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Numero do processo: 15563.720292/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. INOBSERVÂNCIA DO REQUISITO.
Não se conhece do recurso voluntário que não observou o requisito da representação processual da empresa autuada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 1401-001.468
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto relator.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Arbitramento do lucro com base em receitas obtidas em circularização. Recorrente FLEXPACK INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. INOBSERVÂNCIA DO REQUISITO. Não se conhece do recurso voluntário que não observou o requisito da representação processual da empresa autuada. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto relator. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 92 /2 01 1- 63 Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.338 2 Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por FLEXPACK INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA contra acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência integral dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/Nova Iguaçu – RJ, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao ano calendário de 2007, totalizaram o valor de R$ 11.615.387,27. Tal autuação foi fundamentada no arbitramento do lucro com base em receitas obtidas em procedimento de circularização. Da autuação: Em seu relatório, na essência, a decisão recorrida assim transcreveu o feito fiscal: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 2074/2080, a presente autuação decorre das seguintes constatações: a ação fiscal foi programada pelo critério Vendas DIPJ Terceiros X Receita Bruta Declarada, com o escopo de se verificar o correto lançamento do IRPJ. a autoridade fiscal, tendo comparecido em 10/07/2010 no domicílio cadastrado e não localizado o autuado, remeteu correspondência à empresa e aos seus respectivos sócios: NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA – CNPJ. 03.939.374/000153, e JUVENAL JOSÉ MARINHO, CPF. 304.730.47853. foi verificado posteriormente que o sócio JUVENAL JOSÉ MARINHO, CPF. 304.730.47853, consta nos sistemas da Receita Federal como tendo ido a óbito desde 2006. pesquisas realizadas nos sistemas da Receita Federal do Brasil, bem como na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro – JUCERJA, não apontam alteração contratual desde 2003. foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo à empresa Cibrapel S.A. Indústria de Papel e Embalagens, CNPJ. 33.352.881/000169, com escopo de confirmar vendas de mercadorias/produtos que teriam sido feitas pela autuada à empresa citada. também foi intimado o Sr. RODOLFO MAQUINEZ DOS SANTOS, CPF. 291.322.70828, sócio da empresa NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.339 3 SOCIEDADE SIMPLES LTDA – CNPJ. 03.939.374/000153, a apresentar os elementos necessários para ação fiscal. Sr. RODOLFO MAQUINEZ DOS SANTOS respondeu ser sócio com 1% da NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA, não tendo conhecimento da empresa autuada, e que nunca assumiu a condição de sóciogerente, razão pela qual não poderia apresentar qualquer documentação e esclarecimentos solicitados. novo Termo de Intimação em nome da autuada foi emitido, retornado o AR sem assinaturas, procedendose à intimação do sujeito passivo por meio de Edital, que produziu seus efeitos a partir de 18/10/2011. foi lavrado Termo próprio para constatação de que a autuada não se encontrava no domicílio fiscal indicado no cadastro, com a elaboração de representação fiscal para que fosse declarada a inaptidão da sua inscrição no CNPJ, fato que se efetivou em 18/10/2011, com a edição do Ato Declaratório Executivo nº 109/2011, publicado em DOU em 09/11/2011. foram lavrados Termos de Cientificação, dirigidos ao Sr. RODOLFO MAQUINEZ DOS SANTOS por via postal, e a própria autuada por Edital nº 61, de 18/10/2011, com efeitos a partir de 03/11/2011 (fls. 2047), comunicando a inclusão, no procedimento de fiscalização, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, a ainda alertando quanto à possibilidade arbitramento de lucros, no caso da não apresentação dos elementos solicitados pela fiscalização. não ocorreu manifestação da autuada, em que pese os efeitos legais do edital a partir de 03/11/2011. o Sr. RODOLFO MAQUINEZ DOS SANTOS foi intimado, em 23/11/2011, a apresentar os atos contratuais que comprovassem a sua condição de sócio na empresa NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. a intimação foi atendida, sendo que o intimado afirmou que nunca exerceu ou teve qualquer poder de gestão na empresa do sócio. em relação à quinta alteração contratual, registrada em 30/05/2011, foi admitida nova sócia da NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA, a Sra. SOLANGE MARIA DE SOUZA, CPF. 731.503.71791, inclusive com atribuições administrativas, ato que também formalizou a retirada da sociedade o Sr. RODOLFO MAQUINEZ DOS SANTOS. assim, ficou evidenciada omissão de receita, tendo em vista a falta de apresentação de qualquer elemento por parte da autuada, não comprovando a contabilização e o oferecimento à tributação da receita proveniente das vendas efetuadas através das Notas Fiscais relacionadas pela empresa circularizada. A receita omitida foi apurada mês a mês conforme quadro abaixo: (...) o lucro foi arbitrado com base nos artigos 530, inciso III, 532 e 537, todos do RIR/99. INFRAÇÕES – IRPJ e CSLL Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.340 4 1ª Infração – incidência do coeficiente de 9,6% sobre as receitas trimestrais reconhecidas e declaradas, para determinação do IRPJ e CSLL. 2ª Infração – incidência do coeficiente de 9,6% sobre as receitas omitidas em cada trimestre, para determinação do IRPJ e CSLL. Atuações reflexas – PIS e COFINS – em razão da omissão de receitas, procedeuse ao lançamento de ofício, relativos ao PIS e COFINS, alíquotas de 0,65% e 3,00% , respectivamente. Das impugnações: Na mesma peça impugnatória (fls. 2134 a 2207), constou o nome da empresa autuada e da empresa NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA, com alegações que, na essência, assim foram relatadas pela instância a quo: • alega a tempestividade. • Em preliminar, da impossibilidade da sujeição passiva da empresa NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. • Considerando o artigo 135 do CTN, a condição para caracterização da responsabilidade solidária tributária é a prática de atos com excesso de poderes, ou infração de leis, etc, devendo haver atitude dolosa do responsável. • No caso dos autos inexiste dolo, seja por se tratar de pessoa jurídica, seja porque a prova prática dos referidos atos é do poder público, carecendo nos autos da referida prova, motivo pela qual é prematura a inclusão da requerente com responsável solidária na autuação fiscal, violando o artigo de lei acima aludido e o princípio do devido processo legal, até mesmo porque a presente impugnação demonstra que a primeira impugnante tem representação ativa e não concorda com os lançamentos tributários. • Pelo exposto, deve ser promovida a exclusão da empresa NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA da sujeição passiva tributária dos autos de infração em comento. • Houve afronta ao Princípio do Contraditório, da Ampla Defesa e da Verdade Material, posto que, apesar da representante legal das empresas estar em local certo, não houve a intimação adequada para acompanhamento da verificação no processo fiscal, de modo que todo o processo está eivado de nulidade pela ausência de acompanhamento o que culminou no lançamento de tributos por estimativa, fato que por si só já demonstra a nulidade dos autos de infração. • O auto de infração não preenche os requisitos formais elencados pela lei, impossibilitando ao autuado exercer o seu direito à defesa e ao contraditório, afrontando o princípio da verdade material. • O auto de infração ora impugnado peca por não conter o preciso enquadramento legal do suposto ilícito fiscal, o que prejudica não só o autuado, Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.341 5 restringindolhe o direito de defesa, como também impõe obstáculo à atividade do próprio órgão julgador, na discussão administrativa da matéria. • Não há que se falar que o Auto não merece ser anulado devido ao fato de que a defesa foi apresentada de forma demonstrar que o contribuinte tinha ciência da matéria em questão, porque é obrigação da Administração Pública preencher os requisitos do artigo 142 do CTN. • A verificação da ocorrência do fato gerador não se deu de forma a garantir o direito da ampla defesa e contraditório do contribuinte, nem mesmo possibilitou que próprio julgador tivesse uma visão clara dos fatos ocorridos diante das intimações edilícias e do lançamento por estimativa. • A matéria tributável também não restou bem definida, já que não precisa a capitulação da infração supostamente realizada pela autuada. • Foi problemática a forma com que a autoridade fiscal aplicou a penalidade que entendeu cabível. Isso porque, se não restou devidamente verificada a ocorrência do fato gerador, impossível a culminação de penalidade. • Pelo exposto, o lançamento deve ser julgado nulo. • Quanto ao mérito, há ausência de prova inequívoca da omissão de receita. • Deve ser aplicado subsidiariamente os artigos 332 e 333 do CPC. • Nos autos, não há prova direta, apenas indícios, interpretados pelo Fisco de forma a tentar caracterizar receita que não restou comprovada, de modo que todos os lançamentos são nulos e insustentáveis sob o prisma do ônus da prova. • A fiscalização não diligenciou no sentido de tentar comprovar a receita de forma idônea. • Não concorda com a sistemática utilizada, sendo que, a partir do momento que discordou do lançamento e questionou a presunção utilizada pela administração pública, não se pode falar em inversão do ônus da prova, que continua sendo do fisco por imposição legal. • O Termo de Verificação Fiscal deixa transparecer que era do contribuinte a obrigação de comprovar a existência e a origem das receitas, sendo que a simples falta dessas informações consubstanciaria a omissão de receitas, o que é um erro diante da lei processual, comprovando o fato de que fora utilizada presunção para fundamentar o lançamento fiscal. • Além da constatação dos créditos em favor do contribuinte, haveria a necessidade de comprovação do nexo causal entre ele e o fato que representasse efetiva omissão de receitas para que o lançamento fosse considerado procedente e eficaz, não demonstrado pelo fisco nos autos. • A utilização da presunção como fundamento para a lavratura de auto de infração deve ser utilizada com extrema cautela pelo Fisco, sendo que quando o Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.342 6 contribuinte questiona especificamente esse método, cabe à autoridade administrativa o ônus de comprovar a eficácia de sua autuação. • Como um ato administrativo vinculado, o lançamento em questão deve pautarse no texto legal, não cabendo à autoridade autuante a interpretação de dispositivos legais (discricionariedade) para detectar a ocorrência do fato gerador de tributos, não podendo, por conseguinte, unicamente a presunção simples ser aceita para fundamentar a constituição de crédito tributário. • Quanto à multa, não se conforma com sua aplicação em alíquota máxima, tendo em vista que as impugnantes não são reincidentes na suposta infração, cabendo, por amor ao debate, na alíquota mínima, de 50%. • Só cabe a majoração quando comprovado as circunstâncias qualificadoras previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, o que não restou comprovados nos autos. • Logo, que seja aplicada a multa em seu grau mínimo, tendo em vista a não reincidência e não comprovação de ocorrência de qualquer circunstância qualificadora. Houve também apresentação de peças impugnatórias, em seus próprios nomes, por parte da Sra. SOLANGE MARIA DE SOUSA (fls. 2198 a 2203) e do Sr. RODOLFO MAQUINEZ DOS SANTOS (fls. 2221 a 2226). Da decisão recorrida: A já mencionada 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 1246.549, de 17 de maio de 2012, por meio do qual decidiu pela integral procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: NULIDADE Inocorrência – O lançamento com base nos preceitos legais, bem como a observância do amplo direito de defesa afasta a hipótese de nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS – CIRCULARIZAÇÃO – Caracterizase omissão de receitas os valores apurados com base nas Notas Fiscais emitidas pela autuada, e obtidas com os adquirentes de seus produtos, e que não foram oferecidos à tributação. Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.343 7 LUCRO ARBITRADO – FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS – O lucro deve ser arbitrado quando não são apresentados os livros contábeis e fiscais, com base no artigo 530, inciso III do RIR/99. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. Quanto à admissibilidade das impugnações apresentadas, só foi conhecida a da empresa efetivamente autuada, a qual foi assinada pela Sra. SOLANGE. Relativamente à empresa NIRWALD DO BRASIL, a decisão recorrida não conheceu da sua impugnação porque sua responsabilidade solidária, resultante da ação fiscal, só foi atribuída aos créditos tributários de IPI lançados em auto de infração consubstanciado em outro processo administrativo, o de número 15563.720293/201116. O mesmo raciocínio foi aplicado com relação à impugnação apresentada pelo Sr. RODOLFO. Por sua vez, relativamente à Sra. SOLANGE, sua impugnação não foi conhecida porque esta foi intimada dos autos de infração do presente processo apenas pelo fato de constar como sócia administradora da empresa NIRWALD DO BRASIL e não na qualidade de contribuinte ou responsável pelo crédito tributário constituído. Dos recursos voluntários: Houve novamente reunião de partes numa mesma peça contestatória (fls. 2299 a 2315). Desta feita, em 17/09/2012, apresentaramse como recorrentes a empresa autuada e a empresa NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA representadas por sua sócia administradora, a Sra. SOLANGE MARIA DE SOUSA. Posteriormente, em 13/02/2013, a empresa NIRWALD DO BRASIL apresentou novo recurso (fls. 2264 a 2279) assinado pela mesma sócia administradora, a Sra. SOLANGE MARIA DE SOUSA. O conteúdo de ambos os recursos é idêntico e repetem as alegações acima reproduzidas no tocante à impugnação. Da diligência solicitada: Em 08/04/2014, a extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção, por meio da Resolução nº 1102000.238, resolveu converter o julgamento em diligência no seguintes termos: A empresa NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA já havia apresentado impugnação conjunta com a empresa Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.344 8 autuada. A decisão recorrida não conheceu a legitimidade da sua impugnação porque a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída pela ação fiscal referiuse exclusivamente aos créditos tributários de IPI lançados em auto de infração consubstanciado em outro processo administrativo, o de número 15563.720293/201116. Como tal empresa não é sujeito passivo e não integra a relação tributária objeto do presente processo, em consonância com o que prevê o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), não foi instaurado o litígio relativamente a este sujeito passivo. Neste aspecto, está correta, então, a decisão da instância a quo. Nos dois recursos apresentados não há qualquer insurgência quanto a este posicionamento da DRJ. Portanto, também não tomo conhecimento: (i) do primeiro recurso, relativamente à empresa NIRWALD DO BRASIL; e (ii) do segundo recurso, em toda a sua integralidade. Relativamente à empresa autuada, por outro lado, o primeiro recurso é legítimo. Porém, há que se verificar os requisitos de admissibilidade. Conforme informado no Termo de Verificação Fiscal: (i) procedeuse duas inspeções (em 10/07/2011 e 05/10/2011) no endereço da empresa informado no cadastro da Receita Federal e não se constatou sua presença física no local; (ii) foram enviadas correspondências contendo o Termo de Início do Procedimento Fiscal, para os endereços: (ii.1) da própria empresa fiscalizada, sem que tenha havido resposta, apesar de o AR ter retornado com assinatura de recebimento (fls. 51); (ii.2) dos sócios informados naquele mesmo cadastro, a já citada empresa NIRWALD DO BRASIL (com quase 99% do capital social) e JUVENAL JOSÉ MARTINHO (que consta como o responsável pela empresa no cadastro), mas não houve respostas. Quanto a este último, constatouse depois que tinha ido à óbito desde 2006. Verificouse também que não havia registro de alterações contratuais, nem no cadastro da Receita Federal, nem no da JUCERJA, desde 01/09/2003. Posteriormente, em razão do óbito constatado, resolveuse intimar também o Sr. RODOLFO MAQUINEZ DOS SANTOS, uma vez que este figurava como sócio da NIRWALD DO BRASIL no cadastro da Receita Federal. Sua resposta foi no sentido de que não tinha nada a informar porque nunca assumiu a condição de sócio gerente desta empresa. Em seguida, o Sr. RODOLFO foi novamente intimado, desta vez para comprovar a condição alegada. Nesse sentido, apresentou, então, os respectivos atos contratuais de ingresso e retirada do quadro societário da NIRWALD DO BRASIL. Outros atos foram ainda expedidos em nome da empresa fiscalizada sem que essa tenha se manifestado. Depois de lavrados os autos de infração resultantes, a fiscalização envidou novos esforços a fim de proceder intimações, agora, para ver concretizada a ciência dos sujeitos passivos identificados, tanto a empresa contribuinte, quanto os responsáveis solidários (estes últimos no que se refere ao lançamento do IPI consubstanciado no outro processo já mencionado). Foram providenciadas novas correspondências e editais de intimação. Uma dessas correspondências (fls. 2128 e 2129) foi enviada para SOLANGE MARIA DE SOUSA, no seu endereço cadastrado na Receita Federal. Isso porque havia sido detectado que essa seria a nova sócia administradora da NIRWALD DO BRASIL, conforme informação contida no ato contratual de retirada apresentado pelo Sr. RODOLFO (fls. 2056 a 2063), cujo registro no órgão competente do Estado de São Paulo figura como tendo sido efetivado em 31/05/2011. Cumpre, então, ressaltar que a Sra. SOLANGE foi intimada na qualidade de sócia administradora da empresa NIRWALD DO BRASIL por ter sido atribuída a esta a responsabilidade solidária sobre os créditos tributários Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.345 9 de IPI consubstanciados em outro processo. A própria Sra. SOLANGE, em sua peça impugnatória (fls. 2198 a 2203) que restou não conhecida pela instância a quo, deixou bem clara sua condição de deter os poderes de administração sobre a empresa NIRWALD DO BRASIL e não sobre a empresa autuada. Nesse contexto, verifico que a representação processual da empresa autuada (a FLEXPACK), pela Sra. SOLANGE, não está confirmada. Se é verdade que ela tem poderes para representar a NIRWALD DO BRASIL, não se pode atestar o mesmo quanto à empresa autuada. O único ato societário desta empresa (a FLEXPACK) juntado aos autos (o Instrumento Particular de Alteração e Consolidação Contratual registrado na JUCERJA em 14/10/2003, que possui três cópias anexadas às fls. 2064/2073, 2115/2124 e 2175/2194) informa, de fato, que a empresa NIRWALD DO BRASIL seria sua sócia majoritária, mas determina que sua administração seria exercida pelo sócio minoritário, o já mencionado JUVENAL JOSÉ MARTINHO. Não há nenhuma referência à Sra. SOLANGE. Diante disso, entendo que o processo deva ser saneado em razão da reconhecida possibilidade de aplicação subsidiária das normas processuais civis no processo administrativo. Neste sentido, o artigo 13 do CPC possui o seguinte conteúdo: Art. 13 – Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: I ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo; II ao réu, reputarseá revel; III ao terceiro, será excluído do processo. Portanto, proponho que o julgamento seja convertido em diligência para que a unidade de origem intime, num prazo de 15 (quinze) dias, a empresa autuada a apresentar o ato societário que confirme ou regularize a representação processual da Sra. SOLANGE MARIA DE SOUSA. Advirtase que a falta de uma dessas providências implicará no não conhecimento do recurso voluntário. Diante disso, a unidade de origem promoveu a intimação da empresa autuada por via postal (fls. 2329 e 2330) e por edital (fls. 2331 e 2332) consignando que a falta de confirmação ou regularização da representação processual da Sra. Solange Maria de Sousa implicaria no “não conhecimento do recurso voluntário”. Como não houve respostas, o processo retornou com o seguinte despacho de encaminhamento (fls. 2334): Em cumprimento ao solicitado na Resolução nº 1102000.238 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, intimamos o interessado a apresentar documentos comprobatórios descritos na Resolução (fls. 2329/2332), no entanto, não logramos êxito nas intimações geradas. Destarte, retorno o processo para prosseguimento e demais providências. Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.346 10 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Conforme já consignado na resolução que converteu o julgamento em diligência, a empresa NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA já havia apresentado impugnação conjunta com a empresa autuada. A decisão recorrida não conheceu a legitimidade da sua impugnação porque a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída pela ação fiscal referiuse exclusivamente aos créditos tributários de IPI lançados em auto de infração consubstanciado em outro processo administrativo, o de número 15563.720293/201116. Como tal empresa não é sujeito passivo e não integra a relação tributária objeto do presente processo, em consonância com o que prevê o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), não foi instaurado o litígio relativamente a este sujeito passivo. Neste aspecto, está correta, então, a decisão da instância a quo. Nos dois recursos apresentados não há qualquer insurgência quanto a este posicionamento da DRJ. Portanto, também não tomo conhecimento: (i) do primeiro recurso, relativamente à empresa NIRWALD DO BRASIL; e (ii) do segundo recurso, em toda a sua integralidade. Relativamente à empresa autuada, por outro lado, o primeiro recurso só poderia ser aceito se fosse verificada a devida representação processual. Isso porque a representação processual da empresa autuada (a FLEXPACK), pela Sra. SOLANGE, não está confirmada. Se é verdade que ela tem poderes para representar a NIRWALD DO BRASIL, não se pode atestar o mesmo quanto à empresa autuada. O único ato societário desta empresa (a FLEXPACK) juntado aos autos (o Instrumento Particular de Alteração e Consolidação Contratual registrado na JUCERJA em 14/10/2003, que possui três cópias anexadas às fls. 2064/2073, 2115/2124 e 2175/2194) informa, de fato, que a empresa NIRWALD DO BRASIL seria sua sócia majoritária, mas determina que sua administração seria exercida pelo sócio minoritário, o já mencionado JUVENAL JOSÉ MARTINHO. Não há nenhuma referência à Sra. SOLANGE. A diligência solicitada tentou sanear a irregularidade com base no que dispõe o artigo 13 do CPC considerando a aplicação subsidiária das normas processuais civis no processo administrativo. No entanto, como relatado, a contribuinte não atendeu às intimações promovidas por via postal e por edital. O inciso II do mesmo artigo 13 do CPC, é categórico quando prescreve a consequência para o não atendimento, pelo réu, à providência de sanear a representação processual, verbis: Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720292/201163 Acórdão n.º 1401001.468 S1C4T1 Fl. 2.347 11 Art. 13 – Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...); II ao réu, reputarseá revel; (grifei) Nesta conformidade, entendo que caracterizouse a revelia quanto à determinação de saneamento da representação processual da peça recursal apresentada. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de não conhecer dos recursos apresentados em nome de FLEXPACK INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA e NIRWALD DO BRASIL REPRESENTAÇÃO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.904218/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO.
Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõe-se a sua devida correção.
Numero da decisão: 3402-002.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para sanar o vício apontado no Acórdão nº 3402-002.667, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõese a sua devida correção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para sanar o vício apontado no Acórdão nº 3402002.667, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 42 18 /2 01 1- 12 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Em face do Acórdão nº 3402002.667, proferido por esta Turma de Julgamento, foi apresentado requerimento (fl. 280) pela Delegacia da Receita Federal responsável pela sua liquidação e execução, nos seguintes termos: "Retornese este processo ao CARF para verificações quanto a data da sessão de julgamento do Acórdão proferido". Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O art. 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, publicado em 10/05/2015, assim dispõe: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. Assim, a fim de sanear o lapso apontado, deve a questão ser submetida à Turma para julgamento. Com efeito, consultando a "ATA DA REUNIÃO DE JULGAMENTO PERÍODO: 24/02/2015 a 26/02/2015", desta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sítio na internet do CARF, a qual menciona o julgamento do presente processo, verificase, claramente, que houve inexatidão material no cabeçalho do referido Acórdão quanto ao ano da data de sessão de julgamento, o qual, em face de lapso manifesto constou como "2014", quando o ano correto que deveria ter constado seria "2015". Diante do exposto, nos termos do art. 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, VOTO no sentido de acolher os embargos inominados opostos para RERRATIFICAR o Acórdão embargado, sem alteração de resultado de julgamento, para retificar, no seu cabeçalho, a data da sessão de julgamento para "24 de fevereiro de 2015". É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 16682.904218/201112 Acórdão n.º 3402002.779 S3C4T2 Fl. 289 3 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 10142.000462/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase do auto de infração (fls. 4/89), em que formalizada a exigência da multa, no valor de R$ 2.886.830,86, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas e exportadas no período da autuação, em decorrência da conversão da pena de perdimento aplicada em decorrência da prática da infração por dano Erário, caracterizada por interposição fraudulenta de terceiros, definida no art. 23, V, §§ 1º e 3º, do Decretolei 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei 10.637/2002. Além da pessoa jurídica Express Comércio Importação e Exportação Ltda. (doravante denominada de autuada Express), autuada na condição importadora e exportadora, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 42 .0 00 46 2/ 20 08 -2 1 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10142.000462/200821 Resolução nº 3302000.508 S3C3T2 Fl. 724 2 também foi incluída no polo passivo da autuação a pessoa jurídica Comissária de Despachos Aduaneiros Mundo Novo EPP (doravante denominada responsável solidária Comissária), na condição de responsável solidária, por revelar interesse comum e ter concorrido para a prática da interposição fraudulenta ou dela se beneficiado, nos termos do art. 124, I, do CTN e art. 95, I, do Decretolei 1.455/1976. De acordo com a Descrição dos Fatos (fls. 6/71), que integra o referido auto de infração, a fiscalização apurou os seguintes fatos: a) a situação dos estabelecimentos matriz (fechado) e filial era incompatível como a capacidade da empresa de realizar as operações de comércio exterior declaradas, pois, não havia empregados nem área para o manejo das cargas, o que demonstrava que as mercadorias eram destinadas diretamente aos clientes. O patrimônio restringiase a valores em espécie; b) os dois sócios eram interpostas pessoas ("laranjas"), pois, além de desconhecer os aspectos essenciais da empresa, não comprovaram a integralização do capital social, o que tornava a empresa inexistente de fato; c) não tinha escrituração contábil e fiscal, bem como não foram apresentados os documentos relativos às operações de comércio exterior realizadas no período fiscalizado. Não foram utilizados contratos de câmbio no pagamento de todas as operações de importação. d) não foi comprovada a origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior; e) a responsável solidária Comissária atuara com poderes além dos que eram necessários para realizar o despacho aduaneiro das mercadorias, inclusive tinha total liberdade para emitir as notas fiscais de venda. Além disso, os tributos vinculados às operações de importação das mercadorias, tais como o II, IPI, PIS e Cofins, eram pagos pela responsável solidária, sem que houvesse comprovação do ressarcimento dos correspondentes valores; e t) as operações de importação e de exportação foram realizadas mediante a prática de interposição fraudulenta, com a ocultação dos reais vendedores/adquirentes, traduzindo dano ao Erário, sancionada com a pena de perdimento, porém, como as mercadorias não foram localizadas, a referida penalidade foi convertida em multa equivalente ao valor das mercadorias, nos termos do art. 23, V e §§ 1º e 2º, do Decreto 1.455/1976. Cientificada da autuação, a autuada Express apresentou a peça impugnatória de fls. 637/648, em que alegou, em síntese, as seguintes razões de defesa: 1) em preliminar, alegou nulidade do auto de infração, com base no argumento de que, com o advento do art. 33 da Lei 11.488/2007, deixou de ser imputável ao importador ou exportador ostensivo, em coautoria com real comprador/vendedor, a infração do artigo 23, V, do Decretolei 1.455/1976. A importadora cedente do nome passou responder apenas pela multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação estabelecida no primeiro preceito legal; 2) no mérito, alegou que: a) a responsável solidária Comissária era detentora de capacidade financeira bem aquém da impugnante e não tinha qualquer participação na autuada, sendo dela somente Fl. 724DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10142.000462/200821 Resolução nº 3302000.508 S3C3T2 Fl. 725 3 mera prestadora de serviços de despacho aduaneiro de mercadoria, logo, era um contrasenso atribuirlhe qualquer responsabilidade pelos fatos em exame; b) no curso da ação fiscal, a impugnante oferecera toda a documentação requisitada pela fiscalização e quanto aos documentos não enviados ao fisco apresentara justificativas para tal omissão; c) não havia qualquer ilícito relativo ao fato de a empresa despachante haver recolhido os tributos de que a defendente era devedora nas operações de importação; d) era descabida qualquer declaração de inaptidão da sua inscrição no CNPJ, fato que implicaria graves dissabores ao seu funcionamento, enquanto não concluído o julgamento deste processo; e) não fora provada a interposição fraudulenta de terceiras pessoas, restando, por conseguinte, imprópria a aplicação da pena de perdimento das mercadorias já desembaraçadas. Aliás, todos os seus clientes estão perfeitamente identificados nas notas fiscais de saída a que a fiscalização teve acesso; f) não procede a alegação de hipossuficiência econômicofinanceira a amparar suas importações e exportações, visto que suas próprias movimentações bancárias propositadamente não encartadas nos autos pela fiscalização , aliadas à pequena monta das transações comerciais, davam suporte à concretização das correspondentes operações internacionais, oferecendo pleno giro de capital; g) a Lei 10.637/2002, que deu nova redação ao Decretolei 1.455/76, bem como o art. 81 da Lei 9.430/1996, estabeleceram o rito a disciplinar a prova da origem de recursos empregados na importação, porém devem ser interpretados de forma sistemática; e h) a fiscalização não lograra provar quem era os reais importadores, tendo fundamentado suas conclusões apenas em presunções, o que esmaece a concreção do tipo infracional eleito. Os autuantes até tentaram considerar os clientes da defendente como reais importadores, porém tal desiderato não subsistiu, tendo em vista a inexistência de qualquer irregularidade nas operações analisadas. Por sua vez, cientificada da autuação, a responsável solidária Comissária apresentou a impugnação de fls. 477/495, em que apresentou as seguintes alegações: a) fora incluída indevidamente no polo passivo da autuação como responsável solidária, sem apoio instrutivo, o que inquinava de nulidade o próprio procedimento fiscal, tornando igualmente nulo o lançamento fiscal dele aflorado; b) não participara como sócia cotista tampouco gestora da autuada Express, apenas a ela prestou serviços atinentes ao despacho aduaneiro e somente em época específica. Aliás, a autuada Express não era sua única cliente, conforme documentação anexada, sobretudo porque há mais de cinco anos militava nesse ramo de atividade; c) a fiscalização extraíra dos autos, equivocadamente, a responsabilidade solidária da defendente, traduzida na condição de interessada na existência e operação da empresa comercial qualificada como interposta pessoa; Fl. 725DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10142.000462/200821 Resolução nº 3302000.508 S3C3T2 Fl. 726 4 d) houve equívoco interpretativo no que tange à diferenciação entre responsabilidade solidária e responsabilidade por infração. A solidariedade prevista no CTN não se alicerçava em interesse comum fincado em meros fatos; mas, sim, em interesse jurídico. E para delimitação da responsabilidade por infração, era necessária a satisfação dos requisitos previstos no art. 137 do CTN, que não foi demonstrado pela fiscalização; e) a dimensão do termo “na forma da legislação aplicável”, inserido na definição do fato gerador da obrigação acessória, explicitado no art. 115 do CTN, devia ser interpretado de forma restritiva. Na mesma linha, para a aplicação do art. 95 do Decretolei 37/1966, com necessária observância das balizas do CTN, faziase necessária a prática da ação fraudulenta na constituição do fato gerador; f) extraíase do lançamento que, além da omissão da comprovação da origem de recursos, fora imputado às autuadas a condição de interpostas pessoas, impulsionadores de falsidade ideológica. Porém, para a configuração do dano ao Erário, consoante se verifica no inciso V do art. 23 do mencionado diploma legal, faziase necessária a demonstração da fraude e/ou simulação, aqui ausentes, visto que baseadas em meras ilações; g) a impugnante jamais teve a gestão, posse, domínio ou a propriedade de quaisquer mercadorias transacionadas pela autuada Express, pois, na condição de prestadora de serviços jungidos ao despacho aduaneiro, não poderia fazêlos, à luz da legislação que rege aludida atividade, sobretudo o Decreto 646/1992, restando descabida a pena de perdimento em seu desfavor, ou mesmo, a penalidade pecuniária alternativa; h) os despachantes aduaneiros e seus ajudantes era uma categoria profissional disciplinada em lei, no caso, o Decretolei 2.472/1988, sendo erigidos ao posto de profissionais liberais, auferindo honorários pelo seu mister, pagos mediante seu órgão de classe; f) a impugnante levou a cabo seu trabalho nos estritos termos definidos na legislação de regência, em especial, relacionados aos ditames dos incisos I a V do art. 1º do Decreto 646/1992, assim como ao art. 71 da Lei 10.833/2003. Mediante contrato remunerado de prestação de serviços, somente assessorara, auxiliara, nos moldes da citada legislação, a autuada Express, nunca a compôs e tampouco geriu sua atividade empresarial, principalmente à vista de expressa vedação disposta no art. 10 do Decreto 646/1992; g) quanto a eventuais deficiências de ordem estrutural e logística da primeira autuada, não lhe competia qualquer papel de censor nessa matéria, pois transbordava o escopo de sua atividade profissional tal incumbência; h) o pagamento dos tributos devidos nas importações é operacionalizado por intermédio de débito bancário na contacorrente do importador ou, por autorização deste, na contacorrente do despachante aduaneiro correspondente, conforme expressamente disciplinado no art. 11 da Instrução Normativa 680/2006; e i) predicar como laranja o profissional que laborou seu ofício em estrita observância à legislação que rege sua atividade, calcado em meras ilações ou presunções descabidas, sem qualquer prova nesse sentido, afrontava princípios jurídicos fundamentais, dentre o quais, os princípios da legalidade, impessoalidade e razoabilidade. Além disso, referido pensar ensejaria a equivocada inferência que todos os profissionais que prestaram serviços à primeira autuada, advogados, contadores, etc, patrocinaram suposto modo defeso agir, fato dissonante com os princípios elementares do direito. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10142.000462/200821 Resolução nº 3302000.508 S3C3T2 Fl. 727 5 Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 652/684), em que, por unanimidade de votos, a preliminar de nulidade formal foi rejeitada e, no mérito, negado provimento às impugnações e integralmente mantido o crédito tributário, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/01/2006 a 28/02/2008 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de ato administrativo de caráter gerencial. O mandado de procedimento fiscal, por ser medida disciplinadora visando à administração dos trabalhos de fiscalização, não pode sobreporse ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, bem como aos dispositivos da Lei nº 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. INAPTIDÃO DE CNPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Falece competência à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para adentrar no exame de feito relacionado à inaptidão de CNPJ, sob pena de imiscuirse em âmbito de processo administrativo restrito ao titular da unidade local da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/01/2006 a 28/02/2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. DESPACHANTE ADUANEIRO. INTERESSE COMUM NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. SUJEIÇÃO PROCESSUAL PASSIVA SOLIDÁRIA. O despachante aduaneiro e seu ajudante estão proibidos de efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, importação e exportação de quaisquer produtos, ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras (art. 10 do Decreto nº 646/1992). A Comissária de Despachos equiparase ao despachante aduaneiro, pois somente essas pessoas possuem a devida autorização, perante a Receita Federal do Brasil, para procederem a atos relativos às operações de despacho de importação/exportação. Se, tanto como pessoas físicas, quanto como pessoas jurídicas, demonstrarem interesse comum no fato gerador do imposto de importação e violarem essa proibição, respondem como responsáveis solidários, cabendo a exigência também contra eles dos tributos e multas das operações de importação/exportação, concomitantemente com as penalidades pertinentes. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 02/01/2006 a 28/02/2008 INCOMPATIBILIDADE ENTRE OS MONTANTES DAS OPERAÇÕES TRANSACIONADAS NO COMÉRCIO EXTERIOR E A CAPACIDADE FINANCEIRA E ECONÔMICA DA EMPRESA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10142.000462/200821 Resolução nº 3302000.508 S3C3T2 Fl. 728 6 A incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade financeira e econômica da pessoa jurídica é uma presunção legal juris tantum de interposição fraudulenta de terceiros, a qual só poderá ser afastada pela apresentação de documentação idônea capaz de comprovar a origem dos recursos utilizados nas transações. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A pena de perdimento, na hipótese de interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida ou não for localizada. EXPORTAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS NA AQUISIÇÃO DAS MERCADORIAS EXPORTADAS. A legislação aduaneira exige para a empresa exportadora a comprovação da origem dos recursos utilizados na aquisição das mercadorias exportadas. A não comprovação da origem lícita dos recursos empregados na aquisição dessas mercadorias caracteriza a presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros em tais aquisições. A autuada Express foi cientificada da decisão de primeira instância em 8/3/2010 (fls. 697 e 699/700). Em 7/4/2010, apresentou o recurso voluntário de fls. 701/712, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória. Enquanto a responsável solidária Comissária foi cientificada em 10/3/2010, por meio do Edital de fl. 698, afixado no dia 23/2/2010 e desafixado no dia 10/3/2010, porém, É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Embora tempestivo e atenda os demais requisitos de admissibilidade, o recurso apresentado pela autuada Express (fls. 701/712) não pode ser analisado nessa assentada, porque o processo não se encontra em condições de ser submetido a julgamento por este Colegiado. O motivo do impedimento, salvo melhor juízo, está relacionado com a irregular na intimação da responsável solidária Comissária. Com efeito, para ciência do acórdão proferido pela Turma de Julgamento de primeiro grau, a referida pessoa jurídica fora intimada por meio do Edital de fl. 698, sem que tivesse sido demonstrado, nos autos, que a unidade da Receita Federal de origem tenha providenciado a ciência da referida pessoa jurídica, por um dos meios de intimação previstos nos incisos I a III do Decreto 70.235/1972, ou seja, a intimação pessoal, por via postal ou por meio eletrônico, e tivesse resultado improfícuo, ou que a intimada tivesse com a sua inscrição no CNPJ declara inapta, conforme exigência determinada no art. 23, § 1º, do Decreto 70.235/1972, a seguir transcrito: Fl. 728DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10142.000462/200821 Resolução nº 3302000.508 S3C3T2 Fl. 729 7 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] (grifos não originais) Dessa forma, com respaldo no art. 60 do referido Decreto, votase pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem comprove que as referidas condições para intimação por edital foram atendidas, ou, se não cumprida tais exigências, seja sanada a mencionada irregularidade. Após, retornem os autos a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 729DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10380.723524/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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INTERPOSIÇÃO. Recorrente DELSUR ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Este processo cuida de auto de infração, lavrado em 17/04/2014, que exige a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, estabelecida pelo o art. 23, inciso V, c/c o §3°, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976. A autoridade lançadora apurou que a contribuinte não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior. Consta do auto de infração: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, procedi à autuação do acima qualificado, com fundamento no art. 23, § 3°, do DecretoLei n° 1.455/76, pela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 23 52 4/ 20 14 -1 1 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.723524/201411 Resolução nº 3401000.903 S3C4T1 Fl. 3 2 prática da(s) infração(ões) abaixo descrita(s), definida(s) como dano ao erário, ficando o autuado sujeito à multa equivalente ao valor aduaneiro das referidas mercadorias. 0 01 OCULTAÇÃO DO REAL COMPRADOR MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO 002 MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA A DELSUR ALIMENTOS LTDA EPP, CNPJ n° 07.564.673/0 0 0113 , doravante denominada nestes autos apenas por DELSUR, submeteu mercadorias a despacho aduaneiro de importação na Alfândega do Porto de Fortaleza/CE, mediante o registro da Declaração de Importação (DI) n° 13/19961004, registrada em 09/10/2013, parametrizada no canal VERDE de conferência aduaneira e bloqueada para análise do Grupo de Procedimentos Especiais Aduaneiros (GPEA). A DI foi instruída com a via original do conhecimento de carga (BL) n° SJN/FOR/7481/01, da fatura comercial n° 001100000288/2013, Packing List sem numeração e Certificado de Origem n° 000699. As faturas e os romaneios de carga constam como tendo sido emitidos pela empresa CASSAB AHUN SRL, da Argentina. I. Informações Preliminares O procedimento de análise teve início em 23/10/2013, com a ciência pessoal do Termo de Retenção e Início de Fiscalização n° 07/2013 e da intimação n° 07/2013 pelo representante legal da empresa. Por esta via foram solicitados pela fiscalização documentos e informações necessárias à conclusão dos trabalhos e quaisquer outras informações e documentos que o importador entendesse úteis para o esclarecimento dos fatos. A retenção das mercadorias se deu em função de suspeita de ter havido ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiro, decorrente da logística utilizada pela empresa ser inadequada para uma importação para uso próprio. A autoridade aduaneira iniciara o procedimento de fiscalização e decidiu interromper o despacho aduaneiro e reter a mercadoria estrangeira sob o controle da zona primária. A contribuinte ingressou com o mandado de segurança n. 0803134 19.2013.4.05.8100 e, graças a ele, obteve, em sede de agravo de instrumento apreciado pelo Eg. TRF da 5ª Região, a liberação da mercadoria que estava retida. A fiscalização encontrou contradições entre as informações prestadas pela contribuinte como resposta à interpelação fiscal, as prestadas à Justiça Federal e as pertencentes aos registros fiscais e empresariais da contribuinte (por exemplo: ela informara que a importação em questão, feita via marítima ao Porto de Fortaleza, muito distante e diferente das que correntemente faz por via rodoviária e concentradas nas regiões sul e sudeste, próxima de sua sede, seria para atender finalidade prospectiva, quando se apurou que a contribuinte já possuía clientes e representantes no Ceará). A autoridade aduaneira, após as investigações do procedimento de fiscalização, concluiu que houve ocultação do real comprador por meio de fraude e simulação. Seria o caso de aplicar o perdimento às mercadorias. Entretanto, tendo em vista as mercadorias terem sido retiradas do controle alfandegário e terem sido destinadas e consumidas, a autoridade fiscal autuou a contribuinte com a multa pelo valor dos bens a que teria dado o perdimento. A contribuinte contestou a autuação e negou o que a autoridade fiscal havia lhe atribuído, afirmando que era a real adquirente dos bens importados, e que eles foram vendidos a seus clientes, não havendo ocultação, simulação ou interposição fraudulenta. que possui Fl. 464DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.723524/201411 Resolução nº 3401000.903 S3C4T1 Fl. 4 3 recursos para financiar suas importações, e que as realiza com freqüência; que é vinculada com seu fornecedor argentino; que o auto se baseia em suposições e não em provas. Junta extratos bancário para provar capacidade econômica, comprovação do recolhimentos dos tributos, das despesas de armazenagem e demurrage, do fechamento do câmbio; as notas fiscais de venda. Os julgadores de 1º piso consideraram improcedente a impugnação e mantiveram o crédito tributário. O Acórdão de n. 16064.269, proferido em 16 de dezembro de 2014 pela respeitável 23ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ficou assim ementado: Acórdão 16064.269 23a Turma da DRJ/SPO Sessão de 16 de dezembro de 2014 Processo 10380.723524/201411 Interessado DELSUR ALIMENTOS LTDA. CNPJ/CPF 07.564.673/000113 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/04/2014 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte ingressa em 10 de março de 2015 com recurso voluntário por meio do qual repisa os argumentos e as razões postas em sua impugnação. Nessa peça, a contribuinte sublinha que há decisão judicial no précitado mandamus declarando nulo o termo de retenção e início de fiscalização. É o relatório. Voto. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. A contribuinte instrui seu recurso voluntário com cópia da sentença que teria sido proferida em 05 de março de 2015 nos autos do MS n.º 080313419.2013.4.05.8100, cuja conclusão reproduzo a seguir: SENTENÇA: (...) Fl. 465DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.723524/201411 Resolução nº 3401000.903 S3C4T1 Fl. 5 4 DO MÉRITO No mérito, apesar do indeferimento do pedido de concessão de medida liminar me convenci posteriormente, pelo teor do Acórdão proferido pelo egrégio TRF da 5a Região, de que o Termo de Retenção e Início de Fiscalização n° 007/2013 não foi devidamente fundamentado. Por essa razão adoto os fundamentos do referido Acórdão como razões de decidir nesta sentença, nos seguintes termos: (....) Ressalto que a motivação apresentada posteriormente pela autoridade impetrada em suas informações, bem como nas demais petições anexadas aos autos, não tem o condão de regularizar o ato impugnado, o termo de retenção e início de fiscalização n° 007/2013. A fundamentação posterior, realizada no âmbito desta ação de mandado de segurança não supre a necessidade de fundamentação que deveria ter sido feita no momento da edição do mencionado termo de retenção e início de fiscalização. Entretanto, melhor sorte não merece o pedido de condenação da autoridade impetrada ao pagamento dos custos da armazenagem da mercadoria importada bem como dos valores de demitrrage de contêiner. Isto porque a referida pretensão possui caráter indenizatório, uma vez que visa ressarcir a parte impetrante dos prejuízos sofridos pelo atraso na liberação da citada mercadoria. Tratase, pois, em essência, de pedido com natureza jurídica de pretensão de cobrança (cobrança de prejuízos), incompatível com a via mandamental. Tais prejuízos, se só podem ser cobrados em ação de natureza condenatória, através do procedimento ordinário (ação ordinária), e não pela via do mandado de segurança, conforme disposto na Súmula 269 do STF. Sobre o tema o egrégio TRF da 5a Região já se pronunciou: (....) Destarte, só me resta deferir parcialmente a segurança requestada. DISPOSITIVO Diante do que foi exposto, revogo a decisão por mim prolatada nestes autos virtuais (id. 4058100.193086), e concedo parcialmente a segurança para o só efeito de declarar nulo o Termo de Retenção e Início de Fiscalização uJ 007/2013. restando nulo os demais atos administrativos dele conseqüentes. Duplo grau obrigatório. Custas na forma da lei. Sem honorários (Súmulas 512, STF e 105, STJ). GRIFOS ACRESCIDOS Como se pode ver, o texto de sentença judicial que instrui o recurso dá notícia de que houve uma decisão declarar nulo o termo fiscal que deu início ao procedimento fiscal e os demais atos administrativos que dele derivaram. Face essa informação, proponho a realização de diligência: que este processo administrativo retorne à unidade de administração de jurisdição para verificar a situação do mandado de segurança n.º 080313419.2013.4.05.8100 e devolver este processo administrativo ao CARF instruído com a decisão judicial transitada em julgado. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 18336.000216/2003-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/02/1998, 25/02/1998
FATURA COMERCIAL - Multa por ausência dos requisitos:
A verdade material ficou aclarada com a juntada da cópia de fax da Invoice 13302-0 e 13.684-0, pela PDVSA Petróleo y Gas, S.A. (folha 128 e 133/134), citadas nos certificados de origem AID 980301677 e 980301681. O artigo 425 do RA impõe regras voltadas para o exportador.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-002.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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CERTIFICADO DE ORIGEM. Informações suficientes para caracterizar a operação e supridas por outros documentos. As informações disponibilizadas atendem às exigências previstas no artigo 2º da Resolução 232. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/1998, 25/02/1998 FATURA COMERCIAL Multa por ausência dos requisitos: A verdade material ficou aclarada com a juntada da cópia de fax da Invoice 133020 e 13.6840, pela PDVSA Petróleo y Gas, S.A. (folha 128 e 133/134), citadas nos certificados de origem AID 980301677 e 980301681. O artigo 425 do RA impõe regras voltadas para o “exportador”. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 02 16 /2 00 3- 08 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 2 VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuidase de retorno de diligência à repartição de origem nos autos de recurso voluntário contra acórdão da Segunda Turma da DRJ Fortaleza (CE) que, por unanimidade de votos, julgou procedente a exigência do imposto de importação , acrescido de juros de mora equivalentes à taxa Selic e de multa de mora (20%), decorrente de importação de propano em bruto e de butano liquefeito desembaraçadas com redução da alíquota prevista em acordo tarifário no âmbito da Aladi cujo certificado de origem foi rejeitado em revisão aduaneira. Ciência pessoal dos lançamentos a preposto da sociedade empresária em 14 de fevereiro de 2003. Fatos extraídos da denúncia fiscal: a) Exportadora: Braspetro Oil Service Co. (Brasoil), com sede nas Ilhas Cayman (faturas comerciais de folhas 22 a 37) (exportadora indicada nos conhecimentos de embarques, folhas 21 e 35: PDVSA Petroleo y Gas S.A) b) país de origem: Venezuela (certificado de origem de folha 20 e 38 e conhecimento de embarque de folha 21 e 35), com embarque diretamente da Venezuela para o Brasil; c) consignatária: Braspetro Oil Service Co. (Brasoil) (conhecimento de embarque de folhas 21 e 35); d) importadora: Petróleo Brasileiro S.A (Petrobrás) (declarações de importação de folhas 12 e 28); e) fatura comercial de folha 37, emitida em 11 de março de 1998, traz precisa identificação do número e da data de emissão do certificado de origem de folha 38, somente emitido quatorze dias depois da fatura comercial, em 25 de março de 1998. Vícios do certificado de origem apontados na descrição dos fatos de folhas 2 a 6: a) discrepância entre o certificado de origem de folha 20 e 38 e os números e emitentes das faturas comerciais de fls. 22 e 37, emitidas por Braspetro Oil Service Co. (Brasoil), com sede nas ilhas Cayman, pais estranho à Aladi; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 18336.000216/200308 Acórdão n.º 3402002.962 S3C4T2 Fl. 3 3 b) equivocada referência do certificado de origem à Venezuela como país exportador e às faturas comerciais de PDVSA Petroleo y Gas S.A. c) Certificado de origem de folha 20 emitido em 25 de março de 1998, com antecedência de 19 (dezenove) dias em relação à fatura comercial de folha 22, somente emitida em 13 de abril de 1998. d) Os certificados de origem não relacionam as quantidades das mercadorias certificadas, regra imposta pelo artigo 1º do Acordo 91 da Aladi. Na impugnação de folhas 46 a 65 a sociedade empresária importadora inicialmente aduz que a triangulação comercial objeto da denúncia fiscal é “prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos” e não elide a fruição da redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da Aladi. Em suas razões de defesa, busca apoio em nota expedida pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), na qual a triangulação comercial é enfrentada, para defender a validade dos certificados de origem e o consequente reconhecimento da improcedência da exação. Também invoca acórdãos do Terceiro Conselho de Contribuintes e pugna pela regularidade dos documentos que instruíram os despachos aduaneiros. Na parte final da peça vestibular dessa contenda administrativa, a então impugnante formula requerimento de perícia e faz remissão ao artigo 10, inciso IV, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, para apontar nulidade no auto de infração carente de requisito obrigatório: “a disposição legal infringida e a penalidade aplicável”. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/02/1998, 25/02/1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a arguição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. PEDIDOS DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Imposto Sobre a Importação – II Data do fato gerador: 18/02/1998, 25/02/1998 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 4 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação (sic) Lançamento Procedente Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 93 a 112. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. O presente processo foi inicialmente distribuído e relatado pelo então Ex Conselheiro Tarásio Campelo Borges e em sessão de julgamento de 27 de agosto de 2010, por intermédio da Resolução 310100.111, a conversão do julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, por maioria, foi conduzida por voto da lavra dessa Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, cujo objeto era: “trazer aos autos cópia da NF referente a operação realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA PETROLEO Y GAS S.A.”. Em atendimento à determinação deste colegiado, foram acostados aos autos os documentos de folhas 124 a 136, a saber: termo de intimação e diligência fiscal (folha 124); correspondência da Petrobrás para a Alfândega do Porto de São Luiz (MA) (folha 125,126 e 127); Cópia autenticada da Invoice PDVSA nº 133020 (fls. 128) Cópia autenticada da Fatura para o exterior PETROBRAS Nº SB091/98 (fls. 129); Cópia autenticada Invoice BRASOIL nº BSLSB 178 (fls. 130); Cópia autenticada da Fatura para o exterior PETROBRAS nº SB59/98 (fls. 131); Cópia autenticada da Invoice BRASOIL nº BSLSB 120 (fl.132); Cópia autenticada da Invoice nº 136840 (fls. 133/134). relatório de diligência (folha 136). Concluída a juntada dos documentos, a autoridade preparadora, no despacho acostado na última folha, devolve os autos para julgamento, ora processados com 136 folhas. É o relatório. Voto Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 18336.000216/200308 Acórdão n.º 3402002.962 S3C4T2 Fl. 4 5 Conforme venho expressando meu entendimento em processos análogos e inclusive da mesma Recorrente entendo que com a realização da diligência por intermédio da Resolução 310100.111, que era de trazer aos autos cópia da NF referente a operação realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA PETROLEO Y GAS S.A., que sendo atendida com o acostamento aos autos dos documentos de folhas 122 a 136, a verdade material imprescindível nesse processo ficou estabelecida e, portanto, reside razão a Recorrente, pois, o artigo 425, alínea “a”, “h”, “i” e “m” do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85, impõe regras voltadas para o “exportador” e, no caso a PFICO participou da importação na qualidade de simples “operadora”. Ainda, é importante destacar que, como o caso presente não se enquadra na hipótese de emissão de certificado de origem depois da expedição da fatura por operador de terceiro país (o Certificado de Origem foi emitido antes da fatura da PIFCO), o campo destinado às observações do citado certificado não necessitaria sequer ser preenchido, conforme explicitado na segunda parte do item 2º da Resolução nº. 232 (que alterou o Acordo 91), devendo a interessada, todavia, apresentar uma declaração juramentada que justifique a operação. Reproduzo, abaixo, o disposto no item 2º da Resolução nº. 232. SEGUNDO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. (Grifo nosso) Mesmo não sendo obrigatório o preenchimento do campo do Certificado de Origem destinado às observações, é fato que, no referido campo, foi consignado o nome do navio transportador e a data da expedição do BL, estando este consignado à PIFCO, que, por sua vez, expediu a fatura relativa à operação de destino. Com efeito, no campo do certificado de origem em evidência – repetindo, se obrigatório fosse seu preenchimento –, faltaria anotar a razão social do operador do terceiro país e o seu correspondente domicílio. Não obstante, entendo que tais particularidades não seriam suficientes para descaracterizar a operação, uma vez que são facilmente supridas pelos outros documentos que instruem os autos (BL, fatura expedida pelo operador), além da própria Declaração de Importação objeto da lide, onde está consignado que o domicílio da PIFCO é na cidade de Georgetown, em Gran Cayman Ilhas Cayman. Em suma, entendo que os dados informados no certificado de origem, na fatura comercial expedida pela PIFCO (que contempla também informações concernentes ao Certificado de Origem e à fatura original emitida pela empresa venezuelana), no conhecimento Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 6 de embarque, e nas demais peças que instruem os autos, são suficientes para caracterizar uma triangulação comercial no âmbito da ALADI, faltando apenas examinar a justificativa para a realização da operação em tela, exigida através da apresentação de declaração juramentada. Conforme citado, o artigo 2º da Resolução nº. 232 da ALADI, em sua segunda parte, prescreve que, se na ocasião da expedição do certificado de origem ainda não se conhecer o número da fatura comercial emitida pelo operador do terceiro país, “[...] o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação”. Essas informações, como ressaltado, constam de toda a documentação que instruiu a DI. Não se tem notícia de que a Secretaria da Receita Federal tenha estabelecido uma forma específica para a citada declaração, de sorte que não se pode exigir do contribuinte mais do que esteja prescrito na legislação Tributária. Segundo informa a empresa, para fins de atender a exigências do Banco Central relativas à liquidação dos contratos de câmbio na data do cumprimento da obrigação (vencimento das faturas), e não mais em data futura, como anteriormente permitido, a PETROBRAS passou a se utilizar de uma companhia subsidiária para fazer o financiamento internacional, adquirir o petróleo e derivados no mercado internacional e, posteriormente, os revender à própria PETROBRAS em prazo compatível com a realidade do ciclo operacional da empresa. Essa companhia subsidiária passou a se utilizar das linhas de crédito anteriormente obtidas pela PETROBRAS, mas em vista da rejeição inicial deste modelo pelo mercado internacional, a própria PETROBRAS foi obrigada a iniciar a cadeia operacional para, só depois, revender o produto à subsidiária e adquirilo posteriormente, conforme esquema representativo contido no expediente da autuada: Fornecedor à Petrobras à Brasoil à Petrobras Com o passar do tempo, a autuada passou a adotar o modelo onde a aquisição do produto era realizada diretamente pela sua subsidiária, conforme assevera textualmente: Com o decorrer do tempo, após intenso trabalho de marketing e oferecimento de garantias formais pela Petrobras quanto ao cumprimento das obrigações pela Brasoil, posteriormente pela Petrobras International Finance Company, as seguintes cadeias comercial (sic) passaram a ser efetivadas: Fornecedor à Petrobras International Finance Company à Petrobras Fornecedor à Braspetro Oil Services à Petrobras A cadeia envolvendo a Petrobras International Finance Company – PIFCO é justamente o modelo que caracteriza a transação de importação de derivados de petróleo objeto da lide. A admissibilidade desse tipo de triangulação comercial pelo Regime de Origem da ALADI, associado aos documentos já analisados acima, são plenamente suficientes para caracterizar o vínculo existente entre a fatura original emitida pela PDVSA (fornecedor), o Certificado de Origem e a fatura expedida pela PIFCO, conforme já asseverado, de sorte que não há nenhuma razão para descaracterizar a redução tarifária que beneficia as negociações realizadas no âmbito do ACE27. Em conclusão, está plenamente demonstrado nos autos que o produto importado provém, de fato, da Venezuela, país signatário do ACE27, firmado no âmbito da Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 18336.000216/200308 Acórdão n.º 3402002.962 S3C4T2 Fl. 5 7 ALADI, tendo sido atendidas, pelos argumentos acima elencados, as exigências prescritas pela citada Associação. Diante de todo o exposto, voto pelo PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO pela improcedência da exigência do imposto e multa de que trata esse processo. É como voto Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro (relatora) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Numero do processo: 11030.721955/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que, a partir de 06/2007, para os órgãos públicos a alíquota foi alterada para 2%, consoante disposto no Decreto 6.042/2007, que modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS).
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe ao Órgão Julgador do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que, a partir de 06/2007, para os órgãos públicos a alíquota foi alterada para 2%, consoante disposto no Decreto 6.042/2007, que modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS). INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe ao Órgão Julgador do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 19 55 /2 01 2- 13 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721955/201213 Acórdão n.º 2402004.768 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2009 a 13/2011. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 181/185), o fato gerador dos valores lançados decorre da remuneração paga ou credita aos segurados, oriunda da folha de pagamento. Informa que, para o CNAE 84116/00, correspondente à administração pública em geral, a alíquota para o RAT estabelecida inicialmente pelo Decreto nº 3.048/99 era de 1%. Os Decretos nº 6.042/07 e de nº 6.957/09 alteraram as alíquotas de algumas atividades. Assim a alíquota correspondente ao CNAE 841106/00 passou de 1% para 2% com o Decreto nº 6.042/07, e permanece mantido pelo Decreto nº 6.957/09. Essa alteração promovida pelo Decreto nº 6.042/07 passou a produzir efeitos a partir da competência 06/2007, portanto, o Município está obrigado a recolher à Seguridade Social as contribuições relativas ao RAT, conforme preceitua a Lei 8.212/91, à alíquota de 2%, conforme Anexo V do Decreto nº 6.048/99, com redação dada pelo Decreto nº 6.042/07 e nº 6957/09, desde a competência 06/2007. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/10/2012 (fls. 01 e 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 200/208), alegando, em síntese, que: 1. o valor recolhido está correto, uma vez que a atividade preponderante deste é a administração pública, sendo que o risco de acidente de trabalho é leve, devendo ser de 1% o percentual a ser recolhido a título de RAT. Transcreve o art. 22 e incisos da Lei 8.212/91 e art. 202 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, para comprovar suas alegações; 2. salienta ainda que a alíquota para o RAT é apurada pela atividade preponderante da empresa nos termos da Sumula 351, da STJ, que define a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT). Desta forma, como os servidores públicos municipais desempenham atividades predominantemente burocráticas, o risco de acidente de trabalho é leve, devendo incidir, portanto, a alíquota correspondente de 1% e não 2% como quer a fiscalização; 3. insurgese ainda contra a aplicação da multa de 75% sobre as diferenças lançadas, tendo em vista que nos termos do artigo 202, §§ 5º e 6º do Decreto 3.048/99 RPS é de responsabilidade da empresa o Fl. 254DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 enquadramento na atividade preponderante, sendo que no caso de divergência a Receita Previdenciária deverá, previamente, orientar a empresa e notificála para recolher o RAT, conforme enquadramento anterior, ainda que a menor, sendo que somente após tal procedimento é que poderá haver lançamento e cobrança da multa; 4. ante o exposto entende que deva ser mantido o recolhimento para o RAT na alíquota de 1%, requerendo, então, a anulação do presente auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão 0354.659 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 210/223) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, acrescentou a alegação de que é incabível a aplicação da multa de 75%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Passo Fundo/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721955/201213 Acórdão n.º 2402004.768 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referentes à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente a existência de multa com caráter confiscatório e a inconstitucionalidade do Decreto no 6.042/2007, que alterou, para os órgãos públicos, as alíquotas do SAT/GILRAT (alíquota de 2% a partir de 06/2007) inseridas no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente. Após isso, passo ao exame de mérito. A Recorrente alega que deveria recolher os valores para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT) com base no grau de risco leve (alíquota de 1%), e não no grau de risco médio (alíquota de 2%) estabelecido após vigência do Decreto 6.042/2007. Tal alegação não será acatada, nos termos jurídicos a seguir delineados. Constatase que o Decreto 6.042, de 12/02/2007, publicado no Diário Oficial da União de 13/02/2007, com base na experiência estatística de acidentes do trabalho das diversas atividades econômicas exercidas pelas empresas no país, reviu e alterou a relação de atividades econômicas e os seus correspondentes graus de risco, modificando o mencionado Anexo V do Decreto 3.048/1999, alterando para mais ou para menos o grau de risco de inúmeras atividades e determinou que os novos graus de risco e alíquotas entrariam em vigor no 4º mês seguinte ao da sua publicação, ou seja, em junho de 2007. Em consonância com o Decreto 6.042/2007, para os órgãos públicos, Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 84116/00, a correspondente alíquota do SAT/GILRAT foi alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio), a partir da competência 06/2007. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Decreto 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS) ANEXO V – Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – Redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007) CNAE DESCRIÇÃO % NOVO 84116/00 Administração Pública em Geral 2% Com isso, a partir de junho/2007, inclusive, a Recorrente era obrigada a observar a alíquota de 2% para a contribuição destinada ao SAT/GILRAT, conforme o novo grau de risco definido para sua atividade, contudo, continuou realizando os recolhimentos com base na alíquota anterior (1%). Nesse sentido, se antes a atividade da autuada integrava o grau de risco leve (1%), é porque assim as estatísticas indicavam. E se após 06/2007 o grau de risco deve ser médio (2%), evidentemente assim o é pois as estatísticas indicaram a majoração na quantidade de acidentes de trabalho neste ramo de atividade, justificandose a alteração. Dessa forma, a elevação da alíquota de 1% para 2% não é desprovida de legalidade, nem foi fixada de forma aleatória, discricionária ou com objetivo de enriquecimento ilícito, como quer a Recorrente, eis que a nova alíquota de 2% encontra seu fundamento no art. 22, inciso II e § 3o, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n° 9 732, dei1.12.98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721955/201213 Acórdão n.º 2402004.768 S2C4T2 Fl. 5 7 Com efeito, o dispositivo legal susomencionado estabelece que a alíquota do SAT/GILRAT a ser aplicada no cálculo contributivo é definida em relação à atividade preponderante exercida pelos segurados da empresa e o grau de risco (leve, médio e grave) presente no ambiente de trabalho. Ressaltarse que considera atividade preponderante a que ocupa, levandose em conta todos os estabelecimentos da empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do art. 202, § 3°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, transcrito abaixo: Art. 202 (...) § 3o Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (g.n.) Acrescentase que, à luz do anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), é possível identificar qual o grau de risco atribuído à empresa, de acordo com o tipo de atividade laboral. Assim, considerando que a atividade desenvolvida pela Recorrente é de Administração Pública em Geral, foi correta a aplicação da alíquota de 2% (grau de risco médio) para a contribuição destinada ao SAT/GILRAT. Cumpre esclarecer que essa alíquota de 2%, aplicável para os órgãos públicos, foi mantida na redação do Anexo V do Decreto 3.048/1999 (Regulamento de Previdência Social RPS), dada pelo Decreto 6.957, de 09/09/2009. Dessa forma, a alegação da Recorrente de que deveria usar alíquota de 1% (grau de risco leve) para o recolhimento do SAT/GILRAT não será acatada, eis que o arcabouço jurídicoprevidenciário não permite tal procedimento. Dentro desse contexto jurídico, resta destacar que o Decreto 6.042/2007, além de dar nova redação ao Anexo V do Regulamento da Previdência Social, alterando as alíquotas de RAT para determinadas atividades econômicas, também acrescentou a ele o artigo 202A1, disciplinando a aplicação, acompanhamento e avaliação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP). 1 Decreto 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS) Art. 202A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de PrevençãoFAP .(Incluído pelo Decreto n° 6.042, de 2007). § 1o O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) § 2o Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, procederseá à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) (...) § 5o O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econôinicas – CNAE e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de freqüência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAESubclasse. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Ocorreu a divulgação do FAP em setembro de 2009, sendo que os seus efeitos tributários de redução, manutenção ou agravamento das alíquotas 1%, 2% ou 3% aplicamse a partir da competência janeiro de 2010, em obediência o que prescreve o § 6o do art. 202A do Regulamento da Previdência Social (RPS). A metodologia de cálculo do FAP foi aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), mediante Resolução MPS/CNPS n° 1.308, de 27 de maio de 2009, publicada no Diário Oficial da União DOU N° 106, Seção 1, do dia 5 de junho de 2009, e complementada pela Resolução MPS/CNPS n° 1.309, de 24 de junho de 2009, publicada no DOU N° 127, Seção 1, de 7 de julho de 2009. Conforme previsto na metodologia, o cálculo do FAP é realizado para a empresa, de forma concentrada, assim todos os estabelecimentos de uma empresa adotarão o mesmo FAP calculado para o CNPJ Raiz. O Decreto 6.957 de 09/09/2009, em seu Anexo V, promoveu a revisão de enquadramento de risco das alíquotas RAT, com aplicabilidade a partir da competência 01/2010, sendo, também a partir desta competência obrigatória a declaração do percentual ajustado na GFIP. As regras para o enquadramento no grau de risco estão na IN RFB N° 971/2009, art. 72, § 1o, e a alíquota RAT no ANEXO V do Decreto 6.957/2009. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. § 6o O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua divulgação. (Incluído pelo Decreto n"6.042, de 2007). § 7o Para o cálculo anual do FAP, serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de cada ano, até completar o período de dois anos, a partir do qual os dados do ano inicial serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) § 8o Para a empresa constituída após janeiro de 2007, o FAP será calculado a partir de 1o de janeiro do ano seguinte ao que completar dois anos de constituição. (Redação dada pelo Decreto n° 6.957, de 2009) § 9o Excepcionalmente, no primeiro processamento do FAP serão utilizados os dados de abril de 2007 a dezembro de 2008. (Redação dada pelo Decreto no 6.957, de 2009) § 10. A metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social indicará a sistemática de cálculo e a forma de aplicação de Índices e critérios acessórios à composição do índice composto do FAP. (Incluído pelo Decreto no 6.957, de 2009) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721955/201213 Acórdão n.º 2402004.768 S2C4T2 Fl. 6 9 II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que são devidas à diferença de contribuição destinada para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto as alegações da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, da legislação tributária que dispõe sobre a utilização da taxa de juros (Taxa SELIC) e da multa aplicada, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estar prevista em lei específica tributária, art. 5o, §3o, da Lei 9.430/1996, transcrito abaixo: Art. 5o. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com o mesmo entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manifestouse que é legitima a incidência da Taxa SELIC sobre os tributos não recolhidos no prazo legal, conforme ficou assentado no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721955/201213 Acórdão n.º 2402004.768 S2C4T2 Fl. 7 11 Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação tributária acima mencionada, já que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecem os arts. 35 e 35A da Lei 8.212/1991, com as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora (20%) deverá ser afastada e deverá ser aplicada a multa de ofício (75%), já que se trata de lançamento de ofício. Essa sistemática de aplicação da multa, oriunda de obrigação tributária principal, sofreu alteração por meio do disposto nos artigos 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo não declarou os valores devidos ao Fisco e, consequentemente, deixou de recolher contribuições previdenciárias, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11030.721955/201213 Acórdão n.º 2402004.768 S2C4T2 Fl. 8 13 Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 31/32), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13855.721049/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Verificada omissão na apreciação de alegação contida em recurso voluntário, acolhem-se parcialmente os embargos declaratórios para suprir o vício apontado.
REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS.
O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da Zona Franca de Manaus depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora da Zona Franca, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria de Manaus. Mercadoria tributada na saída de Manaus com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime não-cumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo.
Embargos acolhidos em parte.
Numero da decisão: 3402-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para suprir a omissão quanto à apreciação da alegação relativa à sujeição ao regime misto devido à comercialização de produtos sujeitos ao regime da substituição tributária, e, no mérito, também por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso voluntário nesta parte, mantendo inalterado o resultado do julgamento consignado no Acórdão 3403-003.385.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Participou do julgamento o Conselheiro Cássio Schappo em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou impedido de votar.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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OMISSÃO. Verificada omissão na apreciação de alegação contida em recurso voluntário, acolhemse parcialmente os embargos declaratórios para suprir o vício apontado. REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da Zona Franca de Manaus depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora da Zona Franca, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria de Manaus. Mercadoria tributada na saída de Manaus com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime nãocumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo. Embargos acolhidos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para suprir a omissão quanto à apreciação da alegação relativa à sujeição ao regime misto devido à comercialização de produtos sujeitos ao regime da substituição tributária, e, no mérito, também por unanimidade de votos, acordam em negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 10 49 /2 01 1- 51 Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 provimento ao recurso voluntário nesta parte, mantendo inalterado o resultado do julgamento consignado no Acórdão 3403003.385. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Participou do julgamento o Conselheiro Cássio Schappo em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou impedido de votar. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pelo contribuinte ao Acórdão nº 3403003.385, sob o argumento de que o julgado estaria eivado das omissões, contradições e obscuridades a seguir discriminadas: Do contrato com a Fininvest para a formação da Luizacred (item 1 da decisão embargada). Segundo a embargante, houve omissão no que tange à natureza dos contratos celebrados com a Fininvest para a formação da Luizacred. Não foi abordada a alegação contida no recurso voluntário, relativamente à existência de contratos coligados. Se o relator tivesse analisado o argumento da recorrente, teria chegado à conclusão de que os "Memorandos de Entendimentos" diziam respeito apenas à concessão do direito de exclusividade para a exploração da carteira de clientes da Embargante por conta da aquisição de novos pontos de venda. Ou seja, não teriam qualquer relação com a prestação de serviços realizada à Luizacred. Ainda em relação aos contratos, existe contradição. A decisão reconheceu a existência de um contrato a preço determinado ("preços fixos") e ao mesmo tempo afirmou que nesse mesmo contrato não haveria a prefixação do montante, conforme excerto transcrito no corpo dos embargos (fls. 1484). Disse que o percentual de 6,8% estabelecido sobre o número de financiamentos alcançados, para fins de cálculo do limite máximo da remuneração dos serviços prestados pela embargante à Luizacred, prestase à manutenção do equilíbrio econômico do contrato, não descaracterizando a predeterminação do preço. O acórdão embargado incorreu em obscuridade ao fazer referência ao conteúdo da cláusula 2.1 presente nos Memorandos de Entendimento. Segundo a embargante, a leitura da referida cláusula deixa bem claro que a remuneração ali prevista diz respeito à potencial geração de lucro, que decorre do aumento do número de pontos de venda nos quais a Luizacred atua com exclusividade. A embargante alegou que a decisão se valeu de um jogo de palavras para afastar o estabelecimento da remuneração da cessão do direito de exclusividade, mas o certo é que as duas questões estão intimamente ligadas: somente porque existe um direito de exclusividade é que se paga uma remuneração em razão dos potenciais lucros decorrentes do aumento do número dos pontos de venda. Sendo assim, é obscuro o entendimento manifestado no voto condutor do acórdão embargado, na medida em que tenta desqualificar os argumentos aduzidos pela Embargante com base na manipulação do quanto disposto em cláusula contratual. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3402002.771 S3C4T2 Fl. 6 3 Da consequência da desconsideração do preço predeterminado sobre as aquisições de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus (item 2 da decisão embargada). Relativamente à consequência da desconsideração do preço predeterminado sobre as aquisições de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, alegou que a correção dos vícios apontados no tópico anterior, conduzirão ao reenquadramento dos contratos na modalidade "preço predeterminado", fato que repercutirá na questão do aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de fornecedores da Zona Franca de Manaus. Houve omissão no acórdão embargado, pois não fez qualquer menção ao direito da embargante ao regime misto de tributação (alegado no item II.2.2 do recurso voluntário), que permite a aplicação do percentual de 9,25% na apuração de créditos, por vender, desde junho de 2006, motocicletas em suas lojas, mercadoria sujeita a substituição tributária e, como tal, beneficiada pelo regime cumulativo de apuração dessas contribuições. Tributação dos juros sobre o capital próprio (item 3 da decisão embargada). No que tange aos juros sobre o capital próprio, alegou que existe omissão, pois adotou os fundamentos da decisão de primeira instância para manter a incidência do PIS e da COFINS sobre os JCP recebidos pela embargante, mas em momento algum discriminou quais seriam tais fundamentos. Tributação das bonificações (item 4 da decisão embargada). Quanto à tributação das bonificações, houve omissão. O acórdão embargado se limitou a reproduzir uma breve descrição dos tipos de bonificações recebidos pela Embargante, sem analisar as particularidades de cada uma delas, para concluir que todas não correspondem a descontos incondicionais. Entende a defesa que tendo detalhado todos os tipos de bonificação a que faz jus, seria indispensável a análise individualizada da natureza jurídica de cada uma delas. Como não houve essa análise individualizada, é necessário que a omissão seja reconhecida e suprida, mediante a reforma da decisão recorrida. Neste tópico o acórdão também teria incidido em contradição no que tange à natureza das bonificações recebidas pela Embargante, pois ora foram tratadas como descontos condicionais, ora referidas como descontos incondicionais. Também existe omissão na parte em que o acórdão asseverou que as bonificações não se coadunam com o conceito de receita financeira, sem apresentar qualquer argumento apto a justificar sua assertiva. Especificamente quanto às bonificações de ressarcimento de despesas com propaganda cooperada, houve omissão e obscuridade. A omissão residiria no fato de que a decisão embargada deixou de fazer a devida análise dos documentos acostados às fls. 165/184 dos autos, limitandose a mencionálos, bem como dos próprios exemplos descritos no item II.4.2.1 do recurso voluntário. Se a análise desses documentos tivesse sido efetuada de forma adequada, a conclusão teria sido no sentido de que os documentos são plenamente aptos a comprovar o cumprimento dos requisitos elencados no voto como autorizadores da exclusão, das bases de cálculo, das receitas dos ressarcimentos de despesas com propaganda. Da omissão da adequada verificação dos documentos apresentados, decorreu a obscuridade na conclusão quanto à inexistência de prova de vinculação entre essas bonificações e os gastos com propaganda. Entende a embargante que não há na decisão embargada uma explicação suficientemente clara e verossímil do motivo pelo qual os documentos apresentados pela Embargante não foram aceitos. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Da apropriação indevida de créditos (item 5 da decisão embargada). Existe obscuridade na decisão embargada na parte em que alegou que a recorrente pretendeu que fosse aplicado o "conceito de insumo vigente para o imposto de renda", em virtude de que tal conceito não existe. O Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, que apresentou declaração de voto, afirmou, com razão, que "não existe um conceito de insumo na legislação do IRPJ, mas sim de custo e despesa necessária e usual para a atividade da empresa" (fl. 34 da decisão embargada). O acórdão é obscuro porque atribuiu à Embargante um peito que na realidade não foi por ela realizado. Também houve omissão na parte em que se decidiu ser "desnecessário apreciar os argumentos lançados contra a restrição do conceito de insumo adotada pela Receita Federal" (fl. 26 da decisão embargada), pois essa discussão é essencial ao deslinde do processo. Alegou que a decisão recorrida valeuse de uma das possíveis interpretações para negar o direito de crédito pela aquisição de insumos por empresa varejista, mas existem outras interpretações que demonstram que tal direito é plenamente possível, como a do Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, que foi apresentada em sua declaração de voto. Se existem interpretações que garantem tal direito, o relator não poderia ter deixado de analisar o argumento relevante da amplitude a ser atribuída ao termo "insumos". Da tomada de créditos sobre taxas pagas às administradoras de cartões de crédito (item 6 da decisão recorrida). Houve omissão na fundamentação da decisão embargada quanto a este item, pois a questão não foi apreciada com a profundidade necessária, uma vez que o relator se limitou a afirmar que tal questão foi decidida em outro julgado, transcrevendo a ementa da referida decisão. Neste mesmo tópico, o acórdão incorreu em obscuridade ao negar a possibilidade de tomada de créditos relativamente às taxas pagas às administradoras de cartões de crédito, pois o argumento utilizado não guarda nenhuma pertinência lógica ou relação de causa e efeito. O fato do gasto ser uma despesa operacional, para fins de dedutibilidade na apuração da base de cálculo do imposto de renda, não poderá jamais implicar na desconsideração de tal montante para fins de creditamento pelo PIS/COFINS. Pelo contrário: o que se defende é que a nãocumulatividade do PIS/COFINS seja interpretada de forma que se permita uma aproximação entre os valores que dão direito a créditos e aqueles que são considerados como despesas necessárias, usuais e normais, nos termos do art. 299 do RIR/99. Omissão na ementa da decisão embargada. Há omissão na ementa da decisão embargada porque o único assunto apresentado foi a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, quando no processo discutese também a incidência do PIS. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se nota pelo extenso relatório, o contribuinte embargou todos os pontos discutidos no Acórdão 3403003.385, exceto a parte em que ganhou a exclusão dos juros de mora sob a multa de ofício. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3402002.771 S3C4T2 Fl. 7 5 Esse fato por si já demonstra a nítida intenção de utilizar os embargos de declaração como meio de ataque aos fundamentos do julgado embargado, com o fim de obter sua reforma, para o que não se prestam os embargos de declaração. Com efeito, a defesa postouse assaz reativa aos fundamentos do julgado e designou cada uma dessas reações com os nomes dos pressupostos regimentais que rendem ensejo aos embargos de declaração, apenas para justificar a interposição do recurso. Ensina Humberto Theodoro Junior1 que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função esse remédio recursal. E o novo julgamento da causa foi exatamente o que a defesa perseguiu por meio dos "embargos de declaração" interpostos, conforme deixam claro as seguintes passagens da peça recursal: "(...) Com isso, restará evidente a necessidade de reforma da decisão recorrida, com o consequente cancelamento da autuação originária do presente processo administrativo. (...) Não poderá esta E. Turma Julgadora silenciar diante dessa obscuridade, devendo sanála, a fim de reformar a decisão recorrida e cancelar os autos de infração originários do presente processo administrativo. (...) Como todas as bonificações recebidas pela Embargante não foram analisadas de forma individualizada, deverá este E. CARF acolher os presentes Embargos de Declaração para reconhecer a omissão em tela, suprindoa mediante a reforma da decisão recorrida. (...)" A cada vício alegado, a defesa desenvolveu uma tese para reafirmar a tese posta no recurso voluntário, questionando os fundamentos do julgado recorrido, para, ao final, pleitear sua reforma pela via do saneamento do suposto vício, o que deixa evidente que os embargos foram utilizados como um recurso para pleitear a reforma do Acórdão nº 3403 003.385. DDOOSS CCOONNTTRRAATTOOSS QQUUEE CCUULLMMIINNAARRAAMM NNAA FFOORRMMAAÇÇÃÃOO DDAA LLUUIIZZAACCRREEDD.. A defesa alegou que houve omissão porque não foi feita referência à natureza dos contratos, ou seja, o acórdão não citou que se tratavam de contratos coligados. 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004. p. 560 e ss Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Ora, a referência à natureza dos contratos não tem a menor relevância para o deslinde do caso em questão, pois não existe controvérsia quanto à natureza deles, mas sim quanto ao conteúdo das avenças. A relevância está na análise do conteúdo do negócio jurídico celebrado entre as partes e não nos nomes ou na natureza dos contratos. O objeto da controvérsia é se houve ou não houve repactuação do preço que retira a condição de predeterminação do preço e não se os contratos eram ou não coligados. Observem senhores conselheiros o que a embargante disse na fl. 1484: "(...) Se o relator tivesse analisado o argumento da recorrente, teria chegado à conclusão de que os "Memorandos de Entendimentos" diziam respeito apenas à concessão do direito de exclusividade para a exploração da carteira de clientes da Embargante por conta da aquisição de novos pontos de venda. Ou seja, não teriam qualquer relação com a prestação de serviços realizada à Luizacred. (...)" Ora, é evidente que a embargante está reagindo aos seguintes fundamentos do acórdão recorrido: "(...) Relativamente às repactuações por meio dos memorandos de entendimentos, verificase que a cessão do direito de exclusividade à base de clientes abrangia não só a base existente na data da celebração do contrato original, mas também os futuros clientes que viessem a ser cadastrados (cláusulas 2.6 e 2.7, fl. 883). A cessão da exclusividade tanto sobre a base de clientes original, quanto sobre a base acrescida, ocorreu a título gratuito no contrato original. Por meio de memorandos de entendimento acostados às fls. 71 a 98, celebrados em 18/08/2005 (Lojas Madol e Lojas Base); 20/09/2005 (Lojas Kilar) e 17/03/2006 (Lojas Arno Palavro), ocorreram repactuações em relação ao contrato original, as quais também não se subsumem aos requisitos previstos no art. 109 da Lei nº 11.196/2006. A cláusula 2.1 do memorando de entendimento de fl. 72 estabelece o seguinte: "2.1. Pela potencial geração de lucro decorrente do efetivo aumento no número de Pontos de Venda nos quais a LUIZACRED atua com exclusividade, a LUIZACRED concordou em pagar ao MAGAZINE, tendo em vista o investimento total realizado pelo MAGAZINE para a abertura das novas lojas listadas no Anexo I ao presente Memorando, o valor de R$ 1.422.555,00 (um milhão, quatrocentos e vinte e dois mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais) ("Preço"), sendo que o valor pago pela LUIZACRED ao MAGAZINE está incluído nos valores pagos pelo MAGAZINE para a realização do investimento mencionado." A cláusula acima transcrita evidencia que ao contrário do alegado pela defesa, a repactuação não recaiu sobre a cessão da exclusividade, tida pela recorrente como um bem intangível do Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3402002.771 S3C4T2 Fl. 8 7 permanente e insusceptível de tributação. A cláusula 2.1, existente em todos os memorandos de entendimento, revela que a cessão do direito de exclusividade continuou sob o manto da gratuidade, prevista no contrato original. O que foi objeto de remuneração foi a "potencial geração de lucro" em razão do aumento da base de clientes. Ou seja, o aumento do número de pontos de venda acarretou um aumento na base de clientes e, em consequência, um potencial aumento do número de contratos de financiamento fechados a cada mês. Em razão desse aumento, o Magazine Luiza cobrou um preço adicional da LUIZACRED por ponto de venda adicional incorporado à rede. Esta repactuação configura um aumento da remuneração do Magazine Luiza em relação àquela estipulada no contrato inicial. E tal aumento também não se identifica com a variação do custo de produção ou com a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos, não se enquadrando nas hipóteses estabelecidas no art. 3º da IN 658/2006 e nem do art. 109 da Lei nº 11.196/2005.(...)" É evidente que a suposta omissão alegada quanto a esta parte, encerra razões de incorformismo que atacam o entendimento do acórdão embargado. Não existe omissão alguma decorrente do fato de não ter sido citada a natureza de contratos coligados. Não existe o vício apontado. Ainda em relação a esses contratos, a embargante alegou uma suposta contradição, pois o julgado teria reconhecido a existência de um contrato a preço determinado ("preços fixos") e ao mesmo tempo teria afirmado que nesse mesmo contrato não haveria a prefixação do montante. Tal alegação se refere à parte da fundamentação que analisou a remuneração dos serviços prestados pelo Magazine Luiza à Luizacred (financeira). Essa análise foi feita nos seguintes termos: "(...) Já os serviços prestados pelo Magazine Luiza à financeira estão previstos na cláusula 2.12.1 (fls. 884/885) e consistem basicamente na captação de clientes, gestão e administração da operação de CDC, acesso a sistemas e rede de telecomunicações e serviços gerais. Pelos serviços acima citados, a cláusula 2.12.3 do contrato previu remunerações nos seguintes termos, in verbis (fl. 886): “2.12.3. REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS PELAS PARTES À FINANCEIRA I – Pelos serviços descritos em [2.12.1], o MAGAZINE terá direito às seguintes remunerações: • R$ 6.250,00, por mês por loja do MAGAZINE equipada com estrutura de cobrança, a partir da data e enquanto este serviço estiver sendo realizado pela estrutura do MAGAZINE; Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 • R$ 1,00 por autenticação de recebimento de clientes realizada nas lojas pela estrutura do MAGAZINE; • R$ 6,00 por contrato de financiamento gerado pela estrutura comercial do MAGAZINE, quando este contrato estiver ligado a um cliente novo para a Base de Clientes da Financeira; • R$ 3,00 por contrato de financiamento gerado pela estrutura comercial do MAGAZINE, quando este contrato estiver ligado a um cliente já existente na Base de Clientes da Financeira; • R$ 0,60 por mês por contrato de financiamento em atraso superior a 5 dias, por conta dos custos variáveis de telefonia necessários ao serviço de cobrança; • R$ 0,80 por mês por contrato de financiamento com saldos financeiros em aberto em dia ou em atraso até 180 dias, por conta dos custos relativos à administração e processamento de dados, enquanto este processamento for realizado pelo MAGAZINE. (I.1) Estes custos não incluem custos com terceiros, como: tarifas bancárias, impressos de contratos, Birôs de crédito externo, que serão negociados e faturados pelo prestador de serviço diretamente à FINANCEIRA. (I.2) O custo total mensal das remunerações previstas em [I] estará limitado a 6,8% do valor total dos contratos de financiamento gerados no mês e administrados pela estrutura do MAGAZINE, considerado o valor principal de cada contrato. (...) IV. Os valores previstos neste item não incluem os impostos incidentes sobre o faturamento, podendo ser revistos em qualquer data para capturar mudanças de mercado e reduções de custo por ganho de escala. (grifei) Embora a cláusula 2.12.13 tenha estabelecido preços fixos por unidade de serviço prestado, fato que em princípio estaria de acordo com o disposto no art. 3º § 1º da IN 658/2006, verifica se que a limitação imposta no item (1.2), acima transcrito em negrito, na prática, anula os preços fixos por unidade de serviço, pois a remuneração do Magazine passou a ser um percentual do valor dos contratos de financiamento gerados a cada mês. A fiscalização afirmou que esta cláusula prevaleceu em todo o período fiscalizado e a recorrente não apresentou nenhuma prova em sentido contrário. (...)" (Grifei) Não houve omissão alguma no excerto acima. O texto grifado, deixou bem claro que, embora tenha havido a pactuação de preço certo por unidade de serviço, o item (1.2) transformou em letra morta essa pactuação, pois estabeleceu remuneração variável com base na quantidade de contratos de financiamento fechados a cada mês. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3402002.771 S3C4T2 Fl. 9 9 Não existe o vício apontado. A embargante alegou que houve uma suposta obscuridade no acórdão na parte em fez referência ao conteúdo da cláusula 2.1 presente nos Memorandos de Entendimento. Sobre este suposto vício a embargante disse o seguinte (fls. 1486): "(...) Ora lendose a cláusula em comento, resta evidente que a remuneração ali prevista diz respeito à potencial geração de lucro que decorre do aumento do número de pontos de venda nos quais a Luizacred atua com exclusividade. Embora se tenha pretendido, mediante um jogo de palavras, afastar o estabelecimento da remuneração da cessão do direito de exclusividade, o certo é que as duas questões estão intrinsecamente ligadas: somente porque existe um direito de exclusividade é que se paga uma remuneração em razão dos potenciais lucros decorrentes do aumento do número de pontos de venda. Destarte, é obscuro o entendimento manifestado no voto condutor do acórdão embargado na medida em que tenta desqualificar os argumentos aduzidos pela Embargante com base em manipulação do quanto disposto em cláusula contratual. Não poderá esta E. Turma Julgadora silenciar diante desta obscuridade, devendo sanála, a fim de reformar a decisão recorrida e cancelar os autos de infração originários do presente processo administrativo. (...)" O trecho do acórdão que supostamente estaria eivado de obscuridade já foi transcrito acima, e sua leitura revela que não existe nenhuma obscuridade. Aquilo que a embargante chamou de "jogo de palavras" e de "manipulação do quanto disposto em cláusula contratual" configura a interpretação que o colegiado deu aos contratos: a exclusividade foi concedida à Luizacred a título gratuito desde os contratos originais e não foi objeto de repactuação. A repactuação residiu na remuneração pela "potencial geração de lucro" em função do aumento do número de lojas. O Magazine Luiza cobrou da Luizacred pela expectativa de aumento de lucro, em razão do aumento do número de lojas. Não existe nenhuma obscuridade nessa conclusão e os embargos configuram nitidamente o inconformismo da recorrente em relação a essa decisão, tanto que ao final da transcrição do excerto dos embargos (acima) a embargante mais uma vez pleiteou a reforma do julgado, sob o pretexto de sanar a suposta obscuridade. DDOO RREEFFLLEEXXOO DDOO DDEESSEENNQQUUAADDRRAAMMEENNTTOO DDOOSS CCOONNTTRRAATTOOSS DDAA CCOONNDDIIÇÇÃÃOO DDEE PPRREEÇÇOO PPRREEDDEETTEERRMMIINNAADDOO SSOOBBRREE OOSS CCRRÉÉDDIITTOOSS TTOOMMAADDOOSS SSOOBBRREE AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDAA ZZOONNAA FFRRAANNCCAA DDEE MMAANNAAUUSS.. Inexistindo alterações no entendimento quanto ao desenquadramento dos contratos da condição de preço predeterminado, não há nenhum reflexo sobre o aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus. Contudo, houve omissão no Acórdão embargado no que tange às motocicletas e ciclomotores. A alegação da embargante foi a seguinte (fl. 1488): Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 "(...) Ainda, deverá reconhecer que, ao tratar do creditamento nas operações com empresas da Zona Franca de Manaus, a decisão recorrida incorreu em nova omissão, uma vez que não trouxe qualquer menção ao fato (apontado no Recurso Voluntário no item II.2.2) de que a Embargante também fazia jus ao regime misto de tributação, que permite a aplicação do percentual de 9,25% na apuração de créditos, por vender, desde junho de 2006, motocicletas em suas lojas, mercadoria sujeita a substituição tributária e, como tal, beneficiada pelo regime cumulativo de apuração dessas contribuições sociais.(...)" A recorrente tem razão quando alegou omissão, pois o acórdão embargado realmente não analisou tal alegação, mas não tem razão quanto ao mérito do recurso voluntário, pois o fato de ter vendido motocicletas sujeitas ao regime da substituição tributária, não lhe garante o direito de apurar os créditos das aquisições da Zona Franca com as alíquotas maiores do regime cumulativo. Vejamos. De fato, o art. 3º, § 12 da Lei nº 10.637/2002 e o art. 3º, § 17 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.307/2006, estabeleceram um caso específico em relação aos créditos do PIS e da COFINS em relação a produtos fabricados e adquiridos da Zona Franca de Manaus. A pessoa jurídica que se encontra fora da Zona Franca de Manaus e que adquirir para revenda mercadorias ali produzidas, sujeitarseá às seguintes regras para a tomada do crédito: a) se estiver no regime da nãocumulatividade, poderá tomar o crédito em relação às aquisições da ZFM com alíquota de 4,6% de COFINS e de 1% de PIS; e b) se estiver no regime cumulativo ou no regime misto, poderá tomar o crédito sobre as aquisições da ZFM com alíquota de 7,6% de COFINS e de 1,65% de PIS. Já o fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus, deverá se sujeitar ao que dispõe o art. 2º, § 4º da Lei nº 10.637/2002 e o art 2º, § 5º, da Lei nº 10.833/2003. Ou seja, se vender para empresa localizada fora da Zona Franca de Manaus deverá tributar suas vendas da seguinte forma: a) com alíquota de 3% de COFINS e de 0,65% de PIS, se o adquirente de fora da Zona Franca apurar o PIS/COFINS no regime nãocumulativo; e b) com alíquota de 6% de COFINS e de 1,3% de PIS se o adquirente fora da Zona Franca apurar o IRPJ com base no lucro real e tiver sua receita, total ou parcialmente, excluída do regime de incidência não cumulativa do PIS/COFINS. Para implementar esse complexo regime onde a alíquota devida pelo fabricante localizado na Zona Franca é vinculada ao regime de tributação do adquirente localizado nos mais diversos pontos do território nacional, foi baixada a Instrução Normativa SRF nº 546/2005, cujo art. 3º dispunha o seguinte: Art. 3º Para efeitos da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na forma do art. 2º, a pessoa jurídica adquirente, localizada fora da ZFM, deverá preencher e fornecer à pessoa jurídica estabelecida na ZFM a Declaração: I do Anexo I, no caso de vendas sujeitas à incidência das contribuições com as alíquotas de que trata o inciso I do art. 2º; II do Anexo II, no caso de vendas sujeitas à incidência das contribuições com as alíquotas de que trata o inciso II do art. 2º, destinadas às pessoas jurídicas referidas nas alíneas "a" e "b" do mesmo inciso; ou Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3402002.771 S3C4T2 Fl. 10 11 III do Anexo III, no caso de vendas sujeitas à incidência das contribuições com as alíquotas de que trata o inciso II do art. 2º, destinadas à pessoa jurídica referida na alínea "c" do mesmo inciso. Parágrafo único. A pessoa jurídica industrial estabelecida na ZFM deverá manter a Declaração de que trata este artigo em boa guarda, a disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data de ocorrência do fato gerador. Compulsando os autos, verificase que no ano de 2006 e até setembro de 2007, o Magazine Luiza informou aos fornecedores da Zona Franca, por meio do Anexo I da Instrução Normativa, que estava sujeito ao regime nãocumulativo e que não tinha nenhuma receita excluída desse regime de incidência. Somente a partir de outubro de 2007 é que o Magazine Luíza passou a informar que estava sujeito ao regime misto, conforme se pode constatar pela leitura dos documentos de fls. 360/440. Com este procedimento, os fornecedores da Zona Franca tributaram as vendas com alíquotas de 3% de COFINS e de 0,65% de PIS até setembro de 2007, pois consideraram o Magazine Luíza sujeito ao regime nãocumulativo, uma vez que ele mesmo informara tal condição. Contudo, o Magazine Luiza recalculou os créditos apurados até setembro de 2007 utilizando as alíquotas do regime cumulativo. Em outras palavras: sobre aquisições tributadas na saída de Manaus no regime nãocumulativo (alíquotas menores), o Magazine recalculou os créditos usando as alíquotas do regime cumulativo (alíquotas maiores) e não informou esse procedimento aos fornecedores. A conduta do Magazine Luiza além de incorreta perante a legislação, foi totalmente antiética, pois não informou aos fornecedores a alteração do entendimento para os fatos geradores ocorridos até setembro de 2007, impossibilitando que eles retificassem as notas fiscais para recolherem as diferenças das contribuições e exigissem o complemento do preço das mercadorias. O Magazine Luíza se beneficiou duplamente dessa omissão. Por um lado adquiriu mercadorias por um preço menor, já que as alíquotas do PIS/COFINS foram menores do que as devidas, e apurou os créditos com alíquotas maiores. Não tendo cumprido de forma correta as obrigações contidas no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, o Magazine Luíza não tem direito de recalcular os créditos sobre aquisições da Zona Franca de Manaus, pois não pode haver descompasso entre as alíquotas nas saídas de Manaus e as alíquotas para apuração do crédito na entrada da mercadoria no Magazine Luiza. Portanto, deve ser mantida a glosa nos moldes em que foi efetuada pela fiscalização, uma vez que a venda de motocicletas sujeitas ao regime da substituição tributária, embora sujeite a recorrente ao regime misto, não afasta a infração cometida quanto à comunicação de sua real situação aos fornecedores em Manaus. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher em parte os embargos de declaração para suprir esta omissão no Acórdão recorrido, mas, no mérito, voto por negar provimento ao recurso nesta parte. TTRRIIBBUUTTAAÇÇÃÃOO DDOOSS JJUURROOSS SSOOBBRREE OO CCAAPPIITTAALL PPRRÓÓPPRRIIOO.. A defesa alegou omissão, pois o acórdão recorrido invocou os mesmos argumentos da decisão de primeira instância para manter o auto de infração, sem reproduzilos na decisão embargada, o que significa que deixou de analisar e fundamentar o caso colocado sob seu julgamento. Não houve a omissão alegada, pois o art. 50, V, § 1º, da Lei nº 9.784/99 permite o procedimento adotado no acórdão recorrido, in verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1oA motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Portanto, não houve omissão no acórdão embargado. A declaração de que a decisão quanto aos juros sobre o capital próprio apresenta o mesmo conteúdo da decisão de primeira instância é suficiente para motivar o acórdão, mesmo porque o contribuinte conhece o inteiro teor da decisão de primeira instância, já que dela recorreu por meio de seu recurso voluntário. Além disso, a embargante desprestigiou a verdade quando alegou que a decisão estaria desmotivada nesta parte, pois os argumentos da decisão de primeira instância não foram os únicos utilizados na manutenção da exigência. Foi utilizado também o art. 62A do Regimento Interno do CARF, vigente à época do julgamento, e a decisão proferida no RESP 1.104.184, proferido na sistemática do art. 543C do CPC, por meio do qual o STJ colocou a pá de cal sobre a pretensão da defesa. DDAA TTRRIIBBUUTTAAÇÇÃÃOO DDAASS BBOONNIIFFIICCAAÇÇÕÕEESS Alegou a embargante omissão, pois tendo detalhado todos os tipos de bonificação a que faz jus, seria indispensável a análise individualizada da natureza jurídica de cada uma delas. Como não houve essa análise individualizada, é necessário que a omissão seja reconhecida e suprida, mediante a reforma da decisão recorrida. Não houve omissão alguma quanto à análise da natureza das bonificações, pois essa matéria é incontroversa nos autos, uma vez que a fiscalização aceitou todos os esclarecimentos e explicações da recorrente, conforme se verifica da comparação do conteúdo das fls. 498/500 (Termo de Verificação Fiscal) com as fls. 1223/1224 (recurso voluntário). A controvérsia presente nos autos consiste em desvendar se as bonificações podem ou não podem ser excluídas das bases de cálculo e a decisão embargada decidiu que não podem, pois nenhuma delas configura desconto incondicional, única hipótese em que a dedução poderia ocorrer. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3402002.771 S3C4T2 Fl. 11 13 A defesa alegou que houve contradição, pois ora o acórdão tratou as bonificações como descontos condicionais e ora como descontos incondicionais. Nas palavras da embargante (fls. 1491): "(...) Ora, se a Embargante alega conforme reconhecido pelo Conselheiro Relator que as bonificações por ela recebidas correspondem a descontos condicionais, por que razão defende se, no acórdão embargado, que não se trata de descontos incondicionais? Não poderia ser mais clara a contradição aqui existente, a qual por essa razão deverá ser imediatamente corrigida por esse E. CARF. (...)" A embargante alegou também a existência de omissão, pois o acórdão não explica a razão pela qual as referidas bonificações não se caracterizam como receitas financeiras. A parte do acórdão embargado onde se decidiu sobre essas bonificações é a seguinte: "(...) No que concerne às bonificações, a fiscalização considerou que se tratam de receitas que devem ser incluídas nas bases de cálculo das contribuições, pois não se enquadram em nenhuma das hipóteses legais de exclusão. Já o contribuinte alega que as bonificações recebidas em dinheiro, em mercadorias ou em duplicata seriam equivalentes a descontos condicionais obtidos e seriam caracterizados como receitas financeiras, que estão sujeitas à alíquota zero por força do Decreto 5.442/2005. Em relação às bonificações recebidas em dinheiro, em mercadorias ou em duplicata, o contribuinte descreveu os fatos que dão azo ao seu recebimento na fl. 1223 do recurso. Basicamente consistem no seguinte: 1) Bônus: seriam valores distribuídos pelos fornecedores para promover e alavancar seus produtos. O valor do bônus é calculado em função do volume de compras efetuado pela recorrente; 2) Liquidação fantástica: nesta famosa liquidação anual promovida pelo Magazine Luiza, os fornecedores contribuem com o evento porque têm interesse em que o Magazine escoe seus produtos em estoque, até mesmo os de mostruário, a fim de serem substituídos com a aquisição de novos modelos. Os recursos fornecidos pelos fornecedores são usados na divulgação das marcas e produtos e para cobrir gastos da campanha; 3) Price/Rebate: ocorre quando o fornecedor impõe o preço final com o qual o produto deve ser vendido. Nessa condição o produto muitas vezes é vendido por um preço inferior ao de aquisição. Assim, para recompor sua perda, o varejista recebe o valor da diferença; Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 4)"Encontrão" e treinamento: a empresa promove frequentemente reuniões para treinar tecnicamente sua equipe. Os fornecedores têm interesse em que a equipe conheça sua marca e seus produtos, de forma a darem uma boa apresentação ao consumidor. Para isso contribuem patrocinando ou reembolsando os custos para a realização desses eventos. A partir dessa descrição, se pode constatar a natureza contraprestacional desses recebimentos. Não se tratam de descontos incondicionais. Os fornecedores contribuem financeiramente com a recorrente porque têm interesse em obter alguma contrapartida, circunstância essa que não se coaduna com o conceito de desconto incondicional e nem com o de receita financeira. É de clareza vítrea que essas bonificações se revestem de um caráter contraprestacional, os fornecedores só contribuem com as bonificações porque obtêm alguma vantagem em troca. Portanto, não se tratando de descontos incondicionais e muito menos de receitas financeiras, fica afastada a aplicabilidade da exclusão prevista no art. 1º, § 3º, V, alínea "a" das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (descontos incondicionais) e tampouco o art. 1º do Decreto 5.442/2005 (alíquota zero para receitas financeiras). (...)" A leitura dos trechos grifados deixa bem claro que não houve nem a contradição e nem a omissão alegadas. Está perfeitamente explicado que as bonificações não podem ser consideradas descontos incondicionais e nem receitas financeiras porque todas as bonificações possuem caráter contraprestacional. Não se enquadrando as bonificações naquelas duas categorias, não podem incidir as regras previstas nos dispositivos legais invocados pela defesa no recurso voluntário. Especificamente quanto ao ressarcimento com as despesas de propaganda, a embargante alegou omissão e obscuridade, pois o acórdão não teria analisado as provas apresentadas com profundidade. Dessa omissão resultou a obscuridade da decisão no sentido de que "não existe nenhuma prova de vinculação entre essas bonificações e os gastos com propaganda". Eis o excerto do acórdão embargado no qual foram analisados os argumentos de defesa quanto às despesas com propaganda: "(... ) Quanto às bonificações de ressarcimento por despesas com propaganda cooperada, alegou que investe maciçamente em campanhas de marketing e que nessas campanhas acaba divulgando também as marcas dos fornecedores. Essas bonificações correspondem ao reembolso por parte dos fornecedores da parte que lhes cabe pela divulgação de seus produtos. A empresa contesta a decisão de primeira instância, tanto na interpretação do direito, quanto na parte em que foi alegada a não comprovação da vinculação dessas bonificações aos gastos com propaganda. Disse que apresentou vários documentos que comprovam essa vinculação, citando exemplificativamente um contrato com o fornecedor Samsung. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3402002.771 S3C4T2 Fl. 12 15 No que concerne à interpretação do direito, o entendimento oficial da administração tributária quanto ao ressarcimento de despesas administrativas que tenham sido rateadas é no sentido de não considerálo receita passível de inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme restou decidido na Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23/09/2013. Embora a referida solução de divergência se refira a empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, as conclusões do referido parecer, principalmente no que tange às contribuições ao PIS e COFINS podem ser aplicadas por analogia ao caso concreto, pois onde está a mesma razão, aplicase o mesmo direito. Entretanto, para que esse direito possa ser exercido pelo contribuinte, é necessária a comprovação, por meio de ajuste escrito entre as partes, do valor global da despesa, dos critérios de rateio, do valor e do pagamento do gasto incorrido, da parte da despesa que toca a cada empresa e, obviamente, da contabilização desses ressarcimentos como direitos de créditos a recuperar. Além disso, especificamente em relação ao PIS e COFINS, a administração exige que o rateio de despesas comuns indique os itens que compõem a parcela imputada a cada empresa, a fim de permitir a identificação dos itens de dispêndio que geram para a pessoa jurídica que os suporta direito ao crédito das referidas contribuições. Compulsando os autos há que se concordar com a decisão de primeira instância. Realmente, não existe nenhuma prova de vinculação entre essas bonificações e os gastos com propaganda. Os únicos documentos apresentados com o objetivo de fazer essa comprovação são as notas de débito de fls. 165 a 184 que são documentos internos produzidos pela própria recorrente que não comprovam tal vinculação. Relativamente aos contratos citados no recurso, também não foram apresentados pela defesa. A única notícia deles nos autos são as transcrições existentes no corpo do recurso voluntário. Sendo assim, há que se manter a glosa da fiscalização em razão do contribuinte não ter se desincumbido do ônus da prova do fato modificativo da pretensão fazendária. (...)" Conforme se pode verificar, mais uma vez a embargante lançou mão dos pressupostos da omissão e da obscuridade para reagir contra o mérito da decisão embargada. Como este relator considerou que notas de débito produzidas de forma unilateral pela recorrente não eram documentos hábeis a comprovar a vinculação entre os gastos com propaganda e as bonificações, a embargante alegou que as provas não foram analisadas com profundidade. Ora, se a defesa alega que as provas foram analisadas com pouca profundidade, então elas foram analisadas. E se foram analisadas, então não houve omissão. E se não houve omissão, também não houve a obscuridade alegada. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Este relator não vai aceitar como prova da vinculação entre os gastos com propaganda e as bonificações documentos gerados unilateralmente pela defesa, pois isso é a mesma coisa que um devedor apresentar um recibo de quitação de dívida emitido por ele próprio e não pelo credor. DDAA AAPPRROOPPRRIIAAÇÇÃÃOO IINNDDEEVVIIDDAA DDEE CCRRÉÉDDIITTOOSS.. Segundo a embargante, houve obscuridade no Acórdão na parte em que este Relator afirmou que a defesa pretendia a aplicação do conceito de insumo vigente para o imposto de renda, pois a legislação desse imposto não conceitua insumo. Em seguida a defesa cita a declaração de voto do Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, onde ele explicita que "não existe um conceito de insumo na legislação do IRPJ, mas sim de custo e despesa necessária e usual para a atividade da empresa". Tendo o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista esclarecido a impropriedade terminológica, considero que não existe obscuridade no acórdão, pois a defesa entendeu perfeitamente a decisão, vazada nos seguintes termos: "(...) Outra irregularidade constatada pelo fisco foi a apropriação indevida de créditos. Foram glosados créditos tomados sobre despesas com embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet) e despesas com combustível e manutenção de empilhadeiras, sob o argumento de que não foram incorridos na produção de bens ou na prestação de serviços, mas sim na revenda de mercadorias. O contribuinte, por seu turno, alegou que a decisão de primeira instância não enfrentou o mérito das questões suscitadas porque se julgou incompetente para afastar as IN 247/2002 e 404/2004, que seriam ilegais. Em suma, o contribuinte pleiteia créditos com base no art. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, levando se em conta o conceito de insumo vigente para o imposto de renda (arts. 290 e 299 do RIR/99). O contribuinte não tem direito de apurar créditos com base no art. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03 porque não se dedica à produção de bens ou à prestação de serviços. Sua atividade se restringe à revenda de mercadorias, comércio varejista de bens duráveis, que não é alcançada pelo citado dispositivo legal, mas sim pelo art. 3º, I, das referidas leis. O direito de crédito do contribuinte deve ser exercido em relação às mercadorias adquiridas para revenda e não sobre insumos. Tratandose de empresa que se dedica exclusivamente ao comércio varejista, não existe amparo legal para a tomada de créditos das contribuições nãocumulativas com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Vejamos. (...)" Assim, os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação a bens e serviços utilizados como insumos apenas por empresas que desenvolvam processos produtivos, processos de fabricação e processos mistos, que envolvam as duas atividades anteriores. As empresas que se dedicam às atividades comerciais, como é o caso da recorrente, não podem apurar crédito com base no art. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3402002.771 S3C4T2 Fl. 13 17 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, por absoluta falta de previsão legal. À luz do exposto, tornase desnecessário apreciar os argumentos lançados contra a restrição do conceito de insumo adotada pela Receita Federal, devendo ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. (...)" Portanto, ficou bem claro que o acórdão não reconheceu o direito de crédito sobre insumos porque esse direito só alcança as empresas produtoras de bens ou serviços. A embargante alegou omissão no último parágrafo da transcrição acima, pois entende que a interpretação vazada no acórdão é apenas uma das existentes. Existiriam outras, como a que foi apresentada na declaração de voto do Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, no sentido da possibilidade das empresas varejistas tomarem créditos sobre insumos. Não houve a omissão alegada, pois a decisão consubstanciada no Acórdão embargado está embasada no voto vencedor e não nas declarações de voto. O art. 54 do Regimento Interno do CARF vigente à época do julgamento, dispunha que o colegiado deliberará por maioria de votos. Tendo o voto do relator sido aprovado por maioria, a tese que prevaleceu foi a de que empresas comerciais não possuem direito de apurar créditos sobre insumos, e, sendo assim, é desnecessária a discussão sobre o alcance do vocábulo "insumo" existente no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. DDAA TTOOMMAADDAA DDEE CCRRÉÉDDIITTOO SSOOBBRREE AASS TTAAXXAASS PPAAGGAASS ÀÀSS AADDMMIINNIISSTTRRAADDOORRAASS DDEE CCAARRTTÕÕEESS DDEE CCRRÉÉDDIITTOO Alegou a embargante omissão porque a questão não foi apreciada com a profundidade e integralidade que ela considera devidas. Ora se a questão foi apreciada, ainda que superficialmente, como alega a embargante, então não houve omissão. A apreciação não agradou a embargante porque o resultado lhe foi desfavorável, mas omissão não ocorreu. Alegou ainda a embargante que houve obscuridade, pois negar o direito de crédito sobre as taxas pagas às administradoras de cartões de crédito com base na alegação de que esses dispêndios são receitas operacionais, não guarda razão de pertinência com a matéria tratada nos autos. Mais uma vez, a defesa lançou mão da obscuridade para camuflar a sua reação contra os fundamentos do julgado, que deixou bem claro que as taxas pagas às administradoras de cartões de crédito não geram créditos porque empresas varejistas não têm direito de aproveitar créditos sobre insumos e também porque essas taxas não são insumos aplicados na produção de bens ou serviços, mas sim despesas operacionais incorridas no momento da venda, in verbis: "(...) Conforme já foi visto antes, o contribuinte é uma empresa comercial varejista que tem direito aos créditos dos arts. 3º, I, mas não tem direito à tomada de créditos sobre insumos nos termos dos arts. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, as despesas com administradoras de cartão de crédito são incorridas no momento da venda, ou seja, são despesas incorridas no momento da comercialização do produto, Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 caracterizandose como despesa operacional, em relação à qual inexiste previsão legal para o crédito. Portanto, não merece nenhum reparo a interpretação vertida no ADI nº 36/2011, pois não existe amparo legal para a tomada de crédito em relação às taxas pagas às administradoras de cartões de crédito, nem em relação às empresas industriais ou prestadoras de serviço e muito menos em relação às empresas comerciais. (...)" Inexistem os vícios apontados, a argumentação da embargante não aponta omissão e nem obscuridade. Tratase de um artifício criado para reagir à negativa de provimento de seu recurso nesta parte. DDAA OOMMIISSSSÃÃOO NNAA EEMMEENNTTAA DDAA DDEECCIISSÃÃOO EEMMBBAARRGGAADDAA Alegou a embargante omissão na ementa porque só foi mencionada a Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social e não a contribuição ao PIS. Não existe amparo regimental para alegar omissão na ementa. As omissões que rendem ensejo aos embargos de declaração, mencionadas no art. 65 do Regimento Interno, são omissões na apreciação de argumentos e omissões de pontos sobre os quais o colegiado necessariamente deveria ter se manifestado. A falta de citação na ementa da contribuição ao PIS não se enquadra em nenhuma das omissões citadas no art. 65 do Regimento Interno. A ausência de menção ao PIS na ementa do julgado e não provoca nenhum prejuízo à defesa ou à Fazenda Nacional, já que a execução do julgado abrangerá os dois autos de infração. O conteúdo decisório do acórdão embargado aplicase aos dois autos de infração albergados neste processo. A embargante não precisa se preocupar, pois a DRF Franca providenciará a cobrança da dívida lançada nos dois autos de infração, com base no conteúdo da decisão e não com base na ementa. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher em parte os embargos de declaração apenas para suprir a omissão quanto à apreciação da alegação de sujeição da recorrente ao regime misto devido à comercialização produtos sujeitos ao regime da substituição tributária, e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário nesta parte, mantendo inalterado o resultado do julgamento consignado no Acórdão 3403003.385. Antonio Carlos Atulim Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10970.720013/2014-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2010
I - DA PREJUDICIALIDADE. LEVANTAMENTO M2. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL.
No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do inciso IV da Lei 8.212/1991, redação conferida pela Lei 9.876/1999, que prevê a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Com isso, uma vez declarada a inconstitucionalidade desse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999, em decisão definitiva do STF e na sistemática da repercussão geral, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos.
Recurso Voluntário Provido.
II - DA NULIDADE. LEVANTAMENTOS F2, C2, O2 E T2.
ISENÇÃO/IMUNIDADE. CERTIFICAÇÃO DA ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESNECESSIDADE.
Nos termos do Parecer AGU nº GQ-169, a pessoa jurídica de direito privado não precisa ser possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para fazer jus à isenção/imunidade das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991, desde que seja fundação devidamente instituída por meio de Lei.
AUSÊNCIA DE OBSERVÂNCIA A PARECER VINCULATIVO. INSUFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL.
Ao deixar de seguir o enunciado de Parecer vinculativo, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar 73/1993, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou superação do entendimento manifestado no enunciado Parecer AGU nº GQ169, considera-se insuficiente a fundamentação do lançamento fiscal, o qual, por essa razão, deve ser cancelado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a exclusão dos valores lançados no levantamento M2. E, II) por maioria de votos, dar provimento ao recurso para a exclusão do valores lançados nos levantamentos F2, C2, O2 E T2, vencidos os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Relator (Ronaldo de Lima Macedo) e João Victor Ribeiro Aldinucci, que encaminhavam no sentido de declarar a nulidade desses levantamentos por vício material (ausência de motivação). Designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CANCELAMENTO DE CERTIFICADO DE ISENÇÃO Recorrente FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE PATOS DE MINAS FEPAM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2010 I DA PREJUDICIALIDADE. LEVANTAMENTO M2. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do inciso IV da Lei 8.212/1991, redação conferida pela Lei 9.876/1999, que prevê a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Com isso, uma vez declarada a inconstitucionalidade desse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999, em decisão definitiva do STF e na sistemática da repercussão geral, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Recurso Voluntário Provido. II DA NULIDADE. LEVANTAMENTOS F2, C2, O2 E T2. ISENÇÃO/IMUNIDADE. CERTIFICAÇÃO DA ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESNECESSIDADE. Nos termos do Parecer AGU nº GQ169, a pessoa jurídica de direito privado não precisa ser possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para fazer jus à isenção/imunidade das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991, desde que seja fundação devidamente instituída por meio de Lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 13 /2 01 4- 99 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 AUSÊNCIA DE OBSERVÂNCIA A PARECER VINCULATIVO. INSUFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL. Ao deixar de seguir o enunciado de Parecer vinculativo, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar 73/1993, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou superação do entendimento manifestado no enunciado Parecer AGU nº GQ169, considerase insuficiente a fundamentação do lançamento fiscal, o qual, por essa razão, deve ser cancelado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a exclusão dos valores lançados no “levantamento M2”. E, II) por maioria de votos, dar provimento ao recurso para a exclusão do valores lançados nos “levantamentos F2, C2, O2 E T2”, vencidos os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Relator (Ronaldo de Lima Macedo) e João Victor Ribeiro Aldinucci, que encaminhavam no sentido de declarar a nulidade desses levantamentos por vício material (ausência de motivação). Designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10970.720013/201499 Acórdão n.º 2402004.828 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a Outras Entidades/Terceiros. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 12/2009 a 12/2010. Também houve lançamento das contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 47/55) informa que a autuada teve a isenção das contribuições previdenciárias cancelada, a partir de 25/01/2002, em virtude do descumprimento do requisito previsto no art. 55, inciso II, da Lei 8.212/91, ou seja, não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), desde aquela data, cuja emissão cabia ao Conselho Nacional de Assistência Social. Informa também que o sujeito passivo ingressou com Mandado de Segurança (processo nº 1999.38302.0019688) perante a Justiça Federal, visando o reconhecimento do direito à imunidade das contribuições previdenciárias (art. 195, §7º, CF 88), obtendo provimento liminar favorável, todavia a sentença denegou a segurança. Posteriormente, o contribuinte obteve decisão favorável do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em acórdão prolatado em 03/06/2003. Menciona que se trata de hipótese de imunidade condicional, que depende do atendimento pela entidade dos requisitos previstos em lei (art. 55 da Lei 8.212/91) para assegurar a proteção constitucional e que a matéria não se encontra definitivamente julgada, pois contra o acórdão foi interposto Recurso Extraordinário (RE 481558), não apreciado pelo STF, que determinou a devolução dos autos ao Tribunal de origem até o julgamento de outro processo similar, por se tratar de matéria com repercussão geral reconhecida. Em face do mandado de segurança, o Fisco informa o crédito tributário, apurado sob a égide do art. 55 da Lei n. 8.212/91, encontrase com sua exigibilidade suspensa até o julgamento definitivo do mandado de segurança acima mencionado. Entretanto, como o art. 55 da Lei 8.212/91 foi revogado pela Lei 12.101, de 27 de novembro de 2009, que passou a reger a matéria, modificando os critérios para a isenção das contribuições previdenciárias por parte das entidades beneficentes de assistência social, entendeu a autoridade lançadora que o Mandado de Segurança n. 1999.38302.0019688, acima mencionado, não ampara os créditos apurados a partir da vigência da nova lei, como é o caso em questão. Registra que, sob a égide da nova legislação, a empresa não comprovou ser portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, emitido pelo Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Ministério da Educação, nos termos dos arts. 3º, 12, 13 e 13A da Lei 12.101, de 27 de novembro de 2009 e alterações posteriores, motivo pelo qual não faz jus à isenção das parcelas patronais da contribuição previdenciária, conforme art. 1ao da referida Lei. Os lançamentos foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. Levantamento F2 à foram informadas as remunerações dos segurados empregados da empresa, conforme folha de pagamentos apresentadas pela empresa; 2. Levantamento C2 à bases de cálculo relativas aos contribuintes individuais; 3. Levantamento O2 à foram informadas as remunerações dos segurados empregados de obras de construção civil de responsabilidade da empresa, conforme folha de pagamentos apresentadas; 4. Levantamento M2 à foram informadas as bases de cálculo relativas a serviços prestados por contribuintes individuais, por intermédio de cooperativa de trabalho, extraídas das GFIP entregues pela empresa; 5. Levantamento T2 à foram informados os valores de frete prestados por contribuintes individuais. Sobre o valor do frete foi calculada a base de cálculo, equivalente a 20% do valor dos serviços prestados. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 12/02/2014 (fls. 01 e 150). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 153/167), alegando, em síntese, que era portadora do CEBAS, instituído por meio de lei. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0735.029 da 5a Turma da DRJ/FNS (fls. 232/248) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de defesa, acrescenta que deve ser aplicado o enunciado do Parecer AGU nº GQ 169, manifestado na Solução de Consulta no 03/2013. A Agência da Receita Federal do Brasil de Patos de Minas/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10970.720013/201499 Acórdão n.º 2402004.828 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. I DA PREJUDICIALIDADE. LEVANTAMENTO M2: Constatase que o “levantamento M2” referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. De acordo com o artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF): Art. 62. (...) § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A partir da competência 03/2000, tornouse devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Entretanto, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, esse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999 foi declarado inconstitucional pelo STF e, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF, proferida na sessão de 18/12/2014, no sentido de declarar inconstitucional a exação em questão, nos seguintes termos: “[...] Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015. (...) EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) 595.838 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. [...]” Com isso, percebese que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – proferida no sentido de que o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991), é inconstitucional –, tornouse definitiva em 25/02/2015 e, além disso, foi adotada a sistemática da repercussão geral (artigo 543B da Lei 5.869/1973, Código de Processo Civil), restando a esta Turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. II DA NULIDADE. LEVANTAMENTOS F2, C2, O2 E T2: O Fisco afirma que a Recorrente não comprovou ser portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), emitido pelo Ministério da Educação, nos termos dos arts. 3º, 12, 13 e 13A da Lei 12.101, de 27 de novembro de 2009, e alterações posteriores, motivo pelo qual não faria jus à isenção/imunidade das parcelas patronais da contribuição previdenciária, incluindo as contribuições sociais destinadas ao SAT/GILRAT e aos Terceiros/Outras Entidades. Quanto às alegações postuladas na peça recursal, o recurso merece provimento. Para isso, adoto a fundamentação do Acórdão 2402004.073, da 4ª Câmara 2ª Turma Ordinária, de 16/04/2014, de lavra do Conselheiro Thiago Taborda Simões, que bem dirimiu a controvérsia posta nesta Corte Administrativa, devendo dar provimento ao recurso por suas próprias razões jurídicas. Com efeito, o Acórdão 2402004.073 fundamentou nos seguintes termos: “[...] Em Preliminar Da nulidade do Auto de Infração por vício material. Alega a Recorrente que o auto de infração é nulo. Há respaldo em sua alegação. A presente autuação se deu porque a Recorrente utilizou em GFIP o código correspondente a Entidade Filantrópica e Entidade Beneficente de Assistência Social, mas não apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Ocorre que, nos termos do Parecer GQ169, que dispõe sobre a isenção de contribuição de cota patronal e de terceiros, a criação, por lei, de entidade filantrópica supre o certificado ou registro que ateste tal finalidade, e isenta a entidade das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91. (g.n.) Vejamos: “12. Finalidade filantrópica, todavia, parece ainda poder prescindirse de ter havido sucessão. É que o que importa saber Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10970.720013/201499 Acórdão n.º 2402004.828 S2C4T2 Fl. 5 7 é se o Certificado ou Registro de Entidade de Fins Filantrópicos único requisito ausente é exigível para que a nova Associação das Pioneiras Sociais goze das isenções de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24.7.1991. E a mim me parece que não. 13. A prática da filantropia pelas demais entidades que a elas se dedicam, ainda que tal objetivo figure nos seus atos institutivos, é algo que se lhes adiciona, é algo que lhe é externo, tanto que pode e, por vezes, acontece de o título servilhes apenas de fachada. Diferentemente é o que sucede com a nova Associação das Pioneiras Sociais. Nessa, quer ela queira quer não, a filantropia constitui sua finalidade; a entidade é filantrópica por natureza; por reconhecimento legal; porque foi criada para a prática da filantropia. E, em sendo assim, a declaração legal supre o reconhecimento de um órgão burocrático da administração. 14. Por exposto, considerando que, conforme o Parecer acostado ao processo, o único requisito faltante para que a Associação das Pioneiras Sociais se veja isenta das contribuições previstas nos arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24.7.1991, o certificado de filantropia é suprido pelo reconhecimento legal que institui a pessoa jurídica como entidade filantrópica, entendo que se lhe aplicam as isenções das contribuições referidas.” A Fundação Educacional de Patos de Minas é uma instituição com personalidade jurídica própria, sem fins lucrativos, criada pela Lei Estadual n° 4.776/68, e instituída pelo Decreto Estadual n°11.348/68. Portanto, fica reconhecida a isenção das contribuições patronais objetos deste processo. [...]” (Acórdão 2402004.073 da 4ª Câmara 2ª Turma Ordinária, de 16/04/2014, Relator Thiago Taborda Simões) A Recorrente (Fundação Educacional de Patos de Minas FEPAM) teve a sua autorização de instituição por meio da Lei Estadual (art. 3o da Lei n° 4.776, de 27/05/1968), sendo instituída mediante Decreto Executivo n. 11.348, de 30/9/1968 (Governo de Minas Gerais). Com isso, em observância ao Parecer nº AGU/MP01/98, anexo ao Parecer nº GQ169, a comprovação do CEBAS é suprida pelo reconhecimento legal que instituiu a Recorrente como entidade sem fins lucrativos, reconhecida como entidade beneficente de assistência social desde que atendidos os demais requisitos legais. Lei 4.776/MG, de 27/05/1968: Autoriza a instituição da Fundação Universitária de Patos de Minas Art. 1o Fica o Governo do Estado autorizado a instituir, com sede na Cidade de Patos de Minas, a Fundação Universitária de Patos de Minas, entidade que se regerá por estatuto aprovado em decreto do Executivo. (...) Art. 3o. A Fundação terá por objetivo criar e manter, sem fins lucrativos, a Universidade de Patos de Minas, instituto de ensino superior de pesquisas e formação profissional em todos os ramos Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 do saber técnicocientífico e de divulgação cultural, cujos cursos serão gratuitos para os alunos que, demonstrando efetivo aproveitamento, provarem falta ou insuficiência de recursos, na forma do estatuto. ......................................................................................................... Decreto n. 11.348, de 30/9/1968 Institui a Fundação Universitária de Patos de Minas (...) Art. 2o A Fundação Universitária de Patos de Minas, instituída pelo Poder Público, terá por finalidade: I criar, instalar e manter, sem fins lucrativos, conforme o disposto na Lei n° 4.776, de 27 de maio de 1968, a Universidade de Patos de Minas, instituição de ensino superior de pesquisa e deformação profissional em todos os ramos do saber técnico e científico, nos termos da legislação que regula a matéria; II criar e manter serviços educativos e assistenciais que beneficiem os estudantes; III promover medidas que, atendendo às reais condições e necessidades do meio, permitam ajustar o ensino aos interesses e possibilidade dos estudantes; IV cuidar de atividades ligadas ao ensino e pesquisa da Universidade, desenvolvida, por todos os mems, intercâmbio cultural com entidades congêneres nacionais ou estrangeiras. Nos mesmos moldes, foi a instituição e criação da Fundação examinada pelo Parecer nº AGU/MP01/98, anexo ao Parecer nº GQ169, conforme delineamento estabelecido no “itens 3 e 4” deste Parecer: “[...] 3. As Pioneiras Sociais Devidamente autorizado pela Lei nº 3.736, de 22 de março de 1960, o Poder Executivo, por meio do Decreto nº 48.543, de 19 de julho de 1960, instituiu a Fundação da Pioneiras Sociais. A entidade sobreviveu por mais de três décadas, até que a Lei nº 8.246, de 22 de outubro de 1991, conferiu ao Executivo poderes para extinguila, e para instituir o Serviço Social Autônomo Associação das Pioneiras Sociais: (...) 4. Personalidade privada ou pública Dúvida sobre a natureza da personalidade das entidades cuja criação ou instituição é autorizada por lei pode surgir, quando o ato autorizativo silencia a respeito. No caso do Serviço Social Autônomo Associação das Pioneiras Sociais, porém, o art. 1º da Lei nº 8.246, de 22.10.1991, é claro, quando autoriza a instituição de entidade com personalidade jurídica de direito privado. Ora, como a unanimidade da doutrina (J. Cretella Junior, Hely Lopes Meirelles, Celso Antônio Bandeira de Mello, Diógenes Gasparini) confere às autarquias personalidade de direito público, pode concluirse que a entidade de que se trata autarquia não é. [...]” Fl. 344DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10970.720013/201499 Acórdão n.º 2402004.828 S2C4T2 Fl. 6 9 No caso dos autos, o Fisco desconheceu o enunciado do Parecer nº AGU/MP01/98, anexo ao Parecer nº GQ169, aprovado pelo Presidente da República, de 08/10/1998, ratificado pela Solução de Consulta COSIT no 04/2013, de 07/02/2013 – o qual dispõe que a instituição (criação), por lei, de entidade filantrópica supre o Certificado ou Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), previsto nos arts. 3º, 12, 13 e 13A da Lei 12.101/2009 (correspondente ao inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, que foi revogado) –, e, com isso, efetuou indevidamente lançamento de contribuições previdenciárias patronais, não levando em conta, portanto, o fato de a Recorrente ser isenta de contribuições sociais patronais que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91. Isso configura ausência de motivação fática e jurídica do lançamento fiscal, vício insanável. “[...] Solução de Consulta Interna no 4 Cosit Data: 7 de fevereiro de 2013 Origem: SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NA 1a REGIÃO FISCAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ementa: ISENÇÃO. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS INSTITUÍDA POR LEI. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE CERTIFICADO OU REGISTRO DE FILANTROPIA. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO DOS DEMAIS REQUISITOS LEGAIS. CUMPRIMENTO DE PARECER DO AGU APROVADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. A criação de entidade filantrópica sem fins lucrativos por lei supre o certificado ou registro que ateste tal finalidade, é isenta a entidade das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei no 8.212, de 1991, desde que atendidos os demais requisitos previstos no art. 29 da Lei no 12.101, de 2009. Dispositivos Legais: Lei Complementar n 73, de 10 de fevereiro de 1993, arts. 40 e 41; Lei no 12.101, de 27 de novembro de 2009, art. 29; Parecer AGU no GQ169. [...]” (g.n.) Relatório A Divisão de Fiscalização da Superintendência Regional da Receita Federal da 1ª Região Fiscal (Difis/SRRF01) formulou consulta interna sobre requisitos para fins de gozo da isenção de contribuições para a seguridade social de que trata a Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009. A consulta foi analisada pela Divisão de Tributação da 1ª RF (Disit/SRRF01) e revisada pela Disit da 10ª RF (Disit/SRRF10), na forma do § 1º do art. 4º da Ordem de Serviço Cosit nº 1, de 5 de setembro de 2011. 2. A consulente questiona se, com a publicação da Lei nº 12.101, de 2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, dispondo sobre a certificação e isenção concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades de assistência social, continua vigorando entendimento exarado em Parecer do AdvogadoGeral da União, aprovado pelo Presidente da República, que dispensou Fl. 345DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 determinada instituição de apresentar o certificado de filantropia para fins de gozo da isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Fundamentos (...) Conclusão 9. Concluise que a criação de entidade filantrópica sem fins lucrativos por lei supre o certificado ou registro que ateste tal finalidade, e isenta a entidade das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n. 8.212, de 1991, desde que atendidos os demais requisitos previstos no art. 29 da Lei n 12.101, de 2009, consoante o disposto n. Parecer N. AGU/MP 01/98 (Anexo ao Parecer GQ169). Distinção entre entidade filantrópica e entidade beneficente de assistência social. É importante esclarecer que o INSS exigia das entidades educacionais e de saúde o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, a teor da redação original do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991. Na mesma toada, a Lei 9.429/1996 estipulou que a entidade seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (alteração 1). Posteriormente, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/1991 teve a sua redação alterada pela Medida Provisória nº 2.1296/2001, reeditada até a MP nº 2.18713/2001, esta em tramitação na forma da Emenda Constitucional nº 32/01. Essa última mudança na redação foi para exigir o Certificado de Entidade beneficente de assistência social (alteração 2), o que permite requerer de outras entidades esse título, a par de uma abrangência maior do significado de entidade beneficente. Procurouse justificar a nova redação dizendose que era para o texto se adequar à Constituição de 1988, artigo 195, parágrafo 7º, que prevê: “São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Original: II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Alteração 1: II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). Alteração 2: II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Fl. 346DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10970.720013/201499 Acórdão n.º 2402004.828 S2C4T2 Fl. 7 11 Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (...) Nesse caminhar, percebese que o Parecer AGU nº GQ169, de 08/10/1998, ratificado pela Solução de Consulta COSIT no 04/2013, de 07/02/2013, não fez distinção entre entidade filantrópica e entidade beneficente de assistência social, já que o seu conteúdo foi elaborado e publicado na época que a redação do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991 (alteração 1) exigia o Certificado e o Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. O doutrinador FÁBIO ZAMBITTE IBRAHIM1 registrou a distinção entre entidade filantrópica e entidade beneficente de assistência social nos seguintes termos: “As entidades beneficentes de assistência social são mantidas com o objetivo de auxiliar os necessitados, isto é, qualquer pessoa que não tenha condições de prover o seu próprio sustento e o de sua família. Este conceito é mais restrito do que entidade filantrópica, embora sejam erroneamente utilizados como sinônimos com muita freqüência”. A doutrina do Professor CELSO BARROSO LEITE, no artigo “Filantropia e Assistência Social”, publicado na Revista de Previdência Social n° 199/533, estabeleceu a diferença entre filantropia e assistência nos seguintes termos: “Embora não menos amplo que o da filantropia, o conceito de assistência social oferece a vantagem da característica comum dos seus destinatários: a necessidade que têm dela. Enquanto as entidades filantrópicas prestam serviços úteis e com freqüência valiosos, mas nem sempre essenciais, a assistência social tem por objetivo atender a necessidades vitais das pessoas que carecem dela. Convém insistir neste ponto: a necessidade da assistência, individual ou social, é inerente à sua natureza. Uma entidade que ofereça, por exemplo, programas culturais gratuitos de alto nível dá a pessoas que não dispõem de recursos para pagar por eles uma oportunidade valiosa, benéfica e de alguma maneira filantrópica. Entretanto, isso não corresponde a uma necessidade básica, vital, dessas pessoas, que decerto apreciam programas culturais de bom nível mas poderiam viver sem eles. Ainda por outras palavras: tratase de algo mais e não de um mínimo; e em última análise é essa a diferença entre filantropia e assistência.” Nesse passo a passo, extraise ainda da Constituição Federal de 1998 que teríamos somente duas terminologias qualificadas para as entidades beneficentes: (i) entidades sem fins lucrativos (artigo 150, VI, “c”); e (ii) entidades beneficentes de assistência social (artigo 195, parágrafo 7º). Esta última terminologia seria o gênero e abarcaria também as denominações de entidades filantrópicas, pois o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991 sofreu alterações de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (redação original) para Certificado de Entidade beneficente de assistência social (alteração 2). Por sua vez, a doutrina brasileira insere dentro do contexto lingüístico a terminologia entidade filantrópica 1 Curso de Direito Previdenciário – 7a edição, Ed. Impetus, pág. 345. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 12 e, em nenhum momento, o constituinte originário cuidou do termo filantrópico para se referir à imunidade prevista no artigo 195, §7º, da Constituição Federal/1988. Assim, ao interpretar o texto constitucional, percebese que ele cuida das entidades beneficentes (art. 150, inciso VI, alínea “c” – impostos; e art. 195, § 7º – contribuição para a seguridade social) e não de entidades filantrópicas para o gozo da imunidade. Avançado na interpretação, podemos registrar que, em sede doutrinária, a Entidade Beneficente é aquela entidade que atua em favor de outrem que não seus próprios instituidores ou dirigentes, podendo ser remunerada por seus serviços; e Entidade Filantrópica é entidade com idêntico escopo, mas cuja atuação é inteiramente gratuita, ou seja, nada cobra pelos serviços que presta. O constituinte originário ao outorgar a imunidade dos impostos não falou em “filantropia”, mas em entidades beneficentes de “assistência social e educação” sem fins lucrativos e, ao cuidar das contribuições sociais, cuidou de entidades beneficentes de assistência social e não apenas das entidades filantrópicas. Parece indiscutível o seguinte: o constituinte originário erigiu dois tratamentos tributários diferenciados: (i) um para regular a imunidade, o que se menciona no artigo 150, VI, “c”, referente às entidades sem fins lucrativos, partidos políticos e sindicatos; e (ii) outro, para regulamentar a isenção/imunidade, artigo 195, parágrafo 7º, o qual se destina às entidades beneficentes de assistência social (as que se denominam filantrópicas). É imperioso fazerse a distinção doutrinária entre elas: 1. a entidade filantrópica é aquela que os seus atos constitutivos a obrigam a prestar o tipo de assistência social a que se destina, de forma gratuita, não promovendo nenhum tipo de venda de serviços e atendendo a todos os níveis da população; as suas receitas são provenientes de doações e não decorrentes do que produzem sob a forma de prestação de serviços. Inexistem, para estas, as figuras do animus lucrandi e do animus distribuendi. É por essa razão que esse tipo de entidade é considerada de utilidade pública; 2. Ao contrário, a entidade sem fins lucrativos é aquela que o seu estatuto assim a define, estabelecendo que um eventual lucro ou superávit seja aplicado na sua atividade institucional ou social. A ela não é proibitiva a venda de serviços e, muitos menos, ter lucro ou superávit porque a ninguém é vedada a busca de um resultado positivo como conseqüência do exercício de qualquer atividade. Dessa forma pode ter animus lucrandi, o que não pode fazer de forma alguma é a distribuição desse lucro ou superávit, ou seja, para esse tipo de entidade o que realmente é proibido é a presença do animus distribuendi. Sendo sem fins lucrativos, significa que de alguma forma pratique algum tipo de assistência social, porque se não persegue interesse próprio ou daqueles que as integram como sócios ou associados, eventuais resultados positivos têm que necessariamente reverter em benefício de outrem que, sendo carentes, torna a entidade sem fins lucrativos uma espécie do gênero beneficente de assistência social, mesmo não sendo filantrópica2. Deixo consignado que não se quer aqui sustentar o fato de que uma interpretação de cunho tão somente histórico deva preponderar ou se sobropor a outros métodos de interpretação. Longe disso e não acredito que assim seja. O fato é que o elemento 2 Texto de Abílio Pereira Neto. Auditor Fiscal da Previdência Social aposentado. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10970.720013/201499 Acórdão n.º 2402004.828 S2C4T2 Fl. 8 13 histórico da redação original e da redação alterada do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991, ora registrando o termo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, ora registrando o termo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, deve ser considerado na aplicação dessa regra ora analisada. Vejamos as terminologias utilizadas no conteúdo do PARECER Nº AGU/MP01/98 (Anexo ao Parecer GQ 169): “[...] PARECER Nº AGU/MP01/98 (Anexo ao Parecer GQ 169). PROCESSO Nº 35000.005292/9596 ASSUNTO: INSS. Isenção de contribuição de cota patronal e de terceiros. EMENTA: A criação, por lei, de entidade filantrópica supre o certificado ou registro que ateste tal finalidade, e isenta a entidade das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24.7.1991, desde que atendidos os demais requisitos prescritos no art. 55 da mesma lei. PARECER A Exposição de Motivos em que o Sr. Ministro da Previdência e Assistência Social solicita ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República seja ouvida a AdvocaciaGeral historia com clareza e concisão a natureza da dúvida. Eis o texto da E.M. nº 86, de 12 de junho de 1998: "Submeto a elevada consideração de Vossa Excelência processo administrativo de cobrança de créditos previdenciários no qual se discute a natureza jurídica da Associação das Pioneiras Sociais e se esta entidade encontrase acobertada pela isenção a que se refere o art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. 2. A Consultoria Jurídica deste Ministério concluiu tratar se de autarquia federal vinculada ao Ministério da Saúde e, como tal, excluídos estariam os seus servidores do Regime Geral da Previdência Social e, na linha do precedente do Supremo Tribunal firmado no caso do Banco Central, incluídos no Regime Jurídico da União. 3. De outro tanto, se se entender que a Associação das Pioneiras Sociais é uma sociedade de direito privado com empregados regidos pelo Regime da CLT, se não for sucessora em termos jurídicos da extinta Fundação da Pioneiras Sociais, não possuirá os privilégios desta última, uma vez que, entende o órgão jurídico, à época dos fatos geradores não cumpria todos os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, para ser isenta de contribuições sociais. 4. Como este Ministério não tem atribuição para definir a natureza jurídica de entidade vinculada a outra pasta, e como s.m.j., esta definição é pressuposto básico para se verificar da incidência ou não da norma tributária, Fl. 349DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 14 propondo a Vossa Excelência seja solicitada a manifestação do AdvogadoGeral da União para dirimir a controvérsia.” 2. A dúvida que controvérsia não existe consiste preliminarmente em saber se a Associação das Pioneiras Sociais, tal como definida pela Lei nº 8.246, de 22 de outubro de 1991, constitui autarquia ou pessoa jurídica de direito privado. Uma vez respondida a questão, urge saber se se amolda ao quadro de isenção traçado pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. [...]” Por sua vez, o conteúdo da ementa da Solução de Consulta COSIT no 04/2013, de 07/02/2013, registrou o seguinte: “Ementa: ISENÇÃO. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS INSTITUÍDA POR LEI”. “[...] Ementa: ISENÇÃO. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS INSTITUÍDA POR LEI. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE CERTIFICADO OU REGISTRO DE FILANTROPIA. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO DOS DEMAIS REQUISITOS LEGAIS. CUMPRIMENTO DE PARECER DO AGU APROVADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. [...]” Diante desse quadro jurídico e após o advento da Lei 12.101/2009, impõese a afirma que, com base no texto constitucional e nas alterações encampadas pelo inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991, o regime normativo do enunciado do Parecer AGU nº GQ169, de 08/10/1998, ratificado pela Solução de Consulta COSIT no 04/2013, de 07/02/2013, deverá abarcar também a Recorrente, que é uma Fundação Educacional instituída por Lei Estadual de Minas Gerais (art. 3o da Lei n° 4.776, de 27/05/1968), sem fins lucrativos e reconhecida como entidade beneficente de assistência social, desde que atendam os demais requisitos necessários ao gozo da isenção/imunidade da contribuição previdenciária, tais como os requisitos previstos no art. 29 da Lei 12.101/20093, já que, na época da publicação desse Parecer da AGU em 1998, não existia o termo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (alteração 2, redação dada pela Medida Provisória 2.18713/2001) e sim Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (redação dada pela Lei 9.429/1996). 3 Lei 12.101/2009: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10970.720013/201499 Acórdão n.º 2402004.828 S2C4T2 Fl. 9 15 Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Em outras palavras, deixar de seguir o enunciado de Parecer vinculativo, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar 73/1993, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou superação do entendimento manifestado no enunciado Parecer AGU nº GQ169, considerase não fundamentado o lançamento fiscal e, portanto, nulo, um vez que isso acarreta prejuízo manifesto ao sujeito passivo do seu direito de defesa e do contraditório. LC 73, de1993: Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. § 2º O parecer aprovado, mas não publicado, obriga apenas as repartições interessadas, a partir do momento em que dele tenham ciência. Art. 41. Consideramse, igualmente, pareceres do Advogado Geral da União, para os efeitos do artigo anterior, aqueles que, emitidos pela ConsultoriaGeral da União, sejam por ele aprovados e submetidos ao Presidente da República. Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco, no Relatório Fiscal, delineou um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma falta de motivação ou, no mínimo, uma motivação insuficiente e contrária ao enunciado do Parecer AGU nº GQ169. Esse entendimento está em consonância com a regra do art. 142 do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 16 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen4: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) 4 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10970.720013/201499 Acórdão n.º 2402004.828 S2C4T2 Fl. 10 17 Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer: (i) a exclusão do valores lançados no “levantamento M2”, em razão da não incidência de contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme declaração de inconstitucionalidade do STF na sistemática de repercussão geral (RE 595838/SP); e (ii) a exclusão do valores lançados nos “levantamentos F2, C2, O2 E T2”, em razão da declaração de nulidade por vício material (ausência de motivação), nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 18 Voto Vencedor Ronnie Soares Anderson, Redator designado O tema nulidades é, notoriamente, um dos mais desafiadores em todos os campos do direito, não sendo diversa a situação no direito tributário. No tocante ao contencioso tributário federal, o Decreto nº 70.235/1972 traz capítulo específico contendo as hipóteses de declaração de nulidade, em seus arts. 59 a 61. Por outro lado, é fato que a doutrina e jurisprudência administrativa vem circunstancialmente reconhecendo outras hipóteses de decretação de nulidade que não as regradas nesses dispositivos, porém tal abordagem ainda carece de sistematização científica. Decerto nas situações em que se verifica claro cerceamento de defesa (art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972), ou controvérsia justificada acerca da natureza do vício que permeia a autuação, se formal ou material com as decorrentes repercussões na definição do prazo decadencial, exvi do inciso II do art. 173 do CTN é recomendável que no julgamento e no acórdão recursais se enfrente de maneira explícita a matéria nulidade. Considero, todavia, que na maioria das demais situações que ensejam a alteração da autuação nos termos do art. 145 do CTN, em benefício do contribuinte, o importante é que no comando contido no dispositivo do acórdão esteja objetivamente estabelecida a desconstituição, total ou parcial, do ato administrativo do lançamento, bem como seu alcance no caso concreto. Assim, suficiente e inequívoca a determinação que, sem adentrar no tema das nulidades, simplesmente cancela a exigência (gravame, lançamento) indevida ou mesmo dá provimento ao recurso, parcial ou totalmente, quando houver sido esse o pleito formulado pelo interessado. Consequentemente, e não havendo controvérsias adicionais quanto à matéria de fundo, o Colegiado, por maioria de votos, entendeu ser mais adequada a redação do dispositivo nos termos a seguir expostos. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer: (i) a exclusão do valores lançados no “levantamento M2”, em razão da não incidência de contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme declaração de inconstitucionalidade do STF na sistemática de repercussão geral (RE 595838/SP); e Fl. 354DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10970.720013/201499 Acórdão n.º 2402004.828 S2C4T2 Fl. 11 19 (ii) a exclusão do valores lançados nos “levantamentos F2, C2, O2 E T2”, nos termos do voto. Ronnie Soares Anderson. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10980.720277/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Suscitada a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, em virtude do RE n.º 614.406/RS, com decisão de repercussão geral em 20/10/2010 (DJU 03/03/2011), decidiu-se, por unanimidade de votos, sobrestar o processo até que transite em julgado o Recurso Extraordinário.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: Não se aplica
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Suscitada a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, em virtude do RE n.º 614.406/RS, com decisão de repercussão geral em 20/10/2010 (DJU 03/03/2011), decidiuse, por unanimidade de votos, sobrestar o processo até que transite em julgado o Recurso Extraordinário. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 6 a 12, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para tributar omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em ação trabalhista e glosar compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, formalizando a exigência de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 20 27 7/ 20 08 -8 5 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2101000.120 S2C1T1 Fl. 90 2 imposto suplementar no valor de R$55.272,27, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, e de R$4.505,85, acrescido de multa e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2 a 5), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreve o recurso da seguinte maneira (fls. 59 a 60): Preliminarmente, contesta os cálculos efetuados pela autoridade fiscal, que “misturou tudo e aplicou apenas um percentual sobre o valor total”. Afirma que “os cálculos periciais dos valores juntados aos autos para análise fls. de 841 a 857, são cálculos simples e, é matéria de contabilidade, assim, valores dos quais devem ser revistos e divididos os ‘tributáveis, não tributáveis e isentos’”. Na narrativa dos fatos, diz que, antes de entregar a declaração de ajuste anual, compareceu à Receita Federal junto com seu procurador, sendo recebido no plantão fiscal, onde se discutiu e “juntamente foram elaborados os cálculos” dos valores tributados, não tributados e isentos, demonstrando que resultaram em R$ 45.535,55 de rendimentos tributáveis e R$ 208.420,86 de isentos e não tributáveis. O contribuinte considerou isentos e não tributáveis as seguintes verbas: reflexos das horas extras pré contratadas sobre 13º salário, férias e adicionais indenizados; reflexos das horas extras em RSR sobre 13º salário, férias e adicional de férias indenizadas, FGTS, ressarcimento de FGTS pago e os juros sobre todas as verbas. Também excluiu a integralidade dos honorários advocatícios e a CPMF das verbas consideradas tributáveis. Requer o recebimento da impugnação com efeito suspensivo, nova avaliação dos cálculos de acordo com os documentos juntados, isenção de qualquer multa “porque quem demorou com as análises foi a Receita Federal” e “impugnação in totum de todos os cálculos apresentados pela Receita Federal”, que são totalmente improcedentes. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 58 a 66): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. ISENÇÃO. Somente são isentas as verbas trabalhistas a que a lei tributária expressamente conceda esse benefício. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO TRABALHISTA. JUROS. Os juros incidentes sobre verbas trabalhistas têm a mesma natureza tributária delas. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2101000.120 S2C1T1 Fl. 91 3 RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Para efeitos de dedução, os honorários advocatícios devem ser distribuídos proporcionalmente a cada uma das verbas trabalhistas percebidas: isentas, tributáveis e de tributação exclusiva. AÇÃO TRABALHISTA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. RENDIMENTO DE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. As verbas relativas ao décimo terceiro salário são de tributação exclusiva, não se submetendo ao ajuste anual, sendo vedada a compensação do respectivo imposto de renda retido na fonte, o qual deve ser calculado mediante a aplicação da tabela mensal do mês de recebimento dos rendimentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 23/5/2011 (fl. 74), o contribuinte apresentou, em 22/6/2011, o recurso de fls. 77 a 87, onde: a) afirma que os cálculos do imposto devido relativo aos rendimentos em ação judicial foram elaborados com o auxílio de AuditorFiscal do Plantão Fiscal; b) expõe os cálculos realizados, onde demonstra as verbas que considera isentas e não tributáveis, bem como as deduções que considera ter direito; c) defende que não incide imposto de renda sobre juros de mora e correção monetária, nem sobre aviso prévio, FGTS, multa de 40%, férias vencidas e proporcionais, respectivo terço constitucional e indenização adicional, por não se tratarem de acréscimos patrimoniais; d) requer a não aplicação de qualquer multa, porque, além de não dever os valores, a demora da análise foi de responsabilidade da Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A discussão cingese à natureza tributável de diversas verbas recebidas em ação judicial. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2101000.120 S2C1T1 Fl. 92 4 Contudo, antes de adentrar nos argumentos do recurso, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento. Isso porque o processo sob análise versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, em decorrência da RT 27.895/95. Verifico que, apesar dos rendimentos pagos se referirem ao período de outubro de 1990 a junho de 1994 (fls. 20 a 36), a tributação se deu toda no anocalendário de 2003, ano do pagamento (fl. 17), nos termos do art. 12 da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Entretanto, essa forma de tributação foi levada à apreciação, em caráter difuso, do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Observese que essa decisão foi tomada na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, que obriga o sobrestamento dos demais recursos sobre a mesma matéria até o pronunciamento definitivo da Corte. Nesse sentido, o art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que for reconhecida a repercussão geral do tema pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.720277/200885 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2101000.120 S2C1T1 Fl. 93 5 deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406/RS, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13971.000556/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DO JULGADO.
Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF, não constituindo peça recursal hábil à simples rediscussão da matéria julgada pelo colegiado.
Numero da decisão: 3401-003.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que votou pelo não conhecimento do recurso.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração prestamse ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF, não constituindo peça recursal hábil à simples rediscussão da matéria julgada pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que votou pelo não conhecimento do recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 05 56 /2 00 8- 26 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 793 a 801) opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3403003.535, de 29/01/2015, que, por sua vez tratou de embargos de declaração interpostos em relação ao Acórdão nº 3403003.305, de 14/10/2014. Alega a embargante que a turma de julgamento, ao apreciar os embargos anteriormente interpostos, incorreu em obscuridade (por aplicar o precedente do STJ no REsp no 973.733, limitando seus efeitos apenas aos casos de pagamento em dinheiro por meio de DARF, o que não se encaixa no caso de que tratam os autos, relativo a compensação, e por olvidarse da previsão legal da compensação como extinção do crédito tributário), contradição (por aplicar o relator o tratamento do referido precedente mesmo entendendo que compensação e pagamento são institutos diversos), e eventualmente omissão (não especificada ao longo dos embargos). Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 805/806, em 10/08/2015, tão somente no que se refere a obscuridade e contradição (visto que não houve apontamento objetivo de omissão), e a mim distribuídos para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 805/806, passase diretamente à análise das obscuridades e contradições objetivamente apontadas. Como se destacou no exame de admissibilidade, lá não se estava a verificar efetivamente se houve obscuridade, omissão ou contradição, mas se estas haviam sido objetivamente apontadas. Relevante ainda destacar que em tal exame se recordou que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. A obscuridade é apontada como a aplicação indevida do precedente do STJ no REsp no 973.733, olvidandose do comando do art. 74, §§ 1º, 2º e 5º da Lei nº 9.430/1996. Ocorre que a decisão embargada (Acórdão nº 3403003.535) não é fundamentada no referido precedente, e o tema relativo a eventual obscuridade em relação à confusão levada a cabo pela embargante entre os termos "compensação" e "pagamento" já foi objeto de apreciação pelo colegiado nos embargos anteriormente interpostos, com decisão unânime. Assim, busca a peça de defesa, neste tópico, simplesmente rediscutir a decisão anterior, o que não encontra guarida na previsão regimental relativa aos embargos de declaração. Por fim, aponta a embargante a existência de contradição, porque a decisão afirma textualmente que "pagamento não é compensação" e aplica o precedente do STJ no REsp no 973.733, relativo a pagamento, quando nos autos se trata de compensação. Também aqui já se destacou no acórdão relativo aos primeiros embargos que a menção a "compensação" Fl. 808DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13971.000556/200826 Acórdão n.º 3401003.080 S3C4T1 Fl. 808 3 sequer constava do recurso voluntário da empresa (que expressamente tratava de pagamento e "recolhimento"). Já se salientou no parágrafo anterior que a decisão embargada (Acórdão nº 3403003.535) não é fundamentada no referido precedente (parece haver confusão com o acórdão de recurso voluntário, que fazia menção ao referido precedente à fl. 733, como endosso da argumentação), e que a confusão entre os termos é efetuada pela empresa, sendo de fato corrigida pelo julgador no acórdão referente aos primeiros embargos. Novamente se tenta rediscutir matéria já apreciada pelo colegiado, com resultado unânime, sem que haja propriamente uma contradição. Em síntese, a "contradição" e a "obscuridade" apontadas, em verdade refletem simples tentativa de rediscussão de temas já analisados no primeiro acórdão referente a embargos. Pelo exposto, restaram ausentes na decisão embargada a "obscuridade" e a "contradição" apontadas, e os embargos de declaração, recordese, prestamse a questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF, não constituindo peça recursal hábil à simples rediscussão da matéria julgada pelo colegiado. Voto, portanto, no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 809DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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