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Numero do processo: 13819.001834/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não se conhece da irresignação ofertada pelo Contribuinte fora do prazo legal. Recurso a que se nega conhecimento.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2802-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece da irresignação ofertada pelo Contribuinte fora do prazo legal. Recurso a que se nega conhecimento. Recurso Voluntário não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece da irresignação ofertada pelo Contribuinte fora do prazo legal. Recurso a que se nega conhecimento. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 18 34 /2 00 9- 14 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13819.001834/200914 Acórdão n.º 2802003.346 S2TE02 Fl. 80 2 O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão, razão pela qual fui designado como Redator ad hoc, conforme despacho de fls. 78. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (fls. 14/19), lavrada em face da revisão de declaração de ajuste anual do exercício 2006, anocalendário 2005, em razão das seguintes supostas infrações: dedução indevida de livrocaixa, por falta de comprovação ou de previsão legal, omissão de rendimentos do trabalho e compensação indevida de IRRF. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 e ss., na qual, em síntese, alega que em relação ao IRRF a fonte pagadora constou de sua DIRPF, sendo relativa a alugueis de pessoa jurídica, sendo que a mesma pagava os valores brutos, ficando o próprio contribuinte encarregado de recolher o IRRF, anexando os DARFs; que quanto às deduções de livrocaixa, os valores estão corretos, conforme documentação que anexa. Em julgamento, a 11ª Turma da DRJ/SP2, em sessão realizada no dia 17/05/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos fundamentos de que a omissão de rendimentos constitui matéria não impugnada; que, quanto às deduções de livro caixa, o contribuinte trouxe aos autos recibos de pagamentos de salários a Gisleine Magalhães da Silva, sem assinatura, de janeiro a dezembro de 2005, sem apresentar o registro do livro caixa, para que se possa estabelecer o vínculo entre os documentos, tampouco sendo os valores correspondentes e não havendo nos autos prova de que os recibos sejam relativos às despesas informadas; que, quanto a compensação indevida de IRRF, não consta da DIRF 2005 em nome do contribuinte, como beneficiário, entrada para a empresa Modelação Florida Ltda. locatária de seu imóvel; que os DARFs em nome da empresa, código de recolhimento 3208, apresentados pelo contribuinte não são acompanhados de prova de efetivo pagamento pelo contribuinte, tampouco que sejam relativos ao contrato de locação de que se trata, mantendose a glosa. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 66 (numeração CARF), em 05/09/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 06/10/2011, a fl. 67, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e juntando documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão. Tendo sido nomeado ad hoc para formalização do acórdão, registro que não necessariamente concordo com a conclusão ou com os fundamentos do Relator. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13819.001834/200914 Acórdão n.º 2802003.346 S2TE02 Fl. 81 3 Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Em sede preliminar, o recurso não deve ser conhecido, por intempestivo, de vez que o prazo recursal expirou em 05/10/2011, tendo sido interposto o recurso em 06/10/2011. Isto posto, nego conhecimento ao recurso. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.001823/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DA RESTITUIÇÃO DOS VALORES PELOS SÓCIOS. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO.
Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou, em parte, a efetividade da devolução dos valores objeto do contrato de mútuo e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constataram o equívoco do Fisco, conforme Relatório Fiscal Complementar (diligência).
Além dos valores de devolução de mútuo considerados pelo fisco devem também ser abatidos da base de cálculo as quantias que foram escrituradas como devolução de mútuo e suportadas por recibos e extratos bancários correspondentes, independentemente de haver identificação do depositante.
OPERAÇÃO DE MÚTUO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRÓ-LABORE INDIRETO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa.
O contrato de mútuo é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado em equivalentes de quantidade, qualidade e gênero, sendo configurado como uma remuneração auferida pelos sócios (pró-labore indireto) quando não houve a demonstração contábil hábil e idônea da restituição dos valores pelo mutuário (sócios).
As despesas pessoais incorridas pelos sócios e suportadas pela empresa constituem base de cálculo da contribuição do segurado contribuinte individual (sócios). A operação financeira de mútuo firmado entre as partes, sem comprovação de quitação do negócio jurídico, não é válido para se afastar o caráter remuneratório dos valores disponibilizados aos sócios indiretamente, através do pagamento de despesas por eles contraídas junto a terceiros.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores apurados nas competências 01/2004 e 02/2004, em razão da decadência, e exclusão dos valores registrados no DE PARA (Valor base de cálculo notificada - Valor base de cálculo Excluída = Valor base de cálculo Mantida) constantes da planilha inserida no Relatório Fiscal Complementar (item 1.8 da diligência fiscal). II) por maioria de votos, determinar que sejam excluídos da base de cálculo as quantias mencionadas no quadro que integra o voto divergente. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo (Relator) e Ronnie Soares Anderson, que somente excluíam os valores sugeridos pelo Fisco. Redator designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DA RESTITUIÇÃO DOS VALORES PELOS SÓCIOS. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO. Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou, em parte, a efetividade da devolução dos valores objeto do contrato de mútuo e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constataram o equívoco do Fisco, conforme Relatório Fiscal Complementar (diligência). Além dos valores de devolução de mútuo considerados pelo fisco devem também ser abatidos da base de cálculo as quantias que foram escrituradas como devolução de mútuo e suportadas por recibos e extratos bancários correspondentes, independentemente de haver identificação do depositante. OPERAÇÃO DE MÚTUO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRÓ-LABORE INDIRETO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. O contrato de mútuo é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado em equivalentes de quantidade, qualidade e gênero, sendo configurado como uma remuneração auferida pelos sócios (pró-labore indireto) quando não houve a demonstração contábil hábil e idônea da restituição dos valores pelo mutuário (sócios). As despesas pessoais incorridas pelos sócios e suportadas pela empresa constituem base de cálculo da contribuição do segurado contribuinte individual (sócios). A operação financeira de mútuo firmado entre as partes, sem comprovação de quitação do negócio jurídico, não é válido para se afastar o caráter remuneratório dos valores disponibilizados aos sócios indiretamente, através do pagamento de despesas por eles contraídas junto a terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores apurados nas competências 01/2004 e 02/2004, em razão da decadência, e exclusão dos valores registrados no DE PARA (Valor base de cálculo notificada - Valor base de cálculo Excluída = Valor base de cálculo Mantida) constantes da planilha inserida no Relatório Fiscal Complementar (item 1.8 da diligência fiscal). II) por maioria de votos, determinar que sejam excluídos da base de cálculo as quantias mencionadas no quadro que integra o voto divergente. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo (Relator) e Ronnie Soares Anderson, que somente excluíam os valores sugeridos pelo Fisco. Redator designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo - Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.001823/200903 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.969 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRÓLABORE INDIRETO Recorrente SISTEMA PITÁGORAS DE ENSINO SOCIEDADE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DA RESTITUIÇÃO DOS VALORES PELOS SÓCIOS. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO. Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou, em parte, a efetividade da devolução dos valores objeto do contrato de mútuo e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constataram o equívoco do Fisco, conforme Relatório Fiscal Complementar (diligência). Além dos valores de devolução de mútuo considerados pelo fisco devem também ser abatidos da base de cálculo as quantias que foram escrituradas como devolução de mútuo e suportadas por recibos e extratos bancários correspondentes, independentemente de haver identificação do depositante. OPERAÇÃO DE MÚTUO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRÓLABORE INDIRETO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 18 23 /2 00 9- 03 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. O contrato de mútuo é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado em equivalentes de quantidade, qualidade e gênero, sendo configurado como uma remuneração auferida pelos sócios (prólabore indireto) quando não houve a demonstração contábil hábil e idônea da restituição dos valores pelo mutuário (sócios). As despesas pessoais incorridas pelos sócios e suportadas pela empresa constituem base de cálculo da contribuição do segurado contribuinte individual (sócios). A operação financeira de mútuo firmado entre as partes, sem comprovação de quitação do negócio jurídico, não é válido para se afastar o caráter remuneratório dos valores disponibilizados aos sócios indiretamente, através do pagamento de despesas por eles contraídas junto a terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores apurados nas competências 01/2004 e 02/2004, em razão da decadência, e exclusão dos valores registrados no DE PARA (Valor base de cálculo notificada Valor base de cálculo Excluída = Valor base de cálculo Mantida) constantes da planilha inserida no Relatório Fiscal Complementar (item 1.8 da diligência fiscal). II) por maioria de votos, determinar que sejam excluídos da base de cálculo as quantias mencionadas no quadro que integra o voto divergente. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo (Relator) e Ronnie Soares Anderson, que somente excluíam os valores sugeridos pelo Fisco. Redator designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.001823/200903 Acórdão n.º 2402004.969 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, relativa à contribuição previdenciária patronal, para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 33/35) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações dos segurados contribuintes individuais, em forma de salários, referentes aos valores pagos aos sócios da autuada a título de mútuo, porém, considerados pela autoridade lançadora como prólabore tendo em vista a inconsistência entre os lançamentos contábeis dos valores “emprestados” e os respectivos documentos de caixa, bem como por não terem sido apresentados os documentos que fundamentaram os lançamentos contábeis da devolução, pelos sócios, dos valores “emprestados”, para o período janeiro a dezembro de 2004. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 09/03/2009 (fls.01 e 72), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 90/100), alegando, em síntese, que: 1. decadência das contribuições de janeiro e fevereiro de 2004, com fundamento na Súmula Vinculante STF n° 08, no art. 150, § 4° do CTN e na tese de que as contribuições previdenciárias são tributos por homologação; 2. a fiscalização se excedeu ao lavrar a presente autuação, eis que a desclassificação da escrita contábil é medida extrema, que não basta existência de vícios isolados na escrituração para que ela seja descartada e que os exemplos citados no relatório fiscal não desvirtuam os mútuos, mas ratificam a existência deles. O relatório fiscal deveria informar porque os valores a título de mútuo foram classificados como prólabore e não como distribuição de lucro. Afirma que se os mútuos tivessem valores idênticos, mês a mês, aí sim se poderia afirmar a existência de característica de prólabore. Todavia, no presente caso, os valores envolvidos a cada mês são diferentes uns dos outros, adequandose muito mais à situação de distribuição de lucros; 3. afirma que a impugnante localizou os documentos que comprovam que os mútuos realmente ocorreram, são eles: contratos de mútuo entre a impugnante e Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, Evando José Neira e Júlio Cabizuca, bem como os recibos firmados pelos sócios; 4. a impugnante já conseguiu localizar a maior parte dos documentos que comprovam a devolução dos mútuos (retorno dos valores Fl. 650DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 emprestados). São eles recibos emitidos pela impugnaste e extratos bancário, que comprovam que grande parte dos empréstimos foi pago através de depósito/crédito na conta corrente da empresa. Quanto à devolução do restante do empréstimo, afirma ter sido feita através de compensação de créditos efetuados entre pessoas jurídicas. Cita dois exemplos, um deles é o seguinte: o sócio Valfrido Silvino dos Mares Guia Neto, que é também sócio da empresa Samos Participações Ltda, solicitava a esta que parte dos lucros a lhe serem distribuídos fossem transferidos diretamente a impugnante para amortizar o mútuo. Por sua vez, a empresa Samos não fazia o crédito, eis que era sócia da empresa Pitágoras Administração e Participações Ltda., e, por isso mesmo, tinha lucros a receber, passando a incumbência adiante; 5. como a Pitágoras Administração e Participações Ltda. era credora do Sistema Pitágoras de Ensino Sociedade Ltda., elas acabavam compensando o crédito que iria ser feito em nome do Sr. Walfrido. Na contabilidade da empresa Pitágoras Administração era computado o valor que seria transferido como pagamento de empréstimo feito pela impugnante, que em contrapartida, também amortizava o mesmo valor na divida consolidada do Sr. Walfrido. Nesse caso as quantias não eram creditadas efetivamente para o impugnante, todavia, isso não quer dizer que o retorno do empréstimo não ocorreu. Como prova dessas operações entre pessoas jurídicas, junta cartas endereçadas pelo Sr. Walfrido ao Impugnante e à Samos, os ofícios remetidos pela Samos à Pitágoras Administração, os comunicados que ratificam diversas compensações formalizadas entre a Pitágoras Administração e o Impugnante e, por fim, os recibos encaminhados ao sócio comprovam a devolução de R$607.904,00; 6. acrescenta que está diligenciando no sentido de localizar outros documentos que ratificam a devolução da totalidade dos valores empresados aos sócios, os quais serão apresentados assim que possível; 7. indevida a desclassificação dos registros contábeis porque, ao contrário do afirmado pela autoridade lançadora, os lançamentos contábeis não divergem dos documentos. Para comprovar o alegado, apresenta as seguintes justificativas para os exemplos citados no relatório fiscal: Exemplo contido no relatório fiscal Justificativa/argumento da defesa Lançamento contábil, datado de 21/07/2004, de pagamento a título de mútuo ao Sr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto no valor de R$20.100,00 embasado em documento de R$19.600,00 A divergência de valores não autoriza a conclusão o restante do empréstimo (R$500,00) não foi disponibilizado ao Sr. Walfrido. Se R$19.600,00 estão comprovados, não há porque desclassificar a totalidade do mútuo de R$20.100,00 Fl. 651DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.001823/200903 Acórdão n.º 2402004.969 S2C4T2 Fl. 4 5 Lançamento contábil, datado de 02/08/2004, de pagamento a título de mútuo ao Sr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto embasado em documento que demonstra que parte do valor não foi pago para o referido sócio, mas para terceiro A terceira pessoa a quem foi pago parte do valor é a Sra. Sheila Emrich dos Mares Guia, esposa do Sr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, que, para “facilitar as coisas (e, porque não, para economizar a CPMF) pediu que parte do dinheiro fosse diretamente destina para a esposa.” Lançamento contábil, datado de 10/12/2004, de pagamento a título de mútuo ao Sr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto Guia Neto embasado em documento que demonstra que parte do valor não foi pago para o referido sócio, mas à ABCC Manga larga Machador, pessoa diversa daquela indicada no lançamento. A quantia foi utilizada para pagar boleto que traz o nome do Sr. Walfrido Silvino dos Mares como cedente, ou seja, o dinheiro foi usado para pagar conta do sócio. Ao final requer o acolhimento da defesa para que se cancele ou se julgue improcedente o lançamento e, com fulcro no § 4o, alínea "a", do art. 16 do Decreto 70.235/72 e art. 38 da Lei 9.784/99, solicita a anexação posterior de documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão no 0224.197 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 107/114) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso (fls. 153/163), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados, e no mais alega improcedência dos valores apurados e afirma que a sua contabilidade espelha a realidade fática da empresa. Posteriormente, foi determinada diligência fiscal para averiguar se houve ou não a efetiva devolução dos valores emprestados aos sócios, consubstanciado nos contratos de mútuo. A informação fiscal (diligência) apontou que o Fisco cometeu um equívoco na apuração da base de cálculo, já que, em parte, os valores emprestados aos sócios foram devolvidos à empresa, e sinaliza pela retificação dos valores apurados inicialmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que a autuação é improcedente em relação às competências anteriores a fevereiro de 2004, posto que estariam fulminadas pela decadência, requerendo a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação será acatada em parte. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 653DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.001823/200903 Acórdão n.º 2402004.969 S2C4T2 Fl. 5 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2004 a 12/2004 e foi efetuado em 09/03/2009, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 72). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento parcial para outras rubricas da contribuição previdenciária, conforme Relatório Fiscal e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 22/23. Esses documentos afirmam que houve o recolhimento parcial de contribuições devidas. Nesse sentido, a teor do enunciado da súmula 99 do CARF1, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 02/2004, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. 1 Súmula 99 do CARF: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor Fl. 654DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada em parte, excluindose os valores apurados nas competências 01/2004 e 02/2004, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2004 a 12/2004 e as competências posteriores a 02/2004 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, acatase parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 02/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Após isso, passo ao exame de mérito. DA DILIGÊNCIA FISCAL: Com relação à restituição dos valores realizadas pelos sócios, constatase que os documentos juntados aos autos pela Recorrente comprovam, em parte, a devolução dos valores pelos sócios. Na espécie, diante da alegação de que o lançamento estaria equivocado, já que os valores apurados pelo Fisco teriam abarcados cifras restituídas pelos sócios, os autos foram baixados em diligência para manifestação do Fisco sobre a possível necessidade de retificação do lançamento, conforme Resolução nº 2402000.416 do CARF. Em Informação Fiscal, consubstanciada pelo Relatório Fiscal Complementar (Parecer Fiscal), consta que as alegações da Recorrente, em parte, são pertinentes, e o Fisco conclui que a base de cálculo deverá ser retificada, conforme planilha abaixo: “[...] 1.8. Sendo assim, cumprindo o comando da Resolução n° 2402000.416 4a Câmara / 2a Turma Ordinária de 19 de fevereiro de 2014, ressalvando a hipótese de entendimento diferente em apreciação da matéria pelo CARF, elaboramos a tabela a seguir, de forma a demonstrar por competência e segurado, os ajustes, nas bases de cálculo ora retificadas, cujos totais mensais espelhamos a seguir: Competência Identificação do segurado DE Valor base de cálculo notificada Valor base de cálculo Excluída Ref. Fls. Doc. de Exclusão PARA Valor base de cálculo Mantida 01/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 451.563,99 446.599,98 112/113 4.964,01 01/2004 Júlio Fernando Cabizuca 5.000,00 0,00 5.000,00 01/2004 Evando Jose Neiva 233.390,82 0,00 233.390,82 01/2004 total 689.954,81 446.599,98 243.354,83 02/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 1.000,00 0,00 1.000,00 02/2004 Júlio Fernando Cabizuca 1.691,42 0,00 1.691,42 02/2004 Evando Jose Neiva 113.344,70 0,00 113.344,70 02/2004 Total 116.036,12 0,00 116.036,12 03/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 7.556,29 0,00 7.556,29 considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.001823/200903 Acórdão n.º 2402004.969 S2C4T2 Fl. 6 9 03/2004 Júlio Fernando Cabizuca 21.025,00 "0,00 21.025,00 03/2004 Total 28.581,29 0,00 28.581,29 04/2004 Walfrido" Silvino dos Mares Guia Neto 460,00 0,00 460,00 04/2004 Evando Jose Neiva 106.392,00 0,00 106.392,00 04/2004 Total 106.852,00 0,00 106.852,00 05/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 3.029,67 0,00 3.029Í67 05/2004 Evando Jose Neiva 88.970,70 0,00 88.970,70 05/2004 Total 921000,37 0,00 92.000,37 06/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 79.306,92 0,00 79.306,92 06/2004 Evando Jose Neiva 138.160,00 138.160,00 29/32 0,00 06/2004 Total 217.466,92 138.160,00 79.306,92 • 07/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 245.040,00 207.240,00 132/141 37.800,00 07/2004 Júlio Fernando Cabizuca 2.000,00 0,00 2.000,00 07/2004 Evando Jose Neiva 69.080,00 69.080,00 33/36 0,00 07/2004 Total 316.120,00 276.320,00 39.800,00 08/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 257.670,39 69.080,00 141/146 188.590,39 08/2004 Evando Jose Neiva 75.739,20 75.739,20 37/44 * 0,00 08/2004 Total 333.409,59 144.819,20 188.590,39 09/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 521.740,00 369.080,00 126/127 e 147/151 * 152.660,00 09/2004 Evando Jose Neiva 62.420,00 62.420,00 37/44 * 0,00 09/2004 Total 584.160,00 431.500,00 152.660,00 10/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 269.750,78 69.080,00 152/156 200.670,78 10/2004 Evando Jose Neiva 37.544,91 .37.544,91 45/48 0,00 10/2004 Total 307.295,69 106.624,91 200.670,78 ‐ 11/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 202.185,00 96.712,00 157/161 105.473,00 11/2004 Evando Jose Neiva 29.455,76 29.455,76 49/52 0,00 11/2004 Total 231.640,76 126.167,76 105.473,00 12/2004 Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto 249.078,00 96.712,00 162/166 152.366,00 12/2004 Evando Jose Neiva 38.060,37 30.572,74 53/56 7.487,63 12/2004 Total 287.138,37 127.284,74 159.853,63 [...]” (item “1.8” do Relatório Fiscal Complementar, Diligência Fiscal) Em relação a este ponto, simplesmente acato a proposta de retificação feita pelo próprio Fisco, conforme item “1.8” do Relatório Fiscal Complementar, Diligência Fiscal. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Diante disso, acatase a alegação da Recorrente de que é indevida, em parte, a contribuição previdenciária, já que ela apresentou documentos para se eximir dos valores lançados, fato este admitido, posteriormente, pelo próprio Fisco, consoante Relatório Fiscal Complementar. Assim, deverão ser excluídos da base de cálculo os valores registrados no DE PARA (Valor base de cálculo notificada Valor base de cálculo Excluída = Valor base de cálculo Mantida) constantes da planilha inserida no Relatório Fiscal Complementar (item 1.8 da diligência fiscal). DA OPERAÇÃO DE MÚTUO: O Fisco afirma que a base de cálculo decorre de valores lançados nos Livros Diário e Razão a título de numerários retirados pelos sócios, já que os documentos contábeis sinalizam que os valores não foram devolvidos à empresa, caracterizandose como retirada de pró labore em razão dos seguintes fatos: “[...] a Não foi apresentado nenhum documento referente aos créditos contabilizados (retorno dos valores emprestados pala empresa aos sócios). b Os lançamentos de débito (valores emprestados pela empresa aos sócios) não condizem com a realidade dos documentos apresentados. Por exemplo, o lançamento de 21/07/2004 ao sócio Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, refere se ao valor de R$ 20.100,00 quando o documento apresentado para a mesma data revela o valor de R$ 19.600,00 (verificar o anexo I). c Outro exemplo é o lançamento de 02/08/2004, cujo destino do valor contabilizado refere se em parte a outra pessoa física, diferente do nome do sócio contabilizado (verificar o anexo II). d O exemplo do anexo III é um lançamento de 10/12/2004, que foi em parte destinado à pessoa jurídica ABCC Mangalarga Machador, caracterizando assim a destinação diferente da contabilizada e com características de retirada pró labore. [...]” (Relatório Fiscal, item 4, fls. 33/35) Em sentido contrário, a Recorrente alega que os valores apontados como retirada a título de prólabore pelo Fisco decorrem dos contratos de mútuo realizados entre ela e o seus sócios, e foram devidamente escriturados na contabilidade, havendo assim uma indevida desclassificação dos registros contábeis pelo Fisco. É importante esclarecer que o valor pago a título de contrato de mútuo, devidamente escriturado na contabilidade, é documento hábil para formalizar a relação obrigacional entre as partes, de forma a demonstrar a natureza jurídica das operações e afastar a incidência de eventuais contribuições previdenciárias. No caso dos autos, verificase que, para os fatos em que a Recorrente não conseguiu comprovar a restituição dos valores, não há nenhuma amortização da dívida nos lançamentos realizados nas contas do seu ativo circulante (Exercícios 2004 a 2008), conforme delineamento do Relatório Fiscal e do Relatório Fiscal Complementar (diligência), sendo que os valores eram concedidos aos sócios sem a demonstração de sua devolução no movimento de caixa da empresa. Isso leva ao entendimento de que tais valores estariam sendo pagos como uma forma de remuneração dos sócios. Conforme se pode verificar nos autos (fls. 36/71) – cópias do movimento de caixa da escrituração contábil, os valores foram concedidos aos sócios Walfrido Silvino dos Fl. 657DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.001823/200903 Acórdão n.º 2402004.969 S2C4T2 Fl. 7 11 Mares Guia, Evando José Neiva e Júlio Cabizuca, e não há comprovação de que tais valores foram devidamente escriturados como verba concedida a título de empréstimos, já que a contabilidade não registra que os valores foram devolvidos à empresa, exceto para os valores constantes da planilha inserida no Relatório Fiscal Complementar (item 1.8 da diligência fiscal). E não há também comprovação de que tais valores teriam um prazo máximo para que os mutuários (sócios) devolvessem a importância devida à empresa. Nesse passo, a Recorrente justifica, para os exemplos apontados no Relatório Fiscal, que a contabilidade está em conformidade aos fatos contábeis presenciados na empresa, entretanto, não demonstra por meio de documentos hábil do movimento de caixa que tais valores foram devolvidos ou serão devolvidos em prazo estipulado entre as partes, possuindo contratos de mútuo sem vencimento previamente estipulado. Essa alegação não será acatada, já que a Recorrente não comprovou a efetiva restituição dos valores concedidos aos sócios – exceto para os valores constantes da planilha inserida no Relatório Fiscal Complementar (item 1.8 da diligência fiscal) –, e, além disso, a apresentação de cópias dos livros “Razão” emitidos em 20/03/2009 (ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 09/03/2009), dos contratos de mútuos e dos recibos de depósitos não identificados não demonstra, por si sós, a efetiva devolução dos numerários. Essas cópias de documentos não são elementos probatórios capazes de lastrear a efetividade do ingresso de numerário proveniente dos sócios na conta “Caixa” da Recorrente, pois deve haver correspondência entre o registro contábil e a documentação respectiva que lhe dar suporte, ou seja, o registro contábil deve ser espelhado por meio do seu documento correspondente. As cópias desses documentos (eprocesso fls. 572/645) não se coadunam com o ordinariamente praticado na relação de empréstimos, ainda que se considere a posição privilegiada dos sócios, já que os empréstimos estão sujeitos as regras rígidas do Código Civi de 2002. Mesmo havendo o registro contábil sinalizando a restituição do empréstimo em espécie pelos sócios, não houve a comprovação, por meio de documento hábil e idôneo, da efetiva devolução do dinheiro pelos sócios, tais como: comprovante do saque bancário dos sócios, cópias de cheques emitidos pelos sócios, depósito ou transferência bancária constando o nome dos sócios, cópia do extrato da conta corrente ou outro meio hábil e idôneo admitido em direito da efetiva transferência dos recursos pelos sócios, coincidente em datas e valores. Em outras palavras, a Recorrente não comprovou a efetiva restituição dos valores pelos sócios, uma vez que o registro contábil deve ser acompanhado dos respectivos documentos capazes de afirmar o fato contábil do recebimento do empréstimo na “conta Caixa” da empresa, conforme preconiza o art. 586 do Código Civil (Lei 10.406/2002), ao estabelecer que o mutuário (sócios) deverá restituir ao mutuante (Recorrente) o que recebeu do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Portanto, a devolução do empréstimo concedido aos sócios deveria ter sido realizada em dinheiro na “Conta Caixa” e devidamente materializado por meio de documento idôneo, fato este não comprovado. Esse entendimento está em conformidade com o disposto no art. 226 do Código Civil, ao estabelecer que contabilidade só faz prova a seu favor desde que fundamentada em documentação idônea (outros subsídios). Lei 10.406/2002 – Código Civil: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. (g.n.) Fl. 658DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 ......................................................................................................... Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. A verdade é que esse art. 586 do Código Civil (Lei 10.406/2002) encaminha no sentido de que os sócios (mutuários) são obrigados a restituir à Recorrente o dinheiro que dele recebeu por meio da conta contábil caixa, fato este não evidenciado nos autos. A alegação da Recorrente de que o Fisco realizou uma desconsideração dos contratos de mútuo deverá ser afastada, pois não houve essa desconsideração, e sim a aplicação de que as convenções particulares são ineficazes perante o Fisco, conforme dispõe o art. 123 do CTN – que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade lançadora do tributo –, c/c os arts. 221 e 228 do Código Civil – que estabelecerem a ineficácia do instrumento particular, em relação a terceiros, inclusive o Fisco, antes de registrado no registro público. O Fisco demonstrou que os contratos de mútuos apresentados pela Recorrente não foram registrados no registro público. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (g.n.) ......................................................................................................... Lei 10.406/2002 – Código Civil: Art. 221 O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor, mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. (...) Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1º do art. 654. (g.n.) Diante da legislação que rege a matéria, o fato de haver a retirada de numerário da empresa pelos sócios, consubstanciado em suposto contrato de mútuo, sem a comprovação hábil e idônea da efetiva restituição do valor concedido, configura remuneração auferida pelos sócios (retirada indireta de prólabore), sobre a qual incide a contribuição previdenciária, a teor do art. 28, inciso III, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por Fl. 659DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.001823/200903 Acórdão n.º 2402004.969 S2C4T2 Fl. 8 13 conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5°; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999). Além disso, após a realização da diligência fiscal, em nenhum momento a Recorrente juntou qualquer documento tendente a comprovar o efetivo controle e amortização da dívida, nem mesmo em seu recurso voluntário complementar datado em 14/01/2015, fato que leva à conclusão de que os valores remanescentes eram realmente destinados à remuneração dos sócios, situação sujeita à incidência das contribuições previdenciárias. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual entendo que foi materializado no Relatório Fiscal (fls. 33/35), nos seus anexos (fls. 36/71), no Relatório Fiscal Complementar e nos documentos acostados aos autos de fls. 90/106 –, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco, fato que ela não desincumbiu. Código de Processo Civil (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Com isso, percebese que o contrato de mútuo firmado entre as partes atua como subterfúgio para afastar a incidência da contribuição devida em razão dos pagamentos efetuados em favor dos segurados contribuintes individuais (sóciosgerentes), motivo pelo qual as contribuições lançadas são devidas pela Recorrente e as suas alegações postuladas na peça recursal complementar não serão acatadas. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos: 1. os valores apurados nas competências 01/2004 e 02/2004, inclusive, em razão da decadência; e 2. os valores registrados no DE PARA (Valor base de cálculo notificada Valor base de cálculo Excluída = Valor base de cálculo Mantida) constantes da planilha inserida no Relatório Fiscal Complementar (item 1.8 da diligência fiscal), nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator designado Ouso discordar do Ilustre Relator quanto às suas conclusões referentes à aceitação de pagamentos de mútuo mediante créditos em conta corrente efetuadas pelos sócios da autuada. O voto do Relator aderiu inteiramente ao que ficou estabelecido pelo fisco na informação fiscal de diligência de fls. 537/554, onde deixaram de ser acatadas devoluções registradas na escrita contábil e suportadas por recibos e cópias de extratos bancários relativos à conta corrente de titularidade do sujeito passivo. A meu ver, como parte das comprovações de pagamentos foi aceita com base na contabilidade, a exemplo de compensações entre empresas do grupo e depósitos em conta corrente mediante transferências bancárias, os outros pagamentos devidamente registrados e comprovados não poderiam deixar de ser acatados apenas por lhes faltar a identificação do depositante nos extratos bancários. Como bem asseverou o Conselheiro Natanael Vieira em suas ponderações sobre essa questão, pouco importa saber quem efetivamente efetuou o depósito, sendo relevante apenas a informação de que houve um crédito da conta do mutuante, o qual deu como quitada o parcela do mútuo contratado com o sócio. Neste sentido, com base nos dados apresentados na referida informação fiscal, elaborei planilha onde constam para cada sócio os depósitos escriturados e comprovados que deixaram de ser considerados na redução da base de cálculo. SÓCIO/MÊS WALFRIDO EVANDO JÚLIO JAN 20.000,00 FEV 1.000,00 219.864,82 MAR 1.691,42 ABR 460,00 MAI 7.155,82 40.389,44 26.025,00 JUN 3.621,59 JUL 300.000,00 AGO SET OUT NOV DEZ 349.516,22 6.487,65 TOTAL 661.753,63 286.741,89 27.716,42 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.001823/200903 Acórdão n.º 2402004.969 S2C4T2 Fl. 9 15 Entendendo que, se o fisco não apontou qualquer mácula nos documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis, não há como deixar de aceitar na apuração as devoluções de mútuo constantes no quadro acima, as quais devem ser abatidas nas competências correspondentes, ficando o saldo para ser aproveitado na competência subsequente em que houver débito. Observando que estes créditos devem ser considerados individualmente por sócio, nos termos em que foi feita a apuração fiscal. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso de modo que sejam abatidas das bases de cálculo correspondentes a cada sócio as quantias listadas no quadro acima Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 19515.720867/2013-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a fim de que se aguarde o desfecho do processo de IRPJ com o qual este processo é conexo.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 10 1 9 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720867/201336 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.765 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de março de 2016 Assunto IPI Recorrente METALLICA INDUSTRIAL S/A (CONTRIBUINTE AUTUADA) ROBERTO COSTILAS JUNIOR (COOBRIGADO) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a fim de que se aguarde o desfecho do processo de IRPJ com o qual este processo é conexo. Antonio Carlos Atulim Presidente. Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório METALLICA INDUSTRIAL S/A (contribuinte autuada), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta impugnação à exigência tributária consubstanciada no presente processo. Também há nos autos impugnação do Sr. ROBERTO COSTILAS JUNIOR, responsabilizado solidariamente pelos tributos devidos pela autuada. Tratase de autos de infração, fls. 3337 e seguintes, relativo ao IPI, anocalendario de 2008, no valor total de R$ 8.662.279,73 (inclusos multa de oficio de 150% e juros de mora à taxa Selic, calculados até abril/2013), em decorrência de irregularidades descritas no processo 19515.720865/201347. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 86 7/ 20 13 -3 6 Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 22/0 3/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 19515.720867/201336 Resolução nº 3402000.765 S3C4T2 Fl. 11 2 A DRJ julgou improcedentes as impugnações em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2008 IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE DO DO IRPJ. GLOSA DE CRÉDITOS. Aplicase ao decorrente o decido no processo principal naquilo que couber. Uma vez confirmada a glosa das notas fiscais no processo principal (IRPJ), mantémse a exigência do IPI calcada na glosa dos créditos deste tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. No caso em tela, a Fiscalização glosou integralmente os custos (IRPJ/CSLL) e créditos (PIS/COFINS/IPI) relativos as compras de matériasprimas (sucatas de cobre) que a Metallica contabilizou como tendo sido adquiridas das empresas Stillo e Cobrenet, conforme descrito no tópico “modus operandis” e na conclusão do Termo de Verificação Fiscal (TVF). No acórdão recorrido, aduziu o julgador que: Tanto aqui na DRJ quanto na hipotese de eventual recurso voluntário, ambos os litigios devem ser julgados por colegiados com especialização no IRPJ, haja vista que o IPI é apenas reflexo. Verificase tratar de processo conexo, nos termos do art.6º, §1º, II do RICARF, ao Processo nº 19515.720865/201347, distribuído em 03/03/2016 à Conselheira Aurora Tomazini de Carvalho, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção. A providência sugerida pelo julgador da DRJ me parece acertada frente ao regime de conexão existente no regimento anterior do CARF. O atual parece discrepar: § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá convert er o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 22/0 3/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 19515.720867/201336 Resolução nº 3402000.765 S3C4T2 Fl. 12 3 e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo pri ncipal. Deste modo, parece que a providência a ser tomada, nos termos do §5º do art.6º do RICARF é o sobrestamento do processo até que o processo principal seja julgado. Desse modo, voto pela CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA para que os autos retornem à DRF de origem para aguardar o trânsito em julgado, na esfera administrativa, do Processo nº 19515.720865/201347, devendo retornar, então, a este Colegiado com cópia da decisão definitiva do processo principal. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 22/0 3/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Numero do processo: 10680.007849/00-39
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 28/03/1995
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. DECADÊNCIA.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que inocorre o pagamento antecipado, o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inc. I do Código
Tributário Nacional - CTN. Entendimento proferido pelo STJ no REsp. nº 973.733/SC, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, aplicado nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9900-000.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Teresa Martinez Lopes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Valmir Sandri e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc
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Constribuições Sociais Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida ÓTICA LA PATRÍCIA LTDA ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 28/03/1995 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que inocorre o pagamento antecipado, o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inc. I do Código Tributário Nacional - CTN. Entendimento proferido pelo STJ no REsp. nº 973.733/SC, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, aplicado nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Teresa Martinez Lopes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Valmir Sandri e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (para fins de formalização de voto) (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, designada para formalizar o Acórdão Participaram do julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Suzi Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martines Lopes, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Fl. 340DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10680.007849/00-39 Acórdão n.º 9900-000.276 CSRF-PL Fl. 341 2 Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva (Relator), Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silvam Elias Sampaio Freire, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo Oliveira Santos, Rodrigo Costa Possas, Francisco Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Fabiola Cassiano Keramidas, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Valmir Sandri e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Considerando que o Presidente à época do Julgamento não mais compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, a presente decisão é assinada pelo Presidente do CARF nesta data, Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Conselheiro José Ricardo da Silva não integra o quadro de Conselheiros do CARF, a Conselheira Adriana Gomes Rêgo foi designada ad hoc como a responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 09/10/2015. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10680.007849/00-39 Acórdão n.º 9900-000.276 CSRF-PL Fl. 342 3 Relatório Cuida-se de Recurso Extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, (fls. 85/90, v. 2), contra decisão proferida pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais, consubstanciada no Acórdão n° 01-05.987, de 12 de agosto de 2008 (fl. 68/81, v. 2), que negou provimento ao seu Recurso Especial, por entender que, em virtude da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição ao PIS e da COFINS possuírem natureza de tributo, e se sujeitarem à modalidade de apuração por homologação, aplicar-se-iam à regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, além da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, que impossibilitou a aplicação do prazo previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, conforme se extrai de sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1995 CSLL, PIS E COFINS - DECADÊNCIA - A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuição ao PIS e a COFINS têm natureza de tributo e sujeitam-se à modalidade de apuração por homologação. A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da sua natureza e modalidade originária de apuração, para as referidas Contribuições Sociais aplica-se a regra decadencial prevista no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Deve, ainda, ser observada a Súmula Vinculante n° 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08, restando impossível a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Recurso especial negado. Cientificada da referida decisão em 20 de março de 2009, e com ela não se conformando, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário (e-fls. 302/307) , alegando, em síntese, que: a) o acórdão recorrido diverge da jurisprudência emanada pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que por meio do Acórdão CSRF/02-01.308 entendeu que, não havendo o Contribuinte recolhido valor algum a título de COFINS, não é possível a ocorrência da homologação tácita, uma vez que não há pagamento antecipado a ser homologado, aplicando-se a regra geral para contagem do prazo decadencial do lançamento de ofício, descrita no art. 173, I, do CTN, que é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado; b) destaca que não houve qualquer pagamento de tributo em função de a autuação ter decorrido de omissão de receitas, impossibilitando se falar em lançamento por homologação, mas em lançamento de ofício, o que atrai a incidência do artigo 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10680.007849/00-39 Acórdão n.º 9900-000.276 CSRF-PL Fl. 343 4 c) o STJ também entende que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a contribuição do respectivo crédito tributário reger-se-á pelo disposto no art. 173, I, do CTN, conforme Informativo 250/STJ; d) que, nessa linha de interpretação o lançamento de ofício, que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de pagamento por homologação, observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I, do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°; e) que, tanto no acórdão recorrido, como no paradigma, não houve recolhimento antecipado do tributo pelo contribuinte; f) que no presente caso entendeu-se como decaídos os lançamentos referentes a CSLL, PIS, e COFINS devidos no mês de março de 1995; g) que assim, na sistemática do art. 173, I, do CTN, ocorrido o fato gerador da CSLL, PIS, e COFINS em 28/03/1995, o lançamento poderia ter sido efetuado a partir de 01/01/1996, em virtude de o lançamento das contribuições serem decorrentes do lançamento do IRPJ. Dessa forma, o dies a quo do prazo decadencial para lançar será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que corresponde ao primeiro dia do ano de 1997, que findaria em 31/12/2001; e h) que, como a notificação do sujeito passivo acerca do auto de infração deu-se em 07/07/2000, não haveria que se cogitar a respeito da decadência. O Acórdão CSRF n° 02.01-308, indicado como paradigma traz a seguinte ementa: COFINS — AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO — PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, I, CTN. AMPLIAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. IMPOSSIBILIDADE_ Não havendo o Contribuinte recolhido valor algum a título de COFINS, não é possível a ocorrência da homologação tácita, uma vez que não há pagamento antecipado a ser homologado aplicando-se a regra geral para contagem do prazo decadencial do lançamento de oficio, descrita no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que é de cinco (05) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado. A decadência consubstancia-se em garantia fundamental dos contribuintes, razão pela qual se veda ao legislador ordinário fixar prazo superior àquele insculpido no art. 173 do CTN. Recurso negado." (grifo acrescido) Admitido o presente Recurso Extraordinário, conforme despacho do presidente da CSRF (e-fls. 311/313), a Interessada apresentou contrarrazões (e-fls. 321/327), com os seguintes argumentos: a) somente caberia a aplicação do art. 173 do CTN caso houvesse sido constatado que a interessada agiu com dolo, fraude ou simulação, o que, além de não ter ocorrido, deixou de ser demonstrado; b) o Auto de Infração foi lavrado para apuração e constituição de crédito de IRPJ e, dada sua particularidade e sua relação de causa e efeito, são de ser aplicados ao lançamento principal o mesmo ao lançamento reflexos, conforme já foi decidido nos acórdãos 101-95.636, 101-95.641, 1- 95.649, 101-95.487 e 101-95.488; e Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10680.007849/00-39 Acórdão n.º 9900-000.276 CSRF-PL Fl. 344 5 c) assim, não há falar quanto a divergência apontada, pois a decadência atingiu o direito de constituir os possíveis inexistentes créditos tributários, já que a Súmula Vinculante 8, do Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o art. 5° do Decreto-Lei 1.569/77, e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratavam de prescrição de decadência de crédito tributário. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10680.007849/00-39 Acórdão n.º 9900-000.276 CSRF-PL Fl. 345 6 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, para fins de formalização do Acórdão. Formalizo este acórdão por designação do presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais efetuada por meio do despacho de e-fl. 339, tendo em vista que o relator, Conselheiro José Ricardo da Silva, não formalizou a decisão, proferida em 07/12/2011, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Assim, o entendimento consubstanciado neste voto tem por base os elementos do processo e os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pelo Pleno da CSRF, a partir das quatorze horas do dia 07 de dezembro de 2011 e não exprimem qualquer juízo de valor por parte desta redatora ad hoc sobre as matérias decididas. O recurso foi apresentado tempestivamente e preencheu os requisitos para a sua admissibilidade, na medida em que a recorrente se desincumbiu comprovar a dissidência jurisprudencial entre as turmas da CSRF. No presente caso, a Fazenda Nacional postula a reforma do Acórdão CSRF/01-05.933, ao argumento de que ele teria interpretado as normas referentes à decadência de maneira divergente da interpretação dada à mesma matéria pela 2ª Turma da Câmara Superior, que entendeu que, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, a regra aplicável para a decadência é a do art. 173, I, do CTN. Portanto, a questão controvertida cuja interpretação se busca uniformizar diz respeito à relevância do pagamento antecipado para fins de determinação do termo inicial para a contagem do prazo de decadência do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento de ofício, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. A tese de irrelevância do fato de ter ou não havido pagamento encontra-se totalmente superada pela recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62-A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333/SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que "O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Desta feita, no caso dos autos, inexistindo o pagamento antecipado das contribuições sociais, a contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10680.007849/00-39 Acórdão n.º 9900-000.276 CSRF-PL Fl. 346 7 O litígio, ora examinado, decorre de lançamentos de ofício para formalização de exigências de IRPJ, IRRF, CSLL, PIS e COFINS sob acusação de omissão de receitas, cujo fato gerador ocorreu em 28/03/1995. Tendo o contribuinte sido cientificado em 07/07/2000, impõe-se reconhecer que o lançamento foi formalizado dentro do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN, que esgotar-se-ia em 31/12/2001. Em face do exposto, acordaram os membros do colegiado no sentido de DAR provimento ao recurso da Fazenda, devendo o processo retornar a instância a quo para julgamento do mérito com relação às contribuições sociais exigidas neste processo. Acórdão formalizado em 16 de outubro de 2015. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, designada para formalizar o Acórdão. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 16/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000539/2003-62
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRAZO PRESCRICIONAL. INÍCIO
DA CONTAGEM.
O prazo de cinco anos para a empresa produtora e exportadora de mercadorias
nacionais requerer ressarcimento de crédito presumido do IPI se inicia com o
encerramento do trimestre-calendário a que se refere o crédito.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-18.382
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10508.000539/2003-62 Recurso n° 140.352 Voluntário soo de contlibuits c'es,;:w.to da Unia Matéria IPI chrtZ1-1 Rubro. • -_ Acórdão n° 202-18.382 Sessão de 17 de outubro de 2007 Recorrente JOANES INDUSTRIAL S/A PRODUTOS QUÍMICOS E VEGETAIS Recorrida DRJ em Recife - PE Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRAZO PRESCRICIONAL. INÍCIO DA CONTAGEM. O prazo de cinco anos para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais requerer ressarcimento de crédito presumido do IPI se inicia com o encerramento do trimestre-calendário a que se refere o crédito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os \A embros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONT r. : UINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. &/./ ANTONIO CARLOS A UM MF •• SEGUNDO COROEM DE CONTRIBUINTES P d te CONFERE COM O ORIGINAL re..5ien Brasília, 11.., 02r. lvana Cláudia Silva Castro Mat. Sia • - 92136 — G VO KLL ALENCAR Rela r Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente), Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López. , i Processo n.° 10508.000539/2003-62 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.382 PO - /MUNDO CONNIMO DE CONTRIBUINTES Fls. 2 CONFERE COMO ORIGINAL 1 BrasIlliel, _III Ot4 i or , lvana Cláudia Silva Castro k., Mat. Siam: 92136 Relatório • Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, indeferido pela DRF em Ilhéus - BA pelo fato de que a partir de 01/01/1997 o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é a data de encerramento do trimestre calendário a que • se refere o crédito objeto do pedido. Como o pedido se refere ao 2-2 trimestre de 1998, este deveria ter sido protocolizado até o dia 30/06/2003, de forma que na data do pedido, 14/10/2003, já havia transcorrido o referido prazo. Manifestação de inconformidade alega que se trata de incentivo fiscal, não sendo alcançado pela legislação tributária, e que, de acordo com o Parecer MF/SRF/Cosit/Ditip n2 139/1996, o direito de o contribuinte pleitear o ressarcimento prescreve no prazo de cinco anos, a contar do encerramento do balanço anual. Afirma, também, que a Portaria MF n 2 38/97 estabelece que o pedido se refere ao trimestre calendário e não à contagem do prazo para fins de prescrição. Discorre sobre o princípio da igualdade e sobre a Lei n2 10.276/2001, que estabeleceu regra alternativa a ser aplicada pelas empresas industrializadoras, e por fim transcreve nota contida na solução de Consulta SRRF/6 2 RF/DISIT n2 147/2001, segundo a qual o direito do contribuinte prescreve no prazo de cinco anos, contados da data de encerramento do balanço anual. Remetidos os autos à DRJ em Recife - PE, foi o indeferimento mantido, pela aplicação do Decreto n2 20.910/32; que o crédito presumido tem natureza tributária; que a DRF em Ilhéus - BA está correta; que o Parecer MF/SRF/Cosit/Ditip n 2 139/1996 foi exarado quando a apuração do crédito a ser ressarcido era feita de forma anual, que perdurou até o ano de 1996, ao passo que o crédito pleiteado se refere a período posterior. Conclui informando que: o crédito já pode ser pleiteado no momento em que o contribuinte tem ciência do montante a ser ressarcido; a Lei n2 10.276/2001 não se aplica a fatos pretéritos; a Solução de Consulta não vincula a administração, servindo somente para nortear a Região Fiscal que exarou a mesma. Tal decisão restou assim ementada: "CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — PRAZO PRESCRICIONAL — INICIO DA CONTAGEM O prazo de cinco anos para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais requerer ressarcimento de crédito presumido do IPI se inicia com o encerramento do trimestre-calendário a que se refere o crédito." Apresenta a contribuinte recurso voluntário no qual, essencialmente, repisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. )t ' 1 1 4- Processo n.° 10508.000539/2003-62 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.382 1~813113~YEINNT Fls. 3 CONFERE COMO ORIGINAL Brasília, _J-11- 04 0 lvana Cláudia Silva Castro EL, Voto _ Mat. Siape 92136 .1 Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, do recurso conheço. A matéria é pacífica no âmbito deste Colegiado, existindo uma miríade de decisões cujo conteúdo ratifica o entendimento da decisão recorrida. Vejamos: O crédito presumido do IPI não se trata de ressarcimento de indébito tributário, mas de ressarcimento referente a incentivo fiscal. Com isso, a norma aplicável ao caso desloca- se do Código Tributário Nacional (art. 165) para o Decreto n 2 20.910, de 06 de janeiro de 1932, 1 o qual dispõe em art. 1 2 que todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Pública, seja qual for a natureza, prescreve em cinco anos, contados da data do ato ou fato jurígeno. In litteris: "Art. 1° As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram." Nas hipóteses de créditos incentivados de IPI, regra geral, o direito nasce para o beneficiário no momento da entrada dos insumos no estabelecimento industrial, como asseverou o Parecer normativo CST n 2 515/1971 (DOU de 27/08/1971). Assim, no presente caso, como os fatos geradores dos créditos pretendidos pela reclamante ocorreram nos períodos de apuração compreendidos entre abril e junho/96, o pedido a eles inerentes deveria haver sido protocolado na repartição fiscal antes do decurso do prazo qüinqüenal, o que, no caso, seria o dia 30/06/2003. Como a interessada somente protocolou, na repartição fiscal, o pedido de restituição de tais créditos em 14/10/2003, não há como negar que nessa data o direito de requerer os créditos pertinentes aos períodos de apuração em questão já prescrevera. Na trilha desse entendimento já se enveredara a então Coordenação do Sistema de Tributação (CST), que em caso semelhante, por meio do Parecer Normativo CST n 2 515, de 1971, assim se manifestou: "Crédito não utilizado na época própria: se a natureza jurídica do crédito é a de uma dívida da União, aplicável será para a prescrição do direito de reclamá-lo, a norma especifica do art.1° do Dec. n° 20.910, de 06.01.32, que a fixa em cinco anos, em vez do dispositivo genérico art. 6 ° do mesmo diploma. (.) 5. No caso do art. 30, incisos I a V do RIPI, o termo inicial da prescrição é a entrada dos produtos ali indicados, no estabelecimento, acompanhados da respectiva Nota Fiscal..." O Parecer MF/SRF/Cosit/Ditip n2 139/1996 não socorre a contribuinte, porque foi exarado quando a apuração do crédito a ser ressarcido era feita de forma anual, que perdurou até o ano de 1996, ao passo que o crédito pleiteado se refere a período posterior. Assim, correta a decisão da DRJ, que merece ser mantida. 1\ 1 MF —SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n.° 10508.000539/2003-62 13 rauseiia, ..t1,-„,./£29 _1-9—r--- CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.382 Nana Cláudia Silva Castro Ic..— Fls, 4 _ Mat. Siape 92136 De fato, não há que se falar em retroatividade da Lei ri g- 10.276/2001, porque a mesma se refere a períodos posteriores, e, por fim, a jurisprudência trazida pela contribuinte também não lhe socorre, pois se refere a créditos relativos ao ano de 1995, onde a apuração era, ainda, anual. Vejamos trecho do relatório daquele julgado, mencionado nas razões recursais: "Trata-se do Pedido de Ressarcimento de fl. 01, protocolizado em 15/01/2002 e substituído em 28/01/2002 pelo de fl. 63, relativo ao Crédito Presumido do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96, período de 01/01/95 a 31/12/95, cujo valor soma R$ 34.601,97. A requerente solicitou compensação com débito da COFINS (código 2172), período de apuração 10/2001 (f l. 02)." Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Sal das Sessões, em 17 de outubro de 2007. GUS O / ALENCAR Page 1 _0048300.PDF Page 1 _0048400.PDF Page 1 _0048500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000847/2002-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO.
O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972; constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento.
Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972; constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento. Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
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BITTENCOURT MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972; constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento. Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 08 47 /2 00 2- 94 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0735.110, da 4ª Turma da DRJ em Florianópolis SC (fls. 286/296, do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação formalizada pela Recorrente com a consequente manutenção do lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), mediante Auto de Infração nº 0000372, de 20 de fevereiro de 2002 e levado à ciência do autuado em 20/03/2002 (fl. 01), no valor de R$ 86.218,24, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo aos períodos de apuração de segundo, terceiro e quarto trimestres de 1997. Do Auto de Infração: O Auto de Infração, como se extrai do quadro 10 Código de Capitulação, Descrição dos fatos e Enquadramento Legal, foi lavrado devido a FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, com fundamento nos ARTS 1 A 4 LC 70/91; ART 1 L 9249/95; ART 57 L 9069/95; ARTS 56 E PAR UN, 60 E 66 L 9430/96. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e Anexo I –Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados, verificase que não houve confirmação do processo judicial nº 96.20.044452, indicado como origem do crédito utilizado na compensação com débitos declarados para os períodos de apuração de abril a dezembro de 1997 (v. folhas 5 a 13). Conforme anexo III do auto de infração, foram lançados os valores que seguem: (...). Histórico do processo A interessada, entendendo ser possuidora de saldos credores de FINSOCIAL, esses decorrentes do Mandado de Segurança (MS) n° 96.20.044452, os aproveitou, antes do trânsito em julgado do referido processo, em compensações realizadas via DCTF de débitos de Cofins referentes ao período de apuração de 11/1996 a 12/1997. Os débitos referentes ao período de 04/1997 a 12/1997 foram lançados através do auto de infração objeto do presente processo, cuja ciência ao contribuinte foi dada em 20/03/2002. A autuada apresentou impugnação em 10/04/2002. Em 2008, foi aberto procedimento para acompanhamento do referido MS. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10909.000847/200294 Acórdão n.º 3402002.878 S3C4T2 Fl. 343 3 O processo foi encaminhado ao Grupo de Acompanhamento de Ações Judiciais (folha 67), que proferiu a Informação Fiscal/SARAC/DRF/ITJ Nº 45/2008 (folhas 217 a 222), nos autos do processo nº 10909.000011/9725, através da qual manifestou se pela insuficientes dos créditos para quitar os débitos, conforme compensações informadas em DCTF. Com fundamento nesta informação fiscal, foi proferida a Informação Fiscal/SARAC/DRF/ITJ nº 46/2008, às folhas 223 e 224, onde foi reafirmada a inexistência de saldos suficientes para a extinção dos créditos tributários lançados através do presente Auto de Infração, determinado o prosseguimento aos procedimentos de cobrança e proposto o encaminhamento do processo à DRJ para julgamento da impugnação. O processo foi a julgado por esta DRJ em 19/02/2010. Foi proferido o Acórdão 071.951 julgando improcedente a impugnação, em razão de, à época da compensação em DCTF, a decisão judicial que concedeu o crédito pleiteado não haver transitado em julgado, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). O CARF, através do Acórdão nº 3101001.298 deu provimento parcial ao Recurso Voluntário da interessada, afastando o óbice da falta de trânsito em julgado da decisão judicial e determinando o retorno dos autos à DRJ de origem para analisar os demais requisitos do pedido de compensação (folhas 246 a 249). Da diligencia fiscal o processo foi encaminhado a esta DRJ que baixou o processo em diligência a fim de a interessada ser cientificada do conteúdo da Informação Fiscal/SARAC/DRF/ITJ nº 46/2008, bem como dos demais documentos juntados aos autos que levaram o Grupo de Acompanhamento de Ações Judiciais a concluir pela inexistência de saldo suficiente para extinção dos créditos tributários lançados no presente auto de infração. Cientificada do conteúdo da Informação Fiscal/SARAC/DRF/ITJ nº 46/2008 e documentos utilizados pelo Grupo de Acompanhamento de Ações Judiciais para subsidiar sua decisão, a interessada apresentou a manifestação, presente às folhas 269 a 284, na qual alega, em síntese, violação ao artigo 146 do CTN. Nesse sentido aduz que quando o agente fiscal lavrou o Auto de Infração (com fundamento nos arts. 1 a 4 da LC 70/91, art. 1 L. 9.249/95 arts. 56 e parágrafo único, 60 e 66 da Lei 9.430/96), “não buscou verificar a regularidade da compensação efetuada, mas tão somente se limitou a arguir que a requerente não poderia realizar a compensação, vez que o mandado de segurança impetrado não havia transitado em julgado”. Alega ainda: Agora, a autoridade fiscal busca, de forma transversa, alterar os fundamentos do lançamento, o que é vedado, nos termos do art. 146 do CTN, pois deveria ter analisado, no momento oportuno, Fl. 344DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 se a requerente possuía crédito suficiente para proceder à compensação. (...) Portanto, a autoridade lançadora não pode alterar, no presente momento, o fundamento que autorizou o lançamento, pois não estava analisando se a compensação realizada pela requerente preenchia os requisitos legais, mas lavrou o Auto de Infração porque a requerente não recolheu os valores da COFINS. (...) Portanto, não há que se falar em eventual crédito tributário, decorrente de créditos insuficientes para proceder à compensação, pois tal análise deveria ter ocorrido quando do lançamento, pois o Auto de Infração foi lavrado como se a requerente não tivesse recolhido os valores da COFINS, e não porque não teria créditos suficientes, pois a autoridade fiscal não estava analisando a compensação realizada, para sua homologação, mas somente a falta de recolhimento da COFINS. Reclama, então, que a autoridade fiscal entendendo que não existiam créditos suficientes para realizar a compensação, deveria necessariamente, proceder a novo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, o que, entretanto não seria mais possível já que “as competências a que se refere àquela Informação Fiscal n° 046/2008”, já estavam alcançadas pela decadência, nos termos do art. 173 do CTN. Conclui que a autoridade administrativa não poderia desconsiderar o procedimento de compensação adotado, sem qualquer notificação de indeferimento de compensação, e lavrar o Auto de Infração por ausência de recolhimento dos valores da Cofins; cita os §§ 7º e 9º do artigo 74, da Lei 9.430/96. Pede o arquivamento do presente processo. É o relatório. A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em uma quinta feira, 13/11/2014, conforme se verifica na cópia do AR do Correio à fl. 299 e ainda confirmada pelo despacho da Unidade preparadora à fl. 335. Inconformada, a mesma apresentou em 16/12/2014 (protocolo à fl. 300), o Recurso Voluntário (fls. 300/328), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito e, considerando os argumentos apresentados, requer que seja julgado improcedente a exigência fiscal, declarando insubsistente o Auto de Infração em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Da Admissibilidade do Recurso Cabe, preliminarmente, verificar se foi atendido os pressupostos de admissibilidade do recurso, no caso concreto, a tempestividade. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10909.000847/200294 Acórdão n.º 3402002.878 S3C4T2 Fl. 344 5 Examinandose os autos, constatase que a ciência do Acórdão recorrido se deu em uma quinta feira, 13/11/2014 (cópia do AR à fl. 299 e conforme consta no despacho da Unidade preparadora à fl. 335). Assim, contase o prazo, a partir de sexta feira, 14 de novembro, 30 (trinta) dias. Portanto, concluise que o prazo findo para apresentação do recurso ocorreu em 13 de dezembro de 2014, um sábado, prorrogado para segunda feira, dia 15/12/2014. Porém, a petição de recurso voluntário só foi apresentada em 16/12/2014, terça feira, conforme carimbo de protocolo às fl. 300, que foi corroborado pelo Despacho da DRF à fl. 335, portanto, posteriormente ao prazo de 30 dias de que dispõe o sujeito passivo para formalizar sua contestação, tanto na primeira quanto na segunda instância de julgamento, nos termos dos artigos 15 e 33 do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcritos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como visto, notase que, no caso, a interposição do recurso aconteceu após o lapso temporal trintídio. Desta forma, o prazo de que trata o dispositivo acima referenciado, além de peremptório, ou seja, improrrogável, é também preclusivo, tendo, portanto, natureza decadencial, posto que findo o mesmo não mais se torna possível a prática de atos posteriores. Repisando, destacase que a Unidade de origem também corrobora essa condição em seu Despacho de fl. 335. Vejase: "(...) Proponho o encaminhamento do presente processo ao CARF, para análise do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte fora do prazo, considerando que a ciência deuse em 13/11/2014, fl. 299, e o recurso foi protocolado em 16/12/2014". Logo, no caso presente, não há como se conhecer do recurso, uma vez que não houve a apresentação do mesmo no prazo legal, o que impede o conhecimento da peça contestatória na presente instância. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Conclusão Diante de todo o exposto, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 27 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 347DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10314.720073/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2006 a 01/02/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
Sobre o crédito tributário constituído em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC.
Súmula CARF nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 15/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ÁCIDO POLILLÁCTICO. IMPLANTE FACIAL. APLICAÇÃO SUBCUTÂNEA. NCM. 3304.99.90. Produto denominado Sculptra, substância sintética, apresentada de forma injetável, à base de ácido poliLláctico, utilizado como um implante facial de aplicação subcutânea ou intradérmica profunda, com a função de estimular a produção de colágeno, preenchendo áreas de flacidez e atribuindo à pele maior firmeza e espessura cutânea, classificase na NCM 3304.99.90. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 01/02/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o crédito tributário constituído em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 00 73 /2 01 1- 01 Fl. 636DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 11/04/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora, além de multa proporcional, multa de controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 18.014.521,39, em virtude dos fatos a seguir descritos. A presente fiscalização foi motivada pela denúncia apresentada pelo Serviço de Procedimentos Especiais Aduaneiros da Alfândega da Receita Federal do Brasil em São Paulo – SEPEA/ALF/SPO, serviço responsável pelo monitoramento do despacho na jurisdição da IRF/SPO, que identificou um equívoco na classificação fiscal do produto SCULPTRA, substância sintética (origem não animal) composta de ácido poliLláctico. O produto foi importado pela empresa Sanofi Aventis no período de junho de 2006 a fevereiro de 2011 pelas seguintes Declarações de Importação (DI): 06/06682737; 06/08670817; 06/09293480; 07/00630567; 07/11027484; 07/15515750; 08/00902178; 08/04264214; 08/07444973; 08/09757634; 08/15988286; 09/03033881; 10/075706461; 10/11024430; 10/15432087; 10/2044112/9; 10/21023673 e 11/02698891. A empresa fiscalizada, quando da importação do SCULPTRA, vinha utilizando a posição referente à “medicamentos” (Posição 3004) enquanto que a posição correta seria a referente a “outros preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele” (Posição 3304). Pelas informações apresentadas pela própria empresa em um dos seus sítios na internet, combinadas com o disposto na NESH em relação à posição 3304, fica claro que o SCULPTRA, substância sintética injetada na pele com o intuito de eliminar rugas, não é um medicamento e jamais deveria ter se beneficiado das alíquotas reduzidas destinadas aos mesmos. O SCULPTRA é um produto que visa conservar e cuidar da pele dos seus usuários, devendo ser classificado na posição 3304 da TEC. Esse entendimento se faz ainda mais sólido quando analisamos a Solução de Consulta nº 6 – SRRF08/Diana de 10 de fevereiro de 2010, que entende que a Fl. 637DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Acórdão n.º 3102002.961 S3C1T2 Fl. 3 3 classificação mais adequada de solução preenchedora intradérmica, utilizada para ser injetada nas camadas abaixo da superfície da pele, com a intenção de preencher os tecidos, de maneira que alterem a aparência superficial da pele, reduzindo marcas, rugas, linhas de expressão e também, aumentando o volume interno de partes do rosto como lábios e faces é a 3304.9990. Cientificado do auto de infração, Aviso de Recebimento AR, em 19/04/2011 (fls. 93), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 19/05/2011, de fls. 101 à 129, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Das Preliminares. O auto de infração encontrase eivado de nulidade, em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para a constituição do lançamento. A fiscalização jamais poderia ter lavrado o presente auto de infração sem fazer detida e profunda análise, lastreada em laudo técnico pericial acerca da natureza do SCULPTRA e de sua correta classificação fiscal. Caberia à Fiscalização, analisar todos os fatos técnicos para fins de verificação do cumprimento da obrigação tributária pela Impugnante e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base nas impressões que o Sr. Agente Fiscal teve ao acessar o endereço eletrônico do medicamento na internet. A legislação tributária concede ao Fisco amplos poderes e vastíssimos meios instrutórios para permitir a formação de sua convicção acerca da realidade dos fatos, de modo que não havia motivos para que a Fiscalização agisse com tamanho desinteresse na verificação da matéria tributável relativa à classificação fiscal do SCULPTRA. A fiscalização deveria ter se aprofundado nas investigações, buscando outras informações acerca do SCULPTRA, que inclusive poderiam ter sido fornecidas pela própria Impugnante, caso esta houvesse sido intimada. Tamanha a importância da instrução probatória e de sua relação com o ato norma administrativo que o art. 9o do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.941/09, determina que: "a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito” Ante a superficialidade da investigação procedida pela Fiscalização, resta comprovada a existência de vício insanável no ato de lançamento, razão pela qual merece ser anulada a autuação ora combatida. Assim, a ausência de laudo técnico que descreva com precisão as características da mercadoria, de forma a embasar a classificação fiscal, torna a autuação mera presunção, eivando a validade do auto de infração por ausência de prova, de motivo para o lançamento. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Não suficiente, esse procedimento também resulta em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, pois inverte o ônus da prova que cabe ao Fisco, tornando nula a autuação. Alicerça o argumento com textos da doutrina e jurisprudência administrativa. Do mérito. O SCULPTRA é um medicamento cuja composição química é formada por ácido poliLlático ("PLLA"), carboximetilcelulose sódica e manitol apirogênico e, ao contrário do entendimento da Fiscalização, é indicado para correção de perdas de tecido adiposo em pacientes que sofram de lipoatrofia associada ao vírus causador da síndrome da imunodeficiência adquirida ("AIDS"), conhecido como HIV. Tal ácido, como produto injetável, em oposição a cirurgias invasivas e complexas, é opção terpêutica mais recente, flexível, simples e minimamente invasiva para áreas relativamente pequenas que necessitam preenchimento. Essas aplicações incluem cicatrizes atróficas, deformidades congênitas e concavidades resultantes de lesões traumáticas ou remoção de tumores. Em linhas gerais, tratase de um medicamento terapêutico aplicado apenas por médicos treinados e especializados e tem como objetivo reduzir o envelhecimento precoce da pele. Importante salientar que as informações constantes do endereço eletrônico do SCULPTRA são voltadas para pacientes que buscam corrigir os efeitos que o envelhecimento causa na derme, sobretudo o envelhecimento precoce, ocasionado por diversos fatores da vida contemporânea, como má alimentação, falta de exercícios físicos, stress etc. Foram essas informações constantes da página eletrônica do SCULPTRA que levaram o Sr. Auditor Fiscal a concluir, de forma superficial e precoce, que o medicamento objeto do presente processo seria um produto de beleza. Ocorre que o endereço eletrônico foi assim elaborado para atender à demanda de pacientes que passaram a buscar no SCULPTRA um meio de amenizar os efeitos do envelhecimento precoce, ainda que não sejam portadores de HIV. A impugnante produziu a prova da qual a Fiscalização se furtou: encomendou laudo técnico especializado ao Instituto Nacional de Tecnologia INT (Relatório Técnico n° 07/2010), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, o qual versa sobre as propriedades e os usos e funções do medicamento SCULPTRA. Com efeito, verificase pela leitura do aludido laudo técnico que os engenheiros do INT realizaram pesquisa pormenorizada e identificaram que o SCULPTRA foi criado para combater o estigma e a depressão relacionados à lipoatrofia da qual sofrem os portadores do vírus HIV, aumentado seu bemestar. O SCULPTRA tem a função de estimular a produção de colágeno pelo próprio organismo como forma de tratamento pela perda de tecido adiposo, sendo um medicamento de uso terapêutico. Além disso, a natureza de medicamento fica ainda mais explícita quando se verifica que o SCULPTRA não é vendido a retalho, ou seja, não é vendido no varejo, em farmácias e drogarias, mas apenas por profissionais especialmente treinados. A Impugnante junta à presente impugnação cópia de artigos científicos sobre o tema. Nenhum deles considera o produto como sendo de beleza ou de maquilagem. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Acórdão n.º 3102002.961 S3C1T2 Fl. 4 5 As NESH são utilizadas apenas em situações específicas, quando não é possível realizar a classificação fiscal com base nas normas do Sistema Harmonizado. No caso, não apenas o capítulo 30 referese a medicamentos como o capítulo 33 expressamente os exclui de serem classificados nessa posição, sendo desnecessária a aplicação de qualquer NESH. Inclusive, além de o capítulo 33 vedar sua utilização para classificação de medicamentos, sua nota 3 esclarece que os produtos da posição 33.04, pretendida pela Fiscalização, são acondicionados para venda a retalho. O SCULPTRA não pode ser vendido a retalho, mas apenas a hospitais e clínicas médicas, estéticas ou não, que tenham profissionais especialmente treinados para sua utilização. A NESH citada pelo D. Agente Fiscal faz referência a géis para eliminação de rugas e realce dos lábios, produtos que não guardam qualquer relação com o SCULPTRA, pois este é um medicamento terapêutico utilizado para tratar a lipoatrofia da qual são acometidos os portadores do vírus HIV. Provado que as Autoridades Fiscais detinham, à época do lançamento original, todos os elementos de fato necessários e suficientes à regular valoração jurídica do fato imponível e, ainda assim, homologaram o lançamento efetuado pelo sujeito passivo, não podem, posteriormente, reverem tal lançamento para cobrar tributos ou aplicar penalidades ao contribuinte sem demonstrar a existência de erro de fato que legitime a revisão em tela, pois tal prática configura evidente alteração de critério jurídico, vedada pelo CTN. Após a devida homologação (regular despacho aduaneiro) do lançamento tributário das DI objeto do presente processo, a Administração Tributária decidiu rever seu entendimento acerca da correta classificação fiscal do SCULPTRA, aplicando seu novo posicionamento retroativamente, sem demonstrar qualquer erro de fato que pudesse autorizar a revisão. Ressaltese que, diferente do procedimento em que é lavrado Termo de Responsabilidade, por meio do qual o contribuinte manifesta ciência de que a homologação (ou não) do lançamento tributário somente se efetivará após a conclusão das análises laboratoriais do produto importado, as DI objeto do presente processo foram regularmente desembaraças, sem qualquer ressalva, resultando em homologação do lançamento em questão. Aliás, o medicamento importado estava perfeitamente descrita nas Declarações de Importação, possibilitando ao Fisco todos os meios para verificar sua correta classificação fiscal e efetuar o despacho aduaneiro com segurança. Diante disso concluise: o auto de infração pretende alterar critério jurídico anteriormente adotado na oportunidade do desembaraço aduaneiro das DI em tela, sem demonstrar que houvera qualquer erro de fato que justifique tal procedimento, o que é vedado pelo artigo 146, do CTN. A restrição de revisão por motivo de direito está prevista no artigo 146 do CTN, sendo ocioso dizer que o CTN é hierarquicamente superior ao decreto em tela ou à legislação ordinária da qual ele decorre. Logo, a revisão aduaneira só está autorizada quando se verifique a ocorrência de erro de fato, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Não poderá prosperar a incidência de juros sobre a multa de ofício e a multa de 1% do valor das mercadorias importadas, aplicadas à Impugnante. Isso porque, a partir do vencimento do prazo para recolhimento das penalidades apuradas no auto de infração ora impugnado, as Autoridades Fiscais certamente computarão juros de mora sobre as multas em tela, aumentando sobremaneira o valor da obrigação tributária de forma totalmente ilegal. Inaplicável a Taxa Selic. Do pedido. Requer a Impugnante seja dado integral provimento à presente Impugnação, que levará à decretação da improcedência integral da autuação ora combatida, cancelandose a cobrança dos tributos aduaneiros e da multa de 1% equivalente ao valor das mercadorias importadas. Por fim, na remota hipótese de prevalecer algum valor em relação à autuação, requer a Impugnante, ao menos, seja afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Pugna a nulidade do lançamento. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/06/2006 Importação do produto SCULPTRA com classificação fiscal na posição referente à “medicamentos” (Posição 3004). Fiscalização entendeu como correta a posição referente a “outros preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele” (Posição 3304). O presente Auto de infração não é árido de elementos de provas. A fiscalização ao atribuir no caso do produto nova classificação fiscal no código 3304.99.90, procedeu adequadamente e amplamente respaldada em fatos concretos. A fiscalização apoiou suas convicções na Solução de Consulta No. 6 SRRF08/Diana, de 10 de fevereiro de 2010, tomando a como prova emprestada. O contraditório e a ampla defesa foram observados. A NESH, por ser Ato Normativo, é parâmetro fundamental para determinar toda e qualquer classificação fiscal e não apenas em situações específicas. O produto SCULPTRA é um produto ministrado por aplicação de injeção na derme profunda ou no subcutâneo. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado fazem referência expressa a essa condição, determinando sua classificação fiscal na posição 3304. Em momento algum a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos, nem tampouco com os aspectos de direito da importação. Pelo contrário, toda a ação fiscal se baseia em erro de fato atribuído ao importador que elegeu uma classificação fiscal indevida. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Iniciou por reclamar a realização de perícia técnica que, negligenciada pelo trabalho fiscal e recusada em primeira instância, tratase de providência essencial à correta Fl. 641DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Acórdão n.º 3102002.961 S3C1T2 Fl. 5 7 identificação da mercadoria. Considera que a conduta da Fiscalização vai de encontro ao princípio da verdade material, um dos pilares do direito tributário brasileiro. Caberia, portanto, à Fiscalização, analisar todos esses fatos para fins de verificação do cumprimento da obrigação tributária pela Recorrente e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base nas impressões que o Sr. Agente Fiscal teve ao acessar o endereço eletrônico do medicamento na internet ou com fundamento em solução de consulta proferida para outro contribuinte e para outra substância química, que não guarda qualquer relação com o SCULPRA. Acrescenta que, fosse isso falso, não existiria razão para que o julgador de piso tivesse acrescentado novas evidências ao Processo, também, essas, coletadas na internet. Ainda em sede de preliminar, referindose à Solução de Consulta SRRF nº 6/2010, sustenta a impossibilidade de utilização de prova emprestada de outro Processo Administrativo, do qual não participou, sem ter havido, por conseguinte, observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, acarretando cerceamento do direito de defesa. No mérito, defende a classificação fiscal escolhida, uma vez que o Produto sub examine tratase, sim, de um medicamento. 49. Ocorre que o SCULPTRA é um medicamento cuja composição química é formada por ácido poliLlático (“PLLA”), caboximetilcelulose sódica e manitol apirogênico e, ao contrário do entendimento da Fiscalização e da DRJ, é um produto injetável que, em oposição a cirurgias invasivas e complexas, representa opção terapêutica mais recente, flexível, simples e minimamente invasiva para áreas relativamente pequenas que necessitam preenchimento. Essas aplicações incluem cicatrizes atróficas, deformidades congênitas e concavidades resultantes de lesões traumáticas ou remoção de tumores. Além disso, o SCULPTRA tem como objetivo combater a lipoatrofia facial, evitandose, assim, que os pacientes portadores do vírus causador da síndrome da imunodeficiência adquirida (“AIDS”), conhecido como HIV, possuam o estigma pejorativamente conhecido como “cara de AIDS”. Nessa linha de raciocínio, esclarece que “as informações constantes do endereço eletrônico do SCULPTRA são voltadas para pacientes que buscam corrigir os efeitos que o envelhecimento causa na pele”. Que foram essas informações que levaram a Fiscalização Federal, de forma superficial e precoce, ao entendimento de que “o medicamento objeto do presente processo seria um produto de beleza”. Contudo, “o endereço eletrônico foi assim elaborado para atender à demanda de pacientes que passaram a buscar no SCULPTRA um meio de amenizar os efeitos do envelhecimento precoce [...]”. Acrescenta que o Produto está registrado na ANVISA como sendo um medicamento. Atenta para o fato de que os próprios Julgadores de primeira instância reconhecem que o SCULPTRA, “foi, em um primeiro momento, aprovado como produto destinado para reparação facial dos pacientes HIV positivos”, para, somente em 2009, ter sido aceito para uso estético. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Menciona teor do Laudo Técnico encomendado ao Instituto Nacional de Tecnologia – INT, por sua iniciativa, que atesta as propriedades, usos e funções do medicamento SCULPTRA. Acentua que a DRJ tem o dever de adotar as conclusões de laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia. E mais, além disso, a natureza de medicamentos fica ainda mais explícita quando se verifica que o SCULPTRA não é vendido a retalho, ou seja, não vendido no varejo, em farmácias e drogarias, mas apenas por profissionais especialmente treinados. Por outro lado, que a classificação fiscal escolhida pelo Fisco é inapropriada ao SCULPTRA, “sobretudo porque o próprio capítulo 33 exclui os medicamentos de serem classificados nesse código”. Que a Nota Explicativa da qual se valeu a Fiscalização para classificação do Produto se constitui apenas de um instrumento auxiliar no procedimento de classificação de mercadorias. Desnecessário lançar mão das Notas quando, como no caso, é possível realizar a classificação com base nas próprias normas do Sistema Harmonizado. Outrossim, que a Nota 3 do Capítulo 33, escolhida pelo Fisco, esclarece que os produtos da posição 3304 são acondicionados para venda a retalho. E também que os géis para eliminação de rugas e realce dos lábios citados na NESH informada na autuação não guardam qualquer relação com o SCULPTRA. Mais adiante, refere que o, embora o Produto possa ser utilizado para finalidades estéticas, seu principal objetivo é o tratamento de pacientes acometidos pela lipoatrofia causada pela AIDS. 102. Portanto, não se pode concluir da leitura desses excertos, ao contrário do que fez a DRJ, que “hoje a Food and Drug Administration (FDA) considere o SCULPTRA como um cosmético. Posição idêntica defendida pela fiscalização brasilieira” (fl. 333). Quanto à Solução de Consulta e ao fato de o Produto ser administrável por injeção subcutânea. No referido processo de consulta, formulado por outro contribuinte, foi analisada a substância denominada ácido hialurônico, que não guarda qualquer relação com o ácido poliLlático, utilizado para a fabricação do SCULPTRA. (...) Por fim, com base na referida Consulta, a DRJ chega à inusitada conclusão de que se o ácido hialurônico é um produto injetado na derme e o SCULPTRA também é – pois assim consta do endereço eletrônico do medicamento , logo, sendo o ácido hialurônico um cosmético, o SCULPTRA também é um cosmético. Noutro giro, considera que a “ausência de laudo técnico que descreva com precisão as características da mercadoria, de forma a embasar a classificação fiscal, torna a autuação mera presunção, eivando a validade do auto de infração por ausência de prova, de motivo para o lançamento”. Que houve alteração de critério jurídico. 136. Logo, a revisão do lançamento só está autorizada em caso de erro de fato, ocasião em que a Administração não tem ciência de todos os elementos Fl. 643DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Acórdão n.º 3102002.961 S3C1T2 Fl. 6 9 necessários à realização do lançamento tributário de acordo com os ditames da legislação. Diferentemente de quando é lavrado termo de responsabilidade, no qual o contribuinte toma conhecimento de que a homologação do lançamento está condicionada à conclusão das análises laboratoriais, “as DI objeto do presente processo foram regularmente desembaraçadas, sem qualquer ressalva, resultando em homologação do lançamento em questão”. Por fim, contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e a aplicação da multa de 1% do valor das mercadorias importadas. Também advoga a inaplicabilidade da Taxa Selic. O julgamento foi convertido em diligência, com o seguinte propósito. Pareceme que seja essencial para o encaminhamento da decisão do litígio, que o Processo seja instruído com a informação precisa de como o Produto está registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Acaso essa informação não seja, por si só, conclusiva, que se obtenha também a manifestação formal da Agência a respeito do enquadramento ou não do Sculptra como um medicamento. VOTO PELA CONVERSÃO do julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora obtenha tais informações, anexandoas aos autos. Se assim entender necessário, apresente as considerações pertinentes. Manifestação da Fiscalização Federal às folhas 580 e seguintes e 610 e seguintes. Manifestação do contribuinte às folhas 630 e seguintes. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Preliminares No que se refere à contestação pelo uso das conclusões presentes na Solução de Consulta SRRF nº 6/10, que se diga que tratase de um elemento subsidiário na formação de convicção da Fiscalização Federal. Se fosse um elemento essencial e indispensável à solução da lide, poderseia adentrar à discussão acerca do preenchimento ou não das condições definidas em Lei para utilização de prova emprestada, mas não é o caso. Ainda a esse respeito, não me parece que faça nenhuma diferença o fato de o Produto analisado na solução de Consulta SRRF nº 6/10 ter sido desenvolvido a partir da substância denominada ácido hialurônico, que não guardaria, segundo a Parte, qualquer relação Fl. 644DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 com o ácido poliLlático, utilizado para a fabricação do SCULPTRA. Na essência, o que se discute aqui é se um produto que é injetado na pele para reduzir as rugas tem finalidade terapêutica ou profilática ou não, independentemente de ele ser desenvolvido à base de um ou de outro ácido. No que se refere ao Procedimento de Revisão Aduaneira e à alegação feita de que ela só é autorizada nos casos de erro de fato, e que os lançamentos neste controvertidos já foram homologados, cumpre apenas fazer remissão à legislação que regulamenta o procedimento de Conferência Aduaneira e Revisão Aduaneira, do que se conclui que o Fisco dispõe de cinco anos para proceder à revisão das informações prestadas nas declarações de importações. Não há menção a critérios de parametrização como razão de homologação do pagamento feito e, muito menos, à natureza do erro que pode ser revisto, se de direito ou de fato. Decreto 6.759/09 Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Mérito Tal como me referi no Voto que determinou a conversão do julgamento em diligência por meio da Resolução 3102000.288, de 23 de setembro de 2013, embora o Laudo Técnico apresentado pela parte traga a informação de que o Produto Sculptra está registrado perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária sob o número MS 80134900003, classe III, não logrei êxito em identificar, nem ali, nem em nenhum outro lugar do Processo, a classificação dada pela Anvisa ao Produto. Se como cosmético ou como medicamento. Em julgamento que havia se processado em data recente nesta Turma, tinha merecido destaque o fato de que a COANA, por meio da Solução de Divergência nº 8/2001, havia manifestado entendimento de que a competência para normatização de assuntos desta natureza é da Anvisa, nos seguintes termos1: “31. (...) a ANVISA tem a competência, conforme a Lei n.º 9.782, de 26 de janeiro de 1999, para normatizar os temas “alimentos” e “medicamentos”(...)”. 1 Naquele discutiase a classificação do produto como alimento ou como medicamento. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Acórdão n.º 3102002.961 S3C1T2 Fl. 7 11 Embora a discussão travada neste Processo fosse um pouco diferente, já que não se discute a possibilidade de que o Sculptra seja um alimento, este Relator entendeu que isso não fazia absolutamente nenhuma diferença, pois a competência da Anvisa alcança a regulamentação e classificação de todo e qualquer produto que possa trazer risco à saúde, ex vi artigo 8º da Lei 9.782/99, se não vejamos. Art.8º Incumbe à Agência, respeitada a legislação em vigor, regulamentar, controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública. §1º Consideramse bens e produtos submetidos ao controle e fiscalização sanitária pela Agência: Imedicamentos de uso humano, suas substâncias ativas e demais insumos, processos e tecnologias; IIalimentos, inclusive bebidas, águas envasadas, seus insumos, suas embalagens, aditivos alimentares, limites de contaminantes orgânicos, resíduos de agrotóxicos e de medicamentos veterinários; IIIcosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes; IVsaneantes destinados à higienização, desinfecção ou desinfestação em ambientes domiciliares, hospitalares e coletivos; Vconjuntos, reagentes e insumos destinados a diagnóstico; VIequipamentos e materiais médicohospitalares, odontológicos e hemoterápicos e de diagnóstico laboratorial e por imagem; VIIimunobiológicos e suas substâncias ativas, sangue e hemoderivados; VIIIórgãos, tecidos humanos e veterinários para uso em transplantes ou reconstituições; IXradioisótopos para uso diagnósticoin vivoe radiofármacos e produtos radioativos utilizados em diagnóstico e terapia; Xcigarros, cigarrilhas, charutos e qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco; XIquaisquer produtos que envolvam a possibilidade de risco à saúde, obtidos por engenharia genética, por outro procedimento ou ainda submetidos a fontes de radiação. Por esse motivo, o julgamento foi, como sobredito, convertido em diligência, para que o Processo fosse instruído com a informação precisa de como o Produto está registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Acaso essa informação não fosse, por si só, conclusiva, que se obtivesse também a manifestação formal da Agência a respeito do enquadramento ou não do Sculptra como um medicamento. Conforme restou sobejamente demonstrado pelos documentos carreados aos autos, ao contrário do que afirmou a Recorrente em sede de Recurso Voluntário, o produto não está registrado na Anvisa como um medicamento, mas sim como um produto para saúde. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 12 Assim consta na conclusão encontrada Memorando nº 703/GEPEC/GGMED/ANVISA, de 14 de dezembro de 2004, com o qual o processo foi instruído. Pelas indicações terapêuticas propostas e mecanismos de ação consideramos o SCULPTRA enquadrado como Produto para a Saúde, sendo esse um implante. Na manifestação que fez a respeito do resultado da diligência demandada por este Colegiado, encartada às folhas 630 e seguintes, a Recorrente defende que a natureza semântica do termo medicamentos utilizado pela ANVISA não é a mesma utilizada na Nomenclatura Comum do Mercosul, já que a primeira é bem mais restritiva. Explica que, enquanto a TEC enquadra como medicamento todos os produtos de uso médico, deixando de fora apenas os cosméticos, a ANVISA admite outros desdobramentos, tais como medicamentos, correlatos e cosméticos, o que tornaria imprópria a comparação entre duas estruturas de enquadramento que não foram moldadas a partir dos mesmos critérios de classificação. Nessa mesma linha, acrescenta que não há nenhuma manifestação da ANVISA classificando o SCULPTRA como cosmético. A esse respeito, inicio por rememorar o que afirmara a autuada em sede de Recurso Voluntário, considerações a respeito das quais, tenho certeza, já se esqueceu, mas que foram uma das mais importantes razões para a conversão do julgamento em diligência. 59. Digno de nota é o fato de o produto em questão ter sido registrado sob o nº 80134900003, perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. Para tanto, preencheu todas as exigências documentais específicas para o registro de medicamento. A ANVISA é órgão ligado ao Ministério da Saúde que tem competência legal para regular e fiscalizar a produção, distribuição e comercialização de medicamentos no Brasil. 60. Sobre esse ponto, nada disse a DRJ, preferindo ignorar que a própria ANVISA considera o SCULPTRA como um medicamento. 61. Ora, se o órgão que tem competência legal para definir o que é medicamento no Brasil, assim como faz o FDA tanto citado pela DRJ nos Estados Unidos, deveriam os julgadores a quo terem se atentado para as normas da ANVISA, e não para sites de internet ou o suposto entendimento de um órgão estrangeiro. Ou seja, na contestação inicialmente apresentada perante este Conselho, afirmou categoricamente que o SCULPTRA era reconhecido pela ANVISA como um medicamento. Como se viu, não é. Diante dessa "novidade", a Recorrente envereda por uma outra linha de defesa que, se não é proibida, pareceme, pelo menos, deveras constrangedora. Por outro lado, para que não passem em branco as ponderações feitas na manifestação acerca do resultado da diligência, importante deixar claro que não existe nenhuma dificuldade em definir o enquadramento fiscal de um produto a partir um modelo de classificação diferente do que utilizado pela Nomenclatura. No caso concreto, basta saber se o produto é ou não um medicamento. Se não for, ainda que para a ANVISA seja, por exemplo, um correlato, classificase em outra posição, que não a de medicamentos, mesmo que contenha alguma ação medicamentosa direta ou indireta. Com efeito, como adiante se verá, o fato de um produto possuir propriedades medicamentosas não impede que ele seja classificado como um cosmético. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Acórdão n.º 3102002.961 S3C1T2 Fl. 8 13 Também remetem à mesma conclusão as informações prestadas pela Autoridade diligenciada que, com base nas informações obtidas no site da Anvisa, demonstrou que, a toda evidência, o Produto não está registrado na Agência como medicamento. Transcrevo a seguir excertos da informação fiscal. Inicialmente, comunico que a informação de que o julgador precisa foi encontrada, de maneira indireta, no próprio sítio eletrônico da Agência. Há neste sítio um caminho que permite que qualquer cidadão consulte informações a respeito de produtos, empresas e medicamentos. O endereço deste caminho é http://www.anvisa.gov.br/scriptsweb/index.htm e ele nos leva à página em questão, que consta desta consideração como ANEXO I. Podemos notar que há um espaço específico para a consulta de “Medicamentos e Hemoderivados”. Ao entrar nesse link, a agência permite que consultemos seu Banco de Dados referente a “Produtos Registrados das Empresas de Medicamentos e Hemoderivados”. Esta tela consta desta consideração como ANEXO II. Entrei no link que permite realizar a consulta após março de 2002. Lá, na página de “Consulta de Medicamentos”, inseri o nome do produto SCULPTRA para ver se este produto está, nesta agência, registrado como um medicamento (ANEXO III). O resultado desta pesquisa se encontra no ANEXO IV que informa o seguinte: “Não foi encontrado nenhum registro em nosso banco de dados”. Essa situação poderia também nos levar a crer que o produto SCULPTRA não estaria registrado na ANVISA. Assim, para verificar esse fato, realizei outra pesquisa sobre o produto SCULPTRA na página “Produtos para Saúde Registrados”, constante do ANEXO V. Os critérios para consulta foram os mesmos, quais sejam, apenas digitei o nome SCULPTRA no campo referente ao nome do produto (ANEXO VI). O resultado foi completamente diferente. O produto foi encontrado, o nome da empresa SANOFIAVENTIS aparece como sendo a empresa responsável, assim como também aparece o número do registro na ANVISA que a empresa informou (MS 80134900003). A conclusão imediata que se extrai das anotações acima é a de que a classificação fiscal escolhida pelo contribuinte não está correta. A Posição 3004 admite apenas os produtos que sejam reconhecidos como medicamentos, o que não é o caso, conforme registro do Produto feito perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. A seguir o texto da Posição. 30.04 Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluídos os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 14 A meu sentir, a manifestação da Anvisa a respeito do enquadramento dado ao Produto Sculptra por ocasião de seu registro constituise em uma informação essencial à solução da lide. Inobstante, não será demais acrescentar que, conforme texto da Posição 30.04, acima, a Nomenclatura define medicamento como produto preparado para fins terapêuticos ou profiláticos. Profilaxia, conforme dicionário Houaiss2 da Língua Portuguesa, é a parte da medicina que estabelece medidas preventivas para a preservação da saúde da população e a definição do verbete terapêutico é aquilo que tem propriedades medicinais, curativas. De tudo o que foi até aqui esclarecido, não vejo nenhuma dessas duas propriedades no Sculptra. Embora advoguese que ele qualifica ou auxilia na preservação da autoestima de pessoas doentes, não há notícia de que tenha propriedades curativas ou preventivas em relação a algum tipo de doença. E de fato, deve se considerar que, em regra geral, qualquer pessoa, doente ou não, haverá de se sentir reconfortada quando aparenta mais bela, elevando sua autoestima, seu bemestar e, quiçá, fazendolhe sentir mais disposta a enfrentar as agruras da vida. Mas isso, definitivamente, não faz de um cosmético um medicamento. Isto posto, resolvido que a classificação escolhida pelo contribuinte está equivocada, necessário que se julgue o acerto ou não do Fisco ao enquadrar o produto. O texto da Posição é o que segue. 33.04 Produtos de beleza ou de maquilagem (maquilhagem*) preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto medicamentos), incluídas as preparações antisolares e os bronzeadores; preparações para manicuros e pedicuros. Transcrevo a letra "b" da Nota de exclusão do Capítulo 33. Capítulo 33 Este Capítulo não compreende: (...) b) As preparações medicamentosas utilizadas acessoriamente como produtos de perfumaria, como cosméticos ou como preparações de toucador (posições 30.03 ou 30.04) Inicialmente, é de grande relevo observar a abordagem feita pela Nomenclatura em relação produtos que sejam utilizados, simultaneamente, como medicamentos e como cosméticos. A Nota "b", acima transcrita, define que o medicamento utilizado acessoriamente como cosméticos não pode ser classificado no Capítulo 33, mas sim nas Posições 30.03 e 30.04. A contrário senso, nada obsta que um cosmético com funções medicamentosas seja classificado no Capítulo 33. Basta que, primeiro, não seja utilizado acessoriamente como produto de perfumaria e, segundo, não seja um medicamento. Não tenho dúvidas de que pelo menos uma dessas condições está presente no caso concreto. Adiante, a Nota à Posição 3304, escolhida pelo Fisco, com grifos acrescidos por este Relator. 2 Houaiss, Antônio. Dicionário da Língua Portugues. 1º ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Acórdão n.º 3102002.961 S3C1T2 Fl. 9 15 Incluemse na presente posição: 1) Os batons e outros produtos de maquilagem para os lábios. 2) As sombras para os olhos, máscaras, lápis para sobrancelhas e outros produtos de maquilagem para os olhos 3) Os outros produtos de beleza ou de maquilagem preparados e as preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto os medicamentos), tais como: os pósdearroz e as bases para o rosto, mesmo compactos, os talcos para bebês (incluído o talco não misturado, nem perfumado, acondicionado para venda a retalho), os outros pós e pinturas para o rosto, os leites de beleza ou de toucador, as loções tônicas ou loções para o corpo; a vaselina acondicionada para venda a retalho e própria para os cuidados da pele, os cremes de beleza, os cold creams, os cremes nutritivos (incluídos os que contêm geléia real de abelha); os cremes de proteção para evitar as irritações da pele; os géis administráveis por injeção subcutânea para eliminação de rugas e realce dos lábios (incluindo aqueles que contêm ácido hialurônico); as preparações para o tratamento da acne (exceto os sabões da posição 34.01) próprios para limpeza de pele e que não contenham ingredientes ativos em quantidades suficientes para que se considerem como tendo uma ação essencialmente terapêutica ou profilática sobre a acne; os vinagres de toucador, que são misturas de vinagre ou de ácido acético com álcool perfumado. Salvo melhor juízo, pareceme que a menção a géis administráveis por injeção subcutânea para eliminação de rugas revela o acerto da Fiscalização na escolha da Posição 3304 e, por não haver texto específico, no Código 330499.90. Ainda sobre a classificação fiscal, de se acrescentar que não prospera a alegação de que a Nota 03 do Capítulo 33 impediria o enquadramento do SCULPTRA na NCM escolhida pelo Fisco, uma vez que o Produto não encontrarseia acondicionado para venda a retalho. Como a seguir se lê, a Nota esclarece que as Posições 33.03 e 33.07 aplicam se aos produtos nela especificados, dentre outros. 3 As posições 33.03 a 33.07 aplicamse, entre outros, aos produtos, misturados ou não, próprios para serem utilizados como produtos daquelas posições e acondicionados para venda a retalho tendo em vista o seu emprego para aqueles usos, exceto águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais. No que refere a não ter sido realizada perícia técnica, o fato é que essa medida somente é adotada quando revelase indispensável. Aqui, não vejo o que precisasse ser esclarecido por um laudo laboratorial. Não se tem nenhuma dúvida a respeito da constituição química ou das características técnicas do produto que possam interferir na escolha de sua classificação tarifária. Ainda mais, o próprio contribuinte carreou aos autos um Laudo Técnico. Curiosamente, nos quesitos que apresentou à Perícia deixou de fazer constar o questionamento sobre se o produto deveria ou não ser identificado como um medicamento. O fato chama a atenção, pois esse tem sido um dos principais argumentos apresentados pela defesa ao longo do litígio. Inclusive, o de que o produto foi como tal registrado na Anvisa, fato que, como se viu, não foi confirmado. Quanto ao Laudo Técnico com o qual a Recorrente instruiu o processo, considero que seja pertinente transcrever seu penúltimo parágrafo. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 16 Ressaltase que, tratandose de consulta sobre classificação fiscal de mercadorias, a competência de enquadramento do produto é da Coordenação Geral do Sistema de Tributação ou das Superintendências Regionais da Receita Federal, do Ministério da Fazenda (...) O pronunciamento do INT tem seu conteúdo determinado, única e exclusivamente, por considerações de natureza técnica, delimitadas pelos conhecimentos auferidos durante as sucessivas etapas de trabalho realizadas por sua equipe de engenheiros peritos (...) Finalmente, ainda a respeito das características do produto e do modo como ele vem sendo classificado, relevante transcrever um pequen excertos das pertinentes considerações aduzidas pelo i. Julgador de piso. O Sculptra e a Food and Drug Administration (FDA) A Food and Drug Administration (FDA) órgão do governo Norte Americano responsável proteção e promoção da Saúde, regulando e regulamentando o uso de produtos, considerou o produto Sculptra de uso cosmético. (transcrição de texto obtido na Internet folhas 330 e 331) Quanto aos juros de mora, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º, dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.º 9.065/95 prevê, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não havendo, portanto, razão para protesto. Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. CAPÍTULO VIII Das Penalidades e dos Acréscimos Moratórios Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei nº 9.065, de 1995 II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.720073/201101 Acórdão n.º 3102002.961 S3C1T2 Fl. 10 17 § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002). Ainda mais, tratase de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. De se observar que tanto a Súmula CARF nº 4, quanto a Lei 9.430/96 (texto a seguir), que dá redação atual à incidência, referemse, a primeira, aos débitos tributários e, a segunda, aos débitos decorrentes de tributos e contribuições. Uma vez que a multa enquadrase nos dois conceitos, não vejo porque os juros não incidissem sobre ela. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 18 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) VOTO por rejeitar as preliminares arguídas e por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 653DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 12452.720187/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO JULGADOR APRECIAR, PONTO A PONTO, TODAS AS TESES DE DEFESA. LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO.
O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos. Não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar, ponto a ponto, todas teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir.
NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA.
Considera-se prática reiterada das autoridades administrativas, à luz do artigo 100, inciso III, do CTN, a utilização de classificação fiscal de mercadorias já determinadas em soluções de consulta da RFB e confirmadas em despachos de importação selecionados para canais de conferência.
Numero da decisão: 3201-002.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo, que davam integral provimento ao recurso voluntário e negavam o recurso de ofício. Os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima apresentarão declaração de voto.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Fez sustentação oral, pela recorrente, o(a) advogado(a) Raquel Novais, OAB/SP nº 76649.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO JULGADOR APRECIAR, PONTO A PONTO, TODAS AS TESES DE DEFESA. LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos. Não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar, ponto a ponto, todas teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir. NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA. Considera-se prática reiterada das autoridades administrativas, à luz do artigo 100, inciso III, do CTN, a utilização de classificação fiscal de mercadorias já determinadas em soluções de consulta da RFB e confirmadas em despachos de importação selecionados para canais de conferência.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os displays de cristal líquido classificamse no código NCM 8529.90.20 quando corresponderem a partes de monitores ou de televisores, no código NCM 8517.70.99 quando corresponderem a partes de aparelhos telefônicos, no código NCM 8531.20.00 quando corresponderem a painéis indicadores com dispositivos LCD e no código NCM 8473.30.92 quando corresponderem a partes de máquinas portáteis de processamento de dados. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestada pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 SUSPENSÃO DO IPI. EXIGIBILIDADE. REQUISITOS. O Regime de Suspensão do IPI convertese em obrigação tributária exigível apenas nas situações em que não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 2. 72 01 87 /2 01 2- 74 Fl. 17275DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.276 2 COFINSIMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade do texto do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865, de 2004, que previa acréscimo à base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins Importação do valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro, tais valores deixam de compor o valor aduaneiro das mercadorias importadas, para fins de cobrança das referidas contribuições. Adoção dos fundamentos da decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, processado pelo regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, em cumprimento ao disposto no art. 62A do Anexo II do RI CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PISIMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade do texto do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865, de 2004, que previa acréscimo à base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins Importação do valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro, tais valores deixam de compor o valor aduaneiro das mercadorias importadas, para fins de cobrança das referidas contribuições. Adoção dos fundamentos da decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, processado pelo regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, em cumprimento ao disposto no art. 62A do Anexo II do RI CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação (como no caso são o II, o IPI, o PIS e a Cofins), o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador (data do registro da DI), na forma do art. 150,§4º do CTN, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento do tributo já poderia ter sido efetuado, na forma do art 173, I, do CTN, na ausência de antecipação de pagamento. NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA. Considerase prática reiterada das autoridades administrativas, à luz do artigo 100, inciso III, do CTN, a utilização de classificação fiscal de mercadorias já Fl. 17276DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.277 3 determinadas em soluções de consulta da RFB e confirmadas em despachos de importação selecionados para canais de conferência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO JULGADOR APRECIAR, PONTO A PONTO, TODAS AS TESES DE DEFESA. LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos. Não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar, ponto a ponto, todas teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo, que davam integral provimento ao recurso voluntário e negavam o recurso de ofício. Os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima apresentarão declaração de voto. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela recorrente, o(a) advogado(a) Raquel Novais, OAB/SP nº 76649. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Fl. 17277DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.278 4 Contra a interessa foram lançados Imposto sobre a Importação II, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, COFINS, PIS, multa regulamentar de um por cento sobre o valor aduaneiro por classificação incorreta e multas por falta de recolhimento de II, de IPI, de COFINS e de PIS no prazo regulamentar, tendo esses lançamentos ocorrido em função de a fiscalização entender como correta a NCM 8529.90.20 para os displays partes de monitores ou de televisores, a NCM 8517.70.99 para os displays partes de aparelhos telefônicos e a NCM 8531.20.00 quando os displays forem painéis indicadores com dispositivos LCD. A importadora submeteu a despacho as mercadorias por ela descritas nas declarações de importação elencadas nos autos de infração lavrados pela fiscalização como “dispositivos de cristal líquido (LCD)”, classificandoas com a NCM 9013.80.10, relativa a dispositivos de cristais líquidos Para realização dos exames, a fiscalização pesquisou as informações prestadas pela LG em todas as operações de importação de sua responsabilidade registradas no banco de dados do Siscomex, no período em exame. Esta pesquisa resultou na construção da Tabela “Importação em Exame” (Anexo XV) que, juntamente com os demais arquivos digitais produzidos pela LG, é parte integrante deste relatório. Nesta tabela estão relacionadas, por item de adição de DI, as informações que interessaram para a verificação da correta classificação fiscal das mercadorias, quais sejam, aquelas constantes da descrição do item. Segundo a fiscalização, as descrições apresentadas nas adições, nem sempre, foram suficientes para atender a todas as exigências regulamentares quanto a identificação da mercadoria. Para suprir tal deficiência, o importador procurou incorporar à descrição, o código do Código Fiscal (ou “Part Number”) do item ou o produto a que se destinava e, conforme o caso apresentar o “packing list” das mercadorias importadas. A aceitação da informação do código fiscal ou do P/N para complementar a descrição do item é uma prática reiteradamente observada pelas unidades de despacho aduaneiro. Entretanto, ocorreram casos em que o P/N, ou código, não foi adequadamente informado ou foram informados códigos não utilizados nos controles de estoques e de produção da LG, desta forma dificultando a identificação do item para fins de classificação fiscal. No intuito de suprir eventual falta de informação, ou de evitar que se considerasse adequada uma informação equivocada inserida na DI, a fiscalização incluiu no “Termo de Início” intimação para que a LG a identificasse cada item importado com o respectivo P/N ou “Código Fiscal” utilizado para os controles de produção e estoques, além de indicar os produtos a que se destinavam. A resposta da LG foi dada na planilha “Anexo 1Item 4Intimacao 2012000140”, reproduzida no anexo VIII, na qual a LG inseriu Fl. 17278DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.279 5 na planilha recebida da fiscalização (parte do Termo de Início) quatro colunas contendo a identificação do produto a que se destina o item importado, sua classificação fiscal, o tipo de destinação e o correspondente “Part Number”. Com base nas informações prestadas pela LG e com respaldo no “Laudo Técnico nº DPD/120393 – Módulo LCD – Especificação básica” (Anexo VII), a fiscalização procedeu a classificação correta para os itens importados, considerando a natureza e especificidade de cada um deles. A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: apresenta laudo técnico do Prof. Dr. Eduardo Moschim, da UNICAMP, no sentido de dirimir quaisquer dúvidas sobre os produtos importados. o auto de infração é nulo por não contar com respaldo técnico. diversos produtos da NCM 8529.90.20, aos quais foi atribuída alíquota zero apresentaram ao revés valor de cem por cento. desconsiderou a ex tarifária aplicável aos produtos da NCM 8529.90.20 a partir de 09/12/2010, quando já vigente a Resolução CAMEX 84/2010. não considerou a suspensão do IPI para operações após julho de 2009, quando já vigente a IN 948/2009 (art. 11). os equívocos na apuração do II repercutem na apuração do IPI, das Contribuições, das multas e dos encargos moratórios. para a multa proporcional de um por cento o fiscal considerou, em diversos casos, para fins de limitação de dez por cento, uma base tributável maior do que o próprio valor aduaneiro, o que resultou em multas acima do valor permitido. parte dos créditos já estava extinta pela decadência em 28/05/2012, quando foi notificada. a classificação específica prevalece sobre a genérica. a maior especificidade deve ser analisada inicialmente ao nível de posição. a posição 9013, relativa a dispositivos de cristal líquido, é aplicável conforme aspectos técnicos analisados pela instituição perita. a única finalidade dos dispositivos de cristal líquido é a exibição de imagens. é incabível a alegação fiscal de não se tratarem de artigos de óptica sendo que o laudo fala em propriedade ópticas que podem ser controladas. Fl. 17279DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.280 6 os dispositivos de cristal líquido podem ser aplicados em diversas finalidades. a NCM 9013.80.10 é a classificação adequada para os dispositivos de cristal líquido. não se alegue que os dispositivos de cristal líquido poderiam se classificar mais especificamente em outra posição que não a 9013. a seção XVI prevê que nela não se incluem os artefatos do Capítulo 90. houve equívoco na aplicação da Nota 2 da Seção XVI. cita a regra de classificação número três para levar a classificação para a posição 9013. a reclassificação revela clara mudança de entendimento por parte da Receita Federal e tal modificação jamais poderia ser retroativa por ferir a segurança jurídica. existe decisão do Conselho de Contribuintes, atual CARF, classificando os dispositivos na NCM 9013.80.10. o Decreto 7600, de 07/11/2011 previu os displays de cristal líquido na posição NCM 85.29, restando claro que houve alteração do critério jurídico. como havia soluções de consulta prevendo a NCM 9013.80.10 para os dispositivos de cristal líquido essa era a classificação a ser adotada. as NCM 8473.30.92 e 8531.20.00 também são incorretas para os dispositivos de cristal líquido sendo o texto da posição 90.13 mais específico. a penalidade de um por cento sobre o valor aduaneiro não é cabível por ter sido sempre aceita a classificação 9013.80.10. não são cabíveis as penalidades por ter respeitado as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. com a aplicação das multas de 1% e de 75% houve duplicidade de penalidades. a cumulação de multas tem efeito confiscatório. a taxa SELIC sobre a multa é ilegal. protesta por todos os meios de prova admitidos em direito. requer o cancelamento dos autos de infração. A DRJ/SPO decidiu, através do Acórdão 1645.595 pela manutenção parcial dos autos de infração lavrados, exonerando apenas aquilo que foi lançado após decorrido o prazo decadencial. Fl. 17280DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.281 7 Ciente da decisão desta DRJ, a interessada protestou por retificação de acórdão em razão de gravíssimo erro de cálculo no auto de infração, alegando cinco pontos: a) produtos importados sob o código NCM 8529.90.20, aos quais foi atribuída alíquota zero e na planilha de cálculo do auto de infração consta o mesmo valor informado como valor aduaneiro (100%); b) produtos importados sob o código NCM 8529.90.20, após 09/12/2010, quando já vigente a Ex tarifária instituída pela Resolução CAMEX 84/2010, aos quais a apuração fiscal apontou valores a serem recolhidos; c) a apuração do auto deixou de considerar a suspensão do imposto prevista pelo art. 11 da IN 948/2009 d) os equívocos na apuração do II repercutem na apuração do IPI, das Contribuições e das Multas e encargos moratórios. e) houve erros graves na apuração da multa proporcional de 1% por ter utilizado base tributável maior do que o próprio valor aduaneiro total da DI. Diante das alegações da interessada, diligenciamos no sentido de que fossem verificados pela repartição de origem todos os pontos citados, procedendose aos cálculos dos tributos que deveriam ser mantidos e que porventura viessem a ser exonerados. Em resposta à diligência, a fiscalização intimou a interessada sobre as planilhas elaboradas, tendo esta se manifestado, alegando que apesar de a repartição de origem reconhecer erros de cálculos cometidos, apresentou novas inconsistências, conforme descritas a seguir: reconhecimento somente em relação à alíquota de 5%, correspondente à NCM 9013.80.10, de que o IPI estava suspenso a partir do mês de junho de 2009 em função do disposto no art. 11, II e §2º da IN 948/2009. apesar de a fiscalização apresentar breves e genéricos indicativos da metodologia utilizada para a elaboração das planilhas, não permite que sejam refeitos, com objetividade e exatidão, os passos por ela percorridos para que sejam encontrados os valores apresentados como mantidos. inclusão de DIs e Adições que não constavam no Auto de Infração original. A impugnante citou como exemplos de inconsistências o valor de R$ 1.700.927,41 a ser exonerado a título de multa regulamentar uma vez que somados os valores da coluna L encontrarseia o valor de R$ 5.599.109,33, a soma divergente de valores na coluna D (linhas 6739 e 6740), a soma na coluna F, linhas 3 a 6739 com valor divergente do apurado na linha 6740, sendo esse erro consistente e verificável em todas as coluna de D a L, Fl. 17281DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.282 8 representado aumento indevido nos créditos mantidos e a falta dos juros de mora nos demonstrativos. Em razão das novas alegações da interessada, os autos foram à repartição de origem para que a fiscalização elaborasse demonstrativos para os créditos mantidos e para os excluídos, ressaltando que os valores deveriam ser aqueles constantes originalmente dos autos de infração de imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados, contribuição para financiamento da seguridade social e programa de integração social, devendose levar em conta que o lançamento reportase à data do fato gerador para que os créditos relativos ao IPI suspenso fossem colocados nas planilhas e ressaltando que nenhuma declaração de importação deveria ser acrescentada àquelas já constantes dos autos de infração e, além disso, apresentar explicação detalhada da metodologia utilizada para a elaboração das planilhas, a fim de que o interessado pudesse verificar os cálculos e exercer seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A fiscalização elaborou diversos demonstrativos relativos ao Imposto sobre a Importação, ao Imposto sobre Produtos Industrializados, ao PIS e à COFINS, além de demonstrativos relativos a créditos com IPI suspenso, à multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro por classificação incorreta e créditos mantidos e exonerados. Da diligência, foi dada ciência à interessada, que se manifestou dizendo, além do que consta em sua impugnação inicial, que: antes de entrar no mérito entende indevida a cobrança de PIS e de COFINS em razão de haver o STF decidido, em sede de recurso extraordinário afeto ao regime de repercussão geral, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS nas suas bases de cálculo. os autos já foram objeto de três diligências sendo que os argumentos levantados, a metologia indicada e por vezes omitida e os próprios memoriais de cálculo não encontram qualquer suporte jurídico. foram verificados erros aritméticos nas planilhas apresentadas pela fiscalização quando a soma de todas as operações não refletia o total somado. a multa do PIS/PASEP foi calculada em 100%. várias DIs foram incluídas e não constavam do auto de infração original. restaram inexplicadas as novas cinco planilhas apresentadas, estando a peticionante completamente impossibilitada de tecer qualquer comentário sobre os novos cálculos. a fiscalização reconhece que as informações prestadas não são suficientes para esclarecer a autuação e dar a ampla defesa à Fl. 17282DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.283 9 peticionante ao se referir à forma como a planilha solicitada pela DRJ foi estruturada. para legitimar o lançamento é imprescindível que o auto de infração contemple os elementos necessários para verificar a ocorrência do fato tributável, a matéria tributável, a base de cálculo e a alíquota. as três diligências foram contraditórias e insatisfatórias, sendo o auto de infração precário por faltar característica de certeza e de liquidez, devendo ser cancelado. havendo a suspensão do IPI não poderia ser cobrado, o que foi reconhecido pela DRJ/SP1 (fl. 15924). inicialmente a fiscalização entendeu que deveria cobrar o IPI suspenso porque não compensado, depois porque não contabilizado e agora porque houve saída dos produtos antes da lavratura do auto de infração, sendo que a cada despacho surge uma nova argumentação e a anterior é abandona sem explicação. a fiscalização confundiu suspensão de incidência com suspensão de exigibilidade do tributo pois o regime de suspensão do IPI na importação de produtos nos termos da Lei 10637/02 não traz hipótese de moratória ou de parcelamento, tratandose de postergação do momento da incidência do tributo que é na saída do produto industrializado (bem de informática) e não no momento do desembaraço aduaneiro. a planilha apresentada com IPI suspenso não é confiável por não incluir todas as importações posteriores a junho de 2009 (IN 948/2009). requer o reconhecimento da iliquidez do auto de infração. Sobreveio decisão da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 Displays de cristal líquido. Aplicase a NCM 8529.90.20 quando forem partes de monitores ou de televisores, a NCM 8517.70.99 quando forem partes de aparelhos telefônicos, a NCM 8531.20.00 quando forem painéis indicadores com dispositivos LCD e a NCM 8473.30.92 quando forem partes de máquinas portáteis de processamento de dados. Da legalidade da autuação. As autuações e as diligências saneadoras posteriores ocorreram dentro do ordenamento do processo administrativo fiscal. Fl. 17283DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.284 10 Suspensão do IPI. Dever de ofício do lançamento por estar resolvida a suspensão pela saída dos insumos importados do estabelecimento da interessada e por ser a atividade administrativa vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cálculos dos tributos. Diversas planilhas elaboradas pela fiscalização não deixam dúvidas sobre os créditos originalmente lançados que devem ser mantidos e aqueles que devem ser exonerados. Decadência. Parte do crédito foi lançado quando já decorrido o prazo decadencial. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Os recursos voluntário e de ofício atendem aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. Do Recurso de Ofício Da decadência A decisão recorrida cancelou o lançamento em relação aos créditos relativos às declarações de importação registradas em 24 e 25/05/2007, devido a decadência do direito de lançar, posto a intimação do sujeito passivo ter ocorrido em 28/05/2012. Neste ponto, temse que o art. 62A do Regimento Interno do CARF estabelece que as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal e a decisão daquela Corte deve ser aqui adotada, independentemente das convicções pessoais dos julgadores. Esta é justamente a hipótese dos autos, posto a matéria ter sido enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça, em acórdão proferido nos autos do REsp 973.733 SC (2007/01769940), submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que trata o art. 543C do CPC, nestes termos: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX Fl. 17284DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.285 11 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 17285DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.286 12 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de agosto de 2009 (Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Deixou de ter relevância a verificação da específica natureza do tributo para a verificação do regime decadencial aplicável (art. 150, §4º ou art. 173, I do CTN) sendo a identificação do regime definido com base na verificação da existência (ou não) de pagamento do tributo pelo contribuinte no respectivo período de apuração. Conforme se verifica dos Demonstrativos de Apuração anexos aos Autos de Infração, corroborados pelas planilhas anexadas em procedimento de diligência, não houve qualquer antecipação de pagamento do Imposto de Importação referentes às declarações de importação registradas em 24 e 25/05/2007. Desta forma, o dies a quo do prazo de 5 anos para a contagem da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido exigido. No caso em tela, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial se deu em 01/01/2008, podendo, assim, o crédito tributário ser constituído até 31/12/2002. Como a ciência do Auto de Infração foi efetivada em 28/05/2012, não se constata a decadência aventada pela decisão recorrida, de forma que a mesma deve ser revista, sendo dado provimento ao recurso de ofício em relação aos valores exigidos a título de Imposto de Importação referentes às declarações de importação registradas em 24 e 25/05/2007 Fl. 17286DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.287 13 Em relação aos demais tributos ora exigidos (IPI, PISImportação e Cofins Importação), consta do autos informação que confirma a ocorrência de recolhimentos parciais referentes aos períodos de apuração objeto do lançamento. Como consequência, o lançamento em relação aos créditos relativos ao IPI, PISImportação e CofinsImportação decorrentes das declarações de importação registradas em 24 e 25/05/2007 foi efetuado após ultrapassado o prazo decadencial, razão pela qual deve ser mantido o cancelamento de exigência. Em relação à multa regulamentar de um por cento sobre o valor aduaneiro por classificação incorreta, por tratarse de penalidade aduaneira, prevalece a regra dos arts. 138 e 139 do DL nº 37/1966, contando o prazo de cinco anos, contados a partir da data da infração: Art.138. O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139. No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Aplicandose a regra previsto no artigo 139 do DL nº 37/1966, mostrase correta a decisão recorrida ao cancelar a exigência da multa regulamentar de um por cento sobre o valor aduaneiro por classificação incorreta em relação às declarações de importação registradas em 24 e 25/05/2007, posto o lançamento foi efetuado após ultrapassado o prazo decadencial. Da incorreção do cálculo dos débitos O equívoco nos cálculos foi confirmado pela RFB, razão pela qual mostrase correto o cancelamento dos débitos, conforme explicitado no procedimento de diligência. Do Recurso Voluntário Das preliminares A recorrente sustenta a nulidade do acórdão recorrido, devido ao voto condutor ser obscuro, dificultando a compreensão do raciocínio adotado na refutação dos fundamentos de defesa suscitados na Impugnação, e omisso quanto aos fundamentos referentes aos vícios de incerteza. Esclarecese, neste ponto, que, conforme remansosa jurisprudência, é pacífico o entendimento de que o julgador não está obrigado a rebater todas as alegações do recurso ou da impugnação ao lançamento. Transcrevese, nesse sentido, manifestação do eminente então Ministro do STJ, Luiz Fux, no Recurso Especial nº 779.680. Fl. 17287DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.288 14 Inexiste ofensa ao art. 535, CPC, quando o Tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, cujo decisum revelase devidamente fundamentado. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Precedente desta Corte: RESP 658.859/RS, publicado no DJ de 09.05.2005. [...] É pacífico o entendimento jurisprudencial de que o juiz não está obrigado a analisar e rebater todas as alegações da parte, bem como todos os argumentos sobre os quais suporta a pretensão deduzida em juízo, bastando apenas que indique os fundamentos suficientes à compreensão de suas razões de decidir, cumprindo, assim, o mandamento constitucional insculpido no art. 93, inc. IX, da Lei Fundamental. Nesse sentido: STJ: EDRESP 581.682/SC, 2ª. Turma, Rel. Min. Castro Meira, in DJU, I, 1º.3.2004, p. 176; e EEERSP 332.663/SC, 1a. Turma, Rel. Min. José Delgado, in DJU, I, 16.2.2004, p. 204. Em análise aos autos, constatase que o acórdão recorrido, ao contrário do alegado pela recorrente, não se mostra confuso em sua construção lógica, mas sim coerente e devidamente fundamentado. In casu, o acórdão recorrido abordou os aspectos principais atinentes à matéria, analisando a fundamentação legal que entendeu cabível ao seu posicionamento. Verificase ainda que, ao contrário do alegado, as questões postas em discussão foram analisadas, e o fato de todos os argumentos expostos pela recorrente não terem sido expressamente abordados não representa nenhuma vício a decisão, posto que os fundamentos utilizados se mostraram suficientes para embasar a decisão. Dito isto, negase o pleito de nulidade do acórdão recorrido. A recorrente sustenta ainda a nulidade do Auto de infração devido aos erros de cálculo, que comprometeriam sua liquidez. Afirma que: A reanálise dos autos em decorrência do pedido de retificação de acórdão, a qual já culminou em três diligências, todas igualmente insatisfatórias e contraditórias entre si e em relação ao auto de infração original, bem como à r. decisão recorrida, demanda inevitável reconhecimento da precariedade do auto de infração, com seu conseqüente cancelamento, por faltar qualquer característica de certeza e liquidez. Em análise aos autos, constatase que, por meio de procedimentos de diligência demandados pelo Órgão Julgador a quo, deferidos para esclarecer pontos suscitados pela contribuinte, os cálculos foram revistos pela autoridade fiscal, que reconheceu a pertinência de algumas das alegações da recorrente. Fl. 17288DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.289 15 Constatase, contudo, que as diligências demonstraram a ocorrência de erros de cálculo, que serão apreciados no momento do julgamento do mérito da lide. Os equívocos, que atingiram um valor elevado devido a recorrente tratarse de uma empresa de grande porte, não representam, contudo, nenhum vício passível de anulação do lançamento, posto não ter ocorrido nenhuma modificação nos critérios jurídicos do lançamento. A recorrente alega ainda a nulidade do lançamento devido a falta de respaldo técnico, afirmando que: Um auto de infração contestando a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, para impor uma nova classificação, deve vir amparado em laudo técnico que justifique a reclassificação pretendida pela autoridade. Isso não ocorreu no caso. Verificase, contudo, que a Autoridade Fiscal motivou a classificação fiscal adotada no Auto de Infração com base nas informações prestadas pela própria Recorrente, e com respaldo no “Laudo Técnico nº DPD/120393 – Módulo LCD – Especificação básica” (Anexo VII), de forma que o mesmo encontrase devidamente fundamentado, não se verificando nenhuma causa de nulidade ao lançamento. Diante do exposto, negase o pleito de nulidade do auto de infração. Da classificação de mercadorias O presente auto de infração decorre da modificação, efetuada pela Fiscalização, na classificação fiscal adotada pela Recorrente em operações de importação das mercadorias descritas como "LCD" ou "Dispositivo de Cristal Líquido", importadas no período de março de 2007 a dezembro de 2011. A recorrente alega ter adotado a classificação fiscal correta, qual seja a posição desdobrada 90.13.80.10 "Dispositivos de cristal líquido (LCD)". Afirma, embasada em laudos técnicos, que se tratam de dispositivos óticos de cristal líquido, sendo esta a descrição mais específica possível para as mercadorias. Seriam produtos passíveis de múltiplas aplicações, não configurando partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas a nenhum equipamento. Alega que sua classificação decorre da aplicação da RGI 1, que determina que seja feita com base no texto da posição, e como o texto da posição 9013 descreve exatamente "dispositivos de cristal líquido", em comparação com as outras posições, deve prevalecer. Aduz ainda que, em caso de dúvidas, deveria ser utilizada a RGI 3A, o que também conduziria a posição 90.13, pois, por ser mais específica, prevaleceria sobre as mais genéricas. A Fiscalização, a seu turno, procedeu com a reclassificação fiscal das mercadorias, entendendo que o texto da posição 9013 coloca os "Dispositivos de Cristais Fl. 17289DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.290 16 Líquidos" em uma condição residual, de forma que, existindo uma outra posição cujo texto lhe confira maior especificidade, esta prevaleceria. Distingue, então, as mercadorias importadas em três grupos, enquadrandoas como: partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas a monitores e aparelhos receptores de televisão (8529.90.20); telas ("displays") para máquinas automáticas para processamento de dados, portáteis aparelhos telefônicos para redes celulares (8473.30.92); e painéis indicadores com dispositivos de cristais líquidos (LCD) ou de diodos emissores de luz (LED) Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (8531.20.00), conferindo o tratamento tributário adequado. Antes de adentrar na lide, esclarecese que os pareceres técnicos anexados aos autos devem ser conhecido apenas nos seus aspectos técnicos, abstraídas todas as incursões inerentes à classificação da mercadoria, matéria privativa de órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil e a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (a) Das telas para monitores e aparelhos de televisão A autoridade fiscal reclassificou os itens identificados pela Recorrente como "tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação (backlight) e tampas frontal e traseira (módulo LCDTFT)", no código NCM de subitem 8529.90.20. A recorrente defende o enquadramento no código 90.13.80.10. A classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) é subordinada às Regras Gerais de Interpretação (RGI), bem como às Regras Gerais Complementares (RGC). A RGI 1 assim determina: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Segundo esta norma, a classificação é determinada, prioritariamente, pelos textos das posições e das notas de Seção e de Capítulo, sendo as demais regras aplicadas apenas caso a RG1 não seja suficiente para definir a classificação da mercadoria. As posições em discussão possuem os seguintes enunciados: 85.29 Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28 8529.90 Outras 8529.90.20 De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28 90.13 Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente noutras posições; lasers, exceto diodos laser; outros aparelhos e instrumentos de Fl. 17290DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.291 17 óptica, não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo 9013.80 Outros dispositivos, aparelhos e instrumentos 9013.80.10 Dispositivos de cristais líquidos (LCD) Em relação às notas envolvendo a lide, mostram relevo a Nota 1, "m", da Seção XVI e a Nota 2, "a" do Capítulo 90, abaixo transcritas: Notas Seção XVI. 1. A presente Seção não compreende: [...] m) os artefatos do Capítulo 90; Notas Capítulo 90 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 acima, as partes e acessórios para máquinas, aparelhos, instrumentos ou outros artefatos do presente Capítulo, classificamse de acordo com as seguintes regras: a) As partes e acessórios que consistam em artefatos compreendidos em qualquer das posições do presente Capítulo ou dos Capítulos 84, 85 ou 91 (exceto as posições 84.87, 85.48 ou 90.33) classificamse nas respectivas posições, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem; Da análise das referidas notas, extraise, inicialmente, que a seção XVI, que inclui o Capítulo 85, não compreende os artefatos classificados no Capítulo 90. Mostrase necessário, portanto, verificar se o artigo em discussão enquadrase no capítulo 90. A posição 90.13, pretendida pela recorrente, abrange "Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente noutras posições". As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) referentes a posição 90.13 esclarecem que: [...]a presente posição compreende especialmente: 1) Os dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas, e que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições da Nomenclatura. (grifo nosso) Do exposto, resta claro que a presente posição compreende apenas os dispositivos de cristais líquidos que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições. Fl. 17291DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.292 18 A Nota 2, "a", do Capítulo 90, por sua vez, estabelece que as partes e acessórios que consistam em artefatos compreendidos em qualquer das posições do presente Capítulo ou dos Capítulos 84, 85 ou 91 (exceto as posições 84.87, 85.48 ou 90.33) classificam se nas respectivas posições, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem. Desta forma, analisando as duas notas em conjunto, temse que, em se tratando de dispositivos de cristal líquido, quando trataremse de partes de artefatos compreendidos nos capítulos 84 ou 85, devem ser classificados nas respectivas posições destes capítulos, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem. Nas hipóteses em que os dispositivos de cristais líquidos que não possam ser classificados como partes de artefatos compreendidos nos capítulos 84 ou 85, ou mesmo em qualquer outras posição, classificamse na posição 90.13. Pois bem, por dispositivo de cristal líquido entendese quaisquer produtos que tenham seu funcionamento à base de materiais com propriedade de cristal líquido. Os laudos anexados aos autos afirmam que os produtos em tela podem ser caracterizados como dispositivos eletrônicos, em vista de ter agregados uma matriz de transistores e circuitos integrados que acionam e controlam os mesmos, além de um dispositivo de retroiluminação (backlight). Extraise, ainda destes laudos, que, em que pese ser impossível definir com exatidão o produto final a que se destina, os displays de cristal líquido servirão para a exibição de imagens em monitores para uso em televisão, microcomputadores, máquinas de entretenimento, aparelhos portáteis móveis de telecomunicação, painéis mostradores em uso de automação industrial, entre outros. Neste sentido, a resposta 3 do LTP da FEEC: [...]Todos os produtos em análise são dispositivos de cristal líquido de matrizes ativas que podem ser utilizados em diversas aplicações onde é necessária a visualização de imagens, dados gráficos ou textos, como veremos mais especificamente nos exemplos de uso do LCD‑TFT em produtos comerciais.[...] Esta função, de exibir imagens, é inerente aos monitores da posição 85.28: 85.28 Monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens Mostrase, correta, portanto, a classificação destes produtos na posição 85.29, posto sua função estar intimamente ligada à de um monitor, ou seja, mostrar imagens, caracterizandose como parte reconhecível como principalmente destinada aos aparelhos das posições 85.28. Como com a aplicação da RGI 1 se alcança a classificação fiscal das mercadorias, não se mostra correta a utilização da RGI 3A, pretendida pela Recorrente. Fl. 17292DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.293 19 Observase, ainda, que a classificação proposta pelo Fisco atualmente encontrase positivada, posto os produtos corresponderem a exata reprodução da descrição do Ex Tributário do subitem 8529.90.20 criado pela Resolução Camex nº 84, de 8 de dezembro de 2010, que inclusive a Recorrente passou a utilizar após sua publicação: 8529.90.20 De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28 Ex 001 Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação (“backlight”) e tampas frontal e traseira – (“módulo LCDTFT”) O Decreto nº 7.600/2011, da mesma forma, ao estabelecer os critérios para habilitação ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores PADIS, estabelece que os displays de cristal líquido devem ser classificados no código NCM 85.29: Anexo I Mostradores de Informação NCM Dispositivos de plasma 85.29 Displays construídos a partir de OLED da posição 85.41 Displays construídos a partir de TFEL das posições 85.41 e 85.42 Displays de cristal líquido (LCD) 85.29 Dispositivos de cristais líquidos (LCD) 9013.80.10 Ora, as posições e as respectivas notas de referência não tiveram nenhuma alteração, mostrandose ilógico e incoerente afirmar que no período anterior ao dispositivo a classificação deveria ser efetuada em um código diferente do atual. Não se trata de um novo entendimento do Poder Público, mas apenas a positivação de uma interpretação por meio de um novo ato, que deixa explícita a classificação de um produto. Este novo ato, contudo, não inovou na ordem jurídica, pois a classificação dos produtos sempre foi neste código. Desta forma, a atual classificação dos produtos, expressa no subitem 8529.90.20, mostrase adequada também para o período pretérito. Se a classificação correta fosse a suscitada pela recorrente, teria a CAMEX e a Presidencia da República classificado os dispositivos no subitem 9013.80.10, o que, como visto, não ocorreu. Em verdade, toda a argumentação da Recorrente de que seria impossível classificar os produtos neste código devido a não se conhecer a sua utilização cai por terra tendo em vista que atualmente os mesmos produtos, ao serem importados pela Recorrente, são classificados neste código. Fl. 17293DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.294 20 A única diferença que temos é a criação do extarifário. Os produtos são os mesmos. Desta forma, deve ser mantida a reclassificação fiscal imposta pela autoridade fiscal. (b) Das telas para aparelhos celulares A autoridade fiscal reclassificou os itens identificados pela Recorrente como "Módulos montados com mostrador de cristal líquido (LCDTFT), circuito integrado eletrônico de "driver", iluminação traseira, moldura lateral e traseira de proteção e placa de circuito impresso flexível, montada com componentes elétricos e/ou eletrônicos com formato e conexões apropriados para aparelho transceptor portátil de telefonia móvel, com tamanho igual ou inferior a 5 polegadas", no código NCM de subitem 8517.70.99. A Recorrente defende o enquadramento no código 90.13.80.10. Como já esclarecido, a posição 90.13 compreende apenas os dispositivos de cristais líquidos que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições. A posição 8517, por sua vez, apresenta o seguinte texto: 85.17 Aparelhos telefônicos, incluídos os telefones para redes celulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos para transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluídos os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio (tal como um rede local (LAN) ou uma rede de área estendida (WAN)), exceto os aparelhos das posições 84.43, 85.25, 85.27 ou 85.28. 8517.70 Partes 8517.70.99 Outras Os dispositivos ora reclassificados tratamse de dispositivos de cristal líquido, e pelas suas especificações mostramse principalmente adequados para aparelhos portáteis móveis de telecomunicação. Mostrase, correta, portanto, a classificação destes produtos no código 8517.70.99. Como com a aplicação da RGI 1 se alcança a classificação fiscal das mercadorias, não se mostra correta a utilização da RGI 3A, pretendida pela Recorrente. Observase, ainda, que a classificação proposta pelo Fisco também se encontra positivada, posto os produtos corresponderem a exata reprodução da descrição do Ex Tributário do subitem 8517.70.99 criado pela Resolução Camex nº 9, de 10 de fevereiro de 2012, que, da mesma forma, a Recorrente passou a utilizar após sua publicação: 8517.70.99 Ex 002 – Módulos montados com mostrador de cristal líquido (LCDTFT), circuito integrado eletrônico de “driver”, Fl. 17294DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.295 21 iluminação traseira, moldura lateral e traseira de proteção e placa de circuito impresso flexível, montada com componentes elétricos e/ou eletrônicos com formato e conexões apropriados para aparelho transceptor portátil de telefonia móvel, com tamanho igual ou inferior a 5 polegadas (c) Das telas para notebooks A autoridade fiscal reclassificou os itens identificados como telas para utilização em máquinas portáteis de processamento de dados (Notebook) no código NCM de subitem 8473.30.92. A recorrente defende o enquadramento no código 90.13.80.10. A posição 90.13, conforme amplamente explicitado, compreende apenas os dispositivos de cristais líquidos que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições. A posição 8473, a seu turno, apresenta o seguinte texto: 84.73 Partes e acessórios (exceto estojos, capas e semelhantes) reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas e aparelhos das posições 84.69 a 84.72. 8473.30 Partes e acessórios das máquinas da posição 84.71 8473.30.9 Outros 8473.30.92 Telas ("displays") para máquinas automáticas para processamento de dados, portáteis. (grifo nosso) O texto é por demais explícito quanto ao enquadramento de telas para utilização em máquinas portáteis de processamento de dados (Notebook), de forma a mostrar se correta a reclassificação fiscal efetivada pelo Fisco. (d) Dos mostradores de caracteres A autoridade fiscal reclassificou os itens identificados como mostradores de caracteres aplicados a aparelhos de áudio e vídeo, ar condicionado, microondas, entre outros, no código NCM de subitem 8531.20.00. A recorrente defende o enquadramento no código 90.13.80.10. A posição 90.13, como visto, compreende apenas os dispositivos de cristais líquidos que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições. A posição 8531, por sua vez, apresenta o seguinte texto: 85.31 Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (por exemplo, campainhas, sirenes, quadros indicadores, aparelhos de alarme para proteção contra roubo ou incêndio), exceto os das posições 85.12 ou 85.30. 8531.20.00 Painéis indicadores com dispositivos de cristais líquidos (LCD) ou de diodos emissores de luz (LED) Fl. 17295DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.296 22 As Nesh referentes a posição 85.31 esclarecem que: Excetuados os aparelhos das posições 85.12 ou 85.30, a presente posição compreende todos os aparelhos elétricos de sinalização acústica(campainhas, cigarras e outros avisadores sonoros) ou visual (aparelhos de sinalização com lâmpadas, postigos móveis, números luminosos, etc.), sejam de comando manual, como as campainhas de entrada de residência, ou automático, como os aparelhos de proteção contra o roubo. (grifo nosso) Desta forma, tendo em vista que a posição 8531 abrange os aparelhos elétricos de sinalização visual, e que o código 8531.20.00 é explícito quanto a classificação de painéis indicadores com dispositivos de cristais líquidos (LCD), mostrase correta a reclassificação proposta pela autoridade fiscal. A recorrente afirma que o acórdão proferido pelo então Conselho de Contribuintes em relação a outro processo teria efeito vinculante em relação ao processo em ora em julgamento. Esclarecese a recorrente que o fato de existirem decisões administrativas em outros processo de exigência de débitos fiscais não tem o condão de vincular este órgão julgador, que pode entender de forma diferente. Da revisão aduaneira Alega a recorrente que a NCM 9013.80.10 vinha sendo adotada de forma consistente, e sem qualquer devida também pelas autoridades fiscais alfandegárias, ressaltando que diversas importações foram desembaraçadas pelo canal vermelho. Afirma, então, que diante de eventual equívoco de classificação fiscal, a imposição de nova classificação, após o desembaraço aduaneiro, configuraria mudança de critério jurídico, o que é vedado pelos art. 149 c/c art. 146 do CTN. Esclarecese a recorrente, contudo, que o que ocorreu, no caso concreto, foi tão somente a revisão dos enquadramentos das mercadorias, decorrente do processo de revisão aduaneira, previsto em lei. A Receita Federal do Brasil pode e deve proceder a revisão aduaneira, dentro do prazo quinquenal legal, para fins de verificar a correição dos procedimentos adotados pelo importador. Após o despacho aduaneiro, a DI pode ser submetida a revisão para apurar qualquer irregularidade relativa ao despacho. Aliás, o art. 54 do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º do Decretolei nº 2.472/88, assim já previa: Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de cinco anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste DecretoLei. Fl. 17296DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.297 23 Do mesmo modo, já previa o RA/1985, em seu art. 455: Art. 455: Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de benefício aplicado (DL 37/66, art. 54) O mesmo se manteve no Regulamento Aduaneiro/2002, conforme se depreende do disposto no art. 570, a saber: Art.570 – Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamentos dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação(Decretolei nº. 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº. 2.472, de 1988, art. 2º), e Decretolei nº. 1.578, de 1977, art. 8º) Assim, mais uma vez são incabíveis as alegações da contribuinte. Da suspensão do IPI A recorrente afirma o regime de suspensão de IPI na importação dos produtos em referência, precisamente a partir do mês de junho de 2009, em função do disposto no art. artigo 29, §1°, I, "c" e §4°, da Lei n° 10.637/02. O dispositivo citado assim dispõe: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 c 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabelado Incidência do imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003) §1º O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: [...] Fl. 17297DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.298 24 c) bens de que trata o § loC do art. 4o da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do beneficio referido no caput do mencionado artigo;(Incluído pela Lei n° 11.908, de 2009). [...].. § 4o As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que tratam o caput e o § 1º serão desembaraçados com suspensão do IPI." Em análise aos autos, constatase ser incontroverso o direito a suspensão do IPI em relação às importações ora tributadas. A decisão recorrida, contudo, após esclarecer que as condições resolutórias da suspensão da exigibilidade do IPI estão dispostas no artigo 20, da Instrução Normativa RFB n° 948, de 15 de junho de 2009, entendeu que o lançamento estaria correto, devido ao fato: [...] de que os insumos importados já não se encontravam, por ocasião do desenvolvimento do procedimento fiscal, em estoque no estabelecimento do importador, permitindo concluir que, qualquer que fosse a hipótese de resolução da suspensão do IPI, ela já havia se materializado, ou seja, não haveria que se falar mais em tributo ainda suspenso. Constatase, de pronto, um equívoco conceitual presente na decisão recorrida acerca do benefício fiscal da suspensão do IPI. A legislação do IPI consagrou, sob a denominação "suspensão do imposto", uma técnica própria para resguardar eventuais créditos tributários da União, em face de situações especiais, até que se verifique o fato econômico que justifique a sua exigência, ou viabilize a aplicação da imunidade, de isenção, tributação à alíquota zero, ou outro benefício fiscal. Não se trata, desta forma, de instituto jurídico semelhante a "suspensão do crédito tributário" previsto no artigo 151 do CTN, que visa suspender a exigibilidade do crédito tributário já constituído através de lançamento regularmente efetuado. Na suspensão do IPI não ocorre a formalização do crédito tributário. Em que pese tenha ocorrido o fato gerador do imposto, a obrigação tributária principal decorrente destas saídas não se torna exigível, ficando suspensa até o implemento da condição à qual está subordinada. Os casos de saída com suspensão do imposto estão geralmente subordinados a alguma condição, ou seja, a um evento futuro e incerto. A ocorrência deste evento – implemento da condição a que está subordinada a suspensão – resolve a obrigação tributária suspensa, o que significa dizer que o imposto relativo à operação realizada não mais será exigido. O artigo 40 do RIPI 2002 (artigo 41 do RIPI 2010) é claro a este respeito: Art. 40. O implemento da condição a que está subordinada a suspensão resolve a obrigação tributária suspensa. Fl. 17298DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.299 25 Apenas nas situações em que não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, ou seja, não ocorrendo o evento previsto como condição, inclusive nos casos de furto ou roubo, sinistro, deterioração etc., o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse, ficando o responsável pelo fato sujeito ao seu pagamento e ao da penalidade cabível. Este é o comando previsto no artigo 41 do RIPI 2002 (artigo 42 do RIPI 2010): Art. 41. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Parágrafo único. Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse (Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso II). A expressão "imediatamente exigível" significa que, não atendidos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto deve ser pago até o dia subseqüente à data do descumprimento, não importando estar ainda em curso o prazo normal de recolhimento nem o fato de o sujeito passivo estar na condição de contribuinte ou de responsável, salvo se houver norma específica determinando de forma diversa. Do exposto, verificase que o simples fato de as mercadorias não mais se encontrarem nos estoques da Recorrente não é suficiente para a exigência do tributo. Deveria a Fiscalização ter demonstrado que os requisitos que condicionaram a suspensão não foram satisfeitos. Como a autoridade fiscal não trouxe aos autos nenhuma evidência de um possível descumprimento, mostrase incorreta a exigência do IPI com benefício da suspensão. Desta forma, deve ser revista neste ponto a decisão recorrida, cancelandose os valores exigidos abarcados pelo benefício da suspensão do IPI. Do ICMS na base de cálculo do PISImportação e CofinsImportação Em relação à arguição de inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, a matéria foi apreciada pelo STF no julgamento do RE nº 559.937/RS, sob regime de repercussão geral (art. 543B do CPC), tendo sido decidido pela inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, nos termos dos trechos do enunciado da ementa que segue transcrita: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. Fl. 17299DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.300 26 [...] 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 559937, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013) (grifo nosso) Como se trata de decisão definitiva de mérito, proferida pelo STF, sob regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, em cumprimento ao disposto no 62A do Anexo II do Regimento de Interno deste Conselho, aprovado pela Port. MF nº 256, de 22 de junho de 2009, adotase fundamentos exarados na referido julgado como razão de decidir, para excluir o valor ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep – Importação e Cofins – Importação, por inconstitucionalidade reconhecida pelo STF no julgamento do RE nº 559.937/RS. Fl. 17300DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.301 27 Das penalidades A recorrente alega que, com base no disposto no artigo 100 do CTN, que dispõe sobre práticas reiteradas da administração, devem ser excluídas todas as penalidades (1% e 75%) e os juros impostos. Entendo, contudo, que somente os atos que permitem certa discricionariedade podem se enquadrar nos termos do art. 100, III do CTN, pois não se admite que atos vinculados sejam procedidos de outra forma que não a disposta na legislação. Para os atos vinculados não existe, portanto, possibilidade alguma de se inserilos nas chamadas "práticas reiteradamente observadas" do art. 100, III do CTN, pois eles se constituem em "práticas obrigatoriamente observadas". Para o caso em tela, a fiscalização não possuía qualquer discricionariedade (ela não pode aceitar uma classificação fiscal equivocada, a não ser que oriunda de legislação vigente ou de processo de consulta), assim, não é possível sequer se imaginar a possibilidade de se aplicar o art. 100, III do CTN, devido a total ausência dos requisitos mínimos necessários ao surgimento de uma norma complementar por motivo de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Meu entendimento, contudo, restou vencido pela maioria da turma, que entendeu pela aplicabilidade do disposto no art. 100, III do CTN ao caso em tela. Explico que, nos termos do artigo 60 do anexo II do RICARF (Portaria MF nº 343/2015), quando mais de 2 (duas) soluções distintas para o litígio, que impeçam a formação de maioria, forem propostas ao plenário pelos conselheiros, a decisão será adotada mediante votações sucessivas, das quais serão obrigados a participar todos os conselheiros presentes. Tendo em vista a presença de 3 (três) soluções distintas para a lide suscitadas pelos conselheiros desta turma, bem como que meu entendimento restou vencido na primeira votação, adoto o entendimento abaixo exposto, conforme defendido durante a sessão. A matéria referente a reclassificação das mercadorias foi tratada nos tópicos anteriores. Resta para apreciação as alegações da recorrente, que a época dos fatos existia uma orientação da administração no sentido de classificar as mercadorias na posição 90.13.80.10. Tais argumentos são lastreados em decisões exaradas por Superintendências da Receita Federal que quando questionadas acerca da correta classificação da mercadoria se pronunciou no sentido de classificar as mercadorias na posição 90.13.80.10. Também consta dos argumentos da recorrente que as mercadorias foram desembaraçadas pela RFB confirmando a classificação na posição 90.13.80.10. Alega a recorrente que em razão destes despachos serem submetidos a todos os controles previstos para o canal seleção vermelho, teria ali a Administração Aduaneira confirmado a classificação utilizada nas Declarações de Importação, sendo assim, a classificação realizada em momento posterior não poderia obrigar a recorrente ao pagamento de multas pois, a conferência física das mercadorias não identificou qualquer problema com a classificação adotada. Estaria assim, afastada a exigência das multas nos termos previstos no art. 100 do CTN. As alegações do recurso alega a obediência a orientações recebidas da Administração Tributária, que neste caso se materializaram por meio das conferências Fl. 17301DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.302 28 realizadas em diversos despachos de importação, que segundo a recorrente teriam mercadorias idênticas àquelas que sofreram as reclassificação e ensejaram a aplicação das multas fiscais e administrativas. Sobre a matéria relembro o funcionamento dos canais de conferência aduaneira na importação, instituídos a partir da entrada em funcionamento do Siscomex Importação. Até o advento deste sistema informatizado, a conferência aduaneira acontecia em duas etapas: a primeira uma conferência documental, responsável por verificar os documentos referentes a importação e benefícios fiscais pleiteados e um segundo momento de conferência física das mercadorias, onde eram quantificadas e realizada a classificação fiscal das mercadorias. Com a implantação do SiscomexImportação foram criados canais de conferência aduaneira. Inicialmente, foram definidos 3 (três) canais de conferência: o canal vermelho com a conferência física e documental das mercadorias, o canal amarelo que determinava somente a conferência documental e o canal verde onde a carga era liberada sem conferência fiscal. Posteriormente, foi criado o canal de conferência cinza, que determinava a conferência documental, física e ainda procedimentos referentes a valoração aduaneira. A Instrução Normativa SRF 69/96, no seu art. 19 disciplinava os procedimentos a serem adotados para os diferentes canais de conferência. Art. 19. Após o registro da declaração de importação, a mesma será submetida a procedimento de seleção para controle do valor aduaneiro, por meio do SISCOMEX, de acordo com critério previamente estabelecido pela CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro COANA. (Redação dada pela IN SRF n º 111/98, de 17/09/1998 ) (Vide art. 6 º , da IN SRF n º 111/98) § 1º Na hipótese de seleção para controle do valor aduaneiro, a declaração será conduzida para o canal cinza de conferência aduaneira, pelo qual o desembaraço somente será realizado após o exame documental, a verificação da mercadoria e o exame preliminar do valor aduaneiro e desde que observados os demais requisitos estabelecidos na norma específica. (Redação dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) § 2º Caso não ocorra a situação prevista no parágrafo anterior, a declaração será selecionada para um dos demais canais de conferência aduaneira, conforme segue: (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) II amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; ou (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) III vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria. (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) Fl. 17302DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.303 29 § 3º Para os efeitos deste artigo, entendese por: (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) I exame documental, o procedimento destinado a constatar: (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) a integridade dos documentos apresentados; (Incluída dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) a exatidão e correspondência das informações prestadas na declaração em relação àquelas constantes dos documentos que a instruem; (Incluída dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) o cumprimento dos requisitos de ordem legal ou regulamentar correspondentes aos regimes aduaneiro e de tributação solicitados; (Incluída dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998) o cumprimento de formalidades referentes a mercadoria sujeita a controle especial; e (Incluída dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) (Revogada pela IN SRF n º 114/98, de 24/09/1998 ) (Vide art. 7 º da IN SRF n º 114/98) o mérito de benefício fiscal pleiteado. (Incluída dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) II verificação da mercadoria, o procedimento destinado a identificar e quantificar a mercadoria, bem como a determinar sua origem e classificação fiscal; e (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) III exame preliminar do valor aduaneiro, o procedimento destinado a verificar a existência dos documentos justificativos do valor aduaneiro declarado e a correspondência das informações neles contidas com aquelas prestadas na declaração de importação e na declaração de valor aduaneiro. (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) O inciso II do parágrafo único do art. 19, esclarece que a verificação da mercadoria selecionada para o canal vermelho é destinada a identificar e quantificar a mercadoria, bem como determinar sua origem e classificação fiscal. Por este artigo fica claro que caberia a Fiscalização quando da conferências aduaneira das importações selecionadas para o canal vermelho determinar a classificação da mercadoria. Segundo as informações do recurso, para as mercadorias constantes destas Declarações de Importação, foram mantidas as classificação no código 90.13.80.10. Além deste fato, as soluções de consulta exaradas pela Receita Federal deixam cristalino o entendimento adotada pela Administração Tributária quanto a classificação a ser adotada pela recorrente para as telas de LCD. Não há como negar que a administração confirmou a classificação fiscal adotada nas Declarações de Importação. Sem dúvida a administração é soberana para a qualquer tempo rever a posição adotada e neste casso especifico entendeu reclassificar as mercadorias para o código 90.13.80.10 em procedimento de revisão aduaneira. Fl. 17303DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.304 30 Não vislumbro nenhum problema ou questionamento quanto a legalidade da reclassificação realizada pela Autoridade Aduaneira, entretanto, não se pode negar o fato da recorrente ter orientação quanto a classificação das telas de LCD, no código 90.13.80.10, diferentes despachos de importação, confirmada a classificação que vinha sendo adotada. Não há como exigir um procedimento diferente da recorrente que não fosse permanecer utilizando a classificação já adotada nestes despachos nas suas próximas declarações de importação. Situação que foi alterada a partir de novo posicionamento da Receita Federal por ato da COANA que mudou o entendimento anterior externados nos despachos aduaneiros e nas soluções de consulta das Regiões Fiscais da RFB, passando a adotar o código 90.13.80.10 para as telas de LCD. Entendo, que após ser realizada a reclassificação das mercadorias no procedimento de revisão aduaneira, eventuais diferenças de tributos deverão ser exigidos por meio de lançamento, entretanto, resta a discussão sobre a aplicação de penalidades. O Código Tributário Nacional, resguarda o contribuinte, quando age de acordo com orientação da Administração Tributária, a não ser sofrer a aplicação de penalidade, nos termos previstos no seu art. 100, inciso III e Parágrafo Único. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." Considerando a existência de soluções de consulta da RFB e de diversos despachos de importação selecionados para canais de conferência, onde foram confirmadas as classificações adotadas pela recorrente, entendo que a classificação adotada pela recorrente ocorreu diante de diversas práticas reiteradas da Administração Tributária, assim não são exigíveis as penalidades e a cobrança de juros nos termos previstos no art. 100, III, parágrafo único do CTN. Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso de Ofício, retornando a exigência dos valores cancelados a título de Imposto de Importação referentes às declarações de importação registradas em 24 e 25/05/2007, e mantendo o cancelamento dos demais valores; e por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a exigência em relação aos débitos abarcados pelo benefício da suspensão do IPI e aos débitos decorrentes da inclusão do valor do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep – Importação e Cofins – Importação, as penalidades e a cobrança de juros, mantendose os demais valores exigidos. Fl. 17304DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.305 31 Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Nesta Declaração de Voto expresso entendimentos divergentes do nobre colega Relator em questões de mérito, situação que prejudica neste momento a discussão das demais questões. Meu entendimento é convergente com julgamento anterior deste próprio Conselho, que reconheceu como correta a classificação da NCM 90.13.80.10 para os Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, para o mesmo contribuinte ora parte no presente procedimento administrativo. O contribuinte classificou corretamente as mercadorias importadas na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM Dispositivos de Cristais Líquidos LCD 9013.80.10 (Classificação nas Declarações de Importação de 20 de Maio de 2007 a 31 de Dezembro de 2011). O único fundamento do Auto de Infração é a suposição de erro na classificação fiscal. Consequentemente a fiscalização imputou a multa de 1% sobre o valor aduaneiro e lançou as diferenças de alíquotas dos Impostos de Produtos Industrializados IPI, de Importação II, PIS e COFINS, correspondentes às NCM's que a fiscalização entendeu como corretas (NCM 8529.90.20, NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00). Apesar da questão da suspensão do IPI não alterar a linha de motivação e nem a conclusão da presente declaração de voto, aqui é importante reproduzir a declaração de voto constante na Decisão da DRJ de São Paulo, que reconheceu a suspensão do IPI a partir de junho de 2009, conforme Art. 11, IN 948/2009. No estudo dos autos verificase que este fato pode ter atraído a atenção do agente fiscal, situação que pode ter motivado o início da fiscalização. Segue declaração mencionada: "Declaração de Voto Salvo melhor juízo, tenho entendimento divergente ao do relator apenas em relação à exigibilidade dos créditos de IPI relativos a mercadorias importadas sob o regime de suspensão do art. 29, §1º, inciso I, “c” da Lei nº 10.637/02, regulamentado art. 11, inciso II da Instrução Normativa RFB nº 948/09. É fato incontroverso tanto para a fiscalização como para a impugnante que os bens importados em questão enquadravamse na hipótese de suspensão acima citada. Fl. 17305DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.306 32 Logo, não há que se cogitar da exigência tributária do IPI no momento da ocorrência do fato gerador na importação, qual seja, o registro da respectiva declaração de importação. A eventual resolução da suspensão do IPI depende da apuração individual de cada venda no mercado interno de bens contendo tais insumos importados, visto que é neste segundo momento que o tributo volta a ser exigível, apurandose concomitantemente o efetivo recolhimento porventura já realizado pela empresa em cada operação. A fiscalização não respeitou tal exigência, presumindo os recolhimentos nas vendas ao mercado interno e considerando o IPI exigível desde a data de registro das importações. Dessa forma, entendo incabível o lançamento realizado em relação a essas importações alcançadas pela suspensão do IPI." Ainda que não seja fato controverso a identificação da mercadoria, Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, a fiscalização obrigou o contribuinte a identificar cada item importado de acordo com uma possível aplicação futura, de acordo com o P/N utilizado para os controles de produção e estoques. Apesar de haver múltiplas e simultâneas possibilidades de aplicações futuras dos produtos importados, o contribuinte teve de respeitar a intimação e respondeu de acordo com a planilha dos Anexos I e VIII da intimação 2012 000140, restringindo essas possíveis aplicações futuras. Foi de acordo com esta planilha que a fiscalização decidiu que a NCM utilizada pelo contribuinte não era suficiente para atender a todas as exigências regulamentares. Discordo de como procedeu a fiscalização e da conclusão desta, pois correta a classificação utilizada pelo contribuinte. É incontestável que a classificação da mercadoria, primeiro, deve ser baseada nas características do produto no momento do despacho aduaneiro, independentemente de sua futura possível utilização. Fisco encaixou em subitens de posições de NCM's, como se fossem mais específicas. Oneroso e burocrático auferir de forma clara, concisa e legal todas as possíveis futuras aplicações da mercadoria importada no momento do despacho aduaneiro. Logo, a fiscalização decidiu restringir e de forma arbitrária a classificação. Apesar de haver uma projeção do contribuinte em seu plano de negócios da aplicação futura das mercadorias importadas, os negócios industriais têm estruturas dinâmicas, "orgânicas" e devem acompanhar e atender a oferta e procura, o que pode alterar de imediato a projeção da utilização futura das mercadorias importadas. Entendo que a fiscalização deixou de considerar o Regulamento Aduaneiro nos seus Artigos 72, 73 e 94 que positivaram essa garantia jurídica, da classificação da mercadoria de acordo com suas características no momento do despacho aduaneiro. Com relação ao entendimento minucioso da aplicação ou não da NCM 9013.80.10, basta observar a Regra Geral n.º 1 para interpretação do sistema harmonizado e concluir que esta NCM é a correta para a mercadoria importada. Regra 1: " Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas se seção e de capítulo [...]". Fl. 17306DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.307 33 Vejamos o texto da posição 90.13 "Dispositivo de Cristal Líquido LCD" na posição específica 80.10 "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". É evidente que a mercadoria é um artefato da posição 90.13, identificada logo pelo texto e de acordo com RG 1, para "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". Ainda que já solucionado pela RG1, uma vez que o texto é adequado em sua posição e não em subposições como nos casos das NCM 8529.90.20, NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00, em que o texto da posição não está de acordo com a mercadoria importada. Não se observaria a Regra Geral n.º 1 do Sistema Harmonizado se classificarmos a mercadoria nos textos: NCM 8517 “Aparelhos Telefônicos, incluídos os telefones para redes celulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos [...]”. NCM 8529 – “Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. NCM 8531 – Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (por exemplo, campainhas, sirenes [...]”. Se observarmos a Regra Geral n.º 3, na remota hipótese da situação não ter solucionado com a Regra Geral n.º 1, essa também elege a posição 90.13 como a correta pois é mais específica tanto no item quanto no subitem, de acordo com a Nota 2.a, Capítulo 90 da Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH. É exatamente o que foi decidido no Acórdão definitivo deste Conselho, Acórdão de n.º 30333.326, de 12 de julho de 2006, com relação ao próprio contribuinte, que reconheceu o direito de aplicar aos Dispositivos de Cristal Líquido LCD a NCM 9013.80.10. Para reforçar o presente entendimento, a posição da NCM 9013 indica nominalmente um artigo em particular, enquanto que as outras NCM’s apontadas pela fiscalização designam uma família de artigos, o que torna estas classificações da fiscalização menos específicas uma vez que a Nota IV e IV, b, da R.G. n.º 3, expressamente vinculam que a especificidade deve ser analisada conforme a natureza do produto e não conforme sua futura utilização, além de delimitar ser a posição mais específica aquela que nominalmente descreve um artigo em particular e não aquela que aponta uma família de artigos. Não foi considerada na análise da fiscalização a Nota 1, m, da Seção XVI, que abrangem as classificações pretendidas pela autoridade fiscal. O caput da Nota 2 expressamente exclui das suas disposições os casos contemplados pela Nota 1 da Seção XVI. A análise desta Nota confirma a classificação adotada pelo contribuinte, pois exclui do seu alcance os “artefatos classificados no capítulo 90”. A fiscalização deixou de observar a vigência dos Ex Tarifários 001 e 002 da posição 8529.90.20 (Resolução CAMEX 84 de Dezembro de 2010). Deixou de observar que as mercadorias tem reconhecida importância no Brasil e por este motivo foram concedidas as exceções à Tarifa Externa Comum, para contemplar sem onerar e impedir o desenvolvimento do setor. Foi nesse sentido que se publicou a resolução CAMEX 84/2010 com os Ex Tarifários, acompanhados de coerência tarifária para os dispositivos de LCD e mantido o mesmo nível Fl. 17307DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.308 34 tarifário da NCM 9013.80.10. Assim, é temerário concluir que a CAMEX teria classificado os dispositivos somente no subitem 9013.80.10 se esta NCM fosse a correta para o produto. Não há lógica em determinada conclusão uma vez que a NCM 9013.80.10 é também expressa no Anexo I do Decreto e é razão do Ex Tarifário, além de ser prática reiterada no âmbito da administração pública. O texto "Displays de Cristal Líquido" apenas foi inserido na NCM 85.29.90.20, após a redação do Decreto 7.600/11. Anteriormente este texto estava presente somente na NCM 9013, o que configura mudança de critério jurídico, uma clara alteração do critério de classificação anteriormente adotado em múltiplos níveis da administração pública. Vejamos: Não houve reclassificações de outras DI’s da empresa parametrizadas em canal vermelho; Consultas de n.º 98/99 da 8.ª Região DIANA, 31/07 da 10.ª Região e 37/07 da 6.ª Região apontam a NCM 9013.80.10 como a correta classificação para a mercadoria; Decisão Administrativa definitiva que determina a NCM 9013.80.10 neste Conselho, P.A. 10860.000559/200586; IN RFB 740/2007, Art. 3.º, II, vigente à época. O Contribuinte ficou impedido de realizar nova consulta sobre tema já decidido, conforme Art. 52 do Decreto 70.235/72. E não só, ficou vinculado a classificar as mercadorias na NCM 9013.80.10. Declarações de Importação foram incluídas após a lavratura do Auto de infração (fato conhecido na DRJ), erros de cálculo não foram sanados, mas a divergência desta declaração de voto é no mérito e neste, o contribuinte acertou na classificação, inclusive Pareceres e Laudos Técnicos confirmam a natureza técnica do produto e sua direta relação com a NCM utilizada. O contribuinte preencheu as regras gerais e interpretativas, contribuiu para a manutenção das praticas reiteradas e observou as decisões de consulta e deste conselho. Está configurada a característica de normas complementares às práticas reiteradas das autoridades administrativas. Com fundamento em todo o exposto e principalmente nos Artigos 100, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, que estabelecem a legalidade das práticas administrativas reiteradamente observadas e protegem o contribuinte das modificações de critério jurídico, não há legitimidade para o lançamento pois é "conditio sine qua non" que o Auto de Infração tenha elementos suficientes para a configuração do fato tributável. Por todo o exposto, por faltar objeto e não restar configurado o suposto "erro de classificação" da mercadoria, diante do vício material insanável que caracteriza o lançamento, voto pela improcedência do Auto de Infração, seu cancelamento integral e consequente cancelamento de todas as penalidades e demais encargos, e seja conhecido e provido o Recurso Voluntário em sua integralidade. Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 17308DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.309 35 Em sede de recurso de ofício se examina a forma de contagem do prazo decadencial para o Fisco lançar os tributos supostamente devidos pela Recorrente. No caso dos autos, houve a declaração dos tributos incidentes no momento do desembaraço (Declaração de Importação) e o recolhimento dos tributos incidentes. Contudo, não houve recolhimento de valores tãosomente a título de Imposto de Importação, uma vez que a alíquota do tributo era igual a zero. Na hipótese, entendo ser aplicável a regra prevista no art. 150, §4º do CTN (5 anos a contar do fato gerador). Esclareçase que tal entendimento está em perfeita concordância com a decisão proferida pela STJ em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973.733). Explicase. Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). Fl. 17309DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.310 36 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Conforme se verifica pelo julgado do STJ acima transcrito, a regra do art. 173, I do CTN é aplicável, basicamente, em três hipóteses: (i) constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte e (ii) nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, (iii) a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Estas duas últimas situações estão condicionadas à inexistência de declaração prévia do débito pelo contribuinte. É o que se extrai da Súmula/STJ nº 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) É evidente que, na hipótese de o tributo declarado pelo contribuinte ter alíquota igual a zero não equivale, em absoluto, à situação de ausência de declaração por parte Fl. 17310DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 3201002.026 S3C2T1 Fl. 17.311 37 do Contribuinte. Como visto dos autos, a Recorrente apresentou a tempo e modo as Declarações de Importação das mercadorias, nas quais informava ser o Imposto de Importação incidente à alíquota zero. Com efeito, é cediço que o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para exigir os tributos devidos é de 5 (cinco) anos. O que o legislador ordinário diferencia é, apenas, o termo inicial para a contagem do referido prazo. O art. 150, §4º, que dispõe ser tal prazo contado a partir da ocorrência do fato gerador, pressupõe a prévia ciência do Fisco acerca do nascimento da obrigação tributária. Isso ocorre naquelas situações em que o tributo é lançado de ofício ou quando o contribuinte efetua a competente declaração do tributo apurado acompanhada do respectivo pagamento (ainda que a menor). Ou seja, em ambas as hipóteses o Fisco teve a ciência da ocorrência do fato gerador, houve, verdadeiramente, o lançamento do tributo devido, seja de ofício, ou por meio do chamado "autolançamento". Nessas situações, por óbvio, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco não precisa ser alargado, já que, repisese, ele já tem ciência da ocorrência do fato gerador no momento da sua ocorrência. É exatamente o que ocorre quando o contribuinte apresenta a competente declaração do tributo, dando exata e inequívoca ciência ao Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, in casu, calculada à alíquota zero. Por estas razões, em sede de Recurso de Ofício, voto pela manutenção da decisão recorrida no que diz respeito à aplicação do art. 150, §4º do CTN para fins de cálculo do prazo decadencial para a cobrança dos tributos apontados como devidos pelo Fisco. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 17311DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIR A LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000023/2002-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
DCTF - AÇÃO JUDICIAL - COMPENSAÇÃO - Direito de incorporadora de outra empresa. Incorporação de fato ocorrida, pelo reconhecimento fiscal e apuração de crédito de Finsocial em valor suficiente a compensação realizada.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3402-002.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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INCORPORAÇÃO DE FATO OCORRIDA, PELO RECONHECIMENTO FISCAL E APURAÇÃO DE CRÉDITO DE FINSOCIAL EM VALOR SUFICIENTE A COMPENSAÇÃO REALIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 00 23 /2 00 2- 14 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Relatório Em complemento ao relatório inicial, o presente processo veio a julgamento em 28 de novembro de 2012 na extinta 1ª Turma da 1ª Câmara dessa Terceira Seção e por unanimidade de votos, foi convertido o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, Resolução nº 3101000.260 nos seguintes termos: “(...)conversão do presente julgamento em diligência para que a repartição de origem verifique as informações e documentos apresentados pela Recorrente, formule novos cálculos, apresente a interessada para se manifestar se julgar necessário, através de notificação e retorne a conclusão com os autos para esse Conselho para posterior julgamento. ” Em resposta a diligência há nos autos informação fiscal que conclui que: “(...) Recurso Voluntário da interessada (fls. 278/284) questiona a não utilização dos pagamentos de fls. 318, que teria sido informado no CNPJ incorreto, e a não utilização dos pagamentos de fls. 323/335, relativos à outra litisconsorte, que alega teria sido incorporada, ainda que sem registro no sistema CNPJ. Para sustentar a incorporação, a interessada apresenta: formulário “Documento de Baixa” que teria sido apresentado à Inspetoria da Receita Federal de Itajaí em 28/05/1996 (fls.304/305), alteração contratual da interessada em que teria sido tratada a incorporação (fls. 307/314), declaração de imposto de renda com evento de incorporação (fl.316). “(...) A declaração de imposto de renda com evento de incorporação foi confirmada (fls. 342), e o endereço da outra empresa corresponde ao endereço da atual filial 4 da interessada, com datas próximas de início/encerramento das atividades (fl.343). Contudo, em que pesem as alegações da interessada e os passos que teriam sido por ela efetuados para exercer uma incorporação de uma entidade por outra, temse que o artigo 23 da Instrução Normativa DNRC nº 88/2001 esclarece que não se aplica a incorporação a firma mercantil individual (“Empresário” no Novo Código Civil), e que é exatamente o caso de Antônio Bittencourt (CNPJ nº 83.739.649/000156). Portanto, a incorporação alegada estaria em desacordo com a legislação de regência, não devendo produzir efeitos legais, inclusive tributários. De qualquer modo, considerando que as duas pessoas jurídicas apresentam o mesmo responsável e foram litisconsortes na ação judicial, não havendo sigilo no tocante à matéria tratada na ação judicial; encaminhase, a título ilustrativo, a apuração do crédito de Finsocial que o empresário Antônio Bittencout (CNPJ nº 83.739.649/000156) teria em janeiro de 2007, com base na ação judicial, em valor de R$ 87.976,06. ” A Recorrente foi intimada do resultado da diligência, se manifestou tempestivamente e rebateu a informação fiscal esclarecendo que o auditor fiscal designado para Fl. 386DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10909.000023/200214 Acórdão n.º 3402002.951 S3C4T2 Fl. 3 3 realizar a diligência, exorbitou da sua competência, mas que houve o reconhecimento do equívoco dos registros da Secretaria da Receita Federal, não há que se falar em inexistência de créditos suficientes para a compensação realizada. Também, que entende que o artigo 23 da IN DNRC nº 88/2001, não veda que uma pessoa jurídica mercantil incorpore uma pessoa jurídica individual, apenas veda que uma pessoa jurídica individual faça a incorporação, ou seja, não veda que uma pessoa jurídica individual seja incorporada, o que aconteceu no caso em comento. É o relatório final. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase de auto de infração lavrado em razão de constatação de falta de pagamento de COFINS, uma vez que a compensação informada em DCTF, relativa ao período de 11/96 a 03/97, restou insuficiente parcialmente a compensação de 01/97 e a totalidade de 02 e 03/97. Entretanto, conforme o apelo feito pela Recorrente houve equívoco e não considerações ao seu direito de incorporadora de outra empresa, na forma do relatório acima, cujos documentos que comprovam suas alegações foram anexados aos autos. Realizada a diligência, constatamos pelas informações fiscais, que existiu uma ação judicial para discutir a inconstitucionalidade do Finsocial e entre as autoras existe a Recorrente e a empresa por ela dita como incorporada. Se a incorporação foi perfeita, não posso afirmar, pois, aqui não se discute a questão, mas que de fato ocorreu a incorporação, ocorreu, tanto que a empresa incorporada teve o reconhecimento fiscal e tem o mesmo endereço de uma das filiais da Recorrente. E mais, considero aqui fundamental a informação fiscal final que aqui repito, ou seja: “De qualquer modo, considerando que as duas pessoas jurídicas apresentam o mesmo responsável e foram litisconsortes na ação judicial, não havendo sigilo no tocante à matéria tratada na ação judicial; encaminhase, a título ilustrativo, a apuração do crédito de Finsocial que o empresário Antônio Bittencout (CNPJ nº 83.739.649/000156) teria em janeiro de 2007, com base na ação judicial, em valor de R$ 87.976,06. ” Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Relator Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 388DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 15374.720068/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 20 06 8/ 20 09 -8 4 Fl. 4286DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES EMBRATEL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I, que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente compensações com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. A contribuinte apresentou as Declarações de Compensação DCOMP de fls. 6/79, informando na DCOMP nº 36878.24464.150703.1.3.020969, apresentada em 15/07/2003 e retificada por meio da DCOMP nº 33166.88803.100107.1.7.026880 em 10/01/2007, que estaria utilizando o saldo negativo de R$ 36.428.530,21 apurado no ano calendário 2002. As demais DCOMP apresentadas até 31/01/2007 indicaram como origem o crédito demonstrado na DCOMP nº 36878.24464150703.1.3.020969. O saldo negativo indicado nas DCOMP coincidiu com o informado em DIPJ (fls. 85). Consoante Parecer de fls. 88/90, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 foi reconhecido parcialmente à contribuinte, no montante de R$ 24.439.021,40, porque: · A estimativa referente a fevereiro/2002, no valor de R$ 2.915.192,09, compensada com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, não foi integralmente confirmada, vez que daquele crédito remanesceu valor suficiente para extinção, apenas, do montante de R$ 324.873,93, conforme análise procedida nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270; e · As retenções sofridas no valor de R$ 33.513.248,12 não foram integralmente confirmadas em DIRF e, intimada, a contribuinte solucionou apenas 3 (três) das 66 (sessenta e seis) irregularidades informadas. Por tal razão, embora os rendimentos que deram origem às retenções fossem compatíveis com as receitas de prestação de serviços e os rendimentos financeiros informados em DIPJ, somente foi admitida a dedução da parcela de R$ 24.117.147,47. Cientificada do ato de nãohomologação em 27/10/2011, a contribuinte manifestou sua inconformidade alegando que depois do pedido de restituição veiculado no processo administrativo nº 10768.011910/200270 restaralhe crédito de R$ 8.037.950,26, objeto do processo administrativo nº 16682.720933/201196, ao qual foram juntados os documentos comprobatórios do crédito destinado à estimativa de fevereiro/2002. Pleiteou a reunião dos processos e defendeu, também, a regularidade da dedução das retenções sofridas de órgãos públicos no anocalendário 2002, requerendo a conversão do julgamento em diligência para confirmação das retenções sofridas, assim como perícia contábil para averiguação de seus registros. A Turma Julgadora indeferiu o pedido de diligência/perícia porque a prova a ser produzida teria natureza documental, e apreciou a manifestação de inconformidade juntamente Fl. 4287DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 4 3 com a defesa apresentada nos autos do processo administrativo nº 16682.720933/201196. Com referência à estimativa de fevereiro/2002, manteve o entendimento firmado no despacho decisório, vez que do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, somente foi confirmada a parcela de R$ 41.113.086,04, e desta remanesceu crédito suficiente para a homologação apenas parcial da estimativa compensada. Quanto às retenções na fonte, observou que não haviam sido confirmadas retenções sobre rendimentos de juros sobre o capital próprio (R$ 5.290.921,21) e promovidas por órgãos públicos (R$ 4.108.167,39), e com referência a estas últimas disse que as provas juntadas à defesa eram as mesmas apresentadas à autoridade fiscal, inexistindo reparos ao despacho decisório questionado. Já com referência à retenção de R$ 5.290.921,21, admitiu a comprovação apresentada, e reconheceu o direito creditório correspondente, aumentando o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 para R$ 29.729.942,61 e indicando as compensações homologadas com tal crédito. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/08/2012 (fl. 2578/2579), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 31/08/2012 (fls. 2580/2606). Aduz que no anocalendário 2001 apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 49.151.036,30 e em 12/07/2002 pleiteou restituição/compensação apenas da parcela de R$ 41.113.135,12, da qual lhe foi reconhecido o valor histórico de R$ 41.113.086,04. O crédito remanescente de R$ 8.037.950,26 teve parte destinada à compensação de estimativa de fevereiro/2002 (valor histórico de R$ 2.915.192,09), sendo equivocada a decisão recorrida quando aduz que este direito creditório já foi analisado no processo administrativo nº 10768.011910/200270. Argumenta que a regularidade do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001 está demonstrada no processo administrativo nº 16682.720933/201196, no qual foi formalizado o segundo grupo de compensações com o crédito remanescente de R$ 8.037.950,26, e observa que requereu a reunião dos processos para julgamento conjunto, destacando que o Código de Processo Civil autoriza a suspensão do julgamento frente a questão prejudicial. Subsidiariamente, reitera a solicitação de diligência/perícia apresentada naqueles autos para confirmação das retenções sofridas no anocalendário 2001. Com referência às retenções sofridas no anocalendário 2002, invoca julgado administrativo em favor da presunção da existência dos valores retidos, aduz que os rendimentos integraram a base de tributação do IRPJ, e assevera que a autoridade fiscal desconsiderou mais da metade das retenções informadas pela Recorrente uma vez que não localizou os valores correspondentes na DIRF dos órgãos da administração pública para os quais prestou serviços. Discorda da glosa em razão de equívocos cometidos por órgãos públicos, diz que inexiste dúvida acerca dos serviços prestados e de sua regular tributação, argumenta que apenas os órgãos públicos podem esclarecer as inconsistências apuradas, e requer a conversão do julgamento em diligência a fim de que fossem intimados cada um dos órgãos públicos para os quais a Recorrente prestou serviço, para que declarem os valores pagos e as retenções promovidas em face da contribuinte. Destaca que apresentou mídia com a manifestação de inconformidade contendo todos os comprovantes das retenções no valor de R$ 3.023.610,84, que representam quase a integralidade do montante retido na fonte, e discorda da rejeição destas informações pela autoridade julgadora de 1ª instância, porque a autoridade fiscal não admitiu tal comprovação apenas porque elas não constavam de DIRF, e a recorrente não tem acesso a essas informações, nem responsabilidade por erros cometidos pelos órgãos públicos. Entende que os informes de rendimento compatíveis com as informações consignadas em DIPJ devem ser admitidos para fins de reconhecimento do crédito. Fl. 4288DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 5 4 Discorre sobre a possibilidade de dedução das retenções e da formação de saldo negativo em tais circunstâncias, e requer, também, perícia contábil, formulando quesitos, para confirmação em sua escrituração dos valores retidos. Confrontando a decisão recorrida, acrescenta que o pedido de realização da diligência é justamente o instrumento do qual a Recorrente dispõe para cumprir o ônus de prova que lhe incumbe, pois não tem a prerrogativa de intimar as fontes pagadoras a lhe fornecer os informes de rendimento. Destaca, porém, que juntou à manifestação de inconformidade parte dos comprovantes de retenção na fonte enviados por órgãos públicos, e requer a juntada dos demais comprovantes, pugnando sejam considerados para a comprovação da existência do crédito. A relatoria do recurso voluntário foi, inicialmente, atribuída por meio de sorteio ao Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, que na sessão de julgamento de 09/05/2013 manifestouse no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mas foi vencido nos termos do voto vencedor desta Conselheira integrado à Resolução nº 1101000.068, decidindo a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento sobrestar o julgamento até a apreciação do recurso voluntário contido no processo administrativo nº 16682.720933/201196 a ser distribuído por conexão ao Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. O processo administrativo nº 16682.720933/201196 foi sorteado para relatoria do Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, mas por meio da Resolução nº 1102000.251 (fls. 2020/2025), a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento determinou o encaminhamento dos autos à 1ª Turma Ordinária da mesma 1ª Câmara, em cumprimento à Resolução nº 1101000.068. Reunidos os autos, a relatoria dos recursos voluntários interpostos nos processos administrativos nº 15374.720068/200984 e 16682.720933/201196 foi atribuída ao Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, porém com sua renúncia os processos foram redistribuídos para esta Conselheira, que foi redatora do voto vencedor na Resolução nº 1101 000.068. Fl. 4289DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A solução do litígio presente nestes autos é dependente da discussão travada no processo administrativo nº 16682.720933/201196, na medida em que o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, ali em debate, foi utilizado para liquidação da estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002, integrante do saldo negativo aqui sob análise. No voto condutor da Resolução nº 1101000.608, proferida nestes autos, esta Conselheira assim detalhou a compensação da estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002: Disse a autoridade administrativa, no Parecer de fls. 2266/2271: 4.1 Estimativa compensada com saldo de período anterior: O débito de estimativa de IRPJ de fevereiro de 2002 consta nas DCTF entregues somente a partir de 2006, sendo que na atual ativa, de nº 0000.100.2007.12328872, está extinto por compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. (fl. 92) Entretanto, o Contribuinte informara na DCTF, em 2004, (fls. 93/98) que os débitos relacionados na tabela 02 abaixo tinham sido parcialmente quitados por “compensação sem DARF” através do Processo nº 10768.011910/200270, cujo crédito é o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. [...] 4.2 Saldo negativo de IRPJ de 2001. Conforme se constata no Acórdão nº 127669, (fls. 103//112) de 19 de maio de 2005, resultado da manifestação de inconformidade em relação à análise do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no Processo nº 10768.011910/200270, citado no item 4.1, o direito creditório reconhecido foi de R$ 41.113.086,04. (fls. 121) Ainda de acordo com o informado na mesma tela, o saldo remanescente após as compensações acima, é de R$ 316.857,44, referente à data de 31/12/2001. [...] 10. A estimativa de IRPJ (2362) de fevereiro de 2002 não pode ser integralmente quitada porque o crédito disponível referente ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001não é suficiente. O valor passível de utilização referente ao saldo negativo do anocalendário 2001, é de R$ 316.857,44, que valorado até fevereiro perfaz o valor de R$ 324.873,93 (fls. 2262/2264). No acórdão de julgamento de 1a instância, proferido nos autos do processo administrativo no 10768.011910/200270 (fls. 110/111), vêse que a análise das compensações ali tratadas foi expressa em decisão exarada em 19/10/2004. Por sua vez, referido julgamento ocorreu em 19/05/2005, seguindose a liquidação dos débitos compensados em 16/01/2007, com sua extinção total. A interessada não questionou aquele julgamento administrativo, mas em 2006 passou a informar a utilização de outra parcela do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 para liquidação da estimativa de IRPJ de fevereiro/2002 em DCTF, bem como em outras compensações veiculadas nas DCOMP tratadas no processo administrativo nº 16682.720933/201196. Em consulta aos sistemas da Receita Federal, verificase que na DCTF original apresentada em 14/05/2002, e na DCTF retificadora, apresentada em 10/08/2004, a contribuinte não informou qualquer débito de IRPJ. Apenas nas DCTF retificadoras de 24/11/2006 e 10/01/2007 a contribuinte passou a consignar a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002, inicialmente vinculandoa a compensação com pagamento indevido ou a maior de IRPJ recolhido em 23/02/2001 (fato gerador de 31/01/2001), e Fl. 4290DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 7 6 somente em 10/01/2007 informando a compensação, como aqui afirmada, com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, efetivada sem pedido/processo. Assim, diversamente do entendimento inicialmente apresentado em declaração de voto na sessão de julgamento de 08 de maio de 2013, resultante de interpretação equivocada do que expresso no Parecer de fls. 2266/2271, à época da análise do processo administrativo nº 10768.011910/200270 inexistia informação prestada à Receita Federal acerca da compensação da estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002. Possivelmente a contribuinte somente prestou esta informação a partir de 2006, como forma de deixar clara a destinação de parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 para liquidação da estimativa de IRPJ de fevereiro/2002, antes ou concomitantemente com a formalização das demais compensações, mediante DCOMP, tratadas no processo administrativo nº 16682.720933/201196. Efetivamente, apenas em 10/01/2007 esta compensação foi informada em seus exatos termos em DCTF. Este é o contexto no qual, em 26 e 27 de outubro de 2011, a contribuinte é cientificada dos despachos decisórios que rejeitaram: 1) parcialmente as compensações com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, veiculadas por meio de DCOMP retificadas ou entregues de 01/11/2006 a 10/01/2007 (tratadas presente processo no 15374.720068/200984), e 2) integralmente as compensações com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, veiculadas por meio de DCOMP retificadas ou entregues de 01/11/2006 a 31/01/2007. E isto porque, além de não confirmadas todas as retenções de imposto de renda alegadas no anocalendário 2002, o saldo negativo do anocalendário 2001 somente fora provado até o limite de R$ 41.113.086,04, do qual remanesceu a parcela atualizada de R$ 324.873,93, para liquidação apenas parcial da estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002. Inexistem óbices, portanto, à análise concluída em 26 e 27/10/2011 acerca do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, utilizado em compensações de 2006 a 2007, que resulta em questionamentos às compensações somente veiculadas em DCOMP ou em DCTF a partir de 24/11/2006. É certo que a compensação do saldo negativo de IRPJ de 2001 com a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002, por reunir crédito e débito anteriores à edição da Medida Provisória nº 66/2002, poderia ser promovida na forma da Lei nº 8.383/91, alterada pela Lei nº 9.069/95: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. E, em tais condições, a compensação era formalizada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração comercial e fiscal, inexistindo qualquer condicionamento à sua informação em DCTF. É certo que todos os contribuintes estavam obrigados a declarar os tributos internos apurados e, a partir de 1997, também a forma de sua liquidação. Mas a inobservância desta obrigação acessória poderia ensejar, apenas, a aplicação Fl. 4291DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 8 7 de penalidades isoladas por descumprimento do dever de declarar, e não inviabilizar a compensação efetivada na escrituração. Neste contexto, portanto, é possível que a contribuinte tenha promovido a referida liquidação apenas em sua escrituração comercial. Mas o fato é que esta ocorrência somente chegou ao conhecimento da Receita Federal em 24/11/2006, de modo que são perfeitamente válidos os questionamentos formulados quando da análise do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, integrado por aquela estimativa compensada. Necessário, portanto, apreciar os argumentos da recorrente para ver convalidadas as demais compensações com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, noticiadas após a apreciação daquelas tratadas no processo administrativo nº 10768.011910/200270. E, neste sentido, diz a recorrente que as provas que legitimariam o crédito não confirmado na análise do processo administrativo nº 10768.011910/200270 seriam as mesmas apresentadas para homologação das compensações tratadas no processo administrativo nº 16682.720933/201196. Os elementos integrantes daqueles autos evidenciam que em manifestação de inconformidade a contribuinte requerera perícia ou diligência para provar o direito creditório suplementar, mas em recurso voluntário, além de reiterar aquele pedido, disse ter localizado os comprovantes das demais retenções integrantes de seu crédito, juntandoos à defesa. Assim, para se decidir acerca da efetiva extinção da estimativa de fevereiro/2002, cuja liquidação deve anteceder às compensações veiculadas no processo administrativo nº 16682.720933/201196 – por se tratar de compensação entre tributos de mesma espécie, sendo crédito e débito anteriores à vigência da Medida Provisória no 66/2002 – necessário se faz, de fato, a análise conjunta do presente recurso voluntário com aquele interposto nos autos do processo administrativo nº 16682.720933/201196. Contudo, por meio da Resolução nº 1302000.387, este Colegiado decidiu converter em diligência o julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 16682.720933/201196, nos seguintes termos do voto condutor de lavra desta Conselheira: [...] Nestes termos, não tem razão a recorrente quando aduz que não foi analisado o direito creditório utilizado nas DCOMP tratadas nestes autos. A autoridade fiscal abordou por inteiro o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001 quando analisou o direito creditório pleiteado nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, e expressou suas razões para reduzilo a R$ 41.113.086,04. Todavia, a partir do momento em que a autoridade fiscal negou homologação a compensações em razão daquela apuração, o sujeito passivo tem o direito de contestá la administrativamente, e assim regularmente procedeu nestes autos. Portanto, adotase aqui entendimento diferente daquele que orientou a decisão recorrida, declarandose a preclusão do direito de a contribuinte discutir, apenas, a parcela de R$ 49,08 do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, correspondente à diferença entre o valor pleiteado nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270 (R$ 41.113.135,12) e o valor reconhecido e confirmado em decisão de 1ª instância contra a qual não foi interposto recurso voluntário (R$ 41.113.086,04). Em consequência, passase à análise das provas que, no entender da recorrente, legitimariam o direito creditório correspondente à diferença entre o valor do saldo negativo original (R$ 49.151.036,30) e aquele antes pleiteado (R$ 41.113.135,12). Fl. 4292DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 9 8 Às fls. 54/63 consta a decisão de 1ª instância proferida nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, na qual está relatado que a autoridade fiscal não reconhecera nenhuma parcela do saldo negativo alegado pela contribuinte porque esta não atendeu à intimação para esclarecer a origem dos valores constantes na planilha de fls. 03, na qual foi indicado IRPJ em valor diferente daquele apurado em DIPJ, bem como para apresentar comprovação do imposto retido na fonte por órgão público. Frente aos esclarecimentos apresentados em manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de 1ª instância confirmou as retenções da fonte, exceto as promovidas por órgãos públicos, bem como os recolhimentos de estimativas, concluindo que o saldo negativo passível de compensação deveria ser reduzido de R$ 49.151.036,30 para R$ 41.113.086,04, em razão da exclusão das parcelas de R$ 6.808.442,21 e R$ 1.229.508,05 correspondentes às retenções de órgãos públicos deduzidas, respectivamente, no ajuste anual e na apuração de estimativas. Assim, para ver legitimadas as compensações tratadas nestes autos, cumpriria à recorrente demonstrar as retenções promovidas por órgãos públicos ao longo do ano calendário 2001. Ao manifestar sua inconformidade, a contribuinte juntou os elementos de fls. 254/479 correspondentes a informes de rendimento e outros documentos referentes a operações com órgãos públicos (código de retenção 6190). Em recurso voluntário, outros elementos foram agregados às fls. 547/2007. Na DIPJ apresentada pelo sujeito passivo, observase que na Ficha 43, destinada ao Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, somente foram relacionadas as retenções sofridas em razão de rendimentos de aplicações financeiras e de juros sobre o capital próprio. As retenções promovidas por órgãos públicos foram descritas apenas por ocasião da apresentação da DCOMP, e na declaração retificadora nº 29481.35085.011106.1.7.025159 constatase que as retenções indicadas sob código 6190 totalizariam, para fins de dedução na apuração do IRPJ, R$ 8.037.913,33. Ocorre que inconsistências verificadas na comparação dos documentos juntados às fls. 254/479 e 547/2007 com as retenções indicadas na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159, impedem uma análise conclusiva acerca do direito creditório pretendido pela recorrente. Isto porque, de um lado, constatase diversos informes de rendimento referentes a fontes pagadoras que não foram indicadas pela contribuinte na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 (como por exemplo os documentos de fls. 271/275, 277, 337, 338/342 e 343), e de outro lado retenções indicadas na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 e vinculadas a CNPJ cujos informes de rendimento não foram apresentados pela contribuinte, sendo que muitas vezes as divergências se referem à unidade do órgão público referenciada nos elementos confrontados. Além disso, mesmo nos casos em que há coincidência entre os CNPJ informados na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 e indicados nos comprovantes de retenção, há descompassos significativos de valores, como por exemplo no documento de fl. 276, emitido pela fonte pagadora DIRETORIA DE ELETRONICA E PROTEÇÃO AO VO (CNPJ 00.394.429/004874), que indica retenções no valor total de R$ 1.956.473,99, da qual se destacaria o equivalente a 4,8% da retenção total de 9,45% para fins de dedução no âmbito da apuração do IRPJ1, ou seja, R$ 993.764,57, ao passo que na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 a retenção que teria sido aproveitada desta fonte pagadora corresponderia a R$ 8.338,03. Observase, ainda, que em caso no qual a retenção informada na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 foi associada apenas à matriz da fonte pagadora (Banco Central do Brasil CNPJ nº 00.038.166/000105), as retenções totalizadas a partir dos informes de rendimentos emitidos por diferentes unidades do órgão público 1 A Instrução Normativa Conjunta SFC/SRF/STN nº 23/2001 estabelece para serviços de telefonia a retenção total de 9,45%, integrada pelo percentual de 4,80% a título de imposto de renda. Fl. 4293DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 10 9 em favor de diversas filiais da contribuinte (fls. 254/270) são divergentes do imposto deduzido pela contribuinte. Tais informes de rendimento indicam retenção total de R$ 377.741,98, e destacandose deste montante a parcela correspondente ao imposto de renda (4,80% da retenção total de 9,45%, como já dito), o valor passível de dedução seria de R$ 191.868,94, superior ao informado como dedução pela contribuinte (R$ 129.090,71). Inferese do exposto que a contribuinte provavelmente não fez constar na DCOMP nº 29481.35085.011106.1.7.025159 a identificação correta das fontes pagadoras que promoveram retenções em seu desfavor ao longo do anocalendário 2001. A análise acima referida denota que várias outras unidades pagadoras se valeram dos serviços da recorrente e lhe remuneraram serviços de telefonia, promovendo a correspondente retenção. Assim, é imperioso que a contribuinte regularize a relação das fontes pagadoras e das retenções sofridas e aproveitadas na apuração do IRPJ do ano calendário 2001 (inclusive nas estimativas de janeiro e fevereiro), para que os comprovantes de retenção possam ser avaliados. Ressaltese, também, que consoante manifestado por esta Conselheira no voto condutor da Resolução nº 1101000.068, nos casos de retenções de órgãos públicos, é possível provar a ocorrência não só por meio da apresentação dos informes/comprovantes de rendimentos, mas também por outros documentos contábeis que evidenciem o valor do serviço prestado e a retenção sofrida. Embora o informe de rendimentos seja o documento previsto em lei como prova da retenção, o beneficiário não pode ser prejudicado pela omissão da fonte pagadora, e pode construir provas alternativas àquela que não lhe foi possível reunir. Para tanto, porém, não se prestam os extratos do sistema SIAFI que sequer indicam o CNPJ da fonte pagadora, como se vê às fls. 278/332, mas estão associados a um documento fiscal que poderia ser apresentado juntamente com aquele registro financeiro para demonstrar a operação e a retenção sofrida, e distinguila de outras que poderiam estar computadas em informes/comprovantes de rendimento. Em suma, embora o beneficiário não possa, de fato, ser penalizado por ato da fonte pagadora, nem por isso está desobrigado de provar, por outros meios, a retenção sofrida. Por tais razões e considerando que o início de prova documental apresentado pela recorrente aponta no sentido de que há retenções promovidas por órgãos públicos passíveis de dedução na apuração do IRPJ devido nas estimativas de janeiro e fevereiro/2001, bem como no ajuste do anocalendário 2001, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que se exija a apresentação, pela contribuinte, de relatório detalhado das retenções aproveitadas nos períodos em referência, indicando o CNPJ da fonte pagadora e o valor dos serviços e da retenção correspondente, bem como apontando a origem da informação, juntando aos autos os informes de rendimento eventualmente não anexados às defesas administrativas, ou apresentando à autoridade fiscal, para conferência, os registros fiscais e contábeis que demonstrem as retenções sofridas. Atentese, ainda, para a necessidade de análise conjunta deste e do processo administrativo nº 15374.720068/200984, cujo direito creditório é afetado pelas compensações aqui em debate. Assim, a decisão acerca da regularidade da liquidação da estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002 permanece dependendo da definição, no processo administrativo nº 16682.720933/201196, do montante de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001. Para além disso, o litígio nestes autos também abrange a confirmação das retenções promovidas por órgãos públicos, porém a contribuinte adotou outra postura quando Fl. 4294DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 11 10 intimada a comprovar os valores deduzidos, apresentando à autoridade fiscal elementos que permitiram a validação parcial das retenções relacionadas na DCOMP. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirmou ter juntado novas provas, mas a autoridade julgadora de 1ª instância constatou que elas seriam idênticas àquelas apresentadas à autoridade fiscal. Em recurso voluntário, a contribuinte pleiteou que fossem considerados aqueles documentos, assim como outros juntados naquela ocasião. Apreciando estes elementos, o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior assim se manifestou no voto vencido da Resolução nº 1101000.608: (ii) Das controversas retenções de IR por órgãos públicos, no importe de R$ 4.108.167,39 Adentrando, desde já, ao mérito da lide, de forma a seguir a linha argumentativa suscitada pela peça recursal, devemos averiguar, inicialmente, se as retenções de IR (código de receita 6190) em estudo, pretensamente perpetradas por órgãos públicos, reúnem, ou não, condições de comporem o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, passível de ser empregado nos encontro de contas ora intuídos. No limiar dos trabalhos de investigação, a d. DEMAC/RJO/DIORT encaminhou, ao contribuinte, em 29.07.2011, a Intimação nº 1205/2011 (fls. 124/126), mediante a qual requereu, do último, a disponibilização de toda a documentação comprobatória referente a algumas das retenções arroladas pelas DCOMP’s exordiais. Em atendimento a este pedido, a recorrente aviou, na ocasião, a petição de fl. 133, instruída pelos documentos de fls. 137/1174 e 1175/1178 – dentre os quais constavam, especificamente, vários Comprovantes e Informes de Rendimentos e de Retenção, emitidos pelas fontes de pagamento das receitas. O arcabouço probante em questão foi minudentemente examinado pela d. DEMAC/RJO/DIORT, por meio do já resenhado despacho decisório de fls. fls. 1200/1216. Na oportunidade, a parcela das retenções ora em xeque foi desconsiderada, pela autoridade competente, em função da impossibilidade de comprovação de seus valores, a partir das DIRF’s elaboradas pelas fontes pagadoras, de um lado, ou dos mencionados Comprovantes e Informes de Rendimentos e de Retenção, de outro lado. Na instância imediatamente predecessora, a recorrente reapresentou, em CD, os mesmos arquivos entregues (fls. 1199/2244) à época da resposta à Intimação nº 1205/2011 (fls. 124/126). Em seu instrumento inconformista, devidamente aditado (fls. 1442/1446), a requerente aduziu, pois, que a anexação daqueles elementos de instrução provaria a ocorrência de retenções equivalentes a R$ 3.023.610,84 (três milhões, vinte e três mil, seiscentos e dez reais e oitenta e quatro centavos), pendendo de demonstração, desta maneira, importância igual a R$ 688.439,99 (seiscentos e oitenta e oito mil, quatrocentos e trinta e nove reais e noventa e nove centavos). Iguais alegações foram ventiladas em sede recursal. Bem, passando em revista o trabalho analítico realizado pela d. DEMAC/RJO/DIORT, acreditamos, de pronto, que o critério empregado é aquele que, de fato, melhor se coaduna com a legislação vigorante. Particularmente, cremos que as glosas sob estudo obedeceram, perfeitamente, ao comando central do artigo 55 da Lei nº 7.450/1985, replicado pelo artigo 943, § 2º, do Decreto nº 3.000/1999: “Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” A leitura deste ditame deixa claro que, para a retenção ser considerada antecipação do IR ajustado complexivamente, a pessoa jurídica deve conservar os comprovantes emitidos pela fonte pagadora dos rendimentos. Esta, por sua vez, está obrigada a Fl. 4295DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 12 11 fornecer dito documento, em formulário padrão definido pela Receita Federal do Brasil, em virtude da regra consolidada pelo artigo 942 do Decreto nº 3.000/1999: “Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).” Insistase: no caso concreto, a autoridade fazendária originária anuiu com todas as retenções que puderam ser corroboradas pelas DIRF’s entregues pelas fontes retentoras, de um lado, ou pelos Comprovantes ou Informes de Retenção e de Rendimentos encartados aos autos pelo contribuinte, de outro. Das 258 (duzentas e cinquenta e oito) retenções noticiadas pela DCOMP de fls. 10/42, somente 73 (setenta e três) não puderam ser inteiramente corroboradas; para tais valores, a d. DEMAC/RJO/DIORT procedeu, então, às glosas devidas, não existindo, a nosso ver, algo a ser retocado quanto ao critério adotado. Para sanar quaisquer dúvidas, tomemos como exemplo algumas das retenções ora dissecadas. Mostraremos, assim, que bem andou o colegiado decisório exordial, frente às condições que informam o caso concreto. a) Exemplo 01: retenções vinculadas à fonte retentora inscrita no CNPJ/MF sob o nº 00.091.652/000260 Segundo informação aposta à DCOMP inaugural (fl. 10), estresido órgão público teria sido responsável pelo pagamento de rendimentos geradores de retenções equivalentes a R$ 10.486,68 (dez mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e sessenta e oito centavos). Analisando o conjunto probante coligido pela peticionária, não logrou a Fazenda encontrar, contudo, o respectivo Comprovante de Rendimentos e de Retenção. Da mesma maneira, a quantia retida também não constava da DIRF transmitida pela pagadora, consoante informado à fl. 2257. Outra não poderia, portanto, ser a solução dada ao caso. Como se sabe, é do contribuinte o ônus de comprovar o direito creditório que aduz. Na hipótese específica das retenções de IR, tomadas como antecipação do imposto apurado complexivamente, a legislação determina que a prova pedida deve corresponder, necessariamente, ao respectivo Comprovante de Rendimentos e de Retenção, concedido pela fonte pagadora. Sem este documento, não há como se admitir o cômputo do suposto valor retido. É fato que, por vezes, a obrigatoriedade da apresentação dos Comprovantes de Rendimentos e de Retenção pode ser relativizada. Assim se dá, excepcionalmente, quando os demais elementos de prova denotem a existência da retenção pleiteada – por exemplo, quando as DIRF’s das fontes pagadoras confirmam os recolhimentos antecipados. Não é, porém, o caso. b) Exemplo 02: retenções perpetradas pela pessoa jurídica inscrita no CNPJ/MF sob o nº 00.509.018/000113 Os montantes relatados em DCOMP nem sempre guardaram correspondência com aqueles indicados pelas DIRF’s correlatas. É possível averiguar, por exemplo, na Declaração de Compensação de fronde (fl. 24), o relato de importância correspondente a R$ 1.360.401,37 (um milhão, trezentos e sessenta mil, quatrocentos e um reais e trinta e sete centavos), supostamente retida pelo órgão público epigrafado. A consulta Fl. 4296DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 13 12 fiscal à correlata DIRF levou a concluir, porém, pela existência de flagrantes dissonâncias quantitativas – motivo pelo qual se interpelou o contribuinte a apresentar os essenciais comprovantes, demonstrativos das cifras verdadeiras. Realizada a diligência noticiada, trouxese aos autos o Comprovante de Rendimentos e de Retenção de fl. 1208, no corpo do qual se indicavam rendimentos anuais iguais a R$ 24.885.052,54 (vinte e quatro milhões, oitocentos e oitenta e cinco mil, cinquenta e dois reais e cinquenta e quatro centavos), além de retenções totais correspondentes a R$ 2.351.637,15 (dois milhões, trezentos e cinquenta e um mil, seiscentos e trinta e sete reais e quinze centavos). Levando em conta, então, que o valor do IR retido corresponde, no máximo, a 4,8% (quatro inteiros e oito décimos por cento) das receitas pagas ou creditadas, chegouse à quantia retida confirmada de R$ 1.194.482,52 (um milhão, cento e noventa e quatro mil, quatrocentos e oitenta e dois reais e cinquenta e dois centavos) (R$ 24.885.052,54 * 4,8%), passível de ser tomada como parte do direito creditório postulado. Todo o cômputo realizado se arrimou, àquele tempo, no artigo 5º, c/c Anexo I, da vetusta Instrução Normativa SRF nº 23/2001, in verbis: “Art. 5º Os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser compensado, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor da fatura, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (...) ALÍQUOTAS NATUREZA DO BEM FORNECIDO OU DO SERVIÇO PRESTADO (01) IR (02) CSLL (03) COFINS (04) PIS/PASEP (05) PERCENTUAL A SER APLICADO (06) CÓDIGO DA RECEITA (07) · Serviços de abastecimento de água; · Telefone; · Correio e telégrafos; · Vigilância; · Limpeza, sem emprego de materiais. · Locação de mão de obra; · Intermediação de negócios; · Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; · Factoring; · Demais serviços 4,80 1,0 3,0 0,65 9,45 6190 Fl. 4297DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 14 13 c) Exemplo 03: retenções vinculadas à fonte retentora inscrita no CNPJ/MF sob o nº 00.394.536/0006 43 Em terceiro lugar, também elucida a certeza do comportamento fazendário a situação das retenções perpetuadas pelo ente acima descrito. Neste ponto, a exegese da d. DEMAC/RJO/DIORT foi favorável à recorrente, dada a existência e a perfeição do imprescindível documental de prova. Consoante informado em DCOMP (fl. 22), a retenção telada montaria a R$ 61.428,21 (sessenta e um mil, quatrocentos e vinte e oito reais e vinte e um centavos). Num primeiro momento, em cotejamento com a DIRF correspondente, não foi o Fisco capaz, todavia, de confirmar a indigitada antecipação. Por tal motivo, o apontamento em questão também se tornou objeto da já comentada Intimação nº 1205/2011, entranhada às fls. 124/126. Em resposta, a recorrente obteve êxito em apresentar o Comprovante de Rendimentos e de Retenção de fl. 1207, denotativo de rendimentos equivalentes a R$ 1.359.052,61 (um milhão, trezentos e cinquenta e nove mil, cinquenta e dois reais e sessenta e um centavos), turno um, e de retenções globais correspondentes a R$ 128.430,46 (cento e vinte e oito mil, quatrocentos e trinta reais e quarenta e seis centavos), turno outro. Cominandose, em seguida, à totalidade das receitas, a alíquota máxima de 4,8% (quatro inteiros e oito décimos por cento), nos moldes suso explanados, chegou o Fisco, finalmente, à conclusão de que o IRRF pleiteado poderia chegar a até R$ 65.234,53 (R$ 1.359.052,61 * 4,8%) (sessenta e cinco mil, duzentos e trinta e quatro reais e cinquenta e três centavos) – quantia até mais elevada do que aquela efetivamente preconizada na DCOMP. Não há dúvidas, portanto, de que, em face do arcabouço documental existente à época do despacho decisório de fls. 1200/1216, as glosas determinadas pela d. DEMAC/RJO/DIORT foram precisas, devendo ser preservadas. Não há nada a se corrigir no aresto recorrido, neste ponto. Vale ressaltar que os elementos de instrução colacionados em primeira e em segunda instância são idênticos àquele juntado, pelo sujeito passivo, em reação à Intimação nº 1205/2011 (fls. 124/126). Na seara recursal, especificamente, buscou o contribuinte, apenas, ser mais didático, segregando os supostos comprovantes de retenção para cada CNPJ das fontes pagadoras. Ainda assim, não há nenhum documento que altere o cenário preexistente. A fim de incrementar a didática do voto, segue, abaixo, planilha descritiva da situação que se dessume dos documentos comprobatórios carreados ao Recurso Voluntário sob julgamento. Focaremos apenas naquelas retenções inteiramente glosadas, eis que as demais, parcialmente reconhecidas, já foram objeto de recálculos fazendários (corretos, como se elucidou amostralmente), feitos com esteio na documentação ora reapresentada. O objetivo do levantamento infra é, portanto, o de demonstrar que os elementos que instruem a peça recursal não ensejam, sequer minimamente, a ratificação das retenções já integralmente desconsideradas pelo Fisco: RETENÇÕES QUESTIONADAS DOCUMENTAÇÃO JUNTADA EM RECURSO VOLUNTÁRIO VALOR COMPROVADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO (R$) CNPJ/MF – FONTE PAGADORA VALOR – DCOMP VALOR RECONHECIDO EM 1ª INSTÂNCIA Fl. 4298DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 15 14 (R$) (R$) 00.091.652/000260 10.486,68 0,00 0,00 00.322.818/002093 3.445,10 0,00 0,00 00.336.701/000104 2.255,81 0,00 0,00 00.348.003/000110 10.345,95 0,00 0,00 00.375.972/008498 161.578,89 0,00 0,00 00.394.411/001938 4.882,47 0,00 0,00 00.394.429/000100 3.775,96 0,00 0,00 00.394.429/012702 9.789,09 0,00 0,00 00.394.429/013350 6.075,90 0,00 0,00 00.394.437/001390 18.619,16 0,00 0,00 00.394.445/001680 72.799,06 0,00 0,00 00.394.445/018140 202.572,99 0,00 0,00 00.394.452/043686 7.688,28 0,00 0,00 00.394.460/000141 64.821,34 0,00 Cópias de DARF´s quitadas 0,00 00.394.478/000143 9.211,73 0,00 0,00 00.394.494/000217 54.130,52 0,00 0,00 00.394.494/000802 43.023,14 0,00 0,00 00.394.494/007149 184.118,51 0,00 0,00 00.394.502/000900 9.881,54 0,00 0,00 00.394.502/004565 6.373,29 0,00 0,00 00.394.502/005103 4.029,83 0,00 0,00 00.394.502/015842 5.720,42 0,00 0,00 00.394.502/024914 3.611,41 0,00 0,00 00.394.528/000435 1.899,53 0,00 0,00 00.394.528/040224 5.394,11 0,00 0,00 00.394.536/000139 6.180,57 0,00 0,00 00.394.544/000185 39.420,15 0,00 0,00 Fl. 4299DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 16 15 00.394.577/000125 20.163,86 0,00 0,00 00.464.073/000134 12.444,11 0,00 0,00 00.509.018/000970 2.600,77 0,00 0,00 00.640.110/000118 4.281,75 0,00 0,00 00.662.270/000168 4.410,25 0,00 Cópias de DARF´s quitadas 0,00 01.263.896/000326 2.412,57 0,00 0,00 02.961.362/000174 2.450,81 0,00 0,00 03.659.166/001184 12.746,51 0,00 0,00 03.736.617/000168 2.615,98 0,00 0,00 03.896.805/000153 2.895,96 0,00 0,00 10.890.804/000329 1.864,44 0,00 0,00 11.431.327/000134 1.789,88 0,00 0,00 12.179.321/000184 7.324,88 0,00 0,00 13.128.798/000101 2.106,20 0,00 0,00 13.130.497/000104 2.092,73 0,00 0,00 17.217.985/000104 1.904,84 0,00 0,00 21.154.554/000113 2.624,17 0,00 0,00 24.130.072/000111 6.960,23 0,00 0,00 26.989.715/000374 165.102,79 0,00 0,00 26.989.715/005503 3.791,59 0,00 0,00 26.994.558/000123 5.517,86 0,00 0,00 28.305.936/000140 3.171,77 0,00 0,00 28.538.734/000148 7.363,94 0,00 0,00 33.352.394/000104 1.752,81 0,00 0,00 33.628.777/000154 138.516,78 0,00 0,00 33.628.777/002360 3.591,48 0,00 0,00 33.749.086/000290 40.501,89 0,00 0,00 33.781.055/000992 2.216,59 0,00 0,00 Fl. 4300DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 17 16 37.115.342/000167 13.500,98 0,00 Cópias de DARF´s quitadas 0,00 37.115.342/002534 3.049,09 0,00 0,00 37.115.375/000379 3.947,39 0,00 0,00 37.115.383/003330 1.806,89 0,00 0,00 42.498.675/000152 1.744,47 0,00 0,00 62.070.362/000106 1.733,44 0,00 0,00 77.821.841/000194 2.707,88 0,00 0,00 Totalmente desprovidas de sentido, portanto, as alegações recursais, uma vez que, ao revés do alegado, as retenções não foram demonstradas pelos Comprovantes de Rendimentos e de Retenção existentes. Não se trata, assim, de simples inconsistência das DIRF’s elaboradas por terceiros, mas, sim, de ausência das provas mínimas, exigidas pela legislação para o reconhecimento das antecipações de IR retido, a serem aproveitadas no ajuste complexivo do imposto. Analisando os autos naquela ocasião, esta Conselheira assim se manifestou no voto condutor da Resolução nº 1101000.068: Como bem relatado, o presente processo trata de compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. As DCOMP controladas nestes autos foram parcialmente homologadas porque, do crédito total alegado pela interessada (R$ 36.428.530,21), somente lhe foi reconhecida a parcela de R$ 24.439.021,40. O primeiro ponto em discussão diz respeito às retenções de imposto de renda na fonte. O valor originalmente informado em DIPJ (R$ 33.513.338,12) foi reduzido a R$ 33.513.248,12 nas DCOMP, e deste foi reconhecida a parcela de R$ 24.114.147,47. A autoridade julgadora de 1a instância, por sua vez, admitiu provada outra parcela de R$ 5.290.921,21, correspondente a retenção sobre juros sobre capital próprio. Analisando as 258 (duzentos e cincoenta e oito) retenções indicadas pela contribuinte em DCOMP, e confrontandoas com as informações prestadas pelas fontes pagadoras, a autoridade administrativa não identificou correspondência entre 66 (sessenta e seis) delas, intimando a interessada a demonstrálas. Todavia, embora juntando diversos documentos, encartados às fls. 1200/2224, a interessada somente logrou comprovar 3 (três) retenções até então não esclarecidas. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente distinguiu o valor não comprovado em R$ 3.712.050,83 decorrente de retenções de órgãos públicos e R$ 5.290.921,21 referente a juros sobre capital próprio. Quanto às retenções de órgãos públicos, invocou o Acórdão nº 10517.403, afirmando que ali presumese a existência dos valores retidos, e ressaltando que a decisão recorrida reconhecera o oferecimento à tributação dos valores recebidos a título de contraprestação aos serviços prestados aos órgãos públicos. Afirmou não ser responsável pela conduta das fontes pagadoras, e pediu diligência junto aos órgãos públicos, mas asseverando juntar mídia na qual estariam contidos os comprovantes de retenção referentes ao montante de R$ 3.023.610,84. Fl. 4301DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 18 17 A autoridade julgadora de 1a instância discordou da segregação feita pela contribuinte, observando que além da retenção a título de juros sobre capital próprio, restavam retenções de órgãos públicos a comprovar no valor de R$ 4.108.167,39. Quanto aos documentos juntados à manifestação de inconformidade, após ouvir a DEMAC/RJ, disse que eles eram idênticos aos apresentados na análise preliminar do crédito, subsistindo valores sem qualquer comprovação da retenção sofrida, na medida em que são necessários os informes/comprovantes de rendimentos para tanto. Concordo com a maior parte dos argumentos exteriorizados pelo I. Relator para manter a glosa parcial destas retenções na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002. Apenas ressalvo que, nos casos de retenções de órgãos públicos, admito a prova por outros meios que não a apresentação dos informes/comprovantes de rendimentos. Este é a prova prevista em lei, mas o beneficiário não pode ser prejudicado pela omissão da fonte pagadora, e pode construir provas alternativas àquela que não lhe foi possível reunir. Contudo, no presente caso, a contribuinte apenas apresentou à autoridade local extrato do sistema SIAFI, com a reprodução do DARF que teria sido recolhido pela fonte pagadora, em razão de determinada operação. Em nenhum destes documentos há o CNPJ da fonte pagadora mas, em regra, há informação do documento de origem da operação, que possivelmente guarda relação com a nota fiscal de prestação de serviços. Assim, a contribuinte poderia ter provado tal retenção juntando a documentação comprobatória das operações que ensejaram aqueles recolhimentos, de modo a assegurar que estes registros do SIAFI não correspondem a outras retenções que já foram admitidas porque associadas a informes/comprovantes de rendimento. Em recurso voluntário, a contribuinte reuniu estes documentos em um grupo que foi juntado às fls. 3763/4209, capeados por relatório que associa a entidade apontada no registro do SIAFI a um CNPJ. Contudo, esta prova não se faz por declaração do sujeito passivo, e sim pela apresentação da nota fiscal de prestação de serviços que guarde correspondência com o registro do SIAFI, como antes dito. Embora o beneficiário não possa, de fato, ser penalizado por ato da fonte pagadora, nem por isso está desobrigado de provar, por outros meios, a retenção sofrida. Na medida em que a contribuinte não logrou reunir elementos suficientes neste sentido, subsiste o entendimento da autoridade local, acerca do reconhecimento parcial das retenções sofridas no anocalendário 2002. Considerando, porém, que o julgamento do litígio instaurado nestes autos depende da realização da diligência requerida nos autos do processo administrativo nº 16682.720933/201196, tendo em conta o início de prova documental aqui também apresentado pela recorrente mediante juntada dos extratos de informações do SIAFI, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que, à semelhança do que requerido no processo administrativo administrativo nº 16682.720933/201196, seja facultado à contribuinte a apresentação de relatório detalhado das retenções aproveitadas no anocalendário 2002, indicando o CNPJ da fonte pagadora e o valor dos serviços e da retenção correspondente, bem como apontando a origem da informação, juntando aos autos os informes de rendimento eventualmente não anexados às defesas administrativas, ou apresentando à autoridade fiscal, para conferência, os registros fiscais e contábeis que demonstrem as retenções sofridas. Reiterese, também aqui, a necessidade de análise conjunta deste e do processo administrativo nº 16682.720933/201196, que trata de compensações que afetarão o direito creditório aqui em litígio. Fl. 4302DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1302000.386 S1C3T2 Fl. 19 18 Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4303DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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