Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10746.900009/2008-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ART. 170 do CTN E § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96.
A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ART. 170 do CTN E § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10746.900009/2008-18
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970080
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.422
nome_arquivo_s : Decisao_10746900009200818.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 10746900009200818_5970080.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7646878
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661399752704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.900009/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.422 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO IRPJ Recorrente DISTRIBUIDORA BRASILEIRA DE INSUMOS AGRÍCOLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ART. 170 do CTN E § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 00 09 /2 00 8- 18 Fl. 114DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0336.329, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Em 25/10/05 e 24/12/06, a Recorrente, transmitiu via Programa de Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, a compensação dos débitos abaixo relacionados no valor de R$ 17.901,44 com crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2005, exercício 2006. Após a transmissão do PER/DCOMP, foi emitido o Termo de Intimação de fls. 28, nos seguintes termos: Não foi apurado saldo negativo na DIPJ. A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2006 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 0,00 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$ 16.472,43 Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$ 0,00(Somatório dos valores da FICHA 12A, LINHAS 12 A 18) Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 16.472,43(Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Renda Retido na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Demais estimativas comp Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Como a Recorrente não adotou nenhuma providência no tocante à correção das divergências apontadas entre a PER/DCOMP e DIPJ, a compensação efetuada não foi homologada, conforme Despacho Decisório de fls. 29, emitido em 07/03/2008. Inconformada, em 10/04/2008, a Recorrente interpôs a Manifestação de Inconformidade, fls. 0203, requerendo a reforma do referido Despacho Decisório e a homologação da compensação declarada. Por sua vez, a 2ª Turma da DRJ/BSB julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa transcrita: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10746.900009/200818 Acórdão n.º 1003000.422 S1C0T3 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ERRO FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Novamente, irresignada com não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: a) que tributada pelo lucro real, no ano calendário2005 teve um prejuízo líquido no valor de R$ 162.697,84 (cento e sessenta e dois mil, seiscentos e noventa e sete reais e oitenta e quatro centavos), não sofrendo, portanto, tributação do IRPJ e CSLL e juntou cópia de sua escrituração contábil; b) que efetuou recolhimentos de IRPJ código 5993 valor R$ 9.964,58 e R$ 6.285,10 em 28102/2005 e 30/03/2005; c) e, por fim, requereu homologação das PER/DCOMP 24303.31808.251006.1.3.026097 e 42852.69261.241206.1.3.029205 com a conseqüente baixa dos débitos no valor total de R$ 23.626,99 que lhe foram imputados. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Em suas razões recursais, a Recorrente, busca a reforma do acórdão recorrido visando à homologação da compensação efetuada, todavia, não houve, por parte da Recorrente, a comprovação de fosse líquido e certo o crédito pleiteado para a compensação. Todavia, no presente caso, a Recorrente informou valor divergente de Saldo Negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ no PER/DCOMP e na DIPJ, gerando incoerências. Tal discrepância acarretou a referida não homologação da compensação declarada. Neste contexto, fora concedida à Recorrente a oportunidade para que houvesse a retificação das ditas divergências, mediante o termo o Termo de Intimação Fiscal Fl. 116DF CARF MF 4 de fls. 28. Contudo, a Recorrente não tomou nenhuma medida corretiva no sentido de regularizar sua Declaração de Compensação de acordo com as normas de regência no âmbito da Receita Federal. Da mesma forma, a Recorrente também não acostou aos autos conjunto probatório robusto que comprovasse os prejuízos sofridos ao longo do anocalendário 2005, o que demonstraria a existência do crédito alegado e viabilidade da compensação pleiteada. Na verdade, é do contribuinte o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Ademais, é certo que, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN e no § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que se informe no PER/DCOMP idêntico valor de Saldo Negativo de IRPJ em relação ao que foi declarado na DIPJ, para que não paire dúvidas acerca da liquidez e certeza das parcelas que compuseram referido direito creditório. Ora, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, incumbindolhe, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Nesta senda, a compensação válida pressupõe o encontro de valores líquidos e certos, inclusive, harmônicos com todos os registros e declarações do interessado, não podendo estar presentes incertezas e dúvidas para o cotejo de contas. Logo, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), consoante já exposto, concluise que não deve haver homologação da compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Nesse sentido, pinçase trecho do acórdão de piso tomandoo, também como fundamento deste voto: Em espécie, a contribuinte não trouxe aos autos cópia de sua escrituração contábil ou outro material probatório que comprovasse os prejuízos sofridos ao longo do anocalendário 2005, o que demonstraria a existência do crédito alegado, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos informados nos PER/DCOMP objetos da lide.(Grifouse) (...) 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10746.900009/200818 Acórdão n.º 1003000.422 S1C0T3 Fl. 4 5 Assim, apenas protestar pela legitimidade do crédito informado nos PERD/COMP não é suficiente para "desconstituir o que foi constituído" pelo Despacho Decisório, de modo que se faz necessário juntar aos autos as provas em que a contribuinte se baseou para chegar a tal conclusão. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. (Grifouse) Que fique claro: o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN, naquele momento, o que não se deu aqui antes as divergências apontadas e não corrigidas, impossibilitando a comprovação de crédito informado nos PER/DCOMP. Lado outro, ainda que se tratasse de erro de fato, aquele erro, por exemplo, que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos, é certo que cabe à Recorrente o ônus de sua prova (art. 147 do CTN2), e, como já foi dito, isso não ocorreu, mesmo tendo sido ofertada tal oportunidade à Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça 2 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906174/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10840.906174/2011-19
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5971705
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.640
nome_arquivo_s : Decisao_10840906174201119.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 10840906174201119_5971705.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7654022
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661419675648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.906174/201119 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.640 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente LICEU LEONARDO DAVINCI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO COMPENSAÇÃO Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 61 74 /2 01 1- 19 Fl. 159DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (IRPJ). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2004 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10840.906174/201119 Acórdão n.º 1402003.640 S1C4T2 Fl. 3 3 a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls94101); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao Fl. 161DF CARF MF 4 final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls. 146/151, em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.630, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.630): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10840.906174/201119 Acórdão n.º 1402003.640 S1C4T2 Fl. 4 5 Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.970009/2009-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.974
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.970009/2009-55
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970068
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.974
nome_arquivo_s : Decisao_15374970009200955.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 15374970009200955_5970068.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7646829
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661422821376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15374.970009/200955 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.974 – 3ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria PAF. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 00 09 /2 00 9- 55 Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 15374.970009/200955 Acórdão n.º 9303007.974 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.637, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de COFINS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.637 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 15374.970009/200955 Acórdão n.º 9303007.974 CSRFT3 Fl. 4 3 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 15374.970009/200955 Acórdão n.º 9303007.974 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 15374.970009/200955 Acórdão n.º 9303007.974 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 15374.970009/200955 Acórdão n.º 9303007.974 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910064/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2003
NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido.
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE.
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1302-003.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2003 NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido. COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE. Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.910064/2009-52
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972765
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.416
nome_arquivo_s : Decisao_10880910064200952.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10880910064200952_5972765.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7654971
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661427015680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 97 1 96 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910064/200952 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.416 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria Compensação Estimativas Recorrente DESIM Desenvolvimento Imobiliário Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2003 NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido. COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE. Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 00 64 /2 00 9- 52 Fl. 97DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase processo administrativo decorrente de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte DESIM Desenvolvimento Imobiliário Ltda., ora Recorrente, em face de despacho decisório que não homologou pedido de compensação administrativa, na qual foi indicado como direito creditório pagamento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ referente ao período de apuração de 09/2003. Como se depreende dos autos, o litígio que envolve o presente processo decorre da análise da possibilidade legal de restituição e posterior compensação de recolhimentos a maior de estimativas mensais do IRPJ, uma vez que o contribuinte alega que recolheu, a título de estimativas mensais, valor superior ao devido no período, como se observa da Manifestação de Inconformidade que deu origem ao procedimento administrativo em questão. Contudo, em que pese os argumentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, sob o argumento de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa deve ser deduzido do IRPJ apurado ao final daquele período ou compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação, como pretendido. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2003 ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. A partir de 29/10/2004, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução da IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, requer o reconhecimento do seu direito creditório e, por consequência, a homologação da compensação apresentada. Este é o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.910064/200952 Acórdão n.º 1302003.416 S1C3T2 Fl. 98 3 Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 04/03/2011 (fl. 90), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 17/03/2011 (fl. 91 e seguintes), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ. DA POSSIBILIDADE DE SE VER RESTITUÍDO/COMPENSADOS OS PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR RELATIVOS ÀS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Como demonstrado no relatório acima, o Despacho Decisório não homologou a compensação pretendida, uma vez que os créditos teriam sido "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O contribuinte, por sua vez, demonstrou que houve o recolhimento a maior das estimativas e que, por isso, estava caracterizado o indébito tributário, passível de compensação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), contudo, sem analisar o direito creditório do contribuinte, fundamentou o seu voto com o argumento de que o "não era possível à Recorrente à época da transmissão da DCOMP sob análise — pleitear restituição/compensação de IRPJ calculado por estimativa eventualmente pago a maior como 'pagamento indevido ou maior que o devido'". Com esse entendimento, entendeu, aquela DRJ, que a Manifestação de Inconformidade do contribuinte deveria ser julgada como improcedente. Entretanto, é fato que aquele acórdão deixou de analisar o direito creditório do contribuinte, nos termos invocados pelo Despacho Decisório e que foram contrapostos, inclusive via documentação, pelo Recorrente. Assim, de ofício, reconhecese a nulidade do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo, devendo os autos retornarem à instância a quo, para nova análise do direito creditório do contribuinte e se este é passível de liquidar os débitos, nos termos do pedido de compensação apresentado. Devese ressaltar, ainda, que a douta DRJ de São Paulo proferiu voto indeferindo o pleito do contribuinte, como mencionado, sob o argumento de que o crédito das estimativas pagas a maior deve ser deduzido do IRPJ apurado ao final daquele período ou Fl. 99DF CARF MF 4 compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação. Assim, como houve pedido de restituição/compensação, entendeu, aquela Delegacia de Julgamento, que o pleito do Recorrente deveria ser indeferido. Contudo, ao contrário do que restou decidido pela Turma a quo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu diversos julgados em sentido diametralmente oposto ao que foi colocado no acórdão recorrido, sendo a discussão encerrada com a edição da súmula CARF nº 84, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Ademais, em que pese o entendimento já sumulado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode olvidar que a própria Receita Federal do Brasil alterou o posicionamento, quando da publicação da Solução de Consulta Interna COSIT Nº 19, de 05 de dezembro de 2011, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.O art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1ºde janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1ºde janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2ºe 74; IN SRF nº460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº900, de 30 de dezembro de 2008. Assim, o entendimento exarado pela DRJ não pode prevalecer, devendo o direito creditório ser analisado nos limites do que já restou consolidado pelo CARF e externado através da súmula acima citada. Por todo exposto, votase por DAR PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO para DECLARAR A NULIDADE do acórdão proferido pela DRJ Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.910064/200952 Acórdão n.º 1302003.416 S1C3T2 Fl. 99 5 de São Paulo I (SP), determinandose o retorno dos autos para que a instância a quo profira novo julgamento, com a análise do direito creditório do contribuinte, com base no entendimento de que é possível, para fins de restituição e compensação, caracterizar como indébito o pagamento indevido ou a maior, pelo contribuinte, das estimativas. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900056/2014-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO PELA DCTF.
O crédito tributário confessado em DCTF deve ser considerado constituído, sendo desnecessário o lançamento de ofício. A DCTF é instrumento válido e suficiente para a cobrança do débito confessado.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR DEVIDO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova é do Fisco, no caso de exigência de tributo em valor maior que o confessado em DCTF. Se não restar comprovado que o valor devido pelo contribuinte seja maior que o valor constituído por meio da DCTF, o recolhimento em valor maior que o confessado em DCTF resta como indébito
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-005.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO PELA DCTF. O crédito tributário confessado em DCTF deve ser considerado constituído, sendo desnecessário o lançamento de ofício. A DCTF é instrumento válido e suficiente para a cobrança do débito confessado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR DEVIDO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova é do Fisco, no caso de exigência de tributo em valor maior que o confessado em DCTF. Se não restar comprovado que o valor devido pelo contribuinte seja maior que o valor constituído por meio da DCTF, o recolhimento em valor maior que o confessado em DCTF resta como indébito Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.900056/2014-88
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986765
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.182
nome_arquivo_s : Decisao_16682900056201488.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16682900056201488_5986765.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7692717
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661429112832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900056/201488 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.182 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria COFINS RESTITUÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente IRB BRASIL RESSEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO PELA DCTF. O crédito tributário confessado em DCTF deve ser considerado constituído, sendo desnecessário o lançamento de ofício. A DCTF é instrumento válido e suficiente para a cobrança do débito confessado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR DEVIDO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova é do Fisco, no caso de exigência de tributo em valor maior que o confessado em DCTF. Se não restar comprovado que o valor devido pelo contribuinte seja maior que o valor constituído por meio da DCTF, o recolhimento em valor maior que o confessado em DCTF resta como indébito Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 00 56 /2 01 4- 88 Fl. 1316DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Tratase de Declaração de Compensação de crédito de Cofins. O Despacho Decisório não homologou a compensação porque o contribuinte, mesmo intimado, não teria comprovado a existência do indébito. Transcrevo excerto da decisão recorrida (fl. 78): A autoridade fiscal trabalhou manualmente a citada Dcomp e verificou que a interessada retificou seu balancete do mês janeiro/2010 reduzindo a Cofins – Entidades Financeiras a pagar de R$ 1.510.854,62 para R$ 465.942,54, o que gerou o crédito requerido, e intimoua a prestar os esclarecimentos necessários a respeito do saldo disponível. Em função da resposta à intimação, a autoridade fiscal informa no Dossiê Memorial 10010.010287/021361, constante do processo nº 16682.720735/201122 que “a empresa não explica a causa da queda, apenas apresenta o Balancete de 01/2010 sem nenhuma explicação a respeito desse e sem nenhuma tabela na composição de valores que compõem essa diferença, sem nenhum comprovantes de alteração de valores ou inclusão de novas despesas para a exclusão na Ficha 18 B do DACON Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, onde consta o valor de 21.412.027,33 (Cosseguros e Resseguros Cedidos) derivando talvez daí a diferença; pois cabe à empresa o ônus da prova no momento em que apresenta o PERDCOMP compensando os valores retificados de débitos anteriores. Logo, fazse necessária para a efetivação do reconhecimento do crédito, a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo para com a Fazenda Pública, conforme determina o caput do art. 170 da Lei 5.172 (CTN) elidido abaixo e que ficou impossibilitada esta verificação exclusivamente por parte da empresa ao não apresentar comprovantes e efetiva explicação da alteração de valores em seu cálculo de Cofins para 01/2010”, e conclui com a decisão pelo não reconhecimento do direito creditório. Na Manifestação de Inconformidade, a empresa alega que a apuração da Cofins de janeiro de 2010 foi de R$ 465.942,54, enquanto o pagamento foi efetuado no montante de R$ 1.358.548,69. A 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora/MG, por maioria, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Indeferido o direito creditório pleiteado, não se homologa a compensação correspondente. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16682.900056/201488 Acórdão n.º 3201005.182 S3C2T1 Fl. 3 3 A decisão concluiu pela aplicação da Nota Técnica Cosit nº 5/2013. Transcrevo excerto da referida Nota, utilizada pela decisão recorrida: 24.1. tanto o IRPJ quanto a CSLL são tributos sujeitos a lançamento por homologação, cuja exigibilidade prescinde do ato administrativo de lançamento, vez que sua eficácia decorre, por si só, do fato jurídico tributário. 24.2. quando da análise da compensação declarada ou do pedido de restituição, muitas vezes a autoridade fiscal precisa verificar os elementos da obrigação tributária, incluídas a base de cálculo e a alíquota aplicável. 24.3. considerandose cabível e necessária a verificação da liquidez e certeza do crédito postulado por ocasião da análise de direito creditório em pedido de restituição ou em compensação declarada pelo contribuinte, é possível efetuar alteração da base de cálculo ou da alíquota aplicável por meio de despacho decisório, desde que essa alteração implique tãosomente a redução ou mesmo a anulação do crédito postulado pelo sujeito passivo. Isto porque, até esse limite – em que o crédito é anulado , há pagamento antecipado de IRPJ ou CSLL. 24.4. defender a tese da indispensabilidade do lançamento de ofício para fins de redução ou anulação do crédito informado, por ocasião da apuração do indébito tributário, seria admitir o “lançamento de valor pago”, o que não é concebível quando o tributo é sujeito ao lançamento por homologação. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade, asseverando que, caso a fiscalização entendesse que o valor devido de Cofins fosse maior que o valor declarado em DCTF, deveria têla autuado. Invoca, ainda, o princípio da verdade material e traz diversos documentos que entende comprovarem seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 Considerações iniciais No sistema dos tributos e contribuições lançados por homologação, o contribuinte deve apurar e recolher o valor devido, espontaneamente. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 1318DF CARF MF 4 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Em cumprimento a essa diretriz, o decreto 2.124/84 e normativos relacionados criaram a DCTF, instrumento por meio do qual o contribuinte declara e confessa o valor devido, tendo recolhido ou não. Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Outras declarações também têm o valor de confissão de dívida (Declaração do Simples, Declaração de Compensação), conforme expresso em suas respectivas legislações, enquanto outras têm somente valor informativo, tais como a DIPJ e Dacon. Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. A confissão de dívida conforma o ato pelo qual o contribuinte cumpre sua obrigação no lançamento por homologação. O valor constante da confissão de dívida pode ser diretamente cobrado, sem necessidade de lançamento de ofício. Confirase a tese firmada pelo STJ, no Resp 1.101.728/SP, sob o rito dos recursos repetitivos: Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 16682.900056/201488 Acórdão n.º 3201005.182 S3C2T1 Fl. 4 5 A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Portanto, somente o valor que exceder a confissão de dívida deve ser lançado de ofício. 2 – Ônus da prova O ônus da prova é de quem alega, nos termos gerais no CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2o A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3o A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4o A convenção de que trata o § 3o pode ser celebrada antes ou durante o processo. É assente na doutrina que, no lançamento de ofício, o ônus da prova é do Fisco. É o Fisco quem alega que o contribuinte não confessou débitos devidos1. Nos pedidos de restituição/compensação, é o contribuinte quem alega direito, sendo seu o ônus de comprovar, conforme reiterados precedentes deste Carf. Finalmente, temos que o Fisco, quando verifica a existência de débito não confessado, não pode eximirse de efetuar o lançamento de ofício. O lançamento de ofício, além de dever ser comprovado, é vinculante, obrigatório, nos termos do artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência 1 Salvo exceções tais como as presunções legais, como por exemplo, art. 12, §2º, do Decreto 1.598/77. Fl. 1320DF CARF MF 6 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Em resumo, a DCTF é o marco definidor do ônus da prova. No caso de lançamento de ofício, o Fisco deve provar que o valor devido é maior que o confessado, e no caso de pedido de restituição/compensação, é o contribuinte quem deve provar que é o valor devido é menor que o valor confessado. Antes de qualquer procedimento de ofício, a retificadora de DCTF tem o mesmo valor da original, porque espontânea2. Após qualquer procedimento de ofício, tal como um Despacho Decisório, encerrase sua espontaneidade, o que denota a necessidade de comprovação material, para a retificação, a menor, da DCTF, pelo contribuinte. 3 – Aplicação ao presente caso 2 Conforme normativo da Receita Federal então vigente, art. 11 da Instrução Normativa da Receita Federal 903/2008, e repetido em normativos posteriores: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 16682.900056/201488 Acórdão n.º 3201005.182 S3C2T1 Fl. 5 7 No presente caso, o valor formalmente constituído do crédito tributário é aquele confessado em DCTF válida, antes de qualquer procedimento de ofício. O débito tem o valor de R$ 465.942,54, e o Darf tem o valor de R$ 1.358.548,69, resultando daí o indébito. Caso o Fisco entenda que o valor devido pelo contribuinte é maior que o valor confessado, é seu o ônus de comprovar. Embora a prova, na restituição, caiba ao interessado, a prova suficiente, neste caso, é apenas o recolhimento em valor maior que a DCTF válida, porque não há nenhum outro crédito tributário constituído maior que o valor confessado em DCTF. O presente caso difere de tantos outros casos vistos neste Carf, no qual o contribuinte pede restitução de valor recolhido a maior que o devido, mas o valor do pagamento é igual ou menor que o valor confessado em DCTF. Nesses casos, o ônus da prova de que a DCTF está errada é do contribuinte, porque é esta a alegação, de que a DCTF, instrumento que constituiu formalmente o crédito tributário, estaria errada. Aqui, no presente caso, o contribuinte não alega erro na DCTF, pelo contrário, invoca o valor da DCTF para comprovar o indébito. Quem alega que a DCTF está errada é o Fisco, ao negar a restituição ou a homologação da compensação. E para afirmar que a DCTF está errada, deve comprovar tal afirmação. A Nota Técnica Cosit nº 5/2013, utilitzada como fundamento pela decisão recorrida, explica que não há necessidade de lançamento para glosa de créditos de Pis e Cofins, e a decorrente não homologação de restituição/compensação. Tal circunstância é diversa desta do presente processo. A circunstância tratada na Nota é aquela em que há saldos credores de Pis e Cofins a restituir, mas não no montante pretendido pelo contribuinte. Em tal caso, o Despacho Decisório fundamenta as glosas sem necessidade de lançamento, porque não há débitos a lançar, isto é, débitos não confessados. Caso restassem débitos em valores maiores que os confessados, o lançamento de ofício seria obrigatório, para constituição dos créditos tributários a cobrar. No presente caso, se o valor do pagamento efetuado, de R$ 1.358.548,69, fosse devido, o Fisco deveria ter feito o lançamento. Se não for devido, a diferença entre esse valor e o valor do crédito tributário constante na DCTF deve ser restituído. Portanto, cabe ao Fisco o ônus de provar que o valor devido é maior que o valor declarado em DCTF válida. Não tendo cumprido esse dever, o que ensejaria o respectivo lançamento de ofício, não pode inverter o ônus da prova. 4 – Conclusão Pelo exposto,voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1322DF CARF MF 8 Fl. 1323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901250/2017-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.621
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10825.901250/2017-75
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5981597
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.621
nome_arquivo_s : Decisao_10825901250201775.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10825901250201775_5981597.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7678279
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661445890048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.901250/201775 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.621 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto PIS. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 25 0/ 20 17 -7 5 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901250/201775 Resolução nº 3201001.621 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.901250/201775 Resolução nº 3201001.621 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10825.901250/201775 Resolução nº 3201001.621 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907906/2016-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.913
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.907906/2016-37
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993236
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.913
nome_arquivo_s : Decisao_13896907906201637.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896907906201637_5993236.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7706127
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661455327232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907906/201637 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.913 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 90 6/ 20 16 -3 7 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13896.907906/201637 Resolução nº 3201001.913 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13896.907906/201637 Resolução nº 3201001.913 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13896.907906/201637 Resolução nº 3201001.913 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13896.907906/201637 Resolução nº 3201001.913 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13896.907906/201637 Resolução nº 3201001.913 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13896.907906/201637 Resolução nº 3201001.913 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.729489/2015-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE EMENTA E RAZÃO DE DECIDIR. CABIMENTO.
A ementa tem que refletir as razões de decidir do voto vencedor. Os embargos são cabíveis para sanar contradição entre a ementa e as razões de decidir. Embargos acolhidos para retificar o texto da ementa e sanar a contradição.
Numero da decisão: 1401-003.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição indicada no acórdão, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Cláudio de Andrade Camerano, substituído pela Conselheira Andréa Machado Milan (Conselheira Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Andréa Machado Millan (Conselheira Suplente Convocada), Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE EMENTA E RAZÃO DE DECIDIR. CABIMENTO. A ementa tem que refletir as razões de decidir do voto vencedor. Os embargos são cabíveis para sanar contradição entre a ementa e as razões de decidir. Embargos acolhidos para retificar o texto da ementa e sanar a contradição.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12448.729489/2015-10
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5992165
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.301
nome_arquivo_s : Decisao_12448729489201510.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DANIEL RIBEIRO SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 12448729489201510_5992165.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição indicada no acórdão, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Cláudio de Andrade Camerano, substituído pela Conselheira Andréa Machado Milan (Conselheira Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Andréa Machado Millan (Conselheira Suplente Convocada), Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7705464
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661460570112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 6.091 1 6.090 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.729489/201510 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401003.301 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria IRRF. SERVIÇOS NÃO COMPROVADOS. Embargante PEG CRED PROMOTORA DE VENDAS E PARTICIPACOES S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE EMENTA E RAZÃO DE DECIDIR. CABIMENTO. A ementa tem que refletir as razões de decidir do voto vencedor. Os embargos são cabíveis para sanar contradição entre a ementa e as razões de decidir. Embargos acolhidos para retificar o texto da ementa e sanar a contradição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição indicada no acórdão, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Cláudio de Andrade Camerano, substituído pela Conselheira Andréa Machado Milan (Conselheira Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Andréa Machado Millan AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 94 89 /2 01 5- 10 Fl. 6091DF CARF MF 2 (Conselheira Suplente Convocada), Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Embargos de declaração opostos pela PFN em face do Acórdão de nº 1401002.734, que deu provimento em parte ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte para a exclusão do lançamento do IRRF quanto aos pagamentos efetuados. Por sua vez, o Recurso Voluntário fora interposto pelo Contribuinte em face do Acordão proferido pela DRJ em Florianópolis SC, que julgou a sua impugnação administrativa Procedente em Parte. As exigências tributárias referemse à cobrança de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, anocalendário 2011, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora, sob o entendimento de que a contribuinte teria efetuado pagamentos sem causa ou operações não comprovadas, tendo como base legal o art.674 do RIR/99. O relatório da decisão recorrida assim resume o Termo de Verificação Fiscal e também descreve os argumentos da impugnação: Do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fls.1.990 a 2.069), extraise, resumidamente (eventuais destaques pertencem ao original): I – Breve exposição dos fatos motivadores dos lançamentos [...] No anocalendário de 2011 o contribuinte optou pela forma de tributação com base no lucro real, período de apuração trimestral e, de acordo com a DIPJ/2012 – ND 0001078328 que foi transmitida a RFB, informou como sendo o total de sua receita bruta auferida naquele ano com a prestação de serviços o montante de R$ 87.561.927,94, enquanto o total de despesas informadas como sendo decorrentes de serviços prestados por pessoas jurídicas alcançou a cifra de R$ 70.104.740,32, ou seja, correspondeu à quase integralidade das despesas operacionais declaradas no ano que foi de R$ 72.323.073,08. Ocorre que, no curso do procedimento administrativo, restou demonstrado pelo fisco que daquele total de R$ 70.104.740,32 o contribuinte não logrou comprovar, por intermédio de documentos hábeis e idôneos, a efetiva prestação de serviços referentes a consultorias e assessorias que atingiram a quantia de R$ 67.681.115,37. De fato, ao longo do anocalendário de 2011 a empresa PegCred Promotora de Vendas e Participações S/A contabilizou e pagou por despesas que foram descritas nas notas fiscais como sendo decorrentes de consultorias/assessorias prestadas pelas pessoas jurídicas Omaha Consultores Ltda,[...] [Nota do Relator: são relacionadas várias empresas] mas, apesar de terem sido disponibilizadas cópias de instrumentos particulares celebrados entre as partes, cópias de notas fiscais de serviços, cópias de documentos intitulados de relatórios de produção, cópias de documentos referentes a operações de crédito e efetuados os respectivos pagamentos não logrou comprovar, com base na documentação que foi apresentada ao fisco, a efetiva prestação dos serviços de consultorias/assessorias que estão descritos no documentário fiscal e contratos celebrados. Cumpre ressaltar que somente para a empresa Omaha Consultores Ltda. foi desembolsada quantia equivalente a R$ 43.890.723,22 (...). Motivado pelo fato Fl. 6092DF CARF MF Processo nº 12448.729489/201510 Acórdão n.º 1401003.301 S1C4T1 Fl. 6.092 3 dessa empresa ter recebido a maior parcela do montante pago pela fiscalizada o agente, no curso da ação fiscal, adotou o procedimento de verificar inicialmente os valores que foram registrados na conat de resultado 5.1.1.02.02.0013 – OMAHA CONSULTORES LTDA. e, posteriormente, os montantes escriturados nas demais contas correspondentes àquelas outras 14 (quatorze) empresas. [...] TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Diante das irregularidades que foram apuradas no curso da ação fiscal decorrentes da não comprovação da efetiva prestação da quase totalidade dos serviços que foram escriturados, pagos e informados pela empresa na DIPJ/2012 – linha 04 – sob a rubrica de prestação de serviço por pessoa jurídica e, considerando que tal montante de R$ 67.681.115,37 passível de ser glosado equivale, em termos percentuais, a mais de 90% de todas as despesas operacionais que foram informadas pela empresa no anocalendário de 2011, ou seja, R$ 72.323.073,08 o agente promoveu o arbitramento do lucro da pessoa jurídica pois, diante dessa situação fática, é incabível a preservação da apuração pelo Lucro Real, que pressupõe uma escrituração regular. A manutenção de escrituração com observância das leis comerciais e fiscais impõe que os registros contábeis e fiscais tenham respaldo em documentação hábil e idônea que comprove de modo efetivo os lançamentos realizados, visto que é necessário que a regularidade da determinação do montante tributável seja passível de verificação por parte da Administração Tributária. Nos autos de infração foram compensados os valores retidos a título de IRF (cód.1708) e CSLL (cód 5952), conforme informações constantes da DIRF que foi transmitida pelo Banco BVA, CNPJ 32.254.138/000103. [...] ■ IMPOSTO DE RENDA NA FONTE Como conseqüência lógica das irregularidades apuradas pelo fisco impõese, ainda, o lançamento do Imposto de Renda na Fonte que é devido nos casos de pagamento efetuados quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Ante a não comprovação, por intermédio de documentos hábeis e idôneos, da efetiva prestação dos serviços que foram contabilizados e pagos pelo contribuinte, devido o lançamento do IRF à alíquota de 35% sobre tais pagamentos, devidamente reajustados, em razão da ausência de nexo de causalidade entre os referidos pagamentos e as operações correspondentes aos serviços com consultorias/assessorias que não foram comprovadas. [Nota do Relator: Foram feitas várias intimações a várias empresas, também para a Fiscalizada, cujas repostas das empresas e conclusões da autoridade autuante são por demais extensas, de forma que creio que os fatos serão melhor assimilados já quando da decisão a ser proferida no Voto, quando será feita uma análise detalhada e individual das situações e das respostas] [...] III – INFRAÇÕES APURADAS E TRIBUTAÇÃO – IRPJ, CSLL, PIS, COFINS III.I – INFRAÇÕES APURADAS • NÃO COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS E DE SUA NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE PARA A ATIVIDADE OPERACIONAL DESEMPENHADA PELA EMPRESA – IRPJ, CSLL, PIS e COFINS Fl. 6093DF CARF MF 4 • PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA IRRF [...] ■ IMPOSTO DE RENDA NA FONTE Por todos os fatos que foram constatados no curso do procedimento administrativo e que estão narrados neste termo de verificação fiscal impõese, como conseqüência lógica, o lançamento do Imposto de Renda na Fonte que é devido nos casos de pagamento efetuados quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Ante a não comprovação, por intermédio de documentos hábeis e idôneos, da efetiva prestação dos serviços que foram contabilizados e pagos pelo contribuinte, devido o lançamento do IRF à alíquota de 35% sobre tais pagamentos, devidamente reajustados, em razão da ausência de nexo de causalidade entre os referidos pagamentos e as operações correspondentes aos serviços com consultorias/assessorias que não foram comprovadas. Como parte integrante deste termo de verificação fiscal o agente anexou demonstrativo das bases de cálculo do imposto que correspondem aos pagamentos efetuados pela empresa, devidamente reajustados nos termos da legislação em vigor, e que foram caracterizados como sem comprovação da operação ou causa. Cabe ressaltar que ao demonstrar as respectivas bases de cálculo, o agente se valeu das próprias informações que foram disponibilizadas pelo contribuinte nas conciliações de pagamentos por ele realizadas a partir dos extratos bancários da empresa. [...] IV – ENQUADRAMENTOS LEGAIS [...] IV.II) IR Fonte (pagamentos sem comprovação da operação ou causa) Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). [...] Mediante o processo administrativo 12448.729489/201510 foi promovido o lançamento do Imposto de Renda na Fonte, cujas bases de cálculo, devidamente reajustadas, estão demonstradas nas planilhas que integram este termo e correspondem aos pagamentos realizados pelo contribuinte e cuja operação não foi comprovada. OBS: Por fim cumpre observar que em razão das irregularidades que foram constatadas no curso da fiscalização foi qualificada a multa de ofício no percentual de 150%, exigida juntamente com os impostos e contribuições devidos, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/ de 1996, fato esse que motivou a formalização de representação para fins penais. Fl. 6094DF CARF MF Processo nº 12448.729489/201510 Acórdão n.º 1401003.301 S1C4T1 Fl. 6.093 5 DA IMPUGNAÇÃO Após tomar a ciência dos autos de infração a Interessada apresentou sua Impugnação, onde após fazer um breve relato da autuação fiscal, manifestase inconformada com tal procedimento, uma vez que “...toda a documentação devidamente apresentada à fiscalização com relação a todas as atividades de prestação de serviços – e inclusive admitido pela d. Fiscalização – foi interpretada como insuficiente para comprovação das operações realizadas..” e prossegue, em resumo: em razão dessa glosa generalizada de despesas que representavam mais de 90% das despesas e custos do exercício, a fiscalização desclassificou a escrita contábil da IMPUGNANTE, desconsiderando a tributação pelo lucro real e recalculando o IRPJ e a CSLL com base no lucro arbitrado, e aplicando o IRRF com fundamento no art.674 e 675 do RIR/99; crê que a autoridade fiscal não compreendeu a natureza da atividade da IMPUGNANTE, de forma que entende ser necessário uma breve exposição de seus negócios; descreve seu objeto social, que sua atividade tipificada como de “correspondente não bancário” é submetida à regulação do BACEN; Eis o seu objeto social, que descreveu: ‘a prestação de serviços de controle de crediários, levantamentos cadastrais, assessoria e consultoria comercial e econômicofinanceira, emissão de carnes e outros títulos de crédito, inclusive de inadimplentes, organização e estruturação de sistemas de processamento dados, consultoria em marketing, intermediação e controle de negócios em geral, participação em outras sociedades, de qualquer ramo de atividade, nacionais e estrangeiras.’ em conseqüência da complexidade e sofisticação de determinadas operações e determinados clientes, era mais econômico para a empresa organizar seu negócio mediante a contratação de terceiros, profissionais altamente qualificados, com dedicação não exclusiva, organizados através de pessoas jurídicas; tudo suportado por contratos; que não conseguiria desenvolver tais soluções sem o suporte das prestadoras de serviços contratadas, não só pelo conhecimento técnico requerido, mas também pela visão profunda do mercado financeiro que tais empresas traziam, proporcionando, assim, à IMPUGNANTE diversificar suas atividades, que eram a de oferecer ao mercado os produtos financeiros de seus clientes, especialmente o Banco BVA S/A, incrementando a respectiva carteira de clientes, explorando nichos de mercado nos quais a IMPUGNANTE não teria conhecimento técnico para atar sozinha, aumentando assim o seu faturamento; estas empresas apresentavam relatórios gerenciais e tudo suportado por notas fiscais; que todos os documentos que estão nos autos e já apresentados no decorrer da fiscalização – extratos bancários dos pagamentos que fez a estas empresas (que relaciona), contratos, notas fiscais, relatórios de produção e recolhimento de tributos na fonte – FORMAM UM CONJUNTO PROBATÓRIO suficiente para evidenciar os serviços adquiridos pela IMPUGNANTE; preliminarmente: da nulidade por manifesto erro na indicação da disposição legal infringida; Fl. 6095DF CARF MF 6 que o auditor fiscal não teria apontado a norma legal infringida; por sua vez o artigo 674 (que transcreve) e 675 do RIR/99, que fundamenta o lançamento do imposto de renda retido na fonte, não indica a exata infração; o RIR não é lei, apenas um decreto normativo; da nulidade da autuação por violação ao disposto na Portaria MF nº 187/93; que o auditor ao considerar inidôneos os documentos apresentados, deveria, então, agir conforme orientação da Portaria MF 187/93, que transcreve, onde ali se indicam os pressupostos necessários e indispensáveis à declaração de inidoneidade, não respeitados pela autoridade fiscalizadora; do direito: da dedutibilidade das despesas decorrentes dos contratos de prestação de serviços e da aplicação do art.299 do RIR/99 neste tópico discorre longamente sobre o alcance do artigo, que trata das condições em que uma despesa é dedutível (dedutibilidade atrelada à necessidade da empresa e se a despesa é usual e normal; que necessitava dos serviços das empresas pois não contava em seus quadros com pessoas especializadas com expertise suficiente; cita vários doutrinadores com excertos sobre as características das despesas dedutíveis; da leitura do Termo Fiscal, a Impugnante conclui que a autoridade autuante não teria acatado sua documentação, pois esta teria estranhado o fato de que a Impugnante atendia formalmente apenas a um único cliente e que não aceitou nenhum dos documentos apresentados durante a fiscalização pela simples alegação subjetiva de quem se diz “não estar convencido”; transcreve excertos de doutrinadores; de forma que deve “saltar aos olhos o ABSURDO” pretendido pela autoridade autuante neste caso, quando pretende glosar nada menos que 100% das verbas de prestação de serviços pagas a 14 pessoas jurídicas, todas independentes entre si...”; e para demonstrar de forma mais cabal o ABSURDO que aqui se denuncia, a IMPUGNANTE apresenta por amostragem, carta de cliente para o qual prestou serviços (doc.07); através dessa carta, os clientes confirmam não apenas a intermediação realizada pela IMPUGNANTE, mas também a participação das empresas terceirizadas; Da Inaplicabilidade do §1º do artigo 61 da Lei 8.981/93 ao presente caso e a análise de jurisprudência do CARF sobre o tema ante tudo exposto, estamos diante de uma situação que não permite a pecha de tratarse de um “pagamento sem causa”. Na verdade estamos diante de um quadro em que o Autuante simplesmente não quer aceita a causa demonstrada, e embora não apenas não consiga, mas nem tenha tentado provar diversamente, o Autuante “glosa a causa” para daí então justificar a glosa da despesa (por falta de causa) e penalizar o contribuinte com mão pesada através do lançamento do IR Exclusivo de Fonte, à alíquota de 35%, aplicada sobre uma base de cálculo reajustada, ou seja, na prática para cobrar da IMPUGNANTE o montante exorbitante equivalente a simplesmente 53,84% [= 35% x 1/(1 – 35%)] do valor das “despesas cuja causa foi glosada,” acrescidos ainda de multa e juros; é sabido o caráter excepcional que tem o dispositivo da legislação que prevê a incidência do artigo 61 da Lei 8.981/95, que tem como foco primário sancionar as saídas de caixa das empresas sem explicação (como n o caso dos pagamentos Fl. 6096DF CARF MF Processo nº 12448.729489/201510 Acórdão n.º 1401003.301 S1C4T1 Fl. 6.094 7 a beneficiário não identificado), ou pagamentos a beneficiários identificados mas sem explicação, ou no caso de remuneração indireta a executivos; como se sabe, é norma que visa, de um lado, desestimular e coibir abusos na “fabricação de despesas” pelas empresas (muitas vezes através das chamadas “notas frias”) e de outro, garantir que haja tributação sobre benefícios que se tenta escamotear; nenhuma das justificativas acima faz sentido no caso concreto, pois como provamos, não se tratam de “despesas fabricadas”, nem se tentou escamotear nada, os beneficiários estão mais que devidamente apontados e os mesmos submeteram à tributação as verbas auferidas; que Neicyr de Almeida (Imposto de Renda das Empresas – Questões Controvertidas) corrobora este entendimento quando afirma: “...o comando legal consubstanciado no art.61 da Lei 8.981/95 não transferiu a terceiros o ônus da prova acerca da materialidade do dispêndio; pelo contrário, exigiu do agente fiscal que assegurasse, sem hesitação, que o direcionamento dos recursos não guardava qualquer correlação com algo recebido em trocas.” transcreve ementas de julgados do CARF, para concluir que não podem as autoridades administrativas, a seu bel prazer, desconsiderar as operações realizadas com suporte documental robusto e idôneo, para arbitrar eventual IR/Fonte devido pelo contribuinte; as autoridades fiscalizadoras simplesmente não tem competência, autonomia ou permissão legal para desconsiderar a vasta documentação apresentada pela Impugnante à Fiscalização; Da impossibilidade de presunção no lançamento e o princípio da verdade material que não poderia a Fiscalização, em hipótese alguma, utilizarse de recursos presuntivos e meros indícios para concluir, de forma equivocada, que os pagamentos efetuados pela IMPUGNANTE não teriam causa; que a Fiscalização, em diversas passagens dos TVF, utilizouse indevidamente de recursos presuntivos para desconsiderar as despesas incorridas pela IMPUGNANTE, mas em nenhum momento comprovou, de forma irrefutável, a sua inexistência, o que seria imprescindível para a legitimidade do lançamento; se a documentação apresentada pela IMPUGNANTE não era, na concepção da Fiscalização, satisfatória, deveria ela não apenas expor claramente os motivos que a levaram a concluir dessa forma, mas também provar a impossibilidade de sua existência, e não simplesmente desconsiderála por um “estranhamento” e/ou uma “insatisfação” em relação ao que lhe foi exposto e apresentado; no mais discorre sobre o princípio da verdade material; da ilegalidade do arbitramento do lucro após transcrever o enquadramento legal do Auto, reitera que sempre atendeu as intimações, fornecendo todos os documentos necessários, e que em nenhum momento a autoridade autuante colocou sob suspeição a correção e a higidez da escrituração contábil mantida pela IMPUGNANTE; Fl. 6097DF CARF MF 8 portanto, a única razão para a imposição à IMPUGNANTE do arbitramento do seu lucro tributável seria a glosa rasa e generalizada de mais de 90% de suas despesas/custos, de sorte que, eliminado tal proceder inexiste qualquer outra motivação para se manter tal medida; caracterização dos custos/despesas como pagamento sem causa resultaria em um absurdo bisinidem reitera que as verbas em questão, relativas à remuneração de terceiros pela prestação de serviços, foram devidamente submetidas à incidência de IR, CS, PIS e COFINS, seja sob a forma de retenção na fonte por parte da IMPUGNANTE quando da realização do pagamento, seja posteriormente pelas próprias empresas beneficiárias quando contabilizaram tais verbas como ‘receita’; ainda assim, o Auto pretende arrecadar o equivalente a 53,84% a título de IR, sem considerar ainda os encargos de multa e juros; a autoridade autuante poderia ter concedido um crédito pelos impostos que foram, sabidamente, (a) retidos na fonte e (b) recolhidos pelas empresas prestadoras de serviços; da inaplicabilidade da multa agravada lançada que a autoridade autuante, de forma sucinta, aplicou à IMPUGNANTE a multa de 150%, mas para isto se pressupõe que a contribuinte tenha agido de forma dolosa; deve a autoridade tipificar claramente a conduta praticada, algo que não foi feito; desta maneira, desnecessário dizer que o proceder da autoridade autuante impede que o contribuinte se defenda; traz ementas de julgados do CARF; conclusões e pedidos requer seja nulo o presente lançamento tendo em vista a ofensa ao art.97, I e V do CTN e aos artigos 5º, II e 150 da CF/88; se não reconhecida a nulidade, seja julgado improcedente o lançamento pelas questões de fato e de direito apontadas; que seja afastada a majoração da multa de ofício; requerse, ainda, o reconhecimento da inexigibilidade de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, com base em julgado do CARF. No mesmo procedimento fiscal foi lavrado auto de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em razão do arbitramento do lucro, os quais foram objeto de outro processo (12448.729486/201586). Em 17 de junho de 2016 a DRJ em Florianópolis SC julgou a impugnação parcialmente procedente, por força do cancelamento da qualificação da multa de ofício, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 Normas Processuais. Nulidade. Improcedência. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando o mesmo possui todos os elementos necessários à compreensão inequívoca da exigência, detalhados em Relatório Fl. 6098DF CARF MF Processo nº 12448.729489/201510 Acórdão n.º 1401003.301 S1C4T1 Fl. 6.095 9 de Fiscalização, que é parte integrante do Auto, e dos fatos que o motivaram e o adequado enquadramento legal da infração fiscal. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 Pagamentos sem comprovação da operação/causa. Tributação na Fonte. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício. Ausência de Motivação. Cancelamento. A aplicação da penalidade qualificada requer que à conduta da Fiscalizada esteja associada alguma das condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, quando aí, sim, seria cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Se a Fiscalização não demonstra, de maneira explicita, uma eventual conduta, em tese, dolosa por parte da Fiscalizada, não pode prevalecer a multa qualificada, devendose proceder ao seu cancelamento, mantendose a multa de ofício em seu patamar típico, de 75%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 1o de julho de 2016 (fl. 5.910), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 2 de agosto de 2016 (fl. 5.917), afirmando que, uma vez afastada a prática de qualquer conduta dolosa pela contribuinte e inclusive reconhecida a idoneidade do conjunto probatório apresentado, seria lógico e natural que o passo seguinte fosse a efetiva análise das evidências materiais apresentadas na impugnação, que certamente conduziriam ao cancelamento da autuação fiscal, porém não foi isso que ocorreu. Em seu recurso, a Recorrente aponta o que entende serem equívocos da decisão recorrida, tais como não considerar que o Sr. Benedito Ivo Lodo Filho exercia atribuições diferentes como diretor e como prestador de serviços, bem como que a Omaha é empresa constituída há mais de 20 anos e, ao longo desse período, prestou serviços para outras empresas conforme documentos anexos ao recurso, sendo portanto sua expertise inquestionável. Observa também que "a Recorrente não possuía expertise, nem disponibilidade Fl. 6099DF CARF MF 10 técnica para executar todos os trabalhos contratados pelos seus clientes" e por isso precisava de serviços como os prestados pela Omaha. Ressalta, por fim, que se trata de serviços intelectuais com resultado imaterial e que todo o conjunto probatório apresentado faz prova a seu favor. Sustenta, ademais, que a DRJ considerou todos os documentos hábeis e idôneos, apenas não aceitou a causa demonstrada, ou seja, "glosou a causa". Observa que a caracterização dos valores como pagamento sem causa resultaria em um absurdo bis in idem já que as verbas foram submetidas à incidência de IR, CSLL, PIS e Cofins, seja sob a forma de retenção na fonte por parte da Recorrente quando da realização do pagamento, seja posteriormente pelas próprias empresas beneficiárias quando contabilizaram tais verbas como receita. Por fim, ressalta que o lançamento foi baseado em presunção, e observa que se a documentação apresentada pela Recorrente não era, na concepção da Fiscalização, satisfatória, deveria ela não apenas expor claramente os motivos que a levaram a concluir dessa forma, mas também provar a impossibilidade de sua existência, e não simplesmente desconsiderála por um "estranhamento" e/ou uma "insatisfação" em relação ao que lhe foi exposto e apresentado.. Às Fls. 6060/6077 dos autos – Acordão de nº 12448.729489/201510 da 1401002.734 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 IRRF LANÇADO SOB A ALEGAÇÃO DE QUE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NÃO FOI COMPROVADA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. SERVIÇOS INTELECTUAIS QUE PRODUZEM RESULTADO IMATERIAL. PROVA DA PRESTAÇÃO PRODUZIDA PELO CONTRIBUINTE E NÃO INFIRMADA PELA FISCALIZAÇÃO. Não subsiste o lançamento do IRRF com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995 (art. 674 do RIR/99) quando a fiscalização se limita a questionar a efetividade dos serviços prestados. Tal argumento até pode ser base para a glosa da despesa, mas não para o lançamento do IRRF. A prova da prestação de serviços intelectuais como a estruturação de operações de crédito se faz mediante a apresentação dos respectivos contratos, dos relatórios de produção, de documentos que comprovem a existência das operações estruturadas e das notas fiscais. Se, mesmo diante de tais evidências, o fisco insiste que os serviços não foram efetivamente prestados, é dele o ônus de desconstituir tais provas, não sendo admissível presumir que os serviços não existiram pelo simples fato de se tratar de pessoas ligadas à fonte pagadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011. MULTA QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CANCELAMENTO. A aplicação da penalidade qualificada requer que a conduta esteja associada a alguma das condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Se a Fiscalização não demonstra, de maneira explícita, uma eventual conduta, Fl. 6100DF CARF MF Processo nº 12448.729489/201510 Acórdão n.º 1401003.301 S1C4T1 Fl. 6.096 11 em tese, dolosa por parte da Fiscalizada, não pode prevalecer à multa qualificada, devendose proceder ao seu cancelamento, mantendose a multa de ofício em seu patamar típico, de 75%. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, excluindo o lançamento do IRRF quanto aos pagamentos efetuados a Omaha Consultores Ltda., Antônio Luiz de Oliveira P. Pascoal ME, YKK Serviços de Cobrança Ltda., BPW Consultoria Empresarial e Assessoria Financeira, Antônio C. Conversano Serviços Planejamento Fin., RL de Souza Brandão Cobranças, Mônica Moreno Digitação e Processamento Ltda., JPRH Serviços de Cobrança Ltda. e V de Albuquerque Palmeira Cobrança e negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. Isto porque, segundo entendimento da Turma julgadora: · (...) “para a maior parte dos serviços, foram apresentadas cópias de instrumentos particulares celebrados entre as partes, cópias de notas fiscais de serviços, cópias de documentos intitulados "relatórios de produção", cópias de documentos referentes a operações de crédito e prova dos respectivos pagamentos”; · (...) "A análise da documentação apresentada como prova dos serviços que ensejaram os pagamentos feitos pela Recorrente realmente não permite concluir que os serviços foram efetivamente prestados; · (...) "Não se questiona que os beneficiários estão identificados. Assim, é fato que o lançamento ocorreu com base no § 1º do art. 61, ou seja, porque a autoridade autuante entendeu que não restou comprovada a operação ou sua causa; · (...) "A causa das operações, em alguns casos, também está comprovada, já que, à exceção de alguns pagamentos foram apresentados contratos e relatórios cuja veracidade não foi contestada”. Às fls. 6079/6084 – dos autos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela PFN, alegando em síntese: · (...)“contradição, em face do Acórdão nº 1401002.734, de 25 de julho de 2018, proferido por este Colegiado, sob o seguinte fundamento: a ementa do julgado está em evidente contradição com a tese firmada no voto condutor do acórdão ora embargado”; Fl. 6101DF CARF MF 12 · (...)“a razão para o provimento do recurso voluntário foi o entendimento de que, no caso do IRRF, a causa da operação pode ser comprovada com a apresentação dos documentos contratuais, sendo impertinente ao Fisco questionar a efetividade da operação, isto é, se os serviços respectivos foram ou não prestados”; · (...)“em nenhum momento do voto condutor do acórdão, analisase, especificamente, se os serviços objeto dos contratos infirmados pelo Fisco foram efetivamente prestados ou não, até porque a tese que prevaleceu foi justamente no sentido da impertinência do questionamento da autoridade fiscal quanto à efetividade das operações na hipótese do IRRF”. Às fls. 6087/6089 dos autos Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração – da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, admitindo os Embargos de Declaração com as seguintes considerações: a) “Entendeu a decisão embargada que, embora a análise da documentação apresentada como prova dos serviços que ensejaram os pagamentos feitos pela Recorrente realmente não permita concluir que os serviços foram efetivamente prestados, [...] tal circunstância não é capaz de levar, além da glosa das despesas, ao lançamento de IRRF, [...] porque ausentes os requisitos legais para tanto”; b) E de que “seria do Fisco o ônus de desconstituir tais provas [a prova da prestação de serviços intelectuais], não sendo admissível presumir que os serviços não existiram pelo simples fato de se tratar de pessoas ligadas à fonte pagadora — fundamento, este, que, não constou do voto condutor da decisão embargada; c) E que, até mesmo, contraria o que ali havia sido dito a respeito daqueles mesmos documentos apresentados como prova dos serviços, de que : “a análise da documentação apresentada como prova dos serviços que ensejaram os pagamentos feitos pela Recorrente realmente não permite concluir que os serviços foram efetivamente prestados. Resta saber se tal circunstância é capaz de levar, além da glosa das despesas, ao lançamento de IRRF. Se o fisco entende que tais operações/causas não existiram (ou seja, que os serviços respectivos não foram efetivamente prestados) ele está, como defende a Recorrente, a “glosar a causa”, o que até pode ser base para a glosa da despesa, mas não para o lançamento do IRRF, porque ausentes os requisitos legais para tanto”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Relator Daniel Ribeiro Silva. Como bem analisado no despacho de admissibilidade dos presentes embargos, há uma clara contradição entre a tese vencedora adotada por esta TO, e trecho da ementa do acórdão. Fl. 6102DF CARF MF Processo nº 12448.729489/201510 Acórdão n.º 1401003.301 S1C4T1 Fl. 6.097 13 E tal fato é facilmente constatado quando se verifica uma das conclusões que o voto da nobre e brilhante Conselheira Relatora chegou quanto à análise da documentação apresentada: A análise da documentação apresentada como prova dos serviços que ensejaram os pagamentos feitos pela Recorrente realmente não permite concluir que os serviços foram efetivamente prestados. A tese defendida pela então Conselheira Relatora é a de que o artigo 61, §1º, da Lei 8.981/1995, impõe a responsabilidade da fonte pagadora pelo pagamento do imposto de renda (que deveria ter sido retido na fonte) relacionado a: (i) pagamentos a beneficiário não identificado; (ii) pagamentos ou entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, na hipótese de não ser comprovada a operação ou a sua causa. Desta feita, não se questionou que os beneficiários estão identificados. Assim, é fato que o lançamento ocorreu com base no § 1º do art. 61, ou seja, porque a autoridade autuante entendeu que não restou comprovada a operação ou sua causa. E segue concluindo que, a causa das operações, em alguns casos, também está comprovada, já que, à exceção de alguns pagamentos foram apresentados contratos e relatórios cuja veracidade não foi contestada. Portanto, entendeu a Relatora que a causa das operações está comprovada (i.e., execução de serviços de cobrança ou de estruturação de operações bancárias, conforme o caso), o que se questiona na verdade é a existência da operação em si. De fato, a fiscalização não coloca em dúvida a natureza dos pagamentos mas sim questiona se foram prestados os serviços para os quais foi realizado o pagamento. E nesse sentido arrematou concluindo que: Se o fisco entende que tais operações/causas não existiram (ou seja, que os serviços respectivos não foram efetivamente prestados) ele está, como defende a Recorrente, a "glosar a causa", o que até pode ser base para a glosa da despesa, mas não para o lançamento do IRRF, porque ausentes os requisitos legais para tanto. De fato, a tese vencedora apresenta clara contradição com parte da ementa formalizada, senão vejamos: Fl. 6103DF CARF MF 14 IRRF LANÇADO SOB A ALEGAÇÃO DE QUE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NÃO FOI COMPROVADA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. SERVIÇOS INTELECTUAIS QUE PRODUZEM RESULTADO IMATERIAL. PROVA DA PRESTAÇÃO PRODUZIDA PELO CONTRIBUINTE E NÃO INFIRMADA PELA FISCALIZAÇÃO. Não subsiste o lançamento do IRRF com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995 (art. 674 do RIR/99) quando a fiscalização se limita a questionar a efetividade dos serviços prestados. Tal argumento até pode ser base para a glosa da despesa, mas não para o lançamento do IRRF. A prova da prestação de serviços intelectuais como a estruturação de operações de crédito se faz mediante a apresentação dos respectivos contratos, dos relatórios de produção, de documentos que comprovem a existência das operações estruturadas e das notas fiscais. Se, mesmo diante de tais evidências, o fisco insiste que os serviços não foram efetivamente prestados, é dele o ônus de desconstituir tais provas, não sendo admissível presumir que os serviços não existiram pelo simples fato de se tratar de pessoas ligadas à fonte pagadora. De fato, a tese infirmada no Acórdão embargado perpassa pelo ônus do Fisco em comprovar a inexistência efetiva das operações, ainda mais quando há identificação do beneficiário e da causa. Entretanto, am momento algum concluiu que os serviços foram efetivamente prestados, pelo contrário, afirma que da análise da documentação apresentada como prova dos serviços que ensejaram os pagamentos feitos pela Recorrente realmente não permite concluir que os serviços foram efetivamente prestados. Assim é que, entendo que devem ser acolhidos os presentes embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição indicada, com a correção do texto da ementa do Acórdão embargado, que passa a ter a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 IRRF LANÇADO SOB A ALEGAÇÃO DE QUE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NÃO FOI COMPROVADA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. BENEFICIÁRIOS E CAUSA PARCIALMENTE COMPROVADAS. Não subsiste o lançamento do IRRF com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995 (art. 674 do RIR/99) quando a fiscalização se limita a questionar a efetividade dos serviços prestados. Tal argumento até pode ser base para a glosa da despesa, mas não para o lançamento do IRRF. Se o fisco entende que tais operações/causas não existiram (ou seja, que os serviços respectivos não foram efetivamente prestados) ele está, como defende a Recorrente, a "glosar a causa", o que até pode ser base para a glosa da despesa, mas não para o lançamento do IRRF, porque ausentes os requisitos legais para tanto. Fl. 6104DF CARF MF Processo nº 12448.729489/201510 Acórdão n.º 1401003.301 S1C4T1 Fl. 6.098 15 Se, mesmo diante das evidências apresentadas pelo contribuinte, que identificam beneficiário e a causa, o fisco insiste que os serviços não foram efetivamente prestados, é dele o ônus de desconstituir tais provas, não sendo admissível presumir que os serviços não existiram pelo simples fato de se tratar de pessoas ligadas à fonte pagadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011. MULTA QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CANCELAMENTO. A aplicação da penalidade qualificada requer que a conduta esteja associada a alguma das condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Se a Fiscalização não demonstra, de maneira explícita, uma eventual conduta, em tese, dolosa por parte da Fiscalizada, não pode prevalecer à multa qualificada, devendose proceder ao seu cancelamento, mantendose a multa de ofício em seu patamar típico, de 75%. Face ao exposto, oriento meu voto no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição indicada no acórdão. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 6105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000454/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. APLICAÇÃO DA MULTA DE 25%. IMPOSSIBILIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR APÓS APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO.
A revisão do lançamento necessita ocorrer em momento anterior ao início do litígio administrativo ou após apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação, a partir de diligências determinadas pela turma julgadora, conforme previsto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-005.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do Auto de Infração por vício material. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza) - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: Leonardo Vinicius Toledo de Andrade
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. APLICAÇÃO DA MULTA DE 25%. IMPOSSIBILIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR APÓS APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. A revisão do lançamento necessita ocorrer em momento anterior ao início do litígio administrativo ou após apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação, a partir de diligências determinadas pela turma julgadora, conforme previsto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12898.000454/2010-92
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988741
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.173
nome_arquivo_s : Decisao_12898000454201092.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Leonardo Vinicius Toledo de Andrade
nome_arquivo_pdf_s : 12898000454201092_5988741.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do Auto de Infração por vício material. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza) - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7697950
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661484687360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 266 1 265 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.000454/201092 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.173 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria DCOMP Recorrente MEGADATA COMPUTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. APLICAÇÃO DA MULTA DE 25%. IMPOSSIBILIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR APÓS APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. A revisão do lançamento necessita ocorrer em momento anterior ao início do litígio administrativo ou após apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação, a partir de diligências determinadas pela turma julgadora, conforme previsto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do Auto de Infração por vício material. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza) Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 04 54 /2 01 0- 92 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12898.000454/201092 Acórdão n.º 3201005.173 S3C2T1 Fl. 267 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase do Auto de Infração às fls.11/14 (e do Termo de Verificação correspondente, às fls.9/10), lavrado em 15.04.2010 pela então Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Rio de JaneiroDefisRJO, para exigência de multa isolada, no valor de R$ 20.766,79. 2 Segundo o Termo de Verificação, no cálculo da multa isolada decorrente de compensação não declarada, de que tratou o processo 12898.000382/200940 (e não, 12898.000381/200903, como erradamente constou, observo desde já), foi utilizado o percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito compensado indevidamente, quando o correto teria sido o percentual de 75% (setenta e cinco por cento). 3 Sendo assim, reaberta a fiscalização (autorização de reexame, às fls.4), foi lavrada a exigência de R$ 20.766,79, calculada assim: 4 A exigência foi enquadrada no art.18 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 (fls.13). 5 O Auto de Infração veio instruído com os documentos de fls.15/43. A ação fiscal foi encerrada em 15.04.2010 (fls.44). 6 Inconformado, o interessado apresenta a impugnação de fls.46/71, dizendo que a cobrança de multa complementar de 25% é improcedente, e, ainda, que: a) em processo de análise manual (nº 15374.001660/200711), a DeratRJO, “considerou não declarada a Dcomp em causa, em razão de suposta inexistência do pedido de habilitação de crédito por decisão judicial transitada em julgado”; b) para suspender a exigibilidade dos débitos compensados, impetrou o Mandado de Segurança – MS 2008.51.01.0045153, e, em 11.08.2008, depositou judicialmente os valores supostamente devidos; Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12898.000454/201092 Acórdão n.º 3201005.173 S3C2T1 Fl. 268 3 c) considerando que os débitos não estavam confessados em DCTF, a SRFB lavrou 4 (quatro) autos de infração para fins de prevenção de decadência, dando origem ao processo 12898.000380/200951, e, com base no mesmo procedimento, lavrou auto de infração para exigir multa isolada de 50% do débito de CSLL compensado, sendo que “tais autos de infração foram impugnados pela Impugnante em 22.04.2009”; d) a exigência de multa complementar de 25% é totalmente improcedente porque a aplicação do percentual de 50% não se deu por mero erro de cálculo, ou por “mera abstração ou devaneio do fiscal”, mas “teve por base uma efetiva interpretação das normas aplicáveis ao caso pelo fiscal autuante, segundo o qual, o percentual de 50% é o que seria o correto para o caso em exame”; e) se algum equívoco houve no percentual da multa aplicada, não configurou erro material ou de fato, mas, sim, erro de direito, com base no qual o art.149 do Código Tributário Nacional não admite seja revisto o lançamento, porque este é definitivo e inalterável, sob o fundamento de que “o direito presumese conhecido, mormente da autoridade incumbida da sua aplicação”; f) a legislação consolidada, vigente à época do fato gerador da CSLL indevidamente compensada (art.18 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004; a redação do art.18 da Lei nº 10.833, com as alterações promovidas pela Lei nº 11.196, de 2005, e o art.90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001), enfeixa três situações distintas, cuja correta compreensão demanda análise conjunta, e da qual resulta que: f1) na compensação que configura confissão de dívida, o débito é exigido com a multa moratória e os juros de mora; f2) na compensação que configura confissão de dívida, mas em que foi caracterizada fraude, sonegação ou conluio, exigese, em lugar da multa de mora, a multa isolada, que não configura hipótese autônoma de infração, mas tãosomente agravante de uma única infração: falta de recolhimento de tributo; f3) na compensação não declarada, se o tributo já tiver sido confessado, exigemse apenas multa moratória e juros de mora; se não, “a multa de ofício já seria normalmente exigida do contribuinte juntamente com o lançamento do tributo compensado, por meio do auto de infração, sendo descabida qualquer cumulatividade com a multa de ofício isolada”; g) “o art.18 da Lei nº 10.833, de 2003, pretendeu, como visto, eliminar distorções, exigindo o pagamento de multa de ofício (juntamente com o lançamento necessário à constituição dos débitos ainda não confessados pelo contribuinte) ou de multa isolada, quando os débitos já tenham sido confessados pelo contribuinte”; Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12898.000454/201092 Acórdão n.º 3201005.173 S3C2T1 Fl. 269 4 h) “uma vez que a SRFB lavrou o auto de infração constante do processo nº 12898.000380/200951, caberia à autoridade fiscal ter aplicado multa de ofício, que não o fez porque, considerando que os valores haviam sido depositados com juros e multa de mora, nos autos do MS 2008.51.01.0045153, entendeu que se aplicava à espécie o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que determina de forma expressa a impossibilidade de cobrança de multa de ofício em casos como o presente”; i) o art.18 da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser interpretado conjuntamente com o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que exclui “a possibilidade de aplicação de multa isolada quando o contribuinte tenha efetuado o depósito das quantias discutidas”, j) a fiscalização pretende substituir a multa de ofício por aquela exigida isoladamente; “se a multa de ofício aplicável ao caso deve ser aquela exigida juntamente com o imposto devido, não pode a fiscalização desconsiderar a legislação que demanda a não aplicação dessa multa, e, por vias transversas, exigila isoladamente”; k) “é improcedente a cobrança de multa sobre o valor da CSLL compensada na Dcomp discutida no processo administrativo nº 15374.001660/200711, seja ela de 50% ou 75%”; l) o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, infringe os artigos 97, V, e 113 do CTN, uma vez que “não é possível a aplicação de multa autônoma em casos de descumprimento de obrigação principal”; m) “a multa isolada em exame é devida pelas mesmas razões que levam a fiscalização a exigir multa de ofício juntamente com a constituição dos débitos ainda não confessados”; n) com a publicação da MP 303, de 2006, cuja aplicação retroativa se impõe (apesar de ter sido publicada após a ocorrência do fato gerador do IR indevidamente apresentado na Dcomp), em face do art.106, inciso II, alínea “c”, do CTN), “a multa isolada prevista no art.44 da Lei nº 9.430, de 1996, passou a ser aquela que estabelecia a aplicação de um percentual de 50% e não mais 75%, sendo descabida a multa suplementar de 25%”. 7 O interessado pede “que o Auto seja considerado totalmente improcedente”. 8 Com a impugnação, vieram os documentos de fls.72/133. 9 Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.137/150 e a cópia do acórdão 42.583, proferido nesta Turma, nesta data (fls.151/160)." A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 269DF CARF MF Processo nº 12898.000454/201092 Acórdão n.º 3201005.173 S3C2T1 Fl. 270 5 Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL. ERRO. À autoridade lançadora tributária cabe efetuar lançamento complementar se verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. Em face de compensação não declarada, a multa isolada equivale a 75% do valor do débito compensado indevidamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) impossibilidade de revisão do Auto de Infração que aplicou multa equivalente a 50% do débito de CSLL compensado; (ii) falta de amparo legal para a aplicação de multa isolada; (iii) não cabimento da multa isolada por infringência aos arts. 97, V e 113 do Código Tributário Nacional; (iv) o correto percentual da multa aplicada é de 50% e não 75%; (v) pede a conexão do presente processo com outros O processo foi originalmente distribuído à 1ª Seção de Julgamento, 2ª Turma Extraordinária, a qual, através da Resolução nº 1002000.014 resolveu declinar da competência em favor da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, em decorrência de o processo administrativo nº 12898.000382/200940 (processo principal) ter sido julgado por esta Turma (Acórdão nº 3201001.769), o que no entendimento firmado na Resolução mencionada preveniu a competência para julgamento do lançamento complementar constante do processo sob análise. É o relatório. Voto Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12898.000454/201092 Acórdão n.º 3201005.173 S3C2T1 Fl. 271 6 Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Como visto, tratase do Auto de Infração para exigência de multa isolada, no valor de R$ 20.766,79 no percentual de 25% (vinte e cinco por cento) em complemento a multa isolada decorrente de compensação não declarada, de que tratou o processo 12898.000382/200940 em que foi utilizado o percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito compensado indevidamente, quando o correto teria sido o percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Perfilho o entendimento de que a decisão a ser prolatada no presente processo deve seguir a sorte do processo nº 12898.000382/200940, julgado por esta Turma e de relatoria do Conselheiro Winderley Morais Pereira. No julgamento do processo nº 12898.000382/200940 decidiuse, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade do lançamento por vício formal em razão de o percentual da multa exigida estar em desacordo com o previsto na legislação. Aludida decisão apresenta e seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. ERRO NO PERCENTUAL DA MULTA. NULIDADE. É nulo por vicio formal, o auto de infração em que o percentual da multa exigida esta em desacordo com aquele previsto na legislação. Recurso Voluntário Provido" (Processo nº 12898.000382/2009 40; Acórdão nº 3201001.769; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 14/10/2014) Do voto condutor destaco: "Foi dado conhecimento a esta turma de julgamento, sobre a existência de processos que conteriam lançamento complementares de 25% para transformar a multa do presente auto em 75%. Tais lançamentos ocorreram em momento posterior a impugnação e são justificados com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, o que prevê a existência de lançamentos complementares em razão das diligências realizadas no próprio processo, para que tais lançamentos fossem considerados, deveriam constar da presente exigência fiscal, abrindose prazo para nova impugnação o que não ocorreu. “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 12898.000454/201092 Acórdão n.º 3201005.173 S3C2T1 Fl. 272 7 § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. “ É mister ressaltar, que a base legal utilizada para o procedimento de revisão, com o consequente lançamento do auto de infração complementar, foi o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, confirmando o entendimento já exposto alhures. O auto de infração complementar deveria ter ocorrido a partir de diligências determinadas pela autoridade da primeira instância e dentro do mesmo processo. Diante do todo o exposto, voto no sentido de anular o lançamento, por vício formal." O mesmo entendimento também foi firmado em outros processos envolvendo a Recorrente e, de igual modo, de relatoria do Conselheiro Winderley Morais Pereira, conforme decisões adiante colacionadas: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. ERRO NO PERCENTUAL DA MULTA. NULIDADE. É nulo por vicio formal, o auto de infração em que o percentual da multa exigida esta em desacordo com aquele previsto na legislação. Recurso Voluntário Provido" (Processo nº 12898.000383/2009 94; Acórdão nº 3201001.770; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 14/10/2014) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 12898.000454/201092 Acórdão n.º 3201005.173 S3C2T1 Fl. 273 8 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. ERRO NO PERCENTUAL DA MULTA. NULIDADE. É nulo por vicio formal, o auto de infração em que o percentual da multa exigida esta em desacordo com aquele previsto na legislação. Recurso Voluntário Provido" (Processo nº 12898.000384/2009 39; Acórdão nº 3201001.771; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 14/10/2014) Por sua vez, sobre a impossibilidade de lavratura de Auto de Infração complementar, assim foi decidido: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. APLICAÇÃO DA MULTA DE 25%. IMPOSSIBILIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR APÓS APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. A revisão do lançamento necessita ocorrer em momento anterior ao início do litígio administrativo ou após apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação, a partir de diligências determinadas pela turma julgadora, conforme previsto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido" (Processo nº 12898.000452/2010 01; Acórdão nº 3201001.772; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 14/10/2014) Do voto cito: "No caso em julgamento no presente processo, em que o lançamento complementar não ocorreu no processo originário que exigiu a multa de 50%. Entendo, que o procedimento não atendeu aos ritos do PAF. O lançamento da multa complementar deveria ter ocorrido no processo administrativo nº 12898.000383/200994, quando seria aberto novo prazo para impugnação do percentual correto da multa, que alcançaria o patamar de 75%." Não obstante no processo principal constar nulidade por vício formal, no caso presente há vício material em razão da inexistência legal de multa no percentual de 25%. Assim, seguindo o entendimento já firmado, em razão de o lançamento complementar de 25% não ter ocorrido no processo originário em que se exigiu a multa de 50% é de se reconhecer a nulidade da autuação. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 12898.000454/201092 Acórdão n.º 3201005.173 S3C2T1 Fl. 274 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do Auto de Infração por vício material. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900391/2016-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO.
Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3302-006.682
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO. Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10860.900391/2016-63
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993125
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.682
nome_arquivo_s : Decisao_10860900391201663.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10860900391201663_5993125.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7706016
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661511950336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.900391/201663 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.682 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria Juros Moratórios Recorrente GRANVALE LOGISTICA E TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO. Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 91 /2 01 6- 63 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10860.900391/201663 Acórdão n.º 3302006.682 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PerDcomp transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, no despacho decisório, a Receita Federal efetuou a compensação usando apenas o valor original do direito creditório, sem considerar os juros equivalentes à taxa SELIC que incidem sobre ele. Assim sendo, pede que a manifestação de inconformidade seja provida, para o fim de reconhecer o direito à atualização dos valores compensados e de homologar integralmente a compensação realizada.. A DRJ Belo Horizonte julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02074.080. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alega, em breve síntese, que o valor informado se refere ao valor original atualizado pela Selic; que não separou os valores de original, juros e multa; que o valor do direito creditório contempla a compensação pretendida, devendo ela ser homologada na plenitude. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.675, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10860.900385/201614, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.675): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10860.900391/201663 Acórdão n.º 3302006.682 S3C3T2 Fl. 4 3 A lide posta nos autos diz respeito a questão fática. Não se discute interpretação da legislação tributária. O recorrente não se insurge contra a atualização do débito compensado a destempo, tampouco com a forma de atualização utilizada pela Autoridade Tributária para corrigir o direito creditório. Acontece que o sujeito passivo se equivocou quanto ao valor a ser compensado pelo seu indébito tributário, explico: Podemos extrair da análise da Per/Dcomp nº 03339.46253.170815.1.3.047194, os seguintes dados: a) O sujeito passivo possuía um crédito no valor de R$ 4.372,41, referente a recolhimento indevido da Cofins, realizado em 25/05/2011. Ao seu crédito foi adicionada a taxa Selic acumulada, no percentual de 41,07%. O resultado foi um crédito final de R$ 6.168,16; b) O sujeito passivo possuía um débito tributário no valor de R$ 6.168,16, referente ao mês de setembro de 2013, a título de Cofins. Buscou compensar esse débito com o indébito descrito no item anterior. Ocorre que o recorrente esqueceu dos juros e da multa que incidem sobre o valor do principal nos casos em que a compensação é efetuada após o vencimento do tributo. Sobre essa sistemática, reproduzo o voto da instância a quo que a tratou de forma didática e objetiva, verbis: Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. De acordo com o art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 da mesma IN e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Rege a incidência de acréscimos legais sobre débitos o art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo esse artigo, sobre os débitos não pagos no prazo, incidem multa de mora e juros de mora. O percentual dos juros de mora equivale à taxa SELIC, nos meses de atraso anteriores ao do pagamento, e a 1%, no mês do pagamento. A extinção do débito compensado considerase ocorrida na data da transmissão da DCOMP. Por fim, de acordo com o § 1º do art. 43 da IN SRF n.º 1300, de 2012, a compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrado pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Aplicando a sistemática acima explicitada, temos que: O valor do crédito foi de R$ 4.372,41 + 1.795,75 (tx Selic) = R$ 6.168,16. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10860.900391/201663 Acórdão n.º 3302006.682 S3C3T2 Fl. 5 4 O valor do débito tributário foi também de R$ 6.168,16. Não obstante, esse valor não pode se referir na sua totalidade ao principal e sim ao principal, multa e juros moratórios. Nesta linha, o correto valor do principal que foi compensado foi de R$ 4.408,97, pois o restante foi direcionado para a quitação da multa no valor de R$ 881,79, e dos juros no valor de R$ 877,38. Diante desse quadro, devese dizer que o sujeito passivo continuou com um débito da Cofins, referente ao mês de setembro de 2013, no valor de R$ 1.759,19. Resultado da diferença entre seu crédito de R$ 6.168,16 e o débito de R$ 4.408,97. Pelos motivos expostos, não há como reformar a decisão a quo no sentido de homologar a compensação em sua plenitude, pois o indébito tributário que a lastreava era em valor inferior ao valor do débito declarado na Dcomp. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
