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Numero do processo: 13831.720441/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Os recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada existência de indícios de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Assim, excepcionalmente, quando devidamente demonstrado pela fiscalização que os comprovantes de prestação do serviço acompanhados dos recibos de quitação necessitam de provas complementares do efetivo pagamento, é idônea a exigência de comprovação financeira do desembolso.
Numero da decisão: 2301-004.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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COMPROVAÇÃO. Os recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada existência de indícios de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Assim, excepcionalmente, quando devidamente demonstrado pela fiscalização que os comprovantes de prestação do serviço acompanhados dos recibos de quitação necessitam de provas complementares do efetivo pagamento, é idônea a exigência de comprovação financeira do desembolso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 72 04 41 /2 01 3- 13 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13831.720441/201313 Acórdão n.º 2301004.557 S2C3T1 Fl. 263 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 28/11/2013 para constituição de crédito suplementar de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF anocalendário 2011 decorrente de glosa das despesas dedutíveis com serviços médicos ou odontológicos em razão da falta de comprovação idônea do desembolso. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Inadmissível a dedução de despesas se não cumpridas as exigências legais para a dedutibilidade, inclusive a comprovação do pagamento, requerida pela fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Alega que comprovou as despesas médicas glosadas no procedimento de revisão quando apresentou toda a documentação comprobatória: recibos assinados pelos prestadores dos serviços, as fichas clínicas, declaração do médico a respeito do recebimento dos valores, demonstrativo de créditos de salários em conta Bradesco e extratos de conta corrente própria do Banco do Brasil nas quais efetuados saques para pagamentos das despesas médicas em espécie. Apesar de toda a documentação a autoridade lançadora entendeu não ter sido comprovada a efetividade dos serviços nem a efetividade do desembolso dos recursos uma vez que existe divergência de valores e de datas entre os saques e os recibos. Alega, preliminarmente, que a legislação tributária especifica que a prova do pagamento deve ser feita com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF, o que foi feito. A falta de documentação é que pode ser suprida por cheque nominativo. Assim, a apresentação do cheque não é imposição legal, mas mera faculdade, quando inexistir recibos (documentação), ressaltando que inexiste impedimento para pagamentos em espécie. O lançamento, portanto, não tem respaldo legal, nem obedece ao princípio constitucional da legalidade objetiva o que o torna nulo. No mérito, também alega a nulidade do lançamento porque não apenas comprovou as despesas médicas glosadas como também as mesmas não são exageradas. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Observa que o auditor não possui autoridade nem capacidade técnica para valorar os serviços de saúde prestados nem para opinar sobre a duração do tratamento, ressaltando que nas suas alegações ele deixa claro a predisposição para a glosa das despesas. Ressalta que a afirmativa da fiscalização de que não cabe ao fisco provar a inidoneidade do recibo apresentado significa que os recibos devem ser aceitos como prova eficaz das despesas (prestação dos serviços e pagamento dos valores) porque documentos idôneos. Ademais, a mera divergência apontada entre saques e recibos não afasta o valor probante dos recibos elaborados em conformidade com as exigências legais. Aduz ainda que os saques mensais com o cartão salário da Usina São Luiz são superiores aos valores das despesas médicas glosadas. Alega ainda que além dos recibos, documentos idôneos, há outros documentos (declarações dos profissionais, fichas clínicas) que comprovam a efetividade dos serviços prestados e o conseqüente desembolso. Finalmente, alega que a disposição do auditor para glosar estas despesas é corroborada pelo fato de no anocalendário 2010, também fiscalizado e autuado, foi considerada comprovada despesas de R$ 6.000,00 pagas a seu filho, Douglas Gregório de Souza, ora anexadas. Este fato, por si só, resultaria na comprovação das despesas ora consideradas indevidas. É o Relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13831.720441/201313 Acórdão n.º 2301004.557 S2C3T1 Fl. 264 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito Trata o presente caso do exame de provas quanto a efetiva demonstração de despesas médicas dedutíveis pelo recorrente em sua declaração de ajuste anual do IRPF. Entendeu a fiscalização que os recibos de pagamento e fichas médicas apresentadas, por suas características, em especial a numeração seqüencial como se tivesse sido emitidas no mesmo Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13831.720441/201313 Acórdão n.º 2301004.557 S2C3T1 Fl. 265 7 ato, o grau de parentesco com um dos profissionais e inconsistências entre os saques bancários supostamente realizados para o pagamento dessas despesas e os valores constantes nos recibos de quitação. Oportuna, antes dessa análise, a apresentação da legislação pertinente a matéria. A lei n.º 9.250/95 preceitua: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” E o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no país, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento”. Os documentos de quitação pela prestação de serviços envolve apenas as partes contratantes. Assim, não se pode ignorar a possibilidade desses documentos não retratarem a realidade dos fatos. É certo que deve prevalecer o princípio da boa fé e presunção de legitimidade e veracidade nas relações econômicas e profissionais, mas não sendo uma presunção absoluta, desde que devida e suficientemente fundamentado pela autoridade pública, é possível que se examinem no exercício do poder de polícia outros documentos necessários para a busca da verdade material. Esse ônus deve ser necessário, razoável e ponderado de forma que seu cumprimento seja possível e proporcional à finalidade do ato. A autoridade fiscal, motivadamente, deve demonstrar a necessidade de produção de outras provas complementares aos recibos de despesas e fichas médicas, atribuindo esse ônus ao contribuinte. No caso, esse exigência não está justificada apenas pelo meio de pagamento, isto é, pelo fato de quitação em espécie, mas pelas características dos documentos apresentados. Entendeu a fiscalização que a presunção de veracidade dos recibos, declarações dos profissionais prestadores dos serviços e fichas médicas não foi suficiente para se convencer de que, de fato, houve desembolso pelos serviços prestados. Assim, foram solicitados comprovantes financeiros (cópia de cheques, extratos bancários ou outro documento comprobatório do pagamento). O fundamento jurídico da exigência pode ser extraído do artigo 845, §1° do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: § 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12). Acontece que os extratos bancários apresentados não foram suficientes para a demonstração dos pagamentos e acabaram afastam ainda mais a presunção de veracidade dos documentos emitidos pelos profissionais. Os fundamentos apresentados pela fiscalização foram: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13831.720441/201313 Acórdão n.º 2301004.557 S2C3T1 Fl. 266 9 a) embora conste dos documentos emitidos pelos profissionais de saúde que os pagamentos seriam parcelados mensalmente e os recibos sejam datados a cada mês, a numeração é rigorosamente seqüencial, como se tivessem sido emitidos no mesmo ato; b) um dos prestadores de serviço é filho do recorrente; e c) nem todos os saques indicados pelo recorrente são suficientes para a quitação dos valores nos recibos. Além desses fatos trazidos pela fiscalização, verifico que as fichas clínicas odontológicas emitidas pelo Sr. Douglas Gregório de Souza (filho do recorrente) e pelo Sr. Paulo Sérgio de Almeida Fernandes segues rigorosamente as mesmas características de elaboração (fonte, espaçamento, estrutura de organização) e, inclusive, eles adotam o mesmo endereço de prestação dos serviços e telefone. Algumas decisões nesse sentido no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e dos antigos conselhos de contribuintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF — GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes, cujo pagamento estiver especificado e comprovado, conforme disposição do artigo 8o , inciso II, alínea "a", § 2 o , da Lei n° 9.250/95. Recurso especial provido. ... Recibos, por si só, não autoriza a dedução de despesas, principalmente quando sobre o Recorrente pesa à analise de utilização de documentos inidôneos. Por conseguinte, a inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o Recorrente o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao fisco, neste caso, obter provas da inidoneidade do recibo, mas sim, o Recorrente apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a esse respeito sobre o documento. Não se presta, por exemplo, a comprovar a efetividade de pagamento, não se restringindo na seara de argumentações. Logo, a dedução de despesas médicas, está, assim, condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Surge, o Recorrente em nome da verdade material, o ônus de contestar os valores lançados, apresentando as suas razões, porém, corroboradas em provas concretas da efetividade da prestação dos serviços questionados, no caso em concreto além Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 dos recibos médicos, foram apresentados declarações dos profissionais atestando que os serviços ocorreram, que no meu entender são suficientes para comprovar o pleito da dedução da base de cálculo do IRPF. (Acórdão CARF nº 9202003.560) DESPESAS MÉDICAS GLOSA Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 10248.922, de 2008). DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recibos ou notas fiscais, mesmo que emitidos nos termos exigidos pela legislação, não comprovam, por si só, sem outros elementos de prova complementares, pagamentos realizados por serviços médicos ou odontológicos, quando há dúvidas sobre a efetividade da sua prestação. Nessa hipótese, justificase a exigência, por parte do Fisco, de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e/ou do pagamento. (Ac. 1º CC 10423.311, de 2008). IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu). Quando o documento apresentado pelo contribuinte não preenche tais requisitos e também não é feita a comprovação do pagamento por qualquer outro meio de prova, deve prevalecer a glosa da referida despesa. (Ac. 10616.880, de 2008). DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. (Acórdão 10422.781, de 2007). IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de despesas odontológicas, com cirurgião plástico e com psicóloga, cuja efetividade dos serviços e o pagamento não foram comprovados.(Ac. 10248.510, de 2007). No presente caso, embora tenha apresentado recibos, declarações dos profissionais, fichas médicas e odontológicas, relatórios dos profissionais e extratos bancários, pelos motivos acima expostos, não estou convencido que esses documentos retratem a veracidade dos fatos. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13831.720441/201313 Acórdão n.º 2301004.557 S2C3T1 Fl. 267 11 É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10845.725022/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO EXPEDIDO PELA SECRETARIA DE SAÚDE. DOENÇA RECONHECIDA DESDE 1991. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Mesmo que o laudo médico expedido por serviço oficial de município não ateste com absoluta clareza o momento a partir do qual a recorrente inicialmente adquiriu a moléstia grave, este reconhece que ela o possuía desde o ano de 1991, motivo pelo qual deve ser reconhecida a isenção ao pagamento do imposto de renda no período objeto do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO EXPEDIDO PELA SECRETARIA DE SAÚDE. DOENÇA RECONHECIDA DESDE 1991. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Mesmo que o laudo médico expedido por serviço oficial de município não ateste com absoluta clareza o momento a partir do qual a recorrente inicialmente adquiriu a moléstia grave, este reconhece que ela o possuía desde o ano de 1991, motivo pelo qual deve ser reconhecida a isenção ao pagamento do imposto de renda no período objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 50 22 /2 01 3- 21 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10845.725022/201321 Acórdão n.º 2402005.170 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por HELENA RUDOLF SAMPAIO, em face de acórdão que entendeu por manter integralmente o lançamento no qual se verificou a ocorrência de infrações relativas a informações prestadas pela contribuinte quanto a rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave e dedução indevida de despesas médicas. Da análise dos autos, verificase que a contribuinte deixou de impugnar o lançamento relativo à dedução de despesas médicas, o fazendo tão somente quanto a necessidade de consideração de ser portadora de moléstia grave, que lhe garante o direito à isenção do imposto de renda. A DRJ, entendeu por afastar o pleito formulado, em razão do fato de que a documentação carreada aos autos pela contribuinte, apesar de comprovar se tratar de pessoa aposentada, não se adequa aos termos da legislação que rege a matéria, pois não há comprovação da existência da doença em documento firmado por serviço médico oficial da União, Estados ou Municípios, no anocalendário objeto da autuação, mas tão somente a partir de 2013. Fora então, interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta a contribuinte: 1. que é merecedora da isenção do imposto de renda, o que resta comprovado pelo “Receituário” juntado aos autos e emitido pelo Serviço de Saúde da Prefeitura de Santos, no qual o médico responsável certifica que a contribuinte se submeteu a uma operação em novembro de 1991, após ser diagnosticada com Doença de Paget, carcinoma ductal in situ. 2. é equivocado o entendimento do acórdão da DRJ no sentido de que o documento é particular, tendo em vista que o receituário é um documento de uso médico em qualquer unidade de atendimento do país, sendo que este é emitido na forma em que determinado pelos atendimentos médicos, e não da forma pela qual pretende a recorrente; 3. que referido receituário reconhece ser a mesma portadora da doença de paget desde o ano de 1991. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Reitero que no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição da recorrente de isenta ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portadora de Câncer maligno de mama, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ................................................................................................ XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Em complemento, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10845.725022/201321 Acórdão n.º 2402005.170 S2C4T2 Fl. 248 5 [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” Pois bem, da análise dos autos, verifico que fora carreado às fls. 80, um laudo médico datado de 18/07/2013, emitido pelo Dr. Jorge Bixir Maxta, do Instituto de Previdência Social do Servidores Municipais de Santos, o qual atesta a condição da recorrente de portadora do CID J.44 + C 50.0 (Doença de Paget), para fins da Lei 7.713/88, a partir daquela mesma data. Em seguida, às fls. 81/82 é juntado laudo médico particular do Dr. Danilo Patrão Assis, no qual também é comprovada a condição da recorrente como portadora da moléstia de Paget, laudo este que aponta que o reconhecimento da doença a partir de 1991, quando a recorrente fora submetida a cirurgia para retirada de tumor. Tal relatório fora expedido pelo mesmo médico que, em 1991, fez a cirurgia da recorrente e solicitou a realização de exame anátomopatológico (fls. 81/82), conforme se verifica do RECEITUÀRIO juntado às fls. 56 e fora emitido pela Secretaria de Saúde de Santos na data de 05/02/2013. E o referido receituário, expedido por serviço médico oficial, no caso a Secretaria de Saúde do Município de Santos, reconhece que a recorrente submeteuse a cirurgia no ano de 1991 em decorrência do diagnóstico da doença de Paget. Fato é que referido documento não atesta de forma clara o início do mal do qual a recorrente é portadora, mas reconhece que ela já o possuía no ano de 1991, o que gerou a necessidade da realização da cirurgia. Tal documento, a meu ver, em tendo sido expedido pela Secretaria de Saúde de Santos, é suficiente a demonstrar, sobretudo em conjunto com os demais documentos juntados aos autos, que a autora era portadora da moléstia grave já em 1991, motivo pelo qual entendo que este se adequa ao disposto no art. 5º, §2º, III, da IN 15/2001. Logo, tenho que no período objeto do lançamento, a recorrente deveria ser considerada como isenta. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003118/2004-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. NÃO CABIMENTO.
Com o advento da Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219 de 30/09/2004) torna-se incabível o lançamento da multa isolada de ofício relativa às diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, quando não estiver presente a situação em que a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996 ou não se comprove falsidade da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo.
Desse modo, ainda que por ocasião do fato gerador da penalidade (17/03/2004) existisse previsão legal para a aplicação da penalidade prescrita no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, há de se aplicar a retroatividade da Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219 de 30/09/2004) que, havendo alterado o art.18 da Lei nº 10.833/2003, nos termos do art. 106, inciso II, alínea a, do Código Tributário Nacional, deixa de definir como infração "a compensação indevida " em determinadas situações, e limita a aplicação de multa isolada, aos casos, em que se comprove falsidade da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo ou quando considerada a compensação não declarada nos termos do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.
Numero da decisão: 1201-001.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto, que lhe negavam provimento. Designada a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thomé.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. NÃO CABIMENTO. Com o advento da Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219 de 30/09/2004) tornase incabível o lançamento da multa isolada de ofício relativa às diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, quando não estiver presente a situação em que a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996 ou não se comprove falsidade da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo. Desse modo, ainda que por ocasião do fato gerador da penalidade (17/03/2004) existisse previsão legal para a aplicação da penalidade prescrita no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, há de se aplicar a retroatividade da Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219 de 30/09/2004) que, havendo alterado o art.18 da Lei nº 10.833/2003, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “a”, do Código Tributário Nacional, deixa de definir como infração "a compensação indevida " em determinadas situações, e limita a aplicação de multa isolada, aos casos, em que se comprove falsidade da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo ou quando considerada a compensação não declarada nos termos do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto, que lhe negavam provimento. Designada a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 31 18 /2 00 4- 42 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe, relativo à COFINS, para os fatos geradores ocorridos em 31/03/2000, 31/07/2000, 31/12/2000, 28/02/2001 e em 31/01/2003, e de multa isolada, com fatos geradores verificados em 31/03/2004 e 31/05/2004, em decorrência de auditoria levada a efeito na escrita fiscal da empresa, que também pleiteou, indevidamente, no entender do fisco, a compensação dos montantes com créditos de natureza não tributária, consubstanciados em obrigações da Eletrobrás. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, peço vênia para reproduzir os seus principais trechos: Consta, no “Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo” (fl. 05) que o auto de infração, depois de formalizado, totalizou o montante de R$ 3.857.900,35, já incluídos o tributo, a multa isolada e a de oficio e os juros de mora, calculados até 30/07/2004. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizoua no Termo de Verificação Fiscal em anexo (fls. 45 a 48), no qual relata o resultado da auditoria fiscal: COFINS FATURAMENTO DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO / PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) lnforma a autoridade fiscal que foram constatadas divergências entre os valores declarados e os escriturados, conforme demonstra na Planilha de Situação Fiscal Apurada e na Planilha de Apuração de Débito (fls. 39 a 44). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 4 3 Reproduzimos o enquadramento legal da infração, constante na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”: art. 77, inciso III, do DecretoLei n° 5.844/1943; art. 149 da Lei n° 5.172/1966; art. 1° da Lei Complementar n° 70/1991; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/1999 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/1999 e reedições. MULTAS ISOLADAS COMPENSAÇÃO INDEVIDA DA COFINS Logo em seguida, afirma que a contribuinte efetuou compensação indevida de créditos de natureza não tributária, representados por obrigações da Eletrobrás, com os valores devidos a título de COFINS, referentes aos períodos de apuração de 07/2001 a 03/2004. Tendo em vista que tais valores foram confessados pela autuada, por meio da declaração de compensação entregue em 17/03/2004, foi aplicada apenas a multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, de acordo com o Demonstrativo da Multa Isolada da COFINS (fls. 37 e 38). Reproduzimos o enquadramento legal da infração, constante na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”: art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 e art. 18 da Lei n° 10.833/2003. A contribuinte, que tomou ciência da autuação em 30/08/2004 (AR fl. 89), apresentou impugnação em 09/09/2004, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 101 a 113). Alega, em síntese, o que segue: Em primeiro lugar, refuta a consideração de que teria se utilizado de créditos de natureza nãotributária, defendendo que “empréstimo compulsório é espécie de tributo”, com base em citações de doutrina e de jurisprudência, acrescentando que a Constituição Federal de 1988, no art. 34, § 12, do ADCT, recepcionou o empréstimo compulsório sobre energia elétrica. Discorre sobre o princípio constitucional que proíbe o confisco, com a finalidade de demonstrar que a multa de oficio aplicada ofende a norma inserta no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Entende ainda que a multa isolada só poderia ser aplicada depois de exarada a decisão final sobre o pedido de restituição protocolado, de acordo com o art. 21, § 4°, da Instrução Normativa SRF 210/2002 . Diz, em seguida, que os procedimentos adotados pela impugnante estão de acordo com a legislação tributária vigente. Portanto, não podem ser impostas penalidades, em obediência ao art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Por fim, aduz que o crédito pleiteado não se subsume a nenhuma das hipóteses do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 5 4 Em sessão de 30 de julho de 2007, a 7a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, para manter os lançamentos da COFINS, que não foram impugnados, bem assim a multa isolada por compensação indevida. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisou os argumentos trazidos na impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Em primeiro lugar, cabe destacar que as únicas matérias ainda em discussão no presente processo versam sobre a natureza dos créditos utilizados em compensação e a imposição de multa isolada, conforme já destacado na decisão de primeira instância: Inicialmente, convém observar que o presente processo administrativo fiscal trata de impugnação a lançamento de oficio de multa isolada, com base no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, visto que a contribuinte solicitou, por meio do processo n° 10675.000830/2004 90, restituição e compensação de crédito de natureza não tributária, caso de compensação não declarada, de acordo com o inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei n. 9.430/1996. Acontece que o § 3°, do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, estabelece que ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento de multa a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Considerandose, contudo, que o processo n° 10675.000830/200490 foi julgado em 12/05/2004, por meio do Acórdão DRJ/JFA n. 7.149, exarado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, portanto, em data anterior à lavratura do presente auto de infração, deixo de apensar o presente processo e analiso, neste julgamento, as questões pertinentes, exclusivamente, ao lançamento de ofício ora em comento, visto que as matérias relacionadas aos pedidos de restituição e compensação já foram objeto de análise, por meio do indigitado acórdão. (grifamos) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, o processo relativo às compensações já foi apreciado neste Conselho, em 2005, com decisão desfavorável ao contribuinte. Não se questiona nos autos, portanto, a exigência decorrente das diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado pela empresa. Nesse sentido, o crédito tributário que estava sub judice foi definitivamente constituído na esfera administrativa. Remanescem, pois, as questões relativas à natureza dos créditos e à imposição da multa isolada, conforme defesa apresentada no recurso voluntário. Aliás, a despeito do longo arrazoado teórico formulado pela empresa na peça recursal, a questão debatida nos autos, dentro da competência deste Conselho, é relativamente simples. Quanto ao argumento de que as compensações seriam corretas, posto que baseadas em obrigações relacionadas à Eletrobrás, que teriam natureza tributária, por se tratarem de empréstimo compulsório, ressaltese que a matéria está consolidada no âmbito deste Conselho, conforme teor da Súmula 24, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 24: Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Com efeito, o artigo 74 da Lei n. 9.430/96 dispõe sobre a compensação de créditos do contribuinte, relativos a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Correto, portanto, o entendimento exarado no Despacho Decisório de fls. 87 e seguintes, que não homologou as compensações pleiteadas, de sorte que não assiste razão à Recorrente, até porque tal posição já se consolidou no STJ, que decidiu: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 7 6 A Secretaria da Receita Federal não é o órgão responsável pela administração do referido empréstimo compulsório e, por tal razão, não tem competência para análise de tal pedido, no que o acórdão recorrido, reformando a decisão monocrática para conceder a ordem impetrada, violou o artigo 24, do Decreto nº 70.235/72 e o artigo 74, da Lei nº 9.430/96 (REsp nº 952.336/RN, relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJe 06.10.2008). Na esteira dessa posição, entendo que não há qualquer ilegalidade na aplicação da multa de ofício isolada, haja vista o estipulado na Lei n. 10.833/2003, com a redação vigente ao tempo dos fatos (grifamos): Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § l° Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2° A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Pelos argumentos apresentados, também não prospera o argumento de que haveria responsabilidade solidária da União com a Eletrobrás, conforme entendimento pacífico dos tribunais pátrios. A aplicação da multa de ofício isolada também encontra amparo na jurisprudência, a exemplo de acórdão prolatado pelo TRF da 4a Região, a seguir transcrito: TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA. ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO DE DÉBITO. EXTINÇÃO DO PROCESSO COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO EXPRESSO DE RENÚNCIA. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. MULTA ISOLADA. ART.18 DA LEI 10.833/03. ELETROBRÁS. CRÉDITOS NÃO ADMINISTRADOS PELA SRF. MEDIDA PROVISÓRIA E MATÉRIA TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. ART.106, II, "C" DO CTN. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. 1. A exigência de expressa renúncia ao direito no qual se funda a ação no caso de adesão a regime de parcelamento, como condição para a extinção do processo com resolução do mérito, já se encontra assentada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 2. O motivo determinante para a imposição da sanção foi a compensação realizada com a utilização de crédito de natureza Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 8 7 nãotributária, para a qual é cabível, por previsão legal, exigência da multa isolada de 75%, sendo impingida a multa de 150% quando caracterizado "evidente intuito de fraude" na compensação. 3. Mesmo tendo a Administração procedido à desclassificação da infração, afastando a duplicação da multa, permaneceu hígida a causa que ensejou a aplicação da penalidade. 4. O empréstimo compulsório à ELETROBRÁS, criado pela Lei nº 4.156/62, e regulamentado pelo Decreto nº 68.419/71, possui procedimento de restituição específico, cuja responsável é a Eletrobrás (artigo 66). 5. As medidas provisórias constituem a via adequada para a instituição de tributos porque possuem força de lei, conforme reiterados precedentes do STF e a nova redação do artigo 62 da CF/88, oriunda da EC32/2001. 6. Se tanto na vigência da lei revogada, quanto na atualmente em vigor, o fato perpretado está subsumido na hipótese de aplicação da multa isolada de 75%, não há que se falar em superveniência de lei mais benéfica. 7. A multa aplicada com fundamento no art.44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 não tem caráter confiscatório nem ofende o princípio da proporcionalidade, atendendo às suas finalidades educativas e de repressão da conduta infratora. Precedente desta Turma. (grifamos) (TRF4, AC 000116391.2009.404.7003, relatora Des. Federal VÂNIA HACK DE ALMEIDA, D.E. 15.12.2010) Visto que descabe, no âmbito deste Conselho, a apreciação de matéria veiculada por lei vigente e eficaz, resta evidente que não prosperam as alegações da Recorrente, conforme teor da Súmula n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por igual razão, não há de se cogitar ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao efeito confiscatório, posto que a exação de 75% possui fundamento legal, que não pode ser afastado na esfera administrativa. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Voto Vencedor Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 9 8 Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do conselheiro relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa quanto a imposição de multa isolada, com base no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, visto que a contribuinte solicitou, por meio do processo n° 10675.000830/2004 90, restituição e procedeu "compensação indevida de crédito de natureza não tributária", representados por obrigações da Eletrobrás, por meio da declaração de compensação entregue em 17/03/2004. A questão é saber se a alteração legislativa superveniente ao lançamento e que, caso aplicável ao caso concreto, poderia ter efeito retroativo, por tratar de penalidade. A teor do artigo 144 do CTN, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Por outro lado, em consonância com as alíneas "a" e “c”, inciso II do artigo 106 do CTN, tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito: a) quando deixe de definilo como infração, ou, c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Nesse contexto legal, a infração imputada (compensação indevida) ocorreu na data em que protocolizada pela pessoa jurídica interessada a Declaração de Compensação em 17/03/2004, quando em vigor o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, antes das alterações trazidas pela Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219 de 30/09/2004) que alterou o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Vejamos: Lei nº 10.833/2003 (redação original) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § l° Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2° A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. (Grifei) Lei nº 11.051, de 29/12/2004 Art. 4o. O art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação:(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 10 9 "Art. 74. ............................................................................ ............................................................................ § 3o............................................................................ ............................................................................ IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. ............................................................................ § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b)refirase a "crédito prêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d)seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...) Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 11 10 § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................ § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) (Grifei) Observase que, a infração ocorreu com a entrega da Declaração de Compensação à Receita Federal que se deu em 17/03/2004, e somente com o advento da Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219 de 30/09/2004) que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (§ 12) e o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, é que: 1) Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: em que o crédito: refirase a título público; ou, não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF; 2) O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, ou, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. A teor dos fatos compensação indevida em 17/03/2004 podese afirmar que a nova redação dada ao art.18 da Lei nº 10.833/2003 não se aplica ao presente processo, na medida em que não restou caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (art.18, caput), tampouco, considerada não declarada a compensação ( hipótese, somente introduzida com a Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219 de 30/09/2004) que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Desse modo, há de se aplicar a retroatividade da Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219 de 30/09/2004) que alterando o art.18 da Lei nº 10.833/2003, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “a”, do Código Tributário Nacional, limita a aplicação da multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964 OU quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. Gizse que, o atual artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 possui a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 12 11 apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos§§ 6oa 11 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3oOcorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2odo art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2oe 4odeste artigo.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Portanto, incabível o lançamento da multa isolada de ofício relativa às diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, quando não estiver presente a situação em que a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996 ou não se comprove falsidade da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo. Desse modo, ainda que por ocasião do fato gerador da penalidade (17/03/2004) existisse previsão legal para a aplicação da penalidade prescrita no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, há de se aplicar a retroatividade da Lei nº 11.051/04 (Conversão da MPv nº 219 de 30/09/2004) que, havendo alterado o art.18 da Lei nº 10.833/2003, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “a”, do Código Tributário Nacional, deixa de definir como infração "a compensação indevida ", em determinadas situações, e limita a aplicação de multa isolada, aos casos, em que se comprove falsidade da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo ou quando considerada a compensação não declarada nos termos do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. Com efeito, não estando presente nos autos nenhuma dessas situações previstas no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, deve ser afastada a multa isolada em comento. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.003118/200442 Acórdão n.º 1201001.376 S1C2T1 Fl. 13 12 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13766.000789/2002-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL NT. INSUMOS TRIBUTADOS.
Nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99 é facultada a manutenção e a utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos utilizados no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto. Todavia, tal benesse não se aplica aos produtos finais NT. (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 9303-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PRODUTO FINAL NT. INSUMOS TRIBUTADOS. Nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99 é facultada a manutenção e a utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos utilizados no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto. Todavia, tal benesse não se aplica aos produtos finais NT. (Súmula CARF nº 20). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 07 89 /2 00 2- 69 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 20312.146, da 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. INSUMOS TRIBUTADOS. ESTORNO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. Nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99 é facultada a manutenção e a utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados a partir de 1° de janeiro de 1999 no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, bem como os imunes se a imunidade decorrer de exportação. Todavia, tal regra não se aplica aos produtos finais NT, tampouco aos imunes em função do art. 155, § 3º, da Constituição Federal, que trata de imunidade objetiva, aplicável aos minerais. Recurso negado.” O Colegiado, assim, denegou o direito ao ressarcimento de saldo credor formulado com base no art. 11 da Lei 9.779/99, por entender que o dispositivo não alcança as saídas de produtos finais imunes e/ou não tributados (NT) pelo IPI. Inconformado com o referido acórdão, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial em face do acórdão proferido pela 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, requerendo a reforma do acórdão recorrido, de modo que se assegure o ressarcimento buscado no feito em tela. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13766.000789/200269 Acórdão n.º 9303004.131 CSRFT3 Fl. 469 3 Aduz, entre outros, que a Constituição Federal reconheceu a imunidade, descabendo com base nisso se estabelecer discrimen para efeito de se reconhecer direito à incorporação de créditos de IPI. O apelo do sujeito passivo em Despacho de Fls. 362/363 foi admitido em sua integralidade após análise pelo Presidente da 3ª Câmara em exercício à época. Não obstante, em agosto de 2015, foi encaminhado Ofício ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES pela Procuradoria da Fazenda Nacional – ES, para fins de cumprimento, com cópia de decisão judicial exarada no processo supra, de decisão que transitou em julgado “para declarar a nulidade dos créditos tributários apurados através dos processos administrativos 13766.000787/200270, 13766.000789/200269 e 13766.000790/200293, lavrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como declarar a extinção do crédito tributário respectivo, nos termos do art. 156, X, do CTN. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13766.000789/200269 Acórdão n.º 9303004.131 CSRFT3 Fl. 470 5 [...] É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade – o que concordo com a análise feita em Despacho de fls. 1403/1404, vez que comprovadas as divergências confrontadas. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 Ademais, a matéria controvertida foi objeto de debate na instância a quo, de modo que restou atendido o requisito do prequestionamento. No cotejo das aludidas decisões, recorrida e paradigmas, certifica se que emprestaram interpretação diametralmente oposta à questão, entendendo estas últimas que o direito de ressarcimento previsto pelo art. 11 da Lei 9.779/99 se estende ao saldo credor decorrente das aquisições de matériasprimas, material intermediário e de embalagem aplicados em processamento de que resulte produtos imunes e/ou não tributados pelo IPI (NT). Ventiladas tais considerações, importante trazer que o cerne da lide se resume a discussão se o sujeito passivo teria ou não direito ao ressarcimento de saldo credor formulado com base no art. 11 da Lei 9.779/99 quando se tratar de saídas de produtos finais imunes e/ou não tributados (NT) pelo IPI. No que tange à essa discussão, vêse que tal discussão já foi objeto de matéria sumulada, conforme Súmula CARF 20: “Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Em respeito ao art. 45, Anexo II, do RICARF/2015, cabe trazer que essa Conselheira está obrigada a observar enunciado de Súmula CARF. O que, por conseguinte, cabe negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Não obstante, depreendendose da análise dos autos do processo, é de se observar que foi encaminhado ofício ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES pela Procuradoria da Fazenda Nacional – ES, para fins de cumprimento, com cópia de decisão judicial exarada no processo supra, de decisão que transitou em julgado “para declarar a nulidade dos créditos tributários apurados através dos processos administrativos 13766.000787/200270, 13766.000789/2002 69 e 13766.000790/200293, lavrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como declarar a extinção do crédito tributário respectivo, nos termos do art. 156, X, do CTN. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13766.000789/200269 Acórdão n.º 9303004.131 CSRFT3 Fl. 471 7 Sendo assim, em vista de todo o exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo quanto à matéria posta, ressalvando que, quando da definição do quantum do suposto crédito tributário, devese observar a decisão judicial transitada em julgado atentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 474DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 20/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 10650.901319/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS.
Uma vez que o acórdão recorrido foi omisso quanto ao uso do composto orgânico da uréia, e que esta informação é essencial à conclusão da incidência ou não do PIS e da COFINS, deverão ser acolhidos os presentes aclaratórios, com efeitos infringentes, para fins de sanar o vício apontado.
Embargos acolhidos em parte, para fins de integrar o teor do acórdão recorrido, o qual passa a ter o seguinte conteúdo:
ASSUNTO: PIS E COFINS
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004.
Numero da decisão: 3301-002.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS. Uma vez que o acórdão recorrido foi omisso quanto ao uso do composto orgânico da uréia, e que esta informação é essencial à conclusão da incidência ou não do PIS e da COFINS, deverão ser acolhidos os presentes aclaratórios, com efeitos infringentes, para fins de sanar o vício apontado. Embargos acolhidos em parte, para fins de integrar o teor do acórdão recorrido, o qual passa a ter o seguinte conteúdo: ASSUNTO: PIS E COFINS CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 19 /2 01 2- 03 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10650.901319/201203 Acórdão n.º 3301002.915 S3C3T1 Fl. 213 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional com fundamento no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão proferido em razão do julgamento do Recurso Voluntário interposto pela COOPERATIVA AGRO PECUÁRIA DE ARAXÁ LTDA. nos autos em epígrafe, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PIS E COFINS Período de apuração: Diversos CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Argumenta o embargante que a concessão de crédito sobre a aquisição de uréia não poderia ter sido concedida, uma vez que o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre se a uréia fora adquirida para fins de alimentação de ruminantes ou se para fertilizantes agrícolas. Segue dispondo que este ponto seria importante para a solução da lide, visto que, na segunda hipótese (fertilizantes agrícolas), a uréia teria a classificação 3102.10, sendo aplicável a alíquota zero de PIS e Cofins. Para que melhor se compreenda o cerne dos embargos declaratórios, transcrevese abaixo os principais fundamentos constantes dos mesmos: O r. acórdão deu ‘provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia’. Nas razões do v. voto condutor do r. acórdão são invocadas as razões abaixo, verbis: ‘7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com suspensão da alíquota, não gera crédito; também o calcário bicálcio e o fosfato por ter sido adquiridos com alíquota zero não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 4 do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento;’ Portanto, no ver do r. acórdão a Embargada não poderia excluir o milho, o calcário bicálcio e o fosfato em virtude dos referidos bens não gerarem crédito. De outra sorte, em relação à uréia a Embargada poderia se creditar, pois, aquele bem geraria crédito. Ocorre que o composto orgânico uréia tem inúmeras utilidades. Listamos algumas: 1) manufatura de plásticos, especificamente da resina ureiaformaldeído; 2) fabricação de fertilizantes agrícolas; 3) estabilizador em explosivos de nitrocelulose; 4) alimentação de ruminantes; 5) composto para condicionadores de cabelo e loções; 6) composto para aumentar a solubilidade de corantes na indústria têxtil; 7) na produção de ARLA32 (AddBlue), reagente utilizado no SCR para reduzir NOx em veículos Diesel SCR (Catalizador de Redução Seletiva). Nos autos não está esclarecido de forma peremptória qual seria a utilização da uréia pela Embargada. Contudo, pelo objetivo social da Embargada podemos presumir duas utilidades: 1) alimentação de ruminantes; 2) fertilizantes agrícolas. A uréia utilizada como fertilizante agrícola é classificada na posição 3102.10 da NCM. Consoante a Lei nº 10.925. art. 1º, inciso I, os adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas, tem alíquota zero da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno. O r. acórdão presumiu que o calcário bicálcio e o fosfato eram fertilizantes agrícolas e, por força da Lei nº 10.925, art. 1º, inciso I, c/c a Lei nº 10.637, art. 3º, inciso I, não caberia o creditamento. Ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositivo Resulta, assim, que em relação ao fertilizante agrícola de uréia não poderia haver creditamento, visto que a teor da Lei nº 10.925, art. 1º, inciso I, incide a alíquota zero sobre o bem. De outra sorte, se o composto orgânico de uréia for utilizado para alimentação de ruminantes há incidência de PIS/COFINS. Em face dessa diferenciação, a Confederação Nacional da Agricultura encaminhou pedido de alteração legislativa, abraçado pelo Senador Assis Gurgacz que propôs o Projeto de Lei do Senado nº 319 de 2012, cuja ementa diz: ‘ Acresce o inciso XIX e § 4º ao art. 1º da Lei nº 10.925/04 (reduz as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e na comercialização do mercado interno de fertilizantes e defensivos agropecuários), para prever no inciso XIX que ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de ácido fosfórico, hidrogenoortofosfato de cálcio (fosfato dicálcico) e ureia pecuária e para dispor no § 4º que a mencionada redução aplicase até 31 de dezembro de 2018 (art. 1º). O Poder Executivo estimará a renúncia fiscal decorrente das alterações promovidas pela Lei, em consonância com o dispõem a Lei Complementar nº 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal) e o § 6º do art. 165 da Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10650.901319/201203 Acórdão n.º 3301002.915 S3C3T1 Fl. 214 5 Constituição Federal (art. 2º). A Lei entra em vigor na data de sua publicação, sendo que a redução de que exercício financeiro imediatamente posterior àquele em que for implementado o disposto no art. 2º (art.3º).’ O Projeto de Lei do Senado nº 319 de 2012 ainda se encontra em trâmite. Temos, então, que conforme o uso do composto orgânico de uréia há ou não incidência de PIS/COFINS. Caso a uréia seja utilizada como fertilizante agrícola incide a alíquota zero. De outra sorte, se a uréia for empregada para alimentação de ruminantes incide o PIS/COFINS normalmente. Em relação a utilização da uréia pela Embargada, entende a Embargante que aquele composto orgânico foi empregado como fertilizante agrícola, tanto que foi listado ao lado de outros produtos de mesma utilidade, o calcário bicálcio e o fosfato. Devendo, pois, ser aplicado a uréia o mesmo princípio e norma que foram adotados pelo r. acórdão para não admitir o creditamento. Por outro lado, entendendo este i. Colegiado que há dúvida acerca da utilização da uréia. Pugna a Embargante que consoante o PAF, art. 28, o ônus da prova é da Embargada. Se essa não instruiu o seu pedido de forma correta, incabível prover a pretensão de ressarcimento. Corroborando nosso entendimento pontifica a jurisprudência pacífica do e. CARF, verbis: ‘IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS INCENTIVADOS. Tratandose de crédito incentivado, o ônus de provar o direito alegado é de quem o reclama, não sendo dever da Administração produzir prova a seu favor. Não prova, tornase incerto e ilíquido o pedido. ACÓRDÃO 20311733’. Ao realizar o Juízo de admissibilidade, o presidente desta turma julgadora admitiu os embargos de declaração opostos, nos termos do art. 65 e parágrafos do Regimento Interno do CARF, entendendo que a matéria ventilada em tal recurso, de fato, não havia sido apreciada sobre este ângulo, configurando, portanto, omissão do acórdão embargado. Ato contínuo, os embargos declaratórios foram distribuídos para minha relatoria. É o breve relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Consoante acima indicado, o acõrdão recorrido concluiu que "os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento". O referido dispositivo legal assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; O Embargante, então, destaca a omissão do acórdão quanto ao uso do composto orgânico da uréia, visto que, na hipótese de este ser utilizada como fertilizante agrícola, estaria classificada na posição 3102.10 da NCM, e, portanto, sujeita à alíquota zero, nos termos do art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004, in verbis: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; O capítulo 31 da TIPI, por seu turno, assim dispõe: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 3101.00.00 Adubos (fertilizantes) de origem animal ou vegetal, mesmo misturados entre si ou tratados quimicamente; adubos (fertilizantes) resultantes da mistura ou do tratamento químico de produtos de origem animal ou vegetal. NT 31.02 Adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados). 3102.10 Ureia, mesmo em solução aquosa Ou seja, verificase que a redução à alíquota zero apenas foi adotada para o caso da uréia, mesmo em solução aquosa, utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10650.901319/201203 Acórdão n.º 3301002.915 S3C3T1 Fl. 215 7 Nesse contexto, entendo que assiste parcial razão à Embargante, consoante restará devidamente esclarecido a seguir. De um lado, há de se reconhecer que o acórdão recorrido se omitiu quanto a tal ponto, tornandose necessário sanar a omissão apontada nesta oportunidade. Diante da análise da legislação acima apontada, assiste razão à recorrente quando dispõe que a uréia enquadrada no item 3102.10, sujeita à alíquota zero, não daria direito a creditamento, inclusive com base na fundamentação adotada pelo acórdão recorrido que não admitiu o creditamento quanto ao calcáreo bicálcio e o fosfato, por serem estes utilizados como fertilizantes agrícolas, por força do disposto na Lei nº 10.925/2004, art. 1º, inciso I, cumulado com o disposto na Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso I. Por outro lado, embora seja forçoso reconhecer que não há nos presentes autos elementos suficientes para se confirmar se a uréia utilizada pelo contribuinte era ou não utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, entendo que este fato, por si só, não impede a concessão do crédito pleiteado pelo contribuinte, desde que excetuado o direito ao crédito quanto à uréia enquadrada no NCM nº 31.02.10. Isso porque, como é cediço, a informação quanto ao NCM da uréia comercializada pelo contribuinte neste caso concreto pode ser facilmente verificada pela fiscalização através da análise do SPED Fiscal da empresa, onde há a indicação dos NCM´s das mercadorias adquiridas e alienadas pela mesma. Logo, em atenção ao princípio da verdade material, que deve reger os julgamentos na esfera administrativa, concluo pela manutenção da conclusão constante do r. acórdão recorrido, no sentido de admitir que os custos com aquisições da uréia geram crédito da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, passíveis de dedução/ressarcimento, excetuando, contudo, a uréia enquadrada no NCM nº 31.02.10, face à alíquota zero aplicável à mesma. Até porque, entendo que não há nenhum prejuízo ao Fisco na concessão do pleito do contribuinte nestes termos, visto que a exclusão de eventuais créditos relacionados ao referido NCM poderá ser facilmente realizada quando da execução do presente julgado. Nesse contexto, acolho os embargos de declaração opostos, para fins de sanar a omissão apontada, e, em razão da necessária inclusão das razões aqui emanadas ao acórdão recorrido, alterar o seu teor, para que passe a vigorar da seguinte forma: ASSUNTO: PIS E COFINS Período de apuração: Diversos CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 8 adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004. É o voto. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 14041.001183/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO.
Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977.
Não há razão para falar-se em direito à imunidade por prazo indeterminado.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
Por tratar o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário, aplica-se para a decadência a mesma regra da obrigação principal correspondente.
EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS.
Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.858
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência 10/2003, vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e EDUARDO TADEU FARAH. b) No mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa, com a exclusão do auxílio alimentação. Por maioria de votos, determinar o recálculo da multa, relativo à bolsa de estudos, vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e EDUARDO TADEU FARAH, que davam provimento em menor extensão e o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) que negava provimento.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Por tratar o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário, aplicase para a decadência a mesma regra da obrigação principal correspondente. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 83 /2 00 8- 74 Fl. 8531DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência 10/2003, vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e EDUARDO TADEU FARAH. b) No mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa, com a exclusão do auxílio alimentação. Por maioria de votos, determinar o recálculo da multa, relativo à bolsa de estudos, vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e EDUARDO TADEU FARAH, que davam provimento em menor extensão e o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) que negava provimento. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 8532DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0334.183 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de auto de infração, lavrado por infringência ao art 32, inciso IV e §5“ da Lei 8.212/9l, acrescentado pela Lei n`" 9.528/97, combinado com o art. 225, inciso IV, §4“, do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal da Infração de fls. 06/09, a autuada não incluiu nas Guias de Recolhimento e informações à Previdência Social GFIP, os valores correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. Relata o autuante que os Fatos geradores que a empresa não declarou nas GFIP referemse às remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, lançadas por meio do Auto de Infração n." 37.156.7467, a título de bolsas escolares, alimentação e valores lançados em folha de pagamento. Em razão de erro no campo FPAS, que resultou na redução dos valores devidos à previdência social, foram incluidas na presente autuação as contribuições patronais devidas pelo contribuinte, a partir de junho/2003. Os relatórios fiscais anexos ao Auto de lnfração n.° 37.l56.742 4 (Processo n." 14041.001179/200814), descrevem, de forma pormenorizada, os levantamentos relativos às remunerações pagas, devidas ou creditadas, aos segurados que prestaram serviços à empresa. Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima descrito, foi aplicada a multa no valor de R$2.854.874,75 (dois milhões, oitocentos 'e cinquenta e quatro reais e setenta e cinco centavos), que equivale a cem por cento do valor devido, relativo à contribuição não declarada, limitada a um multiplicador sobre o valor mínimo em função do número de segurados, nos termos do art. 32, inciso lV e § 5", da Lei n.“ 8.2121/91, na redação dada pela Lei n." 9.528/97, combinado com 0 art. 284, inciso ll, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS n." 77, de 11/03/2008. O Demonstrativo do cálculo da multa aplicada encontrase em planilha, às fls 10/11. Fl. 8533DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Não ocorreram circunstâncias agravantes nem atenuante, conclui o autuante. Da Impugnação Dentro do prazo regulamentar, o contribuinte contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 14/60, cujas razões de defesa são as seguintes: Informa que se trata de entidade de direito privado, que, em 04/06/1981, foi declarada de Utilidade Pública Federal, mediante o Decreto nº 86072; e Municipal, conforme Decreto n.“ 220, de 3l/08/2005, pela Preleitt1i'a Municipal de Silvânia, mediante a Lei Municipal n." el 422, de 31 de agosto de 2005; Que aderiu ao PROUNI ~ Programa Universidade Para Todos, instituído pela lei n." I l .096/05, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo e tendo, portanto, assegurado o seu direito a isenção de tributos, na forma do art. 8", lll, da lei n." ll.096/05, que preceitua a isenção da Contribuição Social sobre o Financiamento da Seguridade Social, instituída pela lei Complementar n." 70, de 30 de dezembro de l991. Que requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de l976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n." 3.577/59; Que obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n." 89.0l .868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria e faz jus à imunidade do art. 195, §7" da Constituição' Federal, por preencher todas as condições estabelecidas nos arts. 9” e I4 do CTN. Apesar disto, a fiscalização passou a desconsiderar a isenção e a imunidade, o que a levou a promover a Ação Ordinária (Proc. 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade. A ação foi julgada procedente em 1º grau. A pretexto de que a entidade não preenchia os requisitos do art. l4 do CTN, nos termos da .Decisão Notificação nº 23.401/03/2006, de 04/03/2006 e do Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, de 25/09/20()6 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negarlhe o benefício da desoneração de quota patronal, lavrando sete autos de infração, com exigência de principal e multa; Que, equivocadamente, a fiscalização lavrou os Autos de Infração n.“37.156.7424 e 37.156.7459 e o 37.156.7467, ora impugnado, acusando a entidade de ter deixado de declarar, nas GFIP, as parcelas integrantes do salário de contribuição de seus empregados, referentes às bolsas de estudo e de alimentação, fornecida em local de trabalho, sem que tais remunerações tivessem sido incluídas em folha de pagamento de junho de 2003 a dezembro de 2007. Fl. 8534DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 4 5 Entende, dessa forma, ser insubsistente a autuação pela inexistência de obrigação principal, como passa ai demonstrar: I Da ofensa à coisa julgada Alega a defendente que a autuação é nula, por desconsiderar decisões judiciais que põem a impugnante a salvo da exigência de quota patronal, uma vez que fazjus à desoneração, independente da expedição de renovação de certificado de entidade beneficente de assistência social, por ter direito adquirido e à imunidade de que trata o art. I95, §7" da CF, conforme restou decidido em ação declaratória, promovida perante o Juízo da 3" Vara Federal de Brasília (Mandado de Segurança n." 89.01.868038). Embora tal decisão ainda não tenha transitado em julgado, demonstra o acerto da impugnante ao adotar o código FPAS639. A autoridade fiscal, ao lançar o crédito tributário, desafia a autoridade da coisa julgada. Da Decadência dos Valores Exigidos em Períodos Anteriores a l2/2003 Alega que, nos termos do art. 150, §4º do CTN, encontramse atingidos pela decadência, os fatos geradores anteriores a 20 de novembro de 2003. Divergência entre as Remunerações da Folha de Salários e o Declarado em GFIP . Dispõe a impugnante que, embora a autuação não indique com clareza os fatos considerados e os critérios adotados para apuração do tributo, o que a leva a juntar farta documentação aos autos, inexistem as divergências apontadas. . Com relação às diferenças detectadas, foram apontadas supostas inconsistências no relatório da fiscalização, conforme CD entregue, que se refeririam a: a) valores no relatório que não foram extraídos dos registros contábeis nem dos valores declarados em GFÍP, conforme consta no ANEXO,I (Relatório de inconsistências, pgs. 582/589); b) consideração na composição dos registros contábeis da Conta de Provisão de Ferias 5.1.1.1.01.02 sendo que essa conta não compõe a base de cálculo dos tributos objeto de GFIP (ANEXO l f18.208). Em decorrência dessas inconsistências, ocorreram vários lançamentos na conta de Serviços Prestados Pessoa Física, que não configuram fato gerador de contribuição previdenciária, utilizados na composição dos registros contábeis, quando o fiscal comparou com o declarado na GFIP (ANEXO II). Alguns Serviços Prestados por Pessoa Física RPA, que constam nos registros contábeis, não foram localizados na GFIP pela Fl. 8535DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 fiscalização devido à data de contabilização estar diferente da competência declarada em GFIP. (ANEXO II). . Outros fatores justificam os valores encontrados a maior nos registros contábeis, tais como: a) eventos que não têm incidência de contribuição previdenciária e foram contabilizados nas contas informadas no Relatório de Fiscalização (ANEXO IV). b) eventos que têm incidência de contribuição previdenciária e não foram contabilizados na Com relação aos prestadores de serviço competências 10/2004, 02/2005, 03/2005 e 04/2005 realmente a impugnante constatou o engano de não terem sido declarados, razão pela qual fez as devidas retificações e recolheu os valores apurados, conforme guias de recolhimento anexas. Que tais provas, que foram produzidas no Al n." 37.156.7459, descaracterizam o auto de infração relativo ao tributo, tornandoo nulo. Da não Incidência da Contribuição sobre Bolsas de Estudo ... Auxílio Alimentação ... A Impugnante faz jus ao Código FPAS 639 Entende ainda, a Impugnante que sua conduta em adotar o código FPAS 639 está calcada em decisão transitada em julgado, em sede de mandado de segurança e em decisão de primeira instância, ainda não reformada, em sede de ação ordinária; Que faz jus tanto à isenção (Lei n." 3.577/59) quanto à imunidade (art. l95, §7" da CF). Requer, ao final, que seja a multa recalculada, nos termos dos incisos I e II e no §3º do art. 283, bem como nos arts. 286 e 288 do RPS, uma vez que a Impugnante procedeu conforme lhe autorizam as decisões judiciais citadas e que se encontram em anexo. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · A decisão recorrida merece reparos em sua totalidade, por este E. Conselho, por não estar em harmonia com as normas constitucionais, com a decisão judicial favorável a Recorrente e com as normas de interpretação da imunidade tributária e por não ter sido considerado o pagamento da parte do débito, reconhecido pela Recorrente, razão pela qual não deve prevalecer. Fl. 8536DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 5 7 · Direito à isenção da cota patronal: o Aderiu ao PROUNI " Programa Universidade Para Todos", instituído pela Lei n° 11.096/05, conforme documento anexo, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo, e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8° da Lei n° 11.096/05, Requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então, a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n° 3.577 de 04 de julho de 1959. o A Recorrente obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria. o Ação Ordinária (Proc. Nº 2002.34.00.0249380/ DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade do art. 195, § 7" da CF. o Nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e do Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, de 25.09.2006 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negar o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando ainda sete autos de infração, com exigência de principal e multa. o Direito adquirido à isenção. o Imunidade artigo 195, parágrafo 7º CF. o Faz jus ao FPAS 639. o Nulidade da exigência fiscal contida no auto de infração por desobediência à decisão judicial. · Decadência. · Bolsas de estudos concedidas a funcionários e seus dependentes · Auxílio alimentação fornecido in natura pelo empregador. · Divergência entre as remunerações da folha de salários e o declarado na GFIP. O processo baixou em diligência para inclusão de documentos faltantes. É o relatório. Fl. 8537DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 Fl. 8538DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRELIMINARES ISENÇÃO/IMUNIDADE NULIDADE DECISÕES JUDICIAIS A recorrente requer a nulidade do lançamento; afirma ter direito à imunidade; que as normas de interpretação da imunidade tributária não podem ser restringidas pela legislação infraconstitucional; que aderiu ao PROUNI (Lei 11.096/05) e que tem direito à isenção na forma do art. 8° da Lei n° 11.096/05; que com o advento da nova ordem constitucional, obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria; que promoveu perante a 3ª Vara federal do Distrito Federal, Ação Ordinária (Proc. nº 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade do art. 195, § 7º da CF e que faz jus ao FPAS 639 (isenta). Entendo que não assiste razão à recorrente. Para a questão do direito adquirido, sigo a orientação do STF, que declara ter jurisprudência firme no sentido de "afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado." RMS 27093 / DF DISTRITO FEDERAL RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Relator(a): Min. EROS GRAU Fl. 8539DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 Julgamento: 02/09/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma RECTE.(S): FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DA REGIÃO DE JOINVILLE FURJ RECDO.(A/S): UNIÃO ADV.(A/S): ADVOGADOGERAL DA UNIÃO EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA CB/88. INOCORRÊNCIA. 1. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social às contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições da isenção tributária das entidades filantrópicas, a exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. 4. A exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e 195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese em que a recorrente não cumpriu os requisitos legais de renovação do certificado. Recurso não provido. Observo que, em essência, o que se discutiu no processo acima referenciado é exatamente o que foi apresentado pela recorrente. Complemento apresentando trechos do relatório e voto da decisão apresentada. Relatório 3. 0 acórdão recorrido afirmou a inexistência de direito adquirido à manutenção do CEBAS por prazo indeterminado, que há de ser renovado a cada 3 [três] anos, nos termos do disposto no art. 55, II, da Lei n. 8.212/91, observados os requisitos previstos no decreto n. 2.536/98. Reconheceu a inadequação da via eleita, eis que o tema de fundo da impetração demanda dilação probatória incompatível com o rito do mandado de segurança. 4. A recorrente alega a existência de direito adquirido à imunidade "por prazo indeterminado", porquanto "cumpridora da legislação vigente à época de sua aquisição, notadamente a Lei n. 3.577, de 1959, e o decretolei n. 1.572, de 1977, por se tratar de situação fática juridicamente consolidada, sob a luz de direito pretérito". Fl. 8540DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 7 11 Voto 3. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições para a isenção tributária das entidades filantrópicas a exigência expressa de que possuam o CEBAS, renovável a cada três anos. 4. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social as contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 5. Esta Corte fixou o entendimento de que não há direito adquirido a regime jurídico, razão pela qual não há falar se em direito à imunidade por prazo indeterminado. 6. Quanto à exigência de renovação periódica do CEBAS, o Tribunal entende não haver ofensa à Constituição: "EMENTA:I.Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7o: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004; RE 93.770, 17.3.81, Soares Munoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito 'aos lindes da imunidade', à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária y as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune' . II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o beneficio constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7o, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91". [AgRRE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 7.Nego provimento ao presente recurso. Quanto à imunidade, a Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência Fl. 8541DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. Para a questão das ações judiciais, entendo que as alegações da impugnação foram reapresentadas e que a questão foi bem esclarecida no julgamento de primeira instância. Abaixo reproduzo trecho do voto condutor daquela decisão: Não merece acolhida a alegação da empresa de que existe nulidade do Auto de infração por desconsideração de decisões judiciais. Conforme se pode observar da documentação anexada aos autos, a referida decisão proferida pela 3ª Vara Federal de Brasilia (fls. 259/265), prolatada em Mandado de Segurança, em janeiro de 1989, ocorreu antes da constatação pela fiscalização de que a UBEC não atendia aos pressupostos legais para continuar se beneficiando da isenção patronal e, também, da emissão do conseqüente Ato Cancelatório n.° 02/2006. Logo, não houve desobediência a ordem judicial. O Mandado de Segurança n.° 89.01.068028, impetrado pela Impugnante junto ao TRF da 1ª Região (fls. 266/270), teve sua Segurança denegada. No que se refere à Decisão proferida na Ação Ordinária n.° 2002.34.00.0249380 (fls.271/277), também não se refere ao Ato Fl. 8542DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 8 13 Cancelatório que precedeu a presente fiscalização. Como se pode apreender do relatório da decisão, trata o processo de fiscalização empreendida pelo CNAS, cujo inicio estava previsto para 31/07/2002, referente ao Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos por ele emitido e que, conforme termos da decisão de fls. 276, deve a Impugnante observar "para manutenção da imunidade das contribuições para a seguridade social, os preceitos constantes dos arts. 9° e 14 do CTN", que são, verbis: Art. 9°É vedado a Unido, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: • I. instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto a majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior a data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos politicos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capitulo; (Redação dada pela Lei Complementar n° 104, de 10.1.2001) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado a observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo; (Redação dada pela Lcp no 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § I° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1" do artigo 9", a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. Fl. 8543DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 14 § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9' são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Quanto às alegações relativas ao PROUNI, essas referemse a tributo distinto do que se discute neste processo, sendo as alegações impertinentes. Outro ponto que merece não ser considerada é a menção é o Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, com citação de estar sub judice, sem comprovação e mencionando o artigo 14 do CTN, que referese a imposto, quando este lançamento referese a contribuição. A desconsideração é motivada pela falta da comprovação do contencioso e da falta de relação da legislação mencionada com o tributo aqui discutido. Abaixo trecho do recurso apresentado: Outrossim, a pretexto de que a entidade não preencheria os requisitos do art. 14 do CTN nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e do Ato Cancelatório no 23.401.002/2006, de 25.09.2006 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negarlhe o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando ainda sete autos de infração, com exigência de principal e multa. DECADÊNCIA A recorrente pleiteia a aplicação da regra do artigo 150, § 4º do CTN. Entendo a regra aplicável. Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Entendo total a vinculação com a obrigação principal. Registra o Relatório Fiscal que "Os fatos geradores de contribuições sociais que a empresa autuada não declarou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP referemse a remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, levantadas através do Auto de Infração n° 37.156.7424 a título de bolsas escolares, alimentação e valores lançados em folha de pagamento." 2. Os fatos geradores de contribuições sociais que a empresa autuada não declarou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP referemse a remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, levantadas através do Fl. 8544DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 9 15 Auto de Infração n° 37.156.7424 a título de bolsas escolares, alimentação e valores lançados em folha de pagamento. Em razão de erro no campo FPAS, que resultou na redução dos valores devidos à previdência social, foram incluídas na presente autuação as contribuições patronais devidas pelo contribuinte, a partir de junho/2003, em decorrência do referido erro. Entendo que a regra de decadência aplicada a este processo deve ser a mesma da aplicada ao processo da obrigação principal (processo 14041.001179/200814, Debcad 37.156.7424). Naquele processo, devido aos recolhimentos parciais (o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, apresenta várias apropriações de recolhimentos para a obrigação principal lançada, tanto para a contribuição da empresa quanto para o SAT/RAT), foi aplicada a regra do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme súmula CARF 99. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O período da autuação o lançamento é de 01/2003 a 12/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 20/11/2008. Entendo decadentes as competências até 10/2003, inclusive. MÉRITO BOLSAS DE ESTUDOS Fl. 8545DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 16 A recorrente questiona a multa referente aos valores de bolsas de estudos destinadas a empregados e seus dependentes, alegando a não incidência. Concordo com a recorrente. O artigo 28 da lei 8.2121/91 estabelece como regra a tributação da totalidade do rendimento do trabalho. Porém, especifica algumas hipóteses de não incidência, tal como o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Não encontrei menção a que as bolsas de estudos fossem restritas a alguns segurados, do que deduzo que todos tinham acesso. Não percebo na alínea “t”, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 restrição à educação fornecida a dependentes e entendo que uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos concedidas a empregados e/ou dependentes. Para fim de registro, observo que em 2011 a alínea "t", do § 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91 foi alterada, conforme abaixo. Fl. 8546DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 10 17 t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior;(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Concluo apresentando decisão do STJ onde se afirma que "O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho." Processo REsp 1491188 / SC RECURSO ESPECIAL2014/02768898 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 25/11/2014 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2014 Ementa TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. OFENSA. DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. FÉRIAS GOZADAS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. MATÉRIA JULGADA PELO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. Fl. 8547DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 18 2. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 3. Recursos Especiais não providos. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento aos recursos, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente), Assusete Magalhães e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Relatório Fiscal 8.4. Durante o procedimento fiscal, realizado na UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, verificouse que o contribuinte em questão não aderiu ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Desta forma, procedeuse ao lançamento fiscal do crédito previdenciário decorrente da concessão de refeições aos segurados. Os valores foram apurados com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada pelo contribuinte, em meio magnético, anexa ao presente relatório fiscal. Os referidos valores foram catalogados no levantamento denominado “PAT”. Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a Fl. 8548DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 11 19 forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Fl. 8549DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 20 Conforme acima, o Relatório Fiscal registra que "procedeuse ao lançamento fiscal do crédito previdenciário decorrente da concessão de refeições aos segurados." Refeição é alimentação in naturta. Entendo que se deva excluir do cálculo da multa os valores referentes ao auxílio alimentação. DIVERGÊNCIA ENTRE AS REMUNERAÇÕES DA FOLHA DE SALÁRIOS E O DECLARADO EM GFIP A recorrente aponta divergências que oneraram o lançamento pela inclusão na base de cálculo de valores que não correspondem a fatos geradores. No julgamento da obrigação principal, tal alegação foi objeto de especial atenção por parte dos julgadores de primeira instância, que determinaram a realização de diligência para checagem. O resultado da diligência reconheceu a existência de diferença, porém concluiu que uma vez que se trata aqui de contribuições dos segurados, cuja base de cálculo tem como teto o limite máximo do salário de contribuição, os valores identificados como diferença nada influenciaram no dimensionamento do tributo aqui lançado, não havendo retificação a fazer. Abaixo apresento texto da decisão de primeira instância (obrigação principal). As divergência alegadas pela Impugnante foram analisadas pela fiscalização, em Diligência solicitada por esta 5ª Turma, e, embora tenha reconhecido que cometeu um erro ao considerar, na composição dos registros contábeis da conta inerente a férias, contas de despesas no lugar da conta de passivo, concluiu que o ajuste da referida conta de férias para composição das bases de cálculo não traria reflexos ao cálculo da contribuição dos segurados empregados, uma vez que a mesma foi obtida mediante o resultado da aplicação das alíquotas vigentes no período da ocorrência do fato gerador, conforme faixa salarial, respeitandose o limite máximo de contribuição. Dessa forma, não haverá retificação a ser efetuada. Também nesta autuação, onde a multa é calculada como sendo o menor valor obtido da comparação do tributo omitido com um limite estabelecido proporcional ao número de segurados (tributo omitido somente com a contribuição patronal incidente sobre a base de cálculo admitida maior que R$ 1.000.000,00/mês X Limite da multa aplicada (por competência) de R$ 43.921,15), a possível exclusão dos valores aqui discutidos em nada afeta a multa aplicada. Fl. 8550DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 14041.001183/200874 Acórdão n.º 2201002.858 S2C2T1 Fl. 12 21 CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, nas preliminares, reconhecendo a decadência até a competência 10/2003, com base na regra do artigo 150, § 4º do CTN; e no mérito, determinando o recálculo da multa com a exclusão dos valores incidentes sobre bolsas de estudos e dos valores referentes ao auxílio alimentação. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 8551DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 14098.720014/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Recorrida UNIÃO (REPRESENTADA PELA FAZENDA NACIONAL) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0263.413, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 12235 a 12247). O processo trata dos Autos de Infração DEBCAD's 51.050.1451, 51.050.1460 e 51.050.1478, em que foram lançados créditos tributários correspondentes, respectivamente, a: contribuição previdenciária patronal; contribuição previdenciária de ônus dos segurados e contribuições a outras entidades e fundos/terceiros. Os fatos geradores das referidas contribuições foram: (a) rubricas pagas a segurados empregados: adiantamento para embarcação, sem a devida comprovação de despesa ou gasto; seguro de vida em grupo não disponível a todos os empregados e dirigentes e nem previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho; cesta básica fornecida a empregados sem que a empresa estivesse inscrita no PAT; (b) remuneração paga a contribuintes individuais trabalhadores autônomos; (c) rubricas pagas a dirigentes da empresa: seguro de vida em grupo para a diretores e empréstimo concedido ao diretor Gelso Luiz Laueri, não devolvido; (d) remuneração paga a contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos. Cientificado do lançamento fiscal, o sujeito passivo apresentou defesa alegando, em síntese (no que é relevante para este julgamento), a não incidência das contribuições sobre RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .7 20 01 4/ 20 14 -2 0 Fl. 12307DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14098.720014/201420 Resolução nº 2301000.619 S2C3T1 Fl. 12.308 2 empréstimo concedido ao diretor Gelso Luiz Laueri; anexou cópia do cheque n° 291050 do Banco do Brasil, agencia 19984, pósdatado para o dia 05/04/2014, alegando que tal documento comprovaria que a quantia de R$ 35.000,00, emprestada ao referido diretor foi devolvida à empresa. Em resposta a diligência solicitada pela DRJ, foi informado, pelo “Relatório de Procedimento Fiscal de Diligência”, que: (...)O documento juntado para comprovar a devolução do empréstimo pelo diretor Gelso Luiz Lauer, não pode ser acolhido porque se trata de cheque prédatado para 05/04/2014 e que acompanhou defesa protocolizada em 24/03/2014. Logo, as respectivas contribuições não devem ser excluídas. (Grifouse.) Cientificado do resultado da diligencia, o contribuinte alegou que o cheque foi prédatado para 05/04/2014 (sábado), foi depositado e compensado dia 08/04/2014; sendo assim, tal documento comprovaria que o empréstimo foi devolvido à empresa pelo diretor. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, no seguinte sentido: Do exposto, voto pela procedência parcial da impugnação e manutenção parcial do lançamento fiscal, excluindose do processo: todas as contribuições previdenciárias correspondentes ao levantamento fiscal "R1 REM EMPREG NÃO DEC GFIP", exceto no que toca às contribuições previdenciárias que incidiram sobre R$ 35.000,00 a título de empréstimo a sócio, na competência 12/2010, que permanecem inalteradas; todas as contribuições previdenciárias correspondentes ao levantamento "R3 – CONTRIB INDIV PRO LABORE”. Permaneceram inalteradas todas as contribuições previdenciárias correspondentes aos levantamentos fiscais "R2 CONTRIB INDIV PREST SERVIÇOS" e "R4 REM TRASP ROD AUTÔNOMO". O acórdão recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 (...) PRAZO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova incumbe a quem alega, não tendo a impugnante trazido ao processo documentos que comprovassem a sua alegação de duplicidade de lançamentos. (...) A ciência dessa decisão ocorreu em 10/02/2015 (efl. 12258). Fl. 12308DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14098.720014/201420 Resolução nº 2301000.619 S2C3T1 Fl. 12.309 3 Em 06/03/2015, foi apresentado recurso voluntário (efls. 12259 a 12288), sendo alegado, em síntese: (...) (e) que o empréstimo que realizou a diretor, o qual já restou devolvido, não é base de cálculo da contribuição previdenciária; (...) Os pedidos consistem em que : a) nos termos do permitido pela Súmula n.° 473 do Supremo Tribunal Federal, declararse a nulidade do lançamento azado no AI; b) alternativamente ao item anterior: b.l) que seja excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária o empréstimo concedido ao diretor, uma vez que a verba que não tem natureza jurídica salarial; (...) É o relatório. Conselheiro João Bellini Júnior DO EMPRÉSTIMO A DIRETORES No que tange ao empréstimo a diretores, o valor lançado corresponde ao que foi contabilizado na conta “empréstimos a terceiros [Gelso Luiz Lauer] 52.5, cujo saldo inicial em 01/01/2010 e final em 31/12/2010 montava em R$ 35.000,00”. Tal valor foi considerado base de cálculo de contribuições previdenciárias, tendo em vista que, em resposta à intimação fiscal n° 005, a autuada informou que o referido empréstimo ainda não havia sido devolvido por seu Diretor de Transportes, caracterizando o pagamento de remuneração disfarçada de empréstimo ao referido empregado. Para caracterizar o empréstimo, a recorrente juntou à sua impugnação, protocolizada em 24/03/2014 (efl. 5212) e novamente por ocasião do recurso voluntário (efl. 12290), cópia de cheque pósdatado para 05/04/2014, no valor de R$35.000,00, afirmando que esse foi compensado no dia 08/04/2014. Não há nos autos, confirmação de que tenha ocorrido a efetiva compensação do cheque em conta bancária da empresa, nem como esta operação, caso comprovada, tenha sido registrada na contabilidade da recorrente. Assim, tais fatos devem ser esclarecidos, por meio de diligência. Para tanto, a unidade preparadora deve informar: (a) se e quando o cheque foi depositado/compensado em conta bancária da recorrente; caso positivo, (b) qual foi o registro contábil correspondente na contabilidade da Fl. 12309DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14098.720014/201420 Resolução nº 2301000.619 S2C3T1 Fl. 12.310 4 autuada e (c) se, em seu entender, resta descaracterizado, ou não, “o pagamento de remuneração disfarçada de empréstimo ao referido empregado”. A autoridade deverá explicitar as suas razões. A recorrente deverá ser intimada da resposta da autoridade preparadora, abrindose o prazo de trinta dias para a sua manifestação. Após, devem os autos retornar para julgamento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 12310DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 14485.000134/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/04/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Acolhem-se os embargos declaratórios, para sanar o vício apontado, quando existente obscuridade na parte dispositiva do julgado que impede a inequívoca e objetiva compreensão de que o lançamento fiscal foi declarado nulo por vício material.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2401-004.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DAR-LHES PROVIMENTO para sanar a obscuridade existente no Acórdão nº 2301-001.389, acolhendo os embargos para explicitar, na parte dispositiva, que a declaração de nulidade do lançamento deu-se por vício material: "ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com relação ao período não decadente, reconhecer a existência de vício material, vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros que entendia se tratar de vício formal. Prosseguindo o julgamento, por voto de qualidade, declarar a nulidade do lançamento, por vício material, vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal que votaram pelo provimento." Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e André Luís Mársico Lombardi, que não conheciam dos embargos declaratórios.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator "ad hoc"
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2002 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Acolhem-se os embargos declaratórios, para sanar o vício apontado, quando existente obscuridade na parte dispositiva do julgado que impede a inequívoca e objetiva compreensão de que o lançamento fiscal foi declarado nulo por vício material. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DAR-LHES PROVIMENTO para sanar a obscuridade existente no Acórdão nº 2301-001.389, acolhendo os embargos para explicitar, na parte dispositiva, que a declaração de nulidade do lançamento deu-se por vício material: "ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com relação ao período não decadente, reconhecer a existência de vício material, vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros que entendia se tratar de vício formal. Prosseguindo o julgamento, por voto de qualidade, declarar a nulidade do lançamento, por vício material, vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal que votaram pelo provimento." Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e André Luís Mársico Lombardi, que não conheciam dos embargos declaratórios. André Luís Mársico Lombardi - Presidente Cleberson Alex Friess - Relator "ad hoc" Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Acolhemse os embargos declaratórios, para sanar o vício apontado, quando existente obscuridade na parte dispositiva do julgado que impede a inequívoca e objetiva compreensão de que o lançamento fiscal foi declarado nulo por vício material. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PROVIMENTO para sanar a obscuridade existente no Acórdão nº 2301001.389, acolhendo os embargos para explicitar, na parte dispositiva, que a declaração de nulidade do lançamento deuse por vício material: "ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com relação ao período não decadente, reconhecer a existência de vício material, vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros que entendia se tratar de vício formal. Prosseguindo o julgamento, por voto de qualidade, declarar a nulidade do lançamento, por vício material, vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal que votaram pelo provimento." Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e André Luís Mársico Lombardi, que não conheciam dos embargos declaratórios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 01 34 /2 00 7- 14 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 14485.000134/200714 Acórdão n.º 2401004.211 S2C4T1 Fl. 194 2 André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator "ad hoc" Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 14485.000134/200714 Acórdão n.º 2401004.211 S2C4T1 Fl. 195 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração tempestivamente opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 169/171, contra o Acórdão nº 2301001.389, de relatoria do Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, proferido pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o qual está juntado às fls. 159/164. 2. A Fazenda Nacional alega a existência de omissão/obscuridade no v. acórdão, dado que a Turma, ao anular o lançamento, "não deixou assente a natureza do vício que supostamente maculou o lançamento, isto é, foi vício formal ou material." 2.1 Na sequência, colacionou decisões administrativas, proferidas em outros processos administrativos, referindose à nulidade do lançamento por vício formal. 2.2 Por derradeiro, afirma a embargante que a explicitação da natureza do vício é fundamental para se verificar a possibilidade de realização de novo lançamento, com observância dos prazos estabelecidos no art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN). 3. Designado relator "ad hoc" para pronunciamento sobre a admissibilidade dos embargos de declaração opostos1, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da 2ª Seção (fls. 188 e 189/190, respectivamente). É o relatório. 1 A designação "ad hoc" deuse com fundamento no § 7º do art. 49 c/c § 2º do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 14485.000134/200714 Acórdão n.º 2401004.211 S2C4T1 Fl. 196 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator "ad hoc" 4. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos, passo ao exame de mérito. 5. Antes, porém, saliento que a designação de relator "ad hoc" é medida excepcional, neste caso devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 5.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 2301001.389, a fim de submeter a questão à apreciação da Turma. Ressalvo, assim, que tal juízo não implica a minha concordância ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 6. Pois bem. Ao analisar o inteiro teor do julgado, verifico que a parte dispositiva da decisão embargada, tendo em vista a linguagem utilizada, não possibilita uma inequívoca e objetiva compreensão sobre o resultado do julgamento, no tocante à natureza do vício que motivou a declaração de nulidade do lançamento, carecendo de explicitação. 7. Para melhor compreensão da necessidade de aclaração do decidido, transcrevo o dispositivo do acórdão (fls. 159): ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com relação ao período não decadente, reconhecer a existência de vício material, vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros que entendia se tratar de vício formal. Prosseguindo o julgamento, por voto de qualidade, declarar a nulidade do lançamento, vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal que votaram pelo provimento. 8. Em um primeiro momento, o Colegiado reconheceu a existência de vício material no lançamento, com relação ao período não decadente, vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que entendeu tratarse de vício formal. 8.1 A menção a "período não decadente" contém a ideia de haver um período decadente do crédito tributário. Porém, a competência mais antiga do lançamento é 11/2002, com ciência pessoal do lançamento em 8/8/2007. À primeira vista, não haveria porque falarse em decadência. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 14485.000134/200714 Acórdão n.º 2401004.211 S2C4T1 Fl. 197 5 9. Prosseguindo a deliberação, o Colegiado declarou a nulidade do lançamento, pelo voto de qualidade. A Turma ficou dividida, pois metade dos julgadores, que restou vencida, concluiu que as deficiências contidas no lançamento do crédito tributário eram ainda mais severas, a ponto de levar à improcedência do crédito tributário (provimento do recurso voluntário). 9.1 Nessa última análise, em que pese a lógica evidenciar que a nulidade do lançamento deuse por vício material, porque inerente à deliberação anterior realizada pelo Colegiado, não houve expressa menção à natureza do vício. 10. Por sua vez, o voto do relator, Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, examina detalhadamente as características do lançamento fiscal e concluiu ao final pela sua anulação. 10.1 Reproduzo, abaixo, trechos do voto proferido pelo Relator do v. acórdão ora embargado: (...) 5. Com efeito, da leitura da peça informativa resta evidente que o lançamento carece de embasamento fático e jurídico para a sua constituição, eis que ausentes às provas necessárias para demonstrar que os pagamentos realizados pela empresa estavam dentro da base de cálculo das contribuições previdenciárias. (...) 10. A falha no relatório fiscal é evidente, tanto que a própria decisão recorrida, em diversos pontos, tenta buscar detalhes adicionais, embora ausentes dos autos, para motivar e validar o lançamento. 11. De maneira que não é possível visualizar nas alegações do fisco a efetiva demonstração dos elementos constitutivos da obrigação tributária. E mesmo que o contribuinte não tenha fornecido todas as informações requisitadas, a fiscalização tinha condições de buscar outros documentos e elementos necessários à efetiva demonstração do fato gerador do tributo. (...) CONCLUSÃO 15. Assim, voto em anular o lançamento fiscal. 10.2 Apesar da clareza do posicionamento do Conselheiro Relator, ele acabou não se manifestando expressamente no voto a respeito da natureza do vício identificado no lançamento. 11. Nada obstante, a leitura do seu voto revela, indubitavelmente, que o vício identificado é de cunho material, e não formal, dado que ficou caracterizada a carência de motivação e de fundamentos fáticos e jurídicos descritos pela autoridade lançadora para respaldar o lançamento do crédito tributário. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 14485.000134/200714 Acórdão n.º 2401004.211 S2C4T1 Fl. 198 6 12. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 2301001.389, que reproduz fielmente as conclusões do votocondutor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/04/2007 LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL. AUSÊNCIA DE EMBASAMENTO FÁTICO E JURÍDICO. PROVAS INSUFICIENTES. ÔNUS DA PROVA QUE CABE AO FISCO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. O lançamento carece de embasamento fático e jurídico, tendo em vista a ausência de provas robustas que demonstrem os elementos constitutivos da obrigação tributária. Cabe à autoridade administrativa o ônus da prova a fim de comprovar a existência do fato gerador do tributo em que fundamenta sua pretensão fiscal. In casu, não houve sequer a preocupação por parte do fisco em demonstrar ou, ao menos, explicitar quais seriam os motivos que levaram à conclusão de que os pagamentos foram realizados em dissonância com a legislação vigente, qual seja a Lei n.º 10.101/2000 que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 13. De qualquer modo, para espancar dúvidas e deixar inequívoca a compreensão sobre o resultado do julgamento, cabe explicitar a parte do dispositivo do acórdão embargado concernente à declaração de nulidade, mediante complementação de redação, nos seguintes termos: (...) Prosseguindo o julgamento, por voto de qualidade, declarar a nulidade do lançamento, por vício material, vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal que votaram pelo provimento. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 14485.000134/200714 Acórdão n.º 2401004.211 S2C4T1 Fl. 199 7 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PROVIMENTO para sanar a obscuridade existente no Acórdão nº 2301001.389, acolhendo os embargos para explicitar, na parte dispositiva, que a declaração de nulidade do lançamento deuse por vício material: "ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com relação ao período não decadente, reconhecer a existência de vício material, vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros que entendia se tratar de vício formal. Prosseguindo o julgamento, por voto de qualidade, declarar a nulidade do lançamento, por vício material, vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal que votaram pelo provimento." É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003587/2006-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
Caulim - extração de minério - Resultado de diligência - os serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento integram o processo produtivo da empresa para a produção do caulim, bem como demonstram que os valores pleiteados pela empresa como crédito de PIS nos autos/processos citados, no ano período a que se referem, coincidem com o montante informado em DACON.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3402-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Jorge Freire acompanhou a relatora pelas conclusões.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Caulim - extração de minério - Resultado de diligência - os serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento integram o processo produtivo da empresa para a produção do caulim, bem como demonstram que os valores pleiteados pela empresa como crédito de PIS nos autos/processos citados, no ano período a que se referem, coincidem com o montante informado em DACON. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Jorge Freire acompanhou a relatora pelas conclusões. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.003587/200667 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.034 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2016 Matéria RESSARCIMENTO PIS/PASEP Recorrente PARÁ PIGMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Caulim extração de minério Resultado de diligência os serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento integram o processo produtivo da empresa para a produção do caulim, bem como demonstram que os valores pleiteados pela empresa como crédito de PIS nos autos/processos citados, no ano período a que se referem, coincidem com o montante informado em DACON. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Jorge Freire acompanhou a relatora pelas conclusões. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 87 /2 00 6- 67 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Relatório Complementando o relatório já constante dos autos, esse processo já esteve em julgamento nesse Conselho – CARF em sessão da extinta 1ª Turma da 1ª Câmara dessa Terceira Seção, em 21 de agosto de 2014 e por unanimidade de votos foi convertido o julgamento do recurso voluntário do contribuinte em diligência, Resolução nº 3101000.379, nos termos do voto dessa Conselheira, nos seguintes termos: “(..) Entretanto, dado a peculiaridade da atividade da empresa Recorrente, proponho a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que se traga aos autos a diligência concluída nos processos 10.280.003595/200611, 10280.003596/200658 e 10.280.003594/200669 quanto a terraplanagem, bem como, se complete a diligência no mesmo sentido, ou seja: comprovar que os serviços de sondagem, topografia e bombeamento, constantes dos presentes autos no ano fiscalizado coincidem com o montante informado em DACON e pleiteado pelo contribuinte e finalmente que esses serviços integram o processo produtivo da Recorrente. Concluída a diligência proposta, volte os autos a esse Conselho CARF para julgamento. ” Consta nos autos o Termo de início de diligência MPFD 02.1.01.00 2014/006997 solicitando a Recorrente apresentação de documentos. A Recorrente apresentou documentos solicitados, como foto do serviço de lavra, planilha de insumos, notas fiscais, Dacon, planilha de quantidades e preços, planilha crédito x Dacon. Analisados os documentos pela fiscalização, seguiu o relatório da diligência fiscal com as seguintes informações: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com base no Decreto n 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), e considerando que foi encerrada a diligência solicitada pelos membros da Ia câmara / Ia turma ordinária da Terceira Seção de julgamento do CARF, relativamente aos processos n° 10280.003587/200667 (referente ao crédito de PIS do 3o TRIM/2005 no valor de R$ 338.255,22) e 10280.003588/200610 (referente ao crédito de PIS do 4o TRIM/2005 no valor de R$ 306.256,52), informamos sucintamente os procedimentos adotados, que seguiram os moldes adotados quando da realização da diligência relativa aos processos 10280.003595/200611, 10280.003596/200658 e 10.280.003594/200669. O contribuinte foi intimado a apresentar documentos idóneos que comprovem que os gastos com terraplenagem são considerados insumos para fins de aproveitamento de crédito de PIS. Os documentos/informações fornecidos pela interessada foram anexados aos dois processos eletrônicos anteriormente enumerados, e que atendem, salvo melhor juízo, à necessidade de comprovar que os serviços de terraplanagem, Fl. 356DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.003587/200667 Acórdão n.º 3402003.034 S3C4T2 Fl. 3 3 sondagem, topografia e bombeamento integram o processo produtivo da empresa para a produção do caulim, bem como demonstram que os valores pleiteados pela empresa como crédito de PIS nos autos/processos citados, no ano período a que se referem, coincidem com o montante informado em DACON. Para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo em duas vias de igual teor e forma, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e encaminhado para ciência do contribuinte. ” O representante da Recorrente tomou ciência do encerramento da diligência em 09/03/2015. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente o Recorrente insistiu na nulidade do Despacho Decisório, por não conter de forma clara e precisa os motivos que levaram a indeferir determinado pedido de compensação ou ressarcimento. Reconheço o inconformismo da Recorrente, que em tese tem razão, mas no presente caso, analisando os autos o desenrolar de suas defesas, tenho que concordar com a decisão recorrida nesse ponto que para não ser repetitiva, posso ler em sessão se necessário. Entretanto, quanto ao direito ao crédito de PIS relativo aos serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento, é certo que a decisão recorrida não se sustenta, apenas ao afirmar que esses serviços não dão direito ao creditamento do PIS porque os mesmos não integrariam a linha de industrialização do “caulim”. É certo, também, que o princípio da nãocumulatividade do PIS não cumulativo não se conforma com a nãocumulatividade do IPI e ICMS. Tem uma aproximação, mas não são iguais. É certo, também, que o conceito que se quer dar aos “insumos” para efeito de PIS não cumulativo não é o mesmo que se aplica ao IPI. Não é tão restritivo como quer o fisco federal aplicar. O CARF não vem julgando assim, com tanta restrição, muito ao contrário, apesar de insano, o julgamento é caso a caso, levando em consideração, a essencialidade, a necessidade, o custo para produzir a receita tributável etc. E mais, o judiciário, vem mais lentamente, também, dando uma interpretação menos restritiva aos insumos que geram crédito do PIS/COFINS não cumulativo do que a legislação do IPI permite. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 A teoria do crédito físico, amplamente defendida pelo fisco é no meu entendimento ultrapassado, quando estamos diante de um serviço, seja esse serviço objeto material para tributação, seja, para gerar crédito de algum imposto. No presente caso estamos diante de uma extração de um minério, o “caulim”, portanto, não se compara a uma indústria de transformação de uma ou mais matéria prima se transformando em um produto acabado. Suscitado dúvidas quantos aos créditos referentes a terraplanagem, bem como, se os serviços de sondagem, topografia e bombeamento, constantes dos presentes autos no ano fiscalizado coincidem com o montante informado em DACON e pleiteado pelo contribuinte e finalmente que esses serviços integram o processo produtivo da Recorrente, a diligência concluiu: “ (...) os serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento integram o processo produtivo da empresa para a produção do caulim, bem como demonstram que os valores pleiteados pela empresa como crédito de PIS nos autos/processos citados, no ano período a que se referem, coincidem com o montante informado em DACON. ” Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer como insumos necessários à exploração do caulim os serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento, por integrar o processo produtivo da Recorrente no ressarcimento do PIS/PASEP no montante informado em sua DACON. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 358DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 10580.728334/2009-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
Correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal que efetuado cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparando-se a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicou-se, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
O lançamento da multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 ocorrerá, apenas, quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas.
Recurso Especial da Fazenda provido.
Numero da decisão: 9202-003.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
PATRICIA DA SILVA - Relatora
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. O lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá, apenas, quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Recurso Especial da Fazenda provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 34 /2 00 9- 68 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) PATRICIA DA SILVA Relatora EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Cuidase de Recurso Especial da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2402004.083, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no instrumento de negociação. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 9202003.915 CSRFT2 Fl. 253 3 Na origem tratase de Auto de Infração que tem por objeto contribuição social previdenciária incidente sobre verbas pagas a empregados a título de participação nos lucros e resultado, lavrado posteriormente à MP 449/08, incluindo obrigação principal, juros e multas. Para o cálculo da multa mais benéfica, a autoridade fiscal fez o cotejo entre as normas revogadas (Art. 35 e 32) e a norma atual (Art. 35A) da Lei nº 8.212/91. Em sede de Recurso Especial, a Turma recorrida deu parcial provimento ao recurso para que seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, vigente à época, limitada a 75%, se mais benéfica ao contribuinte. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial alegando que o acórdão recorrido contrariou precedentes deste Conselho, requerendo a reforma do julgado para que a multa seja calculada da seguinte forma: soma das multas da norma revogada (art. 35, II e art. 32, IV) ou a multa do atual art. 35A, da Lei nº 8.212/91. O contribuinte apresentou contrarrazões requerendo a manutenção do julgado. É o relatório. Voto Conselheira Patricia da Silva, Relatora Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA 4 Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando um posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver tanto descumprimento de obrigações principais quanto de obrigações acessórias. Tal entendimento decorre de uma interpretação do Fisco de que a multa única é mais favorável ao contribuinte do que a aplicação separada das multas dos arts. 32A e 35A, da Lei nº 8.212/91, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 9202003.915 CSRFT2 Fl. 254 5 inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA 6 Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (Assinado digitalmente) Patricia da Silva Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA
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