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6130525 #
Numero do processo: 14041.001545/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. CONFISSÃO DE DÉBITOS. PARCIAL. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tendo se constatado recolhimentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parciais, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4º, do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E VALORES EFETIVAMENTE AUFERIDOS. Os valores depositados em conta corrente bancária que tiveram a comprovação por parte do contribuinte, por meio de documentação probatória eficaz apresentada na impugnação, de que não seriam decorrentes de receitas tributáveis, devem ser afastados da base de cálculo dos tributos lançados de ofício. LUCRO REAL. PREJUÍZO CONTÁBIL. Uma vez demonstrada na contabilidade da contribuinte a ocorrência de prejuízo fiscal, deve o montante registrado ser considerado na apuração dos tributos lançados de ofício com base de cálculo determinada pelo lucro real, observando-se o limite máximo para a compensação de trinta por cento previsto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065 de 1995, DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receitas os valores dos depósitos em conta bancária cuja origem não restar comprovada mediante documentação idônea, por contribuinte intimada a fazê-lo, inclusive com relação a alegação de que a conta bancária pertence a terceiro. IRPJ/CSLL — ARBITRAMENTO — ART. 42 DA LEI 9430/96 —DESPROPORCIONALIDADE Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II,"a" e "b"). PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1102-001.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar os autos de infração de IRPJ, CSLL, e PIS relativos ao ano calendário de 2003, em face do erro no regime de apuração dos tributos lançados, vencidos os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares (relator) e João Otávio Oppermann Thomé, que não reconheciam o citado erro de apuração. Por unanimidade de votos, reconhecer o direito à dedução dos valores retidos à titulo de IRRF, CSLL, PIS e COFINS sobre os pagamentos realizados por órgãos públicos nos meses do ano-calendário de 2002 não atingidos pela decadência, e da COFINS relativa ao ano-calendário de 2003, prejudicada a dedução dos valores retidos de IRRF, CSLL, e PIS do ano-calendário de 2003, em face do cancelamento dos lançamentos neste ano, bem como para, com relação à COFINS, excluir da omissão de receita o depósito bancário no valor de R$ 1.280,00, realizado no dia 30/05/2003 perante o Banco do Brasil - Ag. 3382-0 / CC 404.342-1. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. CONFISSÃO DE DÉBITOS. PARCIAL. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tendo se constatado recolhimentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parciais, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4º, do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E VALORES EFETIVAMENTE AUFERIDOS. Os valores depositados em conta corrente bancária que tiveram a comprovação por parte do contribuinte, por meio de documentação probatória eficaz apresentada na impugnação, de que não seriam decorrentes de receitas tributáveis, devem ser afastados da base de cálculo dos tributos lançados de ofício. LUCRO REAL. PREJUÍZO CONTÁBIL. Uma vez demonstrada na contabilidade da contribuinte a ocorrência de prejuízo fiscal, deve o montante registrado ser considerado na apuração dos tributos lançados de ofício com base de cálculo determinada pelo lucro real, observando-se o limite máximo para a compensação de trinta por cento previsto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065 de 1995, DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receitas os valores dos depósitos em conta bancária cuja origem não restar comprovada mediante documentação idônea, por contribuinte intimada a fazê-lo, inclusive com relação a alegação de que a conta bancária pertence a terceiro. IRPJ/CSLL — ARBITRAMENTO — ART. 42 DA LEI 9430/96 —DESPROPORCIONALIDADE Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II,"a" e "b"). PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins o que restar decidido no lançamento do IRPJ.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 3          2 IRPJ/CSLL  —  ARBITRAMENTO  —  ART.  42  DA  LEI  9430/96  — DESPROPORCIONALIDADE  Uma  vez  detectada  omissão  de  receitas  com  uso  da  presunção  relativa  prevista  no  art.  42  da  Lei  9430/96,  e  sendo  tal  omissão  de  receita  em  montante vultoso  e que  não  seja proporcional para cômputo  como  lucro  da  pessoa  jurídica,  fica  evidenciada  a  imprestabilidade da  escrita  contábil  para  apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse  caso, a  tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado  (RIR/99, art. 530,  II,"a" e "b").  PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.  Versando  sobre  as  mesmas  ocorrências  fáticas,  aplica­se  ao  lançamento  reflexo alusivo ao PIS, à Cofins o que restar decidido no lançamento do IRPJ.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  Por  maioria  de  votos,  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário para cancelar os autos de infração de IRPJ, CSLL, e PIS relativos ao ano calendário  de  2003,  em  face  do  erro  no  regime  de  apuração  dos  tributos  lançados,  vencidos  os  conselheiros  Francisco  Alexandre  dos  Santos  Linhares  (relator)  e  João  Otávio  Oppermann  Thomé, que não reconheciam o citado erro de apuração. Por unanimidade de votos, reconhecer  o  direito  à  dedução  dos  valores  retidos  à  titulo  de  IRRF,  CSLL,  PIS  e  COFINS  sobre  os  pagamentos realizados por órgãos públicos nos meses do ano­calendário de 2002 não atingidos  pela decadência, e da COFINS relativa ao ano­calendário de 2003, prejudicada a dedução dos  valores retidos de IRRF, CSLL, e PIS do ano­calendário de 2003, em face do cancelamento dos  lançamentos neste ano, bem como para, com relação à COFINS, excluir da omissão de receita  o depósito bancário no valor de R$ 1.280,00, realizado no dia 30/05/2003 perante o Banco do  Brasil  ­ Ag.  3382­0  /  CC  404.342­1. Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro  Antonio Carlos Guidoni Filho.  (assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão ­ Presidente  (assinado digitalmente)  João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Otávio  Oppermann  Thomé  (Presidente  à  época),  José  Evande  Carvalho  Araujo,  João  Carlos  de  Figueiredo  Neto,  Ricardo  Marozzi  Gregório,  Francisco  Alexandre  dos  Santos  Linhares,  e  Antonio Carlos Guidoni Filho.    Relatório  Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 4          3 Inicialmente,  esclareço  que  fui  designado  pelo  Presidente  da  1a  Câmara  redator ad hoc após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº  343,  de  09  de  junho  de  2015,  tendo  em  vista  a  não  formalização  do  acórdão  pelo  relator  originário  e  redator  originariamente  designado  para  o  voto  vencedor,  conselheiros  Francisco  Alexandre dos Santos Linhares e Antonio Carlos Guidoni Filho, respectivamente.  Tendo  participado  do  julgamento  em  questão,  observo  que,  na  ocasião,  foi  disponibilizada pelo relator minuta do relatório e voto proferido na sessão.  O conteúdo do relatório a seguir transcrito corresponde, portanto, ao relatório  elaborado pelo seu relator originário, conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares:  O  presente  processo  possui  duas  numerações,  decorrente  da  paginação  do  processo  digitalizado  e  da  paginação  do  processo  físico.  Procurou­se  adotar  a  paginação  do  processo  digital,  entretanto,  haverá  referências  a  paginação  do  processo  físico  mediante  a  expressão “AP”.  Adoto  ao  presente  o  Relatório  trazido  pelo  excelente  Acórdão  da  DRJ  de  Brasília (fls. 4887/4943):  Em 14/12/2007, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração do  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins,  atinentes  aos  anos­calendário  de  2002  e  2003,  cujo  crédito  tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$83.645.210,31, assim discriminados por  exação fiscal: Os lançamentos decorrentes de CSLL, PIS e Cofins encontram­se consolidados  nos autos de infração a seguir:     Os  lançamentos  decorrentes  de  CSLL,  PIS  e  Cofins  encontram­se  consolidados nos autos de infração a seguir:  Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 5          4   I. Autuação Fiscal   Teve ciência do início da ação fiscal a contribuinte em 12/12/2005, quando  foi intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais, ato constitutivo e alterações e extratos  bancários das contas correntes mantidas em instituições financeiras, dentre outros.  Os arquivos magnéticos com os registros contábeis foram apresentados com  defeitos,  razão  pela  qual  foram  concedidas  prorrogações  de  prazo  para  a  fiscalizada  regularizar a situação. Também não foram disponibilizados os extratos bancários, motivo pelo  qual foram emitidas RMF junto aos bancos Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal, que  encaminharam as informações requeridas para a Fiscalização.  A  partir  dos  extratos  bancários,  foi  elaborada  planilha  pela  autoridade  tributária,  no  qual  foi  intimada  a  contribuinte  a  esclarecer  se  os  créditos  bancários  eram  referentes à atividade da  empresa. A  fiscalizada apresentou  resposta, manifestando­se,  para  cada crédito questionado, “SIM” ou “NÃO”.  Quanto ao regime de tributação do período fiscalizado, no ano calendário de  2002 optou a contribuinte pelo Lucro Presumido e no ano calendário de 2003 pelo Lucro Real  Trimestral.  Nesse contexto, tomando como referência a aludida resposta da fiscalizada,  a contabilidade apresentada, as DIPJ e DCTF referentes aos anos calendário de 2002 e 2003,  e o LALUR, foi constatada a ocorrência das infrações à legislação tributária listadas a seguir.  1) Omissão de Receitas – Receitas Não Contabilizadas. Referente ao ano­ calendário de 2003, caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização de receitas da  atividade apuradas conforme Demonstrativo de fls. 70/71­AP, resultante do batimento entre as  receitas contabilizadas na conta do Razão 4.1.1.01.001 (Faturamento a Clientes ­ fls. 958/973­ AP)  e  os  créditos  em  conta  corrente  bancária  referente  a  receitas  da  atividade,  conforme  extratos fornecidos pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco (Doc. 1 a 9,  fls. 72 a 307­AP), confirmados pela autuada mediante resposta de fls. 660/895­AP.  Fl. 5216DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 6          5 2)  Resultados  Operacionais  Não  Declarados.  Correspondentes  ao  lucro  operacional escriturado no 4º trimestre de 2003 (conforme LALUR às fls. 985/988­AP) e não  declarado, conforme DIPJ­2004 às fls. 1045/1111­AP, especificamente fls. 1061/l062­AP.  3) Omissão de Receitas da Atividade. Referentes ao ano­calendário de 2002,  caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização de receitas da atividade apuradas  conforme  Demonstrativo  de  fls.  70/71­AP,  resultante  do  batimento  entre  as  receitas  contabilizadas na conta do Razão 4.1.1.01.001 (Faturamento a Clientes ­ fls. 924/936­AP) e os  créditos  em  conta  corrente  bancária  referente  a  receitas  da  atividade,  conforme  extratos  fornecidos pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco (Doc. 1 a 9, fls. 72 a  307­AP), confirmados pela autuada mediante resposta de fls. 660/895­AP.  4)  Receitas  da Atividade Contabilizadas  e Não Declaradas. Referentes  ao  ano­calendário de 2002, apuradas mediante a comparação entre as receitas contabilizadas na  conta do Razão 4.1.1.01.001 (Faturamento a Clientes ­ fls. 924/936­AP) e a DIPJ­2003 às fls.  989/1044­AP, apresentada com todos os campos zerados.  II. Impugnação   Cientificada  dos  lançamentos,  em  28/12/2007  (Ciência  do  Sujeito  Passivo  nos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), a interessada apresentou a impugnação  de fls. 3146/3192, em 28/01/2008, cujas razões encontram­se sintetizadas a seguir.  Preliminares.   Nulidade do lançamento fiscal devido ao fato de a autoridade fiscalizadora  ter  buscado  estratos  bancários  junto  às  instituições  financeiras,  o  que  configura  quebra  do  sigilo bancário e afronta o art. 5º, incisos X, XII e LV, da Constituição Federal. A quebra do  sigilo  bancário  somente  se  dará mediante  ordem  judicial  e,  ainda  assim,  quando  presentes  fundadas suspeitas da existência de possível delito praticado, sendo que no caso em exame a  Fiscalização teve acesso a toda documentação contábil, não sendo necessária tal atitude, que  carece  de  plausibilidade  e  legalidade.  O  STF  já  se  pronunciou  sobre  o  tema,  no  RE  215301/CE  e  no RE­AgR 318136/RJ,  no  qual  considerou  inconstitucional  a  quebra  o  sigilo  bancário.  Base de Cálculo do PIS e da Cofins.   A  jurisprudência  entende  que  o  parágrafo  único  do  art.  2º  da  Lei  Complementar n° 70/91 ofende o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, sob o fundamento  de que a base de cálculo da COFINS e PIS somente pode incidir sobre o valor da operação e  não  sobre  o  ICMS. O  RE  240.785­2/MG,  pendente  de  julgamento  final  devido  a  pedido  de  vista,  já  tem maioria  formada de seis Ministros quanto a não  inclusão do  ICMS na base de  cálculo das contribuições sociais sobre o faturamento.  Entendimento análogo deve ser aplicado ao 1SS, conforme ementa proferida  em agravo de instrumento, processo AG 2007.01.000139340/DF.  Inconstitucionalidade da Multa de 75%.   Fl. 5217DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 7          6 A  multa  aplicada  é  inconstitucional,  vez  que  o  percentual  tem  efeito  confiscatório,  ao  passo  em  que  deveria  atender  aos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade, razão pela qual a mesma deveria ser reduzida para 20%.  Mérito.   Foram  detectadas  inconsistências  nos  levantamentos  elaborados  pela  Fiscalização.  Em relação ao Doc. 1 (fls. 72/95­AP), no qual estão relacionados os créditos  efetuados na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, Agência 0452­9, conta n°  404.342­1,  alguns  correspondem  a  resgate  de  aplicação  financeira,  estorno  de  debito  e  depósito proveniente de contrato de mútuo devidamente registrado na contabilidade, conforme  quadro inserido na peça impugnatória à fl. 3154. Em decorrência da natureza desses créditos,  os mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável.  Relativamente  ao  Doc.  2  (fls.  96/97­AP),  que  relacionou  os  créditos  realizados na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, agência 0452­9, conta n°  200.198­5,  alguns  correspondem  a  transferência  de  recursos  entre  contas  bancárias  da  empresa  e  depósitos  provenientes  de  contrato  de  mútuo  devidamente  registrados  em  sua  contabilidade, conforme quadro inserido na peça impugnatória à fl. 3156. Em decorrência da  natureza  desses  créditos,  os mesmos  não  constituem  receita,  devendo  ser  excluídos  da  base  tributável.  Quanto  ao Doc.  3  (fls.  98­AP),  que  relacionou  os  créditos  realizados  na  conta  corrente  da  empresa  junto  ao  Banco  do  Brasil,  agência  3382­0,  conta  n°  200.198­5,  alguns  correspondem  a  resgate  de  aplicações  financeiras,  transferência  de  recursos  entre  contas  bancárias  da  empresa,  estorno  de  pagamentos  efetuados  e  depósitos  provenientes  de  contrato de mútuo devidamente  registrados em sua contabilidade, conforme quadro  inserido  na peça impugnatória à fl. 3158. Em decorrência da natureza desses créditos, os mesmos não  constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável.  Em relação ao Doc. 4 (fls. 99/199­AP), que relacionou os créditos realizados  na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, agência 3382­0, conta nº 404.342­1,  alguns  correspondem  a  resgate  de  aplicações  financeiras,  transferência  de  recursos  entre  contas bancárias da  emprega,  estorno de pagamentos  efetuados  e depósitos provenientes de  contrato de mútuo devidamente  registrados cm sua contabilidade, conforme quadro  inserido  na  peça  impugnatória  às  fl.  3158/3160.  Em  decorrência  da  natureza  desses  créditos,  os  mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável.  Em  relação  ao  Doc.  5  (fls.  202/295­AP),  no  qual  estão  relacionados  os  créditos efetuados na conta corrente da empresa  junto ao Banco do Brasil, Agencia 3382­0,  conta n° 404.342­1, a totalidade dos créditos levantados neste documento foram considerados  em  duplicidade  com  os  valores  constantes  dos  Doc.  1  a  4,  o  que  pode  ser  comprovado  mediante a comparação de qualquer valor do Doc. 5 com os anteriores, evidenciando­se uma  correspondência na mesma data,  histórico,  lote,  valor  e  todas  as  informações  constantes no  extrato. Em decorrência dessa duplicidade, entende que deve ser excluída da base tributável a  quantia  de  R$64.461.056,73,  relativamente  ao  ano­calendário  2002  e  R$  54.889.943,23,  relativa ao ano­calendário 2003, equivalente ao total levantado no Doc. 5.  Fl. 5218DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 8          7 Relativamente  ao  Doc.  6  (fls.  299/301­AP),  que  relacionou  os  créditos  realizados na conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, agência 0452­9, conta nº  200.198­5,  alguns  correspondem  a  transferência  de  recursos  entre  contas  bancárias  da  empresa,  estorno  de  pagamentos  efetuados,  cheques  sem  fundo  devolvido,  depósitos  provenientes  de  contratos  de mútuo  e,  a  exemplo  do Doc.  5,  foram  considerados  valores  já  levantados  nos  Doc.2  e  3,  conforme  quadro  de  fls.  3162  da  peça  impugnatória.  Em  decorrência  da  natureza  desses  créditos  e  da  constatação  de  duplicidade,  tais  valores  não  constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável.  Com relação ao Doc. 7  (fls. 302/303­AP), que relaciona créditos  efetuados  na  conta  corrente  da  empresa  na Caixa Econômica Federal,  agência  Brasília  Shopping,  n"  30.565­1, todos os valores considerados no documento referem­se à transferência de recursos  provenientes  da  conta  corrente  da  empresa  no  Banco  do  Brasil  n"  404.342­1,  conforme  quadro  de  fl.  3164  da  peça  impugnatória,  devidamente  registrados  na  contabilidade.  Em  decorrência  da  natureza  desses  créditos,  os  mesmos  não  constituem  receita,  devendo  ser  excluídos da base tributável.  Quanto  ao Doc.  8  (fls.  304/305­AP),  que  relaciona  créditos  efetuados  na  conta corrente da empresa na Caixa Econômica Federal, agência Aeroporto, nº 4451­3, todos  os valores considerados no documento referem­se à transferência de recursos provenientes da  conta corrente da empresa na Caixa Econômica Federal nº 30.565­1, conforme quadros de fl.  3166 da peça  impugnatória, devidamente  registrados em sua contabilidade. Em decorrência  da natureza desses créditos, os mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base  tributável.  Relativamente ao Doc. 9 (fls. 306/307­AP), que relaciona créditos efetuados  na  conta  corrente  da  empresa  no  Bradesco,  agencia  606,  n°  135.202,  todos  os  valores  considerados  no  documento  referem­se  à  transferência  de  recursos  provenientes  da  conta  corrente  da  empresa,  conforme  quadros  de  fls.  3166  e  3168  da  peça  impugnatória,  devidamente registrados em sua contabilidade. Em decorrência da natureza desses créditos, os  mesmos não constituem receita, devendo ser excluídos da base tributável.  Retificação de Parâmetros.   Com  a  exclusão  das  receitas  que  foram  tributadas  indevidamente,  foram  elaborados  dois  quadros  demonstrativos,  por  meio  dos  quais  ajusta  os  valores  da  movimentação  financeira,  da  receita  contabilizada  não  declarada  e  da  receita  omitida  (fls.  3168  e  3170).  Apresentação  dos  Cálculos.  Foram  efetuadas  a  compensação  de  valores  declarados ao Parcelamento PAES referente aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2002, nos valores de  R$65.391,01,  R$428.909,93,  R$130.820,95  e  R$124.168,66,  respectivamente.  Além  desses,  foram  compensados  créditos  relativos  à  IRRF  sobre  aplicações  financeiras  no  Banco  Bradesco,  retidos  no  ano  2002,  no  montante  de  R$327.306,45.  Deste  total,  o  valor  de  R$69.737,81  foi  compensado em 2002, R$118.387,23 com o  IRPJ 2003, R$48.890,76 com a  CSLL 2002 e R$87.957,44 com a CSLL 2003.  A partir da nova base de cálculo apurada, o IRPJ a pagar,  já acrescido de  multa de 20% e juros de mora, seria de R$252.870,66, conforme cálculos demonstrados à fl.  3172.  Com  relação  à  exigência  de  IRPJ/2003  relativa  a  Omissão  de  Receita  ­  Resultado Operacional Não Declarado, a base de cálculo do 3º trimestre de 2003 foi deduzida  Fl. 5219DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 9          8 do  valor  de  R$1.365.869,10,  equivalente  ao  prejuízo  contábil  da  empresa  no  trimestre,  devidamente  escriturado  no  LALUR.  Do  saldo  a  pagar,  foram  "descontados  os  valores  de  R$173.920,32, equivalente ao saldo do IRPJ 3º Trim/02, parcelado via PAES e R$118.387,23,  proveniente  do  IRRF  retido  sobre  aplicações  financeiras  realizadas  em  2002.  Refazendo  os  cálculos, conforme quadros demonstrativos de fl. 3174) não foi apurado IRPJ a recolher.  Relativamente  à  exigência  de  CSLL/2002,  decorrente  de  Omissão  de  Receitas/Receitas de Atividade Não Declaradas, todas as contestações apresentadas no tópico  do IRPJ valem também para a contribuição social. Do saldo a pagar foi descontado o valor de  R$  48.890,76,  proveniente  de  IRRF  sobre  aplicações  financeiras  em  2002.  Os  quadros  demonstrativos de fl. 3176 apuram que não há valor de CSLL a pagar.  Quanto  à  exigência  de  CSLL/2003,  decorrente  de  Omissão  de  Receitas/Resultado Operacional Não Declarado, a base de cálculo do 3º Trim/03 foi reduzida  do  valor  de  R$1.365.869,10,  equivalente  ao  prejuízo  contábil  da  empresa  no  trimestre,  devidamente escriturado no LALUR. Do saldo a pagar, foi descontado o valor de RS87.957,44,  proveniente  do  IRRF  retido  sobre  aplicações  financeiras  realizadas  em  2002.  A  partir  dos  cálculos apresentados nos demonstrativos de fl. 3178, o valor de CSLL a pagar, acrescido de  juros e multa de 20% é de R$34.196,74.  Relativamente  à  exigência  da  contribuição  para  o  PIS/2002  decorrente  de  Omissão de Receitas, vários créditos que compuseram a base de cálculo, como demonstrado  no  tópico  do  IRPJ,  foram  considerados  indevidamente  em  função  de  sua  natureza  não  tributável.  Retificada a base de cálculo,  houve aproveitamento a menor do PIS  retido  pelos  órgãos  públicos  (Anexo  II),  gerando  créditos  relacionados  no  quadro  de  fl.  3180  dos  autos,  os  quais  teriam  sido  compensados  com  débito  apurado  em  2002,  no  valor  de  R$14.877,26 e R$7.888,11 com débito relativo a 2003. O “Demonstrativo 03 Retificado” de  fls. 3180 demonstra que não há saldo a pagar de PIS/Pasep em nenhum dos PA de 2002.  Em  relação  à  exigência  de  Contribuição  para  o  PIS/2003  decorrente  de  Omissão de Receitas ­ Incidência Não Cumulativa, vários créditos que compuseram a base de  cálculo, como demonstrado no tópico do IRPJ, foram considerados indevidamente em função  de  sua  natureza  não  tributável.  Do  saldo  a  pagar,  foi  compensado  o  valor  de  R$7.888,11  proveniente  do  saldo  a  recuperar  da  retenção  federal  do  PIS/2002,  aproveitada  a  menor  naquele ano. O “Demonstrativo 03 Retificado” de fls. 3182 e 3284 apura saldo a pagar de PIS  para  os  meses  de  março  (R$8.280,57),  setembro  (R$8.738,08),  novembro  (R$10.329,88)  e  dezembro (R$8.498,82) de 2003, valores já acrescidos de juros de mora e multa de 20%.  Relativamente  à  exigência  de  COFINS/2002,  decorrente  de  Omissão  de  créditos  que  compuseram  a  base  de  cálculo  como  demonstrado  no  tópico  do  IRPJ,  foram  considerados  indevidamente  em  função  de  sua  natureza  não  tributável.  O  quadro  “Demonstrativo 03 Retificado” de fls. 3186/3188 demonstra que a base de cálculo relativa ao  ano  de  2002  ficaria  reduzida  para  R$2.288.810,00  e,  nos  meses  de  janeiro,  abril,  maio  e  dezembro/2002,  houve  aproveitamento  a  menor  da  COFINS  retida  pelos  órgãos  públicos  (Anexo II), gerando créditos no montante de R$193.509,61, no qual foi compensada a parcela  de R$68.664,31 com o débito apurado em 2002 e R$124.845,30 com débito relativo a 2003.  Assim, não  foi apurado saldo a pagar de COFINS para nenhum dos PA de  2002.  Fl. 5220DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 10          9 Em relação à COF1NS/2003 decorrente de Omissão de Receitas ­ Incidência  Não Cumulativa,  vários  créditos  que  compuseram a  base  de  cálculo,  como demonstrado no  tópico do 1RPJ, foram considerados indevidamente em função de sua natureza não tributável.  Do saldo a pagar, foi compensado o valor de R$ 124.845,30 proveniente do saldo a recuperar  da retenção federal da COFINS/2002, aproveitada a menor naquele ano.  Retificado o Demonstrativo 3,  à  fl.  3190,  e  levando­se  em consideração as  compensações procedidas, foi apurado saldo a pagar de COFINS para o mês de dezembro de  2003 no montante de RS 5.136,92, valor esse já acrescido de juros de mora e multa de 20%.  Resumo Geral da Dívida.   O quadro de fl. 1596 apresenta o resumo geral de dívida, correspondente a  R$328.051,69,  relativo  ao  montante  devido  a  título  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS,  já  acrescidos de multa de 20% e juros de mora. Ainda, que de acordo com o item IV do art. 8° da  IN­SRF  n°  145/99,  estão  isentas  das  Contribuições  para  o  PIS  e  COFINS  o  transporte  internacional de cargas e passageiros, e que no ano de 2002 a empresa faturou a tal título os  seguintes  valores:  R$1.361.454,50  (fev/02),  R$1.390.645,80  (abr/02)  e  R$1.508.075,50.  Considerando a isenção, deverá ser excluída da base de cálculo os correspondentes valores.  Enfim, requer a posterior  juntada de demais  instrumentos que se mostrarem  necessários.  III. Diligência da DRJ/Brasília   A DRJ/Brasília,  ao  analisar as  argumentações  expostas pela defesa,  decidiu  em 18/03/2008 encaminhar a diligência de fls. 3820/3836 para a unidade de origem, para que  fossem esclarecidos os pontos relacionados a seguir.  Quesito  1.  Verificar  se  a  documentação  e  escrituração  contábil/fiscal  da  impugnante  respalda  seu  pleito  para  que  sejam  excluídos  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  (e  reflexos) os valores  indicados nos quadros demonstrativos  inseridos em sua  impugnação (fls.  3154 a 3168), os quais integraram os DOC. 01, 02, 03, 04, 07, 08 e 09 (que serviram de base  para a autuação  fiscal),  referentes aos históricos a  seguir,  tendo em vista que os documentos  apresentados  não  permitem  análise  conclusiva  por  parte  dessa  primeira  instância,  quanto  à  procedência  ou  não  das  alegações  de  TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS, RESGATES  DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS e ESTORNO DE PAGAMENTO.  Quesito 2. Considerando que a autuada  indica, em diversos quadros de sua  impugnação, a existência de operações de MÚTUO, limitando­se a apresentar cópias de folhas  do  Razão  onde  tais  operações  teriam  sido  registradas,  deixando,  entretanto,  de  apresentar  qualquer documentação que respalde tais lançamentos, a mesma deve ser intimada a apresentar  os  contratos  relativos  a  tais  operações  de  mútuo,  bem  como  documentação  coincidente  cm  datas  e  valores  com  os  recebimentos  de  valores  lançados  em  sua  contabilidade  a  título  de  operações de mútuo.  Quesito 3. Prestar esclarecimentos a respeito da alegação de duplicidade de  valores que integraram a base de cálculo tributada no Auto de Infração 1RPJ (e reflexos), "na  mesma data, histórico, lote, valor e todas as informações constantes do extrato", uma vez que a  impugnante  afirma  que  tais  valores  teriam  sido  inseridos  simultaneamente  nos  seguintes  relatórios: (a) Os lançamentos constantes do DOC. 05 já teriam sido computados nos DOC. 01  Fl. 5221DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 11          10 c 04 e (b) Os lançamentos constantes do DOC. 06 já teriam sido computados nos DOC. 02 c  03.  Quesito  4.  Verificação  dos  documentos  juntados  peta  impugnante  às  fls.  1630 a 1825­AP dos autos (Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de  Renda na Fonte, cópias) e:  (4.1)  informar se a  receita de prestação de serviços constante dos  referidos documentos (fls. 1630 a 1825­AP) encontra­se devidamente contabilizada nos livros  de escrituração obrigatória; (4.2) informar se a referida receita de prestação de serviços já foi  tributada (pelo próprio contribuinte ou inserida em algum dos itens do Auto de Infração IRPJ);  (4.3) informar se o IRRF retido na fonte e informado nos referidos documentos foi de alguma  forma  aproveitado  pelo  contribuinte,  verificando­se  inclusive  se  houve  compensação  desses  valores  retidos  em  processos  de  Pedido  de  Compensação  ou  de  Parcelamento  de  tributos.  Observe­se  que  a  autuada  menciona,  em  sua  impugnação,  ter  efetuado  uma  serie  de  compensações.  A  título  exemplificativo,  às  fls.  1585  dos  autos,  a  impugnante  alega  ter  procedido à compensação de valores declarados ao Parcelamento PAES referente aos 2º, 3º e  4°  trimestres  de  2002,  nos  valores  de  R$65.391,01,  R$428.909,93,  R$130.820,95  e  R$124.168,66,  respectivamente. Além  desses,  diz  ter  compensado  créditos  relativos  a  IRRF  sobre  aplicações  financeiras  no  Banco  Bradesco,  retidos  no  ano  2002,  no  montante  de  R$327.306,45.  Deste  total,  diz  que  o  valor  de  R$69.737,81  foi  compensado  em  2002,  R$118.387,23 com o IRPJ 2003, R$48.890,76 com a CSLL 2002 e R$S7.957,44 com a CSLL  2003.  Todas  essas  operações  devem  ser  verificadas  por  ocasião  da  realização  da  diligência  fiscal.  Quesito 5.  Informar  sobre a  efetiva existência de valores  informados  como  tendo sido retidos a título de PIS, CSLL e COFINS, conforme quadros demonstrativos juntados  à  impugnação,  às  fls.  1611/1612­AP  dos  autos.  Deve  ser  informada,  também,  a  eventual  existência de créditos a compensar relativamente às contribuições para PIS, CSLL e COFINS,  tendo em vista as alegações da impugnante acerca das compensações de créditos efetuadas e  demonstradas cm diversos quadros que insere cm sua peça impugnatória, tais como os quadros  de  fls.  1588­AP  (no  qual  indica  a  compensação  de  Retenção  Federal  no  valor  de  R$674.592,55), fls. 1589­AP (no qual indica a compensação de Retenção Federal no valor de  R$163.623,84), fls. 1590­AP (no qual indica a compensação de PIS Retido de R$126.933,79),  fls. 1593­AP (no qual indica a compensação de COFINS Retido de R$585.848,26) e fls. 1595­  AP (no qual indica a compensação de Retenção Federal de R$124.845,30).  Quesito  6.  Considerando  que  nos  quadros  demonstrativos  inseridos  às  fls.  1586 e 1587 de sua impugnação a autuada deduz (do IRPJ que entende ser o devido) valores  relativos  a  "PARCELAMENTO PAES",  verificar  se  os  valores  efetivamente  parcelados  por  meio desse instrumento de parcelamento especial correspondem à matéria tributada nos autos  de infração objeto dos autos.  Quesito 7. Verificar a possibilidade de se deduzir, da base de cálculo do 3º  trimestre  de  2003,  o  valor  do  prejuízo  contábil  que  a  autuada  alega  possuir,  no  valor  de  R$1.365.869,10, equivalente ao prejuízo contábil da empresa no citado trimestre, devidamente  escriturado no LALUR.  IV. Resposta da Diligência da DRJ/Brasília   Em 16/04/2012,  foi concluído o Relatório Fiscal de fls. 4662/4712, no qual  foram respondidos os quesitos elaborados pela autoridade julgadora da primeira instância. As  conclusões do trabalho da unidade de origem encontram­se transcritas a seguir.  Fl. 5222DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 12          11 Resposta do Quesito 1. Encontra­se às fls. 4662/4688 dos autos. Em breve  síntese, apresenta os resultados listados nos parágrafos seguintes.  Quanto  ao  Doc.  01,  do  crédito  do  dia  10/01/2002  (R$20.000,00)  seria  um  estorno de um lançamento, e o do dia 29/04/2002 (R$7.366,99) seria um resgate de aplicação  financeira. O crédito do dia 08/05/2002, referente a mútuo será tratado em quesito posterior.  Quanto ao Doc. 02, com exceção dos créditos relativos a mútuo, tratados em  quesito posterior, todos os demais arguidos pela defesa referem­se a transferências entre contas  da mesma titularidade.  Quanto  ao  Doc.  03,  todos  os  créditos  arguidos  pela  defesa  referem­se  a  transferência entre contas de mesma titularidade.  Quanto  ao  Doc.  04,  não  foram  comprovados  pela  defesa  a  origem  dos  créditos referentes às datas 10/07/2002 (R$549,79), 07/01/2003 (R$200.000,00) e 18/02/2002  (R$3.500.000,00).  Todos  os  demais  créditos  arguidos  pela  impugnante  referem­se  a  transferências entre contas da mesma titularidade ou estornos de títulos de crédito.  Quanto  aos  Doc.  07  e  Doc.  08,  todos  os  créditos  arguidos  pela  defesa  referem­se a transferências entre contas da mesma titularidade.  Quanto  ao  Doc.  09,  não  foram  comprovados  pela  defesa  a  origem  dos  créditos  referentes  às  datas  20/01/2003  (R$100.000,00),  02/10/2003  (R$18.000,00),  08/10/2003 (R$50.000,00), 15/10/2003 (R$50.000,00), 16/10/2003 (R$25.000,00), 17/10/2003  (R$50.000,00),  21/10/2003  (R$20.000,00),  24/10/2003  (R$15.000  00),  R$25/10/2002  (R$1.506.000,00)  e  30/10/2003  (R$40.000,00).  Todos  os  demais  arguidos  pela  defesa  referemse a transferências entre contas da mesma titularidade.  Resposta do Quesito 2. Encontra­se às fls. 4688/4698 dos autos. Em breve  síntese, apresenta os resultados listados no quadro que segue.   TABELA fls. 11 Resposta do Quesito 3. Encontra­se às fls. 4698/4704 dos  autos. Em breve síntese, apresenta os resultados: (1) quanto aos lançamentos relacionados no  Doc. 05, já se encontram computados nos Doc. 01 e Doc. 04, com exceção do lançamento do  dia 30/05/2003 (R$1.280,00), e (2) quanto aos lançamentos relacionados no Doc. 06, aqueles  listados no quadro de fls. 4702 e 4704 também foram computados nos Doc. 02 e Doc. 03.  Resposta do Quesito 4. Encontra­se às fls. 4704/4710 dos autos. Em breve  síntese, apresenta os resultados listados nos parágrafos seguintes.  A  partir  da  análise  dos  documentos  acostados  pela  impugnante  (Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte),  foram  elaboradas  as  planilhas  de  fls.  4525/4531,  as  quais  fazem  um  comparativo  entre  os  valores  constantes nos referidos comprovantes de rendimentos e os valores contabilizados como receita  pelo contribuinte na conta "4.1.1.01.001 Faturamento a Clientes" nos anos de 2002 e 2003.  Observou­se  que  em determinados meses,  o  total  de  rendimentos  recebidos  das  fontes pagadoras  lá  relacionadas  supera os valores  contabilizados na  conta  "4.1.1.01.001  Faturamento a Clientes".  Fl. 5223DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 13          12 Resposta aos Itens 4.1 e 4.2. Concluiu a Fiscalização que não há elementos  suficientes para informar se a receita de prestação de serviços constante nos documentos de fls.  1630 a 1825­AP acostados pela impugnante relativos a Comprovantes de Rendimentos Pagos e  de Retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte encontra­se devidamente contabilizada nos  livros de escrituração obrigatória, ou, ainda, se já teria sido tributada.  Resposta ao Item 4.3. Concluiu a Fiscalização que não há como certificar se  o  IRRF informado nos Comprovantes de Rendimentos foi de alguma forma aproveitado pelo  contribuinte. Tampouco não foi possível identificar os lançamentos contábeis dos rendimentos  de  aplicação  financeira  já  que  na  conta  a  qual  deveria  constar  tais  lançamentos,  qual  seja,  4.1.2.01.035 ­ Rendimentos S/Aplicações, foi registrado somente um lançamento a credito no  valor de R$ 7.366,99.  Acrescenta a  autoridade  fiscal que a DIPJ  relativa ao exercício de 2003  foi  apresentada "zerada", razão pela qual se pode inferir que a receita relativa aos rendimentos de  aplicações financeiras não foi levada à tributação pelo contribuinte. Considerando ainda que tal  receita não compôs a base de cálculo do imposto apurado no auto de infração, os respectivos  IRRF  não  poderiam,  por  conseqüência,  serem  compensados  com  valores  de  impostos  e/ou  contribuições apurados no referido auto de infração.  Resposta do Quesito 5. Encontra­se à fl. 4710 dos autos.  Esclarece  a  Fiscalização  que,  tendo  em  vista  a  ausência  de  elementos  suficientes  para  informar  se  a  receita  de prestação  de  serviços  constante  nos  documentos  de  fls.1630  a  1825­AP  acostados  pela  impugnante  relativos  a  Comprovantes  de  Rendimentos  Pagos  e  de  Retenção  do  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  encontra­se  devidamente  contabilizada nos livros de escrituração obrigatória, resta prejudicada a verificação da retenção  de valores a título de PIS, CSLL e COFINS.  Resposta do Quesito 6. Encontra­se às fls. 4710/4712 dos autos.  Em  breve  síntese,  conclui  a  Fiscalização  que  os  valores  pleiteados  pela  contribuinte para  compensação  já  foram aproveitados pela autoridade  tributária ao efetuar os  lançamentos de ofício dos autos de infração em discussão.  Resposta do Quesito 7. Encontra­se às fls. 4710/4712 dos autos.  Discorre a Fiscalização que, conforme folha do que seria o LALUR (fl. 985­ AP), o contribuinte  alegou possuir um prejuízo  contábil no 3º  trimestre de 2003 no valor de  R$1.365.426,70. Em resposta ao Termo de  Intimação Fiscal, o contribuinte apresentou o que  seriam  os  balancetes  trimestrais  do  ano­calendário  de  2003.  Em  relação  ao  3º  trimestre,  encontra­se registrado um prejuízo de R$ 1.560.535,34. Na conta 5.1.1.01.044 ­ Resultado do  Exercício, a diferença entre os valores dos lançamentos a débito e a crédito na referida conta  ocorridos no 3º trimestre perfaz o mesmo valor de R$ 1.560.535,34. Na DIPJ 2004 (fls. 1.045 a  1.111), os dados relativos aos 3º e 4º trimestres encontram­se "zerados".  V.  Petição  da  Contribuinte  em  face  da  Resposta  da  Diligência  da  DRJ/Brasília   Cientificada a  impugnante do resultado da diligência, apresentou petição de  fls. 4721/4746, em 17/05/2012, cuja síntese encontra­se disposta nos parágrafos seguintes.  Fl. 5224DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 14          13 Preliminar. Novamente extrai­se do Relatório do Acórdão recorrido:  Ao  ser  intimada  do  resultado  da  diligência,  foi  disponibilizado  para  a  contribuinte apenas a cópia do relatório fiscal e da planilha que relaciona os recebimentos e  os  impostos  retidos.  Ao  comparecer  à  RFB  para  obter  a  integralidade  de  dados  que  embasaram as conclusões da Fiscalização, e encaminhar expressa solicitação em 30/04/2012,  foi informada que o processo estava em fase de digitalização, razão pela qual o processo lhe  foi entregue apenas no dia 10/05/2012, no “apagar das luzes” do prazo que lhe foi concedido  para  se manifestar.  Vale  lembrar  que  a  diligência  em  questão  consumiu  quatro  longínquos  anos, de forma que não se apresenta aceitável o prazo para manifestação da contribuinte de  apenas trinta dias, e que, no caso concreto, teve somente seis dias a partir do momento em que  foi disponibilizado o acesso a todos os autos do processo. Nesse sentido, solicita a devolução  do  prazo  para  a  manifestação  do  resultado  da  diligência,  sob  pena  de  ocorrer  ofensa  aos  princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.  Do Resultado da Diligência. Os resultados da diligência já demonstram que  os  elementos  que  deram  suporte  à  omissão  de  receitas  apurada  nos  autos  de  infração  são  gravemente inconsistentes e chegam a colocar em dúvida a validade de toda a autuação.  Não  obstante  reconhecer  que  a  maioria  das  alegações  constantes  da  Impugnação  terem  sido  confirmadas  em  sede  diligência  fiscal,  não  podemos  deixar  de  consignar  que  alguns  questionamentos  deixaram  de  ser  verificados  pela  autoridade  responsável, que se encontram relacionados a seguir.  Item  n°  1  ­  Natureza  dos  Pagamentos  lançados  nos  documentos  que  apuraram a movimentação bancária do Contribuinte.  Doc. 04. Dois  créditos da conta bancária n° 404.342­1 da Agência 3382­0  do Banco do Brasil não foram confirmados pela Fiscalização na diligência, quais sejam, de R$  200.000,00  (duzentos  mil  reais),  no  dia  07\01\03,  e  de  R$  3.500.000,00  (três  milhões  e  quinhentos mil reais), no dia 18\02\03.  De  fato,  reconhece­se  que  entre  os  extratos  bancários  anexados  aos  presentes autos não há elementos suficientes para conduzir­nos até onde seria a origem desses  mesmos  créditos.  Para  fazer  prova  de  sua  alegação,  a  contribuinte  solicitou  junto  à  correspondente  instituição  financeira,  os  comprovantes  que  atestavam  essas  transações  bancárias, sendo que até este momento não lhe foi disponibilizado os necessários documentos,  conforme  atesta  as  mensagens  eletrônicas  ora  anexadas  à  petição.  Por  essa  razão,  a  Contribuinte informa que tão logo lhe seja entregue os extratos bancários até aqui sonegados  pela instituição financeira, fará a sua juntada aos autos.  Doc. 05. Trata­se do crédito bancário de R$1.280,00, datado de 30/05/2003,  da conta n° 404.342­1 da Agência n° 3382­0 do Banco do Brasil, o único não acatado pela  Fiscalização na diligência.  Ocorre que tal depósito tem sua origem especificada na própria legenda do  estorno de pagamento, com número de documento 368437, ou seja, representa devolução do  cheque  de  mesmo  número  cujo  débito  ocorreu  no  mesmo  dia,  conforme  atesta  as  mesmas  folhas dos autos.  Fl. 5225DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 15          14 Doc. 06. Trata­se de créditos bancários da conta n° 200.198­5 da Agência  0452­9 do Banco do Brasil, não acatados pela Fiscalização na diligência. São os seguintes:  R$23.326,46 no dia 18\02\2002. Segundo o extrato bancário de fls. 1.225, refere­se a estorno  do documento n° 000452, cujo correspondente débito está também discriminado nas mesmas  páginas dos autos, ou seja, a receita considerada é apenas devolução de pagamento indevido.  R$13.710,00  no  dia  19\02\2002. De  acordo  com  as mesmas  páginas  1.225  dos  autos,  o  crédito  em  tela  também  representa  estorno  de  pagamento,  cujo  débito  está  devidamente registrado nas mesmas páginas. R$110.000,00 no dia 28\06\2002. O Doc. 06 de  lavra da autoridade fiscal autuante (fls. 300), indica esse lançamento como tendo número de  documento 553382000200198. Todavia, o extrato bancário de fls. 1.295 indica o lançamento  de  um  crédito  nessa  mesma  conta  e  nesse  mesmo  valor  e  data,  porém  com  número  de  documento diverso do indicado no Doc. 06, qual seja: 553382000404342.  Contudo, mesmo diante dessa clara incongruência que por si já é suficiente  para afastá­la da base presumida, é possível perceber que o valor aportado na referida conta  fora oriundo de transferência da conta bancária de titularidade da própria Autuada, a de n°  404.342­1 da Ag: 0452­9 do BB, como, aliás, atesta a própria sequência final do número de  documento que consta do extrato.  A indicação de que se trata de transferência sem CPMF corrobora tratar­se  de transferência entre contas de mesma titularidade, devendo, portanto, ser excluída da base  tributável.  R$104.651,00 no dia 22\07\2002. Conforme demonstra às fls. 1296, o valor  em foco está lançado como Estorno Aut. PGT com o n° de documento 076487, que refere­se ao  estorno do cheque do mesmo valor, de mesmo número  (076487), e no mesmo dia  (fls. 1296­ verso).  R$14.437,00 no dia 05\08\2002. O extrato constante do verso das fls. 1.298,  demonstra tratar­se de Estorno Automático de Pagamento, com n° de documento de 076585,  que de acordo com às fls. 1.299 refere­se ao cheque debitado no mesmo dia, ou seja, trata­se  de estorno do referido cheque.  R$9.924,00 em 15\08\2002. O crédito consta no extrato de fls. 1.300 verso,  como Cheque sem Fundo e com n° de documento 076654. Conforme facilmente se depreende  da página 1300, refere­se a crédito decorrente do cheque compensado e devolvido na mesma  data.  R$6.501,42  datado  de  28\08\2002.  A  legenda  do  extrato  constante  às  fls.1.302, demonstra que o crédito em destaque se deu em razão de Estorno Aut. Pgt. com n°  076739. Na sequência do extrato, na mesma página, percebe­se que se trata de estorno de um  débito ocorrido na mesma data, mesmo valor e mesmo número.  R$5.000,00  do  dia  04\09\2002. Segundo  consta  às  fls.  1.303,  o  crédito  em  questão, com n° de documento 076786,  trata­se também de Estorno Aut. Pgt, que de acordo  com a sequência do extrato (às mesmas páginas) refere­se a devolução do cheque de mesmo  número emitido no mesmo dia.  R$  10.000,00  do  dia  04\09\2002. O  crédito  está  lançado  no  extrato  à  fls.  1.303  com o  título  de  Transferência  on­line. O  extrato  da  conta  n°  404.342­1  do Banco  do  Fl. 5226DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 16          15 Brasil, da própria Voetur Cargas,  juntado às  fls. 1.337 dos autos, comprova a  transferência  desse valor para aquela outra conta, o que  indica  tratar­se de transferência entre contas de  mesma titularidade.  R$  5.000,00  do  dia  05\09\2002.  O  crédito  está  no  lançado  no  extrato  constante do verso das fls. 1.303 com o título de transferência. O extrato da conta n° 404.342­ 1 do Banco do Brasil, da própria Voetur Cargas, juntado às fls. 1.337 dos autos, comprova a  transferência  desse  mesmo  valor  para  aquela  outra  conta,  o  que  indica  tratar­se  de  transferência entre contas de mesma titularidade.  R$ 5.000,00 do dia 06\02\2002. O crédito está lançado no extrato constante  do  verso  das  fls.  1.303  com  o  título  de  transferência.  Esse  valor  foi  estornado  da  conta  no  mesmo dia, mas, de qualquer modo de acordo o extrato da conta n° 404.342­1 do Banco do  Brasil, da própria Voetur Cargas, juntado às fls. 1.337­V dos autos, comprova a transferência  desse  mesmo  valor  para  aquela  outra  conta,  o  que  indica  tratar­se  de  transferência  entre  contas de mesma titularidade.  R$ 50.000,00 do dia 09\09\2002. Esse  lançamento está discriminado às  fls.  1.303­V, cujo histórico se refere à Transferência, com data de lançamento no dia 09\09.  Compulsando­se o extrato de fls. 1.337­V da conta 404.342­1, verifica­se um  lançamento  a  débito  na  mesma  data  com  histórico  de  TRF.  SEM  CPMF,  de  forma  que  comprovado tratar­se de transferência entre contas de mesma titularidade.  R$ 50.000,00 do dia 09\09\2002. Segundo o extrato de fls. 1.303­V, o crédito  cujo histórico se refere à transferência, foi estornado no mesmo dia. Porém o próprio número  de documento, e o extrato da conta n° 404.342­1 fls. 1.337­V, demonstram que a origem desse  valor é uma transferência entre conta de mesma titularidade.  Item n° 2 – Dos Mútuos.  Os  mútuos  envolvem  outras  empresas  parceiras,  e,  apesar  dos  esclarecimentos  prestados  à  Fiscalização,  não  foram  objeto  de  verificação  da  diligência  determinados pagamentos que se referem a amortização de empréstimos concedidos.  Doc.  02. Quanto  aos  créditos  bancários  de  R$40.000,00  no  dia  21\01\02  R$28.000,00  no  dia  29\01\02,  conforme  a  própria  autoridade  fiscal  teve  a  oportunidade  de  constatar,  não  foram mesmo  realizados  pela  empresa Voetur Turismo, mas  sim pela Voetur  Operadora, que também está sob o mesmo controle acionário. Não obstante,  tal constatação  não  permite  concluir  que  o  crédito  em  questão  não  corresponde  à  receita  da  atividade  da  Autuada.  Em verdade, tais depósitos estão relacionados na planilha apresentada pelo  Contribuinte  e  lançada  às  fls.  2.060­AP  dos  autos,  o  qual  demonstra  que  se  trata  de  pagamentos  de  parte  de  mútuo,  concedido  no  decorrer  de  outubro  de  2001,  no  valor  conjugado  de  R$70.000,00  concedido  a  empresa  depositante  (Voetur  Operadora),  e  respaldados pelo razão de ambas as empresas (fls. 1.850 e 1.969).  Os  comprovantes  das  respectivas  contas  bancárias  creditadas  e  debitadas  constam  do  doc.  02  em  anexo,  o  que  comprova  a  transferência  do  numerário  para  a  Operadora e sua posterior devolução.  Fl. 5227DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 17          16 No que  tange aos pagamentos  efetuados pela Voetur Turismo  relacionados  no DOC. 02, de R$ 67.000,00 no dia 25\02\02 e de R$30.000,00 no dia 06\05\02, não foram, à  época, apresentados os respectivos comprovantes de depósito. No entanto, a não apresentação  de tais elementos em diligência deu­se em razão do volume de documentos solicitados naquela  oportunidade  e  da  exiguidade  do  prazo  concedido.  Mas,  aproveita  a  Contribuinte  para  também  apresentá­los  neste  instante  (doc.  03),  e  assim  afastar  qualquer  eventual  dúvida  quanto à origem dos créditos aventados.   Quanto  ao  depósito  de  R$  100.000,00  no  dia  06\05\02,  concluiu  o  agente  fiscal que tal valor teria sido de autoria não da Voetur Turismo como alegado, mas sim da Vip  Service Club Locadora, e os autos não reuniria dados suficientes para afirmar os motivos da  sua realização. Embora o depósito tenha sido de fato, realizado pela empresa indicada, trata­ se  também  de  devolução  de  parte  de  um  "empréstimo"  de  R$  110.000,00  concedido  em  30\04\02  (contrato  às  fls.  2.006­AP).  Os  extratos  que  compõe  o  doc.  04  ora  anexado,  comprovam  a  saída  de  R$  110.000,00  da  conta  da  Autuada  e  a  entrada  na  conta  Vip  Locadora,  e  na  sequência  a  devolução  de  parte  desse  empréstimo  (100  mil  reais)  no  dia  06\05\2002.  Doc. 09. Grande parte dos lançamentos que compõem o documento 09 teve  sua  análise  prejudicada  pela  fiscalização  por  ter  ela  se  limitado  a  verificar  se  tratavam  meramente de resgate de aplicação financeira como alegado em sede de impugnação, mesmo  tendo sido demonstrado, durante a execução da diligência, que tratava­se de amortização de  mútuos. Os depósitos não verificados  e  relacionados a pagamentos de mútuo  são os abaixo  indicados.  R$100.000,00 no dia 20\01\03. O depósito está especificado no encontro de  contas de  fls.  2.068,  sendo parte do pagamento  do mútuo concedido pela Autuada à Voetur  Turismo  em  04\02\2002  no  valor  de  R$  1.173.000,00,  cujo  comprovante  de  depósito  está  lançado às fls. 2.162­AP.  R$18.000,00  no  dia  02\10\03.  Trata­se  de  parte  do  pagamento  do  mútuo  concedido em 19\02\2002 no valor de R$ 3.000.000,00, cujo comprovante de depósito consta  às fls. 2.196­AP.  R$50.000,00  no  dia  08\10\03. Também  representa  parte  do  pagamento  do  empréstimo datado de 19\02\2002 no valor de R$ 3.000.000,00, conforme exposto no encontro  de contas de páginas 2.069­AP, sendo sua origem uma transferência bancária demonstrada às  fls. 2.202.  R$50.000,00 no dia 15\10\03. Da mesma  forma,  refere­se a abatimento do  empréstimo  do  dia  19\02\2002  no  valor  de  R$  3.000.000,00,  especificado  às  fls.  2.070,  e  comprovante de transferência anexado às fls. 2.207­AP.  R$25.000,00  no  dia  15\10\03.  Pagamento  de  parte  do  empréstimo  de  R$  3.000.000,00 concedido no dia 19\02\2002, conforme detalhado às  fls. 2.070­AP, decorrente  da transferência bancária demonstrada às fls. 2.208­AP.  R$ 50.000,00 no dia 17\10\03. Da mesma forma, o encontro de contas de fls.  demonstra  tratar­se  de  amortização  do  mesmo  empréstimo  de  19\02\2002  no  valor  de  R$3.000.000,00 (fls. 2.070­AP), cujo comprovante bancário consta às fls. 2.209­AP.  Fl. 5228DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 18          17 R$  20.000,00  no  dia  21\10\03.  Representa  pagamento  de  parte  do  mútuo  concedido em 19\02\2002, no valor de R$ 3.000.000,00, especificado no encontro de contas de  pág. 2.070­AP, e encontra respaldo no comprovante de fls. 2.212­AP.  R$ 15.000,00 no dia 24\10\03. Pagamento de parte do mútuo concedido em  19\02\2002 no valor de R$ 3.000.000,00, especificado às fls. 2.070, e comprovado pelo extrato  de fls. 2.217.  R$  40.000,00  no  dia  30\10\03.  Por  fim,  este  o  crédito  é  decorrente,  nas  esteiras dos antes  indicados, como parte do pagamento do mútuo concedido em 19\02\2002,  no valor de R$ 3.000.000,00, cuja origem está em destaque às fls. 2.219.  Item 03 da Diligência ­ Valores em duplicidade.   É  importante destacar que a diligência confirmou a duplicidade de valores  apurados pela autuação fiscal, em um patamar superior a 70% do que seria a receita omitida,  o que torna clara a fragilidade do ato administrativo e atenta contra a sua própria validade.  Nesse  contexto,  reafirma  a  contribuinte  que  não  há  elementos  que  permitam  manter  a  autuação relacionada à omissão de receitas, em razão dos gritantes equívocos da autoridade  autuante.  Item 04 da Diligência – Verificação dos Comprovantes de Rendimento e  Retenção na Fonte.  4.1.  Contabilização  dos  Comprovantes  de  Rendimentos  Anexados  aos  Autos.  Na  resposta  a  essa  indagação,  a  auditoria  fiscal  em  diligência,  concluiu  que  não  haveria  como  aferir  se,  de  fato,  a  receita  apresentada  em  sede  de  impugnação  teria  sido  lançada nos livros de escrituração obrigatória, em razão da escassez dos dados apresentados  em face de suas solicitações, e de não haver detalhamento, por clientes, dos valores lançados  na conta 4.1.1.01.001 (Faturamento Clientes).  Não  obstante  a  posição  adotada  pela  autoridade  fiscal,  o  Contribuinte  reitera  que  as  únicas  fontes  de  receita  que  alimentaram  a  conta  contábil  analisada  pela  fiscalização  foram  exclusivamente,  aquelas  indicadas  no  caderno  procedimental.  E  não  poderia  ser  diferente  haja  vista  que  a  maior  parte  dos  serviços  que  disponibiliza,  são  prestados a Órgãos Públicos, como, aliás, consta na resposta juntada as fls. 2.169­70­AP.  Em verdade, a opção de tributação pelo regime de caixa levou o contribuinte  a escriturar os valores faturados apenas no dia em que eram efetivamente creditados em seu  favor, ou seja, havendo o pagamento de algum faturamento em determinado dia, a somatória  do  valor  creditado no dia  era  transportada e  conseqüentemente  creditada na conta  contábil  questionada, com a especifica descrição de tratar­se de recebimento de órgão público.  Vale  aqui  esclarecer  que  o  valor  considerado mês  a mês  pelo  fiscal  como  faturamento  na  planilha  anexada  às  fls.  2.262­AP  e  s.  elaborada  a  partir  dos  dados  apresentados  em  impugnação,  dificilmente  coincidiria  com  algum  dos  lançamentos  daquela  conta  contábil,  porque,  embora  esteja  indicado  o  valor  faturado  no  mês  por  determinado  Órgão  em  favor  da  Autuada,  não  está  ali  especificado  o  detalhe  de  que  esse  valor  não  se  converteu em receita da contribuinte num único dia.  Fl. 5229DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 19          18 Isso quer dizer que embora a contribuinte  tenha, por exemplo,  recebido da  Coordenação Geral  de Recursos  do MS,  a  quantia  de R$1.365.047,16,  em  janeiro  de  2002,  esse montante é apenas um valor consolidado do mês, o que implica reconhecer que não foi  pago num único dia de janeiro, mas sim vários valores em dias alternados no decorrer desse  mesmo mês, ou em alguns casos, pode até ter sido recebido em alguns dos meses subseqüentes,  representando, por óbvia consequência, várias faturas e não uma única, o que, aliás, explica  algumas divergências entre o faturamento informado e o efetivamente contabilizado.  Visando esclarecer toda essa situação, conforme atesta a resposta dada em  30\01\2012 (fls. 2.169), a Impugnante até disponibilizou a fiscalização todo o seu faturamento  dos exercícios de 2002 e 2003, mas que, talvez em razão do seu grande volume, não foi objeto  de análise. Certamente se houvesse o cuidado de verificar, ao menos a titulo de amostragem,  as nuances do faturamento da Autuada e a sua contabilização, a resposta a dúvida desta DPJ  seria outra.  E  para  se  comprovar  que  ora  se  alega,  o  Contribuinte  cita,  a  titulo  de  amostragem,  a  escrituração  do  recebimento  de  faturas  no mês  de março  de  2003,  emitidas  contra  a  Coordenação  Geral  de  Recursos  Logísticos  do Ministério  da  Saúde,  no  montante  liquido de R$ 1.437.704,03, que acrescidos dos valores retidos de R$ 82.810,83, correspondem  ao exato valor escriturado em 25\03\03 no montante de R$ 1.520.514,36 (fls. 961).  Os extratos bancários anexados demonstram o recebimento do valor liquido  informado, bem como os documentos do Órgão Público (doc. 05 anexo) atestam esse mesmo  pagamento, de  forma que o  valor  lançado contabilidade no dia 23\03\03, comprovadamente  corresponde ao montante da fatura trazida em impugnação.  De  toda  forma,  como  o  portfólio  de  clientes  do Contribuinte  está  no  setor  Público, e não havendo sustentação a anterior alegação de omissão de receita, não há outra  conclusão plausível se não admitir que a receita contabilizada é sim, fruto dos comprovantes  de rendimentos verificados em diligência.  Por essa razão, entende o Contribuinte que os comprovantes de rendimentos  trazidos em impugnação, correspondem, senão na íntegra, ao menos no que lhe é compatível  em termos de valores, com a receita escriturada na conta clientes.  4.2. Receita de Prestação de Serviços Tributada nos Autos. Como a receita  contabilizada foi integralmente tributada na autuação, em razão de não ter sido declarada, e  sendo  ela  fomentada  pela  receita  de  prestação  de  serviços,  óbvio  concluir  que  esta  última  integra a base tributada nos presentes autos.  4.3. Aproveitamento  de  IRRF. Em  resposta  a  indagação do Agente Fiscal  sobre  ter  sido,  os  valores  retidos,  objeto  de  compensação  ou  pedido  de  parcelamento  o  Contribuinte informa e reitera nesse momento que tais retenções foram lançadas na respectiva  conta  IRRF  a  recolher,  e  debitadas  do  IRPJ  apurado  da  receita  contabilizada  e  aqui  novamente tributada.  Não  houve  qualquer  pedido  de  compensação,  nem  deduzido  dos  valores  reconhecidos em PAES, o que pode perfeitamente ser apurado do próprio sistema do Órgão  Tributante.  Fl. 5230DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 20          19 Por outro lado, os valores escriturados a titulo de retenção, foram quase que  integralmente  confirmados  pela  autoridade  fiscal,  não  parecendo  haver  qualquer  dúvida  quanto a sua existência.  Contudo, o único detalhe que parece ter fugido a compreensão do fiscal que  conduzia  a  diligência,  é  que  o  "IRRF  a  recuperar"  debitado  na  conta  relativa  ao  "IRPJ  a  pagar", tanto em relação ao exercício de 2002 quanto ao de 2003, não se coadunam com os  valores  verificados  na  especifica  conta  do  "IRRF  a  Recuperar"  como  ele  próprio  pôde  constatar, em razão do simples fato de que o saldo desta conta foi utilizado apenas em parte.  Isso facilmente de percebe quando se verifica que o saldo da conta "IRRF a  Recuperar" foi diminuído na exata proporção do valor transportado para a conta do "IRPJ a  pagar", restando na respectiva conta creditada apenas o valor remanescente.  Item  05  da  Diligência  –Existência  de  Valores  Retidos  a  Título  de  PIS,  CSLL e Cofins. Em resposta a esse item, o agente fiscal respalda sua negativa, na diligência  executada, em prestar a informação solicitada, na suposta impossibilidade de ter verificado se  a receita originária das retenções estariam contabilizadas nos livros fiscais do Contribuinte.  Em que pese essa afirmação ser, como vimos, equivocada, nos parece que a única dúvida do  Colegiado  Julgador  situa­se  na  existência  do  crédito  retido  em  favor  da  Autuada,  o  que,  concessa venia, está perfeitamente demonstrado não só nos autos, mas pode ser aferido dos  sistemas informatizados da Receita, através das respectivas DIRFs dos Órgãos que efetuaram  as retenções.  Item 06 da Diligência – PAES. Nada há a  ser acrescentado quanto a este  especifico  assunto,  a  não  ser  o  fato  de  que  do montante  do  tributo  remanescente,  deve  ser  excluído o valor parcelado e ali informado como, aliás, o fez a autora do lançamento.  Item  07  da  Diligência  –  Dedução  da  Base  de  Cálculo  do  Prejuízo  Escriturado no LALUR.  O que merece ser destacado na resposta dada a indagação contida no item 7  oriunda  desta  Turma  Julgadora,  é  o  fato  de  que  em  nenhum  momento  a  fiscalização  preocupou­se em efetivamente responder ao questionamento que lhe foi dirigido.  Todavia, embora informe os valores zerados da DIPJ, informação essa que,  aliás,  já  estava  a  disposição  de  quem  se  analise  os  autos,  o  Sr.  Fiscal  reconhece  que  os  informativos contábeis lhe disponibilizados, confirmam a existência de prejuízo no 3º trimestre  de 2003, embora em valor superior ao escriturado no LALUR.  Como  a  escrita  fiscal,  acredita  a  Impugnante,  deve  prevalecer,  até  porque  além de não ter sido desclassificada serviu de base para apuração do tributo lançado, o valor  do prejuízo não pode ser descartado na apuração do valor tributável nos últimos trimestres de  2003.  Da Indevida Forma de Apuração do Tributo.   O art. 288 do RIR/99 indicam que uma vez apurada a omissão de receitas, os  tributos correspondentes deverão ser apurados com fiel observância ao regime de tributação  optado  pelo  contribuinte,  no  caso  em  tela,  o  lucro  real.  Contudo,  na  presente  autuação,  a  autoridade tributária, ao apurar irreal e enorme movimentação financeira, valores que foram  Fl. 5231DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 21          20 levados  para  a  base  de  cálculo,  fez  com  que  os  tributos  lançados  incidissem  sobre  toda  a  receita bruta.  A bem da verdade, é forçoso reconhecer que a escrita fiscal apresentada não  reunia em seu bojo parâmetros seguros que pudessem permitir do devido dimensionamento do  lucro  real  do  exercício  autuado.  Assim,  deveria  o  tributo  ter  sido  apurado  por  meio  do  arbitramento, o que não foi feito pela Fiscalização.  Jurisprudência do Conselho de Contribuintes (1º CC, 8ª Câmara, Acórdão n°  108­08.953  em  16.08.2006,  publicado  no DOU em  02\01\01,  e  1º CC,  3ª Câmara,  Acórdão  103­22.616 em 20.09.06 publicado no DOU em 24.11.06) e do CARF (3a Câmara da 1ª TO da  1ª  Seção  do  CARF,  Acórdão  n°  1301­00.042  de  12.03.09)  indicam  que,  uma  vez  detectada  omissão  de  receitas  com  uso  de  presunção  relativa  prevista  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  e  sendo  o montante  vultuoso,  fica  evidenciada  a  imprestabilidade  da  escrita  contábil  para  apurar  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  conforme  o  lucro  real,  caso  em  que  a  tributação deveria ser apurada com base no lucro arbitrado.  Trata­se  do  caso  em  análise,  em  que,  diante  da  grandeza  da  omissão  de  receitas, resta evidente que a forma de apuração adequada seria o arbitramento.  Por  fim,  requer  que  seja  oportunizada  a  juntada  de  novos  documentos  e  provas.  VI.  Petição  Complementar  da  Contribuinte  em  face  da  Resposta  da  Diligência da DRJ/Brasília  Foi apresentada petição complementar pela impugnante, em 10/15/2012, fls.  4806/4811, nos seguintes termos.  Omissão  de  Receita.  Doc.  04.  R$3.500.000,00.  Trata­se  de  depósito  de  R$3.500.000,00  do  dia  18/02/2003,  da  conta  bancária  n°  404.342­1  da  Agência  3382­0  do  Banco do Brasil que não foram confirmados pela Fiscalização na diligência.  Apesar de o próprio Impugnante ter informado que se trataria de pagamento  de  mútuo  concedido  a  empresa  do  mesmo  Grupo  Econômico,  a  análise  do  extrato  e  as  diligências empreendidas junto a instituição financeira que mantém a referida conta bancária  deram o suporte necessário para que fosse identificada a efetiva origem do suposto crédito em  referência.  Conforme atesta a sequência de eventos que compõe o extrato da averiguada  conta,  no  dia  18/02/2003  foram  realizadas  2  (duas)  TEDs  no  valor  R$  3.500.000,00  (três  milhões  e  quinhentos  mil  reais).  Contudo,  a  primeira  delas  de  n°  0000004  foi  devolvida,  gerando por sua vez, com o mesmo número de documento, o crédito de R$ 3.500.000,00 e que  foi justamente tributado. A segunda TED foi devidamente processada.  Portanto,  o  que  fugiu  da  compreensão  da  própria  impugnante no  primeiro  momento, é que o crédito questionado pela autuação nada mais representa do que estorno de  um valor indevidamente transferido da conta bancária.  Para ilustrar a situação, o Banco do Brasil emitiu a declaração de fls. 4811  anexa, no qual apresenta esclarecimentos e demonstra que não há fundamento hábil para se  Fl. 5232DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 22          21 manter a presunção de omissão sobre o referido crédito, vez que o valor de R$3.500.000,00  representa estorno de uma TED indevidamente realizada.  O  Acórdão  n.  03­50.500  –da  2ª  Turma  da  DRJ/BSB  julgou  parcialmente  procedente a autuação, às fls. 4887/4943, estruturando sua decisão nos seguintes tópicos:  1.  Preliminar.  Obtenção  das  Informações  Bancárias.  Inocorrência  de  Quebra  de  Sigilo  Bancário.  Desnecessidade  de  Autorização Judicial;  2.  Prejudicial de Mérito. Decadência;   3.  Mérito. Esclarecimentos Iniciais;   4.  Infrações  Tributárias.  Omissão  de  Receitas.  Receitas  Contabilizadas  e  Não Declaradas;  5.  Prejuízo Contábil. Ano Calendário de 2003;  6.  Apuração do Tributo:   6.1 Comprovantes de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte;  6.2 Parcelamento PAES;  7.  PIS/Cofins. Base de Cálculo. Inclusão do ICMS e ISS;  8.  Matéria Preclusa;  9.  Revisão da Base de Cálculo. Apuração dos Tributos Lançados de Ofício  Mantidos;  10.  Conclusão  Aseguir  relata­se  ponto  a  ponto  as  fundamentações  constantes  no Acórdão  recorrido às fls. 4887/4943:  1.  Preliminar.  Obtenção  das  Informações  Bancárias.  Inocorrência  de  Quebra de Sigilo Bancário. Desnecessidade de Autorização Judicial;  A Ementa do Acórdão da DRJ sintetiza toda a fundamentação deste item, que  ora transcrevo:  SIGILO  BANCÁRIO.  QUEBRA.  INOCORRÊNCIA.  PREVISÃO  LEGAL.  EMISSÃO  DE  RMF.  FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.  O  fornecimento  de  informações  pelas  instituições  financeiras  sobre  a  movimentação  do  sujeito  passivo,  na  forma  da  Lei  Complementar nº. 105, de 2001, não constitui quebra de sigilo.  Trata­se  de  medida  que  prescinde  de  autorização  judicial,  quando  promovida  nos  termos  da  lei,  durante  procedimento  Fl. 5233DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 23          22 fiscal  em  curso  no  qual  a  autoridade  tributária  constate  ser  indispensável  o  exame  de  documentos,  livros  e  registros  de  instituições financeiras.  2.  Prejudicial de Mérito. Decadência;  O Acórdão recorrido adotou o entendimento doParecer PGFN/CAT nº. 1.617,  de 2008, que determina  a aplicação do prazo decadencial  do  art.  150, §  4º,  do CTN quando  ocorrer pagamentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parcial, dos tributos sujeitos ao  lançamento por homologação.   Transcreve­se o voto:  Nesse contexto, o termo para contagem decadencial adota como referênciaa  data  28/12/2002,  considerando­se  que  a  ciência  dos  Autos  de  Infração  foi  dada em28/12/2007.  Assim,  no  que  concerne  ao  IRPJ  e  a  CSLL,  os  lançamentos  com  F.G.31/03/2002, 30/06/2002 e 30/09/2002 estão fulminados pela decadência.  Por sua vez, os lançamentos de PIS e a Cofins, cujos fatos geradoresestejam  compreendidos  entre  os meses  de  janeiro  a  novembro  de  2002,  também  se  encontramdecaídos.  São  lançamentos  de  ofício  que  devem,  portanto,  ser  afastados,  em  razão  dedecadência.Para os demais casos, será apreciado o mérito.  3.  Mérito. Esclarecimentos Iniciais;4.  Infrações  Tributárias.  Omissão de Receitas. Receitas Contabilizadas e Não Declaradas;  Vale  ressaltar  que  os  eventos  referentes  a  lançamentos  de  ofício  cuja  decadência foi reconhecida constituem­se em matéria já superada, razão pela qual prescinde  de apreciação.  4.  Infrações Tributárias. Omissão de Receitas. Receitas Contabilizadas  e Não Declaradas;  (..) os quadros a seguir apresentam, para cada depósitobancário em debate,  o  resultado  da  diligência,  a  manifestação  da  impugnante  externada  nasduas  petições,  e  a  solução proposta, qual seja, se o depósito deve ser mantido ou afastado daapuração da base  de cálculo dos lançamentos de ofício em debate.  Fl. 5234DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 24          23   Todos os demais quadros estão descritos no voto do Acórdão recorrido às fls.  4913 a 4924, razão pela qual deixa­se de transcrever, uma vez que ao final o Acórdão traz um  quadro sintetizador dos débitos remancentes cujo colegiado entenderam como devidos.  5.  Prejuízo Contábil. Ano Calendário de 2003  (..)  a  Fiscalização,  ao  identificar  a  infração“RESULTADOS  OPERACIONAIS  NÃO  DECLARADOS”,  que  resultou  no  lançamento  deofício  referente  ao  F.G.  31/12/2003,  considerou  como  valor  tributável  o  montante  deR$2.597.477,04,  valor  extraído  da  parte  A  do  LALUR  de  fls.  1968/1970.  No  mesmo  LALUR,parte  B,  às  fls.  1972/1974, constata­se o registro de prejuízo fiscal, para o IRPJ e CSLL, noterceiro trimestre  no valor de R$1.365.869,10, e no quarto trimestre de R$586.625,99.  Por  sua  vez,  o  resultado  da  diligência  efetuada  pela  Fiscalização  indica,  emanálise  da  conta  5.1.1.01.044  –  RESULTADO  DO  EXERCÍCIO,  que  a  diferença  entre  osvalores  dos  lançamentos  a  débito  e  a  crédito  na  referida  conta  ocorridos  no  3º  trimestre  perfazo mesmo valor de R$ 1.560.535,34.  Assim, diante das constatações apresentadas, e para adotar o mesmocritério  da  autuação  fiscal,  que  tomou  como  referência  para  efetuar  o  lançamento  os  valoresregistrados no LALUR, há que se reconhecer a ocorrência de prejuízo fiscal, referente  aoterceiro  e  quarto  trimestre  do  ano  calendário  de  2003,  nos  valores  de  R$1.365.869,10  eR$586.625,99, respectivamente, nos termos do art. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995.  (...)  Portanto,  em  tópico  adiante,  ao  ser  apurada  a  base  de  cálculo  mantidareferente  aos  lançamentos  de  ofício  da  presente  autuação,  será  efetuada  a  compensação doprejuízo fiscal referente ao terceiro e quarto trimestres do ano calendário de  2003.  6.1  Apuração  do  Tributo  ­  Comprovantes  de  Rendimentos  Pagos  e  Retenção na Fonte  Fl. 5235DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 25          24 Reclama  a  impugnante  pelo  aproveitamento  dos  valores  retidos  na  fonte  e  parcelados no PAES, para a devida apuração dos tributos lançados de ofício.  Tendo em vista os argumentos apresentados pela impugnante em suadefesa,  a DRJ/Brasília encaminhou diligência, cujos quesitos  levantados pela autoridadejulgadora e  as principais conclusões extraídas do Relatório Fiscal elaborado pela Fiscalizaçãoencontram­ se transcritos a seguir.  Em  resposta  datada  de  30/01/2012  (fls.  2.120  e  2.121),  o  contribuinte  não  apresentou  o  razão  analítico  solicitado  e  prestou  informações  as  quais  não  atenderam  ao  que  fora  requisitado. Não  se manifestou,  outrossim,  em  relação à  forma  de  contabilização  dos  tributos  retidos  na  fonte.  Em  síntese,  se  resumiu  a  informar  que  ofertava  sua  receita  à  tributação  pelo  regime de caixa c que os dados sobre os clientes que efetuaram  os  pagamentos,  os  quais  deveriam  estar  registrados  na  conta  "4.1.1.01.001 Faturamento a Clientes", não mais se encontravam  em  seus  arquivos.  Diante  do  exposto,  não  há  elementos  suficientes para informar "se a receita de prestação de serviços  constante dos referidos documentos (fls. 1630 a 1825) encontra­ se  devidamente  contabilizada  nos  livros  de  escrituração  obrigatória".    Colaciona aqui a ementa do Acordão recorrido por entender que se encontra  clara e suficiente a fundamentação deste tópico:  RETENÇÃO NA FONTE. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE AS  RECEITAS  FORAM  OFERECIDAS  À  TRIBUTAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.  Diante  da  impossibilidade  de  a  contribuinte  comprovar  se  as  receitas decorrentes de prestação de serviços, que foram objeto  de  retenção  na  fonte,  foram  devidamente  contabilizadas  nos  livros de escrituração obrigatória e oferecidas à tributação, não  há que se aproveitar os valores dos tributos retidos na fonte na  apuração dos lançamentos de ofício.  No  tocante  aos  créditos  dos  pagamentos  efetuados  no  PARCELAMENTO  PAES,  esclarece  a  autoridade  tributária  que  os  valores  pleiteados  pelaimpugnante  já  teriam  sido  compensadosno  próprio  auto  de  infração.Inclusive,  na  petição  de  fls.  4721/4746,  a  impugnante  reconhece  que  aautoridade  autuante  procedeu  corretamente.Portanto,  não  há  reparos a fazer no procedimento da Fiscalização.  7.  PIS/Cofins. Base de Cálculo. Inclusão do ICMS e ISS;  Ementa do Acordão:  PIS/PASEP.  ANO  CALENDÁRIO  2002.  REGIME  CUMULATIVO.  ANO  CALENDÁRIO  2003.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  COFINS.  Fl. 5236DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 26          25 REGIME CUMULATIVO.  ICMS.  ISS. EXCLUSÃO. FALTA DE  PREVISÃO LEGAL.  Tanto  na  Lei  nº  9.718,  de  1998,  que  dispõe  sobre  o  regime  cumulativo  para  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins,  quanto  na  Lei  nº  10.637,  de  2002,  que  trata  do  regime  não  cumulativo  para  o  PIS/Pasep,  não  há  nenhuma  previsão  para  se  excluir,  daquele  contribuinte submetido à tributação comum, o ICMS ou o ISS da  base  de  cálculo  das  aludidas  contribuições  sociais  incidentes  sobre o faturamento ou receita bruta.  8.  Matéria Preclusa;  Ementa do Acordão:  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Ano­ calendário:  2002,  2003  MATÉRIA  PRECLUSA.  PETIÇÃO  COMPLEMENTAR.  QUESTÃO  DE  DIREITO  APRESENTADA  INTEMPESTIVAMENTE.  Não  deve  ser  apreciada  questão  de  direito  suscitada  pela  contribuinte  em  petição  complementar  apresentada  fora  do  prazo previsto pelo artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 2011, que  regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF).  9.  Revisão  da  Base  de  Cálculo.  Apuração  dos  Tributos  Lançados  de  Ofício Mantidos;  Os  valores  totalizados,  a  cada  mês,  dos  depósitos  afastados  pelo  presentejulgamento  decorrentes  da  movimentação  financeira,  assim  como  aqueles  mantidos,encontram­se listados nos quadros a seguir.  Fl. 5237DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 27          26   10.  Conclusão  O  voto  condutor  foi  no  sentido  de  julgar  pela  procedência  em  parteda  impugnação  apresentada,  para  alterar  o  crédito  tributário  exigido,  conforme  os  quadrosapresentados a seguir”.    Fl. 5238DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 28          27     Considerando que houve exoneração de crédito  tributário  superior ao  limite  de alçada, foi interposto recurso de ofício pela 2ª Turma da DRJ/BSB.  A  recorrente  apresentou  recurso voluntário  às  fls.  4953/4975,  alegando,  em  síntese, que a decisão de 1ª instância deveria ser reformada, considerando que:  a)  Houve  a  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários  que  foram  mantidos pela DRJ, conforme documentação anexada;  b) Houve comprovação dos mútuos efetuados entre as empresas;  c) Devem ser aproveitados os créditos de  IRRF demonstrados na diligência  fiscal,  uma  vez  que  as  receitas  auferidas  destas  retenções  estariam  inevitavelmente ou já escrituradas e tributadas, ou inseridas na base tributável  da presente autuação;  d) Ademais, tendo sido escrita fiscal tomada por regular, dever­se­iatambém  considerar os saldos acumulados da conta “IRPJ a Recuperar” para dedução  dos tributos lançados no auto;  Fl. 5239DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 29          28 e)  Deve  ser  julgada  a  autuação  improcedente,  tendo  em  vista  a  incorreta  apuração do IRPJ e CSLL, uma vez que, conforme jurisprudência do CARF,  constatada  vultosa  omissão  de  receita  a  partir  de movimentação  financeira,  deveria a autoridade administrativa ter arbitrado o lucro da empresa;  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  Conforme  exposto  no  preâmbulo  do  relatório  ao  norte,  fui  designado  pelo  Presidente da 1a Câmara  redator ad hoc  para  formalizar o presente  acórdão,  após  a  extinção  formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.  E,  tendo participado do  julgamento  em questão,  observo que, na ocasião,  foi  disponibilizada  pelo relator minuta do relatório e voto proferido na sessão.  Nestes  termos,  o  conteúdo  do  voto  a  seguir  transcrito  corresponde  ao  voto  proferido pelo seu relator originário, conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares:  Trata­se  de  recurso  de  ofício  e  recurso  voluntário  contra  o Acórdão  n.  03­ 50.500 lavrado pela 2ª Turma da DRJ/BSB.  Em razão de preencherem os requisitos legais de admissibilidade, deles tomo  conhecimento.  Por razões didáticas, primeiramente se analisará o recurso de ofício interposto  pela 2ª Turma da DRJ/BSB, para, em seguida, analisar o recurso voluntário da recorrente.    I ­ Do Recurso de Ofício  O  crédito  tributário  exonerado  pelo  Acórdão  n.  03­50.500  da  2ª  Turma  da  DRJ/BSB passa por três pontos que devem ser analisados, a saber:  a)  Decadência dos lançamentos tributários do 1º, 2º e 3º trimestre de 2002  em relação ao IRPJ e CSLL, bem como dos meses de janeiro a novembro em  relação à PIS e COFINS;  b)  Comprovação da origem dos depósitos bancários tomados como receitas  omitidas  a  partir  da  presunção  relativa  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  verificados pela diligência fiscal;  c)  Dedução  do  prejuízo  contábil  da  base  de  cálculo  do  lançamento  tributário do IRPJ e CSLL do 3º e 4º Trimestre de 2003.  Analisamos um a um destes pontos.  Fl. 5240DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 30          29 a)  Decadência  dos  lançamentos  tributários  do  1º,  2º  e  3º  trimestre  de  2002 em relação ao IRPJ e CSLL, bem como dos meses de janeiro a  novembro em relação à PIS e COFINS;  Tratando­se de matéria de ordem pública, o acórdão de 1ª instância ex officio  considerou fulminados pela decadência os lançamentos tributários relativos 1º, 2º e 3º trimestre  de 2002 em relação ao IRPJ e CSLL, bem como dos meses de janeiro a novembro em relação à  PIS e COFINS.  Por concordar com as razões do acórdão de 1ª  instância,  transcreve­se parte  do voto exarado no acórdão:  Conforme  Parecer  PGFN/CAT  nº.  1.617,  de  2008,  aprovado  pelo  Ministro  de  Estado  da  Fazenda,  cujo  entendimento  vincula  os  órgãos  da  administração  fazendária,  tendo  havido  pagamento  espontâneo  pelo  sujeito  passivo,  ainda  que  parcial,  o  prazo  decadencial  para constituição de crédito tributário relativo aos tributos  sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  segundo  a  regra  expressa do art. 150, §4º, do CTN. Contudo, caso não haja  pagamento  espontâneo  por  parte  do  sujeito  passivo,  aplicase a regra geral, do inc. I, art. 173, do CTN.  Merece  registro,  a  princípio,  que  a  ciência  dos  Autos  de  Infração  deu­se  em  28/12/2007.  Foram  efetuados  lançamentos  de  ofício  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins  referentes aos anos­calendário de 2002 e 2003.  Atendo­se  ao  ano­calendário  de  2002,  verifica­se,  pelos  extratos  de  DCTF  dos  presentes  autos,  que  foram  confessados pela contribuinte os débitos de IRPJ, relativos  ao F.G. 30/06/2002 e 30/09/2002 (fl. 50) e 31/12/2003 (fl.  58). Também foram confessados débitos de PIS e de Cofins  relativos a  todos os meses do ano calendário de 2002  (de  janeiro até dezembro),  como se pode observar às  fls. 623,  625, 627 e 629.  Em  pesquisa  nos  sistemas  internos,  acostadas  às  fls.  4857/4886,  constata­se  que  foram  recolhidos  pela  contribuinte valores referentes ao IRPJ (Código de Receita  2089),  F.G.  31/03/2002,  CSLL  (Código  de  Receita  2372),  F.G. 31/03/2002, 30/06/2002 e 30/09/2002.  Portanto, no caso concreto,  tendo em vista a confissão de  débitos  por  meio  de  DCTF  e  os  pagamentos,  ainda  que  parciais, aplica­se o disposto no art. 150, § 4º, do CTN.  Nesse contexto, o termo para contagem decadencial adota  como referência a data 28/12/2002, considerando­se que a  ciência dos Autos de Infração foi dada em 28/12/2007.  Fl. 5241DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 31          30 Assim, no que concerne ao IRPJ e a CSLL, os lançamentos  com  F.G.  31/03/2002,  30/06/2002  e  30/09/2002  estão  fulminados pela decadência.  Por sua vez, os lançamentos de PIS e a Cofins, cujos fatos  geradores  estejam  compreendidos  entre  os  meses  de  janeiro  a  novembro  de  2002,  também  se  encontram  decaídos.  São  lançamentos  de  ofício  que  devem,  portanto,  ser  afastados, em razão de decadência.  Neste  ponto,  entendo  que  não  merece  provimento  o  recurso  de  ofício,  devendo ser mantida a exoneração do crédito  tributário  relativos aos 1º, 2º e 3º  trimestres de  2002 em relação ao  IRPJ e CSLL, bem como dos meses de janeiro a novembro de 2002 em  relação  à PIS  e COFINS,  uma vez  que  tal  entendimento  está  de  acordo  com  as Súmulas  do  CARF:  Súmula CARF  nº  72: Caracterizada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  a  contagem  do  prazo  decadencial  rege­se  pelo  art.  173,  inciso I, do CTN.  Súmula  CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte  na  competência  do  fato  gerador  a  que  se  referir  a  autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.  b)  Comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários  tomados  como  receitas omitidas a partir da presunção relativa do art. 42 da Lei nº  9.430/96 verificados pela diligência fiscal;  Conforme  destacado  no  acórdão  de  1ª  instância,  em  16/04/2012,  foi  concluído  o Relatório  da Diligência  Fiscal  de  fls.  4662/4712,  no  qual  foram  respondidos  os  quesitos elaborados pela autoridade julgadora da primeira instância.   Para fins de comprovação da origem da suposta omissão de receitas levantada  pela autoridade fiscal, a recorrente trouxe aos autos os Docs. 01 – 09 (extratos bancários que  serviram de base para autuação fiscal).  Um a um, os depósitos bancários foram analisados, afastando­se aqueles que  comprovadamente se tratavam de resgate de aplicações financeiras, transferência entre contas  da  mesma  titularidade,  estorno  de  pagamentos  efetuados,  depósitos  provenientes  de mútuos  devidamente registrados na contabilidade.  Neste ponto, considerando a documentação e justificativas apresentadas pelo  Acórdão  n.  03­50.500  lavrado  pela  2ª  Turma  da  DRJ/BSB,  após  checagem  documental,  entendo  restar  devidamente  provada  a  origem  dos  depósitos  bancários  afastados  tanto  pela  diligência,  quanto  pela Turma  Julgadora  de  1ª  instância,  razão  pela  qual  deve  ser mantida  a  Fl. 5242DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 32          31 decisão de 1ª  instância,  conforme quadros presentes às  fls. 4913 – 4924, a qual  transcrevo o  primeiro a título de exemplo:    c)  Dedução  do  prejuízo  contábil  da  base  de  cálculo  do  lançamento  tributário de IRPJ e CSLL do 3º e 4º trimestre do ano calendário de  2003  A  questão  se  concentra  na  possibilidade  de  a  impugnante  aproveitar­se  de  prejuízo contábil para deduzir da base de cálculo do IRPJ e CSLL lançados de ofício referentes  ao ano­calendário de 2003.  O acórdão de 1ª instância deu provimento à impugnação administrativa neste  aspecto, para adotar o mesmo critério da autuação fiscal, que se  tomou como referência para  efetuar  o  lançamento  os  valores  registrados  no  LALUR,  então  reconheceu­se  ocorrência  de  prejuízo fiscal registrado no mesmo LALUR, referente ao 3º e 4º trimestre do ano calendário  de 2003, nos valores de R$1.365.869,10 e R$586.625,99, respectivamente, nos termos do art.  15  e  16  da  Lei  nº  9.065,  de  1995,  respeitando  o  limite  legal  de  30%  de  dedução  do  lucro  líquido ajustado.  Eis as razões do acórdão recorrido:  Vale transcrever o quesito encaminhado pela DRJ/Brasília  e  a  resposta  apresentada  pela  Fiscalização  sobre  o  assunto:   7.  Verificar  a  possibilidade  de  se  deduzir,  da  base  de  cálculo  do  3a  trimestre  de  2003,  o  valor  do  prejuízo  contábil  que  a  autuada  alega  possuir,  no  valor  de  R$1.365.869,10,  equivalente  ao  prejuízo  contábil  da  empresa  no  citado  trimestre,  devidamente  escriturado  no  LALUR.  Conforme  folha  do  que  seria  o  Lalur  (fl.  985),  o  contribuinte  alegou  possuir  um  prejuízo  contábil  no  3º  trimestre  de  2003  no  valor  de  R$  1.365.426,70.  Em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal,  datado  de  16/03/2012 (fls. 2.177 e 2.178), o contribuinte apresentou o  que seriam os balancetes trimestrais do ano­calendário de  2003.  Em  relação  ao  3º  trimestre,  encontra­se  registrado  um  prejuízo  de  R$  1.560.535,34  (fl.  2.203).  Na  conta  5.1.1.01.044 ­ Resultado do Exercício (fls. 2.329 a 2.330), a  Fl. 5243DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 33          32 diferença  entre  os  valores  dos  lançamentos  a  débito  e  a  crédito na referida conta ocorridos no 3º trimestre perfaz o  mesmo valor de R$ 1.560.535,34. Na DIPJ 2004 (fls. 1.045  a  1.111),  os  dados  relativos  aos  3º  e  4º  trimestres  encontram­se "zerados".  Vale  observar  ainda  que  a  Fiscalização,  ao  identificar  a  infração  “RESULTADOS  OPERACIONAIS  NÃO  DECLARADOS”,  que  resultou  no  lançamento  de  ofício  referente  ao  F.G.  31/12/2003,  considerou  como  valor  tributável o montante de R$2.597.477,04, valor extraído da  parte A do LALUR de fls. 1968/1970.   No mesmo LALUR, parte B, às  fls. 1972/1974, constata­se  o  registro  de  prejuízo  fiscal,  para  o  IRPJ  e  CSLL,  no  terceiro trimestre no valor de R$1.365.869,10, e no quarto  trimestre de R$586.625,99.  Por  sua  vez,  o  resultado  da  diligência  efetuada  pela  Fiscalização  indica,  em  análise  da  conta  5.1.1.01.044  –  RESULTADO DO  EXERCÍCIO,  que  a  diferença  entre  os  valores  dos  lançamentos  a  débito  e  a  crédito  na  referida  conta ocorridos no 3º trimestre perfaz o mesmo valor de R$  1.560.535,34.  Assim, diante das constatações apresentadas, e para adotar  o  mesmo  critério  da  autuação  fiscal,  que  tomou  como  referência  para  efetuar  o  lançamento  os  valores  registrados no LALUR, há que se reconhecer a ocorrência  de prejuízo  fiscal,  referente ao  terceiro  e quarto  trimestre  do ano calendário de 2003, nos valores de R$1.365.869,10  e R$586.625,99,  respectivamente,  nos  termos  do  art.  15  e  16 da Lei nº 9.065, de 1995:   Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento  do  ano­calendário  de  1995,  poderá  ser  compensado,  cumulativamente com os prejuízos  fiscais apurados até 31  de  dezembro  de 1994,  com o  lucro  líquido  ajustado  pelas  adições  e  exclusões previstas na  legislação do  imposto de  renda, observado o limite máximo, para a compensação, de  trinta por cento do referido lucro líquido ajustado.  (...) Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre  o  lucro,  quando  negativa,  apurada  a  partir  do  encerramento  do  ano­calendário  de  1995,  poderá  ser  compensada,  cumulativamente  com  a  base  de  cálculo  negativa  apurada  até  31  de  dezembro  de  1994,  com  o  resultado do período de apuração ajustado pelas adições e  exclusões previstas na  legislação da  referida  contribuição  social,  determinado  em  anos­calendário  subseqüentes,  Fl. 5244DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 34          33 observado o limite máximo de redução de trinta por cento,  previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995.  (...)  Contudo,  o  ajuste  do  prejuízo  fiscal  será  admitido  observando­se  o  limite  máximo  de  redução  de  trinta  por  cento do lucro líquido ajustado.  Portanto,  em  tópico  adiante,  ao  ser  apurada  a  base  de  cálculo  mantida  referente  aos  lançamentos  de  ofício  da  presente  autuação,  será  efetuada  a  compensação  do  prejuízo  fiscal referente ao  terceiro e quarto  trimestres do  ano calendário de 2003.  Entendo que agiu dentro da  legalidade a Turma  Julgadora de 1ª  instância à  medida que utilizou o mesmo critério jurídico no lançamento tributário para apuração do lucro  real  da  recorrente,  primando pelo princípio da boa­fé  administrativa que  envolve  as  relações  com  a  Administração  Pública,  uma  vez  que  apesar  de  entregue  a  DIPJ  “zerada”,  constava  registrado no LALUR os referidos prejuízos dos 3º e 4º trimestres do ano calendário de 2003,  apenas não informada.  À  medida  que  se  baseou  na  contabilidade  da  recorrente  para  perfazer  o  lançamento  tributário  no  que  concerne  às  receitas  contabilizadas  e  não  declaradas,  deve­se  considerar  também  o  prejuízo  contábil  ali  registrado  para  fins  de  apuração  do  lançamento  tributário.  Desta  forma, mantém­se  a decisão de 1ª  instância no ponto que concerne  a  dedução  do  prejuízo  contábil  apurado  nos  3º  e 4º  trimestres  do  ano­calendário  de  2003,  nos  valores de R$1.365.869,10 e R$586.625,99, respectivamente, nos termos do art. 15 e 16 da Lei  nº  9.065,  de  1995,  respeitando  o  limite  legal  de  30% de  dedução  do  lucro  líquido  ajustado,  conforme procedido pelo Acórdão recorrido.  d)  Conclusão  Por  estas  razões,  entendo  por  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  mantendo incólume a decisão de 1ª instância.    II – Do Recurso Voluntário  O recurso voluntário do contribuinte, por sua vez, destaca os seguintes pontos  os quais devem passar pelo crivo da segunda instância administrativa:  a)  Comprovação  dos  restantes  dos  depósitos  bancários  mantidos  pelo  acórdão  de  1ª  instâncias  como  suposta  omissão  de  receita,  cuja  origem  foi  tomada por não comprovada, presumindo­se omissão de receitas com base no  art. 42 da Lei nº 9.430/96;  b)  Comprovação dos mútuos efetuados entre as empresas  c)  Aproveitamento dos tributos retidos  Fl. 5245DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 35          34 d)  A incorreta apuração do IRPJ e CSLL. Arbitramento do lucro    Em relação ao item (A) e (B), a Recorrente requer a comprovação da origem  dos seguintes depósitos bancários:  Doc. 04 ­ Banco do Brasil ­ Ag. 3382­0 / CC 404.342­1  Depósito ­ 07/01/2003 R$ 200.000,00  Não  procede  o  pedido  de  exclusão.  De  acordo  com  o  Resultado  da  Diligência,  não  há  nos  autos  provas  da  origem  do  crédito  bancário.  Não  foi  impugnado  na  Manifestação  do  Contribuinte.  A  DRJ  acompanhou  o  resultado  da  Diligência  mantendo  o  depósito. E novamente o contribuinte nada trouxe de documentação para comprovar o alegado,  razão pela qual mantém­se a tributação do depósito bancário.   Doc. 05 ­ Banco do Brasil ­ Ag. 3382­0 / CC 404.342­1  Depósito –30/05/2003 ­ R$ 1.280,00  Procede o pedido de exclusão. Foi um mero erro de fato no Acórdão da DRJ,  que entendeu como estorno, contudo, manteve na planilha de depósito bancário mantidos.      Doc. 09 ­ Bradesco ­ Ag. 606­8 / CC 135.202  Depósito ­ 20/01/2003 ­ R$ 100.000,00  Fl. 5246DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 36          35 Depósito ­ 02/10/2003 ­ R$ 18.000,00  Depósito ­ 20/01/2003 ­ R$ 50.000,00  Depósito ­ 15/10/2003 ­ R$ 50.000,00  Depósito ­ 16/10/2003 ­ R$ 25.000,00  Depósito ­ 17/10/2003 ­ R$ 50.000,00  Depósito ­ 21/10/2003 ­ R$ 20.000,00  Depósito ­ 24/10/2003 ­ R$ 15.000,00  Depósito ­ 30/10/2003 ­ R$ 40.000,00  Não procede o pedido de exclusão desses depósitos.  A  recorrente,  apesar  de  sustentar  que  se  trata  de  operações  de mútuo  entre  empresa  coligadas/controladas,  não  trouxe  aos  autos  provas  cabais  de  sua  alegação.  Juntou  somente  alguns  comprovantes  de  transferência  bancárias,cujos  valores  e  data  são  diferentes  com a data do depósito bancário em questão.  Considerando que tanto a DRF, em sua diligência fiscal,quanto a DRJ em seu  Acordãoasseverou  acerca  da  impossibilidade  de  conclusão  dos  mútuos  apenas  com  a  documentação  nos  autos,  caberia  ao  contribuinte  ter  realizado  essa  correlação  documental,  ainda que juntando documentos contábeis não trazido antes aos autos.      Apesar do contribuinte explicar que se trata de pagamentos parciais do mútuo  anterior em valor bem elevado, o fato é que inexiste nos autos provas contábeis, documentais  que façam a devida correlação.   Dessa forma, entendo por manter a presunção de omissão de receitas em face  dos depósitos bancários não escriturados e nem comprovados.  Em relação ao item (C),  aproveitamento  dos  tributos  retidos  para  abatimentos dos tributos lançados entendo que assiste razão ao contribuinte.  Fl. 5247DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 37          36 Como ficou consignado nos autos, o contribuinte é um prestador de serviços  de transportes, cuja quase a totalidade do faturamento se dá através de pagamentos realizados  por órgãos públicos, por meio de Ordens Bancárias­OB, creditadas na conta nº 404.342­1 da  Ag: 3382­0 do Banco do Brasil de titularidade da Recorrente, de onde, aliás, foi apurada sua  maior movimentação financeira.  Se se trata de pagamentos à órgãos públicos fica fácil concluir que os valores  foram  retidos  do  contribuinte,  e  que  a  favor  dele  reside  um  crédito  de  tributos  retidos  facilmente quantificado pelos sistemas da Receita Federal. Registre­se que o recorrente trouxe,  mês a mês aos autos diversos comprovantes do sistema SIAFI, demonstrando a realização de  pagamentos via operação bancária e pelo valor líquido das notas fiscais.Prova disso os extratos  de 1.357­s (Vol. VII), e os docs. anexados junto ao recurso voluntário, cujo exemplo colaciono  abaixo:    Fl. 5248DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 38          37   Logo  se  a  fiscalização  constituiu  créditos  tributários  sobre  os  depósitos  bancários,  cuja  conta  bancária  é  a  dos  pagamentos  dos  órgãos  públicos,  e  considerou  esses  depósitos ora como omissão de receita não contabilizada, ora como resultado operacional não  declarado, forçoso concluir então que necessariamente as receitas de prestação de serviço aos  órgãos públicos foram tributados.  Diz­se isso pois ou foram tributada a título de receita operacional (2003) ou  escriturada e não declarada (2002), ou está tributada a título de omissão de receita (ambos os  exercícios), razão pela qual o contribuinte não pode ser expropriado de seus valores de retido  na fonte.  Ademais  quando  a  fiscalização  tributa  receitas  omitidas  pelo  regime  de  tributação  adotado  pelo  contribuinte,  é  por que,  em última  análise,  sua  contabilidade  guarda  uma prestabilidade necessária à apuração dos tributos, do contrário teria que ser desclassificada  e  tributado o  contribuinte pelo  regime do  lucro  arbitrado, o que não ocorreu  com o presente  caso.   Na  verdade,  o  que  se  extrai  dos  autos,  é  que  o  contribuinte  efetuava  recolhimentos trimestrais, escriturava as receitas operacionais, entregava suas DCTF’s, enviou  “zerada” suas DIPJ’s,  apurava prejuízo  fiscal  registrado em LALUR, ou  seja, mantinha uma  escrituração fiscal prestável.   Assim,  nesse  aspecto  do  direito  à  utilização  dos  valores  de  retenções  de  IRRF,  CSLL,  PIS,  COFINS  para  abatimento  dos  tributos  apurados  no  presente  auto  de  infração, oriento meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO.  Em  relação  ao  item  (D),  acerca  da  incorreta  apuração  da  omissão  de  receitas  pela  sistemática  do  Lucro  Real  quando  há  um  enorme  descompasso  entre  as  receitas omitidas e aquelas declaradas,coaduno com o entendimento de que fica evidenciada  a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e CSLL conforme  o lucro real.  Digo  isso  pois  não  é  fato  gerador  do  IRPJ  tributar  a  receita  bruta,  mas  somente o  lucro  líquido dela derivado após alguns ajustes  fiscais. Logo como não há receita  Fl. 5249DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 39          38 que não seja acompanhada de uma despesa, seria um excesso de exação fiscal exigir tributação  sobre a  integralidade das  receitas omitidas quando estas  são vultuosas em relação às  receitas  declaradas.  Essa conclusão deriva do raciocínio lógico­jurídico de que o regime jurídico  da  tributação  das  receitas  omitidas  determina  que  somente  em  casos  de  imprestabilidade  da  contabilidade  do  contribuinte  é  que  se  deva  arbitrar  o  lucro,  pois  essa  forma  além  de  ser  excepcional é a mais gravosa.  Se  a  tributação  pelo  lucro  arbitrado  é  a  forma  excepcional  e mais  gravosa,  todas as outras (lucro real, SIMPLES ou presumido) devem ser menores, ou seja, resultar numa  carga tributária menor.  Se é assim, então sempre que a apuração das receitas omitidas pelo lucro real  ultrapassar a carga tributária apurada pelo lucro arbitrado, vedado estará a autoridade fiscal de  constituir créditos tributários pelo regime do lucro real em valores superiores aqueles apurados  pelo lucro arbitrado.  Nesse sentido vem se assentando a jurisprudência do CARF, senão observe:  ARBITRAMENTO.  ART.  42  DA  LEI  9.430\96.  DESPROPORCIONALIDADE.  Uma vez detectada omissão de receita com uso de presunção relativa  prevista no art. 42 da Lei nº 9.430\96, e sendo tal omissão de receita  em montante vultoso e que não seja proporcional para o computo do  lucro  real  da  pessoa  jurídica,  fica  evidente  a  imprestabilidade  da  escrita contábil para apurar a base do IRPJ e CSLL conforme o lucro  real. Nesse  caso a  tributação deve  ser apurada pelo Lucro Arbitrado  (RIR  art.  530,  II,  “a”  e  “b”)  (1º  CC,  8ª  Câmara,  Acórdão  nº  108­ 08.953 em 16.08.2006 publicado no DOU em 02\01\01)  OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA.  A  omissão  de  registro  contábil  de  vultosa  movimentação  bancária  revela escrituração  imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e  CSLL  com  base  no  lucro  real.  Tal  condição  enseja  a  tributação  ex  officio  pelo  regime  do  lucro  arbitrado  (1º  3ª  Cãmara,  Acórdão  103­ 22.616 em 20.09.06 publicado no DOU em 24.11.06)  (...) ARBITRAMENTO. ESCRITA IMPRESTÁVEL.   Uma vez detectada omissão de receitas com uso de presunção relativa  prevista no art. 42 da Lei nº 9.430\96, e sendo tal omissão de receitas  em  montante  vultuoso,  a  evidencia  enorme  descompasso  entre  as  receitas  omitidas  e  aquelas  declaradas,  fica  evidenciada  a  imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do  IRPJ e CSLL conforme o lucro real. Nesse caso, a tributação deve ser  apurada  pelo  Lucro  Arbitrado.  Não  tendo  o  crédito  tributário  sido  apurado por essa forma de apuração, a exigência de IRPJ e CSLL deve  ser exonerada. (3ª Câmara da 1ª TO da 1ª Seção do CARF, Acórdão nº  1301­00.042 de 12.03.09)   Fl. 5250DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 40          39 Contudo o presente caso não se enquadra no raciocínio acima haja vista que  mais  de  75%  das  receitas  tidas  como  omitidas  no  auto  de  infração  foram  afastadas  pelo  Acórdão  Recorrido,  de  tal  maneira  que  o  valor  restante  não  se  considera  tão  vultuosa  em  relação a declarada/tributada.  Por  estas  razões,  entendo  por  conhecer  de  ambos  os  recursos,  para  negar  provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da  omissão de receita o depósito bancário no valor de R$ 1.280,00, realizado no dia 30/05/2003  perante  o Banco  do Brasil  ­ Ag.  3382­0  / CC  404.342­1,  bem  como,  reconhecer  o  direito  à  dedução  dos  valores  retidos  à  titulo  de  IRRF,  CSLL,  PIS  e  COFINS  sobre  os  pagamentos  realizados por órgãos públicos nos meses de outubro, novembro, dezembro do ano­calendário  de 2002 e no ano­calendário de 2003.  É como voto.  Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator  É o que se reproduz da minuta de voto do relator original.  (assinado digitalmente)  João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc    Fl. 5251DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 41          40 Voto Vencedor  Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  O  i.  Conselheiro  Antonio  Carlos  Guidoni  Filho,  originalmente  designado  redator  para  o  voto  vencedor,  não  teve  a  possibilidade  de  cumprir  com  as  formalidades  pertinentes à formalização do voto vencedor (assinatura eletrônica), porque os autos no sistema  e­processo não lhe foram encaminhados em tempo hábil antes de ter o seu pedido de dispensa  do cargo de Conselheiro atendido.  Contudo, registre­se já haver sido disponibilizado pelo conselheiro, em data  anterior  à  sua  saída  do  CARF,  arquivo  magnético  contendo  o  voto  vencedor  relativo  ao  julgamento do presente processo.  Tendo  efetuado  a  sua  revisão  para  fins  de  formalização  do  presente  voto,  verifico  tratar­se  de  reprodução  fiel  do  quanto  foi  apresentado  em  sessão  e  que  representa,  portanto, as razões que orientaram o Colegiado a, por maioria de votos, divergir (em parte) do  relator, para cancelar os autos de infração de IRPJ, CSLL, e PIS relativos ao ano calendário de  2003.  Nestes termos, o voto a seguir é a reprodução do mencionado voto, proferido  pelo conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho:  Cinge­se a controvérsia à necessidade ou não da aplicação, ao caso concreto,  do arbitramento do lucro, previsto no art. 50, II do RIR/99, o qual dispõe que:  “art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­calendário,  será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando:  (...)  II  –  a  escrituração  a  que  estiver  obrigado  o  contribuinte  revelar  evidentes  indícios de  fraudes ou contiver vícios,  erros e ou deficiências que a  tornem  imprestável para:  a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou   b) determinar o lucro real;”    Depreende­se da leitura da referido artigo que é fundamental que, para a  aplicação  da  sistemática  do  lucro  arbitrado,  reste  demonstrado  que  os  vícios,  erros  ou  deficiências  tornaram  a  escrituração  contábil  imprestável  para  identificar  a  movimentação  financeira e, o mais importante para o presente caso, determinar o lucro real.    Com efeito, a análise a ser efetuada por este órgão julgador é se os erros  apontados  pela  Autoridade  Fiscal  são  suficientes  para  que  seja  impossível  a  utilização  da  escrita contábil para determinar o lucro real.    É de se destacar que a posição uníssona deste órgão de julgamento é no  sentido de que a aplicação o arbitramento do lucro é medida excepcional, extrema, ou seja, se  Fl. 5252DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 42          41 faz  necessário  que  a  autoridade  fiscal  percorra  todos  os  caminhos  disponíveis  para  tentar  compor o lucro real com as informações contábeis apresentadas. Depois de exauridas todas as  possibilidades, sem sucesso, aplica­se, então, o arbitramento.    Neste sentido, é possível citar as seguintes decisões:  “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA E OUTROS Anos­ calendários:  2005  e  2006  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  MEDIDA  EXTREMA.  NÃO  CONTABILIZAÇÃO  PARCIAL  DE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA,  INCLUSIVE  BANCÁRIA.  PRESTABILIDADE  DOS  LIVROS  FISCAIS.  O  arbitramento  do  lucro  é  medida extrema que somente deve ser utilizada pela autoridade lançadora do  tributo se comprovadamente inexistirem meios que viabilizem a apuração do  lucro  real.  A  simples  constatação  de  contas  correntes  bancárias  não  contabilizadas não se constitui, por si só, em motivo bastante e suficiente à  desclassificação da escrita e ao consequente arbitramento do lucro. (...)”  (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Julgado em  06/03/2013. Relator Benedicto Celso Benício Júnior)  “(...)  ARBITRAMENTO  DE  LUCRO.  GLOSA  DE  CUSTOS.  Quando  as  irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e  quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na  determinação  do  lucro  real  vez  que  o  arbitramento  de  lucro  é  uma medida  extrema  que  se  justifica  somente  quando  impraticável  o  aproveitamento  da  escrita.”  (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Julgado em  07/11/2012. Relator Maurício Pereira Faro)  “IRPJ  ­  FALTA  DE  MOTIVAÇÃO  VÁLIDA  PARA  ARBITRAMENTO  DO LUCRO ­ NULIDADE ­ A técnica do arbitramento da base tributável é  medida extrema e a sua adoção requer motivação válida e bem fundamentada  na impossibilidade de se aferir a verdadeira base de cálculo dos tributos por  outros meios. Quando o contribuinte dispõe de escrita contábil e fiscal aptas,  o  arbitramento  não  pode  ser  aplicado,  senão  o  regime pelo  qual  a  empresa  optou.”  (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª. Turma Especial. Julgado em 07/11/2012.  Relatora Meigan Sack Rodrigues)    Desta  forma,  a questão  a  ser  analisada  é  se  os  apontamentos  efetuados  pela fiscalização poderiam, de fato, tornar a contabilidade imprestável. O voto do Conselheiro  Francisco Alexandre dos Santos Linhares foi no sentido de que o caso não era de arbitramento.    No entanto, a meu ver, a quantidade de receitas omitidas foi vultosa em  relação às operações, dando o caráter de imprestável à escrita fiscal, sobre a qual, portanto, não  poderia ter se baseado o lançamento.    Com  o  devido  acatamento,  entendo  que  o  fato  de  75% do  lançamento  referente a omissão de receitas ter sido cancelado pela DRJ não descaracteriza o caráter vultoso  Fl. 5253DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 14041.001545/2007­46  Acórdão n.º 1102­001.180  S1­C1T2  Fl. 43          42 das omissões. É que o julgamento pela DRJ é posterior ao lançamento. O critério adotado para  efetuar tal lançamento deve ser aferido no momento em que este é realizado. Se, no curso da  fiscalização,  demonstra­se  relevantíssimo  o  número  de  receitas  omitidas,  o  lançamento  deve  ser  feito  por  arbitramento.  O  fato  de,  posteriormente,  parte  dessas  receitas  ser  afastada  da  tributação não afeta a escolha anterior e já acabada pela forma de lançamento.    Por tal razão, entendendo que, ao momento do lançamento, a forma mais  adequada era pelo arbitramento.    Nesse sentido, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário  para anular o lançamento de IRPJ, CSLL e PIS do ano­calendário de 2003.  Antonio Carlos Guidoni Filho – Redator designado  É  o  que  se  reproduz  da  minuta  de  voto  do  conselheiro  originalmente  designado para redigir o voto vencedor.  (assinado digitalmente)  João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc                  Fl. 5254DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO

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Numero do processo: 13884.001947/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 NULIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 regra que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo, podendo ser assinada pelo chefe do órgão expedidor. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69. A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". REMISSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não cabe remissão quando ausente previsão legal que a ampare, forte no art. 172, IV do CTN. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 82          1  81  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13884.001947/2010­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.964  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de fevereiro de 2016  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  IVAN BORGES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2010  NULIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.  O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 regra que a notificação de lançamento será  expedida  pelo  órgão  que  administra  o  tributo,  podendo  ser  assinada  pelo  chefe do órgão expedidor.  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DIRPF.  DECLARAÇÃO  ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69.  A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF,  caso  esta  se  dê  após  o  vencimento  do  respectivo  prazo. Matéria  objeto  da  Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos  ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de  um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de  Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo".   MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DIRPF  E  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.  Matéria  já  pacificada  no  âmbito  do CARF,  conforme  respectiva Súmula  nº  49:  "a  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".  MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.   Aplica­se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício  se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para  se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".  REMISSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.  Não cabe remissão quando ausente previsão legal que a ampare, forte no art.  172, IV do CTN.  Recurso Voluntário Negado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 19 47 /2 01 0- 61 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON     2      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.       Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Ronnie Soares Anderson ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Lourenço  Ferreira  do  Prado,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13884.001947/2010­61  Acórdão n.º 2402­004.964  S2­C4T2  Fl. 83          3    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora  (MG)  –  DRJ/JFA,  que  julgou  procedente  Notificação de Lançamento de multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda  Pessoa Física  (DIRPF)  exigindo  crédito  tributário  no  valor  total  de R$  2.636,12,  relativo  ao  ano­calendário 2009 (fl. 12).  A  notificação  decorreu  da  constatação  de  que  o  contribuinte  entregou  a  DIRPF/2010  fora do prazo  regulamentar, ou seja,  em 22/11/2010, quando a data  limite  foi o  último dia útil do mês de abril do ano de 2010.  O  contribuinte  impugnou  o  lançamento  às  fls.  1/9,  não  logrando  êxito,  contudo,  havendo o  lançamento  sido  integralmente mantido  no  julgamento  de  primeiro  grau  (fls. 38/45).  O  recurso  voluntário  foi  interposto  em  8/3/2013  (fls.  51/68),  reiterando  os  argumentos da impugnação, na sequência resumidos:   ­  nulidade  da  Notificação  de  Lançamento,  pois  lavrado  por  Delegado  da  Receita Federal;  ­  improcedência  da multa  aplicada,  pois  o  contribuinte  não  teve  imposto  a  pagar, e sim a restituir, estando inclusive sob o abrigo da denúncia espontânea;  ­ caráter confiscatório da multa;  ­ pede remissão por ser portador de cardiopatia grave.  É o relatório.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON     4    Voto             Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  Inicialmente,  cabe  explicar  que  há  previsão  legal  expressa  para  que  a  Notificação de Lançamento seja assinada pelo chefe do órgão expedidor ­ no caso, Delegado  da Receita  Federal  ­  a  saber  o  art.  11  do Decreto  nº  70.235/1972,  havendo  sido  expedido  a  notificação  sob  exame  em  conformidade  com  todos  os  requisitos  constantes  nessa  regra  normativa.  Não se verificando na espécie hipótese de nulidade prevista nos incisos I e II  do  art.  59  do  Decreto  nº  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  e  não  se  configurando  qualquer  prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, cabe rejeitar a arguição de nulidade.  Quanto  à  alegação  de  que  a  multa  cobrada  seria  indevida,  pois  teria  o  contribuinte  imposto  a  restituir,  e  não  a  pagar,  esbarra  ela mais  uma  vez  na  literalidade  de  disposição legal, no caso o art. 88, I da Lei nº 8.981/1991 c/c o art. 27 da Lei nº 9.532/1997,  que prevêem que a apresentação da declaração  fora do prazo  fixado sujeita a pessoa  física à  multa de mora de um por cento ao mês ou fração calculada sobre o imposto de renda devido,  ainda que  integralmente pago, por exemplo, via antecipações mensais ou  retenções na  fonte,  ressalvados os valores mínimo (R$ 165,74) e máximo (20% do imposto devido). Nesse sentido,  veja­se o disposto no art. 964 do Decreto nº 3.000/1999:  Art.964. Serão aplicadas as seguintes penalidades:  I­multa de mora:  a) de um por cento ao mês ou  fração sobre o valor do  imposto  devido,  nos  casos  de  falta  de  apresentação  da  declaração  de  rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o  imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos  §§ 2 ºe 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e  Lei nº9.532, de 1997, art. 27);  (...)  §2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser  aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, §1º, e Lei nº 9.249,  de 1995, art. 30):  I ­ de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos,  para as pessoas físicas;  O tema já foi objeto de apreciação no contencioso administrativo em diversas  oportunidades, resultando na edição da Súmula CARF nº 69:  Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de  rendimentos  ou  a  sua  apresentação  fora  do  prazo  fixado  sujeitará  a  pessoa  física  à  multa  de  um  por  cento  ao  mês  ou  fração,  limitada  a  vinte  por  cento,  sobre  o  Imposto  de  Renda  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13884.001947/2010­61  Acórdão n.º 2402­004.964  S2­C4T2  Fl. 84          5  devido,  ainda  que  integralmente  pago,  respeitado  o  valor  mínimo.   Quanto à aplicabilidade da denúncia espontânea ao caso em comento, trata­se  de matéria também já pacificada no âmbito do CARF:  Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso na entrega de declaração.  Registre­se,  ainda,  que  a  alegação  do  caráter  confiscatório  da  multa  não  prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte  legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/72,  e  da  Súmula  CARF  nº  2,  esta  por  força  do  art.  72  do  RICARF:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Por  fim,  vale  anotar  que  o  instituto  da  remissão  requer  previsão  legal  para  fins de aplicação por parte da autoridade julgadora em um determinado caso concreto, forte no  art. 172, IV do CTN, o que não se verifica no particular. Veja­se que o eventual acometimento  de moléstia grave não dispensa o contribuinte de cumprir suas obrigações acessórias, tais como  a entrega da Declaração de Ajuste.  Por conseguinte, correto o lançamento contestado, razão pela qual impõe­se a  sua manutenção.   Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário.    Ronnie Soares Anderson.                              Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON

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Numero do processo: 19515.000368/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 05/01/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informava-se incorretamente que o recurso havia sido provido parcialmente, em nítida contradição com o voto vencedor, que, corretamente, opinava por dar provimento ao recurso.
Numero da decisão: 9202-003.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão no 9202-03.181, de 8 de maio de 2014, retificando-se o resultado de julgamento, para dar provimento ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos alugueis e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital, retornando-se o processo à autoridade julgadora a quo, para fins de manifestação acerca das demais matérias constantes do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 19515.000368/2007­81  Acórdão n.º 9202­003.752  CSRF­T2  Fl. 223          2 Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gérson Macedo Guerra.  Relatório  O Acórdão  nº  9202­03.181,  da  2a  Turma  da Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais,  julgado  na  sessão  plenária  de  8  de  maio  de  2014,  por  unanimidade  de  votos,  deu  provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional (e­fls. 199 a 210).  Entretanto,  a  Chefe  da  Dicat  da  Derat/SPO  observou  que  (e­fl.  217)  o  Acórdão se encontra contraditório, na medida em que o teor decisório do mesmo, no sentido de  " (…) dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos aluguéis  e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital (...)", diverge  do  voto  vencedor  do  Conselheiro Marcelo  Oliveira,  em  seu  seguinte  trecho  "(…)  portanto,  nesta  data  não  se  encontrava  decaído  o  direito  da Fazenda Pública  em  constituir  o  crédito  tributário relativamente aos fatos geradores ocorridos em 05/01/2002 (...)" e "Conclusão: em  razão  do  exposto,  voto  em dar  provimento  ao  recurso  da Fazenda Nacional,  nos  termos  do  voto."  Sendo  patente  a  contradição,  o  despacho  foi  recebido  como  embargos  de  declaração e incluído em pauta para correção.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator  Pelo  que  consta  no  processo,  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade e, portanto, dele conheço.  É patente a contradição entre a decisão constante do Acórdão embargado e o  teor do voto vencedor, sendo necessária sua correção por meio deste Acórdão, a fim de que, no  decisum,  conste  o  provimento  do  recurso  (e  não  seu  provimento  parcial),  bem  como,  adicionalmente,  o  retorno  do  feito  à  autoridade  julgadora  de  piso,  para  fins  de manifestação  acerca  das  demais  matérias  constantes  do  Recurso  Voluntário,  de  forma  consistente  com  o  pleno saneamento da contradição, aqui realizado.   Noto, a propósito, que o Recurso Voluntário do contribuinte de e­fls. 148 a  151  contém  matérias  outras  que  não  a  decadência  (argumentação  de  homologação  de  compensação no âmbito do feito 10880.005252/2001­18, que poderia prejudicar o lançamento  aqui sob análise ou sua cobrança),  a qual só pode ser objeto de apreciação pela autoridade a  Fl. 223DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 19515.000368/2007­81  Acórdão n.º 9202­003.752  CSRF­T2  Fl. 224          3 quo,  sob pena de supressão de  instância, uma vez que não apreciadas pelo Acórdão de e­fls.  154 a 157.  Diante  do  exposto,  voto  por  acolher  os  embargos  de  declaração,  para  rerratificar  o  Acórdão  no  9202­03.181,  de  8  de maio  de  2014,  retificando­se  o  resultado  de  julgamento, para que passe a constar na decisão:   "Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos alugueis e royalties pagos  a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital, retornando­se o processo à  autoridade julgadora a quo, para fins de manifestação acerca das demais matérias constantes  do  Recurso  Voluntário.  Vencidos  os  Conselheiros  Elias  Sampaio  Freire  (Relator),  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Pedro  Anan  Junior  (suplente  convocado)  e  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Marcelo  Oliveira. Declarou­se impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka."  É como voto.    (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior                                Fl. 224DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO

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6295787 #
Numero do processo: 11543.003201/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 1.298          1 1.297  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11543.003201/2005­61  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.756  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  23 de fevereiro de 2016  Assunto  Solicitação de diligência  Recorrente  ADM DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  4ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos  termos do voto da relatora.   (assinado digitalmente)  ANTONIO CARLOS ATULIM  ­ Presidente  (assinado digitalmente)  MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA ­ Relatora  Participaram do  presente  julgamento  os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,  Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.    Relatório  Trata­se de  recurso voluntário  contra decisão da Delegacia de  Julgamento Rio  de Janeiro II, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face  do despacho decisório.  Por  retratar  os  fatos  que  sucederam  no  processo  até  a  apresentação  da  manifestação de inconformidade, adota­se aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se  transcreve:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 03 20 1/ 20 05 -6 1 Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.299          2 Relatório  Trata o presente processo de Declaração de Compensação de débitos  de IRPJ e  IRRF com créditos da Contribuição para o Financiamento  da Seguridade Social – COFINS não­cumulativa de que trata o art. 3o  da Lei 10.833/2003 apurados no terceiro trimestre de 2005.  A DRF/VITÓRIA  exarou  o  Despacho  Decisório  de  fls.  476/477,  com  base  no  Parecer  SEORT  nº  783/2009  de  fls.  458  a  476  deferindo  parcialmente  o  pedido  da  interessada  para  reconhecer  o  direito  creditório no valor de R$ 500.268,15 referente ao saldo remanescente  da apuração não­cumulativa da Cofins concernente ao mês de julho de  2005 e, por conseguinte, homologar as compensações efetuadas, até o  limite  do  crédito  reconhecido.  No  Parecer  Conclusivo  consta  consignado, em resumo, que:  1)  A  empresa  atua  na  comercialização  e  industrialização  de  óleo  de  soja,  além  de  atuar  na  comercialização  de  fertilizantes.  A  partir  de  02/2004, a empresa  interessada  ficou sujeita ao regime de  incidência  não­cumulativo da Cofins;  2) Ao  analisar  o DACON  e  as Planilhas  de Apuração  enviadas  pelo  sujeito passivo, foi constatada divergência entre os valores informados.  A  análise  da  escrituração  contábil,  das  planilhas  e  outros  elementos  apresentados  demonstraram  inconsistências  nos  valores  dos  créditos  compensados. Conseqüentemente, foram realizados ajustes e foi gerada  a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar,  a  fim de discriminar  por filiais as eventuais glosas efetuadas;  3)  O  sujeito  passivo  equivocou­se  ao  excluir  da  base  de  cálculo  da  Cofins  não­cumulativa  os  valores  decorrentes  das  vendas  de  mercadorias com suspensão. A ADM não poderia fazer jus ao benefício  da  suspensão  prevista  no  art.  9o  da  Lei  10.925/04  anteriormente  à  edição da IN SRF 660 em 04/04/2006.   4) A ADM não se enquadra na definição de cerealista definida pela IN  SRF  660/2006,  conforme  resposta  ao  Termo  de  Solicitação  de  Documentos  02­03/2008.  Também  não  se  enquadra  na  definição  de  atividade  agropecuária  e  nem  de  cooperativa  de  produção  agropecuária  delineada  pelos  incisos  II  e  III  do  §  1o  da mencionada  IN;  5)  As  rubricas  “desconto  na  compra  de  m.  prima  e  diversos  outras  rendas”,  registradas  nos  balancetes  sob  a  codificação  fiscal  411550,  411050 e 748950 deixaram de ser adicionadas à base de cálculo. Em  outras  situações,  foram  informados  valores  a  menor  em  relação  ao  registrado nos balancetes;  6)  Destarte,  foram  realizadas  as  devidas  adições  nas  Planilhas  de  Apuração das Contribuições não­cumulativas, com vistas a atender ao  que dispõe a legislação;  7)  Foram  excluídos  créditos  calculados  sobre  aquisições  de  água  mineral,  bens  de  informática,  materiais  de  higiene  pessoal,  de  vestuários  e medicamentos  por  não se  caracterizarem no  conceito  de  insumos.  Também  foram  excluídas  aquisições  dos  setores  Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.300          3 administrativos como por exemplo lápis, caneta, papel, dentre outros e  dos  setores  de  segurança,  como  por  exemplo  manutenção  nos  equipamentos de segurança e vestuário do pessoal encarregado;  8) O contribuinte apresentou Planilhas de Apuração das Contribuições  não­cumulativas por filiais e consolidado. Foram efetuadas glosas nos  itens  “bens  utilizados  insumo  industrialização:  compras  p/  material  intermediário”  nas  filiais  de  Campo  Grande,  Joaçaba,  Paranaguá,  Passo Fundo e Uberlândia,  por  não  se  enquadrarem na  definição  de  insumos;  9)  A  partir  dos  relatórios  enviados  em  meio  magnético,  foram  elaboradas  as Planilhas  1  (fls.  408/416),  discriminando por  filiais  os  bens  desconsiderados  no  cálculo  dos  créditos.  Tais  valores  foram  transportados para a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fls.  451) e posteriormente para a Planilha de Apuração das Contribuições  não­cumulativas (fls 452/457);  10) Foram glosados  os  valores  informados  a maior nas Planilhas de  Apuração  das  Contribuições  não­cumulativas  em  relação  ao  que  foi  informado nos relatórios em meio magnético, no que tange às filiais de  Campo  Grande,  Paranaguá  e  Uberlândia,  conforme  Planilha  2  (fls.  417/443);  11)  Com  relação  ao  item  “Bens  utilizados  insumo  industrialização:  compras  p/  industrialização  material  de  embalagem”,  foi  apurada  diferença  entre  as  Planilhas  de  Apuração  das  Contribuições  não­ cumulativas  e  os  relatórios  em  meio  magnético  na  filial  de  Campo  Grande. As diferenças foram demonstradas na Planilha 3 (fls. 444);  12) Foram efetuadas glosas no item “serviços utilizados como insumo  na  industrialização:  despesa  com  classificação”  visto  que  estes  serviços  não  se  enquadram  na  definição  de  insumos  delineada  pela  legislação;  13) No que se refere ao item “serviços utiliz. Insumos industrializ.:Mão  de  Obra  P.  Jurídica  (Manutenção/Conservação/Limpeza  Máq.  e  Equip.)”,  foi  constatada  a  inclusão  de  serviços  não  aplicados  ou  consumidos  na  fabricação  do  produto,  no  que  tange  às  filiais  de  Catalão, Joaçaba, Paranaguá, Rondonópolis e Uberlândia. Por não se  caracterizarem  no  conceito  de  insumo  foram  glosados  os  serviços  discriminados na Planilha 4 (fls. 445/449);  14) Pelos mesmos motivos foram glosados no item “serviços utilizados  como insumos nas atividades portuárias: Unidades Santos e Vitória”,  serviços destinados à área de comercialização;  15) O contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de locação e  comprovantes de pagamentos dos aluguéis da filial Santos. Da análise  dos comprovantes, constatou­se que foram informados valores a maior  nas  Planilhas  de  Apuração  das  Contribuições  não­cumulativas.  A  diferença  foi  considerada  não  comprovada  e  excluída  da  base  de  cálculo dos créditos;  16)  Foram  excluídos  da  apuração  dos  créditos,  os  encargos  de  depreciação  referentes  às  aquisições  de  vagões  pela  filial  de  Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.301          4 Rondonópolis, por não serem utilizados na produção dos bens, mas sim  no  transporte  dos  bens  produzidos.  As  glosas  foram  efetuadas  nos  meses  de  2004,  mas  com  impacto  nos  meses  de  2005,  visto  que  os  encargos de depreciação se exaurem em 48 meses;  17)  Foram  efetuadas  glosas  no  item  energia  elétrica  nas  filiais  de  Santos  e  Uberlândia,  por  não  ter  sido  apresentada  documentação  comprobatória que lastreasse a totalidade dos valores informados;  18)  Foram  constatadas  irregularidades  na  apuração  dos  créditos  presumidos  relacionados  à  filial  de  Uberlândia.  Não  é  possível  o  aproveitamento  de  créditos  decorrentes  de  compra  para  recebimento  futuro (CFOP 1.922). Dos relatórios em meio magnético foi constatado  o aproveitamento de crédito de compras registradas sob o CFOP 1.922  e nas compras registradas sob o CFOP 1.116, quando da entrada real  da  mercadoria.  A  Planilha  5  (fls.  450)  discrimina  as  compras  que  foram desconsideradas para fins de cálculo dos créditos;  19) Uma vez preenchidas as Planilhas de Apuração das contribuições  não­cumulativas,  pôde­se  constatar  que  ao  final  do  mês  de  julho  de  2005,  o  sujeito  passivo  possuía  saldo  de  créditos  decorrentes  do  mercado externo no valor de R$ 500.268,15 passível de compensação.  Este  saldo  foi  integralmente  utilizado  para  fins  de  compensação,  não  restando saldo de crédito a transferir para o mês seguinte. Nos meses  de agosto e setembro não foi apurado saldo de créditos a compensar,  mas  sim  saldo  de  Cofins  a  pagar.  Destarte,  foi  emitido  Auto  de  Infração para os referidos meses;  20) A despeito de o sujeito passivo ter informado no DACON saldo de  créditos  a  compensar  de  períodos  anteriores,  ele  não  apresentou  pedido  de  ressarcimento  com  vistas  a  compensar  suposto  saldo.  Portanto, o saldo credor de períodos anteriores foi desconsiderado na  análise  da  declaração  de  compensação  de  que  trata  o  presente  processo;  21) O processo administrativo nº 11543.003200/2005­16 foi apensado  ao presente processo por se referir ao mesmo trimestre­calendário.   Cientificada  da  decisão  em  03/07/2009  (fls.  485/486),  a  contribuinte  apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/08/2009 (fls. 490 a  539), alegando, em síntese que:  1) Merece correção o posicionamento do agente Fiscal exposto no item  12, no sentido de desprezar as informações do DACON e considerar as  planilhas  fornecidas  pela  empresa.  Agindo  assim,  passou  a  excluir  saldos legitimamente apurados. Tal premissa não encontra guarida no  ordenamento legal e deve ser reparada;  2) Verifica­se a necessidade expressa de se realizar perícia contábil a  fim de não restar dúvida quanto à existência de créditos por parte da  contribuinte,  bem  como  sobre  a  regularidade  do  procedimento  de  compensação adotado, sob pena de eivar de nulidade a decisão a ser  proferida. Formula os quesitos a serem respondidos;  3)  Com  relação  a  vendas  de  mercadorias  com  suspensão,  a  Lei  10.925/04 não é norma de eficácia contida, até porque contém todos os  Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.302          5 elementos  necessários  (hipóteses  de  incidência,  condições  de  aplicabilidade  e momento  da  ocorrência  do  fato  gerador).  A  simples  demora  por  parte  da  Receita  em  publicar  Instrução  Normativa  não  pode ensejar vacância legal;  4) A IN 636/06 dispôs que seus efeitos retroagiam à publicação da Lei  em abril de 2004. A referida IN foi revogada pela IN 660/06 que deixou  de informar a retroatividade de seus efeitos. Nem mesmo esta IN veio  dispor de forma contrária aos procedimentos adotados. O Sr. Auditor  deixou  de  citar  que  uma  das  principais  atividades  é  o  comércio  de  vegetais a granel, o que se constata pelo CNAE das dezenas de filiais  comerciais espalhadas pelo Brasil;  5)  Com  relação  ao  item Outras  Receitas  Operacionais,  as  alegações  fiscais  maculam  a  segurança  jurídica,  vez  que  não  existem  demonstrações do que fora supostamente encontrado. Na conta 388130  consta  no  mês  de  abril  de  2005  a  adição  feita  pela  autoridade  no  montante  de  R$  4.848.139,96,  sendo  que  a  parte  relativa  à  referida  conta representa R$ 4.520.085,81;  6)  A  conta  381020  considerada  pelo  fiscal  como  outras  receitas  operacionais a tributar se refere a faturamento de serviços tendo sido  tributada normalmente pela manifestante. Para comprovar, junta todos  os lançamentos contábeis feitos nestas contas;  7) Com  relação  à  glosa  de  créditos  calculados  sobre  bens  utilizados  como  insumos,  é  importante  destacar  que,  segundo  o  disposto  na  legislação  brasileira,  os  insumos  incluem  todos  os  itens  que  são  comprados  e  utilizados  intrinsecamente  na produção de  bens. Alguns  dos  itens  excluídos  contrariam  até  mesmo  orientação  da  Receita  Federal, conforme Solução de Consulta 174/2009;  8) O serviço de classificação de mercadorias é absolutamente inerente  e  imprescindível  na  aquisição  de  soja  e  outros  vegetais.  Tanto  é  verdade  que  existem  normas  do  Ministério  da  Agricultura  que  demonstram que não se trata de serviço administrativo;  9) O serviço de tratamento de água e efluentes é inerente ao processo  de  fabricação  de  óleo  de  soja,  como  é  o  caso  da  unidade  de  Três  Passos.  Foram  apresentados  à  fiscalização  os  documentos  que  suportaram o lançamento deste item na contabilidade;  10) Como suporte dos serviços adquiridos de pessoa jurídica tais como  limpeza  e  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  foram  apresentadas  à  fiscalização  notas  fiscais,  contratos  e  relatórios  detalhados;  11)  A  unidade  de  Santos  localiza­se  no  porto  e  contrata  serviços  de  despachantes  aduaneiros,  de  controle  de  qualidade  e  inspeção,  como  insumo  para  que  possa  realizar  a  prestação  de  serviços  a  terceiros.  Existe  uma  racionalização  dos  cálculos  dos  créditos,  ao  realizar  o  rateio  dos  embarques,  que  passa  a  juntar  pela  presente.  O  mesmo  ocorre na unidade em Vitória;  Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.303          6 12)  Com  relação  às  despesas  com  aluguéis  de  prédios  é  importante  destacar  que  os  valores  constantes  da DACON  são os  corretos  e  seu  suporte são os contratos com a CODESP;  13)  Foram  glosados  os  valores  referentes  à  depreciação  de  vagões  adquiridos  para  transporte  de  farelo  de  produção  da  manifestante,  portanto o uso das máquinas é intrínseco às atividades de produção e  ao seu escoamento devendo ser mantido;  14)  Tal  qual  constam  das  planilhas  de  apuração  da  regional  Uberlândia  e  dos  bancos  de  dados  fornecidos  pela  empresa,  os  cálculos  foram feitos  tão somente sobre as notas de remessas 1.922 e  não duplamente como afirmado, o que se comprova pelos relatórios e  bancos  de  dados  juntados  ao  presente.  O  crédito  calculado  pela  manifestante foi de 35% e não 80%;  15) A autoridade  fiscal desconsiderou os saldos credores de períodos  anteriores constantes da DACON e passou a fazer a apuração por mês  isoladamente, contrariando as disposições da Lei e da IN 600/05;  16)  A  fiscalização,  ao  cometer  o  erro  de  desconsiderar  o  saldo  de  meses  anteriores  e  refazer  a  planilha  de  apuração,  consumiu  indevidamente os créditos decorrentes de exportação;  17) Tendo a manifestante direito a utilizar a Cofins paga nas entradas  de  insumos  para  abater  débito  de  Cofins  pelas  saídas  tributadas,  cuidou de corretamente  fazer  tal dedução, de maneira a preservar os  créditos  relativos  à  exportação,  para  que  estes  valores  pudessem  ser  objeto de pedido de compensação;  18) O Conselho de Contribuintes tem proferido reiteradas decisões no  sentido de que a verdade material deve prevalecer em todo o processo  administrativo;  19)  A  autoridade  administrativa  tem  total  liberdade  investigativa,  devendo  apurar  e  lançar  exclusivamente  com  base  na  verdade  material.  Se  os  elementos  probatórios  não  foram  examinados  anteriormente, os mesmos não podem deixar de  ser considerados por  ocasião do exame da manifestação de Inconformidade;   20) O agente fiscal, ao proferir o Despacho Decisório, entendeu como  devida a multa de mora, que deve ser excluída, por não haver qualquer  ilícito tributário que justifique a sua imputação, já que a manifestante  não  agiu  com má­fé,  baseando­se  o  seu  pedido  de  ressarcimento  em  direito amparado na legislação federal (art. 6º da Lei nº 10.833/03);  21) O legislador infraconstitucional estabeleceu, tanto na lei 10.637/02  quanto  na  Lei  10.833/03  que  o  crédito  não  aproveitado  em  determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes;  22) O  entendimento  da  SRF  sobre  o  tema  fica  claro  em  seu  sítio  na  internet e na Solução de Consulta 215/09 da SRRF da 9a Região Fiscal.  Assim,  o  tratamento  dispensado  pelo  Agente  Fiscal  destoa  dos  princípios  basilares  da  não­cumulatividade  e  da  própria  legislação  aplicável;  Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.304          7 23) O novo ordenamento jurídico imposto pela IN SRF 660/06 não tem  razão  de  ser,  uma  vez  que  contradiz  estrutura  lógica  disposta  anteriormente  de  maneira  clara  pela  IN  SRF  636/06  de  forma  a  revogá­la  expressamente,  sem  nenhuma  mudança  na  obrigação  principal,  em  afronta  aos  princípios  da  segurança  jurídica  e  da  legalidade;  24) É equivocada a interpretação restritiva oficial manifestada no art.  66  §  5o,  inciso  I  da  IN  SRF  247/02,  inserido  pela  IN  SRF  358/03  e  repetida no art. 8o, § 4o, inciso I da IN SRF 404/04. Essa interpretação  está  influenciada  pelo  conceito  de  matérias­primas,  produtos  intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI e  ICMS.  A  afirmação  das  normas  infralegais  citadas  não  encontram  respaldo legal.   (...)  Mediante o Acórdão nº 13­31.541, de 28 de setembro de 2010, a 5ª Turma da  DRJ/Rio de Janeiro II julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte,  conforme ementa abaixo transcrita:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins   Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005   PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS.   A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências  e  perícias  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  fazendo  constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado.  VENDAS  COM  SUSPENSÃO.  ARTIGO  9º  DA  LEI  10.225/2004.  APLICAÇÃO.  A  suspensão  da  exigibilidade  da  Cofins  prevista  no  artigo  9o  da  Lei  10.225/2004  só  se  aplica  a  partir  de  4  de  abril  de  2006,  após  a  sua  regulamentação  pela  Instrução  Normativa  SRF  636/2006,  posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF 660/2006.   COFINS NÃO­CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO.  A base de cálculo da Cofins no regime de incidência não­cumulativo é  o  faturamento mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação contábil.   COFINS NÃO­CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS.  Para fins de apuração de créditos da não­cumulatividade, consideram­ se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na  fabricação do produto.  ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. COMPROVAÇÃO.  Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.305          8 Os créditos calculados em relação a despesas com aluguéis de prédios  devem ser comprovados através de contratos, faturas ou comprovantes  de pagamento.  AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. INSUMO.  Os  combustíveis  utilizados  ou  consumidos  em  veículos  ou  equipamentos  diretamente  empregados  na  execução  do  serviço  contratado geram créditos do regime de apuração não­cumulativa da  Cofins.  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  ALEGAÇÃO  SEM  PROVAS.   Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de  inconformidade  trazer  ao  julgado  todos  os  dados  e  documentos  que  entende comprovadores dos fatos que alega.  AVISO DE COBRANÇA. DRJ. INCOMPETÊNCIA.  Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento  (DRJ)  apreciar recurso do contribuinte de caráter impugnatório a avisos ou  cartas de cobrança.  A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em  20/12/2012.  Em  19/01/2013,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese, que:  II­ PRELIMINARMENTE  II.1­Da Superficialidade do Trabalho Fiscal / Ofensa ao Princípio da Verdade  Material  Caberia  à  Fiscalização  analisar  todos  os  fatos  para  fins  de  verificação  da  existência,  ou  não,  do  crédito  apurado  pela  Recorrente  e,  não  somente,  como  efetivamente  ocorreu, proceder ao lançamento com base em análises superficiais das planilhas de apuração  da COFINS elaboradas pela Recorrente.  O  exame  da  documentação  apresentada  durante  a  fiscalização  revela  que  os  valores  apurados  nas  contas  n°s  381020  e  396020  referem­se  a  receitas  de  serviços  já  tributados  pela Recorrente,  bem como que  a  conta  n°  388130  é usada  apenas  para  rateio  de  gastos com exportação entre unidades de negócios da Recorrente, não havendo impacto fiscal.  Ademais, conforme restará demonstrado, os valores tidos por não comprovados  pela  Fiscalização  estão  devidamente  registrados  na  contabilidade  da  Recorrente,  bem  como  suportados por documentos fiscais (notas fiscais e ou faturas), os quais estão e sempre ficaram  à disposição da Fiscalização. Deveras, não é possível admitir interpretações por parte do Fisco  que  sejam  diametralmente  opostas  às  provas  constantes  dos  autos,  tal  como  ocorrido  no  presente caso.  Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.306          9 Sendo assim,  jamais poderia  a Fiscalização considerar  como não  tributadas  as  receitas decorrentes de prestação de serviços registradas nas contas n°s 381020 e 396020, bem  como, como não comprovados as despesas relativas ao consumo de energia elétrica ou, ainda,  os  dispêndios  com  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos  (sem  falar  nos  créditos  presumidos  referentes  à  filial Uberlândia),  sem  realizar,  contudo,  o  devido  exame  de  toda  a  documentação fiscal apresentada.  Assim,  por  não  ter  a  Fiscalização  buscado  a  verdade material,  nem  tampouco  apresentado  motivação  para  tanto,  tem­se  que  a  decisão  proferida  pela  DRJ  não  poderá  subsistir.  II.2 ­ Da Nulidade da Decisão da DRJ / Do Cerceamento do Direito de Defesa  O indeferimento do pedido de perícia na decisão recorrida, por se tratar de típico  caso em que se demanda o juízo técnico de um contabilista, caracteriza­se como cerceamento  do direito de defesa da Recorrente, conforme é o entendimento manifestado pela jurisprudência  do antigo Conselho de Contribuintes, o que enseja a nulidade da decisão, nos termos do artigo  59 do Decreto n° 70.235/72.  III­ DO MÉRITO:  III.1 ­ Outras Receitas Operacionais   (a) Receitas Financeiras ­ Descontos Obtidos nas Aquisições de Mercadorias  A Turma  Julgadora  entendeu  correta  a  classificação  dos  valores  registrados  a  título  de  descontos  obtidos  nas  aquisições  de  mercadorias  como  receitas  operacionais,  feita  pelo Sr. Agente Fiscal, e não como receitas financeiras, conforme haviam sido registrados pela  Recorrente, o que não pode prosperar.  O Decreto­Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, estabelece, em seu artigo  171, quais receitas têm natureza financeira. São elas: (i) os juros; (ii) o desconto; (iii) a correção  monetária prefixada; (iv) o lucro na operação de reporte; e (v) o prêmio de resgate de títulos ou  debêntures, ganhos pelo contribuinte.  Dessa  forma,  a  legislação  do  imposto  sobre  a  renda  e,  consequentemente,  o  conceito aplicável à COFINS não dá margem a dúvidas: os descontos obtidos na aquisição de  mercadorias e/ou produtos são considerados receita financeira e, portanto, devem se submeter  ao tratamento tributário inerente a tais receitas. Aliás, a própria Secretaria da Receita Federal  do  Brasil  traz  no  "Perguntas  e  Respostas  DIPJ  2010",  disponibilizado  em  seu  endereço  eletrônico, quais receitas são consideradas financeiras, dentre as quais incluem­se os descontos  obtidos.  Nos  termos do Decreto n° 5.442/05, os descontos obtidos pela Requerente nas  operações  comerciais,  por  serem  considerados  receitas  financeiras,  estão  beneficiados  pela  alíquota  zero  da  COFINS,  aliás,  tal  entendimento  já  foi  também  confirmado  pela                                                              " Art. 17. Os juros, o desconto, a correção monetária prefixada, o lucro na operação de reporte e o prêmio de  resgate de títulos ou debêntures, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando  derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do exercício social, poderão ser  rateados pelos períodos a que competirem."  Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.307          10 Superintendência Regional da Receita Federal da 9ª Região Fiscal, com a edição da Solução de  Consulta n° 10/06.  (b) Contas n°s 388130 e 304530 ­ Rateio de Gastos com Exportação  De acordo com o entendimento do Sr. Agente Fiscal, a Recorrente teria deixado  de computar, para fins de apuração da COFINS, os "resultados auferidos" na conta n° 388130,  razão  pela  qual  adicionou  o montante  de R$  15.793.164,69  na  base  de  cálculo  da COFINS,  referente aos meses de julho a setembro de 2005.   Contudo, conforme se passará  a demonstrar, os valores creditados na conta n°  388130 tiveram por débito a conta n° 304530, tratando­se de mero alocamento de custos entre  divisões da Recorrente, não havendo, dessa forma, impacto contábil.  A  contrapartida  de  tais  lançamentos  ocorre  na  conta  n°  304530  ­ DESPESAS  C/EXPORTAÇÃO  ­  onde  são  registradas  todas  as  notas  de  débito  emitidas  pela  divisão  portuária (filial Santos) contra as demais filiais da Recorrente (doc. 04).  A Recorrente  elaborou a  conciliação  anexa  (doc. 05),  por meio da qual  restou  demonstrado que os  lançamentos a crédito  realizadas na Conta n° 388130 no 3º  trimestre de  2005, no valor total de R$ 15.793.164,69, foram debitados na conta n° 304530, nesse mesmo  montante.  Os valores creditados na conta n° 388130 representam apenas e  tão comente a  contabilização  das  notas  de  débito  emitidas  pela  filial  Santos,  de  modo  a  alocar  custos  e  despesas com o escoamento da produção para cada filial competente, não havendo que se falar  de adição de tais valores na base de cálculo da COFINS.  Estando  devidamente  comprovado,  por  meio  dos  documentos  contábeis  e  planilha de conciliação, que os valores registrados a crédito na conta n° 388130 correspondem  à  contabilização das notas de débito  emitidas pela  filial Santos para  fazer o  rateio de gastos  com o escoamento de produtos com as demais unidades de negócio da Recorrente, tem­se que  a  adição  de  tais  valores  na  base  de  cálculo  da  COFINS  não  poderá  prevalecer,  devendo  a  decisão proferida pela DRJ ser reformada por esse E. Conselho.  (c) Contas n°s 381020 e 396020 ­ Receitas de Serviços já Tributadas  Conforme comprovam os documentos acostados ao presente recurso, os valores  registrados  nas  contas  n°s  381020  e  396020,  por  corresponderem  a  receitas  decorrentes  da  prestação de serviços, já foram devidamente tributadas pela Recorrente.  III.2 Da venda de mercadorias com suspensão  A Lei n° 10.925/04 é autoaplicável e não prevê alternativa a sua aplicação. Não  fosse assim, a IN SRF n° 636, de 24 de março de 2006, não teria retroagido os seus efeitos aos  fatos ocorridos a partir de 1o de agosto de 2004. Ora, a própria Secretaria da Receita Federal do  Brasil reconheceu e corroborou a autoaplicação do dispositivo contido na Lei n° 10.925/04, ao  retroagir os seus efeitos para a data de sua publicação.  Nesse  contexto,  tem­se  cronologicamente  que  i)  a  Lei  n°  10.925/04  é  autoaplicável e contém os requisitos necessários à sua aplicabilidade;  ii) a IN SRF n° 636/06  Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.308          11 trouxe  novos  requisitos  de  observância  obrigatórios  pelos  contribuintes,  retroagindo  os  seus  efeitos até a data de publicação da Lei n° 10.925/04, ou seja, os novos requisitos deveriam ser  observados desde  julho de 2004;  e  iii)  a  IN SRF 660/06  trouxe  requisitos  complementares  à  aplicação  da  Lei  n°  10.925/10,  já  alterados  pela  IN  SRF  n°  636/06,  com  observância  obrigatória a partir de abril de 2006.  Dessa  forma,  ao  aplicar  a  suspensão,  a  Recorrente  deveria  ter  observado,  primeiramente,  a  partir  de  agosto  de  2004  até  abril  de  2006,  a  Lei  n°  10.925/04  com  normatização  pela  IN  SRF  n°  636/06  e,  posteriormente,  a  partir  de  abril  de  2006,  a  Lei  n°  925/04 com normatização pela IN SRF n° 660/06.  Por fim, mencione­se que a IN SRF n° 660/06 não permite outra interpretação,  vez  que  o  seu  artigo  11  expressamente  prevê  que  as  regras  atinentes  ao  crédito  presumido,  previstas nos  seus artigos 5o  a 8o,  retroagem a agosto de 2004. Ora, o crédito presumido e a  suspensão são institutos independentes, mas interligados e a aplicação de regras diversas, com  prazos de vigência diversos, geraria um desalinhamento entre ambos os institutos.  Portanto, deve haver outra interpretação que não a exposta no presente recurso,  razão  pela  qual  tem­se  que  a decisão  proferida  pela DRJ não  poderá  prosperar,  devendo  ser  reformada por essa colenda Turma de Julgamento.  III.3 ­ Créditos Presumidos Relativos à Filial Uberlândia/ Legitimidade do  Procedimento Adotado pela Recorrente  Conforme  se  passará  a  demonstrar,  a  decisão  da  DRJ  não  poderá  subsistir,  devendo  ser  reformada  por  esse  E.  Conselho,  tendo  em  vista  que,  de  acordo  com  a  documentação acostada ao presente recursos, que, contempla, inclusive, vários documentos já  disponibilizados  ao  Sr. Agente  Fiscal,  não  houve  a  tomada  de  créditos  em  duplicidade  pela  Recorrente.  Como  pessoa  jurídica  produtora  de mercadoria  de  origem  vegetal  destinada  à  alimentação humana ou animal que é, a Recorrente encontra­se sujeita às disposições do artigo  8o da Lei n° 10.925/04, que confere a possibilidade de tomada de crédito presumido de PIS e  COFINS,  calculado  sobre  o  valor  dos  bens  utilizados  como  insumos  na  sua  produção,  adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.  Sendo assim, nos meses de julho e agosto de 2005, a Recorrente, embora tenha  realizado  aquisições,  geradoras  de  crédito  presumido  nos  termos  do  referido  artigo  8o,  nos  montantes  de  R$  13.658.760,82  e  R$  9.619.199,92,  respectivamente,  utilizou,  para  fins  de  cálculo do crédito presumido, apenas o montante de R$ 8.380.455,96, como base para o mês de  julho,  e R$ 10.165.852,89,  relativamente  ao mês de agosto. Tais  fatos podem ser  facilmente  constatados  por meio  da  análise dos  livros Razão  referentes  aos meses  de  julho  e  agosto  de  2005 (doe. 54), bem como pelo exame da Planilha de Apuração da Base de Cálculo dos meses  de  julho  e  agosto  de  2005,  relativamente  à  filial  Uberlândia  (doc.  36),  e  das  Planilhas  de  Apuração Consolidadas por Regional da Recorrente, referentes a esses períodos (doc. 37).  Ressalte­se  que,  conforme  se  verifica  pela  análise  dos  Livros  Razão  da  Recorrente (doc. 54), bem como por meio de um exame da planilha de aquisição de insumos  por ela elaborada (doc. 38), não houve a apropriação de créditos presumidos referentes às notas  registradas  sob  o  Código  Fiscal  de  Operações  e  Prestações  ("CFOP")  n°  1.116.  Não  houve  sequer  lançamentos  contábeis,  para  fins de  tomada do crédito presumido, de notas  efetuadas  Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.309          12 com  o CFOP,  aplicável  às  notas  de  "Compra  para  industrialização  originada  de  encomenda  para  recebimento futuro". Tal  fato, por si só,  já descaracteriza  toda a argumentação  fiscal no  sentido  de  que  a Recorrente  teria  se  creditado  tanto  das  compras  efetuadas  sob  o CFOP  n°  1.922, quanto das compras registradas sob o CFOP 1.116.  Ademais,  conforme  se  observa  pela  análise  dos  Livros Razão,  bem  como  por  meio de um exame da planilha de aquisição de insumos elaborada pela Recorrente, ela não só  não teve lançamentos, para fins de apuração do crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei  n° 10.925/04, de compras registradas sob o CFOP 1.116, como também excluiu, para fins de  cálculo do aludido crédito, todas as compras efetuadas sob o CFOP n° 1.922.  Verifica­se,  portanto,  que  a  Recorrente  não  só  não  se  creditou  duas  vezes  ­  quando  da  compra  para  recebimento  futuro  e  quando  da  entrada  efetiva  da  mercadoria  no  estabelecimento  ­  como  não  se  considerou,  para  fins  de  apuração  do  crédito  presumido  da  COFINS, nenhuma das compras efetuadas sob o CFOP em questão, quer sob o n° 1.116, quer  sob o n° 1.922.  Dessa  forma,  estando  devidamente  comprovado  e  demonstrado,  inclusive  por  meio do Livro de Entradas e Saídas de Mercadorias (doc. 54) referente ao período em questão,  que  não  houve  o  aproveitamento  de  créditos  em  duplicidade  pela  Recorrente,  tem­se  que  o  entendimento da DRJ no sentido de que "diante da falta de elementos comprobatóríos capazes  de sustentar as alegações do contribuinte, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização"  não poderá prosperar, devendo ser reformado por essa colenda Turma Julgadora, a fim de que  seja devidamente reconhecido o direito creditório da Recorrente.  III.4  ­  Da  Sistemática  Não  Cumulativa  do  PIS/  Da  Legitimidade  dos  Créditos Apropriados pela Recorrente  (i) Bens e Serviços utilizados como insumos  Diferentemente  do  que  ocorre  com  o  IPI,  em  que  a  definição  de  insumo  está  atrelada  à  formação  de  um  produto  industrializado,  a  acepção  do  vocábulo  "insumo"  na  sistemática não cumulativa da COFINS é muito mais abrangente, englobando todo e qualquer  dispêndio inerente ao processo de prestação de serviços ou de produção de um bem ou produto,  ou seja, todos e quaisquer dispêndios que participam da formação da receita.  Dessa  forma,  estando  devidamente  demonstrado  que  os  bens  e  serviços  adquiridos pela Recorrente enquadram­se dentro do conceito de insumos previsto no artigo 3o,  inciso  II,  da  Lei  n°  10.833/03,  aguarda­se  que  esse E.  Conselho  dê  provimento  ao  presente  recurso, reformando­se a decisão proferida pela DRJ e reconhecendo­se o direito creditório da  Recorrente.  (ii) Dispêndios com classificação de mercadorias  Não  há  dúvidas  de  que  a  classificação  da  soja  seja  inerente  à  sua  venda  e/ou  produção de óleo,  farelo,  dentre outros. De  fato,  como matéria­prima que  é,  a  soja vinda de  vários lugares precisa ser segregada de modo a identificar o nível de umidade, de ardidos, de  queimados, se há picadas de insetos, se existem grãos verdes etc.  Tanto é assim que, em 15 de maio de 2007, sobreveio a Instrução/Normativa n°  11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ("MAPA"), a qual, por meio do seu  Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.310          13 artigo  1o,  estabeleceu  "o  regulamento  técnico  da  Soja,  definindo  o  seu  padrão  oficial  de  classificação,  com  os  requisitos  de  identidade  e  qualidade  extrínseca,  a  amostragem  e  a  marcação ou rotulagem".  Note­se que o artigo 4o, parágrafo 1o, do Anexo da referida instrução normativa  é expresso ao estabelecer que, de acordo com o uso proposto, a soja será classificada em dois  grupos, sendo o interessado (leia­se a Recorrente) responsável por essa informação.  Dependendo  da  classificação  da  soja  ela  terá  uma  destinação,  isto  é,  a  soja  classificada  no  Grupo  I,  por  exemplo,  seguirá  para  o  consumo,  ao  passo  que  a  soja  classificada/no Grupo II será destinada à produção de óleo e farelo de soja.  Dessa  forma,  tendo  em  vista  que  os  serviços  de  classificação  da  soja  são  necessários ao fator de produção da Recorrente e que, portanto, são considerados insumos nos  termos do artigo 3º,  inciso  II, da Lei n° 10.637/02,  tem­se que a decisão da DRJ não poderá  prosperar,  devendo  ser  reformada  por  esse  E.  Conselho,  no  que  tange  à  glosa  de  créditos  relativos aos serviços de classificação de soja contratados pela Recorrente.  (iii) Encargos e depreciação de máquinas e equipamentos  A Recorrente tem o direito de apropriação de créditos relativamente à aquisição  de vagões utilizados, tanto para viabilizar o recebimento de matéria­prima como no transporte  de farelo de soja por ela produzido, nos termos do artigo 3º, inciso VI da Lei n° 10.637/02. Os  vagões são registrados no ativo imobilizado da Companhia, nos termos do artigo 179 da Lei n°  6.404/76. Além de cumprir com o pressuposto objetivo, não é necessário esforço para concluir  que também está presente, no caso concreto, o pressuposto funcional, ou seja, o fato de que os  vagões  são  adquiridos para  integrarem o ciclo produtivo destinado à venda de  farelo de soja  produzido pela Recorrente, auxiliando, decisivamente, na obtenção de receitas sobre as quais  incidirá a Cofins.  (iv) Energia Elétrica  O Sr. Agente Fiscal houve por bem glosar créditos decorrentes do consumo de  energia  elétrica  pela  Recorrente,  nos  meses  de  julho  e  agosto  de  2005,  nos  valores  de  R$  52.913,45 e R$ 1.522,88.  Nos  termos  do  artigo  3o,  inciso  III,  da  Lei  n°  10.833/03,  as  pessoas  jurídicas  podem  descontar  créditos,  para  fins  de  redução  do  montante  de  COFINS  devida  em  um  determinado  período  de  apuração,  calculados  em  relação  à  energia  elétrica  consumidas  nos  estabelecimentos da pessoa jurídica.  Sendo assim, no mês de julho de 2005, a Recorrente, pessoa jurídica sujeita ao  regime não­cumulativo da COFINS, apurou créditos de energia elétrica, relativamente à filial  de Santos, tendo como base o montante de R$ 288.710,12 (doc. 39).  Saliente­se  que,  conforme  demonstram  as  "Notas  Fiscais  ­  Conta  de  Energia  Elétrica"  acostadas  ao  presente  recurso  (doc.  40),  o  valor  efetivamente  despendido  pelos  estabelecimentos  da  Recorrente,  no  mês  de  julho  e  relativamente  à  filial  Santos,  monta  a  quantia de R$ 290.701,61. Contudo, por um equívoco, a Recorrente creditou­se de valor tendo  Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.311          14 como base o montante de R$ 288.710,12. Isto é R$ 1.991,49 inferior ao montante despendido  pela Recorrente a título de energia elétrica consumida nos estabelecimentos referentes à filial  Santos. Tal fato pode ser facilmente constatado por meio da análise do Livro Razão (doc. 41),  bem  como  por  meio  do  exame  do  "Demonstrativo  do  Reconhecimento  de  Crédito  de  PIS/COFINS Energia Elétrica ­ Julho", elaborado pela Recorrente (doc. 42)  De  outro  lado,  relativamente  ao mês  de  agosto  de  2005,  a  Recorrente  apurou  créditos  de  COFINS  decorrente  do  consumo  de  energia  elétrica  na  filial  Uberlândia,  tendo  como  base  o montante  de  R$  374.494,18  (doc.  43).  Para  comprovar  o  consumo  de  energia  elétrica  e,  consequentemente,  os  valores  utilizados  como  base  para  a  tomada  do  crédito,  a  Recorrente  está  anexando  ao  presente  recurso  as  "Notas  Fiscais  ­Conta  de Energia Elétrica"  emitidas  pela  CEMIG  Distribuição  S/A  contra  a  Recorrente  (doc.  44),  bem  como  "Demonstrativo  do Reconhecimento  de Crédito  de  PIS/COFINS Energia Elétrica  ­ Agosto",  elaborado pela Recorrente (doc. 45).  Portanto,  que  os  montantes  glosados  pela  Fiscalização  encontram­se  devidamente  escriturados  nos  registros  contábeis  da  Recorrente,  bem  como  podem  ser  comprovados por meio das "Notas Fiscais ­ Conta de Energia Elétrica" emitidas em nome da  Recorrente, não podendo a decisão recorrida prevalecer.  (v) Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos  A Recorrente apurou créditos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos,  pagos a pessoa jurídica e utilizados em suas atividades, relativamente à filial de Santos, tendo  como base o montante de R$ 334.659,65 (doc. 46).  Saliente­se  que,  diferentemente  do  que  informado  na  planilha  de  apuração  do  PIS e da COFINS, relativamente à filial Santos e referente ao mês de julho de 2005, elaborada  pela Recorrente  (doc. 46),  o valor de R$ 334.659,65 não  se  refere  apenas  aos dispêndios  da  Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com  aluguéis  pagos  para  pessoa  jurídica  e  utilizados  nas  suas  atividades,  sejam  eles  de  prédios,  máquinas  e equipamentos. Tal  fato pode  ser  constatado por meio da análise do Livro Razão  (doc. 49), bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de  PIS/COFINS  ­  Locação  de  Prédios,  Máquinas  e  Equipamentos  ­  Julho",  elaborado  pela  Recorrente (doc. 47), e comprovantes fiscais de locação (doc. 48).  De  outro  lado,  relativamente  ao mês  de  agosto  de  2005,  a  Recorrente  apurou  créditos de COFINS decorrente da locação de prédios, máquinas e equipamentos, tendo como  base o montante de R$ 368.160,59 (doc. 50). Saliente­se que, a exemplo do mês de julho de  2005,  o  valor  de  R$  368.160,59  não  se  refere  apenas  aos  dispêndios  da  Recorrente  com  o  aluguel  de  prédios, mas  é  formado por  todas  as  despesas  da Recorrente  com  aluguéis  pagos  para  pessoa  jurídica  e  utilizados  nas  suas  atividades,  sejam  eles  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos. Para comprovar o alegado e, consequentemente, os valores utilizados como base  para  a  tomada  do  crédito,  a  Recorrente  está  anexando  ao  presente  recurso  os  comprovantes  fiscais  de  locação  emitidos  contra  a Recorrente  (doc.  51),  bem  como  cópia  do  Livro Razão  (doc.  52)  e  "Demonstrativo  do  Reconhecimento  de  Crédito  de  PIS/COFINS  Locação  de  Prédios, Máquinas e Equipamentos ­Agosto", elaborado pela Recorrente (doc. 53).  Tem­se, portanto, que eventual diferença entre o montante informado a título de  aluguel de prédios pela Requerente incluiu, por um equívoco, os valores despendidos a  título  de  locação de máquinas  e equipamentos,  repita­se, pagos a pessoas  jurídicas e utilizados nas  Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.312          15 atividades  da  Recorrente.  De  qualquer  forma,  diante  dos  documentos  juntados  ao  recurso  voluntário,  não  há  dúvidas  de  que  os  montantes  glosados  pela  Fiscalização  encontram­se  devidamente  escriturados  nos  registros  contábeis  da  Recorrente,  bem  como  podem  ser  comprovados por meio das comprovantes fiscais emitidos em nome da Recorrente  Assim,  estando devidamente  demonstrado  o  direito  aos  créditos  de  aluguel  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos  apurados  pela  Recorrente,  conclui­se  que  a  decisão  recorrida não poderá prevalecer, devendo ser reformada por essa colenda Turma Julgadora.  III.5  ­ Da Glosa dos Créditos de PIS e  seus Efeitos na Apuração do Lucro  Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  No  processo  de  fiscalização  ao  Sr.  Agente  Fiscal  entendeu  por  bem  glosar  créditos  de  Cofins,  relacionados  as  diversas  despesas  incorridas  pela  Recorrente.  Especificamente,  foram  glosados  os  créditos  de  Cofins  calculados  sobre,  por  exemplo,  aquisição  de  água  mineral,  energia  elétrica,  de  equipamentos,  tomada  de  serviços  de  classificação, serviços de atividades portuárias, entre outros, sob o fundamento de que tais bens  ou  serviços  adquiridos não  se  enquadram no conceito de  "insumos",  previsto pela  legislação  tributária  vigente  (aplicável  ao  IPI).  Contudo,  conforme  já  exaustivamente  analisado  no  decorrer do presente Recurso, a glosa dos créditos de Cofins não pode prosperar.   No  entanto,  ainda  que  esse  E.  Conselho  entenda  pela  manutenção  das  glosas  efetuadas pelo Sr. Agente Fiscal, e mantidas pela DRJ, o que se admite somente para fins de  argumentação, deve­se analisar mais detidamente os seus efeitos na apuração de Lucro Real e  da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucros ("CSLL").  Ao  adquirir  bens  e  serviços  relacionados  com  a  sua  atividade,  a  Recorrente  acertadamente contabilizou o seu valor líquido (descontado os créditos de Cofins) em ativo ou  conta de resultado, a depender do bem ou serviço adquirido, e os créditos de Cofins como um  ativo  a  recuperar.  Dessa  forma,  a  contabilização  considerou,  em  todos  esses  casos,  dois  lançamentos distintos: i) o reconhecimento do valor/líquido do bem ou serviço adquirido, e ii)  ativo a recuperar (crédito de Cofins).  Se as glosas do Sr. Auditor Fiscal restarem mantidas, o que somente se admite a  título de argumentação, então, o valor do crédito de Cofins anteriormente registrado em ativo  "a recuperar", deverá ser baixado em contrapartida a conta de resultado; mais especificamente,  a baixa do ativo recuperável aumentará o custo da mercadoria vendida ("CMV"), reduzindo o  lucro.  Conforme jurisprudência colacionada, a Autoridade Julgadora pode, ao entender  improcedente  a  declaração  de  compensação  efetuada,  determinar  a  compensação  de  outro  tributo recolhido indevidamente pelo contribuinte com débitos cobrados no mesmo processo ou  relativos  a  outros  tributos  administrados  pela  RFB.  Logo  no  presente  caso,  é  plenamente  possível o aproveitamento dos créditos IRPJ e CSLL resultantes de eventual, mas improvável,  confirmação da não homologação das declarações de compensação efetuadas pela Recorrente,  para abatimento do IRPJ devido.  Em  sendo  assim,  na  remota  hipótese  de  prevalecer  a  não  homologação  das  declarações  de  compensação  realizadas  pela  Recorrente,  o  que  se  admite  apenas  a  título  argumentativo,  deverá,  ao  menos,  essa  colenda  Turma  Julgadora  reconhecer  os  créditos  de  Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.313          16 IRPJ  e  CSLL  e  autorizar  a  compensação  com  eventuais  créditos  tributários  a  serem  apurados/cobrados neste processo administrativo.  Requer, ao final, a Recorrente a reforma da r. decisão proferida pela 5a Turma da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  II,  julgando  procedente  o  Recurso  Voluntário  e,  consequentemente,  reformando­se,  in  totum,  o  Despacho  Decisório  DRFA/IT/ES, que acolheu  integralmente o Parecer SEORT n° 783/2009, a  fim de que sejam  homologadas as declarações de compensação apresentadas.  É o relatório.  VOTO  O  recurso  voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  e  dele  se  toma  conhecimento.  Embora  a  recorrente  não  tenha  produzido  a  prova  necessária  por  ocasião  da  apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente,  no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado.  Conforme  assentado  na  Resolução  nº  3401­000.737, da  3ª  Seção/  4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf  tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a preclusão do art. 16, §4° do  Decreto nº 70.235//72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode  ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada.  Inclusive esse também foi o entendimento da 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara/3ª  Seção,  que,  em  sessão  de  25/09/2013,  converteu  em  diligência  o  julgamento  do  processo  11543.001947/2006­11, que  trata de pleito de  ressarcimento da Cofins da própria  recorrente,  relativamente  ao  1º  trimestre  de  2005,  o  qual  traz  fatos  bem  semelhantes  aos  relatados  no  presente processo.  Passa­se abaixo a delimitar os pontos controversos que necessitam dos valiosos  esclarecimentos por parte da  fiscalização da Unidade de origem para, somente depois, serem  objeto de julgamento por este Colegiado.  III.1 ­ Outras Receitas Operacionais:  (b) Contas n°s 388130 e 304530/Rateio de Gastos com Exportação  Alega  a  recorrente  que  não  pode  prosperar  a  adição,  efetuada  pelo  Auditor­ Fiscal,  na  base  de  cálculo  da  Cofins  dos  "resultados  auferidos"  na  conta  n°  388130,  no  montante de RS 15.793.164,69, referente aos meses de julho a setembro de 2005, vez que os  valores  creditados  na  conta  n°  388130  teriam  por  débito  a  conta  n°  304530,  tratando­se  de  mero alocamento de custos entre divisões da Recorrente, sem impacto contábil.  Sustenta,  em  síntese,  que  a  documentação  acostada  ao  Recurso  Voluntário  comprovaria que a conta de denominação  "DISTRIBUIÇÃO DE DESP C/ EXPORTAÇÃO"  destina­se a computar os lançamentos das notas de débito emitidas pela filial de Santos (filial  1221), integrante da divisão portuária, contra as demais filiais da Recorrente, de modo a alocar  os custos e despesas com o escoamento dos produtos para cada divisão competente.   Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.314          17 Assim,  faz­se  necessária  a  análise  criteriosa  da  fiscalização  da  documentação  acostada  ao  recurso  voluntário  para  verificar  a  veracidade  da  alegação  da  recorrente  neste  tópico, e, em caso afirmativo, sua eventual potencialidade para reverter a adição desses valores  na base de cálculo da Cofins.  (c) Contas n°s 381020 e 396020 ­ Receitas de Serviços já Tributadas  A  recorrente  apresentou,  no  Recurso  Voluntário,  alegações  e  documentos  em  contestação  à decisão  recorrida,  que deixou de  acatar o  seu  argumento no  sentido de que os  valores registrados nas contas n°s 381020 e 396020 seriam referentes a receitas de serviços já  tributadas  pelo  PIS,  por  não  ter  trazido  "aos  autos  documentos  comprobatórios  capazes  de  sustentar as alegações da contribuinte conduzir à reforma do despacho decisório".  Assim,  a  nova  documentação  acostada  precisa  ser  analisada  pela  fiscalização  para verificação da alegada dupla tributação dos valores das contas nºs 381020 e 396020 e, em  caso  afirmativo,  devem  ser  procedidos  aos  devidos  ajustes,  determinando­se  seus  efeitos  no  montante de ressarcimento da Cofins.  III.2 Da venda de mercadorias com suspensão  Além  da  questão  da  vigência  da  suspensão  prevista  no  art.  9º,  I  da  Lei  n°  10.925/04, que se trata de matéria apenas de direito, reside dúvida nos autos acerca da eventual  condição  de  "cerealista"  da  recorrente  para  fazer  jus  ao  benefício.  Embora  a  recorrente  não  tenha,  especificamente neste processo,  contestado o  seu não enquadramento  como cerealista,  em homenagem à verdade material, considero razoável aproveitar a diligência para apurar essa  questão, que inclusive é matéria controversa em outros processos da  interessada,  relativos ao  PIS  no  mesmo  período  de  apuração,  que  estão  colocados  em  pauta  conjuntamente  com  o  presente processo.  Conforme  definido  na  referida  Lei,  no  art.  8º,  §1°,  com  redação  vigente  no  período de apuração, a cerealista é aquela empresa que exerce "cumulativamente as atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos  in  natura  de  origem  vegetal  classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01  e  18.01,  todos  da  NCM".  No  entanto,  a  condição  de  "cerealista"  da  recorrente  não  está  comprovada nos autos para a concessão do benefício se afastada, no julgamento deste Carf, a  questão da vigência temporal estabelecida nas Instruções Normativas.   Faz­se,  então,  necessária  a  requisição  de Laudo  Técnico,  para  detalhamento,  por profissional habilitado, da atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de  suas  filiais  exerce,  efetivamente,  a  atividade  de  "cerealista"  definida  acima  antes  de  comercializar  os  seus  produtos  in  natura  de  origem  vegetal.  Em  caso  afirmativo,  sendo  comprovada a condição de cerealista da recorrente, ainda que em relação somente a algumas  filiais,  a  fiscalização deverá  analisar  a habilidade da documentação  constante nos  autos para  comprovar os demais requisitos para a fruição do benefício pela recorrente.  III.3  ­  Créditos  Presumidos  Relativos  à  Filial  Uberlândia/  Legitimidade  do  Procedimento Adotado pela Recorrente  Alega  a  recorrente  que  não  teria  havido  o  aproveitamento  de  créditos  em  duplicidade, como alegou a fiscalização. Aduz que, pela análise dos Livros Razão, bem como  da planilha de aquisição de insumos por ela elaborada, ela não só não teve lançamentos, para  Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.315          18 fins de apuração do crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei n° 10.925/04, de compras  registradas sob o CFOP 1.116, como também excluiu, para fins de cálculo do aludido crédito,  todas as compras efetuadas sob o CFOP n° 1.922.  Acrescenta  que,  não  só  não  se  creditou  duas  vezes  ­  quando  da  compra  para  recebimento futuro e quando da entrada efetiva da mercadoria no estabelecimento ­ como não  considerou,  para  fins  de  apuração  do  crédito  presumido  do  PIS,  nenhuma  das  compras  efetuadas  sob  o  CFOP  em  questão,  sob  o  n°  1.116  ou  1.922.  Nessa  linha,  para  não  restar  dúvida, anexa os  seus Livros de Entradas  e Saídas da  filial Uberlândia  referentes ao  terceiro  trimestre de 2005, que comprovariam que não houve o alegado aproveitamento de créditos em  duplicidade.  Assim,  torna­se  necessária  a  análise  da  fiscalização  acerca  da  habilidade  da  documentação  apresentada  pela  recorrente  para  comprovar  o  alegado  e  sua  eventual  potencialidade de modificar o valor do ressarcimento.  III.4 ­ Da Sistemática Não Cumulativa do PIS/ Da Legitimidade dos Créditos  Apropriados pela Recorrente  (iv) Energia Elétrica  Alega  a  recorrente  que,  conforme  demonstram  as  "Notas  Fiscais  ­  Conta  de  Energia  Elétrica"  acostadas  ao  recurso,  o  valor  efetivamente  despendido  pelos  estabelecimentos  da  Recorrente,  no  mês  de  julho  e  relativamente  à  filial  Santos,  monta  a  quantia de R$ 290.701,61. Contudo, por um equívoco, a Recorrente creditou­se de valor tendo  como base o montante de R$ 288.710,12. Isto é R$ 1.991,49 inferior ao montante despendido  pela Recorrente a título de energia elétrica consumida nos estabelecimentos referentes à filial  Santos. Sustenta que  tal  fato poderia  ser  facilmente constatado por meio da análise do Livro  Razão, bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de  PIS/COFINS Energia Elétrica ­ Julho", elaborado pela Recorrente.  Aduz  que,  relativamente  ao  mês  de  agosto  de  2005,  a  Recorrente  apurou  créditos  de  COFINS  decorrente  do  consumo  de  energia  elétrica  na  filial  Uberlândia,  tendo  como  base  o montante  de R$  374.494,18.  Para  comprovar  o  consumo  de  energia  elétrica  e,  consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do crédito, a Recorrente está  anexando  ao  presente  recurso  as  "Notas  Fiscais  ­  Conta  de  Energia  Elétrica"  emitidas  pela  CEMIG Distribuição S/A contra a Recorrente, bem como "Demonstrativo do Reconhecimento  de Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica ­ Agosto", elaborado pela Recorrente.  Tendo em vista que as glosas relativas a energia elétrica, nas filiais de Santos e  Uberlândia,  foi  efetuada  em  face  de  o  sujeito  passivo  não  ter  apresentado  documentação  comprobatória que lastreasse os valores informados nas Planilhas de Apuração da Contribuição  não  cumulativa,  cabe  agora,  em  referência  ao  princípio  da  verdade material,  a  análise,  pela  fiscalização  da  Unidade  RFB  de  origem,  da  respectiva  documentação  e  sua  habilidade  para  modificar o valor do ressarcimento.  (v) Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos  Alega  a  Recorrente  que  apurou  créditos  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos, pagos a pessoa jurídica e utilizados em suas atividades, relativamente à filial de  Santos,  tendo  como  base  o  montante  de  R$  334.659,65.  No  entanto,  diferentemente  do  informado  na  planilha  de  apuração  do  PIS  e  da  COFINS,  relativamente  à  filial  Santos  e  Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.316          19 referente ao mês de julho de 2005, elaborada pela Recorrente, o valor de R$ 334.659,65 não se  refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas  as  despesas  da  Recorrente  com  aluguéis  pagos  para  pessoa  jurídica  e  utilizados  nas  suas  atividades,  sejam  eles  de  prédios, máquinas  e  equipamentos. Tal  fato  poderia,  a  seu  ver,  ser  constatado  por  meio  da  análise  do  Livro  Razão,  bem  como  por  meio  do  exame  do  "Demonstrativo  do  Reconhecimento  de  Crédito  de  PIS/COFINS  ­  Locação  de  Prédios,  Máquinas  e  Equipamentos  ­  Julho",  elaborado  pela  Recorrente,  e  comprovantes  fiscais  de  locação.  De outro lado, relativamente ao mês de agosto de 2005, alega a Recorrente que  apurou créditos de COFINS decorrente da locação de prédios, máquinas e equipamentos, tendo  como  base  o montante  de R$  368.160,59.  Também,  a  exemplo  do mês  de  julho  de  2005,  o  valor de R$ 368.160,59 não se  refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de  prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com aluguéis pagos para pessoa  jurídica e utilizados nas suas atividades, sejam eles de prédios, máquinas e equipamentos. Para  comprovar o alegado e, consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do  crédito, a Recorrente anexa os comprovantes fiscais de locação emitidos contra a Recorrente,  bem  como  cópia  do  Livro  Razão  e  "Demonstrativo  do  Reconhecimento  de  Crédito  de  PIS/COFINS  Locação  de  Prédios,  Máquinas  e  Equipamentos  ­Agosto",  elaborado  pela  Recorrente.  Em  conclusão,  sustenta  a  recorrente  que  eventual  diferença  entre  o  montante  informado a título de aluguel de prédios deve­se ao fato de a Recorrente ter incluído, por um  equívoco,  os  valores  despendidos  a  título  de  locação  de máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da Recorrente. Entende que, de todo modo, diante  dos documentos juntados, não haveria dúvidas de que os montantes glosados pela Fiscalização  encontram­se devidamente escriturados,  bem como poderiam ser  comprovados por meio dos  comprovantes fiscais emitidos em nome da Recorrente.   Assim, requer­se a análise da fiscalização acerca da veracidade da afirmação da  recorrente neste tópico e sua potencialidade de modificar o valor a ressarcir.  III.5  ­ Da Glosa dos Créditos de PIS e  seus Efeitos na Apuração do Lucro  Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  Informa  a  recorrente  que,  ao  adquirir  bens  e  serviços  relacionados  com  a  sua  atividade, contabiliza seu valor líquido (descontado os créditos de Cofins) em ativo ou conta de  resultado, a depender do bem ou serviço adquirido, e os créditos de Cofins como um ativo a  recuperar.  De  forma  que,  a  contabilização  considerou,  em  todos  esses  casos  glosados,  dois  lançamentos distintos: i) o reconhecimento do valor/líquido do bem ou serviço adquirido, e ii)  ativo a recuperar (crédito de Cofins).   Assim,  prossegue  a  recorrente,  se  as  glosas  do  Sr.  Auditor  Fiscal  restarem  mantidas, o valor do crédito de Cofins anteriormente registrado em ativo "a recuperar", deveria  ser  baixado  em  contrapartida  a  conta  de  resultado;  mais  especificamente,  a  baixa  do  ativo  recuperável  aumentará  o  custo  da  mercadoria  vendida  ("CMV"),  reduzindo  o  lucro,  e,  consequentemente, gerando créditos de IRPJ e CSLL.  Solicita­se,  também,  os  bons  préstimos  da  fiscalização  da  Unidade  RFB  de  origem em manifestar­se acerca da veracidade dessa alegação da recorrente.  Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11543.003201/2005­61  Resolução nº  3402­000.756  S3­C4T2  Fl. 1.317          20 Assim,  por  todo  o  exposto  no  presente Voto,  voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento em diligência para solicitar à fiscalização da Unidade RFB de Origem que:  a) Requisite Laudo Técnico, para detalhamento, por profissional habilitado, da  atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de suas filiais exerce, efetivamente,  a  atividade  de  "cerealista",  tal  como  definida  no  art.  8º,  §1°  da  Lei  nº  10.925/04,  antes  de  comercializar os seus produtos in natura de origem vegetal.  b) Caso alguma de suas  filiais exerça  efetivamente a atividade de  "cerealista",  considerando, preliminarmente, vigente no período de apuração a suspensão prevista no art. 9º  da Lei nº 10.925/2004, analise conclusivamente se a contribuinte faz jus ou não ao benefício de  suspensão pleiteado e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do valor a ressarcir ou compensar.  c) Apresente Relatório com os esclarecimentos solicitados acima, relativamente  aos  seguintes  itens do  recurso voluntário:  III.1  ­  (b) Contas n°s 388130 e 304530/Rateio de  Gastos  com  Exportação  e  (c)  Contas  n°s  381020  e  396020  ­  Receitas  de  Serviços  já  Tributadas;  III.2  ­  Da  venda  de  mercadorias  com  suspensão;  III.3  ­  Créditos  Presumidos  Relativos à Filial Uberlândia/ Legitimidade do Procedimento Adotado pela Recorrente; III.4 ­  (iv) Energia Elétrica e (v) Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos; e III.5 ­ Da Glosa  dos  Créditos  de  PIS  e  seus  Efeitos  na  Apuração  do  Lucro  Real  e  da  Base  de  Cálculo  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido;  bem  como  outras  informações  que  entender  relevantes à solução da lide.  d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo­lhe o prazo  de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011.  e) Devolva os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento após  decorrido prazo de manifestação da interessada.  É como voto.  (assinado digitalmente)  MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA ­ Relatora.    Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM

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Numero do processo: 11516.000381/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2007 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. DIREITO TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO DA REALIDADE FÁTICA. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES. O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes,desdeque a comprovaçãoresultede umasoma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela empresa contratada correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado e não pago. Vencidos na votação os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liège Lacroix Thomasi, por entenderem não ser possível a compensação das contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES por sujeito passivo distinto daquele que procedeu aos recolhimentos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2284; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 376          1 375  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.000381/2008­07  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­003.721  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2015  Matéria  Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento  Recorrente  EXPRESSO ESTRELA CATARINENSE LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2007  ÔNUS DA PROVA.  Cabe ao  interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n°  9.784/99.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO  DA  REALIDADE  FÁTICA.  COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES.  O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta  para  referendar  a  desconsideração  de  atos,  fatos  ou  negócios  jurídicos  aparentes,desdeque  a  comprovaçãoresultede  umasoma  de  indícios  convergentes  que  leve  a  uma  encadeamento  lógico  suficientemente  convincente da ocorrência do fato.   JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Súmula  CARF  n°  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por maioria de votos em dar provimento  parcial ao Recurso Voluntário, devendo a parcela  recolhida na sistemática do SIMPLES pela  empresa contratada correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para  abatimento  do  valor  do  débito  lançado  e  não  pago.  Vencidos  na  votação  os  Conselheiros  Arlindo  da  Costa  e  Silva  e  Liège  Lacroix  Thomasi,  por  entenderem  não  ser  possível  a     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 03 81 /2 00 8- 07 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     2 compensação  das  contribuições  recolhidas  na  sistemática  do  SIMPLES  por  sujeito  passivo  distinto daquele que procedeu aos recolhimentos.     (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício        (Assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi, Relator     EDITADO EM: 28/07/2015    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente), Arlindo da Costa  e  Silva,  Juliana  Campos  de  Carvalho  Cruz,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa  e  André  Luís  Mársico Lombardi.   Fl. 377DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/2008­07  Acórdão n.º 2302­003.721  S2­C3T2  Fl. 377          3     Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado.  Adotamos  trechos  do  relatório  do  acórdão  do  órgão  a  quo  (fls.  326  e  seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos:  Trata­se  de  crédito  previdenciário  lançado  pela  fiscalização  contra  a  empresa  acima  identificada,  no  valor  de  R$  1.620.677,85,  referente  às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social a cargo da empresa, as destinadas ao financiamento dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  de  trabalho  ­  GILRAT  e  as  destinadas  a  outras  Entidades  e  Fundos — Terceiros.  Segundo  o  relatório  fiscal,  fls.  33/42,  os  fatos  geradores  são  decorrentes da remuneração contida na folha de pagamento da  empresa  MRS  LTDA,  CNPJ  04.668.676/0001­  09,  a  qual  se  constitui em empresa de "fachada", criada exclusivamente com  o  propósito  de  simular  a  contratação  dos  segurados  empregados  da  verdadeira  empregadora,  que  no  caso  é  a  notificada,  Expresso  Estrela  Catarinense  Ltda.  Cita  que  a  realidade  fática apurada na ação  fiscal  é que as empresas  são  administradas  pelos  irmãos  Paulo  Roberto  Hess,  Júlio  César  Hesse  Marcio  Ricardo  Hess,  e  ocorreu  a  simulação  visando  usufruir de forma ilegal do tratamento beneficiado e favorecido  previsto na Lei 9.317/96, que  instituiu o Sistema Integrado de  Pagamento de  Impostos e Contribuições das Microempresas  e  das Empresas de Pequeno Porte (Lei do SIMPLES).  O relatório fiscal aponta a descrição dos seguintes fatos:  a)  Inicialmente  foi  constituída  a  empresa  Hess  Transportes  Rodoviários  e  Serviços  Ltda,  em  02/05/1992,  CNPJ  85.316.289/0001­05  tendo  como  objeto  social  explorar  o  ramo  de  transportes  rodoviários  e  serviços  e  serviços  em  geral,  estabelecida na rua Aleixo Alves de Souza, 150 — Barreiros —  São José/SC.   (...)  A empresa Expresso Estrela Catarinense Ltda,  foi  constituída  em  1995  para  explorar  o  ramo  de  transportes  rodoviários  intermunicipais,  interestaduais  e  internacionais  de  cargas  e  encomenda em geral,  inicialmente  com sede em Cumbica/SP, e  depois fixou sede na rua Aleixo Alves — Barreiros­ São José/SC.   Fl. 378DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     4 (...)  Em 23/10/1997, a empresa passa a ter a denominação de Hess  Express.  Em  01/08/2001  é  constituída  a  empresa  MRS  Ltda,  CNPJ  04.668.676/0001­09,  tendo  como  atividade  inicial  a  seleção,  agenciamento e locação de mão de obra de serviços temporários  para  empresas  em  geral.  Já  em  30/01/2002  o  objetivo  social  passa  a  ser  o  transporte  rodoviário  intermunicipais,  interestaduais e internacionais de cargas e encomenda em geral.  O  endereço  da  MRS  que  constou  como  sede  da  empresa  até  15/02/2007 é na rua Rodolfo Manuel Bento, 127 — Carvoeira —  Fpolis/SC.  A  partir  desta  data  o  endereço  da  sede,  conforme  consta  da  terceira  alteração  contratual  passou  para  a  rua  Leoberto  Leal,  1235,  Edificio  Canad  —  Barreiros  —  São  José/SC.   (...)  Cita  a  fiscalização  que  a  empresa  MRS  Ltda  era  pura  simulação. Foi  constituída  exclusivamente  para  constar  como  empregadora  dos  segurados  empregados  da  empresa  Hess  Transportes Rodoviários  e Serviços Ltda e posteriormente dos  segurados  da  sucessora,  a  empresa  Expresso  Estrela  Catarinense Ltda.  Aponta  os  seguintes  fatos  que  comprovam a  simulação na constituição da empresa MRS Ltda.  a)  Termo  de  transferência  de  contrato  de  trabalho  e  de  transferência de passivo  trabalhista  e  contrato de  fornecimento  de serviços de serviços de mão de obra terceirizada.  b)  O  quadro  societário  é  composto  por  interpostas  pessoas.  Informa  que  Mauro  César  Silva  e  Ronaldo  da  Silva  se  mantiveram  como  sócios  formais  até  a  conclusão  dos  procedimentos  fiscais,  sendo  que  deixaram  a  empresa  em  09/04/2007  e  28/09/2007.  Durante  ao  período  em  que  permaneceram  como  sócios  da  empresa,  esta  foi  administrada  pelo Sr. Paulo Roberto Hess, por meio de procuração, conforme  documento  em  anexo.  Cita  que  os  supostos  sócios  tinham  vínculos  empregatícios  em  época  concomitante  com  as  atividades  da MRS  Ltda.  Ronaldo  da  Silva,  durante  o  período  07/2002 a 04/2004 foi empregado da empresa Adamver Industria  Comercio  e  Representação  Ltda,  com  sede  na  cidade  de  Garopaba/SC,  fato este que consta dos  sistemas  informatizados  da  previdência  social.  Mauro  César  Silva  manteve  também  vínculos com empresas sediadas em Garopaba/SC até Dezembro  de 2002.  c)  Cita  que  o  endereço  da  sede  da  empresa  MRS  Ltda,  que  consta  do  contrato  social  da  empresa  e  do  cadastro  da  Secretaria  da Receita Federal,  rua Rodolfo Manoel Bento,  127  —  Carvoeira  —  Florianópolis/SC  era  fictício.  No  citado  endereço  se  situa  a  residência  da  senhora  Maria  de  Lourdes  Hess,  viúva  de  Lio  Leopoldo Hess,  fundador  da  empresa Hess  Transportes  Rodoviários  e  Serviços  Ltda,  em  1992.  Anexa  aos  autos  documentos  que  comprovam  que  o  real  endereço  operacional  da  empresa  é  na  rua  Aleixo  Alves  de  Souza,  150.  Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/2008­07  Acórdão n.º 2302­003.721  S2­C3T2  Fl. 378          5 Que este endereço é o mesmo das empresas Hess Transportes e  Expresso Estrela.  d) Relata que a empresa MRS Ltda, não procedeu  inscrição na  Secretaria  de Estado  da Fazenda, desde  a  sua  constituição  até  2007,  sendo  este  procedimento  obrigatório  na  condição  de  contribuinte do ICMS, uma vez que atua no ramo de transportes  rodoviários  intermunicipal,  interestadual  e  internacional  de  cargas e encomendas em geral. Que a inscrição somente ocorreu  após  a  conclusão  do  ação  fiscal  nas  empresas  e  anexa  comprovante.  e)  Relata  que  após  a  conclusão  da  fiscalização,  em  2007,  os  supostos sócios se retiraram da empresa e começou um processo  de  migração  dos  segurados  empregados  para  a  empresa  Espresso  Estrela  Catarinense  Ltda,  conforme  documentos  anexos.  f)  Cita  cópia  de  e­mail  encaminhado  ao  escritório  de  contabilidade pela sr. Elizabeth Rampanelli, do setor de recursos  humanos  da  Hess  Express,  informando  os  dados  pessoais  do  sócio Joséuclides da Silveira, o qual é sócio em várias empresas.  g)  A  empresa  Expresso  Estrela  Catarinense  Ltda,  cujo  quadro  societário  é  composto  pelos  sócios  Ives  Lorenzetti  Correa,  Joares Chrum, Marcio Ricardo Hess  e Maria de Lourdes Hess  na  realidade  sempre  foi  administrada  pelos  irmãos  Paulo  Roberto  Hess,  Júlio  César  Hess  e  Marcio  Ricardo  Hess,  conforme procurações anexadas aos autos.  h) Descreve que de acordo com dados do sistema RENAVAM, a  frota  de  veículos  está  registrada  como  de  propriedade  das  empresas  Hess  Transportes  Rodoviário  Ltda  (4  registros)  e  Expresso  Estrela  Catarinense  Ltda  (42  registros).  Não  consta  registro de veículos para a empresa MRS Ltda.  i)  Apresenta,  em  anexo,  contrato  de  prestação  de  serviços  contábeis  celebrado  entre  a  empresa  Arquivo  Contabilidade  e  Consultoria  Ltda  e  as  empresas  Expresso  Estrela  Catarinense  Ltda,  MRS  Ltda,  Hess  Transportes  e  Serviços  Ltda  e  Hess  Express  Transportes  Ltda,  sendo  que  todas  as  empresas  são  representadas pelo Sr. Marcio Ricardo Hess   j)  Que  as  empresas  Expresso  Estrela  e  Hess  Transportes,  conforme  alterações  no  contrato  social  passam  a  utilizar  a  denominação "Hess Express".  1) O pagamento de salários dos empregados das empresas Hess  transportes  Rodoviários  e  Serviços  Ltda,  Expresso  Estrela  Catarinense  Ltda  e  MRS  Ltda,  é  efetuado  pela  empresa  notificada,  no  caso  a  Expresso  Estrela  Catarinense  Ltda,  conforme autorização para liberação de crédito junto ao Banco  do  Brasil,  fls.  225/237.  A  fiscalização  apresenta  no  relatório  fiscal,  fls.  038,  relação  de  ­  nomes  de  segurados  empregados  constantes  da  relação  de  pagamento,  com  a  menção  da  respectiva empresa empregadora.  Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     6 m)  Apresenta,  fl.  39,  quadro  demonstrativo  dos  salários  das  empresas  Hess,  MRS  e  Estrela,  com  análise  comparativa  no  período  entre  2001  e  2005,  no  qual  demonstra  a  migração  da  folha  de  salários  da  empresa  Hess  para  a  MRS,  bem  como  o  crescente  numero  de  segurados  desta.  Cita  que  se  trata  da  prática de sonegação de contribuições previdenciárias mediante  a transferência da folha de salários para empresa de "fachada",  constituída  com  a  utilização  de  interposta  pessoas  no  contrato  social,  para  se  beneficiar  de  regime  tributário  especial,  estabelecido pela Lei 9.317/96.  Informa  que  a  empresa  Expresso  Estrela  Catarinense  foi  excluída do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2004. Em  decorrência  da  citada  exclusão,  foi  procedido  ação  fiscal  na  empresa para apurar os créditos devidos à seguridade social.  DA IMPUGNAÇÃO   O contribuinte apresentou defesa administrativa fls. 266/304 (...)  (...)  Como  afirmado,  a  impugnação  apresentada  pela  recorrente  foi  julgada  improcedente.  Cientificada  do  julgamento,  a  recorrente  apresentou  o  recurso  de  fls.  347  e  seguintes, aduzindo, em síntese:  *  o  processo  deve  ser  sobrestado  até  o  exaurimento  da  discussão  sobre  a  exclusão do Simples;  * inconstitucionalidade da exclusão do Simples e de sua retroatividade;  * inexistência de simulação;  * nulidade por exigências lastreadas em dados sigilosos;  * não  incidência de contribuições previdenciárias sobre os quinze primeiros  dias do auxílio­doença e sobre o salário­maternidade;  * necessidade de compensação dos valores recolhidos a título de SIMPLES;  * inconstitucionalidade da taxa Selic.  É o relatório.  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/2008­07  Acórdão n.º 2302­003.721  S2­C3T2  Fl. 379          7 Voto             Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi  Matérias não conhecidas. Decisão definitiva  sobre exclusão do Simples.  Processo 11516.001585/2007­76. Da análise dos autos verifica­se que o lançamento decorre da  exclusão da recorrente do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2004. No recurso voluntário,  a recorrente aduz que o processo deve ser sobrestado até o exaurimento da discussão sobre a  exclusão do Simples.  Ocorre  que  já  foi  proferida  decisão  definitiva  no  âmbito  administrativo  quanto à exclusão do SIMPLES, a qual foi desfavorável à recorrente. Tal decisão encontra­se  plasmada  no  Acórdão  1201­00.072,  da  Terceira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes.  Portanto,  como  as  questões  relativas  ao  procedimento  de  exclusão  do  SIMPLES  já  foram  ali  discutidas  e  decididas  de  forma  definitiva,  não  serão  conhecidas  as  argumentações  relativas  à  inconstitucionalidade  da  exclusão  do  Simples  e  de  sua  retroatividade; e à nulidade por exigências lastreadas em dados sigilosos.  Sendo  assim,  o  presente  voto  somente  conhecerá  das  seguintes  questões  levantadas no recurso voluntário:  * não  incidência de contribuições previdenciárias sobre os quinze primeiros  dias do auxílio­doença e sobre o salário­maternidade;  * à inexistência de simulação;  * necessidade de compensação dos valores recolhidos a título de SIMPLES;  * inconstitucionalidade da taxa Selic.    Incidência  sobre  os  quinze  primeiros  dias  do  auxílio­doença  e  sobre  o  salário­maternidade.  Quanto  à  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  correspondentes  aos  primeiros  quinze  dias  do  auxílio­doença  e  sobre  o  salário­ maternidade,  não  vislumbro  dos  autos  qualquer  alegação  da  autoridade  fiscal  ou  mesmo  comprovação por parte da recorrente de que houve a exigência sobre os referidos valores.   Assim, deveria a recorrente ter comprovado que houve lançamento sobre as  referidas  rubricas.  Não  o  fazendo,  sequer  deve  este  órgão  julgador  manifestar­se  sobre  a  matéria, tendo em vista que as questões controvertidas devem decorrer do lançamento efetuado  e não de ilações imprecisas da recorrente.    Fl. 382DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     8 Taxa  Selic.  A  recorrente  requer  o  afastamento  da  incidência  de  juros  moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como  juros moratórios tem­se a Súmula CARF n° 4:  Súmula  CARF  n°  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Portanto,  não  há  qualquer  viabilidade  jurídica  para  o  acatamento,  por  esta  instância recursal, do pleito da recorrente.    Provas  indiciárias  da  simulação/dissimulação.  Alega  a  recorrente  que  inexistiu simulação.  Todavia, consta do relatório fiscal da notificação, fls. 36/39, uma minuciosa  análise procedida pela fiscalização, com relação a situação fática envolvendo as empresas Hess  Transportes e Serviços Ltda, Expresso Estrela Catarinense Ltda e MRS Ltda.  Relata a fiscalização que a empresa MRS Ltda foi constituída exclusivamente  para  constar  como  empregadora  dos  segurados  empregados  da  empresa  Hess  Transportes  Rodoviários e Serviços Ltda e posteriormente dos segurados da sucessora, a empresa Expresso  Estrela  Catarinense  Ltda.  Apresenta  uma  série  de  elementos  que  dão  sustentação  as  suas  afirmações.  A fiscalização constatou a ocorrência de transferência de contrato de trabalho  de  segurado  empregado  da Hess Transportes Rodoviários  para  a MRS,  conforme  se  verifica  dos documentos de fls. 175/176. Este caso vem a corroborar a afirmativa de que os empregados  foram sendo transferidos para a então constituída empresa MRS, inclusive empregados da Hess  Transportes.  Com  relação  ao  contrato  de  fornecimento  de  serviços  de  mão  de  obra  terceirizada, firmado entre a Expresso Estrela e a MRS, fls. 177/180, a fiscalização demonstra  que  a  empresa  MRS  Ltda,  constituída  em  2001  e  optante  do  SIMPLES,  estava  realizando  atividades vedadas no  inciso XII,  "f', do art. 9° da Lei 9.317/96, no caso  locação de mão de  obra. A atividade vedada que a empresa  fictícia estava  realizando  foi diretamente contratada  com  a  empresa  que  verdadeiramente  administra  os  negócios,  conforme  demonstrado  pela  fiscalização.  Com  relação  a  este  assunto  trazido  aos  autos,  a  recorrente  não  apresentou  esclarecimentos.  Alegou  a  recorrente  que  carece  de  comprovação  que  as  empresas  eram  de  fachada e que a administração destas eram exercidas pelos senhores Paulo Roberto Hess, Júlio  César  Hess  e  Márcio  Ricardo  Hess.  Cita  que  as  sociedades  citadas  não  possuíam  sócios  comuns  a  época dos  fatos  narrados  pela  fiscalização  e  que  é natural  que ocorram  alterações  societárias decorrente da livre iniciativa Entretanto, da análise dos elementos e documentos que  compõe os autos, não é esta a realidade encontrada na empresa, pois os fatos comprovam que o  quadro societário da MRS Ltda é composto por interposta pessoas.  Os  supostos  sócios,  Mauro  César  Silveira  e  Ronaldo  da  Silva,  durante  ao  período  em  que  permaneceram  no  contrato  social  da  empresa,  não  exerceram  a  efetiva  administração  desta,  uma vez  que  o  Sr.  Paulo Roberto Hess,  por meio  de  procuração,  tinha  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/2008­07  Acórdão n.º 2302­003.721  S2­C3T2  Fl. 380          9 amplos e gerais poderes para  fins de  administração e de gerência da  sociedade, conforme se  constata da procuração anexa aos autos, fls. 181/183.  Consta ainda que os mencionados sócios tinham vínculos empregatícios com  empresas  sediadas  inclusive em outro município,  distante da  sede da MRS. De  fato,  o  sócio  Ronaldo da Silva, durante o período 07/2002 a 04/2004  foi  segurado empregado da empresa  Adamver Industria Comercio e Representação Ltda, com sede na cidade de Garopaba/SC, fato  este que consta dos sistemas  informatizados da previdência social.  Já o outro sócio da MRS,  Mauro  César  Silva  manteve  também  vínculos  com  empresas  sediadas  em  Garopaba/SC  até  Dezembro de 2002.  Outra situação constatada é que os diversos documentos acostados aos autos,  fls.  185/189,  comprovam  que  o  Sr.  Paulo  Roberto  Hess  estava  efetivamente  a  frente  das  atividades da MRS. O mesmo assina o  termo de rescisão de contrato de  trabalho acostado A  fls.185,  datado  de  20/06/2005.  Mesma  constatação  com  os  recibos  de  férias  datados  de  15/06/2005, fls. 186 e 187. Outro documento que comprova a atuação junto a administração da  empresa  consta  da  fl.  188,  com  a  assinatura  na  GRFC,  guia  de  recolhimento  do  fundo  de  garantia.  Outra  guia  de  recolhimento,  DARF  fl.  181,  apresenta  a  assinatura  do  citado  administrador.  Portanto, não procede a afirmativa da recorrente que carece de comprovação  os fatos apurados na ação fiscal, sobre a real administração da empresa.  Conforme  demonstrado,  são  verídicos  os  fatos  apontados  pela  fiscalização,  tendo em vista a procuração firmada pelo supostos sócios e os documentos que demonstram a  efetiva administração e gerência nas atividades da MRS pelo Sr. Paulo Roberto Hess.  Oportuno  esclarecer  que  o  Sr.  Paulo Roberto Hess,  bem  como  Júlio  César  Hess e Márcio Ricardo Hess também possuem procuração para administrar a empresa Expresso  Estrela Catarinense Ltda, fls. 206 a 213.  Desta  forma,  não  merece  acolhida  a  alegação  do  contribuinte  de  que  as  empresas não dispunham de sócios em comum A época dos  fatos narrados pela fiscalização.  Evidentemente,  os  senhores  Paulo  Roberto  Hess,  e  Márcio  Ricardo  Hess  não  precisavam  constar do contrato social da empresa criada, a MRS Ltda, posto que possuíam procuração para  comandar  a  empresa  com  amplos  e  gerais  poderes,  tanto  no  setor  administrativo,  como  patrimonial e financeiro.  Outra grave situação constatada pela fiscalização diz respeito ao endereço da  sede da empresa MRS Ltda, que constava como rua Rodolfo Manoel Bento, 127 —Carvoeira  —  Florianópolis/SC.  Este  endereço  somente  foi  mudado  a  partir  da  terceira  alteração  contratual,  em  15/02/2007,  e  passou  para  a  rua  Leoberto  Leal,  1235,  Edifício  Canadá  —  Barreiros—  São  José/SC.  Conforme  consulta  ao  cadastro  da  Receita  Federal  do  Brasil,  o  mesmo endereço, rua Rodolfo Manoel Bento, 127, Carvoeira — Florianópolis/SC, constava até  2007, tendo sido alterado a partir deste ano. Ocorre que o citado endereço é onde se localiza a  residência  da  senhora  Maria  de  Lourdes  Hess,  viúva  de  Lio  Leopoldo  Hess,  fundador  da  empresa Hess Transportes Rodoviários e Serviços Ltda, em 1992. Este endereço, entretanto, é  fictício e não corresponde ao efetivo local em que são desenvolvidas as atividades da empresa.  Este  fato  ficou comprovado por meio de  auto de  infração do Ministério do  Trabalho, datado de 18/08/2006,  lavrado contra a MRS Ltda,  fls. 198/199 dos autos. A ação  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     10 empreendida pela fiscalização do trabalho foi efetuada na rua Aleixo Alves de Souza, 150 — Barreiros, São José/SC. No histórico do auto de infração consta que em fiscalização, no local  de trabalho mencionado, por meio de verificação fisica e entrevista aos empregados, constatou  a manutenção de empregado sem o devido registro em livro ou sistema eletrônico.  Assim,  dos  documentos  acostados  aos  autos  e  dos  fatos  apurados  tem­se  como  real  situação  fática  que  o  endereço  da  empresa MRS Ltda  é  irreal  e  esta  na  realidade  exerce  suas  atividades no mesmo  local  em que  está  a  sede da  impugnante  (Expresso Estrela  Catarinense Ltda). Foi constatado pela fiscalização do trabalho a presença de 136 empregados  no local, quando da inspeção e autuação procedidas por aquele órgão fiscalizador.  O  auto  de  infração  da  fiscalização  do  trabalho  foi  recebido  por  Elizabeth  Ranpanelli,  que  é  a  pessoa  responsável  pelo  setor  de  recursos  humanos,  das  empresas MRS  Ltda  e  Expresso  Estrela  Catarinense  Ltda.  A  recorrente  não  apresentou  qualquer  esclarecimento sobre estes fatos apontados pela fiscalização.  Outra situação constatada pela fiscalização é que a empresa MRS Ltda, que  atua no setor de transportes rodoviários intermunicipal, interestadual e internacional de cargas  e encomendas em geral, até 2007, não havia procedido a inscrição na Secretaria de Estado da  Fazenda, desde a sua constituição, em 2001. Este cadastramento é obrigatório, sendo a empresa  contribuinte do ICMS. Cita a fiscalização que a inscrição somente ocorreu após a conclusão da  ação fiscal nas empresas e anexa comprovante.  Verifica­se,  que  os  reais  administradores  da  empresa  não  tiveram  a  preocupação de manter a empresa MRS Ltda devidamente inscrita como contribuinte do ICMS  estadual, posto que na realidade esta empresa foi constituída por simulação, com o intuito de se  beneficiar do sistema tributário especial do SIMPLES.  Informa a fiscalização em seu relatório que após a conclusão da ação fiscal,  em 2007, além de proceder a inscrição da empresa na Fazenda Estadual, outros procedimentos  foram efetuados pelos reais administradores. Constatou­se que os supostos sócios se retiraram  da  empresa  MRS  e  começou  um  processo  de  migração  dos  segurados  empregados  para  a  empresa Expresso Estrela Catarinense Ltda, conforme documentos anexos.  Toda  estas  operações  são  de  fácil  execução  por  parte  dos  efetivos  administradores, os irmãos Paulo Roberto Hess, Júlio César Hess e Marcio Ricardo Hess, posto  que  estes  possuem  procurações  com  amplos  poderes  para  proceder  da  forma  que  for  mais  conveniente, com relação àss atividades das empresas. Todos estes fatos foram informados no  relatório fiscal.  Outra  situação  apontada  pelos  auditores  é  que  a MRS  não  possui  veículos,  apesar de atuar no ramo de transportes de cargas. Constatou­se por meio de consulta aos dados  do  sistema  RENAVAM,  que  a  frota  de  veículos  está  registrada  como  de  propriedade  das  empresas Hess Transportes Rodoviários Ltda ( 4 registros) e Expresso Estrela Catarinense Ltda  (42 registros). Não consta registro de veículos para a empresa MRS Ltda.  Este  fato,  demonstra  de  forma  definitiva  a  real  situação  da  empresa MRS  Ltda.  Esta  utiliza  a  sede  da  Expresso  Estrela,  atua  no  ramo  de  transportes,  apresentou  105  empregados registrados em 2005, e não possui um único veiculo registrado em seu nome. Em  decorrência  destes  fatos,  há  que  se  concluir  que  os  empregados  efetivamente  desenvolvem  atividades administradas e comandadas pela Expresso Estrela Catarinense Ltda. Com relação a  estes  fatos,  a  exemplos  de  outros  apontados  pela  fiscalização,  o  impugnante  não  apresentou  esclarecimentos.  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/2008­07  Acórdão n.º 2302­003.721  S2­C3T2  Fl. 381          11 Constatou­se  ainda  que  todos  os  serviços  de  contabilidade  das  empresas  Expresso  Estrela  Catarinense  Ltda,  MRS  Ltda,  Hess  Transportes  e  Serviços  Ltda  e  Hess  Express  Transportes  Ltda  foram  contratados  junto  ao  escritório  Arquivo  Contabilidade  e  Consultoria  Ltda  pelo  Sr.  Marcio  Ricardo  Hess,  conforme  contrato  anexado.  Este  contrato  demonstra  que  toda  a  documentação  das  empresas  estão  sobre  o  controle  dos  citados  reais  administradores.  Os  diversos  elementos  de  prova  relatados  por  si  só  já  são  suficientes  para  comprovar a simulação ocorrida na constituição da empresa MRS Ltda, visando se utilizar de  forma indevida de um modelo de tributação mais vantajoso.  Entretanto,  apresenta  ainda  a  fiscalização  fatos  determinantes  para  demonstrar que os salários de MRS são na realidade pagos pela Expresso Estrela. Consta dos  autos  autorização  para  liberação  de  crédito  pelo  Banco  do  Brasil  para  os  segurados  empregados, fls. 225/237, assinada pelo Diretor Financeiro Marcio Ricardo Hess, relativas aos  anos  de  2004,  2005  e  2006.  Cabe  esclarecer  que Marcio  Ricardo  Hess  sequer  constava  no  quadro societário da MRS nos período relativos a estas autorizações de pagamento de salários.  Desta autorização de pagamento, após consulta nos dados informatizados da  previdência  social,  a  fiscalização constatou  a presença de diversos  segurados  empregados da  MRS Ltda, sendo que no caso são citados a titulo de exemplificação Atila Branco, Valcionir da  Rosa,  Paulo  Ricardo  Colombo,  Arnaldo  Manoel  Machado,  Rubens  Tadeu  dos  Santos  e  Fernando Ritter,  fl.  38 dos  autos. Como nos demais  casos verificados,  ocorreu o  silencio do  impugnante a respeito destas constatações.   O  procedimento  adotado  pelo  efetivos  administradores  das  empresas,  proporcionou um elevado aumento do número de empregados da MRS Ltda, empresa optante  do  SIMPLES.  A  fiscalização  apresenta,  fl.  39,  um  quadro  demonstrativo  dos  salários  das  – empresas  com  análise  comparativa  no  período  entre  2001  e  2005.  Da  análise  apresentada,  registre­se  que  o  número  de  segurados  da MRS,  por  exemplo,  em 2004,  chegou  a  ser  cinco  vezes ao da Expresso Estrela e em 2005 chegou a mais de quatro vezes.  Os  fatos  demonstrados  no  presente  relatório  não  deixam  dúvidas  sobre  a  ocorrência de simulação na constituição da empresa MRS Ltda. Em síntese, restou comprovado  que  esta  não  possuía  veículos  apesar  de  atuar  no  ramo  de  transportes,  mesma  atividade  da  Expresso Estrela. Ficou demonstrado, por meio das procurações anexadas aos autos e outros  documentos,  financeiros,  trabalhistas  e  contratos,  que  as  atividades  de  comando,  tanto  administrativo,  como patrimonial  e  financeiro  são na  realidade  exercidos pelos  irmãos Paulo  Roberto  Hess,  Júlio  César  Hess  e  Marcio  Ricardo  Hess.  Os  sócios  da  empresa  MRS  Ltda  constavam como segurados empregados de outras empresas, inclusive em outro município. A  MRS apresentou um endereço fictício para a sua sede, no caso, o endereço residencial da viúva  do  fundador  das  empresas  de  comando  familiar,  e  constatou­se  que  o  verdadeiro  endereço  operacional  da  empresa MRS  é  o  mesmo  da  Expresso  Estrela.  A  citada  empresa  não  tinha  cadastro na Secretaria de Estado até 2007, tendo procedido o mesmo somente a partir da ação  fiscal procedida na empresa, período em que também se retiraram os sócios "laranjas". Ficou  demonstrado  nos  autos  que  empregados  da  MRS  recebem  seus  salários  por  meio  de  autorização bancária emitida pela Expresso Estrela, fato este determinante para a constatação  do real empregador. E por último, verificou­se o crescente aumento de segurados empregados  na MRS Ltda,  bem como a  transferência destes  da Expresso Estrela,  visando alocar  a maior  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     12 parte dos empregados administrados pela empresa familiar na MRS Ltda, de forma ilícita, para  se beneficiar indevidamente do regime tributário especial, estabelecido pela Lei 9.317/96.  Todos estes fatos, em conjunto, muito dizem a respeito do que efetivamente  ocorreu:  os  segurados  registrados  na MRS,  na  prática,  operavam  contínua  e  ostensivamente  para a recorrente, além do que tinham sobre suas remunerações suportadas por esta.  Em  suma,  dos  indícios  invocados,  extrai­se  a ocorrência de  ato  simulatório  consistente  na  criação  de  uma  empresa MRS  enquadrada  na  sistemática  de  recolhimento  do  Simples. Com efeito, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material,  pode  ocorrer  de  as  relações  que  se  mostrem  existentes  no  campo  meramente  formal  sejam  desconsideradas por não  refletirem,  em substância,  a  realidade dos  fatos. E nem se diga que  não há amparo no Direito Tributário para a conduta adota pela autoridade fiscal.  Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico  se verifica  intencional divergência  entre  a vontade  real  e  a vontade declarada,  com o  fim de  enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ªEdição).  O Código Civil Brasileiro de 2002 considera  nulo  o  negócio  jurídico  simulado e assim apresenta as hipóteses em que resta ocorrida a simulação:   Art.  167.  É  nulo  o  negócio  jurídico  simulado, mas  subsistirá  o  que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.  §1°Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:  I  ­  aparentarem  conferir  ou  transmitir  direitos  a  pessoas  diversas  daquelas  às  quais  realmente  se  conferem,  ou  transmitem;  II ­ contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não  verdadeira;   III  ­  os  instrumentos  particulares  forem  antedatados,  ou  pós­  datados    Note­se  que  o  conceito  de  simulação,  que,  em  síntese,  consiste  em  fingir  negócio jurídico inexistente, envolve a concepção de dissimulação, que consiste na prática de  negócio jurídico para ocultar, encobrir ou disfarçar um negócio jurídico existente. E, de acordo  com  o  art.  118,  inciso  I  do  CTN,  a  definição  legal  do  fato  gerador é interpretada abstraindo­se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes,  responsáveis,  ou  terceiros,  bem  como  da  natureza  do  seu  objeto  ou  dos  seus  efeitos.   Diante do quadro  normativo  exposto,  pode­se  concluir  que, em atenção  aos  princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se  mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em  substância,  a  realidade  dos  fatos. Assim,  na  hipótese  de  simulação,  a  autoridade  fiscal  deve  superar  o  negócio  jurídico  simulado  para  aplicar  a  lei  tributária ao  negócio  jurídico  dissimulado.  No  caso  em  tela,  a  simulação  ocorreu  por  intermédio  daquilo  que  se  denomina de abuso de forma jurídica, incorrendo a recorrente em modalidade de evasão fiscal  (art. 149, VII, e 116, § único, do CTN).   Fl. 387DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11516.000381/2008­07  Acórdão n.º 2302­003.721  S2­C3T2  Fl. 382          13 Portanto, na presença de  simulação, a auditoria  fiscal  tem o dever­poder de  não permanecer  inerte,  pois  tais negócios  são  inoponíveis  ao  fisco no  exercício da  atividade  plenamente vinculada do lançamento:  CTN  Art.  149.  O  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade administrativa nos seguintes casos:  (...)  VII  ­ quando se  comprove que o  sujeito passivo,ou  terceiro em  benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;    Art.  116.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  considera­se  ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:  (...)  Parágrafo  único.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)    Destarte,  o  procedimento  administrativo  de  caracterização  da  prestação  de  serviços  por  segurados  à  outra  empresa  que  não  aquela  para  o  qual  foi  contratado  tem  por  fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo  nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN.    Aproveitamento  de  créditos.  A  recorrente,  alternativamente,  requer  a  compensação dos pagamentos efetuados pela MRS na sistemática do SIMPLES com os valores  lançados.  Com  efeito,  a  autoridade  fiscal,  para  fim  específico,  superou  o  negócio  jurídico simulado (prestação de serviços por segurados para empresa de “fachada”) para aplicar  a  lei  tributária  ao  negócio  jurídico  dissimulado  (prestação  de  serviços  por  segurados  para  a  recorrente),  de  sorte  que  entendo  que  a  parcela  recolhida  na  sistemática  do  SIMPLES  pela  contratada  (ato  simulado),  correspondente  à  contribuição  previdenciária  patronal,  deve  ser  aproveitada para abatimento do valor do débito lançado.  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  recurso  voluntário para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL devendo a parcela recolhida  na  sistemática  do  SIMPLES  pela  contratada  (ato  simulado),  correspondente  à  contribuição  previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado.    Fl. 388DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     14     (Assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi, Relator                              Fl. 389DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS

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Numero do processo: 13603.724612/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.

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AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 1.447          1 1.446  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.724612/2011­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.806  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de janeiro de 2016  Matéria  Pedido de Compensação ­ PER/DCOMP  Recorrente  CNH INDUSTRIAL LATIN AMERICA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO  PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO  E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  ­  além  de  seu  emprego  para  locação  a  terceiros  ­  a  seu  uso  “na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento  da  contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias  (ou  na  prestação  de  serviços),  não  sendo  razoável  admitir  que  seja  passível  do  cômputo  de  créditos  a  aquisição  irrestrita  de  bens  necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo.  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE  BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE  DO  DIREITO.  REALIDADE  FÁTICA.  SERVIÇOS  ENQUADRADOS  PARCIALMENTE  COMO  INSUMOS  NOS  TERMOS  DO  REGIME.  DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.  No regime de incidência não­cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis  10.637  de  2002  e  10.833  de  2003  (art.  3o,  inciso  II)  possibilitam  o  creditamento  tributário pela utilização de bens  e  serviços  como  insumos na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na  prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.   O  escopo  das  mencionadas  leis  não  se  restringe  à  acepção  de  insumo  tradicionalmente  proclamada  pela  legislação  do  IPI  e  espelhada  nas  Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, §  4º),  sendo  mais  abrangente,  posto  que  não  há,  nas  Leis  nos  10.637/02  e  10.833/03,  qualquer  menção  expressa  à  adoção  do  conceito  de  insumo     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 46 12 /2 01 1- 13 Fl. 3580DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          2 destinado  ao  IPI,  nem  previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos  relativos  somente  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem.   Contudo,  deve  ser  afastada  a  interpretação  demasiadamente  elástica  e  sem  base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa  dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se  referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não  dá  margem  a  que  se  considerem  como  insumos  passíveis  de  creditamento  despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.   Logo, há que se conferir  ao conceito de  insumo previsto pela  legislação do  PIS  e  da  COFINS  um  sentido  próprio,  extraído  da  materialidade  desses  tributos  e  atento  à  sua  conformação  legal  expressa:  são  insumos  os  bens  e  serviços  utilizados  (aplicados  ou  consumidos)  diretamente  no  processo  produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso  dos  bens,  não  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação.  Realidade  em  que  a  empresa,  fabricante  de  máquinas  e  equipamentos  de  grande porte,  busca  se  creditar da  contribuição  em  função  de  serviços  com  despacho  aduaneiro,  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais  dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por  não  estarem  relacionados  diretamente  à  atividade  produtiva  da  interessada,  não dão direito a creditamento.  Diferentemente,  poderão  alicerçar  creditamento  os  serviços  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  produção  e  de  estoque  nas  instalações  fabris  (sistema  just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.  PIS/PASEP.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES  DA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  INTERESSADA,  OU  AINDA,  PELOS  FRETES  DO  TRANSPORTE  DE  MERCADORIAS  DESTINADAS  AO  ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  a  possibilidade  de  creditamento  em  relação  a  despesas  com  frete  e  armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos  para  revenda  ou  produzidos  pelo  sujeito  passivo,  e,  ainda  assim,  quando  o  ônus for suportado pelo mesmo.  Logo, por  falta de previsão  legal, é  inadmissível o creditamento em face de  fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos  da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas  ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.  PIS/PASEP.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS  EM  RELAÇÃO  A  FRETES  PAGOS  NA  COMPRA  DE  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  POSSIBILIDADE.  Fl. 3581DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          3 O  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  admite  o  creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas.  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO  OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.  A  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie  do  saldo  credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais  não  incidem  as  contribuições  em  tela),  passou  a  alcançar  todos  os  créditos  apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem  como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as  importações  ­  no  caso  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  da  não­ cumulatividade  ­  nas  hipóteses  albergadas  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  10.865/2004,  dentre  as  quais  se  inclui  a  aquisição  de  bens  para  revenda  (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  TRIMESTRALIDADE  DA  APURAÇÃO.  Poderá  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento  o  saldo  credor  da  Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art.  3º  das Leis nos  10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art.  15 da Lei nº  10.865/2004,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário,  em  virtude  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  (artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Recurso ao qual se dá parcial provimento      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  na  forma  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  interessada,  bem  como  relativamente  aos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  ativo  imobilizado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Fl. 3582DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          4 Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares,  OAB/MG nº 136.654.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ  Belo Horizonte (fls. 13603.724612/2011­13 do processo eletrônico), que, por unanimidade de  votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  pleiteado  mediante  as  declarações  de  compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de Apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.   A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de  exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao  ressarcimento  ou  à  compensação  demanda  a  comprovação,  pela  contribuinte,  da  existência  de  crédito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Geram  créditos  os  dispêndios  realizados  com  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  observadas  as  ressalvas  legais.  O  termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer  fator que  onere  a  atividade  econômica,  mas  tão­somente  como  aqueles  bens  ou  serviços  que  sejam  diretamente  empregados  na  produção  de  bens  ou  na  prestação de serviços.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS.  Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo  transporte,  assim  como  o  frete,  integra  o  custo  de  aquisição  de  bens  ou  mercadorias adquiridas.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  SOBRE  IMPORTAÇÃO  VINCULADOS  A  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO.   A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo  credor  apurado  em  decorrência  de  operações  de  importação,  autorizada  Fl. 3583DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          5 pelo  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  alcança  tão­somente  os  créditos  previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO.   A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  o  pedido  de  ressarcimento,  restituição  ou  compensação  de  créditos  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  sendo  que  somente  são  passíveis  de  compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar  de liquidez e certeza para serem utilizados.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   O presente processo  diz  respeito  a declarações  de  compensação  – DCOMP  relativas  a  saldo  credor  de  PIS/PASEP  apurado  no  período  de  01/02/2008  a  28/02/2008,  no  valor  total  de R$  520.394,91,  em  conformidade  com  o  artigo  5º  da Lei  nº  10.637,  de  2002.  Desse  montante,  a  unidade  jurisdicionante  do  contribuinte  já  reconhecera  o  direito  sobre  a  parcela de R$ 476.125,54. Por  seu  turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser  também  restabelecidos  os  créditos  apropriados  sobre  a  utilização  de  água  e  esgoto  das  filiais  “Contagem”  e  “Curitiba”,  bem  como os  créditos  relativos  aos  seguros  pagos  pelos  fretes  de  bens ou mercadorias adquiridas pela interessada.   Assim,  com  base  nos  cálculos  elaborados  posteriormente  pela  DRF  Contagem  em  conseqüência  da  decisão  da DRJ,  segundo  os  quais  a  quantia  adicional  a  ser  creditada  em  favor  do  sujeito  passivo  corresponde  a  R$  219,95  (ressalvado  o  desconto  de  alguma  parcela  outrora  compensada  evidenciada  em  alguns  processos  da  empresa  sobre  a  mesma matéria), tem­se que o montante em litígio corresponde a R$ 44.049,42.  Segue,  abaixo,  o  relato  dos  fatos  transcrito  da  decisão  recorrida,  o  qual  é  padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria:  Com o  intuito  de  verificar  a  apuração do  IPI,  bem  como o PIS  e  a  Cofins  da  pessoa  jurídica,  foi  emitido,  em  11/05/2011,  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF­F n.º: 06.1.10.00­2011­00427­3).  Em  decorrência,  a  autoridade  fiscal  lavrou  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  intimando  o  sujeito  passivo  a  apresentar,  dentre  outros  elementos,  arquivos  digitais  referentes  aos  itens  4.3.1,  4.3.2,  4.3.3,  4.3.4,  4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001,  escrituração  contábil  digital,  nos  termos  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  787,  de  2007,  relação  dos  produtos  fabricados  pelo  estabelecimento,  certidão de objeto  e pé de ações  judiciais  referentes ao  IPI, PIS e Cofins,  relação das contas contábeis  referentes a créditos, receitas e exclusões da  base de  cálculo do PIS  e da Cofins, memoriais de apuração das bases de  cálculo  utilizadas  no  preenchimento  dos Demonstrativos  de Apuração  das  Contribuições Sociais – Dacon ­ e demonstrativo dos fretes de compras de  bens utilizados como insumos.   De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de  erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições  Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os  memoriais  de  apuração  das  bases  de  cálculo  dos  Dacon  e  demais  documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal.  Fl. 3584DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          6 Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de  créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais):    P.A.   3.1.  3.2.  3.3.  3.4.  3.5.  3.6.  3.7.  TOTAL  ME/FAT  MI   ME  jan/08  3,26  2.845,44  1.367,77  0,00  0,00  36,02  127.836,13  132.088,62  20,23%  105.371,64  26.716,98  fev/08  3,26  5.381,60  1.515,51  0,00  0,00  38,86  91.338,39  98.277,62  14,25%  84.274,71  14.002,91  mar/08  3,26  5.967,74  1.390,14  0,00  0,00  29,65  71.482,90  78.873,69  18,07%  64.623,36  14.250,33  abr/08  3,26  4.719,18  1.627,64  0,00  38,13  186,26  180.784,88  187.359,35  16,34%  156.741,83  30.617,52  mai/08  49,44  8.261,21  1.586,73  0,00  159,52  496,78  125.875,75  136.429,43  19,55%  109.752,61  26.676,82  jun/08  49,44  5.983,14  2.042,36  0,00  50,27  191,73  108.912,17  117.229,11  16,40%  98.001,10  19.228,01  jul/08  151,12  9.659,18  1.909,71  26,51  150,14  587,80  121.509,41  133.993,87  16,20%  112.289,14  21.704,73  ago/08  151,12  7.179,43  1.921,09  3,76  132,18  1.291,51  118.778,39  129.457,48  22,26%  100.645,30  28.812,18  set/08  168,13  3.074,82  1.883,11  6,96  217,27  1.647,18  104.600,83  111.598,30  24,00%  84.811,15  26.787,15  out/08  241,91  6.252,08  1.770,70  0,00  136,81  1.219,34  122.203,64  131.824,48  23,59%  100.727,26  31.097,22  nov/08  318,76  8.491,53  1.719,92  8,63  91,80  1.456,49  70.934,88  83.022,01  22,87%  64.032,81  18.989,20  dez/08  532,25  4.150,69  1.471,63  0,20  112,63  1.467,26  131.074,08  138.808,74  37,59%  86.634,00  52.174,74  jan/09  532,25  5.385,90  1.179,67  0,00  173,76  1.879,16  51.684,90  60.835,64  14,79%  51.837,44  8.998,20  fev/09  532,25  11.673,37  1.262,98  33,26  104,68  3.510,75  64.575,01  81.692,30  15,53%  69.008,40  12.683,90  mar/09  532,25  10.388,31  441,21  7,40  25,91  2.776,46  44.105,65  58.277,19  16,48%  48.672,38  9.604,81  abr/09  532,25  2.838,07  1.572,35  1.164,99  40,14  3.401,09  24.839,83  34.388,72  9,90%  30.983,35  3.405,37  mai/09  532,25  5.261,01  874,84  2.569,55  27,06  3.012,90  45.330,66  57.608,27  7,28%  53.414,17  4.194,10  jun/09  532,25  3.246,92  958,43  0,00  14,04  2.405,55  50.649,08  57.806,27  18,59%  47.059,37  10.746,90  jul/09  532,25  7.110,54  720,28  2.897,56  59,09  3.385,00  34.676,13  49.380,85  17,15%  40.912,30  8.468,55  ago/09  532,25  1.953,83  1.175,60  92,21  46,59  1.767,91  33.182,54  38.750,93  8,12%  35.604,80  3.146,13  set/09  532,25  5.565,34  445,25  1.389,50  25,96  4.099,24  17.784,73  29.842,27  14,27%  25.583,88  4.258,39  out/09  532,25  4.171,09  2.445,14  1.917,99  14,83  2.016,65  29.949,93  41.047,88  7,37%  38.023,58  3.024,30  nov/09  532,25  5.999,82  1.378,43  1.289,05  20,70  4.449,68  33.600,99  47.270,92  9,53%  42.765,50  4.505,42  dez/09  532,25  3.670,03  1.580,37  4.930,84  37,09  11.126,51  39.091,41  60.968,50  8,26%  55.933,91  5.034,59  jan/10  532,25  3.502,79  2.203,49  20,65  27,72  1.117,50  14.467,59  21.871,99  8,45%  20.023,98  1.848,01  fev/10  532,25  7.916,35  1.523,09  0,00  18,55  3.337,67  90.260,30  103.588,21  6,86%  96.482,90  7.105,31  mar/10  532,25  1.633,53  1.589,22  299,59  33,98  3.206,79  54.032,80  61.328,16  13,04%  53.333,25  7.994,91  abr/10  532,25  18.149,44  1.551,72  474,12  33,89  3.384,16  213.636,74  237.762,32  14,80%  202.585,29  35.177,03  mai/10  532,25  6.014,24  1.054,57  190,05  46,59  5.760,11  52.717,10  66.314,91  7,27%  61.493,82  4.821,09  jun/10  532,25  8.552,18  1.487,26  72,44  41,18  2.397,81  93.602,34  106.685,46  11,08%  94.864,71  11.820,75  jul/10  532,25  8.892,22  1.229,17  3.311,98  44,16  6.016,23  64.426,44  84.452,45  13,12%  73.372,29  11.080,16  ago/10  532,25  10.200,72  1.366,51  2.038,99  41,63  1.732,96  37.199,94  53.113,00  10,40%  47.589,25  5.523,75  set/10  532,25  7.053,10  1.284,13  5.068,86  61,18  5.531,16  43.200,69  62.731,37  7,76%  57.863,42  4.867,95  LEGENDA:   P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO;  3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO;   3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   Fl. 3585DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          7 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS;   3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO;   3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES;   3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS.   MI. MERCADO INTERNO   ME. MERCADO EXTERNO  ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO   Como resultado,  foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao  mercado  externo,  sendo  que,  a  fim  de  se  apurar  os  saldos  passíveis  de  ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade  fiscal executou  alguns ajustes.   O primeiro  deles,  segundo  ela,  deriva  do  fato  de  que,  em  virtude  do  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Durante  a  auditoria,  constatou­se  que  a  contribuinte  importou,  para  fins  de  revenda,  diversas  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01  e  87.04  da  Nomenclatura  Comum  do Mercosul,  previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de  PIS/Cofins  foram  submetidos  indevidamente  ao  rateio  proporcional  entre  mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a  ser  reclassificado  como  não  ressarcível.  Já  o  segundo  ajuste  diz  respeito,  conforme  a  fiscalização,  à  possibilidade  de  compensação,  antes  do  encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de  exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o  ressarcimento  dos  créditos  de  importação,  a  compensação  antecipada  possibilitada  pelo  art.  42  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  2008,  menciona  apenas  aqueles  créditos  oriundos  de  aquisições  no  mercado  interno.  Por  créditos  de  importação,  entende  aqueles  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados  ao  ativo  imobilizado.  Refere­se  ao  caput  do  art.  34  desta  Instrução  Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto  no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que  indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre  para fins de pedido de ressarcimento.  Assim,  após  efetuados  os  ajustes,  prossegue  a  fiscalização,  a  contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos  valores  que  demonstra.  Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  reapuração  dos  saldos  de  PIS  e  Cofins  não  altera  os  valores  passíveis  de  ressarcimento  indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última  PER/Dcomp  para  desconto  das  contribuições  a  recolher,  é  de  R$  9.048.196,92,  de  PIS  e  de  R$  12.349.027,24,  de  Cofins,  respectivamente.  Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado.  Por  fim,  calcula  os  créditos  passíveis  de  ressarcimento,  elabora  demonstrativos  e  sugere  o  deferimento  parcial  dos  diversos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensações  efetuados,  de  acordo  com  os  valores  que  indica no Termo de Verificação Fiscal.   As  glosas  efetuadas  bem  como  as  justificativas  estão  detalhadas  no  Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e  Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade  fiscal.  Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          8 Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em  27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como  resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57.  Como base  legal  são  citados,  entre  outros,  os  seguintes  dispositivos:  Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº  600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.  Cientificada  em  27/02/2012,  a  contribuinte  apresentou,  em  28/03/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  69  a  101  e  155,  acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em  síntese, que:  ­ A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial,  com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235,  de 1972;  ­ As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram  com  que  os  créditos  de  PIS/Cofins  fossem  recalculados  mensalmente.  Obtidos  os  novos  valores  passíveis  de  ressarcimento  e  compensação,  as  compensações  foram  homologadas  até  esse  limite,  indeferindo,  integral  ou  parcialmente, aqueles que o superaram;   ­ Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas  em  parte  e  34  receberam  resposta  negativa.  Por  sua  vez,  os  respectivos  despachos  decisórios,  em  que  tais  entendimentos  foram  apresentados,  constaram  de  51  processos  administrativos  de  crédito,  dos  quais  41  trouxeram  resultados  contrários  aos  interesses  da  requerente.  A  decisão  recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade,  é  um  desses.  Como  todos  esses  41  processos  se  referem  a  uma  mesma  matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que  as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se  requer;  ­  Segundo  a  fiscalização,  a  recorrente  não  estava  autorizada  a  se  creditar  sobre as  seguintes bases: ativo  imobilizado –  inclusão  indevida de  bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF),  utilização  de  água  e  esgoto  em  processos  industriais  (item  3.3  do  TVF),  fretes  –  transporte  de  produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF),  fretes  –  inclusão  indevida  do  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes­ inclusão indevida  do  seguro  pago  (item  3.6  do  TVF)  e  fretes  –  falta  de  identificação  das  mercadorias  transportadas  (item 3.7 do TVF). Mas  ela  estava, na  verdade,  haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria;   ­  Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas  com veículos e  com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  por  não  serem  diretamente  destinadas  às  atividades  de  industrialização.  Entretanto,  consoante  art.  3o  das  Leis  nº  10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso,  não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento  tecnológico;   Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          9 ­  Item  3.2  do  TVF.  Esses  serviços,  ao  contrário  do  que  sustenta  a  fiscalização,  são,  sim,  utilizados  de  forma  direta  na  atividade  industrial,  sobretudo  porque  são  a  ela  essenciais.  Os  insumos,  na  sistemática  do  PIS/Cofins,  são  aquelas  despesas,  custos  ou  encargos  essenciais  ao  desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São,  de acordo com doutrinadores,  todos os elementos  físicos ou  funcionais  (...)  que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o  produto.  Jurisprudência  administrativa  do  CARF  apresenta  o  mesmo  posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3202­00.226, de 08/02/2010 e nº  9303­01.035,  de  23/08/2010.  Julgados  dos  Tribunais  Regionais  Federais  e  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  vão  no  mesmo  sentido.  No  caso,  os  serviços  são  essenciais.  Aqueles  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização,  que  depende  da  entrega  de  insumos  na  lógica  do  sistema  just  in  time.  (“produção  enxuta,  por  demanda”).  Conforme  se  afere  dos  contratos  ora  anexados  (doc.  5),  tais  serviços  consistem  na  gestão  inteligente  do  fornecimentos  de  bens  a  serem  aplicados  no  processo  produtivo.  Não  se  trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como  pareceu  entender  a  fiscalização.  O  que  essa  pessoa  jurídica  fornece  é  a  otimização do processo industrial,  serviço diretamente  ligado à produção e  cujo  fator  intelectual  é  preponderante.  Esse  tipo  de  serviço,  sobretudo  no  setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há  como  afastar  a  sua  natureza  de  insumo  e,  via  de  conseqüência,  de  gasto  passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente  vinculado  à  produção,  inclusive  qualificado  como  verdadeiro  custo  de  produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o  desconto de créditos;  ­  Item  3.3  do  TVF.  Somente  foram  admitidas  para  efeito  de  creditamento  a  água  aplicada  nos  processos  industriais  de  “têmpera”  e  “lavagem  e  prova  hídrica”,  pois  somente  nesses  casos  haveria  o  contato  direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos  industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a  fiscalização  glosou  os  créditos  não  apenas  quanto  aos  dois  últimos  processos,  mas  em  relação  a  todos  eles,  sob  o  argumento  de  que  a  contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada  um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há  dúvida  que  a  água  empregada  em  todos  esses  quatro  processos  permite  o  aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de  insumo  e  é  empregada,  de  forma  essencial,  na  produção,  descabendo  a  exigência  de  contato  físico  direto  com  os  produtos  fabricados,  consoante  jurisprudência do CARF e  julgados dos Tribunais Regionais Federais e do  Superior Tribunal de Justiça;   ­  Item  3.4  do  TVF.  O  fato  de  a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como  uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos  de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto  é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado.  E  transportar  as  mercadorias  entre  os  diversos  estabelecimentos  é  fundamental  para  o  curso  regular  das  operações  da  pessoa  jurídica  principalmente  por  dois  motivos:  (a)  A  contribuinte  possui  um  variado  portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas  (“Case”,  “New  Holland”,  “Kobelco”  e  “Steyr”,  por  exemplo)  para  setores  do  mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas  Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          10 suas  plantas  industriais  não  estão  preparadas  para  fabricarem  todos  esses  produtos,  até porque,  aliás,  isso  demandaria  investimentos  de  elevadíssima  monta. Mormente  pela  variedade  de  estabelecimentos  em  todo  o  país,  que  também  operam  como  centros  de  venda,  fornecendo  todos  os  produtos  da  marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do  mercado,  mesmo  para  aquelas  mercadorias  que  não  são  fabricadas  no  próprio  estabelecimento,  de modo  que  valores  consideráveis  são  gastos  no  transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b)  São  produzidas  máquinas  e  equipamentos  pesados,  os  quais  gozam  de  particularidades  quanto  à  sua  estocagem,  sobretudo  pelos  grandes  e  diferenciados  tamanhos. É  possível,  por  isso,  que  devido  a  uma queda nas  vendas,  por  exemplo,  determinado  estabelecimento  fique  sem  espaço  para  alocar  a  sua  produção,  o  que  tornará  necessária  a  busca  por  outras  unidades.  Nessas  situações  é  desejável  que  seja  feita  a  transferência  para  outro estabelecimento,  pois a  locação de  espaços para  tal  pode  se mostrar  excessivamente onerosa muito em virtude das  elevadas dimensões dos bens  produzidos.  Além  disso,  os  fretes  em  exame  são  despesas  vinculadas  ao  processo  de  produção,  o  que  reforça  a  possibilidade  de  creditamento.  De  fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há  falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de  qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o  fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que  elas sejam auferidas deve ser considerado  insumo. Julgados do CARF e do  Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese;   ­ Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na  jurisprudência  administrativa  que  o  frete  pago  na  aquisição  de  bens  necessários  ao  desenvolvimento  da  atividade  industrial  permite  o  creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a  RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual  entendimento  jurisprudencial  sobre  o  tema,  quaisquer  custos  de  aquisição  devem autorizar o desconto de créditos;   ­  Item  3.6  do  TVF.  Entendeu  o  fisco  que  o  seguro,  normalmente  destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido  descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia  ter  se  creditado  com  base  no  valor  total  do  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário de Cargas ­ CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é  custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira  e  única  contratante  desse  serviço.  O  destaque  no  CTRC  é  apenas  uma  exigência  legal  instituída  para  permitir  a  identificação  da  composição  do  frete.  O  RICMS/MG,  em  seu  art.  81,  inciso  XIII,  trata  o  seguro  como  “valores dos componentes do  frete”. O seguro, portanto,  foi avençado pela  transportadora, que apenas  informa o seu  respectivo  valor em atendimento  ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e,  sendo  o  frete  na  aquisição  de  insumos  passível  de  creditamento,  agiu  de  forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é  o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura­ se  legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do  RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de  aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF.  Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art.  289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles;   Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          11 ­ Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de  boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornou­se, então,  praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos  itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja  dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos  correspondentes,  o  que  apenas  não  faz  agora,  com esta defesa, e não  fez durante o procedimento  fiscal,  em  razão do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias.  De  qualquer  forma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  um  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam à  compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada  desses  documentos,  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação  de  exigência  fiscal  claramente  desproporcional e ilegítima;   ­ Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp  ora  examinados,  e  também  daqueles  outros  apresentados  no  período  fiscalizado,  decorreram  de  aquisições  realizadas  no mercado  interno  e  no  exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação  de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam  ter  sido  utilizados  para  efeito  de  ressarcimento  e  compensação,  segundo a  qual  apenas  as  importações  amparadas  pelo  art.  15  da  aludida  lei  é  que  permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém,  não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam  nos  mencionados  arts.  15  e  17.  Na  verdade,  todo  o  creditamento  de  PIS/Cofins  –  Importação deriva  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  seria  o  equivalente  funcional  dos  arts.  3o  das Leis nº  10.637,  de  2002  e  nº  10.833,  de  2003,  que  tratam  de  créditos  no  mercado  interno.  O  art.  17  é  apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns  casos, e em conjunto com o art. 15. A  função do art. 17 é,  exclusivamente,  tratar  das  situações  em  que  o  recolhimento  de  PIS/Cofins  não­cumulativo  deixa  de  ser  feito  com  base  nas  alíquotas  de  1,65%  e  7,6%  e  passa  a  contemplar  alíquotas  diferenciadas,  nos  casos  de  aplicação  do  “regime  monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A  contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos  e serviços  tratados no art. 17 é,  justamente, quando cuida da quantificação  do  crédito.  Ou  seja,  o  art.  17  não  vem  trazer  regulação  especial  para  os  créditos de produtos específicos, de  forma a excluir a aplicação do art. 15.  Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente  as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15  fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o  art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação.  Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art.  17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior  em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal  do Brasil  abona essa  conclusão  (Acórdão nº 3803­000.885, de 27/10/2010,  do  CARF).  Interpretação  distinta  representaria  grave  ofensa  à  isonomia  tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam  submetidas  a  tratamentos  fiscais  distintos,  sem  qualquer  justificação.  Na  verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria  ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime  Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          12 monofásico),  teriam  o  seu  direito  de  crédito  excessivamente  limitado.  Essa  violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei  nº  10.865,  de  2004,  foi  justamente,  segundo  sua  exposição  de  motivos,  introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços  produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito  às  regras  da  proporcionalidade  e  razoabilidade,  afinal,  qual  seria  a  razão  jurídica  para  se  permitir  a  utilização  de  créditos  de  importação  em  PER/Dcomp  e  excluir,  ao  mesmo  tempo,  esse  direito  daquelas  operações  abarcadas  pelo  art.  17?  Razão  não  há,  estando  claro  que  o  exame  da  legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo  que deve ser descartada;   ­  Item  4.3  do  TVF.  Foram  reposicionados  parcelas  dos  créditos  de  importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se  originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do  respectivo  trimestre­calendário.  O  procedimento  teve  efeito  nefasto  e  desproporcional:  vários  dos  débitos  compensados,  no  período  autuado,  ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com  o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados  para  o  último  mês  do  trimestre  correspondente,  neste  terceiro  mês  havia  saldo  suficiente  para  homologar,  ainda  que  em  parte,  as  compensações  realizadas  nos  dois  primeiros  meses.  Desse  modo,  caso  se  entenda  por  validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso  de  um  ou  dois  meses,  isto  é,  aquele  decorrente  da  espera  até  o  fim  do  trimestre;  ­  Erros  de  cálculo.  Em  cada  mês  em  que  os  créditos  foram  recalculados  ocorreram  impropriedades  na  quantificação  desses  créditos,  consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins ­ abril a junho de  2008  (PER/Dcomp  nº  41058.12544.220708.1.1.09­9018  e  nº  33371.36444.290710.1.7.09­8945).  Somente  foi  considerado  o  montante  ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre.  Ou seja,  não  foi  feita a  recomposição do crédito  relativo ao  ressarcimento  (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  3.267.967,06  e  não  R$  3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período.  Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs –  Valor  utilizado  valorado de  acordo  com  o  tipo  de  crédito”  há  valores  que  divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp  originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a  última  versão  sobrepôs  a  primeira,  fazendo  com  que  os  débitos  fossem  compensados  com multa  e  juros.  É  de  se  notar  que  a  data  da  transmissão  original  estava  dentro  do  período  para  recolhimento  (antes  da  data  de  vencimento)  e  que  não  houve  aumento  do  débito  compensado,  somente  redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins ­ outubro a dezembro de 2008  (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.09­0408). Somente foi considerado  o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa  ao  trimestre.  Ou  seja,  não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento).  Caso  tivesse  sido  feita  a  recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e  não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  140).  (c)  Ressarcimento  de Cofins  ­  julho  a  setembro  de  2010  (PER/Dcomp  nº  19382.21408.281010.1.1.09­0687).  Não  foi  feita  a  Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          13 recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento). Caso tivesse sido  feita a recomposição, o valor passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  6.541.682,26  e  não  R$  6.201.733,66,  o  que  gerou  uma diferença  de R$ 339.948,90,  que  é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  141).  (d)  Ressarcimento  de  Cofins  ­  abril  de  2010  (PER/Dcomp  nº  02755.47816.300610.1.3.09­4563). O fisco partiu de montante de créditos de  mercado  externo  diferente  daquele  que  consta  no  PER/Dcomp,  sendo  considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado  é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp,  o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  5.511.341,71  e  não  R$  2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior  ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl.  141).  Esses  erros,  que  são  verificados  em  todas  as  competências,  são  inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e  do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requer­se,  desde  já,  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  os  referidos  equívocos  sejam  definitivamente  comprovados.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa,  em  razão  do  exíguo  tempo  para  recorrer,  posto  que  são  mais  de  200  PER/Dcomp  envolvidos,  que  devem  ser  revistos  em  todos  os  critérios  apontados pela fiscalização, alguns deles complexos;  Em 20/08/2012, a contribuinte  juntou aos autos mídia  em CD com o  que  entende  ser  as  informações  necessárias  para  que  seja  verificada  a  vinculação  dos  fretes  autuados  no  item  3.7  do  TVF  com  a  compra  de  insumos,  de  modo  a  comprovar  a  legitimidade  dos  créditos  aproveitados  sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos).   Ao  final,  requer  a  contribuinte:  a)  o  julgamento  conjunto  dos  processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade  do  procedimento  fiscal  e  de  seus  correspondentes  frutos,  o  TVF  e  os  despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do  mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes  ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das  vinculações,  conforme  demonstrado;  d)  o  reconhecimento  da  existência  de  todos  os  créditos  de  PIS/Cofins  utilizados  pela  interessada  nos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensação  vinculados  ao  MPF­F  n.º:  06.1.10.00­2011­ 00427­3,  transmitidos  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010,  com  o  conseqüente  deferimento  e  homologação  de  todos  os  PER/Dcomp  objetos  deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados;  f)  caso  os  argumentos  anteriores  não  sejam  acatados,  que  os  erros  expressamente  apontados  sejam  definitivamente  corrigidos  e  g)  subsidiariamente,  sejam  decotados  os  juros  e  multas  decorrentes  do  reposicionamento  de  créditos  efetuados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil.   A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a  recorrente  ocorreu  em  24/01/2014  (fls.  1415).  Inconformada,  a  mesma  apresentou,  em  28/01/2014,  o  recurso  voluntário  de  fls.  1417/1444,  onde  reitera  os  argumentos  aduzidos  na  primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final:  Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          14 a)  o  julgamento  conjunto deste  com os demais processos  da  empresa,  haja  vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º,  do Regimento Interno do CARF;  b)  seja  determinada  a  realização  de  diligência  para  os  esclarecimentos  referentes  à  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  (item  3.7  do  TVF),  diligência  cuja  necessidade  seria  reforçada  diante  do  reconhecimento,  pela  DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos;  c)  seja o  recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que  sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do  TVF,  bem  como  reconhecida  a  regularidade  da  utilização  dos  créditos  de  PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF),  e,  finalmente,  sejam  descontados  juros  e  multa  calculados  quando  do  reposicionamento  dos  créditos  (item 4.3  do TVF),  de modo que  se  refiram  tão­somente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera  até o fim do trimestre).   No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo  transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção  do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo  e  os  correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos  casos  em  que  os  mesmos,  realmente,  correspondem  a  fretes  pela  aquisição  de  insumos,  conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados  pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou  não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas.  Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls.  3559/3564, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos  reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto.  Intimado  a manifestar­se,  o  sujeito passivo,  apresentou petição onde  requer  seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da  interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos.  É o relatório.   Voto             Da admissibilidade do recurso  O  recurso  é  tempestivo,  posto  que  apresentado  (em  28/01/2014)  dentro  do  prazo  legal  de  30  dias  contados  da  data  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  (que  ocorreu em 24/01/2014 ­ conf. fls. 1415).   Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          15 Quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  os  mesmos  se  encontram  presentes.   Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio  Conforme relatado, vê­se que a contenda envolve a homologação parcial de  pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo  credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões  relativas ao cômputo de créditos calculados sobre:  a)  bens destinados ao ativo  imobilizado e não utilizados na produção  (item  3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF);  b)  serviços  não  empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF);  c)  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF);  d)  fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a  uso e consumo (item 3.5 do TVF); e,  e)  fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF).  Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item  4.2  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  segundo  o  qual,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20051,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da Lei  nº  10.865/2004  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação.  Assim,  em  relação  aos  créditos  enquadrados  no  artigo  17  da  mesma  Lei  nº  10.865/2004  –  que  remete  às  importações  de  produtos  objeto  do  §  3º  do  artigo  8º  da  Lei  em  tela2  (dentre  outros)  –  estes,  por  falta  de                                                              1      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    2  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e  Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          16 previsão  legal,  não  poderiam  ser  objeto  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar  da  possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Por  fim,  a  lide  envolve  também a  análise quanto  à possibilidade ou não de  compensação  de  créditos  de  importação  vinculados  a  receita  de  exportação  antes  do  encerramento do trimestre.  Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa  trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao  pleito do sujeito passivo.  Do regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS  O  regime  da  incidência  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  foi  instituído,  inicialmente,  para  o  PIS/PASEP,  mediante  a  publicação  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos,  em relação à não­cumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002.  Posteriormente,  com  a  publicação  da  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003  –  conversão  da Medida  Provisória  nº  135,  de  2003  –,  tal  regime  foi  estendido  à  COFINS.  Concernente  à  não­ cumulatividade  da  COFINS  a  lei  em  evidência  passou  a  produzir  efeitos  a  partir  de  1º  de  fevereiro de 2004.  Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência não­cumulativa do  PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas  pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real.  A  legislação  pertinente  ao  regime  autoriza  o  desconto  de  créditos  apurados  com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis  nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da  Lei  nº  10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de mercadorias;  b) prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas  e;  c)  vendas  a  empresa  comercial  exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição a  recolher ou para compensação com outros  tributos administrados pela Receita  Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas  até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento  em dinheiro.   A  seguir,  examinaremos  a  legitimidade  dos  créditos  calculados  pela  interessada  seguindo  a  mesma  ordem  utilizada  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal ­ TVF.   Das  glosas  objeto  do  item  3.1  do  TVF:  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado e não utilizados na produção  A  fiscalização  entendeu  que  as  despesas  com  veículos  e  com móveis  para  salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por  não  estarem  diretamente  vinculados  às  atividades  de  industrialização.  Por  sua  vez,  o  sujeito                                                                                                                                                                                                   II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          17 passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002  e 10.833/2003.   Segundo  defende  a  interessada,  seria  inapropriado  afirmar  que  os  bens  em  evidência  não  se  prestariam  ao  exercício  de  sua  atividade  industrial. Afirma que  “quaisquer  bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou  indiretamente),  autorizam  o  creditamento”,  e  ainda,  que  “os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  Recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento tecnológico”.  O  creditamento  relativo  a  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado  está  fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em  relação  ao  PIS/PASEP,  regramento  no  mesmo  sentido  consta  da  Lei  nº  10.637/2002.  Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais  relevantes para a  resolução da contenda:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  [...]  § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)  [...]  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos  incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  [...]  (grifo nosso)  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do  cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade  econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada.  Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao  exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade  unicamente  administrativa,  ou  seja,  que  não  são  empregados  diretamente  na produção  ou  na  Fl. 3596DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          18 comercialização de mercadorias  e de  serviços,  ou  ainda, na  locação. Apenas  esses últimos  é  que fazem jus ao creditamento.  No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os  automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais  não  se  enquadram  na  amplitude  conceitual  de  insumo  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao  processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito  com base em tais rubricas.  É por essa  razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em  que  o  sujeito  passivo  pretende  se  creditar  do  PIS  e  da  COFINS  pela  aquisição  de  bens  destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção.  O  alcance  do  conceito  de  insumo  para  fins  do  regime  de  incidência  não­ cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte.  Das  glosas  objeto  do  item  3.2  do  TVF:  serviços  não  empregados  diretamente na industrialização  A  fiscalização  glosou  o  creditamento  correspondente  a  alguns  serviços  que  não foram “empregados diretamente na industrialização”.   Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão:  Instado,  conforme  Termo  de  Intimação  nº  0551/2011,  a  informar  quais  tipos  de  serviços  prestavam  as  empresas  Fiat  do  Brasil  S/A  e GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos,  e  a  apresentar  os  respectivos  contratos,  a  empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte:   “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A:  • Comércio Exterior:  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário;  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário.  • Contabilidade Geral;  • Controle Fiscal;  • Contas a pagar e Tesouraria;  • Controle de ativo fixo;  • Registro Fiscal;  • Faturamento;  • Gestão tributária e societária;  • Serviços de assessoria a expatriados.  Serviços  prestados  à  INTIMADA  pela  GFL  GESTÃO  DE  FATORES  LOGÍSTICOS LTDA:  • Gerenciamento  das  operações  de  transporte  "IN Bound"  ­  Transportes  de  materiais/produtos  que  adentram  na  fábrica  da  contratante  e  "Follow­up"  ­ Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          19 Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela  contratada, perante os fornecedores da contratante.”  Nenhuma  destas  atividades  pode  ser  considerada  como  aplicada  ou  consumida  na  fabricação de  produtos. Os  serviços prestados  pela Fiat  do  Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados  pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da  Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara:  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS  DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a  crédito  da  Cofins  a  aquisição  de  serviços  de  movimentação  e  controle  de  estoques  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  acabados,  realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada.   As  contas  contábeis  responsáveis  pelo  registro  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  incidentes  sobre  serviços,  conforme  resposta  ao  Termo  de  Início  entregue  em 08/06/2011,  são  as  de  nos  144240 e  144241,  e  a  esmagadora  maioria  dos  lançamentos  referem­se  a  serviços  prestados  pelas  duas  empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal  nº  149087  da  Metropolitana  Vigilância  Comercial,  cujo  crédito  o  contribuinte afirmou não  ter  incluído na base de cálculo, e algumas notas  fiscais,  em 2010,  referentes  a  treinamentos  técnicos de  diversos  tipos,  aos  quais,  pelos  mesmos  argumentos  expostos  acima,  é  vedada  a  geração  de  créditos.      Deste  modo,  todo  o  crédito  descrito  como  “Serviço  Nacional”  nas  memórias  de  cálculo  entregues  em  08/07/2011,  em  resposta  ao  Termo  de  Início, deve ser glosado [...]  A  análise  do  problema  envolve  essa  que  talvez  seja  a  questão  mais  controvertida em relação à não­cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são  insumos para fins de creditamento das citadas contribuições.   O  inciso  II  do  artigo  3o  das Leis  10.833/2003  e 10.637  de  2002  autoriza  o  cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.   As  normais  legais  stricto  sensu  que  prevêem  a  não­cumulatividade  (Leis  10.637/2002  e  10.833/2003)  são  omissas  quanto  ao  alcance do  termo  “insumo” para  fins  de  cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontra­se  disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no  247,  de  21/11/2002  (dispositivo  incluído  pela  IN  SRF  no  358,  de  09/09/2003)  –  não­ cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no  404,  de  12/03/2004  –  não­cumulatividade  da  COFINS  –,  segundo  os  quais,  para  fins  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  deverão  ser  assim  concebidos  (como  insumos), aqueles:   I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem  e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo imobilizado;   Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          20 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na prestação do serviço.   Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de  todas  as  despesas  da  empresa,  como  Natanael  Martins3.  Segundo  ele,  pelo  fato  das  contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar  sua  integral  não­cumulatividade  seria  se  “os  créditos  apropriáveis  alcançarem  todas  as  despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”.  Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual,  salvo  nas  hipóteses  expressamente  vedadas  pela  Lei  nº  10.833/2003,  o  crédito  de  insumo  deve  ser  calculado  a  partir  do  custo  de  produção  da  legislação do imposto de renda (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º;  Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matérias­primas e  quaisquer  outros  bens,  direitos  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  fabricação,  diretos  ou  indiretos,  independentemente  de  desgaste, dano ou perda de propriedades físico­químicas.  Por  sua  vez,  Marco  Aurélio  Greco5  defende  que  os  insumos,  para  fins  de  PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda,  uma vez que há distinção material entre  receita e  renda. Patrícia Madeira comenta a  lição de  Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo  (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua  apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação  da  receita,  que  é  materialidade  do  PIS  e  da  Cofins”.  A  ideia  de  insumo  proclamada  pela  legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o  IPI  [...]  tributo  cuja  não­cumulatividade  se  opera  pelo  método  subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha  havido  incidência  na  operação  anterior  para  que  o  insumo  seja  creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo  fisicamente apreensível.                                                              3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática não­cumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO.  Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos  (coord.).  PIS­Cofins:  questões  atuais  e polêmicas. São Paulo:  Quartier Latin,  2005.  p.  204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade  do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  4  SEHN, Solon. PIS­COFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p.  317.  5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não­ cumulatividade  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  São  Paulo:  IOB  Thompson.  Porto  Alegre:  Instituto  de  Estudos  Tributários, 2004. p. 112­122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117­118), foi extraído da Dissertação  de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127­128 – referência já citada.     Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          21 Como  a  receita  decorre  de  uma  prestação  de  serviços  ou  da  produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo  o  que  for  inerente  àquilo  que  denomina  de  “processo  formativo  da  receita”. Em suas palavras:  relevante  é  determinar  quais  os  dispêndios  ligados  à  prestação  de  serviços e à  fabricação/produção que digam respeito aos  respectivos  fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e  os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá  – em princípio – direito à dedução.  Há  ainda  outros  pensamentos  doutrinários  diversos  que  revelam  grandes  divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo  para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da não­cumulatividade. Culpa  da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto.   De  nossa  parte,  dadas  as  limitações  impostas  ao  creditamento  pelo  texto  normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não­ cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao  regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso,  não encontra alicerce na legislação pertinente.  Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo,  a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela  pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados  nas  atividades  da  empresa,  bem  como  da  energia  consumida  em  seus  estabelecimentos,  ressalvadas  as  exceções  legais.  O  detalhamento  das  possibilidades  de  creditamento  e  das  vedações  ao  mesmo,  sujeitos  a  emendas  normativas  implementadas  no  decorrer  do  tempo,  revela,  sem  nenhuma  dúvida,  que  o  legislador  sempre  optou  por  um  regime  de  não­ cumulatividade seletivo.  Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o  teor  do  inciso  II  do  artigo  3o  de  ambas  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que,  sobre  a  correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto  de créditos calculados em relação a:  II  ­  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  à  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002)  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes;  (Lei  10.637/2002  ­  redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido pelo  fabricante ou  importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº  10.833/2003.  Na  Lei  nº  10.637/2002  essa  redação  é  decorrente  da  Lei  nº  10.865, de 2004)  Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          22 Da  leitura  das  redações  do  dispositivo  que  trata  do  creditamento  em  decorrência  da  aquisição  de  insumos  –  a  atual  e  as  historicamente  concebidas  para  referido  preceito – constata­se que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca  se  apresentou  no  texto  normativo  de  forma  isolada,  mas  continuamente  associado  ao  seu  papel de fator de produção ou na prestação de serviços.   Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens  e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à  fabricação  dos  produtos  destinados  à  venda,  o  que  requer,  pois,  análise  individual  do  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica  que  busca  o  creditamento  segundo  o  regime  da  não­ cumulatividade.   No caso presente, entendo que os serviços prestados à  interessada pela Fiat  do  Brasil  S.A.  (despacho  aduaneiro  de  importação  e  exportação,  serviços  de  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária  e  societária,  serviços  de  assessoria  e  expatriados)  não  se  destinam  diretamente  à  atividade  de  “fabricação  de  máquinas  e  equipamentos  para  terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de  máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ).  Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico  que o  adotado pela Receita Federal  nas  suas  instruções normativas nos  247, de 21/11/2002 e  404,  de  12/03/2004,  conforme  razões  acima  desenvolvidas,  e mesmo  admitindo  que muitos  desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem  respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma  direta, à atividade produtiva da interessada.   Contudo,  em  relação  aos  serviços  prestados  pela GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos  Ltda.,  (“Gerenciamento  das  operações  de  transporte  ‘Inbound’  ­  Transportes  de  materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Follow­up" ­ Acompanhamento  de  entrega  de  materiais  e  componentes  a  ser  realizado  pela  contratada,  perante  os  fornecedores  da  contratante”),  esses,  por  estarem  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras  da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”.  Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz  sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual  entendo  que  os  créditos  calculados  com  base  nos  serviços  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos.  Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que  sejam admitidos os  créditos  calculados  pelo  sujeito passivo  em  relação  aos  serviços pagos  à  GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.  Das  glosas  objeto  dos  itens  3.4  e  3.5  do  TVF:  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  e  fretes  pelo  transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo  A  Lei  nº  10.833/2003,  em  seu  artigo  3º,  inciso  IX,  admite  o  desconto  de  créditos  da  COFINS  calculados  com  base  em  “armazenagem  de  mercadoria  e  frete  na  operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”.  Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          23 Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso  II, da mesma norma7.  Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete  e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda  ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.  Trata­se, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a  despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme  ressaltado.   Essa  restrição  ao  gozo  do  mecanismo  creditório  se  observa  também  em  relação a outros casos previstos no regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS, como,  por  exemplo,  nos  casos  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos;  máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para  locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação  de  serviços;  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis;  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­ alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.  No mais, entendo que aludidos fretes  também não caracterizam insumo, até  porque,  conforme  asseverado  pela  instância  recorrida,  o  frete  pago  na  compra  de  insumos  integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado  pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa  jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente.  Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  (item  3.4  do  TVF),  ou  ainda,  pelos  fretes  do  transporte  de  mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF).  Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência:  TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  FRETE  INTERCOMPANY.  OPERAÇÃO  DE  VENDA  NÃO  CARACTERIZADA  (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II,  L10833). IMPOSSIBILIDADE.   1. O  frete  intercompany,  referente  à  alocação dos  produtos  acabados  das  indústrias  para  os  centros  de  distribuição  da  empresa,  configura  simples  transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de  venda.  Com  efeito,  apenas  enseja  o  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte  de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma.   2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos  das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até  chegar  à  sua  destinação  final,  a  "operação  de  venda",  enquanto  negócio                                                              7   Art.  15. Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.637,  de 30  de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)     [...]     II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004)  Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          24 jurídico, é  relação estabelecida estritamente entre os  sujeitos  fornecedor e  adquirente. Deste modo,  as  etapas  anteriores  à  destinação  do  produto  ao  consumidor  final,  ainda  âmbito  da  empresa  (fornecedora),  não  podem ser  consideradas operações de venda.   3.  Na  linha  do  que  defende  a  doutrina  mais  moderna,  o  conceito  de  "insumo",  no  campo  tributário,  não  é  uniforme  para  todas  as  exações.  Assim,  os  conceitos  encontrados  no  IPI  não  são,  de  fato,  suficientes  para  abarcar  todos  os  custos  que  podem  gerar  créditos  de  PIS/COFINS.  Enquanto na  legislação de  regência daquele  imposto, há referência  tão­só  às  despesas  referentes  à  industrialização  dos  bens  (matérias­primas,  produtos  intermediários,  materiais  de  embalagem  etc.)  aqui,  as  receitas  submetidas  às  contribuições  não  são  unicamente  decorrentes  da  venda  de  produtos industrializados.   4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir­ se  ao  outro  extremo,  estendendo­o  de  tal  modo  a  incorporar  "todo  e  qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos  da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A não­cumulatividade deve  estar adstrita à materialidade do tributo ­ para PIS/COFINS, receita; para  IR,  lucro  líquido.  Logo,  também  imprestável,  o  conceito  de  despesa  operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR.   5.  Nesse  contexto,  de  intermédio,  primeiramente,  há  que  se  ter,  por  parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art.  3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar  os  créditos  calculados  em  relação  a  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes".   6.  Portanto,  o  conceito  legal  de  insumo,  para  efeito  de  crédito  de  PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens  diretamente  relacionados  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  afetem  o  montante  das  receitas  tributáveis  pelas  contribuições  constituem  crédito  utilizáveis na apuração destas.   7.  Por  seu  turno,  Marco  Aurélio  Greco  preconiza  o  critério  da  essencialidade  ou  relevância  para  análise  do  conceito  de  insumo,  a  ser  entendido  sob  uma  perspectiva  dinâmica.  Devem,  assim,  ser  rechaçados  como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte.   8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades  de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos,  margarinas  e  cremes  vegetais.  A  ser  assim,  não  é  de  entender­se  o  frete  entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às  filiais,  como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo  desenvolvido  pelo  contribuinte.  Tal  custo  é  posterior  ao  processo  de  fabricação dos bens destinados à  venda, não consistindo, pois,  em insumo  direto.   9.  Assim,  seja  como  for,  quer  se  entendendo  insumo  como  o  gasto  relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial  a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que  ele  corresponde  a  dispêndio  elegível  a  título  de  mera  conveniência  da  pessoa  jurídica  (não  alcançando  "perante  o  fator  de  produção  o  nível  de  uma  utilidade  ou  necessidade"),  visando  à  melhor  distribuição  dos  bens  fabricados ao adquirente final.   Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          25 Apelação a que se nega provimento.  (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº  544709.  Relator  Des.  Federal  José  Maria  Lucena.  Data  do  acórdão:  15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014)    TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  FRETE  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  CONTRIBUINTE.  DEDUTIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL.   1 ­ O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é  possível  o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na  sistemática  da  não­cumulatividade.  A  utilização  do  crédito  presumido,  em  relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à  operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos  de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111  do CTN.   2  ­  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  pronunciou­se  no  sentido  de  que  o  conceito de  insumo não abrange as operações de  transferência  interna de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  de  uma  mesma  pessoa  jurídica  (AGRESP 1335014).   3 ­ Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação Cível  nº  526.709. Relator Des.  Federal Geraldine  Pinto Vital  de  Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014)     TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  ARTIGO  3º,  INCISO  IX.  ARTIGO  15,  INCISO  II.  LEI  Nº  10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.   1 ­ No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao  creditamento,  a  título  de PIS/COFINS,  de  valores  despendidos  com  fretes  contratados  pela  impetrante  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos e pontos de distribuição.   2  ­  A  questão  em  discussão  nestes  autos  diz  respeito  ao  regime  da  não  cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do  artigo  195  da  Constituição  Federal,  introduzidos  pela  Emenda  Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº  66/2002  (DOU  30.08.2002),  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (DOU  31.12.2002)  no  que  diz  respeito  ao  PIS,  e  pela  Medida  Provisória  nº  135/2003  (DOU  31.10.2003),  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (DOU  31.12.2003) referente à COFINS.   3 ­ Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e  incisos)  sobre  os  créditos  passíveis  de  descontos  a  título  de  PIS  do  valor  apurado  na  forma  do  artigo  2º  da  referida  lei.  E,  no  que  tange  a  "frete",  estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito  da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX,  do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a  interpretação  restrita  dada  pela  lei  no  sentido  de  se  tratar  de  "frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor" (grifos meus).   Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          26 4  ­  Nesse  passo,  considerando  que  as  regras  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  em  comento  estão  afetas  à  definição  infraconstitucional,  ao  amparo  da  Lei  Maior,  os  aludidos  diplomas  normativos  restringiram  a  hipótese  de  creditamento,  não  abrangendo  a  hipótese  pretendida  nestes  autos,  como  equivocadamente  entende  a  impetrante, ora recorrente.   5  ­ Observa­se  que  a  pretensão  formulada  neste mandamus  não  encontra  guarida  legal  para  prosperar,  porquanto  a  impetrante  objetiva  o  creditamento  a  título  de  PIS/COFINS  de  valores  despendidos  com  "fretes  contratados  pela  impetrante,  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos  e  pontos  de  distribuição",  hipótese  essa  não  amparada  pela  lei  de  regência,  que  restringe  o  creditamento  ao  frete  à  operação de  venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.   6 ­ Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções  de  créditos  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  exações  em  comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas  nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo  111 do Código Tributário Nacional.   7  ­  Na  verdade,  verifica­se  que  a  recorrente  insurge­se  quanto  à  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS/COFINS,  objetivando  a  redução  da  incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário  atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo  somente  ocorre  mediante  expressa  previsão  legal,  a  cargo  do  Poder  Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de  creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores  efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no  período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim,  não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar  a  pretensão  veiculada  na  presente  ação  mandamental,  não  merece  prosperar o apelo da impetrante.   8 ­ Apelação não provida.  (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº  325.368.  Relator  Des.  Federal  Nery  Junior.  Data  do  acórdão:  19/12/2013.  Publicado em: 10/01/2014)     TRIBUTÁRIO ­ AÇÃO ORDINÁRIA ­ PIS E COFINS ­ LEIS Nº 10.637/2002  E 10.833/2003 ­ REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE ­ DESPESAS DE  FRETE  ­  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA  ­  CREDITAMENTO  ­  IMPOSSIBILIDADE.   1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa  jurídica,  a  fim  de  que  possa  desenvolver  as  suas  atividades,  tenha  de  adquirir insumos, matérias­primas ou serviços de outras pessoas jurídicas.   2.  Assim,  é  natural  que  uma  parcela  das  suas  receitas,  dos  recursos  advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao  pagamento  dos  seus  custos,  das  suas  despesas  operacionais,  ou  seja,  à  remuneração  dos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço.  Os  pagamentos  feitos  aos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço  representarão faturamento destes e sujeitar­se­ão, por sua vez, à incidência  Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          27 do  PIS  e  da  COFINS.  O  que  é  dispêndio,  desembolso  para  uma  pessoa  jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso  é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o  faturamento  e,  posteriormente,  todas  as  receitas  como  hipótese  de  incidência  para  contribuição  destinada  ao  financiamento  da  seguridade  social. Quando houver  várias  fases  ou  etapas  de  circulação  econômica,  a  incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa.   3. As únicas  deduções  ou  exclusões  possíveis  seriam aquelas  previstas  em  lei,  que  teriam  a  natureza  de  isenção,  de  favor  fiscal,  determinado  discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência  e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já  se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é,  que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas  das atividades empresariais, representando situação de não­incidência.   4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela  EC  nº  47/2005  prevê  a  possibilidade  de  as  contribuições  sociais  terem  alíquotas  ou  bases  de  cálculo  diferenciadas,  em  razão  da  atividade  econômica, da utilização intensiva de mão­de­obra, do porte da empresa ou  da  condição  estrutural  do  mercado  de  trabalho,  conforme  opção  a  ser  exercida pelo legislador ordinário.   5. Por  sua vez,  o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº  42/2003,  determina  que  a  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para os quais a contribuição social sobre as receitas será não­cumulativa.   6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado  do  PIS  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  relativos  a  bens  e  serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda.   7.  Já  a  Lei  nº  10.833/03,  no  inciso  IX  do  artigo  3º,  dispõe  que  do  valor  apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados  em  relação  à  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  quando o ônus for suportado pelo vendedor.   8.  Como  as  exclusões  e  isenções  tributárias  devem  ter  interpretação  restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de  desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca  as  despesas  incorridas  no  transporte  interno  de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  do  contribuinte,  porque  não  são  despesas  diretamente  relacionadas  em  operações  de  venda.  A  transferência  interna  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa  não  caracteriza  uma  operação  de  venda,  e,  por  isso,  as  despesas  de  frete  desse  transporte  não  estão  relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias.   9. Precedentes deste TRF e do STJ.   10. Apelação da autora desprovida.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação  Cível  nº  545.908.  Relator  Des.  Federal  Luiz  Mattos.  Data  do  acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013)   (grifos nossos)  Finalmente,  o  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  alicerçou  a  fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados  Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          28 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002  E  10.833/2003.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  CREDITAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL.   1.  Consoante  decidiu  esta  Turma,  "as  despesas  de  frete  somente  geram  crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que  sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente.   2.  O  frete  devido  em  razão  das  operações  de  transportes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimento  da mesma  empresa,  por  não  caracterizar  uma operação de venda, não gera direito ao creditamento.   3. A  norma que  concede benefício  fiscal  somente pode  ser  prevista  em  lei  específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do  CTN,  não  se  admitindo  sua  concessão  por  interpretação  extensiva,  tampouco analógica. Precedentes.   4. Agravo regimental não provido  (STJ.  Segunda  Turma.  Agravo  Regimental  no  Recurso  Especial  nº  1.335.014.  Relator  Min.  Castro  Meira.  Data  do  acórdão:  18/12/2012.  Publicado em: 08/02/2013)  (Grifos nossos)  Das  glosas  objeto  do  item  3.7  do  TVF:  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não identificadas  Quanto  às  glosas  em  vista  dos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  não  identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal:  Como  demonstrado  anteriormente,  a  possibilidade  de  creditamento  nos  casos  em  que  se  entende  a  despesa  com  frete  como  um  serviço  utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº  10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras  palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito  do PIS  e  da COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos;  assim,  caso  a  pessoa  jurídica  adquira um bem de  pessoa  física,  o  transporte  deste  bem, mesmo  feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do  mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não  haverá créditos relacionados com as despesas de fretes.   Não  havendo  informação,  na  Escrituração  Fiscal,  das  notas  fiscais  dos bens  considerados  como  insumos associados aos  fretes,  lavrou­se  em  14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte  associasse,  nota  fiscal  por  nota  fiscal,  os  fretes  com  as  mercadorias  transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendo­se  observar lay­out específico para tanto.   Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo  adicional  de  vinte  dias,  por  nós  deferido.  Em  24/10/2011,  a  empresa  apresentou  apenas  dados  parciais,  e  requereu  mais  algum  tempo  para  terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por  mais quinze dias o prazo final.   Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          29 Na data aprazada, o  sujeito passivo  entregou os arquivos,  os quais,  porém,  não  possuíam  todos  os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte.   [...]  No  caso  em  tela,  essencial  era  a  vinculação  entre  as  despesas  de  frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por  intermédio  do  arquivo  de  vínculos,  que  possuía  tanto  a  identificação  das  notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou  venda de mercadorias. Entretanto,  nos arquivos entregues  em 08/11/2011,  anexos  ao  processo,  duas  falhas  foram  observadas:  por  um  lado,  notas  fiscais de  transporte  relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não  foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de  mercadorias  indicadas  no  arquivo  de  vínculos  não  foram  encontradas  no  “Arquivo  de  NF.txt”,  nem  na  Escrituração  Fiscal.  Estas  duas  irregularidades  foram  relacionadas,  respectivamente,  nos  demonstrativos  “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração  Fiscal”,  em  anexo.   A  título  de  exemplo,  tomemos  uma  das  diversas  notas  fiscais  não  encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as  notas  fiscais  de  transporte  e  as  notas  fiscais  de  mercadorias:  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única,  emitido  pela  Transportadora  Rodomeu  Ltda,  em  anexo.  Trata­se  de  um  documento  relativo  ao  transporte  de  mercadorias  importadas  da  CNH  America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total  somava R$ 65.741,50.   Tal  creditamento  é  vedado  pela  RFB,  conforme  dispõem  várias  consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84,  da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo:  “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS.   O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País.   O  desconto  de  créditos,  no  caso  de  importações  sujeitas  ao  pagamento  da  Cofins­Importação,  sujeita­se  ao  disposto  nos  arts.  7º  e  15,  §  3º,  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  determinam  que  a  base  de  cálculo  desses  créditos  corresponde  ao  valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação, quando integrante do custo de aquisição.  Assim,  o  frete  pago  para  transportar  bens  importados,  empregados  como  insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento  fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte  de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso)  Deste  modo,  é  forçoso  concluir  que  a  falta  de  vinculação  entre  os  fretes  e  as  mercadorias  transportadas  impede  a  constatação  não  só  da  irregularidade  acima  descrita,  mas  de  quaisquer  outras  que  a  empresa  porventura tenha cometido.  [...]  Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas  144238  ­  PIS  a  recuperar  ­  insumos  e  144239  ­ COFINS  a  recuperar  –  insumos,  e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias  Fl. 3608DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          30 não Encontradas  na Escrituração Fiscal”,  todo  o  valor  das  contribuições  creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a  falta de  determinada  associação  impede  o  cálculo  do  valor  creditado  proporcionalmente.  (os destaquem em negrito não constam do original)  Extrai­se dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada  pela  fiscalização  para  a  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  os  fretes  foi,  essencialmente,  a  impossibilidade  de  vinculação  “entre  as  despesas  de  frete  e  os  insumos  pretensamente  adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as  notas  fiscais  de  entrada  dos  insumos.  A  ausência  desse  vínculo  impediu  a  autoridade  administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas  como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”.  Decerto,  “apenas  os  fretes  associados  a  bens  tidos  como  insumos  no  âmbito  do  PIS  e  da  COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos”,  muito  embora  a  autoridade  administrativa  tenha  afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo  frete pago para  transportar bens  importados empregados como insumos do processo produtivo.  Segundo  a  defesa  apresentada  pelo  sujeito  passivo:  “[...]  se  há  créditos  de  insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também,  créditos  referentes  a  seus  correlatos  fretes”.  Ressalta  ainda  a  reclamante  que  “a  maioria  esmagadora de tais  fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101:  Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou  produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”.  Ainda segundo a recorrente:  Os  CFOPs  das  notas  fiscais  são  provas  cabais  de  que  os  correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e  2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em  que, tendo­se em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02  e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a  própria Receita Federal, aliás. Veja­se um exemplo:  “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete  pago  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  na  aquisição  de  matéria­ prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo  destes  insumos  para  fins  de  cálculo  do  crédito  a  ser  descontado  da  Cofins.”  (Solução  de  Consulta  n.  197,  de  16  de  Agosto  de  2011  –  sem  destaques no original)  Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente:  segundo  o  inciso  IX  do  citado  art.  3º,  o  “frete  na  operação  de  venda”  autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais.  É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez  a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido  realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais  de  50  mil  linhas,  na  qual  indicou,  uma  a  uma,  nota  fiscal  autuada  e  respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a  maior  parte  dos  fretes  autuados  se  referia  a  situações  em  que  o  creditamento estava claramente autorizado.  Fl. 3609DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          31 Sobre  a  planilha  reportada  e  demais  argumentos  suscitados  pelo  sujeito  passivo, asseverou a instância recorrida, verbis:  9.  FRETES.  FALTA  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS  TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF.  Diante da ausência de  informação, na escrituração  fiscal, das notas  fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi  intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete,  os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três  arquivos distintos. Após  algumas  prorrogações,  a  recorrente  apresentou  a  documentação  solicitada, que,  contudo, não apresentava  todos os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias  transportadas.  Ponderou  a  autoridade  fiscal  que  a  falta  de  vinculação  entre  fretes  e  mercadorias  transportadas,  além  de  impedir  o  creditamento,  também  impede  a  constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a  exemplo  de  frete  pago  para  transporte  de  bens  importados,  empregados  como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril.   Suscita  a  interessada,  quanto  ao  tema,  que  a  glosa  decorreu  da  ausência  de  vinculação  de  boa  parte  dos  fretes  aos  respectivos  insumos  adquiridos,  estornando­se,  então, praticamente  todo o  crédito de  fretes  do  período,  exceto  aqueles  tratados  nos  itens  anteriores,  que  tiveram  análise  própria  e  apartada.  Solicita,  para  que  não  hajam  dúvidas  quanto  ao  seu  direito  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas  não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em  razão  do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias. De  qualquer  forma,  afirma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  ou  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos.  Por  fim,  na  eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima.  A  contribuinte  juntou  aos  autos  mídia  em  CD,  incluindo  as  informações  que  entendeu  necessárias  para  o  restabelecimento  desses  créditos,  a  qual  foi  convertida  em  documentos  anexados  aos  autos.  Examinando  esses  documentos,  pode­se  observar  que  se  trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização  (código  CTRC,  CTRC,  data de emissão, data  fiscal, código,  ID, razão social e CNPJ) e dados da  nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e  CNPJ).   Não  obstante,  do  exame  dessa  planilha  não  resta  comprovada  a  vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto,  fazia­se necessário que  fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos  fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez.   Em adição, pode­se observar que a aludida planilha apresenta mais  de 50.000  linhas com dados para verificação, enquanto que a  interessada,  Fl. 3610DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          32 ao  trazê­la  aos  autos,  limitou­se  a  requerer  fosse  verificada  a  vinculação  dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos.   Ocorre  que  o  ônus  de  prova  do  direito  ao  creditamento  é  da  contribuinte,  como  adiante  se melhor  verá,  a  quem  competia,  no mínimo,  apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de  dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para  o fisco.  Ressalte­se que, para  fins de  creditamento,  a  legislação exige que o  crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a  alegação  de  que  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações,  quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de  insumos.   Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item.  (grifos nossos)  No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a  devida  vênia,  que  a  DRJ  não  caminhou  bem  ao  apreciar  a  questão.  Na  ocasião,  assim  nos  manifestamos:     A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela  instância  a  quo,  é  a  de  que  esta  não  examinou  adequadamente  a  documentação  e  os  argumentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo.  Isso  porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação  [...]”,  onde  a  interessada alega  que  “[...]  para  aproximadamente  20% das  referidas  operações,  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos  [...]”,  não  foi  efetivamente  apreciada  pela  instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido  acima.    Como  a  própria  DRJ  afirma,  o  documento  acostado  aos  autos  pela  reclamante  “trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID,  razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data  de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem  sim  subsidiar  o  necessário  exame  para  verificar  se  existe  ou  não  vínculo  entre os fretes e as mercadorias transportadas.     No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia  de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que  o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório.  Foi  com  essa  motivação  que  propusemos  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da  COFINS nos  casos  em  que  os mesmos,  realmente,  correspondem a  fretes  pela  aquisição  de  insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Em resposta à diligência  supra a unidade de origem apresentou o Relatório  Fiscal de fls. 3559/3564, de onde destacamos o seguinte trecho:    [...]  Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          33   Vários  dos  CTRCs  informados  na  planilha  anexa  à  Manifestação  de  Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois  não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à  Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na  Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram  objeto  de  glosa.  Tais  documentos  estão  relacionados  na  planilha  anexa  denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas  na Ação Fiscal”.     Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se  referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente  não  tinham  sido  escrituradas  (“Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas  notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte,  via  Termo  de  Intimação  nº  001­201500011,  item  1,  cientificado  pessoalmente  em  04/02/2015,  que  nos  exibisse  tanto  estes  dois  Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas  Fiscais  a  eles  vinculadas,  determinação  esta  cumprida  parcialmente  em  24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais  nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e  56000.     Também  por  meio  deste  Termo  de  Intimação  visamos  comprovar  a  veracidade dos demais vínculos  informados cujos créditos  foram objeto de  glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais  de  Fretes  não  Associadas  à  Tabela  de  Vínculos”  do  item  3.7  do  TVF),  solicitando  assim,  por  amostragem,  algumas  Notas  Fiscais  e  CTRCs,  por  meio  do  item  2  da  mencionada  intimação.  Apesar  de  alguns  CTRCs  (nos  68797  e  886)  e  uma  Nota  Fiscal  (nº  37183)  não  terem  sido  entregues,  segundo  o  contribuinte,  em  virtude  do  “grande  volume  de  documentos  arquivados”,  pôde­se  concluir,  em  consonância  com  este,  que  a  documentação  apresentada  referenda  a  planilha  por  ele  elaborada  e  anexada  à  Manifestação  de  Inconformidade,  com  exceção  destes  documentos não exibidos.      Apesar  de  considerarmos  comprovados  os  vínculos  informados  na  defesa  do  sujeito  passivo,  algumas  das  notas  fiscais  relacionadas,  salvo  melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus  fretes.  Tal  ocorre  porque  se  referem  a  aquisições  de  bens  para  uso  ou  consumo  ou  destinados  ao  imobilizado,  nos  CFOPs  – Códigos  Fiscais  de  Operação – nos 1551, 2551 e 2556.     Neste  sentido, aliás,  foi a decisão em 1ª  instância em relação ao  item  3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir:   “REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.”     Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso  e  Consumo”  detalhamos  todos  estes  registros  e,  abaixo,  temos  o  resumo  mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida:  Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          34 Mês  PIS  COFINS  fev/2008  0,92  4,24  jun/2008  3,94  18,13  ago/2008  1,30  6,00  set/2008  3,99  18,40  dez/2008  7,40  34,10  fev/2009  1,13  5,21  mar/2009  2,44  11,19  abr/2009  17,02  78,36  mai/2009  2,02  9,28  jun/2009  10,49  48,30  jul/2009  2,06  9,53  ago/2009  3,67  16,90  set/2009  12,88  59,36  out/2009  9,12  41,98  dez/2009  16,59  76,37  jan/2010  0,48  2,21  fev/2010  17,17  79,05  mar/2010  1,42  6,54  abr/2010  14,41  66,34  mai/2010  5,17  23,77  jun/2010  7,81  35,98  jul/2010  14,48  66,68  ago/2010  36,33  167,37  set/2010  8,98  41,42    Por  outro  lado,  reunimos  todas  as  glosas  que  o  contribuinte  logrou  comprovar  indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a  seguir  totalizadas  mensalmente:  Mês  PIS  COFINS  jan/2008  286,53  1.319,78  fev/2008  381,23  1.755,95  mar/2008  3,92  18,06  abr/2008  605,72  2.790,07  mai/2008  804,26  3.704,48  jun/2008  148,17  682,45  jul/2008  2.010,67  9.261,50  ago/2008  3.674,28  16.924,00  set/2008  1.445,04  6.656,14  out/2008  4.608,03  21.224,31  nov/2008  374,20  1.723,23  Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          35 dez/2008  7.588,03  34.950,81  jan/2009  668,90  3.081,03  fev/2009  7.495,94  34.525,92  mar/2009  1.386,62  6.387,71  abr/2009  2.007,42  9.245,72  mai/2009  738,41  3.401,16  jun/2009  6.265,02  28.855,01  jul/2009  3.300,66  15.202,28  ago/2009  840,01  3.869,59  set/2009  719,75  3.315,29  out/2009  965,56  4.447,56  nov/2009  1.303,04  6.001,82  dez/2009  2.257,21  10.397,23  jan/2010  1.974,52  9.094,68  fev/2010  2.248,05  10.354,84  mar/2010  490,59  2.259,87  abr/2010  3.197,74  14.728,89  mai/2010  1.315,44  6.059,04  jun/2010  791,94  3.648,05  jul/2010  1.508,77  6.949,40  ago/2010  2.920,90  13.452,87  set/2010  2.954,21  13.607,00    Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi  evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais  de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a  identificação  do  CTRC  e  o  valor  do  PIS  e  da  COFINS  glosados.  Esta  planilha  também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510,  do  demonstrativo  “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela  apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas.     É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º  trimestre  de  2010,  período  para  o  qual  o  contribuinte,  à  época  da  fiscalização,  não  havia  ainda  apresentado  Pedidos  de  Ressarcimento,  portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela  fiscalização.  Porém,  como  nas  planilhas  mencionadas  no  Termo  de  Verificação Fiscal,  assim como  no  demonstrativo  anexo  à Manifestação  de  Inconformidade  há  referências  a  documentos  deste  período,  optamos  por  relacioná­los  também  neste  trabalho,  apesar  desta  informação  não  gerar  qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte.   *****    Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito  passivo  durante  a  fiscalização  e  por  ocasião  da  sua  Manifestação  de  Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial,  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          36 Fiscais,  no  sentido  de  considerar  como  créditos  de  PIS/COFINS  correspondentes a  fretes pela aquisição de  insumos os apurados na escrita  do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos  valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal.     [...]  Intimada  do  teor  do  relatório  fiscal  acima  reportado,  o  qual  é  padrão  para  todos  os  processos  da  interessada  que  ora  apresentamos  para  julgamento,  a  recorrente,  mediante expediente de fls. 3569/3571, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com  as  glosas  originais,  totaliza  valor  inexpressivo,  e  que,  dado  o  grande  volume  de  dados  a  analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação.  Até  a  presente  data,  contudo,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  nenhum  argumento  adicional  frente  ao  resultado  da  diligência  fiscal  conduzida  pelo  Auditor  Fiscal  responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal.  Portanto,  considerando  o  criterioso  trabalho  conduzido  pela  autoridade  administrativa,  retratado  por  último  na  fundamentação  objeto  do  relatório  fiscal  acima  transcrito  parcialmente,  e  ainda,  diante  da  não  apresentação,  pela  recorrente,  de  razões  objetivas  capazes  de  abalar  minimamente  o  resultado  do  trabalho  da  autoridade  em  tela,  entendo  que  deverão  ser  mantidas  as  glosas  inerentes  a  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não admitidas pelo regime da não­cumulatividade, ajustadas nos termos do  aduzido relatório fiscal.   Consequentemente,  há  que  se  dar  provimento  em  parte  aos  argumentos  apresentados  pela  reclamante,  mas  apenas  no  que  concerne  aos  ajustes  perpetrados  pela  autoridade fiscal, acima referenciados.  Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF  O  sujeito  passivo  também  se  insurge  contra  a  reclassificação  de  créditos  objeto  do  item  4.2  do  Termo  de Verificação  Fiscal.  Segundo  a  fiscalização,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20058,  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e  10.833/2003  –  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Contudo,  em  relação  aos  créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações                                                              8      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          37 de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes,  “por  falta  de  previsão  legal”,  não  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Ressalta  a  autoridade  administrativa  que  a  recorrente  importou  diversas  máquinas  e  veículos  para  revenda  enquadradas  nos  códigos  tarifários  elencados  no  §  3º  do  artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos,  indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”.  Vejamos  a  questão  analisando  cronologicamente  os  preceitos  inerentes  ao  regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise.  Como  já  ressaltado  linhas  cima,  o  artigo  3o  das  Leis  nos  10.637/2002  e  10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos  da pessoa  jurídica. No âmbito dos preceitos  legais em tela, esse direito de crédito alcança os  “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas  incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das  Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo  3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­ cumulativa  do  PIS  e  da COFINS  em  relação  apenas  a  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas.   Ainda no que concerne às  leis que criaram o regime da não­cumulatividade  das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de  mercadorias;  b)  prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como  fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição  a  recolher  ou  para  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado  por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo  solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§  1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003.  Posteriormente,  foi  editada  a  Lei  nº  10.865,  de  30/04/2004,  que  instituiu  o  PIS  e  a  COFINS  incidentes  sobre  as  importações  de  bens  e  de  serviços.  A  norma  em  tela  também  dispôs  sobre  o  creditamento  das  referidas  contribuições  incidentes  sobre  as  importações,  conforme  o  correspondente  artigo  15,  cujos  trechos  relevantes  seguem  abaixo  transcritos:                                                              9  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          38 Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses:   I ­ bens adquiridos para revenda;  II  ­  bens  e  serviços utilizados  como  insumo na prestação de  serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;   IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade  da empresa;  V  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica­ se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e  serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.   § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses  subseqüentes.  [...]  § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam­se, no que couber, as disposições  dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]  § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que  tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei:  I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à  revenda;  [...]  Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que   Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no 10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos  §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]  (grifo nosso)  Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          39 Importa destacar que os produtos de que  trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº  10.865/2004  são  “máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  –  NCM”.  Não  há  controvérsia  quanto  à  subsunção  das  mercadorias  importadas  pelo  sujeito  passivo  nesse  dispositivo,  já  que  ele  próprio  afirma  isso  quando  denomina  a  planilha  “Importação  para  Revenda  de Máquinas  e  Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifou­se) – vide item 4.2 do TVF.  Historicamente, vê­se que, até aqui, o regime da não­cumulatividade do PIS e  da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o  regime,  prevendo,  contudo,  a  compensação  ou  o  ressarcimento  em  espécie  (se  inexistir  a  possibilidade  de  dedução  da  contribuição  a  recolher  ou  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB)  exclusivamente  no  caso  de  as  receitas  serem  decorrentes  da  exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior.   Sobreveio  então  a  Lei  nº  11.033,  de  21/12/2004,  cujo  artigo  17  permitia  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  decorrentes  das  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.   Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo  16 estabelece os seguinte:  Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:  I  ­  compensação com débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.  Vê­se,  pois,  que  a  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da  exportação de mercadorias ou de  serviços para o  exterior  (sobre  as quais não  incidem as  contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das  Leis nos  10.637/2002 e  10.833/2003, bem como os  créditos decorrentes da  incidência das  contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime  da não­cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004.  Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de  bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos  que a possibilidade de utilização dos créditos para  fins de compensação ou de  ressarcimento  ampara  as  compras,  pelo  sujeito passivo, das máquinas  e dos veículos destinadas  à  revenda.  Fl. 3618DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          40 Quando  o  §  8º  do  artigo  15  diz  que  “as  pessoas  jurídicas  importadoras,  nas  hipóteses  de  importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei”  em  relação,  dentre  outros,  aos  produtos  do  §  3º  do  artigo  8º  (“máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Nomenclatura Comum do Mercosul  –  NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório.   Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que   O  crédito  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  apurado  mediante  a  aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  sobre  o  valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na  forma do art. 7º  desta  Lei,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de  1,65% para o PIS e de  7,6% para a COFINS  (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003,  respectivamente).  Contudo,  na  realidade  presente,  inerente  à  importação  das  máquinas  e  veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz  referência  o  inciso  I  do  artigo  17  da  mesma  lei,  os  créditos  serão  apurados  “mediante  a  aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições,  na  forma  do  art.  7º  desta  Lei  [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo  de aquisição”.  De  fato,  o  artigo  17  da  Lei  nº  10.865/2004  trata  especificamente  da  possibilidade  de  desconto  de  créditos  nas  hipóteses  que  elenca,  e  nada  diz  a  respeito  de  eventual  restrição  à  utilização  do  direito  creditório  calculado  segundo  as  formas  prescritas.  Reproduzo, abaixo, o  teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do  presente litígio:  Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]   §  2º  Os  créditos  de  que  trata  este  artigo  serão  apurados  mediante  a  aplicação das alíquotas da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  incidentes  sobre  a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação  específica,  sobre  o  valor  de  que trata o § 3º do art. 15 desta Lei.  [...]  Fl. 3619DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          41 Por  fim,  vale  destacar  que  quase  todos  os  demais  parágrafos  do  artigo  17  tratam,  exclusivamente,  de  formas  de  apuração  de  crédito  nas  hipóteses  abrangidas  pelos  mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz  que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta  Lei”,  corrobora  o  presente  entendimento  concernente  ao  qual  o  artigo  17  particulariza  a  apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do  artigo 15.  Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida  a  reclassificação  como  “não  ressarcível”  operada  pela  fiscalização,  uma  vez  que,  conforme  demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de  ressarcimento.  Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo.  Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF  Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação  aproveitados  em  PER/Dcomp  ao  argumento  de  que  estes,  por  se  originarem  do  mercado  externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestre­calendário. De fato,  conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de  findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação.  Referido  ajuste  foi  baseado  no  artigo  42  da  IN  RFB  nº  900/2008,  cujo  §  7º  autorizava  a  compensação  de  créditos  decorrentes  de  custos,  despesas  e  encargos  incorridos no mercado  interno  vinculados  a  receitas  de  exportação,  mesmo  antes  de  findo  o  trimestre  do  ano­ calendário a que se refere o crédito.  Em pesquisa à mais atual  instrução normativa que trata do assunto observei  que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de  20/11/2012,  dispõe  que  a  compensação  dos  créditos,  dentre  outras  hipóteses,  decorrentes  de  custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  zero ou não  incidência,  “poderá  ser  efetuada  somente depois do  encerramento do  trimestre­ calendário”.  Tal  regramento,  de  fato,  está  amparado  no  caput  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento   o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na  forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de  2004, acumulado ao  final de  cada  trimestre do ano­calendário  em virtude  do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004.  (grifo nosso)  Vale  lembrar  que  o  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004  trata,  justamente,  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.  Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar  os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente.  Fl. 3620DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          42 Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que  refiram, tão­somente, ao atraso de um ou dois meses  (i.e, aquele decorrente da espera até o  fim  do  trimestre”,  acaso  a  incidência  dos  encargos  tenha  extrapolado  o  correspondente  trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes  necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término  de cada  trimestre  ­ data  a partir da qual o  contribuinte passou a  ter direito ao crédito. Dessa  forma,  serão  corrigidos  até  a  data  da  compensação  unicamente  os  débitos  em  aberto  posteriormente aos ajustes em tela.  Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos  termos do parágrafo anterior.  Dos erros de cálculo  No  que  concerne  aos  erros  de  cálculo  o  sujeito  passivo  alega  que  a  DRJ  recorrida,  “sem  muitas  justificativas,  também  negou  a  realização  de  diligência  para  tal  verificação”.  Todavia,  ressaltou  que,  “quanto  a  dois  dos  quatro  períodos  apontados  como  exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos  e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 02­46.070 e 02­46.072)”.  De  fato,  dentre  todos  os  processos  da  empresa  sob  nossa  responsabilidade  que  ora  trazemos  à  pauta,  observamos  que  a  primeira  instância  já  reconheceu  crédito  remanescente  em  relação  aos  seguintes  processos  da  recorrente  nos  respectivos montantes  a  seguir  discriminados:  13603.724502/2011­43  (R$  7.743,90),  13603.724508/2011­11  (R$  132.933,34), 13603.724529/2011­36 (R$ 339.948,59), 13603.724627/2011­73 (R$ 1.114,90) e  13603.724631/2011­31 (R$ 596.928,10).   Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a  reclamante  não  contesta  o  resultado  das  correções  perpetradas  pela  DRJ,  tendo­se  limitado  unicamente  a  reiterar  a  necessidade  de  “[...]  diligência  para  a  verificação  da  correção  do  cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento  pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade.   Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso.  Da conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  no  seguinte sentido:  I)  negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de  bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF);  II)  reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os  créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL  Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF);  III) manter  o  entendimento  da  fiscalização  pela  impossibilidade  de  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado entre estabelecimentos da  interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda,  Fl. 3621DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724612/2011­13  Acórdão n.º 3301­002.806  S3­C3T1  Fl. 0          43 pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou  a uso e consumo (item 3.5 do TVF);  IV) quanto  à  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  fretes  pela  “falta  de  identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial  provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade  fiscal no relatório de diligência de fls. 3559/3564;  V)  concernente  à  reclassificação  de  créditos  (item  4.2  do  TVF),  desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela  fiscalização, uma vez  caracterizada  a  possibilidade  de  utilização  dos  créditos,  para  fins  de  compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos  veículos destinadas à revenda;   VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial  provimento  ao  recurso  para  permitir  o  ajuste  necessário  de  forma  a  considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas  até o término de cada trimestre ­ data a partir da qual a contribuinte passou a  ter direito ao crédito;  VII)  negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo.  Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 3622DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 10580.021692/99-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A decisão que apreciou a compensação informada pelo contribuinte somente alcança os débitos objeto de um único processo administrativo. Os débitos que o contribuinte requer sejam compensados com o mesmo crédito, mas que forem objeto de outros processos administrativos, somente nestes deverão ser apreciados. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3201-001.939
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A decisão que apreciou a compensação informada pelo contribuinte somente alcança os débitos objeto de um único processo administrativo. Os débitos que o contribuinte requer sejam compensados com o mesmo crédito, mas que forem objeto de outros processos administrativos, somente nestes deverão ser apreciados. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 A interessada apresentou pedido de compensação de débito próprio com crédito de Finsocial apurado no regime não cumulativo, com origem no período de setembro de 1989 a agosto de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata-se de Manifestação de Inconformidade (fls. 171/176) da interessada contra o Despacho Decisório n° 931 (fls. 167/169), de 16 de outubro de 2007, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (DRF/SDR), que não homologou a compensação postulada através do Pedido de Compensação à folha 01, apresentado em 12/11/1999. O crédito se refere a recolhimentos a maior de Finsocial no período de setembro de 1989 a março de 1992. Por meio da ação judicial n° 95.0010289-7, a interessada teve reconhecido o direito à compensação dos valores pagos a maior de Finsocial, visto que as sucessivas majorações de alíquotas desse tributo, promovidas pelas Leis n° 7.787 e n° 7.894, de 1989, e n°8147, de 1990, foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A ação transitou em julgado em 24/05/1999, conforme documentos às folhas 29 e 31/33. No referido despacho decisório da DRF/SDR, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada por serem os documentos integrantes do processo insuficientes para a determinação do crédito a ser compensado. Cientificada do despacho decisório em 22/04/2008 (fl. 170), a contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade em 21/05/2008, onde evoca a homologação tácita de sua compensação pelo transcurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data de entrega de seu pedido. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou procedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 15- 15.918, de 11/06/2008 (fls. 180 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002 devem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos cinco anos da apresentação de declaração de compensação ou de pedido de compensação convertido em declaração, sem manifestação da autoridade administrativa, Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10580.021692/99-11 Acórdão n.º 3201-001.939 S3-C2T1 Fl. 2 3 considera-se homologada a compensação e extintos os débitos declarados. Solicitação Deferida Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 187 e ss., por meio do qual, além de requerer a suspensão da exigibilidade dos débitos, afirma que o único valor objeto de compensação considerado homologado tacitamente foi o protocolado em outubro de 1999. Todavia, a compensação do débito referente ao período de 07/2003, informado através de DCTF em 15/08/2003 (trata-se, na verdade, de PER/DCOMP eletrônico), também deveria ser homologada tacitamente. E mesmo que assim não fosse, o suposto crédito (sic) restaria de igual maneira homologado porque teria havido descumprimento de ordem judicial (RE 150.764-1/PE, Rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJ de 02/04/1983). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio versa sobre pedido de compensação de débito, informada ainda em formulário próprio, com crédito de Finsocial apurado entre setembro de 1989 a agosto de 2003. Indeferido o pleito, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, que findou por reconhecer a homologação tácita da compensação. A Recorrente, contudo, sustenta, no recurso voluntário, que apenas um dos débitos foi homologado pela DRJ, restando, ainda, a Cofins devida em julho de 2003, compensada através do PER/DCOMP enviado em 15/08/2003. Ocorre que a compensação do débito a que se refere a Recorrente nunca foi objeto do presente processo administrativo, uma vez que o PER/DCOMP por ela mencionado, apesar de referir-se ao mesmo crédito de Finsocial, jamais constou dos autos, sendo informada apenas no recurso voluntário. Decerto, constará, se já não constou, de outra decisão administrativa a ser prolatada em outro processo administrativo. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Relatório Voto

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Numero do processo: 23034.042534/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/2003 FNDE. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS. APLICAÇÃO AO PERÍODO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. Os requisitos para a manutenção do direito à dedução das despesas com a educação dos empregados e seus dependentes devem ser observados pelas empresas interessadas. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/2003 FNDE. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS. APLICAÇÃO AO PERÍODO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. Os requisitos para a manutenção do direito à dedução das despesas com a educação dos empregados e seus dependentes devem ser observados pelas empresas interessadas. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.    João Bellini Junior ­ Presidente     Julio Cesar Vieira Gomes ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  JOAO  BELLINI  JUNIOR,  JULIO  CESAR  VIEIRA GOMES,  ALICE GRECCHI,  IVACIR  JULIO DE  SOUZA,  NATHALIA  CORREIA  POMPEU,  LUCIANA  DE  SOUZA  ESPINDOLA  REIS,  AMILCAR  BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.042534/2006­15  Acórdão n.º 2301­004.382  S2­C3T1  Fl. 101          3     Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância  que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado pelo FNDE em 17/12/2006 para  glosa  das  deduções  indevidas  da  contribuição  ao  salário­educação.  Foram  excluídos  do  lançamento os valores alcançados pela decadência pela regra do artigo 150, §4º do CTN, 11/96  a 11/2001. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida:  ASSUNTO:  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES  Período  de  apuração:  01/11/1996  a  31/12/2003  FNDE  ­  NRD  DEBCAD  n.º  49.904.508­4  SALÁRIO  EDUCAÇÃO.  GLOSA.  DECADÊNCIA.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ARTIGO  45  DA  LEI  Nº  8.212/91.  SÚMULA  DO  SUPREMO  TRIBUNAL FEDERAL.  Consideram­se  decaídos  os  créditos  tributários  lançados  com base no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, que determinava  o  prazo  decadencial  de  10  anos  para  as  contribuições  previdenciárias,  por  ter  sido  este  artigo  considerado  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  termos da Súmula Vinculante nº 8, publicada no DOU em  20/06/2008.  PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA.  A simples alegação contrária a ato da administração, sem  carrear  aos  autos  provas  documentais,  não  tem  o  condão  de desconstituir o lançamento.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte  ...  Trata­se a presente de Notificação para Recolhimento de Débito  nº 0000384/2006, lavrada em 17/12/2006, para recolhimento ao  Fundo Nacional  de Desenvolvimento  da Educação – FNDE do  valor de R$ 116.624,21 (cento e dezesseis mil, seiscentos e vinte  e  quatro  reais  e  vinte  e  um  centavos),  relativo  ao  Salário  Educação.  De  acordo  com  a Notificação  para  Recolhimento  de Débito,  o  FNDE verificou irregularidades nos recolhimentos referentes ao  Salário  Educação  e/ou  na  aplicação  dos  recursos  do  SME  –  Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental.  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 Os valores foram levantados por meio de Apuração Especial das  deduções de valores devidos referentes à Salário­Educação, cujo  exame  identificou  deduções  indevidas  na  modalidade  “Indenização  de  Dependentes”,  baseando­se  no  Sistema  de  Gestão de Arrecadação do FNDE.  Uma vez que as deduções foram realizadas em desacordo com as  informações  prestadas  ao  FNDE,  foi  realizado  o  lançamento  correspondente  à  glosa  das  deduções  indevidas.  Os  valores  lançados  referem­se  ao  período  de  novembro/1996  a  dezembro/2003,  conforme Quadro de Lançamento de Débitos e  Quadro de Atualização de Débito.  Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde alega:  a)  Decadência pela regra do artigo 150, §4º do CTN;  b)  Em virtude das disposições contidas no artigo 1º do Decreto nº  3.142/99  aplicam­se  à  contribuição  social  para  o  salário­ educação  as  regras  procedimentais  do  Decreto  nº  3.969,  de  15/10/2001, que  coincide com a necessidade de prévia  emissão de  mandado do procedimento fiscal;  c)  A  fiscalização  fundamentou  a  exigência  fiscal  de  forma  genérica  e  a descrição dos  fatos não  guardam coerência  com  os relatórios de divergência;   d)  Aplicação de multa abusiva; e  e)  Prescrição intercorrente;  f)  Realizou todos os recolhimentos e os comprovou nos autos; e  g)  Não  poderia  a  decisão  recorrida  adotar  como  fundamento  disposição legal ainda não vigente à época dos fatos geradores.  Não se poderia exigir o cumprimento de requisitos inexistentes  a época, já que a Resolução nº 3, de 18/12/2000 não vigia no  período de 12/96 a 06/99.  É o Relatório.  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.042534/2006­15  Acórdão n.º 2301­004.382  S2­C3T1  Fl. 102          5 Voto             Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator  Das preliminares  Quanto ao mandado de procedimento fiscal – MPF, alega que sua ausência torna  nulo o lançamento. Conforme dispõem os artigos 20 e 21 do Decreto nº 3.969, de 15/10/2001,  a  emissão  de  MPF  somente  é  exigida  para  procedimentos  fiscais  iniciados  a  partir  de  01/01/2002,  que  é  o  caso  do  presente  processo;  contudo,  à  época  o  contribuinte  efetuava  os  recolhimentos  das  contribuições  ao  salário­educação  diretamente  ao  FNDE,  observando,  portanto,  rito  próprio.  Somente  com  a  Lei  nº  11.457,  de  16/03/2007  é  que  esses  processos  passaram  a  ser  regidos  pelo  Decreto  nº  70.235/72.  Como  a  notificação  do  débito  data  de  16/12/2006 não procede a alegação do recorrente:  Decreto nº 3.969, de 15/10/2001  Art.20.O disposto neste Decreto não se aplica aos procedimentos  fiscais iniciados antes de 1o de janeiro de 2002. (Redação dada  pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001)   §1o Os procedimento fiscais de que trata este artigo deverão ser  concluídos até 31 de dezembro de 2001.   §2o Na impossibilidade de cumprimento do disposto no § 1o, os  procedimentos fiscais terão continuidade, observadas as normas  contidas neste Decreto.   Art.21.Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação,  produzindo efeitos a partir de 1o de janeiro de 2002  Quanto  aos  dispositivos  legais,  constato  às  fls.  01  e  seguintes  que  a  fiscalização os indicou para que o contribuinte exercesse seu direito constitucional. No mais, a  falta  de  indicação  de  artigos,  parágrafos  e  incisos  da  legislação  tributária  apresentada  pela  fiscalização por si só não invalida o lançamento quando a descrição dos fatos é suficiente para  a  compreensão  dos  fundamentos  que  suportam  a  exigência.  Ressalta­se,  ainda,  que  para  ao  período  não  alcançado  pela  decadência,  12/2001  em  diante,  a  legislação  indicada  estava  em  vigor.  E,  no  caso,  verifico  que  a  fiscalização  aponta  critérios  de  apuração,  faz  referência a processos anteriores, junta demonstrativo de divergências minuciosos e traz todos  os elementos para conhecimento dos fatos.  Quanto  à  prescrição  intercorrente  no  processo  administrativo  fiscal,  este  CARF já pacificou a jurisprudência através da Súmula nº 11:  Súmula nº 11 do CARF: Não se aplica a prescrição intercorrente  no processo administrativo fiscal.  Assim, rejeito as preliminares argüidas.   Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     6 Superadas  as  questões  preliminares  para  exame  do  cumprimento  das  exigências formais, passo à apreciação do mérito.  Do mérito  A  criação  da  modalidade  “indenização  de  dependentes”  no  Sistema  de  Manutenção  de  Ensino  Fundamental  (SME)  decorreu  da  Emenda  Constitucional  14,  de  12/09/1996.  Com  ela,  revogou­se  o  direito  de  a  empresa  deduzir  da  contribuição  devida  a  aplicação realizada no ensino fundamental de seus empregados e dependentes:  Redação original:  § 5º ­ O ensino fundamental público terá como fonte adicional de  financiamento  a  contribuição  social  do  salário­educação,  recolhida,  na  forma  da  lei,  pelas  empresas,  que  dela  poderão  deduzir  a  aplicação  realizada  no  ensino  fundamental  de  seus  empregados e dependentes. (grifos nossos)  Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14/1996:  § 5º ­ O ensino fundamental público terá como fonte adicional de  financiamento  a  contribuição  social  do  salário­educação,  recolhida pelas empresas, na forma da lei.  No entanto, por força do artigo §3º do artigo 15 da Lei 9.424, de 24/12/1996,  garantiu  a  continuidade  do  benefício  para  os  empregados  que  continuasse  seus  estudos,  vedando­se novos ingressos:  Art. 15 (...)  § 3º Os alunos regularmente atendidos, na data da edição desta  Lei,  como  beneficiários  da  aplicação  realizada  pelas  empresas  contribuintes,  no  ensino  fundamental  dos  seus  empregados  e  dependentes,  à  conta  de  deduções  da  contribuição  social  do  Salário­Educação,  na  forma  da  legislação  em  vigor,  terão,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  o  benefício  assegurado,  respeitadas as condições em que foi concedido, e vedados novos  ingressos nos termos do art.212, § 5º, da Constituição Federal.  Para esses beneficiários, as deduções das contribuições foram mantidas para  o  pagamento  das  despesas  de  educação  na  forma  de  indenização  aos  segurados.  Para  comprovar  o  direito,  a  empresa  passou  a  se  submeter  ao  cumprimento  de  novos  requisitos,  conforme Decreto 3.142, de 16/08/1999:  Art.  10.  O  Sistema  de  Manutenção  de  Ensino  Fundamental  constitui­se  no  programa pelo  qual  a  empresa,  contribuinte  da  contribuição  social  do  salário­educação,  propicia  aos  seus  empregados  e  dependentes  o  direito  social  de  obter  o  ensino  fundamental, por intermédio das seguintes modalidades:  I ­ aquisição de vagas na rede de ensino particular destinadas a  empregados e dependentes, indicados pela empresa, até o limite  de vagas geradas por sua contribuição;  II  ­ escola própria gratuita mantida pela empresa para os  seus  empregados, dependentes e alunos da comunidade;  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.042534/2006­15  Acórdão n.º 2301­004.382  S2­C3T1  Fl. 103          7 III  ­  indenização  de  dependentes,  mediante  comprovação  semestral  de  freqüência  e  pagamento  das  mensalidades  em  estabelecimentos particulares.  Antes dele,  já vigoravam alguns requisitos para que a empresa se utilizasse  de recursos do FNDE para custear despesas com a educação dos empregados:  DECRETO Nº 88.374 ­ DE 7 DE JUNHO DE 1983  Art.  9º As  empresas poderão deixar de  recolher a  contribuição  do  Salário­Educação  ao  Instituto  de  Administração Financeira  da  Previdência  e  Assistência  Social  quando  optarem  pela  manutenção do ensino de 1º grau, quer regular, quer supletivo,  através de:  a) escola própria gratuita para os seus empregados ou para os  filhos  destes,  e,  havendo  vaga,  para  quaisquer  crianças,  adolescentes e adultos;  b) programa de bolsas  tendo em vista a aquisição de vagas na  rede de ensino particular de 1º grau para seus empregados e os  filhos  destes,  recolhendo,  para  esse  efeito,  no  FNDE,  a  importância  correspondente  ao  valor mensal  devido a  título de  Salário­Educação.  c) indenização das despesas realizadas pelo próprio empregado  com  sua  educação  de  1º  grau,  pela  via  supletiva,  fixada  nos  limites  estabelecidos  no  §  1º  do  art.  10  deste  Decreto,  e  comprovada por meio de apresentação do respectivo certificado;  d)  indenização para  os  filhos  de  seus  empregados,  entre  sete  e  quatorze  anos,  mediante  comprovação  de  freqüência  em  estabelecimentos  pagos,  fixada  nos  mesmos  limites  da  alínea  anterior;  e)  esquema  misto,  usando  combinações  das  alternativas  anteriores.  §  1º  As  operações  concernentes  à  receita  e  à  despesa  com  o  recolhimento  do  Salário­Educação  e  com  a manutenção  direta  ou  indireta  do  ensino,  previstas  no  artigo  3º  e  neste  artigo,  deverão  ser  lançadas  sob  o  título  “Salário­Educação”,  na  escrituração tanto da empresa quanto da escola, ficando sujeitas  à  fiscalização,  nos  termos  do  art.  3º  deste  Decreto  e  demais  normas aplicáveis.  Art.  10.  São  condições  para  a  opção  a  que  se  refere  o  artigo  anterior:  I ­ responsabilidade integral, pela empresa, das despesas com a  manutenção do ensino, direta ou indiretamente;  II  ­  equivalência  dessas  despesas  ao  total  da  contribuição  correspondente ao Salário­Educação respectivo;  III ­ prefixação de vagas em número equivalente ao quociente da  divisão da importância correspondente a 2,5% (dois e meio por  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     8 cento) da folha mensal do salário de contribuição pelo preço da  vaga de ensino de 1º grau a  ser  fixado anualmente pelo Fundo  Nacional de Desenvolvimento da Educação.  Como se vê, os  requisitos para  justificar a manutenção do benefício  após a  EC nº 14, de 12/09/1996 não  são os mesmos que existiam anteriormente quando vigorava o  direito às deduções. À época não se exigia, por exemplo, a comprovação da freqüência escolar.  Contudo,  considerando  que  somente  restaram  no  lançamento  os  meses  de  01/2002 em diante, toda a legislação indicada estava vigente e, portanto, as exigência já eram  de conhecimento do recorrente.   No  mais,  o  recorrente  demonstrou  conhecer  plenamente  as  divergências  apontadas  e  as  razões  para  o  lançamento.  Caberia,  assim,  caso  realmente  entendesse  que  a  exigência era indevida trazer aos autos a demonstração do alegado, o que não foi realizado em  suas peças recursais.  Quanto alegação de que a multa aplicada seja abusiva, não presente processo  foi  aplicada  apenas multa moratória  em  percentuais  que  variam  de  12%  a  24%  conforme  o  período e a legislação vigente à época, o que está longe de possuir uma natureza confiscatória.  No  mais,  a  regra  no  artigo  26­A  do  Decreto  n°  70.235/72  restringe  a  atuação  do  órgão  administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Em  razão  do  exposto,  voto  rejeitar  as  preliminares  e,  no  mérito,  negar  provimento ao recurso voluntário.  É como voto.    Julio Cesar Vieira Gomes                              Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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6291211 #
Numero do processo: 10880.727152/2012-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF. A parcela de correção monetária que corresponder à diferença verificada entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal sobre o lucro inflacionário acumulado em 31.12.1989 será computada na determinação do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado.
Numero da decisão: 9101-002.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez, votando pelas conclusões os Conselheiros Luis Flávio Neto e André Mendes Moura, e, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 19/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF. A parcela de correção monetária que corresponder à diferença verificada entre a variação do IPC e a variação do BTN Fiscal sobre o lucro inflacionário acumulado em 31.12.1989 será computada na determinação do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo =>     1  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10880.727152/2012­91  Recurso nº               Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9101­002.229  –  1ª Turma   Sessão de  4 de fevereiro de 2016  Matéria  IRPJ ­ LUCRO INFLACIONÁRIO  Recorrente  SÃO  RAFAEL COMÉRCIO E INCORPORAÇÕES S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL E CONTRIBUINTE    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2000  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  Inexistindo  pagamento,  a  contagem  do  prazo  decadencial  deve  se  dar  conforme  regra  geral  contida  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  na  forma  do  entendimento  pacificado  pelo  E.  Superior  Tribunal  de  Justiça  ao  julgar  o  mérito  do  Recurso  Especial  nº  973733  /  SC,  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos previsto no artigo 543­C do Código de Processo Civil, nos termos  do que determina o “caput” do artigo 62­A do Regimento Interno do CARF  (RICARF)   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000, 2001  LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF.  A  parcela  de  correção  monetária  que  corresponder  à  diferença  verificada  entre  a  variação  do  IPC  e  a  variação  do  BTN  Fiscal  sobre  o  lucro  inflacionário acumulado em 31.12.1989 será computada na determinação do  lucro  real,  a  partir  do  período­base  de  1993,  de  acordo  com  o  critério  utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial do Contribuinte e do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito,  por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os  Conselheiros  Cristiane  Silva Costa,  Lívia De Carli Germano  (Suplente  Convocada)  e Maria  Teresa Martinez Lopez, votando pelas conclusões os Conselheiros Luis Flávio Neto e André  Mendes  Moura,  e,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 71 52 /2 01 2- 91 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Relator.  EDITADO EM: 19/02/2016  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice­Presidente), Marcos Aurélio Pereira  Valadão,  Cristiane  Silva Costa,  Adriana Gomes  Rego,  Luís  Flávio  Neto,  André Mendes  de  Moura,  Lívia De Carli  Germano  (Suplente  Convocada),  Rafael Vidal De Araújo  e  Ronaldo  Apelbaum (Suplente Convocado).  Relatório  De  preâmbulo,  destaque­se  que  este  processo  é  conexo  ao  de  nº  19515.002925/2005­36,  igualmente  distribuído  a  este  Relator,  os  quais  dizem  respeito  ao  mesmo tema, têm a mesma decisão, os mesmos recursos e contrarrazões e foram apartados por  desencontro de informações no curso do procedimento. Consta do despacho de conexão:  Conforme "Representação n. O08.1800/191/2012" (fls. 002), o presente  processo  foi  desentranhado  do  processo  originário  (n,  19515.002925/2005­36)  e  formalizado  para  "prosseguimento  da  cobrança nos termos das normas em vigor" (cf. Representação supra).  A  medida  tornada  pela  Unidade  de  origem  levou  em  conta  o  provimento  parcial  do  recurso  voluntário  da  contribuinte  (fls.  391/396)  e  subsequente  interposição  de  RE  pela  Fazenda  Pública,  tendo  ignorado  que  o  sujeito  passivo  igualmente  apresentou  Recurso  Especial,  o  que  só  foi  detectado  posteriormente  (cf.  despacho  de  fls.  689,  que  reconheceu  tal  ocorrência).  Nesta  linha,  tendo  sido  protocolizado  tempestivamente  o  Recurso  Especial  pela  autuada,  obviamente  estampou­se a suspensão da exigibilidade da cobrança, impondo  a  apreciação  de  tal  remédio  jurídico,  de  modo  que  o  presente  processo  (n.  10880.727152/2012­91),  formalizado  para  "prosseguimento  da  cobrança"  perdeu  o  objeto,  já  que  impeditiva tal medida pela referida suspensão de exigibilidade.  Destaque­se ainda que, em ambos os processos, constam não só  os RE  interpostos como a apreciação de  suas admissibilidades,  com seguimento das duas (da PFN e da contribuinte), de forma  que nenhum prejuízo processual haverá às partes, mesmo porque  há um único acordão (AC. 1302­000.010) o objeto dos recursos  especiais em ambos processos.  Impõem­se,  por  conseguinte,  a  apreciação  concomitante  dos  dois  processos  com iguais recursos, de forma a se evitar duplicidade de decisões para os mesmos fatos.   Trata­se  de  recurso  especial  do  contribuinte  contra  o  Acórdão  n°  1302­ 00.010,  exarado  pela  2ª  Turma  Ordinária–  3ª  Câmara  –  1ª  Sessão,  que  deu  provimento  parcial  ao  recurso voluntário  interposto,  reconhecendo  ter havido decadência  em  relação  aos  fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2000, impondo, por não haver crédito  tributário no período, na retificação do SAPLI.  Fl. 725DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     O acórdão foi assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2001, 2002  Decadência.  Aplica­se o art. 150 do CTN para identificar o prazo decadencial do IRPJ quando  há atividade do contribuinte a ser homologada pelo fisco.  Recurso Voluntário Provido em parte.    Inconformadas,  PGFN  e  contribuinte  apresentaram Recursos Especiais  (fls.  807/817  e  876/898,  respectivamente  –  numeração  digital)  e  contrarrazões  (fls.  957/959  e  832/847, ibidem).   No  caso  do  RE  da  Procuradoria  foi  apontado  dissenso  jurisprudencial  em  relação  ao  acórdão  recorrido  quando  ausentes  recolhimentos  antecipados  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação, oportunidade em que a decadência seria regida pelas disposições  do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e não pelas do art. 150, § 4º, do Estatuto.  Já  o  RE  da  contribuinte  destacou  divergência  em  relação  ao  entendimento  dado acerca da obrigatoriedade do reconhecimento da diferença do IPC X BTNF decorrente da  apuração de saldo credor da correção monetária/1990.  Na  análise  de  admissibilidade  do Especial  da  Procuradoria  concluiu­se  que  restou presente a dissensão invocada, o Acórdão paradigma pontuando que “o entendimento ali  esposado aponta para a aplicabilidade ao instituto da decadência da regra do art. 173, inc. I do CTN,  no caso de ausência de recolhimento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação”, e  o  recorrido  definindo  que,  “em  se  tratando  de  lançamento  por  homologação,  a  regra  decadencial  a  ser  aplicada  é  a  prevista  no  art.  150,  §  4º,  exceto  no  caso  de  dolo,  fraude  ou  simulação” (fls. 819/821).  No RE manejado pela contribuinte a apreciação da admissibilidade concluiu  ter o  acórdão  recorrido  entendido que “a diferença  IPC/BTNF  sobre  eventual  lucro  inflacionário  não realizado em 1989 tem caráter obrigatório, tendo sido expressamente determinado pelo art. 40 do  Decreto 332/91", enquanto os paradigmas apontados “pugnam pela obrigatoriedade da apuração da  diferença de correção monetária sobre o saldo de lucro inflacionário acumulado apenas no caso de o  contribuinte ter optado pela correção monetária de balanço complementar prevista na Lei nº 8.200, de  1991” (fls. 951/954).   Ambos os RE foram admitidos.  Cientificadas,  Fazenda  Nacional  e  Contribuinte  apresentaram  contrarrazões  insistindo em seus argumentos e refutando os da parte contrária. É o relatório, em síntese apertada.  Voto             Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator  Entendo  que  as  divergências  suscitadas  restaram  comprovadas  e  por  isso  conheço de ambos os Recursos Especiais.  Fl. 726DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     Cabe apreciar, de per si, cada um deles.  A discordância objeto do recurso especial da PGFN é a  forma de contagem  do  prazo  de  decadencial  para  fins  de  ser  considerada  a  realização  do  chamado  “lucro  inflacionário acumulado” quando não presentes pagamentos antecipatórios.  Antes de tudo, cabe um breve registro histórico do “lucro inflacionário”, cujo  embrião  é  o  artigo  185,  da  Lei  nº  6.404/1976  (depois  revogado),  que  dispôs  sobre  a  obrigatoriedade  de  se  observar  “os  “efeitos  da  modificação  no  poder  de  compra  da moeda  nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do exercício” (caput), e  que  “as  contrapartidas  dos  ajustes  de  correção monetária  serão  registradas  em  conta  cujo  saldo será computado no resultado do exercício” (§ 3º).   Sequencialmente, o legislador executivo expediu o Decreto­lei nº 1.598/1977  que adaptou, à esfera do Imposto de Renda, as normas societárias trazidas pela então novel Lei  6.404/1976, incorporando o instituto da correção monetária do balanço inserido no artigo 185,  conforme dicção do artigo 39:   Art  39  ­  Os  efeitos  da  modificação  do  poder  de  compra  da  moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os  resultados do exercício serão computados na determinação do  lucro real através dos seguintes procedimentos:   I  ­  correção monetária,  na  ocasião  da  elaboração do  balanço  patrimonial:   a)  das  contas  do  ativo  permanente  e  respectiva  depreciação,  amortização ou exaustão, e das provisões para atender a perdas  prováveis na realização do valor de investimentos;   b) do patrimônio líquido;   II ­ registro, em conta especial, das contra partidas dos ajustes  de correção monetária de que trata o item I;   III ­ dedução, como encargo do exercício, do saldo da conta de  que trata o item II, se devedor; ou   IV ­ cômputo no lucro real, observado o disposto na Subseção  IV  desta  Seção,  do  saldo  da  conta  de  que  trata  o  item  II,  se  credor.  Vê­se, os efeitos inflacionários foram sistematizados no sentido de, i) sendo  devedor o cálculo feito a partir dos saldos das contas listadas no artigo 39, ou seja, montantes  das  contas  patrimoniais  se  sobrepondo  às  do  permanente,  estar­se­ia  diante  de  valores  dedutíveis da base do  IRPJ,  e,  ii),  contrariamente,  os  saldos  das primeiras  inferiores  aos das  contas de ativo, haveria que se submeter o  resultado à tributação do  imposto, com a ressalva  inserida no inciso IV,  in fine, e cuja aplicação prática se fez presente no artigo 51 do mesmo  diploma:  Art 51 ­ O saldo credor da conta de correção monetária de que  trata o item II do artigo 39 será computado na determinação do  lucro  real,  mas  o  contribuinte  terá  opção  para  diferir,  com  observância do disposto nesta Subseção, a  tributação do  lucro  inflacionário não realizado.  Fl. 727DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     Nos subseqüentes artigos surgem as figuras do “lucro inflacionário ­ LI” (art.  52),  “lucro  inflacionário  acumulado  – LIA”  (art.  52,  §  2º)  e  “lucro  inflacionário  realizado  –  LIR”  (art.  53),  que,  em  suma,  vieram  a  possibilitar  os  procedimentos  operacionais  para  diferimento ou tributação de sua tributação.  Feitas estas preambulares citações, passa­se à apreciação do tema central aqui  debatido,  ou  seja,  a  fluência  do  prazo  decadencial  aplicável  aos  casos  em  que  há  lucro  inflacionário realizável decorrente da correção monetária.   A  dúvida  surge  porque  essa modalidade  de  lucro,  em  função  dos  diversos  normativos  e mudanças  de metodologia  ao  longo do  tempo,  como dito  antes,  possibilitavam  diferimento, impondo, porém, sua realização após determinado lapso temporal. Destaca­se que  o tema do cálculo em si não está em debate, não faz parte do recurso, vez a vexata quaestio  admitida é  tão somente o prazo decadencial e sua absorção pelo artigo 150, § 4º, ou 173, do  CTN.  Subindo os autos à apreciação da Tuma recorrida, por unanimidade foi dado  provimento parcial ao voluntário da contribuinte, acolhendo­se os argumentos discorridos em  preliminares e acatando­se a decadência suscitada.  Excertos do voto condutor mostram o quadro:  A  recorrente  havia  entregue  suas  declarações  de  rendimento  e  apurado prejuízos nos períodos correspondentes ao 1°, 2º e 3º.  trimestres  de  2000,  não  se  podendo  falar  em  omissão  do  contribuinte em relação a atividade prevista no caput do art. 150  do CTN. Não há nos autos evidências de prática de dolo, fraude  ou  simulação previstos no parágrafo 4º do art.  150 do CTN. A  jurisprudência  deste  colegiado  tem  se  firmado  no  sentido  de,  nestas  circunstâncias,  ser  aplicado  o  art.  150  do  CTN  para  a  verificação da decadência.  Do  exposto,  voto  no  sentido  de  reconhecer  a  decadência  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  em  31/03/2000,  30/06/2000 e 30/09/2000. Tendo em vista que neste períodos não  houve  crédito  tributário  apurado,  deve  ser  providenciada  a  retificação da SAPLI, corrigindo o prejuízo fiscal acumulado.  Vê­se,  o  que  levou  a  Turma  recorrida  a  dar  provimento  parcial  ao  pleito,  acolhendo a decadência relativa a três trimestres, teria sido o fato de a recorrida ter entregado  regularmente sua DIPJ do período (2000), o que, na visão do Relator “a quo” imporia ter sido  dado publicidade de seus atos ao Fisco, podendo este agir no interregno temporal de cinco anos  fixado no artigo 150, § 4º, do CTN, para perpetrar eventuais lançamentos de ofício. Como tal  providência somente exteriorizou­se em 26/10/2005, restariam decaídos os citados trimestres,  findos em 31/03, 30/06 e 30/09 de 2000.  Divirjo do entendimento da Turma recorrida.  Na linha da consolidada e pacificada jurisprudência desta Casa e na forma do  decidido no REsp nº 973.733/SC ­ STJ, inexistindo pagamento é inaplicável o deslocamento da  contagem  do  prazo  decadencial  para  os  ditames  do  artigo  150,  §  4º  do  CTN,  devendo­se  assumir o disposto na regra geral do artigo 173, I, do Estatuto:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  Fl. 728DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.   1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito.”  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado em 13.12.2004, DJ  28.02.2005.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543C,  do  CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  A interpretação do texto transcrito leva à conclusão de que se deve assumir o  artigo 173, I, do CTN quando inocorre pagamento antecipado.   Em  suma,  não  havendo  pagamento  antecipado,  como  exigido  pela  lei  e  jurisprudência de  segmento obrigatório pelo CARF,  impossível pretender o deslocamento da  contagem decadencial para os moldes do artigo 150, pois se estaria homologando o vazio, ou  seja,  nada  haveria  a  homologar,  posto  que  inexistentes  os  pagamentos  (objeto  de  homologação).  Na dicção do STJ no ERESP 101407/SP “Se o pagamento do tributo não for  antecipado,  já  não  será  o  caso  de  lançamento  por  homologação,  hipótese  em  que  a  constituição  do  crédito  tributário  deverá  observar  o  disposto  no  artigo  173,  I,  do  Código  Tributário Nacional”.   Pois  bem,  inexistindo  quaisquer  recolhimentos  a  título  de  IRPJ  e de CSLL  nos períodos objeto dos lançamentos aqui combatidos, aplicável a regra geral inserta no artigo  173, I, do Estatuto Tributário, cuja contagem abaixo se demonstra.  Concretamente, no caso do IRPJ e CSLL, para os fatos geradores relativos ao  1º, 2º e 3º trimestres de 2000 (encerrados em 31/03/2000, 30/06/2000 e 30/09/2000) o “1º dia  do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” é o dia 1º de  janeiro  de  2001,  iniciando­se,  a  partir  daí,  a  contagem  temporal  de  cinco  anos  para  que  a  Fazenda  Pública  constituísse  eventuais  créditos  tributários,  prazo  esse  a  se  findar  em  31/12/2005.  Cientificada  a  autuada  dos  lançamentos  em  26/10/2005,  OBVIAMENTE  NÃO  HÁ QUE SE FALAR EM QUALQUER DECADÊNCIA.  Mais  a  mais,  há  que  se  considerar,  no  caso,  a  Súmula  CARF  nº  10  (cf.  Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010), que tem a seguinte dicção:  Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do  crédito  tributário  relativo  ao  lucro  inflacionário  diferido  é  contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do  Fl. 729DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     período  em  que,  em  face  da  legislação,  deveria  ter  sido  realizado, ainda que em percentuais mínimos.  Nesta  linha,  a  conjunção  da  Súmula  CARF  nº  10  e  o  entendimento  acima  esposado mostram­se em consonância com a pretensão da recorrente expressa no RE, diga­se,  a não exteriorização da decadência.  Assim, entendendo não existente a decadência acolhida pela decisão “a quo”  para  os  três  primeiros  trimestres  de  2000,  voto  por  dar  provimento  ao  Recurso  Especial  da  Fazenda, reformar a decisão recorrida neste aspecto e revigorar os lançamentos ali cancelados.  Passa­se à apreciação do Recurso Especial apresentado pelo contribuinte.  Depois de fazer breve histórico do instituto da correção monetária do balanço  (CMB), alega em síntese a recorrente que a correção pela diferença IPC (X) BTNF seria uma  faculdade dos contribuintes, que não teria exercido tal faculdade e que o Decreto nº 332/1991  não seria aplicável ao caso.  Na decisão recorrida restou consignada a mantença dos lançamentos, tendo o  voto  condutor  assentado  que  “em  relação  ao  mérito,  torna­se  necessário  ressaltar  que  a  decisão  recorrida  já  havia  esclarecido  que  a  divergência  de  valores  registrados  a  título  de  saldo  de  lucro  inflacionário  acumulado  tem  origem  na  aplicação  da  diferença  IPC/BTNF  sobre o Lucro Inflacionário acumulado em 31/12/1989 e não sobre o balanço encerrado em  31/12/1990,  como  insiste  a  recorrente  tanto  em  sua  impugnação  como  em  suas  razões  de  recurso”, para, a seguir, reproduzir excertos da decisão de 1º Piso.  Pois bem, em que pese os bem articulados argumentos da recorrente, penso  que razão não lhe assiste. Explica­se.  Como  dito  antes,  a  CMB  surgiu  no  contexto  contábil  e  jurídico  brasileiro  como forma de estancar,  ao menos de forma parcial, os  efeitos nefastos da  inflação sobre as  demonstrações financeiras das empresas, afetando seus resultados e, por via de consequência,  os próprios tributos que são calculados tendo como suporte tais demonstrações.  Nesta  quadra,  como  se  recordam  os  que  vivenciaram  o  cenário  da  época  e  podem constatar agora os que se debruçarem sobre a matéria e a legislação vigente no período,  somente  os  ditos  “índices  oficiais”  não  foram  suficientes  para  a  recomposição  plena  dos  valores,  impondo­se  a  edição do Decreto nº 332/1991  (contra o qual  se  rebela  a  recorrente),  que, em seu artigo 40 traduziu:  Da  correção dos  valores  registrados  no  Livro  de Apuração do  Lucro Real  Art.  40.  Os  valores  que  constituirão  adição,  exclusão  ou  compensação a partir do período­base de 1991,  registrados na  parte B do  livro de Apuração do Lucro Real, desde o balanço  de  31  de  dezembro  de  1989,  serão  corrigidos  na  forma  deste  capítulo,  e  a  diferença  de  correção  será  registrada  em  folha  própria  do  livro,  para  adição,  exclusão  ou  compensação  na  determinação do lucro real, a partir do período­base de 1993.  §  1º  Tratando­se  de  prejuízos  fiscais,  a  diferença  de  correção  será  compensada  em  quatro  períodos­base,  à  razão  de  vinte  e  cinco por cento ao ano, a partir do período­base de 1993 até o  de 1996.  Fl. 730DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     §  2º  Somente  poderá  ser  deduzida  a  diferença  de  correção  monetária relativa ao ano de 1990, de prejuízos fiscais apurados  até 31 de dezembro de 1989, se a pessoa jurídica tiver lucro real  nos  períodos­base  encerrados  de  1990  a  1993  suficiente,  em  cada ano, para a compensação dos valores corrigidos pelo IPC  em 1990 e pelo INPC nos anos seguintes.  § 3º O valor da adição relativa à diferença de correção do lucro  inflacionário  a  tributar  será  computada  na  determinação  do  lucro  real  de  acordo  com  o  critério  utilizado  para  a  determinação  do  lucro  inflacionário  realizado,  a  partir  do  período­base de 1993.  § 4º Na hipótese das demais adições, deverão ser observadas as  condições previstas na legislação de regência, devendo os efeitos  correspondentes  aos  período­base  de  1991  e  1992  ser  reconhecidos no período­base de 1993.  Veja­se, o que a legislação definiu foi que os valores “registrados na parte  B  do  livro  de Apuração  do  Lucro Real,  desde  o  balanço  de  31  de  dezembro  de  1989”  sofreriam os efeitos da correção e teriam que ser adicionados ao lucro real a partir de 1993.  Exprima­se,  a  obrigatoriedade  da  correção  pela  diferença  IPC  (X)  BTNF  surgiu não em relação às contas presentes em 1990, como sustenta a recorrente, mas em razão  do saldo destas mesmas rubricas em 31/12/1989.  Neste  ponto,  a  refrega  se  define,  como  bem  pontuou  a  decisão  recorrida,  invocando  voto  da  relatoria  da  decisão  de  1º  Grau,  e  que  abaixo  se  reproduz  parcialmente,  adotado subsidiariamente como razões de decidir:  9. Inicialmente, deve­se esclarecer que a divergência de valores  registrados  a  título  de  saldo  de  lucro  inflacionário  acumulado  tem  origem  na  aplicação  da  diferença  IPC/BTNF  sobre  o  "Lucro Inflacionário Acumulado em 31/12/89", e não sobre o  balanço encerrado em 31/12/90, como pressupôs a  impugnante  ao longo de suas razões de defesa.  10.  Deve­se  ressaltar  que  essa  parcela  (diferença  IPC/BTNF  sobre  Lucro  Inflacionário  Acumulado  em  31/12/89)  não  se  confunde  com  saldo  credor  da  Dif.  IPC/BTNF  das  contas  do  Ativo  Permanente  integrantes  do  balanço  encerrado  em  31.12.1990 que, no caso da contribuinte em questão, sequer  foi  declarado  em  sua  DIRPJ  do  ano­base  1991.  Ou  seja,  não  há  nada  oriundo  dos  balanços  invocados  e  supostamente  apresentados  (encerrados  em  1990  e  1991),  tampouco  nas  declarações apresentadas, que tenha interferido na apuração do  saldo  de  lucro  inflacionário  acumulado  nos  períodos  do  lançamento,  afigurando­se  tais  documentos  irrelevantes  ao  deslinde da questão.  11. Com  efeito,  constata­se  no  Demonstrativo  SAPLI  (íl.  05)  integrante  do  lançamento,  que  o  valor  refutado  pela  impugnante,  de  Cr$  18.793.698.167,00,  corresponde  à  aplicação  da  diferença  entre  os  índices  IPC  e BTNF  sobre  o  lucro  inflacionário  acumulado  somente  até  1989,  conforme  determinado no art. 40 do Decreto 332/91.  (...)  Fl. 731DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     26.  No  art.  3º,  também  invocado  pela  impugnante,  a  Lei  n°  8.200/91, disciplinou o reconhecimento da diferença IPC/BTNF  verificada  no  ano­base  1990  especificamente  sobre  as  demonstrações  financeiras  relativas  ao  período­base  1990,  que  haviam sido encerradas sem o seu reconhecimento.  27. Repise­se que, consoante ressalvado linhas atrás (item 10),  o  lançamento  tem  origem  na  falta  de  reconhecimento  da  diferença  IPC/BTNF sobre o "lucro  Inflacionário acumulado  em 31.12.1989", que não tem relação com as demonstrações de  períodos  posteriores. O  reconhecimento  da  diferença  apontada  no SAPLI não decorre especificamente do art. 2 o ou do art. 3 o da  Lei  8.200/91,  mas  da  obrigatoriedade  legal  de  se  corrigir  os  bens, direitos e obrigações pelos índices oficiais, para expressar  os  valores  reais  dos  elementos  patrimoniais  e  obrigações  tributárias dos contribuintes. Da mesma forma que os prejuízos  acumulados a serem compensados (direito), o lucro inflacionário  acumulado  a  ser  realizado  (obrigação)  foi  automaticamente  corrigido nos demonstrativos da SRF pelos índices de correção  oficiais.  Pela  mesma  razão,  também  não  se  pode  acolher  a  pretensão  da  impugnante  em  afastar  a  correção  monetária  incidente  sobre  essa  diferença  entre  1989  e  1993,  ano  em  que  seu  cômputo  no  saldo  de  lucro  inflacionário  tornou­se  obrigatório.  Ora é indiscutível que a recorrente possuía valores controlados no LALUR e  que se submeteriam à citada correção, como abaixo de mostra.  De fato, compulsado­se os autos (fls. 412/418) tem­se:  1.  Lucro Inflacionário Acumulado a Realizar em 31/12/1989 –    343.108.306,00  2.  (X) Fator de Correção (índice oficial pelo FAP) ­ 5,7682  ­    1.979.117.330,00  3.  (X) Fator de Correção – Dif. IPC (X) BTNF – 9,496  ­  18.793.698.167,00  Projetando e corrigindo tal valor até 31/12/1995 (agora em Reais) ­   R$ 46.341.426,39   Lucro Inflacionário a Realizar (mínimo 10% ao ano)    ­   R$ 4.634.142,63  Dividindo por 4 trimestres (R$ 4.634.142,63/4)      ­   R$ 1.158.535,66 (*)  (*) Valor de cada lançamento trimestral do auto de infração  Irretocável, portanto, neste aspecto, a decisão recorrida.  Finalmente,  acerca  de  possíveis  inconstitucionalidades  do  Decreto  nº  332/1991, levantadas pela recorrente, atente­se para Súmula CARF nº 02:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Assim,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  Especial  da  contribuinte  e,  neste tópico, manter a decisão recorrida.  Em conclusão.  Fl. 732DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     Voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda e negar provimento  ao recurso especial do Contribuinte. Reitera­se que este processo deve seguir em conjunto com  o P. 19515.002925/2005­36, de igual teor.  (assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão                                Fl. 733DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10380.904937/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso voluntário apresentado, intempestivamente, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1201-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário porque intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente substituto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, os Conselheiros Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.904937/2009­29  Recurso nº  000.001   Voluntário  Acórdão nº  1201­001.341  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  2 de fevereiro de 2016  Matéria  PERDCOMP    Recorrente  ARAUJO CABRAL ALVES LTDA            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  Ementa:  NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.   Não se conhece do recurso voluntário apresentado, intempestivamente, após o  prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos  termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  NÃO  CONHECER do  recurso voluntário porque  intempestivo, nos  termos do  relatório  e voto que  integram o presente julgado.  (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Presidente substituto.  (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Relatora.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de  Figueiredo  Neto.  Ausentes,  por  motivo  justificado,  os  Conselheiros  Ronaldo  Apelbaum  e  Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 49 37 /2 00 9- 29 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.904937/2009­29  Acórdão n.º 1201­001.341  S1­C2T1  Fl. 3          2 Relatório  Por  economia  processual  e  bem  sintetizar  os  fatos,  adoto  o  Relatório  da  decisão recorrida que a seguir transcrevo:  Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho  Decisório  de  fl.  7,  que  não  homologou  a  Dcomp  nº  29556.87956.260906.1.3.04­0016, através da qual o contribuinte  compensou  o  débito  discriminado  à  fl.  8,  utilizandose  de  um  crédito de pagamento a maior ou indevido de CSLL – Estimativa  Mensal  (código  2484),  do período  de  apuração – PA  fev/2006,  pago em 31/03/2006, no valor de R$ 20.570,28.  De acordo com o Despacho Decisório, o fundamento para a não  homologação  foi o  fato de o crédito decorrer de pagamento de  estimativa, que, segundo a legislação, somente pode ser utilizado  na dedução do IRPJ apurável na respectiva declaração de ajuste  anual.  Ciente  do  Despacho  Decisório  em  03/04/2009,  o  contribuinte  apresentou em 04/05/2009 a Manifestação de Inconformidade de  fls. 10 a 11, alegando, em síntese, que o pagamento a maior de  CSLL  existiu  de  fato,  porque  o  valor  da  estimativa  de  CSLL,  competência de fevereiro/2006, apurada e declarada na DIPJ foi  de  R$  10.274,36,  enquanto  o  recolhimento  importou  em  R$  20.570,28,  havendo,  portanto  um  pagamento  a  maior  de  R$  9.995,93;  Anexei a fl. 33 a 42.  A  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Fortaleza/CE  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  conforme  decisão  proferida no Acórdão nº 08­026.055, de 30 de julho de 2013.  A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 19/08/2013, conforme  Aviso de Recebimento  (AR),  e,  protocolizou em 25/09/2013  recurso voluntário  ao Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  A Recorrente, em sede recursal, no essencial, alega que:  ­  efetuou  as  compensações  declaradas  na  PER/DCOMP  com  base  nas  informações de sua escrituração contábil, sedimentada nos valores efetivamente recolhidos ao  erário,  conforme  documentos  de  arrecadação  (DARFs)  ora  anexados,  sob  código  de  receita  2484, nos períodos de apuração de 31/01/2006 à 31/12/2006, com valores que transcreve:  código        Apuração          Arrecadação    Valor  2484  31/01/2006  24/02/2006  r$24.330,31  2484  28/02/2006  31/03/2006  r$20.570,28  2484  30/04/2006        31/05/2006      r$   570,87  2484  30/06/2006  31/07/2006  r$21.151,19  2484  31/07/2006  31/08/2006  r$25.675,31  2484  31/08/2006  30/09/2006  r$25.537,71  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.904937/2009­29  Acórdão n.º 1201­001.341  S1­C2T1  Fl. 4          3 2484  30/09/2006  31/10/2006  r$20.643,62  2484  31/10/2006  01/12/2006  r$24.841,81  2484  30/11/2006  28/12/2006  r$32.940,16  2484  31/12/2006  31/01/2005  r$28.836,38  TOTAL                R$ 225.097,64   ­  as  informações  a  respeito  dos  recolhimentos  sob  código  de  arrecadação  2484 informados na DCTF do período são incorretas, por representarem valores inferiores ao  que foram realmente entregues ao erário. Tendo por certo que o fato real, quando devidamente  provado, se sobrepõe à prova documental, valendo­se do seu direito ao crédito, haja vista que  não se utilizara dele para dedução de débitos por ocasião do ajuste daquele ano;  ­ após tomar ciência das Informações contidas na DCTF, procurou retificar as  informações  dispostas  na  declaração,  afim  de  que  estas  atestassem  a  realidade,  devidamente  registrada na contabilidade. No entanto, verificou­se que tal correção seria impossível, devido  vedação disposta no art. 9o, §5° da IN RFB n° 1.110/2010;   ­ o valor recolhido a maior de CSLL a título de estimativa mensal representa  saldo disponível, por constituir pagamento sem alocação, portanto,  cabe  reconhecer o direito  creditório.  Finalmente,  requer  seja  provido  o  Recurso  Voluntário  e  a  consequente  homologação integral da compensação declarada no PER/DCOMP.  É o relatório.  Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa  Conforme  relatado  acima,  a  pessoa  jurídica  foi  cientificada  da  decisão  proferida  mediante  o  Acórdão  nº  08­026.055,  de  30  de  julho  de  2013,  em  19/08/2013  (segunda­feira), conforme o Aviso de Recebimento (AR).  O recurso voluntário foi protocolizado em 25/09/2013 .  É  sabido  que,  o  prazo  de  trinta  dias,  de  acordo  com  o  critério  previsto  no  artigo 210 do CTN e 66 da Lei nº 9.784/99, é contado excluindo­se o dia do recebimento da  intimação e incluindo­se o último.  Com efeito, o  início da contagem do prazo recursal ocorreu em 20/08/2013  (terça­feira),  porém,  o  recurso  ao Conselho  de Administrativo  de Recursos  Fiscais  ­ CARF,  fora apresentado somente em 25/09/2013  (quarta­feira) portanto, após o prazo dos  trinta dias  seguintes  à  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  nos  termos  do  art.33  do  Decreto  nº  70.235/72, que  teve como prazo  final o dia 18/09/2013  (quarta­feira) para a apresentação do  mencionado recurso.  Diante  do  exposto,  concluo  que  o  presente  recurso,  é  intempestivo,  não  preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão  pela qual voto pelo não conhecimento do recurso.   Fl. 77DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10380.904937/2009­29  Acórdão n.º 1201­001.341  S1­C2T1  Fl. 5          4  (documento assinado digitalmente)   Ester Marques Lins de Sousa.                                Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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