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Numero do processo: 12448.738358/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS COM SAÚDE. PROVA.
A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento a Dra. Carla Buiati, OAB/DF 26.018.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
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PROVA. A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento a Dra. Carla Buiati, OAB/DF 26.018. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 83 58 /2 01 1- 08 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1252.443, da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, f. 4853, que julgou improcedente a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2010, anocalendário 2009, em razão de glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 18.180,00 por falta de comprovação. O sujeito passivo apresentou impugnação, juntando documentos para comprovação das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual e solicitando o cancelamento do crédito tributário. A impugnação foi considerada improcedente sob o fundamento de que os documentos apresentados não comprovam o serviço prestado e o efetivo pagamento. O sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida em 04/09/2014, fls. 59, quintafeira, de modo que o prazo para apresentação do recurso voluntário encerrouse em 04/10/2014, sábado, ficando prorrogado para o primeiro dia útil subsequente, dia 06/10/2014. Em 06/10/2014 foi apresentado recurso, fls. 6275, no qual a interessada reitera os argumentos apresentados na impugnação. Por fim, requer o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 12448.738358/201108 Acórdão n.º 2301004.595 S2C3T1 Fl. 135 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas A dedução das despesas com saúde na Declaração de Ajuste Anual é permitida nos casos de prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (art. 8o , inc. II “a” da lei 9.520, de 26/12/1995), quando o beneficiário da prestação do serviço ou o adquirente do produto for o contribuinte ou seus dependentes, e desde que o preço do serviço ou do produto tenha sido suportado pelo contribuinte (art. 8o § 2o, inc. II da lei 9.520, de 26/12/1995). O legislador restringiu a prova da despesa médica ao tipo documental, estipulando requisitos objetivos para sua eficácia, a saber: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No mais, é do contribuinte o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual, quando exigida pelo Fisco, por força da determinação contida no DecretoLei 5.844/43, reproduzida no art. 73 do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Logo, para desincumbirse do ônus da prova, ao contribuinte compete provar o fato que deu origem à despesa (serviço/produto) e também o pagamento efetuado. No caso dos autos, a fiscalização efetuou a glosa da dedução da despesa médica informada pela Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme abaixo discriminado: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Tabela 1 Nº Prestador Serviço CPF Prestador Serviço Nome Prestador Serviço Referência Valor Declarado DAA Valor Glosado NFLD Valor Mantido NFLD Motivo Glosa 1 088.568.16733 Paula Giordano Botelho Borges fisioterapia 10.000,00 10.000,00 0,00 2 079.857.36786 Gabriela Freire Santos da Silva fisioterapia 8.180,00 8.180,00 0,00 comprovantes apresentados não identificam o endereço do profissional nem discriminam os serviços prestados, além da ausência de comprovação do efetivo pagamento. Total 18.180,00 18.180,00 0,00 A Recorrente apresentou os seguintes documentos a fim de comprovar a prestação do serviço pelos profissionais de saúde indicados, bem como a quitação do pagamento do valor declarado, e alegou que os pagamentos foram feitos em espécie: Tabela 2 Nº Prestador Serviço Documento Descrição do Documento Valor Data fls 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 800,00 15/01/2009 99 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 600,00 15/02/2009 100 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 800,00 20/03/2009 101 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 900,00 20/04/2009 102 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 1.000,00 25/05/2009 103 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 800,00 15/06/2009 104 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 900,00 15/07/2009 105 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 1.000,00 20/08/2009 106 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 900,00 15/09/2009 107 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 800,00 15/10/2009 108 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 800,00 15/11/2009 109 e 124 1 recibo e declaração do profissional tratamento para entorse de tornozelo prestado a contribuinte em domicílio 700,00 15/12/2009 110 e 124 10.000,00 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 480,00 29/01/2009 111 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 480,00 27/02/2009 112 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 480,00 27/03/2009 113 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 600,00 28/04/2009 114 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 480,00 28/05/2009 115 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 850,00 30/06/2009 116 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 910,00 30/07/2009 117 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 910,00 31/08/2009 118 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 840,00 29/09/2009 119 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 840,00 29/10/2009 120 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 820,00 27/11/2009 121 e 123 2 recibo e declaração do profissional serviços de fisioterapia prestados a contribuinte 490,00 23/12/2009 122 e 123 8.180,00 Os recibos e as declarações contêm dados suficientes quanto à identificação do profissional de saúde, como nome do profissional, nº de inscrição no Cadastro de Pessoa Física (CPF) e endereço; quanto à identificação do diagnóstico e do tratamento específico ao qual o contribuinte foi submetido; e, ainda, quanto ao valor do serviço prestado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 12448.738358/201108 Acórdão n.º 2301004.595 S2C3T1 Fl. 136 5 Demonstram, ainda, a quitação da obrigação contraída pelo contribuinte, pois não ficou demonstrado que a Recorrente foi intimada especificamente a apresentar seus extratos bancários, e não há elementos nos autos que possam infirmar os recibos emitidos pelos profissionais. Portanto, considero eficazes as provas apresentadas e restabeleço a dedução a título de despesas médicas, correspondente ao valor de R$ 18.180,00. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002761/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE
ADMISSIBILIDADE. Nos termos regimentais, o recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais deve demonstrar a divergência de entendimentos entre colegiados julgadores (Câmara ou Turma), o que se verifica pelo conteúdo do acórdão paradigma proferido, não bastando a inclusão, apenas em sua ementa, de matéria que não tenha sido, comprovadamente, discutida pelo colegiado. Não comprovado que o colegiado onde se proferiu o acórdão apontado como paradigma tenha efetivamente discutido o tema objeto do recurso, não se pode conhecer do especial interposto.
Numero da decisão: 9303-001.735
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Nos termos regimentais, o recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais deve demonstrar a divergência de entendimentos entre colegiados julgadores (Câmara ou Turma), o que se verifica pelo conteúdo do acórdão paradigma proferido, não bastando a inclusão, apenas em sua ementa, de matéria que não tenha sido, comprovadamente, discutida pelo colegiado. Não comprovado que o colegiado onde se proferiu o acórdão apontado como paradigma tenha efetivamente discutido o tema objeto do recurso, não se pode conhecer do especial interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 16/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann Fl. 978DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Em apreciação recurso tempestivamente manejado pelo sujeito passivo que fora autuado, em 2007, para exigência de IPI não destacado nos documentos fiscais emitidos nos períodos de apuração compreendidos entre os anos de 2000 a 2002 por força de decisões judiciais. Mantido o lançamento pela DRJ Ribeirão Preto, foi ele contestado em recurso voluntário de que a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes não conheceu por considerálo intempestivo. O recurso especial insurgese exatamente contra essa circunstância e traz ao conhecimento do colegiado as peculiaridades que envolveram a intimação da decisão de primeiro grau, para justificar o argumento de que o recurso fora, de fato, apresentado tempestivamente. Isso porque, embora corretamente endereçado pela unidade preparadora para o endereço da empresa constante em seus assentamentos junto à SRF, a correspondência contendo a cópia da decisão e a ordem de intimação foi entregue pela empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em agência franqueada sua onde a sociedade empresária mantém caixa postal. Aí foi ela recebida em 26 de novembro de 2007, consoante assinatura aposta no AR pelo funcionário da agência que a recebeu. Ocorre que somente no dia seguinte, 27 de novembro, foi a correspondência entregue ao preposto da recorrente que compareceu à agência. E foi nesta última data que ela se considerou cientificada da decisão, contando daí o prazo para apresentação do recurso, que se findaria em 27 de dezembro do mesmo ano, data em que efetivamente encaminhou o seu apelo. A Turma julgadora recorrida entendeu, no entanto, que a data da ciência corresponde àquela em que o AR foi comprovadamente entregue na agência em que o contribuinte mantinha sua caixa postal, ou seja, 26 de novembro, o que levou à conclusão de que o prazo findou em 26 de dezembro. Intempestivo, pois, o recurso entregue no dia seguinte. Embora o voto não contenha nenhuma dessas referências, observase da declaração conjunta de voto elaborada pelos conselheiros vencidos, Dalton Cesar Cordeiro Miranda e Fernando Marques Cleto, que a discussão que se travou na turma julgadora disse respeito à aplicabilidade da Súmula nº 06 do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, que reza: "SÚMULA N°6 . É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Os conselheiros vencidos fizeram questão, por isso, de deixar registrado que não a estavam contrariando, mas, ao contrário, entendiam que ela não teria aplicação ao caso concreto na medida em que não se tratava de entrega da correspondência no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo mas recebido por quem não era preposto seu. A discussão, segundo Fl. 979DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002761/200761 Acórdão n.º 9303001.174 CSRFT3 Fl. 2 3 eles, era se poderseia mesmo considerar “entregue” a correspondência até que tivesse efetivamente chegado às mãos da empresa, ainda que por meio de quem não fosse preposto seu. Em outras palavras, se o recebimento por agente da própria EBCT poderia equipararse àquela entrega. Como paradigma para essa divergência, a recorrente apontou o acórdão nº 30129.468 transcrevendo apenas sua ementa extraída diretamente do sítio do CARF na internet (fls. 1.109), cuja transcrição se impõe: ITR/94. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. REVELIA Considerase intimado o contribuinte na data da retirada da Notificação de Lançamento da sua caixa postal, inicio da contagem do prazo para impugnação, cuja apresentação extemporânea não instaura a fase litigiosa do processo e configura a revelia. RECURSO NÃO CONHECIDO. O recurso apontava ainda outras duas divergências, que, no entanto, não foram acolhidas pelo Presidente da Câmara, decisão mantida pelo Presidente do CARF no reexame obrigatório. Foi ele, portanto, admitido apenas quanto à divergência acima detalhada, entendendo o Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho que o paradigma apontado de fato examinou os mesmos fatos e deulhes interpretação divergente. Em contrarazões, aduz a Procuradoria da Fazenda, preliminarmente, que o recurso não deveria ser conhecido. Justificao com a juntada da cópia integral do recurso apontado como paradigma e defendendo que sua ementa não refletiu o que em verdade foi ali discutido e julgado. Isso porque a discussão ali proposta pela então recorrente se resumiu à necessidade de que o recebedor da correspondência fosse o representante legal da sociedade empresária. O julgado entendeuo desnecessário desde que o recebedor fosse preposto da empresa. Para certificarse de que isso realmente ocorria no caso concreto é que ressaltou o fato de que a correspondência fora colocada em caixa postal, da qual somente poderia ser retirada por preposto regularmente autorizado. Em outras palavras, embora tenha constado na ementa, o objeto do recurso lá não disse respeito ao termo inicial do prazo recursal quando a correspondência é disponibilizada em caixa postal de titularidade do sujeito passivo, matéria deste recurso. Caso não acolhida a preliminar, requer o não provimento do recurso por defender que a aceitação da tese da recorrente tornaria inócuos os prazos definidos em lei na medida em que bastaria ao contribuinte não comparecer à unidade da EBCT onde mantenha caixa postal para nunca ser cientificado das decisões (e mesmo dos lançamentos efetuados), o que, no limite, poderia assegurar até mesmo a ocorrência de decadência do direito fazendário. Este o Relatório. Voto ‘Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 980DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Embora tempestivo o recurso, dele não podemos conhecer a meu sentir. É que partilho o entendimento da douta PFN no sentido de que é o acórdão, e não meramente a sua ementa, que fixa a divergência ensejadora do recurso em discussão. E a atenta leitura das considerações expendidas no voto condutor do acórdão trazido como paradigma e somente transcrito na íntegra pela representação fazendária de fato leva à conclusão de que lá o que se discutiu foi, exclusivamente, a necessidade de que o recebedor da correspondência seja representante da sociedade empresária. Ressaltese que no âmbito do Segundo Conselho tal discussão seria afastada de plano pela aplicação da Súmula nº 06 já citada. Ela somente foi enfrentada por se tratar de recurso julgado no Terceiro Conselho de Contribuintes, onde não havia Súmula de conteúdo equivalente. Sua conclusão, no entanto, está em inteiro acordo com a mencionada Súmula: não há a pretendida necessidade, bastando que o recebedor seja preposto da sociedade empresária a ser cientificada. Destarte, não é o mero fato de que a ementa tenha afirmado que, em tais casos, considerase efetuada a citação no momento da retirada da correspondência que faz disso “coisa julgada” capaz de instaurar a divergência motivadora do especial. A divergência se dá entre entendimentos de Colegiados (Câmara ou Turma) pressupondose, portanto, que a matéria tenha sido discutida pelo conjunto de seus membros. Não basta, por isso, que seja aposta na ementa pelo relator; se não houve discussão pelo colegiado, tal assertiva não reflete – ao menos não comprovadamente – o posicionamento da equipe julgadora e não serve como paradigma. Tratandose aqui da definição do termo inicial para contagem de prazo recursal quando a correspondência é disponibilizada em caixa postal, ela somente restaria comprovada pela juntada de decisão que, discutindo esse termo inicial, tivesse firmado o entendimento de que ele seria a data da retirada da correspondência e não a da disponibilização provada pela assinatura no AR. Nesses termos, entendo não comprovado o dissídio jurisprudencial e voto pelo não conhecimento do recurso. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 981DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10860.721195/2014-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-002.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o (a) advogado(a) Camila Galvão, OAB/SP nº 140450
(assinatura digital)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 08/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento E Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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NULIDADE. É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o (a) advogado(a) Camila Galvão, OAB/SP nº 140450 (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 08/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 11 95 /2 01 4- 62 Fl. 6168DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA 2 Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento E Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 5559 e Recurso de Ofício em face de decisão de primeira instância da DRJ/SP, que acolheu em parte as alegações do contribuinte em caso que a fiscalização concluiu por lavrar, em multiplicidade de tópicos, auto de infração de IPI, em resumo, com o intuito de exigir tributo não lançado e tomada indevida de crédito, acrescido de multa e juros. Transcrevo o relatório da DRJ/SP de fls. 5521 e Ementa desta decisão como de costume: "Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, foi lavrado o auto de infração às fls. 02 a 21, em 22/10/2014, para exigir o montante de R$ 78.450.730,86 de crédito tributário, decorrente de diversas irregularidades verificadas quando da fiscalização de verificação de pedidos de ressarcimento do IPI PERDCOMP. INFRAÇÕES DISCRIMINADAS NA DESCRIÇÃO DOS FATOS Segundo a descrição dos fatos, às fls. 03 a 09, que se reporta ao relatório fiscal às fls. 22/84, verificouse: 1. Falta de emissão de nota fiscal com lançamento do IPI, quando da constatação de falta da mercadoria no estoque, codigo de ajuste "CN06". Relatório Fiscal anexado, esclarece o ocorrido; 2. Falta de lançamento do IPI, nas saídas do estabelecimento com indevida utilização do instituto da suspensão, nos seguintes casos: ∙ Remessas para feiras/exposições com desvio de destinação; ∙ Saídas em comodato de bens importados do ativo imobilizado sem comprovação do prazo de retorno dos mesmos; ∙ Remessas de "maquetes" para fins publicitários sob alegação de redução/suspensão tributária; ∙ Relatório Fiscal anexado, esclarece as irregularidades. 3. Falta e/ou insuficiência de lançamento do IPI, por erros de classificação fiscal e/ou alíquota, ou suspensão indevida, nas saídas de: ∙ Refrigeradores; ∙ Compressores; ∙ Partes de Ar Condicionado. Fl. 6169DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10860.721195/201462 Acórdão n.º 3201002.193 S3C2T1 Fl. 6.168 3 4. Créditos Indevidos, decorrentes de: ∙ Créditos hipotéticos de IPI, advindos de aquisições de mercadorias isentas oriundas da Zona Franca de Manaus (ZFM); ∙ Créditos de IPI relativos a insumos que não tiveram uso produtivo. ajuste de estoques registrados sob código "CN02". 5. Créditos Indevidos de IPI, decorrentes de devoluções ou retornos, sem que tenha cumprido as condições que lhe garantiriam a legitimidade. Tempestivamente foi apresentada a presente impugnação onde requer a) Preliminarmente (i) o reconhecimento da decadência pelos motivos expostos e (ii) declarado nulo o Auto de Infração em virtude de cerceamento de defesa. b) No mérito seja julgado improcedente a autuação. Encerrou requerendo que seja excluída a aplicação da em períodos em que a impugnante possuía saldo credor, bem como a imposição de taxa de juros SELIC sobre os valores cobrados a título de multa. Posteriormente, reconhecendo parcialmente os débitos, relativos aos itens 2 e 3 da autuação, conforme, efetuou os respectivos recolhimentos, utilizandose do programa REFIS IV, para os quais requer a extinção do crédito tributário. Segue transcrita a seguir a Ementa apresentada na decisão de primeira instância: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 DESTAQUE. FALTAS HAVIDAS NOS ESTOQUES CN06. Apurada a falta no estoque de produtos, o contribuinte deve proceder ao pagamento do imposto sobre a totalidade dos bens faltantes, efetuando o seu destaque em nota fiscal especialmente emitida para esse fim, no momento da verificação da falta. FALTA DE LANÇAMENTO. SAÍDAS DE PRODUTOS PARA FEIRAS/EXPOSIÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO. É devido o imposto nas saídas de produtos não caracterizadas inequivocamente como destinadas diretamente a exposição em feiras de amostras. FALTA DE LANÇAMENTO. SAÍDA DE BEM DO ATIVO IMOBILIZADO ANTES DO PRAZO DE CINCO ANOS. Fl. 6170DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA 4 É devido o imposto na saída a qualquer título, como empréstimo ou comodato, de produto importado e incorporado ao ativo permanente, antes do prazo de cinco anos contado a partir da incorporação ao ativo permanente da empresa. FALTA DE LANÇAMENTO. SAÍDAS DE "MAQUETES PROMOCIONAIS" COM UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO DO IPI. É devido o imposto nas saídas de produtos com fins promocionais a título gratuito, sendo indevida qualquer redução e/ou a inobservância dos valores mínimos tributáveis. VALOR TRIBUTÁVEL. REGRA GERAL. Como regra geral, o valor tributável dos produtos nacionais e dos produtos de procedência estrangeira é o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vedada a dedução de descontos, diferenças ou abatimentos concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IPI, POR INOBSERVÂNCIA DA ALÍQUOTA, NA SAÍDA DE REFRIGERADORES. Saídas de refrigeradores à partir de 1º de novembro de 2.009, com alíquota reduzida de 5%, para produtos com eficiência energética classe "A", não observada pela fiscalização, lançamentos indevidos, deverão serem excluídos da autuação. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IPI, COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA, SUSPENSÃO INDEVIDA, NA SAÍDA DE COMPRESSORES E PARTES DE AR CONDICIONADO. É devido o imposto nas saídas de produtos não caracterizadas inequivocamente como destinadas a substituições em virtude de garantia. É devido o imposto nas saídas de produtos com insuficiência de lançamento, quando verificado erros de classificação fiscal e/ou alíquota. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO CN02. Devem ser anulados mediante estornos na escrita fiscal, os créditos do IPI, cujos insumos foram baixados do estoque sem terem sido utilizados no processo produtivo. Fl. 6171DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10860.721195/201462 Acórdão n.º 3201002.193 S3C2T1 Fl. 6.169 5 CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI é de cinco anos e regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A turma de julgamento da DRJ/SP, então, considerou procedente em parte a impugnação e manteve o lançamento do IPI em sua grande maioria e recorreu de ofício. Após protocolado o Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos nos termos do Regimento Interno deste Conselho para julgamento em segunda instância. É o relatório. Fl. 6172DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA 6 Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do tempestivo Recurso Voluntário. DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA É preciso trazer aos autos as razões pelas quais se forma a convicção de que o presente procedimento administrativo não está em condições de julgamento. Em Recurso Voluntário, fls. 08 a 13, o contribuinte apresentou suas razões para a anulação do Acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa e falta de motivação e de fato, verificase que a decisão recorrida deixou de analisar a alegação de nulidade do Auto de Infração diante de iliquidez do crédito tributário lançado, deixou de apreciar a alegação de inversão do ônus da prova de forma individualizada sendo que 08 diferentes transações foram alvo da lavratura do A.I., também em fls. 5529 (quinto parágrafo) a DRJ não analisou os fatos, fundamentos e informações trazidas em impugnação sobre o processo produtivo e ajustes positivos e negativos do controle interno do contribuinte, em fls. 5538 (parágrafo segundo) a DRJ novamente deixou de analisar o controle interno do contribuinte nas alegações de rastreabilidade dos produtos objeto de devolução, deixou de apreciar relatório elaborado pela empresa de auditoria KPMG e, por fim, sob a impossibilidade de emitir juízo de valor acerca da inconstitucionalidade das normas a DRJ deixou de analisar as alegações de impossibilidade de aplicação de multa diante de saldo credor de IPI e ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa. Em análise dos fatos, verificase que o contribuinte solicitou o ressarcimento de créditos de IPI uma vez que acumulou saldos de créditos na aquisição de insumos e por ter saídas desoneradas. Em seqüência à solicitação de ressarcimento dos créditos, teve de apresentar os livros, controles e Per Dcomps para justificar todos os tipos de créditos, produtos e a formatação de tributação do negócios que ensejou o acumulo e o próprio ressarcimento. No cumprimento de seu dever, a fiscalização solicitou os documentos relacionados, principalmente o Livro Modelo 3, tendo em vista que havia devoluções e retorno de mercadorias, havia aquisições de insumos e a fiscalização buscou entender a recuperação dos créditos e onde eram aplicados aqueles insumos pra ver se efetivamente a empresa tinha direito aos créditos. Para tanto, solicitou o controle de movimentação do estoque, esse controle interno auxiliar contábil entregue pela empresa, em inglês, mas que tinham movimentações de entradas, saídas e movimentações internas das empresas. Sendo que a fiscalização focou seus trabalhos principalmente nos códigos CN01 (aquisição de mercadorias e matérias primas), Fl. 6173DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10860.721195/201462 Acórdão n.º 3201002.193 S3C2T1 Fl. 6.170 7 CN02 (movimentações internas de componentes) e CN06 (movimentações internas de componentes). Após breve exposição, é necessário contextualizar e destacar algumas dessas principais alegações do contribuinte. Código CN06 – Controle interno Componentes e Linha de Produção Saída de Mercadoria sem Nota Fiscal Estoque: Conforme relatado pelo contribuinte, o código CN06 é um controle interno que reflete quais componentes deveriam ter saído do almoxarifado para alguma das diversas etapas da linha de produção e quais efetivamente saíram, em razão de haver movimentações expressivas que são registradas com componentes intercambiáveis, conforme Doc. 05 do Recurso Voluntário. Verificase que a princípio, segundo o contribuinte, que o código CN06 não passa de um controle de movimentação interna de componentes e unicamente deste controle, por ora, nada pode ser concluído com relação à saída de mercadorias do estabelecimento. Ainda, concluise em razão do arrazoado da contribuinte, que o código CN06 é uma forma de corrigir a movimentação registrada pelo código CN01, que reflete o envio de componentes à linha de produção, sejam estes intercambiáveis ou não. Este código CN01 não reflete a real movimentação de componentes, porque dentre este componentes estão os intercambiáveis, ou seja, a partir do código CN01 não é possível concluir exatamente quais componentes foram enviados para a linha de produção. Mas a partir deste código é possível auferir quantos componentes foram enviados à linha de produção, informação que sem o confronto com as informações do código CN06 e de informações como a saída de mercadorias ou capacidade produtiva do contribuinte, não é possível concluir que houve “Produto saído do estabelecimento industrial sem emissão de nota fiscal”. Assim, sem considerar os livros fiscais, sem realizar o procedimento correto que seria a auditoria da produção com a devida aferição da possível falta de estoque global externa, sem o exame de notas fiscais de entrada e saída, a fiscalização pode ter presumido a falta de estoque de mercadorias e arbitrou o lançamento sob a alegação de saída de mercadorias sem nota fiscal. Este item do relatório fiscal, relacionado ao código CN06, no qual foi lançado o IPI por saída de mercadoria sem nota fiscal, não se confunde com a quebra, perda, retorno ou devolução de mercadorias, mas sim trata de um controle / conta que contabiliza movimentações internas de componentes nas diversas etapas das linhas de produção. O contribuinte alega que deste controle foi considerado pela fiscalização somente os valores positivos, sendo que o controle registra valores negativos também. Conforme fls. 5583, o contribuinte explica que o ajuste positivo do código CN06 representa os componentes substituíveis consumidos no processo de produção das Fl. 6174DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA 8 mercadorias e, o ajuste negativo, representa os componentes originais/nãosubstituíveis, que deveriam ter sido destinados à produção. Ou seja, o código CN06 só traz a informação de quantos componentes entraram na linha de produção, mas não traz a informação esperada pela fiscalização, a quantidade de mercadorias saídas do estabelecimento. Essa informação fica evidente quando se trata dos saldos dessas contas internas desses controles que somam, por exemplo, no ajuste positivo do código CN06, o valor 133 milhões de componentes (fls. 5585) utilizados como referência para o lançamento e, no ajuste negativo, o valor de 94 milhões que a princípio não foi considerado pela fiscalização. O contribuinte alega que não faz sentido concluir que os ajustes positivos dos componentes representados pelo código CN06 representam a falta de mercadorias nos estoque, assim como também não faz sentido concluir o mesmo no resultado da subtração entre os ajustes negativos e os ajustes positivos, uma vez que estes saldos representam os componentes e não as mercadorias. Assim, sobrando uma diferença de 39 milhões, não pode a fiscalização considerar esta informação como baixa de mercadoria do estoque sem justificar ou comprovar as razões para tal lançamento. Até porque, os valores baixados que não retornaram, podem, inclusive, fazer parte do produto final. Este ponto não foi esclarecido pela fiscalização. Considerando esses indícios de que houve baixas de componentes e que isto poderia refletir a baixa de mercadorias do estoque ou saídas de componentes do estabelecimento, o fiscal deveria ter feito uma auditoria com base nos demais controles da empresa, nas saídas de mercadoria, nos livros fiscais e nos outros meios de prova já mencionados, para que a constatação de que este indício, no fundo, era prova de que houve uma baixa de mercadorias do estoque. Não o fez. Na verdade ele utilizou os lançamentos de baixa de componentes como se fossem os lançamentos de saída de mercadoria do estoque e não considerou as entradas de componentes como retorno desses mesmos lançamentos, os ajustes negativos, pois assim deveria utilizar somente o saldo no lançamento e em um segundo momento confrontar com demais provas. Código CN02 – Controle Alternativo Interno Glosa de Créditos Perdas ou Quebras na Produção – Insumos não utilizados no processo produtivo – Devoluções ou Retorno e Controle Interno: Por meio de análise do controle interno do contribuinte, o fiscal glosou créditos que não foram tomados (Doc. 10 do Recurso Voluntário), em casos de supostas perdas e quebras de produtos apresentados no saldo positivo do código CN02. Para exemplificar os casos representados pelo código CN02, o contribuinte juntou o Relatório Interno sobre Possibilidades de Perdas, constante no Doc. 11 do Recurso Voluntário. O contribuinte alega que a fiscalização, ao mesmo tempo que utilizou do controle interno de estoque do contribuinte para presumir tais lançamentos, negou este mesmo controle interno ou o mencionado relatório com o mero intuito de não valer como prova em favor do contribuinte. Assim, a fiscalização apresentou valores que podem ou não representar as quebras de produtos nas diversas etapas de linha de produção do contribuinte. A autuada alega que houve, no fundo, uma aquisição de alguns produtos sob o amparo da lei de informática (Doc. 08 Portarias Interministeriais MCT/MDIC e fls. 31 do Fl. 6175DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10860.721195/201462 Acórdão n.º 3201002.193 S3C2T1 Fl. 6.171 9 Recurso Voluntário) e nessa questão, existe previsão do art. 29 da lei 10637, que estabelece a suspensão do IPI na aquisição de insumos para produção de bens classificados dentro da Lei de Informática. Mais um motivo que leva a crer que a auditoria que o fiscal deveria ter feito, não foi feita. O certo seria individualizar os itens e conferir quais os itens que não ensejaram recuperação de crédito no momento de entrada das mercadorias no estabelecimento. O contribuinte alega da mesma forma como alega na análise do código CN06, que nesta análise do código CN02, a existência de controle foi considerada somente na apuração dos saldos positivos de movimentação de mercadorias para identificar supostas perdas e quebras de itens que não retornaram à linha de produção, sem que o confronto com o saldo negativo do controle interno e demais variáveis fossem consideradas. A princípio, a quantidade de 10 milhões de componentes apontados no relatório fiscal como perda (fls. 43 dos autos) e quebra de insumos que não tiveram utilização produtiva, não é uma quantidade para ser ignorada, mas se contabilizada em porcentagem, em um universo de 5 bilhões (fls. 5586 do Recurso Voluntário) de mercadorias, é uma quebra razoável. Não há nos autos informação juntada pela fiscalização que prove o contrário. O relatório da KPMG demonstra, ainda, que um aparelho celular pode ser composto por mais de 400 componentes. Verificase também no Doc. 04 do Recurso Voluntário a quantidade de componentes que são destinados à fabricação e um único telefone móvel celular. O contribuinte alega que os valores registrados contabilmente no código CN02 corresponderam a 0,45% do valor total de insumos consumidos no processo produtivo durante o período de janeiro a dezembro de 2009. Percentual de quebra aceito neste Conselho, a exemplo o Acórdão 202.02.464/89. De início reportase que o laudo KPMG (Doc. 13 e 14 do Recurso Voluntário) tratou dos termos em inglês e confirmou que o controle alternativo utilizado pela Recorrente não apenas permite a “perfeita apuração do estoque permanente”, nos termos do disposto no art. 388 do RIPI/02, como atende aos requisitos listados pelos artigos 383 e 384 do RIPI/02. Neste ponto há convergência, na necessidade de consideração do controle interno do contribuinte para que este sirva também como prova em favor do contribuinte, com o tópico da fiscalização que trata da glosa de créditos relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, conforme Anexos 4, 5 e 6 do Relatório Fiscal. Verificase que a fiscalização glosou os créditos deste tópico justamente por não considerar o controle interno do contribuinte como “controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito” (fls. 5522). Em complemento, há precedentes que tratam do registro de créditos de IPI em devoluções e a validade do Controle Equivalente ao Registro de Controle e Produção de Estoque, conforme Acórdão 3201001.766 deste Conselho. Da alegação de iliquidez dos créditos cobrados em lançamento: Fl. 6176DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA 10 A exigência de liquidez e certeza dos créditos é conditio sine qua non para o lançamento. Não é controverso, mas é importante lembrar, em analogia ao presente caso autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega que o fisco lançou os tributos sem apresentar provas válidas que comprovam as suas alegações. Disposto no CTN a exigência bilateral da liquidez: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. A validade ou procedência do lançamento somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória válida não é suficiente para lançar o tributo. A alegação do contribuinte veio no sentido de ressaltar que a existência da lacuna na tessitura do libelo basilar, mais precisamente, da natureza da infração descrita no auto de infração restou comprometida, face a incerteza material e a insegurança jurídica relativa ao crédito tributário, pois imprecisa a exigência narrada pelo autor do feito com o tipo infrator constante do libelo fiscal acusatório, não reportando com fidelidade a materialidade do fato infringente detectado. Vigente no Decreto 70.235 (PAF) e no Código Tributário Nacional, o ônus da prova do estado é positivado da seguinte forma: “PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) Fl. 6177DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10860.721195/201462 Acórdão n.º 3201002.193 S3C2T1 Fl. 6.172 11 CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” A quantificação e a certeza realizada pelo lançamento são pressupostos para a realização da sua finalidade principal e única que seria a determinação e exigibilidade do crédito. O lançamento tornaria a obrigação tributária certa e liquida, mas isto apenas por que tais atributos são indispensáveis para que o débito se torne exigível. Certeza, liquidez e exigibilidade representa a trilogia dos efeitos do lançamento. Importante recordar que para se tornar divida ativa, o crédito tributário tem que ser anteriormente líquido, conforme disposto no CTN: “CAPÍTULO II Dívida Ativa Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular. Parágrafo único. A fluência de juros de mora não exclui, para os efeitos deste artigo, a liquidez do crédito. Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova préconstituída. Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite.” A Lei 6.830/80 que dispõe sobre a cobrança judicial da dívida ativa da fazenda pública, prevê de forma expressa a importância e condição taxativa da liquidez do crédito tributário. Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle Fl. 6178DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA 12 dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. § 8º Até a decisão de primeira instância, a Certidão de Dívida Ativa poderá ser emendada ou substituída, assegurada ao executado a devolução do prazo para embargos. § 3º A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo.” Conclusão: A questão jurídica que merece destaque é a seguinte, se o fiscal quis descaracterizar o controle porque não merecia fé, por quaisquer motivos, seja porque estava inglês, seja porque não tinha todas as considerações necessárias previstas no Livro Modelo 3 na legislação, ele teria de desconsiderar o controle integralmente e não somente, nos lançamentos que beneficiariam o contribuinte. A questão principal, portanto, é: para efeito fiscal o controle foi analisado, para fazer prova em favor do lançamento, mas para fazer prova a favor do contribuinte ele não foi analisado. O Auditor Fiscal descreve “Produto saído do estabelecimento industrial sem emissão de nota fiscal”, ou “Créditos indevidos”, mas as alegações do contribuinte vieram no sentido de demonstrar que não existem sequer fatos que possam subsumir às disposições legais que poderiam fundamentar a lavratura do Auto de Infração. Logo, a conclusão mais acertada é reconhecer a ausência de motivação da decisão proferida pela DRJ/SP, o que conflita com o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Seguir com o presente julgamento no estado em que se encontra poderia resultar em supressão de instância ou ofensa ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Diante de todo o exposto, se faz necessária a análise dos pontos trazidos em impugnação, em especial os itens: III.2 de fls. 7 a 9 da impugnação que traz alegações sobre a insubsistência do A.I. e cerceamento de defesa diante da iliquidez do lançamento; fls. 4 e seguintes da impugnação que tratam das alegações de falta de comprovação dos fatos através de provas no lançamento e impossibilidade de presunção; IV.1.1.2 de fls. 16 e seguintes que tratam dos esclarecimentos sobre os ajustes realizados no controle interno, correção de part numbers, contagem cíclica e demais pontos do tópico; Fl. 6179DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10860.721195/201462 Acórdão n.º 3201002.193 S3C2T1 Fl. 6.173 13 Analisar as alegações de que a fiscalização deveria ter realizado o cruzamento do resultado da subtração dos ajustes positivos pelos negativos do código CN06 com a análise e consideração dos controles internos do contribuinte, a exemplo o Doc. 13 juntado ao Recurso Voluntário que demonstra o controle interno do estoque, em confronto com o funcionamento da linha de produção para entender onde os saldos são gerados e de que forma alimentam o controle interno. Analisar as alegações de que a fiscalização deveria ter procedido o confronto das informações com os livros, notas fiscais, valores das entradas e saídas, consumo efetivo, contagem física, giro de estoque e capacidade industrial, de forma a remontar a fórmula da produção do contribuinte nas diversas etapas de industrialização dos semi elaborados e finais, avaliando quantos e quais componentes são necessários para a fabricação de cada mercadoria e somente a partir dessas análises concluir quantas mercadorias efetivamente saíram do estabelecimento sem notas fiscais; Analisar as alegações de que a fiscalização deveria ter realizado o cruzamento do resultado da subtração dos ajustes positivos pelos negativos do código CN02 com a análise e consideração dos controles internos do contribuinte, com a análise realizada no tópico anterior e com a devida consideração individualizada de itens para que se obtenha o resultado de quais itens não ensejaram crédito nas entradas. Para assim chegar à conclusão se efetivamente houve uma quebra e qual o valor efetivo dessa quebra. Porque em uma das hipóteses, a quebra levantada não chega a 1% do valor da produção; – Analisar as alegações do contribuinte de fls. 53 e seguintes sobre a necessidade de confrontar os créditos de devolução e retorno de mercadorias em planilhas, como o pagamento do IPI na venda e com o Controle Interno Alternativo ao Livro Modelo 3 e demais variáveis já apresentadas; Considerar alegações de fls. 69 e seguintes da impugnação sobre a ilegalidade da incidência de juros SELIC sobre a multa e impossibilidade de aplicação de multa diante da regra de apuração do IPI e saldo credor. De acordo com decreto do IPI, este tem de ser apurado no confronto entre débito e crédito, assim, o lançamento não pode ignorar o saldo credor do IPI e livros fiscais; Em face do exposto, voto por não conhecer o Recurso de Ofício e dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que a decisão de primeira instância seja anulada, Acórdão 1458.964, de fls. 5521 e seguintes, com fundamento no Art. 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional e Regimento Interno deste Conselho, por não haverem medidas sanatórias, determinando que a instância a quo realize novo julgamento suprimindo as omissões apontadas. Este é o voto. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 6180DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA 14 Fl. 6181DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Numero do processo: 13808.001840/2001-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999
IRPF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN.
Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, deve-se aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. Súmula 555 do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9202-003.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
EDITADO EM: 28/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora. EDITADO EM: 28/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
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Decadência. Recorrente Fazenda Nacional Interessado Maria Cecília Salem ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 IRPF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. Súmula 555 do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. EDITADO EM: 28/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 18 40 /2 00 1- 35 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório O presente processo decorre de auto de infração (fls. 85/88) lavrado em razão de acréscimos patrimoniais a descoberto que tiveram origem basicamente I) nos saldos de aplicações financeiras mantidas pela contribuinte no encerramento dos anos calendários 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999, II) a posse de bens indicadores de sinais exteriores de riqueza e III) as integralizações de capital realizadas nas empresas das quais era sócia. Apurouse ainda redução indevida da base de cálculo com despesas de Previdência Oficial, informadas na declaração de ajuste anual do exercício 1997, não devidamente comprovadas re foram lançadas Multas por atraso na entrega das declarações e Multas por infrações ao artigo 798 e §1°, IV do decreto 3.000/99 (RIR 99) o qual estabelece, que devem ser declarados, dentre outros, os investimentos em participações societárias, em ações negociadas ou não em bolsa bolsas de valores e em ouro, ativo financeiro, cujo valor de aquisição seja igual ou superior a R$ 1.000,00. Segundo Termo Verificação (fls. 73) a presente fiscalização originouse do chamado programa distribuidoras de combustíveis onde, de acordo com a documentação a nós encaminhado pelo Serviço de Programação de Ação Fiscal, identificouse que a, empresa Salemco Brasil Petróleo Ltda., CNPJ 73.088.460/000197 "...movimentou no período R$ 600.000.000,00, sem apresentar DIRPJ, e sem que os sócios da mesma tenham apresentado e/ou declarado à SRF quaisquer valores de renda...", fl. 36. Adicionalmente, foinos informado que a contribuinte em epígrafe encontravase omissa quanto à entrega de declarações nos últimos 05 (cinco) exercícios e que, da análise das declarações de imposto retido na fonte, constatouse que a contribuinte recebera rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração, de valor total superior a R$ 10.800,00, fl. 38 . Impugnação (fls. 101/185) alegando em síntese inexistência de provas dos fatos que baseia a autuação, ausência de relação entre as condutas de pessoa jurídica e as da Contribuinte, descumprimento de requisitos formais da atividade de fiscalização, violação ao art. 5º, LXIII da Constituição Federal, ilegalidade de aplicação da taxa SELIC, insurgese ainda contra as penalidades aplicadas. A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento (fls. 190/217) apenas para cancelar as multas por atraso na entrega das Declarações de ajuste anual do imposto de renda nos anoscalendário 1995 a 1999. A Contribuinte em Recurso Voluntário (fls. 229) reitera e também traz novas argumentações de defesa. Alega violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório (pois havia ma época exigência de depósito recursal), vício no procedimento fiscal por inobservância da legislação, inexistência de prova da origem dos débitos, decadência, caráter confiscatório das multas, nulidade de aplicação da taxa SELIC. Recurso inominado apresentado às fls. 267, reiterando sua defesa e insurgindose contra a inadmissibilidade do Recurso Voluntário face a não 'garantia do juízo'. Em despacho de fls. 302 foi dado seguimento ao Recurso em razão do Ato Declaratório Interpretativo da RFB nº 9/2007. O acórdão ora recorrido, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas e no mérito, aplicando o art. 150, §4º do CTN, deu parcial provimento ao recurso para Fl. 434DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001840/200135 Acórdão n.º 9202003.946 CSRFT2 Fl. 3 3 declarar a decadência do lançamento em relação ao ano calendário de 1995. O acórdão de nº 340100.057 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1995, 1996,1997, 1998, 1999 NULIDADE AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS VALORES DAS BASES DE CÁLCULO INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando as infrações são descritas com minúcias, aliado à apuração do acréscimo patrimonial a descoberto com a metodologia de fluxo de caixa mensal. IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4o , DO CTN RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4o , do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO ISOLADA PRAZO DECADENCIAL CONTADO NA FORMA DO ART. 173,1, DO CTN. As multas por omissão na declaração de bens e direitos somente podem ser aplicadas após o fim do prazo previsto na legislação tributária para entrega da, declaração de ajuste/bens e direitos, normalmente em fins de abril do ano seguinte àquele da obtenção da renda ou da manutenção da propriedade dos bens. Dessa forma, estribado na regra do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial para aplicação de multas isoladas começa a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que entregue a declaração de bens e direitos. DECLARAÇÃO RETIFICADORA APRESENTADA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL AUSÊNCIA DE SEUS REGULARES EFEITOS. As declarações retificadoras apresentadas no curso de procedimento fiscal que visa apurar o impostos dos anos objeto da retificação não fazem os efeitos que lhes são normalmente próprios. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 4 MULTA DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA IMPOSSIBILIDADE. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso específico dos Conselhos de Contribuintes, tem aplicação o art. 49 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. JUROS DE MORA TAXA SELIC CABIMENTO. Na espécie, aplicase a Súmula I o CC n° 4: "A partir de I o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Foram interpostos Recursos Especiais de Divergência pela Fazenda Nacional e também pelo contribuinte. Após exame de admissibilidade, foi negando seguimento ao recurso do contribuinte haja vista o não cumprimento de requisitos formais para sua interposição. Cumprindo os requisitos, a Fazenda Nacional em seu recurso insurgese contra o acórdão proferido na parte em que acolheu a decadência em relação ao ano calendário 1995, haja vista a tese adotada no sentido de que a aplicação do art. 150, §4º CTN independe da comprovação do pagamento do tributo. Contrarrazões ao Recurso Especial apresentada pelo contribuinte requerendo, no que tange a essa matéria, a manutenção do acórdão. É o relatório. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001840/200135 Acórdão n.º 9202003.946 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como citado no relatório a Fazenda Nacional interpôs recurso contra o acórdão que, por unanimidade, entendeu ser aplicado ao caso o art. 150,§4º do CTN, esclarecendo: No tocante ao fato gerador do imposto de renda, este é denominado complexivo ou periódico, ou seja, realizase ao longo de um espaço de tempo, resultando da valoração de um conjunto de fatos econômicos. A aquisição de disponibilidade de renda resulta da composição de fatos econômicos que se produzem ao longo de um período de tempo. Assim, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física relacionado aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual considerase ocorrido em 31/12 e resulta do somatório de fatos econômicos surgidos no curso do anocalendário (01/01 a 31/12). No caso vertente, em relação ao imposto dos anoscalendário 1995 a 1999, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física se aperfeiçoou em 31/12/1995, 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, respectivamente. Aperfeiçoado o fato gerador, devese, agora, pesquisar qual a regra para o início da contagem do prazo decadencial. A lei é que define a modalidade do lançamento ao que o tributo se amolda. O fato de não haver o pagamento não transmuda a natureza do lançamento. O lançamento por homologação, independentemente de haver ou não pagamento, amoldase ao prazo decadencial do art. 150, § 4o , do Código Tributário Nacional CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando incide a regra decadencial do art. 173,1, do CTN. Para o Recorrente o acórdão contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, §4º e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. Neste aspecto, entendo que os argumentos do Procurador devem ser acolhidos e aqui transcrevo o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Ora, não há nos autos provas de que a Recorrida tenha efetuado o pagamento do imposto nem mesmo de forma parcial, fato não contestado e que se comprova pela Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário 1995, a qual foi apresentada somente em 21/07/2000 (fls. 167/171). Assim, no presente caso, mesmo sendo o imposto em sua essência classificado como de "lançamento por homologação", o que ocorreu de fato foi que o lançamento se deu de ofício, após a realização do trabalho de fiscalização. Portanto, se não há há pagamento a ser homologado, não há que se falar em aplicação do art. 150, §4º do CTN. Tal entendimento foi recentemente ratificado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula nº 555 do , a qual dispõe: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para melhor compreensão da súmula, vale citar parte de alguns dos votos preferidos pelos Ministros nos acórdãos paradigmas que lhe deram origem: "[...] o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito [...]" (AgRg no Ag 1407622 PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/09/2011, DJe 26/09/2011) Fl. 438DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001840/200135 Acórdão n.º 9202003.946 CSRFT2 Fl. 5 7 "[...] o STJ firmou orientação de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não há o pagamento antecipado, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é aquele estabelecido no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. [...]" (AgRg no AREsp 246013 SE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/03/2013, DJe 14/03/2013) "[...] De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4°, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento parcial antecipado, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. À luz do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, inexistindo declaração prévia do débito. [...]" (AgRg no AREsp 252942 PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/06/2013, DJe 12/06/2013) "[...] em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, no caso em que não ocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o poderdever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...]" (AgRg no REsp 1074191 MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/03/2010, DJe 16/03/2010) Logo, no caso em tela, o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento, nos moldes do art. 173, I do CTN, foi o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, considerando que o fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 1995 temos que o termo final do prazo decadencial se deu em 31/12/2001. Tendo a contribuinte sido notificada do lançamento em 26/04/2001, não há que se cogitar de decadência. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para afastar a aplicação da decadência em relação ao ano calendário de 1995. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 439DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13864.000206/2007-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
DEDUÇÕES INEXISTENTES. DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E PREVIDÊNCIA PRIVADA. REITERAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
É cabível a aplicação de multa qualificada, no caso de utilização, na Declaração de Ajuste Anual, por dois anos-calendário consecutivos, de deduções indevidas de despesas médicas, de instrução e de doações aos fundos da criança e do adolescente, que o próprio Contribuinte confessa serem inexistentes.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 DEDUÇÕES INEXISTENTES. DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E PREVIDÊNCIA PRIVADA. REITERAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação de multa qualificada, no caso de utilização, na Declaração de Ajuste Anual, por dois anos-calendário consecutivos, de deduções indevidas de despesas médicas, de instrução e de doações aos fundos da criança e do adolescente, que o próprio Contribuinte confessa serem inexistentes. Recurso Especial do Procurador provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 236 1 235 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13864.000206/200704 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.983 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria Penalidades multa qualificada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSÉ ANTONIO BERNINI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 DEDUÇÕES INEXISTENTES. DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E PREVIDÊNCIA PRIVADA. REITERAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação de multa qualificada, no caso de utilização, na Declaração de Ajuste Anual, por dois anoscalendário consecutivos, de deduções indevidas de despesas médicas, de instrução e de doações aos fundos da criança e do adolescente, que o próprio Contribuinte confessa serem inexistentes. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 23/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 06 /2 00 7- 04 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de dependentes, despesas médicas e despesas com instrução, nos anoscalendário de 2003 e 2004, e doações aos fundos da criança e do adolescente, no anocalendário de 2004, conforme Auto de Infração de fls. 86 a 108. A multa de ofício foi qualificada no percentual de 150%, exceto no que tange à glosa de dependentes. Conforme os esclarecimentos prestados pelo Contribuinte às fls. 40 a 43, não foram realizadas as despesas com instrução, médicas e a título de doação aos fundos da criança e do adolescente. O Contribuinte informou também haver contratado, por indicação, um contador para elaboras suas Declarações de Ajuste Anual. De acordo com Termo de Constatação Fiscal de fls. 64/65, o Contribuinte e diversas outras pessoas físicas utilizavamse do serviço do contador, que se tornou alvo de investigação policial, evidenciandose a utilização de despesas falsas nas declarações. Em sessão plenária de 29/10/2009, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 210200.356 (fls. 167 a 174), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004,2005 IRPF GLOSAS DE DESPESAS RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO A responsabilidade pelo recolhimento do IRPF decorrente de glosa de despesas indevidamente deduzidas pelo contribuinte é sempre sua, independentemente do fato de suas Declarações de Ajuste Anual terem sido elaboradas por um terceiro contratado para este fim. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos." A decisão foi assim registrada: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 13864.000206/200704 Acórdão n.º 9202003.983 CSRFT2 Fl. 237 3 "ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso, para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do voto da Relatora.” Cientificada do acórdão em 30/03/2012 (fls. 1670, a Fazenda Nacional interpôs, em 31/03/2010 (fls. 211), o Recurso Especial de fls. 170 a 210, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, visando rediscutir a desqualificação da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 06/10/2010 (fls. 218 a 228). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: primeiramente cumpre informar que, sobre a qualificação da multa, não pode prosperar o que aduz o contribuinte, que incorreu em mera dedução indevida, que não agiu com dolo e que o seu contador agiu sem seu consentimento, ao incluir em sua declaração deduções de despesas inexistentes e, portanto, não pode ser responsabilizado por atos de terceiros; ora, somente a alegação de que sua declaração foi formulada por um terceiro e que este incluiu informações indevidas, sem o seu consentimento, não retira a responsabilidade do declarante pelas informações constantes na declaração, pois é inaceitável que o próprio contribuinte não tenha tomado conhecimento do conteúdo de sua declaração, onde constam deduções de despesas médicas que não realizou; a responsabilidade pela declaração, ainda que formulada por um terceiro, é do contribuinte, portanto se identificada a dedução de despesas que se sabe não foram realizadas, com o fito de reduzir o montante do imposto devido, resta caracterizado o evidente intuito de fraude e, portanto, é devida a qualificação da multa de ofício; por outro lado, a manutenção da qualificação da multa de ofício em 150% deve prevalecer, pois temos que a aplicação desta para alguns períodos contidos no lançamento teve amparo no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996; a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% tem lugar quando se comprova tratarse de casos evolvendo evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964; nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utiliza de subterfúgios a fim de escamotear a ocorrência do fato gerador ou retardar o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária, ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que os diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem; a caracterização do intuito doloso do Contribuinte, não olvidamos, é de difícil demonstração por parte da fiscalização; no presente caso, conforme descrito pela autoridade fiscal e confirmado pela DRJ, houve a qualificação da multa, tendo em vista condutas de cunho fraudatório, Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 praticadas deduções indevidas de valores da base de cálculo do IRPF, relativos aos anos calendário 2004 a 2005, ensejando a redução de impostos e contribuições, sendo conduta reiterada do contribuinte; pelo supra exposto, claramente se configura glosa dolosa para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. embora de difícil comprovação, o intuito doloso denunciase por meio de indícios ou elementos, que analisados isoladamente conduzem a uma interpretação que se afasta da realidade, mas que, por outro lado, se analisados em seu conjunto, demonstram cabalmente o animus doloso de fraudar o fisco; como se vislumbra facilmente, não se tratou de apenas um ano de glosa de despesas médicas indevidas, a situação é bastante distinta, tornandose absolutamente inverossímil a idéia de que o contribuinte teria cometido meros equívocos, já que as quantias deduzidas foram reiteradas; dessa forma, como bem concluiu a autoridade julgadora de primeira instância, diante da reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da lei, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte, mas sim como uma conseqüência direta da intenção deliberada de deduzir indevidamente valores do ajuste anual, o que torna perfeitamente aplicável a multa qualificada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, para restabelecer a multa de 150%. Às fls. 286 consta a Representação Secat/042/2014, informando que o Contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em 02/01/2014, quedandose silente. A Delegacia da Receita Federal em São José dos Campos/SP informa às fls. que o Contribuinte, intimado, quedouse silente e que a parte incontroversa do crédito tributário foi transferida para o processo nº 16062.000255/0201149. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas, nos anos calendário de 2003 e 2004. A multa de ofício foi qualificada no percentual de 150%, exceto no que tange à glosa de dependentes. Conforme os esclarecimentos prestados pelo próprio Contribuinte às fls. 40 a 43, não foram realizadas, portanto não são verdadeiras as despesas com instrução, médicas e a título de doação aos fundos da criança e do adolescente. O Contribuinte informou também haver contratado, por indicação, um contador para elaborar suas Declarações de Ajuste Anual. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 13864.000206/200704 Acórdão n.º 9202003.983 CSRFT2 Fl. 238 5 Dito profissional, alvo de investigação policial, prestava tal serviço para diversos outros Contribuintes, evidenciandose a utilização de falsas despesas. No acórdão recorrido, desqualificouse a multa de ofício, ao argumento de que não teria sido comprovado o dolo por parte do Contribuinte, já que as declarações em tela teriam sido elaboradas por contador por ele contratado. Em face de tal alegação, cabe trazer à colação o art. 136 do CTN, segundo o qual a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A multa qualificada de 150%, por sua vez, é aplicável, conforme determina o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, quando se caracteriza uma das hipóteses definidas nos artigos 71,72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, a seguir transcritos: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72." Com efeito, a utilização, por parte do Contribuinte, durante dois anos calendário consecutivos, de deduções indevidas, sem qualquer comprovação, que ele próprio reconhece que os respectivos gastos não foram efetuados, não deixa dúvidas sobre o intuito doloso, no sentido de, utilizandose de pagamentos inexistentes, reduzir a base de cálculo e, consequentemente, aumentar indevidamente a restituição do Imposto de Renda, conduta esta que não pode ser admitida. Ademais, o beneficiário desta majoração indevida da restituição era o Contribuinte. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer a qualificação da multa de ofício, nos casos em que ela foi aplicada por ocasião da autuação. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 15165.002339/2007-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/12/1997 a 31/12/2002
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto.
RECURSO ESPECIAL DA PGFN NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 9303-003.526
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/12/1997 a 31/12/2002 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. RECURSO ESPECIAL DA PGFN NÃO CONHECIDO
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CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados recorrido e paradigmas não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. RECURSO ESPECIAL DA PGFN NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 23 39 /2 00 7- 10 Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas Relator (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela PFN ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 310201.483, de 24/04/2012, assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 31/12/1997 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência da infração. REGIME AUTOMOTIVO. PROPORÇÃO. MDIC. HOMOLOGAÇÃO. ACORDO. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considerase adimplida a condição estabelecida em Lei quando observados os critérios definidos em acordo firmado entre a beneficiária e as entidades de classe ABIMAQ/SINDIMAQ e homologado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Recurso Voluntário Provido Recurso de Ofício Negado A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão da decisão recorrida ter mantido a exoneração da multa administrativa por descumprimento da proporção prevista no regime automotivo. A referida decisão considerou cumpridos os requisitos do regime automotivo, com base em acordo aprovado pela ABIMAQ/SINDIMAQ e homologado pelo MDIC, que prorrogou os prazos para cumprimento das proporções na utilização de bens de capital. Para comprovar o dissenso foi colacionado o acórdão nº 30134.376, que têm a seguinte ementa, na parte que interessa ao recurso especial: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 18/07/2000 Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15165.002339/200710 Acórdão n.º 9303003.526 CSRFT3 Fl. 714 3 (...) REGIME AUTOMOTIVO. Não comprovação do descumprimento da condição onerosa do regime automotivo pelo contribuinte, tendo a autoridade autuante se bastado em assertivas que não são corroboradas pelos documentos que foram acostados aos autos, notadamente Acordo firmado com a ABIMAQ, não sendo devida, portanto, a multa prevista no artigo 13 da Lei nº 9.447/97. REGIME AUTOMOTIVO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI VINCULADO. Fundado em interpretação da PGFN, o Parecer Cosit nº 13/2004 tratou da matéria de forma profunda e abrangente e considerou descabida a exigência desses tributos no caso de inadimplemento do regime. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DA PROPORÇÃO PREVISTA NO REGIME AUTOMOTIVO. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDOS COM A ABIMAQ/SINDIMAQ. Os acordos com entidades de classe representativas da indústria brasileira de bens de capital e a beneficiária do regime automotivo estão previstos no art. 6º do Decreto no 2.072/96 apenas para o efeito alterar a proporção estabelecida nessa norma para as aquisições de bens de capital produzidos no País e os importados. A lei não previu a homologação de acordos que extrapolem o prazo do benefício, o qual teve vigência até 31/12/1999 (art. 1º da Lei no 9.449/97). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Dado seguimento ao recurso especial, a recorrida oferece contrarrazões, em que preliminarmente aponta a reforma do paradigma pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, e no mérito, defende a manutenção do acórdão recorrido, no que tange ao cancelamento da multa de administrativa por descumprimento da proporção prevista no regime automotivo. É o relatório Voto Vencido O recurso interposto pela PGFN é tempestivo, e atende aos requisitos essenciais à admissibilidade ditados pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante demonstro a seguir. Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Consoante relatado supra, a divergência foi suscitada em razão da manutenção da exoneração da multa administrativa por descumprimento da proporção prevista no regime automotivo. Assim é que para haver divergência de aplicação da lei tributária presente na conjuntura ora sub analisis é indispensável que exista acórdão paradigma que não tenha sido reformado ou superado ao tempo da interposição do Recurso Especial. Pois bem, como informa a recorrida, o acórdão nº 30134.376, que estribava o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, foi substituído totalmente pela acórdão nº 9303002.621, desta 3ª Turma, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 18/07/2000 REGIME AUTOMOTIVO. ART. 13 DA LEI 9.449/97. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DA PROPORÇÃO PREVISTA NO REGIME. IMPROCEDÊNCIA. ADIMPLÊNCIA AO REGIME. Nenhuma ocorrência de desobediência à lei que previa a possibilidade de alteração da proporção, mas não proibia acordo com relação ao prazo. Provas suficientes de adimplemento ao Regime. Recurso Especial do Contribuinte Provido Com efeito, o julgamento do acórdão da CSRF ocorreu em 12/11/2013, posteriormente à interposição do Especial, assim, na data da interposição do presente recurso ainda não tinha ocorrido a reforma do acórdão paradigma. Notase que o §10 do art 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente ao tempo da interposição do recurso, dizia que o acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Pelo exposto o recurso deve ser conhecido. Rodrigo da Costa Possas Relator Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho relator designado A argüição da divergências, conforme fundamentada pelo sujeito passivo, requer algumas observações. Primeiro, há que se considerar que o dissídio jurisprudencial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15165.002339/200710 Acórdão n.º 9303003.526 CSRFT3 Fl. 715 5 espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá, portanto, caracterização de divergência se os acórdãos recorrido e paradigmas, não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. E foi exatamente isso o que ocorreu, senão vejamos: Nos presentes autos, a Fiscalização entendeu que a prorrogação de prazo concedida pelo MDIC através do acordo celebrado com a ABIMAQ/SINDMAQ foi indevida, fato que levou ao descumprimento do acordo, segue trecho do relatório fiscal: (...) Como a fiscalização entendeu que a prorrogação de prazo concedida pelo MDIC através do acordo citado é indevida, tendo a beneficiária a obrigação do cumprimento das proporções já estabelecidas, foi glosado o valor de U$44.420.549,59 correspondente à aquisição de Bens de Capital fora do prazo. A autoridade autuante defende que somente a proporção e não o prazo para cumprimento pode ser alterado, nos termos do § 2.º, art. 6. do Decreto n.º 2.072/96, e por esta razão não acata os valores das aquisições efetuadas após a data de 31/12/2000 (prazo por ser uma empresa “newcomer”). Portanto, o que se discutiu neste processo foi a possibilidade de alteração do prazo do acordo celebrado com a ABIMAQ/SINDMAQ. Já no acórdão nº 30134376 apresentado como paradigma, a Fiscalização glosou valores por entender que não foi comprovada a vinculação das notas fiscais às respectivas máquinas. (...) No presente caso, a empresa utilizouse do beneficio durante os anos de 1996, 1997, 1998 e 1999, deixando de cumprir os seus compromissos relativamente a parte do Acordo, uma vez. que não conseguiu comprovar a vinculação das notas fiscais às respectivas máquinas que diz ter feito reforma, modernização ou complementação, ou seja, estas notas podem referirse a qualquer aquisição efetuada pela empresa, para qualquer finalidade, conforme manifestação fiscal, mesmo após diligência requerida por esta DRJ/SPOII. Não é preciso despender muita energia mental para concluir que as matérias discutidas nos dois processos não guardam similitude fática. Forte nestes argumentos, não conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional pela falta de divergência entre o acórdão paradigma e o recorrido. Sala de sessões, 16/03/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11040.720080/2015-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos da resolução do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos da resolução do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .7 20 08 0/ 20 15 -5 8 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11040.720080/201558 Resolução nº 2402000.534 S2C4T2 Fl. 105 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. Segundo o fisco, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 25.608,40, auferidos pelo notificado. Na apuração do imposto devido, nada foi compensado de Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos. Informase que os rendimentos tributáveis, de acordo com a documentação do precatório nº 030310084.19885.04.0902 apresentada pelo contribuinte, importam no montante R$ 43.848,47. O sujeito passivo apresentou impugnação na qual alegou que não há incidência tributária sobre os juros decorrentes da ação trabalhistas, haja vista possuírem caráter indenizatório. Menciona jurisprudência. Por unanimidade de votos, a Turma da DRJ afastou os argumentos de exclusão dos juros da base de cálculo, porém deduziu desta as parcelas de FGTS (principal e juros), por serem abarcadas pela isenção. Deuse provimento parcial à defesa. Cientificado da decisão em 19/06/2015, fl. 84, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso em 17/07/2015, fls. 86/98, no qual, em síntese alegou que não houve omissão de rendimentos, na medida que apresentou toda a documentação requerida na intimação fiscal. Sustenta que declarou como rendimentos isentos os juros sobre o principal, o FGTS e os juros correspondentes e o fez com base na própria sentença trabalhista, como se pode ver da planilha de cálculo elaborada pela Justiça do Trabalho. Suscita a ocorrência de cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o órgão de julgamento indeferiu o seu pedido para que fosse oficiado o TRT, de modo a se pronunciar sobre a base de cálculo para apuração do IRPF. Isso, no seu entender, é causa de nulidade da decisão recorrida. No mérito, alega que não pode ser responsabilizado pelo tributo não retido pela fonte pagadora, nos termos do Parecer Normativo n.° 01/2002, aprovado pelo Secretário da Receita Federal. Sustenta que o tributo não retido deve ser exigido da fonte pagadora. Defende ainda que não há incidência de IRPF sobre os juros de mora calculados sobre as verbas trabalhistas, haja vista o seu caráter indenizatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11040.720080/201558 Resolução nº 2402000.534 S2C4T2 Fl. 106 3 Ao final, pede a nulidade da decisão de primeira instância e a declaração de improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11040.720080/201558 Resolução nº 2402000.534 S2C4T2 Fl. 107 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Necessidade de diligência fiscal A matéria de fundo presente neste processo diz respeito à incidência ou não do IRPF sobre juros de mora sobre valores decorrentes de sentença judicial. Sobre essa questão, temos que levar em conta o que ficou decidido pelo Egrégio STJ no bojo do REsp 1227133 / RS, o qual foi julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC. Esse julgado por força do § 2.° do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, deve obrigatoriamente ser observado pelos membros deste Tribunal Administrativo. A decisão no mencionado REsp foi assim ementada: "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Observase que a Primeira Seção STJ firmou o entendimento de que não é possível a incidência de imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do atraso no pagamento de verbas de natureza trabalhista reconhecidas por decisão judicial, visto que os valores que deles decorrem não representam renda tributável, tratandose de hipótese de não incidência tributária, não importando a natureza da verba principal, pois, abrangendo os juros moratórios eventuais danos materiais e, ou apenas, imateriais, não podem ser entendidos como acréscimo patrimonial, já que se destinam à recomposição do patrimônio lesado, não se enquadrando na norma do artigo 43 do CTN. Segundo esse entendimento, o parágrafo único do artigo 16 da Lei 4.506/1964, que prevê a incidência do imposto nessa hipótese, foi derrogado, por ser incompatível com o artigo 43 do CTN e com o atual Código Civil. Assim, tendose em conta que esta decisão representa causa jurídica superveniente ao lançamento e que interfere diretamente no destino da lide, fazse necessário que se esclareça qual efetivamente a causa de pedir que deu ensejo a ação da qual se originaram os pagamentos que tratados no lançamento fiscal, de modo a se identificar a origem das verbas recebidas pelo recorrente. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11040.720080/201558 Resolução nº 2402000.534 S2C4T2 Fl. 108 5 Nesse sentido, deve a unidade preparadora acostar a petição inicial da referida ação, bem como as sentenças nela proferidas, de modo que essa turma, sabendo a natureza das verbas principais pagas ao sujeito passivo, possa aplicar o entendimento esposado na decisão do STJ acima referenciada. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência de modo que sejam acostadas aos autos a petição inicial e as sentenças que deram ensejo aos rendimentos tratados na notificação. Facultese ao sujeito passivo o prazo legal para se pronunciar. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720839/2012-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS (SRF) - DESCUMPRIMENTO DO ART. 55 DA LEI 8212/91 - RETROATIVIDADE DA LEI 12.101/2009 - ARTIGO 106, II, "B" DO CTN - INAPLICABILIDADE.
O art. 55 da lei 8212/91 estabelece requisitos legais para que a entidade usufrua do direito a isenção de contribuições previdenciárias. O pedido de isenção e o consequente deferimento perante o INSS e, posteriormente SRF, constituem exigências legais que não podem ser afastadas sob o fundamento do art. 106, II do CTN já que não podem ser tidos como regras meramente procedimentais.
Somente a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos ali elencados.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Votou com o Relator pelas conclusões a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator.
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS (SRF) - DESCUMPRIMENTO DO ART. 55 DA LEI 8212/91 - RETROATIVIDADE DA LEI 12.101/2009 - ARTIGO 106, II, "B" DO CTN - INAPLICABILIDADE. O art. 55 da lei 8212/91 estabelece requisitos legais para que a entidade usufrua do direito a isenção de contribuições previdenciárias. O pedido de isenção e o consequente deferimento perante o INSS e, posteriormente SRF, constituem exigências legais que não podem ser afastadas sob o fundamento do art. 106, II do CTN já que não podem ser tidos como regras meramente procedimentais. Somente a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos ali elencados. Recurso Especial do Procurador Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Votou com o Relator pelas conclusões a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-06-10T12:50:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-06-10T12:50:01Z; Last-Modified: 2016-06-10T12:50:01Z; dcterms:modified: 2016-06-10T12:50:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:831cd38f-fb9a-40cd-b4a6-de2ca8056861; Last-Save-Date: 2016-06-10T12:50:01Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-06-10T12:50:01Z; meta:save-date: 2016-06-10T12:50:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-06-10T12:50:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-06-10T12:50:01Z; created: 2016-06-10T12:50:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2016-06-10T12:50:01Z; pdf:charsPerPage: 2578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-06-10T12:50:01Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15586.720839/201243 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.813 – 2ª Turma Sessão de 18 de fevereiro de 2016 Matéria Isenção de Contribuições Previdenciárias. Inexistência de Pedido junto ao INSS (SRF). Retroatividade da lei 12.101/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CASA NOSSA SENHORA DE APARECIDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS (SRF) DESCUMPRIMENTO DO ART. 55 DA LEI 8212/91 RETROATIVIDADE DA LEI 12.101/2009 ARTIGO 106, II, "B" DO CTN INAPLICABILIDADE. O art. 55 da lei 8212/91 estabelece requisitos legais para que a entidade usufrua do direito a isenção de contribuições previdenciárias. O pedido de isenção e o consequente deferimento perante o INSS e, posteriormente SRF, constituem exigências legais que não podem ser afastadas sob o fundamento do art. 106, II do CTN já que não podem ser tidos como regras meramente procedimentais. Somente a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos ali elencados. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra (Relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Votou com o Relator pelas conclusões a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 08 39 /2 01 2- 43 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 2 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15586.720839/201243 Acórdão n.º 9202003.813 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à cota patronal (Empresa e SAT/RAT) e contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos/Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), devidas no período de 01/2008 a 13/2008. Ao presente momento apenas importa a questão relativa ao não recolhimento das contribuições, fundamentado no fato de o contribuinte tratarse de entidade beneficente de assistência social, isenta, nos termos do artigo 195, § 7º, da Constituição da República de 1988. Nos termos do artigo 55, da Lei 8.212/91, vigente à época, para ter direito a se valer da referida isenção o contribuinte deveria atender a diversos requisitos, que deveriam ser comprovados ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, mediante apresentação de requerimento de isenção. Sendo verificado o cumprimento de todos os requisitos, referido órgão expediria Ato Declaratório de Isenção, momento a partir do qual o contribuinte poderia exercer seu direito. Assim sendo, durante o procedimento fiscalizatório foi solicitada a apresentação do referido Ato Declaratório de Isenção ao contribuinte, que, por não o possuir, não apresentou. Nesse contexto, foi lavrado o Auto de Infração. No curso do regular processo administrativo, ao analisar o Recurso do Contribuinte a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Tribunal a ele deu parcial provimento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. AFASTAMENTO DA IMUNIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS. ART. 55, § 1º DA LEI Nº 8.212/91. IMPOSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A exigência contida no art. 55, § 1º da Lei nº 8.212/91 foi revogada pela Lei nº 12.101/09, não sendo mais necessário o requerimento até então formulado ao INSS para fins de concessão ao direito à imunidade. Assim, deve ser observado o disposto no art. 106, inc. II do CTN para aplicar a legislação mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Cientificada do acórdão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) tempestivamente interpôs recurso especial. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 4 O paradigma utilizado para fundamentar a admissibilidade do Recurso da Fazenda Nacional, Acórdão nº. 2302003.052, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, deixa evidente o entendimento divergente do entendimento expresso no acórdão recorrido, nos seguintes termos: (...) LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO RETROATIVA. DESNECESSIDADE DE SOLICITAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A lei aplicável é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos, em respeito às lições elementares da ciência do Direito e às disposições gerais do ordenamento jurídico, em especial arts. 1° e 2° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro DecretoLei n° 4.657/42 e arts. 105 e 144 do CTN. No caso da Lei n° 12.101/2009, não há que se falar em aplicação da regra excepcional da retroatividade benigna insculpida no art. 106 do CTN, em especial quanto à desnecessidade de solicitação de ato declaratório para o gozo da isenção/imunidade. Em suas razões a União alega que da simples leitura do artigo 106, do CTN: "vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa. Também não estamos diante de norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade, o que também afasta o inciso II da discussão. Ao que nos concerne, a Lei 12.101/09 estabelece novo procedimento a ser adotado para verificação do cumprimento das condições para a concessão do Certificado das Entidades Beneficentes de Assistência Social – CEBAS, assim como fixa os requisitos para o gozo da isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91." Intimado da decisão e do Recurso Especial da União, o contribuinte não apresentou contra razões. Isso posto, passo ao exame do caso. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15586.720839/201243 Acórdão n.º 9202003.813 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator Com relação à admissibilidade do Recurso da União, dúvidas não há, pois está evidente a divergência de interpretação da legislação no que toca à retroatividade da Lei 12.101/2009 em relação à não exigência de requerimento de isenção ao INSS. Pois bem. A questão gira em torno da aplicação retroativa do artigo 29, da Lei 12.101/2009, para fatos ocorridos durante a vigência do artigo 55,§ 1º, da Lei 8.212/91, tendo em vista a regra da retroatividade prevista do artigo 106, II, "b", do CTN. Cronologicamente falando, a Lei 8.212/91, em seu artigo 55, incisos I a IV dispunha sobre os requisitos que as entidades beneficentes de assistência social necessitavam comprovar possuir, para poder requerer o direito à isenção das contribuições sociais ao INSS, nos termos do § 1º. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. A lógica legal à época era: verificação dos requisitos, requerimento de isenção, permissão para utilização da isenção das contribuições. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 6 Com o advento da Lei 12.101/09, a isenção deixa de ser objeto de requerimento específico e passa a ser concedida a entidade beneficente assim certificada, ou seja, que possua o CEBAS. A partir da publicação dessa Lei, a certificação (CEBAS) publicada confere o direito à utilização isenção das contribuições, ficando os requisitos ali descritos passíveis de verificação posterior, em eventual fiscalização, a teor do artigo 32, da Lei 12.101/2009, que assim dispõe: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1º Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2º O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Percebam, o que ocorreu em âmbito legal foi uma mudança de perspectiva para a concessão da isenção, alterandose a lógica: comprovação total dos requisitos, permissão para utilização da isenção das contribuições sociais, para a lógica: reconhecimento público de tratarse de entidade beneficente via certificação, permissão para utilização da isenção, ficando os demais requisitos sujeitos à posterior averiguação pela fiscalização. E o que fez com que o poder legislativo legitimasse essa mudança de perspectiva parece ter sido a desburocratização da concessão de benesses fiscais a entidades beneficentes de assistência social, com vistas a promover melhoras sociais na saúde, educação e assistência social. Pois bem. Nos cabe, agora, analisar se a alteração da lei em questão está albergada pela retroatividade prevista no artigo 106, II, "b", do CTN, segundo o qual “A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;. Para aplicação da retroatividade prevista em referida norma é necessário identificar: Que exista obrigação legal impondo ao contribuinte a obrigação de realização de um ato ou abstenção de realizalo; Que Lei nova deixe de impor tais obrigações de fazer ou de se abster; Que a atitude contrária à regra realizada pelo contribuinte (ou seja: nãoação ou nãoomissão) não tenha sido definitivamente julgada; e Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15586.720839/201243 Acórdão n.º 9202003.813 CSRFT2 Fl. 5 7 Que o ato não tenha sido fraudulento e implicado falta de pagamento de tributo. Vejamos, então, a verificação dos quesitos no presente caso. O quesito 1 está atendido, pois a Lei 8.212/91 trazia a obrigação de solicitação da isenção (obrigação de fazer) em seu artigo 55, § 1º; O quesito 2 também está atendido, quando a Lei 12.101/2009 altera a perspectiva legal, deixando de exigir prévia solicitação de isenção pelo contribuinte; O quesito 3, também está atendido, na medida em que inexiste pedido de isenção negado ao contribuinte em questão, ou seja, não há ato definitivamente julgado. O quesito 4, a meu ver também está atendido. Mas entendo aqui ser necessário tecer alguns esclarecimentos adicionais. Ao analisar a parte final da alínea "b", do artigo 106, II, do CTN o STJ firmou entendimento de que a fraude e a falta de pagamento de tributo devem ocorrer de forma cumulativa, para fazer valer a exceção à retroatividade (ou seja, irretroatividade) da Lei. No caso analisado pelo STJ, contribuinte do ICMS apropriou crédito deste imposto com base em Notas Fiscais de aquisição de mercadorias que não foram visadas pelo posto fiscal, conforme exigência legal. Nesse contexto, contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança do imposto que fora reduzido pela utilização do crédito, acrescido de multa e juros. Ocorre que, posteriormente, Lei nova deixou de exigir que as Notas Fiscais fossem visadas para fins de creditamento do imposto. Levada a questão ao STJ, este tribunal, no RECURSO ESPECIAL Nº 1.286.911 SC, assim se manifestou sobre a retroatividade prevista no artiggo 106, II, "b", do CTN: A aplicação retroativa da lei benigna, no caso vertente, não encontra óbice na exceção prevista na parte final da alínea b do inciso II do art. 106 do CTN, haja vista que não há notícia nos autos de que o creditamento efetuado pelo recorrente foi perpetrado mediante fraude, o que dispensa, inclusive, maiores digressões acerca de o ato praticado ter implicado, ou não, falta de pagamento de tributo, na medida em que tais pressupostos para a vedação da retroatividade são cumulativos. Percebam, o descumprimento de um dever formal pelo contribuinte, que gerou redução no valor do imposto a recolher, não foi interpretado como fraude, não implicando, portanto, na aplicação da exceção à retroatividade prevista ao final da redação da alínea "b" em questão. No presente caso, entendo estarmos diante de situação semelhante, já que houve a falta de pagamento de contribuições sociais, pela falta de cumprimento de um dever formal, porém não ficou caracterizada a fraude pelo contribuinte. Em nenhum momento a fiscalização menciona que o não pagamento das contribuições se deu através de atitude fraudulenta tomada pelo contribuinte. Ao contrário, no Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 8 relatório fiscal do processo (pg. 35) há afirmação de que o ato declaratório de isenção era o principal requisito para o gozo da benesse fiscal. Contudo, em meu entendimento o CEBAS é o principal requisito para o gozo da isenção. O reconhecimento público, pela própria União Federal de que o contribuinte se enquadra na categoria de entidade beneficente de assistência social não pode, jamais, ter menor validade do que um requerimento realizado ao INSS, ou seja, um ente componente da administração indireta. Tanto é assim que a própria Lei 12.101/2009 deu a tal documento o peso de conceder o direito ao gozo à isenção das contribuições sociais aos contribuintes. E o CEBAS foi um documento que em todo o momento o contribuinte possuiu, conforme amplamente mencionado no presente processo. Ele foi solicitado pela fiscalização na primeira intimação (fls. 182) e foi regularmente fornecido pelo contribuinte. Assim sendo, não vejo nos autos qualquer elemento que enquadre a atitude do contribuinte como fraudulenta. Logo, entendo estarem aqui presentes todos os quesitos para fazer valer a aplicação do artigo 106, II, "b" do CTN, ao presente caso, de modo a aplicar a Lei 12.101/2009 de forma retroativa, para afastar a exigência de requerimento de isenção ao INSS para poder gozar da benesse fiscal. Em assim sendo, voto negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. Gerson Macedo Guerra Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15586.720839/201243 Acórdão n.º 9202003.813 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Peço licença ao ilustre conselheiro Gerson para divergir do seu entendimento quanto ao alcance da lei 12.101/2009 em relação aos fatos geradores anteriores a sua publicação. DA EMISSÃO DO CERTIFICADO COMO SUFICIENTE PARA CONDIÇÃO DE IMUNE. Para refutar o argumento de que o simples fato de possuir certificado já qualifica a condição de isenta da entidade, entendo necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o direito à isenção, pelo menos até a edição da lei 12.101/09. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) segue ementa do Parecer CJ/MPS n ° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social, que também aborda a matéria: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Dessa forma, mesmo que se atenda ao argumento do recorrente, que por estar previsto na Constituição, tratarseia de imunidade, fato é, que não logrou êxito o recorrente, em demonstrar o cumprimento de um requisito básico, qual seja, ter pedido de isenção deferido Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 10 pelo INSS. Ao contrário do que entende, o Certificado é apenas um dos requisitos, não valendo isoladamente para garantir a condição de imune, pretendida pelo recorrente. DA APLICAÇÃO DA LEI 12.101/2009. Contudo, entendo que exista ou ponto que merece ser enfrentado, conforme trazido pelo relator. Os efeitos da aplicação da lei 12.101/2009 ao caso concreto, considerando que quando da lavratura do AI, a referida lei já se encontrava em vigor. Nesse sentido, importante visualizar a competência distinta de cada um dos órgãos envolvidos no processo de enquadramento (como mencionado acima) de uma entidade como isenta, para que ao fim se determine a legitimidade ou não do lançamento de contribuição da parcela patronal de contribuições previdenciárias. A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEBAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS” para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas, indicando no relatório fiscal os motivos do seu não enquadramento. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15586.720839/201243 Acórdão n.º 9202003.813 CSRFT2 Fl. 7 11 Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Com base no mesmo raciocínio, não entendo que a publicação da lei 12.101/2009, tenha afastado dita exigência em relação a períodos anteriores a sua entrada em vigor. Portanto, até 29/11/2009, era legalmente exigível o pedido de isenção, cabendo à. Secretaria da Receita Federal do Brasil (anteriormente ao INSS) verificar o cumprimento dos requisitos exigidos em lei e o devido enquadramento da entidade para fins de isenção de contribuições previdenciárias, reconhecendo ou não o direito, sujeitandose, ainda, a entidade à verificação periódica da manutenção desses requisitos, da qual poderia resultar em cancelamento do beneficio. Assim, destacou o auditor que não demonstrou o recorrente ter ingressado com novo pedido de isenção, após a emissão o indeferimento do pedido formulado em 1997, assim, como já mencionado na decisão de primeira instância. Assim, por falta de prova do cumprimento de condição indispensável, não há que se falar em isenção ou imunidade até 29/11/2009. Entendo que os efeitos da lei 12.101/2009, e por consequência, as regras ali contidas, não possuem efeito retroativo, valendo até a sua entrada em vigor, as regras dispostas no art. 55 da lei 8.212, com o texto até então em vigor . Já a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos elencados no seu art. 29 abaixo descritos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capitulo II fará jus isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 12 V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar n 2 123, de 14 de dezembro de 2006. Notese que de acordo com o art. 31 da mesma lei, o direito à isenção poderá ser exercido a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, mas não podemos falar que dita previsão afastaria as exigências legais vigentes até a alteração legislativa. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capitulo. Vale destacar, ao contrário do que encaminhou o ilustre relator, que o art. 106 do CTN não é aplicável ao presente caso, já que tal dispositivo só poderia ser aplicado caso se entendesse que as regras estabelecidas no 55 da lei 8212/91 eram procedimentais. Entendo que o disposto no art. 55 da lei 8212/91 estabelece requisitos legais para usufruir do direito a isenção de contribuições previdenciárias e não mera norma procedimental. Sendo assim, até a publicação da referida lei era necessário a formalização e deferimento do pedido junto ao INSS para que a entidade pudesse usufruir do direito a isenção. Todavia, identificamos que o lançamento em questão envolve apenas competências anteriores a publicação da lei 12.101, razão porque correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar contribuições previdenciárias correspondente a parcela patronal, razão pela qual DOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. CONCLUSÃO Face o exposto encaminho por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONT EIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA
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Numero do processo: 10314.011584/2010-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/07/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.649
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/07/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 15 84 /2 01 0- 49 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 230 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.807. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 231 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 232 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 233 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 233DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 234 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 235 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 236 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 237 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 238 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 239 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.011584/201049 Acórdão n.º 9303003.649 CSRF‐T3 Fl. 240 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10735.000044/99-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994, 1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11).
PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO OBSERVAÇÃO DO PRAZO DE 360 DIAS DISPOSTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não caracteriza a nulidade do lançamento a extrapolação do prazo de 360 dias disposto no artigo 24 da lei 11.457, de 2007, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Numero da decisão: 2202-003.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1994, 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11). PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO OBSERVAÇÃO DO PRAZO DE 360 DIAS DISPOSTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza a nulidade do lançamento a extrapolação do prazo de 360 dias disposto no artigo 24 da lei 11.457, de 2007, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11). PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO OBSERVAÇÃO DO PRAZO DE 360 DIAS DISPOSTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza a nulidade do lançamento a extrapolação do prazo de 360 dias disposto no artigo 24 da lei 11.457, de 2007, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 00 44 /9 9- 21 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 473 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que bem descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Contra o interessado supra foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 323 a 337, por meio do qual se exigiu o pagamento do IRPF suplementar dos Exercícios 1994 e 1995, AnosCalendário 1993 e 1994, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 920.613,89, em decorrência da apuração de omissão de rendimento atribuídos a sócios de sociedades civis. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 337 a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e a informação de que foi apurada omissão de rendimentos atribuídos a sócios de sociedades civis oriundos da empresa CONSULT – Consultoria Empresarial e Ass. Técnica S/C Ltda., conforme descrição contida no Termo de Constatação em anexo, no valor tributável de R$ 24.551.328,46 no ano calendário 1993 e de R$ 713.904,83 no anocalendário 1994. No Termo de Constatação de fls. 323 a 327, datado de 21/12/1998, em nome da contribuinte CONSULT – Consultoria Empresarial e Ass. Técnica S/C Ltda. a autoridade fiscal argumentou o que segue: Em ofício encaminhado a Secretaria da Receita Federal a Comissão de Valores Mobiliários CVM, informa que a CONSULT participou de operações mobiliárias, como a colocação de ações e debêntures emitidas pela Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A.. ENERSUL e de leilão de ações, de emissão da Urucum Mineração S.A ., de propriedade da Companhia Matogrossense de Mineração S.A. METAMAT e do governo do Estado do Mato Grosso do Sul. A CONSULT é uma sociedade civil por cotas de responsabilidade limitada, que tem por objetivo a prestação de serviços técnicos profissionais de consultoria e assessoria em Fl. 473DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 474 3 geral, sendo o seu sócio principal João Baptista de Carvalho Athayde, CPF 002.510.46753. Durante o período de 1993 e 1994, realizou diversos contratos de prestação de serviços com órgãos vinculados ao governo do Estado do Mato Grosso do Sul e ao mesmo tempo contratou os serviços de algumas empresas privadas também de consultoria e assessoria para auxiliarem, segundo o pactuado, no desenvolvimento e consecussão desses contratos. A fiscalização solicitou aos órgãos envolvidos nessas operações que informassem o montante dos pagamentos efetuados a firma CONSULT discriminando o documento principal (notas fiscais, empenhos, etc) bem como os meios e formas de pagamento (ordens de pagamento, depósitos bancários, cheques, etc.). A documentação recebida acusou a efetividade de pagamentos feitos por aqueles órgãos, sendo que alguns destes pagamentos não estão registrados na contabilidade da fiscalizada, embora tenham sido feitos através de movimentação bancária, conforme consta nos extratos da conta corrente pertencente a mesma. Quanto ao serviços prestados a CONSULT pelas empresas de assessoria e consultoria constatouse que embora todas as formalidades como contratos, notas fiscais e registros contábeis tenham sido feitos, a efetividade dos pagamentos não foi comprovada, apesar das reiteradas solicitações, feitas através de termos de intimação. Com o objetivo de se apurar a veracidade das operações contratadas com as firmas prestadoras de serviços, foram realizadas diligências no endereço das mesmas o que redundou na confirmação de que estas não se encontram em funcionamento e não foi que em algum momento elas chegaram a funcionar efetivamente no local. As empresas diligenciadas foram as seguintes: ECEL Escritório de Cobrança Especializada Ltda, CGC 28.016.046/000153. figura no cadastro da SRF como ativa não regular (omissa IRPJ até 5 exercícios), não foi localizada no domicilio fiscal, não sendo possível obter maiores informações sobre a mesma junto a portaria do edifício pois seu nome não consta nas fichas de controle do condomínio. OITO DE DEZEMBRO Consultoria, Administração e Participação Ltda, CGC 73.276.784/000159. consta do cadastro da SRF como ativa regular e seu domicílio fiscal é o mesmo da CONSULT, ou seja no escritório do contador responsável pela escrita de ambas. Em resposta a intimação fiscal o contador Antonio Pereira de Queiroz, CPF094.565.62700, informou que a referida empresa funcionou naquele endereço até 06 de junho de 1996, Fl. 474DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 475 4 transferindose para a cidade de Campo Grande no estado do Mato Grosso do Sul. Cabe observar que estas duas empresas pertencem a Luiz Epelbaum, CPF 180.193.07753, o qual manteve com a CONSULT alguns contratos de prestação de serviços nos quais estipulava, em cláusula específica, que todos os pagamentos devidos a ele poderiam ser creditados em contas de empresas de sua propriedade. COBREAssessoria Jurídica e Consultoria Técnica Ltda, CGC 31.446.230/000102. consta no cadastro da SRF como inapta (omissa contumaz), não tendo sido localizada no seu domicílio fiscal, nem no novo endereço, aposto por carimbo, na nota fiscal objeto da fiscalização. CTP Construções, Terraplenagem e Pavimentações Ltda, CGC 00.103.775/000192. consta do cadastro da SRF como ativa regular, mas não foi possível localizar a referida empresa, através de contato telefônico ou por intermédio da própria fiscalizada. Na análise dos contratos, embora aparentemente se revistam de todas as formalidades, e de seus relatórios finais conterem conclusões técnicas, notase que os valores pactuados são em muito elevados, em termo de mercado e dentro da realidade do pais. Além do mais o pagamento dessas quantias não deveriam ser feitas sem as salvaguardas de uma movimentação bancária, o que é pelo menos estranho. A fiscalizada mantém sua escrita com base na conta Caixa, mas não possui o referido livro. No curso da fiscalização, foi detectada a existência no Banco Itaú, da conta bancária 0571.214329/100.000 a qual não aparece nos registros contábeis da CONSULT, onde se verifica a entrada de diversos pagamentos não contabilizados, transferências para a conta particular do sócio principal, mas não foi possível identificar os pagamentos feitos as empresas prestadoras de serviços. Em resumo. Anocalendário de 1993. Despesas Operacionais. Remuneração por Prestação de Serviços a Pessoa Jurídica. o contribuinte considerou como despesas operacionais dedutíveis do Imposto de Renda, valores relativos a operações de prestação de serviços, as quais embora estejam revestidas de formalidades tais como contratos, notas fiscais e registros contábeis, não foram as mesmas comprovadas através dos Fl. 475DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 476 5 efetivos pagamentos, inclusive não constando nas cópias dos extratos bancários apresentados referentes a contacorrente 0571.214329/100.000, do Banco Itaú, cuja movimentação não está registrada na escrita contábil da fiscalizada. [...] Omissão de Receitas. Pagamentos recebidos e não contabilizados. como resultado da circularização realizada junto aos contratantes, verificouse que o contribuinte não contabilizou as receitas oriundas de pagamentos feitos por estes, mas que transitaram na sua contacorrente 0571.214329/100.000, do Banco Itaú, caracterizando a omissão de receitas. Pagamentos realizados pela ENERSUL Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A. Contrato : DJU.P/001DF/04.93. [...] Contrato: DJU P/003DF/06.93 [...] Montante tributável apurado...........................CR$ 27.006.461,31 (Conversor de Cr$ para CRS 1.000,00) Anocalendário de 1994. Custos dos Serviços Vendidos. Remuneração por Prestação de Serviços a Pessoa Jurídica. o contribuinte considerou como custo dos serviços vendidos dedutíveis do Imposto de Renda, valores relativos a operações de prestação de serviços, as quais embora estejam revestidas de formalidades tais como contratos, notas fiscais e registros contábeis, não foram os mesmos comprovados através dos efetivos pagamentos, inclusive não constando nas cópias dos extratos bancários apresentados referentes a contacorrente 0571.214329/100.000, do Banco Itaú. cuja movimentação não está registrada na escrita contábil da fiscalizada. [...] Omissão de Receitas. Pagamentos recebidos e não contabilizados. como resultado da circularização realizada junto aos contratantes, verificouse que o contribuinte não contabilizou as receitas oriundas de pagamentos feitos por estes, mas que Fl. 476DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 477 6 transitaram na sua contacorrente 057.214329/100.000, do Banco ltaú,caracterizando a omissão de receitas. Pagamentos realizados pela ENERSUL Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A. Contrato : DJU.P/003DF/06.93. [...] Contrato : DJU.IV0I3D1V12.93 [...] Montante tributável apurado.................................. R$ 785.295,31 (conversor de CR$ para R$ 2.750,00) E, para que se produzam os devidos efeitos legais, lavrei o presente Termo, em três vias, de igual teor, que vai assinado por esta fiscalização e pelo representante da empresa que, neste ato, recepciona uma via. [...] Instruíram o lançamento os documentos de fls. 02 a 322. Cientificado do lançamento, em 28/12/1998, pessoalmente, por assinatura no Auto de Infração (fls. 343), o interessado apresentou a impugnação de fls. 363 e 364, em 01/04/1999, acompanhada dos documentos de fls. 367 a 374, onde argumentou, em suma, que ele e a empresa CONSULT – Consultoria Empresarial e Assistência Técnica S/C apresentaram defesa tempestivamente, em nome dessa empresa, contestando todos os fundamentos dos Autos de Infração formalizados de 28.12.98, relativos a IRPF e CSLL e PIS, e que, diante do fato de que a impugnação alcançou os dois contribuintes, requereu que a mesma também seja admitida como tempestiva para ele e, para tanto, anexa cópia da impugnação datada de 19/01/1999 e apresentada em 20/01/1999. Na impugnação de fls. 365 a 371, apresentada 20/01/1999, a CONSULT – Consultoria Empresarial e Assistência Técnica S/C, representada por seu sócio João Baptista de Carvalho Athayde, argumentou, em suma, o que segue: ∙ É indevida a eliminação de despesas no exercício de 1993, no valor de Cr$ 110.400.000,00, relativos à Nota Fiscal 664 emitida pela empresa ECEL, de 30.06.93, porque seu pagamento foi realizado em 17.06.93, pelo cheque 414610, no valor de Cr$ 101.144.000,00; a diferença para o valor nota é explicada pelo recolhimento do IRRF e por compensação de outros tributos (como o ISS). Fl. 477DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 478 7 ∙ É indevida a eliminação de despesas pagas à mesma empresa ECEL no exercício de 1993 referentes às notas fiscais 666 e 668, cuja contabilização foi realizada de forma perfeita e o pagamento foi feito pelo sócio signatário, no valor de Cr$ 320.000.000,00, correspondente a 6.528 Ufir, cheque número 051707, de 09.07.93; a comprovação desse pagamento se encontra na documentação enviada ao Sr. Fiscal, constante do extrato de conta corrente no Banco, onde se verifica que os valores depositados pela Enersul pelo cumprimento dos serviços, na forma contratual tanto o pagamento realizado em 02.07.93 quanto o realizado em 28.07.93 foram transferidos para a conta 0571 180181 do mesmo banco. ∙ Descabe o lançamento como omissão de receitas em 1993 de reembolso de despesas e encargos previstos nos diversos contratos assinados com a Enersul, e estritamente decorrentes dos serviços realizados, tais como: passagens, estadias, despesas de atualização monetária decorrentes de atrasos de pagamentos, como de praxe na contratação de serviços especializados; a CAP (contas a pagar, segundo a nomenclatura utilizada pela ENERSUL e adotada pelo sr. Fiscal ) 940933, no valor de CR$ 19.413.662,79, foi objeto de depósito na conta corrente da empresa em 23.11.93, depósito esse que, somado ao depósito de CR$ 115.854.958,60 compõe valor liquido da Nota Fiscal emitida de número 80, contabilizada no seu total valor, não cabendo sua inclusão na receita de empresa, conforme demonstrativos que apresenta. ∙ É descabida a reversão da contabilização das despesas pagas à empresa Oito de Dezembro, conforme notas fiscais 006, de 28.06.94, Cr$ 101.053,447,00, 004, de 07.12.94, R$ 204.229,96, e 005, de 29.12.94, R$ 272.339,56, sob alegação de que não houve demonstração efetiva dos pagamentos; a fiscalização não atentou para o histórico das notas, onde consta que se referem a serviços prestados em períodos diversos, de dezembro de 1993 a dezembro de 1994; apresenta demonstração de conciliação entre o valor das notas e dos pagamentos constantes dos extratos, sendo que as pequenas diferenças se devem à retenção do IRRF e compensação de ISS. ∙ As despesas pagas a empresa COBRE, nota fiscal 1937, de 30.12.94, foram comprovadas e foi apresentada documentação que comprova a execução dos serviços contratados. ∙ Impugna o estorno da nota fiscal 0054 da empresa prestadora de serviços CTP, diante da apresentação dos documentos que comprovam a prestação de serviços e levaram à sua contabilização, entregues tempestivamente ao sr.fiscal. ∙ O fiscal autuante declarou ter realizado diligências em empresas que prestaram serviço à contribuinte, a qual, como todas as demais, não tem poder de fiscalização nem de investigação, ou mesmo prévio conhecimento de problemas ou situações que a ninguém é dado conhecer; todas as empresas que prestaram serviços à contribuinte, na época em que esses Fl. 478DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 479 8 serviços foram prestados, ou seja, de 4 a 5 anos atrás, eram legalmente e regularmente constituídas prestavam serviços ao mercado, tinham na época em que esses dados ∙ Discorda do lançamento de juros de mora no Auto de Infração de IRPF, por ser indevido, além de não ter sido apresentados com clareza os cálculos para sua apuração, e não ter sido respeitado os limites constitucionais para sua cobrança. Ao final, o impugnante protestou contra o fato de terem sido desprezados os esclarecimentos apresentados em expediente encaminhado à Delegacia da Receita Federal em 23.12.1998, conforme AR, e por considerar descabida a alegação perda de prazo, posto que os prazos fixados pela fiscalização, para as respostas as suas intimações, foram de exiguidade incompatível com os quesitos e documentação exigida, e que todos os seus documentos, até mesmo seus livros e talonários fiscais, foram retidos pela fiscalização desde maio de 1998, e concluiu que não houve infração aos dispositivos legais citados nos autos de infração impugnados É o relatório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1994, 1995 DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. Cumpridos os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, ausentes as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 desse Decreto e tendo sido dado ao contribuinte o direito de apresentar sua impugnação, instaurando a fase litigiosa do procedimento, verificase que foi garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Nos Exercícios ora trados, tributamse como rendimento omitido pelos sócios o lucro apurado pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais, não oferecido espontaneamente à tributação na declaração de imposto de renda da pessoa física. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos encontram amparo em lei. Cientificado dessa decisão em 13/03/2015 (sextafeira), por via postal (A.R. de fl. 446), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/04/2015 (fls. 456 a 465), no qual alega o seguinte, em resumo: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 480 9 como preliminar, ocorreu a prescrição intercorrente do presente processo administrativo, pois desde a impugnação em 31/03/1999 até a data da sessão de julgamento, realizada em 25/02/2015, passaramse quase 16 anos, sem qualquer motivo que justifique e sem nenhum ato que pudesse interrompêla; ainda que se entenda que os atos ordinatórios anteriores tivessem o condão de interromper a prescrição intercorrente, entre o ato praticado em 01/10/2003 (fl. 386) e o ato seguinte, em 24/10/2001, também transcorreu mais de 5 anos; não se observou a regra prevista na lei geral que rege o processo administrativo, qual seja, o art. 49 da Lei nº 9.789/1999, que estabelece o prazo de 20 dias para decisão; caso ultrapassada a preliminar de prescrição, existe a preliminar de nulidade, pois a Administração Pública infringiu o devido processo legal; de acordo com inúmeros precedentes do STJ, a conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, moralidade e da razoabilidade, que regem a Administração Pública; a regra do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 é de aplicação imediata aos procedimentos em curso, estabelecendo um prazo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa; desde a entrada em vigor do citado artigo, a Administração Pública deixou o processo paralisado por mais de 7 anos; na hipótese de as preliminares não serem acolhidas, o Recorrente não pode ser penalizado com multa de ofício, pois não deu causa ao lançamento fiscal, que se deu por presunção legal, razão pela qual não pode ser penalizado por ato que não praticou; como o auto de infração da obrigação principal, relativa à pessoa jurídica, estava com a exigibilidade suspensa, não há que se falar em penalidade, o que leva à exclusão da multa de ofício. Ao final, requer, sucessivamente, que seja determinada a prescrição intercorrente, a nulidade do processo e a exclusão da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exigiu o pagamento do IRPF suplementar dos Exercícios 1994 e 1995, AnosCalendário 1993 e 1994, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 920.613,89, em Fl. 480DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 481 10 decorrência da apuração de omissão de rendimentos atribuídos a sócios de sociedades civis, oriundos da empresa CONSULT – Consultoria Empresarial e Ass. Técnica S/C Ltda., conforme descrição contida no Termo de Constatação. PRELIMINARES Prescrição intercorrente Requer o Recorrente que seja declarada a prescrição intercorrente, por ter ficado o processo paralisado injustificadamente por mais de 5 (cinco) anos, pendente de despacho ou julgamento, além de não ter observado o disposto no art. 49 da Lei nº 9.789/99. Não há como acolher a sua pretensão, posto que se trata de matéria objeto da Súmula CARF nº 11, que dispõe: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Nos termos do caput do artigo 72, do Anexo II, do Regimento Interno deste Colegiado, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Nulidade do processo fiscal Alega o Recorrente que o Fisco infringiu o devido processo legal, pois a conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, moralidade e da razoabilidade, que regem a Administração Pública. Aduz que a regra do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 é de aplicação imediata aos procedimentos em curso, estabelecendo um prazo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa, o que foi desrespeitado, ocasionando a anulação do processo. Não assiste razão ao Recorrente nesse ponto, pois a inobservância do prazo previsto no art. 24 da Lei 11.457/07 não é fundamento para a decretação de nulidade de lançamento de crédito tributário. Art 24 É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Destaco que os motivos de nulidades de atos administrativos, praticados em Processo Administrativo Fiscal, são exclusivamente aqueles previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não comportando outras interpretações. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 482 11 Os atos administrativos são vinculados à previsão legal e não consta da norma previsão para a nulidade de ato administrativo por descumprimento do prazo disposto no art. 24 da Lei 11.457/07. Nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. EFEITO. O prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1º CARF nº. 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006). [...] (Acórdão nº 2102002.802, de 21/01/2014. Relatora: Nubia Matos Moura.) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRAZO PREVISTO NO ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. PRECLUSÃO EM DESFAVOR DO FISCO. INOCORRÊNCIA. O decurso do prazo fixado para decisão de defesas ou recursos administrativos não autoriza a extinção de crédito tributário lançado, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento. As hipóteses de extinção do crédito tributário está definidas no Código Tributário Nacional e a Súmula CARF nº 11 reconhece que a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. [...] (Acórdão nº 1101001.151, de 30/07/2014. Relatora: Edeli Pereira Bessa). Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito O Recorrente se insurge apenas contra a aplicação da multa de ofício, sob a alegação de que não deu causa ao lançamento fiscal, que se deu por presunção legal, razão pela qual não pode ser penalizado por ato que não praticou. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 483 12 Afirma que o auto de infração da obrigação principal, relativa à pessoa jurídica, estava com a exigibilidade suspensa, não se podendo, portanto, se falar em penalidade, o que leva à exclusão da multa de ofício. No que se refere à multa de ofício, temse que foi aplicada com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c art. 106, II, "c", do CTN Código Tributário Nacional: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; CTN Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A autoridade fiscal verificou que o contribuinte omitiu rendimentos e deixou, conseqüentemente, de recolher o imposto de renda correspondente, sujeitandose, portanto, à imposição da multa de 75%. Dessa forma, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido no presente Auto de Infração. Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 483DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.000044/9921 Acórdão n.º 2202003.413 S2C2T2 Fl. 484 13 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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