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Numero do processo: 16327.001085/2005-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
DECADÊNCIA - ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR - LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA OU COLIGADA EM 1996 E 1997.
A IN SRF nº 38/96, ao considerar que os lucros no exterior auferidos em 1996 e 1997 deveriam ser reconhecidos pela controladora ou coligada no Brasil somente quando disponibilizados, adotou a única interpretação possível para a tributação de lucros no exterior.
A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior (Súmula CARF nº 78).
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentará Declaração de Votos.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA - ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR - LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA OU COLIGADA EM 1996 E 1997. A IN SRF nº 38/96, ao considerar que os lucros no exterior auferidos em 1996 e 1997 deveriam ser reconhecidos pela controladora ou coligada no Brasil somente quando disponibilizados, adotou a única interpretação possível para a tributação de lucros no exterior. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior (Súmula CARF nº 78). Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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A IN SRF nº 38/96, ao considerar que os lucros no exterior auferidos em 1996 e 1997 deveriam ser reconhecidos pela controladora ou coligada no Brasil somente quando disponibilizados, adotou a única interpretação possível para a tributação de lucros no exterior. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior (Súmula CARF nº 78). Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentará Declaração de Votos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 10 85 /2 00 5- 13 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório INTERNACIONAL PAPER DO BRASIL LTDA recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de 541/561, contra Acórdão nº 10322.638, de 21 de setembro de 2006, fls. 492/511, que, no mérito e por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar a conversão dos lucros auferidos no exterior pela taxa de câmbio prevista no art. 25, § 4°, da Lei n° 9.249, de 1995; excluir da base de cálculo da CSLL os lucros relativos aos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998, e excluir a exigência da multa de lançamento de ofício. Na matério objeto da presente discussão, tal acórdão recebeu a seguinte ementa: DECADENCIA. DISPONIBILIZAÇAO DE LUCROS "NO EXTERIOR. FATO GERADOR. ANOSCALENDÁRIO ,, 1996 E 1997. A simples apuração de lucros por empresa" 'controlada Situada no exterior não implica, por si só, em disponibilização de lucros para a controladora no Brasil, condição necessária para caracterização da ocorrência do fato gerador do IRPJ no regime implantado pelo art. 25 da Lei 9.249/95, nos anos calendário , 1996 e l997. Descabido falarse em decadência do direito de constituir o'crédito tributário quando não ocorreu fato gerador. Alega a recorrente divergência jurisprudencial em relação aos Acórdãos nº 10195.500 e nº 10195.497, que receberam ementas de idêntico teor, nos seguintes termos: LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 — LEI 9.249/95 — ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 — IMPOSSIBILIDADE — Antes do advento da Lei 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anos calendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados em 31 de dezembro de cada ano, na proporção da participação Fl. 780DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001085/200513 Acórdão n.º 9101002.223 CSRFT1 Fl. 779 3 societária, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de ofício deve, portanto, reportarse a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador. Em síntese, a Recorrente argumenta que a Câmara a quo manteve as autuações relativas aos anos calendário de 1996 e 1997, relativamente à tributação de lucros auferidos no exterior por entender não decadente o lançamento tributário objeto do presente processo, haja vista que considerou que o fato gerador ocorria no momento da disponibilização dos lucros em favor da recorrente, e não no auferimento desses lucros, contrariando jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual o fato gerador ocorreria no momento em que os lucros fossem apurados no exterior, ou seja, no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Pede, então, pelo conhecimento e provimento do presente recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido, no sentido de cancelar a autuação relativa aos anos calendário de 1996 e 1997. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 120000.201, fls 630/632, havendo a PGFN apresentado contrarrazões às fls. 636/638, aduzindo, na sua essência, que tanto o art. 25 da Lei nº 9.249/95, como a IN SRF nº 38/96, fixaram o entendimento de que os lucros auferidos no exterior seriam tributados apenas quando disponibilizados ao residente no Brasil. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Antes de analisar o objeto do presente recurso, que é o fato gerador temporal da tributação dos lucros auferidos no exterior no período de 1996 e 1997, considero oportuno destacar que a ora recorrente impetrou Mandado de Segurança em 11 de setembro de 2002 (MS nº 2002.61.00.0207108), contra ato do Delegado Especial de Assuntos Internacionais, objetivando a suspensão da exigibilidade (art. 151, inc. IV, do CTN) de créditos tributários oriundos de lucros auferidos pela empresa controlada (Inverdays Company S/A.) no exterior, e não disponibilizados à então impetrante a partir de 1996 (IRPJ) e 1999 (CSLL), afastandose as disposições constantes do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, bem como da Instrução Normativa da SRF nº 38, de 27 de junho de 1996 (art. 2º, § 9º), ao reconhecimento de ilegalidade e inconstitucionalidade. A petição inicial deste Mandado de Segurança não foi juntada aos autos, mas, às e fls. 78/82, consta da Decisão da 13ª Vara Federal de São Paulo, de 6/10/2004, que julgou improcedente o pedido e denegou a ordem, revogando a liminar e desta destaco o objeto do pedido: “A impetrante busca a concessão de ordem, em sede de mandado de segurança, pretendendo ver afastada exigibilidade Fl. 781DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 tributária decorrente da aplicação das normas previstas na Medida Provisória nº 2.15835 e na Instrução Normativa nº 38/96” Às efls 359/363, consta a primeira decisão nos autos do MS, datada de 17/9/2002, de cujo relatório, extraio: “...Informou que alienou sua participação societária na Inverdays para a empresa I.P. Investmentes Holland B.V., localizada em Amsterdã, na Holanda, aduzindo que referida operação não gerou qualquer disponibilidade econômica ou jurídica dos lucros auferidos pela empresa então controlada no exterior nos períodos de janeiro de 1996 a agosto de 2002. Entretanto, com a publicação da Medida Provisória nº 2.15835, foi alterado o critério previsto nas legislações anteriores quanto à catacterização da disponibilidade dos lucros auferidos pelas empresas controladas ou colegiadas no exterior, estabelecendo, assim, a data do balanço em que tiverem sido apurados esses lucros pelas empresas no exterior, independentemente da efetiva disponibilidade econômica e jurídica desses lucros pelas empresas controladoras no país. Da leitura do relatório dessas decisões depreendese que a ora recorrente buscou decisão judicial que afirmasse que não poderia haver a alteração no regime de tributação promovido pelo art. 74 da MP nº 2.15835. Às efls. 702 e seguintes do Volume 4, consta Despacho da Delegacia de origem que, dentre outros, informa que em 6/10/2002, o pedido foi julgado improcedente e a liminar anteriormente concedida, revogada. Porém a parte apresentou uma apelação, que foi recebida com efeito devolutivo e suspensivo. Dessa decisão a União interpôs o Agravo de Instrumento nº 2006.03.00.0785167 que, ao tempo do despacho, encontravase concluso ao relator. Consultando no site do Tribunal Regional Federal da 3ª RF, encontro o julgamento dessa Apelação Cível nº 002071084.2002.4.03.6100/SP, de cujo relatório também extraio uma confirmação sobre o que se discute no processo judicial: a ausência de previsão legal de tributação no caso de alienação de participação societária, não obstante a MP 2.15835/2001 e a IN SRF nº 38/96 (art. 2º, § 9º) contradigam as Leis nºs. 9.249/95 e 9.532/97, dispondo sobre a tributação de lucros ainda não disponibilizados no Brasil, a serem adicionados ao lucro líquido para determinação do lucro real da alienante (controladora), obrigando a impetrante a considerar lucros não disponibilizados, a título de IRPJ e CSLL, como passíveis de tributação. Esta apelação foi julgada em 3 de abril de 2014, havendo o Tribunal Regional Federal decidido nos seguintes termos: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS SITUADAS NO EXTERIOR. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001085/200513 Acórdão n.º 9101002.223 CSRFT1 Fl. 780 5 DISPONIBILIDADE JURÍDICA DA RENDA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PREVISTA NO CAPUT DO ART. 43 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. ART. 74, "CAPUT", DA MP 2.15835/2001. CONSTITUCIONALIDADE. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 74 DA MP. 2.15835/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. ADI 2588/DF. § 9º DO ART. 2º DA IN SRF Nº 38/96. ILEGALIDADE. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. 1 No caso em exame, a impetrante objetiva o afastamento da exigibilidade do recolhimento de créditos tributários, a título de IRPJ e CSLL, sobre lucros auferidos por empresa da qual foi controladora, nos termos do disposto no impugnado art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (DOU de 27/08/2001), e da IN/SRF nº 38/96 (art. 2º, § 9º), ao argumento da não ocorrência de disponibilização de lucros à controladora, ora recorrente. 2 Insta salientar que no atual sistema constitucional tributário (art. 146, inc. III, "a" da Constituição Federal de 1988), cabe à lei complementar estabelecer as normas gerais sobre o fato gerador, a base de cálculo e o contribuinte dos impostos previstos na Lei Maior. Assim o fez o CTN, dotado da autoridade de lei complementar de que é revestido, no que tange ao imposto sobre a renda, trazendo tal diploma legal o conceito jurídico de renda em seu artigo 43. Nesse diapasão, é cediço que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza possui como fato gerador a "aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica" da renda ou acréscimo patrimonial, consoante se infere dos termos do art. 43 do CTN. 3 Assim, configurada a disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais, como no caso em tela no que alude aos lucros auferidos pela controlada da impetrante, no exterior , tal fato jurídico, por si só, demonstrase apto a compor a materialidade da hipótese de incidência do imposto sobre a renda, bem como a base de cálculo do IRPJ, nos termos do disposto no art. 43, caput e parágrafos do CTN, posto não ser necessário que a renda se torne efetivamente disponível (disponibilidade financeira) para a ocorrência do fato gerador do aludido imposto, bastando, para tanto, a constatação do acréscimo patrimonial, o qual restou verificado no balanço da empresa controlada da recorrente, com o auferimento de lucros nos anoscalendários de janeiro de 1996 a agosto de 2002, os quais foram devidamente contabilizados pelo método de equivalência patrimonial, conforme aduziu a impetrante, caracterizando fato jurídico prescrito em lei como suficiente à aquisição do direito a seu titular (disponibilidade jurídica), sendo prescindível o efetivo ingresso financeiro nos cofres da investidora ou controladora. Ademais, tal acréscimo patrimonial, decorrente de tais lucros obtidos pela controlada da impetrante no exterior, configuram majoração do patrimônio da controladora, proporcionalmente à Fl. 783DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 participação acionária dessa na empresa controlada, sujeitando se, portanto, à aplicação da legislação de regência no que tange ao recolhimento das exações em comento. 4 Por sua vez, entendo que o comando prescrito no § 9º, do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 38, de 27 de junho de 1996 (revogada pela IN SRF nº 213, de 07/10/2002), extrapolou sua função meramente regulamentar e explicativa, e inovou no que dispôs quanto "à hipótese de alienação" do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil, em ofensa ao princípio da legalidade. 5 Insta mencionar, no que tange à questão dos "lucros auferidos no exterior por controladas", a previsão legal contida no art. 1º, caput, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 (resultante da conversão da MP nº 1.602, de 14/11/1997), que assim prescreveu: "Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil". Outrossim, o comando legal prescrito no art. 25, caput, da referida lei, já determinava que os lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, seriam computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas, correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano, conforme excerto cujo teor peço vênia transcrever: "Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano". 6 Observase, no caso dos autos, que a recorrente insiste, equivocadamente, em sustentar que os valores atinentes aos lucros auferidos por sua controlada no exterior "nunca" foram disponibilizados à empresa controladora (apelante), não se sujeitando, portanto, à exigibilidade das exações em discussão ante a ausência de amparo legal, o que, conforme restou demonstrado, não merece prosperar. 7 Por sua vez, no que tange ao impugnado artigo 74, caput, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, constatase que tal dispositivo legal tratou apenas de apontar o "aspecto temporal ou momento" no qual os lucros auferidos por controlada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora, no caso em exame, para a apelante, não havendo que se falar em ilegalidade ou inconstitucionalidade desse dispositivo normativo, porquanto em consonância com o disposto no comando do § 2º (acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001) do art. 43 do CTN. 8 Desse modo, verificase que a MP nº. 2.15835/2001, ao adotar a "data do balanço" em que os lucros tenham sido Fl. 784DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001085/200513 Acórdão n.º 9101002.223 CSRFT1 Fl. 781 7 apurados na empresa controlada, independentemente de seu efetivo pagamento ou crédito, não maculou a regramatriz da hipótese de incidência do imposto sobre a renda, contida no caput do art. 43 do CTN, haja vista que, préexistindo o acréscimo patrimonial, a lei estava autorizada a apontar o "momento" em que seriam considerados disponibilizados os lucros apurados pela empresa controlada. Observase que tal dispositivo legal (art. 74, caput, da MP nº 2.15835/2001) não criou tributo novo nem modificou o existente no que se refere ao fato gerador da exação, mas tão somente estabeleceu o momento no qual se dá a disponibilidade dos lucros auferidos pela controlada para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do artigo 25 da Lei nº 9.249/95 e do art. 21 da referida MP. 9 Por derradeiro, no que respeita ao disposto no "parágrafo único", do art. 74 da referida MP, que assim determinou: "Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor", o Pleno do C. STF, em 10 de abril de 2013 (DJe 07/02/2014; Data de Publicação: 10/02/2014), ao julgar, por maioria, parcialmente procedente a ADI 2588/DF (Relatora Ministra Ellen Gracie; Relator para o Acórdão: Ministro Joaquim Barbosa), manifestou entendimento (com efeito vinculante e erga omnes) no sentido da inconstitucionalidade da retroatividade veiculada no parágrafo único do referido dispositivo legal. 10 Mister ressaltar, no caso em tela, que não obstante o recente julgado na ADI 2588/DF, pelo Colendo STF, quanto às hipóteses de empresas coligadas localizadas em "paraísos fiscais" e empresas controladas situadas em países sem tributação favorecida (ou "não paraíso fiscal"), não foi formada maioria de seis votos, e, quanto a essas hipóteses, não houve deliberação com eficácia própria de ADIs (efeito vinculante e erga omnes). 11 Desse modo, os lucros auferidos no exterior restariam tributados, nos termos da MP 2.15835/2001 (D.O.U de 27/08/2001), a partir de 1º/01/2002, quanto ao IRPJ, em observância ao princípio da irretroatividade e da anterioridade, e, no tocante à CSLL, após 24/11/2001, em obediência ao princípio da anterioridade nonagesimal (art. 195, § 6º, da CF/88). Por oportuno, vale salientar, no que tange à CSLL, que a MP nº 2.15834/2001, de 27 de julho de 2001 (DOU de 28/07/2001), objeto de reedição pela MP nº 2.15835/2001, já dispunha, em seu art. 74, caput, acerca da determinação da base de cálculo de tais tributos, no que se aplica, in casu, à CSLL, a partir de 27 de outubro de 2001, em observância ao art. 195, § 6º, da Lei Maior. Mister ressaltar, no caso em tela, que não obstante o recente julgado na ADI 2588/DF, pelo Colendo STF, quanto às hipóteses de empresas coligadas localizadas em "paraísos fiscais" e empresas controladas situadas em países sem tributação Fl. 785DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 favorecida (ou "não paraíso fiscal"), não foi formada maioria de seis votos, e, quanto a essas hipóteses, não houve deliberação com eficácia própria de ADIs (efeito vinculante e erga omnes). 12 Apelação parcialmente provida. Contra esta decisão foram opostos embargos de declaração, tanto pela ora recorrente, como pela Fazenda Nacional, porém ambos foram rejeitados, e , da última consulta processual que realizei consta que há recurso especial e extraordinário por parte da International Paper do Brasil Ltda e especial por parte da Fazenda Nacional a serem apreciados, conforme tela do site que ora colaciono: Em que pese a matéria tratada no processo judicial possuir uma vinculação direta com o que ora se discute neste processo, verifico que nos autos do processo judicial não se discute a IN SRF nº 38, de 1996 no que diz respeito à sua interpretação sobre o art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, posto que a discussão nos autos do processo judicial enfrenta apenas o art. 74 da MP nº 2.158, de 2001 e o §9º do art. 2º da IN SRF nº 38, de 1996. Daí porque nos autos do processo judicial não há qualquer referência à prazo decadencial para lançamento, que foi a matéria trazida pela recorrente em seu recurso especial. Em face a todas essas considerações, não vislumbro concomitância (a qual, cumpre esclarecer, não é alegada nem pela recorrente e nem pela Fazenda Nacional) com a discussão judicial e passo à análise da decadência, que foi a única matéria trazida aos autos em sede de recurso especial. Neste aspecto, a discussão cingese na interpretação do disposto no art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, no sentido de verificar quando ocorria o fato gerador relativo à tributação, por pessoa jurídica controladora situada no Brasil, de lucros auferidos por controlada situada no exterior em 1996 e 1997. Discutese, aqui, a legalidade da IN SRF nº 38, de 1996, que tratou do assunto nos seguintes termos: IN SRF nº 38/96: Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 1996 os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na Fl. 786DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001085/200513 Acórdão n.º 9101002.223 CSRFT1 Fl. 782 9 forma da legislação vigente, observadas as disposições desta Instrução Normativa. ......................................................................................................... Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do períodobase, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados. § 1º Consideramse disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. O art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: Fl. 787DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º.” (Grifei) Analisando inicialmente a Lei, verificase que no §2º do art. 25 foi dado o tratamento para os lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais e controladas de pessoa jurídica situadas no Brasil, enquanto que o §3º foi abordada a hipótese das coligadas. Para as coligadas, o §3º é claro, porque o inciso I já afirma que os lucros “realizados” pela coligada serão adicionados ao lucro líquido da pessoa jurídica brasileira, na proporção da participação desta no capital da estrangeira, daí porque não se tem dúvidas de que lucros realizados conotam regime de caixa, portanto, efetiva disponibilização. Comparando esse §3º com o §2º, verificase que o correspondente ao inciso I do §3º é, na verdade, o inciso II do §2º, porque a regra do inciso I do §2º é, na verdade, um comando para a pessoa jurídica situada fora do Brasil, o que só pode ocorrer, como de fato foi feito, quando a pessoa jurídica situada no Brasil detém o “comando”, quer seja como matriz, quer seja como controladora. Diz o inciso I do §2º que “as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira”, ou seja, a lei está até aqui dizendo como as pessoas jurídicas controladas, como as filiais e as sucursais devem demonstrar a apuração de seus lucros. Já o inciso II do §2º, que é o equivalente ao inciso I do §3º para as coligadas, é que fala que os lucros “a que se refere o inciso I” serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação na pessoa jurídica estrangeira. Então o que se precisa verificar é o que quis dizer o legislador ao mencionar “lucros a que se refere o inciso I” , no sentido de identificar se estava falando em regime de caixa ou competência. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001085/200513 Acórdão n.º 9101002.223 CSRFT1 Fl. 783 11 A separação em parágrafos era necessário, de qualquer forma, porque para as coligadas, a regra do inciso I do §2º não poderia ser aplicada, vez que a coligada brasileira não poderia determinar como a coligada estrangeira deveria apurar seus lucros. Também não podemos dizer que a expressão “auferirem” no inciso I do §2º conota idéia de regime de competência, porque a regra do inciso I do §2º só estava tratando de como deveria ser apurado o lucro da pessoa jurídica estrangeira. Não existe no inciso I do §2º nenhuma regra que define o momento em que os lucros auferidos no exterior seriam tributados no Brasil. O inciso I apenas traz o comando de apuração de lucros por exercícios fiscais segundo as normas brasileiras. Mas não trata do momento da tributação. O inciso II, por sua vez, manda reconhecer esse lucro na pessoa jurídica brasileira, segundo o critério da proporção da participação. Mas a IN SRF nº 38, de 1996, deixou claro que os lucros seriam reconhecidos quando disponibilizados, ou seja, de acordo com o regime de caixa. E o questionamento que surge nos autos é justamente no sentido de se verificar se a IN estaria correta ao adotar essa interpretação. Para realizar tal verificação, entendo oportuno trazer à tona o art. 43 do Código Tributário Nacional, que sofreu alteração com a inserção de um §2º para excepcionalizar que, na hipótese de receita ou rendimento do exterior, a lei poderia estabelecer as condições e o momento em que se daria a disponibilidade, para fins de incidência do imposto de renda. Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) É de constatar que esta alteração somente ocorreu em 2001. Assim, até a alteração do art. 43 do CTN pela Lei Complementar nº 104, de 2001, o legislador ordinário teria que considerar para efeito de lucros auferidos no exterior, o critério do efetivo pagamento, ou seja, o regime de caixa, sob pena desta norma ser considerada inconstitucional por alterar o conceito de renda, fato gerador material do imposto de renda, portanto, matéria que, à luz do art. 146 da Constituição Federal, está reservada à Lei Complementar. Aliás, não é por outra razão que, ainda antes da alteração da Lei Complementar, novamente o legislador ordinário tratou do assunto e manteve o entendimento Fl. 789DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 de que a tributação seria pelo regime de caixa, como se pode observar com publicação da Lei nº 9.532, de 1997: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: ......................................................................................................... b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. E, somente com a MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ou seja, após Lei Complementar nº 104, que data de 10 de janeiro de 2001, é que o cômputo passou a ser no balanço em que apurado, conforme art. 74 que ora transcrevo: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. No caso em apreço e, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 82/100, a Recorrente transferiru para sua única sócia na Holanda, cem por cento das ações de sua controlada no Uruguai, a Inverdays Company S/A, no dia 2 de setembro de 2002. Analisando ainda o parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, temos: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) (Vide ADI nº 2588, 2001) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. (Vide ADI n} 2588, 2001) Como tal parágrafo dispunha que, se ocorresse alguma das hipóteses de disponibilização da legislação em vigor, esta deveria ser observada para os efeitos de se considerar disponibilizados os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001, e, considerando que antes de 31 de dezembro de 2002, ocorreu hipótese de Fl. 790DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001085/200513 Acórdão n.º 9101002.223 CSRFT1 Fl. 784 13 disponibilização prevista na legislação em vigor, aplicavase, ao caso em tela, a Lei nº 9.532, 1997, segundo a qual, os lucros eram considerados disponibilizados no Brasil, no caso de controlada, na data do pagamento, assim considerado o aumento de capital social: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: ......................................................................................................... b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) ......................................................................................................... § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) ......................................................................................................... b) pago o lucro, quando ocorrer: ........................................................................................................ 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Portanto, a hipótese é de tributação de lucros quando estes são disponibilizados no exterior, aplicandose ao caso a Súmula CARF nº 78, cujo enunciado ora colaciono: Súmula CARF nº 78: A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior. Como o lucro foi pago em agosto de 2002, nesta data ocorre o fato gerador e começa a contagem do prazo decadencial. E, se o contribuinte tomou ciência da autuação em 28/06/2005 ( fl. 70), descabe falar em decadência do direito de lançar. Por essa razão, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 791DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Acompanho a Relatora, por suas conclusões, aplicando a Súmula CARF nº 78 que fixa como termo inicial da contagem do prazo decadencial “a data em que se considera ocorrida a disponibilização” dos lucros no exterior. Ressalto que os precedentes que originaram tal Súmula definem que a data da disponibilização seria pelo regime de caixa. Ressalto que a conclusão da Relatora, com a qual compactuo, devese à obrigatória observância aos enunciados de Súmula do CARF, na forma dos artigos 45, VI e 67, §3º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria nº 343/2015). De toda sorte, causame desconforto o julgamento do tema, diante da falta de lei definindo o momento de ocorrência do fato gerador na hipótese tratada nos autos e, por decorrência, a ausência de dispositivo legal que determine o início do prazo decadencial, insegurança que afronta os princípios da legalidade estrita em matéria tributária, como também o próprio artigo 146, da Constituição Federal. Com efeito, tratase de recurso especial que discute a interpretação do disposto no art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995 no que concerne à definição do momento da ocorrência do fato gerador dos lucros auferidos por controlada situada no exterior, para fins de cômputo no lucro da controladora situada no Brasil. É o teor da Lei nº 9.249/1995: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; Fl. 792DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001085/200513 Acórdão n.º 9101002.223 CSRFT1 Fl. 785 15 II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. O único indício de definição do momento de ocorrência do fato gerador consta do §2º ao mencionar que os “lucros auferidos” por filiais, sucursais ou controladas serão computados na apuração do lucro real. Tal indício, entretanto, é insuficiente para definição plena do momento do fato gerador, pois apenas denota a materialidade da hipótese legal, mas não o tempo em que se considera ocorrida tal materialidade. Além disso, ponderese que a Instrução Normativa 38/1996 previa que os lucros seriam reconhecidos quando disponibilizados, de acordo com o regime de caixa: Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 1996 os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, observadas as disposições desta Instrução Normativa. ......................................................................................................... Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do períodobase, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados. § 1º Consideramse disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. CAIXA A existência de Instrução Normativa dispondo sobre o assunto impediu os agentes da Receita Federal do Brasil de efetuar o lançamento tributário de Imposto de Renda sob o regime de caixa, além de orientar a interpretação pelos particulares. Não obstante isso, tal disposição de Instrução Normativa não tem previsão legal, inexistindo regra clara a respeito da definição do momento da ocorrência do fato gerador, com a definição do momento em que se considera disponibilizado o lucro, se pelo regime de caixa ou regime de competência. Acrescentese que a regra geral do IRPJ é a ocorrência de fato gerador pelo regime de competência, o que reforça a insegurança a respeito do momento da ocorrência do fato gerador no caso dos autos. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 Exatamente por isso não me sensibiliza a alteração do artigo 43, do Código Tributário Nacional, ao incluir o §2º no citado artigo, para então autorizar, na hipótese de receita oriunda do exterior, que “a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo.” Afinal, mesmo antes da alteração do artigo 43, o legislador ordinário poderia definir a tributação do IRPJ pelo regime de competência, como de fato o fez com relação a muitas outras hipóteses de incidência deste imposto. Vale ressaltar, por fim, que a Lei nº 9.532/1997 – posterior aos fatos tratados nestes autos – regulou a tributação dos lucros no exterior, definindo o regime de caixa, portanto, solucionando a indefinição legal de momento da ocorrência do fato gerador, conforme seu artigo 1º, §1º, verbis: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: ......................................................................................................... b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. No entanto a Lei nº 9532/1997 não é aplicável aos fatos ocorridos entre 1996 e 1997, em observância aos princípios da irretroatividade e da anterioridade. Diante disso, pelas conclusões, acompanho o voto da Ilustre Relatora, para aplicar a Súmula CARF nº 78, mas ressalvando meu entendimento pessoal a respeito da falta de critério legal para definição do momento da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 794DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado dig italmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13851.001449/2003-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PESSOA INCOMPETENTE. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância proferida por pessoa incompetente.
Decisão Anulada
Numero da decisão: 3302-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão proferida pela Unidade Preparadora por meio do Despacho Inominado de folhas 155.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 15/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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PESSOA INCOMPETENTE. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância proferida por pessoa incompetente. Decisão Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão proferida pela Unidade Preparadora por meio do Despacho Inominado de folhas 155. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório A SECAT Seção de Controle e Acompanhamento Tributário, da Delegacia da Receita Federal em Araraquara, assim relata os fatos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 14 49 /2 00 3- 77 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Tratase impugnação ao Auto de Infração n° 1453, lavrado em 17/06/2003, referente à COFINS, 1° e 2° trimestre de 1998, inclusive o período de apuração de julho/1998, de tudo conforme fls. 130/138. Em que o contribuinte alega que o crédito tributário apontado no Auto de Infração restou decaído e caso seja a tese insubsistente que os débitos foram compensados através de medida judicial pleiteado nos autos do mandado de segurança n° 97.03027920, bem como a inaplicabilidade da taxa SELIC como índice de correção monetária. Distribuído em 03/03/1997, 1º Vara Federal de Ribeirão Preto, no qual visava o direito de compensar os recolhimentos indevidos ao extinto FINSOCIAL, instituído pelo DL 1940/82, excedentes à alíquota de 0,5% (meio por cento), efetuados nos moldes das Leis nº 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, recolhidos a partir de outubro/1989, com débitos administrados pelo FISCO, nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91, sem as limitações impostas pela IN 67/92. Na ação judicial foi verificado julgamento favorável permitindo a compensação do indébito com parcelas vencidas e vincendas de COFINS. A questão da apuração do indébito foi processada nos autos da representação nº 13851.000390/200308, que homologou parcialmente até o limite do direito creditório as compensações sem darf realizadas pela empresa quanto aos períodos de apuração de dezembro/96 a novembro/97 (períodos de janeiro/97 a novembro/97 encontramse relacionados na Per/Dcomp n° 06740.29290.050304.1.3.570097, fls. 133/141). No entanto, diante da insuficiência de direito à compensação dos períodos de apuração de outubro/1997 (PARCIAL) e novembro/1997 houve o prosseguimento da cobrança administrativa à contribuinte. Naquela ocasião também analisados os períodos de janeiro a julho/1998 referentes ao presente auto de infração, entretanto, não homologados à mercê da insuficiência de direito creditório e assim conforme despacho visto por cópias às fls. 144/151, encerrado o controle dos débito por ausência de previsão legal. Também verificado que a empresa declarou o período de apuração outubro/1998, no valor de R$ 36.985,18, n. 49, vinculado aos autos do mandado de segurança n° 97.03047831, 4º Vara Federal de Ribeirão Preto, matéria trabalhada na representação n° 13851.720030/200407, onde se apurou suficiência de direito creditório apenas para débitos de PIS. A ementa foi a seguinte. IMPUGNAÇÃO, DECADÊNCIA, INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO JUDICIAL, DIREITO CREDITÓRO. 1NSUFICIÊCIA. SELIC. LEGALIDADE. MULTA OFÍCIO. EXCLUSÃO. JULGAMENTO 1NIPROCEDENTE. Insatisfeita com a decisão, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13851.001449/200377 Acórdão n.º 3302002.940 S3C3T2 Fl. 3 3 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Como se vê, tratase de Auto de Infração Eletrônico nº 0001453, para exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Às folhas 155 e seguintes encontrase Despacho inominado, de lavra da SECAT Seção de Controle e Acompanhamento Tributário, da Delegacia da Receita Federal em Araraquara, que, ao final, assim conclui. Portanto, diante do exposto, decidese elo INDEFERIMENTO da impugnação apresentada às fls. 01/17, quanto ao auto de infração n° 1453, lavrado cm 17/06/2003, referente à COFINS, 1º e 2° trimestre de 1998, inclusive o período de apuração de julho/1998, fls. 130/138, por inexistência de ilegalidade ou de questões de mérito a serem examinadas, concluindose pela ausência do fundamento de validade do presente recurso. No entanto, em virtude de revisão administrativa, excluise a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Prossigase na cobrança administrativa, que, em caso de infrutífera, os autos deverão ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional em Araraquara para cobrança executiva. (...) Encaminhese à contribuinte para ciência e aguardese efetivação do pagamento ou parcelamento, em caso negativo, encaminhe os débitos para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo após, às folhas 185 e seguintes, localizase o Recurso Voluntário do contribuinte. Houve desistência parcial da lide, que, contudo, conforme despacho às folhas 321, não afeta a integralidade do crédito neste controvertido. Posto isto, necessário dizer, apenas, que o julgamento em primeira instância do crédito tributário constituído em auto de infração compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e não às Unidades Preparadoras. VOTO por declarar nulo o processo a partir do Despacho inominado de folhas 155 e seguintes, inclusive. O processo deve retornar à Unidade de Origem, que deverá determinar os trâmites para envio do mesmo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que seja examinada a impugnação do contribuinte ao lançamento e proferida decisão de primeira instância administrativa. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 399DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10805.723349/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.270 1 1.269 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.723349/201334 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.291 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 9 de dezembro de 2015 Assunto Conversão em diligência Recorrente PROTEGE S.A. PROTEÇÃO E TRANSPORTE DE VALORES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório PROTEGE S.A. PROTEÇÃO E TRANSPORTE DE VALORES, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1264.319, de 26/03/2014, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 23 34 9/ 20 13 -3 4 Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.723349/201334 Resolução nº 1301000.291 S1C3T1 Fl. 1.271 2 Do lançamento O presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela DRF Santo AndréSP e cientificados à interessada acima qualificada em 28/11/2013 (fls. 763): de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 6.316.728,08, e Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, no valor de R$ 2.274.022,11, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 738/747, decorre de glosa de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL de períodosbase anteriores compensados indevidamente, no montante de R$ 25.266.912,33 cada, uma vez que inexistentes no anocalendário de 2008, conforme Sistema de Acompanhamento do Prejuízo Fiscal, do Lucro Inflacionário e da Base de Cálculo Negativa da CSLL – SAPLI. A insuficiência foi resultado da glosa de exclusões no anocalendário de 2001, do montante de R$ 56.040.708,11, referente a “Complem. Provisão Refis de março/2000”, uma vez que indedutíveis naquele anocalendário, e de exclusões no anocalendário de 2000, pelo mesmo motivo, que resultaram em lucro real naquele ano, no valor de R$ 25.975.596,35, conforme constatado quando da apreciação de declarações de compensação apresentadas pela interessada tendo como crédito Saldo Negativo de CSLL dos anoscalendário de 1999 e 2000 (processos 10805.000681/2006081 e 10805.000682/2006442). Constatações da mesma natureza foram feitas quando da análise de declaração de compensação de crédito de pagamento indevido / saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 (processo nº 10805.900686/200622), ocasião em que foi analisada a base de cálculo dos tributos e contribuições declaradas. Desta forma, os resultados da interessada ajustados, constantes no SAPLI, resultaram, como já dito, na inexistência de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL em 31/12/2007, que embasou a autuação objeto do presente processo para glosa de compensações dos mesmos em 31/12/2008: A inexistência de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL por motivo dos ajustes nos anos de 2000 e 2001 já resultaram também na glosa de compensações nos anoscalendário de 2007 e 20083, objeto dos processos nºs 10805.722001/201249 e 10805.721977/201202, cujas impugnações foram julgadas improcedentes nesta instância administrativa, pelos Acórdãos nºs 0539.732 e 0539.731 da Delegacias da Receita Federal do Brasil de JulgamentoDRJ CampinasSP, em 10/01/2013. [...] Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 27/12/2013, sua impugnação de fls. 772/825, na qual descreve a autuação, argui a tempestividade, e alega, em síntese: Que estaria decaído o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento, defendendo a tese de que não poderia a autoridade fiscal rever informações já atingidas pela homologação tácita, quando do lançamento relativo à parcela de prejuízos compensados em 2008 e provenientes dos anoscalendário de 2000 e 2001. 1 O número correto é 10805.900681/200608. 2 O número correto é 10805.900682/200644. 3 Correção: anoscalendário de 2007 e 2009. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.723349/201334 Resolução nº 1301000.291 S1C3T1 Fl. 1.272 3 Nesse sentido, sustenta que se o Fisco discordasse do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL dos períodos pretéritos, deveria têlos contestado àquela época, dado que a decadência torna imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo mais ser alterados, quer pelo Fisco quer pelo contribuinte. Cita jurisprudência do CARF. Alega ainda que, transcorrido o prazo de que tem direito o Fisco de contestar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa, o contribuinte passa a ter o direito à manutenção dos valores indicados a tais títulos, mesmo que tenham sido formados irregularmente, não podendo mais ser glosados pela fiscalização os valores então apurados há mais de cinco anos, sob pena de desrespeito ao artigo 150, parágrafo 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN). Cita jurisprudência administrativa para ampliar seu raciocínio, acrescentando que o prazo decadencial não se inicia com o aproveitamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, e, sim, da data da sua apuração, dispondo, assim, o Fisco, de cinco anos a partir da apuração para verificar os critérios utilizados na quantificação dos valores e, eventualmente, glosálos. Revela que, similarmente ao tema aqui defendido, foi editada a Súmula CARF nº 10, pela qual o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais fixou o entendimento que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração. Concluindo este tópico, pelas razões expostas, assevera ser insubsistente a autuação fiscal, por não serem passíveis de contestação o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL dos anoscalendário de 2000 e 2001 por meio de auto de infração cientificado em 28/11/2013. Argui a nulidade por vício de motivação, uma vez que a ausência da correta motivação no lançamento prejudicaria seu direito de defesa, gerando a nulidade dos autos de infração nos termos do art. 10, inciso III, cominado com o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, Processo Administrativo FiscalPAF. Tais vícios seriam a dificuldade de delimitar e enfrentar a acusação fiscal e seus fundamentos, uma vez que: (1) o TVF não teria uma acusação completa e descrição dos fatos, mas sim a transcrição de diversos “pedaços” de outros processos, sem a explicação dos motivos pelos quais o Fiscal concorda com as informações por ele transladadas; (2) o lançamento não poderia dar certeza e liquidez à obrigação tributária sem ter fixado a sua origem (despesas indedutíveis ou equívoco no momento de dedução de despesas); (3) o Fiscal teria incorrido em contradições como a do momento de dedução das despesas com Refis. Discorre que em 2000 aderiu ao Programa de Recuperação FiscalREFIS, reconhecendo débito no montante de R$ 136.612.861,62, sendo dedutíveis R$ 125.854.939,82, uma vez que R$ 10.757.921,80 seriam de multas indedutíveis, lançando equivocadamente em 2000 apenas uma parte deste montante (R$ 69.814.231,71), excluindo no Livro de Apuração do Lucro RealLALUR do ano seguinte de 2001 o restante do valor, uma vez que se tratava de despesa de exercício anterior. Protesta que o Fiscal teria se apegado ao histórico indicado no Lalur (“Complem. Provisão Refis de março/2000”), concluindo se tratar aquele valor de uma mera provisão, não tendo em momento algum contestado o valor, a natureza ou a origem das despesas, tendo como único fundamento considerar que as despesas com REFIS Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.723349/201334 Resolução nº 1301000.291 S1C3T1 Fl. 1.273 4 representariam provisões, por conseguinte, indedutíveis, quando as mesmas, a seu ver, seriam dedutíveis, à luz do art. 41 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Quanto ao período de contabilização das despesas, alega que: Não pode prosperar a fundamentação dos autos de infração de que se aplicaria ao parcelamento o regime de caixa, uma vez que os arts. 7º e 8º da Lei nº 8.541/1992 foram revogados tacitamente pela Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, também não prosperando os autos de infração ao mencionarem que se aplicaria ao parcelamento o § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995, pois a interpretação sistemática da legislação sobre o tema faz concluir que o dispositivo aplicável é o caput do mesmo artigo, já tendo a Receita Federal do Brasil se manifestado sobre o tema, por meio da Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004 e pela Solução de Consulta Interna Cosit nº 9, de 18 de junho de 2012, que tornaram incontestável que o regime de dedução aplicável ao parcelamento é o de competência, considerandose para tanto o momento da adesão. Demonstra a impossibilidade de se deduzir as despesas com tributos nos períodos dos fatos geradores. Para tanto, apresenta planilha de fls. 803/804 com os débitos incluídos no REFIS, destacando que aqueles anteriores a janeiro de 1995 não poderiam ter sido deduzidos nos períodos dos fatos geradores por proibição do art. 5º da Lei nº 8.541/1992. Quanto aos débitos restantes, os mesmos não teriam sido deduzidos à época dos fatos geradores por não terem sido reconhecidos, só tendo a interessada tomado conhecimento deles após a ciência da lavratura dos seus respectivos autos de infração, tendo posteriormente continuado indedutíveis, até o parcelamento, uma vez que suspensos por contencioso (art. 151, inciso III, do CTN). Protesta que somente em março de 2000, pela adesão ao REFIS é que teria reconhecido por confissão irrevogável e irretratável tais débitos, com desistência das respectivas ações, quando então não mais se aplicaria a vedação contida no art. 41, § 1º da Lei nº 8.981/1995, sendo este o correto momento de sua dedução. Alega que não teria ocorrido prejuízo ao erário (§§ 4º 6º do art. 6º do DecretoLei nº 1.598/77), uma vez que se as despesas tivessem sido deduzidas em período “errado”, não poderia a mesma ser analisada isoladamente, mas em conjunto com as demais competências, incluindo o período “certo”. Quanto a isso, não teria ocorrido postergação de receita ou adiantamento de despesas, mas sim postergação de despesa e aumento indevido do lucro no períodobase referente à mesma, o que seriam “meras inexatidões contábeis, sem efeitos tributários”. Protesta que, devendo a escrita fiscal ser reequilibrada, o Fiscal deveria ter recomposto o resultado dos períodos anteriores, apontando eventuais diferenças cobráveis, o que não ocorreu, mas tão somente a extirpação das despesas com Refis e não inclusão das mesmas em nenhum anobase, o que ocasionou a revisão equivocada do SAPLI. Alerta que o SAPLI é mero sistema de acompanhamento de informações pelo Fisco, alimentado com informações do próprio contribuinte em sua Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ e sempre passível de revisão mediante prova do contribuinte. Quanto a isso, protesta que a revisão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL se deu por meio indireto, em consequência de decisões no âmbito de Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.723349/201334 Resolução nº 1301000.291 S1C3T1 Fl. 1.274 5 PER/DCOMP, cujo cerne não foi tal revisão, não podendo a DIORT ter abordado tal tema frontalmente, por fugir à sua competência, conforme Portaria MF nº 203/2012, não havendo nas decisões dos PER/DCOMP nenhuma ordem direta de glosa de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, tendo tal fato apenas constado como fundamento de tais decisões, nem intimação para que a contribuinte refaça sua escrita fiscal. Assim, protesta que, diante dos evidentes erros contidos no SAPLI, deve o mesmo ser revisto. Ao final, repete resumidamente os argumentos acima, protestando que: (1) em caso de empate de votos dos julgadores, seja aplicado o art. 112 do CTN, favorecendo se o contribuinte; (2) todas as intimações e notificações sejam também enviadas aos procuradores da interessada; (3) sejam aceitos todos os meios de prova em Direito admitidos, notadamente a juntada de novos documentos e sustentação oral. A 2ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1264.319, de 26/03/2014 (fls. 1023/1046), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS. DECADÊNCIA. Constatadas ocorrências que reduzem os prejuízos fiscais declarados em anos anteriores, cabe ao fisco atualizar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais erros nas compensações efetuadas nos períodos subseqüentes e lançar as diferenças encontradas nos períodos ainda não abarcados pelo prazo decadencial. PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anteriores, mantémse a glosa do valor indevidamente compensado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.723349/201334 Resolução nº 1301000.291 S1C3T1 Fl. 1.275 6 SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. DECADÊNCIA. Constatadas ocorrências que reduzem os prejuízos fiscais declarados em anos anteriores, cabe ao fisco atualizar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais erros nas compensações efetuadas nos períodos subseqüentes e lançar as diferenças encontradas nos períodos ainda não abarcados pelo prazo decadencial. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anteriores, mantémse a glosa do valor indevidamente compensado Ciente da decisão de primeira instância em 04/04/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1051, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/05/2014 conforme carimbo de recepção à folha 1053. No recurso interposto (fls. 1053/1112), a recorrente reitera, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação, reforçados, desta feita, com pareceres da lavra do Prof. Eliseu Martins e da Dra. Sandra Maria Faroni. A interessada acrescenta a informação de que a autuação do processo administrativo nº 10805.721977/201202 (glosa por compensação indevida de prejuízos fiscais no anocalendário 2009) já teria sido cancelada pelo CARF, em julgamento ocorrido em 18/02/2014. Também por esse motivo, pede o cancelamento do lançamento deste processo (ano calendário 2008) e também daquele que trata do anocalendário 2007. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL, por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. A infração apurada pelo Fisco foi a compensação indevida de prejuízos fiscais (IRPJ) e de bases de cálculo negativas (CSLL) de períodos anteriores. No entender da fiscalização, a compensação seria indevida por inexistentes os prejuízos e bases negativas empregados pelo contribuinte. Desde o lançamento, havia ficado evidenciado que a diferença entre o controle do Fisco (sistema SAPLI, extrato às fls. 494/508) e o controle do contribuinte (demonstrativo à fl. 602) tinha origem em procedimentos anteriores, nos autos dos processos administrativos nº 10805.900681/200608 e 10805.900686/200622. Cuidam aqueles processos de declarações de Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.723349/201334 Resolução nº 1301000.291 S1C3T1 Fl. 1.276 7 compensação, nas quais os direitos creditórios alegados pela interessada eram, respectivamente, os saldos negativos de CSLL e IRPJ apurados no anocalendário 2000. Em cada um daqueles processos, a Autoridade Administrativa competente procedeu à revisão das bases de cálculo de cada um dos tributos, revertendo o resultado, que passou de base de cálculo negativa de CSLL para CSLL a pagar (e, respectivamente, de prejuízo fiscal para IRPJ a pagar). Com isso, os direitos creditórios não foram reconhecidos e não foram igualmente homologadas as compensações ali declaradas. Na sequência, o Fisco também promoveu as alterações no sistema SAPLI, de modo a refletir a inexistência de bases negativas de CSLL e de prejuízos fiscais naquele anocalendário de 2000. 4 Por relevante, informo, desde já, que o processo nº 10805.900681/200608 teve seu recurso voluntário julgado em 25/03/2015, sendo proferido o acórdão nº 1201001.186, dando provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte. A Fazenda Nacional não interpôs recurso da parte que lhe foi desfavorável. Segundo consulta ao sistema eprocesso, em 04/12/2015, o processo foi encaminhado à Unidade Local para ciência ao contribuinte do acórdão de segunda instância. Quanto ao processo nº 10805.900686/200622, foi inicialmente distribuído para a 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Em 25/03/2015 foi prolatada a Resolução nº 1801000.387, mediante a qual aquele Colegiado declinou da competência de julgamento em favor da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Seu fundamento foi a constatação de que o processo nº 10805.900681/200608, que seria principal, já havia sido previamente distribuído para aquele outro Colegiado. No entanto, ao se constatar posteriormente que o outro processo já havia sido julgado, o cumprimento da resolução restou prejudicado. Com a extinção das Turmas Especiais, o processo se encontra aguardando novo sorteio para apreciação do recurso voluntário (situação constatada mediante consulta ao sistema eprocesso em 04/12/2015). Como se observa, pelo menos no que toca ao anocalendário 2000, a origem das diferenças objeto de discussão no presente processo reside em outros processos. Por certo que, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que vier a ser decidido lá. Se, por hipótese, vier a ser decidido nos outros processos pela improcedência dos ajustes feitos pelo Fisco e pela correção do quanto apurado pelo sujeito passivo, isso implicará diretamente o restabelecimento dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL do anocalendário 2000, com efeitos sobre as glosas de compensações no anocalendário 2008, aqui discutidas. Caso, na hipótese contrária, lá vier a ser decidida a correção dos ajustes do Fisco, a decisão aqui deverá ser pela procedência das glosas em 2008. Com essas considerações, tenho por claro que não se há de examinar, neste processo, questões discutidas nos outros processos, especificamente acerca da correção ou não dos ajustes feitos pelo Fisco na apuração do resultado do anocalendário 2000. A correção ou não de tais ajustes é objeto dos processos nº 10805.900681/200608 (CSLL) e nº 10805.900686/200622 (IRPJ). Lá é que foi feita a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário 2000 e, por isso mesmo, lá é o foro adequado para essa discussão. 4 O Termo de Verificação Fiscal também faz referência ao processo nº 10805.900682/200644. Há cópia do acórdão proferido pela DRJ às fls. 621/642 deste processo. A matéria ali discutida é o saldo negativo da CSLL no anocalendário 1999. Ao que se pode depreender, haveria alguma influência desse saldo negativo na apuração do saldo negativo do ano seguinte (2000), objeto do processo nº 10805.911861/200608. Segundo o sistema COMPROT, o processo está no Arquivo Geral da SAMFSP desde 27/09/2010. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.723349/201334 Resolução nº 1301000.291 S1C3T1 Fl. 1.277 8 A situação sob exame, à luz do Regimento Interno do CARF em vigor, pode ser caracterizada como “decorrência”, tal como prevê o art. 6º do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. [...] Para o processo nº 10805.900681/200608, já julgado em segunda instância, nada há a fazer a não ser aguardar o trânsito em julgado administrativo, para, a seguir, fazer refletir neste processo os efeitos do quanto lá decidido. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.723349/201334 Resolução nº 1301000.291 S1C3T1 Fl. 1.278 9 No que toca ao processo nº 10805.900686/200622, que se encontra aguardando sorteio de relator para julgamento de recurso voluntário, tenho que é aplicável o § 3º do art. 6º do Anexo II do RICARF, acima transcrito. Em face da decorrência aqui constatada, o processo deve ser requerido ao setor competente do CARF. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. O processo nº 10805.900686/200622 seja distribuído a este Relator, independentemente de sorteio, para relato e julgamento do recurso voluntário ali interposto. Esta providência não depende do cumprimento das providências dos itens 2, 3 e 4, abaixo. 2. Independentemente do cumprimento da providência 1, acima, os autos deste processo sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa dos processos nº 10805.900681/200608 e nº 10805.900686/200622. 3. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia das decisões definitivas na instância administrativa dos processos nº 10805.900681/200608 e nº 10805.900686/200622. 4. A Unidade Preparadora faça acostar aos autos extrato do sistema SAPLI, atualizado após o cumprimento das decisões definitivas na instância administrativa dos processos nº 10805.900681/200608 e nº 10805.900686/200622 Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003910/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1202-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar a decisão proferida no Processo nº 19647.013200/2004-97.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Luis Tadeu Matosinho Machado, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar a decisão proferida no Processo nº 19647.013200/2004-97. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Luis Tadeu Matosinho Machado, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Relatório
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar a decisão proferida no Processo nº 19647.013200/200497. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Luis Tadeu Matosinho Machado, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 03 91 0/ 20 06 -7 1 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19647.003910/200671 Resolução nº 1202000.162 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP apresentadas em 13/02/2004, 20/02/2004, 12/03/2004, 31/03/2004 e 15/06/2004 (fls. 01/04; 05/08; 09/12; 13/16 e 17/20), em que o contribuinte declarou a compensação de diversos débitos de anos calendários posteriores com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, exercício de 2002, no total de R$ 11.924.782,20. A DRF/RecifePE não homologou a compensação pretendida, conforme o Relatório de Diligência Fiscal (fls.2224), por considerar que os créditos alegados, relativos a pagamentos por estimativa e a retenções na fonte, foram integralmente utilizados para compensar débitos apurados em auto de infração formalizado no processo nº 19647.013200/200497, referente ao mesmo tributo e mesmo anocalendário, consoante item 2.6 do Termo de Verificação Fiscal (fl.25). Na manifestação de inconformidade, o contribuinte pediu a homologação da compensação, alegando, em síntese, que: i) a declaração de compensação foi apresentada antes da lavratura do auto de infração, o que confirma o direito creditório à época da declaração e, ii) o débito lançado no auto de infração está com a exigibilidade suspensa em face de recurso voluntário interposto contra a decisão de primeira instância. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, consignando que “nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Cientificado dessa decisão em 25/02/2009 (cfe AR, fl.155), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 26/03/2009 (fls.156 e ss.), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, e acrescenta: “caso porém se entenda que as declarações de compensação só poderiam ser homologadas caso provido o recurso do Recorrente interposto nos autos do processo administrativo n° 19647.013200/200497, requer então seja sobrestado o julgamento do presente feito, ou suspensa a exigibilidade do crédito tributário”. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19647.003910/200671 Resolução nº 1202000.162 S1C2T2 Fl. 4 3 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. Conforme relatado, a interessada pleiteou a compensação de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2001, exercício de 2002, com débitos tributários de outras espécies vencíveis em períodos posteriores. Ocorre que, antes que fosse apreciada a pretendida compensação, a contribuinte foi alvo de fiscalização promovida pela Delegacia da Receita Federal em Recife, incluindo o anocalendário de 2001, que ensejou o lançamento do auto de infração formalizado no Processo nº 19647.013200/200497, no qual foi procedida a compensação de ofício do imposto apurado com os valores de Imposto de Renda pago por Estimativa e Imposto de Renda Retido na Fonte, registrados em suas DIPJs dos exercícios de 2002 e 2003. De acordo com a autoridade fiscal, o saldo negativo do IRPJ antes apurado pela contribuinte revelouse incorreto, pois as antecipações mensais e as retenções na fonte foram integralmente absorvidas pelo lucro apurado de ofício. A decisão recorrida, por sua vez, sustentou que mesmo que o auto de infração ainda não houvesse sido julgado nesta instância, haveria de ser mantida a decisão denegatória do crédito suplicado. Isto porque, à época do despacho, já fora lavrado o auto de infração, tendose então a circunstância de que, naquele momento, como agora, inexistiam créditos líquidos e certos a amparar a compensação pleiteada, em face do que se tinham por não atendidos os pressupostos estabelecidos no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. (destacouse) A recorrente insiste em argumentar que, por ser a PER/DCOMP anterior à lavratura do Auto de Infração, deve prevalecer a compensação declarada, visto que, na data em que protocolizada, o crédito “efetivamente existia”. De fato, a compensação deve obedecer ao disposto no art. 170 do CTN, acima transcrito. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19647.003910/200671 Resolução nº 1202000.162 S1C2T2 Fl. 5 4 Já o art. 2º da Lei nº 9.430/96 determina o procedimento de apuração do saldo de imposto a pagar ou a restituir ao final do período, a partir das antecipações mensais ocorridas durante o anocalendário: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...] III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. A mesma Lei nº 9.430/96, dispõe sobre a homologação da compensação tributária declarada pelo contribuinte, prevendo um prazo para que a Administração Tributária se manifeste: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (destacouse) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19647.003910/200671 Resolução nº 1202000.162 S1C2T2 Fl. 6 5 O legislador estabeleceu que a compensação de qualquer crédito, inclusive resultante da apuração do “Saldo Negativo de IRPJ”, é declarada sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesse sentido, compete à autoridade fiscal realizar diligências com vistas à confirmação da liquidez e certeza do crédito pleiteado através da compensação, antes de esgotado o prazo de homologação, quando, por meio da denominada homologação tácita, serão considerados extintos os débitos tributários compensados, na forma do art. 156, inciso II, do CTN. No presente caso, vale observar que a autoridade fiscal, ao proceder ao lançamento relativo ao ano calendário de 2002, recompôs o lucro no respectivo período utilizando os valores relativos ao IRRF e os valores pagos por estimativa correspondentes ao mesmo período utilizado na apuração do saldo negativo informado na PER/DCOMP. O auto de infração formalizado no processo nº 19647.013200/200497 foi reduzido pela compensação do IRPJ pago por estimativa e do IRRF lançados nas DIPJ, nos anos calendários de 2001 e 2002, conforme Fichas 12A, linha 18 – Imposto de Renda a pagar, nos valores apurados de R$ (11.413.421,21) e R$ (11.924.782,29), respectivamente. Assim, não procede a alegação da recorrente de que apresentação da PER/DCOMP se deu antes da formalização do auto de infração em comento e que, por isso, deveria prevalecer a compensação declarada, independentemente do resultado do julgamento daquele processo. Quando da verificação da procedência do crédito utilizado na PER/DCOMP – Saldo Negativo de IRPJ, a autoridade fiscal apurou IRPJ a pagar, após deduzidas todas as antecipações efetuadas no período, em função da verificação de exclusões indevidas nos anos calendário 2001, 2002 e 2003. Ao proceder dessa forma, a Administração Tributária sinaliza que o crédito alegado pela recorrente não é o que ela informou na PER/DCOMP, mas aquele que a fiscalização apurou, que, no caso concreto, corresponde à inexistência de crédito. Na desconstituição do crédito alegado pela recorrente com a apuração de IRPJ a pagar, como em todas as manifestações decorrentes da relação Fiscocontribuinte, a decisão da Administração comporta recurso. A recorrente argumenta que não há que se falar em “efetiva utilização do crédito para compensação de débitos tributários” enquanto não houver a constituição definitiva do auto de infração impugnado. Nesse sentido, tem razão. Definida a “compensação”, pelo legislador, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II, do CTN), sua homologação exige que seja pautada em créditos líquidos e certos, a teor do art. 170 do CTN, já referido. Tendo sido constatado que o crédito utilizado na PER/DCOMP anexada ao processo é, em razão de auto de infração, inexistente, não cabe neste momento reconhecêlo como válido, nem tampouco como inválido, enquanto não se tornar definitivo o lançamento que resultou em IRPJ a pagar, visto que poderá ser restabelecido, total ou parcialmente, o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, caso seja considerado improcedente ou parcialmente procedente o lançamento. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19647.003910/200671 Resolução nº 1202000.162 S1C2T2 Fl. 7 6 Essa conclusão decorre da premissa de que o processo administrativo fiscal deve obedecer aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, sob pena de invalidade dos atos nele praticados. O crédito tributário apurado pelo fisco no processo nº 19647.013200/200497, assim como o crédito tributário indevidamente compensado na PER/DCOMP em análise neste processo, encontramse com a exigibilidade suspensa, por força do art. 151 do CTN, até que sejam definitivamente julgados. O recurso voluntário apresentado pelo contribuinte no processo 19647.013200/200497 já foi submetido à análise da 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que, através do Acórdão nº 1201000.285, de 09/07/2010, deu provimento parcial ao recurso, determinandose à unidade de os respectivos ajustes no saldo de prejuízos fiscais e bases negativas do contribuinte (itens 2.5, 2.6, 3.1 e 3.2 do termo de verificação fiscal). Atualmente, o referido processo encontrase aguardando a análise da admissibilidade do recurso especial apresentado pela PGFN. Considerandose a suspensão da exigibilidade da exigência no processo 19647.013200/200497, resta prejudicada a verificação da compensação declarada pela recorrente neste processo. Aplicase ao presente caso, subsidiariamente, a regra de direito processual civil que determina a suspensão do processo “quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente” (art. 265, inciso IV, alínea “a”, do Código de Processo Civil). Em vista disso, deve ser convertido o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva sobre o crédito, a ser exarada no processo nº 19647.013200/200497, para, em seguida, devolver os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento da compensação. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 280DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 16403.000061/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-001.984
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Isabela Tralli, OAB/SP nº 198772.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Isabela Tralli, OAB/SP nº 198772. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 234 1 233 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16403.000061/200759 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.984 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria COFINS Recorrente INTERNATIONAL PAPER COMÉRCIO DE PAPEL E PART ARAPOTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Isabela Tralli, OAB/SP nº 198772. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 00 61 /2 00 7- 59 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação. Os créditos pleiteados pela Recorrente têm origem em contribuições de PIS e COFINS apurados na sistemática da não cumulatividade. A auditoria fiscal realizada pela Unidade de Origem concluiu pela não reconhecimento do direito creditório, por considerar que não foram comprovados documentalmente os créditos alegados. O relatório fiscal informa que foram realizados intimações para que a Recorrente apresentasse os documentos e esclarecimentos necessários a comprovação dos créditos, entretanto, apesar das prorrogações de prazos concedidas não foi entregue toda a documentação necessária, ensejando no indeferimento do pleito da Recorrente. Irresignada com a decisão da Receita Federal, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando a procedência dos créditos, que foram assim resumidas no relatório da primeira instância. No item “I Dos fatos”, esclarece que, entre outras atividades, industrializa e comercializa, no mercado interno, papel sujeito à alíquota zero de PIS e Cofins, com 0 que acumularia créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados e consumidos no processo produtivo desse produto, levandoa a protocolizar pedido de ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, aqui em debate; comenta que 0 fisco intimoua a apresentar uma série de documentos (intimação fiscal n.° 202/2008); agrega que em face do excessivo volume de documentos requeridos, apresentou pedido de dilação de prazo, requerendo mais 20 dias para cumprir a exigência fiscal, O qual foi parcialmente deferido com a concessão de 10 dias (Comunicado n.° 426/2008); sustenta que não obstante essa prorrogação do prazo, ainda assim não teria tido tempo suficiente para apresentar a “longa” lista de documentação e na forma estabelecida pela intimação fiscal; em razão disso, o fisco emitiu o despacho decisório impugnado, com o que não concorda. Sob o titulo “Da ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa”, após citar o art. 2° da Lei n.° 9.784, de 1999, do qual destaca a necessidade de a administração pública obedecer aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa e do contraditório, alega que, no caso, o tempo concedido pela autoridade a quo foi exíguo, em face do volume de documentos solicitados, frisando que não se negou a atender a requisição do fisco, apenas pedindo um tempo maior atendêla; dessa forma, entende não ser razoável e tampouco proporcional o fisco negar o pedido de dilação do prazo, e simplesmente Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000061/200759 Acórdão n.º 3201001.984 S3C2T1 Fl. 235 3 indeferir seu pedido de ressarcimento e não homologar as declarações de compensação; registra ainda que os livros obrigatórios sempre estiveram a disposição da autoridade fiscal. Na sequência, faz comentários sobre os princípios constitucionais do direito a ampla defesa e da nãoprivação de seus bens, fazendo citação da jurisprudência e da doutrina, e mencionando o art. 5°, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988; argumenta, ainda, que o indeferimento de seu pleito, estaria ligado a fato cuja natureza é fundamental para a correta aplicação do direito (verificação se as aquisições de insumos e bens aplicados no processo de fabricação do papel sujeito à alíquota zero no mercado interno gerariam direito ao crédito de PIS e de Cofins, nos termos do art. 16 da Lei n.“ 11.ll6, de 2005, e poderiam ser utilizados na compensação, nos termos da legislação), entendendo que teria havido, assim, flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que lhe teria sido negado o direito à compensação pretendida sob o frágil argumento da não entrega de documentação para o fisco no prazo estipulado em intimação; insiste que o alegado direito de crédito, no presente caso, decorre da comprovação de fato relacionado à utilização de insumos e demais bens no processo produtivo de papel sujeito à alíquota zero, e, assim, para decidir sobre a eventual existência desse direito seria obrigatório 0 fisco entrar em contato direto com o fato a ser provado. No seguimento, requer o deferimento de perícia, posto que a mesma seria imprescindível para comprovar seu direito de crédito de PIS e Cofins, decorrente de aquisições de insumos e demais bens utilizados na fabricação de papel sujeito ã alíquota zero; quanto a isso, nomeia como assistente técnica a Contadora Ana Ribeiro Silva, CPF n.° 258.969.90855, com domicílio ã Rodovia SP 340, Km 171, CEP 13840970, Mogi Guaçu/SP, e formula quesitos a serem respondidos. ... Por fim, pede que seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, para declarar seu direito de compensar os alegados créditos de PIS e COFINS com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em face dos mesmos decorrerem da aquisição de insumos e demais bens utilizados na produção de papel cuja alíquota é zero; protesta pela realização de prova pericial, nos termos requeridos e requer, ainda, a juntada de CDRom que conteria toda a documentação solicitada pelo fisco, esclarecendo que a juntada dessa documentação em papel acarretaria um grande volume de documentos, o que dificultaria o manuseio do presente processo." Considerando a apresentação dos documentos e da juntada de CD, a Delegacia de Julgamento entendeu por bem, devolver em diligência o processo a DRF/Ponta Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Grossa para verificar se a documentação apresentada pela recorrente é suficiente para comprovar o direito creditório. Em atendimento a diligência determinada pela DRJ, a DRF/Ponta Grossa realizou intimações a Recorrente determinando a apresentação de documentos necessários a averiguação dos créditos. Foram feitos pedidos de prorrogação do prazo, em razão de alegada dificuldade da Recorrente em providenciar a documentação. A autoridade fiscal concedeu prorrogações ao prazo original, definindo a data final de 14/05/2010 para apresentação dos documentos. A recorrente ao final deste prazo pediu nova prorrogação. A fiscalização indeferiu o pedido e devolveu os autos a Delegacia de Julgamento, informando a impossibilidade de verificar o direito creditório, em razão de inconsistências e falta de apresentação integral dos documentos, que foi assim esclarecido no relatório de diligência. Tendo em vista as considerações supra, há que se considerar a impossibilidade de verificar o quantum do crédito pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista as inconsistências na documentação apresentada até o momento e a falta de apresentação da documentação restante. Destarte, proponho o encaminhado para a DRJCuritiba para prosseguimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “Assunto: CONTRIBUIÇAO PARA O FINANCMMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. , Se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, não se configura o cerceamento do direito de defesa. AFERIÇÃO DE ALEGADO DIREITO CREDITÓRIO. REABERTURA DE OPORTUNIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Reabrindose à interessada a oportunidade de fazer comprovação de seu alegado direito Creditório ao órgão originalmente competente para o avaliar, é de se indeferir o pedido de perícia que tem o mesmo propósito. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇAO DE CREDITOS. INTIMAÇAO. NAO ATENDIMENTO. Tendo sido a interessada devidamente intimada a comprovar a correção da utilização de alegados créditos, para fins de ressarcimento e compensação de tributos, e não tendo atendido a tal intimação de forma satisfatória, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000061/200759 Acórdão n.º 3201001.984 S3C2T1 Fl. 236 5 Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário alegando preliminarmente a nulidade da decisão, visto não ter sido intimada do resultado da diligência determinado pela Delegacia de Julgamento. Alega que a autoridade fiscal ao realizar a diligência deveria se ater unicamente aos documentos constantes do processo, quanto as demais questões de mérito suscitadas no recurso, repisa os argumentos apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merece análise a alegação de nulidade por falta de ciência do resultado da diligência determinada pela autoridade de piso. Nos termos determinados pela DRJ, o resultado da diligência deveria ser informado ao contribuinte e aberto prazo para sua manifestação, conforme se depreende do trecho abaixo, extraído do despacho que determinou a diligência. "Assim, tendo em vista que a interessada teria, em princípio, trazido aos autos os elementos que o órgão originariamente competente entendeu faltarem para análise originária dos créditos de Cofins Não Cumulativa Exportação, relativos ao 2° trimestre de 2006, entendese ser necessário o retorno do processo a DRF/Ponta Grossa, para que seja verificado se a documentação apresentada pela interessada Ó, de fato, suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que seja feita a preparação de demonstrativos que indiquem o eventual montante passível de ressarcimento, bem como quais débitos fiscais indicados nas declarações de compensação poderiam ser homologados. Dos trabalhos fiscais feitos, dar ciência à interessada, com reabertura de prazo para a apresentação de eventuais contrarrazões, e posterior envio do processo a este órgão julgador para prosseguimento"(grifo nosso) Considerando que não foi realizada a ciência ao contribuinte do resultado da diligência fiscal, resta configurada o cerceamento de direito de defesa, o que implica na nulidade da decisão da primeira instância. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 A matéria já foi enfrentada neste conselho, no Acórdão 310201.060, na seção do dia 02/06/2011, de relatoria do Conselheiro Alvaro de Arthur Lopes de Almeida Filho. "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA REJEITADA. Autorizada a apresentação da documentação fora do prazo definido na intimação fiscal. Ausência de intimação do resultado da diligência. Não atendimento ao despacho da DRJ. Preliminar do cerceamento do direito de defesa acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem para proferir a intimação da Recorrente sobre as conclusões da diligência fiscal, concedendo o prazo de 30 (trinta) dias para suas contrarrazões, em seguida os autos deverão ser encaminhados à DRJ para novo julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907111/2011-62
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/08/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/08/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 11 /2 01 1- 62 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 92), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.497, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 41725.48309.300605.1.2.041910, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472763). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 825,50, referente ao pagamento efetuado em 15/08/2002, de Cofins, código de receita 2172, no valor total de R$ 115.473,97. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 2172, do Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907111/201162 Acórdão n.º 3802004.174 S3TE02 Fl. 94 3 período de apuração de 31/07/2002, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/08/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 92), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907111/201162 Acórdão n.º 3802004.174 S3TE02 Fl. 95 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907111/201162 Acórdão n.º 3802004.174 S3TE02 Fl. 96 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Conclusão Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10882.001031/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
FALTA DE DECLARAÇÃO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É legítimo o lançamento de ofício de parte do IRPJ devido que não foi objeto de parcelamento nem de declaração em DCTF.
CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. TRAVA DE 30%.
A compensação de base negativa de períodos anteriores fica limitada a 30% do valor da base ajustada do período de apuração.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE PAGMENTO DA ESTIMATIVA. IRPJ. CSLL.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105).
Numero da decisão: 1302-001.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à CSLL devida no ajuste do ano-calendário 2002; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada aplicada sobre a estimativa de CSLL devida em dezembro/2002, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que dava provimento parcial ao recurso; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao IRPJ devido no ajuste do ano-calendário 2002; e 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada aplicada sobre a estimativa de IRPJ devida no ano-calendário 2002, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente Braslo Produtos de Carne Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 FALTA DE DECLARAÇÃO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. É legítimo o lançamento de ofício de parte do IRPJ devido que não foi objeto de parcelamento nem de declaração em DCTF. CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. TRAVA DE 30%. A compensação de base negativa de períodos anteriores fica limitada a 30% do valor da base ajustada do período de apuração. MULTA ISOLADA POR FALTA DE PAGMENTO DA ESTIMATIVA. IRPJ. CSLL. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à CSLL devida no ajuste do ano calendário 2002; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada aplicada sobre a estimativa de CSLL devida em dezembro/2002, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que dava provimento parcial ao recurso; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao IRPJ devido no ajuste do anocalendário 2002; e 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada aplicada sobre a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 10 31 /2 00 7- 38 Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 estimativa de IRPJ devida no anocalendário 2002, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0528.269 da 2ª Turma da DRJ/CPS, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade se o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e contêm todos os requisitos indispensáveis à sua validade, conforme disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto n° 70.235/72; nem aventar cerceamento do direito de defesa quando não se vislumbra que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe, confere para se defender. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ NATUREZA INFORMATIVA. DCTF DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DIPJ, instituída a partir do ano de 1999, tem natureza meramente informativa, determinando a legislação pertinente, para declaração de tributos e contribuições federais, a entrega pelos contribuintes da DCTF, a qual é adotada pela RFB como o instrumento de excelência para o controle e cobrança do crédito tributário, por ser veículo hábil de confissão de dívida. DECLARAÇÃO PAES. DÉBITOS NÃO CONSTITUÍDOS. Declaração PAES tem natureza de confissão de débitos apenas para contribuintes desobrigados da entrega de declaração específica, devendo os demais declarar os débitos ainda não constituídos na DCTF. FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO. A falta de declaração em DCTF de tributos e contribuições federais na modalidade de lançamento por homologação, bem como a insuficiência de recolhimento de valores devidos, justifica sua exigência pela autoridade fiscal por meio do competente Auto de Infração, com os consectários legais para a constituição do crédito tributário. Contudo, há que se recompor a diferença exigida na apuração de ajuste quando não computada estimativa recolhida. I MULTA ISOLADA. FALTA DE ANTECIPAÇÃO. TRIBUTO DEVIDO NO AJUSTE E MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.185 3 No caso de pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro real anual, cabível a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais devidas, independentemente da imposição de multa de oficio sobre o tributo exigido ao final do período. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Prevendo a legislação vigente na formalização do crédito tributário percentual de penalidade inferior ao aplicável na ocorrência da irregularidade, correta a aplicação da multa isolada no percentual de 50%, por força do princípio da retroatividade benigna. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão acima referida, a DRJ/CPS manteve os créditos de IRPJ e de multa isolada (por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre bases estimadas) e cancelou parte do crédito lançado de CSLL, pelo seguinte motivo: “Por outro lado, estando comprovado no Sistema SIEFPagamentos o recolhimento da estimativa de CSLL relativa ao mês de fevereiro/2002, no valor de RS 18.131,31, fl. 687, não computado como dedução na apuração realizada nos autos. Cabe recompor o demonstrativo elaborado pelo auditor fiscal à fl. 103 do Termo de Verificação Fiscal CSLL, passando o valor devido de contribuição social em 31/12/2002 a expressar a seguinte importância:...” Por essa razão, ao deduzir a estimativa paga no valor de R$ 18.131,31 do valor lançado (R$ 31.595,78), restou mantido o valor de R$ 13.464,47, logo, não houve interposição de recurso de ofício, em razão do valor exonerado ser menor que o limite de alçada. A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/03/2010 (cf. AR a fls. 1054) e interpôs recurso voluntário em 09/04/2010 (doc. a fls. 1055 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que conforme se verifica da r. decisão recorrida, a D. Autoridade Julgadora deixou de tratar das alegações tecidas pela ora Recorrente relativas à inclusão dos débitos no PAES sob o fundamento de que nos autos do Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES (Proc. Nº 10882.003105/200771) já teria sido proferida decisão indeferindo a solicitação; b) que apresentou o competente Recurso contra a r. decisão proferida pela D. Autoridade Administrativa nos autos do Proc. n° 10882.003105/200771, o qual aguarda julgamento; c) que a D. Autoridade Julgadora deixar de analisar as alegações trazidas pela Recorrente sob o fundamento de que há decisão proferida nos autos de outro processo que, sequer, pode ser considerada definitiva; d) que ao adotar referido procedimento, a D. Autoridade Julgadora acaba por conferir caráter imutável à decisão proferida por Autoridade Administrativa sem, sequer, garantir à ora Recorrente o seu direito ao duplo grau de jurisdição, em evidente cerceamento do direito de defesa; Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 e) que deve ser reconhecida a manifesta nulidade da r. decisão proferida pela D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância, determinandose o retorno dos autos para que seja proferido novo julgamento, com a análise integral das alegações tecidas pela ora Recorrente; f) que a decisão proferida pela D. Autoridade Julgadora também é nula em virtude da necessidade de baixa dos autos em diligência para apresentação de documentos que esta entenda necessários à complementação da comprovação das alegações da Recorrente; g) se verifica da r. decisão proferida, as "cópias parciais da Parte 'B' do livro LALUR, não são suficientes para confirmar incorreção na apuração da base de cálculo da CSLL em 31/12/2003, não havendo como desconsiderar a DIPJ/2003 retificadora entregue e, 06/12/2005, adotada como válida pelo sistema de processamento e pela fiscalização"; h) que o entendimento manifestado pela D. Autoridade Julgadora está equivocado, na medida em que, cabendo à Administração Tributária a competência de fiscalizar, deve esta valerse dos meios cabíveis para verificar a validade das informações prestadas pelos contribuintes; i) que não pode a D. Autoridade Julgadoia conferir validade a informação pelo simples fato de esta ter sido mencionada' em DIPJ Retificadora; j) na medida em que a própria Recorrente aponta que o valor constante da DIPJ Retificadora transmitida em 06.12.05 está equivocado, deve a D. Autoridade Julgadora determinar que a Autoridade competente fiscalize a Recorrente de forma a apurar a validade do valor constante da DIPJ; k) que, se assim tivesse procedido, a D. Autoridade Julgadora teria constatado que o valor passível de dedução da base da CSLL corresponde aquele informado pela Recorrente em sua DIPJ Retificadora apresentada em 30.06.03, de forma que restaria demonstrado o equivoco cometido quando da transmissão da DIPJ Retificadora em 06.12.05 e, conseqüentemente, da regularidade da compensação da base de cálculo negativa da CSLL; l) que é patente a nulidade da r. Decisão proferida, devendo esta ser anulada, com o conseqüente retorno dos autos para a primeira instância, para averiguação das informações constantes das DIPJ's Retificadoras apresentadas em 30.06.03 e 06.12.05 e, posteriormente, para que seja proferido novo julgamento; m) que o Decretolei n° 2.124/1984 ao estabelecer a forma de constituição por obrigação acessória não faz qualquer restrição quanto à espécie de referida obrigação, mas, apenas, que esta comunique a existência de débito; n) que a Recorrente apresentou sua DIPJ Retificadora comunicando à Administração Tributária a existência de débitos de IRPJ e CSLL em aberto, na medida em que demonstrou, em suas fichas 12A e 17, além das fichas 11 e 16 a existência de saldo devedor de referidos tributos; o) que, neste sentido, de acordo com a legislação de regência, o crédito tributário já se encontrava devidamente constituído quando da lavratura do presente Auto de Infração; p) que o valor apontado no Auto de Infração referente ao IRPJ, por exemplo, no montante de R$ 356.797,02 (trezentos e cinqüenta e seis mil, setecentos e noventa e sete reais e dois centavos), composto por R$ 19.532,43 (dezenove mil, quinhentos e trinta e dois reais e quarenta e três centavos) referente a março de 2002 e R$ 337.264,59 (trezentos e trinta e sete mil, duzentos e sessenta e quatro reais e cinqüenta e nove centavos) referente a dezembro de 2002, correspondem exatamente ao valor previamente declarado pela Recorrente em sua DIPJ; Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.186 5 q) que mesmo entendimento deve ser aplicado ao suposto débito de CSLL, ainda que observadas as considerações a serem apresentadas em tópico especifico, relacionadas ao equivoco cometido pela Recorrente quando da apresentação de sua DIPJ Retificadora; r) que a D. Autoridade Julgadora afirma, ainda, que a DCTF seria a declaração responsável pela constituição dos créditos tributários a partir do ano de 1999, de forma que não havendo informação do débito por meio de referida declaração, seria necessário a lançamento de oficio; s) que a D. Autoridade Julgadora pautase em atos normativos hierarquicamente inferiores (Instruções Normativas SRF n° 77/98, n° 126/98, n° 127/98 e n° 14/00) que inovam no ordenamento jurídico ao limitar, a seu bel prazer, quais as obrigações acessórias a serem cumpridas pelos contribuintes que irão constituir o crédito tributário quando o Decretolei n° 2.124/1984 que, frisese, possui força de lei ordinária, não faz qualquer espécie de restrição; t) que o débito exigido através da presente demanda referese a valor previamente declarado pelo contribuinte, não recolhido, bem como que a D. Autoridade Julgadora se pautou em normas ilegítimas e em jurisprudência que não reflete o atual posicionamento do E. Conselho ultrapassada, é imperativa a reforma da r. decisão proferida, para que seja decretada a nulidade do Auto de Infração em questão; u) que, que o débito exigido através da presente demanda referese a valor previamente declarado pelo contribuinte, não recolhido, bem como que a D. Autoridade Julgadora se pautou em normas ilegítimas e em jurisprudência que não reflete o atual posicionamento do E. Conselho ultrapassada, é imperativa a reforma da r. decisão proferida, para que seja decretada a nulidade do Auto de Infração em questão; v) que apesar de o saldo final apontar a importância de R$ 337.264,59, a Recorrente deixou de recolher o valor relativo a estimativa de março de 2002, no montante de R$ 19.532,43, compondo, portanto, o valor final devido a titulo de IRPJ; w) que a Recorrente, com vistas a regularizar sua situação perante o Fisco Federal, aderiu ao Parcelamento Especial PAES, instituído pela Lei no 10.684/03, conforme se verifica da consulta a sua situação perante o PAES emitida pela página da Receita Federal na internet; x) em decorrência da adesão da Recorrente a referido parcelamento, todos os débitos que se encontravam em aberto em seu nome, inclusive aqueles constituídos por meio da apresentação da DIPJ/2003, ao contrário do equivocado entendimento manifestado pela D. Autoridade Julgadora, foram devidamente incluídos no PAES, nos termos do disposto no artigo 10, § 1° da Lei n° 10.684/03; y) que referido artigo dispõe que o Parcelamento Especial PAES abrangerá todos os débitos, constituídos ou não, em aberto, em nome do contribuinte, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003. No mesmo sentido, dispõe o artigo 1° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 03/03, que instituiu a DeclaraçãoPAES; z) que, se o vencimento do valor relativo ao mês de dezembro de 2002 se deu antes de 28 de fevereiro de 2003, nos termos da legislação de regência, referido valor deveria ter sido automaticamente incluído no PAES; aa) que assim decidiu o C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2003 Ementa: PAES. INCLUSÃO DE DÉBITOS PELA SRF E CONFISSÃO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. Os débitos declarados em DIPJ antes do inicio da ação fiscal devem ser incluídos no Paes pela SRF e os declarados em DIPJ no curso da ação Fiscal não podem ser incluídos no Paes e serão objeto de lançamento de oficio.". (lª Camara do 2° Conselho de Contribuintes, Acórdão no 201 80.359, DOU 08.01.08)” ab) que, nos termos do artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3/03 c/c com o artigo 1° da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 05/03, a Recorrente poderia confessar seus débitos por meio da entrega das declarações a que estava obrigada até novembro de 2003; ac) que que a entrega da DIPJ/2003 pela Recorrente se deu em 30 de junho de 2003, data esta anterior ao prazo especificado em mencionadas portarias; ad) que a DIPJ/2003 Retificadora entregue em 30.06.03, mesma data da transmissão da DIPJ Original, apontava como valor devido, a titulo de IRPJ, o montante de R$ 356.797,02 (trezentos e cinquenta e seis mil, setecentos e noventa e sete reais e dois centavos) (R$ 19.532,43 + R$ 337.264,59), enquanto que a DIPJ Original, equivocadamente preenchida, apontava R$ 388.203,64 (trezentos e oitenta e oito mil, duzentos e três reais e sessenta e quatro centavos); ae) que é certo, portanto, que o valor efetivamente devido e a ser incluído no PAES corresponde ao montante de R$ 356.797,02, apontado na DIPJ Retificadora apresentada; af) que é inconteste que o valor de R$ 356.797,02 deveria ter sido incluído automaticamente pela D. Administração Tributária por ocasião da consolidação do Parcelamento Especial PAES da ora Recorrente, de forma que referido crédito está com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do disposto no artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional; ag) que o fato de a Recorrente haver declarado o valor de R$ 19.532,43, a título de estimativa do mês de março de 2002 como pago, não afasta a obrigação da D. Autoridade Administrativa em incluir, de oficio, referido valor no PAES ao constatar a falta de pagamento; ah) que que, em razão da não inclusão deste débito no PAES, pleiteou perante a Receita Federal do Brasil a inclusão de referido valor no referido parcelamento, de acordo com o disposto no artigo 9° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 03/04, sendo certo que o Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES encontrase pendente de julgamento; ai) que, caso não seja prontamente reconhecida a nulidade do presente Auto de Infração, deve, ao menos, ser suspenso seu julgamento até a análise definitiva do Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES apresentado pela Recorrente; aj) que deve ser reconhecida a nulidade do presente auto em razão da impossibilidade de se exigir débito que se encontra com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do disposto no artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional ou, ao menos, seja determinada a suspensão do presente processo até a análise definitiva do Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES apresentado pela Recorrente; ak) que, assim como já exposto em relação ao débito de IRPJ, a exigência do débito relativo a CSLL também é manifestamente indevida, em razão da suspensão de sua exigibilidade pelo parcelamento; Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.187 7 al) que, em 30.06.03, a Recorrente apresentou DIPJ Retificadora por meio da qual constituiu o valor de R$ 94.130,67 (noventa e quatro mil, cento e trinta reais e sessenta e sete centavos) a título de CSLL devida no anocalendário de 2002; am) que uma vez reconhecido o recolhimento do valor de R$ 18.131,31 pela D. Autoridade Julgadora, não restam dúvidas quanto ao valor devido e parcelado a título de CSLL, que, conforme será demonstrado pela Recorrente, em virtude do equívoco cometido quando da apresentação de sua DIPJ Retificadora levada em consideração pela Administração Tributária, é de R$ 75.999,36; an) que, em 06.12.05, a Recorrente apresentou nova DIPJ Retificadora, em substituição à apresentada em 30.06.03, alterando, indevidamente, o valor relativo à linha 19 da ficha 17 de sua declaração; ao) que, conforme se verifica da versão entregue em 30.06.03, a Recorrente excluiu da base de cálculo da CSLL o valor de R$ 353.001,00 (trezentos e cinqüenta e três mil e um real), enquanto que, na versão entregue em 06.12.05, referido valor passou a ser de R$ 1.345.618,36 (um milhão, trezentos e quarenta e cinco mil, seiscentos e dezoito reais e trinta e seis centavos); ap) que, em razão de referida alteração, houve a indevida redução da base de cálculo da CSLL, de forma que o valor final constante da declaração da Recorrente como devido a título de CSLL foi reduzido para R$ 4.795,11 (quatro mil, setecentos e noventa e cinco reais e onze centavos); aq) que a despeito da apresentação de nova declaração retificadora, os valores corretos a serem declarados pela Recorrente e consolidados no PAES correspondem aqueles informados na DIPJ Retificadora entregue em 30.06.03; ar) que é inconteste que o valor devido a título de CSLL pela Recorrente corresponde ao montante de R$ 75.999,36, e não a R$ 4.795,11, como apontado na presente autuação; as) que deveria o valor apontado pela Recorrente por meio de sua DIPJ Retificadora entregue em 30.06.03 ter sido incluído no PAES, sendo irrelevante a sua posterior e, frisese, equivocada, alteração em decorrência da apresentação de outra DIPJ Retificadora em 06.12.05; at) que não restem dúvidas quanto à procedência do valor apontado na DIPJ Retificadora apresentada em 30.06.03, a Recorrente acostou, quando da apresentação da Impugnação, a cópia do LALUR/02 onde constam os valores discriminados das reversões de provisões que somam o montante de R$ 353.001,00; au) que o valor de R$ 1.345.618,36 é manifestamente equivocado, sendo, indevida, portanto a redução da base de cálculo da CSLL e, por conseqüência, de seu valor a pagar; av) que a Recorrente entende que a cópia da parte B de seu LALUR é suficiente à comprovação do alegado; aw) que não poderia a D. Fiscalização considerar como válida a reversão de R$ 1.345.618,36 se a Recorrente não fez qualquer espécie de comprovação da validade de referido valor; ax) que se a apresentação da parte B do LALUR não seria suficiente, segundo entendimento manifestado pela D. Autoridade Julgadora, deveria esta, em homenagem ao principio da verdade material, ter determinada a baixa dos autos em. diligência para que a Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 Recorrente fosse notificada a apresentar os demais documentos que a D. Autoridade Julgadora entendesse necessários à comprovação de suas alegações; ay) que, diante da indevida redução do valor a pagar a titulo de CSLL, é inconteste que o montante de R$ 75.999,36 deve ser entendido como o valor efetivamente devido pela Recorrente, sendo certa, ainda, a sua inclusão no PAES, nos mesmos termos em que se deu a inclusão do valor devido a titulo de IRPJ; az) que deve ser prontamente cancelada a presente autuação em razão da suspensão da exigibilidade do suposto débito de CSLL, nos termos do disposto no artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional; aaa) que não merece prosperar, na medida em que, ao contrário do entendimento manifestado pela D. Autoridade Julgadora, é manifestamente ilegítima a aplicação da multa isolada pelo suposto não recolhimento de antecipações mensais a titulo de IRPJ e CSLL; aab) que sua aplicação se mostra impossível, também em razão de sua cumulatividade com a multa de oficio, aplicada em razão do não recolhimento de tributo; aac) que, de acordo com entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, após o término do anocalendário, a aplicação da multa isolada, pela ausência de recolhimento das antecipações mensais, quando admitida, tem sua base de calculo limitada pela diferença verificada entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida; aad) que a D. Fiscalização considera que a Recorrente teria procedido a compensação da base de cálculo negativa da CSLL em montante superior a 30%, fato este indevidamente mantido pela D. Autoridade Julgadora; aae) que tal entendimento, conforme exaustivamente demonstrado, decorre, exclusivamente, do equivoco da Recorrente no preenchimento da DIPJ; aaf) que, conforme já demonstrado em tópico anterior, a DIPJ Retificadora utilizada pela D. Autoridade Fiscal está, na verdade, equivocada, sendo certo que a correta seria a DIP! Retificadora, transmitida em 30.06.03, mesma data da transmissão da DIPJ Original; aag) que, ao proceder à retificação de sua DIPJ Retificadora, a Recorrente apresentou um valor relativo à reversão de provisões dedutíveis (linha 19 da ficha 17) em valor superior ao correto, o que acarretou na indevida redução da base de cálculo da CSLL; aah) que, a partir de referida redução indevida da base, a compensação que anteriormente estava correta passou a ser considerada excessiva; aai) que que o valor correto da reversão corresponde Aquele apontado na DIPJ Retificadora entregue em 30.06.03, e não ao apontado na Retificadora entregue em 06.12.05, equivocadamente preenchida, é inconteste que não há redução válida da base de cálculo e, por conseqüência, não há compensação a maior; aaj) que o valor informado em ambas as DIPJ's, seja a transmitida em 30.06.03, seja a transmitida em 06.12.05 é o mesmo, sendo certo que referido valor corresponde a exatamente 30% da base informada na DIPJ Retificadora entregue em 30.06.03, cuja exclusão das provisões não dedutiveis se deu pelo valor correto; aak) que o valor devido a titulo de CSLL que se reputa como correto é aquele informado na DIPJ Retificadora transmitida em 30.06.03, sendo certo que este deveria ter sido automaticamente incluído no PAES, na medida em que a época da adesão da Recorrente a referido parcelamento este seria o valor em aberto; Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.188 9 aal) que se pudesse falar em compensação em valor superior ao permitido, o que se admite apenas por argumentação, é inconteste que o valor exigido por meio da presente autuação seria indevido em razão da suspensão de sua exigibilidade pelo parcelamento, nos termos do disposto no artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional; aam) que ao considerar a redução do valor devido a titulo de CSLL pela compensação entendida por indevida, é inconteste que a D. Autoridade Administrativa exige da Recorrente valor que já teria sido declarado como devido por ocasião da apresentação da DIPJ Retificadora que, conforme exaustivamente exposto, possuía uma base de calculo de CSLL maior; aan) é evidente que o valor exigido em razão da glosa da compensação já deveria ter sido incluído no PAES, o que impossibilitaria a sua exigência por meio do presente auto de infração, mesmo após a suposta compensação indevida; aao) que houve equivoco quando da lavratura do Auto de Infração ora impugnado, pois no presente caso não se verifica a inexistência de recolhimento do tributo em razão da compensação superior à permitida, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal; aap) que a limitação para compensação dos prejuízos fiscais é meramente quantitativa, e não temporal. Mesmo que a compensação tenha sido efetuada acima do limite de 30%, não é correto afirmar que houve recolhimento a de tributo e montante inferior ao devido, vez que a apuração de lucro pela empresa, em períodos subseqüentes, e que sejam suficientes para absorver todo o prejuízo, descaracterizaria a ausência de recolhimento de imposto; aaq) que a parcela do tributo que deixou de ser recolhida em razão da compensação das bases de cálculo negativa em limite superior não deve ser exigida da Recorrente, haja vista que, caso fosse observado o limite de 30%, ela seria futuramente abatida da apuração das bases positivas futuras, não implicando, pois, em recolhimento insuficiente de tributo; aar) que a Recorrente em momento algum deixou de recolher tributo apurado em decorrência da glosa da compensação efetuada, como se verifica do presente Auto de Infração, mas sim, apenas postergou o seu recolhimento; aas) que a multa possui caráter acessório do principal, sendo assim, se descabe o lançamento de oficio efetuado contra a Recorrente, inexiste fundamento para a imposição de qualquer multa de oficio; aat) que a aplicação de multa de oficio, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto, bem como a multa isolada no montante de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da estimativa mensal, acarreta na manifesta afronta ao principio do não confisco; aau) que entende indevida, in casu, a aplicação da taxa SELIC em razão de sua inconstitucionalidade e ilegalidade; aav) que se considerasse que a Taxa SELIC possui natureza jurídica de juros de mora, o que so se admite para argumentar, verificase que a sua utilização desobedece ao comando normativo contido no artigo 161, § 1° do Código Tributário Nacional', por ultrapassar os limites impostos pelo texto normativo citado; aaw) que requer: i) reconheçase a nulidade da r. decisão, dado que tomou por base decisão proferida no processo administrativo 10882.003105/200771, Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 ainda não definitiva em razão de Recurso apresentado naqueles autos, determinandose o retorno destes autos para que seja proferido novo julgamento, com a análise integral das alegações tecidas pela ora Recorrente; ii) reconheçase a nulidade da decisão em razão da necessidade de baixa dos autos em diligência para que a Recorrente pudesse anexar documentos suplementares, dado que a D. Autoridade Fiscal entendeu que a documentação (parte B do Lalur e demais documentos) não seria suficiente para confirmar a incorreção na apuração da base de cálculo da CSLL e que, por conseguinte, possam ser averiguadas as informações constantes das DIPJ's Retificadoras apresentadas em 30.06.03 e 06.12.05, o que se requer, desde já, a fim de que a D. Autoridade aponte os documentos que, em seu entender, sejam necessários para comprovação do alegado, em homenagem, inclusive, ao principio da ampla defesa e verdade material, para que seja proferido novo julgamento; iii) caso não seja reconhecida a nulidade, que seja reformada a r. decisão para que seja decretada a nulidade do Auto de Infração, pois o débito exigido através da presente demanda referese a valor previamente declarado pela Recorrente, cuja cobrança, portanto, prescinde da lavratura de Auto de Infração; ou que, caso assim não se entenda; iv) ao menos, seja suspenso o julgamento do presente Recurso até a análise definitiva do Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES, dado que a Recorrente requereu a inclusão de parte do valor ora intentado no referido parcelamento e, portanto, não se pode admitir a cobrança de débito que se encontra, no mínimo, com a exigibilidade suspensa; v) caso não se reconheça a nulidade da r. decisão, com consequente baixa dos autos em diligência, e se entenda pela legitimidade do procedimento adotado pela Fiscalização lavratura de Auto de Infração o que se admite para argumentar, que seja reformada a r. decisão para: (i) afastar a multa isolada; (ii) reduzir os percentuais aplicados a titulo de multa, diante do caráter confiscatório; afastar a Taxa Selic na atualização dos valores. Na Sessão de Julgamento de 10 de abril de 2014, esta Turma converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução nº 1302000.301, cujo voto condutor assim dispõe: “A primeira questão posta a este Colegiado reside em saber se o Recurso apresentado pela recorrente nos autos do PAF nº 10882.003105/200771 é questão prejudicial ao julgamento em tela. O autuante, no TVF, a fls. 101/102, assim informa e se posiciona sobre a questão do parcelamento: ‘A BRASLO foi intimada em 02/03/2007 (fls. 04/15) e tomou ciência em 09/03/2007, conforme Aviso de Recebimento — AR, à fl. 16. Em 14/03/2007, a BRASLO solicitou prorrogação de prazo por mais dez dias (fl. 17) e atendeu em 27/03/2007, juntando documentos e/ou esclarecimentos, conforme se vê, às fls. 31/38.’. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.189 11 2. DA ANÁLISE A presente Revisão de Declaração se originou da divergência constatada entre os valores de IRPJ a Pagar (quota de ajuste) e IRPJ a Pagar por Estimativa, informados em DIPJ versus valores informados em DCTF e recolhimentos efetuados, conforme abaixo descrito: ... Em sua resposta, a BRASLO informou que houve o parcelamento dos débitos em aberto, por meio do processo administrativo n° 10882.001165/200325. Posteriormente, optou pelo parcelamento especial — PAES e entendeu que os valores questionados foram incluídos no PAES, conforme Deferimento da Receita Federal. Informou ainda que, conforme legislação de regência, todos os débitos em aberto seriam incluídos de ofício pela própria Receita Federal neste parcelamento especial. A alegação da BRASLO é procedente em parte. O que a Secretaria da Receita Federal do Brasil incluiu de ofício no Parcelamento Especial — PAES foram os créditos tributários devidamente declarados. Isto quer dizer que o que não foi declarado pelo contribuinte, não foi passível de inclusão no PAES. O Processo n° 10882.001165/200325 se refere ao parcelamento de R$ 2.010.253,53, relativo à parte do IRPJ Estimativa , código 2362, do período de apuração de 12/2002 e de R$867.065,36, relativo à parte da CSLL Estimativa, código 2484, do período de apuração de 12/2002, conforme extrato, às fls. 43/45. Nada mais.’. Assim entendendo, o autuante concluiu que: a) cabia o lançamento de multa isolada sobre R$ 337.264,59, diferença entre o IREstimativa de dezembro de 2002, no montante de R$ 2.347.518,12, e o valor que fora parcelado (IRPJEstimativa no valor de R$ 2.010.253,53); b) cabia multa isolada sobre R$ 19.523,43, valor do IR Estimativa do mês de março não recolhido pela recorrente; c) cabia o lançamento de IRPJ no valor de R$ 356.797,02, resultante do recálculo da Ficha 12 A, levando em conta a glosa de IR estimativa de março (R$ 19.523,43) e a dedução do montante de IR estimativa parcelado (R$ 2.010.253,53); d) cabia multa isolada sobre R$ 94.130,67, diferença entre a CSLLEstimativa de dezembro de 2002, no montante de R$ 961.196,03, e o valor que foi parcelado a título de CSLLEstimativa, no total de R$867.065,36; e) cabia lançamento de CSLL no valor R$ 31.595,78, decorrente de compensação de bases negativas superior em R$ 297.785,21 ao limite de 30% da base ajustada antes da compensação. A recorrente tomou ciência da autuação em 21/05/2007 (AR a fls. 127) e apresentou impugnação à DRJ em 20/06/2007. Todavia, também apresentou, em 13/11/2007, pedido de revisão dos débitos consolidados no PAES à DRF/Osasco (doc. a fls. 02 e segs. do PAF nº 10882.003105/200771, apenso aos autos), no qual alega que: ‘Conforme se verifica da DIPJ/2003 apresentada pela Requerente (doc. 04), foi apurado um saldo devedor de IRPJ no montante de R$ 356.797,02, devidamente constituído pela entrega da declaração. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 12 10. Isto porque, apesar de o saldo final apontar a importância de R$ 337.264,59, a Requerente deixou de recolher o valor relativo à estimativa de março de 2002, no montante de R$ 19.532,43, compondo, portanto, o valor final devido a título de IRPJ. 11. Em decorrência da adesão da Requerente ao PAES, o débito relativo ao IRPJ do anocalendário de 2002 deveria ter sido incluído em referido parcelamento, pois se encontrava em aberto e estava devidamente constituído pela apresentação da DIPJ/ 2003 (artigo 1º, § 1º da Lei n° 10.684/03). ... 23. Diante do exposto, deve ser determinada a imediata inclusão do valor de R$ 356.797,00, a título de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, no Parcelamento Especial PAES da Requerente, determinando se, por consequência, o recálculo das prestações mensais a serem recolhidas. .... 28. Desta forma, deve ser reduzido do valor de R$ 94.130,67, o montante de R$ 18.131,31, o que resulta em um valor devido a titulo de CSLL no montante de R$ 75.999,36 (setenta e cinco mil, novecentos e noventa e nove reais e trinta e seis centavos). ... 43.Diante do exposto, é a presente para requerer a inclusão dos débitos acima discriminados do Parcelamento Especial PAES, bem como o recálculo do valor consolidado e, por consequência, da parcela a ser recolhida, tendo em vista que tanto o débito de IRPJ quanto o de CSLL eram devidos à época da adesão da Requerente ao PAES. 44. Requer, outrossim que, após a inclusão de mencionados débitos ao PAES, seja trasladada a decisão proferida aos autos do Processo Administrativo n° 10882 001031/200738, em que se exige da Requerente os débitos de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2002, com o consequente cancelamento dos Autos de Infra ão lavrados e arquivamento de referido processo.’. Os autos de infração em tela são decorrentes de procedimentos de malha, cuja ciência do Termo de Intimação de Malha/PJ foi dada a recorrente em 09/03/2007 (AR a fls. 18), ou seja, posteriormente, à concessão do parcelamento, datado de 2003 (vide despacho a fls. 45), logo, a questão posta pela recorrente no pedido acima é questão prejudicial ao julgamento em tela. Cabe, então, perquirir qual o desdobramento processual do referido pedido de inclusão de débitos em parcelamento, A Fls. 193/194 do PAF em apenso (PAF nº 10882.003105/200771), consta despacho decisório do Chefe da Secat/DRF/Osasco, datado de 07/04/2008, o qual assim dispõe: ‘Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Consolidação PAES, em que o contribuinte em epígrafe solicita a inclusão dos débitos à folha 1. Conforme afirma o próprio contribuinte às folhas 03 a 11, os referidos débitos não foram declarados em DCTF, o que se confirma através dos extratos emitidos pelo sistema SIEF às folhas 189 e 190. Considerando que o prazo para entregar ou retificar declarações com o objetivo de incluir os débitos no Paes era 31/10/2005 conforme a Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.190 13 Portaria Conjunta 03/03, art.2° e prorrogado para 28/11/2003 pela Portaria Conjunta 05/2003, art.1° I., Considerando que, conforme o art.2 da a Portaria Conjunta PGFN/SRF 03/03: Art. 2° A inclusão de débitos passíveis de declaração, a que o sujeito passivo a ela obrigado se encontre omisso, darseá, exclusivamente, com a apresentação da , respectiva declaração, no prazo fixado no art.1°, exceto na situação referida no inciso IV, do mesmo artigo. Parágrafo único. Na hipótese de débito já declarado por valor inferior ao efetivamente devido, a inclusão do valor complementar farseá mediante entrega de declaração retificadora, no prazo fixado no art. 2°. (grifouse) Considerando ainda que os débitos constantes do presente pedido, estão sendo exigidos através do processo n° 10882.001031/200738 (fls. 191 e 192), que trata de Auto de Infração, Proponho o indeferimento do pedido de Revisão de Débitos — PAES, por ausência da confissão da dívida nos termos da Portaria Conjunta PGFN/SRF 03/03 e a juntada por apensação do presente processo ao processo n°10882.001031/200738. ... De Acordo. Indefiro o pedido de revisão de débitos PAES conforme proposto. Procedase com a juntada por apensação do presente processo ao processo n°10882.001031/200738 e cientifiquese o contribuinte desta decisão.’ Ocorre, porém, que a recorrente interpôs recurso em face do referido despacho decisório (constante dos autos do PAF nº 10882.003105/200771), o qual foi juntado a fls. 1098 e segs. destes autos (PAF nº 10882.001031/2007 38), embora estivesse endereçado ao Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da equipe de Parcelamento – Eqpar da DRF/Osasco e expressamente indicado o PAF nº 10882.003105/200771. A Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 03, de 2004, era omissa quanto a possibilidade de se interpor recurso quando indeferido o pedido de que trata o inciso IV do seu art. 9º, mas a recorrente fundamentou o seu pedido no art. 56 da Lei 9.784/99, o qual assim dispõe: “Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. § 1º O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior.”. Dessa forma, não há como dar prosseguimento ao julgamento do recurso voluntário, enquanto pendente de apreciação o recurso contra a decisão proferida pelo Chefe da Secar/DRF/Osasco, já que a matéria deste é prejudicial ao julgamento daquele. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: a) estes autos, com o PAF apenso (nº 10882.003105/200771), sejam encaminhados à DRF/Osasco, para que ela se pronuncie sobre o Recurso a fls. 1098/1109 destes autos e adote demais providências da sua alçada; e b) após a decisão administrativa definitiva sobre a matéria objeto do recurso acima referido, estes autos (com o PAF apenso) retornem ao CARF, para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário a fls. 1055/1097.”. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 14 A fls. 1181/1182, consta os seguintes despachos da DRF/OSA/SP: “Proferida a decisão administrativa definitiva no processo nº 10882.003105/200771, da qual o sujeito passivo já foi cientificado; devolvo os autos è ECOB (antiga EQFISE) para prosseguimento.”. “Cumprida a diligência solicitada na Resolução 1302000.301/2014 de fl. 1162, com a juntada do Parecer e devida ciência no processo apenso 10882.003105/200771, proponho o retorno dos autos ao DF/CARF/MF/SECEX/SECOJ/GEPAF para prosseguimento no julgamento.”. A fls. 228 do PAF 10882.001031/200738, em apenso, consta o Parecer DRF/OSA/SECAT/EQREV nº 445/2014, do qual vale a transcrição dos seguintes excertos: “Cientificado da referida decisão em 11/04/2008, o sujeito passivo apresentou recurso contestando o indeferimento do pedido de revisão dos débitos incluídos no PAES, e alega, em suma, que os valores em questão deveriam ter sido incluídos no parcelamento, de ofício, pela Autoridade Administrativa, uma vez que já se encontravam constituídos à época da opção pelo parcelamento, por terem sido informados na DIPJ 2013, que quando da lavratura do auto de infração os débitos já haviam sido declarados, não podendo ser objeto da autuação, e reitera que o valor de IRPJ e CSLL do período de apuração de 2002 a ser incluído no PAES deveria ser de R$ 356.797,00 e R$ 75.999,36, respectivamente (fls. 216227). Inicialmente, ressaltese que a jurisprudência citada pelo contribuinte à fl. 219, na qual temse o entendimento de que os débitos declarados em DIPJ antes do inicio da ação fiscal deveriam ser incluídos no Paes pela SRF, não é pacificada. Ainda, sabese que a DIPJ surgiu para substituir a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado, sendo que, a partir dos fatos ocorridos de 01/01/1999 em diante, as declarações ali prestadas passaram a não mais constituir confissão de divida. (...) Desta forma, considerando que os débitos que o contribuinte deseja incluir no PAES não foram confessados na Declaração PAES e nem na DCTF, proponho que se mantenha o indeferimento do Pedido de Revisão de Consolidação PAES.” É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1146, razão pela qual dele conheço. Incialmente, quanto a natureza da DIPJ, vale trazer à colação a Súmula CARF nº 92: Súmula CARF nº 92: A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.191 15 confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Acertada assim, à luz de tal Súmula, a decisão recorrida, quando sustenta que: "A DIPJ, instituída a partir do ano de 1999, tem natureza meramente informativa, determinando a legislação pertinente, para declaração de tributos e contribuições federais, a entrega pelos contribuintes da DCTF, a qual é adotada pela RFB como o instrumento de excelência para o controle e cobrança do crédito tributário, por ser veículo hábil de confissão de dívida.". DA CSLL A DIPJ retificadora a fls. 98 informa que foi apurado uma CSLL a pagar no ano de 2002 no valor de R$ 4.795,11, sendo que, ao se verificar os cálculos da Base Ajustada, notase que efetivamente a recorrente compensou base negativa de período anterior acima do limite de 30%, sendo correta a glosa feita pela Fiscalização no valor de R$ 297.785,21, o que resultou em uma diferença de CSLL no valor de R$ 26.800,67, passando assim, a quota do ajuste da CSLL a pagar para R$ $31.595,78. Como nada foi declarado em DCTF, cabe efetuar o lançamento do valor em auto de infração, razão pela qual não há reparo a ser feito na decisão recorrida. Por sua vez, a recorrente alega em sua defesa o seguinte: “85. Com efeito, em 06.12.05, a Recorrente apresentou nova DIPJ Retificadora, em substituição à apresentada em 30.06.03, alterando, indevidamente, o valor relativo à linha 19 da ficha 17 de sua declaração. 86. Conforme se verifica da versão entregue em 30.06.03, a Recorrente excluiu da base de cálculo da CSLL o valor de R$ 353.001,00 (trezentos e cinqüenta e três mil e um real), enquanto que, na versão entregue em 06.12.05, referido valor passou a ser de R$ 1.345.618,36 (um milhão, trezentos e quarenta e cinco mil, seiscentos e dezoito reais e trinta e seis centavos). (…) 94. Por fim, apenas para que não restem dúvidas quanto á. procedência do valor apontado na DIPJ Retificadora apresentada em 30.06.03, a Recorrente acostou, quando da apresentação da Impugnação, a cópia do LALUR/02 onde constam os valores discriminados das reversões de provisões que somam o montante de R$ 353.001,00, vejase:” A recorrente faz tal alegação para sustentar que sua base ajustada antes da compensação era maior e, que assim sendo, não teria ocorrido uma compensação superior à trava de 30%, o que levaria ao cancelamento da glosa. Tal alegação não foi aceita pela decisão recorrida, pois entendeu que a cópia do Lalur juntada pela recorrente seria insuficiente para provar o alegado. A cópia do Lalur poderia ser sim um início de prova que poderia ser aprofundada com a escrita contábil da recorrente e que poderia ser até objeto de uma diligência. Deixo, porém, de propor tal diligência, porque a recorrente age com ardil, ou seja, tenta desconstituir um erro por ela cometido, com outro erro, o qual não foi objeto de fiscalização. Ocorre que ela só faria jus a exclusão da linha 19 da Ficha 17 em tela – reversão Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 16 dos saldos das provisões não dedutíveis – se ela tivesse declarado esse mesmo valor como receita na linha 29 da Ficha 6A, sendo que a fls. 87, podese ver que tal linha está zerada na DIPJ retificadora. Isso por si só põe em dúvida a tese de defesa, mormente quando a recorrente não demonstrou com sua escrita contábil os lançamentos feitos nas cópias das folhas do Lalur apresentadas. Com efeito, caso houvesse um aprofundamento da Fiscalização a autuação talvez fosse em valor maior do que o lançado, mas, estamos tratando de uma auditoria fiscal que se limitou apenas a cotejar a DIPJ com a DCTF. Isso pode ser verificado do seguinte excerto do TVF a fls. 115, in verbis: “A presente Revisão de Declaração se originou da divergência constatada entre os valores de CSLL a Pagar por Estimativa, informados em DIPJ versus valores informados em DCTF e recolhimentos efetuados e ainda compensação a maior d , base de cálculo Negativa da CSLL, conforme abaixo descrito:” Ora, a vingar o ardil da linha de defesa da recorrente, toda fiscalização por amostragem estaria comprometida, o que não é razoável. Assim, tomando o valor devido conforme declarado pela própria autuante, verificouse corretamente que houve uma compensação de base negativa de CSLL superior à trava de 30%, razão pela qual correta a conclusão da Fiscalização. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL ESTIMATIVA Segundo o TVF a fls. 115/116, este item da autuação está assim fundamentado: “Verificouse que houve CSLL a Pagar no mês de dezembro de 2002, no montante de R$961.196,03 e parcelamento formalizado de R$867.065,36, conforme informado em sua DIPJ, à fl. 85. Em DCTF, no entanto, foi declarada apenas a importância de R$867.065,36, a qual foi realmente parcelada, por meio do Processo n° 10882.001165/2003 25, conforme extrato, às fls. 43/45. No entanto, não foi declarada nem recolhida a diferença de R$94.130,67, cabendo a multa isolada por esta falta de recolhimento.” Vale alertar que a recorrente não discorda de tal diferença, tanto que alega que “em 30.06.03, a Recorrente apresentou DIPJ Retificadora por meio da qual constituiu o valor de R$ 94.130,67 (noventa e quatro mil, cento e trinta reais e sessenta e sete centavos) a título de CSLL devida no anocalendário de 2002”. Ora, tal estimativa mensal (R$ 94.130,67) não foi paga nem incluída no PAES, como desejava a recorrente, logo, cabível a multa isolada por falta de pagamento no montante de R$ 47.065,34. Cabe, no entanto, verificarmos se é o caso de aplicação da Súmula CARF 105. Nesse sentido, vale a transcrição do verbete da Súmula CARF 105, in verbis: ‘A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.”. Notese que o teor da Súmula CARF nº 105 deixa claro que o Pleno deste Colegiado adotou a posição segundo a qual a multa isolada só pode ser cumulada com a multa de ofício a partir da entrada em vigor da Lei 11.488/07, que alterou o art. 44 da Lei 9.430/96, tanto que faz constar expressamente em seu verbete que só era inaplicável a cumulação de multas, quando a multa isolada fosse fundamentada no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9430/96. Assim, Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.192 17 como se trata de lançamento de multa isolada do fato gerador de 2003, para o qual só foi aplicado a Lei 11.488/07 por força do disposto no art. 106, II, c, do CTN, entendo que é aplicável, na espécie, a Súmula CARF nº 105, já que houve lançamento de CSLL sobre diferença apurada no ajuste anual. Assim, voto por cancelar o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento da CSLLestimativa do mês de dezembro de 2012. DO IRPJ Com relação ao IRPJ, a recorrente informou na DIPJ um valor devido no montante de R$ 2.367.050,55 e parcelou apenas R$ 2.010.253,53, cabendo assim o lançamento de R$ 356.797,02 por insuficiência de recolhimento. Em sua defesa alega o seguinte: “76. Desta forma, é inconteste que o valor de R$ 356.797,02 deveria ter sido incluído automaticamente pela D. Administração Tributária por ocasião da consolidação do Parcelamento Especial PAES da ora Recorrente, de forma que referido crédito está com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do disposto no artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional. 77. Vale destacar, ainda, que o fato de a Recorrente haver declarado o valor de R$ 19.532,43, a título de estimativa do mês de março de 2002 como pago, não afasta a obrigação da D. Autoridade Administrativa em incluir, de oficio, referido valor no PAES ao constatar a falta de pagamento.” Conforme antes relatado, a questão da inclusão de tais valores no PAES foi decidida definitivamente nos autos do PAF 10882.001031/200738 (em apenso), o qual decidiu que não cabia a inclusão no PAES, pois tais débitos não foram confessados na Declaração PAES e nem na DCTF. Assim, não tem razão a recorrente. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ ESTIMATIVA Foram lançadas também multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ – estimativa no valor de R$ 356.797,02, resultando em multa no montante de R$ 178.398,52. Pelas mesmas razões já expostas na análise da multa isolada por falta de recolhimento de CSLLestimativa, sustento ser aplicável a Súmula CARF 105 na espécie, razão pela qual voto por cancelar o item 0002 do auto de infração do IRPJ a fls. 110. Em face o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar o item 0002 do auto de infração do IRPJ a fls. 110 e o item 003 do auto de infração da CSLL a fls. 123, os quais se referem ao lançamento das multas isoladas sobre bases estimadas. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 18 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A multa isolada teve em conta falta de recolhimento de estimativa de CSLL no valor de R$ 94.130,67, ao passo que a multa de ofício foi aplicada sobre a CSLL apurada no ajuste anual no valor de R$ 31.595,78. Discutese, no caso, a aplicação da Súmula CARF nº 105 de seguinte teor: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Os períodos de apuração autuados estariam alcançados pelo dispositivo legal apontado na Súmula CARF nº 105. Todavia, como evidenciam as bases de cálculo das penalidades, a concomitância se verificou apenas sobre parte da multa isolada exigida por falta de recolhimento da estimativa de CSLL devida em dezembro/2002. Importa, assim, avaliar se o entendimento sumulado determinaria a exoneração de toda a multa isolada aqui aplicada. A referência à exigência ao mesmo tempo das duas penalidades não possui uma única interpretação. É possível concluir, a partir do disposto, que não subsiste a multa isolada aplicada no mesmo lançamento em que formalizada a exigência do ajuste anual com acréscimo da multa de ofício proporcional, ou então que a multa isolada deve ser exonerada quando exigida em face de antecipação contida no ajuste anual que ensejou a exigência do principal e correspondente multa de ofício. Além disso, podese interpretar que deve subsistir apenas uma penalidade quando a causa de sua aplicação é a mesma. Os precedentes que orientaram a edição da Súmula CARF nº 105 auxiliam nesta interpretação. São eles: · Acórdão nº 9101001.261: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. · Acórdão nº 9101001.203: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.193 19 TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. · Acórdão nº 9101001.238: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 [...] MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. · Acórdão nº 9101001.307: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 [...] MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. · Acórdão nº 1402001.217: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 [...] MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). [...] · Acórdão nº 1102000.748: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: [...] Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 20 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. [...] · Acórdão nº 1803001.263: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 [...] APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Observase nas ementas dos Acórdãos nº 9101001.261, 9101001.307 e 1803001.263 a abordagem genérica da infração de falta de recolhimento de estimativas como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, e que por esta razão é absorvida pela segunda infração, devendo subsistir apenas a punição aplicada sobre esta. Sob esta vertente interpretativa, qualquer multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas sucumbiria frente à exigência do ajuste anual com acréscimo de multa de ofício. Porém, os Acórdãos nº 9101001.203 e 9101001.238, reportamse à identidade entre a infração que, constatada pela Fiscalização, enseja a apuração da falta de recolhimento de estimativas e da falta de recolhimento do ajuste anual, assim como os Acórdãos nº 1402001.217 e 1102000.748 fazem referência a aplicação de penalidades sobre a mesma base, ou ao fato de a base de cálculo das multas isoladas estar contida na base de cálculo da multa de ofício. Tais referências permitem concluir que, para identificação da concomitância, deve ser avaliada a causa da aplicação da penalidade ou, ao menos, o seu reflexo na apuração do ajuste anual e nas bases estimativas. A adoção de tais referenciais para edição da Súmula CARF nº 105 evidencia que não se pretendeu atribuir um conteúdo único à concomitância, permitindose a livre interpretação acerca de seu alcance. Considerando que, no presente caso, as infrações foram apuradas de forma independente estimativa não recolhida em razão de seu parcelamento parcial e ajuste anual não recolhido em razão da compensação de bases negativas acima do limite legal e assim resultaram em distintas bases para aplicação das penalidades, é válido concluir que não há concomitância em relação à multa isolada aplicada sobre a parcela de R$ 62.534,89 (= R$ 94.130,67 R$ 31.595,78), correspondente à estimativa de CSLL em dezembro/2002 que excede a falta de recolhimento apurada no ajuste anual. Com referência a esta parcela importa acrescentar que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.194 21 antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do anocalendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 22 ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%, o que inclusive motivou a aplicação de retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, pela autoridade lançadora. Por tais razões, o presente voto diverge daquele manifestado pela maioria do Colegiado em relação, apenas, à multa isolada por falta de recolhimento de estimativa de CSLL, com referência à qual DÁSE PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a penalidade aplicada sobre a parcela não recolhida de R$ 62.534,89. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.001031/200738 Acórdão n.º 1302001.753 S1C3T2 Fl. 1.195 23 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13227.720158/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. REQUISITOS.
Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/1993).
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente.
Numero da decisão: 2201-002.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso, para restabelecer o VTN informado pelo contribuinte em sua DITR/2005
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso, para restabelecer o VTN informado pelo contribuinte em sua DITR/2005 Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
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ARBITRAMENTO. REQUISITOS. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/1993). ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso, para restabelecer o VTN informado pelo contribuinte em sua DITR/2005 Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI – PresidenteSubstituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 01 58 /2 00 8- 52 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidentesubstituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 35/38), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.731.509,80, relativo ao imóvel rural denominado “Seringal Bela Vista”, cadastrado na RFB sob o nº 3.880.3224, com área declarada de 21.671,4 ha, localizado no Município de Ji Paraná – RO. A fiscalização efetuou a glosa integral da área declarada de utilização limitada/reserva legal (17.337,1 ha), além de rejeitar o VTN declarado de R$ 108.357,00 (R$ 5,00/ha), arbitrando o valor de R$ 6.920.383,63 (R$ 319,33/ha), com base no Sistema de Preços de Terras – SIPT, instituído pela Receita Federal. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: · a área do imóvel objeto do presente lançamento, juntamente com outras quatro áreas rurais contíguas constituem o denominado “TD Bela Vista”, conforme designação do IBAMA; · faz um breve relato dos fatos relacionados com a presente ação fiscal, conforme registrado pela autoridade lançadora na descrição dos fatos; · no entender da autoridade lançadora, a isenção da área de reserva legal do ITR depende de sua averbação no CRI. Frisese que a existência da área não foi posta em dúvida, mas apenas a isenção; · depois de reproduzir a legislação tributária e ambiental, que trata das áreas de reserva legal, diz que não ficou estabelecido qualquer prazo para averbação, em que pese constar da descrição dos fatos que essa deve darse até o último dia do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador (sem base legal citada), tratandose da primeira ilegalidade verificada no lançamento de ofício; · verificase que a legislação ambiental que trata da averbação da área de reserva legal não estabelece qualquer prazo para sua realização, em que pese constar da descrição dos fatos que essa deve darse até o último dia do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador (sem base legal), tratando da primeira ilegalidade verificada no lançamento de ofício; · o fato de a Lei 9.393/96 dispor que a área de reserva legal é a prevista na Lei nº 4.771/1965, com a redação dada pela Lei nº Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13227.720158/200852 Acórdão n.º 2201002.729 S2C2T1 Fl. 3 3 7.803/1989, também não autoriza a glosa, para fins tributários, da referida área; tampouco consta que a isenção fiscal depende de averbação da referida área. Mais duas ilegalidades flagrantes revelamse aqui; · diante das ilegalidades demonstradas, concluise que o lançamento de ofício afronta o princípio da legalidade e está em desacordo com a sua matriz conceitual vertida do art. 142 do CTN, que trata do procedimento vinculado; · a favor da sua tese, cita jurisprudência administrativa da CSRF (Acórdão 0304.476, Sessão de 08/08/2005 e Acórdão 03 04.770, Sessão de 21/02/2006); · discorre sobre a importância ambiental das áreas de reserva legal, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção da fauna e flora nativas, bem como das áreas de preservação permanente, com a função de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico da fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem estar das populações humanas; · a necessidade de efetuar a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, somente surge quando o proprietário pretende explorar o imóvel suprimindo vegetação nativa ou florestas já existentes, o que revela a preocupação do legislador com a proteção ambiental, não fiscal; · tratandose de área de posse, a obrigação da constituição do Termo de Ajustamento de Conduta visa, também, o mesmo e único objetivo: a proteção e preservação ambiental; · considerandose os julgados do antigo Conselho de Contribuintes, sobretudo do Terceiro, e as considerações aqui apresentadas, não há que se falar em mais uma solução em face da Lei Florestal, nem modificar a solução dada pela Lei 9.393/96 às situações nela previstas, sobretudo a previsão de se excluir da incidência do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente previstas no Código Florestal; · na comprovação das áreas de reserva legal, para fins tributários, não há como inverter o ônus da prova, à luz do art. 10, § 7º, da Lei 9.393/96; transcrevendo ementas de dois Acórdãos da CSRF (Acórdão 0304.433, Sessão de 17/05/2005 e Acórdão 0304.476, Sessão de 08/08/2005); · não obstante a regra do § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, o fisco pretende inverter o ônus da prova no que diz respeito à comprovação das referidas áreas ambientais. O lançamento de ofício assim celebrado baseouse em mera presunção, não prevista em lei, extraída do fato de não ter o impugnante atendido satisfatoriamente à intimação, com a glosa da área de reserva legal; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · considerandose que a jurisprudência administrativa ou judicial não têm admitido lançamento de tributo com base em meras presunções, suposições ou hipóteses, exigindose que o fato gerador esteja perfeitamente caracterizado, a pretensa ocorrência do fato que serviu de base ao lançamento fiscal não pode ser presumida, devendo tal fato estar satisfatória e concretamente comprovado nos autos, o que não ocorreu no caso vertente; · pressuposto de inveracidade de declaração com base em verificações singelas e indiretas, sem a produção de outros elementos de prova, sobretudo verificadas in loco, fere os princípios da ampla defesa e da verdade real, que regem o processo administrativo fiscal, além de constituir lançamento incerto, inseguro e duvidoso; · não é intenção da lei cometer ao fisco o super poder de lançar tributos aleatoriamente, eis que isso implicaria negar vinculação legal ao lançamento, em flagrante violação ao princípio da estrita legalidade; · cabia, pois, à autoridade fiscal aprofundarse na ação, em busca de prova concretas, de modo a saber se as áreas isentas existiam ou não, para, só depois, poder concluir o seu trabalho com seriedade, certeza e segurança; · a falta de apresentação de certos documentos poderia autorizar, eventualmente, a exigência de multa formal, não de imposto e acréscimos legais decorrentes de glosa das áreas isentas, pois não restou configurado o motivo que autorizaria o lançamento de ofício; · citando H.W Kruse, in Derecho Tributário, p. 99, Editoriales de Derecho Reunidas, frisa que a administração só pode aplicar a lei ao caso concreto, se demonstrar cabalmente que ele se subsume integralmente ao tipo normativo, o que implica na demonstração comprobatória do acontecimento factual sobre o qual fazse incidir a carga fiscal; · ainda sobre o onus probandi, e sobre os elementos inerentes ao fato gerador do imposto, transcreve lições de Francesco Tesauro, extraída da Revista di Diritto Finanziaro e Scienza delle Finanze (“Da prova no Processo Administrativo Tributário”, de Paulo Celso B. Bonilha, LTr. 1992); também citado; · além da necessidade de provas concretas e seguras por parte do autuante, há que se ater o julgador ao que consta do processo e aos elementos nele existentes, e nunca às alegações subjetivas que o autuante faça em razão de seu ato de ofício; · insiste que o fato que deu origem ao lançamento não restou satisfatoriamente provado, sendo celebrado com apoio unicamente em simples presunção; além de ser fácil concluir, pela leitura do art. 10, § 7º da Lei 9.393/96, que o ônus de provar que a DITR não é verdadeira quanto às áreas rurais isentas pertence unicamente ao fisco; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13227.720158/200852 Acórdão n.º 2201002.729 S2C2T1 Fl. 4 5 · nesse sentido, transcreve parte do voto preferido pela Conselheira Roberta Maria Ribeiro Aragão, da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, relatora do Acórdão 30131.561, Sessão de 11/11/2004; · insiste na necessidade de ser verificado in loco a existência ou não das áreas ambientais declaradas, isentas do ITR. Este, contudo, não é o caso dos autos, porquanto o autuante contentouse com a falta de averbação para concluir pela inexistência da área glosada (e da isenção); · insiste que, na espécie, prevalece por inteiro o princípio da verdade material e o encargo de prova por parte do fisco, eis que se trata de manifestação administrativa plenamente vinculada (art. 142 do CTN); citando, nesse sentido, ensinamentos do Professor de Direito Tributário Paulo de Barros Carvalho, que, em seu estudo sobre a “Natureza Jurídica do Lançamento” (in RDT nº 6, p. 124/137), comentou sobre as disposições do citado artigo, conforme transcrito; · nesse mesmo sentido, sobre o lançamento tributário, cita Alfredo Augusto Becker (“Teoria Geral do Direito Tributário”, p. 319, 2ª ed. Saraiva – SP); · o imóvel objeto do lançamento de ofício encontrase em condições ambientais impostas pelo Poder Público que o classificam como de utilização limitada em seu todo; · conforme pode ser constatado no mapa anexo, referido imóvel constitui área contígua, adjacente à Reserva Biológica do rio Jarú, criada pelo Decreto Federal nº 83.716, de 11/07/1979; além disso, visando à proteção dos ecossistemas existentes naquela unidade de conservação, o Conselho Nacional do Meio Ambiente baixou a anexa Resolução CONAMA nº 013, de 06/12/1990, transcrevendo o disposto no seu art. 2º; · em razão da sua localização, é evidente que a citada Resolução do CONAMA, além de observadas as determinações da Lei Florestal, impôs sérias limitações ao exercício do direito de propriedade do impugnante, em toda a área rural, o que fez justamente para limitar ou impedir ações ou omissões contrárias aos interesses do órgão ambiental relativamente à manutenção dos objetos para os quais a Reserva Biológica do rio Jarú foi criada; · da leitura atenta do Parecer Técnico do IBAMA, também anexado à presente, fácil é concluir pela assertiva acima; · continua discorrendo sobre a importância do “TD Bela Vista”, inclusive com manifestação do IBAMA no sentido de sua integração à citada Reserva Biológica, conforme Parecer Técnico de Viabilidade, da lavra de técnicos daquele órgão ambiental. Daí a limitação de uso da referida área; · essa área também foi classificada como imprestável para a implantação de atividades agropastoris, pelo Zoneamento Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 EcológicoEconômico do Estado de Rondônia, circunstância que igualmente autoriza sua exclusão da área tributável (art. 10, inciso II, alínea “c”, da Lei 9.393/96); · na medida em que a autoridade ambiental estabeleceu restrições ao uso da propriedade rural, por tratarse de entorno da Reserva do Jaru, restou caracterizado o desideratum vertido no art. 3º, alínea “e” da Lei 4.771/65, constituindose, destarte, área de preservação permanente, posto que destinada a proteger a integridade e reabilitação dos processos ecológicos à conservação da biodiversidade vizinha e ao abrigo e proteção da fauna e flora nativas; · diante dos gravames impostos em sua propriedade pelos órgãos ambientais, é induvidoso que toda a área do impugnante possui utilização limitada, não obstante sejam menores as áreas assim declaradas; · há que considerar, também, a total impossibilidade de averbação, por razões de ordem técnica e burocrática. Com efeito, o “TD Bela Vista”, de que faz parte a área do seu imóvel, foi alvo de invasão por inúmeras famílias de “sem terra”, conforme faz prova a documentação anexa (e que pode ser comprovado mediante diligências fiscais, o que desde já requer); · por não ser possível a presença in loco de um agrimensor credenciado, não há como realizar o levantamento géo referenciado exigido para fins de averbação da área junto ao competente Cartório de Registro de Imóveis; · em razão das manifestações do IBAMA, conforme acima relatado, por Decreto s/nº, de 02/05/2006, o Governo Federal incorporou 60.000,0 ha do “TD Bela Vista”, onde está inserida a área rural do impugnante e outras, aos limites da Reserva Biológica do rio Jaru, declarandoa de utilidade pública para fins de desapropriação por aquele órgão ambiental; · é, pois, induvidoso, tratarse de área de utilização limitada, isenta do ITR, sendo a glosa, por mais estas razões, improcedente; · o acesso ao SIPT ocorre por intermédio da Rede SERPRO, exclusivamente por usuário devidamente habilitado, mediante senha e outras exigências reservadas; · tratase, portanto, de sistema que, além de forjado unilateralmente, cujos parâmetros são totalmente desconhecidos pelo contribuinte, a este é vedado o acesso, o que constitui séria ofensa aos princípios da ampla defesa e da segurança jurídica; · não há nenhum procedimento, por parte do fisco, pelo qual tenha sido comprovado e justificado que o preço do imóvel em 01/01/2005 é diverso (maior) do que o declarado; · a notificação de lançamento sequer informa a data de avaliação do imóvel, o que permitiria melhor análise comparativa de preço, limitandose a descrição dos fatos a impor, sem qualquer explicação, que o valor da terra nua foi Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13227.720158/200852 Acórdão n.º 2201002.729 S2C2T1 Fl. 5 7 arbitrado tomandose como base as informações do SIPT. Mais nada; · também não fica esclarecido, na notificação, se foram respeitadas as características regionais do imóvel, a aptidão agrícola, suas dimensões, a existência de litígios em razão da comprovada presença de invasores semterras na época, sua funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias, etc., e o que é mais grave a impugnante assevera, com total segurança e sem medo de erra que ninguém apareceu no imóvel para observar, levantar e registrar tais fatores de avaliação (mesmo porque os invasores não o permitiriam); · a unilateralidade de tratamento por parte do Fisco, no que diz respeito ao VTN arbitrado, sem demonstração de nenhum parâmetro, a servir de base ao lançamento de ofício, afronta, também, o princípio da segurança jurídica; · aponta discrepâncias em relação ao VTN/ha arbitrado para o imóvel, de R$ 319,93, quando comparado com o VTN/ha arbitrado, objeto da Notificação de nº 02501/00009/2007, do mesmo contribuinte, cujo VTN/ha importou em R$ 109,52. No caso, tratase de áreas contíguas, sem solução de continuidade (sequer existem passagens), de mesma designação (TD Bela Vista), sendo a do impugnante denominada “Seringal Bela Vista”; · tais diferenças, deixam claro que o Sistema (SIPT) é falho, inconsistente, inconfiável e inseguro. Por conseguinte, o lançamento de oficio assim celebrado carece totalmente de certeza e segurança e seriedade, impondose a sua extinção; · acrescentese que não há nenhuma prova de inexatidões, incorreções ou fraude, circunstâncias que, segundo o art. 14 da Lei 9.393/96, somente se presentes autorizaria o arbitramento do preço do imóvel. Aliás, frisese que se trata de situação em que as disposições do § 7º do art. 10 da mesma lei, quanto ao ônus da prova, não plenamente aplicáveis, pelo que descabe tal procedimento fiscal; · a favor da sua tese, cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF (Acórdãos nº 30334194, Sessão de 29/03/2007; 30334161, Sessão de 28/03/2007, e 30334193, Sessão de 29/03/2007), além do Acórdão nº 30333404, de 13/07/2006, tendo como Relatora a Conselheira Dra. Anelise Daut Prieto, cuja ementa transcreve; · também argumenta que o § 1º do art. 14 da Lei 9.393/96 verte que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629/1993, conforme transcrito. Entretanto, a MP nº 2.18356/2001 alterou o referido art. 12, com a redução transcrita; · observase que não consta da Notificação de Lançamento a data a que se refere o VTN arbitrado; se a do fato gerador Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 (01/01/2005) ou da sua lavratura (06/10/2008), o que constitui mais um pressuposto a cercear o direito de defesa do impugnante; · impende salientar o fato de que a norma ora em vigor, a qual deve se subordinar o arbitramento do preço de terra, impõe que este seja ATUAL. Vale dizer, deve referirse ao preço de mercado apurado na data do lançamento. Portanto, não retroage, não se trata de valor histórico, pretérito, de anos anteriores, há de ser atual; · em sendo assim, tornase impossível o arbitramento de preço para servir de base a lançamento do ITR, relativamente a fatos geradores passados, como ocorreu no presente caso; · só o fato de tratarse de valor contemporâneo à data do lançamento de ofício (preço de mercado atual) é o bastante para tornálo insubsistente, pois deixou de ser observado o art. 144 do CTN; · nem mesmo o fato de se argumentar que tal regra é desfavorável ao impugnante, o que autorizaria a adoção do valor pretérito (01/01/2005), a regra do art. 12 acima transcrito o impediria; invocando, novamente, o disposto no art. 144 do CTN, frisando que por ocasião do lançamento deve ser observada a lei em vigor naquele dia; · assim, o referido artigo do CTN impede o lançamento com base em valores atuais, quando o respectivo fato gerador ocorreu em anos anteriores. Lançamento desse jaez é de todo improcedente; · há, portanto, um sério conflito a ser solucionado no presente feito: se, de um lado, o lançamento deve observar o disposto no art. 12, § 1º, inciso II, da Lei nº 8.629/1993, com a redação da MP nº 2.18356/2001 (conforme determina o art. 14 da Lei nº 9.393/96), que exige que o preço do imóvel seja fixado com base em valor atual (data do lançamento); de outro, impõese observar o preceptivo do art. 144 do CTN, que manda considerar aquele valor da data da ocorrência do fato gerador; · no caso dos autos, a notificação de lançamento é omissa quanto à data de obtenção do VTN usado no arbitramento do preço do imóvel, e ao impugnante não é dado o acesso ao SIPT, o que dificulta sobremaneira decidir sobre qual a oposição de equilíbrio a ser tomada perante o conflito apontado; · em qualquer uma dessas duas hipóteses, independentemente quanto à data a que se refere o arbitramento do VTN, o procedimento fiscal é de todo ilegal e não tem o condão de subsistir; · o disposto no art. 32, § 1º do Decreto nº 4.382/2002 (RITR) agrava, ainda mais, o conflito apontado, quiçá merecendo acolhida a sugestão quanto à aplicação da parêmia em favor do impugnante; · sendo o lançamento tributário um ato jurídico administrativo vinculado (art. 142 do CTN), quando celebrado sem observância Fl. 166DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13227.720158/200852 Acórdão n.º 2201002.729 S2C2T1 Fl. 6 9 da lei, não possui ele a virtude de estabelecer a pretensa relação jurídica e desencadear qualquer efeito jurídico válido e eficaz, de modo a impor ao Contribuinte o cumprimento da obrigação tributária consignada na respectiva notificação, e · por fim, requer: 1) seja recebida a presente impugnação, na forma do Decreto nº 70.235/72; 2) sejam acolhidas as razões nelas apresentadas para declarar a insubsistência do lançamento de ofício, cancelandose o crédito tributário notificado, e 3) sejam retificados os dados cadastrais do impugnante junto à RFB, para restabelecer a área não tributável glosada e o VTN declarado; protestando, ainda, pela apresentação de novos documentos que se fizerem necessários, inclusive memoriais. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou improcedente a Impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: DO PROCEDIMENTO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E NULIDADE. O procedimento fiscal foi instaurado e realizado em conformidade com a legislação vigente, além de ter sido possibilitado ao interessado, por ocasião da entrega tempestiva de sua impugnação, exercer plenamente o seu direito de defesa, não havendo, portanto, que se falar em cerceamento do direito de defesa ou de qualquer outra irregularidade que pudesse implicar na nulidade da correspondente Notificação de Lançamento. DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL Exigese que a área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, além de ter sido objeto de ADA protocolado tempestivamente no IBAMA, também esteja averbada à margem da matrícula do imóvel, em data anterior à do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha médio constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2005, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 167DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Intimado da decisão de primeira instância em 04/02/2013 (fl. 148), Nelio Nilton Niero apresenta Recurso Voluntário em 25/02/2013 (fls. 150/153), reiterando, exatamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral da área declarada de utilização limitada/reserva legal (17.337,1 ha), além de rejeitar o VTN declarado de R$ 108.357,00 (R$ 5,00/ha), arbitrando o valor de R$ 6.920.383,63 (R$ 319,33/ha), com base no Sistema de Preços de Terras – SIPT, instituído pela Receita Federal. Alega o suplicante, preliminarmente, nulidade do lançamento, já que a exigência está calcada em de mera presunção, pois não houve visita prévia a propriedade. Assevera ainda que arbitramento do VTN com base no SIPT é ilegal, pois além de implicar em cerceamento do seu direito de defesa “... não foram respeitadas as características regionais do imóvel, a aptidão agrícola, suas dimensões...”. No que tange à alegação de que a exigência está calcada em de mera presunção, pois não houve visita prévia a propriedade, cumpre esclarecer que o trabalho de revisão realizado pela autoridade fiscal é eminentemente documental e a falta de comprovação, em qualquer situação, de dados cadastrais informados na correspondente declaração (DIAC/DIAT), incluindo a subavaliação do VTN, autoriza o lançamento de oficio, não havendo necessidade de verificar “in loco” a ocorrência de possíveis irregularidades. Quanto à preliminar de nulidade, relativamente ao arbitramento do Valor da Terra Nua, como a matéria se confunde com o mérito e com ele será tratada. No mérito, verificase que a autoridade fiscal glosou integralmente a área declarada de utilização limitada/reserva legal de 17.337,1 ha, em razão da falta de averbação da citada área à margem da matrícula do imóvel, não obstante essa área ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental – ADA protocolado tempestivamente no IBAMA (doc./cópia de fls. 12). Pois bem, no que tange à área de reserva legal, o § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/1965 Código Florestal, com a redação dada pela MP nº 2.16667/2001, determina a necessidade seu registro à margem da inscrição de matrícula do imóvel. Vejase: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13227.720158/200852 Acórdão n.º 2201002.729 S2C2T1 Fl. 7 11 (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) O Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Embora alegue o recorrente a desnecessidade da averbação da área, em razão da apresentação tempestiva da cópia do ADA, fls. 11/13, além de documentos de fls. 90, 91/97, 98, 99 e 102, mormente a comprovação de que o “Seringal Bela Vista”, parte do TD Bela Vista, está situado na Zona de Proteção Ambiental do entorno do Reserva Biológica do Jaru/IBAMA, penso que tais documentos não dispensam a necessidade de averbação da referida área à margem da matrícula do imóvel. Relativamente à pretensão de que toda a área seja considerada de interesse ecológico para proteção do ecossistema ou mesmo área imprestável para qualquer atividade rural, declarada de interesse ecológico por ato do órgão ambiental Federal ou Estadual, cabe registrar que o contribuinte não comprovou nos autos a existência de ato específico do órgão ambiental competente, declarando às restrições de uso a que estão sujeitas as áreas do imóvel, situadas no entorno da Reserva Biológica do Jarú, conforme bem pontuou a autoridade recorrida: Encerrando esse tema, é preciso deixar registrado que além de não constar dos autos documentação atualizada do IBAMA, atestando que, de fato, a área total do “Seringal Bela Vista” foi incorporada aos limites da Reserva Biológica do Jaru, por ocasião da ampliação dos seus limites, nos termos do Decreto de 02 de maio de 2006, doc./cópia de fls. 102, esse fato ocorreu após a data do fato gerador do imposto, ou seja, após 1º/01/2005, não podendo servir para justificar a dispensa da comprovação da exigência tratada anteriormente. Importante aqui salientar que nessa instância administrativa prevalece o entendimento de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7º, do art. 10, da Lei no. 9.363/96 (incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24.8.2001), ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria.. Mantémse, neste ponto, a exigência fiscal. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Quanto ao Valor da Terra Nua, verificase que a autoridade fiscal lavrou a exigência com base no art. 14, caput, da Lei 9.393/1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (grifei) Por sua vez, o art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/1996 determina: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (grifei) Pelo que se vê, o fisco dispõe da prerrogativa estipulada em Lei de não aceitar informações prestadas pelo sujeito passivo, sempre que tais valores não mereçam fé. No caso dos autos, a autoridade fiscal considerou que o VTN declarado pelo recorrente estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal. Todavia, impõese que o fisco ao fazêlo se precavenha, fazendo apoiar suas pretensões em parâmetros previstos pelo legislador, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. Entretanto, não há nos autos qualquer evidência dos critérios e parâmetros utilizados pela autoridade fiscal para arbitramento do VTN. Com efeito, não foi juntada aos autos a tela do SIPT que indica o valor do VTN considerado para fins de arbitramento e que Fl. 170DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13227.720158/200852 Acórdão n.º 2201002.729 S2C2T1 Fl. 8 13 possibilitaria a verificação da aplicação dos critérios previstos no art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993. Ausente a demonstração do SIPT, não há como aferir a legalidade do arbitramento, conforme entendimento sedimentado na CSRF, cuja ementa transcrevese: ITR VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/1993). (Acórdão n 9202003.144 de 27 de março de 2014) Isso posto, devese restabelecer o VTN informado pelo contribuinte em sua DITR/2005. Ante ao exposto, voto dar parcial provimento ao recurso para restabelecer o VTN informado pelo contribuinte em sua DITR/2005. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 171DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724723/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
EXCLUSÃO DA EMPRESA DO SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS ABRANGIDOS PELA REFERIDA SISTEMÁTICA. NULIDADE.
É nulo o lançamento de ofício dos tributos abrangidos pelo SIMPLES, quando não precedido do ADE - Ato Declaratório de Exclusão da empresa da referida sistemática.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELA ENTIDADE DESPERSONALIZADA. IMPUTAÇÃO COMO PAGAMENTO. DEVER DE OFÍCIO DA FISCALIZAÇÃO.
Uma vez que a fiscalização desconsidere a personalidade jurídica de entidade formalmente constituída como empresa e, por consequência, atribua-lhe a condição de mera filial de outra pessoa jurídica, deve proceder, quando idênticos os respectivos fatos geradores, à imputação das contribuições previdenciárias por aquela recolhidas, como pagamento das contribuições exigidas desta última.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2401-003.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONHECER do recurso de ofício, e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO,reconhecendo o vício material no lançamento.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 EXCLUSÃO DA EMPRESA DO SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS ABRANGIDOS PELA REFERIDA SISTEMÁTICA. NULIDADE. É nulo o lançamento de ofício dos tributos abrangidos pelo SIMPLES, quando não precedido do ADE - Ato Declaratório de Exclusão da empresa da referida sistemática. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELA ENTIDADE DESPERSONALIZADA. IMPUTAÇÃO COMO PAGAMENTO. DEVER DE OFÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. Uma vez que a fiscalização desconsidere a personalidade jurídica de entidade formalmente constituída como empresa e, por consequência, atribua-lhe a condição de mera filial de outra pessoa jurídica, deve proceder, quando idênticos os respectivos fatos geradores, à imputação das contribuições previdenciárias por aquela recolhidas, como pagamento das contribuições exigidas desta última. Recurso de Ofício Negado
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NÁUTICA LTDA. EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 EXCLUSÃO DA EMPRESA DO “SIMPLES”. ATO DECLARATÓRIO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS ABRANGIDOS PELA REFERIDA SISTEMÁTICA. NULIDADE. É nulo o lançamento de ofício dos tributos abrangidos pelo “SIMPLES”, quando não precedido do ADE Ato Declaratório de Exclusão da empresa da referida sistemática. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELA ENTIDADE DESPERSONALIZADA. IMPUTAÇÃO COMO PAGAMENTO. DEVER DE OFÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. Uma vez que a fiscalização desconsidere a personalidade jurídica de entidade formalmente constituída como empresa e, por consequência, atribualhe a condição de mera filial de outra pessoa jurídica, deve proceder, quando idênticos os respectivos fatos geradores, à imputação das contribuições previdenciárias por aquela recolhidas, como pagamento das contribuições exigidas desta última. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONHECER do recurso de ofício, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO,reconhecendo o vício material no lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 47 23 /2 01 3- 98 Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724723/201398 Acórdão n.º 2401003.969 S2C4T1 Fl. 1.266 3 Relatório Tratase de de ofício em face de decisão de primeira instância que julgou procedente a impugnação da interessanda, exonerando o crédito tributário. Adotamos trecho, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.159 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Consoante o relatório fiscal (REFISC) anexado às fls. 202 a 219, no curso do procedimento de fiscalização na SCHOONER COMERCIO DE VESTUÁRIO E DEC NÁUTICA LTDA. EPP, instaurado para a verificação do cumprimento, pela referida entidade, de suas obrigações relativas às contribuições destinadas à previdência social e a outras entidades e fundos, foram lavrados os seguintes autos de infração: Ainda nos termos do mencionado relatório: 1º) Os lançamentos têm origem em informações durante auditoria na SCHOONER, bem como nos procedimentos fiscais instaurados junto às empresas ACROLINE COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – EPP, ASPIDECK INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – EPP, CLOTHE CAMPINAS COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA – EPP, CLOTHEPAR COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA – ME, CLOTHEPOLLO COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA –EPP, CLOTHESUL CONFECÇÕES LTDA – EPP, PRIMO BORDADOS LTDA EPP e TEXTILPRIMA COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA – EPP, as quais possuem o mesmo objeto social da primeira, ou seja, o comércio de artigos de vestuário e acessórios; 2º) Os elementos que justificaram os lançamentos foram obtidos na análise das informações prestadas pelo contribuinte nas GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL – GFIP e demais elementos colhidos junto à autuada e demais “empresas” acima elencadas, elementos esses que formaram o convencimento do Fisco acerca da íntima relação dessas com aquela, conduzindo à conclusão de que a SCHOONER é a matriz da qual as outras “empresas” são meras filiais, constituídas com outras razões Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 sociais com a finalidade de supressão de tributos mediante fraude; 3º) A fiscalizada e as demais “empresas” realizaram autoenquadramento no SIMPLES NACIONAL e, a partir deste enquadramento e respectiva declaração em GFIP, deixaram de ser calculadas como devidas à Previdência Social as contribuições sociais a cargo da empresa; 4º) Conforme quadro demonstrativo do item 12 do relatório, a receita bruta da SCHOONER, em conjunto com a de suas filiais, denotase a impossibilidade de opção ao regime do SIMPLES NACIONAL, vez que tal receita bruta supera, em todo o período fiscalizado, o limite máximo para ingresso ou permanência nessa sistemática; 5º) Na medida em que as atividades da SCHOONER foram se expandindo, ao invés de se criarem filiais do estabelecimento, foram criadas diversas pessoas jurídicas de forma a fracionar a receita bruta e usufruir, indevidamente, do regime tributário favorecido denominado SIMPLES NACIONAL; 6º) A SCHOONER, sob comando de seu sócio majoritário, administrador da pessoa jurídica desde 26/09/1986, Antonio Carlos Ferreira, por intermédio de pessoas de seu núcleo familiar, amizade e confiança pessoal, fracionou suas atividades utilizandose, de forma simulada, das demais pessoas jurídicas referidas neste relatório, todas indevidamente optantes pelo SIMPLES NACIONAL, com a finalidade de manter a SCHOONER nesse regime e, conseqüentemente, suprimir tributos devidos à Previdência Social e às outras entidades e fundos (terceiros), já que para a empresa optante pelo SIMPLES não há incidência, sobre a folha de pagamento, de contribuições sociais a cargo da empresa; 7º) Os indícios da referida simulação, coletados durante a auditoria fiscal, são os seguintes: Quanto à Schooner Conforme depreendese do contrato social constante no anexo “Schooner Intimações e documentos”, a Schooner iniciou suas atividades em setembro de 1986 tendo como sócios Antonio Carlos Ferreira e sua mãe Lea Rita Bergamaschi Ferreira , ambos com 50% das cotas sociais. Em junho de 1993, com a 2a. alteração do Contrato Social, Antonio Carlos Ferreira consolidase como sócio majoritário, com 99% das cotas sociais. Quanto à Aspideck Em dezembro de 1996, Jorge Dib Manne associase a Antonio Carlos Ferreira e juntos criam a segunda pessoa jurídica do grupo Schooner, a Aspideck, representada fisicamente pela loja Schooner existente no shopping Curitiba, nesta capital. No ato de sua criação cada sócio integralizou 50% do capital social, assumindo a mesma proporção das cotas sociais. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724723/201398 Acórdão n.º 2401003.969 S2C4T1 Fl. 1.267 5 O vínculo entre Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne aparece descrito pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio de Curitiba (Sindilojas) em http://www.sindilojascuritiba.com.br/sindilojasguerreirodo comercio2007, acessado em 03/05/2013, às 10:35h. Conforme verificase no anexo “Jorge dib manne e Antonio Carlos Ferreira Sindicomércio.pdf”, no ano de 2007 Jorge Dib Manne foi agraciado com o prêmio “Guerreiro do Comércio 2007” pelo seu desempenho junto à rede de lojas Schooner, tendo como “sócio” Antonio Carlos Ferreira. O mesmo vínculo entre Antonio e Jorge Dib é descrito em publicação promocional de rede de lojas Schooner editada em 2011. Conforme consta em http://pt.scribd.com/doc/63060883/SchoonerMarinersEdition, acessado em 03/05/2013, às 10:40h. No anexo “revista schooner c história.pdf” destacase o trecho que diz “A Schooner surgiu em 1986 e foi fundado por Antônio Carlos Ferreira,após sete anos, seu grande amigo Jorge Dib Manne se juntou a equipe”. Em junho 2001, Antonio Carlos Ferreira retirase da Aspideck. Em seu lugar e com apenas 1% das cotas sociais, ingressa Luciana Manne Paiva, irmã de Jorge Dib Manne. Em novembro de 2012, Luciana deixa a Aspideck e Jorge Dib Manne passa a ser o único sócio desta empresa. Além de amigos, os sócios Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne são vizinhos pois residem no mesmo prédio, situado na avenida Iguaçu 3001 em Curitiba. Antonio Carlos mora no apartamento 2002 e Jorge Dib no apartamento 2403, conforme comprovantes de endereço constantes nos anexos “Schooner Intimações e documentos” e “Aspideck intimações e documentos”. Quanto à Primo Bordados Criada em maio de 1999 tendo inicialmente como sócias Iolanda Ferreira Zardo e Mariza de Cássia Zardo, ambas com 50% das cotas sociais e tendo Iolanda como gerente da sociedade. Vide anexo “P Bordados Intimações e documentos.pdf”. Notese que Iolanda é mãe de Kátia Rosana Zardo Ferreira, esposa de de Antonio Carlos Ferreira. Mariza é filha de Iolanda e irmã de Rosana. Portanto a Primo Bordados foi criada tendo como sócias a sogra e a cunhada de Antonio Carlos Ferreira. Em maio de 2008, Antonio Carlos Ferreira assume a sociedade como administrador e com 99% das cotas sociais, restando Marisa com 1%. Quanto à Acroline Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Criada em novembro de 2000 tendo como sócios Jorge Manne (99% das cotas sociais) e Pércio Ferreira (1% das cotas sociais). Vide anexo “Acroline Intimações e documentos.pdf “. Notese: Jorge Manne é o pai de Jorge Dib Manne, o guerreiro do Comércio de 2007. Pércio Ferreira, já falecido, era o pai de Antonio Carlos Ferreira, grande amigo de Jorge Dib Manne. Quanto à Clothesul Criada em julho de 2005 tendo como sócios as mesmas pessoas da primitiva Schooner: Antonio Carlos Ferreira (1% das cotas sociais) e sua mãe, Lea Rita Bergamaschi Ferreira (99% das cotas sociais). Notese a seguinte peculiaridade do Contrato Social: Na cláusula 7ª –Administração consta que a sociedade será administrada isoladamente pelo sócio Antonio Carlos Ferreira. Em outras palavras, com 1% das cotas sociais, Antonio Carlos Ferreira detinha (como deteve até outubro de 2012) 100% do controle desta pessoa jurídica (que, tal qual às outras já referidas, é mera filial da primitiva Schooner). Em 26/10/2012, Antonio Carlos retirouse da sociedade, sobejando apenas sua mãe como cotista e administradora dessa filial. Vide anexo “Clothesul Intimações e documentos.pdf”. Quanto à Clothepar Surgida em outubro de 2008, tendo como sócios Jorge Dib Manne (administrador, com 99% das cotas sociais) e sua esposa, Adriana Evaristo Machado Manne (1% das cotas sociais). Em dezembro de 2009, retirase Jorge Dib e ingressa, com apenas 1% das cotas sua mãe Theresa Christina Abagge Manne. Em novembro de 2012, a mãe de Jorge Dib retirase da sociedade restando sua esposa Adriana com 100% das cotas sociais. Vide anexo “Clothepar Intimações e documentos.pdf”. Quanto à Textilprima Criada em agosto de 2010, tendo como sócias Theresa Christina Abagge Manne (com 99% das cotas sociais) e Luciana Manne Paiva (com 1% das cotas sociais). Como já visto, Theresa é mãe de Jorge Dib e Luciana irmã deste. Em outubro de 2010, retira se Luciana e ingressa Adriana Evaristo Machado Manne, na mesma proporção de cotas sociais. A partir de novembro de 2012, Theresa Christina Abagge Manne passa a figurar no contrato social com 100% das cotas sociais, dada a retirada de Adriana. Vide anexo “Textilprima Intimações e documentos.pdf”. Percebase as alterações cruzadas nos quadros sociais da Textilprima com a Clothepar. Quanto à Clothe Campinas Criada em setembro de 2010, tendo como sócias Kátia Rosana Zardo Ferreira (administradora, com 99% das cotas sociais) e Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724723/201398 Acórdão n.º 2401003.969 S2C4T1 Fl. 1.268 7 Iolanda Ferreira Zardo (com 1% das cotas sociais). Conforme destacado no tópico Primo Bordados, Kátia é esposa de Antonio Carlos Ferreira e Iolanda é mãe de Kátia. Quanto à Clothepollo Criada em junho de 2011, tendo como sócios Fernando Zardo (administrador, com 99% das cotas sociais) e Bruno Evaristo Ferreira (com 1% das cotas sociais). Em novembro de 2012, Bruno retirase da sociedade, restando Fernando Zardo com 100% das cotas sociais. Bruno Evaristo é filho de Adriana Evaristo Machado Manne (esposa de Jorge Dib Manne). Fernando Zardo é pai de Kátia Rosana Zardo Ferreira, esposa de Antonio Carlos Ferreira. Os dados acima denotam a existência de estreitos vínculos familiares entre as pessoas referidas neste tópico e o vínculo de amizade existente entre os verdadeiros sócios da rede de lojas Schooner que, com vistas a fraudar o Fisco, estabeleceram, mediante laços de fidelidade e sujeição, o conluio ora desvendado. Quanto à movimentação de empregados da rede Entre as pessoas jurídicas integrantes da rede SCHOONER há uma intensa movimentação de empregados (v. o quadro demonstrativo do item 13.2 do REFISC). A sucessão de vínculos consecutivos de diversos empregados demonstra a administração comum das pessoas jurídicas (na realidade filiais) do grupo, transferindo empregados de um estabelecimento para outro conforme a necessidade e conveniência do momento. Em várias dessas movimentações percebese a interrupção dos vínculos empregatícios pelo tempo necessário à possível fruição do benefício social denominado “seguro desemprego”, disfarçado pelo reingresso do empregado em outra “empresa” do grupo Schooner; Quanto à elaboração e envio de Gfip As declarações em GFIP das empresas correspondentes às lojas da rede SCHOONER em Curitiba e São José dos Pinhais (ASPIDECK, ACROLINE, CLOTHEPAR, CLOTHEPOLLO, PRIMO BORDADOS, TEXTILPRIMA e SCHOONER) são enviadas pela mesma pessoa: Luana Lopes de Oliveira, CPF 029.803.15907, que é empregada da ACROLINE desde 01/09/2005. Quanto ao uso da marca “Schooner” Intimadas a esclarecer por que se utilizam da marca “SCHOONER”, pertencente à SCHOONER COMÉRCIO DE VESTUÁRIO E DECORAÇÃO NÁUTICA LTDA., conforme pesquisa feita no sítio do INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial na internet, as demais empresas afirmaram que o nome SCHOONER é utilizado como decorrência e expressa autorização do detentor Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 da marca, uma vez que labora como espécie de franqueador informal; Em razão dessa resposta, novas intimações foram lavradas para que fossem apresentados os instrumentos jurídicos que contivessem a “expressa autorização do detentor da marca” para uso do marca/nome “SCHOONER”, bem como fosse esclarecido o significado da expressão “franqueador informal” e a forma e valores de remuneração paga ao “franqueador informal”, com indicação da conta contábil de registro dos pagamentos dessa remuneração. Entretanto, como resposta, as empresas “de fachada” tergiversaram respondendo que embora possuíssem autorização expressa para o funcionamento sob o sistema de franquia, esta se operou de maneira informal. Nenhum documento foi apresentado. Nada comprovou a alegada “expressa autorização”. Acrescentese que na contabilidade das “empresas” da rede SCHOONER não consta qualquer conta ou registro contábil de receita ou despesa referente ao alegado “sistema de franquia”, não havendo, portanto, que se falar em sistema de franquia. A fraude ora descortinada não guarda relação com sistema de franquia. Em realidade, o dono da primitiva SCHOONER, Antonio Carlos Ferreira, associouse a Jorge Dib Manne e, como já dito, com a expansão de suas atividades empresariais, ao invés de abrirem filiais da empresa, passaram a criar, em nome próprio e mediante interposição de pessoas, diversas pessoas jurídicas optantes pelo regime tributário SIMPLES NACIONAL, fracionando suas receitas e suprimindo tributos. Quanto aos contratos de locação Verificouse, também, a presença de relações de confiança nos contratos de locação dos imóveis ocupados pelas filiais da Schooner, conforme descrito a seguir: ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Acroline O contrato de locação consta no anexo “Acroline Intimações e documentos.pdf”. Nesse contrato, como ordinariamente acontece, assina como representante da locatária o “sócio” Jorge Mane. Inusitada, não fosse o conluio que ora se desvenda, é a presença de Antonio Carlos Ferreira e sua esposa Kátia Rosana Zardo Ferreira como fiadores do locatário. A presença de Antonio Carlos Ferreira na figura de fiador evidencia, novamente, a existência de administração centralizada da rede de lojas Schooner. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothepar Nesse contrato, Jorge Dib Manne, que não é sócio dessa pessoa jurídica, comparece como fiador da empresa. O contrato de locação consta no anexo “Clothepar Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothepollo Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724723/201398 Acórdão n.º 2401003.969 S2C4T1 Fl. 1.269 9 Nele consta a sucessão havida entre a Primo Bordados e a Clothepollo. As pessoas relacionadas no contrato são Iolanda Ferreira Zardo e Fernando Zardo, pais da esposa de Antonio Carlos Ferreira conforme já relatado. Anexo “Clothepollo Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothesul Neste contrato, apesar de não conter a assinatura do fiador, consta o nome de Jorge Dib Manne. O simples fato de constar nesse contrato o nome do grande sócio de Antonio Carlos Ferreira, em uma “empresa” sem qualquer ligação aparente entre os dois, demonstra, novamente a existência de atividade empresarial conjunta das referidas pessoas. Anexo “Clothesul Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Primo Bordados Presentes Antonio Carlos Ferreira como representante do locatário e como fiador aparece, novamente, Jorge Dib Manne. Novamente o que poderia ser uma aparente coincidência é mais uma evidência da associação empresarial existente entre as referidas pessoas. Anexo “P Bordados Intimações e documentos.pdf”. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Textilprima Nesse contrato consta o nome da ora autuada (Schooner) como cedente do contrato original de locação para a Textilprima. E novamente aparecem as figuras de Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne de forma a reiterar a atividade negocial conjunta e a existência de confiança recíproca entre si. Anexo “Textilprima Intimações e documentos.pdf”. Mais: esse contrato demonstra que após um inicial planejamento para criação de uma verdadeira filial da primeira Schooner, os sócios de fato Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne escolheram criar uma nova pessoa jurídica mediante nova interposição de pessoas (no caso a mãe de Jorge Dib Manne) de forma a ocultar os verdadeiros sócios da empresa. ▪ Contrato de locação da loja onde se situa a filial Clothe Campinas Nesse contrato consta o nome de Antonio Carlos Ferreira (administrador da rede Schooner) como cedente do contrato original de locação para a Clothe Campinas. Outra vez, não por acaso, aparece a figura de Jorge Dib Manne (como fiador do contrato) de forma a reiterar a atividade negocial conjunta e a existência de confiança recíproca entre si. Anexo “Clothe Campinas Intimações e documentos.pdf”. Mais: esse contrato demonstra, novamente, que após um inicial planejamento para criação de uma verdadeira filial da primeira Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 Schooner, os sócios de fato Antonio Carlos Ferreira e Jorge Dib Manne escolheram criar uma nova pessoa jurídica mediante nova interposição de pessoas (no caso a esposa e a sogra de Antonio Carlos Ferreira) de forma a ocultar os verdadeiros sócios da empresa. Quanto ao rateio de despesas de publicidade No período de 25 a 30/08/2012 houve rateio de despesas referentes a veiculação comercial na empresa Rádio Transamérica de Curitiba. O anexo “Notas Fiscais Transamerica.pdf” contém as imagens de notas fiscais de prestação de serviços com numeração sucessiva e idêntico valor. Uma foi paga pela Clothepollo (cuja administração pertence, de fato, a Antonio Carlos Ferreira) e a outra foi paga pela Textilprima (cuja administração recai, de fato, em Jorge Dib Manne). Obviamente as veiculações referiramse à marca “Schooner”. Quanto ao empréstimo atípico feito a Jorge Dib Manne Jorge Dib Manne, que não é formalmente sócio dessa “empresa”, recebeu em 29/12/2010 um “empréstimo” de R$ 100.000,00 da Textilprima. Esse valor foi entregue em espécie a Jorge Dib Manne (saiu diretamente do caixa da empresa) curiosamente alguns dias após o término do período de vendas do natal de 2010. O pagamento do empréstimo foi feito mediante quatro depósitos na conta corrente da Textilprima: três vezes de R$ 30.000,00 em 14/12/2012, 17/12/2012 e 18/12/2012 mais uma vez de R$ 10.000,00 em 19/12/2012, totalizando os mesmos R$ 100.000,00. Esses fatos contábeis estão registrados na conta contábil “11010700002 JORGE DIB MANNE“ da contabilidade da Textilprima que considerou quitada a obrigação entre as partes. Percebase a peculiaridade desse empréstimo: Foi realizado a pessoa estranha ao quadro social da empresa mediante incomum benefício à essa pessoa, alheia à sociedade. O “empréstimo” foi contraído em dezembro de 2010 e restituído em dezembro de 2012, portanto após o decurso de dois anos, sem qualquer correção monetária ou juros remuneratórios. Tal privilégio corrobora o convencimento do Fisco acerca de quem é o administrador de fato da Textilprima: Jorge Dib Manne. Os documentos contábeis referentes às transações ora referidas constam do anexo “Textilprima Intimações e documentos.pdf”. Os registros contábeis constam dos arquivos digitais da contabilidade entregues pela Textilprima à fiscalização. Quanto às operações conjuntas de importação Em meados de 2012 a rede de lojas Schooner foi autuada pela fiscalização aduaneira da Receita Federal do Brasil (conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0917800/53772/12 Comprot nº 10907720.002/201219) em razão de realizar importação de mercadorias para revenda em sua rede de lojas em desconformidade com a legislação de regência Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724723/201398 Acórdão n.º 2401003.969 S2C4T1 Fl. 1.270 11 dessas operações. Conforme consta no anexo “Irregularidades Aduaneiras”, uma das “filiais” da rede Schooner realizava a importação de mercadorias para toda a rede, mediante interposição fraudulenta de pessoas e ocultação dos reais beneficiários das operações de importação. O relatório fiscal do auto de infração constante no referido anexo demonstra, novamente, a existência do conluio fraudulento ora relatado e se coaduna com a conclusão da existência de gestão concentrada das lojas da rede Schooner. Quanto aos advogados da rede “Schooner” Os representantes legais das nove “empresas” do grupo Schooner, que formalmente teriam administrações desvinculadas umas das outras, outorgaram procurações para os mesmos advogados. Face todos os pontos ora expostos, a escolha dos mesmos advogados para representar todas as pessoas jurídicas do grupo aponta, outra vez, que a administração da rede de lojas está sob o controle das mesmas pessoas. 8º) Os fatos apresentados, quando analisados rápida e isoladamente, podem não se revestir de grande relevância. Mas, a visão do todo, do conjunto de indícios carreados, demonstra, indene de dúvidas, que a empresa ora autuada procedeu ao fracionamento de suas atividades mediante simulação de existência de pessoas jurídicas distintas, todas optantes pelo regime tributário privilegiado denominado SIMPLES NACIONAL, com vistas à ocultação de sua real receita bruta auferida e com isso fraudar o Fisco; 9º) Os autos de infração que integram este processo constituem o crédito tributário referente às contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados, conforme valores informados pelas pessoas jurídicas integrantes da rede de lojas SCHOONER nas GFIP correspondentes ao período fiscalizado; 10º) As condutas perpetradas pelos administradores da autuada, ao utilizarem simuladamente outras pessoas jurídicas para albergar partes de suas atividades, beneficiandose indevidamente de regime do SIMPLES NACIONAL, cujo resultado é supressão das contribuições sociais devidas, configuram, em tese, crime contra a Ordem Tributária, de acordo com o artigo 2º, inciso I, da Lei n° 8.137/90, de 27/12/1990, razão pela qual foi elaborada representação fiscal para fins penais, bem como representação administrativa para o fim de elaboração de ato declaratório de exclusão (ADE) do SIMPLES NACIONAL de todas as empresas referidas nesse relatório; 11º) O contribuinte não possui recolhimentos em Guias da Previdência Social (GPS) referentes aos fatos geradores ora lançados, portanto, não há créditos para serem apropriados nos presentes autos de infração; e Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 12º) As deduções referentes a saláriofamília e salário maternidade foram consideradas e aproveitadas integralmente no Auto de Infração n° 51.037.9150. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com os lançamentos, a empresa impugnouos por meio do expediente anexado às fls. 958 a 997 (…) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada procedente, tendo sido exonerado o crédito tributário, razão pela qual recorreuse de ofício. É o relatório. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724723/201398 Acórdão n.º 2401003.969 S2C4T1 Fl. 1.271 13 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Recurso de Ofício. A decisão de primeira instância é irretocável quanto à improcedência do lançamento por ausência de prévia emissão do ato declaratório de exclusão. Assim, quanto aos AI´s nº 51.037.9141 e 51.037.9168, repisamos os seguintes argumentos. Consta no item 17 do REFISC: 17. As condutas perpetradas pelos administradores da autuada, ao utilizarem simuladamente outras pessoas jurídicas para albergar partes de suas atividades, beneficiandose indevidamente de regime tributário privilegiado (Simples Nacional), cujo resultado é supressão das contribuições sociais devidas, configuram, em tese, crime contra a Ordem Tributária, de acordo com o artigo 2º, I, da Lei n° 8.137/90, de 27/12/1990. Será encaminhada representação fiscal para fins penais, bem como representação administrativa para o fim de elaboração de ato declaratório de exclusão (ADE) do Simples Nacional de todas as empresas referidas nesse relatório. Notese que a representação administrativa mencionada no item 17 do relatório fiscal é objeto do processo nº 10980.725564/201349, tendo culminado na emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n° 134, de 14 de novembro de 2014, proferido, portanto, mais de oito meses após o julgamento de primeira instância, ocorrido em 20 de março de 2014 e que se encontra pendente de análise da impuganção interposta pela contribuinte. Tampouco se tem notícia das pretendidas exclusões das demais oito empresas citadas nos autos. A exclusão de ofício de que trata o § 3º do art. 29 da LC nº 123/2006 deverá ser formalizada por termo a ser expedido pela entidade federativa que der início àquele procedimento, como consta do art. 75 da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, a saber: Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: I da RFB; II das Secretarias de Fazenda, de Tributação ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento; e III dos Municípios, tratandose de prestação de serviços incluídos na sua competência tributária. § 1º Será expedido termo de exclusão do Simples Nacional pelo ente federado que iniciar o processo de exclusão de ofício. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 14 § 2º Será dada ciência do termo de exclusão à ME ou à EPP pelo ente federado que tenha iniciado o processo de exclusão, segundo a sua respectiva legislação, observado o disposto no art. 110. É verdade que há a possibilidade de lançamento de ofício dos tributos devidos na hipótese de exclusão, mesmo quando ainda não existente decisão administrativa definitiva sobre eventual manifestação de inconformidade da empresa quanto ao ato que determinou a sua exclusão do regime do SIMPLES – conforme entendimento consolidado no âmbito deste Conselho, como se depreende do enunciado de sua Súmula nº 77, in verbis: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Todavia, o que ocorreu no presente caso foi o lançamento antes da própria expedição do termo referido no § 3º do art. 29 da Lei Complementar n° 123/2006, que, segundo a dicção deste dispositivo, será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor. Como destacado na decisão de primeira instância, os §§ 1º e 2º do art. 75 da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, estabelecem, respectivamente, que “Será expedido termo de exclusão do Simples Nacional pelo ente federado que iniciar o processo de exclusão de ofício”, e que “Será dada ciência do termo de exclusão à ME ou à EPP pelo ente federado que tenha iniciado o processo de exclusão, segundo a sua respectiva legislação, observado o disposto no art. 110.” Portanto, a legislação condiciona a exclusão de ofício ao cumprimento de um ato formal (termo de exclusão do Simples Nacional) e de um rito a ser respeitado, inclusive em obediência ao artigo 5°, incisos LIV e LV, da Constituição Federal. Assim, entendemos que, por razões lógicas, cronológicas e especialmente jurídicas, não se pode conceber um lançamento que seja decorrência direta, que seja consequência, de um ato ainda não praticado e que, portanto, cujas próprias motivações fática e jurídica ainda não se encontram devidamente delimitadas. Portanto, entendemos que o termo de exclusão do Simples Nacional, que delimite as razões de fato e de direito da exclusão, constitui condição de validade para o lançamento de tributos que somente são devidos na hipótese de exclusão do Simples Nacional. Certamente, não é por outra razão que a Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008, impõe que sejam juntados, para julgamento simultâneo, processos de exclusão do SIMPLES e de lavratura de autos de infração decorrentes de tal procedimento, como se depreende do dispositivo a seguir transcrito: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: (...) III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724723/201398 Acórdão n.º 2401003.969 S2C4T1 Fl. 1.272 15 exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; (...) § 3º Sendo apresentadas pelo sujeito passivo manifestação de inconformidade e impugnação, as peças serão juntadas aos processos de que tratam os incisos II e III. Como consignado na decisão de primeira instância, não apenas por interpretação do § 3º do art. 29 da LC nº 123/2006 e da retrocitada Portaria nº 666/2008 se chega à conclusão de que procede a reclamação do sujeito passivo. A necessidade da preexistência do ato de exclusão é mesmo um imperativo da lógica, pois, se a empresa incluída no SIMPLES não está obrigada ao recolhimento de determinados tributos, parece evidente que enquanto não for declarada, pelo órgão fazendário competente, a impossibilidade de sua permanência nesse regime tributário, eventual lançamento de ofício destas prestações padece de absoluta falta de motivo, que é um dos requisitos de validade de todo e qualquer ato administrativo. Neste contexto, importa salientar que a representação fiscal em que proposta a exclusão da empresa do SIMPLES – tal como a que deu origem ao processo nº 10980.725564/201349 – não é dotada, per si, de aptidão para legitimar o lançamento de ofício, eis que: 1º) ela não vincula a autoridade competente à qual se destina, podendo esta, destarte, após análise daquela peça tanto sob o aspecto formal quanto material, decidir pelo não acolhimento da proposta nela formulada; e 2º) consoante o § 1º do art. 75 da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, o ente federado, em acolhendo a proposta da fiscalização, deverá expedir “termo de exclusão” (no âmbito da Receita Federal do Brasil, “ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO ADE”), documento esse que, a toda evidência, não se confunde com a representação fiscal, cuja finalidade é, tão somente, levar ao conhecimento da referida autoridade competente a ocorrência de fatos considerados ensejadores da exclusão da empresa do SIMPLES. Assim, o lançamento de ofício, pela RFB, de tributos absorvidos pelo recolhimento unificado a que alude o art. 13 da LC nº 123/2006 somente poderá ser realizado depois de expedido o referido ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO – muito embora, conforme alhures ressaltado, para a validade da constituição do crédito tributário seja irrelevante que a eficácia do “ADE” esteja eventualmente suspensa em virtude de manifestação de inconformidade interposta pelo sujeito passivo. É de grande importância também o que destacou a experiência do julgador de primeira instância: A propósito, salvo juízo melhor do que o nosso, o entendimento expresso no início do parágrafo anterior também se encontra consubstanciado na práxis da própria RFB, pois, nos quase sete anos de atividade nesta Delegacia de Julgamento – durante os quais tivemos contato com expressivo número de autos de infração lavrados em decorrência da exclusão das empresas Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 16 autuadas do SIMPLES –, não nos deparamos com um único caso em que o lançamento de ofício precedeu ao “ADE”. Com efeito, em todos esses processos, o que se deu foi exatamente o contrário, é dizer, o Ato Declaratório é que antecedeu aos lançamentos, circunstância esta que, acreditamos nós, implica o reconhecimento, no ambiente deste órgão fazendário, de que esta é a ordem sequencial que deve ser adotada em situações de fato como a que ora se nos apresenta. Aliás, corroboram tal entendimento os julgados administrativos que reproduzimos na sequência: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FLORIANÓPOLIS 6º TURMA – ACÓRDÃO Nº 0727441 de 16 de Fevereiro de 2012 ASSUNTO: Simples Nacional. SIMPLES NACIONAL. EFICÁCIA DO ADE DE EXCLUSÃO. A partir da emissão do ADE, a pessoa jurídica excluída do Simples Nacional passa a se submeter às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Em idêntica linha de consideração, o CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS DO MINISTÉRIO DA FAZENDA – CARF assim decidiu: EXCLUSÃO DO SIMPLES. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO PROCESSO. A ausência do Ato Declaratório de Exclusão nestes autos impossibilita verificar em que termos foram explicitados os motivos da exclusão. Processo anulado ab initio. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do processo ab initio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Processo nº : 10380.000767/200405 Recurso nº : 133.731 Acórdão nº : 303 33.096 Sessão de : 27 de abril de 2006 ANELISE DAUDT PRIETO Presidente ZENALDO LOIBMAN Relator). .............................................................................................. .................................... Acórdão nº 140201.116 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de julho de 2012 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO SIMPLES. AUSÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. NULIDADE DO PROCESSO. A Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à opção pelo Simples SRS não se constitui, por si só, em documento adequado para garantir a exclusão da Contribuinte. Não juntada aos autos a 1ª Via do ADE e sendo impossível a emissão de sua 2ª Via, o ato administrativo deixa de existir, juntamente com todos os seus efeitos, não havendo mais que se falar em exclusão ou impedimento ao regime simplificado. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724723/201398 Acórdão n.º 2401003.969 S2C4T1 Fl. 1.273 17 .............................................................................................. .................................... Matéria SIMPLES – EXCLUSÃO Acórdão a° 39100.060 Sessão de 22 de outubro de 2008 SIMPLES. AUSÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. NULIDADE DO PROCESSO. A SOLICITAÇÃO DE REVISÃO DA VEDAÇÃO/EXCLUSÃO À OPÇÃO PELO SIMPLES SRS NÃO CONSTITUI DOCUMENTO ADEQUADO, POR SI SÓ, PARA GARANTIR A EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE, ASSIM, FAZ SE NECESSÁRIA A JUNTADA DO COMPETENTE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO ADE. Desta feita, não juntada aos autos a 1" Via do ADE e sendo impossível a emissão de sua 2' Via, o ato administrativo deixa de existir, juntamente com todos os seus efeitos, não havendo mais que se falar em exclusão ou impedimento ao regime simplificado. RECURSO ANULADO No mesmo diapasão, colhese o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 3ª Região: TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 24402 SP 2002.61.00.0244026 (TRF3) Data de publicação: 12/11/2010 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO.SIMPLES.EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO. PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. 1. A ausência de notificação acerca do ato de exclusão do SIMPLES constitui ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. 2. Remessa Oficial e apelação improvidas. Destarte, concluise que os Autos de Infração nº 51.037.9141 e 51.037.9168 resultam desprovidos de motivo e, por isso mesmo, devem ser considerados insubsistentes, na forma da decisão de primeira instância. Quanto ao Auto de Infração nº 51.037.9150, tendo em vista que os créditos por intermédio dele lançados correspondem às contribuições dos próprios segurados empregados, as quais não integram o recolhimento unificado previsto no art. 13 da LC nº 123/2006, cabe análise em separado, tal como o fez o órgão julgador de primeira instância. O decisório a quo, ao analisar o item da impugnação intitulado “DA COMPENSAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS PELAS DEMAIS EMPRESAS”, no qual a reclamante se manifesta no sentido de que os valores recolhidos pelas demais empresas em favor do Fisco deveriam ser considerados como créditos, ainda que a os segurados fossem enquadrados como empregados da Schooner. O julgador de primeira instância consignou que, embora a autoridade fiscal tenha consignado no item 19 do relatório fiscal, que o contribuinte não possui recolhimentos em Guias da Previdência Social (GPS) referentes aos fatos geradores lançados e que, portanto, não haveria créditos para serem apropriados, como as empresas foram consideradas pela Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 18 fiscalização como meras filiais da SCHOONER, os recolhimentos previdenciários que efetuaram na condição de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES devem ser compensados com os débitos exigidos pelo fisco. Ora, se a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica dessas oito empresas, como se depreende, v.g., do item 13 do REFISC ("a Schooner é a matriz da qual as outras ‘empresas’ são meras filiais suas" ... "no mundo dos fatos, há apenas uma empresa"), atribuindolhes a condição de meras filiais da SCHOONER, não há como deixar de concluir que eventuais recolhimentos efetuados por essas “filiais” devem ser imputados como pagamento das contribuições lançadas na “matriz”, sobretudo porque os fatos considerados geradores dessas contribuições são as remunerações pagas por aquelas oito “empresas” aos trabalhadores que, afinal de contas, foram tidos como empregados da “rede SCHOONER”, consoante os seguintes itens do relatório de fls. 62 a 81. Então, em síntese: se, como sustentado pela fiscalização, as empresas citadas no item 1.3 de seu relatório são meras filiais da SCHOONER – e, por conseguinte, os trabalhadores formalmente vinculados àquelas são, em realidade, empregados desta última –, e, ainda, se as contribuições in casu exigidas foram calculadas com base nas remunerações pagas a esses mesmos laboristas, não vemos como os valores dos recolhimentos eventualmente efetuados pelas “filiais” possam não ser acolhidos como créditos da autuada, como postulado nos itens 100 a 106 de sua impugnação. Dessarte, a afirmação de que “O contribuinte não possui recolhimentos em Guias da Previdência Social (GPS) referentes aos fatos geradores ora lançados” (item 19 do REFISC) seria admissível apenas e tão somente na hipótese de inexistência de recolhimentos com base nas remunerações a que nos referimos no parágrafo anterior. Entretanto, em pesquisa efetuada no sistema previdenciário denominado “CCORGFIP – CONSULTA VALORES A RECOLHER x VALORES RECOLHIDOS x LDCG/DCG”, constatouse que tal hipótese não se verifica in concreto, eis que em todas as competências do período abrangido por este auto de infração, existem recolhimentos sob os CNPJ das “filiais”, cujos valores – e isto é de fundamental importância –, se desconsiderarmos as divergências quanto os números situados à direita da vírgula, são idênticos aos lançados pela fiscalização, ou, em alguns casos, superiores a estes. É certo que existem exceções ao que vimos de afirmar, ou seja, alguns casos há em que o valor lançado pela fiscalização é superior ao recolhido pelas “filiais” (planilha divergências DD x GPS). Quanto a estas, apurouse que as divergências entre os números das colunas “DD” e “GPS” correspondem aos valores que as “filiais” inseriram em um ou em mais de um dos seguintes campos da GFIP: SALÁRIOFAMÍLIA, SALÁRIOMATERNIDADE e VALOR COMPENSADO. Acrescentese que, em relação à “empresa” CLOTHESUL, não se logrou identificar, nas competências 13/2011, 02/2012, 03/2012, 05/2012 e 07/2012, a origem das diferenças entre os valores lançados e os já recolhidos, pelo que, na última coluna da referida planilha, fezse registrar uma quarta ocorrência, sob os termos “NÃO IDENTIFICADA”. De todo modo, considerando que os valores recolhidos devem ser imputados como pagamento, ainda que parcial, dos créditos lançados em nome da SCHOONER – isto, porque, repetimos, correspondem a contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados das “filiais” da autuada, conforme as GFIP por elas emitidas –, devemos admitir, por amor à coerência, que o presente Auto poderia ser considerado subsistente, apenas, em relação às importâncias que figuram na última coluna da planilha “DIVERGÊNCIAS ‘DD’ x GPS”, pois estas (e somente elas) é que teriam sido recolhidas a menor pelas referidas “empresas”. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724723/201398 Acórdão n.º 2401003.969 S2C4T1 Fl. 1.274 19 Entretanto, nem mesmo as divergências noticiadas nessa planilha justificam a manutenção deste lançamento. Com efeito, nos termos do REFISC, os valores lançados por meio do presente Auto foram extraídos das GFIP transmitidas pelas “filiais”, significando isto, a toda evidência, que os auditores notificantes examinaram esses documentos, de modo a se poder afirmar que eles constataram – ou deveriam ter constatado –que em diversas dessas guias as “empresas” preencheram os campos “SALÁRIOFAMÍLIA”, “SALÁRIOMATERNIDADE” e “VALOR COMPENSADO” com valores equivalentes aos que, nas respectivas competências, se encontram lançados no campo “LÍQUIDO” “DD” – revejase, a propósito. Desta forma, nos casos que na última coluna da planilha “DIVERGÊNCIAS ‘DD’ x GPS” se encontram codificados sob os números “1”, “2” ou “3”, também se pode inferir que a fiscalização lançou as importâncias informadas na coluna “DIFERENÇA” daquele mesmo demonstrativo porque 1º) por mero lapso (portanto, indevidamente), deixou de abater dos valores do campo “CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS – DEVIDA” das GFIP os que a empresa inseriu nos campos “SALÁRIOFAMÍLIA”, “SALÁRIOMATERNIDADE” e “VALOR COMPENSADO” dessas mesmas guias; ou 2º) não reconheceu como créditos das “empresas” os valores inseridos nesses três campos e, por tal razão, considerou insuficientes os recolhimentos por elas efetuados, a título das contribuições que declararam no campo “CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS – DEVIDA” das guias em comento. Ocorre que, em ambas as hipóteses, impõese reconhecer o direito de crédito da autuada no tocante aos valores compensados por suas “filiais”, ou seja: na primeira hipótese, porque terá havido mero equívoco por parte dos auditores notificantes, a ser sanado nesta instância de julgamento; na segunda, porque a possível “glosa” das referidas compensações não se encontra motivada nos autos, eis que os auditores da RFB se referem a tais deduções apenas na segunda parte do item 19 do REFISC e, ainda assim, nestes poucos termos e, ao menos no tocante às situações sob análise, de modo não condizente com a realidade dos fatos: CRÉDITOS DO CONTRIBUINTE 19. O contribuinte não possui recolhimentos em Guias da Previdência Social (GPS) referentes aos fatos geradores ora lançados, portanto, não há créditos para serem apropriados nos presentes autos de infração. As deduções referentes a saláriofamília e salário maternidade foram consideradas e aproveitadas integralmente no auto de infração debcad n. 51.037.9150. Por fim, no concernente aos casos em que não se logrou identificar a origem das discrepâncias entre os números dos campos “GPS” e “DD” da planilha “DIVERGÊNCIAS ‘DD’ x GPS” – e tais são os que nesse demonstrativo se encontram codificados sob o número “4” –, salientese que a fiscalização também não explicitou os motivos pelos quais lançou as importâncias que figuram no campo “Líquido” do “DD”, apesar de os valores do campo “CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS – DEVIDA” das GFIP ser igual ou inferior aos recolhidos por meio de GPS. Assim, ao contrário do quanto é afirmado no item 8 do REFISC (“Para apuração dos montantes indicados no item anterior foram consideradas as declarações contidas nas GFIP identificadas no anexo “GFIPs Válidas Grupo Schooner.pdf” conforme Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 20 competências constantes no relatório DD”), os valores da coluna “DD” não foram extraídos das GFIP elaboradas e transmitidas pela CLOTHESUL, daí resultando que a exigência das diferenças de R$ 700,97 (comp. 13/2011), R$ 479,10 (comp. 02/2012), R$ 36,00 (comp. 03/2012), R$ 320,58 (comp. 05/2012) e R$ 297,26 (comp. 07/2012) padecem de falta de motivação, não podendo, destarte, ser acolhida. Por todo o exposto, voto no sentido de se negar provimento ao recurso de ofício, reconhecendo o vício material no lançamento. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 13826.000201/99-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/1989 a 12/05/1994
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
A certeza quanto a existência e a liquidez dos créditos são condições necessárias para que se proceda a compensação. A inexistência de crédito afasta qualquer possibilidade de se fazer o encontro de contas.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-003.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Joel Miyazaki.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Joel Miyazaki.
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AUSÊNCIA DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A certeza quanto a existência e a liquidez dos créditos são condições necessárias para que se proceda a compensação. A inexistência de crédito afasta qualquer possibilidade de se fazer o encontro de contas. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Joel Miyazaki. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 02 01 /9 9- 59 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000201/9959 Acórdão n.º 9303003.357 CSRFT3 Fl. 423 2 Relatório Os fatos foram bem descritos no relatório do acórdão recorrido, o qual transcrevo excertos: Tratase do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros de fl. 01, protocolizado em 12/05/99, por meio do qual a W. Garms Transportes LTDA., CNPJ n° 53.169.777/00140, autoriza a utilização de crédito seu, no valor de R$ 7.000,00 e oriundo do processo n° 13826.000145/9980, para liquidar débitos vincendos da requerente, a Cerealista Garms LTDA., CNPJ n° 53.939.799/000142. Os créditos daquele processo são referentes a pagamentos indevidos do PIS, realizados pela cedente conforme os Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88. Para comprovar o indébito a requerente, na qualidade de cessionária, anexou ao Pedido os demonstrativos de fls. 51/53, bem como as cópias dos Darfs de fls. 54/85, relativos a recolhimentos efetuados pela cedente. ......................................................................................................... A DRJ em Ribeirão Preto, nos termos da Decisão de fls. 222/226, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento da compensação, e como no presente caso não há crédito tributário constituído, referindose o Pedido à compensação de créditos tributários vincendos, considerou prejudicado o pedido de suspensão da exigibilidade. No mérito, manteve o indeferimento levando em conta que a cedente dos créditos, W. Garms Transportes Ltda., já teve o seu pedido de repetição/compensação indeferido pela DRF em Matilha, sendo que a manifestação de inconformismo naquele já foi também analisada e indeferida pela DRJ em Ribeirão Preto, por meio do voto e acórdão n° 4 040 de 27 de julho de 2003, processo n° 13826.000145/9980. Contra a decisão de primeira instância foi impetrado o Recurso Voluntário de fls. 232/260, vol. II, tempestivo (fls. 230/232), onde a cessionária, ora recorrente, insiste no Pedido, reforçando as alegações da manifestação de inconformidade. Argúi que o direito à compensação é diverso do direito à restituição, não se extingue pelo decurso de tempo e pode ser exercido pelo contribuinte nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91, sem exigência de direito liquido e certo. Em seguida trata do indébito oriundo dos pagamentos indevidos do PIS com base nos malsinados DecretosLeis, defendendo o prazo de dez anos para a repetição do indébito, a aplicação da semestralidade e o direito à compensação pleiteada. Julgando o feito, o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000201/9959 Acórdão n.º 9303003.357 CSRFT3 Fl. 424 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. PEDIDO FORMULADO ATÉ 07/0412000. POSSIBILIDADE. A possibilidade de utilização de créditos oriundos de restituição ou ressarcimento para compensação com débitos de terceiros foi autorizada pelo art. 15 da IN SRF n°21/97, tendo permanecido até 07/04/2000, data após a qual foi revogada pela IN SRF n°41, publicada em 10/04/2000. Recurso provido em parte. O Colegiado reconheceu o direito à compensação pleiteada, condicionando a liquidação de débitos do requerente e cessionária, até o valor de R$ 7.000,00, à inexistência de débitos próprios da cedente W. Garms Transportes LTDA e à existência de saldo oriundo do processo n° 1 826.000145/9980, Recurso Voluntário n° 125619, com provimento parcial nos termos do Acórdão ir 20310.812, proferido em 21/02/2006. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração que foram rejeitados, liminarmente, conforme despacho de fls. 324/326. Ainda não conformada, apresentou recurso especial, onde pugna pelo restabelecimento da exigência fiscal. O apelo fazendário logrou seguimento, nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 373/374. Regularmente cientificado do acórdão e do recurso fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, onde requer a manutenção do acórdão recorrido. Na sessão plenária do dia 31 de janeiro de 2011 o especial fazendário veio a julgamento nesta Corte, que decidiu converter o julgamento em diligência. O sucinto voto da relatora foi assim redigido: Primeiramente informo aos meus pares que a matéria trazida no Recurso Especial de Divergência da Fazenda Nacional que foi admitida, conforme despacho de fl. 330, trata da possibilidade de compensação de crédito liquido e certo de terceiros contra créditos ainda discutidos em processo, neste caso o Processo Administrativo n° 13826.000145/9980. Pesquisei os sistemas deste CARF e de fato não há decisão definitiva registrada. Juntei os documentos da pesquisa. Voltando ao mérito, concordo com o argumento da Procuradoria da Fazenda Nacional que fala da inexistência de crédito liquido e certo vinculado ao processo n° 13826.000145/9980, o que, aliás, foi um dos motivos para o indeferimento do pedido pela DRF. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000201/9959 Acórdão n.º 9303003.357 CSRFT3 Fl. 425 4 Assim sendo, entendo ser necessário diligenciar no sentido de conhecer resultado do mencionado processo, trazendo, se for o caso, cópias, a este processo. Cumprida a diligência, devem os autos retomar a este Colegiado. Cumprindo a diligência, o órgão preparador juntou o despacho decisório referente ao Processo nº 13826.000145/9980, a ciência desse despacho à interessada, documento de fl. 418, e a informação fiscal (relatório de diligência), fls. 419/420. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, este Colegiado converteu o julgamento do especial fazendário em diligência para que o órgão preparador aferisse a certeza e a liquidez dos créditos a compensar, sobretudo a existência de crédito referente ao Processo nº 13826.000145/9980 que trata do pedido de restituição de crédito do cedente. A informação fiscal que integra o relatório de diligência dá conta que: 3 – O mencionado processo foi solucionado por meio do Despacho Decisório DRF/MRA/SAORT nº 2011/166, de 31/03/2011 (fls. 402/417), onde foi reconhecido parcialmente o direito creditório do contribuinte W. GARMS TRANSPORTES LTDA – CNPJ nº 53.169.777/000140, e deferida a compensação dos débitos por ele indicados, com o crédito reconhecido, até o montante em que se compensassem. 4 – Executados os procedimentos de compensação verificamos que o crédito reconhecido foi suficiente para liquidar apenas parte dos débitos próprios indicados pelo contribuinte (fl. 418), não restando qualquer valor passível de ser utilizado para compensação com os débitos indicados neste processo. 5 O processo nº 13826.000145/9980 encontrase definitivamente encerrado na instância administrativa, uma vez que o contribuinte não apresentou qualquer manifestação contra o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, tendo sido arquivado. Como se vê da transcrição acima, não resta a menor dúvida de que o cedente não possuía crédito para ceder, daí, independentemente da possibilidade jurídica de se proceder a cessão de crédito de natureza tributária, ou melhor dizendo de se compensar débitos próprios com créditos de terceiros,, no caso dos autos, sequer se precisa chegar a essa discussão, pois não há qualquer crédito a ser compensado, pois o cedente não possuía crédito para ceder. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000201/9959 Acórdão n.º 9303003.357 CSRFT3 Fl. 426 5 Esclareçase, por oportuno, que o Colegiado recorrido reconheceu o direito à compensação pleiteada, condicionando a liquidação de débitos do requerente e da cessionária à inexistência de débitos próprios da cedente W. Garms Transportes Ltda. e à existência de saldo oriundo do processo n° 1 826.000145/9980. Assim, como o cedente não detinha qualquer crédito para ceder, a cessão por ele feita não tem qualquer validade. Por conseguinte, a compensação com tais créditos não passa de ficção, e, como tal, não pode ser convalidada. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 426DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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