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Numero do processo: 14041.001545/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
DECADÊNCIA. CONFISSÃO DE DÉBITOS. PARCIAL. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Tendo se constatado recolhimentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parciais, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4º, do CTN.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E VALORES EFETIVAMENTE AUFERIDOS.
Os valores depositados em conta corrente bancária que tiveram a comprovação por parte do contribuinte, por meio de documentação probatória eficaz apresentada na impugnação, de que não seriam decorrentes de receitas tributáveis, devem ser afastados da base de cálculo dos tributos lançados de ofício.
LUCRO REAL. PREJUÍZO CONTÁBIL.
Uma vez demonstrada na contabilidade da contribuinte a ocorrência de prejuízo fiscal, deve o montante registrado ser considerado na apuração dos tributos lançados de ofício com base de cálculo determinada pelo lucro real, observando-se o limite máximo para a compensação de trinta por cento previsto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065 de 1995,
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receitas os valores dos depósitos em conta bancária cuja origem não restar comprovada mediante documentação idônea, por contribuinte intimada a fazê-lo, inclusive com relação a alegação de que a conta bancária pertence a terceiro.
IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO ART. 42 DA LEI 9430/96 DESPROPORCIONALIDADE
Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II,"a" e "b").
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1102-001.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar os autos de infração de IRPJ, CSLL, e PIS relativos ao ano calendário de 2003, em face do erro no regime de apuração dos tributos lançados, vencidos os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares (relator) e João Otávio Oppermann Thomé, que não reconheciam o citado erro de apuração. Por unanimidade de votos, reconhecer o direito à dedução dos valores retidos à titulo de IRRF, CSLL, PIS e COFINS sobre os pagamentos realizados por órgãos públicos nos meses do ano-calendário de 2002 não atingidos pela decadência, e da COFINS relativa ao ano-calendário de 2003, prejudicada a dedução dos valores retidos de IRRF, CSLL, e PIS do ano-calendário de 2003, em face do cancelamento dos lançamentos neste ano, bem como para, com relação à COFINS, excluir da omissão de receita o depósito bancário no valor de R$ 1.280,00, realizado no dia 30/05/2003 perante o Banco do Brasil - Ag. 3382-0 / CC 404.342-1. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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Omissão de receitas. Depósitos bancários Recorrentes VOETUR CARGAS E ENCOMENDAS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. CONFISSÃO DE DÉBITOS. PARCIAL. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tendo se constatado recolhimentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parciais, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4º, do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E VALORES EFETIVAMENTE AUFERIDOS. Os valores depositados em conta corrente bancária que tiveram a comprovação por parte do contribuinte, por meio de documentação probatória eficaz apresentada na impugnação, de que não seriam decorrentes de receitas tributáveis, devem ser afastados da base de cálculo dos tributos lançados de ofício. LUCRO REAL. PREJUÍZO CONTÁBIL. Uma vez demonstrada na contabilidade da contribuinte a ocorrência de prejuízo fiscal, deve o montante registrado ser considerado na apuração dos tributos lançados de ofício com base de cálculo determinada pelo lucro real, observandose o limite máximo para a compensação de trinta por cento previsto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065 de 1995, DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receitas os valores dos depósitos em conta bancária cuja origem não restar comprovada mediante documentação idônea, por contribuinte intimada a fazêlo, inclusive com relação a alegação de que a conta bancária pertence a terceiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 15 45 /2 00 7- 46 Fl. 5213DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 3 2 IRPJ/CSLL — ARBITRAMENTO — ART. 42 DA LEI 9430/96 — DESPROPORCIONALIDADE Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II,"a" e "b"). PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar os autos de infração de IRPJ, CSLL, e PIS relativos ao ano calendário de 2003, em face do erro no regime de apuração dos tributos lançados, vencidos os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares (relator) e João Otávio Oppermann Thomé, que não reconheciam o citado erro de apuração. Por unanimidade de votos, reconhecer o direito à dedução dos valores retidos à titulo de IRRF, CSLL, PIS e COFINS sobre os pagamentos realizados por órgãos públicos nos meses do anocalendário de 2002 não atingidos pela decadência, e da COFINS relativa ao anocalendário de 2003, prejudicada a dedução dos valores retidos de IRRF, CSLL, e PIS do anocalendário de 2003, em face do cancelamento dos lançamentos neste ano, bem como para, com relação à COFINS, excluir da omissão de receita o depósito bancário no valor de R$ 1.280,00, realizado no dia 30/05/2003 perante o Banco do Brasil Ag. 33820 / CC 404.3421. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 4 3 Inicialmente, esclareço que fui designado pelo Presidente da 1a Câmara redator ad hoc após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista a não formalização do acórdão pelo relator originário e redator originariamente designado para o voto vencedor, conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Antonio Carlos Guidoni Filho, respectivamente. Tendo participado do julgamento em questão, observo que, na ocasião, foi disponibilizada pelo relator minuta do relatório e voto proferido na sessão. O conteúdo do relatório a seguir transcrito corresponde, portanto, ao relatório elaborado pelo seu relator originário, conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares: O presente processo possui duas numerações, decorrente da paginação do processo digitalizado e da paginação do processo físico. Procurouse adotar a paginação do processo digital, entretanto, haverá referências a paginação do processo físico mediante a expressão “AP”. Adoto ao presente o Relatório trazido pelo excelente Acórdão da DRJ de Brasília (fls. 4887/4943): Em 14/12/2007, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes aos anoscalendário de 2002 e 2003, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$83.645.210,31, assim discriminados por exação fiscal: Os lançamentos decorrentes de CSLL, PIS e Cofins encontramse consolidados nos autos de infração a seguir: Os lançamentos decorrentes de CSLL, PIS e Cofins encontramse consolidados nos autos de infração a seguir: Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 5 4 I. Autuação Fiscal Teve ciência do início da ação fiscal a contribuinte em 12/12/2005, quando foi intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais, ato constitutivo e alterações e extratos bancários das contas correntes mantidas em instituições financeiras, dentre outros. Os arquivos magnéticos com os registros contábeis foram apresentados com defeitos, razão pela qual foram concedidas prorrogações de prazo para a fiscalizada regularizar a situação. Também não foram disponibilizados os extratos bancários, motivo pelo qual foram emitidas RMF junto aos bancos Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal, que encaminharam as informações requeridas para a Fiscalização. A partir dos extratos bancários, foi elaborada planilha pela autoridade tributária, no qual foi intimada a contribuinte a esclarecer se os créditos bancários eram referentes à atividade da empresa. A fiscalizada apresentou resposta, manifestandose, para cada crédito questionado, “SIM” ou “NÃO”. Quanto ao regime de tributação do período fiscalizado, no ano calendário de 2002 optou a contribuinte pelo Lucro Presumido e no ano calendário de 2003 pelo Lucro Real Trimestral. Nesse contexto, tomando como referência a aludida resposta da fiscalizada, a contabilidade apresentada, as DIPJ e DCTF referentes aos anos calendário de 2002 e 2003, e o LALUR, foi constatada a ocorrência das infrações à legislação tributária listadas a seguir. 1) Omissão de Receitas – Receitas Não Contabilizadas. Referente ao ano calendário de 2003, caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização de receitas da atividade apuradas conforme Demonstrativo de fls. 70/71AP, resultante do batimento entre as receitas contabilizadas na conta do Razão 4.1.1.01.001 (Faturamento a Clientes fls. 958/973 AP) e os créditos em conta corrente bancária referente a receitas da atividade, conforme extratos fornecidos pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco (Doc. 1 a 9, fls. 72 a 307AP), confirmados pela autuada mediante resposta de fls. 660/895AP. Fl. 5216DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 6 5 2) Resultados Operacionais Não Declarados. Correspondentes ao lucro operacional escriturado no 4º trimestre de 2003 (conforme LALUR às fls. 985/988AP) e não declarado, conforme DIPJ2004 às fls. 1045/1111AP, especificamente fls. 1061/l062AP. 3) Omissão de Receitas da Atividade. Referentes ao anocalendário de 2002, caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização de receitas da atividade apuradas conforme Demonstrativo de fls. 70/71AP, resultante do batimento entre as receitas contabilizadas na conta do Razão 4.1.1.01.001 (Faturamento a Clientes fls. 924/936AP) e os créditos em conta corrente bancária referente a receitas da atividade, conforme extratos fornecidos pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco (Doc. 1 a 9, fls. 72 a 307AP), confirmados pela autuada mediante resposta de fls. 660/895AP. 4) Receitas da Atividade Contabilizadas e Não Declaradas. Referentes ao anocalendário de 2002, apuradas mediante a comparação entre as receitas contabilizadas na conta do Razão 4.1.1.01.001 (Faturamento a Clientes fls. 924/936AP) e a DIPJ2003 às fls. 989/1044AP, apresentada com todos os campos zerados. II. Impugnação Cientificada dos lançamentos, em 28/12/2007 (Ciência do Sujeito Passivo nos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), a interessada apresentou a impugnação de fls. 3146/3192, em 28/01/2008, cujas razões encontramse sintetizadas a seguir. Preliminares. Nulidade do lançamento fiscal devido ao fato de a autoridade fiscalizadora ter buscado estratos bancários junto às instituições financeiras, o que configura quebra do sigilo bancário e afronta o art. 5º, incisos X, XII e LV, da Constituição Federal. A quebra do sigilo bancário somente se dará mediante ordem judicial e, ainda assim, quando presentes fundadas suspeitas da existência de possível delito praticado, sendo que no caso em exame a Fiscalização teve acesso a toda documentação contábil, não sendo necessária tal atitude, que carece de plausibilidade e legalidade. O STF já se pronunciou sobre o tema, no RE 215301/CE e no REAgR 318136/RJ, no qual considerou inconstitucional a quebra o sigilo bancário. Base de Cálculo do PIS e da Cofins. A jurisprudência entende que o parágrafo único do art. 2º da Lei Complementar n° 70/91 ofende o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, sob o fundamento de que a base de cálculo da COFINS e PIS somente pode incidir sobre o valor da operação e não sobre o ICMS. O RE 240.7852/MG, pendente de julgamento final devido a pedido de vista, já tem maioria formada de seis Ministros quanto a não inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais sobre o faturamento. Entendimento análogo deve ser aplicado ao 1SS, conforme ementa proferida em agravo de instrumento, processo AG 2007.01.000139340/DF. Inconstitucionalidade da Multa de 75%. Fl. 5217DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 7 6 A multa aplicada é inconstitucional, vez que o percentual tem efeito confiscatório, ao passo em que deveria atender aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, razão pela qual a mesma deveria ser reduzida para 20%. Mérito. Foram detectadas inconsistências nos levantamentos elaborados pela Fiscalização. Em relação ao Doc. 1 (fls. 72/95AP), no qual estão relacionados os créditos efetuados na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, Agência 04529, conta n° 404.3421, alguns correspondem a resgate de aplicação financeira, estorno de debito e depósito proveniente de contrato de mútuo devidamente registrado na contabilidade, conforme quadro inserido na peça impugnatória à fl. 3154. Em decorrência da natureza desses créditos, os mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável. Relativamente ao Doc. 2 (fls. 96/97AP), que relacionou os créditos realizados na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, agência 04529, conta n° 200.1985, alguns correspondem a transferência de recursos entre contas bancárias da empresa e depósitos provenientes de contrato de mútuo devidamente registrados em sua contabilidade, conforme quadro inserido na peça impugnatória à fl. 3156. Em decorrência da natureza desses créditos, os mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável. Quanto ao Doc. 3 (fls. 98AP), que relacionou os créditos realizados na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, agência 33820, conta n° 200.1985, alguns correspondem a resgate de aplicações financeiras, transferência de recursos entre contas bancárias da empresa, estorno de pagamentos efetuados e depósitos provenientes de contrato de mútuo devidamente registrados em sua contabilidade, conforme quadro inserido na peça impugnatória à fl. 3158. Em decorrência da natureza desses créditos, os mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável. Em relação ao Doc. 4 (fls. 99/199AP), que relacionou os créditos realizados na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, agência 33820, conta nº 404.3421, alguns correspondem a resgate de aplicações financeiras, transferência de recursos entre contas bancárias da emprega, estorno de pagamentos efetuados e depósitos provenientes de contrato de mútuo devidamente registrados cm sua contabilidade, conforme quadro inserido na peça impugnatória às fl. 3158/3160. Em decorrência da natureza desses créditos, os mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável. Em relação ao Doc. 5 (fls. 202/295AP), no qual estão relacionados os créditos efetuados na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, Agencia 33820, conta n° 404.3421, a totalidade dos créditos levantados neste documento foram considerados em duplicidade com os valores constantes dos Doc. 1 a 4, o que pode ser comprovado mediante a comparação de qualquer valor do Doc. 5 com os anteriores, evidenciandose uma correspondência na mesma data, histórico, lote, valor e todas as informações constantes no extrato. Em decorrência dessa duplicidade, entende que deve ser excluída da base tributável a quantia de R$64.461.056,73, relativamente ao anocalendário 2002 e R$ 54.889.943,23, relativa ao anocalendário 2003, equivalente ao total levantado no Doc. 5. Fl. 5218DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 8 7 Relativamente ao Doc. 6 (fls. 299/301AP), que relacionou os créditos realizados na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, agência 04529, conta nº 200.1985, alguns correspondem a transferência de recursos entre contas bancárias da empresa, estorno de pagamentos efetuados, cheques sem fundo devolvido, depósitos provenientes de contratos de mútuo e, a exemplo do Doc. 5, foram considerados valores já levantados nos Doc.2 e 3, conforme quadro de fls. 3162 da peça impugnatória. Em decorrência da natureza desses créditos e da constatação de duplicidade, tais valores não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável. Com relação ao Doc. 7 (fls. 302/303AP), que relaciona créditos efetuados na conta corrente da empresa na Caixa Econômica Federal, agência Brasília Shopping, n" 30.5651, todos os valores considerados no documento referemse à transferência de recursos provenientes da conta corrente da empresa no Banco do Brasil n" 404.3421, conforme quadro de fl. 3164 da peça impugnatória, devidamente registrados na contabilidade. Em decorrência da natureza desses créditos, os mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável. Quanto ao Doc. 8 (fls. 304/305AP), que relaciona créditos efetuados na conta corrente da empresa na Caixa Econômica Federal, agência Aeroporto, nº 44513, todos os valores considerados no documento referemse à transferência de recursos provenientes da conta corrente da empresa na Caixa Econômica Federal nº 30.5651, conforme quadros de fl. 3166 da peça impugnatória, devidamente registrados em sua contabilidade. Em decorrência da natureza desses créditos, os mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável. Relativamente ao Doc. 9 (fls. 306/307AP), que relaciona créditos efetuados na conta corrente da empresa no Bradesco, agencia 606, n° 135.202, todos os valores considerados no documento referemse à transferência de recursos provenientes da conta corrente da empresa, conforme quadros de fls. 3166 e 3168 da peça impugnatória, devidamente registrados em sua contabilidade. Em decorrência da natureza desses créditos, os mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável. Retificação de Parâmetros. Com a exclusão das receitas que foram tributadas indevidamente, foram elaborados dois quadros demonstrativos, por meio dos quais ajusta os valores da movimentação financeira, da receita contabilizada não declarada e da receita omitida (fls. 3168 e 3170). Apresentação dos Cálculos. Foram efetuadas a compensação de valores declarados ao Parcelamento PAES referente aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2002, nos valores de R$65.391,01, R$428.909,93, R$130.820,95 e R$124.168,66, respectivamente. Além desses, foram compensados créditos relativos à IRRF sobre aplicações financeiras no Banco Bradesco, retidos no ano 2002, no montante de R$327.306,45. Deste total, o valor de R$69.737,81 foi compensado em 2002, R$118.387,23 com o IRPJ 2003, R$48.890,76 com a CSLL 2002 e R$87.957,44 com a CSLL 2003. A partir da nova base de cálculo apurada, o IRPJ a pagar, já acrescido de multa de 20% e juros de mora, seria de R$252.870,66, conforme cálculos demonstrados à fl. 3172. Com relação à exigência de IRPJ/2003 relativa a Omissão de Receita Resultado Operacional Não Declarado, a base de cálculo do 3º trimestre de 2003 foi deduzida Fl. 5219DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 9 8 do valor de R$1.365.869,10, equivalente ao prejuízo contábil da empresa no trimestre, devidamente escriturado no LALUR. Do saldo a pagar, foram "descontados os valores de R$173.920,32, equivalente ao saldo do IRPJ 3º Trim/02, parcelado via PAES e R$118.387,23, proveniente do IRRF retido sobre aplicações financeiras realizadas em 2002. Refazendo os cálculos, conforme quadros demonstrativos de fl. 3174) não foi apurado IRPJ a recolher. Relativamente à exigência de CSLL/2002, decorrente de Omissão de Receitas/Receitas de Atividade Não Declaradas, todas as contestações apresentadas no tópico do IRPJ valem também para a contribuição social. Do saldo a pagar foi descontado o valor de R$ 48.890,76, proveniente de IRRF sobre aplicações financeiras em 2002. Os quadros demonstrativos de fl. 3176 apuram que não há valor de CSLL a pagar. Quanto à exigência de CSLL/2003, decorrente de Omissão de Receitas/Resultado Operacional Não Declarado, a base de cálculo do 3º Trim/03 foi reduzida do valor de R$1.365.869,10, equivalente ao prejuízo contábil da empresa no trimestre, devidamente escriturado no LALUR. Do saldo a pagar, foi descontado o valor de RS87.957,44, proveniente do IRRF retido sobre aplicações financeiras realizadas em 2002. A partir dos cálculos apresentados nos demonstrativos de fl. 3178, o valor de CSLL a pagar, acrescido de juros e multa de 20% é de R$34.196,74. Relativamente à exigência da contribuição para o PIS/2002 decorrente de Omissão de Receitas, vários créditos que compuseram a base de cálculo, como demonstrado no tópico do IRPJ, foram considerados indevidamente em função de sua natureza não tributável. Retificada a base de cálculo, houve aproveitamento a menor do PIS retido pelos órgãos públicos (Anexo II), gerando créditos relacionados no quadro de fl. 3180 dos autos, os quais teriam sido compensados com débito apurado em 2002, no valor de R$14.877,26 e R$7.888,11 com débito relativo a 2003. O “Demonstrativo 03 Retificado” de fls. 3180 demonstra que não há saldo a pagar de PIS/Pasep em nenhum dos PA de 2002. Em relação à exigência de Contribuição para o PIS/2003 decorrente de Omissão de Receitas Incidência Não Cumulativa, vários créditos que compuseram a base de cálculo, como demonstrado no tópico do IRPJ, foram considerados indevidamente em função de sua natureza não tributável. Do saldo a pagar, foi compensado o valor de R$7.888,11 proveniente do saldo a recuperar da retenção federal do PIS/2002, aproveitada a menor naquele ano. O “Demonstrativo 03 Retificado” de fls. 3182 e 3284 apura saldo a pagar de PIS para os meses de março (R$8.280,57), setembro (R$8.738,08), novembro (R$10.329,88) e dezembro (R$8.498,82) de 2003, valores já acrescidos de juros de mora e multa de 20%. Relativamente à exigência de COFINS/2002, decorrente de Omissão de créditos que compuseram a base de cálculo como demonstrado no tópico do IRPJ, foram considerados indevidamente em função de sua natureza não tributável. O quadro “Demonstrativo 03 Retificado” de fls. 3186/3188 demonstra que a base de cálculo relativa ao ano de 2002 ficaria reduzida para R$2.288.810,00 e, nos meses de janeiro, abril, maio e dezembro/2002, houve aproveitamento a menor da COFINS retida pelos órgãos públicos (Anexo II), gerando créditos no montante de R$193.509,61, no qual foi compensada a parcela de R$68.664,31 com o débito apurado em 2002 e R$124.845,30 com débito relativo a 2003. Assim, não foi apurado saldo a pagar de COFINS para nenhum dos PA de 2002. Fl. 5220DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 10 9 Em relação à COF1NS/2003 decorrente de Omissão de Receitas Incidência Não Cumulativa, vários créditos que compuseram a base de cálculo, como demonstrado no tópico do 1RPJ, foram considerados indevidamente em função de sua natureza não tributável. Do saldo a pagar, foi compensado o valor de R$ 124.845,30 proveniente do saldo a recuperar da retenção federal da COFINS/2002, aproveitada a menor naquele ano. Retificado o Demonstrativo 3, à fl. 3190, e levandose em consideração as compensações procedidas, foi apurado saldo a pagar de COFINS para o mês de dezembro de 2003 no montante de RS 5.136,92, valor esse já acrescido de juros de mora e multa de 20%. Resumo Geral da Dívida. O quadro de fl. 1596 apresenta o resumo geral de dívida, correspondente a R$328.051,69, relativo ao montante devido a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, já acrescidos de multa de 20% e juros de mora. Ainda, que de acordo com o item IV do art. 8° da INSRF n° 145/99, estão isentas das Contribuições para o PIS e COFINS o transporte internacional de cargas e passageiros, e que no ano de 2002 a empresa faturou a tal título os seguintes valores: R$1.361.454,50 (fev/02), R$1.390.645,80 (abr/02) e R$1.508.075,50. Considerando a isenção, deverá ser excluída da base de cálculo os correspondentes valores. Enfim, requer a posterior juntada de demais instrumentos que se mostrarem necessários. III. Diligência da DRJ/Brasília A DRJ/Brasília, ao analisar as argumentações expostas pela defesa, decidiu em 18/03/2008 encaminhar a diligência de fls. 3820/3836 para a unidade de origem, para que fossem esclarecidos os pontos relacionados a seguir. Quesito 1. Verificar se a documentação e escrituração contábil/fiscal da impugnante respalda seu pleito para que sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ (e reflexos) os valores indicados nos quadros demonstrativos inseridos em sua impugnação (fls. 3154 a 3168), os quais integraram os DOC. 01, 02, 03, 04, 07, 08 e 09 (que serviram de base para a autuação fiscal), referentes aos históricos a seguir, tendo em vista que os documentos apresentados não permitem análise conclusiva por parte dessa primeira instância, quanto à procedência ou não das alegações de TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS, RESGATES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS e ESTORNO DE PAGAMENTO. Quesito 2. Considerando que a autuada indica, em diversos quadros de sua impugnação, a existência de operações de MÚTUO, limitandose a apresentar cópias de folhas do Razão onde tais operações teriam sido registradas, deixando, entretanto, de apresentar qualquer documentação que respalde tais lançamentos, a mesma deve ser intimada a apresentar os contratos relativos a tais operações de mútuo, bem como documentação coincidente cm datas e valores com os recebimentos de valores lançados em sua contabilidade a título de operações de mútuo. Quesito 3. Prestar esclarecimentos a respeito da alegação de duplicidade de valores que integraram a base de cálculo tributada no Auto de Infração 1RPJ (e reflexos), "na mesma data, histórico, lote, valor e todas as informações constantes do extrato", uma vez que a impugnante afirma que tais valores teriam sido inseridos simultaneamente nos seguintes relatórios: (a) Os lançamentos constantes do DOC. 05 já teriam sido computados nos DOC. 01 Fl. 5221DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 11 10 c 04 e (b) Os lançamentos constantes do DOC. 06 já teriam sido computados nos DOC. 02 c 03. Quesito 4. Verificação dos documentos juntados peta impugnante às fls. 1630 a 1825AP dos autos (Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, cópias) e: (4.1) informar se a receita de prestação de serviços constante dos referidos documentos (fls. 1630 a 1825AP) encontrase devidamente contabilizada nos livros de escrituração obrigatória; (4.2) informar se a referida receita de prestação de serviços já foi tributada (pelo próprio contribuinte ou inserida em algum dos itens do Auto de Infração IRPJ); (4.3) informar se o IRRF retido na fonte e informado nos referidos documentos foi de alguma forma aproveitado pelo contribuinte, verificandose inclusive se houve compensação desses valores retidos em processos de Pedido de Compensação ou de Parcelamento de tributos. Observese que a autuada menciona, em sua impugnação, ter efetuado uma serie de compensações. A título exemplificativo, às fls. 1585 dos autos, a impugnante alega ter procedido à compensação de valores declarados ao Parcelamento PAES referente aos 2º, 3º e 4° trimestres de 2002, nos valores de R$65.391,01, R$428.909,93, R$130.820,95 e R$124.168,66, respectivamente. Além desses, diz ter compensado créditos relativos a IRRF sobre aplicações financeiras no Banco Bradesco, retidos no ano 2002, no montante de R$327.306,45. Deste total, diz que o valor de R$69.737,81 foi compensado em 2002, R$118.387,23 com o IRPJ 2003, R$48.890,76 com a CSLL 2002 e R$S7.957,44 com a CSLL 2003. Todas essas operações devem ser verificadas por ocasião da realização da diligência fiscal. Quesito 5. Informar sobre a efetiva existência de valores informados como tendo sido retidos a título de PIS, CSLL e COFINS, conforme quadros demonstrativos juntados à impugnação, às fls. 1611/1612AP dos autos. Deve ser informada, também, a eventual existência de créditos a compensar relativamente às contribuições para PIS, CSLL e COFINS, tendo em vista as alegações da impugnante acerca das compensações de créditos efetuadas e demonstradas cm diversos quadros que insere cm sua peça impugnatória, tais como os quadros de fls. 1588AP (no qual indica a compensação de Retenção Federal no valor de R$674.592,55), fls. 1589AP (no qual indica a compensação de Retenção Federal no valor de R$163.623,84), fls. 1590AP (no qual indica a compensação de PIS Retido de R$126.933,79), fls. 1593AP (no qual indica a compensação de COFINS Retido de R$585.848,26) e fls. 1595 AP (no qual indica a compensação de Retenção Federal de R$124.845,30). Quesito 6. Considerando que nos quadros demonstrativos inseridos às fls. 1586 e 1587 de sua impugnação a autuada deduz (do IRPJ que entende ser o devido) valores relativos a "PARCELAMENTO PAES", verificar se os valores efetivamente parcelados por meio desse instrumento de parcelamento especial correspondem à matéria tributada nos autos de infração objeto dos autos. Quesito 7. Verificar a possibilidade de se deduzir, da base de cálculo do 3º trimestre de 2003, o valor do prejuízo contábil que a autuada alega possuir, no valor de R$1.365.869,10, equivalente ao prejuízo contábil da empresa no citado trimestre, devidamente escriturado no LALUR. IV. Resposta da Diligência da DRJ/Brasília Em 16/04/2012, foi concluído o Relatório Fiscal de fls. 4662/4712, no qual foram respondidos os quesitos elaborados pela autoridade julgadora da primeira instância. As conclusões do trabalho da unidade de origem encontramse transcritas a seguir. Fl. 5222DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 12 11 Resposta do Quesito 1. Encontrase às fls. 4662/4688 dos autos. Em breve síntese, apresenta os resultados listados nos parágrafos seguintes. Quanto ao Doc. 01, do crédito do dia 10/01/2002 (R$20.000,00) seria um estorno de um lançamento, e o do dia 29/04/2002 (R$7.366,99) seria um resgate de aplicação financeira. O crédito do dia 08/05/2002, referente a mútuo será tratado em quesito posterior. Quanto ao Doc. 02, com exceção dos créditos relativos a mútuo, tratados em quesito posterior, todos os demais arguidos pela defesa referemse a transferências entre contas da mesma titularidade. Quanto ao Doc. 03, todos os créditos arguidos pela defesa referemse a transferência entre contas de mesma titularidade. Quanto ao Doc. 04, não foram comprovados pela defesa a origem dos créditos referentes às datas 10/07/2002 (R$549,79), 07/01/2003 (R$200.000,00) e 18/02/2002 (R$3.500.000,00). Todos os demais créditos arguidos pela impugnante referemse a transferências entre contas da mesma titularidade ou estornos de títulos de crédito. Quanto aos Doc. 07 e Doc. 08, todos os créditos arguidos pela defesa referemse a transferências entre contas da mesma titularidade. Quanto ao Doc. 09, não foram comprovados pela defesa a origem dos créditos referentes às datas 20/01/2003 (R$100.000,00), 02/10/2003 (R$18.000,00), 08/10/2003 (R$50.000,00), 15/10/2003 (R$50.000,00), 16/10/2003 (R$25.000,00), 17/10/2003 (R$50.000,00), 21/10/2003 (R$20.000,00), 24/10/2003 (R$15.000 00), R$25/10/2002 (R$1.506.000,00) e 30/10/2003 (R$40.000,00). Todos os demais arguidos pela defesa referemse a transferências entre contas da mesma titularidade. Resposta do Quesito 2. Encontrase às fls. 4688/4698 dos autos. Em breve síntese, apresenta os resultados listados no quadro que segue. TABELA fls. 11 Resposta do Quesito 3. Encontrase às fls. 4698/4704 dos autos. Em breve síntese, apresenta os resultados: (1) quanto aos lançamentos relacionados no Doc. 05, já se encontram computados nos Doc. 01 e Doc. 04, com exceção do lançamento do dia 30/05/2003 (R$1.280,00), e (2) quanto aos lançamentos relacionados no Doc. 06, aqueles listados no quadro de fls. 4702 e 4704 também foram computados nos Doc. 02 e Doc. 03. Resposta do Quesito 4. Encontrase às fls. 4704/4710 dos autos. Em breve síntese, apresenta os resultados listados nos parágrafos seguintes. A partir da análise dos documentos acostados pela impugnante (Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte), foram elaboradas as planilhas de fls. 4525/4531, as quais fazem um comparativo entre os valores constantes nos referidos comprovantes de rendimentos e os valores contabilizados como receita pelo contribuinte na conta "4.1.1.01.001 Faturamento a Clientes" nos anos de 2002 e 2003. Observouse que em determinados meses, o total de rendimentos recebidos das fontes pagadoras lá relacionadas supera os valores contabilizados na conta "4.1.1.01.001 Faturamento a Clientes". Fl. 5223DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 13 12 Resposta aos Itens 4.1 e 4.2. Concluiu a Fiscalização que não há elementos suficientes para informar se a receita de prestação de serviços constante nos documentos de fls. 1630 a 1825AP acostados pela impugnante relativos a Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte encontrase devidamente contabilizada nos livros de escrituração obrigatória, ou, ainda, se já teria sido tributada. Resposta ao Item 4.3. Concluiu a Fiscalização que não há como certificar se o IRRF informado nos Comprovantes de Rendimentos foi de alguma forma aproveitado pelo contribuinte. Tampouco não foi possível identificar os lançamentos contábeis dos rendimentos de aplicação financeira já que na conta a qual deveria constar tais lançamentos, qual seja, 4.1.2.01.035 Rendimentos S/Aplicações, foi registrado somente um lançamento a credito no valor de R$ 7.366,99. Acrescenta a autoridade fiscal que a DIPJ relativa ao exercício de 2003 foi apresentada "zerada", razão pela qual se pode inferir que a receita relativa aos rendimentos de aplicações financeiras não foi levada à tributação pelo contribuinte. Considerando ainda que tal receita não compôs a base de cálculo do imposto apurado no auto de infração, os respectivos IRRF não poderiam, por conseqüência, serem compensados com valores de impostos e/ou contribuições apurados no referido auto de infração. Resposta do Quesito 5. Encontrase à fl. 4710 dos autos. Esclarece a Fiscalização que, tendo em vista a ausência de elementos suficientes para informar se a receita de prestação de serviços constante nos documentos de fls.1630 a 1825AP acostados pela impugnante relativos a Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte encontrase devidamente contabilizada nos livros de escrituração obrigatória, resta prejudicada a verificação da retenção de valores a título de PIS, CSLL e COFINS. Resposta do Quesito 6. Encontrase às fls. 4710/4712 dos autos. Em breve síntese, conclui a Fiscalização que os valores pleiteados pela contribuinte para compensação já foram aproveitados pela autoridade tributária ao efetuar os lançamentos de ofício dos autos de infração em discussão. Resposta do Quesito 7. Encontrase às fls. 4710/4712 dos autos. Discorre a Fiscalização que, conforme folha do que seria o LALUR (fl. 985 AP), o contribuinte alegou possuir um prejuízo contábil no 3º trimestre de 2003 no valor de R$1.365.426,70. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte apresentou o que seriam os balancetes trimestrais do anocalendário de 2003. Em relação ao 3º trimestre, encontrase registrado um prejuízo de R$ 1.560.535,34. Na conta 5.1.1.01.044 Resultado do Exercício, a diferença entre os valores dos lançamentos a débito e a crédito na referida conta ocorridos no 3º trimestre perfaz o mesmo valor de R$ 1.560.535,34. Na DIPJ 2004 (fls. 1.045 a 1.111), os dados relativos aos 3º e 4º trimestres encontramse "zerados". V. Petição da Contribuinte em face da Resposta da Diligência da DRJ/Brasília Cientificada a impugnante do resultado da diligência, apresentou petição de fls. 4721/4746, em 17/05/2012, cuja síntese encontrase disposta nos parágrafos seguintes. Fl. 5224DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 14 13 Preliminar. Novamente extraise do Relatório do Acórdão recorrido: Ao ser intimada do resultado da diligência, foi disponibilizado para a contribuinte apenas a cópia do relatório fiscal e da planilha que relaciona os recebimentos e os impostos retidos. Ao comparecer à RFB para obter a integralidade de dados que embasaram as conclusões da Fiscalização, e encaminhar expressa solicitação em 30/04/2012, foi informada que o processo estava em fase de digitalização, razão pela qual o processo lhe foi entregue apenas no dia 10/05/2012, no “apagar das luzes” do prazo que lhe foi concedido para se manifestar. Vale lembrar que a diligência em questão consumiu quatro longínquos anos, de forma que não se apresenta aceitável o prazo para manifestação da contribuinte de apenas trinta dias, e que, no caso concreto, teve somente seis dias a partir do momento em que foi disponibilizado o acesso a todos os autos do processo. Nesse sentido, solicita a devolução do prazo para a manifestação do resultado da diligência, sob pena de ocorrer ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Do Resultado da Diligência. Os resultados da diligência já demonstram que os elementos que deram suporte à omissão de receitas apurada nos autos de infração são gravemente inconsistentes e chegam a colocar em dúvida a validade de toda a autuação. Não obstante reconhecer que a maioria das alegações constantes da Impugnação terem sido confirmadas em sede diligência fiscal, não podemos deixar de consignar que alguns questionamentos deixaram de ser verificados pela autoridade responsável, que se encontram relacionados a seguir. Item n° 1 Natureza dos Pagamentos lançados nos documentos que apuraram a movimentação bancária do Contribuinte. Doc. 04. Dois créditos da conta bancária n° 404.3421 da Agência 33820 do Banco do Brasil não foram confirmados pela Fiscalização na diligência, quais sejam, de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), no dia 07\01\03, e de R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais), no dia 18\02\03. De fato, reconhecese que entre os extratos bancários anexados aos presentes autos não há elementos suficientes para conduzirnos até onde seria a origem desses mesmos créditos. Para fazer prova de sua alegação, a contribuinte solicitou junto à correspondente instituição financeira, os comprovantes que atestavam essas transações bancárias, sendo que até este momento não lhe foi disponibilizado os necessários documentos, conforme atesta as mensagens eletrônicas ora anexadas à petição. Por essa razão, a Contribuinte informa que tão logo lhe seja entregue os extratos bancários até aqui sonegados pela instituição financeira, fará a sua juntada aos autos. Doc. 05. Tratase do crédito bancário de R$1.280,00, datado de 30/05/2003, da conta n° 404.3421 da Agência n° 33820 do Banco do Brasil, o único não acatado pela Fiscalização na diligência. Ocorre que tal depósito tem sua origem especificada na própria legenda do estorno de pagamento, com número de documento 368437, ou seja, representa devolução do cheque de mesmo número cujo débito ocorreu no mesmo dia, conforme atesta as mesmas folhas dos autos. Fl. 5225DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 15 14 Doc. 06. Tratase de créditos bancários da conta n° 200.1985 da Agência 04529 do Banco do Brasil, não acatados pela Fiscalização na diligência. São os seguintes: R$23.326,46 no dia 18\02\2002. Segundo o extrato bancário de fls. 1.225, referese a estorno do documento n° 000452, cujo correspondente débito está também discriminado nas mesmas páginas dos autos, ou seja, a receita considerada é apenas devolução de pagamento indevido. R$13.710,00 no dia 19\02\2002. De acordo com as mesmas páginas 1.225 dos autos, o crédito em tela também representa estorno de pagamento, cujo débito está devidamente registrado nas mesmas páginas. R$110.000,00 no dia 28\06\2002. O Doc. 06 de lavra da autoridade fiscal autuante (fls. 300), indica esse lançamento como tendo número de documento 553382000200198. Todavia, o extrato bancário de fls. 1.295 indica o lançamento de um crédito nessa mesma conta e nesse mesmo valor e data, porém com número de documento diverso do indicado no Doc. 06, qual seja: 553382000404342. Contudo, mesmo diante dessa clara incongruência que por si já é suficiente para afastála da base presumida, é possível perceber que o valor aportado na referida conta fora oriundo de transferência da conta bancária de titularidade da própria Autuada, a de n° 404.3421 da Ag: 04529 do BB, como, aliás, atesta a própria sequência final do número de documento que consta do extrato. A indicação de que se trata de transferência sem CPMF corrobora tratarse de transferência entre contas de mesma titularidade, devendo, portanto, ser excluída da base tributável. R$104.651,00 no dia 22\07\2002. Conforme demonstra às fls. 1296, o valor em foco está lançado como Estorno Aut. PGT com o n° de documento 076487, que referese ao estorno do cheque do mesmo valor, de mesmo número (076487), e no mesmo dia (fls. 1296 verso). R$14.437,00 no dia 05\08\2002. O extrato constante do verso das fls. 1.298, demonstra tratarse de Estorno Automático de Pagamento, com n° de documento de 076585, que de acordo com às fls. 1.299 referese ao cheque debitado no mesmo dia, ou seja, tratase de estorno do referido cheque. R$9.924,00 em 15\08\2002. O crédito consta no extrato de fls. 1.300 verso, como Cheque sem Fundo e com n° de documento 076654. Conforme facilmente se depreende da página 1300, referese a crédito decorrente do cheque compensado e devolvido na mesma data. R$6.501,42 datado de 28\08\2002. A legenda do extrato constante às fls.1.302, demonstra que o crédito em destaque se deu em razão de Estorno Aut. Pgt. com n° 076739. Na sequência do extrato, na mesma página, percebese que se trata de estorno de um débito ocorrido na mesma data, mesmo valor e mesmo número. R$5.000,00 do dia 04\09\2002. Segundo consta às fls. 1.303, o crédito em questão, com n° de documento 076786, tratase também de Estorno Aut. Pgt, que de acordo com a sequência do extrato (às mesmas páginas) referese a devolução do cheque de mesmo número emitido no mesmo dia. R$ 10.000,00 do dia 04\09\2002. O crédito está lançado no extrato à fls. 1.303 com o título de Transferência online. O extrato da conta n° 404.3421 do Banco do Fl. 5226DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 16 15 Brasil, da própria Voetur Cargas, juntado às fls. 1.337 dos autos, comprova a transferência desse valor para aquela outra conta, o que indica tratarse de transferência entre contas de mesma titularidade. R$ 5.000,00 do dia 05\09\2002. O crédito está no lançado no extrato constante do verso das fls. 1.303 com o título de transferência. O extrato da conta n° 404.342 1 do Banco do Brasil, da própria Voetur Cargas, juntado às fls. 1.337 dos autos, comprova a transferência desse mesmo valor para aquela outra conta, o que indica tratarse de transferência entre contas de mesma titularidade. R$ 5.000,00 do dia 06\02\2002. O crédito está lançado no extrato constante do verso das fls. 1.303 com o título de transferência. Esse valor foi estornado da conta no mesmo dia, mas, de qualquer modo de acordo o extrato da conta n° 404.3421 do Banco do Brasil, da própria Voetur Cargas, juntado às fls. 1.337V dos autos, comprova a transferência desse mesmo valor para aquela outra conta, o que indica tratarse de transferência entre contas de mesma titularidade. R$ 50.000,00 do dia 09\09\2002. Esse lançamento está discriminado às fls. 1.303V, cujo histórico se refere à Transferência, com data de lançamento no dia 09\09. Compulsandose o extrato de fls. 1.337V da conta 404.3421, verificase um lançamento a débito na mesma data com histórico de TRF. SEM CPMF, de forma que comprovado tratarse de transferência entre contas de mesma titularidade. R$ 50.000,00 do dia 09\09\2002. Segundo o extrato de fls. 1.303V, o crédito cujo histórico se refere à transferência, foi estornado no mesmo dia. Porém o próprio número de documento, e o extrato da conta n° 404.3421 fls. 1.337V, demonstram que a origem desse valor é uma transferência entre conta de mesma titularidade. Item n° 2 – Dos Mútuos. Os mútuos envolvem outras empresas parceiras, e, apesar dos esclarecimentos prestados à Fiscalização, não foram objeto de verificação da diligência determinados pagamentos que se referem a amortização de empréstimos concedidos. Doc. 02. Quanto aos créditos bancários de R$40.000,00 no dia 21\01\02 R$28.000,00 no dia 29\01\02, conforme a própria autoridade fiscal teve a oportunidade de constatar, não foram mesmo realizados pela empresa Voetur Turismo, mas sim pela Voetur Operadora, que também está sob o mesmo controle acionário. Não obstante, tal constatação não permite concluir que o crédito em questão não corresponde à receita da atividade da Autuada. Em verdade, tais depósitos estão relacionados na planilha apresentada pelo Contribuinte e lançada às fls. 2.060AP dos autos, o qual demonstra que se trata de pagamentos de parte de mútuo, concedido no decorrer de outubro de 2001, no valor conjugado de R$70.000,00 concedido a empresa depositante (Voetur Operadora), e respaldados pelo razão de ambas as empresas (fls. 1.850 e 1.969). Os comprovantes das respectivas contas bancárias creditadas e debitadas constam do doc. 02 em anexo, o que comprova a transferência do numerário para a Operadora e sua posterior devolução. Fl. 5227DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 17 16 No que tange aos pagamentos efetuados pela Voetur Turismo relacionados no DOC. 02, de R$ 67.000,00 no dia 25\02\02 e de R$30.000,00 no dia 06\05\02, não foram, à época, apresentados os respectivos comprovantes de depósito. No entanto, a não apresentação de tais elementos em diligência deuse em razão do volume de documentos solicitados naquela oportunidade e da exiguidade do prazo concedido. Mas, aproveita a Contribuinte para também apresentálos neste instante (doc. 03), e assim afastar qualquer eventual dúvida quanto à origem dos créditos aventados. Quanto ao depósito de R$ 100.000,00 no dia 06\05\02, concluiu o agente fiscal que tal valor teria sido de autoria não da Voetur Turismo como alegado, mas sim da Vip Service Club Locadora, e os autos não reuniria dados suficientes para afirmar os motivos da sua realização. Embora o depósito tenha sido de fato, realizado pela empresa indicada, trata se também de devolução de parte de um "empréstimo" de R$ 110.000,00 concedido em 30\04\02 (contrato às fls. 2.006AP). Os extratos que compõe o doc. 04 ora anexado, comprovam a saída de R$ 110.000,00 da conta da Autuada e a entrada na conta Vip Locadora, e na sequência a devolução de parte desse empréstimo (100 mil reais) no dia 06\05\2002. Doc. 09. Grande parte dos lançamentos que compõem o documento 09 teve sua análise prejudicada pela fiscalização por ter ela se limitado a verificar se tratavam meramente de resgate de aplicação financeira como alegado em sede de impugnação, mesmo tendo sido demonstrado, durante a execução da diligência, que tratavase de amortização de mútuos. Os depósitos não verificados e relacionados a pagamentos de mútuo são os abaixo indicados. R$100.000,00 no dia 20\01\03. O depósito está especificado no encontro de contas de fls. 2.068, sendo parte do pagamento do mútuo concedido pela Autuada à Voetur Turismo em 04\02\2002 no valor de R$ 1.173.000,00, cujo comprovante de depósito está lançado às fls. 2.162AP. R$18.000,00 no dia 02\10\03. Tratase de parte do pagamento do mútuo concedido em 19\02\2002 no valor de R$ 3.000.000,00, cujo comprovante de depósito consta às fls. 2.196AP. R$50.000,00 no dia 08\10\03. Também representa parte do pagamento do empréstimo datado de 19\02\2002 no valor de R$ 3.000.000,00, conforme exposto no encontro de contas de páginas 2.069AP, sendo sua origem uma transferência bancária demonstrada às fls. 2.202. R$50.000,00 no dia 15\10\03. Da mesma forma, referese a abatimento do empréstimo do dia 19\02\2002 no valor de R$ 3.000.000,00, especificado às fls. 2.070, e comprovante de transferência anexado às fls. 2.207AP. R$25.000,00 no dia 15\10\03. Pagamento de parte do empréstimo de R$ 3.000.000,00 concedido no dia 19\02\2002, conforme detalhado às fls. 2.070AP, decorrente da transferência bancária demonstrada às fls. 2.208AP. R$ 50.000,00 no dia 17\10\03. Da mesma forma, o encontro de contas de fls. demonstra tratarse de amortização do mesmo empréstimo de 19\02\2002 no valor de R$3.000.000,00 (fls. 2.070AP), cujo comprovante bancário consta às fls. 2.209AP. Fl. 5228DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 18 17 R$ 20.000,00 no dia 21\10\03. Representa pagamento de parte do mútuo concedido em 19\02\2002, no valor de R$ 3.000.000,00, especificado no encontro de contas de pág. 2.070AP, e encontra respaldo no comprovante de fls. 2.212AP. R$ 15.000,00 no dia 24\10\03. Pagamento de parte do mútuo concedido em 19\02\2002 no valor de R$ 3.000.000,00, especificado às fls. 2.070, e comprovado pelo extrato de fls. 2.217. R$ 40.000,00 no dia 30\10\03. Por fim, este o crédito é decorrente, nas esteiras dos antes indicados, como parte do pagamento do mútuo concedido em 19\02\2002, no valor de R$ 3.000.000,00, cuja origem está em destaque às fls. 2.219. Item 03 da Diligência Valores em duplicidade. É importante destacar que a diligência confirmou a duplicidade de valores apurados pela autuação fiscal, em um patamar superior a 70% do que seria a receita omitida, o que torna clara a fragilidade do ato administrativo e atenta contra a sua própria validade. Nesse contexto, reafirma a contribuinte que não há elementos que permitam manter a autuação relacionada à omissão de receitas, em razão dos gritantes equívocos da autoridade autuante. Item 04 da Diligência – Verificação dos Comprovantes de Rendimento e Retenção na Fonte. 4.1. Contabilização dos Comprovantes de Rendimentos Anexados aos Autos. Na resposta a essa indagação, a auditoria fiscal em diligência, concluiu que não haveria como aferir se, de fato, a receita apresentada em sede de impugnação teria sido lançada nos livros de escrituração obrigatória, em razão da escassez dos dados apresentados em face de suas solicitações, e de não haver detalhamento, por clientes, dos valores lançados na conta 4.1.1.01.001 (Faturamento Clientes). Não obstante a posição adotada pela autoridade fiscal, o Contribuinte reitera que as únicas fontes de receita que alimentaram a conta contábil analisada pela fiscalização foram exclusivamente, aquelas indicadas no caderno procedimental. E não poderia ser diferente haja vista que a maior parte dos serviços que disponibiliza, são prestados a Órgãos Públicos, como, aliás, consta na resposta juntada as fls. 2.16970AP. Em verdade, a opção de tributação pelo regime de caixa levou o contribuinte a escriturar os valores faturados apenas no dia em que eram efetivamente creditados em seu favor, ou seja, havendo o pagamento de algum faturamento em determinado dia, a somatória do valor creditado no dia era transportada e conseqüentemente creditada na conta contábil questionada, com a especifica descrição de tratarse de recebimento de órgão público. Vale aqui esclarecer que o valor considerado mês a mês pelo fiscal como faturamento na planilha anexada às fls. 2.262AP e s. elaborada a partir dos dados apresentados em impugnação, dificilmente coincidiria com algum dos lançamentos daquela conta contábil, porque, embora esteja indicado o valor faturado no mês por determinado Órgão em favor da Autuada, não está ali especificado o detalhe de que esse valor não se converteu em receita da contribuinte num único dia. Fl. 5229DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 19 18 Isso quer dizer que embora a contribuinte tenha, por exemplo, recebido da Coordenação Geral de Recursos do MS, a quantia de R$1.365.047,16, em janeiro de 2002, esse montante é apenas um valor consolidado do mês, o que implica reconhecer que não foi pago num único dia de janeiro, mas sim vários valores em dias alternados no decorrer desse mesmo mês, ou em alguns casos, pode até ter sido recebido em alguns dos meses subseqüentes, representando, por óbvia consequência, várias faturas e não uma única, o que, aliás, explica algumas divergências entre o faturamento informado e o efetivamente contabilizado. Visando esclarecer toda essa situação, conforme atesta a resposta dada em 30\01\2012 (fls. 2.169), a Impugnante até disponibilizou a fiscalização todo o seu faturamento dos exercícios de 2002 e 2003, mas que, talvez em razão do seu grande volume, não foi objeto de análise. Certamente se houvesse o cuidado de verificar, ao menos a titulo de amostragem, as nuances do faturamento da Autuada e a sua contabilização, a resposta a dúvida desta DPJ seria outra. E para se comprovar que ora se alega, o Contribuinte cita, a titulo de amostragem, a escrituração do recebimento de faturas no mês de março de 2003, emitidas contra a Coordenação Geral de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde, no montante liquido de R$ 1.437.704,03, que acrescidos dos valores retidos de R$ 82.810,83, correspondem ao exato valor escriturado em 25\03\03 no montante de R$ 1.520.514,36 (fls. 961). Os extratos bancários anexados demonstram o recebimento do valor liquido informado, bem como os documentos do Órgão Público (doc. 05 anexo) atestam esse mesmo pagamento, de forma que o valor lançado contabilidade no dia 23\03\03, comprovadamente corresponde ao montante da fatura trazida em impugnação. De toda forma, como o portfólio de clientes do Contribuinte está no setor Público, e não havendo sustentação a anterior alegação de omissão de receita, não há outra conclusão plausível se não admitir que a receita contabilizada é sim, fruto dos comprovantes de rendimentos verificados em diligência. Por essa razão, entende o Contribuinte que os comprovantes de rendimentos trazidos em impugnação, correspondem, senão na íntegra, ao menos no que lhe é compatível em termos de valores, com a receita escriturada na conta clientes. 4.2. Receita de Prestação de Serviços Tributada nos Autos. Como a receita contabilizada foi integralmente tributada na autuação, em razão de não ter sido declarada, e sendo ela fomentada pela receita de prestação de serviços, óbvio concluir que esta última integra a base tributada nos presentes autos. 4.3. Aproveitamento de IRRF. Em resposta a indagação do Agente Fiscal sobre ter sido, os valores retidos, objeto de compensação ou pedido de parcelamento o Contribuinte informa e reitera nesse momento que tais retenções foram lançadas na respectiva conta IRRF a recolher, e debitadas do IRPJ apurado da receita contabilizada e aqui novamente tributada. Não houve qualquer pedido de compensação, nem deduzido dos valores reconhecidos em PAES, o que pode perfeitamente ser apurado do próprio sistema do Órgão Tributante. Fl. 5230DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 20 19 Por outro lado, os valores escriturados a titulo de retenção, foram quase que integralmente confirmados pela autoridade fiscal, não parecendo haver qualquer dúvida quanto a sua existência. Contudo, o único detalhe que parece ter fugido a compreensão do fiscal que conduzia a diligência, é que o "IRRF a recuperar" debitado na conta relativa ao "IRPJ a pagar", tanto em relação ao exercício de 2002 quanto ao de 2003, não se coadunam com os valores verificados na especifica conta do "IRRF a Recuperar" como ele próprio pôde constatar, em razão do simples fato de que o saldo desta conta foi utilizado apenas em parte. Isso facilmente de percebe quando se verifica que o saldo da conta "IRRF a Recuperar" foi diminuído na exata proporção do valor transportado para a conta do "IRPJ a pagar", restando na respectiva conta creditada apenas o valor remanescente. Item 05 da Diligência –Existência de Valores Retidos a Título de PIS, CSLL e Cofins. Em resposta a esse item, o agente fiscal respalda sua negativa, na diligência executada, em prestar a informação solicitada, na suposta impossibilidade de ter verificado se a receita originária das retenções estariam contabilizadas nos livros fiscais do Contribuinte. Em que pese essa afirmação ser, como vimos, equivocada, nos parece que a única dúvida do Colegiado Julgador situase na existência do crédito retido em favor da Autuada, o que, concessa venia, está perfeitamente demonstrado não só nos autos, mas pode ser aferido dos sistemas informatizados da Receita, através das respectivas DIRFs dos Órgãos que efetuaram as retenções. Item 06 da Diligência – PAES. Nada há a ser acrescentado quanto a este especifico assunto, a não ser o fato de que do montante do tributo remanescente, deve ser excluído o valor parcelado e ali informado como, aliás, o fez a autora do lançamento. Item 07 da Diligência – Dedução da Base de Cálculo do Prejuízo Escriturado no LALUR. O que merece ser destacado na resposta dada a indagação contida no item 7 oriunda desta Turma Julgadora, é o fato de que em nenhum momento a fiscalização preocupouse em efetivamente responder ao questionamento que lhe foi dirigido. Todavia, embora informe os valores zerados da DIPJ, informação essa que, aliás, já estava a disposição de quem se analise os autos, o Sr. Fiscal reconhece que os informativos contábeis lhe disponibilizados, confirmam a existência de prejuízo no 3º trimestre de 2003, embora em valor superior ao escriturado no LALUR. Como a escrita fiscal, acredita a Impugnante, deve prevalecer, até porque além de não ter sido desclassificada serviu de base para apuração do tributo lançado, o valor do prejuízo não pode ser descartado na apuração do valor tributável nos últimos trimestres de 2003. Da Indevida Forma de Apuração do Tributo. O art. 288 do RIR/99 indicam que uma vez apurada a omissão de receitas, os tributos correspondentes deverão ser apurados com fiel observância ao regime de tributação optado pelo contribuinte, no caso em tela, o lucro real. Contudo, na presente autuação, a autoridade tributária, ao apurar irreal e enorme movimentação financeira, valores que foram Fl. 5231DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 21 20 levados para a base de cálculo, fez com que os tributos lançados incidissem sobre toda a receita bruta. A bem da verdade, é forçoso reconhecer que a escrita fiscal apresentada não reunia em seu bojo parâmetros seguros que pudessem permitir do devido dimensionamento do lucro real do exercício autuado. Assim, deveria o tributo ter sido apurado por meio do arbitramento, o que não foi feito pela Fiscalização. Jurisprudência do Conselho de Contribuintes (1º CC, 8ª Câmara, Acórdão n° 10808.953 em 16.08.2006, publicado no DOU em 02\01\01, e 1º CC, 3ª Câmara, Acórdão 10322.616 em 20.09.06 publicado no DOU em 24.11.06) e do CARF (3a Câmara da 1ª TO da 1ª Seção do CARF, Acórdão n° 130100.042 de 12.03.09) indicam que, uma vez detectada omissão de receitas com uso de presunção relativa prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e sendo o montante vultuoso, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o lucro real, caso em que a tributação deveria ser apurada com base no lucro arbitrado. Tratase do caso em análise, em que, diante da grandeza da omissão de receitas, resta evidente que a forma de apuração adequada seria o arbitramento. Por fim, requer que seja oportunizada a juntada de novos documentos e provas. VI. Petição Complementar da Contribuinte em face da Resposta da Diligência da DRJ/Brasília Foi apresentada petição complementar pela impugnante, em 10/15/2012, fls. 4806/4811, nos seguintes termos. Omissão de Receita. Doc. 04. R$3.500.000,00. Tratase de depósito de R$3.500.000,00 do dia 18/02/2003, da conta bancária n° 404.3421 da Agência 33820 do Banco do Brasil que não foram confirmados pela Fiscalização na diligência. Apesar de o próprio Impugnante ter informado que se trataria de pagamento de mútuo concedido a empresa do mesmo Grupo Econômico, a análise do extrato e as diligências empreendidas junto a instituição financeira que mantém a referida conta bancária deram o suporte necessário para que fosse identificada a efetiva origem do suposto crédito em referência. Conforme atesta a sequência de eventos que compõe o extrato da averiguada conta, no dia 18/02/2003 foram realizadas 2 (duas) TEDs no valor R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais). Contudo, a primeira delas de n° 0000004 foi devolvida, gerando por sua vez, com o mesmo número de documento, o crédito de R$ 3.500.000,00 e que foi justamente tributado. A segunda TED foi devidamente processada. Portanto, o que fugiu da compreensão da própria impugnante no primeiro momento, é que o crédito questionado pela autuação nada mais representa do que estorno de um valor indevidamente transferido da conta bancária. Para ilustrar a situação, o Banco do Brasil emitiu a declaração de fls. 4811 anexa, no qual apresenta esclarecimentos e demonstra que não há fundamento hábil para se Fl. 5232DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 22 21 manter a presunção de omissão sobre o referido crédito, vez que o valor de R$3.500.000,00 representa estorno de uma TED indevidamente realizada. O Acórdão n. 0350.500 –da 2ª Turma da DRJ/BSB julgou parcialmente procedente a autuação, às fls. 4887/4943, estruturando sua decisão nos seguintes tópicos: 1. Preliminar. Obtenção das Informações Bancárias. Inocorrência de Quebra de Sigilo Bancário. Desnecessidade de Autorização Judicial; 2. Prejudicial de Mérito. Decadência; 3. Mérito. Esclarecimentos Iniciais; 4. Infrações Tributárias. Omissão de Receitas. Receitas Contabilizadas e Não Declaradas; 5. Prejuízo Contábil. Ano Calendário de 2003; 6. Apuração do Tributo: 6.1 Comprovantes de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte; 6.2 Parcelamento PAES; 7. PIS/Cofins. Base de Cálculo. Inclusão do ICMS e ISS; 8. Matéria Preclusa; 9. Revisão da Base de Cálculo. Apuração dos Tributos Lançados de Ofício Mantidos; 10. Conclusão Aseguir relatase ponto a ponto as fundamentações constantes no Acórdão recorrido às fls. 4887/4943: 1. Preliminar. Obtenção das Informações Bancárias. Inocorrência de Quebra de Sigilo Bancário. Desnecessidade de Autorização Judicial; A Ementa do Acórdão da DRJ sintetiza toda a fundamentação deste item, que ora transcrevo: SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. EMISSÃO DE RMF. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. O fornecimento de informações pelas instituições financeiras sobre a movimentação do sujeito passivo, na forma da Lei Complementar nº. 105, de 2001, não constitui quebra de sigilo. Tratase de medida que prescinde de autorização judicial, quando promovida nos termos da lei, durante procedimento Fl. 5233DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 23 22 fiscal em curso no qual a autoridade tributária constate ser indispensável o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras. 2. Prejudicial de Mérito. Decadência; O Acórdão recorrido adotou o entendimento doParecer PGFN/CAT nº. 1.617, de 2008, que determina a aplicação do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN quando ocorrer pagamentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parcial, dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Transcrevese o voto: Nesse contexto, o termo para contagem decadencial adota como referênciaa data 28/12/2002, considerandose que a ciência dos Autos de Infração foi dada em28/12/2007. Assim, no que concerne ao IRPJ e a CSLL, os lançamentos com F.G.31/03/2002, 30/06/2002 e 30/09/2002 estão fulminados pela decadência. Por sua vez, os lançamentos de PIS e a Cofins, cujos fatos geradoresestejam compreendidos entre os meses de janeiro a novembro de 2002, também se encontramdecaídos. São lançamentos de ofício que devem, portanto, ser afastados, em razão dedecadência.Para os demais casos, será apreciado o mérito. 3. Mérito. Esclarecimentos Iniciais;4. Infrações Tributárias. Omissão de Receitas. Receitas Contabilizadas e Não Declaradas; Vale ressaltar que os eventos referentes a lançamentos de ofício cuja decadência foi reconhecida constituemse em matéria já superada, razão pela qual prescinde de apreciação. 4. Infrações Tributárias. Omissão de Receitas. Receitas Contabilizadas e Não Declaradas; (..) os quadros a seguir apresentam, para cada depósitobancário em debate, o resultado da diligência, a manifestação da impugnante externada nasduas petições, e a solução proposta, qual seja, se o depósito deve ser mantido ou afastado daapuração da base de cálculo dos lançamentos de ofício em debate. Fl. 5234DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 24 23 Todos os demais quadros estão descritos no voto do Acórdão recorrido às fls. 4913 a 4924, razão pela qual deixase de transcrever, uma vez que ao final o Acórdão traz um quadro sintetizador dos débitos remancentes cujo colegiado entenderam como devidos. 5. Prejuízo Contábil. Ano Calendário de 2003 (..) a Fiscalização, ao identificar a infração“RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS”, que resultou no lançamento deofício referente ao F.G. 31/12/2003, considerou como valor tributável o montante deR$2.597.477,04, valor extraído da parte A do LALUR de fls. 1968/1970. No mesmo LALUR,parte B, às fls. 1972/1974, constatase o registro de prejuízo fiscal, para o IRPJ e CSLL, noterceiro trimestre no valor de R$1.365.869,10, e no quarto trimestre de R$586.625,99. Por sua vez, o resultado da diligência efetuada pela Fiscalização indica, emanálise da conta 5.1.1.01.044 – RESULTADO DO EXERCÍCIO, que a diferença entre osvalores dos lançamentos a débito e a crédito na referida conta ocorridos no 3º trimestre perfazo mesmo valor de R$ 1.560.535,34. Assim, diante das constatações apresentadas, e para adotar o mesmocritério da autuação fiscal, que tomou como referência para efetuar o lançamento os valoresregistrados no LALUR, há que se reconhecer a ocorrência de prejuízo fiscal, referente aoterceiro e quarto trimestre do ano calendário de 2003, nos valores de R$1.365.869,10 eR$586.625,99, respectivamente, nos termos do art. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995. (...) Portanto, em tópico adiante, ao ser apurada a base de cálculo mantidareferente aos lançamentos de ofício da presente autuação, será efetuada a compensação doprejuízo fiscal referente ao terceiro e quarto trimestres do ano calendário de 2003. 6.1 Apuração do Tributo Comprovantes de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte Fl. 5235DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 25 24 Reclama a impugnante pelo aproveitamento dos valores retidos na fonte e parcelados no PAES, para a devida apuração dos tributos lançados de ofício. Tendo em vista os argumentos apresentados pela impugnante em suadefesa, a DRJ/Brasília encaminhou diligência, cujos quesitos levantados pela autoridadejulgadora e as principais conclusões extraídas do Relatório Fiscal elaborado pela Fiscalizaçãoencontram se transcritos a seguir. Em resposta datada de 30/01/2012 (fls. 2.120 e 2.121), o contribuinte não apresentou o razão analítico solicitado e prestou informações as quais não atenderam ao que fora requisitado. Não se manifestou, outrossim, em relação à forma de contabilização dos tributos retidos na fonte. Em síntese, se resumiu a informar que ofertava sua receita à tributação pelo regime de caixa c que os dados sobre os clientes que efetuaram os pagamentos, os quais deveriam estar registrados na conta "4.1.1.01.001 Faturamento a Clientes", não mais se encontravam em seus arquivos. Diante do exposto, não há elementos suficientes para informar "se a receita de prestação de serviços constante dos referidos documentos (fls. 1630 a 1825) encontra se devidamente contabilizada nos livros de escrituração obrigatória". Colaciona aqui a ementa do Acordão recorrido por entender que se encontra clara e suficiente a fundamentação deste tópico: RETENÇÃO NA FONTE. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE AS RECEITAS FORAM OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Diante da impossibilidade de a contribuinte comprovar se as receitas decorrentes de prestação de serviços, que foram objeto de retenção na fonte, foram devidamente contabilizadas nos livros de escrituração obrigatória e oferecidas à tributação, não há que se aproveitar os valores dos tributos retidos na fonte na apuração dos lançamentos de ofício. No tocante aos créditos dos pagamentos efetuados no PARCELAMENTO PAES, esclarece a autoridade tributária que os valores pleiteados pelaimpugnante já teriam sido compensadosno próprio auto de infração.Inclusive, na petição de fls. 4721/4746, a impugnante reconhece que aautoridade autuante procedeu corretamente.Portanto, não há reparos a fazer no procedimento da Fiscalização. 7. PIS/Cofins. Base de Cálculo. Inclusão do ICMS e ISS; Ementa do Acordão: PIS/PASEP. ANO CALENDÁRIO 2002. REGIME CUMULATIVO. ANO CALENDÁRIO 2003. REGIME NÃO CUMULATIVO. COFINS. Fl. 5236DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 26 25 REGIME CUMULATIVO. ICMS. ISS. EXCLUSÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Tanto na Lei nº 9.718, de 1998, que dispõe sobre o regime cumulativo para o PIS/Pasep e a Cofins, quanto na Lei nº 10.637, de 2002, que trata do regime não cumulativo para o PIS/Pasep, não há nenhuma previsão para se excluir, daquele contribuinte submetido à tributação comum, o ICMS ou o ISS da base de cálculo das aludidas contribuições sociais incidentes sobre o faturamento ou receita bruta. 8. Matéria Preclusa; Ementa do Acordão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2002, 2003 MATÉRIA PRECLUSA. PETIÇÃO COMPLEMENTAR. QUESTÃO DE DIREITO APRESENTADA INTEMPESTIVAMENTE. Não deve ser apreciada questão de direito suscitada pela contribuinte em petição complementar apresentada fora do prazo previsto pelo artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF). 9. Revisão da Base de Cálculo. Apuração dos Tributos Lançados de Ofício Mantidos; Os valores totalizados, a cada mês, dos depósitos afastados pelo presentejulgamento decorrentes da movimentação financeira, assim como aqueles mantidos,encontramse listados nos quadros a seguir. Fl. 5237DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 27 26 10. Conclusão O voto condutor foi no sentido de julgar pela procedência em parteda impugnação apresentada, para alterar o crédito tributário exigido, conforme os quadrosapresentados a seguir”. Fl. 5238DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 28 27 Considerando que houve exoneração de crédito tributário superior ao limite de alçada, foi interposto recurso de ofício pela 2ª Turma da DRJ/BSB. A recorrente apresentou recurso voluntário às fls. 4953/4975, alegando, em síntese, que a decisão de 1ª instância deveria ser reformada, considerando que: a) Houve a comprovação da origem dos depósitos bancários que foram mantidos pela DRJ, conforme documentação anexada; b) Houve comprovação dos mútuos efetuados entre as empresas; c) Devem ser aproveitados os créditos de IRRF demonstrados na diligência fiscal, uma vez que as receitas auferidas destas retenções estariam inevitavelmente ou já escrituradas e tributadas, ou inseridas na base tributável da presente autuação; d) Ademais, tendo sido escrita fiscal tomada por regular, deverseiatambém considerar os saldos acumulados da conta “IRPJ a Recuperar” para dedução dos tributos lançados no auto; Fl. 5239DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 29 28 e) Deve ser julgada a autuação improcedente, tendo em vista a incorreta apuração do IRPJ e CSLL, uma vez que, conforme jurisprudência do CARF, constatada vultosa omissão de receita a partir de movimentação financeira, deveria a autoridade administrativa ter arbitrado o lucro da empresa; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Conforme exposto no preâmbulo do relatório ao norte, fui designado pelo Presidente da 1a Câmara redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. E, tendo participado do julgamento em questão, observo que, na ocasião, foi disponibilizada pelo relator minuta do relatório e voto proferido na sessão. Nestes termos, o conteúdo do voto a seguir transcrito corresponde ao voto proferido pelo seu relator originário, conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares: Tratase de recurso de ofício e recurso voluntário contra o Acórdão n. 03 50.500 lavrado pela 2ª Turma da DRJ/BSB. Em razão de preencherem os requisitos legais de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Por razões didáticas, primeiramente se analisará o recurso de ofício interposto pela 2ª Turma da DRJ/BSB, para, em seguida, analisar o recurso voluntário da recorrente. I Do Recurso de Ofício O crédito tributário exonerado pelo Acórdão n. 0350.500 da 2ª Turma da DRJ/BSB passa por três pontos que devem ser analisados, a saber: a) Decadência dos lançamentos tributários do 1º, 2º e 3º trimestre de 2002 em relação ao IRPJ e CSLL, bem como dos meses de janeiro a novembro em relação à PIS e COFINS; b) Comprovação da origem dos depósitos bancários tomados como receitas omitidas a partir da presunção relativa do art. 42 da Lei nº 9.430/96 verificados pela diligência fiscal; c) Dedução do prejuízo contábil da base de cálculo do lançamento tributário do IRPJ e CSLL do 3º e 4º Trimestre de 2003. Analisamos um a um destes pontos. Fl. 5240DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 30 29 a) Decadência dos lançamentos tributários do 1º, 2º e 3º trimestre de 2002 em relação ao IRPJ e CSLL, bem como dos meses de janeiro a novembro em relação à PIS e COFINS; Tratandose de matéria de ordem pública, o acórdão de 1ª instância ex officio considerou fulminados pela decadência os lançamentos tributários relativos 1º, 2º e 3º trimestre de 2002 em relação ao IRPJ e CSLL, bem como dos meses de janeiro a novembro em relação à PIS e COFINS. Por concordar com as razões do acórdão de 1ª instância, transcrevese parte do voto exarado no acórdão: Conforme Parecer PGFN/CAT nº. 1.617, de 2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, cujo entendimento vincula os órgãos da administração fazendária, tendo havido pagamento espontâneo pelo sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, §4º, do CTN. Contudo, caso não haja pagamento espontâneo por parte do sujeito passivo, aplicase a regra geral, do inc. I, art. 173, do CTN. Merece registro, a princípio, que a ciência dos Autos de Infração deuse em 28/12/2007. Foram efetuados lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes aos anoscalendário de 2002 e 2003. Atendose ao anocalendário de 2002, verificase, pelos extratos de DCTF dos presentes autos, que foram confessados pela contribuinte os débitos de IRPJ, relativos ao F.G. 30/06/2002 e 30/09/2002 (fl. 50) e 31/12/2003 (fl. 58). Também foram confessados débitos de PIS e de Cofins relativos a todos os meses do ano calendário de 2002 (de janeiro até dezembro), como se pode observar às fls. 623, 625, 627 e 629. Em pesquisa nos sistemas internos, acostadas às fls. 4857/4886, constatase que foram recolhidos pela contribuinte valores referentes ao IRPJ (Código de Receita 2089), F.G. 31/03/2002, CSLL (Código de Receita 2372), F.G. 31/03/2002, 30/06/2002 e 30/09/2002. Portanto, no caso concreto, tendo em vista a confissão de débitos por meio de DCTF e os pagamentos, ainda que parciais, aplicase o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Nesse contexto, o termo para contagem decadencial adota como referência a data 28/12/2002, considerandose que a ciência dos Autos de Infração foi dada em 28/12/2007. Fl. 5241DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 31 30 Assim, no que concerne ao IRPJ e a CSLL, os lançamentos com F.G. 31/03/2002, 30/06/2002 e 30/09/2002 estão fulminados pela decadência. Por sua vez, os lançamentos de PIS e a Cofins, cujos fatos geradores estejam compreendidos entre os meses de janeiro a novembro de 2002, também se encontram decaídos. São lançamentos de ofício que devem, portanto, ser afastados, em razão de decadência. Neste ponto, entendo que não merece provimento o recurso de ofício, devendo ser mantida a exoneração do crédito tributário relativos aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2002 em relação ao IRPJ e CSLL, bem como dos meses de janeiro a novembro de 2002 em relação à PIS e COFINS, uma vez que tal entendimento está de acordo com as Súmulas do CARF: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. b) Comprovação da origem dos depósitos bancários tomados como receitas omitidas a partir da presunção relativa do art. 42 da Lei nº 9.430/96 verificados pela diligência fiscal; Conforme destacado no acórdão de 1ª instância, em 16/04/2012, foi concluído o Relatório da Diligência Fiscal de fls. 4662/4712, no qual foram respondidos os quesitos elaborados pela autoridade julgadora da primeira instância. Para fins de comprovação da origem da suposta omissão de receitas levantada pela autoridade fiscal, a recorrente trouxe aos autos os Docs. 01 – 09 (extratos bancários que serviram de base para autuação fiscal). Um a um, os depósitos bancários foram analisados, afastandose aqueles que comprovadamente se tratavam de resgate de aplicações financeiras, transferência entre contas da mesma titularidade, estorno de pagamentos efetuados, depósitos provenientes de mútuos devidamente registrados na contabilidade. Neste ponto, considerando a documentação e justificativas apresentadas pelo Acórdão n. 0350.500 lavrado pela 2ª Turma da DRJ/BSB, após checagem documental, entendo restar devidamente provada a origem dos depósitos bancários afastados tanto pela diligência, quanto pela Turma Julgadora de 1ª instância, razão pela qual deve ser mantida a Fl. 5242DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 32 31 decisão de 1ª instância, conforme quadros presentes às fls. 4913 – 4924, a qual transcrevo o primeiro a título de exemplo: c) Dedução do prejuízo contábil da base de cálculo do lançamento tributário de IRPJ e CSLL do 3º e 4º trimestre do ano calendário de 2003 A questão se concentra na possibilidade de a impugnante aproveitarse de prejuízo contábil para deduzir da base de cálculo do IRPJ e CSLL lançados de ofício referentes ao anocalendário de 2003. O acórdão de 1ª instância deu provimento à impugnação administrativa neste aspecto, para adotar o mesmo critério da autuação fiscal, que se tomou como referência para efetuar o lançamento os valores registrados no LALUR, então reconheceuse ocorrência de prejuízo fiscal registrado no mesmo LALUR, referente ao 3º e 4º trimestre do ano calendário de 2003, nos valores de R$1.365.869,10 e R$586.625,99, respectivamente, nos termos do art. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, respeitando o limite legal de 30% de dedução do lucro líquido ajustado. Eis as razões do acórdão recorrido: Vale transcrever o quesito encaminhado pela DRJ/Brasília e a resposta apresentada pela Fiscalização sobre o assunto: 7. Verificar a possibilidade de se deduzir, da base de cálculo do 3a trimestre de 2003, o valor do prejuízo contábil que a autuada alega possuir, no valor de R$1.365.869,10, equivalente ao prejuízo contábil da empresa no citado trimestre, devidamente escriturado no LALUR. Conforme folha do que seria o Lalur (fl. 985), o contribuinte alegou possuir um prejuízo contábil no 3º trimestre de 2003 no valor de R$ 1.365.426,70. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, datado de 16/03/2012 (fls. 2.177 e 2.178), o contribuinte apresentou o que seriam os balancetes trimestrais do anocalendário de 2003. Em relação ao 3º trimestre, encontrase registrado um prejuízo de R$ 1.560.535,34 (fl. 2.203). Na conta 5.1.1.01.044 Resultado do Exercício (fls. 2.329 a 2.330), a Fl. 5243DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 33 32 diferença entre os valores dos lançamentos a débito e a crédito na referida conta ocorridos no 3º trimestre perfaz o mesmo valor de R$ 1.560.535,34. Na DIPJ 2004 (fls. 1.045 a 1.111), os dados relativos aos 3º e 4º trimestres encontramse "zerados". Vale observar ainda que a Fiscalização, ao identificar a infração “RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS”, que resultou no lançamento de ofício referente ao F.G. 31/12/2003, considerou como valor tributável o montante de R$2.597.477,04, valor extraído da parte A do LALUR de fls. 1968/1970. No mesmo LALUR, parte B, às fls. 1972/1974, constatase o registro de prejuízo fiscal, para o IRPJ e CSLL, no terceiro trimestre no valor de R$1.365.869,10, e no quarto trimestre de R$586.625,99. Por sua vez, o resultado da diligência efetuada pela Fiscalização indica, em análise da conta 5.1.1.01.044 – RESULTADO DO EXERCÍCIO, que a diferença entre os valores dos lançamentos a débito e a crédito na referida conta ocorridos no 3º trimestre perfaz o mesmo valor de R$ 1.560.535,34. Assim, diante das constatações apresentadas, e para adotar o mesmo critério da autuação fiscal, que tomou como referência para efetuar o lançamento os valores registrados no LALUR, há que se reconhecer a ocorrência de prejuízo fiscal, referente ao terceiro e quarto trimestre do ano calendário de 2003, nos valores de R$1.365.869,10 e R$586.625,99, respectivamente, nos termos do art. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. (...) Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, Fl. 5244DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 34 33 observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. (...) Contudo, o ajuste do prejuízo fiscal será admitido observandose o limite máximo de redução de trinta por cento do lucro líquido ajustado. Portanto, em tópico adiante, ao ser apurada a base de cálculo mantida referente aos lançamentos de ofício da presente autuação, será efetuada a compensação do prejuízo fiscal referente ao terceiro e quarto trimestres do ano calendário de 2003. Entendo que agiu dentro da legalidade a Turma Julgadora de 1ª instância à medida que utilizou o mesmo critério jurídico no lançamento tributário para apuração do lucro real da recorrente, primando pelo princípio da boafé administrativa que envolve as relações com a Administração Pública, uma vez que apesar de entregue a DIPJ “zerada”, constava registrado no LALUR os referidos prejuízos dos 3º e 4º trimestres do ano calendário de 2003, apenas não informada. À medida que se baseou na contabilidade da recorrente para perfazer o lançamento tributário no que concerne às receitas contabilizadas e não declaradas, devese considerar também o prejuízo contábil ali registrado para fins de apuração do lançamento tributário. Desta forma, mantémse a decisão de 1ª instância no ponto que concerne a dedução do prejuízo contábil apurado nos 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2003, nos valores de R$1.365.869,10 e R$586.625,99, respectivamente, nos termos do art. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, respeitando o limite legal de 30% de dedução do lucro líquido ajustado, conforme procedido pelo Acórdão recorrido. d) Conclusão Por estas razões, entendo por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo incólume a decisão de 1ª instância. II – Do Recurso Voluntário O recurso voluntário do contribuinte, por sua vez, destaca os seguintes pontos os quais devem passar pelo crivo da segunda instância administrativa: a) Comprovação dos restantes dos depósitos bancários mantidos pelo acórdão de 1ª instâncias como suposta omissão de receita, cuja origem foi tomada por não comprovada, presumindose omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96; b) Comprovação dos mútuos efetuados entre as empresas c) Aproveitamento dos tributos retidos Fl. 5245DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 35 34 d) A incorreta apuração do IRPJ e CSLL. Arbitramento do lucro Em relação ao item (A) e (B), a Recorrente requer a comprovação da origem dos seguintes depósitos bancários: Doc. 04 Banco do Brasil Ag. 33820 / CC 404.3421 Depósito 07/01/2003 R$ 200.000,00 Não procede o pedido de exclusão. De acordo com o Resultado da Diligência, não há nos autos provas da origem do crédito bancário. Não foi impugnado na Manifestação do Contribuinte. A DRJ acompanhou o resultado da Diligência mantendo o depósito. E novamente o contribuinte nada trouxe de documentação para comprovar o alegado, razão pela qual mantémse a tributação do depósito bancário. Doc. 05 Banco do Brasil Ag. 33820 / CC 404.3421 Depósito –30/05/2003 R$ 1.280,00 Procede o pedido de exclusão. Foi um mero erro de fato no Acórdão da DRJ, que entendeu como estorno, contudo, manteve na planilha de depósito bancário mantidos. Doc. 09 Bradesco Ag. 6068 / CC 135.202 Depósito 20/01/2003 R$ 100.000,00 Fl. 5246DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 36 35 Depósito 02/10/2003 R$ 18.000,00 Depósito 20/01/2003 R$ 50.000,00 Depósito 15/10/2003 R$ 50.000,00 Depósito 16/10/2003 R$ 25.000,00 Depósito 17/10/2003 R$ 50.000,00 Depósito 21/10/2003 R$ 20.000,00 Depósito 24/10/2003 R$ 15.000,00 Depósito 30/10/2003 R$ 40.000,00 Não procede o pedido de exclusão desses depósitos. A recorrente, apesar de sustentar que se trata de operações de mútuo entre empresa coligadas/controladas, não trouxe aos autos provas cabais de sua alegação. Juntou somente alguns comprovantes de transferência bancárias,cujos valores e data são diferentes com a data do depósito bancário em questão. Considerando que tanto a DRF, em sua diligência fiscal,quanto a DRJ em seu Acordãoasseverou acerca da impossibilidade de conclusão dos mútuos apenas com a documentação nos autos, caberia ao contribuinte ter realizado essa correlação documental, ainda que juntando documentos contábeis não trazido antes aos autos. Apesar do contribuinte explicar que se trata de pagamentos parciais do mútuo anterior em valor bem elevado, o fato é que inexiste nos autos provas contábeis, documentais que façam a devida correlação. Dessa forma, entendo por manter a presunção de omissão de receitas em face dos depósitos bancários não escriturados e nem comprovados. Em relação ao item (C), aproveitamento dos tributos retidos para abatimentos dos tributos lançados entendo que assiste razão ao contribuinte. Fl. 5247DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 37 36 Como ficou consignado nos autos, o contribuinte é um prestador de serviços de transportes, cuja quase a totalidade do faturamento se dá através de pagamentos realizados por órgãos públicos, por meio de Ordens BancáriasOB, creditadas na conta nº 404.3421 da Ag: 33820 do Banco do Brasil de titularidade da Recorrente, de onde, aliás, foi apurada sua maior movimentação financeira. Se se trata de pagamentos à órgãos públicos fica fácil concluir que os valores foram retidos do contribuinte, e que a favor dele reside um crédito de tributos retidos facilmente quantificado pelos sistemas da Receita Federal. Registrese que o recorrente trouxe, mês a mês aos autos diversos comprovantes do sistema SIAFI, demonstrando a realização de pagamentos via operação bancária e pelo valor líquido das notas fiscais.Prova disso os extratos de 1.357s (Vol. VII), e os docs. anexados junto ao recurso voluntário, cujo exemplo colaciono abaixo: Fl. 5248DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 38 37 Logo se a fiscalização constituiu créditos tributários sobre os depósitos bancários, cuja conta bancária é a dos pagamentos dos órgãos públicos, e considerou esses depósitos ora como omissão de receita não contabilizada, ora como resultado operacional não declarado, forçoso concluir então que necessariamente as receitas de prestação de serviço aos órgãos públicos foram tributados. Dizse isso pois ou foram tributada a título de receita operacional (2003) ou escriturada e não declarada (2002), ou está tributada a título de omissão de receita (ambos os exercícios), razão pela qual o contribuinte não pode ser expropriado de seus valores de retido na fonte. Ademais quando a fiscalização tributa receitas omitidas pelo regime de tributação adotado pelo contribuinte, é por que, em última análise, sua contabilidade guarda uma prestabilidade necessária à apuração dos tributos, do contrário teria que ser desclassificada e tributado o contribuinte pelo regime do lucro arbitrado, o que não ocorreu com o presente caso. Na verdade, o que se extrai dos autos, é que o contribuinte efetuava recolhimentos trimestrais, escriturava as receitas operacionais, entregava suas DCTF’s, enviou “zerada” suas DIPJ’s, apurava prejuízo fiscal registrado em LALUR, ou seja, mantinha uma escrituração fiscal prestável. Assim, nesse aspecto do direito à utilização dos valores de retenções de IRRF, CSLL, PIS, COFINS para abatimento dos tributos apurados no presente auto de infração, oriento meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO. Em relação ao item (D), acerca da incorreta apuração da omissão de receitas pela sistemática do Lucro Real quando há um enorme descompasso entre as receitas omitidas e aquelas declaradas,coaduno com o entendimento de que fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e CSLL conforme o lucro real. Digo isso pois não é fato gerador do IRPJ tributar a receita bruta, mas somente o lucro líquido dela derivado após alguns ajustes fiscais. Logo como não há receita Fl. 5249DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 39 38 que não seja acompanhada de uma despesa, seria um excesso de exação fiscal exigir tributação sobre a integralidade das receitas omitidas quando estas são vultuosas em relação às receitas declaradas. Essa conclusão deriva do raciocínio lógicojurídico de que o regime jurídico da tributação das receitas omitidas determina que somente em casos de imprestabilidade da contabilidade do contribuinte é que se deva arbitrar o lucro, pois essa forma além de ser excepcional é a mais gravosa. Se a tributação pelo lucro arbitrado é a forma excepcional e mais gravosa, todas as outras (lucro real, SIMPLES ou presumido) devem ser menores, ou seja, resultar numa carga tributária menor. Se é assim, então sempre que a apuração das receitas omitidas pelo lucro real ultrapassar a carga tributária apurada pelo lucro arbitrado, vedado estará a autoridade fiscal de constituir créditos tributários pelo regime do lucro real em valores superiores aqueles apurados pelo lucro arbitrado. Nesse sentido vem se assentando a jurisprudência do CARF, senão observe: ARBITRAMENTO. ART. 42 DA LEI 9.430\96. DESPROPORCIONALIDADE. Uma vez detectada omissão de receita com uso de presunção relativa prevista no art. 42 da Lei nº 9.430\96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para o computo do lucro real da pessoa jurídica, fica evidente a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base do IRPJ e CSLL conforme o lucro real. Nesse caso a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR art. 530, II, “a” e “b”) (1º CC, 8ª Câmara, Acórdão nº 108 08.953 em 16.08.2006 publicado no DOU em 02\01\01) OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e CSLL com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação ex officio pelo regime do lucro arbitrado (1º 3ª Cãmara, Acórdão 103 22.616 em 20.09.06 publicado no DOU em 24.11.06) (...) ARBITRAMENTO. ESCRITA IMPRESTÁVEL. Uma vez detectada omissão de receitas com uso de presunção relativa prevista no art. 42 da Lei nº 9.430\96, e sendo tal omissão de receitas em montante vultuoso, a evidencia enorme descompasso entre as receitas omitidas e aquelas declaradas, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e CSLL conforme o lucro real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado. Não tendo o crédito tributário sido apurado por essa forma de apuração, a exigência de IRPJ e CSLL deve ser exonerada. (3ª Câmara da 1ª TO da 1ª Seção do CARF, Acórdão nº 130100.042 de 12.03.09) Fl. 5250DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 40 39 Contudo o presente caso não se enquadra no raciocínio acima haja vista que mais de 75% das receitas tidas como omitidas no auto de infração foram afastadas pelo Acórdão Recorrido, de tal maneira que o valor restante não se considera tão vultuosa em relação a declarada/tributada. Por estas razões, entendo por conhecer de ambos os recursos, para negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da omissão de receita o depósito bancário no valor de R$ 1.280,00, realizado no dia 30/05/2003 perante o Banco do Brasil Ag. 33820 / CC 404.3421, bem como, reconhecer o direito à dedução dos valores retidos à titulo de IRRF, CSLL, PIS e COFINS sobre os pagamentos realizados por órgãos públicos nos meses de outubro, novembro, dezembro do anocalendário de 2002 e no anocalendário de 2003. É como voto. Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator É o que se reproduz da minuta de voto do relator original. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Fl. 5251DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 41 40 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O i. Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, originalmente designado redator para o voto vencedor, não teve a possibilidade de cumprir com as formalidades pertinentes à formalização do voto vencedor (assinatura eletrônica), porque os autos no sistema eprocesso não lhe foram encaminhados em tempo hábil antes de ter o seu pedido de dispensa do cargo de Conselheiro atendido. Contudo, registrese já haver sido disponibilizado pelo conselheiro, em data anterior à sua saída do CARF, arquivo magnético contendo o voto vencedor relativo ao julgamento do presente processo. Tendo efetuado a sua revisão para fins de formalização do presente voto, verifico tratarse de reprodução fiel do quanto foi apresentado em sessão e que representa, portanto, as razões que orientaram o Colegiado a, por maioria de votos, divergir (em parte) do relator, para cancelar os autos de infração de IRPJ, CSLL, e PIS relativos ao ano calendário de 2003. Nestes termos, o voto a seguir é a reprodução do mencionado voto, proferido pelo conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho: Cingese a controvérsia à necessidade ou não da aplicação, ao caso concreto, do arbitramento do lucro, previsto no art. 50, II do RIR/99, o qual dispõe que: “art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros e ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” Depreendese da leitura da referido artigo que é fundamental que, para a aplicação da sistemática do lucro arbitrado, reste demonstrado que os vícios, erros ou deficiências tornaram a escrituração contábil imprestável para identificar a movimentação financeira e, o mais importante para o presente caso, determinar o lucro real. Com efeito, a análise a ser efetuada por este órgão julgador é se os erros apontados pela Autoridade Fiscal são suficientes para que seja impossível a utilização da escrita contábil para determinar o lucro real. É de se destacar que a posição uníssona deste órgão de julgamento é no sentido de que a aplicação o arbitramento do lucro é medida excepcional, extrema, ou seja, se Fl. 5252DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 42 41 faz necessário que a autoridade fiscal percorra todos os caminhos disponíveis para tentar compor o lucro real com as informações contábeis apresentadas. Depois de exauridas todas as possibilidades, sem sucesso, aplicase, então, o arbitramento. Neste sentido, é possível citar as seguintes decisões: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA E OUTROS Anos calendários: 2005 e 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. NÃO CONTABILIZAÇÃO PARCIAL DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. PRESTABILIDADE DOS LIVROS FISCAIS. O arbitramento do lucro é medida extrema que somente deve ser utilizada pela autoridade lançadora do tributo se comprovadamente inexistirem meios que viabilizem a apuração do lucro real. A simples constatação de contas correntes bancárias não contabilizadas não se constitui, por si só, em motivo bastante e suficiente à desclassificação da escrita e ao consequente arbitramento do lucro. (...)” (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Julgado em 06/03/2013. Relator Benedicto Celso Benício Júnior) “(...) ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita.” (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Julgado em 07/11/2012. Relator Maurício Pereira Faro) “IRPJ FALTA DE MOTIVAÇÃO VÁLIDA PARA ARBITRAMENTO DO LUCRO NULIDADE A técnica do arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção requer motivação válida e bem fundamentada na impossibilidade de se aferir a verdadeira base de cálculo dos tributos por outros meios. Quando o contribuinte dispõe de escrita contábil e fiscal aptas, o arbitramento não pode ser aplicado, senão o regime pelo qual a empresa optou.” (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª. Turma Especial. Julgado em 07/11/2012. Relatora Meigan Sack Rodrigues) Desta forma, a questão a ser analisada é se os apontamentos efetuados pela fiscalização poderiam, de fato, tornar a contabilidade imprestável. O voto do Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares foi no sentido de que o caso não era de arbitramento. No entanto, a meu ver, a quantidade de receitas omitidas foi vultosa em relação às operações, dando o caráter de imprestável à escrita fiscal, sobre a qual, portanto, não poderia ter se baseado o lançamento. Com o devido acatamento, entendo que o fato de 75% do lançamento referente a omissão de receitas ter sido cancelado pela DRJ não descaracteriza o caráter vultoso Fl. 5253DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/200746 Acórdão n.º 1102001.180 S1C1T2 Fl. 43 42 das omissões. É que o julgamento pela DRJ é posterior ao lançamento. O critério adotado para efetuar tal lançamento deve ser aferido no momento em que este é realizado. Se, no curso da fiscalização, demonstrase relevantíssimo o número de receitas omitidas, o lançamento deve ser feito por arbitramento. O fato de, posteriormente, parte dessas receitas ser afastada da tributação não afeta a escolha anterior e já acabada pela forma de lançamento. Por tal razão, entendendo que, ao momento do lançamento, a forma mais adequada era pelo arbitramento. Nesse sentido, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento de IRPJ, CSLL e PIS do anocalendário de 2003. Antonio Carlos Guidoni Filho – Redator designado É o que se reproduz da minuta de voto do conselheiro originalmente designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Fl. 5254DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO
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Numero do processo: 13884.001947/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
NULIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 regra que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo, podendo ser assinada pelo chefe do órgão expedidor.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69.
A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo".
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
REMISSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não cabe remissão quando ausente previsão legal que a ampare, forte no art. 172, IV do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 regra que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo, podendo ser assinada pelo chefe do órgão expedidor. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69. A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". REMISSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não cabe remissão quando ausente previsão legal que a ampare, forte no art. 172, IV do CTN. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 19 47 /2 01 0- 61 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13884.001947/201061 Acórdão n.º 2402004.964 S2C4T2 Fl. 83 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.636,12, relativo ao anocalendário 2009 (fl. 12). A notificação decorreu da constatação de que o contribuinte entregou a DIRPF/2010 fora do prazo regulamentar, ou seja, em 22/11/2010, quando a data limite foi o último dia útil do mês de abril do ano de 2010. O contribuinte impugnou o lançamento às fls. 1/9, não logrando êxito, contudo, havendo o lançamento sido integralmente mantido no julgamento de primeiro grau (fls. 38/45). O recurso voluntário foi interposto em 8/3/2013 (fls. 51/68), reiterando os argumentos da impugnação, na sequência resumidos: nulidade da Notificação de Lançamento, pois lavrado por Delegado da Receita Federal; improcedência da multa aplicada, pois o contribuinte não teve imposto a pagar, e sim a restituir, estando inclusive sob o abrigo da denúncia espontânea; caráter confiscatório da multa; pede remissão por ser portador de cardiopatia grave. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe explicar que há previsão legal expressa para que a Notificação de Lançamento seja assinada pelo chefe do órgão expedidor no caso, Delegado da Receita Federal a saber o art. 11 do Decreto nº 70.235/1972, havendo sido expedido a notificação sob exame em conformidade com todos os requisitos constantes nessa regra normativa. Não se verificando na espécie hipótese de nulidade prevista nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não se configurando qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, cabe rejeitar a arguição de nulidade. Quanto à alegação de que a multa cobrada seria indevida, pois teria o contribuinte imposto a restituir, e não a pagar, esbarra ela mais uma vez na literalidade de disposição legal, no caso o art. 88, I da Lei nº 8.981/1991 c/c o art. 27 da Lei nº 9.532/1997, que prevêem que a apresentação da declaração fora do prazo fixado sujeita a pessoa física à multa de mora de um por cento ao mês ou fração calculada sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, por exemplo, via antecipações mensais ou retenções na fonte, ressalvados os valores mínimo (R$ 165,74) e máximo (20% do imposto devido). Nesse sentido, vejase o disposto no art. 964 do Decreto nº 3.000/1999: Art.964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: Imulta de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2 ºe 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº9.532, de 1997, art. 27); (...) §2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, §1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; O tema já foi objeto de apreciação no contencioso administrativo em diversas oportunidades, resultando na edição da Súmula CARF nº 69: Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13884.001947/201061 Acórdão n.º 2402004.964 S2C4T2 Fl. 84 5 devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Quanto à aplicabilidade da denúncia espontânea ao caso em comento, tratase de matéria também já pacificada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Registrese, ainda, que a alegação do caráter confiscatório da multa não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, vale anotar que o instituto da remissão requer previsão legal para fins de aplicação por parte da autoridade julgadora em um determinado caso concreto, forte no art. 172, IV do CTN, o que não se verifica no particular. Vejase que o eventual acometimento de moléstia grave não dispensa o contribuinte de cumprir suas obrigações acessórias, tais como a entrega da Declaração de Ajuste. Por conseguinte, correto o lançamento contestado, razão pela qual impõese a sua manutenção. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000368/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 05/01/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado.
Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informava-se incorretamente que o recurso havia sido provido parcialmente, em nítida contradição com o voto vencedor, que, corretamente, opinava por dar provimento ao recurso.
Numero da decisão: 9202-003.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão no 9202-03.181, de 8 de maio de 2014, retificando-se o resultado de julgamento, para dar provimento ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos alugueis e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital, retornando-se o processo à autoridade julgadora a quo, para fins de manifestação acerca das demais matérias constantes do Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ESTRUTURAS TUBULARES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 05/01/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informavase incorretamente que o recurso havia sido provido parcialmente, em nítida contradição com o voto vencedor, que, corretamente, opinava por dar provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão no 920203.181, de 8 de maio de 2014, retificandose o resultado de julgamento, para dar provimento ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos alugueis e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital, retornandose o processo à autoridade julgadora a quo, para fins de manifestação acerca das demais matérias constantes do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 68 /2 00 7- 81 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 9202003.752 CSRFT2 Fl. 223 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 920203.181, da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão plenária de 8 de maio de 2014, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional (efls. 199 a 210). Entretanto, a Chefe da Dicat da Derat/SPO observou que (efl. 217) o Acórdão se encontra contraditório, na medida em que o teor decisório do mesmo, no sentido de " (…) dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos aluguéis e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital (...)", diverge do voto vencedor do Conselheiro Marcelo Oliveira, em seu seguinte trecho "(…) portanto, nesta data não se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativamente aos fatos geradores ocorridos em 05/01/2002 (...)" e "Conclusão: em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto." Sendo patente a contradição, o despacho foi recebido como embargos de declaração e incluído em pauta para correção. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. É patente a contradição entre a decisão constante do Acórdão embargado e o teor do voto vencedor, sendo necessária sua correção por meio deste Acórdão, a fim de que, no decisum, conste o provimento do recurso (e não seu provimento parcial), bem como, adicionalmente, o retorno do feito à autoridade julgadora de piso, para fins de manifestação acerca das demais matérias constantes do Recurso Voluntário, de forma consistente com o pleno saneamento da contradição, aqui realizado. Noto, a propósito, que o Recurso Voluntário do contribuinte de efls. 148 a 151 contém matérias outras que não a decadência (argumentação de homologação de compensação no âmbito do feito 10880.005252/200118, que poderia prejudicar o lançamento aqui sob análise ou sua cobrança), a qual só pode ser objeto de apreciação pela autoridade a Fl. 223DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 9202003.752 CSRFT2 Fl. 224 3 quo, sob pena de supressão de instância, uma vez que não apreciadas pelo Acórdão de efls. 154 a 157. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão no 920203.181, de 8 de maio de 2014, retificandose o resultado de julgamento, para que passe a constar na decisão: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos alugueis e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital, retornandose o processo à autoridade julgadora a quo, para fins de manifestação acerca das demais matérias constantes do Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Declarouse impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka." É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 224DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003201/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento Rio de Janeiro II, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório. Por retratar os fatos que sucederam no processo até a apresentação da manifestação de inconformidade, adotase aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 03 20 1/ 20 05 -6 1 Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.299 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de débitos de IRPJ e IRRF com créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS nãocumulativa de que trata o art. 3o da Lei 10.833/2003 apurados no terceiro trimestre de 2005. A DRF/VITÓRIA exarou o Despacho Decisório de fls. 476/477, com base no Parecer SEORT nº 783/2009 de fls. 458 a 476 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 500.268,15 referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da Cofins concernente ao mês de julho de 2005 e, por conseguinte, homologar as compensações efetuadas, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer Conclusivo consta consignado, em resumo, que: 1) A empresa atua na comercialização e industrialização de óleo de soja, além de atuar na comercialização de fertilizantes. A partir de 02/2004, a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativo da Cofins; 2) Ao analisar o DACON e as Planilhas de Apuração enviadas pelo sujeito passivo, foi constatada divergência entre os valores informados. A análise da escrituração contábil, das planilhas e outros elementos apresentados demonstraram inconsistências nos valores dos créditos compensados. Conseqüentemente, foram realizados ajustes e foi gerada a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar, a fim de discriminar por filiais as eventuais glosas efetuadas; 3) O sujeito passivo equivocouse ao excluir da base de cálculo da Cofins nãocumulativa os valores decorrentes das vendas de mercadorias com suspensão. A ADM não poderia fazer jus ao benefício da suspensão prevista no art. 9o da Lei 10.925/04 anteriormente à edição da IN SRF 660 em 04/04/2006. 4) A ADM não se enquadra na definição de cerealista definida pela IN SRF 660/2006, conforme resposta ao Termo de Solicitação de Documentos 0203/2008. Também não se enquadra na definição de atividade agropecuária e nem de cooperativa de produção agropecuária delineada pelos incisos II e III do § 1o da mencionada IN; 5) As rubricas “desconto na compra de m. prima e diversos outras rendas”, registradas nos balancetes sob a codificação fiscal 411550, 411050 e 748950 deixaram de ser adicionadas à base de cálculo. Em outras situações, foram informados valores a menor em relação ao registrado nos balancetes; 6) Destarte, foram realizadas as devidas adições nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas, com vistas a atender ao que dispõe a legislação; 7) Foram excluídos créditos calculados sobre aquisições de água mineral, bens de informática, materiais de higiene pessoal, de vestuários e medicamentos por não se caracterizarem no conceito de insumos. Também foram excluídas aquisições dos setores Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.300 3 administrativos como por exemplo lápis, caneta, papel, dentre outros e dos setores de segurança, como por exemplo manutenção nos equipamentos de segurança e vestuário do pessoal encarregado; 8) O contribuinte apresentou Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas por filiais e consolidado. Foram efetuadas glosas nos itens “bens utilizados insumo industrialização: compras p/ material intermediário” nas filiais de Campo Grande, Joaçaba, Paranaguá, Passo Fundo e Uberlândia, por não se enquadrarem na definição de insumos; 9) A partir dos relatórios enviados em meio magnético, foram elaboradas as Planilhas 1 (fls. 408/416), discriminando por filiais os bens desconsiderados no cálculo dos créditos. Tais valores foram transportados para a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fls. 451) e posteriormente para a Planilha de Apuração das Contribuições nãocumulativas (fls 452/457); 10) Foram glosados os valores informados a maior nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas em relação ao que foi informado nos relatórios em meio magnético, no que tange às filiais de Campo Grande, Paranaguá e Uberlândia, conforme Planilha 2 (fls. 417/443); 11) Com relação ao item “Bens utilizados insumo industrialização: compras p/ industrialização material de embalagem”, foi apurada diferença entre as Planilhas de Apuração das Contribuições não cumulativas e os relatórios em meio magnético na filial de Campo Grande. As diferenças foram demonstradas na Planilha 3 (fls. 444); 12) Foram efetuadas glosas no item “serviços utilizados como insumo na industrialização: despesa com classificação” visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumos delineada pela legislação; 13) No que se refere ao item “serviços utiliz. Insumos industrializ.:Mão de Obra P. Jurídica (Manutenção/Conservação/Limpeza Máq. e Equip.)”, foi constatada a inclusão de serviços não aplicados ou consumidos na fabricação do produto, no que tange às filiais de Catalão, Joaçaba, Paranaguá, Rondonópolis e Uberlândia. Por não se caracterizarem no conceito de insumo foram glosados os serviços discriminados na Planilha 4 (fls. 445/449); 14) Pelos mesmos motivos foram glosados no item “serviços utilizados como insumos nas atividades portuárias: Unidades Santos e Vitória”, serviços destinados à área de comercialização; 15) O contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de locação e comprovantes de pagamentos dos aluguéis da filial Santos. Da análise dos comprovantes, constatouse que foram informados valores a maior nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas. A diferença foi considerada não comprovada e excluída da base de cálculo dos créditos; 16) Foram excluídos da apuração dos créditos, os encargos de depreciação referentes às aquisições de vagões pela filial de Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.301 4 Rondonópolis, por não serem utilizados na produção dos bens, mas sim no transporte dos bens produzidos. As glosas foram efetuadas nos meses de 2004, mas com impacto nos meses de 2005, visto que os encargos de depreciação se exaurem em 48 meses; 17) Foram efetuadas glosas no item energia elétrica nas filiais de Santos e Uberlândia, por não ter sido apresentada documentação comprobatória que lastreasse a totalidade dos valores informados; 18) Foram constatadas irregularidades na apuração dos créditos presumidos relacionados à filial de Uberlândia. Não é possível o aproveitamento de créditos decorrentes de compra para recebimento futuro (CFOP 1.922). Dos relatórios em meio magnético foi constatado o aproveitamento de crédito de compras registradas sob o CFOP 1.922 e nas compras registradas sob o CFOP 1.116, quando da entrada real da mercadoria. A Planilha 5 (fls. 450) discrimina as compras que foram desconsideradas para fins de cálculo dos créditos; 19) Uma vez preenchidas as Planilhas de Apuração das contribuições nãocumulativas, pôdese constatar que ao final do mês de julho de 2005, o sujeito passivo possuía saldo de créditos decorrentes do mercado externo no valor de R$ 500.268,15 passível de compensação. Este saldo foi integralmente utilizado para fins de compensação, não restando saldo de crédito a transferir para o mês seguinte. Nos meses de agosto e setembro não foi apurado saldo de créditos a compensar, mas sim saldo de Cofins a pagar. Destarte, foi emitido Auto de Infração para os referidos meses; 20) A despeito de o sujeito passivo ter informado no DACON saldo de créditos a compensar de períodos anteriores, ele não apresentou pedido de ressarcimento com vistas a compensar suposto saldo. Portanto, o saldo credor de períodos anteriores foi desconsiderado na análise da declaração de compensação de que trata o presente processo; 21) O processo administrativo nº 11543.003200/200516 foi apensado ao presente processo por se referir ao mesmo trimestrecalendário. Cientificada da decisão em 03/07/2009 (fls. 485/486), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/08/2009 (fls. 490 a 539), alegando, em síntese que: 1) Merece correção o posicionamento do agente Fiscal exposto no item 12, no sentido de desprezar as informações do DACON e considerar as planilhas fornecidas pela empresa. Agindo assim, passou a excluir saldos legitimamente apurados. Tal premissa não encontra guarida no ordenamento legal e deve ser reparada; 2) Verificase a necessidade expressa de se realizar perícia contábil a fim de não restar dúvida quanto à existência de créditos por parte da contribuinte, bem como sobre a regularidade do procedimento de compensação adotado, sob pena de eivar de nulidade a decisão a ser proferida. Formula os quesitos a serem respondidos; 3) Com relação a vendas de mercadorias com suspensão, a Lei 10.925/04 não é norma de eficácia contida, até porque contém todos os Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.302 5 elementos necessários (hipóteses de incidência, condições de aplicabilidade e momento da ocorrência do fato gerador). A simples demora por parte da Receita em publicar Instrução Normativa não pode ensejar vacância legal; 4) A IN 636/06 dispôs que seus efeitos retroagiam à publicação da Lei em abril de 2004. A referida IN foi revogada pela IN 660/06 que deixou de informar a retroatividade de seus efeitos. Nem mesmo esta IN veio dispor de forma contrária aos procedimentos adotados. O Sr. Auditor deixou de citar que uma das principais atividades é o comércio de vegetais a granel, o que se constata pelo CNAE das dezenas de filiais comerciais espalhadas pelo Brasil; 5) Com relação ao item Outras Receitas Operacionais, as alegações fiscais maculam a segurança jurídica, vez que não existem demonstrações do que fora supostamente encontrado. Na conta 388130 consta no mês de abril de 2005 a adição feita pela autoridade no montante de R$ 4.848.139,96, sendo que a parte relativa à referida conta representa R$ 4.520.085,81; 6) A conta 381020 considerada pelo fiscal como outras receitas operacionais a tributar se refere a faturamento de serviços tendo sido tributada normalmente pela manifestante. Para comprovar, junta todos os lançamentos contábeis feitos nestas contas; 7) Com relação à glosa de créditos calculados sobre bens utilizados como insumos, é importante destacar que, segundo o disposto na legislação brasileira, os insumos incluem todos os itens que são comprados e utilizados intrinsecamente na produção de bens. Alguns dos itens excluídos contrariam até mesmo orientação da Receita Federal, conforme Solução de Consulta 174/2009; 8) O serviço de classificação de mercadorias é absolutamente inerente e imprescindível na aquisição de soja e outros vegetais. Tanto é verdade que existem normas do Ministério da Agricultura que demonstram que não se trata de serviço administrativo; 9) O serviço de tratamento de água e efluentes é inerente ao processo de fabricação de óleo de soja, como é o caso da unidade de Três Passos. Foram apresentados à fiscalização os documentos que suportaram o lançamento deste item na contabilidade; 10) Como suporte dos serviços adquiridos de pessoa jurídica tais como limpeza e manutenção de máquinas e equipamentos foram apresentadas à fiscalização notas fiscais, contratos e relatórios detalhados; 11) A unidade de Santos localizase no porto e contrata serviços de despachantes aduaneiros, de controle de qualidade e inspeção, como insumo para que possa realizar a prestação de serviços a terceiros. Existe uma racionalização dos cálculos dos créditos, ao realizar o rateio dos embarques, que passa a juntar pela presente. O mesmo ocorre na unidade em Vitória; Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.303 6 12) Com relação às despesas com aluguéis de prédios é importante destacar que os valores constantes da DACON são os corretos e seu suporte são os contratos com a CODESP; 13) Foram glosados os valores referentes à depreciação de vagões adquiridos para transporte de farelo de produção da manifestante, portanto o uso das máquinas é intrínseco às atividades de produção e ao seu escoamento devendo ser mantido; 14) Tal qual constam das planilhas de apuração da regional Uberlândia e dos bancos de dados fornecidos pela empresa, os cálculos foram feitos tão somente sobre as notas de remessas 1.922 e não duplamente como afirmado, o que se comprova pelos relatórios e bancos de dados juntados ao presente. O crédito calculado pela manifestante foi de 35% e não 80%; 15) A autoridade fiscal desconsiderou os saldos credores de períodos anteriores constantes da DACON e passou a fazer a apuração por mês isoladamente, contrariando as disposições da Lei e da IN 600/05; 16) A fiscalização, ao cometer o erro de desconsiderar o saldo de meses anteriores e refazer a planilha de apuração, consumiu indevidamente os créditos decorrentes de exportação; 17) Tendo a manifestante direito a utilizar a Cofins paga nas entradas de insumos para abater débito de Cofins pelas saídas tributadas, cuidou de corretamente fazer tal dedução, de maneira a preservar os créditos relativos à exportação, para que estes valores pudessem ser objeto de pedido de compensação; 18) O Conselho de Contribuintes tem proferido reiteradas decisões no sentido de que a verdade material deve prevalecer em todo o processo administrativo; 19) A autoridade administrativa tem total liberdade investigativa, devendo apurar e lançar exclusivamente com base na verdade material. Se os elementos probatórios não foram examinados anteriormente, os mesmos não podem deixar de ser considerados por ocasião do exame da manifestação de Inconformidade; 20) O agente fiscal, ao proferir o Despacho Decisório, entendeu como devida a multa de mora, que deve ser excluída, por não haver qualquer ilícito tributário que justifique a sua imputação, já que a manifestante não agiu com máfé, baseandose o seu pedido de ressarcimento em direito amparado na legislação federal (art. 6º da Lei nº 10.833/03); 21) O legislador infraconstitucional estabeleceu, tanto na lei 10.637/02 quanto na Lei 10.833/03 que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes; 22) O entendimento da SRF sobre o tema fica claro em seu sítio na internet e na Solução de Consulta 215/09 da SRRF da 9a Região Fiscal. Assim, o tratamento dispensado pelo Agente Fiscal destoa dos princípios basilares da nãocumulatividade e da própria legislação aplicável; Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.304 7 23) O novo ordenamento jurídico imposto pela IN SRF 660/06 não tem razão de ser, uma vez que contradiz estrutura lógica disposta anteriormente de maneira clara pela IN SRF 636/06 de forma a revogála expressamente, sem nenhuma mudança na obrigação principal, em afronta aos princípios da segurança jurídica e da legalidade; 24) É equivocada a interpretação restritiva oficial manifestada no art. 66 § 5o, inciso I da IN SRF 247/02, inserido pela IN SRF 358/03 e repetida no art. 8o, § 4o, inciso I da IN SRF 404/04. Essa interpretação está influenciada pelo conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI e ICMS. A afirmação das normas infralegais citadas não encontram respaldo legal. (...) Mediante o Acórdão nº 1331.541, de 28 de setembro de 2010, a 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. VENDAS COM SUSPENSÃO. ARTIGO 9º DA LEI 10.225/2004. APLICAÇÃO. A suspensão da exigibilidade da Cofins prevista no artigo 9o da Lei 10.225/2004 só se aplica a partir de 4 de abril de 2006, após a sua regulamentação pela Instrução Normativa SRF 636/2006, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF 660/2006. COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Cofins no regime de incidência nãocumulativo é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.305 8 Os créditos calculados em relação a despesas com aluguéis de prédios devem ser comprovados através de contratos, faturas ou comprovantes de pagamento. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. INSUMO. Os combustíveis utilizados ou consumidos em veículos ou equipamentos diretamente empregados na execução do serviço contratado geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Cofins. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. AVISO DE COBRANÇA. DRJ. INCOMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) apreciar recurso do contribuinte de caráter impugnatório a avisos ou cartas de cobrança. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 20/12/2012. Em 19/01/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese, que: II PRELIMINARMENTE II.1Da Superficialidade do Trabalho Fiscal / Ofensa ao Princípio da Verdade Material Caberia à Fiscalização analisar todos os fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado pela Recorrente e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base em análises superficiais das planilhas de apuração da COFINS elaboradas pela Recorrente. O exame da documentação apresentada durante a fiscalização revela que os valores apurados nas contas n°s 381020 e 396020 referemse a receitas de serviços já tributados pela Recorrente, bem como que a conta n° 388130 é usada apenas para rateio de gastos com exportação entre unidades de negócios da Recorrente, não havendo impacto fiscal. Ademais, conforme restará demonstrado, os valores tidos por não comprovados pela Fiscalização estão devidamente registrados na contabilidade da Recorrente, bem como suportados por documentos fiscais (notas fiscais e ou faturas), os quais estão e sempre ficaram à disposição da Fiscalização. Deveras, não é possível admitir interpretações por parte do Fisco que sejam diametralmente opostas às provas constantes dos autos, tal como ocorrido no presente caso. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.306 9 Sendo assim, jamais poderia a Fiscalização considerar como não tributadas as receitas decorrentes de prestação de serviços registradas nas contas n°s 381020 e 396020, bem como, como não comprovados as despesas relativas ao consumo de energia elétrica ou, ainda, os dispêndios com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (sem falar nos créditos presumidos referentes à filial Uberlândia), sem realizar, contudo, o devido exame de toda a documentação fiscal apresentada. Assim, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material, nem tampouco apresentado motivação para tanto, temse que a decisão proferida pela DRJ não poderá subsistir. II.2 Da Nulidade da Decisão da DRJ / Do Cerceamento do Direito de Defesa O indeferimento do pedido de perícia na decisão recorrida, por se tratar de típico caso em que se demanda o juízo técnico de um contabilista, caracterizase como cerceamento do direito de defesa da Recorrente, conforme é o entendimento manifestado pela jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, o que enseja a nulidade da decisão, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. III DO MÉRITO: III.1 Outras Receitas Operacionais (a) Receitas Financeiras Descontos Obtidos nas Aquisições de Mercadorias A Turma Julgadora entendeu correta a classificação dos valores registrados a título de descontos obtidos nas aquisições de mercadorias como receitas operacionais, feita pelo Sr. Agente Fiscal, e não como receitas financeiras, conforme haviam sido registrados pela Recorrente, o que não pode prosperar. O DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, estabelece, em seu artigo 171, quais receitas têm natureza financeira. São elas: (i) os juros; (ii) o desconto; (iii) a correção monetária prefixada; (iv) o lucro na operação de reporte; e (v) o prêmio de resgate de títulos ou debêntures, ganhos pelo contribuinte. Dessa forma, a legislação do imposto sobre a renda e, consequentemente, o conceito aplicável à COFINS não dá margem a dúvidas: os descontos obtidos na aquisição de mercadorias e/ou produtos são considerados receita financeira e, portanto, devem se submeter ao tratamento tributário inerente a tais receitas. Aliás, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil traz no "Perguntas e Respostas DIPJ 2010", disponibilizado em seu endereço eletrônico, quais receitas são consideradas financeiras, dentre as quais incluemse os descontos obtidos. Nos termos do Decreto n° 5.442/05, os descontos obtidos pela Requerente nas operações comerciais, por serem considerados receitas financeiras, estão beneficiados pela alíquota zero da COFINS, aliás, tal entendimento já foi também confirmado pela " Art. 17. Os juros, o desconto, a correção monetária prefixada, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do exercício social, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem." Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.307 10 Superintendência Regional da Receita Federal da 9ª Região Fiscal, com a edição da Solução de Consulta n° 10/06. (b) Contas n°s 388130 e 304530 Rateio de Gastos com Exportação De acordo com o entendimento do Sr. Agente Fiscal, a Recorrente teria deixado de computar, para fins de apuração da COFINS, os "resultados auferidos" na conta n° 388130, razão pela qual adicionou o montante de R$ 15.793.164,69 na base de cálculo da COFINS, referente aos meses de julho a setembro de 2005. Contudo, conforme se passará a demonstrar, os valores creditados na conta n° 388130 tiveram por débito a conta n° 304530, tratandose de mero alocamento de custos entre divisões da Recorrente, não havendo, dessa forma, impacto contábil. A contrapartida de tais lançamentos ocorre na conta n° 304530 DESPESAS C/EXPORTAÇÃO onde são registradas todas as notas de débito emitidas pela divisão portuária (filial Santos) contra as demais filiais da Recorrente (doc. 04). A Recorrente elaborou a conciliação anexa (doc. 05), por meio da qual restou demonstrado que os lançamentos a crédito realizadas na Conta n° 388130 no 3º trimestre de 2005, no valor total de R$ 15.793.164,69, foram debitados na conta n° 304530, nesse mesmo montante. Os valores creditados na conta n° 388130 representam apenas e tão comente a contabilização das notas de débito emitidas pela filial Santos, de modo a alocar custos e despesas com o escoamento da produção para cada filial competente, não havendo que se falar de adição de tais valores na base de cálculo da COFINS. Estando devidamente comprovado, por meio dos documentos contábeis e planilha de conciliação, que os valores registrados a crédito na conta n° 388130 correspondem à contabilização das notas de débito emitidas pela filial Santos para fazer o rateio de gastos com o escoamento de produtos com as demais unidades de negócio da Recorrente, temse que a adição de tais valores na base de cálculo da COFINS não poderá prevalecer, devendo a decisão proferida pela DRJ ser reformada por esse E. Conselho. (c) Contas n°s 381020 e 396020 Receitas de Serviços já Tributadas Conforme comprovam os documentos acostados ao presente recurso, os valores registrados nas contas n°s 381020 e 396020, por corresponderem a receitas decorrentes da prestação de serviços, já foram devidamente tributadas pela Recorrente. III.2 Da venda de mercadorias com suspensão A Lei n° 10.925/04 é autoaplicável e não prevê alternativa a sua aplicação. Não fosse assim, a IN SRF n° 636, de 24 de março de 2006, não teria retroagido os seus efeitos aos fatos ocorridos a partir de 1o de agosto de 2004. Ora, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconheceu e corroborou a autoaplicação do dispositivo contido na Lei n° 10.925/04, ao retroagir os seus efeitos para a data de sua publicação. Nesse contexto, temse cronologicamente que i) a Lei n° 10.925/04 é autoaplicável e contém os requisitos necessários à sua aplicabilidade; ii) a IN SRF n° 636/06 Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.308 11 trouxe novos requisitos de observância obrigatórios pelos contribuintes, retroagindo os seus efeitos até a data de publicação da Lei n° 10.925/04, ou seja, os novos requisitos deveriam ser observados desde julho de 2004; e iii) a IN SRF 660/06 trouxe requisitos complementares à aplicação da Lei n° 10.925/10, já alterados pela IN SRF n° 636/06, com observância obrigatória a partir de abril de 2006. Dessa forma, ao aplicar a suspensão, a Recorrente deveria ter observado, primeiramente, a partir de agosto de 2004 até abril de 2006, a Lei n° 10.925/04 com normatização pela IN SRF n° 636/06 e, posteriormente, a partir de abril de 2006, a Lei n° 925/04 com normatização pela IN SRF n° 660/06. Por fim, mencionese que a IN SRF n° 660/06 não permite outra interpretação, vez que o seu artigo 11 expressamente prevê que as regras atinentes ao crédito presumido, previstas nos seus artigos 5o a 8o, retroagem a agosto de 2004. Ora, o crédito presumido e a suspensão são institutos independentes, mas interligados e a aplicação de regras diversas, com prazos de vigência diversos, geraria um desalinhamento entre ambos os institutos. Portanto, deve haver outra interpretação que não a exposta no presente recurso, razão pela qual temse que a decisão proferida pela DRJ não poderá prosperar, devendo ser reformada por essa colenda Turma de Julgamento. III.3 Créditos Presumidos Relativos à Filial Uberlândia/ Legitimidade do Procedimento Adotado pela Recorrente Conforme se passará a demonstrar, a decisão da DRJ não poderá subsistir, devendo ser reformada por esse E. Conselho, tendo em vista que, de acordo com a documentação acostada ao presente recursos, que, contempla, inclusive, vários documentos já disponibilizados ao Sr. Agente Fiscal, não houve a tomada de créditos em duplicidade pela Recorrente. Como pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem vegetal destinada à alimentação humana ou animal que é, a Recorrente encontrase sujeita às disposições do artigo 8o da Lei n° 10.925/04, que confere a possibilidade de tomada de crédito presumido de PIS e COFINS, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumos na sua produção, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Sendo assim, nos meses de julho e agosto de 2005, a Recorrente, embora tenha realizado aquisições, geradoras de crédito presumido nos termos do referido artigo 8o, nos montantes de R$ 13.658.760,82 e R$ 9.619.199,92, respectivamente, utilizou, para fins de cálculo do crédito presumido, apenas o montante de R$ 8.380.455,96, como base para o mês de julho, e R$ 10.165.852,89, relativamente ao mês de agosto. Tais fatos podem ser facilmente constatados por meio da análise dos livros Razão referentes aos meses de julho e agosto de 2005 (doe. 54), bem como pelo exame da Planilha de Apuração da Base de Cálculo dos meses de julho e agosto de 2005, relativamente à filial Uberlândia (doc. 36), e das Planilhas de Apuração Consolidadas por Regional da Recorrente, referentes a esses períodos (doc. 37). Ressaltese que, conforme se verifica pela análise dos Livros Razão da Recorrente (doc. 54), bem como por meio de um exame da planilha de aquisição de insumos por ela elaborada (doc. 38), não houve a apropriação de créditos presumidos referentes às notas registradas sob o Código Fiscal de Operações e Prestações ("CFOP") n° 1.116. Não houve sequer lançamentos contábeis, para fins de tomada do crédito presumido, de notas efetuadas Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.309 12 com o CFOP, aplicável às notas de "Compra para industrialização originada de encomenda para recebimento futuro". Tal fato, por si só, já descaracteriza toda a argumentação fiscal no sentido de que a Recorrente teria se creditado tanto das compras efetuadas sob o CFOP n° 1.922, quanto das compras registradas sob o CFOP 1.116. Ademais, conforme se observa pela análise dos Livros Razão, bem como por meio de um exame da planilha de aquisição de insumos elaborada pela Recorrente, ela não só não teve lançamentos, para fins de apuração do crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei n° 10.925/04, de compras registradas sob o CFOP 1.116, como também excluiu, para fins de cálculo do aludido crédito, todas as compras efetuadas sob o CFOP n° 1.922. Verificase, portanto, que a Recorrente não só não se creditou duas vezes quando da compra para recebimento futuro e quando da entrada efetiva da mercadoria no estabelecimento como não se considerou, para fins de apuração do crédito presumido da COFINS, nenhuma das compras efetuadas sob o CFOP em questão, quer sob o n° 1.116, quer sob o n° 1.922. Dessa forma, estando devidamente comprovado e demonstrado, inclusive por meio do Livro de Entradas e Saídas de Mercadorias (doc. 54) referente ao período em questão, que não houve o aproveitamento de créditos em duplicidade pela Recorrente, temse que o entendimento da DRJ no sentido de que "diante da falta de elementos comprobatóríos capazes de sustentar as alegações do contribuinte, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização" não poderá prosperar, devendo ser reformado por essa colenda Turma Julgadora, a fim de que seja devidamente reconhecido o direito creditório da Recorrente. III.4 Da Sistemática Não Cumulativa do PIS/ Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Recorrente (i) Bens e Serviços utilizados como insumos Diferentemente do que ocorre com o IPI, em que a definição de insumo está atrelada à formação de um produto industrializado, a acepção do vocábulo "insumo" na sistemática não cumulativa da COFINS é muito mais abrangente, englobando todo e qualquer dispêndio inerente ao processo de prestação de serviços ou de produção de um bem ou produto, ou seja, todos e quaisquer dispêndios que participam da formação da receita. Dessa forma, estando devidamente demonstrado que os bens e serviços adquiridos pela Recorrente enquadramse dentro do conceito de insumos previsto no artigo 3o, inciso II, da Lei n° 10.833/03, aguardase que esse E. Conselho dê provimento ao presente recurso, reformandose a decisão proferida pela DRJ e reconhecendose o direito creditório da Recorrente. (ii) Dispêndios com classificação de mercadorias Não há dúvidas de que a classificação da soja seja inerente à sua venda e/ou produção de óleo, farelo, dentre outros. De fato, como matériaprima que é, a soja vinda de vários lugares precisa ser segregada de modo a identificar o nível de umidade, de ardidos, de queimados, se há picadas de insetos, se existem grãos verdes etc. Tanto é assim que, em 15 de maio de 2007, sobreveio a Instrução/Normativa n° 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ("MAPA"), a qual, por meio do seu Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.310 13 artigo 1o, estabeleceu "o regulamento técnico da Soja, definindo o seu padrão oficial de classificação, com os requisitos de identidade e qualidade extrínseca, a amostragem e a marcação ou rotulagem". Notese que o artigo 4o, parágrafo 1o, do Anexo da referida instrução normativa é expresso ao estabelecer que, de acordo com o uso proposto, a soja será classificada em dois grupos, sendo o interessado (leiase a Recorrente) responsável por essa informação. Dependendo da classificação da soja ela terá uma destinação, isto é, a soja classificada no Grupo I, por exemplo, seguirá para o consumo, ao passo que a soja classificada/no Grupo II será destinada à produção de óleo e farelo de soja. Dessa forma, tendo em vista que os serviços de classificação da soja são necessários ao fator de produção da Recorrente e que, portanto, são considerados insumos nos termos do artigo 3º, inciso II, da Lei n° 10.637/02, temse que a decisão da DRJ não poderá prosperar, devendo ser reformada por esse E. Conselho, no que tange à glosa de créditos relativos aos serviços de classificação de soja contratados pela Recorrente. (iii) Encargos e depreciação de máquinas e equipamentos A Recorrente tem o direito de apropriação de créditos relativamente à aquisição de vagões utilizados, tanto para viabilizar o recebimento de matériaprima como no transporte de farelo de soja por ela produzido, nos termos do artigo 3º, inciso VI da Lei n° 10.637/02. Os vagões são registrados no ativo imobilizado da Companhia, nos termos do artigo 179 da Lei n° 6.404/76. Além de cumprir com o pressuposto objetivo, não é necessário esforço para concluir que também está presente, no caso concreto, o pressuposto funcional, ou seja, o fato de que os vagões são adquiridos para integrarem o ciclo produtivo destinado à venda de farelo de soja produzido pela Recorrente, auxiliando, decisivamente, na obtenção de receitas sobre as quais incidirá a Cofins. (iv) Energia Elétrica O Sr. Agente Fiscal houve por bem glosar créditos decorrentes do consumo de energia elétrica pela Recorrente, nos meses de julho e agosto de 2005, nos valores de R$ 52.913,45 e R$ 1.522,88. Nos termos do artigo 3o, inciso III, da Lei n° 10.833/03, as pessoas jurídicas podem descontar créditos, para fins de redução do montante de COFINS devida em um determinado período de apuração, calculados em relação à energia elétrica consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Sendo assim, no mês de julho de 2005, a Recorrente, pessoa jurídica sujeita ao regime nãocumulativo da COFINS, apurou créditos de energia elétrica, relativamente à filial de Santos, tendo como base o montante de R$ 288.710,12 (doc. 39). Salientese que, conforme demonstram as "Notas Fiscais Conta de Energia Elétrica" acostadas ao presente recurso (doc. 40), o valor efetivamente despendido pelos estabelecimentos da Recorrente, no mês de julho e relativamente à filial Santos, monta a quantia de R$ 290.701,61. Contudo, por um equívoco, a Recorrente creditouse de valor tendo Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.311 14 como base o montante de R$ 288.710,12. Isto é R$ 1.991,49 inferior ao montante despendido pela Recorrente a título de energia elétrica consumida nos estabelecimentos referentes à filial Santos. Tal fato pode ser facilmente constatado por meio da análise do Livro Razão (doc. 41), bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica Julho", elaborado pela Recorrente (doc. 42) De outro lado, relativamente ao mês de agosto de 2005, a Recorrente apurou créditos de COFINS decorrente do consumo de energia elétrica na filial Uberlândia, tendo como base o montante de R$ 374.494,18 (doc. 43). Para comprovar o consumo de energia elétrica e, consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do crédito, a Recorrente está anexando ao presente recurso as "Notas Fiscais Conta de Energia Elétrica" emitidas pela CEMIG Distribuição S/A contra a Recorrente (doc. 44), bem como "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica Agosto", elaborado pela Recorrente (doc. 45). Portanto, que os montantes glosados pela Fiscalização encontramse devidamente escriturados nos registros contábeis da Recorrente, bem como podem ser comprovados por meio das "Notas Fiscais Conta de Energia Elétrica" emitidas em nome da Recorrente, não podendo a decisão recorrida prevalecer. (v) Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos A Recorrente apurou créditos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica e utilizados em suas atividades, relativamente à filial de Santos, tendo como base o montante de R$ 334.659,65 (doc. 46). Salientese que, diferentemente do que informado na planilha de apuração do PIS e da COFINS, relativamente à filial Santos e referente ao mês de julho de 2005, elaborada pela Recorrente (doc. 46), o valor de R$ 334.659,65 não se refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com aluguéis pagos para pessoa jurídica e utilizados nas suas atividades, sejam eles de prédios, máquinas e equipamentos. Tal fato pode ser constatado por meio da análise do Livro Razão (doc. 49), bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Locação de Prédios, Máquinas e Equipamentos Julho", elaborado pela Recorrente (doc. 47), e comprovantes fiscais de locação (doc. 48). De outro lado, relativamente ao mês de agosto de 2005, a Recorrente apurou créditos de COFINS decorrente da locação de prédios, máquinas e equipamentos, tendo como base o montante de R$ 368.160,59 (doc. 50). Salientese que, a exemplo do mês de julho de 2005, o valor de R$ 368.160,59 não se refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com aluguéis pagos para pessoa jurídica e utilizados nas suas atividades, sejam eles de prédios, máquinas e equipamentos. Para comprovar o alegado e, consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do crédito, a Recorrente está anexando ao presente recurso os comprovantes fiscais de locação emitidos contra a Recorrente (doc. 51), bem como cópia do Livro Razão (doc. 52) e "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Locação de Prédios, Máquinas e Equipamentos Agosto", elaborado pela Recorrente (doc. 53). Temse, portanto, que eventual diferença entre o montante informado a título de aluguel de prédios pela Requerente incluiu, por um equívoco, os valores despendidos a título de locação de máquinas e equipamentos, repitase, pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.312 15 atividades da Recorrente. De qualquer forma, diante dos documentos juntados ao recurso voluntário, não há dúvidas de que os montantes glosados pela Fiscalização encontramse devidamente escriturados nos registros contábeis da Recorrente, bem como podem ser comprovados por meio das comprovantes fiscais emitidos em nome da Recorrente Assim, estando devidamente demonstrado o direito aos créditos de aluguel de prédios, máquinas e equipamentos apurados pela Recorrente, concluise que a decisão recorrida não poderá prevalecer, devendo ser reformada por essa colenda Turma Julgadora. III.5 Da Glosa dos Créditos de PIS e seus Efeitos na Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido No processo de fiscalização ao Sr. Agente Fiscal entendeu por bem glosar créditos de Cofins, relacionados as diversas despesas incorridas pela Recorrente. Especificamente, foram glosados os créditos de Cofins calculados sobre, por exemplo, aquisição de água mineral, energia elétrica, de equipamentos, tomada de serviços de classificação, serviços de atividades portuárias, entre outros, sob o fundamento de que tais bens ou serviços adquiridos não se enquadram no conceito de "insumos", previsto pela legislação tributária vigente (aplicável ao IPI). Contudo, conforme já exaustivamente analisado no decorrer do presente Recurso, a glosa dos créditos de Cofins não pode prosperar. No entanto, ainda que esse E. Conselho entenda pela manutenção das glosas efetuadas pelo Sr. Agente Fiscal, e mantidas pela DRJ, o que se admite somente para fins de argumentação, devese analisar mais detidamente os seus efeitos na apuração de Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucros ("CSLL"). Ao adquirir bens e serviços relacionados com a sua atividade, a Recorrente acertadamente contabilizou o seu valor líquido (descontado os créditos de Cofins) em ativo ou conta de resultado, a depender do bem ou serviço adquirido, e os créditos de Cofins como um ativo a recuperar. Dessa forma, a contabilização considerou, em todos esses casos, dois lançamentos distintos: i) o reconhecimento do valor/líquido do bem ou serviço adquirido, e ii) ativo a recuperar (crédito de Cofins). Se as glosas do Sr. Auditor Fiscal restarem mantidas, o que somente se admite a título de argumentação, então, o valor do crédito de Cofins anteriormente registrado em ativo "a recuperar", deverá ser baixado em contrapartida a conta de resultado; mais especificamente, a baixa do ativo recuperável aumentará o custo da mercadoria vendida ("CMV"), reduzindo o lucro. Conforme jurisprudência colacionada, a Autoridade Julgadora pode, ao entender improcedente a declaração de compensação efetuada, determinar a compensação de outro tributo recolhido indevidamente pelo contribuinte com débitos cobrados no mesmo processo ou relativos a outros tributos administrados pela RFB. Logo no presente caso, é plenamente possível o aproveitamento dos créditos IRPJ e CSLL resultantes de eventual, mas improvável, confirmação da não homologação das declarações de compensação efetuadas pela Recorrente, para abatimento do IRPJ devido. Em sendo assim, na remota hipótese de prevalecer a não homologação das declarações de compensação realizadas pela Recorrente, o que se admite apenas a título argumentativo, deverá, ao menos, essa colenda Turma Julgadora reconhecer os créditos de Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.313 16 IRPJ e CSLL e autorizar a compensação com eventuais créditos tributários a serem apurados/cobrados neste processo administrativo. Requer, ao final, a Recorrente a reforma da r. decisão proferida pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, julgando procedente o Recurso Voluntário e, consequentemente, reformandose, in totum, o Despacho Decisório DRFA/IT/ES, que acolheu integralmente o Parecer SEORT n° 783/2009, a fim de que sejam homologadas as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. VOTO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/ 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235//72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Inclusive esse também foi o entendimento da 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara/3ª Seção, que, em sessão de 25/09/2013, converteu em diligência o julgamento do processo 11543.001947/200611, que trata de pleito de ressarcimento da Cofins da própria recorrente, relativamente ao 1º trimestre de 2005, o qual traz fatos bem semelhantes aos relatados no presente processo. Passase abaixo a delimitar os pontos controversos que necessitam dos valiosos esclarecimentos por parte da fiscalização da Unidade de origem para, somente depois, serem objeto de julgamento por este Colegiado. III.1 Outras Receitas Operacionais: (b) Contas n°s 388130 e 304530/Rateio de Gastos com Exportação Alega a recorrente que não pode prosperar a adição, efetuada pelo Auditor Fiscal, na base de cálculo da Cofins dos "resultados auferidos" na conta n° 388130, no montante de RS 15.793.164,69, referente aos meses de julho a setembro de 2005, vez que os valores creditados na conta n° 388130 teriam por débito a conta n° 304530, tratandose de mero alocamento de custos entre divisões da Recorrente, sem impacto contábil. Sustenta, em síntese, que a documentação acostada ao Recurso Voluntário comprovaria que a conta de denominação "DISTRIBUIÇÃO DE DESP C/ EXPORTAÇÃO" destinase a computar os lançamentos das notas de débito emitidas pela filial de Santos (filial 1221), integrante da divisão portuária, contra as demais filiais da Recorrente, de modo a alocar os custos e despesas com o escoamento dos produtos para cada divisão competente. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.314 17 Assim, fazse necessária a análise criteriosa da fiscalização da documentação acostada ao recurso voluntário para verificar a veracidade da alegação da recorrente neste tópico, e, em caso afirmativo, sua eventual potencialidade para reverter a adição desses valores na base de cálculo da Cofins. (c) Contas n°s 381020 e 396020 Receitas de Serviços já Tributadas A recorrente apresentou, no Recurso Voluntário, alegações e documentos em contestação à decisão recorrida, que deixou de acatar o seu argumento no sentido de que os valores registrados nas contas n°s 381020 e 396020 seriam referentes a receitas de serviços já tributadas pelo PIS, por não ter trazido "aos autos documentos comprobatórios capazes de sustentar as alegações da contribuinte conduzir à reforma do despacho decisório". Assim, a nova documentação acostada precisa ser analisada pela fiscalização para verificação da alegada dupla tributação dos valores das contas nºs 381020 e 396020 e, em caso afirmativo, devem ser procedidos aos devidos ajustes, determinandose seus efeitos no montante de ressarcimento da Cofins. III.2 Da venda de mercadorias com suspensão Além da questão da vigência da suspensão prevista no art. 9º, I da Lei n° 10.925/04, que se trata de matéria apenas de direito, reside dúvida nos autos acerca da eventual condição de "cerealista" da recorrente para fazer jus ao benefício. Embora a recorrente não tenha, especificamente neste processo, contestado o seu não enquadramento como cerealista, em homenagem à verdade material, considero razoável aproveitar a diligência para apurar essa questão, que inclusive é matéria controversa em outros processos da interessada, relativos ao PIS no mesmo período de apuração, que estão colocados em pauta conjuntamente com o presente processo. Conforme definido na referida Lei, no art. 8º, §1°, com redação vigente no período de apuração, a cerealista é aquela empresa que exerce "cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM". No entanto, a condição de "cerealista" da recorrente não está comprovada nos autos para a concessão do benefício se afastada, no julgamento deste Carf, a questão da vigência temporal estabelecida nas Instruções Normativas. Fazse, então, necessária a requisição de Laudo Técnico, para detalhamento, por profissional habilitado, da atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de suas filiais exerce, efetivamente, a atividade de "cerealista" definida acima antes de comercializar os seus produtos in natura de origem vegetal. Em caso afirmativo, sendo comprovada a condição de cerealista da recorrente, ainda que em relação somente a algumas filiais, a fiscalização deverá analisar a habilidade da documentação constante nos autos para comprovar os demais requisitos para a fruição do benefício pela recorrente. III.3 Créditos Presumidos Relativos à Filial Uberlândia/ Legitimidade do Procedimento Adotado pela Recorrente Alega a recorrente que não teria havido o aproveitamento de créditos em duplicidade, como alegou a fiscalização. Aduz que, pela análise dos Livros Razão, bem como da planilha de aquisição de insumos por ela elaborada, ela não só não teve lançamentos, para Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.315 18 fins de apuração do crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei n° 10.925/04, de compras registradas sob o CFOP 1.116, como também excluiu, para fins de cálculo do aludido crédito, todas as compras efetuadas sob o CFOP n° 1.922. Acrescenta que, não só não se creditou duas vezes quando da compra para recebimento futuro e quando da entrada efetiva da mercadoria no estabelecimento como não considerou, para fins de apuração do crédito presumido do PIS, nenhuma das compras efetuadas sob o CFOP em questão, sob o n° 1.116 ou 1.922. Nessa linha, para não restar dúvida, anexa os seus Livros de Entradas e Saídas da filial Uberlândia referentes ao terceiro trimestre de 2005, que comprovariam que não houve o alegado aproveitamento de créditos em duplicidade. Assim, tornase necessária a análise da fiscalização acerca da habilidade da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o alegado e sua eventual potencialidade de modificar o valor do ressarcimento. III.4 Da Sistemática Não Cumulativa do PIS/ Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Recorrente (iv) Energia Elétrica Alega a recorrente que, conforme demonstram as "Notas Fiscais Conta de Energia Elétrica" acostadas ao recurso, o valor efetivamente despendido pelos estabelecimentos da Recorrente, no mês de julho e relativamente à filial Santos, monta a quantia de R$ 290.701,61. Contudo, por um equívoco, a Recorrente creditouse de valor tendo como base o montante de R$ 288.710,12. Isto é R$ 1.991,49 inferior ao montante despendido pela Recorrente a título de energia elétrica consumida nos estabelecimentos referentes à filial Santos. Sustenta que tal fato poderia ser facilmente constatado por meio da análise do Livro Razão, bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica Julho", elaborado pela Recorrente. Aduz que, relativamente ao mês de agosto de 2005, a Recorrente apurou créditos de COFINS decorrente do consumo de energia elétrica na filial Uberlândia, tendo como base o montante de R$ 374.494,18. Para comprovar o consumo de energia elétrica e, consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do crédito, a Recorrente está anexando ao presente recurso as "Notas Fiscais Conta de Energia Elétrica" emitidas pela CEMIG Distribuição S/A contra a Recorrente, bem como "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica Agosto", elaborado pela Recorrente. Tendo em vista que as glosas relativas a energia elétrica, nas filiais de Santos e Uberlândia, foi efetuada em face de o sujeito passivo não ter apresentado documentação comprobatória que lastreasse os valores informados nas Planilhas de Apuração da Contribuição não cumulativa, cabe agora, em referência ao princípio da verdade material, a análise, pela fiscalização da Unidade RFB de origem, da respectiva documentação e sua habilidade para modificar o valor do ressarcimento. (v) Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Alega a Recorrente que apurou créditos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica e utilizados em suas atividades, relativamente à filial de Santos, tendo como base o montante de R$ 334.659,65. No entanto, diferentemente do informado na planilha de apuração do PIS e da COFINS, relativamente à filial Santos e Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.316 19 referente ao mês de julho de 2005, elaborada pela Recorrente, o valor de R$ 334.659,65 não se refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com aluguéis pagos para pessoa jurídica e utilizados nas suas atividades, sejam eles de prédios, máquinas e equipamentos. Tal fato poderia, a seu ver, ser constatado por meio da análise do Livro Razão, bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Locação de Prédios, Máquinas e Equipamentos Julho", elaborado pela Recorrente, e comprovantes fiscais de locação. De outro lado, relativamente ao mês de agosto de 2005, alega a Recorrente que apurou créditos de COFINS decorrente da locação de prédios, máquinas e equipamentos, tendo como base o montante de R$ 368.160,59. Também, a exemplo do mês de julho de 2005, o valor de R$ 368.160,59 não se refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com aluguéis pagos para pessoa jurídica e utilizados nas suas atividades, sejam eles de prédios, máquinas e equipamentos. Para comprovar o alegado e, consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do crédito, a Recorrente anexa os comprovantes fiscais de locação emitidos contra a Recorrente, bem como cópia do Livro Razão e "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Locação de Prédios, Máquinas e Equipamentos Agosto", elaborado pela Recorrente. Em conclusão, sustenta a recorrente que eventual diferença entre o montante informado a título de aluguel de prédios devese ao fato de a Recorrente ter incluído, por um equívoco, os valores despendidos a título de locação de máquinas e equipamentos, pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da Recorrente. Entende que, de todo modo, diante dos documentos juntados, não haveria dúvidas de que os montantes glosados pela Fiscalização encontramse devidamente escriturados, bem como poderiam ser comprovados por meio dos comprovantes fiscais emitidos em nome da Recorrente. Assim, requerse a análise da fiscalização acerca da veracidade da afirmação da recorrente neste tópico e sua potencialidade de modificar o valor a ressarcir. III.5 Da Glosa dos Créditos de PIS e seus Efeitos na Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Informa a recorrente que, ao adquirir bens e serviços relacionados com a sua atividade, contabiliza seu valor líquido (descontado os créditos de Cofins) em ativo ou conta de resultado, a depender do bem ou serviço adquirido, e os créditos de Cofins como um ativo a recuperar. De forma que, a contabilização considerou, em todos esses casos glosados, dois lançamentos distintos: i) o reconhecimento do valor/líquido do bem ou serviço adquirido, e ii) ativo a recuperar (crédito de Cofins). Assim, prossegue a recorrente, se as glosas do Sr. Auditor Fiscal restarem mantidas, o valor do crédito de Cofins anteriormente registrado em ativo "a recuperar", deveria ser baixado em contrapartida a conta de resultado; mais especificamente, a baixa do ativo recuperável aumentará o custo da mercadoria vendida ("CMV"), reduzindo o lucro, e, consequentemente, gerando créditos de IRPJ e CSLL. Solicitase, também, os bons préstimos da fiscalização da Unidade RFB de origem em manifestarse acerca da veracidade dessa alegação da recorrente. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/200561 Resolução nº 3402000.756 S3C4T2 Fl. 1.317 20 Assim, por todo o exposto no presente Voto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à fiscalização da Unidade RFB de Origem que: a) Requisite Laudo Técnico, para detalhamento, por profissional habilitado, da atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de suas filiais exerce, efetivamente, a atividade de "cerealista", tal como definida no art. 8º, §1° da Lei nº 10.925/04, antes de comercializar os seus produtos in natura de origem vegetal. b) Caso alguma de suas filiais exerça efetivamente a atividade de "cerealista", considerando, preliminarmente, vigente no período de apuração a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, analise conclusivamente se a contribuinte faz jus ou não ao benefício de suspensão pleiteado e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do valor a ressarcir ou compensar. c) Apresente Relatório com os esclarecimentos solicitados acima, relativamente aos seguintes itens do recurso voluntário: III.1 (b) Contas n°s 388130 e 304530/Rateio de Gastos com Exportação e (c) Contas n°s 381020 e 396020 Receitas de Serviços já Tributadas; III.2 Da venda de mercadorias com suspensão; III.3 Créditos Presumidos Relativos à Filial Uberlândia/ Legitimidade do Procedimento Adotado pela Recorrente; III.4 (iv) Energia Elétrica e (v) Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos; e III.5 Da Glosa dos Créditos de PIS e seus Efeitos na Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; bem como outras informações que entender relevantes à solução da lide. d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. e) Devolva os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento após decorrido prazo de manifestação da interessada. É como voto. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11516.000381/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2007
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
DIREITO TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO DA REALIDADE FÁTICA. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES.
O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes,desdeque a comprovaçãoresultede umasoma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela empresa contratada correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado e não pago. Vencidos na votação os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liège Lacroix Thomasi, por entenderem não ser possível a compensação das contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES por sujeito passivo distinto daquele que procedeu aos recolhimentos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi, Relator
EDITADO EM: 28/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2007 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. DIREITO TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO DA REALIDADE FÁTICA. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES. O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes,desdeque a comprovaçãoresultede umasoma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela empresa contratada correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado e não pago. Vencidos na votação os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liège Lacroix Thomasi, por entenderem não ser possível a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 03 81 /2 00 8- 07 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 compensação das contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES por sujeito passivo distinto daquele que procedeu aos recolhimentos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/200807 Acórdão n.º 2302003.721 S2C3T2 Fl. 377 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 326 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no valor de R$ 1.620.677,85, referente às contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa, as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho GILRAT e as destinadas a outras Entidades e Fundos — Terceiros. Segundo o relatório fiscal, fls. 33/42, os fatos geradores são decorrentes da remuneração contida na folha de pagamento da empresa MRS LTDA, CNPJ 04.668.676/0001 09, a qual se constitui em empresa de "fachada", criada exclusivamente com o propósito de simular a contratação dos segurados empregados da verdadeira empregadora, que no caso é a notificada, Expresso Estrela Catarinense Ltda. Cita que a realidade fática apurada na ação fiscal é que as empresas são administradas pelos irmãos Paulo Roberto Hess, Júlio César Hesse Marcio Ricardo Hess, e ocorreu a simulação visando usufruir de forma ilegal do tratamento beneficiado e favorecido previsto na Lei 9.317/96, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Lei do SIMPLES). O relatório fiscal aponta a descrição dos seguintes fatos: a) Inicialmente foi constituída a empresa Hess Transportes Rodoviários e Serviços Ltda, em 02/05/1992, CNPJ 85.316.289/000105 tendo como objeto social explorar o ramo de transportes rodoviários e serviços e serviços em geral, estabelecida na rua Aleixo Alves de Souza, 150 — Barreiros — São José/SC. (...) A empresa Expresso Estrela Catarinense Ltda, foi constituída em 1995 para explorar o ramo de transportes rodoviários intermunicipais, interestaduais e internacionais de cargas e encomenda em geral, inicialmente com sede em Cumbica/SP, e depois fixou sede na rua Aleixo Alves — Barreiros São José/SC. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 (...) Em 23/10/1997, a empresa passa a ter a denominação de Hess Express. Em 01/08/2001 é constituída a empresa MRS Ltda, CNPJ 04.668.676/000109, tendo como atividade inicial a seleção, agenciamento e locação de mão de obra de serviços temporários para empresas em geral. Já em 30/01/2002 o objetivo social passa a ser o transporte rodoviário intermunicipais, interestaduais e internacionais de cargas e encomenda em geral. O endereço da MRS que constou como sede da empresa até 15/02/2007 é na rua Rodolfo Manuel Bento, 127 — Carvoeira — Fpolis/SC. A partir desta data o endereço da sede, conforme consta da terceira alteração contratual passou para a rua Leoberto Leal, 1235, Edificio Canad — Barreiros — São José/SC. (...) Cita a fiscalização que a empresa MRS Ltda era pura simulação. Foi constituída exclusivamente para constar como empregadora dos segurados empregados da empresa Hess Transportes Rodoviários e Serviços Ltda e posteriormente dos segurados da sucessora, a empresa Expresso Estrela Catarinense Ltda. Aponta os seguintes fatos que comprovam a simulação na constituição da empresa MRS Ltda. a) Termo de transferência de contrato de trabalho e de transferência de passivo trabalhista e contrato de fornecimento de serviços de serviços de mão de obra terceirizada. b) O quadro societário é composto por interpostas pessoas. Informa que Mauro César Silva e Ronaldo da Silva se mantiveram como sócios formais até a conclusão dos procedimentos fiscais, sendo que deixaram a empresa em 09/04/2007 e 28/09/2007. Durante ao período em que permaneceram como sócios da empresa, esta foi administrada pelo Sr. Paulo Roberto Hess, por meio de procuração, conforme documento em anexo. Cita que os supostos sócios tinham vínculos empregatícios em época concomitante com as atividades da MRS Ltda. Ronaldo da Silva, durante o período 07/2002 a 04/2004 foi empregado da empresa Adamver Industria Comercio e Representação Ltda, com sede na cidade de Garopaba/SC, fato este que consta dos sistemas informatizados da previdência social. Mauro César Silva manteve também vínculos com empresas sediadas em Garopaba/SC até Dezembro de 2002. c) Cita que o endereço da sede da empresa MRS Ltda, que consta do contrato social da empresa e do cadastro da Secretaria da Receita Federal, rua Rodolfo Manoel Bento, 127 — Carvoeira — Florianópolis/SC era fictício. No citado endereço se situa a residência da senhora Maria de Lourdes Hess, viúva de Lio Leopoldo Hess, fundador da empresa Hess Transportes Rodoviários e Serviços Ltda, em 1992. Anexa aos autos documentos que comprovam que o real endereço operacional da empresa é na rua Aleixo Alves de Souza, 150. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/200807 Acórdão n.º 2302003.721 S2C3T2 Fl. 378 5 Que este endereço é o mesmo das empresas Hess Transportes e Expresso Estrela. d) Relata que a empresa MRS Ltda, não procedeu inscrição na Secretaria de Estado da Fazenda, desde a sua constituição até 2007, sendo este procedimento obrigatório na condição de contribuinte do ICMS, uma vez que atua no ramo de transportes rodoviários intermunicipal, interestadual e internacional de cargas e encomendas em geral. Que a inscrição somente ocorreu após a conclusão do ação fiscal nas empresas e anexa comprovante. e) Relata que após a conclusão da fiscalização, em 2007, os supostos sócios se retiraram da empresa e começou um processo de migração dos segurados empregados para a empresa Espresso Estrela Catarinense Ltda, conforme documentos anexos. f) Cita cópia de email encaminhado ao escritório de contabilidade pela sr. Elizabeth Rampanelli, do setor de recursos humanos da Hess Express, informando os dados pessoais do sócio Joséuclides da Silveira, o qual é sócio em várias empresas. g) A empresa Expresso Estrela Catarinense Ltda, cujo quadro societário é composto pelos sócios Ives Lorenzetti Correa, Joares Chrum, Marcio Ricardo Hess e Maria de Lourdes Hess na realidade sempre foi administrada pelos irmãos Paulo Roberto Hess, Júlio César Hess e Marcio Ricardo Hess, conforme procurações anexadas aos autos. h) Descreve que de acordo com dados do sistema RENAVAM, a frota de veículos está registrada como de propriedade das empresas Hess Transportes Rodoviário Ltda (4 registros) e Expresso Estrela Catarinense Ltda (42 registros). Não consta registro de veículos para a empresa MRS Ltda. i) Apresenta, em anexo, contrato de prestação de serviços contábeis celebrado entre a empresa Arquivo Contabilidade e Consultoria Ltda e as empresas Expresso Estrela Catarinense Ltda, MRS Ltda, Hess Transportes e Serviços Ltda e Hess Express Transportes Ltda, sendo que todas as empresas são representadas pelo Sr. Marcio Ricardo Hess j) Que as empresas Expresso Estrela e Hess Transportes, conforme alterações no contrato social passam a utilizar a denominação "Hess Express". 1) O pagamento de salários dos empregados das empresas Hess transportes Rodoviários e Serviços Ltda, Expresso Estrela Catarinense Ltda e MRS Ltda, é efetuado pela empresa notificada, no caso a Expresso Estrela Catarinense Ltda, conforme autorização para liberação de crédito junto ao Banco do Brasil, fls. 225/237. A fiscalização apresenta no relatório fiscal, fls. 038, relação de nomes de segurados empregados constantes da relação de pagamento, com a menção da respectiva empresa empregadora. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 m) Apresenta, fl. 39, quadro demonstrativo dos salários das empresas Hess, MRS e Estrela, com análise comparativa no período entre 2001 e 2005, no qual demonstra a migração da folha de salários da empresa Hess para a MRS, bem como o crescente numero de segurados desta. Cita que se trata da prática de sonegação de contribuições previdenciárias mediante a transferência da folha de salários para empresa de "fachada", constituída com a utilização de interposta pessoas no contrato social, para se beneficiar de regime tributário especial, estabelecido pela Lei 9.317/96. Informa que a empresa Expresso Estrela Catarinense foi excluída do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2004. Em decorrência da citada exclusão, foi procedido ação fiscal na empresa para apurar os créditos devidos à seguridade social. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou defesa administrativa fls. 266/304 (...) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente. Cientificada do julgamento, a recorrente apresentou o recurso de fls. 347 e seguintes, aduzindo, em síntese: * o processo deve ser sobrestado até o exaurimento da discussão sobre a exclusão do Simples; * inconstitucionalidade da exclusão do Simples e de sua retroatividade; * inexistência de simulação; * nulidade por exigências lastreadas em dados sigilosos; * não incidência de contribuições previdenciárias sobre os quinze primeiros dias do auxíliodoença e sobre o saláriomaternidade; * necessidade de compensação dos valores recolhidos a título de SIMPLES; * inconstitucionalidade da taxa Selic. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/200807 Acórdão n.º 2302003.721 S2C3T2 Fl. 379 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Matérias não conhecidas. Decisão definitiva sobre exclusão do Simples. Processo 11516.001585/200776. Da análise dos autos verificase que o lançamento decorre da exclusão da recorrente do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2004. No recurso voluntário, a recorrente aduz que o processo deve ser sobrestado até o exaurimento da discussão sobre a exclusão do Simples. Ocorre que já foi proferida decisão definitiva no âmbito administrativo quanto à exclusão do SIMPLES, a qual foi desfavorável à recorrente. Tal decisão encontrase plasmada no Acórdão 120100.072, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Portanto, como as questões relativas ao procedimento de exclusão do SIMPLES já foram ali discutidas e decididas de forma definitiva, não serão conhecidas as argumentações relativas à inconstitucionalidade da exclusão do Simples e de sua retroatividade; e à nulidade por exigências lastreadas em dados sigilosos. Sendo assim, o presente voto somente conhecerá das seguintes questões levantadas no recurso voluntário: * não incidência de contribuições previdenciárias sobre os quinze primeiros dias do auxíliodoença e sobre o saláriomaternidade; * à inexistência de simulação; * necessidade de compensação dos valores recolhidos a título de SIMPLES; * inconstitucionalidade da taxa Selic. Incidência sobre os quinze primeiros dias do auxíliodoença e sobre o saláriomaternidade. Quanto à não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores correspondentes aos primeiros quinze dias do auxíliodoença e sobre o salário maternidade, não vislumbro dos autos qualquer alegação da autoridade fiscal ou mesmo comprovação por parte da recorrente de que houve a exigência sobre os referidos valores. Assim, deveria a recorrente ter comprovado que houve lançamento sobre as referidas rubricas. Não o fazendo, sequer deve este órgão julgador manifestarse sobre a matéria, tendo em vista que as questões controvertidas devem decorrer do lançamento efetuado e não de ilações imprecisas da recorrente. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Provas indiciárias da simulação/dissimulação. Alega a recorrente que inexistiu simulação. Todavia, consta do relatório fiscal da notificação, fls. 36/39, uma minuciosa análise procedida pela fiscalização, com relação a situação fática envolvendo as empresas Hess Transportes e Serviços Ltda, Expresso Estrela Catarinense Ltda e MRS Ltda. Relata a fiscalização que a empresa MRS Ltda foi constituída exclusivamente para constar como empregadora dos segurados empregados da empresa Hess Transportes Rodoviários e Serviços Ltda e posteriormente dos segurados da sucessora, a empresa Expresso Estrela Catarinense Ltda. Apresenta uma série de elementos que dão sustentação as suas afirmações. A fiscalização constatou a ocorrência de transferência de contrato de trabalho de segurado empregado da Hess Transportes Rodoviários para a MRS, conforme se verifica dos documentos de fls. 175/176. Este caso vem a corroborar a afirmativa de que os empregados foram sendo transferidos para a então constituída empresa MRS, inclusive empregados da Hess Transportes. Com relação ao contrato de fornecimento de serviços de mão de obra terceirizada, firmado entre a Expresso Estrela e a MRS, fls. 177/180, a fiscalização demonstra que a empresa MRS Ltda, constituída em 2001 e optante do SIMPLES, estava realizando atividades vedadas no inciso XII, "f', do art. 9° da Lei 9.317/96, no caso locação de mão de obra. A atividade vedada que a empresa fictícia estava realizando foi diretamente contratada com a empresa que verdadeiramente administra os negócios, conforme demonstrado pela fiscalização. Com relação a este assunto trazido aos autos, a recorrente não apresentou esclarecimentos. Alegou a recorrente que carece de comprovação que as empresas eram de fachada e que a administração destas eram exercidas pelos senhores Paulo Roberto Hess, Júlio César Hess e Márcio Ricardo Hess. Cita que as sociedades citadas não possuíam sócios comuns a época dos fatos narrados pela fiscalização e que é natural que ocorram alterações societárias decorrente da livre iniciativa Entretanto, da análise dos elementos e documentos que compõe os autos, não é esta a realidade encontrada na empresa, pois os fatos comprovam que o quadro societário da MRS Ltda é composto por interposta pessoas. Os supostos sócios, Mauro César Silveira e Ronaldo da Silva, durante ao período em que permaneceram no contrato social da empresa, não exerceram a efetiva administração desta, uma vez que o Sr. Paulo Roberto Hess, por meio de procuração, tinha Fl. 383DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/200807 Acórdão n.º 2302003.721 S2C3T2 Fl. 380 9 amplos e gerais poderes para fins de administração e de gerência da sociedade, conforme se constata da procuração anexa aos autos, fls. 181/183. Consta ainda que os mencionados sócios tinham vínculos empregatícios com empresas sediadas inclusive em outro município, distante da sede da MRS. De fato, o sócio Ronaldo da Silva, durante o período 07/2002 a 04/2004 foi segurado empregado da empresa Adamver Industria Comercio e Representação Ltda, com sede na cidade de Garopaba/SC, fato este que consta dos sistemas informatizados da previdência social. Já o outro sócio da MRS, Mauro César Silva manteve também vínculos com empresas sediadas em Garopaba/SC até Dezembro de 2002. Outra situação constatada é que os diversos documentos acostados aos autos, fls. 185/189, comprovam que o Sr. Paulo Roberto Hess estava efetivamente a frente das atividades da MRS. O mesmo assina o termo de rescisão de contrato de trabalho acostado A fls.185, datado de 20/06/2005. Mesma constatação com os recibos de férias datados de 15/06/2005, fls. 186 e 187. Outro documento que comprova a atuação junto a administração da empresa consta da fl. 188, com a assinatura na GRFC, guia de recolhimento do fundo de garantia. Outra guia de recolhimento, DARF fl. 181, apresenta a assinatura do citado administrador. Portanto, não procede a afirmativa da recorrente que carece de comprovação os fatos apurados na ação fiscal, sobre a real administração da empresa. Conforme demonstrado, são verídicos os fatos apontados pela fiscalização, tendo em vista a procuração firmada pelo supostos sócios e os documentos que demonstram a efetiva administração e gerência nas atividades da MRS pelo Sr. Paulo Roberto Hess. Oportuno esclarecer que o Sr. Paulo Roberto Hess, bem como Júlio César Hess e Márcio Ricardo Hess também possuem procuração para administrar a empresa Expresso Estrela Catarinense Ltda, fls. 206 a 213. Desta forma, não merece acolhida a alegação do contribuinte de que as empresas não dispunham de sócios em comum A época dos fatos narrados pela fiscalização. Evidentemente, os senhores Paulo Roberto Hess, e Márcio Ricardo Hess não precisavam constar do contrato social da empresa criada, a MRS Ltda, posto que possuíam procuração para comandar a empresa com amplos e gerais poderes, tanto no setor administrativo, como patrimonial e financeiro. Outra grave situação constatada pela fiscalização diz respeito ao endereço da sede da empresa MRS Ltda, que constava como rua Rodolfo Manoel Bento, 127 —Carvoeira — Florianópolis/SC. Este endereço somente foi mudado a partir da terceira alteração contratual, em 15/02/2007, e passou para a rua Leoberto Leal, 1235, Edifício Canadá — Barreiros— São José/SC. Conforme consulta ao cadastro da Receita Federal do Brasil, o mesmo endereço, rua Rodolfo Manoel Bento, 127, Carvoeira — Florianópolis/SC, constava até 2007, tendo sido alterado a partir deste ano. Ocorre que o citado endereço é onde se localiza a residência da senhora Maria de Lourdes Hess, viúva de Lio Leopoldo Hess, fundador da empresa Hess Transportes Rodoviários e Serviços Ltda, em 1992. Este endereço, entretanto, é fictício e não corresponde ao efetivo local em que são desenvolvidas as atividades da empresa. Este fato ficou comprovado por meio de auto de infração do Ministério do Trabalho, datado de 18/08/2006, lavrado contra a MRS Ltda, fls. 198/199 dos autos. A ação Fl. 384DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 empreendida pela fiscalização do trabalho foi efetuada na rua Aleixo Alves de Souza, 150 — Barreiros, São José/SC. No histórico do auto de infração consta que em fiscalização, no local de trabalho mencionado, por meio de verificação fisica e entrevista aos empregados, constatou a manutenção de empregado sem o devido registro em livro ou sistema eletrônico. Assim, dos documentos acostados aos autos e dos fatos apurados temse como real situação fática que o endereço da empresa MRS Ltda é irreal e esta na realidade exerce suas atividades no mesmo local em que está a sede da impugnante (Expresso Estrela Catarinense Ltda). Foi constatado pela fiscalização do trabalho a presença de 136 empregados no local, quando da inspeção e autuação procedidas por aquele órgão fiscalizador. O auto de infração da fiscalização do trabalho foi recebido por Elizabeth Ranpanelli, que é a pessoa responsável pelo setor de recursos humanos, das empresas MRS Ltda e Expresso Estrela Catarinense Ltda. A recorrente não apresentou qualquer esclarecimento sobre estes fatos apontados pela fiscalização. Outra situação constatada pela fiscalização é que a empresa MRS Ltda, que atua no setor de transportes rodoviários intermunicipal, interestadual e internacional de cargas e encomendas em geral, até 2007, não havia procedido a inscrição na Secretaria de Estado da Fazenda, desde a sua constituição, em 2001. Este cadastramento é obrigatório, sendo a empresa contribuinte do ICMS. Cita a fiscalização que a inscrição somente ocorreu após a conclusão da ação fiscal nas empresas e anexa comprovante. Verificase, que os reais administradores da empresa não tiveram a preocupação de manter a empresa MRS Ltda devidamente inscrita como contribuinte do ICMS estadual, posto que na realidade esta empresa foi constituída por simulação, com o intuito de se beneficiar do sistema tributário especial do SIMPLES. Informa a fiscalização em seu relatório que após a conclusão da ação fiscal, em 2007, além de proceder a inscrição da empresa na Fazenda Estadual, outros procedimentos foram efetuados pelos reais administradores. Constatouse que os supostos sócios se retiraram da empresa MRS e começou um processo de migração dos segurados empregados para a empresa Expresso Estrela Catarinense Ltda, conforme documentos anexos. Toda estas operações são de fácil execução por parte dos efetivos administradores, os irmãos Paulo Roberto Hess, Júlio César Hess e Marcio Ricardo Hess, posto que estes possuem procurações com amplos poderes para proceder da forma que for mais conveniente, com relação àss atividades das empresas. Todos estes fatos foram informados no relatório fiscal. Outra situação apontada pelos auditores é que a MRS não possui veículos, apesar de atuar no ramo de transportes de cargas. Constatouse por meio de consulta aos dados do sistema RENAVAM, que a frota de veículos está registrada como de propriedade das empresas Hess Transportes Rodoviários Ltda ( 4 registros) e Expresso Estrela Catarinense Ltda (42 registros). Não consta registro de veículos para a empresa MRS Ltda. Este fato, demonstra de forma definitiva a real situação da empresa MRS Ltda. Esta utiliza a sede da Expresso Estrela, atua no ramo de transportes, apresentou 105 empregados registrados em 2005, e não possui um único veiculo registrado em seu nome. Em decorrência destes fatos, há que se concluir que os empregados efetivamente desenvolvem atividades administradas e comandadas pela Expresso Estrela Catarinense Ltda. Com relação a estes fatos, a exemplos de outros apontados pela fiscalização, o impugnante não apresentou esclarecimentos. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/200807 Acórdão n.º 2302003.721 S2C3T2 Fl. 381 11 Constatouse ainda que todos os serviços de contabilidade das empresas Expresso Estrela Catarinense Ltda, MRS Ltda, Hess Transportes e Serviços Ltda e Hess Express Transportes Ltda foram contratados junto ao escritório Arquivo Contabilidade e Consultoria Ltda pelo Sr. Marcio Ricardo Hess, conforme contrato anexado. Este contrato demonstra que toda a documentação das empresas estão sobre o controle dos citados reais administradores. Os diversos elementos de prova relatados por si só já são suficientes para comprovar a simulação ocorrida na constituição da empresa MRS Ltda, visando se utilizar de forma indevida de um modelo de tributação mais vantajoso. Entretanto, apresenta ainda a fiscalização fatos determinantes para demonstrar que os salários de MRS são na realidade pagos pela Expresso Estrela. Consta dos autos autorização para liberação de crédito pelo Banco do Brasil para os segurados empregados, fls. 225/237, assinada pelo Diretor Financeiro Marcio Ricardo Hess, relativas aos anos de 2004, 2005 e 2006. Cabe esclarecer que Marcio Ricardo Hess sequer constava no quadro societário da MRS nos período relativos a estas autorizações de pagamento de salários. Desta autorização de pagamento, após consulta nos dados informatizados da previdência social, a fiscalização constatou a presença de diversos segurados empregados da MRS Ltda, sendo que no caso são citados a titulo de exemplificação Atila Branco, Valcionir da Rosa, Paulo Ricardo Colombo, Arnaldo Manoel Machado, Rubens Tadeu dos Santos e Fernando Ritter, fl. 38 dos autos. Como nos demais casos verificados, ocorreu o silencio do impugnante a respeito destas constatações. O procedimento adotado pelo efetivos administradores das empresas, proporcionou um elevado aumento do número de empregados da MRS Ltda, empresa optante do SIMPLES. A fiscalização apresenta, fl. 39, um quadro demonstrativo dos salários das – empresas com análise comparativa no período entre 2001 e 2005. Da análise apresentada, registrese que o número de segurados da MRS, por exemplo, em 2004, chegou a ser cinco vezes ao da Expresso Estrela e em 2005 chegou a mais de quatro vezes. Os fatos demonstrados no presente relatório não deixam dúvidas sobre a ocorrência de simulação na constituição da empresa MRS Ltda. Em síntese, restou comprovado que esta não possuía veículos apesar de atuar no ramo de transportes, mesma atividade da Expresso Estrela. Ficou demonstrado, por meio das procurações anexadas aos autos e outros documentos, financeiros, trabalhistas e contratos, que as atividades de comando, tanto administrativo, como patrimonial e financeiro são na realidade exercidos pelos irmãos Paulo Roberto Hess, Júlio César Hess e Marcio Ricardo Hess. Os sócios da empresa MRS Ltda constavam como segurados empregados de outras empresas, inclusive em outro município. A MRS apresentou um endereço fictício para a sua sede, no caso, o endereço residencial da viúva do fundador das empresas de comando familiar, e constatouse que o verdadeiro endereço operacional da empresa MRS é o mesmo da Expresso Estrela. A citada empresa não tinha cadastro na Secretaria de Estado até 2007, tendo procedido o mesmo somente a partir da ação fiscal procedida na empresa, período em que também se retiraram os sócios "laranjas". Ficou demonstrado nos autos que empregados da MRS recebem seus salários por meio de autorização bancária emitida pela Expresso Estrela, fato este determinante para a constatação do real empregador. E por último, verificouse o crescente aumento de segurados empregados na MRS Ltda, bem como a transferência destes da Expresso Estrela, visando alocar a maior Fl. 386DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 parte dos empregados administrados pela empresa familiar na MRS Ltda, de forma ilícita, para se beneficiar indevidamente do regime tributário especial, estabelecido pela Lei 9.317/96. Todos estes fatos, em conjunto, muito dizem a respeito do que efetivamente ocorreu: os segurados registrados na MRS, na prática, operavam contínua e ostensivamente para a recorrente, além do que tinham sobre suas remunerações suportadas por esta. Em suma, dos indícios invocados, extraise a ocorrência de ato simulatório consistente na criação de uma empresa MRS enquadrada na sistemática de recolhimento do Simples. Com efeito, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. E nem se diga que não há amparo no Direito Tributário para a conduta adota pela autoridade fiscal. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ªEdição). O Código Civil Brasileiro de 2002 considera nulo o negócio jurídico simulado e assim apresenta as hipóteses em que resta ocorrida a simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. §1°Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados Notese que o conceito de simulação, que, em síntese, consiste em fingir negócio jurídico inexistente, envolve a concepção de dissimulação, que consiste na prática de negócio jurídico para ocultar, encobrir ou disfarçar um negócio jurídico existente. E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Diante do quadro normativo exposto, podese concluir que, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. Assim, na hipótese de simulação, a autoridade fiscal deve superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária ao negócio jurídico dissimulado. No caso em tela, a simulação ocorreu por intermédio daquilo que se denomina de abuso de forma jurídica, incorrendo a recorrente em modalidade de evasão fiscal (art. 149, VII, e 116, § único, do CTN). Fl. 387DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/200807 Acórdão n.º 2302003.721 S2C3T2 Fl. 382 13 Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento: CTN Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo,ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Destarte, o procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN. Aproveitamento de créditos. A recorrente, alternativamente, requer a compensação dos pagamentos efetuados pela MRS na sistemática do SIMPLES com os valores lançados. Com efeito, a autoridade fiscal, para fim específico, superou o negócio jurídico simulado (prestação de serviços por segurados para empresa de “fachada”) para aplicar a lei tributária ao negócio jurídico dissimulado (prestação de serviços por segurados para a recorrente), de sorte que entendo que a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, deve ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator Fl. 389DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13603.724612/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento.
Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.
No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.
Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.
A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO.
Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004).
Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 46 12 /2 01 1- 13 Fl. 3580DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 2 destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Fl. 3581DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 3 O regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não cumulatividade nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Fl. 3582DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 4 Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 13603.724612/201113 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado mediante as declarações de compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao ressarcimento ou à compensação demanda a comprovação, pela contribuinte, da existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS. Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo transporte, assim como o frete, integra o custo de aquisição de bens ou mercadorias adquiridas. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo credor apurado em decorrência de operações de importação, autorizada Fl. 3583DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 5 pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, alcança tãosomente os créditos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento, restituição ou compensação de créditos poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo que somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza para serem utilizados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O presente processo diz respeito a declarações de compensação – DCOMP relativas a saldo credor de PIS/PASEP apurado no período de 01/02/2008 a 28/02/2008, no valor total de R$ 520.394,91, em conformidade com o artigo 5º da Lei nº 10.637, de 2002. Desse montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de R$ 476.125,54. Por seu turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser também restabelecidos os créditos apropriados sobre a utilização de água e esgoto das filiais “Contagem” e “Curitiba”, bem como os créditos relativos aos seguros pagos pelos fretes de bens ou mercadorias adquiridas pela interessada. Assim, com base nos cálculos elaborados posteriormente pela DRF Contagem em conseqüência da decisão da DRJ, segundo os quais a quantia adicional a ser creditada em favor do sujeito passivo corresponde a R$ 219,95 (ressalvado o desconto de alguma parcela outrora compensada evidenciada em alguns processos da empresa sobre a mesma matéria), temse que o montante em litígio corresponde a R$ 44.049,42. Segue, abaixo, o relato dos fatos transcrito da decisão recorrida, o qual é padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria: Com o intuito de verificar a apuração do IPI, bem como o PIS e a Cofins da pessoa jurídica, foi emitido, em 11/05/2011, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF n.º: 06.1.10.002011004273). Em decorrência, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Início de Fiscalização, intimando o sujeito passivo a apresentar, dentre outros elementos, arquivos digitais referentes aos itens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001, escrituração contábil digital, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 2007, relação dos produtos fabricados pelo estabelecimento, certidão de objeto e pé de ações judiciais referentes ao IPI, PIS e Cofins, relação das contas contábeis referentes a créditos, receitas e exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, memoriais de apuração das bases de cálculo utilizadas no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon e demonstrativo dos fretes de compras de bens utilizados como insumos. De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os memoriais de apuração das bases de cálculo dos Dacon e demais documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal. Fl. 3584DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 6 Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais): P.A. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. TOTAL ME/FAT MI ME jan/08 3,26 2.845,44 1.367,77 0,00 0,00 36,02 127.836,13 132.088,62 20,23% 105.371,64 26.716,98 fev/08 3,26 5.381,60 1.515,51 0,00 0,00 38,86 91.338,39 98.277,62 14,25% 84.274,71 14.002,91 mar/08 3,26 5.967,74 1.390,14 0,00 0,00 29,65 71.482,90 78.873,69 18,07% 64.623,36 14.250,33 abr/08 3,26 4.719,18 1.627,64 0,00 38,13 186,26 180.784,88 187.359,35 16,34% 156.741,83 30.617,52 mai/08 49,44 8.261,21 1.586,73 0,00 159,52 496,78 125.875,75 136.429,43 19,55% 109.752,61 26.676,82 jun/08 49,44 5.983,14 2.042,36 0,00 50,27 191,73 108.912,17 117.229,11 16,40% 98.001,10 19.228,01 jul/08 151,12 9.659,18 1.909,71 26,51 150,14 587,80 121.509,41 133.993,87 16,20% 112.289,14 21.704,73 ago/08 151,12 7.179,43 1.921,09 3,76 132,18 1.291,51 118.778,39 129.457,48 22,26% 100.645,30 28.812,18 set/08 168,13 3.074,82 1.883,11 6,96 217,27 1.647,18 104.600,83 111.598,30 24,00% 84.811,15 26.787,15 out/08 241,91 6.252,08 1.770,70 0,00 136,81 1.219,34 122.203,64 131.824,48 23,59% 100.727,26 31.097,22 nov/08 318,76 8.491,53 1.719,92 8,63 91,80 1.456,49 70.934,88 83.022,01 22,87% 64.032,81 18.989,20 dez/08 532,25 4.150,69 1.471,63 0,20 112,63 1.467,26 131.074,08 138.808,74 37,59% 86.634,00 52.174,74 jan/09 532,25 5.385,90 1.179,67 0,00 173,76 1.879,16 51.684,90 60.835,64 14,79% 51.837,44 8.998,20 fev/09 532,25 11.673,37 1.262,98 33,26 104,68 3.510,75 64.575,01 81.692,30 15,53% 69.008,40 12.683,90 mar/09 532,25 10.388,31 441,21 7,40 25,91 2.776,46 44.105,65 58.277,19 16,48% 48.672,38 9.604,81 abr/09 532,25 2.838,07 1.572,35 1.164,99 40,14 3.401,09 24.839,83 34.388,72 9,90% 30.983,35 3.405,37 mai/09 532,25 5.261,01 874,84 2.569,55 27,06 3.012,90 45.330,66 57.608,27 7,28% 53.414,17 4.194,10 jun/09 532,25 3.246,92 958,43 0,00 14,04 2.405,55 50.649,08 57.806,27 18,59% 47.059,37 10.746,90 jul/09 532,25 7.110,54 720,28 2.897,56 59,09 3.385,00 34.676,13 49.380,85 17,15% 40.912,30 8.468,55 ago/09 532,25 1.953,83 1.175,60 92,21 46,59 1.767,91 33.182,54 38.750,93 8,12% 35.604,80 3.146,13 set/09 532,25 5.565,34 445,25 1.389,50 25,96 4.099,24 17.784,73 29.842,27 14,27% 25.583,88 4.258,39 out/09 532,25 4.171,09 2.445,14 1.917,99 14,83 2.016,65 29.949,93 41.047,88 7,37% 38.023,58 3.024,30 nov/09 532,25 5.999,82 1.378,43 1.289,05 20,70 4.449,68 33.600,99 47.270,92 9,53% 42.765,50 4.505,42 dez/09 532,25 3.670,03 1.580,37 4.930,84 37,09 11.126,51 39.091,41 60.968,50 8,26% 55.933,91 5.034,59 jan/10 532,25 3.502,79 2.203,49 20,65 27,72 1.117,50 14.467,59 21.871,99 8,45% 20.023,98 1.848,01 fev/10 532,25 7.916,35 1.523,09 0,00 18,55 3.337,67 90.260,30 103.588,21 6,86% 96.482,90 7.105,31 mar/10 532,25 1.633,53 1.589,22 299,59 33,98 3.206,79 54.032,80 61.328,16 13,04% 53.333,25 7.994,91 abr/10 532,25 18.149,44 1.551,72 474,12 33,89 3.384,16 213.636,74 237.762,32 14,80% 202.585,29 35.177,03 mai/10 532,25 6.014,24 1.054,57 190,05 46,59 5.760,11 52.717,10 66.314,91 7,27% 61.493,82 4.821,09 jun/10 532,25 8.552,18 1.487,26 72,44 41,18 2.397,81 93.602,34 106.685,46 11,08% 94.864,71 11.820,75 jul/10 532,25 8.892,22 1.229,17 3.311,98 44,16 6.016,23 64.426,44 84.452,45 13,12% 73.372,29 11.080,16 ago/10 532,25 10.200,72 1.366,51 2.038,99 41,63 1.732,96 37.199,94 53.113,00 10,40% 47.589,25 5.523,75 set/10 532,25 7.053,10 1.284,13 5.068,86 61,18 5.531,16 43.200,69 62.731,37 7,76% 57.863,42 4.867,95 LEGENDA: P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO; 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO; 3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; Fl. 3585DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 7 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS; 3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO; 3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES; 3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS. MI. MERCADO INTERNO ME. MERCADO EXTERNO ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO Como resultado, foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao mercado externo, sendo que, a fim de se apurar os saldos passíveis de ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade fiscal executou alguns ajustes. O primeiro deles, segundo ela, deriva do fato de que, em virtude do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, são passíveis de ressarcimento ou compensação. Durante a auditoria, constatouse que a contribuinte importou, para fins de revenda, diversas máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01 e 87.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul, previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de PIS/Cofins foram submetidos indevidamente ao rateio proporcional entre mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a ser reclassificado como não ressarcível. Já o segundo ajuste diz respeito, conforme a fiscalização, à possibilidade de compensação, antes do encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o ressarcimento dos créditos de importação, a compensação antecipada possibilitada pelo art. 42 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, menciona apenas aqueles créditos oriundos de aquisições no mercado interno. Por créditos de importação, entende aqueles do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Referese ao caput do art. 34 desta Instrução Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre para fins de pedido de ressarcimento. Assim, após efetuados os ajustes, prossegue a fiscalização, a contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos valores que demonstra. Afirma a autoridade fiscal que a reapuração dos saldos de PIS e Cofins não altera os valores passíveis de ressarcimento indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última PER/Dcomp para desconto das contribuições a recolher, é de R$ 9.048.196,92, de PIS e de R$ 12.349.027,24, de Cofins, respectivamente. Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado. Por fim, calcula os créditos passíveis de ressarcimento, elabora demonstrativos e sugere o deferimento parcial dos diversos pedidos de ressarcimento e compensações efetuados, de acordo com os valores que indica no Termo de Verificação Fiscal. As glosas efetuadas bem como as justificativas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade fiscal. Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 8 Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em 27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57. Como base legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Cientificada em 27/02/2012, a contribuinte apresentou, em 28/03/2012, a manifestação de inconformidade às fls. 69 a 101 e 155, acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em síntese, que: A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial, com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972; As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram com que os créditos de PIS/Cofins fossem recalculados mensalmente. Obtidos os novos valores passíveis de ressarcimento e compensação, as compensações foram homologadas até esse limite, indeferindo, integral ou parcialmente, aqueles que o superaram; Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas em parte e 34 receberam resposta negativa. Por sua vez, os respectivos despachos decisórios, em que tais entendimentos foram apresentados, constaram de 51 processos administrativos de crédito, dos quais 41 trouxeram resultados contrários aos interesses da requerente. A decisão recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade, é um desses. Como todos esses 41 processos se referem a uma mesma matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se requer; Segundo a fiscalização, a recorrente não estava autorizada a se creditar sobre as seguintes bases: ativo imobilizado – inclusão indevida de bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF), utilização de água e esgoto em processos industriais (item 3.3 do TVF), fretes – transporte de produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF), fretes – inclusão indevida do transporte de mercadorias destinadas ao imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes inclusão indevida do seguro pago (item 3.6 do TVF) e fretes – falta de identificação das mercadorias transportadas (item 3.7 do TVF). Mas ela estava, na verdade, haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria; Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não serem diretamente destinadas às atividades de industrialização. Entretanto, consoante art. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso, não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico; Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 9 Item 3.2 do TVF. Esses serviços, ao contrário do que sustenta a fiscalização, são, sim, utilizados de forma direta na atividade industrial, sobretudo porque são a ela essenciais. Os insumos, na sistemática do PIS/Cofins, são aquelas despesas, custos ou encargos essenciais ao desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São, de acordo com doutrinadores, todos os elementos físicos ou funcionais (...) que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto. Jurisprudência administrativa do CARF apresenta o mesmo posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 320200.226, de 08/02/2010 e nº 930301.035, de 23/08/2010. Julgados dos Tribunais Regionais Federais e Superior Tribunal de Justiça também vão no mesmo sentido. No caso, os serviços são essenciais. Aqueles prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização, que depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time. (“produção enxuta, por demanda”). Conforme se afere dos contratos ora anexados (doc. 5), tais serviços consistem na gestão inteligente do fornecimentos de bens a serem aplicados no processo produtivo. Não se trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como pareceu entender a fiscalização. O que essa pessoa jurídica fornece é a otimização do processo industrial, serviço diretamente ligado à produção e cujo fator intelectual é preponderante. Esse tipo de serviço, sobretudo no setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há como afastar a sua natureza de insumo e, via de conseqüência, de gasto passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente vinculado à produção, inclusive qualificado como verdadeiro custo de produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o desconto de créditos; Item 3.3 do TVF. Somente foram admitidas para efeito de creditamento a água aplicada nos processos industriais de “têmpera” e “lavagem e prova hídrica”, pois somente nesses casos haveria o contato direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a fiscalização glosou os créditos não apenas quanto aos dois últimos processos, mas em relação a todos eles, sob o argumento de que a contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há dúvida que a água empregada em todos esses quatro processos permite o aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de insumo e é empregada, de forma essencial, na produção, descabendo a exigência de contato físico direto com os produtos fabricados, consoante jurisprudência do CARF e julgados dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça; Item 3.4 do TVF. O fato de a transferência de bens entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado. E transportar as mercadorias entre os diversos estabelecimentos é fundamental para o curso regular das operações da pessoa jurídica principalmente por dois motivos: (a) A contribuinte possui um variado portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas (“Case”, “New Holland”, “Kobelco” e “Steyr”, por exemplo) para setores do mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 10 suas plantas industriais não estão preparadas para fabricarem todos esses produtos, até porque, aliás, isso demandaria investimentos de elevadíssima monta. Mormente pela variedade de estabelecimentos em todo o país, que também operam como centros de venda, fornecendo todos os produtos da marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do mercado, mesmo para aquelas mercadorias que não são fabricadas no próprio estabelecimento, de modo que valores consideráveis são gastos no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b) São produzidas máquinas e equipamentos pesados, os quais gozam de particularidades quanto à sua estocagem, sobretudo pelos grandes e diferenciados tamanhos. É possível, por isso, que devido a uma queda nas vendas, por exemplo, determinado estabelecimento fique sem espaço para alocar a sua produção, o que tornará necessária a busca por outras unidades. Nessas situações é desejável que seja feita a transferência para outro estabelecimento, pois a locação de espaços para tal pode se mostrar excessivamente onerosa muito em virtude das elevadas dimensões dos bens produzidos. Além disso, os fretes em exame são despesas vinculadas ao processo de produção, o que reforça a possibilidade de creditamento. De fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que elas sejam auferidas deve ser considerado insumo. Julgados do CARF e do Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese; Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na jurisprudência administrativa que o frete pago na aquisição de bens necessários ao desenvolvimento da atividade industrial permite o creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual entendimento jurisprudencial sobre o tema, quaisquer custos de aquisição devem autorizar o desconto de créditos; Item 3.6 do TVF. Entendeu o fisco que o seguro, normalmente destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia ter se creditado com base no valor total do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira e única contratante desse serviço. O destaque no CTRC é apenas uma exigência legal instituída para permitir a identificação da composição do frete. O RICMS/MG, em seu art. 81, inciso XIII, trata o seguro como “valores dos componentes do frete”. O seguro, portanto, foi avençado pela transportadora, que apenas informa o seu respectivo valor em atendimento ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e, sendo o frete na aquisição de insumos passível de creditamento, agiu de forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura se legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art. 289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles; Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 11 Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornouse, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais um menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima; Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp ora examinados, e também daqueles outros apresentados no período fiscalizado, decorreram de aquisições realizadas no mercado interno e no exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam ter sido utilizados para efeito de ressarcimento e compensação, segundo a qual apenas as importações amparadas pelo art. 15 da aludida lei é que permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém, não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam nos mencionados arts. 15 e 17. Na verdade, todo o creditamento de PIS/Cofins – Importação deriva do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que seria o equivalente funcional dos arts. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que tratam de créditos no mercado interno. O art. 17 é apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns casos, e em conjunto com o art. 15. A função do art. 17 é, exclusivamente, tratar das situações em que o recolhimento de PIS/Cofins nãocumulativo deixa de ser feito com base nas alíquotas de 1,65% e 7,6% e passa a contemplar alíquotas diferenciadas, nos casos de aplicação do “regime monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos e serviços tratados no art. 17 é, justamente, quando cuida da quantificação do crédito. Ou seja, o art. 17 não vem trazer regulação especial para os créditos de produtos específicos, de forma a excluir a aplicação do art. 15. Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15 fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação. Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art. 17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil abona essa conclusão (Acórdão nº 3803000.885, de 27/10/2010, do CARF). Interpretação distinta representaria grave ofensa à isonomia tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam submetidas a tratamentos fiscais distintos, sem qualquer justificação. Na verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 12 monofásico), teriam o seu direito de crédito excessivamente limitado. Essa violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei nº 10.865, de 2004, foi justamente, segundo sua exposição de motivos, introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito às regras da proporcionalidade e razoabilidade, afinal, qual seria a razão jurídica para se permitir a utilização de créditos de importação em PER/Dcomp e excluir, ao mesmo tempo, esse direito daquelas operações abarcadas pelo art. 17? Razão não há, estando claro que o exame da legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo que deve ser descartada; Item 4.3 do TVF. Foram reposicionados parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. O procedimento teve efeito nefasto e desproporcional: vários dos débitos compensados, no período autuado, ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados para o último mês do trimestre correspondente, neste terceiro mês havia saldo suficiente para homologar, ainda que em parte, as compensações realizadas nos dois primeiros meses. Desse modo, caso se entenda por validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso de um ou dois meses, isto é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre; Erros de cálculo. Em cada mês em que os créditos foram recalculados ocorreram impropriedades na quantificação desses créditos, consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins abril a junho de 2008 (PER/Dcomp nº 41058.12544.220708.1.1.099018 e nº 33371.36444.290710.1.7.098945). Somente foi considerado o montante ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 3.267.967,06 e não R$ 3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período. Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs – Valor utilizado valorado de acordo com o tipo de crédito” há valores que divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a última versão sobrepôs a primeira, fazendo com que os débitos fossem compensados com multa e juros. É de se notar que a data da transmissão original estava dentro do período para recolhimento (antes da data de vencimento) e que não houve aumento do débito compensado, somente redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins outubro a dezembro de 2008 (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.090408). Somente foi considerado o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 140). (c) Ressarcimento de Cofins julho a setembro de 2010 (PER/Dcomp nº 19382.21408.281010.1.1.090687). Não foi feita a Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 13 recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 6.541.682,26 e não R$ 6.201.733,66, o que gerou uma diferença de R$ 339.948,90, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). (d) Ressarcimento de Cofins abril de 2010 (PER/Dcomp nº 02755.47816.300610.1.3.094563). O fisco partiu de montante de créditos de mercado externo diferente daquele que consta no PER/Dcomp, sendo considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 5.511.341,71 e não R$ 2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). Esses erros, que são verificados em todas as competências, são inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requerse, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que os referidos equívocos sejam definitivamente comprovados. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, em razão do exíguo tempo para recorrer, posto que são mais de 200 PER/Dcomp envolvidos, que devem ser revistos em todos os critérios apontados pela fiscalização, alguns deles complexos; Em 20/08/2012, a contribuinte juntou aos autos mídia em CD com o que entende ser as informações necessárias para que seja verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 do TVF com a compra de insumos, de modo a comprovar a legitimidade dos créditos aproveitados sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos). Ao final, requer a contribuinte: a) o julgamento conjunto dos processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade do procedimento fiscal e de seus correspondentes frutos, o TVF e os despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das vinculações, conforme demonstrado; d) o reconhecimento da existência de todos os créditos de PIS/Cofins utilizados pela interessada nos pedidos de ressarcimento e compensação vinculados ao MPFF n.º: 06.1.10.002011 004273, transmitidos entre janeiro de 2008 e setembro de 2010, com o conseqüente deferimento e homologação de todos os PER/Dcomp objetos deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados; f) caso os argumentos anteriores não sejam acatados, que os erros expressamente apontados sejam definitivamente corrigidos e g) subsidiariamente, sejam decotados os juros e multas decorrentes do reposicionamento de créditos efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fls. 1415). Inconformada, a mesma apresentou, em 28/01/2014, o recurso voluntário de fls. 1417/1444, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final: Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 14 a) o julgamento conjunto deste com os demais processos da empresa, haja vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º, do Regimento Interno do CARF; b) seja determinada a realização de diligência para os esclarecimentos referentes à glosa de créditos calculados sobre fretes (item 3.7 do TVF), diligência cuja necessidade seria reforçada diante do reconhecimento, pela DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos; c) seja o recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do TVF, bem como reconhecida a regularidade da utilização dos créditos de PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF), e, finalmente, sejam descontados juros e multa calculados quando do reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), de modo que se refiram tãosomente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre). No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto". Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls. 3559/3564, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto. Intimado a manifestarse, o sujeito passivo, apresentou petição onde requer seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos princípios da ampla defesa e do contraditório. Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo, posto que apresentado (em 28/01/2014) dentro do prazo legal de 30 dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância (que ocorreu em 24/01/2014 conf. fls. 1415). Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 15 Quanto aos demais requisitos de admissibilidade os mesmos se encontram presentes. Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo. Da matéria em litígio Conforme relatado, vêse que a contenda envolve a homologação parcial de pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões relativas ao cômputo de créditos calculados sobre: a) bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção (item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF); b) serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF); c) fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF); d) fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); e, e) fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF). Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20051, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação. Assim, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da Lei em tela2 (dentre outros) – estes, por falta de 1 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 16 previsão legal, não poderiam ser objeto de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Por fim, a lide envolve também a análise quanto à possibilidade ou não de compensação de créditos de importação vinculados a receita de exportação antes do encerramento do trimestre. Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao pleito do sujeito passivo. Do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS O regime da incidência nãocumulativa das contribuições sociais foi instituído, inicialmente, para o PIS/PASEP, mediante a publicação da Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002. Posteriormente, com a publicação da Lei nº 10.833, de 29/12/2003 – conversão da Medida Provisória nº 135, de 2003 –, tal regime foi estendido à COFINS. Concernente à não cumulatividade da COFINS a lei em evidência passou a produzir efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 dispõem, respectivamente, que o PIS/PASEP e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes de: a) exportações de mercadorias; b) prestação de serviços no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma do artigo 3º das leis em comento poderá ser utilizado para a dedução da correspondente contribuição a recolher ou para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento em dinheiro. A seguir, examinaremos a legitimidade dos créditos calculados pela interessada seguindo a mesma ordem utilizada pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal TVF. Das glosas objeto do item 3.1 do TVF: bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção A fiscalização entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não estarem diretamente vinculados às atividades de industrialização. Por sua vez, o sujeito II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 17 passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Segundo defende a interessada, seria inapropriado afirmar que os bens em evidência não se prestariam ao exercício de sua atividade industrial. Afirma que “quaisquer bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou indiretamente), autorizam o creditamento”, e ainda, que “os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da Recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico”. O creditamento relativo a bens destinados ao ativo imobilizado está fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em relação ao PIS/PASEP, regramento no mesmo sentido consta da Lei nº 10.637/2002. Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais relevantes para a resolução da contenda: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...] (grifo nosso) O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada. Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade unicamente administrativa, ou seja, que não são empregados diretamente na produção ou na Fl. 3596DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 18 comercialização de mercadorias e de serviços, ou ainda, na locação. Apenas esses últimos é que fazem jus ao creditamento. No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais não se enquadram na amplitude conceitual de insumo na produção dos bens destinados à venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito com base em tais rubricas. É por essa razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em que o sujeito passivo pretende se creditar do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção. O alcance do conceito de insumo para fins do regime de incidência não cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte. Das glosas objeto do item 3.2 do TVF: serviços não empregados diretamente na industrialização A fiscalização glosou o creditamento correspondente a alguns serviços que não foram “empregados diretamente na industrialização”. Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão: Instado, conforme Termo de Intimação nº 0551/2011, a informar quais tipos de serviços prestavam as empresas Fiat do Brasil S/A e GFL Gestão de Fatores Logísticos, e a apresentar os respectivos contratos, a empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte: “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A: • Comércio Exterior: ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da CNH em todo o território nacional e relacionados com os modais marítimo, aéreo e rodoviário; ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da CNH em todo o território nacional e relacionados com os modais marítimo, aéreo e rodoviário. • Contabilidade Geral; • Controle Fiscal; • Contas a pagar e Tesouraria; • Controle de ativo fixo; • Registro Fiscal; • Faturamento; • Gestão tributária e societária; • Serviços de assessoria a expatriados. Serviços prestados à INTIMADA pela GFL GESTÃO DE FATORES LOGÍSTICOS LTDA: • Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 19 Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante.” Nenhuma destas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos. Os serviços prestados pela Fiat do Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada. As contas contábeis responsáveis pelo registro dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre serviços, conforme resposta ao Termo de Início entregue em 08/06/2011, são as de nos 144240 e 144241, e a esmagadora maioria dos lançamentos referemse a serviços prestados pelas duas empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal nº 149087 da Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito o contribuinte afirmou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas fiscais, em 2010, referentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos expostos acima, é vedada a geração de créditos. Deste modo, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nas memórias de cálculo entregues em 08/07/2011, em resposta ao Termo de Início, deve ser glosado [...] A análise do problema envolve essa que talvez seja a questão mais controvertida em relação à nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. O inciso II do artigo 3o das Leis 10.833/2003 e 10.637 de 2002 autoriza o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. As normais legais stricto sensu que prevêem a nãocumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – não cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos (como insumos), aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 20 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins3. Segundo ele, pelo fato das contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual, salvo nas hipóteses expressamente vedadas pela Lei nº 10.833/2003, o crédito de insumo deve ser calculado a partir do custo de produção da legislação do imposto de renda (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matériasprimas e quaisquer outros bens, direitos ou serviços aplicados ou consumidos no processo de fabricação, diretos ou indiretos, independentemente de desgaste, dano ou perda de propriedades físicoquímicas. Por sua vez, Marco Aurélio Greco5 defende que os insumos, para fins de PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira comenta a lição de Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. 3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 4 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 317. 5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 21 Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outros pensamentos doutrinários diversos que revelam grandes divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da nãocumulatividade. Culpa da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto. De nossa parte, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso, não encontra alicerce na legislação pertinente. Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, ressalvadas as exceções legais. O detalhamento das possibilidades de creditamento e das vedações ao mesmo, sujeitos a emendas normativas implementadas no decorrer do tempo, revela, sem nenhuma dúvida, que o legislador sempre optou por um regime de não cumulatividade seletivo. Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o teor do inciso II do artigo 3o de ambas as leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que, sobre a correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto de créditos calculados em relação a: II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002) II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Lei 10.637/2002 redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº 10.833/2003. Na Lei nº 10.637/2002 essa redação é decorrente da Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 22 Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços. Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à fabricação dos produtos destinados à venda, o que requer, pois, análise individual do processo produtivo da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não cumulatividade. No caso presente, entendo que os serviços prestados à interessada pela Fiat do Brasil S.A. (despacho aduaneiro de importação e exportação, serviços de contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados) não se destinam diretamente à atividade de “fabricação de máquinas e equipamentos para terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ). Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico que o adotado pela Receita Federal nas suas instruções normativas nos 247, de 21/11/2002 e 404, de 12/03/2004, conforme razões acima desenvolvidas, e mesmo admitindo que muitos desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma direta, à atividade produtiva da interessada. Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. Das glosas objeto dos itens 3.4 e 3.5 do TVF: fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada e fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo A Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos da COFINS calculados com base em “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 23 Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso II, da mesma norma7. Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Tratase, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme ressaltado. Essa restrição ao gozo do mecanismo creditório se observa também em relação a outros casos previstos no regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, como, por exemplo, nos casos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; edificações e benfeitorias em imóveis; valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. No mais, entendo que aludidos fretes também não caracterizam insumo, até porque, conforme asseverado pela instância recorrida, o frete pago na compra de insumos integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente. Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF). Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS. FRETE INTERCOMPANY. OPERAÇÃO DE VENDA NÃO CARACTERIZADA (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II, L10833). IMPOSSIBILIDADE. 1. O frete intercompany, referente à alocação dos produtos acabados das indústrias para os centros de distribuição da empresa, configura simples transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de venda. Com efeito, apenas enseja o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma. 2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até chegar à sua destinação final, a "operação de venda", enquanto negócio 7 Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 24 jurídico, é relação estabelecida estritamente entre os sujeitos fornecedor e adquirente. Deste modo, as etapas anteriores à destinação do produto ao consumidor final, ainda âmbito da empresa (fornecedora), não podem ser consideradas operações de venda. 3. Na linha do que defende a doutrina mais moderna, o conceito de "insumo", no campo tributário, não é uniforme para todas as exações. Assim, os conceitos encontrados no IPI não são, de fato, suficientes para abarcar todos os custos que podem gerar créditos de PIS/COFINS. Enquanto na legislação de regência daquele imposto, há referência tãosó às despesas referentes à industrialização dos bens (matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem etc.) aqui, as receitas submetidas às contribuições não são unicamente decorrentes da venda de produtos industrializados. 4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir se ao outro extremo, estendendoo de tal modo a incorporar "todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A nãocumulatividade deve estar adstrita à materialidade do tributo para PIS/COFINS, receita; para IR, lucro líquido. Logo, também imprestável, o conceito de despesa operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR. 5. Nesse contexto, de intermédio, primeiramente, há que se ter, por parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar os créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". 6. Portanto, o conceito legal de insumo, para efeito de crédito de PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens diretamente relacionados com a produção do contribuinte e que afetem o montante das receitas tributáveis pelas contribuições constituem crédito utilizáveis na apuração destas. 7. Por seu turno, Marco Aurélio Greco preconiza o critério da essencialidade ou relevância para análise do conceito de insumo, a ser entendido sob uma perspectiva dinâmica. Devem, assim, ser rechaçados como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte. 8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos, margarinas e cremes vegetais. A ser assim, não é de entenderse o frete entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às filiais, como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo desenvolvido pelo contribuinte. Tal custo é posterior ao processo de fabricação dos bens destinados à venda, não consistindo, pois, em insumo direto. 9. Assim, seja como for, quer se entendendo insumo como o gasto relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que ele corresponde a dispêndio elegível a título de mera conveniência da pessoa jurídica (não alcançando "perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade"), visando à melhor distribuição dos bens fabricados ao adquirente final. Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 25 Apelação a que se nega provimento. (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº 544709. Relator Des. Federal José Maria Lucena. Data do acórdão: 15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. FRETE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA CONTRIBUINTE. DEDUTIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 1 O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é possível o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na sistemática da nãocumulatividade. A utilização do crédito presumido, em relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111 do CTN. 2 O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o conceito de insumo não abrange as operações de transferência interna de mercadorias entre os estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica (AGRESP 1335014). 3 Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada. (Tribunal Regional Federal da 2a Região. Terceira Turma Especializada. Apelação Cível nº 526.709. Relator Des. Federal Geraldine Pinto Vital de Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014) TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. ARTIGO 3º, INCISO IX. ARTIGO 15, INCISO II. LEI Nº 10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1 No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao creditamento, a título de PIS/COFINS, de valores despendidos com fretes contratados pela impetrante desde 2002 até a data da propositura da presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus estabelecimentos e pontos de distribuição. 2 A questão em discussão nestes autos diz respeito ao regime da não cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do artigo 195 da Constituição Federal, introduzidos pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (DOU 30.08.2002), convertida na Lei nº 10.637/2002 (DOU 31.12.2002) no que diz respeito ao PIS, e pela Medida Provisória nº 135/2003 (DOU 31.10.2003), convertida na Lei nº 10.833/2003 (DOU 31.12.2003) referente à COFINS. 3 Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e incisos) sobre os créditos passíveis de descontos a título de PIS do valor apurado na forma do artigo 2º da referida lei. E, no que tange a "frete", estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX, do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a interpretação restrita dada pela lei no sentido de se tratar de "frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor" (grifos meus). Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 26 4 Nesse passo, considerando que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais em comento estão afetas à definição infraconstitucional, ao amparo da Lei Maior, os aludidos diplomas normativos restringiram a hipótese de creditamento, não abrangendo a hipótese pretendida nestes autos, como equivocadamente entende a impetrante, ora recorrente. 5 Observase que a pretensão formulada neste mandamus não encontra guarida legal para prosperar, porquanto a impetrante objetiva o creditamento a título de PIS/COFINS de valores despendidos com "fretes contratados pela impetrante, desde 2002 até a data da propositura da presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus estabelecimentos e pontos de distribuição", hipótese essa não amparada pela lei de regência, que restringe o creditamento ao frete à operação de venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. 6 Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções de créditos para fins de apuração da base de cálculo das exações em comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo 111 do Código Tributário Nacional. 7 Na verdade, verificase que a recorrente insurgese quanto à base de cálculo das contribuições ao PIS/COFINS, objetivando a redução da incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo somente ocorre mediante expressa previsão legal, a cargo do Poder Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim, não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar a pretensão veiculada na presente ação mandamental, não merece prosperar o apelo da impetrante. 8 Apelação não provida. (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº 325.368. Relator Des. Federal Nery Junior. Data do acórdão: 19/12/2013. Publicado em: 10/01/2014) TRIBUTÁRIO AÇÃO ORDINÁRIA PIS E COFINS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE DESPESAS DE FRETE TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE. 1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa jurídica, a fim de que possa desenvolver as suas atividades, tenha de adquirir insumos, matériasprimas ou serviços de outras pessoas jurídicas. 2. Assim, é natural que uma parcela das suas receitas, dos recursos advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao pagamento dos seus custos, das suas despesas operacionais, ou seja, à remuneração dos seus fornecedores e prestadores de serviço. Os pagamentos feitos aos seus fornecedores e prestadores de serviço representarão faturamento destes e sujeitarseão, por sua vez, à incidência Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 27 do PIS e da COFINS. O que é dispêndio, desembolso para uma pessoa jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o faturamento e, posteriormente, todas as receitas como hipótese de incidência para contribuição destinada ao financiamento da seguridade social. Quando houver várias fases ou etapas de circulação econômica, a incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa. 3. As únicas deduções ou exclusões possíveis seriam aquelas previstas em lei, que teriam a natureza de isenção, de favor fiscal, determinado discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é, que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas das atividades empresariais, representando situação de nãoincidência. 4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela EC nº 47/2005 prevê a possibilidade de as contribuições sociais terem alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho, conforme opção a ser exercida pelo legislador ordinário. 5. Por sua vez, o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº 42/2003, determina que a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais a contribuição social sobre as receitas será nãocumulativa. 6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado do PIS a pessoa jurídica poderá descontar créditos relativos a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 7. Já a Lei nº 10.833/03, no inciso IX do artigo 3º, dispõe que do valor apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 8. Como as exclusões e isenções tributárias devem ter interpretação restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca as despesas incorridas no transporte interno de mercadorias entre os estabelecimentos do contribuinte, porque não são despesas diretamente relacionadas em operações de venda. A transferência interna entre estabelecimentos da mesma empresa não caracteriza uma operação de venda, e, por isso, as despesas de frete desse transporte não estão relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias. 9. Precedentes deste TRF e do STJ. 10. Apelação da autora desprovida. (Tribunal Regional Federal da 2a Região. Terceira Turma Especializada. Apelação Cível nº 545.908. Relator Des. Federal Luiz Mattos. Data do acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013) (grifos nossos) Finalmente, o precedente do Superior Tribunal de Justiça que alicerçou a fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 28 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. 2. O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento. 3. A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido (STJ. Segunda Turma. Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.014. Relator Min. Castro Meira. Data do acórdão: 18/12/2012. Publicado em: 08/02/2013) (Grifos nossos) Das glosas objeto do item 3.7 do TVF: fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas Quanto às glosas em vista dos fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal: Como demonstrado anteriormente, a possibilidade de creditamento nos casos em que se entende a despesa com frete como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos; assim, caso a pessoa jurídica adquira um bem de pessoa física, o transporte deste bem, mesmo feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não haverá créditos relacionados com as despesas de fretes. Não havendo informação, na Escrituração Fiscal, das notas fiscais dos bens considerados como insumos associados aos fretes, lavrouse em 14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte associasse, nota fiscal por nota fiscal, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendose observar layout específico para tanto. Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo adicional de vinte dias, por nós deferido. Em 24/10/2011, a empresa apresentou apenas dados parciais, e requereu mais algum tempo para terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por mais quinze dias o prazo final. Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 29 Na data aprazada, o sujeito passivo entregou os arquivos, os quais, porém, não possuíam todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte. [...] No caso em tela, essencial era a vinculação entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por intermédio do arquivo de vínculos, que possuía tanto a identificação das notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou venda de mercadorias. Entretanto, nos arquivos entregues em 08/11/2011, anexos ao processo, duas falhas foram observadas: por um lado, notas fiscais de transporte relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de mercadorias indicadas no arquivo de vínculos não foram encontradas no “Arquivo de NF.txt”, nem na Escrituração Fiscal. Estas duas irregularidades foram relacionadas, respectivamente, nos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, em anexo. A título de exemplo, tomemos uma das diversas notas fiscais não encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as notas fiscais de transporte e as notas fiscais de mercadorias: o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única, emitido pela Transportadora Rodomeu Ltda, em anexo. Tratase de um documento relativo ao transporte de mercadorias importadas da CNH America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total somava R$ 65.741,50. Tal creditamento é vedado pela RFB, conforme dispõem várias consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84, da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo: “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS. O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da CofinsImportação, sujeitase ao disposto nos arts. 7º e 15, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004, que determinam que a base de cálculo desses créditos corresponde ao valor aduaneiro acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Assim, o frete pago para transportar bens importados, empregados como insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso) Deste modo, é forçoso concluir que a falta de vinculação entre os fretes e as mercadorias transportadas impede a constatação não só da irregularidade acima descrita, mas de quaisquer outras que a empresa porventura tenha cometido. [...] Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas 144238 PIS a recuperar insumos e 144239 COFINS a recuperar – insumos, e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias Fl. 3608DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 30 não Encontradas na Escrituração Fiscal”, todo o valor das contribuições creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a falta de determinada associação impede o cálculo do valor creditado proporcionalmente. (os destaquem em negrito não constam do original) Extraise dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada pela fiscalização para a glosa dos créditos calculados sobre os fretes foi, essencialmente, a impossibilidade de vinculação “entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as notas fiscais de entrada dos insumos. A ausência desse vínculo impediu a autoridade administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”. Decerto, “apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos”, muito embora a autoridade administrativa tenha afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo frete pago para transportar bens importados empregados como insumos do processo produtivo. Segundo a defesa apresentada pelo sujeito passivo: “[...] se há créditos de insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também, créditos referentes a seus correlatos fretes”. Ressalta ainda a reclamante que “a maioria esmagadora de tais fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101: Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”. Ainda segundo a recorrente: Os CFOPs das notas fiscais são provas cabais de que os correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e 2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em que, tendose em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a própria Receita Federal, aliás. Vejase um exemplo: “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins.” (Solução de Consulta n. 197, de 16 de Agosto de 2011 – sem destaques no original) Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente: segundo o inciso IX do citado art. 3º, o “frete na operação de venda” autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais. É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais de 50 mil linhas, na qual indicou, uma a uma, nota fiscal autuada e respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a maior parte dos fretes autuados se referia a situações em que o creditamento estava claramente autorizado. Fl. 3609DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 31 Sobre a planilha reportada e demais argumentos suscitados pelo sujeito passivo, asseverou a instância recorrida, verbis: 9. FRETES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF. Diante da ausência de informação, na escrituração fiscal, das notas fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos. Após algumas prorrogações, a recorrente apresentou a documentação solicitada, que, contudo, não apresentava todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias transportadas. Ponderou a autoridade fiscal que a falta de vinculação entre fretes e mercadorias transportadas, além de impedir o creditamento, também impede a constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a exemplo de frete pago para transporte de bens importados, empregados como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril. Suscita a interessada, quanto ao tema, que a glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos, estornandose, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Solicita, para que não hajam dúvidas quanto ao seu direito a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, afirma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais ou menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por fim, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima. A contribuinte juntou aos autos mídia em CD, incluindo as informações que entendeu necessárias para o restabelecimento desses créditos, a qual foi convertida em documentos anexados aos autos. Examinando esses documentos, podese observar que se trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ). Não obstante, do exame dessa planilha não resta comprovada a vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto, faziase necessário que fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez. Em adição, podese observar que a aludida planilha apresenta mais de 50.000 linhas com dados para verificação, enquanto que a interessada, Fl. 3610DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 32 ao trazêla aos autos, limitouse a requerer fosse verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos. Ocorre que o ônus de prova do direito ao creditamento é da contribuinte, como adiante se melhor verá, a quem competia, no mínimo, apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para o fisco. Ressaltese que, para fins de creditamento, a legislação exige que o crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a alegação de que para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item. (grifos nossos) No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a devida vênia, que a DRJ não caminhou bem ao apreciar a questão. Na ocasião, assim nos manifestamos: A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela instância a quo, é a de que esta não examinou adequadamente a documentação e os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. Isso porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação [...]”, onde a interessada alega que “[...] para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos [...]”, não foi efetivamente apreciada pela instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido acima. Como a própria DRJ afirma, o documento acostado aos autos pela reclamante “trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem sim subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório. Foi com essa motivação que propusemos a conversão do julgamento em diligência "para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto". Em resposta à diligência supra a unidade de origem apresentou o Relatório Fiscal de fls. 3559/3564, de onde destacamos o seguinte trecho: [...] Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 33 Vários dos CTRCs informados na planilha anexa à Manifestação de Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram objeto de glosa. Tais documentos estão relacionados na planilha anexa denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas na Ação Fiscal”. Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente não tinham sido escrituradas (“Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte, via Termo de Intimação nº 001201500011, item 1, cientificado pessoalmente em 04/02/2015, que nos exibisse tanto estes dois Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas Fiscais a eles vinculadas, determinação esta cumprida parcialmente em 24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e 56000. Também por meio deste Termo de Intimação visamos comprovar a veracidade dos demais vínculos informados cujos créditos foram objeto de glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” do item 3.7 do TVF), solicitando assim, por amostragem, algumas Notas Fiscais e CTRCs, por meio do item 2 da mencionada intimação. Apesar de alguns CTRCs (nos 68797 e 886) e uma Nota Fiscal (nº 37183) não terem sido entregues, segundo o contribuinte, em virtude do “grande volume de documentos arquivados”, pôdese concluir, em consonância com este, que a documentação apresentada referenda a planilha por ele elaborada e anexada à Manifestação de Inconformidade, com exceção destes documentos não exibidos. Apesar de considerarmos comprovados os vínculos informados na defesa do sujeito passivo, algumas das notas fiscais relacionadas, salvo melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus fretes. Tal ocorre porque se referem a aquisições de bens para uso ou consumo ou destinados ao imobilizado, nos CFOPs – Códigos Fiscais de Operação – nos 1551, 2551 e 2556. Neste sentido, aliás, foi a decisão em 1ª instância em relação ao item 3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir: “REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.” Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso e Consumo” detalhamos todos estes registros e, abaixo, temos o resumo mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida: Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 34 Mês PIS COFINS fev/2008 0,92 4,24 jun/2008 3,94 18,13 ago/2008 1,30 6,00 set/2008 3,99 18,40 dez/2008 7,40 34,10 fev/2009 1,13 5,21 mar/2009 2,44 11,19 abr/2009 17,02 78,36 mai/2009 2,02 9,28 jun/2009 10,49 48,30 jul/2009 2,06 9,53 ago/2009 3,67 16,90 set/2009 12,88 59,36 out/2009 9,12 41,98 dez/2009 16,59 76,37 jan/2010 0,48 2,21 fev/2010 17,17 79,05 mar/2010 1,42 6,54 abr/2010 14,41 66,34 mai/2010 5,17 23,77 jun/2010 7,81 35,98 jul/2010 14,48 66,68 ago/2010 36,33 167,37 set/2010 8,98 41,42 Por outro lado, reunimos todas as glosas que o contribuinte logrou comprovar indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a seguir totalizadas mensalmente: Mês PIS COFINS jan/2008 286,53 1.319,78 fev/2008 381,23 1.755,95 mar/2008 3,92 18,06 abr/2008 605,72 2.790,07 mai/2008 804,26 3.704,48 jun/2008 148,17 682,45 jul/2008 2.010,67 9.261,50 ago/2008 3.674,28 16.924,00 set/2008 1.445,04 6.656,14 out/2008 4.608,03 21.224,31 nov/2008 374,20 1.723,23 Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 35 dez/2008 7.588,03 34.950,81 jan/2009 668,90 3.081,03 fev/2009 7.495,94 34.525,92 mar/2009 1.386,62 6.387,71 abr/2009 2.007,42 9.245,72 mai/2009 738,41 3.401,16 jun/2009 6.265,02 28.855,01 jul/2009 3.300,66 15.202,28 ago/2009 840,01 3.869,59 set/2009 719,75 3.315,29 out/2009 965,56 4.447,56 nov/2009 1.303,04 6.001,82 dez/2009 2.257,21 10.397,23 jan/2010 1.974,52 9.094,68 fev/2010 2.248,05 10.354,84 mar/2010 490,59 2.259,87 abr/2010 3.197,74 14.728,89 mai/2010 1.315,44 6.059,04 jun/2010 791,94 3.648,05 jul/2010 1.508,77 6.949,40 ago/2010 2.920,90 13.452,87 set/2010 2.954,21 13.607,00 Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a identificação do CTRC e o valor do PIS e da COFINS glosados. Esta planilha também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510, do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas. É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º trimestre de 2010, período para o qual o contribuinte, à época da fiscalização, não havia ainda apresentado Pedidos de Ressarcimento, portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela fiscalização. Porém, como nas planilhas mencionadas no Termo de Verificação Fiscal, assim como no demonstrativo anexo à Manifestação de Inconformidade há referências a documentos deste período, optamos por relacionálos também neste trabalho, apesar desta informação não gerar qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte. ***** Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito passivo durante a fiscalização e por ocasião da sua Manifestação de Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 36 Fiscais, no sentido de considerar como créditos de PIS/COFINS correspondentes a fretes pela aquisição de insumos os apurados na escrita do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal. [...] Intimada do teor do relatório fiscal acima reportado, o qual é padrão para todos os processos da interessada que ora apresentamos para julgamento, a recorrente, mediante expediente de fls. 3569/3571, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com as glosas originais, totaliza valor inexpressivo, e que, dado o grande volume de dados a analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação. Até a presente data, contudo, o sujeito passivo não apresentou nenhum argumento adicional frente ao resultado da diligência fiscal conduzida pelo Auditor Fiscal responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal. Portanto, considerando o criterioso trabalho conduzido pela autoridade administrativa, retratado por último na fundamentação objeto do relatório fiscal acima transcrito parcialmente, e ainda, diante da não apresentação, pela recorrente, de razões objetivas capazes de abalar minimamente o resultado do trabalho da autoridade em tela, entendo que deverão ser mantidas as glosas inerentes a fretes pelo transporte de mercadorias não admitidas pelo regime da nãocumulatividade, ajustadas nos termos do aduzido relatório fiscal. Consequentemente, há que se dar provimento em parte aos argumentos apresentados pela reclamante, mas apenas no que concerne aos ajustes perpetrados pela autoridade fiscal, acima referenciados. Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF O sujeito passivo também se insurge contra a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal. Segundo a fiscalização, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20058, os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – são passíveis de ressarcimento ou compensação. Contudo, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações 8 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 37 de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes, “por falta de previsão legal”, não seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Ressalta a autoridade administrativa que a recorrente importou diversas máquinas e veículos para revenda enquadradas nos códigos tarifários elencados no § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos, indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”. Vejamos a questão analisando cronologicamente os preceitos inerentes ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise. Como já ressaltado linhas cima, o artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. No âmbito dos preceitos legais em tela, esse direito de crédito alcança os “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo 3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa do PIS e da COFINS em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Ainda no que concerne às leis que criaram o regime da nãocumulatividade das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 dispõem, respectivamente, que o PIS/PASEP e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes de: a) exportações de mercadorias; b) prestação de serviços no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma do artigo 3º das leis em comento poderá ser utilizado para a dedução da correspondente contribuição a recolher ou para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§ 1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003. Posteriormente, foi editada a Lei nº 10.865, de 30/04/2004, que instituiu o PIS e a COFINS incidentes sobre as importações de bens e de serviços. A norma em tela também dispôs sobre o creditamento das referidas contribuições incidentes sobre as importações, conforme o correspondente artigo 15, cujos trechos relevantes seguem abaixo transcritos: 9 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 38 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...] § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicamse, no que couber, as disposições dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda; [...] Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58A da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: I dos §§ 1º a 3º, 5º a 7º e 10 do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifo nosso) Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 39 Importa destacar que os produtos de que trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 são “máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”. Não há controvérsia quanto à subsunção das mercadorias importadas pelo sujeito passivo nesse dispositivo, já que ele próprio afirma isso quando denomina a planilha “Importação para Revenda de Máquinas e Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifouse) – vide item 4.2 do TVF. Historicamente, vêse que, até aqui, o regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o regime, prevendo, contudo, a compensação ou o ressarcimento em espécie (se inexistir a possibilidade de dedução da contribuição a recolher ou compensação com outros tributos administrados pela RFB) exclusivamente no caso de as receitas serem decorrentes da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior. Sobreveio então a Lei nº 11.033, de 21/12/2004, cujo artigo 17 permitia a manutenção, pelo vendedor, dos créditos decorrentes das “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”. Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo 16 estabelece os seguinte: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vêse, pois, que a possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos que a possibilidade de utilização dos créditos para fins de compensação ou de ressarcimento ampara as compras, pelo sujeito passivo, das máquinas e dos veículos destinadas à revenda. Fl. 3618DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 40 Quando o § 8º do artigo 15 diz que “as pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei” em relação, dentre outros, aos produtos do § 3º do artigo 8º (“máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório. Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de 1,65% para o PIS e de 7,6% para a COFINS (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente). Contudo, na realidade presente, inerente à importação das máquinas e veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz referência o inciso I do artigo 17 da mesma lei, os créditos serão apurados “mediante a aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita decorrente da venda, no mercado interno, dos respectivos produtos, na forma da legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição”. De fato, o artigo 17 da Lei nº 10.865/2004 trata especificamente da possibilidade de desconto de créditos nas hipóteses que elenca, e nada diz a respeito de eventual restrição à utilização do direito creditório calculado segundo as formas prescritas. Reproduzo, abaixo, o teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do presente litígio: Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58A da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: I dos §§ 1º a 3º, 5º a 7º e 10 do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 2º Os créditos de que trata este artigo serão apurados mediante a aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita decorrente da venda, no mercado interno, dos respectivos produtos, na forma da legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei. [...] Fl. 3619DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 41 Por fim, vale destacar que quase todos os demais parágrafos do artigo 17 tratam, exclusivamente, de formas de apuração de crédito nas hipóteses abrangidas pelos mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei”, corrobora o presente entendimento concernente ao qual o artigo 17 particulariza a apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do artigo 15. Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida a reclassificação como “não ressarcível” operada pela fiscalização, uma vez que, conforme demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de ressarcimento. Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo. Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. De fato, conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação. Referido ajuste foi baseado no artigo 42 da IN RFB nº 900/2008, cujo § 7º autorizava a compensação de créditos decorrentes de custos, despesas e encargos incorridos no mercado interno vinculados a receitas de exportação, mesmo antes de findo o trimestre do ano calendário a que se refere o crédito. Em pesquisa à mais atual instrução normativa que trata do assunto observei que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012, dispõe que a compensação dos créditos, dentre outras hipóteses, decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, “poderá ser efetuada somente depois do encerramento do trimestre calendário”. Tal regramento, de fato, está amparado no caput do artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004. (grifo nosso) Vale lembrar que o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 trata, justamente, da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”. Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente. Fl. 3620DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 42 Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que refiram, tãosomente, ao atraso de um ou dois meses (i.e, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre”, acaso a incidência dos encargos tenha extrapolado o correspondente trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual o contribuinte passou a ter direito ao crédito. Dessa forma, serão corrigidos até a data da compensação unicamente os débitos em aberto posteriormente aos ajustes em tela. Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos termos do parágrafo anterior. Dos erros de cálculo No que concerne aos erros de cálculo o sujeito passivo alega que a DRJ recorrida, “sem muitas justificativas, também negou a realização de diligência para tal verificação”. Todavia, ressaltou que, “quanto a dois dos quatro períodos apontados como exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 0246.070 e 0246.072)”. De fato, dentre todos os processos da empresa sob nossa responsabilidade que ora trazemos à pauta, observamos que a primeira instância já reconheceu crédito remanescente em relação aos seguintes processos da recorrente nos respectivos montantes a seguir discriminados: 13603.724502/201143 (R$ 7.743,90), 13603.724508/201111 (R$ 132.933,34), 13603.724529/201136 (R$ 339.948,59), 13603.724627/201173 (R$ 1.114,90) e 13603.724631/201131 (R$ 596.928,10). Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a reclamante não contesta o resultado das correções perpetradas pela DRJ, tendose limitado unicamente a reiterar a necessidade de “[...] diligência para a verificação da correção do cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade. Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso. Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, no seguinte sentido: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, Fl. 3621DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/201113 Acórdão n.º 3301002.806 S3C3T1 Fl. 0 43 pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3559/3564; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 3622DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10580.021692/99-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A decisão que apreciou a compensação informada pelo contribuinte somente alcança os débitos objeto de um único processo administrativo. Os débitos que o contribuinte requer sejam compensados com o mesmo crédito, mas que forem objeto de outros processos administrativos, somente nestes deverão ser apreciados.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3201-001.939
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A decisão que apreciou a compensação informada pelo contribuinte somente alcança os débitos objeto de um único processo administrativo. Os débitos que o contribuinte requer sejam compensados com o mesmo crédito, mas que forem objeto de outros processos administrativos, somente nestes deverão ser apreciados. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 A interessada apresentou pedido de compensação de débito próprio com crédito de Finsocial apurado no regime não cumulativo, com origem no período de setembro de 1989 a agosto de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata-se de Manifestação de Inconformidade (fls. 171/176) da interessada contra o Despacho Decisório n° 931 (fls. 167/169), de 16 de outubro de 2007, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (DRF/SDR), que não homologou a compensação postulada através do Pedido de Compensação à folha 01, apresentado em 12/11/1999. O crédito se refere a recolhimentos a maior de Finsocial no período de setembro de 1989 a março de 1992. Por meio da ação judicial n° 95.0010289-7, a interessada teve reconhecido o direito à compensação dos valores pagos a maior de Finsocial, visto que as sucessivas majorações de alíquotas desse tributo, promovidas pelas Leis n° 7.787 e n° 7.894, de 1989, e n°8147, de 1990, foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A ação transitou em julgado em 24/05/1999, conforme documentos às folhas 29 e 31/33. No referido despacho decisório da DRF/SDR, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada por serem os documentos integrantes do processo insuficientes para a determinação do crédito a ser compensado. Cientificada do despacho decisório em 22/04/2008 (fl. 170), a contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade em 21/05/2008, onde evoca a homologação tácita de sua compensação pelo transcurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data de entrega de seu pedido. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou procedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 15- 15.918, de 11/06/2008 (fls. 180 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002 devem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos cinco anos da apresentação de declaração de compensação ou de pedido de compensação convertido em declaração, sem manifestação da autoridade administrativa, Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10580.021692/99-11 Acórdão n.º 3201-001.939 S3-C2T1 Fl. 2 3 considera-se homologada a compensação e extintos os débitos declarados. Solicitação Deferida Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 187 e ss., por meio do qual, além de requerer a suspensão da exigibilidade dos débitos, afirma que o único valor objeto de compensação considerado homologado tacitamente foi o protocolado em outubro de 1999. Todavia, a compensação do débito referente ao período de 07/2003, informado através de DCTF em 15/08/2003 (trata-se, na verdade, de PER/DCOMP eletrônico), também deveria ser homologada tacitamente. E mesmo que assim não fosse, o suposto crédito (sic) restaria de igual maneira homologado porque teria havido descumprimento de ordem judicial (RE 150.764-1/PE, Rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJ de 02/04/1983). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio versa sobre pedido de compensação de débito, informada ainda em formulário próprio, com crédito de Finsocial apurado entre setembro de 1989 a agosto de 2003. Indeferido o pleito, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, que findou por reconhecer a homologação tácita da compensação. A Recorrente, contudo, sustenta, no recurso voluntário, que apenas um dos débitos foi homologado pela DRJ, restando, ainda, a Cofins devida em julho de 2003, compensada através do PER/DCOMP enviado em 15/08/2003. Ocorre que a compensação do débito a que se refere a Recorrente nunca foi objeto do presente processo administrativo, uma vez que o PER/DCOMP por ela mencionado, apesar de referir-se ao mesmo crédito de Finsocial, jamais constou dos autos, sendo informada apenas no recurso voluntário. Decerto, constará, se já não constou, de outra decisão administrativa a ser prolatada em outro processo administrativo. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Relatório Voto
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Numero do processo: 23034.042534/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/2003
FNDE. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS. APLICAÇÃO AO PERÍODO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA.
Os requisitos para a manutenção do direito à dedução das despesas com a educação dos empregados e seus dependentes devem ser observados pelas empresas interessadas.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS. APLICAÇÃO AO PERÍODO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. Os requisitos para a manutenção do direito à dedução das despesas com a educação dos empregados e seus dependentes devem ser observados pelas empresas interessadas. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 04 25 34 /2 00 6- 15 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.042534/200615 Acórdão n.º 2301004.382 S2C3T1 Fl. 101 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado pelo FNDE em 17/12/2006 para glosa das deduções indevidas da contribuição ao salárioeducação. Foram excluídos do lançamento os valores alcançados pela decadência pela regra do artigo 150, §4º do CTN, 11/96 a 11/2001. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/2003 FNDE NRD DEBCAD n.º 49.904.5084 SALÁRIO EDUCAÇÃO. GLOSA. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, publicada no DOU em 20/06/2008. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não tem o condão de desconstituir o lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Tratase a presente de Notificação para Recolhimento de Débito nº 0000384/2006, lavrada em 17/12/2006, para recolhimento ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE do valor de R$ 116.624,21 (cento e dezesseis mil, seiscentos e vinte e quatro reais e vinte e um centavos), relativo ao Salário Educação. De acordo com a Notificação para Recolhimento de Débito, o FNDE verificou irregularidades nos recolhimentos referentes ao Salário Educação e/ou na aplicação dos recursos do SME – Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Os valores foram levantados por meio de Apuração Especial das deduções de valores devidos referentes à SalárioEducação, cujo exame identificou deduções indevidas na modalidade “Indenização de Dependentes”, baseandose no Sistema de Gestão de Arrecadação do FNDE. Uma vez que as deduções foram realizadas em desacordo com as informações prestadas ao FNDE, foi realizado o lançamento correspondente à glosa das deduções indevidas. Os valores lançados referemse ao período de novembro/1996 a dezembro/2003, conforme Quadro de Lançamento de Débitos e Quadro de Atualização de Débito. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde alega: a) Decadência pela regra do artigo 150, §4º do CTN; b) Em virtude das disposições contidas no artigo 1º do Decreto nº 3.142/99 aplicamse à contribuição social para o salário educação as regras procedimentais do Decreto nº 3.969, de 15/10/2001, que coincide com a necessidade de prévia emissão de mandado do procedimento fiscal; c) A fiscalização fundamentou a exigência fiscal de forma genérica e a descrição dos fatos não guardam coerência com os relatórios de divergência; d) Aplicação de multa abusiva; e e) Prescrição intercorrente; f) Realizou todos os recolhimentos e os comprovou nos autos; e g) Não poderia a decisão recorrida adotar como fundamento disposição legal ainda não vigente à época dos fatos geradores. Não se poderia exigir o cumprimento de requisitos inexistentes a época, já que a Resolução nº 3, de 18/12/2000 não vigia no período de 12/96 a 06/99. É o Relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.042534/200615 Acórdão n.º 2301004.382 S2C3T1 Fl. 102 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Das preliminares Quanto ao mandado de procedimento fiscal – MPF, alega que sua ausência torna nulo o lançamento. Conforme dispõem os artigos 20 e 21 do Decreto nº 3.969, de 15/10/2001, a emissão de MPF somente é exigida para procedimentos fiscais iniciados a partir de 01/01/2002, que é o caso do presente processo; contudo, à época o contribuinte efetuava os recolhimentos das contribuições ao salárioeducação diretamente ao FNDE, observando, portanto, rito próprio. Somente com a Lei nº 11.457, de 16/03/2007 é que esses processos passaram a ser regidos pelo Decreto nº 70.235/72. Como a notificação do débito data de 16/12/2006 não procede a alegação do recorrente: Decreto nº 3.969, de 15/10/2001 Art.20.O disposto neste Decreto não se aplica aos procedimentos fiscais iniciados antes de 1o de janeiro de 2002. (Redação dada pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001) §1o Os procedimento fiscais de que trata este artigo deverão ser concluídos até 31 de dezembro de 2001. §2o Na impossibilidade de cumprimento do disposto no § 1o, os procedimentos fiscais terão continuidade, observadas as normas contidas neste Decreto. Art.21.Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1o de janeiro de 2002 Quanto aos dispositivos legais, constato às fls. 01 e seguintes que a fiscalização os indicou para que o contribuinte exercesse seu direito constitucional. No mais, a falta de indicação de artigos, parágrafos e incisos da legislação tributária apresentada pela fiscalização por si só não invalida o lançamento quando a descrição dos fatos é suficiente para a compreensão dos fundamentos que suportam a exigência. Ressaltase, ainda, que para ao período não alcançado pela decadência, 12/2001 em diante, a legislação indicada estava em vigor. E, no caso, verifico que a fiscalização aponta critérios de apuração, faz referência a processos anteriores, junta demonstrativo de divergências minuciosos e traz todos os elementos para conhecimento dos fatos. Quanto à prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, este CARF já pacificou a jurisprudência através da Súmula nº 11: Súmula nº 11 do CARF: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do mérito A criação da modalidade “indenização de dependentes” no Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME) decorreu da Emenda Constitucional 14, de 12/09/1996. Com ela, revogouse o direito de a empresa deduzir da contribuição devida a aplicação realizada no ensino fundamental de seus empregados e dependentes: Redação original: § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida, na forma da lei, pelas empresas, que dela poderão deduzir a aplicação realizada no ensino fundamental de seus empregados e dependentes. (grifos nossos) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14/1996: § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida pelas empresas, na forma da lei. No entanto, por força do artigo §3º do artigo 15 da Lei 9.424, de 24/12/1996, garantiu a continuidade do benefício para os empregados que continuasse seus estudos, vedandose novos ingressos: Art. 15 (...) § 3º Os alunos regularmente atendidos, na data da edição desta Lei, como beneficiários da aplicação realizada pelas empresas contribuintes, no ensino fundamental dos seus empregados e dependentes, à conta de deduções da contribuição social do SalárioEducação, na forma da legislação em vigor, terão, a partir de 1º de janeiro de 1997, o benefício assegurado, respeitadas as condições em que foi concedido, e vedados novos ingressos nos termos do art.212, § 5º, da Constituição Federal. Para esses beneficiários, as deduções das contribuições foram mantidas para o pagamento das despesas de educação na forma de indenização aos segurados. Para comprovar o direito, a empresa passou a se submeter ao cumprimento de novos requisitos, conforme Decreto 3.142, de 16/08/1999: Art. 10. O Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental constituise no programa pelo qual a empresa, contribuinte da contribuição social do salárioeducação, propicia aos seus empregados e dependentes o direito social de obter o ensino fundamental, por intermédio das seguintes modalidades: I aquisição de vagas na rede de ensino particular destinadas a empregados e dependentes, indicados pela empresa, até o limite de vagas geradas por sua contribuição; II escola própria gratuita mantida pela empresa para os seus empregados, dependentes e alunos da comunidade; Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.042534/200615 Acórdão n.º 2301004.382 S2C3T1 Fl. 103 7 III indenização de dependentes, mediante comprovação semestral de freqüência e pagamento das mensalidades em estabelecimentos particulares. Antes dele, já vigoravam alguns requisitos para que a empresa se utilizasse de recursos do FNDE para custear despesas com a educação dos empregados: DECRETO Nº 88.374 DE 7 DE JUNHO DE 1983 Art. 9º As empresas poderão deixar de recolher a contribuição do SalárioEducação ao Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social quando optarem pela manutenção do ensino de 1º grau, quer regular, quer supletivo, através de: a) escola própria gratuita para os seus empregados ou para os filhos destes, e, havendo vaga, para quaisquer crianças, adolescentes e adultos; b) programa de bolsas tendo em vista a aquisição de vagas na rede de ensino particular de 1º grau para seus empregados e os filhos destes, recolhendo, para esse efeito, no FNDE, a importância correspondente ao valor mensal devido a título de SalárioEducação. c) indenização das despesas realizadas pelo próprio empregado com sua educação de 1º grau, pela via supletiva, fixada nos limites estabelecidos no § 1º do art. 10 deste Decreto, e comprovada por meio de apresentação do respectivo certificado; d) indenização para os filhos de seus empregados, entre sete e quatorze anos, mediante comprovação de freqüência em estabelecimentos pagos, fixada nos mesmos limites da alínea anterior; e) esquema misto, usando combinações das alternativas anteriores. § 1º As operações concernentes à receita e à despesa com o recolhimento do SalárioEducação e com a manutenção direta ou indireta do ensino, previstas no artigo 3º e neste artigo, deverão ser lançadas sob o título “SalárioEducação”, na escrituração tanto da empresa quanto da escola, ficando sujeitas à fiscalização, nos termos do art. 3º deste Decreto e demais normas aplicáveis. Art. 10. São condições para a opção a que se refere o artigo anterior: I responsabilidade integral, pela empresa, das despesas com a manutenção do ensino, direta ou indiretamente; II equivalência dessas despesas ao total da contribuição correspondente ao SalárioEducação respectivo; III prefixação de vagas em número equivalente ao quociente da divisão da importância correspondente a 2,5% (dois e meio por Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 cento) da folha mensal do salário de contribuição pelo preço da vaga de ensino de 1º grau a ser fixado anualmente pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Como se vê, os requisitos para justificar a manutenção do benefício após a EC nº 14, de 12/09/1996 não são os mesmos que existiam anteriormente quando vigorava o direito às deduções. À época não se exigia, por exemplo, a comprovação da freqüência escolar. Contudo, considerando que somente restaram no lançamento os meses de 01/2002 em diante, toda a legislação indicada estava vigente e, portanto, as exigência já eram de conhecimento do recorrente. No mais, o recorrente demonstrou conhecer plenamente as divergências apontadas e as razões para o lançamento. Caberia, assim, caso realmente entendesse que a exigência era indevida trazer aos autos a demonstração do alegado, o que não foi realizado em suas peças recursais. Quanto alegação de que a multa aplicada seja abusiva, não presente processo foi aplicada apenas multa moratória em percentuais que variam de 12% a 24% conforme o período e a legislação vigente à época, o que está longe de possuir uma natureza confiscatória. No mais, a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Em razão do exposto, voto rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10880.727152/2012-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF.
A parcela de correção monetária que corresponder à diferença verificada entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal sobre o lucro inflacionário acumulado em 31.12.1989 será computada na determinação do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado.
Numero da decisão: 9101-002.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez, votando pelas conclusões os Conselheiros Luis Flávio Neto e André Mendes Moura, e, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo pagamento, a contagem do prazo decadencial deve se dar conforme regra geral contida no artigo 173, I, do CTN, na forma do entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973733 / SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o “caput” do artigo 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF. A parcela de correção monetária que corresponder à diferença verificada entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal sobre o lucro inflacionário acumulado em 31.12.1989 será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez, votando pelas conclusões os Conselheiros Luis Flávio Neto e André Mendes Moura, e, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 71 52 /2 01 2- 91 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 19/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). Relatório De preâmbulo, destaquese que este processo é conexo ao de nº 19515.002925/200536, igualmente distribuído a este Relator, os quais dizem respeito ao mesmo tema, têm a mesma decisão, os mesmos recursos e contrarrazões e foram apartados por desencontro de informações no curso do procedimento. Consta do despacho de conexão: Conforme "Representação n. O08.1800/191/2012" (fls. 002), o presente processo foi desentranhado do processo originário (n, 19515.002925/200536) e formalizado para "prosseguimento da cobrança nos termos das normas em vigor" (cf. Representação supra). A medida tornada pela Unidade de origem levou em conta o provimento parcial do recurso voluntário da contribuinte (fls. 391/396) e subsequente interposição de RE pela Fazenda Pública, tendo ignorado que o sujeito passivo igualmente apresentou Recurso Especial, o que só foi detectado posteriormente (cf. despacho de fls. 689, que reconheceu tal ocorrência). Nesta linha, tendo sido protocolizado tempestivamente o Recurso Especial pela autuada, obviamente estampouse a suspensão da exigibilidade da cobrança, impondo a apreciação de tal remédio jurídico, de modo que o presente processo (n. 10880.727152/201291), formalizado para "prosseguimento da cobrança" perdeu o objeto, já que impeditiva tal medida pela referida suspensão de exigibilidade. Destaquese ainda que, em ambos os processos, constam não só os RE interpostos como a apreciação de suas admissibilidades, com seguimento das duas (da PFN e da contribuinte), de forma que nenhum prejuízo processual haverá às partes, mesmo porque há um único acordão (AC. 1302000.010) o objeto dos recursos especiais em ambos processos. Impõemse, por conseguinte, a apreciação concomitante dos dois processos com iguais recursos, de forma a se evitar duplicidade de decisões para os mesmos fatos. Tratase de recurso especial do contribuinte contra o Acórdão n° 1302 00.010, exarado pela 2ª Turma Ordinária– 3ª Câmara – 1ª Sessão, que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto, reconhecendo ter havido decadência em relação aos fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2000, impondo, por não haver crédito tributário no período, na retificação do SAPLI. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002 Decadência. Aplicase o art. 150 do CTN para identificar o prazo decadencial do IRPJ quando há atividade do contribuinte a ser homologada pelo fisco. Recurso Voluntário Provido em parte. Inconformadas, PGFN e contribuinte apresentaram Recursos Especiais (fls. 807/817 e 876/898, respectivamente – numeração digital) e contrarrazões (fls. 957/959 e 832/847, ibidem). No caso do RE da Procuradoria foi apontado dissenso jurisprudencial em relação ao acórdão recorrido quando ausentes recolhimentos antecipados de tributo sujeito a lançamento por homologação, oportunidade em que a decadência seria regida pelas disposições do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e não pelas do art. 150, § 4º, do Estatuto. Já o RE da contribuinte destacou divergência em relação ao entendimento dado acerca da obrigatoriedade do reconhecimento da diferença do IPC X BTNF decorrente da apuração de saldo credor da correção monetária/1990. Na análise de admissibilidade do Especial da Procuradoria concluiuse que restou presente a dissensão invocada, o Acórdão paradigma pontuando que “o entendimento ali esposado aponta para a aplicabilidade ao instituto da decadência da regra do art. 173, inc. I do CTN, no caso de ausência de recolhimento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação”, e o recorrido definindo que, “em se tratando de lançamento por homologação, a regra decadencial a ser aplicada é a prevista no art. 150, § 4º, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação” (fls. 819/821). No RE manejado pela contribuinte a apreciação da admissibilidade concluiu ter o acórdão recorrido entendido que “a diferença IPC/BTNF sobre eventual lucro inflacionário não realizado em 1989 tem caráter obrigatório, tendo sido expressamente determinado pelo art. 40 do Decreto 332/91", enquanto os paradigmas apontados “pugnam pela obrigatoriedade da apuração da diferença de correção monetária sobre o saldo de lucro inflacionário acumulado apenas no caso de o contribuinte ter optado pela correção monetária de balanço complementar prevista na Lei nº 8.200, de 1991” (fls. 951/954). Ambos os RE foram admitidos. Cientificadas, Fazenda Nacional e Contribuinte apresentaram contrarrazões insistindo em seus argumentos e refutando os da parte contrária. É o relatório, em síntese apertada. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator Entendo que as divergências suscitadas restaram comprovadas e por isso conheço de ambos os Recursos Especiais. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Cabe apreciar, de per si, cada um deles. A discordância objeto do recurso especial da PGFN é a forma de contagem do prazo de decadencial para fins de ser considerada a realização do chamado “lucro inflacionário acumulado” quando não presentes pagamentos antecipatórios. Antes de tudo, cabe um breve registro histórico do “lucro inflacionário”, cujo embrião é o artigo 185, da Lei nº 6.404/1976 (depois revogado), que dispôs sobre a obrigatoriedade de se observar “os “efeitos da modificação no poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do exercício” (caput), e que “as contrapartidas dos ajustes de correção monetária serão registradas em conta cujo saldo será computado no resultado do exercício” (§ 3º). Sequencialmente, o legislador executivo expediu o Decretolei nº 1.598/1977 que adaptou, à esfera do Imposto de Renda, as normas societárias trazidas pela então novel Lei 6.404/1976, incorporando o instituto da correção monetária do balanço inserido no artigo 185, conforme dicção do artigo 39: Art 39 Os efeitos da modificação do poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do exercício serão computados na determinação do lucro real através dos seguintes procedimentos: I correção monetária, na ocasião da elaboração do balanço patrimonial: a) das contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, e das provisões para atender a perdas prováveis na realização do valor de investimentos; b) do patrimônio líquido; II registro, em conta especial, das contra partidas dos ajustes de correção monetária de que trata o item I; III dedução, como encargo do exercício, do saldo da conta de que trata o item II, se devedor; ou IV cômputo no lucro real, observado o disposto na Subseção IV desta Seção, do saldo da conta de que trata o item II, se credor. Vêse, os efeitos inflacionários foram sistematizados no sentido de, i) sendo devedor o cálculo feito a partir dos saldos das contas listadas no artigo 39, ou seja, montantes das contas patrimoniais se sobrepondo às do permanente, estarseia diante de valores dedutíveis da base do IRPJ, e, ii), contrariamente, os saldos das primeiras inferiores aos das contas de ativo, haveria que se submeter o resultado à tributação do imposto, com a ressalva inserida no inciso IV, in fine, e cuja aplicação prática se fez presente no artigo 51 do mesmo diploma: Art 51 O saldo credor da conta de correção monetária de que trata o item II do artigo 39 será computado na determinação do lucro real, mas o contribuinte terá opção para diferir, com observância do disposto nesta Subseção, a tributação do lucro inflacionário não realizado. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Nos subseqüentes artigos surgem as figuras do “lucro inflacionário LI” (art. 52), “lucro inflacionário acumulado – LIA” (art. 52, § 2º) e “lucro inflacionário realizado – LIR” (art. 53), que, em suma, vieram a possibilitar os procedimentos operacionais para diferimento ou tributação de sua tributação. Feitas estas preambulares citações, passase à apreciação do tema central aqui debatido, ou seja, a fluência do prazo decadencial aplicável aos casos em que há lucro inflacionário realizável decorrente da correção monetária. A dúvida surge porque essa modalidade de lucro, em função dos diversos normativos e mudanças de metodologia ao longo do tempo, como dito antes, possibilitavam diferimento, impondo, porém, sua realização após determinado lapso temporal. Destacase que o tema do cálculo em si não está em debate, não faz parte do recurso, vez a vexata quaestio admitida é tão somente o prazo decadencial e sua absorção pelo artigo 150, § 4º, ou 173, do CTN. Subindo os autos à apreciação da Tuma recorrida, por unanimidade foi dado provimento parcial ao voluntário da contribuinte, acolhendose os argumentos discorridos em preliminares e acatandose a decadência suscitada. Excertos do voto condutor mostram o quadro: A recorrente havia entregue suas declarações de rendimento e apurado prejuízos nos períodos correspondentes ao 1°, 2º e 3º. trimestres de 2000, não se podendo falar em omissão do contribuinte em relação a atividade prevista no caput do art. 150 do CTN. Não há nos autos evidências de prática de dolo, fraude ou simulação previstos no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. A jurisprudência deste colegiado tem se firmado no sentido de, nestas circunstâncias, ser aplicado o art. 150 do CTN para a verificação da decadência. Do exposto, voto no sentido de reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 31/03/2000, 30/06/2000 e 30/09/2000. Tendo em vista que neste períodos não houve crédito tributário apurado, deve ser providenciada a retificação da SAPLI, corrigindo o prejuízo fiscal acumulado. Vêse, o que levou a Turma recorrida a dar provimento parcial ao pleito, acolhendo a decadência relativa a três trimestres, teria sido o fato de a recorrida ter entregado regularmente sua DIPJ do período (2000), o que, na visão do Relator “a quo” imporia ter sido dado publicidade de seus atos ao Fisco, podendo este agir no interregno temporal de cinco anos fixado no artigo 150, § 4º, do CTN, para perpetrar eventuais lançamentos de ofício. Como tal providência somente exteriorizouse em 26/10/2005, restariam decaídos os citados trimestres, findos em 31/03, 30/06 e 30/09 de 2000. Divirjo do entendimento da Turma recorrida. Na linha da consolidada e pacificada jurisprudência desta Casa e na forma do decidido no REsp nº 973.733/SC STJ, inexistindo pagamento é inaplicável o deslocamento da contagem do prazo decadencial para os ditames do artigo 150, § 4º do CTN, devendose assumir o disposto na regra geral do artigo 173, I, do Estatuto: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 728DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” A interpretação do texto transcrito leva à conclusão de que se deve assumir o artigo 173, I, do CTN quando inocorre pagamento antecipado. Em suma, não havendo pagamento antecipado, como exigido pela lei e jurisprudência de segmento obrigatório pelo CARF, impossível pretender o deslocamento da contagem decadencial para os moldes do artigo 150, pois se estaria homologando o vazio, ou seja, nada haveria a homologar, posto que inexistentes os pagamentos (objeto de homologação). Na dicção do STJ no ERESP 101407/SP “Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional”. Pois bem, inexistindo quaisquer recolhimentos a título de IRPJ e de CSLL nos períodos objeto dos lançamentos aqui combatidos, aplicável a regra geral inserta no artigo 173, I, do Estatuto Tributário, cuja contagem abaixo se demonstra. Concretamente, no caso do IRPJ e CSLL, para os fatos geradores relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2000 (encerrados em 31/03/2000, 30/06/2000 e 30/09/2000) o “1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” é o dia 1º de janeiro de 2001, iniciandose, a partir daí, a contagem temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública constituísse eventuais créditos tributários, prazo esse a se findar em 31/12/2005. Cientificada a autuada dos lançamentos em 26/10/2005, OBVIAMENTE NÃO HÁ QUE SE FALAR EM QUALQUER DECADÊNCIA. Mais a mais, há que se considerar, no caso, a Súmula CARF nº 10 (cf. Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010), que tem a seguinte dicção: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do Fl. 729DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Nesta linha, a conjunção da Súmula CARF nº 10 e o entendimento acima esposado mostramse em consonância com a pretensão da recorrente expressa no RE, digase, a não exteriorização da decadência. Assim, entendendo não existente a decadência acolhida pela decisão “a quo” para os três primeiros trimestres de 2000, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, reformar a decisão recorrida neste aspecto e revigorar os lançamentos ali cancelados. Passase à apreciação do Recurso Especial apresentado pelo contribuinte. Depois de fazer breve histórico do instituto da correção monetária do balanço (CMB), alega em síntese a recorrente que a correção pela diferença IPC (X) BTNF seria uma faculdade dos contribuintes, que não teria exercido tal faculdade e que o Decreto nº 332/1991 não seria aplicável ao caso. Na decisão recorrida restou consignada a mantença dos lançamentos, tendo o voto condutor assentado que “em relação ao mérito, tornase necessário ressaltar que a decisão recorrida já havia esclarecido que a divergência de valores registrados a título de saldo de lucro inflacionário acumulado tem origem na aplicação da diferença IPC/BTNF sobre o Lucro Inflacionário acumulado em 31/12/1989 e não sobre o balanço encerrado em 31/12/1990, como insiste a recorrente tanto em sua impugnação como em suas razões de recurso”, para, a seguir, reproduzir excertos da decisão de 1º Piso. Pois bem, em que pese os bem articulados argumentos da recorrente, penso que razão não lhe assiste. Explicase. Como dito antes, a CMB surgiu no contexto contábil e jurídico brasileiro como forma de estancar, ao menos de forma parcial, os efeitos nefastos da inflação sobre as demonstrações financeiras das empresas, afetando seus resultados e, por via de consequência, os próprios tributos que são calculados tendo como suporte tais demonstrações. Nesta quadra, como se recordam os que vivenciaram o cenário da época e podem constatar agora os que se debruçarem sobre a matéria e a legislação vigente no período, somente os ditos “índices oficiais” não foram suficientes para a recomposição plena dos valores, impondose a edição do Decreto nº 332/1991 (contra o qual se rebela a recorrente), que, em seu artigo 40 traduziu: Da correção dos valores registrados no Livro de Apuração do Lucro Real Art. 40. Os valores que constituirão adição, exclusão ou compensação a partir do períodobase de 1991, registrados na parte B do livro de Apuração do Lucro Real, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, serão corrigidos na forma deste capítulo, e a diferença de correção será registrada em folha própria do livro, para adição, exclusão ou compensação na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993. § 1º Tratandose de prejuízos fiscais, a diferença de correção será compensada em quatro períodosbase, à razão de vinte e cinco por cento ao ano, a partir do períodobase de 1993 até o de 1996. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO § 2º Somente poderá ser deduzida a diferença de correção monetária relativa ao ano de 1990, de prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1989, se a pessoa jurídica tiver lucro real nos períodosbase encerrados de 1990 a 1993 suficiente, em cada ano, para a compensação dos valores corrigidos pelo IPC em 1990 e pelo INPC nos anos seguintes. § 3º O valor da adição relativa à diferença de correção do lucro inflacionário a tributar será computada na determinação do lucro real de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, a partir do períodobase de 1993. § 4º Na hipótese das demais adições, deverão ser observadas as condições previstas na legislação de regência, devendo os efeitos correspondentes aos períodobase de 1991 e 1992 ser reconhecidos no períodobase de 1993. Vejase, o que a legislação definiu foi que os valores “registrados na parte B do livro de Apuração do Lucro Real, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989” sofreriam os efeitos da correção e teriam que ser adicionados ao lucro real a partir de 1993. Exprimase, a obrigatoriedade da correção pela diferença IPC (X) BTNF surgiu não em relação às contas presentes em 1990, como sustenta a recorrente, mas em razão do saldo destas mesmas rubricas em 31/12/1989. Neste ponto, a refrega se define, como bem pontuou a decisão recorrida, invocando voto da relatoria da decisão de 1º Grau, e que abaixo se reproduz parcialmente, adotado subsidiariamente como razões de decidir: 9. Inicialmente, devese esclarecer que a divergência de valores registrados a título de saldo de lucro inflacionário acumulado tem origem na aplicação da diferença IPC/BTNF sobre o "Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/89", e não sobre o balanço encerrado em 31/12/90, como pressupôs a impugnante ao longo de suas razões de defesa. 10. Devese ressaltar que essa parcela (diferença IPC/BTNF sobre Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/89) não se confunde com saldo credor da Dif. IPC/BTNF das contas do Ativo Permanente integrantes do balanço encerrado em 31.12.1990 que, no caso da contribuinte em questão, sequer foi declarado em sua DIRPJ do anobase 1991. Ou seja, não há nada oriundo dos balanços invocados e supostamente apresentados (encerrados em 1990 e 1991), tampouco nas declarações apresentadas, que tenha interferido na apuração do saldo de lucro inflacionário acumulado nos períodos do lançamento, afigurandose tais documentos irrelevantes ao deslinde da questão. 11. Com efeito, constatase no Demonstrativo SAPLI (íl. 05) integrante do lançamento, que o valor refutado pela impugnante, de Cr$ 18.793.698.167,00, corresponde à aplicação da diferença entre os índices IPC e BTNF sobre o lucro inflacionário acumulado somente até 1989, conforme determinado no art. 40 do Decreto 332/91. (...) Fl. 731DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 26. No art. 3º, também invocado pela impugnante, a Lei n° 8.200/91, disciplinou o reconhecimento da diferença IPC/BTNF verificada no anobase 1990 especificamente sobre as demonstrações financeiras relativas ao períodobase 1990, que haviam sido encerradas sem o seu reconhecimento. 27. Repisese que, consoante ressalvado linhas atrás (item 10), o lançamento tem origem na falta de reconhecimento da diferença IPC/BTNF sobre o "lucro Inflacionário acumulado em 31.12.1989", que não tem relação com as demonstrações de períodos posteriores. O reconhecimento da diferença apontada no SAPLI não decorre especificamente do art. 2 o ou do art. 3 o da Lei 8.200/91, mas da obrigatoriedade legal de se corrigir os bens, direitos e obrigações pelos índices oficiais, para expressar os valores reais dos elementos patrimoniais e obrigações tributárias dos contribuintes. Da mesma forma que os prejuízos acumulados a serem compensados (direito), o lucro inflacionário acumulado a ser realizado (obrigação) foi automaticamente corrigido nos demonstrativos da SRF pelos índices de correção oficiais. Pela mesma razão, também não se pode acolher a pretensão da impugnante em afastar a correção monetária incidente sobre essa diferença entre 1989 e 1993, ano em que seu cômputo no saldo de lucro inflacionário tornouse obrigatório. Ora é indiscutível que a recorrente possuía valores controlados no LALUR e que se submeteriam à citada correção, como abaixo de mostra. De fato, compulsadose os autos (fls. 412/418) temse: 1. Lucro Inflacionário Acumulado a Realizar em 31/12/1989 – 343.108.306,00 2. (X) Fator de Correção (índice oficial pelo FAP) 5,7682 1.979.117.330,00 3. (X) Fator de Correção – Dif. IPC (X) BTNF – 9,496 18.793.698.167,00 Projetando e corrigindo tal valor até 31/12/1995 (agora em Reais) R$ 46.341.426,39 Lucro Inflacionário a Realizar (mínimo 10% ao ano) R$ 4.634.142,63 Dividindo por 4 trimestres (R$ 4.634.142,63/4) R$ 1.158.535,66 (*) (*) Valor de cada lançamento trimestral do auto de infração Irretocável, portanto, neste aspecto, a decisão recorrida. Finalmente, acerca de possíveis inconstitucionalidades do Decreto nº 332/1991, levantadas pela recorrente, atentese para Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial da contribuinte e, neste tópico, manter a decisão recorrida. Em conclusão. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda e negar provimento ao recurso especial do Contribuinte. Reiterase que este processo deve seguir em conjunto com o P. 19515.002925/200536, de igual teor. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 733DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10380.904937/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso voluntário apresentado, intempestivamente, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1201-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário porque intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente substituto.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, os Conselheiros Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso voluntário apresentado, intempestivamente, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário porque intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente substituto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, os Conselheiros Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 49 37 /2 00 9- 29 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.904937/200929 Acórdão n.º 1201001.341 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e bem sintetizar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório de fl. 7, que não homologou a Dcomp nº 29556.87956.260906.1.3.040016, através da qual o contribuinte compensou o débito discriminado à fl. 8, utilizandose de um crédito de pagamento a maior ou indevido de CSLL – Estimativa Mensal (código 2484), do período de apuração – PA fev/2006, pago em 31/03/2006, no valor de R$ 20.570,28. De acordo com o Despacho Decisório, o fundamento para a não homologação foi o fato de o crédito decorrer de pagamento de estimativa, que, segundo a legislação, somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ apurável na respectiva declaração de ajuste anual. Ciente do Despacho Decisório em 03/04/2009, o contribuinte apresentou em 04/05/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 11, alegando, em síntese, que o pagamento a maior de CSLL existiu de fato, porque o valor da estimativa de CSLL, competência de fevereiro/2006, apurada e declarada na DIPJ foi de R$ 10.274,36, enquanto o recolhimento importou em R$ 20.570,28, havendo, portanto um pagamento a maior de R$ 9.995,93; Anexei a fl. 33 a 42. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 08026.055, de 30 de julho de 2013. A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 19/08/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR), e, protocolizou em 25/09/2013 recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A Recorrente, em sede recursal, no essencial, alega que: efetuou as compensações declaradas na PER/DCOMP com base nas informações de sua escrituração contábil, sedimentada nos valores efetivamente recolhidos ao erário, conforme documentos de arrecadação (DARFs) ora anexados, sob código de receita 2484, nos períodos de apuração de 31/01/2006 à 31/12/2006, com valores que transcreve: código Apuração Arrecadação Valor 2484 31/01/2006 24/02/2006 r$24.330,31 2484 28/02/2006 31/03/2006 r$20.570,28 2484 30/04/2006 31/05/2006 r$ 570,87 2484 30/06/2006 31/07/2006 r$21.151,19 2484 31/07/2006 31/08/2006 r$25.675,31 2484 31/08/2006 30/09/2006 r$25.537,71 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.904937/200929 Acórdão n.º 1201001.341 S1C2T1 Fl. 4 3 2484 30/09/2006 31/10/2006 r$20.643,62 2484 31/10/2006 01/12/2006 r$24.841,81 2484 30/11/2006 28/12/2006 r$32.940,16 2484 31/12/2006 31/01/2005 r$28.836,38 TOTAL R$ 225.097,64 as informações a respeito dos recolhimentos sob código de arrecadação 2484 informados na DCTF do período são incorretas, por representarem valores inferiores ao que foram realmente entregues ao erário. Tendo por certo que o fato real, quando devidamente provado, se sobrepõe à prova documental, valendose do seu direito ao crédito, haja vista que não se utilizara dele para dedução de débitos por ocasião do ajuste daquele ano; após tomar ciência das Informações contidas na DCTF, procurou retificar as informações dispostas na declaração, afim de que estas atestassem a realidade, devidamente registrada na contabilidade. No entanto, verificouse que tal correção seria impossível, devido vedação disposta no art. 9o, §5° da IN RFB n° 1.110/2010; o valor recolhido a maior de CSLL a título de estimativa mensal representa saldo disponível, por constituir pagamento sem alocação, portanto, cabe reconhecer o direito creditório. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário e a consequente homologação integral da compensação declarada no PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado acima, a pessoa jurídica foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 08026.055, de 30 de julho de 2013, em 19/08/2013 (segundafeira), conforme o Aviso de Recebimento (AR). O recurso voluntário foi protocolizado em 25/09/2013 . É sabido que, o prazo de trinta dias, de acordo com o critério previsto no artigo 210 do CTN e 66 da Lei nº 9.784/99, é contado excluindose o dia do recebimento da intimação e incluindose o último. Com efeito, o início da contagem do prazo recursal ocorreu em 20/08/2013 (terçafeira), porém, o recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fora apresentado somente em 25/09/2013 (quartafeira) portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo final o dia 18/09/2013 (quartafeira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto pelo não conhecimento do recurso. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.904937/200929 Acórdão n.º 1201001.341 S1C2T1 Fl. 5 4 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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