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Numero do processo: 10240.720951/2013-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO AUDITOR FISCAL. AUSÊNCIA DE NUILIDADE.
Improcede a alegação de nulidade do auto de infração em razão de ausência de assinatura do auditor fiscal responsável mas que devidamente identificado.
FORMAÇÃO ACADÊMICA DO AUDITOR FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. DESNECESSIDADE DE FORMAÇÃO CONTÁBIL. APLICAÇAÇÃO DA SUMULA CARF N. 8.
O auditor fiscal devidamente aprovado em concurso público para desempenho de sua função tem legitimidade plena para o desenvolvimento de suas atividades, inclusive, a lavratura de auto de infração.
Não constitui nulidade da autuação a falta de formação contábil do auditor fiscal.
Aplicação da súmula CARF nº 08.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 9.
Não constitui cerceamento do direito de defesa do Contribuinte a intimação dos lançamentos por via postal.
Aplicação da Súmula CARF n( 9.
IRPJ. APURAÇÃO TRIMESTRAL. PREVISÃO LEGAL.
O encerramento do IRPJ por períodos trimestrais tem expressa previsão legal contida no art. 1 da Lei n. 9.430/96 .
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 02.
A quebra indevida de sigilo bancário, tem amparo legal no artigo 6º da Lei Complementar 105 de 2001.
Eventual inconstitucionalidade da norma não pode ser apreciada pelo CARF, conforme disposto na Súmula CARF n. 02.
ARBITRAMENTO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. INOCUIDADE.
Partindo-se de uma base de receita arbitrada, onde se aplica a presunção de receita e lucro, não há oportunidade de se ater a detalhada base de cálculo das contribuições. Não cabendo ao agente fiscal efetuar tais considerações na constituição do crédito tributário.
MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE CONDUTA DO CONTRIBUINTE PARA ATRAPALHAR O TRABALHO FISCALIZATORIO. INAPLICABILIDADE.
Para aplicação do agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associado a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal.
O não atendimento à intimação, na qual eram solicitados os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do contribuinte, não obstou o procedimento fiscal, já que nestes casos a legislação de regência permite que o lucro seja arbitrado, não podendo tal situação, por si só, motivar o agravamento da multa.
Inteligência da Súmula CARF n. 96.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. HIPÓTESE DO ART. 135, III DO CTN.
A conduta das pessoas físicas que figuraram como sócias da empresa e que nesta condição omitiram receitas de fora reiterada, implicam em clara conduta fora dos limites da lei, o que configura a hipótese prevista no art. 135, III do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-001.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício para 150%, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 25/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO AUDITOR FISCAL. AUSÊNCIA DE NUILIDADE. Improcede a alegação de nulidade do auto de infração em razão de ausência de assinatura do auditor fiscal responsável mas que devidamente identificado. FORMAÇÃO ACADÊMICA DO AUDITOR FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. DESNECESSIDADE DE FORMAÇÃO CONTÁBIL. APLICAÇAÇÃO DA SUMULA CARF N. 8. O auditor fiscal devidamente aprovado em concurso público para desempenho de sua função tem legitimidade plena para o desenvolvimento de suas atividades, inclusive, a lavratura de auto de infração. Não constitui nulidade da autuação a falta de formação contábil do auditor fiscal. Aplicação da súmula CARF nº 08. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 9. Não constitui cerceamento do direito de defesa do Contribuinte a intimação dos lançamentos por via postal. Aplicação da Súmula CARF n° 9. IRPJ. APURAÇÃO TRIMESTRAL. PREVISÃO LEGAL. O encerramento do IRPJ por períodos trimestrais tem expressa previsão legal contida no art. 1 da Lei n. 9.430/96 . QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 02. A quebra indevida de sigilo bancário, tem amparo legal no artigo 6º da Lei Complementar 105 de 2001. Eventual inconstitucionalidade da norma não pode ser apreciada pelo CARF, conforme disposto na Súmula CARF n. 02. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 09 51 /2 01 3- 52 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 ARBITRAMENTO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. INOCUIDADE. Partindose de uma base de receita arbitrada, onde se aplica a presunção de receita e lucro, não há oportunidade de se ater a detalhada base de cálculo das contribuições. Não cabendo ao agente fiscal efetuar tais considerações na constituição do crédito tributário. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE CONDUTA DO CONTRIBUINTE PARA ATRAPALHAR O TRABALHO FISCALIZATORIO. INAPLICABILIDADE. Para aplicação do agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associado a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. O não atendimento à intimação, na qual eram solicitados os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do contribuinte, não obstou o procedimento fiscal, já que nestes casos a legislação de regência permite que o lucro seja arbitrado, não podendo tal situação, por si só, motivar o agravamento da multa. Inteligência da Súmula CARF n. 96. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. HIPÓTESE DO ART. 135, III DO CTN. A conduta das pessoas físicas que figuraram como sócias da empresa e que nesta condição omitiram receitas de fora reiterada, implicam em clara conduta fora dos limites da lei, o que configura a hipótese prevista no art. 135, III do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício para 150%, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Fl. 759DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10240.720951/201352 Acórdão n.º 1201001.254 S1C2T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem sintetizar os fatos litigiosos objeto do presente processo, transcrevo o relato da autoridade julgadora de primeira instância: “(...) Tratase de Autos de Infração (AIs) de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis pelos quais foram constituídos os créditos tributários de R$ 978.006,61, R$ 479.040,46, R$1.333.235,32 e R$ 288.867,65, respectivamente; tributação sob a forma do lucro arbitrado e multa de ofício de 225%. Como mote, a omissão de receitas pela via de depósitos bancários de origem não comprovada, consoante o Termo de Verificação e Constatação Fiscal TVCF. Às fls. 581590, 594603 e 607616, impugnações apresentadas por ELCIDE ALBERTO LANZARIN, MARCO ANTONIO PETISCO e OSVINO JURASZEK contra os quais foram lavrados Termo de Sujeição Passiva Solidária TSPS, por terem figurado como sócios administradores no período fiscalizado e deixado de informar em DIPJ/DCTF a receita auferida da contribuinte, bem como de recolher os impostos/contribuições devidos. Todas elas, mudando o que deve ser mudado, guardam identidade de razões de defesa assim contidas em seus articulados, de excertos abaixo: DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Os Auditores anexaram ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, cópia dos Autos de Infração e do Termo de Verificação e Constatação Fiscal. Ponto. De mais nada o Impugnante foi informado. A falta de acesso ao que estava sendo feito pelo fisco [...] prejudicou sobremaneira o Impugnante que não podia sequer imaginar o que pretendiam os Auditores [...]. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA [...] não existe prova de que o Impugnante tenha agido com excesso de poderes ou que tenha infringido qualquer dispositivo legal, muito menos os atos constitutivos da empresa. [...] os Autos de Infração lavrados [...] foram baseados em mera presunção legal [...]. [...] não existe presunção legal para a atribuição da responsabilidade solidária Fl. 760DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 [...]. [...] não basta simplesmente ser sócio ou dirigente para dividir com a empresa autuada a responsabilidade pelo pagamento dos tributos. É preciso que fique caracterizado o dolo [...]. (Original contém negritos e sublinhas) Às fls. 620 46, impugnação apresentada pela contribuinte; excertos abaixo: DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA [...] a auditoria foi realizada fora das dependências da empresa [...]. Isto trouxe [...] sérios prejuízos à Impugnante por desconhecer totalmente do andamento dos trabalhos da fiscalização, em flagrante desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Até a ciência dos autos de infração foi [...] por via postal [...]. DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO A descrição dos fatos constantes na referida peça é pífia. [...]. [...] não poderiam, os Auditores, ter encontrado os referidos lançamentos em dias que caíram em sábados e domingos, pois, nesses dias, os bancos não abrem suas portas. [...] dois dos Auditores que realizaram os trabalhos, simplesmente não assinarem os Autos de Infração, nem o Demonstrativo do Crédito Tributário do Processo, nem o Termo de Verificação e Constatação Fiscal. [...] na medida em que não consta a assinatura de um Auditor, como saber se o Auto de Infração foi lavrado pelo próprio? Teria sido o próprio auto lavrado por outros servidores que não os citados Auditores? Seriam esses servidores competentes para proceder o lançamento tributário através do Auto de Infração?Em face da dúvida acerca da autoria do lançamento, a Impugnante protesta pela nulidade dos autos [...]. Corrobora, ainda, a tese da nulidade, o fato de os Auditores que realizaram o procedimento fiscal em sua totalidade não possuírem formação contábil. DA AUTUAÇÃO COM BASE SOMENTE EM EXTRATOS BANCÁRIOS Não tinham os zelosos Auditores autorização judicial para proceder à quebra do sigilo bancário da Impugnante [...]. Os Auditores não analisaram os livros contábeis da Impugnante. [...]. Se a prova de sua ocorrência cabia ao Fisco, então a presunção, por parte do aplicador da lei, revela uma inversão do ônus da prova contrária à lei e, por isso, deve ser afastada, não se sustentando a pretensão fiscal. DOS PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS DA IMPUGNANTE Fl. 761DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10240.720951/201352 Acórdão n.º 1201001.254 S1C2T1 Fl. 4 5 [...] a base de cálculo apurada a partir somente dos extratos bancários não pode ser aplicada para o seu perfil de negócio [...]. [...] diversos depósitos correspondentes a recursos sacados anteriormente foram computados pelos Auditores como nova receita. Uma outra situação na qual os Auditores consideraram mais de um lançamento à crédito para uma mesma operação, é o caso do cheque sem fundos que é apresentado uma, duas, até três vezes seguidas. DO DIREITO DA PRECARIEDADE DA AUTUAÇÃO [...] Sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS [...] Sobre a aplicação da multa de 225% [...] a primeira intimação lhe foi apresentada no corpo do Termo de Início de Fiscalização, em 15.12.2012. Em seguida, recebeu o Termo de Reintimação nº01/2012, no dia 31.07.2012. Estas duas intimações não pediam esclarecimentos,dos documentos e, no dia 06.08.2012, dentro dos prazos concedidos pela fiscalização, informou que não possuía o restante da documentação solicitada [...]. A fiscalização também não cumpriu outro prérequisito para o agravamento da multa, qual seja o de fazer a intimação pessoalmente [...]. (Original contém negritos e sublinhas) A DRJ julgou improcedentes as Impugnações apresentadas pela Contribuinte e pelos sujeitos passivos solidários, mantendo a autuação, inclusive a multa qualificada e multa agravada, bem como, a sujeição passiva solidária dos sócios, mediante os seguintes argumentos extraídos do voto. (...) 2) DAS PRELIMINARES 2.1) DO CERCEAMENTO DOS DIREITOS DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, tal como advogado pelos sujeitos passivos solidários, em síntese, à razão de que não teriam sido informados de nada mais além do TSPS e do TVCF, sem "sequer imaginar o que pretendíamos Auditores [...]". Fl. 762DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 Também não ocorreu supressão ou diminuição do direito do contraditório de que trataram os argumentos da contribuinte, à razão do desconhecimento total do"andamento dos trabalhos da fiscalização" e de que até mesmo "a ciência dos autos de infração foi [...] por via postal [...]. 2.2) DAS NULIDADES 2.2.1) DA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO Concernente à quebra do sigilo bancário, por apertada maioria de votos (5x4), o tribunal pleno do STF deu provimento ao RE 389808 em que determinada sociedade empresária “questionava o acesso da Receita Federal a informações fiscais da empresa, sem fundamentação e sem autorização judicial”. Outrossim, não há decisão definitiva nos autos daquele RE a impor a aplicação incontinenti do disposto no inciso I do art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Na página do STF na web consta a seguinte notícia: (...) 2.2.2) DA COMPETÊNCIA E DA FORMAÇÃO DOS SERVIDORES AUTUANTES A par dos dispositivos acima transcritos, o lançamento de ofício do crédito tributário compete a Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em auto de infração, como foi o caso, nos estritos termos do inciso I do art. 31 do Decreto nº 7.574/2011. Ainda que a autoria dos Autos de Infração, ou dos demais termos deles integrantes, tenha sido desse ou daquele AFRFB, não há que se dizer de nulidade, até porque a identificação de cada um deles constou em todos os documentos por eles lavrados. Houvesse dúvidas, deveria a contribuinte verificar de plano a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal junto à própria RFB, conforme o permissivo contido ao final do Termo de Início de Ação Fiscal. Outrossim, há muito foi superada a questão sobre a necessidade de formação contábil dos AFRFB. Por oportuno, os pronunciamentos abaixo, oriundos do Carf: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. 2.2.3) DA CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS POR VIA POSTAL Fl. 763DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10240.720951/201352 Acórdão n.º 1201001.254 S1C2T1 Fl. 5 7 A transcrição do art. 10 do Decreto nº 7.574/2001, vigente à data da ciência do Termo de Início de Fiscalização, por si só, desqualifica a preliminar de cerceamento do direito de defesa da contribuinte, aqui assumida como de nulidade dada sua forte afetação ao processo administrativo fiscal. Senão vejamos: Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal,[...]; II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); III por meio eletrônico, [...]; ou IV por edital, [...]. § 1o A utilização das formas de intimação previstas nos incisos I a III não está sujeita a ordem de preferência (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113). 2.2.4) DO ENCERRAMENTO DO IRPJ POR PERÍODOS TRIMESTRAIS Sem razão a pecha de nulidade assim entendida pela contribuinte. Senão vejamos o seguinte teor do art. 1º da Lei nº 9.430/1996, integrante do enquadramento legal: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho,30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário,observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. 3) DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (...) Conforme constou no TVCF: 42. Constatouse durante o procedimento fiscal que o contribuinte declarou em DIPJ que não auferiu receita no anocalendário2009. Também declarou em DCTF que não possuía imposto de renda ou contribuição a pagar. 43. Entretanto, como já exposto, no mesmo período, o contribuinte apresentou movimentação financeira significativa e incompatível com o valor declarado,num total superior a R$ 12.000.000,00 [...], sem haver, contudo, mesmo após reiteradas intimações, comprovado a origem desses recursos, situação que, nos termos legais acima expostos, caracteriza a omissão de receitas. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 44. Os Srs. ELCIDE ALBERTO LANZARIN [...], MARCO ANTONIO PETISCO [...] e OSVINO JURASZEK [...], no período fiscalizado, figuraram como sócios administradores da empresa [...] e nesta condição tinham o dever contratual e legal de prestar as informações econômico fiscais da pessoa jurídica à Receita Federal do Brasil. No entanto, deixaram de informar em DIPJ/DCTF a receita auferida pela empresa, conforme restou comprovado em diligências fiscais,assim como deixaram de recolher os impostos/contribuições devidos sobre a receita auferida.. Aqueles sujeitos amoldamse ao elemento pessoal do tipo previsto no caput daquele artigo, vez que, se não foram seus executores materiais, foram partícipes ou mandatários das infrações encontradas pelo fisco, tamanhas suas representações em nome da sociedade empresária. Nesse sentido, ajustamse ao tipo subjetivo do inciso III do art. 135 do CTN, por terem suplantado os limites objetivos conferidos em seus contratos e alterações contratuais, em face de suas condutas dolosas, sem que fossem diligentes e probos no trato da administração, revelando o menosprezo com o propósito negocial da contribuinte insculpidos em seus atos constitutivos. (...) 4) MÉRITO 4.1) OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS Em que pesem os discursos passivos, restou comprovada a hipótese clássica do antecedente da norma dispositiva no tipo previsto no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, integrante do enquadramento legal, de sorte que todos os sujeitos passivos se sujeitassem ao seu consequente, a caracterização de omissão de receitas: [...] 4.2) DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Essa forma de tributação foi devidamente fundada no inciso III do artigo 530 do Decreto nº 3.000/1999: (...) Enfim, o legislador ordinário previu que deixar de apresentar à autoridade tributária é obrigação dotada de valor tal que justifica a tributação sob a forma do lucro arbitrado, em contraponto ao lucro presumido. Quanto à base de cálculo propriamente dita, o fisco foi claro (item 32 do TVCF) ao externar a metodologia adotada, de sorte que:foram separados todos os créditos das contas de depósitos mantidas pelo contribuinte junto a essas instituições financeiras, excluídos os previamente identificados pela fiscalização como decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica e de lançamentos de estorno. [...]. E o fez, certamente, com suporte no inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº Fl. 765DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10240.720951/201352 Acórdão n.º 1201001.254 S1C2T1 Fl. 6 9 9.430/1996 e com a cautela de desconsiderar os valores decorrentes de transferências de outras contas da própria contribuinte. Por oportuno, a contribuinte não comprovou a existência de consideração indevida pelo fisco de cheques sem fundos reapresentados. 4.2) DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA Do ponto de vista da aplicação da multa no patamar de 150%, encontramse nos autos todos os elementos probantes a justificarem sua manutenção, vez que a realidade fática foi bastante para constar, nos limites da legalidade e da tipicidade, notadamente, o evidente intuito do vício social da sonegação apontado pelo fisco. [...] Em suma, pela via omissiva, dolosa daqueles sócios administradores,visando a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal de que trataram os lançamentos. Nesse sentido, os trechos acima extraídos do TVCF com os quais comungo e que sinalizam para a tipificação, ainda que em tese, da sonegação. A circunstância acima caracteriza em tese, crime contra a ordem tributária a que aludem os artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990. Tal vício social foi praticado em livre consciência pela administração da contribuinte, pelos qual quis se o resultado da antijurídica de encontrada pelo fisco, ou de assumir o risco em produzilo,consoante o conceito tratado no artigo 18 do Código Penal brasileiro: Art. 18 Diz se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I doloso,quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Também não merece reparos o agravamento daquela penalidade para o percentual de 225%, a ver a última parte do item 47 do TVCF abaixo transcrito: 47. A multa agravada justificasse por ter a empresa declarado à autoridade fazendária que não auferiu receita bruta no anocalendário fiscalizado, tendo sido verificado pela fiscalização uma receita bruta em valor superior a R$12.000.000,00 [...], fato que configura evidente indício de sonegação. O contribuinte também não prestou os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, apesar de ter sido reiteradamente intimado. Limitouse,apenas, apedidos de prorrogação, não apresentando justificativa alguma para o não atendimento das intimações. (Sublinha acrescida) Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 O destaque acima encontra suporte no Termo de Reintimação nº 01/2012no qual foram expressamente reiterados os objetos do Termo de Início de Fiscalização, quais sejam, a apresentação de documentos e a prestação de esclarecimentos. Enfim, de um lado, a contribuinte apresentou apenas pedidos de prorrogação de prazo, deferidos, que não podem ser traduzidos como esclarecimentos que orbitassem a apresentação de documentos. Assim, materializase o elemento objetivo do tipo do inciso II do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Outrossim, dentre os documentos objetos do Termo de Início de Fiscalização constaram os “Registros Contábeis em Arquivos Digitais, anocalendário2009”,qual seja, o elemento objetivo do tipo do inciso II do art. § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Inconformada com a decisão da DRJ, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário onde combateu a cada argumentação da primeira instancia, além de reiterar novamente os mesmos pedidos, conforme abaixo sintetizado: i) reitera pedido preliminar, para que sejam declarados nulos os Autos de Infração do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL por terem, os Auditores, cerceado o seu direito de defesa ao realizar a auditoria fora de seu domicílio fiscal; ii) requer sejam declarados nulos os Autos de Infração por terem, os Auditores, estabelecido um prazo por demais exíguo para o cumprimento da intimação para justificar a origem dos lançamentos a crédito em suas contas correntes, considerandose a carga de trabalho e de tempo necessária para tal; iii) requer sejam os Autos de Infração declarados nulos, por terem, os Auditores, cerceado o direito de defesa da Recorrente ao apresentar a descrição dos fatos com erros e imprecisões de data; iv) requer a nulidade também em razão de todo o procedimento fiscal ter sido realizado por servidores que não possuem a formação acadêmica em contabilidade, como determina o Conselho Federal de Contabilidade; v) ainda em relação ao aspecto formal, argui a nulidade dos Autos de Infração também por ter, os Auditores José Hamilton Nobre Júnior e Michel Lopes Teodoro, deixado de apor sua assinatura, colocando em dúvida se os mesmos teriam sido lavrados por servidor competente, como determina a lei; vi) em relação aos elementos de prova, que sejam cancelados de plano, os Autos de Infração, por terem, os Auditores, procedido a quebra do sigilo bancário da Recorrente, e utilizado os extratos bancários como prova, sem a devida autorização judicial; vii) em relação à base de cálculo do PIS e da COFINS, que sejam cancelados de plano, os Autos de Infração das referidas contribuições, por terem, os Auditores, incluído o ICMS a base de cálculo, em fragrante desrespeito a reiteradas decisões do Poder Judiciário; viii) em relação à multa de 225%, que seja cancelada, nos Autos de Infração do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, por não terem, os Auditores, provado a Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10240.720951/201352 Acórdão n.º 1201001.254 S1C2T1 Fl. 7 11 fraude, o conluio ou a sonegação e por ter aplicado indevidamente o percentual de agravamento de 50% e ix) finalmente, em relação à base de cálculo, que sejam cancelados os Autos de Infração, pois, conforme ficou provado, os Auditores abandonaram o elemento contábil estabelecido em lei para fundarse unicamente em base apurada através de extratos bancários. Além disso, vieram aos autos, os respectivos Recursos Voluntários das pessoas físicas contras as quais foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária, por meio dos quais, alegam, em síntese, o cerceamento ao direito de defesa e a inaplicabilidade do art. 135, III do CTN dada a ausência de atos por estes praticados com excesso de poderes, infração de lei ou contrato social. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator Da Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. Das Preliminares de Nulidade do Lançamento O contribuinte pleiteia a nulidade dos autos de infração, alegando vícios no decorrer do processo de fiscalização e autuação, conforme abaixo sintetizado: a) Cerceamento de seu direito de defesa ao realizar a auditoria fora de seu domicílio fiscal; b) Estabelecimento de um prazo por demais exíguo para o cumprimento da intimação; c) Cerceamento do direito de defesa da Recorrente ao apresentar a descrição dos fatos com erros e imprecisões de data; d) Realização do procedimento fiscal por servidores que não possuem a formação acadêmica em contabilidade, como determina o Conselho Federal de Contabilidade; Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 e) Ausência de assinatura dos Auditores José Hamilton Nobre Júnior e Michel Lopes Teodoro, colocando em dúvida se os mesmos teriam sido lavrados por servidor competente, como determina a lei; f) Cerceamento do direito de defesa em razão da ciência dos lançamentos ter se dado por via postal; g) Realização da Fiscalização fora do estabelecimento do Contribuinte. h) Incorreta apuração do IRPJ por períodos trimestrais i) Indevida quebra de sigilo bancário face à ausência de autorização judicial. Passo a analisar cada um dos pontos acima. De fato, os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela RFB devem ser, e nesta caso foram instaurados e executados pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil após a emissão do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF). O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal é o instrumento administrativo que registra a distribuição do procedimento fiscal e é expedido exclusivamente na forma eletrônica. Ora, se Recorrente apresentava insegurança quanto a validade do auto de infração emitido em razão da ausência de assinatura deveria ter efetuado a devida consulta do processo de fiscalização através do número de MPF no sítio da Receita Federal do Brasil, conforme orientação constante na própria intimação. Cabe ressaltar, não se aplica ao presente caso, o contido na Súmula CARF n. 21 que assim dspõe: “Súmula CARF nº 21: É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu” Isso porque, neste caso não há ausência de identificação da autoridade, tão somente, a ausência de assinatura. Com relação ao prazo para atendimento a fiscalização, entendo que o contribuinte teve oportunidade até mesmo superior ao normalmente aplicado pelas fiscalizações, uma vez que solicitou por diversas vezes o pedido de prorrogação de prazo, sendo todos eles deferidos. Contudo, ainda assim, não houve apresentação dos documentos e informações solicitados pela fiscalização, sequer foram apresentadas justificativas para esta ausência de atendimento à fiscalização. Além disso, não vislumbro as alegadas imprecisões nas descrições de fatos e datas, sendo que tais alegações vieram desacompanhadas de documentos comprobatórios o que impossibilita a este julgador acatálas. A argumentação sobre a formação acadêmica do auditor fiscal, já foi sobremaneira dissipada, através da súmula CARF nº 08. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10240.720951/201352 Acórdão n.º 1201001.254 S1C2T1 Fl. 8 13 Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Também não merece prosperar a alegação de nulidade em razão de suposto cerceamento de defesa do Contribuinte causado pelo fato da ciência dos lançamentos ter ocorrido por via postal. O CARF possui vasta jurisprudência a este respeito que culminou na aprovação da Súmula CARF n° 9 que assim dispõe: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Alega também o Contribuinte o cerceamento de seu direito de defesa em razão da fiscalização ter sido efetivada fora das dependências da empresa que se viu obrigada à hercúlea tarefa de ter de entregar documentos na sede da Delegacia da Receita Federal em Porto Velho/RO. Ainda que absurda tal alegação, não posso me eximir de analisá la. Em primeiro lugar, não há qualquer previsão legal que obrigue que a fiscalização ocorra integralmente nas dependências do contribuinte. Até porque, nem todos os contribuintes possuem estrutura adequada para receber um fiscal e disponibilizar local adequado para desenvolvimento do trabalho. Além disso considerando que tanto a empresa quanto a sede da Delegacia da Receita Federal se encontram em Porto Velho/RO, não consigo vislumbrar, nem de longe, o malefício causado ao contribuinte. Também não merece abrigo a arguição de nulidade levantada pelo Contribuinte em razão do encerramento do IRPJ por períodos trimestrais em razão de expressa previsão legal contida no art. 1 da Lei n. 9.430/96 que assim dispõe: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Quanto à nulidade decorrente da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, pleiteia o Recorrente o cancelamento do auto de infração, por terem, os Auditores, procedido a quebra do sigilo bancário da Recorrente, e utilizado os extratos bancários como prova, sem a devida autorização judicial. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 14 Tal ponto é objeto de constante discussão no judiciário. Conforme decisão da 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, é descabido que a fiscalização tributária tenha de ajuizar ação na Justiça cada vez que precisar de informações da vida financeira de contribuintes. Além disto, como bem argumentou o julgador da primeira instancia, não há o que se falar em quebra indevida de sigilo bancário, visto que há amparo legal para tal procedimento, no artigo 6º da Lei Complementar 105 de 2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O dispositivo legal acima encontrase em plena vigência, não cabendo a este julgador a análise sobre eventual inconstitucionalidade por respeito `Súmula CARF n. 2. De fato, já foi externada posição a respeito da matéria pelo Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 389.808/PR, conforme ementa abaixo: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” (RE 389808/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Julgado em 15/12/2010, Publicado em 10/05/2011) Não obstante minha posição se assemelhe bastante ao julgado acima, o fato é que tal decisão não foi proferida pelo STF sob o rito da Repercussão Geral, sendo assim, considerando a existência e vigência de lei que permite a quebra do sigilo bancário sem autorização, bem como, o teor da Súmula CARF n. 2 que veda aos Conselheiros do CARF a análise de inconstitucionalidade, devo afastar a presente preliminar de nulidade. Desta forma, tendo o processo de fiscalização e o auto de infração preenchido todos os requisitos previstos em lei, todas as alegações de nulidade merecem ser afastadas. Mérito Apuração baseada apenas em extratos bancários Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10240.720951/201352 Acórdão n.º 1201001.254 S1C2T1 Fl. 9 15 Aduz a Recorrente deve ser a autuação cancelada, em razão dos Auditores terem abandonado o elemento contábil estabelecido em lei para fundarse unicamente em base apurada através de extratos bancários. De fato, os auditores fiscais se valeram das informações dos extratos bancários, visto que a contribuinte após ser intimada e reintimada por diversas vezes, não apresentou nenhuma evidência que pudesse ser considerada na constituição do crédito tributário. Além disto, o procedimento de arbitramento está amparado no artigo 47 da Lei 8.981: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Desta forma, não merece reparo o procedimento adotado pela Fiscalização. Exclusão do ICMS da Base de Cálculo do PIS/COFINS Pleiteia ainda a Recorrente o cancelamento dos auto de infração em relação à base de cálculo do PIS e da COFINS, por terem, os Auditores, incluído o ICMS, em fragrante desrespeito a reiteradas decisões do Poder Judiciário Por se tratar de uma base de receita arbitrada, onde partese de uma presunção de receita e lucro, não há oportunidade de se ater a detalhada base de cálculo das contribuições. Não cabendo ao agente fiscal efetuar tais considerações na constituição do crédito tributário. Além disto, caberia a contribuinte indicar os valores de ICMS, visto que como apontado pelo julgador da primeira instancia não há como afirmar a inclusão destes valores no auto de infração referente ao PIS e a COFINS. Assim, não assiste razão à Recorrente. Ressalto, não analiso aqui o mérito da questão da permissão de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, mas tão somente a inocuidade desta discussão no presente caso, que trata de lançamento de presunção, bem como, a ineficácia da simples alegação acerca de tal exclusão desacompanhada de comprovação dos valores de ICMS apurados e recolhidos. Multa qualificada e agravada Fl. 772DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 16 Conforme relatado, a Fiscalização aplicou multa de ofício qualificada de 150%, agravada em 50% pelo não atendimento a intimação, conforme previsto no art. 44,inciso I, § 2o, da Lei no 9.430/96. Vem a Recorrente combater a aplicação da multa qualificada e agravada, alegando não terem, os Auditores, provado a fraude, o conluio ou a sonegação, que justificassem a aplicação do percentual de agravamento de 50%. Pois bem, a jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associado a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. O não atendimento à intimação, na qual eram solicitados os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do contribuinte, não obstou o procedimento fiscal, já que nestes casos a legislação de regência permite que o lucro seja arbitrado. Tanto é verdade, que foi o próprio autuante que procedeu o arbitramento do lucro da empresa e efetuou o lançamento. Ora, o não fornecimento dos livros e documentos comerciais e fiscais não obsta a atividade fiscal, pelo contrário a facilita, pois tal conduta do contribuinte coloca a presunção legal contra ele, autorizando o lançamento de ofício arbitrando o lucro. Neste ponto, trago recente decisão do ilustre Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida nos autos do Processo n. 15563.720068/201333, assim ementada: MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que o contribuinte não tenha apresentado todos os dados solicitados pela fiscalização, devese afastar a multa agravada quando constatado que tal circunstância não obstaculizou nem prejudicou, de forma incisiva, a definição da base de cálculo dos tributos lançados. Assim, inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões tem conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Por outro lado, não restam dúvidas quanto à acertada aplicação da multa qualificada de 150%, uma vez que presentes os 03 elementos que, entendo, são suficiente e necessários para tanto, quais sejam: i) montantes relevantes; ii) prática reiterada e iii) evidências de dolo. Assim, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Sujeição Passiva Solidária Conforme acima relatado, a Fiscalização constatou que a ora Recorrente declarou, dolosa e falsamente, em DIPJ o não auferimento de receita durante o ano Fl. 773DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10240.720951/201352 Acórdão n.º 1201001.254 S1C2T1 Fl. 10 17 calendário 2009, bem como, deixou de declarar através de DCTF, os valores do imposto de renda e contribuições a pagar. Neste período, fora identificado pela Fiscalização que a Recorrente movimentou recursos financeiros claramente distintos do valor declarado, em montante a R$ 12 milhões. Contudo, mesmo após ter sido intimada por diversas vezes, a Recorrente deixou de comprovar a origem desses recursos, caracterizando a omissão de receitas. Em razão disso, autoridade autuante fundamentou a atribuição de responsabilidade a ELCIDE ALBERTO LANZARIN, MARCO ANTONIO PETISCO e OSVINO JURASZEK no art. 135, III do CTN, que assim dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Cabe ressaltar, tais pessoas físicas figuraram como sócios administradores da Recorrente durante o período fiscalizado e nesta condição, decidiram por sonegar informações ao fisco de forma reiterada, configurando infração à lei e enquadrandoos no dispositivo legal acima. Ressalto aqui que o caso em tela não trata de mera inadimplência, ou seja, do não pagamento de um crédito tributário devidamente declarado. Tratase sim de não submissão de receitas à tributação do Fisco Federal. Por fim, trazem os sujeitos passivos solidários, também, o argumento de que lhes fora cerceado o direito de defesa, tendo em vista que toda a fiscalização ocorrera em domicílio fiscal diverso. Discordo e afasto tal argumento. Todos os Recorrentes foram devidamente intimados da autuação, sendolhes concedido prazo para Impugnação e, após a decisão da DRJ, para apresentação de Recurso Voluntário, quando tiverem a oportunidade de trazer toda a matéria de defesa. O que foi feito. Desta forma, tendo todo os processo transcorrido de acordo com as regras do PAF, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Assim, concluo que não há qualquer dúvida quanto à sujeição passiva solidária dos Srs. ELCIDE ALBERTO LANZARIN, MARCO ANTONIO PETISCO e OSVINO JURASZEK, por aplicação do art. 135, III do CTN. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 18 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO dos Recursos Voluntários apresentados para AFASTAR as PRELIMINARES suscitadas e no MÉRITO, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO, apenas para reduzir o percentual da multa de ofício de 225% para 150%. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 775DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 27/ 02/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16095.720009/2014-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2012
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o autoenquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VERBA DE SUCUMBÊNCIA. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ADVOGADO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os dispositivos do Estatuto da OAB relacionados ao advogado empregado não se aplicam à Administração Pública Direta, por força do artigo 4º da Lei 9.527/97, de sorte que os honorários sucumbenciais pertencem ao Ente Público, e não aos procuradores, enquanto empregados, servidores públicos, regidos pela CLT e vinculados ao RGPS.
Os valores recebidos a título de honorários sucumbenciais constituem receita orçamentaria do município, sendo pagas aos seus procuradores na forma de parcela variável, decorrente da política de remuneração do ente público prevista em lei municipal, representando verdadeira contraprestação remuneratória pelos serviços advocatícios que lhe foram prestados.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO CEDIDOPOR OUTRO ORGÃO. GRATIFICAÇÃO VARIÁVEL. COMPLEMENTAÇÃO DE REMUNERAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor pago a título de gratificação, aos servidores públicos cedidos por outros Entes Públicos, mas que visa a complementação de verbas remuneratórias e equiparação salarial, para a prestação de serviços idênticos ou similares, configura-se contraprestação remuneratória, integrando assim o conceito jurídico de Salário de Contribuição.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO.
Configura-se Salário de Contribuição do Segurado Contribuinte Individual o pagamento auferido por pessoa física decorrente dos serviços que foram prestados, de forma eventual e sem relação de emprego, a órgãos da Administração Pública Municipal.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS DE PERITO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
A remuneração auferida por perito, decorrente dos serviços profissionais prestados à empresa no curso de processo judicial, representa a contraprestação financeira pelos serviços de natureza urbana que lhe foram prestados por pessoa física, de maneira eventual e sem relação de emprego, configurando-se tal verba como Salário de Contribuição do Segurado Contribuinte Individual, ficando a entidade pagadora sujeita à tributação de que trata o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2401-004.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no mérito, NEGAR-LHES PROVIMENTO, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o autoenquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VERBA DE SUCUMBÊNCIA. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ADVOGADO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os dispositivos do Estatuto da OAB relacionados ao advogado empregado não se aplicam à Administração Pública Direta, por força do artigo 4º da Lei 9.527/97, de sorte que os honorários sucumbenciais pertencem ao Ente Público, e não aos procuradores, enquanto empregados, servidores públicos, regidos pela CLT e vinculados ao RGPS. Os valores recebidos a título de honorários sucumbenciais constituem receita orçamentaria do município, sendo pagas aos seus procuradores na forma de parcela variável, decorrente da política de remuneração do ente público prevista em lei municipal, representando verdadeira contraprestação remuneratória pelos serviços advocatícios que lhe foram prestados. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO CEDIDOPOR OUTRO ORGÃO. GRATIFICAÇÃO VARIÁVEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 09 /2 01 4- 72 Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 COMPLEMENTAÇÃO DE REMUNERAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor pago a título de gratificação, aos servidores públicos cedidos por outros Entes Públicos, mas que visa a complementação de verbas remuneratórias e equiparação salarial, para a prestação de serviços idênticos ou similares, configurase contraprestação remuneratória, integrando assim o conceito jurídico de Salário de Contribuição. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO. Configurase Salário de Contribuição do Segurado Contribuinte Individual o pagamento auferido por pessoa física decorrente dos serviços que foram prestados, de forma eventual e sem relação de emprego, a órgãos da Administração Pública Municipal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS DE PERITO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A remuneração auferida por perito, decorrente dos serviços profissionais prestados à empresa no curso de processo judicial, representa a contraprestação financeira pelos serviços de natureza urbana que lhe foram prestados por pessoa física, de maneira eventual e sem relação de emprego, configurandose tal verba como Salário de Contribuição do Segurado Contribuinte Individual, ficando a entidade pagadora sujeita à tributação de que trata o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.012 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2012 Data da lavratura do AIOP: 14/12/2010. Data da Ciência do AIOP: 16/12/2010. Temse em pauta Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Rio de Janeiro I/RJ que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Auto de Infração nº 51.050.9460, 51.050.9479 e 51.050.9487, consistentes em diferenças de contribuições sociais previdenciárias a cargo do Empregador destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 189/193. De acordo com a resenha assinada pela Autoridade Lançadora, nas GFIP entregues pela autuada no período de 01/2009 a 02/2012 foram informados no campo CNAE preponderante o código 84116/11 – Administração Pública em Geral, cuja alíquota RAT é de 2%, contudo, nos campos Alíquota RAT, FAP e RAT Ajustado, utilizou a alíquota de 1%, o que determinou recolhimento menor de contribuição em todo o período. Apurouse que, além de não utilizar a alíquota RAT correta, a autuada deixou de aplicar o FAP – Fator Acidentário de Prevenção, a fim de obter o RAT Ajustado e calcular a contribuição devida. Do exame das DIRF a Fiscalização constatou que a autuada pagou gratificação a servidores ditos municipalizados, ou seja, cedidos por outros órgãos públicos e que lhe prestavam serviços sob o regime da CLT. Além da remuneração recebida pelo órgão público de origem, os municipalizados recebiam uma gratificação pelos serviços prestados à autuada, mas que não foram declarados em GFIP, nem houve recolhimento de contribuição (Levantamento MN); Verificou também na DIRF que a autuada pagou honorários advocatícios a seus empregados, os quais empregados foram declarados em GFIP, mas sem a referida verba, não fazendo incidir, dessarte, a contribuição previdenciária devida (Levantamento HS); Do exame da conta contábil 339036 – Outros serviços de terceiros pessoa física, a Fiscalização apurou pagamentos realizados a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nos anos de 2009 e 2010, a saber: · Levantamento CT Gratificação pagas aos membros do Conselho Tutelar, conforme planilha apresentada pela autuada; · Levantamento JA Gratificação paga aos membros da JARI – Junta de Recursos Fiscais, conforme apurado na contabilidade e liquidação de empenhos; Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 · Levantamento RF Gratificação paga aos membros da Junta Administrativa de Recursos de Infrações, conforme apurado na contabilidade e liquidação de empenhos; · Levantamento HP Honorários periciais, conforme apurado na contabilidade e liquidação de empenho. Em outubro de 2010 foram pagos honorários advocatícios referentes à execução fiscal de contas de água e esgoto, respectivamente, de R$ 355.992,15 e 71.198,43, às pessoas relacionadas no item 11.4 do relatório fiscal; · Levantamento OU – Pagamentos por outros serviços prestados como oficinas culturais, apresentações musicais, assessorias, orientação pedagógica, ceramista, treinamento, etc., conforme apurado na contabilidade e liquidação de empenhos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1744/1781. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1268.157 – 12ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I/RJ, a fls. 1863/1879, julgando procedente em parte o lançamento, para retificar a alíquota de SAT, tomando em consideração a atividade preponderante em cada órgão com CNPJ próprio, e mantendo na íntegra os demais lançamentos, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 11/09/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1902. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1915/1947, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que não existe nenhum embasamento para o reenquadramento da alíquota a ser aplicada à Administração Pública, de 1% para 2% como constou na decisão recorrida; · Que o conceito de atividade preponderante para fins de determinação do grau de risco foi estabelecido por decreto e não por lei; · Que os honorários advocatícios dos Procuradores do município, apesar de se configurarem como receita orçamentária, tem seu produto totalmente vertido em favor dos profissionais servidores da municipalidade. Aduz que tal verba não é paga pelo município, mas, sim, pela parte vencida na demanda judicial; · Que a cobrança da contribuição sobre os honorários advocatícios implica em ofensa ao postulado do non bis in idem, na medida em que importa em uma nova tributação sobre a mesma verba. Aduz que tais valores já sofrem a incidência do Imposto de Renda de Pessoa Física, razão pela qual não podem novamente servir como base de cálculo para a contribuição previdenciária, sob pena de constituir um manifesto excesso de exação; Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.013 5 · Que as gratificações não integram o conceito de Salário de Contribuição dos servidores municipalizados; · Que sobre os honorários advocatícios e periciais não incidem Contribuições Previdenciárias; Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 11/09/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 03/10/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto a fls. 1915/1947. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, deste conheço. Consta ainda nos autos petição intitulada “Recurso Voluntário”, a fl. 1966/2005, juntada aos autos em 30/10/2014, cujos argumentos não serão conhecidos em razão da sua apresentação intempestiva, haja vista que o prazo para interposição do apelo já havia se encerrado em 13/10/2014. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.2. DA ALÍQUOTA DO SAT O art. 195, I, da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.014 7 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao Regulamento da Previdência Social a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. A Lei nº 8.212/91 expressamente outorgou ao Poder Executivo a competência para regulamentar as disposições veiculadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Nessa vereda, o §4º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, remeteu ao Anexo V do RPS a Relação de Atividades Preponderantes da empresa para os fins de enquadramento nos Graus de Risco de acidentes do trabalho, visando à determinação da alíquota de SAT correspondente. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.015 9 incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007) §6º Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007) (...) § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3º e 5º. (Incluído pelo Decreto nº 6.042/2007) De acordo com o citado Anexo V do Regulamento da Previdência Social, a relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco de apura em conformidade com a classificação nacional de atividades econômica – CNAE. O Regulamento da Previdência Social estabeleceu a responsabilidade da empresa para realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Nessa esteira, verificado eventual erro no autoenquadramento, é competência da Secretaria da Receita Previdenciária adotar as medidas necessárias à sua correção, orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e proceder à notificação dos valores devidos. Não se deslembre que a empresa encontrase jungida à obrigação instrumental de informar, mensalmente, por meio de GFIP, a alíquota correspondente ao seu Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3º e 5º do art. 202 do RPS. Registrese que o Pretório Excelso, em notável decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se transcreve, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (grifos nossos) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. É de bom alvitre esclarecer, de modo a repelir qualquer dúvida, que o inciso II do art. 5º da CF/88 estatuiu que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A inteligência do dispositivo constitucional ora invocado conduz à conclusão de que as obrigações de fazer, não fazer ou de permitir não precisam estar taxativamente previstas, com todos os seus elementos, na Lei stricto sensu, mas sim, serem estatuídas em razão da lei, em decorrência da lei. Autores de nomeada reconhecem que tal disposição constitucional autoriza a lei formal a outorgar competência legislativa a outros instrumentos normativos de menor Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.016 11 escalão para dispor sobre as condições de contorno secundárias ou de maior dinâmica social inerentes à hipótese de incidência da obrigação. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II, da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos primários conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Na sequência, o parágrafo 3º do mesmo dispositivo legal autorizou o Ministério do Trabalho e da Previdência Social a alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, o enquadramento de empresas nos respectivos graus de risco para efeito da contribuição destinada ao SAT. Além disso, o art. 103 da Lei nº 8.212/91 expressamente outorgou ao Poder Executivo a competência para regulamentar as disposições veiculadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Nessa perspectiva, havendo sido fixadas, mediante lei formal, as condições de contorno essenciais da exação em tela, o estabelecimento por Regulamento do Poder executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa não extravasa as fronteiras insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: AgRg no REsp 753.635/PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00845620 Relator: Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 16/09/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008 Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTS. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o total dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto nº 2.173/97 e Instrução Normativa nº 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos) 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.017 13 empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). (grifos nossos) 5. Vale ressaltar que o reenquadramento do pessoal administrativo em grau de risco adequado e a estipulação da alíquota devida, assentados pela instância ordinária com fundamento na prova produzida nos autos, decorre de enquadramento tarifário, restando, assim, inviável o exame da matéria pelo E. STJ, a teor do disposto na Súmula 07, desta Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 6. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 7. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. 8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 9. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 10. Agravo regimental desprovido. Não procede, portanto, o inconformismo do Recorrente quanto ao estabelecimento, por Decreto do Poder Executivo, do conceito de atividade preponderante para fins de determinação do grau de risco de acidente de trabalho. E não se desdenhe do poder normativo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese do exposto que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, decorre da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelo §3º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, o Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, cujo Anexo V, combinado com o §4º do seu art. 202, estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE para efeito da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.018 15 condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 (...) Assentado que o Regulamento Suso citado encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária principal de recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida, conforme relação fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. Dessarte, o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa e deve ser em função da atividade econômica preponderante, sendo legalmente competente a Secretaria da Receita Federal do Brasil para rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores devidos. Nos termos do §1º do art. 86 da IN SRP nº 3/2005, o auto enquadramento para fins de determinação de grau de risco de acidente de trabalho será realizado pela atividade econômica da empresa, em atenção à Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, sendo oportuno ressaltar que, na hipótese de a empresa exercer mais de uma atividade econômica, o auto enquadramento se dará na atividade econômica preponderante da empresa, Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 assim considerada aquela que ocupar o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 86. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta IN, são: (...) II para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 71, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais: a) um por cento, para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) dois por cento, para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; c) três por cento, para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado grave; (...) §1º A contribuição prevista no inciso II do caput, será definida da seguinte forma: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, obedecendo as seguintes disposições: a) a empresa com um estabelecimento e uma única atividade econômica, enquadrarseá na respectiva atividade; b) a empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica, simulará o enquadramento em cada atividade e prevalecerá, como preponderante, aquela que tenha o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; c) a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos; (Redação dada pela IN SRP nº 20/2007) d) os órgãos da administração pública direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembleias Legislativas, Secretarias e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, enquadrarse ão na respectiva atividade, observado o disposto no §9º; (Redação dada pela IN SRP nº 20/2007) Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.019 17 (...) II considerase preponderante a atividade econômica que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, observado que: a) apurado na empresa ou no órgão do poder público, o mesmo número de segurados empregados e trabalhadores avulsos em atividades econômicas distintas, considerarseá como preponderante aquela que corresponder ao maior grau de risco; (Redação dada pela IN SRP nº 23/2007) b) não serão considerados os segurados empregados que prestam serviços em atividadesmeio, para a apuração do grau de risco, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros; (...) IV verificado erro no auto enquadramento, a SRP adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo ao lançamento do crédito relativo aos valores porventura devidos. (...) §9º Na hipótese de um órgão da administração pública direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, aplicarseá o disposto na alínea "c" do inciso I do §1º deste artigo. (Redação dada pela IN SRP nº 23/2007) (...) Há que se destacar, de plano, que uma mesma atividade pode ser executada tanto pela iniciativa privada, como uma atividade econômica propriamente dita, ou seja, um meio de obtenção de lucro, bem como pela administração pública, no desempenho de um serviço público. É o que sói ocorrer nos casos de saúde, educação e cultura, dentre tantos outros. Tal segregação é relevante, pois importará enquadramento CNAE distintos. A Tabela 1 do Anexo II da IN MPS/SRP nº 3/2005 relaciona os códigos CNAE das atividades, os correspondentes códigos FPAS e os percentuais de contribuição para o financiamento de aposentadorias especiais e dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, previstos no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Os códigos FPAS são listados em ordem numérica e se vinculam ao código CNAE da atividade à qual correspondem. Para fins do disposto no art. 137 §§ 1º e 2º da IN MPS/SRP nº 03/2005 deverá o sujeito passivo observar rigorosamente o código CNAE de sua atividade a fim de identificar o código FPAS atribuído pela Tabela 1. Registrese, a fim de nocautear qualquer dúvida ainda renitente, que com a promulgação da EC nº 19/98, e o fim da obrigatoriedade do Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos, os entes federativos passaram a poder contratar servidores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, os quais deveriam ser mensalmente declarados em GFIP. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 Houvese então por criado o código FPAS 582, e as atividades a eles associadas, conforme tabela abaixo, extraída da IN SRP nº 3/2005. ANEXO II ‐ IN 03/2005 ‐ TABELA 1 CNAE RAT FPAS Descrição da atividade 64107/00 1,00% 582 Banco Central 84116/00 2,00% 582 Administração pública em geral 84124/00 2,00% 582 Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais 84132/00 2,00% 582 Regulação das atividades econômicas 84213/00 2,00% 582 Relações exteriores 84221/00 2,00% 582 Defesa 84230/00 2,00% 582 Justiça 84248/00 2,00% 582 Segurança e ordem pública 84256/00 2,00% 582 Defesa Civil 84302/00 2,00% 582 Seguridade social obrigatória 99008/00 1,00% 582 Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais sem acordo internacional de isenção (com acordo: FPAS 876) Ilustrativamente, notese que, no caso da atividade de ensino, se a atividade for prestada pela iniciativa privada, o seu enquadramento no código FPAS será o 574 ESTABELECIMENTO DE ENSINO – SOCIEDADE COOPERATIVA (estabelecimento no qual se explora a atividade econômica relacionada ao ensino) , conforme tabela que ora se vos segue: ANEXO II ‐ IN 03/2005 ‐ TABELA 1 CNAE RAT FPAS Descrição da atividade 85139/00 1,00% 574 Ensino fundamental 85201/00 1,00% 574 Ensino médio 85317/00 1,00% 574 Educação superior graduação 85325/00 1,00% 574 Educação superior graduação e pósgraduação 85333/00 1,00% 574 Educação superior pósgraduação e extensão 85414/00 1,00% 574 Educação profissional de nível técnico 85422/00 1,00% 574 Educação profissional de nível tecnológico De outro viés, se a atividade exercida pelo Poder Público, na área relacionada com a Regulação das atividades de educação, o código FPAS passa a ser o 582, e o CNAE associado 84124/00 passa a corresponder a uma alíquota SAT de 2%. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.020 19 Assim, tratandose de um serviço público prestado pela administração pública, o enquadramento na Classificação Nacional de Atividades Econômicas ajustase na Seção ‘O’, Divisão 84 – “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL”. Esta seção compreende as atividades que, por sua natureza, são normalmente realizadas pela Administração Pública e, como tal, são atividades essencialmente não mercantis, compreendendo a administração geral (o executivo, o legislativo, a administração tributária, etc., nas três esferas de governo) e a regulamentação e fiscalização das atividades na área social e da vida econômica do país (grupo 84.1); as atividades de defesa, justiça, relações exteriores, etc. (grupo 84.2); e a gestão do sistema de seguridade social obrigatória (grupo 84.3). A natureza jurídica não é em si mesma um fator determinante para a classificação de uma unidade nesta seção, e sim o fato de exercer atividade que, por sua natureza especifica, é de prerrogativa do Estado. Assim algumas instituições públicas que exercem atividades compreendidas em outras categorias da CNAE 2.0 são classificadas nas classes correspondentes aos serviços prestados, e não na divisão 84, como é o caso das atividades de ensino e de saúde, que, mesmo quando exercidas pelo Estado, são classificadas nas divisões correspondentes (85 e 86). Os órgãos de regulamentação, controle ou coordenação destas atividades, no entanto, são classificados na divisão 84. Da mesma forma, algumas atividades descritas na divisão 84 podem ser exercidas por unidades nãogovernamentais. A terceirização de serviços ou parte de serviços tradicionalmente executados pelo Estado pode levar à presença de entidades empresariais e instituições privadas sem fins lucrativos em atividades compreendidas na divisão 84. A divisão 84 inclui unidades que são entidades criadas por lei, com personalidade jurídica própria, que realizam atividades de suporte à administração pública com a finalidade de facilitar a gestão de recursos públicos, dando suporte em áreas de função típica do Estado, na execução de ações tais como: compras de bens e serviços, contratação de serviços com a finalidade de desenvolvimento econômico e social, administração e gestão de recursos humanos, etc. Funcionam como apêndice de órgãos da Administração Pública brasileira e devem ser classificados nas classes onde estão enquadrados os órgãos a que se ligam. Assim, na classe 84124/00 REGULAÇÃO DAS ATIVIDADES DE SAÚDE, EDUCAÇÃO, SERVIÇOS CULTURAIS E OUTROS SERVIÇOS SOCIAIS, estão compreendidas as atividades de regulação, controle, definição de política e coordenação de atividades voltadas a melhorar o bemestar da população quanto a: saúde, educação, cultura, esporte, lazer, meio ambiente, habitação, serviços urbanos, ação social, etc., assim como a promoção de atividades culturais e recreacionais, a distribuição de financiamento público a artistas, a regulação de programas de abastecimento de água potável, a regulação das operações de coleta e disposição de resíduos, a regulação de programas de proteção ambiental, a regulação de programas habitacionais, dentre outros. Tal classe, todavia, não comporta as atividades relacionadas à gestão de redes de esgoto, disposição de resíduos e recuperação ambiental (divisões 37, 38 e 39), as atividades da seguridade social compulsória (84.302), as instituições públicas de ensino (divisão 85), as instituições públicas de prestação de serviços na saúde e de assistência social (divisões 86, 87 e Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 88), as atividades ligadas ao patrimônio cultural e ambiental (divisão 91), nem as atividades esportivas e outras recreacionais (divisão 93). Conforme se observa, as atividades associadas ao FPAS 582 são todas vinculadas às funções típicas de Estado, como Administração pública em geral, Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais, relações exteriores, defesa, segurança, justiça, seguridade social, etc. Nenhuma delas, de forma alguma, encontrase relacionada com atividade econômica stricto sensu. De acordo com o inciso I do §1º do art. 86 da IN nº 03/2005, o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS. Em se tratando de órgãos da administração pública direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembleias Legislativas, Secretarias e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, estes enquadrarseão na respectiva atividade. Todavia, na hipótese de um órgão da administração pública direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, deverá se proceder ao somatório do número de segurados alocados na mesma atividade em todos os órgãos vinculados àquele CNPJ, prevalecendo como preponderante para aquele CNPJ como um todo, a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os órgãos vinculados. Instrução Normativa nº 03, de 14/07/2005 Art. 86. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta IN, são: (...) II para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 57, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais: a) 1% (um por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; c) 3% (três por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado grave; (...) §1º A contribuição prevista no inciso II do caput, será definida da seguinte forma: Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.021 21 I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, obedecendo as seguintes disposições: (...) c) a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) d) os órgãos da administração pública direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembleias Legislativas, Secretarias e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, enquadrarseão na respectiva atividade, observado o disposto no § 9º; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) (...) §9º Na hipótese de um órgão da administração pública direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, aplicarseá o disposto na alínea "c" do inciso I do §1º deste artigo. (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) Tais disposições não discrepam daquelas assentadas no art. 72 da IN RFB nº 971/2009. Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 72. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta Instrução Normativa, são: II para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 57, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais: a) 1% (um por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; c) 3% (três por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado grave; § 1º A contribuição prevista no inciso II do caput será definida da seguinte forma: Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, que se encontra reproduzida nas tabelas 1 e 2 do Anexo I desta Instrução Normativa, obedecendo as seguintes disposições: (...) c) a empresa com mais de 1 (um) estabelecimento e diversas atividades econômicas deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos; d) os órgãos da Administração Pública Direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembleias Legislativas, Secretarias e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, enquadrarseão na respectiva atividade, observado o disposto no § 9º; e (...) § 9º Na hipótese de um órgão da Administração Pública Direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, aplicarseá o disposto na alínea "c" do inciso I do §1º No caso em exame, o lançamento foi realizado separadamente, observando os órgãos com inscrição distinta no CNPJ, conforme exposto no Quadro Demonstrativo a fls. 194/199, e no relatório Discriminativo do Debito a fls. 08/85. Na sequência, a Fiscalização procedeu à apuração de qual atividade seria a preponderante em cada órgão com CNPJ próprio, nos termos do §9º do art. 72 da IN RFB nº 971/2009, conforme ilustrado nos quadros a fls. 1055/1734, concluindo que, em cada órgão com inscrição própria no CNPJ, a maioria dos segurados estava alocada no código CNAE 84116/11 – Administração Pública em Geral, à qual corresponde o grau de risco médio e alíquota de 2%. Com isso, acertou a fiscalização ao apurar e realizar o lançamento da diferença de contribuição correspondente a 1%. Não procede, portanto, a alegação de que não existe nenhum embasamento para o reenquadramento da alíquota a ser aplicada à Administração Pública, de 1% para 2% como constou na decisão recorrida. Contudo, apesar de a Fiscalização constatar que na Secretaria de Educação, inscrita no CNPJ sob nº 46.319.000/000745, a atividade preponderante era Ensino Fundamental, correspondente ao CNAE 85139/00, com alíquota de 1%, a Fiscalização, ainda assim, apurou a diferença de 1 %, considerando o referido órgão no código CNAE 84116/11 – Administração Pública em Geral, enquadramento esse que não se coaduna com as normas tributárias aviadas no art. 72 da IN RFB nº 971/2009, acima transcritas, motivo pelo qual andou bem a DRJ/RJ1 ao retificar o Crédito Tributário lançado nesse estabelecimento. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.022 23 Tal compreensão é corroborada pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 01, de 08 de janeiro de 2014, e pela Solução de Consulta COSIT nº 49, de 19 de fevereiro de 2014 Solução de Consulta Interna COSIT nº 1, de 08/01/2014 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias ÓRGÃOS PÚBLICOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO E ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO. CÓDIGO CNAE. A subclasse código CNAE 84.116/00 “Administração pública em geral” compreende apenas as atividades descritas nas notas explicativas deste código, observadas as anotações da divisão 84 do CNAE. Outras atividades estão classificadas em códigos específicos do CNAE, como saúde, educação, que comportam subclassificações. A atividade preponderante é apurada no ente público, pessoa jurídica, como um todo, quando este possuir apenas um CNPJ ou, em cada órgão, individualmente, quando este possuir CNPJ próprio. Não há previsão normativa, nem possibilidade técnica, para a individualização de órgãos públicos que não possuem CNPJ próprio, seja para enquadramento em grau de risco, seja para cumprimento de outras obrigações previdenciárias. Dispositivos Legais: Lei nº 8.212, de 1991, art. 12, inciso I, art. 15, inciso I e art. 22, inciso II; Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, art. 9º, inciso I, art. 202, §§3º e 4º e Anexo V; IN RFB nº 1.183, de 2011; IN Conjunta RFB/STN nº 1.257, de 2012; IN RFB nº 971, de 2009, art. 72, § 1º, alínea “d”; Ato Declaratório PGFN nº 11, de 2011. Solução de Consulta COSIT nº 49, de 19/02/2014 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS ÓRGÃOS PÚBLICOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO E ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO. CÓDIGO CNAE. Para fins de determinação do grau de risco e, por conseguinte, da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT, cada órgão da Administração Pública Direta, com inscrição própria no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados em seu âmbito. Não há necessária vinculação entre a atividade principal do órgão público, que define o código CNAE para fins de inscrição no CNPJ, e a atividade preponderante do órgão público, que define o enquadramento no grau de risco para fins de apuração da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT. Dispositivos Legais: Art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Art. 202 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 RPS; Art. 72 da IN RFB nº Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 971, de 2009; Ato Declaratório PGFN nº 11, de 2011; e Solução de Consulta Interna COSIT nº 1, de 2014. (...) 19. Tratandose de órgão da Administração Pública Direta, como é o caso da presente consulta, a orientação sempre foi no sentido de apuração da atividade preponderante por órgão público que possui CNPJ. Nesse caso, há que se observar o que estabelece os dispositivos específicos, nos termos do art. 22, II, da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 72 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, o enquadramento, nos correspondentes graus de risco, dos órgãos da Administração Pública direta observa o que segue: a) a atividade respectiva, para os órgãos que não possuem fragmentações e exercem apenas uma atividade ou para os órgãos que possuem diversas fragmentações e apenas uma atividade; b) a atividade preponderante, no caso de: 1) órgão com um único CNPJ e que exerce diversas atividades econômicas, aplicandose o grau de risco da atividade preponderante a esse único CNPJ; 2) órgãos da Administração Pública Direta identificados com inscrição própria no CNPJ aplicandose o grau de risco da atividade preponderante para todas as fragmentações que integram esse órgão gestor de orçamento que possui inscrição própria no CNPJ. Com efeito, conforme muito bem observado pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, em que pese a necessidade de se retificar o lançamento, em relação ao CNPJ nº 46.319.000/000745 é devida a diferença decorrente da falta de aplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP incidente sobre a alíquota RAT de 1 %, nas competências de 01/2010 a 02/2012, não merecendo reparos, nesse específico particular, o Acórdão nº 1268.157 12ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I/RJ, motivo pelo qual se NEGA PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. 2.2. DAS RUBRICAS REMUNERATÓRIAS Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.023 25 §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 26 Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.024 27 Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 28 Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.025 29 A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 30 permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.026 31 d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 32 n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II, do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.027 33 Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; 2.2.1. DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS O Recorrente alega que os honorários advocatícios dos Procuradores, apesar de se configurarem como receita orçamentária, tem seu produto totalmente vertido em favor dos profissionais servidores da municipalidade. Aduz que tal verba não é paga pelo município, mas, sim, pela parte vencida na demanda judicial. De acordo com o Relatório Fiscal, o Levantamento HS honorários advocatícios, tem por fato gerador valores pagos a empregados da Prefeitura, regidos pela CLT e amparados pelo Regime Geral da Previdência Social. Tais segurados foram declarados nas GFIP da Prefeitura, na categoria de segurado empregado, contudo, sem a declaração correspondente à verba relativa aos honorários. Tais trabalhadores foram igualmente declarados nas DIRF entregues pela Prefeitura, no código 561 trabalho assalariado. Com efeito, o Capitulo V do Titulo I da Lei nº 8.906/94, Estatuto da OAB, trata dos honorários sucumbenciais destinandoos aos advogados empregados, situação jurídica dos procuradores do município Recorrente, estabelecendo em seu art. 21 que nas ações em que o empregador fosse parte os honorários seriam devidos ao advogado empregado. Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994. Art. 21. Nas causas em que for parte o empregador, ou pessoa por este representada, os honorários de sucumbência são devidos aos advogados empregados. Parágrafo único. Os honorários de sucumbência, percebidos por advogado empregado de sociedade de advogados são partilhados entre ele e a empregadora, na forma estabelecida em acordo. Ocorre, todavia, que os dispositivos aviados no Estatuto da OAB relacionados ao advogado empregado não se aplicam à Administração Pública Direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por força do artigo 4º da Lei nº 9.527/97, de maneira que os honorários sucumbenciais, no caso em apreciação, pertencem ao Ente Público Municipal e não aos procuradores do Município, enquanto empregados, servidores públicos regidos pela CLT e vinculados ao RGPS. Lei nº 9.527, de 10 de dezembro de 1997. Art. 4º As disposições constantes do Capítulo V, Título I, da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994, não se aplicam à Administração Pública direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como às autarquias, às fundações instituídas pelo Poder Público, às empresas públicas e às sociedades de economia mista. Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 34 Tanto é assim que a verba consubstanciada nos honorários de sucumbência configuramse como Receita Orçamentária do município, fato esse reconhecido, inclusive, pelo Recorrente. Portanto, as verbas pagas pelo município a seus procuradores, Gestores de Departamento Jurídico, Secretário e SecretárioAdjunto de Assuntos Jurídicos, etc., são debitadas do Patrimônio Financeiro do Município, e devem ser lançadas a título de despesas com pessoal. Como visto, os honorários sucumbenciais são receitas orçamentárias do Município, e a este legalmente pertencem. O fato de a Lei Municipal de Guarulhos destinar os honorários sucumbenciais para compor parte variável da remuneração dos seus Procuradores configurase, tão somente, política salarial do ente público em Tela, uma vez que o Numerário, por lei, a este pertence. Assim, os valores pagos a título de honorários sucumbenciais pelo Recorrente aos seus procuradores municipais constituem remuneração destes profissionais, pois, representam uma parcela variável da contraprestação pelos serviços advocatícios que prestaram ao Município, com autorização de lei municipal, devendo integrar, portanto, a base de cálculo da contribuição previdenciária. Conforme já salientado anteriormente, o conceito jurídico de Salário de Contribuição houvese por estruturado em seu sentido amplo, abraçando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação do Empregador aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços, pagas, creditadas ou devidas a qualquer título, ressalvadas as hipóteses de isenção previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Dessarte, não se subsumindo a rubrica em questão a nenhuma das hipóteses de renuncia fiscal previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, deve prevalecer o lançamento quanto a verba em debate. O Recorrente alega que a cobrança da contribuição sobre os honorários advocatícios implica ofensa ao postulado do non bis in idem, na medida em que importa em uma nova tributação sobre a mesma verba. Aduz que tais valores já sofrem a incidência do Imposto de Renda de Pessoa Física, razão pela qual não podem novamente servir como base de cálculo para a contribuição previdenciária, sob pena de constituir um manifesto excesso de exação. VIXE !!! De onde o Recorrente tirou que sobre uma mesma verba remuneratória não pode haver múltipla incidência de tributos ??? De que livro ? De que lei ? A Julgar pela tese do Recorrente, sobre o salário dos trabalhadores não poderia haver incidência de imposto de renda, pois já há a incidência de Contribuição Previdenciária. Ou vice versa. Qual deveria prevalecer ? o Imposto de Renda ou a Contribuição Previdenciária? Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.028 35 No caso das Contribuições Sociais, sobre a mesma base de cálculo incidem as contribuições patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, as contribuições para o FNDE, SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA, e tantas outras .... Então aqui ... Qual dessas exações deveria prevalecer ? A de maior valor? A de menor? A que foi cobrada primeiro? A que traz mais benefícios sociais ? Qual ??? Alertese ao Recorrente que a vedação ora em debate referese tão somente à competência residual da União de criar NOVOS IMPOSTOS, não contribuições. Constituição Federal de 1988 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Ademais, as Contribuições Sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social já se encontram previstas no art. 195 da CF/88, não se configurando, de maneira alguma, como “NOVOS IMPOSTOS”. Francamente. 2.2.2. DAS GRATIFICAÇÕES O Recorrente alega que as gratificações não integram o conceito de Salário de Contribuição. Porque não ? De acordo com os termos constitucionais já ventilados, “os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário (conceito de Direito do Trabalho) para efeito de contribuição previdenciária”. Todavia, a base de cálculo das citadas contribuições sociais não é só a “folha de salários” (conceito de direito do trabalho), mas, também, “todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, onde se compreendem até mesmo os ganhos eventuais auferidos pelos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as hipóteses de não incidência previstas taxativamente no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual não reserva assento para as verbas pagas, creditadas ou devidas a título de gratificação, qualquer que seja a motivação. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 36 voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Malgrado o Poder Legislativo ter batizado a rubrica em foco com o nomem iuris de gratificação, os termos dos dispositivos que compõem a da Lei Municipal nº 5.864/2002, às fls. 1815/1816, revelam que a essência substancial de tal rubrica consiste em complementação variável da remuneração do servidor municipalizado, ou seja, daquele que foi cedido pelo Estado ou União para atuar no SUS do Município de Guarulhos, correspondendo à diferença entre os valores percebidos pelos servidores beneficiários junto ao órgão de origem estadual ou federal, a título de remuneração de seu cargo ou função, e os vencimentos e demais acréscimos financeiros referentes a décimo terceiro salário, férias, abono de férias e, quando couber, os adicionais de insalubridade, noturno e de jornada extraordinária, pagas pela Prefeitura do Município de Guarulhos aos servidores municipais que exercem funções idênticas ou assemelhadas. Lei nº 5.864, de 24 de outubro de 2002 Art. 1° Fica O Poder Executivo autorizado a realizar o pagamento de uma Gratificação Variável aos servidores estaduais e federais, doravante denominados Servidores Municipalizados, que estejam efetivamente prestando serviços na rede de saúde do Município de Guarulhos, em virtude da implementação do Sistema Único de Saúde SUS, buscandose a equivalência salarial. Art. 2° O valor total da Gratificação Variável, é limitado à diferença entre os valores percebidos pelos servidores beneficiários junto ao órgão de origem estadual ou federal, a titulo de remuneração de seu cargo ou função, e os vencimentos e demais acréscimos financeiros referentes a décimo terceiro salário, férias, abono de férias e, quando couber, os adicionais de insalubridade, noturno e de jornada extraordinária, pagas pela Prefeitura do Município de Guarulhos aos servidores municipais que exercem funções idênticas ou assemelhadas, nos termos do Anexo Único desta Lei. § 1° A Gratificação Variável, referida no caput deste artigo, ficará condicionada ao repasse dos recursos financeiros pelo Sistema Único de Saúde SUS, limitandose a sua totalização a 30% (trinta por cento) do montante recebido. § 2° A Secretaria da Saúde fica com a responsabilidade de operacionalizar os cálculos para o pagamento mensal e pela autorização da despesa a ser empenhada e realizada. § 3° Ficam excluídas, para cômputo do pagamento da Gratificação Variável, eventuais vantagens individuais auferidas pelo servidor em seu órgão de origem. Art. 3° A Gratificação Variável poderá se dar, excepcionalmente, em decorrência do exercício de função de comando, desde que justificado pelo Conselho Coordenador do Fundo Municipal e referendado pelo Conselho Municipal de Saúde, atestando a imperiosa necessidade dos préstimos do Servidor Municipalizado pretendido. Art. 4° O valor da Gratificação Variável fica subordinado à tabela salarial dos servidores municipais no que se refere a funções ou Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.029 37 cargos idênticos ou assemelhados, nos termos da legislação vigente, para fins de cálculo e proporcionalidade. § 1° O pagamento referido no caput deste artigo será realizado até O último dia de cada mês, com a emissão da relação de depósito bancário contendo, além dos valores individuais, as identificações, locais de trabalho e funções equiparadas. § 2° Quando, em determinado mês, O último dia incidir em sábado, domingo, feriado ou ponto facultativo, O pagamento será efetivado no último dia de compensação bancária anterior. Art. 5° Conforme a necessidade de serviço, os adicionais pecuniários referentes a horas extras, insalubridade e trabalho noturno serão calculados nos mesmos moldes aplicados aos servidores municipais que a eles fazem jus, tomandose como base O valor da Gratificação Variável definido para O cargo ou função equiparada, de modo a preservar a equivalência salarial. Parágrafo único. Considerarseá, para desconto de faltas, somente o valor pago a título de Gratificação Variável, remetendose O controle de frequência ao órgão cedente do servidor municipalizado. Art. 6° Para O pagamento da Gratificação Variável referente ao décimo terceiro salário e abono de férias, considerarseão os mesmos critérios utilizados para os servidores municipais, condicionado ao tempo de serviço junto à Prefeitura do Município de Guarulhos. Art. 7° Será considerada a proporcionalidade para o pagamento da Gratificação Variável, no caso de jornadas de trabalho não previstas no Anexo Único . Tratase, portanto, de mera complementação de remuneração devida aos servidores municipalizados, de maneira a igualar a sua remuneração àquela paga pela Prefeitura do Município de Guarulhos aos seus servidores municipais que exercem funções idênticas ou assemelhadas. Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários, dada a sua natureza jurídica de remuneração e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. 2.2.3. DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS O Recorrente alega que sobre as gratificações pagas aos membros do conselho tutelar, do JARI e Junta de Recursos Fiscais, assim como sobre os honorários advocatícios e periciais, não incidem Contribuições Previdenciárias. Só porque ele quer ... Em conformidade com o Relatório Fiscal, o Auto de Infração nº 51.050.948 7 é constituído pelos seguintes fatos geradores: Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 38 · Levantamento CT gratificações pagas aos membros do Conselho Tutelar. Valores lançados conforme planilhas apresentadas pela Prefeitura. · Levantamento JA gratificações pagas aos membros do JARI Junta Administrativa de Recursos de Infrações. Valores lançados conforme apuração na escrituração contábil, liquidação de empenhos da Secretaria de Transportes, com histórico correspondente. · Levantamento RF gratificações pagas aos membros da Junta de Recursos Fiscais. Valores lançados conforme apuração na escrituração contábil, liquidação de empenhos da Secretaria das Finanças, com histórico correspondente. · Levantamento HP honorários periciais. Valores lançados conforme apuração na escrituração contábil, liquidação de empenhos da Secretaria de Assuntos Jurídicos e outras, com histórico correspondente. Consoante os relatórios da autuação, os beneficiários das verbas acima especificadas foram qualificados como Segurados Contribuintes Individuais, em razão de os serviços de natureza urbana terem sido prestados em caráter eventual, sem relação de emprego. Inexistem dúvidas de que os serviços realizados pelos membros do JARI, do conselho tutelar e da Junta de Recursos Fiscais foram prestados em favor do Município sem qualquer relação de emprego, tampouco estatutária, conforme consignado na decisão recorrida: “Quanto aos membros do Conselho Tutelar já havia amparo legal para a incidência de contribuição, mas o regulamento fez menção expressa, de modo que são desnecessárias maiores justificativas, pois está comprovada nos autos a prestação dos serviços com remuneração, o que se subsume ao disposto no artigo 22, III, da Lei nº 8.212/91. Ao contrário do que argumentou o Impugnante a fiscalização não considerou a existência de relação jurídica estatutária, nem celetista, mas eventual, sem relação de emprego, decorrente do artigo 132 da Lei nº 8.069/90, que rege os Conselhos Tutelares. No que diz respeito aos membros da Junta de Recursos Fiscais são de livre nomeação do Prefeito, a fim de julgarem em segunda instância processos que versem sobre questões tributárias, para tanto, recebem subsídios variáveis, em razão do número de reuniões e processos relatados no mês, a teor do que dispõem os artigos 1º, 2º e 6º da Lei Municipal nº 5.875/2002. No presente lançamento a fiscalização considerou que a denominada gratificação constitui remuneração pelos serviços prestados ao Impugnante, sem relação de emprego, porque se amolda ao disposto no artigo 22, III, da Lei nº 8.212/91, no que tem razão, logo, deve ser mantida a exação. Em relação aos membros da JARI, o regimento interno aprovado pelo Decreto Municipal nº 25.288/2008, estabeleceu em seu artigo 31 o pagamento de gratificação como contraprestação pelos serviços prestados sem relação de emprego com a Impugnante. A fiscalização constatou na contabilidade, a fls. 229/233, o pagamento realizado no período de 01 a 12/2010 aos membros da JARI, pelo julgamento de infrações de trânsito, o que constitui fato gerador de Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.030 39 contribuição previdenciária, nos termos do artigo 22, III, da Lei nº 8.212/91”. Independentemente da denominação que tenha sido atribuída pelo Recorrente à verba em questão – gratificação, ajuda de custo, etc. em verdade, os valores pagos, creditados ou devidos pelo Município a esses Segurados Contribuintes Individuais configuram se, exatamente, na contraprestação pelos serviços por eles prestados ao Ente Público Municipal. Dessarte, constatada a ocorrência do fato gerador, a contribuição do empregador é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, a teor do inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/1999) O Recorrente está tão perdido em suas alegações que chega a argumentar: “A autonomia do Conselho Tutelar e a forma de investidura dos respectivos Conselheiros já demonstram que não há falar, neste caso, em vínculo jurídico de servidor em sentido estrito, quer estatutário, quer celetista. Assim sendo, embora o Conselheiro tutelar seja remunerado pelo Município, sua função se assemelha à definição de agente honorífico. Assim sendo, não há como imprimir aos Membro do Conselho Tutelar direitos próprios dos celetistas”. Inexiste, no caso, qualquer atribuição de direitos próprios dos celetistas aos membros do conselho tutelar, tampouco se está a falar de vínculo jurídico de servidor em sentido estrito, quer estatutário, quer celetista. Tais trabalhadores houveramse por qualificados como Segurados Contribuintes Individuais, quais sejam, aqueles que prestam serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, aqui incluídos os órgãos públicos, sem relação de emprego, conforme definido no inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 40 V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área superior a 4 (quatro) módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a 4 (quatro) módulos fiscais ou atividade pesqueira, com auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos §§ 10 e 11 deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.718, de 2008). b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; (Redação dada pela Lei nº 10.403, de 2002). d) revogada; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16095.720009/201472 Acórdão n.º 2401004.174 S2C4T1 Fl. 2.031 41 No que pertine aos honorários advocatícios e periciais, ainda que tal pagamento tenha sido determinado, em honra e montante, pelo juiz, tal remuneração decorre diretamente dos serviços que foram por eles prestados, no curso de processo judicial, em favor do seu beneficiário ora obrigado a tal pagamento, circunstância que revela a contraprestação financeira pelos serviços de natureza urbana que lhe foram prestados por pessoa física – o perito – de maneira eventual e sem relação de emprego, sendo tais profissionais legalmente classificados, na relação jurídica que ora se desenha, como segurados contribuintes individuais, ficando a empresa pagadora, in casu, o Município Recorrente, sujeita à tributação de que trata o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10280.720399/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO PARCIAL - ENCARGOS MORATÓRIOS DO DÉBITO - DATA DE VALORAÇÃO.
Com a edição da Lei nº 10.637/2002 que alterou a Lei nº 9.430/96, a partir de 1º de outubro de 2002, os procedimentos para a compensação tributária perante a Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no artigo 74 da Lei 9.430/1996, especialmente, a regra prevista em seu § 1º, segundo o qual, a compensação deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Enquanto não apresentada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não há falar em compensação dos tributos. A data de transmissão do PER/DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. É nessa data que se dá o encontro de contas (crédito e débito). Encontrando-se o débito vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros selic sobre o crédito até a mesma data.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos (juros selic e multa moratória), na forma da legislação regente, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF E PER/DCOMP X LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Tratando-se de débitos declarados em DCTF e PER/DCOMP tem-se como desnecessário o lançamento de ofício, conforme se depreende da Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício.
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Apresentada a manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 01-18.606 de 02 de agosto de 2010, e, o recurso voluntário tempestivamente apresentado pela interessada, denota inocorrência de ofensa ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, relativamente ao débito não compensado, porque plenamente assegurada a possibilidade de defesa da empresa contra a homologação parcial da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente substituto
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Com a edição da Lei nº 10.637/2002 que alterou a Lei nº 9.430/96, a partir de 1º de outubro de 2002, os procedimentos para a compensação tributária perante a Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no artigo 74 da Lei 9.430/1996, especialmente, a regra prevista em seu § 1º, segundo o qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. Enquanto não apresentada a Declaração de Compensação ( PER /DCOMP) , não há falar em compensação dos tributos. A data de transmissão do PER/DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. É nessa data que se dá o encontro de contas (crédito e débito). Encontrandose o débito vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros selic sobre o crédito até a mesma data. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos (juros selic e multa moratória), na forma da legislação regente, até a data da entrega da Declaração de Compensação. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF E PER/DCOMP X LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Tratandose de débitos declarados em DCTF e PER/DCOMP temse como desnecessário o lançamento de ofício, conforme se depreende da Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 03 99 /2 00 9- 40 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 2 de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Apresentada a manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 0118.606 de 02 de agosto de 2010, e, o recurso voluntário tempestivamente apresentado pela interessada, denota inocorrência de ofensa ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, relativamente ao débito não compensado, porque plenamente assegurada a possibilidade de defesa da empresa contra a homologação parcial da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente substituto (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase do Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 00903.82849.200706.l.3.047063 (fls. 01/05), transmitido em 20/07/2006, com base em suposto crédito de Simples, código: 6106, oriundo de pagamento indevido ou a maior (reconhecido no processo nº 10280900.524/200901) para quitar débitos de CSLL do 2° Trimestre 2004 e Cofins (12/2004). A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico nº: 821010610 em 18/02/2009, de homologação parcial da compensação, fundamentando (fl.06): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 10.609,32. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado constatouse a procedência do crédito original informado no PERDCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. CARACTERÍSTICAS DO DARF Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720399/200940 Acórdão n.º 1201001.342 S1C2T1 Fl. 3 3 PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/10/2004 CÓDIGO DE RECEITA: 6106 VALOR TOTAL DO DARF: 10.609,32 DATA DE ARRECADAÇÃO: 31/10/2004 Entretanto considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PERDCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 27/02/2009. PRINCIPAL: 1.305,58 MULTA: 261,11 JUROS: 723,68 (...) Cientificada do citado despacho decisório, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/BELÉM/PA), conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 0118.606 de 02 de agosto de 2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 EMENTA JUROS TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros com base na taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua inconstitucionalidade. Cientificada da mencionada decisão em 29/09/2010, conforme o Aviso de Recebimento – AR, fl.62, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 28/10/2010, no qual alega, essencialmente, que: resta evidente o equívoco da cobrança, pois o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005, ao julgar os RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1 ° do artigo 3° da Lei nº. 9.718/98, que trata exatamente da base de cálculo do PIS e da COFINS; a Peticionante recolheu tributos indevidamente a título de PIS e COFINS, e faz jus à suspensão declarada em suas DCTF's pertinentes aos débitos e períodos em questão, bem como à compensação desses valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 4 Federal do Brasil, nos termos do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, combinado com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. é a FAZENDA NACIONAL quem deve à Recorrente, em razão de ter exigido da mesma o recolhimento indevido de tributos; não foi aberto qualquer procedimento administrativo, com possibilidade de defesa da empresa, apenas limitandose, o Fisco, a enviar cobrança, acompanhada dos DARFs para pagamento, já incluindo juros e multas extorsivas; a cobrança de débitos se dá com aplicação de juros e atualizações esdrúxulas, qual seja, a incidência da Taxa SELIC que também foi declarada ilegal em face do enriquecimento injustificado que proporciona ao Fisco, transformando o Sistema Tributário Nacional em verdadeiro "altar de sacrifício dos mais fracos"; o direito de se efetuar a AUTOCOMPENSAÇÃO de acordo com o artigo 66 da Lei nº 8.383/91 já foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 78.301 BA; os tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação como é o caso do PIS e da COFINS podem e devem ser objeto de compensação pelo contribuinte independentemente de autorização administrativa ou de decisão judicial, pela simples aplicação do art. 66, da Lei n. 8.383/91, afastadas as regras infralegais editadas em sentido contrário; nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é atividade privativa da autoridade administrativa, cujo efeito é o de constituir o crédito tributário; a conduta de informar em DCTF ao órgão da administração pública nada mais é do que uma obrigação acessória do contribuinte, não sendo apta a substituir o lançamento tributário, função primordialmente atribuída ao Fisco; caso o Fisco constate quaisquer irregularidades no procedimento compensatório realizado pela Peticionante o que, frisese, no caso concreto inexistiu, pois declarações ocorreram nos mais exatos limites legais, com fundamento na Lei 8383/91, aquele deve proceder ao lançamento de ofício dos valores a que acha que tem direito, notificando o contribuinte e conferindo prazo para que este exerça seu direito constitucional de ampla defesa com fulcro no Decreto 70.235/72; o fato de a suspensão ou compensação ter sido declarada em DCTF, além de não poder ser visto como confissão de dívidas sobre créditos não exime o Fisco de proceder ao lançamento próprio e posterior instauração de eventual procedimento administrativo a fim de verificar a existência de supostas divergências e lançar o tributo, se for o caso, observandose, no entanto, os princípios processuais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório; segundo a Receita Federal do Brasil, o valor da multa e juros aplicados até aqui são equivalentes a cerca de 50% do valor principal considerado devido pela mesma, antes da aplicação da multa. No entanto, a Receita Federal do Brasil não indicou a base legal utilizada para a aplicação da multa e seu percentual; a cobrança e a multa ora combatidas são injustas, indevidas, excessivas e escorchantes, padecendo de vícios de inconstitucionalidade, pois ofendem magnos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, capacidade contributiva e segurança Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720399/200940 Acórdão n.º 1201001.342 S1C2T1 Fl. 4 5 jurídica. E ainda, não há que se falar na aplicação da malfadada multa, uma vez que não se comprovou a ocorrência do fato que a originou. Finalmente requer: seja o RECURSO recebido nos termos do artigo 74, §§ 10º e 11 da Lei nº. 9.430/96, e artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; suspendendose a exigibilidade dos supostos débitos aqui discutidos, devendo a autoridade competente tomar as medidas cabíveis para que os débitos tenham a exigibilidade suspensa, e, não constem como restrição à expedição de Certidão Negativa de Débitos ou outra com o mesmo efeito, assim como para que não sejam inscritos no CADIN; seja o RECURSO acolhido em todos seus termos, anulandose a decisão proferida em sede Manifestação de Inconformidade; seja o suposto crédito lançado de forma devida, dando início à fase administrativa através da notificação do contribuinte para ofertar defesa no prazo legal, e todos os recursos inerentes a ampla defesa, observandose o disposto no artigo 74, parágrafos 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.430/96, e no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72; caso se entenda pela subsistência do débito objeto da cobrança, subsidiariamente, seja concedida ao recorrente a possibilidade de efetuar o devido pagamento, parceladamente. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio do presente processo configurouse com a Manifestação de Inconformidade (fls.11/31), interposta em face do Despacho Decisório eletrônico 821010610 (fl.07) vinculado ao processo nº 10280.900524/200941 no qual se constatou a procedência do crédito pretendido pela Recorrente no valor de R$ 10.609,32, informado no PER/DCOMP nº 00903.82849.200706.l.3.047063 (fls. 01/05). Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos da CSLL e da Cofins, informados no PER/DCOMP sem o acréscimo de multa e juros, a autoridade administrativa após computar os acréscimos moratórios (Juros e Multa de mora), conforme demonstrativo (fl.07) do Despacho Decisório, HOMOLOGOU PARCIALMENTE a compensação declarada, restando um saldo devedor na ordem de R$ 1.305,58. A contribuinte contesta a cobrança do débito e requer o lançamento de ofício nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, dando início à fase administrativa através da notificação do contribuinte para ofertar defesa no prazo legal, e todos os recursos inerentes a ampla defesa, observandose o disposto no artigo 74, parágrafos 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.430/96, e no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 6 A Instrução Normativa RFB nº 900/2008 ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe: (...) Art. 37. O sujeito passivo será cientificado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvada a apresentação de manifestação de inconformidade prevista no art. 66. (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais ... Art. 55. Homologada a compensação declarada, expressa ou tacitamente, ou consentida a compensação de ofício, a unidade da RFB adotará os seguintes procedimentos: I debitará o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo respectivo; II creditará o montante utilizado para a quitação dos débitos à conta do respectivo tributo e dos respectivos acréscimos e encargos legais, quando devidos; III registrará a compensação nos sistemas de informação da RFB que contenham informações relativas a pagamentos e compensações. IV certificará, se for o caso: a) no pedido de restituição ou de ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito; e V expedirá aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito, ou ordem bancária, na hipótese de remanescer saldo a restituir ou a ressarcir depois de efetuada a compensação de ofício. (...) Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720399/200940 Acórdão n.º 1201001.342 S1C2T1 Fl. 5 7 por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 1º O disposto neste artigo não se aplica à compensação de contribuição previdenciária. § 2º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em cuja circunscrição territorial se inclua a unidade da RFB que indeferiu o pedido de restituição ou ressarcimento ou não homologou a compensação, observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. § 3º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. (...) (G.N) Com efeito, apresentada a manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/BELÉM/PA), conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 0118.606 de 02 de agosto de 2010, e, o recurso voluntário tempestivamente apresentado pela interessada, que ora se analisa, denota que a argumentação da Recorrente no sentido de que houve ofensa ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, relativamente ao débito não compensado, resta improcedente porque plenamente assegurada a possibilidade de defesa da empresa contra a homologação parcial da compensação. Sobre a necessidade do lançamento de ofício como alegado pela Recorrente, conforme se depreende da Súmula CARF nº 52, expedida por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação, ensejam o lançamento de ofício, quando não exigíveis a partir de DCTF, vejamos: Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Da defesa da Recorrente verificase que os débitos declarados no PER/DCOMP foram declarados em DCTF, logo, não há falar em lançamento de ofício. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 8 Quanto ao débito da Cofins, a Recorrente alega que recolheu tributos indevidamente a título de PIS e COFINS, e faz jus à suspensão declarada em suas DCTF's pertinentes aos débitos e períodos em questão, bem como à compensação desses valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, combinado com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Diz que é a FAZENDA NACIONAL quem deve à Recorrente, em razão de ter exigido da mesma o recolhimento indevido de tributos. Afirma que resta evidente o equívoco da cobrança, pois o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005, ao julgar os RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1 ° do artigo 3° da Lei nº. 9.718/98, que trata exatamente da base de cálculo do PIS e da COFINS. A argumentação acima não merece qualquer exame nesta instância recursal, a uma porque o débito declarado no PER/DCOMP em comento referese a pagamento a maior com base em suposto crédito de Simples, código 6106, e não a crédito a titulo de PIS e Cofins, a duas porque na manifestação de inconformidade em sede de primeira instância, dessa alteração do crédito e redução do débito declarado, a interessada não tratou, portanto matéria preclusa e não questionada. Com efeito, no presente processo administrativo, a essência é exclusivamente a cobrança dos acréscimos moratórios do débito, de tributo declarado em DCTF e compensado no PER/DCOMP decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP) fora analisada: reconhecido o crédito declarado e a compensação homologada parcialmente. Registrese que a Lei nº 10.637/2002, introduziu profunda alteração nos procedimentos de compensação a ser realizada a partir de 1º de outubro de 2002, como é o caso dos presentes autos. As novas regras foram inseridas no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) ... Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720399/200940 Acórdão n.º 1201001.342 S1C2T1 Fl. 6 9 § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ... § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ... § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) ( ...) Indubitavelmente, até setembro de 2002, com base no art. 66 da Lei 8.383/1991, os contribuintes podiam realizar, contabilmente, compensações entre tributos de mesma espécie autocompensação independentemente de apresentação de pedido de compensação. Contudo, a partir de 1º de outubro de 2002, os procedimentos de compensação tributária perante a Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no artigo 74 da Lei 9.430/1996, especialmente, a regra prevista em seu § 1º, segundo o qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. Portanto, a compensação dos débitos da CSLL (2º trimestre de 2004) e da Cofins (período de apuração: Dezembro/2004; vencimento: 15/01/2005) somente ocorreu com o envio da declaração PER/DCOMP em 20/07/2006. Com as modificações introduzidas na Lei 9.430/1996, a Declaração de Compensação DCOMP configurouse em instrumento com o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§2º do art. 74 da Lei 9.430/1996). Nesse contexto, enquanto não apresentada a Declaração de Compensação ( PER /DCOMP) , não há falar em compensação dos tributos. Com efeito, temse que, é na data da transmissão da DCOMP que se dá o encontro de contas, e, encontrandose o débito vencido, sobre ele deverão incidir os Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 10 acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros selic sobre o crédito até esta mesma data. Portanto, a data de transmissão da DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Se os débitos informados na DCOMP (CSLL e Cofins) venceram em 31/07/2004 e 15/01/2005, respectivamente, e sua quitação somente ocorreu em 20/07/2006, é cabível a exigência dos acréscimos moratórios previstos no artigo 61 da Lei 9.430/1996 (multa de mora e juros selic). A exigência dos juros com base na taxa Selic é assunto pacificado do qual não cabe discussão no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo inclusive matéria sumulada, vejamos: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O crédito compensado também foi acrescido dos juros Selic, conforme indica o Demonstrativo de Compensação às fls. 06, passando de R$ 10.609,32 (valor original arrecadado) para R$ 13.535,36 (crédito valorado em 20/07/2006). No caso, tanto o débito quanto o crédito foram acrescidos com os juros Selic, mas o débito também ficou sujeito à incidência da multa de mora, por força do referido artigo 61 da Lei 9.430/1996. Eis a razão do saldo devedor, após o encontro de contas, ser exigido do Contribuinte. Enfim, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos (juros selic e multa moratória), na forma da legislação regente, até a data da entrega da Declaração de Compensação. No tocante a possibilidade de efetuar o devido pagamento, parceladamente, como pleiteado pela Recorrente, refoge à competência desse órgão administrativo de recursos fiscais, manifestarse sobre o assunto, cabendo, pois, a autoridade administrativa da Receita Federal o controle do crédito tributário. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720399/200940 Acórdão n.º 1201001.342 S1C2T1 Fl. 7 11 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 11618.001497/2003-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
Ementa: RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA.
COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE
GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS.
Segundo o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado nos autos que os obrigados efetivamente conduziram os negócios da empresa, acobertados pela interposição de terceiros sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve ser mantida a sujeição passiva solidária daqueles com base no
art. 124, I e 135, III, do CTN.
LANÇAMENTO DECORRENTE— Pela relação de causa e efeito, aplica-se
ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica.
Numero da decisão: 1401-000.103
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS. Segundo o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado nos autos que os obrigados efetivamente conduziram os negócios da empresa, acobertados pela interposição de terceiros sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve ser mantida a sujeição passiva solidária daqueles com base no art. 124, I e 135, III, do CTN. LANÇAMENTO DECORRENTE— Pela relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica.
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(RESPONSÁVEIS: Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Sr. Flávio José Quinderé de Almeida). Recorrida 2a TURMA/DRJ-RECIFE/PE Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS. Segundo o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado nos autos que os obrigados efetivamente conduziram os negócios da empresa, acobertados pela interposição de terceiros sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve ser mantida a sujeição passiva solidária daqueles com base no art. 124, I e 135, III, do CTN. LANÇAMENTO DECORRENTE— Pela relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento decorrente o mesmo decidido quanto àquele do qual decorre, se não houver elemento de prova novo ou argüição de matéria específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. fi / tp IVET ki •4/ AQ ÃS-PESSOA MONTEIRO - Presidente Processo n° 11618.001497/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.103 Fl. 2 " rTONIO B ERRA NETO - Relator EDITADO EM: _.(1 ,2 C.)11 T 10.09 Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Karem Jureidini Dias (Vice- Presidente), Alexandre Antônio Allcmim Teixeira, Nelso Kichel (Suplente Convocado) e Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada). 2 • Processo n° 11618.001497/2003-01 51-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 3 1 Relatório Aos 22/07/2003, a contribuinte foi pessoalmente cientificada, na pessoa de um de seus sócios, do auto de inÉrhção de COFINS relativo ao período de janeiro de 1999 a junho de 2001. A fiscalização atribuiu solidariedade tributária passiva aos Srs. Flávio José Quinderé de Almeida e Luiz Gonzaga de Almeida Júnior, que disto tiveram ciência no dia 24/07/03. No dia 25/08/2003, a autuada apresentou impugnação, argumentando que os valores apurados não condizem com a realidade da empresa, somado ao fato de que o débito exigido encontra-se excessivamente aumentado pela cumulação de juros abusivos e inconstitucionais, calculados com base na taxa SELIC e pela aplicação de multa incabida, pois não se trata de sonegação e sim de inadimplência. No mesmo dia 25/08/2005, os apontados como responsáveis solidários protocolaram impugnações em que defendem que a falta de pagamento do tributo não dá causa à responsabilização solidária dos sócios-administradores, requerendo a determinação da nulidade do auto de infração por inexistir nexo entre os fatos descritos e a legislação apontada. A DRJ/Recife/PE, verificando que a impugnação foi apresentada intempestivamente, entendeu que o litígio não se instaurou e, em conseqüência, devolveu o processo à DRF de João Pessoa/PB que, demonstrando serem tempestivas as defesas apresentadas pelos contribuintes solidários, devolveu o processo à DRJ/Recife/PE para análise das mesmas. A DRJ/Recife/PE, dizendo-se incompetente para apreciar defesas apresentadas por pessoas físicas contra Termos de Responsabilidade Fiscal, devolveu o processo à DRF de João Pessoa/PB para as providências de sua alçada que, entendendo que as defesas apresentadas pelas pessoas fisicas constituem impugnações ao lançamento e que, como tal, deveriam ser apreciadas pela DRJ, considerou instalado conflito negativo de competência, a ser dirimido na forma do art. 209, inciso XVII, do Regimento Interno da SRF. O conflito suscitado foi dirimido pelo Parecer COSIT n° 11, de 30 de abril de 2004, no seguinte sentido: "A impugnação tempestiva da exigência de crédito tributário por um dos obrigados solidários instaura o litígio no processo administrativo fiscal que deve ser apreciado pela instância de julgamento administrativo competente". Declarada competente, a DRJ/Recife/PE converteu o julgamento em diligência para que se desse ciência à pessoa jurídica autuada de que a sua impugnação fora considerada intempestiva, concedendo-lhe prazo de trinta dias para se manifestar a respeito. Cumprida a diligência, sem manifestação da contribuinte, foi lavrado Termo de Revelia. //7 Processo n° 11618.001497/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- F1.4 4 Através do acórdão n° 9.887, de 22 de outubro de 2004, a DRJ/Recife/PE, por unanimidade, decidiu nos termos da ementa abaixo, que os aspectos relativos à responsabilidade dos sócios pelos créditos tributários da pessoa jurídica constituíam matéria estranha ao processo administrativo fiscal regularmente instaurado contra esta última, devendo ser apresentada a defesa pertinente em caso de eventual execução fiscal do crédito tributário: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2001 Ementa: PETIÇÃO INTEMPESTIVA DO SUJEITO PASSIVO — Não se conhece de petição do sujeito passivo da obrigação tributária apresentada após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência do lançamento de oficio. LANÇAMENTO — MANUTENÇÃO — Há de se manter o lançamento de oficio quando os fatos que ensejaram sua efetivação se subsumem à legislação vigente, desconsiderando- se as alegações em contrário da parte impugnante não acompanhadas de provas. SUJEIÇÃO PASSIVA — CONTRIBUINTE — RESPONSÁVEL — lançamento de oficio, para exigência de crédito tributário a pessoa jurídica legalmente estabelecida, enseja-lhe a condição de contribuinte e pólo passivo da relação jurídico-tributária, tendo a identificação dos sócios de fato, na ação fiscal, o objetivo de considerá-los responsáveis pelo crédito tributário constituído. A qualificação dos responsáveis pelo crédito tributário é inerente aos procedimentos de cobrança e execução do débito, caracterizando-se como questão subsidiária no julgamento administrativo, cujo foco é a constituição do crédito tributário. Lançamento Procedente". Frustrada a intimação postal da contribuinte, a ciência do acórdão se fez por edital, cujo prazo transcorreu iii albis, tendo sido lavrado o Termo de Perempção respectivo. As pessoas fisicas foram intimadas via correio, o Sr. Flávio José Quinderé de Almeida no dia 01/07/2005 e o Sr. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior no dia 18/07/2005. No dia 29/07/2005, a contribuinte e as pessoas fisicas protocolaram recursos de idêntico conteúdo, em que alinham os seguintes argumentos: - a inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal; - a ilegalidade e a inconstitucionalidade dos juros exigidos, que somente poderia ser cobrado à taxa de 12% ao ano e sem capitalização; - a proibição de se exigir tributos com efeito de confisco; 4 Processo n° 11618.001497;2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- F1.5 - a mera falta de pagamento do tributo não justifica a responsabilidade pela obrigação tributária, sendo necessário que o sócio administre bens alheios, aja com excesso de poderes ou infrinja a lei ou o contrato social. O Conselho julgou, então, intempestivo o recurso apresentado pela contribuinte. Em relação àqueles apresentados pelas pessoas fisicas, por voto de qualidade, através do Acórdão n° 103-23.366, nos termos da ementa abaixo, foi tornado conhecimento para que fossem apreciadas por esta DRJ as razões impugnatórias suscitadas pelas pessoas físicas, ou seja, a sujeição passiva solidária: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999, 2000, 2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RESPONSA' VEL SOLIDÁRIO DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA — POSSIBILIDADE. É possível a apresentação de impugnação ou recurso voluntário por pessoa incluída no rol dos responsáveis solidários com vista à discussão de aspectos não somente do crédito tributário em si, mas, também em relação à responsabilização que a cada um foi atribuída no lançamento de oficio." O processo, então, retornou a DRJ para que fosse tornado conhecimento das manifestações apresentadas pelos Srs. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Flávio José Quinderé de Almeida. Em ambas as impugnações, tanto a apresentada pelo Sr. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior quanto aquela apresentada pelo Sr. Flávio José Quinderé de Almeida, as quais possuem idêntico teor, questionou-se a atribuição, pela fiscalização, de responsabilidade tributária com supedâneo no artigo 135 do Código Tributário Nacional. Alegaram os impugnantes não serem sócios da empresa fiscalizada e nem terem usado excesso de poderes ou infração à lei, não possuindo qualquer vinculo societário que os relacionasse com aquela empresa solidariamente obrigado ao pagamento dos débitos fiscaiS da contribuinte, especialmenté tratando-se o presente caso de solidariedade em matéria tributária, para a qual o Código Tributário Nacional foi taxativo com relação às hipóteses em que esta pode ser admitida. A DRJ, através do Acórdão n° 11-23.854, de 22 de setembro de 2008, por unanimidade de votos, nos termos da ementa abaixo, julgou procedente o lançamento da COF1NS; bem assim que a responsabilidade solidária está de acordo com as disposições do inciso Ido art. 124 e 135 do CTN: • "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PÁRA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 01/01/1999 a 30/06/2001 Ementa: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cotins constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Processo n° 11618.001497/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. • Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2001 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 124, IDO CTN As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, visto que todos ganham com o fato econômico. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL De acordo com as regras estabelecidas no Processo Administrativo Fiscal, a impugnação deverá conter, além de outros requisitos, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, e as razões e provas que possuir. O Simples requerimento dos sócios para que sejam afastados da relação jurídica para com a pessoa jurídica autuada, na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário a esta imposto no auto de infração, não poderá ser considerada impugnação ao lançamento e, portanto, não conhecido pela autoridade como tal. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da• Secretaria da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros." Irresignados com a decisão de primeira instância, os interessados (Sr. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Sr. Flávio José Quinderé de Almeida) interpuseram recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. 6 Processo n° 11618.001497/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 7 Voto Conselheiro - ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que tomo conhecimento. Delimitação da Lide O litígio circunscreve-se apenas a saber se os Termos de Responsabilidades atribuídos aos Sr. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Sr. Flávio José Quinderé de Almeida são válidos perante a legislação de regência. O auto de infração já foi julgado e mantido anteriormente através do Acórdão n° 103-23.366, de 24 de janeiro de 2008, motivo pelo qual não serão aqui conhecidas as razões de mérito que dizem respeito ao auto de infração. MÉRITO Trata-se de auto de infração de exigência da Cofins. A autuação é decorrente da autuação referente ao IRPJ nos autos do processo n° 11618.001495/2003-11 (recurso n° 148.857). No presente caso, os fatos que embasaram a exigência e os elementos de provas são os mesmos. Em sua defesa, os interessados reiteram os mesmos argumentos expendidos naquele processo ( 11618.001495/2003-11), em que, por unanimidade de votos, NEGOU-SE provimento ao recurso através do Acórdão n° 1201-00.061, de 14 de maio de 2009: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS. Segundo o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado nos autos que os obrigados efetivamente conduziram os negócios da empresa, acobertados pela interposição de terceiros sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve ser mantida a sujeição passiva solidária daqueles com base no art. 124, I e 135, III, do CTN." Dessa forma, em virtude da relação de causa e efeito e, ainda, na ausência de argüição de matéria específica, o decidido quanto ao lançamento matriz (IRPJ), em relação ao à validade dos respectivos Termos de Responsabilidades constantes no lançamento decorrente da Cofins. Desse modo, mantenho integralmente a referida exigência e a validade dos 7 Processo n° 11618.001497/2003-01 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 8 respectivos Termos de Responsabilidade escudando-me nos mesmos fundamentos utilizados no processo matriz, que abaixo transcrevo: "Delimitação da Lide O litígio circunscreve-se apenas a saber se os Termos de Responsabilidades atribuídos aos Sr. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Sr. Flávio José Quinderé de Almeida são válidos perante o a legislação de regência. Mérito Conforme foi relatado, através do Acórdão n° 103-23.364 este Colegiado decidiu que a impugnação tempestiva da exigência de crédito tributário por um dos obrigados solidários instaura, sim, o litígio no processo administrativo fiscal que deve ser apreciado pela instância de julgamento administrativa competente.Ficou então decidido por aquele Aresto que não só o próprio contribuinte autuado, mas também os responsáveis tributários possuem legitimidade para impugnar a exigência fiscal, de forma que a intempestividade do contribuinte não obsta o prosseguimento do feito caso algum dos responsáveis venham a se manifestar de forma tempestiva, como ocorreu no caso concreto. A DRJ então analisou as impugnações dos responsáveis solidários (Sr. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Sr. Flávio José Quinderé de Almeida), mantendo o lançamento e que a responsabilidade solidária atribuída aos dois está de acordo com as disposições do inciso I do art. 124 e 135 do CTN. Com razão a DRJ, senão vejamos. Entendo que a constituição do crédito tributário envolve a identificação do sujeito passivo de forma ampla e este pode ser tanto o sujeito passivo direto (contribuinte ou substituto) quanto o sujeito passivo indireto ou responsáveis, ex vi arts. 121 c/c 128: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.(grifos nosso). Muitos atribuem à expressão responsável referida no art. 121, II do CTN uma ambigüidade, que justificaria o entendimento contrário ao aqui esposado, uma vez que tal vocábulo referir-se-ia tão-somente ao substituto tributário e não a outras formas de transferência de responsabilidade previstas no CTN (responsabilidade por sucessão, responsabilidade de terceiros, responsabilidade por infração arts. 130, 134, 135 e 136 do CTN). 87 Processo n° 11618.001497/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 9 Penso que essa seja urna leitura isolada do art. 121 do CTN. Por óbvio, que a acepção "responsável" referida no art. 121, II do CTN não comporta apenas a fletira do substituto tributário inaugurado pelo art. 128. Isso porque o próprio art. 128 quando abre a possibilidade de a lei ordinária criar novas hipóteses de responsabilidade (substituição tributária) "vinculada ao fato gerador" deixou a ressalva expressa de que as outras hipóteses de responsabilidade tributária a serem tratadas no CTN fica valendo, mesmo que não se lhe possam atribuir uma vinculação direta com o fato gerador. Dessa forma, essas hipóteses de responsabilidade tributárias tratadas no próprio CTN (responsabilidade por sucessão, responsabilidade de terceiros, responsabilidade por infração - arts. 130, 134, 135 e 136 do CTN), muito pelo contrário enquadram-se como uma luva na definição de "responsabilidade tributária" como espécie do gênero "sujeição passiva" tratada no 121, II do CTN, pois mesmo "sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação" decorre "de disposição expressa de lei". "Lei", no caso, refere não só à lei ordinária, mas também a lei complementar, na figura do CTN. Ou seja, as diversas formas de "responsabilidade tributária" estão sempre situadas dentro do pólo passivo da obrigação, conforme anteprojeto do CTN proposto por Rubens Gomes de Souza. Observando a sistematização do Código, vê-se que o art. 124 que trata de solidariedade no âmbito da sujeição passiva, apesar de não se prestar identificar ou definir quem é o sujeito passivo, corrobora a existência de previsão legal de multiplicidade de sujeitos passivos no lançamento tributário. Bastariam ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador, ou por designação de lei, seriam elas solidariamente obrigadas. É forte o pressuposto de que podem existir mais de uma pessoa na condição de sujeição passiva. Tanto esse raciocínio quanto o anterior convergem para a conclusão de que: Caso haja mais de um sujeito envolvido o lançamento deve identificar todos, cada um na sua condição. É por ocasião do lançamento, e não numa etapa posterior (execução), por exemplo, que todos os responsáveis pelo crédito tributário devem ser identificados com precisão, a não ser que a responsabilidade advenha de fatos ainda não conhecidos ou ocorridos após o momento da constituição do crédito tributário. O Auto de Infração deve tratar, inclusive, da solidariedade entre os diversos sujeitos passivos, como foi o caso. A meu ver o lançamento tributário pode ser efetuado não apenas na pessoa do contribuinte (sujeito passivo direto), mas também na pessoa de qualquer um dos responsáveis. O termo de responsabilidade, no caso, pode substituir esse último procedimento. A jurisprudência dos Tribunais Superiores ao admitir de forma pacífica o redirecionamento da execução, quando provado quaisquer das hipóteses de responsabilidade de terceiros termina por afirmar que o lançamento não é o único instrumento de constituição da relação jurídica entre o Estado e o terceiro responsável pelo crédito tributário. Os elementos probantes carreados pelo Fisco comprovam de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas, que se convencionou chamar de "laranjas", pessoas sem qualquer condição de responder pelas operações realizadas pela empresa e, por consequência, pelo crédito tributário constituído em seu nome. E foi exatamente por isso que o Fisco, para salvaguardar o crédito tributário investigou e demonstrou de forma cabal a identidade dos verdadeiros sócios (ocultos) da empresa, aqueles que integralizaram capital social, gerenciaram, administraram e movimentaram efetivamente os recursos da empresa. 1. Processo n° 11618.001497/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 10 Logo, é justo que sejam responsabilizados de forma a satisfazer o crédito tributário conforme previsto nos artigos 124, I e 135,111 do Código Tributário Nacional: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)" "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Os interessados procuram defender-se alegando não estar enquadrados em nenhum dos dispositivos citados. Contudo os fatos contam uma outra história. Vejamos o tom dado pelo Relatório Final de Fiscalização, fls. 15/55, já muito bem sintetizados pela decisão de piso: - A pessoa jurídica fiscalizada havia sido constituída em 18 de março de 1996 tendo como sócios o Sr. José Costa do Nascimento e o Sr. Paulo César de Santana, dispondo o contrato social, em sua cláusula sexta, que a gerência da sociedade seria exercida por ambos os sócios; - Os valores de receita de vendas no período de janeiro de 1998 a junho de 2001, auferido pela contribuinte totalizaram R$14.314.017,73 (quatorze milhões trezentos e quatorze mil dezessete reais e setenta e três centavos). Tratando-se de valores não declarados e, portanto, não eram de conhecimento do fisco federal; - Analisando as declarações de rendimentos dos sócios, verificou-se que não havia sido declarado nenhum bem ou direito e que os valores dos rendimentos tributáveis eram irrisórios, conforme demonstrativo de fl. 30; - Através de diligências realizadas, foi constatado que o sócio Sr. Paulo César de Santana, havia exercido as funções de auxiliar de serviços gerais e auxiliar de produção, respectivamente nas empresas Edísio Lopes Leite ME (CNPJ 12.661.658/0001-23) e Sola Norte Indústria e Comércio de Injetados Ltda (CNPJ 02.905.021/0001-81) nos períodos de 06/08/1997 a 02/03/1999 e 12/06/2000 a 25/07/2002, conforme informações prestadas pelas empresas, fls. 176/177 e 173/175, em atendimento a intimações realizadas pela autoridade administrativa; - Em declarações prestadas pelo sócio Paulo César de Santana, em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 114/115), foi afirmado, dentre outras coisas, que quem administrava desde a constituição da empresa até o fim das atividades comerciais da contribuinte, eram os senhores Flávio José Quinderé de Almeida e Luiz Gonzaga de Almeida Júnior, não sabendo informar quem eram os fornecedores nem os principais clientes da empresa Dicame; - Foi constatado pela fiscalização que a empresa fiscalizada mantinha como procuradores os Srs. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior,desde 02/05/1996, e Giovanni de Albuquerque Maranhão desde 27/08/1999. Todos com amplos e ilimitados poderes para representar a empresa fiscalizada conforme instrumentos de I O • Processo n° 11618.001497/2003-01 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 11 procuração, fls. 179/181,1avradas pelo Cartório de 1° Ofício Notas, CNPJ 08.607.103/0001-26 e Bayeux Cartório 1° Oficio Notas, CNPJ 08.607.103/0001-26; - Pela análise dos registros de empregados pertencentes à empresa fiscalizada a partir do Livro Registro de Empregados (fls. 465/551) apresentado pela contribuinte em atendimento a intimação específica (fl. 96), foi constatado que os Srs. Flávio José Quinderé de Almeida e Luiz Gonzaga de Almeida Júnior desenvolveram as atividades de gerente de vendas e procurador, e que os Srs. Epitácio Cavalcanti Terceiro Neto, auxiliar de escritório, e Edvaldo Carneiro de Figueiredo, lombador, (pessoa que trabalha descarregando carnes) que participam como únicos sócios da empresa Free Carnes — Comércio Varejista de Carnes Ltda, da qual figuram como procuradores os Srs. Flávio José Quinderé de Almeida e Luiz Gonzaga de Almeida Júnior que desenvolvem as mesmas atividades desenvolvidas na Dicarne. - Que inicialmente o Sr. Giovanni de Albuquerque Maranhão apresentou-se como procurador da empresa fiscalizada, fl. 167, recepcionando durante o transcorrer da ação fiscal, documentos produzidos pela fiscalização. Posteriormente, em declaração tomada a termo, fls. 164/167, o mesmo afirma que prestava serviço aos Srs. Flávio José Quinderé de Almeida e Luiz Gonzaga de Almeida Júnior por aproximadamente sete anos na empresa fiscalizada e na Free Carnes; - Esclareceu, ainda, o Sr. Giovanni de Albuquerque Maranhão, procurador da empresa fiscalizada, que efetivamente quem comandava a empresa Dicarne eram os Srs. Flávio José Quinderé de Almeida e Luiz Gonzaga de Almeida Júnior, bem como a Free Carnes, a qual funciona no mesmo endereço da empresa Dicarne Comercial de Alimentos e Derivados de Carnes Ltda, e que sempre recebeu ordens apenas dos mencionados senhores, bem como os pagamentos de suas comissões de vendas; -Que as notas fiscais de vendas da Free Carnes são emitidas nos talonários da empresa Dicarne Comercial de Alimentos e Derivados de Carnes Ltda, e que ambas funcionam no mesmo endereço; - A partir de solicitação da fiscalização, fls. 155/158, foi constatado que a Dicarne Comercial de Alimentos e Derivados de Carnes Ltda possuía contas correntes junto aos Bancos Bradesco S/A e Banco do Brasil S/A, constando dos dados cadastrais das referidas contas, em ambos os bancos, fls. 182/192, como procurador da empresa fiscalizada o Sr. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior; - No endereço do domicílio fiscal da empresa fiscalizada, funcionava apenas a empresa Free Carnes Comércio Varejista de Carnes Ltda e que lá não funcionava a empresa fiscalizada Dicarne Comercial de Alimentos e Derivados de Carnes Ltda. Apesar de tal fato, foi constatado pela autoridade fiscal que naquele endereço havia sobre a mesa documentos de propriedade da Dicarne (notas promissórias por ela emitidas), os quais foram retidos(Termo de Retenção de Documentos, fls. 123). Em algumas das promissórias, fls. 124/137, consta a sua quitação com data e assinatura do Sr. Giovanni de Albuquerque Maranhão; - Em cumprimento do MPF-Diligência n° 0430100.2001.00247 5, fls. 592/599, foi efetuada diligência na empresa Free Carnes a fim de realizar busca para retenção/apreensão de documentos de terceiros, tendo sido lavrado 'Termo de Retenção de Documentos",f1. 615, quando foram apreendidos vários documentos de propriedade da empresa Dicarne Comercial de Alimentos e Derivados de Carnes Ltda.. Processo n° 11618.001497/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 12 Ante os fatos acima relatados, é claro que os proprietários de fato da empresa fiscalizada são os Srs. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Flávio José Quinderé de Almeida possuíam interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, pois se locupletaram dos rendimentos produzidos pela empresa, deixando de cumprir as obrigações tributárias principal (pagamento dos tributos) e acessórias. Conclui a autoridade fiscal, ante os fatos acima relatados e razões de fls. 49/53, que os proprietários de fato da empresa fiscalizada são os Srs. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Flávio José Quinderé de Almeida, os quais possuem interesse comum nas situações qu& constituíram os fatos geradores da obrigação principal, sendo, portanto, solidários obrigados no crédito tributário constituído na ação fiscal. Outrossim, a recorrente faz ouvido de mercador em relação às razões e explicações fornecidas pela DRJ, limitando-se a reproduzir novamente, em sede de recurso especial, todos os argumentos apresentados na impugnação. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou no parágrafo anterior, passo em complemento a este voto a adotar também como razão de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: "Ao falar sobre solidariedade tributária passiva — que nos interessa no caso presente — Bernardo Ribeiro de Moraes, em sua obra 'Compêndio de Direito Tributário", 2° Volume, páginas 302/305, 1997, Forense, assim se expressa: "22.5.6 — Solidariedade tributária passiva Dispondo sobre a matéria, assim se expressa o Código Tributário Nacional: O Código Tributário Nacional, conforme se verifica, admite duas modalidades de solidariedade passiva, assim especificadas: a) solidariedade de fato (CTN, art. 124, inciso I), quando há uma pluralidade de pessoas com "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal". Seria o caso, v.g., de três pessoas importarem determinada mercadoria estrangeira ou de cinco pessoas co-proprietárias de um bem imóvel. Todas elas ficarão responsáveis, solidariamente, perante a Fazenda Pública respectiva, pelo pagamento do imposto sobre a importação ou do imposto sobre a propriedade predial. A solidariedade nasce em razão da própria natureza do fato gerador da respectiva obrigação, pela própria natureza do imposto em causa. Se várias pessoas participam de fato de determinada obrigação tributária, os efeitos jurídicos abrangerão todas elas, que passam a ser solidárias diante do cumprimento da prestação tributária. Isto, acrescenta Hugo de Brito Machado, "mesmo que a lei específica do tributo em questão não o diga."; Conclui-se portanto, que, quando duas ou mais pessoas estiverem ligadas por interesse comum ao fato gerador dar-se-á a solidariedade legal presumida. Desta forma, a pessoa que esteja vinculada ao fato gerador é devedora solidária em relação ao crédito tributário. É próprio da atividade negocial a busca do resultado econômico através da realização de operações que caracterizam fatos geradores. Os Srs. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Flávio José Quinderé de Almeida não constam oficialmente como 12 • • Processo n° 11618.001497/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 13 sócios da empresa autuada, mas, efetivamente, pelas provas, informações e depoimentos obtidos pela fiscalização, eram os representantes e responsáveis pela administração das atividades comercial, financeira e administrativa da pessoa jurídica autuada. Deve ser lembrando que os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes, e assim é inegável a solidariedade destes em relação às obrigações que contraem em nome daquela, pois a responsabilidade solidária em tal caso é objetiva, presumida, posto que a situação configurada na lei (art. 124, I) é aquela em que todos os envolvidos ganham simultaneamente com o fato econômico (fato gerador). Com todos os elementos coligidos pela fiscalização é inegável que os Srs. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior e Flávio José Quinderé de Almeida tinham interesse comum na situação que configura o fato gerador da obrigação; razão pela qual a responsabilidade solidária está de acordo com as disposições do inciso I do art. 124 do CTN. (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas-correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (...) (Acórdão n° 107- 08692, de 18.8.2006) Diante do exposto, voto no sentido de julgar procedentes os lançamentos do IRPJ e CSLL, e julgar que a responsabilidade solidária está de acordo com as disposições do inciso I do art. 124 e 135 do CTN. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso, para manter os lançamentos do lRPJ e CSLL, bem assim que a responsabilidade solidária está de acordo com as disposições do inciso I do art. 124 e 135 do CTN." Por fim, acrescento ainda em reforço o seguinte argumento,os Srs. Luiz Gonzaga de Almeida Júnior, e Flávio José Quinderé de Almeida eram as pessoas que efetivamente geriam a sociedade, e portanto, ex vi art. 135, III do CTN, tornaram-se responsáveis por infrações à lei cometidas pela sociedade, não apenas pelo fato de a empresa não ter pago os seus tributos e não ter entregue as DIPJs , mas sobretudo por dissolverem irregularmente a pessoa jurídica. Cabe salientar que é pacífica a jurisprudência dos Tribunais Superiores de que tão-somente basta a constatação de dissolução irregular da sociedade para que de plano seja atribuída aos sócios-gerentes a responsabilidade pelo pagamento dos tributos não adimplidos pela sociedade, mesmo que não se possa vislumbrar a regra geral de que deve haver uma implicação lógica direta entre o ilícito praticado pelos sócios e o fato gerador dos tributos. E o quadro que se apresenta no presente processo não deixa a menor dúvida de que houve a dissolução irregular, na medida em que houve a presunção de deliberação de dissolução e devolução dos bens da Pessoa Jurídica aos sócios. Tal presunção já admitida nos 7,3 Processo n° 11618.001497/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00103- Fl. 14 Tribunais Superiores quando a pessoa jurídica não é localizada no endereço do contrato social, como foi exatamente o caso. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso, para declarar que os Termos de Responsabilidade estão de acordo com as disposições do inciso I do art. 124 e 135 do crN. /1„' NTONIO fr ERRA NETO 14
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Numero do processo: 10860.721858/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/11/2012
ARQUIVOS DIGITAIS. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. ERRO DO CÓDIGO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DO PRODUTO. INFRAÇÃO POR OMISSÃO OU PRESTAÇÃO INCORRETA DE INFORMAÇÃO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE DA INFRAÇÃO. FATO ATÍPICO. COBRANÇA DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Se o ato normativo administrativo pertinente não proíbe o uso de expressões ou termos em língua estrangeira, para descrever as mercadorias nos arquivos eletrônicos de documentos fiscais, uma vez não demonstrada, nos autos, que a descrição não reealizada em vernáculo prejudicou a indentificação da mercadoria, tal fato, de per si, não configura infração por omissão ou prestação incorreta de informação, tipificada no art. 12, II, da Lei 8.218/1991.
2. Também não configura a referida infração, se a ocorrência de erro no código de classificação fiscal ou no código do produto, descritos nos referidos arquivos, não prejudicar a realização do procedimento fiscal de identificação da operação comercial ou da mercadoria e de apuração da legitimidade do ressarcimento do crédito do IPI pleiteado.
3. Se demonstrado que houve erro no enquadramento legal da infração cometida, a cobrança da multa aplicada reputa-se indevida, por falta de subsunção do fato à hipótese normativa da infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Relator, e José Feistauer de Oliveira, que convertiam o julgamento em diligência e, no mérito davam parcial provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama. Fez sustentação oral a Drª. Camila Galvão e Anderi Silva - OAB 140450.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
(assinatura digital)
José Fernandes do Nascimento Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Fesitauer de Oliveira e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/11/2012 ARQUIVOS DIGITAIS. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. ERRO DO CÓDIGO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DO PRODUTO. INFRAÇÃO POR OMISSÃO OU PRESTAÇÃO INCORRETA DE INFORMAÇÃO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE DA INFRAÇÃO. FATO ATÍPICO. COBRANÇA DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Se o ato normativo administrativo pertinente não proíbe o uso de expressões ou termos em língua estrangeira, para descrever as mercadorias nos arquivos eletrônicos de documentos fiscais, uma vez não demonstrada, nos autos, que a descrição não reealizada em vernáculo prejudicou a indentificação da mercadoria, tal fato, de per si, não configura infração por omissão ou prestação incorreta de informação, tipificada no art. 12, II, da Lei 8.218/1991. 2. Também não configura a referida infração, se a ocorrência de erro no código de classificação fiscal ou no código do produto, descritos nos referidos arquivos, não prejudicar a realização do procedimento fiscal de identificação da operação comercial ou da mercadoria e de apuração da legitimidade do ressarcimento do crédito do IPI pleiteado. 3. Se demonstrado que houve erro no enquadramento legal da infração cometida, a cobrança da multa aplicada reputase indevida, por falta de subsunção do fato à hipótese normativa da infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 18 58 /2 01 2- 87 Fl. 20320DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Relator, e José Feistauer de Oliveira, que convertiam o julgamento em diligência e, no mérito davam parcial provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama. Fez sustentação oral a Drª. Camila Galvão e Anderi Silva OAB 140450. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator (assinatura digital) José Fernandes do Nascimento – Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Fesitauer de Oliveira e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 13/11/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica, no valor de R$ 32.440.388,15, em virtude dos fatos a seguir descritos. A empresa autuada é importadora, revendedora e, fabricante de aparelhos de telefonia móvel, monitores de vídeo, refrigeradores, etc. A quase totalidade dos insumos/intermediários de LG é importada — quantidades menores de seus insumos são oriundas da Zona Franca de Manaus. Em virtude de acumular sucessivos saldos credores, a Empresa solicitou à fiscalização a apuração da legitimidade de créditos de Imposto sobre Produtos industrializados ("IPI") objeto de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação ("PER/DCOMP") referente ao período de janeiro a dezembro de 2007. Como é elementar, para realizar a auditoria dos pedidos acima, qual seja, verificar a legitimidade dos valores que se pretendem ver ressarcidos — que vêm a ser os saldos trimestrais, ou parte destes, que estão indicados no Registro de Apuração do IPI indispensável é a obtenção de dados/informações claros, precisos. E, estes, em uma Empresa como LG, do porte de LG, seus dados/informações estão em arquivos digitais. A obrigação de apresentar arquivos está prevista na Lei n° 8.218/91, art. 11. A normatização dos bancos de dados em questão está estabelecida na IN 86/2001 e, no Ato Declaratório Executivo Cofís n° 25/2010. Tendo como suporte legal a legislação citada acima, a fiscalização solicitou os arquivos digitais da empresa LG a partir de janeiro de 2012, conforme cópia juntada da Int. de n° 2 de janeiro 2012, sendo feita reiteração dessa solicitação, através da Int. n° 3 em março de 2012. Fl. 20321DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.321 3 Os arquivos foram apresentados em maio de 2012. Através de nova solicitação Int. n° 4, em maio de 2012 – a fiscalização especificou a necessidade de correção da língua constante nos bancos de dados. Em atendimento feito em novembro de 2012 a LG reapresentou os mesmos arquivos de maio de 2012. Nesse último atendimento, o arquivo apresentado possuía erros e incorreções que não foram extirpados, ou seja, os bancos de dados continuaram a não preencher os requisitos administrativos atinentes ao tema. Os arquivos apresentados não atenderam os formatos indicados no Ato Declaratório Executivo Cofis n° 25/2010 ADE 25, incorrendo assim na infração tipificada nos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 13/11/2012, o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 9127 à 9153, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: DAS PRELIMINARES Da Decadência Antes de adentrar ao mérito do Auto de Infração, a Impugnante destaca que a autuação abrange operações por ela realizadas e registradas em seus arquivos magnéticos durante todo o ano de 2007, estando consequentemente todo e qualquer questionamento sobre as operações realizadas e registradas antes do recebimento da autuação em 13 de novembro de 2007 já alcançadas pela decadência, uma vez decorrido o prazo previsto no artigo 150, parágrafo 4o, do Código Tributário Nacional. Nulidade por absoluta incongruência na motivação: contradições, precariedade da acusação e prejuízo ao direito de defesa. O Relatório Fiscal descreve as supostas irregularidades e o método adotado para apuração e, posteriormente, no calculo da penalidade, adota critério totalmente contraditório. Ou mesmo, em alguns casos, os próprios critérios apresentados no Relatório Fiscal brigam entre si. Foram detectadas as seguintes contradições: Contradição n° 1: Exclusão incompleta de bens de uso e consumo. Assim como os bens de uso e consumo são irrelevantes para a auditoria, claramente o são também os itens informados em inglês, e, como tais, deveriam ter sido excluídos da autuação caso o I. Agente Fiscal tivesse adotado critérios coerentes. Há de prevalecer a essência, o conteúdo, não a falta de critérios. Contradição n° 2: Linhas com informações que não geram impactos para a fiscalização de Imposto sobre Produtos Industrializados. Não bastasse a contradição existente em relação à diferenciação das mercadorias de uso e consumo, há ainda uma patente contradição no Auto de Infração em relação ao o critério adotado para a exclusão das irregularidades que foram irrelevantes para a auditoria de IPI. Fl. 20322DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 É o caso, por exemplo,das seguintes movimentações/serviços: aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial (CFOP 1352), remessa de bem do ativo imobilizado para uso fora do estabelecimento (CFOP 5554), remessa para armazém geral ou depósito fechado (CFOP 5905), remessa para conserto e reparo (CFOP 5915), remessa para industrialização por encomenda (CFOP 5901), remessa para exposição ou feira (CFOP 5914), entre diversos outros. Como os arquivos magnéticos foram solicitados e utilizados para realizar auditoria de IPI, e o Fiscal optou por excluir irregularidades relacionadas a bens de uso e consumo justamente em razão de sua irrelevância para a finalidade pretendida, oúnico critério razoável seria a exclusão de todas as operações que não geram qualquer débito ou crédito para a Impugnante no que se refere ao IPI. A não adoção desse critério revela, mais uma vez, contradição no auto de infração, e comprova sua precariedade. Contradição n° 3: Consideração de linhas com informações em inglês na mesma coluna e desconsideração daquelas com as exatas mesmas informações em colunas diferentes Não se pode aceitar esse critério contraditório e irrazoável de se considerar correta a linha quando as exatas mesmas informações em inglês e português estão na mesma coluna e como incorreta quando as mesmas informações (descrição em português e tradução) estão indicadas emcolunas diversas, ainda mais considerando que as informações em português são suficientes para a clara identificação do produto. É cristalino que o mero fato de as descrições estarem em línguas diferentes e não na mesma não é critério para diferenciação no caso e ambas deveriam ter sido tratadas conjuntamente. Dessa forma, o único critério razoável e adequado quando se consideram como corretas as linhas que contêm descrição em inglês e em português e aceitar também as situações em que há descrição completa em português e a descrição em inglês consta de outra coluna. Assim, demonstrase a existência de mais um critério contraditório adotado no auto de infração, que comprova sua precariedade. Contradição n° 4: Consideração como incorretas de linhas com as informações das linhas indicadas como corretas nos exemplos da Fiscalização Não bastasse o acima exposto, o autode infração também incorreuem patente contrariedade ao indicar como irregulares e incluir na apuração da multa linhas com informações iguais aquelas constantes nas linhas identificadas como corretas pela Fiscalizaçao e apresentadas nos Anexos 12, 13 e 14 (fls. 133140). Vejamos de forma mais detalhada um exemplo, dentre diversos outros, que comprova o acima exposto: Em fls. 133, há uma tabela com as linhas consideradas corretas pela d. Fiscalização. Entre os itens mencionados, tomemos como exemplo o monitor de vídeo. É considerada correta a linha que contempla: número da Nota Fiscal, data, CFOP código da mercadoria, descrição da mercadoria, medida, valor unitário, quantidade e valor total. No campo "Descrição complementar, informações para identificação da mercadoria, nome, modelo. As informações trazidas nas Notas Fiscais de Entrada são as mesmas, conforme tabela trazida às folhas 10 da impugnação. Especificamente no que se refere ao código da mercadoria, descrição e NCM, pontos apontados ” Relatório Fl. 20323DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.322 5 Fiscal, constam as mesmas informações: o código correto e perfeitamente identificável, a descrição contendo nome, tamanho e modelo e a NCM existente e correta. Não há, tanto nesse exemplo como em diversas outras linhas erroneamente consideradas incorretas, qualquer das irregularidades mencionadas no Auto de Infração, com base nos exemplos pela própria d. Fiscalização, o que revela mais una vez a existência de contrariedades na autuação fiscal. Restando demonstrada, a título meramente exemplificativo, diversas contradições claras no auto de infração, as quais evidenciam sua precariedade, este deve ser cancelado de plano. Para que um débito possa ser exigido, a luz do artigo 142 do Código Tributário Nacional, deve haver clara e inequívoca descrição dos fatos, devendo a apuração do valor imputado levar em consideração exatamente esses critérios, de forma a preservarse a segurança jurídica e viabilizarse o pleno exercício do direito de defesa. O contribuinte sequer consegue delimitar, com clareza, o critério adotado pelo Sr. auditor fiscal para apontar os "equívocos" nas informações dos arquivos magnéticos? Nítido o prejuízo ao direito de defesa, decorrente da inconsistência apontada, tornando nulo, de pleno direito, o trabalho fiscal. Caso não se entenda pela nulidade do auto de infração, pedese que sejam sanadas todas as contradições existentes no auto de infração. DO MERITO. Se a finalidade do trabalho fiscal era justamente a análise da apuração do IPI do período, para fins de deferimento do ressarcimento e homologação das compensações, e isso pôde ser devidamente cumprido, não faz nenhum sentido ser imposta à Impugnante a absurda penalidade equivalente a 1% de sua receita bruta.Vale mencionar, ainda, que o intuito do I. Agente Fiscal de utilizar os arquivos magnéticos justamente para a análise da apuração de IPI da Impugnante resta ainda mais claro quando se considera que um dos critérios adotados foi a desconsideração de itens de bem de uso e consumo para apuração da infração, uma vez que irrelevantes para fins de IPI. De fato, como em anos anteriores, a Fiscalização estava analisando a legitimidade dos créditos de IPI lançados pela impugnante em 2007, os quais foram objeto de pedidos de ressarcimento e declarações de compensação. No âmbito do trabalho fiscal, de forma a simplificar a fiscalização por meio do uso de recursos eletrônicos, foram solicitados os arquivos magnéticos da Impugnante, os quais foram devidamente apresentados. A Fiscalização, então, analisou todos os arquivos magnéticos enviados e procedeu à homologação parcial os ressarcimentos e homologações referentes ao ano de 2007, bem como a lavratura de auto de infração visando à cobrança de multa isolada pela escrituração de créditos de forma indevida. Portanto, em que pese sugerir o Sr. Auditor fiscal que supostas inconsistências estariam prejudicando a fiscalização, não foi isso que ocorreu de fato. Ha autuação (como seu motivo), que as supostas inconsistências atariam a prejudicar a fiscalização, constatase que não foi isso que ocorreu de fato. Fl. 20324DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 Ora, se houve a fiscalização e essa foi concluída com análise da legitimidade dos créditos de IPI, então os documentos apresentados foram suficientes para a finalidade pretendida. Desse fato resta claro que os documentos apresentados e os arquivos magnéticos, da exata forma como entregues ao Fiscal foram suficientes para que o propósito de instauração do procedimento fisca1 fosse cumprido, ou seja, as informações apresentadas foram suficientes para a análise dos créditos de IPI a que se propunha a Fiscalização. As penalidades previstas no artigo 12 da Lei 8.218, devido a seu alto potencial gravoso, que pode levar à inviabilidade das atividades de uma empresa, devem ser aplicadas com a maior cautela possível e apenas a casos específicos quando o objetivo da empresa ao praticar um dos fatos descritos nessa norma, como embaraçar a Fiscalização ou mesmo quando a eventual irregularidade informações apresentadas, mesmo que esse não seja o objetivo da empresa, cause algum prejuízo à Fiscalização ou ao Erário. Uma penalidade que pode chegar a 1% da receita bruta de uma empresa certamente não foi inserida no ordenamento jurídico para penalizar empresas que cumprem suas obrigações fiscais e apresentam informações ao Fisco da melhor forma possível. Sua instituição visa a atingir os contribuintes que causam prejuízos ao Erário e atrapalham a Fiscalização, seja por meio da falta de apresentação ou atraso na entrega dos arquivos magnéticos, seja na apresentação desses arquivos com omissões e incorreções que inviabilizem c trabalho fiscal. E não há dúvidas de que isso não ocorreu no caso. As incorreções e irregularidades apontadas pela Fiscalização não representaram em momento algum um entrave ao trabalho fiscal realizado. Muito pelo contrario, apresentadas foram suficientes e permitiram que o Agente Fiscal realizasse seu trabalho fiscalizador de forma completa, objetiva e simples, uma vez que lhe permitiu a análise de dados eletrônicos já compilados, sem que fosse necessário revirar todos os documentos fiscais emitidos e recebidos no período. Nesse sentido, conforme reconhecido pelo Agente Fiscal, não seria possível realizar a fiscalização de IPI sem que houvesse dados e informações claros e precisos. Ora, a Fiscalização foi realizada e finalizada. O Agente Fiscal analisou todos os créditos e débitos da Impugnante e emitiu seu parecer sobre a legitimidade da apuração desse tributo, conforme se verifica da análise dos despachos decisórios e auto de infração referentes aos processos 10860.903028/2011 95,10860.903564/201191, 10860.904336/201138 e 10860.721166/201239. De fato, caso a Impugnante não tivesse apresentado dados claros, precisos e suficientes para a fiscalização de IPI, essa não poderia ter sido completada. Contrario sensu, resta cristalino que as informações apresentadas pela Impugnante não apresentavam nenhuma irregularidade que impactassem a Fiscalização a que se destinavam tanto que essa foi devidamente finalizada. Se a Impugnante cumpriu devidamente suas obrigações de manter e apresentar arquivos digitais destinados exclusivamente para a fiscalização de IPI e essa inspeção foi concluída, não há que se falar na imposição de penalidade correspondente a 1% de sua receita bruta, em razão da existência de supostas incorreções que não resultaram em nenhum prejuízo ao trabalho fiscal, e, ainda mais, não resultaram de forma alguma em recolhimento a menor do imposto. As informações apresentadas, portanto, eram exatamente aquelas de que o Fisco precisava para realizar a fiscalização de Imposto sobre Produtos Industrializados a que se pretendeu. Não se pode agora, em momento posterior _a conclusão de toda a análise do IPI, vir a contestar as informações apresentadas e aplicar penalidade absurdamente elevada quando intuito da fiscalização já foi devidamente cumprido, quando o Agente Fiscal analisou todos os créditos de 2007, Fl. 20325DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.323 7 trimestre a trimestre, e, com base exatamente nas informações agora ditas omissas ou incorretas, emitiu seu parecer quanto à legitimidade da apuração de IPI. Dessa forma, resta clara a necessidade de cancelamento do Auto de Infração ora combatido, uma vez que não há qualquer motivação para a imposição de penalidade tão gravosa. Inaplicabilidade da Penalidade Imposta Conforme se observa do Auto de Infração, a Autoridade Fiscal imputou à Impugnante a penalidade de 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% da receita bruta, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, com base no artigo 12, inciso II, da Lei 8.218/91. A multa foi aplicada de maneira claramente equivocada, uma vez que: (í) houve erro de tipificação do fato descrito à norma indicada como violada; (ii) há nítido erro na apuração da base de cálculo da penalidade e, ainda, (iii) a penalidade, no contexto em que aplicada, afronta a princípios básicos de proporcionalidade e razoabilidade. Da Falta de subsunção dos fatos à norma Para a existência de uma relação jurídico tributária, em que se aplicará a norma tributária ao caso concreto, énecessário que o fato verificado no plano da realidade corresponda perfeitamente a hipótese normativa descrita. De acordo com o princípio da tipicidade, que nada mais é que um desdobramento do princípio da legalidade insculpido no artigo 150 I da Constituição Federal ("CF"), para aaplicação de determinada norma tributária a um fato concreto, o fato deve corresponder exata e precisamente à hipótese de aplicação da norma, que corresponde ao antecedente acima mencionado. A Fiscalização está exigindo o pagamento de multa pela Impugnante sem respeitar o principio da tipicidade cerrada. A operação é formada pelas seguintes informações: número da Nota Fiscal que a documentou, descrição a mercadoria comercializada, valor unitário, quantidade e valor total. São essas as informações da operação e foram exatamente esses os dados corretamente mencionados nos arquivos magnéticos apresentados pela impugnante. Todos esses elementos formadores da operação podem ser devidamente identificados nos arquivos questionados e estão corretos, isto é, refletem de forma exata a operação realizada, com todos seus elementos caracterizadores. Se todos esses elementos estão corretamente, sendo possível a identificação, então foi possível à Fiscalização realizar de forma completa a inspeção de IPI pretendida. Não há de se falar, portanto, em quaisquer irregularidades que possam ensejar a imposição da penalidade prevista no artigo 12, da Lei 8.218/91. As informações estavam corretas e não houve omissão, sendo os arquivos magnéticos, inclusive, suficientes para a analise dos créditos de IPI que eram objeto de análise. Como se disse, as informações são exatas e em total consonância com a operação realizada e registrada em meio magnético, apenas não teria sido cumprida a forma em que a Fiscalização entende que deveriam ter sido apresentados os registros e respectivos arquivos, ou seja, em português. Fl. 20326DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 Sendo esse o caso, a Fiscalização deveria ter aplicado a penalidade prevista no inciso I do artigo 12 da Lei 8.218/91 Com efeito, estando incorreta a fundamentação legal que deu base à 'penalidade, o Auto de Infração deve ser cancelado. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a respeito do assunto. Da interpretação conforme princípios da razoabilidade da proporcionalidade e do não confisco. Não bastasse todo o acima exposto, a Impugnante passa a demonstrar que a aplicação da multa correspondente a mais de RS 30 milhões no caso concreto viola os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. Os princípios da proporcionalidade e razoabilidade encerram a necessidade de compatibilidade entre o ato administrativo (ou a própria lei) e o interesse público que se procura proteger: a sanção deve guardar proporcionalidade com o objetivo de sua imposição, e com a gravidade da infração cometida, de forma que o primeiro passo para verificar se a aplicação de uma sanção está em conformidade com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade consiste na investigação da finalidade buscada com a previsão abstrata ou com a imposição concreta da sanção. Dessa maneira, para que seja proporcional a multa devem ser respeitados três preceitos básicos: necessidade, adequação, e proporcionalidade |strictu senso. Sobre a necessidade, abrese aqui um parêntese para lembrar que na esfera das sanções tributárias esse subprincípio, inerente ao princípio maior da proporcionalidade, conta com previsão legal expressa no art. 112 do CTN, que determina expressamente que se interprete de maneira mais favorável ao contribuinte a norma que lhe imputa penalidade. Lembrese, mais uma vez, que a Lei n° 9.784, ao desdobrar as decorrências lógicas do princípio da proporcionalidade indica expressamente que a penalidade não pode ser superior àquela necessária ao atendimento do interesse público. Ora, se a fiscalização não foi obstada, que outro interesse estaria pretendendo resguardar o auditor fiscal no caso concreto? Ainda que enfocado o caráter punitivoda multa aplicada à Impugnante, esta se revela desproporcional, pois as obrigações acessória e principal foram cumpridas e, além de não ter ocorrido o fato previsto na norma punitiva, não houve o mais leve intuito doloso ou fraudulento. Por outro viés, abordado o caráter compensatório da multa, é evidente a desproporcionalidade, uma vez que, conforme já dito e repetido, a entrega de arquivos magnéticos com pequenos equívocos, não trouxe prejuízo à fiscalização, já que a finalidade de inspeção de créditos de IPI pode ser integralmente cumprida, não havendo que se falar em compensação no valor de aproximadamente R$ 30 milhões. Em suma, não há como fazer prevalecer multas abusivas e desproporcionais como a imposta à Impugnante . Junta textos da doutrina de Ângela Maria da Motta Pacheco a respeito do assunto. Também Junta textos da Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal a respeito do assunto. Fl. 20327DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.324 9 Incorreção da base de cálculo adotada Ainda que se entenda que a multa seja devida, o que se admite por mero amor à argumentação, a base de cálculo adotada para seu cálculo foi claramente equivocada. O termo "operação", como pacificado pelo próprio Supremo Tribunal Federal6, corresponde à circulação de mercadorias, assim entendida como a transferência efetiva da propriedade de determinada mercadoria. Ora, se o termo "operação" só pode ter esse preciso significado, a base de cálculo da multa pretendida pela Fiscalização só poderia corresponder aos valores relacionados a operações. Assim, a Fiscalização somente poderia, se fosse o caso, aplicar a multa utilizandose como base de cálculo o valor total das transações que correspondem a efetivas operações, não o valor total das Notas Fiscais emitidas/recebidas pela Impugnante, como fez no caso. Há de se observar que algumas das Notas Fiscais emitidas/recebidas não correspondem a efetivas operações, tratandose de mera documentação detransações que sequer estariam sujeitas ao IPI. Portanto, deveriam referidos valores serexcluídos da base de cálculo da penalidade. Com efeito, entre as Notas Fiscais emitidas/recebidas pela impugnante, podemos verificar, a título exemplificativo, a existência de Notas Fiscais de: remessa de bem do ativo imobilizado para uso fora do estabelecimento (CFOP 5554), remessa para armazém geral ou depósito fechado (CFOP 5905), remessa para conserto e reparo (CFOP 5915), remessa para industrialização por encomenda (CFOP 5901), remessa para exposição ou feira (CFOP 5914), entre diversas outras. Ora, da análise do rol acima apresentado, resta claro que nem todas as transações documentadas por Notas Fiscais emitidas/recebidas pela Impugnante correspondem a uma efetiva operação, havendo, muitas vezes, apenas a remessa de mercadorias que sequer estão sujeitasa qualquer tributo. Impossibilidade de sancionar a impugnante por supostas incorreções em razão de limitação do Sistema da RFB. Além de todos os argumentos acima, que são suficientes para o cancelamento integral do auto de infração, vale ainda mencionar um fator bastante relevante relacionado ao sistema da Receita Federal para validação dos arquivos magnéticos que resultou na identificação de supostas descrições de mercadorias incompletas. Se os caracteres adicionais não podem ser validados pelo sistema, informações importantes sobre as mercadorias não são incluídas nos arquivos entregues em razão dessa limitação, apesar de constarem no arquivo original e estarem à disposição do Fisco nos sistemas da empresa. Foi isso o que ocorreu em diversos casos em que foram supostamente identificadas informações incompletas. Os dados nos arquivos da Impugnante estavam completos e as mercadorias devidamente identificadas e, quando da validação do arquivo, para entrega à Fiscalização, foi necessário um corte na descrição, passando essa a não contemplar tudo o que estava anteriormente informado. Vale mencionar que, de acordo com o novo procedimento da Receita Federal, todos os documentos entregues devem ser antes validados por este sistema, sendo impossível a entrega e protocolo dos arquivos magnéticos sem essa validação. Fl. 20328DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 Com efeito, o artigo 11 da Lei n° 8.218/1991 não estabelece que os arquivos magnéticos do contribuinte devem ser elaborados nos termos da legislação infralegal. Mais especificamente, referido dispositivo legal apenas estabelece que, caso o contribuinte mantenha arquivos digitais, tais arquivos deverão estar disponíveis as autoridades fiscais durante o prazo decadencial. De fato, referidas limitações causaram claro prejuízo à impugnante e essa não teria nenhuma outra forma de apresentação dos arquivos se não fosse após a validação no sistema da Receita Federal, uma vez que e é esse o único procedimento aceito pela Fiscalização. Ora, é incabível cogitar a aplicação de penalidade de mais30 milhões de reais em razão de uma limitação do sistema da Receita Federal, a qual sequer está prevista em lei. DO PEDIDO Em face de todo o exposto, a Impugnante, respeitosamente, requer o conhecimento e regular processamento da presente impugnaçao para que: Preliminarmente, seja reconhecida a decadência parcial das quantias cobradas a titulo de multa; Ainda em caráter preliminar, seja reconhecida a nulidade integral da autuação, com o seu conseqüente cancelamento, diante da precariedade do trabalho fiscal; Caso superada a preliminar acima, requerse, no mérito, o cancelamento integral do auto de infração em razão da inocorrência da infração imputada; Por fim, a Impugnante protesta pela posterior juntada de quaisquer documentos que se façam necessários e pela produção de todas as provas em direito admitidas. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 01/11/2012 Empresa solicitou à fiscalização a apuração da legitimidade de créditos de Imposto sobre Produtos industrializados ("IPI") objeto de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação ("PER/DCOMP") referente ao período de janeiro a dezembro de 2007. Os arquivos apresentados não atenderam os formatos indicados no Ato Declaratório Executivo Cofis n° 25/2010 ADE 25, incorrendo assim em infração. O lançamento ocorreu na data de 13/11/2012, dentro do prazo regulamentar, não estando eivado pela decadência. Os anexos ao Relatório Fiscal estão repletos de itens que não atendem a exigência da legislação referente à obediência ao vernáculo. Dada a essa infringência legal e o obstáculo do uso de códigos “partnumbers” essas informações estão incorretas. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Requer declaração da nulidade da decisão de primeira instância, pela ausência de análise dos fundamentos de impugnação e preterição ao direito defesa. Assevera Fl. 20329DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.325 11 que diversos argumentos apresentados não foram contraditados pela decisão recorrida e outros foram distorcidos. Descreve alguns dos pontos sobre os quais a decisão teria se omitido. Reitera pedido de nulidade do Auto de Infração, por iliquidez e incerteza. Descreve os critérios que nortearam o Auto de Infração para, em comparação com informações que o próprio Auditor considerou corretas, concluir, que "resta evidente a absoluta falta de critério no trabalho fiscal, com a adoção de conclusões dispares a partir de uma mesma situação: ora a informação é válida; ora, inválida e autuada (...)". A esse respeito, identifica quatro situações: (i) exclusão de operações irrelevantes para o IPI somente em alguns casos; (ii) validação de linhas com informações em português e inglês na mesma coluna e autuação daquelas que também possuíam referência em português, porém, em coluna diversa; (iii) consideração como incorretas, linhas com as mesmas informações de linhas indicadas como corretas nos exemplos da fiscalização e (iv) as mesmas descrições como corretas em determinado ponto e incorretas em outro. Exemplifica. No mérito, impossibilidade de aplicação da multa prevista no artigo 12, II, da Lei 8.218/91, uma vez que (i) não exista subsunção dos fatos à lei; (ii) haja falta motivação que justifique a autuação e (iii) os arquivos magnéticos foram requeridos em sede de procedimento de PER/DCOMP, não cabendo nesse contexto a aplicação da sanção em tela. Apresenta laudo que, sempre segunda afirma, corrobora os argumentos expendidos na defesa. Aduz que inúmeras informações incluídas no Auto de Infração combatido foram prestadas de forma correta e, por conseguinte, deveriam ser excluídas da base de cálculo da infração. Exemplifica. Aplicação retroativa do disposto na Lei 12.766/12. Decadência em relação às operações registradas e realizadas durante o período de 2007. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância A primeira questão suscitada pela Recorrente em sede de preliminar, diz respeito à nulidade da decisão de primeira instância pela omissão em relação ao argumento apresentado em sede de impugnação ao lançamento de que determinados itens teriam sido excluídos da autuação pela Fiscalização Federal em função do CFOP indicado na nota fiscal, Fl. 20330DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 como é o caso, por exemplo, de itens de bens e consumo. Segundo afirmou a então impugnante, isso ocorreu por que a Fiscalização considerou que essas mercadorias não impactavam a auditoria de créditos do IPI, mas isso, assevera, não foi enfrentado pela decisão de primeiro grau, que limitouse a afirmar que essas informações estavam consignadas em português. A esse respeito, extraise do Voto condutor da decisão contraditada a seguinte manifestação, que pode ser observada em dois subitens distintos. O que a fiscalização fez foi excluir da ação fiscal itens de uso e consumo, justamente porque esses itens estavam descritos em português e assim não desatendiam o estipulado no inciso II, do artigo 12, da Lei nº 8.219/91. Contradição ocorreria na situação inversa. Arrolar na ação fiscal itens descritos em português, em conformidade com o estipulado no dispositivo citado. (...) O fato que levou a exclusão daqueles itens (bens de uso e consumo) foi o fato de descritos em português e assim não desatendiam o estipulado no inciso II, do artigo 12, da Lei nº 8.219/91. As diversas outras (operações) que não geram impactos de IPI que o impugnante faz referência em sua argumentação não estão descritas em português, em inobservância ao estipulado no dispositivo citado, portanto estão arroladas na ação fiscal. É de clareza solar que o Acórdão de primeira instância não respondeu de forma direta as alegações da empresa. Contudo, esse fato, por si só, não macula a decisão. É de sabença que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos de defesa, bastando que os fundamentos da decisão sejam contrários a todos eles. No caso vertente, o que depreendo dos excertos acima transcritos é que a decisão de piso está fundamentada no entendimento de que a exclusão de determinados itens não foi motivada por eles serem de uso ou consumo, tal como entendeu a Recorrente, mas por que esses itens não estavam descritos na língua portuguesa. Assim, não haveria mesmo razão para que a DRJ se referisse à alegada falta de coerência, pois os critérios visualizados pelo contribuinte não foram os mesmos critérios enxergados pelo i. Julgador de piso. Se são diferentes, não há que se falar na incoerência neles identificada pela defesa. Partindo desse pressuposto, fundamental que se obtenha do Auto de Infração controvertido a verdadeira razão pela qual determinados itens foram deixados de fora. Se, como entende a decisão recorrida, apenas porque não estavam descritos em língua portuguesa, independentemente da sua utilidade na auditoria específica que estava sendo realizada, ou, conforme a Recorrente, única e exclusivamente porque esses itens não impactavam a auditoria de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Transcrevo a seguir as considerações que encontrei no corpo do Relatório Fiscal que fundamenta o Auto de Infração sub judice. No que tange aos critérios que nortearam nossa verificação, destacaríamos exemplos transcritos originalmente em letras maiúsculas: . NCM inexistente ou indeterminada ou, código de mercadorias idem consideramos como dado/informação incorreta; . linhas dos arquivos descrevendo mercadorias identificáveis como produtos de uso e consumo, em vernáculo, se, porventura, contiverem alguma irregularidade, Fl. 20331DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.326 13 entendemos como irrelevante para a auditoria, não constando das listagens acima, como, por exemplo. Descreve a seguir dois itens. Um especificado como Impressora HP Deskjet 930C, NCM 99999999. O outro, uma Cadeira c/alt. 43 a 53 mm em vinil cor preta, NCM 99999999. Está, portanto, correta a interpretação empreendida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A Fiscalização informa que foram consideradas regulares as linhas dos arquivos descrevendo mercadorias identificáveis como produtos de uso e consumo, em vernáculo, mesmo que contendo alguma irregularidade (se, porventura, contiverem alguma irregularidade). Nos dois exemplos citados acima a descrição da mercadoria é feita na língua portuguesa e por isso foram aceitas, mesmo que a NCM tenha sido informada de maneira incorreta. A segunda reclamação deste tópico está dirigida à abordagem do Acórdão recorrido em relação à incoerência da autuação no tratamento das linhas de arquivo nas quais as mercadorias estavam descritas em inglês e, ao lado, em português. Na autuação, algumas teriam sido consideradas em situação regular e, outras, muito similares, em situação irregular. Quanto a isso, assevera a Recorrente, que a decisão recorrida trouxe sete outros exemplos, pinçados em um arquivo de mais de 410 mil linha (...). A linha de argumentação da então impugnante a esse respeito, além de apontar a alegada contradição no procedimento fiscal, estava dirigida à comprovação de que as informações registradas nos seus sistema informatizados permitiam a clara e precisa identificação do produto. Foi por esse motivo que a decisão contestada levou o assunto à análise de mérito, quando procurou demonstrar, por meio dos sete exemplos citados no Recurso, que essa afirmação não condizia com a realidade encontrada pelo Fisco. Quanto ao problema em si e à representatividade ou não dos sete exemplos utilizados pelo Julgador da DRJ, imperioso sublinhar que a impugnação refere apenas quatro linhas consideradas regulares, em comparação com outras três consideradas em situação irregular. Ou seja, a amostragem da então impugnante também é econômica. Mas o mais importante é que a comparação não é válida. Os itens considerados em situação regular contém, ainda que não da melhor forma, informações em língua portuguesa. Os itens considerados em situação irregular, contém, no campo Descrição Complementar, exclusivamente informações em língua inglesa. Quer dizer, a Recorrente protesta contra a omissão da DRJ para uma contradição encontrada no Auto de Infração que não aconteceu e que foi abordado de forma dedicada e criteriosa na análise de mérito. O mesmo se diz em relação à terceira questão suscitada: "casos em que as linhas consideradas incorretas possuíam, em essência, a mesma estrutura e conteúdo de linhas elencadas pela própria fiscalização como exemplos de linhas corretas (...)". O assunto foi abordado no mérito da decisão, com o exame do conteúdo de alguns itens considerados incorretos pelo Fisco. Mas, tal como no caso anterior, o mais importante é que as alegações da então impugnante não demonstravam a contradição em que alega ter incorrido o Auto de Fl. 20332DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 Infração. As duas tabelas comparadas no corpo da impugnação contém informações distintas. Salta aos olhos o fato de que a considerada em situação irregular repete no campo "Descrição Complementar" a informação prestada no campo "Descrição da Mercadoria/Serviço", enquanto que a tabela considerada correta sequer tem um campo denominado "Descrição da Mercadoria/Serviço", mas apenas "Cód. Merc." e "Descrição Complementar". Admito que se indague a razão porque a primeira (segunda na impugnação) foi considerada irregular, mas nenhum motivo para que seja apontada contradição no critério adotado pela Fiscalização. Pelo mesmo caminho devese decidir em relação à nulidade da decisão de piso, que, zelosamente, abordou a (inexistente) contradição como matéria de mérito. Nulidade do Auto de Infração por iliquidez e incerteza O pedido de reconhecimento da nulidade do Auto de Infração fundase, justamente, nas alegações sobre as quais, segundo a Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento terseia omitido, conforme item anterior. São elas: a (i) exclusão de operações irrelevantes para o Imposto sobre Produtos Industrializados somente em alguns casos; a (ii) validação de linhas com informações em português e inglês na mesma coluna e autuação daquelas que também possuíam referência em português, porém, em coluna diversa e a (iii) consideração como incorretas, linhas com as mesmas informações de linhas indicadas como corretas nos exemplos da fiscalização. No que diz respeito à primeira alegação, como já observado no tópico anterior, a razão para que a Fiscalização Federal tenha excluído alguns itens e outros não está relacionada ao fato desses itens descreverem mercadorias identificáveis como produtos de uso e consumo em vernáculo, mesmo que contendo alguma irregularidade. Ou seja, essas mercadorias não foram excluídas porque eram irrelevantes para apuração do IPI, como entendeu a Recorrente, mas porque não estavam descritas em língua portuguesa. Essa razão para nulidade resta, assim, carente de conteúdo hábil a demonstrála, já que as razões de decidir imaginadas pela Parte foram mal avaliadas. A segunda e a terceira alegações seguem pelo mesmo caminho. Como comentei no tópico anterior, não é possível encontrar contradição nos exemplos utilizados pela Parte. Em relação à segunda questão enumerada acima, o que se observa é que os itens considerados em situação regular pela Fiscalização contém informações em língua portuguesa e os itens considerados em situação irregular, contém, no campo Descrição Complementar, exclusivamente informações em língua inglesa. E o critério foi realmente este. Observese o que diz o Relatório Fiscal a esse respeito. . linhas dos arquivos contendo expressões em língua estrangeira acompanhadas, no mesmo campo, de descrição em vernáculo seja em Descrição, seja em Descrição Complementar permitindo, assim, a "clara identificação do produto", foram considerados como corretas, como por exemplo: (...) Está claro. Foram aceitos os registros (linhas), mesmo contendo expressões em língua estrangeira, desde que, no mesmo campo onde elas são encontradas (as expressões) haja descrição em língua portuguesa (em vernáculo). Vale o mesmo para o item (iii). As duas tabelas comparadas no corpo do Recurso Voluntário contém informações distintas. Mais uma vez, salta aos olhos o fato de que Fl. 20333DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.327 15 a considerada em situação irregular repete no campo "Descrição Complementar" a informação prestada no campo "Descrição da Mercadoria/Serviço", enquanto que a tabela considerada correta sequer tem um campo denominado "Descrição da Mercadoria/Serviço", mas apenas "Cód. Merc." e "Descrição Complementar". Desta forma, uma vez que as alegadas inconsistências encontradas pela Recorrente com o fito de demonstrar a iliquidez e incerteza do Auto de Infração estão baseadas em exemplos que não podem ser comparados com este propósito, considero ausente a necessária demonstração dos erros apontados neste desiderato. Superadas as preliminares, passo ao mérito. Advogase a impossibilidade de aplicação da multa prevista no artigo 12, II, da Lei 8.218/91 tendo em vista a falta de subsunção dos fatos à norma, falta de motivo que justifique a autuação e, ainda, porque os arquivos magnéticos foram requeridos em sede de procedimento de PER/DCOMP, não cabendo nesse contexto a aplicação da sanção. Oportuno transcrever a norma. Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 20334DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 16 III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) A Recorrente defende que a hipótese normativa trata da omissão ou incorreção nas informações da operação correspondente, conforme especifica o item II acima e que, contudo, no caso concreto, todas as informações forma prestadas sem qualquer omissão ou incorreção a seu respeito. Argumenta, O tipo normativo em tela, que imputa sanção gravíssima, em patamar extremanente elevado, se reserva àquelas situações em que o contribuinte simplesmente deixa de prestar a informação ou presta informação errada leiase: informação que não reflita de forma fidedigna a natureza da operação tributada ou da extensão da base de cálculo. Passa a examinar, uma a uma, as irregularidades identificadas pelo Fisco, explicando as razões para que essas divergências tenham sido encontradas. Lendo e relendo o teor da defesa apresentada, me deparei com três questões que, segundo me parece, exigem adoção de providências preliminares à decisão definitiva. A primeira referese à presença da língua inglesa identificada em muitas das descrições das mercadorias examinadas pelo Fisco. A Recorrente argumentou tratarse de terminologia incorporada à cultura pátria, especialmente no ramo eletroeletrônico, no qual opera. É o que aconteceria, por exemplo, nos casos do mouse, do notebook, do case etc. Creio que assista razão à Recorrente nestes particular. O Ato Declaratório Executivo Cofis nº 25/10, em seu Anexo Único, define que a descrição das mercadorias deve conter marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e demais informações necessárias a clara identificação do produto, sem, em nenhum momento proibir a utilização de palavras em língua estrangeira. É óbvio que nenhuma expressão desconhecida em língua estrangeira poderia ser reconhecida como hábil à identificação de um produto, contudo, certas palavras estão de tal forma arraigadas à cultura nacional, que já foram até mesmo incorporadas formalmente pelos dicionários da língua portuguesa. Vejase o que diz o Dicionário Houaiss1 sobre a palavra notebook. computador portátil, espécie de laptop com peso de cerca de 2 kg, e dimensões próximas às de um livro de tamanho médio (8,5 cm por 11 cm, com pouco mais de 7 cm de altura) E ainda que assim não fosse, como recusar validade a termos e expressões cujo significado nenhuma pessoa em estado sadio pode alegar desconhecimento? 1 HOUAISS, Antônio. Editora Objetiva Ltda. Edição Eletrônica. Junho de 2009. Fl. 20335DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.328 17 De fato, a base legal indicada no Auto de Infração (Relatório Fiscal) como fundamento legal da obrigatoriedade de uso da língua portuguesa está destinada, no meu entendimento, aos documentos com os quais se pretende reconhecer ou formalizar direitos ou deveres. Um arquivo interno de controle das operações comerciais/industriais precisa conter aquilo que a legislação infra legal estabelece, no caso, ADE Cofis nº 25/10. O Ato, como se viu, não determina o uso exclusivo da língua portuguesa. A segunda questão diz respeito à redução para quarenta e cinco caracteres alegadamente imposta pelo próprio Sistema de Validação utilizado pela RFB. Pareceme que a decisão recorrida, peço vênia, utilizou fundamento que não rechaça por completo os argumentos apresentados pela defesa. Ainda que em alguns casos encontremse informações prestadas pelo contribuinte de forma insuficiente, como demonstra o i. Julgador de piso, em outros, conforme revela a defesa, o problema na descrição estaria, de fato, relacionado à limitação decorrente do processamento dos dados. Por fim, pareceme que também assista parcial razão à Recorrente no que diz respeito ao enquadramento da infração a ela imputada. Segundo entendo, o destino da presente autuação haveria mesmo de ser pela improcedência integral do lançamento, estivesse o Auto de Infração fundamentado única e exclusivamente no ADE nº 25/10. Com efeito, o Ato altera o Anexo Primeiro do ADE 15/01, que, por sua vez, estabelecia "a forma de apresentação, a documentação de acompanhamento e as especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas. Ou seja, se o problema está na forma de apresentação, como faz crer a acusação deduzida, então a infração seria aquela tipificada no inciso I do artigo 12 da Lei 8.218/91, que tem o seguinte teor. I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; (grifos meus) Contudo, extraise da autuação que outras irregularidades, além da inobservância da forma, foram consideradas. Vejase o texto extraído do Relatório Fiscal. Mais exemplos, listagens aqui juntadas sob os títulos "LG exemplo nº 2" e "LG exemplo nº 3" em negrito, informação/dados que atenderam as normas acima tratadas [referindose ao ADE 25/10]; acompanhadas, para cotejamento, de codificações não determinadas, descrições incompletas, vagas ou genéricas e, sobretudo, em língua estrangeira, etc. Com base nisso, pareceme que pelo menos parte das irregularidades apuradas deva ser enquadrada no inciso II do artigo 12 da Lei 8.212/91. Uma vez que as demais questões de mérito suscitadas nos autos estejam, a meu sentir, prontas para decisão, entendi necessário que o julgamento fosse convertido em diligência, para que a Fiscalização Federal refizesse os cálculos da autuação, considerando os itens que seguem e, achando necessário, fizesse as considerações que desejasse. 1 regulares todos os registros desconsiderados exclusivamente pelo fato de estarem anotados em língua estrangeira. Embora em língua estrangeira, os registros deverão ser Fl. 20336DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 18 aceitos, desde que contenham informação possa ser considerada correta, entendida como tal aquela hábil a identificar a mercadoria; 2 regulares todos os registros desconsiderados em face de eventual ausência de informação decorrente do corte promovido pelo Sistema de Validação dos Dados da RFB; 3 regulares todos os registros desconsiderados por não atenderem ao disposto no ADE 25/10, desde que eles contenham informação possa ser considerada correta, entendida como tal aquela hábil a identificar a mercadoria; E que, após, fosse concedido o prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte, para só depois retornar a este Conselho. Uma vez que a maioria dos integrantes da Turma tenha considerado desnecessária a realização da diligência, fico vencido no mérito, na medida em que o Recurso Voluntário apresentado, segundo entendo, mereceria apenas parcial provimento. É como VOTO. Sala de Sessões, 28 de janeiro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento Redator ad hoc Inicialmente, cabe esclarecer que a designação, por meio do despacho de fl. 20319, deste Conselheiro, para, na condição de redator ad hoc, formalizar o acórdão deste julgamento, foi motivada em razão do fato de a Redatora originária, a ExConselheira Nanci Gama, não mais integrar esta 3ª Seção Julgamento e, em face dessa circunstância, esta impossibilitada de formalizar o referido acórdão. Ainda é oportuno esclarecer que, embora este Conselheiro tenha acompanhado o bem fundamentado voto vista vencedor, apresentado em Sessão, pela nobre Redatora originária, porém, como esta não disponibilizou perante a Secretaria da Câmara nem foi possível recuperar a versão escrita do referido voto, logo, os fundamentos a seguir apresentados refletem o entendimento deste Redator. Em relação ao julgamento, previamente, é oportuno esclarecer que, por unanimidade, o Colegiado acompanhou i. Relator do voto vencido quanto rejeição das preliminares de nulidade da decisão recorrida e do auto de infração. Porém, a maioria do Colegiado não acatou a proposta do Relator de converter o julgamento em diligência, por entender que havia nos autos elementos suficientes, para o julgamento do mérito, cuja controvérsia, inaugurada na fase impugnatória, restringese às seguintes questões: a) aplicação indevida da referida multa, por falta de subsunção das irregularidades apuradas à hipótese legal da infração, em caráter principal; e b) quantificação incorreta da multa, por erro na determinação da base de cálculo e da alíquota utilizadas, subsidiariamente. Fl. 20337DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.329 19 De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 5/16, verificase que as irregularidades, apuradas pela fiscalização, motivadoras da aplicação da penalidade em a apreço foram as seguintes: a) dados com formatação que não atendiam ao estipulado pelas normas administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), especificamente, (i) códigos de mercadorias ausentes e (ii) classificações fiscais incorretas; e b) descrições de mercadorias e descrições complementares de mercadorias em língua estrangeira e não em vernáculo. Em face dessas irregularidades, a fiscalização entendeu que a recorrente havia omitido ou prestado incorretamente as informações especificadas no Ato Declaratório Executivo Cofís 25/2010 (ADE 25/2010) e, por esse motivo, cometera a infração e estava sujeita a multa determinado no art. 12, II, da Lei 8.219/1991, a seguir transcrito: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (grifos não originais) Em relação a segunda irregularidade (descrições em língua estrangeira), não houve dissenso no âmbito do Colegiado e o próprio Relator apresentou o entendimento de que essa infração não subsumia a hipótese da infração definida no art. 12, II, do citado diploma legal. E para que não qualquer dúvida a respeito, aqui reproduz, com pertinentes destaques, os trechos do voto do i. Relator: Lendo e relendo o teor da defesa apresentada, me deparei com três questões que, segundo me parece, exigem adoção de providências preliminares à decisão definitiva. A primeira referese à presença da língua inglesa identificada em muitas das descrições das mercadorias examinadas pelo Fisco. A Recorrente argumentou tratarse de terminologia incorporada à cultura pátria, especialmente no ramo eletro eletrônico, no qual opera. É o que aconteceria, por exemplo, nos casos do mouse, do notebook, do case etc. Fl. 20338DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 20 Creio que assista razão à Recorrente nestes particular. O Ato Declaratório Executivo Cofis nº 25/10, em seu Anexo Único, define que a descrição das mercadorias deve conter marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e demais informações necessárias a clara identificação do produto, sem, em nenhum momento proibir a utilização de palavras em língua estrangeira. É óbvio que nenhuma expressão desconhecida em língua estrangeira poderia ser reconhecida como hábil à identificação de um produto, contudo, certas palavras estão de tal forma arraigadas à cultura nacional, que já foram até mesmo incorporadas formalmente pelos dicionários da língua portuguesa. Vejase o que diz o Dicionário Houaiss2 sobre a palavra notebook. computador portátil, espécie de laptop com peso de cerca de 2 kg, e dimensões próximas às de um livro de tamanho médio (8,5 cm por 11 cm, com pouco mais de 7 cm de altura) E ainda que assim não fosse, como recusar validade a termos e expressões cujo significado nenhuma pessoa em estado sadio pode alegar desconhecimento? De fato, a base legal indicada no Auto de Infração (Relatório Fiscal) como fundamento legal da obrigatoriedade de uso da língua portuguesa está destinada, no meu entendimento, aos documentos com os quais se pretende reconhecer ou formalizar direitos ou deveres. Um arquivo interno de controle das operações comerciais/industriais precisa conter aquilo que a legislação infra legal estabelece, no caso, ADE Cofis nº 25/10. O Ato, como se viu, não determina o uso exclusivo da língua portuguesa. Pelas mesmas razões apresentadas nos trechos do voto em destaque, este Redator também compartilha do mesmo entendimento de que a descrição da mercadoria e/ou a descrição complementar da mercadoria em língua estrangeira não constitui uma exigência do referido ADE 25/2010. Aliás, a própria fiscalização reconheceu que não constava na legislação tributária qualquer determinação nesse sentido, porém, asseverou que era “elementar que todo documento, qualquer documento, arquivos digitais inclusos, devem estar em idioma pátrio”. Esse entendimento da fiscalização, sabidamente, não tem qualquer embasamento jurídico. Ao contrário, ele afronta de forma direta o princípio da legalidade, inscrito no art. 5º, II, da Constituição Federal de 1988, ao determinar que “ninguém será obrigado a fazer ou não fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Em outras palavras, a regra é a liberdade do cidadão, com as exceções determinadas em lei, e não o contrário como entendeu a fiscalização. Além disso, o fato de alguns dados ou informações estarem escritos em língua inglesa não torna a informação incorreta. Quando muito, poderseia cogitar em apresentação de dados e informações em formato diverso daquele especificado no referido ADE 25/2010, cuja infração e multa encontrase prescrita no art. 12, I, da Lei 8.218/1991, jamais no art. 12, II, da Lei 8.218/1991. 2 HOUAISS, Antônio. Editora Objetiva Ltda. Edição Eletrônica. Junho de 2009. Fl. 20339DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.330 21 Em suma, se não há no ADE 25/2010 qualquer exigência no sentido de que a mercadoria fosse descrita, exclusivamente, no vernáculo, certamente, na autuação em apreço não ficou caracterizada a alegada omissão ou prestação de informação incorreta, mas, em tese, a prestação de informação de forma inadequada, conduta que, evidentemente, não se enquadra na hipótese infracional imputada à recorrente, descrita no art. 12, II, da Lei 8.218/1991. Em outras palavras, se no âmbito do referido ADE 25/2010 não há proibição quanto ao uso de expressões ou textos em língua estrangeira, para fim descrever as operações ou transações comerciais realizadas pela recorrente, por conseguinte, essa forma de procedimento revestese da condição de fato atípico em relação à hipótese da infração imputada à recorrente. No que tange às demais irregularidades, segundo i. Relator assistiria parcial razão à recorrente no que diz respeito (i) à redução para quarenta e cinco caracteres imposta pelo próprio sistema de validação dos arquivos e (ii) ao enquadramento da infração a ela imputada. Em relação à primeira questão, apresentou o argumento de que se tratava de limitação existente no próprio sistema processamento de dados. E no que tange à segunda questão, alegou que o lançamento seria improcedente se o auto de infração estivesse fundamentado única e exclusivamente no ADE 25/2010, porque tal fato implicaria descumprimento de forma de apresentação dos arquivos, infração tipificada no art. 12, I, da Lei 8.218/2010 e não no inciso II do citado preceito legal. Entretanto, concluiu o nobre Relator que outras irregularidades, além da inobservância da forma, foram imputadas à recorrente e descritas no Relatório Fiscal, tais como, “codificações não determinadas, descrições incompletas, vagas ou genéricas”, logo “pelo menos parte das irregularidades apuradas deva ser enquadrada no inciso II do artigo 12 da Lei 8.212/91”. Com base nessa conclusão, propôs o i. Relator a conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização refizesse os cálculos da autuação tendo em conta as premissas apresentadas nos itens 1 a 3, a seguir transcritos: Uma vez que as demais questões de mérito suscitadas nos autos estejam, a meu sentir, prontas para decisão, entendi necessário que o julgamento fosse convertido em diligência, para que a Fiscalização Federal refizesse os cálculos da autuação, considerando os itens que seguem e, achando necessário, fizesse as considerações que desejasse. 1 regulares todos os registros desconsiderados exclusivamente pelo fato de estarem anotados em língua estrangeira. Embora em língua estrangeira, os registros deverão ser aceitos, desde que contenham informação possa ser considerada correta, entendida como tal aquela hábil a identificar a mercadoria; 2 regulares todos os registros desconsiderados em face de eventual ausência de informação decorrente do corte promovido pelo Sistema de Validação dos Dados da RFB; 3 regulares todos os registros desconsiderados por não atenderem ao disposto no ADE 25/10, desde que eles contenham informação possa ser considerada correta, entendida como tal aquela hábil a identificar a mercadoria; (grifos não originais) Fl. 20340DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 22 As premissas estabelecidas nos referidos itens, induvidosamente, foram os motivos relevantes que determinaram a divergência deste Redator quanto à necessidade da realização da referida diligência, haja vista que, de acordo o citado Relatório Fiscal (fls. 13/14), as demais irregularidades, relativas aos códigos da NCM e do produto) eram dados essenciais do arquivo “4.3.2 Arquivo de Itens de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída ou de Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica”, que se encontravam especificados no ADE 25/2010. Aliás, a obrigatoriedade da apresentação de bancos de dados, de acordo com os formatos especificados no referido ADE 25/2010, foi expressamente asseverada pela fiscalização, conforme se lê nos excertos extraídos do referido Relatório Fiscal, a seguir transcritos: A obrigação de apresentar bancos de dados nos formatos indicados na legislação, com conteúdos indicados na legislação é clara Ato Declaratório Executivo Cofís n° 25/2010 ADE 25. No ato administrativo citado temos todas as especificações que devem conter os bancos de dados previstos na legislação tributária. (destaques do original) Dessa forma, fica demonstrado que, todos os dados e todas as informações (e, por conseguinte, todos os registros das respectivas operações) considerados incorretos pela fiscalização foram especificados no referido ADE 25/2010. Logo, se a prestação de informação dos códigos da NCM e dos produto, ausentes ou incorretamente informados, segundo a fiscalização, era uma exigência especificada no citado ADE 25/2010, conseqüentemente, todos os registros considerados irregulares, por óbvio, não atendiam ao disposto no referido ato. Com base nessa constatação e tendo em conta que a fiscalização, com base nos referidos arquivos magnéticos, concluiu a respectiva auditoria fiscal, de forma satisfatória, inclusive apurou a legitimidade, ainda que parcial, dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pleiteados, por meio dos respectivos PER/DCOMP, que foram parcialmente homologados nos termos dos Despachos Decisórios, proferidos pela titular da unidade da RFB de origem, que se encontram encartados nos processos nºs 10860.903028/201195, 10860.903564/201191, 10860.904336/201138 e 10860.721166/201239. Assim, se houve a análise do mérito da legitimidade dos créditos pleiteados, que, necessariamente, dependia da análise e comprovação da regularidade fiscal da operações comerciais registradas nos referidos arquivos, a conclusão, inexorável, que se chega é que os dados e as informações apresentadas nos referidos arquivos foram adequados e suficientes, para fim de identificação das respectivas operações comerciais e, em decorrência, de apuração do valor do crédito pleiteado. E, sabidamente, as obrigações acessórias ou deveres instrumentais, em conformidade com o estabelecido no art. 113, § 2º, do CTN, são instituídas com vistas a proteger os interesses de arrecadação ou fiscalização dos tributos. Tais obrigações, portanto, de per si, não se justificam. Dada essa compostura, somente quando não atendidas tais finalidades é que a correspondente obrigação considerase descumprida e a respectiva infração materializada, o que não ficou demonstrado na autuação em apreço. Ao contrário, o que se vislumbra dos elementos coligidos aos autos é que a fiscalização concluiu o procedimento de fiscalização de que foi incumbida de forma satisfatória e os créditos pleiteados pela recorrente foram parcialmente reconhecidos. Assim, se algum dado ou informação aprestados de forma inadequada ou incorreta, nos referidos arquivos magnéticos, dificultou a identificação das operações e apuração da legitimidade dos créditos pleiteados, conforme alegou a fiscalização, tal fato, por Fl. 20341DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10860.721858/201287 Acórdão n.º 3102002.350 S3C1T2 Fl. 20.331 23 si só, não é suficiente para justificar a desconsideração de todos os demais dados e informações atinentes às referidas operações. Em outros termos, ou todos os dados registrados eram imprestáveis para a apuração dos créditos e desta forma estaria justificada a desconsideração de todos registros correspondentes; ou, por outro lado, apesar das irregularidades apontadas, ainda assim, os registros continham dados e informações que eram suficientes para conclusão do procedimento de auditoria e apuração dos créditos do IPI pleiteados. E, no caso em tela, entre essas duas alternativas, induvidosamente, os elementos colacionados aos autos demonstram que a segunda foi a que ocorreu, o que torna injustificável a descaracterização de todos os dados e informações contidos nos registros da escrituração fiscal da recorrente, para fim de aplicação da penalidade em questão. Principalmente, tendo em vista que os referidos arquivos foram recepcionados e validados pelo Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível na página da RFB na internet. Aliás, esse fato foi expressamente reconhecido pela fiscalização no trecho extraído do citado Relatório Fiscal, a seguir transcrito: Não que a LG não tenha as informações e registros de suas operações fiscais/contábeis/comerciais. Óbvio que as tem, afinal, LG é uma Empresa organizada. Tem e, tanto as tem que, até agora, se nos apresentou arquivos digitais delas. No caso, se a fiscalização apurou que os arquivos entregues na atendia a forma determinado no citado ADE 25/2010, conforme já ressaltado, a multa a ser aplicada era a prevista no inciso I, em vez da prevista no inciso II, do art. 12 da Lei 8.218/1991. Dessa forma, chegase a conclusão que, apesar das irregularidades apontadas pela fiscalização, todos os registros contidos nos citados arquivos magnéticos foram “hábil a identificar a mercadoria” e, em decorrência, a correspondente operação comercial, caso contrário, a fiscalização não teria reconhecido os créditos pleiteados pela recorrente. Por esse motivo, este Redator entendeu que a realização da diligência era despicienda, porque os elementos coligidos aos autos eram hábeis e suficientes para a conclusão de que, no caso em tela, não restou caracterizada a infração imputada a recorrente. Dessa forma, se a fiscalização fundamentou a imposição da multa em dispositivo legal que não corresponde com a suposta infração praticada pela recorrente, certamente, a cobrança da multa aplicada deve ser cancelada por falta de subsunção do fato infracional ao tipo da infração definida no art. 12, II, da Lei 8.218/1991. No mesmo sentido, no julgamento de processo em que foi parte a própria recorrente, porém, em que aplicada a penalidade do art. 12, III, da Lei 8.218/1991, decidiu a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento também afastar a aplicação da referida penalidade, com base no argumento de que os “os documentos apresentados foram suficientes para possibilitar o ressarcimento de IPI”. Para mais informações, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do referido julgado, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2011 ARQUIVOS DIGITAIS. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DO DEVER DE APRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE Fl. 20342DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 24 MOTIVAÇÃO. DESPROPORCIONALIDADE. INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não subsistindo os motivos que ensejaram a necessidade da apresentação dos arquivos e sistemas digitais, vez que os documentos apresentados foram suficientes para possibilitar o ressarcimento de IPI, a manutenção da multa regulamentar correspondente a 1% da receita bruta, prevista no art. 12, III, da Lei nº 8.218, de 1991, se mostra desproporcional e imotivada. Recurso Provido. 3 Com base nessas considerações, este Redator acompanhou o voto vista divergente apresentado pela ExConselheira Nanci Gama, no sentido de dar provimento ao recurso da recorrente e cancelar a cobrança da multa aplicada. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 3 BRASIL. CARF. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. RelatorAntonio Lisboa Cardoso. Acórdão n° 330101.418, de 24/4/ 2012. Fl. 20343DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10882.721861/2012-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, exclui-se da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada e mantém-se a tributação quanto ao remanescente.
Numero da decisão: 1402-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência o valor de R$ 670.000,00 correspondente aos depósitos de R$ 520.000,00 (06/06) e R$ 150.000,00 (06/08); nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, excluise da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada e mantémse a tributação quanto ao remanescente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência o valor de R$ 670.000,00 correspondente aos depósitos de R$ 520.000,00 (06/06) e R$ 150.000,00 (06/08); nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 18 61 /2 01 2- 42 Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no valor total de RS 40.024.886,02, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 06/2012. A infração tributária consistiu em omissão de receitas decorrente de depósitos bancários sem comprovação de origem no montante de R$ 30.797.168,40. Foi imputada multa no percentual de 150% sob o argumento de que, o sujeito passivo tentou impedir e retardar o conhecimento pelo Fiscalização das receitas auferidas deixando de oferecelas à tributação e, mais ainda, para justificar valores creditados nas contas bancárias tentou iludir a Fiscalização com apresentação de documentos por ele informados como contratos de mútuo mas que foram desclassificados como tal pelo Fisco. Lavrouse Termo de Sujeição Passiva Solidária contra a sócia Rosely Cury Sanches. Em impugnação tempestivamente apresentada, a autuada reclama em preliminar pela caracterização da decadência que teria atingido os fatos geradores ocorridos até 04/06/2012. Sustenta a nulidade da autuação pela inadequação entre fato e norma e pela impossibilidade de utilização da presunção. No mérito, defende que os depósitos no valor de R$ 30.750.000,00 têm origem em contratos de mútuo firmados com a empresa Albatroz Segurança e Vigilância Ltda. e apresenta registros contábeis e outros elementos que demonstrariam seu argumento. Quanto ao restante (R$ 47.168,40) afirma que parte (R$ 20.000,00) foi atingido pela decadência; parte (R$ 2077,00) é proveniente do sistema SIAFEM, e o restante (R$ 25.091,40) deveria ser aceito pelo fato da contabilidade fazer prova a seu favor. Contesta a imposição da multa qualificada por não terem sido caracterizadas quaisquer das hipóteses da Lei nº 4.502/64 e alega o descabimento da responsabilidade solidária pelo não enquadramento dos fatos ao art. 135, do CTN. Por fim, questiona a imposição dos juros de mora em percentual superior a 12% ao ano, conforme disposições constitucionais. Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP (DRJ) converteu o julgamento em diligência a fim de que se procedesse as devidas verificações junto à suposta mutuante (Albatroz Segurança e Vigilância Ltda) tendo em vista que a maior parte dos depósitos seriam referentes a aportes decorrentes de contrato de mútuo. Posteriormente, como decorrência do resultado da diligência, a DRJ deu provimento parcial à impugnação e acatou como demonstrado o montante de R$ 30.080.000,00; referente aos contratos de mútuo, e também aceitou a argüição de decadência face ao valor de R$ 20.000,00. Além disso, cancelou a responsabilização da coobrigada. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.721861/201242 Acórdão n.º 1402001.967 S1C4T2 Fl. 1.765 3 Remanesceu em cobrança a exigência sobre o valor de R$ 697.168,40; sendo R$ 670.000,00 relativos aos contratos de mútuo. Tendo em vista valor exonerado, o Órgão julgador de primeira instância recorreu de ofício a esta Corte. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF afirmando que trazia aos autos os documentos que demonstrariam o montante de R$ 670.000,00 não acatados pela decisão de primeira instância. É o Relatório. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto RECURSO DE OFÍCIO Tendo em vista que a autuação envolveu omissão de receitas decorrente de depósitos bancários sem comprovação de origem, a atividade julgadora consistiu fundamentalmente num juízo de valoração probante em relação às justificativas apresentadas para demonstrar a procedência dos valores. Sob essa ótica, foi bem a autoridade julgadora de primeira instância em acatar os valores que o Relatório de Diligência indicou como provenientes da mutuante pois foi essa a alegação da fiscalizada. Também não merece crítica o procedimento da decisão recorrida em não acatar as demais considerações da autoridade responsável pela diligência pois, ainda que razoáveis como um todo, estariam fora de contexto no presente caso eis que não abordadas durante o procedimento fiscal. Como decorrência natural, não se justifica a manutenção da multa qualificada e da sujeição passiva solidária, pois a decisão exonerou mais de 95% da exigência, descabendo o argumento fiscal da falsidade dos contratos de mútuo e da infração à lei perpetrada pela sócia. Do exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO A partir da decisão de primeira instância, remanesceu como valor tributável o montante de R$ 697.168,40; sendo R$ 670.000,00 que teriam origem em contratos de mútuo; R$ 2.077,00 provenientes do sistema SIAFEM, e R$ 25.091,40 que deveriam ser aceitos pelo fato da contabilidade fazer prova a favor da interessada. O sujeito passivo questionou exclusivamente a manutenção da exigência concernente ao valor tributável de R$ 670.000,00, ratificando que estaria demonstrada a origem dos respectivos depósitos. Não recorreu do valor de R$ 27.168,40 que, portanto, será mantido como base tributável sujeita a multa no percentual de 75% e juros de mora nos termos da lei. Quanto ao valor de R$ 670.000,00; representado por um depósito de R$ 520.000,00 e outro de R$ 150.000,00; a recorrente trouxe aos autos cópias dos extratos bancários da mutuante onde se constata a transferência coincidente em datas e valores com as informações constantes dos extratos bancários da interessada. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.721861/201242 Acórdão n.º 1402001.967 S1C4T2 Fl. 1.766 5 Registrese que esse Colegiado firmou jurisprudência no sentido de, nos casos em que a atividade julgadora envolver especificamente um juízo de valoração probante, acatar elementos de prova apresentados em sede de recurso voluntário. De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência o valor de R$ 670.000,00; correspondente aos depósitos de R$ 520.000,00 (06/06) e R$ 150.000,00 (06/08). Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15922.000107/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 11/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador provido
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AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 01 07 /2 00 7- 16 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação tributária acessória, prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048, de 1999, tendo em vista que a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP sem os fatos geradores incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, no período de 01/2002 a 12/2006. Em sessão plenária de 16/03/2011, foi julgado o Recurso Voluntário nº 266.546, prolatandose o Acórdão nº 240201.572 (fls. 324 a 341), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO. PRECEDENTES. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15922.000107/200716 Acórdão n.º 9202003.711 CSRFT2 Fl. 439 3 Matéria não suscitada na impugnação não pode ser apreciada em grau de recurso, em face da preclusão. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212/91, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Wilson Antônio Souza Correa e Ana Maria Bandeira que votaram pela aplicação do artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Redator designado: Julio Cesar Vieira Gomes..” Cientificada do acórdão em 05/06/2012 (fls. 342), a Fazenda Nacional interpôs, em 12/06/2012 (fls. 344), o Recurso Especial de fls. 345 a 353, com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 787/2012, de 05/11/2012 (fls. 354 a 356). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, portanto não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; nessa linha, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32, da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449, de 2008, dispõe que: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.” tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% ; assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devesse privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212, de 1991; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15922.000107/200716 Acórdão n.º 9202003.711 CSRFT2 Fl. 440 5 essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito; logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96). nessa linha de raciocínio, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Intimado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 18/12/2012 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 360), o Contribuinte ofereceu, em 04/01/2013 (carimbo aposto às fls. 361), as Contrarrazões de fls. 361 a 429. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Quanto às Contrarrazões, a Contribuinte foi intimada em 18/12/2012, vindo a oferecêlas somente em 04/01/2013, portanto intempestivamente, razão pela qual não as conheço. Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação tributária acessória, prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048, de 1999, tendo em vista que a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP sem os fatos geradores incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, no período de 01/2002 a 12/2006. Conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 21, existe NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito associada ao presente Auto de Infração. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Na decisão recorrida, foi determinada a aplicação da multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, caso esta seja mais benéfica à Contribuinte. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração e a NFLD, tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. (...) § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Fl. 444DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15922.000107/200716 Acórdão n.º 9202003.711 CSRFT2 Fl. 441 7 Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e na NFLD correspondente; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 446DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15922.000107/200716 Acórdão n.º 9202003.711 CSRFT2 Fl. 442 9 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 19515.002659/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RECEITAS.
PASSIVO FICTÍCIO. Não subsiste a presunção de omissão de receitas se o procedimento fiscal deixa de reunir elementos suficientes para evidenciar que o passivo não comprovado teria se formado no período de apuração autuado.
Numero da decisão: 1302-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PASSIVO FICTÍCIO. Não subsiste a presunção de omissão de receitas se o procedimento fiscal deixa de reunir elementos suficientes para evidenciar que o passivo não comprovado teria se formado no período de apuração autuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 59 /2 00 6- 22 Fl. 10004DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório SURFNEW COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE LENTES LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 09/12/2006, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 3.495.096,24. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 183/186 a autoridade lançadora descreve as intimações lavradas e as respostas apresentadas pela fiscalizada e consigna que: [...] Considerando que, apesar das reiteradas solicitações para apresentação dos elementos que compuseram o saldo das contas informadas na ficha 39A, linhas 01, 03, 04 e 10, juntamente com os documentos que lhe deram suporte, a fiscalizada limitouse a comprovar somente os valores constantes do demonstrativo a seguir indicados na coluna COMPROVADOS, não se manifestando até a presente data, relativamente às diferenças apontadas no Termo lavrado em 13/11/2006, razão pela qual procedemos ao lançamento de ofício sobre esses valores, discriminados a seguir, na coluna DIFERENÇA caracterizandose como OMISSÃO DE RECEITAS, em decorrência da falta de comprovação de sua exigibilidade, uma vez que, em 31/12/2001, constavam no seu passivo, conforme informação prestada pela própria fiscalizada em sua DIPJ/2002, nos termos do art. 281 combinado com o art. 288 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 RIR/1999, a seguir reproduzido "verbis": "Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (...) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. (...) Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Fl. 10005DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 4 3 As receitas presumidas foram adicionadas ao lucro real e à base de cálculo da CSLL do 4º trimestre/2001, e à base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS em dezembro/2001. Impugnando a exigência, a contribuinte reportouse à dificuldade para localização dos documentos em seu arquivo morto e juntou à defesa os elementos que comprovariam a composição do passivo, integrantes dos Anexos 1 a 44. Ainda, arguiu a nulidade do lançamento por desconsideração dos prejuízos fiscais existentes, bem como a decadência do IRPJ e da CSLL referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres/2001, e da COFINS e da Contribuição ao PIS até novembro/2001. Discordou dos juros de mora calculados com base na taxa SELIC, afirmou confiscatória e penalidade aplicada e requereu a produção de prova pericial indicando perito e formulando quesitos. A Turma Julgadora indeferiu o pedido de perícia por entendêlo desnecessário; observou que o atendimento à Fiscalização é um dever do contribuinte; rejeitou a arguição de nulidade do lançamento porque ausentes as hipóteses dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, ou mesmo ofensa ao seu art. 10, e com referência à compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores observou que não foi apresentada a documentação correspondente; rejeitou a arguição de decadência porque os créditos tributários foram lançados no fato gerador de 31/12/2001; e validou a presunção de omissão de receitas porque prevista em lei, e também porque os elementos apresentados pela contribuinte apenas evidenciam pagamentos no curso do anocalendário 2001, o que não afasta a ausência de comprovação da exigibilidade das obrigações em 31/12/2001. Ao final, afirmou corretos os juros de mora e a penalidade aplicados. A decisão restou assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. O princípio da capacidade contributiva e da vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigido ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a lei, presumidamente sancionada com respeito aos preceitos constitucionais. ILEGALIDADES. SUPOSTAS OFENSAS AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 PASSIVO FICTÍCIO. Fl. 10006DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 5 4 A manutenção no passivo de obrigações cuja origem e a exigibilidade não sejam comprovadas caracteriza a omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. PIS. COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL Somente a comprovação contábil, fiscal e documental da efetiva disponibilidade do prejuízo fiscal poderá importar em reconstituição do lançamento, para fins de redução do valor apurado em procedimento de ofício. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA.TAXA SELIC. É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/12/2009 (fl. 351), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 06/01/2010 (fls. 369/385). Preliminarmente argúi cerceamento ao seu direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de perícia, porque a autoridade administrativa jamais assinaria atestado de idoneidade em favor do contribuinte, e um profissional isento de ânimo poderá com sabedoria trazer aos autos a verdade real, não se limitando à discussão de a presunção aplicada estar correta ou não. Destaca, ainda, a necessidade de discussão dos números apresentados nos documentos contábeis da empresa, dado que a Fiscalização não analisou a cumulatividade do número referente a "fornecedores" e "outras contas", e assim não subtraiu valores de exercícios anteriores ao último trimestre de 2.001, não aplicando a decadência legal. Pede, assim, que seja anulada a decisão de 1ª instância para realização da perícia. Aborda a postura da Administração Pública e os efeitos do lançamento em uma empresa familiar, especialmente com fundamento em presunção, e na sequência reafirma a decadência dos créditos tributário pertinentes aos três primeiros trimestres de 2001, bem como aos períodos de apuração mensais até novembro/2001, observando que a fiscalização não considerou o resultado do exercício anterior quando da análise da conta fornecedores (fls. 58), que trazia o valor pendente de R$ 1.852.627,11. Destaca ser sabido que CONTAS PATRIMONIAIS SÃO CUMULATIVAS, e reitera a necessidade de perícia. Acrescenta que o mencionado erro também se verifica no item "outras contas" (cujo saldo inclusive foi reduzido na comparação entre o 3º e o 4º trimestres/2001, e observa que tendo em conta o custo registrado no trimestre de R$ 641.330,91, não há nenhuma razão para se presumir omissão de receita. Mais à frente reitera seu entendimento de que o agente fiscalizador tem o contribuinte sempre como culpado, cita excerto da decisão recorrida também neste sentido, e insiste que o custo dos fornecedores está muito abaixo do presumido pelo agente fiscalizador. Fl. 10007DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 6 5 Entende que o órgão fiscalizador deveria individualizar os valores constantes do mesmo item nos 03 (três) balanços trimestrais anteriores, e somente após essa individualização, exigir a comprovação do valor obtido. Discorre sobre a base tributável do IRPJ para argumentar que não pode a Receita Federal glosar a totalidade das despesas feitas pela pessoa jurídica, sob pena de passar a tributar as receitas auferidas. Defende, assim, o uso do arbitramento dos lucros, e não a glosa integral das despesas. Cita, ainda, a Súmula CARF nº 14. Reitera a arguição de nulidade do lançamento por desconsiderados os prejuízos fiscais existentes, reportandose a julgado administrativo em favor de seu entendimento. Prossegue citando doutrina acerca do ônus da prova imposto ao Fisco, e observa que a própria fiscalização reconhece que utilizou de informações de outras pessoas jurídicas para formar sua convicção, ao valerse do passivo não comprovado para presumir omissão de receitas. Discorda da simples presunção "ad hominis" a sustentar a acusação fiscal, e conclui que lançamento é arbitrário, inadmissível e ilegal. Mas ressalva que tal presunção admite prova em contrário, razão pela qual na rara e improvável hipótese de serem superados os argumentos acima, requer a realização da competente prova pericial. Pede que a improcedência da exigência pertinente ao IRPJ seja aplicada também nas exigências reflexas, e finaliza manifestando sua discordância quanto à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, bem como classificando de confiscatória a penalidade aplicada, e pleiteando sua redução ao patamar de 20%, em conformidade com o art. 61, §2º da Lei nº 9.430/96. Fl. 10008DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância, porque a autoridade julgadora apresentou, validamente, os seus motivos para indeferir o pedido de perícia, nos seguintes termos: 1.2. Da prova pericial O contribuinte protestou pela realização de perícia. Entendo que deva, agora, antes de qualquer coisa, proferir manifestação quanto à oportunidade, conveniência ou necessidade dessa possível demanda. Inicio pela verificação do que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 18, sobre esse tema: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93”) (destaquei) Como se verifica, este dispositivo consagra a idéia de que a prova produzida por meio da perícia ou da diligência, antes de qualquer outro motivo, tem como objetivo firmar o convencimento da autoridade julgadora, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiarse de mais elementos de prova. Os termos da norma “quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis” estão claramente dirigidos à autoridade julgadora, que, apenas e tão somente quando julgar serem, diligências ou perícias, necessárias, as determinará. Não se trata, portanto, de algum direito do reclamante que deverá, obrigatoriamente, ser respeitado. O direito presente é o da petição: pode o autuado peticionar à autoridade julgadora para que esta determine, ou não, e, fundamentadamente, ao seu juízo, se os procedimentos serão executados. Então, as diligências ou perícias são procedimentos preparatórios, para que a autoridade julgadora forme convicção com relação às questões de mérito. Neste caso concreto a questão do mérito, a ser analisada mais adiante, se restringe a comprovação por meio de documentação hábil e idônea de valores de exigibilidades registrados pela impugnante em sua escrita contábil. Portanto, tratase de litígio ligado a definições conceituais, já que o fato está claramente apontado e reconhecido. No caso dos autos, por considerálo munido de todas as informações e documentos necessários e suficientes à formação da convicção deste órgão julgador para a decisão do presente processo, não acato os pleitos do impugnante e não determino a realização de diligência nem a de perícia contábil. Por pertinente, trago à colação jurisprudência administrativa do Egrégio Conselho de Contribuintes, que corrobora o entendimento ora exposto: “DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Visando viabilizar a verdade final, devem objetivar a prova de fatos que o sujeito passivo não tenha condições de trazer para os autos, ou cujo carreamento lhe traria ônus desproporcional. O requerente deverá, porém, trazer qualquer prova, mesmo que indiciária, de sua efetiva existência. Exigese, ainda, que o Fl. 10009DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 8 7 contribuinte tenha demonstrado, de forma cabal, mesmo que parcialmente, a incorreção do levantamento fiscal” (1º Conselho de Contribuintes/ 1ª Câmara/ Acórdão 101 73.852, Rel. Amador Outerelo Fernández, DOU de 27.04.1983, p. 6763) DILIGÊNCIA O recebimento do pedido de diligência para ser acatado, requer a exposição dos motivos em que se fundamenta demonstre sua absoluta necessidade, visando fornecer ao julgador informações que não possam ser obtidas nos autos do processo fiscal. Preliminares rejeitadas. Recurso a que se nega provimento. (2.º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO n.º 20306834 de 17/10/2000, publicado no DOU de 24/01/2001.” Como complemento, vale ressaltar que a perícia e a diligência não integram o rol dos direitos subjetivos do autuado, embora esteja garantido seu direito à petição para a execução desses procedimentos. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demanda parecer técnico específico, para o qual o julgador não tenha conhecimento ou não esteja capacitado. A diligência é um procedimento com o objetivo de esclarecer algum ponto obscuro na autuação ou preencher alguma lacuna na descrição dos fatos. Todavia, os dois procedimentos não estão relacionados entre os direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendêlos prescindíveis, não acolher o pedido. Ademais disso, os quesitos formulados pelo contribuinte não demandam conhecimentos específicos. Indefiro, pois, a perícia solicitada. (negrejouse) Mais à frente, apreciando as provas juntadas à impugnação, a autoridade julgadora de 1ª instância consignou que: Agora, anexa aos autos, junto com sua impugnação diversas notas de compras(anexos 01 a 44), conforme relações de fls.244/307, para justificar os saldos das citadas contas. Na fl. 243, faz um resumo dos valores pagos no decorrer do ano de 2001. Verificadas as notas fiscais apresentadas e os respectivos comprovantes de pagamentos, feitos através dos bancos do Brasil, Bradesco, Citibank e Itaú, constatase tratarse e pagamentos efetuados no ano de 2001. Entretanto, em que pese o esforço do contribuinte, as notas fiscais apresentadas e os respectivos pagamentos, efetuados no decorrer do ano de 2001, por si sós, não são suficientes para ilidir a imposição fiscal. O que se busca comprovar é que obrigações constantes no balanço de encerramento, levantado em 31/12/2001, tenham prova de sua efetiva liquidação em período subseqüente, ou seja a partir de janeiro de 2002. E a documentação juntada aos autos não comprova tal fato. Os demonstrativos de fls. 70/79, elaborados pelo próprio contribuinte, acusam que o contribuinte deixou de comprovar parte do passivo escriturado nos montantes especificados na folha de continuação do auto de infração. Ao contribuinte cabe, a fim de ilidir a tributação, apresentar a documentação comprobatória em relação à diferença apontada. Na ausência desta comprovação, persiste o lançamento fundado em uma presunção legal de omissão de receita. Fl. 10010DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 9 8 Logo, se a autoridade julgadora firmou o entendimento de que a prova dos fatos alegados pela aututada seria de natureza documental, e que a avaliação técnica mostrouse desnecessária para apreciação dos elementos juntados aos autos, a decisão é válida, e a recorrente pode discordar destes fundamentos e requerer nova perícia, como de fato o fez, mas inexiste razão para declarar a nulidade da decisão assim motivada. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida. Quanto ao mérito da exigência, observase nos autos que a DIPJ correspondente ao anocalendário 2001, de fato, indicava a apuração trimestral do lucro tributável (fls. 17/61). Intimada, a contribuinte apresentou à Fiscalização os Livros Diário e Razão do anocalendário, além de outros elementos de sua escrituração e demonstrativos de composição do passivo. Nos referidos demonstrativos confirmase que especialmente em relação aos registros na conta "Fornecedores", a contribuinte apenas logrou identificar obrigações no montante de R$ 198.840,20 (fls. 70/77), embora tenha indicado em DIPJ que o saldo desta conta representaria R$ 2.999.407,90, e em sua contabilidade constasse saldo final de R$ 3.072.251,64. Com referência às demais contas integrantes do passivo, a autoridade fiscal também identificou descompassos entre os saldos informados em DIPJ e os saldos contábeis, mas teve em conta estes últimos para admitir comprovadas as obrigações referentes a salários a pagar, bem como quase que integralmente os valores representativos de tributos a recolher. Já com referência aos montantes escriturados em "Outras Contas", observou que o saldo contábil seria inferior ao indicado em DIPJ, mas mesmo tendo em conta aquele primeiro valor (R$ 1.029.668,19, disse que a contribuinte somente lograra comprovar a parcela de R$ 292.515,92. No demonstrativo de composição do passivo às fls. 78 a contribuinte fez referências a obrigações no montante de R$ 506.168,33, mas no Termo de Constatação, de ReIntimação Fiscal Preparatório de Lançamento (fls. 102/106), a autoridade lançadora diz que a contribuinte foi intimada a apresentar os documentos contábeis que dariam respaldo a tais registros, mas apresentou apenas parcialmente esta comprovação. Em consequência, a contribuinte foi cientificada que as seguintes diferenças restariam incomprovadas: A contribuinte limitouse a pedir prorrogação do prazo para atendimento à intimação, a qual foi deferida parcialmente, mas nada, ao final, foi apresentado à Fiscalização. Nos autos constam, ainda, a reprodução da Demonstração de Resultado e do Balanço Patrimonial levantados no 4º trimestre/2001 (fls. 110/116); a reprodução do Razão Fl. 10011DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 10 9 Analítico: 1) da conta Fornecedores, que apresenta saldo inicial de R$ 1.852.627,11 em 02/01/2001, e de R$ 2.958.710,56 em 01/10/2001 (fls. 117/163); 2) das contas de tributos e salários a pagar (fls. 164/176 e 179/182); e 3) das outras Contas a Pagar, que apresentam saldo inicial de R$ 898.425,59 em 02/01/2001 e de R$ 1.100.644,01 em 01/10/2001 (fls. 177/178). A autoridade lançadora não juntou aos autos os documentos apresentados pela contribuinte, nem especificou quais parcelas registradas sob a rubrica "Outras Contas" admitiu comprovadas. Os 44 (quarenta e quatro) anexos que integram o processo administrativo foram constituídos a partir da documentação apresentada por ocasião da impugnação. Quanto aos demais itens de passivo, as parcelas comprovadas coincidem com os valores consignados nos demonstrativos de composição do passivo apresentados pela contribuinte. A recorrente discorda dos montantes lançados inicialmente porque a autoridade lançadora não observou que as contas patrimoniais são cumulativas, e assim não teve em conta os saldos que as contas de passivo apresentavam antes do início do 4º trimestre/2001, bem como antes de novembro/2001, no que tange à omissão de receitas imputada no âmbito da COFINS e da Contribuição ao PIS. Esta Conselheira já se manifestou contrariamente à imputação de omissão de receitas no momento da constatação, pelo Fisco, da manutenção, em balanço, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Neste sentido é o voto condutor do Acórdão nº 1101 000.991: O voto condutor da decisão recorrida e sob reexame assim discorre inicialmente sobre o tema: 11. A alegação de decadência de boa parte da matéria lançada teve por fundamento o fato de grande parcela do passivo tido por inexistente em 31/12/2007 constituirse, em realidade, de obrigações contraídas em anos anteriores a 2007. 12. Inicio o enfrentamento da matéria demarcando o campo jurídico da questão. Em realidade, veremos que a ocorrência, ou não, do fenômeno da decadência do direito de o Fisco lançar, no caso, é ponto meramente incidental à questão nuclear aqui envolvida, qual seja: a do momento em que ocorre o fato gerador da presunção de omissão de receitas no caso de passivo tido como inexistente. Isto porque o fundamento da presunção, no caso, foi a “...não apresentação de documentação comprobatória da efetividade das ocorrências das operações, nem tampouco a efetiva existência das obrigações constantes do saldo lançado no passivo, ...” (vide item 3.12.2 do TCI, e seus subitens). 13. Vejamos a norma aplicável ao caso: Subseção II Omissão de Receita Saldo Credor de Caixa, Falta de Escrituração de Pagamento, Manutenção no Passivo de Obrigações Pagas e Falta de Comprovação do Passivo Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei Nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2o, e Lei Nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; Fl. 10012DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 11 10 II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. 14. Há duas hipóteses que fazem aflorar, como presunção de omissão de receitas, o dito passivo fictício (inciso III, art. 281, acima): obrigação já paga, mas ainda mantida no passivo, e a falta de comprovação da obrigação em si (sem exigibilidade). Pela forma que a Fiscalização fundamentou o lançamento nessa parte, interessanos essa última. 15. De qualquer forma, o que fica claro na norma é que a concretização da presunção de omissão de receita se dá no momento em que, juridicamente, ocorra o fim da exigibilidade. Pelo que veremos, isso pode ser dar em dois momentos. 16. Primeiramente, vislumbremos o caso de obrigação ordinária sobre a qual não recaiam dúvidas quanto à sua natureza jurídica , em relação a qual ocorra, em momento posterior à sua constituição e anterior ao seu término, o fim da exigibilidade por algum motivo superveniente. O fim natural seria o mero adimplemento da obrigação. Baixarseia o passivo a débito do ali registrado e diminuirseia a ativo correspondente. Pensemos, todavia, em outra hipótese: o perdão unilateral da dívida pelo credor (remissão). Segundo as regras contábeis que regem o regime de competência, as receitas são consideradas realizadas “... quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior.” (Resolução CFC nº 750/93, art. 9º, § 3º). Vêse, nessa hipótese, que, com a extinção de um passivo (obrigação) por força do perdão da dívida, ocorre a mudança da natureza jurídica do fato em si. O que antes era uma dívida real do devedor situação que não lhe afetava aumentativamente o patrimônio , passouse esse a sofrer o fenômeno do acréscimo patrimonial para este último. Logo, há de haver, no momento da remissão da dívida, o reconhecimento como receita do valor remitido. Esse acréscimo patrimonial é renda na forma do art. 43 do CTN. 17. A segunda hipótese – a que nos interessa neste voto é aquela em que a exigibilidade registrada no passivo inexiste ab initio. Quer dizer, o lançamento contábil da obrigação não reflete a existência de dívida alguma. Ao se identificar que a obrigação lançada no passivo jamais existiu, temse, desde o seu registro no passivo, concretizado o acréscimo patrimonial (renda proveniente de disponibilidade, no caso econômica) para a devedora. Assim, dado que tal acréscimo patrimonial se traduz em renda, depreendese que, no momento do seu indevido registro como obrigação, se dá seu reconhecimento como receita. Esse fato influenciará na base de cálculo dos tributos e contribuições decorrentes da apuração de receita. 18. Passando a analisar o caso concreto, podemos concluir que os saldos de contas de passivo em 31/12/2007 tidas como inexistentes desde a origem, compostos por obrigações lançadas originariamente em anos anteriores a 2007 não podem servir como base para apuração de omissão de receitas no anocalendário de 2007. Dessa forma, entendo que toda matéria nessa condição deve ser tida como improcedente, por força de dissociação insanável entre o momento efetivo da ocorrência do fato gerador da presunção e o período de apuração levado a efeito no auto de infração. A interpretação assim exposta é parcialmente válida, por afirmar apenas que a falta de comprovação de uma obrigação desde sua origem representa, naquele momento, acréscimo patrimonial tributável, na medida em que ali deveria ser reconhecida a correspondente receita. Em verdade, a inexistência da dívida pode, também, decorrer da inexistência da própria operação, e por conseqüência da superveniência ativa ou do custo/despesa contabilizados em sua contrapartida, circunstâncias nas quais os efeitos destas contrapartidas no resultado do período devem ser glosados, não se verificando, em regra, receita tributável, mas sim resultado tributável. Fl. 10013DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 12 11 Além disso, a argumentação desenvolvida na decisão de 1a instância deixa de considerar uma outra visão da matéria, consolidada na doutrina e na jurisprudência, e assim exposta na obra de Hiromi Higuchi et alli (in “Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e prática, Atualizado até 10012011”, São Paulo:IR Publicações, 36a edição, 2011, p. 671): Passivo fictício, como o próprio nome está a indicar, é o passivo inexistente, ou seja, duplicatas de fornecedores ou contas a pagar já liquidadas mas não baixadas na contabilidade por falta de saldo contábil suficiente na conta Caixa. O dinheiro existiu fisicamente para pagar as contas, mas se os pagamentos fossem contabilizados a conta Caixa ficaria com saldo credor, isto é, denunciaria que houve mais saídas que entradas em dinheiro. De toda sorte, mesmo sob esta ótica, a conclusão sobre o trabalho fiscal é a mesma a que chegou a autoridade julgadora de 1a instância: a presunção de omissão de receitas a partir de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, resultante da falta de provas que suportem os registros das obrigações no passivo, deve ser imputada ao sujeito passivo no momento em que este passivo é registrado. Se a contribuinte não prova que a contratação passada foi a prazo, a lei presume que ela foi a vista e paga no momento da contratação, mas sem o registro deste pagamento por insuficiência de caixa, dada a omissão de receitas que poderiam suprilo formalmente. Por certo, a autoridade fiscal poderia afirmar a existência de passivo fictício depois do surgimento da obrigação, mas desde que demonstre, mesmo por indícios, o fim da exigibilidade depois do registro do obrigação e antes de sua liquidação contábil. Aqui, porém, a acusação fiscal sustentase, na maior parte dos casos, no argumento genérico de falta de comprovação dos saldos de passivo no período fiscalizado, de modo que a demonstração, pela contribuinte, de que os passivos já existiam em períodos anteriores, lança dúvidas sobre o indício adotado para a presunção de omissão de receitas, tornando incertos fatos que sustentam a exigência, a impor o seu cancelamento. Em outro litígio, também envolvendo a presunção de omissão de receitas a partir de obrigações não comprovadas, esta Conselheira reiterou o entendimento acima exposto, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101001.053: A recorrente aduz que desde sua primeira manifestação esclareceu que os registros corresponderiam a transferências de mercadorias entre matriz e filial, cujas operações eram escrituradas separadamente e consolidadas no final do exercício. Reputa precária a argumentação referente à diferença de R$ 19.329,21, e diz não estar provado o indício que autoriza a presunção de omissão de receitas. A presunção legal está assim fixada no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): [...] III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Fl. 10014DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 13 12 Hiromi Higuchi et alli (in “Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e prática, Atualizado até 10012011”, São Paulo:IR Publicações, 36a edição, 2011, p. 671) explicita a origem da presunção legal: Passivo fictício, como o próprio nome está a indicar, é o passivo inexistente, ou seja, duplicatas de fornecedores ou contas a pagar já liquidadas mas não baixadas na contabilidade por falta de saldo contábil suficiente na conta Caixa. O dinheiro existiu fisicamente para pagar as contas, mas se os pagamentos fossem contabilizados a conta Caixa ficaria com saldo credor, isto é, denunciaria que houve mais saídas que entradas em dinheiro. Assim, a lei não elegeu como indício para a presunção de omissão de receitas a constatação de uma obrigação inexistente no passivo. Nos termos transcritos, verificase o indício frente a obrigação não teve sua exigibilidade comprovada, ou seja, a operação comercial foi realizada a vista, ou então a prazo, mas com vencimento já expirado, sem o registro da corresponde quitação, e sem prova da cobrança pelo credor. Em verdade, a afirmação de que uma obrigação inexistente é ambígua e demanda esclarecimentos, pois se o motivo para tanto é a falta de comprovação da operação que originaria o passivo, a sua inocorrência acaba por inviabilizar a presunção de que ela possa ter sido quitada com recursos à margem da contabilizada, pois nada existiria para ser pago. No presente caso, a contribuinte apresentou na resposta de fls. 47/81 o “Razão Consolidado” das contas nº 217072 e 12.1400, ambas denominadas “C/Correntes Transf. Mercadorias”, e apresentando saldos idênticos em 31/12/2008, credor e devedor, respectivamente, no valor de R$ 6.113.733,63. Mais à frente, informou à Fiscalização que valor semelhante (R$ 6.133.062,84), indicado na “DIPJ/Passivo Circulante/Outras Contas” teria origem na conta nº 21707. A autoridade fiscal não exigiu qualquer outro esclarecimento acerca dos procedimentos adotados pela contribuinte para contabilização das mencionadas transferências, de modo a infirmar o esclarecimento prestado no sentido de que a escrituração contábil era feita individualmente na matriz e na filial e somente consolidadas no final do exercício. Por sua vez, este procedimento pode ter, de fato, ocorrido, ante a indicação do mesmo saldo final, devedor e credor, nas contas nº 217072 e 12.1400, ou seja, na evidenciação de que a própria pessoa jurídica teria enviado e recebido as mercadorias que deram origem ao direito e ao passivo contabilizados. A acusação fiscal limitase a apontar divergência entre o saldo contábil do passivo e aquele indicado na DIPJ, sendo certo que, em tais circunstâncias, deve prevalecer o registro resultante dos lançamentos contábeis, escriturados nos Livros Diário e Razão. Acrescenta, ainda, que o registro de tais valores em conta de passivo interfere na equação patrimonial, haja vista que para os lançamentos efetuados em contas do Passivo existe a contrapartida em conta do Ativo, mas não é possível compreender que desequilíbrio patrimonial poderia ensejar o procedimento utilizado pela contribuinte, mormente desconhecendo quais contas foram debitadas para creditamento da conta nº 21707 e quais contas foram creditadas para formação do saldo devedor na conta nº 12.140. Supondo tratarse de transferência de mercadorias como alegado e não contraditado, seria de se supor que as contrapartidas se verificariam em estoque, as primeiras representando a entrada de mercadorias em estabelecimento da autuada, com a constituição de uma obrigação contábil transitória, e as segundas evidenciando a saída de mercadorias para outro estabelecimento, com a constituição de um direito contábil transitório. Em tais condições, somente se pode concluir que por decorrer de operações entre estabelecimentos do mesmo sujeito passivo, as contrapartidas em Ativo e Passivo se Fl. 10015DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 14 13 compensam e se anulam pela confusão entre credor e devedor, não representando obrigações em sua essência e não autorizando, desta forma, a presunção construída pela Fiscalização. Em suma, a manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não seja comprovada é um fato que deve ser interpretado em conformidade com a razão de ser da lei que autoriza a presunção de omissão de receitas a partir deste indício. Assim, não basta a constatação da obrigação no passivo da pessoa jurídica, associada à falta de comprovação da sua exigibilidade. É indispensável aferir em que momento esta exigibilidade deixou de existir, para que seja possível presumir que a operação foi realizada à vista, e não à prazo. De outro lado, se a exigibilidade nunca existiu, isto significa que a contrapartida desta obrigação deve ter seus efeitos anulados na apuração do resultado do período em que ela foi registrada. No presente caso, como antes mencionado a conta Fornecedores já apresentava saldo inicial, em 02/01/2001, de R$ 1.852.627,11, assim como as outras Contas a Pagar indicavam, em 02/01/2001, saldo inicial de R$ 898.425,59. Na conta Fornecedores, há registros diários de pagamentos de obrigações e mensais de novas compras, e o descompasso entre estes montantes resulta no aumento do saldo de obrigações para R$ 3.082.896,59, em 31/12/2001, como indicado à fl. 163, muito embora no Balanço Patrimonial o saldo final seja de R$ 3.072.251,64. Já as outras "Contas a Pagar" têm seu saldo inicial confrontado com vários pagamentos de empréstimos e leasing, e recebe alguns acréscimos decorrentes de transferência entre contas, créditos em contacorrente, e empréstimos depositados, até 01/08/2001, de modo a apresentar o saldo final de R$ 1.029.668,19, em 31/12/2001. A partir destes elementos é possível afirmar que nenhum passivo referente a outras "Contas a Pagar" foi escriturado no 4º trimestre/2001. Assim, a falta de comprovação da existência ou exigibilidade dos saldos indicados pela Fiscalização têm em conta passivos escriturados antes do período de apuração autuado, e até mesmo antes do anocalendário 2001. Em tais condições, entendendo esgotada a possibilidade de a contribuinte provar a exigibilidade das obrigações escrituradas em seu balanço, a Fiscalização deveria identificar contabilmente em que momento estas obrigações foram registradas na conta contábil correspondente, e naquele período de apuração localizar a omissão de receitas presumida em razão do pagamento daquela obrigação a vista. Ou, como já dito, concluir que a obrigação nunca existiu e assim avaliar os efeitos da inexistência de sua contrapartida contábil (suprimento indevido de caixa, glosa de despesas ou redução do ativo e da sua eventual realização contra o resultado). Já com referência à conta "Fornecedores", há diversos registros de compras a prazo a partir de 01/10/2001, cuja falta de comprovação legitimaria, ao menos em parte, a omissão de receitas presumida pela Fiscalização. De fato, se compras foram contabilizadas a prazo a partir início do período de apuração autuada (4º trimestre/2001 para IRPJ e CSLL, e dezembro/2001 para Contribuição ao PIS e COFINS), e somente para parte delas a contribuinte logrou provar a exigibilidade ao final do período, a lei autoriza concluir que houve omissão de receitas destinada ao pagamento a vista destes fornecedores, ou mesmo para seu pagamento a prazo, antes de encerrado o período de apuração, mas sem o registro contábil correspondente por insuficiência contábil de disponibilidades. Tais obrigações para com "Fornecedores" foram registradas de forma globalizada, possivelmente mediante transferência dos valores individualizados no Livro Registro de Entradas. Por sua vez, o demonstrativo de composição do passivo juntado às fls. 70/77 aponta as notas fiscais/duplicatas que restaram em aberto em 31/12/2001, e indica a data Fl. 10016DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 15 14 de sua emissão. A partir destas evidências é possível dizer para quais parcelas das compras mensalmente registradas a contribuinte logrou demonstrar a exigibilidade em 31/12/2001. Vejase: Obrigações Contabilizadas Obrigações Comprovadas Passivo não Mês Histórico Valor Fornecedor Notas Fiscais Valor Total Comprovado 10/2001 Compras 425.595,21 Multi Optica Distrib Ltda 222235228745 3.218,58 Solar Brasil Ind. Optica Ltda 6879668914 6.379,37 Marultex Ind e Com Prods Opt Ltda 69537531 7.188,10 Optotal Lentes Ltda 404352 588,00 408.221,16 11/2001 Compras 172.614,00 Essilor da Amazonia Ind Com Ltda 4307343389 3.437,94 IGAL Ind Geral Apar Lentes Ltda 4340044278 7.140,75 Multi Optica Distrib Ltda 228766236862 28.099,63 Multivis Ind Otica Ltda 7083 355,00 133.580,68 12/2001 Compras 418.481,43 BLS Com e Represent Ltda 73767505 535,00 Centro Otico Coml Ltda 6196761968 624,17 Essilor da Amazonia Ind Com Ltda 4429144320 12.349,51 MacPrado Prods Oftalm. Ltda 1721617371 2.243,60 Multi Optica Distrib Ltda 233845 e 237147243370 96.178,85 Optikot S/A 117976121311 8.756,47 Optotal Lentes Ltda 419621421922 3.852,78 Solar Brasil Ind. Optica Ltda 7332576713 11.081,76 Sudoip Ind Opt Ltda 5273052765 6.810,69 276.048,60 Totais 1.016.690,64 198.840,20 817.850,44 Esta demonstração evidencia o equívoco cometido pela autoridade fiscal ao determinar as receitas omitidas mediante comparação do passivo comprovado com o saldo total do passivo escriturado a título de "Fornecedores" em 31/12/2001 (R$ 3.072.251,64). Os elementos reunidos durante o procedimento fiscal apenas permitiriam cogitar de omissão de receitas a partir de outubro/2001, em razão da falta de comprovação de obrigações que poderiam ter sido liquidadas a vista, ou mesmo pagas a prazo, mas sem regular escrituração a partir daquele momento. Eventualmente outras obrigações registradas antes de outubro/2001 poderiam ter sido pagas a partir deste período, sem o correspondente registro contábil, e assim também autorizar a presunção de omissão de receitas em períodos de apuração aqui autuados. Todavia, não houve investigação fiscal neste sentido. Para além disso, o exame dos elementos trazidos em impugnação apontam outras circunstâncias que impedem que a presunção de omissão de receitas fique, ao menos, limitada aos montantes acima indicados como passivo não comprovado. Nos relatórios de fls. 243/307 a contribuinte indicou as notas fiscais de compras que foram pagas no curso do ano calendário 2001, bem como juntou parte dos documentos correspondentes, os quais integram os 44 (quarenta e quatro) anexos deste processo administrativo, digitalizados às fls. 400/10002. No que importa às operações realizadas a partir de outubro/2001, há documentos juntados nos Anexos 18 a 25, digitalizados às fls. 4350/6047, mas que não representam a totalidade das compras que, segundo os relatórios de fls. 243/307, teriam sido realizadas e/ou pagas a partir daquele período. Contudo, confrontando estes relatórios e documentos com a escrituração da conta "Fornecedores" é possível identificar diversas operações que seriam referentes a compras promovidas a partir de outubro/2001, cujo pagamento/baixa foi escriturado contabilmente até 31/12/2001. Tendo em conta os totais indicados nos relatórios de fls. 243/307, estes pagamentos/baixas poderiam justificar outras parcelas das obrigações escrituradas a partir de outubro/2001, como abaixo demonstrado: Fl. 10017DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 16 15 Compras Obrigações Obrigações indicadas Mês Contabilizadas Comprovadas como pagas 10/2001 425.595,21 17.374,05 223.566,99 11/2001 172.614,00 39.033,32 88.965,40 12/2001 418.481,43 142.432,83 40.606,31 Totais 1.016.690,64 198.840,20 353.138,70 É possível, porém, que as compras promovidas a partir de outubro/2001 e pagas até 31/12/2001 apresentem montantes superiores àqueles demonstrados pela contribuinte, dado que em sua contabilidade consta o registro de baixas em valores significativamente maiores, consoante se infere a partir da diferença entre o saldo final de cada mês e o saldo inicial somado às compras do período: Mês Saldo Inicial Compras Saldo Final Baixas 10/2001 2.958.710,56 425.595,21 3.102.410,96 281.894,81 11/2001 3.102.410,96 172.614,90 3.007.126,29 267.899,57 12/2001 3.007.126,29 418.481,43 3.082.896,59 342.711,13 Totais 1.016.691,54 892.505,51 Estas constatações poderiam, em princípio, suscitar a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal confirmasse as compras promovidas a partir de outubro/2001 e pagas até 31/12/2001, para exclusão do total antes depurado como passivo não comprovado. Porém, a desconsideração deste outro aspecto do giro da conta "Fornecedores" acaba por fragilizar ainda mais o procedimento fiscal que, a partir da exigência de demonstrativos do que seria a composição das diversas contas que integravam o passivo da contribuinte, afirmou não comprovados os saldos que superaram os valores demonstrados pela contribuinte sem perquirir qual a origem dos saldos finais de balanço, e ainda alocou a presunção de omissão de receitas resultante desta análise global do passivo exclusivamente no 4º trimestre/2001, para apuração do IRPJ e da CSLL, e em dezembro/2001, para apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, sem o prévio expurgo dos passivos que já se acumulavam nos períodos anteriores. Em verdade, se os tributos exigidos fossem determinados na sistemática anual, a depender do prazo médio de pagamento das compras da contribuinte, a investigação fiscal poderia ter sido conduzida como foi, limitando a determinação do passivo não comprovado ao confronto dos saldos finais de balanço com os demonstrativos apresentados pela contribuinte. Todavia, a apuração trimestral do IRPJ e da CSLL, e a apuração mensal da Contribuição ao PIS e da COFINS, impõem à autoridade fiscal, frente a um sujeito passivo cujas obrigações para com fornecedores apresentem prazo superior 3 (três) meses, a depuração da composição do passivo com vistas a alocar no período autuado apenas as obrigações não comprovadas constituídas no período fiscalizado e mantidas ao seu final, e que assim poderiam constituir indício de presunção de omissão de receitas, como já exposto neste voto. Por tais razões, concluise que também em relação ao passivo não comprovado apurado a partir da análise da conta "Fornecedores" o procedimento fiscal foi insuficiente para a construção dos indícios que autorizam a presunção de omissão de receitas. No mais, restaria a diferença de R$ 1,60 referente ao passivo representado por "Impostos, Taxas e Contrib. a Recolher", cuja imaterialidade aponta com mais razão para a existência de mero erro contábil, do que para a existência de omissão de receitas. Fl. 10018DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.002659/200622 Acórdão n.º 1302001.750 S1C3T2 Fl. 17 16 Assim, restam infirmados os indícios erigidos pela autoridade fiscal para imputação da omissão de receitas que dá suporte aos créditos tributários aqui exigidos. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e cancelar as exigências aqui formalizadas. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 10019DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10845.001057/00-11
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1989 a 28/02/1993
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, PrimeiraSeção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Numero da decisão: 9900-000.852
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, PrimeiraSeção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do Relator. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. EDITADO EM: 01/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Cuida-se de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 196 a 214) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 188 a 192) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. A presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 20/06/2000, de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de dezembro de 1989 a fevereiro de 1993 (fls. 02). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 52 a 56, tendo sido apontado como razão de decidir o transcurso do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN. A ementa do v. acórdão recorrido, impugnado através do presente recurso extraordinário, é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/1989 a 28/02/1992 FINSOCIAL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 3148/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Precendentes: AC. CSRF/03-04.227, 301- 31.406, 301-31.404 e 301-31.321. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001057/00-11 Acórdão n.º 9900-000.852 CSRF-PL Fl. 2 3 Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o recurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Para tanto, apresentou como paradigma v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da relatoria da Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 217 a 219. Conforme noticiado às fls. 227, não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator designado Preliminarmente, ressalto que o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda relator original não é mais conselheiro do CARF, porém deixou a minuta de voto, apenas não pode assiná-lo. Diante desse quadro, fui designado como redator ad hoc. Reproduzo as razões de decidir do relator original, verbis: Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominam-se leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo " os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezá-la se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001057/00-11 Acórdão n.º 9900-000.852 CSRF-PL Fl. 3 5 caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...)... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "trata-se unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitando-se- lhes os perigos. Compreende-se, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storico-teorico- pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, deve-se, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligá-la com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurge-se o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62-A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10845.001057/00-11 Acórdão n.º 9900-000.852 CSRF-PL Fl. 4 7 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Verifica-se, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 20/06/2000, de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de dezembro de 1989 a fevereiro de 1993 (fls. 02). Aplicando-se a tese dos “cinco mais cinco”, depreende-se que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em dezembro de 1999 e fevereiro de 2003, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 20/06/2000, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, e tendo em vista especificamente as parcelas referentes a dezembro de 1989 a fevereiro de 1993, ele afigura-se parcialmente tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62-A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso extraordinário para afastar a prescrição do direito à repetição de indébitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de junho de 1990, e determinar o retorno dos Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 autos ao órgão julgador a quo para examinar as demais questões trazidas no recurso. Foram esses os fundamentos jurídicos e legais utilizados pelo relator original para negar provimento ao recurso extraordinário. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728777/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008
CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não se conhece de recurso voluntário quando a parte, devidamente intimada, deixa de apresentar impugnação ao auto de infração.
NULIDADE - AUTUAÇÃO
Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência.
MULTA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91, incluindo a penalidade.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas.
Numero da decisão: 2301-004.188
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, na questão da glosa de compensação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento ao recurso, devido ao decidido em ação judicial; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Fez sustentação oral: DISTRIBUIDORA BRASILIA DE VEICULOS S/A
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de recurso voluntário quando a parte, devidamente intimada, deixa de apresentar impugnação ao auto de infração. NULIDADE AUTUAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência. MULTA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91, incluindo a penalidade. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostrase correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, na questão da glosa de compensação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento ao recurso, devido ao decidido em ação judicial; II) Por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 87 77 /2 01 1- 64 Fl. 863DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fez sustentação oral: DISTRIBUIDORA BRASILIA DE VEICULOS S/A (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Tratase da lavratura de Autos de Infração nºs 37.359.6693 e 37.359.6707, os quais exigem as contribuições previdenciárias compensadas pela empresa nos períodos de 01/2008 a 12/2008 e 03/2007 a 12/2007. Segundo o relatório fiscal a autuada apresentou Escrituras Públicas que se referem a operações realizadas entre a DISBRAVE e a empresa Servport Serviços, Participações e Administração de Bens Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 07.665.976/000122, por meio de Escrituras Públicas de Cessão de Direitos Creditórios, emitida pelo 4º Tabelionato de Notas de Curitiba. Também foi apresentada Escritura Pública de operação similar realizada entre a DISBRAVE e a empresa Investiplan Agroindustrial, Importação e Exportação, inscrita no CNPJ sob nº 02.843.245/0000106. Nas escrituras firmadas com a empresa Servport Serviços Participações e Administração de Bens Ltda esta declara que é detentora de direitos creditórios junto ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS originários de sentença transitada em julgado nos autos do processo nº 94.00493690, cuja autora é a empresa Servport Serviços Marítimos e Portuários LTDA. Na escritura pública referente à operação com a INVESTPLAN esta declara que é detentora da quantia de R$ 87.000.000,00 em direitos creditórios adquiridos em 20/09/2006 por meio de Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios, também originários do processo nº 94.00493690. A fiscalização acrescenta que não consta, pelo menos nos extratos disponíveis no sítio do Tribunal Regional Federal, referentes aos processos de nº 94.00493690 e de nº 65.2006.4.02.5101, o nome das empresas Servport Serviços Participações e Administração de Bens LTDA e Investplan Agroindustrial Importação e Exportação S.A. como detentoras de direitos creditórios em face da empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Fl. 864DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.728777/201164 Acórdão n.º 2301004.188 S2C3T1 Fl. 854 3 Ltda. e que, também, a DISBRAVE não apresentou à fiscalização documentos que comprovassem tal situação. A fiscalização, ao reconhecer a existência de grupo econômico, lavrou Termo de Sujeição Passiva entre as empresas que dele compõe dando ciência a todas do citado Termo, bem como das autuações lavradas. O sujeito passivo apresentou impugnação alegando, em breve síntese, o seguinte: nulidade da autuação por não descrever a infração de forma clara e precisa; a solidariedade não se aplica à multa; à Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda (autora do processo nº 94.00493690) foi conferido o direito de negociar livremente seus créditos; que a compensação foi legítima; não pode haver multa isolada concomitante à multa de ofício. A DRJ em Brasília manteve integralmente o auto de infração, o que motivou a interposição de recurso voluntário, o qual repisa os argumentos suscitados anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério Conhecimento Conheço do recurso voluntário apresentado pela Distribuidora Brasília de Veículos, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. Não conheço os demais recursos voluntários apresentados, eis que as recorrentes, quando devidamente intimadas da autuação deixaram de apresentar as respectivas impugnações, não se instaurando assim a fase litigiosa do processo administrativo, ex vi do artigo 14 do Decreto 70.235/72. Preliminarmente Segundo consta dos autos a fiscalização glosou os valores compensados em GFIP, haja vista considerar que os créditos apurados pela autuada careciam de liquidez e certeza, circunstâncias essas que estão evidenciadas no Relatório Fiscal. Em suma o presente lançamento apurou o fato tributável dentro do que determina a legislação de regência, identificando o contribuinte e dandolhe plena ciência da infração apurada. O direito à ampla defesa e, ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foram maculados em razão do lançamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente, é de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ademais, foram cumpridos todos os requisitos do artigo 11 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, verbis: Fl. 865DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 “Art. 11. 'A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, nó caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997)” Diante dessas considerações, rejeito a alegação de nulidade da autuação fiscal. Multa aplicada ao grupo econômico Como visto acima, a fiscalização reconheceu a existência de grupo econômico entre a recorrente e as demais empresas do grupo, quais sejam, Disbrave Combustíveis Ltda., Disbrave Administradora de Bens Imóveis Ltda., Disbrave Serviços Financeiros Ltda.e Disbrave Locadora de Veículos Ltda. A recorrente alega que as demais empresas do grupo, em que pese a solidariedade reconhecida, não poderiam responder pela multa aplicada na autuação. Segundo o relatório fiscal e os fundamentos legais do débito a solidariedade ora fixada tem fundamento no artigo 124, inciso II do CTN, cuja redação é a seguinte: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Para o caso concreto a Lei nº 8.212/91, em especial o seu artigo 30 inciso IX, descreve a solidariedade em razão da existência de grupo econômico, verbis: Fl. 866DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.728777/201164 Acórdão n.º 2301004.188 S2C3T1 Fl. 855 5 “Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;” De acordo com a legislação a solidariedade implica em responsabilidade por todas as obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/91, incluindose, portanto, não somente o valor da contribuição, mas também da penalidade aplicada. Assim, sem razão o recurso nesse aspecto. Mérito As demais alegações recursais confundemse com o mérito propriamente dito, isto é, a existência e validade dos créditos utilizados em GFIP para liquidar, mediante compensação, débitos relativos às contribuições previdenciárias devidas no período apurado pelo Fisco. Extraise desses autos que o crédito utilizado para a compensação decorre de escrituras públicas de cessão de crédito firmadas entre a recorrente e as empresas Servport Serviços e Participações e Administração de Bens Ltda e Investplan Agroindustrial Importação e Exportação S/A, sendo estas as cedentes e a recorrente cessionária. O citado crédito decorreria de ação judicial nº 94.00493690 movida pela empresa Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, na qual se discute a ilegitimidade de contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados a administradores e avulsos. De plano notase que as cedentes do crédito utilizado nas compensações não figuram no pólo ativo do processo judicial, cujas escrituras públicas apontam como respectiva origem. A recorrente anexa aos autos decisão judicial a qual liberaria a autora (Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda) a negociar livremente os créditos oriundos da decisão judicial. Contudo, não apresentou quaisquer documentos que comprovassem que as cedentes possuíam, de fato, o direito a estes créditos. Ou seja, não há prova nesses autos que comprovem a legitimidade jurídica das empresas Servport Serviços e Participações e Administração de Bens Ltda e Investplan Agroindustrial Importação e Exportação S/A a obtenção prévia desses créditos. Outra questão a ser considerada diz respeito à liquidez e certeza dos créditos. Segundo a sentença transitada em julgado naqueles autos a autora deveria promover a liquidação dos valores por meio de arbitramento. Ademais, no curso do processo dúvidas surgiram acerca da legitimidade do representante legal da Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda. em firmar cessões de crédito, tanto que o DD. Juízo em que trâmite a ação judicial aqui em comento determinou a suspensão dos autos até que essa questão fosse definida, haja vista que pendia disputa judicial sobre os poderes do representante. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 Resolvida a questão acerca do representante legal da Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda, foi proferida a seguinte decisão judicial: BOLETIM: 2013000056 (Página 90, Diário Eletrônico da JFRJ. TRF2 de 07/02/2013) FICAM INTIMADAS AS PARTES E SEUS ADVOGADOS DAS SENTENÇAS/DECISÕES/DESPACHOS NOS AUTOS ABAIXO RELACIONADOS PROFERIDOS PELO MM. JUIZ FEDERAL ALFREDO DE ALMEIDA LOPES 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA 1 000874065.2006.4.02.5101 (2006.51.01.0087400) SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA (ADVOGADO: FABIOLA CARVALHO FERREIRA BORGES.) x UNIAO FEDERAL (ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE. PROCDOR: MARCOS DA SILVA COUTO.) 1)Fls.1288/1292. Conforme acórdão proferido pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nos autos das apelações cíveis nº 2008.001.45473 2008.001.45442, 2008.001.45413 e 45460, ( fls.7219/7236 do Proc. nº 94.00493690), que deverão ser trasladadas para estes autos, restou decidido que o legítimo representante da Autora, Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda é o Sr. Haylton Bassini. Portanto, mister se faz que a parte Autora indique objetivamente quais as cessões que não foram firmadas pelos legítimos proprietários apontando em quais folhas as mesmas se encontram juntadas. Atendido, procedase ao desentranhamento das mesmas juntandose por linha para posterior devolução aos cessionários, mediante recibo nos autos. Quanto às cessões que foram firmadas pelos legítimos representantes da empresa, deverão também ser desentranhadas e apensadas por linha em volume em como já determinado às fls. 372, para evitar tumulto processual. 2)Conforme se depreende do título judicial a liquidação deverá ser feita na modalidade de arbitramento, razão pela qual, não se tendo até o momento elementos que comprovem que a Autora é detentora de créditos a compensar perante o Fisco, não há que se cogitar em convalidar ou ratificar as operações de cessões. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional às fls. 1300/1301 informa que a empresa autora já não detinha mais crédito junto ao INSS desde 01/03/2000. (fonte: http://www.jusbrasil.com.br/diarios/50681772/trf2judjfrj070220 13pg90/pdfView, em 10/07/2013, às 10:45) Duas importantes informações extraemse da decisão judicial: i) houve cessões de crédito firmadas entre a autora Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda e outras empresas por quem não detinha poderes para representála; ii) até a data da decisão supra (10/07/2013) não havia nos autos elementos que comprovavam que a Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda detinha créditos a compensar com o Fisco; e iii) A Procuradoria da Fazenda Nacional informava que não havia mais crédito desde 01/03/2000. Todos esses elementos comprometem a liquidez e certeza dos créditos inseridos em GFIP pela recorrente, haja vista que está em xeque a sua existência inclusive em relação à parte que moveu originariamente a ação judicial 94.00493690, quanto mais, segundo a decisão judicial acima, a validade das cessões de créditos efetuadas, eis que se verificou a Fl. 868DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.728777/201164 Acórdão n.º 2301004.188 S2C3T1 Fl. 856 7 inexistência de poderes de representação legal da Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário apenas da empresa Distribuidora Brasília de Veículos Ltda., rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 869DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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