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Numero do processo: 11128.002743/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2004, 22/11/2004
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa aplicada pela referida infração.
Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
Numero da decisão: 3101-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redator designado.
EDITADO EM: 05/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2004, 22/11/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa aplicada pela referida infração. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/10/2004, 22/11/2004 MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2004, 22/11/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa aplicada pela referida infração. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 27 43 /2 00 6- 06 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11128.002743/200606 Acórdão n.º 3101000.651 S3C1T1 Fl. 89 2 Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redator designado. EDITADO EM: 05/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: “Tratase de auto de infração pela não informação tempestiva dos dados de embarque no SISCOMEX relativos às declarações de exportação (DDE) citadas no corpo do auto. A fiscalização fundamentou o auto nos artigos 37 e 107, IV, "c" e "e" do DecretoLei n° 37/66 com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, e com a regulamentação da INSRF n° 28/94. Através do presente auto de infração, cobrouse a multa de R$ 5.000,00 para cada declaração de exportação cujos dados de embarque foram informados intempestivamente. Intimada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e documentos, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente que apresentou defesa administrativa em 18/04/2006, em resposta à Intimação GMAX 062/2006, e que ainda não recebeu resposta por parte da fiscalização. Alega que a defesa atual depende diretamente dessa resposta e que foi violado o Princípio da Ampla Defesa. 2. Alega que não se pode cogitar o embaraço ou impedimento à ação fiscal pois de fato não houve nenhum procedimento deste tipo. A fiscalização agiu com base nos dados informados eletronicamente no sistema pela própria impugnante. 3. Alega a ocorrência da denúncia espontânea do art. 138 do CTN, pois apresentou os dados de embarque antes da intimação para o pagamento das multas. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11128.002743/200606 Acórdão n.º 3101000.651 S3C1T1 Fl. 90 3 4. Alega que a Notícia SISCOMEX 002/2005 modificou a Notícia SISCOMEX 154/94 (sie), ampliando o prazo para informação dos dados de embarque de 24 horas para 7 dias. Indica que tal alteração reforça a ausência de embaraço ou impedimento na ação da impugnante. 5. Peticiona pela realização de diligências à fl. 31. 6. Requer por fim que seja julgado improcedente o auto de infração.” A DRJ de São Paulo julgou a impugnação procedente em parte, segundo Acórdão 1735.834, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/06/2004, 26/10/2004, 22/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo regulamentar, tornase aplicável a multa prevista na alínea "e", incido IV do art. 107 do DL n° 37/66. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Nos termos da Solução de Consulta Interna n° 8 da COSIT, de 14/02/2008, aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea "h" do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF n' 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF n 2 510, de 2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Em síntese, defende que o pequeno atraso do registro das DDE's no SISCOMEX não configura embaraço ou impedimento à fiscalização, e, se cabível fosse a imposição da penalidade, deveria ser afastada por caracterizada a denúncia espontânea. Por último, entende que não poderia ser apenada com a multa em foco, pois “não reveste a condição de empresa transportadora, mas apenas uma agência de navegação”. É o relatório. Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11128.002743/200606 Acórdão n.º 3101000.651 S3C1T1 Fl. 91 4 Por intermédio do Despacho de efolha 87, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.651, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. No que diz respeito à ilegitimidade passiva alegada pela recorrente, não lhe cabe razão. Na condição de representante do transportador estrangeiro no País, era ela quem detinha a responsabilidade pelo registro, no Siscomex, dos dados das cargas embarcadas nos navios da empresa de navegação por ela representada. No caso, é indubitável que a recorrente foi a responsável pelo registro extemporâneo dos dados de embarque das mercadorias exportadas, no que diz respeito às DDEs 2041181280/7 e 2041313791/0. E, configurada a infração à legislação aduaneira, o agente marítimo responde pela penalidade aplicada, nos termos da disposição do art. 95, I, do DL 37/66, in verbis: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Quanto ao mérito do presente litígio, a penalidade exigida encontra amparo na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos acrescidos) 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11128.002743/200606 Acórdão n.º 3101000.651 S3C1T1 Fl. 92 5 Quanto ao prazo para a prestação das informações em tela, assim estabeleceu o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 1.096, de 13/12/2010, a seguir transcrito, que já foi corretamente aplicado retroativamente pela decisão recorrida: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. No caso em exame, a partir das consultas do histórico dos despachos de exportação que remanesceram da autuação (fls. 13 a 18), constatase que o registro dos dados de embarque foram efetuados após o prazo de sete dias, fixado na atual redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Fica demonstrado, portanto, que a conduta da recorrente enquadrase perfeitamente à descrição da infração estabelecida no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação da Lei nº 10.833, de 2003. Por último, quanto ao afastamento da penalidade em foco pela aplicação do instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN), não é possível. Se admitida a aplicação da denúncia espontânea para infrações por atraso na prestação de informações, o cometimento da infração só resultaria na cobrança da multa em comento caso o contribuinte estivesse sob ação fiscal. Isso implicaria que todo atraso na prestação de informações exigidas, antes de ação fiscal, deixaria de ser tomado por infração. Assim, ainda que comprovada a infração (informações prestadas após o prazo estabelecido pela legislação), a multa aplicada seria inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Isso representaria um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade resulta não exigível, excluindo a possibilidade de punir a prática de infração legalmente estabelecida (atraso na entrega de informações). Em situação análoga, relativa ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária (atraso na entrega de declaração), a jurisprudência deste E. Conselho firmou entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. O STJ também tem decidido nesse mesmo sentido, podendo ser citado o julgamento proferido no ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão DJU de 12/04/2007. Segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporâneo de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não abrangida pelo benefício da denúncia espontânea da infração, previsto no art, 138 do CTN, por se tratar de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o do fato gerador de tributo. Com esse mesmo entendimento existem vários julgados do e. Tribunal Superior, nos quais foi declarada a impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declarações (DCTF, DIPJ etc). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11128.002743/200606 Acórdão n.º 3101000.651 S3C1T1 Fl. 93 6 Desta forma, fica demonstrado que a denúncia espontânea da infração, previsto no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração, em especial, o atraso na prestação de informação sobre carga transportada. Com base nesses fundamentos, votouse por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de Los Rios – Redatora ad hoc Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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Numero do processo: 10580.911724/2009-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2004
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 Direito ao crédito não conhecido. Ausência da prova do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 24 /2 00 9- 05 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911724/200905 Acórdão n.º 3802003.453 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010881/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Manoel Mota Fonseca (suplente), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Manoel Mota Fonseca (suplente), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Manoel Mota Fonseca (suplente), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Consta do relatório do Acórdão n° 1037.033 5ª Turma da DRJ/POA, (Fls. 677 a 681), de 23/02/2012: As citações de números de folhas referemse ao processo digital. Contra o interessado, antes qualificado, foi lavrado Auto de Infração com anexos para exigência de crédito tributário relativo à contribuição RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 10 88 1/ 20 08 -1 4 Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.010881/200814 Resolução nº 1202000.247 S1C2T2 Fl. 3 2 social sobre o lucro líquido (CSLL), referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 e 2004(fls. 4 – 15). As infrações descritas são as seguintes: 1. Falta de adição do valor da contribuição registrada como despesas ou custo. Não foram adicionados, na apuração da base de cálculo da contribuição, os valores da Cofins cuja a exigibilidade está suspensa em virtude do depósito judicial. Enquadramento legal: Lei nº 7.689, de 1988, art. 2º, § 1º, alínea “c”, item 3, alterado pela Lei nº 8.034, de 1990, art. 2º; Lei nº9.249, de 1995, art. 13, inciso I e IN SRF nº 390, de 2004, art. 50. 2. Compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Inobservância do limite de 30% do lucro líquido ajustado. Enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei nº 7.689, de 1988; art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 16 da Lei nº 9.065, de 1995; art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. 3. Insuficiência de recolhimento/declaração da contribuição. Valores declarados na DIPJ do anocalendário de 2003, terceiro e quarto trimestres. Enquadramento legal: art. 841, Incisos I, III e IV, do RIR/99. A multa de ofício com o percentual de 75% e os juros de mora são exigidos conforme o enquadramento legal descrito à fl. 15. O total do crédito tributário do processo, até a data da autuação, é de R$ 176.449,81 (fl. 4). O autuado, por meio de suas advogadas (procuração à fl. 358), impugnou o lançamento (fls. 325357), alegando, em síntese, sob os seguintes títulos/subtítulos, o seguinte: I – DOS FATOS Depois de relatar a exigência fiscal, registra que providenciou a compensação de parte da CSLL lançada no 4º trimestre/2003 e no 2º trimestre/2004, conforme PER/DCOMP que anexa (doc. 02), nos valores de originários de R$ 4.755,22 e de R$ 11.364,80, respectivamente, com juros devidos à taxa Selic (out/2008), com aproveitamento da redução da multa (50%). Assim, a parte litigiosa corresponde as seguintes parcelas: 1) Lançamento relativo ao 3º trimestre de 2003. 2) Parte do lançamento referente ao 4º trimestre de 2003, no valor originário de R$ 4.710,64. 3) Valores referentes ao 1º, 3 e 4º trimestres de 2004. 4) Parte do lançamento tributário do 2º trimestre de 2004, no valor originário de R$ 13.810,68. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.010881/200814 Resolução nº 1202000.247 S1C2T2 Fl. 4 3 Acrescenta que a autoridade lançadora desprezou, na apuração dos valores apontados nos autos, o seguinte: 1) A utilização de parte da base de cálculo negativa passível de compensação no limite de 30% do lucro líquido ajustado da CSLL, relativamente ao 3º trimestre do anobase de 2003. 2) O direito de deduzir retenções de CSLL (antecipações de CSLL) contabilizadas no 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do anobase de 2004, relativamente às receitas que foram integradas à base de cálculo da CSLL nesses períodosbase. 3) O pagamento efetivado por DARF no 4º trimestre do anobase de 2003. 4) Ainda, em linha subsidiária, preteriu pagamento efetivado por DARF no 3º trimestre do anobase de 2003. Assim, os valores em litígio são indevidos. II – DO DIREITO A. Da preterição do lançamento tributário à compensação de bases negativas de períodos anteriores, no limite de 30% da base de cálculo ajustada da CSLL apurada, relativamente ao 3º trimestre do anobase de 2003 Admite a inclusão de R$ 35.501,74, na base de cálculo da CSLL do 3º trimestre de 2003, que corresponde à Cofins com exigibilidade suspensa (infração 001). Contudo, relativamente à infração 003 (insuficiência de recolhimento ou declaração), valor de R$ 35.900,18, que foi declarado na DIPJ/2004 (fl. 44), não concorda. Diz que, no 2º trimestre/2003, ocorreu a compensação integral da base de cálculo negativa de período anterior, no montante de R$ 504.810,88, efetivamente superior ao limite legal de 30%, circunstância que foi revisada e corrigida mediante lançamento de ofício no processo 11080.006347/200803. 4 Assim, regularizada a indevida compensação, o autuado pode compensar no 3º trimestre de 2003, a base de cálculo negativa da contribuição de períodobase anterior, no limite de 30% da base de cálculo ajustada da CSLL apurada. Refazendo os cálculos, a defesa reconhece como devido o valor de R$ 27.366,74, referente ao 3º trimestre de 2003, e não R$ 35.900,18. Para revisão do lançamento de ofício, anexa a DIPJ “retificadora” (doc 06 – fl. 411), bem como a DCTF (doc 07), que formaliza tal crédito tributário, totalmente extinto, conforme DARF (doc. 05), em 14/03/2008. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.010881/200814 Resolução nº 1202000.247 S1C2T2 Fl. 5 4 B. Da extinção da CSLL lançada de ofício no 4º trimestre do ano base de 2003 Alega que o valor de R$ 4.710,64 é improcedente pois, de acordo com o DARF que anexa (doc 08), o referido valor está extinto. De outra forma, o valor de R$ 4.755,22, também está extinto, mediante compensação, conforme PER/DCOMP (Doc 02). Assim, o lançamento referente ao trimestre deve ser revisado, cabendo citar que a retificadora da DIPJ/2004 (doc 06) e também a DCTF (doc 09). Observa que o pagamento ocorreu em 14.03.2008, conforme DARF (doc 08), antes do lançamento de ofício. C. Da desconsideração de retenções de CSLL relativas as receitas integradas à base de cálculo tributável dessa contribuição social nos trimestres dos anosbase de 20032004 As exigências fiscais, principalmente, relativas ao 2º, 3º e 4º trimestres do ano de 2004 estão incorretas, porque a autoridade fazendária, na revisão das DIPJ de 2004 e 2005, preteriu a análise da CSLL antecipada, que foi retida na fonte em cada períodobase, relativamente às receitas integradas à base de cálculo da CSLL, conforme pode ser verificado na escrituração contábil aliada aos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras. CSLL – 1º trimestre de 2004 Diz o impugnante que, conforme razão contábil, constatase na conta patrimonial do Ativo Circulante – Imposto a Recuperar – CSLL a compensar – no encerramento do 1º trimestre de 2004 (doc. 11), saldo devedor contábil, no valor de R$ 3.326,29, o qual deve ser reconhecido como crédito de CSLL, passível de restituição/compensação (saldo negativo de CSLL). Diante dessas informações, o lançamento deve ser revisado, conforme está na DIPJ/2005 retificada (doc. 12), para reconhecimento do indébito fiscal. CSLL – 2º trimestre de 2004 Em resumo, a defesa concorda com o valor da CSLL apurada, R$ 25.175,47 (fl. 343). No entanto, segundo a defesa, o razão contábil do autuado comprova, na conta patrimonial “CSLL a compensar”, no encerramento do 2º trimestre de 2004 (doc. 13), o saldo devedor contábil de CSLL é de R$ 16.096,39, que deduzido do valor R$ 2.285,71 (informado na DIPJ/2005), ainda dispõe de um saldo de R$ 13.810,68, apto a deduzir parte da CSLL que foi lançada, restando, assim um saldo a pagar de R$ 11.364,80. A extinção desse valor (R$ 11.364,80) foi providenciada mediante compensação via PER/DCOMP (doc 02). Assim, segundo a defesa, o valor de R$ 13.810,68 corresponde a parte indevida, pois deve ser deduzida a contribuição contabilizada como Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.010881/200814 Resolução nº 1202000.247 S1C2T2 Fl. 6 5 antecipação nesse trimestre, conforme demonstração na DIPJ/2005 retificada (fl. 381). CSLL – 3º trimestre de 2004 A defesa também concorda com a contribuição exigida, no valor R$ 925,07. Pelos mesmos motivos expostos anteriormente, descreve que existe um saldo devedor contábil de CSLL em sua contabilidade, no valor de R$ 15.006,10, que também é suficiente para deduzir a contribuição lançada, restando, ao final, o valor de R$ 14.081,03. Diz que a CSLL suportada como antecipação, que não foi compensada contabilmente e em termos fiscais, pode ser deduzida, conforme autorização contida no art. 16, I e IV, da IN SRF nº 390/94. Dessa forma, alega a defesa, apontado o erro de fato, a exigência também é indevida, devendo o lançamento ser revisado. CSLL – 4º trimestre de 2004 A defesa concorda com o valor da contribuição apurada, RS 2.692,16, no entanto, relata que dispõe de um saldo devedor contábil de CSLL, no valor de R$ 7.338,07. Descreve que na DIPJ/2005 (anteriormente à revisão fiscal) consta a dedução da CSLL retida na fonte, no exato montante da CSLL apurada, que informou como devida nesse trimestre (R$ 2.569,22). Reitera que a pretensão de deduzir da CSLL lançada o valor retido da contribuição tem amparo legal, na citada instrução normativa. Assim, diz a defesa, apontado o erro de fato na constituição do crédito tributário, a exigência é improcedente. Acrescenta que os valores da CSLL retidos estão comprovados com “razões contábeis” e, por amostragem, com informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos (doc. 17). Esses valores são formadores dos saldos negativos da CSLL no anobase de 2004 e suficientes para sustar os efeitos da revisão de ofício da DIPJ/2005. Por último, em apoio aos argumentos descritos, a defesa apresenta entendimentos da doutrina. III – DO PEDIDO Ao final a defesa requer a desconstituição da parte do lançamento contraditado, com a conseqüente extinção do correspondente crédito tributário lançado: a) referentes ao 3º e quarto trimestres de 2003, tendo em vista os DARFs de pagamento; b) referentes ao 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, tendo em vista a utilização da CSLL retida na fonte, que incidiu sobre as receitas computadas na apuração do valor tributável. Resumiuse a decisão em primeira instância na seguinte ementa: Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.010881/200814 Resolução nº 1202000.247 S1C2T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 RETIFICAÇÃO DE DIPJ APÓS O INICIO DA AÇÃO FISCAL. INEFICÁCIA. A retificação da DIPJ não opera efeitos quanto ao auto de infração se efetuada depois de iniciado o processo de lançamento de ofício. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO ADMINISTRADOS PELA RFB. A restituição ou a compensação de valores indevidos deve ser requerida pelo sujeito passivo mediante a utilização do programa PER/DCOMP. MULTA DE OFICIO. INCIDÊNCIA. O inicio do procedimento fiscal exclui a espontaneidade e determina a incidência de multa de ofício sobre os valores da contribuição devida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da referida decisão em 14/03/2012 (Fls. 690), a Recorrente interpôs o presente recurso em 12/04/2012 (Fls. 691 a 780), com o seguinte pedido: (...) III. DO PEDIDO Ante o exposto nas razões recursais, a Recorrente requer a reforma do julgamento de primeiro grau, adotados os argumentos e fundamentos jurídicos esgrimidos em seu favor desde a impugnação, para efeito da correspondente extinção do crédito tributário constituído e não confessado no Auto de Infração, especialmente quanto ao (i) 3o e 4o Trimestres/2003, conforme se comprova por DARF o seu pagamento; e, (ii) 2o, 3o e 4o Trimestres/2004, eis que, indubitavelmente, extintos os créditos tributários de CSLL lançados, nos termos do art. 16, I e IV da Instrução Normativa SRF n. 390/04, que admite à pessoa jurídica tributada mediante base de cálculo ajustada deduzir da CSLL devida, em cada períodobase, o valor da CSLL Retida na Fonte que incidiu sobre as receitas computadas na apuração do apontado regime de tributação. (...) Subiram os autos ao CARF em 16/04/2012, distribuídos, por sorteio a este Relator em 06/08/2013. É o relatório. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.010881/200814 Resolução nº 1202000.247 S1C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de recurso contra decisão em primeira instância que manteve o crédito tributário referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), anoscalendário 2003 e 2004, constante de auto de infração (Fls. 14). Antes de prosseguir o julgamento, fazse necessário que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de circunscrição da Recorrente informe a este Colegiado os motivos da desconsideração de DCTF apresentada em 14/11/2003 (doc. 01 anexo ao recurso voluntário) na apuração do crédito tributário relativo à CSLL do 3° Trimestre de 2003, conforme argumentou a Recorrente: (...) Ao contrário do acórdão a quo, previamente, esclareçase que em 14.11.2003. mediante DCTF retificadora (doc. 01) relativa ao 3o Trimestre de 2003, quase cinco anos antes do procedimento fiscal instaurado em fevereiro de 2008, a Recorrente já havia confessado o débito de CSLL de R$ 27.366,74, o qual teve sua confissão somente reiterada na DCTF retificadora, transmitida em 16.10.2008, arrolada como doe. 07 da impugnação. (...) Intimese a Recorrente para o contraditório em relação aos esclarecimentos da referida Delegacia, no prazo de trinta dias, conforme o disposto no Decreto n° 70.235, de 1972. Decorrido o referido prazo, retornemse os autos para continuação do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13603.903607/2008-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO.
A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.
Numero da decisão: 3803-006.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 36 07 /2 00 8- 61 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Peço vênia aos pares para inserir a este excertos do relatório, parte integrante do Acórdão nº 0946.318, pela abordagem concisa e precisa acerca dos fatos e valores fiscalizados, que estou certo colaborará para a compreensão do imbróglio que ora se examina. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI, PER/DCOMP nº 42677.14038.140904.1.1.018709, relativamente ao saldo credor de IPI de que trata a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, do 3º trimestre de 2001, no montante de R$ 18.646,09, apurado pelo estabelecimento 01.397.854/000205. Para a verificação da legitimidade do saldo credor foi instaurado procedimento fiscal de que resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 113/120. No referidoato, o auditor fiscal asseverou que: 2 DAS INFRAÇÕES GLOSA DE CRÉDITOS IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Conforme admitido pelo próprio contribuinte, às fls. 05 do arquivo Intimacoes_e_Respostas.pdf,anexo ao SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensações, o estabelecimento não industrializa nenhum produto. Apesar das alterações contratuais afirmarem que entre os objetivos sociais, à parte o comércio atacadista, atividade preponderante, encontrarse a "Indústria de Produtos de Panificação", não se observou a saída de qualquer tipo de pães e assemelhados, bem como não foi anotada, nos livros Registro de IPI, nenhuma saída de produto industrializado DENTRO do estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. Da mesma forma, da análise das notas fiscais de entradas com destaque do IPI relacionadas nas PER/DCOMPs, não se observa a entrada de qualquer insumo: são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalha, adquiridos prontos, diretamente da fábrica, e comercializados por atacado no mesmo estado em que chegaram, conforme se observa nas notas fiscais de saídas. Portanto, estes valores solicitados em ressarcimento, e escriturados no Livro Registro de Apuração de IPI pelo contribuinte, se referem a aquisições de produtos de fabricação nacional que são revendidos sem serem submetidos a qualquer tipo de industrialização pela empresa, não ocorrendo o fato gerador do tributo nas suas saídas do estabelecimento. Não se vislumbra como sua atividade e suas saídas de mercadorias se enquadrariam no caso de ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. [...] Diante do exposto, devese então proceder à glosa de todos os valores solicitados a título de ressarcimento pleiteados pelo Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.903607/200861 Acórdão n.º 3803006.343 S3TE03 Fl. 7 3 contribuinte, uma vez que este não promove qualquer tipo de industrialização neste estabelecimento. Os pleitos formulados pela contribuinte foram indeferidos por meio do Despacho Decisório DRF/CON nº 383, de 21/03/11, com fundamento no art. 59 da IN RFB nº 900/08, como também não homologados nos termos do art. 63 do mesmo normativo. O motivo do indeferimento é que a contribuinte não faz jus ao crédito alegado, consoante o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, no art. 4º da IN SRF nº 33/99 e no caput e § 2º do art. 195 do Dec. 4.544/02 (RIPI/02), uma vez que não promove nenhum tipo de industrialização em seus estabelecimentos, portanto não é contribuinte de IPI, posição esta admitida pela própria interessada, e comprovado por meio de termos de verificação fiscal, documentos que lhe serviram de base e análise dos créditos suscitados nos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação. A exceção foi a DComp nº 37863.76863.100904.1.3.018800, relativamente aos créditos do 4º trimestre/2002, pois transmitida em 10/09/04, que restou homologada por disposição legal, nos termos do § do art. 74 da Lei nº 9.430/96, em razão da ocorrência de decadência, mesmo que a ele não fizesse jus a contribuinte. Manifestando a sua inconformidade a interessada aduziu que, em alguns casos, a própria TIPI equipara estabelecimentos atacadistas a estabelecimentos industriais, o que acarretaria no direito ao crédito de IPI; entretanto que no caso da requerente, a mesma faz jus ao crédito de IPI diante da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade. Aduziu, ainda, que no caso dos PAF nº 10603.903598/200817, 10603.903602/200839 e 10603.903604/200828, houve o reconhecimento parcial do ressarcimento de IPI e, que não poderia ser adotado outro critério neste momento, mesmo porque até os créditos solicitados têm os fundamentos legais. Entendeu que o processo cuja declaração de compensação foi homologada caracteriza o direito da requerente aos créditos de IPI, para requer o cancelamento das glosas efetuadas pela fiscalização e o deferimento dos pedidos de compensação de IPI. Os autos foram conclusos para julgamento pela 3ª Turma da DRJ/JFA que, por meio do Acórdão nº 0946.316, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, se pronunciou pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório apurado pela interessada. O voto condutor entendeu que a TIPI é inservível para definir a equiparação de estabelecimento atacadista com o industrial, que essa tarefa diz respeito ao RIPI; que o RIPI/2010 (Dec. 7.212/10) consolida as normas de equiparação desde a publicação da Lei nº 4.502/64, inclusive aquelas vigentes à época dos creditamentos realizados pelo interessado; que traz em seu art. 9º, I a XV, as determinações legais atinentes à matéria. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Mencionou que a extensa e exaustiva lista de produtos constantes do art. 9º desse mandamus, que poderiam ensejar a referida equiparação, dela não consta nenhum dos produtos comercializados pela interessada; que o estabelecimento, conforme com o relato fiscal, não industrializa produtos e apenas revende aqueles adquiridos, nas mesmas condições, não fazendo jus ao creditamento de IPI, nem ao ressarcimento pleiteado; que a DIPJ relativa ao período em questão informa à fl. 156, que não há apuração e informações de IPI no período para, ao final, manter o entendimento esposado no despacho decisório. A interessada ciente da decisão contida no Acórdão nº em 15/10/13, contra a mesma insurgindose interpôs recurso voluntário em 08/11/13, reiterando os argumentos expendidos na exordial. No mais informa que tem cadastro no Siscomex e importava produtos de procedência estrangeira e dava saída a esses produtos, e que por longo tempo procedia à industrialização de produtos para panificação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. Por meio de Termos de Verificação Fiscal constatou a autoridade administrativa no estabelecimento do sujeito passivo, que o mesmo não industrializa nenhum produto, assim não é contribuinte de IPI, nem foi observada nenhuma saída de qualquer tipo de pães ou assemelhados, ou mesmo há registros nos Livros de Registro de IPI, de saída de qualquer produto industrializado nesse estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. O referido Termo informou que a fiscalização ao proceder à análise das notas fiscais de entradas com destaque de IPI relacionadas nos Per/DComps, não verificou a entrada de nenhum insumo. Ao contrário, são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalhas, adquiridos prontos, diretamente da fábrica e comercializados por atacado no mesmo estado em que foram adquiridos, conforme comprovam as notas fiscais de saídas. Concluiu a decisão de piso que sobre tais operações de saída não há incidência de fato gerador de IPI, não se aplicando ao caso o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A premissa ensejadora do fato gerador do IPI é o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo. O direito ao crédito presumido do IPI, originariamente, como forma de ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, de que trata a Lei nº 9.363/1996, está disciplinada na Instrução Normativa SRF nº 419/2004. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.903607/200861 Acórdão n.º 3803006.343 S3TE03 Fl. 8 5 A recorrente não logrou refutar as acusações formuladas pela fiscalização seja com argumentos, nem mesmo pela apresentação de documentos hábeis e idôneos. É certo que o inciso I do art. 333 do CPC estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Neste sentido a fiscalização constatou no estabelecimento do sujeito passivo a inexistência de qualquer processo de industrialização e, pelo exame de documentos fiscais e contábeis que lhe foram apresentados, inclusive nas notas fiscais de entrada e de saída, verificou que a impossibilidade material para o surgimento da incidência do dato gerador do IPI. Da sua parte o recorrente não logrou demonstrar, oportunamente, à a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, que pudesse corroborar para a sua pretensão qual seja, de homologação das declarações de compensação e pedido de ressarcimento apresentados por via eletrônica à repartição fiscal. A própria DIPJ/2003 da recorrente, ano calendário de 2002, no que atine ao período em que se deu a apuração do suposto crédito (01/01/2002 a 31/12/2002), informa que não houve apuração e informações de IPI, seja no período integral, ou de apuração mensal. A bem da verdade o que se percebe dos autos é que a recorrente não trouxe em sua defesa nenhum elemento de convencimento material ou jurídico que demonstrasse e que comprovasse à existência dos créditos por ela informados, da sua liquidez e certeza, e o direito à compensação pretendida, eis que não basta constar do objeto social termos como importação e exportação, para lhe assegurar direito à compensação, nos termos da legislação atinente à matéria. Com isso, nos autos constatase apenas a alegação vazia da recorrente acerca do direito creditório à compensação/ressarcimento, sob os auspícios da Lei nº 9.779/99, pois não há substância em sua narrativa. Isto posto pugno por NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15504.016047/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
CAIXAS DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS. NATUREZA JURÍDICA DE ASSOCIAÇÃO PRIVADA.
As Caixas de Assistência dos Advogados não desempenham as atividades inerentes à Ordem dos Advogados do Brasil, tratando-se de entidades destinadas a prover benefícios pecuniários e assistenciais a seus associados, com personalidades jurídicas próprias e criadas não por lei e sim pelos Conselhos Seccionais da OAB, caso existam mais de mil e quinhentos inscritos. Logo, não podem ser consideradas autarquias que exercem serviço público, de maneira similar à OAB, amoldando-se, segundo suas finalidades, na natureza jurídica de entidades associativas privadas.
MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE FORMALIDADES LEGAIS
Encontra-se em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que não apresenta documentos contábeis revestidos das formalidades legais.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS.
A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas ás contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n.º 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigidas até a data da decisão de primeira instância.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-004.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhido os embargos, deixar clara a fundamentação da autuação e da respectiva decisão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. CAIXAS DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS. NATUREZA JURÍDICA DE ASSOCIAÇÃO PRIVADA. As Caixas de Assistência dos Advogados não desempenham as atividades inerentes à Ordem dos Advogados do Brasil, tratando-se de entidades destinadas a prover benefícios pecuniários e assistenciais a seus associados, com personalidades jurídicas próprias e criadas não por lei e sim pelos Conselhos Seccionais da OAB, caso existam mais de mil e quinhentos inscritos. Logo, não podem ser consideradas autarquias que exercem serviço público, de maneira similar à OAB, amoldando-se, segundo suas finalidades, na natureza jurídica de entidades associativas privadas. MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE FORMALIDADES LEGAIS Encontra-se em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que não apresenta documentos contábeis revestidos das formalidades legais. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas ás contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n.º 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigidas até a data da decisão de primeira instância. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Embargos Acolhidos.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. CAIXAS DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS. NATUREZA JURÍDICA DE ASSOCIAÇÃO PRIVADA. As Caixas de Assistência dos Advogados não desempenham as atividades inerentes à Ordem dos Advogados do Brasil, tratandose de entidades destinadas a prover benefícios pecuniários e assistenciais a seus associados, com personalidades jurídicas próprias e criadas não por lei e sim pelos Conselhos Seccionais da OAB, caso existam mais de mil e quinhentos inscritos. Logo, não podem ser consideradas autarquias que exercem serviço público, de maneira similar à OAB, amoldandose, segundo suas finalidades, na natureza jurídica de entidades associativas privadas. MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE FORMALIDADES LEGAIS Encontrase em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que não apresenta documentos contábeis revestidos das formalidades legais. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas ás contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente até AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 60 47 /2 00 8- 57 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 a edição do Decreto n.º 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigidas até a data da decisão de primeira instância. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhido os embargos, deixar clara a fundamentação da autuação e da respectiva decisão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.016047/200857 Acórdão n.º 2301004.122 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Senhor Presidente, Tratase de embargos opostos tempestivamente pela Recorrente contra Acórdão que teve o seguinte dispositivo e ementa naquilo que interessa: Dispositivo: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ementa: (...) MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PRAZO RAZOÁVEL. INÉRCIA DO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. Encontrase em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que, sendo intimado para apresentar documentos em prazo razoável, permanece inerte quanto à apresentação. A embargante aponta omissão por ter o Acórdão embargado referidose à falta de entrega de livros, ao passo que este foi efetivamente entregue. A questão que deixou de ser apreciada, por seu turno, diz respeito à exigência de registro de livro diário em órgão competente. Com base em despacho de nossa lavra, o Presidente da Turma acatou os Embargos que serão pela Turma analisados. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Tendo os Embargos sido acolhidos pelo Presidente da Turma, cabenos apreciar somente o mérito da parte acolhida. De fato, tem razão a embargante, pois tanto a ementa do Acórdão quanto um trecho de nosso voto tratam da não apresentação do livro diário e não da sua apresentação deficiente, questão fulcral no caso. Passamos a reapresentar nossos fundamentos jurídicos e fáticos para sanar o vício. Multa por descumprimento do art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91. Apresentação de Livros sem as formalidades legais Conforme prevê o art. 33, §§ 2° e 3º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, in verbis: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. II, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9/07/2001) ... § 2° A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.016047/200857 Acórdão n.º 2301004.122 S2C3T1 Fl. 4 5 Conforme prevê o § 3°, acima transcrito, o livro apresentado deficientemente autoriza o lançamento de ofício da multa.. O art. 233, parágrafo único do RPS, por sua vez, determina que os livros do contribuinte serão considerados deficientes se não seguirem as formalidades legais. Tais formalidades são estabelecidas pelo Código Civil nos arts. 1.179 a 1.184, citados no relatório da fiscalização e a seguir transcritos: Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1o Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. § 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. Art. 1.182. Sem prejuízo do disposto no art. 1.174, a escrituração ficará sob a responsabilidade de contabilista legalmente habilitado, salvo se nenhum houver na localidade. Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1o Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. Como se vê, o Código Civil exige o registro do Diário e o lançamento do balanço patrimonial e da apuração do resultado econômico. No caso em análise, a Recorrente não apresentou os livros que cumprissem as formalidades legais exigíveis, notadamente, os livros não possuíam registro no órgão competente. A recorrente não demonstrou que registrou os livros, limitandose a afastar tal exigência, que, como vimos, está amparada em lei. A discussão sobre a natureza jurídica da recorrente já foi feita no Acórdão original. Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER e DAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS, de modo a negar provimento ao recurso com os fundamentos que superam a omissão questionada, reiterando os demais fundamentos. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004848/2010-26
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO DE IRRF. AÇÃO TRABALHISTA. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES E RECOLHIMENTOS.
Apresentada documentação comprobatória tanto da retenção quanto do recolhimento do IRRF sobre rendimentos decorrentes de reclamatória trabalhista, resta insubsistente a glosa da compensação do imposto retido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO DE IRRF. AÇÃO TRABALHISTA. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES E RECOLHIMENTOS. Apresentada documentação comprobatória tanto da retenção quanto do recolhimento do IRRF sobre rendimentos decorrentes de reclamatória trabalhista, resta insubsistente a glosa da compensação do imposto retido. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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AÇÃO TRABALHISTA. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES E RECOLHIMENTOS. Apresentada documentação comprobatória tanto da retenção quanto do recolhimento do IRRF sobre rendimentos decorrentes de reclamatória trabalhista, resta insubsistente a glosa da compensação do imposto retido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 48 48 /2 01 0- 26 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (RJ) – DRJ/SPJ2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 36.409,87, relativo ao anocalendário 2006. Intimado a comprovar o valor de R$ 24.164,92 compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos pagos pelo Banco Mercantil de São Paulo S/A., CNPJ nº 61.065.421/000195, o contribuinte quedou silente, motivo pelo qual essa compensação restou glosada pela fiscalização (fls. 2/5). Em sede de impugnação, o autuado requereu o restabelecimento do valor glosado, juntando aos autos cópia de parte do reclamatória trabalhista nº 200593, por ele movida contra a citada fonte pagadora. O julgamento administrativo de primeiro grau manteve a autuação, considerando, em síntese, os documentos apresentados insuficientes para o deslinde do litígio. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 26/8/2011, reiterando o pedido e as razões da impugnação, colacionando, ainda, documentos adicionais relativos ao processo trabalhista em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A análise dos documentos trazidos pelo contribuinte junto com a impugnação, e quando da interposição do recurso ora enfrentado, são suficientes para permitir a adequada compreensão dos fatos. O Banco Mercantil de São Paulo S/A. foi condenado nos autos do processo nº 2005/93 a pagar ao contribuinte/reclamante a quantia total de R$ 105.395,29, consoante valor do crédito apurado em 21/2/2000, sobre o qual incidiriam descontos no montante de R$ 25.604,87, sendo R$ 24.164,92 atinentes à retenção do imposto de renda na fonte, e R$ 1.439,95 à contribuição previdenciária (fls. 56 e 6/10). Do saldo original líquido, R$ 79.790,42 (R$ 105.395,29 R$ 25.604,87), foram levantados, em 6/8/2001, R$ 20.787,82 (corrigidos, R$ 23.321,57, ver fl. 46) do depósito judicial no Banco do Brasil vinculado ao feito (fl. 50), sem a respectiva retenção de imposto de renda na fonte. No dia 9/11/2005, foi levantado o saldo remanescente do valor original líquido, R$ 59.002,60 (R$ 79.790,42 R$ 20.787,82), correspondentes a R$ 96.953,98 atualizados até aquela data. Foi consignado no respectivo Alvará de Levantamento do Depósito (fls. 47 e 51), que o crédito pertinente se daria em 21/2/2006. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.004848/201026 Acórdão n.º 2802003.124 S2TE02 Fl. 70 3 O imposto de renda sobre o total das verbas percebidas, tal como previsto na condenação, era no valor original de R$ 24.164,92, conforme mencionado. A retenção desse valor foi realizada na data de 15/3/2006 sob o código de receita 5936 ("IRRF REND DECO DEC JUSTIÇA TRABALHO, EXCETO ART 12A L. 7.713/88"), junto com a respectiva correção monetária e juros, alcançando a cifra de R$ 40.836,96, de acordo com os documentos de fls. 13, 48, 63 e 64. O quadro que se descortina, então, é que o contribuinte errou no preenchimento de sua declaração, pois o valor informado na Declaração de Ajuste Anual (DAA) de 2007 como rendimento tributável recebido do Banco Mercantil de São Paulo S/A. corresponde ao valor original da condenação, R$ 105.395,29 no processo 2005/93, e não ao valor efetivamente recebido no respectivo anocalendário, R$ 96.953,88. De sua parte, o imposto na fonte retido sobre o valor pago ao contribuinte foi de R$ 24.164,92, havendo sido recolhidos R$ 16.672,04 a mais pela fonte pagadora por conta do atraso no adimplemento da retenção, mediante DARF no valor total de R$ 40.836,961. Dadas essas considerações, o que se conclui do exame da prova documental trazida à baila nos presentes autos é que foram retidos no anocalendário 2006 R$ 24.164,92 a título de imposto de renda incidente na fonte sobre os rendimentos pagos pelo Banco Mercantil de São Paulo S/A. ao recorrente, razão suficiente para que seja restabelecida a compensação levada a efeito na DAA do exercício 2007, glosada pela autoridade lançadora. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson 1 Vale observar que não há elementos neste processo administrativo que permitam saber se o valor da condenação levantado em 6/8/2001 (R$ 23.321,57) foi oferecido à tributação na DAA do exercício 2002, o que, de todo modo, não é relevante para a solução da lide em evidência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11070.001039/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Mônica Garcia de Los Rios.
RELATÓRIO
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Mônica Garcia de Los Rios. RELATÓRIO Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 277 a 278 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator José Alexandre Grassi, nos seguintes termos: “O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 01 03 9/ 20 10 -1 7 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.001039/201017 Resolução nº 3101000.317 S3C1T1 Fl. 32 2 ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo nº 11070.001396/201085, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo nº 11070.002089/201011, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$196.918,37, referente ao primeiro trimestre de 2009, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 22890.39668.220409.1.1.01 9200, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 83 e 84 e, na sequência, o Despacho Decisório Saort/SAO 834, das fls. 96 a 102. O Despacho Decisório referido no item precedente não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações vinculadas. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 28 de dezembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 103. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 7 de janeiro de 2011, conforme arrazoado das fls. 104 a 127, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 127 a 140, e instruído com os documentos de fls. 142 a 270, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN).” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1038.331 de fls. 275 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.001039/201017 Resolução nº 3101000.317 S3C1T1 Fl. 33 3 CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF onde faz em resumo as alegações a seguir: “Do Direito: I – Do Pedido de Compensação: Existência de Créditos Suficientes Para Compensar Integralmente os Débitos Informados – Aqui a Recorrente faz alusão ao art. 11 da Lei 9.779/99 e art. 74 da Lei nº 9.430/96 para concluir: “Estando comprovada a origem da regularidade e o valor dos créditos solicitados utilizados para compensação na PER/DCOMP N. 11.070.001039/201017 não há que se falar em suficiência de créditos para compensar os débitos informados.” II – Da Impossibilidade do Fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior: Exceção à hipótese de utilização dos créditos de IPI prioritariamente para dedução dos débitos por saídas de produtos, entendendo: “ser indevida a mera desconsideração dos requerimentos formalizados pela Recorrente neste processo e sua substituição por débitos outros lançados pelo fisco”. III – Da impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos da contribuinte com débitos tributários depositados judicialmente e ainda não constituídos definitivamente; IV – Da impossibilidade de aplicação de multa; V – Da inexistência de documentos juntados posteriormente – alegando que isso não ocorreu nesse processo. Dos Pedidos: Requer o julgamento procedente de seu Recurso Voluntário para o efeito de declarar a nulidade da decisão administrativa de 1º instância, ou alternativamente entendam pela inexistência da mesma, seja reformada a decisão recorrida nos pontos atacados no presente recurso, para que sejam homologados integralmente as compensações declaradas, declarandose quitados os débitos informados. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.001039/201017 Resolução nº 3101000.317 S3C1T1 Fl. 34 4 VOTO Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar, que o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte não trouxe nenhum elemento novo e convincente a ponto de abalar a decisão recorrida. Entretanto, tendo em vista a vinculação desse processo aos dois autos de infração que redundaram nos processos 11.070.002089/201011 e 11.070.001396/201085, aguardase o resultado definitivo desses processos na esfera administrativa, para o devido retorno desse, para julgamento. Também, importante observar, que seja juntado aos presentes autos cópia das decisões definitivas dos processos acima referidos. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723941/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora) e Geraldo Valentim Neto.
(Documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho Presidente
(Documento assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora
(Documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora) e Geraldo Valentim Neto. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (Documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora (Documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 477 1 476 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723941/201079 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1202000.153 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 4 de dezembro de 2012 Assunto IRPJ Recorrente FERRAMENTAS GERAIS COMERCIO E IMPORTAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora) e Geraldo Valentim Neto. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente (Documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora (Documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. Relatório Contra a contribuinte FERRAMENTAS GERAIS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO S/A (CNPJ 92.664.028/000141), foi lavrado Auto de Infração com as RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 23 94 1/ 20 10 -7 9 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 478 2 seguintes exigências, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora com base na taxa SELIC: COFINS, referente ao anocalendário de 2005; Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ – referente ao ano calendário de 2007, no montante de R$ 24.241.814,91; e, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL – referente ao anocalendário de 2007, no montante de R$ 8.778.181,79. Essas exigências foram motivadas por: (i) falta de declaração e recolhimento referente à Cofins do mês de julho de 2005 (R$ 114.679,15); e, (ii) a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL sem a observância da trava de 30% do lucro líquido após os ajustes relativos às adições e exclusões, em desacordo com a previsão legal contida nos artigos 42 e 56 da Lei nº 8981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9065/95. A contribuinte foi intimada por via postal, em 11 de novembro de 2010 e apresentou Impugnação em 9 de dezembro de 2010. De início, informa a autorização legal para proceder às compensações efetuadas. Em seu entender, a autorização vem dos dispositivos previstos nas Leis nºs 8981/95 e 9065/95, que subentendem que há comunicação entre os períodos de apuração, vez que há restrição à compensação de prejuízos anteriores, sem que haja qualquer menção a períodos posteriores. Tal entendimento é corroborado pelo próprio texto legal, que, ao mencionar expressamente “anoscalendário subseqüentes” e “prejuízos apurados”, pressupõe a continuidade das atividades empresariais como prérequisito para a limitação legal para a compensação. Diz que, “Em outras palavras, a própria legislação condiciona, expressamente a incidência da limitação de 30% à continuidade da atividade empresarial.” Na hipótese de encerramento das atividades, não há que se falar em limites. Nesse sentido, ainda que não houvesse tal pressuposto, devese levar em consideração a finalidade do texto legal, que no entender da impugnante: “...a finalidade subjacente das mencionadas Leis é precisamente garantir o aproveitamento dos prejuízos, desde que dentro de determinados limites percentuais. Podese com isso dizer que o direito à compensação faz parte da teleologia imanente das referidas Leis. E, em sentido oposto, a perda do direito a compensação não faz parte do seu objetivo. Em outras palavras, a finalidade da lei é garantir o aproveitamento e não acabar com ele. ... Assim, diante de situações que possam conduzir ao perecimento do direito à compensação, caberá ao aplicador, que compreender a norma de maneira mais ampla, efetuar uma redução do âmbito da sua aplicação, para o efeito de retirar do alcance da lei os casos não abrangidos pelo próprio sentido objetivo da lei. Com esse proceder, o aplicador não deixará que aconteça aquilo mesmo que o legislador quis evitar que um mero alongamento do direito de compensar se transforme na sua verdadeira aniquilação.” Nessa esteira, a tarefa de interpretar não é alargar ou mesmo alterar a lei, mas fazer com que seja aplicada naquilo que a própria lei prevê. É mister que a interpretação Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 479 3 considere o fato da atividade empresarial continuar ou não, já que se tratam de situações opostas. Acrescenta que nenhuma interpretação legal pode desconsiderar o Princípio da Igualdade, que exige que casos diferentes sejam tratados de forma diversa. Com isso, a “face negativa da igualdade” irá retirar os casos não abrangidos pela sua finalidade objetiva, para não romper com a lei e com a aplicação coerente do critério de tributação. A limitação da compensação em 30% também aos casos em que há sucessão empresarial, viola também o conceito de renda e lucro previstos na legislação e no Código Tributário Nacional CTN. Discorrendo sobre os conceitos de renda e lucro, informa que a limitação à compensação, como a imposta à impugnante, é violadora do conceito de renda que está definido no artigo 43 do Código Tributário Nacional CTN. Continuando, diz que o conceito de renda defendido em referida legislação é o de acréscimo patrimonial efetivo. Junta jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que entende amparar sua pretensão, a saber: IRPF – RENDIMENTO AUTOMATICAMENTE DISTRIBUÍDO – PRESUNÇÃO LEGAL – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DEVE SER EFETIVO – Não obstante a presunção legal prevista na Lei nº 7988/89, sobre rendimento automaticamente distribuído, a tributação do rendimento deve se vincular ao conceito determinado pelo art. 43 do CTN, cabendo, inafastavelmente, ficar comprovado o efetivo acréscimo patrimonial, prevalecendo, portanto, a lei complementar – CTN – hierarquicamente superior a lei ordinária em comento. (...) (Recurso Voluntário nº 128466, 6ª Câmara, Relator Paschoal Police Junior, DJ 29/01/2003). IRPJ – DEDUTIBILIDADE DE CUSTO OU DESPESA INCORRIDOS – VERDADE MATERIAL – PREVALÊNCIA SOBRE O FORMALISMO – É certo que o imposto de renda recai sobre o acréscimo patrimonial, o que impede ajustar o conceito em tela ao resultado positivo entre as receitas auferidas e as despesas e os custos incorridos para conseguir obtêlas, no período de apuração. (...)(Recurso Voluntário nº 139995, 3ª Câmara, Relator Flávio Franco Corrêa, DJ 22/06/2006)” Assim, entende que é fundamental que se considere o lucro em sua totalidade, e não, isoladamente dos prejuízos anteriores, sob pena de distorção no real valor patrimonial. Ou seja, para o sujeito passivo, é inadmissível examinar a renda e o lucro sem analisar as despesas e os custos formadores dos prejuízos que o geraram. Cita ainda: “...se a despesa e os custos são a matéria formadora de eventual prejuízo, também não se pode separar o conceito de renda do conceito de prejuízo. A renda futura – isto é decisivo – é resultado de prejuízos anteriores. Há, portanto, um elo indissociável entre prejuízos anteriores e lucros posteriores. Em outras palavras, é inadmissível examinar a renda e o lucro sem analisar as despesas e os custos formadors dos prejuízos que os geraram”. ... Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 480 4 “As considerações anteriores demonstram que da necessidade de a apuração ser anual não decorre a conclusão de que o âmbito material a ser objeto de consideração também deve ser restrito a um ano. Aqui o ponto nuclear: o problema relativo ao tempo de cômputo não pode ser baralhado com o problema relacionado ao objeto do cômputo. Como a renda é dinâmica e decorre de um processo contínuo, ela não termina em 31 de dezembro para recomeçar do zero em 1º de janeiro do próximo ano. O cômputo anual não impede que o período de verificação reinicie com o cômputo dos prejuízos de exercícios anteriores. A esse respeito, convém enfatizar que um prejuízo não pode ser qualificado apenas como uma mera “ausência de renda”, que deixou de ser auferida, mas como uma “renda negativa” sofrida pelo contribuinte e indicativa de incapacidade contributiva. Esta constatação repercute decisivamente sobre a compensação de prejuízos do IRPJ e de base de cálculo negativa da CSLL, pois a técnica periódica de arrecadação não importa automaticamente numa limitação da dedução de prejuízos. Em outras palavras, em relação ao prejuízo, o princípio da independência dos exercícios não pode ser absoluto, já que, se num exercício o lucro não for suficiente para cobrir o prejuízo, o lucro do exercício seguinte será fictício, porque o patrimônio continua perdendo valor. Assim, é preciso quebrar a periodicidade e autorizar a dedução do prejuízo para frente, do contrário haveria violação ao próprio conceito de renda definido pelo Código Tributário Nacional”. Aqui entende ser importante que o lapso temporal a ser considerado na análise não deve ser anual, muito embora a apuração o seja. Entende que a renda é dinâmica e a limitação temporal do anocalendário não traduz empecilho para a análise dos exercícios posteriores. Proceder em desacordo com estes ditames implica ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva e da Igualdade, já que a limitação imposta representa ônus maior a uma empresa que passou por reestruturação societária, especialmente nos casos em que há extinção de atividades, o que pode, inclusive, levar à exclusão do direito de compensação integral dos prejuízos. Diz que o CTN prevê expressamente no artigo 108, II, que a Administração Pública deve estar atenta aos princípios gerais de direito tributário. Cita uma decisão do CARF: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A interpretação dada à norma deve estar em consonância com os princípios jurídicoconstitucionais. Outrossim, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, quando mais de uma interpretação mostramse factíveis, à luz do que determina o art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN. (...) (Recurso Voluntário n 129391, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, DJ 15/05/2003).” Ainda, aduz que, se não houver absorção, no mesmo período de apuração dos prejuízos, despesas e custos anteriores, pelos lucros, o que será atingido pela tributação representam valores diversos da capacidade contributiva, sendo indicativos apenas da capacidade econômica, atingindo, ao invés de renda, o próprio patrimônio da contribuinte. Tal situação alça a tributação ao nível confiscatório, atingindo valores necessários à manutenção da fonte produtora. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 481 5 No que tange ao valor total dos prejuízos acumulados e da base de cálculo negativa da CSLL, informa, inicialmente, que os valores dados nos autos de infração devem ser revistos, prevalecendo os informados na peça impugnatória pela contribuinte, eis que estes não condizem com os prejuízos obtidos pela pessoa jurídica incorporada. Informa que o valor real e correto é o registrado no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR apresentado com a impugnação. Aduz que a discrepância dos valores ocorre em virtude dos prejuízos fiscais e das bases de calculo negativas da CSLL, relativas aos anos – calendários de 1999 a 2001, não terem sido calculados à época própria, indicando as declarações montantes inferiores aos efetivamente experimentados. Tal situação levou a execução de ajustes no LALUR, já que é impossível a retificação das declarações no momento em que foram feitos os ajustes. Ainda, aduz que a fiscalização não considerou, na composição do saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, os valores apurados no período de 1º/09/2000 a 31/12/2000, conforme DIPJ entregue em 29/6/2001. Entende que, ante a indicação no LALUR dos aludidos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativa, deve ser afastada eventual omissão na declaração anteriormente apresentada, especialmente se gerar prejuízo à contribuinte. Junta jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que entende amparar sua pretensão: “CSLL. BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovado o erro de fato na declaração de rendimentos, por juntada do LALUR e verificação do equívoco quanto ao lançamento de alínea da base de cálculo da CSLL, justificando a diferença da malha fazenda, é de se acolher a retificação para reconhecer a improcedência do lançamento. Embargos acolhidos. (Recurso n. 149979, Acódrão n. 10809555, 8ª Câmara, julgado em 06/03/08)” PRELIMINAR DE NULIDADE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. (...). COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. O prejuízo fiscal compensável no cálculo do lucro real é aquele apurado e controlado no LALUR, Livro de Apuração do Lucro Real. Erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica não deve ser levado em consideração para a exigência do tributo. Preliminar rejeitada. Recurso Provido. (Recurso nº. 122848, Acórdão n. 1086656, 8ª Câmara, Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, julgado em 19/09/2011).” Analisando a questão da aplicação da multa de ofício, informa que, à época da utilização dos prejuízos fiscais de IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL, a jurisprudência da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconhecia a inaplicabilidade do limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais nas hipóteses de incorporação. Esse entendimento não era isolado, e era encontrado de maneira pacífica inclusive nas Câmaras do antigo Conselho de Contribuintes. Colaciona jurisprudência que ampara o entendimento desse Colegiado. Assim, ante o posicionamento reiterado da jurisprudência administrativa, não são cabíveis penalidades à contribuinte que apenas agiu de acordo com elas, sendo perfeitamente cabível as disposições do artigo 100, parágrafo único, do CTN. Em seu entender, o aludido dispositivo legal pressupõe a existência de divergências entre o texto normativo e decisões administrativas reiteradas, de forma a proteger Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 482 6 a contribuinte que segue as disposições da jurisprudência. Informa que este é o seu caso, eis que baseou suas condutas em presunção de validade das decisões da esfera administrativa, não sendo, portanto, cabível sua punição em multa de oficio e juros moratórios, os quais pedem sejam afastados em virtude de eventual não apreciação da totalidade da impugnação. Portanto, são aplicáveis os artigos 136 (multa) e 161 (juros) do CTN, não cabendo tal cobrança. A 1ª Turma da DRJ/POA ao julgar o feito no Acórdão 10032.809 (fls. 427/433), houve por bem indeferir a impugnação. Ao analisar a questão fática, informa que é controversa na seara administrativa a questão da compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL até o limite de 30%, previsto nos artigos 42 e 58 da Lei nº 8981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9065/95, devido ao encerramento das atividades da empresa por sua posterior incorporação. Informa que há posicionamento no sentido de que inexiste previsão legal para a aludida compensação, ainda que no encerramento das atividades da pessoa jurídica, e, também, há quem entenda que, sendo a compensação permitida por lei em relação a todo prejuízo fiscal ao longo do tempo, por conseqüência lógica, se na extinção houver lucros, a lei permite o aproveitamento de uma só vez, eis que não haverá tempo suplementar para o aproveitamento. Nessa última hipótese, permitirseia o aludido aproveitamento, pois, se assim não fosse, haveria tributação sobre um “acréscimo não patrimonial”, situação vedada pelo CTN (artigos 43 e 44) e pelo artigo 150, I, da Constituição Federal. Informa que esta divergência vem de longa data, desde decisões do antigo Conselho de Contribuintes e subsiste na atualidade nas turmas do CARF, mas que, para o julgador, as decisões que devem prevalecer estão na primeira interpretação. Ainda, que esse era o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes (cita o Acórdão nº CSRF/0105.101), que persiste na atual Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, trazendo à colação o Acórdão nº 910100.401. Informa ainda que é posição do Supremo Tribunal Federal que o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em anos anteriores é reflexo do benefício fiscal em favor da contribuinte, ponto inclusive decidido em sede de Recurso Extraordinário (RE nº 3449940), que concluiu pela constitucionalidade dos artigos 42 e 58 da Lei nº 8981/95. Nos termos do Acórdão recorrido: “Os fundamentos que levaram a essa conclusão são no sentido de que as empresas deficitárias não têm “crédito” oponível à Fazenda Pública, pois o lucro ou o prejuízo são contingências do mundo dos negócios e, por isso, inexiste direito líquido e certo à socialização dos prejuízos. A autorização para o abatimento dos prejuízos, mais além do exercício social em que foram apurados, é por benesse da política fiscal, atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos. Como favor fiscal, a compensação se restringe às condições fixadas em lei” (fl.431). Assim, seu voto é no sentido de que não há autorização nas Leis nºs 8981/95 e 9065/95 para a compensação integral dos saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, quando do encerramento das atividades. Ainda, para elucidar seu entendimento, prossegue informando que “a base de cálculo dos tributos é definida em lei e corresponde ao resultado positivo do período, ajustado segundo a lei vigente à data da ocorrência do fato Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 483 7 gerador. Se a pessoa jurídica não apurar resultado tributável, não se tributa o lucro inexistente dentro do período de apuração. A compensação, como benefício fiscal que é, não pode ter suas normas interpretadas de forma mais abrangente em beneficio do sujeito passivo, na forma restritiva do art. 111 do Código Tributário Nacional.”, motivo pelo qual mantém os lançamentos. Prosseguindo no exame do mérito, em relação ao montante do saldo dos prejuízos fiscais e da base de cálculo da CSLL, em relação aos anoscalendários de 1999 a 2001, ensina a autoridade julgadora que o IRPJ é apurado com base em lançamento por homologação, situação que a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem interferência da autoridade, concluindo com a homologação expressa da aludida autoridade, nos termos do artigo 150 do CTN. Assim, o Fisco só tem o conhecimento da atividade desenvolvida pelo sujeito passivo no momento em que este os informa, pela entrega da DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. A autoridade, então, tem o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para a homologação expressa, que se não ocorre, implica em homologação tácita, nos termos do artigo 150, §4º do CTN. Por isso, entende que, ultrapassado o prazo legal, a contribuinte tem direito à manutenção do valor apurado, ainda que haja irregularidade. Nesse sentido, informa ser a decadência causa de imutabilidade dos valores apurados pelo sujeito passivo, sendo o mesmo entendimento cabível quanto ao procedimento do fisco, motivo pelo qual a contribuinte somente pode alterar o prejuízo fiscal enquanto não houver a homologação do lançamento. Ainda, segundo o Acórdão: “Sonegar informações ao Fisco para depois, sob a justificativa de que se encontram escrituradas nos livros fiscais, utilizálas em benefício próprio não se coaduna com a moralidade que deve reger as relações fisco/contribuinte”. Ante a não apresentação das DIPJs retificadoras dentro do prazo legal, informa a impossibilidade de se aceitar os novos valores trazidos, relativos aos anoscalendário de 1999 a 2001. Porém, especificamente em relação ao anocalendário de 2000, diz não constar nos controles da base de cálculo negativa de CSLL e dos prejuízos fiscais (SAPLI) da Receita Federal do Brasil, os valores apurados na DIPJ nº 106197849 (respectivamente, os valores de R$ 4.815.197,21 e R$ 4.809.547,99). Assim, informa que, se vencido seu entendimento e aplicada a limitação de 30%, como já discutido no voto, os valores acima devem ser acrescidos aos já existentes no Auto de Infração. Apreciando a questão da multa de ofício e da exigência de juros, ante a alegação da contribuinte de que não caberia a punição nos termos do artigo 100 do CTN, pois baseou suas condutas na presunção de validade de decisões administrativas, entende o julgador, que o dispositivo legal citado, impõe a “observância das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa (inc. II) exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”. Porém, indica que decisões proferidas em sede de procedimento administrativo fiscal não possuem eficácia normativa reconhecida, não havendo vinculação nem mesmo em relação às decisões proferidas pelas turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo correta a exigência de juros moratórios e da multa de oficio. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 484 8 Assim, sua decisão é no sentido da manutenção dos lançamentos, afastando a impugnação. A contribuinte foi intimada em 15 de agosto de 2011, e apresentou seu Recurso Voluntário em 13 de setembro do mesmo ano. De início, informa que, diferentemente, do que entendeu o Acórdão recorrido, o direito à compensação de prejuízos fiscais existe em decorrência do Princípio da Capacidade Contributiva em sentido objetivo, sendo este aquele instrumento indispensável para que a renda tributável seja de fato, reflexo da capacidade contributiva. Assim sendo, este é um direito de natureza fiscal e não beneficio fiscal, como entendeu o julgador de primeira instância. Disso decorre que, não sendo benefício fiscal, não é faculdade e sim dever do legislador sua concessão, o que iria ferir direitos constitucionais como o Princípio da Capacidade Contributiva e da Igualdade, bem como do postulado da proibição de confisco. Mas, configurase como conseqüência normativa do aludido Princípio da Capacidade Contributiva, afastandose da idéia de benefício fiscal. Sobre as diferenças apuradas no cálculo do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, que não foram objeto de retificação da DIPJ por impossibilidade, traz decisões desse colegiado sobre o tema: “ERRO MATERIAL – Comprovado o erro no preenchimento da DIPJ, não pode subsistir a exigência fiscal baseada exclusivamente em erro material. CSLL – ESTIMATIVAS – Os valores dos créditos comprovadamente recolhidos no curso do ano calendário devem ser deduzidos do valor devido ao final do exercício Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurso Voluntário nº 151.849, Acórdão nº 198 – 00043, Oitava Turma Especial/Oitava Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, Relator João Francisco Bianco, DJ 20/10/2008)” “ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO – Confirmado, pela escrituração do sujeito passivo, que a autuação pautouse em elemento equivocadamente informado em declaração de rendimento, cumpre afastar a exigência. (Recurso Voluntário nº 142.621, Acórdão nº 10196235, Primeira Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, Relatora Sandra Maria Faroni, DJ 04/07/2007)”. No mais, reitera as alegações trazidas no bojo de sua peça impugnatória. Assim, requer que o Recurso voluntário seja julgado procedente, declarando a insubsistência dos autos de infração. Alternativamente, requer o afastamento da multa de ofício e dos juros moratórios. É o relatório. Voto Conheço do Recurso porque é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Tratamse os autos de exigência de IRPJ e CSLL, relativa ao anocalendário de 2007, em virtude da não aceitação, por parte da autoridade lançadora, da compensação integral Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 485 9 do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL de anos anteriores, sem considerar o limite de 30%, contrariando os artigos 42 e 56 da Lei nº 8981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9065/95. O lançamento foi acrescido de multa de ofício 75% e juros calculados com base na taxa SELIC. Além da compensação integral, a autoridade lançadora também desconsiderou os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL referentes aos anoscalendários de 1999 a 2001, uma vez que não constavam da DIPJ enviada à Secretaria da Receita Federal. Também foram desconsiderados os prejuízos e bases negativas apurados no período de setembro a dezembro do anocalendário de 2000, conforme DIPJ nº 185508698. A contribuinte requer o cancelamento do Auto com aceitação da compensação integral dos prejuízos e bases negativas, bem como com a consideração dos cálculos efetuados e não registrados pela DIPJ. A recorrente também requer a exoneração da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios tendo em vista que efetuou a compensação integral com base nas decisões proferidas por esse colegiado, valendose, portanto, do artigo 100 do CTN. Primeiramente, adentraremos à discussão do mérito relativo à não limitação de 30% das compensações dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, quando não houver continuidade da pessoa jurídica por incorporação/extinção. Após o julgamento desse item, adentraremos nas demais questões indicadas. COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS Como se verifica dos autos, a compensação integral sem a observância do limite de 30%, deuse uma vez que a empresa Ferramentas Gerais Máquinas e Materiais Elétricos foi incorporada à recorrente em 29 de julho de 2007. A recorrente, assim, é sucessora em direitos e em obrigações daquela. A legislação fiscal sempre regulou os efeitos que os prejuízos fiscais e as bases negativas, acumulados pela pessoa jurídica, gerariam na apuração do IRPJ e CSLL, impondo lhes restrições de natureza temporal ou de natureza quantitativa. Com base na legislação atual, temos duas limitações: (i) a limitação introduzida pelo Decreto nº 2.341/87, que veda a possibilidade da empresa resultante de fusão ou incorporação aproveitar os prejuízos fiscais da empresa extinta; e (ii) a limitação prevista na Lei nº 8.981/95 (artigos 42 e 58), cumulada com a Lei nº 9.065/95 (artigos 15 e 16), as quais estabeleceram, em substituição à limitação temporal (quatro anoscalendários), uma limitação percentual (quantitativa) anual, autorizando a utilização do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em até 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado obtido, sem limitação de prazo no tempo. Essa limitação quantitativa atende à necessidade de fluxo de caixa do Erário e não retira da contribuinte o seu direito à utilização do prejuízo fiscal e da base negativa, mas limita sua utilização em 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões. Outro ponto importante de se considerar é que a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL tem origem no lucro líquido contábil, o qual advém da contabilidade, logo, Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 486 10 tem origem nas apurações e demonstrações contábeis. Por sua vez, a contabilidade se baseia no Princípio da Continuidade da pessoa jurídica, o qual pressupõe que a pessoa jurídica continuará a operar, ou seja, suas atividades terão continuidade. Todavia, a existência de exercícios financeiros (assim como de períodos de apuração) é mera ficção, “determinada pela necessidade de se tomar o pulso do empreendimento de tempos em tempos” (conforme NPC 27 do IBRACON). Também, nesse sentido, temos o Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e tornado obrigatório pela CVM, através da Deliberação nº 539/08, sobre a continuidade da pessoa jurídica: “Continuidade 23. As demonstrações contábeis são normalmente preparadas no pressuposto de que a entidade continuará em operação no futuro previsível. Dessa forma, presumese que a entidade não tem a intenção nem a necessidade de entrar em liquidação, nem reduzir materialmente a escala das suas operações; se tal intenção ou necessidade existir, as demonstrações contábeis terão que ser preparadas numa base diferente e, nesse caso, tal base deverá ser divulgada. ” (grifamos) A recorrente trouxe esse mesmo argumento em seu Recurso ao expor que o pressuposto da continuidade e a consideração dos efeitos interperíodos base (ou mesmos anos calendário) é evidente para apuração da renda/lucro, donde se pode depreender que renda pode ser a diferença entre receitas e despesas/custos num determinado período, mas também pode ser considerada como um acréscimo de valor apurado pela comparação entre os balanços de abertura e fechamento de período diferente do anocalendário. Com base nessa premissa e tendo em vista o Princípio da Continuidade, o artigo 189 da Lei nº 6.404/64 diz que, do resultado do exercício, devem ser deduzidos os resultados negativos (prejuízos), a fim de que seja apresentada a real situação patrimonial. "Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. O prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem,"(grifamos) Como vemos, também no âmbito da Lei das S.A., o efeito interperíodos base é verificado: o lucro líquido de um período não pode ser distribuído aos sócios, sem a consideração dos prejuízos acumulados, assim como o cancelamento de dívida para com o sócio deve ser utilizado para a absorção de prejuízo acumulado, sempre na finalidade de preservação do patrimônio da pessoa jurídica. Temos assim que o patrimônio líquido da pessoa jurídica espelha os efeitos interperíodos base uma vez que representa o resultado do capital investido e os resultados, positivos ou negativos apurados ao longo dos anos. Reforçamos que a mesma Lei das S/A determina que a distribuição de dividendos pressupõe que os prejuízos de anos anteriores sejam absorvidos pelos lucros dos períodos subseqüentes, de forma que a compensação é Fl. 486DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 487 11 imprescindível para se apurar se é possível ou não distribuir dividendos. O lucro líquido disponível para os acionistas/quotistas deve absorver os prejuízos apurados em anos anteriores. Seguindo o mesmo entendimento, a incidência do imposto de renda sobre os acréscimos obtidos num determinado anocalendário ou período, sem comunicarse com outros anos ou períodos anteriores, sem que se apure o acréscimo verdadeiro ocorrido, não resulta em incidência sobre a renda gerada pelo valor investido pelos acionistas/quotistas, tanto que não podem ser distribuídos ou mesmo tributados, pois não são considerados renda. O patrimônio é afetado pelos resultados negativos apurados nos diversos períodos, para evitar essas distorções é que são considerados esses efeitos interperíodos, da mesma forma temos os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas. Os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas são direitos dos contribuintes, desconsiderálos seria como expropriálos desses ativos. No caso sob análise, houve a extinção da empresa por sua incorporação na recorrente. A incorporação impede a utilização dos prejuízos fiscais nos anos subseqüentes e, logo, autoriza a compensação integral no ano da incorporação. Se a compensação integral não é admissível no caso de incorporação, que resulta em extinção da empresa, estarseia subtraindo um direito da contribuinte, a incidência dos tributos não se dará sobre um aumento patrimonial, mas sobre o patrimônio, mormente porque se trata de excepcional situação em que o “ativo” da contribuinte deixará de ser um ativo, em razão da impossibilidade de transferência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a pessoa jurídica sucessora nos termos do Decretolei nº 2341/87. O acréscimo patrimonial importa para a tributação da renda, mesmo que o momento da ocorrência do fato jurídico tributário se consume num determinado tempo (31 de dezembro de cada anocalendário), deve comportar todo o conjunto de elementos necessários a caracterizar o acréscimo patrimonial, respeitandose, certamente, as regras de apuração para tanto. Não se pode, assim, segregar a tributação da renda de tais pressupostos, sobretudo, como disse a recorrente, em razão do Princípio da Capacidade Contributiva e da Continuidade da pessoa jurídica. Repetindo, o prejuízo fiscal e a base negativa são imprescindíveis para a aferição da renda, materialidade de incidência tributária e no caso de comprovada a impossibilidade de utilização futura desses prejuízos, o limite de 30% não é aplicável. Portanto, devese ter em mente que o limite de 30% foi introduzido para ser aplicado no pressuposto da continuidade da pessoa jurídica. Quando da extinção da pessoa jurídica, que é o caso na sua incorporação, não há o que se falar em limites ou trava na compensação, posto que não é aplicável. Não é aplicável porque, comprovadamente, não é possível a utilização futura dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL e, também, ressaltamos, que se observe que não houve transferências às avessas de tais resultados negativos para a sucessora. O Superior Tribunal de Justiça analisou a questão sob o ponto de vista do conceito de renda e da continuidade da pessoa jurídica, quando a Ministra Eliana Calmon asseverou, nos autos do Recurso Especial nº 993.975: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 488 12 "..limitada a dedução de prejuízos ao exercício de 1995, não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução. A prática do abatimento total dos prejuízos afasta o sustentado antagonismo da lei limitadora com o CTN, porque permaneceu incólume o conceito de renda, com o reconhecimento do prejuízo, cuja dedução apenas restou diferida. (...) Como visto no início deste voto, não houve subversão alguma, porque não olvidou o prejuízo, mas apenas foi ele disciplinado de tal forma que tornouse escalonado". No Acórdão citado, a legalidade do limite ou da “trava” tem por premissa a postergação, no tempo, da utilização do prejuízo/base negativa, não implicando na sua eliminação, visto que seria sempre mantida a possibilidade de seu aproveitamento futuro. Assim, o entendimento é que um “não acréscimo patrimonial” não poderia estar sujeito ao IRPJ ou CSLL, pois se assim não fosse, seria tributável o patrimônio/capital aplicado”. Também na própria exposição de motivos de Medida Provisória nº 998 (posteriormente convertida na Lei nº 9.065/1995), há o entendimento de que se houver limitação temporal (por falta de continuidade da pessoa jurídica), não há que se aplicar o limite/trava na utilização de prejuízo fiscal. Vejase claramente na redação da exposição de motivos da Medida Provisória: “Arts, 15 e 16 do Projeto, ‘decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar; até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo.” A possibilidade de se aproveitar integralmente dos resultados negativos na extinção da pessoa jurídica decorre da própria lógica de sua limitação, estando expressa na exposição de motivos da Medida Provisória acima transcrita. Se não houvesse a limitação do artigo 33 do Decretolei nº 2.341/87 e fosse possível a transferência do prejuízo para a sucessora, não haveria o que se discutir em relação à inaplicabilidade do limite de 30% nos casos de extinção da pessoa jurídica, uma vez que tal extinção não implicaria na perda do direito à utilização dos prejuízos fiscais no futuro. Como expôs a recorrente, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a despeito de algumas decisões que recentemente entenderam pela impossibilidade de aproveitamento integral, sempre foi esmagadoramente majoritária no sentido de ser possível a utilização integral do prejuízo fiscal e das bases negativas quando há extinção da pessoa jurídica, relativamente aos resultados gerados até a sua extinção. Nesse sentido, peço vênia para citar algumas decisões: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003, 2004. Ementa: “TRAVA” DE 30% PARA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 489 13 NEGATIVAS NA INCORPORAÇÃO A finalidade da “trava” de compensação não é ceifar a compensação de prejuízos fiscais, mas manter ou aumentar o fluxo de caixa de arrecadação, tanto que se revogou o limite temporal de compensação. A regra de limitação quantitativa da compensação só tem sentido no tempo (“vida” da pessoa). Como o lucro é apurado segundo cortes temporais mais ou menos arbitrários, porém necessários, por imperativo de ordem prática a limitação quantitativa de compensação de prejuízos fiscais implica essa periodicidade (e a interperiodicidade). Diante da “morte” da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limitadora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo. (Acórdão nº 110300.619, sessão de 31/01/2012) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da “trava” de 30%, em razão da vedação legal à transferência de prejuízos para a sucessora. (Acórdão nº 1103 00.617, sessão de 31/01/2012) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL — LIMITE DE 30% — INCORPORAÇÃO — À empresa extinta por incorporação não se aplica, no período do evento, o limite de 30% do lucro líquido ajustado em relação ao prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores. (Acórdão nº 120100.165, sessão de 27/08/2009) INCORPORAÇÃO – DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA – LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Recurso provido. (Ac. 10806.682) IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES.CISÃO.INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, dês que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. Precedentes deste Conselho. (Ac. 10709.447) COMPENSAÇÃO – PREJUÍZO E BASE NEGATIVA — No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada. (Ac. CSRF/0104.258) IRPJ — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO — LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA — À empresa extinta por incorporação Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 490 14 não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. Recurso provido. (Ac. CSRF/0105.100) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. Recurso voluntário provido. (Ac. 10195.872) COMPENSAÇÃO — PREJUÍZO FISCAL — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — INCORPORAÇÃO E CISÃO — A. empresa extinta por cisão e incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro liquido para fins de compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa acumulados. (Ac. 120100.108, sessão de 18/06/2009). A motivação das decisões deste Colegiado que concordaram com a não aplicação do limite de 30% não divergem do que foi apresentado nesse voto, a norma que limita não se aplica quando se verifica a extinção e a não continuidade da pessoa jurídica. A DRJ, por sua vez, menciona a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE nº 545.308/SP e 344.994/PR. Todavia, é mister corrigir aqui pois o STF não analisou caso semelhante ao presente, onde haja extinção de pessoa jurídica, portanto, não pode servir como jurisprudência indutora das decisões desse colegiado. Não houve análise da questão para os casos em que não há continuidade da pessoa jurídica. O Supremo Tribunal Federal, nos mencionados Recursos Extraordinários, apenas decidiu pela constitucionalidade da denominada “trava de 30%” em um contexto de continuidade da pessoa jurídica, mas não decidiu que esta deve ser aplicada nos casos de extinção da pessoa jurídica detentora dos prejuízos/bases negativas, tampouco fez quaisquer considerações acerca da intertemporalidade dos anoscalendários ou mesmo analisou a questão sob o ponto de vista do Princípio da Capacidade Contributiva. Nesse sentido, entendo que podemos dar prosseguimento ao julgamento dessa questão sob discussão neste Recurso Voluntário, uma vez que não há semelhança aos casos analisados pelo STF, nem mesmo o tratado no Tema de nº 117 listado no sítio do Supremo Tribunal Federal, cuja repercussão geral foi reconhecida em 18 de novembro de 2008. Como não guarda qualquer semelhança, meu voto para esse item, é no sentido de dar provimento em relação à possibilidade de compensar integralmente os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, quando há extinção mediante incorporação da pessoa jurídica. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Redator Designado Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 491 15 Em que pese os valiosos argumentos trazidos pela ilustre Relatora, peço vênia para discordar do seu entendimento. Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência do IRPJ e da CSLL face a inobservância, pela empresa incorporadora (recorrente), do limite de 30% do lucro líquido ajustado na compensação de prejuízos fiscais da incorporada nos termos do estabelecido pelo artigo 510 do RIR/99 (arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995). Atualmente, discutese no Supremo Tribunal FederalSTF, em sede de Recurso ExtraordinárioRE 591340, a constitucionalidade da limitação em 30% na compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL – arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, conforme manifestação do ilustre Ministro MARCO AURÉLIO, relator do RE: RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S): POLO INDUSTRIAL POSITIVO E EMPREENDIMENTOS LTDA ADV.(A/S): FERNANDA ELÍSSA DE CARVALHO AWADA E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S): UNIÃO ADV.(A/S): PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PRONUNCIAMENTO RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. 1. A Assessoria assim explicitou as balizas deste recurso extraordinário: Eis a síntese do que discutido no Recurso Extraordinário nº 591.340 6/SP, da relatoria de Vossa Excelência, para análise da conveniência de inclusão no sistema da repercussão geral. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região assentou não terem os artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, bem como os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, no que limitaram em 30%, para cada anobase, o direito do contribuinte de compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, implicado ofensa à Carta da República. Abaixo a íntegra dos dispositivos legais mencionados: Lei 8.981/95 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas Fl. 491DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 492 16 ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. [...] Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei nº 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. [...] Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. No extraordinário interposto com alegada base na alínea a do permissivo constitucional, a contribuinte articula com a transgressão dos artigos 145, § 1º, 148, 150, inciso IV, 153, inciso III, e 195, inciso I, alínea c, do Diploma Maior. Aduz terem as limitações impostas pelas Leis nº 8.981/95 e 9.065/95 configurado tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou renda, adulterando os conceitos delineados pelo Direito Comercial e pela Carta Federal. Afirma ter sido instituído verdadeiro empréstimo compulsório, pois o contribuinte desembolsa antecipadamente o recolhimento dos tributos para, posteriormente, recuperálos com a compensação da base de cálculo negativa não utilizada. Sob o ângulo da repercussão geral, a contribuinte sustenta a relevância da questão constitucional debatida, pois a limitação da compensação de prejuízos fiscais reflete em milhões de contribuintes, tendo um imenso efeito econômico. No que diz respeito à constitucionalidade das limitações aplicáveis ao IRPJ, registro encontrarse pendente de julgamento no Pleno, a versar a matéria, o Recurso Extraordinário nº 344.9940/PR, da relatoria de Vossa Excelência, com julgamento suspenso em virtude do pedido de vista da ministra Ellen Gracie. 2. Atentem para a importância do instituto da repercussão geral, próprio ao recurso extraordinário: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 493 17 [...] cumpre encarar o instituto da repercussão geral com largueza. O instrumental viabiliza a adoção de entendimento pelo Colegiado Maior, com o exercício, na plenitude, do direito de defesa. Em princípio, é possível vislumbrarse grande número de processos, mas, uma vez apreciada a questão, a eficácia vinculante do pronunciamento propicia a racionalização do trabalho judiciário. Conforme ressaltado pela recorrente, tratase de matéria umbilicalmente ligada à Constituição Federal, a envolver um sem número de contribuintes. Tudo recomenda o pronunciamento do Supremo, já agora sob o ângulo da repercussão geral, valendo frisar que, até aqui, não houve a seqüência da apreciação do Recurso Extraordinário nº 344.9940/PR, no qual proferi voto no sentido da inconstitucionalidade da limitação. 3. Admito a repercussão geral. Lancem no sistema. 4. Ao Gabinete, para acompanhar no sítio do Tribunal o processamento cabível. 5. Publiquem. Brasília, 15 de setembro de 2008. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (destaques meus) Despacho do ilustre Relator publicado no DJE de 02/12/2008, abaixo reproduzido, confirma que a matéria teve sua “Repercussão Geral” reconhecida: DESPACHO IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO – COMPENSAÇÃO – LIMITE ANUAL. REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – AUDIÇÃO DO PROCURADORGERAL. 1. O Tribunal concluiu pela repercussão geral do tema versado neste processo. Ouçam o ProcuradorGeral da República, conforme previsão do artigo 325 do Regimento Interno do Supremo. 2. Publiquem. Brasília, 18 de novembro de 2008. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (destaques meus) Consulta efetuada no sítio do STF na internet, em 17/04/2013, revela que o referido RE 591340 ainda aguarda julgamento de mérito. Em que pese o entendimento da ilustre relatora do voto vencido, no sentido de que a matéria do presente processo é distinta daquela examinada no STF, a discussão da constitucionalidade limite de 30% envolve o exame pela Corte Superior da tese de que o limite legal acarretaria a tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou Fl. 493DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 494 18 renda, adulterando os conceitos delineados pelo Direito Comercial e pela Carta Federal. Assim, o tema a ser discutido pelo STF no RE 591340 tem relação com a tese apresentada pelo recorrente nas suas razões do recurso (não tributação do patrimônio/capital) e a sua definição pela mais alta Corte do País se mostra imprescindível para a solução do presente litígio. Dessa forma, é mais do razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade da aplicação do “limite de 30% na compensação de prejuízos”, uma vez que essa limitação encontra identidade de objeto com a “compensação integral” de prejuízos quando da incorporação de empresa, ora pleiteada pela recorrente. Por seu turno, o Regimento Interno do STF RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todas as causas com questão idêntica sejam sobrestadas, até que a Suprema Corte decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Da leitura acima, percebese que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele Poder até decisão final da matéria com repercussão geral. Com efeito, o artigo 62A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da Fl. 494DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 495 19 mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Como se vê, por tratarse de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral, o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do julgamento do recurso (art. 62A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento pela Turma, nos termos do art. 2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. Por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, temse como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da constitucionalidade do limite de 30% para a compensação de prejuízos. Dessa forma, reconhecido que a matéria em exame encontrase com repercussão geral reconhecida e que, tanto o Regimento Interno do STF como o Regimento Interno do Fl. 495DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Resolução nº 1202000.153 S1C2T2 Fl. 496 20 CARF, prevêem a possibilidade/necessidade do sobrestamento do julgamento dos recursos com idêntica matéria, justificase a adoção desse procedimento, evitandose, assim, possíveis decisões divergentes entre este colegiado e o Poder Judiciário. Em vista do exposto, justificase o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, até que seja proferida decisão final nos autos do Recurso ExtraordinárioRE 591340, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 496DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/ 2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10680.000266/99-17
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2001
Ementa: I
Numero da decisão: 102-44688
Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Maria Beatriz Andrade de Carvalho.
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SEGUNDA CÂMARA ' rocesso n°. : 10680.000266/99-17 Recurso n°. : 123.818 Matéria : IRPF - EX.: 1994 Recorrente : WESLEY DAYRELL LOPES Recorrida : DRJ em BELO HORIZONTE - MG Sessão de : 23 DE MARÇO DE 2001 Acórdão n°. :102-44.688 IRPF - RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA - PARECER COSIT N° 4/99 - O Parecer COSIT n° 4199 concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n°165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no requerimento do Recorrente feito em 1999. PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - NÃO-INCIDÊNCIA - Os rendimentos recebidos em razão da adesão aos planos de desligamentos voluntários são meras indenizações, motivo pelo qual não há que se falar em incidência do imposto de renda da pessoa física, sendo a restituição do tributo recolhido indevidamente direito do contribuinte. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WESLEY DAYRELL LOPES. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Maria Beatriz Andrade de Carvalho. MINISTÉRIO DA FAZENDA - . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10680.000266/99-17 Acórdão n°. : 102-44.688 A 4 ANTONIO DÉ/. FREITAS DUTRA PRESIDENTE 4111) LEON RDO MUSSI DA SILVA RELA • R FORMALIZADO EM: 2 7 JUL. 2001, Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros AMAURY MACIEL, VALMIR SANDRI, LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES e MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA • $0;,' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ?: SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10680.000266/99-17 Acórdão n°. : 102-44.688 Recurso n°. : 123.818 Recorrente : WESLEY DAYRELL LOPES RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição de imposto de renda incidente sobre os pagamentos feitos a título de Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado pelo contribuinte acima qualificado. O pleito foi negado pela DRJ ao fundamento de ter decorrido o prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição do imposto de renda retido na fonte em razão de adesão ao PDV - Programa de Demissão Voluntária. Inconformado, recorre o contribuinte para este Conselho, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o Relatório_ 4.à 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA O:. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES gk SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10680.000266/99-17 Acórdão n°. : 102-44.688 VOTO Conselheiro LEONARDO MUSS! DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. O Parecer COSIT n° 04 de 28.01.99, ao tratar do prazo para restituição do indébito tributário, notadamente sobre a devolução do imposto de renda pago indevidamente em virtude do recebimento de verbas de adesão à Programas de Demissão Voluntária - PDV, asseverou: "2. A questão proposta guarda correlação com a matéria tratada no Parecer Cosa n° 58/1998, na medida em que se trata de exigência que vinha sendo feita com base em interpretação da legislação tributária federal adotada pela SRF, mediante o Parecer Normativo Cosit n° 01, de 8 de agosto de 1995 e que resultava na caracterização da hipótese de incidência do imposto, sendo que, em face do Parecer PGFNICRJ N° 1278/1998, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, a SRF editou a IN n° 165/1998, cancelando os lançamentos, e o AD 003/1999, facultando a restituição do imposto. 3. Assim, idêntico tratamento deve ser dado a esses pedidos de restituição, pelo que se transcrevem os itens 22 a 26 do citado Parecer Cosit: "22. O art. 168 do CTN estabelece prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido, contados da data da extinção do crédito tributário. 23. Como bem coloca Paulo de Barros Carvalho, 'a decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo' ( Curso de Direito Tributário, 78 ed., 1995, p.311). 4 JyJA „- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • Processo n°. : 10680.000266/99-17 Acórdão n°. :102-44.688 24. Há de se concordar, portanto, com o mestre Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 108 ed, Forense, Rio, 1993, p. 570), que entende que o prazo de que trata o art. 168 do CTN é de decadência. 25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável: que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível. Assim, antes de a lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, eram a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos. 26. Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos erga omnes, que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição de ato especifico do Secretário da Receita Federal (hipótese do Decreto n° 2.346/1997, art. 4°). 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade de lei por meio de ADIAI, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF.” 4. Em face do exposto, conclui-se, em resumo, que quando da análise dos pedidos de restituição do imposto de renda pessoa física, cobrado com base nos valores do PDV caracterizados como verbas indenizatórias, deve ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, contados da data da publicação do ato do Secretário da Receita Federal que autorizou a revisão do ofício dos lançamentos, ou seja, da Instrução Normativa SRF n° 165, de 31 de dezembro de 1998, publicada no DOU de 6 de janeiro de 1999." Este Parecer ficou assim ementado: 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo O: 10680.000266/99-17 Acórdão n°. : 102-44.688 "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA INCIDENTE SOBRE VERBAS INDENIZATÓRIAS — PDV — RESTITUIÇÃO — HIPÓTESES - Os Delegados e Inspetores da Receita Federal estão autorizados a restituir o imposto de renda pessoa física, cobrado anteriormente à caracterização do rendimento como verba de natureza indenizatória, apenas após a publicação do ato específico do Secretário da Receita Federal que estenda a todos os contribuintes os efeitos do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. RESTITUIÇÃO — DECADÊNCIA - Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco anos), contado a partir da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. Dispositivos Legais: Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), art. 168." Assim, diante da expressa disposição do Parecer, o Recorrente tem o direito de requerer até dezembro de 2003 - cinco anos após a edição da IN n° 165/98 - a restituição do indébito do tributo indevidamente recolhido por ocasião do recebimento de valores em razão à adesão à PDV, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo para restituição do pedido feito pelo contribuinte. O reconhecimento da não incidência do imposto de renda sobre os rendimentos que se examina, relativamente à adesão a PDV ou a programa para aposentadoria, se deu inclusive pela Procuradoria da Fazenda Nacional, cujo Parecer PGFN/CRJ/N° 1.278/98, que foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, e, mais recentemente, pela própria autoridade lançadora, por intermédio do Ato Declaratório n. 95/99, verbis: 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• SEGUNDA CÂMARA ->" Processo n°. : 10680.000266/99-17 Acórdão n°. : 102-44.688 "O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e, tendo em vista o disposto nas Instruções Normativas SRF n° 165, de 31 de dezembro de 1998, e n° 04, de 13 de janeiro de 1999, e no Ato Declaratório SRF n° 03, de 07 de janeiro de 1999, declara que as verbas indenizatórias recebidas pelo empregado a título de incentivo à adesão a Programa de Demissão Voluntária não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual, independente de o mesmo já estar aposentado pela Previdência Oficial, ou possuir o tempo necessário para requerer a aposentaria pela Previdência Oficial ou Privada." No caso dos autos, resta robustamente comprovado que as verbas percebidas pelo contribuinte foram a título de adesão à programa de demissão voluntária. Voto, por conseguinte, no sentido de dar provimento ao recurso, assegurando o direito do Recorrente à restituição do valor pago indevidamente do imposto de renda incidente sobre as verbas percebidas por adesão à PDV em 1993, cujo valor correto será apurado pela autoridade executora do julgado, respeitando sempre o contraditório. Sala das Sessões - DF, em 23 de março de 2001. -f LEONARDO MUSSI DA SILVA 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10935.906249/2012-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/01/2009
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 49 /2 01 2- 85 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/01/2009 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906249/201285 Acórdão n.º 1802003.216 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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