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6455556 #
Numero do processo: 14033.000676/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 1.006          1  1.005  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14033.000676/2010­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­005.395  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de julho de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO SOBRE NOTAS  FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.  Recorrente  CONSTRUTORA RV LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.   O  reconhecimento  pela  autoridade  fiscal  da  procedência  do  pedido  de  restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário.      Kleber Ferreira de Araújo  Presidente e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Natanael  Vieira  dos  Santos,  Bianca  Felicia  Rothschild,  Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e  Theodoro Vicente Agostinho.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 76 /2 01 0- 19 Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     2    Relatório  Trata­se de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente  de  supostas  sobras  de  recolhimento  relativas  à  retenção  prevista  no  art.  31  da  Lei  n.º  8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998.  O  requerimento  de  repetição  do  indébito  foi  enviado  eletronicamente  em  18/12/2009,  tendo  sido  indeferido mediante  despacho  decisório,  o  qual  teve  fundamento  na  insuficiência de mão­de­obra para execução dos serviços.  O  contribuinte  apresentou  inconformismo  contra  o  referido  despacho,  todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos.  Cientificada  da  decisão  em  30/03/2011(fl.  656),  o  sujeito  passivo  interpôs  recurso voluntário (fls. 658 a 697) em 13/05/2011.  O  julgamento  no  CARF  foi  convertido  em  diligência  em  duas  ocasiões,  conforme Resolução nº 2803­000.193, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 734 a  740),  e Resolução CARF  nº  2803­000.270,  da  3ª  Turma  Especial,  de  10  de março  de  2015  (fls.977 a 979), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal :   "(1)  indiferentemente  da  relação massa  salarial  e  faturamento,  analise  se  a  contribuinte  apresentou  pedido  de  restituição  que  cumpre  todos  os  requisitos  para  o  reconhecimento  do  direito,  condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a  legislação  de  regência;  (2)  havendo  qualquer  carência  de  requisitos  ou  documentos,  que  seja  informada  a  requerente,  instruindo­a de como retificar, e concedido prazo para realizar a  retificação;  (3)  responda  todos  os  questionamentos  complementares  trazidos  pela  petição  protocolizada  antes  da  presente  resolução,  bem  como  analise  as  demonstrações  unificadas  dos  pedidos(processos)  de  restituição  conexo  caso  sejam  efetivamente  apresentadas  pela  parte;  (4)  após,  emita  informação  fiscal  analítica  e  motivada,  observando  os  itens  anteriores,  inclusive  sobre  o  valor  a  ser  restituído,  sendo  a  contribuinte intimada para manifestar­se, no prazo de 30 (trinta)  dias".  Às  fls.  991/993  veio  aos  autos  informação  fiscal,  reconhecendo  o  direito  à  restituição  integral  do  montante  pleiteado.  Eis  os  termos  do  pronunciamento  da  autoridade  fiscal:  "8.  A  empresa  declarou  em  campo  próprio  da  GFIP,  as  retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o  artigo  31  da  Lei  8.212/91,  e  conforme  consta  nas  telas  do  sistema  CCORGFIP  (fls.982  a  989),  nas  matrículas  CEI  nº  50.047.09467/77  e  50.075.02434/73,  bem  como  nos  dados  da  Base Central do sistema RestWeb (fl.981).  9.  Deduzindo  os  valores  devidos  pela  empresa  a  título  de  contribuição  previdenciária  cota  parte  patronal,  empregado  e  SAT/RAT  também  declarados  em  GFIP,  dos  valores  retidos  a  Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000676/2010­19  Acórdão n.º 2402­005.395  S2­C4T2  Fl. 1.007          3  título  de  retenção  da  Lei  9.711/1998,  restou  saldo  a  ser  restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº  31946.19239.181209.1.2.15­2050,  referente  à  competência  11/2007,  conforme  quadro  abaixo  e  planilha  de  restituição,  anexa ao processo(fl.990):   (...)  10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro  do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o  direito  creditório  reconhecido  no  PER  nº  31946.19239.181209.1.2.15­2050,  referente  à  competência  11/2007, no valor originário de R$ 45.285,46 ( quarenta e cinco  mil duzentos e oitenta e cinco reais e quarenta e seis centavos)."  É o relatório.  Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     4    Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo ­ Relator  Admissibilidade  O  recurso  foi  apresentado  no  prazo  legal  e  preenche  os  demais  requisitos  legais, devendo ser conhecido.  Direito à restituição  O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de  restituição,  expresso  na  informação  fiscal  supra,  põe  fim  a  lide  tributária,  conduzindo­me  obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário.  Conclusão  Voto por dar provimento ao recurso voluntário.    Kleber Ferreira de Araújo.                              Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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6362319 #
Numero do processo: 13748.720720/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. ALIENAÇÃO MENTAL. APOSENTADORIA. TERMO DE CURATELA. INEXIGIBILIDADE LEGAL. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, ser portadora de Mal de Azheimer, doença causadora de demência, alienação mental, impõe-se admitir a isenção pretendida. A exigência de outros pressupostos, como Termo de Curatela, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. André Luís Marsico Lombardi - Presidente Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. ALIENAÇÃO MENTAL. APOSENTADORIA. TERMO DE CURATELA. INEXIGIBILIDADE LEGAL. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, ser portadora de Mal de Azheimer, doença causadora de demência, alienação mental, impõe-se admitir a isenção pretendida. A exigência de outros pressupostos, como Termo de Curatela, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos. Recurso Voluntário Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. André Luís Marsico Lombardi - Presidente Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1  1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13748.720720/2013­26  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.261  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2016  Matéria  IRPF ­ ISENÇÃO   Recorrente  GISELA ELISABETH WALTER MATTOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2009  IRPF.  ISENÇÃO.  COMPROVAÇÃO.  MOLÉSTIA  GRAVE.  MAL  DE  ALZHEIMER. ALIENAÇÃO MENTAL. APOSENTADORIA. TERMO DE  CURATELA. INEXIGIBILIDADE LEGAL.  De  conformidade  com  a  legislação  de  regência,  somente  os  proventos  da  aposentadoria  ou  reforma,  conquanto  que  comprovada  a  moléstia  grave  mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa  física.  In  casu,  constatando­se  que  os  rendimentos  informados  como  isentos  na  DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de  laudo médico oficial, ser portadora de Mal de Azheimer, doença causadora de  demência, alienação mental, impõe­se admitir a isenção pretendida.  A  exigência  de  outros  pressupostos,  como  Termo  de Curatela,  é  de  cunho  subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação  específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do  Código  Tributário  Nacional,  os  quais  estabelecem  que  as  normas  que  contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando  subjetivismos.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 07 20 /2 01 3- 26 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     2    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do  recurso voluntário para, no mérito, dar­lhe provimento, nos termos do voto do relator.      André Luís Marsico Lombardi ­ Presidente      Rayd Santana Ferreira ­ Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  André  Luis  Marsico  Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Theodoro  Vicente  Agostinho  e  Rayd Santana Ferreira.  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13748.720720/2013­26  Acórdão n.º 2401­004.261  S2­C4T1  Fl. 3          3    Relatório  GISELA ELISABETH WALTER MATTOS,  contribuinte,  pessoa  física,  já  qualificada  nos  autos  do  processo  em  referência,  recorre  a  este  Conselho  da  decisão  da  18a  Turma  da  DRJ  em  São  Paulo/SP,  Acórdão  nº  16­54.481/2015,  às  fls.  81/91,  que  julgou  parcialmente  procedente  a  Notificação  de  Lançamento  concernente  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  ­  IRPF,  decorrente  da  constatação  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  do  trabalho  com  vínculo  e/ou  sem  vínculo  empregatício,  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa jurídica e compensação indevida de carne­leão, em relação ao exercício 2009, conforme  peça inaugural do feito, às fls. 35/41, e demais documentos que instruem o processo.  Trata­se de Notificação de Lançamento, lavrada em 11/09/2013, nos moldes  da  legislação  de  regência,  contra  a  contribuinte  acima  identificado,  constituindo­se  crédito  tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação.  Com mais especificidade, em que pese a contribuinte haver declarado como  portador  de  moléstia  grave,  a  doença  especificada  no  Laudo  Médico  apresentado  (Mal  de  Alzheimer  ­ Alienação Mental)  não  consta  do  rol  prescrito  no  artigo  39,  inciso XXXIII,  do  RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, razão do lançamento fiscal.  Inconformada  com  a  Decisão  recorrida,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário, à fl. 94/95, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese  as seguintes razões.  Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o  lançamento, reitera as razões da impugnação, requerendo a isenção ao  Imposto de Renda por  ser  portador  de  moléstia  grave  e  os  rendimentos  serem  proventos  de  aposentadoria,  colacionando aos autos os documentos comprobatórios.  Primeiramente, esclarece não haver omissão de rendimentos uma vez que, na  declaração  os  mesmos  foram  integralmente  declarados  e  recolhido  o  imposto  devido  em  28/04/2009, portanto os valores ora cobrados, com seus reflexos de multa e juros são indevidos  independentemente do reconhecimento ou não da moléstia grave.  Insurge­se contra a decisão de primeira instância, que condicionou a isenção  pleiteada a apresentação de Termo de Curatela, considerando um absurdo esta exigência, uma  vez ultrapassar os termos da legislação concernente ao IRPF.  A  contribuinte  sustenta  observar  os  requisitos  da  lei  em  relação  a  isenção  pleiteada,  tendo  em  vista  ser  portadora  de  moléstia  grave  (MAL  DE  ALZHEIMER  ­  ALIENAÇÃO  MENTAL)  de  acordo  com  laudo  médico  e  certidão  apresentados,  ambos  oficiais.  Esclarece  que  a doença  de mal  de  alzheimer,  causa demência ou  alienação  mental, moléstia inscrita no artigo 6°, XIV, da Lei 7.713/88, motivo pelo qual faz jus ao direito  de  isenção  do  Imposto  de  Renda,  tendo  a  contribuinte  sido  diagnosticada  com  alienação  mental, conforme explícito no laudo oficial.  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     4  Em  defesa  de  sua  pretensão,  acostou  aos  autos  Laudo Médico  do Hospital  Alcides  Carneiro  (fl.14)  e  Laudo  Pericial  (fl.  63)  do mesmo Hospital,  portanto  documentos  oficias que comprovam a moléstia da contribuinte, impondo seja decretada a improcedência do  feito.  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  desconsiderar a Notificação de Lançamento,  tornando­a sem efeito e, no mérito, sua absoluta  improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13748.720720/2013­26  Acórdão n.º 2401­004.261  S2­C4T1  Fl. 4          5    Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto  de  infração  se  deu  em  virtude  da  contribuinte  considerar  os  rendimentos  provenientes  de  aposentadoria no campo de isentos, levando a efeito a constatação de moléstia grave (Mal de  Alzheimer), diagnosticado desde de 01.2007.  Desde a impugnação, a autuada informou ser portador de moléstia grave e ter  seu rendimento proveniente de aposentadoria, trazendo à colação laudo médico oficial, de fls.  14 e 63, além de certidão da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (fonte  pagadora) informando a isenção do imposto de renda desde janeiro de 2007, fl. 13.  Por  sua  vez,  ao  analisar  a  impugnação  e  documentos  ofertados  pela  contribuinte,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  entendeu  por  bem  manter  a  integralidade da ação fiscal, no tocante a isenção por moléstia grave, sob o argumento de que   "[...]  Não  restando  evidenciado,  mediante  apresentação  do  Termo  de  Curatela,  que  a  interessada  não  tem  o  necessário  discernimento  para  os  atos  da  vida  civil,  é  de  se  concluir  que  somente a apresentação do Atestado e do Laudo Pericial, ainda  que  com  o  diagnóstico  de  alienação  mental  (Doença  de  Alzheimer,  CID  G30.1),  desde  janeiro/2007  (fls.  14  e  63),  são  insuficientes  para  caracterizar  a  sua  condição  de  alienada  mental,  no  ano­calendário  2008.  Portanto,  os  rendimentos  percebidos  a  título  de  proventos  de  aposentadoria  ou  pensão,  pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do  Brasil/CNPJ  33.754.482/000124,  no  montante  de  R$62.971,15,  no  ano­calendário  2008,  são  tributáveis  na  forma  da  lei,  não  assistindo razão à Impugnante."  Ainda  irresignada,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  ora  objeto  de  análise, suscitando que são considerados isentos os proventos de aposentadoria, haja vista ser  portadora  de  moléstia  grave,  conforme  comprovado  por  documentação  hábil  e  idônea,  observando todos os requisitos legais. Não se manifestando sobre a omissão de rendimentos de  aluguéis recebidos de pessoa jurídica.  Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre  trazer à baila os  dispositivos legais que regulamentam a matéria.   A  isenção  por  moléstia  grave  encontra­se  regulamentada  pela  Lei  n°  7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004,  nos termos abaixo:  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     6  "Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguinte  rendimentos percebidos por pessoas físicas:  (...)  XIV – os proventos de aposentadoria ou  reforma motivada por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma;"  Acerca  do  tema,  o  Decreto  n°  3000/99  (RIR),  em  seu  artigo  39,  inciso  XXXIII, bem como o §4° do mesmo artigo, assim dispõe:  "Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto:  (...)  XXXIII­os  proventos  de  aposentadoria  ou  reforma,  desde  que  motivadas  por  acidente  em  serviço  e  os  percebidos  pelos  portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  de  imunodeficiência  adquirida,  e  fibrose  cística  (mucoviscidose),  com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a  doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma  (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,  art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º);"  A partir do ano­calendário de 1996, deve­se aplicar, para o  reconhecimento  de  isenções,  as  disposições,  sobre  o  assunto,  trazidas  pela  Lei  n°  9.250,  de  26/12/1995,  in  verbis:  "Art.  30.  A  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  para  efeito  do  reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e  XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a  redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de  1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial  emitido  por  serviço médico  oficial,  da União,  dos  Estados,  do  Distrito Federal e dos Municípios."  Ao  interpretar  a  legislação  acima  transcrita,  depreende­se  que  há  dois  requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. O primeiro reporta­se à natureza  dos valores recebidos, devendo ser proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, e o outro  relaciona­se  com  a  existência  da  moléstia  tipificada  no  texto  legal,  atestada  por  laudo  de  serviço médico oficial.  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13748.720720/2013­26  Acórdão n.º 2401­004.261  S2­C4T1  Fl. 5          7  Após  a  análise  dos  autos,  principalmente  dos  documentos  comprobatórios,  não restam dúvidas de que a recorrente é portador de Mal de Alzheimer (Alienação Mental),  desde 2007, motivo pelo qual lhe garante a isenção sobre proventos de aposentadoria.  In  casu,  o  ponto  nodal  da  demanda  se  fixa  em definir  se  a  doença Mal  de  Alzheimer enquadra­se como moléstia grave para fins de isenção, uma vez não estar listada no  rol de doenças contemplado pela legislação de regência.  Segundo Doutor  Drauzio  Varella  a  "Doença  de  Alzheimer  é  a  forma mais  comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade.", portanto, conforme os Manuais  de Perícias Médicas no âmbito do Poder Executivo Federal estabelecem, são necessariamente  casos de alienação mental os estados de demência (Portaria Normativa n° 1174/MD, de 06 de  setembro de 2006).  Esta matéria,  alienação mental  em  face  do Mal  de Azheimer,  foi  objeto  de  brilhante e completo estudo, pelo Conselheiro Antônio Augusto Silva de Carvalho, advindo o  Acórdão 106­13.418, de 02/07/2003, com a seguinte ementa:  "IRPF ­ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ­ VALORES RECEBIDOS  A  TÍTULO  DE  PENSÃO  ­  ISENÇÃO  ­  DEMÊNCIA  NA  DOENÇA  DE  ALZHEIMER  ­  1.  A  demência  na  Doença  de  Alzheimer tem como uma de suas manifestações o que, na falta  de melhor  expressão,  trata­se  como "alienação mental";  via de  conseqüência,  segundo dispõem os  incisos XIV e XXI do artigo  6º da Lei nº 7.713/1988, na redação que lhes foi dada pelo artigo  47  da  Lei  nº  8.451/92,  estão  isentos  do  imposto  de  renda  os  valores que o doente receber a título de pensão."  No mesmo sentido, o Acórdão 2102­002.951, de 15 de abril de 2014, assim  preleciona:  "IRPF.  MOLÉSTIA  GRAVE.  ISENÇÃO.  DOENÇA  DE  ALZHEIMER.  ENQUADRAMENTO.  A  despeito  de  não  estar  a  Doença de Alzheimer elencada na lei entre aquelas passíveis de  isenção do  IRPF, a  jurisprudência  vem caminhando no  sentido  de considerar que a incapacidade para exercer os atos da vida  civil  é  um  elemento  característico  daqueles  portadores  de  alienação mental, esta sim elencada entre as moléstias passíveis  de isenção nos termos da lei. Por isso, quando o quadro clínico  de  alienação  mental  e/ou  demência  decorrer  da  Doença  de  Alzheimer,  fica  caracterizada  a  moléstia  grave  prevista  na  legislação, devendo ser reconhecida a isenção do imposto sobre  os  rendimentos  da  aposentadoria  percebidos  pelo  contribuinte.  Recurso Voluntário Provido"  Releva notar ainda que o laudo e o atestado são explícitos a mencionarem a  Alienação Mental da contribuinte, desde Janeiro/2007, conforme anexos.  A exigência da apresentação do Termo de Curatela pela DRJ, não encontra  amparo  na  da  legislação  de  regência,  não  podendo  a  contribuinte  ser  penalizada  por  uma  exigência que transcende os termos da Lei.  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI     8  Mais  a  mais,  tratando­se  de  hipótese  de  isenção  e/ou  não  incidência,  os  artigos 111, inciso II e 176, do CTN, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária  impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis:  “Art. 111.  Interpreta­se literalmente a legislação tributária que  disponha sobre:  I – suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II – outorga de isenção;  III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias”  Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  a  sua  concessão,  os  tributos  a  que  se  aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.”  Extrai­se dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção  e/ou hipótese de não  incidência que o Poder Público pretenda  conceder deve decorrer de  lei  disciplinadora,  sendo  sua  interpretação  literal,  não  podendo  o  contribuinte,  o  fisco  ou  o  julgador impor ou afastar condições/requisitos que não decorrem da lei seca.  Com  efeito,  tivesse  o  legislador  ordinário  a  intenção  de  impor  outros  requisitos  à  concessão  de  referida  benesse,  teria  feito  de  forma  explícita  e  clara  no  bojo  da  norma legal, acima transcrita, o que não se verifica no caso vertente, não podendo o aplicador  da lei conferir  interpretação que extrapola o próprio texto legal, especialmente tratando­se de  isenção, cuja legislação deverá ser aplicada literalmente.  Assim não o  tendo  feito,  torna­se defeso ao  intérprete da  lei,  especialmente  àqueles  que  exercem  a  atividade  judicante  no  âmbito  administrativo,  concluir  diversamente  daquilo que a norma estabelece de forma clara e objetiva: a isenção em epígrafe se refere aos  rendimentos decorrentes dos proventos da aposentadoria ou reforma ou pensão, impondo seja  comprovada a moléstia grave tipificada na lei, atestada por laudo de serviço médico oficial.  Repito,  inexiste  no  dispositivo  legal  retro,  à  toda  evidência,  qualquer outro  pressuposto  legal  que  não  sejam  os  supramencionados,  capaz  de  justificar  o  lançamento  guerreado.  Na esteira desse entendimento, a exigência de Termo de Curatela é de cunho  subjetivo  do  agente  lançador  ou  do  julgador,  mormente  quando  estabelece  interpretação  extensiva/subjetiva à norma  legal que  regulamenta o  tema. E, como  já  sedimentado acima, a  isenção não comporta subjetivismo.  Como se observa dos autos, está mais que provado ser a recorrente portadora  de moléstia grave e ter seus rendimentos provenientes de aposentadoria, cumulando assim os  dois requisitos legais para fazer jus a isenção pleiteada.  No  tocante  a  omissão  de  rendimentos  de  aluguéis  recebidos  de  pessoa  jurídica (Condomínio do Edifício  Imperial), este  tópico não foi questionado pela contribuinte  em sede de recurso, motivo pelo qual não analisamos tal rubrica.   Por  outro  lado,  relativamente  aos  valores  pretensamente  recolhidos  pela  contribuinte, se, de fato, for pertinente ao crédito tributário exigido no presente lançamento, a  DRF de origem irá analisar a possibilidade de dedução de aludido valor, não cabendo ao CARF  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 13748.720720/2013­26  Acórdão n.º 2401­004.261  S2­C4T1  Fl. 6          9  proceder  referida  retificação, uma vez que a decisão seria condicionante à análise da própria  autoridade  fazendária  de  origem,  o  que  não  coaduna  com  o  desiderato  da  atividade  deste  Colegiado.  Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em  dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO  DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO,  decretando a  improcedência do  lançamento no  tocante  aos proventos de aposentadoria, pelas  razões de fato e de direito acima esposadas.  É como voto.    Rayd Santana Ferreira.                              Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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Numero do processo: 16095.720244/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010, 01/09/2010 a 31/12/2010 PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, o termo “insumo” deve estar vinculado ao de "essencialidade" do bem ou serviço, no sentido de que determinado insumo deve ser essencial ao processo produtivo do contribuinte, conforme remansosa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO A CRÉDITO. Na sistemática não-cumulativa, apenas podem ser descontados créditos em relação a aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, essenciais à atividades da empresa. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS, E EQUIPAMENTOS. DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, geram direito ao crédito, desde que se vinculem ao processo produtivo do contribuinte, sendo deste o ônus da prova de tal nexo. DESPESA DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Despesas realizadas com serviços de limpeza e conservação geram direito a créditos a serem descontados do PIS e da COFINS, por se comprovar que não se tratam de meros serviços periféricos ou posteriores ao processo produtivo, mas o compõem e, ademais, prestam-se à própria manutenção de equipamentos de produção, viabilização e otimização do processo produtivo.
Numero da decisão: 3201-002.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario .
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2403; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 93          1 92  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16095.720244/2013­63  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­002.094  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de março de 2016  Matéria  PIS E COFINS NÃO­CUMULATIVOS  Recorrente  CERÂMICA GYOTOKU LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010, 01/09/2010 a 31/12/2010  PIS E COFINS NÃO­CUMULATIVOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS.  INSUMOS.   Sob  o  regime  de  incidência  não  cumulativa  e  para  fins  de  dedução  de  créditos,  o  termo  “insumo” deve  estar  vinculado  ao  de  "essencialidade"  do  bem ou serviço, no sentido de que determinado insumo deve ser essencial ao  processo  produtivo  do  contribuinte,  conforme  remansosa  jurisprudência  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO A CRÉDITO.  Na  sistemática  não­cumulativa,  apenas  podem  ser  descontados  créditos  em  relação  a  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  essenciais à atividades da empresa.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  SERVIÇOS  DE  MANUTENÇÃO  DE  MÁQUINAS,  E  EQUIPAMENTOS.  DESPESAS  COM  AQUISIÇÃO  DE  PARTES E PEÇAS.  Os  valores  referentes  a  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  para  manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens  destinados  à  venda,  geram  direito  ao  crédito,  desde  que  se  vinculem  ao  processo produtivo do contribuinte, sendo deste o ônus da prova de tal nexo.  DESPESA  DE  LIMPEZA  E  CONSERVAÇÃO.  DIREITO  A  CRÉDITO.  POSSIBILIDADE.  Despesas  realizadas com serviços de limpeza e conservação geram direito a  créditos a serem descontados do PIS e da COFINS, por se comprovar que não  se tratam de meros serviços periféricos ou posteriores ao processo produtivo,  mas  o  compõem  e,  ademais,  prestam­se  à  própria  manutenção  de  equipamentos de produção, viabilização e otimização do processo produtivo.          AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 44 /2 01 3- 63 Fl. 10504DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza– Presidente  (assinado digitalmente)  Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo­ Relatora    Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros:  Charles Mayer  de  Castro Souza  (Presidente), Carlos Alberto Nascimento  e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano  Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira  Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario .    Relatório  Refere­se  o  presente  processo  a  auto  de  infração  para  a  exigência Cofins  e  consectários legais, relativo à aquisição de insumos.   Para bem relatar os fatos, transcreve­se o relatório da decisão proferida pela  autoridade a quo:  Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra  o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 20.12.2013 (fls. 6746 e  6753),constituindo crédito tributário de: i) COFINS (fls. 6753 a  6759)  no  valor  total  de  R$7.245.101,00,  incluindo­se  tributo,  multa  proporcional  e  juros  de  mora,  estes  calculados  até  12.2013,  referente  aos  períodos  de  apuração  de  01.2010  06.2010, e 09.2010 a 12.2010, com enquadramento legal exposto  às fls. 6754, 6755 e 6759; ii) PIS (fls. 6746 a 6752) no valor total  de  R$1.688.156,22,  incluindo­se  tributo,  multa  proporcional  e  juros  de  mora,  estes  calculados  até  12.2013,  referente  aos  períodos  de  01.2010  06.2010,  e  09.2010  a  12.2010,  com  enquadramento legal exposto às fls. 6747, 6748 e 6752.  5. No Termo de Verificação e Constatação de fls. 6680 a 6688 a  autoridade fiscal autuante informa que:  i) A ação fiscal foi iniciada em 02/01/2013, com a ciência do de  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal;  ii)  Após  batimentos  realizados  entre  os  valores  de  bases  de  cálculo  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  declarados  nas  DACONs  com  as  NOTAS  FISCAIS DE ENTRADA, e tendo sido apuradas diferenças, foi o  contribuinte intimado a apresentar justificativas e demonstrativo  analítico  das  diferenças  encontradas,  relativos  ao  período  de  01/2010 a 12/2010.   Fl. 10505DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16095.720244/2013­63  Acórdão n.º 3201­002.094  S3­C2T1  Fl. 94          3 O  contribuinte,  alegando  dificuldades  de  acesso  ao  banco  de  dados,  requereu  um  prazo  complementar  e  apresentou  justificativas para uma pequena parte das diferenças apuradas.  O  contribuinte  não  comprovou  a  maior  parte  das  diferenças  lançadas na DACON Ficha 06A (PIS) e Ficha 16A (COFINS), a  título  de  "Bens  para  Revenda"  e  "Bens  Utilizados  como  Insumos",  no  valor  total  de  R$  26.689.518,54,  conforme  demonstrativo Anexo I (fl. 6689);  iii)  Em  relação  aos  "Serviços  Utilizados  como  Insumos",  foi  constatado  que  diversos  itens  de  despesas  e  prestação  de  serviços,  contabilizadas  nas  contas  relacionadas  no  demonstrativo de fls. 6681/6682, compuseram a base de cálculo  de  créditos  de PIS  e COFINS,  tendo  sido  lançado na DACON,  nas  linhas  03  da  ficha  06A  (PIS)  e  Linha  03  da  ficha  16A  (COFINS), como “Serviços Utilizados como Insumos".  Foi  constatado  ainda,  que  grande  parte  destas  despesas,  não  geram  direito  a  creditamento  de  PIS  e  COFINS,  por  não  se  referirem  a  "serviços  utilizados  como  insumos  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos"  e  por  falta  de  previsão  legal,  conforme legislação aplicável a estes tributos;   iv) Os valores de despesas e prestação de serviços que não dão  direito  a  crédito  de  PIS  e  COFINS  totalizaram  R$  15.561.901,25,  conforme  documentos  acostados  ao  processo  (por amostragem)  e demonstrativos Anexos  II  e  III  (fls. 6690 a  6743);  v) Também foi constatado que em fiscalização anterior, relativo  a  verificações  obrigatórias,  decorrente  de  MPF  08.1.11.002010,00423, já havia sido constituído créditos de PIS  e  COFINS,  através  do  processo  de  Auto  de  Infração  de  n°  16095.720221/201197,  relativo  aos  períodos  de  apuração  02/2010, 04/2010 e 05/2010;   vi)  Os  valores  de  Saldos  a  Pagar  de  PIS  e  COFINS  Não  Cumulativos foram recalculados levando­se em consideração os  valores  das  bases  de  cálculo  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  declaradas,  deduzidas  de  valores  de  glosa  de  créditos  descontados indevidamente, e também dos valores que já foram  objeto de autuação anterior, conforme demonstrativos Anexos IV  e  V  (fls.  6744/6745).  Os  valores  de  Saldos  a  Pagar  de  PIS  e.  COFINS  Não­cumulativo  apuradas,  cujos  valores  não  foram  declarados em DCTFs, foram objeto de autuação, nos termos da  legislação vigente;  vii) Conforme legislação do PIS e COFINS só geram créditos os  bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à  venda, entendendo­se como "serviços utilizados como insumos”  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica,  aplicados  na  produção ou fabricação dos produtos.   Desta  forma,  verifiquei  que  diversos  valores  de  despesas  lançadas  a  título  de  Vale­Transporte,  Despesas  a  Apropriar,  Fl. 10506DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     4 Vale  Refeições;  Desp  Antecip  Gyotoku  Estiva,  Reforma  do  Telhado  Estiva,  Consumo  Papel  Sulfite  a  Ratear,  Produtos  Acabados  Estiva,  Reforma  do  Telhado  Fábrica  1,  Transações  Suzano/Estiva, Mogidonto  Soc  Civil  Ltda,  Telecom  de  S  Paulo  S/A,  Empr  Bras  de  Telecomun  S/A,  BCP  S/A,  Prest  Serviços  Pessoa  Jurídica,  Samed  Serviços  Assist.  Médica/  Bradesco  Saúde S/A, VIVO S/A, 13º Salário, Comissões S/Vendas, Cursos e  Treinamentos, Serviços Terceirizados PJ, Serviços Temporários,  Assist  Medica  e  Social,  Creches  e  Pré  Escolas,  Aluguéis  De  Maqs  E  Equíps,  Aluguéis  De  Maqs  E  Equips,  Assessoria  Administrativa  Pj,  Assessoria  Jurídica  PJ,  Combustíveis  é  Lubrificantes,  Comissões  de  Agentes,  Conduções,  Cópias  Xerográficas, Despesas com Refeições, Despesas com Veículos,  Gastos com a Não Qualidade, Material de Escritório, Despesas  de  Merchandising,  Publicações  Periódicas,  Serviços  Eventuais  PF, Serviços Eventuais PJ, Telefone, Unif e Equip de Segurança,  Viagens e Estadias, Internet, Despesas Eventuais, Conservação e  Limpeza,  Manutenção  e  Conservação,  Serviços  de  Terc  Manutenção,  Anúncios,  Feiras  e  Exposições,  Propaganda  e  Publicidade  e  Juros  Passivos,  relacionadas  no  demonstrativo  Anexo  I  (fl.  6689),  não  geram  direito  a  creditamento  de  PIS  e  COFINS por falta de previsão legal;   viii)  Sobre  as  despesas  acima  mencionadas,  em  que  pese  poderem  ser  necessários  ou  até  essenciais  para  o  desempenho  da'  atividade  da  empresa,  não  podem  ser  considerados  como  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  fabricação  dos  produtos.  Não  é  admissível,  portanto,  a  apuração  de  créditos  relativamente a esses dispêndios ;  ix) De acordo com o art. 3º , Inciso II das Leis n°s10.637/2.002 e  arts. 3º, inciso II e art. 15, inciso II da Lei nº 10.833/2003, e IN  SRF n°s247/2002 e 404/2004, as aquisições de diversos itens de  despesas  e  prestação  de  serviços,  por  não  serem  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  fabricação  dos  produtos,  ou  não  serem  incorporadas  ao  produto,  e  conseqüentemente,  não  se  enquadrarem no conceito de insumos, não podem gerar direito a  creditamento de PIS e COFINS;   x) Os valores devidos de PIS e COFINS Não Cumulativos,foram  recalculados,  conforme  Demonstrativos  de  Apuração  de  PIS  e  COFINS,  Anexos  IV  e  V  (fls.  6744/6745),  e  resumida  às  fls.  6687/6688.  6. Inconformada com os lançamentos, a interessada interpôs em  20.01.2014  a  impugnação  de  fls.  6766  a  6788,  onde  alega,  em  síntese, o que se segue:  6.1  Conforme  se  verifica  do  Anexo  I  ao  Termo  de  Verificação  Fiscal, a fiscalização apurou, durante o ano calendário de 2010,  diferença entre a base das despesas declaradas em DACON e as  despesas apuradas mediante o levantamento das notas fiscais.  Especificamente  para  os meses  de  janeiro  e  fevereiro  de  2010,  foram  apuradas  as  seguintes  diferenças:  Janeiro  de  2010:  (i)  Valor conforme a DACON: R$ 11.727.948,65,   (ii)  Valor  conforme  as  Notas  Fiscais:  R$  10.181.553,80,  (iii)  Diferença:R$ 1.546.394,85; Fevereiro de 2010:   Fl. 10507DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16095.720244/2013­63  Acórdão n.º 3201­002.094  S3­C2T1  Fl. 95          5 (i) Valor conforme a DACON: R$ 11.047.767,77,  (ii)Valor conforme as Notas Fiscais: R$ 9.189.213,92,   (iii) Diferença: R$ 1.858.553,85;   6.3  Todavia,  nos  referidos meses,  a  fiscalização  desconsiderou  despesas  de  aquisição  de  insumos  que  foram  devidamente  escrituradas  e  que  estão  comprovadas  pelas  1ª  vias  das  notas  fiscais;   6.4 Relativamente ao período de janeiro de 2013, a fiscalização  não considerou as seguintes despesas:  (i)  R$  494.000,00  relativos  à  aquisição  de  insumo  (filito  “in  natura”) para entrega futura, objeto da nota fiscal nº 5751;   (ii)  R$  598.000,00  relativos  à  aquisição  de  insumo  (filito  “in  natura”) para entrega futura, objeto da nota fiscal nº 5750;   (iii)  R$  468.000,00  relativos  à  aquisição  de  insumo  (filito  “in  natura”) para entrega futura,objeto da nota fiscal nº 5749;   6.5 Já no mês de fevereiro de 2010, a fiscalização desconsiderou  as seguintes despesas:  (i)R$  78.000,00  relativos  à  aquisição  de  insumo  (filito  “in  natura”) para entrega futura, objeto da nota fiscal nº 5872; (ii)  R$182.000,00  relativos  à  aquisição  de  insumo  (filito  “in  natura”) para entrega futura, objeto da nota fiscal n º5873; 6.6  As  notas  fiscais  acima  relacionadas  foram  devidamente  escrituradas no Livro de Registro de Entradas da Impugnante e,  consequentemente,  deveriam  ser  consideradas  no  levantamento  das despesas que geraram os créditos de contribuição ao PIS e  de COFINS que foram apropriados pela Impugnante;   6.7 De  acordo  com  o  Termo  de Verificação  e Constatação  de  Irregularidades  Fiscais,  a  fiscalização  elaborou  planilha  descontando, dos créditos de contribuição ao PIS e de COFINS  apurados,  os  valores  dos  créditos  objeto  de  lançamento  em  fiscalização anterior;   6.8 Especificamente quanto ao PIS do mês de fevereiro de 2010  a  fiscalização  expressamente  reconheceu  que,  do  valor  de  contribuição  ao  PIS  por  ela  apurado  (R$91.141,45),  ela  não  poderia  constituir  parte  desse montante  (R$ 15.338,10) que  foi  objeto  de  auto  de  infração  anterior  (processo  administrativo  fiscal n° 16095.720221/201197).  Contudo,  o  auto  de  infração  foi  efetuado  considerando  o  montante integral do valor apurado pela fiscalização, isto é, sem  efetuar  o  desconto  do  valor  do  crédito  que  fora  objeto  de  lançamento anterior.   É  o  que  se  pode  verificar,  por  exemplo,  do  demonstrativo  de  apuração que compõe o auto de infração;   Fl. 10508DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     6 6.9  Havendo  claro  lançamento  em  duplicidade  de  um  mesmo  tributo, as autoridades julgadoras, por ocasião do julgamento da  presente  impugnação,  deverão  determinar  a  exclusão,  da  contribuição  ao  PIS  apurada  para  o  período  de  fevereiro  de  2010,  do  valor  de  R$15.338,10,  além  dos  encargos  sobre  referido montante (juros de mora e multa de ofício);  6.10 Os créditos  tomados pela Impugnante possuem a natureza  de  insumo.  De  acordo  com  a  fiscalização,  houve  a  glosa  de  créditos  de  contribuição  ao  PIS  e  de  COFINS  na  proporção  referida  acima  porque,  pelo  histórico  dos  lançamentos  contábeis,  elas  não  estariam  relacionadas  à  atividade  desenvolvida  pela  Impugna,  cujo  faturamento  ensejou  a  incidência das apontadas contribuições.  Deve­se destacar, contudo, que o conceito de  insumo, para  fins  de  creditamento  da  contribuição  ao  PIS/COFINS,  tem  sido  estendido  pelas  autoridades  julgadoras  administrativas  e  judiciais,  de  tal  modo  que  as  despesas  que  foram  desconsideradas  pela  fiscalização geram,  sim,  direito  a  crédito  das apontadas contribuições;   6.11 Aquele  velho  conceito  de  insumo,  considerado meramente  como o produto aplicado no processo de industrialização, setor  da  economia  preponderante  nas  décadas  de  70  e 80,  não pode  mais  subsistir  diante  da  atual  sociedade  informacional.  Na  verdade, insumo é tudo aquilo que é essencial à empresa.  Recentemente,  o  CARF  manifestou  o  entendimento  de  que  insumo,  para  fins  de  cálculo  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  deve  compreender  não  só  aquilo  que  é  empregado  diretamente  na  atividade  operacional  da  pessoa  jurídica,  mas  também  todos  os  custos  e  despesas  operacionais  da  pessoa  jurídica,  equiparando  o  conceito  de  insumo  ao  de  despesa  dedutível  para  fins  de  apuração  do  imposto  de  renda  pessoa  jurídica.   Portanto,  todos os custos e/ou despesas que  sejam necessários,  usuais  e  normais  à  manutenção  da  atividade  econômica  dão  direito ao creditamento da contribuição ao PIS e da COFINS;   6.12  Os  créditos  que  foram  indevidamente  glosados  pela  fiscalização  referem­se  a  despesas  relacionadas  direta  ou  indiretamente  à  atividade  operacional  da  Impugnante. Caso  as  autoridades  julgadoras  entendam  necessário,  o  julgamento  da  presente impugnação poderá ser convertido em diligência, a fim  de demonstrar, mediante apresentação das notas fiscais, que os  lançamentos que foram expurgados pela fiscalização se referem  a  custos  e  despesas  necessários  à  manutenção  da  fonte  produtora e,  como tais,  geradores dos  créditos de  contribuição  ao  PIS  e  de  COFINS  que  foram  indevidamente  glosados,  gerando  o  lançamento  ora  impugnado;  6.13  As  despesas,  que  foram  indevidamente  desconsideradas  pela  fiscalização,  geraram  o  legítimo  direito  a  desconto,  pela  Impugnante,  dos  créditos de contribuição ao PIS  e da COFINS,  sendo, destarte,  absolutamente  improcedentes  as  glosas  efetuadas  pela  fiscalização.  A  autuação,  se  julgada  procedente,  violará  de  forma manifesta a não cumulatividade;   Fl. 10509DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16095.720244/2013­63  Acórdão n.º 3201­002.094  S3­C2T1  Fl. 96          7 6.14  Especificamente  em  relação  a  algumas  das  despesas  que  não  foram  consideradas  pela  fiscalização,  elas  estão  relacionadas  ao  processo  produtivo  e,  consequentemente,  gerariam  o  direito  ao  crédito  das  contribuições  mesmo  na  equivocada  interpretação  da  Receita  Federal  do  Brasil  acerca  do conceito de insumo.   Com efeito, a  fiscalização desconsiderou despesas relacionadas  a bens e serviços aplicados no processo produtivo, quais sejam:  (i) alugueis de máquinas e equipamentos que são essenciais ao  desenvolvimento do processo produtivo, tais como empilhadeiras  utilizadas para transportar o insumo para industrialização;   (ii)  serviços  de  terceirização/manutenção,  seja  os  de  terceirização da mão de –obra utilizada no processo  industrial,  seja  de manutenção  das máquinas  e  equipamentos  diretamente  empregados no processo produtivo;   (iii)  serviços  de  conservação  e  limpeza  da  linha  de  produção,  valendo  aqui  destacar  que  as  despesas  tomadas  como  créditos  das  referidas  atividades  são  aquelas  com  os  operadores  que  estão  envolvidos  exclusivamente  no  processo  de  produção  e  qualidade,  de  forma  a  garantir  o  produto  final  dentro  das  especificações determinadas.  A  Impugnante  logrou  obter,  junto  ao  departamento  técnico  responsável  declaração  em  que  é  justificada  a  necessidade  de  contratação  do  serviço  de  limpeza  para  o  regular  desenvolvimento do processo de produção.   No referido serviço, são realizadas as seguintes atividades:  ­limpeza de canaletas no processo de produção; limpeza do chão  no setor produtivo; lavação das vascas, usadas para armazenar  insumos  na  produção;  manutenção  de  todo  o  setor  industrial  limpo;   6.15 Trata­se, portanto, de despesas com bens e serviços que são  fundamentais ao processo produtivo,  não  fugindo,  inclusive,  da  definição de  insumo que a Receita Federal do Brasil aplica em  relação aos créditos de contribuição ao PIS e da COFINS;   A Delegacia  de  Julgamento  julgou  parcialmente  procedente  a  impugnação,  em decisão assim ementada:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período  de  apuração:  01/01/2010  a  30/06/2010,  01/09/2010  a  31/12/2010   VENDA  PARA  ENTREGA  FUTURA.  ADQUIRENTE.  MOMENTO.APURAÇÃO CREDITO NÃO CUMULATIVIDADE  Na  aquisição  de  bens  ou  serviços  que  geram  crédito  da  não  cumulatividade para recebimento posterior, o crédito poderá ser  apropriado  no  registro  da Nota  Fiscal  de  Simples  faturamento  Fl. 10510DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     8 uma  vez  que  já  ocorreu  o  fato  jurídico  representativo  da  aquisição.  LANÇAMENTO A MAIOR. ERRO DE TRANSCRIÇÃO.  Tendo  sido  constatada  a  ocorrência  de  erro  na  transcrição  da  contribuição  devida  apurada,  cancela­se  o  crédito  tributário  exigido a maior.  DEDUÇÃO  DE  CRÉDITOS.  INSUMOS.  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  Sob  o  regime  de  incidência  não  cumulativa  e  para  fins  de  dedução  de  créditos,  o  termo  “insumo”  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  necessário  para a atividade da pessoa  jurídica, mas,  tão  somente,  aqueles  bens  ou  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  que  sejam  intrínsecos à atividade e aplicados ou consumidos na fabricação  do produto ou no serviço prestado.  ALUGUEL  DE  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS.  DIREITO  A  CRÉDITO.  Na sistemática não­cumulativa, podem ser descontados créditos  em  relação  a  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.CRÉDITOS.  CONTRATAÇÃO DE MÃO­DE­OBRA. IMPOSSIBILIDADE.  Não geram direito a  crédito  os  valores  relativos  à  contratação  de  mão­de­obra  temporária,  por  não  configurarem  pagamento  de  bens  ou  serviços  enquadrados  como  insumos  utilizados  na  fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda  ou na prestação de serviços.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  SERVIÇOS  DE  MANUTENÇÃO  DE  MÁQUINAS,  E  EQUIPAMENTOS.  DESPESAS  COM  AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS.  Os  valores  referentes  a  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  para  manutenção  das  máquinas  e  equipamentos  empregados  na  produção  de  bens  destinados  à  venda,  podem  compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  a  serem  descontados  da  Cofins  não­cumulativa,  desde  que  respeitados  todos  os  demais  requisitos  normativos  e  legais  atinentes  à  espécie.  DESPESA  DE  LIMPEZA  E  CONSERVAÇÃO.  DIREITO  A  CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  Despesas realizadas com serviços de limpeza e conservação não  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados  do  PIS  e  da  COFINS,  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumos  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda  e  na  prestação  de  serviços.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Fl. 10511DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16095.720244/2013­63  Acórdão n.º 3201­002.094  S3­C2T1  Fl. 97          9 Período  de  apuração:  01/01/2010  a  30/06/2010,  01/09/2010  a  31/12/2010   VENDA  PARA  ENTREGA  FUTURA.  ADQUIRENTE.  MOMENTO.  APURAÇÃO  CREDITO  NÃO  ­ CUMULATIVIDADE  Na  aquisição  de  bens  ou  serviços  que  geram  crédito  da  não  cumulatividade para recebimento posterior, o crédito poderá ser  apropriado  no  registro  da Nota  Fiscal  de  Simples  faturamento  uma  vez  que  já  ocorreu  o  fato  jurídico  representativo  da  aquisição.  LANÇAMENTO A MAIOR. ERRO DE TRANSCRIÇÃO.  Tendo  sido  constatada  a  ocorrência  de  erro  na  transcrição  da  contribuição  devida  apurada,  cancela­se  o  crédito  tributário  exigido a maior.  DEDUÇÃO  DE  CRÉDITOS.  INSUMOS.  INCIDÊNCIA  NÃO­ CUMULATIVA.  Sob  o  regime  de  incidência  não  cumulativa  e  para  fins  de  dedução  de  créditos,  o  termo  “insumo”  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  necessário  para a atividade da pessoa  jurídica, mas,  tão  somente,  aqueles  bens  ou  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  que  sejam  intrínsecos à atividade e aplicados ou consumidos na fabricação  do produto ou no serviço prestado.  ALUGUEL  DE  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS.  DIREITO  A  CRÉDITO.  Na sistemática não­cumulativa, podem ser descontados créditos  em  relação  a  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  CONTRATAÇÃO DE MÃO­DE­OBRA. IMPOSSIBILIDADE.  Não geram direito a  crédito  os  valores  relativos  à  contratação  de  mão­de­obra  temporária,  por  não  configurarem  pagamento  de  bens  ou  serviços  enquadrados  como  insumos  utilizados  na  fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda  ou na prestação de serviços   DIREITO  DE  CRÉDITO.  SERVIÇOS  DE  MANUTENÇÃO  DE  MÁQUINAS,  E  EQUIPAMENTOS.  DESPESAS  COM  AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS.  Os  valores  referentes  a  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  para  manutenção  das  máquinas  e  equipamentos  empregados  na  produção  de  bens  destinados  à  venda,  podem  compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  a  serem  descontados  da  Cofins  não­cumulativa,  desde  que  respeitados  todos  os  demais  requisitos  normativos  e  legais  atinentes  à  espécie.  Fl. 10512DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     10 DESPESA  DE  LIMPEZA  E  CONSERVAÇÃO.  DIREITO  A  CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  Despesas realizadas com serviços de limpeza e conservação não  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados  do  PIS  e  da  COFINS,  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumos  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda  e  na  prestação  de  serviços.  Impugnação  Procedente  em  Parte  Crédito  Tributário  Mantido  em  Parte   No recurso voluntário apresentado, foram reiterados os argumentos aduzidos  na peça de impugnação, quais sejam:  i. a interpretação sistemática e finalística dos incisos e parágrafos do artigo 3o  das  Leis  n°s  10.637/2002  e  10.833/2003,  e  do  artigo  195,  inciso  I,  alínea  'b',  e  §12,  da  Constituição  Federal,  determinam  que  existe  uma  relação  de  inerência  entre  os  custos  e  despesas que conferem direito de crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins com a formação  da receita;  ii.tudo  que  é  necessário  à  manutenção  da  fonte  produtora  deve  gerar  o  respectivo direito aos créditos;  iii.  não  somente  as  operações  vinculadas  ao  exercício  da  atividade  contemplada no objeto social(atividade fim), como, também, outras operações realizadas com o  objetivo  de  manutenção  da  saúde  financeira  da  empresa  (atividade  meio),  devem  ser  consideradas operações necessárias à manutenção da fonte produtora;  iv.despesas  com  aluguéis  de máquinas  e  equipamentos  apontadas  na Conta  43101.003  "  Alugueis  de  Máquinas  e  Equipamentos"  dizem  respeito  a  bens  diretamente  aplicados no processo produtivo;  v.despesas relacionadas à prestação de serviços de locação de mão de obra e  de  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  indicadas  nas  contas  42101.010  "  Serviços  Terceirizados  PJ"  e  “43100.004  Serviços  de TercManutenção"  estão  diretamente  atreladas  à  manutenção do processo produtivo;  vi.despesas decorrentes da prestação de serviços de conservação e limpeza do  pátio industrial dão direito à  tomada de crédito da contribuição ao PIS e Cofins porque estão  atreladas  ao  seu  processo  produtivo,  pois  a  salubridade  do  pátio  industrial  da  Recorrente  é  imprescindível ao funcionamento de seu maquinário  Pela  Resolução  3201000.506  a  Turma  Julgadora  decidiu  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  Recorrente  esclarecese  como  os  serviços  de  limpeza  compõem  o  seu  processo  produtivo,  no  sentido  afirmado,  de  que  seriam  essenciais  à  manutenção de seu maquinário e à produção.  Em resposta à intimação, manifestou­se Recorrente, no seguinte sentido:  Fl. 10513DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16095.720244/2013­63  Acórdão n.º 3201­002.094  S3­C2T1  Fl. 98          11     Fl. 10514DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     12     A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, manifestou­se pela recusa  da  aceitação  dos  créditos  referentes  os  serviços  de  limpeza,  considerando­se  que  a  condição  expressamente prevista na lei é que somente geram direito a crédito de PIS e Cofins o bem ou  serviço  “utilizado”  na  prestação  de  serviços  ou  na  produção  e  fabricação  de  produtos,  de  maneira que quaisquer custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não  geram direito de crédito com base no dispositivo.   Os serviços de conservação e limpeza não se enquadram na definição contida  no dispositivo legal, porque são despesas são realizadas posteriormente à prestação do serviço  e se tratam de despesas periféricas à prestação de serviço, não sendo utilizados na produção em  si.  É o relatório.  Voto             Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora   O presente  recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele  tomo conhecimento.   Preambularmente,  relevante  se  faz  discorrer  sobre  as  peculiaridades  da  técnica da não­cumulatividade, aplicada às contribuições sociais ao PIS e à Cofins.   Em consonância com as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03, no procedimento  de  apuração  de  créditos,  deve­se  localizar  valores  passíveis  de  creditamento  dentre  as  aquisições do contribuinte, aplicando­se a alíquota das contribuições sociais, sendo o resultado  subtraído do saldo a pagar.  Observe­se que o critério material dessas contribuições refere­se à apuração  de receitas do contribuinte, o que desde logo lhes confere um raio de abrangência muito maior  que  a  do  IPI,  que  se  restringe  aos  produtos  industrializados,  considerando­se  que  as  contribuições,  da  mesma  forma,  incidem  sobre  receitas  decorrentes  de  comercialização,  financeiras e de serviços.  Vale, da mesma forma, observar que a técnica da não­cumulatividade atinge  contornos  distintos mesmo  se  comparada  à  aplicada  ao  ICMS e  ao  IPI,  pois,  embora  ambos  adotem a sistemática para apuração de créditos de "imposto contra imposto", no caso do ICMS,  a legislação permite a eliminação da cumulatividade residual da cadeia, em grau muito maior,  como por  exemplo,  permitindo  o  creditamento  sobre bens  de  capital,  o  que  torna o  imposto  estadual o modelo brasileiro que mais se aproxima do IVA europeu.  Fl. 10515DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16095.720244/2013­63  Acórdão n.º 3201­002.094  S3­C2T1  Fl. 99          13 A  técnica  da  não­cumulatividade  aplicada  ao  PIS  e  à  Cofins,  é  bastante  distinta dos demais  tributos  indiretos,  a  começar  pelo  fato de que  sua  apuração  ser de  "base  contra base", além de que, ao levar em consideração em seu cálculo a grandeza "receita", ora se  assemelha a um tributo sobre a renda, ora, sobre o dispêndio da renda, ou, o seu consumo.   Essas ponderações são ponto de partida para a discussão sobre o conceito de  “insumos”  para  efeitos  de  creditamento  das  contribuições,  cujo  alcance  semântico  é,  ainda  hoje,  definido  pelo Fisco,  com  fulcro  na  legislação  do  IPI,  que  o  vincula  a matérias­primas,  produtos intermediários e materiais de embalagem.   Destarte, dentre as hipóteses de creditamento das contribuições, o inciso II do  artigo  3º  das  Leis  nº  10.637/02  e  n°  10.833/03  admite­se  o  desconto  de  créditos  sobre  as  aquisições de insumos empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação  de serviços.  Por força da edição de diversos atos normativos, especialmente as Instruções  Normativas SRF nº 247/02 e nº 404/04, amesquinhou­se o conteúdo semântico de “insumo”,  para restringi­lo àquelas matérias­primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, e  aos serviços prestados, aplicados e/ou consumidos na produção, e quaisquer outros bens, desde  que não contabilizados pelo contribuinte no ativo permanente, e que sofram, em função de ação  exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas.  replicando  os  vetores veiculados no Parecer Normativo COSIT n° 65/79, que trata de IPI.  Logo,  insurgiram­se os contribuintes contra tal apropriação da legislação do  IPI, para efeitos de creditamento de PIS e da Cofins, cuja racionalidade é distinta do imposto  federal  sobre  produtos  industrializados,  não  havendo  qualquer  remissão  na  legislação  das  contribuições, que fundamentem a restrição das regras, nesse sentido.   Ainda  que  o  regime  jurídico  da  não­cumulatividade  do  PIS  e  da  Cofins,  surgido com as alterações pela Emenda Constitucional n° 20/98 e pela Emenda Constitucional  n° 42/03, em seu artigo 195, § 12, da Constituição Federal, tenha delegado a sua disciplina à lei  infraconstitucional e que o legislador, por sua vez, tenha instituído um regime que peca em sua  sistematização,  abrangendo  alguns  setores  de  atividade  econômica,  restringindo  as  despesas  que dão direito ao crédito, dentre muitas outras incongruência que tornam esse regime jurídico  casuístico e assistemático, o fato é que, sendo a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas  e  recaindo  o  IPI  sobre  o  consumo,  restrito  à  etapa  de  industrialização  do  produto,  desde  sempre,  os  critérios  para  disciplina  de  cada  qual,  caminharão  por  sendas  diversas,  pois  são  marcados por racionalidades distintas.   Por essa razão, a jurisprudência administrativa, invariavelmente, tem afastado  o entendimento restritivo atribuído à matéria, rechaçando o tratamento tributário dado ao IPI,  para ampliá­lo, ora alargando o conceito para aproximá­lo ao regime jurídico de deduções do  imposto sobre a renda, ora intentando encontrar um caminho intermédio.   Nesse sentido, trilha a jurisprudência administrativa para, a partir do processo  produtivo  de  determinado  contribuinte,  depreender  as  atividades  essenciais  e  insumos  necessários  à  sua  realização,  determinar  quais  estariam  vinculadas  os  custos  e  despesas  que  possibilitariam a utilização do crédito.  Fl. 10516DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     14 Da mesma forma, segue a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que  estabeleceu que o  conceito de  “insumo” para  fins de  tributação pelo PIS e pela Cofins  seria  atrelado  à  “essencialidade”,  não  se  vinculando  nem  à  legislação  do  IPI,  nem  a  o  IRPJ,  conforme se noticiou do julgamento do RESP 1246317/MG, da relatoria do Ministro Campbell  Marques,  que  afastaria  a  possibilidade  de  interpretação  do  conceito  de  insumo  para  fins  de  aproveitamento de créditos de PIS e da Cofins com base em conceitos extraídos da legislação  do IPI e do IRPJ, adotando o critério da essencialidade, no sentido de que o insumo deve ser  essencial  para  o  processo  produtivo  ou  para  a  prestação  de  serviços.  O  julgado  é  assim  ementado ( com grifos nossos):   PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538,  PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.  98/STJ.  CONTRIBUIÇÕES  AO  PIS/PASEP  E  COFINS  NÃO­ CUMULATIVAS.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004.  1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma  suficientemente  fundamentada  a  lide,  muito  embora  não  faça  considerações  sobre  todas  as  teses  jurídicas  e  artigos  de  lei  invocados pelas partes.  2. Agride o  art.  538,  parágrafo  único,  do CPC, o  acórdão que  aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente  com  o  propósito  de  prequestionamento.  Súmula  n.  98/STJ:  "Embargos  de  declaração  manifestados  com  notório  propósito  de prequestionamento não têm caráter protelatório".  3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa  SRF n. 247/2002 ­ Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa  SRF  n.  358/2003)  e  o  art.  8º,  §4º,  I,  "a"  e  "b",  da  Instrução  Normativa  SRF  n.  404/2004  ­  Cofins,  que  restringiram  indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003,  respectivamente,  para  efeitos  de  creditamento  na  sistemática  de  não­cumulatividade  das ditas contribuições.  4.  Conforme  interpretação  teleológica  e  sistemática  do  ordenamento  jurídico  em  vigor,  a  conceituação  de  "insumos",  para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da  Lei  n.  10.833/2003,  não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  posto  que  excessivamente  restritiva.  Do  mesmo  modo,  não  corresponde  exatamente  aos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto de Renda ­ IR, por que demasiadamente elastecidos.  5.  São  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002, e art. 3º,  II, da Lei n. 10.833/2003,  todos aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo  produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção,  isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica  Fl. 10517DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16095.720244/2013­63  Acórdão n.º 3201­002.094  S3­C2T1  Fl. 100          15 em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  ou  serviço  daí  resultantes.  6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros  alimentícios  sujeita,  portanto,  a  rígidas  normas  de  higiene  e  limpeza.  No  ramo  a  que  pertence,  as  exigências  de  condições  sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria  impossibilidade  da  produção  e  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  resultante.  A  assepsia  é  essencial  e  imprescindível  ao  desenvolvimento  de  suas  atividades.  Não  houvessem  os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação  de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para  o  consumo.  Assim,  impõe­se  considerar  a  abrangência  do  termo  "insumo"  para  contemplar,  no  creditamento,  os  materiais  de  limpeza  e  desinfecção,  bem  como  os  serviços  de  dedetização  quando aplicados no ambiente produtivo de empresa  fabricante  de gêneros alimentícios.  7. Recurso especial provido.  (REsp  1246317  /  MG,  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda Turma)  No  voto  do  relator,  alguns  pontos  são  merecedores  de  destaque,  especialmente por convergirem com o entendimento ora expendido:   Por sua vez, a não­cumulatividade da contribuição ao Pis e da  Cofins  instituída  pelas  Leis  10.637  e  10.833  ­  ainda  que  a  expressão  utilizada  pelo  legislador  seja  idêntica  ­  apresenta  perfil  totalmente diverso daquela pertinente ao  IPI,  visto que a  previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados  bens  e  serviços  suportados  pela  pessoa  jurídica  dos  valores  a  serem  recolhidos  a  título  dessas  contribuições,  calculados  pela  aplicação  da  alíquota  correspondente  sobre  a  totalidade  das  receitas  por  ela  auferidas.  Como  se  verifica,  na  técnica  de  arrecadação  dessas  contribuições,  não  há  propriamente  um  mecanismo  não­cumulativo,  decorrente  do  creditamento  de  valores  das  entradas  de  bens  que  sofrerão  nova  incidência  em  etapa  posterior  da  cadeia  produtiva,  nos  moldes  do  que  existe  para aquele  imposto  (IPI). Considera­se,  ainda, que a hipótese  de  incidência  dessas  contribuições  leva  em  consideração  "o  faturamento mensal,  assim  entendido  como o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil " (artigos 1º das Leis ns.  10.637/02  e  10.833/03).  Ou  seja,  esses  tributos  não  têm  sua  materialidade  restrita  apenas  aos  bens  produzidos, mas  sim  à  aferição  de  receitas,  cuja  amplitude  torna  inviável  a  sua  vinculação  ao  valor  exato  da  tributação  incidente  em  cada  etapa anterior do ciclo produtivo.  [...]Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas  sim  o  processo  produtivo  de  um  determinado  produtor  ou  a  atividade­fim de determinado prestador de serviço.  Fl. 10518DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     16 Sendo  assim,  o  que  se  extrai  de  nuclear  da  definição  de  “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 ­ PIS  e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 ­ COFINS é que:  1º ­ O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na  prestação  do  serviço  ou  na  produção,  ou  para  viabilizá­los  (pertinência ao processo produtivo);   2º  ­  A  produção  ou  prestação  do  serviço  dependa  daquela  aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º ­ Não se  faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em  contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto  no processo produtivo)  Não se deve olvidar que o  tema debatido no presente  recurso especial, qual  seja, o "conceito de insumo tal como empregado nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 para o fim de  definir o direito (ou não) ao crédito de PIS e COFINS do valores incorridos na aquisição" está  submetido  ao  rito  do  art.  543­C,  do  CPC,  nos  autos  do  REsp  nº  1.221.170,  de  relatoria  do  Ministro  Napoleão  Nunes  Maia  Filho,  sob  o  número  780  da  lista  de  recursos  especiais  repetitivos, em como é objeto de repercussão geral, da mesma forma pendente de apreciação  pelo STF, Não obstante, o extenso e brilhante voto em referência, além das razões já expostas,  discorre  sobre  diversos  aspectos  da  própria  legislação  do  regime  não­cumulativo  para  as  contribuições sociais, para demonstrar o seu maior escopo em relação ao IPI, a começar pela  inclusão  dos  serviços,  além  de  expressamente,  a  legislação  mencionar  expressamente  a  possibilidade  de  creditamento  relativo  a  insumos  que  não  se  agregam  ao  produto  ou  são  consumidos na sua produção, como o caso de combustíveis.   Em  síntese,  valeu­se  desse  extenso  intróito  para  fixar  a  premissa  que  deve  nortear a análise do direito creditório, que discrepa da orientação do Fisco, e, por conseguinte,  da decisão recorrida, além de implicar na conclusão inexorável de que o conceito de insumos  no universo da não ­cumulatividade do PIS e da Cofins, por levar em conta o conceito aberto  de  "essencialidade",  determinará  que  na  análise  do  direito  creditório  debruce­se  sobre  a  especificidade do processo produtivo de cada contribuinte.  Finalmente, não é demais se frisar que os demais vetores que devem permear  os processos administrativos de análise do direito creditório, com a inversão do ônus da provas  para os contribuintes, mantêm­se incólumes na não ­cumulatividade do PIS e da Cofins.   Assim, passa­se a analisar o caso concreto.   A  Recorrente  pleiteia  o  direito  aos  créditos  referentes  ao  regime  não­ cumulativo de PIS e Cofins, referente às seguintes despesas:   Das Despesas com Alugueis de Máquinas e Equipamentos  Conforme se depreende da decisão recorrida, foram reconhecidos os créditos  relativos às empilhadeiras, por expressa previsão legal, porém, mantidas as glosas referentes à  locação de máquinas de café e veículos.   Embora  no  recurso  voluntário,  a  Recorrente  insurja­se  contra  a  glosa  das  empilhadeiras, é certo que estes foram reconhecidos.   Não  obstante,  com  relação  aos  demais  créditos  sob  essa  rubrica,  fogem  ao  conceito  de  "insumo",  premissa  do  presente  voto,  por  não  se  demonstrar  essas  despesas  estarem atreladas ao processo produtivo da empresa.  Fl. 10519DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16095.720244/2013­63  Acórdão n.º 3201­002.094  S3­C2T1  Fl. 101          17 Das  Despesas  com  Serviços  de  Terceirização  de  Mão­de­Obra  e  de  Manutenção das Maquinas e Equipamentos  Em  relação  às  despesas  em  referência,  a  decisão  recorrida  glosou  créditos  relativos a os serviços prestados pela empresa de trabalho temporário, por se entender não se  enquadrar no conceito de insumo, visto que as atividades de agenciamento e de locação de mão  ­de  ­obra  não  seriam  aplicadas  diretamente  na  produção  de  bens  e  não  a  prestação  de  um  serviço consumido ou aplicado nas atividades produtivas.  Quanto aos serviços de manutenção realizados em máquinas e equipamentos  utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, reconhece­se o crédito correlato, se  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto.   Contudo,  na  notas  fiscais  apresentadas  relativas  à  conta  “SERVIÇOS  DE  TERCMANUTENÇÃO”  (43100.004),  verificou­se  que  existem  algumas  despesas  de  manutenção que não se relacionam diretamente com o processo produtivo da empresa, e que,  portanto,  não  geram  créditos  de  PIS  e  COFINS,  tais  como  serviço  de  encadernação,  desinsetização (cozinha), seviço auxiliar construção civil, sendo, portanto, objeto de glosa.  Em  sua  defesa,  a  Recorrente  cingiu­se  a  alegar  que  todas  as  despesas  relacionadas  ao  processo  produtivo  dão  direito  ao  crédito,  sem  fazer  qualquer  prova  ou  demonstração de como as despesas glosada vincular­ se­ iam ao processo produtivo, de sorte  que deve, sendo seu ônus essa comprovação, devem ser mantidas referidas glosas.  Das Despesas com Serviços de Conservação e Limpeza   Finalmente,  em  relação  aos  serviços  de  conservação  e  limpeza,  que  foram  objeto da resolução,  tem­se que a decisão recorrida negou o crédito sob o argumento de que,  em função de um conceito amesquinhado de "insumo" para efeitos de creditamento de PIS e de  Cofins,  atualmente  empregado  pela  Administração  Pública  Federal,  embora  o  serviço  de  Conservação  e  Limpeza  seja  considerado  pela  empresa  como  necessário  à  produção,  não  é  aplicado ou consumido diretamente na produção de bens ou prestação de serviços.   Contudo,  conforme  amplamente  se  discorreu  anteriormente,  a  premissa  da  qual  se  parte  é  distinta,  ao  se  fixar  um  conceito  de  "insumo"  atrelado  à  "essencialidade"  no  processo produtivo.  Nesse contexto, em resposta à diligência, na qual se pediu o esclarecimento  do alcance dos serviços de limpeza, acostou­se diversas notas fiscais de prestação de serviços  de limpeza, e, mais importante, esclarecimentos do engenheiro responsável pela produção, nos  seguintes termos:  Fl. 10520DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     18   Fl. 10521DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16095.720244/2013­63  Acórdão n.º 3201­002.094  S3­C2T1  Fl. 102          19     A  leitura  dos  referidos  esclarecimentos  demonstram  que  não  se  tratam  os  serviços  de  limpeza  em  referência,  de meros  serviços  periféricos  ou  posteriores  ao  processo  produtivo, mas o compõem e, ademais, prestam­se à própria manutenção de equipamentos de  produção, viabilização e otimização do processo produtivo, devendo, por conseguinte,  serem  reconhecidos os créditos correlatos.   Em  face  do  exposto,  dou  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  reconhecer os créditos relativos aos serviços de conservação e limpeza.    (assinado digitalmente)  Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo                          Fl. 10522DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     20   Fl. 10523DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 23/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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Numero do processo: 10925.002183/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer o direito ao crédito (i) na aquisição da amônia e outros insumos (ii) de combustíveis e lubrificantes, (iii) de peças de reposição e (iv) das embalagens de apresentação. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito em relação aos serviços especificados no Arquivo 6.A, exceto para serviços de armazenagem de resíduos, reforma câmara estocagem, tratamento de efluentes, manutenção de câmara fria, instalações e montagens de equipamentos, no valor de R$ 125.790,88, conforme planilha inserida no voto, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que reconheciam o direito de crédito para outros serviços não diretamente ligados ao processo produtivo propriamente dito. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de Embalagem de Transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro o Walker de Araújo. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para os fretes sobre venda de produto acabado e produto agropecuário. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com frete (i) de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta; (ii) de remessa e retorno à análise laboratorial e (iii) de remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção. Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com frete (i) na transferência entre os Centros de Distribuição, (ii) produto acabado, (iii) transferência do produto agropecuário para revenda (iv) venda locais presumidos e v) aquisição de material para uso e consumo. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com fretes na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com frete intitulado "Consignação", vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com fretes (i) na aquisição de produto agropecuário para revenda, (ii) na aquisição de ativo imobilizado (iii) na devolução de vendas (iv) de remessa e retorno de armazenagem de produtos acabados e (v) fretes diversos. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação ao frete na devolução de vendas. Por unanimidade de votos, em manter a glosa em relação à depreciação da MAQUINA PAIETVZADORA WLP- 150 NT-.41508 SERRAL60DA0 MAQUINAS LTDA (fotos 6 e 7), MAQUINA PALETIZADORA SMLP-150 COM RAMPA-NF- 46231-SERRALGODAO COM.LTDA (foto 17), PALETEIRA l-IYSTER MOD.B60Z,GARFOS 4SX27,BATERIA TRACIONARIA- NF-25272-NACCO MA (foto 18), EMPILHADEIRA YALE MPE060E/6697D COM TRESBATER1AS E UM CARREGADOR-NF-312-MACRO (foto 19), BALANÇA ROD.CFE.NT: 12049 SATURNO BALANÇAS RODOVIÁRIAS (foto 26 e 27), EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MOD:FME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E (foto 42). (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 3          2 As  despesas  com  fretes  entre  estabelecimentos  do  mesmo  contribuinte  de  produtos  acabados,  posteriores  à  fase  de  produção,  não  geram  direito  a  crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não­cumulativos.  CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS.  Os  custos  com  fretes  entre  estabelecimentos  do mesmo  contribuinte  para  o  transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito  a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não­cumulativos.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Direito Creditório Reconhecido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  reconhecer o direito ao crédito (i) na aquisição da amônia e outros insumos (ii) de combustíveis  e lubrificantes, (iii) de peças de reposição e (iv) das embalagens de apresentação.  Por  maioria  de  votos,  em  reconhecer  o  direito  de  crédito  em  relação  aos  serviços  especificados  no  Arquivo  6.A,  exceto  para  serviços  de  armazenagem  de  resíduos,  reforma câmara estocagem, tratamento de efluentes, manutenção de câmara fria, instalações e  montagens de equipamentos, no valor de R$ 125.790,88, conforme planilha inserida no voto,  vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que  reconheciam  o  direito  de  crédito  para  outros  serviços  não  diretamente  ligados  ao  processo  produtivo propriamente dito.  Por  maioria  de  votos,  em  reconhecer  o  direito  de  crédito  na  aquisição  de  Embalagem  de  Transporte,  vencidos  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Relator,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar  e  Ricardo  Paulo  Rosa.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor o Conselheiro o Walker de Araújo.  Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para os fretes  sobre venda de produto acabado e produto agropecuário.  Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com  frete  (i)  de  transferência  de  leite  "in  natura"  dos  postos  de  coleta  até  os  estabelecimentos  industriais  e  entre postos  de  coleta;  (ii) de  remessa  e  retorno  à  análise  laboratorial  e  (iii)  de  remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção.   Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos  com  frete  (i)  na  transferência  entre  os  Centros  de  Distribuição,  (ii)  produto  acabado,  (iii)  transferência do produto agropecuário para revenda (iv) venda locais presumidos e v) aquisição  de material para uso e consumo.  Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com  fretes  na  aquisição  de  insumos  tributados  à  alíquota  zero,  vencidos  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Relator,  José  Fernandes  do  Nascimento  e  Ricardo  Paulo  Rosa,  designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo.  Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 4          3 Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com  frete intitulado "Consignação", vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator,  José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o  Conselheiro Walker Araújo.  Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos  com  fretes  (i) na  aquisição  de  produto  agropecuário  para  revenda,  (ii) na  aquisição  de  ativo  imobilizado  (iii)  na  devolução  de  vendas  (iv)  de  remessa  e  retorno  de  armazenagem  de  produtos acabados e (v) fretes diversos. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araújo e a  Conselheira  Lenisa  Prado  votaram  pelas  conclusões  em  relação  ao  frete  na  devolução  de  vendas.  Por unanimidade de votos,  em manter a  glosa em  relação à depreciação da  MAQUINA PAIETVZADORA WLP­ 150 NT­.41508 SERRAL60DA0 MAQUINAS LTDA  (fotos  6  e  7),  MAQUINA  PALETIZADORA  SMLP­150  COM  RAMPA­NF­  46231­ SERRALGODAO  COM.LTDA  (foto  17),  PALETEIRA  l­IYSTER  MOD.B60Z,GARFOS  4SX27,BATERIA  TRACIONARIA­  NF­25272­NACCO  MA  (foto  18),  EMPILHADEIRA  YALE MPE060E/6697D COM TRESBATER1AS E UM CARREGADOR­NF­312­MACRO  (foto 19), BALANÇA ROD.CFE.NT: 12049 SATURNO BALANÇAS RODOVIÁRIAS (foto  26  e  27),  EMPILHADEIRA  ELÉTRICA  RETRAK  STILL  MOD:FME  17  G115  SERIE:341832000829 NF:64150 E (foto 42).    (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa  Presidente    (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède  Relator  (assinado digitalmente)  Walker Araújo  Redator designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Ricardo  Paulo Rosa  (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo,  Jose  Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme  Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.  Relatório  Trata  o  presente  de  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  de  Cofins  não­ cumulativa, relativo ao terceiro trimestre de 2008, cumulado com declarações de compensação.  As glosas efetuadas pela fiscalização se referiram a:   1. Aquisições de bens para revenda sujeitos à alíquota zero;   Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 5          4 2. Aquisições de produtos não consideradas insumos: material de embalagem  de  transporte de produtos  acabados(caixas de papelão,  filme  stretch,  bobina  lisa);  produtos  à  alíquota  zero;  peças  de  manutenção  em  geral;  materiais  de  construção;  outros  itens  (bonés,  aventais, botas, luvas, cadeado, grama)  3. Aquisições de serviços não considerados insumos: conservação e limpeza,  manutenção  das  instalações  da  indústria,  carga  de  resíduos,  dedetização,  fretes  estabelecimentos;  4.  Fretes  sobre  vendas  relativos  a  transporte  entre  unidades  de  coleta  e  produção e entre produção e unidades de venda;  5. Encargos de depreciação de bens do imobilizado relativo a bens adquiridos  anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, veículos de transporte da administração, máquinas e  equipamentos  não  ligados  diretamente  à  produção  e  alguns  itens  por  falta  de  comprovação  documental;  6.  Outras  operações  com  direito  a  crédito  por  falta  de  apresentação  de  memória de cálculo do crédito;  7.  Reclassificação  de  créditos  presumidos  da  agroindústria,  inseridos  no  ressarcimento e glosados para manter apenas a possibilidade de desconto e glosa de parte dos  valores.  Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou:  1.  Ofensa  ao  princípio  da  não­cumulatividade  das  contribuições,  propugnando pela tese de que os créditos deveriam ser calculados sobre os custos e despesas  gerais  necessários  à  obtenção  da  receita,  não  podendo  ser  restringido  por  normas  infraconstitucionais;  2. Que  embora  reconhecesse  correta  a  glosa  de  aquisições  à  alíquota  zero,  cometeu  equívoco  ao  inserir  na  base  de  débitos  de  valores  relativos  a  revenda  de  produtos  sujeitos à alíquota zero;  3.  Que  dentre  os  valores  relativos  às  glosas  de  material  de  embalagem,  estavam contidos valores relativos a embalagens para apresentação;  4.  Que  as  embalagens  destinadas  apenas  ao  transporte  de  produtos  industrializados também deveriam ser consideradas como insumos;  5. Que os produtos glosados como insumos adquiridos à alíquota zero foram,  de fato, tributados e se inserem no conceito de insumos;  6. Que as peças de reposição em geral se referiam à manutenção de máquinas  e equipamentos da linha de produção;  7.  Que  os  combustíveis  e  lubrificantes  glosados  foram  utilizados  em  geradores de energia e empilhadeiras utilizadas no setor produtivo;  Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 6          5 8. Que os produtos de limpeza foram utilizados em máquinas e equipamentos  da  área  produtiva;  que  os  demais  produtos  glosados  como  insumos  foram  utilizados  no  processo produtivo, relacionando­os em planilha com descrição da utilização;  9.  Que  os  serviços  glosados  referiam­se  à  manutenção  industrial,  resfriamento do leite, dentre outras utilizações;  10.  Que  foram  glosados  indevidamente  fretes  nas  aquisições  de  insumos  e  fretes  de  transferência de  insumos  entre  a  coleta  do  leite  e  a  indústria;  que  os  fretes  entre  a  indústria e os pontos de venda deveriam ser considerados fretes sobre vendas e que o despacho  decisório desconsiderou os documentos apresentados;  13.  Que,  embora  reconhecesse  corretas  as  glosas  relativas  aos  bens  adquiridos  anteriormente  a  1º/05/2004,  aos  bens  usados,  aos  veículos  da  administração,  à  correção  monetária  do  imobilizado  e  outros,  seria  cabível  o  creditamento  quanto  aos  bens  informados na planilha anexada à impugnação referentes à máquinas e equipamentos utilizados  no processo produtivo;  Ao final, pediu o reconhecimento dos créditos a favor da recorrente.  A Quarta Turma da DRJ em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 07­23.184,  cuja ementa transcreve­se:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  ANO­CALENDÁRIO: 2007  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO,  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  COMPROVAÇÃO  DA  EXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DA  PROVA  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE  No  âmbito  específico  dos  pedidos  de  restituição,  compensação  ou  ressarcimento,  é  ônus  do  contribuinte/pleiteante  a  comprovação minudente da existência do direito creditório.  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO,  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO.   A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins,  apurados  na  sistemática  da  não­cumulatívidade,  é  estabelecida  pelo  contribuinte  por  meio  do  DACON,  não  cabendo  a  autoridade  tributária,  em  sede  do  contencioso  administrativo,  assentir  com  a  inclusão,  na  base  de  cálculo  desses  crédito,  de   custos e despesas não informados ou incorretamente informados  no respectivo DACON.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   ANO­CALENDÁRIO: 2007  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  HIPÓTESES  DE  CREDITAMENTO.  Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 7          6 A  legislação  é  exaustiva  ao  enumerar  os  custos  e  encargos  passíveis de creditamento: além dos custos com bens e serviços  tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem  destinado à venda,  somente dão direito à crédito as despesas e  os encargos expressamente previstos na legislação de regência.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  No  regime  da  não­cumulatividade,  só  são  considerados  como  insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda;  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais   como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no País,  aplicados  ou consumidos  na  produção ou  fabricação do produto.   REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  EMBALAGENS.  CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.  Apenas  as  embalagens  que  se  caracterizam  como  insumos,  ou  seja, que sofram alterações,  tais como o desgaste, o dano ou a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão  direito  a  crédito.  As  embalagens  que  não  são  incorporadas  ao  produto durante o processo de industrialização (embalagens de  apresentação),  mas  apenas  depois  de  concluído  o  processo  produtivo  e  que  se  destinam  tão­somente  ao  transporte  dos  produtos  acabados  (embalagens  para  transporte),  não  podem  gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.   REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  COM  FRETES  NA  OPERAÇÃO  DE  VENDA.  CONDIÇÕES  DE  CREDITAMENTO.  Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da  legislação,  somente  dará  direito  a  crédito  o  frete  contratado  relacionado  a  uma  "operação  de  venda",  não  gerando  crédito,  portanto,  o  frete  relacionado  ao  mero  deslocamento  dos  produtos  acabados  do  estabelecimento  industrial  até  o  estabelecimento distribuidor da empresa, onde, então, ocorrerá  a efetiva venda  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  COM  DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.   Das  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  somente  os  que  estejam  diretamente  associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito,  a  título  de  depreciação,  no  âmbito  do  regime  da  não­  cumulatividade.   Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 8          7 REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE  MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE  CREDITAMENTO.  As  partes  e  peças  adquiridas  para  manutenção  de máquinas  e  equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos,  permitindo  o  desconto  do  crédito  correspondente  da  contribuição,  devem  ser  consumidas  em  decorrência  de  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação/beneficiamento,  e,  ainda,  não  podem  representar  acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem  aplicadas.   REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  COM  COMBUSTÍVEIS  E  LUBRIFICANTES.  CONDIÇÕES  DE  CREDITAMENTO.  Somente  dão  direito  a  crédito  no  âmbito  do  regime  da  não­  cumulatividade,  as  aquisições  de  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção  ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte.  Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações  de mérito já deduzidas na manifestação de inconformidade.  Pugnou, ainda, pelo afastamento das restrições de reconhecimento do crédito  fundadas em equívocos no preenchimento do Dacon, conforme decidido em primeira instância,  relativamente ao preenchimento de fretes de aquisições de insumos na linha de serviços como  insumos e fretes sobre operações de venda, bem como dos fretes de entre os pontos de coleta e  a produção.  Na  seção  de  15/02/2012,  esta  turma  converteu  o  julgamento  em  diligência  para:  1.  Estornar  os  valores  relativos  às  revendas  de  produtos  sujeitos  à  alíquota  zero da base de cálculo dos débitos e apurar o saldo credor efetivo;  2. Que  a  recorrente  possa  demonstrar  efetivamente  que  embalagens  são  de  apresentação;  3.  Distinguir  as  peças  em  geral  que  são  utilizadas  em  manutenções  da  produção das que se refiram a máquinas e equipamentos que não se encontram na produção;  4.  Verificar  o  uso  da  empilhadeiras  que  utilizem  o  gás  Ultrasystem  como  combustível;  5. Verificar onde utiliza­se a amônia;  6. Demonstrar onde são aplicados os serviços em geral glosados;  Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 9          8 7.  Que  a  recorrente  demonstre  separadamente  os  valores  de  fretes  sobre  vendas, fretes sobre aquisições e fretes entre estabelecimentos;  8. Que a recorrente comprove a origem e a composição dos valores relativos  aos encargos de depreciação;  O  relatório  final  da  fiscalização  partiu  do  seguinte  quadro  de  valores  controversos, obtido do recurso voluntário e informou para cada item:  Item  Valor Controverso Inicial em Recurso Voluntário  Embalagem de apresentação  1.663.139,92  Embalagem de transporte  600.131,76  Materiais de Reposição  515.566,86  Combustíveis e Lubrificantes  34.869,88  Outros insumos  32.763,00  Serviços  559.853,45  Fretes  15.712.641,89  Encargos de depreciação  73.032,09  1. Exclusão da revenda de produtos sujeitos à alíquota zero: ocorreu aumento  no saldo de créditos presumidos, mas que não altera o saldo objeto de ressarcimento;  2.  Embalagens  de  apresentação:  a  diligência  não  reconheceu  como  de  apresentação  as  destinadas  a  "proteger  contra  o  impacto  e  sujeiras  externas,  facilitando  o  transporte  (grifei)  e  estocagem  e  expressar  as  informações  de  endereço,  SIF  e  código  de  barras", conforme própria informação da recorrente, reconhecendo o valor de R$ 1.540.782,66  e mantendo a glosa em R$ 122.357,26;  3. Materiais de reposição: a diligência reconheceu aplicáveis em máquinas e  equipamentos da produção o valor de R$ 279.674,03, porém não diretamente como insumos,  mas  como  acréscimo  ao  ativo  imobilizado,  sujeito  a  futuras  depreciações,  além  de  glosar  o  valor de R$ 8.153,04 por não identificação da função da peça;  4. Combustível  usado  nas  empilhadeiras  ­  gás Ultrasystem,  óleos,  graxas  e  demais  lubrificantes:  o  relatório  fiscal  informou  que  a  recorrente  apresentou  a  relação  dos  produtos que seriam utilizados na área de produção, conforme relatório de diligência in loco;  5.  Amônia:  o  relatório  fiscal  informou  sobre  a  utilização  de  amônia  nas  câmaras frias e em locais verificados por diligência in loco, além de outros produtos usados em  análises laboratoriais;  6.  Serviços  em  geral:  a  diligência  manteve  a  glosa  de  R$  323.680,37  por  entender  que  deveriam  ser  imobilizados  por  se  tratarem  de  reformas,  ampliações  e  modernização  de  instalações  que  aumentariam  a  vida  útil  dos  bens  e  por  não  se  possuírem  Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 10          9 relação direta com o processo produtivo; manteve a glosa de R$ 33.261,85 referente a serviços  que  não  possuem  relação  direta  com  o  processo  produtivo,  como  exames  laboratoriais  para  admissão de funcionários, radiológicos, transporte de funcionários etc;  7.  Ainda  no  tópico  "aquisições  de  serviços  como  insumos",  foi  mantida  a  glosa de R$ 19.342,27 por não se identificar a relação entre o serviço e o processo produtivo;  8. Fretes entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento que efetuou a  venda: mantida a glosa de R$ 13.253,20;  9. Fretes entre o estabelecimento adquirente e o estabelecimento revendedor,  no caso de bens adquiridos para revenda: mantida a glosa de R$ 7.600,00;  10. Fretes na aquisição de imobilizado: mantida a glosa de R$ 35.559,55;  11. Encargos de depreciação: apenas informou que a recorrente apresentou a  relação de bens e fotografias.  A  recorrente,  por  sua  vez,  manifestou­se  sobre  o  resultado  da  diligência,  alegando inconsistências e erros nas planilhas apresentadas e requerendo a inclusão de arquivos  complementares;  a  juntada  das  informações  prestadas  em  diligência  no  processo  10925.000003/2013­06,  pois  que  as  prestadas  pela  diligência  foram  parciais  e  imprecisas  quanto  à caracterização  das  embalagens para apresentação;  que  reitera a  natureza de  insumo  das  peças  de  reposição,  mas  caso  se  entenda  tratar  de  imobilizado,  que  seja  reconhecido  o  crédito sobre a depreciação.  Continuou,  alegando  que  a  diligência  comprovou  que  os  serviços  relacionados  no  item  6.a  informados  em  arquivo,  cuja  mídia  foi  juntada  ao  processo  10925.000003/2013­06  seriam  consumidos/aplicados  no  processo  produtivo  e  que  há  inexatidões  materiais  na  informação  fiscal;  e  que,caso  prevaleça  o  entendimento  de  que  compõem o ativo  imobilizado, deva ser  reconhecido o direito ao crédito  sobre a depreciação  dos  referidos;  que  o  item  6.b  ­  "demais  serviços"  são  insumos;  que  reconhece  a  não  comprovação do item 6.c ­ serviços cuja função não foi identificada.   Concernente  aos  fretes,  apresenta  várias  planilhas  discriminando  os  fretes  incorridos  e  defende  que  os  fretes  relativos  a  transferência  de  produto  acabado  ­  item  7.e,  transferência de produto acabado para revenda ­ item 7.f e compra para imobilizado ­ item 7.m  fazem jus ao creditamento.  Ao  final,  pediu  o  saneamento  das  inconsistências,  a  juntada  da  mídia  constante do processo 10925.000003/2013­06 a  este processo, que  as  intimações  recaiam no  subscritor da manifestação.  Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.  Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 11          10 O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  Inicialmente,  destaca­se  que  a  recorrente  pugna  pela  juntada  da  mídia  constante  do  processo  10925.000003/2013­06,  sob  pena  de  se  caracterizar  cerceamento  de  defesa. Porém, as provas e informações constantes no processo são suficientes à formação de  convicção  sobre  as matérias  litigadas,  como  se  demonstrará  em  cada  tópico  a  ser  abordado,  razão pela qual entendo desnecessária tal providência.  Passando,  então,  à  análise  dos  demais  pontos  controvertidos,  é  necessário  expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins não­cumulativos.   A  não­cumulatividade  das  contribuições,  embora  estabelecida  sem  os  parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto  entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em  relação  a  determinados  custos,  encargos  e  despesas  estabelecidos  em  lei.  A  apuração  de  créditos  básicos  foi  dada  pelos  artigos  3º  das  Leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003,  cujas  atuais redações seguem abaixo:  Lei nº 10.637/2002:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de  efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide  Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento)  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela  Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)  b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei  nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  III ­ (VETADO)  IV  –  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 12          11 VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda ou  na  prestação  de  serviços.  (Redação dada pela Lei  nº  11.196, de 2005)  VII ­ edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando  o  custo,  inclusive  de  mão­de­obra,  tenha  sido  suportado  pela  locatária;  VIII ­ bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei.  IX ­ energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa  jurídica  que  explore  as  atividades  de  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação  e  manutenção.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.898, de 2009)  XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  a  venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (Vigência)  Lei nº 10.833/2003:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos  calculados  em relação a:  (Produção  de  efeito)  (Vide  Medida  Provisória  nº  497,  de  2010)  (Regulamento)  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela  Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)  b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei  nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 13          12 III ­ energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica;  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à  venda ou na  prestação  de  serviços;  (Redação dada pela Lei  nº  11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros, utilizados nas atividades da empresa;  VIII ­ bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei;  IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa  jurídica  que  explore  as  atividades  de  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação  e  manutenção.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.898, de 2009)  XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  a  venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (Vigência)  A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF  nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica:  Art.  66.  A  pessoa  jurídica  que  apura  o  PIS/Pasep  não­ cumulativo  com  a  alíquota  prevista  no  art.  60  pode  descontar  créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota,  sobre os valores:  [...]  § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 14          13 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.  Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica  pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da  mesma alíquota, sobre os valores:  [...]  § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.  A  partir  destas  disposições,  três  correntes  se  formaram:  a  defendida  pela  Receita  Federal,  corroborada  em  julgamentos  deste  Conselho,  que  utiliza  a  definição  de  insumos  da  legislação  do  IPI,  em  especial  dos  Pareceres Normativos CST  nº  181/1974  e  nº  65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos  e  despesas  necessários  à  obtenção  da  receita,  em  similaridade  com  os  custos  e  despesas  dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99.  Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 15          14 Por fim, uma  terceira corrente, defende, com variações, um meio  termo, ou  seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem  deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda.  Constata­se também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria  sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verifica­se que no REsp  1.246.317­MG, de  relatoria do Ministro Mauro Campbell,  decidiu­se pela  ilegalidade parcial  do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que  trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538,   PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.  98/STJ.  CONTRIBUIÇÕES  AO  PIS/PASEP  E  COFINS  NÃO­  CUMULATIVAS.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004.   1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma  suficientemente  fundamentada  a  lide,  muito  embora  não  faça  considerações  sobre  todas  as  teses  jurídicas  e  artigos  de  lei  invocados pelas partes.   2. Agride o  art.  538,  parágrafo  único,  do CPC, o  acórdão que  aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente  com  o  propósito  de  prequestionamento.  Súmula  n.  98/STJ:  "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de  prequestionamento não têm caráter protelatório ".  3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa  SRF n. 247/2002 ­ Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa  SRF  n.  358/2003)  e  o  art.  8º,  §4º,  I,  "a"  e  "b",  da  Instrução  Normativa  SRF  n.  404/2004  ­  Cofins,  que  restringiram  indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003,  respectivamente,  para  efeitos  de  creditamento  na  sistemática  de  não­cumulatividade  das ditas contribuições.   4.  Conforme  interpretação  teleológica  e  sistemática  do  ordenamento  jurídico  em  vigor,  a  conceituação  de  "insumos",  para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da  Lei  n.  10.833/2003,  não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  posto  que  excessivamente  restritiva.  Do  mesmo  modo,  não  corresponde  exatamente  aos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto de Renda ­ IR, por que demasiadamente elastecidos.    5.  São  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002, e art. 3º,  II, da Lei n. 10.833/2003,  todos aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo  produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção,  Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 16          15 isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  ou  serviço  daí  resultantes.   6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros  alimentícios  sujeita,  portanto,  a  rígidas  normas  de  higiene  e  limpeza.  No  ramo  a  que  pertence,  as  exigências  de  condições  sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria  impossibilidade  da  produção  e  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  resultante.  A  assepsia  é  essencial  e  imprescindível  ao  desenvolvimento  de  suas  atividades.  Não  houvessem  os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação  de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para  o  consumo.  Assim,  impõe­se  considerar  a  abrangência  do  termo  "insumo"  para  contemplar,  no  creditamento,  os  materiais  de  limpeza  e  desinfecção,  bem  como  os  serviços  de  dedetização  quando aplicados no ambiente produtivo de empresa  fabricante  de gêneros alimentícios.   7. Recurso especial provido.  De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 ­ RS, decidiu­se pela legalidade  das referidas INs e do conceito restrito de insumos:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº  10.637/2002  E  10.833/2003.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  ART.  195, § 12, DA CF.   MATÉRIA  EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL.  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  SRF  247/02  e  SRF  404/04.  EXPLICITAÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMO.  BENS  E  SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE  NO  PROCESSO  PRODUTIVO.  BENEFÍCIO  FISCAL.  INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111  CTN.  1.  Inexiste  violação  do art.  535  do CPC quando o Tribunal  de  origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que  lhe  foram  submetidas,  apreciando  de  forma  integral  a  controvérsia posta nos presentes autos.  2.  “Inadmissível  recurso  especial  quanto  à  questão  que,  a  despeito  da  oposição  de  embargos  declaratórios,  não  foi  apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ).   3.  A  análise  do  alcance  do  conceito  de  não­cumulatividade,  previsto  no  art.  195,  §  12,  da  CF,  é  vedada  neste  Tribunal  Superior  sob  pena  de  usurpação  da  competência  do  Supremo  Tribunal Federal.   4.  As  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04  não  restringem,  mas  apenas  explicitam  o  conceito  de  insumos  previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.   Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 17          16 5.  Possibilidade  de  creditamento  de PIS  e COFINS apenas  em  relação  aos  os  bens  e  serviços  empregados  ou  utilizados  diretamente sobre o produto em fabricação.   6.  Interpretação  extensiva  que  não  se  admite  nos  casos  de  concessão  de  benefício  fiscal  (art.  111  do  CTN).  Precedentes:  AgRg  no  REsp  1.335.014/CE,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra  Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10.  7. Recurso especial a que se nega provimento.  Dado  o  panorama,  entendo  que  a melhor  interpretação  está  com  a  terceira  corrente, pelos motivos a seguir.  Inicialmente,  destaca­se  que  a  materialidade  do  fato  gerador  dos  tributos  envolvidos  é distinta,  isto  é,  a  incidência  sobre o produto  industrializado para o  IPI,  sobre o  lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem  sobre a receita bruta.  Esta  distinção  se  refletiu  na  redação  original  do  artigo  3º,  na  definição  das  hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes".  De  plano,  salta  aos  olhos  a  impropriedade  de  utilização  da  legislação  do  IPI  como  parâmetro,  em  razão  da  inclusão  de  serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens.  Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e  lubrificantes  na  definição  de  insumos. A  legislação  do  IPI  delimitou  o  alcance da  definição,  especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com  o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais  bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19:  Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito  presumido  da  Lei  nº  9.363,  de  1996,  as  aquisições  de  combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos  em  contato  direto  com  o  produto,  não  se  enquadrando  nos  conceitos de matéria­prima ou produto intermediário.  É  cediço  que  combustíveis  não  entram  em  contato  físico  direto  com  os  produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de  insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, conclui­se que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003,  ao  inserirem os  termos combustíveis e  lubrificantes na categoria de  insumo, estabelecem um  marco jurídico distinto da legislação do IPI.  Verifica­se que, de  fato, a própria Receita Federal  flexibilizou a questão do  contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e  nº  35/2008,  as  quais  permitem  a  dedução  de  partes  e  peças  de  reposição  de  máquinas  e  equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado:  Solução de Divergência nº 14/2007:  Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 18          17 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social  ­  Cofins     EMENTA:  Crédito  presumido  da  Cofins.  Partes  e  peças  de  reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com  a  aquisição  de  partes  e  peças  de  reposição  e  com  serviços  de  manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados  diretamente  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  pagas  à  pessoa  jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de  fevereiro  de  2004,  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados  da  Cofins,  desde  que  às  partes  e  peças  de  reposição  não  estejam  incluídas no ativo imobilizado.  Solução de Divergência nº 35/2008:  Cofins  não­cumulativa.  Créditos.  Insumos.  As  despesas  efetuadas  com a  aquisição  de  partes  e  peças  de  reposição  que  sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas  utilizadas  em  máquinas  e  equipamentos  que  efetivamente  respondam  diretamente  por  todo  o  processo  de  fabricação  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  pagas  à  pessoa  jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de  fevereiro  de  2004,  geram  direito  à  apuração  de  créditos  a  serem  descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição  não  estejam  obrigadas  a  serem  incluídas  no  ativo  imobilizado,  nos termos da legislação vigente.  Esta  distinção  fica  evidenciada  na  redação  da  Lei  nº  10.276/2001,  ao  estabelecer  o  regime  alternativo  de  crédito  presumido  de  IPI  sobre  o  ressarcimentos  das  contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias­ primas,  produtos  intermediários  e material  de  embalagem,  excluindo  a  energia  elétrica  e  os  combustíveis,  distinguindo­se  da  redação  dos  incisos  II  dos  artigos  terceiros  das  leis  instituidoras da não­cumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos.  Por  outro  lado,  a  tese  de  que  insumo  equivaleria  a  custos  e  despesas  dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura  do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se  referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as  demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelando­se, assim desnecessárias.  Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a  área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram  crédito  por  estarem  previstas  em  hipóteses  autônomas.  O  mesmo  ocorre  com  a  despesa  de  armazenagem e frete na operação de venda.  A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu  em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência:  Acórdão nº 930301.740:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 19          18 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  COFINS.  INDUMENTÁRIA.  INSUMOS.  DIREITO  DE  CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03.  Os dispêndios,  denominados  insumos, dedutíveis da Cofins não  cumulativa,  são  todos  aqueles  relacionados  diretamente  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  participem,  afetem,  o  universo  das  receitas  tributáveis  pela  referida  contribuição  social.  A  indumentária  imposta  pelo  próprio  Poder  Público  na  indústria  de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser  obrigatoriamente  cumprida  é  insumo  inerente  à  produção  da  indústria  avícola,  e,  portanto,  pode  ser  abatida  no  cômputo  de  referido tributo.   Recurso Especial do Procurador Negado.  Acórdão nº 3202001.593:  CONCEITO  DE  INSUMOS.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  CRITÉRIOS PRÓPRIOS  O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na  legislação  do  IPI  restrito  às  matérias­primas,  produtos  intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente  na  produção;  por  outro  lado,  também  não  é  qualquer  bem  ou  serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito,  nos moldes da legislação do IRPJ.   Ambas  as  posições  (“restritiva/IPI”  e  “extensiva/IRPJ”)  são  inaplicáveis  ao  caso.  Cada  tributo  tem  sua  materialidade  própria  (aspecto  material),  as  quais  devem  ser  consideradas  para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos:   o  IPI  incide  sobre  o  produto  industrializado,  logo,  o  insumo  a  ser  creditado  só  pode  ser  aquele  aplicado  diretamente  a  esse  produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas),  portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das  receitas auferidas na apuração do resultado.  No  caso  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  a  partir  dos  enunciados  prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003,  devem  ser  construídos  critérios  próprios  para  a  apuração  da  base  de  cálculo  das  contribuições.  As  contribuições  incidem   sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços,  portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens  e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no  processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final   destinado à venda, gerador das receitas tributáveis.   Recurso Voluntário parcialmente provido.  Acórdão nº 3201­001.879:  COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE.  INSUMOS. CONCEITO.  Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 20          19 O conceito de  insumos no contexto da Cofins não­cumulativa é  mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo  ser  admitido  todo  dispêndio  na  contratação  de  serviços  e  aquisição  de  bens  essenciais  ao  processo  produtivo  do  sujeito  passivo, independentemente de ter contato direto com o produto  em fabricação.  Acórdão nº 3401­002.860:  CONCEITO  DE  INSUMOS  PARA  FINS  DE  APURAÇÃO  DE  CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS.  O  conceito  de  insumo  deve  estar  em  consonância  com  a  materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a  definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam  o  conceito  da  legislação  do  IPI. Outrossim,  não  é  aplicável  as  definições  amplas  da  legislação  do  IRPJ.  Insumo,  para  fins  de  crédito  do  PIS  e  da COFINS,  deve  ser  definido  como  sendo  o  bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de  bens  ou  prestação  de  serviços,  sendo  indispensável  a  estas  atividades  e  desde  que  esteja  relacionado  ao  objeto  social  do  contribuinte.  Acórdão nº 3301­002.270:  COFINS/PIS.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  INSUMOS.  CONCEITO.   A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos  para  o  fim  de  aproveitamento  dos  créditos  da  não  cumulatividade.  Este  conceito  não  é  tão  restritivo  quanto  o  da  legislação  do  IPI  e  nem  tão  amplo  quanto  à  legislação  do  imposto de renda.   Acórdão nº 3403­003.629:  NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.  O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  COFINS  não  guarda  correspondência  com  o  extraído  da  legislação  do  IPI  (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado).  Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário  ao  processo  produtivo/fabril,  e,  consequentemente,  à  obtenção  do produto final.   Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na  prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"  deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou  fabricação  ou  à  prestação  de  serviços,  independentemente  do  contato  direto  com  o  produto  fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal  Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos  de  transformação  que  sejam  inerentes  ao  processo  produtivo  e  não  apenas  genericamente  inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria  lei e  também pelo STJ  Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 21          20 (AgRg  no  REsp  nº  1.230.441­SC,  AgRg  no  REsp  nº  1.281.990­SC),  quando  excluem,  por  exemplo,  dispêndios  com  vale­transporte,  vale­alimentação  e  uniforme  da  condição  de  insumos,  os  quais  poderiam  ser  considerados  custos  de  produção,  mas  que  somente  foram  alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de  serviços de limpeza, conservação, manutenção.  Destaca­se,  ainda,  que  determinados  custos  de  estocagem,  embora,  sejam  considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação,  pois são aplicados aos produtos já acabados.  Estabelecidas  as  premissas  acima,  passa­se  à  análise  específica  dos  pontos  controvertidos.  EXCLUSÃO DOS VALORES DE REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS  À ALÍQUOTA ZERO DA BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS  A informação fiscal destacou que a exclusão das revendas à alíquota zero em  nada alterou o saldo de créditos objeto deste pedido de ressarcimento, mas apenas aumentou o  saldo de créditos presumidos passíveis de desconto. Assim, não há reflexo deste ponto quanto  ao crédito objeto do ressarcimento.  EMBALAGEM  DE  APRESENTAÇÃO  E  EMBALAGEM  DE  TRANSPORTE  A fiscalização efetuou a glosa por entender que  as embalagens  se destinam  precipuamente ao transporte de produtos acabados nos termos do artigo 4º, inciso IV e artigo 6º  do Decreto nº 4.544/2002:  Art.  4º  Caracteriza  industrialização  qualquer  operação  que  modifique  a  natureza,  o  funcionamento,  o  acabamento,  a  apresentação ou a  finalidade do produto,  ou o aperfeiçoe para  consumo,  tal  como  (Lei  nº  4.502,  de  1964,  art.  3º,  parágrafo  único,  e  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  art.  46,  parágrafo único):  [...]  IV ­ a que  importe em alterar a apresentação do produto, pela  colocação da embalagem, ainda que em substituição da original,  salvo  quando  a  embalagem  colocada  se  destine  apenas  ao  transporte  da  mercadoria  (acondicionamento  ou  reacondicionamento); ou  Art. 6º Quando a  incidência do  imposto  estiver condicionada à  forma de embalagem do produto, entender­se­á (Lei nº 4.502, de  1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II):  I  ­  como  acondicionamento  para  transporte,  o  que  se  destinar  precipuamente a tal fim; e  II ­ como acondicionamento de apresentação, o que não estiver  compreendido no inciso I.  Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 22          21 §  1º  Para  os  efeitos  do  inciso  I,  o  acondicionamento  deverá  atender, cumulativamente, às seguintes condições:  I  ­  ser  feito  em  caixas,  caixotes,  engradados,  barricas,  latas,  tambores,  sacos,  embrulhos  e  semelhantes,  sem  acabamento  e  rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o  produto em razão da qualidade do material nele empregado, da  perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e  II ­ ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em  que  o  produto  é  comumente  vendido,  no  varejo,  aos  consumidores.  §  2º Não  se  aplica  o  disposto  no  inciso  II  aos  casos  em que  a  natureza  do  acondicionamento  e  as  características  do  rótulo  atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de  leis e atos administrativos.  §  3º  O  acondicionamento  do  produto,  ou  a  sua  forma  de  apresentação,  será  irrelevante  quando  a  incidência  do  imposto  estiver condicionada ao peso de sua unidade.  O  acórdão  de  primeira  instância manteve  a  glosa,  salientando  que  algumas  embalagens  poderiam  gerar  créditos,  mas  pela  falta  de  documentação  probatória,  tais  embalagens não poderiam ser consideradas.  Em recurso voluntário, a recorrente defende que a legislação não diferenciou  conceito  de  embalagem  de  apresentação  e  de  embalagem  de  acondicionamento,  sendo  que  ambas gerariam créditos da não­cumulatividade das contribuições.   Alegou ainda que as embalagens destinadas a transporte não são passíveis de  utilização  e  oneram  o  custo  final  do  produto,  constituindo  custo  de  aquisição  de  insumos.  Quanto  à  glosa  de  outras  embalagens  que  acondicionam  os  produtos  comercializados,  a  recorrente  entende  tratarem  de  embalagens  de  apresentação,  não  se  destinando  apenas  ao  transporte, mas garantindo a integridade dos produtos e destaque frente aos consumidores, não  sendo  passíveis  de  reutilização.  Separou  o  que  considera  embalagens  de  apresentação  ­  R$  1.663.139,92 de embalagens para transporte ­ R$ 600.131,76.  A resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar  as embalagens que fossem de apresentação. O relatório fiscal elaborado reconheceu o direito a  R$  1.540.782,66,  mantendo  a  glosa  restante  relativa  à  embalagens  que  a  recorrente  alegou  serem de apresentação, bem como a relativa às embalagens consideradas de transporte.  A  distinção  entre  embalagem  de  apresentação  e  transporte  dada  pelo  IPI  importa na caracterização da ocorrência ou não da operação de industrialização e definição da  incidência do IPI quando condicionada à forma de embalagem, ou seja, situações que não são  tratadas nas legislações do PIS/Pasep e Cofins não­cumulativos. Salienta­se que a legislação do  PIS/Pasep e Cofins quando quis utilizar definições do IPI o fez expressamente, como no §3º do  artigo 10 da Lei nº 11.051/2004:  Art.  10.  Na  determinação  do  valor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida  pela pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização  Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 23          22 por  encomenda,  aplicam­se,  conforme  o  caso,  as  alíquotas  previstas: (Vigência)  [...]  §  3o  Para  os  efeitos  deste  artigo,  aplicam­se  os  conceitos  de  industrialização  por  encomenda  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados ­ IPI. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)  Por outro lado, as IN SRF nº 247/2002, artigo 66, e nº 404/2004, artigo 8º, ao  disporem  sobre  o  conceito  de  insumo,  não  distinguiram  embalagem  para  apresentação  de  material para transporte, o que não afasta a obrigação de se analisar se o dispêndio com este  material compõe ou não o processo produtivo, no sentido de lhe ser inerente ou essencial.  As embalagens referentes a caixas de papelão referidas pela informação fiscal  foram descritas pela recorrente, como destinadas à proteção contra impactos, sujeiras externas  e facilitando o transporte, confirmando a função precípua de transporte e armazenamento dos  produtos acabados, não integrando o processo produtivo, mas a fase seguinte de estocagem e  acondicionamento para remessa.   Na mesma função estão as embalagens já reconhecidas pela recorrente como  de transporte.   Portanto,  são  admissíveis  os  créditos  de  R$  1.540.782,66,  relativos  às  embalagens.  PEÇAS EM GERAL PARA REPOSIÇÃO  A  resolução  que  deferiu  a  diligência  requereu  que  fosse  discriminado  que  peças  teriam  sido  utilizadas  em  manutenções  e  que  peças  não  teriam  sido  utilizadas.  A  diligência  concluiu  que  do  valor  de  R$  515.566,86  glosados,  R$  279.674,03  se  referiam  à  manutenção de máquinas e equipamentos, mas que, aparentemente, pela natureza, teriam sido  considerados como acréscimos na vida útil dos equipamentos superior a um ano, nas máquinas  e  equipamentos  usados  na  industrialização  e  que  deveriam  ser  contabilizados  no  Ativo  Imobilizado para futuras depreciações. Além disso, glosou R$ 8.153,04 relativos a bens para os  quais a recorrente não demonstrou sua função.  Por  seu  turno,  a  recorrente  confirma  a  não  demonstração  de  utilização  em  processo produtivo dos bens no valor de R$ 8.153,04 e quanto ao valor que deveria ser ativado,  caso este entendimento prelaveça, que seja reconhecido o direito à apropriação de créditos por  depreciação.   A acusação fiscal se funda no artigo 346 do Decreto nº 3.000/1999 dispõe:  Art.  346. Serão admitidas,  como custo ou despesa operacional,  as  despesas  com  reparos  e  conservação  de  bens  e  instalações  destinadas a mantê­los em condições eficientes de operação (Lei  nº 4.506, de 1964, art. 48).  § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes  e  peças  resultar  aumento  da  vida  útil  prevista  no  ato  de  aquisição  do  respectivo  bem,  as  despesas  correspondentes,  quando  aquele  aumento  for  superior  a  um  ano,  deverão  ser  Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 24          23 capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras  (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único).  §  2º  Os  gastos  incorridos  com  reparos,  conservação  ou  substituição de partes e peças de bens do ativo  imobilizado, de  que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser  incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo  valor  contábil,  no  novo  prazo  de  vida útil  previsto  para  o  bem  recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá:  I  ­ aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte  não  depreciada  do  bem  sobre  os  custos  de  substituição  das  partes ou peças;  II ­ apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e  o valor determinado no inciso anterior;  III ­ escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de  resultado;  IV ­ escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do  ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor  contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto.  §  3º  Somente  serão  permitidas  despesas  com  reparos  e  conservação  de  bens  móveis  e  imóveis  se  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização  dos  bens  e  serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III).  Assim, as despesas de manutenção que acarretem o aumento da vida útil do  bem,  prevista  na  data  de  sua  aquisição  deve  ser  ativada  e  sujeita  a  depreciações  futuras.  A  motivação da autoridade fiscal foi a seguinte:  "Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 3  a  –  Peças  e  materiais  de  rep.aplic.manut.maq.e  equipamentos.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de  máquinas  e  equipamentos,  aparentemente  teriam  sido  considerados  como  insumos  equipamentos,  aparelhos  ou  peças  que  pela  natureza  acresceriam  vida  útil  superior  a  1  ano  as  máquinas  e  equipamentos  usados  na  industrialização  de  seus  produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente  a  conta de despesa  e,  portanto  computadas  na  base de  cálculo  dos  créditos  das  contribuições  Pis  e  Cofins,  mas  deveriam  ser  contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações."  Entendo que a motivação é por demais sucinta e sem comprovação, ainda que  indiciária,  do  aumento  de  vida  útil,  pois  não  evidencia  como  ocorreria  o  aumento,  transparecendo,  inclusive  falta  de  convicção  na  alegação,  ao  afirmar  que  "aparentemente"  teriam sido considerados insumos que acresceriam vida útil.  Neste sentido, citam­se acórdãos:  Acórdão nº 1401­000.769:  GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM  Não  comprovado,  pelo  Fisco,  que  o  bem  teve  sua  vida  útil  Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 25          24 aumentada  em  mais  de  um  ano,  são  admitidos  como  despesas  operacionais  os  gastos  com  reparos,  destinados  a mantê­lo  em  condições normais de funcionamento. Ainda que se comprovasse  o  aumento  da  vida  útil  dos  bens,  estar­se­ia  diante  da  inobservância  do  regime  de  competência,  vez  que  deveria  ser  reconhecido  o  direito  de  deduzir  as  despesas  por  meio  de  depreciação. Nestes casos, o procedimento que deve ser adotado  pela  Autoridade  Fiscal  é  o  disposto  no  Parecer  Normativo  COSIT  nº  02/96,  sob  pena  se  exigir  o  recolhimento  do  tributo  que  se  sabe  será  restituído,  vez  que  a  empresa  terá  direito  a  apropriar as depreciações daqueles bens ativados.  Acórdão nº 1302­00.463:  DESPESAS  COM  REPAROS  E  CONSERVAÇÃO.  ATIVAÇÃO.  No  caso  de  despesas  com  reparos  e  conservação  de  bens,  a  capitalização  dos  montantes  correspondentes  só  deverá  ser  efetivada se dos reparos ou da conservação resultar aumento da  vida  útil  do  respectivo  bem.  Tratando­se  de  procedimento  de   ofício,  cabe  à  autoridade  fiscal  demonstrar  tal  ocorrência  e,  sendo o caso, a determinação do novo valor contábil do bem, do  novo  prazo  de  sua  vida  útil  e,  por  decorrência,  da  taxa  de  depreciação a ser utilizada.   Acórdão nº 105­17.423:  BENS  IMOBILIZÁVEIS  POR  SUA  NATUREZA  ­  Serão  admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com  reparos  e  conservação  de  bens,  de  forma  a  mantê­los  em  condições eficientes de operação. Se isso não ficar caracterizado  ou os consertos redundarem em aumento da vida útil do bem em  mais de um ano, deve­se imobilizá­lo.  Recurso de oficio conhecido e improvido.  Acórdão nº 103­22.314:  GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM  Não  comprovado,  pelo  Fisco,  que  o  bem  teve  sua  vida  útil  aumentada  em  mais  de  um  ano,  são  admitidos  como  despesas  operacionais  os  gastos  com  reparos,  destinados  a mantê­lo  em  condições normais de funcionamento.  Portanto,  considero  que  o  valor  de  R$  507.413,82  se  refere  a  custos  de  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  utilizados  na  produção,  e,  à  vista  das  premissas  anteriormente  abordadas,  devem  ser  reconhecidos  os  créditos  relativos  a  tais  dispêndios,  mantendo­se  a  glosa  referente  a R$ 8.153,04  por  falta  de  comprovação  de  sua  utilização  no  processo produtivo.  AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES  O  relatório  fiscal  informou  sobre  a  realização  de  diligência  in  loco,  cujos  conclusões  teriam  sido  relatadas  nas  fls.  1402  a  1416.  Entretanto,  verifica­se  que  tais  Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 26          25 documentos foram desentranhados, conforme termo de e­fls. 1466. Todavia, a análise de outros  processos  possibilitou  o  conhecimento  do  relatório  desta  diligência,  o  qual  confirmou  a  utilização  das  empilhadeiras  no  transporte  de  bobina  para  embalagem  de  lona  vida  do  almoxarifado  até  a  produção  e  também  de  esteira  até  o  local  de  reserva  do  leite  (chamado  quarentena).  Assim, comprovada a utilização no setor produtivo, devem ser reconhecidos  os créditos relativos a tais aquisições no valor de R$ 34.869,88.  AQUISIÇÃO DE AMÔNIA E OUTROS INSUMOS  De modo similar, o relatório fiscal informou que o relatório de diligência  in  loco constatou que a amônia é utilizada na sala de máquinas, em compressores para geração de  água fria, posteriormente utilizada na refrigeração do leite e derivados e nas câmaras frias de  maturação de queijos.   Pela  descrição,  pode­se  inferir  que  a  amônia  é  utilizada  no  processo  produtivo, devendo ser reconhecido o creditamento no valor de R$ 1.577,00.  Já os demais insumos seriam utilizados em análises laboratoriais. O relatório  de diligência fiscal informou que tais limpezas e análises são exigência do Serviço de Inspeção  Federal  ­  SIF  ­  obrigatório  para  manter  o  registro  do  produto  no  MAPA  ­  Ministério  da  Agricultura Pecuária e Abastecimento ­ MAPA e, portanto, devem ser considerados inerentes  ao processo produtivo. Neste sentido, cita­se decisão proferida pelo STJ no REsp 1.246.317, na  qual  entendeu­se  pela  possibilidade  de  creditamento  no  caso  de  limpeza  em  indústria  de  gêneros alimentícios sujeita a rígidas normas da vigilância sanitária:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538,  PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.  98/STJ.  CONTRIBUIÇÕES  AO  PIS/PASEP  E  COFINS  NÃO­  CUMULATIVAS.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004.  [...]  4.  Conforme  interpretação  teleológica  e  sistemática  do  ordenamento  jurídico  em  vigor,  a  conceituação  de  "insumos",  para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da  Lei  n.  10.833/2003,  não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  posto  que  excessivamente  restritiva.  Do  mesmo  modo,  não  corresponde  exatamente  aos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto de Renda ­ IR, por que demasiadamente elastecidos.   5.  São  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002, e art. 3º,  II, da Lei n. 10.833/2003,  todos aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo  produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 27          26 impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção,  isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  ou  serviço  daí  resultantes.  6.  Hipótese  em  que  a  recorrente  é  empresa  fabricante  de  gêneros  alimentícios  sujeita,  portanto,  a  rígidas  normas  de  higiene  e  limpeza.  No  ramo  a  que  pertence,  as  exigências  de  condições  sanitárias  das  instalações  se  não  atendidas  implicam  na  própria  impossibilidade  da  produção  e  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  resultante.  A  assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas  atividades.  Não  houvessem  os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação de microorganismos na maquinaria  e no ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para  o  consumo.  Assim,  impõe­se  considerar  a  abrangência  do  termo  "insumo"  para  contemplar,  no   creditamento, os materiais de  limpeza e desinfecção, bem como  os  serviços  de  dedetização  quando  aplicados  no  ambiente  produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios.  7. Recurso especial provido  Assim, comprovada a utilização no setor produtivo, devem ser reconhecidos  os créditos relativos a tais aquisições no valor de R$ 31.186,00.  SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ­ LINHA 03 ­ E DESPESAS  DE FRETES E ARMAZENAGEM NA OPERAÇÃO DE VENDA ­ LINHA 07  A  fiscalização  glosou  serviços  informados  na  linha  03  das  fichas  4  e  6  do  DACON  ­  Serviços  utilizados  como  insumos  ­  no  valor  de  R$  559.853,45,  relativos  a  manutenções das instalações industriais, carga de resíduos, dedetização, etc.  Em  relação  à  linha 07,  a  fiscalização  glosou R$ 15.712.641,89 por  falta de  informações  que  pudessem  relacionar  o  frete  adquirido  com  as  notas  fiscais  de  venda,  destacando  ainda  que  fretes  entre  estabelecimentos  não  podem  gerar  créditos  por  falta  de  previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância.  A  recorrente  apresentou  em  cumprimento  da  diligência,  o  detalhamento  correspondente a R$ 11.610.224,52, e­fls. 1591, enquanto a glosa total para estes dois itens foi  de  R$  16.272.495,34,  o  que  implica manutenção  da  glosa  de R$  4.662.270,82,  por  falta  de  comprovação.  Quanto  aos  serviços  utilizados  como  insumos,  a  glosa mantida  na  primeira  instância  fundamentou­se  no  fato  de  a  recorrente  não  ter  indicado  ou  explicado  em  que  consistiriam estes serviços e onde seriam aplicados.  A  recorrente  defendeu  que  tais  serviços  são  utilizados  na  manutenção  industrial,  no  resfriamento  de  leite,  análises  laboratoriais,  armazenagem,  locação  de  equipamentos industriais e outros, sendo essenciais ao processo produtivo.  A  resolução,  então,  solicitou  a  demonstração  de  que  tais  serviços  seriam  aplicados diretamente no processo produtivo dos bens destinados à venda, cujo cumprimento  resultou na Intimação Saort 2012­0542­CCV, da qual transcreve­se a parte relativa aos serviços  utilizados como insumos:  Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 28          27 "6.  QUANTO  AOS  SERVIÇOS  GERAIS,  tais  como:  ”manutenção  industrial  (de  empilhadeira,  de  equipamentos  de  queijaria,  de  caldeira,  do  setor  de  produtos  UHT,  etc),  resfriamento  do  leite,  reforma  do  equipamento  queijomatic,  dentre outros que são utilizadas nas  etapas de manipulação do  produto  dentro  da  linha  de  produção  daquelas  que  não  se  encontram dentro da linha de produção;   6.1  APRESENTAR  relação  de  todas  as  notas  fiscais  de  ENTRADA,  correspondente  aos  serviços  gerais  (item  6)  que  sejam  aplicados  diretamente  no  processo  produtivo  de  bens  destinados  à  venda,  contendo:  CPF  fornecedor/CNPJ  emissor;  nome do fornecedor; CNPJ estabelecimento de entrada; número  da  nota  fiscal;  data  da  emissão;  data  da  entrada;  CFOP;  descrição  do  serviço;  valor  total;  totalizador  ao  final  de  cada  mês; discriminar os serviços gerais utilizados na produção dos  que não se encontram na produção da empresa, por seção/setor  onde podem ser localizadas."  Em resposta, a recorrente informou ter apresentado as planilhas contendo os  serviços  utilizados  diretamente  no  processo  produtivo  ­  6.a­,  uma  planilha  com  os  demais  serviços ­ 6.b­, uma planilha com serviços cuja função não foi reconhecida ­ 6.c.  O  relatório  fiscal  resultado  da  diligência  consignou  que  no  arquivo  6.a  ­  serviços utilizados como insumos diretamente na produção ­ a  recorrente  relacionou serviços  que não possuem relação direta com o processo produtivo ou que deveriam ser amortizados por  ampliar a vida útil  em mais de um ano. Da planilha 6.b, manteve a glosa de R$ 33.261,85 e  mais R$ 19.342,27 identificados como serviços sem função identificada, da planilha 6.c.  A  recorrente propugna em sua manifestação sobre o  resultado da diligência  pela  reconhecimento  do  creditamento  sobre  os  itens  6.a  e  6.b,  reconhecendo  como  não  comprovados os serviços do item 6.c.  Relativamente  ao  aumento  de  vida  útil  dos  bens  objeto  de  reforma  ou  manutenção com fundamento no artigo 346 do Decreto nº 3.000/1999, reitera­se a necessidade  de prova do referido aumento, cujo ônus é da fiscalização, razão pela qual devem os dispêndios  serem considerados custos de produção inerentes.  Dentre os serviços relacionados no item 6.a, entendo que devem ser mantidas  as glosas relativas a serviços de manutenção na ETE e serviços de manutenção de câmara fria  para  armazenagem  de  produtos  acabados  totalizando  R$  68.015,00,  pois  que  se  referem  a  dispêndios  anteriores ou posteriores  à produção, bem como  serviços de  instalações  elétricas,  montagens  mecânicas,  locação  de  guindaste  para  instalação  de  equipamentos,  instalação  de  poço artesiano, que pertencem ao ativo permanente, totalizando R$ 31.137,88, sendo sujeitos à  depreciação  e  não  apropriados  créditos  como  insumos.  Dada  a  ausência  de  informação  detalhada sobre estas montagens e instalações, a fim de se determinar a taxa de acordo com a  IN  SRF  nº  162/1998  e  a  falta  de  demonstração  do  valor  a  ser  depreciado  pela  própria  recorrente, não há como deferir o creditamento por depreciação. As tabelas abaixo discriminam  tais glosas:  DESCRIÇÃO DO SERVIÇO   VALOR ­ R$   ARMAZENAGEM RESÍDUO INDUSTRIAL       1.085,00   REFORMA CÂMARA ESTOCAGEM       4.000,00   Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 29          28 SERVIÇO TRATAMENTO EFLUENTES         425,00   SERVIÇO TRATAMENTO EFLUENTES         438,00   MANUT. CAMARAS FRIAS E SEUS ACESSÓRIOS      48.000,00   ARMAZENAGEM RESÍDUO INDUSTRIAL         655,00   TOTAL SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS      54.603,00   ATIVO PERMANENTE   VALOR R$   LOCAÇÃO +MOBRA GUINDASTE PE ERGUER TA       1.820,00   SERVIÇO GUINCHO P/ COLOCAR TANQUE       1.660,00   MONTAGEM MEC. TUBULAÇÕES EQUIP  9.800,00  SERVIÇO INSTALAÇÃO EQUIP ELÉTRICO  1.917,44  SERV. INST. POÇO ARTESIANO  500,00  MONTAGEM MEC. TUBULAÇÕES EQUIP  4.200,00  TRANSP E COLOCAÇÃO DE SILO  35.850,00  SERVIÇO INSTA. ELÉTRICA  3.860,11  SERVIÇO INSTA. ELÉTRICA  3.860,11  SERVIÇO INSTA. ELÉTRICA  3.860,11  SERVIÇO INSTA. ELÉTRICA  3.860,11  TOTAL ATIVO PERMANENTE      71.187,88   TOTAL DE GLOSA     125.790,88   Assim,  do  total  de  R$  506.763,49,  devem  ser  admitidos  créditos  sobre R$  380.972,61.  Concernente  ao  item  6.b  ­  tratam­se  de  serviços  relativos  a  exames  admissionais  e  demissionais  e  de  transporte  de  funcionários  que  não  possuem  inerência  ao  processo produtivo, devendo ser mantida a glosa de R$ 33.261,85.  Relativamente ao item 6.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa de  R$ 19.342,27.  Assim, quanto ao item 6 ­ serviços utilizados como insumos ­ é admissível o  creditamento sobre R$ 380.972,61.  Concernente  aos  fretes,  as  glosas  ocorreram  pela  falta  de  informações  que  pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda ou de insumos, destacando  ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por  falta de previsão  legal,  glosa  esta  mantida  na  primeira  instância  por  entender  ainda  que  a  informação  em  linha  equivocada do Dacon ensejaria a manutenção da glosa.  A recorrente defende que a glosa empreendida pelo Fisco foi arbitrária, que o  mero  equívoco  na  inserção  de  fretes  de  aquisição  de  insumos  e  transferência  de  insumos  na  linha  de  despesas  de  fretes  sobre  a  venda  não  pode  obstar  o  reconhecimento  ao  direito  creditório, e, por fim, pugnou pelo creditamento quanto aos fretes nas aquisições de insumos,  entre  transferências  de  insumos  entre  os  pontos  de  coleta  e  a  indústria,  aos  fretes  entre  a  produção e os pontos de venda e aos próprios fretes sobre a venda, solicitando ainda a baixa em  diligência, caso se entendesse que as provas juntadas fossem insuficientes.  Neste  sentido,  a  resolução  determinou  a  diligência  para  que  a  recorrente  pudesse  comprovar  os  fretes  em  operações  de  venda,  bem  como  elaborasse  demonstrativo,  separando  o  frete  sobre  a  aquisição  de  insumos,  sobre  as  operações  de  vendas  e  sobre  as  transferências entre estabelecimentos.  Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 30          29 Intimada  a  realizar  a  separação,  com  apresentação  de  documentação  probatória, a recorrente apresentou as seguintes planilhas:  a)  VENDA  PROD.  ACABADO:  Frete  na  venda  de  produtos  acabados (leite e derivados).  b)  VENDA  PROD.  AGROP.:  Frete  na  venda  de  produtos  agropecuários (ração e farelo de trigo).  c) VENDA LOCAIS PRESUMIDOS: frete entre a empresa e seus  distribuidores, para comercialização fora do estabelecimento)  d)  TRANSFERÊNCIA  CD:  Frete  na  transferência  de  produtos  acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de  Distribuição  (CNPJ  n°  83.011.247/0014­55)  localizado  na  cidade de Curitiba ­ PR.  e) TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO: Frete na transferência  de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais.   f) TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete  na  transferência  de  produtos  agropecuários  (farelo  e  farelo  de  trigo)  da  matriz  até  os  demais  estabelecimentos,  destinados  à  revenda.   g) COMPRA  INSUMOS: Frete  na  compra  de  insumos  (leite  in  natura, lenha e cavaco, embalagens, ingredientes, etc).   h) COMPRA USO E CONSUMO: Frete na compra de  insumos  (peças, etc.) classificados como de uso e consumo.   i)  TRANSFERÊNCIA  PC:  Frete  na  transferência  de  leite  in  naturais  dos  Postos  de  Coleta  até  os  estabelecimentos  industriais.   j)  TRANSFERÊNCIA PC­PC:  frete  na  transferência  de  leite  in  natura entre Postos de Coleta;  k) CONSIGNAÇÃO: Frete na transferência de produtos (leite in  natura e manteiga) do estabelecimento do remetente (fornecedor)  até  o  estabelecimento  destinatário  (prestador  de  serviço  de  armazenagem  e/ou  resfriamento),  tendo  a  TIROL  como  consignatário arcado com o ônus da operação.  l) COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na compra de  produtos  agropecuários  (farelo  de  soja,  farelo  de  trigo,  ração,  sal mineral, calcário, suplementos para ração, etc), destinados à  revenda aos produtores de leite.  m) COMPRA IMOBILIZADO: Frete na compra de bens para o  ativo imobilizado.   n)  DEVOLUÇÃO  DE  VENDAS:  Frete  referente  devolução  de  venda de produtos acabados (leite longa vida, manteiga, etc).  Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 31          30 o)  REMESSA  ARMAZENAGEM:  frete  de  produtos  (queijos  e  manteiga)  do  estabelecimento  industrial  para  estabelecimentos  de terceiros.  p)  RETORNO  ARMAZENAGEM:  frete  de  produtos  acabados  para armazenagem em estabelecimentos de terceiros  q)  REMESSA  ANÁLISE:  Frete  na  remessa  de  amostras  de  produtos  (leite  in  natura)  dos  estabelecimentos  industriais  ou  postos  de  coleta  da  empresa  para  análise  em  estabelecimentos  terceirizados.   r) RETORNO ANÁLISE: Frete no retorno de caixas/vasilhames  nos  quais  foram  remetidas  as  amostras  de  produtos  (leite  in  natura) para análise em estabelecimentos terceirizados.  s) REMESSA  CONSERTO:  Frete  na  remessa  de  bens  (prensa,  cilindro, pistão, etc.) para conserto.   t) RETORNO CONSERTO: Frete no retorno de bens (filadeira,  etc.) remetidos para conserto.  u) DIVERSOS: Outros fretes não enquadrados nas classificações  acima.  O  relatório  final  da  diligência  abordou  apenas  os  fretes  relacionados  nas  planilhas  TRANSFERÊNCIA  PROD. ACABADO,  TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP.  P/  REVENDA e COMPRA IMOBILIZADO, entendendo pela impossibilidade de creditamento.  Em  manifestação  ao  relatório  final  de  diligência,  a  recorrente  reafirma  o  direito  ao  creditamento,  seja  como  frete  na  aquisição  de  insumos,  seja  como  fretes  sobre  vendas.  Inicialmente,  salienta­se  que,  embora  o  relatório  seja  omisso  quanto  às  demais  planilhas,  algumas  descrições  são  suficientes  para  formação  de  convicção  quanto  à  possibilidade de creditamento.   Assim,  os  fretes  nas  aquisições  de  insumo  devem  ser  reconhecidos  por  se  tratarem  de  custo  de  aquisição,  bem  como  os  fretes  de  transferências  de  insumos  entre  estabelecimentos, por se tratarem de serviços aplicados durante o processo produtivo, incluindo  aqui os fretes entre os pontos de coleta até a produção, conforme explicitado no FLUXO DO  PROCESSO DE PRODUÇÃO NA INDÚSTRIA:  DE LACTICÍNIOS TIROL LTDA  01.1. TRANSPORTE 1º PERCURSO:  Nesta  primeira  etapa  há  o  custo  de  transporte,  que  é  o  valor  pago  ao  transportador  para  fazer  a  coleta  do  leite  na  propriedade do produtor rural e sua transferência até os postos  de resfriamento, ou dependendo da localização da propriedade e  da indústria, o leite já é transferido diretamente para a indústria,  sem passar pelo posto de resfriamento  [...]  Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 32          31 02.1. TRANSPORTE 2º PERCURSO:  Nesta segunda etapa, há custo de transporte, que é o valor pago  às  transportadoras  pelo  serviço  de  transporte  entre  o  posto  de  resfriamento e a indústria.  Neste sentido, deve ser reconhecido o direito ao creditamento das planilhas:  ­ VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP por se tratarem de  fretes sobre vendas, nos termos do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003;  ­  TRANSFERÊNCIA  PC  e  TRANSFERÊNCIA  PC­PC:  por  se  tratar  de  fretes  de  insumos  entre  estabelecimentos  da  recorrente,  caracterizando  serviços  utilizados  como insumo na produção;  ­  REMESSA ANÁLISE  e RETORNO ANÁLISE  por  se  tratar  de  serviços  utilizados como insumos no processo produtivo.  ­ REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO por se  tratar de frete  utilizado em manutenção de bens da produção, segundo informação da recorrente, não havendo  qualquer objeção no relatório fiscal da diligência;  Porém,  relativamente  às  planilhas  abaixo,  entendo  que  a  glosa  deve  ser  mantida, pelas seguintes razões:  *  VENDA  LOCAIS  PRESUMIDOS,  TRANSFERÊNCIA  CD,  TRANSFERÊNCIA  PROD.  ACABADO,  TRANSFERÊNCIA  DE  PROD.  AGROP.  P/  REVENDA,  por  se  tratarem  de  fretes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos,  sendo  classificado como despesa operacional e não como custo, além de serem anteriores à operação  de venda.  A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs  em seu  artigo 3º,  inciso  IX  sobre  a  hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação a:  (Produção  de  efeito)  (Vide  Medida  Provisória  nº  497,  de  2010)  (Regulamento)  ...  IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  Da  redação  do  inciso  destaca­se  a  expressão  “quando o  ônus  for  suportado  pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio  jurídico  de  compra  e  venda  de  mercadoria,  posto  que  não  faria  sentido  a  restrição  para  as  despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica,  não  havendo  que  se  cogitar  de  ônus  a  ser  suportado  por  um  comprador,  quando  inexiste  a  compra, nem quando se refere a operações de logística interna.  Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 33          32 Por outro lado, para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir  a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não  em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa  incorrida posteriormente ao processo produtivo.  No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citam­se os seguintes  acórdãos:  Acórdão  nº  2201­00.081,  proferido  pela  Primeira  Turma  Ordinária  da  Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento:  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  FRETE  PARA  ESTABELECIMENTO  DA  CONTRIBUINTE.  O  frete  de  mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento  da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de  previsão legal nesse sentido.  Acórdão  nº  3803­003.595,  proferido  pela  Terceira  Turma  Especial  da  Terceira Seção de Julgamento:  INSUMOS  ALCANCE  FRETE  DE  TRANSFERÊNCIA.  PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE  Por não  integrar o conceito de  insumo utilizado na produção e  nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas  efetuadas  com  fretes  contratados,  ainda,  que  pagos  ou  creditados  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  país  para  realização  de  transferências  de  mercadorias  (produtos  acabados)  dos  estabelecimentos  industriais  para  os  estabelecimentos  distribuidores  da mesma  pessoa  jurídica,  não  geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido.  Destaca­se o excerto abaixo deste acórdão:  “Destaco  que  o  frete  empregado  pela  empresa  é  de  produto  acabado  para  estabelecimento  da  mesma  empresa,  ou  seja,  de  mero  procedimento  interno  de  logística  que  constitui  despesa  operacional,  entretanto,  não  passível  de  ser  utilizada  para  creditamento  da  contribuição  para  o PIS/PASEP no  regime da  nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.”  Salienta­se que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302­002.464,  assim também se posicionou:  CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE  DE PRODUÇÃO.  As  despesas  com  fretes  entre  estabelecimentos  do  mesmo  contribuinte  de  produtos  acabados  não  geram direito  a  crédito  da não­cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins.  Portanto, incabível o creditamento relativo a tais despesas.  * COMPRA DE  INSUMOS:  a  recorrente  informou  que  tratariam  de  fretes  nas  compras  de  insumos,  entretanto  nenhuma  planilha  foi  juntada  aos  autos. Na  informação  Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 34          33 prestada, a recorrente informou que dentre os insumos adquiridos está o leite in natura, ou seja,  produto sujeito à alíquota zero, de acordo com o inciso XI do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004.  Assim, como a própria  recorrente expôs em sua peça recursal, o  frete na compra de insumos  compõe o custo de aquisição deste insumo, bem como o seguro pago pelo comprador.   A base de cálculo do crédito é composta pelo custo de aquisição e sobre este  aplica­se a alíquota a que está sujeita o produto, no caso do leite, alíquota zero. Portanto, não  há  que  se  falar  em  hipótese  autônoma  de  frete,  mas  sim  hipótese  de  creditamento  sobre  a  aquisição  de  um  insumo,  cuja  base  contém  o  frete  e  o  seguro  pagos.  Porém,  para  os  bens  sujeitos  à  alíquota  zero,  não  há  crédito  algum,  nem do  valor  do  bem,  nem de  frete,  nem de  seguro.  Destarte,  devido  à  não  comprovação  de  que  houve  aquisição  de  insumos  sujeitos à tributação, não é possível admitir o creditamento referente a este item.  * COMPRA USO E CONSUMO: a recorrente afirmou que se trata de frete  material  e  uso  e  consumo  (peças  etc),  porém  a  descrição  não  permite  a  identificação  da  natureza  da  carga  e  sua  utilização  no  processo  produtivo,  impossibilitando  o  creditamento  como insumos.  * CONSIGNAÇÃO: trata­se de custos de aquisição de leite in natura, por se  tratar de frete na transferência de leite in natura, de diversos produtores para o estabelecimento  destinatário para resfriamento, valendo as mesmas considerações tecidas para a compra de leite  in  natura,  sujeito  à  alíquota  zero.  Quanto  à  outra  hipótese  de  frete  de  manteiga  para  armazenagem,  trata­se  de  frete  de  produto  acabado,  não  havendo  previsão  legal  para  creditamento.  *  COMPRA  PROD.  AGROP.  P/  REVENDA  por  se  tratar  de  frete  na  aquisição  de  bens  para  revenda,  compondo  o  custo  de  aquisição  destes  bens,  informados  na  linha  01  do  DACON.  A  inclusão  destes  fretes  em  diligência  representa  inovação,  pois  as  alegações  no  recurso  especial  referiam  a  fretes  na  aquisição  de  insumos,  fretes  internos  de  insumos  (pontos  de  coleta  até  a  unidade  de  produção)  e  fretes  em  operações  de  venda.  A  inclusão  neste  momento  somente  seria  possível,  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material,  se  a  recorrente  comprovasse  o  erro  cometido  no  preenchimento  da  linha  01  do  DACON,  o  que  até  então  não  fora  cogitado,  nem  provado  na  diligência.  Assim,  entendo  incabível esta inovação em sede de diligência.  *  COMPRA  IMOBILIZADO,  pois  não  se  refere  a  serviços  utilizados  no  processo produtivo nem a  frete nas operações de vendas,  razão pela qual  tais aquisições não  geram créditos, ressalvada a possibilidade de creditamento sobre as futuras depreciações, desde  que relativas a bens utilizados no processo produtivo, o que, entretanto, não restou comprovado  na  diligência,  além  de  o  pedido  representar  inovação,  pois  a  defesa  inicial  pautou­se  na  existência de fretes como insumos, aquisição de insumos e sobre vendas.  *  DEVOLUÇÃO  DE  VENDAS:  a  informação  prestada  refere­se  a  fretes  sobre devoluções de leite e queijos, e consistem em despesas operacionais, sem previsão legal  para se efetuar o creditamento, além de representar inovação nas razões recursais manifestadas  em manifestação de inconformidade e impugnação, por não se tratar de frete na aquisição de  insumos, ou de transferências de insumos ou produtos acabados, nem de frete na operação de  venda.  Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 35          34 *  REMESSA  e  RETORNO  ARMAZENAGEM  por  se  tratar  de  fretes  de  produtos  acabados  entre  a  empresa  e  estabelecimento  de  terceiros  utilizados  para  armazenagem;  * DIVERSOS, pois a generalidade da descrição não permite a comprovação  de sua utilização no processo produtivo ou nas operações de venda   Assim, devem gerar créditos os fretes relativos às planilhas ­ VENDA PROD.  ACABADO, VENDA PROD. AGROP, TRANSFERÊNCIA PC, TRANSFERÊNCIA PC­PC,  REMESSA  ANÁLISE,  RETORNO  ANÁLISE,  REMESSA  CONSERTO  e  RETORNO  CONSERTO, totalizando R$ 4.493.600,64.  ENCARGOS  DE  DEPRECIAÇÃO  DOS  BENS  DO  ATIVO  IMOBILIZADO  A fiscalização glosou o creditamento sobre encargos de depreciação relativos  a  bens  adquiridos  anteriormente  a 1º/05/2004,  a bens  usados,  a veículos  da  administração,  à  correção  monetária  do  imobilizado  e  outros  bens  não  utilizados  na  linha  de  produção,  e  também relativos a bens sem comprovação documental.  A  resolução  determinou  diligência  para  que  a  recorrente  comprovasse  a  composição e origem do valor controverso remanescente após a decisão de primeira instância,  de R$ 73.032,09, devendo prestar os devidos esclarecimentos.  O relatório fiscal da diligência apenas informou que a recorrente apresentou a  planilha contendo a descrição dos bens, sua função, bem como anexou fotografias, não tendo a  recorrente se manifestado sobre este  item. Frise­se,  ainda, que  tal planilha não  foi  localizada  nos autos.  Assim,  diante  de  maiores  detalhes  no  relatório  fiscal,  ausência  de  manifestação por parte da recorrente e ausência da planilha apresentada em diligência, restou  analisar  a  planilha  apresentada  em  impugnação,  e­fls.  1.136  em  diante,  juntamente  com  as  fotografias, devendo ser mantidas as glosas relativas a: MAQUINA PAIETVZADORA WLP­  150  NT­.41508  SERRAL60DA0  MAQUINAS  LTDA  (fotos  6  e  7),  MAQUINA  PALETIZADORA  SMLP­150  COM  RAMPA­NF­  46231­SERRALGODAO  COM.LTDA  (foto 17), PALETEIRA l­IYSTER MOD.B60Z,GARFOS 4SX27,BATERIA TRACIONARIA­  NF­25272­NACCO  MA  (foto  18),  EMPILHADEIRA  YALE  MPE060E/6697D  COM  TRESBATER1AS  E  UM  CARREGADOR­NF­312­MACRO  (foto  19),  BALANÇA  ROD.CFE.NT:  12049  SATURNO  BALANÇAS  RODOVIÁRIAS  (foto  26  e  27),  EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MOD:FME 17 G115 SERIE:341832000829  NF:64150  E  (foto  42),  usados  para  transporte,  armazenamento  ou  estocagem  de  produtos  acabados, totalizando R$ 6.323,30.   Assim, fica admitido o direito ao creditamento sobre encargos de depreciação  de R$ 53.409,34.  Diante do  exposto,  voto  para  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  reconhecendo  o  direito  creditório  a  ser  apurado  sobre  aquisições  de  embalagens  de  R$  1.540.782,66, sobre aquisições de material de reposição de R$ 507.413,82, sobre aquisições de  combustíveis e lubrificantes de R$ 34.869,88, sobre amônia de R$ 1.577,00, sobre aquisições  de  outros  insumos  de  R$  31.186,00,  sobre  aquisições  de  serviços  como  insumos  de  R$  Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 36          35 380.972,61,  sobre  aquisições de  fretes de R$ 4.493.600,64 e  encargos de depreciação de R$  53.409,34, todos valores referentes a base de cálculo.           (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède Voto Vencedor  Conselheiro Walker Araujo ­ Redator designado  Em  que  pese  as  razões  arroladas  pelo  ilustre  Relator,  peço  licença  para  divergir  em  relação  ao  não  reconhecimento  de  crédito  sobre  (i)  aquisição  de  embalagem  de  transporte; (ii) frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero; e (iii) frete intitulado  como "Consignação", posto que referidos bens e serviços, por integram o processo produtivo  da Recorrente, devem ser considerados passíveis de creditamento. Vejamos:  (i) aquisição de Embalagem de Transporte  Em  síntese  apartada,  entendeu  o  ilustre  Relator  que,  por  se  tratar  de  fase  posterior ao processo produtivo da Recorrente, as embalagens utilizadas com função precípua  de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integram o processo produtivo, seja  direta ou indiretamente e, nessa condição, não geram créditos.   Por outro lado, entendeu que as embalagens de apresentação, por integram o  processo  produtivo  da Recorrente,  visto  que  por  não  se  destinarem  apenas  ao  transporte  do  produto e por alteram a apresentação do produto que embala, são passíveis de creditamento.  Nessa de linha de raciocínio, o ilustre Relator manteve a glosa relativa (i) as  embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 122.357,26, as  quais  foram  registradas  pela  Recorrente  como  de  apresentação,  (ii)  as  embalagens  de  transporte propriamente dita no montante de R$ 600.131,76, concedendo o direito  a  crédito  sobre embalagens de apresentação no valor de R$ 1.540.782,66, conforme apurado no relatório  fiscal carreada aos autos.  Ou seja, do montante de R$ 2.263.271,68 pleiteado pela Recorrente a  título  de  embalagens  de  apresentação  e  de  transporte,  foi  mantida  a  glosa  de  R$  722.489,02,  conforme se verifica no demonstrativo abaixo:  Item  Custo de Aquisição  Reconhecido  Glosado  Embalagem de apresentação  1.663.139,92  1.540.782,66  122.357,26  Embalagem de transporte  600.131,76  0,00  600.131,16  Total glosa      722.489,02  Entretanto, com todo respeito as razões adotadas pela ilustre Relator, entendo  que independentemente de serem de apresentação ou de transporte, ou por ter sido utilizada em  etapa posterior a fabricação do produto, os materiais de embalagens, seja com a finalidade de  alterar  o  produto  que  embala  ou  de  deixar  o  produto  em  condições  de  ser  estocado  e  Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 37          36 comercializado,  devem  ser  admitidos  como  insumos  de  produção  e,  consequentemente  gerar  créditos de PIS/COFINS.  Isto porque, considerando que operação realizada pela Recorrente envolve o  manuseio de produtos alimentícios, as embalagens de transporte são necessárias para proteger e  evitar  qualquer  contato  externo  com  o  produto  e  principalmente  evitar  qualquer  risco  de  contaminação.  Desta  forma,  diferentemente  do  entendimento  apresentado  pelo  d.  Relator,  este Redator entende que, para fins de apropriação de crédito do PIS e da Cofins, é irrelevante  o fato de o material de embalagem ser de apresentação ou de transporte se tais materiais são  utilizados no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições  de  ser  comercializado,  como ocorreu  com os materiais  de  embalagem destinados  à  proteção  contra impactos, sujeiras externas e facilitando o transporte, conforme devidamente explicitado  pela Recorrente em sede recursal.  Ora, se  tais materiais  representam custos  incorridos na fase de produção do  bem destinado à venda, certamente, inexiste razão plausível para excluir da base de cálculo os  referidos créditos pelo simples  fato de serem embalagens utilizadas no  transporte do referido  produto.  Portanto, além do valor  reconhecido pelo Relator a  título de embalagens de  apresentação, deve ser admitido também o crédito relativo (i) as embalagens consideradas pela  fiscalização  como  de  transporte  no  valor  de R$  122.357,26,  as  quais  foram  registradas  pela  Recorrente  como  de  apresentação,  e  (ii)  as  embalagens  de  transporte  propriamente  dita  no  montante de R$ 600.131,76.  (ii) frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero  Neste  ponto,  o  d.  Relator  afastou  o  direito  de  crédito  relativo  ao  frete  na  aquisição de produtos tributados à alíquota zero com base nos seguintes fundamentos:  A base de cálculo do crédito é composta pelo custo de aquisição e sobre este  aplica­se a  alíquota  a  que  está  sujeita  o  produto,  no  caso  do  leite,  alíquota  zero.  Portanto, não há que se falar em hipótese autônoma de frete, mas sim hipótese de  creditamento sobre a aquisição de um insumo, cuja base contém o frete e o seguro  pagos. Porém, para os bens sujeitos à alíquota zero, não há crédito algum, nem do  valor do bem, nem de frete, nem de seguro.  É  de  se  ver  que  a  fundamentação  para  manutenção  da  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  foi  no  sentido  de  que  os  bens  sujeitos  à  alíquota  zero,  cuja  base  de  cálculo do crédito já engloba o valor do frete e do seguro, não dá direito ao crédito.  Em relação à esta matéria, esta Turma já adotou posicionamento contrário ao  entendimento apresentado pelo i. Relator, por meio do acórdão nº 3302­002.922, de relatoria da  Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, o qual adoto como fundamento para solucionar  a questão sob análise, a saber:  Conforme  acima  demonstrado  a  fundamentação  da  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  prende­se  ao  fato  de  que  as  aquisições  dos  insumos  são  tributados à alíquota zero, estando em desacordo com o art. 3º, § 2°,  inciso II, da  Lei n° 10.637, de 2002.  Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 38          37 No entanto há precedente no CARF conforme Acórdão nº 3403­001.944, de  09/03/13, que confere uma outra interpretação ao dispositivo legal em destaque, a  qual me filio por entender consentânea com os objetivos visados pela lei de regência  da matéria, no tocante ao dispositivo em exame, cuja ementa a seguir se transcreve,  na parte de interesse:  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.NÃO­CUMULATIVIDADE.  SERVIÇOS  VINCULADOS  A  AQUISIÇÕES  DE  BENS  COM  ALÍQUOTA  ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação  a  serviços  sujeitos  a  tributação  (transporte,  carga  e  descarga)  efetuados  em/com  bens não sujeitos a tributação pela contribuição.  Nesse  sentido,  registro  excertos  da  referida  decisão,  nos  termos  do  voto  condutor:  A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e  afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem,  sujeito à alíquota zero (por força do art. 1º da Lei nº 10.925/2004), o que inibe o  creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da  Lei nº 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II  do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (em relação à Cofins):(grifei).  “Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a: (...)  § 2º Não dará direito a crédito o valor:(...)  II  ­  da  aquisição  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços  sujeitos  à  alíquota  0  (zero),  isentos  ou  não  alcançados  pela  contribuição.  (Incluído  pela  Lei  no  10.865,  de  2004)”(grifei).  Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento  em  relação  a  bens  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição  e  serviços  não  sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos  a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação  (o que é o caso do  presente processo). )(grifei).  Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de  que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele  associados.  Veja­se que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições  ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado  não trata desse assunto.  Portanto,  por  ser  passível  de  creditamento,  a  glosa  de  créditos  relativo  ao  frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero deve ser totalmente revertida.  (iii) frete intitulado como "Consignação"   Adoto  as  mesmas  considerações  tecidas  para  a  compra  de  leite  in  natura,  sujeito à alíquota zero.  Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002183/2009­76  Acórdão n.º 3302­003.148  S3­C3T2  Fl. 39          38 Diante do  exposto,  voto  para  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  reconhecendo  o  direito  creditório  relativo  (i)  as  embalagens  consideradas  pela  fiscalização  como  de  transporte  no  valor  de  R$  122.357,26,  as  quais  foram  registradas  pela  Recorrente  como de apresentação, e (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$  600.131,76, todos valores referentes a base de cálculo.  De  forma  ilíquida,  reconheço  o  creditamento  sobre  fretes  (i)  relativos  à  aquisição  de  produtos  sujeitos  à  alíquota  zero,  e  (ii)  dos  intitulados  como  "Consignação",  a  serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução  de Consulta Interna Cosit nº 18/2012.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Walker Araujo ­ Redator designado.                Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO

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Numero do processo: 13808.002314/00-40
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. ARTS. 52 E 33 DO DECRETO N2 70.235/72. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário deve ser interposto nos trinta dias seguintes ao do recebimento da intimação do resultado da decisão singular, sob pena de perempção. Recurso não conhecido, por intempestivo
Numero da decisão: 201-80.937
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-03T18:12:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-03T18:12:20Z; Last-Modified: 2009-08-03T18:12:20Z; dcterms:modified: 2009-08-03T18:12:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-03T18:12:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-03T18:12:20Z; meta:save-date: 2009-08-03T18:12:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-03T18:12:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-03T18:12:20Z; created: 2009-08-03T18:12:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-03T18:12:20Z; pdf:charsPerPage: 947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-03T18:12:20Z | Conteúdo => a • ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE CO:•.1 o CRIGINALa CCO2/C0 1 Ikeallia, ___,LX., a , „7,204P.1 Fls. 273 aia .5.Íg arbosa Mai . Bana 91745 MINISTÉRIO-DATAZENITA 4: : ii, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 13808.002314/00-40 Recurso n° 137.712 Voluntário cono•otes „soo ise --s as Vjit.Matéria PIS/Pasep ovme n 1 —"jii, Acórdão n° 201-80.937 ? ..---- 00' Sessão de 14 de fevereiro de 2008 Recorrente M. J. K. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida DRJ em Campinas - SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. ARTS. 52 E 33 DO DECRETO N2 70.235/72. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário deve ser interposto nos trinta dias seguintes ao do recebimento da intimação do resultado da decisão singular, sob pena de perempção. Recurso não conhecido, por intempestivo. dv9 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. léikk-' MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 13808.002314/00-40 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.937 Brasitia. „ir/ 2,Y_____12"8- Fls. 274 SiMoSarbosa Mat.: táiape 91745 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. ok,arti.a_ OSE A MAR COELHOJÁMtQUES Presidente • 01 dl it • 4L1A FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, José Antonio Francisco e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. • Processo n." 13808.002314/00-40 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.937 Fls. 275 —Lig— —27--- --_—. ::::,GUCND°ONTWNERIESCOar 0%RE C°.1GP4117aUttirES. sone(ULsa Mat . s.açie 9-1745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 204/221, vol. II) interposto por via postal em 21/09/2006 e protocolado em 25/09/2006 contra o Acórdão DRJ/CPS n' 7.591, de 29/09/2004, constante de fls. 176/189, exarado pela 5 2 Turma da DRJ em Campnas - SP e notificado por via postal em 21/08/2006 (fl. 197, v 2), que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar procedente o lançamento original de contribuição para o PIS (MPF n" 0812100/00553/00), notificado em 30/08/2000 (fls. 36/48, vol. I), no valor total de R$ 817.153,33 (PIS: R$ 362.924,66; juros de mora: R$ 182.035,34; multa proporcional: R$ 272.193,33), que em "verificações obrigatórias" acusou a ora recorrente de falta de recolhimento de PIS apurada no período de 31/01/96 a 31/12/99. Em razão desses fatos a d. Fiscalização considerou infringência aos arts. 32, alínea "b", da LC n2 7/70; e r, parágrafo único, da LC n2 17/73; Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Reg. do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF tr 142/82; arts. 22, inciso I, 3, 8, inciso I, e 92, da MP n' 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n2 9.715/98; 22, inciso I, 82, inciso I, e 92, da Lei n2 9.715/98; 22, 3' e 92, da Lei n' 9.718/98; 2, inciso I, alínea "a", parágrafo único, 3 2, 10, 23, 59 e 63, do Decreto ir 4.524/2002. . Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. Decisão de fls. 176/189, da 5 Turma da DRJ em Campinas - SP, notificada por via postal em 21/08/2006 (fl. 197, NP), houve por bem julgar procedente o lançamento, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. DADOS FORNECIDOS PELA CONTRIBUINTE. NÃO CABIMENTO. É incabível a alegação - de cerceamento de defesa em auto de infração, mormente quando a alegação diz respeito apenas às bases de cálculo apuradas pelo auditor fiscal, cujos valores são idênticos aos fornecidos pela própria contribuinte. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. TRIBUTOS. MEDIDA PROVISÓRIA. É assente a jurisprudência do STF que assinala ser legítima a disciplina de matéria de natureza tributária por meio de medida provisória. ' MEDIDA PROVISÓRIA. PRAZO NONAGESIMAL. No caso de reedições de medidas provisórias não convertidas em lei, o prazo nonagesimal, previsto no § O do art. 195 da Constituição Federal, conta-se a partir da veiculação da primeira medida provisória. MULTA DE OFICIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. Constatada a falta de recolhimento de tributo procede-se ao ( lançamento dos valores devidos com multa de oficio. 40)1/4., MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL • Processo n.° 13808.002314/00-40CCO2/C01 Acórdão n.°201-80.937 Brasilia. /Zr /229.12_t Fls. 276 SIMSd arbosa Mai • Siape 91745 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, calculados por meio da taxa Selic, conforme expressa previsão legal. Lançamento Procedente". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 204/221, vol. II) apresentadas a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1 instância na parte em que a manteve, tendo em vista a inconstitucionalidade da contribuição e da taxa Selic. É o Relatório. M/( • ME - SEGUNDO CONSEI_ NO DE CONTRIBUINTES• Processo n.° 13808.002314/00-40 CONFERE COM O ORIG INAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.937 Fls. 277 SrasIlls. _d./ Mal.: seps MUS Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso voluntário (fls. 204/221, vol. II) não reúne as condições de admissibilidade e é manifestamente intempestivo, eis que o Acórdão recorrido (Acórdão DRJ/CPS n2 7.591, de 29/09/2004, de fls. 176/189, da 52 Turma da DRJ em Campinas - SP) foi notificado por via postal em 21/08/2006 (fl. 197, v 2) e o referido recurso foi interposto (fls. 204/221, vol. II) por via postal em 21/09/2006 e protocolado em 25/09/2006, portanto, fora do prazo de 30 (trinta) dias conforme determina o Decreto n2 70.235/72, que, em seus arts. 52 e 33, dispõe: "Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato." "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão." Se não bastasse, no mérito, verifica-se que a r. decisão recorrida mostra-se incensurável e nada mais fez do que aplicar a jurisprudência sumulada deste Egrégio Conselho, eis que "a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo". Isto posto, voto no sentido de NÃO CONHECER do presente recurso voluntário (fls. 204/221, vol. II), mantendo a r. decisão recorrida, por seus próprios e jurídicos &Sarnentos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008. \PMMOVVI 0111°C2ndr FERNANDO LUIZ DA GAMA L BO D'EÇA Se Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052700.PDF Page 1 _0052900.PDF Page 1 _0053100.PDF Page 1

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6410312 #
Numero do processo: 10580.720505/2010-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - ENTIDADE DE FINS ASSISTENCIAIS, FILANTRÓPICOS E EDUCACIONAIS - IMUNIDADE (CF, ART. 195, § 7º) - DESNECESSIDADE DE PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO Cumpridos os requisitos legais, é desnecessário o prévio requerimento administrativo para que a entidade faça jus à concessão da imunidade constitucional, pois não se pode confundir o preenchimento de requisitos legais com o seu reconhecimento formal. O auto de infração lavrado tendo por fundamento o enquadramento do sujeito passivo como contribuinte comum por ausência de requerimento administrativo está maculado por vício de motivo, sendo nulo. Recurso Especial da Fazenda Negado.
Numero da decisão: 9202-003.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Heitor de Souza Lima Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto, que deram provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 441          1 440  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10580.720505/2010­44  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9202­003.895  –  2ª Turma   Sessão de  13 de abril de 2016  Matéria  CP ­ Imunidade ­ Ausência de Requerimento Administrativo  Recorrente  Fazenda Nacional  Interessado  Centro Comunitário Batista Clériston Andrade    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  ­  ENTIDADE  DE  FINS  ASSISTENCIAIS, FILANTRÓPICOS E EDUCACIONAIS ­  IMUNIDADE  (CF,  ART.  195,  §  7º)  ­  DESNECESSIDADE  DE  PRÉVIO  REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO  Cumpridos  os  requisitos  legais,  é  desnecessário  o  prévio  requerimento  administrativo  para  que  a  entidade  faça  jus  à  concessão  da  imunidade  constitucional,  pois  não  se  pode  confundir  o  preenchimento  de  requisitos  legais com o seu reconhecimento formal.   O auto de infração lavrado tendo por fundamento o enquadramento do sujeito  passivo  como  contribuinte  comum  por  ausência  de  requerimento  administrativo está maculado por vício de motivo, sendo nulo.   Recurso Especial da Fazenda Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Heitor de  Souza  Lima  Junior  e  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto,  que  deram  provimento  ao  recurso.  Votaram pelas  conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena  Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 05 /2 01 0- 44 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA     2   (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Patrícia da Silva ­ Relatora  EDITADO EM: 23/05/2016  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.  Relatório  Cuida­se  de Recurso Especial  do Procurador,  contra o  r. Acórdão  nº  2402­ 003.658, que por unanimidade de votos deu provimento ao Recurso Voluntário para declarar a  nulidade do lançamento por vício material. A decisão restou assim ementada:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.  A  arrecadação  das  contribuições  para  outras  Entidades  e  Fundos  Paraestatais  deve  seguir  os  mesmos  critérios  estabelecidos  para  as  contribuições  Previdenciárias  (art.  3°,  §  3° da Lei 11.457/2007).  LANÇAMENTO.  OCORRÊNCIA  DA  FALTA  DE  CLAREZA.  AUSÊNCIA  DE  DEMONSTRAÇÃO  DOS  REQUISITOS  DA  AUTUAÇÃO. NULIDADE.  A  auditoria  fiscal  deve  lançar  a  obrigação  tributária  com  a  discriminação clara e precisa dos seus dos motivos  fáticos, sob  pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade.  É  nulo  o  lançamento  efetuado  se  não  há  a  demonstração  de  todos  os  requisitos  que  levaram  ao  Fisco  desconsiderar  a  imunidade  prevista  no  art.195,  §7º,  da  Constituição  Federal.  Esses requisitos são importantes para a defesa do sujeito passivo  da  relação  obrigacional  tributária  que  lhe  foi  imputada  pelo  Fisco,  não  bastando  a  simples  menção  de  que  a  empresa  não  requereu a sua isenção (imunidade) ao INSS.  AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E  JURÍDICOS  DO  LANÇAMENTO  FISCAL.  VÍCIO MATERIAL.  OCORRÊNCIA.  Fl. 442DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.720505/2010­44  Acórdão n.º 9202­003.895  CSRF­T2  Fl. 442            3 A  determinação  dos  motivos  fáticos  e  jurídicos  constituem  elemento material/intrínseco do  lançamento,  nos  termos do art.  142  do  CTN.  A  falta  desses  motivos  constituem  ofensa  aos  elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser  reconhecida sua total nulidade, por vício material.  Recurso Voluntário Provido  Na  origem,  trata­se  de  Auto  de  Infração  que  tem  por  objeto  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  parte  patronal,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  incluindo  as  contribuições  para  o  financiamento  das  prestações  concedidas  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente  dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) – fundamento legal art. 22, I, II e III, da Lei  nº 8.212/91 ­ relativa às competências 01/2006 a 12/2007.  Da análise do Relatório Fiscal,  fls.  80/86,  constata­se que o  sujeito passivo  foi  enquadrado  como  contribuinte  comum  por  ter  deixado  de  requerer  perante  a  Receita  Federal do Brasil a concessão do Ato Declaratório de Isenção Previdenciária.   Após  análise  da  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte,  a  Delegacia  Regional de Julgamento manteve o crédito tributário em sua integralidade.   Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  a  Turma  Ordinária  entendeu  que  o  lançamento fiscal deve ser declarado nulo, pois “a motivação fática e  jurídica do  lançamento  fiscal  não  está  em  conformidade  com  a  legislação  tributária,  nem  com  os  fundamentos  da  Constituição Federal  de  1988”.  Isto porque,  a mera ausência do  requerimento  administrativo  junto  ao  INSS  não  é  motivo  suficiente  para  se  proceder  o  lançamento  tributário  quando  o  contribuinte preenche todos os requisitos para gozar da imunidade.   Sob tais argumentos, concluiu­se que o lançamento fiscal está eivado de vício  de motivo, violando o art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99 e contrariando precedentes deste Conselho,  razão pela qual deu provimento ao recurso para reconhecer a nulidade do lançamento.  Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o  r. acórdão contrariou precedentes deste Conselho, mais precisamente o Acórdão nº 203­09332  e Acórdão nº 301­31.801, cujas ementas seguem abaixo:  Acórdão nº 203­09332  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE   NULIDADE POR VÍCIO FORMAL   A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação   do ato administrativo,  impedindo a certeza e segurança jurídica,  macula  o  lançamento  de  vício  insanável,  tornando  nula  a  respectiva constituição. Processo anulado ab initio.  Acórdão nº 301­31.801  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.   Fl. 443DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA     4 VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do  lançamento  como  omissão  dos  fundamentos  pelos  quais  estão  sendo  exigidos  os  tributos  e  aplicadas  as  multas  e  acréscimos  legais,  além  da  falta  da  prévia  intimação  estabelecida  na  legislação  especifica,  tudo  em  contradição  ao  disposto  no  art.  142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam  a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal.   PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966.   Recurso de Oficio negado.  Alega que a deficiência da motivação gera defeito de ordem formal, podendo  ser  convalidado  ou  repetido.  Ao  final,  requer  a  reforma  do  acórdão  para  reconhecer  que  a  nulidade  por vício  formal  do  lançamento  tributário,  permitindo  a  convalidação/  repetição  do  ato administrativo.   Nas Contrarrazões, o contribuinte alegou a inadmissibilidade do recurso por  ausência  de  identidade  fática  entre  os  julgados  e,  no  mérito,  a  efetiva  existência  de  vício  material no lançamento fiscal.  É o relatório.  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10580.720505/2010­44  Acórdão n.º 9202­003.895  CSRF­T2  Fl. 443            5   Voto             Conselheira Patrícia da Silva, Relatora  O autuado é uma associação sem fins lucrativos, criada e mantida pela Igreja  Batista da Graça – IGB desde 1974, que tem por finalidade atender as necessidades de pessoas  em situação de vulnerabilidade social.   Conforme documentos acostados aos autos,  trata­se de entidade beneficente  de assistência social, declarada de utilidade pública municipal, sendo detentora de certificado  de entidade beneficente de Assistência Social emitido pelo Conselho Nacional de Assistência  Social, desde 1997.  A única matéria devolvida a esta Câmara Superior é a questão da natureza do  vício. Assim não  será  apreciada qualquer questão  relacionada  ao mérito  da  aplicação  da Lei  12101  em  relação  a  fatos  geradores  anteriores  a  sua  publicação.  Fato  esse  conlocado  no  acórdão recorrido, como um dos fundamento para nulidade.  Pela  análise  do  acórdão  recorrido,  entendo  que  a  autoridade  fiscal  deveria  apontar se outros requisitos do art. 55 foram decumpridos, e utilizo as razões de decidir por ele  descritas como fundamento desta decisão   Não  sendo  considerado  vício  formal,  não  é  suficiente  para  manter  o  lançamento.  Desta  forma,  considero  tratar­se  de  vício  material,  com  os  do  fundamento  da  decisão a quo.  Diante  do  exposto,  NEGO  PROVIMENTO  ao  Recurso  Especial  do  Procurador.    (Assinado digitalmente)  Patrícia da Silva                              Fl. 445DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por PATRICIA DA SILVA

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Numero do processo: 12898.000501/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jueidini Dias. Ausente justificadamente o conselheiro Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Não se aplica

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12898.000501/2010­06  Recurso nº  00.1Voluntário  Resolução nº  1401­000.175  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  03 de outubro de 2012  Assunto  IRPJ  Recorrente  Castelo do Vinho Ltda. EPP  Recorrida  Fazenda Nacional    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  sobrestar  o  julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03  de  janeiro de 2012, visto que no presente  recurso se discute questão  idêntica àquela que está  sendo apreciada pelo STF no RE 601.314­RG/SP (sob a sistemática do art. 543­B do CPC).  Encaminhe­se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e  art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.  (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Fernando Luiz Gomes de Mattos ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Celso  Freire  da  Silva,  Fernando  Luiz  Gomes  de  Mattos,  Alexandre  Antonio  Alkmim  Teixeira,  Mauricio  Pereira Faro e Karem Jueidini Dias. Ausente  justificadamente o conselheiro Antonio Bezerra  Neto.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 98 .0 00 50 1/ 20 10 -0 6 Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000501/2010­06  Resolução nº  1401­000.175  S1­C4T1  Fl. 3          2 Relatório   Trata  o  processo  de  IRPJ,  PIS,  CSLL,  INSS  e  Cofins,  referentes  ao  ano­ calendário de 2006.  Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 134 (grifado):  Considerando  o  malogro  das  diversas  intimações  já  realizadas  no  propósito  de  obter  cópia  dos  extratos  bancários,  tornou­se  imprescindível  o  acesso  à  movimentação  financeira  ostentada  pelo  contribuinte,  a  fim  de  confrontá­la  com  a  receita  declarada,  vultosamente inferior.  Autorizado o acesso e requeridas as informações junto às instituições  financeiras,  intimamos  o  contribuinte  a  comprovar  a  origem  dos  créditos em suas contas correntes.  Voto   A constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza  o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontra­se sob a  análise do Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314­RG/SP (sob a sistemática do art. 543­B  do CPC).  Considerando o disposto no § 1º do art. 62­A do Anexo II do RICARF (incluído  pela  Portaria  MF  nº  69/09)  c/c  art.  2º  da  Portaria  CARF  nº  001/2012,  proponho  o  sobrestamento  do  julgamento  do  presente  recurso  voluntário,  até  o  trânsito  em  julgado  da  decisão a ser proferida pelo STF no aludido RE 601.314­RG/SP.  Encaminhe­se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para que sejam observados os  procedimentos previstos no § 3º do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001/2012.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Fernando Luiz Gomes de Mattos ­ Relator.    Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS

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Numero do processo: 11050.002276/2008-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/11/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.671
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 252          2 Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário,  nos termos do Acórdão 3801­004.817. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado  a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento.   Após  tomar  ciência  do  mencionado  acórdão,  a  Contribuinte  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decreto­lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei  12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.552, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/2006­48, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.552):  "O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade. Dele tomo conhecimento.  Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e  paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL  37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 253          3 Lei  12.350,  de  20/12/2010).  Além  disso,  ambos  citaram  expressamente  as  alterações  promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do Decreto­Lei 37/66, que trata  da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos  confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à  possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não  há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial.  A  matéria  devolvida  a  este  Colegiado  cinge­se,  exclusivamente,  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea,  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre  veículo ou carga nele transportada.  Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o  cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental  de  prestar  informação.  Aplicando­se  o  entendimento  defendido  pela  Recorrente,  os  prazos  estipulados  pela  legislação  aduaneira,  para  prestar  informações  à  RFB,  poderiam  ser  descumpridos pelo  sujeito passivo  sem punição,  tendo como única condição que  a prestação  das  informações  seja  efetuada  antes  do  início  de  ação  fiscal.  Ou  seja,  os  prazos  para  a  apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos  fatais, como é a regra na legislação tributária.   Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar­se à solução do  presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802­ 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "O  Recorrente  alega  ainda  que  as  informações  sobre  o  embarque  foram  prestadas  antes  da  lavratura  do  auto  de  infração.  Portanto,  nos  termos  do  art.  138,  caput,  do  Código  Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em  razão da caracterização da denúncia espontânea:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante  do  tributo  dependa  de  apuração.  Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com a infração.  A aplicabilidade da denúncia  espontânea às “obrigações  acessórias”  é  sustentada  por  parte  da  doutrina  com  base  na  expressão “se  for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do  CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito  Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho:  'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido,  resta  induvidoso  que  a  exclusão  da  responsabilidade  tanto  se  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 254          4 refere  a  infrações  das  quais  decorra  o  não  pagamento  do  tributo  como  a  infrações  meramente  formais,  vale  dizer,  infrações  das  quais  não  decorra  o  não  pagamento  do  tributo.  Inadimplemento  de  obrigações  tributárias  meramente acessórias' 1.  'A  expressão  ‘se  for  o  caso’  explica­se  em  face  de  que  algumas  infrações,  por  implicarem  desrespeito  a  obrigações  acessórias,  não  acarretam,  diretamente,  nenhuma  falta  de  pagamento  de  tributo,  embora  sejam  também  puníveis,  porque  a  responsabilidade  não  pressupõe,  necessariamente,  dano  (art.  136).  Outras  infrações,  porém,  de  um modo  ou  de  outro,  resultam  em  falta  de  pagamento.  Em  relação  a  estas  é  que  o  Código  reclama o pagamento' 2.  'Se  quisesse  excluir  uma  ou  outra,  teria  adjetivado  a  palavra  infração  ou  teria  dito  que  a  denúncia  espontânea  elidiria  a  responsabilidade  pela  prática  de  infração  à  obrigação principal  excluindo a  assessória,  ou vice­versa.  Ora,  onde  o  legislador  não  distingue  não  é  lícito  ao  intérprete  distinguir  segundo  cediço  princípio  de  hermenêutica' 3  Essa  interpretação,  porém,  não  foi  acolhida  pela  Jurisprudência,  consoante  se  depreende  dos  seguintes  julgados  do Superior Tribunal de Justiça:  'TRIBUTÁRIO.  MULTA MORATÓRIA.  ART.  138  DO  CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE  RENDIMENTOS.  1.  O  STJ  possui  entendimento  de  que  a  denúncia  espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente  do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os  efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos  EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin.  DJe 10/05/2013).'  (...)  A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais,  conforme Súmula CARF nº  49:  'A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na                                                              1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss.  2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437.  3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995,  p. 105­106.  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 255          5 entrega de declaração',  que  foi  fruto de  reiterados  julgados do  Câmara Superior de Recursos Fiscais (...).  A  discussão,  entretanto,  foi  reaberta  em  face  da  nova  redação  do  art.  102  do Decreto­Lei  nº  37/1966,  decorrente  do  art. 40 da Lei nº 12.350/2010:  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da  mercadoria;  (Incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades  aplicáveis  na  hipótese  de  mercadoria  sujeita  a  pena  de  perdimento.  (Redação  dada  pela Lei nº 12.350, de 2010).   (...)  De  fato,  a  Lei  nº  12.350/2010  resultou  da  conversão  da  Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de  motivos  desta,  seu  objetivo  foi  'deixar  claro'  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  aplica­se  a  todas  as  penalidades  pecuniárias,  inclusive  multas  isoladas  vinculadas  ao  descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende  da leitura da exposição de motivos:  '40.  A  proposta  de  alteração  do  §  2º  do  art.  102  do  Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  visa  a  afastar  dúvidas  e  divergência  interpretativas  quanto  à  aplicabilidade  do  instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão  da  imposição  de  determinadas  penalidades,  para  as  quais  não  se  tem  posicionamento  doutrinário  claro  sobre  sua  natureza.  [...]  43. Fundamentalmente,  o Linha Azul é um procedimento  simplificado  que  propicia  às  empresas  habilitadas  um  menor percentual de seleção para os canais de verificação  amarelo  e  vermelho  e  conferência  aduaneira  das  declarações  selecionadas  realizada  prioritariamente,  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 256          6 inclusive  com  compromisso  de  tempo máximo  para  essa  conferência  estipulado.  Esse  procedimento  segue  a  orientação  internacional  de  Operadores  Econômicos  Autorizados  OEA,  ou  seja,  de  credenciamento  de  operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio  exterior com menores entraves burocráticos.  44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha  Azul  inclui  a  realização,  previamente  à  adesão,  de  uma  auditoria de controles  internos para autoavaliação de seus  controles  e  procedimentos  aduaneiros,  referente,  no  mínimo,  aos  quatro  últimos  semestres  civis.  O  objetivo  dessa  autoavaliação  é  induzir  a  empresa  a  verificar  o  cumprimento  da  legislação  aduaneira  (controles  administrativos  e  fiscais),  com  reflexo  na  garantia  da  regularidade  dos  registros  aduaneiros  e  do  recolhimento  dos  tributos devidos. Exige­se,  sempre que a auditoria de  controles  internos  aponte  irregularidades,  que  sejam  apresentados  documentos  que  comprovem  o  seu  saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a  sua solução.  45.  No  caso  específico,  o  que  se  tem  verificado  é  que,  durante  o  processo  de  auditoria,  as  empresas  têm  constatado  reiterados erros  em declarações de  importação  registradas  e  desembaraçadas  no  canal  verde  de  conferência e, como forma de sanear a irregularidade para  cumprimento  do  programa,  apresentado  a  relação  desses  erros  na  unidade  de  jurisdição  e  adotado  as  respectivas  providências para a retificação das declarações aduaneiras.  46.  Todavia,  ao  adotar  essa  providência,  mesmo  que  a  empresa  não  tenha  que  recolher  quaisquer  tributos,  ela  pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria  (multa  isolada),  disciplinada  no  art.  711  do  Regulamento  Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais  erros e adotado as providências para a sua regularização, o  que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul.  47.  A  proposta  de  alteração  objetiva  deixar  claro  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  alcança  todas  as  penalidades  pecuniárias,  aí  incluídas  as  chamadas multas  isoladas, pois nos parece  incoerente haver a possibilidade  de  se  aplicar  o  instituto  da  denúncia  espontânea  para  penalidades vinculadas ao não­pagamento de tributo, que é  a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para  multas  isoladas,  vinculadas  ao  descumprimento  de  obrigação  acessória.'  (EMI  nº  111/MF/MP/ME/MCT/  MDIC/MT).  Todavia,  cumpre  considerar  que,  nas  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais,  o  sujeito  passivo  está  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 257          7 vinculado  a  um  fazer  ou  não­fazer,  sem  expressão  econômica,  destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4.  Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção  de  escrituração  fiscal  regular,  da  descrição  adequada  do  bem  importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal,  bem  como  da  apresentação  de  informações  para  a  Fazenda  Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em  razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966,  deve­se analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada.  Isso  porque  nem  todas  as  infrações  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais  são  compatíveis  com  a  denúncia  espontânea,  como  é  o  caso  das  infrações  caracterizadas  pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito passivo.  Essa  importante  distinção  foi  evidenciada  em  voto  do  eminente  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  no  Acórdão 3102­00.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013:  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta  última,  incluída  todas  as  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações  positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse fiscalização das operações de comércio exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia espontânea, é condição necessária que a infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação  à  fiscalização  pelo  infrator.  Em  outras  palavras,  é  requisito  essencial  da  excludente  de  responsabilidade  em  apreço  que  a  infração  seja  denunciável.  No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o  disposto  no  retrotranscrito  preceito  legal,  as  impossibilidades  de  aplicação  dos  efeitos  da  denúncia  espontânea  podem  decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir determinado  tipo de  infração do alcance do efeito  excludente  da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme                                                              4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277­349.  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 258          8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art.  102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação espontânea da  infração. São dessa modalidade  as  infrações que  têm por objeto as condutas extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais  tipos de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão  de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade  toda  infração que  tem o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  acessória  (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo  ou  transcurso  do  tempo  como  elemento  essencial  da  tipificação da infração.  São dessa última modalidade todas as infrações que têm no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  legalmente  estabelecida.  A  título  de  exemplo,  pode  ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja  que,  na  hipótese  da  infração  em  apreço,  o  núcleo  do  tipo  é deixar de prestar  informação  sobre  a  carga no prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente  que  materializa  a  infração,  ao  passo  que  na  segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente  obrigação  acessória. Nesta  última hipótese, se a informação for prestada antes do início  do  procedimento  fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se e a respectiva penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria  de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que o mesmo  fato  configurasse  a  denúncia  espontânea  da  correspondente  infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação,  o  que  se  admite apenas para argumentar, o cometimento da infração,  em  hipótese  alguma,  resultaria  na  cobrança  da  multa  sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea  da  respectiva  infração.  Em  consequência,  ainda  que  comprovada  a  infração,  a multa  aplicada seria  sempre  inexigível,  em  face  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 259          9 da  exclusão  da  responsabilidade  do  infrator  pela  denúncia  espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso  jurídico, uma espécie de  revogação  da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade  punitiva para a prática de infração desse jaez.  Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações  caracterizadas pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria  toda  a  funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5.  Entende­se, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138  do CTN  e  art. 102  do Decreto­Lei  n°  37/1966)  não alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os  tributos a fazê­lo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas  pelo fisco, que recebe o que deveria  ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do  contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo  das obrigações  tributárias. Porém,  a  responsabilidade pelo  cometimento das  infrações  restará  afastada  apenas  com  o  reconhecimento  e  cumprimento  da  obrigação,  preservando  assim  a  higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência.  De  fato,  a  jurisprudência  dominante  em  nossos  tribunais  não  admite  a  configuração  da  denúncia  espontânea  ante  a  prática  de  determinados  atos,  que  representam                                                              5  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 260          10 infrações à  legislação  tributária. Várias são as decisões no sentido da  inaplicabilidade do art.  138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias.  Vejamos:   “DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  INAPLICABILIDADE.  1.  Inaplicável  o  instituto  da  denúncia  espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do  descumprimento  de  obrigação  acessória.”  (STJ,  2ª  T.  AgRg no  Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09)  No  mesmo  sentido  do  entendimento  ora  defendido,  manifestou­se  recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da  ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 261          11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF  da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 ­ A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário  Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia,  não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida  antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010.  A  intransigência  em  matéria  de  controles  administrativos  aduaneiros  se  justifica,  muito  mais  do  que  pela  questão  tributário­financeira,  pela  questão  da  defesa  do  Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se  faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro.  Muitas vezes, a administração  tributária prioriza a arrecadação de  tributos e  não  enfatiza  as  razões  dos  controles  não  tributários  ou  aduaneiros.  Assim,  pode  ficar  a  impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário,  mas essa é uma falsa observação.  Cabe  a  administração  aduaneira  cumprir  as  decisões  dos  demais  órgãos  do  Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à  defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São  atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários  à excelência do trabalho de fiscalização.  Ao  fazer  o  julgamento,  especialmente  por  que  não  há  tantos  julgadores  especializados em nuances do comércio internacional, passa­se ao largo dos verdadeiros delitos  que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta  de pagamento de impostos.  Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de  aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV,  alínea  "e",  do  DL  37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais  é  aplicada,  tais  como:  atraso na prestação de  informações  sobre  mercadoria  embarcada,  sobre  atracação  de  embarcação,  sobre  vinculação  de  manifesto  de  carga, etc.   Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  e  diante  de  recurso  do  contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado  que  deve  ser  aplicado  aos  demais  processos  vinculados  ao  julgamento  deste,  na  sistemática  prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos).  À  luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada."    Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002276/2008­19  Acórdão n.º 9303­003.671  CSRF‐T3  Fl. 262          12 considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa  pelo  atraso  na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                              Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 16095.720079/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 TROCA DE INFORMAÇÕES. FAZENDAS PÚBLICAS. PERMITIDO. ART. 199 DO CTN. PRECEDENTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A troca de informações entre os diferentes fiscos não só é permitida pelo art. 199 do CTN e por precedentes administrativos e judiciais, como é salutar, desde que não fira direitos do cidadão e desde que os elementos probatórios estejam todos presentes nos autos de modo a embasar o lançamento tributário específico, como é o caso aqui. Nulidade afastada. SÚMULAS 29 E 30 DO CARF. INAPLICÁVEIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se trata aqui de omissão de receitas baseada em movimentações bancárias, mas de arbitramento. As movimentações foram utilizadas para reforçar o contexto fático e provar, por exemplo, que algumas empresas do grupo movimentavam quantias muito maiores do que as declaradas. Nulidade afastada. FALTA DE DOCUMENTOS. FALTA DE DECLARAÇÕES. DECLARAÇÕES ZERADAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL. RECEITA BRUTA CONHECIDA E NÃO CONHECIDA. ARBITRAMENTO. PROCEDÊNCIA. A contribuinte não apresentou sua contabilidade digital, não entregou declarações ou entregou com informações zeradas. Além disso, foi constada confusão patrimonial entre inúmeras empresas. É procedente o arbitramento realizado por falta ou inconsistência na documentação, assim como quando há constatação de confusão patrimonial, o que rumina a legitimidade da contabilidade comercial e fiscal da pessoa jurídica. Foi, portanto, adequada a atitude da Fiscalização, devendo ser mantido o Acórdão da DRJ. PREJUÍZO FISCAL. ARBITRAMENTO. NÃO CABIMENTO. Ao não haver contabilidade e declarações consistentes, optou-se pelo arbitramento, então não há que se considerar prejuízos fiscais. PIS E COFINS. FALTA DE PROVA. COBRANÇA DEVIDA. A contribuinte vinha declarando PIS e COFINS. Ela não demonstra quais operações estariam sujeitas à suspensão desses tributos. Não havendo como identificar se elas existem e quais seriam as operações sujeitas à suspensão, é cabível a tributação pelo PIS e COFINS como reflexos do arbitramento para cobrança do IRPJ. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES INCONSISTENTES OU ZERADAS. REPETIDOS ANOS. DOLO. Ao longo dos três anos calendários fiscalizados, a contribuinte deixava de apresentar DCTF ou DIPJ, ou lhes apresentava com valores zerados, configurando dolo na omissão de informações fiscais. Além disso, havia grande discrepância entre movimentações bancárias e valores declarados. Deve ser mantida a multa qualificada de 150%. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. INTERPOSTAS PESSOAS. RESPONSABILIDADE. ART. 124, I, E 135, III, CTN. As empresas contribuinte e responsáveis revelaram confusão patrimonial e estavam submetidas todas a um controle único exercido pela família Canto, o que configura o interesse comum e justifica a aplicação do art. 124, I, do CTN. Além disso, foram constatadas interpostas pessoas no quadro societário das empresas, quando, em verdade, eram sócios-administradores das empresas o indivíduos da família Canto. Configuradas as responsabilidades das pessoas jurídicas e físicas, devendo ser mantido o Acórdão da DRJ. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESÍDIA DA RECORRENTE. NEGADO. Uma das razões da autuação é exatamente a desídia da Recorrente em relação à sua documentação, não entregue à Fiscalização ou entregue com falhas. A Recorrente teve todo o procedimento fiscalizatório e, ainda, o processo administrativo para produzir provas. Não há mais necessidade de diligência, pois os fatos parecem ter ficado bem apresentados com o vasto acervo de informações e provas juntadas pela Fiscalização. Pedido de diligência negado. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). NÃO ENTREGA. MULTA REGULAMENTAR. MANTIDA. Descumprido o art. 3º da Instrução Normativa nº 787/2007 quando da não entrega da ECD pela empresa RBM, deve ser aplicada a respectiva multa, que sequer foi questionada especificamente no Recurso Voluntário. Mantida a multa de R$ 51.000,00. MULTA DE 225%. DESAGRAVADA. MANUTENÇÃO. Conforme a Súmula nº 96 do CARF, não se agrava a multa quando houve arbitramento, pois a não entrega ou a entrega de documentos com falhas não chegou a impedir o resultado final da Autuação, que foi resolvido por meio do procedimento de arbitramento, previsto para casos desse tipo. Mantido o desagravamento e, portanto, a multa em 150%.
Numero da decisão: 1401-001.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio e Fernando Luiz Gomes de Mattos, que restabeleciam a multa agravada, e, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a responsabilidade das empresas Latasa Indústria e Comércio Ltda. e Latasa Reciclagem Ltda. no que toca aos anos calendários 2009 e 2010. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 TROCA DE INFORMAÇÕES. FAZENDAS PÚBLICAS. PERMITIDO. ART. 199 DO CTN. PRECEDENTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A troca de informações entre os diferentes fiscos não só é permitida pelo art. 199 do CTN e por precedentes administrativos e judiciais, como é salutar, desde que não fira direitos do cidadão e desde que os elementos probatórios estejam todos presentes nos autos de modo a embasar o lançamento tributário específico, como é o caso aqui. Nulidade afastada. SÚMULAS 29 E 30 DO CARF. INAPLICÁVEIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se trata aqui de omissão de receitas baseada em movimentações bancárias, mas de arbitramento. As movimentações foram utilizadas para reforçar o contexto fático e provar, por exemplo, que algumas empresas do grupo movimentavam quantias muito maiores do que as declaradas. Nulidade afastada. FALTA DE DOCUMENTOS. FALTA DE DECLARAÇÕES. DECLARAÇÕES ZERADAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL. RECEITA BRUTA CONHECIDA E NÃO CONHECIDA. ARBITRAMENTO. PROCEDÊNCIA. A contribuinte não apresentou sua contabilidade digital, não entregou declarações ou entregou com informações zeradas. Além disso, foi constada confusão patrimonial entre inúmeras empresas. É procedente o arbitramento realizado por falta ou inconsistência na documentação, assim como quando há constatação de confusão patrimonial, o que rumina a legitimidade da contabilidade comercial e fiscal da pessoa jurídica. Foi, portanto, adequada a atitude da Fiscalização, devendo ser mantido o Acórdão da DRJ. PREJUÍZO FISCAL. ARBITRAMENTO. NÃO CABIMENTO. Ao não haver contabilidade e declarações consistentes, optou-se pelo arbitramento, então não há que se considerar prejuízos fiscais. PIS E COFINS. FALTA DE PROVA. COBRANÇA DEVIDA. A contribuinte vinha declarando PIS e COFINS. Ela não demonstra quais operações estariam sujeitas à suspensão desses tributos. Não havendo como identificar se elas existem e quais seriam as operações sujeitas à suspensão, é cabível a tributação pelo PIS e COFINS como reflexos do arbitramento para cobrança do IRPJ. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES INCONSISTENTES OU ZERADAS. REPETIDOS ANOS. DOLO. Ao longo dos três anos calendários fiscalizados, a contribuinte deixava de apresentar DCTF ou DIPJ, ou lhes apresentava com valores zerados, configurando dolo na omissão de informações fiscais. Além disso, havia grande discrepância entre movimentações bancárias e valores declarados. Deve ser mantida a multa qualificada de 150%. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. INTERPOSTAS PESSOAS. RESPONSABILIDADE. ART. 124, I, E 135, III, CTN. As empresas contribuinte e responsáveis revelaram confusão patrimonial e estavam submetidas todas a um controle único exercido pela família Canto, o que configura o interesse comum e justifica a aplicação do art. 124, I, do CTN. Além disso, foram constatadas interpostas pessoas no quadro societário das empresas, quando, em verdade, eram sócios-administradores das empresas o indivíduos da família Canto. Configuradas as responsabilidades das pessoas jurídicas e físicas, devendo ser mantido o Acórdão da DRJ. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESÍDIA DA RECORRENTE. NEGADO. Uma das razões da autuação é exatamente a desídia da Recorrente em relação à sua documentação, não entregue à Fiscalização ou entregue com falhas. A Recorrente teve todo o procedimento fiscalizatório e, ainda, o processo administrativo para produzir provas. Não há mais necessidade de diligência, pois os fatos parecem ter ficado bem apresentados com o vasto acervo de informações e provas juntadas pela Fiscalização. Pedido de diligência negado. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). NÃO ENTREGA. MULTA REGULAMENTAR. MANTIDA. Descumprido o art. 3º da Instrução Normativa nº 787/2007 quando da não entrega da ECD pela empresa RBM, deve ser aplicada a respectiva multa, que sequer foi questionada especificamente no Recurso Voluntário. Mantida a multa de R$ 51.000,00. MULTA DE 225%. DESAGRAVADA. MANUTENÇÃO. Conforme a Súmula nº 96 do CARF, não se agrava a multa quando houve arbitramento, pois a não entrega ou a entrega de documentos com falhas não chegou a impedir o resultado final da Autuação, que foi resolvido por meio do procedimento de arbitramento, previsto para casos desse tipo. Mantido o desagravamento e, portanto, a multa em 150%.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 24          1 23  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16095.720079/2014­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1401­001.595  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de abril de 2016  Matéria  IRPJ e reflexos. Lucro arbitrado.  Recorrente  RBM Reciclagen e Ind. e outros  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011  TROCA  DE  INFORMAÇÕES.  FAZENDAS  PÚBLICAS.  PERMITIDO.  ART. 199 DO CTN. PRECEDENTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  A troca de informações entre os diferentes fiscos não só é permitida pelo art.  199  do CTN  e  por  precedentes  administrativos  e  judiciais,  como  é  salutar,  desde que não fira direitos do cidadão e desde que os elementos probatórios  estejam todos presentes nos autos de modo a embasar o lançamento tributário  específico, como é o caso aqui. Nulidade afastada.  SÚMULAS  29  E  30  DO  CARF.  INAPLICÁVEIS.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  Não  se  trata  aqui  de  omissão  de  receitas  baseada  em  movimentações  bancárias,  mas  de  arbitramento.  As  movimentações  foram  utilizadas  para  reforçar o contexto  fático e provar, por  exemplo, que algumas  empresas do  grupo movimentavam quantias muito maiores do que as declaradas. Nulidade  afastada.   FALTA  DE  DOCUMENTOS.  FALTA  DE  DECLARAÇÕES.  DECLARAÇÕES  ZERADAS.  CONFUSÃO  PATRIMONIAL.  RECEITA  BRUTA  CONHECIDA  E  NÃO  CONHECIDA.  ARBITRAMENTO.  PROCEDÊNCIA.  A  contribuinte  não  apresentou  sua  contabilidade  digital,  não  entregou  declarações ou entregou com informações zeradas. Além disso, foi constada  confusão patrimonial entre  inúmeras empresas. É procedente o arbitramento  realizado por  falta ou  inconsistência na documentação,  assim como quando  há  constatação  de  confusão  patrimonial,  o  que  rumina  a  legitimidade  da  contabilidade comercial e fiscal da pessoa jurídica. Foi, portanto, adequada a  atitude da Fiscalização, devendo ser mantido o Acórdão da DRJ.   PREJUÍZO FISCAL. ARBITRAMENTO. NÃO CABIMENTO.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 79 /2 01 4- 21 Fl. 11764DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     2 Ao  não  haver  contabilidade  e  declarações  consistentes,  optou­se  pelo  arbitramento, então não há que se considerar prejuízos fiscais.  PIS E COFINS. FALTA DE PROVA. COBRANÇA DEVIDA.  A  contribuinte  vinha  declarando  PIS  e  COFINS.  Ela  não  demonstra  quais  operações estariam sujeitas à suspensão desses  tributos. Não havendo como  identificar se elas existem e quais seriam as operações sujeitas à suspensão, é  cabível a tributação pelo PIS e COFINS como reflexos do arbitramento para  cobrança do IRPJ.  MULTA  QUALIFICADA.  DECLARAÇÕES  INCONSISTENTES  OU  ZERADAS. REPETIDOS ANOS. DOLO.  Ao  longo  dos  três  anos  calendários  fiscalizados,  a  contribuinte  deixava  de  apresentar  DCTF  ou  DIPJ,  ou  lhes  apresentava  com  valores  zerados,  configurando  dolo  na  omissão  de  informações  fiscais.  Além  disso,  havia  grande  discrepância  entre  movimentações  bancárias  e  valores  declarados.  Deve ser mantida a multa qualificada de 150%.   GRUPO  ECONÔMICO  DE  FATO.  CONFUSÃO  PATRIMONIAL.  INTERPOSTAS  PESSOAS.  RESPONSABILIDADE.  ART.  124,  I,  E  135,  III, CTN.  As  empresas  contribuinte  e  responsáveis  revelaram  confusão  patrimonial  e  estavam submetidas todas a um controle único exercido pela família Canto, o  que  configura  o  interesse  comum  e  justifica  a  aplicação  do  art.  124,  I,  do  CTN. Além disso, foram constatadas interpostas pessoas no quadro societário  das  empresas,  quando,  em  verdade,  eram  sócios­administradores  das  empresas o  indivíduos da  família Canto. Configuradas  as  responsabilidades  das pessoas jurídicas e físicas, devendo ser mantido o Acórdão da DRJ.   PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESÍDIA DA RECORRENTE. NEGADO.  Uma das razões da autuação é exatamente a desídia da Recorrente em relação  à sua documentação, não entregue à Fiscalização ou entregue com falhas. A  Recorrente  teve  todo  o  procedimento  fiscalizatório  e,  ainda,  o  processo  administrativo para produzir provas. Não há mais necessidade de diligência,  pois  os  fatos  parecem  ter  ficado  bem  apresentados  com  o  vasto  acervo  de  informações  e  provas  juntadas  pela  Fiscalização.  Pedido  de  diligência  negado.   ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL  DIGITAL  (ECD).  NÃO  ENTREGA.  MULTA REGULAMENTAR. MANTIDA.  Descumprido  o  art.  3º  da  Instrução Normativa  nº  787/2007  quando  da  não  entrega  da  ECD  pela  empresa RBM,  deve  ser  aplicada  a  respectiva multa,  que sequer foi questionada especificamente no Recurso Voluntário. Mantida  a multa de R$ 51.000,00.   MULTA DE 225%. DESAGRAVADA. MANUTENÇÃO.   Conforme  a Súmula  nº  96  do CARF,  não  se  agrava  a multa  quando houve  arbitramento, pois a não entrega ou a entrega de documentos com falhas não  chegou a impedir o  resultado final da Autuação, que foi resolvido por meio  do procedimento de arbitramento, previsto para casos desse tipo. Mantido o  desagravamento e, portanto, a multa em 150%.       Fl. 11765DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 25          3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento  ao Recurso de Ofício,  vencidos  os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio  e Fernando Luiz  Gomes  de Mattos,  que  restabeleciam  a multa  agravada,  e,  por  unanimidade,  dar  provimento  parcial ao Recurso Voluntário para excluir a responsabilidade das empresas Latasa Indústria e  Comércio Ltda. e Latasa Reciclagem Ltda. no que toca aos anos calendários 2009 e 2010.     Documento assinado digitalmente.  Antonio Bezerra Neto ­ Presidente.     Documento assinado digitalmente.  Marcos de Aguiar Villas­Bôas ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto  (presidente  da  turma), Guilherme Mendes,  Luciana  Zanin,  Ricardo Marozzi, Marcos Villas­ Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  contribuinte  em  face  do  Acórdão nº 07­36.967 da DRJ de Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade, parcialmente  procedente a Impugnação, apenas para reduzir a multa de 225% para 150%.   O Auto de Infração foi  lavrado para exigir  IRPJ (R$ 24.218.056,32), CSLL  (R$ 10.903.455,46), COFINS (R$ 30.120.116,62) e PIS  (R$ 6.526.025,28),  todos os  tributos  relativos aos períodos de 2009, 2010 e 2011.  Além disso, foi aplicada Multa Regulamentar no valor de R$ 51.000,00 por  conta da não apresentação da Escrituração Contábil Digital ­ ECD.  Transcrevo  abaixo  partes  do  Relatório  do  Acórdão  Recorrido,  que  bem  descreve os fatos ocorridos no feito até aquele momento:  RELATO DA FISCALIZAÇÃO   No “Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade Fiscal” (f. 4973 a  5002), a Fiscalização revela, em síntese, que:   1 ­ Do início da ação fiscal   ­  A  Fiscalizada  foi  intimada,  por  diversas  vezes,  a  apresentar  os  livros  contábeis e fiscais, bem como o contrato social e alterações, mas não logrou  atender a nenhuma das intimações.   Fl. 11766DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     4 ­ Foi intimada a apresentar a Escrituração Contábil Digital ­ ECD, mas  também não apresentou.   ­  Diante  do  não  atendimento  a  nenhuma  das  intimações,  foram  efetuadas diligências junto aos clientes e fornecedores da empresa, com  o  intuito de obter  informações que possibilitassem o desenvolvimento  da presente ação fiscal.  2 – Da constatação de que a RBM faz parte de um Grupo Econômico   ­  A RBM  faz  parte  de  um Grupo Econômico  que  é  uma  complexa  rede  de  empresas  que  atua  principalmente  no  mercado  de  reciclagem  de  alumínio,  tendo seu núcleo central de atuação no Estado de São Paulo, atuando também  no  Rio  de  Janeiro,  e  cuja  administração  é  realizada  por  membros  de  uma  mesma  família  (família  Canto),  que  a  partir  de  agora  denominaremos  “GRUPO CANTO”.   ­  Ficou  constatado  que  os  integrantes  da  “família  Canto”  não  têm  participações no quadro societário da RBM, pois esta já foi constituída com a  utilização  de  INTERPOSTAS  PESSOAS,  conforme  detalhamento  mais  adiante, porém os membros da família é que comandam efetivamente todo o  grupo.   ­  O  Grupo  Econômico  utiliza­se  de  empresas  “paralelas”,  empresas  com  quadros  societários  interpostos,  e  pratica  diversos  ilícitos  tributários  com  o  objetivo  precípuo  de  frustrar  o  pagamento  de  créditos  tributários  e  de  contribuições previdenciárias.  ­ Os  fatos  e  a  substanciosa  documentação  trazida,  em  anexo,  comprovam  a  existência de Grupo Econômico que se  formou para  fins de burlar o  fisco  e  possibilitar o gozo de vantagens às pessoas jurídicas e às pessoas físicas a elas  relacionadas através de “blindagem patrimonial”.   ­  O  detalhamento  da  configuração  do  Grupo  Econômico”  está  relatado  no  RELATÓRIO DO GRUPO CANTO e a participação da RBM no item 11.9 do  mesmo anexo.   3 ­ Da Fiscalizada   A matriz da empresa  foi  constituída  em 01/08/2008, na Rua Anequira,  227­  Cordovil  –  Rio  de  Janeiro/RJ,  tendo  como  objeto  social  “produção  de  alumínio e suas ligas em formas primárias”.   Em  20/10/2008  foi  constituída  uma  filial  na  Avenida  Guilherme  Cotching,  707, sala 2, Vila Maria, São Paulo/SP.   4 – Dos sócios interpostos  ­  A  RBM  tem  como  sócios  de  direito  os  senhores  JOAQUIM  MIGUEL  TEIXEIRA ALVES – CPF 428.435.027­72 e JOSÉ CARLOS DO ROZÁRIO  – CPF 298.348.567­68.   ­  A  RBM/RJ  e  RBM/SP  tiveram  a  sua  sistemática  arquitetada  para  que  a  responsabilidade sobre o pagamento dos tributos e contribuições recaísse todo  sobre  ela,  isentando  desta  forma  as  outras  empresas  do  Grupo,  conforme  amplamente relatado no item 8.6 do RELATÓRIO DO GRUPO CANTO.  5 – Dos sócios de fato (família CANTO)   ­  Ficou  constatado  que  vários  integrantes  da  “Família  Canto”  têm  participações  no  quadro  societário,  e  por  vezes,  como  é  o  caso  da  RBM,  administram  através  exclusivamente  de  INTERPOSTAS  PESSOAS  as  empresas do Grupo, porém os membros que efetivamente administram todo o  Grupo são: MANOEL DO CANTO NETO, sua esposa MARIA DOLORES  MARTINEZ DO CANTO;  seus  filhos MÁRIO MARTINEZ DO CANTO e  JOSÉ  ROBERTO  MARTINEZ  DO  CANTO;  o  irmão  CLÁUDIO  DO  CANTO e a sua esposa ELIANE REGINA ALVES DO CANTO.   ­  Todas  as  informações  irrefutáveis  de  que  a  RBM  é  administrada  pela  “Família CANTO” encontram­se no RELATÓRIO DO GRUPO CANTO.   6 – Da confusão e blindagem patrimonial   6.1 – Da confusão patrimonial   Fl. 11767DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 26          5 ­  Com  intuito  de  demonstrarmos  a  existência  do  Grupo  Econômico,  realizamos  diversas  “circularizações”  em  empresas  (clientes  e  fornecedores)  que se relacionaram com a RBM e outras empresas do Grupo. As informações  obtidas  encontram­se  listadas  no  RELATÓRIO  –  RESULTADO  DAS  CIRCULARIZAÇÕES no ANEXO.CIRCULARIZAÇÕES.  6.2 – Informações obtidas através de movimentação financeira ­ DIMOF   ­ Os valores dos créditos apurados com a análise da movimentação financeira  obtida  com  as  informações  da DIMOF  (Declaração  de  Informações  sobre  a  Movimentação Financeira), disponibilizada nos Sistemas Internos da Receita  Federal  do  Brasil,  comparada  com  os  valores  da  Receita  Bruta  conhecida,  obtidos em notas fiscais eletrônicas, foram:          ­  Essas  análises  acima  só  vêm  a  corroborar  os  resultados  obtidos  nas  circularizações  clientes/fornecedores.  Existe  uma  enorme  confusão  patrimonial entre empresas do Grupo, conforme detalhado no item “6.1 ­ Da  confusão  patrimonial”  e  no  RELATÓRIO  –  RESULTADOS  DAS  CIRCULARIZAÇÕES no ANEXO.CIRCULARIZAÇÕES.  6.3 – Da blindagem patrimonial   ­  O  “GRUPO  CANTO”  é  uma  organização  complexa,  detentora  de  substancial poder econômico, cujos membros (pessoas jurídicas e físicas), de  modo consciente, voluntário e em comunhão de vontades associaram­se com  o intuito de blindar o patrimônio advindo da sonegação fiscal.  ­ A blindagem patrimonial se deu com a criação de empresas de participações:   >  MCN  –  EMPREENDIMENTOS  IMOBILIÁRIOS  LTDA  –  CNPJ  61.281.218/0001­56.   >  CDC  –  ADMINISTRAÇÃO  E  PARTICIPAÇÕES  S/A  –  CNPJ  06.278.656/0001­57.   ­  Estas  empresas  de  participações  pertencem  ou  pertenceram  a membros  da  família  Canto.  Os  bens  adquiridos  a  partir  da  sonegação  fiscal  foram  Fl. 11768DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     6 transferidos  para  estas  empresas  patrimoniais  a  título  de  integralização  do  capital social.  7 – Criação, pelo GRUPO CANTO, de empresas simuladas   ­  Analisando  as  informações  fornecidas  pela  SEFAZ,  ANEXO­SEFAZ,  apartado  ao  RELATÓRIO  DO  GRUPO  CANTO,  obtidas  por  nós  via  autorização judicial, constatamos que o GRUPO CANTO utilizava empresas  simuladas sem capacidade  industrial, para sonegação de  ICMS e simulações  de  vendas  de  outras  empresas  do  GRUPO,  tendo  a  RBM  como  uma  das  principais delas.   8 – Do arbitramento do lucro   ­ Apesar de intimada e reintimada regularmente, conforme já mencionado no  item 1 deste relatório, a empresa não apresentou sua contabilidade relativa aos  anos­calendário  2009,  2010  e  2011,  assim  como  não  apresentou  a  Escrituração Contábil Digital – ECD.   ­  Cabe  ainda  destacar  que  o  arbitramento  seria  inevitável  mesmo  que  a  empresa apresentasse a contabilidade visto que a confusão patrimonial, entre  as empresas do Grupo Econômico, impede que esta represente a realidade dos  fatos.  ­ Apuramos,  através  da Nota Fiscal Eletrônica – NF­e,  conforme  tabelas  anuais  abaixo,  que  a  Fiscalizada  omitiu  receitas  em  suas  declarações  (DIPJ, DCTF e DACON):  [...]  ­ Diante da falta de qualquer outra informação que pudesse comprovar o valor  real do faturamento para as competências 07/2011 a 12/2011, foram utilizados  como base  para  o  levantamento  o  total  de  compras  efetuadas  pela  empresa,  apuradas  a  partir  das  NF­e,  conforme  prescreve  o  inciso  V  do  art.  535  do  RIR/99:   Art.535.  O  lucro  arbitrado,  quando  não  conhecida  a  receita  bruta,  será  determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma  das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51):   [...]   V ­ quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês;  [...]  ­  O  arbitramento  foi  feito  com  base  na  receita  bruta  conhecida  para  as  competências 01/2009  a  06/2011,  e  com base  na  receita  bruta  desconhecida  para as competências 07/2011 a 12/2011.   9 – Da qualificação e agravamento da multa   ­ No item anterior, observamos que apesar de auferir receita bruta no período  2009 a 2011:   a) A empresa entregou DCTF e DACON zeradas ou com valores  incorretos  para os exercícios 2010 e 2011;  b) As DIPJ  dos  anos­calendário  2010 e  2011  também  foram  entregues  com  valores zerados;   c) Não houve apresentação da Escrituração Contábil Digital (ECD), referentes  aos períodos 2009, 2010 e 2011;   d)  A  empresa  utilizou­se  de  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA  em  seu  quadro societário.   ­ Da multa qualificada   ­  Em  razão  dos  ilícitos  cometidos  de  SONEGAÇÃO  e  FRAUDE,  conforme descrito nos itens “a”, “b” e “d” a autuada teve a multa, em um  primeiro momento , QUALIFICADA em 100%, passando de 75% (setenta  e cinco) para 150% (cento e cinqüenta) conforme previsão do art. 44, § 1º,  da Lei nº 9.430/96, pela infração estar relacionada com os casos previstos  nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64.  ­ Da multa agravada   ­ A multa foi AGRAVADA em 50%, passando de 150% (cento e cinqüenta)  para 225% (duzentos e vinte e cinco), conforme previsto no art. 44, § 2º, da  Fl. 11769DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 27          7 Lei nº 9.430/96, pelo não atendimento às intimações fiscais, tendo em vista as  constatações relacionadas no item “c”.   10 – Da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória   ­ Foi lavrado também o Auto de Infração no valor de R$ 51.000,00 (cinquenta  e um mil reais), em razão de a empresa não ter entregue a ECD – Escrituração  Contábil Digital, nos termos do art. 3º, incisos I e  II da Instrução Normativa  RFB nº 787, de 19/11/2007.  11 – Da representação fiscal para fins penais   ­  Foi  providenciada  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  visto  que  ficou  evidenciado, de forma inequívoca, a intenção da Fiscalizada de retardar e, até  mesmo,  impedir  o  conhecimento  por  parte  do  fisco  da  ocorrência  dos  fatos  geradores dos tributos objeto do presente lançamento, o que constitui, em tese,  crime contra a ordem tributária,  tendo como base legal o art. 1º,  inciso I, da  Lei nº 8.137/90.   12 – Da sujeição passiva solidária   12.1 – Da responsabilidade solidária das pessoas jurídicas envolvidas   ­ Conforme  relatado neste Termo e  exaustivamente  comprovado nos  anexos  que fazem parte do auto de infração, a RBM RECICLAGEM E INDÚSTRIA  BRASILEIRA  DE  ALUMÍNIO  E  METAIS  LTDA  –  ME  faz  parte  do  GRUPO CANTO de propriedade da família Canto.   ­ As empresas patrimoniais MCN e CDC e as empresas do GRUPO CANTO,  abaixo  relacionadas,  tiveram  interesse  e  se  beneficiaram  das  situações  que  constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente  termo,  sendo portanto  solidariamente  obrigados  ao  pagamento  do  tributo  ou  penalidade pecuniária, de acordo com os arts. 121 e 124, inciso I, do CTN.  [...]  12.2 – Da responsabilidade solidária das pessoas físicas envolvidas   ­  Os  ilícitos  praticados  pela  família  Canto,  com  a  consequente  responsabilização  dos  seus  membros  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigação tributária, está determinado no inciso III, do art. 135 do CTN.   ­  Como  demonstrado  de  forma  inequívoca,  nos  anexos  que  fazem  parte  do  auto  de  infração,  o  GRUPO  CANTO  é  administrado  por  MANOEL  DO  CANTO  NETO  –  CPF  321.338.048­20,  sua  esposa  MARIA  DOLORES  MARTINEZ  DO  CANTO  –  CPF  285.782638­98;  seus  filhos  MÁRIO  MARTINEZ  DO  CANTO  –  CPF  131.986.698­04  e  JOSÉ  ROBERTO  MARTINEZ DO  CANTO  –  CPF  267.255.458­74;  o  irmão  CLÁUDIO DO  CANTO – CPF  010.780.328­31  e  a  sua  esposa ELIANE REGINA ALVES  DO  CANTO  –  CPF  075.948.008­77  e  são  seguramente  os  principais  beneficiários das sonegações e fraudes perpetradas pela Fiscalizada.     Cabem  aqui  algumas  considerações  complementares  ao  Relatório  do  Acórdão da DRJ, que é muito sucinto no tocante ao complexo quadro de relações entre pessoas  jurídicas e das pessoas físicas com elas.  Segundo o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade Fiscal, há  um  amplo  grupo  econômico  que  se  utiliza  de  empresas  "paralelas",  ou  seja,  com  quadros  societários interpostos, e pratica diversos ilícitos tributários com o intuito de evitar pagamento  de créditos tributários, conforme descrito abaixo:  Fl. 11770DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     8    Segundo continua explicando a Fiscalização, a RBM foi a empresa escolhida  para concentrar os tributos do grupo, apesar de que ela não declarava praticamente nada. Se e  quando  fosse  cobrada,  nada  pagaria  e  os  responsáveis  seriam  os  seus  sócios,  que  são meras  "pessoas interpostas".   A partir das  informações obtidas em DIMOF e DECRED, o sócio da RBM  chamado Joaquim Miguel Teixeira Alves, considerado um "responsável laranja", teve nos três  anos calendários fiscalizados um rendimento tributável de R$ 70.000,00 e uma movimentação  de  R$  8.000,00,  ao  passo  em  que  a  empresa  teve  um  faturamento  de  aproximadamente R$  950.000.000,00 e uma movimentação de R$ 500.000.000,00.   Não  há  quaisquer  imóveis  ou  veículos  em  nome  do  sócio  Joaquim Miguel  Teixeira Alves.   A situação patrimonial e financeira do outro sócio, José Carlos do Rozario, é  muito semelhante.   De acordo com a Fiscalização, os sócios receberiam uma remuneração para  figurarem  no  quadro  de  sócios,  mas  não  decidiam  nada  na  empresa,  conforme  havia  sido  apurado com eles mesmos.   Arnaldo  Tavares  Siqueira  era  quem,  segundo  ele  próprio,  figurava  como  "proprietário" da RBM no Rio de Janeiro, mas não quis informar quais seriam os "donos" na  RBM de São Paulo.  No Relatório emitido como resultado das circularizações, constam inúmeras  relações questionáveis entre as empresas do grupo econômico, conforme alguns trechos abaixo  extraídos do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade Fiscal:     Fl. 11771DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 28          9   Segundo a Fiscalização, houve uma  tentativa de blindagem patrimonial por  meio da transferência dos bens comprados com o dinheiro da sonegação fiscal para empresas  de  participações:  MCN  ­  Empreendimentos  Imobilitários  Ltda.  e  CDC  ­  Administração  e  Participações Ltda.   Voltando  ao  Relatório  da  DRJ,  os  argumentos  da  Impugnação  ficaram  resumidos da seguinte forma:    IMPUGNAÇÃO   Inconformadas,  a  Contribuinte  e  as  pessoas  arroladas  como  responsáveis  solidárias, apresentaram a impugnação de f. 5954 a 6071, na qual alegam, em  síntese, o seguinte:  Após  discorrerem  brevemente  pela  tempestividade  da  impugnação  e  fatos  ocorridos, iniciam a apresentação de suas razões de defesa no item intitulado  “III – OS FUNDAMENTOS DO AUTO DE INFRAÇÃO”. Neste item fazem  alegações de variada ordem.  Esclarecem  que  a  constatação  de  que  existe  uma  holding  que  administra  a  empresa não é elemento a ser escondido e merece toda divulgação, inclusive  pela mídia. Contestam a assertiva da Fiscalização de que exista sonegação de  contribuições  previdenciárias  ou  de  imposto  de  renda.  Negam  que  exista  a  alegada blindagem patrimonial, posto que o  fato de existirem empresas com  relações financeiras e societárias não poderia caracterizar a fraude. Asseveram  que, se a Fiscalização sustenta que existe um grupo econômico e que existe  trânsito de valores entre as empresas do mesmo grupo, ela deveria aplicar o  direito  correspondente  ao  caso  e  não  se  poderia  tributar  diversas  vezes  o  mesmo  trânsito  de  valor.  Pugnam  pela  realização  de  diligência  para  comprovar a base das despesas relativas à transferências entre as empresas do  grupo. Negam a existência de  interpostas pessoas (“laranja”) na composição  societária da Fiscalizada. Asseveram que a confusão patrimonial de que fala a  Fiscalização, trata­se de regras de rateio de despesas entre empresas de grupo  econômico, devendo a matéria ser esclarecida com uma diligência, sob pena  de nulidade do auto de infração.   No  item  intitulado  “IV  ­  A  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  –  APLICAÇÃO  DAS  SÚMULAS  29  E  30  DO  CARF”,  alegam  que  a  movimentação  financeira  entre  as  empresas  do mesmo  grupo  empresarial  é  totalmente justificável.  No item intitulado “V ­ A SUPOSTA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA”,  alegam  que  o  fato  de  um  sócio  não  apresentar  rendimentos  elevados  não  determina  que  ele  seja  interposta  pessoa.  Isso  não  teria  significado  jurídico  para comprovar o não recolhimento de tributos pela empresa.   Em  seguida,  as  Impugnantes  reportam­se  ao  que  chamam  de  “mérito”.  No  item intitulado “VI ­ A NULIDADE E A VIOLAÇÃO ÀS SÚMULAS 29 E  30 DO CARF”, sustentam que ao verificar a movimentação bancária de várias  empresas,  a  Fiscalização  deixou  de  observar  o  dever  jurídico  de  intimar  a  todos,  inquinando de nulidade o  auto de  infração. Amparam­se nas  súmulas  do CARF que têm a seguinte redação:   Fl. 11772DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     10 Súmula  CARF  nº  29:  Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração  com  base  na  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  ou  rendimentos,  sob  pena  de  nulidade  do  lançamento  Súmula CARF nº 30: Na  tributação da omissão  de  rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  os  depósitos  de  um  mês  não  servem  para  comprovar  a  origem  de  depósitos  havidos em meses subsequentes.   No  item  intitulado  “VII  ­  O  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO”,  as  Impugnantes  alegam  que  a  própria  Fiscalização  reconheceu  que  a  empresa  apresentou  todos  os  documentos  solicitados.  Sustentam  que  a  Fiscalização  deveria ter diligenciado para esclarecer a justificativa para uma movimentação  financeira de mais de 14 milhões de reais em 2009.   No  item  intitulado  “VIII  –  O  CONCEITO  DE  RECEITA  BRUTA  CONHECIDA”,  as  Impugnantes  alegam  que  a  Fiscalização  foi  além  do  efetivo faturamento de cada uma das empresas. Asseveram que as transações  deveriam ter sido auditadas.  No  item  intitulado  “IX  ­  A  INTIMAÇÃO  PARA  APRESENTAÇÃO  DE  DADOS SOBRE PIS E COFINS”, as Impugnantes sustentam que é isenta de  PIS e COFINS. Reportam­se à Lei nº 11.196/2005 e à Solução de Consulta nº  198/2012,  que  tratam  da  suspensão  de  COFINS  na  venda  de  resíduos  de  alumínio  e  outros  materiais.  Alegam  que  o  erro  na  apuração  da  base  de  cálculo  do  tributo  implica  nulidade  do  lançamento.  Aduzem  que  juntam  elementos  de  contabilidade  que  foram  ignorados  e  que  poderiam  ser  auditados, de modo que os valores apurados a título de IRPJ e CSLL seriam  indevidos e os autos de infração seriam nulos.   No  item  intitulado  “X  –  OS  ELEMENTOS  DA  QUALIFICAÇÃO  E  AGRAVAMENTO DA MULTA”, as Impugnantes alegam que a Fiscalizada  apresentou  os  elementos  contábeis,  mas  não  pode  ser  responsabilizada  por  questões relativas a outras empresas do grupo econômico. A Fiscalização teria  imputado o elemento dolo em “atuação normal da empresa”.   No  item  intitulado  “XI  –  A  MULTA  QUALIFICADA.  A  IMPERIOSA  REDUÇÃO  PELA  FALTA  DE  BASE  PARA  SUA  APLICAÇÃO”,  as  Impugnantes  transcrevem  precedente  do  CARF  com  o  qual  pretendem  demonstrar que não há base para a qualificação da multa.  No  item  intitulado  “XII  –  A  IMPOSSIBILIDADE  DA  PRESUNÇÃO  DE  SONEGAÇÃO  E  QUALIFICAÇÃO  DA  MULTA”,  as  Impugnantes  contestam a multa aplicada reproduzindo precedente do CARF.   No  item  intitulado  “XIII  –  A  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  FINS  PENAIS  –  RFFP”,  as  Impugnantes  alegam  que  a  medida  adotada  pela  Fiscalização é abusiva.   No  item  intitulado  “XIV  –  A  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  –  A  INEXISTÊNCIA DE CONDUTA CRIMINOSA”,  as  Impugnantes  negam  a  existência de conduta delituosa.   No  item  intitulado  “XV  –  O  ENTENDIMENTO  DA  SÚMULA  28  DO  CARF”, as  Impugnantes sustentam que o objetivo do presente recurso não é  debater  a  representação  fiscal  para  fins  penais,  mas  para  que  o  CARF  se  manifeste se houve dolo ou não, a ensejar a representação.   No  item  intitulado  “XVI  –  DA  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA”,  as  Impugnantes  apenas  relatam  a  imputação  de  responsabilidade  solidária  feita  pela Fiscalização.  No  item  intitulado  “XVII  –  A  INEXISTÊNCIA  DE  SOLIDARIEDADE.  INTERESSE  COMUM  NA  SITUAÇÃO  QUE  CONSTITUI  FATO  GERADOR  DA  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  PRINCIPAL.  VIOLAÇÃO  DO FISCO AO ART. 124 DO CTN”, as  Impugnantes alegam que os sócios  têm  interesse  comum  no  lucro,  mas  não  poderia  prosperar  a  imputação  de  solidariedade ao grupo econômico, por vontade da Fiscalização. Sustenta que  Fl. 11773DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 29          11 a  desconsideração  da  personalidade  jurídica  somente  é  cabível  se  exaurido  meios de cobrança do devedor.   No  item  intitulado “XVIII – OS PEDIDOS”,  as  Impugnantes  relacionam os  seguintes pedidos:   Requer, cumulativamente e alternativamente:   a) O conhecimento do recurso por ser tempestivo;   b) Que seja anulado o auto de infração por vício quanto à fundamentação da  existência  de  Grupo  Econômico  que  foi  fundada  em  motivação  relativa  ao  creditamento  de  ICMS  e  em  conclusões  da  Fazenda  Estadual  que  não  aplicáveis ao caso;  c)  Que  seja  anulado  o  auto  de  infração  por  vício  material,  se  mantida  a  relação  de  Grupo  Econômico,  uma  vez  que  nesse  caso  deveria  ter  sido  oportunizado aos envolvidos no caso com a devida possibilidade de justificar  cada uma das operações em questão, inclusive atraindo ao caso a incidência  das súmulas 29 e 30 do CARF;   d) Que seja anulado o auto de  infração em face da existência de elementos  para  fiscalização das hipóteses de  lucro real, ensejando que o arbitramento  em valores excessivos e sem levar em conta a realidade da operação enseja  violação ao art. 148 do CTN;   e)  Que  seja  anulado  do  auto  de  infração  para  se  considerar  as  receitas  previstas  na  contabilidade,  desconsiderando­se  aqueles  relativas  a  empréstimos e rateio de despesas comuns, se for mantido o grupo econômico,  sob pena de violação ao art. 148 do CTN;   f) Que seja anulado o auto de infração por vício formal, facultando a devida  produção de provas ou, alternativamente a baixa do processo em diligência;   g) Que seja reduzida a multa qualificada e seu agravamento pela inexistência  de dolo e pelo contribuinte ter colaborado com a fiscalização, nos termos de  procedentes do CARF;  h)  Que  em  que  pese  a  súmula  28  do  CARF  que  seja  reconhecida  a  inexistência de dolo e de qualquer violação de índole criminal;   i) Que seja retirada a solidariedade pela violação ao art. 124 e 135 do CTN,  uma  vez  que  mesmo  que  se  considere  grupo  econômico  não  há  entre  as  empresas relação direta de fato gerador uma com as outras e, muito menos,  dos sócios ou administradores.      O Acórdão da DRJ ficou ementado da seguinte forma:    "ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA  ­  IRPJ   Ano­calendário: 2009, 2010, 2011   LUCRO  ARBITRADO.  APRESENTAÇÃO  POSTERIOR  DA  ESCRITURAÇÃO. EFEITO.   A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela  apresentação,  posterior  ao  lançamento,  de  livros  e  documentos  imprescindíveis  para  a  apuração  do  crédito  tributário  que,  após  regular  intimação,  deixaram  de  ser  exibidos  durante  o  procedimento  fiscal  (Súmula  CARF nº 59).   ARBITRAMENTO DO LUCRO. ART. 530 DO RIR/99. ART. 148 DO CTN.   O procedimento de arbitramento do lucro previsto no art. 530 do RIR/99 não  se  confunde com o procedimento de  arbitramento do valor ou preço de que  trata o art. 148 do CTN, mormente quando se tem como conhecida a receita  ou o valor de compras para o fim de apurar o lucro tributável.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Fl. 11774DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     12 Ano­calendário: 2009, 2010, 2011   MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO A  INTIMAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPOSSIBILIDADE.   A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica,  por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o  arbitramento dos lucros (Súmula CARF nº 96) .   CONFUSÃO  PATRIMONIAL.  GRUPO  ECONÔMICO.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente pelo  crédito  tributário  as  pessoas  jurídicas  integrantes  do  mesmo  grupo  econômico  que  são  administradas  pelos  sócios  de  fato  como  se  uma  única empresa fossem, com a caracterização de confusão patrimonial e  fraudes  com  intuito  de  frustrar  eventual  cobrança  de  créditos  tributários.  INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. RESPONSABILIDADE  DOS ADMINISTRADORES DE FATO.   Uma vez  apurada a  interposição fraudulenta de pessoas no quadro  social da  empresa,  devem  ser  arroladas  no  polo  passivo  da  obrigação  tributária  os  verdadeiros gestores da empresa.   RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ART.  135,  III,  DO  CTN.  INFRAÇÃO DE LEI.   Os  administradores  da  empresa  são  responsáveis  pelos  tributos  exigidos  da  pessoa jurídica, em face da prática de infrações de lei como a interposição de  pessoas no quadro societário e sonegação fiscal.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2009, 2010, 2011   PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA.  PRESSUPOSTO.  OPERAÇÕES  DA  EMPRESA.   A diligência não se presta a suprir a inércia da parte na produção das provas  de  sua  competência.  Se  a  diligência  requerida  é  destinada  a  esclarecer  alegação  do  contribuinte  sobre  suas  próprias  operações,  compete  a  este  providenciar a prova, até porque é quem tem mais condições de produzi­la.   TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS.   Sempre  que  o  fato  se  enquadrar  ao  mesmo  tempo  na  hipótese  de  incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto  a  ele  aplicar­se­ão  igualmente  no  julgamento  de  todas  as  exações.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte"      Inconformados  com o  resultado  do  julgamento  da DRJ,  houve  interposição  de um único Recurso Voluntário pela  contribuinte  e  todos os demais  responsáveis. Também  houve interposição de Recurso de Ofício para rediscutir o "desagravamento" da multa de 225%  para 150%.     O Recurso Voluntário é muito parecido com a Impugnação e repete os seus  argumentos. Algumas questões específicas mais trabalhadas no Recurso serão objeto de análise  no Voto.   É o relatório.      Fl. 11775DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 30          13 Voto             Conselheiro MARCOS DE AGUIAR VILLAS­BÔAS ­ Relator.  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  cumpre  os  requisitos  de  admissibilidade, motivo pelo qual passo à sua análise.    Nulidade do Auto de Infração por conta dos fundamentos utilizados pela  Fiscalização  Ainda que de passagem, muito rapidamente, a Recorrente alega nulidade do  Auto  de  Infração  por  conta  dos  fundamentos  empregados  pela  Fiscalização  relativamente  a  tributos previdenciários.   Em seguida, faz a mesma alegação de nulidade pelo fato de a Fiscalização ter  se valido de informações fornecidas pela Fazenda Estadual.   Não estão sendo exigidos contribuições previdenciárias,  ICMS ou quaisquer  outros  tributos  fora  do  objeto  da  Fiscalização.  Considerações  sobre  contribuições  previdenciárias  e  ICMS  foram  trazidas  para  desenhar  o  cenário  fático  e  construir  a  argumentação de que a Recorrente deixava de pagar  todos  os  tributos devidos,  o que parece  difícil de negar frente às gigantescas diferenças encontradas entre o que era declarado e o que  era movimentado nas contas bancárias, assim como havia uma estratégia montada envolvendo  diferentes  empresas  e  pessoas  físicas  que  facilitava  o  não  pagamento  de  todos  os  tributos  federais devidos.   A  troca  de  informações  entre  as  diferentes  Fazendas Públicas  é  algo muito  proveitoso,  pois  colabora  em  situações  nas  quais  se  tenta  algum  tipo  de  estratégia  para  camuflar as operações, para escoar  tributos a uma determinada empresa que não os pagará e  cujos sócios não têm patrimônios para cobrir o crédito tributário devido, como é exatamente o  caso.   Em  casos  nos  quais  há  simulações,  a  Fiscalização  necessita  do máximo  de  informações e, portanto, um reforço no procedimento  investigatório é  salutar, desde que não  fira direitos do cidadão.   No  presente  caso,  houve  apenas  troca  de  informações,  transparência  nos  dados.  Esta Primeira Seção do CARF tem aceito frequentemente Autos de Infração  baseados  em  informações obtidas  junto  a outras Fazendas Públicas,  como as  estaduais. Vide  um exemplo abaixo:  "ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ  Exercício: 2008  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  CONVÊNIO  ENTRE  ÓRGÃOS  FAZENDÁRIOS. LEGALIDADE.   Fl. 11776DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     14 É legal a troca de informações fiscais entre órgãos fazendários por intermédio  de  convênios  firmados.  Configura­se  omissão  de  receitas  a  constatação  de  receitas  tributáveis  não  declaradas  junto  ao  fisco  federal,  por  intermédio  de  informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual.  PROVA EMPRESTADA. A utilização de informações prestadas pelo próprio  sujeito passivo ao fisco estadual por convênio de cooperação não se configura  como  prova  emprestada  [...]"  (3ª  Câmara,  2ª  Turma  Ordinária,  Acórdão  nº  1302­001.139, Sessão de 9 de julho de 2013, Rel. Márcio Rodrigo Frizzo).   Nota­se  que,  segundo  o  entendimento  do CARF,  não  há  qualquer  vício  no  fato de a Fiscalização tomar emprestado informações ou mesmo provas que possam, de alguma  forma, servir ao procedimento investigatório.   A  jurisprudência  brasileira  segue  a  mesma  linha,  até  porque  a  troca  de  informações está prevista clara e expressamente no art. 199 do Código Tributário Nacional:  "Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e  dos Municípios prestar­se­ão mutuamente assistência para a  fiscalização dos  tributos  respectivos  e  permuta  de  informações,  na  forma  estabelecida,  em  caráter geral ou específico, por lei ou convênio".  No  caso  específico,  objetivava­se  demonstrar  a  relação  existente  entre  as  empresas e, sobretudo, a confusão entre os seus patrimônios, o que, como se verá adiante ficou,  de fato, comprovado.   No mais, ao tratar deste ponto, os Recorrentes tergiversam e utilizam de parte  dos elementos utilizados pela Fiscalização para afirmar que tudo aquilo era notório e que não  permite  chegar  às  conclusões  a  que  ela  chegou,  o  que  também  veremos  com mais  detalhes  adiante.  Outro  argumento  dos  Recorrentes  é  o  de  que  não  cabia  afirmar  haver  enormes diferenças entre as movimentações bancárias das empresas e as das pessoas  físicas,  pois essa matéria requereria ação fiscal própria.   Valem  as  mesmas  considerações  acima.  Algumas  informações  e  provas  serviram  apenas  para  montar  o  cenário  de  evasão  tributária  a  partir  de  grupo  econômico  e  pessoas interpostas, não interferindo na delimitação de objeto da Fiscalização.   Deste modo, rejeito a preliminar de nulidade por utilização de informações e  documentos relativos a tributos que não fazem parte do objeto da Fiscalização.     Nulidade do Auto de Infração por afronta às Súmulas 29 e 30 do CARF   Os  Recorrentes  alegam  que,  ao  analisar  movimentações  financeiras,  a  Fiscalização teria criado um dever para si de intimar todas as pessoas envolvidas, o que não é  verdade, pois as súmulas se referem ao dever da Fiscalização de intimar todos os co­titulares  das  contas  para  que  tenham  a  oportunidade  de  comprovar  a  origem  dos  valores  circulados  nelas.   Seguem os textos das súmulas:  "Súmula CARF nº 29: Todos os co­titulares da conta bancária devem  ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na  fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção  Fl. 11777DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 31          15 legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do  lançamento".     "Súmula  CARF  nº  30:  Na  tributação  da  omissão  de  rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  os  depósitos  de  um mês  não  servem  para  comprovar  a  origem de depósitos havidos em meses subsequentes".  As súmulas são inaplicáveis ao caso concreto, no qual a Fiscalização se valeu  de  arbitramento  por  receita  bruta  (notas  fiscais  de  saída)  e  por  compras  (notas  fiscais  de  entrada), mas não dos valores movimentados nas contas bancárias.   Não se trata aqui de omissão de receitas. As movimentações bancárias foram  utilizadas para demonstrar as grandes discrepâncias entre o que circulava nas contas correntes  de pessoas jurídicas e físicas, e o que se declarava ao fisco.   A DRJ decidiu corretamente nesse sentido. Sendo assim, há aqui mais uma  distorção  praticada  pelos  Recorrentes  para  tentar  imputar  nulidade  ao  Auto  de  Infração,  devendo ser o pedido rejeitado.     O arbitramento do lucro  Os Recorrentes  alegam  que  a  Fiscalização  afirmou  não  ter  recebido  toda  a  contabilidade da RBM relativa aos anos calendários de 2009, 2010 e 2011, mas, em seguida, se  contradiz, quando afirma que foram recebidos documentos, porém sem as formalidades legais e  em folhas soltas.   Assim  como  a  DRJ,  este  Relator  não  localizou  o  trecho  citado  pelos  Recorrentes  no  sentido  de  que  os  documentos  teriam  sido  entregues,  porém  imperfeitos.  Durante  o  Termo  de  Verificação  e  Constatação  de  Irregularidade  Fiscal,  apenas  é  dito  que  nenhum dos documentos contábeis foi entregue, que as declarações não "casam" com as notas  fiscais e nem mesmo entre si, além de que foram apresentadas DCTFs zeradas.   Pelo que  foi  narrado, não parecia haver,  de  fato,  qualquer base documental  confiável  para  um  lançamento  direto  e,  como  bem  assevera  a  Fiscalização,  a  confusão  patrimonial das empresas colabora para a insegurança transmitida pela contabilidade da RBM,  reforçando a conclusão de que seria necessário realizar um arbitramento.   Após  intimada para  apresentar os documentos,  a RBM apresentava pedidos  de  dilação  de  prazo  que  nunca  cumpria.  Passaram­se  vários meses  sem  qualquer  entrega  de  documentos, o que poderia  levar  à conclusão de que  a empresa apenas buscava ganhar mais  tempo.   Conforme o art. 530, inc. I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR):  Art.530. O imposto, devido  trimestralmente,  no decorrer do  ano­calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado,  quando  (Lei  nº  8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º):   I ­ o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro  real,  não  mantiver  escrituração  na  forma  das  leis  comerciais  e  fiscais,  ou  Fl. 11778DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     16 deixar  de  elaborar  as  demonstrações  financeiras  exigidas  pela  legislação  fiscal;  Ainda  que  seja  verdadeira  a  alegação  dos Recorrentes, muitas  vezes  não  é  possível  realizar  a  apuração  a  partir  de  alguns  documentos  que  são  apresentados  pelos  contribuintes, pois as inconsistências deles e a falta de validação põem em completa dúvida a  sua fidedignidade.   Deste  modo,  a  decisão  pelo  arbitramento  é  acertada  e  suportada  pela  jurisprudência mais atual deste CARF, como, por exemplo:  "Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­ calendário:  2004,  2005,  2006,  2007  GLOSA  DE  CUSTOS.  ARBITRAMENTO.  Incabível  a  preservação  da  tributação  pelo  lucro  real quando a autoridade fiscal procede à glosa da totalidade dos custos  dos bens  e  serviços vendidos. Não  sendo possível  identificar quais os  custos  passíveis  de  glosa,  deve  o  Fisco  arbitrar  o  lucro  da  pessoa  jurídica,  pois  a  tributação  pelo  lucro  real  pressupõe  a  existência  de  escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos  lastreados  por  documentos  hábeis  e  idôneos,  registrados  em  livros  comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro líquido, que é  a  soma  algébrica  de  receitas,  custos  e despesas"  (CARF,  1ª  Seção,  3ª  Câmara,  1ª  Turma  Ordinária,  Processo  nº  19515.002434/2010­52,  Acórdão nº 1301­001.260, Data da sessão: 11 de julho de 2013).  O  procedimento  adotado  pela  Fiscalização  está,  portanto,  em  consonância  com o art. 148 do CTN, não havendo o que ser reparado. Ele determina que haja arbitramento  sempre que os valores sejam omissos ou que não mereçam fé:  "Art.  148.  Quando  o  cálculo  do  tributo  tenha  por  base,  ou  tome  em  consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo  ou  pelo  terceiro  legalmente  obrigado,  ressalvada,  em  caso  de  contestação,  avaliação contraditória, administrativa ou judicial".  Pelo exposto, diante da impossibilidade de realizar a exigência dos tributos a  partir da documentação contábil e fiscal da empresa RBM, agiu corretamente a fiscalização ao  perpetrar o arbitramento, não havendo nulidade. Deve ser mantido o Acórdão da DRJ também  quanto a esse item.    O conceito aplicável de Receita Bruta conhecida  Neste  item,  os  Recorrentes  apenas  citam  um  trecho  extenso  do  Termo  de  Verificação  e  Constatação  de  Irregularidade  Fiscal  e  alegam,  de  forma  "solta",  que  "os  auditores  extrapolaram  os  elementos  e  foram  além  dos  valores  existentes  e  relativos  efetivamente ao faturamento de cada uma das empresas".   Mais uma vez, trata­se de alegação que tangencia o problema. A contribuinte  entregou  DCTFs  zeradas  e,  após  intimada  inúmeras  vezes,  não  apresentou  documentação,  apesar de afirmar que apresentou documentos, mas eles apenas estavam imperfeitos.   Fl. 11779DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 32          17 Como  se notará  à  frente,  havia  uma enorme  confusão  entre os  patrimônios  das empresas do grupo, indicando que operações eram realizadas por uma empresa e faturadas  por outras, tanto que quase sempre não há lógica entre a receita bruta apurada a partir das notas  fiscais da RBM e as suas declarações.   Houve dois tipos de arbitramento no Auto de Infração: a) o primeiro baseado  na receita bruta conhecida, conforme o art. 532 do RIR, que remete ao art. 519. Utilizou­se a  receita  bruta  calculada  a  partir  das  notas  fiscais  eletrônicas;  b)  o  segundo,  como  não  havia  receita  bruta  conhecida,  foi  utilizado  o  método  do  art.  535,  V,  do  RIR,  que  determina  a  utilização  das  compras  efetuadas  no  mês  e  a  multiplicação  por  quatro  décimos,  o  que  é  o  mesmo que 40%.     A intimação para apresentação de dados sobre PIS e COFINS  Este  item  do  Recurso  é  bastante  confuso.  Começa­se  alegando  que  as  intimações foram para fins de tributação pelo PIS e pela COFINS. Acontece que o Termo de  Início  de  Procedimento  Fiscal  tem  como  objeto  uma  fiscalização  de  IRPJ,  que,  como  geralmente acontece, é estendida para os chamados "reflexos", ou seja, CSLL, PIS e COFINS.  Depois é dito que não faz sentido intimar para fiscalizar PIS e COFINS, mas  zerar os prejuízos fiscais.   Em seguida, alega que, se há prejuízo fiscal, há contabilidade regular.   Parece  que  os  Recorrentes  misturam  uma  porção  de  assuntos,  os  quais  precisam ser destrinchados.   Não houve erro quanto à fiscalização e às intimações.   Quanto  ao  prejuízo  fiscal,  ele  deve  estar  registrado  na  DIPJ  e,  como  informado pela Fiscalização, houve DIPJ no ano de 2009, apesar de as DCTFs estarem zeradas.  Quanto a 2010 e 2011, as DIPJs estavam zeradas.   Pela  insuficiência  da  contabilidade,  pelas  declarações  zeradas,  pela  falta  de  fidedignidade  das  informações  e  pela  confusão  patrimonial,  não  era  possível  checar  se  os  valores da DIPJs estavam corretos, tendo havido arbitramento.   Nesse  caso,  deixa  de  ser  aplicado  o  lucro  real,  método  escolhido  pela  contribuinte,  passando  a  haver  apuração  como  se  ela  fosse  optante  do  lucro  presumido,  seguindo as regras previstas no RIR.  No que toca à suspensão do PIS e da COFINS sobre as operações da RBM,  há um primeiro problema, que é a confusão patrimonial. Não é possível identificar com clareza  se toda a receita auferida por ela pertence realmente a ela e se decorreria de atividade sobre a  qual não podem ser cobrados PIS e COFINS.  Além disso, nem todas as atividades da RBM estão sujeitas à suspensão do  PIS e da COFINS, tanto que ela declarava valores a pagar desses tributos em seus DACONs.   Fl. 11780DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     18 A contribuinte não traz nenhuma prova aos autos de que as operações "a", "b"  e "c" estariam sujeitas à suspensão do PIS e da COFINS e que estariam sendo indevidamente  tributadas dentro do arbitramento.   Uma vez que foi impossível fiscalizar adequadamente a RBM e, assim, poder  identificar  todas as  suas operações e as  respectivas  receitas,  tendo sido necessário arbitrar as  receitas e o lucro da empresa, não cabe afastar a tributação de PIS e COFINS.  Os  precedentes  citados  no Recurso Voluntário  não  podem  ser  aplicados  ao  caso,  tendo em vista que se  referem  a outras  situações,  como o arbitramento que considerou  como lucro real toda a receita identificada e um caso de omissão de receitas, matéria que não  está em discussão neste processo administrativo.   Conclui­se que deve ser mantida a cobrança de PIS e COFINS, devendo ser  mantido o Acórdão da DRJ.    A multa qualificada  Em relação à multa qualificada, de início, o Recurso Voluntário apenas cita  trechos da Autuação  e um extenso precedente que  trata de omissão de  receitas  apuradas por  movimentações bancárias, que não é o caso aqui.   Mais  à  frente,  são  juntados  inúmeros  precedentes  que  tratam  de  desqualificação de multa em questões de omissão de receitas e falta de conduta reiterada, que  também não se coadunam ao presente processo administrativo.   Como  se  nota  da  Fiscalização  e  do  que  se  expôs  aqui  até  o momento,  nos  anos  de  2009,  2010  e  2011,  a  RBM  nunca  apresentou  as  duas  declarações  devidamente.  Quando  a  DIPJ  foi  apresentada  em  2009,  as  DCTFs  foram  entregues  zeradas.  Em  outros  períodos, houve DCTF, mas não houve DIPJ. Em outros períodos, nenhuma das duas tinham  valores declarados.   Quando  intimada  em  repetidas  oportunidades  para  apresentar  sua  contabilidade, nada foi entregue pela contribuinte à Fiscalização.   Não  se  trata  de  um  ou  dois  meses,  porém  de  36  meses,  todo  o  período  fiscalizado,  com declarações não entregues ou  zeradas,  configurando  claramente  a  reiteração  do comportamento doloso de não apresentar todas as informações fiscais à Receita Federal.   Conforme  se  notou  das  movimentações  bancárias  da  empresa,  os  valores  circulados nas contas são infinitamente maiores do que os declarados, o que funciona como um  elemento a mais de prova da intenção de pagar menos tributos do que realmente devido.   Por  fim, ainda houve  interposição de quadro societário que era  remunerado  para permitir o uso do seu nome.  Acertou, portanto, a DRJ quando afirmou que:  "Os  fatos  apurados  demonstram  que  a  qualificação  da multa  de  ofício  é  cabível. Além da interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário,  a  Fiscalização  apurou  a  existência  de  receita  bruta  bilionária  não­ declarada,  com  base  em  notas  fiscais  eletrônicas  de  emissão  da  Fiscalizada. Ou seja, foi apurada omissão material, cuja expressividade do  Fl. 11781DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 33          19 valor e reiteramento da conduta por três anos­calendário seguidos, afastam  a  caracterização  de  ato  involuntário,  evidenciando  o  intuito  doloso  de  sonegação, conforme consta do art. 71 da Lei nº 4.502/64".   Com  relação  às  alegações  a  respeito  da  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  como  afirma  o  próprio  Recurso  Voluntário,  não  há  que  discuti­la  neste  processo  administrativo. Quanto ao seu objetivo de afastar a configuração de dolo, não obtiveram êxito  nessa empreitada os Recorrentes, como explicado acima.   Mantém­se, por conseguinte, a conclusão da DRJ no sentido de ser cabível a  aplicação da multa qualificada de 150%.     A responsabilidade tributária  Os Recorrentes alegam haver um absurdo, pois foi imputada responsabilidade  supostamente sem lei, por mera vontade do auditor.   Em  seguida,  citam  precedentes  que  não  se  aplicam  diretamente  ao  caso. O  argumento dos Recorrentes é o de que não há lei para tal responsabilização e, sobre o interesse  comum, questiona o fato de não ser ilegal constituir um grupo econômico.   A  Fiscalização,  obviamente,  não  questiona  a  ilegalidade  dos  grupos  econômicos, mas afirma haver solidariedade tributária quando uma empresa sonega tributos e  participa de um grupo de empresas cujos interesses são comuns.   Ocorre  ainda  que  a  Fiscalização  trouxe  inúmeros  fatos  a  ensejar  a  configuração do interesse comum na própria estratégia criada por contribuinte e responsáveis  para não pagarem todos os tributos devidos e, portanto, aplica o art. 124, I, do CTN.   Quanto  às  pessoas  físicas,  entendeu  ter  havido  atuação  dos  sócios  administradores  para  que  fosse  engendrada  uma  sistemática  de  aparente  sonegação  fiscal,  dentre outros possíveis atos ilícitos.   Em se tratando de responsabilidade, é preciso adentrar em cada caso concreto  em específico, olhando para os detalhes dele em relação à existência de condutas, de interesses  em comum etc.   Cabe,  então,  revisarmos  o  complexo  contexto  fático  que  se  tem nesse  caso  concreto, que envolve diversas pessoas jurídicas e físicas.   Conforme a Fiscalização:    Fl. 11782DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     20 A  Fiscalização  elaborou  um  documento  extenso  para  tratar  unicamente  do  grupo  econômico  e  de  suas  relações.  Explica  que  as  empresas  praticam  atividade  idênticas,  semelhantes ou complementares, estando todo o grupo interligado.   A  Fiscalização  fez  um  trabalho  minucioso,  identificando  empresa  por  empresa de acordo com dados da Receita Federal, dados fornecidos pela SEFAZ por meio de  decisão judicial e circularizações junto a fornecedores e clientes. Ela conclui a  Introdução do  seu relatório da seguinte forma:  "Resumidamente  podemos  dizer  que  as  empresas  pertencentes  ao GRUPO­ CANTO tem, em sua maioria, as seguintes características :  ­ Endereços  coincidentes  (ou  próximos)  com  administração  centralizada  em  um  único  endereço  na  cidade  de  São  Paulo,  na  Vila Maria, Av.  Guilherme  Cotching, n° 726,  ­  Atividades  idênticas/assemelhadas  e  ou  complementares  no  ramo  de  reciclagem de alumínio,.  ­ Tem ou  tiveram em seu quadro societário membros da  família Canto e ou  interpostas pessoas “laranjas”,.  ­ Possuem um mesmo contador e fazem entregas de declarações através de um  mesmo endereço de IP ,  ­  Praticam  diversos  ilícitos  tributários  com  o  objetivo  precípuo  de  frustrar  pagamento de créditos tributários (sonegação fiscal)"  Seguindo  os  itens  levantados  pela  Fiscalização,  tem­se,  primeiramente,  empresas  estabelecidas,  segundo dados  da Receita Federal,  exatamente  no mesmo  endereço:  Av. Guilherme Cotching, nº 726, Vila Maria, São Paulo/SP.  São  elas: MCN  (8º  andar),  Latasa Reciclagem  (8º  andar),  Inbra  com CNPJ  final 0003­90 (3º andar), Inbra com CNPJ final 0005­62 (10º andar), CDC (6º andar), DAC (8º  andar),  MMC  (1º  andar),  Canto  Neto  (3º  andar),  JRC  (Sobre  loja),  JJB  Contabilidade  (6º  andar).   Além  disso,  a  Fiscalização  identificou  inúmeras  outras  empresas  em  endereços muito próximos, além de empresas em endereços exatamente coincidentes em Belfor  Roxo/RJ.   O curioso é que muitas dessas empresas têm exatamente a mesma atividade, e  não se trata apenas de matrizes e filiais. Por exemplo, a Latasa, a Inbra e a RBM (a contribuinte  no Auto de Infração aqui em análise) têm, todas elas, a atividade de "produção de alumínio e  suas ligas primárias".   No mesmo  relatório,  a  Fiscalização  demonstra,  com  o  auxílio  de  contratos  sociais  e  alterações,  que  o  grupo  modificava  com  certa  frequência  o  quadro  societário  das  empresas,  trocando membros  da  família ou  empregados  de  longa  data de  uma  empresa  para  outra.   Outro elemento estranho no grupo econômico era a existência de um órgão  centralizado  denominado  DAC,  que  depois  se  transformou  efetivamente  em  uma  pessoa  jurídica.   A Fiscalização realizada pela Secretaria da Fazenda Estadual reuniu inúmeras  provas, inclusive com e­mails "colados" no relatório da Fiscalização da Receita Federal, de que  esse DAC administrava  todo o grupo, de onde o responsável Manoel do Canto Neto dava as  ordens. Há, por  exemplo,  e­mails  informando  sobre ordens de pagamento determinadas pelo  referido responsável.  Fl. 11783DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 34          21 Quando o DAC se tornou pessoa jurídica, foi constituída tendo como sócios  um contador "Josemar Jesus de Andrade" e a esposa de Manoel do Canto Neto, a Sra. Maria  Dolores Martinez do Canto.   A  Fiscalização  traz  outros  elementos  para  comprovar  que  há  grupo  econômico  de  fato,  mas  isso  parece  ser  menos  importante  no  momento,  uma  vez  que  os  próprios Recorrentes admitem haver grupo econômico, mas questionam o fato de isso não ser  ilegal e de não se poder responsabilizar apenas por tal fato.   As declarações de várias das empresas eram enviadas, inclusive, pelo mesmo  IP, ou seja, tinham a mesma origem virtual.   Há,  ainda,  casos  de  envios  de  declarações  de  uma  empresa  (Steelman)  por  outra (DAC).   Enfim, há diversos elementos que imbricam as empresas de uma forma que  umas realizavam atos pelas outras e elas eram centralizadas pelo DAC. São citados, também,  outros elementos que compõem o contexto fático, como uma notícia sobre a prisão de Manoel  do Canto Neto, acusado de receptar cobre.   A  Fiscalização  passa,  então,  a  comprovar  a  confusão  patrimonial.  Inicia  afirmando que umas empresas pagam despesas das outras. Cita­se, logo no primeiro exemplo,  uma  compra  de  sucatas  junto  à  Embraer,  que  foi  realizada  pela  INBRA,  mas  paga  pela  Reciclagem Brasileira de Alumínio Ltda., ambas responsabilizadas solidariamente.  Como  esse  exemplo  acima,  há  inúmeros  outros  citados  no  documento  que  trata  do  Grupo  Canto,  assim  como  no  documento  denominado  "Anexo.Circularizações",  envolvendo todas as empresas responsabilizadas solidariamente neste processo administrativo.   Observe­se que o número das empresas responsabilizadas pode impressionar,  porém há várias outras empresas do grupo que não estão constando aqui como responsáveis.   Há  provas  de  diversos  pagamentos  feitos  pela  responsável  INBRA  para  a  contribuinte  RBM,  e  vice­versa.  Há  também  pagamentos  feitos  pela  RBM  em  nome  da  responsável chamada INBRA II ­ Indústria Brasileira de Reciclagem de Alumínios Ltda.   A partir de todo o repertório fático, a Fiscalização afirma o seguinte:  "Diante das informações, por nós constatadas e as acima relatadas, firmamos  convicção  de  que  o  esquema  fraudulento,  e  a  confusão  patrimonial,  desenvolvidos pelo GRUPO – CANTO funciona da seguinte forma:  a) As empresas INBRA I e INBRA II vendem seus produtos aos seus clientes;  b) As notas fiscais são emitidas pelas empresas RBM e RBA;  c) Os  clientes  efetuam  os  pagamentos,  por  vezes,  às  empresas  emitentes  da  Nota Fiscal;  d) Para que o dinheiro, pertencente a INBRA I e  INBRA II, retorne a elas a  RBM e a RBA, conforme demonstramos mais adiante, quita as obrigações das  'INBRAs'".    A Fiscalização  vai  demonstrando,  então,  as movimentações  financeiras  das  empresas, que sofrem alterações curiosas de um ano para outro, havendo, inclusive, casos em  Fl. 11784DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     22 que há movimentação, porém nenhuma nota fiscal foi emitida, como ocorre com a responsável  Cast Metal.  As  empresas patrimoniais  aqui  responsabilizadas MCN e CDC não  tiveram  movimentações financeiras compatíveis com o patrimônio adquirido, indicando que se trata do  conhecido planejamento sucessório para isolar os bens das empresas em patrimoniais que lhes  dariam proteção.   As  duas  empresas  de  primeiro  nome  Latasa  foram  adquiridas  em  2011,  segundo a Fiscalização. Nesse caso, entendo que apenas podem ser responsáveis solidárias pelo  ano calendário de 2011.   Pelo  exposto,  mantenho  a  responsabilidade  de  todas  as  empresas,  apenas  excluindo a responsabilidade da Latasa Indústria e Comércio Ltda. e Latasa Reciclagem Ltda.  no que toca aos anos calendário 2009 e 2010, pois sequer faziam parte do grupo.     Em seguida, a Fiscalização passa a tratar das interpostas pessoas. Todas elas  revelam  rendimentos  declarados  baixos  e  patrimônios  inexistentes  ou  de  valores  pouco  substanciais, enquanto que as empresas tiveram movimentações bastante altas.   Essas  pessoas  são:  Francisco  Luiz  Romero,  Luiz  Antônio  Pereira,  Roseli  Vieira, Aldacyr Luiz Pereira.  A  esposa  de Manoel  do  Canto  Neto,  a  já  citada Maria  Dolores  do  Canto,  deixou a sociedade da Cast Metal em 2006 e ficaram como sócios as pessoas acima citadas. A  Fiscalização concluiu, portanto, que  ela  seria a  sócia de  fato da  empresa e os demais  seriam  pessoas interpostas.   No  caso  das  empresas  responsabilizadas  Steelman  e  Canto  dos  Metais,  acontece  algo  semelhante,  mas  o  sócio  de  fato,  nesse  caso,  é,  conforme  conclusões  da  Fiscalização, Cláudio do Canto, irmão de Manoel do Canto Neto.  José Roberto Martinez do Canto e Mario Martinez do Canto eram sócio da  LATASA Reciclagem até 2014, quando o Auto de Infração foi lavrado. José Roberto Martinez  também aparece  como  sócio  da  JRC,  enquanto que Mario Martinez  do Canto  aparece  como  sócio da MCN.   Eliane Regina Alves do Canto pertenceu ao quadro societário da Canto dos  Metais e era sócia da CDC de 2004 até 2014, quando o Auto de Infração foi lavrado.    Há,  portanto,  elementos  suficientes  nos  autos,  que  revelam  longo  e  árduo  trabalho da Fiscalização, com apoio da SEFAZ e da Polícia Civil, no sentido de confirmar a  conclusão  de  que  os  seis  membros  da  família  responsabilizados  pela  Fiscalização  administravam  as  empresas  durante  o  período  fiscalizado,  ora  constando  formalmente  como  sócia, ora usando de interpostas pessoas e funcionando como sócia de fato.   Essas  pessoas  da  família  administravam  e  se  beneficiavam  em  diferentes  medidas  do  pagamento  a  menor  de  tributos  realizado  pela  contribuinte  RBM,  devendo  ser  mantida a responsabilidade de: Manoel do Canto Neto, Maria Dolores Martinez do Canto Neto,  seus filhos Mario Martinez do Canto e José Roberto Martinez do Canto, o  irmão Cláudio do  Canto e sua esposa Eliane Regina Alves do Canto.  Fl. 11785DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16095.720079/2014­21  Acórdão n.º 1401­001.595  S1­C4T1  Fl. 35          23   Pedido de diligência  Os Recorrentes tiveram inúmeras oportunidades de produzir provas, mas não  o  fizeram.  Uma  das  razões  da  Autuação  Fiscal  é  exatamente  a  desídia  dos  Recorrentes,  sobretudo da empresa RBM, que não apresentou sua documentação ou, quando apresentou, ela  estava falha.   Ficou claro nos autos que a RBM não declarava os tributos corretamente e, às  vezes,  sequer  declarava  qualquer  tributo.  As  demais  empresas  também  revelarem  inúmeros  erros e ficou comprovado que seus patrimônios se confundiam.   Não há qualquer dúvida na dependência de esclarecimento que não decorra  da própria desídia dos Recorrentes em relação à sua documentação comercial e fiscal.  Deste modo, assim como a DRJ, este Relator entende que não é necessária a  diligência requerida, motivo pelo qual se nega deferimento a esse pedido, assim como feito em  primeira instância.     Multa de R$ 51.000,00 pela não entrega da ECD  A  empresa  contribuinte  RBM  não  entregou  a  sua  Escrituração  Contábil  Digital (ECD) nos termos do art. 3º da Instrução Normativa nº 787/2007.  Conforme  a  Medida  Provisória  nº  2.158­35,  no  seu  art.  57,  inc.  I,  "a",  aplicou­se multa de R$ 500,00 por mês ou fração de mês do ano calendário contados da data  em que deveria ter sido entregue a ECD até a data da autuação, quando a obrigação continuava  não cumprida.   As  multas  aplicáveis  pela  não  entrega  da  ECD  de  cada  ano  somaram  R$  51.000,00,  que  os  Recorrentes  sequer  questionaram  especificamente  no  seu  Recurso  Voluntário.   Deve ser, portanto, mantida a aplicação da multa.     Recurso de Ofício ­ Multa Agravada  A  DRJ  retirou  o  agravamento  da  multa,  fazendo­a  reduzir  de  225%  para  150%, com base na Súmula nº 96 do CARF, que impõe o "desagravamento" no caso em que a  autuação é realizada por arbitramento, apesar da falta de entrega de documentos.   O  entendimento  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  no  Acórdão  nº  9101­001.468, que consolidou posicionamento no CARF e depois gerou a referida súmula, é o  de que a multa deve ser aplicada quando a não entrega de documentos realmente obstou que a  Fiscalização atingisse seu objetivo final de autuar.   Fl. 11786DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS     24 Como se praticou o arbitramento, que é previsto exatamente para casos  em  que a documentação não existe, é insuficiente ou falha, resolveu­se os problemas gerados pela  não  apresentação  de  documentação  e  pela  apresentação  de  documentação  com  falhas  ou  zeradas.   Tendo em vista a súmula, entendo que a DRJ agiu corretamente e, portanto,  mantenho a multa em 150%.     Conclusão  Pelo  exposto,  dou provimento parcial  ao Recurso Voluntário para  excluir  a  responsabilidade das empresas Latasa Indústria e Comércio Ltda. e Latasa Reciclagem Ltda. no  que toca aos anos calendário 2009 e 2010, mantendo todo o restante do Acórdão da DRJ.     Documento assinado digitalmente.  Marcos de Aguiar Villas­Bôas                                     Fl. 11787DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS

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Numero do processo: 11070.003198/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2007 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Aplica-se o art. 173, Iº do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal e não houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado. PESSOA FÍSICA PROPRIETÁRIA OU DONA DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. É responsável pelo recolhimento da contribuição previdenciária o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. AFERIÇÃO INDIRETA. APLICABILIDADE. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no art. 33, §§ 3°, 4° e 6°, da Lei n° 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCLUSÃO DOS VALORES CORRESPONDENTES ÀS COMPETÊNCIAS DECAÍDAS. APLICAÇÃO DE PROPORCIONALIDADE. Uma vez que as contribuições lançadas têm como fato gerador a remuneração dos prestadores de serviços realizados na execução da obra, tendo esta sido realizada em período já afetado pela decadência, deve a aferição indireta excluir o montante que corresponderia, proporcionalmente, às competências decaídas. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar a fluência do prazo decadencial, na forma do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 11/2001, inclusive. O Conselheiro Relator e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro foram vencidos na tese que aplicava a multa limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 448/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa moratória. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora designada ad hoc na data da formalização. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Redator ad hoc na data da formalização. Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2007 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Aplica-se o art. 173, Iº do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal e não houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado. PESSOA FÍSICA PROPRIETÁRIA OU DONA DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. É responsável pelo recolhimento da contribuição previdenciária o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. AFERIÇÃO INDIRETA. APLICABILIDADE. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no art. 33, §§ 3°, 4° e 6°, da Lei n° 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCLUSÃO DOS VALORES CORRESPONDENTES ÀS COMPETÊNCIAS DECAÍDAS. APLICAÇÃO DE PROPORCIONALIDADE. Uma vez que as contribuições lançadas têm como fato gerador a remuneração dos prestadores de serviços realizados na execução da obra, tendo esta sido realizada em período já afetado pela decadência, deve a aferição indireta excluir o montante que corresponderia, proporcionalmente, às competências decaídas. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar a fluência do prazo decadencial, na forma do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 11/2001, inclusive. O Conselheiro Relator e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro foram vencidos na tese que aplicava a multa limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 448/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa moratória. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora designada ad hoc na data da formalização. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Redator ad hoc na data da formalização. Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   2 realizada  em  período  já  afetado  pela  decadência,  deve  a  aferição  indireta  excluir o montante que corresponderia, proporcionalmente, às competências  decaídas.  AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  PENALIDADE  PELO  DESCUMPRIMENTO.  PRINCÍPIO  TEMPUS REGIT ACTUM.  As multas  decorrentes  do  descumprimento  de obrigação  tributária  principal  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação  ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35­A à Lei nº 8.212/91.   Na  hipótese  de  lançamento  de  ofício,  por  representar  a  novel  legislação  encartada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um  tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento  da  respectiva  execução  fiscal,  hipótese de  a  legislação  superveniente  impor  multa  mais  branda  que  aquela  então  revogada,  sempre  incidirá  ao  caso  o  princípio  tempus  regit  actum,  devendo  ser  aplicada em cada  competência a  legislação  pertinente  à  multa  por  descumprimento  de  obrigação  principal  vigente  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador  não  adimplido,  observado  o  limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.  Recurso Voluntário Provido em Parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária  da  Segunda  Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar a  fluência do prazo decadencial, na forma do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional  e  excluir  do  lançamento  as  competências  até  11/2001,  inclusive. O Conselheiro Relator  e  a  Conselheira Bianca Delgado Pinheiro foram vencidos na tese que aplicava a multa limitada ao  percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 448/2008 (art. 35  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  da  MP  nº  449/2008  c/c  art.  61  da  Lei  nº  9.430/96).  O  Conselheiro  Arlindo  da  Costa  e  Silva  fará  o  voto  divergente  vencedor  quanto  à  multa  moratória.      (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos  PRESIDENTE  DA  SEGUNDA  SEÇÃO  DE  JULGAMENTO  NA  DATA  DA FORMALIZAÇÃO.          Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 142          3     (assinado digitalmente)  Andrea Brose Adolfo ­ Relatora designada ad hoc na data da formalização.    (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Redator ad hoc na data da formalização.        Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente),  JULIANA  CAMPOS  DE  CARVALHO  CRUZ,  ANDRE  LUIS  MARSICO  LOMBARDI,  ARLINDO  DA  COSTA  E  SILVA,  BIANCA  DELGADO  PINHEIRO,  LEONARDO  HENRIQUE PIRES LOPES.  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   4 Relatório  Conselheira  Andrea  Brose  Adolfo  ­  Relatora  designada  ad  hoc  na  data  da  formalização.  Para  registro  e  esclarecimento,  pelo  fato  do  conselheiro  responsável  pelo  relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazê­lo.  Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas  internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo.  Feito o registro.    Trata­se  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de Débito  ­  NFLD,  da  qual  tomou  conhecimento  o  contribuinte  em  14/12//2007,  em  desfavor  de  HAROLDO  RUSCH,  face  às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondente  à  contribuição  dos  segurados, da empresa, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  –  GILRAT, bem como a terceiros (salário­educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE).  Referidas contribuições incidem sobre a remuneração decorrente da mão­de­ obra empregada em construção civil de propriedade do contribuinte, pessoa física, apurada por  aferição indireta, com arrimo no art. 33, § 3°, 4° e 6°, da Lei n° 8.212/91, com base na Tabela  de  Salário  por  metro  quadrado  na  atividade  de  construção  civil  do  CUB  –  Custo  Unitário  Básico,  conforme  se  pode  observar  do  Aviso  para  Regularização  de  Obra  –  ARO  à  fl.  16,  referente  à  obra  comercial,  matriculada  no  INSS  sob  o  n°  CEI  19.102.07325/62  com  área  construída e a regularizar de 600 m².  Inconformado,  o  Recorrente  apresentou  Defesa  tempestiva  de  fls.  25/41,  tendo o  acórdão  de  fls.  77/81  julgado  procedente  a  autuação,  conforme  se pode  observar  da  ementa a seguir transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 01/11/2007  CONSTRUÇÃO  CIVIL  SOB  RESPONSABILIDADE  DE  PESSOA  FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  O proprietário, o incorporador ou o dono de obra de construção civil. quando  pessoa física, equipara­se empresa, em relação aos segurados que lhe prestem serviços, sendo  sua  responsabilidade,  quando  houver  emprego  de  mão­de­obra  paga  na  edificação,  o  recolhimento da contribuição previdenciária.  Lançamento Procedente  Irresignado,  o  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário  de  fls.  85/101,  alegando, em síntese que:  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 143          5 É  pessoa  física  e  não  jurídica  como  consta  no  presente  lançamento,  não  possuindo,  portanto,  legitimidade  para  prestar  documentos  que  dizem  respeito  a  exigências  referentes a pessoas jurídicas, dos quais foi intimado pela fiscalização para apresentar;  A presente  notificação  carece  de  nulidade,  pois  a  autuação  foi  contrária  ao  disposto no art. 144 do CTN, combinado com o art. 150,  inciso III,  letra “a” da Constituição  Federal  (princípio  da  irretroatividade  tributária),  visto  que  no  instrumento  da  autuação  fora  empregada a NBR 12721/2006, e deveria ter sido utilizada a NBR 12721/1992, o que acarretou  o erro do cálculo;  O prazo decadencial para a Seguridade social apurar e constituir seus créditos  é de 05 (cinco) anos, pois os tribunais pátrios já assentaram acerca da inaplicabilidade do prazo  previsto  no  art.  45  da Lei  8.212/91, pelo  fato  de  que  tal  lei  é norma  ordinária,  enquanto  os  prazos de decadência e prescrição constituem matéria reservada a lei complementar, na forma  do art. 146, inciso III, letra “b”, da Constituição Federal.  Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário.  Tendo  sido  convertido  o  julgamento  em  diligência  para  fins  de  que  os  Recorrente  apresentasse  documentação  comprobatória  da  data  do  efetivo  encerramento  da  obra, foram colacionados aos autos suas declarações do Imposto de Renda referentes aos anos  calendáriosde 1999 e 2001, bem como declaração do pedreiro  responsável pela conclusão da  obra.  Sem Contra­razões.  É o relatório.  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   6   Voto Vencido  Conselheira Andrea Brose Adolfo ­ Relatora ad hoc na data da formalização.  Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto  ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazê­lo.  Esclareço que aqui reproduzo ­ integralmente ­ as razões de decidir do então  conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo.  Feito o registro.    Dos Pressupostos de Admissibilidade  Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao  seu exame.  Da Decadência  De  início,  cumpre  destacar  que  a  autuação  em  comento  decorre  do  não  recolhimento  pelo  dono  da  obra  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração da mão­de­obra empregada em construção civil.  Segundo se verifica nos autos, a obra foi realizada no período de 01/03/1998  (fls. 16) a 23/01/2001 (fls. 53). Embora a fiscalização afirme que a conclusão da obra teria se  dado  em  14/12/2007,  sabe­se  que  esta  data  foi  utilizada  apenas  como  parâmetro  para  a  fiscalização,  já  que  seria  o  seu  objeto,  conforme  se  infere  do  o  MPF  –  Mandado  de  Procedimento Fiscal (fls. 13).  Por outro lado, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovante da  efetiva interrupção da obra antes da data considerada pela fiscalização, quando poderia fazê­lo  por qualquer documento idôneo.  Na verdade, o documento de fls. 53 expedido pelo CREA refere­se à ART– Anotação de Responsabilidade Técnica, que prova apenas que responsável técnico determinado  e indicado na ART encerrou sua prestação de serviços em 23/01/2001, o que não impede que  outro prestador tenha dado continuidade a obra, ou ainda em outro tipo de serviço.  Deste modo, deve ser mantida a presunção adotada pela fiscalização, a de que  a obra encerrou­se apenas em 14/12/2007, situação esta que terá implicação na verificação da  decadência dos créditos tributários lançados.  Importa verificar, ainda, que o lançamento foi realizado enquanto vigorava os  art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das  contribuições previdenciárias seria de 10 anos.  Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente,  o  Supremo  Tribunal  Federal–STF,  por  unanimidade,  declarou  inconstitucionais  aqueles  dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições:  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 144          7 Parte  final  do  voto  proferido  pelo  Exmo  Senhor Ministro  Gilmar Mendes,  Relator:  Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº  8.212/91  e  o  parágrafo  único  do  art.5º  do  Decreto­lei  n°  1.569/77,  que  versando  sobre  normas  gerais  de  Direito  Tributário,  invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva  constitucional de lei complementar.   Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantém­se  hígida  a  legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e  decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de  suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo  das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que,  como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social  sujeitam­se,  entre  outros,  aos  artigos  150,  §  4º,  173  e  174  do  CTN.  Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes  nego  provimento,  para  confirmar  a  proclamada  inconstitucionalidade  dos  arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  por  violação  do  art.  146,  III,  b,  da  Constituição,  e  do  parágrafo  único do art. 5º do Decreto­lei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art.  18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda  Constitucional 01/69.  É como voto.  Súmula Vinculante n° 08:  “São  inconstitucionais  os  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.  Os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  são  previstos  no  artigo  103­A  da  Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis:  Art.  103­A  da  Constituição  Federal  ­  O  Supremo  Tribunal  Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão  de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre  matéria  constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento,  na forma estabelecida em lei.  Lei  n°  11.417,  de  19/12/2006  ­  Regulamenta  o  art.  103­A  da  Constituição  Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o  cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras  providências.  (...).  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   8 ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por  provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria  constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua  publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento,  na forma prevista nesta Lei.  Temos  que  a  partir  da  publicação  na  imprensa  oficial,  que  se  deu  em  20/06/2008,  todos os órgãos  judiciais  e  administrativos  ficaram obrigados  a acatar a Súmula  Vinculante.  Assim,  afastado  por  inconstitucionalidade  o  artigo  45  da  Lei  n°  8.212/91,  resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional ­ CTN se aplica  ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre  a  decadência  de  créditos  tributários,  tomando  a  primeira  como  termo  inicial  o  pagamento  indevido  (art.  150,  §4º),  e  a  segunda  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos  legais:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...).  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça  esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitar­se a lançamento por  homologação:  Quando não tiver havido pagamento antecipado;  Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação;  Quando não tiver havido declaração prévia do débito.  Cumpre  transcrever  o  acórdão  prolatado  em  sede  de  Recurso  Especial  representativo da controvérsia:  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 145          9 PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   10 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009).  No  voto  lavrado  no  referido REsp  973.733/SC,  foi  transcrito  entendimento  firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que  limitam  a  aplicação  do  art.  150,  §4º  do  CTN  às  hipóteses  que  tratam  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  “quando  ocorrer  pagamento  antecipado  inferior  ao  efetivamente  devido,  sem  que  o  contribuinte  tenha  incorrido  em  fraude,  dolo  ou  simulação,  nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” .  No  caso  dos  autos,  a  autuação  decorreu  do  não  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre o  total  das  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados que exerceram atividade na obra de propriedade do Sr. Haroldo Rusch.  Assim, verificado que se trata de um lançamento relativo a um fato gerador  isolado, decorrente da realização de uma obra específica, aliado ao fato de que o contribuinte  afirma  não  ser  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  em  comento,  conclui­se  que  não  foi  realizado  qualquer  pagamento  referente  à  obra  em  comento,  afastando­se,  por  esta  razão,  a  aplicação  do  art.  150,  §4º  do  CTN,  devendo  incidir  o  art.  173,  I  deste  mesmo  diploma  normativo.  Deste  modo,  tendo  em  vista  que  o  lançamento  abrange  competências  de  01/03/1998 a 23/11/2007 e que o lançamento ocorreu apenas em 14/12/2007, pode­se afirmar  que se encontram decaídas as competências dos anos de 1998 a 2001, porquanto estas tiveram  o início do prazo decadencial em 01/01/2002 e seu término em 31/12/2006.  Destaque­se,  quanto  à  competências  12/2001,  que  existe  entendimento  que  defende  que,  nos  casos  dos  fatos  geradores  ocorridos  em  dezembro,  o  lançamento  somente  poderia  ser  realizado  após  transcorrido  o  prazo  para  pagamento,  no  caso  de  obrigações  principais,  e  apresentação de GFIP,  em  relação  a obrigações  acessórias. Considerando que  a  obrigação tem seu vencimento no mês seguinte ao do fato gerador, somente a partir de janeiro  é que o  lançamento poderia  ser  realizado,  iniciando­se  somente no primeiro dia do exercício  seguinte o prazo decadencial.  Exemplificando  este  entendimento,  a  obrigação  de  apresentar  GFIP  com  todos  os  fatos  geradores  ocorridos  em  dezembro/2001  somente  teria  seu  vencimento  em  janeiro/2002,  iniciando­se  o  prazo  decadencial  em  01/01/2003,  cujo  término  seria  em  31/12/2007.  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 146          11 Ocorre  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  de  recurso  repetitivo,  firmou  entendimento  no  julgamento  do  REsp  973.733­SC  de  que  o  lançamento  poderia  ser  efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, isto é, no mesmo mês deste.  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   12 Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (grifa­se).  Com a vinculação  imposta aos Conselheiros pelo art. 62­A do RICARF em  relação  aos  julgados  proferidos  em  sede  de  recursos  repetitivos  pelo  STJ,  deve  ser  adotado  como o dies a quo do prazo decadencial primeiro de janeiro do ano subseqüente, ainda que os  fatos  geradores  tenham  ocorrido  em  dezembro,  isto  é,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  em  dezembro/2001, o prazo decadencial iniciou­se em 01/01/2002, e não em 01/01/2003.  Deste  modo,  inarredável  a  conclusão  de  que  todas  as  competências  no  período  compreendido  entre  os  anos  de  1998  e  2001,  inclusive  a  competência  12/2001,  encontram­se decaídas.  Da  legitimidade  para  o  recolhimento  de  contribuição  previdenciária  por  pessoa física proprietária ou dona de obra de construção civil  O contribuinte alega que quando do recebimento do Termo de Inicio da Ação  Fiscal  ­  TIAF,  a  fiscalização  lhe  intimou  para  a  apresentação  de  documentos  que  dizem  respeito a exigências correspondentes a pessoas jurídicas, com o que o Recorrente não poderia  atender, eis que é portador de matrícula cadastrada como pessoa física.  Primeiramente,  cabe  trazer  a  lume  o  conceito  de  empresa  no  âmbito  previdenciário conforme o disposto no art. 15, inciso I da Lei 8.212/91, in verbis:  Art. 15. Considera­se:  I ­ empresa ­ a firma individual ou sociedade que assume o risco  de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou  não, bem como os órgãos e entidades da administração pública  direta, indireta e fundacional;  A lei  traz, ainda, a figura do equiparado à empresa, que é também sujeito  passivo  da  relação  obrigacional  previdenciária,  como  se  empresa  fosse.  Reza  a  lei  que  se  equipara  à  empresa  o  contribuinte  individual,  em  relação  a  segurado  que  lhe  preste  serviço (art. 15, Parágrafo único).  Já o Regulamento da Previdência Social, em seu artigo 12, parágrafo único,  inciso IV, que trata dessa equiparação, traz uma definição mais completa, in verbis:  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 147          13 Art. 12. Consideram­se:  Parágrafo único. Equiparam­se a empresa, para os efeitos deste  Regulamento:  I  –  o  contribuinte  individual,  em  relação  a  segurado  que  lhe  preste serviço;  II  –  a  cooperativa,  a  associação  ou  a  entidade  de  qualquer  natureza  ou  finalidade,  inclusive  a  missão  diplomática  e  a  repartição consular de carreiras estrangeiras;  III – o operador portuário e o órgão gestor de mão de obra de  que trata a Lei n° 8.630, de 1993; e  IV ­ o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando  pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço.  Tal previsão tem como objetivo evitar a elisão à contribuição previdenciária  por aspectos meramente formais de algumas figuras atípicas. Como se vê o conceito é bastante  amplo, pois se centra no quesito suficiente e necessário para a qualificação de sujeito passivo  da  contribuição  previdenciária:  utilizar­se  de  trabalho  remunerado  na  realização  de  alguma  atividade, ainda que não econômica.  A  finalidade  de  lucro  é  irrelevante  para  a  caracterização  de  uma  empresa  perante  a  previdência  social. A  principal  fonte  de  custeio  do RGPS  decorre  da  contribuição  sobre  a  remuneração,  e,  em  virtude  disto,  até  de  uma  pessoa  física  que  remunere  outra  considerar­se, sob o aspecto previdenciário, uma empresa.  No  caso  dos  autos,  o  contribuinte  é  proprietário  de  uma  edificação  com  metragem de 600,00 m² possuindo a matrícula CEI n° 1910207325/62, e fez utilização de mão  de obra remunerada, sem ter recolhido a correspondente contribuição previdenciária.  Dessa  forma,  consoante  se pode  observar  do  inciso  IV do  dispositivo  retro  mencionado,  a  pessoa  física,  ao  executar  alguma  obra  de  construção  civil,  ainda  que  em  benefício próprio, estará desenvolvendo atividade econômica equiparada à empresa, para fins  de  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias,  caso  venha  a  se  utilizar  de  mão­de­obra  remunerada. Assim o contribuinte individual, por não possuir CNPJ, deverá obter a matrícula  CEI da obra respectiva e recolher os tributos correspondentes.  Neste  diapasão,  correto  é  o  lançamento,  pois  é  de  responsabilidade  do  contribuinte o recolhimento da contribuição previdenciária.  Da  aferição  indireta.  Da  não  afronta  ao  princípio  da  irretroatividade  tributária.  O Recorrente alega suposto erro de cálculo, tendo em vista que a fiscalização  utilizou a  tabela CUB correspondente à competência de 30/11/2007, quando deveria  ter  sido  utilizada a data do encerramento da obra dia 23/01/2001.  A rogativa acima postada não merece florescer.  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   14 Não  obstante  o  esforço  do  contribuinte,  sua  alegação,  contudo  não  tem  o  condão de macular a  exigência  fiscal  consagrada pelo  lançamento. Do exame dos  elementos  que instruem o processo, conclui­se que a decisão recorrida apresenta­se incensurável, devendo  ser mantida em sua plenitude.  Com efeito, é obrigação do contribuinte a manutenção da escrita contábil de  forma regular, de modo a fazer prova contra ou a seu favor.   Na hipótese dos autos, consoante se infere do Termo de Início da Ação Fiscal  –  TIAF  (fls.  14/15)  e  demais  elementos  que  instruem  o  processo,  a  fiscalização  intimou  o  recorrente  para  apresentar  diversos  documentos  contábeis,  dentre  os  quais  comprovantes  de  recolhimentos,  folhas  de  pagamento  de  todos  os  segurados:  empregados,  contribuintes  individuais  e  trabalhadores  avulsos,  que  serviriam  para  compor  a  base  de  cálculo  das  contribuições ora lançadas por aferição indireta ou elidir a obrigação do contribuinte, não tendo  este fornecido ao fisco referidas documentações.  Dessa  forma,  não  restou  alternativa  ao  fiscal  autuante  senão  promover  o  lançamento  por  aferição  indireta,  agindo  da  melhor  forma,  com  estrita  observância  da  legislação de regência, mormente com relação ao art. 33, § 3°, 4° e 6° da Lei n° 8.212/91, que  assim preceituam:  Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  “a”,  “b”  e  “c”  do  parágrafo  único  do  art.  11,  bem  como  as  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição;  e  à  Secretaria  da  Receita  Federal  –  SRF  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas alíneas “d” e “e” do parágrafo único do art. 11, cabendo a  ambos  os  órgãos,  na  esfera  de  sua  competência,  promover  a  respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente.  (...)  § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível, lançar de ofício a importância devida.  §  4º  Na  falta  de  prova  regular  e  formalizada,  o  montante  dos  salários pagos pela execução de obra de  construção civil  pode  ser  obtido  mediante  cálculo  da  mão  de  obra  empregada,  proporcional  à  área  construída  e  ao  padrão  de  execução  da  obra,  cabendo  ao  proprietário,  dono  da  obra,  condômino  da  unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova  em contrário.  (...)  § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 148          15 Conforme se depreende dos dispositivos legais acima transcritos, bem como  dos elementos constantes dos autos, de fato, o presente lançamento decorre de presunção. No  entanto, trata­se de presunção legal ­  juris, que se desdobra, como lecionam os doutrinadores,  em  presunções  “juris  et  de  jure”  e  “juris  tatum”.  As  primeiras  não  admitem  prova  em  contrário são verdades indiscutíveis por força de lei.  Por  sua  vez,  as  presunções  “juris  tantum”  (presunções  discutíveis),  fato  conhecido  induz  à  veracidade  de  outro,  até  a  prova  em  contrário.  Elas  recuam  diante  da  comprovação contrária ao presumido.  Na  hipótese  vertente,  consoante  se  infere  do  relatório  dos  Fundamentos  Legais do Débito ­ FLD à fl. 07 no item 061, a autoridade fiscal, ao promover o lançamento,  imputou devidas as contribuições ora lançadas, apuradas por aferição indireta, com espeque no  artigo  33,  §§  3°,  4°  e  6°,  da  Lei  n°  8.212/91,  cabendo  ao  contribuinte  o  ônus  da  prova  em  contrário,  por  tratar­se  de  presunção  “juris  tantum”,  albergado  por  lei,  mas  passível  de  comprovação  do  contrário  presumido.  O  recorrente  assim  não  procedendo  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  é  de  se  manter  o  lançamento  na  forma  da  peça  vestibular  do  feito,  não  havendo que se falar em irregularidade no procedimento adotado pelo fiscal autuante.  Observe­se,  que  o  contribuinte  em  seu Recurso Voluntário,  a  exemplo  das  fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de  comprovar que os valores lançados não condiziam com a verdade.  Outrossim, é importante salientar que, além de não comprovar os valores dos  salários pagos pela execução de obra de construção civil, o recorrente não cuidou de juntar aos  autos provas de que a obra restou finalizada em 23/01/2001, como já destacado acima, uma vez  que os documentos apresentados por solicitação deste Conselho não são idôneos a comprovar a  conclusão da obra.  Ademais, insta destacar que, antes mesmo da lavratura da NFLD, a Agência  da  Previdência  Social,  em  08/05/2003,  solicitou  o  comparecimento  do  contribuinte  para  fornecer  a  planta/projeto, memorial  descritivo  e  alvará  de  licença,  as  guias  de  recolhimento,  GFIP/Folha  de  Pagamento  e Certidão  de Existência  da  Prefeitura,  para  regularizar  a  obra  já  concluída  total  ou  parcialmente  (fl.  23).  Contudo  o  contribuinte  se  fez  inerte,  acarretando  a  presente notificação.  Neste  diapasão,  tratando­se  de  matéria  de  fato,  caberia  ao  contribuinte  ao  ofertar  a  sua  defesa  produzir  prova  em  contrário  através  de  documentação  hábil  e  idônea,  mormente tratando­se de lançamento por aferição indireta.  Quanto  ao  argumento  exposto  pelo  contribuinte  de  que  a  fiscalização  infringiu o disposto no art. 144 do CTN combinado com o art. 150, inciso III, alínea “a” da Lei  Maior  (princípio  da  irretroatividade  tributária),  pois  no  instrumento  da  autuação  deveria  ter  sido utilizada a NBR 12.721/1992 e não a NBR 12.721/2006, não confiro razão.  Conforme já esclarecido, a data do fato gerador foi considerada a da emissão  do ARO  (art.  431,  §  2°  da  IN  n°  03/2005),  cuja  competência  foi  11/2007,  haja  vista  que  o  contribuinte não comprovou a data da conclusão da obra. Destarte, conforme definição da IN  n° 03/2005 art. 435, § 1°, o valor do CUB a partir de 03/2007 passou a ser calculado conforme  o disposto na NBR 12.721/2006 da ABNT, in verbis:  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   16 Art. 435. Para a apuração do valor da mão de obra empregada  na  execução  de  obra  de  construção  civil,  em  se  tratando  de  edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico  ­ CUB, divulgadas mensalmente na  Internet ou na  imprensa de  circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção  Civil ­ SINDUSCON.  § 1° Custo Unitário Básico ­ CUB é a parte do casto por metro  quadrado  da  construção  do  protejo­padrão  considerado,  calculado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de  acordo com a Norma Técnica n° 12.721, de 2006, da Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas  ­  ABNT,  e  é  utilizado  para  a  avaliação dos custos de construção das edificações.  Não  restam  dúvidas,  portanto,  da  correção  no  procedimento  de  apuração  indireta utilizado pela fiscalização, pois a medida excepcional mostrou­se necessária.  Não se pode perder de vista, contudo, que as contribuições ora lançadas têm  como fato gerador a remuneração dos prestadores de serviços realizados na execução da obra,  sendo que esta se encontrava em andamento desde março/1998 até novembro/2007.   Verificada a ocorrência da decadência em relação às competências dos anos  de 1998 a 2001, as remunerações pagas neste período deveriam ser excluídas.   Como não se sabe exatamente os valores exatos de cada competência, deveria  ter o auditor fiscal, quando da aferição indireta,  ter aplicado a proporcionalidade para excluir  do lançamento os valores que corresponderiam àquele período decaído.  Em outras  palavras,  considerando  que  foi  considerada  a  realização  da  obra  durante 11 anos (1998 a 2007), encontrando­se decaído 4 destes (1998 a 2001), o lançamento  deveria  ter  abrangido  apenas  o  montante  que  corresponderia  aos  períodos  não  decaídos,  aplicando­se a proporcionalidade.  Assim,  do  total  do  lançamento  aferido  e  corrigido  monetariamente  (R$  26.731,79), conforme demonstrativo de fls. 05, o valor correspondente a 4/11 avos que deveria  ter sido excluído, por corresponderem proporcionalmente às contribuições devidas no período  decaído.  A aferição  indireta deve ao máximo aproximar­se da  realidade  fática,  ainda  que  o  fiscal  tenha  que  se  utilizar  de  mecanismos  não  previstos  expressamente,  sobretudo  quando isso busque preservar os direitos do contribuinte.  Manter  o  lançamento  nos  moldes  atuais  seria  o  mesmo  que  penalizar  o  contribuinte  por  não  dispor  de  contabilidade  que  espelhasse  os  pagamentos  realizados,  afastando qualquer alegação de decadência mesmo em relação às remunerações pagas antes do  qüinqüênio antecedente à fiscalização.  Somente com o decurso do prazo de 5 anos do encerramento da obra é que  estariam decaídos os valores correspondentes às remunerações pagas no seu início, o que seria  absurdo  sob  a  ótica dos  direitos  do  contribuinte  e  da  força  cogente da  legislação  federal,  ao  dispor sobre o prazo decadencial.  Deste modo, devem ser excluídos do lançamento os valores correspondentes  a 4/11 avos do montante principal lançado.  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 149          17 Da multa aplicada  A  autuação  em  comento  refere­se  ao  descumprimento  pelo  contribuinte  da  sua  obrigação  tributária  principal,  consistente  no  dever  de  recolher  a  contribuição  previdenciária dentro do prazo previsto em lei.  Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da  ocorrência  dos  fatos  geradores  previa  a  imposição  ao  contribuinte  da  penalidade  correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava  a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal  de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal,  e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa.  Como  se  depreende  do  caput  do  art.  35  referido  (sobre  as  contribuições  sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o  lançamento ter sido efetuado de ofício ou não.  Em  outras  palavras,  não  existia  na  legislação  anterior  a  multa  de  ofício,  aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de  mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei  dirigia­se à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento  em que fosse recolhida.   Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na  Lei  nº  11.941/2009,  o  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991  foi  revogado,  tendo  sido  incluída  nova  redação àquele art. 35.  A  análise  dessa  nova  disciplina  sobre  a  matéria,  introduzida  em  dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior  que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106,  II do CTN,  in  verbis:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  Cabe,  portanto,  analisar  as  disposições  introduzidas  com  a  referida MP  nº  449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009:  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   18 Art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991  ­  Os  débitos  com  a  União  decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e  c  do  parágrafo  único  do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a  terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos  nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de  mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de  27 de dezembro de 1996.  Art.  61  da  Lei  nº  9.430/1996  ­  Os  débitos  para  com  a União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem  a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada à  taxa de  trinta e  três centésimos por cento, por dia  de atraso.  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2º O percentual  de multa  a  ser aplicado  fica  limitado  a  vinte  por cento.  À  primeira  vista,  a  indagação  de  qual  seria  a  norma  mais  favorável  ao  contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35  da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos  em que  a multa  de mora  excedesse  o  percentual  de  20% previsto  como  limite máximo pela  novel legislação.  Contudo, o art. 35­A,  também  introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009,  passou  a  punir  o  contribuinte  pelo  lançamento  de  ofício,  conduta  esta  não  tipificada  na  legislação anterior, calculado da seguinte forma:  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:   I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:   a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 150          19 negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.   Pela nova sistemática  aplicada  às contribuições previdenciárias, o atraso no  seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº  9.430/1996).  Sendo o  caso  de  lançamento  de  ofício,  a multa  será  de 75%  (art.  44  da Lei  nº  9.430/1996).  Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos  fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em  se aplicar  também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com  que norma será cotejada a antiga  redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a  existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN.  Isto  porque,  caso  seja  acolhido  o  entendimento  de  que  a  multa  de  mora  aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da  Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%.  Ocorre  que  alguns  doutrinadores  defendem que  a multa  de mora  teria  sido  substituída  pela  multa  de  ofício,  ou  ainda  que  esta  seria  sim  prevista  no  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação  da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou  seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício.  Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer.   Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35  da  Lei  nº  8.212/1991  destinava­se  a  punir  a  demora  no  pagamento  do  tributo,  e  não  o  pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase  do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser  pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento.  Também  não  seria  possível  se  falar  em  substituição  de multa  de mora  por  multa  de  ofício,  pois  as  condutas  tipificadas  e  punidas  são  diversas.  Enquanto  a  primeira  relaciona­se  com  o  atraso  no  pagamento,  independentemente  se  este  decorreu  ou  não  de  autuação do Fisco, a outra vincula­se à ação fiscal.  Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada  conforme o art. 35­A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício  prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art.  32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991.  Em  primeiro  lugar,  esse  entendimento  somente  teria  coerência,  o  que  não  significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto  pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificando­as.   Nesses  casos,  concluindo­se  pela  aplicação  da  multa  de  ofício,  por  ser  supostamente a mais benéfica, os autos de  infração  lavrados pela omissão de fatos geradores  em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa  de  ofício)  estaria  substituindo  aquelas  aplicadas  em  razão  do  descumprimento  da  obrigação  acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   20 Em  segundo  lugar,  não  se podem  comparar multas  de naturezas  distintas  e  aplicadas  em  razão  de  condutas  diversas. Conforme  determinação  do  próprio  art.  106,  II  do  CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando  cominar­lhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verifica­se a edição  de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com  sanções diversas.  Assim,  somente  caberia  a  aplicação do art.  44,  I  da Lei nº 8.212/1996  se a  legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº  449/2008.  A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que  tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições.  Revogado  o  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991,  cabe  então  a  comparação  da  penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita  acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996.  Não  só  a  natureza  das  penalidades  leva  a  esta  conclusão,  como  também  a  própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha  sobre a multa de mora, foi  introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora,  agora  remetendo  ao  art.  61  da  Lei  nº  9.430/1996.  Estes  dois  dispositivos  é  que  devem  ser  comparados.  Diante  de  todo  o  exposto,  não  é  correto  comparar  a multa  de mora  com  a  multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento.  Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento,  deverão  ser  cotejadas  as  penalidades  previstas  na  redação  anterior  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação  dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicando­lhe a que for mais  benéfica.  Da Conclusão  Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário do contribuinte e DOU­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO,  para  reconhecer  decaídos  os  valores  correspondentes  às  competências  de  1998  a  2001,  isto  é,  anteriores  a  janeiro/2002,  excluindo  do  lançamento  o  montante  correspondente  a  4/11  avos  do  total  devido,  bem  como  para  que  seja  aplicada  a  penalidade  prevista  no  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte.    Foi  assim  que  o  conselheiro  votou  na  sessão  de  julgamento,  conforme  registro.    (assinado digitalmente)  Andrea Brose Adolfo  Relatora ad hoc na data da formalização  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 151          21   Voto Vencedor  Conselheiro  Marcelo  Oliveira  ­  Redator  designado  ad  hoc  na  data  da  formalização   Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto  vencedor ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê­ lo.  Esclareço  que  foi  encontrado,  nos  sistemas  do CARF,  arquivo  contendo  as  razões do voto do redator originário.  Portanto valho­me do voto proferido para apresentar suas razões de voto.  Feito o registro.    DA  PENALIDADE  PECUNIÁRIA  PELO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento  esposado pelo  Ilustre  Relator  relativo  ao  regime  jurídico  aplicável  à  determinação  da  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributaria  principal  formalizada  mediante  lançamento de ofício.  E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se  escultura,  atine­se  que  o  nomem  iuris  de  um  instituto  jurídico  não  possui  o  condão  de  lhe  alterar ou modificar sua natureza jurídica.  JULIET:”Tis but  thy name  that  is my enemy;Thou art  thyself,  though not a  Montague.What's  Montague?  it  is  nor  hand,  nor  foot,Nor  arm,  nor  face,  nor  any  other  partBelonging to a man. O, be some other name!What's in a name? that which we call a roseBy  any other name would smell as sweet;So Romeo would, were he not Romeo call'd,Retain that  dear  perfection  which  he  owesWithout  that  title.  Romeo,  doff  thy  name,And  for  that  name  which is no part of theeTake all myself”.  William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600.  O  caso  ora  em  apreciação  trata  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária  em  decorrência  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício.  Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o  princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído  pelo  art.  144  do CTN,  de modo  que  o  lançamento  tributário  é  regido  pela  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador,  ainda que posteriormente modificada ou revogada.  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   22 Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.  Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma  tributária  haver  sido  revogada,  ou  modificada,  após  a  ocorrência  concreta  do  fato  jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o  crédito tributário correspondente.  O  princípio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado  pela  superveniência  de  lei  nova,  nas  estritas  hipóteses  em  que  o  ato  jurídico  tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de  ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha  sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a  novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo  da sua prática.  O  regramento  legislativo  relativo  à  aplicação  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data  inicial do período de apuração em realce, encontrava­se sujeito ao regime jurídico inscrito no  art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  II­  Para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 152          23 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876/99).  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99).  d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um  acréscimo  de  vinte  por  cento  sobre  a multa  de mora  a  que  se  refere o caput e seus incisos.   §2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.   §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor  de  parcelamento  ou  do  reparcelamento  somente  poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo a que se refere o §1º deste artigo.   §4º  Na  hipótese  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta  por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  No  caso  vertente,  o  lançamento  tributário  sobre  o  qual  nos  debruçamos  promoveu  a  constituição  formal  do  crédito  tributário,  mediante  lançamento  de  ofício  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   24 consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.048.473­8, referente a fatos  geradores ocorridos nas competências de janeiro/1997 a novembro/2007.  Nessa perspectiva, tratando­se de lançamento de ofício formalizado mediante  o  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  acima  indicado  a  parcela  referente  à  penalidade  pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada,  no  período  anterior  à  vigência  da  MP  nº  449/2008,  de  acordo  com  o  critério  de  cálculo  insculpido  no  inciso  II  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  que  prevê  a  incidência  de  penalidade  pecuniária,  aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do  recebimento  da  notificação  fiscal,  até  50%  se  paga  após  o  décimo  quinto  dia  da  ciência  da  decisão  do Conselho  de Recursos  da Previdência Social  ­ CRPS,  hoje CARF,  enquanto  não  inscrito em Dívida Ativa.  Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições  previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento  não  for  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado,  no horizonte  temporal  em  relevo,  em conformidade  com a memória de  cálculo  assentada no  inciso  I  do  mesmo  dispositivo  legal  acima  mencionado,  que  estatui  multa,  aqui  também  denominada  “multa  de  mora”,  variando  de  oito  por  cento,  se  paga  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação,  até  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da exação.  Tal  discrimen  encontra­se  tão  claramente  consignado  na  legislação  previdenciária  que mesmo um computador,  com  uma  simples  instrução  IF  – THEN – ELSE  unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de  incidência:  IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91   ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91.  Traduzindo­se do “computês” para o “juridiquês”, tratando­se de lançamento  de ofício,  incide o regime jurídico consignado no  inciso  II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao  revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições  previdenciárias  em  atraso,  aplica­se  o  regramento  assinalado  no  Inciso  I  do  art.  35  desse  mesmo diploma legal.  Com  efeito,  as  normas  jurídicas  que  disciplinavam  a  cominação  de  penalidades  pecuniárias  decorrentes  do  não  recolhimento  tempestivo  de  contribuições  previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida  na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que  se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo  Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que  aquelas então derrogadas.   Nesse  panorama,  a  supracitada  Medida  Provisória,  ratificada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  revogou  o  art.  34  e  deu  nova  redação  ao  art.  35,  ambos  da  Lei  nº  8.212/91,  estatuindo  que  os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  “a”,  “b”  e  “c”  do  parágrafo  único  do  art.  11  da  Lei  nº  8.212/91,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de  multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96.  Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 153          25 Mas não parou por aí. Na sequência da  lapidação  legislativa, a mencionada  Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da  Seguridade  Social  o  art.  35­A que  fixou,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  a  aplicação  de  penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade  ou diferença de imposto ou contribuição, verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora  e  juros de mora, nos  termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de  dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   I ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   II ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   26  III ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   IV ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   V  ­  (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488/2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  "c",  com nova  redação  pela  Lei nº 11.488/2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2º O  percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado  a  vinte  por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.   Como  visto,  o  regramento  da  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  a  ser  aplicada  nos  casos  de  recolhimento  espontâneo  feito  a  destempo  e  nas  hipóteses  de  lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias  que,  antes  da  metamorfose  legislativa  promovida  pela  MP  nº  449/2008,  encontravam­se acomodados em um mesmo dispositivo legal, cite­se, incisos I e II do art. 35  da  Lei  nº  8.212/91,  nessa  ordem,  agora  encontram­se  dispostos  em  separado,  diga­se,  nos  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 154          27 artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35  e 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.  Nesse  novo  regime  legislativo,  a  instrução  de  seletividade  invocada  anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando:  IF lançamento de ofício THEN art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela Lei nº 11.941/2009.   ELSE  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009.   Diante  de  tal  cenário,  a  contar  da  vigência  da  MP  nº  449/2008,  a  parcela  referente  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  há  que  ser  dimensionalizada  de  acordo  com  o  critério de cálculo insculpido no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009,  que  prevê  a  incidência  de  penalidade  pecuniária,  aqui  referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo  com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.   Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições  previdenciárias  não  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  há  que  ser  dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91,  com  a  redação  dada  pela MP  nº  449/2008  e  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009,  que  estatui  multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art.  61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Não  demanda  áurea  mestria  perceber  que  o  nomem  iuris  consignado  na  legislação  previdenciária  para  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério  da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº  8.212/91,  no  âmbito  do  Ministério  da  Fazenda  houve­se  por  batizada  com  a  singela  denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de  rótulos,  as  suas  naturezas  jurídicas  são  idênticas:  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício.  No  que  pertine  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  não  incluída  em  lançamento  de  ofício,  o  título  designativo  adotado  por  ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”.  Não  carece  de  elevado  conhecimento  matemático  a  conclusão  de  que  o  regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu  uma  apenação  mais  severa  para  o  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício  (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35,  II da  Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se  falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’  do CTN, durante a fase do contencioso administrativo.  Código Tributário Nacional   Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   28 Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria,  o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores  a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº  9.430/96, por entender  tratar­se de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106,  II,  ‘c’ do CTN.  No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve  ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da  Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35­A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal  penalidade  era  inexistente na  sistemática  anterior  à  edição  da MP 449/2008. Sendo  assim,  a  multa  de mora  aplicada  em  face  dos  autos  de  infração  relacionados  às  obrigações  principais  (AIOP)  deveria  ficar  restrita  ao  percentual  de  20%  até  novembro/2008,  permanecendo  o  percentual de 75% a partir de dezembro/2008.  Se  nos  antolha  não  proceder  o  argumento  de  que  a  penalidade  referente  à  multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008.  Conforme  acima  demonstrado,  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal  formalizada mediante  lançamento de ofício, antes do  advento  da  MP  nº  449/2008,  encontrava­se  disciplinada  no  inciso  II  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente  do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou  a ser regida pelo disposto no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008.  Ocorre  que  ao  efetuar  o  cotejo  de  “multa  de  mora”  (art.  35,  II,  da  Lei  nº  8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora”  (art. 35 da Lei nº  8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveu­se data venia a comparação de  nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica  (penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício).  De  tal  equívoco,  no  entendimento  deste  Subscritor,  resultou  no  voto  de  relatoria  a  aplicação  retroativa  de  penalidade  prevista  para  uma  infração  mais  branda  (descumprimento  de  obrigação  principal  não  inclusa  em  lançamento  de  ofício)  para  uma  infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante  lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106,  II,  ‘c’  do  CTN,  a  qual  se  circunscreve  a  penalidades  aplicáveis  a  infrações  tributárias  de  idêntica  natureza  jurídica,  in  casu,  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 155          29 obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício.  Lé  com  lé,  cré  com  cré  (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967).   Reitere­se que não se presta o preceito  inscrito no art. 106,  II,  ‘c’, do CTN  para  fazer  incidir  retroativamente  penalidade  menos  severa  cominada  a  uma  infração  mais  branda  para  uma  transgressão  tributária  mais  grave,  à  qual  lhe  é  cominado  em  lei,  especificamente,  castigo mais  hostil,  só  pelo  fato  de  possuir  a mesma  denominação  jurídica  (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas.  Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a  redação  dada  pela MP nº  449/2008  c.c.  art.  61  da Lei  nº  9.430/96  só  se presta  para  punir o  descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício.  Nos  casos de descumprimento de obrigação principal  formalizada mediante  lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela Lei nº 9.876/99),  quanto  a  legislação  superveniente  (art.  35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído  pela  MP  nº  449/2008,  c.c.  art.  44  da  Lei  no  9.430/96)  preveem  uma  penalidade  pecuniária  específica,  a  qual  deve  ser  aplicada  em detrimento  da  regra  geral,  em  atenção  ao  princípio  jurídico  lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de  normas.  Nessa  perspectiva,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  o  cotejamento  de  normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art.  106,  II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no  art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com  a regra encartada no art. 35,  II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99,  uma  vez  que  estas  tratam,  especificamente,  de  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício,  ou  seja,  penalidades de idêntica natureza jurídica.  Nesse  contexto,  vencidos  tais prolegômenos,  tratando­se o vertente  caso  de  lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias,  o  atraso  objetivo  no  recolhimento  de  tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber:  Tratando­se  de  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  MP  nº  449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância  que  implica  a  incidência de multa de mora nos  termos do  art.  35 da Lei nº 8.212/91,  com a  redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em  dívida ativa.  Tratando­se de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008:  De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção  do art.  35­A na Lei  de Custeio da Seguridade Social,  situação que  importa na  incidência de  multa de ofício de 75%.  Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores  a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa  de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista  no  art.  35­A  do  mesmo  Diploma  Legal,  inserido  pela  MP  nº  449/2008,  contingência  que  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   30 justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta  se revela mais ofensiva ao infrator.  Dessarte,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  a  competência  novembro/2008,  inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  efetuado  com  observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela lei nº 9.876/99.  Na mesma hipótese especifica, para os  fatos geradores ocorridos a partir da  competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  calculada  consoante a regra estampada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  11.941/2009.  O  raciocínio  acima  delineado  é  válido  enquanto  não  for  ajuizada  a  correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na  redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de  lançamento de ofício de  obrigação  principal  é  variável  em  função  da  fase  processual  em  que  se  encontre  o  Processo  Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário.   De  fato,  encerrado  o  Processo  Administrativo  Fiscal  e  restando  definitivamente  constituído,  no  âmbito  administrativo,  o  crédito  tributário,  não  sendo  este  satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo,  tal crédito é  inscrito em  Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial.  Ocorre  que,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  a multa  pelo  atraso  no  recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a  multa de ofício (75%) menos ferina, operando­se, a partir de então, a retroatividade da lei mais  benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio.   Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores  a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido  no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo  da  penalidade  pecuniária  decorrente  da  mora  do  recolhimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um  limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o  crédito  tributário  seja  objeto  de  ação  de  execução  fiscal.  Nestas  hipóteses,  somente  irá  se  operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio.  Da conjugação das normas  tributárias  acima  revisitadas conclui­se que, nos  casos de  lançamento de ofício de contribuições previdenciárias,  a penalidade pecuniária pelo  descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data  de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue:  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  novembro/2008,  inclusive:  A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no  inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o  limite máximo  de  75%,  desde  que  não  estejam  presentes  situações  de  sonegação,  fraude  ou  conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’,  do CTN.  Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11070.003198/2007­51  Acórdão n.º 2302­002.837  S2­C3T2  Fl. 156          31 Para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  dezembro/2008,  inclusive:  A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35­A  da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.  No  caso  dos  autos,  considerando  não  haver  sido  verificada  a  presença  dos  elementos  objetivos  e  subjetivos  de  conduta  que,  em  tese,  qualifica­se  como  fraude  e  sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, e que o período de apuração do  crédito  tributário  se  prolonga,  sem  solução  de  continuidade,  desde  janeiro/1997  até  novembro/2007,  resulta  que  a  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  aplicada  de  acordo  com o art. 35, II, da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção  ao  princípio  tempus  regit  actum,  observado  o  limite  máximo  de  75%,  em  atenção  à  retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN.  CONCLUSÃO:  Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado  à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  obedecer  à  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador,  observado  em  qualquer  caso,  unicamente,  o  limite  máximo  de  75%,  em  atenção  à  retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN.    Foi  assim  que  o  conselheiro  votou  na  sessão  de  julgamento,  conforme  registro.    (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Redator designado na data da formalização                  Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 27/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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