Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
6393878 #
Numero do processo: 19515.721473/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro se declarou impedido de votar. Esteve presente ao julgamento o Dr. Rodrigo César de Oliveira Marinho, OAB/SP nº 233.248. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201605

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 19515.721473/2012-14

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5593360

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 3402-000.791

nome_arquivo_s : Decisao_19515721473201214.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO

nome_arquivo_pdf_s : 19515721473201214_5593360.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro se declarou impedido de votar. Esteve presente ao julgamento o Dr. Rodrigo César de Oliveira Marinho, OAB/SP nº 233.248. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.

dt_sessao_tdt : Tue May 17 00:00:00 UTC 2016

id : 6393878

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:12 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423523942400

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1796; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1 1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.721473/2012­14  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.791  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  17 de maio de 2016  Assunto  PIS/COFINS  Recorrente  NOKIA SIEMENS NETWORKS DO BRASIL SISTEMAS DE  COMUNICAÇÕES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro se declarou impedido de votar.  Esteve presente ao julgamento o Dr. Rodrigo César de Oliveira Marinho, OAB/SP nº 233.248.  (assinado digitalmente)  Antônio Carlos Atulim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Augusto Daniel Neto ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim,  Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria  Aparecida Martins  de  Paula,  Diego Diniz  Ribeiro,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz  e Waldir  Navarro Bezerra.    Trata o presente processo de auto de infração (fls. 778/793) de PIS dos períodos  de  03/2007  e  04/2007,  08/2007  a  12/2007  e  de  COFINS  de  03/2007  e  04/2007,  07/2007  a  12/2007, no regime não­cumulativo, nos valores abaixo discriminados:    Cofins  PIS  Contribuição  28.096.555,65  5.918.951,05     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 47 3/ 20 12 -1 4 Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 3          2 Juros  13.815.933,15  2.910.955,44  Multa  21.072.416,70  4.439.213,26  Valor do Crédito Apurado  62.984.905,50  13.269.119,75  Conforme  relatório  no  acórdão  da  DRJ,  foram  apontados  no  Termo  de  Constatação de fls.770/777 as seguintes infrações:  1)  Diferença  entre  as  receitas  de  exportação  contabilizadas  e  declaradas  no  DACON­  Nos  meses  de  fevereiro,  abril,  maio,  julho,  agosto,  setembro,  outubro  e  dezembro  de  2007,  o  contribuinte  apropriou nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais  –DACON  dos  respectivos meses,  valores  superiores  aos  efetivamente  exportados.  No Quadro Demonstrativo  nº  01(fl.  688/697)  consta o  razão  contábil  da conta Vendas de Serviços – Nokia Interno SD, código 0000320500.  2) Receita de Exportação sem recebimento das divisas – Em todos os  meses  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  no  DACON  receita  de  exportação  de  serviços  sem  recebimento  de  divisas,  discriminada  no  Quadro nº 02 (fls. 698/700).  3)  Receita  de  Exportação  com  divisas  recebidas  após  360  dias  da  exportação. ­ Em todos os meses de 2007, o contribuinte apropriou no  DACON  receita  de  exportação  de  serviços  cujo  ingresso  de  divisas  ocorreu  após  365  dias  da  prestação  do  serviço,  o  que  contraria  a  determinação  contida  no  Regulamento  de  Cambio  do  BACEN,  conforme discriminado no Quadro nº 03 (fls. 701/702).  No quadro 04 (fls. 703/707) está demonstrada a composição da receita  de exportação aceita pela fiscalização.  4)  Na  DACON  relativa  ao  mês  de  janeiro  de  2007,  o  contribuinte  apropriou indevidamente, na base de cálculo dos créditos relativos às  contribuições PIS  e COFINS,  valores  correspondentes  a  importações  de bens para revenda, realizadas no mês de agosto de 2006 no total de  R$ 2.693.366,06, conforme Quadro Demonstrativo n° 6 (fl.711).  5)  Na  DACON  relativa  ao  mês  de  março  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  indevidamente  na  base  de  cálculo  dos  créditos  relativos  a  serviços utilizados como insumos, adquiridos no mercado  interno nos  meses  de  agosto  e  novembro  de  2006,  no  valor  de  2.476.335,15,  conforme discriminado no Quadro Demonstrativo N° 07 (fls. 712/733).  6)  Na  DACON  relativa  ao  mês  de  março  de  2007,  o  contribuinte  apropriou indevidamente, na base de cálculo dos créditos relativos às  contribuições PIS e COFINS, valores correspondentes a aquisição de  bens para revenda no mercado interno, realizadas no mês de agosto de  2006, no total de R$ 1.216.393,33, conforme Quadro Demonstrativo n°  8 (fl.  734).  Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 4          3 7)  Na  DACON  relativa  ao  mês  de  março  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  na  base  de  cálculo  dos  créditos  relativos a  Importação de  Bens para Revenda o montante de R$ 102.787.277,27,(QD 09 e 10 fls.  735 e 736/746) sendo que:  7.1  R$  4.648.058,18  correspondem  a  importações  de  mercadorias  realizadas no ano­calendário de 2004;  7.2. R$ 95.118.506,06 correspondentes às contribuições PIS e COFINS  a  recuperar  sobre  as  importações  de  softwares  realizadas  nos  anos  calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006;  8) Na DACON relativa ao mês de junho 2007, o contribuinte apropriou  indevidamente, na base de calculo dos créditos relativos a Importação  de  Bens  para  Revenda,  o  montante  de  R$  12.207.004,85  correspondente à importação de softwares realizadas no anocalendário  de 2006, conforme Quadro Demonstrativo N° 11 (fl. 747);  9)  Na  DACON  relativa  ao mês  de  setembro  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  indevidamente  na  base  de  calculo  dos  créditos  relativos  a  Importação  de  Bens  para  Revenda  o  montante  de  R$  263.377,58,  correspondente à  importação de  softwares  realizadas no próprio mês  de setembro de 2007, conforme Quadro Demonstrativo N° 12 (fl. 748);  10)  Na DACON  relativa  ao mês  de  outubro  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  indevidamente  na  base  de  calculo  dos  créditos  relativos  a  Importação  de  Bens  para  Revenda  o  montante  de  R$  57.424.943,03,  correspondente  à  importação  de  softwares  realizadas  no  ano­ calendário  de  2006,  conforme  Quadro  Demonstrativo  nº  13.(fls.  749/758)  Segundo a legislação de regência das contribuições PIS e COFINS não  cumulativos,  não  é  possível  o  creditamento  na  aquisição  de  software  por não se enquadrar no conceito de bens adquiridos para revenda ou  de  serviços  utilizados  como  insumos,  além  do  mais,  os  créditos  pleiteados  pelo  contribuinte,  no  ano­calendário  de  2007,  sobre  os  softwares importados nos anos­calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006,  encontram­se  gravados  pela  extemporaneidade,  circunstâncias  estas  determinantes  da  glosa  dos  créditos  respectivos,  apropriados  pelo  fiscalizado nas DACONs apresentadas.  Os  créditos  foram  apurados  nos  quadros  14  (fls.  759/762)  e  15  (763/767)  e  os  valores  devidos  a  título  de  PIS  e  COFINS  estão  demonstrados nos quadros 16 e 17 (fls.768/769).  A  interessada  foi  cientificada  da  autuação,  manifestando­se  através  da  impugnação de fls.796/875, alegando:  Nulidade por cerceamento de defesa, já que a fiscalização não explica  o  porquê  da  cobrança  relativa  a  infração  1.1,  já  que  receita  de  exportação é isenta do PIS e COFINS. A fiscalização não descreveu de  maneira  clara  e  precisa  os  fatos  que  levaram  a  seu  entendimento  de  que  a  Impugnante  teria  cometido  infrações  à  legislação  tributária  e  tampouco descreveu de maneira clara, precisa e coerente as infrações  imputadas.  Desta  forma,  inverteu  indevidamente  o  ônus  da  prova,  Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 5          4 obrigou a impugnante a se defender sem ter certeza da conduta que lhe  está atribuída.  Ocorreu  a  decadência  do  crédito  tributário  relativo  aos  fatos  geradores ocorridos no período de janeiro a junho de 2007, de acordo  com o art. 150, §4º do CTN.  Infração 1 – Das Exportações de Serviços Item 1.1­ Diferença entre as  receitas  contabilizadas  e  declaradas  As  receitas  de  exportação  não  estão  sujeitas  à  incidência  do  PIS  e  da  Cofins,  portanto,  a  receita  informada a maior, não gera tributação.  Além disso, não existem as diferenças apontadas.  No  mês  de  fevereiro  foi  informado  indevidamente  no  item  receita  de  exportação a soma das  informações de janeiro e  fevereiro, o que não  gerou qualquer prejuízo ao erário.  Nos demais meses, não há qualquer diferença já que a fiscalização não  considerou a conta dos materiais  fornecidos na prestação de serviços  ao exterior (exportação de produtos), conta contábil 0000320000.  Item  1.2  –  Receitas  de  Exportação  sem  recebimento  das  divisas  De  acordo  com  planilha  elaborada  (item  191  da  impugnação),  a  fiscalizada alega que ocorreu o ingresso de divisas.  De  acordo  com  a  planilha  elaborada  (item  193  da  impugnação),  a  fiscalizada  alega  que  ocorreu  o  ingresso  de  divisas  após  o  prazo  de  360 dias. Alega que a acusação está errada, já que a acusação foi de  ausência  de  recebimento.  Alega  também  que  o  fato  de  ultrapassar  o  prazo  de  360  dias  não  descaracteriza  a  exportação,  conforme  abordado na infração seguinte.  A interessada alega que a fiscalização tributou também a NF 048635­2  estornada no mesmo dia na contabilidade da impugnante.  Em  relação  às  receitas  para  as  quais  de  fato  ainda  não  houve  o  ingresso  de  divisas,  a  interessada  alega  que  ainda  aguarda  a  formalização do pagamento, já que foram realizados entre empresas do  mesmo grupo e ainda constam como pendentes de recebimento em seus  balanços e razões.  Questiona  também  a  exigência  do  ingresso  de  divisas  para  configuração  da  isenção  já  que  tal  condição  não  está  prevista  na  Constituição.  Cita Acórdãos nº 201­81.746 e nº 204­02.775 do CARF.  Item 1.3 – Receitas com Divisas recebidas após 360 dias da exportação  A  exigência  do  BACEN  de  que  ocorra  a  liquidação  do  contrato  de  câmbio até o último dia útil do 12º mês subsequente ao do embarque da  mercadoria  ou  da  prestação  do  serviço,  não  descaracteriza  a  exportação,  não  implicando  em  exigência  de  tributos  em  relação  à  receita  de  exportação.  A  cobrança  de  tributos  em  virtude  do  descumprimento  da  norma  do BACEN ofende  o P.  da  legalidade  e  o  art.  111 do CTN,  já que o  interprete não pode  criar o  requisito,  não  previsto em lei.  Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 6          5 Ocorreu  uma  interpretação  equivocada  da  fiscalização  quanto  ao  regulamento do BACEN.  A Circular  trata  de dois  tipos  distintos de  contratos de  câmbio,  para  formalização do ingresso de divisas:  O contrato de câmbio para liquidação pronta não tem qualquer prazo  máximo para ser  realizado, até mesmo porque, como o próprio nome  diz,  ele  deve  ser  liquidado  imediatamente,  após  a  contratação  e  abertura do contrato de câmbio.  Em relação ao  contrato  de  câmbio  para  liquidação  futura  a  referida  Circular estipula alguns prazos. A lógica da legislação é não deixar o  contrato  de  câmbio  em  aberto,  por  prazo  indefinido,  sem  a  sua  liquidação, e consequente formalização do ingresso de divisas.  A respeito da modalidade de liquidação futura do contrato, a aludida  normativa estabelece prazos máximos para o fechamento do câmbio e  a  liquidação  do  contrato,  tais  como:  (i)  360  dias  na  hipótese  de  o  contrato de câmbio ter sido contratado e aberto antes da prestação do  serviço, (ii) 12 meses da prestação do serviço, quando o contrato tiver  sido  aberto  consentaneamente  à  prestação  do  serviço,  sendo  que  o  prazo  máximo  para  a  liquidação  do  contrato  de  câmbio,  após  sua  contratação e abertura, é de 750 (setecentos e cinquenta) dias.  Se o contrato de câmbio não estava em aberto no BACEN, não haveria  motivo  para  que  se  exigisse  um  prazo  para  sua  liquidação,  como  propõe a Fiscalização.  Infração 2– Dos Créditos da não­cumulatividade Foram apuradas as  seguintes infrações:  Itens 2.1, 2.2, 2.3, 2.4 – vedação da apropriação extemporânea;  Itens  2.4  (b),  2.5  e  2.7  –  vedação  da  apropriação  extemporânea  e  vedação de apropriação de crédito em relação aos softwares;  Itens  2.6  –  vedação  de  apropriação  de  crédito  em  relação  aos  softwares  Em  relação  à  apuração  de  crédito  extemporâneo,  a  interessada  alega  que  o  art.  3º  §4º  da  Lei  10.833/2003  prevê  a  possibilidade de aproveitamento extemporâneo de créditos. Alega que  as  únicas  vedações  legais  seriam  quanto  ao  prazo  de  5  anos  e  a  impossibilidade de atualização dos valores.  Alega que não é possível que  se  exija que  se  retifique o DACON e a  DCTF,  do  período  em  que  a  despesa  ocorreu,  já  que  não  há  tal  previsão  na  legislação  que  rege  o  aproveitamento  de  créditos  extemporâneos.  Alega  que  tal  exigência  somente  seria  possível  nos  casos  de  repetição  de  indébito.  Acrescenta  que  não  houve  qualquer  prejuízo ao erário e que houve inclusive um ganho, já que se efetuasse  requerimento  de  compensação ou  restituição  haveria  atualização dos  valores. Cita as SC nº 65/2011 e SC nº 192/2010.  Mesmo  que  cogitasse  a  manutenção  do  lançamento  ora  impugnado,  não poderia ser cobrado juros ou multa nos termos do art. 100, § único  do CTN.  Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 7          6 Quanto  aos  créditos  oriundos  das  importações  de  softwares,  a  impugnante afirma que se caracterizam como serviços prestados pela  sua matriz localizada na Finlândia e que são utilizados como insumos  na  atividade  de  prestação  de  serviços  da  Impugnante,  o  que  lhe  garante  o  direito  de  crédito,  nos  termos  do  art.  15,  inc.  II  da  Lei  n°  10.865/04.  A  Impugnante  é  a  empresa  responsável  pela  prestação  dos  serviços  necessários à montagem e funcionamento da rede de telefonia móvel e  fixa para as empresas de telecomunicações.  De  maneira  bem  simplista,  pode­se  afirmar  que  a  Impugnante  é  responsável pelos serviços de elaboração, montagem e funcionamento  das antenas, centrais e respectivos softwares de telefonia móvel e fixa.  Em síntese, dos serviços prestados pela Impugnante, a estrutura visível  são as antenas, as centrais e os hardwares, por exemplo, mas para que  funcionem,  dentro  das  especificações  do  cliente,  são  instalados  os  programas  de  computadores  (softwares)  para  que  os  serviços  das  operadoras possam ser executados.  Os empregados que lidam com o desenvolvimento dos softwares ficam  alocados  na  matriz  da  Impugnante  localizada  na  Finlândia.  Assim,  para  o  desenvolvimento  dos  softwares  a  serem  utilizados  pelas  empresas  de  telecomunicações  no  Brasil,  a  Impugnante  importa  os  serviços  da  sua matriz  localizada  na  Finlândia.  Inclusive,  em  alguns  casos, a Impugnante também importa hardwares da sua matriz.  O STF em julgamento do RE Nº 176.626­3/SP fixou o entendimento de  que o  software de prateleira  seria mercadoria e o por encomenda ou  customizado  seria  caracterizado  como  prestação  de  serviços.  Este  último é o caso da impugnante.  A interessada cita ainda as Soluções de Consulta nº 39/2011, 46/2001 e  156/2012.  As  redes  de  telefonia  móvel  e  fixa  desenvolvidas  pela  Impugnante  apenas adquirem a capacidade de transmissão de voz e de dados após  a  instalação  do  software  desenvolvido  pela  sua  matriz  localizada  na  Finlândia,  o  que  permite  concluir  que  os  softwares  tem  natureza  de  insumo.  Acrescenta que mesmo que se entenda que o software é um bem para  revenda ou que seria um bem utilizado como insumo na prestação de  serviço, também haveria direito ao crédito.  A  interessada  contesta  também  a  ilegalidade  da  incidência  de  juros  Selic sobre a multa, cita decisões do Conselho.  Encerra a impugnação protestando pela juntada posterior de qualquer  documento que possa comprovar o alegado.  Houve a conversão do julgamento em diligência para averiguação dos quesitos  elencados na Resolução 12­000.260 (fls.1411­1418), com retorno de diligência acostado às fls.  1520­1524. Em síntese, propõe a autoridade fiscal:  Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 8          7 a)  a  exoneração  integral  do  crédito  tributário  lançado  relativo  a  diferença  entre  as  receitas  de  exportação e  os  valores  contabilizados  no Dacon;  b)  Exonerar  o  crédito  tributário  constituído  relativo  a  receitas  de  exportação sem o recebimento de divisas, cujas divisas ingressaram no  pais no curso do prazo regulamentar, abaixo listadas:  DATA  NF  VALOR  25/09/2007  20131  7.786,13  25/09/2007  20132  4.985,13  29/10/2007  20361  parcial  29/11/2007  20631  26.755,06  c)  Manter  o  crédito  tributário  constituído  em  relação  às  demais  infrações.  O  contribuinte  se  manifestou  a  respeito,  concordando  com  as  exonerações  propostas pela DRF e reiterando os argumentos quanto aos demais pontos.  A  DRJ/Rio  de  Janeiro  julgou  o  processo,  cujos  fundamentos  se  encontram  claramente refletidos na extensa ementa:  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Período  de  apuração: 01/03/2007 a 30/04/2007, 01/07/2007 a 31/12/2007 PROVA.  JUNTADA POSTERIOR.  A  prova  documental  deverá  ser  apresentada  na  manifestação  de  inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazê­lo em outro  momento  processual,  a  menos  que  a  interessada  demonstre,  com  fundamentos,  a  impossibilidade  de  apresentação  por motivo  de  força  maior;  refira­se  a  fato  ou  direito  superveniente  ou  destine­se  a  contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.  NULIDADE.  Não  padece  de  nulidade  o  auto  de  infração,  lavrado  por  autoridade  competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e  a  ampla  defesa,  onde  constam  requisitos  exigidos  nas  normas  pertinentes ao processo administrativo fiscal.  ALEGAÇÃO  INCONSTITUCIONALIDADE Falta  competência  à DRJ  para  se  pronunciar  a  respeito  da  conformidade  da  lei,  validamente  editada  segundo  o  processo  legislativo  constitucionalmente  previsto,  com  os  demais  preceitos  emanados  da  própria Constituição Federal,  ao  ponto  de  reconhecer­lhe  a  inaplicabilidade  a  caso  expressamente  nela  previsto.  O  controle  da  constitucionalidade  das  leis  é  matéria  reservada,  também  por  força  de  dispositivo  da  Carta  Magna,  aos  órgãos do Poder Judiciário.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 9          8 A autoridade julgadora não deve se manifestar acerca da incidência de  juros  sobre multa de ofício,  uma vez que  tais  valores não  integram o  crédito  tributário  lançado,  tratando­se  de  aspecto  concernente  à  sua  cobrança.  DECADÊNCIA. COFINS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.  Afastada a aplicação do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91 com a  publicação da Súmula Vinculante nº  8  do  STF,  é  de  se  considerar,  o  prazo de cinco anos para constituição de crédito tributário referente à  COFINS.  Na  ausência  de  pagamento  antecipado,  a  contagem  inicia­se  no  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado.  ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.  As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita  ou  de  cálculos  existentes  poderão  ser  corrigidos  de  ofício  ou  a  requerimento do sujeito passivo.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL  ­ COFINS Período de  apuração:  01/03/2007 a  30/04/2007,  01/07/2007  a  31/12/2007  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON A  apuração  extemporânea  de  créditos  só  admitida mediante  retificação  das  declarações  e  demonstrativos  correspondentes,  em  especial  as  DCTF e os Dacon.  A  apuração  de  crédito  somente  pode  abranger  créditos  relativos  a  aquisição  relativa  aquele  período  de  apuração,  conforme  expressa  disposição legal.  EXPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO. RATEIO.  Confirmado que houve  informação a maior de  receita de exportação,  cabe efetuar o ajuste ao valor real para o correto rateio dos créditos  comuns.  Apresentadas provas da correta  informação da  receita de  exportação  dos demais meses, deve ser desconsiderado o ajuste efetuado para fins  de rateio dos créditos comuns.  EXPORTAÇÃO.  INGRESSO DE DIVISAS Não  incide PIS  e COFINS  sobre a receita de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas.  Se  não  confirmado  o  efetivo  ingresso,  não  se  configura  a  exportação,  portanto,  haverá  incidência  do  PIS  e  da  COFINS.  EXPORTAÇÃO.  INGRESSO  DE  DIVISAS  APÓS  O  PRAZO  DE  360  DIAS. NORMA BACEN.  O prazo previsto pelo BACEN para liquidação do contrato de cambio  não  tem  o  condão  de  descaracterizar  a  receita  de  exportação.  Comprovado que houve o efetivo ingresso de divisas está preenchido o  Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 10          9 requisito  exigido  para  a  fruição  do  benefício  fiscal,  mesmo  que  o  ingresso ocorra após o prazo de 360 dias.  IMPORTAÇÃO.  BENS  PARA  REVENDA.  CREDITO  ANTERIOR  A  MAIO/2004. INEXISTENCIA PREVISÃO LEGAL.  O artigo 15 da Lei nº 10865/2004 permitiu a apuração de crédito da  nãocumulatividade  na  importação  de  bens  para  revenda,  a  partir  de  maio  de  2004,  portanto,  não  há  previsão  para  apuração  de  créditos  anteriores a esta data.  SOFTWARE  IMPORTADO.  CREDITO.  UTILIZAÇÃO/APLICAÇÃO.  AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO.  O software  importado somente gera crédito de não cumulatividade se  adquirido  para  revenda  ou  for  utilizado  como  insumo.  Ausente  a  comprovação  da  utilização/aplicação  do  software  não  há  direito  a  crédito.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:  01/03/2007  a  30/04/2007,  01/08/2007  a  31/12/2007  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON A  apuração  extemporânea  de  créditos  só  admitida mediante  retificação  das  declarações  e  demonstrativos  correspondentes,  em  especial  as  DCTF e os Dacon.  A  apuração  de  crédito  somente  pode  abranger  créditos  relativos  a  aquisição  relativa  aquele  período  de  apuração,  conforme  expressa  disposição legal.  EXPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO. RATEIO.  Confirmado que houve  informação a maior de  receita de exportação,  cabe efetuar o ajuste ao valor real para o correto rateio dos créditos  comuns.  Apresentadas provas da correta  informação da  receita de  exportação  dos demais meses, deve ser desconsiderado o ajuste efetuado para fins  de rateio dos créditos comuns.  EXPORTAÇÃO.  INGRESSO DE DIVISAS Não  incide PIS  e COFINS  sobre a receita de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas.  Se  não  confirmado  o  efetivo  ingresso,  não  se  configura  a  exportação,  portanto,  haverá  incidência  do  PIS  e  da  COFINS.  EXPORTAÇÃO.  INGRESSO  DE  DIVISAS  APÓS  O  PRAZO  DE  360  DIAS. NORMA BACEN.  O prazo previsto pelo BACEN para liquidação do contrato de cambio  não  tem  o  condão  de  descaracterizar  a  receita  de  exportação.  Comprovado que houve o efetivo ingresso de divisas está preenchido o  requisito  exigido  para  a  fruição  do  benefício  fiscal,  mesmo  que  o  ingresso ocorra após o prazo de 360 dias.  Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 11          10 IMPORTAÇÃO.  BENS  PARA  REVENDA.  CREDITO  ANTERIOR  A  MAIO/2004. INEXISTENCIA PREVISÃO LEGAL.  O artigo 15 da Lei nº 10865/2004 permitiu a apuração de crédito da  nãocumulatividade  na  importação  de  bens  para  revenda,  a  partir  de  maio  de  2004,  portanto,  não  há  previsão  para  apuração  de  créditos  anteriores a esta data.  SOFTWARE  IMPORTADO.  CREDITO.  UTILIZAÇÃO/APLICAÇÃO.  AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO.  O software  importado somente gera crédito de não cumulatividade se  adquirido  para  revenda  ou  for  utilizado  como  insumo.  Ausente  a  comprovação  da  utilização/aplicação  do  software  não  há  direito  a  crédito.  Impugnação  Procedente  em  Parte  Crédito  Tributário  Mantido  em  Parte  Em  seu  Recurso  Voluntário,  o  Contribuinte  reiterou  os  argumentos de sua impugnação.   Em  razão  de  procedência  parcial  da  Impugnação,  a  decisão  está  sujeito  a  Revisão de Ofício, com apresentação de Contrarrazões da Fazenda Nacional em fls.2036­2052,  na  qual  reiterou­se  as  razões  apresentadas  no  Relatório  de  Fiscalização,  acompanhado  de  menção à jurisprudência do CARF.  É o relatório, em síntese.    Trata o presente processo de auto de infração (fls. 778/793) de PIS dos períodos  de  03/2007  e  04/2007,  08/2007  a  12/2007  e  de  COFINS  de  03/2007  e  04/2007,  07/2007  a  12/2007, no regime não­cumulativo, nos valores abaixo discriminados:    Cofins  PIS  Contribuição  28.096.555,65  5.918.951,05  Juros  13.815.933,15  2.910.955,44  Multa  21.072.416,70  4.439.213,26  Valor do Crédito Apurado  62.984.905,50  13.269.119,75  Conforme  relatório  no  acórdão  da  DRJ,  foram  apontados  no  Termo  de  Constatação de fls.770/777 as seguintes infrações:  1)  Diferença  entre  as  receitas  de  exportação  contabilizadas  e  declaradas  no  DACON­  Nos  meses  de  fevereiro,  abril,  maio,  julho,  agosto,  setembro,  outubro  e  dezembro  de  2007,  o  contribuinte  apropriou nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais  –DACON  dos  respectivos meses,  valores  superiores  aos  efetivamente  exportados.  No Quadro Demonstrativo  nº  01(fl.  688/697)  consta o  razão  contábil  da conta Vendas de Serviços – Nokia Interno SD, código 0000320500.  Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 12          11 2) Receita de Exportação sem recebimento das divisas – Em todos os  meses  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  no  DACON  receita  de  exportação  de  serviços  sem  recebimento  de  divisas,  discriminada  no  Quadro nº 02 (fls. 698/700).  3)  Receita  de  Exportação  com  divisas  recebidas  após  360  dias  da  exportação. ­ Em todos os meses de 2007, o contribuinte apropriou no  DACON  receita  de  exportação  de  serviços  cujo  ingresso  de  divisas  ocorreu  após  365  dias  da  prestação  do  serviço,  o  que  contraria  a  determinação  contida  no  Regulamento  de  Cambio  do  BACEN,  conforme discriminado no Quadro nº 03 (fls. 701/702).  No quadro 04 (fls. 703/707) está demonstrada a composição da receita  de exportação aceita pela fiscalização.  4)  Na  DACON  relativa  ao  mês  de  janeiro  de  2007,  o  contribuinte  apropriou indevidamente, na base de cálculo dos créditos relativos às  contribuições PIS  e COFINS,  valores  correspondentes  a  importações  de bens para revenda, realizadas no mês de agosto de 2006 no total de  R$ 2.693.366,06, conforme Quadro Demonstrativo n° 6 (fl.711).  5)  Na  DACON  relativa  ao  mês  de  março  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  indevidamente  na  base  de  cálculo  dos  créditos  relativos  a  serviços utilizados como insumos, adquiridos no mercado  interno nos  meses  de  agosto  e  novembro  de  2006,  no  valor  de  2.476.335,15,  conforme discriminado no Quadro Demonstrativo N° 07 (fls. 712/733).  6)  Na  DACON  relativa  ao  mês  de  março  de  2007,  o  contribuinte  apropriou indevidamente, na base de cálculo dos créditos relativos às  contribuições PIS e COFINS, valores correspondentes a aquisição de  bens para revenda no mercado interno, realizadas no mês de agosto de  2006, no total de R$ 1.216.393,33, conforme Quadro Demonstrativo n°  8 (fl.  734).  7)  Na  DACON  relativa  ao  mês  de  março  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  na  base  de  cálculo  dos  créditos  relativos a  Importação de  Bens para Revenda o montante de R$ 102.787.277,27,(QD 09 e 10 fls.  735 e 736/746) sendo que:  7.1  R$  4.648.058,18  correspondem  a  importações  de  mercadorias  realizadas no ano­calendário de 2004;  7.2. R$ 95.118.506,06 correspondentes às contribuições PIS e COFINS  a  recuperar  sobre  as  importações  de  softwares  realizadas  nos  anos  calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006;  8) Na DACON relativa ao mês de junho 2007, o contribuinte apropriou  indevidamente, na base de calculo dos créditos relativos a Importação  de  Bens  para  Revenda,  o  montante  de  R$  12.207.004,85  correspondente à importação de softwares realizadas no anocalendário  de 2006, conforme Quadro Demonstrativo N° 11 (fl. 747);  9)  Na  DACON  relativa  ao mês  de  setembro  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  indevidamente  na  base  de  calculo  dos  créditos  relativos  a  Importação  de  Bens  para  Revenda  o  montante  de  R$  263.377,58,  Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 13          12 correspondente à  importação de  softwares  realizadas no próprio mês  de setembro de 2007, conforme Quadro Demonstrativo N° 12 (fl. 748);  10)  Na DACON  relativa  ao mês  de  outubro  de  2007,  o  contribuinte  apropriou  indevidamente  na  base  de  calculo  dos  créditos  relativos  a  Importação  de  Bens  para  Revenda  o  montante  de  R$  57.424.943,03,  correspondente  à  importação  de  softwares  realizadas  no  ano­ calendário  de  2006,  conforme  Quadro  Demonstrativo  nº  13.(fls.  749/758)  Segundo a legislação de regência das contribuições PIS e COFINS não  cumulativos,  não  é  possível  o  creditamento  na  aquisição  de  software  por não se enquadrar no conceito de bens adquiridos para revenda ou  de  serviços  utilizados  como  insumos,  além  do  mais,  os  créditos  pleiteados  pelo  contribuinte,  no  ano­calendário  de  2007,  sobre  os  softwares importados nos anos­calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006,  encontram­se  gravados  pela  extemporaneidade,  circunstâncias  estas  determinantes  da  glosa  dos  créditos  respectivos,  apropriados  pelo  fiscalizado nas DACONs apresentadas.  Os  créditos  foram  apurados  nos  quadros  14  (fls.  759/762)  e  15  (763/767)  e  os  valores  devidos  a  título  de  PIS  e  COFINS  estão  demonstrados nos quadros 16 e 17 (fls.768/769).  A  interessada  foi  cientificada  da  autuação,  manifestando­se  através  da  impugnação de fls.796/875, alegando:  Nulidade por cerceamento de defesa, já que a fiscalização não explica  o  porquê  da  cobrança  relativa  a  infração  1.1,  já  que  receita  de  exportação é isenta do PIS e COFINS. A fiscalização não descreveu de  maneira  clara  e  precisa  os  fatos  que  levaram  a  seu  entendimento  de  que  a  Impugnante  teria  cometido  infrações  à  legislação  tributária  e  tampouco descreveu de maneira clara, precisa e coerente as infrações  imputadas.  Desta  forma,  inverteu  indevidamente  o  ônus  da  prova,  obrigou a impugnante a se defender sem ter certeza da conduta que lhe  está atribuída.  Ocorreu  a  decadência  do  crédito  tributário  relativo  aos  fatos  geradores ocorridos no período de janeiro a junho de 2007, de acordo  com o art. 150, §4º do CTN.  Infração 1 – Das Exportações de Serviços Item 1.1­ Diferença entre as  receitas  contabilizadas  e  declaradas  As  receitas  de  exportação  não  estão  sujeitas  à  incidência  do  PIS  e  da  Cofins,  portanto,  a  receita  informada a maior, não gera tributação.  Além disso, não existem as diferenças apontadas.  No  mês  de  fevereiro  foi  informado  indevidamente  no  item  receita  de  exportação a soma das  informações de janeiro e  fevereiro, o que não  gerou qualquer prejuízo ao erário.  Nos demais meses, não há qualquer diferença já que a fiscalização não  considerou a conta dos materiais  fornecidos na prestação de serviços  ao exterior (exportação de produtos), conta contábil 0000320000.  Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 14          13 Item  1.2  –  Receitas  de  Exportação  sem  recebimento  das  divisas  De  acordo  com  planilha  elaborada  (item  191  da  impugnação),  a  fiscalizada alega que ocorreu o ingresso de divisas.  De  acordo  com  a  planilha  elaborada  (item  193  da  impugnação),  a  fiscalizada  alega  que  ocorreu  o  ingresso  de  divisas  após  o  prazo  de  360 dias. Alega que a acusação está errada, já que a acusação foi de  ausência  de  recebimento.  Alega  também  que  o  fato  de  ultrapassar  o  prazo  de  360  dias  não  descaracteriza  a  exportação,  conforme  abordado na infração seguinte.  A interessada alega que a fiscalização tributou também a NF 048635­2  estornada no mesmo dia na contabilidade da impugnante.  Em  relação  às  receitas  para  as  quais  de  fato  ainda  não  houve  o  ingresso  de  divisas,  a  interessada  alega  que  ainda  aguarda  a  formalização do pagamento, já que foram realizados entre empresas do  mesmo grupo e ainda constam como pendentes de recebimento em seus  balanços e razões.  Questiona  também  a  exigência  do  ingresso  de  divisas  para  configuração  da  isenção  já  que  tal  condição  não  está  prevista  na  Constituição.  Cita Acórdãos nº 201­81.746 e nº 204­02.775 do CARF.  Item 1.3 – Receitas com Divisas recebidas após 360 dias da exportação  A  exigência  do  BACEN  de  que  ocorra  a  liquidação  do  contrato  de  câmbio até o último dia útil do 12º mês subsequente ao do embarque da  mercadoria  ou  da  prestação  do  serviço,  não  descaracteriza  a  exportação,  não  implicando  em  exigência  de  tributos  em  relação  à  receita  de  exportação.  A  cobrança  de  tributos  em  virtude  do  descumprimento  da  norma  do BACEN ofende  o P.  da  legalidade  e  o  art.  111 do CTN,  já que o  interprete não pode  criar o  requisito,  não  previsto em lei.  Ocorreu  uma  interpretação  equivocada  da  fiscalização  quanto  ao  regulamento do BACEN.  A Circular  trata  de dois  tipos  distintos de  contratos de  câmbio,  para  formalização do ingresso de divisas:  O contrato de câmbio para liquidação pronta não tem qualquer prazo  máximo para ser  realizado, até mesmo porque, como o próprio nome  diz,  ele  deve  ser  liquidado  imediatamente,  após  a  contratação  e  abertura do contrato de câmbio.  Em relação ao  contrato  de  câmbio  para  liquidação  futura  a  referida  Circular estipula alguns prazos. A lógica da legislação é não deixar o  contrato  de  câmbio  em  aberto,  por  prazo  indefinido,  sem  a  sua  liquidação, e consequente formalização do ingresso de divisas.  A respeito da modalidade de liquidação futura do contrato, a aludida  normativa estabelece prazos máximos para o fechamento do câmbio e  a  liquidação  do  contrato,  tais  como:  (i)  360  dias  na  hipótese  de  o  contrato de câmbio ter sido contratado e aberto antes da prestação do  serviço, (ii) 12 meses da prestação do serviço, quando o contrato tiver  Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 15          14 sido  aberto  consentaneamente  à  prestação  do  serviço,  sendo  que  o  prazo  máximo  para  a  liquidação  do  contrato  de  câmbio,  após  sua  contratação e abertura, é de 750 (setecentos e cinquenta) dias.  Se o contrato de câmbio não estava em aberto no BACEN, não haveria  motivo  para  que  se  exigisse  um  prazo  para  sua  liquidação,  como  propõe a Fiscalização.  Infração 2– Dos Créditos da não­cumulatividade Foram apuradas as  seguintes infrações:  Itens 2.1, 2.2, 2.3, 2.4 – vedação da apropriação extemporânea;  Itens  2.4  (b),  2.5  e  2.7  –  vedação  da  apropriação  extemporânea  e  vedação de apropriação de crédito em relação aos softwares;  Itens  2.6  –  vedação  de  apropriação  de  crédito  em  relação  aos  softwares  Em  relação  à  apuração  de  crédito  extemporâneo,  a  interessada  alega  que  o  art.  3º  §4º  da  Lei  10.833/2003  prevê  a  possibilidade de aproveitamento extemporâneo de créditos. Alega que  as  únicas  vedações  legais  seriam  quanto  ao  prazo  de  5  anos  e  a  impossibilidade de atualização dos valores.  Alega que não é possível que  se  exija que  se  retifique o DACON e a  DCTF,  do  período  em  que  a  despesa  ocorreu,  já  que  não  há  tal  previsão  na  legislação  que  rege  o  aproveitamento  de  créditos  extemporâneos.  Alega  que  tal  exigência  somente  seria  possível  nos  casos  de  repetição  de  indébito.  Acrescenta  que  não  houve  qualquer  prejuízo ao erário e que houve inclusive um ganho, já que se efetuasse  requerimento  de  compensação ou  restituição  haveria  atualização dos  valores. Cita as SC nº 65/2011 e SC nº 192/2010.  Mesmo  que  cogitasse  a  manutenção  do  lançamento  ora  impugnado,  não poderia ser cobrado juros ou multa nos termos do art. 100, § único  do CTN.  Quanto  aos  créditos  oriundos  das  importações  de  softwares,  a  impugnante afirma que se caracterizam como serviços prestados pela  sua matriz localizada na Finlândia e que são utilizados como insumos  na  atividade  de  prestação  de  serviços  da  Impugnante,  o  que  lhe  garante  o  direito  de  crédito,  nos  termos  do  art.  15,  inc.  II  da  Lei  n°  10.865/04.  A  Impugnante  é  a  empresa  responsável  pela  prestação  dos  serviços  necessários à montagem e funcionamento da rede de telefonia móvel e  fixa para as empresas de telecomunicações.  De  maneira  bem  simplista,  pode­se  afirmar  que  a  Impugnante  é  responsável pelos serviços de elaboração, montagem e funcionamento  das antenas, centrais e respectivos softwares de telefonia móvel e fixa.  Em síntese, dos serviços prestados pela Impugnante, a estrutura visível  são as antenas, as centrais e os hardwares, por exemplo, mas para que  funcionem,  dentro  das  especificações  do  cliente,  são  instalados  os  programas  de  computadores  (softwares)  para  que  os  serviços  das  operadoras possam ser executados.  Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 16          15 Os empregados que lidam com o desenvolvimento dos softwares ficam  alocados  na  matriz  da  Impugnante  localizada  na  Finlândia.  Assim,  para  o  desenvolvimento  dos  softwares  a  serem  utilizados  pelas  empresas  de  telecomunicações  no  Brasil,  a  Impugnante  importa  os  serviços  da  sua matriz  localizada  na  Finlândia.  Inclusive,  em  alguns  casos, a Impugnante também importa hardwares da sua matriz.  O STF em julgamento do RE Nº 176.626­3/SP fixou o entendimento de  que o  software de prateleira  seria mercadoria e o por encomenda ou  customizado  seria  caracterizado  como  prestação  de  serviços.  Este  último é o caso da impugnante.  A interessada cita ainda as Soluções de Consulta nº 39/2011, 46/2001 e  156/2012.  As  redes  de  telefonia  móvel  e  fixa  desenvolvidas  pela  Impugnante  apenas adquirem a capacidade de transmissão de voz e de dados após  a  instalação  do  software  desenvolvido  pela  sua  matriz  localizada  na  Finlândia,  o  que  permite  concluir  que  os  softwares  tem  natureza  de  insumo.  Acrescenta que mesmo que se entenda que o software é um bem para  revenda ou que seria um bem utilizado como insumo na prestação de  serviço, também haveria direito ao crédito.  A  interessada  contesta  também  a  ilegalidade  da  incidência  de  juros  Selic sobre a multa, cita decisões do Conselho.  Encerra a impugnação protestando pela juntada posterior de qualquer  documento que possa comprovar o alegado.  Houve a conversão do julgamento em diligência para averiguação dos quesitos  elencados na Resolução 12­000.260 (fls.1411­1418), com retorno de diligência acostado às fls.  1520­1524. Em síntese, propõe a autoridade fiscal:  a)  a  exoneração  integral  do  crédito  tributário  lançado  relativo  a  diferença  entre  as  receitas  de  exportação e  os  valores  contabilizados  no Dacon;  b)  Exonerar  o  crédito  tributário  constituído  relativo  a  receitas  de  exportação sem o recebimento de divisas, cujas divisas ingressaram no  pais no curso do prazo regulamentar, abaixo listadas:  DATA  NF  VALOR  25/09/2007  20131  7.786,13  25/09/2007  20132  4.985,13  29/10/2007  20361  parcial  29/11/2007  20631  26.755,06  c)  Manter  o  crédito  tributário  constituído  em  relação  às  demais  infrações.  Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 17          16 O  contribuinte  se  manifestou  a  respeito,  concordando  com  as  exonerações  propostas pela DRF e reiterando os argumentos quanto aos demais pontos.  A  DRJ/Rio  de  Janeiro  julgou  o  processo,  cujos  fundamentos  se  encontram  claramente refletidos na extensa ementa:  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Período  de  apuração: 01/03/2007 a 30/04/2007, 01/07/2007 a 31/12/2007 PROVA.  JUNTADA POSTERIOR.  A  prova  documental  deverá  ser  apresentada  na  manifestação  de  inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazê­lo em outro  momento  processual,  a  menos  que  a  interessada  demonstre,  com  fundamentos,  a  impossibilidade  de  apresentação  por motivo  de  força  maior;  refira­se  a  fato  ou  direito  superveniente  ou  destine­se  a  contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.  NULIDADE.  Não  padece  de  nulidade  o  auto  de  infração,  lavrado  por  autoridade  competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e  a  ampla  defesa,  onde  constam  requisitos  exigidos  nas  normas  pertinentes ao processo administrativo fiscal.  ALEGAÇÃO  INCONSTITUCIONALIDADE Falta  competência  à DRJ  para  se  pronunciar  a  respeito  da  conformidade  da  lei,  validamente  editada  segundo  o  processo  legislativo  constitucionalmente  previsto,  com  os  demais  preceitos  emanados  da  própria Constituição Federal,  ao  ponto  de  reconhecer­lhe  a  inaplicabilidade  a  caso  expressamente  nela  previsto.  O  controle  da  constitucionalidade  das  leis  é  matéria  reservada,  também  por  força  de  dispositivo  da  Carta  Magna,  aos  órgãos do Poder Judiciário.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A autoridade julgadora não deve se manifestar acerca da incidência de  juros  sobre multa de ofício,  uma vez que  tais  valores não  integram o  crédito  tributário  lançado,  tratando­se  de  aspecto  concernente  à  sua  cobrança.  DECADÊNCIA. COFINS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.  Afastada a aplicação do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91 com a  publicação da Súmula Vinculante nº  8  do  STF,  é  de  se  considerar,  o  prazo de cinco anos para constituição de crédito tributário referente à  COFINS.  Na  ausência  de  pagamento  antecipado,  a  contagem  inicia­se  no  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado.  ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.  As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita  ou  de  cálculos  existentes  poderão  ser  corrigidos  de  ofício  ou  a  requerimento do sujeito passivo.  Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 18          17 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL  ­ COFINS Período de  apuração:  01/03/2007 a  30/04/2007,  01/07/2007  a  31/12/2007  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON A  apuração  extemporânea  de  créditos  só  admitida mediante  retificação  das  declarações  e  demonstrativos  correspondentes,  em  especial  as  DCTF e os Dacon.  A  apuração  de  crédito  somente  pode  abranger  créditos  relativos  a  aquisição  relativa  aquele  período  de  apuração,  conforme  expressa  disposição legal.  EXPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO. RATEIO.  Confirmado que houve  informação a maior de  receita de exportação,  cabe efetuar o ajuste ao valor real para o correto rateio dos créditos  comuns.  Apresentadas provas da correta  informação da  receita de  exportação  dos demais meses, deve ser desconsiderado o ajuste efetuado para fins  de rateio dos créditos comuns.  EXPORTAÇÃO.  INGRESSO DE DIVISAS Não  incide PIS  e COFINS  sobre a receita de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas.  Se  não  confirmado  o  efetivo  ingresso,  não  se  configura  a  exportação,  portanto,  haverá  incidência  do  PIS  e  da  COFINS.  EXPORTAÇÃO.  INGRESSO  DE  DIVISAS  APÓS  O  PRAZO  DE  360  DIAS. NORMA BACEN.  O prazo previsto pelo BACEN para liquidação do contrato de cambio  não  tem  o  condão  de  descaracterizar  a  receita  de  exportação.  Comprovado que houve o efetivo ingresso de divisas está preenchido o  requisito  exigido  para  a  fruição  do  benefício  fiscal,  mesmo  que  o  ingresso ocorra após o prazo de 360 dias.  IMPORTAÇÃO.  BENS  PARA  REVENDA.  CREDITO  ANTERIOR  A  MAIO/2004. INEXISTENCIA PREVISÃO LEGAL.  O artigo 15 da Lei nº 10865/2004 permitiu a apuração de crédito da  nãocumulatividade  na  importação  de  bens  para  revenda,  a  partir  de  maio  de  2004,  portanto,  não  há  previsão  para  apuração  de  créditos  anteriores a esta data.  SOFTWARE  IMPORTADO.  CREDITO.  UTILIZAÇÃO/APLICAÇÃO.  AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO.  O software  importado somente gera crédito de não cumulatividade se  adquirido  para  revenda  ou  for  utilizado  como  insumo.  Ausente  a  comprovação  da  utilização/aplicação  do  software  não  há  direito  a  crédito.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:  01/03/2007  a  30/04/2007,  01/08/2007  a  31/12/2007  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON A  Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 19          18 apuração  extemporânea  de  créditos  só  admitida mediante  retificação  das  declarações  e  demonstrativos  correspondentes,  em  especial  as  DCTF e os Dacon.  A  apuração  de  crédito  somente  pode  abranger  créditos  relativos  a  aquisição  relativa  aquele  período  de  apuração,  conforme  expressa  disposição legal.  EXPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO. RATEIO.  Confirmado que houve  informação a maior de  receita de exportação,  cabe efetuar o ajuste ao valor real para o correto rateio dos créditos  comuns.  Apresentadas provas da correta  informação da  receita de  exportação  dos demais meses, deve ser desconsiderado o ajuste efetuado para fins  de rateio dos créditos comuns.  EXPORTAÇÃO.  INGRESSO DE DIVISAS Não  incide PIS  e COFINS  sobre a receita de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas.  Se  não  confirmado  o  efetivo  ingresso,  não  se  configura  a  exportação,  portanto,  haverá  incidência  do  PIS  e  da  COFINS.  EXPORTAÇÃO.  INGRESSO  DE  DIVISAS  APÓS  O  PRAZO  DE  360  DIAS. NORMA BACEN.  O prazo previsto pelo BACEN para liquidação do contrato de cambio  não  tem  o  condão  de  descaracterizar  a  receita  de  exportação.  Comprovado que houve o efetivo ingresso de divisas está preenchido o  requisito  exigido  para  a  fruição  do  benefício  fiscal,  mesmo  que  o  ingresso ocorra após o prazo de 360 dias.  IMPORTAÇÃO.  BENS  PARA  REVENDA.  CREDITO  ANTERIOR  A  MAIO/2004. INEXISTENCIA PREVISÃO LEGAL.  O artigo 15 da Lei nº 10865/2004 permitiu a apuração de crédito da  nãocumulatividade  na  importação  de  bens  para  revenda,  a  partir  de  maio  de  2004,  portanto,  não  há  previsão  para  apuração  de  créditos  anteriores a esta data.  SOFTWARE  IMPORTADO.  CREDITO.  UTILIZAÇÃO/APLICAÇÃO.  AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO.  O software  importado somente gera crédito de não cumulatividade se  adquirido  para  revenda  ou  for  utilizado  como  insumo.  Ausente  a  comprovação  da  utilização/aplicação  do  software  não  há  direito  a  crédito.  Impugnação  Procedente  em  Parte  Crédito  Tributário  Mantido  em  Parte  Em  seu  Recurso  Voluntário,  o  Contribuinte  reiterou  os  argumentos de sua impugnação.   Em  razão  de  procedência  parcial  da  Impugnação,  a  decisão  está  sujeito  a  Revisão de Ofício, com apresentação de Contrarrazões da Fazenda Nacional em fls.2036­2052,  Fl. 2085DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721473/2012­14  Resolução nº  3402­000.791  S3­C4T2  Fl. 20          19 na  qual  reiterou­se  as  razões  apresentadas  no  Relatório  de  Fiscalização,  acompanhado  de  menção à jurisprudência do CARF.  É o relatório, em síntese.  VOTO  O  Recurso  Voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  devendo  ser  conhecido. Da mesma forma, o Recurso de Ofício atende aos requisitos de admissibilidade e  ultrapassa o limite de alçada, devendo também ser conhecido.  Da  análise  dos  diversos  aspectos  do  caso,  verifica­se  que  o  processo  não  se  encontra maduro para julgamento.  Primeiramente, verifica­se que no relatório do retorno de diligência (fl.1523) o  auditor­fiscal  responsável  pelo  cumprimento  da  resolução  observou  a  existência  de  diversos  contratos  de  câmbio  e  títulos  quitados  representativos  do  ingresso  de  divisas  relativo  à  exportação  de  serviços  da  Recorrente,  atribuindo  crédito  apenas  àqueles  de  acordo  com  o  Regulamento de Contrato de Câmbio do Banco Central do Brasil.  Entendemos  que  a  questão  da  aplicação  ou  não  das  regras  do  Banco  Central  como condições para fruição dos benefícios tributários do art.6º, II da lei 10.833 e do art.5º, II  da  10.637  é  questão meritória  a  ser  discutida  nesse  processo,  pelo  qual  não  poderemos  nos  manifestar acerca dela.   Todavia,  a  plausibilidade  do  pleito  do  contribuinte  se  baseia,  ademais,  em  jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (e.g. REsp 1.268.345/MA) e do próprio CARF,  pelo  que merece  análise mais  ampla  da  documentação  apresentada  do  que  aquela  solicitada  pela DRJ, que refletiu peremptoriamente a posição adotada pelo colegiado a quo.  Em  razão  disso,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  autoridade preparadora, à partir dos controles e contabilidade da fiscalizada apresentados no  processo (inclusive com respaldo nas planilhas de fls.1550­1553), elabore relatório conclusivo  acerca  do  ingresso  de  divisas  relativo  às  operações  listadas  nos  itens  191  e  193  da  Impugnação, montando tabelas apartadas para os ingressos realizados dentro do prazo de 365  dias  do  Banco Central,  e  outra  para  os  recebidos  fora  deste  prazo, mas  comprovadamente  recebidos.  Além  disso,  que  seja  verificado  junto  à  contabilidade  da  empresa,  especialmente  as  DACONs  e  DCTFs  do  período  cujo  crédito  se  pretende  utilizar  extemporaneamente,  para  analisar  se  houve  a  utilização  pretérita  deles  em  qualquer  outro  período.  Após  a  conclusão  do  trabalho,  intime­se  a  Contribuinte  e  a  Procuradoria  da  Fazenda para manifestação acerca do resultado da diligência, no prazo de 30 dias.  Ultrapassado o prazo, deve o processo retornar a este juízo.  É como voto.    Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM

score : 1.0
6383806 #
Numero do processo: 10580.726441/2011-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento dos embargos de declaração em diligência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento aos embargos de declaração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei. Relatório Transcrevo abaixo o Despacho de admissibilidade dos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo que bem resumem a questão ora sob exame: O sujeito passivo interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402- 001.664 prolatado por este Colegiado e que, na parte que interessa ao recurso, negou provimento ao recurso voluntário. Sintetizando as razões do embargante, a decisão teria incorrido em: - Primeira omissão, por não ter apreciado o argumento segundo o qual independentemente de ser empresa imobiliária os imóveis objeto do PAC deveriam ser registrados no ativo permanente; - Segunda omissão, por não ter apreciado a questão do diferimento da tributação do lucro imobiliário; - Terceira omissão, por não ter analisado a questão referente à venda do apartamento Phileto Sobrinho; - Primeira contradição, ao afirmar que não haveria obrigatoriedade pelas empreendedoras de pagar os fluxos projetados a ainda assim estabelecer um preço líquido passível de tributação; - Segunda contradição, ao afirmar que não haveria obrigatoriedade pelas empreendedoras de pagar os fluxos projetados e ao mesmo tempo entender que os TAC contemplariam todos os requisitos essenciais ao contrato definitivo de compra e venda; e: - Terceira contradição, ao afirmar que os TAC representariam negócios sob condição resolutiva quando na verdade as cláusulas seriam suspensivas; O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Na análise de mérito dos embargos de declaração percebe-se que o sujeito passivo utiliza o recurso em sua maior parte como uma tentativa de suscitar nova apreciação das razões de defesa explanadas no recurso voluntário, o que se mostra impraticável em sede de embargos de declaração. Relativamente à suposta primeira omissão voto assim se pronunciou: [...]Ao contrário do alegado, e conforme Quadro indicativo no bojo do voto condutor do acórdão hostilizado, mostra-se relevante o volume de operações com terceiros relativamente àquelas realizadas com coligadas e controladas. Assim, os valores recebidos em decorrência dessas operações constituem-se em receita operacional de vendas e não estão sujeitos à apuração de ganhos de capital. Mostra-se equivocado o procedimento do sujeito passivo em registrar no ativo permanente os imóveis em questão. O correto seria considerá-los como integrantes do estoque, no ativo circulante. [...]Quanto ao diferimento da tributação, a decisão recorrida manifestou-se: [...]Definido que a compra e venda de imóveis é atividade principal da recorrente, não se justifica a aplicabilidade ao caso do diferimento estabelecido no art. 421 do RIR/99. [....]Isso porque o dispositivo mencionado aplica-se a situações de alienação de bens do ativo permanente, o que não seria o caso da recorrente conforme explicitado na decisão. Relativamente à terceira omissão, de fato o acórdão não se pronunciou expressamente sobre a venda do apartamento integrante do Edifício Phileto Sobrinho, matéria tratada nos processos apensados. Nesse caso a omissão ficou caracterizada. A suposta primeira contradição foi demonstrada eis que o voto deixa claro a origem do preço passível de tributação: Outro questionamento nessa linha dirige-se à suposta inexistência de valores devidos pelas empreendedoras à recorrente até que fossem celebrados os compromissos de compra e venda com terceiros. Não concordo pois parece-me claro que o Anexo IV do TAC estabelece os valores a serem pagos. Também não vislumbrei a suposta segunda contradição suscitada. O posicionamento do redator quanto aos requisitos do contrato de compra e venda está devidamente justificado: [...]Além disso, a eficácia do contrato de compra e venda de imóveis não se vincula necessariamente à entrega do bem, bastando a formalização do compromisso numa promessa de compra e venda, desde que esse instrumento contenha os requisitos essenciais do contrato principal, nos termos do art. 462, do Código Civil de 2002, exceto por óbvio quanto à forma. Lembrando que para efeitos tributários a legislação não faz distinção entre a promessa de compra e venda e o contrato formal dessa natureza, a análise dos TACs indica a existência dos elementos essenciais de que trata o parágrafo anterior. A recorrente manifesta interesse em alienar os imóveis e as incorporadoras em adquiri-los. A interessada também admite receber o preço em moeda corrente nas condições lá estabelecidas. Por fim, os imóveis estão perfeitamente identificados. Assim, identificadas as partes capazes, o objeto e a forma de recebimento do preço. Em termos formais, o TAC se enquadraria no conceito de contrato preliminar de promessa de compra e venda de imóveis. [....]Em relação à suposta terceira contradição, não há qualquer mácula no voto questionado eis que a condições resolutivas referem-se às cláusulas rescisórias que não poderiam obstaculizar o negócio sem que implementadas as condições nelas previstas: [...]Lembrando que este voto sustenta tratar-se de promessa de compra e venda, as cláusulas rescisórias tem natureza resolutória sem impacto na ocorrência do fato gerador, ou seja, efetivadas as condições celebrar-se-iam os contratos de compra e venda. [...]Por fim, não haveria necessidade de menção específica ao TAC celebrado com a Tenela eis que a rescisão envolvendo esse instrumento não teria impacto na análise. [...]Os demais argumentos de defesa envolvendo as cláusulas rescisórias não desqualificam o até aqui exposto, pois envolvem as circunstâncias naturais de um compromisso preliminar pelo qual as partes se comprometem a formalizar um contrato de compra e venda sob determinadas condições. Ratifico que tal situação não tem qualquer impacto sobre a ocorrência do fato gerador tributário eis que, cumpridas as condições, a assinatura do contrato de compra e venda é obrigatória, não deixando dúvida quanto à validade e aos efeitos da promessa de compra e venda desde quando pactuada. [...]Do exposto, declaro PROCEDENTES EM PARTE as alegações suscitadas e admito os embargos de declaração EXCLUSIVAMENTE em relação à omissão quanto à receita decorrente da venda do apartamento situado no Edifício Phileto Sobrinho. Cientificada, a interessada peticionou reclamando que o despacho não abordou a questão referente à aplicabilidade ao caso do art. 416 do RIR/99, devidamente suscitada no recurso. É o Relatório Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Conforme despacho de admissibilidade, os embargos de declaração foram tempestivos e interpostos por signatário devidamente legitimado. Na parte admitida, o despacho entendeu pela omissão quanto à apreciação da razão recursal sobre a venda do apartamento integrante do Edifício Phileto Sobrinho - matéria tratada nos processos apensados - e que , segundo alega, pertenceria a terceiros. Em petição complementar, após cientificada do despacho que acolheu parcialmente os embargos de declaração, a interessada reclama que não foi analisada no despacho a arguição de omissão quanto ao pleito pela aplicação do art. 413, do RIR/99 na apuração do valor tributável. Entendo que assiste razão ao recorrente, tendo em vista que, de fato, nem o Acórdão recorrido e nem o despacho de admissibilidade trataram da questão. No que se refere ao apartamento, o registro da venda do bem (R$ 344.000,00) consta no Livro Razão da recorrente como pertencente a ela. A alegação de que houve um equívoco e que, na verdade, o imóvel seria de propriedade da empresa Haya Empreendimentos e Participações Ltda. (ligada à recorrente) veio acompanhada apenas de um instrumento particular de cessão de direitos aquisitivos de imóvel, pelo qual esses direitos são cedidos à Bahiamaq Locação de Máquinas e Equipamentos Ltda , sem qualquer registro em cartório. Também não foi apresentado qualquer documento que demonstrasse a suposta dívida da interessada com a adquirente do bem, divida essa que teria sido quitada no momento da alienação. A partir do instante em que o sujeito passivo contesta o próprio registro contábil seria de se esperar uma preocupação maior em apresentar provas robustas de suas alegações. Não foi o que ocorreu. A decisão recorrida já havia deixado claro que o instrumento particular não seria suficiente nesse sentido e alertou para a necessidade de que fosse comprovada a propriedade do imóvel por instrumento hábil. Mesmo assim, a recorrente limitou-se a ratificar que o documento em questão demonstraria o alegado. Nega-se provimento ao recurso nessa questão Quanto à aplicabilidade do art. 413, cabe em primeiro lugar a transcrição desse dispositivo: Art. 413.Na venda a prazo, ou em prestações, com pagamento após o término do ano-calendário da venda, o lucro bruto poderá, para efeito de determinação do lucro real, ser reconhecido nas contas de resultado de cada período de apuração proporcionalmente à receita da venda recebida, observadas as seguintes normas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 29): I- o lucro bruto será registrado em conta específica de resultados de exercícios futuros, para a qual serão transferidos a receita de venda e o custo do imóvel, inclusive o orçado (art. 412), se for o caso; II- por ocasião da venda será determinada a relação entre o lucro bruto e a receita bruta de venda e, em cada período de apuração, será transferida para as contas de resultado parte do lucro bruto proporcional à receita recebida no mesmo período; III- a atualização monetária do orçamento e a diferença posteriormente apurada, entre custo orçado e efetivo, deverão ser transferidas para a conta específica de resultados de exercícios futuros, com o conseqüente reajustamento da relação entre o lucro bruto e a receita bruta de venda, de que trata o inciso II, levando-se à conta de resultados a diferença de custo correspondente à parte do preço de venda já recebido; IV- se o custo efetivo foi inferior, em mais de quinze por cento, ao custo orçado, aplicar-se-á o disposto no§2ºdo art. 412. §1º Se a venda for contratada com juros, estes deverão ser apropriados nos resultados dos períodos de apuração a que competirem (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 29, §1º). §2º A pessoa jurídica poderá registrar como variação monetária passiva as atualizações monetárias do custo contratado e do custo orçado, desde que o critério seja aplicado uniformemente (Decreto-Lei nº2.429, de 14 de abril de 1988, art. 10) Percebe-se que o exercício da opção pelo diferimento proporcional implica na adoção de procedimentos específicos na escrituração que vão além da pura e simples aplicação do regime de caixa. Como exemplo, cabe o registro do lucro bruto em conta de resultado de exercícios futuros com indicação da receita de venda e do custo do imóvel, como primeiro passo para a aplicação da proporcionalidade. Assim, para apuração nos termos do dispositivo a recorrente deveria retificar a escrituração com o reconhecimento da receita nos moldes acima, acompanhada do custo respectivo. Se assim procedesse, entenderia como razoável o pleito e manifestar-me-ia pela retificação e adequação do lançamento. Entretanto, conforme relatado no Termo de Verificação, intimada a informar o custo dos imóveis vendidos a interessada preferiu não responder sob a alegação de que não teria havido a baixa do custo de quaisquer dos terrenos. Tal fato reflete a impossibilidade de se exigir do Fisco que faça os ajustes necessários ao diferimento, pois a recorrente sequer reconhece a realização das alienações implicando na ausência dos elementos necessários à apuração correta. Assim se manifestou a autoridade lançadora, no que foi acompanhada pela decisão de primeira instância. Entendo que a situação não guarda similitude com a compensação de prejuízos. Nesse caso, os valores estão devidamente registrados na escrituração e não se justifica que sejam desprezados pela Fiscalização quando da apuração da exigência tributária. De todo o exposto, voto por negar provimento aos embargos de declaração e ratificar o teor do Acórdão 1402-001.664. Leonardo de Andrade Couto - Relator
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201604

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri May 20 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10580.726441/2011-76

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5591757

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 20 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 1402-000.357

nome_arquivo_s : Decisao_10580726441201176.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO

nome_arquivo_pdf_s : 10580726441201176_5591757.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016

id : 6383806

ano_sessao_s : 2016

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento dos embargos de declaração em diligência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento aos embargos de declaração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei. Relatório Transcrevo abaixo o Despacho de admissibilidade dos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo que bem resumem a questão ora sob exame: O sujeito passivo interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402- 001.664 prolatado por este Colegiado e que, na parte que interessa ao recurso, negou provimento ao recurso voluntário. Sintetizando as razões do embargante, a decisão teria incorrido em: - Primeira omissão, por não ter apreciado o argumento segundo o qual independentemente de ser empresa imobiliária os imóveis objeto do PAC deveriam ser registrados no ativo permanente; - Segunda omissão, por não ter apreciado a questão do diferimento da tributação do lucro imobiliário; - Terceira omissão, por não ter analisado a questão referente à venda do apartamento Phileto Sobrinho; - Primeira contradição, ao afirmar que não haveria obrigatoriedade pelas empreendedoras de pagar os fluxos projetados a ainda assim estabelecer um preço líquido passível de tributação; - Segunda contradição, ao afirmar que não haveria obrigatoriedade pelas empreendedoras de pagar os fluxos projetados e ao mesmo tempo entender que os TAC contemplariam todos os requisitos essenciais ao contrato definitivo de compra e venda; e: - Terceira contradição, ao afirmar que os TAC representariam negócios sob condição resolutiva quando na verdade as cláusulas seriam suspensivas; O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Na análise de mérito dos embargos de declaração percebe-se que o sujeito passivo utiliza o recurso em sua maior parte como uma tentativa de suscitar nova apreciação das razões de defesa explanadas no recurso voluntário, o que se mostra impraticável em sede de embargos de declaração. Relativamente à suposta primeira omissão voto assim se pronunciou: [...]Ao contrário do alegado, e conforme Quadro indicativo no bojo do voto condutor do acórdão hostilizado, mostra-se relevante o volume de operações com terceiros relativamente àquelas realizadas com coligadas e controladas. Assim, os valores recebidos em decorrência dessas operações constituem-se em receita operacional de vendas e não estão sujeitos à apuração de ganhos de capital. Mostra-se equivocado o procedimento do sujeito passivo em registrar no ativo permanente os imóveis em questão. O correto seria considerá-los como integrantes do estoque, no ativo circulante. [...]Quanto ao diferimento da tributação, a decisão recorrida manifestou-se: [...]Definido que a compra e venda de imóveis é atividade principal da recorrente, não se justifica a aplicabilidade ao caso do diferimento estabelecido no art. 421 do RIR/99. [....]Isso porque o dispositivo mencionado aplica-se a situações de alienação de bens do ativo permanente, o que não seria o caso da recorrente conforme explicitado na decisão. Relativamente à terceira omissão, de fato o acórdão não se pronunciou expressamente sobre a venda do apartamento integrante do Edifício Phileto Sobrinho, matéria tratada nos processos apensados. Nesse caso a omissão ficou caracterizada. A suposta primeira contradição foi demonstrada eis que o voto deixa claro a origem do preço passível de tributação: Outro questionamento nessa linha dirige-se à suposta inexistência de valores devidos pelas empreendedoras à recorrente até que fossem celebrados os compromissos de compra e venda com terceiros. Não concordo pois parece-me claro que o Anexo IV do TAC estabelece os valores a serem pagos. Também não vislumbrei a suposta segunda contradição suscitada. O posicionamento do redator quanto aos requisitos do contrato de compra e venda está devidamente justificado: [...]Além disso, a eficácia do contrato de compra e venda de imóveis não se vincula necessariamente à entrega do bem, bastando a formalização do compromisso numa promessa de compra e venda, desde que esse instrumento contenha os requisitos essenciais do contrato principal, nos termos do art. 462, do Código Civil de 2002, exceto por óbvio quanto à forma. Lembrando que para efeitos tributários a legislação não faz distinção entre a promessa de compra e venda e o contrato formal dessa natureza, a análise dos TACs indica a existência dos elementos essenciais de que trata o parágrafo anterior. A recorrente manifesta interesse em alienar os imóveis e as incorporadoras em adquiri-los. A interessada também admite receber o preço em moeda corrente nas condições lá estabelecidas. Por fim, os imóveis estão perfeitamente identificados. Assim, identificadas as partes capazes, o objeto e a forma de recebimento do preço. Em termos formais, o TAC se enquadraria no conceito de contrato preliminar de promessa de compra e venda de imóveis. [....]Em relação à suposta terceira contradição, não há qualquer mácula no voto questionado eis que a condições resolutivas referem-se às cláusulas rescisórias que não poderiam obstaculizar o negócio sem que implementadas as condições nelas previstas: [...]Lembrando que este voto sustenta tratar-se de promessa de compra e venda, as cláusulas rescisórias tem natureza resolutória sem impacto na ocorrência do fato gerador, ou seja, efetivadas as condições celebrar-se-iam os contratos de compra e venda. [...]Por fim, não haveria necessidade de menção específica ao TAC celebrado com a Tenela eis que a rescisão envolvendo esse instrumento não teria impacto na análise. [...]Os demais argumentos de defesa envolvendo as cláusulas rescisórias não desqualificam o até aqui exposto, pois envolvem as circunstâncias naturais de um compromisso preliminar pelo qual as partes se comprometem a formalizar um contrato de compra e venda sob determinadas condições. Ratifico que tal situação não tem qualquer impacto sobre a ocorrência do fato gerador tributário eis que, cumpridas as condições, a assinatura do contrato de compra e venda é obrigatória, não deixando dúvida quanto à validade e aos efeitos da promessa de compra e venda desde quando pactuada. [...]Do exposto, declaro PROCEDENTES EM PARTE as alegações suscitadas e admito os embargos de declaração EXCLUSIVAMENTE em relação à omissão quanto à receita decorrente da venda do apartamento situado no Edifício Phileto Sobrinho. Cientificada, a interessada peticionou reclamando que o despacho não abordou a questão referente à aplicabilidade ao caso do art. 416 do RIR/99, devidamente suscitada no recurso. É o Relatório Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Conforme despacho de admissibilidade, os embargos de declaração foram tempestivos e interpostos por signatário devidamente legitimado. Na parte admitida, o despacho entendeu pela omissão quanto à apreciação da razão recursal sobre a venda do apartamento integrante do Edifício Phileto Sobrinho - matéria tratada nos processos apensados - e que , segundo alega, pertenceria a terceiros. Em petição complementar, após cientificada do despacho que acolheu parcialmente os embargos de declaração, a interessada reclama que não foi analisada no despacho a arguição de omissão quanto ao pleito pela aplicação do art. 413, do RIR/99 na apuração do valor tributável. Entendo que assiste razão ao recorrente, tendo em vista que, de fato, nem o Acórdão recorrido e nem o despacho de admissibilidade trataram da questão. No que se refere ao apartamento, o registro da venda do bem (R$ 344.000,00) consta no Livro Razão da recorrente como pertencente a ela. A alegação de que houve um equívoco e que, na verdade, o imóvel seria de propriedade da empresa Haya Empreendimentos e Participações Ltda. (ligada à recorrente) veio acompanhada apenas de um instrumento particular de cessão de direitos aquisitivos de imóvel, pelo qual esses direitos são cedidos à Bahiamaq Locação de Máquinas e Equipamentos Ltda , sem qualquer registro em cartório. Também não foi apresentado qualquer documento que demonstrasse a suposta dívida da interessada com a adquirente do bem, divida essa que teria sido quitada no momento da alienação. A partir do instante em que o sujeito passivo contesta o próprio registro contábil seria de se esperar uma preocupação maior em apresentar provas robustas de suas alegações. Não foi o que ocorreu. A decisão recorrida já havia deixado claro que o instrumento particular não seria suficiente nesse sentido e alertou para a necessidade de que fosse comprovada a propriedade do imóvel por instrumento hábil. Mesmo assim, a recorrente limitou-se a ratificar que o documento em questão demonstraria o alegado. Nega-se provimento ao recurso nessa questão Quanto à aplicabilidade do art. 413, cabe em primeiro lugar a transcrição desse dispositivo: Art. 413.Na venda a prazo, ou em prestações, com pagamento após o término do ano-calendário da venda, o lucro bruto poderá, para efeito de determinação do lucro real, ser reconhecido nas contas de resultado de cada período de apuração proporcionalmente à receita da venda recebida, observadas as seguintes normas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 29): I- o lucro bruto será registrado em conta específica de resultados de exercícios futuros, para a qual serão transferidos a receita de venda e o custo do imóvel, inclusive o orçado (art. 412), se for o caso; II- por ocasião da venda será determinada a relação entre o lucro bruto e a receita bruta de venda e, em cada período de apuração, será transferida para as contas de resultado parte do lucro bruto proporcional à receita recebida no mesmo período; III- a atualização monetária do orçamento e a diferença posteriormente apurada, entre custo orçado e efetivo, deverão ser transferidas para a conta específica de resultados de exercícios futuros, com o conseqüente reajustamento da relação entre o lucro bruto e a receita bruta de venda, de que trata o inciso II, levando-se à conta de resultados a diferença de custo correspondente à parte do preço de venda já recebido; IV- se o custo efetivo foi inferior, em mais de quinze por cento, ao custo orçado, aplicar-se-á o disposto no§2ºdo art. 412. §1º Se a venda for contratada com juros, estes deverão ser apropriados nos resultados dos períodos de apuração a que competirem (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 29, §1º). §2º A pessoa jurídica poderá registrar como variação monetária passiva as atualizações monetárias do custo contratado e do custo orçado, desde que o critério seja aplicado uniformemente (Decreto-Lei nº2.429, de 14 de abril de 1988, art. 10) Percebe-se que o exercício da opção pelo diferimento proporcional implica na adoção de procedimentos específicos na escrituração que vão além da pura e simples aplicação do regime de caixa. Como exemplo, cabe o registro do lucro bruto em conta de resultado de exercícios futuros com indicação da receita de venda e do custo do imóvel, como primeiro passo para a aplicação da proporcionalidade. Assim, para apuração nos termos do dispositivo a recorrente deveria retificar a escrituração com o reconhecimento da receita nos moldes acima, acompanhada do custo respectivo. Se assim procedesse, entenderia como razoável o pleito e manifestar-me-ia pela retificação e adequação do lançamento. Entretanto, conforme relatado no Termo de Verificação, intimada a informar o custo dos imóveis vendidos a interessada preferiu não responder sob a alegação de que não teria havido a baixa do custo de quaisquer dos terrenos. Tal fato reflete a impossibilidade de se exigir do Fisco que faça os ajustes necessários ao diferimento, pois a recorrente sequer reconhece a realização das alienações implicando na ausência dos elementos necessários à apuração correta. Assim se manifestou a autoridade lançadora, no que foi acompanhada pela decisão de primeira instância. Entendo que a situação não guarda similitude com a compensação de prejuízos. Nesse caso, os valores estão devidamente registrados na escrituração e não se justifica que sejam desprezados pela Fiscalização quando da apuração da exigência tributária. De todo o exposto, voto por negar provimento aos embargos de declaração e ratificar o teor do Acórdão 1402-001.664. Leonardo de Andrade Couto - Relator

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:51 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423531282432

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1.785          1 1.784  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.726441/2011­76  Recurso nº            Embargos  Resolução nº  1402­000.357  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  05 de abril de 2016  Assunto  ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS  Embargante  AL­TEIX PATRIMONIAL LTDA.            Interessado  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  dos  embargos  de  declaração  em  diligência,  nos  termos  do  relatório  e  votos  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo de Andrade Couto que votaram  por negar provimento aos embargos de declaração. Designado para redigir o voto vencedor o  Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.     (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente e Relator.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Redator Designado                Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Frederico  Augusto  Gomes  de  Alencar,  Gilberto Baptista, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 26 44 1/ 20 11 -7 6 Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.726441/2011­76  Resolução nº  1402­000.357  S1­C4T2  Fl. 1.786          2 Relatório    Transcrevo abaixo o Despacho de admissibilidade dos embargos de declaração  interpostos pelo sujeito passivo que bem resumem a questão ora sob exame:  O  sujeito  passivo  interpôs  embargos  de  declaração  contra  o  Acórdão  1402­  001.664 prolatado por este Colegiado e que, na parte que  interessa ao recurso, negou  provimento ao recurso voluntário.  Sintetizando as razões do embargante, a decisão teria incorrido em:  ­  Primeira  omissão,  por  não  ter  apreciado  o  argumento  segundo  o  qual  independentemente de ser empresa imobiliária os imóveis objeto do PAC deveriam ser  registrados no ativo permanente;  ­ Segunda omissão, por não ter apreciado a questão do diferimento da tributação  do lucro imobiliário;  ­  Terceira  omissão,  por  não  ter  analisado  a  questão  referente  à  venda  do  apartamento Phileto Sobrinho;  ­  Primeira  contradição,  ao  afirmar  que  não  haveria  obrigatoriedade  pelas  empreendedoras  de  pagar  os  fluxos  projetados  a  ainda  assim  estabelecer  um  preço  líquido passível de tributação;  ­  Segunda  contradição,  ao  afirmar  que  não  haveria  obrigatoriedade  pelas  empreendedoras de pagar os fluxos projetados e ao mesmo tempo entender que os TAC  contemplariam todos os requisitos essenciais ao contrato definitivo de compra e venda;  e:  ­  Terceira  contradição,  ao  afirmar  que  os  TAC  representariam  negócios  sob  condição resolutiva quando na verdade as cláusulas seriam suspensivas;  O  recurso  é  tempestivo,  foi  interposto  por  signatário devidamente  legitimado  e  preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço.   Na  análise  de  mérito  dos  embargos  de  declaração  percebe­se  que  o  sujeito  passivo  utiliza  o  recurso  em  sua  maior  parte  como  uma  tentativa  de  suscitar  nova  apreciação  das  razões  de  defesa  explanadas  no  recurso  voluntário,  o  que  se  mostra  impraticável em sede de embargos de declaração.  Relativamente à suposta primeira omissão voto assim se pronunciou:  [...]Ao contrário do alegado, e conforme Quadro  indicativo no bojo do voto condutor do acórdão  hostilizado, mostra­se relevante o volume de operações com terceiros relativamente àquelas realizadas com  coligadas e controladas.  Assim, os valores recebidos em decorrência dessas operações constituem­se em receita operacional  de vendas e não estão sujeitos à apuração de ganhos de capital. Mostra­se equivocado o procedimento do  sujeito  passivo  em  registrar  no  ativo  permanente  os  imóveis  em  questão.  O  correto  seria  considerá­los  como integrantes do estoque, no ativo circulante.  [...]Quanto ao diferimento da tributação, a decisão recorrida manifestou­se:  [...]Definido que a compra e venda de imóveis é atividade principal da recorrente, não se justifica a  aplicabilidade ao caso do diferimento estabelecido no art. 421 do RIR/99.  Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.726441/2011­76  Resolução nº  1402­000.357  S1­C4T2  Fl. 1.787          3 [....]Isso  porque  o  dispositivo mencionado  aplica­se  a  situações  de  alienação  de  bens do ativo permanente, o que não seria o caso da recorrente conforme explicitado na  decisão.  Relativamente  à  terceira  omissão,  de  fato  o  acórdão  não  se  pronunciou  expressamente sobre a venda do apartamento integrante do Edifício Phileto Sobrinho,  matéria tratada nos processos apensados. Nesse caso a omissão ficou caracterizada.  A  suposta  primeira  contradição  foi  demonstrada  eis  que  o  voto  deixa  claro  a  origem do preço passível de tributação:  Outro  questionamento  nessa  linha  dirige­se  à  suposta  inexistência  de  valores  devidos  pelas  empreendedoras à recorrente até que fossem celebrados os compromissos de compra e venda com terceiros.  Não concordo pois parece­me claro que o Anexo IV do TAC estabelece os valores a serem pagos.  Também  não  vislumbrei  a  suposta  segunda  contradição  suscitada.  O  posicionamento  do  redator  quanto  aos  requisitos  do  contrato  de  compra  e  venda  está  devidamente justificado:  [...]Além  disso,  a  eficácia  do  contrato  de  compra  e  venda  de  imóveis  não  se  vincula  necessariamente à entrega do bem, bastando a formalização do compromisso numa promessa de compra e  venda, desde que esse instrumento contenha os  requisitos essenciais do contrato principal, nos termos do  art. 462, do Código Civil de 2002, exceto por óbvio quanto à forma.  Lembrando que para efeitos tributários a legislação não faz distinção entre a promessa de compra e  venda e o contrato formal dessa natureza, a análise dos TACs indica a existência dos elementos essenciais  de que trata o parágrafo anterior.  A recorrente manifesta interesse em alienar os imóveis e as incorporadoras em adquiri­los.  A interessada também admite receber o preço em moeda corrente nas condições lá estabelecidas.  Por fim, os imóveis estão perfeitamente identificados. Assim, identificadas as partes capazes, o objeto e a  forma  de  recebimento  do  preço.  Em  termos  formais,  o  TAC  se  enquadraria  no  conceito  de  contrato  preliminar de promessa de compra e venda de imóveis.  [....]Em relação à suposta terceira contradição, não há qualquer mácula no  voto  questionado  eis  que  a  condições  resolutivas  referem­se  às  cláusulas  rescisórias que não poderiam obstaculizar o negócio sem que implementadas as  condições nelas previstas:  [...]Lembrando  que  este  voto  sustenta  tratar­se  de  promessa  de  compra  e  venda,  as  cláusulas  rescisórias  tem  natureza  resolutória  sem  impacto  na  ocorrência  do  fato  gerador,  ou  seja,  efetivadas  as  condições celebrar­se­iam os contratos de compra e venda.  [...]Por  fim,  não  haveria  necessidade  de  menção  específica  ao  TAC  celebrado com a Tenela eis que a rescisão envolvendo esse instrumento não teria  impacto na análise.  [...]Os demais argumentos de defesa envolvendo as cláusulas  rescisórias não desqualificam o até  aqui exposto, pois envolvem as circunstâncias naturais de um compromisso preliminar pelo qual as partes  se comprometem a formalizar um contrato de compra e venda sob determinadas condições. Ratifico que tal  situação  não  tem  qualquer  impacto  sobre  a  ocorrência  do  fato  gerador  tributário  eis  que,  cumpridas  as  condições,  a  assinatura  do  contrato  de  compra  e  venda  é  obrigatória,  não  deixando  dúvida  quanto  à  validade e aos efeitos da promessa de compra e venda desde quando pactuada.  [...]Do  exposto,  declaro  PROCEDENTES  EM  PARTE  as  alegações  suscitadas  e  admito  os  embargos  de  declaração  EXCLUSIVAMENTE  em  relação à omissão quanto à receita decorrente da venda do apartamento situado  no Edifício Phileto Sobrinho.  Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.726441/2011­76  Resolução nº  1402­000.357  S1­C4T2  Fl. 1.788          4 Cientificada, a interessada peticionou reclamando que o despacho não abordou a  questão  referente  à  aplicabilidade  ao  caso  do  art.  416  do RIR/99,  devidamente  suscitada  no  recurso.  É o Relatório    Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.726441/2011­76  Resolução nº  1402­000.357  S1­C4T2  Fl. 1.789          5 Voto Vencido  Conselheiro Leonardo de Andrade Couto   Conforme  despacho  de  admissibilidade,  os  embargos  de  declaração  foram  tempestivos e interpostos por signatário devidamente legitimado.  Na  parte  admitida,  o  despacho  entendeu  pela  omissão  quanto  à  apreciação  da  razão recursal sobre a venda do apartamento integrante do Edifício Phileto Sobrinho ­ matéria  tratada nos processos apensados ­ e que , segundo alega, pertenceria a terceiros.   Em  petição  complementar,  após  cientificada  do  despacho  que  acolheu  parcialmente  os  embargos  de  declaração,  a  interessada  reclama  que  não  foi  analisada  no  despacho  a  arguição  de  omissão  quanto  ao  pleito  pela  aplicação  do  art.  413,  do  RIR/99  na  apuração do valor tributável.  Entendo  que  assiste  razão  ao  recorrente,  tendo  em  vista  que,  de  fato,  nem  o  Acórdão recorrido e nem o despacho de admissibilidade trataram da questão.  No que se refere ao apartamento, o registro da venda do bem (R$ 344.000,00)  consta  no  Livro Razão  da  recorrente  como  pertencente  a  ela. A  alegação  de  que  houve  um  equívoco e que, na verdade, o imóvel seria de propriedade da empresa Haya Empreendimentos  e  Participações  Ltda.  (ligada  à  recorrente)  veio  acompanhada  apenas  de  um  instrumento  particular  de  cessão  de  direitos  aquisitivos  de  imóvel,  pelo  qual  esses  direitos  são  cedidos  à  Bahiamaq Locação de Máquinas e Equipamentos Ltda , sem qualquer registro em cartório.  Também não  foi apresentado qualquer documento que demonstrasse a  suposta  dívida da interessada com a adquirente do bem, divida essa que teria sido quitada no momento  da alienação.   A partir do instante em que o sujeito passivo contesta o próprio registro contábil  seria de se esperar uma preocupação maior em apresentar provas robustas de suas alegações.  Não foi o que ocorreu. A decisão recorrida já havia deixado claro que o instrumento particular  não  seria  suficiente  nesse  sentido  e  alertou  para  a  necessidade  de  que  fosse  comprovada  a  propriedade do imóvel por instrumento hábil.  Mesmo assim,  a  recorrente  limitou­se  a  ratificar que o documento  em questão  demonstraria o alegado.  Nega­se  provimento  ao  recurso  nessa  questão Quanto  à  aplicabilidade  do  art.  413, cabe em primeiro lugar a transcrição desse dispositivo:  Art. 413.Na venda a prazo, ou em prestações, com pagamento após o  término do ano­calendário da venda, o lucro bruto poderá, para efeito  de determinação do lucro real, ser reconhecido nas contas de resultado  de  cada  período  de  apuração  proporcionalmente  à  receita  da  venda  recebida,  observadas  as  seguintes  normas  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977, art. 29):  I­  o  lucro bruto  será  registrado em conta  específica de  resultados  de  exercícios futuros, para a qual serão transferidos a receita de venda e  o custo do imóvel, inclusive o orçado (art. 412), se for o caso;  Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.726441/2011­76  Resolução nº  1402­000.357  S1­C4T2  Fl. 1.790          6 II­  por  ocasião  da  venda  será  determinada  a  relação  entre  o  lucro  bruto e a receita bruta de venda e, em cada período de apuração, será  transferida  para  as  contas  de  resultado  parte  do  lucro  bruto  proporcional à receita recebida no mesmo período;  III­  a  atualização  monetária  do  orçamento  e  a  diferença  posteriormente  apurada,  entre  custo  orçado  e  efetivo,  deverão  ser  transferidas  para  a  conta  específica  de  resultados  de  exercícios  futuros,  com  o  conseqüente  reajustamento  da  relação  entre  o  lucro  bruto e a receita bruta de venda, de que trata o inciso II, levando­se à  conta  de  resultados  a  diferença  de  custo  correspondente  à  parte  do  preço de venda já recebido;  IV­ se o custo efetivo foi inferior, em mais de quinze por cento, ao custo  orçado, aplicar­se­á o disposto no§2ºdo art. 412.  §1º Se a venda for contratada com juros, estes deverão ser apropriados  nos resultados dos períodos de apuração a que competirem (Decreto­ Lei nº 1.598, de 1977, art. 29, §1º).  §2º  A  pessoa  jurídica  poderá  registrar  como  variação  monetária  passiva  as  atualizações  monetárias  do  custo  contratado  e  do  custo  orçado, desde que o critério seja aplicado uniformemente (Decreto­Lei  nº2.429, de 14 de abril de 1988, art. 10)  Percebe­se que o  exercício da opção pelo diferimento proporcional  implica na  adoção de procedimentos específicos na escrituração que vão além da pura e simples aplicação  do regime de caixa.  Como  exemplo,  cabe  o  registro  do  lucro  bruto  em  conta  de  resultado  de  exercícios  futuros  com  indicação  da  receita  de  venda  e  do  custo  do  imóvel,  como  primeiro  passo para a aplicação da proporcionalidade.  Assim, para apuração nos termos do dispositivo a recorrente deveria retificar a  escrituração  com  o  reconhecimento  da  receita  nos  moldes  acima,  acompanhada  do  custo  respectivo.   Se assim procedesse, entenderia como razoável o pleito e manifestar­me­ia pela  retificação e adequação do lançamento.   Entretanto, conforme relatado no Termo de Verificação,  intimada a informar o  custo  dos  imóveis  vendidos  a  interessada  preferiu  não  responder  sob  a  alegação  de  que  não  teria havido a baixa do custo de quaisquer dos terrenos.   Tal  fato  reflete  a  impossibilidade  de  se  exigir  do  Fisco  que  faça  os  ajustes  necessários  ao  diferimento,  pois  a  recorrente  sequer  reconhece  a  realização  das  alienações  implicando na ausência dos elementos necessários à apuração correta. Assim se manifestou a  autoridade lançadora, no que foi acompanhada pela decisão de primeira instância.   Entendo que a situação não guarda similitude com a compensação de prejuízos.  Nesse  caso,  os  valores  estão  devidamente  registrados  na  escrituração  e  não  se  justifica  que  sejam desprezados pela Fiscalização quando da apuração da exigência tributária.   Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.726441/2011­76  Resolução nº  1402­000.357  S1­C4T2  Fl. 1.791          7 De  todo  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  aos  embargos  de  declaração  e  ratificar o teor do Acórdão 1402­001.664.    Leonardo de Andrade Couto  ­ Relator  Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.726441/2011­76  Resolução nº  1402­000.357  S1­C4T2  Fl. 1.792          8 Voto Vencedor   Conselheiro  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Redator  Designado  Com  a  devida  vênia,  ouso  discordar  do  i.  Conselheiro  Relator  no  que  diz  respeito  à  aplicação  do  disposto no art. 413 do RIR/99.  Não  seria  razoável  esperar  que  o  contribuinte  adotasse  os  procedimentos  previstos  no  art.  413  do  RIR/99  se  o  mesmo  entendia  que  não  houvera  qualquer  venda  no  período.  Quando  do  julgamento  do  acórdão  embargado,  este  colegiado  firmou  entendimento de que a operação de que tratava os TAC referiam­se a operações de compra e  venda,  tendo  sido,  inclusive,  recebido  parcela  do  preço  acordado.  A  esse  respeito,  destaco  excerto da decisão embargada:  Ainda  que  a  recorrente  sustente  que  os  valores  recebidos  em  adiantamento  têm natureza de mútuo,meu entendimento consolidou­se  no sentido de que se referem a um percentual do denominado VGV, nos  termos estabelecidos no Anexo IV doTAC. Em outras palavras, trata­se  de adiantamento do  valor de  venda o que pode  ser corroborado pelo  dispositivo  contratual  estabelecendo  a  devolução  do  adiantamento  relativamente aos  empreendimentos em relação aos quais os  terrenos  não puderem ser adquiridos pelas empreendedoras.  Nesse  cenário,  entendo  que  a  bem  da  verdade  material  e  da  observância  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  deve­se  dar  a  oportunidade  ao  contribuinte  de  demonstrar,  nos  estritos  termos  do  disposto  no  art.  413  do  RIR/99,  a  parcela  do  lucro  que  poderia ser diferida, levando­se em consideração o decidido no acórdão embargado, ou seja, a  realização da venda e o recebimento de adiantamento no período de apuração correspondente.  Assim  sendo,  voto  para  que  o  presente  julgamento  seja  convertido  em  diligência, a ser realizada nos seguintes termos:  a) a autoridade fiscal incumbida da realização da diligência fiscal deverá intimar  o contribuinte para que esse demonstre, nos termos do art. 413 do RIR/99, a parcela de lucro  que poderia ser diferida nos anos­calendário referentes a presente exigência (2007 e 2008);  b)  considerando­se  que  o  contribuinte,  por  meio  de  seu  patrono,  alegou  que  “tendo em vista a evolução do negócio acertado, os imóveis sobre os quais foram exercidas as  opções de compra foram  transferidos a subsidiárias da Embargante, que a substituíram como  parte do TAC e ofereceram à tributação os ganhos auferidos com a negociação dos imóveis”,  deverá  ainda  o  contribuinte  demonstrar  quais  as  receitas  referentes  a  tais  negócios  foram  reconhecidas e oferecidas à tributação nos anos­calendário de 2009, 2010 e 2011, ainda que por  meio de suas subsidiárias.  Além  das  demonstrações  requeridas,  deverá  o  contribuinte  disponibilizar  à  autoridade  fiscal  responsável  pela  diligência  toda  a  documentação  que  embase  tais  demonstrações,  bem  como  qualquer  outro  documento  ou  demonstrativo  requerido  pela  Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.726441/2011­76  Resolução nº  1402­000.357  S1­C4T2  Fl. 1.793          9 Fiscalização, que poderá solicitar ainda ao contribuinte quaisquer outros esclarecimentos que  julgue necessários para o desfecho do presente litígio.  Ao  final  deverá  ser  elaborado  relatório  fiscal  circunstanciado  em  que  restem  demonstradas  as  conclusões  da  Unidade  de  origem  quanto  aos  demonstrativos  apresentados  pelo contribuinte. Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pelo contribuinte,  deverá indicar aqueles que entender corretos.   A  Embargante  deverá  ser  cientificada  do  resultado  da  diligência,  abrindo­se  prazo de 30 dias para que, querendo, manifeste­se sobre seu conteúdo, nos termos do disposto  no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Redator Designado    Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

score : 1.0
6429191 #
Numero do processo: 16327.001307/2010-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008 TÍTULO MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, negar provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que conheciam integralmente e davam provimento. As Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello apresentarão declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
Nome do relator: DEMES BRITO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201606

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008 TÍTULO MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Especial do Contribuinte Negado.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 16327.001307/2010-65

anomes_publicacao_s : 201607

conteudo_id_s : 5606327

dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jul 02 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 9303-004.132

nome_arquivo_s : Decisao_16327001307201065.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : DEMES BRITO

nome_arquivo_pdf_s : 16327001307201065_5606327.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, negar provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que conheciam integralmente e davam provimento. As Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello apresentarão declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.

dt_sessao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016

id : 6429191

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:15 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423537573888

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2185; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 1.003          1 1.002  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  16327.001307/2010­65  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­004.132  –  3ª Turma   Sessão de  08 de junho de 2016  Matéria  PIS/COFINS. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA  Recorrente  CREDIT SUISSE CORRETORA DE TÍTULOS E  VALORES  MOBILIÁRIOS S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008  TÍTULO MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.  Classificam­se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis  no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A  e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da  Bolsa  de  valores  de  São  Paulo  Bovespa  e  BM&F,  que  foram  negociadas  dentro  do  mesmo  ano,  poucos  meses  após  o  seu  recebimento,  devem  ser  registradas no Ativo Circulante.   PIS  E  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA  OPERACIONAL.  CORRETORA  DE  VALORES  MOBILIÁRIOS.  VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO  As  pessoas  jurídicas  que  exercem  atividade  de  corretora  de  valores  mobiliários  que  tem  por  objeto  a  subscrição  de  ações  compra  e  venda  de  ações,  por  conta própria  e de  terceiros,  a base de  cálculo das  contribuições  sociais  é  o  faturamento  (Receita  Bruta)  operacional,  receitas  típicas  de  compra  e  venda  de  ações  da  BM&F  S.A.  e  da  Bovespa  Holding  S.A.,  recebidas  em  decorrência  das  operações  societárias  denominadas  “desmutualização”.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.         Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 07 /2 01 0- 65 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.004          2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer, em  parte, do recurso especial e, na parte conhecida, negar provimento. Vencidas as Conselheiras  Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria  Teresa Martínez López, que  conheciam  integralmente  e davam provimento. As Conselheiras  Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello apresentarão declaração de voto.  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente  Demes Brito ­ Relator   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto,  Henrique  Pinheiro  Torres,Tatiana  Midori  Miyiana,  Demes  Brito,  Gilson  Macedo  Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos,  Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.  Relatório  Trata­se de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo em  face ao acórdão de nº9303­000777, o qual negou provimento, mantendo incólume a decisão da  DRJ, que constitui o crédito tributário de PIS e COFINS de receitas provenientes da venda das  ações que resultaram da transformação da bolsa de valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e  de  futuros  em  sociedades  por  ações,  relativo  aos  períodos  de  apuração  de  31/10/2007,  30/11/2007 e 30/04/2008, conforme se verifica da sua ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008/  TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam­  se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso  do  exercício  social  subseqüente.  As  ações  da  Bovespa  Holding  S/A  e  da  BM&F  S/A  recebidas  em  decorrência  da  operação  denominada  desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, e da Bolsa de  Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F eque foram negociadas dentro  do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas  no Ativo Circulante.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA  OPERACIONAL.  OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.  Nas  sociedades  corretoras  de  títulos  e  valores  mobiliários,  que  têm  por  objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de  ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições  sociais  é  o  faturamento  /  receita  bruta  operacional,  o  que  inclui,  necessariamente,  as  receitas  típicas  da  empresa  auferidas  com  a  venda  de  ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência  das operações societárias denominadas “desmutualização”.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador:  31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008/ TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO.  Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.005          3 ATIVO  CIRCULANTE.  Classificam­se  no  Ativo  Circulante  as  disponibilidades  e  os  direitos  realizáveis  no  curso  do  exercício  social  subseqüente.  As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência  da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo  BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F e que  foram  negociadas  dentro  do  mesmo  ano,  poucos  meses  após  o  seu  recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA  OPERACIONAL.  OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos  e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de  ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  é  o  faturamento  /  receita  bruta  operacional,  o  que  inclui,  necessariamente,  as  receitas  típicas  da  empresa  auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A.,  recebidas  em  decorrência  das  operações  societárias  denominadas  “desmutualização”.  Recurso Voluntário negado.  Reproduzo trecho do relatório do acórdão a quo, com a descrição inicial do  litígio:  "Conforme  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF)  de  fls.  228­238,  em  fiscalização  empreendida  junto  à  contribuinte  supramencionada,  para  verificação da apuração e recolhimento do PIS e Cofins incidentes no ganho  decorrente das vendas das ações das bolsas de valores recebidas por ocasião  da desmutualização da Bovespa e BM&F, e em eventuais vendas das ações  das bolsas de valores e de mercadorias que tivesse efetuado posteriormente,  verificou­se que:  A  sociedade  empresária  CREDIT  SUISSE  BRASIL  S.A.  CORRETORA  DE  TÍTULOS  E  VALORES  MOBILIÁRIOS,  CNPJ  n°  42.584.318/000107,  tem  por  objeto  social,  conforme  artigo  2º  de  seu  estatuto  social  (fls.  255260),  exercer as atividades típicas de sociedade corretoras de valores mobiliários  e  câmbio,  operando  na  compra,  venda  e  distribuição  de  títulos  e  valores  mobiliários e de câmbio.  Da medida judicial  Conforme  petição  inicial  do  Mandado  de  Segurança  (MS)  n°  2009.61.00.0207292  (fls.123134),  o  pedido  visava  o  reconhecimento  do  pagamento  indevido de PIS e Cofins  sobre  receitas  financeiras decorrentes  da aplicação de recursos próprios e sobre quaisquer outras receitas que não  as  decorrentes  exclusivamente da  venda de mercadorias  e  da  prestação de  serviços,  referentes  a  fatos  geradores  ocorridos  entre  09/99  até  08/2009;  reconhecendo­se  o  pagamento  indevido  e  o  direito  ao  crédito  deles  decorrentes, bem como a respectiva compensação de tais créditos.  Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.006          4 A  sentença  de  18/11/2009  denegou  a  segurança  e  declarou  existência  de  relação jurídica tributária vinculando a impetrante ao recolhimento do PIS e  da Cofins conforme a base de cálculo do caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98  (fls.135143), afastando também a pretensão de limitar tais contribuições às  receitas decorrentes de  venda de mercadorias  e prestação de  serviços,  por  inadequadas  e  incompatíveis  com  a  natureza  da  atividade  econômica  exercida pela empresa".  Irresignada  com  tal  decisão,  o  Contribuinte  interpõe  o  presente  recurso  demonstrando divergência jurisprudencial quanto as receitas oriundas das operações societárias  denominadas  "desmutualização",  realizadas  em  virtude  dos  processos  de  reorganização  societária sofridas pela BM&F e pela BOVESPA.   Regularmente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas  contrarrazões.  É o relatório.    Voto             Demes Brito ­ Conselheiro Relator   Da Admissibilidade   O  recurso  preenche  os  requisitos  para  sua  admissibilidade  a  esta  instância.  Dele conheço.  Com efeito, compete a esta 3º Câmara Superior de Recursos Fiscais ­ CSRF,  por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária  interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial  ou a própria CSRF, conforme art. 64,II, arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno  do "CARF" a época do Recurso Interposto.  Como  bem  esclarecido,  o  Recurso  Especial  se  presta  analisar  interpretação divergente da legislação tributária aplicada por outra Câmara ou turma da  CSRF.   No presente caso, a controvérsia em discussão refere­ se aos efeitos jurídico­ tributários  advindos  do  conjunto  de  operações  societárias  denominada  “desmutualização”  da  BM&F, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações  das  ações  recebidas  quando  da  transferência  das  atividades,  até  então  desempenhadas  pelas  associações  sem  fins  lucrativos,  para  as  sociedades  anônimas  (BM&F  S/A). Matéria  que  subiu para analise do Recurso.  Não obstante, em sessão de julgamento ocorrida em 24 de fevereiro o patrono  da contribuinte suscitou em sustentação oral que o período de 2008 seria distinto dos demais  períodos discutidos no presente processo. Transcrevo:  "4.62. A  própria  fiscalização  reconheceu  a  distinção  entre,  de  um  lado,  as  ações  alienadas  á General  Atlantica  e  no  IPO,  e,  de  outro  lado,  as  ações  Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.007          5 objeto de alienação em abril de 2008. Basta reler as transcrições do Termo  de Verificação Fiscal feitas nos itens 4.54 e 4.55, acima, para perceber isso".   Apesar  de  não  concordar  com  tal  procedimento,  em  respeito  ao  devido  processo legal sugeri que o processo fosse retirado de pauta/ou vista.   Entretanto, da análise do recurso ordinário julgado pela 2º Câmara/2º Turma  Ordinária  da  3º  sessão  de  julgamento  e  da  admissibilidade  do  Recurso  Especial  não  houve  nenhum prequestionamento quanto a tese levantada pelo patrono.  Neste sentido, não conheço do incidente ocorrido na sessão de julgamento de  24 de fevereiro de 2016.  Conheço apenas da matéria referente aos efeitos jurídico­tributários advindos  do  conjunto  de  operações  societárias  denominada  “desmutualização”  da  BM&F,  especificamente  quanto  a  incidência  do  PIS  e  da Cofins  sobre  as  receitas  de  alienações  das  ações recebidas quando da transferência das atividades.  Passo ao Voto.   Objeto da lide   Versa o presente processo sobre o lançamento de ofício das contribuições do  PIS e da COFINS sobre a receita auferida com as operações de alienação das ações da BM&F  S/A,  relativo  aos  períodos  de  apuração  31/10/2007,  30/11/2007  e  30/04/2008,  recebidas  em  razão  do  processo  conhecido  como  “desmutualização”,  consistente  em  um  conjunto  de  alterações societárias ocorridas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e na Bolsa de  Mercadorias  e  Futuro  (BM&F)  que  deixaram  de  ser  associações  sem  fins  lucrativos  e  se  transformaram em sociedade anônimas.  Como  conseqüência  do  processo  de  “desmutualização”,  os  detentores  dos  Títulos  Patrimoniais  da Bovespa  e  da BM&F  receberam  ações  representativas  do  capital  da  Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas.  A autoridade  fiscal  alega que as ações  recebidas deveriam compor o  “ativo  circulante”  e,  quando  da  venda,  haveria  a  incidência  das  contribuições;  o  sujeito  passivo  entende que as ações deveriam ser classificados no “ativo permanente”,da mesma forma que os  títulos  anteriormente  possuídos,  e,  quando  da  venda,  não  sofreriam  a  incidência  das  contribuições.  Para  concluirmos  quais  são  os  efeitos  jurídico­tributários  decorrentes  do  processo de "desmutualização" das bolsas,  temos que verificar  se as  receitas decorrentes das  vendas  das  ações  seriam  tributadas  pelas  contribuições  PIS/COFINS,  percorrendo  de  modo  pragmático  o  processo  de  reestruturação  societária,  incluindo  os  dispositivos  legais  sobre  o  tema, e a correta forma de contabilização das ações recebidas no processo.     Da origem dos Títulos Patrimoniais da BM&F   Com efeito, até o advento das operações chamadas de “desmutualização”, as  bolsas  de  valores  eram  intituladas  como  associações  civis,  sem  fins  lucrativos,  tendo  como  função primordial manter o sistema adequado para negociação de valores mobiliários.   Contudo,  a Lei nº 4.728/65, disciplinou o mercado de capitais,  regulando a  autonomia  administrativa,  financeira  e  patrimonial  das  bolsas  de  valores,  e  sua  supervisão  operacional  pelo  Banco  Central,  de  acordo  com  a  regulamentação  expedida  pelo  Conselho  Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.008          6 Monetário  Nacional,  a  quem  competia  fixar  as  normas  gerais  a  serem  observadas  na  constituição, organização, funcionamento, e relativas a constituição, extinção e forma jurídica  das bolsas de valores.  Neste  passo,  eis  que  surge  a  Lei  nº  6.385/76,  a  qual,  criou  a  Comissão  de  Valores Mobiliários, disciplinando o mercado de valores e as operações realizadas na bolsa de  valores.   A  Resolução  CMN  nº  1.656,  de  26  de  outubro  de  1989,  aprovou  o  regulamento  que  disciplinou  a  constituição,  organização  e  funcionamento  das  Bolsas  de  Valores:  CAPÍTULO I ­ Bolsas de Valores   SEÇÃO I ­ Natureza e Características   NATUREZA E OBJETO SOCIAL   Art.  1º  As  Bolsas  de  Valores  são  constituídas  como  associações  civis,  sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social:   I  ­  manter  local  ou  sistema  adequado  à  realização  de  operações  de  compra  e  venda  de  títulos  e  valores  mobiliários,  em  mercado  livre  e  aberto,  especialmente  organizado  e  fiscalizado  pela  própria  Bolsa,  sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes;   II  ­  dotar,  permanentemente,  o  referido  local  ou  sistema  de  todos  os  meios  necessários  à  pronta  e  eficiente  realização  e  visibilidade  das  operações;  III ­ estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de  preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários;   IV ­ criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o  atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens  de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência  da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer  limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário  das referidas ordens;   V ­ efetuar registro das operações;   VI  ­  preservar  elevados  padrões  éticos  de  negociação,  estabelecendo,  para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras  e  companhias  abertas,  fiscalizando  sua  observância  e  aplicando  penalidades, no limite de sua competência, aos infratores;   VII  ­  divulgar  as  operações  realizadas,  com  rapidez,  amplitude  e  detalhes;   VIII ­ conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência  de  liquidez,  com  vistas  a  resolver  situação  transitória,  até  o  limite  do  valor  de  seu  título  patrimonial,  mediante  apresentação  de  garantias  Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.009          7 subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do  crédito;   IX ­ exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão  de Valores Mobiliários.   Parágrafo  único.  As  Bolsas  de  Valores  não  podem  distribuir  a  sociedades  corretoras  membros  parcela  de  patrimônio  ou  resultado,  exceto nos  casos de dissolução e na  forma que a Comissão de Valores  Mobiliários aprovar.  Dessa  forma,  todas  as  bolsas  de  valores  autorizadas  a  funcionar  no  Brasil  ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado  sem  fins  lucrativos  e  regidas  pelo Código Civil  brasileiro  vigente  à  época  (Lei  nº  3.071,  de  1916, arts. 20 a 22).  A Resolução nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº  1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente  com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que  as  bolsas  de  valores  foram  autorizadas  a  se  constituírem,  alternativamente,  sob  a  forma  de  sociedade anônima:  Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações  civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social:   De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/89, o ato constitutivo das Bolsas  de Valores  compreendia  seu Estatuto  Social  assinado  por  todos  os  fundadores,  devidamente  registrado  no  Registro  Civil  das  Pessoas  Jurídicas.  Seu  patrimônio  social  era  dividido  em  títulos  patrimoniais,  que  eram  adquiridos  por  sociedades  corretoras  como  requisito  para  sua  admissão como associadas das bolsas:  Art.  7º  O  patrimônio  social  das  Bolsas  de  Valores  deve  ser  formado  mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais,  cuja  quantidade  e  valor  inicial  de  emissão  devem  ser  fixados  pela  Comissão de Valores Mobiliários.  [...]  Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a  sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial.   §  1º  Nenhuma  sociedade  corretora  pode  adquirir  mais  de  um  título  patrimonial de cada Bolsa de Valores.   § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a  Bolsa de Valores.   §  3º  A  sociedade  corretora,  antes  de  iniciar  suas  operações,  deve  caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores.   §  4º  Aprovada  a  sua  admissão  e  cumprido  o  disposto  no  parágrafo  anterior,  a  sociedade  corretora  entra  em  pleno  gozo  dos  direitos  de  associada da Bolsa de Valores.  Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.010          8 Conforme o art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº1.655/1989 do  Conselho Monetário Nacional, para que pudessem operar no mercado de capitais por meio de  recinto bursátil, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter  títulos representativos do patrimônio daquelas entidades.  Art.  3°  A  constituição  e  o  funcionamento  de  sociedade  corretora  dependem de autorização do Banco Central.  §  1°  A  sociedade  corretora  deverá  ser  constituída  sob  a  forma  de  sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada.  §  2°  São  condições  indispensáveis  para  a  concessão  da  autorização  prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa  de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa  e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de  atividades no mercado de valores mobiliários.  Também  a  Bolsa  de Mercadorias  e  Futuros  (BM&F)  foi  constituída  sob  a  forma  de  associação  civil  sem  fins  lucrativos,  tendo  por  objetivo  “organizar  e  prover  o  funcionamento  de  mercados  para  negociação  de  títulos  e  contratos  que  possuam  como  referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias,  moedas,  energia,  transportes,  commodities  e  outros  bens  ou  direitos  direta  ou  indiretamente  relacionados  a  tais ativos, nas modalidades à vista e de  liquidação  futura”. O funcionamento  das bolsas de mercadorias e de futuros foi regulamentado pela Resolução CMN nº 1.645/89.  Portanto,  as  sociedades  corretoras  possuíam,  antes  do  procedimento  de  “desmutualização”,  títulos  patrimoniais  das  associações  civis,  sem  finalidades  lucrativas  denominadas BOVESPA e BM&F.  Da Desmutualização das Bolsas de Valores  No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA,  pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente  denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços  e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”).  A CBLC  foi  criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e  ficou  incumbida de  atuar  como  câmara  de  compensação  e  custodiar  ações  e  títulos.  Por  sua  vez,  a  Bovespa  Serviços,  subsidiária  integral  da  BOVESPA,  ficou  com  as  funções  de  dar  suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer  atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações.  Em 2007 as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu  mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de  capital  aberto.  Nessa  medida,  os  títulos  patrimoniais  detidos  pelas  sociedades  corretoras  na  BM&F  e  na  BOVESPA  foram  trocados  por  ações  das  novas  companhias  –  BM&F  S.A.  e  BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente.  A  “desmutualização”  da  Bovespa  ocorreu  em  28  de  agosto  de  2007  e  envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data:   Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.011          9 (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em  duas  sociedades:  Bovespa  Holding  e  Bovespa  Serviços  S.A.  (“Bovespa  Serviços”); e  (ii)  incorporação  das  ações  da  Bovespa  Serviços  e  da CBLC  ao  capital  da  Bovespa Holding.  Em decorrência  das  operações  em  questão,  os  antigos  detentores  de  títulos  patrimoniais  da  Bovespa  passaram  a  ser  titulares  de  ações  representativas  do  capital  da  Bovespa  Holding,  a  qual,  por  sua  vez,  passou  a  ter  como  subsidiária  integral  a  Bovespa  Serviços e a CBLC.  Portanto, a associação civil sem fins lucrativos Bovespa deixou de existir  em  28  de  agosto  de  2007,  e  os  detentores  de  seus  títulos  patrimoniais  passaram  a  ser  acionistas da Bovespa Holding.  A  “desmutualização”  da  BM&F  ocorreu  em  20  de  setembro  de  2007,  e  seguiu modelo jurídico similar ao da BOVESPA:   (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em  duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e   (ii)  a  incorporação  das  ações  da  BM&F  Serviços  ao  capital  da  BM&F  Holding.  Em  conseqüência  das  apontadas  etapas,  os  antigos  detentores  de  títulos  patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F  Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços.   Durante o ano de 2007, o procedimento de “desmutualização” foi seguido da  abertura do capital das companhias resultantes de referida “transformação” para a negociação  das respectivas ações em bolsa de valores.  Em  decorrência  da  participação  no  processo  de  oferta  pública  inicial  de  distribuição  secundária  de  ações  ordinárias  de  emissão  da  Bovespa  Holding  S.A.,  foram  outorgados  poderes  à  essa  sociedade  para  praticar  todos  os  atos  necessários  à  obtenção  do  registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão,  inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de  ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de  Contrato  de  Indenização  e  Outras  Avenças”,  onde  foi  autorizada  a  alienação,  no  âmbito  da  Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato.  Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se  comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular  de Assunção  de Obrigações Celebrado  no  âmbito  da Bolsa  de Mercadorias &  Futuros  BM&F”, a alienar 35% das ações a  elas  atribuídas no processo de desmutualização na  Oferta Pública Inicial (“IPO”).  Também  foram  firmados,  pelas  sociedades  corretoras,  a  alienação  de  um  percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de  investimento  integrante  do  grupo  de  Private  Equity  General  Atlantic  (“General  Atlantic”),  conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de  Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”.  Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.012          10 Os Protocolos  e  Justificação  de  Incorporação  celebrados  em 17  de  abril  de  2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa  S.A.,  resumiram  a  reorganização  societária  envolvendo  a  BM&F  S.A.  e  a  BOVESPA  HOLDING S.A da seguinte forma:   (i)  Incorporação  da  BM&F  pela  Nova  Bolsa,  a  valor  contábil,  resultando  na  emissão,  pela  Nova  Bolsa,  em  favor  dos  acionistas  de  BM&F,  de  ações  ordinárias,  na  proporção  de  1:1,  e  na  conseqüente  extinção de BM&F;  (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação  das  Ações  da  Bovespa  Holding,  pela  Nova  Bolsa,  nos  termos  deste  Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor  dos  acionistas  da  Bovespa  Holding,  de  ações  ordinárias  e  de  ações  preferenciais resgatáveis;  (iii)  resgate  das  ações  preferenciais  da Nova  Bolsa  emitidas  em  favor  dos acionistas da Bovespa Holding;  (iv)  como  resultado da  Incorporação das Ações  da Bovespa Holding e  do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa  Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da  Nova  Bolsa  de  titularidade  do  conjunto  de  acionistas  da  BM&F,  assumindo  o  integral  exercício,  até  a  data  da  assembléia  geral  da  Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das  opções  de  compra  de  ações  outorgadas  no  âmbito  do  Programa  de  Reconhecimento  do  atual  Plano  de  Opções  de  Compra  de  Ações  da  Bovespa  Holding  e,  em  data  futura,  das  opções  de  compra  de  ações  contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações  da BM&F;  (v)  a  partir  da  realização  das  assembléias  que  aprovarem  as  incorporações  e  o  resgate  acima  referidos,  será  iniciado  processo  de  registro  da  Nova  Bolsa  perante  a  Comissão  de  Valores  Mobiliários  (“CVM”)  e  a  listagem  de  suas  ações  no  Novo  Mercado  da  Bolsa  de  Valores  de  São  Paulo  S.A.  –  BVSP  (“BVSP”).  Até  a  obtenção  desses  registros,  as  ações  da  Bovespa  Holding  e  as  ações  de  BM&F  continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais  códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser  solicitada da BVSP.  Por  fim,  em  assembleias  realizadas  na  data  de  08  de maio  de  2008  foram  aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA  HOLDING S.A., unificando­se as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros  na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A.   Dos Efeitos dos Registros contábeis das ações subscritas e integralizadas  Passemos  a  questão  referente  à  escrituração  das  ações  recebidas  pelas  sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas.  Originalmente, os títulos patrimoniais eram escriturados no ativo permanente  das sociedades corretoras.  Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.013          11 Com a dissolução da associação e a subseqüente subscrição e integralização  das  ações  das  novas  sociedades  (BM&F  Holding),  a  recorrente  deixou  de  possuir  títulos  patrimoniais e passou a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter  sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis:  Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:   I  ­ no ativo  circulante:  as  disponibilidades,  os  direitos  realizáveis  no  curso  do  exercício  social  subseqüente  e  as  aplicações  de  recursos  em  despesas  do  exercício  seguinte;   II  ­  no  ativo  realizável  a  longo  prazo:  os  direitos  realizáveis  após  o  término  do  exercício  seguinte,  assim  como  os  derivados  de  vendas,  adiantamentos  ou  empréstimos  a  sociedades  coligadas  ou  controladas  (artigo  243),  diretores,  acionistas  ou  participantes  no  lucro  da  companhia,  que  não  constituírem  negócios  usuais na exploração do objeto da companhia;   III ­ em investimentos: as participações permanentes em  outras  sociedades  e  os  direitos  de  qualquer  natureza,  não  classificáveis  no  ativo  circulante,  e  que  não  se  destinem  à  manutenção  da  atividade  da  companhia  ou  da empresa;   IV  –  no  ativo  imobilizado:  os  direitos  que  tenham  por  objeto  bens  corpóreos  destinados  à  manutenção  das  atividades  da  companhia  ou  da  empresa  ou  exercidos  com  essa  finalidade,  inclusive  os  decorrentes  de  operações  que  transfiram  à  companhia  os  benefícios,  riscos e controle desses bens;  A escrituração das ações no ativo da empresa, ou no ativo circulante, ou no  ativo permanente, é baseada na possibilidade de o contribuinte escolher entre permanecer como  proprietário de tais ações (permanente) ou se desfazer delas (circulante).  Constata­se que, desde o  início do processo de desmutualização das bolsas,  fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F, após receberem as  ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas  ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus  acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado  à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas.  No caso das ações da Bovespa Holding S/A, tem­se que, em 27 de setembro  de 2007, foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à  obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de  sua  emissão,  inclusive no que  se  refere  à distribuição,  alienação ou qualquer outra  forma de  transferência  de  ações  ordinárias  de  emissão  da  Companhia.  Também  foi  assinado  o  “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a  alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato.  Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.014          12 Dessa  forma,  resta  claro  que  a  recorrente  pretendia  vender,  no  curso  do  exercício social, como o fez, parte das ações recebidas.  Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se  comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao  Instrumento  Particular  de  Assunção  de  Obrigações  Celebrado  no  âmbito  da  Bolsa  de  Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo  de  desmutualização  da  BM&F  (o  que  ocorreu  em  01/10/2007),  no  prazo  de  seis  meses  contados  a  partir  da  data  em  que  as  ações  passassem  a  estar  admitidas  à  negociação  na  Bovespa.  Também  foram  firmados,  pelas  sociedades  corretoras,  a  alienação  de  um  percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de  investimento  integrante  do  grupo  de  Private  Equity  General  Atlantic  (“General  Atlantic”),  conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de  Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”.  Mencione­se que a acionista poderia  ter optado por aderir ao referido termo  nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria  tal compromisso venda, porém não  poderia  alienar  as  ações,  por  qualquer  forma,  antes  de  passado  o  prazo  de  2  (dois)  anos,  contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas  como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente.   Destarte,  em  atendimento  ao  artigo  179,  inciso  I,  da  Lei  nº  6.404/1976  o  sujeito passivo deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma  vez  que  em  decorrência  da  modificação  da  natureza  jurídica  dos  direitos  possuídos,  caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da  criação  das  sociedades  anônimas  é  que  deve  ser  considerado  como  marco  inicial  para  se  averiguar a  intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificá­lo no Ativo  Circulante ou no Ativo Permanente.  Da Tributação do PIS/COFINS sobre alienação de ações   Com  efeito,  as  ações  recebidas  pelo  sujeito  passivo  deveriam  ter  sido  classificadas  no  Ativo  Circulante,  correto  o  entendimento  da  Fiscalização  em  tributar  o  PIS/COFINS,  sobre  valores  obtidos  com  alienação  das  ações  que  constituem  receita  bruta  operacional.   Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, preveem que a receita  bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos:  Art.  2°  As  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito  privado,  serão  calculadas  com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação  vigente  e  as  alterações introduzidas por esta Lei.   Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde  à  receita  bruta  da  pessoa  jurídica.    Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.015          13 Assim, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação  das ações emitidas pela BM&F S.A e pela BOVESPA HOLDING S.A., integram a sua receita  bruta operacional. Ressaltando que o sujeito passivo exerce atividade de corretora de valores  mobiliários,  e  tem  como  atividade  principal  subscrever  títulos  para  revende­los  no mercado  futuro.  Aliás,  essa  característica  das  corretoras  está  expressamente  delineado  no  art.  2º  da  Resolução nº 1.655/89:   Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social:  (...)   II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com  outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e  valores  mobiliários  para  revenda.  (destaques  não  constam no original)  Tem­se que a recorrente, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da  BM&F  S.A.,  exerceu  uma  atividade  típica  de  seu  ramo  de  atuação.  e,  portanto,  a  inconstitucionalidade  do  §1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/1998  não  afasta  a  incidência  das  contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional.  Conclui­se que as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A  e Bovespa Holding  S.A.  de  sua  titularidade,  decorrentes  de  atividade  típica  de  seu  ramo  de  atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por  isso estão sujeitas à  incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98.  Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais  Como  amplamente  divulgado,  no  julgamento  dos Recursos  Extraordinários  nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR o STF decidiu que o faturamento das  empresas  compõe­se,  apenas,  de  suas  receitas  operacionais  (receita  bruta  da  venda  de  mercadorias  ou  da  prestação  de  serviços),  ligadas  a  sua  atividade  principal,  não  devendo  integrá­lo  as  demais  receitas  não  operacionais.  Deste  modo,  foi  decretada  a  inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.  Ao  declarar  inconstitucional  o  §1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98  restou  assentado  pelo  STF  que  era  indevida  a  ampliação  da  base  de  cálculo  da  contribuição,  até  a  edição  da  EC  nº  20/98  e,  assim  sendo,  a  Cofins  somente  poderia  incidir  sobre  os  ingressos  patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica.  Entretanto,  a  decisão  do  STF  não  tem  repercussão  no  presente  litígio,  uma  vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal refere­se ao caput dos artigos 2º e  3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos preveem que as contribuições serão calculadas com base no  seu  faturamento,  corresponde  à  receita  bruta  da  pessoa  jurídica)  que  não  foram  declarados  inconstitucionais pelo STF.    Jurisprudência dos Tribunais sobre "desmutualização"   Vale  a  pena  destacar  que  a  matéria  já  recebeu  manifestação  do  Poder  Judiciário,  o  qual  emprega  o mesmo  entendimento  e  argumentos  dos  enunciados  descritos  e  manteve os lançamentos tributários, senão vejamos:    Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.016          14 TRF 2   Processo nº 0006559­23.2008.4.02.5101  TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA ­ OPERAÇÃO  DE  DESMUTUALIZAÇÃO  .  TÍTULOS  CONVERTIDOS  EM  AÇÕES  DE  S/A.  LEI  9.532/97,  ART. 17, INCIDÊNCIA.­   A  Bovespa,  em  reestruturação  societária  datada  de  28.08.2007,  iniciou  a  “demutualização"  ,  deixando  de  ser  uma  sociedade  civil  e  convertendo­se  em  sociedade  anônima,  a  Bovespa  Holding  S/A.  Nesse  processo  de  transformação  societária,  os  títulos  patrimoniais  da  impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da  BM&F.  ­Tal  processo  de  demutualização"trouxe,  efetivamente,  ganhos  patrimoniais  à  impetrante  que  passou de simples associada da Bovespa à detentora de  ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as  novas  ações  adquiridas  com  os  valores  que  havia  dispendido  para  a  formação  da  associação  e  que  lhe  fora  devolvido  ­  devidamente  corrigido,  repisa­se  ­  em  razão  da  demutualização".O  fato  apto  a  desencadear  a  incidência  dos  tributos,  nesse  caso,  é  o  ganho  obtido  pela  impetrante  com  a  devolução  de  valores,  ou  seja,  com  a  própria  operação  de  demutualização,  na  forma  como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui  supedâneo  legal  para  a  inclusão  da  diferença  entre  o  que  foi  investido  para  a  formação  do  capital  social  de  entidade  isenta  e  a  devolução  do  que  foi  aportado  na  determinação do lucro da pessoa  jurídica, uma vez que  constitui,  indubitavelmente,  acréscimo  patrimonial,  sujeitando­se  à  incidência  do  imposto  de  renda,  nos  termos  dos  artigos  43  e  44  do  Código  Tributário  Nacional.  Não  prospera  a  tese  da  apelante  de  que  a  avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência  patrimonial,  sistemática  que  estima  o  valor  do  investimento de uma sociedade em outra de acordo com  as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos  resultados  positivos,  de  acordo  com  o  artigo  225  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  não  acarretam  incidência  dos  tributos.  A  avaliação  pela  equivalência  patrimonial,  consoante  previsto  no  art.  248  da  Lei  6.404/1976  (Lei  das  Sociedades  Anônimas),  aplica­se  exclusivamente  aos  casos  de  “coligadas  sobre  cuja  administração  [a  empresa]  tenha  influência  significativa,  ou  de  que  participe  com  20%  (vinte  por  cento)  ou  mais  do  capital  votante,  em  controladas  em  outras sociedades que  façam parte de um mesmo grupo  ou estejam sob controle comum (redação dada perla Lei  nº  11.638/2007),  não  sendo  este  o  caso  dos  autos  que  trata,  na  verdade,  de  avaliação  de  títulos  patrimoniais  que a  impetrante detém nas bolsas de valores. Também  não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de  10/11/97,  o  Parecer  CST  nº  2.254/81  e  a  Portaria MF  Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.017          15 785/77,  porquanto  a  referida  Portaria,  assim  como  os  atos  administrativos  mencionados  são  anteriores  à  entrada  em  vigor  da  Lei  9.532/97,  de  10/12/97,  originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602,  de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em  análise.  Recurso desprovido.  TRF ­3   Processo  2008.03.00.004115­1  ­  AG  325479  –  6ª  Turma TRF3, decisão de 23/05/2008. Observo que  como  a  BM&F  era  uma  associação  sem  fins  lucrativos,  os  superávits  obtidos  ano  a  ano  eram  reinvestidos  na  própria  bolsa,  sem  incidência  de  imposto  de  renda  ou  contribuição  social  sobre  o  lucro. Parece­me que quando a BM&F converteu  seu  patrimônio  ­  ao  qual  se  integra  o  que  economizou em impostos ­, em uma sociedade com  fins  lucrativos, a diferença então verificada gerou  ganho de capital e em decorrência, incide imposto  sobre  o  que  não  foi  pago  durante  a  fase  beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi  o processo denominado “desmutualização”, através  da  dissolução  parcial  da  BM&F,  que  deixou  de  existir  e  cujos  títulos  patrimoniais  foram  extintos,  com a respectiva restituição do seu patrimônio aos  seus respectivos sócios, na forma de ações da nova  sociedade, a BM&F S/A. [...]  TRF3  ­  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  Nº  2008.03.00.004115­1/SP  Vistos.Trata­se de agravo de instrumento com pedido de  concessão de antecipação de  tutela recursal, que visa à  reforma  de  decisão  proferida  em  Primeira  instância,  adversa  aos  agravantes.  Regularmente  processado  o  agravo, sobreveio a informação, mediante e­mail de fls.  1658/1668,  que  foi  proferida  sentença  nos  autos  do  processo  originário.  Ante  a  perda  de  objeto,  julgo  prejudicado  o  presente  recurso  e,  em  conseqüência,  NEGO­LHE  SEGUIMENTO,  com  fulcro  no  art.  557,  caput,  do  Código  de  Processo  Civil,  restando  prejudicado  o  agravo  regimental  interposto.Oportunamente,  observadas  as  formalidades  legais,  baixem  os  autos  á  Vara  de  origem.  Intimem­se.  Consuelo Yoshida Desembargadora Federal  PROCESSO CIVIL.  TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE  DECLARAÇÃO.  OMISSÃO.  INEXISTÊNCIA.  DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. IRPJ E CSLL.  INCIDÊNCIA.  ARTIGO  17  DA  LEI  Nº  9.532/97.  APLICABILIDADE.  PORTARIA  785/77.  PARECER  Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.018          16 NORMATIVO  Nº  78/78.  ATO  DECLARATÓRIO  NORMATIVO Nº  9/81.  NORMAS ANTERIORES  AO  ADVENTO  DA  LEI  Nº  9.532/97.  INAPLICABILIDADE.  ­  À mingua  do  alegado  vício  ­  omissão  ­  os  embargos  de  declaração  devem  ser  rejeitados.  ­  No  tocante  à  dissolução  da  associação  BOVESPA, o  julgado  foi claro ao dispor que ocorreu a  efetiva dissolução da sociedade BOVESPA e que, assim  sendo,  deveria  ser  observada,  no  tocante  ao  seu  patrimônio,  a  disciplina  do  artigo  61  do  Código  Civil,  acarretando  na  devolução  do  aludido  patrimônio  aos  então associados, a ensejar, desse modo, a incidência do  IRPJ e da CSLL, ex vi das disposições contidas no artigo  17 da Lei nº 9.532/97.  ­ Não há, portanto,  que  se  falar  em  omissão  do  acórdão  no  tocante  a  matéria,  em  especial quanto ao regramento previsto no artigo 1.113  do Código Civil que, diga­se, diz respeito tão­somente às  sociedades e não às associações. ­ Quanto à questão em  torno da adoção do método de equivalência patrimonial  para  avaliação  do  investimento  o  acórdão  embargado  concluiu pela  inaplicabilidade, à espécie, do método de  equivalência  patrimonial  que,  nos  termos  dos  artigos  248  da  Lei  nº  6.404/76  e  384  do  Decreto  nº  3.000/99,  somente  teria  aplicabilidade  nas  hipóteses  de  investimentos  em  empresas  controladas  ou  coligadas,  não sendo esse o caso vertido nestes autos.  ­ Conforme  precedentes  jurisprudenciais  colacionados  no  julgado  vergastado,  não  incide,  in  casu,  a  Portaria  nº  785/77,  bem assim os atos normativos correlatos, dentre os quais  se  incluem  o  Parecer  Normativo  nº  78/78  e  Ato  Declaratório  Normativo  nº  9/81,  na  medida  em  que  anteriores  ao  advento  da  Lei  nº  9.532/97,  norma  aplicável  à  espécie,  conforme  alhures  externado.  ­  O  mero  intuito de prequestionar a matéria não  legitima a  oposição  dos  aclaratórios.  Precedentes  do  C.  STJ.  ­  Conforme  jurisprudência  firmada  no  âmbito  do  E.  Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de  Justiça,  não  se  faz  necessária  a  menção  a  dispositivos  legais  para  que  a  matéria  seja  considerada  prequestionada, bastando que a tese jurídica tenha sido  aquilatada  pelo  órgão  julgador  (STF,  HC  122932  MC/MT,  Relator  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  j.  03/09/2014,  DJe  08/09/2014;  HC  nº  120234,  Relator  Ministro Luiz Fux,  j. 19/11/2013, DJe 22/11/2013; STJ,  REsp  286.040,  Relator  Ministro  Franciulli  Netto,  j.  05/06/2003,  DJ  30/6/2003;  EDcl  no  REsp  765.975,  Relator  Ministra  Eliana  Calmon,  j.  11/04/2006,  DJ  23/5/2006). ­ Embargos de declaração rejeitados."AMS ­  APELAÇÃO  CÍVEL  ­  Processo:  308575  0001164­ 33.2008.4.03.6100­ QUARTA TURMA e­DJF3 Judicial 1  DATA:03/11/2015.  DESEMBARGADORA  FEDERAL  MARLI FERREIRA" TRF3.     Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.019          17  Conclusões Finais   Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  especial do sujeito passivo.     É como voto é como penso.   Demes Brito               Declaração de Voto  Conselheira Tatiana Midori Migiyama.  Com a devida vênia ao entendimento do ilustre Conselheiro Demes Brito, no  que tange à divergência quanto à classificação das ações de sociedade anônima recebidas em  substituição  de  quotas  patrimoniais  de  uma  entidade  associativa  sem  fins  lucrativos,  via  operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, entendo que o registro das referidas  ações deve­se dar em conta do Ativo Permanente.  Nessa  operação,  vê­se  que  a  Bovespa Associação,  através  da  cisão,  verteu  parte de seu patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações S.A e a Bovespa Holding S.A.   A operação de cisão de entidades sem fins lucrativos encontra­se resguardada  nos arts. 44, inciso I e 2.033 do CC/2002, in verbis (Grifos meus):  “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:  I ­ as associações;  [...]”  “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos  constitutivos  das  pessoas  jurídicas  referidas  no  art.  44,  bem  como  a  sua  transformação,  incorporação, cisão ou  fusão, regem­se desde  logo por este  Código.”  Ao  analisar  o  art.  44  do  Código  Civil1,  tem­se  que  no  rol  das  pessoas  jurídicas de direito privado ali previsto encontram­se as associações.   Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.020          18 Vê­se claro, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação,  incorporação, cisão ou fusão.  Por decorrência da cisão, a parte cindida dos títulos patrimoniais foi somente  substituída  por  ações  da  Bovespa  Serviços  e  da  Bovespa  Holding.  E,  com  efeito,  posteriormente à essa etapa, a Bovespa Holding incorporou a totalidade das ações da Bovespa  Serviços e como consequência, os titulares das ações da Bovespa Serviços tiveram suas ações  trocadas por ações da Bovespa Holding.  Essa substituição das ações considerou o valor patrimonial contábil por ação  da Bovespa Holding e da Bovespa Serviços – com data base de junho de 2007.   Lembro que o mesmo procedimento foi adotado no caso da BM&F – onde o  patrimônio foi absorvido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A.  Dessa forma, é de hialina clareza que os títulos patrimoniais da Bovespa e da  BM&F dos  associados  foram  somente  substituídos  por  ações  da Bovespa Holding S.A e  da  BM&F S.A.   Eis  que  nessa  operação  há  apenas  a  “troca”  dos  ativos  –  em  devolução  e  dissolução  patrimonial,  e  não  “aquisição”  das  referidas  ações  que  demandem  nova  reclassificação contábil.   Na cisão  seguida de  incorporação, há a  transferência de  todos os direitos  e  obrigações dos negócios em curso da cindida para a incorporadora ­ sucessão universal.   Com efeito, as ações substituídas pelos títulos recebem o mesmo tratamento  fiscal  e  contábil  a  que  eles  estavam  sujeitos.  O  que  não  procede  tratar  tais  ativos  como  devolução do patrimônio da associação aos seus associados com posterior aquisição.  Dessa  forma,  considerando  se  tratar  de  mera  substituição  de  títulos  patrimoniais  que,  por  sua  vez,  estavam  registrados  no  ativo  permanente,  quando  da  substituição  desses  títulos  por  ações,  devem  observar  idêntica  qualificação  contábil  até  o  momento de sua alienação.  Nota­se que, em respeito aos Princípios que norteiam a Ciência Contábil, o  detentor dos  títulos quando da classificação contábil desses ativos manifestou a pretensão de  permanecer com esse investimento em seu patrimônio por mais de 12 meses – sem expectativa  de vendê­los a curto prazo. O que alterar a classificação contábil das ações recebidas em troca  dos títulos demonstraria afronta à esses princípios.  Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.021          19 No ativo circulante somente são registrados ativos de liquidez imediata. Ou  seja,  somente  aqueles  ativos  que  estejam  destinados  à  venda  com  sentido  de  operação  mercantil. O que se distancia do presente caso –  já que a detentora dos  títulos manteve esse  ativo  por  mais  de  12  meses  em  seu  patrimônio,  tendo  manifestado  sua  pretensão  de  permanecer com esse ativo no momento do registro contábil.  Na substituição de um ativo (títulos patrimoniais ou ações) por decorrência  de  cisão  seguida  de  incorporação,  vê­se  que  os  detentores/investidores  se  mantêm  inertes  frente  a  essa  reorganização  societária  –  efetuando  somente  a  troca  dos  ativos  em  seu  patrimônio.   Tal troca não resulta em nova classificação contábil, visto que a pretensão do  investidor  não  se  alterou  com  a  substituição  do  ativo.  Eis  que  nem motivação  demonstrou  quando da efetivação da reorganização societária.  Nova  classificação  contábil  de  ativos  ocorreria  somente  quando  ocorrer  motivação  por  parte  do  futuro  adquirente,  pois  é  nesse  momento  que  deverá  expressar  sua  pretensão de manter o ativo adquirido por mais de 12 meses ou vendê­lo em curto prazo.  Tanto é assim, que o investidor que sofre a troca dos ativos não se obriga a  informar o custodiante sobre a “nova aquisição”. A troca ocorre diretamente pelo custodiante  sem motivação do investidor.  O  investimento original não  foi  realizado com o fim de se obter ganho por  sua venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de dar  participação  à  entidade  e  trazer  desenvolvimento  de  suas  atividades;  e  que  foi  trocado  por  outro  ativo  que  podia  agora  ter  sua  classificação mantida,  ou  não,  mas  que,  se  colocado  à  venda,  não  perdia  a  característica  de  um  ativo  permanente  colocado  à  venda  e,  por  isso,  passível de reclassificação.  Dessa  forma, as  ações  recebidas por decorrência dessa operação devem ser  registradas em contas do ativo permanente, em respeito à pretensão manifestada pelo detentor  dos  títulos  patrimoniais  à  época  de  sua  aquisição.  O  que,  por  conseguinte,  entendo  que  eventuais receitas advindas dessa transação poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e  Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98.  Para melhor elucidar meu entendimento,  trago parte da Declaração de Voto  de meu ilustre colega Gilberto de Castro Moreira Junior proferido em Acórdão 3202­000.777  (Grifos meus):  Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.022          20 “[...]   A  fiscalização,  referendada  pela  DRJ,  entendeu  que:  (i)  as  ações  da  Bovespa Holding  S/A  e  da BM&F S/A  não  se  confundiriam  com  os  títulos  patrimoniais  das  Associações  Bovespa  e  BM&F  anteriormente  registrados  no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do  patrimônio  investido  nas  associações  civis  e  posterior  subscrição  de  ações  das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela  Recorrente  foram  transformados  em  ações  da  Bovespa  Holding  S/A  e  da  BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados  no ativo circulante.   Não  concordo,  como  lançado  pelo  relator,  que  “A  conversão  dos  títulos  patrimoniais  de Associação  sem  fins  lucrativos  para  uma  sociedade  por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida  por  sociedades  anônimas  de  capital  aberto,  como  pretende  justificar  a  Recorrente,  vai  frontalmente  de  encontro  ao  que  dispõe  o  artigo  61  do  Código Civil”.  A respeito do tema já escrevi que:  Estabelece  o  artigo  1.113  do  atual  Código  Civil,  ao  tratar  da  transformação das sociedades, que:  "Artigo  1.113.  O  ato  de  transformação  independe  de  dissolução  ou  liquidação  da  sociedade,  e  obedecerá  aos  preceitos  reguladores  da  constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converter­se."  Vê­se, portanto, que o artigo supra foi  totalmente inspirado no artigo  220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte:   "Artigo  220.  A  transformação  é  a  operação  pela  qual  a  sociedade  passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro.  Parágrafo  único.  A  transformação  obedecerá  aos  preceitos  que  regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade."  [...]  Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.023          21 Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades  passam  a  contar  com  uma  regulação  própria,  semelhante  à  da  sociedade  anônima." (11)  No  mesmo  sentido  é  a  lição  de  Modesto  Carvalhosa  destacando  jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema:  "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de  que não há constituição de nova sociedade, seja na  transformação simples,  seja  na  constitutiva,  mas  tão  somente  alteração  da  forma  adotada  anteriormente.  Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com  efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em  ambos os casos implicam sempre a permanência da mesma pessoa jurídica.  Nesse  sentido,  Cunha  Peixoto  entende  tratar­se  de  simples  modificação  contratual.  E  Bulgarelli  lembra  que  'a  doutrina  brasileira  mais  atual  propende,  considerando  a  transformação  como  mera  alteração  contratual,  em  reconhecer  a  continuidade  da  sociedade  que  se  modificou,  mantendo  a  mesma personalidade jurídica adquirida'.  Nesse  sentido  o  acórdão  na  Apelação  Civil  n.  101.1422  (TJSP,  2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de  que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade  que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar  em  sucessão.  É  a  antiga  sociedade  mantendo  a  mesma  personalidade  jurídica, porém com outras vestes." (12)  Modesto Carvalhosa  também deixa claro que,  sob a égide do Código  Civi anterior, as  sociedades civis podiam ser  transformadas em sociedades  comerciais:  "Pergunta­se  se  também  as  sociedades  civis  (arts.  18  a  23  do  C.C)  podem  transformar­se  em  sociedades  comerciais.  No  sistema  jurídico  brasileiro  todas  as  sociedades  com  personalidade  jurídica  previstas  no  Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas  (Dec.  nº.  3.708,  de  1919,  e  lei  societária  em  vigor),  podem  transformar­se  Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.024          22 nos tipos societários comerciais acima mencionados. Podem transformar­se,  assim,  tanto  as  sociedades  civis  com  fins  lucrativos,  desde  que  o  contrato  social assim o preveja ou não  impeça. Também poderão ser  transformadas  as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os  clubes e associações esportivas." (13)  Com  a  edição  do  novo  Código  Civil,  a  situação  não  se  alterou  em  relação  às  associações,  sociedades  simples  e  empresárias,  havendo  agora  inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113).  Destaque­se,  outrossim,  o  seguinte  trecho  do  voto  do  Ministro  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  Humberto  Gomes  de  Barros,  no  REsp  242.721SC,  que  tratou  não  incidência  de  ICMS  na  transformação  de  sociedades:  "...  As  sociedades  comerciais  podem  sofrer  várias  metamorfoses,  a  saber:  a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a  outro (L. 6.404/76, Art. 220);  b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra,  desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227);  c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova  pessoa jurídica (Art. 228);  d)  cisão  transferência,  total  ou  parcial  do  patrimônio  para  outra  pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida  (Art. 229).  Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a  transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo  comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades  objeto  da  metamorfose  e  os  titulares  (pessoas  físicas  ou  jurídicas)  das  respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre  qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial  da corporação..." (14)  Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.025          23 É  de  se  concluir,  portanto,  que  a  transformação  de  sociedade  não  implica  na  sua  extinção,  dissolução  ou  liquidação.  A  sociedade  transformada  representa  a  continuidade  da  pessoa  jurídica  preexistente  com  uma  roupagem  jurídica  diversa.  Não  há  transmissão  do  patrimônio  social  da  sociedade,  havendo  apenas  a  necessidade  de  observação  dos  preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que  a  sociedade  transformada  irá  converter­se.  (Aspectos  tributários  da  transformação de Associação  sem  fins  lucrativos  em Sociedade  Simples  ou  Empresária.  In  http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.php?PID=  217174&key=4415884)  Entendo,  ademais,  que  o  artigo  2033  do  Código  Civil  também  corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos  atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a  sua  transformação,  incorporação,  cisão ou  fusão,  regem­se desde  logo  por  este Código”.  Ora,  se  verificarmos  o  artigo  44  do Código Civil1,  temos  que  no  rol  das  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  ali  previsto  encontram­se  as  associações.  Vê­se,  portanto,  que  as  associações  podem  ser  objeto  de  transformação, incorporação, cisão ou fusão.   O  artigo  61  do Código Civil2  apenas  prevê  o  destino  do  patrimônio  das  associações  em  caso  de  dissolução.  No  entanto,  não  foi  isso  que  efetivamente  aconteceu  na  operação  de  desmutualização  da  Bovespa  e  da  BM&F.  As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com  incorporação  da  parcela  cindida  pela Bovespa Holding  S/A  e  pela BM&F  S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo.  Houve,  a  meu  ver,  a  mera  substituição  dos  títulos  patrimoniais  por  ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação  da  parcela  do  patrimônio  cindido  das  Associações  Bovespa  e  BM&F  pela  Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A.   Tais :  Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.026          24 Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:   I as associações;  II as sociedades;  III as fundações.  IV as organizações religiosas;  V os partidos políticos.  VI as empresas individuais de responsabilidade limitada.  Art.  61.  Dissolvida  a  associação,  o  remanescente  do  seu  patrimônio  líquido,  depois  de  deduzidas,  se  for  o  caso,  as  quotas  ou  frações  ideais  referidas  no  parágrafo  único  do  art.  56,  será  destinado  à  entidade  de  fins  não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos  associados, à  instituição municipal,estadual ou  federal, de fins  idênticos ou  semelhantes.  § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos  associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste  artigo,  receber  em  restituição,  atualizado  o  respectivo  valor,  as  contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação.  § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no  Território,  em  que  a  associação  tiver  sede,  instituição  nas  condições  indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à  Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.  [...]  Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que  houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram  a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais.  Nesse  sentido,  inclusive  destaco  os  acórdãos  3404001.734  e  3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF,  de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos:  INCIDÊNCIA.  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES.  PARTICIPAÇÃO  SOCIETÁRIA.  Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.027          25 ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98.  Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido  para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca  de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de  investimento do Ativo  Permanente,  não  configura  receita  operacional  razão  pela  qual  deixa  de  incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins.  Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734)  DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES.  INCORPORAÇÃO  DE  ASSOCIAÇÃO  SEM  FINS  LUCRATIVOS  POR  SOCIEDADE  POR  AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS  DO  MESMO  ACERVO  PATRIMONIAL.  VENDA  DE  ATIVO  IMOBILIZADO.  A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de  atos  típicos  das  operações  societárias  de  cisão  e  incorporação,  com o  que  não  houve  concretamente  um  ato  de  restituição  do  patrimônio  pela  associação aos associados,  tampouco um ato sucessivo de utilização destes  recursos para a aquisição das ações.  Houve  a  substituição  das  quotas  patrimoniais  da  entidade  sem  fins  lucrativos  por  ações  da  sociedade  anônima,  em  razão  da  sucessão,  por  incorporação,  da  primeira  pela  segunda  evento  o  qual,  aliás,  marca  a  extinção da associação e dos títulos.  A  substituição  dos  títulos  patrimoniais  pelas  ações  caracterizam  a  permanência  do  mesmo  ativo,  devendo  ser  admitida  sua  manutenção  na  conta de ativo permanente,  tal como procedeu o contribuinte, de modo que  sua alienação configura  receita da  venda de ativo permanente,  a qual não  compõe a base de cálculo de PIS/Cofins.  Recurso provido. (Acórdão 3403001.757)  Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas  atividades,  mesmos  associados  alçados  à  condição  de  sócios,  mas  apenas  com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a  contabilização de ativos  em conta do permanente baseia­se na  intenção de  Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.028          26 permanecer  com  eles  no momento  de  sua  aquisição,  ou  seja,  em momento  muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos  patrimoniais foram “adquiridos”.  Este  entendimento  é  corroborado  pelos  Pareceres  Normativos  CST  108/78  e  3/80,  que  trataram,  respectivamente,  da  classificação  de  determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção  monetária de que  trata o Decreto­lei  nº 1.598/77,  e dos ganhos de  capital,  tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis:  Parecer Normativo CST 108/78  7. Classificam­se como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as  participações  permanentes  em  outras  sociedades  e  os  direitos  de  qualquer  natureza,  não  classificáveis  no  ativo  circulante,  e  que  não  se  destinem  à  manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com  relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o  que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os  "direitos de qualquer natureza".  7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem  as  importâncias  aplicadas  na  aquisição  de  ações  e  outros  títulos  de  participação societária, com a intenção de mantê­las em caráter permanente,  seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como,  por  exemplo,  a  constituição  de  fonte  permanente  de  renda. Essa  intenção  será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a  sua  inclusão  no  subgrupo  de  investimentos  caso  haja  interesse  de  permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse.  Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o  valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço  do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá  o  valor  da  aplicação  ser  transferido  para  o  subgrupo  de  investimentos  e  procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a  do balanço do exercício social anterior. (grifamos)  Parecer Normativo CST 3/80  Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.029          27 8. Em face do exposto,  impõe­se a conclusão  lógica de que a simples  pretensão  da  pessoa  jurídica  no  sentido  de  alienar  bens  destinados  à  utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades  da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda,  a  exclusão  dos  elementos  correspondentes  registrados  em  contas  do  ativo  permanente,  devendo  a  cifra  respectiva  continuar  integrando  aquele  agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos)  E  não  se  diga  que  referidos Pareceres Normativos  seriam aplicáveis  somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os  tributos  federais.  Não  há  como  dizer  que  os  conceitos  de  investimentos  e  ativo  permanente,  por  exemplo,  são  distintos  para  o  IRPJ, PIS  e COFINS,  IPI E CSLL.  Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a  que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se  destacar  o  seguinte  trecho  acerca  da  classificação  contábil  dos  ativos  que  muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração  de voto:  Quando  analisamos  a  movimentação  subsequente  desses  ativos  e  identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira  interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada.  Porém  essa  interpretação,  baseada  unicamente  no  momento  das  alienações,  deve  ser  considerada  com  certa  restrição;  afinal,  a  decisão  de  venda  de  um  ativo  pode  surgir  a  partir  de  eventos  isolados,  e  que  nem  sempre não previsíveis.  Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de  venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada muda a caracterização de  que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas  bolsas,  portanto,  um  ativo  permanente  à  época,  que  agora  fica  disponibilizado para  venda. Classificado no permanente ou  classificado no  circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda:  tratava­se  de um  investimento  adquirido  para  servir  como permanente  que  agora poderia, sim, ser colocado à venda.  Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.030          28 Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda.  Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo  de  permitir  à  entidade  o  desenvolvimento  de  suas  atividades;  e  que  foi  trocado por  outro  ativo que  podia  agora  ter  sua  classificação mantida, ou  não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo  permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação.   Entendo,  portanto,  que  a  isenção  prevista  no  inciso  IV,  do  §  2°,  do  artigo  3°,  da  Lei  n°  9.718/98  é  plenamente  aplicável  ao  caso  concreto,  motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal.  [...]”  Na mesma  linha,  transcrevo  parte  do  voto  do  ilustre  Conselheiro  Antonio  Carlos Atulim exarado no acordão 3403­003­447:  “[...]  A questão posta para deslinde por parte deste  colegiado não é nova.  Trata­se mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre  as  receitas  provenientes  da  venda  das  ações  que  resultaram  da  transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de  Futuros em sociedades por ações.  É  incontroverso  que  o  contribuinte  ora  autuado  é  sucessor  de  instituição  financeira  que  possuía  nas  contas  do  Ativo  Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F.  Com  a  transformação  societária  da  antiga  BM&F  na  sociedade  por  ações BM&F S/A e na  incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING,  ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA  HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações  da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F.  Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes  no  Ativo  Permanente/Investimentos  do  Banco,  foram  convertidos  em  quantidade  de  ações monetariamente  equivalente  à  participação  do  Banco  em cada uma das antigas sociedades.  Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.031          29 São pontos  controversos  nos  autos  (i)  se  houve  ou  não  devolução de  capital  com  aquisição  de  um  novo  patrimônio  no  momento  da  desmutualização e  (ii) se havia ou não  intenção do Banco vender as ações  recebidas  em  conversão.  A  intenção  ou  não  de  venda  seria  determinante  para classificar os ativos no circulante ou no permanente.  Basicamente  a  fiscalização  e  a  decisão  de  primeira  instância  entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas  pelo  Banco,  em  razão  da  desmutualização,  constituíam  um  outro  ativo  diferente  do  título  patrimonial  da  antiga  BM&F  e  das  ações  da  antiga  CBLC.  Assim,  o  momento  do  recebimento  desse  novo  ativo  seria  aquele  em  que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar,  classificando­o em conta do circulante ou do permanente.  No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de  vender  as  ações,  elas  deveriam  ter  sido  classificadas  no  circulante.  Tratando­se de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo  circulante,  e  estando  essa  atividade  incluída  no  objeto  social  da  pessoa  jurídica,  tratar­se­ia  de  receita  operacional  passível  de  inclusão  nas  bases  de cálculo do PIS e da COFINS.  Embora  não  tenha  sido  explicitamente  citado,  o  entendimento  da  fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina  a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações.  Ora, o art. 61 do Código Civil é  inaplicável ao caso concreto, pois a  CBLC  e  a  BM&F  não  foram  dissolvidas  e  nem  tiveram  seus  patrimônios  devolvidos aos seus antigos sócios.  É  de  conhecimento  público  e  notório  que  as  duas  entidades  desapareceram  do  cenário  jurídico  no  processo  denominado  desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer  por  cisão  são  coisas  totalmente diferentes  sob o ponto de  vista  jurídico. O  que  houve  no  caso  da  desmutualização  foi  uma  cisão  seguida  de  incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para  os  seus  sócios,  ele  é  transferido  diretamente  para  a  nova  entidade  que  se  Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.032          30 originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de  um  tipo  de  sociedade  em  outra  e  não  a  dissolução  tratada  no  art.  61  do  Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que  o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação  e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios  do  tipo  em  que  vai  se  converter,  enquanto  que  o  art.  2.033,  do  mesmo  Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação.   Assim,  se  o  Código  Civil  não  impede  a  transformação  de  uma  associação  em  uma  sociedade  anônima  e  se  o  estatuto  da  S/A  foi  regularmente  registrado  na  Junta  Comercial,  não  há  que  se  cogitar  de  ilegalidade na operação.  Não  tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como  sustentar  as  premissas  adotadas  pela  DRJ,  no  sentido  de  que  houve  devolução  de  patrimônio  e,  assim,  que  as  ações  recebidas  constituem  um  ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes.  O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das  associações  civis  pelas  ações  das  novas  companhias,  como  resultado  das  operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga  Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e  as  ações  da  CBLC  foram  sucedidos  por  ações  das  novas  entidades  que  surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que  possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos.  Tanto  os  antigos  títulos  patrimoniais,  quanto  as  ações  em  que  foram  transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio.  Assim, mostra­se temerária a premissa de que as ações emitidas constituem  um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais.  Se  as  ações  são  representativas  do  mesmo  patrimônio  que  era  representado  pelos  títulos  patrimoniais  (e  pelas  ações  da  CBLC)  que  estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo  ativo  no  momento  da  desmutualização,  não  havendo  que  se  cogitar  da  intenção  do  contribuinte  neste  momento  para  obriga­lo  a  fazer  a  reclassificação  para  o  ativo  circulante.  E  ainda  que  essa  reclassificação  Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.033          31 tivesse  sido  feita,  tal  fato  não  retiraria  das  ações  a  condição  de  ser  um  investimento,  ou  seja,  uma  participação  do  Banco  no  patrimônio  de  terceiros.  Não  se  olvide  que  nos  longínquos  tempos  em  que  os  contribuintes  estavam obrigados à  correção monetária das demonstrações  financeiras,  a  própria  Receita  Federal  vedava  a  reclassificação  de  bens  do  ativo  permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer  Normativo CST nº 3/801).  Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos  classificados  no  permanente/investimentos  foram  sucedidos  pelas  ações  alienadas,  o  faturamento  decorrente  dessa  alienação  se  enquadra  como  venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõe­se a conclusão  lógica de que a simples pretensão da pessoa  jurídica no sentido de alienar  bens  destinados  à  utilização  na  exploração  do  objeto  social  ou  na  manutenção  das  atividades  da  empresa  não  autoriza,  para  os  efeitos  da  legislação  do  imposto  de  renda,  a  exclusão  dos  elementos  correspondentes  registrados  em  contas  do  ativo  permanente,  devendo  a  cifra  respectiva  continuar  integrando  aquele  agrupamento  até  a  alienação,  baixa  ou  liquidação  do  bem  classificado  no  ativo  permanente  e  está  expressamente  excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV,  da Lei nº 9.718/98.  E  isto  é  assim,  por  força  do  art.  418  do  RIR/99  (art.  31  do  DL  nº  1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como  ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional.   Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o  mesmo  que  obrigar  uma  montadora  de  veículos  a  tributar  a  venda  dos  veículos pertencentes a sua frota.   Ou  então  obrigar  uma  construtora  a  tributar  a  eventual  venda  do  edifício que constitui sua sede própria.  Considerando  que  a  aferição  da  natureza  não  operacional  dessas  receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das  Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.034          32 bases  de  cálculo,  resta  evidente  que  o  desfecho  ação  judicial  2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo.  [...]”  Dessa  forma,  é  de  se  concluir  que  os  títulos  da Bovespa  e  da  BM&F  que  eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente  e que as ações recebidas por sucessão universal decorrente da cisão seguida de  incorporação  deveriam ser registradas em seu ativo permanente. O que, por conseguinte, torna­se claro que a  receita de alienação dessas ações não são passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, nos termos  do art. 3º, inciso IV, da Lei 9.718/98.  Não  obstante  a  tudo  isso,  proveitosa  a  seguinte  reflexão.  Ainda  que  se  considere  equivocadamente  as  ações  como  fruto  de  aquisição  pura  motivada  pelo  sujeito  passivo e que, portanto, não seria passível de registro em ativo permanente, importante refletir  também sobre as regras  impostas pela nova contabilidade,  independentemente de à época ser  plenamente considerada o registro contábil das ações recebidas em troca em ativo permanente  Para tanto, invoca­se o Pronunciamento técnico CPC 30 – que contempla em  seus itens 7 e 12:  “Item 7. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o  período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que  resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de  patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários.  [...]  Item 12. Quando bens ou  serviços  forem objeto de  troca ou permuta,  que sejam de natureza e valor similares, a troca não é vista como uma  transação  que  gera  receita.  [...]  Por  outro  lado,  quando  os  bens  são  vendidos ou os serviços são prestados em troca de bens ou serviço não  similares, tais trocas são vistas como operações que geram receita”  Continuando,  o  Pronunciamento  Conceitual  Básico  (R1)  descreve  no  item  4.29  que  “a  definição  de  receita  abrange  tanto  as  receitas  propriamente  ditas  quanto  aos  ganhos. A  receita  surge no  curso das  atividades  usuais da  entidade  e  é  designada por uma  variedade de nomes tais como vendas, honorários,  juros, dividendos, royalties, alugueis.” Já  Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.035          33 os “ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e que podem ou  não surgir no curso das atividades usuais da entidade”.  Tal Pronunciamento ainda traz em seu item 4.31 que “ganhos, incluem, por  exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes”.  Ademais, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, “estoques são  ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios.”  E,  nos  termos  do  CPC  31,  a  destinação  de  um  ativo  não  circulante  (ativo  permanente)  para  venda  não  o  classifica  como  ativo  circulante  (estoque),  devendo  ser  classificado  como  ativo  não  circulante  destinado  a  venda,  especialmente  à  luz  do  quanto  disposto em seu Apêndice A – Definições de termos:  “Ativo  Circulante  é  um  ativo  que  satisfaz  a  qualquer  dos  seguintes  critérios:  a.  Espera­se que seja realizado, ou pretende­se que seja vendido ou consumido no curso  normal do ciclo operacional da entidade;  b.  Mantido essencialmente com o propósito de ser negociado  Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo  circulante.”  Nesta senda, vê­se que os ativos adquiridos destinados à comercialização nas  operações usuais da empresa devem ser registrados no ativo circulante em conta de estoque e o  produto de sua venda é classificado como receita propriamente dita.  Enquanto, ativos que não comportem a sua classificação em estoque e sejam  reconhecidos no ativo não circulante, quando de sua alienação podem gerar ganhos, mas que  não se enquadram no conceito de receita, uma vez que não se  trata de atividade usualmente  praticada pela entidade.  O  que  resta  concluir  que  as  ações  recebidas  em  substituição  aos  títulos  patrimoniais  ostentam  a  mesma  natureza,  bens  do  ativo  permanente  –  ou  seja,  ativo  não  circulante,  na nova  linguagem contábil,  não  se  sujeitando quando  se  sua  alienação  ao PIS  e  Cofins.  Mais ainda, caso se “ignore o Código Civil” e desconsidere equivocadamente  o  correto  registro  contábil  –  registrando  em  contas  do  ativo  circulante,  proveitoso  trazer,  a  título de “amor ao debate técnico”, que as receitas geradas na venda dessas ações ainda assim  Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.036          34 não seriam passíveis de  tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas  como sendo decorrentes de suas atividades próprias.   Ora,  as  sociedades  corretoras  de  títulos  e  valores  mobiliários  são  pessoas  jurídicas integrantes do Sistema Financeiro Nacional que, dentre outras atividades, realizam a  intermediação nas operações de compra e venda de títulos financeiros para seus clientes.  Nos termos da ICVM 387/03, a corretora de valores é “a sociedade habilitada  a negociar ou registrar operações com valores mobiliários por conta própria ou por conta de  terceiros em bolsa e entidade de balcão organizado”.  Além de operar  com  títulos  e valores por  conta de  terceiros,  as  sociedades  corretoras, de maneira residual, podem operar carteira própria de valores mobiliários, atuando  nos mercados de bolsa e balcão.  Com efeito, para que as sociedades corretoras possam operar carteira própria  devem observar diversas regras estabelecidas pela CVM, por intermédio da ICVM 117/90. As  sociedades corretoras que operem carteira própria devem indicar a CVM e as bolsas de valores  um de seus diretores ou sócios gerentes como responsável pela operação da carteira e somente  poderão aplicar na constituição e operação de sua carteira, recursos próprios.  Além  disso,  as  sociedades  corretoras  que  operaram  com  carteira  própria  devem obedecer os seguintes limites:  · O valor da carteira própria das sociedades corretoras cujo patrimônio líquido ajustado,  computado a partir de 31.3.90 na  forma determinada pelas normas contidas no Plano  Contábil  das  Instituições  Financeiras  do  Sistema  Financeiro  Nacional  (COSIF),  for  inferior  a  2.000.000  de  bônus  do  tesouro  nacional  para  fins  fiscais  não  excederá,  a  qualquer tempo, 50% do valor do capital de giro dessas sociedades;  · O valor da carteira própria das sociedades com patrimônio líquido ajustado superior a  2.000.000 de BTNF mas inferior a 3.000.000 de BTNF não excederá a qualquer tempo  60% do valor do capital de giro próprio dessas sociedades;  · Para as sociedades com patrimônio superior a 3.000.000 de BTNF, o valor da carteira  própria não excederá a qualquer tempo 70% do valor do capital de giro próprio.  Portanto,  vê­se  que  não  há  que  se  considerar  “engessadamente”  que  a  atividade  da  sociedade  corretora  seria  comprar  e  vender  ações  para  si  própria  –  pois  sua  Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.037          35 atividade  se  resume  na  intermediação  de  negociação  de  títulos  e  valores  mobiliários  custodiados na CBLC por ordem de compra e venda dada por seus clientes.  Tanto é assim, que há várias restrições para se alocar determinado ativo em  carteira própria. O que resta considerar que eventual receita da venda das r. ações recebidas em  troca  dos  títulos  patrimoniais  não  comporia  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  sob  a  sistemática  da  cumulatividade.  O  que  resta  afastar  a  pretensão  de  considerar  que  a  receita  auferia pela venda dessas  ações objeto de  substituição  seriam  enquadradas  como  receitas de  suas atividades – para fins de se tributá­las pelo PIS e Cofins.  Sendo  assim,  torna­se  impossível  tributar  a  receita  da  venda  das  r.  ações,  independentemente até mesmo de seu registro contábil, pelas contribuições ao PIS e Cofins.   É como voto.  Tatiana Midori Migiyama      DECLARAÇÃO DE VOTO  Conselheira Vanessa Marini Cecconello    A  controvérsia  posta  no  presente  recurso  especial  cinge­se  a  determinar  o  tratamento  tributário a  ser aplicado à  receita da venda das ações  recebidas pela Contribuinte  em  substituição  aos  títulos  patrimoniais  que  detinha  da  Bovespa  e  da  BM&F,  no  processo  chamado  de  "desmutualização",  para  efeitos  de  incidência  das  contribuições  devidas  ao  Programa de Integração Social ­ PIS e ao Financiamento da Seguridade Social ­ COFINS.  O processo que se convencionou chamar de "desmutualização das bolsas de  valores"  consistiu  em  um  conjunto  de  atos  societários  por  meio  dos  quais  a  Bovespa  e  a  BM&F  sofreram  abertura  de  capital,  tendo  ocorrido  a  cisão  parcial  das  referidas  entidades  associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades  anônimas  (com  fins  lucrativos)  Bovespa  Holding  S/A  ("Bovespa  Holding")  e  BM&F  S/A  ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os  detentores de  títulos patrimoniais da Bovespa  e  da BM&F passaram  a  ser  titulares de  ações  representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em  substituição aos antigos títulos.   Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.038          36 Em  momento  subsequente  (outubro  e  novembro  de  2007),  a  Contribuinte  procedeu à alienação da totalidade das ações da Bovespa Holding e de aproximadamente 10%  das ações da BM&F S/A, recebidas em substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio  de  ofertas  públicas,  secundárias  das  ações  da  Bovespa  e  BM&F,  transferindo  a  sua  participação  nas  sociedades  anônimas  para  os  novos  adquirentes.  Em  abril  de  2008,  a  Contribuinte alienou o restante das ações da BM&F S/A. para o Credit Suisse "Próprio" Fundo  de Investimentos e Ações.   Na  desmutualização,  foi  firmado  acordo  entre  as  bolsas  e  os  acionistas,  determinando que fosse realizada por estes a venda, no mercado, de parte das ações recebidas,  em até 180 (cento e oitenta) dias a contar da desmutualização.   Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou  o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender  se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da  Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário.   A Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento  das  ações  consistiu  em  pagamento  pela  devolução  do  patrimônio  das  associações  sem  fins  lucrativos, bem como havido por parte das corretoras a intenção de venda dos novos ativos, e,  portanto,  deveriam  ser  contabilizados  no  Ativo  Circulante,  estando  o  resultado  positivo  da  alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS.   Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo  administrativo,  entende­se  necessário  tecer  breves  considerações  quanto  (i)  ao  princípio  da  estrita legalidade e (ii) à impossibilidade de o Fisco sobrepor­se à legislação privada.   O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando  previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição  Federal,  e  também se  constitui no mais  importante dos princípios  constitucionais  tributários,  conforme  redação  do  art.  150,  inciso  I,  da  Constituição  Federal,  que  proclama  vedada  a  exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça.   O  princípio  da  legalidade  é  informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de  Direito  e  tendo  o  papel  de  proteção  dos  direitos  dos  cidadãos.  No  Direito  Tributário,  a  segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto  Xavier1,  implica  "na  necessidade  de  que  toda  a  conduta  da  Administração  tenha  o  seu                                                              1  AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112.    Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.039          37 fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a  lei seja o pressuposto necessário e  indispensável de toda a atividade administrativa".   A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam  estabelecidos em lei, os quais são  imprescindíveis para a quantificação do  tributo devido em  cada  caso  concreto  que  venha  a  refletir  a  hipótese  descrita  na  lei.  Como  consectário  do  princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e  ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro2 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao  explicitar que:  [...] Deve  o  legislador,  ao  formular  a  lei,  definir,  de modo  taxativo  (numerus  clausus)  e  completo,  as  situações  (tipos)  tributáveis,  cuja  ocorrência  será necessária  e  suficiente  ao nascimento  da  obrigação  tributária,  bem  como  os  critérios  de  quantificação  (medida)  do  tributo.  Por  outro  lado,  ao  aplicador  da  lei  veda­se  a  interpretação  extensiva  e  a  analogia,  incompatíveis  com  a  taxatividade  e  determinação  dos  tipos  tributários.  À  vista  da  impossibilidade  de  serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao  contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costuma­se qualificar­se  de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine  lege  traduz  "o  imperativo  de  que  todos  os  elementos  necessários  à  tributação do caso concreto  se contenham e apenas  se contenham na  lei". [...] (grifou­se)   Além  da  necessidade  de  observância  ao  princípio  da  estrita  legalidade,  na  interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme  artigos  108,  §1º  e  112,  ambos  do  Código  Tributário  Nacional.  A  analogia  é  um  dos  instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para  caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto,  referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário,  justamente pela  limitação  que  lhe  é  conferida  pelo  princípio  da  reserva  de  lei  para  efeitos  de  ser  exigido  determinado tributo.   O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como  regra  para  as  matérias  referentes  a  infrações,  penalidades  e  definição  das  hipóteses  de  incidência  do  tributo:  in  dúbio  pro  reo.  Constitui­se  na  forma  de  interpretação  benigna  preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou  circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a  autoria,  imputabilidade  ou  punibilidade,  e  ainda  sobre  a  natureza  ou  graduação  da                                                              2  AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113.   Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.040          38 penalidade aplicável (art. 112)”3. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro,  que  conclui  dizendo que  em  caso  de dúvida,  a  solução  a  ser  adotada  é  a mais  favorável  ao  Sujeito Passivo, in verbis4:  Na  verdade,  embora  o  art.  112  do  Código  Tributário  Nacional  pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos  seus  incisos  I  a  III,  diversas  situações  nas  quais  não  se  cuida  da  identificação do  sentido  e  do  alcance da  lei, mas  sim da  valorização  dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do  acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da  lei,  mas  de  “interpretação”  do  fato  (ou melhor,  de  qualificação  do  fato).  Discutir  se  o  fato  “x”se  enquadra  ou  não  na  lei,  ou  se  ele  se  enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do  indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do  fato e das circunstâncias em  que  ele  teria  ocorrido,  e  não  ao  exame  da  lei,  A  questão  atém­se  à  subsunção, mas a dúvida que se põe não é  sobre a  lei,  e  sim sobre o  fato.   Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se  o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de  valorização do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da  norma  punitiva  ou  sobre  os  critérios  legais  de  graduação  da  penalidade.  De  qualquer  modo,  o  princípio  in  dubio  pro  reo,  que  informa  o  preceito  codificado,  tem uma  aplicação  ampla:  qualquer  que  seja  a  dúvida,  sobre a  interpretação da  lei  punitiva ou  sobre a  valorização  dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais  favorável ao acusado. (grifou­se)  De  outro  lado,  há  de  se  considerar  também  há  que  ser  considerada  a  impossibilidade de o Fisco sobrepor­se  às normas de direito privado, nos  termos dos artigos  109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação  com o direito privado, utilizando­se de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a  definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação  de  direito  privado.  Embora  a  legislação  tributária  possa  se  utilizar  dos  princípios  do  direito  privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado.  Analisando a matéria posta no  recurso  especial  da Contribuinte  sob a ótica  dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação  aplicável  ao  caso,  entende­se  que  assiste  razão  à Recorrente  ao manter  o  registro  das  ações  recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente.                                                               3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222.   4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223.   Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.041          39 O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de  valores caracterizou­se pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos  com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras por ações. Não há,  portanto,  de  se  falar  em  extinção  das  entidades  com  devolução  do  patrimônio  social  à  Recorrente.   A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no  art. 2033 do Código Civil  combinado com o art. 44 do mesmo diploma  legal, dispondo que  podem  ser  objeto  de  cisão,  incorporação,  transformação  e  fusão  as  entidades  elencadas  no  dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações.   Cumpre  consignar  que  à  Fiscalização  não  é  permitido  alterar  o  fato  de  ter  ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma  vez a operação ter sido aprovada em assembleia (que exerce a função de legislador dentro das  instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos  da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Registro  Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornando­se válidos e definitivos no mundo jurídico.   A  aplicação  do  art.  17  da  Lei  9532/97  pelo  Fisco  para  caracterizar  a  desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio em decorrência da  extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art.  108,  §1º  do  CTN,  conforme  antes  explicitado.  No  sentido  da  vedação  de  tributação  por  analogia,  há  precedentes  desta  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  como  por  exemplo  o  Acórdão CSRF nº 01­05.059.   Outro  argumento  que  corrobora  a  tese  defendida  pelo  Sujeito  Passivo,  é  o  fato  de  que  proferida  pela  Receita  Federal  a  Solução  de Consulta COSIT  nº  13,  no  ano  de  1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de  valores, no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano  de  2007,  a COSIT  proferiu  entendimento  contrário  ao  da  Solução  de Consulta  nº.  13/1997,  consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionando­se pela necessidade  de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de  uma  suposta  subsunção  da  situação  à  regra  do  art.  17  da Lei  9532/97. O CARF  já  proferiu  entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta  COSIT  nº  13/97  até  o  dia  30/10/2007,  data  em  que  foi  publicado  no  DOU  a  mudança  de  posicionamento.  Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.001307/2010­65  Acórdão n.º 9303­004.132  CSRF­T3  Fl. 1.042          40 A mudança  de  critério  jurídico  pela  RFB  entre  uma  solução  de  consulta  e  outra traz violação ao art. 146 do CTN.   Assim,  tendo  em  vista  que  não  houve  dissolução  das  associações  e  nem  devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para  a nova entidade, os  títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis  que  representam  o  mesmo  patrimônio,  constituindo­se  em  ativo  permanente.  Portanto,  o  faturamento  da  alienação  das  ações  se  enquadra  como  venda  de  um  investimento,  isto  é,  constitui­se em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na  incidência de PIS e  COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98.   Diante do exposto, dá­se provimento ao recurso especial da Contribuinte.   É o voto.  Vanessa Marini Cecconello      Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 28/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por DEMES BRITO

score : 1.0
6386774 #
Numero do processo: 13851.001304/2006-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de receitas por passivo não comprovado é chamada de presunção justamente porque, não sendo possível conhecer o exato momento em que a receita não oferecida à tributação foi auferida, presume-se a sua ocorrência quando se dá o registro contábil desse passivo. De outra forma, não seria possível presumir-se a omissão de receitas. Recurso Especial do Procurador Provido em parte.
Numero da decisão: 9101-002.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação à preliminar argüida pelo contribuinte de impedimento da relatora, que o despacho de admissibilidade do Presidente de Câmara (Câmara de Seção ou CSRF) não impede sua participação no julgamento na CSRF, nos termos da manifestação apresentada por ocasião da sessão, que integra o presente voto. Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade e, no mérito, dado provimento parcial, nos termos do voto da Relatora, com retorno dos autos à Turma a quo, por unanimidade de votos. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201605

camara_s : 1ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de receitas por passivo não comprovado é chamada de presunção justamente porque, não sendo possível conhecer o exato momento em que a receita não oferecida à tributação foi auferida, presume-se a sua ocorrência quando se dá o registro contábil desse passivo. De outra forma, não seria possível presumir-se a omissão de receitas. Recurso Especial do Procurador Provido em parte.

turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 13851.001304/2006-19

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5592023

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 9101-002.340

nome_arquivo_s : Decisao_13851001304200619.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO

nome_arquivo_pdf_s : 13851001304200619_5592023.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação à preliminar argüida pelo contribuinte de impedimento da relatora, que o despacho de admissibilidade do Presidente de Câmara (Câmara de Seção ou CSRF) não impede sua participação no julgamento na CSRF, nos termos da manifestação apresentada por ocasião da sessão, que integra o presente voto. Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade e, no mérito, dado provimento parcial, nos termos do voto da Relatora, com retorno dos autos à Turma a quo, por unanimidade de votos. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.

dt_sessao_tdt : Wed May 04 00:00:00 UTC 2016

id : 6386774

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:00 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423584759808

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2090; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 1.402          1 1.401  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13851.001304/2006­19  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­002.340  –  1ª Turma   Sessão de  5 de maio de 2016  Matéria  RECEITAS ­ OMISSÃO DE RECEITAS ­ PASSIVO FICTÍCIO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  MARCHESAN IMPLEMENTOS E MAQUINAS AGRICOLAS TATU S/A    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001  OMISSÃO  DE  RECEITA.  PASSIVO  FICTÍCIO.  FATO  GERADOR.  A  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  por  passivo  não  comprovado  é  chamada  de  presunção  justamente  porque,  não  sendo  possível  conhecer  o  exato  momento  em  que  a  receita  não  oferecida  à  tributação  foi  auferida,  presume­se a sua ocorrência quando se dá o registro contábil desse passivo.  De outra forma, não seria possível presumir­se a omissão de receitas.  Recurso Especial do Procurador Provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  em  relação  à  preliminar  argüida  pelo  contribuinte de impedimento da relatora, que o despacho de admissibilidade do Presidente de  Câmara  (Câmara de Seção ou CSRF) não  impede sua participação no  julgamento na CSRF,  nos  termos  da manifestação  apresentada  por  ocasião  da  sessão,  que  integra  o  presente  voto.  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  conhecido  por  unanimidade  e,  no  mérito,  dado  provimento parcial, nos termos do voto da Relatora, com retorno dos autos à Turma a quo, por  unanimidade de votos.    (Assinado digitalmente)  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  ADRIANA GOMES RÊGO ­ Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 13 04 /2 00 6- 19 Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.403          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO  PEREIRA  VALADÃO,  LUÍS  FLÁVIO  NETO,  ADRIANA  GOMES  REGO,  HELIO  EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA,  RONALDO  APELBAUM  (Suplente  Convocado),  RAFAEL  VIDAL  DE  ARAÚJO,  NATHALIA  CORREIA  POMPEU,  MARIA  TERESA  MARTINEZ  LOPEZ  e  CARLOS  ALBERTO FREITAS BARRETO.  Relatório  A FAZENDA NACIONAL  recorre  a  este Colegiado,  por meio  do Recurso  Especial  de  e­fls.  749/757,  contra  o  acórdão  de  nº  1201­00.038  (e­fls.  739/744),  que,  por  maioria  de  votos,  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  para  cancelar  a  exigência  e,  por  unanimidade, não conheceu do recurso de oficio por perda do objeto, em razão da exoneração  do  crédito  tributário  objeto  do  recurso  voluntário.  Transcreve­se  a  ementa  do  acórdão  recorrido:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001  Ementa:  OMISSÃO  DE  RECEITA.  PASSIVO  FICTÍCIO.  REGIME DE COMPETÊNCIA.  A  omissão  de  receita  decorrente  de  passivo  fictício  ou  não  comprovado  deve  ser  apurada  com  obediência  ao  regime  de  competência,  tributando­se  a  irregularidade  no  período  de  apuração em que se formalizou a operação que lhe deu origem.  O Recurso interposto tem por fundamento decisão não unânime proferida em  contrariedade à lei, com violação específica ao art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, e tem fulcro no  inciso I do art. 7º e arts. 8º e 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007.  A  recorrente  também  aponta  que  a  decisão  recorrida  diverge  da  jurisprudência do Conselho de Contribuintes, em relação à presunção de omissão de receitas,  por  passivo  não  comprovado,  que  se  caracterizaria  pelo  momento  do  registro  contábil  da  obrigação. Indicou o Acórdão nº 107­09.259, como paradigma, que tem a seguinte ementa:  Acórdão nº 107­09.259  Ementa  IRPJ/CSLL/PIS/COFINS  ­  PASSIVO  NÃO  COMPROVADO  ­  PRESUNÇÃO  LEGAL  DE  OMISSÃO  DE  RECEITAS ­ ALCANCE ­ A presunção legal trazida pelo art. 40  da Lei n° 9.430/96 não dispensa o fisco de fazer prova de que a  obrigação  constante  do  balanço  é  inexigível. Na  prova  do  fato  indiciário  não  pode  o  fisco  lançar  mão  de  presunção  simples.  Provada  a  inexigibilidade,  o  fato  deve  produzir  efeitos  tributários no período em que constituída contabilmente.  A  Fazenda  Nacional  sustenta  que:  a)  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte são inidôneos para comprovar a dívida escriturada em conta do passivo; b) o art.  40  da  Lei  nº  9.430/96  disciplina  que  se  presumem  omissos  os  rendimentos  sempre  que  o  contribuinte não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a exigibilidade do passivo  escriturado;  c)  o  valor  da dívida  em 1997  só  foi  escriturado  no  passivo  em 31/12/2001,  não  Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.404          3 sendo  possível  identificar,  antes  do  registro,  as  operações  simuladas  pelo  contribuinte;  d)  considera­se ocorrido o fato gerador a partir do momento em que o contribuinte faz o registro  contábil  da  despesa,  e,  se  assim  não  fosse,  legitimar­se­ia  a  falta  de  registro  das  operações  realizadas; e) que seja restabelecido o lançamento.  O recurso  foi admitido por meio do Despacho de e­fls. 759/760, havendo a  apresentação  de  Contrarrazões  (e­fls.  764/771),  em  que  o  contribuinte  tece  algumas  considerações acerca do recurso especial admitido: a) o lançamento não estava embasado num  fato  gerador  correspondente  com  a  operação  que  teria  ensejado  a  exigência;  b)  o  passivo  fictício  deve  estar  vinculado  a  uma  irregularidade  que  lhe  é  anterior  e  praticada  no mesmo  período de apuração, caso contrário, não se pode utilizar do instituto da presunção; c) o passivo  questionado corresponde a alienação para a empresa recorrida das cotas de capital da empresa  Sunwest Brasil Ltda, de titularidade, à época, da Sunwest International Inc.; d) a fiscalização  considerou como período do fato gerador a data de 31/12/2001, de operações correspondentes a  1997, no caso, um ajuste de mútuo; e) a omissão de receitas deve ser apurada com obediência  ao  regime  de  competência,  tributando­se  a  irregularidade  no  período  de  apuração  em  que  a  operação  foi  formalizada,  incorrendo em vício de ordem material  caso não  seja obedecido  o  aspecto temporal; e, por fim, f) que se mantenha a decisão recorrida e seja negado provimento  ao recurso especial da Fazenda.    É o relatório.  Voto             Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora  Antes de iniciar o meu voto propriamente dito, manifesto­me sobre argüição  de  impedimento  aduzida  pelo  contribuinte  por  meio  da  petição  de  fls.  1.390/1.393,  protocolizada no dia 3 de maio de 2016, com fundamento no art. 42, inciso I, do Anexo II, do  RICARF, por em razão de eu ter realizado o juízo de admissibilidade do seu recurso especial.  De acordo com o art. 44, do Anexo II, do RICARF, quando o conselheiro que  está sendo alegado de impedido não reconhece tal impedimento, deve se manifestar por escrito  as suas considerações, as quais serão objeto de deliberação pelo colegiado.  Pois bem, entendo que a interpretação do Regimento trazida pela peticionante  está equivoca, em razão dos seguintes fundamentos que passo a esclarecer, já transcrevendo o  inteiro teor do mencionado artigo:    Art. 42. O conselheiro estará  impedido de atuar no  julgamento  de recurso, em cujo processo tenha:   I  ­  atuado  como  autoridade  lançadora  ou  praticado  ato  decisório monocrático;   II ­ interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e   III  ­  como  parte,  cônjuge,  companheiro,  parente  consanguíneo  ou afim até o 3º (terceiro) grau.   § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput , considera­se  existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos  casos  em  que  o  conselheiro  representante  dos  contribuintes  Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.405          4 preste  ou  tenha  prestado  consultoria,  assessoria,  assistência  jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou  empresa  do  mesmo  grupo  econômico,  sob  qualquer  título,  no  período  compreendido  entre  o  primeiro  dia  do  fato  gerador  objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em  que for concluído o julgamento do recurso.  § 2º As vedações de que trata o § 1º  também são aplicáveis ao  caso de conselheiro que  faça parte,  como empregado,  sócio ou  prestador de s  erviço,  de  escritório  de  advocacia  que  preste  consultoria,  assessoria, assistência  jurídica ou contábil ao  interessado, bem  como atue como seu   advogado.  §  3º O conselheiro  estará  impedido  de  atuar  como  relator  em  recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha  atuado,  na  decisão  recorrida,  como  relator  ou  redator  relativamente à matéria objeto do recurso.  §  4º  O  impedimento  previsto  no  inciso  III  do  caput  aplica­se  também  aos  casos  em  que  o  conselheiro  possua  cônjuge,  companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º  (segundo)  grau  atuando  no  escritório  do  patrono  do  contribuinte,  como  sócio, empregado, colaborador ou associado.    É que o art. 42, caput e  incisos,  trata da situação em que o conselheiro está  impedido de participar de  julgamento,  independente de  ser  relator. Assim,  se se  for entender  que juízo de admissibilidade impede o conselheiro de participar do julgamento (que é a regra  do inciso I do art. 42), estaremos entendendo que o impedindo deixa de ser exceção e passa  a  ser  regra,  porque  SEMPRE  um  Presidente  de  Câmara  estará  impedido  de  participar  do  julgamento.  Ou  seja,  o  Regimento  estaria  institucionalizando  como  regra  o  impedimento.  E  mais: o Presidente do CARF, que se manifesta em inúmeros atos monocráticos, como é o caso  dos despachos de reexames de admissibilidade, estaria  impedido de votar na maior parte dos  processos.  Assim,  essa  interpretação  representa  até  uma  incoerência  lógica  com  o  próprio Decreto nº 70.235/72, art. 25:  Art.  25. O  julgamento  do  processo  de  exigência  de  tributos  ou  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal  compete: (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Redação dada pela  Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)   .........................................................................................................  § 7o As  turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais  serão  constituídas  pelo  Presidente  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais, pelo Vice­Presidente, pelos Presidentes e pelos  Vice­Presidentes  das  câmaras,  respeitada  a  paridade. (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 8o A presidência das turmas da Câmara Superior de Recursos  Fiscais  será  exercida  pelo  Presidente  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  e  a  vice­presidência,  por  conselheiro representante dos contribuintes. (Incluído pela Lei nº  11.941, de 2009)  Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.406          5 Ou  seja,  o  Regimento  Interno  estaria  criando  um  obstáculo  à  própria  constituição  da  CSRF,  disciplinada  pelo  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  estabelecendo  impedimentos para, no mínimo, um presidente de Câmara, por processo, em tese.  Assim, há de se interpretar que o ato decisório monocrático a que se refere o  inciso  I  diz  respeito  aos  despachos  decisórios  em  processos  para  os  quais  não  houve  lançamento,  como  os  de  PERD/Comp,  em  que  a Delegacia  profere  uma  decisão  (que  não  é  juízo de admissibilidade, mas sim decisão de mérito, monocrática).   Aliás,  é  por  essa  razão  que  consta  esse  referência  ao  ato  decisório  monocrático do mesmo inciso I, juntamente com a regra que trata da autoridade lançadora, haja  vista que temos duas naturezas de processo: uma que decorre de iniciativa da Administração  Tributária (como é o caso dos lançamentos de ofício) e outra, de iniciativa do sujeito passivo.  Esses processos de iniciativa do sujeito passivo somente são objeto de lides  no CARF, quando há um despacho decisório que denega o pleito do Sujeito Passivo. Daí por  que o Regimento elegeu as duas hipóteses no mesmo inciso: um ato da delegacia (da lavra da  fiscalização), quando autua, e outro, também da delegacia, quando denega.  Dessa forma, o ato monocrático de assinar um despacho de admissibilidade  de recurso especial ou de embargos de declaração não é óbice para que o Conselheiro participe  do julgamento, quer relatando, quer apenas votando.  Rejeito, portanto, a argüição e passo ao voto no tocante à admissibilidade e  mérito do recurso.  Como bem observou o despacho que analisou a admissibilidade do Recurso  Especial, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF),  aprovado  pela  Portaria MF  n°  343,  de  2015,  tampouco  no  Regimento aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, o recurso especial por contrariedade à  lei  ou  a  evidência  da  prova,  era  previsto  contra  acórdão  prolatado  em  sessão  de  julgamento  ocorrida até 30/06/2009 (pouco importando a data da formalização), e deverá, nos termos  do  atual  RICARF,  ser  processado  de  acordo  com  o  rito  previsto  no  Regimento  Interno  da  CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007 (RICSRF). Por oportuno, transcrevo o art.  4º da Portaria MF nº 256, de 2009, que expressamente fixou esta regra:  Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º e do art. 9º do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  147,  de  25  de  junho  de  2007,  interpostos  em  face  de  acórdãos  proferidos  nas  sessões  de  julgamento  ocorridas  em  data  anterior  à  vigência  do  Anexo  II  desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto  nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento.  Como  o  Recurso  é  tempestivo,  a  decisão  foi  não  unânime,  e  a  sessão  de  julgamento  é  anterior  a  30/06/2009,  verifica­se  que  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento.  Além  disso,  o  recurso  ainda  trouxe  um  paradigma  que  manifestamente  apresenta uma divergência. Assim,  ainda que não houvesse previsão  expressa no Regimento  Interno para aceitar o  recurso por contrariedade à lei ou a evidência das provas, ele deve ser  admitido, posto que trouxe, também, uma decisão divergente.  Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.407          6 Trata­se  de  lançamento  em  virtude  de  apuração  de  omissão  de  receitas  presumida a partir da existência de passivo não comprovado, apurado em 31/12/2001.  O voto proferido no acórdão recorrido entendeu que o passivo questionado,  em que pese registrado na contabilidade em 31/12/2001, teria sido formado em 1997 e, nessas  condições, deveria ter sido tributado no ano de 1997.  Devo salientar que, de acordo com o relato da auditoria, a fiscalização  teve  por  escopo  a  comprovação  de:  (i)  operação  de  mútuo  pretensamente  realizada  entre  a  contribuinte e a Sunwest International INc e, (ii) operação de dívida pretensamente contratada  entre  a  contribuinte  e a Sunwest  International  INc.  . Essas operações  foram  contabilizadas  a  débito do Ativo Realizável a Longo Prazo e a Crédito do Passivo Exigível a Longo Prazo,  no ano­calendário de 2001, no valor de R$ 35.972.880,43.  Da  leitura  do  Relatório  da  Ação  Fiscal  às  fls.  25  e  ss  do  volume  1  digitalizado, nota­se a existência de 2 (duas) versões para os mesmos fatos.  A primeira versão é aquela encontrada nos registros contábeis ­ "versão 1". A  segunda  versão  foi  dada  pela  contribuinte  nas  justificativas  apresentadas  à  fiscalização  ­  "versão 2".   De  se  observar  que  por  um  certo  período,  o  procedimento  fiscal  foi  conturbado porque a contribuinte se recusava a atender às solicitações da auditoria e apresentar  documentos, alegando que esses elementos já teriam sido apresentados em procedimento fiscal  anterior. Levou um tempo até a empresa, por insistência do agente fiscal, se dar conta de que o  que estava sendo requisitado não fora solicitado em procedimento anterior.  Ressalto,  ainda,  que  os  elementos  analisados  pelo  agente  fiscal  envolvem  inúmeros  contratos,  aditivos  e  outros  documentos,  todos  em  língua  estrangeira,  que  foram  traduzidos e anexados, junto das originais, ao anexo constante dos autos.  A auditoria fiscal cotejou, assim, a escrituração contábil da empresa com os  documentos  por  ela  apresentados  e  também  com  suas  justificativas  e  detectou  diversas  inconsistências, que foram exaustivamente elencadas no Relatório da Ação Fiscal.  Por muito  bem  sintetizar  todas  as  operações  que  envolveram  o  lançamento  ora  analisado,  adoto  trechos  do  relatório  consignado  no  acórdão  recorrido  para  detalhar  os  fatos.  Num  histórico  das  operações  questionadas  pela  autoridade  lançadora tem­se, em ordem cronológica:   Remessa  de  valores  para  o  exterior  no  período  compreendido  entre 19/09/1994 e 12/02/1996, que teriam sido depositados em  contas da fiscalizada no Banco Inter­Atlântico e no Credibanco,  agências de Grand Cayman, no total de US$ 13.586.616,67;  Esse  valor,  devidamente  aplicado,  correspondia  a  US$  15.503.421,52  em  1997,  e  foi  utilizado  para  subscrição  de  capital na empresa Sunwest International Inc. em duas etapas: a  primeira  em  17/04/1997  no  valor  de  US$  8.520.904,35,  representando  2.748  ações,  e  a  segunda,  em  17/07/1997,  no  Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.408          7 valor  de  US$  6.982.517,17;  representando  2.252  ações,  conforme Certificados;  Conforme data de  registro na  Junta Comercial,  em 13/06/1997  (data do contrato social: 18/03/1997) foi constituída a empresa  Sunwest Brasil Ltda. com capital de R$ 8.000.000,00 dividido em  8.000.000  de  cotas  de  R$  1,00;  na  qual  a  empresa  Sunwest  International  Inc  tinha 7.999.998  cotas,  tendo  integralizado R$  998,00 naquele momento;  Em  01/07/1997  e  17/07/1997  a  Sunwest  International  efetuou  remessas  ao  Brasil  nos  valores  de  US$  8.520.038,47  (R$  9.171.821,41)  e  US$  6.982.517,17  (R$  7.542.515,95),  respectivamente,  utilizados  para  integralização  do  restante  das  cotas subscritas na constituição da empresa Sunwest Brasil Ltda.  (R$ 7.999.000,00) e para aumento do capital dessa empresa (R$  8.715.334,00)  que  passou  para  R$  16.714.338,00,  conforme  1ª  alteração contratual;  Em 27/10/1997, a empresa Sunwest  International recomprou as  ações mencionadas no item 2 supra. O pagamento ocorreu pela  formalização  de  um  contrato  de  mútuo  com  a  fiscalizada  no  valor total das ações, ou seja US$ 15.503.421,52; a serem pagos  até 31/12/2001;  Em 28/10/1997, na 2ª alteração contratual da empresa Sunwest  Brasil  Ltda.,  a  empresa  Sunwest  International  retirou­se  da  sociedade  e  cedeu  suas  cotas  para  a  fiscalizada  mediante  instrumento  particular  de  confissão  de  divida,  com  vencimento  em 31/12/2001, pelo valor de US$ 15.803.580,69 (equivalente a  R$ 17.485.081,68);  Nessa mesma alteração contratual  ficou decidida a  redução de  capital  da  empresa  Sunwest  Brasil  Ltda.,  implicando  no  recebimento,  pela  fiscalizada,  do  valor  correspondente  à  sua  participação (R$ 17.485.081,68);  Em  30/12/2001  foram  celebrados  aditamentos  ao  contrato  de  mútuo  e  ao  instrumento  particular  de  confissão  de  dívida,  através  dos  quais  foram  igualados  os  valores  desses  contratos  para US$ 15.502.879,00 correspondente a R$ 35.972.880,43.    Vejamos,  então, o que  a  auditoria  fiscal  encontrou na versão  "1"  ­  ou  seja,  nos registros contábeis da empresa, conforme extraído do relatório da atividade fiscal (fls. 32  e ss do volume 1 digitalizado).  1.1  VERSÃO 1 ­ LANÇAMENTOS CONTÁBEIS  ­  entre  19/09/1994  a  12/02/1996,  por  meio  de  nove  Transferências  Internacionais  de  Reais  (ANEXO  ÚNICO,  fls.  05  a  13),  a  empresa  MARCHESAN  enviou  RS  12.970.060,76  ao  exterior,  registrados  no  BACEN, destinados ao Banco Inter­atlântico e ao Banco Credibanco, ambos  situados  nas  Ilhas Cayman,  sob  a  rubrica  "Capital Brasileiro Curto  Prazo  ­  Disponibilidades no Exterior. Em 17/07/97 o saldo nessas contas constantes  do razão era de: (i) R$ 7.404.959,45 no Inter­atlântico e (ii) R$ 9.035.500,78,  no Credibanco.  Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.409          8 ­  esses  saldos  foram  resgatados  em  04/1997  e  07/1997  e  utilizados  na  aquisição de participação societária na Sunwest  International  Inc, com sede  nas Bahamas. O saldo da conta desse  investimento, em 10/1997, era de R$  16.440.460,23.  ­  nos  lançamentos  contábeis  restou  refletida  a  alienação  da  participação  societária  junto  à  empresa SUNWEST pelo valor de R$ 17.485.081,68  (R$  9.562.045,37  + R$  7.923.036,31). Ainda,  o  custo  de  aquisição  seria  de R$  16.440.460,23 e o correspondente ganho de capital seria de R$ 1.044.621,45.  Estão  juntadas  às  (ANEXO ÚNICO,  fls.  149  a  152),  cópias  de  folhas  do  Diário Geral da empresa MARCHESAN nas quais estão consignados os  lançamentos contábeis mencionados.  1.2  VERSÃO 2. JUSTIFICATIVAS DA CONTRIBUINTE  1.2.1  MÚTUO (contabilizado no Ativo Realizável a Longo Prazo)    Mútuo registrado contabilmente, da seguinte forma:    Mutuante:    Marchesan  Mutuária:    Sunwest  Data:    28/10/1997  Valor:    US$ 15.503.421,52    ­  de  acordo  com  suas  justificativas  a  contribuinte  ­  MARCHESAN  teria  contratado  mútuo  com  a  SUNWEST  INC,  em  28/10/1997.  A  mutuária  ­  SUNWEST INC ­ ficaria devendo à mutuante ­ MARCHESAN ­ o montante  de US$ 15.503.421,52, a serem pagos até 31/12/2001, com juros de 5,15%  a.a,  segundo a justificativa de que os sócios da empresa SUNWEST  teriam  resolvido recomprar os Certificados de Ação n° 2 e 3, de 2.748 e 2.252 ações,  respectivamente, que seriam de propriedade da empresa MARCHESAN.  ­  esse  contrato  de  mútuo  teria  recebido  um  aditamento,  em  31/12/2001,  prorrogando o vencimento do mútuo para 30/12/2009, mas, sem explicações,  o valor teria sido reduzido, no aditamento, para US$ 15.502.879,00 (ANEXO  ÚNICO, fl. 49).  1.2.2  DÍVIDA (contabilizada no Passivo Exigível a Longo Prazo)    Dívida registrada contabilmente, da seguinte forma:    Credora:    Sunwest  Devedora:    Marchesan  Data:    28/10/1997  Valor:    US$ 15.803.580,69    ­  os  diretores  da  empresa MARCHESAN  (José Alberto Marchesan,  e  João  Carlos  Marchesan,  e  a  empresa  estrangeira  SUNWEST,  em  13/06/1997,  constituíram  a  empresa  brasileira  SUNWEST  BRASIL  LTDA  ­  CNPJ  01.896.787/0001­84.  Inicialmente,  o  Capital  Social  subscrito  foi  de  R$  8.000.000,00,  mas,  até  28/07/1997,  somente  R$  1.000,00  teriam  sido  integralizados conforme cópia da 1ª alteração contratual (fls. 690). Os sócios  José Alberto e João Carlos também eram representantes legais da SUNWEST  INC, no Brasil.  Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.410          9   ­  conforme  cópia  da  1ª  alteração  contratual  protocolada  na  JUCESP  em  06/08/1997  (fls.  690  a  691),  o  Capital  Social  da  empresa  SUNWEST  BRASIL foi alterado para R$ 16.714.338,00, cujas participações passaram a  ser as seguintes:    Quotista    Número quotas    Valor  Sunwest Inc  16.714.334      R$ 16.714.334,00  José Alberto  2        R$ 2,00  João Carlos   2        R$ 2,00  Total    16.714.338      R$ 16.714.338,00    conforme  cópia  da  2ª  alteração  contratual  protocolada  na  JUCESP  em  04/06/1998  (fls.  693  a  696)  a  empresa  SUNWEST  se  retirou  da  sociedade  SUNWEST  BRASIL e cedeu e  transferiu  a  totalidade de  suas cotas  (equivalentes a R$ 16.744.334,00) à  empresa MARCHESAN. Assim, os quotistas da empresa SUNWEST BRASIL passaram a ser:    Quotista    Número quotas    Valor  Marchesan   16.714.334      R$ 16.714.334,00  José Alberto  2        R$ 2,00  João Carlos   2        R$ 2,00  Total    16.714.338      R$ 16.714.338,00    ­ em razão da operação acima as empresas MARCHESAN e SUNWEST INC  firmaram  contrato  de  confissão  de  dívida,  pelo  qual  a  MARCHESAN  reconheceria  uma  dívida  de  R$  17.485.081,68,  equivalentes  a  US$  15.803.580,69, a favor da SUNWEST INC, com vencimento em 31/12/2001  e juros de 5,15% a.a.  ­  esse  contrato  de  confissão  de  dívida  teria  recebido  um  aditamento,  em  31/12/2001, prorrogando o vencimento da dívida para 30/12/2009 mas, sem  explicações,  o  valor  teria  sido  reduzido,  no  aditamento,  para  US$  15.502.879,00, recebendo, assim, uma redução de US$ 300.701,69, pois não  constou quitação de qualquer parcela.    1.2.3  ORIGEM  DO  VALOR  DE  R$  17.485.081,68  DEPOSITADOS  NA  CONTA  DA  MARCHESAN JUNTO AO BANCO BRADESCO  ­  em  28/10/1997,  foram  depositados  os  valores  de  R$  9.562.045,37  e  R$  7.923.036,31  (totalizando R$  17.485.081,68)  na  conta  bancária  da  empresa  MARCHESAN no Banco Bradesco.  ­ segundo a MARCHESAN, tais recursos seriam provenientes da redução do  capital social junto à empresa SUNWEST BRASIL ao invés da alienação da  participação na empresa SUNWEST, conforme contabilizado em 28/10/1997  (ANEXO ÚNICO, fls. 97 a 100).  ­ conforme versão da empresa MARCHESAN, já relatada a SUNWEST teria  transferido para a empresa fiscalizada a totalidade de suas quotas (16.714.334  quotas) junto à empresa SUNWEST BRASIL, resultando no seguinte quadro  societário:  Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.411          10   Quotista    Número quotas    Valor  Marchesan   16.714.334      R$ 16.714.334,00  José Alberto  2        R$ 2,00  João Carlos   2        R$ 2,00  Total    16.714.338      R$ 16.714.338,00    ­  conforme a cláusula 3ª  da 2ª alteração contratual protocolada na  JUCESP  em 04/06/1998 (fls. 694), o Capital Social da empresa SUNWEST BRASIL  foi reduzido para R$ 100,00, cujas participações passaram a ser as seguintes:    Quotista    Número quotas    Valor  Marchesan   98        R$ 98,00  José Alberto  1        R$ 1,00  João Carlos   1        R$ 1,00  Total    100        R$ 100,00    ­  a  redução  de  capital  teria  originado  o  montante  de  R$  17.485.081,68  depositados em conta bancária da empresa MARCHESAN.    1.3  INCONSISTÊNCIAS  NA  VERSÃO  DA  CONTRIBUINTE  APONTADAS  PELA  FISCALIZAÇÃO  Ao analisar os registros contábeis acompanhados dos documentos que dariam  suporte  à  escrituração  da  empresa  (VERSÃO  1),  a  auditoria  fiscal  passou  a  solicitar  que  a  contribuinte esclarecesse determinados lançamentos. Foi, então, que a contribuinte passou a  informar que os lançamentos contábeis teriam sido feitos equivocadamente ou com erros.  E passou a dizer que os registros não retratavam, exatamente, o que havia acontecido.  Com  base  nas  respostas  apresentadas  pela  contribuinte,  em  cotejo  com  a  escrituração  e  elementos que  a  embasaram,  a  fiscalização detectou  inúmeras  inconsistências,  que se encontram, como dito, relacionadas no Relatório da Ação Fiscal.  A  partir  do  item  4.3  do Relatório  da Ação  Fiscal,  à  fl.  38  até  a  fl.  65,  do  volume  1  digitalizado,  a  auditoria,  de  forma  minuciosa  e  exaustiva,  demonstra  as  inconsistências entre a versão dos fatos dada pela contribuinte e os documentos e lançamentos  contábeis constantes de sua escrituração fiscal, descrevendo:  i)  quais  lançamentos  contábeis  deveriam  ter  sido  feitos,  acaso  fosse  verdadeira  a  versão  da  contribuinte  a  respeito  do  mútuo  e  do  contrato  de  confissão de dívida; e neste aspecto, ressalta que em nenhum momento desde  28/10/1997  até  31/12/2001  a  então  fiscalizada  reconheceu  em  sua  contabilidade  juros  ativos  ou  passivos,  e  nem  variações  cambiais  ativas  e  passivas  (saliento  que  a  contribuinte  apresentou,  para  justificar  a  sua  versão, um contrato de mútuo que previa juros à taxa de 5,15% a.a.);.  ii)  que  também  não  foram  desfeitos  os  lançamentos  contábeis  relativos  ao  ganho  de  capital  (já  que  a  contribuinte  alegava  erro,  deveria  ter  procedido  aos  estornos),  e  salienta  a  Fiscalização  que mesmo  após  2001,  mais precisamente em 31/12/2004, o saldo as contas do Ativo e do Passivo  Exigível a Longo Prazo ainda era os R$ 35.972.880,43.  Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.412          11 iii) que não foram comprovadas, também, as transferências de recursos para  aquisição das ações da Sunwest, pois essas tinham como Grand CAYMAN;  ocorrque  a  emprese  SUNWEST  tinha  sede  em  NASSAU,  BAHAMAS,  porém a Fiscalizada não demonstrou a  remessa de recursos para NASSAU,  pois  o  que  trouxe  foram  cartas  de  abril  de  julho  de  1997  (destaco  que  os  repasses foram até 1996), que teriam sido enviadas para um corretor de bolsa  no Uruguai, para que este transferisse valores para a conta que a SUNWEST  possuía junta a este corretor (às fls. 57/58 dos autos a Fiscalização ainda traz  outras considerações que a respeito dessas cartas);  iv) que os  instrumentos particulares de mútuo e dívida apresentavam vários  vícios em termos de autenticações que teriam sido efetuadas pelo cartório do  Panamá (item 4.3.3 do Relatório), chamando a atenção, inclusive, para o fato  de que as assinaturas das testemunhas constantes no carimbo de autenticação  de 1997 eram exatamente as mesmas e nas mesmas posições dos documentos  que foram autenticados em 2001 e que o carimbo aposto 4 anos depois estava  sem qualquer sinal de desgaste em relação ao que tinha sido aposto em 1997,  enquanto que outros documentos também relativos aos dois períodos, tiveram  sistemáticas  de  autenticações  completamente  diferentes  se  comparadas  às  duas versões.  A partir desse conjunto de informações que se encontram melhor detalhadas  no  próprio  Relatório  Fiscal,  a  Fiscalização  concluiu  que  as  operações  que  envolveram  o  mútuo e o contrato de confissão de dívida foram, em verdade, simuladas. A seguir, passo a  transcrever o resumo das inconsistências apuradas pela auditoria:    5 OPERAÇÕES SIMULADAS  (...)  Entretanto,  conforme  demonstrado  no  ITEM 4, NÃO FORAM  COMPROVADOS  nem  o  MÚTUO  nem  a  DÍVIDA  entre  as  empresas MARCHESAN e SUNWEST. Os fatos apresentados na  versão  da  empresa  MARCHESAN  (aquisição  de  participação  societária  na  empresa  SUNWEST;  alienação  da  participação  societária  na  empresa  SUNWEST  com  a  constituição  de  um  MÚTUO  e  aquisição  de  participação  societária  em  empresa  brasileira  com  a  constituição  de  uma  DÍVIDA)  não  foram  comprovados,  pois  os  documentos  apresentados  continham  vícios  e  os  lançamentos  contábeis  efetuados  pela  empresa  fiscalizada NÃO corroboravam a versão apresentada.    Sinteticamente,  os  motivos  que  implicaram  na  falta  de  comprovação  do  MÚTUO  e  da  DIVIDA,  ambos  envolvendo  as  empresas  MARCHESAN  e  SUNWEST,  encontram­se relacionados a seguir:  a) NÃO FICOU comprovada  a  efetiva  aquisição  de  ações  da  empresa SUNWEST  pela empresa fiscalizada, visto que NÃO SE COMPROVOU a efetiva troca da titularidade  dos recursos desta para aquela;  b) a contabilização efetuada, em 28/10/1997, NÃO CORROBORA A EXISTÊNCIA  de contrato de MUTUO e/ou DIVIDA naquela data;  Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.413          12 c) o  lançamento contábil efetuado em 31/12/2001, correspondente ao MÚTUO e à  DÍVIDA  junto  à  empresa  SUNWEST,  contém  diversas  inconsistências.  Além  disso,  contrariam  disposições  legais  previstas  na  legislação  societária  (Lei  das  S/A)  e  na  legislação tributária federal;  d) o valor do MÚTUO, em 31/12/2001, NUNCA PODERIA SER IGUAL ao valor  da DÍVIDA  na mesma  data,  visto  que  o  valor  do MÚTUO  seria  de US$  15.503.421,52  enquanto que o valor da DÍVIDA seria de US$ 15.803.580,69. Não foi apresentado, ainda,  qualquer  documento  que  comprovasse  ter  havido  a  quitação  ou  a  remissão  parcial  do  MÚTUO ou da DIVIDA;  e)  divergência  entre  o  valor  que  MARCHESAN  poderia  ter  recebido  a  título  de  devolução de capital social na empresa SUNWEST BRASIL e aquele depositado em conta  bancária  da  primeira.  A  empresa  MARCHESAN  transferiu  todos  os  recursos  disponíveis da empresa SUNWEST BRASIL em instituições financeiras, deixando de  reservar  os  valores  para  o  pagamento  dos  tributos  federais  (IRPJ,  CSLL  e  CPMF)  de  responsabilidade da última;  f)  os  instrumentos particulares apresentados  pela  empresa MARCHESAN  (junto  fiscalização anterior) contem diversos vícios que os inutilizam como instrumentos hábeis e  idôneos para a comprovação das operações correspondentes.  Os  instrumentos apresentados pela empresa MARCHESAN e o  lançamento  contábil  efetuado  em  31/12/2001  (conforme  discriminado  no  ITEM  2),  embora  tentassem  justificar a origem dos R$ 17.485.081,68 (R$ 9.562.045,37 e R$ 7.923.036,31) depositados  em  sua  conta  bancária  64­7  (agência  0532­0,  Banco  Bradesco  S/A)  em  28/10/1997,  e  embora  tentassem  comprovar  a  exigibilidade  dos  R$  35.972.880,43  contabilizados,  em  31/12/2001,  na  conta  "2201023.4  ­  SUNWEST  INTERNATIONAL  INC"  demonstram,  na  realidade, a existência de OPERAÇÕES SIMULADAS, quais sejam:  1º)  subscrição  e  integralização  de  ações  da  empresa  SUNWEST  que  teriam  sido  efetuadas pela empresa MARCHESAN no ano­calendário de 1997;  2°) MÚTUO que a empresa MARCHESAN teria concedido à empresa SUNWEST  quando da alienação das ações desta;  3°) DÍVIDA que teria sido contraída pela empresa MARCHESAN junto à empresa  SUNWEST pela aquisição de participação societária de SUNWEST BRASIL;  4°) REPACTUAÇÃO do contrato de MÚTUO que teria ocorrido em 30/12/2001;  5°) REPACTUAÇÃO do contrato de DÍVIDA que teria ocorrido em 30/12/2001;  6') REDUÇÃO DO CAPITAL SOCIAL da empresa SUNWEST BRASIL para que  os  recursos  desta,  em  instituições  financeiras,  pudessem  ser  transferidos  para  a  empresa  MARCHESAN.  Em  resumo,  a  Fiscalização  entendeu  que  os  documentos  apresentados  para  atestar as operações antes mencionadas não seriam hábeis e  idôneos para esse  fim. Não  teria  ficado devidamente demonstrado o  fluxo  financeiro descrito no  item 2 do Relatório da Ação  Fiscal  e  os  contratos  e  demais  documentos  referentes  ao  mútuo  e  à  confissão  de  dívida  conteriam  indícios  de  fraude  em  sua  elaboração.  Além  disso,  repisando:  a  empresa  não  reconheceu as variações monetárias e cambias decorrentes dos contratos.  Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.414          13 Como  a  empresa  MARCHESAN  não  logrou  comprovar,  por  meio  de  documentação  hábil  e  idônea  a  existência,  em  31/12/2001,  da  dívida  no  valor  de  R$  35.972.880,43,  a  Fiscalização  a  autuou  por  Passivo  Fictício,  com  fundamento  no  art.  281,  inciso III do RIR/99.  Rendo minhas homenagens à tese deduzida no acórdão recorrido. Com efeito,  a manutenção na contabilidade de obrigação  já paga, ou que o sujeito passivo não comprove  sua  exigibilidade,  implica  que  os  recursos  utilizados  no  pagamento  ou  na  assunção  da  obrigação foram auferidos em momento anterior. Assim se dá porque, para essa presunção, não  se pode falar em recursos provenientes de receita omitida no futuro, mas, sim, no passado.  Contudo,  a  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  por  passivo  não  comprovado é chamada de presunção justamente porque, como não é possível conhecer o exato  momento em que a receita não oferecida à tributação foi auferida, presume­se a sua ocorrência  ­  omissão  de  receitas  ­  quando  se  dá  o  registro  contábil  de  fato  que  objetive  atribuir,  a  ela  (receita), origem. De outra forma, não seria possível presumir­se a omissão de receitas.  Como se sabe, o ilícito tributário deve ser sempre provado. Se não há prova,  não há ilícito. Mas essa prova pode ser dar de forma direta ou indireta. As provas diretas são as  que representam, de forma imediata, a ocorrência do fato de implicações jurídicas, seu objeto.  Já, a prova indireta representa a ocorrência de fatos secundários ou indiciários, dos quais virá a  implicação legal da existência ou inexistência do fato principal. Assim, a prova indireta ocorre  quando  se  referir  a  um  fato  indiciário,  diverso  do  fato  típico,  que  será  considerado  como  juridicamente existente, em virtude da relação de inferência lógica, do raciocínio dedutivo.   No caso das presunções legais, o fato indiciário é o fato a ser objetivamente  provado,  enquanto  que  o  fato  indiciado  será  provado  apenas  pela  inferência  lógica,  acima  mencionada, do raciocínio dedutivo.  É  o  que  ocorre  com  a  presunção  de  omissão  de  receitas  caracterizada  por  passivo  não  comprovado.  O  fato  indiciário  provado  nos  autos  é  o  registro  do  passivo  na  escrituração contábil. Somente a partir desse fato e, unicamente por conta dele, é que é possível  inferir  (raciocínio  lógico)  que  houve  obtenção  de  receitas  não  oferecidas  à  tributação  em  momento anterior.   Portanto, antes do  registro contábil  efetuado em 31/12/2001, não havia  fato  indiciário,  e,  conseqüentemente,  não  havia  fato  indiciado,  ou  seja,  não  havia  como  provar  a  ocorrência do fato gerador da omissão de receitas presumida.  Curvo­me, assim, à tese no sentido de que, na hipótese de presunção legal de  omissão  de  receitas  caracterizada  por  passivo  não  comprovado,  considera­se  ocorrido  o  fato  gerador  quando  o  contribuinte  faz  o  registro  contábil  da  despesa,  implicando,  assim,  no  presente caso, a ocorrência do fato gerador em 31/12/2001.  Mas alerto que todo o raciocínio do acórdão recorrido foi de que “o passivo  questionado  tem  origem  na  alienação,  para  a  recorrente  das  cotas  de  capital  da  empresa  Sunwest  Brasil  Ltda”,  e  entendeu  que  a  Fiscalização  deixou  claro  que  “a  formalização  do  passivo em 1997, conforme lançamento ‘d’, a fl. 74” .  Ocorre  que  essa  folha  74  corresponde  aos  lançamentos  contábeis  que  a  Fiscalização procurou demonstrar que teriam que ter sido feitos pela contribuinte, acaso a sua  versão  fosse verdadeira.  Isso não quer dizer que  a Fiscalização validou as operações  como  tendo ocorrido em 1997. Muito pelo contrário, ela disse que havia simulações e as operações  não estavam comprovadas.   Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001304/2006­19  Acórdão n.º 9101­002.340  CSRF­T1  Fl. 1.415          14 Assim,  em  que  pese  estar  correto  o  raciocínio  defendido  pelo  relator  do  acórdão recorrido a respeito, em tese, do que caracteriza um passivo fictício e o porquê dessa  construção legal, ele partiu de uma premissa equivocada de que os fatos teriam ocorridos em  1997, e que portanto, teria havido erro no aspecto temporal do fato gerador.  Como constato que o contribuinte não logrou comprovar com documentação  hábil e idônea o passivo questionado pela Fiscalização, entendo que está correto o lançamento  em 2001, de passivo não comprovado.  Contudo,  observo  que,  em  que  pese  a  Procuradoria  pedir  pelo  restabelecimento do lançamento, o fato é que turma a quo, muito embora tenha reconhecido ter  havido  simulação,  não  analisou  a  multa  qualificada,  e  nem  o  recurso  de  ofício  que  dizia  respeito ao agravamento da multa, haja vista que exonerou a  totalidade do crédito  tributário.  Assim,  faz­se  necessário  devolver  os  autos  à  turma  ordinária  para  que  se  pronuncie  sobre  a  multa qualificada e sobre o recurso de ofício que deixou de ser apreciado.  Em  face  ao  exposto,  voto  no  sentido  rejeitar  a  preliminar  de  impedimento  suscitada,  de  conhecer  do  Recurso  Especial  interposto  pela  PFN  e,  no  mérito,  dou­lhe  provimento parcial, para restabelecer o lançamento dos tributos lançados, porém devolvendo­se  os autos à Câmara a quo para apreciação do recurso de ofício e da multa qualificada.    (Assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo                                Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

score : 1.0
6448949 #
Numero do processo: 19396.720002/2011-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 15/05/2007, 31/07/2007, 18/09/2007, 09/10/2007, 05/11/2007, 28/10/2009 REPETRO. MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. PRODUTO USADO. OBRIGATORIEDADE. O dano ao erário não se restringe somente a falta de pagamento dos tributos devidos, mas também a falta da prestação das informações necessárias ao perfeito controle aduaneiro. RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO.
Numero da decisão: 9303-003.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201605

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 15/05/2007, 31/07/2007, 18/09/2007, 09/10/2007, 05/11/2007, 28/10/2009 REPETRO. MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. PRODUTO USADO. OBRIGATORIEDADE. O dano ao erário não se restringe somente a falta de pagamento dos tributos devidos, mas também a falta da prestação das informações necessárias ao perfeito controle aduaneiro. RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 19396.720002/2011-10

anomes_publicacao_s : 201607

conteudo_id_s : 5613442

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 9303-003.869

nome_arquivo_s : Decisao_19396720002201110.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS

nome_arquivo_pdf_s : 19396720002201110_5613442.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.

dt_sessao_tdt : Wed May 18 00:00:00 UTC 2016

id : 6448949

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:41 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423604682752

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 713          1 712  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  19396.720002/2011­10  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­003.869  –  3ª Turma   Sessão de  18 de maio de 2016  Matéria  Repetro ­ multa por falta de informação  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO LTDA    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data  do  fato  gerador:  15/05/2007,  31/07/2007,  18/09/2007,  09/10/2007,  05/11/2007, 28/10/2009  REPETRO.  MULTA  POR  OMISSÃO  DE  INFORMAÇÃO.  PRODUTO  USADO. OBRIGATORIEDADE.  O dano ao erário não se restringe somente a falta de pagamento dos tributos  devidos,  mas  também  a  falta  da  prestação  das  informações  necessárias  ao  perfeito controle aduaneiro.  RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso  especial.  Vencidas  as  Conselheiras  Tatiana  Midori  Migiyama,  Érika  Costa  Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam  provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentou declaração de voto.  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 02 /2 01 1- 10 Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.      Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência,  tempestivo,  interposto  pela  Fazenda  Nacional  ao  amparo  do  art.  67,  Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de  junho de 2009, em face do Acórdão nº 3302­002.052, que possui a seguinte ementa:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS   Data  do  fato  gerador:  15/05/2007,  31/07/2007,  18/09/2007,  09/10/2007, 05/11/2007, 28/10/2009   REPETRO.  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA.  INFRAÇÃO  ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE  IMPORTAÇÃO.  SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE.   As  operações  de  importação  submetidas  ao  regime  aduaneiro  especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária  para utilização econômica não se enquadram como importações  “desembaraçadas  no  regime  comum  de  importação”.  A  caracterização  da  infração  depende  da  subsunção  dos  fatos  à  norma  legal,  sem  o  que  é  impossibilitada  a  aplicação  de  penalidade.   REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE  INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE.   O  inciso  III,  do  artigo  711,  do  Regulamento  Aduaneiro  determina multa para aquele que deixar de fornecer informações  necessárias  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro  apropriado.  No  caso  de  bens  usados,  o  controle  aduaneiro  apropriado  é  a  emissão  prévia  de  LI,  assim,  para  a  importação de bens usados é necessário informar a condição de  “usado”  do  bem.  Todavia,  in  casu,  concluiu­se  que  a  importação, ao  fim,  não  estava  sujeita  à  prévia  emissão  de LI.  Desnecessária  a  prévia  LI,  desnecessária  a  informação  de  “usada” para o procedimento aduaneiro.   [...]  A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do afastamento  da incidência da multa decorrente da falta de informação, sob o argumento de que, se incabível  a  licença  de  importação,  no  âmbito  do  Repetro,  não  haveria  como  se  correlacionar  tais  informações.  Para  comprovar  o  dissenso  foi  colacionado,  como  paradigma  no  recurso,  o  Acórdão nº 3401­002.059, que tem a seguinte ementa:  Assunto: Regimes Aduaneiros   Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 19396.720002/2011­10  Acórdão n.º 9303­003.869  CSRF­T3  Fl. 714          3 Data do fato gerador: 25/04/2007   REPETRO.  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA.  INFRAÇÃO  ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.  SUBSUNÇÃO  DOS  FATOS  À  NORMA.  PENALIDADE.  As  operações  de  importação  submetidas  ao  regime  especial  de  admissão  temporária,  incluído  a  modalidade  Repetro,  não  se  enquadram  como  importações  "desembaraçadas  no  regime  comum  de  importação".  A  caracterização  da  infração  impõe  a  rígida subsunção dos fatos. A norma legal aplicável, sem o que  resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária.  REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE  INFORMAÇÃO.  A  multa  aplica­se  ao  beneficiário  de  regime  aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta  informação  de  natureza  administrativo  tributária,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro  apropriado.  As  informações  relacionadas  à  “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de  “material  usado”,  devem  ser  informadas  pelo  beneficiário  do  regime  na  respectiva  declaração  de  importação,  conforme  estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal  do Brasil.    Dado seguimento ao  recurso especial,  a  recorrida oferece contrarrazões, em  que aponta a correção do afastamento da multa discutida, pelos motivos do decisum e outros  que apresenta, além de trazer jurisprudência administrativa maciça a seu favor. Ao final, requer  desprovimento do recurso especial manejado pela Fazenda Nacional.  É o relatório      Voto             O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido.  Em  primeiro  plano,  cumpre  registrar  que  a  divergência  entre  o  acórdão  recorrido  e o paradigma apontado está  cabalmente  evidenciada,  na medida  em que  a mesma  matéria ­ multa por falta ou omissão de informação no âmbito do Repetro1 ­ foi discutida em  ambos  os  contenciosos  administrativos  e  as  soluções  dadas  pelos  colegiados  deste  segundo  grau são totalmente opostas.   Como  a matéria  é  bastante  específica  e  não  tive  oportunidade de  encontrar  precedentes  nesta  esfera  (Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais)  ou  no  campo  do  Judiciário,                                                              1 regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra  das jazidas de petróleo e gás natural.   Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO     4 impõe­se mostrar ao máximo as duas teses em confronto. A decisão recorrida assim embasa a  exoneração da multa:  No  que  se  refere  ao  Recurso  Voluntário  discute­se  acerca  da  aplicação da “multa de não prestação de informação necessária  ao controle aduaneiro”, lastreada no § 1°, do artigo 69, da Lei  n° 10.833/03.  Assim como relatado, neste ponto a discussão alcança o fato de  o  importador (contribuinte Maré Alta)  ter deixado de informar,  na Declaração de Importação, que o bem importado era usado.  A  contribuinte  alega  em  seu  favor  que  não  houve  prejuízo  ao  Fisco e que na DI indicou a data da fabricação da mercadoria, o  que supriria a mencionada deficiência.  Em sede de recurso voluntário, a contribuinte ainda alegou pela  impossibilidade de manutenção da infração em vista da conexão  lógica com a obrigação principal – apresentação de LI – que foi  cancelada.  Ao  analisar  esta  questão,  a  decisão  recorrida  entendeu  que  a  indicação  da  característica  de  “usada”  do  bem  é  de  responsabilidade  objetiva,  e  que  o  dado  omitido  pretende  informar  a  fiscalização  para  que  seja  possível  submeter  as  mercadorias ao procedimento adequado de desembaraço. Ainda,  registra  a  decisão  que  havia  um  campo  específico  na DI  para  esta informação.  A multa lançada encontra supedâneo no inciso III do artigo 711  do  Regulamento  Aduaneiro  RA,  o  qual  da  seguinte  forma  determina:  “Art.  711.  Aplica­se  a  multa  de  um  por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria  (Medida  Provisória  no  2.15835,  de  2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1º):  I  ­  classificada  incorretamente  na  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  nas  nomenclaturas  complementares  ou  em  outros  detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria;   II ­ quantificada incorretamente na unidade de medida estatística  estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou   III  ­  quando  o  importador  ou  beneficiário  de  regime  aduaneiro  omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de  natureza  administrativo­tributária,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro apropriado.  §  1º  As  informações  referidas  no  inciso  III  do  caput,  sem  prejuízo  de  outras  que  venham  a  ser  estabelecidas  em  ato  normativo  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei  no 10.833, de 2003, art. 69, §2º):  I ­ identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na  transação:  importador  ou  exportador;  adquirente  (comprador)ou  fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda  e representante comercial;   Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 19396.720002/2011­10  Acórdão n.º 9303­003.869  CSRF­T3  Fl. 715          5 II  ­  destinação  da  mercadoria  importada:  industrialização  ou  consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade;   III  ­  descrição  completa  da mercadoria:  todas  as  características  necessárias  à  classificação  fiscal,  espécie,  marca  comercial,  modelo,  nome  comercial  ou  científico  e  outros  atributos  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  que  confiram sua identidade comercial;   IV ­ países de origem, de procedência e de aquisição; e   V ­ portos de embarque e de desembarque.  (...)”  Parece­me  estar  com  razão  a  Recorrente.  É  que  o  inciso  III  acima citado trata das informações necessárias à determinação  do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de  bens  usados,  o  controle  aduaneiro  apropriado  é  realmente  a  emissão prévia de LI, assim, em princípio, poder­se­ia imaginar  que a informação do bem usado era necessária.  Todavia,  concluiu­se  que  a  importação,  ao  fim,  não  estava  sujeita  à  prévia  emissão  de  LI  (conforme  voto  da  DRJ,  que  mantive).  Desta  forma,  no meu  entender,  se  não  é  hipótese  de  sujeição  prévia  à  LI,  esta  informação deixou  de  ser necessária  para o procedimento aduaneiro.  Por coerência de raciocínio, se a ausência desta informação não  se coaduna com a exigência pautada no inciso III, do artigo 711,  do RA, não é possível manter a multa da forma como lançada.    De outra banda, o acórdão paradigma, apontado pela PGFN, mantém a multa:  MULTA  POR  NÃO  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  NECESSÁRIAS AO CONTROLE ADUANEIRO   Em  segundo  lugar  abordo  a  multa  por  não  prestação  de  informação  necessária  ao  controle  aduaneiro,  abordada  no  Recurso Voluntário,  lastreada no § 1°,  do artigo 69, da Lei n°  10.833/03, que assim dispõe:  Art.  69.  A  multa  prevista  no  art.  84  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35,  de  24  de  agosto  de  2001,  não  poderá  ser  superior  a  10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da  declaração de importação.  §  1º  A  multa  a  que  se  refere  o  caput  aplica­se  também  ao  importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que  omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de  natureza  administrativo  tributária,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro apropriado.  Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO     6 A  leitura  do  §  1°  indica  que  a  multa  deve  ser  aplicada  ao  importador que prestar de forma inexata informação de natureza  administrativo  tributária,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro  apropriado.  Não  obstante  as  mercadorias  terem  sido  submetidas  a  regime  aduaneiro  de Repetro,  a multa  em  trato  também é aplicada ao  beneficiário  de  regime  aduaneiro,  conforme  expressamente  consignado no §1º acima transcrito.  O  próprio  §  2º  do  artigo  69,  da  Lei  n°  10.833/03  traz  a  possibilidade de que, em ato normativo, a Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  estabeleça  outras  informações  que  estejam  fora do conceito de “descrição detalhada da operação”.  Neste  sentido,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  meio da Instrução Normativa (IN) SRF n° 680/06, determinou as  informações  constantes  do  Anexo  Único  que  serão  prestadas  pelo importador:  Art.  4º A Declaração  de  Importação  (DI)  será  formulada  pelo  importador  no  Siscomex  e  consistirá  na  prestação  das  informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo  de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro.  ... (Grifos acrescidos)  O Anexo Único da citada IN SRF assim dispõe:  ANEXO ÚNICO   INFORMAÇÕES  A  SEREM  PRESTADAS  PELO  IMPORTADOR ...  40 Indicativos da Condição da Mercadoria   Assinalar  o(s)  indicativo(s)  abaixo,  se  adequado(s)  à  condição  da mercadoria objeto da adição:  1 Material usado   2 Bem sob encomenda.... (Grifos acrescidos)  Quanto à condição de “material usado”, não obstante o próprio  ano  de  construção  da  mesma  indicou  tal  situação,  é  condição  necessária o preenchimento do campo indicativo desta condição  nos  termos  da  IN  acima  transcrita.  Considerando  que  não  foi  assinalada  a  condição  de  que  a  mercadoria  se  tratava  de  “material  usado”  na  DI  e  que  tal  informação  é  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro  apropriado, não se vislumbra qualquer mácula em referência à  autuação para esta mercadoria.  Como  se  percebe,  era  obrigação  da  interessada  assinalar  o  indicativo  relacionado  à  condição  da  mercadoria,  dado  que  efetivamente  se  tratava de material usado. Tal  informação, não  era  irrelevante  ou  prescindível,  tratava­se  de  obrigação  devidamente  estabelecida  e,  necessária  ao  controle  aduaneiro,  controle este exercido pela administração que por ato específico  Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 19396.720002/2011­10  Acórdão n.º 9303­003.869  CSRF­T3  Fl. 716          7 determinou  que  tal  informação  deveria  ser  prestada  pelo  importador  quando  esta  condição  (material  usado)  se  fizer  presente.  Neste  sentido,  o  juízo  de  valor  relacionado  à  necessidade de aposição desta informação é prescindível, posto  que determinado em ato normativo.  O  fato de a  interessada  ter  informado o ano de construção das  mercadorias  em  outro  campo  (descrição  da  mercadoria),  não  afasta  a  obrigação  acessória  a  que  a  interessada  estava  submetida.  Era  sua  obrigação  informar  no  campo  próprio  das  declarações  de  importação  a  condição  das  mercadorias,  que  efetivamente se enquadravam na condição de “material usado”.  No  presente  caso  a  responsabilidade  é  objetiva,  independe  da  intenção do agente ou  responsável  e da  efetividade, natureza  e  extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da  Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN).    Em  primeiro  plano,  cumpre  dizer  que  a  natureza  jurídica  da  admissão  temporária em Repetro  é a de um regime de admissão  temporária para utilização econômica  com suspensão total do pagamento de tributos incidentes na importação.   No  acórdão  paradigma,  que  de  fato  é  exceção  aos  casos  que  tais,  foi  dada  razão  à  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  e  mantido  o  lançamento  da  multa basicamente pelas razões do acórdão de piso, declinadas supra: art. 4º da IN e item 40 do  respectivo Anexo Único ­ Indicativos da Condição da Mercadoria.  Além  de  adicionar  as  razões  mencionadas  acima,  o  acórdão  do  órgão  judicante de primeira instância entendeu que a indicação da característica de “usada” do bem é  de responsabilidade objetiva, e que o dado omitido pretende informar a fiscalização para que  seja possível submeter as mercadorias ao procedimento adequado de desembaraço.   A  intransigência  em  matéria  de  controles  administrativos  aduaneiros  se  justifica, muito mais do que pela questão tributário­financeira, mas sim pela questão da defesa  do Estado nacional.  A falta de pagamento de tributos ou de parte dele não é o único dano que se  faz aos cofres públicos e à sociedade o descumprimento das regras de controle aduaneiro.  Muitas vezes, a administração tributária não enfatiza as razões dos controles  não  tributários  ou  aduaneiros.  Assim,  pode  ficar  a  impressão  de  que  não  havendo  falta  de  pagamento de tributos não há dano punível e essa é uma falsa observação.  Cabe  a  administração  aduaneira  cumprir  as  decisões  dos  demais  órgãos  do  Poder Executivo  e  de Acordos  Internacionais,  relativamente  saúde,  à  defesa  da  economia,  à  defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São  atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários  à excelência do trabalho de fiscalização.  Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores  especializados em nuances do comércio internacional, passa­se ao largo dos verdadeiros  Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO     8 delitos  que  são  cometidos  à  sombra  da  ausência  de  danos  fiscais  explícitos — quero  dizer — falta de pagamento de impostos mesmo.  Mas  é  basilar  que  as  normas  não  são  feitas  por  acaso,  ao  alvitre  do  legislador, para seu bel­prazer. O julgador deve cumpri­las e pode decorrer que de uma  convicção muito  sólida  de  que  estejam  na  contra­mão  dos  interesses  sociais,  resolva  denunciá­las imediatamente ao poder público para que as julgue e as corrija.  Voltando  para  o  caso  em  julgamento,  os  controles  exigidos  pela  legislação foram descumpridos pelo sujeito passivo.  A  multa  lançada,  objeto  da  lide,  está  prevista  no  art.  711,  inciso  III,  do  RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), abaixo reproduzido.  Art.  711.  Aplica­se  a  multa  de  um  por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria  (Medida  Provisória  no  2.15835,  de  2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1o):  [...]  III  quando  o  importador  ou  beneficiário  de  regime  aduaneiro  omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de  natureza  administrativo  tributária,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle  aduaneiro apropriado.  §1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo  de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  compreendem  a  descrição  detalhada  da  operação,  incluindo  (Lei  no  10.833,  de  2003, art. 69,§2o):  I  identificação  completa  e  endereço  das  pessoas  envolvidas  na  transação: importador ou exportador;  adquirente  (comprador)ou  fornecedor  (vendedor),  fabricante,  agente de compra ou de venda e representante comercial;  II  destinação  da  mercadoria  importada:  industrialização  ou  consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade;  III  descrição  completa  da mercadoria:  todas  as  características  necessárias  à  classificação  fiscal,  espécie,  marca  comercial,  modelo,  nome  comercial  ou  científico  e  outros  atributos  estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  que  confiram sua identidade comercial;  IV países de origem, de procedência e de aquisição; e  V portos de embarque e de desembarque.    A autuada alega de que não houve omissão da informação de que se tratava  de um bem (embarcação) usado porque no campo das DI destinado à “Descrição Detalhada da  Mercadoria” consta a descrição detalhada e suficiente da embarcação e também argumenta que  Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 19396.720002/2011­10  Acórdão n.º 9303­003.869  CSRF­T3  Fl. 717          9 o  erro  cometido  não  acarretou  dano  ao  Erário  e  que  não  houve  dolo,  sendo  injustificável  a  imposição da penalidade.  Como já explicitado acima o dano ao erário não significa somente a falta de  pagamento dos tributos devidos, mas também a falta da prestação das informações necessárias  ao perfeito controle aduaneiro  As razões pelo relator da DRJ sintetizam bem as razões pela qual o presente  recurso da PGFN deve ser provido.  Como  se  percebe,  era  obrigação  da  interessada  assinalar  o  indicativo  relacionado  à  condição  da  mercadoria,  dado  que  efetivamente  se  tratava de material usado. Tal  informação, não  era  irrelevante  ou  prescindível,  tratava­se  de  obrigação  devidamente  estabelecida  e,  necessária  ao  controle  aduaneiro,  controle  este  exercido  pela  administração  fazendária,que  por  ato  específico  determinou que tal informação  deveria  ser  prestada  pelo  importador  quando  esta  condição  (material usado) se fizer presente. Neste sentido, o juízo de valor  relacionado  à  necessidade  de  aposição  desta  informação  é  prescindível, posto que determinado em ato normativo.  [...]  Ocorre  que  no  presente  caso  a  responsabilidade  é  objetiva,  independe  da  intenção  do  agente  ouresponsável  e  da  efetividade,natureza  e  extensão  dos  efeitos  do  ato.  É  o  que  preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário  Nacional (CTN):  Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributáriaindepende da intenção do agente ou do responsável e  da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.  (Grifos do original).  Como se sabe, a administração pública rege­se pelo princípio da  estrita legalidade (CF, art. 37, caput), especialmente em matéria  de administração tributária, que é uma atividade administrativa  plenamente vinculada (CTN, arts. 3º e 142, parágrafo único).    Pelo exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.    Rodrigo da Costa Possas ­ Relator  Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO     10             Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 19396.720002/2011­10  Acórdão n.º 9303­003.869  CSRF­T3  Fl. 718          11 Declaração de Voto  Conselheira Vanessa Marini Cecconello      A matéria em discussão restringe­se à análise da aplicação da multa prevista no  art. 69 da Lei nº 10.833/2003 em razão da ausência de informação de se tratar o bem importado  de "material usado", conforme obrigação  imposta por ato normativo da Secretaria da Receita  Federal.   Restou  assentado  nos  presentes  autos  que  as  importações,  efetuadas  pela  Contribuinte  estavam  no  regime  aduaneiro  especial  de  admissão  temporária  instituído  pela,  então  vigente,  Instrução Normativa  nº  285/2003,  da Secretaria  da Receita Federal  (revogada  pela IN RFB nº 1.361, de 21 de maio de 2013), o qual permite a importação de bens que devam  permanecer no País durante prazo  fixado, com suspensão  total do pagamento de  tributos, ou  com suspensão parcial, no caso de utilização econômica.    Trata­se, portanto, de regime aduaneiro especial de exportação e de importação  de bens, destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural  (Repetro),  estando no campo de  incidência dos  tributos  sobre o  comércio  exterior,  embora a  exigibilidade  de  seu  pagamento  permaneça  suspensa,  em  razão  dos  tratamentos  aduaneiros,  dispensados aos bens admitidos no Repetro, conforme art. 459, caput e §3º do Regulamento  Aduaneiro.   Nessa  esteira,  a  DRJ  excluiu  a  multa  do  art.  633,  II,  “a”,  do  Regulamento  Aduaneiro,  decisão  confirmada  no  julgamento  do  recurso  voluntário,  com  fundamento  na  interpretação dos artigos 8º, II, e 10, II, alínea "e", ambos da Portaria SECEX nº 25/2008 em  conjunto com o art. 112 do CTN, entendendo pela dispensa da licença de importação no caso  dos autos.   Em relação à multa por omissão de informações, segundo o acórdão recorrido, é  inaplicável  ao  caso dos  autos,  em  razão de  se  tratar de  importação em  admissão  temporária,  submetida  ao  Regime  Especial  Repetro,  para  o  qual  não  haveria  a  obrigação  da  licença  de  importação e da informação de indicativos da condição da mercadoria (se bem usado ou novo).   De  fato,  em  razão  de  não  ter  sido  informada  a  condição  de  "usado"  das  mercadorias  importadas,  não  houve  alteração  de  tratamento  tributário,  administrativo  ou  aduaneiro. Portanto, frente à inexistência de alteração de procedimento do controle aduaneiro,  no  caso  dos  autos,  não  há  de  se  falar  na  aplicação  da  multa  do  art.  69,  §1º  da  Lei  nº  10.833/2003.   Para  elucidar  a  legislação  vigente  à  época,  faz­se  breve  retrospectiva  da  legislação. A Secretaria de Comércio Exterior ­ SECEX, no âmbito da competência outorgada  pelo art. 15, do Anexo  I do então vigente Decreto nº 4.632/2003, editou a Portaria nº 17, de  01/12/2003, para consolidar os procedimentos relativos às operações de importação.   No art. 6º da referida Portaria, restaram definidas as modalidades de importação  do  sistema  administrativo:  I  ­  importações  dispensadas  de  Licenciamento;  II  ­  importações  sujeitas  a  Licenciamento  Automático.  e  III  ­  importações  sujeitas  a  Licenciamento  Não  Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO     12 Automático. O dispositivo legal tem sido reproduzido nas Portarias subsequentes editadas pela  SECEX:  Portaria  nº  14/2004;  Portaria  nº  35/2006;  Portaria  nº  36/2007;  Portaria  nº  25/2008;  Portaria  nº  10/2010  e  Portaria  nº  23/2011,  que  consolidou  as  normas  e  procedimentos  aplicáveis às operações de comércio exterior, e está em vigor.   Em razão da data dos fatos geradores do processo, far­se­á remissão aos artigos  das Portarias SECEX nºs 35/2006, 36/2007 e 25/2008.   O art. 7º, §único da Portaria Secex nº 35/2006, reproduzido no art. 7º, §único da  Portaria Secex nº 36/2007 e no art. 8º, §único da Portaria Secex nº 25/2008, traz as hipóteses de  dispensa  de  licenciamento  de  importação,  abrangendo  as  importações  de  bens  usados  e  não  usados, com exceção daquelas decorrentes de doações, para as quais só é admitida a licença no  caso de bens novos. No inciso II, § único do art. 7º da Portaria Secex nº 35/2006, está prevista  como  dispensada  da  licença  a  admissão  dos  bens  provenientes  do  exterior  sob  o  regime  aduaneiro especial do Repetro, in verbis:    Art.  7º  Como  regra  geral,  as  importações  brasileiras  estão  dispensadas  de  licenciamento, devendo os importadores tão­somente providenciar o registro  da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início  aos  procedimentos  de  Despacho  Aduaneiro  junto  à  unidade  local  da  Secretaria da Receita Federal (SRF).  Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de  licenciamento:  I – sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial;  II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo  Regime  Aduaneiro  Especial  de  Exportação  e  Importação  de  Bens  Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e  de Gás Natural (Repetro);  III  –sob  os  regimes  aduaneiros  especiais  nas  modalidades  de  loja  franca,  depósito afiançado, depósito franco e depósito especial alfandegado;  IV  –  de  partes,  peças  e  demais  componentes  aeronáuticos  voltados  à  manutenção  de  aeronaves,  novos  ou  recondicionados,  de  interesse  de  empresas autorizadas pela Agência Nacional de Aviação Civil ­ Cotac;  V  –  com  redução  da  alíquota  de  imposto  de  importação  decorrente  da  aplicação  de  “ex­tarifário”  [Resolução  nª  8,  de  23  de  março  de  2001,  da  Câmara de Comércio Exterior (Camex)];  VI  –  mercadorias  industrializadas,  destinadas  a  consumo  no  recinto  de  congressos,  feiras  e  exposições  internacionais  e  eventos  assemelhados,  observado  o  contido  no  artigo  70  da  Lei  n.º  8.383,  de  30  de  dezembro  de  1991;  VII – peças e acessórios, abrangidas por contrato de garantia;  VIII – doações, exceto de bens usados;  IX – filmes cinematográficos;  Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 19396.720002/2011­10  Acórdão n.º 9303­003.869  CSRF­T3  Fl. 719          13 X – retorno de material remetido ao exterior para fins de testes, exames e/ou  pesquisas, com finalidade industrial ou científica;  XI – amostras;  XII  –  arrendamento  mercantil  (leasing),  arrendamento  simples,  aluguel  ou  afretamento;  XIII – investimento de capital estrangeiro;  XIV  –  produtos  e  situações  que  não  estejam  sujeitos  a  licenciamento  automático e não automático.  (grifou­se)  O dispositivo reproduzido acima trata­se de norma especial, tendo em vista ser  admitida a dispensa de  licenciamento somente nas hipóteses ali  enumeradas, com uma única  exceção com relação aos bens usados que ingressam no território nacional por doação, os quais  sujeitam­se  ao  licenciamento  não  automático  do  art.  9ª,  inciso  II,  alínea  "e"  da  Portaria  nº  35/2006, reproduzido no art. 9ª, inciso II, alínea "e" da Portaria nº 36/2007 e no art. 10, inciso  II, alínea "e" da Portaria Secex nº 25/2008.   Prevaleciam,  portanto,  quando  realizadas  as  importações,  as  Portarias  SECEX  nºs  35/2006,  36/2007  e  25/2008,  segundo  as  quais  nas  admissões  temporárias  de  bens  vinculados ao Repetro, independente da condição de novos ou usados, estavam dispensadas as  licenças de importação.   De fato, a partir da Portaria SECEX nº 10, de 24/05/2010, sobreveio situação de  prevalência da necessidade de licença sobre a dispensa, conforme disposto no art. 8º, §2º. No  entanto,  tal  exigência  não  pode  ser  imposta  sobre  as  importações  em  regime  temporário  de  embarcações  para  pesquisas  efetuadas  sob  a  égide  de  regulamentação  anterior,  sob  pena  de  violação ao art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez sendo admissível a retroação tão  somente da legislação mais benigna ao contribuinte.   Assim, incabível a exigência de licença de importação no Repetro nos termos do  art.  7º,  §único  da  Portaria  SECEX  nº  35/2006,  reproduzido  no  art.  7º,  §único  da  Portaria  SECEX nº  36/2007  e no  art.  8º,  §único  da Portaria Secex  nº  25/2008,  inexistente  também a  obrigatoriedade de que conste no documento a informação de se tratar de material usado, ainda  mais quando para se prestar referida informação seja necessária a correlação com um número  de licença de importação, providência impossível de ser realizada no caso.  Além  disso,  foram  consignadas  pela  contribuinte,  nas  declarações  de  importação, as datas de fabricação das embarcações, a partir das quais é possível depreender­se  terem  sido  utilizadas  anteriormente  à  entrada  no  território  nacional,  interpretação  dada  pela  Autoridade  Fiscal  no  momento  da  autorização  da  entrada  das  embarcações  no  País,  cuja  alteração implica em violação ao art. 146 do CTN.   Tendo  sido  prestadas  pela  contribuinte  todas  as  informações  exigíveis  pela  legislação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores,  inclusive  com  a  indicação  das  datas  de  fabricação das  embarcações,  evidenciando  tratarem­se de bens usados,  não há de  se  falar na  aplicação da multa do art. 69, §1º da Lei nº 10.833/2003.     Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO     14 Diante do exposto, há de ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda  Nacional.   É o Voto.     Vanessa Marini Cecconello      Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO

score : 1.0
6345733 #
Numero do processo: 11634.000119/2007-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. INDICAÇÃO DE PARADIGMAS. LIMITE REGIMENTAL. O limite regimental de indicação de até dois paradigmas deve ser aplicado por matéria suscitada e não por argumento ou tese defendida no recurso, dentro da mesma matéria. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando, analisados os dois primeiros paradigmas indicados para a matéria suscitada, estes são considerados inaptos à demonstração do alegado dissídio jurisprudencial, ainda que tenham sido indicados outros paradigmas, que poderiam se prestar à discussão de outras teses, acerca da matéria suscitada, defendidas pelo Recorrente. Recurso Especial do Procurador não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 11/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201602

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. INDICAÇÃO DE PARADIGMAS. LIMITE REGIMENTAL. O limite regimental de indicação de até dois paradigmas deve ser aplicado por matéria suscitada e não por argumento ou tese defendida no recurso, dentro da mesma matéria. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando, analisados os dois primeiros paradigmas indicados para a matéria suscitada, estes são considerados inaptos à demonstração do alegado dissídio jurisprudencial, ainda que tenham sido indicados outros paradigmas, que poderiam se prestar à discussão de outras teses, acerca da matéria suscitada, defendidas pelo Recorrente. Recurso Especial do Procurador não conhecido

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 11634.000119/2007-27

anomes_publicacao_s : 201604

conteudo_id_s : 5580683

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 9202-003.812

nome_arquivo_s : Decisao_11634000119200727.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO

nome_arquivo_pdf_s : 11634000119200727_5580683.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 11/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.

dt_sessao_tdt : Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016

id : 6345733

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:23 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423632994304

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 519          1 518  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11634.000119/2007­27  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.812  –  2ª Turma   Sessão de  18 de fevereiro de 2016  Matéria  Normas Gerais de Direito Tributário ­ multa qualificada e decadência  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  GUILHERME MACULAN SODRÉ    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002, 2003  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.  PRESSUPOSTOS  DE  ADMISSIBILIDADE.  INDICAÇÃO DE PARADIGMAS. LIMITE REGIMENTAL.  O  limite  regimental  de  indicação  de  até  dois  paradigmas  deve  ser  aplicado  por  matéria  suscitada  e  não  por  argumento  ou  tese  defendida  no  recurso,  dentro  da  mesma  matéria.  Não  se  conhece  de  Recurso  Especial  de  Divergência quando, analisados os dois primeiros paradigmas indicados para  a  matéria  suscitada,  estes  são  considerados  inaptos  à  demonstração  do  alegado  dissídio  jurisprudencial,  ainda  que  tenham  sido  indicados  outros  paradigmas,  que poderiam  se prestar  à discussão  de  outras  teses,  acerca  da  matéria suscitada, defendidas pelo Recorrente.  Recurso Especial do Procurador não conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula  Fernandes.  (assinado digitalmente)  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Relatora.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 01 19 /2 00 7- 27 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     2   EDITADO EM: 11/03/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.    Relatório  Trata­se de acréscimo patrimonial a descoberto, apurado a partir de remessas  ao  exterior  efetuadas  no  contexto  da  operação  conhecida  como  "Beacon  Hill",  em  que  o  Contribuinte figurou como ordenante/remetente.  Em  sessão  plenária  de  24/09/2009,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário,  prolatando­se o Acórdão nº 2101­00.315 (fls. 163 a 175), assim ementado:  "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Exercício: 2002, 2003  Ementa  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  FASE  DE  APURAÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  ­  1NAPLICABILIDADE  DOS  PRINCÍPIOS  DO  CONTRADITÓRIO  E  DA  AMPLA  DEFESA  ­  Somente  com  a  apresentação  da  impugnação  tempestiva,  o  sujeito  passivo  formaliza  a  existência  da  lide  tributária  no  âmbito  administrativo  e  transmuda  o  procedimento  administrativo  preparatório  do  ato  de  lançamento  em  processo  administrativo  de julgamento da lide fiscal, passando a assistir ao contribuinte  as garantias constitucionais e legais do devido processo legal.  DECADÊNCIA ­ Nos casos de lançamento por homologação, o  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador.  O  fato gerador do IRPF se perfaz  em 31 de dezembro de  cada  ano­calendário.  Não  ocorrendo  a  homologação  expressa,  o  crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da  ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN).  MULTA  DE  OFÍCIO  ­  MAJORAÇÃO  DO  PERCENTUAL  ­  SITUAÇÃO  QUALIFICADORA  ­  FRAUDE  ­  As  condutas  descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n°4.502, de 1964, exige do  sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção  de obter o resultado que sena o impedimento ou retardamento da  ocorrência  do  fato  gerador,  ou  a  exclusão  ou modificação  das  suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do  imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. A multa  aplicável é aquela a ser imposta pelo não pagamento do tributo  Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11634.000119/2007­27  Acórdão n.º 9202­003.812  CSRF­T2  Fl. 520          3 devido,  cujo  debito  fiscal  foi  apurado  em  procedimento  de  fiscalização, com esteio no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO  ­  TRIBUTAÇÃO  ­  Não  tendo  o  contribuinte  logrado  comprovar  integralmente  a  origem  dos  recursos  capazes  de  justificar  o  acréscimo  patrimonial,  através  de  rendimentos  tributáveis,  isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o  lançamento de oficio.  Dar provimento parcial ao recurso."  A decisão foi assim resumida:  "ACORDAM os Membros  do Colegiado,  por maioria  de  votos,  em DAR provimento parcial para desqualificar a multa de ofício  e,  por  conseqüência,  ACOLHER  a  decadência  do  direito  da  Fazenda Nacional de  constituir o  crédito  tributário  em relação  ao ano­calendário de 2001, vencidos os conselheiros Alexandre  Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage que davam provimento  integral."  Cientificada do acórdão em 1º/04/2010 (fls. 170), a Fazenda Nacional opôs,  em 05/04/2010 (fls. 180), os Embargos de Declaração de fls. 172 a 175, rejeitados conforme o  Acórdão de Embargos nº 2101­002.042 (fls. 181/182).  Intimada  do  Acórdão  de  Embargos  em  1º/03/2013  (fls.  183),  a  Fazenda  Nacional  interpôs,  em  04/03/2013  (fls.  185),  o  Recurso  Especial  de  fls.  186  a  189,  visando  rediscutir  a  desqualificação  da  multa  de  ofício  e  a  decadência,  relativamente  ao  ano­ calendário de 2001.  Ao  Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  o  Despacho  de  Admissibilidade de fls. 460 a 463, nos seguintes termos:  "Assim  sendo,  proponho  o  seguimento  do  recurso  especial  da  PFN  no  que  se  refere  à  qualificação  multa,  por  prática  reiterada, e quanto ao início da contagem do prazo para fins da  decadência."   Cientificado em 11/03/2014 (fls. 473 a 475), o Contribuinte, em 26/03/2014,  ofereceu Contrarrazões e interpôs Recurso Especial (fls. 476 a 492). Ao Recurso Especial foi  negado  seguimento,  conforme  o  Despacho  de  Admissibilidade  de  fls.  497  a  500,  o  que  foi  confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 501. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte  pede o não provimento do recurso.  Intimado  do  não  seguimento  de  seu  Recurso  Especial  em  09/06/2015  (fls.  508), o Contribuinte apresentou novamente Contrarrazões, em 29/06/2015 (fls. 510 a 514)    Voto             Fl. 521DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     4 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando  perquirir sobre o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Quanto ao Recurso  Especial do Contribuinte, este não teve seguimento.  De plano, as Contrarrazões oferecidas pelo Contribuinte em 2015, às fls. 510  a  514,  não  serão  conhecidas,  uma  vez  que  a  ciência  do  acórdão  recorrido  ocorreu  em  11/03/2014 (fls. 473 a 475), oportunidade em que foram oferecidas Contrarrazões tempestivas,  em 26/03/2013, estas sim conhecidas.  Trata­se de acréscimo patrimonial a descoberto, apurado a partir de remessas  ao  exterior  efetuadas  no  contexto  da  operação  conhecida  como  "Beacon  Hill",  em  que  o  Contribuinte figurou como ordenante/remetente.  O apelo da Fazenda Nacional visa rediscutir as seguintes matérias:  ­ multa qualificada; e  ­ decadência.  Quanto à primeira matéria,  trata­se de  tema estritamente  ligado ao conjunto  probatório contido nos autos, mais especificamente à análise da conduta do Contribuinte, o que  a princípio descartaria a rediscussão pela Instância Especial, a menos que a questão suscitada  diga  respeito  tão­somente  ao  critério  jurídico  utilizado  no  tratamento  da  exasperação  da  penalidade.  Com estas considerações, verifica­se a necessidade de distinção entre o que  constitui a matéria suscitada ­ multa qualificada ­ dos diversos critérios jurídicos aplicados no  tratamento  desta  matéria,  representados  pelas  várias  teses  defendidas  no  CARF,  que  justificariam  a  qualificadora:  reiteração  da  infração;  expressividade  dos  valores  omitidos;  simulação; operações à margem do sistema financeiro; e outras.   Assim,  para  cada  matéria  suscitada  ­  e  não  para  cada  tese  aventada  ­  o  Recorrente pode indicar até dois paradigmas, como determina o RICARF, em seu art. 67.  "Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial interposto contra decisão que der à legislação tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.  (...)  §  6º  Na  hipótese  de  que  trata  o  caput,  o  recurso  deverá  demonstrar  a  divergência  arguida  indicando  até  2  (duas)  decisões divergentes por matéria.  §  7º  Na  hipótese  de  apresentação  de  mais  de  2  (dois)  paradigmas,  serão  considerados  apenas  os  2  (dois)  primeiros  indicados, descartando­se os demais."  Destarte,  nos  casos  que  envolvam  a  valoração  do  conjunto  probatório,  mormente no que tange à qualificação da multa de ofício, que requer o exame da conduta do  Contribuinte, há que se identificar o critério utilizado no Auto de Infração, verificar como este  Fl. 522DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11634.000119/2007­27  Acórdão n.º 9202­003.812  CSRF­T2  Fl. 521          5 critério  foi  tratado  no  acórdão  recorrido,  e  se  o  paradigma  denota  a  aplicação  de  critério  diverso, obviamente que em face de situação fática similar à do acórdão recorrido.  No presente caso, verifica­se a seguinte situação:  ­ no Auto de Infração, conforme o Termo de Verificação e Encerramento de  Ação  Fiscal  (fls.  94/95),  o  critério  para  a  qualificação  da  multa,  ao  que  tudo  indica,  foi  a  própria omissão dos rendimentos. Confira­se:  "6. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA  No  tocante  à  imposição  da  multa  de  ofício,  foi  a  mesma  qualificada  em  150%,  conforme  determinado  no  inciso  II,  do  artigo 44 da Lei 9.430/96.  A  imposição  decorreu  da  constatação  da  omissão  de  receitas  perpetrada  pela  pessoa  física,  causando  prejuízo  aos  cofres  públicos,  mediante  a  redução  do  recolhimento/pagamento  dos  tributos devidos, o que caracteriza o evidente intuito de fraude."  ­  o  acórdão  de Primeira  Instância,  por  sua  vez,  justificou  a manutenção  da  qualificadora  na  própria  omissão  de  rendimentos,  aliada  ao  fato  de  tratar­se  de  omissão  de  valores vultosos (fls. 150):  "Pela análise do que consta dos autos, há elementos suficientes  para a caracterização do intuito doloso. Restando demonstrado  que  o  contribuinte  deixou  de  informar  rendimentos  que  acobertassem  remessas  de  divisas  ao  exterior  em  suas  declarações  de  ajuste  anual,  outra  não  é  a  conclusão  de  que  houve,  concretamente,  conduta  tendente  a manter  distante  da  tributação montantes  significativos  de  rendimentos  auferidos,  mas que foi detectado pelo  lançamento. Não se  trata, no caso,  da  demonstração  de  que  pequenos  valores  que  ficaram  à  margem  de  tributação,  o  que  poderia  até  ser  traduzida  numa  possível conduta involuntária, chegando­se à conclusão de que a  imposição  da  penalidade  qualificada  não  seria  justificável.  Ao  contrário,  à  luz  do  que  foi  trazido  aos  autos,  a  situação  é  bastante distinta, tornando­se absolutamente inverossímil a ideia  de  que  o  contribuinte  teria  cometido  meros  equívocos,  já  que  não se pode atribuir a eventual esquecimento o fato de deixar à  margem da declaração a transferência de recursos no exterior  para  seu  nome,  na  importância  equivalente  a  R$  346.562,65,  no  ano­calendário  de  2001,  e  a  R$  72.696,00,  no  ano­ calendário de 2002.  Destarte,  diante  da  insubordinação  aos  ditames  da  lei,  não  há  como  considerar  involuntária  a  conduta  do  contribuinte,  mas  sim  como  uma  consequência  direta  da  intenção  deliberada  de  omitir rendimentos e também informações em sua declaração de  ajuste  anual,  o  que  torna  perfeitamente  aplicável  a  multa  qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de  1996." (grifei)  Fl. 523DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     6 ­  quanto  ao  acórdão  recorrido,  este  rechaçou  o  critério  da  reiteração  e  do  vulto dos  valores omitidos,  adotando o  critério da necessidade de descrição de uma ação ou  omissão que revele a intenção dolosa, o que não teria ocorrido no caso em tela. Confira­se:   "No  presente  caso,  constatamos  que  as  transações  bancárias  internacionais  efetuadas  pelo  recorrente  foram  localizadas  exatamente  porque,  em  tais  operações,  não  foram  utilizados  artifícios no sentido de subtrair a sua identificação.  Com  a  utilização  dos  meios  adequados,  foi  possível  aferir  a  existência  dos  recursos  no  exterior,  o  que,  por  si  só,  não  caracteriza a intenção dolosa de subtrair a tributação, devendo  ser  tratado  tal  fato,  apenas,  como  falta  de  recolhimento  do  tributo  devido  sobre  os  rendimentos  que  deram  suporte  às  operações financeiras em foco.  Considerando­se  as  gravíssimas  conseqüências  da  qualificação  da  multa  de  oficio,  que  ultrapassam  a  questão  pecuniária,  adentrando  no  terreno  do  direito  penal  tributário,  mister  que  estejam  comprovados,  com  todos  os  elementos  de  prova,  o  evidente intuito de fraude.  Também, por óbvio, o evidente  intuito de  fraude não pode ser  caracterizado  pela  forma  reiterada  de  infração  ou  pelo  montante do tributo devido.  Não se pode olvidar, que a conduta descrita como necessária à  qualificação da pena, teve esteio no artigo 44, II, da Lei n°9.430,  de 27/12/1996, que assim dispõe:  (...)  Sob esse pórtico, somente devem dar azo à multa qualificada a  ocorrência das condutas descritas nos artigos 71,72 e 73 da Lei  n°4.502, de 30/11/1964, litteris:  (...)  Com  efeito,  a  fraude  se  caracteriza  em  razão  de  um  ação  ou  omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a  intenção  de  causar  dano  à  Fazenda  Pública,  num  propósito  deliberado  de  subtrair,  no  todo  ou  em  parte,  a  obrigação  tributária.   Na  descrição  da  norma,  de  forma  solar,  não  está  incluída  a  conduta reiterada em omitir rendimentos, por tal, esse fato não  pode  ser  utilizado,  por  si  só,  como  elemento  fundante  para  a  imposição, vez que, em direito penal tributário, como em direito  penal,  não  há  crime  sem  lei  que  assim  o  defina,  e,  para  a  aplicação da multa de oficio de 150% é indispensável  tratar­se  de casos de evidente intuito de fraude como definido nos artigos  71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30/11/1964." (grifei)  Assim,  no  Recurso  Especial  a  Fazenda  Nacional  poderia  indicar  até  dois  paradigmas  em  que,  tratando­se  de  situação  fática  semelhante  à  do  recorrido  ­  acréscimo  patrimonial a descoberto apurado a partir de remessas para o exterior efetuadas no contexto da  operação  Beacon  Hill,  em  que  o  Contribuinte  pessoa  física  tenha  sido  identificado  como  Fl. 524DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11634.000119/2007­27  Acórdão n.º 9202­003.812  CSRF­T2  Fl. 522          7 ordenante/remetente  ­  a multa  qualificada  fosse mantida,  qualquer  que  tenha  sido  o  critério  adotado, desde que identificável no lançamento.  Entretanto,  foram  indicados  quatro  paradigmas  ­ Acórdãos  nºs  101­96.668,  101­96.757, 101­94.095 e 201­78.336 ­ dois para cada tese/critério defendido pela Recorrente.  Confira­se o Despacho de Admissibilidade, na parte em que registra esse fato:  "Para  defender  a  tese  da  qualificação  da multa,  a  recorrente  apresenta duas linhas de divergência: da relevância dos valores  omitidos e da prática reiterada.  Na primeira, representada pelos Acórdãos nºs 101­96.668 e 101­ 96.757, argui que o relevante montante de rendimentos omitidos  afastaria  qualquer  possibilidade  de  erro,  revelando  a  conduta  intencional do contribuinte de deixar de oferecer o numerário à  tributação,  e  justificaria  a  multa  de  150%  aplicada  ao  lançamento.  (...)  Na  segunda  tese,  representada  pelos  Acórdãos  101­94.095  e  201­78.336, a recorrente afirma que a divergência reside no fato  de,  nos  paradigmas,  a  conduta  reiterada  ter  servido  como  circunstância qualificadora da multa."  Constata­se, assim, que a subdivisão da matéria "multa qualificada" em duas  "linhas de divergência", indicando­se dois paradigmas para cada uma dessas "linhas", permitiu  que se extrapolasse o  limite  regimental de até dois paradigmas para cada matéria, o que não  pode ser admitido. Com efeito, a prosperar tal procedimento, far­se­ia tábula rasa do § 6º, do  art. 67, do Anexo II, do RICARF, já que a subdivisão de uma mesma matéria nos mais diversos  argumentos ou teses que esta matéria possa comportar, indicando­se paradigmas para cada um  deles, caracterizaria burla ao claro limite de até dois acórdãos paradigmas por matéria ­ e não  por argumentos, teses ou "linhas de divergência".  Destarte,  no  presente  caso  somente  poderiam  ter  sido  considerados  os  dois  primeiros  paradigmas  indicados  ­ Acórdãos  nºs  101­96.668  e 101­96.757  ­  que defendiam  a  manutenção da qualificadora tendo em vista a expressividade dos valores omitidos. Quanto aos  demais  paradigmas  indicados,  estes  deveriam  ter  sido  descartados.  Como  os  dois  primeiros  paradigmas  foram  considerados  inaptos  a  demonstrar  a  alegada  divergência,  o  recurso  não  poderia ter seguimento, portanto não pode ser conhecido na Instância Especial.  Ainda  que  pudessem  ser  considerados  o  terceiro  e  quarto  paradigmas  indicados para a matéria "multa qualificada", nos quais é defendida a tese de reiteração como  apta  a  atrair  a  qualificadora  ­  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar  ­  ditos  julgados  ­  Acórdãos nºs 101­94.095 e 201­78.336  ­  não  se prestam a demonstrar  a  alegada divergência  jurisprudencial, conforme será demonstrado.  No  caso  do  acórdão  recorrido,  recorde­se  que  a  infração  é  a  presunção  de  omissão de rendimentos, tendo em vista a constatação de acréscimo patrimonial a descoberto,  apurado a partir  de  remessas  ao  exterior  efetuadas no  contexto da operação conhecida como  "Beacon Hill", em que o Contribuinte figurou como ordenante/remetente. Foram efetuadas oito  operações,  de  outubro  de  2001  a  fevereiro  de  2002,  apurando­se  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  nos meses  de  outubro,  novembro  e  dezembro  de  2001,  e  em  fevereiro  de  2002.  Fl. 525DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     8 Assim, a infração apurada não é representada pelas remessas ao exterior, e sim pelo acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  portanto  a  reiteração,  nesse  caso,  estaria  representada  por  quatro  meses de acréscimo patrimonial, diluídos em dois anos­calendário.  Quanto  ao  primeiro  paradigma  ­  Acórdão  nº  101­94.095  ­  a  Fazenda  Nacional ­ colacionou no recurso a respectiva ementa, conforme a seguir:  "PRELIMINAR.  LANÇAMENTO.  NULIDADE.  Rejeição  da  preliminar  de  nulidade  por  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  o  Auto  de  Infração  e  seus  anexos  descrevem  minuciosamente  as  irregularidades  cometidas  pelo  sujeito  passivo e indicam os dispositivos legais infringidos.  IRPJ/CSLL.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  MULTA  QUALIFICADA. A prática reiterada de infrações definidas como  falta  de  recolhimento  e/ou  de  declaração  inexata,  por  diversos  anos  seguidos,  caracteriza  indício  veemente  da  ocorrência  de  irregularidades  definidas  nos  artigos  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502/64 e justifica a aplicação da multa qualificada.  JUROS  DE  MORA.  TAXA  SELIC.  Os  juros  de  mora,  a  taxa  SELIC, está prevista no artigo 13 da Lei n° 9.065/95 e enquanto  o dispositivo legal não for julgado inconstitucional pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  suspensa  a  sua  execução  pelo  Senado  Federal, as autoridades administrativas devem zelar pelo seu fiel  cumprimento.  Preliminar rejeitada. Negado provimento, no mérito." (destaques  da Recorrente)  De  plano,  constata­se  que  a  situação  tratada  no  paradigma  nada  tem  a  ver  com a do recorrido,  inclusive no que tange a reiteração. Com efeito, não se pode dizer que a  apuração de  acréscimo patrimonial em quatro meses, diluídos em dois  anos­calendário,  seria  "prática reiterada de infrações definidas como falta de recolhimento e/ou de declaração inexata,  por diversos anos seguidos", como consta da ementa acima. Compulsando­se o inteiro teor do  paradigma,  a  discrepância  fica  mais  acentuada,  pois  verifica­se  que  a  infração  consistiu  na  apuração de receitas brutas trimestrais declaradas a menor que as escrituradas nos livros fiscais  e comerciais, nos anos­calendário de 1998, 1999 e 2000.   Quanto  ao  segundo paradigma  indicado para  a  segunda  tese defendida pela  Recorrente  ­  Acórdão  nº  201­78.336  ­  a  respectiva  ementa  foi  reproduzida  no  recurso,  conforme segue:  "NORMAS  PROCESSUAIS.  CONSTITUCIONAL1DADE  DE  LEIS. DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.  Os  Conselhos  de  Contribuintes  somente  podem  afastar  a  aplicação  de  lei  por  inconstitucionalidade  nas  hipóteses  previstas em lei, decreto presidencial e regimento interno.  IR'.  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO.  LEI  N2  9.311/96.  NORMA PROCEDIMENTAL.  APLICAÇÃO  INTERTEMPORAL  PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  Norma que permite a utilização de  informações bancárias para  fins  de  apuração  e  constituição  de  crédito  tributário,  por  Fl. 526DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11634.000119/2007­27  Acórdão n.º 9202­003.812  CSRF­T2  Fl. 523          9 envergar  natureza  procedimental,  tem  aplicação  imediata,  alcançando mesmo fatos pretéritos.  MULTA  QUALIFICADA.  FRAUDE.  PRESENÇA  DOS  PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E  DE  PRÁTICA  REITERADA  CONDENÁVEL.  A  adoção  de  prática  reiterada  de  ocultar  a  ocorrência  do  fato  gerador, com subtração permanente de receitas nos livros fiscais  ou nos entes acessórios, tipifica o intuito de fraude.  MULTA  QUALIFICADA.  SONEGAÇÃO  FISCAL.  EXIGÊNCIA  FORMULADA  COM  BASE  EM  ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL  REGULAR E EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA.  A  movimentação  de  conta  bancária  ocultada  e  não­alcançável  por  uma  singela  auditoria  fiscal  é  prática  sujeita  à  multa  majorada.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE.  DECADÊNCIA.  A presença comprovada de fraude desloca a regra de contagem  do prazo decadencial para a do inciso I do art. 173 do CTN.  Recurso negado." (destaques da Recorrente)  A  leitura  da  ementa  não  autoriza  a  conclusão  no  sentido  de  que  haveria  similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, já que não se esclarece qual teria sido  a situação a ensejar a exasperação da penalidade. Compulsando­se o inteiro teor do paradigma,  conclui­se que se tratou de interposição de pessoa, o que de forma alguma constou da autuação,  no caso do recorrido. Confira­se o voto condutor do paradigma:  "Ora,  o  elenco  de  provas  reunidas  pelo  Fisco  não  comporta  quaisquer dúvidas acerca do  'modus operandi' perpetrado pelos  atores  intervenientes,  sobrelevando­se  solar  ­  na  mais  tênue  análise  ­ o nexo causal  entre a  interposta pessoa e a  litigante  conforme já denunciado.  (...)  No  caso  sob  embate,  impõe­se  estabelecer  duas  vertentes  para  bem  encaminhamento  do  voto,  mormente  em  face  do  cenário  antes  descrito  vis­à­vis  as  infrações  alicerçadas  em  princípios  distintos:  Na  hipótese  de  omissão  dos  depósitos  percebidos  pela  recorrente  através  de  interposta  pessoa,  confirma­se  que  não  foram objeto de quaisquer  reconhecimentos na  escrituração da  recorrente.  A  detecção  da  omissão  o  foi  através  de  diligência  formulada  pela  via  judicial,  junto  ao  Banco  Brasileiro  de  Descontos S/A., onde, pelos documentos de fls. 02 e seguintes, de  15.05.2001  (Anexo  I)  fornecidos  pelo  Bradesco  S/A.,  o  Fisco  relacionara  empresas  e  pessoas  físicas  que  promoveram  Fl. 527DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     10 depósitos,  sem qualquer  convicção  ou  juízo prévio,  factíveis de  operações sujeitas a controles bancários.  Em  decorrência,  surgiram  elementos  probantes,  como  já  demonstrados,  fatos  que  permitiram  ao  Fisco  detectar  a  conta  bancária talhada, unicamente, para os fins propostos. Infere­se,  pois,  que  não  só  fora  a  conta  bancária  o  ente  oculto,  mas  também  os  valores  e  as  operações  que  elas  encerram  do  movimento  financeiro  da  recorrente,  pois  outros  valores  com  outra  destinação  lá  não  haviam.,  porque  não  contraditos  e  provados  pela  defendente.  Tipifica­se,  dessa  forma,  não  uma  conta  bancária  à  parte  da  escrituração  ­  fato  que  implicaria  singela  conclusão, mas,  a  toda manifesta certeza,  receitas não­ contabilizadas ­ omitidas.  Emerge  manifesta  que,  in  casu,  configurou­se,  à  luz  do  dia,  o  ânimus caracterizador da sistemática reiterada de ocultamento e  redução  indevida  de  receita,  a  partir  de manobras  subalternas  que,  salvo melhor  juízo,  notadamenie  do  dominus  litis  da  ação  penal  pública,  possam  revelar  de  conformidade  com  o  cenário  antes traçado, atitude criminosa na ótica tributária."  Assim, constata­se que, ainda que pudessem ser considerados os paradigmas  que  extrapolaram  o  limite  regimental,  estes  não  lograram  caracterizar  a  alegada  divergência,  tendo em vista a  ausência de similitude fática em relação ao  acórdão  recorrido, de  sorte que  esta primeira matéria não pode ser conhecida.  Quanto à segunda matéria suscitada ­ decadência ­ os paradigmas indicados a  atrelam à manutenção da multa qualificada, que não foi conhecida, portanto mantém­se o que  foi decidido no acórdão recorrido, no que tange à inexistência de intuito doloso. Nesse passo,  avançar na análise acerca do cabimento da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, demandaria a  indicação  de  paradigma  em  que,  ausente  o  intuito  doloso,  dito  dispositivo  da  Lei  Complementar  fosse  considerado  inaplicável.  Entretanto,  não  foi  indicado  pela  Recorrente  qualquer paradigma nesse sentido.  Diante  do  exposto,  não  conheço  do  Recurso  Especial,  interposto  pela  Fazenda Nacional.     MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Relatora                                Fl. 528DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO

score : 1.0
6364404 #
Numero do processo: 14041.001179/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falar-se em direito à imunidade por prazo indeterminado. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência 10/2003 (inclusive), vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR; b) No mérito, por unanimidade de votos, afastar a tributação sobre o auxílio alimentação. Quanto à bolsa de estudos, por maioria de votos, afastar a tributação sobre essas verbas, vencido o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, que dava provimento em menor extensão e os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que negavam provimento. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Heitor de Souza Lima Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201602

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falar-se em direito à imunidade por prazo indeterminado. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue May 03 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 14041.001179/2008-14

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5586675

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 03 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2201-002.852

nome_arquivo_s : Decisao_14041001179200814.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

nome_arquivo_pdf_s : 14041001179200814_5586675.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência 10/2003 (inclusive), vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR; b) No mérito, por unanimidade de votos, afastar a tributação sobre o auxílio alimentação. Quanto à bolsa de estudos, por maioria de votos, afastar a tributação sobre essas verbas, vencido o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, que dava provimento em menor extensão e os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que negavam provimento. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Heitor de Souza Lima Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.

dt_sessao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016

id : 6364404

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:01 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423639285760

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2299; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14041.001179/2008­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.852  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de fevereiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007  ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO.  Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977.   Não há razão para falar­se em direito à imunidade por prazo indeterminado.  DECADÊNCIA.  O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou  inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,  portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário  Nacional.  Havendo recolhimentos aplica­se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.  EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS.  Não  incide  tributação sobre o valor  relativo  a plano educacional que vise à  educação  básica  e  a  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  desde  que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes tenham acesso ao mesmo.  JUROS  DE  MORA.  TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO  À  COBRANÇA  DE  TRIBUTOS.  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de mora  sobre  os  débitos  para  com  a União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil  com base na  taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  ALIMENTAÇÃO IN NATURA  Sobre  o  pagamento  in  natura  do  auxílio­alimentação  não  há  incidência  de  contribuição previdenciária.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 79 /2 00 8- 14 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.  VEDAÇÃO.  O Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  (CARF)  não  é  competente  para afastar  a aplicação de normas  legais  e  regulamentares  sob  fundamento  de inconstitucionalidade.  SEGURO  DE  ACIDENTE  DO  TRABALHO  ­  SAT.  REGULAMENTAÇÃO.  Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto  do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso, para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência  10/2003 (inclusive), vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA,  MÁRCIO DE LACERDA MARTINS  (Suplente  convocado)  e HEITOR DE SOUZA LIMA  JUNIOR;  b)  No  mérito,  por  unanimidade  de  votos,  afastar  a  tributação  sobre  o  auxílio  alimentação. Quanto à bolsa de estudos, por maioria de votos, afastar a tributação sobre essas  verbas,  vencido  o  Conselheiro  MARCELO  VASCONCELOS  DE  ALMEIDA,  que  dava  provimento  em menor  extensão  e  os  Conselheiros  HEITOR DE  SOUZA LIMA  JUNIOR  e  MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que negavam provimento.    Carlos Alberto Mees Stringari   Relator      Heitor de Souza Lima Júnior  Presidente    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA  LIMA  JUNIOR  (Presidente),  CARLOS  ALBERTO  MEES  STRINGARI,  MARCIO  DE  LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO,  MARIA  ANSELMA  COSCRATO  DOS  SANTOS  (Suplente  convocada),  MARCELO  VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA  LUSTOSA DA CRUZ.  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  em Brasília, Acórdão 03­33822 da 5ª  Turma, que julgou a impugnação improcedente.  O  lançamento  e  a  impugnação  foram  assim  relatadas  no  julgamento  de  primeira instância:    Trata­se de crédito previdenciário  lançado pela fiscalização da  Receita Federal  do Brasil,  contra  a  empresa  em  epígrafe,  cujo  montante.  consolidado  em  18/11/2008  é  de  R$185.496.500,99  (cento  e  oitenta  e  cinco milhões,  quatrocentos  e  noventa  e  seis  mil  quinhentos  reais  e  noventa  e  nove  centavos),  referente  às  competências: 01 /2003 a 12/2007.  A  ação  fiscal  foi  instituída  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal MPF n°. 01.1.01.002008005343, de 28 de maio de 2008.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal,  fls.  n.ºs  23/35,  o  objeto  do  presente  Auto  de  Infração  são  as  contribuições  sociais  patronais  (empresa  e  SAT/RAT),  não  declaradas  em  GFIP,  incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas  aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço  da UBEC.  Através  dos  registros  contábeis  ficou  constatado  o  pagamento  aos segurados empregados das seguintes rubricas: .  I  Descontos  concedidos  nas  mensalidades  escolares  (bolsas),  aos segurados e/ou aos dependentes destes, cujos valores foram  apurados  com  base  na  relação  nominal  dos  beneficiários,  apresentada pelo  contribuinte  em meio magnético. As  referidas  contribuições  foram  lançadas  nos  seguintes  papéis  de  trabalho  (levantamentos):  PBD PGTO BOLSAS A DEPENDENTES onde estão incluídos os  valores  dos  descontos  concedidos  nas  mensalidades  dos  dependentes;   PBF PGTO BOLSAS A FUNCÍONARIOS ~ onde foram incluídos  os  valores  dos  descontos  concedidos  nas  mensalidades  dos  funcionários;   PBR  PGTO  BOLSAS  RECIPROCIDADE  onde  foram  incluídos  os  descontos  recíprocos,  concedidos  nas  mensalidades  dos  dependentes dos funcionários;   Fl. 620DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4 II Fornecimento de Alimentação aos Trabalhadores Durante a  ação fiscal, ficou constatado que o contribuinte em questão não  aderiu ao Programa de Alimentação do Trabalhador ›PAT.  Dessa  forma,  foram  lançados  os  valores  devidos,  com  base  na  relação  nominal  dos  beneficiários  apresentada  pela  empresa,  que foi catalogada no levantamento denominado “PAT”;  III  Remunerações  Lançadas  na  Folha  de  Pagamento  Não  Declaradas  em  GFIP  Após  análise  das  folhas  de  pagamento,  confrontadas  com  as  informações  das  GFIP,  verificou­se  a  existência  de  trabalhadores  informados  nas  Folhas,  mas  não  declarados  em GFIP.  A  relação  dos  trabalhadores  encontra­se  anexa ao Relatório Fiscal.  As contribuições sociais e respectivas bases de cálculo inerentes  aos segurados não declarados em GFIP foram catalogadas nos  seguintes levantamentos:  REF:  REM.  DE  EMPREGADOS  FOLHA  PGTO  segurados  empregados e   RCF:  REM  DE  CI  FOLHA  DE  PGTO  contribuintes  individuais/Autônomos;   IV Contribuições Previdenciárias decorrentes do Cancelamento  da Isenção de Cota Patronal.  A isenção da cota patronal da impugnante, concedida em 24 de  janeiro de 1998, foi cancelada por meio da Decisão Notificação  nº 23.401.4/03/2006 e do Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006,  de  25/09/2006.  A  entidade  impetrou  Mandado  de  Segurança  visando  à  manutenção  da  referida  isenção;  porém,  a  decisão  liminar foi indeferida.  Para  fins de apuração do crédito previdenciário, a  fiscalização  considerou as remunerações declaradas pela entidade nas GFIP.  No período em que a competência referente ao  l3° Salário não  constava  na  GFIP,  os  valores  foram  apurados  com  base  nas  folhas  de  pagamento  apresentadas  pela  mesma.  Tais  contribuições foram catalogadas nos seguintes levantamentos:  REM: REM DE EMPREGADOS;   RCI: REM DE CI (Contribuintes Individuais);  V Remunerações Lançadas na Contabilidade, Não Declaradas  em GFIP.  Nos registros contábeis apresentados pela entidade, verificaram­ se pagamentos superiores aos declarados em GFIP a Segurados  Empregados  e  a  Contribuintes  Individuais.  Ante  a  impossibilidade  de  identificá­los  individualmente,  o  crédito  previdenciário  está  sendo  lançado  por  arbitramento  e  apurado  por  aferição  indireta,  com  base  nos  totais  mensais,  por  competência.  As contribuições foram lançadas nos seguintes levantamentos:  Fl. 621DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 4          5 CND  _  CONTR.IND.  CONTAB  NÃO  DECL;  END  EMPREGADOS CONTAB NÃO DECL.  DA IMPUGNAÇÃO   Dentro  do  prazo  regulamentar,  o  contribuinte  contestou  o  lançamento, através do  instrumento de fls. 92/136, cujas razões  de defesa são as seguintes:  Informa  que  se  trata  de  entidade  de  direito  privado,  que,  em  04/06/1981,  foi  declarada  de  Utilidade  Pública  Federal,  mediante  o Decreto  n.º  86072;  e Municipal,  conforme Decreto  n.°  220,  de  31/08/2005,  pela  Prefeitura Municipal  de  Silvânia,  mediante a Lei Municipal nº 1422, de 31 de agosto de 2005; Que  aderiu  ao  PROUN1  Programa  Universidade  Para  Todos,  instituído  pela  lei  n.°  11.096/05,  oferecendo  bolsa  de  estudo,  numa  demonstração  de  estar  colaborando  com  o  governo  e  tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de  tributos,  na  forma do art.  8°,  111, da  lei  n.° 11.096/05, que preceitua a  isenção  da  Contribuição  Social  sobre  o  Financiamento  da  Seguridade Social, instituída pela lei Complementar n.º 70, de 30  de dezembro de 1991; Que requereu e obteve do CNAS, em 31 de  julho  de  1976,  o  Certificado  de  Fins  Filantrópicos,  passando,  então  a  gozar  da  isenção  da  quota  patronal  previdenciária  prevista  na  Lei  n.“  3.577/59;  Que  obteve  judicialmente  o  reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos  do  mandado  de  segurança  n."  89.01.868038,  em  que  foi  constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria e faz  jus à  imunidade do art. 195, §7", da Constituição Federal, por  preencher todas as condições estabelecidas nos arts. 9" e 14 do  CTN.  Apesar disso, a fiscalização passou a desconsiderar a isenção e  a imunidade, o que a levou a promover a Ação Ordinária (Proc.  2002.34.00.0249380/  DF),  tendo  por  objeto  a  declaração  de  inexistência  de  relação  jurídica  tributária  entre  ela,  a  União  Federal  e  o  INSS,  em  face  da  imunidade.  A  ação  foi  julgada  procedente  em  1”  grau.  A  pretexto  de  que  a  entidade  não  preenchia  os  requisitos  do  art.  14  do  CTN,  nos  termos  da  Decisão Notificação n.º23.401/ 03/2006, de 04/03/2006 e do Ato  Cancelatório  n.°  23.401  .002/2006,  de  25/09/2006  cuja  legalidade  encontra­se  sub  judice  a  autoridade  administrativa  passou  a  negar­lhe  o  benefício  da  desoneração  de  quota  patronal,  lavrando  sete  autos  de  infração,  com  exigência  de  principal e multa.  Ante o exposto, requer:  Preliminarmente   Nulidade  do  Lançamento  por  Falta  de  seus  Elementos  essenciais. Cerceamento do Direito de Defesa.  Dispõe que a fiscalização não  foi capaz de  indicar o nome dos  trabalhadores  individuais  ou  empregados,  arbitrando  o  valor  exigido a título de contribuição dos segurados, o que certamente  Fl. 622DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   6 projeta reflexos no valor da quota patronal ora exigida; Que o  agente  agiu  por  presunção,  violando  o  tributo  em  seu  aspecto  material  e  desrespeitando  O  principio  da  capacidade  contributiva,  o  que  impõe a  anulação do Auto; Que,  embora  o  Relatório  Fiscal  informe  que  a  base  de  cálculo  das  exigências  apuradas corresponde à diferença entre folhas ‹le pagamento e  os  valores  lançados  em  GFIP,  não  é  possível  apurar  a  veracidade de tais diferenças;  Que  a  obscuridade  do  auto  de  infração,  não  apontando  claramente a origem do débito nem permitindo a conferência da  exatidão da base de cálculo apurada, importa em sua nulidade,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa; Que  a  autuação  é  nula,  também,  por  desconsiderar  decisões  judiciais  que  põem  a  impugnante a salvo da exigência de quota patronal, uma vez que  faz jus à desoneração, independente da expedição de renovação  de certificado de entidade beneficente de assistência social, por  ter direito adquirido e à imunidade de que trata o art. l95, §7“  da  CF,  conforme  restou  decidido  em  ação  declaratória,  promovida perante o.juízo da 3" Vara Federal de Brasília.  A  autoridade  fiscal,  ao  lançar  o  crédito  tributário,  produziu  lançamento  nulo,  por  desobediência  à  ordem  judicial,  inconstitucional, por violar o princípio da separação de Poderes,  previsto  no  art.  2°  da CF,  a  coisa  julgada  e  o  art.  151,  IV  do  CTN,  sendo  o  seu  cancelamento,  de  plano,  até  no  interesse  do  próprio erário, sob pena de sequer mostrar­se apto a impedir a  decadência,  vício  do  qual  pretenderam  preservar  o  pretenso  crédito tributário.  Da Decadência dos Valores Exigidos em Períodos Anteriores a  I2/2003   Alega que,  nos  termos  do  art.  l5(),  §4“  do CTN,  encontram­se  atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores a I9 de  novembro de 2003.  No Mérito   Do  Direito  Adquirido  à  Isenção  da  Quota  Patronal  e  Coisa  Julgada   Alega  a  impugnante  possuir  direito  adquirido  á  isenção  da  quota patronal por não remunerar a diretoria e ser reconhecida  corno  de  utilidade  pública  federal,  uma  vez  que  obteve,  sob  a  égide  da  Lei  n.º  3.577/59,  o  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos.  Tanto é assim que seu direito adquirido restou reconhecido pelo  Tribunal Federal da I” Região, nos autos do MAS 89.01.068028/  DF.  Assim, o auto de infração ofende ao art. 5" XXXVI, pois viola o  direito adquirido e a coisa julgada.  Do Direito ao Gozo da Imunidade do art". 195, §7° da CF.  Embora o dispositivo constitucional utilize o termo “isenção” ao  indicar  que  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  são  Fl. 623DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 5          7 desoneradas  de  contribuição  para  a  seguridade  social,  por  se  tratar  de  desoneração  veiculada  pelo  próprio  texto  constitucional, a natureza jurídica é de verdadeira imunidade.  A “Lei” a que faz menção a parte final do art. l95, §7“, ou seja,  a que pode estabelecer as exigências para o gozo do beneficio,  há de  ser  lei  complementar,  por  força do que  estabelece o art.  l46, II da CF.  Assim,  ante  a  falta  de  lei  complementar  específica  para  disciplinar  as  condições  a  serem  preenchidas  pelas  entidades  beneficentes  para  fazerem  jus  ao  beneficio  do.  195, §7“,  o Eg.  Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RMS 22.1929/ DF,  reconheceu  prestantes  as mesmas  condições  previstas  nos  arts.  9"  e  14"  do CTN  para  gozo  da  imunidade  de  impostos  de  que  trata  o  art.  150,  VI  “e”  da  CF,  por  serem  tais  condições  compatíveis  com  o  perfil  da  entidade  para  a  qual  ambas  as  desonerações  l`oram  concebidas  pelo  legislador  supremo.  ~  Alega que atende a todos os requisitos para a manutenção de seu  benefício  constitucional,  não  sendo  exigíveis  outros  preceitos  que não os constantes do art. 195, §7° da CF c/c arts. 9” e 14 do  CTN.  1  Acrescenta  que,  no  ato  de  cancelamento  da  isenção  da  impugnante,  a  autoridade  arrola  uma  série  de  informações  distorcidas  na  tentativa  de  impedir  que  a  instituição  goze  da  isenção e da imunidade a que faz jus, desprezando a prova que  lhe foi apresentada e criando uma série de requisitos, condições  e  impedimentos,  sem  qualquer  respaldo  legal,  com  o  único  intuito de aumentar  indevidamente a arrecadação, que  são, em  resumo:  a) que a impugnante não possuiria o titulo de utilidade pública  do Distrito Federal,  objeto  do Decreto  n."  3.333/76,  publicado  em 02/08/1976.  Essa  informação  é  manifestamente  inverídica,  vez  que,  em  função  do  Decreto  19.004/1998,  do  DF,  o  mencionado  título  permanece  em plena  validade  até  que  seja  concluída  a  análise  objeto do processo 030.016.726/1976, jamais tendo sido cassado  ou objeto de cancelamento.  b)  Que  não  possuiria  registro  no  CASDF  (Conselho  de  Assistência Social do Distrito Federal.  O  pedido  de  inscrição  no  referido  Órgão,  protocolado  em  23/11/2000,  permanece  sob  análise  da  autoridade  administrativa, nada havendo que impeça sua concessão.  Tanto é assim que a entidade possui  inscrição junto ao CAS de  Silvânia  GO,  bem  como  o  certificado  de  utilidade  pública  daquele município.  c) Que a entidade  teria concedido vantagens a seus associados  mediante a concessão de bolsas de estudo.  Fl. 624DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   8 Os  associados  da  impugnante  são  pessoas  jurídicas. O  fato  de  ter concedido bolsas de estudo a religiosos (pessoas físicas) que  integram as instituições associadas, reconhecidamente pobres, e  que  não  exercem  cargo  de  direção  na  entidade,  não  pode  ser  considerado razoável para levar à conclusão de que a entidade  estaria  promovendo  distribuição  de  lucros,  benefícios  ou  resultados, até porque  tais despesas foram contabilizadas como  custo.  d)  Que  teria  distribuído  parcela  de  seu  patrimônio  através  de  doações aos sócios, ao doar moveis e equipamentos à lnspetoria  São Bosco e ao Centro Miguel Magoni ~ CEl\/lll\/I; As doações,  que tiveram por objeto equipamentos baixados do patrimônio da  entidade,  por  obsolescência,  estão  perfeitamente  autorizadas  pela Resolução n.° 196, de 10.12.2002, desde que a possibilidade  de  doação  de  recursos  a  entidades  afins  esteja  prevista  no  estatuto da entidade (no caso, há previsão no art. 5" do estatuto  da  UBEC)  e  que  a  donatária  utilize  os  recursos  recebidos  na  exeeuçao de projetos na area assistencial, como foi o caso.  Estão respaldadas, também, na Resolução 188, de 20/10/2005.   e)  Que  teria  remunerado  diretor  ‹la  entidade,  mais  especificamente, a professora Débora Pinto Niquini.  Na  verdade,  essa  professora  recebia  salario  por  sua  atuação  como  docente  da  entidade  e,  depois,  como  reitora;  sendo  tais  remunerações cornpatíveis com as de mercado.  Quando exerceu cargo de direção, nada percebeu.  Assim, a negativa de reconhecer a isenção pelo fato de ter sido  paga  remuneração  a  professora  da  entidade,  depois  reitora,  e  que nada percebeu enquanto diretora da instituição, contraria a  Constituição,  a  lei,  a  jurisprudência  e  os  atos  normativos  da  própria Administração.  f)Que  a  impugnante  teria  constituído  patrimônio  de  sociedade  sem caráter ` beneficente, através de falsas cooperativas.  A  Tal  alegação  lastrou­se  no  lato  de  consoante  lhe  faculta  a  Constituição,  a  entidade  perceber  receita  proveniente  da  exploração  de  um  estacionamento  no  imóvel  em  que  está  localizada.  Alega  que  tal  possibilidade  pode  ser  exercida  quer mediante  a  exploração do bem pela própria entidade quer por terceiros, sem  que se caracterize desvirtuamento da natureza não lucrativa da  instituição,  desde  que  os  resultados  revertam  às  finalidades  institucionais.  Transcreve  alguns  julgados  da  Suprema  Corte,  cuja  fundamentação está no art. l50, Vl, “b” e “c”.  ....  Da não Incidência da Contribuição sobre Bolsas de Estudo.  A teor do que estabelece o art. 28 da Lei n." 8.2l2/91, os valores  que  a  impugnante  despende  com  a  formação  de  seus  Fl. 625DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 6          9 colaboradores  e  seus  dependentes  estão  fora  do  âmbito  de  incidência  da  contribuição  em  questão,  assim  corno  quaisquer  ajudas, desde que não representem substituição da remuneração  paga  pelo  empregador  ou  tomador  do  serviço  em  prol  da  educação,  pois  a  tributação  está  sujeita  aos  princípios  da  legalidade  e  da  tipicidade,  não  cabendo  à  fiscalização  exigir  tributo sem amparo legal, com suposto rastro em procedimentos  arbitrários,  despidos  de  razoabilidade  e  que  levem  à  exigência  de tributo inexistente.  Que  a  contribuição  social  em  questão  só  pode  alcançar  rendimentos  pagos  pelo  empregador  em  contraprestação  a  trabalho efetuado por pessoa física. A educação suportada pelo  empregador,  seja  em prol de  seus  funcionários  ou  em  favor  de  dependentes destes não constitui  contraprestação pelo  trabalho  efetuado; logo, não tem natureza de salário.  Ademais, tanto a Lei nf' 8.212/91 quanto o RPS_reconhecem que  não  estão  abrangidos  pelo  campo  de  incidência  da  norma  os  valores gastos pelo empregador com educaçao básica.  Auxílio Alimentação   Dispõe a impugnante que arca com a maior parte das despesas  de  alimentação  de  seus  empregados;  logo,  paga,  in  natura  ,  o  auxílio  alimentação,  o  que,  a  teor  da  Lei  e  da  jurisprudência,  afasta  a  incidência  previdenciária,  por  não  se  revestir  de  natureza salarial, independente de a entidade ser ou não inscrita  no PAT;   Que  a  doutrina  e  a  jurisprudência  divergem  sobre  se  a  legislação consagraria 0 entendimento de que a condição para o  gozo  da  isenção  ou  “não  incidência"  seria  o  fornecimento  in  natura  ou  a  adesão  ao  PAT.  pois  o  ato  administrativo  é  meramente declaratório, e não, constitutivo. _ Assim, por não se  revestir  de  natureza  salarial,  mas  de  mero  estímulo  a  que  a  prestação  dos  serviços  se desenvolva  em condições  de maior  e  melhor  produtividade,  resta  demonstrada  a  insubsistência  do  auto de infração. Além de que o auto seria nulo, de pleno direito,  por não  levar em conta a parte da alimentação suportada pelo  próprio segurado.  Do SAT/GILRAT   A  impugnante  posiciona­se  contra  a  cobrança  do  Seguro  Acidente  do  Trabalho,  entendendo  que  a  Lei  n."  8.212/91  não  veicula  critérios  objetivos  para  a  definição  dos  elementos  essenciais à instituição do tributo, principalmente do conceito de  atividade  preponderante,  que  determina  a  aplicação  das  alíquotas correspondentes ao grau de risco.  Assim, omissa a Lei, não poderia o Poder Executivo, por meio de  Decretos, estabelecer os referidos conceitos, sob pena de ofensa  aos princípios da legalidade e tipicidade tributárias.  Ilegitimidade da SELIC   Fl. 626DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   10 Que a autuação também é insubsistente por incluir a incidência  da  taxa SELIC, uma vez que a mesma possui natureza de  juros  rcmuneratórios,  definidos  como  medição  do  rendimento  do  capital  em  certo  espaço  de  tempo,  o  que  acarretaria  o  enriquecimento ilícito da União, vedado pelo art. 4” LÍCC.    Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde  alega/questiona, em síntese:    · A  decisão  recorrida  merece  reparos  em  sua  totalidade,  por  este  E.  Conselho, por não estar em harmonia com as normas constitucionais,  com  a  decisão  judicial  favorável  a  Recorrente  e  com  as  normas  de  interpretação da imunidade tributária.  · Direito à isenção da cota patronal:  o  Aderiu  ao  PROUNI  "  Programa  Universidade  Para  Todos",  instituído pela Lei n° 11.096/05, conforme documento anexo,  oferecendo  bolsa  de  estudo,  numa  demonstração  de  estar  colaborando  com  o  governo,  e  tendo,  portanto,  assegurado  o  seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8° da Lei n°  11.096/05, Requereu  e  obteve  do CNAS,  em  31  de  julho  de  1976, o Certificado de Fins Filantrópicos,  passando,  então,  a  gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na  Lei n° 3.577 de 04 de julho de 1959.  o  A  Recorrente  obteve  judicialmente  o  reconhecimento  do  direito  adquirido  a  esse  beneficio,  nos  autos  do mandado  de  segurança  n°  89.01.868038,  em  que  foi  constituída  em  seu  favor coisa julgada sobre essa matéria.  o  Ação  Ordinária  (Proc.  Nº  2002.34.00.024938­0/  DF),  tendo  por  objeto  a  declaração  de  inexistência  de  relação  jurídica  tributária  entre  ela,  a  União  Federal  e  o  INSS,  em  face  da  imunidade do art. 195, § 7" da CF.  o  Nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e  do Ato Cancelatório  nº 23.401.002/2006,  de  25.09.2006  cuja  legalidade  encontra­se  sub  judice  a  autoridade  administrativa  passou a negar o beneficio da desoneração de quota patronal,  lavrando  ainda  sete  autos  de  infração,  com  exigência  de  principal e multa.  o  Direito adquirido à isenção.  o  Imunidade artigo 195, parágrafo 7º CF.  · Nulidade  da  exigência  fiscal  contida  no  auto  de  infração  por  desobediência à decisão judicial.  Fl. 627DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 7          11 · Decadência.  · A  não  incidência  de  quota  patronal  sobre  bolsas  de  estudos  concedidas a funcionários e seus dependentes   · Não incidência da quota patronal sobre auxílio alimentação fornecido  in natura pelo empregador.  · SAT/GILRAT.  · SELIC.    O processo baixou em diligência para inclusão de documentos faltantes.    É o relatório.  Fl. 628DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   12     Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.      PRELIMINARES      ISENÇÃO/IMUNIDADE ­ NULIDADE ­ DECISÕES JUDICIAIS    A recorrente requer a nulidade do lançamento; afirma ter direito à imunidade;  que  as  normas  de  interpretação  da  imunidade  tributária  não  podem  ser  restringidas  pela  legislação  infraconstitucional;  que  aderiu  ao  PROUNI  (Lei  11.096/05)  e  que  tem  direito  à  isenção  na  forma  do  art.  8°  da  Lei  n°  11.096/05;  que  com  o  advento  da  nova  ordem  constitucional,  obteve  judicialmente  o  reconhecimento  do  direito  adquirido  a  esse  beneficio,  nos  autos  do mandado de  segurança  n°  89.01.86803­8,  em que  foi  constituída  em  seu  favor  coisa julgada sobre essa matéria; que promoveu perante a 3ª Vara federal do Distrito Federal,  Ação  Ordinária  (Proc.  nº  2002.34.00.024938­0/DF),  tendo  por  objeto  a  declaração  de  inexistência  de  relação  jurídica  tributária  entre  ela,  a  União  Federal  e  o  INSS,  em  face  da  imunidade do art. 195, § 7º da CF.  Entendo que não assiste razão à recorrente.  Para a questão do direito adquirido, sigo a orientação do STF, que declara ter  jurisprudência  firme  no  sentido  de  "afirmar  a  inexistência  de  direito  adquirido  a  regime  jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falar­se em direito à imunidade por prazo  indeterminado."    RMS 27093 / DF ­ DISTRITO FEDERAL  RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA  Relator(a): Min. EROS GRAU  Julgamento:  02/09/2008  Órgão  Julgador:  Segunda  Turma  RECTE.(S):  FUNDAÇÃO  EDUCACIONAL  DA  REGIÃO  DE  JOINVILLE ­ FURJ   Fl. 629DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 8          13 RECDO.(A/S):  UNIÃO  ADV.(A/S):  ADVOGADO­GERAL  DA  UNIÃO   EMENTA:  RECURSO  ORDINÁRIO  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE  ENTIDADE  BENEFICENTE  DE  ASSISTÊNCIA  SOCIAL  ­  CEBAS.  RENOVAÇÃO  PERIÓDICA.  CONSTITUCIONALIDADE.  DIREITO  ADQUIRIDO.  INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA  CB/88.  INOCORRÊNCIA.  1.  A  imunidade  das  entidades  beneficentes  de  assistência  social  às  contribuições  sociais  obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso  II  do  art.  55  da  Lei  n.  8.212/91  estabelece  como  uma  das  condições  da  isenção  tributária  das  entidades  filantrópicas,  a  exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente  de Assistência Social ­ CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A  jurisprudência  desta  Corte  é  firme  no  sentido  de  afirmar  a  inexistência  de  direito  adquirido  a  regime  jurídico,  razão  motivo  pelo  qual  não  há  razão  para  falar­se  em  direito  à  imunidade  por  prazo  indeterminado.  4.  A  exigência  de  renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e  195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o  Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese  em  que  a  recorrente  não  cumpriu  os  requisitos  legais  de  renovação do certificado.  Recurso não provido.    Observo que, em essência, o que se discutiu no processo acima referenciado é  exatamente  o  que  foi  apresentado  pela  recorrente.  Complemento  apresentando  trechos  do  relatório e voto da decisão apresentada.  Relatório  3.  0  acórdão  recorrido  afirmou  a  inexistência  de  direito  adquirido  à  manutenção  do  CEBAS  por  prazo  indeterminado,  que  há  de  ser  renovado  a  cada  3  [três]  anos,  nos  termos  do  disposto  no  art.  55,  II,  da  Lei  n.  8.212/91, observados os requisitos previstos no decreto n.  2.536/98. Reconheceu a inadequação da via eleita, eis que  o  tema  de  fundo  da  impetração  demanda  dilação  probatória  incompatível  com  o  rito  do  mandado  de  segurança.  4.  A  recorrente  alega  a  existência  de  direito  adquirido  à  imunidade  "por  prazo  indeterminado",  porquanto  "cumpridora  da  legislação  vigente  à  época  de  sua  aquisição,  notadamente  a  Lei  n.  3.577,  de  1959,  e  o  decreto­lei  n.  1.572,  de  1977,  por  se  tratar  de  situação  fática  juridicamente  consolidada,  sob  a  luz  de  direito  pretérito".  Fl. 630DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   14    Voto  3.  O  inciso  II  do  art.  55  da  Lei  n.  8.212/91  estabelece  como  uma  das  condições  para  a  isenção  tributária  das  entidades  filantrópicas  a  exigência  expressa  de  que  possuam o CEBAS, renovável a cada três anos.  4.  A  imunidade  das  entidades  beneficentes  de  assistência  social  as  contribuições  sociais  obedece  a  regime  jurídico  definido na Constituição.  5.  Esta Corte  fixou  o  entendimento  de  que  não  há  direito  adquirido a regime jurídico, razão pela qual não há falar­ se em direito à imunidade por prazo indeterminado.  6. Quanto à exigência de renovação periódica do CEBAS,  o Tribunal entende não haver ofensa à Constituição:  "EMENTA:I.Imunidade  tributária:  entidade  filantrópica:  CF,  arts.  146,  II  e  195,  §  7o:  delimitação  dos  âmbitos  da  matéria  reservada,  no  ponto,  à  intermediação  da  lei  complementar  e  da  lei  ordinária  (ADI­MC  1802,  27.8.1998,  Pertence,  DJ  13.2.2004;  RE  93.770,  17.3.81,  Soares  Munoz,  RTJ  102/304).  A  Constituição  reduz  a  reserva  de  lei  complementar  da  regra  constitucional  ao  que diga respeito 'aos lindes da imunidade', à demarcação  do  objeto material  da  vedação  constitucional  de  tributar;  mas remete à  lei ordinária  y as normas sobre a constituição e  o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune' .  II.  Imunidade  tributária:  entidade  declarada  de  fins  filantrópicos  e  de  utilidade  pública:  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos:  exigência  de  renovação  periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55).  Sendo  o  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos  mero  reconhecimento,  pelo  Poder  Público,  do  preenchimento  das  condições  de  constituição  e  funcionamento,  que  devem  ser  atendidas  para  que  a  entidade  receba  o  beneficio  constitucional,  não  ofende  os  arts.  146,  II,  e  195,  §  7o,  da  Constituição  Federal  a  exigência  de  emissão  e  renovação  periódica  prevista  no  art. 55, II, da Lei 8.212/91".  [AgR­RE  n.  428.815,  Relator  o  Ministro  SEPÚLVEDA  PERTENCE, DJ de 24.6.05].  7.Nego provimento ao presente recurso.    Quanto à imunidade, a Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art.  195,  §  7º,  imunidade,  embora  o  texto  constitucional  faça  referência  a  isenção  quanto  a  contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência  social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a  certos requisitos estabelecidos na lei.  Fl. 631DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 9          15 Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   §  7º  ­  São  isentas  de  contribuição  para  a  seguridade  social  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  às  exigências estabelecidas em lei.(grifei)    Antes  da  promulgação  da  Lei  n.º  8212/91  foi  ajuizado  o  Mandado  de  Injunção  nº  232­1  –  RJ  (Rel.  o  Min.  Moreira  Alves),  pois  desde  a  promulgação  da  Constituição, o dispositivo constitucional  imunizante, reconhecido como de eficácia limitada,  carecia de regulamentação.  Apreciando  especificamente  a  imunidade  de  contribuições  previdenciárias  aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que:  a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da  imunidade;   b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e   c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária.  A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91.    Para a questão das ações judiciais, entendo que as alegações da impugnação  foram reapresentadas e que a questão foi bem esclarecida no julgamento de primeira instância.  Abaixo reproduzo trecho do voto condutor daquela decisão:     Quanto  à  alegada  nulidade  por  desconsideração  de  decisões  judiciais,  também não assiste razão à impugnante. Conforme se  pode  observar  da  documentação anexada aos  autos,  a  referida  decisão  proferida  pela  3ª  Vara  Federal  de  Brasília  (fls.  259/265),  prolatada em Mandado de  Segurança,  em  janeiro  de  1989, antes, portanto, da constatação pela fiscalização de que a  UBEC,  não  atendia  aos  pressupostos  legais  para  continuar  se  beneficiando  da  isenção  patronal  e,  também,  da  emissão  do  conseqüente  Ato  Cancelatório  n.°  02/2006.  Logo,  não  houve  desobediência a ordem judicial.  O  Mandado  de  Segurança  n.°  89.01.06803­8,  impetrado  pela  Impugnante  junto ao TRF da 1ª Região  (fls. 266/270),  teve  sua  Segurança denegada.  No  que  se  refere  à  Decisão  proferida  na  Ação  Ordinária  n.°  2002.34.00.024938­0 (fls.271/277), também não se refere ao Ato  Fl. 632DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   16 Cancelatório  que  precedeu  a  presente  fiscalização.  Como  se  pode  apreender  do  relatório  da  decisão,  trata  o  processo  de  fiscalização empreendida pelo CNAS, cujo inicio estava previsto  para  31/07/2002,  referente  ao Certificado  de Entidade  de Fins  Filantrópicos por ele emitido e que, conforme termos da decisão  de  fls.  276,  deve  a  Impugnante  observar  "para manutenção  da  imunidade  das  contribuições  para  a  seguridade  social,  os  preceitos constantes dos arts. 9° e 14 do CTN", que são, verbis:  Art. 9°É vedado a Unido, aos Estados, ao Distrito Federal e  aos Municípios:  • I.­ instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça,  ressalvado, quanto a majoração, o disposto nos artigos 21,  26 e 65;  II ­ cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base  em lei posterior a data inicial do exercício financeiro a que  corresponda;  III  ­  estabelecer  limitações  ao  tráfego,  no  território  nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de  tributos  interestaduais ou intermunicipais;  IV­ cobrar imposto sobre:  a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros;  b) templos de qualquer culto;  c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos politicos,  inclusive  suas  fundações,  das  entidades  sindicais  dos  trabalhadores, das instituições de educação e de assistência  social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados  na  Seção  II  deste  Capitulo;  (Redação  dada  pela  Lei  Complementar n° 104, de 10.1.2001)  Art. 14. O disposto na alínea c do  inciso IV do artigo 9° é  subordinado  a  observância  dos  seguintes  requisitos  pelas  entidades nele referidas:  I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou  de suas rendas, a qualquer titulo; (Redação dada pela Lcp no  104, de 10.1.2001)  II  ­  aplicarem  integralmente,  no Pais,  os  seus  recursos  na  manutenção dos seus objetivos institucionais;  III ­ manterem escrituração de suas receitas e despesas em  livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua  exatidão.  § I° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no  § 1" do artigo 9", a autoridade competente pode suspender  a aplicação do beneficio.  § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do  artigo  9'  são  exclusivamente,  os  diretamente  relacionados  com  os  objetivos  institucionais  das  entidades  de  que  trata  Fl. 633DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 10          17 este  artigo,  previstos  nos  respectivos  estatutos  ou  atos  constitutivos.    Quanto às alegações relativas ao PROUNI, essas referem­se a tributo distinto  do que se discute neste processo, sendo as alegações impertinentes.  Outro ponto que merece não ser considerada é a menção ao Ato Cancelatório  nº 23.401.002/2006, com citação de estar sub judice, sem comprovação e mencionando o artigo  14  do  CTN,  que  refere­se  a  imposto,  quando  este  lançamento  refere­se  a  contribuição.  A  desconsideração é motivada pela falta da comprovação do contencioso e da falta de relação da  legislação mencionada com o tributo aqui discutido.   Abaixo trecho do recurso apresentado:    Outrossim,  a  pretexto  de  que  a  entidade  não  preencheria  os  requisitos do art. 14 do CTN nos termos da Decisão Notificação  nº  23.401,  de  04.03.2006  e  do  Ato  Cancelatório  no  23.401.002/2006,  de  25.09.2006  ­  cuja  legalidade  encontra­se  sub  judice  ­  a  autoridade  administrativa  passou  a  negar­lhe  o  beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando ainda sete  autos de infração, com exigência de principal e multa.      DECADÊNCIA    Conforme  Relatório  Fiscal,  no  lançamento  foi  aplicada  a  regra  prevista  no  artigo 173, I do CTN.     DA DECADÊNCIA   14. Para fins de lançamento do crédito tributário decorrente da  sonegação  de  informações  e  valores  à  previdência  social  está  sendo  aplicado  o  prazo  decadencial  qüinqüenal  previsto  no  inciso  I  do  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional  (lei  n°.  5172/66)  em  consonância  com  a  Súmula  Vinculante  n°.  08  do  Supremo Tribunal Federal publicada no Diário Oficial da União  de 20/6/2008, página 1.    A recorrente pleiteia a aplicação da regra do artigo 150, § 4° do CTN.  Concordo com a recorrente.  Fl. 634DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   18 Para casos com recolhimento antecipado, ainda que parcial, aplica­se a regra  do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme súmula CARF 99.    Súmula  CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.    Apesar  de  o  lançamento  referir­se  a  contribuição  patronal  de  uma  entidade  que diz­se isenta, o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados ­ RADA, apresenta  várias  apropriações  de  recolhimentos  para  o  débito  em  questão  (cota  patronal),  tanto  para  a  contribuição da empresa quanto para o SAT/RAT.  O período do lançamento é de 01/2003 a 12/2007.  A ciência do lançamento ocorreu em 20/11/2008.  Entendo decadentes as competências até 10/2003, inclusive.       MÉRITO      SELIC ­ SÚMULA  Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verifica­se que essa  é uma questão  sobre  a qual o CARF possui decisões  reiteradas  e,  por essa  razão  foi  editada  Súmula,  cuja  observância  é  obrigatória  para  estes  conselheiros.  Abaixo  apresento  a  Súmula  número 4.  “Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”.       BOLSAS DE ESTUDOS  Fl. 635DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 11          19   A  recorrente  questiona  a  tributação  incidente  sobre  bolsas  de  estudos  destinadas a empregados e seus dependentes, alegando a não incidência.   Concordo com a recorrente.    O  artigo  28  da  lei  8.2121/91  estabelece  como  regra  a  tributação  da  totalidade  do  rendimento  do  trabalho.  Porém,  especifica  algumas  hipóteses  de  não  incidência, tal como o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos  termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e  qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes tenham acesso ao mesmo.    Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei,  exclusivamente:(Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham  acesso  ao  mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).    Não encontrei menção  a que  as  bolsas de  estudos  fossem  restritas  a  alguns  segurados, do que deduzo que todos tinham acesso.  Não percebo na alínea “t”, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 restrição  à  educação  fornecida  a  dependentes  e  entendo  que  uma  vez  cumpridos  os  demais  requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos concedidas a empregados  e/ou dependentes.  Fl. 636DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   20 Para fim de registro, observo que em 2011 a alínea "t", do § 9º, do artigo 28,  da Lei 8.212/91 foi alterada, conforme abaixo.    t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que  vise  à  educação  básica  de  empregados  e  seus  dependentes  e,  desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à  educação profissional e  tecnológica de empregados, nos termos  da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996,  e:(Redação dada  pela Lei nº 12.513, de 2011)  1.  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial;  e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011)  2.  o  valor  mensal  do  plano  educacional  ou  bolsa  de  estudo,  considerado  individualmente,  não  ultrapasse  5%  (cinco  por  cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor  correspondente  a  uma  vez  e  meia  o  valor  do  limite  mínimo  mensal  do  salário­de­contribuição,  o  que  for  maior;(Incluído  pela Lei nº 12.513, de 2011)    Concluo  apresentando  decisão  do  STJ  onde  se  afirma  que  "O  STJ  tem  pacífica  jurisprudência  no  sentido  de  que  o  auxílio­educação,  embora  contenha  valor  econômico,  constitui  investimento  na  qualificação  de  empregados,  não  podendo  ser  considerado  como  salário  in  natura,  porquanto  não  retribui  o  trabalho  efetivo,  não  integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o  trabalho, e  não pelo trabalho."    Processo REsp 1491188 / SC  RECURSO ESPECIAL2014/0276889­8   Relator(a)  Ministro HERMAN BENJAMIN (1132)  Órgão Julgador T2 ­ SEGUNDA TURMA   Data do Julgamento 25/11/2014   Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2014   Ementa TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II,  DO  CPC.  FALTA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULA  211/STJ.  OFENSA.  DISPOSITIVO  CONSTITUCIONAL.  COMPETÊNCIA  DO  STF.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  DÉCIMO  TERCEIRO  SALÁRIO.  FÉRIAS  GOZADAS.  AUXÍLIO­ALIMENTAÇÃO.  MATÉRIA  JULGADA  PELO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS.  1.  A  solução  integral  da  controvérsia,  com  fundamento  suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC.  Fl. 637DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 12          21 2.  O  STJ  tem  pacífica  jurisprudência  no  sentido  de  que  o  auxílio­educação, embora contenha valor econômico, constitui  investimento na qualificação de empregados, não podendo ser  considerado como  salário  in natura, porquanto não retribui o  trabalho  efetivo,  não  integrando,  desse modo,  a  remuneração  do  empregado.  É  verba  utilizada  para  o  trabalho,  e  não  pelo  trabalho.  3. Recursos Especiais não providos.  Acórdão   Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  partes  as  acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do  Superior  Tribunal  de  Justiça:  "A  Turma,  por  unanimidade,  negou provimento aos recursos, nos termos do voto do(a) Sr(a).  Ministro(a)­Relator(a)." Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro  Campbell  Marques  (Presidente),  Assusete  Magalhães  e  Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator.      AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO    A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a  inscrição  no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  é  requisito  essencial  para  que  o  benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias.     Relatório Fiscal  8.4.  Durante  o  procedimento  fiscal,  realizado  na  UNIÃO  BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, verificou­se que  o  contribuinte  em  questão  não  aderiu  ao  Programa  de  Alimentação do Trabalhador (PAT). Desta forma, procedeu­se  ao  lançamento  fiscal  do  crédito  previdenciário  decorrente  da  concessão  de  refeições  aos  segurados.  Os  valores  foram  apurados  com  base  na  relação  nominal  dos  beneficiários,  apresentada  pelo  contribuinte,  em  meio  magnético,  anexa  ao  presente relatório fiscal. Os referidos valores foram catalogados  no levantamento denominado “PAT”.    Lei 8.212/91  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  Fl. 638DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   22 dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97).  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;    Ocorre  que  no  final  do  ano  2011  a  PGFN  editou  o  Ato  Declaratório  Nº  03/2011 que  estabeleceu que  fica  autorizada  a dispensa de  apresentação  de contestação  e de  interposição de recursos, bem como a desistência dos já  interpostos, desde que inexista outro  fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento  in natura do auxílio­alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.    ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011   A PROCURADORA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso  da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso  II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º  do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2117  /2011,  desta  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro  de Estado  da Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no DOU  de  24.11.2011,  DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem  como a desistência dos  já  interpostos,  desde que  inexista outro  fundamento relevante:   “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre  o pagamento in natura do auxílio­alimentação não há incidência  de contribuição previdenciária”.   JURISPRUDÊNCIA:  Resp  nº  1.119.787­SP  (DJe  13/05/2010),  Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ  01.08.2005),  Resp  nº  719.714/PR  (DJ  24/04/2006),  Resp  nº  333.001/RS  (DJ  17/11/2008),  Resp  nº  977.238/RS  (DJ  29/11/2007).   Brasília, 20 de dezembro de 2011.    Fl. 639DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 13          23 Conforme acima, o Relatório Fiscal registra que "procedeu­se ao lançamento fiscal  do crédito previdenciário decorrente da concessão de refeições aos segurados." Refeição é alimentação  in naturta.  Entendo que se deva excluir do  lançamento os valores  referentes ao auxílio  alimentação.      SAT/GILRAT    A  recorrente  questiona  a  contribuição  "SAT",  aponta  inconstitucionalidades/ilegalidades  na  legislação,  questiona  a  definição  do  conceito  de  atividade preponderante e o estabelecimento do grau de risco correspondente a cada atividade  por  decretos  e  que  a  Lei  n°  8.212/91  não  veicula  critérios  objetivos  para  a  definição  dos  elementos essenciais à instituição do tributo.  Não concordo com a recorrente.  Inicialmente deve­se registrar que o lançamento tem respaldo na lei.  A  Lei  8.2l2/9l,  em  seu  art.  22,  inciso  II  e  alínea.,  instituiu  o  tributo  em  questão,  definiu  seu  fato  gerador  (remunerações  a  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos)  e  o  Sujeito  passivo  (empresa).  bem  como  fixou  as  alíquotas  (l%,  2%  ou  3%,  dependendo  do  grau  de  risco,  tendo­se  em  conta  a  atividade  preponderante  da  empresa)  e  a  base de cálculo (total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados  empregados e trabalhadores avulsos), limitando­se o Regulamento, aprovado pelo Decreto n.°  3.048/99, a regulamentar a previsão legal, tornando­a mais clara e orientando a sua aplicação,  não ultrapassando os limites definidos pela lei.    Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  ...  II ­ para o financiamento do benefício previsto nosarts. 57e58 da  Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos:(Redação  dada  pela Lei nº 9.732, de 1998).  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve;  b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;  Fl. 640DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   24 c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.    Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração  Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais.  O  Decreto  nº  6.764,  de  10  de  fevereiro  de  2009,  que  aprovou  a  Estrutura  Regimental do Ministério da Fazenda apresenta as atribuições do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais – CARF, no artigo 32.   Art. 32.  Ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais ­  CARF,  órgão  colegiado  judicante,  paritário,  compete  julgar  recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância,  bem  como  recursos  especiais,  sobre  a  aplicação  da  legislação  referente  a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil, conforme estabelecido nos arts. 25, inciso II,  e 37, § 2o, do Decreto no 70.235, 6 de março de 1972, alterado  pela Medida Provisória no 449, de 3 de dezembro de 2008.   Parágrafo único. Metade dos conselheiros integrantes do CARF  será  constituída  de  representantes  da  Fazenda  Nacional,  e  a  outra  metade,  de  representantes  dos  contribuintes,  indicados  pelas  confederações  representativas  de  categorias  econômicas  de nível nacional e pelas centrais sindicais  Note­se,  que  o  escopo  do  processo  administrativo  fiscal  é  verificar  a  regularidade/legalidade  do  lançamento  à  vista  da  legislação  de  regência,  e  não  das  normas  vigentes  frente  à  Constituição  Federal.  Essa  tarefa  é  de  competência  privativa  do  Poder  Judiciário.  A Portaria MF nº  256,  de  22  de  junho de 2009,  que  aprovou o Regimento  Interno  do CARF,  em  seu  artigo  62  expressamente  veda  aos  julgadores  do CARF  afastar  a  aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento  de inconstitucionalidade.  Observe­se,  que  somente  nas  hipóteses  contempladas  no  parágrafo  único  e  incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência,  o que não se vislumbra no presente caso.  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  Fl. 641DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 14          25 b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.  Para  haver  harmonia  nos  julgamentos,  conforme  artigo  72  do  Regimento  Interno,  o  CARF  emitirá  súmulas  para  decisões  reiteradas  e  uniformes,  de  observância  obrigatória pelos membros do CARF.  Art.  72.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória  pelos  membros do CARF.   Nesse  sentido,  quando  da  Consolidação  das  Súmulas  dos  Conselhos  de  Contribuintes, foi editada a Súmula CARFnº 2:   Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação  a  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  de  normas  ou  atos  normativos  que  fundamentaram  o  presente lançamento.  Para a questão do Decreto, acompanho a orientação consolidada do STJ " de  que  o  decreto  que  estabelece  o  que  vem  a  ser  atividade  preponderante  da  empresa  e  seus  correspondentes  graus  de  risco  ­  leve,  médio  ou  grave  ­  não  exorbita  de  seu  poder  regulamentar".     Processo REsp 1499379 / PB  RECURSO ESPECIAL2014/0309365­0   Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132)  Órgão Julgador T2 ­ SEGUNDA TURMA   Data do Julgamento 23/06/2015  Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO  PARA  FINANCIAMENTO  DE  BENEFÍCIOS  PREVIDENCIÁRIOS. MUNICÍPIO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO.  ART.  535 DO CPC. REEXAME DE PROVAS.  SÚMULA 7 DO  STJ.  ...  3.  Em  relação  à  legalidade  da  cobrança  da  contribuição  ao  SAT,  o  STJ  consolidou  a  orientação  de  que  o  decreto  que  estabelece o que vem a ser atividade preponderante da empresa  e seus correspondentes graus de risco ­ leve, médio ou grave ­  não exorbita de seu poder regulamentar.  Fl. 642DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   26   AgRg no AREsp 664227 / CE  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL2015/0036959­0   Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130)  Órgão Julgador T2 ­ SEGUNDA TURMA   Data do Julgamento 16/06/2015   Ementa  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PROCESSUAL  CIVIL.  VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO  ENFRENTAMENTO  DAS  QUESTÕES  RECURSAIS.  ALÍNEA  "C". DISSÍDIO NÃO CARACTERIZADO. ART. 285­A DO CPC.  APLICÁVEL  AO  CASO.  SAT.  PARÂMETROS  ESTABELECIDOS POR DECRETO. LEGALIDADE.  1. Recurso especial em que se discute a legalidade de decreto do  Poder Executivo que fixa alíquotas diferenciadas de acordo com  o risco para fins de contribuição ao SAT.  2.  Inexiste  a  alegada  violação  do  art.  535  do  CPC,  pois  a  prestação  jurisdicional  foi  dada  na  medida  da  pretensão  deduzida,  conforme  se  depreende  da  análise  do  acórdão  recorrido.  3.  "Para  que  se  caracterize  o  dissídio,  faz­se  necessária  a  demonstração  analítica  da  existência  de  posições  divergentes  sobre  a  mesma  questão  de  direito".  (AgRg  no  REsp  1.346.588/DF, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Corte  Especial, julgado em 18/12/2013, DJe 17/03/2014.)   4.  A  pretensão  da  parte  demandante  se  baseia  na  ilegalidade/inconstitucionalidade  do  fator  acidentário  de  prevenção ­ FAP, questão eminentemente de direito. Hipótese em  que  o  Tribunal  de  origem,  com  amparo  nos  elementos  fático­ probatórios  dos  autos,  concluiu  pela  existência  das  condições  para  decidir  a  lide  com  base  no  art.  285­A  do  Código  de  Processo  Civil.  A  revisão  desse  entendimento  implica  reexame  de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula n. 7/STJ.  5.  "Em  relação  à  legalidade  da  cobrança  da  contribuição  ao  SAT,  o  STJ  consolidou  a  orientação  de  que  o  decreto  que  estabelece o que vem a ser atividade preponderante da empresa  e seus correspondentes graus de risco ­ leve, médio ou grave ­  não  exorbita  de  seu  poder  regulamentar".  (AgRg  no  REsp  1.460.694/PE,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma, julgado em 18/09/2014, DJe 10/10/2014.)  Agravo regimental improvido.      Fl. 643DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001179/2008­14  Acórdão n.º 2201­002.852  S2­C2T1  Fl. 15          27   CONCLUSÃO    Voto  pelo  provimento  parcial  do  recurso,  reconhecendo  a  decadência  até  a  competência 10/2003, com base na regra do artigo 150, § 4º do CTN; determinando a exclusão  dos  valores  incidentes  sobre  bolsas  de  estudos  e  determinando  a  exclusão  dos  valores  referentes ao auxílio alimentação.      Carlos Alberto Mees Stringari                               Fl. 644DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

score : 1.0
6393965 #
Numero do processo: 10314.720021/2015-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 19/04/2012 a 21/03/2014 REGIME ADUANEIRO. DEPÓSITO ESPECIAL. MERCADORIA EM ESTOQUE COM PRAZO VENCIDO. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE NORMA OPERACIONAL, REQUISITO OU CONDIÇÃO PARA OPERAÇÃO. DESCABIMENTO. A manutenção em estoque de mercadorias no regime aduaneiro de depósito especial, após o prazo qüinqüenal, a teor do art. 24 da IN SRF 386/04, implica na pena de perdimento dos produtos nestas condições e, por decorrência, multa pelo valor aduaneiro equivalente, em relação àqueles não localizados, não constituindo esta situação qualquer descumprimento de norma operacional, condição ou requisito para operar o regime, haja vista que encerrada sua vigência não há mais possibilidade de descumpri-lo. REGIME ADUANEIRO. DEPÓSITO ESPECIAL. AUSÊNCIA ESPORÁDICA DE REGISTRO DE SAÍDA. DESCABIMENTO. A ausência esporádica de registro de saída no sistema de controle do regime aduaneiro, dependente do exame casuístico, não enseja aplicação da multa diária prevista no art. 107, VII, “e” do Decreto-Lei nº 37/66, quando adotadas quaisquer das providências materiais arroladas no art. 20 da IN SRF 386/04, eis que destinada àquelas situações onde as falhas de registros, além de recorrentes, não permitem o regular acompanhamento das movimentações de mercadorias no regime, dificultando ou impossibilitando o seu controle. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, sendo que os Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira acompanharam pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB 22.170-SP. Robson José Bayerl – Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201605

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 19/04/2012 a 21/03/2014 REGIME ADUANEIRO. DEPÓSITO ESPECIAL. MERCADORIA EM ESTOQUE COM PRAZO VENCIDO. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE NORMA OPERACIONAL, REQUISITO OU CONDIÇÃO PARA OPERAÇÃO. DESCABIMENTO. A manutenção em estoque de mercadorias no regime aduaneiro de depósito especial, após o prazo qüinqüenal, a teor do art. 24 da IN SRF 386/04, implica na pena de perdimento dos produtos nestas condições e, por decorrência, multa pelo valor aduaneiro equivalente, em relação àqueles não localizados, não constituindo esta situação qualquer descumprimento de norma operacional, condição ou requisito para operar o regime, haja vista que encerrada sua vigência não há mais possibilidade de descumpri-lo. REGIME ADUANEIRO. DEPÓSITO ESPECIAL. AUSÊNCIA ESPORÁDICA DE REGISTRO DE SAÍDA. DESCABIMENTO. A ausência esporádica de registro de saída no sistema de controle do regime aduaneiro, dependente do exame casuístico, não enseja aplicação da multa diária prevista no art. 107, VII, “e” do Decreto-Lei nº 37/66, quando adotadas quaisquer das providências materiais arroladas no art. 20 da IN SRF 386/04, eis que destinada àquelas situações onde as falhas de registros, além de recorrentes, não permitem o regular acompanhamento das movimentações de mercadorias no regime, dificultando ou impossibilitando o seu controle. Recurso voluntário provido.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10314.720021/2015-50

anomes_publicacao_s : 201606

conteudo_id_s : 5593930

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 3401-003.170

nome_arquivo_s : Decisao_10314720021201550.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL

nome_arquivo_pdf_s : 10314720021201550_5593930.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, sendo que os Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira acompanharam pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB 22.170-SP. Robson José Bayerl – Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.

dt_sessao_tdt : Tue May 17 00:00:00 UTC 2016

id : 6393965

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:15 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423667597312

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 10          1 9  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10314.720021/2015­50  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­003.170  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de maio de 2016  Matéria  REGIMES ADUANEIROS  Recorrente  SIEMENS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 19/04/2012 a 21/03/2014  REGIME  ADUANEIRO.  DEPÓSITO  ESPECIAL.  MERCADORIA  EM  ESTOQUE  COM  PRAZO  VENCIDO.  MULTA  DIÁRIA  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  NORMA  OPERACIONAL,  REQUISITO  OU  CONDIÇÃO PARA OPERAÇÃO. DESCABIMENTO.  A manutenção em estoque de mercadorias no regime aduaneiro de depósito  especial,  após  o  prazo  qüinqüenal,  a  teor  do  art.  24  da  IN  SRF  386/04,  implica  na  pena  de  perdimento  dos  produtos  nestas  condições  e,  por  decorrência, multa pelo valor aduaneiro equivalente, em relação àqueles não  localizados,  não  constituindo  esta  situação  qualquer  descumprimento  de  norma operacional, condição ou requisito para operar o regime, haja vista que  encerrada sua vigência não há mais possibilidade de descumpri­lo.  REGIME  ADUANEIRO.  DEPÓSITO  ESPECIAL.  AUSÊNCIA  ESPORÁDICA DE REGISTRO DE SAÍDA. DESCABIMENTO.  A ausência esporádica de registro de saída no sistema de controle do regime  aduaneiro,  dependente  do  exame  casuístico,  não  enseja  aplicação  da multa  diária prevista no art. 107, VII, “e” do Decreto­Lei nº 37/66, quando adotadas  quaisquer das providências materiais arroladas no art. 20 da IN SRF 386/04,  eis  que  destinada  àquelas  situações  onde  as  falhas  de  registros,  além  de  recorrentes, não permitem o regular acompanhamento das movimentações de  mercadorias no regime, dificultando ou impossibilitando o seu controle.  Recurso voluntário provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  sendo  que  os Conselheiro Eloy Eros  da Silva Nogueira  e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 00 21 /2 01 5- 50Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/06/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL     2 Augusto  Fiel  Jorge  D'Oliveira  acompanharam  pelas  conclusões.  Fez  sustentação  oral,  pela  recorrente, o Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB 22.170­SP.    Robson José Bayerl – Presidente Substituto e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Robson  José  Bayerl,  Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel  Jorge  D’Oliveira, Waltamir  Barreiros,  Elias  Fernandes  Eufrásio  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo Branco.  Relatório  Alberga este processo auto de infração para exigência da multa prevista no art.  107, VII, “e” do Decreto­Lei nº 37/66, em razão de inobservância das regras para fruição do  regime aduaneiro de depósito especial, previsto nos arts. 480 a 487 do Regulamento Aduaneiro  de  2009,  aprovado  pelo  Decreto  nº  6.759/2009,  então  vigente,  e  normatizado  pela  IN  SRF  386/2004.  Relata  a  fiscalização  que  a  infração  consistiu  em manter  em  estoque,  com os  tributos  suspensos, mercadorias  com  prazo  de  permanência  vencido  e  não  observar  o  prazo  para  registro  da  saída  no  sistema  de  controle  do  regime;  que  a  aplicação  da  pena  de  perdimento, prevista na IN SRF 386/2004, ocorreu no bojo do PA 10314.724073/2014­25, bem  assim,  a  conversão  do  perdimento  em  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  no  PA  10314.724233/2014­25; e, que a sanção administrativa de advertência, prevista no art. 735 do  RA/2009, foi infligida através do PA 10314.724234/2014­70, findo em 08/10/2014.  Em impugnação o contribuinte alegou ausência de tipicidade para imposição da  penalidade imposta; que a fórmula de cálculo (quantidade de mercadorias x número de dias x  multa  diária)  discreparia  daquelas  utilizadas  nos  PAs  10314.720990/2012­68  e  10314.728652/2013­55), do mesmo contribuinte, que empregou o cálculo “número de dias x  multa diária, independente do número de mercadorias envolvidas; inobservância dos princípios  da  proporcionalidade  e  razoabilidade;  ocorrência  de  prazo  extintivo  para  lançamento  e  mudança de critério jurídico, consistente na aplicação da pena de perdimento ou conversão em  multa pelo valor equivalente e a multa diária.  A DRJ São Paulo/Sp manteve integralmente o lançamento mediante decisão  assim ementada:  “REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DEPÓSITO ESPECIAL.  Mercadoria  estrangeira  importada  ao  amparo  do  regime  aduaneiro  de  Depósito Especial, cujo prazo de permanência no regime estava expirado.  Conduta  tipificada.  A  não  extinção  regular  do  Regime  Aduaneiro  de  Depósito  Especial,  implica  no  descumprimento  de  norma  operacional  estabelecida pelo próprio Regulamento Aduaneiro.  Multa  regulamentar.  O  descumprimento  assinalado  no  Relatório  de  Procedimento Fiscal diz respeito a cada mercadoria estrangeira importada  ao  amparo  do  regime  aduaneiro  de  Depósito  Especial,  cujo  prazo  de  Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/06/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.720021/2015­50  Acórdão n.º 3401­003.170  S3­C4T1  Fl. 11          3 permanência no  regime  foi  expirado,  sem a adoção de uma das  condições  regulamentares de extinção previstas na norma operacional.  Inocorrência  de  Decadência.  O  lançamento  só  poderia  ter  sido  efetuado  após o encerramento do regime.”  Em recurso voluntário o contribuiu sustentou, preliminarmente, nulidade da  decisão recorrida, por não enfrentar todos os argumentos deduzidos em recurso, e, no mérito,  reprisou os fundamentos da peça inaugural.  É o relatório.  Voto              Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade.  Tocante  à  preliminar  de  nulidade  argüida,  fundada  na  ausência  de  enfrentamento de todos os argumentos postos na impugnação, não assiste razão ao recorrente,  haja vista que a obrigação do julgador é resolver todas as questões levantadas pela parte, isto é,  os  pontos  controvertidas  da  contenda, não,  porém,  refutar ou  acolher pontualmente  todos os  fundamentos  recursais,  como  já  decidido  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  REsp  nº  1.339.767­SP, sob sistemática do recurso repetitivo, verbis:  “PROCESSUAL CIVIL.  TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA  CONTROVÉRSIA. ART. 543­C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. ART. 3º,  §2º,  III, DA  LEI N.  9.718/98.  CONCEITO DE FATURAMENTO/RECEITA  BRUTA  PARA  CONCESSIONÁRIA  DE  VEÍCULOS.  PREÇO  DE  VENDA  AO CONSUMIDOR. IMPOSSIBILIDADE DE SE UTILIZAR A DIFERENÇA  ENTRE  AQUELE  E  O  VALOR  FIXADO  PELA  MONTADORA/FABRICANTE (MARGEM DE LUCRO).  1. O Poder Judiciário não está obrigado a emitir expresso juízo de valor a  respeito de  todas as  teses e artigos de lei  invocados pelas partes, bastando  para  fundamentar  o  decidido  fazer  uso  de  argumentação  adequada,  ainda  que não espelhe qualquer das teses invocadas.  2. As empresas concessionárias de veículos, em relação aos veículos novos,  devem recolher PIS e COFINS na forma dos arts. 2º e 3º, da Lei n. 9.718/98,  ou seja, sobre a receita bruta/faturamento (compreendendo o valor da venda  do veículo ao consumidor) e não sobre a diferença entre o valor de aquisição  do veículo junto à fabricante concedente e o valor da venda ao consumidor  (margem  de  lucro).  Precedentes:  AgRg  nos  EREsp.  n.  529.034/RS,  Corte  Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no AREsp.  n. 67.356/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em  24.04.2012; REsp. n. 465.822/RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de  Noronha,  DJ  14.08.2006;  REsp  n.  382.680/SC,  Segunda  Turma,  Relator  Ministro  Francisco  Peçanha Martins,  DJ  de  5.12.2005;  AgRg  no  REsp  n.  538.258/RS,  Primeira  Turma,  relatora  Ministra  Denise  Arruda,  DJ  de  Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/06/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL     4 3.10.2005;  REsp  n.  739.201/RS,  Primeira  Turma,  relator  Ministro  José  Delgado,  DJ  de  13.6.2005.  3.  Recurso  especial  não  provido.  Acórdão  submetido ao regime do art. 543­C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008”  (grifado)  Na  seqüência,  invertendo  a  ordem  proposta  em  recurso,  principio  pela  suposta ocorrência de prazo extintivo para o lançamento.  Mais  uma  vez  não  merece  acolhida  a  pretensão  do  recorrente,  porquanto  adota premissa equivocada para exposição do seu raciocínio.  Com efeito, o termo inicial do lapso decadencial, no caso dos autos, não é a  data  de  registro  das  declarações  de  importação  de  admissão  no  regime  aduaneiro,  como  defende  o  contribuinte,  mas  sim  a  data  de  sua  extinção,  pois,  até  então,  encontrava­se  acobertada pelos benefícios dele decorrentes, em especial a suspensão dos tributos devidos.  Durante a vigência do regime aduaneiro de depósito especial, justamente por  estar  resguardado  pelo  seu  principal  efeito  –  suspensão  dos  tributos  devidos  –,  a  Fazenda  Nacional não pode exigir o crédito tributário correspondente, razão porque sequer se inicia o  prazo decadencial, eis que o art. 138 do Decreto­Lei nº 37/66 dispõe literalmente que o direito  de  exigir  o  tributo  extingue­se  em  5  (cinco)  anos,  a  contar  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que poderia ter sido lançado.  No  caso  vertente,  o  dies  a  quo  recai  no  primeiro  dia  após  o  término  de  vigência  do  regime  aduaneiro  de  depósito  especial,  o  que,  segundo  o  relatório  de  autuação,  teria  ocorrido  no  intervalo  entre  19/04/2012  e  25/03/2014,  sendo  que  o  lançamento  se  aperfeiçoou em 06/01/2015, com a ciência do interessado, conforme docs. fls. 1005/1008, de  maneira que não há que se falar em decadência de parcela alguma do lançamento.  Na  seqüência,  respeitante  à  ausência  de  tipicidade,  intitulada  como  “Aplicação de ‘Norma Penal em Branco’”, creio que a razão está com o recorrente.  A fiscalização imputou ao contribuinte a prática de duas infrações referentes  ao descumprimento de norma operacional do regime aduaneiro de depósito especial, a saber: i)  manutenção, em estoque, de mercadorias com o prazo vencido; e,  ii) inobservância do prazo  para registro da baixa de mercadorias, no sistema de controle do regime.  Por  conveniente  cumpre  esclarecer  que  a  autoridade  autuante,  segundo  se  extrai do relatório, levantou, a partir do aludido sistema de controle, as mercadorias constantes  dos  estoques  com  prazo  vencido,  determinou  a  sua  apresentação  e  aplicou  a  pena  de  perdimento,  convertendo­a  em  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  para  os  produtos  não  entregues, tudo respaldado no art. 24 da IN SRF nº 386/2004, a seguir reproduzido:  “Art.  24.  Expirado  o  prazo  de  permanência  das  mercadorias  no  regime, e não  tendo sido adotada nenhuma das providências indicadas nos  arts.  20  ou  22,  as  mercadorias  estarão  sujeitas  à  aplicação  da  pena  de  perdimento  referida  no  art.  618,  inciso  X,  do  Decreto  nº 4.543,  de  26  de  dezembro de 2002.”  Acentue­se, por oportuno, que o presente processo não cuida do perdimento  das mercadorias, tampouco da multa equivalente ao valor aduaneiro, mas tão somente à multa  prevista no art. 107, VII, “e” do Decreto­Lei nº 37/66:  “Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/06/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.720021/2015­50  Acórdão n.º 3401­003.170  S3­C4T1  Fl. 12          5 (...)  VII ­ de R$ 1.000,00 (mil reais):  (...)  e)  por  dia,  pelo  descumprimento  de  requisito,  condição  ou  norma  operacional  para  habilitar­se  ou  utilizar  regime  aduaneiro  especial  ou  aplicado  em  áreas  especiais,  ou  para  habilitar­se  ou  manter  recintos  nos  quais tais regimes sejam aplicados;  (...)”  Prosseguindo, para essas mercadorias,  além do perdimento e da multa pelo  equivalente, a fiscalização também exigiu a multa diária, por vislumbrar o descumprimento da  norma operacional, consubstanciado no fato de não adotar quaisquer das providências previstas  nos arts. 20 a 23 da IN SRF 386/2004:  “Art. 20. Na vigência do regime, deverá ser adotada, relativamente à  mercadoria no estado em que foi importada, uma das seguintes providências,  para extinção de sua aplicação:  I ­ reexportação;  II  ­ exportação,  inclusive quando as mercadorias forem aplicadas em  serviços  de  reparo  ou  manutenção  de  veículos,  máquinas,  aparelhos  e  equipamentos  estrangeiros,  que  se  encontrem  no  País  em  regime  de  admissão temporária;  III  ­  transferência  para outro  regime aduaneiro  especial ou  aplicado  em áreas especiais;  IV ­ despacho para consumo; e  V  ­  destruição, mediante autorização do consignante, às  expensas do  interessado e sob controle aduaneiro.  §  1º A  exportação  de  mercadoria  admitida  no  regime  prescinde  de  despacho para consumo, devendo ser registrada, pelo beneficiário, para fins  de  extinção  do  regime,  além da  declaração de  exportação, Declaração de  Importação (DI) para efeitos cambiais.  § 2º O beneficiário deverá, até o primeiro dia útil do mês subseqüente  ao  da  exportação  referida  no  §  1º,  solicitar  retificação  da  declaração  de  admissão no regime, para incluir o número de registro das DI para efeitos  cambiais registradas no mês imediatamente anterior, no campo destinado a  informações complementares.  § 3º A aplicação do disposto no inciso V não obriga ao pagamento dos  tributos suspensos.  § 4º No caso de haver eventual resíduo da destruição economicamente  utilizável,  este  deverá  ser  despachado  para  consumo  como  se  tivesse  sido  Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/06/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL     6 importado  no  estado  em  que  se  encontre,  sujeitando­se  ao  pagamento  dos  tributos correspondentes.  Art. 21. O despacho para consumo de mercadoria admitida no regime  deverá  ser  efetivado  até  o  dia  10  do  mês  seguinte  ao  da  saída  das  mercadorias  do  estoque,  com  observância  das  exigências  legais  e  regulamentares,  inclusive  as  relativas  ao  controle  administrativo  das  importações, mediante o registro de DI na unidade da SRF que jurisdicione  o estabelecimento onde seja operado o regime.  Parágrafo  único.  O  despacho  para  consumo  poderá  ser  feito  pelo  adquirente  de  mercadoria  admitida  no  regime,  quando  for  beneficiário  de  isenção ou de redução de tributos vinculada à qualidade do importador ou à  destinação das mercadorias.    (Renumerado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13 de  dezembro de 2010)  §  1º  O  despacho  para  consumo  poderá  ser  feito  pelo  adquirente  de  mercadoria  admitida  no  regime,  quando  for  beneficiário  de  isenção  ou  de  redução  de  tributos  vinculada  à  qualidade  do  importador  ou  à  destinação  das mercadorias.  §  2º  Na  hipótese  prevista  no  inciso  IX  do  art.  2º,  o  despacho  para  consumo  de mercadoria  admitida no  regime deverá ser  efetivado em até 3  (três) meses da saída das mercadorias do estoque.    (Incluído(a)  pelo(a)  Instrução  Normativa  RFB  nº  1096,  de  13  de  dezembro de 2010)  § 3º Na hipótese de exigência de controle administrativo por parte de  outros órgãos anuentes, o despacho para consumo de mercadoria admitida  no regime deverá ser efetivado até o último dia do mês seguinte ao da saída  das mercadorias do estoque.     (Incluído(a)  pelo(a)  Instrução  Normativa  RFB  nº  1320,  de  15  de  janeiro de 2013)  Art.  22.  Findo  o  prazo  estabelecido  para  a  permanência  das  mercadorias  no  regime,  os  impostos  suspensos  incidentes  na  importação,  correspondentes ao estoque, deverão ser recolhidos pelo beneficiário, com o  acréscimo de juros e multa de mora, calculados a partir da data de registro  da correspondente declaração de admissão no regime.  § 1º Na hipótese prevista no caput, para efeitos de cálculo do imposto  devido,  as  mercadorias  constantes  do  estoque  serão  relacionadas  às  declarações de admissão no regime, com base no critério contábil Primeiro  que Entra Primeiro que Sai (PEPS).  §  2º O  pagamento  dos  impostos  e  respectivos  acréscimos  legais  não  dispensa  o  registro  da DI  referente  aos  bens  e  o  cumprimento das  demais  exigências  regulamentares  para  a  permanência  definitiva  das mercadorias  no País.  Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/06/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.720021/2015­50  Acórdão n.º 3401­003.170  S3­C4T1  Fl. 13          7 § 3º O disposto neste artigo aplica­se também no caso de cancelamento  da habilitação, quando não observado o cumprimento do prazo estabelecido  no inciso II do art. 14.  Art. 23. A declaração a que se refere o § 2º do art. 22 será registrada,  após  autorização  obtida  em  processo  administrativo,  informando­se,  no  campo  Processo  Vinculado  da  ficha  Básicas,  que  se  trata  de  Declaração  Preliminar  e  indicando  o  número  do  processo  administrativo  correspondente.  §  1º A  taxa  de  câmbio  e  a  alíquota  dos  impostos  incidentes  serão as  vigentes na data da admissão das mercadorias no regime, que constituirá o  termo inicial para o cálculo dos acréscimos legais.  §  2º O  importador  deverá  indicar,  no  campo  de  Informações  Complementares da DI, as alíquotas, a taxa de câmbio, os demonstrativos do  cálculo dos impostos, multas e acréscimos.”  Durante o procedimento  fiscal constatou­se que algumas mercadorias, nada  obstante  a  ausência  de  baixa  no  sistema  de  controle,  haviam  sido  anteriormente  objeto  de  requerimento  de  destruição  (PAs  15771.723796/2013­41  e  15771.723797/2013­96)  e  reexportação, sendo que para essas, o lançamento se restringiu à multa diária, devida em razão  da desobediência do prazo para registro da saída do estoque.  Nesta  senda,  a  teor  do  art.  24  da  IN  SRF  386/2004,  alhures  transcrito,  o  encerramento do prazo de vigência do regime aduaneiro, sem as providências dos arts. 20 a 23  do  mesmo  ato  normativo,  rende  ensejo  à  aplicação  da  pena  de  perdimento,  sem  qualquer  remissão à imposição da multa diária exigida.  Ora, o contribuinte que deixa fluir o prazo do depósito especial, de 05 (cinco)  anos,  sem  atender  aos  indigitados  arts.  20  a 23  não descumpre qualquer norma operacional,  prevista na  IN SRF 386/2004 ou atos complementares,  tampouco requisito ou condição para  operar o regime, como exige o seu art. 9º, caput, até porque o regime já se encerrou.  Da mesma forma, entendo eu, que a esporádica falta de registro de saída nos  sistemas  de  controle,  a  depender  do  exame  casuístico,  desde  que  efetivadas  as  providências  relacionadas no art. 20 da IN SRF 386/2004, não permite a exigência da multa  sub examine,  porquanto não desnatura ou prejudica o monitoramento das mercadorias incluídas no regime,  tanto assim que a fiscalização, nestes autos, conseguiu rastrear perfeitamente a inconsistência.  Na situação em comento, a falta de registro envolveu apenas três operações,  sendo dois pedidos de destruição e uma reexportação.  A meu  sentir,  a  incidência  da multa  exige  a  constatação de  insubsistências  que,  pela  sua  magnitude,  desvirtuem  o  próprio  controle,  tornando­o  imprestável  ao  seu  desiderato, com ausência recorrente de registros de entradas e/ou saídas.  Multas desta natureza, com periodicidade diária, tem por escopo compelir o  contribuinte  a  tomar  as  providências  que  lhe  incumbem,  ante  determinada  norma  legal  ou  administrativa que preveja obrigação acessória, desde que possua tempo hábil para tal, o que  não é possível quando a situação envolve regime aduaneiro já extinto ou prazo já vencido.  Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/06/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL     8 Demais disso, apenas a título argumentativo, ainda que possível a inflição da  multa  em  referência,  sua  quantificação  não  poderia  avançar  além  do  prazo  qüinqüenal  de  vigência  do  regime  aduaneiro,  sob  pena  de  atribuir  um  efeito  ultrativo  à  penalidade,  incompatível com a sua natureza, como dito, de maneira que o número de dias, sob esta ótica,  corresponderia ao período entre a data na qual deveria ter ocorrido o registro da movimentação  e a data de extinção do regime, haja vista que, após o seu encerramento, não é mais possível  falar­se em descumprimento de norma operacional.  Com  estas  considerações,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto.    Robson José Bayerl                              Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/06/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL

score : 1.0
6382572 #
Numero do processo: 19985.723470/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2013 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. LIDE. O presente processo enseja notificações dos exercícios de 2010 e 2013, ambos impugnados. O Julgador de 1ª instância, ao proferir sua decisão, manifestou-se apenas em relação ao primeiro exercício. O decreto nº 70.235, de 1972, que traz as regras referentes ao processo administrativo fiscal estabelece em seu artigo 59, que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa, o que é o caso. Porém, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201604

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2013 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. LIDE. O presente processo enseja notificações dos exercícios de 2010 e 2013, ambos impugnados. O Julgador de 1ª instância, ao proferir sua decisão, manifestou-se apenas em relação ao primeiro exercício. O decreto nº 70.235, de 1972, que traz as regras referentes ao processo administrativo fiscal estabelece em seu artigo 59, que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa, o que é o caso. Porém, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Recurso Voluntário Provido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu May 19 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 19985.723470/2014-41

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5591141

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 20 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2202-003.327

nome_arquivo_s : Decisao_19985723470201441.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

nome_arquivo_pdf_s : 19985723470201441_5591141.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016

id : 6382572

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:48 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423685423104

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 76          1  75  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19985.723470/2014­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.327  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de abril de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  ANTONIO LIMA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2010, 2013  MOLÉSTIA  GRAVE.  ISENÇÃO.  CONDIÇÕES.  LEI  Nº  7.713/1988.  SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL  Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores  de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria,  reforma,  reserva  remunerada ou pensão,  e  a moléstia deve  ser devidamente  comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União,  dos Estados,  do Distrito  Federal  ou  dos Municípios. A  isenção  passa  a  ser  reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.  PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. LIDE.   O  presente  processo  enseja  notificações  dos  exercícios  de  2010  e  2013,  ambos  impugnados.  O  Julgador  de  1ª  instância,  ao  proferir  sua  decisão,  manifestou­se apenas em relação ao primeiro exercício.  O  decreto  nº  70.235,  de  1972,  que  traz  as  regras  referentes  ao  processo  administrativo fiscal estabelece em seu artigo 59, que são nulos os despachos  e  decisões  proferidos  com  preterição  do  direito  de  defesa,  o  que  é  o  caso.  Porém,  quando  puder  decidir  do mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a  falta.  (Redação dada  pela Lei nº 8.748, de 1993)  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 34 70 /2 01 4- 41 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723470/2014­41  Acórdão n.º 2202­003.327  S2­C2T2  Fl. 77          2  Assinado digitalmente  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson  Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo  Duarte  Filho  (Suplente  Convocado),  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente  Convocado)  e  Marcio Henrique Sales Parada.  Relatório  O  contribuinte  acima  identificado  foi  Notificado  de  lançamento  tributário  relativo ao imposto de renda das pessoas físicas, do exercício de 2010, ano calendário de 2009  (fl. 07) no valor de R$ 10.933,70 e do exercício de 2013, ano calendário de 2012 (fl. 12), no  valor de R$ 17.173,61, ambos acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados  pela taxa Selic.  Os dois lançamentos estão controlados por este mesmo processo fiscal, como  se observa nos demonstrativos de fl. 54 a 58.  O motivo do  lançamento, em ambas as Notificações,  foi que o contribuinte  não  apresentou  Laudo  Médico  Oficial  emitido  por  serviço  médico  da  União,  Estados  ou  Municípios a fim de subsidiar sua pretensão de direito à isenção do imposto sobre rendimentos  de aposentadoria, reforma ou pensão, percebida por portador de moléstia grave. (fls. 09 e 14).  O  contribuinte  impugnou  ambos  os  lançamentos,  conforme  fls.  02  (Notificação do exercício de 2010) e fl. 04 (Notificação do exercício de 2013).  A  3ª  Turma  da  DRJ  em  Salvador/BA  a  manifestação  de  inconformidade,  como  delimitado  na  ementa  do  Acórdão,  apenas  em  relação  ao  ano  calendário  de  2009  (exercício de 2010), concluindo, em resumo, assim (fl. 62):  A  Lei  nº  9.250,  de  1995,  art.  30  e  §  1º,  dispõe  que  para  reconhecimento  de  isenção  por  moléstia  grave  é  indispensável  que  a  condição  seja  comprovada  com  laudo  pericial  oficial.  A  este  dispositivo  se  refere  o  art.  39,  §  4º,  do  Decreto  nº  3.000/1999  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  RIR),  nos  seguintes termos:  Art. 39 (...)  § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que  tratam os  incisos  XXXI  e  XXXIII,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  a  moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido  por  serviço  médico  oficial  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  devendo  ser  fixado  o  prazo  de  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723470/2014­41  Acórdão n.º 2202­003.327  S2­C2T2  Fl. 78          3  validade  do  laudo  pericial,  no  caso  de  moléstias  passíveis  de  controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º).  O laudo apresentado pelo impugnante  (fls. 17) contém carimbo  ilegível  do  órgão  que  o  teria  emitido e  não  traz  elementos que  indiquem que o documento  tenha sido  formalmente  solicitado e  oficialmente  emitido,  pois não  contém  referências  a número  de  protocolo,  registro  ou  arquivamento  no  órgão.  Não  contém  também qualquer  indicação de  que  o  profissional  que  o  assina  estivesse autorizado a representar o órgão na emissão de laudos  periciais, nem sequer o seu número de matrícula.    Assim, deu­se o julgamento para considerar improcedente a impugnação.    Cientificado dessa decisão  em 10/02/2015  (AR na  folha 67),  o  contribuinte  apresentou recurso voluntário em 24/02/2015, com protocolo na folha 69. Em sede de recurso  argumenta que está apresentando novo Laudo médico, emitido por médico do Hospital Nossa  Senhora  dos Navegantes,  pertencente  à  Secretaria  de  Saúde  de Matinhos/PR  e  pede  que  tal  documento seja considerado para os devidos fins aqui já tratados.    É o relatório.   Voto             Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  O  recurso  é  tempestivo,  conforme  relatado,  e,  atendidas  as  demais  disposições legais, dele tomo conhecimento.  Preliminarmente, conforme procurou­se esclarecer no relatório, observo uma  impropriedade  processual  que  deve  ser  tratada.  O  processo  enseja  duas  Notificações  de  Lançamento, ambas impugnadas, mas a Delegacia da Receita Federal de Julgamento referiu­se  a apenas uma delas, do ano calendário de 2009, sem mencionar a outro, do ano calendário de  2012.  Ao  não  se  pronunciar  sobre  parte  da  impugnação,  entendo  que  seria  necessário anular a decisão e retornar os autos para novo julgamento. Considerando a matéria  envolvida e a motivação apresentada ser a mesma em ambas as notificações, e em função da  documentação  apresentada  em  sede  de  recurso  voluntário,  como  se  tratará  a  seguir,  verifico  que deva ser aplicado o exposto no § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723470/2014­41  Acórdão n.º 2202­003.327  S2­C2T2  Fl. 79          4  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe  a  falta.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  8.748,  de  1993)grifei.    DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.  Verifica­se  que  existem  duas  condições  para  que  os  rendimentos  recebidos  por portadores de moléstias graves definidas em  lei  sejam  isentos do  imposto  sobre a  renda:  uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados,  DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma.  Lei nº 7.713/1988 ­    Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguintes  rendimentos percebidos por pessoas físicas:  ...  XIV – os proventos de aposentadoria ou  reforma motivada por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma;(destaquei)  É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita:  “Para  gozo  da  isenção  do  imposto  de  renda  da  pessoa  física  pelos  portadores  de  moléstia  grave,  os  rendimentos  devem  ser  provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou  pensão,  e  a  moléstia  deve  ser  devidamente  comprovada  por  laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos  Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”.  No Acórdão recorrido, conforme relatado, a Autoridade Julgadora consignou  que não acataria a isenção dos rendimentos pelo seguinte motivo:   O laudo apresentado pelo impugnante  (fls. 17) contém carimbo  ilegível  do  órgão  que  o  teria  emitido e  não  traz  elementos que  indiquem que o documento  tenha sido  formalmente  solicitado e  oficialmente  emitido,  pois não  contém  referências  a número  de  protocolo,  registro  ou  arquivamento  no  órgão.  Não  contém  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723470/2014­41  Acórdão n.º 2202­003.327  S2­C2T2  Fl. 80          5  também qualquer  indicação de  que  o  profissional  que  o  assina  estivesse autorizado a representar o órgão na emissão de laudos  periciais, nem sequer o seu número de matrícula.  Quanto  a  serem  os  rendimentos  provenientes  de  aposentadoria  ou  seu  complemento, apesar de não se ter feito qualquer menção no Acórdão recorrido, ao analisar o  processo de nº 10907.721296/2014­50, que se refere ao mesmo contribuinte e ao exercício de  2011, na folha 7, observo que existe cópia de "carta de concessão do benefício",  informando  que o contribuinte fora aposentado por tempo de serviço em 29/10/1996 e o comprovante de  rendimentos  emitido  pelo  INSS,  na  folha  6,  aponta  que  a  natureza  do  rendimento  é  "aposentadoria por tempo de contribuição".  Após  as  indicações  da  DRJ,  juntamente  com  seu  recurso,  o  Recorrente  apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c",  § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da  verdade material.  O contribuinte  apresenta novo  laudo  (fl.  71),  dessa  feita  com o  carimbo de  identificação  em  campo  próprio  (Secretaria  de  Saúde  de  Matinhos/PR  ­  Hospital  Nossa  Senhora dos Navegantes), emitido em 16/12/2014, assinado pelo médico André Luiz F. Silva,  CRM­PR  22537,  com  indicação  do  CID  e  identificação  nominal  "insuficiência  cardíaca  congestiva",  com  início  em  julho  de  2009  e  não  passível  de  controle,  portanto  o  laudo  não  contém  validade.  Indica  ainda  que  para  efeitos  da  Lei  nº  7.713,  de  1988,  trata­se  de  "cardiopatia  grave",  que  impede  o  paciente  de  exercer  atividades  diárias,  inclusive  aquelas  pertinentes à sua sobrevivência.  Conforme apontado no recurso, o Hospital em questão pertence à Prefeitura  de  Matinhos  e  faz  parte  da  administração  direta  da  saúde.  (http://www.matinhos.pr.gov.br/prefeitura/hospitais.php, pesquisa em 29/02/2016)  Assim, entendo satisfeito o requisito da apresentação de laudo médico oficial  emitido por serviço médico municipal, com as indicações necessárias acima evidenciadas.  CONCLUSÃO  Em  conclusão,  VOTO  por  dar  provimento  ao  recurso  para  reconhecer  a  isenção dos rendimentos do contribuinte, provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, a  partir de julho de 2009.  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada                              Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723470/2014­41  Acórdão n.º 2202­003.327  S2­C2T2  Fl. 81          6    Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

score : 1.0
6455165 #
Numero do processo: 10074.001789/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 02/08/2004 a 02/10/2007 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para o lançamento de ofício decorrente do descumprimento dos requisitos inerentes ao drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. A contagem do referido prazo deverá se dar a partir do trigésimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concessório, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVADO O ATENDIMENTO AOS REQUISITOS FORMAIS DE VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. EXPORTAÇÕES VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. Uma vez comprovada a vinculação a ato concessório do regime às exportações, reconhece-se o adimplemento das exportações compromissadas.
Numero da decisão: 3401-003.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl e, em primeira votação, o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia em diligência e apresentou declaração de voto. Acompanhou, pela recorrente, o Dr. Luiz Romano, OAB/DF 14.303. ROBSON BAYERL - Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL (Presidente), ROSALDO TREVISAN, WALTAMIR BARREIROS, LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO (vice-presidente), ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, RODOLFO TSUBOI.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201607

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 02/08/2004 a 02/10/2007 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para o lançamento de ofício decorrente do descumprimento dos requisitos inerentes ao drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. A contagem do referido prazo deverá se dar a partir do trigésimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concessório, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVADO O ATENDIMENTO AOS REQUISITOS FORMAIS DE VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. EXPORTAÇÕES VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. Uma vez comprovada a vinculação a ato concessório do regime às exportações, reconhece-se o adimplemento das exportações compromissadas.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10074.001789/2010-96

anomes_publicacao_s : 201608

conteudo_id_s : 5614928

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 3401-003.197

nome_arquivo_s : Decisao_10074001789201096.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO

nome_arquivo_pdf_s : 10074001789201096_5614928.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl e, em primeira votação, o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia em diligência e apresentou declaração de voto. Acompanhou, pela recorrente, o Dr. Luiz Romano, OAB/DF 14.303. ROBSON BAYERL - Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL (Presidente), ROSALDO TREVISAN, WALTAMIR BARREIROS, LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO (vice-presidente), ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, RODOLFO TSUBOI.

dt_sessao_tdt : Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016

id : 6455165

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:54 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048423764066304

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 10.809          1 10.808  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10074.001789/2010­96  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­003.197  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de junho de 2016  Matéria  Drawback suspensão  Recorrente  FERREIRA INTERNACIONAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 02/08/2004 a 02/10/2007  DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL.  O  prazo  decadencial  para  o  lançamento  de  ofício  decorrente  do  descumprimento  dos  requisitos  inerentes  ao  drawback  suspensão  será  determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. A  contagem  do  referido  prazo  deverá  se  dar  a  partir  do  trigésimo  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  estabelecido,  no  respectivo  ato  concessório, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário.  DRAWBACK  SUSPENSÃO.  COMPROVADO  O  ATENDIMENTO  AOS  REQUISITOS  FORMAIS  DE  VINCULAÇÃO  DAS  EXPORTAÇÕES  A  ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. EXPORTAÇÕES VINCULADAS A  REGIME DE DRAWBACK.   Cabe  ao  sujeito  passivo  beneficiário  do  regime  de  drawback  suspensão  o  controle  atinente  à  vinculação,  material  e  formal,  quanto  ao  emprego  dos  insumos  importados  na  industrialização  e  exportação  das  mercadorias  compromissadas no ato concessório correspondente. Uma vez comprovada a  vinculação  a  ato  concessório  do  regime  às  exportações,  reconhece­se  o  adimplemento das exportações compromissadas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado  da Primeira Turma da Quarta Câmara da  Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por  maioria  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  vencidos  os  Conselheiros  Rosaldo  Trevisan,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida  e  Robson  José  Bayerl  e,  em  primeira  votação,  o  Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia em diligência e apresentou declaração  de voto. Acompanhou, pela recorrente, o Dr. Luiz Romano, OAB/DF 14.303.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 17 89 /2 01 0- 96 Fl. 10809DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     2 ROBSON BAYERL ­ Presidente.   LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  ROBSON  JOSE  BAYERL  (Presidente),  ROSALDO TREVISAN, WALTAMIR BARREIROS,  LEONARDO  OGASSAWARA  DE  ARAÚJO  BRANCO  (vice­presidente),  ELOY  EROS  DA  SILVA  NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, RODOLFO TSUBOI.    Relatório  1.  Trata­se de Auto de  Infração,  situado às  fls.  02  a 51, originário de  procedimento fiscal voltado a verificar o cumprimento do regime de drawback na modalidade  suspensão,  lavrado  para  a  exigência  de:  Imposto  de  Importação,  juros  de  mora  e  multa  de  ofício, no valor de R$ 67.685,37; multa regulamentar no valor de R$25.679.000,00; IPI, juros  de mora e multa de ofício no valor de R$110.888,33; Cofins, juros de mora e multa de ofício  no  valor  de  R$176.467,08;  PIS/PASEP,  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  no  valor  de  R$37.660,51, totalizando um crédito tributário no valor histórico de R$ 26.068.701,28.  2.  Adota­se,  pela  fidelidade  aos  fatos,  o  relatório  elaborado  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento:  "A  autuação  teve  origem  na  ação  fiscal  desenvolvida  para  verificação  do  cumprimento  do Regime de Drawback  Suspensão,  concedido  à  interessada  através  dos  Atos  concessórios  nºs  20040099474,  20050010654,  20050045814,  20060045140,  20060153288,  20065559,  20060120240,  20070122342,  20070046042,  2007069255,  20070085684,  20070122288,  20070032343 e 20070033099.    O  regime  de  drawback,  modalidade  suspensão,  permite  a  suspensão  dos  tributos  incidentes na  importação de produtos destinados à exportação e a  base legal para sua concessão é o Decreto­Lei nº 37/66, art. 78, II. Cabe à  beneficiária do regime do ônus da prova, ou seja, deve demonstrar e provar  ao fisco que cumpriu todas as condições e requisitos estabelecidos para que  se  possa  usufruir  dos  incentivos  previstos  neste  regime.  Caso  não  o  faça,  suas  operações  de  importação devem  ser  tratadas  sob  o  regime aduaneiro  comum, onde a regra é o pagamento dos tributos. A partir de 1º de novembro  de 2001, a concessão e o acompanhamento de todos os atos concessórios de  drawback  suspensão  passaram  a  ser  efetivados  de  forma  eletrônica  no  Siscomex,  simplificando  os  procedimentos  tanto  do  contribuinte  como  da  fiscalização, já que tudo passou a ser processado eletronicamente, inclusive  algumas conferências feitas pelo próprio sistema. Assim, analisando os atos  concessórios da beneficiária, foi verificado que nenhum deles teve qualquer  Registro de Exportação (RE) vinculado. Às fls. 56/61 a fiscalização detalhou  os atos concessórios sob exame com as  informações extraídas do banco de  dados SECEX/SISCOMEX.    Fl. 10810DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.810          3 Sob  intimação,  a  beneficiária  apresentou  diversos  documentos  para  tentar  comprovar  as  exportações  dos  atos  concessórios,  com  exceção  do  Ato  Concessório  (AC)  n.º  20070033099,  que,  por  esta  razão,  foi  considerado  totalmente  inadimplente.  Para  aceitação  dos  RE’s  como  comprovação  da  exportação é necessário que os mesmo contenham as informações quanto ao  enquadramento da operação de drawback  (códigos  81101, 81102, 81103 e  81104) e o número do AC. Esta é uma exigência prevista na Portaria SECEX  nº 14/2004 e art. 352 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 4.543/2002). É  o princípio da vinculação física, cuja base legal é o art. 78, I, do Decreto­Lei  nº 37/66. A  fiscalização  também  traz argumentos de ordem operacional  de  controle  da  exportações  para  salientar  a  obrigatoriedade  de  tais  informações.    Às  fls.  65/89  são  relacionados  os  atos  concessórios  com  DI’s  e  RE’s  indicados  pela  beneficiária  para  comprovação  do  cumprimento  das  condições do regime e a análise da  fiscalização quanto às correspondentes  vinculações,  concluindo  que  nenhum RE  serve  para  extinguir  o  regime  de  drawback,  pelas  razões  descritas  às  fls.  89/90,  que,  resumidamente,  consistem  em  não  vinculação,  vinculação  indevida  ou  vinculação  em  duplicidade  de  ato  concessório,  indicação  de  exportação  normal  e  não  de  drawback, retificação de RE após a averbação e RE não averbado.    Assim  sendo,  em  não  comprovado  o  efetivo  cumprimento  das  condições,  limites e valores previstos nos Atos Concessórios e ainda a não adoção de  qualquer medida  extintiva  do  regime,  foram  exigidos  os  tributos  suspensos  desde o momento da importação dos insumos estrangeiros.    Os créditos foram constituídos com base no art. 173, I do CTN, os quais só  decaíram em 01/01/2011 para aqueles AC’s mais antigos e que venceram em  2005. Também foi exigida a multa prevista no art. 107, VII, “e”, do Decreto­ Lei nº 37/66,  com a  redação da Lei n.º  10.833/2003,  já que a  contribuinte  utilizou­se,  indevidamente,  do  regime,  vez  que  mantém  suspensão  dos  tributos quando já não mais poderia fazê­lo.    A  multa  em  apreço  foi  calculada  por  dia,  a  partir  do  dia  seguinte  ao  vencimento  do  Ato  Concessório,  até  o  dia  do  presente  lançamento  dos  tributos. Os documentos a que se referem a fiscalização encontram­se às fls.  93/2.049.  Intimada  da  autuação  em  13/11/2010,  a  interessada  apresentou  tempestivamente a impugnação de fls. 2.059/2.092, alegando o que segue:    1)  A  impugnante  dedica­se  à  atividade  de  importação  e  exportação  de  produtos de origem animal e de comercialização de carnes e seus derivados,  notadamente  tiras  de  carne  desidratada  conhecidas  no  mercado  internacional como beef jerky. Para tanto goza do regime de drawback para  importar  subprodutos  utilizados  na  fabricação  destes  produtos  à  base  de  carne desidratada.    2)  A  fiscalização  alega  que  a  impugnante  não  teria  comprovado  a  exportação  dos  produtos  que  constam  nos  AC  n.ºs  20040099474,  20050010654,  20050045814,  20060045140,  0060153288,  20065559,  Fl. 10811DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     4 20060120240,  20070122342,  20070046042,  2007069255,  20070085684,  20070122288, 20070032343 e 20070033099. No entanto todos os materiais  importados com o benefício do drawback  foram empregados na  fabricação  dos produtos exportados, ainda que tenha ocorrido pequenos lapsos no que  diz respeito ao cumprimento das formalidades relacionadas à vinculação dos  registros  de  exportação.  Também  ocorreram  problemas  em  razão  de  mudanças  de  funcionários,  quando  foram  vinculados  a  dois  atos  concessórios todas a exportações realizadas nos anos de 2006 e 2007 e por  isso  a  impugnante  optou  por  não  vincular  as  exportações  subseqüentes  a  quaisquer atos concessórios até a correção dos erros.    3) A SECEX permitia vinculação a posteriori dos RE’s aos correspondentes  AC’s, mesmo  após  o  prazo  previsto. Ocorre  que  com  a  implementação  do  Sistema Drawback Web  esta  vinculação a posteriori  não  foi mais possível.  Apesar  do  prazo  concedido  pela  SECEX  para  os  ajustes  necessários,  a  impugnante  não  conseguiu  realizar  todos,  restando  pendentes  algumas  divergências  que  levaram  a  fiscalização  concluir  que  não  houve  o  cumprimento do regime.    4) Preliminarmente alega que houve nulidade do Auto de Infração posto que  calculado  incorretamente.  Conforme  se  verifica  da  tabela  no  Termo  de  Verificação para apuração da multa do art. 107, VII, “e”, do Decreto­Lei nº  37/66, em relação ao AC nº 20060045140, foi apontado um total de 13.121  dias de descumprimento quando foi apurado 1.312 dias. Também em relação  ao AC n.º 20040099474 a  fiscalização considerou o  início da apuração da  multa o dia 26/02/2005, quando o correto seria 02/08/2005, um ano após o  registro da DI acobertada pelo AC em tela.    5) Os  fiscais autuantes  lançaram a multa com base em mera presunção de  que  os  produtos  importados  não  foram  exportados,  pelo  fato  de  que  a  beneficiária  não  ter  tido  tempo  hábil  para  promover  as  correções  nos  registros.  Em  nenhum  momento  a  fiscalização  trouxe  elementos  que  pudessem  comprovar  o  descumprimento  do  compromisso  de  exportar  por  parte da impugnante. A lavratura do auto baseado em presunção é contrária  à  legislação  tributária,  devendo  ser  aplicado  o  art.  112  do  CTN,  interpretando­se da maneira mais favorável ao acusado. Também deveria a  fiscalização  apresentar  as  provas  para  que  a  impugnante  pudesse  se  defender,  sob  pena  de  violação  do  princípio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório.  Não  pode  a  fiscalização  ignorar  as  exportações  realizadas,  utilizando­se  indevidamente  da  presunção,  sem  comprovar  o  descumprimento do regime.    6) O auto de infração foi lavrado em 11/11/2010, portanto só poderia efetuar  o  lançamento  para  os  fatos  geradores  ocorridos  após  11/11/2005,  nos  termos do art. 150, § 4º do CTN. Cita doutrina e jurisprudência do STJ. O  prazo  decadencial  não  admite  interrupções  nem  suspensões,  por  isso  seu  termo inicial é a data do fato gerador do imposto, que, no caso dos tributos  incidentes sobre a importação, ocorre na data do desembaraço. Não há que  se  falar que no caso de drawback suspensão este prazo  teria  início após o  término do prazo para a exportação dos produtos previstos nos AC’s. Assim  para os AC’s nºs 200400994747, 20050010654 e 20050045814, cujas datas  de  desembaraço  aduaneiro  foram  30/08/2004,  04/02/2005  e  11/05/2005,  Fl. 10812DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.811          5 respectivamente,  se  operou  a  decadência  do  direito  do  fisco  de  exigir  tributos. Com relação à multa regulamentar, a decadência ocorre para o AC  nº  20040099474,  porque,  conforme  consta  no  auto  de  infração,  o  termo  inicial para contagem da multa diária seria em 26/02/2005.    7) A  impugnante alega como contestação de mérito contra a autuação que  mesmo que  tenha vinculado de  forma equivocada os atos  concessórios aos  respectivos registros de exportação, o fato é que a obrigação de exportar foi  cumprida  oportunamente  conforme  atestam  os  documentos  que mostram  o  “caminho”  dos  produtos  importados  até  sua  exportação.  Tais  documentos  foram  anexados  aos  autos  às  fls.  2.224/3.971.  Entre  os  documentos  estão  planilhas  que  resumem  as  exportações  dos  produtos  finais.  Traz  alguns  exemplos,  citando  alguns  AC’s,  relacionando­os  com  notas  fiscais  de  entrada e saída para comprovar a utilização do insumo nas exportações. (fls.  2.073/2.074). Alega que a SECEX sempre permitiu a vinculação a posteriori  e  o  fato  de  que  ela  tenha  concedido  prazo  para  a  adaptação  dos  beneficiários  ao  novo  sistema  vem  a  comprovar  que  essa  formalidade,  até  então,  não  tinha  tamanha  relevância,  de  modo  que  seu  descumprimento  jamais poderia ensejar uma cobrança de mais de R$26 milhões.    8)  Traz  argumentos  em  defesa  dos  princípios  da  razoabilidade,  proporcionalidade e do não­confisco.    9) Alega também que a multa em comento não pode ser aplicada ao caso em  tela, pois a obrigação descumprida é indivisível. A fiscalização impondo tal  multa  diária  estaria  punindo  o  tempo  em  que  supostamente  houve  o  descumprimento da  condição para  fruição do regime de drawback e não o  descumprimento do regime propriamente.    10) Ao  final  requer  a  nulidade  pelas  falhas  na  apuração  dos  valores,  em  especial  nos  AC’s  nºs  20060045140  e  20040099474  e  pelo  fato  de  a  autuação  ter  se  baseado  em  mera  presunção.  Requer  a  decadência  dos  créditos  cujos  fatos  geradores  ocorreram  antes  de  11/11/2005.  No mérito,  por entender que trouxe todos os documentos que comprovam as exportações  e  que  a  cobrança  da  multa  afronta  os  princípios  da  razoabilidade,  proporcionalidade  e  do  não­confisco,  requer  o  cancelamento  integral  do  auto de infração".    3.  Em  sessão  de  06/07/2011,  a  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão DRJ nº 07.25­151, julgando  procedente em parte a impugnação para cancelar a exigência da regulamentar no valor de R$  25.679.000,00,  objeto  de  recurso  de  ofício.  Afastou,  ainda,  a  preliminar  de  decadência  suscitada pelo  recorrente  e manteve o  lançamento  referente  aos  tributos devidos  e  suspensos  em  razão  das  importações  que,  em  tese,  estariam  amparadas  pelo  regime  de  drawback,  conforme ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 02/08/2004 a 02/10/2007  Fl. 10813DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     6 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL.  O  prazo  decadencial  para  o  lançamento  de  ofício  decorrente  do  descumprimento  dos  requisitos  inerentes  ao  drawback  suspensão  será  determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. A  contagem  do  referido  prazo  deverá  se  dar  a  partir  do  trigésimo  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  estabelecido,  no  respectivo  ato  concessório,  para  o  cumprimento  das  obrigações  assumidas  pelo  beneficiário.  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 02/08/2004 a 02/10/2007  DRAWBACK  SUSPENSÃO.  EXPORTAÇÕES  NÃO  VINCULADAS  A  REGIME  DE  DRAWBACK.  DESATENDIMENTO  A  REQUISITOS  FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO  CONCESSÓRIO DO REGIME.  Cabe  ao  sujeito  passivo  beneficiário  do  regime  de  drawback  suspensão  o  controle  atinente  à  vinculação, material  e  formal,  quanto  ao  emprego  dos  insumos  importados  na  industrialização  e  exportação  das  mercadorias  compromissadas no ato concessório correspondente. A ausência de qualquer  informação acerca do regime de drawback, inclusive a falta de vinculação a  ato  concessório  do  regime  no  Registro  de  Exportação,  implica  na  não  comprovação do adimplemento das exportações compromissadas.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte.    4.  A  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  contra  a  decisão  de  primeira  instância  administrativa,  em  cujas  razões  argumentou  que:  (i)  goza  do  regime  aduaneiro  especial  de  drawback,  modalidade  suspensão,  para  importação  de  subprodutos  utilizados  na  fabricação  de  produtos  a  base  de  carne  desidratada  exportados  para  o  exterior,  como as tripas de colágeno utilizadas para envolver alguns desses produtos e os absorventes de  oxigênio  utilizados  nas  suas  embalagens  para  fins  de  conservação;  (ii)  teve  diversas  exportações realizadas entre os anos de 2006 e 2007 vinculadas a apenas dois atos concessórios  (20050258451  e  20050207571),  os  quais  não  são  objeto  da  autuação.  Após  verificar  o  equívoco  cometido,  a  recorrente  optou  por  não  vincular  as  exportações  subseqüentes  a  quaisquer atos concessórios, de modo a corrigir os erros incorridos na vinculação dos registros  de  exportação  aos  respectivos  atos  concessórios;  (iii)  desde  o  início  das  atividades  da  recorrente, o sistema da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior  (SECEX)  vinha  permitindo  a  vinculação  a  posteriori  dos  registros de exportação aos correspondentes atos concessórios. A prática difundida no mercado  e aceita pela Secex, mesmo após o prazo previsto para o cumprimento da referida obrigação,  sem que isso representasse qualquer óbice para que os atos concessórios fossem devidamente  baixados  no  sistema.  Ocorre  que,  com  a  implementação  do  sistema  drawback  web,  essa  vinculação a posteriori  entre os  registros de exportação e os atos concessórios deixou de ser  possível.  De  acordo  com  esse  novo  sistema,  os  registros  de  exportação  já  efetivados  ou  averbados não seriam mais passíveis de alteração, devendo as informações necessárias para a  comprovação  do  cumprimento  do  drawback  ser  vinculadas  no  momento  da  averbação  do  Fl. 10814DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.812          7 registro de exportação. Diante disso, a própria Secex conferiu aos beneficiários do regime de  drawback  um  prazo  para  providenciarem  a  vinculação  entre  os  registros  de  exportação  e  os  atos concessórios que estivessem pendentes, tendo inclusive veiculado a Circular Secex nº 34,  de 04 de julho de 2007, instruindo os beneficiários do regime a se adequarem ao novo sistema  drawback  web;  (iv)  não  conseguiu  promover  todos  os  ajustes  necessários  dentro  do  prazo  concedido pela Secex. Com isso, restaram pendentes algumas divergências entre determinados  atos  concessórios  e  os  respectivos  registros  de  exportação,  que  levaram  a  Fiscalização  a  concluir que a recorrente teria descumprido o regime de drawback; (v) embora reconheça que  vinculou de forma equivocada os atos concessórios listados no auto de infração aos respectivos  registros  de  exportação,  o  fato  é  que  a  obrigação  de  exportar  foi  cumprida  oportunamente,  conforme  atestam  os  documentos  anexados  à  impugnação,  que  mostram  o  “caminho”  dos  insumos importados sob o regime de drawback  suspensão desde a obtenção dos competentes  atos concessórios até a sua exportação, devidamente incorporados aos produtos  finais, para o  mercado  externo.  Contudo,  ao  apreciar  a  impugnação  a  DRJ  eximiu­se  de  analisar  a  farta  documentação  que  a  instruiu,  alegando  basicamente  que  os  erros  formais  incorridos  pela  recorrente  já  seriam  suficientes  para  configurar  o  descumprimento  do  drawback  e  ensejar  a  cobrança  dos  tributos  suspensos  pelo  regime;  (vi)  ao  contrário  do  afirmado  pela  r.  decisão  recorrida, não pretendeu, em momento algum, transferir para o Fisco o ônus de comprovar o  descumprimento dos requisitos do drawback. Muito pelo contrário, se a  recorrente se deu ao  trabalho  de  produzir  mais  de  1700  páginas  de  documentos  para  comprovar  que  cumpriu  o  compromisso de exportar em relação aos 14 atos concessórios listados no auto de infração, é  evidente  que  a  mesma  assumiu  o  ônus  de  comprovar  que,  a  despeito  de  algumas  irregularidades formais, cumpriu o requisito essencial do regime de drawback suspensão que é  a  exportação dos  insumos  importados  incorporados  aos produtos  finais. Assim,  em nome do  princípio da verdade material  que  rege o processo  administrativo,  a  recorrente  roga a V.Sas.  que examinem a documentação acostada às fls. 2598/4356 do processo, que atesta que todos os  insumos importados referidos nos atos concessórios abrangidos pela autuação forma utilizados  na produção de mercadorias exportadas oportunamente, isto é, dentro do prazo de vencimento  dos mencionados atos concessórios; (vii) seis dos quatorze atos concessórios abrangidos pelo  auto  de  infração  foram  devidamente  baixados  pela Secex  pelo  fato  de  que  aquela Secretaria  prorrogou, por meio da Portaria nº 24, de 26/07/2011,  a validade dos  atos  concessórios  com  vencimento original  entre 01/10/2008 e 31/12/2011. Assim, os  atos  concessórios que  tinham  vencimentos originais no ano de 2009  tiveram seu prazo de validade prorrogado, pelo que  a  recorrente  providenciou,  junto  a  Secex,  a  baixa  dos  referidos  atos  concessórios,  mediante  a  vinculação a novos registros de exportação.  5.  Em  sessão  de  29/01/2012,  a  2ª  Turma  desta  4ª  Câmara  proferiu  a  Resolução CARF nº 3402000.501, por unanimidade de votos, sob a relatoria do Conselheiro  Gilson Macedo Rosenburg Filho, nos seguintes termos:  "O recurso  foi  apresentado  com observância  do  prazo  previsto,  bem  como  dos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Sendo  assim,  dela  tomo  conhecimento e passo a apreciar.    O  recorrente  apresentou  1700  páginas  de  documentos  para  atestar  que  o  regime de drawback foi cumprido. Porém, a instância a quo não analisou os  documento pois entendeu que falta de observância de todas as formalidades  previstas no regime era motivo suficiente para ensejar a desconsideração do  drawback.    Fl. 10815DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     8 Discordo da posição da DRJ Florianópolis, pois  se o  recorrente conseguir  provar  que  os  insumos  importados  sob  o  regime  de  drawback  suspensão  foram  incorporados  aos  produtos  finais  exportados,  entendo  cumprida  a  condição fundamental que rege o regime.    Neste norte, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a  unidade de origem analise os 1700 documentos acostados nos autos quando  da apresentação da  impugnação e elabore um relatório conclusivo sobre a  utilização dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão nos  produtos exportados pelo recorrente. Em outras palavras,  faça análise se o  recorrente cumpriu a condição de  incorporar em seu produto exportado os  insumos importados com suspensão tributária.    Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindo­lhe  o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.    Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para  prosseguimento do rito processual".    6.  A Seção de Fiscalização Aduaneira 1 da Inspetoria da Receita Federal  do Brasil no Rio de Janeiro da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 7ª  RF apresentou Relatório Fiscal, situado às fls. 4.622 a 4.624, nos seguintes termos, com grifos  do original:  Em razão da solicitação de diligência efetuada pelo CARF às fls. 4614, temos a  relatar o que segue.  Em  07/10/2013,  através  do  Termo  de  Intimação  nº  468/2013  (fls.4618),  intimamos  o  contribuinte  “a  relacionar  quais  documentos  apresentados  ao  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que inovam o acervo apresentado  no  curso  da  ação  fiscal,  já  que  para  esta  fiscalização  tal  fato  não  ocorreu”.  (grifamos).  Analisando­se  a  resposta  apresentada  em  21/10/13  pelo  contribuinte  (fls.  4622/4625),  observa­se  que  o  mesmo  não  procedeu  à  solicitada  relação,  preferiu redigir um texto evasivo e sem substância, onde, em suma, informa que  o órgão competente, segundo o contribuinte ­ a SECEX, regularizou a situação  de novos registros de exportações, vinculando­as à Atos Concessórios .  Em  nossa  fiscalização  foram  examinados  todos  os  RE  apresentados  pelo  contribuinte no curso da ação fiscal, conforme pode­se atestar pelo Termo de  Verificação de  fls.  52/94. De outro  lado,  os motivos de  os mesmos não  serem  aceitos, também estão transcritos no referido Termo de Verificação.  Em  realidade,  o  contribuinte  não  apresentou  novos  RE  vinculados  à  Atos  Concessórios que fossem plenamente regulares com o regime em tela e que, por  um  lapso,  houvera  esquecido;  simplesmente  apresentou  novos  RE  vinculados  muito tempo depois das exportações – e até posteriores à autuação/impugnação,  ressalte­se  ­  como  sendo  regularizados  pelo  órgão  competente  a  SECEX  ­  Fl. 10816DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.813          9 segundo o mesmo. Contudo, tais registros de exportações são imprestáveis para  comprovação do regime, conforme já se explanou sobejamente na autuação e se  demonstrará a seguir.   Uma das razões que causou afastamento de alguns RE foi justamente a falta de  vinculação do mesmo ao ato Concessório ou a sua vinculação após a averbação  da exportação.   A vinculação do Ato Concessório ao RE e o correto código de enquadramento  da operação é exigência prevista na Portaria SECEX nº 14/041, que consolidou  as normas de importação e de Drawback (art. 134, 141 e 142 da Portaria e itens  2 e 3 de seu anexo “G”), bem como no art. 352 do Decreto nº 4.543/02 – RA/02  (art. 400 do Decreto nº 6.759/09 – RA/09).  O  escopo  da  legislação  do  Drawback  é  em  suma  um  estímulo  à  exportação,  propiciando ao exportador nacional condições competitivas em termos de preço  no mercado  internacional,  desonerando  os  tributos  devidos  numa  importação  comum, sob a condição de que os produtos importados sejam necessariamente  empregados na industrialização dos produtos a serem exportados – princípio da  vinculação física, cuja base legal é o art. 78, inciso I, do Decreto­Lei nº 37/66.   Assim, a exigência expressa na legislação acima citada (vinculação do RE ao  regime) visa o controle do regime num momento crucial que é o da exportação  dos produtos produzidos com insumos importados com tributos suspensos.   Um  dos  motivos  é  porque  se  não  houver  a  vinculação  do  RE  a  um  Ato  Concessório,  a  fiscalização  do  regime  será  frustrada  ante  a  impossibilidade  material  de  fazer  qualquer  cotejo  útil,  uma  vez  que  a  empresa  poderia  comprovar dois ou mais Atos Concessórios com os mesmos documentos, sendo  que,  desta  forma,  os  insumos  importados  com  tributos  suspensos  por  um Ato  Concessório  poderiam  se  destinar  ao  mercado  interno  sem  o  pagamento  dos  tributos.  Acrescente­se  que  algumas  empresas  possuem  vários  Atos  Concessórios  (como  é  o  caso  da  contribuinte  em  tela),  o  que  dificulta  ao  infinito verificar a coincidência de RE em todos os Atos.  Outra razão é porque a empresa exportadora, ao solicitar o enquadramento da  operação no “regime normal” em vez de no “regime Drawback”, faz com que  todo o procedimento de desembaraço aduaneiro na exportação seja conduzido  com o tratamento fiscal de uma exportação normal, sem que sejam adotadas as  cautelas  próprias  daquelas  operações  de  Drawback,  como,  por  exemplo,  a  solicitação da apresentação do Ato Concessório de Drawback e o confronto das  mercadorias  exportadas  com aquelas  autorizadas  pelo Ato Concessório. Deve  ser  lembrado ainda que há uma seleção das exportações a serem fiscalizadas,  havendo  em  algumas  a  verificação  física  e  documental,  em  outras  somente  a  documental e em outras nenhuma verificação. Como é a unidade de despacho  da  Receita  Federal  que  estabelece  os  parâmetros  para  que  uma  exportação  sofra um ou outro tipo de verificação, é comum que se incluam as exportações  de  Drawback,  que  implicam  ao  final  a  isenção  dos  tributos  incidentes  na  importação, no grupo de verificação física e documental.  Fl. 10817DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     10 Assim,  não  pode  o  exportador,  após  concluídos  todos  os  procedimentos  do  despacho  de  Exportação,  utilizar­se  de  uma  exportação  efetuada  no  regime  normal para comprovar um Ato Concessório de Drawback Suspensão.  Por fim, é mister se destacar que no Regime Aduaneiro Especial de Drawback  Suspensão há a participação de dois órgãos estatais, a SECEX e a RFB, sendo  que cada qual exerce sua atuação dentro de suas competências exclusivas.   Basicamente tais áreas de atuação se dividem da seguinte maneira: compete a  SECEX  administrar  o  regime  desde  a  sua  concessão  até  o  seu  término,  no  tocante  a  parte  comercial  e  cambial,  acompanhando  e  verificando  o  adimplemento dos compromissos assumidos em sua área de atuação; e à RFB  compete  acompanhá­lo  e  fiscalizá­lo,  verificando  o  fiel  cumprimento  dos  compromisso assumidos, com vistas em questões tributárias. Não raro, contudo,  encontrarmos um regime adimplente para a SECEX no tocante às suas questões  e  inadimplente  para  a RFB  em  questões  tributárias.  Sendo  possível  o  inverso  também.  Assim,  a  SECEX  tornar  um  regime  adimplente  significa  inexistirem  pendências  comerciais  e/ou  cambiais,  sem,  contudo  ter  o  condão  de  torná­lo  também  adimplente  acerca  do  cumprimento  dos  requisitos  e  condições  para  fruição dos benefícios fiscais, de competência RFB: imaginar o contrário seria  admitir competência (prevalente) da SECEX em assuntos exclusivos da RFB.  Assim,  pelo  exposto,  opinamos  pela  não  aceitação  dos  novos  RE,  cujas  vinculações ao regime se deram após as respectivas exportações, bem como  opinamos no sentido de considerar o contribuinte ­ da mesma forma que por  ocasião da autuação­ totalmente inadimplente em todos os atos concessórios  pelos motivos já expostos nos autos e pelos motivos ora acrescentados.   Propomos  que  se  encaminhe  este  relatório  para  o  contribuinte,  em,  querendo, se manifestar no prazo de trinta dias, e, após, encaminhe­se para  o CARF.    7.  Em  sessão  de  19/08/2014,  a  2ª  Turma  desta  4ª  Câmara  proferiu  a  Resolução  CARF  nº  3402000.686,  também  por  unanimidade  de  votos,  sob  a  relatoria  do  Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, nos seguintes termos:  Esse Colegiado converteu o julgamento em diligência com o fito de análise  desses  documentos  acostados  quando  da  propositura  da  impugnação.  A  unidade preparadora intimou o recorrente nos seguintes termos:   'No  exercício  das  funções  de  Auditores  Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  através  do  presente  termo,  INTIMO  o  contribuinte  em  epígrafe  A  RELACIONAR  quais  documentos  apresentados  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  que inovam o acervo apresentado no curso da ação fiscal, já que  para  esta  fiscalização  tal  fato  não  ocorreu.  Prazo  para  cumprimento:  cinco  dias  05  (cinco)  dias  úteis  do  recebimento  desta intimação, na forma do § 1º do art. 19 da Lei n° 3.470/58,  alterado pelo art. 71 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de2001'.    Fl. 10818DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.814          11 Nos  termos  do  relatório  fiscal,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  a  relação  solicitada  pela  fiscalização,  apenas  redigiu  um  texto  evasivo  e  sem  substância,  onde,  em  suma,  informa  que  o  órgão  competente,  a  SECEX,  regularizou  a  situação  de  novos  registros  de  exportação,  vinculando­as  à  Atos  Concessórios.  Afirma,  ainda,  que  foram  examinados  todos  os  RE  apresentados pelo recorrente no curso da ação fiscal e que os motivos de os  mesmos  não  serem  aceitos  estão  transcritos  no  Termo  de  Verificação  que  acompanha os autos de infração.  Continua  seu  relatório  defendendo  os motivos  da  autuação. Da  leitura  do  citado relatório, fico convicto que não houve a análise dos 1700 documentos  acostados  aos  autos,  como  requerido  pela  Resolução  nº  3402000501,  de  29/01/2012.  Diante deste quadro,  converto novamente o  julgamento  em diligência para  que seja feita uma análise nos 1700 documentos acostados aos autos quando  da apresentação a impugnação e que seja elaborado um relatório conclusivo  sobre  a  utilização  dos  insumos  importados  sob  o  regime  de  drawback  suspensão nos produtos exportados pelo recorrente.  Espero  que  desta  vez  a  Unidade  Preparadora  faça  a  análise  dos  1700  documentos  e  devolva  os  autos  para  deslinde  da  causa.  Da  conclusão  da  diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindo­lhe o prazo de trinta  dias  para,  querendo,  pronunciar­se  sobre  o  feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.     8.  Em 05/03/2015, a unidade  local, em atenção à Resolução CARF nº  3402000.686, apresentou Relatório Fiscal, situado às  fls. 7.728 a 7.734, no qual expôs que os  documentos,  correspondentes  a  1.700  folhas,  da  maneira  como  se  encontram,  "(...)  tornam  incompreensível o cotejamento físico":      9.  Diante  da  incompreensão  da  autoridade  fiscal,  a  unidade  intimou  a  contribuinte ora recorrente para apresentar, no prazo de 20 dias, (i) laudo técnico, assinado por  profissional competente, e (ii) planilha excel referente aos períodos de apuração de 2005, 2006,  2007 e, se houver exportações neste ano oriundas dos 11 (sic) atos concessórios em discussão,  também de 2008.  10.  A  "planilha  excel"  exigida  pela  autoridade  fiscal  deveria  conter,  segundo a intimação realizada, os seguintes itens:  Fl. 10819DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     12     11.  Esclareceu a autoridade fiscal, ainda, que:      12.  Em 29/01/2015, a contribuinte entregou à unidade  fiscal planilha de  levantamento  de  estoque  referente  ao  período  compreendido  entre  31/12/2004  a 31/12/2008,  Fl. 10820DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.815          13 buscando demonstrar a utilização do insumo importado com suspensão (tripas de colágeno) nos  produtos finais nos quais é utilizado e exportados sob o amparo do regime de drawback.  13.  Em  06/04/2015,  a  contribuinte,  ora  recorrente,  apresentou  petição  para se manifestar a respeito do relatório fiscal, argumentando, em síntese, que uma vez mais  não se observou a resolução deste Conselho, uma vez que os 1.700 documentos juntados aos  autos não foram analisados.   14.  Em 08/04/2015, o Serviço de Fiscalização Aduaneira 1 da Inspetoria  da  Receita  Federal  do  Brasil  no  Rio  de  Janeiro  da  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  do  Brasil  da  7ª  RF  apresentou  Relatório  Fiscal,  situado  à  fl.  7.750,  nos  seguintes  termos, com grifos do original:        É o relatório.    Voto             Fl. 10821DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     14 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco    15.  O recurso voluntário é tempestivo e, assim como o recurso de ofício,  preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento.    16.  Trata­se de drawback, na modalidade suspensão, com fundamento no  inciso II do art. 78 do Decreto­Lei nº 37/66, em que se discute o cumprimento aos requisitos do  regime.  Sobreveio  fiscalização,  que,  no  cotejo  entre  os  atos  concessórios  (AC)  e  as  informações disponibilizadas na forma eletrônica no banco de dados Secex/Siscomex, apontou  inexistência  de  registro  de  exportação  (RE)  vinculado.  A  autoridade  fiscal  considerou  que  restaria, portanto, desrespeitado o princípio da vinculação física em descumprimento à Portaria  Secex  nº  14/2004  e  ao  art.  352  do Regulamento Aduaneiro, Decreto  nº  4.543/2002,  o  que  a  levou a exigir os tributos suspensos desde o momento da importação dos insumos estrangeiros  por parte da contribuinte.  17.  Oportuno,  inicialmente,  realizar  o  reexame necessário manejado  por  meio de recurso de ofício sobre a parcela da decisão de primeira instância administrativa que  cancelou a exigência da regulamentar no valor de R$ 25.679.000,00 prevista na alínea "e" do  inciso  VII  do  art.  107  do  Decreto­Lei  nº  37/66,  com  a  redação  da  Lei  nº  10.833/2003,  corporificado na alínea “d” do  item VII do art. 728 do Regulamento Aduaneiro, que prevê a  aplicação da multa de R$ 1.000,00 "(...) pelo descumprimento de requisito, condição ou norma  operacional  para  habilitar­se  ou  utilizar  regime  aduaneiro  especial  ou  aplicado  em  áreas  especiais,  ou  para  habilitar­se  ou manter  recintos  nos  quais  tais  regimes  sejam  aplicados",  devendo ser observada a disposição do § 2º no sentido de que: (i) o pagamento da multa não  garante o direito a regular operação do regime ou do recinto, nem a execução da atividade, do  serviço  ou  do  procedimento  concedidos  a  título  precário;  e  de  que,  (ii)  quando  a  conduta  ensejar também a imposição de sanção administrativa referida no art. 735, a lavratura do auto  de  infração  para  exigência  da  multa  será  efetuada  após  a  conclusão  do  processo  relativo  à  aplicação da sanção administrativa.  18.  Observa­se, portanto, que o fundamento da aplicação da multa foi ter  a contribuinte se valido do  regime de drawback, mantendo a  suspensão dos  tributos, quando  não  poderia  fazê­lo,  o  que  levou  a  autoridade  fiscal  a  calcular  a multa  diária  a partir  do  dia  seguinte ao vencimento do Ato Concessório até o dia do lançamento dos tributos.  19.  Os  julgadores de primeira  instância administrativa apontaram para o  fato  de  o  §  4º  determinar  que,  no  caso  de  conduta  típica  que  demande  também  penalidade  administrativa, deverá a autoridade efetuar a lavratura do respectivo auto de infração somente  "(...) após a conclusão do processo relativo à aplicação da sanção administrativa". A menção  ao art. 735 é necessária, pois ali estão contempladas as sanções administrativas, entre as quais,  logo na alínea 'i' do inciso I a advertência no caso de descumprimento de requisito, condição ou  norma operacional para se habilitar ou utilizar regime aduaneiro especial, e não foi observada,  conforme se transcreve da decisão a quo:  O  que  pretendo  demonstrar  com  a  transcrição  quase  integral  destes  dispositivos é destacar que para a conduta tipificada no art. 728, VII, “d”,  também há previsão de sanção administrativa (art. 735, I, “i”), a qual deve  ser  apurada  e  concluída  antes  do  lançamento  da multa,  com  exceção  nos  casos em que possa ocorrer a decadência.  Fl. 10822DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.816          15 Não  consta  nos  autos  a  informação  acerca  de  referida  sanção  administrativa.  De  qualquer  sorte,  entendo  que  esta  conduta  deva  se  referir  às  atividades  que o  interveniente deva desempenhar em cumprimento de suas obrigações  durante a utilização do regime. Isto é, não se está falando em cumprimento  do  regime,  assim  considerado  após  o  prazo  estabelecido  para  as  exportações, e sim o cumprimento das obrigações  inerentes à utilização do  regime durante o período de sua utilização.  Este  argumento  se  justifica  quando  se  vislumbra  o  objetivo  de  norma  punitiva variável, que apena o descumprimento de obrigação enquanto não  for  regularizada  a  situação,  impondo  um  acréscimo  diário  da  multa,  estimulando de maneira significativa que o infrator regularize sua situação.  Tanto que no caso em tela, em se admitindo que fosse cabível tal multa, era  de  se  esperar  que  a  imposição  diária  estancasse  quando  ocorresse  o  cumprimento  da  obrigação,  que  segundo  a  fiscalização,  seria  do  próprio  regime de drawback, que ressalte­se aqui, não teria sido e nem nunca seria  cumprido  pela  beneficiária  já  que  esgotado  seu  prazo  para  realizar  as  exportações  a  que  estaria  obrigada.  Portanto  a  multa  seria  exigida  indefinidamente.  A  conclusão  da  fiscalização  de  que  seu  prazo  final  seria,  caso não ocorresse o  tal cumprimento, a data do  lançamento, é  totalmente  descabida  por  falta  de  previsão  legal.  Aliás  a  previsão  legal  é  para  imposição  diária  da  multa  enquanto  houvesse  o  descumprimento  de  requisito,  condição  ou  norma  operacional  para  utilizar  regime  aduaneiro  especial.  Ora,  ao  término  do  prazo  concedido  no  AC  para  utilização  do  regime  de  drawback,  não  há  que  se  falar  em  aplicação  de  multa  diária  por  descumprimento  de  obrigação  durante  a  utilização  do  regime,  e  sim,  na  verificação do cumprimento de todas as condições e requisitos assumidos na  concessão  do  regime.  Constatado  o  não  cumprimento,  ou  seja,  a  não  utilização dos insumos importados nas exportações pactuadas no AC, há que  se exigir os tributos suspensos com seus respectivos consectários legais.  No que tange, portanto, à multa prevista no art. 107, VII, “e” do Decreto­Lei  n.º  37/66,  com alteração da Lei n.º  10.833/2003,  entendo não aplicável  ao  caso em apreço, e por isso, deve ser a mesma cancelada.  Finalmente, por todo o exposto, afasto a prejudicial de decadência e VOTO  pela procedência parcial do lançamento, devendo ser cancelada a exigência  correspondente à multa no valor de R$25.679.000,00.    20.  Voto no sentido de negar seguimento ao recurso de ofício, mantendo  a  decisão  sob  exame  pelos  seus  idênticos  fundamentos,  passando­se,  a  seguir,  à  análise  do  mérito do recurso voluntário.  Fl. 10823DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     16 21.  Em  primeiro  lugar,  necessário  decidir  sobre  a  preliminar  de  decadência  suscitada  pela  contribuinte.  A  decisão  de  primeiro  piso  fundamentou  a  sua  convicção nos seguintes termos:  Neste  momento  necessário  se  faz  abordar  a  prejudicial  de  decadência  trazida pela interessada. A mesma defende a aplicação do art. 150, § 4º, do  Código  Tributário Nacional  (CTN),  devendo  o  prazo  para  constituição  de  crédito tributário ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, que, no  caso, seria o desembaraço da DI de importação do insumo.  Relativamente  aos  tributos  incidentes  nas  importações,  os  mesmo  estão  inseridos  na  modalidade  de  lançamento  por  homologação,  nos  termos  do  artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o  lançamento  por  homologação  é  requisito  indispensável  o  recolhimento  do  tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa­se à atuação da autoridade  administrativa. Dessa  forma,  somente  se  sujeitam  às  normas  aplicáveis  ao  lançamento por  homologação os  créditos  tributários  satisfeitos pela  via do  pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal  como  definida  no  artigo  150,  ao  efetivo  pagamento  do  tributo.  Essa  conclusão está em sintonia com o § 1º do referido artigo 150, segundo o qual  “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o  crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.  Como conseqüência, não havendo pagamento, não há o que se homologar e,  nesse  caso,  a  extinção  do  crédito  tributário  não  ocorre  após  o  decurso  do  prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitando­se, então, à regra  geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, reproduzido  no  artigo  138  do  Decreto­lei  nº  37,  de  1966,  com  redação  dada  pelo  Decreto­lei nº 2.472, de 1988; ou seja, o dies a quo para contagem do prazo  decadencial  corresponde  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que o tributo poderia ter sido lançado.  No caso do drawback suspensão o prazo decadencial deverá ser estabelecido  com base no artigo 173, I, do CTN, uma vez que, nesse caso, não ocorre o  recolhimento  prévio  dos  tributos,  não  havendo,  pois,  que  se  falar  em  homologação do lançamento prevista no § 4° do artigo 150 do CTN. Aqui, o  termo de início deverá ser estabelecido a partir do trigésimo dia subseqüente  ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concessório, para  o  cumprimento  das  obrigações  assumidas  pelo  beneficiário.  Os  30  dias  ulteriores  ao  encerramento  do  regime  correspondem  ao  prazo  que  o  beneficiário  tem  para,  quanto  ao  produto  importado  eventualmente  remanescente,  reexportá­lo,  destruí­lo  sob  controle  aduaneiro,  ou  nacionalizá­lo, conforme artigo 151, inciso II, da Portaria SECEX nº 35, de  24 de novembro de 2006 (tal regra estava prescrita nos itens 26.2 e 26.3 do  revogado Comunicado DECEX nº 21, de 1997 – Consolidação das Normas  do  Regime  de  Drawback  –  CND).  Encerrado  o  regime  e  transcorrido  o  período  de  30  dias  para  a  adoção  de  uma  das  providências  contidas  no  artigo 151, II, da Portaria SECEX nº 35 de 2006, poderá a Fazenda Pública,  no prazo de 5 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte,  examinar  se  os  requisitos  inerentes  ao  incentivo  em  tela  foram  ou  não  cumpridos,  e,  sendo  o  caso,  constituir  os  créditos  tributários  relativos  aos  tributos incidentes na importação.  Fl. 10824DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.817          17 Trazendo  a  regra  para  o  caso  em  tela,  vemos  que  o  AC  mais  antigo  na  verificação  do  cumprimento  do  regime  é  o  de  n.º  20040099474  (DI  n.º  04/07515423),  mais  antigo  na  verificação  feita,  cuja  vencimento  se  deu  26/02/2005.  Assim,  aplicando­se  a  regra  acima,  tem  a  contagem  do  prazo  para a decadência se inicia em 01/01/2006, encerrando­se em 01/01/2011.   Haja  vista  que  a  ciência  do  auto  de  infração  se  deu  em  13/11/2010  (fls.  2052),  conclui­se  que  o  mesmo  foi  efetivado  dentro  do  prazo  legal  para  constituição dos créditos.    22.  Correto o julgamento da Delegacia Regional de Julgamento, devendo,  portanto,  ser  igualmente mantido  por  seus  próprios  fundamentos,  negando­se  provimento  ao  recurso voluntário neste particular.  23.  Passa­se, em seguida, à análise do mérito.  24.  Diante  da  acusação  de  ausência  de  prova  da  vinculação,  decidiu,  à  unanimidade,  a  2ª  Turma  desta  4ª  Câmara,  em  sessão  de  29/01/2012,  proferir  a Resolução  CARF nº 3402000.501, convertendo­se o julgamento em diligência "(...) para que a unidade  de  origem  analise  os  1.700  documentos  acostados  aos  autos  quando  da  apresentação  da  impugnação", bem como para, em seguida, elaborar relatório conclusivo sobre a destinação dos  insumos importados sob o regime dos respectivos atos concessórios.  25.  A  questão,  como  bem  delimitou  o  Conselheiro  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho,  que  nos  antecedeu  na  presente  relatoria,  cinge­se  a  saber  se  tais  insumos  foram ou não  incorporados aos produtos  finais exportados pela contribuinte ora  recorrente, o  que, se comprovado por meio da documentação em referência trazida em sede de impugnação,  demonstraria o cumprimento da condição fundamental que norteia o regime.  26.  Não  cumprida  a  determinação  deste  Conselho,  a  turma  decidiu,  novamente por decisão unânime, proferir a Resolução CARF nº 3402000.686, de 19/08/2014,  determinando nova diligência.  27.  A unidade local, por entender que os documentos, da maneira como  se encontravam, tornavam "(...) incompreensível o cotejamento físico" determinado, intimou a  contribuinte  a  ela  delegando  o  trabalho  de  análise  determinado  por  este  Conselho,  para  a  finalidade de apresentar laudo técnico e planilha excel referentes não aos 14 atos concessórios,  mas  somente  aos  11  atos  referentes  às  tripas  de  colágeno,  deixando  de  lado  os  3  atos  concessórios que têm por objeto absorventes de oxigênio.  28.  A contribuinte elaborou a planilha, na qual  realizou o cotejo, nota a  nota, das tripas de colágeno importadas com as saídas de produto final da linha "Peperoni". Ao  final,  indicou o  saldo de matéria­prima em estoque.  Instruiu,  ainda,  a planilha em  referência  com cópia das notas fiscais de entrada e de saída com destino ao exterior.  29.  Segundo  o  relatório  da  autoridade  fiscal,  "a  planilha  entregue  pela  empresa em atendimento ao termo de início lavrado por essa auditoria resume todo o trabalho  alvo desta auditoria tendo em vista que ela apresenta vários recursos", esclarecendo, ademais,  Fl. 10825DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     18 que apenas os produtos da família "Peperoni" receberam os insumos das tripas de colágeno por  se tratarem de uma película que envolve tais mercadorias.  30.  Passou,  então,  à análise da planilha de  levantamento de estoque das  tripas  de  colágeno  (insumos),  tanto  in  natura  como  aqueles  já  incorporados  aos  produtos  "Peperoni":      Fl. 10826DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.818          19     31.  Em seguida, conclui  a autoridade fiscal o  seu  relatório de diligência  nos seguintes e precisos termos:    Fl. 10827DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     20     32.  Observamos,  a  partir  da  leitura  do  relatório  apresentado,  que  a  autoridade fiscal procedeu à comparação da planilha apresentada pela contribuinte com o livro  de registro de inventário, de maneira a apontar diferenças entre os saldos de estoque de tripas  de colágeno. Contudo, há de se observar que, de fato, tal livro auxiliar tem sua escrita baseada  na contagem física das matérias primas em estoque ao final de cada período, enquanto que a  planilha, por seu turno,  indica expressamente a nota fiscal  respectiva da operação, e esta é a  expressão  probatória  mais  precisa  para  o  desígnio  almejado,  qual  seja,  comprovar­se  a  vinculação  física. Em outras  palavras,  ao  se  compulsar  a planilha  apresentada,  é possível  se  compulsar  a  documentação  fiscal  que  a  lastreia,  enquanto  que  a  prova  do  inventário  é  meramente indiciária, vez que sua reconstrução já não se faz mais possível.  33.  Superada esta questão, cabe a análise referente ao "saldo negativo" de  estoque de tripas de colágeno que decorre da leitura da própria planilha, da ordem de 203 kg.  34.  Em primeiro lugar, no contexto de um universo amostral de 9.300 kg  de tripas importadas entre 2005 e 2008, consigna­se um percentual de 2,18% das mercadorias  que supostamente não atenderiam à regra da vinculação física.  35.  Explica  a  contribuinte,  em  sua  manifestação  sobre  o  relatório  conclusivo, que  tal diferença decorre do  fato de que "(...) a  requerente decidiu, em  junho de  2008, interromper a produção dos itens da linha 'Peperoni'". Esclarece, ainda, que "(...) assim,  (...)  efetuou  a  venda  de  todo  o  estoque  de  tripas  de  colágeno  utilizadas  na  fabricação  dos  referidos  produtos  para  a  empresa  LINKS  SNACKS  INC.",  sediada  nos  Estados  Unidos,  confirmando, assim, a exportação da totalidade da matéria­prima importada, "(...) pois, quando  deixou  de  usar  as  tripas  de  colágeno  na  produção,  a  requerente  devolveu  ao  exterior  as  próprias  matérias­primas".  Argumentou,  ademais,  que  a  vinculação  a  posteriori  entre  os  registros  de  exportação  e  os  atos  concessórios  deixou  de  ser  possível  apenas  a  partir  da  implementação  do  sistema  drawback  web,  constituindo­se,  até  então,  como  uma  prática  difundida no mercado e aceita pela Secex.  36.  A  alegação  da  contribuinte  ganha  em  verossimilhança  com  a  afirmação peremptória realizada pela própria autoridade fiscal em seu relatório conclusivo no  sentido de que "(...) de fato a empresa não vende qualquer produto para o mercado interno  que contenha as tripas de colágeno".  37.  Assim,  cumprida  a  obrigação  de  exportar  dentro  dos  prazos  dos  respectivos atos concessórios, diante da precariedade da instrução do auto de infração lavrado,  e,  sobretudo,  do método de  reconstrução  das  provas  indiciárias  por meio  da  discrepância do  Fl. 10828DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.001789/2010­96  Acórdão n.º 3401­003.197  S3­C4T1  Fl. 10.819          21 livro  de  registro  de  inventário  com planilha  apresentada pela  contribuinte mesmo presente  a  possibilidade de se verificar, uma a uma, as notas fiscais trazidas a conhecimento, e, por fim,  explicada de maneira plausível o "saldo negativo" de estoque derivado da planilha elaborada  com  base  nas  respectivas  notas  fiscais,  não  subsiste  o  argumento  de  ausência  de  vinculação  física que fundamenta o auto de infração lavrado que, portanto, deve ser cancelado.  38.  Isto  porque  entendemos  haver  um  limite  para  a  atuação  deste  Conselho  para  reconstruir  a  instrução  no  interesse  do  deslinde  do  feito  e, mesmo  depois  de  duas  resoluções  convertendo  o  julgamento  em  diligência,  não  se  verificou  o  efetivo  descumprimento  dos  requisitos  do  regime  especial  por  parte  da  contribuinte.  Pelo  contrário, a (i) planilha apresentada, em conjunto com as (ii) notas fiscais de entrada e de saída,  acrescidas  dos  (iii)  esclarecimentos  prestados,  colocados  no  contexto  do procedimento  fiscal  levado  a  termo,  são  bastantes  e  suficientes  para  se  reconhecer  o  adimplemento  das  exportações compromissadas nos atos concessórios correspondentes. Não sendo possível se  prolongar  o  presente  processo  indefinidamente,  e  diante  dos  dados,  documentos  e  esclarecimentos em referência, reputa­se necessário o afastamento da acusação fiscal.    Com  base  nestes  fundamentos,  voto  por  conhecer  e,  no  mérito,  dar  provimento  ao  recurso voluntário  interposto para  a  finalidade de cancelar o  auto de  infração  lavrado e o crédito tributário correspondente.    Leonardo Ogassawara de Araújo Branco ­ Relator                  Declaração de Voto  Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira    Peço  vênia  para  apresentar  declaração  de  voto,  divergente  do  Ilustre  Conselheiro  Relator,  Dr.  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco,  em  seu  mui  bem  fundamentado voto e, também, do entendimento discutido durante o julgamento. Desculpo­me  pela objetividade das minhas considerações.  Preliminarmente, assento que se deve cuidar de fazer prevalecer o Princípio  da Verdade Material sobre o formalismo, como penso pretendia o Colegiado que decidira pelas  diligências já realizadas. Reconheço que a Verdade Material neste contraditório se processa no  cotejamento  dos  dados  trazidos  pelos  registros  empresariais,  pelos  registros  dos  sistemas  oficiais  de  controle  e  pelas  demais  informações  prestadas  pela  contribuinte. Mas me  parece  Fl. 10829DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     22 corresponder aos princípios que regem os atos da administração pública (Lei n. 9784, de 1999  c/c Lei n. 5.172/1966 e Decreto­lei n. 37/1966 e Decreto n. 70.235, de 1972) que não se exija  ou se retenha tributo indevido ou que se afaste a exigência quando se constate que os produtos  importados com benefício foram efetivamente exportados após aproveitamento em processo de  industrialização ocorrido no Brasil.  Como  vimos,  o  processo  administrativo  recebeu  duas  decisões  do  CARF  através  de  Resoluções  que  demandaram  a  assistência  da  autoridade  fiscal  da  unidade  de  jurisdição. Ocorre que, apesar da análise fiscal e das  informações prestadas pela contribuinte  em  atendimento  a  essas  diligências,  sinto  que  ainda  restou  necessidade  de  adicionais  manifestações da autoridade local de administração e da contribuinte.  A meu ver,  seria de  grande contribuição  aos Conselheiros obter,  através de  nova  diligência,  (a)  confirmação  inequívoca  de  que  a  contribuinte  não  manteve  comercialização no mercado  interno dos produtos em questionamento, ou que,  tendo havido,  seja demonstrado suas implicações com o levantamento até o momento relatado; (b) análise da  correspondência  das movimentações  dos  estoques  dos  produtos  em questionamentos  com os  quantitativos e temporalidades previstos pelos atos Concessórios; ( c) verificação da alegação  da  contribuinte  de  que  houve  exportações  vinculadas  por  equívoco  aos  Atos  Concessórios  2005025845  e  20050207571  [não  sendo  objeto  da  exigência  desse  processo  fiscal]  e  que  deveriam  ser  realocados  aos  AC  tratados  neste  processo  administrativo;  (d)  análise  e  informações sobre restos e perdas no processo de produção; (e) analise a respeito da afirmação  da contribuinte de que houve exportação da matéria importada; (f) análise com referência aos 3  Atos Concessórios importações e RE's relacionados aos absorventes de oxigênio (não atendidas  até o momento).    Sem dúvida que o voto do  Ilustre Relator  traz extensa e profunda análise e  sólida fundamentação na legislação, mas ouso dela divergir por coerência com o meu passado  neste  Colegiado,  o  entendimento  que  venho  esposando  em  julgamentos  neste  Colegiado,  de  procurar privilegiar o Princípio da Verdade Material e defender o formalismo moderado.  Espero  ter  deixado  claro  a  razão  e  o  propósito  de  minha  proposta  de  realização de nova diligência.    Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.      Fl. 10830DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 30/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por R OBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

score : 1.0