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Numero do processo: 10120.007922/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96.
Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
Numero da decisão: 2202-003.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
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DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 79 22 /2 00 7- 10 Fl. 29827DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Foi lavrado Auto de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício 2003 (anocalendário 2002), contra o contribuinte ALUIZIO NEY DE MAGALHÃES AYRES, tendo sido exigido um crédito tributário total de R$17.131.961,91, sendo R$6.965.627,94 de imposto, R$5.224.220,95 de multa de ofício de 75% e R$4.942.113,02 de juros de mora calculados até 30/11/2007. O lançamento ocorreu em virtude da infração de "Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada", tendo em vista a não comprovação pelo contribuinte da origem dos recursos movimentados nas contas bancárias mantidas junto às seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil S/A, Bradesco S/A, Caixa Econômica Federal, ABN AMRO Real S/A, Safra S/A, BankBoston Banco Múltiplo S/A e ltaú S/A. Após analisar os extratos bancários obtidos por meio de RMFs Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras , a autoridade fiscal intimou o contribuinte, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 764 a 906, a justificar e comprovar a origem de todos os depósitos/créditos bancários discriminados na "Relação dos Depósitos/Créditos Bancários para Comprovar a Origem", anexa à intimação. Em resposta à intimação (fls. 907 a 909), o contribuinte esclareceu que exercia regularmente, há mais de 20 anos, a advocacia de cobranças, atendendo no ano de 2002, como principais clientes, o BANCO VOLKSWAGEN S/A, BANCO FIAT S/A, BANCO ABN AMRO REAL S/A, BANCO GENERAL MOTORS S/A e BANCO SAFRA S/A. Afirmou que as cobranças se davam por via judicial e em grande parte administrativa. Declarou que os valores recebidos de cobranças, seja de títulos de crédito (cheques, etc.), seja de parcelas de financiamentos de bens duráveis (computadores, eletro domésticos, veiculos, etc.), eram sempre depositados na sua contacorrente que fosse mais conveniente para a regular compensação de cheques e, posteriormente, repassada para o credor, já deduzidos os honorários do escritório. Ressaltou que não fez opção pelo dedução do Livro Caixa, razão pela qual não houve a preocupação na guarda dos registros da movimentação efetuada em suas contas correntes, haja vista que a legislaçao não exige esta contabilidade de pessoa física. Disse que no ano de 2002, através de escritórios filiais, atuava em Goiânia GO, BrasíliaDF, PalmasTO, MarabáPA, ImperatrizMA, MacapáAP, Porto VelhoRO, nos quais, somandose as operações em contacorrente, resultavam em recebimentos certamente superiores a 1.000 parcelas mensalmente. Fl. 29828DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10120.007922/200710 Acórdão n.º 2202003.056 S2C2T2 Fl. 29.828 3 Sustentou que se viu impossibilitado de identificar cada depósito efetuado nas contascorrentes bancárias movimentadas naquelas praças, apesar dos esforços dispendidos para fazêlo, o que se justifica tanto pelo volume de operações como pela desobrigatoriedade do registro das mesmas pela legislação, não havendo assim um histórico que permita a identificação solicitada pela autoridade fiscal. Informou que anexou 12 caixas com movimentos mensais, relativos ao ano de 2002, identificadas mês a mês, para serem objeto de fiscalização. A autoridade fiscal informou que, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, identificou vários que correspondiam a recebimentos e posteriores repasses aos clientes do escritório de advocacia, os quais foram retirados da relação dos depósitos/créditos de origem não comprovada. Foi então lavrado o Auto de Infração (fls. 1.058 a 1.067), sendo tributados como omissão de rendimentos os valores constantes da planilha "RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS/CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA" (folhas 911 a 1.048). O contribuinte impugnou o lançamento em petição de fls. 1.075 a 1.097, acompanhada dos documentos de fls. 1.101 a 25.309, com as seguintes alegações, conforme relatado no Acórdão nº 0325.761, da 3ª Turma da DRJ em Brasília: Da Atividade Exerce a profissão de advogado, com escritórios em Goiânia, Brasília, Palmas GO, ImperatrizMA. MarabáPA, BelémPA, MacapáMP e PortoVelhoRO, onde pratica a atividade de cobrança administrativa e judicial relativa a financiamento de veículos, para os Bancos Fiat, Volkswagen, GM, Dibens, ABN e Safra. Em decorrência de sua atividade recebe em suas Contas Correntes, depósitos de clientes, que posteriormente são transferidos a uma Conta Corrente em Goiânia e depois repassados aos seus clientes (bancos), motivo pelo qual movimentou importâncias financeiras superiores ao rendimento declarado. Anexase aos autos, as Cédulas da OAB em várias circunscrições do Pais, a fim de demonstrar a atividade exercida naqueles Estados. As cobranças se davam por via judicial e grande parte administrativa. Operacionalmente. quando recebia os valores cobrados, a importância era depositada em sua conta corrente, e posteriormente era repassada para o Banco os valores recebidos, algumas vezes já deduzidos os honorários do escritório. Em sua declaração de rendimentos, não optou pela dedução do Livro Caixa, motivo pelo qual não se preocupou em guardar registro da movimentação efetuada em sua conta corrente, haja vista de que a legislação não exige a contabilidade de pessoa física. Há de se registrar que mantinha escritório nas cidades de GoiâniaGO, Marabá PA, ImperatrizMA, BelémPA, MacapáAP, Porto VelhoRO, PalmasTO e somandose as operações de todos os escritórios, havia um movimento de aproximadamente 1.000 recebimentos de parcelas de financiamento mensalmente. É praticamente impossível a detecção de cada depósito efetuado em sua Conta Corrente, pois devido ao volume de operações e a não obrigatoriedade do registro das mesmas pela legislação, não se preocupou na época de guardar um histórico que permitisse a identificação solicitada pela fiscalização. Agrava ainda a situação Fl. 29829DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 o fato que várias das filiais do escritório foram extintas. O que dificulta ainda mais a localização da documentação. A par do relatado, foi repassada a fiscalização uma grande quantidade de documentos, incluindo relatórios, que comprovam grande parte da movimentação bancária, sendo em sua maioria desconsiderado pela fiscalização. DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO COMPROVADO CARACTERIZAÇÃO COMO OMISSÃO DE RENDA E PRESUNÇÃO RELATIVA E NÃO ABSOLUTA Destaca que a presunção é relativa, não absoluta, podendo o contribuinte comprovar com argumentos e documentos idôneos de que a presunção adotada não possui fundamentos. Transcreve decisão do Conselho de Contribuintes: DEPÓSITOS BANCÁRIOS Quando o contribuinte traz argumentos e documentos que demonstram que a presunção adotada não tem sólidos fundamentos, ou seja, não leva, de forma genérica, a um juízo de probabilidade sustentável, contamina o lançamento de incerteza, o que não se admite no Direito Tributário, que dentre outros princípios se rege pela tipicidade. 1º Conselho de Contribuintes / 6ª Câmara, Acórdão 10613.589 em 16.10.2003. Publicado no DOU em 03.05. 2004. Pela farta documentação juntada aos autos, comprovase a atividade de serviços de cobrança administrativa e judicial do impugnante, não podendo desta forma os depósitos efetuados em sua conta bancária ser presumida como renda. O objetivo da juntada dos documentos não é a comprovação de cada depósito, com valores e datas coincidentes, como exigiu a fiscalização, o que pelo volume das operações, é praticamente impossível a identificação de cada depósito, tendo a própria autoridade fiscal constatado a dificuldade, em vista que aproveitou poucos depósitos comprovados, apesar dos documentos juntados. Na realidade, o objetivo e comprovar que a presunção neste caso não poderá ser aplicada, visto estar comprovado que o impugnante recebe em sua conta bancária valores que pertencem a terceiros e como tal não pode ser tributada como renda. O impugnante não está obrigado à escrituração de livro caixa ou contabilidade e com certeza não tem condições de identificar cada depósito procedido em sua conta corrente depois de tanto tempo, ainda mais quando no período a legislação não permitia o acesso da SRF a estes dados, não podendo ser agora exigido tais identificações em decorrência da dificuldade do impugnante de apurar todos os dados solicitados. NÃO OBRIGATORIEDADE DE COMPROVAÇÃO DOS DEPÓSITOS COM COINCIDÊNCIA DE DATAS E VALORES A exigência de comprovação dos depósitos com coincidência de datas e valores é totalmente descabida, impossibilitando o contribuinte de comprovar a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente. Para comprovação da origem, basta a apresentação de documentos que comprovem o ingresso de valores em sua conta corrente, em valores compatíveis com o movimentado. Transcreve decisão do Conselho de Contribuintes no sentido de sua argumentação. Desta forma, o impugnante anexa aos autos, contratos de honorários, documentos e relatórios, demonstrando por cliente (HSBC, ABN, etc) e por mês, todos os ingressos de valores recebidos e repassados aos bancos, a fim de comprovar de que os depósitos efetuados em sua conta corrente não poderão ser considerados como renda, uma vez que se refere a recebimento de conta de terceiros. Os relatórios anexados aos autos comprovam a movimentação de aproximadamente RS 25.333.752,17 em depósitos a que a autoridade fiscal identificou e classificou erroneamente como renda. TRANSFERÊNCIA DE VALORES ENTRE CONTASCORRENTES Fl. 29830DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10120.007922/200710 Acórdão n.º 2202003.056 S2C2T2 Fl. 29.829 5 Conforme relatado, os valores recebidos em cada unidade administrativa, muitas vezes eram transferidos para a Conta Corrente da Matriz, para posterior repasse aos clientes. Nos extratos bancários, este histórico consta como TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS CORRENTES. A autoridade fiscal considerou estas transferências como renda, não deduzindo o seu valor, argumentando que o histórico não identificou a conta corrente de origem da transferência. Tal procedimento demonstra o descaso da fiscalização em relação à sua obrigação de fiscalizar, pois como tinha em mãos os extratos de todas as contascorrentes, não se preocupou em identificar a saída em uma conta e entrada em outra, tendo identificado apenas um pequeno número dessas transferências, certamente em razão da quantidade de informações a serem cruzadas. DA INEXISTÊNCIA DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA E AGRESSÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE A exigência fiscal de identificação da origem de cada depósito com valores e datas coincidentes afronta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. A autoridade fiscal simplesmente partiu do princípio de que os depósitos bancários eram renda, apesar da farta documentação e argumentos demonstrados nos autos, que afastavam frontalmente a presunção disposta no art. 849 do RIR/99. Não houve o cuidado de demonstrar objetiva e fundamentadamente a existência de renda consumida através de sinais exteriores de riqueza ou de outros elementos de fato vinculados à atividade do impugnante. Tanto a Lei 9.430/96 como a Lei 8.021/90 prescrevem que depósitos de origem não comprovada constituem indícios de rendimentos omitidos, os quais somente poderão ser tomados como tal, caso a autoridade demonstre fundamentadamente a existência de renda consumida através de sinais exteriores de riqueza ou outros elementos de fato. Assim era ao tempo da Lei 8.021/90 e assim deve ser na disciplina da Lei 9.430/96, pois esta se limitou a reproduzir o comando deôntico da primeira, com diferente literalidade. Reproduz dispositivos legais, bem como transcreve entendimentos doutrinários e jurisprudenciais no sentido de o lançamento constitui ato de aplicação da lei tributária e como todo e qualquer ato administrativo deve ser revestido da suficiente motivação dos seus fundamentos. Conclui que: a) o ordenamento jurídico não impõe ao Fisco o ônus de provar a ocorrência do suporte fático tributário; b) a figura jurídica do ônus é incompatível com a atuação administrativa pautada pelas exigências da "legalidade motivada", derivada dos princípios da legalidade e da motivação dos atos administrativos; c) a autoridade fiscal não tem o ônus legal de provar, mas o dever constitucional de investigar e provar o suporte fático tributário, em atendimento às exigências dos princípios da legalidade, da motivação e da própria definição legal de lançamento (art. 142 do CTN); d) em face do prescrito pelos princípios da legalidade e da motivação, bem como pela própria definição legal de lançamento, deseabe cogitarse de inversão do ônus da prova no processo administrativo tributário. IMPOSTO DE RENDA, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DISPONÍVEL E LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Fl. 29831DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 O Código Tributário Nacional ~ CTN, art. 43, prevê que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e de proventos de qualquer natureza assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito anterior. A Constituição Federal impõe uma expressa limitação ao legislador ordinário: o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza há de ser cobrado sobre acréscimo patrimonial e jamais sobre o próprio patrimônio. Transcreve jurisprudência administrativa e judicial, bem como excertos da doutrina no sentido de que o imposto de renda não incide sobre depósitos bancários, mas sobre acréscimos patrimoniais. Depósitos bancários são indícios que permitem à Fiscalização iniciar o processo de identificação dos suportes fáticos (acréscimos patrimoniais) não oferecidos à tributação, no exercício do dever de prova que lhe é imposto pelos princípios da legalidade e da motivação e pelo art. 142 do CTN. No quadro normativo constante da Constituição Federal e do Código 'Tributário Nacional, meros indícios de renda (depósitos bancários) não podem legitimamente ser transformados, nem pela lei tributária, a fortiori pelo agente fiscal. em acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação, sem que previamente se exerça o dever de prova e investigação que a norma de lançamento exige (art. 142 do CTN). Os depósitos bancários constituem precisamente o ponto de partida para o trabalho de investigação e prova da ocorrência de acréscimos patrimoniais não oferecidos à tributação. O tema do lançamento tributário com fulcro apenas em depósitos bancários, ainda que de origem não comprovada, está longe de ser novo no Direito Tributário brasileiro. O antigo RIR/80 (Decreto 85.450/80) já estabelecia (art. 39, V) a possibilidade de "arbitramento da renda presumida, através da utilização de sinais exteriores de riqueza que evidenciem a renda auferida ou consumida pelo contribuinte", norma que tinha supedâneo no art. 90 da Lei 4.729/65. Com fulcro nesta norma, foram lavrados lançamentos fundados exclusivamente em depósitos bancários mantidos pelos contribuintes, sem qualquer prova da existência de sinais exteriores de riqueza que atestassem a efetiva existência de acréscimos patrimoniais não oferecidos à tributação (renda emitida) e que se transformaram em renda consumida. Transcreve comentários da doutrina no sentido de sua argumentação: depósitos bancários por si só não revelam a existência de rendimentos tributáveis. Transcreve excertos de entendimentos do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR que afastou a pretensão fiscal de transformar meros depósitos bancários em renda tributável. Afirma que tantos foram os casos de lançamentos cancelados judicialmente porque fundados exclusivamente em depósitos bancários, sem averiguação quanto à presença de renda consumida, que o Tribunal Federal de Recursos TFR chegou a sumular a matéria: "Súmula 182. É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". Faz duas notas quanto à Lei 8.021/90: a) em atendimento à jurisprudência e doutrina já assentadas, a citada Lei inseria a demonstração de sinais exteriores de riqueza como elemento de prova indispensável ao arbitramento da renda supostamente omitida pelo contribuinte. Cabia à autoridade fiscal o dever de prova quanto aos sinais exteriores de riqueza. b) entre as hipóteses de arbitramento da renda, trouxe expressamente a possibilidade de lançamento com base em depósitos bancários de origem não devidamente Fl. 29832DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10120.007922/200710 Acórdão n.º 2202003.056 S2C2T2 Fl. 29.830 7 comprovada, conforme regra do art. 6o, parágrafo 5o, cuja redação assemelhase àquela do preceito do art. 42 da Lei 9. 430/96. Registra que o parágrafo 5° do art. 6º da Lei 8.021/90 foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII da Lei 9.430/96. Diante do novel preceito do art. 6º, parágrafo 5° da Lei 8.021/90, as autoridades fiscais voltaram a formalizar lançamentos tributários, arbitrando a renda exclusivamente com base em depósitos bancários de origem não comprovada, "esquecendose" de toda a construção doutrinária e jurisprudencial que redundou na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR. Transcreve escrito do Ministro Carlos Velloso, do Supremo Tribunal Federal, que sobre o tema, no sentido de sua argumentação. Transcreve entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF no sentido de sua argumentação: cancelou inúmeros lançamentos, que apesar de fundados no art. 6°, parágrafo 5° da Lei 8.021/90, não obedeceram ao dever de prova quanto à renda consumida em sinais exteriores de riqueza. Conclui que: a) a matriz constitucional do imposto de renda autoriza a exigência deste imposto apenas quando demonstrado cabalmente pela autoridade fiscal, como exige o dever de prova constante do art. 142 do CTN, a existência concreta e real de acréscimo patrimonial disponível; b) qualquer que seja o regime legal aplicável, por força dos arts. 43 e 142 do CTN, os depósitos bancários constituirão sempre apenas indícios de renda tributável. cabendo à autoridade fiscal, no exercício do dever de prova e investigação inerente à atividade de lançamento (art. 142 do CTN), demonstrar a efetiva existência de renda consumida através de sinais exteriores de riqueza; c) sob todos os regimes legais já existentes, a doutrina e a jurisprudência, administrativa e judicial, sempre entenderam que o lançamento de imposto de renda com base apenas em depósitos bancários, sem a prova de renda consumida através de sinais exteriores de riqueza é ilegítima, pois conflita com o princípio constitucional da legalidade triutária (art. 150, I), com a disciplina constitucional (art. 153, III) e complementar (art. 43 do CTN) do fato gerador do imposto de renda e com o dever de prova constante da definição do lançamento (art 142 do CTN) DO SENTIDO E DO ALCANCE DO ART. 42 DA LEI 9.430/1996 A norma do caput do art. 42 da Lei 9.430/96 não destoa daquela antes constante do enunciado do art. 6º, parágrafo 5° da Lei 8.021/90, revogado pela própria Lei 9.430/96. Tanto a norma ora em vigor (art. 42 da Lei 9.430/96) como a norma já revogada (art. 6°, parágrafo 5° da Lei 8.021/90) tem idênticas estruturas (hipótese e conseqüência) normativas. Em ambos os casos a hipótese normativa não comprovação pelo sujeito passivo da origem de créditos efetuados em operações financeiras por ele realizadas. A conseqüência normativa nos dois preceitos analisados também é a mesma: exigência de imposto de renda sobre os valores cuja origem não foi comprovada, considerada como rendimentos omitidos à tributação. Assim sendo, a norma do art. 42 da Lei 9.430/96 em nada inovou em relação ao antes disposto no art. 6°, parágrafo 5° da Lei 8.021/90. Nada há no preceito do art. 42 da Lei 9.430/96 que permita considerálo como inovador relativamente ao antes previsto no art. 6°. parágrafo 5° da Lei 8.021/90, norma que já contemplava o suporte fático ora previsto na primeira Lei. Fl. 29833DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Logo, assim como ocorria ao tempo da Lei 8.021/90, tal como reconhecido pelo Tribunal Federal de Recursos TFR e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF , impõese que lançamentos apoiados no art. 42 da Lei 9.430/96, cumprindo o que determinam os arts. 43 e 142 do CTN demonstrem a efetiva existência de renda consumida, através de sinais exteriores de riqueza, pois não custa repetir simples depósitos bancários não constituem renda tributável. É absolutamente equivocado pretender retirar do art. 42 da Lei 9.430/96 uma suposta presunção juris tantum em favor do Fisco, que o autorizasse a exigir imposto de renda sobre meros créditos bancários, sem maiores aprofundamentos investigatórios relativamente à presença de renda consumida ou à demonstração de outros elementos fáticos vinculados à movimentação da renda. Esta exegese afigurase descabida porque, como demonstrado, a norma do art. 42 da Lei 9.430/96 tãosomente reproduz a norma do art. 6°, parágrafo 5° da Lei 8.021/90, no bojo da qual nunca se cogitou, sequer administrativamente, a criação de tal presunção. O art. 42 da Lei 9.430/96, assim como antes já o fazia o art. 6°, parágrafo 5º da Lei 8.021, não trouxe qualquer inversão do ônus quanto à prova da ocorrência do suporte fático tributário, porque, comi já demonstrado, o dever de lançar não envolve um ônus, mas um dever, inclusive de natureza constitucional. O dever de aplicar motivadamente a lei tributária radica na Constituição Federal como instrumento de proteção do administrado contra o exercício abusivo da potestade administrativa. O direito à motivação dos atos administrativos não é, assim, um imperativo que decorra de lei, mas garantia constitucional que deriva dos princípios fundantes do Estado Democrático de Direito e por tal razão insuscetível de ser flexibilizado qualquer norma infraconstitucional. A regra do art. 42 da Lei 9.430/96 deve ser interpretada com as ponderações jurídicas impostas pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cumpre lembrar que os agentes públicos federais legalmente são obrigados a atender, entre outros, aos princípios da finalidade, razoabilidade e da proporcionalidade, por força do art. 2º da Lei 9.784/99, verbis: A regra do art. 42 da Lei 9.430/96 não autoriza as autênticas devassas fiscais praticadas por alguns agentes do Fisco, consistentes na intimação para que o contribuinte comprove com documentação hábil e idônea, em apenas vinte dias, todas as operações bancárias que praticou durante os últimos cinco anos. Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade impõem restrições jurídicas que comprometem a validade de procedimentos fiscais cuja generalidade os transforme em instrumentos de arbítrio. A título de exemplo, padece de juridicidade, em face das exigências jurídicas representadas pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. a intimação para que o sujeito passivo (pessoa física) apresente, no curto espaço de vinte dias, documentação comprobatória de todas as operações bancárias por ele praticadas durante um ou mais anos inteiros, como se uma simples pessoa física fosse obrigada legalmente a escriturar todas as operações bancárias que pratica. Exigir que uma pessoa física apresente ao Fisco documentação comprobatória da origem de todas as operações bancárias que pratica durante anos inteiros equivale a imporlhe o dever de escriturar em livros todas estas operações, tal como se exige de uma pessoa jurídica, o que, a claras luzes, não se coaduna com as limitações jurídicas impostas pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. É evidente que não se pode intimar uma pessoa física a apresentar documentos que a lei não lhe obriga a possuir. Uma interpretação conforme a Constituição, como Fl. 29834DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10120.007922/200710 Acórdão n.º 2202003.056 S2C2T2 Fl. 29.831 9 exige a boa hermenêutica, do preceito do an. 42 da Lei 9.430/96 somente há de autorizar como válidas as intimações que indiquem objetivamente quais os créditos e as operações realizadas pelo sujeito passivo que a autoridade fiscal deseja ver comprovadas no procedimento de fiscalização. Assim sendo, exigir que uma simples pessoa física apresente, em vinte dias, extensa documentação hábil e idônea de todas as operações bancárias que praticou durante um ou mais anos inteiros representa manifesto exercício desmedido da competência legalmente outorgada às autoridades fiscais pelo art. 42 da Lei 9.430/96, razão pela qual o procedimento de lançamento assim conduzido encontrase juridicamente viciado pela ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. A Lei 9.430/96 não autoriza a fiscalização a formular requerimentos abrangentes e genéricos de informações bancárias relativas a vários anos consecutivos. São os princípios jurídicos da razoabilidade e da proporcionalidade que impedem que os poderes de fiscalização sejam transformados em devassas sobre contribuintes individuais. Para atender aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, a intimação fiscal, fundada no art. 42 da Lei 9.430/96, deve objetivamente definir e circunscrever os créditos cujas origens são requeridas do sujeito passivo tributário. DILIGÊNCIA Em decorrência da documentação apresentada e do fato da atividade do impugnante exigir que o mesmo movimento importâncias de terceiros em sua conta corrente e ainda de que na época o contribuinte não teria motivos para preocupar se em identificar estas operações para posterior comprovação, requerse seja procedida diligência, a fim de apurarse o montante de depósitos de valores pertencentes a clientes, com a finalidade de identificar a parcela correspondente aos honorários, a qual caberia a tributação. PEDIDO Espera o impugnante seja cancelado o debito fiscal reclamado, bem como, em caso contrário, seja procedida diligência, a fim de apurarse o verdadeiro crédito tributário devido aos cofres da Fazenda Nacional. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF DRJ/BSA julgou parcialmente procedente a impugnação, tendo excluído da base tributável o valor de R$214.488,57, correspondente à soma dos depósitos em que o destinatário e o depositante são o próprio contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Lançamento Precedente em Parte Fl. 29835DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Cientificado da decisão em 07/08/2008 (fl. 25.340), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 1º/09/2008 (fls. 25.341 a 25.363), no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. A decisão de primeira instância excluiu da tributação valor de R$214.488,57, correspondente à soma dos depósitos em que o destinatário e o depositante são o próprio contribuinte. Sustenta o Recorrente que exercia a profissão de advogado, com escritórios em diversas cidades, praticando a atividade de cobrança administrativa e judicial relativa a financiamento de veículos, para os Bancos Fiat, Volkswagen, GM, Dibens, ABN e Safra. Aduz que em decorrência de sua atividade recebia em suas contascorrentes depósitos de clientes, que posteriormente eram transferidos a uma contacorrente em Goiânia e depois repassados aos seus clientes (bancos), motivo pelo qual movimentou importâncias financeiras superiores aos rendimentos declarados. É possível que os valores movimentados em suas contascorrentes possam ser provenientes da sua atividade de advocacia, na forma alegada. Embora não seja a forma recomendada, existem casos em que as pessoas físicas acabam utilizando suas contas bancárias pessoais para movimentar valores das suas atividades profissionais. Contudo, nesses casos, é primordial que adotem as devidas cautelas para registrar, de forma detalhada, tais movimentações. Ao misturar as movimentações bancárias de ordem pessoal com as relativas aos seus negócios profissionais, o contribuinte contraria a boa técnica e deve se cercar de todos os cuidados para que, quando instado pelo Fisco, possa demonstrar, de maneira cabal, a segregação das receitas. Ou seja, ele deverá ser capaz de identificar cada lançamento bancário, comprovando a sua origem com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Se assim não o fizer, terá de assumir as conseqüências, estando sujeito às imposições legais. O Contribuinte não logrou comprovar a origem de nenhum depósito/crédito, apesar de ter apresentado cerca de 120 volumes com mais de 25.000 folhas de documentos. Observase que ele próprio afirmou em sua peça impugnatória que os documentos anexados não servem para comprovar individualmente nem um único depósito, conforme trecho transcrito abaixo (fls. 1.076 e 1.077). Fl. 29836DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10120.007922/200710 Acórdão n.º 2202003.056 S2C2T2 Fl. 29.832 11 O objetivo da juntada dos documentos não é a comprovação de cada depósito, com valores e datas coincidentes, como exigiu a fiscalização, o que pelo volume das operações, é praticamente impossível a identificação de cada depósito, tendo a própria autoridade fiscal constatado o dificuldade, em vista de que aproveitou poucos depósitos comprovados, apesar dos documentos juntados. Na realidade, o objetivo é comprovar que a presunção neste caso não poderá ser aplicada, visto estar comprovado que o impugnante recebe em sua conta bancária valores que pertencem a terceiros e como tal não pode ser tributada como renda. É praticamente impossível a detecção de cada depósito efetuado em sua Conta Corrente, pois devido ao volume de operações e a não obrigatoriedade do registro das mesmas pela legislação, não se preocupou na época de guardar um histórico que permitisse a identificação solicitada pela fiscalização. Agrava ainda a situação o ƒato que várias das filiais do escritório foram extintas. O que dificulta ainda mais a localização da documentação. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). Fl. 29837DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Nesse ponto, cabe reproduzir excerto do voto condutor da decisão da DRJ: Está claro, na explicação supra, que todos os valores recebidos eram depositados em conta corrente para posterior repasse aos clientes (bancos). Assim, diante de tal volume de transações, é plausível afirmar que os milhares de pagamentos efetuados pelos devedores pressupunham controle rígido e diuturno dos recebimentos, sob pena de: 1) não se conhecer quem satisfez cada dívida e, por conseguinte, não repassar a informação aos clientes (bancos) para a respectiva e devida baixa; e 2) não ser possível dar a quitação ao devedor correspondente a um determinado recebimento. Não há como sustentar que é praticamente impossível identificar individualizadamente cada depósito, pois se assim fosse especialmente no tocante àqueles feitos diretamente pelos devedores nas contas bancárias ora em análise, em data e valores correspondentes às suas obrigações como se vincularia cada valor ao correto devedor? Igualmente, o mesmo raciocínio é aplicável aos valores depositados pelo próprio impugnante em suas contas correntes, se eventualmente recebidos dos devedores de outra maneira. Por óbvio, já que é encarregado da cobrança e do respectivo recebimento, deveria, obrigatoriamente, saber a composição de cada depósito. O contribuinte parece, deliberadamente, não conseguir capturar a inteligência do dispositivo legal. A Lei não está exigindo dos contribuintes prova impossível de ser obtida. Ao contrário, inclusive para o caso em tela, é perfeitamente exeqüível a comprovação individual, já que o registro das transações é condição necessária para a sustentação do negócio do impugnante. A conclusão de que houve afronta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade quando lhe foi exigida a comprovação de cada depósito, a partir das premissas de que: o volume de operações é grande; não poderia a Fiscalização formular requerimentos abrangentes e genéricos relativos a vários anos consecutivos; e não é obrigado a manter registro delas é deveras falaciosa. O volume de informações somente dificultaria a comprovação de cada depósito se o controle das transações fosse deixado para momento muito posterior, em que o acúmulo se tomasse considerável, e desde que não houvesse organização no registro dessas negociações. Convenhamos, essa hipótese não é razoável. Já se viu alhures que há necessidade de controle rígido dessas movimentações na atividade do impugnante. Acrescentese ainda que a Fiscalização facilitou sobremaneira o trabalho do contribuinte, pois desconsiderou todos os valores abaixo de RS 1.000,00. Em regra, não há obrigatoriedade de as pessoas físicas manterem em seu poder registros e contabilidade somente exigíveis das pessoas jurídicas. Contudo, há exceções diversas, como a prevista na Lei 9.430/ 1996, fundamento do presente Auto. Não há qualquer amparo legal, implícito ou explicito, para a dispensa da comprovação da origem da vultosa movimentação sob o argumento de que não pleiteou a dedução de LivroCaixa. É perfeitamente defensável o fato de a lei exigir a comprovação da origem dos depósitos, principalmente em casos como o do impugnante, que informa em sua DIRPF (fls. 1050 a 1057), dentre rendimentos isentos/nãotributáveis e tributáveis, o montante de R$ 57.338,40, mas movimenta mais de quatrocentas vezes esse valor em suas contas bancárias! Para ser mais exato, mais de vinte e cinco milhões de Reais (R$ 25.333.752,17). Fl. 29838DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10120.007922/200710 Acórdão n.º 2202003.056 S2C2T2 Fl. 29.833 13 Além disso, não houve exigência genérica para comprovar vários anos. A requisição foi, ao contrário, bastante especifica, como se observa às folhas 05/06. Somente lhe foi solicitada a apresentação de esclarecimentos e documentos relativos à movimentação bancária do ano de 2002. Acrescentese ainda que não haveria qualquer impedimento legal para solicitação de mais de um exercício. Assim, não se vislumbra qualquer desproporção ou não razoabilidade na exigência fiscal, já que a comprovação individualizada, com correspondência de datas e valores, é determinação legal e não pretensão arbitrária da Autoridade Autuante. Outra incongruente e paradoxal afirmação é que repassou à Fiscalização a comprovação de grande parte da movimentação bancária, a qual foi desconsiderada (fl. 1076). É de causar surpresa, pois, no parágrafo anterior, disse ser praticamente impossível a detecção de cada depósito, que não se preocupou em guardar histórico que permitisse identificar os depósitos na forma solicitada pela Fiscalização e, também, na página seguinte, afirma que o objetivo da juntada dos documentos não era comprovar individualmente os depósitos. Ora, por óbvio, diante de tais afirmativas do impugnante, não seria de se esperar a desconsideração da maioria dos documentos, já que não foram hábeis a atestar a origem de cada depósito? É bom salientar que houve análise minuciosa de toda a documentação. A não identificação da origem de cada depósito pela Autoridade Autuante não se operou em decorrência de ser impossível tal resultado pelo volume do trabalho, mas meramente porque a documentação não foi hábil e idônea a comproválos individualmente, depois de cotejada. Apesar de deixar claro em sua peça impugnatória de que toda a documentação acostada não tem o propósito de comprovar individualmente os depósitos, assim como a Fiscalização, esta Instância Administrativa tentou também, de forma minuciosa e diligente, encontrar vinculação individual de depósitos e documentos anexados, porventura não observados. Sem sucesso. Tal desfecho era esperado, ante o alerta do contribuinte de que não seria possível alcançar tal objetivo. Somente a titulo de exemplo, o recibo passado, englobando o principal, comissão, multa, despesas de notificação e honorários advocatícios, no valor de R$ 2.216,00 (vol. 85, folha 17.060, datado de 19/06/2002), não contém a contrapartida de depósito em qualquer das contas bancárias fiscalizadas. Isso acontece não somente naquela data, mas mesmo considerando o ingresso em qualquer outra data do mês 06/2002 (fls. 102 a 111; 154; 176 a 178; 218 a 223; 271 a 277; 301/302; 346 a 352; 419 a 427; 480 a 482; 564; 576; 595/596; 609; 626; 676; 688/689; 739). Observase, sob a ótica qualitativa, que essa monumental quantidade de documentos, nada esclarece sobre a origem dos depósitos, com coincidência de datas e valores. Ou melhor, no máximo, serviria para comprovar a atividade do impugnante. Assim, resta ultrapassada a questão da comprovação de cada depósito. Essa determinação da Autoridade Autuante é válida, vez que decorre da lei. O modo como o contribuinte rege os seus negócios somente opera em seu prejuízo, quando não lhe permite atender as requisições da legislação tributária. Assim, entendo que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias. Fl. 29839DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Quanto à necessidade de o Fisco demonstrar o acréscimo patrimonial, conforme alegado pelo recorrente, essa tese já se encontra superada, não se sustentando desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Sobre o pedido de diligência com o objetivo de se apurar o montante de depósitos pertencentes a clientes, com a finalidade de se identificar a parcela correspondente a honorários, não há como acolher a pretensão do Recorrente. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine.” Consoante se depreende da leitura do dispositivo acima, a autoridade julgadora poderá indeferir o pedido de diligência, quando considerála prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a diligência seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador. Assim, somente se falará na necessidade da diligência em caso de dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador. As diligências não podem ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, pois se destinam a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. A responsabilidade pela apresentação das provas do que foi alegado compete ao contribuinte, não cabendo a determinação de diligência para a busca de provas. No presente caso, o Recorrente solicita a diligência para se apurar o montante de depósitos pertencentes a clientes. Contudo, esse ônus é dele. O que pretende o Contribuinte é transferir para a diligência um encargo que é seu. Ressaltese que, em relação à infração de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, na qual há a inversão do ônus da prova, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, caberia ao Recorrente indicar, de forma pormenorizada, as justificativas para cada crédito efetuado em sua conta bancária e não tentar atribuir à diligência essa responsabilidade. Portanto, é de ser indeferido o pedido de diligência, uma vez que a prova que se pretende formular é de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, principalmente no caso de lançamento por depósitos bancários onde o ônus da prova é do Recorrente. Fl. 29840DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10120.007922/200710 Acórdão n.º 2202003.056 S2C2T2 Fl. 29.834 15 Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 29841DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16327.001611/2004-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
EXPORTAÇÃO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. SAFE HARBOUR.
Não estão sujeitas a ajustes decorrentes de preços de transferência as operações de exportação promovidas por pessoa jurídica residente no Brasil à pessoa vinculada no exterior, desde que observados os limites estabelecidos nos arts. 33 e 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/1997.
Numero da decisão: 1201-001.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar a proposta de nova diligência, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa. E, no mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso voluntário, havendo o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé acompanhado o Relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). O Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado declarou-se impedido.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 EXPORTAÇÃO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. SAFE HARBOUR. Não estão sujeitas a ajustes decorrentes de preços de transferência as operações de exportação promovidas por pessoa jurídica residente no Brasil à pessoa vinculada no exterior, desde que observados os limites estabelecidos nos arts. 33 e 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar a proposta de nova diligência, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa. E, no mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso voluntário, havendo o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé acompanhado o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). O Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado declarouse impedido. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1622.327, exarado pela 5ª Turma da DRJ 1 em São Paulo SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 11 /2 00 4- 64 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, reproduzo a seguir o relatório contido na decisão de primeiro grau: Da Autuação Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 847 e 848, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, para análise do preço de transferência nas exportações, no ano calendário de 1999, constatouse o seguinte: A contribuinte foi intimada a apresentar demonstrativos dos preços praticados nas exportações e dos preçosparâmetro apurados de acordo com os métodos previstos na legislação de regência, e a apresentar em meio magnético, nos termos da IN SRF n° 68/95, arquivos de entradas e saídas de produtos, inventário de início e final do período e tabela de código de produtos, entre outros. A fiscalização, analisando os arquivos entregues pela contribuinte, apurou diversas inconsistências, ressaltando o fato de que a contribuinte perdeu os registros, em seus computadores, das vendas nos meses de maio e junho de 1999, os quais precisaram ser redigitados, para recompor o arquivo (fls. 700 a 702). Todas as informações foram fornecidas por unidade de industrialização, ou seja, separados pelas fábricas Anchieta, São Carlos, Taubaté e Resende. A fiscalização constatou que, além das unidades informadas, a contribuinte mantém uma unidade industrial constituída como Sociedade em Conta de Participação (que não tem personalidade jurídica própria, sendo que o sócio ostensivo se obriga para com terceiros), localizada no Paraná, denominada internamente como "BUC". Assim, a fiscalização solicitou que a contribuinte apresentasse, também para unidade do Paraná — BUC — os mesmos arquivos e documentação que havia apresentado com relação às outras unidades. A fiscalização, analisando os arquivos fornecidos pela contribuinte, saneando algumas irregularidades apuradas, refazendo os cálculos com os arquivos devidamente corrigidos, apurou um ajuste de preço de transferência incidente sobre as exportações para vinculadas, utilizando o método CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro), previsto no artigo 24 da IN SRF n° 38/97, de R$ 25.023.423,59 na unidade do Paraná/BUC (fls. 747 e 748) e um ajuste de R$ 28.412.940,82 nas demais unidades (fls. 749 a 833, sob a denominação única de "Anchieta"), totalizando um ajuste de R$ 53.436.364,41. Do ajuste de R$ 53.436.364,41 foi deduzido o valor de R$ 511.726,54, já oferecido à tributação na DIPJ relativa ao ano calendário de 1999 (DIPJ/2000, 4° trimestre, fls. 21 e 117), restando um valor de R$ 52.924.637,87, base de cálculo do IRPJ Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 4 3 e da CSLL, totalmente absorvido pelo prejuízo fiscal e pela base de cálculo negativa da CSLL do período. Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 1999: (...) Da Impugnação Cientificada dos lançamentos em 26/11/2004 (fls. 850 e 853), a empresa interessada, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fls. 863 a 866), apresentou, em 28/12/2004, a impugnação de fls. 869 a 875, alegando, em síntese, o seguinte: Do Mérito Inicialmente, a contribuinte tece algumas considerações acerca da tributação dos preços de transferência (fls. 870 a 872), contestando a seguir a autuação, com os seguintes argumentos: São 3 os principais pressupostos para que o Fisco possa proceder ao arbitramento do preço médio ponderado, para, em decorrência, eventualmente exigir da contribuinte o pagamento do IRPJ e da CSLL. Em primeiro lugar, conforme dispõe o artigo 39, § único, da IN SRF n° 38/97, na hipótese de não serem apresentadas pelo contribuinte as informações referentes ao preço de transferência, ou se apresentadas de forma insuficiente, cabe ao Fisco determinar o preço de transferência adequado à transação analisada. Decididamente, essa não é a hipótese dos presentes autos. A uma, porque não existe qualquer menção no Termo de Constatação Fiscal a qualquer indício que possibilite ao Fisco impugnar os valores das exportações no presente procedimento fiscal. A duas, porque, conforme se infere da análise dos autos, a impugnante apresentou todos os documentos, assim como procedeu a todas as comprovações necessárias no sentido de que os preços praticados nas exportações são usuais, normais e, sobretudo, lícitos. Destaquese que, apesar da impugnante ter optado por apurar os tributos devidos trimestralmente, face à obrigatoriedade de se justificar os preços praticados nas exportações anualmente, foram efetuados os respectivos ajustes na sua contabilidade em 31/12/99, coincidente com o encerramento do último trimestre de 1999, conforme consignado na DIPJ. Como se não fosse o bastante para invalidar o procedimento fiscal em exame o fato do arbitramento promovido contra a impugnante ser absolutamente sem causa, devese observar que, no anocalendário em questão, a diferença existente entre o Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 5 4 preço médio ponderado das exportações para pessoas vinculadas, apurado mediante o método CAP (artigo 24 da IN SRF n° 38/97), foi oferecido à tributação. Registrese que os valores apurados pela contribuinte segundo o método CAP não foram impugnados, contestados, ou melhor, sequer analisados no curso dos trabalhos fiscais. Somandose a isso, a impugnante possui contabilidade que permite a perfeita identificação das receitas decorrentes das exportações a pessoas jurídicas vinculadas, sendo o percentual de lucratividade nessas operações da ordem de 18,2%, conforme demonstração que segue anexada à presente. Por outro lado, a legislação em apreço procurou definir critérios objetivos para a aferição dos preços médios ponderados, para fins de determinação dos valores de transferência, com fixação presumida de margens de lucro. A exemplo da legislação internacional, o Brasil adotou, através dos artigos 33 e 34 da IN SRF n° 38/97, a prática do safe harbour (porto seguro), segundo a qual as normas sobre preços de transferência só se aplicam às operações que apresentem relevância. Assim, se o valor de uma operação, ou determinados percentuais, relativos ao volume de transações totais de uma empresa não atinge um volume mínimo fixado pela legislação, a empresa não precisaria elaborar os cálculos decorrentes dos métodos para verificação do preço de transferência. Ante o exposto, a única conclusão a que se pode chegar é pela improcedência do lançamento. Do Pedido Desse modo, requer a impugnante que o lançamento seja julgado insubsistente, ou julgadas improcedentes as exigências fiscais do IRPJ e da CSLL. Da Conversão do Julgamento em Diligência Em face de a fiscalização não haver informado as irregularidades encontradas na apuração efetuada pela contribuinte dos preços de transferência nas exportações, o presente processo foi encaminhado à DEAIN/SÃO PAULO (fls. 904/905), para que a Auditora Fiscal autuante informasse (juntando aos autos, se fosse o caso, os documentos de prova correspondentes), para cada produto para o qual apurou ajuste: a) O método originalmente adotado pela contribuinte e o correspondente ajuste por ela apurado; b) Os motivos pelos quais os métodos e/ou os cálculos da contribuinte foram rejeitados pela fiscalização. Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 6 5 Solicitouse, ainda, a manifestação da Auditora Fiscal autuante acerca da aplicabilidade ao presente caso dos artigos 33 e 34 da IN SRF n° 38/97, observandose os documentos de fls. 729/730 e 731/732. Da Informação Fiscal Em atendimento à solicitação da DRJ/São Paulo, a fiscalização elaborou o relatório de fls. 911 a 915 (denominado "Informação Fiscal"), a seguir sintetizado. A empresa, para calcular o preço de transferência de seus produtos, valeuse de um software da Deloitte Touche Tohmatsu. O programa com todos os cálculos está em 2 CDs, sendo um (CD "Anchieta", juntado à fl. 909) correspondente às fábricas Anchieta, São Carlos, Taubaté e Rezende, e o outro (CD "BUC", juntado à fl. 910) correspondente a uma Sociedade em Conta de Participação, cujo sócio ostensivo é a contribuinte, denominada "BUC". Na pasta "Visualização", clicando na guia E000 Exportações, depois E600 Ajustes e E602 Total, verificarseá que no complexo "Anchieta" e na "BUC" encontramse registrados ajustes no total de R$ 53.436.364,41 (sic — na realidade, é R$ 28.412.940,82) e R$ 25.023.423,59, respectivamente, ou seja, o mesmo ajuste considerado pela fiscalização. O método pelo qual a contribuinte optou, conforme se verifica no programa Deloitte, foi o CAP, e os dados que alimentam o programa, que constam das tabelas em Access, foram extraídos do registro contábil da empresa. Assim, não há para a empresa qualquer surpresa quanto aos números dos ajustes apurados, bem como quanto à metodologia, uma vez que tais ajustes foram apurados pela própria empresa e entregues à fiscalização. Para examinar os ajustes individuais, produto a produto, basta, ao abrir o programa, inserir no topo o código de um produto, ir à pasta "Visualização", clicar na guia E000 Exportações, depois E600 Ajustes e E601 Unitário. Os resultados apurados serão os mesmos que se encontram impressos às fls. 747 a 833. Quando, no Termo de Constatação Fiscal, à fl. 892, a fiscalização se refere a "saneamento de irregularidades e refazimento de cálculos para apuração final dos ajustes", quer dizer que, verificadas algumas inconsistências e irregularidades nos arquivos entregues, a empresa foi intimada e ela própria saneou as divergências apuradas, entregando arquivos corrigidos. Verificase, portanto, que, levantados e saneados os arquivos das movimentações de produtos, chegase, com a metodologia e os cálculos da própria empresa, aos ajustes apurados. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 7 6 Assim, diante de todo o procedimento que consta do processo, com plena ciência e participação da empresa, os ajustes não são surpresa nem desconhecidos da contribuinte, posto que foram por ela mesma apurados. Quanto à aplicação do artigo 34 da IN SRF n° 38/97, esta não é aplicável no que concerne à Sociedade em Conta de Participação, cujos resultados são trazidos para a apuração do imposto de renda da empresa. Assim, as movimentações e apurações de preços de transferência dessa SCP ocorreram como se fez em todos os demais estabelecimentos industriais da empresa. Observa a fiscalização que a receita líquida de exportação da contribuinte é muito superior aos 5% da receita líquida total, ainda que somados a esses valores os respectivos valores de receita líquida do período e de receita líquida de exportação da SCP, sendo, portanto, descabida a pretensão de amparo no disposto no artigo 34 da IN SRF n° 38/97. Quanto ao artigo 33 da IN SRF n° 38/97, a margem prevista não é impositiva, mas sim optativa, e tal opção foi feita pela empresa à época da DIPJ/2000, na qual a empresa fez um ajuste de preço de transferência, no 4° trimestre de 1999, de R$ 511.726,54 (fl. 21), conseqüentemente abrindo mão da opção prevista no referido artigo. Tanto é que, iniciada a fiscalização em 17/01/2003, a contribuinte nada argüiu da margem prevista no referido artigo 33. Apenas em 21/10/2003 (fl. 730), extemporaneamente, a contribuinte usa esse argumento, 10 meses depois de iniciada a fiscalização e após apresentar inúmeras planilhas, cálculos e refazimento de cálculos. Porém, o momento da opção ocorreu à época da entrega da DIPJ/2000. Da Manifestação da Contribuinte Intimada a se manifestarse sobre o resultado da diligência, a impugnante o fez às fls. 920 a 925, no seguinte sentido: Segundo a Auditora Fiscal autuante, a impugnante não faz jus aos "safes harbour" simplesmente porque não fez a opção por eles na sua DIPJ/2000. No entanto, contrariamente ao sustentado pela Auditora Fiscal, a opção ocorre no momento da fiscalização, pois é durante a fiscalização que o contribuinte realiza a comprovação dos preços de transferência. Dessa maneira, considerando que a impugnante, no curso da fiscalização, informou e demonstrou que preenchia os requisitos legais dos "safes harbour'', em razão da lucratividade das exportações realizadas a empresas vinculadas, e, no que tange à Sociedade em Conta de Participação, devido à irrelevância das receitas auferidas nas operações de exportação, o escopo da fiscalização deveria ter sido alterado, a fim de que fosse Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 8 7 verificada a veracidade de tais afirmações, bem como se os preços praticados eram iguais ou superiores a 90% do preço médio de venda no mercado interno. Entretanto, a Auditora Fiscal autuante ignorou o direito da impugnante aos "safes harbour'', adotou um dos métodos legais de apuração dos preços de transferência e, com base nisso, estabeleceu os ajustes a serem efetuados. Salientase que na "Informação Fiscal" a Auditora Fiscal autuante não contesta o percentual de lucratividade das operações de exportação realizadas para empresas vinculadas, tampouco o preço praticado nessas operações, limitandose ao argumento de que a impugnante não optou pelos "safes harbour" na DIPJ/2000. Com relação à Sociedade em Conta de Participação, a Auditora Fiscal autuante não observa os artigos 148 e 149 do RIR/99 (artigos 125 e 126 do RIR/94), que nos levam a concluir que as receitas da SCP devem ser consideradas separadamente das receitas de exportação obtidas pela impugnante. Por conseqüência, como a receita de exportação a empresas vinculadas realizadas pela SCP é inferior a 5% da receita líquida, ela preenche o requisito previsto no artigo 34 da IN SRF n° 38/97. Além disso, mesmo que prevaleça o entendimento de apuração em conjunto, a impugnante encontrase amparada pelo artigo 33 da IN SRF n° 38/97, com base na lucratividade, superior a 5%, nas operações de exportação a empresas vinculadas. Por todo o exposto, a Auditor Fiscal autuante não aponta qualquer irregularidade cometida pela impugnante e não contesta o preenchimento dos requisitos legais dos "safes harbour", situação essa que não foi alterada pela "Informação Fiscal" prestada. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas alegações expostas na impugnação e nas contrarrazões ao relatório de diligência. Levados os autos à apreciação desta Turma, resolveuse pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Tendo em vista todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal de jurisdição do sujeito passivo: a) pronunciese sobre a regularidade dos cálculos apresentados pela contribuinte às fls. 731/732, e verifique se atendem às condições estabelecidas nos arts. 33 ou 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/97, tanto de forma segregada como agregadamente. Havendo necessidade, deverá intimar a contribuinte a apresentar documentos e ou informações complementares àqueles cálculos; Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 9 8 b) elabore relatório circunstanciado sobre esses os cálculos; c) intime a recorrente a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões aos cálculos e ao relatório de diligência no prazo de 20 dias. Realizados os exames solicitados, a autoridade diligenciante elaborou relatório contendo as seguintes conclusões: Respondendo aos quesitos formulados, verificamos que quanto à: regularidade dos cálculos apresentados pela contribuinte às fls. 731/732: houve necessidade de recálculo com as informações dos arquivos de vendas exportação vinculadas e informações da DRE; atender às condições estabelecidas nos arts. 33 ou 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/97, tanto de forma segregada como agregadamente: sim, atendem às condições estabelecidas, com a ressalva de que não foi possível verificar o item “Receita Líquida de Vendas” pois a empresa não entregou o arquivo de Vendas Totais. Intimada para tanto, a recorrente apresentou contrarrazões ao relatório de diligência para reafirmar que atende às condições estabelecidas nos arts. 33 e 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/97, bem como para apresentar a demonstração do resultado do exercício própria e da SCP. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Sociedade em Conta de Participação BUC Alega a recorrente que a fiscalização equivocouse ao agregar os resultados da contribuinte àqueles auferidos pela sociedade em conta de participação denominada BUC, constituída no Paraná para fabricação de veículos da marca Audi. Afirma que a decisão recorrida que deu razão quanto à necessidade de segregação dos resultados da contribuinte dos auferidos pela sociedade em conta de participação, mas que, por falta de provas quanto aos resultados auferidos pela BUC, a DRJ de origem manteve o lançamento. Anexa à peça recursal demonstrativo de exportação da BUC. Pois bem, sobre as sociedades em conta de participação SCP, o RIR/99 assim estabelece: Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 10 9 Sociedades em Conta de Participação SCP Art.148. As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7º, e DecretoLei nº2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3º). Art.149. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, II (DecretoLei nº2.303, de 1986, art. 7º, parágrafo único). (...) Sociedades em Conta de Participação SCP Art.254. A escrituração das operações de sociedade em conta de participação poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios, observandose o seguinte: I quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os lançamentos referentes à sociedade em conta de participação; II os resultados e o lucro real correspondentes à sociedade em conta de participação deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros; III nos documentos relacionados com a atividade da sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo deverá fazer constar indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade. (...) É de se concluir, portanto, que as SCP são entidades equiparadas às pessoas jurídicas, e que “os resultados e o lucro real correspondentes à sociedade em conta de participação deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros”. Ocorre que, pelo exame da DIPJ/2000 apresentada pela ora recorrente, sócia ostensiva da SCP denominada BUC, os resultados não foram segregados (fl. 4 e ss.). De fato, na ficha 07A (Demonstração do Resultado) daquela DIPJ, em especial nas linhas 26 (Resultados Positivos em SCP) e 37 (Resultados Negativos em SCP), os valores estão “zerados”, ou seja, a ora recorrente não segregou os resultados auferidos pela SCP denominada BUC, de seus próprios resultados. Também encontramse “zerados” os valores informados na ficha 13A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real), linha 19 (Imposto de Renda a Pagar por SCP) bem como na ficha 30 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), linha 32. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 11 10 Não havendo sido segregados os resultados por quem estava obrigada a fazê lo, no caso, a sócia ostensiva, a autoridade tributária realizou o lançamento com base nas informações de que dispunha. Por fim, quanto ao demonstrativo anexado à peça recursal é de se dizer que nada provam pois estão desacompanhados dos registros contábeis a que se refere o já mencionado art. 254, caput, ou seu inciso I, os quais serviriam para comprovar, em primeiro lugar, se a sócia ostensiva realmente segregou em seus livros contábeis (em especial o Diário e o Razão) seus próprios resultados dos resultados da SCP, e, em segundo lugar, se são verídicos os valores apresentados no demonstrativo em comento. Ainda em relação à veracidade dos valores constantes no demonstrativo apresentado em anexo ao voluntário, é de se ter em conta o seguinte trecho da decisão a quo: No entanto, não lhe assiste razão ao afirmar que a receita de exportação a empresas vinculadas realizadas pela BUC é inferior a 5% da receita líquida, preenchendo o requisito previsto no artigo 34 da IN SRF n° 38/97. Isso porque: • tanto a receita de exportação quanto a receita líquida da SCP devem ser consideradas separadamente das receitas do sócio ostensivo (interpretação do artigo 254, inciso II, do RIR/99); e • no CD "BUC" (fl. 910), não se verificam vendas no mercado interno, o que implica que a receita líquida da SCP corresponde, exatamente, à sua receita de exportação, não se verificando, portanto, a condição prevista no artigo 34 da IN SRF n° 38/97. Em outras palavras, ao examinar o CD “BUC”, a DRJ de origem afirmou, ao contrário do que se vê no demonstrativo ora anexado, que a SCP não realizou vendas ao mercado interno, algo que afastaria o alegado direito ao safe harbour. 3) Dos Artigos 33 e 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/97 Safe Harbour Alega a interessada fazer jus à dispensa de apuração dos preços de transferência, haja vista o disposto nos abaixo transcritos arts. 33 e 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/97 safe harbour. Art. 33. A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da contribuição social sobre o lucro líquido e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. § 1º Para efeito deste artigo, o lucro líquido correspondente às exportações para empresas vinculadas será apurado segundo o disposto no art. 187 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e no art. 194 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 12 11 § 2º Na apuração do lucro líquido correspondente a essas exportações, os custos e despesas comuns às vendas serão rateados em função das respectivas receitas líquidas. Art. 34. A pessoa jurídica, cuja receita líquida das exportações, em qualquer anocalendário, não exceder a cinco por cento do total da receita líquida no mesmo período, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. Afirma ainda a interessada que, embora tenha informado na DIPJ/2000 não estar enquadrada nos arts. 33 ou 34 da citada Instrução Normativa, esse equívoco não lhe retira o direito ao safe harbour. Pois bem, os arts. 33 e 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/97 estabelecem hipóteses de dispensa de apuração dos preços de transferência nas operações de exportação a pessoas ligadas. Em outras palavras, a observância dos limites estabelecidos nas referidas normas dispensa o sujeito passivo da obrigação de promover qualquer ajuste ao preço praticado naquelas operações para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Pelo exame da ficha 18A da DIPJ/2000 é possível constatar que, de fato, a contribuinte informou não estar enquadrada nos arts. 33 ou 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/97, o que a obrigaria à apuração dos preços de transferência (fl. 25). Aliás, nas ficha 10A e 30 da mesma DIPJ a contribuinte informou ajustes às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no valor de R$ 511.726,54 a título de preços de transferência, ajustes esses que, todavia, revelaramse bem inferiores àqueles apurados pela própria contribuinte por meio do software da Deloitte. Porém, é certo que desde o final da fase de fiscalização a contribuinte vem alegando estar enquadrada nos arts. 33 ou 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/97. Realmente, na resposta ao termo de intimação lavrado em 18/12/2002, a fiscalizada assim se pronunciou (fl. 730): Quanto ao descrito por V.Sas. no item 1 da página 1 do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO, relativo a recolhimento de débitos, esclarecemos que, conforme demonstrado no cálculo do Safe Harbour nos CDROOMs anexo, estamos dispensados do oferecimento dos valores apurados a título de ajustes de preços de transferência, de acordo com o disposto no texto do Artigo 33 da IN SRF 038/97 (Lucro Liquido superior a 5% sobre a receita de exportação, para o conjunto de plantas que denominamos Anchieta (Resende, São Carlos, Taubaté e Anchieta) e receita de exportação inferior a 5% do total da receita liquida para a unidade de Curitiba (PR) cuja qualificação é Sociedade em Conta de Participação SCP. Pois bem, a meu ver tem razão a recorrente quando afirma que a informação prestada na ficha 18A da DIPJ/2000 não tem o condão de afastar o direito a não apuração dos preços de transferência, desde que, é claro, satisfaça às condições previstas nos arts. 33 ou 34 da Instrução Normativa SRF nº 38/97. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 13 12 Isso porque o vocábulo “poderá” contido em ambas as normas não deve ser compreendido, naquele contexto, como uma faculdade que, acaso não exercida, impeça o interessado de vir posteriormente a invocála. Da mesma forma que o mesmo vocábulo “poderá” contido no abaixo transcrito art. 229 do RIR/99 também não deve ser assim compreendido: Art.229. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto apurado no mês, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, bem como os incentivos de dedução do imposto relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas, Atividade Audiovisual, e ValeTransporte, este último até 31 de dezembro de 1997, observados os limites e prazos previstos para estes incentivos (Lei nº8.981, de 1995, art. 34, Lei nº9.065, de 1995, art. 1º, Lei nº9.430, de 1996, art. 2º, e Lei nº9.532, de 1997, art. 82, inciso II, alínea "f"). (...) No contexto em que essas normas se encontram, o vocábulo “poderá” deve ser entendido como um direito, e não como uma faculdade, daí porque a norma pode ser invocada pelo interessado mesmo após o início do procedimento de ofício. Ocorre que, como a fiscalização não se pronunciou sobre os cálculos do safe harbour a ela apresentados pela contribuinte (fls. 731/732), os autos foram baixados em diligência para que o fizesse. Em seu relatório a autoridade diligenciante concluiu que, embora não houvesse sido comprovada a receita líquida de vendas, a contribuinte fazia jus ao safe harbour mesmo se receitas e resultados da SCP não sejam segregados das receitas e resultados da própria contribuinte, como de fato não o foram, conforme visto no item 2 deste voto. Ademais, concluiu ainda a autoridade diligenciante que, mesmo que as receitas e os resultados da contribuinte sejam segregados das receitas e dos resultados da SCP, ambas satisfariam os requisitos para se beneficiarem do safe harbour. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.001611/200464 Acórdão n.º 1201001.272 S1C2T1 Fl. 14 13 Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13894.000737/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. VENDA COM REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCABÍVEL.
As operações de vendas efetuadas com redução da base de cálculo não fazem jus à manutenção dos créditos previstos no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004.
As modalidades relacionadas no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004 (suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência) são exaustivas, não comportando interpretações tendentes a dilatar seu conteúdo, mormente tratar-se de regras tributárias com efeitos desonerativos, merecendo interpretação mais restritiva.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, ausente o Conselheiro Francisco José Barroso Rios que deixou consignado seu voto na sessão anterior. Acompanhou o julgamento a Adv. Anete Mair Maciel Medeiros, OAB DF 15787.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, ausente o Conselheiro Francisco José Barroso Rios que deixou consignado seu voto na sessão anterior. Acompanhou o julgamento a Adv. Anete Mair Maciel Medeiros, OAB DF 15787.
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CRÉDITOS. VENDA COM REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCABÍVEL. As operações de vendas efetuadas com redução da base de cálculo não fazem jus à manutenção dos créditos previstos no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. As modalidades relacionadas no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004 (suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência) são exaustivas, não comportando interpretações tendentes a dilatar seu conteúdo, mormente tratarse de regras tributárias com efeitos desonerativos, merecendo interpretação mais restritiva. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 07 37 /2 00 5- 70 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13894.000737/200570 Acórdão n.º 3301002.828 S3C3T1 Fl. 8 2 Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, ausente o Conselheiro Francisco José Barroso Rios que deixou consignado seu voto na sessão anterior. Acompanhou o julgamento a Adv. Anete Mair Maciel Medeiros, OAB DF 15787. Relatório Conselheiro José Henrique Mauri Relator Por bem elaborado, adoto o relatório constante do Acórdão 0530.275, ora recorrido, da 3ª Turma da DRJ/CPS, da lavra do Julgador Fernando Cesar Tofoli Queiroz, até aquele ponto: Em 29/07/2005 a contribuinte apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fl. 01, mediante a qual declarou a extinção de débito com pretensos créditos referentes à sistemática não cumulativa da COFINS, apurados em relação a operações no mercado interno, vinculados ao período de abril a junho de 2005. Conforme fl. 02, o débito compensado alcança R$ 457.143,18. O Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT) emitiu o Despacho Decisório de fls. 34/36. No citado despacho, a unidade local reportase ao teor do relatório de fls. 21/22 elaborado pela seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal, o qual informa que os saldos credores de Cofins oriundos de operações no mercado interno não são decorrentes do disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, e que por essa razão não podem ser objeto de ressarcimento em dinheiro e tão pouco de compensação com outros tributos, podendo apenas serem utilizados para descontos da própria Cofins em períodos posteriores. Lembra o despacho decisório que a Lei n° 11.116, de 2005, trouxe nova forma de aproveitamento do saldo credor quando oriundo das operações previstas naquela lei. E transcreve, na sequência, os art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005 e art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004: Lei n° 11.116, de 2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3° das Leis n' 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n ° 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário Fl. 414DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13894.000737/200570 Acórdão n.º 3301002.828 S3C3T1 Fl. 9 3 anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei n° 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Prossegue o texto do despacho decisório em tela: Uma intimação foi necessária para que o contribuinte informasse a descrição resumida e classificação (TIPI) dos produtos vendidos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no período considerado no pedido de ressarcimento em epígrafe. Em resposta, o contribuinte alega que as bases de cálculo do PIS e da Cofins, relativamente à venda de tratores, colheitadeiras e tratores lagarta, classificados na NCM,, respectivamente nas posições 8701.90.90, 8433.51.00, 8701.30.00, foram reduzidas em 48,10% pela Lei n'10.485, de 2002, art. 1 ° §2° inc. II, e que essa redução seria tratada como uma isenção parcial. Com o raciocínio acima, o contribuinte entende que as suas vendas no mercado interno estariam parcialmente isentas dessas contribuições, conferindolhe o direito ao ressarcimento e/ou compensação do saldo credor das respectivas contas contábeis. Pelo quadro acima, é pacífico o entendimento de que, para ter direito ao ressarcimento/compensação, o saldo credor deve ser oriundo de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins. No entanto, não deve prosperar o entendimento de que a redução da base de cálculo equivale a una isenção parcial; o legislador ordinário definiu exaustivamente as situações nas quais o contribuinte pode ressarcirse do saldo credor ou compensálo com outros tributos administrados pela Receita Federal; as quatro situações não são meramente exemplifacativas; e dentre elas não consta a redução da base de cálculo. Diante desse contexto e tendo em conta o disposto no caput do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, concluiu a autoridade local que a situação não se enquadra no caput do art. 74, porquanto o saldo credor em pauta não é passível de ressarcimento. Com relação ao rito processual, posicionouse a unidade de origem ainda que não haveria que se falar no rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972, previsto no citado art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, a DRF de origem, por fim, não reconheceu o direito creditório indicado e considerou não declaradas as compensações a ele vinculadas. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13894.000737/200570 Acórdão n.º 3301002.828 S3C3T1 Fl. 10 4 Ao fim do despacho, a unidade local determinou, ainda, a juntada aos presentes, por apensação, do processo administrativo n° 13894.000736/200525, que trata de DCOMP que também se utiliza do mesmo pretenso direito de crédito. A efetivação da mencionada juntada processual foi comunicada no aviso de fl. 229. Notificada do despacho decisório em 09/11/2009, em 01/12/2009 a contribuinte protocolou a peça de fls. 40/54, na qual informa e alega, em síntese: a) Recorrerá à via do Mandado de Segurança a fim de ver reconhecido seu direito à interposição da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §9° da Lei n° 9.430, de 1996; b) Por submeterse ao regime não cumulativo do PIS e da Cofins, apropria e acumula, mensalmente, créditos decorrentes da aquisição de insumos, os quais não podem ser aproveitados integralmente em razão da redução da base de cálculo prevista na Lei n° 10.485, de 2002; c) A suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins as quais, segundo o caput do art. 17 da Lei da 11.033, de 2004, não impediriam a manutenção dos créditos são figuras desonerativas que buscam reduzir a carga tributária e o preço dos produtos comercializados; da mesma forma ocorre com a mencionada redução da base de cálculo prevista na Lei n° 10.485, de 2002; d) Assim, para os fins colimador no artigo 16 da Lei n° 11.116, de 2005, deve se ter em conta a intenção pretendida pelo legislador, qual seja, autorizar o contribuinte que acumula créditos do PIS e da COFINS — porque suas vendas são beneficiadas — a compensálos com outros tributos e contribuições administrados pela RFB; e) O STF no RE 174.4782 decidiu, com relação ao ICMS, que a redução da base de cálculo se equivale ao instituto da isenção parcial; f) Assim, seja em virtude da melhor doutrina que equipara os dois institutos, seja em razão do entendimento firmado pelo Pleno do STF no sentido de que tais institutos — a redução da base de cálculo e a isenção parcial — impedem parcialmente a incidência tributária, inferese que – o procedimento adotado pela Requerente está correto e de acordo com a legislação correlata; sendo a redução da base de cálculo uma espécie de isenção parcial, o crédito é perfeitamente passível de restituição ou ressarcimento atendendo, dessa forma, as condições impostas pela Lei n° 11.116/2005, bem como pela IN n'460/04, vigente à época da entrega das declarações de compensação; g) Nesse passo, vedar a utilização dos créditos de PIS e de Cofns acumulados de acordo com as Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, é ofender os princípios da isonomia bem como o da não cumulatividade; deve ser garantido ao contribuinte o direito de compensar na apuração das referidas contribuições o montante do PIS e da COFINS relativo às operações anteriores; se, todavia, diante da isenção parcial, não restar saldo devedor dessas contribuições, a fim de dar efetividade à não cumulatividade, nada mais lógico do que compensar tais créditos com outros tributos e contribuições devidos à RFB. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13894.000737/200570 Acórdão n.º 3301002.828 S3C3T1 Fl. 11 5 Foi ainda juntada aos autos, fls. 125/129, cópia de decisão obtida pela contribuinte nos autos do Mandado de Segurança n° 2009.61.03.0094499, contendo o seguinte trecho dispositivo: Em face do exposto, concedo a liminar requerida, para determinar à autoridade impetrada que faculte à impetrante a concessão do prazo legal para a interposição de recurso administrativo em face das decisões exaradas nos processos administrativos 13894.0007371200570 e 13894.0007351200581, mediante prévia intimação, suspendendose a exigibilidade dos respectivos créditos tributários no caso de regular tramitação dos recursos. Na seqüência, os membros daquele colegiado, por unanimidade de votos, por meio do Acórdão 0530.275, acordam em considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR DE NATUREZA NÃO COMPENSÁVEL Não são passíveis de aproveitamento via compensação ou ressarcimento, os saldos credores vinculados às operações não tratadas no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, sendo sua utilização possível somente mediante desconto da respectiva contribuição apurada nos meses subseqüentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do Acórdão da DRJ, o contribuinte apresentou, em 29/6/2010, Recurso Voluntário, fls. 905/922, reprisando as argumentações apresentadas na Impugnação, ressaltando ainda: 1. Que a qualificação jurídica de uma redução de base de cálculo é a de uma isenção do tipo parcial. 2. Sendo a redução da base de cálculo uma espécie de isenção parcial, o crédito é perfeitamente passível de restituição ou ressarcimento, atendendo, dessa forma, às condições impostas pela Lei n° 11.116/05, bem como pela IN n° 460/04, vigente à época da entrega das declarações de compensação. 3. Para que o dispositivo legal consignado no art. 17 da Lei 11.033/04 possa ser plenamente concretizado, fazse mister uma interpretação teleológica do dispositivo para fins de incluir em sua hipótese de incidência os casos em que há redução de base de cálculo, a exemplo do que ocorre com a Recorrente, sob pena de restar frustrada a clara e manifesta intenção do legislador de impedir o acúmulo de créditos das referidas contribuições sociais. Requer, por derradeiro, o provimento do recurso voluntário reformando integralmente o v. Acórdão recorrido. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13894.000737/200570 Acórdão n.º 3301002.828 S3C3T1 Fl. 12 6 O processo foime distribuído, por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O cerne do litígio resumese na seguinte questão: As vendas efetuadas com redução da base de cálculo permitem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos de PIS e COFINS vinculados a essas operações, na forma prevista no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004? Entende o contribuinte que sim. A seu ver a redução da base de cálculo é uma espécie cujo gênero é a isenção parcial. Nessa qualidade igualase a uma isenção para fins de preenchimento dos requisitos do artigo 17 da Lei 11.033, de 2004. Lei n° 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Para sustentar suas conclusões o contribuinte argumenta que o alcance das disposições do art. 17 da Lei 11.033/04 deve ser interpretado utilizandose o método teleológico. Divirjo. As disposições constantes do art. 17, suso transcrito, são cristalinas, lúcidas, sólidas. Destarte, não vislumbro salutar a utilização do método hermenêutico teleológico para que se possa, extensivamente, alcançar situação pontual e específica, visando o enquadramento isentivo, pretendido pelo contribuinte. Ademais se o legislador pretendesse incluir a "redução de base de cálculo", como alega o autuado, dentre as espécies relacionadas no artigo 17 da 11.033, de 2004, teria (ou deveria ter) incluídoa naquele dispositivo, relacionandoa junto aos demais lá listados (suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência). As modalidades relacionadas no dito artigo 17 são exaustivas, não comportando interpretações tendentes a dilatar seu conteúdo, mormente tratarse de regras tributárias com efeitos desonerativos, merecendo interpretação mais restritiva. Com isso, vemos que agiu com inteiro acerto a decisão recorrida, devendo ser mantida, sem reparos. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13894.000737/200570 Acórdão n.º 3301002.828 S3C3T1 Fl. 13 7 Ante o exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri relator Fl. 419DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002314/2001-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: "FASE PRÉ-OPERACIONAL RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras
originarias de empreendimentos em fase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é
diminuído das demais despesas pré-operacionais diferidas. Caso ainda permaneça saldo positivo, o valor é oferecido e tributacão.
Numero da decisão: 1103-000.590
Decisão: ACORDAM os membros da lª câmara / 3ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Eric Castro e Silva
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Eloisa Curi (OAB/SP 117304) 10 DA SILVA - Presidente ER CA fRO E SILVA - Relator • SI-Cl T3 1:1.1. b. C5 —4e9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO • Processo n° 11610.002314/2001-74 Recurso n° 171488 Voluntário Acórdão n° 1103-00.590 — P Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria IRPJ Recorrente MORUMBY HOTÉIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL "FASE PRÉ-OPERACIONAL RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras originarias de eMpreerldillleldOS 071 fase pré-operacional .sao classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesav pré-operacionais diferidas. Caso ainda permaneça saldo positivo, o valor é oferecido e tributacao. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la câmara / 3' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sergio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata. José Sergio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Pereinio da Silva. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou parcialmente procedente pedido de restituição de saldo negativo de IRP.1 dos anos de 1998 (R$ 570,08), 1999 (R$ 7.301,22) e 2000 (R$ 1.760.667,48) corn débitos de P1S/COFINS dos anos-calendários de 2001 a 2003. 0 saldo negativo de IRP.I que constituiria o crédito objeto do pedido de compensação seria decorrente do IRRF incidente nas aplicações financeiras da contribuinte quando a mesma se encontrava em fase pré-operacional e que, por tal razão, foi contabilizado no seu ativo diferido. A decisão recorrida entendeu por homologar as compensações anteriores 01/08/2002, por já terem transcorrido 5 anos entre a formalização do pedido e a apreciação da competente autoridade fiscal. Quanto aos demais que não foram homologados tacitamente, a decisão recorrida io decidiu ser inexistente o direito ao crédito, por entender que as receitas financeiras auferidas pela Recorrente naqueles períodos deveriam ter sido oferecidas à tributação, mesmo estando a Recorrente, à época, em fase pré-operacional. Neste tocante, a decisão recorrida foi assim ementada: RECEITAS FINANCEIRAS E VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. As receitas financeiras e as variações cambiais ativas apuradas em fuse pré- operacional devem ser oferecidas à tributação segundo o regime de competência. homologou em parte pedido de compensação de saldo credor de IRPJ Inconformada, vem a Reconente aduzir no seu Recurso Voluntário basicamente que a decisão recorrida não se sustenta pelas seguintes razões: "(i) a necessidade da observância do regime de competência, tanto para fins contábeis (Lei 6404/76, art. 177) como fiscais, o que leva ao reconhecimento contábil das receitas financeiras "casadas" com as despesas financeiras direcionadas ao projeto de construção do único hotel da Recorrente no Brasil no ativo diferido (e não no resultado), e (II) o impacto contábil e fiscal de tal registro no respectivo imposto de renda retido na fonte pagadora de tais rendimentos financeiros" (fls 284). Em reforço de argumentação, aduz também a recorrente "que nos períodos que deram origem ao saldo negativo de IRPJ a compensar em questão (e durante toda a sua fuse pré-operacional). a empresa obteve saldo devedor decorrente da diferença entre as receitas financeiras e as despesas financeiras (e não saldo credor que, se consideradas as disposições da antiga Portaria ME 475/78, poderia ter sido considerado pelas d. autoridades julgadoras como valor passível de tributação)" (fls. 291). Em sucessivo, traz vários acórdãos deste Tribunal Administrativo, bem como decisão dc Processo de Consulta da DRF/São Paulo, além de indicar que o seu entendimento está de acordo corn o Livro -Perguntas de Respostas — Pessoa Jurídica/2000" (pergunta 202), disponibilizado pela Receita Federal, que neste tocante assim se expressa: "Durante o período que anteceder o inicio das operações sociais ou a implantação do empreendimento inicial, a pessoa jurídica devera apurar o saldo conjunto das despesas e receitas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas, o qual terá o seguinte tratamento: 2 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA • Processo n° 11610.002314/2001-74 Acórdão 6.° 1103-00390 SI-C17'3 Fl. 2 a) se devedor, set-6 acrescido ao saldo da conta de gastos a amortizar, do ativo diftrido; h) se credor, será diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no próprio período-base" (fls. 298). Com tais considerações, pede o provimento do Recurso Voluntário e a homologação integral das D/COMPs. o relatório. • 3 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, Relator O recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A questão ora posta foi enfrentada pela Solução de Divergência COSIT n° 32 de 05.08.2008, cuja ementa é a seguinte: "As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo liquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pre-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro liquido do exercício". Assim, na fase pré-operacional, sendo as despesas maiores que as receitas, o saldo negativo é lançado no ativo diferido do contribuinte; sendo positiva a diferença entre receitas e despesas, o saldo deve diminuir as demais despesas pré-operacionais e, eventual saldo positivo, pode ser tributado. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, cuja precisão e conhecimento técnico sobre o tema é. de todos conhecidos, assim se manifestou em processo análogo ao presente (Proc. n° 10580.013161/2002-11): "Segundo essa Solução de Divergência [COSIT no 32/08], a revogação da IN 54/88, não constitui razão suficiente para se concluir que o resultado financeiro positivo obtido a partir dos gastos classificáveis no ativo diferido por parte das pessoas jurídicas que apuram o respectivo imposto sobre a renda com base no lucro real deva ser prontamente tributado, posto que a legislação comercial, que consagra o principio da compelência, inclusive no que se refere ao ativo diferido e cuja observáncia determinada pela legislação tributária, estabelece que devem ser registrados no ativo diferido, o saldo negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo, sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas, devendo haver tribulação apenas quando o referido resultado ultrapassar o total das despesas pre- operacionais. No caso dos autos a Recorrente comprovou por meio dos Balanços dos anos- calendários de 1998, 1999 e 2000, juntados às fls. 329/35, que as despesas financeiras foram maiores que as receitas, tendo tal saldo sido posto no ativo diferido, o que lhe permite utilizar o IRRF das suas aplicações financeiras no período para compor o seu saldo negativo e utilizá-lo nas presentes compensações. 0 entendimento aqui posto,inclusive, já foi prestigiado nos Processos de Consulta a seguir transcritos: "Processo de Consulta n° 44/08 da Superintemiência Regional da Receita Federal - SRRF / 8a. 4 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n° 11610.002314/2001-74 Acórdão n.° 1103-00.590 SI-C1T3 Ementa: No caso de empresa em fase de pré-operação, o saldo liquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamenlo, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no período de apuração e, eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro liquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRAI, decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas pré-operacionais, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Mil (Dispositivos Legais: CTN, arts. 43 e 44; Lei n°6.404, de 1976, arts. 177 e 179, V; Lei 77 0 9.430, de 1996, arts. 6°, II, e 74; RJR/] 999, arts. 247 e 274; PN CST n°110, de 1975. CLÁUDIO FERREIRA VALLADA -0 - Chefe da Divisão) Processo de Consulta n° 132/08 da Superintendência Regional da Receita Federal - SRRF / 7a. RF. Ementa: FASE PRÉ-OPERACIONAL - RECEITAS FINACEIRAS. Incide o imposto de renda na fonte, na forma da legislação aplicável, sobre as receitas financeiras auferidas por empresas em fuse de pré-operação No caso de empresa em fase de préoperação, o saldo liquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas préoperacionais incorridas no período de apuração e, eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro liquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de 1RPJ, decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas pré-operacionais, esse valor poderá ser objeto de restintição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. (DISPOSITIVOS LEGAIS: CTN, arts. 43 e 44; Lei n°6.404, de 1976, arts. 177 e 179, V, - Lei n°9.430, de 1996, arts. 6 0, II, e 74; RIR/1999, arts. 247 e 274; PN CST n° 110, de 1975; Solução de Divergência n° 32- Cosit. ANTONIO CLÁUDIO DE JESUS ABDALAH - Chefe da Divisão) Sobre a matéria também são pertinentes os julgados abaixo: LUCRO REAL FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. As receitas financeiras origincirias de empreendimentos em fase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré-operacionais diferidas. Permanecendo saldo positivo, o valor é oferecido 21 tributação. As receitas financeiras e as variações monetárias ativas são parte da atividade operacional da empresa, podendo ser diferidas se a situação é de pré-operacionalidade. (107-09537, de 12.11.2008,) "FASE PRÉ-OPERACIONAL — SALDO CONJUNTO CREDOR — Passível de diferimento, nu Ibrina de lucro inflacionário, o saldo conjunto da fuse préoperacional de despesas e receitas financeiras. variações monetárias ativas e passivas e do resuhado liquido da correção monetária do balanço. que exceda as despesas pré- operacionais, O teor cio disposio) na IN SRF n'54/88. independentemente do resultado aP/' Fl. 526DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA apurado em todo o período-base." (Conselho de Contribuintes - Acórdão 101-95093 de 07/07/2005) "FASE PRE-OPERACIONAL. DIFERIMENTO DAS RECEITAS E DAS DESPESAS. INICIO DA ATIVIDADE OPERACIONAL. As receitas e despesas de empreendimentos em .fase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, para amortização no prazo mínimo de 5 anos. O inicio da atividade operacional se dá quando o equipamento ou instalação passa a operar em sua plena capacidade. (I° Conselho de Contribuintes — Acórdão 103-21933, data da decisão 14/0412005)." "IRPJ. PERÍODO PRÉ- OPERACIONA L. Os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido que contribuirão para a forma gdo do resultado de mais de um período de apuração devem ser amortifados e partir do inicio das operações, independentemente do resultado positivo ou de lucro. Quando a implantação da empresa se processar por etapas, cada fase da implantação deve ser hem definida, a jim de que as amortLações das despesas pré-operacionais fiquem vinculadas a cada etapa (PN/CST n° 110/75). IRP.I. APURAÇÃO DE RESULTADOS. RECEITAS E DESPESAS. Na apuração de resultados de um período, devem os custos, despesas operacionais e encargos devem ser computados com as receitas, consoante comando expresso no artigo 187, inciso e g e sç 1°, letra 'a' e '6', da Lei n° 6.404/76 e artigo 70 do Decreto-lei n 1598/77." ( I° Conselho de Contribuintes - Acórdão 101-94337 de 09/09/2003)" — EMPRESA EM EASE PRE-OPERACIONAL — DESPESA DE VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA — Na fuse pré-operacional, deve ser apurado o saldo conjunto das despesas e receitas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas e do resultado líquido da correção monetária do balanço que, se devedor, será registrado no ativo diferido. Incabível a tributação, isolada e em sua totalidade, do valor registrado a titulo de variação monetária passiva sobre operação de mútuo, Recurso parcialmente provido. (1° Conselho de Contribuintes - Acórdão 108-06007, Data da decisão 22/022000)" "FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras originarias de empreendimentos em fase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, sendo dedu:idas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré- operacionais diferidas. Caso ainda permaneça saldo positivo, o valor é oferecido e tributação. RECOLHIMENTO MENSAL. BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. FASE PRÉ-OPERACIONAL. incabível a exigéncia de recolhimento mensal sobre bases estimadas, se a empresa encontra-se em fase pré-operacional. (Decisão 5008 da DRJ/RJ - r Turma, data da decisão 2g4.2004)" Assim, voto pela procedência cio presente Recurso para homologar os pedidos de compensação originários para reconhecer que o IRRF incidente sobre as receitas financeiras obtidas na rase pre-operacional da impetrante, isto 6, entre os anos de 1998 a 2000, podem ser utilizados para a composição do saldo negativo e, portanto, compensados coin os débitos objeto do pedido originário. como voto. Sala de Sessões, 24 de novembro de 2011. ERIC CASTRO E SILVA RELATOR. 6 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA 1/1: CARE MI: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO - PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° 11610.002314/2001-74 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento • Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n°256, de 22 de junho de 2009. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF (la Camara/la Sec -do) Brasília-- DF, lIde dezembro de 2012 (assinado digitalmente) MARIA CONCEIÇÃO DE SOUSA RODRIGUES MATRICULA: 0148066 Ciência Q.01,3 r • fl - 10%.N Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Maria Etulila Cavalcanti de Arruda Procuradora da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN ( ) apenas com ciência; ( )Q com Recurso Especial; ( com Embargos; Document° assinado digitalmente conformo ME n° 2.200-2 de 24/0812001 i\Jtenticado cligitalmente em 11/1212012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS. Assinado dtgitalmen te ern 11/7212012 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Impresso em 12/1212012 por MARIA CONCEICAC RODRIGUES DE FREITAS - VERSO EM BRANCO Fl. 528DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Secretaria-Executiva Serviço de Controle ao julgamento - SECOJ scs- QUADRA 01 BLOCO "J - ED. ALVORADA 6° ANDAR — CEP. 70396 — 900 — Brasilia - DF Processo n.° : 11610.002314/2001-74 Recurso n° : Voluntário Interessado : MORUMBY NOTE'S LTDA. • 505 a 510. TERMO DE JUNTADA E CERTIDÃO Declaro que juntei aos autos, nesta data, o Acórdão n.° 1103-00590, fls. Intimação ao Procurador da Fazenda Nacional fls. 511. Brasilia, 17 de dezembro de 2012. Maria da Gurq.lima Gomes Barros de Matos Serviço de Controle ao Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Fl. 529DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA ASSINATURA 54,2,611-57 Ne 1 of 1 MINISTERIO DA FAZENDA SISTEMA COMUNICACAO E PROTOCOLO - COMPROT RELACAO DE MOVIMENTACAO - RM ORGAO ORIGEM : 01.15169-0 CARF-MF-DF No RELACAO: 10287 DATA NOV.: 08/01/2013 ( ) Malote ( ) R. Postal: ORGAO DESTINO : 01.37491-5 PGFN-COCAT-DF RESPONSAVEL PELA EMISSAO MATRICULA/CPF ASSINATURA CARLOS ALBERTO 151.448.361-00 NoPROCESSO SEQ. VOLUME PROC. JUNTADO 11831.001879/2007 - 25 0010 0001 - 10920.000436/2008-36 0009 0001 11610.002314/2001-74 001 ._. 0005 14485.000537/2007-63 0010 000-4 confirm acra co COMPRO-! Ern (0 / ' /3 -- PG'n CAT 4...........aamooret.teromararaol=monlossairwoosavearsearacrega, RESPONSAvEL PELA RECEPCAO MATRICULA/CPF • DATA RECEBIMENTO: J J CARIMBO: DOCUMENTO EMITIDO PELO COMPROT EM 08/01/2013 AS 14:54 IMPRESSO EM 08/01/2013 PROCESSO(S) MOVIMENTADO(S) PELO PROFISC https://www.comprØtfletfefldaJComprØtflepX j R/1 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL EXMO. SR. DR. PRESIDENTE DA PRIMEIRA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n.": 11610.002314/2001-74 Recorrente: UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Recorrido: MORUMBI HOTELS LTDA. 1 1 - 1(7-a-1 A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio da procuradora que esta subscreve, com fulcro no art. 67, Anexo II, da Portaria ME di 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vem interpor RECURSO ESPECIAL em face do v. acórdão proferido pela 34 Turma Ordimiria desta colenda Camara no processo administrativo cm epígrafe, requerendo seu regular processamento e posterior remessa à egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Termos em que pede deferimento. Brasilia-DE, 13 de fevereiro de 2013. Maria E:Milia Cavalcanti de Arruda Procuradora da Fazenda Nacional Fl. 531DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL RAZÕES DO RECURSO ESPECIAL Egrégia Câmara. Ilustres Julgadores. I - DOS FATOS Trata-se de pedido de restituição, cumulado corn compensação referente a saldo negativo do IRPJ apurado nos anos-calendário de 1998 a 2000. 1110 Corno as receitas financeiras não foram oferecidas à tributação, pois não foram computadas na apuração do lucro real, a fiscalização concluiu que o respectivo IRRF não pode ser deduzido. Logo, não existiu saldo negativo do 'RP' nos anos-calendário apontados. Em sede recursal, a 3 4 Turma Ordinária da 1-4- Camara da 1 4 Seção de Julgamento do CARF acolheu a pretensão do contribuinte, em acórdão assim ementado: "FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras originãrias de empreendimentos em fase pre-operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré- operacionais diferidas. Caso ainda permaneça saldo positivo, o oferecido à tributação." Data maxima venia, o r. acórdão merece ser reformado, pois está em dissonância corn a jurisprudência deste e. Conselho e corn o direito material posto, conforme restará demonstrado a seguir. II - DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL De acordo corn o art. 67, Anexo II, da Portaria MF nQ 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do CART', compete a CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der â Lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. O acórdão recorrido apresenta a seguinte argumentação: "Assim, na fase pré-operacional, sendo as despesas maiores que as receitas, saldo negativo é lançado no ativo diferido do contribuinte; sendo positiva a 2 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL diferença entre receitas e despesas, o saldo deve diminuir as demais despesas pré-operacionais e, eventual saldo positivo, pode ser tributado." Nesse sentido, analisando situação fzitica similar, a colenda 1`' Turma Ordinária da 2 `-' Câmara da P Seção de Julgamento do CARF, no âmbito do Acórdão 1201-00.180, paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada à lei tributária (cópia anexa), entendeu que, na fase pre-operacional, se a empresa obteve receitas decorrentes de outras origens como as financeiras, elas só devem ser reconhecidas quando realizadas, não cabendo devolução do saldo negativo de IRPJ decorrente do imposto de renda retido na fonte nesta fase, se as respectivas receitas não foram declaradas e computadas na apuração do lucro real. Por oportuno, transcreve-se integralmente a ementa do acórdão paradigma, iii verbis: Acórdão n° 1201-00.180 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 Ementa: FASE PRÉ-OPERACIONAL — RECONHECIMENTO DE RECEITAS FINANCEIRAS — Não há previsão legal, seja de natureza tributária seja de cunho comercial, para diferimento de receitas financeiras. São os recursos aplicados "em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social", nos termos da redação original do inciso V. art. 179, da Lei 6.404/76 (atualmente mod ificado pela Lei 11.638/2007), que devem ser diferidos. Isso decorre do principio da competência, o qual se desmembra em dois princípios concretizadores : (i) o da realização da receita e (ii) o do confronto das despesas. As despesas só são reconhecidas quando confrontadas s respectivas receitas e não o contrário. Dessarte, os dispêndios que vejam a contribuir para receitas futuras só poderão ser reconhecidos nos períodos de obtenção destas receitas. É cm razão deste primado que há a previsão do diferimento de despesas na fase pre-operacional. O mesmo não pode ser dito quanto a receitas. Estas devem ser reconhecidas no período de sua realização. Desse modo, mesmo na fase pré-operacional qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social, as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as não-operacionais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Assim, não cabe devolução do saldo negativo de IRPJ decorrente do imposto de renda retido na fonte na fase pré-operacional, se as respectivas receitas não foram declaradas." No acórdão paradigma, analisando hipótese idêntica a dos autos, o colegiado, diversamente do acórdão recorrido, determinou que somente seria (W- 3 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL possível utilizar-se do saldo negativo de IRPJ mediante compensação quando os rendimentos correspondentes às retenções na fonte obtidas na fase pré-operacional tiverem sido computados na determinação do lucro real. Assim, demonstrada a divergência jurisprudencial diante do acórdão paradigma em anexo, encontram-se presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial. III - DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO 0 cerne do presente processo está em demonstrar que as receitas financeiras sobre as quais incidiu o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), objeto de compensação desta lide, não foram oferecidas à tributação, condição indispensável para que este pudesse ser aproveitado na compensação do imposto apurado no final do período de apuração, originando, se for o caso, o saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). Para isso faz-se necessário analisar o arcabouço legislativo acerca do terna. Vejamos: A Lei 9.430/96, ao tratar do pagamento do imposto de renda por estimativa, dispõe, em seu art. 2 9, § 3Q, III, que: "Art. 2" A pessoa jurídica sujeita a tributação corn base no lucro real poderii optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de aculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1" e 2" do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995. ,§? 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1" e 2" do artigo anterior. § 4" Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poder6 deduzir do imposto devido o valor: III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real;" (destaques não constam do original) 0 art. 274 do RIR/1999 dispõe que ao final de cada período-base, deverá ser apurado o lucro liquido mediante a elaboração do balanço patrimonial, da demonstração dos resultados e da demonstração dos resultados acumulados, corn observância das disposições da lei comercial. 4 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Por sua vez, o artigo 218, do Decreto 3.000/99 (RIR/99), determina observância dos princípios contábeis da realização das receitas e da competência. e "Art. 218. 0 imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral e das sociedades cooperativas em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, sera devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (Lei n2 8.981, de 1995, art. 25, e Lei nu 9.430, de 1996, arts. 1 2 e 55). Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) OU arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei n2 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei n2 8.981, de 1995, art. 26, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 1 2). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de titulo ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma especifica de incidência do imposto (Lei n2 7.450, de 1985, art. 51, Lei nu 8.981, de 1995, art. 76, § 22, e Lei n2 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II)." Por outro lado, dispõem os artigos 179, da Lei 6.404/76, e 325, II, "a", do Decreto 3.000/99 (RIR/99): "Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: • V - no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o inicio das operações sociais." Art. 325. Poderão ser amortizados: II - os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de urn período de apuração, tais como: a) as despesas de organização pré-operacionais ou pre-industriais (Lei n2 4.506, de 1964, art. 58, §32, alínea "a"); Como se vê, a dedução do IRRF do imposto de renda devido Lem como pressuposto que as correspondentes receitas integrem a apuração do lucro real em 31 de dezembro do ano calendário. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Cabe enfatizar que, em se tratando de compensação de IRRF corn o 1RPJ devido em 31 de dezembro do ano calendário, a legislação tributária não prevê tratamento especial para as empresas que se encontram em fase pré-operacional. A leitura desses dispositivos não deixa dúvidas de que são as despesas pré-operacionais que podem ser registradas no ativo diferido, não cabendo ao interprete concluir que, para fins da incidência do imposto de renda, os rendimentos financeiros auferidos nesse período pudessem ter o mesmo tratamento. 0 art. 76, § 2°, da Lei 8.981/95, é contundente no sentido de que os rendimentos de aplicações financeiras devem ser reconhecidos no período ern que foram auferidos, independentemente, de a empresa encontrar-se em fase pré- operacional, conforme se verifica abaixo: "Art. 76. 0 imposto de renda retido na fonte sobre Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei IV 9.065, de 1995) § 29 Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e dc renda variável e Os ganhos líquidos produzidos a partir de 1Q de janeiro de 1995 integrarão o lucro real." Ressalte-se que o lucro real, embora tenha como ponto de partida o lucro liquido do exercício, com este não se confunde, dado que, na sua apuração, são realizadas adições, exclusões e compensações, como forma de atender ãs normas de incidência do IRPJ, previstas na legislação especifica. Abaixo, transcrevem-se os art. 247, 248 e 249, 11 , § único, "caput", todos do Decreto 3.000/99 (RIR/99), que dispõem, respectivamente, acerca dos conceitos de lucro real e lucro liquido, bem n como das adições ao lucro liquido: "Art. 247. Lucro real 6. o lucro liquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 6 ) . §1 2 A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro liquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei n2 8.981, de 1995, art. 37, § -V). §. 22 Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro liquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro liquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 62, § 42). o Fl. 536DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL § 39- Os valores controlados na parte "B' do Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, existentes cm 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nu 9.249, de 1995, art. 6 ) . Art. 248. 0 lucro liquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capitulo V), dos resultados não operacionais (Capitulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (Decreto-Lei nu 1.598, de 1977, art. 69-, § V, Lei nu 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nu 9.249, de 1995, art. 4 ) . Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro liquido do período de apuração (Decreto-Lei nu 1.598, de 1977, art. 6, § II - os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro liquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Paragrafo único. Incluem-se nas adições de que trata este artigo: Portanto, a apuração do lucro real visa, por meio de ajustes ao lucro compatibilizar esse resultado corn as normas de incidência do IRPJ, determinando, ao final, a sua base de cálculo. Desta feita, conclui-se que apesar do IRRF sobre aplicações financeiras contribuir para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, somente o saldo negativo de Imposto de Renda a pagar, calculado ao final do período de apuração, que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente, desde que sua base de cálculo englobe as receitas correspondentes ao imposto retido na fonte deduzido do imposto devido. Portanto, a retenção de imposto na fonte em principio não traduz existência de crédito com a Fazenda Nacional, pois quanto efetuada nos exatos termos dispostos na lei é considerada uma antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, não gerando, pois, direito à restituição ou compensação enquanto não apurada a existência de crédito da contribuinte no período. Logo, o IRRI7 torna-se aproveitável apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, caso sua retenção não seja exclusiva de fonte, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social corno nas demais atuações empresariais. 7 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL Assim, conclui-se do ora exposto que, ainda que a contabilização dos rendimentos financeiros, em conta redutora de ativo diferido, seja permitida, inadmissível que, na apuração do lucro real, a contribuinte no os ofereça tributação e, além disso, queira compensar o imposto retido no ano-calendiirio. IV-CONCLUSÃO Face ao exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja o presente recurso especial conhecido e provido, para reformar o v. acórdão recorrido, restabelecendo-se a decisão de primeira instancia. Termos em que pede deferimento. Brasilia-DF, 13 de fevereiro de 2013. Wv Maria Emilia Cavalcanti de Arruda Procuradora da Fazenda Nacional 8 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELII0 ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo 13804.006550/2002-07 Recurso re 166.286 Voluntário Acórdão n° 1201-00.180 — 2 Ciinaara / 1a Turina Ordinária Sessão de 30 de setembro do 2009 Matéria IRPJ Recorrente Vesper S.A. Recorrida 7' Tunua/DRJ-Rio de Janeiro/RI-1 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 Ementa: FASE PRÉ-OPERACIONAL — RECONHECIMENTO DE RECEITAS FINANCEIRAS — Não há previsão legal, seja de natureza tributária seja de cunho comercial, para diferimento de receitas financeiras. Sao os recursos aplicados "em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social", nos termos da redação original do inciso V, art. 179, da Lei 6.404/76 (atualmente modificado pela Lei 11.638/2007), que devem ser diferidos. Isso decorre do principio da competência, o qual se desmembra em dois principias coneretizadores : (i) o da realização da receita e (ii) o do confronto das despesas. As despesas só são reconhecidas quando confrontadas às respectivas receitas e não o contrario. Dessarte, os dispêndios que vejam a contribuir para receitas futuras so poderão ser reconhecidos nos períodos de obtenção destas receitas. É em razão deste primado que há a previsão do diferimento de despesas na fase pre-operacional. 0 mesmo não pode ser dito quanto a receitas. Estas devem ser reconhecidas no período de sua realização. Desse modo, mesmo na fase pre-operacionana-qual-a-entidade-ainda-não-obteve-receitas -decorrentes -de seu objeto social, as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as não-operacionais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Assim, não cabe devolução do saldo negativo de IRPJ decorrente do imposto de renda retido na fonte na fase pre-operacional, se as respectivas receitas não foram declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA )1( 41 GUILHERME ADOLFO 0 SANTOS MENDES - Relator Acordam os membros do colegiada, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário , nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Cheryl Berno, Alexandre Barbosa Jaguaribe e Antonio Carlos Guidoni Filho. C)A61112.1h.T-Gan G Presidente EDITADO EM: 18 FEI 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: os Conselheiros Adriana Gomes Rego (Presidente da Turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Cheryl Berna (Suplente Convocada), Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente de Tuiina). 2 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n I 3804.006550/2002-U7 Acárd5o 1201-00.180 Rela tório DO PEDIDO INIICIAL, DO INDEFERIMENTO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 0 presente processo tem por objeto pedido de restituição (fl. 01), acompanhado de declarações de compensação. O pleito foi indeferido pelo despacho de fls. 188 a 194, ao passo que a manifestação de inconformidade foi apresentada As fts. 213 a 227. Abaixo torno de empréstimo o relatório da autoridade julgadora de primeiro grau quanto aos referidos atos processuais: Troia o presente processo de pedidos de restitui cão 01. 01) e de compensação (fl. 02; processo n°13710.004337/2002-00, lis. 50 a 52; processo n° 13710.000468/2003-91, fir. 75 a 77; processo n° 13710.00046912003-35, lls. 72 a 74) protocolizados pela contribuinte em epígrafe. Foi pleiteado o reconhecimento de direito creditório, no valor de R$ L206.554,80, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (LRRF), relativo aos anos- calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, e a extinção de crédito tributário relativo ao PIS e a COFINS. 2. A Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT/EOPEJ) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (DERAT/RJO), ao apreciar os referidos pleitos, decidiu por indeferi-los, conforme despacho decisório clefts. 188 a 194. 3. Assevera a autoridade administrativa, em primeiro lugar, que os mencionados pedidos de compensação foram convertidos em Dcomp, por força do disposto no art. 49 da Lei /1 010.637/2002. 4. Assevera então que deveria a contribuinte ter comprovado existência de saldo negativo de TRW, nos anos-calendário de 1999, 2000, -20(11 e 2002, como estabelae as regras pant apuração do Lucro Real, mais precisamente no art. 40, inciso II, da Lei n° 8.931/1995, com a redação dada pelo art. I' da Lei n°9.065/1995 e do art. 7°, ,§* 3 0, da Lei n°9.430/1996. 5. Quanto ao ano-calendário de 1999, a interessada apresentou D1PJ retificadora, declarando R$ 412.814,66, a titulo de IRRF, o que gerou igual valor de saldo negativo para o respectivo ano-calendário (linhal 8, ficha 13 A, D1PJ 2000, 62),= masfnao7declarou :qualquer: rendimento,7estandozerada toda ficha 07A — Demonstração do Resultado «is. 163 a 165). 6. Assim sendo, tendo em vista que não foram oferecidos a tributação quaisquer rendimentos durante o czno-calendário de 1999, não há como admitir a dedução de qualquer valor título 3 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA de IRRF, de tal sorte que não existe valor de saldo negativo de IRP, pas.s'ivel de restituição ou de compensação. 7. Para os anos-calendário de 2000 e 2001, foi deferido o pedido de restituição, no valor de R$ 557.041,50 e RS 328.872,49, respectivamente. 8. Por fim, no que tange ao ano-calendário de 2002, cumpre informar que o pedido de restituição não foi analisado, visto que tal pleito foi protocolizado antes do encerramento do respectivo período de apuração, o que impede a apuração dc eventual saldo negativa de 9. Inconformada corn a referida decisão, da qual tomou ciência em 19/09/2007 (17. 208), a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ern 19110/2007 «is. 213 a 227), alegando, em síntese, que por se encontrar na fase pré- operacional, no ano-calendário de 1999, não deveria oferecer tributa cão o valor das receitas financeiras. A impugnante sustenta que na fase pré-operacional não existem receitas operacionais. 10. Requer, corn fiandamento no art. 52 da Instrução Normativa SRF n õ 600/2005, o deferimento da compensação citada acima. Alternativamente, nos termos dos arts. 16, inciso IV, e 18, do Decreto n ° 70.235/1972, dos arts. 4 e 19, da Instrução Normativa SRF n° 600/2005 e Ordem de Serviço n° 01/2004, pede que se defira a realização de diligência, afim de que se comprove que o said° negativo de IRRI, referente ao ano-calendário de 1999, decorreu da fase pré-operacional. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 249 a 255) negou provimento à defesa, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOST° SOBRE 4 RENDADE PESSOA JURiDIC9 - IRPJ Ano-calendário: 1999 DIREITO CREDITORIO. COMPROVAÇÃO. Decerto, incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de prove hábil e idônea, da composição e da existéncia do crédito que alega possuir junto ci Fazenda Nacional, para que sejam aferidas a liquidez e certeza pela autoridade administrativa. SALDO NEGATIVO. Somente é passível de restituição ou de compensação o saldo credor cleIRPJ, quando restar comprovado, além da retenção, que us rendimentos integraram o lucro real do período de apuração. FASE PRÉ-OPERACIONAL - DIFERIMENTO DE DESPESAS - RECEITAS CORRELATAS. 4 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo n' 13804.006550/2002-07 Accirdao 1201-00.180 O difdrimento admitido pela legislaçao tributária em vigéncia restringe-se aos custos e despesas pertinentes as atividades da empresa na fase pré-operacional, devendo observai- a tributação das receitas financeiras o regime de competcl.ncia. Vale ainda destacar os seguintes trechos do voto condutor, que compõe o cerne dos fundamentos: A interessada alega, em resumo, que por se encontrar pa fase pré-operacional, no ano-calendário de 1999, não deveria oferecer a tributação o montante das receitas .financeiras. Coin outras palavras, sustenta que no fase pré-operacional não exis tern receitas operacionais. Labora eia equivoco a interessada. Nina?, as receitas financeiras deverão ser reconhecidas a medida que auferidas, sem a possibilidade de diferimento. Com efeito, existe dispositivo legal que determina o oferecimento imediato tributação das receitas financeiras. Em verdade, bastaria constatar que não existe dispositivo legal que determine expressamente o diferinzento — como ocorre atualmente — para que se possa concluir que tais receitas devam Mr oferecidas tributação, aplicando-se o principio geral de que os rendimentos são tributáveis na medida em que auferidos. .t o que expressa o art. 218 do Regulamento do Imposto de Renda — R1R199 (Decreto 3.000, de 26 de março de 1999): A interessada deve entender que o diferimento não é a regra, mas sim a exceção e, como tal, deve estar expressa na legislação. Inexistindo a previsão da exceção, a regra se impe. Em suma, por falta de previsão legal, não pode a empresa confrontar o resultado credor das receitas e despesas financeiras coin as despesas pré-operacionais. As receitas e despesas financeiras compõem o resultado do período cm que incorridas, enquanto as despesas pré-operacionais são ativadas para posterior amortização, nos termos do art. 179, V, da Lei 6.404/76, combinado com o art. 325, II, "a", do RIR!! 999. Vale dizer, as receitas e despesas financeiras compõem ordinariamente o resultado tributável da empresa como acontece coin as pessoas jurídicas em geral; mas, já os gastos pré-operacionais não são levados diretamente a resultado, já que compõem o ativo diferido da empresa, sujeito er amortização posterior. DO RECURS O VOLUNTÁRIO O sujeito - passivo apresentou recurso voluntdrio,-as fls.-259-Y-274,-rneclianto qual praticamente se limitou a reiterar (alias, na sua maioria, ipsis litteris) argumentos já trazidos na impugnação para, ao final, pedir quo seja reformada a decisão recorrida para que seja reconhecido seu direito creditório e sejam homologadas as compensações formuladas. 5 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Ademais, requer a realização de diligencia/pericia coin o fito de comprovar o saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 1999. o relatório. e Fl. 544DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Processo ii 13804.006550/2002-07 Acórildo 11. 0 1201-00.180 Vo to Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Na declaração de rendas para o ano-calendário de 1999, o recorrente informa receitas operacionais já a partir de maio (fl. 36). Essa informação, contudo, foi obtida apenas em razão da receita bruta como base de cálculo do PIS e da COFINS porque a declaração juntada aos autos não esta completa. Assim, poderia corresponder a própria receita financeira da empresa e não a receitas de sua atividade. Nada obstante, para tal, seria necessário que o total dessas bases de calculo fosse igual ou inferior ã receita financeira constante do informe dc rendimento carreado aos autos, o que não ocorre. Alie-se a isso o fato de o informe de rendimentos estar discriminado mês a mês, e a receita financeira e a retenção do IR se referirem apenas ao mês de dezembro, ao passo que foram informadas bases de cálculo de PIS e Colitis desde junho. Vale destacar que o informe da mesma instituição financeira para o ano de 2000, á fi. 05, apresenta valores para todos os meses du ano. Dessa forma, pelos elementos carreados aos autos pelo próprio interessado, sou levado a concluir que a receita financeira e o imposto retido na fonte são atinentes ao mês de dezembro, no qual a empresa não mais estava em fase pró-operacional; fato esse revelado pela base de cálculo declarada do PIS e da Colins (fls. 37 a 39 e 43 a 45). Nada obstante, ainda que o interessado não tivesse iniciado suas atividades operacionais no mês da obtenção das receitas financeiras, estas deveriam ter sido levadas apuração do resultado e, conseqüentemente, à determinação do lucro real e do imposto de 61 renda da pessoa jurídica, pois concordamos com o entendimento da decisão recorrida. Não há previsão legal, seja de natureza tributária seja de cunho comercial, para diferimento do reconhecimento de receitas. São Os recursos aplicados "em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social", nos termos da redação original do inciso V, art. 179, da Lei 6.404/76 (atualmente modificado pela Lei 11.638/2007), que devem ser diferidos. Isso decorre do principio da competência, o qual se desmembra em dois princípios coneretizadores : (i) o da realização da receita c (ii) o do confronto das despesas. As despesas só podem ser reconhecidas no período da realização das receitas cm relação as quais contribuíram para a sua obtenção. Abaixo, transcrevemos a ementa relativa a este ultimo principio, que foi veiculado pela Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, a qual foi adotada inclusive pela CVM: "Toda despesa chfctamente deliaM —com —as — receitas reconhecidas em determinado período, coin as mesmas devera ser confrontada: os COMM/710S 011 sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em deternzinado período e que não puderam ser associados a receita do período nem as dos 7 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA períodos futuros, deverrio ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem..." Ou seja, os dispesndios que vejam a contribuir para receitas futuras só poderão ser reconhecidos nos períodos de obtenção destas receitas. E em razão deste principio que hj. previsão do diferimento dc despesas na fase pré-operacional. O mesmo nib pode ser dito quanto a receitas. As receitas devem ser reconhecidas como tais no período de sua realização. Desse modo, mesmo na intitulada fase pré-operacional, na qual a entidade ainda não obteve receitas decorrentes de seu objeto social, as receitas de outras origens, ou seja, as financeiras e as não-operacionais, devem ser reconhecidas quando realizadas, vale dizer, no período no qual a entidade adquiriu o direito ao seu recebimento. Assim, se os juros foram obtidos ern razão de uma aplicação financeira num eel-to ano, é neste ano que devem ser reconhecidos como receitas financeiras, ainda que não recebidos e mesmo que a entidade não esteja também obtendo receitas da sua atividade operacional. Destaque-se, mais uma vez, que as despesas só são reconhecidas como tais quando confrontadas As respectivas receitas e não o contrário. Não cabe restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos financeiros, mas apenas o saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica decorrente de tais retenções. Estas, porém, só podem ser reconhecidas na declaração se as respectivas receitas financeiras compuseram o resultado do exercício, o que não ocorreu. Por fim, entendo que não cabe a apresentação de novas provas ou a realização de perícia para a apuração do saldo negativo do IRPJ, pois este deveria ter sido determinado pelo próprio sujeito passivo quando da apresentação da declaração de rendimentos. Não cabe nesse estágio do processo recompor por compteto a apuração do imposto. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário - Guilh e Adolfo dos Santos Mendes - Relator 8 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Destaques do Governo Mtrsittérío da Fazenda Fazenda mmistktio da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ptiV6 -koLf,1 Instilucionat .11. ism tidência Acórdãos linulas Calend:11m Pout. Atas Silken Relacionados Acesso à friformacão Acesso restrito Informac8es Processuais - Detalhe do Pr ocesso Processo Pr incipal [1.3804.006550/200210Z1 Data Entracla :115/08/20021 Contribuinte Prinolpal 'VESPER S.A.( leSoto lImposto de Renda Retenção na Fonte! Situação dots) Recurso(s) DA IA Rer:Iirso Traiiiira00 Per.:111,0111rid.,11re - I ccclv Orlon Anita [ORDINÁRIA _1130705/2008 1[Recurso Voluntario —.......... _______ .... I [ORDINÁRIA . 1 1 30/09/2009 I [Recurso Voluntario - Negado Provimento Por Qualidade T1201-00180 . i130/0972009 N 7 Dec Despacho f)'" ISrisSo fiespacho Andamentos do Processo Irata TralirltaçãO f sue 03/03/2011 ORDINÁRIA 1 RECEPÇÃO 'EXPEDIDO 21/09/2010 ORDINÁRIA ! RECEPÇÃO RECEBER PROCESSO - TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL Orgão: SECAM/2.CÁMARA/1.SEJUL/CARE/MF/DF _— ___ _—.- -- 31/08/20101 ORDINÁRIA I I RECEPÇÃO RECEBER RETORNO DE PROCESSO Orgã: Gtão de Processos fiscais o es 16/07/2010 ORDINÁRIA 1RECEPÇÃO RECEBER PROCESSO - TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL Orgão: SECO] - SERVIÇO DE CONTROLE DE JULGAMENTO 16/07/2010 ======= 08/03/2010 03/11/2009 ORDINÁRIA 1RECEPÇÃO ; , ORDINÁRIA 1 1 . ,==7... . .7......„......„..==..r ,..s............_.„.......=.= JULGAMENTO RECEBER PROCESSO - TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL Orgão: SECAM/2 0CÁN1ARA/1.SEJUL/CARF/ME/DF EM fRA.mifi■OO ------- PROCESSO ENVIADO PARA UNIDADE DA RECEITA FEDERAL DE ORIGEM (MOV 08/03/2010 PARA DERA1 R1O - DICAT RELACAO: 12367) Orgão: SECOJ - SERVIÇO DE CONTROLE DE JULGAMENTO : ORDINÁRIA 1 JULGAMENTO . _ EM TRAMITAÇÃO PROCESSO NO CARE EM 27 NOVEMBRO DE 2009 Orgão: SEW./ - SERVIÇO DE CON I ROLE DE JULGAMENTO 30/09/2009 ORDINÁRIA JULGAMENTO JOLGADO FM SESSÃO - DECISÃO Houve sustentação oral proferida pelo Representante do Contribuinte Dr. Julio Salles Costa lanolin OAR-R1 ri. 119 528 Unidade: 1. Seção Orgão Julgador: 2. CArnara Relator: Goilherme Adolfo dos S. Mendes Data da Sessão: 30/09/2009 Hora da Sessão: 00:00 Tipo da Pauta: Ordinaria Tipo Sessão: Normal Decisão: Acórdão Nimiero Decisão: 1201 - 00180 Texto da Decisão: Pelo voto de qualidade, NEGARAM proviinento on recurso voluntario,vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaquaribe, Cheryl Berno e Antonio Carlos Guidoni nth°, que propunham converter o julgamento eel diligência Resultado: Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Qualidade r30/09/2009 17/06/2009 IORDINARIA i RECEPÇÁO ORDINÁRIA 1 DISTRIBUIÇÃO . FM TRAN1ITAÇÃO 1 PARA RELATO Unidade: 1. Seção Orgão Jolgador: 1. Turma da 2. Citnara da Segunda Cãmara SORTEADO PARA RELATOR- - ------- — Uniclacle: 1. Seção Orgão Julgador: 1. -forma da 2. CAmara da Segunda Câmara Relator: Guilherme Adolfo dos S. N1encles 17/06/2009 : ORDINÁRIA 1 DISTRIBUIÇÃO ¡ 17/06/2009 30/05/2008 I ORDINÁRIA i . [ORDINÁRIA ORDINIA AR I ' - ' DISTRIBUIÇÃO DISTRIBUÍDO OU SORTEADO PARA CÂMARA OU TURMA Unidade: 10 Seção Orgão Julgador: 1. Turina da 2. Câmara da Segunda Camara -1h- CEP ÃO - RECEPÇAO 11ENTRADA -NO .SE .ER.E7A.RIA ."------------ ''''' ---- - ---- LAGUARDANDO DISTRIBUIÇÃO NA Orgão: SECOT - SERVIÇO DE CON TROLE DE JULGAMENTO - ---- - -. 30/05/2008 IL CONSELHO -- - - Todos AndarrentoS Copylight 200 1 Conselho Administrativo de Recursos riscais Setor Comercial Sul, Quadra 01, Bloco Tr, Ed. Alvorada PEP: 70.396 ,400. Pr-agate - OF - Toler one: (61)3412-7665 I Quern ci Quern Sitio melhor visualizado em resolução 1074x76n pixels e melhor deseinpenho rein navegador Mozitla Fiction . • • Ocm rim. la Age., Jurisprurrenora Consultar Inteiro Teor: Orrit'OSSOS Número do Pror.esso: C Sistema Push Ern Construção http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/Consultariurispruclencia/listitiurisprudencia.jsf 13/2/2013 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA Page 1 of 1 MINISTERIO DA FAZENDA SISTEMA COM UNICACAO E PROTOCOLO - COM PROT RELACAO DE MOVIMENTACAO - RM N" 10819 ELACAO: DATA 14/02/2013 MOV.: O Malote OR. Postal: ORGAO ORIGEM : 01.37491-5 PGEN-COCAT-DF ORGAO DESTINO : 01.15169-0 CARF-MILDF RESPONSAVEL PELA EMISSÃO MATRICULA/CPF ASSINATURA EDERSON OVIDIO 020.542.611-57 PROC. N"PROCESSO SEQ. VOLUME JUNTADO 11610.002314/2001-74 0011 0003 0005 • 511 -ts- C RESPONSAVEL PELA RECEPCAO MATRICULA/CPF ASSINATURA DATA RECEBIMENTO: t CARIMBO: DOCUMENTO EMITIDO PELO commar EM 14/02/2013 AS 08:39 IMPRESSO EM 14/02/2013 https://e-processo.receita.fazenda/ControleImprimirRM.asp?psAcao=imprimir&psRM.. . 14/2/2013 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF PRIMEIRA CÂMARA Processo n° : 11610.002314/2001-74 Interessado(a): MORUMBI HOTEIS LTDA. TERMO DE JUNTADA Nesta data juntei aos presentes autos, o RECURSO ESPECIAL fls. 514 a 526, bem como, a R.M. de fls. 527, as quais numerei e rubriquei. Em, 18 de fevereiro de 2013 Maria Félix de Oliveira Siape: 01765884 S • Fl. 549DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000915/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RESERVA REMUNERADA.
O rendimentos percebidos por servidor público em reserva remunerada, quando portador de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial, são isentos do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 43: "Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda".
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente.
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RESERVA REMUNERADA. O rendimentos percebidos por servidor público em reserva remunerada, quando portador de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial, são isentos do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 43: "Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda". Recurso Voluntário Provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. RESERVA REMUNERADA. O rendimentos percebidos por servidor público em reserva remunerada, quando portador de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial, são isentos do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 43: "Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda". Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 09 15 /2 00 7- 11 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente. Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10845.000915/200711 Acórdão n.º 2402004.702 S2C4T2 Fl. 84 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SPII, que indeferiu solicitação manejada contra o Despacho Decisório DRF/STS nº 056, de 13/6/2007, que indeferiu o pedido de restituição de Imposto de Renda retido sobre o décimo terceiro salário, em face de ser portador de moléstia grave, relativo ao anocalendário 2002. O pleito do contribuinte foi indeferido sob o argumento de que o inciso XXXIII do art. 39 do RIR/1999 prevê o reconhecimento da isenção apenas para rendimentos de aposentadoria, reforma e pensão e a Portaria n° 375/GC1 de 25/04/2004 do Comando da Aeronáutica, fls. 26 e 27, indica que a reforma do interessado deuse apenas em 26/02/2003. Foi deferido o pedido de restituição na parte relativa ao imposto retido sobre os 13° salários dos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006 (fls. 49/51). As razões da manifestação de inconformidade (fls. 55/63)foram assim resumidas pelo aresto contestado: O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade (fls. 55/56), alega que: 1) ingressou na reserva remunerada em 15/12/1986 com 31 anos de efetivo serviço militar prestado à Força Aérea Brasileira, permanecendo nesta condição até sua inclusão na reforma que ocorreu em 26/02/2003, por ter completado 65 anos de idade; 2) satisfez o art. 50 da Lei n° 6.880/1980 (Estatuto dos Militares), inciso II; 3) tratase, portanto, de uma aposentadoria com o titulo de reserva remunerada porque fica dependente de voltar à ativa acaso ocorra uma mobilização pela Força Aérea em caso de força maior; 4) a literalidade da legislação que isenta o portador de moléstia grave não exige requisito de aposentadoria qualificada; 5) ela pode ser provisória ou definitiva; 6) o Dicionário Eletrônico Aurélio conceitua reforma como: "Aposentadoria definitiva de militar ao qual faltam condições físicas, mentais ou morais para o serviço militar"; 7) portanto, reserva remunerada é aposentadoria de natureza provisória. A instância de primeiro grau manteve a autuação (fls. 72/76), considerando que a permanência do servidor em reserva remunerada não se confunde com reforma, não fazendo jus então o interessado à isenção prevista no art. 39, inciso XXXIII, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda). Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 15/5/2009 (fls. 79/82), repisando os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10845.000915/200711 Acórdão n.º 2402004.702 S2C4T2 Fl. 85 5 § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Portanto, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Como relatado, resta incontroverso ser o contribuinte portador de moléstia grave, consoante asseverado no Despacho Decisório DRF/STS nº 056/2007, atendose o litígio à possibilidade de reconhecimento da isenção para os rendimentos provenientes de reserva remunerada de servidores públicos militares. A matéria não comporta mais discussões no âmbito dos colegiados componentes do CARF, tendo sido objeto de enunciado sumular aprovado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 8/12/2009: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Cumpre atentar que nos termos do art. 72 do Anexo I do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), o entendimento consubstanciado na súmula em referência é de observância obrigatória para os membros desta Turma. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10540.900066/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO.
Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado, mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal da interessada, o direito creditório reclamado.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3301-002.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado, mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal da interessada, o direito creditório reclamado. Recurso ao qual se dá provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado, mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal da interessada, o direito creditório reclamado. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 90 00 66 /2 00 8- 11 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Salvador (fls. 24/27 da cópia digitalizada do processo, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente e indeferiu a compensação pleiteada, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que denegou a restituição, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente não homologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: O estabelecimento acima identificado formalizou PERDCOMP eletrônica, fls. 08 a 12, visando compensar os débitos nele declarados com o crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, do tributo de código 6912 – PIS (Programa de Integração Social), referente ao PA de 30/04/2003. A DRF/Vitória da Conquista emitiu Despacho Decisório eletrônico, nº de rastreamento 757696738, de 24/04/2008, fl. 03, não homologando a compensação pleiteada, em face de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008, conforme informação à fl. 22, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01 a 02, alegando que: ] efetuou pagamento a maior de valores devidos a título de PIS/Cofins, em face da não aplicação da Lei nº 10.637, de 2002; ] considerando as movimentações da empresa e com espeque na Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, o valor apurado do referido tributo fica limitado R$ 2.214,25. Assim, no período de apuração mencionado foi pago a maior o valor de R$ 5.692,80, que foi objeto de compensação, conforme PERDCOMP às fls. 08 a 12; ] requer, com base nos fatos relatados, o deferimento do processo de compensação. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 22/09/2009 (fls. 30). Inconformada, a mesma apresentou, em 22/10/2009, o recurso Fl. 78DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10540.900066/200811 Acórdão n.º 3301002.700 S3C3T1 Fl. 78 3 voluntário de fls. 31/33, onde ressalta haver juntado aos autos documentação contábil e fiscal capaz de comprovar o direito creditório, o qual corresponderia a R$ 6.013,13, conforme demonstrado abaixo: Mês B/C Crédito Alíquota (%) Valor crédito Cred. estoque abertura Crédito do mês abr/03 351.399,10 1,65 5.798,09 215,04 6.013,13 Alega ainda o seguinte, verbis: Assim, em virtude das compras de mercadorias, lançadas no livro razão, fizemos (sic) jus ao crédito que nos é de direito haja visto (sic) que a Lei n° 10.637 institui o efeito nãocumulativo sobre o pagamento do PIS. Observase, a titulo de exemplo, mais uma vez, que o valor do PIS referente ao mês de Abril/2003 foi pago no valor de R$ 7.958,20 e lançado no Diário/Razão de acordo com o pagamento. Somente em 2004 depois de estar fechado o ano de 2003 percebemos que não usufruímos do direito ao crédito, então procedemos em fazer a compensação dos valores pagos a maior. Conforme cópias dos Livros Razão e Diário, em anexo, apontamos que no mês de Abril/2003 tivemos o valor de R$ 387.405,57 referente às compras. No entanto, sobre o valor de R$ 36.006,38 não incide PIS/COFINS, ficando assim o valor de R$ 351.399,19, como base para o referido crédito. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 22/09/2009 (fls. 30). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 22/10/2009, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF original não corresponderia à realidade fática. Aduz que teria direito a crédito decorrente de compras realizadas no período no valor de R$ 387.405,57, deduzido do montante de R$ 36.006,38, onde não teria havido a incidência de PIS/COFINS. Assim, o crédito seria o resultado da aplicação da alíquota de 1,65% sobre a quantia de R$ 351.399,19, correspondente pois a R$ 5.798,09, que, somado ao crédito referente ao estoque de abertura (R$ 215,04), resultaria no valor total do crédito pleiteado, ou seja, R$ 6.013,13. Pelo que foi relatado, constatase que o sujeito passivo se alicerça no inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que autoriza o desconto de créditos calculados sobre bens adquiridos para revenda, salvo as exceções legais elencadas pela norma em Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 evidência. Também se baseia no artigo 11 da mesma norma, que dá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura existente em 1º de dezembro de 2002. A título de comprovação apresenta demonstração do custo das mercadorias de abril a junho de 2003 (fls. 40), demonstração do resultado do exercício de abril a junho de 2003 (fls. 41), balanço patrimonial do mesmo período (fls. 42/45), razão analítico da conta mercadorias correspondente ao período de 31/03/2003 a 30/04/2003 (fls. 48/55), registro de apuração do ICMS de abril de 2003 (fls. 57/58) e registro de entradas do mês de abril de 2003 (fls. 59/73). Em análise da documentação acostada aos autos, temse, de fato, que o montante de mercadorias adquiridas no mês de abril/2003 corresponde a R$ 387.405,57 (vide razão analítico do período às fls. 55). Ademais, segundo o livro registro de apuração do ICMS, a soma dos montantes correspondentes aos CFOP de aquisição de mercadorias para comercialização (1.102, 1.403, 2.102, 2.403), lançados às fls. 57, corresponde a R$ 385.900,80 (soma de 95.186,39 + 156.418,15 + 110.848,92 + 23.447,34), ou seja, valor bem próximo ao de R$ 387.405,57, consignado no razão analítico. Por fim, consta do livro registro de entradas do mês de abril/2003 (fls. 59/73) que o valor contábil registrado de todas as entradas totaliza R$ 405.418,60 (v. fls. 73), em sintonia com o total das entradas consignadas no livro registro de apuração do ICMS (v. fls. 57). Obviamente, se excluídas as entradas lançadas no livro registro de apuração do ICMS que não correspondem à aquisição de mercadorias para comercialização (CFOP 1.556, 1.910, 2.353, 2.556 e 2.910), temse, exatamente, o valor de R$ 385.900,80 (somatório dos montantes correspondentes aos CFOP de aquisição de mercadorias para comercialização 1.102, 1.403, 2.102 e 2.403). Portanto, os valores acima, extraídos da escrituração da recorrente, estão bem próximos àqueles informados pelo sujeito passivo, razão pela qual, entendo, está provada a base de cálculo da contribuição passível de creditamento, com fundamento no inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 09 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003290/2010-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OPERAÇÕES DE MÚTUO. DIRETOR. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL.
A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas tendo como mutuário Diretor da empresa, sendo de se concluir que os valores creditados tratavam-se rendimentos recebidos a título de remuneração, assim considerados como tributáveis.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Caracterizada a divergência entre a vontade real e a declarada pelo sujeito passivo, com o intuito de retardar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, a partir do evidente intuito de fraude.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 12/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OPERAÇÕES DE MÚTUO. DIRETOR. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas tendo como mutuário Diretor da empresa, sendo de se concluir que os valores creditados tratavam-se rendimentos recebidos a título de remuneração, assim considerados como tributáveis. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Caracterizada a divergência entre a vontade real e a declarada pelo sujeito passivo, com o intuito de retardar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, a partir do evidente intuito de fraude. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 12/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OPERAÇÕES DE MÚTUO. DIRETOR. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas tendo como mutuário Diretor da empresa, sendo de se concluir que os valores creditados tratavamse rendimentos recebidos a título de remuneração, assim considerados como tributáveis. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Caracterizada a divergência entre a vontade real e a declarada pelo sujeito passivo, com o intuito de retardar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, a partir do evidente intuito de fraude. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 32 90 /2 01 0- 98 Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 9202003.737 CSRFT2 Fl. 1.691 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 12/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de lançamento de fls. 264 a 277, para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e ainda em razão da presunção de omissão de rendimentos, esta última fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de sua titularidade. A multa aplicada ao lançamento foi qualificada em 150% em relação à omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica. A propósito, o Acórdão nº 210201.870, da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 1.441 a 1.453), julgado na sessão plenária de 12 de março de 2012, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e, no mérito, deu parcial provimento ao Recurso para que fosse excluído da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 35.000,00 no anocalendário de 2007. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabida a alegação de nulidade da decisão recorrida por alegado cerceamento do direito de defesa quando nela foram analisados todos os argumentos expostos em sede de Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. JUSTIFICATIVA. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, pode a autoridade julgadora indeferir pedido de perícia quando entender que a sua realização é desnecessária. A realização de Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 9202003.737 CSRFT2 Fl. 1.692 3 perícia é procedimento excepcional, que somente se justifica em determinados casos. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. MÚTUOS NÃO COMPROVADOS. Está correto o lançamento para exigência de IRPF incidente sobre valores recebidos alegadamente a título de mútuo. Diante da inexistência de prova de que os mútuos tomados pelo Recorrente perante a pessoa jurídica da qual é diretor tenham sido quitados, e somandose a este fato diversas outras características apontadas pela autoridade fiscal, não se pode acolher como comprovadas as operações de mútuo, devendo os rendimentos recebidos ser considerados como tributáveis. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO. É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964, e conforme minuciosamente apurado pela autoridade fiscal. Cientificada dessa decisão em 09/08/2012, o autuado Fazenda Nacional manejou, no dia 14 do mesmo mês, inicialmente, embargos de efls. 1481 a 1485, os quais restaram rejeitados na forma de despacho de efls. 1492/1493. Cientificado desta última decisão em 22/03/2013 (efl. 1500), o contribuinte ingressa, em 08/04/2013, com recurso especial de divergência (efls 1.502 a 1.562), onde tencionava questionar as seguintes matérias, alegando a existência de divergência jurisprudencial em relação à decisão do recorrido acerca: (a) Da nulidade do Acórdão que teria julgado os mencionados embargos de declaração; (b) Do ônus do Fisco de produzir prova de ocorrência do fato gerador; (c) Da necessidade de cancelamento do auto quando da existência de dúvida, com fulcro no art. 112, I da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966; (d) Da impossibilidade de desconsideração de mútuo objeto de contrato escrito e contabilizado, a não ser que se apresente prova efetiva de sua falsidade e (e) Da aplicação da multa qualificada, que dependeria da efetiva comprovação de evidente intuito de fraude, dolo ou sonegação. Quando do exame de admissibilidade através de efls. 1663 a 1667, o recurso especial foi admitido tão somente quanto às matérias citadas nos itens “d” e “e” supra, os quais são, assim, as únicas matérias que a esta altura permanecem em litígio, podendo a argumentação do contribuinte quanto a tais itens ser assim resumida: 1. Quanto à impossibilidade de desconsideração de mútuo objeto de contrato escrito e contabilizado, a não ser que se apresente prova efetiva de sua falsidade. Aqui, apresenta como paradigma o recorrente os seguintes Acórdãos, assim ementados: Acórdão n° 10613.331 IRPF. ORIGEM. CONTRATO DE MÚTUO. PROVA. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 9202003.737 CSRFT2 Fl. 1.693 4 O contribuinte tem a sua disposição todos os meios para provar a existência do contrato de mútuo, que não exige formalidade. Assim, o contrato particular assinado pelas partes e por duas testemunhas, a comprovação do fluxo financeiro ou a informação na Declaração de Rendimentos são alguns elementos que alcançam tal objetivo. Recurso provido. Acórdão n° 10245.779 IRPF. PRELIMINAR. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. A capacidade contributiva do contribuinte é valorada pelo legislador com base na capacidade contributiva ou econômica dos sujeitos passivos da obrigação tributária. Assim, não prospera argumentos de que a exigência tributária supera em muito a capacidade contributiva do autuado, quando a exação ora exigida foi apurada adequadamente com base no resultado econômico do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse a exigência do crédito tributário apurado com base em lucros distribuídos aos sócios, apurado em um determinado mês do anocalendário, sem levar em consideração os prejuízos anteriormente apurados. MÚTUO CONTRATADO. Tendo o contribuinte comprovado com documentos hábeis e idôneos o efetivo empréstimo junto à empresa da qual é sócio, não há como manter a tributação exigida com base apenas em erros formais praticados na escrita contábil da Mutuante. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Com base nos paradigmas acima, entende que o Fisco não poderia ter desprezado os contratos de mútuo objeto de contrato escrito e contabilizado pela mutuante, tendo sido ainda carreados aos autos outros elementos que, no entender do recorrente, comprovariam que os mútuos existiram (citados aqui a DIRPF de 2008 e os extratos bancários que demonstraram o ingresso dos recursos). Mais detalhadamente, em síntese, alega ao longo de seu recurso para este item que: a) Não existe norma prevendo a presunção e a inversão do ônus da prova aplicadas neste caso. Isto é, não há lei obrigando o contribuinte a comprovar, por meios adicionais ou específicos (além dos vários documentos já apresentados), que os mútuos efetiva mente existiam e que foram a origem dos valores que o Fisco indevidamente considerou como supostos rendimentos tributáveis. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 9202003.737 CSRFT2 Fl. 1.694 5 b) Quanto às evidências trazidas pelo fisco acerca da inexistência dos mútuos, constantes do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 306 a 309, o recorrente tenta rebatê las através dos seguintes argumentos: b.1) O fato de ter havido entregas mensais, sucessivas e de valores substanciais é extremamente comum e não teria o condão de descaracterizar os mútuos. Muito pelo contrário: confirma a existência dos empréstimos, até porque demonstra que as operações ocorreram exatamente como previstas nos respectivos contratos previam a possibilidade de liberação parcelada dos recursos; b.2) É extremamente normal que os empréstimos de dinheiro tenham prazos muito superiores a quatro anos e não existe norma permitindo que o Fisco considere como rendimentos tributáveis os valores recebidos em decorrência de empréstimo, se este não é amortizado em quatro anos; b.3) Não havia a entrega de R$ 60.000,00 no início de cada mês; em vários meses, os valores emprestados ao Recorrente eram bem diferentes da referida quantia; havia meses com apenas uma parcela emprestada e outros em que eram entregues duas, três, quatro e até cinco parcelas. De qualquer forma, como os contratos (cláusulas primeiras) previam que poderia haver a liberação parcelada dos valores emprestados, nada mais natural que, em determinados meses, quantias similares fossem entregues ao Recorrente; b.4) A cobrança de juros em empréstimos é apenas uma faculdade, e não obrigação, do mutuante. Apesar disso, como reconheceu o próprio Fisco, houve a incidência de encargos sobre os valores emprestados. Se estes encargos não eram elevados, isto se deve ao acordo firmado entre as partes, que era regular e plenamente válido à luz da legislação aplicável; b.5) A existência de garantia não é característica essencial à validade dos contratos de mútuo, como atestam os arts. 586 a 592 do CC; b.6) O contribuinte nunca afirmou que os valores tomados emprestados se destinavam apenas a suas despesas pessoais. O que o Recorrente afirmou, diferentemente, é que tais valores foram destinados ao "custeio de despesas pessoais e outros gastos, bem como à variação patrimonial constante de sua declaração pessoa física e à compra dos referidos títulos". Entende que a destinação dos valores tomados emprestados não poderia descaracterizar os mútuos; b.7) O equívoco do contribuinte em não informar os mútuos nas DIRPFs de 2006 e 2007 não poderia justificar a conclusão de que os empréstimos não existiriam; b.8) Não existe lei exigindo que o contrato de mútuo, para ser considerado válido, seja averbado em registro público. Sendo assim, aplicase o art. 107 do CC, segundo o qual "A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir".; b.9) A concessão de empréstimos de pessoa jurídica para seus diretores (presidentes ou não) é operação muito comum e plenamente regular sob o aspecto jurídico. Entre as normas que regem o contrário de mútuo (arts. 586 a 592 do CC), não existe nenhuma impedindo sua contratação pelas partes acima referidas; Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 9202003.737 CSRFT2 Fl. 1.695 6 b.10) Não há nenhuma norma impedindo que uma empresa com passivos conceda empréstimos, sendo absolutamente incontroverso que os valores entregues ao recorrente estavam disponíveis para a Monte Claro; b.11) Embora tenha reconhecido expressamente a existência de contratos escritos de mútuo entre a Monte Claro e o recorrente, o Fisco concluiu que os valores recebidos não seriam efetivos empréstimos, mas sim remuneração, isto é, rendimentos tributáveis. Ao manter este posicionamento, o Acórdão recorrido deixou de observar que o Fisco nem sequer enquadrou os mútuos como "simulação”, o que é indispensável quando se pretende descaracterizar contratos e respectivas operações; b.12) (a) foram apresentados os contratos de mútuo firmados entre a empresa e o Recorrente; (b) os valores foram entregues ao Recorrente através de depósitos em sua conta bancária (que inclusive faz referência à origem das quantias depositadas); (c) os mútuos foram informados, de forma regular e tempestiva, na DIRPF do Recorrente relativa ao anobase de 2008; e (d) os mútuos também foram contabilizados pela Monte Claro. 2. Da aplicação da multa qualificada, que dependeria da efetiva comprovação de evidente intuito de fraude, dolo ou sonegação Aqui, alega o contribuinte que: a) Nenhum valor de multa poderia ser exigido, porque restou cabalmente demonstrado que não há tributo devido pelo recorrente em relação aos mútuos concedidos pela Monte Claro, considerandose que os valores foram emprestados ao recorrente, não se podendo falar que seriam remuneração; b) De acordo com a jurisprudência reiterada do CARF, como a multa qualificada de 150% pressupõe evidente intuito de fraude, dolo ou sonegação por parte do contribuinte, ela não se aplica se o lançamento é realizado com base em presunção ou indícios e que o Fisco não produziu provas quanto ao alegado evidente intuito de fraude, dolo ou sonegação, até porque o lançamento se funda em suposições e inferências pessoais da fiscalização; c) mesmo quando há omissão de rendimentos (não é este o caso sob análise, como ficou claramente demonstrado), a multa qualificada não pode ser automaticamente exigida; d) o art. 112 do CTN levaria à exclusão da multa, uma vez tendo o lançamento se baseado em dúvida do Fisco. Assim, requereu o recorrente, quanto às matérias admitidas, que fossem excluídas, do montante exigido, as parcelas relativas aos mútuos contratados com a empresa Monte Claro e a multa qualificada. Cientificada do recurso especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Especial (efls. 1.671 a 1676), onde sustenta, em síntese, que: a) Para a comprovação da operação de mútuo fazse necessário o contrato registrado no registro público e a apresentação de documentos hábeis e idôneos, sendo Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 9202003.737 CSRFT2 Fl. 1.696 7 insuficientes para opor a operação à terceiros, a simples apresentação de documentos particulares. A necessidade de que o contrato de mútuo se revista de todas as formalidades para sua aceitação já foi decidida por este Conselho na forma dos Acórdãos 10246.369 e 2801 01.334. Caberia, assim, ao contribuinte comprovar que o documento invocado era hábil e idôneo para comprovação dos depósitos contidos em sua conta, ônus do qual não conseguiu se desincumbir, motivo pelo qual correto o lançamento por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. b) Quanto à multa qualificada, entende a PGFN que não há maiores considerações a se tecer, eis que tanto a DRJ de origem quanto a Turma recorrida esmiuçaram suficientemente a conduta do contribuinte de forma a constatar a existência de fraude, de forma a manterse a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passo a analisar, reportandome inicialmente ao teor de fls. 306 a 308 do Termo de Verificação, onde se encontram os indícios carreados aos autos pela fiscalização, para fins de lançamento da infração de omissão de rendimentos tributáveis, vinculada às alegadas operações de mútuo entre o autuado e a empresa Monte Claro, objeto do presente litígio (também já reproduzidas no recorrido), verbis: “(...) a) O mutuário obteve, ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008, empréstimos mensais, sucessivos, em valores substanciais; b) Não houve qualquer tipo de amortização da dívida ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008. Registrese que foi solicitada a comprovação das amortizações realizadas, inclusive em 2009 e 2010, sendo que não foi apresentado nenhum tipo de documentação por ROLF KUEHNRICH, tampouco pela MONTE CLARO. Ou seja, de se concluir que este mútuo permanece ainda ativo, 04 anos após as primeiras concessões, sem nenhum tipo de amortização; c) Há uma clara rotina de pagamentos no início de cada mês (próximo ao dia 05), do valor exato de R$ 60.000,00, com uma complementação, variável e de menor valor, na segunda quinzena de cada mês; d) O saldo da dívida em 31/12/2008 era de R$ 2.570.431,816, considerando os valores de atualização monetária. Em valores históricos, foi concedido um total de R$ 2.492.600,00. Cumpre registrar que, como explicitado, a atualização monetária teve como base algum índice de risco, o que gerou atualização Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 9202003.737 CSRFT2 Fl. 1.697 8 negativa em vários períodos. Do acima, verificase que o ganho nominal obtido pela MONTE CLARO foi mínimo; e) Os contratos não prevêem nenhum tipo de garantia da dívida; f) O contribuinte atesta que os valores recebidos destinaramse a despesas pessoais. Ou seja, o montante milionário não foi recebido para a aquisição de um bem ou outro investimento qualquer. Simplesmente foi consumido como despesas pessoais; g) A dívida, em valor substancial, não obstante existir desde 2006, não consta nas DIRPF de 2006 e 2007 do Fiscalizado; h) Os contratos de mútuo apresentados não foram averbados em registro público, não sendo oponível a terceiros, nos termos dos artigos 135 e 1067 do Código Civil Brasileiro; i) O Mutuário era à época, e ainda é, DiretorPresidente da Mutuante, sendo que também tinha influência sobre a TEKA, empresa que fez as transferências financeiras a crédito em sua conta; j) A Mutuante apresentava prejuízos acumulados substanciais, e dívidas milionárias em seu passivo, não justificando a concessão de outros empréstimos em relação aos quais não envidou esforços no recebimento; k) As atas das assembléias da Mutuante MONTE CLARO prevêem o pagamento de honorários aos seus diretores, sendo que a contabilidade da mesma não registra nenhum tipo de pagamento a este título; Ao contrapor a tais argumentos aqueles levantados pelo recorrente em seu pleito, ressalto que, ainda que aceda ao fato de que qualquer um dos indícios trazidos pela fiscalização não possa, de forma isolada, ser utilizado para descaracterizar o mútuo, o conjunto de tais indícios, mesmo quando ajustado às pequenas objeções de natureza fática trazidas pela recorrente quanto aos gastos em questão não serem integralmente pessoais, é dotado de seriedade e inteiramente convergente, ganhando, assim, em meu entendimento, força probante, sendo capaz de me convencer de que agiu corretamente a fiscalização ao descaracterizar a alegada operação de mútuo, concluindose, em verdade, se estar diante de remuneração do DiretorPresidente da mutuária. Diante de tal conjunto de indícios, sérios e convergentes, não vejo como se abrir mão do requisito do mútuo estar devidamente averbado em registro público, a fim de que possa cogitar de sua oponibilidade ao Fisco no caso em questão, sendo certo, em meu entendimento, que se deva assim agir sempre que se estiver diante de elementos indiciários tão contundentes. Ainda, de se ressaltar que a contabilidade só pode ser considerada como dotada de força probante plena quando devidamente também respaldada por documentação hábil e idônea que lhe suporte a veracidade, o que não se verifica na situação sob análise. Ainda, agora quanto à multa qualificada, ainda que não se tenha usado do termo “simulação”, entendo ter restado nitidamente caracterizada a acusação, pelo Fisco, de divergência entre a vontade real e declarada por parte do sujeito passivo, com o evidente intuito Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13971.003290/201098 Acórdão n.º 9202003.737 CSRFT2 Fl. 1.698 9 de fraude pelo autuado, retardaond o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, na forma do seguinte excerto de fl. 320: “(..) Assim, o contribuinte, ao celebrar contrato de mútuo com empresa da qual é DiretorPresidente, e por meio deste contrato receber valores que de fato têm natureza de verbas remuneratórias, praticou, inequivocamente, uma ação dolosa (g.n.), intencional e consciente, a qual retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco. O FISCALIZADO não praticou estes atos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta” Analisando esta acusação novamente à luz das argumentações tecidas pelo contribuinte em seu recurso, entendo se estar diante de situação onde o evidente intuito de fraude deflui de meu próprio convencimento acerca da existência, no caso, da divergência de vontades acima descrita, a qual, em meu entendimento, não se coaduna com qualquer outro tipo de aplicação de multa que não seja a qualificada, assim escorreitamente lançada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 19311.000312/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
RECURSO PEREMPTO.
A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instância, a interessada apresentou Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-001.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 RECURSO PEREMPTO. A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instância, a interessada apresentou Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 03 12 /2 00 9- 84 Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.555 2 AXIS COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1427.015, de 10/12/2009, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls. 1.586 a 1.712, relativo aos anoscalendário de 2004 e 2005, apurados pelo Lucro Presumido, que se prestaram a exigir Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ , no valor de 835.534,58 (fl. 1.697); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de 409.807,42 (fl. 1.705); Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de 10.361,03 (fl. 1.676); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de 47.762,85 (fl. 1.687); acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 75%, totalizando crédito tributário de R$ 3.074.052,06 (fl. 1). A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1 .586/1.671) que a fiscalização foi motivada por elementos obtidos junto à fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, na qual apurou que a empresa AXIS Comercial Importadora e Exportadora Ltda teria participado como uma das “empresaspivô” de um amplo esquema articulado para gerar créditos tributários de tributos (ICMS, PIS e COFINS). Esquema esse que, em resumo, consistiu na simulação de exportação de soja “industrializada” sendo que a matériaprima (soja) inexistiu e, portanto, inexistiram as operações de “industrialização” e “exportação”, que dariam suporte à geração dos créditos tributários a terceiros. A fiscalizada não mais se encontra em atividade no local indicado como sede no CNPJ (Município de Amparo/SP), entretanto, não alterou seu endereço, embora intimada. Suas atividades administrativas estão concentradas na filial, situada no município de São Paulo. Foi lavrado AI de CSLL relativa ao 2° trimestre de 2004 (19311.000246/200942), com ciência em 19/06/2009. A Autoridade Fiscal autuante descreve minuciosamente todo o procedimento fiscal, transcrevendo vários trechos de inquéritos policiais, processos judiciais, CPI Guerra Fiscal Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, procedimento de Fiscalização Estadual, e detalhando o esquema conhecido como “SojaPapel” e o envolvimento da AXIS nesse esquema, concluindo: “Os esclarecimentos aqui feitos a respeito do caso “sojapapel” são necessários para mostrar que o resultado da análise do conjunto de elementos obtidos no curso desta ação fiscal, inclusive com base em trabalhos realizados por outras Delegacias da Receita Federal do Brasil (...) pemitenos concluir que as operações relativas a aquisição de soja em grãos, industrialização e venda com fins específico de exportação (farelo de soja e óleo de soja) de produtos que teriam sido adquiridos pela AXIS das várias empresas beneficiárias, cujos nomes constam das notas fiscais “clonadas”, conforme se verifica pelas cópias disponibilizadas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, simplesmente não ocorreram, Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.556 3 foram “fictícias”, não tem respaldo em operações típicas da atividade comercial atacadista e, por isso, todos os documentos emitidos por ou para as empresas participantes do caso “soja papel”, não podem surtir nenhum efeito fiscal no tocante ao aproveitamento de créditos de tributos e/ou custos/despesas. Excluemse dessa conclusão as operações de compra de produtos da ADM DO BRASIL LTDA e as exportações efetivamente realizadas pela AXIS, que se encontram registradas no SISCOMEX (...).” Atendendo intimação fiscal a empresa “ADM” esclareceu que durante os anos de 2004 e 2005, firmou com a “AXIS” 4 contratos de operações de compra e venda, através dos quais a “AXIS” adquiriu da “ADM", com finalidade de exportação, farelo e óleo de soja. “A ADM esclareceu também que a operação conhecida como ‘performance de exportação’, amplamente utilizada por produtores de commodities e empresas comerciais exportadoras, consiste na compra e venda de mercadorias no mercado intemo com fim específico de exportação. Para fins tributários, a operação de compra e venda de mercadorias no mercado intemo com fim específico de exportação equiparase à exportação (os impostos incidentes nas operações de compra e venda pennanecem suspensos e, uma vez comprovada a efetiva exportação dos produtos nos prazos previstos pela legislação, a suspensão convertese em isenção).” Observa que a referida isenção não se aplica ao IRPJ e a CSLL. “Com base nos elementos fomecidos pela ADM, estabelecemos um relacionamento entre as notas de exportação da AXIS, com as respectivas notas de compras da ADM, conforme demonstrado na PLANILHA Nº 01, e foi possivel também identificar os pagamentos das notas de compras à ADM DO BRASIL, que se realizaram através de transferências na conta da AXIS no Unibanco e de alguns feitos diretamente pela SANTA CRUZ, conforme demonstrado na PLANILHA N°02. Os fechamentos de câmbio ocorreram tanto no Banco Unibanco como no Itaú.(...). À medida que os créditos da exportaçao forma feitos no UNIBANCO, imediatamente eram realizados os pagamentos à ADM, conforme demonstra na PLANILHA N° 05, com exceção dos valores pagos diretamente pela Santa Cruz. Os registros contábeis dos pagamentos efetuados pela AXIS à ADM do Brasil, referente ao anocalendário de 2004, encontramse demonstrados na PLANILHA N° 04. Ainda que no documento datado de 07 de agosto de 2008, o Sr. Pedro Paulo Assumpçao, sócio da AXIS, alegue que nunca tenha assinado contrato das operaçoes de compras de performance com a ADM, estas operações foram verdadeiras, conforme o próprio reconhece no documento enviado' por fax, datado de Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.557 4 08.09.2008, e em documentos que o próprio juntou ao processo de habilitação ao SISCOMEX.” A fiscalizada apresentou DIPJ em 30/06/2005, em relação ao ano calendário de 2004, com apuração pelo lucro presumido no 1° e 2° trimestres e lucro real trimestral para o 3° e 4° trimestres. Entretanto, em 12/11/2004, houve entrega de DCTF declarando débitos pelo lucro presumido, sendo esta retificada em 07/11/2007, durante a ação fiscal e após inscrição em DAU dos débitos. Constata, ainda, que em 29/10/2004 houve recolhimento de DARF, com vencimento em 29/10/2004, com código de lucro presumido, bem como que em 2005 a fiscalizada apresentou DACON, obrigatória para lucro real, ao contrário do anocalendário 2004. Conclui que a opção exercida pela permanência no regime do lucro presumido, em relação ao 3° e 4° trimestres do ano calendário de 2004, não poderia ter sido alterada, devendo ser apurado o IRPJ e CSLL nesse regime de tributação. “Constatase que a receita bruta operacional da AXIS, constantes de notas fiscais de saídas obtidas no curso da ação fiscal, são corroboradas por registros contábeis e fiscais, conforme se verifica pelas PLANILHAS N°s 03,09 e 10. Assim, para efeito da apuração da base de cálculo do lucro presumido, as receitas provenientes das vendas realizadas no mercado interno são as que identificamos através das notas fiscais que constam do livro Registro de Saídas, e as provenientes das exportações são identificadas por documentos obtidos da própria AXIS (em talonários de notas fiscais), e em notas de vendas apresentadas pela ADM do Brasil Ltda, empresa com a qual a AXIS realizou a operação de exportação conhecida como “performance” e nos valores informados na DIPJ.” Os valores apurados foram demonstrados nas Planilhas de n° 08 e 09. Constata que no processo de habilitação no SISCOMEX, através do Sócio PEDRO PAULO PUGLISI DE ASSUMPÇÃO, as operações realizadas com a ADM não eram desconhecidas, pois apresentou vários documentos e comprovantes relacionados a essas operações. Como resultado dos trabalhos de verificações obrigatórias foram identificadas insuficiência do recolhimento do PIS e COFINS de setembro de 2004 a maio de 2005, que foram discriminadas em demonstrativos do termo de verificação. “Vários documentos que dizem respeito a assuntos semelhantes foram juntados ao processo através de ANEXOS, a saber: ANEXO N° I Auto de Infração do Estado, referente operação “sojapapel” e cópias das notas fiscais adulteradas; ANEXO N° ll Cópia do processo n° 10314.005995/200538, referente credenciamento de representante da AXIS perante o SISCOMEX ADUANA; Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.558 5 ANEXO III A VII Cópias dos documentos obtidos junto a ADM DO BRASIL LTDA (notas fiscais de compras emitidas pela ADM, notas fiscais de saidas para exportação emitidas pela AXIS, borderôs de exportação e relatórios de recebimentos da ADM).” IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 14/09/2009, através de ciência pessoal sócio Pedro Paulo Puglisi de Assumpção, conforme Auto de Infração, a interessada, por seu advogado e procurador (fl. 521), ingressou, em 14/10/2009, com peça impugnatória de fls. 1.720 a 1.728, alegando, em suma que: 1. Pelo menos desde o mês de abril de 2004 até aproximadamente o final do mês de julho de 2005, a empresa foi exclusivamente administrada pelo pessoal da empresa MASTER CONSULTORIA TRIBUTARIA S/C LTDA, conforme procurações já apresentadas. 2. É fato mais do que sabido e incontroverso que os administradores da AXIS não se encontravam na gestão da empresa na época em que as mencionadas notas fiscais e operações negociais foram emitidas e realizadas, de fonna que eles não tinha acesso, nem conhecimento, nem responsabilidade por tudo o que foi feito. 3. A empresa “AXIS” jamais adquiriu qualquer mercadoria farelo ou óleo de soja , assim como jamais foram entregues para exportação. 4. A empresa “MASTER” movimentava conta em nome da “AXIS” no Unibanco e provavelmente comprou mercadorias e exportouas, por meio de contrato de performance, através da empresa “ADM do Brasil”. 5. Posteriormente, estas notas verdadeiras emitidas pela “ADM do Brasil” devem ter sido adulteradas, clonadas e falsificadas pelo pessoal da “MASTER”, a fim de simular exportação de mercadorias e se creditar de beneficios de crédito prêmio de IPI e de ICMS. 6. Foi vítima de fraude, sendo frias as notas fiscais e jamais poderiam ser contabilizadas pela “AXIS”. 7. “Pelo que consta do relatório constante deste Termo de Verificação Fiscal, V. Sa. entendeu as razões pelas quais o pessoal da “AXIS” não dispunha da maior parte dos documentos solicitados, tendo ela entregado somente cópia dos que possuía, e conseguiu contatar as empresas que poderiam fomecer os documentos solicitados, como, por exemplo, a “ADM do Brasil”. 8. “De qualquer forma, cumpre esclarecer desde já que nenhum desses documentos encaminhados a V. Sa. foram entregues e/ou analisados pelo pessoal da “AXIS” até o presente momento.” 9. Jamais ocorreu comercialização e exportação de soja pela “AXIS”. 10. A “AXIS” e seu pessoal nada ganharam com as operações realizadas. 11. Foi apresentada de forma incorreta declaração pelo lucro presumido, mas, depois de retificação da DCTF, alterando de lucro presumido para real, a empresa AXIS experimentou prejuízo, razão pela qual não pode ser autuada, não só porque não é a responsável pelas operações realizadas, mas também por que não houve lucro fiscal apurado. Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.559 6 12. “E nesse sentido também restou demonstrado que nas operações de comercialização e exportação de farelo de soja e derivados, fictícias ou não, efetivadas pelo pessoal da “MASTER” exclusivamente, em nome da “AXIS”, apresentaram resultados negativos, pois o interesse para elas não era esse tipo de negociação, mas sim a emissão de notas fiscais verdadeiras, para serem clonadas e, adiante, a criação do créditoprêmio de IPI.” 13. No que se diz respeito ao IPI supostamente verificado, cumpre salientar que o mesmo também não é devido, pois considerouse, para seu cálculo, não o valor real apurado (em que houve prejuízo), mas sim o alegado ganho financeiro sobre o empréstimo feito, o que não é possível, eis que se trata de uma despesa e não lucro. 14. Não poderia ser efetivada qualquer apuração de suposto débito, pois não foram entregues ao pessoal desta empresa, tal como competia, todos os documentos usados e analisados para a elaboração do Termo de Verificação Fiscal. Dessa forma, ocorreu o cerceamento ao direito de defesa da AXIS, conforme lhe é constitucionalmente assegurado, devendo ser, portanto, antes dado ciência de todos esses documentos à verificada. 15. Por fim, quaisquer supostos débitos relativos a período anterior há 5 anos, ou seja, anterior a novembro de 2004, não podem ser apurados, pois já ocorreu a decadência. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1427.015, de 10/12/2009 (fls. 1763/1774), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSAO DE RECEITAS. TRIBUTAÇAO. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. PAGAMENTO. A opção pelo lucro presumido é irretratável e será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Nao se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.560 7 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. Meras alegações genéricas não têm o condão de alterar o lançamento, devendo ser apresentados na impugnação os documentos e provas que a impugnante possua, que possam influir na solução do litígio. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 DECADÊNCIA. O lançamento de oficio poderá ser realizado no prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador. SUJE1TO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, que se diz contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. RESPONSABILIDADE TRIBUTOS. CONVENÇÕES PARTICULARES. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ciente da decisão de primeira instância em 15/03/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1787, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/04/2010 conforme carimbo de recepção à folha 1788. No recurso interposto (fls. 1788/1791), a recorrente assim se manifesta: Após, análise sobre o indeferimento das considerações apresentadas, e outra leitura do relatório de verificação fiscal do auditor Jair Bogaz, tenho a declarar que há uma trama para incriminar a AXIS, e multar sem uma verificação aprofundada do assunto, e, a constatação do relatório final da CPI da Assembléia Legislativa (ou melhor de toda CPI com os depoimentos integrais dos envolvidos). A Receita não leva em conta os fatos apontados, e também fato da União ou a Receita de SP, não terem sido lesadas. Os clientes pagaram tudo e as declarações de Moura Campos a CPI devem ser lidas (e entendidas). Passo aos fatos : 1) DCTF Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.561 8 À pág. 41 o Dr. Bogaz no parágrafo 6° diz textualmente, corroborando o regulamento apresentado anexo ( declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídica) que podíamos alterar o regime escolhido, que era presumido no 1° e 2° trimestres, para real nos 3° e 4° trimestres. (leiam). Tudo mais é conversa fiada. A DCTF foi corrigida em tempo hábil, após o que foi instaurado inquérito no CRCSP contra o contador Roberval Ap.Carletti, de Amparo , que a revelia fez a 1° DCTF por lucro presumido sem nosso aval ou conhecimento (foi dito que não era para ser feito pelo presumido, mas pelo real , como permitido por lei ). Assim vamos parar com esse TERRORISMO. [...] O contador acima redimiuse e apresentou novos documentos que entregamos ao auditor , como diários e outros que não nos haviam sido entregues antes. Em Março reabrimos esse processo no CRCSP ( anexo) . Nada há a ser pago a União , porque nunca tivemos qualquer lucro nessas operações. Já está mais que provado que a Master e Adauto Kiyota , manipularam tudo, e a Receita não quer ver. Quer multar a AXIS , que não fez nada e não tem como pagar !! Foram apresentados novos balanços a JUCESP referente 04 e 05 , onde expurgamos todas “pseudo” operações com produtos de soja, porque nunca recebemos esses produtos e nada pagamos. (anexos). As cobranças de valores referentes a pneus, se devidas, serão pagas, desde que seja possivel apurar, nos documentos apreendidos e não devolvidos , pelo SEFAZ de SP, apesar de ordem judicial para tal até 29/02/08. ADM do Brasil Performances Há descrição à página. 19 7° parágrafo do que é performance. Quanto a cobrança de diferenças cambiais há referencia à página 43 do mesmo relato que o valor foi calculado “PROPORClONALMENTE", ou seja, por amostragem. Ora “seu Bogaz” ; e a matemática ! (não é possível que a ADM tenha apresentado prejuízo, quando recebeu mais de 2 milhões de ágio ). Se olharem os contratos de “performance” (feitos por quem ? Por Adilson , com procuração anexa, sem poder para tal) , verão que há um a cláusula de composição do preço a ser pago a ADM. O pagamento era feito após o cambio recebido, mais o ágio de 1,2% ou 1,3%. Assim há prejuízo na operação , não lucro. Falam em pagamentos efetuados a ADM pela Santa Cruz (?) .Isso é uma barbaridade que devia ser apurada. Não temos negócios com a Santa Cruz .O Kiyota sim. A Receita Federal de Cuiabá MT através do auditor Maurício Ferraz (Procedimento 471 .2008 ) apurou essas operações e fui informado que verificou a lavagem de dinheiro na conta corrente do Unibanco ( ag0576 c/c 2070448 ) aberta e movimentada por Adilson da Master , sem nossa interferência ou conhecimento onde houve saques de 5,3 milhões para compra de helicóptero (ver relatórios ) , mais 5,0 milhões para Master Consult , e 2 vezes 1,5 milhões para Kiyota Incorp , além dos deságios da ADM. Ele deve ser melhor que o vosso auditor que viu um lucro da AXIS onde há prejuízo ! Tenho a dizer que o Dr. Bogaz deve ter visto uma nota fiscal de venda da ADM a AXIS , e depois o câmbio fechado por valor superior. Mas não viu que o pagamento da AXIS a ADM era pelo valor do fechamento do câmbio mais ágio (anexo contrato ). Será que dá para entender ? Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.562 9 A AXIS não teve nenhum valor depositado a seu favor. ( nem nas c/c de Pedro Paulo , ou qualquer outro ). A Receita quer cobrar sobre o que não ganhamos , e não temos .Isso não é possível ! Quanto as multas do SEFAZ de SP (ou do DEAT que está por traz disso), tenho a dizer que suas autuações caem de podre .Multa por havermos lançado ICMS sobre as notas fiscais falsas da Sperafico de Cuiabá , quando sabem que não usamos 1 centavo sequer desse ICMS. Já oficiamos a Promotoria de Cuiabá , que através do SEFAZ de lá ( Dra.Edna Negrini), podem confirmar oficialmente o dito ( anexo protocolo). Quanto a multa por simulação de exportação , só há a dizer que essa imbecilidade já esta corroborada pela discussão acima e pelo Siscomex, e devido a essa “mancada “ não devolvem documentos apreendidos desde 2004 , o que comprova CERCEAMENTO DE DEFESA, e fingem não encontrar a AXIS nem a mim porque sabem que após qualquer movimento nesse sentido entraremos com ações contra o Estado. Como se vê, há cerceamento de defesa sim, pois a documentação (livros, diários, etc) continuam retidos pelo Estado de SP ; a DCTF feita à revelia foi corrigida e podia ser corrigida ; e as performances não tiveram lucro, mas prejuízo. E se tivessem ou tiveram lucro no câmbio , esse lucro não entrou na AXIS . Onde ficou ? (se houve); com a Master ou com a ADM ? (ademais há decisão no STF sobre isenção de IR sobre operações cambiais ). Não me falem sobre a renovação do “Radar' junto ao Siscomex, pois nessa época eu não era desafeto de Kiyota, e foi ele e seus asseclas que prepararam os documentos, como também fizeram “contratos de mútuo” sem meu conhecimento ou assinatura , onde fica clara a intenção de dolo. Tudo falso. Nunca tivemos qualquer relação com a Santa Cruz repito. Há finalmente uma ação na Justiça de Amparo sobre essa DCTF , e outros assuntos , e mais outra criminal a pedido do MP e na qual já fui impronunciado. (anexo). Sem mais , espero que algo seja feito para resolver um assunto que está perturbando quem foi vitima e não algoz. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A primeira questão a ser enfrentada é quanto à tempestividade ou não do recurso voluntário apresentado. Compulsando os autos, verifico que, para dar ciência à impugnante da decisão de primeira instância, valeuse a Autoridade Administrativa da via postal. À fl. 1787 encontro aviso de recebimento com data de 15/03/2010, segundafeira. Fora de dúvidas, portanto, que essa é a data a ser considerada para fins de ciência. Ao ser entregue a correspondência no endereço cadastral do contribuinte ocorreu a regular ciência da decisão de Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.563 10 primeira instância, nos termos do art. 23, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Acerca dos prazos recursais, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. [...] Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Tendo ocorrido a ciência da decisão de primeira instância em 15/03/2010, segundafeira, o prazo recursal esgotouse trinta dias após, em 14/04/2010, quartafeira, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. O recurso Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19311.000312/200984 Acórdão n.º 1302001.697 S1C3T2 Fl. 4.564 11 voluntário (protocolo de recepção à fl. 1788) apresentado em 15/04/2010, quintafeira, é intempestivo, e não deve ser conhecido por este colegiado. Observo, ainda, que a recorrente não tece qualquer consideração acerca da tempestividade de seu recurso, e que a Unidade Preparadora alerta (fl. 1920) que “o período de tempo decorrido entre a data da assinatura do Aviso de Recebimento AR e a da protocolização do recurso excedeu a 30 (trinta) dias”. Pelo exposto, meu voto é no sentido de não conhecer do recurso voluntário, eis que interposto fora do prazo legal. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001395/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. COOPERATIVA DE TRABALHO É EQUIPARADA À EMPRESA PELA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. - CONTRIBUIÇÕES DA COOPERATIVA DE TRABALHO - COOPERADOS Pela legislação previdenciária as cooperativas de trabalho são equiparadas à empresa. Os cooperados são contribuintes individuais, caso prestem serviços à cooperativa e não por intermédio desta, as contribuições patronais são devidas pela cooperativa de trabalho Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.346
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator ad hoc
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IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. COOPERATIVA DE TRABALHO É EQUIPARADA À EMPRESA PELA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÕES DA COOPERATIVA DE TRABALHO COOPERADOS Pela legislação previdenciária as cooperativas de trabalho são equiparadas à empresa. Os cooperados são contribuintes individuais, caso prestem serviços à cooperativa e não por intermédio desta, as contribuições patronais são devidas pela cooperativa de trabalho Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 13 95 /2 00 8- 84 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente Substituta), Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.001395/200884 Acórdão n.º 2302002.346 S2C3T2 Fl. 526 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 03/12/2008, cuja ciência do Recorrente ocorreu em 05/12/2008 (fls.03). De acordo com o Relatório Fiscal, o Auto de Infração de contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, calculadas sobre a remuneração paga a segurados contribuintes individuais, e pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho. De acordo com as determinações contidas no artigo 9° do Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, a exigência de crédito tributário e penalidade isolada serão formalizados em autos de infração distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade. A origem das contribuições lançadas no presente Auto de Infração é proveniente das remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, e pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho, conforme documentação apresentada pela empresa, cujos valores foram lançados nos Levantamentos Fiscais abaixo: a) PCI pagamentos a contribuintes individuais: remuneração da diretoria da Unimed e de contribuintes não cooperados, caracterizando omissão de fatos geradores nas GFIP's e o não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas; b) PCT pagamentos a Cooperativa de Trabalho: serviços diversos não relacionados à área da saúde, deixando de declarar em GFIP os pagamentos efetuados, bem como deixando de efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes. Tendo em vista que os valores lançados no presente Auto de Infração não foram declarados em GFIP, a multa de mora foi aplicada integralmente, sem redução. O Recorrente interpôs impugnação, alegando em síntese: natureza jurídica da cooperativa, que presta serviço exclusivamente a seus sócios, praticando os atos inerentes à sua finalidade; o cooperado já recolhe a previdência como autônomo e, acaso a cooperativa também for obrigada a tal pagamento, haverá dupla incidência, posto que os valores que transpassam pelos caixas da cooperativa são honorários dos próprios cooperados; não há equiparação entre cooperativa e empresa; da não incidência da contribuição sobre valores (denominados de produção especial) repassados a cooperados em cargo eletivo, bem como sobre os valor repassados aos cooperados (produção ordinária); da inconstitucionalidade formal da lei nº 9.8766//99. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 A 10ª Turma de Julgamento da DRFBJ São Paulo II julgou o lançamento procedente, e, inconformado, o Recorrente interpôs recurso voluntário, com as mesmas alegações da impugnação. É o Relatório. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.001395/200884 Acórdão n.º 2302002.346 S2C3T2 Fl. 527 5 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi – Relator ad hoc Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. O Recorrente, em suas alegações, discorre sobre as características e a forma de atuação das sociedades cooperativas, esclarece que não há prestação de serviços a terceiros, não há lucro somente repasse de valores aos seus cooperados, não havendo incidência de contribuição previdenciária, seja em cargo eletivo, de direção ou como sócio cooperado. Acrescenta ainda que o cooperado já recolhe a previdência como autônomo, podendo haver dupla incidência se exigido tal pagamento. Não há como equiparar o regime de cooperativa com o regime de empregador e, imputar a condição de autônomo aos sócios significa impróprio ato de desconsideração da personalidade jurídica das cooperativas. De acordo com o disposto no art. 15, parágrafo único da Lei n ° 8.212/1991, a cooperativa é equiparada à empresa perante a legislação previdenciária, mesmo porque a obtenção de lucro não é requisito para que o contribuinte seja enquadrado como empresa perante o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Assim, sendo equiparada à empresa perante a legislação previdenciária a cooperativa de trabalho está sujeita a incidência das contribuições na forma do art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados Fl. 529DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Dessa forma, existe lei definindo a cooperativa de trabalho como sujeito passivo da contribuição de 20% para os serviços prestados por pessoas físicas, não há que se falar portanto, em violação ao princípio da legalidade. Os cooperados são enquadrados como contribuintes individuais perante a legislação previdenciária na forma do art. 12, V, “g” da Lei n ° 8.212/1991. Uma vez que exercem atividade remunerada abrangida pelo RGPS são segurados obrigatórios desse regime. A redação conferida pelo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048, aponta que as contribuições devidas pela cooperativa não se aplicam em relação às importâncias por ela pagas, distribuídas ou creditadas aos respectivos cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que, por seu intermédio, tenham prestado a empresas. Nesse sentido, dispõe o art. 201, § 19 do RPS, nestas palavras: Art. 201 (...) § 19. A cooperativa de trabalho não está sujeita à contribuição de que trata o inciso II do caput, em relação às importâncias por ela pagas, distribuídas ou creditadas aos respectivos cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que, por seu intermédio, tenham prestado a empresas. (Redação dada pelo Decreto nº 3.452, de 9/05/2000) Todo aquele que presta serviço remunerado à empresa ou entidade equiparada à empresa se filia obrigatoriamente ao RGPS. Não se enquadrando como segurado empregado, a filiação será como contribuinte individual, denominação atual para o antigo trabalhador autônomo ou equiparado a autônomo. No art. 1º, inciso I da Lei Complementar n ° 84/1996, já havia previsão legal para se cobrar o tributo sobre a remuneração paga ao associado eleito para o cargo de direção nas cooperativas. É bem verdade que o simples cooperado não presta serviços a cooperativa de trabalho, conforme presunção legal. Agora, quando este segurado ocupa um cargo de direção é inegável que a tomadora de serviços nesse instante passa a ser a própria cooperativa. Há que se diferenciar duas situações bem distintas: quando os cooperados prestam serviços por intermédio da cooperativa, da hipótese da prestação de serviços à própria cooperativa. Havendo prestação de serviços à cooperativa, há incidência da norma sobre essa hipótese para cobrança das contribuições previdenciárias. Nesse ponto, merece prosperar a notificação fiscal, pois a cooperativa deixa de ser o meio para prestação dos serviços, para ser a destinatária desses serviços. Uma vez que a notificada remunerou segurados, deveria a recorrente efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15983.001395/200884 Acórdão n.º 2302002.346 S2C3T2 Fl. 528 7 A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator ad hoc Fl. 531DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003941/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2008
EXCLUSÃO DO REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROAÇÃO A DATA DO DA EXCLUSÃO.
São devidas pelas empresas excluídas do SIMPLES as contribuições para a Seguridade Social a partir da data em que a exclusão começou a produzir seus efeitos.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2008 EXCLUSÃO DO REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROAÇÃO A DATA DO DA EXCLUSÃO. São devidas pelas empresas excluídas do SIMPLES as contribuições para a Seguridade Social a partir da data em que a exclusão começou a produzir seus efeitos. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROAÇÃO A DATA DO DA EXCLUSÃO. São devidas pelas empresas excluídas do SIMPLES as contribuições para a Seguridade Social a partir da data em que a exclusão começou a produzir seus efeitos. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 39 41 /2 00 8- 25 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13971.003941/200825 Acórdão n.º 2402004.841 S2C4T2 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recursos interpostos pelo sujeito passivo e codevedor contra o Acórdão n.º 0715.031 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.191.1117. O lançamento em questão referese a exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, as quais não foram declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Afirma a autoridade lançadora que a empresa foi autuada em razão da sua exclusão do Simples, cujos motivos e elementos de prova estão apresentados nos Processos n°.13971.003976/200864 e n.° 13971.003977/200817. Consta ainda do relato fiscal que, em razão de pertencerem ao mesmo grupo econômico, foram arroladas como devedoras solidárias as empresas Tayka Confecções de Jeans Ltda; Dullay´n Confecções de Jeans Ltda – ME e Terra Brasil Indústria de Confecções de Jeans Ltda. A DRJ excluiu por decadência as competências anteriores a 10/2003, aplicando para contagem do prazo decadencial a regra do § 4. do art. 150 do CTN. Foi mantida a responsabilização das empresas arroladas como devedoras solidárias, entendendo o órgão recorrido que no processo n°.13971.003976/200864, mencionado no relatório fiscal, constam provas suficientes da existência de interesse comum que unia as empresas e de comando único da organização, reunido na pessoa do Sr. Ari Salésio Brasil. Foi ainda afastada a tese de inconstitucionalidade da taxa de juros Selic e se deixou de apreciar, por não ser o foro próprio, a questão relativa à ocorrência do dolo que fundamentou a representação para fins penais. A autuada apresentou recurso, fls. 172 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a multa aplicada no patamar de 150% do tributo devido tem efeito confiscatório, afrontando, assim a Constituição Federal, além de ser flagrantemente desproporcional; b) a multa nesse percentual, imposta com base inciso II do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, é de aplicação restrita aos casos de dolo ou fraude, o que não ocorreu na espécie; c) é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários; d) a tributação reflexa para o PIS e COFINS decorrente de apuração do IRPJ lançado com base no lucro arbitrado entra em choque com o entendimento exarado em Pareceres da COSIT; Fl. 534DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 e) o AI atropela a legislação do SIMPLES, tanto quanto a sua improcedência, quanto aos efeitos retroativos dos exclusão; f) a representação que culminou com a exclusão do SIMPLES de todas as empresas citadas no Relatório Fiscal não deve prevalecer, uma vez que não restou configurada a fraude apontada pelo fisco; g) o Sr. Ari Salésio Brasil apontado pela Autoridade Fiscal como responsável pela unicidade de comando “grupo econômico" não pode ser tratado como pessoa interposta, posto que o mesmo era apenas procurador da recorrente, possuindo mandato público para exercer tal mister; h) A exclusão do SIMPLES foi contestada pela ora recorrente através da impugnação contra os Atos Declaratórios Executivos n°s 43 e 47/2008, protocolizados tempestivamente na Delegacia da Receita Federal de Blumenau/SC, portanto, estando sub judice, não é definitiva, dependendo de evento futuro e incerto para o Fisco até que haja o trânsito em julgado. i) devese declarar a prescrição quinquenal das contribuições lançadas. Ao final, pede a nulidade da lavratura, a decretação de prescrição e o reconhecimento da inexistência de grupo econômico. A empresa Tayka Confecções de Jeans Ltda – ME também apresentou recurso, fls. 209 e segs., no qual apresenta as mesmas alegações constantes no recurso da autuada. Mediante a Resolução n.º 2401000.390, de 18/07/2014, esta turma resolveu converter o julgamento em diligência para que o órgão preparador apresentasse a comprovação de que os processos relativos às exclusões da recorrente do Simples Federal e do Simples Nacional teriam transitado em julgado. A resposta à mencionada diligência foi juntada às fls. 505/506, onde se afirma que a empresa apresentou manifestações de inconformidade fora do prazo legal para os ADE n.º 43/2008 (PA 13971.003976/200864) e n.º 47/2008 (PA n.º 13971.003977/200817), portanto, os processos de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional já teriam tido trânsito em julgado administrativo. Informase que os processos de exclusão foram apensados aos autos de que ora se cuida. O processo retornou ao CARF sem ciência dos recorrentes acerca do resultado da diligência e por isso os autos novamente retornaram ao órgão da RFB para adoção dessa providência, a qual foi levada a efeito, conforme despacho de fl. 530. As empresas não voltaram a se manifestar. É o relatório. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13971.003941/200825 Acórdão n.º 2402004.841 S2C4T2 Fl. 534 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 26/02/2009, fl. 167, e os recursos foram apresentados pelo sujeito passivo e codevedor em 25/03/2009, fls. 172 e 209, portanto, dentro do prazo legal. Assim, as peças merecem conhecimento, posto que atendem aos requisitos de tempestividade e legitimidade. A existência de grupo econômico A responsabilidade solidária decorre da disposição do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. É necessário, assim, que se busque o conceito de grupo econômico, o qual extraio do § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, assim redigido: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (...) Fl. 536DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Inspirada no dispositivo acima, a IN SRP n.º 03/2005, vigente na data da autuação, tratava da questão nos seguintes termos: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. A situação fática encontrada pela Auditoria, que inclusive motivou a exclusão das empresas do Simples, foi a existência de empresas sob comando único que atuavam no sentido de partilhar o faturamento, de modo a poderem se beneficiar de tratamento tributário mais favorável, concedido às empresas optantes pelo regime simplificado de pagamento de tributos. As evidências que levam à conclusão da interligação entre as empresas encontramse no Processo n.º 13971.003976/200864, relativo à Representação Administrativa para Exclusão do Simples das empresas Brasil Real, Tayka Confecções de Jeans Ltda; Dullay´n Confecções de Jeans Ltda – ME e Terra Brasil Indústria de Confecções de Jeans Ltda. Nas palavras do Fisco, a empresa Tayka Confecções de Jeans Ltda foi desmembrada, resultando na constituição das empresas Terra Brasil, Brasil Real (autuada) e Dullay'n, para as quais, formalmente, constam sócios que eram vinculados à empresa original. Outra questão indicativa da formação do grupo de empresas é a divisão de faturamento que aparece nitidamente no demonstrativo trazido pela fiscalização no processo relativo à Representação Fiscal para Exclusão do Simples, item 7.1, pois, à medida que este cresce na empresa Tayka, se aproximando do limite de exclusão, vão se formando as demais empresas, voltadas para o mesmo ramo de atividade. Verificase ainda a ocorrência de transferências monetárias entre as empresas do "grupo", as quais demonstram a prática de ajustes financeiros. Tais fatos encontramse estampados em tabelas transcritas na Representação Administrativa (item 7.2). Há que citar também as reclamatórias trabalhistas mencionadas pelo Fisco, onde o teor das peças vestibulares e dos termos de conciliação, não deixam dúvidas de que os reclamantes laboravam para um grupo de empresas, conforme Anexo XI da Representação. Verificouse, também,a existência de várias procurações outorgadas pelas empresas ao Sr. Ari Salésio Brasil, conferindolhe amplos e ilimitados poderes para gerir e administrálas, evidenciando a unicidade de comando nas empresas. Esse documentos foram juntados no Anexo VI e VII da Representação Administrativa. De todas essas evidências, sou forçado a concluir pela existência do grupo econômico de fato, situação que implica na responsabilidade solidária das empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações previdenciárias que ensejaram a presente autuação. Da exclusão da empresa do Simples A recorrente foi excluída do Simples Federal mediante o Ato Declaratório Executivo n.º 43/2008 (PA 13971.003976/200864), tendo sido apresentada impugnação intempestiva, conforme comprovam os documentos acostados em sede de diligência. Portanto, comprovado o trânsito em julgado do processo administrativo de exclusão, é descabida a alegação recursal de que a sua exclusão do Simples ainda estaria sendo discutida, fato que interferiria na lide que ora se analisa. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13971.003941/200825 Acórdão n.º 2402004.841 S2C4T2 Fl. 535 7 A mesma conclusão se pode chegar quanto à exclusão da empresa do Simples Nacional, haja vista que a impugnação contra o Ato Declaratório Executivo n.º 47/2008 (PA n.º 13971.003977/200817) também foi apresentada fora do prazo, conforme demonstram os documentos colacionados. Assim, não cabe a essa Turma de Julgamento rediscutir a matéria relativa às exclusões da empresa dos sistemas de pagamento simplificado de tributos, posto que tal oportunidade a recorrente já teve quando da tramitação dos processos específicos consubstanciados nos Atos Declaratórios Executivos de n.º 43/2008 e de n.º 47/2008, os quais já ganharam caráter de definitividade, tendo sido determinadas as exclusões com efeitos retroativos a 01/12/2002 (Simples Federal) e 01/07/2007 (Simples Nacional). Nesse sentido, não nos cabe apreciar as questões que levaram a lavratura das Representações Administrativas que redundaram nas exclusões dos sistemas simplificados de pagamento de tributos, tais como: a interligação entre as empresas, a interposição de pessoas, o controle do suposto grupo econômico, a distribuição de faturamento, a confusão entre os patrimônios e atividades das empresas envolvidas, etc. Multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente a multa foi aplicada no patamar de trinta por cento, conforme previa o revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 A procedência da autuação Uma vez comprovado que a empresa foi excluída do Simples Federal e do Simples Nacional por decisão administrativa transitada em julgado com efeitos retroativos à data da opção, são devidas as contribuições lançadas no presente AI. Por fim, a decadência foi aferida com base no § 4.º do art. 150 do CTN, tendo a DRJ declarado a exclusão de parte das competências lançadas, não cabendo o inconformismo da recorrente. Quanto à tributação de PIS e COFINS é matéria que não faz parte da presente lide, posto que esses tributos não constam do lançamento. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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