  às  postulações,  diversos  juízos  passaram a conferir em provimentos liminares o direito de as concessionárias não  se submeterem ao pagamento do PIS e da Cofins estabelecidos pelas Leis nº 10.485,  de  2002,  e  10.865,  de  2004,  por  ocasião  da  venda  de  veículos  novos,  impondo  à  montadora  o  dever  de  se  abster  de  promover  a  retenção  e  recolhimento  do  percentual “estimado” de 5,13%, que deveria ser afastado dos 11,6% estabelecidos  pela Lei nº 10.865, de 2004. Assim, os percentuais não retidos pela Fiat Automóveis  S/A são 0,88% do PIS e 4,25% da Cofins, em obediência às determinações judiciais.  No  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF),  de  fls.  44/70,  encontram­se  analisadas  detalhadamente a situação das ações judiciais para as quais a Fiat Automóveis S/A  deu cumprimento (parcial ou total) no ano de 2005. O crédito tributário relativo às  ações  judiciais  nºs  2004.61.00034221­5  (fls.  48/50),  2004.61.00.023310­4  (fls.  55/59)  e  2004.38.00.036106­0  (fls.  60/64)  foi  constituído  para  prevenir  a  decadência e, portanto, sem multa e com a exigibilidade suspensa, tendo em vista a  existência  de  decisão  judicial  favorável  às  concessionárias  vigente  quando  do  lançamento. No caso da ação judicial nº 2004.61.00.023524­1 (fls. 50/54), em que  não  havia  decisão  favorável  vigente,  o  crédito  tributário  foi  lançado  com  os  acréscimos decorrentes do procedimento de ofício, excluídos os valores efetivamente  depositados. As bases de cálculo foram extraídas do banco de dados eletrônico de  notas fiscais de saídas apresentado pela Fiat Automóveis S/A.  A apuração das contribuições em relação a cada concessionária está discriminada  nos demonstrativos elaborados que se encontram no TVF.  Os  dispositivos  legais  infringidos  constam  na  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento(s) Legal(is) dos referidos Autos de Infração (fls. 11, 21, 30 e 38).  Irresignado,  tendo sido  cientificado em 26/02/2010, o contribuinte apresentou,  em  29/03/2010,  acompanhadas  dos  documentos  de  fls.  564/633,  670/739,  772/824  e  860/910,  as  suas  razões  de  defesa  (fls.  531/563,  637/669,  740/771  e  825/859),  a  seguir resumidas.  Inicialmente,  no  item  “Notas  introdutórias”,  aduz  ser  tempestiva  a  sua  defesa  e  informa  que  a  matéria  objeto  de  impugnação  não  foi  submetida  à  apreciação  judicial, atendendo ao disposto no art. 16, V, do Decreto nº 70.235, de 1972.  No item “Advertência inicial: o naufrágio do crédito tributário”, argumenta que a  constatação  da  sua  ilegitimidade  passiva  é  medida  indispensável  à  validação  da  autuação e o seu reconhecimento tardio trará enorme prejuízo à União. Assim, com  base no art. 149 do CTN e no art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, o lançamento deve  ser  revisto  pela  autoridade  lançadora,  a  fim  de  se  resguardar  a  possibilidade  de  cobrança  do  crédito  tributário.  A  manutenção  do  lançamento  significará  negar  vigência  às  manifestações  da  própria  RFB,  em  soluções  de  consultas,  e  a  precedentes do STJ e da doutrina.  No  tópico  “Contexto  fático”,  explica  que  nunca  se  voltou  contra  o  regime  monofásico  instituído  pela  Lei  nº  10.485,  de  2002,  ao  contrário  de  algumas  concessionárias  integrantes  de  sua  rede  de  distribuição,  que  ingressaram  com  Mandados de Segurança ou Ações Ordinárias para que pudessem apurar e recolher  o  PIS  e  a  Cofins  pela  sistemática  não  cumulativa,  nas  operações  com  veículos  automotores  novos,  declarando­se  a  inconstitucionalidade  do  regime  monofásico.  Requereram,  ainda,  a  compensação  dos  valores  indevidamente  “retidos”  pelo  impugnante e pediram que a Fiat fosse notificada a se abster de “reter” e recolher o  percentual “estimado” de 5,13% sobre o valor total do veículo, bem como para que  não  repasse  esse  percentual  às  concessionárias.  Os  pleitos  das  concessionárias  foram integralmente atendidos pelo Poder Judiciário.  Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.021          5 Mesmo  não  compondo  os  polos  da  relação  processual  que  se  formou  entre  as  concessionárias e a União Federal, teve que suportar os mandamentos (obrigações  de  “não  fazer”)  oriundos  do  Poder  Judiciário,  o  qual  afastou  toda  e  qualquer  responsabilidade  sua  perante  a  Administração  Tributária  Federal,  decorrente  do  cumprimento das ordens judiciais. Ressalta que sofreu com os efeitos das decisões  judiciais,  já  que  isso  gerou  desconforto  perante  o  restante  da  rede  de  concessionárias  em  virtude  da  concorrência  desleal.  Posteriormente,  interveio  em  cada  ação  judicial,  sem  assumir  a  qualidade  de  “parte  processual”,  e  obteve  autorização para proceder ao depósito judicial da quantia envolvida no litígio. Aduz  que estava proibido e impedido de realizar determinada conduta e agora é chamado  a responder, com o seu patrimônio, por aquilo a que nunca deu causa. Ressalta que  a exigência do tributo indevido caracteriza excesso de exação.  No  item “Preliminarmente:  decadência  parcial  do  crédito  tributário  lançado pela  fiscalização”, alega que decaiu o direito da fiscalização de efetuar o lançamento do  crédito  tributário  relativo  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  do  período  de  fevereiro/2005,  já  que  foi  cientificado  do  lançamento  somente  em  26/02/2010.  Tratando­se de tributo sujeito a lançamento por homologação, deve ser aplicado o  art. 150, §4º, do CTN, conforme jurisprudência do Carf que transcreve.  No tópico “Exame minucioso das ações judiciais aforadas pelas concessionárias, no  que  interessa  ao  desate  da  presente  controvérsia”,  aduz  ser  imprescindível  a  delimitação dos efeitos das medidas antecipatórias (liminares) deferidas a favor das  concessionárias,  afastando  a  aplicação  da  sistemática  monofásica,  e  das  consequências derivadas de sua eventual cassação/reforma. Isso envolve a análise  de elementos conceituais tanto do Direito Tributário quanto do Direito Processual  Civil, que devem ser examinados conjuntamente.  No  presente  caso,  as  concessionárias  pleitearam  e  conseguiram  a  completa  mudança  do  regime  tributário  a  que  estavam  submetidas,  o  que  implicou,  necessariamente,  a  modificação  de  todos  os  elementos  da  norma  tributária  de  incidência.  Caso  o  provimento  judicial  seja  favorável,  questiona  sobre  a  responsabilidade que recairá sobre o sujeito passivo escolhido pela lei, que nunca  compôs os polos da ação, ou seja, se poderá ser chamado a responder, com o seu  patrimônio,  por  aquilo  a  que  nunca  deu  causa.  E  se  o  provimento  favorável  for  posteriormente cassado ou reformado, questiona se seria lícito defender a retroação  dos efeitos da decisão contrária para quem quer que seja ou apenas às partes que  compuseram a lide. Cita o art. 811 do CPC, afirmando que na situação em apreço o  prejuízo  causado  à  União  corresponde  exatamente  ao  pagamento  do  tributo  que  deixou  de  ser  recolhido  pelo  sujeito  passivo  legal. As  normas  individuais  criadas  pelo Poder Judiciário que orientarão a solução da controvérsia, e, por isso, a sua  extensão, devem ser analisadas com prudência.  Em  seguida,  sintetiza  a  situação  das  diversas  ações  judiciais  intentadas  pelas  concessionárias em relação às quais deu cumprimento, no ano de 2005, às decisões  nelas proferidas.  No  caso  da Ação Ordinária  nº 2004.61.00.023524­1,  referente  às  concessionárias  DHJ Comércio de Veículos Ltda. e CMJ Comércio de Veículos Ltda., foi concedida  liminar  e  prolatada  sentença  confirmando  os  efeitos  da  liminar  e  afastando  sua  responsabilidade  pelo  cumprimento  da  ordem  judicial.  O  recurso  de  apelação  interposto  pela  União  foi  recebido  no  duplo  efeito  ­  decisão  publicada  em  08/06/2005  ­  e  ainda  está  pendente  de  julgamento.  Afirma  que  a  exigência  do  crédito  tributário  com  a  aplicação  da  multa  de  ofício  decorre  de  entendimento  equivocado  de  que  a  decisão  que  recebeu  o  recurso  de  apelação  no  duplo  efeito  Fl. 2023DF CARF MF     6 teria o condão de revogar a antecipação de tutela confirmada por sentença. Isto é,  são  equivocadas  as  conclusões  da  fiscalização  de  que,  durante  o  período  em  que  vigeu a antecipação da tutela, a responsabilidade pelo não recolhimento do crédito  tributário é do impugnante, mesmo que tenha cumprido ordem judicial, e de que o  recebimento do recurso no duplo efeito é capaz não apenas de suspender o comando  executório  da  sentença  dali  em  diante,  como  também  de  produzir  efeitos  para  o  passado.  Em  relação  às  demais  ações  judiciais  (Ação Ordinária  nº  2004.61.00.034221­5  ­  GPV Veículos e Peças Ltda.; Ação Declaratória nº 2004.61.00.023310­ 4 ­ Itavema  Rio  Veículos  e  Peças  Ltda.  e  Itavema  Itália  Veículos  e  Máquinas  Ltda.;  e  Ação  Ordinária  nº  2004.38.00.036106­0  ­  Roma  Automóveis  e  Serviços  Ltda.),  cujo  crédito  tributário  foi  constituído  para  prevenir  a  decadência  (sem  multa  e  com  exigibilidade  suspensa),a  fiscalização  autuou  o  impugnante  mesmo  diante  do  provimento  judicial  que  exonerou,  integralmente,  a  sua  responsabilidade  pelo  cumprimento da ordem mandamental. Ressalta, no caso da última ação judicial, que  o afastamento de sua responsabilidade foi baseada no art. 1º da IN nº 104, de 2000.  Em todas as ações judiciais aforadas, embora as normas individuais criadas pelos  magistrados  tenham  quebrado  o  regime  monofásico  de  tributação,  essas  mesmas  normas exoneram o impugnante de ter que vir a responder pelo PIS e pela Cofins  que foram parcialmente adimplidos. Acolhidos os pleitos das concessionárias ­ para  que a Fiat não “retenha” e não recolha 5,13% sobre o faturamento do veículo novo  ­, passou a existir, no mundo jurídico, um ato judicial específico e dirigido contra o  impugnante, que, se não observado, resultaria em crime de desobediência. Assim, se  as concessionárias sucumbirem na ação judicial, é contra elas que o Fisco deve se  voltar,  porque  o  impugnante  estava  protegido  e  exonerado  de  qualquer  responsabilidade.  E  não  se  pode  admitir  que  o  efeito  suspensivo  aplicado  à  apelação, no caso da Ação Ordinária nº 2004.61.00.023524­1, tenha a possibilidade  de alcançar o passado, apagando todas as consequências oriundas do deferimento  da tutela antecipada.  No item “Razões para o afastamento da responsabilidade da impugnante perante o  fisco  federal”,  afirma  que,  se  a  norma  de  incidência  prescrita  na  lei  estava  parcialmente inibida, não há se falar em descumprimento de dever legal e em sua  responsabilidade  para  responder  pelo  crédito  tributário.  A  suspensão  de  exigibilidade obtida pelas concessionárias  em ação  judicial  por  elas ajuizada não  pode deflagrar efeitos contra terceiros que nunca se voltaram contra o cumprimento  da lei e que sequer são partes, ou seja, durante o período de vigência das liminares,  não  há  uma  suspensão  de  exigibilidade  para  o  impugnante,  mas  sim  para  elas  próprias, que a requereram e dela se beneficiaram. Derrubada a causa suspensiva,  os  efeitos  daí  decorrentes  se  propagarão  contra  quem  a  pleiteou,  o  qual  será  responsável  pela  restauração  do  status  quo  ante,  pela  inteligência  do  art.  151  do  CTN.  Cita  e  examina  o  teor  dos  arts.  811,  472  e  475­O  do  CPC,  baseando­se  em  entendimento doutrinário. Afirma que a reparação do prejuízo (tributo que deixou  de  ser  recolhido  pelo  impugnante)  advindo  do  aproveitamento  de  uma  medida  precária,  ainda  que  confirmada  por  sentença,  mas  posteriormente  cassada  ou  reformada pelo Tribunal, incumbe à parte requerente (no caso, as concessionárias).  E  se  houve  a  exoneração  de  sua  responsabilidade  pelo  provimento  do  Poder  Judiciário, dali  em diante as concessionárias assumiram a posição de “potenciais  devedoras”  perante  o  Fisco,  obrigando­se  a  repará­lo  na  eventualidade  de  insucesso  das  ações  intentadas.  As  normas  processuais  mencionadas  ou  responsabilizam  as  partes  envolvidas  ou  limitam  a  extensão  dos  provimentos  proferidos  em  ações  judiciais,  impossibilitando  atingir  a  esfera  de  terceiros  que  delas não participaram.  Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.022          7 Afirma  que  há  diversas  normas  da  RFB  que  confirmam  o  seu  entendimento,  no  sentido  de  não  responsabilização  de  quem  cumpriu  ordens  judiciais,  quando  não  compunha os polos da relação processual. Lembra do art. 1º da IN nº 104, de 2000,  que determina a responsabilização do substituído tributário, já que o substituto não  figura como requerente ou requerido da medida  judicial. Esse raciocínio deve ser  aplicado ao caso subjacente, pois  tanto na substituição  tributária como no regime  monofásico o legislador elege um único sujeito passivo que deverá responder pelo  adimplemento do crédito tributário. E o entendimento atual, nos termos da posição  doutrinária que apresenta, é de que a sujeição passiva do substituto é direta, isto é,  ele  fica  no  lugar  do  contribuinte.  Em  ambas  situações  (substituição  tributária  e  regime  monofásico)  descabe  dizer  que  o  sujeito  passivo  eleito  pela  lei  teria,  de  algum  modo,  causado  prejuízo  ao  erário,  pois  não  tomou  qualquer  iniciativa,  limitando­se cumprir a ordem judicial, e não cometeu infração.  Transcreve  algumas  Soluções  de  Consulta  e  o  Parecer  Normativo  nº  1,  de  2002,  expedido pela Cosit, sobre a impossibilidade de a fonte pagadora efetuar a retenção  do IR em virtude de decisão judicial. Frisa que o regime monofásico, sob o ângulo  da  sujeição  passiva,  se  identifica  com  os  regimes  de  substituição  tributária  e  de  retenção exclusiva, de modo que, em qualquer um deles, havendo decisão  judicial  que impeça o sujeito passivo legal de cumprir sua obrigação, não há se falar em sua  responsabilização pelo crédito inadimplido.  No mesmo sentido, cita também jurisprudência do STJ.  Sintetiza as  suas  razões,  afirmando que  a  sua  responsabilização  ofende as  regras  tributárias e processuais aplicáveis, o entendimento da RFB manifestado em normas  complementares e a decisão do STJ apresentada, e conclui ser parte ilegítima para  responder pelos créditos tributários exigidos nos Autos de Infração.  No  item  “Consequências  decorrentes  do  recebimento  do  recurso  de  apelação  da  União Federal no duplo  efeito.  Impossibilidade de aplicação da multa de ofício”,  que  está  presente  apenas  nas  impugnações  referentes  aos  Autos  de  Infração  sem  exigibilidade  suspensa,  esclarece,  de  início,  sobre  a  impossibilidade  de  que  o  recurso  de  apelação  seja  recebido  no  duplo  efeito.  Isso  porque,  havendo  tutela  antecipada  confirmada  por  sentença,  o  recurso  é  recebido  apenas  no  efeito  devolutivo, nos  termos do art. 520, VII, do CPC. Dessa  forma, é  inócua a decisão  que  aplicou  o  duplo  efeito  no  recebimento  do  recurso  da União  e,  enquanto  não  julgada a apelação, a tutela permanece a produzir suas regulares consequências.  Ressalta  que  cumpriu  a  decisão  que  suspendeu  os  efeitos  da  sentença  por  precaução,  não  havendo  que  se  falar  em  aplicação  da  multa  e  ofício.  Sobre  o  assunto, transcreve jurisprudência do STJ.  Acrescenta  que  o  recebimento  do  recurso  de  apelação  no  duplo  efeito  obsta  a  executoriedade  da  sentença  atacada,  ou  seja,  essa  sentença  não  estará  apta  a  produzir  efeitos  daquela  data  em  diante.  Assim,  não  se  pode  dizer  que  a  tutela  antecipada  anteriormente  concedida  tenha  perdido  a  capacidade  de  produzir  as  suas consequências enquanto vigeu. Não se pode sustentar que o efeito suspensivo  de que se  revestiu o  recurso de apelação equivaleu a uma decisão revogadora da  tutela  antecipada  anteriormente  concedida.  Pode­se  afirmar  apenas  que  esse  provimento  não  continuará  a  ter  eficácia  a  partir  do  recebimento  do  recurso  de  apelação  no  duplo  efeito  ­  não  havendo,  dali  em  diante,  causa  suspensiva  da  exigibilidade  ­  , mas não se pode dizer que  tal  provimento nunca  teve eficácia no  tempo, em virtude de uma decisão que faz cessar o comando executório da sentença.  É, portanto, totalmente indevido o lançamento do tributo acompanhado da multa de  75%.  Fl. 2025DF CARF MF     8 No  item  “Erros  nos  cálculos  da  fiscalização”,  destaca  que  os  trabalhos  fiscais  foram  permeados  por  erros  que  comprometem  a  liquidez  dos  créditos  tributários  constituídos.  Isso  porque  o  agente  fiscal  esqueceu­se  de  fazer  uma  análise  qualitativa do banco de dados de notas fiscais eletrônicas do qual diz ter extraído a  base de cálculo dos tributos exigidos. O auditor fiscal procedeu à soma de todas as  notas  fiscais  emitidas  no  período,  não  levando  em  consideração  se  tais  notas  retratavam uma efetiva venda de veículo.  As principais inconsistências levantadas foram: inclusão, na base de incidência, das  devoluções  ocorridas  no  período;  inclusão,  na  base  de  cálculo,  de  valores  correspondentes  a  CFOPs  que  não  correspondem  à  venda  de  veículos  (CFOPs  1.556,  1.949,  2.949,  6.908,  6.912  e  6.949),  conforme  documento  em  anexo;  e  desconsideração  da  existência  do  “abatimento  dos  5,13%”  e  da  realização  de  depósito judicial em um mesmo mês.  No  caso  das  devoluções,  o  valor apurado deverá  ser  excluído duas  vezes  para  se  chegar  à  correta  base  de  cálculo,  já  que  o  auditor  fiscal,  além  de  não  ter  “estornado”  o  respectivo  valor,  acabou  adicionando­o  na  apuração  da  base  de  cálculo.  Em seguida, elabora planilhas e explica a origem das diferenças entre a base eleita  pela fiscalização e aquela que entende correta em relação a cada concessionária.  Pede  a  realização  de  diligência  e/ou  perícia  técnica,  conforme  os  quesitos  que  anexa e  o assistente  técnico  que  indica,  nos  casos  em que  a  identificação não  foi  possível, a  fim de comprovar que a  fiscalização não se valeu de critérios corretos  para a composição da base de cálculo dos tributos.  Aduz,  como  já mencionado  anteriormente,  que  a  fiscalização  se  equivocou  ao  ter  somado à base de cálculo as eventuais devoluções realizadas pela concessionária e  ao ter considerado valores relativos a CFOPs que não correspondem a uma receita  tributável,  por  não  se  amoldarem  ao  fato  gerador  do  tributo  autuado.  Tais  equívocos ocorreram em relação às concessionárias: GPV Veículos e Peças Ltda.  (CNPJ  67.452.128/0001­67),  Itavema  Rio  Veículos  e  Peças  Ltda.  (CNPJ  27.132.497/0001­58), Itavema Itália Veículos e Máquinas Ltda.  (CNPJs  47.696.711/00010­05  e  47.696.711/0006­10),  Roma  Automóveis  Ltda.  (CNPJs  16.620.114/0004­17  e  16.620.114/0005­06),  DHJ  Comércio  de  Veículos  Ltda.  (CNPJ  03.974.905/0001­50)  e  CMJ  Comércio  de  Veículos  Ltda.  (CNPJs  05.026.792/0001­97 e 05.026.792/0004­30).  Especificamente  quanto  à  concessionária  GPV  Veículos  e  Peças  Ltda.  (CNPJ  67.452.128/0001­67), afirma que o “desconto” efetuado no ano de 2005  levou em  conta o percentual de 3,65% e não de 5,13%, conforme considerou o auditor fiscal.  Assim, os  cálculos  deverão  ser  refeitos  para  que  o  crédito  seja  constituído  com o  percentual efetivamente utilizado no cumprimento da respectiva decisão judicial, em  anexo. O contribuinte afirma, ainda, que o valor efetivamente recolhido nas vendas  de  veículos  novos  para  essa  concessionária  levou  em  conta  a  alíquota  de  7,95%.  Ressalta,  também  em  relação  à  concessionária  em  questão,  que  é  significativa  a  diferença  não  identificada  nas  bases  de  cálculo,  especialmente  se  comparados  os  meses de outubro e novembro com os demais meses de 2005. Somente nesses meses  a  diferença  entre  a  base  que  apurou  e  a  base  da  fiscalização  chega ao montante  aproximado de R$ 20 milhões, em nítido descompasso com as aquisições efetuadas  ao  longo  de  2005,  sendo  que  a  concessionária  não  poderia  mais  que  duplicar  o  volume de suas compras de veículos novos nesses dois meses.  Em  relação  à  concessionária  Itavema  Rio  Veículos  e  Peças  Ltda.  (CNPJ  27.132.497/0001­58),  indica  na  planilha  elaborada  que  houve  uma  inclusão  indevida do valor de R$ 2.860.000,94 na base de cálculo do período de abril/2005,  Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.023          9 porque  até  10/04/2005  o  faturamento  de  veículos  novos  para  tal  concessionária  obedeceu à sistemática monofásica (alíquota total de 11,6%), e somente a partir de  11/04/2005 foi procedido o “abatimento de 5,13%”. Assim, a diferença apontada já  foi devidamente recolhida.  Para a concessionária Itavema Itália Veículos e Máquinas (CNPJ 47.696.711/0006­ 10),  acrescenta  que  a  diferença  de  R$  99.457,15,  indicada  para  o  período  de  janeiro/2005,  refere­se  a  alocação  equivocada  feita  pelo  agente  fiscal,  pois  tal  receita é de titularidade da concessionária Itavema Itália Veículos e Máquinas Ltda.  ­ matriz (CNPJ 47.696.711/0001­06).  Com  referência  às  concessionárias  DHJ  Comércio  de  Veículos  Ltda.(CNPJ  03.974.905/0001­50), CMJ Comércio de Veículos Ltda. (CNPJ 05.026.792/0001­97)  e  CMJ  Comércio  de  Veículos  Ltda.  (CNPJ  05.026.792/0004­30),  os  valores  indicados na coluna “suspensão da  liminar” das planilhas que elabora devem ser  excluídos da base de cálculo das contribuições, porque a decisão que suspendeu o  afastamento do regime monofásico foi publicada em 08/06/2005, sendo que até essa  data considerou o “abatimento de 5,13%”. A partir de 09/06/2005 o faturamento de  veículos  novos  obedeceu  à  sistemática  monofásica  (alíquota  total  de  11,6%),  de  onde se conclui que a diferença apontada já foi recolhida. Informa que a partir de  dezembro/2005 realizou depósitos  judiciais no valor correspondente ao percentual  de  5,13%.  Acrescenta,  por  fim,  que  a  multa  aplicada  no  lançamento  relativo  às  concessionárias citadas deve ser excluída da autuação, pelas razões sustentadas em  outros tópicos de sua defesa.  Por fim, requer seja revisto o lançamento, com a sua consequente exclusão do polo  passivo  da  autuação.  Ultrapassado  esse  pedido,  requer  seja  julgado  totalmente  improcedente  o  crédito  lançado,  em  virtude  da  decadência  e  da  sua  manifesta  ilegitimidade  passiva.  Em  caráter  sucessivo,  requer  a  realização  de  diligência/perícia técnica para a comprovação dos equívocos nos valores apurados.  É o relatório.  Com  vistas  a  sanar  as  irregularidades  na  apuração  dos  valores  lançados,  conforme apontado pela Recorrente, os autos foram, então, baixados em diligência pela Turma  julgadora da DRJ em Belo Horizonte (MG), nos termos da Resolução nº 1.261, de 24/05/2010  (fls. 916 e ss).  A fiscalização da DRF de Contagem efetuou a diligência solicitada e lavrou o  “Termo de Encerramento de Diligência” (fls. 923/ss), onde apresentou as planilhas contendo os  valores lançados, com o demonstrativo dos ajustes devidos.  A  Recorrente,  devidamente  cientificado  sobre  o  resultado  da  diligência,  manifestou­se no sentido de estar ciente e de acordo com a reformulação do crédito resultante  dos cálculos e planilhas elaboradas pela fiscalização da DRF de Contagem (MG), requerendo o  regular prosseguimento às impugnações apresentadas (fls. 983/984).  A  1ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte  proferiu  o  Acórdão  nº  02­34.274,  de  29/08/2011  (fls.  1010/1032),  o  qual  recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005   Fl. 2027DF CARF MF     10 No  caso  em  que  há  pagamento  antecipado,  deve  ser  observado o prazo de homologação quinquenal, contado a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária, previsto no art. 150, §4º, do CTN.  A  subsunção  como  contribuinte  de  direito  do PIS  e  o  seu  dever de cumprir a obrigação tributária decorrem de regra  de  direito  material  tributário  ligada  ao  implemento  da  situação definida  como  fato  gerador  da  contribuição,  não  podendo ser afastada por regra de direito processual.  Na  ausência  de  causa  suspensiva  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  na  época  do  lançamento,  cabe  a  aplicação da multa de ofício.  Os equívocos cometidos quando do  lançamento devem ser  corrigidos, a fim de que esse possa adequar­se à realidade  dos fatos.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  01/01/2005  a  31/12/2005  No  caso  em  que  há  pagamento  antecipado,  deve  ser  observado  o  prazo  de  homologação  quinquenal, contado a partir da ocorrência do fato gerador  da obrigação tributária, previsto no art. 150, §4º, do CTN.  A subsunção como contribuinte de direito da Cofins e o seu  dever de cumprir a obrigação tributária decorrem de regra  de  direito  material  tributário  ligada  ao  implemento  da  situação definida  como  fato  gerador  da  contribuição,  não  podendo ser afastada por regra de direito processual.  Na  ausência  de  causa  suspensiva  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  na  época  do  lançamento,  cabe  a  aplicação da multa de ofício.  Os equívocos cometidos quando do  lançamento devem ser  corrigidos, a fim de que esse possa adequar­se à realidade  dos fatos.  Impugnação Procedente em Parte  Desse  modo,  o  voto  condutor  da  decisão  de  primeira  instância  exonerou  parcialmente o crédito tributário lançado, em relação ao mês de janeiro de 2005, em virtude  de  sua  extinção  por  decadência  (artigo  156,  VII,  CTN),  conforme  planilhas  constantes  do  acórdão às folhas 1.030/1.031.  Em relação ao valor exonerado pela decisão de Piso, foi apresentado Recurso  de Ofício, nos termos do disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72.  A  Recorrente  cientificada  do  Acórdão  em  14/11/2011  (fls.  1.033/1.034),  interpôs  seu  Recurso  Voluntário  em  14/12/2011  (fls.  1.036/1.068),  onde  repisa  os  mesmos  argumentos  trazidos  em  sua  Impugnação,  acrescentando  argumentações  sobre  a  decisão  recorrida, os quais podem ser assim sintetizados:  Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.024          11 (i)  a  DRJ  em  Belo  Horizonte  (MG)  acolheu  os  argumentos  trazidos  na  impugnação quanto à decadência (período de janeiro/2005) e, também, procedeu ao ajuste do  lançamento em conformidade com as novas planilhas elaboradas pela Delegacia de origem;   (ii)  em  relação  aos  demais  pontos  da  impugnação,  a  DRJ  não  acolheu  os  argumentos  da  Recorrente,  basicamente  sob  dois  fundamentos:  (a)  a  impossibilidade  de  decisões  judiciais  alterarem  a  chamada  “relação  jurídico­tributária”  e  (b)  ausência  de  vinculação, da Delegacia de Julgamento, às manifestações administrativas e do STJ a respeito  da matéria aqui tratada;   (iii)  a decisão  recorrida nada disse quanto ao  fato de as decisões proferidas  nas  Ações  judiciais  propostas  pelas  concessionárias  terem  expressamente  proibido  o  Fisco  Federal de exigir a contribuição não recolhida da ora Recorrente e que a observância de uma  ordem  judicial  não  pode  causar  tamanho  dano  ao  jurisdicionado.  Afirma  que  nas  medidas  propostas  pelas  concessionárias,  o  Judiciário  afastou “(...)  toda  e  qualquer  responsabilidade  tributária  dos  respectivos  fabricantes  e  importadores  pelo  encargo  tributário  das  contribuições  do PIS  e  da COFINS”,  e  assim  teria  ordenado  expressamente que  a RFB não  cobrasse essas contribuições da ora Recorrente".  Por  fim,  requer o  provimento  do  seu Recurso Voluntário  para,  em  reforma  parcial do acórdão recorrido, cancelar o auto de infração lavrado.  O processo digitalizado, então,  foi encaminhado para  ser  analisado por este  CARF na forma regimental. Em 26/11/2013, os membros da 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara da  3ª  Sejul,  resolvem  converter  o  julgamento  em DILIGÊNCIA,  conforme Resolução  nº  3202­ 000.172, nos seguintes termos (fls. 1.175/1.185):  "(...)  Compulsando­se  os  autos  do  processo  verifica­se  que  ainda  restam  dúvidas em relação a fatos relatados pelas partes, especificamente em relação a dois pontos:  a) A legitimidade da Recorrente para figurar no polo passivo da autuação fiscal; b) A conexão  existente entre o processo administrativo e os processos judiciais citados na auto de infração  (Ação Ordinária nº 2004.61.00.034221­5 GPV Veículos e Peças Ltda.; Ação Declaratória nº  2004.61.00.023310­4 Itavema Rio Veículos e Peças Ltda. e Itavema Itália Veículos e Máquinas  Ltda.;  e  Ação  Ordinária  nº  2004.38.00.0361060  Roma  Automóveis  e  Serviços  Ltda.;  Ação  Ordinária  nº  2004.61.00.0235241,  referente  às  concessionárias  DHJ  Comércio  de  Veículos  Ltda. e CMJ Comércio de Veículos Ltda.)."  "(...) Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto  n° 70.235/72, os autos devem retornar a DRF ­ Contagem (MG) para que tome as seguintes  providências: (i) Intime a Recorrente a:  (a) apresentar Certidão de Objeto e Pé em relação às quatro ações judiciais acima  citadas  (Ação  Ordinária  nº  2004.61.00.0342215;  Ação  Declaratória  nº  2004.61.00.0233104; Ação Ordinária  nº  2004.38.00.0361060; Ação Ordinária  nº  2004.61.00.0235241);   (b)  apresentar  Certidão  de  Objeto  e  Pé  em  relação  a  todos  os  Mandados  de  Segurança impetrados relacionadas à matéria em litígio, inclusive quanto ao MS nº  2002.61.00.0259868 e MS nº 2005.03.00.0262531;   Fl. 2029DF CARF MF     12 (c) esclarecer,  detalhadamente,  qual  a  sua  relação  processual  em cada uma das  ações judiciais citadas nos itens (a) e (b) acima, assim como juntar documentação  probante capaz de demonstrar os esclarecimentos prestados;   (d)  juntar cópias de  todas as decisões  (de 1º e 2º graus) relativas aos processos  judiciais acima citados.  (ii)  Diligencie  junto  às  unidades  da  Receita  Federal  de  jurisdição  das  concessionárias de veículos (GPV Veículos e Peças Ltda.; Itavema Rio Veículos e Peças Ltda.;  Itavema Itália Veículos e Máquinas Ltda.; Roma Automóveis e Serviços Ltda.; DHJ Comércio  de Veículos Ltda. e CMJ Comércio de Veículos Ltda.) para que informem se as contribuições  objeto  de  discussão  judicial  foram  recolhidas  por  elas  (concessionárias  de  veículos),  de  alguma forma, ao fim das citadas ações judiciais.  Após  o  atendimento  a  todos  os  itens  da  intimação  acima,  por  parte  da  Recorrente,  a  fiscalização  da  DRF  ­  Contagem  MG,  poderá  manifestar­se,  em  Relatório  Fiscal, sobre os fatos apurados e as provas apresentadas em decorrência da diligência.  Ao  fim  da  instrução  processual  a  Recorrente  deverá  ser  intimada  para  manifestar­se  no  prazo  de  30  (trinta)  dias  sobre  os  documentos  juntados  aos  autos  em  decorrência da diligência. Após a manifestação da Recorrente, os autos deverão ser remetidos  à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência e manifestação, notadamente em relação  ao andamento das mencionadas ações judiciais".  Desta  forma,  o  processo  foi  encaminhado  à  DRF  ­  Contagem  (MG)  para  cumprimento da referida Resolução (fl. 1.236). Visando o atendimento da diligência solicitada  na Resolução, a DRF promoveu às intimações necessárias a todas as partes citadas, inclusive a  FCA  FIAT  (fl.  1.238).  Após  a  conclusão  dos  trabalhos  o  Fisco  prolatou  o  Relatório  de  Diligência Fiscal de fls. 1.947/1.966, que deixou consignado as seguintes considerações finais:  "Em  resumo,  a  presente  diligência  resultou  nas  seguintes  conclusões:  1­  o  contribuinte  das  Contribuições  para  o  PIS  e  para  a  Cofins  é  a  FCA  Fiat;  2­  a  FCA  Fiat  permitiu  a  concorrência  desleal  entre  concessionárias  da  sua  marca;  3­  a  montadora  foi  beneficiada  com  o  aumento  de  receita  em  função  da  oferta  de  automóveis  a  preços  mais  baixos;  4­  a  legislação  em  regência  do  regime  monofásico  não  foi  alterada  por  decisões  judiciais  transitadas  em  julgado  nos  casos  aqui  analisados;  5­  inexistem  alterações  nos  valores mantidos nos autos de infração após o julgamento da Delegacia de Julgamento."  Cientificada  da  conclusão  da  Diligência  (Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  001/2016  e  cópia  do  Relatório  à  fl.  1.945),  a  Recorrente  manifestou­se,  apresentando  suas  contrarrazões,  conforme  o  contido  no  documento  de  fls.  1.971/1.974,  que  conclui  seus  argumentos da seguinte forma:    Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.025          13 Na sequência dos atos, em 18/07/2016, a Procuradoria da Fazenda Nacional  foi intimada do resultado da diligência e também protocolou suas contrarrazões que se encontra  acostadas aos autos às fls. 1.997/2.017, a qual conclui nos seguintes termos:  "(...)  Pelo  exposto,  não  merece  ser  acolhida  a  pretensão  da  recorrente,  devendo ser mantido na integralidade o entendimento do acórdão recorrido, visto que, de fato,  a recorrente é parte legítima para figurar no pólo passivo da exação".   Assim, após serem dados cumprimento a todos os dispositivos da Resolução  nº 3202­000.172, verificou­se que as partes se manifestaram, o processo retornou a este CARF  e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra ­ Relator   1­ Da admissibilidade dos Recursos (de Ofício e Voluntário)  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  No presente  caso,  em  razão  da decisão  de 1ª  instancia  que deu  provimento  parcial a impugnação, estão em julgamento os Recurso de Oficio e o Recurso Voluntário.  A motivação  do Recurso de Ofício  efetuado  pela DRJ  em Belo Horizonte  (MG),  foi  por  ter  considerado  procedente  em parte  a  impugnação,  entendendo que  o  crédito  tributário  de  PIS  e  da  COFINS  constituído  no  respectivo  Auto  de  Infração  (ciência  em  26/02/2010)  referente ao período de  apuração  ­ PA de  janeiro/2005  encontra­se extinto, nos  termos do art. 156, VII, do CTN, devendo ser cancelado, bem como ajustes efetuados nas bases  de cálculo das Contribuições.  2. Do Recurso de Ofício  Como  visto  nos  autos,  são  totalmente  procedentes  os  argumentos  apresentados  no  voto  condutor  da  decisão  a  quo,  em  que  a  Recorrente  argumenta,  preliminarmente,  a  decadência  do  direito  de  lançar  as  contribuições  (PIS  e  da  Cofins)  dos  períodos  anteriores  a  fevereiro/2005.  Foram  também  analisandas  as  razões  suscitadas  pela  Recorrente, assim como os documentos por ela carreados aos autos, a DRJ em Belo Horizonte  (MG) entendeu por bem baixar o processo em diligência, (fls. 860/864) a fim de que fossem  verificados  os  argumentos  do  contribuinte  quanto  à  existência  de  incorreções  na  base  de  cálculo e na apuração dos valores devidos das contribuições.  Quanto a decadência, em face da edição pelo STF da Súmula Vinculante nº  8, foi elaborado o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em  18 de  agosto de 2008, determinando que  “e) para  fins de  cômputo do prazo de decadência,  tendo havido pagamento antecipado, aplica­se a regra do §4º do art. 150 do CTN.” Assim, no  caso  em  tela,  ficou  definido  que  deve  ser  observado  o  prazo  de  homologação  quinquenal,  Fl. 2031DF CARF MF     14 contado a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, previsto no art. 150, §4º,  do Código Tributário Nacional (CTN).  Nesse  diapasão,  na  decisão  de  Piso  restou  desta  forma  consignado,  "(...)  Portanto, o crédito  tributário de PIS e de Cofins constituído no respectivo Auto de Infração  (ciência  em  26/02/2010)  referente  ao  período  de  apuração  de  janeiro/2005  encontra­se  extinto, nos termos do art. 156, VII, do CTN, devendo ser cancelado".  Quanto as incorreções nas bases de cálculo das Contribuições, em resposta,  a autoridade fiscal responsável pela diligência elaborou Termo de Encerramento de Diligência,  no qual reconhece a inclusão indevida de valores na apuração da base de cálculo, efetuando as  devidas  correções.  O  contribuinte  foi  devidamente  intimado  do  resultado  da  diligência,  apresentando, em 01/08/2011, a manifestação de fls. 983/984, na qual informa estar ciente da  reformulação do crédito, requerendo seja dado regular prosseguimento às impugnações.  Concluindo,  a  autoridade  de  primeira  instância  acolheu  a  preliminar  de  decadência para o período de apuração de janeiro de 2005, com base no art. 150, § 4º, do CTN  e determinou o ajustamento do lançamento conforme as planilhas elaboradas na diligência. No  mérito,  julgou  improcedente  a  impugnação. Considerando que o  crédito  tributário  exonerado  superou  o  valor  de  alçada,  interpôs  Recurso  de  Ofício,  nos  termos  do  art.  34  do  Decreto  70.235/72.  Por tais razões, com base no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, adoto na  integra  os  argumentos  da  decisão  de  1°  grau  para  o  caso,  e  assim  voto  por  considerar  improcedente o Recurso de Oficio.  3. Do Recurso Voluntário  O  objeto  da  presente  lide  é  a  falta  de  recolhimento  de  PIS  e  da  COFINS  devidos pelo setor automotivo (vendas de carro novo). Como relatado, tratam­se de Autos de  Infração  lavrados  para  a  exigência  das  Contribuições,  com  fatos  geradores  ocorridos  entre  31/01/2005 a 31/12/2005, nos quais se imputa ao contribuinte autuado a falta ou insuficiência  do recolhimento das referidas Contribuições.  3.1 Contextualização  Conforme consta do TVF ­ Termo de Verificação Fiscal de fls. 44/73, a ação  fiscal  teve  início  em  razão  da  constatação  da  existência  de  ações  judiciais  intentadas  pelas  concessionárias revendedoras da marca FIAT, questionando a incidência monofásica do PIS  e da COFINS para veículos novos (zero km), nos termos da Lei nº 10.485/2004.  Em atendimento às postulações das revendedoras, o Poder Judiciário passou a  conferir,  em  provimentos  liminares  (liminares  em  mandado  de  segurança,  antecipações  de  tutela,  etc),  o  direito  de  as  concessionárias  não  se  submeterem  ao  pagamento  do  PIS  e  da  COFINS estabelecidos conforme a legislação por ocasião da venda da montadora de veículos  novos,  impondo à montadora o dever de se abster de promover a retenção e recolhimento do  percentual  "estimado"  e  "relativo  à  venda  futura  da  concessionária",  inserido  nas  alíquotas  fixadas de PIS e da COFINS pelas Leis n°s 10.485/2002 e 10.865/2004.  A respeito dessa questão, em 24/04/2014, a FIAT, em resposta ao Termo de  Intimação  Fiscal  da  DRF  em  Contagem  (MG),  que  deu  ciência  das  exigências  contidas  na  Resolução n° 3202­000.172, manifestou­se nos seguintes termos (fls.1.256/1.315):  Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.026          15 "(...) As ações ordinárias descritas no item "a", supra, como sabido, são as  demandas ajuizadas pelas concessionárias de veículos, integrantes da rede de distribuição da  Recorrente,  com o objetivo de "quebrar" o  regime monofásico de  recolhimento do PIS  e da  COFINS (na vigência da Lei n° 10.485/04), transformando­o num regime plurifásico, em que  cada elo da cadeia apuraria e recolheria a própria contribuição.  Conforme  amplamente  demonstrado  no  decorrer  da  presente  lide,  as  concessionárias obtiveram liminares e sentenças favoráveis, as quais impuseram à Recorrente  obrigação de não fazer, concernente à não retenção de 5,13% do valor das notas de venda de  veículos  novos.  Estas  mesmas  decisões,  vale  destacar,  consignavam  de  forma  expressa  a  ausência  de  responsabilidade  da  Recorrente,  perante  o  Fisco,  pelo  crédito  tributário  que  estava deixando de ser recolhido em estrita observância aos comandos judiciais".  Em  suma,  o  cerne  da  lide,  é  que  a  FIAT  requer  essencialmente,  que  seja  reconhecida  a  sua  ilegitimidade  passiva,  tendo  em  vista  o  afastamento,  pelos  provimentos  judiciais, da sua responsabilidade, perante o Fisco, pelo encargo tributário, ou seja, as ordens  judiciais determinaram o não recolhimento, pela Recorrente, do percentual de 5,13% sobre o  faturamento dos veículos novos contra as concessionárias, impedindo o cumprimento integral  da Lei nº 10.865, de 2004.  Ressalta também em sua defesa, que a sua responsabilização ofende as regras  tributárias  e  processuais  aplicáveis  (art.  151  do  CTN  e  arts.  811,  472  e  475­O  do  CPC),  o  entendimento  da RFB manifestado  em  soluções  de  consulta  e  em normas  complementares  e  precedente do STJ, que transcreve em seu recurso.  3.2. Da legislação do PIS e da COFINS ­ Fabricante de veículos  Está  sob  análise  a  Contribuição  do  PIS  e  da  COFINS  devida  pelo  setor  Automotivo (fabricação de veículos). Para esse segmento econômico, o tributo era recolhido (a  partir  de  junho  de  2000)  sob  o  regime  de  substituição  tributária.  Os  fabricantes  e  os  importadores dos produtos relacionados no art. 44 da Medida Provisória n° 1.991­15 ficaram  obrigados  a pagar,  na  condição  de  contribuintes  substitutos,  as  contribuições  sociais  devidas  pelos comerciantes varejistas, relativamente às vendas de veículos novos realizadas a partir de  11.06.2000. O regime de substituição  tributária perdurou somente até a entrada em vigor em  01.10.2002, pela entrada em vigor da Lei n° 10.485/2002.  Com  a  edição  da Lei  nº  10.485,  de  2002,  em  seu  artigo  1º,  com  a  redação  dada pela Lei nº 10.865, de 2004, estabelece a  tributação da receita decorrente da venda dos  veículos, nas alíquotas concentradas de 2% para o PIS e de 9,6% para a Cofins. Note­se que  o contribuinte, sujeito passivo da relação jurídico tributária, é o fabricante ou importador de  máquinas e veículos. Veja­se:  “Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI,  aprovada  pelo  Decreto  nº  4.070,  de  28  de  dezembro  de  2001,  relativamente  à  receita  bruta  decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição  para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis  Fl. 2033DF CARF MF     16 décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”  (grifou­se).  A cobrança do PIS e da COFINS em relação aos produtos especificados em  lei é realizada mediante a técnica de arrecadação denominada incidência monofásica, ou, mais  propriamente, concentrada, que consiste em aplicar alíquotas diferenciadas, mais elevadas, em  pontos estratégicos da sua cadeia econômica e em desonerar os demais pontos.  A  tributação  denominada  de  "concentrada",  estipulada  aos  fabricantes  e  importadores de veículos e autopeças, do §2º do art. 3º da mesma  lei atribui a  incidência de  alíquota zero para a receita de venda dos mesmos veículos e de autopeças, quando apurada por  comerciantes atacadistas e varejistas:  “Art. 3º (...)  §2º  ­ Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o  PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante  atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº  10.865, de 2004)  I ­ o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  II  ­ o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a  que se refere o art. 17, §5º, da Medida Provisória no 2.189­49, de 23 de agosto de  2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)” (grifou­se).  Esse  dispositivo  legal  foi  regulamentado  pela  Instrução Normativa  SRF  nº  594, de 26 de dezembro de 2005, em seu art. 14, para as máquinas e veículos:  “Art. 14. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  incidentes  sobre a  receita bruta auferida nas operações de venda das máquinas e  dos veículos, de que trata o inciso IX do art. 1º, aplicam­se as alíquotas de:  I  ­  2%  (dois  por  cento)  e  9,6%  (nove  inteiros  e  seis  décimos  por  cento),  respectivamente,  para  a  venda  efetuada  por  fabricante,  por  importador  ou  por  empresa comercial atacadista de que trata o §5º do art. 17 da Medida Provisória nº  2.189­49, de 2001; e   II  ­ 0% (zero por cento), no caso de venda efetuada por comerciante atacadista e  varejista, exceto na venda efetuada por empresa comercial atacadista de que trata o  §5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.189­49, de 2001.”  Como se vê, a partir de 01/10/2002, data em que entrou em vigor os referidos  preceitos legais, a cobrança das Contribuição para o PIS e da COFINS sobre a receita de venda  de  veículos  novos  passou  a  ser  realizada  de  forma  concentrada,  nos  fabricantes  e  as  importadoras,  com  alíquotas majoradas  de  2%  (dois  por  cento)  e  9,6%  (nove  inteiros  e  seis  décimos por cento), respectivamente. Em compensação, as receitas auferidas pelo atacadista ou  varejista  ficaram  desoneradas  da  cobrança  das  referidas  Contribuições,  com  exceção  das  pessoas  jurídicas  a que  se  refere o  art.  17,  § 5º,  da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de  agosto de 2001, situação em que não inclui a Recorrente.  Após a vigência da referido regime de cobrança monofásica, foram editadas  as Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que introduziram, respectivamente, o regime  não  cumulativo  de  cobrança  da Contribuição  para  o PIS/PASEP  e da COFINS. A partir  da  vigência  desses  novos  diplomas  legais,  ao  lado  dos  regimes  de  cobrança  cumulativo,  monofásico e de substituição tributária, anteriormente vigentes, passou a existir o regime não  Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.027          17 cumulativo de cobrança das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, porém, mantendo­ se para cada um desses regimes regramento próprio de incidência das referidas Contribuições.  É oportuno ressaltar que as regras de um regime não podem ser aplicadas aos  outros, a menos que haja ressalva expressa em lei. Em consequência dessa independência, as  regras do regime cumulativo não se aplicam ao regime de substituição tributária, assim como  as regras do regime monofásico não se aplicam ao regime não cumulativo.  3.3. Das autuações x Ações Judiciais  Os Autos de Infração referente ao PIS/PASEP e da COFINS foram lavrados  em  virtude  da  ausência  de  declaração  em  DCTF  e  de  recolhimento  dos  valores  das  contribuições  vinculados  a  ações  judiciais  promovidas  pelas Concessionárias  da FIAT,  que  buscam  a  declaração  de  inconstitucionalidade  do  regime  de  tributação  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  sobre  veículos  automotores  estabelecido  pela Lei  nº  10.485,  de 2002,  alterada  pela  Lei nº 10.865, de 2004 (regime monofásico) e, regra geral, a inserção das concessionárias nos  regimes não­cumulativos das contribuições previstos pelas Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833,  de 2003.   Em  atendimento  às  postulações,  diversos  juízos  passaram  a  conferir  em  Ações judiciais (liminares em mandado de segurança, antecipações de tutela, etc), o direito de  as  concessionárias  não  se  submeterem  ao  pagamento  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  estabelecidos  pelas  referidas  Leis,  por  ocasião  da  venda  de  veículos  novos,  impondo  à  montadora  o  dever  de  se  abster  de  promover  a  retenção  e  recolhimento  do  percentual  “estimado de 5,13%" (e relativo à venda futura da concessionária), que deveria ser afastado  dos 11,6% estabelecidos pela Lei nº 10.865, de 2004. Assim, os percentuais não retidos pela  FIAT  Automóveis  S/A  são  de  0,88%  de  PIS  e  4,25%  da  COFINS,  em  obediência  às  determinações judiciais.  Às  fls. 47, no Termo de Verificação Fiscal,  encontram­se  listadas as Ações  Judiciais analisadas no bojo destes autos (nº do processo Judicial, nome da Concessionária, o  nº do CNPJ e se houve, ou não, cumprimento da Ação Judicial em 2005). Às fls. 48 e ss., o  Fisco,  compulsando  os  andamentos  processuais  de  cada  uma  delas,  observou  que,  em  uma  delas,  inexistia decisão favorável vigente,  lançando, nesses casos, o crédito  tributário com os  acréscimos  decorrentes  do  procedimento  de  ofício,  sempre  levando­se  em  consideração  os  valores de eventuais depósitos judiciais efetuados. Em outras, constatou a existência de decisão  favorável, efetuando o lançamento, sem os acréscimos legais, apenas para prevenir decadência,  conforme se verifica às fls. 1.028/1.031.  3.4 Do objeto das petições das concessionárias  É  fato  que  a  Recorrente  nunca  questionou  o  regime monofásico.  Contudo,  algumas  concessionárias  integrantes  de  sua  rede  de  distribuição  ingressaram  com  medidas  judiciais com pedido para que pudessem apurar e recolher o PIS/COFINS pela sistemática não­ cumulativa nas operações com veículos automotores novos ("quebra" do regime monofásico).  Conforme  informado  nos  autos  pela  própria  FIAT,  nos  termos  da  argumentação desenvolvida em cada uma das ações judiciais, sustentaram as Concessionárias  que,  sob a égide da Lei n° 10.485/2002, a alíquota concentrada, no  fabricante,  era de 8,26%  (1,47% para o PIS/PASEP e 6,79% para a COFINS), ao passo que as demais empresas, sujeitas  ao regime "normal" de apuração, recolhiam os tributos a uma alíquota de 3,65% (0,65% para o  Fl. 2035DF CARF MF     18 PIS/PASEP  e 3% para  a COFINS). Verificou­se  que  a  relação  proporcional  entre  a  alíquota  concentrada (8,26%) e a alíquota "normal"  (3,65%) correspondia a 44,19% (isto é, os 3,65%  equivalem  a  44,19%  de  8,26%).  Transpondo  esta  relação  proporcional  para  a  nova  alíquota  diferenciada instituída pela Lei n° 10.865/04 (11,6%, sendo 2% para o PIS/PASEP e 9,6% para  COFINS),  chega­se a um montante de 5,13%  (= 44,19% de 11,6%),  representativo da  carga  tributária que, em tese, caberia às concessionárias.  O  pedido  formulado  nessas  ações  foi,  então,  para  que  o  Poder  Judiciário  reconhecesse  a  inconstitucionalidade  do  regime  monofásico,  afastando,  por  conseguinte,  as  disposições  da  Lei  n°  10.485/2004,  e  autorizasse  às  concessionárias  que  apurassem  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  segundo  as  normas  da  sistemática  não­cumulativa.  Requereram,  ainda, que fossem autorizadas a compensar os valores indevidamente "retidos" pela Recorrente  quando da vigência dos diplomas que instituíram a tributação diferenciada. Não bastasse isso,  pediram, por fim, fosse a Recorrente notificada para que se abstivesse de "reter" e recolher o  percentual  "estimado" de 5,13% sobre o valor  total do veículo novo  (0 km), bem como para  que não repassasse dito percentual às concessionárias.  4. Das Ações Judiciais x Relação Processual com a FIAT  Primeiramente, informa a Recorrente que o único meio à disposição para se  voltar contra essas Ações seria a adoção da via Judicial, eis que, de acordo com a Lei n° 6.729,  de 1979, denominada Lei Ferrari, em seu art. 16, é expressamente vedado aos fabricantes de  veículos intervir na gestão das concessionárias, seja uma ingerência administrativa, econômica  ou jurídica.  Isto  posto,  passa­se  à  análise  detalhada  de  sua  relação  processual  em  cada  uma  destas  demandas  Judiciais  (item  "c"  da Resolução  solicitada  pelo CARF  ­  informações  prestadas pela Recorrente às fls. 1.256/1.315), bem como, verifica­se que foi juntado aos autos  toda  documentação  correlata,  conforme  o  determinado  no  item  "a,  b  e  d"  da  solicitação  de  Diligência  (fls.  1.270/1.810).  Tudo  conforme  restou  consignado  no  "Relatório  de Diligência  Fiscal" elaborado pelo Fisco às fls. 1.947/1.966, que doravante passo a reproduzir:  (i) Ação Ordinária n° 2004.38.00.036106­0, ajuizada pela concessionária  Roma Automóveis e Serviços Ltda. e Mandado de Segurança n° 2005.01.037867­6.   Ação Ordinária autuada sob número 2004.38.00.036106­0, cuja antecipação  dos efeitos da tutela foi deferida nos seguintes termos:  "Defiro,  com  estas  considerações,  a  antecipação,  dos  efeitos  da  tutela  para  enquadrar  as  operações  da  contribuinte,  com  veículos  zero­quilômetro  no  regime  de  apuração  não  cumulativo, nos termos das Leis n° 10.637, de 30/12/2002, e n° 10.833, de 29/12/2003, afastando por  conseguinte,  o  regime  monofásico  previsto  na  Lei  n°  10.485,  de  03/07/2002,  alterada  pela  Lei  n°  10.865,  de  30/04/2004,  determinando  seja  intimada  pessoalmente  a  montadora,  na  qualidade  de  substituto  tributário  ­ para que deduza do preço  total  da nota  fiscal  emitida  contra a contribuinte o  percentual de 5,13 referente ao valor do PIS e da Cofins embutido na cobrança monofásica".  Contra essa decisão, a Recorrente, na qualidade de terceira interessada, opôs  Embargos de Declaração, à  fim de que fosse esclarecida a extensão de sua  responsabilidade,  perante o Fisco, em razão do cumprimento da decisão liminar. Os embargos foram rejeitados  pelo magistrado, que, no entanto, esclareceu a necessidade de a Secretaria da Receita Federal  observar o contido na Instrução Normativa nº 104/00. É dizer, a Recorrente não poderia vir a  ser  responsabilizada  por  eventual  tributo  devido,  caso  fosse  cassada  a  decisão  favorável  às  concessionárias. Sobreveio sentença que confirmou os efeitos da antecipação da tutela.  Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.028          19 A Recorrente,  irresignada com o seu  teor,  impetrou Mandado de Segurança  perante  o  Tribunal  Regional  Federal  da  1ª  Região  (MS  nº  2005.01.00.037867­6),  para  que  fossem sustados os efeitos do comando judicial. Em que pesem seus fundamentos, a segurança  pleiteada  foi  denegada,  sob  o  argumento  de  que  faltava­lhe  interesse  processual,  justamente  porque  sua  responsabilidade  em  face  da  Administração  Tributária  Federal  já  havia  sido  afastada pelo juízo de primeira instância. Este entendimento foi reafirmado pelo Relator. Veja­ se trecho abaixo reproduzido:  "Ocorre, porém, que, ainda quando a Impetrante tenha, a seu favor, a presunção de  constitucionalidade da Lei n° 10.485/02, alterada pela Lei n° 10.865/04, é certo que não preenche ela o  requisito  do  art.  3º  do  CPC,  eis  que  lhe  falta  interesse  processual,  seja  porque,  na  decisão  dos  embargos de declaração por ela opostos contra a decisão que antecipou a  tutela, o MM. Juiz a quo  deixou clara a impossibilidade de ser ela molestada com a exigência da Contribuição, por estar dando  cumprimento  à  decisão  judicial  concessiva  da  antecipação  dos  efeitos  da  tutela,  eis  que  é  de  se  presumir  que  os  agentes  do  fisco  têm  pleno  conhecimento  dos  atos  normativos  complementares  à  legislação  tributária  (CTN, art.  100,  I)  editados pela própria Secretaria da Receita Federal  (fl.  72);  seja  porque  a  providência  pleiteada  no  presente  mandado  de  segurando,  ou  seja  a  atribuição  ao  verdadeiro contribuinte do dever de responsabilizar­se pelo recolhimento do tributo, no caso de vir a  autora (ROMA AUTOMÓVEIS E SERVIÇOS LTDA. ­ matriz e filial) a sucumbir na ação, já e medida  expressamente prevista no art. Io da IN­SRF104. de 19/09/00".  Diante  da  decisão  desfavorável,  e  não  obstante  a  declaração  expressa  de  inexistência  de  sua  responsabilidade  pelo  crédito  tributário,  a  Recorrente  solicitou  ao  juízo  autorização para efetuar o depósito dos montantes controvertidos. Este pedido acabou sendo­ lhe negado, num primeiro momento, sob o fundamento de que lhe faltava legitimidade para o  pleito. Veja­se a seguinte passagem da decisão:   "Verifica este Juízo que a empresa Fiat Automóveis S/A não figura como parte no  processo  em  epígrafe.  Aliás,  noutro  pronunciamento  (fls.  136/138),  já  se  averbou  a  ilegitimidade  daquela  requerente.  Destarte,  não  poderia  pleitear  providência  como  depósito  judicial.  Ademais,  proferida  a  r.  sentença  de  fis.  232/257,  somente  o  Egrégio  TRF1ª  Região  poderá  modificar  o  seu  comando. Admitir o depósito do  importe de  tributo, questionado seria alterar o r. decisório, o que é  defeso ex vi legis" .   Diante do entrave para a realização dos depósitos, o mesmo só foi deferido  judicialmente após a concordância expressa da concessionária Roma neste sentido.  Da  sentença  que  julgou  procedente  o  feito,  a  União  Federal  interpôs  Apelação perante o TRF da 1ª Região. Submetido o feito a julgamento, foi negado provimento  ao Recurso e à remessa oficial, nos termos do voto da Des. MARIA DO CARMO CARDOSO.  Em seguida,decisão monocrática da Desembargadora Relatora atendeu ao pleito aduzido pelas  concessionárias,  para  que  estas  pudessem  levantar valores  depositados  pela Recorrente  até  o  momento.  Em  face  do  acórdão,  a  Fazenda  Nacional  e  a  Recorrente  interpuseram  os  Recursos cabíveis, mas não obtiveram êxito. Restou assentado, então, que a Recorrente deveria  cumprir a decisão judicial. Isto é, deixar de reter os 5,13% a título de PIS/COFINS das notas de  vendas de veículos e, além disso, as concessionárias foram autorizadas a  levantar o montante  depositado até o momento.  Irresignada,  a  Recorrente  peticionou  nos  autos  com  vistas  a.  impedir  o  levantamento dos depósitos. A decisão,  todavia,  foi mantida, o que ensejou a interposição de  Fl. 2037DF CARF MF     20 Medida  Cautelar  perante  o  TRF  da  Ia  Região,  com  o  objetivo  de  suspender  a  eficácia  da  decisão que determinou a dedução do percentual de 5,13% das notas  fiscais  e,  ato  contínuo,  permitir que a Recorrente pudesse continuar depositando o valor do crédito controvertido. Em  que  pese  o  esforço  empenhado,  a  petição  inicial  foi  indeferida,  por  suposta  inadequação  da  medida judicial adotada.  Assim,  a Recorrente  intentou medida  cautelar  junto  ao STJ,  que houve  por  bem  deferir  a  liminar  pleiteada,  suspendendo  a  decisão  de  levantamento  dos  valores  depositados pela concessionária.  Relação processual da Recorrente  Como visto, a Recorrente apresentou  inúmeras petições e medidas  judiciais  na qualidade de terceira interessada/prejudicada, sempre objetivando combater a decisão obtida  pela concessionária. Ou, em não obtendo êxito neste  intento, em solicitar o depósito  judicial  dos  valores  como  medida  acautelatória.  Contudo,  nem  mesmo  esta  tarefa  não  se  mostrou  tranqüila:  o magistrado  indeferiu  seu  pleito,  que  só  pôde.  ser  atendido mediante  a  anuência  expressa da concessionária. Só então é que o depósito foi autorizado.  Aliás,  da  decisão  que  deferiu  a  realização  dos  depósitos,  destacando­se  o  seguinte trecho, que define expressamente a condição processual da FIAT na lide:  "Observo,  inicialmente,  que,  apesar  de  constar  da  autuação  do  presente  feito  o  nome da aqui  requerente, FIAT AUTOMÓVEIS S/A, como apelada, a mesma não  figura  como parte  neste feito, embora tenha nele peticionado como 3 o interessado, pedindo vista dos autos, que não lhe  foi  concedida,  e,  posteriormente,  requerendo  o  depósito  dos  valores  descontados,  o  que  lhe  foi  indeferido (fl. 337), tendo interposto, dessa decisão, agravo de instrumento, ao qual lhe foi denegada^  a antecipação da pretensão recursal (fls. 328/383). Assim, determinou que se proceda à correção da  autuação, para que seu nome seja dela excluído".  Em  segunda  instância,  a  decisão  que  havia  deferido  os  depósitos  foi  reformada,  além  de  ter­se  autorizado  as  concessionárias  a  procederem  ao  levantamento  dos  depósitos realizados até o momento. A Recorrente, então,  interpôs os recursos cabíveis, além  de ter se valido de uma ação cautelar para cassar o referido comando judicial. Não há dúvida,  portanto,  que  a parte  envidou  todos os  esforços  possíveis,  fazendo  tudo  o que  estava  ao  seu  alcance  para  permanecer  depositando  as  quantias  controvertidas  e,  ainda,  obstar  que  a  concessionária levantasse os valores depositados.  Assim,  percebe­se  que  a  Recorrente  não  se  manteve  silente  em  relação  às  decisões obtidas pelas concessionárias, em que pese o fato de sua responsabilidade pelo crédito  tributário ter sido excluída de modo expresso pelos juizes de primeira e segunda instâncias.  (ii) Ação Ordinária n° 2004.61.00.034221­5, ajuizada por GPV Veículos e  Peças Ltda. e Venice Veículos e Peças Ltda; Mandado de Segurança n° 2002.61.00.025986­ 8, também impetrado pelas concessionárias.  Ação  Ordinária  aforada  em  dezembro  de  2004,  tombada  sob  número  2004.61.00.034221­5, com decisão liminar concedida no início de 2005.  Logo após o deferimento da tutela antecipada, as concessionárias requerem a  citação da  .Recorrente, para  figurar na condição de LITISCONSORTE PASSIVA (RÉ). Este  pedido  foi  formulado  justamente  em  observância  ao  trâmite  das  ações  que  já  haviam  sido  intentadas  pelas  demais  concessionárias,  em  relação  às  quais  a  Recorrente  ajuizava  novas  Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.029          21 demandas (mandados de segurança) objetivando cassar as decisões proferidas em favor destas.  Confira­se trecho da petição requerendo a citação da Recorrente:  "Com  o  deferimento  da  antecipação  de  tutela,  foi  requerida  a  expedição  e  cumprimento  da  carta  precatória  à  Montadora  FIAT  Automóveis  S/A,  estabelecida  na  comarca  de  Betim/MG.  Contudo,  em  casos  análogos  ao  da  presente  ação  a'referida  montadora  tem  alegado  prejuízo  em  sua  participação  no  processo,  distribuindo,  posteriormente,  à  intimação  dos  atos  dos  processos,  ações  autônomas,  por  vezes  originariamente  no  Tribunal  competente,  mesmo  após  o  proferimento da sentença, motivo pelo qual requerer a parte autora a devolução da carta precatória  desentranhada, para análise do pedido a seguir formulado.  A  fim  de  evitar  futuras  alegações  de  prejuízo,  bem  como  impedir,  quaisquer  tumultos  processuais  e  garantir  a  celeridade  do  processo,  requer  seja  deferida  a  inclusão  da  montadora (...), como listisconsorte passivo, a fim de compor a lide (...).  Requer,  ainda,  seja  determinada a  suspensão  da  antecipação de  tutela  concedida  nos  autos,  até  a  citação  e manifestação  da montadora  sobre  os  argumentos  despendidos­na  petição  inicial. "  Regularmente  citada,  a  Recorrente  requisitou  "autorização  para  que  seja  realizado o depósito judicial das quantias controvertidas, com vistas a se eximir de eventuais  efeitos da mora (...)".  Em  seguida,  foi  proferida  sentença  que  deu  total  provimento  aos  pedidos  formulados  pelas  empresas  autoras  e  extinguiu  o  feito  em  relação  à  Recorrente,  por  ilegitimidade passiva. Segue a transcrição da parte dispositiva:  "Julgo  procedente  o  pedido  formulado  para  afastar  a  tributação  monofásica  prevista  na  Lei  n°  10.485/2002,  alterada  pela  Lei  n°  10.865/04,  relativamente  a  veículos,x  zero­ quilômetro  das  autoras  (...),  assegurando­lh.es  o  direito  de  recolher  o  PIS  e  a  COFINS  sobre  o  faturamento,  assim  compreendida  a  diferença  entre  o  valor  do  veículo  repassado  à  montadora  e  o  valor de venda ao consumidor final, tudo nos termos da fundamentação desta decisão, que fica fazendo  parte integrante do dispositivo.  Por conseqüência, deverá a montadora abster­se de recolher o percentual de 5,13%  sobre o valor do veículo repassado à impetrante (sic), ficando ela, montadora, exonerada de qualquer  responsabilidade perante o Fisco por força de cumprimento desta decisão judicial" (sem destaque no  original)  Apesar  de  a Recorrente  ter  sido  excluída  da  lide,  nota­se que  o magistrado  afastou, de forma expressa, sua responsabilidade perante o crédito sub judice, exonerando­a de  qualquer  encargo  perante  o  Fisco.  Conquanto  a  Recorrente  não  tenha  se  voltado  contra  a  sentença, por medida de cautela passou a efetuar o depósito mensal da exação questionada.  Em  segunda  instância  a  sentença  foi  reformada,  restabelecendo­se  o  regime  monofásico  de  tributação,  sendo  que,  atualmente,  aguarda­se  o  julgamento  dos  Recursos Especial e Extraordinário interpostos pelas concessionárias.  Relação processual da Recorrente  A  partir  da  exposição  supra,  identifica­se  que  a  Recorrente,  inicialmente  incluída  como  Ré,  requereu  autorização  judicial  para  realização  dos  depósitos,  ainda  que  a  decisão liminar tenha afastado de forma expressa sua. responsabilidade pelo crédito tributário.  Fl. 2039DF CARF MF     22 Sua condição de Ré na demanda é facilmente extraída da movimentação do  processo,  extraída  do  sítio  eletrônico  do  Tribunal,  bem  como  da  certidão  de  inteiro  teor  da  ação, emitida pelo juízo.  Destaca­se que mesmo após a sentença que a excluiu da lide, e reafirmou à  impossibilidade  de  sua  responsabilização  perante  o  montante  controvertido,  a  Recorrente  requereu nova autorização para o depósito, desta vez deferida pelo juízo.  É certo que diante da liminar e sentença, que eximiram sua responsabilidade  em relação ao Fisco, a Recorrente poderia quedar­se inerte, eis que resguardada pelas decisões  judiciais.  Todavia,  no  interesse  da  própria  União  Federal,  procedeu  de  maneira  diversa,  realizando  o  depósito  judicial  do  tributo  questionado,  o  que  revela  a  lisura  de  seu  comportamento perante a Administração Pública.   Do Mandado de Segurança 2002.61.00.025986­8, impetrado por GPV Veículos e Peças Ltda.  e Venice Veículos e Peças Ltda.  Em relação ao Mandado de Segurança n° 2002.61.00.025986­8, destacado no  despacho retro (item b), trata­se de ação ajuizada pelas concessionárias, que também tinha por  objetivo  afastar  o  regime  monofásico  de  recolhimento  das  contribuições  para  o  PIS  e  a  COFINS.  Contudo,  nesta  demanda  questionou­se  o  citado  regime  apenas  no  período  de  vigência da Lei n° 10.485/02, não abarcando, portanto, o interregno autuado, que compreende  o ano de 2005, quando já estava em vigor a Lei n° 10:865/04.  Nos  autos  da  ação  ordinária  n°  2004.61.00.034221­5,  tratada  no  tópico  anterior,  é  que  se  discutiu  o  regime monofásico  sob  a  égide  da  Lei  n°  10.865/04,  que  teve  efeito de majorar as alíquotas do PIS e da COFINS.  De  todas  as  formas,  conforme  se  verifica  da  certidão  de  inteiro  teor,  vale  destacar que a Fiat sempre combateu, ao lado da União Federal, a prática das concessionárias,  apresentando Agravos e Recursos de Apelação. Neste sentido, confira­se a passagem abaixo,  extraída da citada certidão:  "A  montadora  (Fiat  Automóveis  S/A)  interpôs  recurso  de  agravo  de  instrumento  com pedido de antecipação dos efeitos da tutela recursal (...)"  (...)  em  face  da  referida  decisão  a  Fiat  Automóveis  S/A  e.  a  União  Federal  apresentaram recurso de apelação. Tendo sido recebida a apelação da Fiat Automóveis S/A recebida  por despacho de fls. 242/243, determinando ainda fosse oficiada para cumprir a decisão de imediato,  sob pena de  aplicação de multa  diária  de R$ 30.000,00.  Em  face  da  referida  decisão,  a montadora  interpôs recurso de agravo de instrumento ­ (n° 2003.03.00.037056­2) distribuído por dependência ao  Agravo de Instrumento n° 2002.03.00.051405­1.".  (iii).  Ação Ordinária  n°  200461.00.023310­4,  ajuizada  por  Itavema Rio  Veículos  e  Peças  Ltda.  e.  Itavema  Itália  Veículos  e  Máquinas  Ltda.  e  Mandado  de  Segurança n° 2005.03.00.026253­1, impetrado pela Recorrente.  Ajuizada  em  agosto  de  2004,  a Ação Declaratória  n°  2004.61.00.023310­4  teve a tutela antecipada deferida em decisão prolatada em setembro de 2004:  "Face  ao  exposto,  verificando  a  presença  dos  pressupostos  que  autorizam  a  antecipação da tutela (art. 273 CPC), defiro em parte a tutela postulada para o efeito de (a) afastar o  regime de antecipação tributária, estabelecido pela Lei n° 10.865/04, intitulado de . regime monofásico  de  recolhimento  tributário,  pela  aparente  incompatibilidade  com  a  eleição  constitucional  do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  no  tocante  aos  tributos  de  natureza  pessoal,  a  saber,  o  PIS  e  a­  Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.030          23 COFINS e,  .* ainda, pela aparente violação ao postulado da  igualdade,, em função do díscrimen do  setor econômico que as autoras apresentaram e, por conseguinte,  (b) determinar às  fabricantes e às  importadoras  que  se  abstenham  de  promover  à  retenção  e  recolhimento  do  percentual  estimado  de  faturamento  das  autoras,  no  percentual  de  5,13%  sobre  o  valor  total  do  veículo,  afastando­se,  por  conseguinte,  toda  e  qualquer  responsabilidade  tributária  dos  respectivos  fabricantes  pelo  encargo  tributário, em razão do aqui decidido, até a solução final do feito".  A medida  liminar  foi  confirmada  por  sentença  proferida  em  novembro  de  2004,  que  manteve  o  afastamento  "de  toda  e  qualquer  responsabilidade  tributária  dos  respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário das contribuições do PIS e da  COFINS", bem como a abstenção de se proceder à retenção de 5,13% sobre o valor das notas  fiscais emitidas contra as autoras.  Na  condição  de  terceira  interessada,  a  Recorrente  opôs  Embargos  de  Declaração em face da sentença,  requerendo esclarecimento acerca de qual comando  judicial  deveria  cumprir:  a  sentença  embargada,  ou  a  decisão  exarada  na  ação  ordinária  n°  2003.61.00.029658­4,  na  qual  as  concessionárias  discutiam  o  regime  monofásico  durante  a  vigência  da  Lei  n°  10.485/02.  Os  Embargos  foram  acolhidos  para  esclarecer  que,  a  partir  daquele instante, deveria ser observada a nova decisão.   Fixada  a  decisão  em  vigor,  a  Recorrente  impetrou  mandado  de  segurança  junto  ao  TRF  da  3ª  Região  (2005.03.00.026253­1),  na  qualidade  de  terceira  interessada,  pugnando, liminarmente, pela suspensão de seus efeitos, para que, ao fim, fosse reconhecido o  direito  de  continuar  recolhendo  contribuições,  em  discussão  no  regime  monofásico.  Subsidiariamente, requereu autorização para realizar o depósito, das quantias controvertidas, de  modo a se eximir de eventuais efeitos decorrentes da mora.  A medida antecipatória foi concedida, mas  logo em seguida decidiu­se pela  decadência do direito à impetração, o que levou à interposição de Agravo Regimental por parte  da Recorrente.  As  concessionárias,  por  sua  vez,  renunciaram  ao  direito  sobre  o  qual  fundava a ação ordinária, para  fins de adesão ao programa de parcelamento  instituído  pela Lei n° 11.941/09. A Recorrente, então, diante da extinção da ação ordinária, desistiu do  mandado de segurança, já que perdeu seu objeto.  Relação processual da Recorrente   Com base na exposição acima, verifica­se que, em relação à ação ordinária,  ajuizada pelas concessionárias, a intervenção da Recorrente nos autos se limitou à oposição de  Embargos de Declaração, como terceira interessada, a fim de que fosse esclarecido o alcance  da decisão proferida, que lhe impôs uma obrigação de não fazer.   Por  outro,  no  mandado  de  segurança  a  Recorrente  voltou­se  contra  a  mencionada decisão, buscando suspender seus efeitos, para que lhe fosse assegurado o direito  de  recolher as contribuições no  regime monofásico. Na ocasião,  a Recorrente ainda solicitou  autorização para proceder ao depósito das quantias antecipadas.  Constata­se,  assim,  que  a  relação  processual  da  Recorrente,  em  ambos  os  feitos, jamais se coadunou com os interesses das concessionárias. Com efeito, quanto à ação, a  Recorrente  tratou  de  aclarar  o  comando,  judicial  para,  então,  buscar  afastar  seus  efeitos  nos  autos do mandado de segurança.  Fl. 2041DF CARF MF     24 Conclui­se,  assim,  que  a  Recorrente  sempre  buscou  afastar  os  efeitos  dos  provimentos  obtidos  pelas  concessionárias  ou,  quando  menos,  neutralizar  seus  efeitos,  mediante o depósito judicial, ainda que estas decisões já fossem isoladamente suficientes para  afastar  sua  responsabilidade  pelo  tributo  discutido,  eis  que  eximiram  sua  obrigação  expressamente.  (iv).  Ação  Ordinária  n°  2004.61.00.023524­1,  ajuizada  pelas  concessionárias DHJ Comércio de Veículos Ltda., CMJ Comércio de Veículos Ltda. e Forte  Veículos  Ltda.  e  Mandado  de  Segurança  n°  2005.03.00.026789­9,  impetrado  pela  Recorrente.  Ação  Ordinária  intentada  em  agosto  de  2004,  registrada  sob  número  2004.61.00.023.5241, com decisão liminar concedida em setembro de 2004, no seguinte teor:  "Isto posto, defiro parcialmente a antecipação da tutela para afastar a aplicação do  art. 1º da Lei n° 10.485/02, com redação dada pela Lei n° 10.865/04, a fim de possibilitar às autoras  FORTE VEÍCULOS  LTDA.  e  sua  filial,  DHJ COMÉRCIO DE  VEÍCULOS  e CMJ COMÉRCIO DE  VEÍCULOS LTDA e suas duas filiais, o recolhimento do PIS e da COFINS nas operações de veículos  zero­quilômetro com base na diferença do valor de alienação do veículo ao consumidor final e do valor  repassado às montadoras, na forma das Leis n° 10.637/02 e10.833/03.  Por conseqüência, deverá a montadora abster­se de recolher o percentual de 5.13%  sobre  o  valor  do  veículo  repassado  às  concessionárias,  ficando  ela,  montadora,  exonerada  de  qualquer responsabilidade perante o Fisco por forca do cumprimento. desta decisão judicial." (sem  destaques no original)  Na seqüência, sobreveio sentença prolatada pelo magistrado confirmando os  efeitos da liminar e, novamente, afastando de forma expressa a responsabilidade da Recorrente,  perante o Fisco, pelo cumprimento da ordem judicial. Não se conformando com a sentença, a  União Federal ingressou com recurso de Apelação.  Em maio  de  2005,  a Recorrente  impetrou mandado  de  segurança,  junto  ao  TRF da 3aRegião, para cassar a sentença de procedência proferida na citada ação ordinária. O  pedido foi formulado nos seguintes termos:.'     "(...)  a  concessão  em  definitivo  da  segurança  para  garantir  seu  direito  líquido  e  certo de efetuar o recolhimento do crédito tributário da contribuição ao PIS e da COFINS, nos moldes  estipulados  no  art.  1º  da Lei  n°  10.485/02,  com  redação  dada pela  Lei  n°  10.865/04  ou,  ao menos,  realizar o depósito judicial das quantias controvertidas com vistas a se eximir de eventuais efeitos de  mora".   A inicial do mandado de segurança foi  indeferida de plano, uma vez que o  Recurso de Apelação interposto pelo ente público foi  recebido no duplo efeito, suspendendo­ se,  dessa  forma,  a  eficácia  do  ato  que  se  buscava  impugnar.  A  partir  desse  momento,  a  Recorrente  passou  a  efetuar  o  depósito  mensal  do  valor  controvertido  nos  autos  da  ação  ordinária e, para que estes depósitos fossem viabilizados, foi necessário o peticionamento em  conjunto entre a Recorrente e as concessionárias, para que estas anuíssem expressamente como  procedimento. Veja trecho da petição:  "A montadora  de  veículos  tem  interesse  em proceder  ao  depósito  dos  valores,  ao  invés  de  realizar o  desconto  de  5,13%  sobre  as  notas  fiscais  relativas  ao  veículos  zero­quilômetros,  emitidas em face das concessionárias.  Diante  da  concordância  da  Autora  com  referido  procedimento,  requer  sejam  formados autos apartados ao presente (...)" .  Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.031          25 Posteriormente,  as  concessionárias  renunciaram  à  ação  e  o  processo  foi  extinto,  remanescendo a discussão  entre as  concessionárias,  e a União Federal  a  respeito do  montante dos depósitos a ser convertido em renda/levantado.  Relação processual da Recorrente  Nos  autos  da  ação  ordinária,  a Recorrente  atuou  como  terceira  interessada,  com o fim de solicitar autorização para efetuar o depósito dos valores em discussão.  Importante  destacar  que,  antes  de  sua  intervenção  no  citado  feito  a  Recorrente impetrou mandado de segurança, com o objetivo precípuo de afastar o comando da  sentença que concedeu a  segurança às concessionárias. Subsidiariamente,  requereu que fosse  autorizado o depósito da exação questionada.  Em  resumo,  ainda  que  a  Recorrente  tivesse  responsabilidade  resguardada  pela  decisão/sentença  proferidas  na  ação  ordinária,  suas  intervenções  judiciais  sempre  revelaram medida de cautela, seja para afastar o comando da sentença, que lhe impunha uma  obrigação  de  não  fazer  (não  reter  o  tributo  questionado),  seja  para  efetuar  o  depósito  do  quantum em discussão.    4.1 Da Síntese Conclusiva elaborada pela Fiat  A partir da análise da relação processual da Recorrente em cada uma das 4  (quatro) ações ordinárias ajuizadas pelas concessionárias, bem como o objeto dos mandados de  segurança por ela impetrados, é possível extrair as seguintes conclusões:  a)  a  Recorrente  jamais  se  beneficiou  das  decisões  obtidas  pelas  concessionárias de veículos. É dizer, em momento algum ela foi favorecida pelas  liminares e  sentenças que afastaram o regime monofásico de recolhimento do PIS e da COFINS;  b) a confirmar esta assertiva, verifica­se que em todos os casos a Recorrente  jamais  quedou­se  inerte,  não  obstante  o  fato  de  estas  mesmas  decisões  terem  afastado,  expressamente, sua responsabilidade pelo crédito tributário que se estava a discutir;  c) neste sentido, aliás, as condutas adotadas pela Recorrente sempre tiveram o  objetivo  de  cassar  estas  decisões,  ou,  quando  menos,  neutralizar  seus  efeitos,  mediante  o  depósito  dos  valores  questionados.  Por  precaução,  a  todo  momento,  a  Recorrente  buscou  resguardar  os  efeitos  de  mora,  caso  os  provimentos  liminares  obtidos  pelas  concessionárias  viessem a ser cassados;  d)  por  fim,  uma  última  constatação  que,  apesar  de  soar  óbvia,  merece  ser  destacada: a Recorrente e as concessionárias sempre tiveram interesses antagônicos em relação  a estes  feitos:  se para estas,  era vantajoso conseguir o desconto equivalente a 5,13% sobre o  valor das notas, a  título de PIS/COFINS; para aquela,  tal não  trazia qualquer vantagem; pelo  contrário: além de (i) impor uma nova sistemática de apuração e recolhimento dos tributos, e  (ii) acarretar­lhe uma série de entraves de ordem operacional, a quebra do regime monofásico  ainda  (iii)  gerou  desconforto  perante  as  demais  concessionárias  que  integravam  sua  rede  de  distribuição, em virtude da concorrência desleal ( preços diferenciados).   Enfim,  a  Recorrente  fez  tudo  que  estava  ao  seu  alcance  para  garantir  a  preservação de seus direitos, sempre se pautando pela boa fé e pelos contornos impostos pela  Fl. 2043DF CARF MF     26 legislação de regência, especialmente as disposições da Lei Ferrari (art. 16 da Lei n° 6.729, de  1979),  que  disciplina  a  concessão  comercial  entre  fabricantes  e  distribuidores  de  veículos  automotores.  Conforme  já  adiantado,  segundo  este  diploma,  é  vedado  ao  concedente  (a  Recorrente,  no  caso)  a  prática  de  atos  tendentes  a  interferir  na  gestão  dos  negócios  do  concessionário,  que  possui  total  liberdade  para  a  gerência  de  seus  empreendimentos,  não  podendo ser submetido a uma relação de subordinação por parte das concedentes, seja ela de  cunho  econômico,  jurídico  ou  administrativo.  Confira­se  a  redação  do  dispositivo  legal  pertinente (art. 16, inc. I):  Art. ­ 16. A concessão compreende ainda o resguardo de integridade da marca e dos  interesses coletivos do concedente e da rede de distribuição, ficando vedadas:   I­ prática de atos pelos quais o concedente vincule o concessionário a condição de  subordinação econômica, jurídica ou administrativa ou estabeleça interferência na  gestão de seus negócios;  Vale  dizer,  portanto,  que  a  decisão  a  respeito  do  ajuizamento  das  ações  ordinárias  pelas  concessionárias,  com  o  fito  de  questionar  o  regime  monofásico,  estava  completamente  fora da alçada da Recorrente, que não poderia  intervir neste ato por expressa  determinação legal.  Lado  outro,  a Recorrente  certamente  fez  uso  de  todos  os meios  lícitos  que  estavam à sua disposição , não sendo justo que, neste momento, tenha que arcar com um ônus  tributário que não deu causa a que foi expressamente afastado pelo Judiciário. Pelo contrário,  apenas  observou  a  determinação  judicial,  o  que,  por  razões  lógicas,  não  pode  causar­lhe  tamanho dano.  5. Das Informações prestadas pelas CONCESSIONÁRIAS  Conforme consta do  resultado da Resolução n°  3202­000.172  (Relatório de  Diligência  Fiscal  ­  fls.  1.950/1.963),  houve  a  necessidade  de  diligenciar  junto  as  diversas  concessionárias tratadas neste processo e o mesmo teve que ser encaminhado à diversas DRF  de circunscrição das mesmas.   A  todas  as  Concessionárias,  forma  indagadas  a  responderem  os  quesitos  abaixo, considerando as respectivas ações Judiciais propostas:  1­ Se em razão das decisões emanadas nos autos da ação ordinária nº (...), houve a  partir de janeiro/2005, apuração de PIS e Cofins nas operações de veículos zero­ quilômetro com base  na diferença entre o valor do de alienação do veículo ao consumidor e valor repassado as montadoras,  na forma das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003;  2­  Tendo  havido  apuração  na  forma  do  item  1,  destacar  mês  a  mês  a  partir  dos  Dacons  apresentados,  em  coluna  própria,  os  componentes  relativos  a  apuração  do  PIS  e  da  Cofins  decorrentes da ação judicial em comento, e  3­  Tendo  em  vista  a  desistência  da  presente  ação  pelo  contribuinte,  informar  se  houve, de alguma forma, recolhimento de PIS e Cofins ao fim da citada ação."  Consta à fl. 1.960, que a Derat ­ SP intimou, a CMJ Comércio de Veículos  Ltda,  às  fls.  1.240  do  citado  processo,  através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  01,  a  apresentar os seguintes documentos e esclarecimentos (...):  Em resposta, ao Termo de Intimação Fiscal n° 01, a CMJ, às fls. 1249/1.250  informou:  Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.032          27 "Item 1­ Nas operações de veículos zero quilômetros não houve apuração de PIS e  Cofins com base na diferença do valor de alienação do veículo ao consumidor e o valor repassado às  montadoras, ria forma das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; Item 2­ Não aplicável;  Item  3­ Não houve, de  nenhuma  forma,  recolhimento  de PIS  e Cofins  da  citada  ação."  A  Derat  ­  SP  emitiu  o  TIF  n°  02/2014  para  a  GPV  Veículos  e  Peças  Ltda/Paulo Gaspar Lemos,  conforme  fls. 1242 e 1243, no qual  são solicitadas as  seguintes  informações:  Entretanto, a correspondência foi devolvida com a informação de mudou­se,  conforme  fls.  1.245/1.246  do  presente  processo. A Derat  ­  SP  juntou,  às  fls.  1.251/1.253  do  processo,  extratos  de  recolhimentos,  a  título.de  PIS  e  Cofins  de  2007,  entretanto  não  pertencentes ao período fiscalizado.  Houve  encaminhamento  do  processo  à  DRF  de  Santo  André  (SP)  para  complementação da diligência, conforme despacho de fls. 1.254.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Santo  André,  em  cumprimento  às  determinações  da  já  citada Resolução CARF,  enviou  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  (TIF)  n°  188/2014  para  a  concessionária Fiat  Itavema  Itália  Veículos  e Máquinas  Ltda,  conforme  cópia a seguir (...).  Em  02/09/2014  a  Itavema  apresentou  termo  de  resposta  à  intimação  n°  188/2014, conforme destacado abaixo:  "Diante dos questionamentos acima, a contribuinte esclarece que no que tange ao  ITEM 1, nas operações de venda de veículos zero quilômetros não houve apuração de PIS e COFINS  com  base  na  diferença  do  valor,  de  alienação  do  veículo  ao  consumidor  e  o  valor  repassado  às  montadoras, na forma das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.  Por fim, no que tange ao ITEM 3, informa a empresa ora peticionária que no curso  da ação (Processo n° 2004.61.00.023310­4) foi realizado depósito judicial pela montadora Fiat no que  se refere ao PIS/COFINS monofásico objeto da discussão."  Às  folhas  1.842  deste  processo  encontra­se  a  intimação  fiscal  n°  126/2014  para que a Itavema Rio Veículos e Peças Ltda, apresente as seguintes informações:  A resposta à  intimação n° 126/2014 encontra­se às  fls. 1844 e 1845, com a  seguinte declaração:  "Diante dos questionamentos acima, a contribuinte esclarece que nó que tange ao  ITEM 1, nas operações de venda de veículos zero quilômetros não houve apuração de PIS e COFINS  com  base  na  diferença  do  valor  de  alienação  do.veículo  ao  consumidor  e  o  valor  repassado  às  montadoras, na forma das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003..  ­  Em  conformidade  com  a  resposta  dada  no  ITEM  1  a  pergunta  ITEM  2  resta  prejudicada.  Por fim, no. que tange ao ITEM 3, informa a empresa ora peticionária que no curso  da ação (Processo n° 2004.61.00.023310­4) foi realizado depósito judicial pela montadora Fiat no que  se refere ao PIS/CÓFINS monofásico objeto da discussão."  Fl. 2045DF CARF MF     28   Às  fls.  1.865  do  presente  processo,  encontra­se  o  Termo  de  Intimação  Fiscal (TIF) n° 31/2014, com as seguintes exigências à DHJ Comércio de Veículos Ltda.:  "A intimada não foi cientificada da intimação fiscal por não estar mais funcionando  no local indicado, conforme informação fiscal de fls. 1868.  Tentou­se, ainda,  localizar a DHJ Comércio de Veículos em São Paulo, conforme  Termos de Intimação Fiscal n° 945/2015 (fls. 1876), n ° 947/2015 (fls. 1877)e n° 948/2015 (fls. 1878).  Às fls. 1.894 deste processo administrativo encontra­se o Termo de Intimação  Fiscal  encaminhado  a  concessionária  Fiat  Roma  Automóveis  e  Serviços  Ltda,  com  as  seguintes exigências:  A resposta à intimação de fls. 1.894, encontra­se às fls. 1.896 deste processo  nos seguintes termos:    "Diante dos questionamentos acima, a contribuinte esclarece que no que tange ao  ITEM 1, nas operações de veículo zero­quilômetro não houve apuração de PIS e Cofins com base na  diferença  do  valor  de  alienação  do  veículo  ao  consumidor  e  o  valor  repassado  às  montadoras,  na  forma das leis 10.637/2002 e 10.833/2003.  "(...) Por fim, no que tange ao ITEM 2, informa a empresa, ora peticionária que ho  curso da ação (processo n° 2004.38.00.036106­0) foi realizado depósito judicial pela montadora Fiat  no que confere ao PIS/COFINS monofásico objeto de discussão."  6. Da conclusão da Diligência realizada pelo Fisco  Em seu relatório, o Fisco desta forma conclui a diligência: "Esta fiscalização,  no cumprimento da diligência proposta pelo Carf, após análise dos documentos apresentados  pela FCA Fiat  e  suas  concessionárias,  conclui  que  inexiste  alteração  de  valores  lançados  ou  entendimento quanto ao contribuinte das contribuições para o PIS e a COFINS monofásicos,  sendo corretos os valores mantidos pelo julgamento da Delegacia de Julgamento".  7. Do Regime de Tributação para os Fabricantes de Veículos  Na Constituição Federal, nota­se que a instituição da não­cumulatividade foi  ratificada pelo §12 do art. 195, acrescido pela Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro  de  2003,  publicada  no  Diário  Oficial  da  União  de  31.12.2003.  Tal  dispositivo  permite  ao  legislador  ordinário  definir  os  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais  serão  não­ cumulativas  as  contribuições  de  seguridade  social  incidentes  sobre  a  receita  bruta  ou  o  faturamento e as incidentes nas importações.   Já no §4º do art. 149 da CF, acrescido pela Emenda Constitucional nº 33, de  2001, determina que a Lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única  vez. Tal dispositivo permite ao legislador ordinário definir em que hipóteses a tributação será  "concentrada"  em  uma  só  etapa  da  cadeia  produção­consumo  (tributação  monofásica).  O  dispositivo é relevante para as contribuições que tenham por base econômica o consumo (como  é o caso da Contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta). Ele permite  ao  legislador,  ao  invés  de  tributar  todas  as  etapas  do  ciclo  produção­consumo  (tributação  plurifásica), concentrar toda a tributação em uma determinada etapa (ou produção, ou atacado,  ou varejo ­ tributação monofásica).  Conclui­se  que  tais  dispositivos  constitucionais  permitem  ao  legislador  racionalizar  a  tributação  que  pode,  considerando  as  características  do  produto,  concentrar  a  tributação em uma determinada etapa da cadeia de produção­consumo (tributação monofásica)  Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.033          29 ou  distribuir  a  tributação  ao  longo  da  cadeia  de  produção­consumo  (tributação  plurifásica),  independente  de  o  tributo  ser  cumulativo  ou  não­cumulativo. Na  verdade,  por  determinação  constitucional,  o desenho  jurídico da não­cumulatividade  e da  tributação monofásica para  as  contribuições ficou ao encargo do legislador ordinário.  No  plano  infraconstitucional,  a  incidência  não­cumulativa  da  Contribuição  para o PIS/Pasep foi introduzida em nosso ordenamento jurídico pela Lei nº 10.637, de 2002.  No  mesmo  plano,  a  incidência  não­cumulativa  da  COFINS  foi  introduzida  em  nosso  ordenamento jurídico pela Lei nº 10.833, de 2003. Em ambos os casos, a tributação na forma  cumulativa  foi mantida para  algumas  situações,  de  forma que os dois  sistemas de  tributação  (cumulativo  e  não­cumulativo)  passaram  a  conviver,  tanto  no  caso  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep, como no caso da COFINS.  No  caso  sob  exame,  como  bem  registra  o  acórdão  recorrido,  foi  apurada  a  falta/insuficiência  de  recolhimento  de  PIS  e  COFINS  nas  modalidades  de  incidência  monofásica,  para  fatos  geradores  de  janeiro  a  dezembro  de  2005,  incidentes  sobre  a  receita  bruta decorrente da venda de veículos automotivos novos, nos termos da citada Lei nº 10.485,  de 2002. Repisa­se que o período de apuração de janeiro/2005 encontra­se extinto, nos termos  do art. 156, VII, do CTN (pela decadência).  Não resta dúvida, portanto, que o legislador ordinário fez a opção em tributar  pelo  PIS  e  pela  COFINS  (incidência  monofásica)  a  receita  bruta  dos  fabricantes  e  importadores  de  veículos  novos,  exonerando  os  comerciantes  atacadistas  e  varejistas  do  recolhimento destas contribuições ao fazer incidir alíquota zero sob as receitas decorrentes da  venda desses produtos.  8. Da Legitimidade Passiva por parte da FCA FIAT  Aduz  a Recorrente  em  sua  defesa,  com  base  quase  que  exclusivamente,  no  argumento de que "seria parte ilegítima para figurar no pólo passivo do lançamento tributário",  considerando  que  se  viu  impedida  de  fazer  o  recolhimento  do  tributo  por  força  de  ordem  judicial  que  não  deu  causa.  "(...)  Portanto,  no  caso  específico  destas  concessionárias  que  ingressaram em juízo, o panorama que se instaurou foi o seguinte: o Poder Judiciário acabou  por criar um novo mecanismo de apuração e recolhimento do PIS/PASEP e da COFINS para  os  comerciantes  varejistas,  relativamente  à  recita  bruta  auferida  com  a  venda  de  veículos  automotores  novos.  Nestas  hipóteses,  a  norma  individual:  (a)  afastou  o  regime monofásico  para que entrasse em seu lugar o regime não­cumulativo, alterando, dessa forma, a sujeição  passiva  prevista  na  lei,  as  alíquotas,  a  forma  de  apuração  e  todos  os  demais  elementos  da  norma tributária de imposição; (b) permitiu que as concessionárias compensassem os valores  que foram indevidamente "retidos" pela Recorrente sob a vigência da Lei n° 10.865/04 (como  SE  houvesse  algum  tipo  de  "retenção"  no  regime  monofásico);  e  (c)  determinou  que  a  Recorrente  se  abstivesse  (obrigação  de  "não­fazer")  de  proceder  à  "retenção"  e  ao  "recolhimento"  do  percentual  "estimado"  de  5,13%  sobre  o  faturamento  do  veículo  zero­ quilômetro, bem como se abstivesse de repassá­lo, no preço, às concessionárias".  Repisa  que  mesmo  não  compondo  os  pólos  da  relação  processual  que  se  formou  entre  as  concessionárias  e  a  Fazenda  Federal,  teve  que  suportar  os  mandamentos  (obrigações de "não fazer") oriundos do Poder Judiciário. No entanto ­ e é aqui que surge um  dado de relevância ignorada pelo Fisco, quando da autuação objeto do presente recurso ­, este  mesmo Poder Judiciário, em cada uma das demandas, afastou toda e qualquer responsabilidade  da  Recorrente  perante  a  Administração  Tributária,  decorrente  do  cumprimento  das  aludidas  Fl. 2047DF CARF MF     30 ordens judiciais. Cita o seguinte excerto, "... por conseqüência, deverá a montadora abster­se  de recolher o percentual de 5,13% sobre o valor do veículo repassado à impetrante,  ficando  ela,  montadora,  exonerada  de  qualquer  responsabilidade  perante  o  Fisco  por  força  do  cumprimento desta decisão judicial" (Ação Ordinária n° 2004.61.00.034221­5).  Afirma que  afastada  a  sua  responsabilidade,  e obrigada  ao  cumprimento da  Ordem  judicial  sob pena de  incorrer em  ilícito penal  (crime de desobediência),  a Recorrente,  durante certo período de tempo, recolheu as contribuições sociais com a alíquota de 6,47% (=  11,6%  ­  5,13%,  ou  seja,  carga  tributária  instituída  pela  Lei  n°  10.865/04  subtraída  da  carga  tributária  que  "caberia"  às  concessionárias).  Nesse  ponto,  cabe  ressaltar  que  a  Recorrente,  assim como a União Federal,  sofreu com os  efeitos das decisões  judiciais que autorizaram o  afastamento do regime monofásico, já que isso gerou desconforto perante o restante da rede de  concessionárias em virtude da concorrência desleal (preços diferenciados).  Posteriormente, a Recorrente interveio, em cada ação judicial ­ sem assumir a  qualidade de  "parte processual"  ­  e obteve  autorização para proceder  ao  depósito  judicial  da  quantia  envolvida  no  litígio  (5,13%).  Foi  dessa  situação  que  adveio  o Auto  de  Infração  ora  discutido, que se refere ao exercício de 2005.   Alega  a  Recorrente  em  seu  recurso  que  "(...)  Com  o  intuito  de  cobrar  "de  alguém"  os  citados  5,13%,  o  Fisco  Federal  autuou  a  Recorrente  para":  (i)  em  relação  ao  primeiro  período  citado,  isto  é,  ao  período  em que  a Recorrente  se  absteve  de  recolher  e de  repassar  o  equivalente  a  5,13%  sobre  o  valor  do  veículo  zero­quilômetro  faturado  contra  as  concessionárias,  exigiu  esses  valores,  além dos  consectários  legais  cabíveis;  e  (ii)  quanto  ao  período  em  que  foram  realizados  os  depósitos  judiciais,  limitou­se  a  lançar  a  diferença  decorrente da divergência da base de cálculo por ele considerada e a base de cálculo utilizada  pela Recorrente para a realização dos mencionados depósitos.  Por  fim,  argumenta  que  "(...)  no  estrito  cumprimento  de  ordens  judiciais  expedidas  em  ações  das  quais  nunca  fez  parte,  estava  proibida  e  impedida  de  realizar  determinada  conduta  (prescrita  na  Lei  n°  10.485/02  e  na  Lei  n°  10.865/04). Mesmo  diante  disso, foi chamada pelo Fisco para responder, com o seu patrimônio, por aquilo a que nunca  deu causa".   Em  fim,  sintetiza  as  suas  razões,  afirmando  que  a  sua  responsabilização  ofende as regras tributárias e processuais aplicáveis, o entendimento da RFB manifestado em  normas  complementares  e  a  decisão  do  STJ  apresentada,  e  conclui  ser  parte  ilegítima  para  responder pelos créditos tributários exigidos nos Autos de Infração.  Por outro giro, contrários a tais argumentos, pode ser verificado na decisão a  quo (DRJ em Belo Horizonte ­ MG), que o lançamento está correto, sustentado pelos seguintes  motivos (resumo): entendeu, pela  legitimidade da Recorrente para  figurar no pólo passivo da  obrigação  tributária  em  análise,  sob  dois  fundamentos  centrais:  (a)  a  impossibilidade  de  decisões  judiciais  alterarem  a  chamada  "relação  jurídico­tributária"  e  (b)  ausência  de  vinculação, da Delegacia de Julgamento, às manifestações administrativas e do STJ, a respeito  da matéria.   Na  sequência,  destaca­se  os  seguintes  trechos  extraídos  do  acórdão,  abaixo  reproduzidos:   "(...) À medida que o impugnante desenvolve atividade de fabricação de automóveis  (contrato  social  ­  fl.  99),  ostenta  a  qualidade  de  contribuinte  de  direito,  nos  termos  das  Leis  nºs  10.637, de 2002, 10.833, de 2003 e 10.485, de 2002, alterada pela Lei nº 10.865, de 2004, porquanto o  contribuinte de fato será aquele que suportar, ao final da cadeia produtiva, o custo do tributo inserido  Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.034          31 no preço, ou, se destinatário final, o consumidor (cf. TRF 5a Região ­ AMS n° 86994/AL ­ processo n°  200380000058653 ­ Rel. Des. Federal Francisco Cavalcanti ­ DJU de 20/10/2004­p. 952/970).  Assim,  não  ostentando  quer  a  qualidade  de  contribuintes  de  direito,  quer  a  qualidade  de  contribuintes  de  fato,  resta  a  impossibilidade  jurídica  de  constituição  do  crédito  tributário  nas  concessionárias,  uma  vez  que  estas  não  detêm  a  qualidade  de  sujeitos  passivos  do  tributo" (fl. 1.021 ­ sem destaque no original).  E prossegue, no que concerne ao art. 811 do CPC (antigo), sustentando que  "(...)  A  interpretação  do  artigo  811  do  CPC,  em  situações  como  a  que  ora  se  analisa,  conduziria,  quando muito, ao reconhecimento de uma responsabilidade solidária entre as fabricantes de veículos  (estas  teriam  sua  responsabilidade  calcada  em  norma  tributária  que  lhes  atribui  a  qualidade  de  contribuinte  de  direito)  e  as  concessionárias  (estas  com  responsabilidade  calcada  no  artigo  811  do  CPC).  Já  em  uma  relação  jurídico­tributária,  afeta  ao  âmbito  do  direito  tributário,  de  natureza jurídica pública, não se mostra possível admitir para os citados artigos do CPC interpretação  da responsabilidade ­ agora não mais civil, mas tributária ­ da forma excludente acima mencionada.  Isso porque as regras do CPC possuem, obviamente, natureza processual,  instrumental, não  tendo o  condão de afastar ou modificar prescrições adstritas ao direito material tributário (...).  (...) Assim, no âmbito do direito material tributário, como já dito, o máximo a ser  admitido  com  fulcro  no  art.  811  do  CPC  seria  uma  responsabilidade  solidária  do  terceiro  não­ contribuinte  de  direito  da  Cofins  e  do  PIS  que,  amparado  por  uma  medida  de  caráter  precário,  provisório, como são as liminares e antecipações de tutela, tivesse obstado o dever de cumprimento da  obrigação tributária principal pelo contribuinte de direito" (fls. 1.022/1.023)".   E,  sobre  essa  relação  jurídico  tributária,  deixa consignado no Acórdão que  "(...)  Assim,  não  obstante  proferidas  decisões  judiciais  impedindo  o  impugnante  de  efetuar  o  recolhimento  da Cofins  e do PIS,  tal  circunstância não  tem  o  condão  de  excluir  sua  qualidade  de  contribuinte  de  direito  do  tributo,  nem  de  excluir  o  direito  de  a  União,  enquanto  sujeito  ativo,  proceder a seu lançamento e cobrança. Isso porque as decisões judiciais não modificam a qualidade e  a responsabilidade dos sujeitos passivos envolvidos na relação tributária, em especial pelo caráter de  provisoriedade de que se revestem os provimentos liminares" (fl. 1.023).  Quanto as decisões proferidas pelo STJ citadas na  impugnação, analisou da  seguinte  forma,  "(...)  Sobre  o  precedente  do  STJ  trazido  pelo  contribuinte,  acerca  do  regime  de  substituição  tributária  do  ICMS,  esclareça­se  que  as  decisões  judiciais  são  vinculantes  para  a  Administração Tributária Federal somente nas hipóteses especificadas pelo Decreto nº 2.346, de 10 de  outubro de 1997. O que não é o caso da jurisprudência citada, a qual, dessa forma, não possui força no  sentido de vincular a autoridade julgadora administrativa" (fls. 1.023/1.024).   Em  relação  ao  posicionamento  da  RFB,  exemplificado  nas  normas  complementares  citadas  pela Recorrente  (art.  100  do CTN),  como  a  Instrução Normativa  n°  104/2000,  o  Parecer COSIT  n°  01/2002  e  algumas  Soluções  de Consulta  sobre  a matéria,  a  DRJ escorou­se no argumento de sua não­vinculação a elas (as quais adoto como fundamentos,  nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99), uma vez que a IN e ao Parecer, por cuidarem de  tributo  diverso  (o  IRRF),  e  às  Soluções  de  Consulta,  por  não  terem  sido  respondidas  diretamente à Recorrente. Trechos abaixo reproduzidos das fls. 1.024/1.025.  "(...)  Ressalte­se  que  não  há  notícia  de  formulação  de  consulta  pelo  impugnante  especificamente  sobre  a  situação  tratada  nos  autos  do  presente  processo,  ou  seja,  acerca  de  sua  responsabilidade  pelo  adimplemento  do  crédito  tributário  no  caso  de  ação  judicial  interposta  por  concessionária da sua rede de distribuição de veículos.  Fl. 2049DF CARF MF     32 Já a IN SRF nº 104, de 16 de novembro de 2002, e o Parecer Normativo Cosit nº 1,  de 25 de setembro de 2002, que vinculam o julgador administrativo, nos termos do art. 7º da Portaria  MF nº 341, de 2011, tratam, respectivamente, da retenção e recolhimento, pelo responsável tributário,  de  tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal,  e da retenção na  fonte do  Imposto de  Renda Retido na Fonte. Situações distintas, como se viu acima, do recolhimento do PIS e da Cofins no  regime monofásico instituído pela lei para a venda de veículos novos.  "(...)  Observe­se  que  há,  no  caso  de  retenção  na  fonte,  a  distinção  clara  entre  o  contribuinte e o responsável tributário. No caso do regime monofásico, existe apenas o contribuinte de  direito  eleito  pela  lei  (no  presente  caso,  o  fabricante  ou  importador  de  automóveis),  que  responde  exclusivamente pelo recolhimento do tributo, não lhe aproveitando, pois, os citados atos normativos".  Em tópico específico mais adiante, este assunto voltará a ser analisado.  9. Do regramento da sujeição passiva tributária  O art. 121 do CTN, definiu que o sujeito passivo poderia ser contribuinte ou  responsável, nos seguintes termos:   Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento  de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­se:   I ­ contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua  o respectivo fato gerador;   II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra de disposição expressa de lei.  Assim, temos que o sujeito passivo de uma relação jurídica é aquele que tem  o dever de satisfazer do direito do sujeito ativo da mesma relação. Nessa esteira, o art. 121 do  CTN, definiu o sujeito passivo da relação jurídica tributária como sendo “a pessoa obrigada ao  pagamento de tributo ou penalidade pecuniária”. Em suma, será contribuinte o sujeito passivo  que realize a ação (materialidade) da hipótese de incidência.  As contribuições para o PIS e a Cofins têm duas sistemáticas de apuração, a  cumulativa  e  a  não  cumulativa.  Não  obstante  isso,  alguns  produtos  estão  obrigados  a  uma  modalidade diferenciada de cálculo denominada “incidência monofásica”.  Este regime se consubstancia na imputação da responsabilidade tributária ao  fabricante/importador  dos  produtos mencionados  (no  caso  veículos),  de  recolher  o  PIS  e  a  COFINS  à  uma  alíquota  especial  e  majorada,  de  modo  a  estabelecer  um  ônus  tributário  incidente sobre toda a cadeia produtiva. Vale dizer, neste regime a carga tributária fica quase  toda concentrada na fase inicial do ciclo produtivo.  O  regime  monofásico  é  "similar"  à  substituição  tributária,  uma  vez  que  o  ônus de  toda a cadeia de comercialização é  suportado pelo  fabricante/importador, que aplica  sobre a  receita auferida na venda de  tais produtos alíquotas maiores que as usuais. Por outro  lado, ocorre a fixação de alíquota zero de PIS e para a COFINS sobre a receita auferida com a  venda  dos  “produtos  monofásicos”  pelos  demais  participantes  da  cadeia  produtiva  (distribuidores, atacadistas e varejistas).  Vale dizer, todos os demais elos da cadeia produtiva dos produtos submetidos  ao regime monofásico, à exceção do produtor ou importador (responsáveis pelo recolhimento  do tributo à uma alíquota diferenciada maior) ficam desonerados do recolhimento do PIS e da  Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.035          33 COFINS,  porquanto  sobre  a  receita  por  eles  auferida  aplica­se  a  alíquota  zero.  Em  suma,  a  tributação  é  concentrada  no produtor ou  importador,  razão pela qual  esse  tipo de  exigência  ficou conhecida como “incidência monofásica”.  Como  já  dito,  o  regime  monofásico,  também  conhecido  como  tributação  monofásica ou concentrada, consiste em mecanismo semelhante à substituição tributária, pois  atribui a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo tributo devido em toda cadeia de  um produto ou serviço.  No caso sob análise,  alega a Recorrente que as  concessionárias de veículos  que obtiveram decisões liminares favoráveis seriam os sujeitos passivos legítimos do presente  auto de infração. Num exercício interpretativo, tenta fazer crer que a  legitimidade passiva se  deslocou para os chamados contribuintes de fato, por se tratar de tributo indireto.  Observa­se que na decisão recorrida, a DRJ consignou que não ostentando as  concessionárias  a  qualidade  de  sujeito  passivo  da  relação  jurídico­tributária  em questão,  não  teriam,  sob  a  ótica  da  legitimação  ordinária  que  vigora  no  processo  civil  (art.  6°  do  CPC),  legitimidade para propor  ações  judiciais  com a  finalidade de ver  afastado o  recolhimento da  COFINS  e  do  PIS.  A  legitimidade  seria  apenas  do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  principal, definido no art. 121 do CTN como “a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou  penalidade pecuniária” ou seja, especificamente, a pessoa  jurídica obrigada ao pagamento do  PIS e da COFINS devido em decorrência do fato gerador ­ faturamento mensal proveniente da  receita obtida pela venda de veículos (Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, art. 1º).   Assim,  não  ostentando,  quer  a  qualidade  de  contribuintes  de  direito,  quer a qualidade de contribuintes de fato, resta a impossibilidade jurídica de constituição  do  crédito  tributário nas  concessionárias,  uma vez que estas não detêm a qualidade de  sujeitos passivos do tributo.  No  entanto,  a  Recorrente  reitera  em  seu  recurso  a  questão  do  risco  de  "naufrágio  do  crédito  tributário",  expressão  de  que  se  utilizou  desde  a  peça  impugnatória.  Desde então, a Recorrente vem fazendo a advertência de que a preservação da cobrança contra  si poderá levar à caducidade dos créditos tributários ora exigidos. Não apenas pela consumação  da  decadência,  mas  igualmente  pela  prescrição  do  direito  da  Fazenda Nacional  de  executar  esses  valores,  dos  sujeitos  passivos  legítimos  (corretos),  nos  próprios  processos  judiciais  intentados pelas concessionárias. Com efeito, o erro de foco, que aqui se percebe, poderá fazer  com que o erário público deixe de recolher quantia de relevantíssima monta.   Pois bem. Verifica­se na lei que instituiu a incidência monofásica do PIS e da  COFINS  sobre  veículos  e  autopeças,  nela  constatamos  que  somente  podem  figurar  no  pólo  passivo dessa relação  jurídica  tributária “as pessoas jurídicas fabricantes e as  importadoras  de máquinas e veículos”, na condição de contribuintes, e não de substitutos.  Neste  diapasão,  mais  uma  vez  peço  licença  para  adotar  as  considerações  muito bem elaboradas pela PGFN em suas contrarrazões, asseverando que "(...) repisa­se que  conforme esse regime de tributação de natureza monofásica, opta­se pela incidência do PIS e  da  COFINS  em  apenas  uma  etapa  da  cadeia  plurifásica  de  receitas  auferidas  pelas  pessoas  jurídicas,  sendo  que  isso  ocorre  na  primeira  etapa,  em  que  figuram  como  contribuintes  os  fabricantes e importadores de veículos novos.   Fl. 2051DF CARF MF     34 Por conseguinte, em relação às demais etapas da cadeia plurifásica, como não  poderia ser diferente, em se tratando de regime de tributação de natureza monofásica, não se  verificam as incidências do PIS e da COFINS, por força das alíquotas zero.   Admitir  a  aplicação  da  solidariedade  do  art.  124,  I,  do CTN de  forma  tão  larga como apontado pela Recorrente implicaria no menoscabo das garantias constitucionais do  contribuinte,  permitindo  a  tributação  inclusive  por  analogia.  Se  o  que  vale  é  o  interesse  econômico  da  situação,  imagine­se  que,  numa  cadeia  produtivo­mercantil,  o  Fisco  poderia  escolher qualquer pessoa da cadeia para cobrar os tributos devidos em qualquer das operações  dessa  cadeia,  pois  evidente  o  interesse  nos  fatos  geradores  que  ocorrem  durante  a  mesma  (repercussão tributária).  Ora, os adquirentes dessas mercadorias da FIAT (as Concessionárias, autores  das ações judiciais) não são nem fabricantes e nem importadoras das mesmas. Não integram a  relação  jurídico  tributária,  seja  como  contribuintes,  seja  como  responsáveis.  Estes  apenas  participam da operação de comercialização das mercadorias como adquirentes. Estender a eles  a sujeição passiva tributária por serem (se é que são) meros “contribuintes” de fato implicaria  numa tributação por analogia.   Tal  forma  de  pensar  é  inconcebível  e  inconstitucional,  pois  extrapola  e  destrói qualquer moldura que a RMI (Regra Matriz) do PIS e da COFINS possa ter, tributando  por analogia, ao arrepio do art. 108, §1º do CTN".  10. Do lançamento de Ofício x Suspensão e aplicação da IN SRF nº 104/00   Informa  a  Recorrente  que  afastada  a  sua  responsabilidade,  e  obrigada  ao  cumprimento da ordem judicial sob pena de incorrer em ilícito penal, durante certo período de  tempo, recolheu as contribuições sociais com a alíquota de 6,74% (= 11,6% ­ 5,13%, ou seja, a  carga tributária  instituída pela Lei nº 10.865/04 subtraída da carga tributária que "caberia" às  concessionárias). Posteriormente, a Recorrente  interveio, por cautela, em cada ação  judicial  ­  sem assumir a qualidade de "parte processual" ­ e obteve autorização para proceder ao depósito  judicial da quantia envolvida no litígio (5,13%).  No entanto, verificada a queda das decisões judiciais, houve automaticamente  uma mudança da relação jurídica tributária (já existente), devendo a Recorrente (contribuinte)  ter  formalizado  o  crédito  (já  que  se  está  diante  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação) e realizado o recolhimento dos tributos no prazo legal nos termos do art. 63, §2º,  da Lei nº 9.430, de 1996.  Tendo  em  vista  a  ausência  dessas  iniciativas,  houve  a  necessidade  de,  o  Fisco,  formalizar  o  crédito  tributário  por meio  de  lançamento  de  ofício  em  face  do  único  e  possível sujeito passivo, qual seja, a FCA FIAT.  Nos  termos  do  parágrafo  único  do  art.  142  do  CTN,  a  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  Assim,  tendo  ocorrido  o  fato  gerador  com  a  comercialização  de  veículos  e  não  estando mais vigente ordem judicial que impeça a cobrança do PIS e da COFINS, na qualidade  de  contribuinte de  direito  (art.  1º,  da Lei  nº  10.485/02),  cabe  ao  interessado  responder  pelas  dívidas relativas às contribuições que deixaram de ser recolhidas.  Ao autuar, no entanto, a Fiscalização fez uma diferenciação: naqueles casos  em que, no momento da autuação, a antecipação de tutela ainda vigia, exigiu apenas o tributo  (autuou para prevenir a decadência); já naqueles outros casos, em que a tutela antecipada, por  Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.036          35 ocasião da lavratura do auto, já não mais vigorava, a Fiscalização lançou tributo acrescido dos  consectários, conforme demonstrativos de fls. 1.028/1.031.   A  empresa  FIAT  alega  em  seu  recurso  que  "(...)  em  vista  das  razões  alinhadas  ao  longo  do  Recurso  Voluntário,  restou  evidente  que  a  responsabilização  da  Recorrente  pelo  crédito  tributário  ofende,  a  um  só  tempo  o  entendimento  da  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil, com base na Instrução Normativa nº 104/002 e do Parecer COSIT  nº 01/02, além de uma série de Soluções de Consulta sobre a matéria", pode­se afirmar que,  para o Fisco, quando houver a cassação de medida judicial que tenha impedido o recolhimento  do tributo pelo sujeito passivo legal, em virtude de provimentos obtidos em ações nas quais não  compôs os pólos, a responsabilidade pelo adimplemento caberá ao autor da medida, bem como  o posicionamento consolidado do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal  nos  termos, por exemplo, do voto condutor do acórdão proferido no  julgamento do RESP nº  767.928.  "(...)  em  nosso  sistema,  o  risco  de  reposição  do  status  quo  ante,  em  face  do  cumprimento de liminares ou sentenças posteriormente modificadas, revogadas ou anuladas, é  parte que re­quer e que se beneficia da medida".  Sobre essa matéria, observa­se a manifestação nos autos da Procuradoria da  Fazenda Nacional, a qual me filio e reproduzo os trechos abaixo:   "(...) Nos  termos  do parecer do Eminente  ex­Ministro do STF Otávio Gallotti,  quer o contribuinte fazer aplicar, erroneamente, a IN SRF nº 104 ao caso concreto. O referido Ato  normativo, em seu art. 1º, consigna que:   Art. 1º Salvo disposição em contrário expressa em lei, na hipótese de cassação de  medida judicial que haja impedido a retenção e o recolhimento, pelo responsável  tributário,  de  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal, o pagamento do débito deverá ser efetuado pelo próprio contribuinte.  Essa hipótese é  em  tudo diversa da do caso em  tela. Primeiramente, apenas  se  aplica  ao  caso  de  responsável  tributário,  ou  seja,  conforme  vimos,  aquele  que  se  encontra  por  determinação  legal  na  sujeição  passiva  tributária,  sem  contudo  ter  realizado  a  hipótese  de  incidência tributária: o fato signo presuntivo de riqueza é de outro, não do responsável.   É o caso do  imposto de  renda  retido na  fonte. Nesta hipótese há uma situação  evidente e clara de substituição tributária (repercussão jurídica do tributo) na modalidade retenção.  O substituído (em tese contribuinte) não é, inicialmente, sujeito passivo da relação jurídica, apesar  de realizar a hipótese de incidência do imposto sobre a renda e proventos: a renda é do substituído,  porém  a  obrigação  de  recolhimento  (sujeição  passiva)  é  do  substituto  tributário,  ao  qual  a  lei  garante a repercussão jurídica, isto é, a retenção do valor do tributo a ser recolhido.  Veja­se: o substituto não realizou a hipótese de incidência, portanto não teve sua  capacidade contributiva aferida pela incidência tributária.   Por  isso,  em  face  dos  princípios  da  capacidade  contributiva,  da  isonomia  e  da  proibição do confisco, a substituição tributária apenas será válida se garantir ao substituto o direito  de reaver do substituído o valor recolhido. Em razão disso é que se aplica o art. 1º da IN SRF nº  104/2000  às  hipóteses  em  que  haja  cassação  de medida  judicial  que  haja  impedido a  retenção  e  recolhimento do tributo pelo responsável tributário. Salvo disposição contrária de lei (que seria de  constitucionalidade  duvidosa),  nesta  hipótese,  a  responsabilidade  do  contribuinte  (substituído)  é  subsidiária  à  do  responsável  tributário:  o  tributo  torna­se  exigível  do  contribuinte,  quem  de  fato  teve sua capacidade contributiva mensurada pela RMI".  Fl. 2053DF CARF MF     36 Ora,  pelas  mesmas  razões,  é  inadmissível,  nem  mesmo  por  analogia,  a  aplicação do Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002, que diz respeito a tradicional  hipótese  de  retenção  de  imposto  de  renda  na  fonte,  onde  o  beneficiário  do  rendimento  é  o  contribuinte, posto que se qualifica como a pessoa que aufere a disponibilidade da renda, e a  fonte pagadora, o responsável, inclusive no que concerne à responsabilidade tributária no caso  de não retenção do imposto por força de decisão judicial.  Portanto,  a  IN SRF nº  104,  de  2002,  e o Parecer Normativo Cosit  nº  1,  de  2002,  tratam,  respectivamente,  da  retenção  e  recolhimento,  pelo  responsável  tributário,  de  tributo ou contribuição administrado pela RFB,  e da  retenção na  fonte do  Imposto de Renda  Retido na Fonte (IRRF). Situações distintas, como se viu acima, do recolhimento do PIS e da  COFINS no regime monofásico instituído pela lei para a venda de veículos novos. Ressalta­se  ainda sobre esse tema, que o mesmo encontra­se muito bem fundamentado na decisão da DRJ,  já reproduzidos em tópico anterior (fls. 1.024/1.025).  Sobre os precedentes do STF e do STJ trazido pela Recorrente, esclareça­se  que as decisões judiciais são vinculantes para este Tribunal Administrativo (CARF), somente  nas hipóteses especificadas no Regimento Interno (RICARF). O próprio CARF tem regramento  nesse sentido, uma vez que o art. 62, II, da Portaria MF nº 343, de 2015, prevê que as decisões  definitivas de mérito,  proferidas pelo Supremo Tribunal Federal  e pelo Superior Tribunal de  Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  11. Da inaplicabilidade do artigo 811, do CPC  Verifica­se  que  no  principal  argumento  da  defesa,  sustenta  que  a  sua  responsabilização ofende as regras tributárias e processuais aplicáveis do art. 151 do CTN e os  arts. 472, 475­O e 811 do CPC, que  retira do contribuinte de direito a  responsabilidade pelo  pagamento do tributo e a transfere ao contribuinte de fato, "situação que teria sido corroborada  pela  Administração  Tributária,  com  base  na  Instrução  Normativa  nº  104/002  e  do  Parecer  COSIT nº 01/02, além de uma série de Soluções de Consulta sobre a matéria".  Afirma que o disposto no art. 151 do CTN, dispositivo que arrola as causas  da  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  parte  da  premissa  de  que  a  suspensão  somente  poderá  beneficiar  quem  a  requereu.  Com  efeito,  no  caso  em  tela,  não  há  uma  suspensão  de  exigibilidade  do  crédito  tributário  para  a  Recorrente,  mas  sim  para  as  concessionárias,  o  que  significa  que  são  elas  que  deverão  restaurar  a  situação  ao  seu  estado  anterior, caso caia a causa suspensiva.   Por outro lado, o Fisco entende que com a revogação das ações propostas, as  coisas  retornaram  ao  status  quo  anterior,  como  se  a  ação  judicial  jamais  houvesse  existido,  passando o imposto a ser exigível do contribuinte de direito no período em que seu destaque  esteve vedado por aquele provimento judicial.  Também não há como concordar com a tese da recorrente quanto aos efeitos  do  art.  811  do  CPC,  pois  o  referido  dispositivo  legal  estabelece  uma  hipótese  de  responsabilidade processual objetiva e em momento algum  retira do contribuinte de direito a  condição de sujeito passivo direto da obrigação tributária.  Com  relação  a  essa matéria,  subscrevo  alguns  trechos  (com  as  adaptações  necessárias  ao  presente  caso)  das  considerações  tecidas  no  Acórdão  nº  3403­003.538,  de  24/02/2015, de  lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que peço  licença para adotá­las  Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.037          37 como  razões  de  decidir,  com  forte  no  §1º  do  art.  50  da Lei  no  9.784,  de  1999,  passando  as  mesmas a fazer parte integrante desse voto:  "Neste ponto, não há como concordar com a  tese da  recorrente e  tampouco  com a interpretação da Administração Tributária quanto aos efeitos do art. 811 do CPC, pois o  referido dispositivo legal estabelece uma hipótese de responsabilidade processual objetiva e em  momento  algum  retira  do  contribuinte  de  direito  a  condição  de  sujeito  passivo  direto  da  obrigação tributária.  O  STJ  já  fixou  a  interpretação  a  ser  dada  ao  referido  dispositivo  legal,  conforme ementas a seguir transcritas:  (...)  5.  O  art.  811  do  CPC  trata  de  hipótese  de  responsabilidade  processual objetiva do requerente da medida cautelar, derivada,  por  força  de  texto  expresso  de  lei,  do  julgamento  de  improcedência do pedido deduzido na ação principal.  6. Para a satisfação de sua pretensão, basta que a parte lesada  promova  a  liquidação  dos  danos  imprescindível  para  identificação e quantificação do prejuízo , nos autos do próprio  procedimento cautelar.   (...) .  (RESP 1.327.056/PR ,24/09/2013, in:www.stj.jus.br/jurisprudencia)  (...)  2.  Recurso  especial  interposto  por  Mozariém  Gomes  do  Nascimento:  2.1.  Os  danos  causados  a  partir  da  execução  de  tutela  antecipada  (assim  também  a  tutela  cautelar  e  a  execução  provisória)  são disciplinados pelo  sistema processual  vigente à  revelia da indagação acerca da culpa da parte, ou se esta agiu  de  má  fé  ou  não.  Basta  a  existência  do  dano  decorrente  da  pretensão deduzida em  juízo para que  sejam aplicados os arts.  273,  §  3º,  475­O,  incisos  I  e  II,  e  811  do  CPC.  Cuida­se  de  responsabilidade  objetiva,  conforme  apregoa,  de  forma  remansosa, doutrina e jurisprudência.  2.2.  A  obrigação  de  indenizar  o  dano  causado  ao  adversário,  pela  execução de  tutela  antecipada posteriormente  revogada,  é  consequência natural da  improcedência do pedido, decorrência  ex  lege  da  sentença  e  da  inexistência  do  direito  anteriormente  acautelado,  responsabilidade que  independe de  reconhecimento  judicial prévio, ou de pedido do  lesado na própria ação ou em  ação  autônoma  ou,  ainda,  de  reconvenção,  bastando  a  liquidação  dos  danos  nos  próprios  autos,  conforme  comando  legal  previsto  nos  arts.  475­O,  inciso  II,  c/c  art.  273,  §  3º,  do  CPC. Precedentes. (...)   (RESP 1.101.262/DF, 25/09/2012, in:www.stj.jus.br/jurisprudência)  Fl. 2055DF CARF MF     38 Tratando­se  de  dispositivo  legal  que  atribui  responsabilidade  processual  objetiva ao contribuinte de fato, no caso, às Concessionárias da marca FIAT, o art. 811 do CPC  não pode ser tomado como um dispositivo legal que altera a sujeição passiva tributária, como  quer entender a Recorrente.  Em outras palavras: em que pese o fato de as Concessionárias da marca FIAT  estarem obrigadas a  indenizar o prejuízo causado à União pela execução provisória da  tutela  antecipada,  tal fato não retira do contribuinte de direito, no caso a FCA FIAT, a condição de  sujeito passivo direto das Contribuições para o PIS e COFINS".  A  obrigação  de  indenizar  prevista  no  art.  811  do  CPC  é  autônoma  e  independente da obrigação  tributária principal. A obrigação de  indenizar do art. 811 do CPC  vincula o contribuinte de fato à União. A obrigação tributária principal vincula o contribuinte  de  direito  à  União.  São  coisas  completamente  distintas  e  incomunicáveis.  Ainda  que  o  contribuinte  de  fato  venha  a  indenizar  a  União  pelo  dano  causado,  persiste  a  obrigação  tributária principal do contribuinte de direito.   E  esta  obrigação  legal  decorre  do  disposto  no  art.  1º  da Lei  nº  10.485,  de  2002, com a redação da Lei nº 10.865, de 2004.  E, não tendo a FCA FIAT tomado as providências legais que lhe competiam,  sujeitou­se à exigência das Contribuições (PIS e COFINS) pela via do lançamento de ofício.  Portanto, o fato de o art. 811 do CPC determinar que o requerente da medida  repare o prejuízo ao requerido, não decorre logicamente a conclusão de que o contribuinte de  direito não pode ser alvo do lançamento de ofício.   Ele pode sim ser objeto da exigência das Contribuições, pois continua sendo  o contribuinte de direito.    12. Conclusão  Ante  ao  todo  exposto  e  com  base  nos  elementos  probatórios  contidos  nos  autos, VOTO no sentido de conhecer dos Recursos, para no mérito, julgar IMPROCEDENTE  os  recursos  de Ofício  e  Voluntário,  restando,  assim,  legítima  a  constituição  da  exação  em  comento, estando escorreita a subsunção dos fatos à norma aplicada, mantendo­se, portanto, a  decisão recorrida.     É como voto.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra. Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.038          39 Voto Vencedor  Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator designado para o voto vencedor  relativo à exclusão da multa de ofício.  Acompanhei o ilustre relator, Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, quanto à  manutenção do lançamento dos tributos contra o contribuinte FCA por entender que o art. 142,  parágrafo  único,  do  CTN1  constitui  óbice  intransponível  a  qualquer  tentativa  de  inibir  a  atividade de fiscalização, ainda que o Meritíssimo Juiz tenha consignado nas tutelas provisórias  que a FCA não seria responsabilizada pelo pagamento dos tributos.  E  isso  é  assim  porque  o  fato  de  a  fiscalização  ter  constituído  o  crédito  tributário  por meio  do  lançamento  de  ofício,  não  implica  a  ocorrência  de  cobrança  efetiva  e  imediata dos tributos, pelo menos em relação aos processos judiciais em andamento, uma vez  que  quanto  a  essa  parcela  do  crédito  tributário  não  existe  a  certeza  jurídica,  que  é  um  dos  requisitos  legais  para  a  execução  do  título  judicial  representativo  da  dívida.  A  cobrança  do  crédito  tributário  pendente  de  decisão  judicial  só  poderá  ser  efetuada  quando  sobrevier  o  desfecho  dos  referidos  processos  e,  mesmo  assim,  se  tal  desfecho  for  desfavorável  às  concessionárias. (a FCA nessas ações é terceiro afetado pela solução do litígio instaurado entre  as concessionárias e a União).  Portanto, em relação aos processos judiciais em andamento, o lançamento de  ofício  contra  o  contribuinte  de  direito  FCA  não  violou  as  normas  individuais  e  concretas  vertidas nas tutelas provisórias. E como em relação a essa parcela do crédito tributário não foi  lançada  a  multa  de  ofício,  não  existe  nenhum  reparo  a  fazer  no  ato  administrativo  de  lançamento.  Por  outro  lado,  relativamente  aos  processos  judiciais  findos,  seja  naqueles  com decisão desfavorável às concessionárias, seja naqueles em que não houve julgamento de  mérito, em virtude de desistência das concessionárias, não há como prevalecer a exclusão da  responsabilidade  da  FCA  que  constava  das  tutelas  provisórias,  pois  com  o  término  dos  processos  judiciais,  as  coisas  retornaram  ao  status  quo  ante  ,  não  se  podendo  dar  sobrevida  àquelas tutelas provisórias para deixar de efetuar o lançamento contra o contribuinte eleito por  disposição expressa de lei (no caso a FCA).  Portanto, foi correto o lançamento de ofício dos tributos contra a FCA, pois  ela  própria  se  considerou  contribuinte,  uma  vez  que  em  alguns  casos  conseguiu  obter  autorização do juízo para depositar o crédito tributário que deveria ter sido por ela recolhido,  caso não tivesse sido compelida pelo juízo a afastar o regime monofásico para essas operações.                                                              1 Art.  142. Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.     Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional.  Fl. 2057DF CARF MF     40 A  minha  divergência  em  relação  ao  voto  do  ilustre  relator  reside  na  manutenção da multa de ofício contra um contribuinte que não cometeu nenhuma  infração à  legislação tributária, como se passa a demonstrar.  É  fato  incontroverso  nos  autos  que  o  contribuinte FCA  foi  compelido  pelo  Poder Judiciário a afastar o regime monofásico em relação às concessionárias que ajuizaram as  ações judiciais mencionadas neste processo.  Assim, o contribuinte FCA deixou de recolher a parcela do crédito tributário  relativo ao regime monofásico por imposição do Poder Judiciário e não porque simplesmente  não desejava cumprir a lei. O contribuinte foi impedido pelo Poder Judiciário de cumprir a lei.  Ora,  senhores  Conselheiros,  o  art.  74,  I,  da  Lei  nº  9.430/962  na  redação  vigente  na  época  dos  fatos  geradores  penalizava  uma  conduta  omissiva do  contribuinte,  que  consistia em não recolher o tributo devido.  Não recolher o tributo previsto em lei, ou recolhê­lo em montante inferior ao  devido,  constitui  uma  infração  à  lei  punível  com  uma multa  que  no  caso  de  lançamento  de  ofício alcança o patamar de 75% do valor não recolhido.  Ora,  mas  no  caso  concreto  não  houve  nenhuma  infração  à  lei,  pois  foi  o  Poder Judiciário ­ guardião da mesma lei que o fisco alegou ter sido descumprida ­ quem disse  que o contribuinte não deveria recolher a parcela referente ao regime monofásico.    Então  é  evidente  que  a  FCA  não  praticou  infração  alguma,  pois  não  tinha  outra alternativa senão cumprir as tutelas antecipadas que determinaram que sua conduta fosse  omissiva em relação ao recolhimento dos tributos pelo regime monofásico. E por esse singelo  motivo, não poderia ela ter sofrido a inflição multa de ofício de 75% do tributo não recolhido.  Da mesma  forma,  ao  contrário  do  entendimento  de  alguns,  não  é  correto  o  enquadramento  deste  caso  na  disposição  do  art.  63,  §  2º,  da  Lei  nº  9.430/963,  pois  esse  dispositivo legal somente é aplicável ao autor da ação e não ao terceiro (FCA), que nunca foi  favorecido pela interposição das medidas judiciais. A FCA só foi prejudicada pela interposição  dessas ações, pois ela foi compelida pelas concessionárias a deixar de cumprir a lei.  Conclui­se, portanto, que a FCA também não violou o art. 63, § 2º, da Lei nº  9.430/96, pois ela não  foi a autora das "ações  judiciais  favorecidas com medidas  liminares",  ela foi o terceiro que sofreu as consequências impostas pelas tutelas antecipadas obtidas pelas  concessionárias, essas sim os verdadeiros favorecidos pelas ações judiciais.  Conforme a declaração de voto que apresentei no Acórdão nº 3403­03.538, o  afastamento da multa de ofício no caso concreto é de rigor, por aplicação analógica do art. 100,  parágrafo  único,  do CTN4,  uma  vez  que  se  esse  dispositivo  legal  exonera  o  contribuinte  da                                                              2 Art. 44.  Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:   I  ­  de  setenta e cinco por  cento, nos casos de  falta de pagamento ou  recolhimento, pagamento ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem o  acréscimo  de multa moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;  3 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora,  desde a concessão da medida  judicial,  até 30 dias  após a data da publicação da decisão  judicial que considerar  devido o tributo ou contribuição.  4 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos:    Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.039          41 multa  e  dos  juros  de  mora  quando  ele  agiu  de  acordo  com  as  normas  complementares  à  legislação tributária.    Leciona Maria Helena Diniz5 :   "A analogia é, portanto, um método quase­lógico que descobre a  norma  implícita existente na ordem  jurídica. É  tão­somente um  processo revelador de normas implícitas.  Requer a aplicação analógica que:    1) o caso sub judice não esteja previsto em norma jurídica;  2)  o  caso  não  contemplado  tenha  com  o  previsto,  pelo menos,  uma relação de semelhança;  3) o elemento de identidade entre eles não seja qualquer um, mas  sim  essencial,  ou  seja,  deve  haver  verdadeira  semelhança  e  a  mesma razão entre ambos."  Ora,  no  caso  dos  autos  estão  presentes  os  três  requisitos  autorizadores  da  aplicação  analógica  do  art.  100,  parágrafo  único,  do  CTN,  a  saber:  1)  a  exclusão  dos  consectários do lançamento de ofício por observância de decisão judicial, não consta do rol do  art.  100  do  CTN.  Se  constasse  não  seria  necessário  recorrer  à  analogia,  bastaria  aplicar  diretamente a disposição  legal; 2) existe  semelhança entre a conduta prevista na norma  (agir  conforme  preceituam  as  normas  complementares  à  legislação  tributária)  e  a  conduta  não  expressamente contemplada (agir conforme uma ordem judicial). E o elemento que denota essa  semelhança reside no fato de que tanto as normas complementares, quanto as decisões judiciais  são normas cogentes  (de cumprimento obrigatório); e 3) a ratio que determina a exclusão da  penalidade  nos  casos  de  observância  das  normas  complementares  é  a  mesma  ratio  que  determina tal exclusão quando da observância de decisões judiciais, qual seja: a inexistência  de infração à lei. O contribuinte que age conforme dispõem as normas complementares ou as  decisões  judiciais não pode ser  acusado de cometer  infração à  legislação  tributária,  uma vez  que essas normas são cogentes. O contribuinte não  tem escolha,  ele é obrigado a cumprir  as  normas complementares e as decisões judiciais.    Além da presença desses três requisitos necessários à aplicação analógica da  lei,  no  caso  concreto  não  existe  nenhum  dos  impedimentos  legais  previstos  no  art.  108  do                                                                                                                                                                                           I ­ os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;    II  a IV ­ omissis...    Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de  juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.  5 Curso de Direito Civil Brasileiro. Vol. 1. São Paulo: Saraiva, 10ª ed., 1994, pp.54/55.  Fl. 2059DF CARF MF     42 CTN6, pois não se está dispensando o tributo devido, mas apenas e tão­somente os consectários  do lançamento de ofício.  A exclusão da multa de ofício e dos juros de mora neste processo não é uma  dádiva que está sendo concedida pelo colegiado ao contribuinte FCA, mas sim um direito desse  contribuinte, pois o art. 108, caput, do CTN emprega o verbo "utilizar" conjugado no futuro do  presente,  o  que  significa  que  a  aplicação  analógica da  lei  tributária  não  é  uma  faculdade do  operador do direito, mas sim um dever.     Com esses fundamentos, divirjo do ilustre relator na parte em que manteve os  consectários do lançamento de ofício, e voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso  voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora, com base na aplicação analógica  do art. 100, parágrafo único, do CTN.    Antonio Carlos Atulim                                                                6  Art.  108.  Na  ausência  de  disposição  expressa,  a  autoridade  competente  para  aplicar  a  legislação  tributária  utilizará sucessivamente, na ordem indicada:  I ­ a analogia;  II ­ os princípios gerais de direito tributário;  III ­ os princípios gerais de direito público;  IV ­ a eqüidade.  § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei.  § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido.  Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.040          43 Declaração de Voto  Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto  Peço  vênia  ao  Ilustre  Relator  para  divergir  do  seu  voto  exclusivamente  a  respeito do entendimento alinhavado quanto às razões do Recurso Voluntário do Contribuinte,  aderindo à divergência inaugurada pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, na ocasião do início  do julgamento deste processo. Explico sucintamente as razões da minha divergência.  O  art.  121  do  Código  Tributário  Nacional  definiu  que  o  sujeito  passivo  poderia ser contribuinte ou responsável, nos seguintes termos:   Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento  de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­se:   I ­ contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua  o respectivo fato gerador;   II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra de disposição expressa de lei.  O minucioso tratamento de nosso Código Tributário a esse respeito prossegue  durante  os  artigos  seguintes,  passando  ao  trato  específico  da  responsabilidade  tributária  a  partir do art. 128, no qual traz disposição complementar àquela presente no art. 121, p.u., II, a  título de disposição geral, verbis:  Art.  128.  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.  O tema é antigo na doutrina tributária como bem relata o saudoso Professor  Alcides Jorge Costa (ICMS e Substituição Tributária in OLIVEIRA, Ricardo M. de; COSTA,  Sérgio F. (org). Diálogos Póstumos com Alcides Jorge Costa. São Paulo: IBDT, 2017, p.177­ 179), perpetuando­se entre a melhor doutrina o entendimento  já consolidado na 1ª edição do  Schweizerisches Steuerrecht, do mestre Ernst Blummenstein, onde sustentava que a  razão da  instituição da substituição tributária decorreria do fato do substituto poder dispor do substrato  econômico do objeto do imposto. No Brasil, o artigo 128 vem corroborar a conceituação que  há muito a doutrina adota, salientando o Professor Alcides, argutamente, que o substituto não  será qualquer  terceiro que o  legislador escola arbitrariamente, devendo ser  terceiro que  tenha  relação com o fato gerador, e pontua:  O que se deve entender por pessoa vinculada [ao fato gerador]?  A  resposta  só  pode  ser  uma:  é  vinculada  a  pessoa  que  tem  ligação  com  o  fato  gerador  ou  com  o  contribuinte  (aqui  entendido no sentido do art. 121 do CTN) que lhe permita algum  tipo  de  controle  do  fato  gerador  e  que  lhe  permita,  como  Fl. 2061DF CARF MF     44 substituto,  ver­se  reembolsado  do  imposto  que  pago.  (ob.cit.,  p.179)  Pois  bem.  A  edição  da  Lei  nº  10.485,  de  2002,  em  seu  artigo  1º,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.865,  de  2004,  estabeleceu  a  tributação  da  receita  decorrente  da  venda  dos  veículos,  nas  alíquotas  concentradas  de  2% para  o  PIS  e  de  9,6% para  a Cofins,  estabelecendo as  fabricantes e  importadoras como sujeitos passivos das contribuições. Senão  vejamos:  “Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI,  aprovada  pelo  Decreto  nº  4.070,  de  28  de  dezembro  de  2001,  relativamente  à  receita  bruta  decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição  para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis  décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”  (grifou­se).  Como ressaltado pelo relator em seu voto, a cobrança do PIS e da COFINS  em  relação  aos  produtos  especificados  em  lei  é  realizada mediante  a  técnica  de  arrecadação  denominada  incidência  monofásica,  ou,  mais  propriamente,  concentrada,  que  consiste  em  aplicar alíquotas diferenciadas, mais elevadas, em pontos estratégicos da sua cadeia econômica  e em desonerar os demais pontos.   A  utilização  da  técnica  de  tributação  "concentrada",  estipulada  aos  fabricantes e importadores de veículos e autopeças, tem como corolário natural o disposto no  §2º do art. 3º da mesma lei, que atribui a incidência de alíquota zero para a receita de venda  dos mesmos veículos e de autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas:  “Art. 3º (...)  §2º  ­ Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o  PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante  atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº  10.865, de 2004)  I ­ o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  Com  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  594/2005,  a  interpretação  da  Receita  Federal para estes dispositivos restou clara em seu art. 14:  “Art. 14. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  incidentes  sobre a  receita bruta auferida nas operações de venda das máquinas e  dos veículos, de que trata o inciso IX do art. 1º, aplicam­se as alíquotas de:  I  ­  2%  (dois  por  cento)  e  9,6%  (nove  inteiros  e  seis  décimos  por  cento),  respectivamente,  para  a  venda  efetuada  por  fabricante,  por  importador  ou  por  empresa comercial atacadista de que trata o §5º do art. 17 da Medida Provisória nº  2.189­49, de 2001; e   II  ­ 0% (zero por cento), no caso de venda efetuada por comerciante atacadista e  varejista, exceto na venda efetuada por empresa comercial atacadista de que trata o  §5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.189­49, de 2001.”  Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.041          45 É preciso deixar claro, neste ponto, que a tributação concentrada através da  técnica de incidência monofásica é distinta da substituição tributária. Enquanto esta consiste  no deslocamento da sujeição passiva para uma pessoa que não aquela que realiza o fato gerador  do  tributo,  a  incidência  monofásica  pressupõe  a  combinação  da  aplicação  de  uma  alíquota  elevada  em  determinada  etapa  da  cadeia  de  produção/circulação,  e  de  alíquota  zero  para  as  demais ocorrências do fato gerador nas demais etapas.  Conquanto  sejam  técnicas  distintas,  a  finalidade  é  exatamente  a  mesma:  concentrar  a  cobrança  e  fiscalização  do  tributo  em  apenas  um  sujeito,  para  simplificar  a  atividade tributária do Estado, ao mesmo tempo que garante a arrecadação do tributo ou pelo  menos  o  seu  conteúdo  econômico  (haja  vista  que  a  incidência  monofásica  não  impede  a  incidência do tributo, mas esvazia o seu conteúdo através de uma exoneração quantitativa) no  ponto mais cômodo da cadeia.  Tanto as  técnicas são análogas que se submetem à mesma regra do art. 128  do CTN,  ao  exigir  que aquele  sujeito  escolhido para  ser o  substituto  tributário ou para arcar  com a carga tributária total da cadeia deverá ser vinculado ao fato gerador da obrigação, ou os  fatos  geradores  que  ocorrerem  posteriormente. Daí  a  opção  pelo  fabricante  ou  o  importador  para concentração da  tributação, visto que o mesmos podem facilmente  repassar no preço da  mercadoria  a  carga  tributária  com  a  qual  arcaram,  ressarcindo­se  do  custo  sob  sua  responsabilidade,  atendendo  assim  ao  requisito  de  vinculação  relativo  à  possibilidade  de  reembolso do tributo pago.  Esse  ponto  é  enfrentado  de  forma  ímpar  por  Marco  Aurélio  Greco  (Substituição  Tributária:  antecipação  do  Fato  Gerador.  São  Paulo:  Malheiros,  2001)  ao  explicar que a possibilidade de sujeição patrimonial de terceiro que não realizou o fato gerador  decorre da adoção, no Direito Tributário pátrio, da teoria dualista da obrigação, separando­se a  relação de débito ou dívida da correspondente responsabilidade, e atribuindo esta ao terceiro,  que passa a ser sujeito passivo de obrigação tributária própria, não sendo o recolhimento mero  cumprimento de obrigação acessória, mas autêntico adimplemento obrigacional.  A situação do caso em tela é justamente aquela do responsável tributário (em  uma  perspectiva  econômica,  como  frisado  anteriormente,  mas  que  não  destoa  do  mesmo  regime a ser aplicado à substituição tributária) que se encontra tolhido de recolher o tributo na  "alíquota  concentrada"  e,  por  conseguinte,  se encontra  impossibilitado  também de  repassar  a  carga  econômica  desse  recolhimento  no  seu  preço,  para  reembolso,  por  força  de  decisão  judicial  liminar  em  Mandados  de  Segurança  impetrados  pelas  concessionárias  que  ocupam  posições posteriores na cadeia de circulação dos veículos.  Todas  as  decisões  liminares  foram  categóricas,  conforme  preciso  apanhado  pelo  I.  Relator  em  fls.  18­25  deste  Acórdão:  a  Recorrente  não  poderia  vir  a  ser  responsabilizada  por  eventual  tributo  devido,  caso  fosse  cassada  a  decisão  favorável  às  concessionárias.  Isso  dá  pelo  fato  de  que  uma  vez  recolhido  o  tributo  à  alíquota  "não  concentrada"  por  parte  da  Recorrente,  por  força  da  decisão  judicial,  não  haveria  como  a  mesma, posteriormente e frente a uma eventual cassação da liminar, recolher o tributo devido e  reembolsar ou recuperar o valor pago na incidência concentrada.  Ora,  em  não  podendo  recuperar  o  tributo  antecipado  ou  pago  de  forma  concentrada, a Recorrente que fosse cobrada após a cassação da liminar seria obrigada a arcar  com  uma  carga  tributária  decorrente  de  fatos  geradores  de  terceiros,  à  qual  não  poderia  se  Fl. 2063DF CARF MF     46 ressarcir economicamente, o que implicaria na quebra da vinculação exigida pelo artigo 128 do  CTN, o que impediria a cobrança da diferença do tributo posteriormente.  Mais  do  que  isso,  configuraria­se  ofensa  direita  ao  princípio  da  capacidade  contributiva, pois a impossibilidade de ressarcimento implicaria na necessidade da Recorrente  de  arcar  integralmente  com  carga  tributária  que  somente  lhe  caberia  por  razões  de  simplificação  tributária,  e que por  isso deveria  lhe  ser possível  a  recuperação desse valor. É  dizer: de norma tributária com função prioritariamente simplificadora, passar­se­ia a ter a regra  da incidência monofásico com uma função estritamente fiscal, de aumento da carga tributária ­  pura  e  simplesmente  ­  sobre os  fabricantes  e  importadores.  Parece­nos  que  constituiria  clara  inversão do sentido da técnica de incidência concentrada.  A  Instrução Normativa SRF nº 104/2000, em seu artigo primeiro, é de  rara  clareza a este respeito, ao dispor sobre o pagamento de tributos e contribuições administrados  pela  SRF,  que  não  tenham  sido  recolhidas  pelo  responsável  por  força  de  decisão  judicial,  verbis:  Art.  1º  Salvo  disposição  em  contrário  expressa  em  lei,  na  hipótese  de  cassação  de medida  judicial  que  haja  impedido  a  retenção  e  o  recolhimento,  pelo  responsável  tributário,  de  tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita  Federal,  o  pagamento  do  débito  deverá  ser  efetuado  pelo  próprio contribuinte.   No mesmo sentido, tratando da análoga situação do IRRF, nas hipóteses em  que  a  fonte  pagadora  é  impossibilitada  de  recolher  o  tributo  por  força  de  medida  judicial,  determina o Parecer COSIT nº 1/2002:  DECISÃO  JUDICIAL.  NÃO  RETENCÃO  DO  IMPOSTO.  RESPONSABILIDADE.  Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção  do  imposto  em  virtude  de  decisão  judicial,  a  responsabilidade  desloca­se,  tanto  na  incidência  exclusivamente  na  fonte  quanto  na  por  antecipação,  para  o  contribuinte,  beneficiário  do  rendimento,  efetuando­se  o  lançamento,  no  caso  de  procedimento de oficio, em nome deste.  A  similitude  dos  casos  é  patente,  pois  a  obrigação  da  fonte  pagadora  de  "reter"  o  Imposto  de Renda  é,  em  rigor,  obrigação  própria  e  pessoal,  tanto  que mesmo  nas  hipóteses em que não tenha feito a retenção, é responsável pelo recolhimento do imposto, nos  termos do art. 103 do Decreto­Lei nº 5844/1943.  O Prof. Ricardo Mariz de Oliveira (Fundamentos do Imposto de Renda. São  Paulo: Quartier Latin, 2008, p.447 e ss.) explica, com razão, que na sistemática da substituição  tributária,  a  fonte pagadora  tem um dever pagar o  tributo, por  força da  lei que  lhe  impôs  tal  ônus, mas por outro lado, especialmente em razão do art. 128 do CTN, tem o direito de efetuar  a  retenção,  como  forma  de  se  ressarcir  economicamente  do  tributo  pago  por  fato  gerador  realizado por outrem.  Da mesma forma, a Recorrente tem o dever de pagar as contribuições com a  alíquota concentrada, por força do art. 1º da Lei nº 10.485/2002, mas ao mesmo tempo tem o  direito de repassar esse ônus aos demais membros da cadeia de circulação, na composição do  preço  da  mercadoria,  ressarcindo­se  dessa  carga  tributária  pelos  fatos  geradores  a  serem  realizados posteriormente.  Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.042          47 O dever e o direito mencionados acima encontram­se em orgânica vinculação  por  força  do  artigo  128  do  CTN,  que  exige  que  ambos  subsistam  concretamente  apenas  de  forma conjunta, nunca  isoladamente. A conclusão é  sobremaneira óbvia, pois a exigência do  dever  sem  o  correspondente  direito  seria  simples  aumento  de  tributação  sobre  as  fábricas  e  importadores, e não substituição tributária ou tributação monofásica.  Explica o Ricardo Mariz, analisando expressamente a hipótese de suspensão  do regime de substituição por força de decisão judicial liminar:  ­ destarte, se antes da ocorrência do  fato sobre o qual  incide a  norma  que  acarreta  o  nascimento  do  poder­dever  tiver  sido  concedida uma liminar que suspenda a aplicação da norma em  questão, e tendo a liminar determinado a não execução do poder  de  cobrar,  tal  decisão  judicial  inibe  a  incidência  da  norma  de  substituição, neutralizando­a;  ­ a decisão é norma individual, pela qual incidiu uma norma de  não cobrança,  ficando o  substituto proibido de agir e cobrar o  imposto do beneficiário;  ­  nestas  circunstâncias,  suspende­se  todo  o  mecanismo  de  substituição tributária;  ­  a  cassação  da  liminar  não  produz  a  incidência  retroativa  da  norma de substituição; o fato ocorreu na vigência da liminar que  afastava a norma determinante do dever de agir como agente de  percepção;  ­  mesmo  havendo  eficácia  retroativa  da  decisão  final,  não  é  possível atribuir a responsabilidade pelo recolhimento do tributo  ao substituto, por faltar o elemento relacionado ao fato gerador,  que já ocorreu no passado, não mais existindo as circunstâncias  materiais que permitiriam proceder a cobrança do  tributo pelo  substituto junto ao substituído;  ­  se  não  há  como  cumprir  o  poder­dever  que  caberia  ao  substituto, seja porque não há incidência retroativa da norma de  substituição,  seja  porque  o  tempo  é  irreversível  e  os  fatos  que  permitiriam  operacionalizar  a  substituição  já  ocorreram  no  passado,  não  há  também  como  falar  em  descumprimento  do  dever;  sendo  assim,  por  consequência,  não  há  como  falar  em  responsabilidade por esse descumprimento;  ­ o prejuízo que o fisco tenha sofrido somente pode acarretar a  exigência  do  ressarcimento  perante  o  requerente  da  medida  judicial, conforme o disposto no art. 811 do Código de Processo  Civil  para  os  procedimentos  cautelares;  portanto,  a  recomposição  do  dano,  que  correspondente  à  cobrança  do  tributo,  somente  pode  ser  exigida  do  requerente  da  ordem  judicial;  ­  terceiro  proibido  de  realizar  determinada  conduta  cumpriu  a  ordem  recebida;  os  efeitos  desse  cumprimento  é  matéria  a  ser  debatida entre aqueles que foram partes na demanda judicial;  Fl. 2065DF CARF MF     48 ­  a  Súmula  n.  405  é  inaplicável  porque:  (1)  ela  se  refere  às  consequências para o impetrante, e não se refere a terceiros; (2)  a  retroação  se  refere  aos  efeitos  ligados  à  relação  jurídica  de  que  está  investido  o  impetrante,  e  não  aos  efeitos  de  outras  relações  de  terceiros;  (3)  a  retroação  é  de  efeitos  jurídicos  da  medida, e não dos efeitos de fato, especialmente quando se trata  de  uma  situação  em  que  a  prática  da  conduta  determinada  implica em situação de fato materialmente irreversível;  ­  a  medida  liminar  suspende  uma  relação  de  dívida,  que  se  restaura  plenamente  com  a  revogação  da  liminar;  mas,  tratando­se  de  uma  relação  de  responsabilidade,  ela  não  tem  condições  materiais  de  ser  atuada  no  momento  presente,  pois  não  existem  mais  condições  fáticas  em  que  deveria  ter  sido  atuada,  nem  existe  o  objeto  sobre  o  qual  incidir,  tendo­se  esgotado materialmente o seu suporte fático. (Fundamentos do  Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p.469­470)  A  cita  do  Prof.  Ricardo Mariz  é  longa,  mas  toca  precisamente  o  cerne  da  questão. A existência de liminar impedindo o recolhimento com a alíquota concentrada quebra  a vinculação que o art. 128 do CTN pressupõe que exista entre o responsável e o fato gerador,  que lhe permita cumprir a obrigação sem a perda do direito de ressarcir o tributo pago perante  o contribuinte.  Uma vez que  a  fábrica  recolheu o  tributo na  alíquota comum, por  força da  decisão judicial, não há mais como voltar no tempo e embutir retroativamente no preço já pago  a  diferença  entre  a  alíquota  paga  e  a  alíquota  concentrada  que  passou  a  ser  cobrada  após  a  perda de  efeitos da  liminar. Trata­se de fato consumado, que  impede o  reestabelecimento do  regime  de  tributação monofásica  em  relação  às  operações  realizadas  sob  o  pálio  da medida  judicial.  Mais ainda, o entendimento da Fiscalização se baseia na aplicação incorreta  do  teor  da Súmula  nº  405  do Supremo Tribunal  Federal,  que  diz  "Denegado o mandado de  segurança  pela  sentença,  ou  no  julgamento  do  agravo,  dela  interposto,  fica  sem  efeito  a  liminar  concedida,  retroagindo  os  efeitos  da  decisão  contrária". A  literalidade  dela  poderia  conduzir  ao  entendimento  propugnado  pela  autuação  mas,  conforme  o  art.  489,  §1º,  V  do  Código  de  Processo  Civil,  o  teor  normativo  da  súmula  é  condicionado  pelos  fundamentos  determinantes de sua criação.  Em erudito artigo sobre o tema, Arnoldo Wald e Rodrigo Kaufmann abordam  especificamente  a  origem  da  súmula  e  expõem a  aplicação  tímida  da mesma  pelo  STF,  que  reconhece os riscos inerentes à cassação dos efeitos de liminares. Sobre a criação dela e seus  fundamentos determinantes, aduzem:  (a)  a  liminar  concedida  pelo  juiz  de  primeira  instância  se  prestava a conservar uma exceção à aplicação da lei ao ampliar,  mesmo  que  provisoriamente,  o  âmbito  de  incidência  da  lei  da  isenção;  (b)  dessa  forma,  a  parte  provisoriamente  beneficiada  com  a  liminar,  não  constituía  uma  situação  a  ser  protegida  pelo  princípio da segurança jurídica: sua situação já era excepcional  diante da regra de que todos devem pagar impostos;  Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.043          49 (c) tratava­se, em realidade, de casos que suscitavam o tema da  hierarquia judiciária, e não propriamente da tese da vigência da  liminar no tempo para garantir a segurança;  (d) tratava­se ainda de processo que discutia o tema dos efeitos  de  um  recurso  de  competência  do  STF,  instância  essa  extraordinária  e  que  pela  sua  própria  dignidade  não  poderia  considerar  as  variáveis  do  caso  concreto  para  realizar  sua  prestação  jurisdicional.  (WALD,  A.;  KAUFMANN,  R.  O.  A  Súmula 405 do STF e a segurança jurídica in R.TRF1 Brasília  v. 28 n. 7/8 jul./ago. 2016, p. 66)  Portanto,  se verifica que  a  súmula  se  refere  à  transição de uma  situação  de  normalidade,  imposta  pela  lei,  para  outra  de  excepcionalidade,  por  força  da medida  liminar,  caso  absolutamente  oposto  ao  enfrentado  aqui,  no  qual  a  situação  de  exceção  (incidência  monofásica),  estabelecida  pela  lei,  foi  afastada  para  constituição  do  regime  ordinário  (incidência plurifásica), pela decisão judicial.  Além disso,  a  súmula  tratava de  situação  jurídica que era exaurida  entre  as  partes do processo, não implicando em efeitos sobre terceiros, razão pela qual ficava claro que  todo  o  ônus  da  cassação  da  liminar  recairia  apenas  sobre  o  beneficiado  por  ela.  Sobre  isto,  inclusive,  manifestou­se  com  muita  propriedade  o  saudoso  Ministro  Teori  Zavascki,  no  julgamento do RE 608.482, em 2014, última manifestação do STF sobre o conteúdo da súmula  405:  Com  efeito,  é  decorrência  natural  do  regime  das  medidas  cautelares  antecipatórias  que  a  sua  concessão  se  cumpra  sob  risco e responsabilidade de quem as requer, que a sua natureza é  precária  e  que  a  sua  revogação  opera  automáticos  efeitos  ex  tunc. Em se  tratando de mandado de  segurança, há até mesmo  súmula do STF a respeito  (Súmula 405:  ‘Denegado o mandado  de  segurança  pela  sentença,  ou  no  julgamento  do  agravo, dela  interposto,  fica  sem  efeito  a  liminar  concedida,  retroagindo  os  efeitos  da  decisão  contrária.’  A  matéria  tem,  atualmente,  disciplina  legal  expressa,  aplicável  a  todas  as  medidas  antecipatórias, sujeitas que estão ao mesmo regime da execução  provisória  (CPC,  art.  273,  §  3º).  Isso  significa  que  a  elas  se  aplicam as normas do art. 475­O do Código: o seu cumprimento  corre por conta e responsabilidade do requerente (inciso I), que,  portanto,  tem  consciência  dos  riscos  inerentes;  e,  se  a  decisão  for  revogada,  ‘ficam  sem  efeito’,  ‘restituindo­se  as  partes  ao  estado  anterior’  (inciso  II).  O  mesmo  ocorre  em  relação  às  medidas cautelares, cuja revogação impõe o retorno das partes  ao status quo ante, ficando o requerente responsável pelos danos  oriundos da indevida execução da medida (art. 811 do CPC).  Além disso, há farta quantidade de precedentes do STF e do STJ no qual a  súmula 405 é afastada nas hipóteses de boa­fé da parte, e nas hipóteses em que o cumprimento  da liminar levou a situações consumadas, que não poderiam ser reestabelecidas ao status quo  ante, como no REsp 944.325­RS e no REsp 950.382.  Assim, não exercido o direito do fabricante de se ressarcir do tributo pago na  incidência concentrada, por força de medida judicial, a vigência do regime plurifásico para as  Fl. 2067DF CARF MF     50 operações  realizadas  se  coloca como  fato  consumado,  situação que não pode  ser  revertida e  que, portanto, por força do art. 128 do CTN, não se pode cobrar do Recorrente o diferencial da  alíquota normal para a concentrada.  Portanto, para as operações realizadas durante a vigência da liminar, operou­ se  regime  de  incidência  plurifásica,  devendo  o  tributo  ser  cobrado  exclusivamente  das  concessionárias, e não da Recorrente.  Subsidiariamente, verifica­se que há, nos autos, cobrança de juros e multa de  ofício que não devem prosperar.  Em primeiro lugar, por se tratar de uma ordem judicial, a Recorrente não teria  qualquer opção em cumprir ou não tal medida, visto que o seu desrespeito implicaria no crime  de desobediência, tipificado no art. 330 do Código Penal, verbis:  Artigo 330. Desobedecer a ordem legal de funcionário público:  Pena – detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, e multa.  Assim,  não  havendo  qualquer  resquício  de  vontade  do  Recorrente  no  descumprimento da obrigação que a fiscalização entende que lhe era cabida, não haveria que se  impor qualquer espécie de punição ou sanção, visto que não existe  responsabilidade objetiva  por infrações no Direito Tributário brasileiro.  Não procede a leitura do artigo 136 do Código Tributário no sentido de que o  mesmo tornaria a responsabilidade tributária por infrações objetiva. Vejamos seu teor:  Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.  A responsabilidade independente, certamente, da presença de uma elemento  doloso para configurar a responsabilidade, salvo nas hipóteses em que o dolo seja elemento do  próprio  tipo  penal,  por  opção  do  legislador.  Explica  a  melhor  exegese  deste  dispositivo  Schoueri:  Com  efeito,  o  artigo  136  constitui  importante  variação  da  disciplina  do  Direito  Tributário  Penal,  em  relação  ao  Direito  Penal.  Neste,  nos  termos  do  parágrafo  único  do  artigo  18  do  Código Penal,  "salvo os  casos  expressos  em  lei,  ninguém pode  ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica  dolosamente".  Em síntese: se para o Direito Penal Tributário, a forma culposa  é exceção, devendo vir expressamente prevista em lei, na matéria  tributária penal a regra é a infração meramente culposa, não se  exigindo a presença do dolo, exceto se a lei assim o previr.  Não tem cabimento, por outro lado, imposição de penalidade se  que sequer se evidencie a culpa do agente. Ao contrário, viu­se  acima que até mesmo o Princípio da Pessoalidade da Pena  foi  absorvido  pelo  Direito  Tributário  Penal.  Inexistindo  culpa  ou  dolo, não surge a pretensão punitiva do Estado, pelo mero fato  de que não há o que punir. (Direito Tributário, 7ªed. São Paulo:  Saraiva, 2017, p.859­860)  Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.044          51 A mesma interpretação é dada, também, por Luciano Amaro, ao consignar:  "Quando cometo uma infração por engano, um erro material que  não  dependeu  da  minha  vontade,  que  pode  ter  decorrido  da  minha  imperícia,  da  minha  negligência,  mas  não  decorreu  da  minha intenção, a coisa parece que muda um pouco de figura. O  Código  não  está  aqui  dizendo  que  todos  podem  ser  punidos  independentemente  de  culpa.  Ele  está  dizendo  que  a  aplicação  penal  independe  de  intenção,  o  que  libera  o  Fisco  de  obter  a  prova  diabólica  de  que,  em  cada  situação de  infração  fiscal,  o  indivíduo  queria mesmo  descumprir  a  lei. O Fisco  não  precisa  fazer  essa  prova."  (Direito  Tributário  Brasileiro,  São  Paulo:  Saraiva, 2003, p.)   O  que  o  artigo  136  dispensa  para  as  infrações  tributárias  é  a  presença  de  dolo,  invertendo assim a  lógica do Direito Penal, no âmbito  sancionador  tributário, mas sem  que  se  possa,  propriamente,  falar  em  responsabilidade  objetiva  ­  alivia­se,  por  razões  de  implementação  das  sanções  tributárias  e  praticidade  dessa  imputação,  a  necessidade  de  comprovação da intenção do agente, mas daí a implicar na punição independente de prova ou  não da existência de algum grau de culpa, há um salto lógico não comportado pelo artigo 136  do CTN.  Em rigor, falar em responsabilidade objetiva para fins de imputação de norma  sancionatória  de  natureza  punitiva  configura  um  evidente  desconhecimento  do  surgimento  dessa teoria de responsabilização. Cabe aqui um breve adendo.  As teorias sobre a responsabilidade objetiva despontaram na necessidade de  reparar os danos sofridos pelos empregados, com o desenvolvimento  industrial e  tecnológico  ocorrido na Europa durante o  século XVIII  e XIX,  especialmente  em  razão das dificuldades  existentes no processo de demonstração de intenção da empresa por conta dos danos ocorridos.  Foi da lavra de civilistas consagrados, como Victor Mataja, na Alemanha, e  Josserand  e  Saleilles,  na  França,  o  desenvolvimento  dos  fundamentos  teóricos  da  responsabilidade  objetiva. Mataja,  especificamente,  escreveu  preciosa  monografia  datada  de  1888 (Das Recht des Schadensersatzes vom Standpunkte der Nationalökonomie ­ "O Direito da  Responsabilidade Civil sob o ponto de vista da economia política"), na qual trata dos efeitos de  incentivo  na  legislação  de  responsabilidade  civil  e  antecipando  as  discussões  tratadas  no  âmbito  da  escola  do  Law  and  Economics,  que  foram  a  base  da  consolidação  da  chamada  "teoria do risco", no século XX.  Salleiles escreveu, em 1897,  trabalho em que abordava a desnecessidade de  comprovação  de  culpa  para  reparação  dos  danos  sofridos  por  empregados  decorrentes  de  acidentes  de  trabalho  (Les  Accident  de  Travail  et  la  Responsabilité  Civile),  incluindo  a  responsabilidade civil nos riscos da atividade, sob fundamento de que por tirar proveito dela, a  empresa  deveria  arcar  com  o  danos  cuja  causa  material  tenha  sido  essa  atividade  (LIMA,  Alvino. Culpa e Risco. São Paulo: RT, 1960, p.122).  Até  esse  momento,  a  teoria  preponderante  para  fundamentar  a  responsabilidade  objetiva  é  a  do  risco­proveito,  que  vincula  o  benefício  econômico  à  responsabilidade civil. Todavia, a existência de diversas outras hipóteses de criação de riscos  desvinculados  à  atividade  empresarial  demandou um desenvolvimento  nessa  fundamentação,  evoluindo­se  para  a  teoria  do  risco­criado.  O  exemplo  do  dano  decorrente  de  acidente  de  Fl. 2069DF CARF MF     52 trânsito ilustra bem essa transição ­ visto que existem acidentes que não decorrem de dolo nem  de culpa: o motorista só poderia ser responsabilizado, dentro da teoria do risco­proveito, se ele  dirigisse  profissionalmente,  nunca  a  lazer,  ao  passo  que  com  a  teoria  do  risco­criado  a  responsabilidade  decorreria  do  risco  inerente  a  guiar  um  automóvel  (Cf.  MÁRIO,  Caio.  Responsabilidade Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p.285).   A  teoria  do  risco,  eventualmente,  sofreu  críticas  e  foi  substituída  por  uma  ideia  de  garantia,  relacionada  a  um  direito  à  reparação  dos  danos  sofridos.  Isso  é  bem  sintetizado por Facchini Neto nos seguintes termos:  O fato é que a teoria da responsabilidade civil comporta tanto a  culpa como o risco. Um como o outro devem ser encarados não  propriamente como fundamentos da responsabilidade civil, mas  sim como meros processos  técnicos de que se pode  lançar mão  para  assegurar  às  vítimas  o  direito  à  reparação  dos  danos  injustamente  sofridos.  Onde  a  teoria  subjetiva  não  puder  explicar  e  basear  o  direito  a  indenização,  deve­se  socorrer  da  teoria  objetiva.  Isto  porque,  numa  sociedade  realmente  justa,  todo dano deve ser reparado. (FACCHINI NETO, Eugênio. “Da  responsabilidade  civil  no  novo  Código”,  in:  SARLET,  Ingo  Wolfgang  (org).  O  novo  Código  Civil  e  a  Constituição.  Porto  Alegre: Liv. do Advogado, 2003. P.160­161)  Pois  bem.  Esse  brevíssimo  resumo  dos  fundamentos  da  responsabilidade  objetiva  deixa  absolutamente  claro  que  ela  só  tem  cabimento  quanto  a  reparação  ou  indenização, nunca para punição. E pode­se dizer ser acima de qualquer dúvida que as multas  tributárias  cobradas  de  ofício  não  tem  natureza  indenizatória  ­  em  rigor,  as  sanções  tributárias  tem duas funções:  i) antes da sua aplicação, de desestimular o descumprimento de  regras  impositivas,  e  ii)  após  sua  aplicação,  de  golpear  (colpire)  o  autor  do  ilícito  pelo  comportamento  que  assumiu  (DUS,  Angelo. Teoria  Generale  Dell'illecito  Fiscale. Milano:  Giuffrè, 1957, p.19­20).  Isso deixa em evidência o contrassenso que é pugnar pela existência de uma  responsabilidade objetiva no Direito Tributário Penal, independente de dolo ou culpa, em um  sistema  punitivo  voltado  a  retribuição  do  descumprimento  de  regras  tributárias  pelo  contribuinte.  Novamente, é preciso se ater ao que efetivamente diz o artigo 136 do CTN:  independe da intenção do agente. Intenção é dolo, e não culpa ­ ao se excluir a necessidade de  um,  a  exclusão do outro não é  consequência, muito pelo  contrário. A  sistemática do próprio  Código  deixa  claro  que  há  relevância  normativa  para  a  boa­fé  e  a  ausência  de  culpa  do  contribuinte, basta que se compulse, por exemplo, o artigo 172, II, verbis:  Art.  172.  A  lei  pode  autorizar  a  autoridade  administrativa  a  conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial  do crédito tributário, atendendo:  II ­ ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto  a matéria de fato;  Como  se  vê,  o  Código  reconhece  a  possibilidade  de  extinção  do  crédito  tributário nos casos em que aquele crédito decorreu de conduta na qual restou comprovado erro  ou ignorância excusável do sujeito passivo ­ o que implica em um reenvio direto à teoria do  erro de tipo no Direito Penal.  Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.045          53 A  teoria  do  erro,  no  âmbito  do  direito  sancionado,  assume  papel  de  materialização  do  chamado  princípio  da  culpabilidade.  Dentre  as  espécies  de  erro,  existem  duas modalidades: o erro vencível (ou inescusável) e o invencível (excusável). Este último será  aquele  que  não  puder  ser  evitado  pela  pessoa  cuidadosa, mesmo  que  atue  com  todo  o  zelo,  enquanto o primeiro será aquele que, com zelo, possa ser evitado (OLIVÉ, Juan Carlos Ferré et  al. Direito penal brasileiro: parte geral, 2ªed. São Paulo: Saraiva, 2017, p.340).  Diante do erro, o artigo 20 do Código Penal determina que "art. 20 ­ O erro  sobre elemento constitutivo do  tipo  legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por  crime  culposo,  se  previsto  em  lei".  Todavia,  há  que  se  relembrar,  dos  bancos  da  graduação  jurídica,  que  o  art.  18,  II  do  mesmo  código  determina  que  a  infração  será  culposa  apenas  "quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia". Ora, o  erro  excusável  é  aquele  que, mesmo  que  o  agente  atue  com  toda  a  diligência  devida,  não  é  possível de ser evitado, o que implica dizer que tampouco há que se falar em culpa diante dessa  espécie de erro.  É  a  lição  de  Zaffaroni  e  Nilo  Batista:  "Quando  o  agente,  empenhando  a  diligência  cabível  nas  circunstâncias  concretas,  não  tinha  possibilidade  de  adquirir  consciência sobre os elementos típicos objetivos, a ação será atípica quanto ao tipo doloso e  quanto ao  tipo culposo"  (ZAFFARONI, Eugenio. BATISTA, Nilo. Direito Penal Brasileiro,  Volume II, tomo I. Rio de Janeiro: Revan, 2010, p.190).  Na seara punitiva, mesmo a tributária (ou melhor dizendo: especialmente na  tributária,  por  força  do  artigo  136  do  CTN),  é  preciso  pelo menos  a  culpa  para  que  haja  a  responsabilização do agente. Não se estamos aqui pretendendo inovar de qualquer forma, mas  apenas alinhavando a  compreensão da  legislação posta  sob análise que a doutrina do Direito  Sancionatório e, mais ainda, com a  jurisprudência do STJ, a exemplo do REsp 777.732/MG,  cuja ementa é absolutamente clara a este respeito:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  SUPOSTA  OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO  NO  ACÓRDÃO  RECORRIDO.  TRIBUTÁRIO.  ICMS.  MULTA  APLICADA  POR  CANCELAMENTO  DE  NOTAS  FISCAIS.  AFASTAMENTO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. DISCUSSÃO  ACERCA DA INCIDÊNCIA DO ART. 136 DO CTN.  1. Não viola o art. 535 do CPC o acórdão que, mesmo sem se ter  pronunciado  sobre  todos  os  temas  trazidos  pelas  partes,  manifestou­se de forma precisa sobre aqueles relevantes e aptos  à formação da convicção do órgão julgador, resolvendo de modo  integral o litígio.  2.  Tratando­se  de  infração  tributária,  a  sujeição  à  sanção  correspondente  impõe,  em  muitos  casos,  o  questionamento  acerca do elemento subjetivo, em virtude das normas contidas no  art.  137  do  CTN,  e  da  própria  ressalva  prevista  no  art.  136.  Assim, ao contrário do que sustenta a Fazenda Estadual, "não  se tem consagrada de nenhum modo em nosso Direito positivo  a  responsabilidade  objetiva  enquanto  sujeição  à  sanção­ penalidade"  (MACHADO,  Hugo  de  Brito.  "Comentários  ao  Código Tributário Nacional", Volume II, São Paulo: Atlas, 2004,  pág. 620).  Fl. 2071DF CARF MF     54 No  mesmo  sentido:  REsp  494.080/RJ,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 16.11.2004; REsp 699.700/RS, 1ª  Turma,  Rel.  Min.  Francisco  Falcão,  DJ  de  3.10.2005;  REsp  278.324/SC, 2ª Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ  de 13.3.2006.  3. Recurso especial desprovido.  (REsp  777.732/MG,  Rel.  Ministra  DENISE  ARRUDA,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2008, DJe 20/08/2008)  No mesmo  sentido  é  o REsp  743.839/SP,  relatado  pelo Min.  Luiz  Fux,  de  eloquente ementa:  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  EMBARGOS  DO  DEVEDOR.  CRÉDITOS  DE  ICMS  REFERENTES  À  SUBCONTRATAÇÃO  DE  FRETES,  INCLUSIVE  OS  COM  CLÁUSULA CIF. MULTA. AUSÊNCIA DE PROVA DE MÁ­FÉ,  FALSIFICAÇÃO OU DE ADULTERAÇÃO. ERRO DE DIREITO  CONFIGURADO.  INTERPRETAÇÃO  MAIS  FAVORÁVEL  AO  CONTRIBUINTE.  JUROS  MORATÓRIOS.  ALEGAÇÃO  DE  SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. SÚMULA 7/STJ. (...)  6. A multa moratória distingue­se dos  juros moratórios e a sua  oscilação  expressiva,  como,  in  casu,  de  200%  (duzentos  por  cento)  para  120%  (cento  e  vinte  por  cento)  recomenda,  ao  ângulo da  Justiça Tributária,  a aplicação da  lei mais benéfica,  que fixou o patamar inferior, com fulcro não só no artigo 106, II,  do CTN, com também por concluir o juízo singular e o Tribunal  local  que  o  proceder  do  contribuinte  "não  revelou  má­fé;  não  houve  qualquer  busca  de  ocultação  de  dados,  tanto  que  os  creditamentos foram feitos em seus livros contábeis, ensejando a  glosa dos referidos creditamentos".  7. Deveras, o erro de direito, assim inferido das conclusões do  aresto recorrido, impede a aplicação acrílica do artigo 136, do  CTN,  porquanto,  na  atividade  de  concreção,  o magistrado  há  de  pautar  a  sua  conclusão  iluminado  pela  regra  de  hermenêutica  do  artigo  112,  do  CTN,  verbis:  "Art.  112.  A  lei  tributária  que  define  infrações,  ou  lhe  comina  penalidades,  interpreta­se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de  dúvida quanto: I ­ à capitulação legal do fato; II ­ à natureza ou  às  circunstâncias materiais  do  fato,  ou  à  natureza  ou  extensão  dos seus efeitos; III ­ à autoria, imputabilidade, ou punibilidade;  IV ­ à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." 8.   In casu, as circunstâncias materiais do fato exibição da escrita e  erro de direito, acrescido da carência probatória, conduziram o  Tribunal a quo a preconizar a minimização da multa.  9.  Outrossim,  a  responsabilidade  objetiva  e  gravosa,  preconizada  pelo  recorrente,  não  encontra  respaldo  na  justa  aplicação do direito  tributário, nem na doutrina sobre o tema,  que  leciona:  "=> Culpa.  "...  o  que  o  art.  136,  em  combinação  com o item III do art. 112, deixa claro.é que para a matéria da  autoria,  imputabilidade  ou  punibilidade,  somente  é  exigida  a  intenção  ou  dolo  para  os  casos  das  infrações  fiscais  mais  graves  e  para  as  quais  o  texto  da  lei  tenha  exigido  esse  Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 10976.000061/2010­83  Acórdão n.º 3402­004.119  S3­C4T2  Fl. 2.046          55 requisito.  Para  as  demais,  isto  é,  não  dolosas,  é  necessário  e  suficiente um  dos  três  graus  de  culpa. De  tudo  isso  decorre  o  princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver  dolo  nem  culpa.  não  existe  infração  da  legislação  tributária."  (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14' edição,  Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107)(...)   "Se ficar evidenciado que o indivíduo não quis descumprir a lei,  e o eventual descumprimento se deveu a razões que escaparam a  seu  controle,  a  infração  ficará  descaracterizada,  não  cabendo,  pois,  falar­se em responsabilidade."  (AMARO, Luciano. Direito  Tributário Brasileiro, 2ª ed., Ed. Saraiva, 1998, p. 418)   11.  Recurso  especial  conhecido  e  parcialmente  provido  para  acolher  o  pedido  de  incidência  dos  juros  moratórios.  (REsp  743.839/RS,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado em 14/11/2006, DJ 30/11/2006, p. 154)    E  mais,  o  próprio  CARF  já  reconheceu  seja  de  forma  vinculante  ­  por  súmula  ­  como  de  forma não  vinculante  ­  pela  sua  jurisprudência,  a  impossibilidade  de  se  responsabilizar objetivamente o contribuinte, sem qualquer traço de culpa.   Exemplo disso são as decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais nos  acórdãos  CSRF/01.0.217  e  CSRF/01­95.032,  que  afastaram  a  sanção  por  erro  de  preenchimento nos casos que o contribuinte  foi  induzido a erro pelo  informe de rendimentos  emitido pela fonte pagadora. A consolidação desse entendimento gerou a Súmula CARF nº 73  que diz:  Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de  ajuste  do  imposto  de  renda,  causado  por  informações  erradas,  prestadas  pela  fonte  pagadora,  não  autoriza  o  lançamento  de  multa de ofício.  Compulsando  os  precedentes  que  originaram  esta  súmula  e  sua motivação,  verifica­se  claramente  a  assunção  dos  fundamentos  apresentados  acima,  como  se  vê  no  Acórdão CSRF/04­00.409:    Ora, fosse a responsabilidade objetiva, haveria que se penalizar o contribuinte  independente da presença ou ausência de culpa ­ o que não se verifica na súmula apontada. Em  rigor, não vejo óbices à aplicação dessa súmula ao presente caso, em vista de seus fundamentos  determinantes serem universalizáveis, e não restritos apenas à hipótese da declaração inexata,  sendo portanto aptos a fundamentar a decisão com base no artigo 489, §1º, V do CPC, verbis:  Fl. 2073DF CARF MF     56 Art. 489. São elementos essenciais da sentença:  § 1o Não se considera  fundamentada qualquer decisão  judicial,  seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:  V ­ se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem  identificar  seus  fundamentos  determinantes  nem  demonstrar  que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos;  Portanto,  é  que  se  afastar,  por  incabível  no  Direito  Tributário  brasileiro,  a  ideia de responsabilidade objetiva ­ despida de dolo ou culpa ­ pelas infrações, por ausência de  fundamento legal para tanto, e pela circunstância da responsabilidade objetiva ser adequada à  hipótese de reparação, mas não de punição, conforme jurisprudência do STJ e do CARF, bem  como a melhor doutrina sobre a matéria.   À guisa de conclusão, voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso  Voluntário do Contribuinte.  É como voto.                      Fl. 2074DF CARF MF

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Numero do processo: 11020.910088/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2006 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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3402­004.038  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2017  Matéria  PERD/COMP COFINS  Recorrente  ALEPLAST EMBALAGENS PLASTICAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/07/2006  COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.  Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem  recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e  certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não­cumulatividade.   Recurso voluntário negado.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.   (assinado digitalmente)  ANTÔNIO CARLOS ATULIM ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins  de  Paula,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos Augusto Daniel Neto.   Relatório  Versam  os  autos  sobre  pedido  de  reconhecimento  de  direito  creditício  de  COFINS,  informado  como  oriundo  de  recolhimento  efetuado  a  maior,  cumulado  com  declaração de compensação (PER/DCOMP).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 88 /2 01 2- 08 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11020.910088/2012­08  Acórdão n.º 3402­004.038  S3­C4T2  Fl. 3          2  No  Despacho  Decisório,  a  autoridade  local  da  RFB  indeferiu  o  pleito  da  interessada,  uma  vez  que  o  DARF  informado  como  origem  do  crédito  estava  integralmente  utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para  restituição".  Inconformada  com  a  decisão  proferida,  a  empresa  apresentou manifestação  de  inconformidade,  na  qual  alega,  após  ter  "efetuado  revisão  completa  retroativa  de  suas  últimas  bases  de  cálculo  de  COFINS",  possuir  créditos  oriundos  de  suas  seguintes  contas,  discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos:    A  DRJ/RPO,  nos  termos  do  Acórdão  14­046.801,  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade.  Inconformado,  o  contribuinte  interpôs  o  presente  recurso  voluntário, no qual, em suma, restringe­se a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos  comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais!  É o relatório.    Voto             Conselheiro Antônio Carlos Atulim ­ Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­004.034, de  25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/2012­00, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.   Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402­004.034):  "Alega  o  contribuinte,  de  forma  genérica,  ter  créditos  para  fins  de  apuração  da  COFINS  a  pagar  no  sistema  não­cumulativo.  Tais  créditos  seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório.  Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a  se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não  há prova específica a respaldar os alegados créditos.  Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem  qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se  pudesse constatar de quais  insumos se tratam e, mais,  se efetivamente são  utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese,  em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com  vendas  (nas  quais  não  se  sabe  quem  arcou  com  os  valores),  despesas  diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que  em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito  a crédito) não dão direito a crédito.  Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11020.910088/2012­08  Acórdão n.º 3402­004.038  S3­C4T2  Fl. 4          3  Assim,  sendo  firme a  jurisprudência  desse Colegiado  no  sentido  de  que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter,  mormente  em  relação  a  valores  que  já  se  compensou,  que  pressupõe  sua  certeza e liquidez, constata­se que ele não provou por  todos os meios e de  forma  específica  (não  há  um  documento  fiscal  nos  autos)  os  créditos  declarados.  CONCLUSÃO  Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de  produzir, deve ser negado seu pleito.  Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário."  Ressalte­se  que,  neste  processo,  as  contas  especificadas  como  origem  dos  créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o  contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não  há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados".  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  assinado digitalmente  Antônio Carlos Atulim                                  Fl. 118DF CARF MF

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6799464 #
Numero do processo: 10283.721692/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS BENÉFICO. OPÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Impõe-se a escolha do ajuste mais benéfico ao sujeito passivo quando este apura, por mais de um método, o preço parâmetro de importação, sem que a Fiscalização se escore em fundamentação válida para recusar o maior preço.
Numero da decisão: 1301-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Waldir Veiga Rocha - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. (digitalmente assinado) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Gustavo Guimarães da Fonseca (suplente convocado).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA

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apura, por mais de um método, o preço parâmetro de importação, sem que a  Fiscalização se escore em fundamentação válida para recusar o maior preço.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício.  Waldir Veiga Rocha ­ Presidente.  (assinado digitalmente)     Flávio Franco Corrêa ­ Relator.  (digitalmente assinado)    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha,  Flávio  Franco  Corrêa,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Roberto  Silva  Júnior,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Milene  de  Araújo Macedo,  Amélia Wakako Morishita  Yamamoto  e  Gustavo Guimarães da Fonseca (suplente convocado).  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 16 92 /2 01 2- 08 Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 491          2 Trata­se  de  recurso  de  ofício  contra  acórdão  da  DRJ/Belém,  que  julgou  procedente a impugnação apresentada por NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA contra  exigências de IRPJ e de CSLL, relativamente ao ano­calendário de 2008, no valor total de R$  18.567.533,98, incluindo multa de ofício e juros de mora.  Por bem retratar os fatos, reproduzo o relatório da DRJ, adotando­o:  “De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo  incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Falta de adição ao lucro líquido da parcela  do custo de bens importados que excede ao preço parâmetro de transferência.  Extrai­se ainda dos autos que:  • O sujeito passivo declarou na DIPJ um ajuste de preço de transferência no  valor de R$ 11.483.213,17  • No curso da ação fiscal, observou­se que os ajustes de preço de transferência  foram  feitos  com  base  na  metodologia  de  cálculo  dos  Preços  Independentes  Comparados­PIC e Preços de Revenda Menos Lucro­PRL (20% e 60%);  •  A  documentação  apresentada  pelo  sujeito  passivo  revelava  os  seguintes  ajustes:  PIC­R$ 25.934,83;  PRL­20 – R$ 277.483,19;   PRL­60– R$ 1.215.775,85;  •  Em  relação  ao  ajuste  do  PRL60,  o  sujeito  passivo  não  observou  as  disposições preconizadas pelo § 11 e  incisos do art. 12 da  IN SRF 243/2002, mas  sim a IN SRF 32/2001;  • Na forma da IN SRF 243/2002, o ajuste pelo método PRL60 deveria ser de  R$ 37.184.641,68;  •  Mesmo  diante  da  falta  de  apresentação  da  documentação  de  suporte  do  ajuste  declarado  na  DIPJ,  os  valores  ali  registrados  foram  deduzidos  do  ajuste  apurado na ação fiscal;  Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %.  [...]  O  sujeito  passivo  tomou  ciência  do  lançamento  em  19/12/2012  (fls.  311  e  319) e apresentou sua impugnação em 17/01/2013 (fls. 336376), na qual alegou em  síntese que:  Da ilegalidade da IN SRF 243/002   1. A IN SRF 243/002 ao regulamentar a apuração do PRL60, desconsiderou  variáveis contidas na Lei nº 9.430/96 e considerou outras não previstas nesta lei;  Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 492          3 2.  Dessa  forma  a  IN  SRF  243/2002  incorre  em  afronta  ao  princípio  da  legalidade, revelando­se carente de validade;   3.  A  ilegalidade  da  IN  SRF  nº  243/2002  já  foi  reconhecida  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais­CARF  (processo  nº  16643.000043/200914  e  16561.000185/200711);  4. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região também já se manifestou acerca  da ilegalidade da IN SRF 243/2002 (Apelação Civil nº 003404852.2007.4.03.6100);  5.  A  ilegalidade  também  é  confirmada  pela  edição  da  MP  563/2012,  convertida  na  Lei  nº  12.715/12,  que  introduziu  o  critério  de  proporcionalização  previsto no inciso II, §11, art. 12, da IN SRF 243/2002;  Do método mais favorável  6. Ao apurar o preço parâmetro PRL60, a fiscalização deixou de observar o  método mais favorável ao sujeito passivo, na forma do art 18, caput, e § 4º da Lei nº  9.430/96;  7. Analisando as planilhas anexas ao Auto de Infração, em especial o Valores  Calculados Pelo Contribuinte e os Valores Calculados Pela Fiscalização, verifica­ se que o preço PRL60 é inferior ao preço PRL20 ou PIC;  8. A título de exemplo cita os códigos 4373511 e 9857217, conforme quadro  abaixo:    9. O mesmo erro ocorreu em relação a diversos itens das planilhas anexas ao  Auto de Infração;  10.  Mesmo  nos  casos  em  que  o  contribuinte  não  aponta  o  método  de  apuração,  a  fiscalização  deve  demonstrar  e  utilizar  o  método  mais  favorável  ao  sujeito passivo. Nesse sentido os Acórdãos nº 10322017 e 10709411;  Da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício  11. A cobrança dos juros de mora sobre a multa aplicada é  ilegal, eis que o  art. 161 do CTN somente autoriza a cobrança de juros sobre os valores decorrentes  da obrigação tributária principal;  12. O art. 61 da Lei nº 9.430/96 também só autoriza a cobrança de juros sobre  o valor de tributos e contribuições;   13. O mesmo sentido também é extraído do art. 43 da Lei nº 9.430/96;  Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 493          4 14. A  jurisprudência  do CARF  reconhece  o  não  cabimento  da  exigência  de  juros  de  mora  sobre  o  valor  da  multa  de  ofício  (Acórdãos  10196008,  10196601,  105472, 20178718, 20216397e 910100722).  É o relatório.”    No voto, o relator da instância a quo assim se manifestou, quanto ao que  interessa ao presente reexame:  “Preço de Transferência. Da escolha do método.  No  que  diz  respeito  à  escolha  do método  de  cálculo  do  preço  parâmetro,  a  recorrente  alega  que  a  fiscalização  tinha  o  dever  de  escolher  o menos  oneroso  ao  contribuinte, de acordo com o artigo 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96 e art. 4º, § 2º, da IN  SRF nº 243/2002, ipsis litteris:  Lei nº 9.430/96  Art.18.Os  custos,  despesas  e  encargos  relativos  a  bens,  serviços  e  direitos,  constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas  com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até  o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos:  ...  §4º  Na  hipótese  de  utilização  de  mais  de  um  método,  será  considerado  dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente.  …  IN SRF nº 243/2002  Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas  importações de  empresa  vinculada, não  residente,  de bens,  serviços ou direitos,  a  pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam  os  arts.  8º  a  13,  exceto  na  hipótese  do  §  1º,  independentemente  de  prévia  comunicação à Secretaria da Receita Federal.  §  2º  Na  hipótese  de  utilização  de  mais  de  um  método,  será  considerado  dedutível  o  maior  valor  apurado,  devendo  o  método  adotado  pela  empresa  ser  aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de  apuração.  [grifou­se]  Todavia,  numa  leitura  mais  acurada  dos  dispositivos,  percebe­se  que  a  utilização do método mais benéfico só é possível quando o contribuinte apurou, por  mais de um método, o preço parâmetro na  importação (art. 4, §2º, primeira parte).  Eis que a lei foi expressa ao destacar o uso do método mais benéfico “Na hipótese  de utilização de mais de um método” [grifou­se].  Mas não é só a utilização de mais de um método por parte do contribuinte que  pode  ensejar  a  escolha  do  mais  favorável.  Para  tanto,  o  contribuinte  deve  ainda  oferecer  ao  fisco  todos  os  elementos  necessários  para  aferição  dos  métodos  utilizados.  Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 494          5 Caso contrário,  verificado que o  contribuinte utilizou apenas um método de  cálculo  do  preço  de  transferência  ou  que  os  documentos  apresentados  por  ele  são  insuficientes  ou  imprestáveis  para  formar  a  convicção  quanto  ao  preço  de  transferência  utilizado,  é  legítima  escolha,  pela  fiscalização,  de  qualquer  método  com base nos elementos que dispuser. Nesse sentido o parágrafo único do art. 40 da  IN SRF nº 243/2002, verbis:  Art.  40.  A  empresa  submetida  a  procedimentos  de  fiscalização  deverá  fornecer  aos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  (AFRF),  encarregados  da  verificação:  I ­ a indicação do método por ela adotado;  II  ­  a  documentação  por  ela  utilizada  como  suporte  para  determinação  do  preço  praticado  e  as  respectivas  memórias  de  cálculo  para  apuração  do  preço  parâmetro e,  inclusive, para as dispensas de comprovação, de que  tratam os arts.  35 e 36.  Parágrafo  único.  Não  sendo  indicado  o  método,  nem  apresentados  os  documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou  imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da  verificação  poderão  determiná­lo  com  base  em  outros  documentos  de  que  dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa [grifou­ se]  Por  meio  da  planilha  Cálculo  do  Ajuste  às  folhas  325­329,  que  é  parte  integrante do Auto de Infração, verifica­se que os custos de alguns insumos levados  ao  ajuste  de  preço  de  transferência  pelo  método  PRL60,  na  forma  da  IN  SRF  243/2002,  também  tiveram  seu  preço  PIC  informado  pelo  sujeito  passivo  (coluna  “PIC  Comp  Internas  em  R$”).  Tais  valores  foram  extraídos  da  planilha  “Ajuste  Fiscal de Importação” (fls. 215­220), fornecida pelo sujeito passivo no curso da ação  fiscal.  Todavia,  não  há  nos  autos  qualquer  manifestação  da  autoridade  lançadora  acerca do preço PIC dos insumos cujos custos foram levados ao ajuste de preço de  transferência no lançamento (planilha Cálculo do Ajuste às fls. 325329).  A única manifestação  diz  respeito  àqueles  cálculos  em que  o método  eleito  pelo sujeito passivo foi o próprio PIC, in verbis:  [...]  Pela documentação disponibilizada pelo sujeito passivo, verificou­se ter sido  apurado  um  valor  de R$ 25.934,83,  a  título  de  ajuste  PIC,  e  de R$  1.438.259,04  referente ao PRL, sendo R$ 277.483,19 referente ao PRL 20% e R$ 1.215.775,85,  relativo ao PRL 60%.   [...]  A  Fiscalização  então  passou  a  centrar  esforços,  mais  detidamente  na  apuração do PRL, pelo significativo valor das importações dos itens em que foram  aplicados este método, visto não ter o PIC, em um exame superficial, apresentado  maiores problemas.  Conclui­se então que a autoridade lançadora tinha conhecimento da existência  de um preço parâmetro PIC, para os custos dos insumos levados ao ajuste de preço  Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 495          6 de  transferência,  todavia não  justificou o motivo da  recusa deste preço, mormente  nos casos em que o preço PIC era mais favorável ao sujeito passivo.  Nestes  termos,  a  escolha do preço PRL60, nas hipóteses que o preço PIC é  mais  favorável,  não  é  legítima porque não há nos  autos qualquer manifestação no  sentido de desqualificar o preço PIC.  Isto  posto,  um  novo  cálculo  de  ajuste  deve  ser  efetuado,  levando  em  consideração  o  melhor  preço  parâmetro,  na  forma  do  artigo  18,  §4º,  da  Lei  nº  9.430/96 e art. 4º, § 2º, da IN SRF nº 243/2002.  [...]  Da apuração do crédito tributário  Feitas as considerações acima, passa­se a apurar o crédito do processo.  Tabela 1 Apuração do ajuste de preço de transferência (valores em R$)        Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 496          7     Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 497          8   Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 498          9   Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 499          10   O  ajuste  apurado  de  preço  de  transferência,  para  os  itens  acima,  foi  de R$  8.635.854,66,  que  somados  aos  apurados  pelo  sujeito  passivo,  nos métodos  PIC  e  PRL­20,  perfaz  um  total  de  ajuste  de  preço  de  transferênica na  importação  de R$  8.939.272,68 (8.635.854,66+25.934,83+277.483,19).  O valor declarado pelo sujeito passivo em DIPJ, a título de ajuste de preço de  transferência,  na  apuração do  lucro  real  e  da base de  cálculo  da CSLL,  foi  de R$  11.483.213,77 (fls. 9 e 21). A autoridade lançadora considerou, no lançamento, que  tais valroes dizem respeito ao ajuste no custo da importação.  De  efeito,  considerando  que  o  valor  do  ajuste  declarado  é  maior  que  o  apurado, não resta ajuste de preço de transferência a ser efetuado neste processo.   Da conclusão  Ante  tudo  exposto,  voto  no  sentido  de  julgar  a  IMPUGNAÇÃO  PROCEDENTE, cancelando os créditos tributários do processo.”  É o relatório.    Voto             Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator.  O presente recurso reúne os requisitos de recorribilidade. Dele conheço.  Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 500          11 Tal é a apuração realizada pela Fiscalização, consoante a descrição no auto de  infração às fls. 313:  “O  procedimento  fiscal  instaurou­se  tendo  por  escopo,  a  averiguação  da  correta  aplicação,  pela  pessoa  jurídica,  dos  métodos  de  apuração  dos  preços  de  transferência, relativos às importações de pessoas jurídicas estrangeiras ligadas.   O  desenvolvimento  da  ação  fiscal  permitiu  constatar  que  a  sociedade  empresária fiscalizada, optou por utilizar no cálculo dos preços de transferência (PT)  referente  ao  ano­calendário  de  2008,  os métodos  PRL  ­ Preço  de Revenda menos  Lucro, 60% e 20%, e PIC ­ Preços Independentes Comparados, o que, em principio,  estaria de acordo com o informado na DIPJ/2009, ficha 32.   Pela documentação disponibilizada pelo sujeito passivo, verificou­se ter sido  apurado um valor de R$ 25.934,83, a título de ajuste do PIC, e de R$ 1.438.259,04  referente ao PRL, sendo R$ 277.483,19 referente ao PRL 20% e R$ 1.215.775,85,  relativo ao PRL 60%.   Deve­se  assinalar  que  a  pessoa  jurídica  informou  na DIPJ/2009,  ficha  09A,  linha 10 e ficha 17, linha 10, o valor de R$ 11.483.213,77, como adição ao resultado  do  exercício,  referente  aos  ajustes  decorrentes  dos  métodos  dos  preços  de  transferência, na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social,  mas  que  segundo  informações  dos  prepostos  da Fiscalizada,  não  espelhava  aquele  valor,  o  real  montante  dos  ajustes  do  PT,  vez  que  foi  encontrado  com  base  em  estimativa, sem lastro documental e sem fundamentação jurídico­contábil.   A  Fiscalização  então  passou  então  a  centrar  esforços,  mais  detidamente  na  apuração do PRL, pelo significativo valor das importações dos itens em que foram  aplicados este método, visto não  ter o PIC, em um exame superficial, apresentado  maiores problemas.   Pois  bem. Examinando  as  planilhas  e memórias  de  cálculo  disponibilizadas  pelo contribuinte, pode­se constatar não ter o mesmo seguido, na apuração do PRL  60%, a forma preconizada no parág. 11 e incisos, do art. 12, da IN SRF nº 243/2002,  mas  sim  a  maneira  prevista  na  revogada  IN  SRF  nº  32/2001.  Por  conseguinte,  chegou ele, contribuinte, a um valor de ajuste especificamente do PRL 60%, de R$  1.215.775,85.   Considerando que no caso do PRL 20%, não se deparou o fisco, como (sic)  irregularidades  atinentes  ao  cálculo  do  método,  resolveram  os  auditores  fiscais  refazer a apuração concernente ao PRL 60%, visto encontrar­se a mesma, em total  desacordo com a legislação tributária vigente e regente da matéria sob apreciação.   Destarte,  após  o  recálculo  procedido  pelas  autoridades  fiscais,  à  luz  do  estabelecido no parág. 11 e incisos, do art. 12 da IN SRF nº 243/2002, chegou­se a  um  valor  total  de  ajustes  concernentes  ao  PRL­  60,  no  montante  de  R$  37.184.641,68, conforme demonstra as planilhas anexas nas colunas que se referem  aos "valores calculados pela fiscalização".   Levando em conta que a pessoa jurídica informou, consoante  frisado acima,  na DIPJ/2009, ficha 09A, linha 10 e ficha 17, linha 10, o valor de R$ 11.483.213,77,  a  título  de  ajustes  dos  preços  de  transferência,  como  adição  na  demonstração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  mesmo  não  tendo  ela  apresentado  a  documentação que teria dado suporte para o cálculo daquele montante, entenderam  as  autoridades  fiscais,  em  observância  ao  princípio  da  razoabilidade,  ser  justo  considerá­lo  como  dedução  do  valor  a  ser  adicionado  de  ofício,  para  efeito  de  Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 501          12 apuração das bases de cálculo das exações fiscais envolvidas no cálculo do PT. Até  pelo  fato  daquele  valor  ($  11.483.213,77)  ter  impactado  os  cálculos  originais  das  bases  imponíveis  do  IRPJ  e  da CSLL,  apesar  de  não  sido  (sic)  apurado  valores  a  pagar relativos a estes tributos.   Por  conseguinte,  a  parte  quantitativa  do  presente  lançamento  de  oficio  se  consubstancia no valor de R$ 25.701.427,91  (37.184.641,68  ­  11.483.213,77),  que  ora se adiciona (sic) as base de cálculo do IRPJ e da CSLL, consoante determina a  legislação tributária em vigor.” Portanto,  depreende­se  dos  autos  que  a  Fiscalização,  com  a  pretensão  de  determinar  o  valor  a  ser  adicionado  em  obediência  às  regras  do  preço  de  transferência,  na  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL,  refez  os  cálculos  elaborados  para  tais  ajustes,  quando  o  fiscalizado adotou o método PRL­60.   Os  casos  em  que  o  fiscalizado  aplicou  métodos  diversos  do  PRL­60  não  foram objeto do recálculo efetuado pela Fiscalização.   No entanto, segundo a DRJ, a Fiscalização equivocou­se, ao refazer o citado  cálculo,  porque,  embora  tendo  conhecimento  dos  preços  parâmetros  fornecidos  pelo método  PIC já apurados pelo fiscalizado, preferiu ignorá­los nas situações em que estes valores eram  superiores  aos  preços  determinados  pelo método  PRL­60,  assim  contrariando  o  disposto  no  artigo 18, § 4º, da Lei nº 9.430/1996, verbis:  “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos,  constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas  com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o  valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos:  [...]  § 4º  Na  hipótese  de  utilização  de  mais  de  um  método,  será  considerado  dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente.”  A planilha “Cálculo do Ajuste”, às fls. 325/329, concebida e preenchida pela  Fiscalização,  consolida  os  recálculos  por  ela  efetuados  para  os  casos  em  que  o  fiscalizado  adotou  o  método  PRL­60.  Para  acrescentar  clareza,  a  Fiscalização  também  incluiu,  nessa  planilha, a revelação dos preços parâmetros apurados pelo fiscalizado com base nos métodos  PRL­20 e PIC.  Com  efeito,  a  planilha  “Cálculo  do  Ajuste”  traz  a  evidência  de  que  o  fiscalizado  apresentara  à  auditoria  do  Fisco  federal  preços  parâmetros  determinados  pelo  método  PIC.  A  despeito  disso,  a  Fiscalização  não  expôs  os  motivos  por  que  desprezara  o  método PIC,  quando o  preço  parâmetro  calculado  com base  nesse método  superava  o  preço  parâmetro calculado com base no PRL­60.   Nas circunstâncias aventadas, o relator da instância a quo refez os cálculos da  Fiscalização, apresentando outra tabela, ao fim de seu voto, mediante a qual comparou o preço  parâmetro  calculado  pelo  fiscalizado,  com  base  no  método  PIC,  com  o  preço  parâmetro  calculado  pela  Fiscalização,  com  base  no  método  PRL­60.  Desse  modo,  a  instância  a  quo  concluiu  que  o  total  do  ajuste  ao  lucro  líquido  por  ela  apurado  é  inferior  ao  montante  já  adicionado  pelo  fiscalizado.  Sendo  assim,  não  há  qualquer  alteração  a  ser  feita,  na  Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10283.721692/2012­08  Acórdão n.º 1301­002.403  S1­C3T1  Fl. 502          13 determinação do IRPJ e da CSSL correspondente ao ano­calendário de 2008, considerando as  provas reunidas aos autos e as conclusões da DRJ.   Em face do exposto, não há outra alternativa a não ser a de negar provimento  ao recurso de ofício.  É como voto.  (assinado digitalmente)   Flávio Franco Corrêa                                       Fl. 502DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.911454/2011-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CREDITAMENTO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DESONERADOS. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STF E SÚMULA 18 DO CARF. A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem desonerados do IPI não enseja o direito a crédito, conforme precedente vinculativo do STF proferido em sede de repercussão geral (RE n. 398.365), bem como súmula CARF n. 18. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. PENALIDADE. EXIGÊNCIA. ART. 76, II, “a”, DA LEI nº 4.502/1964. É incabível a exclusão de penalidade com fundamento em acórdão do CARF, proferido em processo em que o interessado não seja parte, tendo em vista que as decisões do referido Órgão carecem de caráter normativo. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-004.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Jorge Freire - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CREDITAMENTO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DESONERADOS. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STF E SÚMULA 18 DO CARF. A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem desonerados do IPI não enseja o direito a crédito, conforme precedente vinculativo do STF proferido em sede de repercussão geral (RE n. 398.365), bem como súmula CARF n. 18. EFICÁCIA NORMATIVA DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEXISTÊNCIA DE LEI. PENALIDADE. EXIGÊNCIA. ART. 76, II, “a”, DA LEI nº 4.502/1964. É incabível a exclusão de penalidade com fundamento em acórdão do CARF, proferido em processo em que o interessado não seja parte, tendo em vista que as decisões do referido Órgão carecem de caráter normativo. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Jorge Freire - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.

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3402­004.279  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de junho de 2017  Matéria  IPI ­ Auto de Infração  Recorrente  ALPARGATAS S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  CREDITAMENTO  DE  IPI.  AQUISIÇÃO  DE  PRODUTOS  DESONERADOS.  PRECEDENTE VINCULATIVO DO STF E SÚMULA  18 DO CARF.  A  aquisição  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  desonerados  do  IPI  não  enseja  o  direito  a  crédito,  conforme  precedente vinculativo do STF proferido em sede de repercussão geral (RE n.  398.365), bem como súmula CARF n. 18.  EFICÁCIA  NORMATIVA  DAS  DECISÕES  ADMINISTRATIVAS.  INEXISTÊNCIA DE LEI. PENALIDADE. EXIGÊNCIA. ART. 76,  II,  “a”,  DA LEI nº 4.502/1964.  É incabível a exclusão de penalidade com fundamento em acórdão do CARF,  proferido  em processo  em que o  interessado  não  seja parte,  tendo  em vista  que as decisões do referido Órgão carecem de caráter normativo.  Recurso Voluntário Negado.  Crédito Tributário Mantido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário. Vencidos  os  Conselheiros Diego Diniz  Ribeiro,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto.  Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 14 54 /2 01 1- 64 Fl. 466DF CARF MF     2 Jorge Freire ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  Diego Diniz Ribeiro ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Redator designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Jorge  Olmiro  Lock  Freire, Pedro Sousa Bispo, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis  Galkowicz,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.  Relatório  1.  Trata­se  de  pedido  de  compensação  retratado  pela  DCOMP  n.  17377.57456.270906.1.3.01­5111,  por  meio  do  qual  o  contribuinte  pleiteou  créditos  de  IPI  acumulado ao final do 3o trimestre calendário de 2005.  2. Referido pleito, todavia, foi indeferido, ao fundamento que o Recorrente se  creditou do IPI na aquisição de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus.  3.  Devidamente  notificada,  a  Recorrente  apresentou  manifestação  de  inconformidade de fls. 75/95, a qual foi julgada improcedente pela DRJ­Juiz de Fora (acórdão  n. 09­41.261 ­ fls. 404/427) no termos da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  DESPACHO  DECISÓRIO.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  E  INCOMPETÊNCIA  DA  AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. NÃO OCORRÊNCIA  Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os  fatos  que  ensejaram  a  não­homologação  da  DCOMP  e  a  sua  correta  fundamentação  legal,  é  de  se  rejeitar  a  preliminar  argüida, por total falta de fundamento.  Da mesma forma rejeita­se a preliminar de nulidade quando se  constata  a  competência  da  autoridade  administrativa  para  o  exame do direito creditório.  PROVA PERICIAL E APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS  Indefere­se  o  pedido  de  apresentação  de  prova  pericial  e  de  documentos  quando  a  autoridade  julgadora  as  entende  desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em  vigor e dos elementos constantes dos autos.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considera­se  não  impugnada  a  matéria  que,  especificamente  abordada pelo Fisco, não  tenha sido objetivamente refutada na  Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10880.911454/2011­64  Acórdão n.º 3402­004.279  S3­C4T2  Fl. 467          3 manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. É  o caso, no presente processo, das glosas dos créditos do IPI nas  aquisições  de MP,  PI,e ME  cujas  notas  fiscais  foram  emitidas  por  fornecedores  optantes pelo  simples  e  por  fornecedores  que  estavam, na época, com os respectivos CNPJs cancelados.  DCOMP  NÃO  HOMOLOGADA.  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.  A  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  ou  de  recurso  contra  a  parcela  não  homologada  de  débito  objeto  de  compensação  declarada  em  DCOMP  suspende  a  exigibilidade  desse débito, nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de  1996.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS IPI  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005.  CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÕES DESONERADAS DO IPI.  O princípio da não cumulatividade do IPI é  implementado pelo  sistema  de  compensação  do  débito  ocorrido  na  saída  de  produtos  tributados  do  estabelecimento  contribuinte  com  o  crédito  relativo  ao  imposto  cobrado  nas  operações  anteriores,  referentes  às  entradas  oneradas  de  matérias­primas,  produtos  intermediários e materiais de embalagem (MP, PI,e ME) a serem  utilizados  no  processo  industrial  do  adquirente.  Não  tendo  havido  IPI  cobrado  nessas  operações  anteriores  de  aquisição,  porquanto isentas, não haverá valor algum a ser creditado pelo  adquirente.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  DCOMP. PENALIDADES. CONSECTÁRIOS MORATÓRIOS.  Na  análise  da  DCOMP,  sobre  os  débitos  discriminados  cuja  compensação não foi homologada incidem os consectários legais  atinentes à multa de mora e aos juros de mora, não havendo se  falar em aplicação do disposto no art. 76 da Lei nº 4.502/64 c/c  o art. 100,II e parágrafo único, do CTN, pela inexistência de lei  que  atribua  eficácia  normativa  às  decisões  administrativas  em  processos nos quais um terceiro não seja parte.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.  4. Devidamente intimada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls.  431/455.  5. Diante do teor da Resolução n. 3402­000.822, veiculada as fls. 1.865/1.870  dos  autos  n.  10660.722269/2011­91,  o  presente  processo  administrativo  foi  anexado  àquele  mencionado alhures, de modo a evitar o advento de decisões contraditórias.  Fl. 468DF CARF MF     4 6. É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro  7.  O  recurso  voluntário  interposto  é  tempestivo  e  atende  os  demais  pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento.  I. Da suspensão do presente processo  8. Um dos pedidos formulados pelo Recorrente em sede de recurso voluntário  é o de suspensão do julgamento do presente caso até que haja ulterior e definitiva decisão para  o  Recurso  Extraordinário  autuados  sob  os  números  592.891,  pendente  de  julgamento  pelo  Supremo Tribunal Federal e com repercussão geral reconhecida nos seguintes termos:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE  INSUMOS  PROVENIENTES  DA  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.  (STF;  RE  592.891  RG,  Relator(a):  Min.  ELLEN  GRACIE,  julgado em 21/10/2010, DJe­226 DIVULG 24­11­2010 PUBLIC  25­11­2010 EMENT VOL­02438­02 PP­00339 ).  9.  Tecidas  tais  considerações,  insta  desde  já  destacar  que,  ao  meu  ver,  o  presente caso pode ser albergado por duas decisões possíveis, porém excludentes entre  si,  as  quais serão devidamente detalhadas a seguir.    (i) Da aplicação subsidiária do CPC/2015 e o sobrestamento do feito  10.  A  primeira  decisão  possível  para  o  presente  caso  é  a  de  sobrestar  seu  julgamento até que haja decisão definitiva do RE n. 592.891, haja vista o caráter vinculante do  precedente que se formará em tal julgamento.  11.  Para  alcançar  tal  conclusão,  convém  registrar  que  não  é  de  hoje  que  o  legislador nacional, sob o pretexto de buscar uma pretensa aproximação de um distante modelo  de Common Law, tem criado inúmeros dispositivos legislativos no sentido de prestigiar a figura  do precedente, em especial quando tal precedente é vinculado por um Tribunal Superior. Daí,  e.g., a criação da repercussão geral, por intermédio da Emenda Constitucional n. 45/04.  12 Referida valorização – ainda que aparente – de um modelo de stare decisis  é renovada com o advento do CPC/2015, em especial com o disposto no seu art. 9261, norma  que oferece importantes vetores para a busca de uma verdadeira valorização dos precedentes.  Não obstante, o art. 927 do citado Codex2 densifica tais valores, na medida em que prescreve  os tipos formais de decisão aptos a veicular um precedente de caráter vinculante.                                                              1 "Art. 926.  Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê­la estável, íntegra e coerente."  2 "Art. 927.  Os juízes e os tribunais observarão:  I ­ as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade;  II ­ os enunciados de súmula vinculante;  Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10880.911454/2011­64  Acórdão n.º 3402­004.279  S3­C4T2  Fl. 468          5 13.  Logo,  o  que  se  observa  é  que  o  reconhecimento  quanto  à  repercussão  geral do RE nº 592.891 já denota que o advento do precedente a ser formado apresentará um  caráter transubjetivo e vinculante, o que obrigará que a ratio decidendi a ser dele extraída seja  seguida pelos demais órgãos judiciais e também pela Administração Pública, exatamente como  prevê o caput do citado art. 927 do CPC. Busca­se, com isso, salvaguardar a unidade material  das  decisões  de  caráter  judicativo  e,  consequentemente,  o  tratamento  igualitário  entre  jurisdicionados que se encontrem em situações análogas e, por fim, uma segurança jurídica de  índole substancial.  14. Aliás, é exatamente em razão de tais valores que o CPC/2015 prescreve  que,  na  hipótese  de  recurso  extraordinário  afetado  por  repercussão  geral,  todos  os  demais  processos (sem distinção entre processos administrativos e judiciais) deverão ser sobrestados,  até que haja decisão no chamado leading case. É o que prevê o art. 1.035, §5° do CPC3.  15. A questão, todavia, que deve ser aqui debatida é se tal dispositivo deve ou  não se convocado no âmbito dos processos administrativos tributários. Para tanto, insta analisar  o que dispõe o art. 15 do CPC4. Segundo referido dispositivo, as disposições do CPC devem ser  aplicadas  de  forma  supletiva  e  subsidiária,  ou  seja,  atribuem­se  às  normas  do  CPC,  respectivamente,  uma  função  normativo­substitutiva  e  também  uma  função  normativo­ integrativa.  17. Para a questão aqui analisada, o que interessa é o caráter subsidiário do  CPC/2015 e, consequentemente, sua função normativo­integrativa, que pode ser vista por duas  perspectivas.  18. A primeira delas com base na embolorada ideia de que o direito se perfaz  pelo intermédio exclusivo da lei, calcada, pois, na concepção de um divinal legislador que não  deixa comportamentos  sociais  sem prescrições normativas  e que,  quando  isso  eventualmente  ocorre, o próprio direito legislado cria mecanismos no sentido suplantar tais buracos, o que se  dá por intermédio de institutos como a analogia, os princípios gerais do direito e a equidade. Aí  então a função integrativa clássica do CPC/2015 em face de uma lacuna legislativa referente ao  processo administrativo tributário.  19. Todavia, uma visão mais moderna deste caráter subsidiário da lei parte do  pressuposto  de  que  tal  norma  integrativa  deverá  ser  convocada  de  modo  a  potencializar  os  valores  que  lhes  são  próprios,  bem como os  valores  do  próprio Direito  enquanto método de  resolução, com justiça, de problemas de convivência humana. Nesse sentido, quando se fala no  caráter subsidiário do CPC, sua convocação no processo administrativo, inclusive o tributário,  deve ser no sentido de potencializar os princípios constitucionais do processo civil, dentre os                                                                                                                                                                                           III  ­  os  acórdãos  em  incidente  de  assunção  de  competência  ou  de  resolução  de  demandas  repetitivas  e  em  julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos;  IV ­ os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de  Justiça em matéria infraconstitucional;  V ­ a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados."  3  “Art.  1.035.   O  Supremo  Tribunal  Federal,  em  decisão  irrecorrível,  não  conhecerá  do  recurso  extraordinário  quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo.  (...).  §  5o Reconhecida  a  repercussão  geral,  o  relator  no  Supremo  Tribunal  Federal  determinará  a  suspensão  do  processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem  no território nacional.”  4  “Art.  15.   Na  ausência  de  normas  que  regulem  processos  eleitorais,  trabalhistas  ou  administrativos,  as  disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.”  Fl. 470DF CARF MF     6 quais  destacam­se  os  seguintes:  integridade,  unidade  e  coerência  das  decisões  de  caráter  judicativo, de modo a também tutelar, reflexamente, igualdade de tratamento a jurisdicionados  em situações análogas e, por fim, segurança jurídica.  20. Assim, com base em tais premissas, na hipótese de recurso extraordinário  afetado por repercussão geral, o sobrestamento prescrito no já citado art. 1.035, §5° do CPC,  também deve se estender aos processos administrativos de caráter tributário, pois, dessa forma,  estar­se­á prestigiando os sobreditos valores jurídicos, tão caros para o Direito.  21.  Não  obstante,  mesmo  que  se  empregue  a  função  integrativa  de  uma  norma subsidiária em um sentido clássico, ainda sim a solução aqui proposta  (sobrestamento  do processo administrativo tributário) seria a única resposta cabível para o caso em tela. E isso  porque,  ao  se  analisar  as  disposições  legais que  tratam do  processo  administrativo  tributário  (Decreto n. 70.235 e lei n. 9.784/99), é impossível encontrar qualquer prescrição normativa que  trate  do  problema  aqui  enfrentado,  qual  seja,  o  que  fazer  com  processo  administrativo  que  apresente  recurso  com causa de  pedir  autônoma  e  cujo  teor  está  pendente  de  julgamento  no  âmbito  judicial,  em  sede  de  processo  com  caráter  transindividual. Não  havendo  disposições  legais  nas  leis  que  tratam  o  processo  administrativo  tributário,  deve  ser  aplicado  de  forma  subsidiária o CPC.  22. Nem se alegue que o RICARF deu solução para essa questão, uma vez  que a hipótese aqui tratada (sobrestamento de casos afetados por repercussão geral no STF) foi  propositadamente suprimida do atual Regimento Interno deste Tribunal, o que demonstraria a  pretensa  intenção  deste  ato  normativo  regimental  em  afastar  o  citado  sobrestamento.  Não  é  crível  imaginar que a omissão do veiculador do RICARF seja capaz de, positivamente, criar  norma  jurídica  e,  o  que  é  pior,  criar  uma  suposta  norma  que  gritantemente  conflita  com  os  valores  de  igualdade  e  segurança  jurídica  que  devem  conformar  toda  e  qualquer  decisão  de  caráter judicativo.  23. Ademais, também não há que se falar que o disposto no art. 62, §§ 1º e 2º  do RICARF5 resolveriam essa questão. Primeiramente pela falta de subsunção, já que o citado  dispostivo fala de vinculação deste Tribunal na hipótese de decisão  já proferida pelo STF ou  pelo  STJ,  o  que  não  é  o  caso  dos  autos.  Não  obstante,  ainda  que  fosse  possível  convocar                                                              5 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal;  (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103­A da Constituição Federal;  b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de  Justiça,  em sede de  julgamento  realizado  nos  termos  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da Lei  nº  13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada  pela Portaria MF nº 152, de 2016)  c)  Dispensa  legal  de  constituição  ou  Ato  Declaratório  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de  2002;  d) Parecer do Advogado­Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da  Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e  e) Súmula da Advocacia­Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da  Advocacia­Geral  da  União,  nos  termos  do  art.  43  da  Lei  Complementar  nº  73,  de  1993.  (Redação  dada  pela  Portaria MF nº 39, de 2016)  §  2º As  decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça em matéria  infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)."  Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10880.911454/2011­64  Acórdão n.º 3402­004.279  S3­C4T2  Fl. 469          7 analogamente  tais  dispositivos,  o  que  se  cogita  aqui  apenas  de  forma  hipotética,  ainda  sim  restaria  impossível o afastamento do art. 15 do CPC no caso em concreto. E  isso porque um  regimento  interno,  passível  de  veiculação  autocrática  ou  antimajoritária  por  parte  de  um  circunstancial Presidente de um Tribunal Administrativo ou Ministro da Fazenda não pode se  sobrepor  ao  que  estabelece  uma  legislação  federal  fruto  de  longo  e  exaustivo  debate  democrático promovido no âmbito das casas do Congresso Nacional, sob pena de, em última  ratio,  simplesmente esvaziar o art. 15 do CPC de qualquer conteúdo, ou seja,  indevidamente  admitir que mero  regimento  interno,  regularmente veiculado por  simples portaria ministerial,  tenha a aptidão de revogar lei federal.  24. Aliás, em 23/02/2017, caso em tudo semelhante ao presente foi decidido  no sentido da suspensão do processo administrativo que tramita neste Conselho: no curso do  Recurso  Extraordinário  nº  566.622/RS,  de  relatoria  do  Ministro  Marco  Aurélio  Mello,  oportunidade  em  que  procedeu­se  à  suspensão  dos  processos  que  tramitam  neste  Conselho  acerca  de  matéria  idêntica,  decidida  de  maneira  favorável  à  contribuinte  pelo  Plenário  do  Supremo Tribunal Federal em decisão pendente de publicação:  A Fundação Armando Álvares Penteado,  admitida  no  processo  como  interessada,  requer  a  comunicação,  mediante  ofício,  ao  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF acerca da  suspensão  dos  processos  que  versem  a  mesma  matéria  do  extraordinário.  (...).  Relata  a  ausência  de  implementação  da  medida  no  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vinculado  ao Ministério da Fazenda, responsável pelo exame dos recursos  contra  atos  formalizados  no  âmbito  da  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil – RFB. Afirma que a recusa do Órgão decorre  da  falta  de  previsão  regimental  a  respaldar  a  suspensão  dos  processos.  Ressalta  a  iminência  de  julgamento,  no  CARF,  de  processo  administrativo relevante para a entidade. Noticia a expedição de  ofício,  pela  Secretaria  Judiciária,  a  todos  os  tribunais  do  território  nacional,  não  tendo  havido  comunicação  aos  órgãos  administrativos.  (...) Em se tratando de processo sob repercussão geral, surgem  conseqüências danosas. Uma vez admitida, dá­se o fenômeno do  sobrestamento de processos que, nos diversos Tribunais do País,  versem a mesma matéria, sendo que hoje há previsão no sentido  do implemento da providência requerida § 5º do artigo 1.035 do  Código de Processo Civil.  (...)  A  entrega  da  prestação  jurisdicional  deve  ocorrer  conciliando­se  celeridade  e  conteúdo.  Daí  a  necessidade  de  atentar­se  para  o  estágio  atual  dos  trabalhos  do  Plenário.  Dificilmente  consegue­se  julgar,  fora  processos  constantes  em  listas,  mais  de  uma  demanda,  o  que  projeta  no  tempo,  em  demasia, o desfecho de inúmeros conflitos de interesse.  No  caso,  tem­se  quatro  votos  proferidos  no  sentido  da  inconstitucionalidade  do  artigo  55  da  Lei  nº  8.212/1991.  Fl. 472DF CARF MF     8 Enquanto  isso,  o Poder Público  continua aplicando­o, gerando  dificuldades de toda ordem para entidades beneficentes.  (...)  Implemento  a  medida  acauteladora,  suspendendo,  nos  termos  do  artigo  1.035,  §  5º,  do  Código  de  Processo  Civil,  o  curso  de  processos  que  veiculem  o  tema,  obstaculizando  o  acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº  8.212/1991" ­ (seleção e grifos nossos).  25. Em 07/03/2017 foi expedido o Ofício nº 594/R endereçado ao Presidente  deste  Conselho  com  cópia  da  decisão  do Ministro Marco  Aurélio Mello,  que  exarou  ordem  para  suspender  os  processos  administrativos  que  tratam  da  matéria.  Logo,  não  há  dúvida  quanto à aplicação subsidiária do art. 1.035, §5° do CPC no caso em comento.  26.  Diante  deste  quadro,  voto  pelo  sobrestamento  do  presente  processo  administrativo até que haja ulterior  e defintiva decisão no RE n. 592.891, a  ser  julgado pelo  STF.  27. Caso, todavia, a proposta de sobrestamento alhures desenvolvida não seja  acolhida por  esse colegiado, mister  se  faz  a análise do mérito da  lide aqui desenhada, o que  resultaria em suma segunda decisão possível para o caso em comento. Vejamos.  II. Da nulidade do lançamento pela suposta glosa de créditos decorrentes de devoluções de  mercadorias e entradas oneradas regularmente  28.  Preliminarmente,  o  contribuinte  protesta  pela  nulidade  integral  do  presente  lançamento,  ao  fundamento  que  parte  da  glosa  seria  indevida,  uma  vez  os  créditos  tomados seriam decorrentes da devolução de mercadorias ou do aproveitamento de crédito com  operações oneradas pelo IPI.  29. Acontece quem diferentemente do que alega o contribuinte, não há que se  falar  na  existência  desta  suposta mácula  a  atingir  o  presente  lançamento.  Isso  porque,  ao  se  analisar o trabalho fiscal, é possível constatar que o auditor­fiscal autuante não glosou créditos  decorrentes da devolução de mercadorias ou na hipótese de operações oneradas pelo imposto.  30. Nesse sentido, insta destacar o trecho do relatório fiscal que trata da glosa  aqui  perpetrada  (fls.  26//40). Nesta  oportunidade  o  fiscal  deixa  claro  que,  após  a  análise  do  Livro  de  Registro  de  Apuração  do  IPI  para  o  período  fiscalizado,  foram  glosados  apenas  aqueles créditos decorrentes de operações desoneradas do imposto. Nesse sentido, inclusive, o  fiscal aponta uma a uma as notas fiscais cujo crédito foi objeto de glosa, notas essas que estão  acostadas  aos  autos  (fls.  43/659)  e  que  sempre  apresentam  em  seu  campo  descrição  a  informação de que tratam de operações não tributadas.  31. Diferentemente, pois, do que alega o contribuinte, não há qualquer glosa  de crédito decorrente de operações de devoluções de mercadorias ou sujeitas à  incidência do  IPI, motivo pelo qual a defesa processual aqui desenvolvida deve ser afastada.  III. Do creditamento do IPI decorrente de operações desoneradas  32.  Não  obstante,  quanto  ao  mérito  do  crédito  glosado  e  que  suscitou  na  presente autuação, a Recorrente alega que o creditamento aqui perpetrado estaria em sintonia  com  entendimento  consagrado  do  STF  e  exarado  quando  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário n. 212.484. Acontece que, como é sabido,  referido entendimento foi superado  pelo  próprio  Pretório  Excelso  quando  do  julgamento  do Recurso  Extraordinário  n.  398.365,  cuja ementa segue abaixo transcrita:  Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10880.911454/2011­64  Acórdão n.º 3402­004.279  S3­C4T2  Fl. 470          9 Recurso  extraordinário.  Repercussão  geral.  2.  Tributário.  Aquisição  de  insumos  isentos,  não  tributados  ou  sujeitos  à  alíquota  zero.  3.  Creditamento  de  IPI.  Impossibilidade.  4.  Os  princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no  art.  153,  §  3º,  I  e  II,  da  Constituição  Federal,  não  asseguram  direito  de  crédito  presumido  de  IPI  para  o  contribuinte  adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero.  Precedentes.  5.  Recurso  não  provido.  Reafirmação  de  jurisprudência.  (STF;  RE  398.365  RG,  Relator(a):  Min.  GILMAR  MENDES,  julgado  em  27/08/2015,  PROCESSO  ELETRÔNICO  REPERCUSSÃO  GERAL  ­  MÉRITO  DJe­188  DIVULG  21­09­ 2015 PUBLIC 22­09­2015).  33. O sobredito julgamento foi submetido à repercussão geral, o que implica  a vinculação deste Tribunal em relação à decisão então exarada pelo STF, nos termos do art.62  do RICARF. Não é por acaso, inclusive, que há súmula deste Tribunal tratando do assunto, in  verbis  Súmula CARF n° 18  A  aquisição  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  tributados  à  alíquota  zero  não  gera  crédito de IPI.  34.  Forte  em  tais  premissas,  nego  provimento  ao  recurso  neste  tópico  em  particular,  haja  vista  a  vinculação  deste  Tribunal  administrativo  às  decisões  proferidas  pelo  STF em sede de repercussão geral.  III. Da exclusão da multa em razão do disposto no art. 76, inciso II da lei n. 4.502/64  35.  Por  fim,  de  forma  subsidiária  o  contribuinte  protesta  pela  exclusão  da  multa que lhe fora imposta na presente exigência fiscal, o que faz com fundamento no art. 76,  inciso II da lei n. 4.502/64.  36.  Referida  questão  não  é  nova  nesta  turma  julgadora  que,  em  sua  antiga  composição, possui precedente no sentido de, em casos análogos  ao aqui  tratado, exonerar a  multa em questão. É o que se observa do voto vencedor do Conselheiro Antonio Carlos Atulim,  externado no acórdão n. 3402­002.993, in verbis:  (...).  Embora  o  art.  76,  II,  "a"  da  Lei  nº  4.502/64  realmente  autorizasse  a  dispensa  da  penalidade  em  relação  àqueles  que  agiram  "(...)  de  acôrdo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida  em  processo  fiscal,  inclusive  de  consulta,  seja  ou  não  parte  o  interessado;  (...)",  ele  não  mais  pode  ser  aplicado  porque  encontra­se  em  desarmonia  com  o  art.  100,  II,  do  CTN,  que  passou  a  disciplinar  de  maneira  diversa  a  questão  relativa  à  dispensa ou redução de penalidades.  Fl. 474DF CARF MF     10 O  art.  100,  II,  do  CTN  tratou  de  modo  totalmente  diferente  a  dispensa  de  penalidade,  em  razão  da  observância  de  decisões  administrativas,  passando a  exigir  que  essas  decisões  possuam  eficácia  normativa,  o  que  não  ocorre  com  os  julgados  da  Câmara Superior de Recursos Fiscais.  A  defesa  alegou  que  o  art.  97,  VI,  do  CTN  autoriza  a  lei  a  estabelecer hipóteses de dispensa ou de redução de penalidades,  o que legitimaria sua pretensão em aplicar o art. 76, II, "a" da  Lei nº 4.502/64.  Ora, o art. 97, VI, do CTN em nada altera a conclusão de que o  art.  76,  II,  "a"  da  Lei  nº  4.502/64  não  foi  recepcionado  pelo  CTN. Isso porque uma lei complementar tem a função de impedir  que  o  legislador  ordinário  regule  certas  matérias  ao  seu  bel­ prazer.  Admitir  que  o  art.  97,  VI,  do  CTN  possa  permitir  que  uma  lei  ordinária  disponha  de  forma  contrária  ao  que  está  estabelecido  no  art.  100,  II,  do  CTN  é  transformar  esse  dispositivo  em  letra  morta.  Dessa  forma,  não  resta  nenhuma  dúvida  de  que  o  art.  100,  II,  do  CTN  subtraiu  do  legislador  ordinário  a  possibilidade  de  dispor  sobre  dispensa  ou  redução  de multas em desconformidade com o que nele está previsto.  Por tais motivos é que nos mantemos firmes na convicção de que  o  art.  76,  II,  "a"  da Lei  nº  4.502/64 não  foi  recepcionado pelo  ordenamento jurídico a partir do advento do CTN.  Entretanto, conforme bem apontou a defesa, os Regulamentos do  IPI têm considerado que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 está  vigente  e  eficaz,  conforme  se  pode  conferir  no  art.  567,  II,  do  RIPI 2010 e também no art. 486, II do RIPI 2002.  Sendo  assim,  embora  os  regulamentos  dos  outros  tributos  não  tenham  contemplado  a  vigência  do  art.  76,  II,  "a"  da  Lei  nº  4.502/64,  é  fora  de  dúvida  que  tal  disposição  foi  mantida  por  meio  dos  decretos  que  instituíram  os  regulamentos  do  IPI,  devendo  tais  decretos  serem  observados  de  forma  obrigatória  pelo  CARF,  a  teor  do  que  dispõe  o  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/72.  Afinal de contas, este colegiado aplicou a vinculação contida no  art. 26­A do Decreto nº 70.235/72 no  julgamento dos Acórdãos  3402002.856 e 3402002.928, para fazer cumprir a letra dos arts.  169,  II,  b,  e  388,  ambos  do RIPI/2002,  a  fim de  condicionar  o  direito  de  crédito  do  IPI  por  devoluções  e  retornos  à  escrituração  do  livro  modelo  3  ou  do  controle  permanente  de  estoque.  Igualmente,  no  Acórdão  3402002.929,  este  colegiado  fez  prevalecer  o  disposto no  art.  10  do Decreto  nº 4.195/2002,  para  manter  a  autuação  da  CIDE  TECNOLOGIA  sobre  contratos que não envolviam transferência de tecnologia.  Agora  se  trata  de  aplicar  a mesma  vinculação  estabelecida  no  art. 26­A do Decreto nº 70.235/72 para fazer valer a letra do art.  486, II, do RIPI/2002 e do art. 567, II, do RIPI/2010, ainda que  pessoalmente este relator considere que seu suporte legal não foi  recepcionado pelo CTN.  Nesse passo, cumpre a este colegiado verificar se existia decisão  irrecorrível  da CSRF  reconhecendo o  direito  de  crédito  de  IPI  Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10880.911454/2011­64  Acórdão n.º 3402­004.279  S3­C4T2  Fl. 471          11 pela aquisição de produtos isentos na época dos fatos geradores  abrangidos por este processo.  Em pesquisa na página de  jurisprudência do CARF na  internet  constatei  que  no  Acórdão  CSRF/021.212,  de  11/11/2002,  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  reconheceu  o  direito  ao  crédito ficto com base na extensão administrativa dos efeitos do  RE 212.484 a um caso concreto semelhante ao ora analisado, ou  seja,  crédito  ficto  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de matérias­ primas produzidas na Zona Franca de Manaus (DL nº 288/67).  Naqueles  tempos,  a  CSRF,  por  maioria  de  votos,  realmente  estendia os efeitos do RE 212.484 a todos os contribuintes para  reconhecer  o  direito  de  crédito  sobre  aquisição  de  qualquer  insumo  isento.  Esse  reconhecimento  ocorria  de  forma  ampla,  tanto  para  insumos  adquiridos  da  ZFM,  quanto  para  qualquer  outro  insumo  produzido  em  qualquer  ponto  do  território  nacional.  No  que  concerne  ao  direito  ao  crédito  ficto  pela  aquisição  de  insumos  em  geral,  a  partir  de  2008  houve  alteração  no  entendimento  da  CSRF,  cessando  a  prolação  de  acórdãos  que  reconheciam  esse  direito  com  base  na  extensão  administrativa  dos  efeitos  do  RE  212.484,  conforme  se  pode  comprovar  pelo  exame  dos  seguintes  julgados: CSRF/0202.979,  de  29/01/2008;  CSRF/0203.029, de 05/05/2008; CSRF/0203.071, de 05/05/2008  e  CSRF/0203.585,  de  25/11/2008;  930301.274  e  930300.854,  ambos  de  2010;  9303001.617,  9303001.612,  e  9303001.448,  todos de 2011; e 9303002.188, de 2013.  No que tange ao caso específico do crédito ficto sobre matérias­ primas  isentas  originárias  da  Zona  Franca  de  Manaus,  a  CSRF  somente  alterou  seu  entendimento  no  Acórdão  nº  9303003.293,  de  24  de  março  de  2015,  que  foi  proferido  especificamente em relação à isenção concedida para empresa  localizada na Zona Franca.  Desse modo, se entre novembro de 2002 e março de 2015 vigeu  o  entendimento  estampado  no  Acórdão  CSRF/0201.212,  de  11/11/2002, no sentido de que os contribuintes poderiam tomar o  crédito  ficto  de  IPI  com  base  na  interpretação  contida  no  RE  212.484,  então  deve  ser  aplicada  a  restrição  à  imposição  de  penalidades previstas nos arts. 567, II, do RIPI 2010 e art. 486,  II do RIPI 2002, in verbis:  "(...) Não serão aplicadas penalidades:  I ­ omissis...  II­ aos que, enquanto prevalecer o entendimento,  tiverem agido  ou pago o imposto:  a)  de  acordo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  proferida  em  processo  fiscal,  inclusive  de  consulta,  seja  ou  não  parte  o  interessado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, II);  Fl. 476DF CARF MF     12 (...)." (grifos nosso).  37.  Considerando  que  no  caso  concreto  o  período  em  análise  está  compreendido entre : 01/06/2006 a 31/05/2008, voto por afastar a multa imposta em prejuízo  do Recorrente.  Dispositivo  38. Ex positis, voto por (i) suspender o  julgamento do presente processo  até que haja decisão em definitivo do RE n. 592.891 ou, caso essa proposta de julgamento seja  superada  por  este  colegiado,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  interposto pelo contribuinte para afastar a multa imposta em seu desfavor.  39. É como voto.  Relator Diego Diniz Ribeiro ­ Relator.  Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10880.911454/2011­64  Acórdão n.º 3402­004.279  S3­C4T2  Fl. 472          13 Voto Vencedor  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designando  Não  obstante  as  sempre  bem  fundamentadas  razões  do  ilustre  Conselheiro  Relator,  peço  vênia  para  manifestar  entendimento  divergente,  por  vislumbrar  na  hipótese  vertente  conclusão  diversa  da  adotada  quanto  o  posicionamento  do  Recurso  Voluntário,  devendo ser mantida a decisão a quo, como passarei a demonstrar.  1. Da suspensão do presente processo  Um dos pedidos formulados pelo Recorrente em sede de recurso voluntário é  o de suspensão do julgamento do presente caso até que haja ulterior e definitiva decisão para o  Recurso Extraordinário autuados sob os números 592.891 (RS), pendente de julgamento pelo  Supremo Tribunal Federal (STF) e com repercussão geral reconhecida nos seguintes termos:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE  INSUMOS  PROVENIENTES  DA  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.  (STF;  RE  592.891  RG,  Relator(a):  Min.  ELLEN  GRACIE,  julgado em 21/10/2010, DJe­226 DIVULG 24­11­2010 PUBLIC  25­11­2010 EMENT VOL­02438­02 PP­00339 ).  Aduz que a primeira decisão possível para o presente caso é a de sobrestar o  julgamento destes autos até que haja decisão definitiva do RE nº 592.891, haja vista o caráter  vinculante  do  precedente  que  se  formará  em  tal  julgamento,  para  tanto,  aplicando­se  subsidiariamente o CPC/2015.  No entanto, há que se indeferir  tal solicitação, uma vez que este CARF não  encontra respaldo legal no seu Regimento Interno (RICARF), aprovado pela Portaria do MF nº  343, de 09 de junho de 2015, atualmente vigente.  Portanto,  a  proposta  de  sobrestamento  alhures  desenvolvida  não  pode  ser  acolhida por esse Colegiado.  2. Da nulidade do lançamento ­ suposta glosa de créditos   A  Recorrente,  alega  preliminarmente,  pela  nulidade  integral  do  presente  lançamento,  ao  fundamento  que  parte  da  glosa  seria  indevida,  uma  vez  os  créditos  tomados  seriam  decorrentes  da  devolução  de  mercadorias  ou  do  aproveitamento  de  crédito  com  operações oneradas pelo IPI.  Essa  matéria  já  foi  muito  bem  tratada  em  tópico  próprio  do  voto  do  Conselheiro relator destes autos, concluída nos seguintes termos:  "Diferentemente, pois, do que alega o contribuinte, não há qualquer glosa de  crédito decorrente de operações de devoluções de mercadorias ou sujeitas à incidência do IPI,  motivo pelo qual a defesa processual aqui desenvolvida deve ser afastada".  Fl. 478DF CARF MF     14   3. Do creditamento do IPI decorrente de operações desoneradas  Quanto ao mérito do crédito glosado e que suscitou na presente autuação, a  Recorrente  alega  que  o  creditamento  aqui  perpetrado  estaria  em  sintonia  com  entendimento  consagrado do STF e exarado quando do julgamento do Recurso Extraordinário n. 212.484.  Como  bem  pontuado  no  voto  vencido,  "(...)  como  é  sabido,  referido  entendimento  foi  superado  pelo  próprio  Pretório Excelso  quando  do  julgamento  do Recurso  Extraordinário n. 398.365", cuja ementa se encontra transcrita.  O  sobredito  julgamento  foi  submetido  à  repercussão  geral,  o  que  implica  a  vinculação deste Tribunal em relação à decisão então exarada pelo STF, nos termos do art.62  do RICARF. Não é por acaso, inclusive, que há súmula deste Tribunal tratando do assunto, in  verbis  Súmula CARF n°  18  ­  A  aquisição  de matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.  Com  base  em  tais  premissas,  nego  provimento  ao  recurso  neste  tópico  em  particular,  haja  vista  a  vinculação  deste  Tribunal  administrativo  às  decisões  proferidas  pelo  STF em sede de repercussão geral.  4. Da exclusão da multa aplicada ­ disposto no art. 76, inciso II da lei n. 4.502/64  De  forma  subsidiária  a  Recorrente  protesta  pela  exclusão  da multa  que  lhe  fora imposta na presente exigência fiscal, o que faz com fundamento no art. 76, inciso II da lei  n. 4.502/64.  Como  colocado  pelo  ilustre Relator  em  seu  voto,  essa  questão  não  é  nova  nesta  turma  julgadora  que,  em  sua  antiga  composição,  possui  precedente  no  sentido  de,  em  casos análogos ao aqui tratado, exonerar a multa em questão.   No entanto, tenho, para o caso, entendimento diferente.  O  argumento  da  Recorrente  consiste,  em  síntese,  na  alegação  de  que  a  Câmara Superior de Recursos Fiscais  teria  reconhecido o direito  ao  crédito de  IPI  relativo  à  aquisição de insumos isentos (com benefício da isenção subjetiva), utilizados na fabricação de  produtos sujeitos ao IPI, em observância ao entendimento Plenário do STF no julgamento do  RE 212.484 e que assim não caberia a aplicação de penalidade (multa de ofício), nos termos do  art. 76, II, “a”, da Lei nº 4.502, de 1964, que dispõe:  “Art . 76. Não serão aplicadas penalidades:  I ­ (...).  II ­ enquanto prevalecer o entendimento, aos que tiverem agido  ou pago o imposto:  a)  de  acordo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  proferida  em  processo  fiscal,  inclusive  de  consulta,  seja  ou  não  parte  o  interessado;  ...”  Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10880.911454/2011­64  Acórdão n.º 3402­004.279  S3­C4T2  Fl. 473          15 Ocorre  que  posteriormente  à  edição  da  Lei  nº  4.502/1964,  foi  editado  o  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  (Lei  nº  5.172,  de  1966),  recepcionado  como  Lei  Complementar pela Constituição Federal de 1988, que assim dispôs no seu art. 100, incs. I e II  e parágrafo único: (Grifei)  Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das convenções internacionais e dos decretos:  I  ­  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas;  II ­ as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição  administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;   Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste  artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de  mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do  tributo.   Ou  seja,  a  partir  da  vigência  do  CTN,  a  exclusão  de  penalidades  com  fundamento  em  decisões  do  CARF,  sem  que  o  contribuinte  seja  parte  nos  processos  específicos, só é possível caso exista lei atribuindo eficácia normativa às referidas decisões, o  que, até o presente momento, não existe.  Nesse  sentido,  vale  também  relembrar  que  o  Parecer Normativo COSIT  nº  23/2013, mencionado no início deste Voto, já pacificou a questão ao esclarecer que os acórdãos  do  CARF  não  constituem  normas  complementares  da  legislação  tributária,  porquanto  não  possuem caráter normativo nem vinculante.  Nada  obstante,  essa  é  a  multa  prescrita  pelo  art.  569  do  RIPI/2010,  com  espeque  no  art.  80  da  Lei  4.502/64,  com  redação  dada  pelo  art.  13  da  Lei  11.488,  de  15/06/2007, vazada nos seguintes termos:  Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos  industrializados  na  respectiva  nota  fiscal  ou  a  falta  de  recolhimento  do  imposto  lançado  sujeitará  o  contribuinte  à  multa  de  ofício  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.  Logo, carece de fundamento a argumentação que visa afastar a aplicação de  penalidade, devendo ser mantida a exigência de multa de ofício. A meu juízo, o artigo 76 da  Lei nº 4.502/64 foi derrogado pela nova redação do art. 80 da mesma Lei, de redação de 2007.  5. Dispositivo  Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  assinado digitalmente  Waldir Navarro Bezerra      Fl. 480DF CARF MF     16                 Fl. 481DF CARF MF

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6822032 #
Numero do processo: 16682.720486/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES. Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tal vício. PRECLUSÃO DECLARADA EQUIVOCADAMENTE PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA SUPERADA EM RAZÃO DE ARGUMENTOS DA RECORRENTE. Constatado o equívoco na decisão de primeira instância sobre a ocorrência de preclusão, não há que se falar em supressão de instância se há argumentos adicionais na decisão recorrida que confirmam o procedimento adotado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para sanar a omissão, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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1402­002.507  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de maio de 2017  Matéria  Preclusão  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ­ PETROBRÁS    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  NOVO  PRONUNCIAMENTO  PARA  SUPRIR OMISSÕES.  Constatado que há omissão no  acórdão embargado, prolata­se nova decisão  para sanar tal vício.  PRECLUSÃO  DECLARADA  EQUIVOCADAMENTE  PELA  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  MATÉRIA  SUPERADA  EM  RAZÃO  DE  ARGUMENTOS DA RECORRENTE.  Constatado o equívoco na decisão de primeira instância sobre a ocorrência de  preclusão,  não  há que  se  falar  em  supressão  de  instância  se  há  argumentos  adicionais na decisão recorrida que confirmam o procedimento adotado pela  autoridade fiscal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento aos embargos de declaração para sanar a omissão, sem efeitos infringentes.   (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Fernando Brasil  de  Oliveira Pinto,  Leonardo  Luís  Pagano Gonçalves,  Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader  Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius  Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 86 /2 01 1- 75 Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 16682.720486/2011­75  Acórdão n.º 1402­002.507  S1­C4T2  Fl. 1.720          2   Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional.  Transcrevo excertos da informação em embargos prestadas por este relator e  acatadas pelo ilustre Presidente deste colegiado quando da admissão parcial dos embargos:  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  em  face  do  acórdão nº 1402­002.198 julgado na sessão de 07 de junho de 2016.  O  processo  foi  encaminhado  digitalmente  à  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional em 12 de julho de 2016, uma terça­feira (fl. 1.707).  Nos  termos  do  art.  79,  §  2º,  do  Anexo  II  do  RICARF/2015  os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  serão  considerados  intimados  pessoalmente  das  decisões  do  CARF  com  o  término  do  prazo  de  30  (trinta)  dias  contado  da  data  em  que  os  respectivos autos forem entregues à PGFN por meio digital.  Portanto, o 30º dia a ser considerado como data de intimação da PGFN foi o dia 11  de agosto de 2016, uma quinta­feira. Logo, o primeiro dia de contagem do prazo de  cinco dias para oposição dos embargos foi o dia 12 de agosto de 2016 (sexta­feira).  Os  embargos  foram  opostos  em  27  de  julho  de  2016  (fl.  1.713),  portanto,  manifestamente tempestivos.  Trata­se de declaração de compensação relativa a saldo negativo de IRPJ do ano­ calendário  de  2006.  Ocorre  que  em  relação  ao  mesmo  período  de  apuração  foi  lavrado  auto  de  infração  de  IRPJ  cobrando­se  R$  188.636.543,13  de  principal  (processo 12897.000193/2010­11). Tanto a decisão da unidade de origem, quanto o  julgado  de  primeira  instância,  entenderam  por  bem  computar  o  IRPJ  lançado de  ofício no cálculo do IRPJ devido no período, implicando a redução substancial do  direito creditório reconhecido.  Por meio do Acórdão 1402­002.198 este colegiado, por unanimidade de votos, deu  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  o  direito  de  crédito  adicional  de  188.636.553,73,  uma  vez  que,  no  lançamento  de  ofício  em  questão  (processo  12897.000193/2010­11),  a  autoridade  fiscal  não  deduziu,  no  momento  do  lançamento,  o  saldo  negativo  objeto  da  declaração  de  compensação  atrelada  ao  saldo  negativo  de  IRPJ  referente  ao  mesmo  período  de  apuração.  O  não  reconhecimento  do  direito  creditório  nos  presentes  autos  implicaria  a  dupla  cobrança da RFB em relação ao mesmo crédito: a primeira, via auto de infração, e  a  segunda  em  razão  do  não  reconhecimento  do  direito  creditório  nos  presentes  autos.  Para  a  Fazenda  Nacional,  a  questão  da  dedução  de  tal  parcela  seria  matéria  preclusa,  uma  vez  que  “o  próprio  contribuinte  havia  considerado  essa  parcela  ilíquida e incerta, o que impede qualquer compensação. O acórdão ora embargado  não  afasta  tal  preclusão  antes  de  adentrar  no  mérito,  o  que  configura  clara  omissão.”  Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 16682.720486/2011­75  Acórdão n.º 1402­002.507  S1­C4T2  Fl. 1.721          3 Aduz  ainda  a  Fazenda  Nacional  que  “o  Processo  nº  12.897.000193/2010­11  encontra­se no CARF, tendo sido recentemente julgado recurso especial pelo CSRF  em sentido desfavorável ao contribuinte. A falta de decisão final quanto ao Auto de  Infração e o  fato de o processo caminhar no sentido da constituição definitiva do  crédito só confirmam o caráter ilíquido e incerto do valor”.  Aponta ainda a Fazenda Nacional haver uma segunda omissão no acórdão:  Cabe  asseverar  que  diante  da  preclusão  reconhecida  pela  DRJ,  a  PGFN sequer se viu motivada a contra­arrazoar quanto ao mérito do  valor em discussão, já que acreditava não estar a matéria em debate.  Sem  essa  oportunidade,  podemos  até  mesmo  falar  em  violação  aos  direitos  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  em  ofensa  ao  devido  processo legal.  Ainda  que  se  considere  a  possibilidade  de  a  Turma  afastar  a  preclusão,  o  que  se  admite  ad  argumentandum  tantum,  teria  que  devolver a matéria à DRJ, sob pena de supressão da instância.   Estamos aqui diante de uma segunda omissão. Além de simplesmente  ignorar  a  preclusão  da  questão  relativa  ao  caráter  ilíquido  da  matéria, deixa o acórdão de remeter a questão para que seja julgada,  quanto ao mérito, pela vez primeira na DRJ.  Por  fim,  assevera  haver  uma  terceira  omissão  no  acórdão,  pois  deveria  ainda  analisar a necessidade de se apensar o pedido de compensação ao auto de infração  (Processo  nº  12897.000193/2010­11,  em  trâmite  nesse  CARF),  situação  que  fora  requerida pelo próprio contribuinte em sua manifestação de inconformidade.  Passo à análise do preenchimento dos pressupostos para sua admissibilidade.  DOS PRESSUPOSTOS PARA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS  Nos termos do art. 65, § 2º, do Regimento Interno do CARF – RICARF (Anexo II da  Portaria MF nº  343,  de  09  de  junho de  2015)  fui  designado para me pronunciar  sobre a admissibilidade dos embargos opostos.  Pois  bem,  dispõe  o  art.  65  do  RICARF  que  “Cabem  embargos  de  declaração  quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se  a  turma.”  Os embargos opostos mostram­se tempestivos, conforme já abordado.  Para a Fazenda Nacional, a questão da dedução da parcela de R$ 188.636.543,13  referente ao lançamento de IRPJ no processo 12897.000193/2010­11 seria matéria  preclusa,  uma  vez  que  “o  próprio  contribuinte  havia  considerado  essa  parcela  ilíquida e incerta, o que impede qualquer compensação. O acórdão ora embargado  não  afasta  tal  preclusão  antes  de  adentrar  no  mérito,  o  que  configura  clara  omissão.”  De  fato,  no  acórdão  embargado,  deixou­se  de  analisar  se  a  matéria  era  ou  não  preclusa,  o  que  implica  omissão  que  deve  dar  ensejo  à  nova  manifestação  do  colegiado a seu respeito.  No que diz respeito à segunda omissão, qual seja, a devolução do tema ao exame da  DRJ em caso de superação da preclusão, entendo também ser matéria que deva ser  Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 16682.720486/2011­75  Acórdão n.º 1402­002.507  S1­C4T2  Fl. 1.722          4 apreciada pelo colegiado quando da análise da existência, ou não, de preclusão em  relação ao cômputo do valor lançado de ofício na quantificação do saldo negativo.  Em relação à suposta terceira omissão (deveria ter sido analisada a necessidade de  se apensar o pedido de compensação ao auto de infração referente ao processo nº  12897.000193/2010­11),  entendo não assistir  razão à  embargante,  uma  vez  que  o  colegiado  entendeu  que  por  não  ter  a  autoridade  fiscal  utilizado­se  do  saldo  negativo no momento da realização do lançamento, ou seja, o desfecho de auto de  infração era irrelevante para a análise do mérito do saldo negativo pleiteado pela  então Recorrente.   Desse  modo,  as  alegações  da  Embargante  mostram­se  parcialmente  corretas,  devendo o colegiado se manifestar sobre as omissões constatadas.  PROPOSTA  Desse  modo,  constatada  a  ocorrência  de  duas  omissões  das  três  apontadas  pela  Embargante,  entendo  que  todos  os  embargos  devem  ser  PARCIALMENTE  ADMITIDOS, uma vez que as alegações da Embargante mostram­se procedentes em  parte.  Isso  posto,  proponho  ao  Presidente  da  2ª  Turma  Ordinária  da  4ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF  que  os  embargos  opostos  pela  FAZENDA  NACIONAL  sejam  PARCIALMENTE  ADMITIDOS,  devendo  o  colegiado  se  manifestar  única  e  exclusivamente  sobre  a  ocorrência  de  preclusão  e,  caso  superada  essa  questão,  sobre a necessidade do retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância.  Por  meio  do  despacho  de  fl.  1718  o  M.D.  Presidente  deste  colegiado  aprovando na íntegra a proposta de admissão parcial, devolvendo­me os autos para relato.  É o relatório.        Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 16682.720486/2011­75  Acórdão n.º 1402­002.507  S1­C4T2  Fl. 1.723          5 Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  1 ADMISSIBILIDADE  Os embargos  já  foram parcialmente admitidos pelo Presidente do colegiado  (fl. 1718).  2 DAS OMISSÕES   Conforme  já  relatado,  a  lide  trata  de  declaração  de  compensação  relativa  a  saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2006. E relação ao mesmo período de apuração  foi  lavrado  auto  de  infração  de  IRPJ  cobrando­se R$  188.636.543,13  de  principal  (processo  12897.000193/2010­11). Tanto a decisão da unidade de origem, quanto o julgado de primeira  instância, entenderam por bem computar o IRPJ lançado de ofício no cálculo do IRPJ devido  no período, implicando a redução substancial do direito creditório reconhecido.  Por  meio  do  Acórdão  1402­002.198  este  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  deu  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  o  direito  de  crédito  adicional  de  188.636.553,73,  uma  vez  que,  no  lançamento  de  ofício  em  questão  (processo  12897.000193/2010­11), a autoridade fiscal não deduziu, no momento do lançamento, o saldo  negativo objeto da declaração de compensação atrelada ao saldo negativo de IRPJ referente ao  mesmo  período  de  apuração.  Entendeu  este  colegiado  que  o  não  reconhecimento  do  direito  creditório  nos  presentes  autos  implicaria  a  dupla  cobrança  da  RFB  em  relação  ao  mesmo  crédito:  a  primeira,  via  auto  de  infração,  e  a  segunda  em  razão  do  não  reconhecimento  do  direito creditório nos presentes autos.  Para a Fazenda Nacional,  a questão da dedução de  tal parcela  seria matéria  preclusa,  uma  vez  que  “o  próprio  contribuinte  havia  considerado  essa  parcela  ilíquida  e  incerta,  o  que  impede  qualquer  compensação.  O  acórdão  ora  embargado  não  afasta  tal  preclusão antes de adentrar no mérito, o que configura clara omissão.”  Aduz ainda a Fazenda Nacional que “o Processo nº 12.897.000193/2010­11  encontra­se no CARF, tendo sido recentemente julgado recurso especial pelo CSRF em sentido  desfavorável ao contribuinte. A falta de decisão final quanto ao Auto de Infração e o fato de o  processo  caminhar  no  sentido  da  constituição  definitiva  do  crédito  só  confirmam  o  caráter  ilíquido e incerto do valor”.  De fato, no acórdão embargado, deixou­se de analisar se a matéria era ou não  preclusa, o que implica omissão que justificou a submissão destes autos à nova manifestação  do colegiado.  Contudo, no mérito, não há que se falar em preclusão. Embora a decisão de  primeira  instância  tenha  afirmado  que  a  matéria  seria  preclusa,  no  recurso  voluntário  apresentado a Recorrente atacou com propriedade tal conclusão da turma julgadora a quo (fls.  1375­1382),  demonstrando  o  equívoco  da  unidade  de  origem  quanto  à  suposta  aceitação  do  contribuinte  da  dedução  dos  valores  lançados  em  auto  de  infração.  Compulsando  o  recurso  voluntário,  resta evidente que o contribuinte  tratou os valores exigidos no auto de  infração e  Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 16682.720486/2011­75  Acórdão n.º 1402­002.507  S1­C4T2  Fl. 1.724          6 deduzidos  no  cálculo  do  saldo  negativo  como  ilíquidos  e  incertos.  Além  disso,  na  planilha  elaborada no tópico IV­C de sua impugnação, em que incluiu o valor da autuação na exigência,  à  toda evidência,  além de  tratar­se de argumentação alternativa,  fica claro que fazia parte de  sua argumentação de que a inclusão dos valores dos autos de infração não surtiriam efeitos no  indébito  a  ser  reconhecido  em  razão  do  suposto  crédito  que  teria  em  razão  das  estimativas  compensadas.  Portanto,  além  de  a  conclusão  da  DRJ  a  respeito  da  “preclusão”  estar  incorreta, a matéria foi objeto de recurso voluntário.  E,  em  razão  disso,  a  segunda  omissão  apontada  pela  Fazenda  Nacional  a  respeito de supressão de instância, não faz sentido, porque a DRJ, de algum modo, procedeu à  análise do tema, questão de mérito já superada no acórdão embargado. Ademais, tratando­se de  controvérsia  envolvendo  restituição  de  tributos  (ainda  que  cumulada  com  compensação),  o  retorno  dos  autos  à  primeira  instância  após  o  CARF  já  ter  decidido  o  mérito  a  favor  do  contribuinte  mostra­se  contrário  ao  princípio  da  duração  razoável  do  processo,  porque  se  a  nova decisão viesse ser favorável ao contribuinte, não haveria interposição de recurso de ofício  (art.  27,  inciso  I  e  IV,  da Lei  nº  10.522,  de  2002),  e,  em  caso  contrário,  em  relação  a novo  recurso  voluntário  a  ser  interposto,  o mérito  da  exigência  já  foi  alvo  de  análise  no  acórdão  embargado. Ou seja, de qualquer modo, o resultado viria a ser favorável ao Recorrente. Nesse  cenário,  retornar  os  autos  para  exame  de  mérito,  na  primeira  instância,  para  matéria  que  o  CARF já analisou o caso concreto desafia não só o princípio da duração razoável do processo,  mas também o da eficiência.  A  respeito  do  argumento  de  impossibilidade  de  contra­arrazoar  o  recurso  voluntário  em  razão  da  suposta  preclusão,  conforme  já  destacado,  o  recurso  voluntário  já  atacara  tal  conclusão  da  DRJ,  possibilitando  sim  à  Fazenda  Nacional  que  oferecesse  as  contrarrazões  a  respeito  do  tema,  inclusive  quanto  ao mérito,  prerrogativa  não  exercida  nos  autos.  No  que  atine  à  suposta  incerteza  e  iliquidez  do  lançamento,  o  acórdão  embargado  esclarece  que  por  não  ter  a  autoridade  fiscal  se  utilizado  do  saldo  negativo  no  momento  da  realização  do  lançamento,  o  desfecho  do  julgamento  do  auto  de  infração  era  irrelevante para a análise do mérito do saldo negativo pleiteado pela Recorrente.    Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 16682.720486/2011­75  Acórdão n.º 1402­002.507  S1­C4T2  Fl. 1.725          7   3 CONCLUSÃO  Isso  posto,  voto  por  acolher  os  embargos  para  sanar  omissão  no  acórdão  1402­002.198, e no mérito, rejeitá­los.   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                                Fl. 1725DF CARF MF

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6781339 #
Numero do processo: 15374.928035/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2002 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.734
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.928035/2009­81  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3201­002.734  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de março de 2017  Matéria  COMPENSAÇÃO ­ PAGAMENTO INDEVIDO  Recorrente  ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 14/11/2002  DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.  A  DCTF  é  instrumento  formal  de  confissão  de  dívida,  e  sua  retificação,  posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.  VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.  As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos  respectivos  elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade  material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de  apresentar,  no  momento  processual  apropriado,  as  provas  necessárias  à  comprovação do crédito alegado.  Recurso Voluntário Negado      ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator.   Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Winderley  Morais  Pereira,  José  Luiz  Feistauer  de  Oliveira,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Mércia  Helena  Trajano  D'Amorim,  Cássio  Schappo,  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos  Araújo,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 80 35 /2 00 9- 81 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 15374.928035/2009­81  Acórdão n.º 3201­002.734  S3­C2T1  Fl. 3          2 ABW  FACTORING  FOMENTO  MERCANTIL  LTDA  transmitiu  PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins).  A  repartição  de  origem  emitiu  Despacho  Decisório  Eletrônico  não  homologando  a  compensação,  em  virtude  de  o  pagamento  informado  ter  sido  integralmente  utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível  para a compensação declarada.  Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que  parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento  probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais.  A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do  Acórdão 13­32.518. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o  recolhimento alegado  como  origem  do  crédito  encontrava­se  integralmente  alocado  para  a  quitação  de  débito  confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a  inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF.  Em seu  recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a  legislação  não  se  encontra  autorizada  a  alterar  conceitos  adotados  na  Constituição  Federal,  não  sendo  possível,  por  conseguinte,  a  ampliação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  (PIS  e  Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao  faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei  9.718/1998.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­002.640, de  30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/2009­11, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­002.640):  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo,  e  não  verificando  outros  óbices, tomo conhecimento dele.  A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida  seria  referente  à  ampliação  da  base  de  cálculo  da  Cofins,  promovida pela Lei 9.718/98.  Dois obstáculos impedem o provimento solicitado.  Fl. 65DF CARF MF Processo nº 15374.928035/2009­81  Acórdão n.º 3201­002.734  S3­C2T1  Fl. 4          3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo  da  Cofins  não  foi  feita  na  Manifestação  de  Inconformidade,  e  por  isso,  tal  matéria  encontra­se  atingida  por  preclusão,  conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com  art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962.  O  segundo  obstáculo  é  que  o  crédito  pretendido  não  foi  demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor  integral  do  Darf,  foi  confessado  em  DCTF.  A  DCTF  é  o  instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por  homologação  (Decreto­lei  2.124/84),  de  modo  que  o  crédito  tributário  representado  pelo  valor  integral  do  Darf  foi  formalmente constituído.  Estando o  crédito  tributário  formalmente  constituído,  para  que  se pudesse retificá­lo  seria necessária prova de  sua  inexatidão.  Seria  preciso  demonstrar,  documentalmente,  a  composição  da  Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros  oficiais,  tais  como Diário,  Razão,  ou  qualquer  escrituração  ou  documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus  da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I  do CPC4).  Sem  tais  elementos,  se  mostra  impossível  desconstituir  o  que  formalmente foi constituído.  Também  considero  inaplicável  o  pedido  de  diligência.  Com  efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar  seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório,  e  2  –  após  a  ciência  do  Acórdão  de  manifestação  de  inconformidade.  Permitir  agora  uma  terceira  oportunidade  malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72:  §4º  –  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;                                                              1  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante.  2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra  a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  §  10.  Da  decisão  que  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  caberá  recurso  ao  Conselho  de  Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram­se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172,  de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.  3 Art.  36. Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.  4 Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  Fl. 66DF CARF MF Processo nº 15374.928035/2009­81  Acórdão n.º 3201­002.734  S3­C2T1  Fl. 5          4 c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o  processo  ser  submetido  a  nova  fase  probatória,  nas  quais  se  mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que  não  tiveram  lugar  no  tempo próprio. Desse modo,  e  ainda  por  homenagem  aos  princípios  da  preclusão  probatória,  do  ônus  probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não  vislumbro espaço para determinação de diligência.  Assim, o  crédito  solicitado não pode  ser deferido,  em vista dos  dois  fundamentos  expostos,  cada  um  per  se  suficiente  para  o  desprovimento.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário.  Destaque­se  que,  neste  processo,  não  houve  preclusão  de matéria,  situação  que  ocorreu  no  paradigma,  dado  que  a  recorrente  já  havia  informado  na  Manifestação  de  Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º  do art. 3º da Lei 9.718/98.  Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a  contribuinte  não  demonstrou,  "documentalmente,  a  composição  da  Base  de  Cálculo  e  as  deduções  permitidas  em  lei,  com  os  livros  oficiais,  tais  como  Diário,  Razão,  ou  qualquer  escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o  reconhecimento do direito creditório em litígio.  Dessa forma, aplicando­se a decisão do paradigma ao presente processo, em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  não  reconhecer  o  direito  creditório  em  litígio  e  manter  a  não  homologação das compensações.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                                Fl. 67DF CARF MF

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