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Numero do processo: 13502.720846/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Luciano Ogawa, OAB/SP nº 16340.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Luciano Ogawa, OAB/SP nº 16340. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 84 6/ 20 11 -1 1 Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.455 2 "Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 29/35 e 49/55, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período de agosto de 2006, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 1.362.377,00. Conforme Termos de Verificação Fiscal de fls. 16/28 (PIS) e 36/48 (Cofins), e demonstrativos de fls. 14/15, a autuação é resultado de procedimento fiscal tendente a verificar a procedência de PER/DCOMPs apresentados pela empresa, alegando créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins passíveis de ressarcimento. Primeiramente, a fiscalização apurou indevida utilização de crédito de PIS e CofinsImportação, apurado na forma do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, por falta de previsão legal para sua compensação com outros tributos ou ressarcimento, podendo apenas ser utilizado como desconto da contribuição a recolher. Analisando o processo produtivo da empresa, bem como as informações adicionais por ela apresentadas, o autuante glosou os créditos relativos aos produtos descritos à fls. 40/41, por não se enquadrarem no conceito de insumo geradores de créditos de que tratam o inciso II, art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e § 4º, art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. No tocante aos produtos “óleo combustível”, “carvão REF.CET 3700”, “gás natural Sulgás” e “diesel marítimo”, eles seriam fontes energéticas utilizadas para geração de Energia e Vapor. Estes, por sua vez, podem ser classificados como produtos, se forem vendidos a terceiros, ou fatores de produção indiretos, se utilizados em sua produção. No caso venda a terceiros dessa energia, seus insumos diretos (os produtos mencionados) dão direito a crédito. Em caso de utilização da energia em sua produção, tais insumos não dão direito a crédito por não comporem a produção do produto final, e a energia consumida também não gera crédito por não ter sido adquirida de pessoa jurídica. Em seu relatório, o autuante explicou (fl. 43): .... (lido em sessão) E ainda, quanto ao gás natural e diesel marítimo, acrescentou (fl. 44): .... (lido em sessão) Quanto aos serviços utilizados como insumos, da rubrica “Píer IV”, constatouse (fls. 44/45) serem referentes a gastos com logística na operação de exportação do produto acabado e frete de produtos diversos, não ensejando geração de créditos por não se enquadrarem como “serviços aplicados na produção de bens ou serviços”. Glosouse também os créditos relativos aos pagamentos pelo serviço de transmissão de energia elétrica, por não se enquadrarem como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica (fls. 45/46). No tocante às despesas de armazenagem e frete, o autuante entendeu como indevidos os créditos referentes a transferência de produto Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.456 3 acabado entre seus estabelecimentos, ou destes para empresa de armazenagem (fls. 46/47). O enquadramento legal encontrase a fls. 31, 33, 51 e 53. Cientificada, a interessada apresentou as impugnações de fls. 59/103 (Cofins) e 245/289 (PIS), nas quais contestou o procedimento fiscal, aduzindo as razões a seguir. Como as duas peças possuem conteúdo idêntico, diferenciandose apenas quando fazem referência às Leis instituidoras das contribuições nãocumulativas (10.637 para o PIS e 10.833 para a Cofins), serão feitas referências apenas à primeira (relativa à Cofins). Primeiramente, a impugnante alegou a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito, uma vez que o prazo de cinco anos contados entre a data do fato gerador (31/08/2006) e a da ciência dos autos de infração (21/12/2011) teria sido suplantado. Assim, de acordo com o CTN, art. 150, § 4º, combinado com o art. 156, VII, ultrapassado tal prazo o lançamento estaria homologado e o crédito definitivamente extinto. A seguir, discorreu sobre a nãocumulatividade da Cofins, partindo de seu suporte constitucional, argumentando ser juridicamente inadmissível qualquer interpretação do conceito de insumo, posto na Lei nº 10.833/2003, “que implique na cumulatividade” da contribuição. Acrescentou que, diferentemente do entendimento da fiscalização, o art. 3º, § 3º da referida lei “preceitua que o direito ao crédito se circunscreve aos bens e serviços adquirido e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.” Assim, todos os itens que compuserem o custo das mercadorias exportadas, bem com as despesas assumidas para esse fim, ensejam o direito ao creditamento. Não podem ser impostas limitações ao direito conferido pela Lei nº 10.833, eis que a única limitação admitida pela Constituição é quanto a “setores econômicos sujeitos à sistemática nãocumulativa.” Em síntese, propugnou pelo direito à apropriação de créditos sobre todos os “gastos incorridos pela pessoa jurídica para fabricar e vender mercadorias enquadradas nas hipóteses” mencionadas, “e não apenas os bens e serviços aplicados diretamente em tais atividades.” Transcreveu trechos de Acórdãos do CARF e da Câmara Superior de Recurso Fiscais, que dariam guarida à sua argumentação (fls. 69/72). Prosseguiu alegando que é na legislação do Imposto de Renda que o intérprete deve buscar a definição do alcance do direito ao crédito, transcrevendo o art. 290 do RIR aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, que trata do custo de produção de bens e serviços, para reafirmar a incidência do direito sobre todos os custos diretos e indiretos de produção. Transcreveu doutrina relativa ao tema (fl. 73), mencionando ainda, em relação aos gastos classificáveis como custos de produção, cuja Lei Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.457 4 das Sociedades Anônimas seria silente, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, da FIPECAF, que discriminaria tais gastos, bem como norma do IBRACON (fl. 11133), trazendo a definição de custo e critérios para sua avaliação. Ainda nessa esteira, acrescenta serem geradoras de crédito, a teor do art. 299 do RIR e da NPC 14 do IBRACON, as despesas incorridas relacionadas às receitas em voga. Tratou da impropriedade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, que teria adotado o conceito de insumo do IPI para fins de apuração de créditos da Cofins, transcrevendo doutrina (fls. 76/78). Caso não se aceitem os argumentos até então expendidos, a impugnante reclamou a interpretação de que a “ação direta” de que trata o art. 8º, § 4º, I, a, da IN 404/2004, não fique “adstrita ao contato físico do bem ou serviço (insumo) com a mercadoria em produção, mas sim à sua afetação direta à atividade econômica, em vista da essencialidade daquele para a consecução desta.” Disse ainda (fl. 80): .... (lido em sessão) Em resumo, sustentou que a caracterização do insumo se dá pela “imprescindibilidade do bem ou serviço no processo fabril, independente do contato físico direto com o bem produzido”, e que assim, “os bens e serviços adquiridos pela ora Impugnante são essenciais ao desempenho da sua atividade econômica, sendo diretamente afetados às atividades fabris”. Passou a tratar, um a um, dos produtos cujos créditos foram glosados pela fiscalização, descrevendo sua utilização no processo produtivo: I – Insumos utilizados no Tratamento de Água: sulfato de alumínio, cloro líquido, Polieletrólito, Purate, Elemento Filtrante, Hidróxido de Cálcio e Kuriverter são utilizados na obtenção de água desmineralizada, água clarificada e água potável, todos produtos finais da impugnante, e portanto geram direito a crédito (fls. 82/84); II – Gás Natural: possui duas funções distintas (laudo técnico – doc. 8, de fls. 163/181), sendo utilizado como matéria prima na produção de eteno e como combustível fornecendo energia térmica indispensável ao processo industrial, ambas gerando direito a crédito (fls. 84/85); III – Kurita: produto utilizado no tratamento químico da água de caldeira (laudo técnico – doc. 7, de fls. 148/162), necessário para produção de vapor de boa qualidade, como descrito à fl. 86, cuja essencialidade ao processo produtivo é inconteste, configurandose em insumo gerador de crédito; IV – Petroflo: solubilizante e antipolimerizante consumidos no processo produtivo, que “têm fundamental importância na obtenção do produto final, visto que é a água tratada com os referidos produtos que dará origem ao vapor que será misturado com a nafta e/ou condensado nas fases seguintes do processo”, restando claro sua natureza de insumo (doc.7); Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.458 5 IV – Carvão e Óleo Combustível: insumos utilizados na produção de vapor, o qual é utilizado como energia térmica e vendido como utilidade para outras empresas do Pólo Petroquímico. Se por um lado a fiscalização não efetuou glosas quanto ao carvão e óleo combustível utilizados na produção de vapor destinado à venda, as promoveu quando o vapor era utilizado como trocador de calor no processo produtivo. A alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007, no inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833, passou a prever o crédito também sobre a energia térmica consumida pela pessoa jurídica. Seria desarrazoado admitir que a aquisição de vapor gera direito ao crédito e os custos para produzilo não, mesmo restando comprovado que eles estão diretamente vinculados aos seus parques fabris (docs. 7 e 8); V – Betzdearborn: agente neutralizante, cuja principal função é reduzir o potencial corrosivo do meio, promovendo o aumento do pH da água (laudo técnico – docs. 7 e 9, este à fls. 182), sendo imprescindível ao processo produtivo; VII – Diesel Marítimo (fl. 90): ... lido em sessão No tocante aos serviços utilizados como insumos no processo produtivo, alegou ter por objeto, além das atividades industriais e comercias, a exploração de terminal portuário, conforme seu Estatuto Social (doc. 10, fls. 183/194). Nesse contexto, “o Píer IV era utilizado para exportações através de navio, com o seguinte roteiro: do Píer de Triunfo, os produtos petroquímicos (gases e líquidos) seguiam de navio via Lagoa dos Patos até o Terminal do Rio Grande, de onde eram exportados.” Assim, as despesas com os serviços prestados no Píer IV, de movimentação de contêineres do Terminal Santa Clara para o de Rio Grande, para subseqüente exportação, fazem parte da atividade econômica da impugnante, sendo imprescindíveis para a atividade de exploração de terminal portuário, sendo indevida sua glosa. A seguir, relacionou, a título exemplificativo, cinco serviços cujos créditos foram glosados pela fiscalização, para demonstrar sua imprescindibilidade. São eles: transporte, estufagem, empilhadeiras, descarga e manuseio de contêiner, realocação de pátio e armazenagem de contêiner cheio, manutenção ISPS Code, descritos às fls. 91/92. Com essas considerações, propugnou pela procedência do direito ao crédito, nos termos do art. 3º, IX da Lei nº 10.833. Quanto à glosa de créditos relativos ao “uso e transmissão de rede”, que estavam incluídos nos gastos com energia elétrica, discorreu sobre a reestruturação do setor elétrico (Lei nº 9.074/1995), que previu a obrigatoriedade dos consumidores, para viabilizar a utilização das redes de distribuição e transmissão no ambiente de contratação livre, de firmar Contrato de Uso do Sistema de Transmissão – CUST ou Contrato de Uso de Distribuição com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – NOS ou com os concessionários e permissionários do serviço público de distribuição (art. 15, § 6º da referida lei). A Aneel, por meio da Resolução nº 281/1999, disciplinou tal matéria (excertos transcritos à fl. 95). Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.459 6 Em síntese, à data dos fatos objetos do presente, a impugnante estava obrigada a usar a rede de transmissão das concessionárias ou permissionárias, sujeitandose ao pagamento da tarifa remuneratória do USO E TRANSMISSÃO DE REDE. Ressaltou ainda que, após sucessivos ofícios não respondidos pela Receita Federal, que objetivavam apurar eventuais impactos financeiros de seus reajustes e revisões tarifárias, a Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira da Aneel emitiu a Nota Técnica nº 554/2006, que menciona “jurisprudência administrativa” (fl. 237) concluindo pela inafastabilidade do direito ao crédito em discussão (fls. 97/99). Portanto, em se tratando de despesa obrigatória que compõe o custo da energia elétrica consumida, não procede a glosa efetuada. Refutando a glosa dos créditos sobre despesas com frete, efetuada ao argumento de se tratarem de transferência de produto acabado entre estabelecimentos da contribuinte e para empresas de armazenagem, alegou ter se baseado em “interpretação meramente literal do inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833”. Discorreu sobre as dificuldades que enfrenta para a distribuição de seus produtos “no mais diversos rincões do país”, o que a levou a fixar diversos estabelecimentos que consistem em centros distribuidores em todo território nacional. Assim, a impugnante transfere continuamente os produtos de suas unidades industriais para os referidos centros de distribuição, para armazenamento e posterior venda. A “contínua contratação de serviço de transporte, cujo ônus recai sobre a impugnante”, são despesa consideradas na apuração dos créditos, importando “salientar que as mercadorias transferidas para os centros distribuidores ou remetidas para armazenagem têm sempre por destino a sua posterior comercialização.” Seriam, portanto, “etapas do percurso que os produtos percorrerão até seus destinatários finais.” Acrescentou (fls. 101/102): .... (lido em sessão) Transcreveu Acórdão do CARF para embasar seu entendimento (fl. 102). Por derradeiro, em razão de todas as razões expendidas, requereu que o auto de infração seja julgado improcedente, protestando ainda “pela juntada posterior de documentos e pela realização de diligência fiscal hábil a atestar tudo o quanto pontuado nesta Impugnação”." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2006 SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.460 7 Em razão da Súmula Vinculante nº 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da nãocumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos dão direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa incidente em suas aquisições. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. OUTROS GASTOS. A interpretação relativa a gastos não incluídos no conceito de insumos, mas geradores de créditos da nãocumulatividade por expressa disposição legal, deve ser restritiva, sob pena de criação de benefício fiscal sem previsão em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2006 CONEXÃO. Por serem conexos, aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep as mesmas conclusões referentes ao lançamento da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2006 SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INÉPCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.461 8 Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem trouxesse aos autos, cópias do Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.095402, da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.097043 e quaisquer outros documentos vinculados ao pedido de compensação em discussão nos autos. A Unidade de Origem procedeu a diligência, trazendo as cópias dos documentos solicitados. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF e a este Relator para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.633 S3C2T1 Fl. 1.462 9 para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10680.723573/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/09/2010
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pela perda do seu objeto, em razão da sua apresentação intempestiva.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Declarou-se impedida a Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini em razão de haver participado do julgamento da Impugnação ao presente lançamento, em grau de Primeira Instância Administrativa.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pela perda do seu objeto, em razão da sua apresentação intempestiva. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 73 /2 01 0- 37 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Declarouse impedida a Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini em razão de haver participado do julgamento da Impugnação ao presente lançamento, em grau de Primeira Instância Administrativa. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723573/201037 Acórdão n.º 2401004.061 S2C4T1 Fl. 322 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Data da lavratura do AIOP: 27/09/2010. Data da Ciência do AIOP: 04/10/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário lançado mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.225.1361, CFL 34, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em razão de o Autuado ter deixado de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, no período auditado, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 10/16. CFL 34 Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A multa foi aplicada de acordo com a cominação prevista nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, "a" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, reajustado nos termos da Portaria MPS/MF nº 77, de 11/03/2008, publicada no DOU de 12/03/2008. Analisando os documentos contábeis e os históricos dos lançamentos contábeis do Livro Razão, e arquivo digital entregue à Fiscalização, a Autoridade Lançadora constatou que: · Pagamento de Aluguel de Veículos lançado nas contas 3.1.1.05.010 Condução e 3.1.1.05.022 Despesas com Serviços Profissionais, não sendo lançados corretamente na conta 3.1.1.05.048 Aluguel de Equipamentos / Veículos. · Pagamentos referentes a Adiantamento a Empregados, Contribuintes Individuais, Aluguel de Veículos e Despesas de Viagem, lançados como Suprimento de Caixa. · Pagamentos referentes a Despesas com Alimentação lançados na conta 3.1.1.05.025 Combustíveis e Lubrificantes, não sendo lançados corretamente na conta 3.1.1.05.009 Lanches e Refeição. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 · Despesas com Conservação e Manutenção Conta 3.1.1.05.005 e Conservação de Veículos Conta 3.1.1.05.030 lançadas em valor total, não lançando de forma discriminada às empresas que prestaram os serviços, bem como os valores pagos referentes a cada uma delas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo ofereceu impugnação a fls. 234/253. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0252.812 – 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 273/282, julgando procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/03/2014, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0022 /2014, a fl. 285, e Aviso de Recebimento a fl. 286. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, em 11/04/2014, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 288/310, requerendo ao fim a nulidade e o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723573/201037 Acórdão n.º 2401004.061 S2C4T1 Fl. 323 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/03/2014, segundafeira, dia útil, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0022/2014 , a fl. 285, e Aviso de Recebimento, a fl. 286. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235/72, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723573/201037 Acórdão n.º 2401004.061 S2C4T1 Fl. 324 7 incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa em 10/03/2014, segundafeira, dia útil, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0022/2014, a fl. 285, e Aviso de Recebimento, a fl. 286, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na terçafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 11/03/2014, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 09 dias do mês de abril do mesmo ano, inclusive, quartafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente, no dia 11/03/2014, o que implica na fixação do dia 09/04/2014 como o dies ad quem para a protocolização do competente Recurso Voluntário. Tal circunstância é corroborada pelos extratos do SICOB a fls. 317 e 318, os quais informam o prazo recursal compreendendo o horizonte temporal de 10/03/2014, data de ciência da Decisão de 1ª Instância, até 09/04/2014, data de expiração do prazo para a interposição de eventual Recurso Voluntário. No caso vertente, havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado, tão somente no dia 11/04/2014, sextafeira, dia útil, como assim denuncia o Carimbo de Protocolo Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 da DRF/Belo Horizonte aposto no canto superior direito da Folha de Rosto do Instrumento Recursal, a fl. 288, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I, da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’, da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723573/201037 Acórdão n.º 2401004.061 S2C4T1 Fl. 325 9 seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902422/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento e encaminhar os autos à Unidade Local até a apreciação dos processos 10983.909317/2009-97, 10983.908296/2009-92 e 10983.908294/2009-01, nos moldes estabelecidos pelo voto condutor.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Relatório
CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S. A. recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 11-45.224 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Recife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada.
Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final:
No período de fevereiro a dezembro de 2006, a empresa efetuou os pagamentos dos DARFs - Código de receita 2362 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/estimativa mensal, períodos de apurações 31/01/2006 a 30/09/2006, no valor original total de: R$ 57.187.248,82, destes pagamentos, utilizou para compensações nos processos nºs 10983.908271/2009-99 e 10983.904639/2009-40 os valores originais de R$ 463.001,31 e R$ 830.469,65, respectivamente, totalizando R$ 1.293.470,96, fls. 125 a 151 e 211 a 231.
Apresentou PER/COMPs para compensações de débitos do período acima, no valor total de R$ 11.179.144,01, destas, só se encontram com homologação total no sistema PERDCOMP/SIEF/SRF as que constam nos processos nºs 10983.910130/2009-36 e 10983.901852/2010-33, nos valores originais de R$ 267.438,60 e R$ 1.232.084,47, totalizando R$ 1.499.523,07, as demais, constantes nos processos nºs 10983.908296/2009-92, 10983.908294/2009-01,11516.000873/2007-11, 10983.909317/2009-97, 10983.908277/2009-66, 10983.901454/2009-55, 10983.908276/2009-11 e 10983.908278/2009-19; se encontram no sistema acima, nas situações: recurso voluntário, recurso voluntário, não homologado -inexistência de crédito, em discursão administrativa, recurso voluntário, em análise manual, recurso voluntário e recurso voluntário, respectivamente, fls. 152 a 200.
Em 31/03/2006, a empresa transmitiu a PER/DCOMP ORIGINAL de nº 34271.30534.310306.1.3.04-5107(Cancelada Retificação/Admitida sistema PERDCOMP/SIEF/SRF), compensando o débito no valor total de R$ 1.468.226,16 ( valor já incluído no total acima) do Código de receita 2362 IRPJ Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa mensal, período de apuração 28/02/2006, data de vencimento 31/03/2006, fls. 201 a 205.
Em 26/07/2006, a empresa transmitiu a PER/DCOMP de nº 01682.13417.260706.1.7.04-3172 RETIFICADORA da Dcomp acima (Recurso Voluntário sistema PERDCOMP/SIEF/SRF Processo nº 10983.904638/2009-03), compensando o mesmo débito, fls. 206 a 210.
Em 04/04/2006, 15/07/2009, 03/05/2006, 18/10/2007, 20/12/2006, 29/09/2006, 30/07/2009, 20/12/2006, 14/12/2006, 23/08/2007, 14/02/2007 e 22/05/2007, a empresa transmitiu DCTFs referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2006, informando valores de Saldo a Pagar que totalizam R$ 67.072.921,87 do IRPJ Código de receita 2362 IRPJ Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa mensal, com Créditos Vinculados no mesmo valor, sendo R$ 55.893.777,86 pagamentos e R$ 11.179.144,01 Compensações, fls 232 a 303.
Em 19/12/2008, a empresa transmitiu a PER/DCOMP de nº 25992.45808.1.7.02-0831, objeto da lide do presente processo, informando o valor de R$ 6.677.235,36, como Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP para compensação do débito no valor total de R$ 6.677.235,36 do Código de receita 2362 IRPJ Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa mensal, período de apuração mar/2007, data de vencimento 30/04/2007, fls. 12 a 41.
Em 22/12/2008, a empresa transmitiu DIPJ-2007 RETIFICADORA, informando o Saldo Negativo do IRPJ no valor de R$ 6.487.791,85, fls. 304 a 320.
Por meio do Despacho Decisório nº 050903119 de 03/06/2013, ciência 13/05/2013, constante nos autos, fls. 11 e 93, a DRF/FLORIANÓPOLIS-SC não homologou a PER/DCOMP de nº 25992.45808.1.7.02-0831, transmitida em 19 de dezembro de 2008, pela pessoa jurídica interessada.
Na fundamentação do referido despacho, consta que:
Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se:
[...]
Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (CódigoTributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996458.046,23.
2.Irresignada, a contribuinte encaminhou em 05/06/2013 manifestação de inconformidade, fls. 02 a 08, na qual, basicamente, alega que:
2.1.
2.2.DO PEDIDO:
A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sua ementa recebido a seguinte redação:
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
Processo Administrativo Fiscal
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
No tocante à compensação, a competência das DRJ limita-se ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação.
Declaração de Compensação - PER/DCOMP.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.
O contribuinte foi intimado da decisão em 19 de maio de 2014 (fl. 336), apresentando recurso voluntário tempestivamente em 18 de junho de 2014 (fls. 344-350), reafirmando, em resumo, os termos de sua manifestação de inconformidade.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
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A. recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 11-45.224 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Recife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final: No período de fevereiro a dezembro de 2006, a empresa efetuou os pagamentos dos DARFs - Código de receita 2362 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/estimativa mensal, períodos de apurações 31/01/2006 a 30/09/2006, no valor original total de: R$ 57.187.248,82, destes pagamentos, utilizou para compensações nos processos nºs 10983.908271/2009-99 e 10983.904639/2009-40 os valores originais de R$ 463.001,31 e R$ 830.469,65, respectivamente, totalizando R$ 1.293.470,96, fls. 125 a 151 e 211 a 231. Apresentou PER/COMPs para compensações de débitos do período acima, no valor total de R$ 11.179.144,01, destas, só se encontram com homologação total no sistema PERDCOMP/SIEF/SRF as que constam nos processos nºs 10983.910130/2009-36 e 10983.901852/2010-33, nos valores originais de R$ 267.438,60 e R$ 1.232.084,47, totalizando R$ 1.499.523,07, as demais, constantes nos processos nºs 10983.908296/2009-92, 10983.908294/2009-01,11516.000873/2007-11, 10983.909317/2009-97, 10983.908277/2009-66, 10983.901454/2009-55, 10983.908276/2009-11 e 10983.908278/2009-19; se encontram no sistema acima, nas situações: recurso voluntário, recurso voluntário, não homologado -inexistência de crédito, em discursão administrativa, recurso voluntário, em análise manual, recurso voluntário e recurso voluntário, respectivamente, fls. 152 a 200. Em 31/03/2006, a empresa transmitiu a PER/DCOMP ORIGINAL de nº 34271.30534.310306.1.3.04-5107(Cancelada Retificação/Admitida sistema PERDCOMP/SIEF/SRF), compensando o débito no valor total de R$ 1.468.226,16 ( valor já incluído no total acima) do Código de receita 2362 IRPJ Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa mensal, período de apuração 28/02/2006, data de vencimento 31/03/2006, fls. 201 a 205. Em 26/07/2006, a empresa transmitiu a PER/DCOMP de nº 01682.13417.260706.1.7.04-3172 RETIFICADORA da Dcomp acima (Recurso Voluntário sistema PERDCOMP/SIEF/SRF Processo nº 10983.904638/2009-03), compensando o mesmo débito, fls. 206 a 210. Em 04/04/2006, 15/07/2009, 03/05/2006, 18/10/2007, 20/12/2006, 29/09/2006, 30/07/2009, 20/12/2006, 14/12/2006, 23/08/2007, 14/02/2007 e 22/05/2007, a empresa transmitiu DCTFs referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2006, informando valores de Saldo a Pagar que totalizam R$ 67.072.921,87 do IRPJ Código de receita 2362 IRPJ Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa mensal, com Créditos Vinculados no mesmo valor, sendo R$ 55.893.777,86 pagamentos e R$ 11.179.144,01 Compensações, fls 232 a 303. Em 19/12/2008, a empresa transmitiu a PER/DCOMP de nº 25992.45808.1.7.02-0831, objeto da lide do presente processo, informando o valor de R$ 6.677.235,36, como Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP para compensação do débito no valor total de R$ 6.677.235,36 do Código de receita 2362 IRPJ Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa mensal, período de apuração mar/2007, data de vencimento 30/04/2007, fls. 12 a 41. Em 22/12/2008, a empresa transmitiu DIPJ-2007 RETIFICADORA, informando o Saldo Negativo do IRPJ no valor de R$ 6.487.791,85, fls. 304 a 320. Por meio do Despacho Decisório nº 050903119 de 03/06/2013, ciência 13/05/2013, constante nos autos, fls. 11 e 93, a DRF/FLORIANÓPOLIS-SC não homologou a PER/DCOMP de nº 25992.45808.1.7.02-0831, transmitida em 19 de dezembro de 2008, pela pessoa jurídica interessada. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (CódigoTributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996458.046,23. 2.Irresignada, a contribuinte encaminhou em 05/06/2013 manifestação de inconformidade, fls. 02 a 08, na qual, basicamente, alega que: 2.1. 2.2.DO PEDIDO: A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Processo Administrativo Fiscal MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limita-se ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. Declaração de Compensação - PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. O contribuinte foi intimado da decisão em 19 de maio de 2014 (fl. 336), apresentando recurso voluntário tempestivamente em 18 de junho de 2014 (fls. 344-350), reafirmando, em resumo, os termos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório.
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento e encaminhar os autos à Unidade Local até a apreciação dos processos 10983.909317/200997, 10983.908296/200992 e 10983.908294/200901, nos moldes estabelecidos pelo voto condutor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 02 42 2/ 20 13 -8 1 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 430 2 Relatório CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S. A. recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1145.224 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Recife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementandoo ao final: No período de fevereiro a dezembro de 2006, a empresa efetuou os pagamentos dos DARFs Código de receita – 2362 – IRPJ – Demais PJ obrigadas ao lucro real/estimativa mensal, períodos de apurações 31/01/2006 a 30/09/2006, no valor original total de: R$ 57.187.248,82, destes pagamentos, utilizou para compensações nos processos nºs 10983.908271/200999 e 10983.904639/200940 os valores originais de R$ 463.001,31 e R$ 830.469,65, respectivamente, totalizando R$ 1.293.470,96, fls. 125 a 151 e 211 a 231. Apresentou PER/COMPs para compensações de débitos do período acima, no valor total de R$ 11.179.144,01, destas, só se encontram com homologação total no sistema PERDCOMP/SIEF/SRF as que constam nos processos nºs 10983.910130/200936 e 10983.901852/201033, nos valores originais de R$ 267.438,60 e R$ 1.232.084,47, totalizando R$ 1.499.523,07, as demais, constantes nos processos nºs 10983.908296/2009 92, 10983.908294/200901,11516.000873/200711, 10983.909317/200997, 10983.908277/200966, 10983.901454/200955, 10983.908276/200911 e 10983.908278/200919; se encontram no sistema acima, nas situações: recurso voluntário, recurso voluntário, não homologado inexistência de crédito, em discursão administrativa, recurso voluntário, em análise manual, recurso voluntário e recurso voluntário, respectivamente, fls. 152 a 200. Em 31/03/2006, a empresa transmitiu a PER/DCOMP ORIGINAL de nº 34271.30534.310306.1.3.045107(Cancelada Retificação/Admitida sistema PERDCOMP/SIEF/SRF), compensando o débito no valor total de R$ 1.468.226,16 ( valor já incluído no total acima) do Código de receita – 2362 – IRPJ – Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa mensal, período de apuração 28/02/2006, data de vencimento 31/03/2006, fls. 201 a 205. Em 26/07/2006, a empresa transmitiu a PER/DCOMP de nº 01682.13417.260706.1.7.043172 RETIFICADORA da Dcomp acima (Recurso Voluntário sistema PERDCOMP/SIEF/SRF – Processo nº 10983.904638/200903), compensando o mesmo débito, fls. 206 a 210. Em 04/04/2006, 15/07/2009, 03/05/2006, 18/10/2007, 20/12/2006, 29/09/2006, 30/07/2009, 20/12/2006, 14/12/2006, 23/08/2007, 14/02/2007 e 22/05/2007, a empresa transmitiu DCTFs referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2006, informando valores de Saldo a Pagar que totalizam R$ 67.072.921,87 do IRPJ – Código de receita – 2362 – IRPJ – Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa mensal, com Créditos Vinculados no mesmo valor, sendo R$ 55.893.777,86 pagamentos e R$ 11.179.144,01 Compensações, fls 232 a 303. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 431 3 Em 19/12/2008, a empresa transmitiu a PER/DCOMP de nº 25992.45808.1.7.020831, objeto da lide do presente processo, informando o valor de R$ 6.677.235,36, como Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP para compensação do débito no valor total de R$ 6.677.235,36 do Código de receita – 2362 – IRPJ – Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa mensal, período de apuração mar/2007, data de vencimento 30/04/2007, fls. 12 a 41. Em 22/12/2008, a empresa transmitiu DIPJ2007 RETIFICADORA, informando o Saldo Negativo do IRPJ no valor de R$ 6.487.791,85, fls. 304 a 320. Por meio do Despacho Decisório nº 050903119 de 03/06/2013, ciência 13/05/2013, constante nos autos, fls. 11 e 93, a DRF/FLORIANÓPOLISSC não homologou a PER/DCOMP de nº 25992.45808.1.7.020831, transmitida em 19 de dezembro de 2008, pela pessoa jurídica interessada. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (CódigoTributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996458.046,23. 2. Irresignada, a contribuinte encaminhou em 05/06/2013 manifestação de inconformidade, fls. 02 a 08, na qual, basicamente, alega que: 2.1. “ Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 432 4 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 433 5 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 434 6 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 435 7 2.2. DO PEDIDO: A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. O contribuinte foi intimado da decisão em 19 de maio de 2014 (fl. 336), apresentando recurso voluntário tempestivamente em 18 de junho de 2014 (fls. 344350), reafirmando, em resumo, os termos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 436 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Tratase de pedido de compensação de estimativa de IRPJ transmitido em 19/12/2008 relativo ao período de apuração de março de 2007 cujo crédito alegado referesaldo negativo de IRPF referente ao anocalendário 2006 (exercício 2007), no valor original de R$ 6.677.235,36. Em 22/12/2008, a empresa transmitiu DIPJ/2007 RETIFICADORA, informando o Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 6.487.791,85 (fls. 304320). Ocorre que, na composição do saldo negativo de IRPJ pleiteado, há valores de estimativa que foram adimplidos mediante pedidos de compensação (total de R$ 11.179.144,01) cujos controles encontramse nos seguintes processos: 10983.908296/200992 10983.908294/200901 11516.000873/200711 10983.909317/200997 10983908277/200966 10983901454/200631 10983.908276/200911 10983.908278/200919 Contudo, somente nos processos 10983.910130/200936 e 10983.901852/2010 33 houve a homologação total das compensações declaradas, nos valores originais de, respectivamente, R$ 267.438,60 e R$ 1.232.084,47, totalizando R$ 1.499.523,07. Ou seja, restaram R$ 9.679.620,94 de estimativas que compõem o saldo negativo pleiteado neste processo que não foram homologadas. Com base em tal constatação (incontroversa nos autos), assim concluiu o voto condutor do aresto recorrido: Assim, considerandose os pagamentos por estimativas efetuados no período, no valor total de R$ 57.187.248,82, mais o valor das compensações homologadas no valor total de R$ 1.499.523,07, menos o valor total dos pagamentos utilizados em compensações R$ Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 437 9 1.293.470,96, chegase ao valor de R$ 57.393.300,93, valor este a ser informado como dedução (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa – Ficha 12 A linha 17 DIPJ), considerandose este valor, apurase um Saldo Positivo de R$ 4.551.327,58 (Imposto de Renda a Pagar Ficha 12 A linha 18 DIPJ) no Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – PJ em Geral, conforme planilha, fl. 322, e não o Saldo Negativo no valor de R$ 6.677.235,36, informado na PER/DCOMP de nº 25992.45808.1.7.020831, objeto da lide do presente processo. Eis a situação atual de tais processos: somente os processos números 10983.908296/200992 e 10983.908294/200901 de número 10983.908270/200944, no qual já se reconheceu o direito creditório de R$ 293.204,17, constatase que somente o processo de número 10983.908295/200948 já foi analisado alvo de análise perante o CARF, tendo sido a compensação pleiteada não homologada (R$ 282.838,64), conforme indica a tabela a seguir: Processo Turma/Câmara/Seção Situação do processo 10983.908296/200992 1ª Turma Especial da 3ª Seção Resolução nº 3801000.230 – Decisão: conversão em diligência para análise do mérito no retorno dos autos. 10983.908294/200901 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção Resolução nº 3401000.451 – Decisão: conversão em diligência para análise do mérito no retorno dos autos. 11516.000873/200711 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Parcialmente Provido nesta parte. Acórdão 3401001.916. 10983.909317/200997 1ª Seção Aguardando distribuição 10983.908277/200966 1ª Turma Especial da 3ª Seção Acórdão 3801004.732 – Não conhecer do recurso. 10983.908276/200911 1ª Turma Especial da 3ª Seção Acórdão 3801004.731 – Não conhecer do recurso. 10983.908278/200919 3ª Turma Especial da 3ª Seção Acórdão 3803002.227 – Não conhecer do recurso em razão da extrapolação do limite de alçada. Recurso Especial interposto sem exame de admissibilidade. 10983.901454/200631 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Acórdão nº 3401001.770. No presente processo, para que se possa decidir o mérito do crédito pleiteado, fazse necessária a solução de todos os processos retroelencados, ou ao menos o julgamento de todos os recursos voluntários eventualmente interpostos. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 438 10 Contudo, conforme se observa, os processos números 10983.908296/200992 (aguardando retorno de diligência), 10983.908294/200901(aguardando retorno de diligência) e 10983.909317/200997 (aguardando distribuição), não permitem que analise, por ora, o mérito dos presentes autos. Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, em seu art. 6º, regulamenta a matéria: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: [...] II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e [...] § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Em face do exposto, voto no seguinte sentido: em relação ao processo 10983.909317/200997: tratandose de matéria cuja competência é desta Seção de Julgamento, devese vinculálo aos presentes autos para relato e julgamento em conjunto, sendo tal processo prejudicial em relação ao presente; em relação aos processos 10983.908296/200992 e 10983.908294/200901: considerandose que a matéria é de competência da 3ª Seção e que os autos retornaram à unidade de origem para análise do mérito do pedido em atendimento à resolução do CARF, tais processos e o presente devem ser vinculados (§§ 4º e 5º do art. 6º do Anexo II do RICARF/2015), a fim de aguardar a decisão naqueles processos. Em caso de não Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10983.902422/201381 Resolução nº 1402000.318 S1C4T2 Fl. 439 11 reconhecimento do direito creditório, devese aguardar a eventual decisão de primeira instância e/ou do CARF na análise de eventual recurso voluntário. Enquanto aguardase a decisão em tais processos, os presentes autos devem permanecer sobrestados na Secretaria desta Câmara; após todos os trâmites, o presente processo, e os vinculados, devem retornar à minha caixa de trabalho para relato e inclusão em pauta de julgamento. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 439DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16175.000159/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA. PIS. COFINS. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento relativo à COFINS e à Contribuição ao PIS extingue-se após 5 anos contados do: (a) primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento ou apuração regular. (CTN, art. 173, I); (b) fato gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, art. 150, § 4°), salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não comprovado fraude, o início da contagem do prazo decadencial permanece na regra do art. 150, § 4º, do CTN.
PIS. COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Detectada a insuficiência de recolhimento, mantém-se a exigência, mas reduzindo-a em função de incorreções na base de cálculo alegadas em impugnação e admitidas em sede de diligência pela fiscalização.
Recurso de Oficio Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e conhecer do recurso voluntário e dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Bruno Baruel, OAB/SP 206.581.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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CIÊNCIA. REGULARIDADE. Não comprovada inobservância a disposições do art. 23 do Decreto 70.235/72, regulares se mostram os procedimentos de intimação e de ciência das autuações. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Cientificado o contribuinte da autuação e seus anexos e sendolhe assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, descabe a alegação de cerceamento ao direito de defesa. MULTA AGRAVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Ausente exteriorização da apreciação subjetiva da conduta do contribuinte pela fiscalização, de modo a permitir o conhecimento e a defesa pelo autuado, não subsiste o agravamento da multa ao patamar de 150%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento relativo à COFINS e à Contribuição ao PIS extingue se após 5 anos contados do: (a) primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento ou apuração regular. (CTN, art. 173, I); (b) fato gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, art. 150, § 4°), salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não comprovado fraude, o início da contagem do prazo decadencial permanece na regra do art. 150, § 4º, do CTN. PIS. COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Detectada a insuficiência de recolhimento, mantémse a exigência, mas reduzindoa em função de incorreções na base de cálculo alegadas em impugnação e admitidas em sede de diligência pela fiscalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 17 5. 00 01 59 /2 00 5- 85 Fl. 3099DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Recurso de Oficio Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Bruno Baruel, OAB/SP 206.581. Relatório Os presentes autos se refere ao recurso de oficio e recurso voluntário contra decisão que considerou parcialmente improcedente a impugnação. Tratase o presente processo de Autos de Infração relativos a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e a Contribuição pra o Programa de Integração Social PIS (fls. 273/290), formalizando crédito, em razão de insuficiência de recolhimento das referidas contribuições. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Como decorrência do MPF 08.1.13.002005000254, de fls. 01, foram lavrados Autos de Infração de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, sendo os dois primeiros objeto do processo 16175.000158/2005 31 e os dois últimos do processo 16175.000159/200585. "(...) Processo 16175.000159/200585 (COFINS e PIS) O processo 16175.000158/200531 trata dos Autos de Infração relativos a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 220/224) e a Contribuição pra o Programa de Integração Social PIS (fls. 480/484), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 22.019.131,74 (=18.063.338,11 + 3.955.793,63), aí incluídos principal, multa de ofício de 150% e Fl. 3100DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.100 3 juros de mora, em razão de insuficiência de recolhimento das contribuições. As irregularidades constatadas foram assim descritas nos Termos de Verificação Fiscal de fls. 208/210 e 468/470, que integram as autuações: "No exercício da função de Auditor Fiscal da Receita Federal,..., através dos termos lavrados em 2610112005 — 1810212005 — 0310312005 e 3110812005, o contribuinte foi intimado a apresentar o demonstrativo do COFINS/FATURAMENTO [PIS/FATURAMENTO] do período Jan/]999 a Ago12005 os Livros de Registro de Apuração do ICMs e as cópias das ações judiciais propostas contra a União Federal. Em resposta, através do Formulário "Informações prestadas à SRF" a empresa apresentou a base de cálculo da contribuição devida ao COFINS [PIS] que confrontadas com os dados extraídos dos Sistemas da SRF (DCTF — DACON SINAL 08 E IRPJCONS), acusou insuficiência de recolhimento nos períodos abaixo especificados, conforme demonstrativos anexados a este termo. Intimada através do Termo de Intimação de 0210612005, a esclarecer estas insuficiências, a empresa informou que procedendo ao exame dos valores de contribuição apontados na planilha elaborada por esta fiscalização com base nos livros de Registros de Apuração do ICMs e dos Registros de Prestação de Serviços estes conferem com os valores apontados. Desta forma, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, foi constituído o crédito tributário no período de Jan/1999 a Dez/2002, através de Auto de Infração, em relação aos seguintes montantes: (...). DO ENCERRAMENTO FATOS RELACIONADOS À CIÊNCIA Registra, ainda, o autuante, no Termo de fls. 102/103 do processo de IRPJ e CSLL e de fls. 244/245 do processo de Cofins e PIS, os seguintes fatos observados no procedimento de ciência do Auto de Infração: Em relação ao desenvolvimento da ação fiscal, cumpre registrar que após a lavratura do Termo de Intimação de 30.09.2005 (doc. de fls. 224 do Processo 16175.0001611200554), esta fiscalização não mais foi atendida pelos sócios e/ou representante legal da empresa, embora fizesse inúmeras tentativas. Nesse contexto, com os elementos disponíveis, procedemos à lavratura em 08.11.05 do Termo de Verificação de PIS COFINS e IRPJ,, Auto de Infração do PIS, de COFINS, de IRPJ e CSLL, Termo de Cientificação de Arrolamento de Bens e Relação de Bens para Arrolamento. Fl. 3101DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Convicto da impossibilidade de ciência pessoal, esta fiscalização em 09.11.2005, encaminhou os termos e autos de infração acima mencionados através de via postal, consubstanciado no AR n°s 98660329IBR (doc. de fls. 226 a 22 7) [doc.de fls. 84 e 85 do Processo 16175.000158/200531]. Depois de diversas tentativas de entrega, registradas no envelope contendo a documentação, o mesmo foi devolvido com a anotação de que a Diretoria da empresa se recusara em recebêlo. Nessa situação, em 16.11.2005, optamos por enviar telegramas para o domicilio fiscal dos sócios da empresa referenciada. Srs. Oswaldo Emilio Grassi e Sergio Marcos de Souza Grassi (doc. de fls. 228 a 233) [doc. de fls. 86 a 91 do Processo 16175.0001581/200531], intimandoos a comparecer à Delegacia da Receita Federal em Osasco, para a efetivação pessoal da ciência. Depois de três tentativas, o correio informou que não foi possível efetuar a entrega por alegada ausência dos sócios. Pressentindo a deliberação dos sócios em dificultar a formalização da ciência, em verificação procedida no sistema informatizado da Receita Federal — CNPJ, constatamos que os sócios da Treville Veículos Ltda. eram também sócios da empresa H. VILLE VEÍCULOS LTDA, CNPJ 02.717.84610001 71 (doc. de fls. 234 a 238) [doc. de fls. 96 do Processo 16175.000158/200531], com domicílio fiscal à Alameda Araguaia, 120 — Aeroporto Industrial — Barueri/SP. Ato contínuo, enviamos nova intimação aos mesmos, nesse novo endereço, para que comparecessem à Delegacia da Receita Federal com intuito de efetivar a ciência. Conforme informação do correio, essas intimações foram entregues em 16.11.2005. Entretanto, os sócios não atenderam à intimação. Finalmente, como último recurso, em 18.11.2005, providenciamos a afixação de edital (doc. de fls. 243) [doc. de fls. 1011, nas dependências da Delegacia da Receita Federal em Osasco, intimando a TREVILLE VEÍCULOS LTDA. para que no prazo de 5 (cinco) dias, após decorrido o prazo legal de 15 (quinze dias), tomasse ciência dos Termos acima mencionados, bem como seus anexos. Todavia, a empresa não atendeu a intimação. Paralelamente a esses fatos, registramos que examinando a Ficha Cadastral expedida pela JUCESP no dia 06/12/2005, constatamos que a TREVILLE VEÍCULOS LTDA., permanece com a sua sede no seguinte Endereço: Estrada da Aldeinha n° 525 — Alphaville — BARUERI/SP. (doc. de fls. 240 e 242) [doc. de fls. 98/100]. No mesmo sentido foi feita Consulta no dia 06/12/2005, no sistema CNPJ da Receita Federal, a qual indicou que a empresa continua sediada no mesmo endereço especificado nos termos lavrados por esta fiscalização (doc. de fls. 239)[doc. de fls. 97]. Fl. 3102DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.101 5 (...). Impugnação à exigência de COFINS Em oposição à exigência de Cofins, a empresa autuada, por meio de sua advogada (procuração às fls. 594), apresentou, em 02/01/2006, a impugnação de fls. 514/545 do processo 16175 .000159/200585, acompanhada dos documentos de fls. 546/1117, com as mesmas razões e defesa apresentadas contra o lançamento do IRPJ e CSLL, acrescentando, especificamente em relação às alegações de decadência e de necessidade de dedução de custo e despesas, os argumentos a seguir sintetizados. Quanto à ocorrência de decadência, acrescenta que: foi desrespeitado o prazo de 05 anos consagrado pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes, pois o lançamento não foi validamente comunicado ao contribuinte no prazo qüinqüenal e, ainda que se considere que a vista dos autos pela advogada do contribuinte supriria tal lacuna, tal vista só ocorreu em janeiro de 2006, ocasião que o prazo decadencial estabelecido em lei, quer no art. 150, § 4º, quer no art. 173 do CTN, já havia transcorrido; o tributo aqui tratado inscrevese naqueles sujeitos a lançamento por homologação e, portanto, encontrase sujeito a regra do art. 150, § 4º, do CTN; o fato gerador da contribuição ocorre mensalmente e a contagem do prazo decadencial é iniciada ao final de cada mês, de modo que os fatos geradores ocorridos até o final do ano 2000 foram atingidos pela decadência. No tocante às alegações de necessidade de dedução de despesas, acrescenta, em síntese, que: ao apurar a base de cálculo da contribuição, nos períodos a partir de 11 de junho de 2000, a fiscalização não deduziu os valores já recolhidos pela sistemática da substituição tributária com base no disposto no art. 44 da Medida Provisória no 1.991 15, de 11 de abril de 2000. Impugnação à exigência da contribuição ao PIS Às fls. 1118/1150 do processo 16175.000159/200585 foi apresentada impugnação ao Auto de Infração da Contribuição ao PIS, acompanhada dos documentos de fls. 1151/1734, contendo as mesmas razões de defesa relativas ao Auto de Cofins. Diligência (1*). Diante das alegações apresentadas, foi o processo encaminhado em diligência, por meio das Resoluções desta 5ª Turma, de nºs 1.025/2006 e 1.026/2006, das quais, além dos fatos acima relatados, constou: Fl. 3103DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 7. Da análise dos autos, depreendese que: 7.1. Por meio do Termo de Início de ,fls. 03 do processo de IRPJ, foi a contribuinte intimada a apresentar, entre outros, documentos comprobatórios da Escrituração e Livros Fiscais, assim discriminados: Reg. de Entrada de Mercadorias; Reg. de Saída de Mercadorias, Registro de Apuração de ICMS; Reg. de Impr. de Doc Fiscais e Termos de Ocorrência; Reg. de Inventário; Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR; Reg. de Prestação de Serviços; Diário e Razão. Os autos encontram se instruídos com cópias de Registro de Apuração de ICMS (fls. 22144) e de ISS (fls. 45158), e parte do Razão (fls. 59160) (...). Resultado da Diligência Em atendimento, a autoridade fiscal juntou MPF Diligência e correspondentes prorrogações, bem como documentos de fls. 539/610 no processo de IRPJ/CSLL no 16175.000158/200531 e de fls. 1.777/2.107 no processo de PIS/Cofins no 16175.000159/200585, e elaborou Relatórios de Diligência Fiscal de teor a seguir reproduzido: (...). No Processo 16175.000159/200585 (Pis e Coíìns, fls. 2.108/2.110) 3. O sujeito passivo, representado por procuradores (procuração anexa), apresentou os Balancetes de Verificação Mensais, dos anos de 1999 a 2002, os quais se encontram anexos a este procedimento fiscal. 4. Mediante os dados constantes da documentação recebida do sujeito passivo, da documentação, já anteriormente, anexa a este processo e mediante dos dados constantes das DIPJ's de 2000 a 2003, anoscalendários de 1999 a 2002, elaboramos e anexamos os seguintes Quadros [fls. 2.071/2.107]: (...). 5. Na elaboração do Quadro referente ao Item 8, da tabela acima APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS TOTAL: 5.1) foram contempladas as operações com veículos usados submetidas às disposições do Art. 5", da Lei 9.716198, de 26111198, normatizado pela Instrução SRF n° 1521998, ou seja, do valor das receitas de vendas de veículos usados foram deduzidos os custos de aquisição destes bens para determinação da base de cálculo da COFINS Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social e do PIS Programa de Integração Social, com relação aos períodos de 1999 a 2002 fiscalizados e diligenciados; Fl. 3104DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.102 7 5.2) foram, também, considerados os efeitos da substituição tributária prevista no Art. 44, da Medida Provisória 199115, de 11104100, e na Instrução Normativa SRF n° 54, de 2000, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 112, de 2000, e Instrução Normativa n°247, de 3111112002, sendo que, pela base legal citada, as pessoas jurídicas fabricantes de veículos relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições para o PIS e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas (revendedora de veículos) como é o caso do sujeito passivo fiscalizado. O instituto da substituição tributária foi considerado pelo contribuinte a partir de maio de 2000; e S.3) a partir de 1 ° de dezembro de 2002 foi adotado o regime de cobrança nãocumulativa do PIS Programa de Integração Social, de acordo com a Lei 10.637, de 30/12/2002 6. Finalmente no Quadro do Item 9, também da tabela acima PIS E COFINS A LANÇAR, como o próprio nome diz, foram apurados os valores correspondentes ao PIS e a COFINS que deveriam, efetivamente, ter sido recolhido ao longo dos anos de 1999 a 2002. A empresa autuada, por intermédio de seu procurador nomeado para acompanhar as diligências (instrumentos de procuração às fls. 533 do processo 16175.000158/200531 e fls. 1772 do processo 16175.000159/200585) foi cientificado dos seus resultados com reabertura de prazo para sua manifestação, inexistindo nos autos notícia de que tenha sido apresentada complementação de defesa. Diligência (2*) Encaminhados os processos a esta DRJ/Campinas, foram expedidas as Resoluções de n° 2.405 (fls. 615//622 do processo 16175.000158/200531) e n° 2.406 (fls.2.112/2.119 do processo 16175.000159/200585) retornando os autos em diligência nos termos do voto a seguir reproduzido: Registrese, inicialmente, que, do resultado da diligência, depreendese que os valores nela apurados como decorrentes de vendas de substituição tributária nos períodos de maio12000 a dezembro12002 (coluna 2 das planilhas de fls. 2086, 2095, 2104 do processo 16175.000159/200585) já haviam sido admitidos na autuação. De fato, as bases de cálculo de PIS e Cofins consideradas para formalização da exigência original (demonstrativos de fls. 463/465 e 203/205 do processo 16175.000159/200585) correspondem ao que apurado na diligência a título de total de receitas de vendas diminuído das vendas de substituição tributária (coluna 1 menos coluna 2 das planilhas de fls. 2089, 2095 e 2104). Assim, concluise que a redução dos valores lançados, como apurado na diligência, não decorre dos efeitos da substituição tributária, mas da Fl. 3105DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 consideração de custos e despesas, bem como de operações com veículos usados. E, quanto a tais causas, observase que, embora por ocasião da diligência tenham sido juntados novos Balancetes (não apresentados na impugnação), com base nos quais foram reduzidos os valores apurados como devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a Fiscalização, em seu relatório, não informou se estavam contabilizados no Livro Diário e no Livro Razão os valores por ela admitidos e que redundaram na referida redução, nada esclarecendo acerca da escrituração do contribuinte. E, sob este aspecto, impõese consignar que inexiste previsão legal para consideração de custos e despesas não escriturados por contribuinte optante pela sistemática do lucro real. Ainda, especificamente em relação a operações de veículos usados, é mencionada no Relatório da diligência a INSRF 152, de 1998, a qual previa: Art. 1º A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Art. 3º A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anterior. Todavia, nada informou a fiscalização acerca da existência e verificação das notas fiscais de venda e das correspondentes notas fiscais de entrada, nem dos demonstrativos de apuração da base de cálculo que deveriam ser mantidos pela empresa. Assim, permanece sem elucidação se os custos e despesas, mencionados no Relatório de Diligência Fiscal, estavam ou não contemplados nos Livros Diário, Razão e de Apuração do Lucro Real (LALUR), bem como, relativamente às operações com veículos usados, se foram observados os requisitos acima mencionados. Fl. 3106DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.103 9 Neste contexto, VOTO no sentido de devolver em diligência os processos 16175.000158/200531 e 16175.000159/200585, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235, de 1972, com as alterações posteriores, reiterando a solicitação de que a autoridade fiscal esclareça se os valores considerados como redutores das bases de cálculo dos tributos, nos Quadros que instruem os Relatórios da Diligência, encontram respaldo na escrituração contábil/fiscal do contribuinte (Diário, Razão, Lalur, Registro de Entrada e Saída e documentação de suporte) e, em conseqüência, confirme se há valores a serem excluídos da exigência originalmente formalizada por meio do Auto de Infração. Do resultado da presente diligência, a autuada deverá ser cientificada, sendolhe reaberto o prazo de impugnação para, se for de seu interesse, complementar suas razões iniciais. Em atendimento, a autoridade lançadora elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 3.112/3.114 do processo 16175.000159/200585 e fls. 884/886 do processo 16175.000158/200531, informando que: 3. Quanto às notas fiscais mencionadas pela relatora, informamos que foram feitas, ainda que por amostragem, verificações nas notas de saída, referente às vendas efetuadas a seus clientes, nas notas fiscais de entrada, originárias das aquisições efetuadas da montadora FL4T S/A nos casos de veículos novos, e nesse caso, digase de passagem, em regime de substituição tributária, das aquisições ou consignações de veículos usados, além das notas de prestação de serviços, confirmandose assim a existência das mesmas e devidamente registradas nos respectivos Livros: Registro de Saídas, Registro de Entradas e Prestação de Serviços. 4. Em atendimento ao Termo de Início de Diligência Fiscal, de 22107109, com ciência do contribuinte na mesma data, o mesmo apresentou o(s) Livro(s)Diário(s) da empresa referente ao(s) ano(s) de 1999 a 2002, onde se encontram contabilizadas as atividades da empresa, bem como os Balancetes Mensais do(s)mesmo(s), nos quais estão também registrados, agrupadamente por itens, os valores constantes do(s) Livro(s) Diário(s). 5. Devido o grande volume de lançamentos que ocorreu na empresa, anexamos cópias, no caso do(s) Livro(s) Diário(s), por amostragem, da movimentação diária dos meses de dez11999 a 2002 e no caso dos Balancetes foram anexadas cópias mensais de todos os períodos de jan a dez11999 a 2002, acumulados mensalmente, a cada ano. Ressaltese que esses balancetes são, em valores, iguais aqueles já anteriormente anexados as fls. de n° 1777 a 1903 [fls de n°s 539 a 561 do Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 processo 16175.000158/200531], diferentes apenas na sua forma de apresentação que eram quadrimestrais de jan199 a dez191 e mensais de jan a dez102, acumulados mensalmente. 6. Face ao acima exposto temos a seguinte situação: As notas fiscais de saída, de entrada e de serviços foram verificadas comprovadas a sua existência e escrituração nos devidos livros de registros; As atividades da empresa encontram devidamente registradas no(s) Livro(s) Diário(s) da empresa e por outro lado, através dos Balancetes mensais, existe a comprovação dos valores que compuseram os custos e as despesas, contabilizados nos) Livro(s), ocorridos no(s) ano(s) flscalizado(s), conforme já anteriormente apurados e informados nos quadros constantes às fls. de n°s 2071 a 2107. Ante a situação descrita, entendemos que, smj, existem valores a serem excluídos da exigência fiscal, tendo em vista o demonstrativo apresentado no quadro: "Comparativo das Bases de Cálculo da COFINS e do PIS dos anos de 1999 a 2002" anexos às fls. 3110 e 3111. ["Comparativo das Bases de Cálculo do IRPJ e da CSLL do ano de 2000 % anexo às fls. 883] São os seguintes os Comparativos das Bases de Cálculo a que se referiu a fiscalização em sua informação: (...). No processo de PIS e COFINS, no 16175.0001591200585 (fls.3.110/3.111): (...). Cientificado do Relatório da Diligência Fiscal por meio de seu advogado/procurador conforme fls. 886 do processo de IRPJ e CSLL (16175.000158/200531) e fls. 3.114 do processo de PIS e COFINS (16175.000159/200585), não consta manifestação alguma, tendo sido os autos encaminhados para julgamento. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, foram acolhidos em parte pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 INTIMAÇÃO. CIÊNCIA. REGULARIDADE. Não comprovada inobservância a disposições do art. 23 do Decreto 70.235/72, regulares se mostram os procedimentos de intimação e de ciência das autuações. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Cientificado o contribuinte da autuação e seus anexos e sendolhe assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.104 11 administrativo fiscal, descabe a alegação de cerceamento ao direito de defesa. MULTA AGRAVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Ausente exteriorização da apreciação subjetiva da conduta do contribuinte pela fiscalização, de modo a permitir o conhecimento e a defesa pelo autuado, não subsiste o agravamento da multa ao patamar de 150 %. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. PIS. COFINS. PRAZO. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991 na Súmula Vinculante n° 8. Neste contexto, o direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento relativo à COFINS e à Contribuição ao PIS extinguese após 5 anos contados do (a) primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento ou apuração regular, bem como se não caracterizada a boafé (CTN, art.173, I); (b) fato gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, art. 150, § 4°), e não afastada a boafé. Ausente boa fé, o início da contagem do prazo decadencial permanece na regra geral do art. 173, I, do CTN. PIS. COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Detectada a insuficiência de recolhimento, mantémse a exigência, mas reduzindoa em função de incorreções na base de cálculo alegadas em impugnação e admitidas em sede de diligência pela fiscalização. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. A alegação de ofensa ao princípio da vedação de confisco diz respeito à inconstitucionalidade da lei, matéria cuja apreciação não é de competência dos órgãos administrativos, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em 18/11/2009 (fl. 3.016), a Recorrente foi cientificado da Decisão nº 05 27.202 5ª Turma da DRJ/Campinas (fls. 2.981 a 3.015). Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Inconformada, em 18/12/2009 (fl. 3.033), apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3.033 a 3.053, reafirmando as argumentações já apresentadas em sua impugnação e reforçada no que segue: (i) reratifica a impugnação à COFINS apresentada às fls. 328/359 acompanhada dos documentos de fl. 359/434 e ao PIS, apresentada às fls. 953/986 acompanhada dos documentos de fls. 987 a 1.054, no que trata da decadência dos tributos lançados e da não notificação do sujeito passivo pelo fisco, nos termos do item 3.1 (da não efetivação do lançamento pela autoridade fiscal), do item 3.2 (da não ciência do contribuinte); e do item 3.3 (da extinção do crédito tributário por decadência), todos da impugnação tratada. (ii) a decisão padece em parte de respaldo legal e jurisprudencial, uma vez que o presente processo administrativo é nulo, em razão da falta de observância das normas atinentes ao processamento administrativo, em especial quanto à nulidade da intimação por Edital, pelas seguintes razões: a) Cerceamento do Direito de Defesa Entende a Recorrente que, ao protestar por sustentação oral no julgamento de primeira instância e, não vendo seu pedido ser atendido, teve seu direito de defesa cerceado. Sendo a DRJ um órgão colegiado e que o relator expõe de forma resumida os fatos do PAF e prolata seu voto, há que se ouvir, também, o contribuinte senão, teremos um caso típico de cerceamento do direito de defesa. b) Da não efetivação do lançamento pela autoridade fiscal A Recorrente a fim de refutar a decisão de fls. 2.981 e seguintes, deixa claro que em nenhum momento tentou dificultar a fiscalização. Muito pelo contrário, assim que mudou seu domicílio fiscal, atendeu ao quanto determinado na legislação vigente, vale dizer, nessa ordem, providenciou a alteração contratual, efetivou seu registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo e, sempre como determina a legislação, procedeu a alteração de seus dados cadastrais junto à RRB. Não houve, portanto qualquer intimação a pessoa jurídica (Recorrente) em seu domicílio eleito. Esses telegramas não produzem, entretanto, qualquer efeito perante a pessoa jurídica, conforme entendimento já consagrado pelas instâncias administrativas Além disso, deve ser salientado que o texto dos telegramas jamais se referiu a qualquer auto de infração, ou cientificou a Recorrente do prazo para recolhimento ou impugnação, mas tão somente convocou determinadas pessoas físicas a comparecerem repartição para tomar ciência de alguns processos administrativos, sem sequer mencionar o assunto. Mencionaram apenas a existência de Termos de Constatação e de Arrolamento de Bens, o que, evidentemente, não vincula tais processos a lançamento já efetuado. De sorte que em nenhum momento foi a Recorrente notificada acerca do lançamento, valendo dizer, intimada para recolher o crédito tributário ou impugnar o lançamento. Em seguida, atirouse o Fisco, com sofreguidão, a intimação por Edital, em completo desrespeito aos dispositivos legais e regulamentares. Deveria a autoridade administrativa ter promovido a alteração de ofício dos dados cadastrais da pessoa jurídica, nos termos das disposições legais e regulamentares (IN 568/2005) e intimado previamente o representante legal da empresa, em homenagem aos princípios da publicidade e do contraditório, de resto assegurados pela CF/88 e pela Lei nº 9.784/99. Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.105 13 Convém repetir que a Recorrente continua no endereço informado para a Receita Federal tendo sido intimada pelo fisco, sofrido diligências etc, tudo conforme farta documentação produzida pelo próprio fisco no presente o processo Do que se conclui que o Edital acostado ao processo constitui ato administrativo nulo e ineficaz, não podendo gerar qualquer tipo de repercussão na órbita dos direitos do contribuinte. Não serviu para dar publicidade ao lançamento que, dessa forma, não se completou. Da não ciência à Recorrente De sorte que, não tendo sido cientificado o contribuinte do lançamento de ofício, mais uma vez temos que o mesmo não se completou, não podendo o referido ato administrativo acarretar qualquer efeito na esfera jurídica da Recorrente, tratandose portanto de ato nulo. Da extinção do crédito tributário por decadência A exigência fiscal deve ser afastada pela simples razão de ter o Fisco desrespeitado o prazo decadencial consagrado pela legislação em vigor. Isso porque o lançamento sequer foi completado e, muito menos, validamente comunicado ao representante da Recorrente dentro do prazo. Como é cediço, os tributos aqui tratados inscrevemse dentre aqueles sujeitos ao lançamento por homologação e, portanto, encontramse sujeitos à regra insculpida no art. 150 § 4º, do C.T.N., conforme amplo e pacífico entendimento consagrado pelo CARF. Do Pedido Isto posto, diante de todas as alegações, requer o integral acolhimento do presente Recurso Voluntário, para ser declarado nulo o lançamento de ofício realizado, exonerandose, por via de conseqüência, o crédito tributário, mantido na decisão de primeira instância e caso, entretanto, não seja declarado nulo o lançamento, seja realizados os ajustes necessários nos valores mantidos por julgamento de primeira instância, em razão das alegações colocadas. Protesta, ainda, a Recorrente pela concessão do direito de promover sustentação oral, quando do julgamento do Recurso Voluntário pelo colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Da admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da referida decisão da DRJ em 18/11/2009 (fl. 3.016), apresentou em 18/12/2009 (fl. 3.033) o recurso voluntário de fls. 3.033/3.053, tempestivo, portanto. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode e deve ser conhecido. Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Introdução No presente caso, em razão da decisão de 1ª instancia que deu provimento parcial a impugnação, estão em julgamento recurso de oficio e recurso voluntário. O motivo do recurso de ofício foi por ter considerarado procedente em parte a impugnação, acatando em parte a alegação de decadência e, em razão disso, bem como do resultado das diligências em que a fiscalização indica a apuração de valores devidos menores do que aqueles lançados as exigências de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) formalizadas neste PAF, reduzindose, ainda, a multa aplicada de 150% para 75 %, conforme quadro resumo às fls. 3.011/3.013. Do Recurso de Ofício Como visto nos autos, são totalmente procedentes os argumentos apresentados no voto condutor da decisão a quo, pois é preciso reconhecer a correta base de cálculo do lançamento (considerando os custos e as despesas), bem como a ausência de fundamentação para a qualificação da multa de ofício implica em reconhecer sua redução para o patamar de 75%. Por tais razões, com base no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, adoto na integra os argumentos da decisão de 1° grau, voto por considerar improcedente o recurso de oficio. Do Recurso Voluntário Como consta do relatório, o presente lançamento tem por objeto a exigência do PIS e da COFINS. A Recorrente foi autuada pelo Fisco ao ser constatado divergências entre a base de cálculo da contribuição devida ao PIS e à COFINS lançada nos dados extraídos dos Sistemas da RFB (DCTF, DACON, SINAL 8 e IRPJ/CONS), o que resultou em insuficiência do recolhimento no período entre Janeiro de 1999 a Agosto de 2005. A Recorrente apresentou Impugnação alegando: (i) nulidade de autuação por conta da não efetivação do lançamento por parte da autoridade fiscal e falta de ciência do contribuinte por irregularidade na intimação; (ii) ocorrência da decadência uma vez que o lançamento não foi validamente comunicado ao contribuinte no prazo qüinqüenal; (iii ) o fato gerador das contribuições ocorre mensalmente e a contagem do prazo decadencial é iniciada no final de cada mês; (iv) desconsideração por parte do fiscal de custos, despesas e demais abatimentos; (v) a desconsideração da dedução dos valores já recolhidos pela sistemática da substituição tributária, e (vi) inaplicabilidade da taxa SELIC para indébitos tributários. Diante das alegações a DRJ encaminhou o processo para diligência na DRF de origem a fim de que, no que tange ao PIS e a COFINS, a autoridade fiscal se manifestasse, acerca da: a) escrituração contábil/fiscal do contribuinte, relativamente aos custos e despesas do período; b) divergência entre os balancetes apresentados na impugnação e as cópias do Razão, no que tange as receitas do período autuado; c) informar se, na escrituração utilizada para a tributação no lucro real, teriam sido contempladas operações com veículos usados submetidos às disposições do art. 5º da Lei 9.716/98, apontando se há valores a serem excluídos da exigência; d) esclarecer se na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS haviam sido considerados, para efeitos da substituição tributária, prevista no art. 44, da Medida Provisória 199115/2000, e na IN SRF 54, de 2000 e alterações ou se haviam valores que deveriam ser excluídos da base de cálculo da presente exigência. Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.106 15 Restando dúvidas, foi realizada uma 2ª diligência, onde a autoridade lançadora informou que: a) as notas fiscais de saída, de entrada e de serviços forma verificadas e comprovadas a sua existência e escrituração nos devidos livros de registro, b) as atividades da empresa encontram devidamente registradas nos Livros Diários da empresa e por outro lado, mediante de balancetes mensais, existe a comprovação dos valores que compuseram os custos e as despesas, contabilízadas nos livros, ocorridos nos anos fiscalizados. Ao final o Fisco atestou a existência de mais valores a serem excluídos da exigência fiscal, tendo em vista o Demonstrativo apresentado no quadro "Comparativo das Bases de Cálculo do PIS e da COFINS dos anos de 1.999 a 2.002" (fls. 2.975/2.976). Como conseqüência, a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS foi sensivelmente reduzida em todos os anos de apuração. Diante do resultado das diligências realizadas e dos argumentos trazidos à baila pela ora Recorrente, entendeu o julgador de considerar a impugnação procedente em parte. Agora em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente reratifica a impugnação ao PIS e a COFINS apresentada acompanhada dos documentos, no que trata da decadência dos tributos lançados e da não notificação do sujeito passivo pelo fisco, nos termos do item 3.1 (da não efetivação do lançamento pela autoridade fiscal), do item 3.2 (da não ciência do contribuinte); e do item 3.3 (da extinção do crédito tributário por decadência), todos da impugnação tratada. A recorrente insiste que a intimação foi viciada, que o auto é nulo por não ter havido a regular cientificação do autuado, que a decadência alcança o lançamento e que teve sua defesa cerceada por não ser admitida a sustentação oral na DRJ, por não ter sido publicada a pauta de julgamento e por não ser admitido a presença dos interessados no julgamento de la instância. Preliminares Cerceamento do Direito de Defesa Aduz a Recorrente que, ao protestar por Sustentação Oral no julgamento de primeira instância e, não vendo seu pedido ser atendido, teve seu direito de defesa cerceado. Aduz que sendo as DRJ um órgão colegiado, onde os processos administrativos fiscais são julgados por um colegiado, em plenário e que o relator expõe de forma resumida os fatos do PAF e prolata seu voto, há que se ouvir, também, o contribuinte senão, teremos um caso típico de cerceamento do direito de defesa. E que a pauta de julgamento deveria ser o publicada com antecedência e o plenário franqueado aos interessados, o que, efetivamente, não ocorreu. Não assiste razão a Recorrente. Como bem asseverado na decisão a quo, quanto ao pedido para formulação de sustentação oral, o Decreto n° 70.235, de 1972, não traz previsão desta possibilidade na primeira instância administrativa (DRJs). Apenas em julgamento perante o Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ou na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), é assegurada ao contribuinte oportunidade para tanto, como já previa a Portaria MF nº 55 de 16/03/1998, com as alterações da Portaria MF nº 103, de 23/04/2002, bem como a teor do art. 58 da Portaria nº MF 256, de 22/06/2009, revogada pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF art. 58, II). Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Ademais, a autuação foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa, havendo sido atendidas todas as garantias processuais, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, art. 142 do CTN e arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972. Em suma, neste auto, não existe cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta refutando essas imputações. Portanto, rejeitase a preliminar. Da não efetivação do lançamento pelo Fisco/não ciência do Auto de Infração A recorrente insiste que a intimação foi viciada, que o auto é nulo por não ter havido a regular cientificação do autuado. Quanto ao alegado vicio na intimação e ciência, a turma julgadora da DRJ fundamentou de modo exaustivo e didático sua posição, que me filio e adoto na integra e passa a fazer parte do presente voto, nos termos apresentados na decisão (fls. 2.998/3.002). Como se sabe, a forma de Intimação é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) e a Lei nº 11.196, de 21/11/2005, cujo art. 113 alterou o art. 23, do citado Decreto, como segue: Art. 23. Farseá a intimação: 1 pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 199 7) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 199 7) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005). a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) § 1' Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.107 17 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; 11 no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei n" 9.532, de 1997) 111 se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei n ° 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n'11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei n'11. 196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei n'11. 196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei n"11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005). Verificase às fl. 486 do eprocesso, onde consta registro de encaminhamento por via postal em 09/11/2005 de "Termo de Verificação de PIS — COFINS e IRPJ e CSLL, Autos de Infração do PIS — COFINS — IRPJ e CSLL, Termo de Cientificação de Arrolamento de Bens e Relação de Bens para arrolamento lavrados em 08/11/2005", com indicação de devolução ao remetente em razão de ter sido "recusado pela Diretoria". No documento dos Correios "Aviso de Recebimento", verificase que a correspondência foi endereçada para a sede da empresa fiscalizada, sito a Estrada da Aldeinha, 525, Alphaville, Barueri/SP, domicílio por ela eleito e então constante do Cadastro Informatizado da RFB. Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 Conforme constatase nos autos, ficou expresso no Relatório Fiscal que a empresa se negou a atender a fiscalização, o que impede a ciência pessoal, e que não recebia as correspondências, havendo inclusive a devolução mencionando que a diretoria havia se recusado a receber a intimação. Deste modo, só foi possível a intimação do auto de infração por Edital. De outra banda, o Edital foi afixado em local admitido pela legislação, e seu conteúdo foi adequado para produzir os efeitos legais da ciência da autuação, pois cabe lembrar que o edital deve considerar o sigilo fiscal. A turma julgadora da DRJ também decidiu corretamente que não houve cerceamento de defesa do contribuinte, quer porque a intimação foi regular, quer porque o contribuinte logrou defenderse amplamente. Por isso não cabe os argumentos de defesa apresentados na impugnação ou no recurso, já que o Edital foi regular e conteve os elementos necessário para dar ciência da autuação. Em resumo, a turma entendeu demonstrada que a fiscalização foi obrigada a utilizar da intimação por Edital, e que esta foi feita de modo regular, quer pelo local afixado, quer pelo conteúdo do Edital, quer pela forma e data em que o contribuinte efetuou sua alteração de endereço. Ainda registrese que, como relatado, após realização de diligências, o contribuinte foi cientificado de seus resultados sendolhe reaberto prazo para sua manifestação, inexistindo nos autos notícia de que tenha aproveitado essas novas oportunidades de defesa. Quanto a alegação feita em recurso de que a alteração de endereço foi feita em 17/11/2005 e o Edital foi fixado em 18/11/2005, de sorte que a fiscalização no dia da fixação já sabia o novo endereço e deveria ter enviado o auto para o novo endereço, ao invés de dar ciência por Edital, também está equivocado a Recorrente. As condições necessárias para que a intimação seja feita por Edital ficaram caracterizadas na descrição dos fatos, por isso, a informação do novo endereço é absolutamente irrelevante. Ademais, frisese que ficou bem caracterizado no processo que foi o contribuinte quem criou a dificuldade de ser cientificado, na medida em que não mais atendeu a fiscalização, nem aceitou as correspondências. Na outra face da moeda, a fiscalização se esforçou de diversas maneiras para dar ciência ao contribuinte, enviando telegramas para os sócios e para outra empresa desses. Nesse contexto, as alegações do contribuinte contrárias ao Edital ou alegando que não teve amplo acesso aos autos, consiste em alegar sua própria qualidade em seu favor, o que é repudiado pelo direito. Por isso, não há vicio na autuação e não cabe falar em nulidade do lançamento. Da extinção do crédito tributário decadência Alega a Recorrente que exigência fiscal deve ser afastada pela simples razão de ter o Fisco desrespeitado o prazo decadencial consagrado pela legislação em vigor. Isso porque o lançamento sequer foi completado e, muito menos, validamente comunicado ao representante do contribuinte dentro do prazo qüinqüenal. Argumenta que os tributos aqui tratados inscrevemse dentre aqueles sujeitos ao lançamento por homologação e, portanto, encontramse sujeitos à regra insculpida no art. 150 § 4º, do C.T.N., conforme amplo e pacífico entendimento consagrado pelo CARF e defende a inaplicabilidade do art. 173, I, por ausência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.108 19 No tocante à argüição de decadência, com a afixação do Edital no período de 18/11/2005 a 06/12/2005, o contribuinte foi considerado cientificado das autuações 15 dias após esta última data, ou seja, ainda no mês de dezembro/2005. Alega em seu recurso que "(...) O fato gerador do PIS e da COFINS é mensal, apurado mensalmente, razão pela qual o direito de a Fazenda Pública lançar referidos tributos decai também mensalmente, com a contagem do prazo iniciada ao final de cada mês em que tenha ocorrido o fato gerador. Daí porque para os fatos geradores ocorridos até o final do ano de 2.000, temos que a decadência atingiu todos os períodos, não subsistindo qualquer exigência relativa aos tributos até esse período". Pois bem. O lançamento da contribuição ao PIS e da COFINS (abrangendo os períodos de 1999 a 2002), de apuração mensal, considerando os efeitos da Súmula Vinculante n° 08 editada pelo STF, a DRJ reconheceu que foi parcialmente atingido pela decadência: Vejase: (...) De fato, ainda que não se cogite de homologação prevista no art. 150 do CTN e que seja aplicado o art. 173 do CTN, o lançamento de ofício de períodos até novembro de 1999 poderia ter sido efetuado no próprio curso do ano de 1999, estendendo se o prazo decadencial de 01/01/2000 a 31/12/2004. Para os períodos a partir de dezembro de 1999 não se cogita de decadência, pois, se o lançamento poderia ser efetuado em 2000, a contagem do prazo decadencial tem início em 01/01/2001 e se estende até 31/12/2005. Desse modo, por ter sido o lançamento cientificado ao contribuinte em dezembro de 2005, acatase em parte a argüição de decadência, para excluir a exigência PIS e Cofins dos períodos mensais de janeiro a novembro de 1999. Como visto, o recorrente invoca a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN (grifouse): Art. 150 — O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º (...). § 4º Se a lei não fixar prazo para homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O PIS e a COFINS são tributos cujas legislações atribuem ao sujeito passivo o Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que amoldamse à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (do art. 173 do CTN) para encontrar respaldo no § 4º do artigo 150, do mesmo código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tal norma, ao estabelecer o prazo de 5 (cinco) anos para homologação tácita, a contar da ocorrência do fato gerador, reduziu o limite temporal para atuação do fisco, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na decisão a quo, ficou consignado que: "(...) Constatase que, ao reduzir o prazo para constituição do crédito tributário, o legislador pressupôs, no referido art. 150, a existência de boafé e de pagamento prévio. Quanto à primeira condição, verificase, conforme acima exposto, que a infração imputada ao contribuinte evidencia a máfé na apuração dos tributos devidos no período, o que afasta a possibilidade de homologação tácita mesmo na presença de pagamento. Com isso, a regra aplicável passa a ser a do art. 173, I, do CTN. No entanto, não vislumbro nos autos, provas que houve os requisitos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, até porque a fiscalização se baseou em informações fornecidas pela próprio empresa, seja através das GIAS transmitidas pela empresa à SEFA/São Paulo (que foram oficialmente solicitas e enviadas ao Fisco doc. fls. 233/250), seja através da entrega ao próprio Fisco, da documentação e demais elementos necessários à realização da auditoria, conforme Intimações expedidas (por ex. fls. 224/225 e 252/258). A imputação de dolo ou fraude carece de fundamentação nos autos. E mais, nas peças que compõem a autuação verificase a indicação da multa no percentual de 150% e sua fundamentação legal, sem, contudo, estar descrita qualquer justificativa expressa para tal imposição. Tanto nas autuações de PIS e Cofins como nas autuações de IRPJ e CSLL, consta como enquadramento legal da multa o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, mas nada descreve a fiscalização, quer nos Autos quer nos Termos de Verificação que os integram, quais dos fatos apurados ensejadores da exigência motivaram o entendimento fiscal de agravamento da penalidade de 75% para 150% se todos eles ou se sua conjugação com as circunstâncias em que se deu a apuração. Arrematou dessa forma a decisão recorrida, para não convalidar o agravamento da multa de 150% imposta a Recorrente, reduzindoa para 75% (grifouse): "(...) Assim, ausente tal apreciação e justificativa expressa para aplicação da multa de 150%, questionada sua imposição, deve a penalidade ser reduzida a 75%, dada a impossibilidade de se convalidar, no julgamento administrativo, razões de agravamento não explicitadas pela fiscalização. Acrescentese que a aplicação da multa se dá quando da formalização da autuação, nada mencionando a fiscalização que seu agravamento tivesse alguma relação com as tentativas do contribuinte de esquivarse do procedimento fiscal e da ciência das infrações que lhe foram imputadas. Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16175.000159/200585 Acórdão n.º 3402002.918 S3C4T2 Fl. 3.109 21 Verificase também que a Recorrente, embora conforme apurado com insuficiência, fazia as declarações e seus pagamentos mensais de PIS (6912) e da COFINS (código 2172), conforme se observa nas informações extraídas do Sistema "consulta pagamentos" da RFB às fls. 200/207, extratos da DIPJ (fls. 208/223), Termo de Intimação/Planilha de Detalhamento de Contribuição do PIS e da Cofins (fls. 252/258). Posto isto, ao meu ver, neste caso, não comprovada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, entendo que a contagem do prazo decadencial tem que ser feita com base no art. 150, § 4º, do CTN (cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador), portanto, estendendose o prazo decadencial para excluir a exigência do PIS e da COFINS, para os períodos mensais de dezembro de 1999 até novembro de 2000. Da sustentação oral solicitada O Recorrente solicita em seu recursos a concessão do direito de promover sustentação oral, quando do julgamento do Recurso Voluntário pelo colegiado. É cediço que em julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ou na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), é assegurada ao contribuinte oportunidade para propositura de sustentação oral, como previsto no RICARF art. 58, II, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio e dar parcial provimento ao recurso voluntário, estendendose o prazo decadencial para excluir a exigência do PIS e da COFINS, para os períodos mensais de dezembro de 1999 até novembro de 2000, conforme contido neste voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 15983.000772/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A falta de apresentação, à autoridade tributária, dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do livro Caixa, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica.
DETERMINAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO.
A atividade de corretagem de seguros é considerada atividade de intermediação de negócios e o lucro arbitrado das pessoas jurídicas que exercem esta atividade é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, do percentual de trinta e dois por cento, acrescido de vinte por cento.
OMISSÃO DE RECEITA DE COMISSÕES PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CORRETAGEM DE SEGUROS
Comprovado pela fiscalização, por meio das DIRFs e relatórios fornecidos pelas empresas seguradoras, que a contribuinte omitiu receitas, correto o lançamento fiscal sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto.
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
MULTA QUALIFICADA
É devida a multa qualificada em caso de sonegação, fraude ou conluio e aplica-se a todos os tributos e contribuições que, em decorrência da prática dolosa, deixaram de ser recolhidos, em razão da emissão de notas fiscais com valores diferentes em suas vias.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DECORRÊNCIA. CSLL.
A procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ implica a manutenção das exigências fiscais dele decorrentes.
Numero da decisão: 1402-002.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir as receitas financeiras da base tributável do PIS e da Cofins.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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A falta de apresentação, à autoridade tributária, dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do livro Caixa, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. DETERMINAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. A atividade de corretagem de seguros é considerada atividade de intermediação de negócios e o lucro arbitrado das pessoas jurídicas que exercem esta atividade é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, do percentual de trinta e dois por cento, acrescido de vinte por cento. OMISSÃO DE RECEITA DE COMISSÕES PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CORRETAGEM DE SEGUROS Comprovado pela fiscalização, por meio das DIRFs e relatórios fornecidos pelas empresas seguradoras, que a contribuinte omitiu receitas, correto o lançamento fiscal sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 72 /2 00 7- 87 Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.835 2 Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. MULTA QUALIFICADA É devida a multa qualificada em caso de sonegação, fraude ou conluio e aplicase a todos os tributos e contribuições que, em decorrência da prática dolosa, deixaram de ser recolhidos, em razão da emissão de notas fiscais com valores diferentes em suas vias. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DECORRÊNCIA. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ implica a manutenção das exigências fiscais dele decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir as receitas financeiras da base tributável do PIS e da Cofins. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.836 3 Relatório Vasco F Monteiro Corretora de Seguros de Vida S/C Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 04/14), PIS (fls. 15/22), COFINS (fls. 23/36) e CSLL (fls. 37/41) no montante de R$ 977.202,26. Informa o autuante que através de Termo de Início de Fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar diversos livros e documentos. Em consulta aos sistemas da SFB verificouse que o contribuinte apresentou a DIPJ/2003, tendo como forma de tributação o Lucro Presumido. Em atendimento à intimação de 06/02/2007, o contribuinte através do seu procurador Sr. Carlos Alberto Ferreira dos Santos, apresentou os seguintes documentos: Livro Caixa de nº 000005, contendo balancete demonstrativo do período de janeiro a dezembro de 2003; Cópias de alguns informes anuais de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte – pessoa jurídica, relativos a serviços prestados pelo contribuinte fiscalizado; Cópia de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARF’s referente a recolhimento de tributos com fato gerador no ano calendário de 2003; Declaração assinada por Lucy Alves Moreira, informando que deixa de apresentar os livros fiscais e os talões de notas fiscais de serviços, por terem sido extraviados na mudança de município. Informa também que será providenciada a publicação em referência a este fato. Acrescenta o fiscal autuante que apesar de o contribuinte ter informado que os talões de notas fiscais tinham sido extraviados, em 19/03/2007, ele encaminhou 11 (onze) talões de notas fiscais, contendo as notas de nºs 801 a 1300. O contribuinte foi reintimado a apresentar as Notas Fiscais emitidas no ano calendário de 2003, a partir da nota de n º 1.301 e cópia de informe de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras referentes a aplicações financeiras efetuadas no anocalendário de 2003. Em correspondência assinada pela sócia Sra Lucy Alves Moreira (sem data, vide fls. 160), o contribuinte declarou que teria deixado de apresentar os livros e os talões de notas fiscais de serviços a partir da nota fiscal de nº 1301 e os informes de rendimentos de aplicações financeiras, pelo motivo dos mesmos não terem sido localizados e por terem sido extraviados na mudança de município. Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.837 4 Em 25/05/2007, o contribuinte foi mais uma vez intimado a demonstrar de forma detalhada os valores escriturados no livro caixa como receita de serviços prestados e a apresentar documentos. Foram providenciados, a fim de subsidiar a ação fiscal, Mandados de Procedimento Fiscal Extensivo para a obtenção de informações de diversas fontes pagadoras de rendimentos ao contribuinte fiscalizado, a partir das informações apresentadas pelos mesmos em DIRF. Foram juntados aos autos parte da documentação assim obtida que relevantes para a autuação, como abaixo relacionado: Pró Saúde Assistência Médica Ltda – CNPJ 02.613.026/000130 (fls. 163/284) Amesp Sistema de Saúde Ltda – CNPJ 02.756.886/000187 (fls. 285/302) Amico Saúde Ltda – CNPJ 51.722.957/000182 (fls. 303/315) Assistência Médica São Paulo S/A – CNPJ 52.639.572/000119 (fls. 316/327) Green Line Sistema de Saúde Ltda – CNPJ 61.849.980/000196 (fls. 328/347) Golden Cross Assistência Internacional de Saúde Ltda – CNPJ 01.518.211/000183 (fls. 348/355) Ippolito & Cheli Intermediação e Representações Ltda – CNPJ 03.619.287/000120 (fls. 356/364) Medial Saúde S/A – CNPJ 43.358.647/000100 (fls. 365/387) Royal Saúde Ltda – CNPJ 01.993.475/000199 (fls. 388/394) Sociedade Portuguesa de Beneficiência – CNPJ 58.194.622/000188 (fls. 395/406) Unimed Paulistana – Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico – CNPJ 43.202.472/000130 (fls. 409/432) Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 42/53, em ação fiscal ao serem analisados os documentos apresentados pelo contribuinte, os documentos obtidos de terceiros e de informações constantes de nossos sistemas, foram apuradas as seguintes irregularidades: A) LIVRO CAIXA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO A pessoa jurídica optante pelo Lucro Presumido deve manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, conforme previsto no inciso I do artigo 527 do RIR /99. Por previsão no parágrafo único do mesmo artigo, o inciso I não se aplica a pessoa jurídica que, no decorrer do ano calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). O contribuinte fiscalizado, apresentou o Livro Caixa (fls. 133/155) onde se verifica que a mesma não escriturou a movimentação financeira bancária Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.838 5 (recebimentos, pagamentos e aplicações financeiras), apesar de manter contas em diversos Bancos. Por este motivo a escrituração a que o contribuinte está obrigado e que foi apresentada à fiscalização, não atende o estabelecido na legislação. ARBITRAMENTO DO LUCRO Considerandose o estabelecido no artigo 530 inciso II do RIR/99, que prevê o arbitramento do lucro quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou cometer vícios, erros ou deficiências que o tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, estamos arbitrando o lucro do contribuinte fiscalizado. Conforme previsão no artigo 532 do RIR, o lucro arbitrado será apurado com a aplicação sobre a receita bruta conhecida do percentual fixado no artigo 519, inciso III a, acrescido de 20%, ou seja 38,4%, que se refere ao percentual de 32% previsto para a atividade de prestação de serviços mais 6,4% (20% de 32%). A receita bruta conhecida para fins de arbitramento será a receita declarada pelo contribuinte na DIPJ, considerandose os valores de tributos já declarados em DCTF. B) OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Com base nas notas fiscais apresentadas pelo contribuinte e notas ficais através de terceiros, apuramos que o contribuinte, no ano calendário de 2.003, obteve rendimentos de prestação de serviços no valor de R$ 3.297.254,57 (três milhões, duzentos e noventa e sete mil, duzentos e cinqüenta e quatro reais e cinqüenta e sete centavos), tendo declarado na DIPJ o valor de R$ 947.732,65 (novecentos e quarenta e sete mil, setecentos e trinta e dois reais e sessenta e cinco centavos) o que resulta na omissão de receita no valor de R$ 2.349.521,92 (dois milhões, trezentos e quarenta e nove reais, quinhentos e vinte e um mil e noventa e dois centavos), conforme quadro apresentado em fls. 50. B.1) VIAS DE NOTAS FISCAIS COM VALORES DIVERGENTES Salientamos que na apuração dos valores das notas fiscais, comparando as vias das notas fiscais de nºs 1.091, 1.130, 1.174 e 1.294, apresentadas pelo contribuinte (bloco) e as apresentadas pela empresa pagadora, verificamos divergências entre os valores constantes das mesmas conforme abaixo discriminado: N.Fiscal Emissão Valor(1) Valor(2) Diferença 1091 16/6/2003 9.497,82 39.497,82 30,000,00 1130 7/7/2003 1.217,83 41.217,83 40.000,00 1174 7/8/2003 4.027,94 54.027,94 50.000,00 1294 8/10/2003 1.234,55 61.234,55 60.000,00 (1) Valor constante da 3ª e 4ª via da N. Fiscal apresentada pelo contribuinte fiscalizado (2) Valor constante da via apresentada pela Pró saúde Assist. Médica S/C Ltda, em atendimento a intimação fiscal A empresa ProSaúde foi intimada e 19/04/2007 (recebido em 24/04/07 conforme AR), a apresentar comprovantes de várias notas, dentre elas as mencionadas neste item, tendo informado – através de correspondência datada de 21/05/2007 – que as quitações foram efetuadas através do encontro de contas entre as notas fiscais emitidas pela mesma referente a 1ª mensalidade da prestação de serviço de assistência médica e a nota fiscal da corretora Vasco F Monteiro referente ao valor da comissão de vendas do plano de saúde (fls. 253/284). Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.839 6 O contribuinte intimado a justificar essa diferença de valores no item 2 da Intimação Fiscal de 04/07/2007 (fls. 433/485), em sua resposta informa que acredita que tenha ocorrido simples erro de análise e conferência, sendo que o mesmo possa ter ocorrido por mau funcionamento do carbono ou até mesmo imprecisão do profissional que alimenta o sistema, gerando essa divergência. Entende a intimada que os valores apresentados correspondem a erro simples que pode acometer a qualquer empresa, ainda mais se visualizada a proporção, pois dentre as 600 (seiscentas) notas analisadas apenas 04 (quatro) possuíam esse erro escusável, sendo este total menor que 1% (hum por cento). Entende pelo reconhecimento da divergência. Na apuração da diferença (omissão de receita) foram considerados os valores constantes das vias apresentadas pela ProSaúde. C) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Com base em informações obtidas nas DIRF’s (fls. 479/484) apuramos que o contribuinte, no anocalendário de 2003, auferiu rendimentos de aplicações financeiras no valor de R$ 47.572,74 (quarenta e dois mil, quinhentos e setenta e dois reais e setenta e quatro centavos), não tendo declarado nenhum valor a este título na DIPJ apresentada pelo mesmo. No quadro de nº 002, encontrase demonstrado as receitas de aplicações financeiras. D) IMPOSTO RETIDO NA FONTE E VALORES DECLARADOS EM DCTF Na apuração dos valores devidos a título de IRPJ, forma considerados os valores relativos a imposto de renda retido na fonte sobre receitas financeiras e receitas de prestação de serviços, tendo sido deduzidos os valores declarados em DCTF (fls. 1050/1055), conforme demonstrado no quadro demonstrativo de n º 003. E) MULTA QUALIFICADA Considerandose que o contribuinte omitiu receita de prestação de serviços, emitiu notas fiscais com valores diferentes em suas vias e omitiu receita de aplicação financeira na DIPJ apresentada à SRF, fica evidenciado o intuito de fraude, definido no artigo 71 da Lei 4.502/64, sujeitando o contribuinte a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) calculado sobre a totalidade ou diferença de imposto, conforme previsto no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96 e no inciso do artigo 957 do RIR/99. Foi formalizado também o processo nº 15983.000773/200721 anexo, de representação fiscal para fins penais. O contribuinte foi cientificado, em 31/10/2007, conforme AR de fls. 1095, e apresentou em 30/11/2007, a impugnação de fls. 1102/1129, acompanhado com o rol de documentos relacionados em fls. 1130, quais sejam: 1. Procuração e demais documentos que comprovam os poderes dos signatários 2. Planilha com a relação de notas fiscais emitidas e seus respectivos repasses (comissão) 3. Detalhamento dos procedimentos de venda dos planos de saúde Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.840 7 4. Recibos de comissão (estes últimos foram reunidos no Anexo A, constituído de 9 (nove) volumes que acompanha o presente processo. Em sua peça de defesa o contribuinte insurgese contra a autuação, alegando que: o arbitramento do lucro para efeito de apuração de IRPJ e CSLL, pelo motivo de que a escrituração apresentada pelo contribuinte (livro caixa) não contém a escrituração da movimentação financeira bancária macularia o auto de infração de irremediável vício de nulidade, pois conforme se comprovaria nos autos a fiscalização disporia de todos os elementos necessários para apurar os valores de IRPJ e CSLL devidos no período; inexistiria omissão de receitas decorrente da atividade de prestação de serviços e haveria a impossibilidade de tributação de receitas de terceiros; a diferença de faturamento apurada se referiria a receitas de terceiros, ou seja, valores que apesar de terem sido cobrados por uma pessoa jurídica, seriam de propriedade de outras; não haveria a possibilidade de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre receitas de terceiros; seria insubsistente o auto de infração, em questão, em que foi formalizado a exigência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao anocalendário de 2003, em virtude da regularidade dos procedimentos do contribuinte na declaração e na tributação de receitas próprias, desconsiderando das bases de cálculo dos referidos gravames os valores repassados, de titularidade de terceiros; não teria ocorrido o fato gerador da respectiva obrigação tributária sobre rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, pois seu reconhecimento somente se daria no momento do resgate dos valores aplicados; a inclusão na base de cálculo do PIS e COFINS de quaisquer receitas não caracterizadas como faturamento se configuraria como ilegal e abusiva. não haveria que se falar em aplicação de multa qualificada, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96.seja porque não haveria evidente intuito de fraude ou mesmo porque seria manifestamente improcedente o lançamento fiscal a título de IRPJ, CSLL,PIS e COFINS.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 17.587 (fls. 1.2881.298) de 24/06/2008, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação, à autoridade tributária, dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do livro Caixa, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. DETERMINAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. A atividade de corretagem de seguros é considerada atividade de intermediação de negócios e o lucro arbitrado das pessoas jurídicas que Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.841 8 exercem esta atividade é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, do percentual de trinta e dois por cento, acrescido de vinte por cento. OMISSÃO DE RECEITA DE COMISSÕES PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CORRETAGEM DE SEGUROS. Comprovado pela fiscalização, por meio das DIRFs e relatórios fornecidos pelas empresas seguradoras, que a contribuinte omitiu receitas, correto o lançamento fiscal sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto. MULTA QUALIFICADA. É devida a multa qualificada em caso de sonegação, fraude ou conluio e aplicase a todos os tributos e contribuições que, em decorrência da prática dolosa, deixaram de ser recolhidos, em razão da emissão de notas fiscais com valores diferentes em suas vias. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DECORRÊNCIA. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ implica a manutenção das exigências fiscais dele decorrentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. COFINS. PIS. Pelo disposto na Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo das referidas contribuições é o faturamento mensal, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, compreendendo a totalidade das receitas, nelas incluídas as receitas financeiras.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 24/07/2008 (A.R. de fl. 1.304) a interessada interpôs recurso voluntário em 21/08/2008 (fls. 1.3051.330) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.842 9 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Do arbitramento do lucro O lançamento se deu com arbitramento do lucro, tendo em vista que a contribuinte, apesar de notificada, deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. Destacase, de plano, que a falta dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do contribuinte é causa para o arbitramento do lucro, consoante determinado no art. 47, III da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, base legal do art. 530, III do RIR/1999, abaixo transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ... III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Quanto aos livros comerciais e fiscais de escrituração obrigatória, destacase o uso do Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica, além do Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação, sendo que a não manutenção deste livro nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro, conforme preceitua o art. 258 e art. 259, § 2o do RIR/1999. No caso de tributação pelo lucro presumido, a escrituração contábil, nos termos da legislação comercial, fica dispensada se o contribuinte mantiver Livro Caixa, contendo a escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, ex vi do art. 527, I, parágrafo único do RIR/1999. Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.843 10 Analisando a DIPJ anexada aos autos, constatase que a contribuinte, no período abrangido pelo lançamento, ficou sujeita às regras do lucro presumido. Assim, deveria manter a escrituração dos livros Diário e Razão, ou do livro Caixa, consoante as disposições acima destacadas. Não tendo apresentado a documentação que lhe foi solicitada, agiu corretamente a fiscalização ao proceder ao arbitramento do lucro. Da omissão de receitas receitas da atividade No tocante a alegação de que inexistiria omissão de receitas decorrente da atividade de prestação de serviços e que se estaria tributando receitas de terceiros, devese esclarecer que é da sistemática dessa modalidade de tributação a utilização de um coeficiente de determinação do Lucro Arbitrado, específico para a atividade de “intermediação de negócios”, como é o caso, no percentual de 38,4% sobre a receita bruta, conforme disposto no artigo 16 da Lei n.º 9.249, de 1995, citado no enquadramento legal do Auto de Infração, que remete ao art. 15, da mesma Lei, transcritos a seguir: Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. (...). Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes, o percentual de que trata este artigo será de: (...); III trinta e dois por cento, para as atividades de: (...); a) intermediação de negócios; (...). (grifamos) Acrescentese ainda que comprovado pela fiscalização que a contribuinte omitiu receitas, por meio das DIRFs e relatórios fornecidos pelas empresas seguradoras, correto o lançamento fiscal sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, com o referido percentual de arbitramento. Tornase, assim, sem sentido o pedido da análise dos valores pagos a título de comissão, arrolados junto com a impugnação e que constituíram o Anexo A, pois é da característica da tributação pelo lucro presumido e/ou arbitrado a aplicação de percentuais sobre a receita bruta para a determinação da matéria tributável lucro, não havendo pois como se considerar as despesas arroladas no Anexo A, tornandose completamente desnecessária a diligência pleiteada pelo contribuinte. Da receita financeira Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.844 11 No tocante ao momento de reconhecimento de receitas financeiras, que se insurge a recorrente, não é demais lembrar que poderia até ser válido se fosse o caso de tributação por um dos regimes citados, por opção do contribuinte. Ocorre que não foi esse o caso, pois o lucro foi arbitrado por procedimento em ação fiscal. Ademais como deixou bem claro o autuante na apuração dos valores devidos a título de IRPJ, foram considerados os valores relativos a imposto de renda retido na fonte sobre receitas financeiras e receitas de prestação de serviços, tendo sido deduzidos os valores declarados em DCTF (fls. 1050/1055), conforme demonstrado no quadro demonstrativo de n º 003. Da receita financeira e a tributação do PIS e da Cofins Quanto ao PIS e a Cofins a recorrente, em resumo, alega que essas contribuições têm como base de cálculo o faturamento, e que apenas uma nova contribuição, a ser ainda instituída e regulamentada pelo legislador infraconstitucional, poderia ser calculada sobre a receita bruta; e que, se os conceitos de faturamento e receita bruta fossem realmente equivalentes, o legislador constituinte não deveria ter tido o trabalho de editar a Emenda Constitucional n.° 20/98. Vêse, nesse caso, que a recorrente traz aos autos a discussão travada no STF quando do reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prescrita no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC nº 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto que deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4º, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei nº 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC nº 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.845 12 TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009, veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF nº 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.846 13 Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Conseqüentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas das atividades operacionais da empresa, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Há que se excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras auferidas e que foram consideradas nos correspondentes lançamentos. Da qualificação da multa de ofício Quanto à alegação de que não poderia ser aplicada a multa qualificada, face à suposta ausência da prática de qualquer atitude dolosa para lesar o órgão arrecadador, vejo que os fatos demonstram exatamente o contrário. Em primeiro lugar, a contribuinte, conforme claramente demonstrado nos autos, declarou receitas a menor em todos os meses auditados, não sendo razoável admitir que tais discrepâncias tenham sido fruto de mero engano, mormente quando essa diferença entre as receitas auferidas e as declaradas demonstrouse severa, alcançando valores significativos. Em que pese esse fato, por si só, não ser motivo para a qualificação da multa aplicada, é indiciário de que houve omissão de receitas de forma sistemática e reiterada, caracterizando a hipótese normativa de sonegação de que trata o artigo 71, I, da Lei nº 4.502/1964. O dolo do agente, a meu ver, é cabalmente caracterizado e comprovado, no caso, pela emissão de notas fiscais com valores diferentes em suas vias, como apontado pela ação fiscal. Vejase o excerto do Termo de Verificação Fiscal nesse sentido. "... MULTA QUALIFICADA Considerandose que o contribuinte omitiu receita de prestação de serviços, emitiu notas fiscais com valores diferentes em suas vias e omitiu receita de aplicação financeira na DIPJ apresentada à SRF, fica evidenciado o intuito de fraude, definido Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15983.000772/200787 Acórdão n.º 1402002.045 S1C4T2 Fl. 3.847 14 no artigo 71 da Lei 4.502/64, sujeitando o contribuinte a multa de 150° (cento e cinqüenta por cento) calculado sobre a totalidade ou diferença de imposto, conforme previsto no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96 e no inciso do artigo 957 do RIR/99. ..." Há que se manter a qualificadora da multa de ofício conforme lançada. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento do PIS e da Cofins a receita financeira considerada. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13808.004027/2001-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/03/1996, 30/04/1996, 30/06/1996, 31/07/1996
PIS. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. PAGAMENTO PARCIAL COMPROVADO.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente ao PIS é de 05 anos, contados da data do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-12-23T13:12:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-12-23T13:12:24Z; Last-Modified: 2015-12-23T13:12:24Z; dcterms:modified: 2015-12-23T13:12:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-12-23T13:12:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-12-23T13:12:24Z; meta:save-date: 2015-12-23T13:12:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-12-23T13:12:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-12-23T13:12:24Z; created: 2015-12-23T13:12:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2015-12-23T13:12:24Z; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-12-23T13:12:24Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.047 1 1.046 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13808.004027/200117 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.324 – 3ª Turma Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AFONSO FRANÇA ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/03/1996, 30/04/1996, 30/06/1996, 31/07/1996 PIS. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. PAGAMENTO PARCIAL COMPROVADO. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente ao PIS é de 05 anos, contados da data do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 40 27 /2 00 1- 17 Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.004027/200117 Acórdão n.º 9303003.324 CSRFT3 Fl. 1.048 2 Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em face do contribuinte AFONSO FRANÇA ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA, por alegada falta de pagamento, por meio do qual foram exigidos créditos relativos ao PIS, com fatos geradores referentes ao período de 03/1996 a 12/1997. O contribuinte impugnou a exigência, e a DRJ competente julgou o lançamento procedente. Insatisfeito com a decisão desfavorável, o autuado interpôs Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento para os fatos geradores ocorridos até o mês de julho de 1996. O Acórdão 20219.137, da Segunda Câmara, em sessão de julgamento de 02/07/2008, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/03/1996, 30/04/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/01/1997, 30/04/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 21/12/1997 DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, aplicase o art. 150, § 42, do CTN, contandose o prazo de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador. BASE DE CÁLCULO. Instrução Normativa n° 126/88. Impossibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS, dos valores pagos às subempreiteiras e subcontratadas para realização de obras contratadas com empresas privadas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 3, DO 2º CC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Recurso provido em parte. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.004027/200117 Acórdão n.º 9303003.324 CSRFT3 Fl. 1.049 3 O julgador a quo aplicou o prazo decadencial previsto no art.150, § 4º, do CTN, ou seja, contado da data de ocorrência do fato gerador. Inconformada com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência (fls.951 a 958), que foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara, em despacho às fls. 971. Alega o douto Procurador que a decisão recorrida colide frontalmente com a jurisprudência consolidada no âmbito desse Conselho, notadamente no que tange à aplicabilidade do art. 173, I, do CTN, nas hipóteses em que, embora o tributo esteja sujeito à sistemática do lançamento por homologação, não haja qualquer pagamento por parte do contribuinte. Seu argumento baseiaa no fato de inexistência do lançamento por homologação, pela inexistência de antecipação de pagamento do tributo. Regularmente cientificado, o sujeito passivo suas contrarrazões às fls. 976 a 987, e informou que procedeu à inclusão dos débitos referentes aos períodos de 08/96 a 01/97, 04/97 e 06/97 a 12/97, em programa de parcelamento especial (REFIS IV). É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão submetida a debate cingese a do prazo extintivo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. A questão do termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário, se é da data da ocorrência do fato gerador ou se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, já foi decidida pelo STJ, e seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido pelas turmas julgadoras do CARF. Em situação similar, o STJ, em sede de recurso repetitivo, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O julgador a quo reconheceu a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento para os fatos geradores ocorridos até o mês de julho de 1996, tendo em vista a ciência do Auto de Infração dada em 08/08/2001. Foi aplicado o prazo decadencial previsto no art.150, § 4º, do CTN, contados da data do fato gerador, previsto para o caso de lançamento por homologação. A recorrente alega que não se operou lançamento por homologação algum, pelo fato de que o contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, aplicandose, dessa forma, o prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.004027/200117 Acórdão n.º 9303003.324 CSRFT3 Fl. 1.050 4 No presente caso, conforme informado nas Contrarrazões apresentadas pelo contribuinte (fls. 976 a 987), constatase a existência de recolhimentos parciais de PIS nos períodos julgados decaídos, comprovados através de comprovante de recolhimentos às fls. 990 a 999. A recorrida informa ainda que tais provas não haviam sido trazidas aos autos anteriormente porque não havia sido instada a tanto. Também se destaca que, o quadro apresentado no anexo 2 do Termo de Constatação lavrado pela autoridade fiscal competente (fl. 607) apresenta os montantes parciais recolhidos nos períodos em questão, abaixo reproduzidos, que conferem com os comprovantes apresentados: ANO CALENDÁRIO DE: 1996 CNPJ DO ESTABELECIMENTO: 68.199.866/000150 1MÊS 2BASE DE CÁLCULO 3% 4VALOR DEVIDO 5RECOLHIDO / DEPOSITADO (R$) 6VALOR A RECOLHER (R$) Janeiro EMPRESA CONTRIBUINTE DO PIS 0,00 0,00 0,00 Fevereiro DEDUÇÃO IMPOSTO DE RENDA 0,00 0,00 0,00 Março 261.641,56 0,65 1.700,67 1.049,39 651,28 Abril 274.400,49 0,65 1.783,60 670,02 1.113,58 Maio 38.999,81 0,65 253,49 253,50 ZERO Junho 276.551,39 0,65 1.797,58 1.407,58 390,00 Julho 344.558,60 0,65 2.239,63 1.251,45 988,18 Agosto 265.601,53 0,65 1.726,41 621,74 1.104,67 Setembro 359.723,22 0,65 2.338,20 799,06 1.539,14 Outubro 173.975,00 0,65 1.130,83 670,53 460,30 Novembro 576.224,22 0,65 3.745,45 875,53 2.870,22 Dezembro 259.403,76 0,65 1.686,12 843,06 843,06 COLUNA 4 – Valores extraído do Livros Diário da empresa no.5 e Livro Modelo 53 PMSP Vol 1(fls.23v a 31) COLUNA 5 – Valores extraídos das pags 3 e 4 do Extrato do Sistema Sinal IRPJ SRF. cotejados com os DARFs fornecidos pela empresa fiscalizada. Destacase, ainda, que o AuditorFiscal responsável pela apuração, consignou em seu demonstrativo que os valores da coluna “5RECOLHIDO/DEPOSITADO (R$)” foram extraídos do Sistema Sinal IRPJSRF e cotejados com os DARFs fornecidos pela empresa fiscalizada. Ante a comprovação de pagamento parcial do PIS nos períodos acima relacionados, é imperativo a aplicação do prazo decadencial previsto no art.150, § 4º, do CTN, contados da data do fato gerador, como foi feito pelo julgador a quo. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000067/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE.
Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento.
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não tendo sido extinto o MPF, não há que se falar em reexame de período já fiscalizado, tampouco nulidade do lançamento.
INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE.
Diante das tentativas improfícuas da fiscalização em localizar a contribuinte, válida e regular a intimação efetuada por edital, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal.
VÍCIO FORMAL E MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Tendo o auto de infração sido lavrado com observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, tampouco nulidade do lançamento por vício formal ou material.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO.
O intuito da contribuinte de fraudar não pode ser presumido: Compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa de fraudar, portanto não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
Atendendo, inclusive, a Súmula CARF n.º 14 que preceitua A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
FALTA DE ANÁLISE DE PARECER. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Se o acórdão recorrido enfrentou as alegações do impugnante e teve fundamento suficiente para a decisão adotada rejeita-se a alegação de nulidade da decisão por falta de análise de parecer acostado.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. ALUGUÉIS OU ROYALTIES.
Face aos elementos constantes nos autos, mantém-se a majoração de rendimentos efetuada no lançamento.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL.
Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de imóvel. Os ganhos referentes devem ser tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA. CARNÊ-LEÃO.
A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano-calendário, deixar de recolher o valor devido a título de carnê-leão ou estimativas.
Encerrado o ano-calendário não há o que se falar em recolhimento de carnê-leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica-se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apura-se a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplica-se a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Quanto à multa isolada, vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior, que a mantinham; em relação à decadência dos fatos geradores do ano-calendário de 2004, restaram vencidos Luciana de Souza Espíndola Reis e Ivacir Julio de Souza, que não a reconheciam. Fez sustentação oral o Dr. Remis Estol, OAB/ 45.196.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Tendo o auto de infração sido lavrado com observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, tampouco nulidade do lançamento por vício formal ou material. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO. O intuito da contribuinte de fraudar não pode ser presumido: Compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa de fraudar, portanto não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Atendendo, inclusive, a Súmula CARF n.º 14 que preceitua A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. FALTA DE ANÁLISE DE PARECER. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Se o acórdão recorrido enfrentou as alegações do impugnante e teve fundamento suficiente para a decisão adotada rejeita-se a alegação de nulidade da decisão por falta de análise de parecer acostado. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. ALUGUÉIS OU ROYALTIES. Face aos elementos constantes nos autos, mantém-se a majoração de rendimentos efetuada no lançamento. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de imóvel. Os ganhos referentes devem ser tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA. CARNÊ-LEÃO. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano-calendário, deixar de recolher o valor devido a título de carnê-leão ou estimativas. Encerrado o ano-calendário não há o que se falar em recolhimento de carnê-leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica-se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apura-se a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplica-se a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). Recurso Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2192; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 4.279 1 4.278 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000067/201032 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.542 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2016 Matéria IRPF Recorrente MARIA EUGÊNIA COELHO DA GAMA TEIXEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE. Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não tendo sido extinto o MPF, não há que se falar em reexame de período já fiscalizado, tampouco nulidade do lançamento. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Diante das tentativas improfícuas da fiscalização em localizar a contribuinte, válida e regular a intimação efetuada por edital, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal. VÍCIO FORMAL E MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo o auto de infração sido lavrado com observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, tampouco nulidade do lançamento por vício formal ou material. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO. O intuito da contribuinte de fraudar não pode ser presumido: Compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa de fraudar, portanto não há como ser reconhecido o dolo necessário à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 67 /2 01 0- 32 Fl. 4279DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Atendendo, inclusive, a Súmula CARF n.º 14 que preceitua “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ” FALTA DE ANÁLISE DE PARECER. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Se o acórdão recorrido enfrentou as alegações do impugnante e teve fundamento suficiente para a decisão adotada rejeitase a alegação de nulidade da decisão por falta de análise de parecer acostado. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. ALUGUÉIS OU ROYALTIES. Face aos elementos constantes nos autos, mantémse a majoração de rendimentos efetuada no lançamento. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de imóvel. Os ganhos referentes devem ser tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do anocalendário, deixar de recolher o valor devido a título de carnêleão ou estimativas. Fl. 4280DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.280 3 Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnê leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplicase a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Quanto à multa isolada, vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior, que a mantinham; em relação à decadência dos fatos geradores do ano calendário de 2004, restaram vencidos Luciana de Souza Espíndola Reis e Ivacir Julio de Souza, que não a reconheciam. Fez sustentação oral o Dr. Remis Estol, OAB/ 45.196. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ/SP2, nº 1754.780, constante em fls. 3.877/3.922: Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrado, em 30/11/2010 o auto de infração de fls. 01 a 68 (sendo as folhas 19 a 68 correspondentes ao Termo de Verificação de Infração) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, Fl. 4281DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 exercícios 2005, 2006, 2007 e 2009 (anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2008), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 942.838,38, dos quais R$ 317.549,89 correspondem a imposto, R$ 476.324,83, a multa proporcional, e R$ 148.963,66, a juros de mora, calculados até 29/10/2010 (fl. 02). Conforme Termo de Verificação de Infração (fls. 19 a 68) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04 a 09), o procedimento teve origem na apuração das seguintes infrações: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÊ LEÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, conforme descrito nos itens 11 a 11.6 do Termo de Verificação de Infração de fls. 19 a 68, parte integrante e indissociável do Auto de Infração. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração de fls. 19 a 68, parte integrante e indissociável do Auto de Infração. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme descrito nos itens 4 a 4.3 do Termo de Verificação de Infração de fls. 19 a 68, parte integrante e indissociável do Auto de Infração. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO. Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnêleão, apurada conforme explicitado nos itens 11 a 11.6 do Termo de Verificação de Infração de fls. 19 a 68, parte integrante e indissociável do Auto de Infração. O enquadramento legal encontrase às fls. 04 a 09. O enquadramento legal dos acréscimos legais encontrase à fl. 18. De acordo com a informação de fl. 1445, a impugnação de fls. 1321 a 1391 é tempestiva. Essa foi posteriormente complementada pelos documentos de fls. 1394 a 1418, 1420 a 1428, 1436 a 1442, 1459 a 1473, 1477 a 1482, 1499 e 1500, 1504 a 1506 e 1509 a 1513. Nessa impugnação, e em suas complementações, a interessada requer, em síntese, seja julgado improcedente, total ou parcialmente, o Auto de Infração, pois: PRELIMINARES Fl. 4282DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.281 5 • NULIDADE INTIMAÇÃO POR EDITAL A intimação por edital seria admissível apenas após a autoridade não conseguir intimar o interessado por outros meios de acordo com o Decreto 70.235/72, com as modificações introduzidas pela Lei nº 11.196/2005. A prova dessa impossibilidade caberia à autoridade. A ausência dessa prova implicaria em nulidade absoluta dos atos subseqüentes, vale dizer, aqueles posteriores à ciência do Auto de Infração. Do processo em tela não constaria essa prova, portanto, a intimação por edital seria nula. · EXTINÇÃO DO MPF POR DECURSO DE PRAZO O Mandado de Procedimento Fiscal teria sido extinto por decurso de prazo, como comprovaria o documento de fl. 1393. Extinto o MPF, estaria extinta a competência do auditorfiscal e impossível a emissão de RMF. · REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO Se extinto o MPF por decurso de prazo, novo exame somente é admissível mediante ordem escrita, conforme o art. 906 do RIR/99. · VÍCIO FORMAL Haveria vício formal na aplicação da multa no patamar de 150%, pois não haveria provas que amparassem a qualificação da multa. Também haveria vício formal caracterizado por dupla contagem de valores na apuração da variação patrimonial a descoberto (fls. 1350 e 1351). · CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Teria havido cerceamento do direito de defesa, caracterizado pela morosidade da Receita Federal do Brasil em fornecer cópia integral dos autos à contribuinte, o que somente ocorreu dois dias antes de expirado o prazo para apresentação da impugnação. Além disso, a DRF Barueri, em um primeiro momento, não forneceu à interessada cópia dos anexos ao processo, apenas do processo propriamente dito. Os anexos, contém, entre outros documentos, as provas usadas pela fiscalização para apurar o acréscimo patrimonial a descoberto. Assim, a fiscalizada solicitou em 22/03/2011, após a entrega da impugnação, que ocorreu 28/01/2011, cópia desses anexos, havendo recolhido o DARF respectivo. O não recebimento das cópias dos anexos juntamente com a cópia integral do processo administrativo tributário caracterizaria cerceamento do direito de defesa. Para a autuada, também caracterizaria cerceamento do direito de defesa “a pretensão das autoridades fiscais autuantes de imputar a fiscalizada o pagamento do IRPF sobre o montante dos gastos com a construção do imóvel em Trancoso, Porto Seguro, Bahia, quando seu exmarido declarou os Fl. 4283DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 valores gastos com a construção do imóvel e pagou o tributo devido.” Para a interessada, a fiscalização estaria dando certeza a uma dúvida, criando tributo sem lei que o estabeleça. Para a interessada não haveria provas de que o marido não pagou pela construção do imóvel, não auferiu os recursos que declarou (fls. 1461 e 1462). À fl. 1479, a interessada relata que recorreu a quatro complementações da impugnação (até aquele momento – houve mais documentos por ela firmados, trazidos aos posteriormente), por causa da demora em conseguir cópia integral do processo. · ARTIGO 5º, II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Na opinião da interessada a afirmação, feita pela fiscalização, “não resta outra alternativa ...” teria sido feita apenas para substituir a legislação aplicável, em violação à norma contida no art. 5º, II da CF: “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A falta de fundamentação sobre direito e obrigações do casal antes e depois da imposição do tributo, assim, fulminaria de nulidade o auto de infração. · FALTA DE ISENÇÃO DOS AUDITORES Estaria comprovada pela inserção, no Termo de Verificação de Infração, de trecho de escuta telefônica sem relevância alguma para a autuação. · DUBIEDADE DE INTERPRETAÇÃO DO FISCO O fisco teria aceitado as afirmações da interessada sem exigir provas, quando essa afirmou que doou recursos a seu filho, considerando saída de recursos financeiros, mas solicitou provas para admitir a transferência ou aquisição de disponibilidade por parte de seu exmarido. Afirma a interessada, que tal ocorreu, pois, o fisco tinha a intenção de autuar, não de apurar a verdade material. • DECADÊNCIA Haveria decadência do lançamento para o período entre janeiro de 2004 e novembro de 2005, em virtude de ser o fato gerador do imposto de renda da pessoa física mensal e esse tributo estar sujeito ao lançamento por homologação. • INTERPRETAÇÃO BENIGNA Propugna pela aplicação da interpretação mais benigna, nos termos do art. 112 do CTN, inclusive de forma ampliada, como defendido pelo doutrinador Ives Gandra da Silva Martins (fl .1376). • SIGILO BANCÁRIO Fl. 4284DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.282 7 Argumenta que a quebra do sigilo fiscal somente pode ocorrer mediante autorização judicial, de acordo com decisão do STF. • ARROLAMENTO DE BENS Sobre o arrolamento de bens, afirma que foi efetuado sem critério, incluindo a residência da autuada, em violação à letra da lei. Também foram incluídos dois automóveis, alienados. MÉRITO • DEPÓSITOS BANCÁRIOS A interessada argumenta que o fato de não ter sido apurada omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada implicaria em que todos os rendimentos que tiveram sua origem comprovada foram declarados. Além disso, haveria cheques contados em duplicidade, ou seja, como renda consumida e como aplicações de gastos em construção em condomínio exclusivo em Trancoso, na Bahia. • DIFERENÇAS DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ALUGUÉIS A contribuinte interessada alega que a fiscalização deveria ter apurado, através de análise documental (em especial de suas contas em instituições financeiras), qual o valor do aluguel, se declarado, recebido ou não, bem como quais despesas seriam dedutíveis, tais como pagamento de IPTU e taxa de administração (fl .1378). Além disso, a fiscalização deveria excluir os valores de acordo com os limites previstos no art. 42 da Lei nº 9.430/96, quais sejam, créditos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 no anocalendário. • GANHOS DE CAPITAL Devem ser excluídos a imputação de omissão na apuração de ganhos de capital quando existirem provas cabais de que não houve ganhos de capital. • INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA Quando o contribuinte demonstra que a presunção adotada não tem sólidos fundamentos (o que seria o caso da autuação em comento) haveria contaminação do lançamento pela incerteza, o que não seria admissível em direito tributário. • ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DO ERÁRIO PÚBLICO A contribuinte interessada alega que seu marido teria retificado suas declarações de rendimentos 10 dias após o cumprimento de Mandado de Fl. 4285DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Busca e Apreensão, alterando os valores da construção e inserindo novos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas. O exmarido teria também declarado que arcou sozinho com todo custo de aquisição do terreno e da construção do imóvel e que doou 55% à sua exesposa (a interessada). Posteriormente, teria novamente retificado sua declaração para retirar a expressão “porém doados a minha esposa”. Apesar de a fiscalização aduzir que não há provas de ser verdade o contido nas declarações retificadas pelo exmarido da interessada, e por isso afirmar que não lhe resta alternativa a não ser manter o entendimento de que o imóvel foi custeado pela interessada, que também teria arcado com 100% do custo do terreno, com isso apurando acréscimo patrimonial a descoberto, isso seria incabível. A fiscalização estaria descumprindo o disposto no art. 113 do CTN, pois o imposto teria sido pago (fl. 1380). • ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A interessada apresenta diversas contestações a respeito da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, em especial da construção da casa em Porto Seguro – Trancoso – (fls. 1464 a 1469). Afirma que na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto não foram consideradas as transferências ao marido, os saques em dinheiro (reduzidos do dinheiro em caixa), que entre os pagamentos de títulos haveria pagamentos referentes a despesas da construção em Porto Seguro. Afirma, ainda, que haveria uma contacorrente informal entre os cônjuges, que segundo o disposto na escritura de regime de casamento o sustento da casa seria de total responsabilidade do varão. Seria possível que a fiscalizada, portanto, devesse algo a ele (fl. 1466). Ainda de acordo com a interessada, à fl. 1231 estão informações a respeito de ação cível em que o exmarido reconhece que os pagamentos da construção foram todos efetuados por ele. Mas, essa não teria considerado valores “doados, transferidos e pagos pela fiscalizada” (fl. 1466). Afirma ainda, não haver qualquer prova de que as compras com cartão de crédito/débito não foram relacionadas com a construção e que, havendo dúvida, a fiscalização deveria ser favorável ao contribuinte, mas não foi. Questiona o uso da expressão “quase totalidade” pela fiscalização referente à hipótese de que os gastos com a construção teriam sido assim pagos em espécie, considerandoa uma forma de impressionar o julgador, afastandoo da impessoalidade que deve reger os atos de servidor público. A interessada questiona os valores de rendimentos que foram aceitos pela fiscalização como sendo os rendimentos do seu exmarido, afirmando que um advogado renomado, como ele, deveria receber rendimentos muito superiores. A fiscalização não teria se esforçado para determinar a origem dos recursos do seu exmarido (fl. 1469). Afirma, ainda, que se os gastos com a construção foram pagos pela fiscalizada, os tributos pagos sobre esses valores (rendimentos), também Fl. 4286DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.283 9 viriam necessariamente dela. Dessa forma, esses tributos encontrarseiam quitados. • TRIBUTAÇÃO DOS GANHOS DE CAPITAL Afirma que como o imposto foi pago, mesmo que após o início do procedimento fiscal, apenas a multa poderia ser exigida, pois o imposto já estaria pago. • RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS – MULTA QUALIFICADA Questiona o agravamento da multa incidente sobre a omissão de rendimentos de aluguéis, afirmando que foi ela mesma quem encaminhou os comprovantes de pagamento dos aluguéis, atrasados, a pedido da fiscalização. Mais ainda, que recolheu carnêleão a maior nos sete primeiros meses do ano, o que comprovaria não haver dolo. • JUNTADA DAS DECLARAÇÕES DO EXCÔNJUGE, RETIFICADAS E DO PEDIDO DE PARCELAMENTO DE DÉBITOS POR ELE EFETUADO E DEFERIDO A interessada solicita a juntada das declarações do excônjuge, a partir do exercício 2008 (anocalendário 2007), bem como do parcelamento de débitos por ele solicitado e deferido, bem como das alegações por ele feitas, à fl. 1499, por considerar que são capazes de contribuir decisivamente para ilidir a autuação. Relata haver feito o mesmo pedido no âmbito do Processo Administrativo Disciplinar 16302.000003/200844. • PROCESSO DE COBRANÇA ENTRE OS EXCÔNJUGES A interessada argumenta que como haverá determinação da existência ou não de acréscimo patrimonial em processo de cobrança que lhe é movido pelo exmarido, Daniel Sahagoff é necessário aguardar essa decisão judicial ou a perícia a ser realizada para dar prosseguimento ao julgamento na esfera administrativa da Receita Federal do Brasil, pois como seria sabido, a decisão judicial deverá prevalecer de todo modo. • MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A interessada alega que a multa de ofício qualificada seria incabível, tendo sido aplicada apenas para evitar a decadência. A simples omissão de rendimentos não ensejaria sua aplicação. Não teria havido dolo, fraude ou simulação – cuja prova deve ser feita pela fiscalização. • MULTA ISOLADA A aplicação da multa isolada em conjunto com a multa de ofício não poderia prosperar, pois as bases de cálculo são as mesmas, que provocaria Fl. 4287DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 erro na quantificação do valor devido e, conseqüentemente, vício de forma na aplicação concomitante das referidas multas. • TAXA SELIC A contribuinte interessada alega que o cálculo dos juros de mora com o uso da taxa Selic seria ilegal, por falta de previsão legal e por ser essa taxa remuneratória de capital, não podendo ser exigida como juros de mora. Propugna pela nulidade do auto de infração, pela juntada posterior de provas e, caso a nulidade não seja reconhecida, pela acolhimento das questões de mérito, inclusive no tange à aplicação das multas isoladas e da taxa Selic. A Turma de Primeira Instância julgou procedente em parte a impugnação. A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1754.780 da 6ª Turma da DRJ/SP2 em 25/11/2011 (fl. 4.076). Sobreveio Recurso Voluntário em 20/12/2011 (fls. 3.959/4.070), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. PRELIMINARES MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A recorrente alega que o auto de infração é nulo de pleno direito, pois o MPF Mandado de Procedimento Fiscal que autorizou a ação fiscal estava extinto. A jurisprudência reiterada e uniforme do CARF é no sentido de que o MPF é mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais omissões ou incorreções não são causa de nulidade do auto de infração, consoante se observa nas decisões proferidas pelas turmas das Sessões de Julgamento do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De forma exemplificativa, destacamse os Acórdãos nº 1402001.360, 110100.812, 1301000.752, 3102001.669, 340301.025, 2202002.310 e CSRF/0106.028. Ademais, verificase que o Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação de Infração (fls. 20/73). Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Fl. 4288DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.284 11 Assim, rejeito esta preliminar. REEXAME DO PERÍODO JÁ FISCALIZADO Em face das considerações do item anterior, resta prejudicada a análise da alegação de nulidade do lançamento em decorrência do reexame de período já fiscalizado, uma vez que o mandado de procedimento fiscal não restava extinto, sendo considerado pela jurisprudência pacífica deste E. Conselho, mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, de modo que, eventuais omissões ou incorreções não acarretam a nulidade do auto de infração. INTIMAÇÃO POR EDITAL Dispõe o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal, que: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: [...] § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) [...] IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Assim, diante das tentativas improfícuas da fiscalização em localizar a contribuinte, válida e regular a intimação efetuada por edital, sendo pacífica a jurisprudência deste E. Conselho neste sentido. Fl. 4289DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Ademais, como bem assentou a decisão a quo, "os documentos às fls. 1492 e 1943 indicam que o Auto de Infração foi enviado em 01/12/2010 (data da postagem) ao endereço constante dos arquivos da Receita Federal, endereço esse, informado nas próprias Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, bem como na impugnação e em suas complementações. No documento de fl. 1493 consta, no campo 'Tentativas de Entrega', a informação de que houve três tentativas de entrega, em 02/12/10, 03/12/10 04/12/10. Não tendo sido possível, a intimação via postal, foi efetuada, regularmente, a intimação por edital." Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento em face da intimação por edital. VÍCIO FORMAL O recorrente alega nulidade do lançamento por vício formal e material. Todavia, tal argumento não se sustenta, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado com observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não havendo, portanto, que se falar em cerceamento do direito de defesa, tampouco nulidade do lançamento por vício formal ou material. MULTA QUALIFICADA Na presente Ação Fiscal foi aplicada a multa de 150%, qualificada, enquadrada no artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Em fls. 22/23 do Termo de Verificação de Infração, a fiscalização justifica a aplicação da multa qualificada argumentando que: "Omissão de Ganho de Capital na Alienação de Bens 4.1 Dentre os documentos apresentados com essa resposta, destacamos as escrituras de Compra e Venda da "Unidade Autônoma n° 04 da quadra "A", situada no Condomínio Vila do Outeiro". A primeira delas, quando da aquisição pela fiscalizada e seu exmarido, (50% para cada um), foi lavrada aos 21/12/2005 e informa como preço de aquisição, a importância de R$ 10.000,00 (dez mil reais), (fls. 134/136). E assim, pelo custo de R$ 5.000,00, cada um dos condôminos declarava o investimento em suas Dirpf's. Cerca de dois anos e meio depois, mais precisamente aos 29/05/2008, o casal alienou esse bem pelo valor de R$ 79.000,00 (setenta e nove mil reais), agora conforme nos informa a Escritura Pública de mesma data (fls. 141/143). 4.2 Em sua Dirpf 2009, ac.2008, contudo, ao informar ao Fisco a alienação em comento, Maria Eugenia da "baixa" em outro ativo adquirido no mesmo empreendimento (Area M), este registrado por R$ 55.000,00 em suas declarações, deixando, deliberadamente de apurar e recolher o devido imposto sobre o ganho na alienação de imóvel. A máfé da fiscalizada tornase evidente quando ela efetua recolhimento do referido tributo em 30/04/2010 (guia is fls. 157), ou seja, após o inicio do presente procedimento. Seria compreensível a confusão por parte da Contribuinte à época da alienação, se o objeto transacionado Fl. 4290DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.285 13 fosse de pequeno valor, como um livro ou algo do gênero, diferentemente de um LOTE DE TERRENO, perfeitamente identificável e de valor significativo. Cumpre lembrar, que estamos nos referindo a exservidora pública da auditoria fiscal da Administração Tributária Federal, perfeitamente conhecedora, portanto, de suas obrigações tributárias. Para ciência, o exmarido da fiscalizada apurou e recolheu tempestivamente o ganho de capital sobre sua parte no imóvel. 4.3 Assim, considerando a não espontaneidade da fiscalizada, consoante o disposto § 1° do Artigo 7º do Decreto 70.235/1972, lavrase o competente Auto de Infração para constituir o crédito tributário devido, com a Multa de Oficio preconizada no § 1º do Artigo 44 da Lei 9.430196, dado o evidente intuito de fraudar o Erário." Em fls. 66/68, segue a fiscalização fundamentando a qualificação da multa em relação a infração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto: "Acréscimos patrimoniais a descoberto, portanto, originados de operações que visaram ocultar do fisco o conhecimento da existência de gastos exorbitantes na edificação do imóvel em Porto Seguro, configuramse indícios veementes de sonegação fiscal, passível de serem enquadrados no § 1º do Artigo 44 da Lei 9.430/96, com aplicação da multa de 150%. Foram afrontados, no entendimento desta Fiscalização, todos os três artigos da Lei 4.502/64, acima transcrito (sonegação, fraude, conluio), sem embargo da ocorrência do crime de falsidade ideológica, cometido pela fiscalizada e seu exmarido, ao solicitarem averbação em instrumento público, da edificação de imóvel por valor de custo irrisório e irreal." Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, "é a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco" (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581) A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Já por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Fl. 4291DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) Vejamos o Acórdão 9202003.128 CSRF, que trata especificamente da matéria: "A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. [...] A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo." (Acórdão 9202003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) Assim, a partir da análise do caso feita neste Voto, entendo que houve, nos presentes autos, demonstrada intenção (dolo) de fraudar (simulação) o Fisco, autorizando a manutenção da multa, conforme aplicada. ERRO NA VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Argumenta a recorrente que a fiscalização cometeu erro ao "considerar em duplicidade valores como aplicações no Mapa de Variação Patrimonial que deu origem a supostos acréscimos patrimoniais a descoberto." Argumenta que "os valores transferidos da impetrante para seu exmarido foram por ele aplicados no pagamento dos gastos com a construção do imóvel no município de Porto Seguro, Bahia. Nesse caso as referidas importâncias foram consideradas em duplicidade com aplicação no Mapa de Variação Patrimonial [...]" Ocorre que, como bem observou a decisão de primeira instância, "se houve dupla contagem de valores, como renda consumida e gastos na construção, cabe à interessada demonstrálo, o que não foi feito neste tópico." Assim, não havendo comprovação por parte da contribuinte de que, efetivamente, houve duplicidade nos valores considerados no Mapa de Variação Patrimonial a Descoberto, rejeitase esta preliminar. CERCEAMENTO DE DEFESA Sustenta a recorrente que teria ocorrido cerceamento de defesa caracterizado pela morosidade da Receita Federal do Brasil em fornecer cópia integral dos autos à contribuinte. Fl. 4292DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.286 15 Porém, não assiste razão à recorrente, uma vez que foi concedido prazo superior aos trinta dias previstos no Processo Administrativo Fiscal para aditar a peça impugnatória, de tal forma que mesmo com o atraso na entrega de cópias dos autos, não se pode falar em cerceamento do direito de defesa em decorrência daquele atraso. FALTA DE ANÁLISE DO PARECER Alega a recorrente que as autoridades julgadoras de primeira instância não analisaram o Parecer acostado do Dr. Flávio Cesar de Toledo Pinheiro, Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, elaborado por solicitada da recorrente. No entanto, se o acórdão recorrido enfrentou as alegações da impugnante e teve fundamento suficiente para a decisão adotada rejeitase a alegação de nulidade da decisão por falta de análise de parecer acostado. DECADÊNCIA Inicialmente, cumpre esclarecer que a interpretação desta relatora quanto a contagem do prazo decadencial através do recurso repetitivo, REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CP, utilizava a interpretação dada no AgRg no AResp 252942/PE, conforme pode ser constatado na citação abaixo. Vejamos: “[...] 6. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadênciado direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art.173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 7. In casu, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1994, o lançamento somente poderia ter sido realizado no decorrer do ano de 1995, de modo que o termo inicial da decadência é 1° de janeiro de 1996. Como o prazo decadencial de cinco anos se encerraria em 31 de dezembro de 2000, e a constituição do crédito tributário deuse em junho de 2000 (fl. 593), não há falar em decadência do direito de lançar o tributo. 8. Agravos Regimentais não providos.” Através da súmula do CARF n.º 38, abaixo transcrita, bem como da jurisprudência do STJ, no caso de Imposto de Renda Pessoa Física, restou consolidado o entendimento de que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. In verbis: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Fl. 4293DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Não obstante a interpretação anterior desta relatora ser diversa, de acordo com o art. 62 do Regimento Interno do CARF, esta conselheira não pode afastar a aplicação dos recursos repetitivos do STJ e, sobre a matéria da aplicabilidade do art. 173, I do CTN, em relação a contagem do prazo decadencial, o REsp 973.733/SC Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC, nos excertos abaixo transcritos, assim determina: [...] 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). [...] Sendo que fato imponível e fato gerador são sinônimos, contando o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, no caso em análise, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01.01.2005, de forma que o prazo decadencial se esgotaria em 31.12.2009. Assim, considerando que o Recorrente foi cientificado do lançamento em 30.12.2010, verificase que decaiu o direito do Fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento em relação ao ano de 2004. Todavia, quanto ao anocalendário 2005, correto o lançamento, não havendo que se falar em decadência, uma vez que a data fatal completouse em 31 de dezembro de 2009, tendo o contribuinte sido notificado do lançamento em 30.12.2010, uma vez que a intimação fora realizada por edital, tendo o mesmo sido desafixado em 29.12.2010 (fl. 1.353 PDF). Assim, quanto ao anocalendário 2005, a constituição do crédito tributário ocorreu antes do prazo de 05 anos, não havendo, portanto, sido atingido pela decadência. QUEBRA SIGILO BANCÁRIO Argumenta a recorrente a respeito da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Quanto à alegação de quebra ilegal do sigilo bancário, impende registrar que seu afastamento se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). Em relação ao uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, assim como a retroatividade das normas citadas, esse Órgão Administrativo já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: Fl. 4294DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.287 17 Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) A possibilidade de RMF pela Autoridade Administrativa encontrase prevista no art. 197, II, do Código Tributário Nacional (CTN), vindo a Lei Complementar nº 102/2001 autorizar a referida disposição expressamente: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" Assim, a Autoridade Tributária pode, com base no art. 6º da LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas, informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. Confirase: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Da leitura do referido dispositivo, resta claro que havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável pela autoridade administrativa competente, sendo certo que tal entendimento é reforçado pelo disposto no art. 4º, § 8º, do Decreto nº 3.724, de 2001, abaixo transcrito: Art.4o Poderão requisitar as informações referidas no §5o do art. 2oas autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007) (...) §8o A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Fl. 4295DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 Neste contexto, havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. No caso dos autos, constatase que a Requisição de Movimentação Financeira – RMF emitida seguiu as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001. Inclusive, cabe frisar que tal RMF fora emitida por verificar a fiscalização que os extratos apresentados pelo contribuinte, relativos ao Banco Real S/A não estavam condizentes com a movimentação financeira do período. No que tange à alegação de impossibilidade de utilização da Lei Complementar nº 105/2001, para fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2000, cumpre deixar assentado que a LC estabeleceu novos procedimentos de fiscalização, que ampliaram o poder de investigação das autoridades administrativas. Sua aplicação regese, portanto, pelo § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (grifei). Pelo que se vê, o § 1º do art. 144 do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Em relação a constitucionalidade do art. 6º, supratranscrito, cabe transcrever decisão do STF, apreciando o tema 225 da Repercussão Geral – Recurso Extraordinário n.º 601.314 SP, julgado em 26.02.2016, proferida nos seguintes termos: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. Fl. 4296DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.288 19 Portanto, tanto o Supremo Tribunal Federal, quanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ), e este Egrégio Conselho Administrativo já se manifestaram em relação à legalidade da utilização do dispositivo referido. Logo, nao há que se falar em quebra do sigilo bancário do contribuinte. MÉRITO No mérito as alegações da recorrente, tanto na impugnação bem como no recurso, são desprovidas de documentos que lhe dê guarida e, inclusive de demonstrações que comprovem a existência de erro na base de cálculo. Em fls. 4083, a recorrente desiste do pedido de diligência formulado, por perda do objeto. Assim, entendo que não há reparos a serem realizados na decisão a quo, de forma que a ratifico, e utilizo como razões para julgar. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A interessada argumenta que o fato de não ter sido apurada omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada implicaria em que todos os rendimentos que tiveram sua origem comprovada foram declarados. Além disso, haveria cheques contados em duplicidade, ou seja, como renda consumida e como aplicações de gastos em construção em condomínio exclusivo em Trancoso, na Bahia. [...] Para que não fique caracterizada a omissão de rendimentos, é necessário que os rendimentos tenham sido declarados antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização (CTN, art. 138, parágrafo único) – mesmo assim, pode haver falta de pagamento do tributo, o que não ocorrerá se o imposto de renda já tiver sido pago, ou se os rendimentos forem sejam isentos ou imunes, ou, ainda, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, com esse tributo já recolhido. A omissão de rendimentos apurada a partir da variação patrimonial a descoberto, por sua vez é caracterizada por gastos superiores às fontes de recursos declaradas, próprias ou de terceiros (como mútuos). Tratase de algo totalmente diverso da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Finalmente, se houve dupla contagem de valores, como renda consumida e gastos na construção, cabe à interessada demonstrálo, o que não foi feito neste tópico. • DIFERENÇAS DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ALUGUÉIS A contribuinte interessada alega que a fiscalização deveria ter apurado, através de análise documental (em especial de suas contas em instituições financeiras), qual o valor do aluguel, se declarado, recebido ou não, bem como quais despesas seriam Fl. 4297DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 dedutíveis, tais como pagamento de IPTU e taxa de administração (fl .1378). [...] Na verdade, cabe à contribuinte demonstrar essas despesas, que inclusive já deveriam ter constado de suas declarações de rendimentos, como deduções da renda de aluguéis. Não é papel da fiscalização, muito menos do julgamento de primeira instância, obter provas para o sujeito passivo. Este teve ampla possibilidade de fazêlo, tanto na fase inquisitória, antes da lavratura do auto de infração, como em sede de defesa administrativa – e não o fez. Conforme esclarecido no tópico anterior, não cabe aplicar os dispositivos do art. 42 a matérias diversas da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, como é o caso de omissão de rendimentos de aluguéis. Dessa forma, não há que se falar em exclusão de valores nos termos pretendidos pela interessada. • GANHOS DE CAPITAL Devem ser excluídos a imputação de omissão na apuração de ganhos de capital quando existirem provas cabais de que não houve ganhos de capital. Não há reparo a fazer. Realmente, havendo provas, excluise a tributação. Porém, a contribuinte não trouxe essas provas com a impugnação. A argumentação apresentada pela impugnante anteriormente, durante a fase inquisitória do processo, já foi analisada pela fiscalização, que a rejeitou, conforme consta do Termo de Verificação de Infração, especialmente às fls. 21 e 22. Mantémse integralmente, assim, o valor lançado no auto de infração a título de omissão de ganho de capital na alienação de bens. [...] • ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A interessada apresenta diversas contestações a respeito da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, em especial da construção da casa em Porto Seguro – Trancoso – (fls. 1464 a 1469). Afirma que na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto não foram consideradas as transferências ao marido, os saques em dinheiro (reduzidos do dinheiro em caixa), que entre os pagamentos de títulos haveria pagamentos referentes a despesas da construção em Porto Seguro. Para que sejam considerados esses valores, a interessada deve comprovar cada um deles. Ressaltese que dinheiro em caixa não é o mesmo que dinheiro sacado de conta em instituição financeira. Um está em papel moeda, o outro é escritural na Fl. 4298DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.289 21 instituição financeira. São, portanto, coisas diferentes. Um saque em dinheiro, por isso, não é uma redução no dinheiro em caixa, mas no saldo de depósito em conta. Quanto a pagamentos referentes a despesas da construção terem sido feitos através de pagamentos de títulos, é possível, mas cabe a quem alega, no caso a contribuinte, provar, o que ela não fez. Portanto, a alegação não é aceita, por falta de comprovação de cada caso concreto. Afirma, ainda, que haveria uma contacorrente informal entre os cônjuges, que segundo o disposto na escritura de regime de casamento o sustento da casa seria de total responsabilidade do varão. Seria possível que a fiscalizada, portanto, devesse algo a ele (fl. 1466). Novamente, não são apresentadas provas. Nem valores. Não é possível aceitar, assim, a alegação de existência de conta corrente informal entre os então cônjuges, contrariando o disposto na escritura de regime de casamento. Ainda de acordo com a interessada, à fl. 1231 estão informações a respeito de ação cível em que o exmarido reconhece que os pagamentos da construção foram todos efetuados por ele. Mas, essa não teria considerado valores “doados, transferidos e pagos pela fiscalizada” (fl. 1466). A ação em questão não teve seu mérito julgado, ou se teve, tal decisão não consta dos autos e não pode ser utilizada como prova no processo por essa razão. Afirma ainda, não haver qualquer prova de que as compras com cartão de crédito/débito não foram relacionadas com a construção e que, havendo dúvida, a fiscalização deveria ser favorável ao contribuinte, mas não foi. Novamente, não há provas e quem alega deve provar, aqui que parte das despesas com construção foi paga com cartão e qual foi o valor pago em cada período dessa forma. [...] Cabe à contribuinte fazer prova de que parte das despesas foram pagas com recursos que já teriam sido incluídos no cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto. Mas, a interessada não fez prova alguma. A interessada questiona os valores de rendimentos que foram aceitos pela fiscalização como sendo os rendimentos do seu ex marido, afirmando que um advogado renomado, como ele, deveria receber rendimentos muito superiores. A fiscalização não teria se esforçado para determinar a origem dos recursos do seu exmarido (fl. 1469). Aqui não se julga possível irregularidade cometida pelo ex marido da interessada, portanto, não nos compete analisar esse ponto. Fl. 4299DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 Afirma, ainda, que se os gastos com a construção foram pagos pela fiscalizada, os tributos pagos sobre esses valores (rendimentos), também viriam necessariamente dela. Dessa forma, esses tributos encontrarseiam quitados. Cabe à fiscalizada demonstrar a alegação. Não foi feito. Mantémse integralmente a tributação a título de acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que a contribuinte interessada não conseguiu demonstrar nenhuma das alegações feitas em sentido contrário. • TRIBUTAÇÃO DOS GANHOS DE CAPITAL Afirma que como o imposto foi pago, mesmo que após o início do procedimento fiscal, apenas a multa poderia ser exigida, pois o imposto já estaria pago. No momento da cobrança a contribuinte poderá comprovar que já pagou o tributo e pagar somente a diferença a ser calculada por meio de imputação proporcional. Ressaltese que a multa de ofício é devida, pois o pagamento foi feito após a perda da espontaneidade. [...] JUNTADA DAS DECLARAÇÕES DO EXCÔNJUGE, RETIFICADAS E DO PEDIDO DE PARCELAMENTO DE DÉBITOS POR ELE EFETUADO E DEFERIDO. • DO PODER PROBATÓRIO DAS DECLARAÇÕES RETIFICADORAS ENTREGUES PELO EXCÔNJUGE A interessada solicita a juntada das declarações do excônjuge, a partir do exercício 2008 (anocalendário 2007), bem como do parcelamento de débitos por ele solicitado e deferido, bem como das alegações por ele feitas, à fl. 1499, por considerar que são capazes de contribuir decisivamente para ilidir a autuação. Relata haver feito o mesmo pedido no âmbito do Processo Administrativo Disciplinar 16302.000003/200844. Protocolou novos documentos com a mesma argumentação em 30/08/2011, aduzindo que requer a juntada, também, de todas as alegações formuladas com relação ao imóvel na Bahia, objeto da ação fiscal. No mesmo sentido, juntou documentos firmados pelo excônjuge, em 21/09/2011 (fls. 3855 a 3861 – numeração do processo digital, uma vez que juntados após transformação do presente em processo digital). As simples declarações e retificações de declarações, desacompanhadas de quaisquer provas da veracidade das informações nelas contidas, como bem relatado pela fiscalização no Termo de Verificação de Infração às fls. 52 a 54, não são suficientes para fazer prova da veracidade das informações nelas contidas. Ainda mais quando há, nos autos, provas em sentido contrário, como as provas de que foi a interessada quem Fl. 4300DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.290 23 arcou com o custo de aquisição do terreno em Trancoso, Porto Seguro (fl. 51). Ressaltese, por oportuno, que o excônjuge da interessada foi intimado a comprovar a origem dos rendimentos declarados em declaração retificadora e não o fez. Argumentou que, por um lado, não guardou comprovantes da identidade de quem o pagou (tratandose de pessoas físicas) e, por outro lado, que é obrigado a manter o sigilo profissional [...] • PROCESSO DE COBRANÇA NA JUSTIÇA ESTADUAL. EFEITOS DA COISA JULGADA A interessada alega que se deve aguardar a decisão de processo de cobrança que tramita na Justiça Estadual de São Paulo, ou pelo menos, resultado de diligência que, segundo a interessada, será realizada com o objetivo de determinar se houve ou não acréscimo patrimonial a descoberto. O processo em questão envolve duas pessoas: a interessada, Maria Eugênia Coelho da Gama Cerqueira e seu excônjuge, Daniel Sahagoff. Não envolve a União. Há cópias da inicial, da reconvenção e de outras peças processuais no processo, inclusive trazidas recentemente aos autos, às fls. 3837 a 3854; 3872 a 3875 – numeração do processo digital. [...] Claro está, que, de acordo com o disposto no art. 472 do Código de Processo Civil, o processo de cobrança em trâmite na Justiça Estadual, não se tratando do estado da pessoa, fará coisa julgada entre as partes, apenas entre as partes, não produzindo quaisquer efeitos em relação a terceiros (inclusive a União). Assim sendo, não há razão alguma para aguardar o desfecho do processo em questão ou qualquer ato a ser realizado no seu bojo para prolatar um acórdão na esfera administrativa. CONCOMITÂNCIA DA MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA O acórdão recorrido entendeu ser possível a cumulação da multa de ofício e multa isolada, no qual insurgese a Recorrente, e com razão esta. A fim de elucidar melhor a questão, se faz as seguintes considerações. Por necessitar de recursos para executar suas funções, Administração não pode aguardar o encerramento do período de apuração para receber os tributos cujos fatos geradores irão ocorrer no final do exercício. Neste contexto, antes da ocorrência do fato gerador, criouse obrigações impondo ao sujeito passivo o dever de antecipar recolhimentos no decorrer do anocalendário. Os valores recolhidos a título de carnêleão, no caso de pessoa física, os recolhimentos a título de estimativas, no caso de pessoas jurídicas, são deduzidos do imposto apurado no final do exercício. Se deduzidos do valor do imposto devido não há como negar que têm natureza de tributo e correspondem, assim como o IRRF, em pagamento antecipado. Fl. 4301DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 Quando se estabelece obrigação do sujeito passivo em recolher carnêleão ou estimativa não se está imputando a ele qualquer omissão relacionada a fato gerador. Nestas circunstâncias o fato gerador ainda não ocorreu e, encerrado o período de apuração, pode haver situações em que sequer se verificará a existência da situação descrita em lei que resulte na obrigação de pagar tributo. Se no mês de março a contribuinte pessoa física ou jurídica deixar de recolher, por exemplo, carnêleão ou estimativa, respectivamente, no mês seguinte a autoridade fiscal pode exigir o valor não recolhido com multa de 50%. Contudo, encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnêleão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Quando se fala em multa isolada esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnêleão ou das estimativas devidas durante o anocalendário. Encerrado o anocalendário sem que os rendimentos sejam oferecidos à tributação exigese o imposto com multa de 75%. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, em relação ao carnêleão ou as estimativas o disposto no artigo 138 do CTN. Observemos que a multa de ofício é exigida sempre que houver omissão de rendimentos e não estivermos diante de denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e juros, conforme previsto no artigo 138, do CTN. A multa isolada, por sua vez, é devida até o momento previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça os rendimentos à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%. Igualmente, não subsiste o argumento de que a multa isolada deve ser exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa de ofício, em virtude de estar prevista em norma autônoma e por não ter o sujeito passivo adimplido a obrigação na data do vencimento. Não se pode interpretar um dispositivo legal desconsiderando as demais normas que integram o sistema. Se assim fosse, pressupondo atraso do sujeito passivo em relação ao vencimento do tributo, chegaríamos ao ponto de formar raciocínio equivocado cumulando multa de ofício com multa moratória. Para tal, bastaria dizer que sendo a multa moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter seia situação em que ambas as multas seriam devidas. Mais, sempre que uma conduta de menor gravidade se constituir em pressuposto para que ocorra uma infração punida com penalidade mais grave, esta absorve a menor. Na linha do presente voto, à título de exemplo cito os seguintes precedentes deste E. Conselho: "Processo nº 18471.003099/200886 Acórdão nº 2202002.924 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Fl. 4302DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10803.000067/201032 Acórdão n.º 2301004.542 S2C3T1 Fl. 4.291 25 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996)." "Processo nº 10840.720592/200815 Acórdão nº 2801003.110 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria IRPF MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊ LEÃO. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste Conselho." "Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão nº 1101001.234 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2014 Matéria IRPJ Incentivos Fiscais MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º., inciso IV da Lei Nº 9.430, de 1.996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Com estes fundamentos, ao entender que encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão e, por consequência, também incabível a aplicação de multa isolada sobre. Desta forma, deve ser cancelada a multa isolada aplicada no percentual de 50%. TAXA SELIC Por fim, no que tange à insurgência do recorrente em relação à taxa Selic, a matéria resta pacificada neste E. Conselho, conforme Súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento da legitimidade de sua aplicação: “Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no Fl. 4303DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Logo, correta a aplicação da taxa Selic. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso, para, reconhecer a decadência do ano calendário 2004, bem como, cancelar a multa isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento do IRPF a título de carnêleão. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 4304DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 14033.000674/2010-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2803-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a parte da oportunidade de apresentar as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) conexos supra mencionados, no prazo de 30(trinta) dias, decorrido o prazo que o processo seja remetido à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os seguintes conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 67 4/ 20 10 -1 1 Fl. 897DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14033.000674/201011 Resolução nº 2803000.269 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA. Tratase de recurso voluntário, de autoria da contribuinte. Esclareço e registro que fui designado, conforme consta nos autos, relator AD HOC, para formalização da resolução proferida. A designação ocorreu pelo motivo do relator responsável original ter deixado o CARF antes da formalização do acórdão, não possuindo mais competência para tanto. Ocorre que o relator responsável original pelo processo não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, o relatório, histórico, análise que fez dos autos, que levaram o colegiado a decidir pelo que consta em ata. Conseqüentemente, por não possuir competência para tanto, registro o ocorrido, a fim de que as partes interessadas tenham ciência dos fatos. É o relatório. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14033.000674/201011 Resolução nº 2803000.269 S2TE03 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, sua resolução, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi, por em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a parte da oportunidade de apresentar as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) conexos supra mencionados, no prazo de 30(trinta) dias, decorrido o prazo que o processo seja remetido à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11543.000381/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 00 38 1/ 20 05 -2 9 Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.524 2 "Tratase de reconhecimento de direito creditório de PIS decorrentes do regime de nãocumulatividade, no período de 01/01/04 a 31/03/04, no valor de 513.384,60, para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fls. 356/357) homologar parcialmente as compensações efetuadas, por entender que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu o valor de 305.452,93, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2987/09 (fls. 324/356), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2004, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep; 3. como não houve previsão nos incisos do caput do art. 3º da Lei 10.637/02, e por não se enquadrarem no conceito de insumo, as despesas comerciais com comissões pagas a pessoas jurídicas foram excluídas do cômputo da base de cálculo dos créditos a descontar do PIS; 4. de acordo com as notas fiscais apresentadas (fls. 205/206), foi comprovado apenas R$ 1.350,00 de um valor indicado de R$ 24.401,00, relativo a despesas de aluguel de equipamentos, o que representou uma glosa de R$ 23.051,00 no mês de janeiro de 2004; 5. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 41 maiores fornecedores, 10 são cooperativas, restando 31 fornecedores; 6. aproximadamente 94% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 7. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 8. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência do PIS/Pasep na etapa anterior é de impressionantes 2,95 % (dois inteiros e noventa e cinco centésimos percentuais), sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 9. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 39% (trinta e nove inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 289/300), quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.525 3 para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 10. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 11. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 12. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 13. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 14. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 15. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas (fls. 303/304); 16. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 17. assim, foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 219/220; 18. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas nos meses de fevereiro e março, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 19. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.526 4 20. o sujeito passivo aproveitou créditos sobre despesas de manutenção e reparos, conforme informado no DACON, Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, mas informou despesas não passíveis de aproveitamento de crédito visto que não se enquadraram na definição de insumos, em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos, o que impossibilitou o seu deferimento; 21. o contribuinte também aproveitou créditos sobre despesas com armazenagem no mês de janeiro de 2004, no entanto, os gastos com armazenagem somente passaram a dar direito ao desconto de crédito do PIS nãocumulativo por força do art. 15 da Lei 10.833/03, com o início da produção dos efeitos (art. 93, I) a partir de 1º de fevereiro de 2004; 22. são receitas financeiras todas as variações cambiais ativas apuradas, vez que não há previsão para que se realize a compensação na contabilidade das variações cambiais passivas, reconhecendo como receita apenas o resultado mensal; 23. desta forma, é considerada receita da variação cambial o somatório das variações ativas, desconsiderandose as variações passivas; 24. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito do PIS apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 1º Trimestre de 2004 no montante de R$ 305.452,93; 25. por outro lado, no mês de janeiro de 2004, o crédito apurado foi insuficiente para cobrir o valor devido para o PIS, restando saldo a pagar, cabendo, pois o lançamento. Cientificada da decisão (fl. 376), em 11/02/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 378 e seguintes), em 12/03/10, onde alegou, em resumo, que: 1. as razões que fundamentaram a homologação parcial do presente pedido de ressarcimento de créditos de PIS, contidas no Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.987/2009, encontramse espelhadas no Parecer DRF/VIT/SEORT n.° 2.978/2009 (Processo Administrativo n° 11543.000385/200515), o qual homologou parcialmente pedido de ressarcimento de COFINS relativo ao mesmo período tratado nesta manifestação de inconformidade (1º Trimestre de 2004); 2. assim, mister se faz o apensamento destes autos àqueles, tudo com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitandose decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 3. o crédito tributário constituído pelo Sr. AFRF, mediante a inclusão na base de cálculo do PIS, de receitas de variação cambial não tributadas pela Requerente não é exigível, vez que alcançado pelo instituto da decadência; 4. as mencionadas comissões geram direito ao crédito, tendo em vista que sem a contratação dos representantes, não seria possível a aquisição do café in natura e, consequentemente, seu beneficiamento, ademais, a legislação fiscal de regência não veda em momento algum o aproveitamento dos mencionados créditos; 5. o Parecer aponta que parte do crédito, relativo às despesas com a locação de equipamentos de pessoas jurídicas, foi glosada em razão da Requerente não ter apresentado comprovantes dessas despesas 6. o entendimento acima esposado não merece prosperar, haja vista a Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.527 5 comprovação de tais despesas, conforme pode ser constatado pela análise do Razão e das notas fiscais referentes ao período glosado (doc. 05); 7. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos de entrada de mercadorias (Doc. 06), que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 8. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002 não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 9. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 10. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 11. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 12. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 13. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 14. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 15. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexa a esta manifestação de inconformidade (doc. 08); 16. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito; 17. o Parecer aponta que o crédito relativo às despesas com a manutenção e reparo de equipamentos da Requerente foi glosado em razão da falta de discriminação dos serviços contratados, bem como pelo não enquadramento de parte dessas despesas no conceito de insumos contido na legislação do PIS, a Requerente esclarece que todas essas despesas são registradas na conta 752.600 (lançadas na linha 03 da ficha 04 do DACON) e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão; 18. assim sendo, por comporem o custo da prestação do serviço de beneficiamento do algodão, e cujas receitas são tributadas pelo PIS, razão não há para a glosa pretendida; 19. a requerente junta aos autos o razão contábil da conta 752.600 (doc. 09), bem como discrimina os serviços cuja descrição estava pendente segundo avaliação do Sr. AFRF; Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.528 6 20. as despesas incorridas a título de armazenagem de bens e mercadorias passaram a dar direito ao crédito de PIS/COFINS apenas com a entrada em vigência da Lei n.° 10.833/03, em fevereiro/2004; 21. o fato não considerado pelo Sr. AFRF na lavratura do Parecer é de que houve um erro na classificação contábil dos referidos dispêndios que, por um lapso, foram escriturados em conta de despesas de armazenagem; 22. não restam mais argumentos para que não se possa excluir, do âmbito de abrangência da imunidade constitucional, as variações cambiais incidentes sobre ACC (adiantamento de contrato de câmbio), haja vista ser inequívoca a circunstância de que tais variações cambiais decorrem de exportações; 23. se a receita de exportações é imune; nada mais natural do que também excluir do campo de incidência tributária a variação cambial sobre elas verificada, ademais, doutrina e, jurisprudência são uníssonas ao asseverarem que "assim como a correção monetária, a variação cambial nada acresce ao objeto, sendo mera expressão formal da mesma entidade substancia"; 24. No que se refere aos lançamentos à crédito na conta 675.000, deverá ser adotado o mesmo raciocínio, pertinente às variações monetárias registradas na conta 869.000 tendo em vista que se tratam, igualmente, de receitas de exportação; 25. a partir de 01/01/2000, especialmente em virtude da expressiva oscilação cambial experimentada no ano anterior, passou a viger o tratamento instituído pela Medida Provisória atualmente sob o nº 2.15835/01, determinando que as variações cambiais, em regra, deveriam ser reconhecidas no momento da liquidação (regime de caixa). A inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 1591) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 1.916 e seguintes, responde positivamente a tal indagação. E, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contibuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.529 7 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado,onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 2080), a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 2082 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.530 8 DPF/SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 11. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fúndamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 12. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.531 9 de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.532 10 Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000381/200529 Resolução nº 3201000.585 S3C2T1 Fl. 2.533 11 Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10120.724286/2013-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação, a teor da Súmula CARF nº 01, apenas da matéria não suscitada no processo judicial.
BASE DE CÁLCULO. COFINS. DIVERGÊNCIAS. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe a quem alega. Não tendo sido as divergências apontadas pela recorrente na base de cálculo da contribuição respaldadas em prova cabal, o montante apurado pela fiscalização deve ser mantido.
Numero da decisão: 3402-002.957
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009, 2010 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação, a teor da Súmula CARF nº 01, apenas da matéria não suscitada no processo judicial. BASE DE CÁLCULO. COFINS. DIVERGÊNCIAS. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe a quem alega. Não tendo sido as divergências apontadas pela recorrente na base de cálculo da contribuição respaldadas em prova cabal, o montante apurado pela fiscalização deve ser mantido.
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PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação, a teor da Súmula CARF nº 01, apenas da matéria não suscitada no processo judicial. BASE DE CÁLCULO. COFINS. DIVERGÊNCIAS. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe a quem alega. Não tendo sido as divergências apontadas pela recorrente na base de cálculo da contribuição respaldadas em prova cabal, o montante apurado pela fiscalização deve ser mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 42 86 /2 01 3- 32 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Brasília/DF, que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte. Trata o processo, originalmente, de auto de infração relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (R$ 5.463.750,04) e Contribuição para o PIS/Pasep (R$ 1.170.531,67) dos períodos de apuração de 31/01/2009 a 31/12/2010, incluindo juros de mora calculados até 05/2013, sem multa, totalizando R$ 6.634.281,71 (seis milhões seiscentos e trinta e quatro mil duzentos e oitenta e um reais e setenta e um centavos). De acordo com a fiscalização o crédito apurado encontrarseia com a exigibilidade suspensa por força do acórdão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n° 546.832/GO, no qual se discute a cobrança do PIS e da Cofins sobre o ato cooperativo. Cientificado do lançamento original de Cofins e PIS/Pasep, o sujeito passivo apresentou a impugnação, alegando e requerendo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: DA NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS Segundo a Impugnante como os associados arcam com todos os tributos exigidos das pessoas físicas, relativamente ao recebimento dos honorários médicos, provenientes do repasse feito pela cooperativa, caso prevalecesse a pretensão fiscal, haveria uma tributação híbrida, o que não é previsto na legislação pertinente. Assim, a exigência feita no auto de infração impugnado não deve prosperar. DO ERRO NO LEVANTAMENTO FISCAL O auto de infração teria apurado valores incorretos e merece ser revisado a fim de que sejam dadas as explicações necessárias sobre as diferenças detectadas entre o levantamento fiscal e a planilha confeccionada pelo Sr. Contador da Impugnante com base nos mesmos elementos fornecidos à fiscalização e os quais esta alega que foram considerados para apuração das contribuições reclamadas. DO PEDIDO Ao teor do exposto, requer seja a presente impugnação processada, para, ao final, ser julgada improcedente a ação fiscal, por ausência de infração fiscal, ou por nulidade formal – de qualquer forma – impossibilitando a constituição do crédito tributário, determinandose, de conseqüência, o arquivamento do respectivo processo após o seu curso normal. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.724286/201332 Acórdão n.º 3402002.957 S3C4T2 Fl. 654 3 Mediante a Resolução nº 450 (fls. 567/570), de 30 de setembro de 2013, a Delegacia de Julgamento em Brasília, converteu o julgamento em diligência, para o deslinde de questão relativa ao lançamento da multa de ofício: (...) DA DILIGÊNCIA Analisando detidamente os autos vislumbro a necessidade de baixálos em diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União – PAF, para deslinde de questão relativa ao lançamento da multa de ofício. A fiscalização entendeu que os créditos apurados estariam com sua exigibilidade suspensa, lançandoos, para prevenir a decadência, e, por consectário, sem a exigência das respectivas multas de oficio (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, artigo 63): (...) Pois bem. A legislação acima citada é cristalina ao determinar que não cabe o lançamento da multa de oficio apenas nos casos em que a exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), o que não se verifica no caso concreto. Vejamos. (...) No caso em baila não há qualquer concessão de medida liminar (em qualquer espécie de ação judicial) ou, ainda, tutela antecipada. Os autos dão conta de uma decisão (não definitiva) favorável à contribuinte quanto à Cofins, proferida pelo e. Superior Tribunal de Justiça – STJ, que não amolda aos incisos (citados acima) do CTN, o que, per si, permite a autoridade lançadora promover o lançamento das multas de ofício. Assim, os autos devem ser baixados em diligência para que a fiscalização se pronuncie quanto ao não lançamento das multas de oficio, e, caso, entenda necessário, lavre os respectivos lançamentos complementares, nos termos do §3º, art. 18, do PAF: § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matérias modificada. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 A realização da diligência também guarda sinergia com o disposto no artigo 41, § 1º, I, “b”, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011 que regulamenta o PAF, na medida em que o autuante não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada, qual seja a multa de oficio, in verbis: Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3º, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1º). § 1º O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: (...) b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou (...) Na diligência, mediante o Despacho Decisório DRF/GOI/Sefis Nº 210/2013, a autoridade fiscal consignou que: (...) Na análise da questão da exigibilidade das contribuições, juntamente com o grupo Sub Judice da DRF/GOI, constatamos que o referido acórdão do STJ somente fazia referência à COFINS, sendo totalmente omisso quanto ao PIS. Com efeito, uma vez que o contribuinte não entrou com Embargos de Declaração para suprir essa omissão, permaneceu válida a decisão desfavorável ao contribuinte constante no acórdão do TRF1 (fls.18 a 26) quanto ao PIS para a inclusão na base de cálculo dessa contribuição das receitas decorrentes dos atos cooperados. A referida decisão do TRF1 teve portanto o seu trânsito em julgado com relação ao PIS. Diante deste fato, constatamos que incorretamente, a época da lavratura do auto de infração relativo ao PIS, não lançamos a multa de ofício de 75%, uma vez que o tributo já era exigível na lavratura. Assim, diante do exposto, fazse necessário a realização de lançamento completar substitutivo a fim de corrigir a omissão contida no auto de infração do PIS do período de 01/2009 a 12/2010. (...) Nos termos do dispositivo citado, há necessidade, portanto, da realização de lançamento completar substitutivo a fim de que Fl. 656DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.724286/201332 Acórdão n.º 3402002.957 S3C4T2 Fl. 655 5 seja acrescentada a multa de ofício ao lançamento, juntamente com os valores originais do PIS apurado. Uma vez que a multa a ser lançada está diretamente vinculada ao quantum lançado originalmente, esta não pode ser tratada de forma segregada, devendo ser lançada juntamente com o valor original do tributo. Desta forma, diante do exposto, propõese o cancelamento dos valores originais do PIS lançados em 2009 e 2010 constante no processo em epígrafe (fls. 473 a 483 e 496 a 498) e a imediata substituição pelo lançamento completar substitutivo dos mesmos valores originais, juntamente com a multa de ofício de 75%. Uma vez que no auto de infração em epígrafe também consta a COFINS que continuará com a sua exigibilidade suspensa até o deslinde da ação judicial citada, houve a necessidade de abertura de um outro processo (nº 10120.730169/201316) para o lançamento complementar substitutivo do PIS, pois este não possui a sua exigibilidade suspensa. Decisão 5. Em face do exposto, e no uso das atribuições previstas no artigos 246 e 302, inciso I, do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF n.º 203, de 14/05/2012 (DOU 17/05/2012); no uso da delegação de competência prevista no artigo 5º, inciso III, da Portaria DRF/GOI nº 222, de 21 de setembro de 2012 (DOU de 24/09/2012); e nos termos do relatório e da fundamentação retro, DECIDO: Declarar o cancelamento do auto de infração de PIS dos anos de 2009 e 2010 lavrado em 17/05/2013, constante no processo 10120.724286/201332 (fls. 473 a 483 e 496 a 498), mantendo o lançamento relativo a COFINS dos anos de 2009 e 2010 constante do mesmo processo, e que seja lavrado auto de infração completar substitutivo em outro processo com os valores originais do PIS nos anos de 2009 e 2010 com as respectivas multas de ofício de 75%. (...) Desta forma, o presente processo passou a tratar somente da exigência da Cofins, tendo sido os montantes do PIS/Pasep com as respectivas multas de ofício objeto de lançamento complementar no processo nº 10120.730169/201316. Cientificada do Despacho Decisório, em 21/11/2013, a empresa não se manifestou. Mediante o Acórdão nº 0358.920, de 31 de janeiro de 2014, a 2ª Turma da DRJ/BSB julgou a impugnação da contribuinte procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 657DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Anocalendário: 2009, 2010 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. BASE DE CÁLCULO. DIVERGÊNCIAS. Constatadas divergências na apuração do tributo devido, resta ao julgador proceder às devidas correções. Decidiu o julgador de primeira instância por não conhecer dos argumentos que dizem respeito à incidência de Cofins sobre atos cooperativos, por concomitância entre os processos judicial e administrativo, bem como exonerou parte do crédito constituído, alterando a contribuição devida de R$ 187.454,27 para R$ 161.907,33, por erro na base de cálculo, apenas em relação ao mês de janeiro de 2010, único período para o qual constavam as provas que embasavam a defesa. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 17/02/2014. Em 17/03/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando e requerendo, em síntese: Preliminarmente Nulidade do Acórdão recorrido (...) deve a decisão ser anulada, a fim de que fique expressa, em novo ato decisório, a real situação do lançamento, determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ou se assim não entender, que seja analisada e decidida integralmente a impugnação. (...) atestando o Sr. Contador os valores das receitas obtidas pelo somatório das notas fiscais de cada mês, a providência mais adequada é converter o processo em diligência para que seja elaborada a devida revisão fiscal e estabelecidos os valores corretos das bases de cálculo. Sobrestamento do processo até decisão da ação judicial concomitante Observase que a exigência constante dos autos se refere a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, que se encontra com sua exigibilidade suspensa, tendo em vista o julgamento favorável à recorrente quanto à matéria lançada nos autos através do REsp nº 546.832. Concluise, então, que a ação fiscal realmente deve ser sobrestada até final julgamento da ação judicial, uma vez que o ingresso em Juízo, para o questionamento da matéria, torna inócuo o processo administrativo fiscal, na medida em que a Administração Tributária não poderia, depois, decidir diversamente do que tenha decidido o Judiciário. Isto seria desconsiderar a harmonia do sistema jurídico. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.724286/201332 Acórdão n.º 3402002.957 S3C4T2 Fl. 656 7 Questões legais Não incidência do PIS na forma exigida Segundo afirmado no auto de infração, a ora recorrente cumpre os seus objetivos estatutários, sendo regulada, portanto, pelas disposições da Lei ns 5.764/71, que rege as sociedades cooperativas, e, ainda, que as sobras apuradas tiveram destinação legal, ou seja, ao invés de apurar lucro, apurou sobras, as quais passaram a compor o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES). Então, não existe a menor possibilidade de o auto de infração vir a prosperar, porquanto, todas as receitas obtidas pela cooperativa já foram oferecidas à tributação, ainda que este ingresso sequer possa ser considerado tributável, na medida em que se trata de rateio, com finalidade específica já identificada (custeio da cooperativa). Os valores dos honorários médicos que transitam nas contas da cooperativa não podem, jamais, serem considerados faturamento ou receita, exatamente porque são coisas totalmente distintas. (...) não procede o auto de infração ora impugnado, em virtude de este exigir obrigação relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS sobre valores que efetivamente não representam prestação de serviços pela ora recorrente ou sequer receita própria. De tal sorte que a exigência fiscal sobre as receitas dos cooperados é indevida, já que, por imposição das leis federais os honorários recebidos pelos médicos são por eles tributados nas pessoas físicas, que, por sua vez, não são contribuintes nem do PIS/Pasep nem da Contribuição destinada ao Financiamento da Seguridade Social (COFINS). (...) somente Lei Complementar pode definir o adequado tratamento tributário das cooperativas. Também, em face da inexistência de receita como pessoa jurídica, pelo fato de a recorrente ser uma sociedade de prestação de serviços aos sócios, está terminantemente proibido a incidência de PIS que não seja sobre a folha de salários ou outra modalidade prevista em Lei Complementar. Ora, não é preciso se alongar em discussões acadêmicas para concluir que a pretensão fiscal não proporciona equidade na participação do custeio, justamente por que está exigindo que a recorrente contribua com A Seguridade Social calculado sobre uma parcela que não pertence à autuada, mas sim, aos seus cooperados. E, também, pelo mesmo motivo, a autuação levada à efeito comete flagrante ofensa ao art. 195, inciso I, letras "a", "b" e "c" da Constituição Federal (...) No caso em evidência, o simples fato de a cooperativa receber e repassar os honorários médicos aos cooperados não constitui Fl. 659DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 nenhuma das hipóteses de financiamento da seguridade social elencadas acima. À propósito o § 7º do art. 195 da Constituição Federal prevê a isenção de contribuição para a seguridade social prevista no caput, na seguinte situação: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Neste sentido, enquadrase perfeitamente a cooperativa ora recorrente, uma vez que, no desempenho de seus objetivos estatutários ela não tem interesse negocial e apenas serve os associados, quando estes prestam serviços médicos de anestesiologia aos seus pacientes. Enfim, a exigência feita no auto de infração impugnado é um verdadeiro absurdo; é a negação do cooperativismo sem revogação da lei que o instituiu, numa flagrante desobediência legal. Questões materiais Erro no levantamento fiscal: Conforme está expresso no v. Acórdão recorrido, esta alegação foi acolhida apenas parcialmente, excluindose da base de cálculo do mês de janeiro de 2010 o valor da nota fiscal nº 6356, que não produziu nenhum efeito, em face de seu cancelamento. As demais diferenças não foram acatadas sob o fundamento de inexistência de comprovação do fato alegado, embora a recorrente tenha juntado ao processo uma planilha elaborada pelo Sr. Contador, onde informa os valores dos recebimentos, o cálculo correto da COFINS, o valor apurado pela fiscalização, assim como a diferença detectada no lançamento realizado pela Auditoria Fiscal. Dada à dificuldade de juntar vultosa quantidade de documentos fiscais, e uma vez apontadas as diferenças em cada período mensal, a revisão do lançamento seria medida correta para garantir o contraditório pleno e a busca pela verdade material. Assim, carece de uma análise mais criteriosa sobre o assunto, seja com a utilização de dados que a Delegacia da Receita Federal dispõe, ou com a nomeação de um Auditor Fiscal para que realize diligência no sentido de aferir os valores apurados no auto de infração. De tal modo que o auto de infração merece ser revisado a fim de que sejam dadas as explicações necessárias sobre as diferenças detectadas entre o levantamento fiscal e a planilha confeccionada pelo Sr. Contador da recorrente com base nos mesmos elementos fornecidos à fiscalização e os quais aquela alega que foram considerados para apuração da contribuição reclamada. Como já foi dito, sem um consenso entre o método de apuração que se diz ter sido utilizado e os números apurados, sequer se pode considerar eficaz a autuação, já que o art. 142 do CTN é Fl. 660DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.724286/201332 Acórdão n.º 3402002.957 S3C4T2 Fl. 657 9 taxativo no sentido de que cabe à autoridade lançadora apurar o montante devido. E, no caso, está comprovado pela juntada da planilha e documentos que o valor considerado devido não reflete, com a necessária precisão, o resultado da equação aritmética utilizada para o caso específico. DO PEDIDO Em face do exposto, requer a decretação da nulidade do Acórdão atacado, para que outro seja proferido, desta feita, optando a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF por decidir se acata o sobrestamento da ação fiscal ou se analisa o mérito da causa, de forma a definir a situação dos atos subseqüentes, assim como, que determine a conversão do processo em diligência a fim de esclarecer as divergências numéricas, conforme aludido no subtópico anterior. Caso outro seja o entendimento de Vossas Senhorias, que seja determinado o sobrestamento da ação fiscal até final deslinde da ação judicial que analisa a questão da não incidência sobre os atos cooperativos, assim entendidos aqueles que são realizados em prol dos associados, tais como contratação, recebimento e repasse dos honorários médicos aos cooperados, com o imediato cumprimento daquela decisão. Em sendo outro o entendimento de Vossas Senhorias, que o processo seja convertido em diligência, a fim de que fiquem esclarecidas as divergências numéricas que não foram acatadas no acórdão recorrido. Finalmente, que seja provido o presente recurso, a fim de que a ação fiscal seja julgada improcedente, com a desconstituição do crédito tributário apurado na presente ação fiscal. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Passase a analisálo de acordo com seus próprios tópicos. "Preliminarmente Nulidade do Acórdão recorrido" Não procede a alegação da recorrente de que a decisão recorrida não retrataria a real situação do lançamento quanto à suspensão da exigibilidade ou ao não conhecimento da matéria sob concomitância com o processo judicial. Conforme consignou o julgador de primeira instância em seu relatório, encontrase suspensa a exigibilidade do crédito tributário de Cofins do presente processo: Fl. 661DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 (...) Assim, restaram, no presente processo, apenas os lançamentos efetuados a título de Cofins, cuja exigibilidade está suspensa, nos termos da seguinte informação fiscal (fls. 603): O Manual de Controle do Crédito Tributário Sub Judice da SRF faz as seguintes orientações a respeito dos pronunciamentos do Superior Tribunal de Justiça: “Portanto, após a prolação do acórdão, a exigibilidade do crédito tributário regese pelas disposições desse provimento do Superior Tribunal de Justiça, porque ele nasce eficaz, vez que não há previsão de recurso com efeitos suspensivos em face da decisão colegiada, salvo a hipótese de provimento cautelar para atribuição de efeito suspensivo a eventual recurso interposto.” Conforme o referido manual, tal fato ocorre em razão do disposto no art. 497 do CPC que confere aos recursos especial e extraordinário tão somente o efeito devolutivo, não suspendendo os efeitos da decisão. Assim sendo, os efeitos do acórdão só seriam suspensos em caso de decisão expressa neste sentido. No caso do acórdão proferido pelo STJ com relação a COFINS, uma vez que o Recurso Extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional não possui efeito suspensivo, a decisão favorável ao contribuinte do STJ impedia portanto que a COFINS fosse exigível na época da lavratura do auto de infração. (...) Também no que concerne à questão da incidência da Cofins sobre atos cooperativos, conforme se vê abaixo, o julgador da DRJ decidiu, motivadamente, em conformidade com as disposições legais e regulamentares sobre o processo administrativo fiscal, não conhecêla em face de se tratar de matéria já discutida no processo judicial, no que não se vislumbra qualquer nulidade: (...) No caso em tela, há que se reconhecer a concomitância entre a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e a motivação da lavratura dos autos de infração, que trata da incidência de Cofins sobre atos cooperativos, e, desse modo, não cabe a este órgão julgador administrativo conhecer do mérito da questão suscitada, razão pela qual não se apreciam os argumentos trazidos contra a não incidência da Cofins. Neste aspecto, assim determina o art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, verbis: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Fl. 662DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.724286/201332 Acórdão n.º 3402002.957 S3C4T2 Fl. 658 11 Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Segue ementa do Recurso Especial nº 546.832 GO (2003/00777573) prolatada pelo E. Superior Tribunal de Justiça – STJ, da lavra do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. ART. 6º, I, DA LC Nº 70/91. REVOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. O ato cooperativo não gera faturamento ou receita para a sociedade cooperativa. Inexistência de base imponível para a COFINS. Nãoincidência pura e simples. Os atos nãocooperativos se revestem de nítida feição mercantil, gerando receita à sociedade. Existência de base imponível à tributação. O art. 6º, I, da LC nº 70/91, apesar de utilizar a expressão "são isentas", veicula uma regra de cunho eminentemente explicativo e declaratório, cuja doutrina acostumouse a chamar de norma de nãoincidência didática. Por tratarse de norma sob referência declaratória e não constitutiva de direitos, não há que se falar em revogação. Ainda que se tratasse de isenção, a regra contida no art. 6º, I, da LC nº 70/91 não poderia ser revogada por norma de inferior hierarquia (Lei nº 9.718/98). Inteligência do princípio da hierarquia das leis. O art. 146, III, "c", da Carta Magna, coloca sob reserva de lei complementar a regra que disponha sobre o "adequado tratamento tributário" a ser dispensado ao ato cooperativo. Recurso especial provido. (grifo nosso) Importante destacar que tal processo encontrase sobrestado no STJ até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do RE nº 598.085 – RJ. Conseqüentemente, em vista da demanda judicial proposta pela impugnante, com o mesmo objeto do lançamento, o conhecimento da impugnação limitarseá à matéria distinta daquela questionada no processo judicial, que, no caso concreto, compreende as questões materiais e possíveis erros no levantamento fiscal. (...) Não se verifica tampouco qualquer irregularidade no indeferimento do pedido de perícia da impugnante, eis que foi devidamente motivado, em conformidade com o art. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72, conforme se depreende do trecho abaixo da decisão recorrida: (...) Assim, às fls. 123, nos deparamos com uma cópia da controversa Nota Fiscal de nº 6356 onde é possível vislumbrar que a mesma encontrase cancelada, informação coerente com a DMS apresentada, portanto, em relação ao mês 01/2010 a base de Fl. 663DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 cálculo do tributo devido deve ser revista, excluindose do montante apurado o valor de R$ 866.923,63 relativo à Nota Fiscal de nº 6356. Restam prejudicadas as análises relativas aos demais períodos, apontados pela empresa como divergentes, na medida em que estão desacompanhadas de qualquer documento probatório. Assim, como o alegado pela cooperativa, em relação aos demais períodos, veio desacompanhado de qualquer outro elemento comprovando tais valores, resta prejudicada a sua defesa. De modo que, a não apresentação de documentos hábeis que embasem a defesa, a invalidam, pois carece de comprovação os fatos narrados pelo contribuinte. E nem é caso para realização de diligência, pois, vale lembra a lição do professor Antônio Cabral: “toda vez que a prova puder ser produzida pelo interessado não deve ser requerida diligência, pois o ônus da prova incumbe a quem alega” (Processo Administrativo Fiscal, São Paulo, 1993, p. 319). Nesta toada, como a empresa trouxe aos autos apenas as aludidas planilhas relativas ao mês 01/2010, por consectário, não serão apreciadas as demais divergências apontadas. (...) Conforme se depreende da leitura acima, tendo em vista que incumbiria à impugnante o ônus da prova de eventual elemento modificativo da autuação, não seria o caso de analisar as divergências alegadas na impugnação desacompanhadas da devida comprovação; nem tampouco a diligência seria cabível para produzir a prova cujo ônus era atribuição da impugnante. Com relação o pedido de diligência em sede de Recurso Voluntário, há de se esclarecer que está preclusa, neste momento processual, a produção de novas provas, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72. É por ocasião da apresentação da impugnação que a recorrente deveria ter produzido a prova necessária à comprovação das suas alegações. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. No entanto, as diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela requerente. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Assim, somente na hipótese de a recorrente ter trazido juntamente com a impugnação as provas que embasavam suas alegações, não obstante a "dificuldade de juntar vultosa quantidade de documentos fiscais", o julgamento poderia ter sido convertido em diligência para a análise pela fiscalização da documentação trazida pela impugnante. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.724286/201332 Acórdão n.º 3402002.957 S3C4T2 Fl. 659 13 Com efeito, ausente nos presentes autos qualquer prova a ser analisada pela fiscalização, não há que se falar em diligência, mesmo porque, como já dito, também está preclusa a produção de provas nesta fase do processo. Desta forma, as preliminares de nulidade da decisão recorrida suscitadas pela recorrente devem ser rejeitadas e o pedido de diligência da recorrente deve ser indeferido. "Sobrestamento do processo até decisão da ação judicial concomitante" Não há qualquer cabimento em sobrestar o presente processo para aguardar a decisão definitiva do processo judicial. O procedimento correto a ser adotado em casos de matéria sob concomitância com o processo judicial é justamente aquele efetuado na decisão recorrida: de não conhecimento da matéria sub judice no âmbito administrativo e prosseguimento do julgamento em relação aos demais pontos, não suscitados na esfera judicial, nos termos do art. 87 do Decreto nº 7.574/2011: (...) Conseqüentemente, em vista da demanda judicial proposta pela impugnante, com o mesmo objeto do lançamento, o conhecimento da impugnação limitarseá à matéria distinta daquela questionada no processo judicial, que, no caso concreto, compreende as questões materiais e possíveis erros no levantamento fiscal. (...) Também, conforme já esclarecido, a exigibilidade do crédito tributário está suspensa no presente momento e assim permanecerá enquanto vigente a decisão judicial favorável à recorrente. Sobrevindo a decisão definitiva do processo judicial quanto à matéria sob concomitância, a ela deverá ser dado fiel cumprimento pela Unidade da Receita Federal responsável pelo controle do crédito tributário do presente processo. De forma que não há, nos presentes autos, qualquer desconsideração à "harmonia do sistema jurídico", como alega a recorrente. Muito pelo contrário, os procedimentos adotados pelo julgador de primeira instância, de não conhecimento da matéria sub judice no âmbito administrativo, bem como pela Unidade de Origem, de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da decisão judicial favorável à contribuinte, foram justamente no sentido de homenagear a regra de Unidade de Jurisdição, contida no art. 5º, XXXV da Constituição Federal, que concede superioridade da decisão judicial em relação à administrativa. "Questões legais Não incidência do PIS na forma exigida" Relativamente à questão da incidência da Cofins sobre atos cooperativos, como já relatado, o julgador da DRJ decidiu não conhecêla em face de se tratar de matéria já discutida no processo judicial. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 Conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979, a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz a mesma determinação em relação às ações judiciais de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, no mesmo sentido, assim regulamentou a matéria: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Conforme consta nos autos, do que também a recorrente não discorda, a incidência da Cofins sobre atos cooperativos de que trata o processo sob análise está sendo discutida no Superior Tribunal de Justiça – STJ no Recurso Especial nº 546.832 GO (2003/00777573). De forma que não há qualquer reparo na parte da decisão de primeira instância que não conheceu a alegação da impugnante de ilegitimidade da incidência de Cofins em face da concomitância com o processo judicial A recorrente não apresentou defesa no recurso voluntário quanto a eventual incorreção do não conhecimento da matéria pelo julgador de primeira instância, tendo apenas repisado os argumentos já trazidos na impugnação quanto à ilegitimidade da exação. Não há que se olvidar que o recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação se circunscreve aos temas tratados na decisão que pretende reformar, nos termos do art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 42. São definitivas as decisões: (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Assim, não conheço das alegações de ilegitimidade da exigência de Cofins sobre atos cooperativos da recorrente, devendo ser mantida a decisão de primeira instância que não conheceu a matéria sub judice. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10120.724286/201332 Acórdão n.º 3402002.957 S3C4T2 Fl. 660 15 "Questões materiais Erro no levantamento fiscal" Sustenta a recorrente que o auto de infração deveria ser revisado a fim de que fossem dadas as explicações necessárias sobre as diferenças detectadas entre o levantamento fiscal e a planilha confeccionada pelo seu Contador. No entanto, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, caberia à impugnante/recorrente a prova dos fatos que alega em contraposição à base de cálculo da contribuição apurada pela fiscalização. Alegar, mas não provar, é o mesmo que nada alegar. De forma que agiu bem o julgador de primeira instância quando não conheceu da matéria desprovida de comprovação para modificar a autuação, e conheceu apenas da divergência alegada relativamente ao mês de janeiro de 2010, a qual foi embasada em provas, inclusive lhe dando provimento para revisão do montante da contribuição excluindose o valor relativo à nota fiscal cancelada. Em sede de recurso voluntário, a questão é a mesma, vez que nenhuma prova foi acrescentada aos autos, não devendo ser conhecidas as divergências apontadas pela recorrente que não amparadas da devida comprovação. O montante da Cofins foi devidamente apurado pela autoridade fiscal, nos termos do art. 142 do CTN, e saneado pelo julgador de primeira instância, em face da divergência comprovada pela então impugnante em relação ao mês de janeiro de 2010, e de outra parte, como a recorrente não logrou êxito em comprovar a eventual incorreção em relação aos demais meses do período de apuração, a decisão de primeira instância deve ser mantida. Assim, por todo o exposto acima, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário na parte sob concomitância com o processo judicial e de negar provimento na parte conhecida. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 667DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 21/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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