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Numero do processo: 13603.904691/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado.
Numero da decisão: 3402-006.598
Decisão: .
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado. . Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 46 91 /2 01 2- 17 Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que procedeu com a retificação dos DACONs e das DCTFs, tendo apresentado ainda os documentos contábeis que respaldariam as retificações. Sustenta, subsidiariamente, a impossibilidade de utilização da SELIC para atualização dos valores devidos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.593, de 21de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13603.904686/201212. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.593): "Com efeito, pela leitura da Manifestação de Inconformidade (e fls. 3/6) e da r. decisão recorrida, possível confirmar que não foram aventados em primeira instância argumentos subsidiários pela empresa. Com efeito, aquela defesa administrativa se pautou a desenvolver a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo e o erro material no preenchimento da PER/DCOMP, Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 4 3 afastando a exigência de multa e juros em razão da necessidade de se homologar a compensação pleiteada. Como indicado no relatório da r. decisão recorrida, ao tratar especificamente dos argumentos aventados na Manifestação de Inconformidade: "Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que ocorreu erro material no procedimento de compensação realizado. Informa que deveria enviar um PerDcomp solicitando o total do crédito pago a maior e gerar um débito na mesma declaração de valor inferior e informar o número do PerDcomp enviado anteriormente. Entretanto, enviou um PerDcomp solicitando crédito parcial, gerou débito de valor igual ao crédito e gerou uma nova declaração com novo número de PerDcomp solicitando crédito parcial referente ao pagamento a maior da mesma guia já enviada anteriormente. Portanto, seu erro foi enviar duas declarações solicitando o crédito duas vezes para uma só guia. Acrescenta que não consegue enviar declaração retificadora, pois o sistema não permite a retificação para processo que já foi objeto de decisão administrativa. Para comprovar suas alegações, apresenta planilha de apuração da Cofins e PIS. Requer a reavaliação do Despacho Decisório." (e fl. 33) Desta forma, a Recorrente não instaurou discussão administrativa neste processo quanto ao tópico "IV Dos acréscimos e a consequente lesão aos princípios constitucionais da cumulação de juros e taxa SELIC" do Recurso Voluntário (e fls. 115/117). Com isso, esta matéria trazida no Recurso Voluntário, por não ter sido trazida em sede de Manifestação de Inconformidade, restou preclusa na forma do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. E, não se tratando de matéria passível de ser conhecida de ofício por este colegiado, por não constar do rol do art. 342 do CPC/20152, aplicável de forma subsidiária ao presente processo, dela não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." 2 "Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I relativas a direito ou a fato superveniente; II competir ao juiz conhecer delas de ofício; III por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição." Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 5 4 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Nesse sentido, não tomo conhecimento do tópico "IV Dos acréscimos e a consequente lesão aos princípios constitucionais da cumulação de juros e taxa SELIC" do Recurso Voluntário (e fls. 115/117), passando à análise do mérito quanto à validade do crédito pleiteado. I DO CRÉDITO PLEITEADO Atentandose para o presente caso, observase que a Recorrente não consegue demonstrar, com clareza, a origem e validade do crédito pleiteado. Primeiramente, essencial novamente3 firmar que o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de restituição, ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19724. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é 3 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 4 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 6 5 composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Atentandose para o presente caso, não se vislumbra um fundamento fático ou jurídico concreto trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. Com efeito, em sua Manifestação de Inconformidade, a empresa afirma que seu crédito teria origem em vendas de sucata (CFOP 5.102) e vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus (CFOP 6.109), tendo cometido erro no preenchimento do PER/DCOMP que impediria a visualização do crédito. Para respaldar sua alegação, acosta aos autos planilhas com uma relação de notas fiscais envolvidas nestas operações: Planilha "Relação pagamentos indevido PIS/COFINS Sucata ano 2010" efl. 08 Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 7 6 Planilha "Valores de Crédito Pagamento indevido Zona Franca" efl. 09 Contudo, observase que em qualquer momento nestes autos foi apresentado sequer um levantamento exemplificativo das referidas notas fiscais que respaldariam o crédito. Acrescese que a empresa não esclarece o que seriam essas operações e quais as razões jurídicas para gerarem créditos, além de não demonstrar como esses valores teriam refletido em sua apuração do PIS do período. Ainda que a apuração do PIS seja centralizada, a simples análise da planilha não demonstra qual estabelecimento da empresa teria realizado as operações que supostamente dariam direito a crédito e quais os fundamentos jurídicos que respaldariam o crédito. Em seu Recurso Voluntário, a empresa apresentou um livro auxiliar de apuração do PIS e da COFINS de distintos períodos, acompanhados de declarações DCTF e DACON retificadoras. Contudo, esses documentos não confirmam a validade do crédito pleiteado pelo contribuinte, não servindo sequer como indício de sua existência. Atentandose primeiramente para os livros contábeis de apuração do PIS do período envolvido no presente pedido (março/2010 efls. 509/510), observase que (i) as operações identificadas com o CFOP 5.102, incorridas apenas no estabelecimento matriz (R$ 474.410,58) alcançaram montante inferior àquele identificado na planilha apresentada originariamente pela empresa (R$ 513.674,58); (ii) os valores correspondentes às operações identificadas com o CFOP 6.109 (R$ 122.779,70) superam o valor identificado na planilha de composição do crédito apresentado pela empresa na manifestação de inconformidade (R$ 35.289,74): Apuração matriz (CNPJ 07.770.721/000120 efl. 509) Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 8 7 Apuração filial (CNPJ 07.770.721/000200 efl. 510) Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 9 8 Vislumbrase, portanto, que este livro de apuração do PIS apresentado pelo contribuinte não confirma os dados do crédito informado nas planilhas anexadas à manifestação de inconformidade, não sendo possível confirmar com clareza a efetiva origem do crédito. Acrescese que o livro de apuração de PIS anexado aos autos alcança um valor devido de PIS que distingue daquele que foi declarado no DACON e na DCTF retificadores apresentados. Com efeito, considerando os valores indicados no resumo final dos livros, alcançase um montante de PIS a pagar de R$ 39.410,53 considerando o saldo credor apurado pela matriz (R$ 81.007,04) e o saldo devedor apurado na filial (R$ 120.417,57). Contudo, no DACON e na DCTF retificadoras apresentadas no Recurso Voluntário, a empresa indica um valor de PIS devido distinto, inicialmente de R$ 38.998,20 (DCTF transmitida em 19/07/2013 efl. 172 e DACON transmitido em 18/07/2013 e fl. 434) e depois de R$ 38.108,31 (DACON transmitido em 19/07/2013 efl. 431). Ademais, em qualquer momento o contribuinte esclarece a razão pela qual este valor diferente daquele originariamente declarado em seu DACON e em sua DCTF (de R$ 40.217,66). Assim, nos presentes autos a Recorrente traz um conjunto de provas contraditórias, que além de não identificarem um valor único de PIS devido no período, não corroboram as alegações trazidas pela Recorrente de existência de pagamento indevido. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 10 9 Não é possível confirmar sequer qual apuração está correta, aquela originariamente apresentada pelo contribuinte, aquela apresentada nos livros de apuração contábeis ou aquela apresentada por meio de retificadoras posteriores. As planilhas, livros e DACON e DCTF retificadores, portanto, não conseguem demonstrar, com clareza, a origem do crédito como pretendido pela Recorrente. Uma vez que os documentos apresentados não trazem um indício do crédito entendido como devido pelo sujeito, não trazendo uma aproximação uníssona quanto à apuração do PIS devido no período e quanto ao crédito que seria eventualmente passível de compensação, entendo ser prescindível a realização de diligência no presente caso. Inclusive, como visto, os documentos apresentados não respaldam o valor trazido no DACON e na DCTF retificadores, como exigido por este Conselho, consoante bem explanado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402005.034: "Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos [redação semelhante ao do art. 11, da Instrução Normativa n.º 590/2005, vigente à época dos fatos do presente processo5], estabelece que: 5 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 11 10 Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados no Dacon, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada, pela Secretaria da Receita Federal, nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo. § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. § 5º A retificação de Dacon não será admitida com o objetivo de alterar a periodicidade, mensal ou semestral, de demonstrativo anteriormente apresentado. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 12 11 Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 13 12 Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." (grifei) Assim, no presente caso, entendo ser prescindível a diligência, vez que a Recorrente trouxe elementos de prova contraditórios, que não infirmam a existência de crédito no presente caso. Face a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito, entendo que deve ser negado provimento ao recurso. II DISPOSITIVO Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13603.904691/201217 Acórdão n.º 3402006.598 S3C4T2 Fl. 14 13 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 557DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.000919/2002-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO.
PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência contraria a Súmula CARF nº 93, mormente quando constatado ser o acórdão recorrido um dos precedentes que motivaram sua edição.
Numero da decisão: 9101-004.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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CONHECIMENTO. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência contraria a Súmula CARF nº 93, mormente quando constatado ser o acórdão recorrido um dos precedentes que motivaram sua edição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 09 19 /2 00 2- 35 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11065.000919/200235 Acórdão n.º 9101004.296 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN", efls. 239/269) em face da decisão proferida no Acórdão nº 10195.977 (e fls. 224/232), na sessão de 26 de janeiro de 2007, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida está assim ementada: IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA A falta de transcrição dos balanços de redução/suspensão no Livro Diário, não se consubstancia em fato gerador de imposto, caracterizando, tão somente, descumprimento de obrigação acessória, sendo incabível portanto, a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, quando o sujeito passivo apresenta a escrituração contábil e fiscal bem como os balanços/balancetes de suspensão ou redução das antecipações. O litígio decorreu de lançamentos de IRRF e multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas no anocalendário 2000, a partir da constatação de despesas não comprovadas e correspondentes pagamentos sem causa, dos quais resultou a redução de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, além do cálculo das estimativas com base na receita bruta e acréscimos, em razão das irregularidades apontadas na transcrição nos balancetes de suspensão/redução. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou procedente a parte litigiosa dos lançamentos, correspondente, apenas, à exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas (efls. 198/204). O Colegiado a quo, por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar as multas isoladas aplicadas, vez que os balancetes mensais foram apresentados à Fiscalização, e a simples falta de sua transcrição não justificativa a penalidade imposta (efls. 224/232). Os autos do processo foram remetidos à PGFN em 01/06/2007, sendo ilegível a data de seu recebimento (efl. 235), mas há registro de sua ciência em 03/07/2007 no termo anexo à decisão (efl. 234). Os autos foram remetidos ao CARF em 12/07/2007 (efl. 269) veiculando o recurso especial de efls. 239/268, admitido pelo despacho de exame de admissibilidade de efl. 270, do qual se extrai: Na sessão plenária de 26 de janeiro de 2007, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário nº 148.600 e, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, cancelando a multa isolada, sob o argumento de que a falta de transcrição de redução/suspensão no Livro Diário não se consubstancia em fato gerador do imposto, bastando o contribuinte demonstrar não haver base de cálculo tributável. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, no qual requereu a reforma da decisão proferida no recurso, apresentando como paradigma o Acórdão nº 10706277 que propugna um entendimento diametralmente oposto, qual seja, que a multa somente pode deixar de ser Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11065.000919/200235 Acórdão n.º 9101004.296 CSRFT1 Fl. 4 3 aplicada caso o contribuinte recolha o tributo devido mediante o regime de estimativa, ou transcreve no Livro Diário os balancetes de suspensão ou redução do tributo e que o lucro real do período por eles abrangido esteja demonstrado no LALUR, até a data de vencimento de cada parcela mensal. Dessa forma, patente está a demonstração da divergência, motivo pelo qual dou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A recorrente argumenta que a contribuinte não recolheu valores devidos a título de estimativa, nem justificou o não recolhimento pela transcrição, no Livro Diário, dos balancetes de suspensão dos tributos, motivando a exigência cancelada pelo Colegiado a quo sob o entendimento de que a penalidade seria exigível apenas na hipótese em que o contribuinte, que optasse pagar os tributos por estimativa, não possuísse escrituração contábil regular, que permitisse ao Fisco, mesmo que os balanços de suspensão ou redução não tivessem sido feitos ou transcritos no Livro Diário, apurar se o contribuinte efetuou corretamente o recolhimento dos tributos devidos. Aponta divergência em face de paradigma que manteve a exigência frente a não recolhimento de estimativas e ausência de justificativa mediante transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução, e isto apesar de o contribuinte possuir escrituração contábil regular. Aduz que a punição pode ser excluída apenas na hipótese em que o contribuinte recolhe o tributo devido, ou transcreve no livro Diário, balancete de suspensão ou redução do tributo, e a própria contribuinte admite que não os transcreveu no Livro Diário, mas que sua escrituração apresentada ao Fisco está de acordo com legislação vigente e em conformidade com a possibilidade de escriturar fichas avulsas, o que, consoante os dispositivos legais já citados, não tem o condão de substituir os balancetes de suspensão. Em tais circunstâncias, a responsabilidade da Recorrida só pode ser afastada caso exista expresso permissivo legal, a teor não só do art. 136 do CTN, como do art. 97, VI, do CTN. Em seu entendimento, ao excluir a penalidade em razão de fato não erigido pela norma como hipótese de dispensa de penalidade, a Câmara a quo fez uso inadequado de equidade, ao argumento que a multa seria excessivamente gravosa quando o contribuinte possuísse escrituração contábil regular. Discorre sobre o juízo de equidade e conclui que ela somente pode ser utilizada quando existe previsão legal que o permita, sendo certo que no presente caso a penalidade não é ilegítima por não representar um confisco, atingindo a dignidade da pessoa, ou inviabilizando a continuidade do empreendimento, inexistindo também qualquer evidência de que a cobrança inviabilizaria a atividade da recorrida, ou uma descapitalização que a levaria à falência. Acrescenta que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes não vem dispensando a cobrança da multa em tela, conforme precedentes que cita, e finaliza requerendo o provimento do recurso especial a fim de que seja integralmente restabelecida a r. decisão de primeira instância e mantido o lançamento. Cientificada em 29/05/2008 (efls. 273), a contribuinte apresentou contrarrazões em 10/06/2008 (efls. 277/286) na qual defende o não conhecimento do recurso especial, vez que o paradigma não tem correlata situação fática com os fatos que deram ensejo à presente ação fiscal, posto que no referido acórdão o contribuinte apresentou resultado positivo no mês de janeiro, não efetivou a escrituração no Livro Diário e não procedeu no Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11065.000919/200235 Acórdão n.º 9101004.296 CSRFT1 Fl. 5 4 recolhimento de tributo relativo a este mês, diversamente do caso da recorrida que não tinha tributo a recolher, eis que não apresentou resultado positivo que justificasse o recolhimento. Acrescenta ter a mesma Câmara que proferiu o paradigma decidido no mesmo sentido do acórdão recorrido, ao editar o Acórdão nº 10708.434. No mérito, argumenta ter apurado prejuízo fiscal no anocalendário 2000, circunstância também refletida em seus balancetes mensais, e que a rejeição destes fundamentouse, apenas, na sua não transcrição no Livro diário, revelando uma excessiva formalidade por parte do auditor, em detrimento da verdade contábil da empresa e sua viabilidade econômica. Opõese, também, aos demais argumentos da PGFN em favor do restabelecimento das penalidades. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Recurso especial da PGFN Admissibilidade A PGFN pretende, por meio de seu recurso especial, restabelecer as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas canceladas no Acórdão nº 10195.977 sob os seguintes fundamentos: A parcela remanescente da exigência fiscal ora sob exame resumese tãosomente à multa isolada sobre a base de cálculo estimada decorrente a falta de transcrição no livro Diário, dos balanços e/ou balancetes mensais de suspensão do recolhimento. Destaquese que a contribuinte apresentou à fiscalização e fez juntar aos autos os citados balancetes mensais que a dispensaram do recolhimento dos tributos em questão. Tanto isso é verdade que a própria autoridade fiscal fez constar no auto de infração. A simples falta de transcrição dos balanços/balancetes mensais de suspensão/redução no Livro Diário, caracteriza o descumprimento, por parte da contribuinte, de obrigação acessória, porém, não consubstancia fato gerador de imposto. Importante ressaltar que a ação fiscal ocorreu no ano de, após a apresentação da declaração anual para o período em análise. Além disso, a recorrente apresentou a fiscalização toda a escrita fiscal e contábil, sem que a autoridade fiscal registrasse qualquer outra irregularidade suficiente para descaracterizar a escrituração mercantil ou mesmo os balanços/balancetes mensais que deixaram de ser transcritos no livro Diário. A autoridade autuante, não concordando com o procedimento da empresa, tendo em vista a falta de transcrição dos balancetes no livro Diário, serviuse dos mesmos para tomar como base de cálculo as receitas mensais auferidas pela contribuinte para o cálculo da multa isolada por falta de recolhimento das Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11065.000919/200235 Acórdão n.º 9101004.296 CSRFT1 Fl. 6 5 estimativas, desprezando todos os custos e despesas constantes dos citados balancetes, conforme consta do auto de infração. Sendo assim, e com a devida vênia à bem elaborada decisão recorrida, entendo que não há como manter a presente penalidade para este período, porquanto, não se pode levar ao extremo a falta cometida pela Recorrente e exigir citada penalidade, pela simples inobservância de uma obrigação acessória, qual seja, transcrever no Livro Diário os balancetes elaborados. [...] A verdade é que a simples falta de transcrição dos balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário, não justifica a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, § 1o, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, principalmente quando a contribuinte apresenta sua escrita contábil e fiscal e a fiscalização não consegue demonstrar irregularidades suficientes para descaracterizar a sua validade. Confirmase na acusação fiscal que os balancetes de suspensão/redução foram apresentados à autoridade fiscal, que os rejeitou por falta de transcrição no Livro Diário, consoante os seguintes excertos do Relatório da Ação Fiscal às efls. 112/116: Em 29/01/2002, lavramos o Termo de Constatação Fiscal, à folha 12, assinado pelo Sr. Walter Dreher, Vicepresidente da empresa, onde reconhece que o seu conteúdo reflete fielmente os fatos constatados. No referido termo, temos que: 1. O contribuinte optou pela forma de tributação com base no Lucro Real anual; 2. Não foram transcritos no Livro Diário os balanços/balancetes mensais elaborados para fins de suspensão ou redução do imposto, com exceção do mês de dezembro; 3. Foi transcrito no Livro de Apuração do Lucro Real somente o demonstrativo do lucro real ao final do período de apuração anual, no mês de dezembro; 4. Que não possui qualquer livro, devidamente registrado no órgão competente, de balanços/balancetes de suspensão ou redução; 5. Os balanços/balancetes de redução ou suspensão foram levantados em folhas avulsas. Anexamos cópias das folhas dos livros Diário de 2000, às folhas 13 a 30, onde fica demonstrada a inexistência dos balanços ou balancetes de suspensão/redução que a fiscalizada deveria transcrever nos mesmos (exceto no final do período de apuração, no mês de dezembro). Pela seqüência numérica das folhas do livro Diário no canto superior direito, pode ser constatado e demonstrado que nem ao final de cada mês e nem no final dos livros encontramos os balanços ou balancetes de Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11065.000919/200235 Acórdão n.º 9101004.296 CSRFT1 Fl. 7 6 suspensão/redução do imposto, que deveriam ter sido levantados e transcritos nos mesmos A fiscalizada fez a opção pela forma de pagamento por estimativa. Todavia, ao suspender ou reduzir o recolhimento mensal, não transcreveu, como determina o § 1o do art, 35 da Lei n.0 8981/95 e o § 5o do art. 12 da IN SRF n.0 93/97, os balanços ou balancetes de suspensão/redução nos livros Diário, sendo tal exigência vital para o aproveitamento da faculdade determinada na legislação. É importante ressaltar que a legislação è clara no sentido de que os balanços ou balancetes devem estar escriturados no livro Diário até a data de vencimento do imposto. Não cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal julgar se os balancetes em meio magnético ou impressos fora do livro Diário ilidem a aplicação de penalidade, haja vista a vinculação do mesmo ao disposto nas leis e nas Instruções Normativas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Em virtude do descumprimento da expressa determinação legal da obrigação de transcrever os balanços ou balancetes de suspensão/redução nos livros Diário, devemos considerar a opção da fiscalizada de efetuar os recolhimentos por estimativa com base na receita bruta e acréscimos (RBA). Constatase, nestes termos, que a autoridade fiscal se recusou a examinar os balancetes, porque não transcritos no Livro Diário, e assim sua eficácia para fins de suspensão/redução das estimativas devidas restou afastada, apenas, em razão da inobservância daquele requisito formal. A Contribuinte contestou a exigência de transcrição dos balancetes no Livro Diário, mas a autoridade julgadora de 1ª instância demonstrou que o art. 35, §1º, alínea "a" da Lei nº 8.981/95 assim exigia e manteve o lançamento, consoante assim exposto no voto condutor da referida decisão: A autuada optou pela apuração anual de seus resultados, em substituição à regra geral de apuração mensal. Deveria, então cumprir as seguintes condições: a)efetivação de recolhimentos mensais, em bases estimativas; e b)suspensão ou redução dos recolhimentos mensais apenas quando demonstrado, em cada mês, que o valor do imposto ou contribuição acumulado dessas parcelas de estimativa era superior ao valor que seria devido até o mesmo mês, apurado pelo levantamento da respectiva base de cálculo. Para essa confrontação, a base de cálculo do imposto ou contribuição deveria ser determinada com observância da legislação comercial e fiscal, por meio de balanços ou balancetes mensais transcritos no livro Diário e demonstrações escrituradas na Parte "A" do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) até a data fixada para pagamento relativa ao mês a que se referissem. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11065.000919/200235 Acórdão n.º 9101004.296 CSRFT1 Fl. 8 7 A exigência de transcrição dos balanços e balancetes no Livro Diário, ao contrário do que alega a empresa, não é exigência constante apenas de Instrução Normativa. O requisito está previsto em lei, conforme se vê nos dispositivos abaixo, constantes da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: [...] O Decretolei n° 486, de 1969, autoriza a utilização de fichas numeradas em substituição ao Livro Diário, sem afastar a exigência de termos de abertura e encerramento e autenticação no Registro do Comércio). A autuada cumpriu essas exigências, conforme se constata através folhas do livro diário juntadas ao processo (fls. 13/30). E é justamente através desses documentos que se comprova que a empresa neles não transcreveu os balancetes de suspensão ou redução. Não há qualquer incompatibilidade entre os requisitos para suspensão/redução do pagamento de estimativas e a possibilidade de o livro diário ser escriturado em fichas numeradas Assim, plenamente cabível, no caso, a exigência da multa prevista no art. 44, §1o, IV, da Lei n° 9.430, de 1996, sendo de se ressaltar, por pertinente, que, de conformidade com esse mesmo dispositivo legal, a sua cobrança deverá ser procedida ainda que a pessoa jurídica "tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente Ocorre que a matéria em questão foi sumulada em 09/12/2013 por este Conselho: Súmula CARF nº 93 A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 9101001.578, de 24/01/2013; Acórdão nº 9101 001.325, de 24/04/2012; Acórdão nº 10195.977, de 26/01/2007; Acórdão nº 110300.277, de 04/08/2010; Acórdão nº 1201 00.732, de 07/08/2012 Aliás, o acórdão recorrido, nº 10195.977, foi um dos precedentes admitidos para edição da referida súmula em 09/12/2013, muito embora pendente de apreciação o recurso especial contra ele interposto em 12/07/2007. Neste contexto, não pode subsistir a admissibilidade do paradigma (Acórdão nº 10706.277) que, por condicionar a eficácia dos balancetes de suspensão/redução à sua Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11065.000919/200235 Acórdão n.º 9101004.296 CSRFT1 Fl. 9 8 transcrição no Livro Diário, encontra vedação no art. 67, §12, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) [...] III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF, e [...] Por tais razões, deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.000848/2006-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF, DECADÊNCIA,
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário,
DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações,
IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSÃO DA BASE DE
CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO
CONTRIBUINTE,
Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei ri° 9,430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal
medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte.
Recurso provido em parte,
Numero da decisão: 2102-000.490
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, a fim de que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 20,724,86; os termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
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OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE, Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei ri° 9,430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Recurso provido em parte, Vistos, relatados e discutido ACORDAM os rpembros do cole provimento PARCIAL ao recur , a fim de que seja o montante de R$ 20,724,86y os termos dp voto r:V resentes autos. diado, por unanimidade de votos, em DAR lexcluído da base de cálculo do lançamento Relatora. , , GIOVP.NNI CHRIST ii) ti .. 4 , S ' ' POS - Presidentei/ //id ,0/./4Á„'..1Á ' OBERTA DE A Ali ''' w O FERREIRA AGETTI - Relatorai FORMALIZADO r , : :- (-} .._ e u 14 2 2010 Participaram do si esente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Ewan Teles Aguiar e Carlos André Rodrigues Pereira de Lima. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 409/412 para exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, em razão da presunção de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por ele. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos no ano de 2002. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 415/428, por meio da qual alegou que: - era empresário individual, exercendo o comércio de equipamentos de informática; - como exerce esta atividade em seu próprio nome, seus recursos são as vendas que efetua, razão pela qual apura o Imposto de Renda devido por sua empresa individual de acordo com as regras atinentes à tributação de pessoa jurídica; - os depósitos efetuados em suas contas bancárias estão todos relacionados ao exercício de sua atividade comercial. O valor movimentado em suas contas no período objeto do lançamento corresponde exatamente ao capital de giro de sua empresa; e - para a comprovação da origem destes depósitos, bastaria verificar os documentos de saída da empresa. Suscitou ainda a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento no que diz respeito aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2000 e abril de 2001, tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado em 24 de abril de 2006. Quanto aos depósitos bancários, reitera que a origem dos mesmos está nas vendas da firma mercantil individual, Traz jurisprudência administrativa em seu favor e alega que a fiscalização não logrou comprovar que os depósitos provêm da omissão de rendimentos. Requer, ainda que os valores já declarados por ele — oferecidos à tributação - sejam deduzidos da base de cálculo do lançamento, bem como os valores relativos a cheques devolvidos. Os 2 OBERTA DE Processo n° 11516 000848/2006-49 Acórdão rt," 2102-00.490 S2-C1T2 11 2 valores declarados pela firma individual deveriam ser considerados na apuração do rendimento por ele omitido. Por fim, alega que não foi demonstrado qualquer indício ou sinal de riqueza no levantamento de sua situação patrimonial. Se fosse verdadeira a acusação de que teria auferido renda não declarada, no ano de 2000, no valor de R$ 368.151,52, afirma que seria normal ter havido algum saque importante ou aquisição de bem de valor significativo. Como isto não ocorreu, não houve demonstração de renda consumida, razão pela qual, nos termos da jurisprudência administrativa colacionada, o lançamento não poderia prosperar. No julgamento da Impugnação, os membros da DRJ em Florianópolis decidiram pela manutenção integral do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: Assunto Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou aplicação mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de afirmações relativas a fatos alegados para elidir presunção legal relativa, aplicada pela autoridade Fiscal, demanda sua consubstanciação por via de elementos probatórios hábeis e idôneos pois, sem substrato, mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis, Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas ('iuris tantum) obrigam a autoridade .fiscal a comprovw; tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções; ao contribuinte cabe o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Inconformado, o contribuinte apresenta nova manifestação que chama de "Impugnação" (fis. 480/496), a qual foi recebida como Recurso Voluntário. Por meio dela, o mesmo repisa os termos da Impugnação originalmente apresentada, 3 Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 27.12.2006, corno atesta o AR de fls. 477, O Recurso Voluntário foi interposto em 26.01.2007 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais - por isso dele conheço. Trata-se de lançamento para exigência de IRPF fundado na presunção de omissão de rendimentos tributáveis, nos termos do art. 42 da Lei n° 9,430/96. O Recorrente suscita uma questão preliminar sobre uma alegada decadência do lançamento no que se refere aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2000 e abril de 2001 já que o lançamento somente se efetivou em abril de 2006. Tal pedido, contudo, não merece acolhida, pois o lançamento ora em exame somente contempla o IRPF cujos fatos geradores ocorreram no ano de 2002. Desta forma, considerando-se que o fato gerador deste imposto é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano, teria o Fisco o prazo para efetuar este lançamento até 31 de dezembro de 2007 (quanto a fatos geradores ocorridos em 2002). Assim sendo, não há que se falar em decadência no presente caso. Afastada a alegação de decadência do direito do Fisco, as demais razões de mérito trazidas pelo Recorrente se resumem ao pedido de que seja considerado o exercício de atividade comercial - a qual se dava através de firma individual da qual o mesmo era o sócio - corno origem para os depósitos bancários. Alega que toda a movimentação bancária de suas contas estava relacionada a esta atividade, e por isso a tributação de seus rendimentos se dava nos termos da legislação atinente às pessoas jurídicas. Para comprovar suas alegações — de que os depósitos se referiam a valores movimentados pela referida empresa individual, o Recorrente trouxe aos autos os seguintes documentos (em sede de impugnação): - Declaração de Firma Mercantil Individual (fls 458); DIRPF 2003, apresentada em 24.04.2003 (fis. 462/465), na qual está declarada entre os bens do Recorrente a firma individual citada, bem como, entre os rendimentos recebidos, valores pagos pela referida empresa; e - Comprovante de rendimentos emitido pela referida pessoa jurídica (fls. 466/467). Na análise de suas alegações e documentos, o pedido do Recorrente foi refutado pela decisão recorrida, ao entendimento de que o mesmo deixara de demonstrar o vínculo entre o exercício daquela atividade comercial e os depósitos bancários efetuados em suas contas. É o que demonstram os seguintes trechos: "O argumento aqui apresentado é meramente retórico, eis que não foram produzidos durante o procedimento fiscal nem em 4 Processo n 11516 000848/2006-49 S2-C1T2 Acórdão n,° 2102-00.490 H 3 sede de impugnação os elementos comprobatórios do alegado. Alegação genérica de que a .firma mercantil individual seria a origem dos recursos depositados nas contas bancárias não pode ser aceita, visto que a cada depósito deve corresponder a prova de origem, constituída por documentação hábil e idônea, que não foi apresentada pelo ünpugnante, motivo por que o lançamento deve ser mantido. Retorna-se, aqui, como Já esclarecido acima, à falta de comprovação do que afirma o impugnante. Nenhum demonstrativo ou documento foi apresentado que permitisse a conclusão pleiteada, de que qualquer parte do lançamento aqui analisado tenha sido tributada na firma mercantil individual. À míngua de comprovação, o argumento não pode ser acolhido" Ciente da decisão recorrida e de seus fundamentos, em sede de Recurso Voluntário o Recorrente não trouxe aos autos nenhum novo documento, limitando-se a reiterar aqueles argumentos anteriormente expostos. Com efeito, não há como acolher a sua pretensão. Por mais plausíveis que sejam os argumentos do Recorrente, ele não trouxe nenhum documento contábil da empresa que confirmasse qual a movimentação financeira da mesma durante aquele ano de 2002, de forma a comprovar — ainda que sem coincidência exata de datas e valores — que os depósitos efetuados em suas contas correspondessem realmente aos valores movimentados pela empresa. Esta prova seria essencial ao deferimento do seu pleito, e sua produção seria de seu interesse e somente a ele caberia, pois sendo o sócio da referida empresa teria ele acesso a todos os documentos necessários para tanto_ Sem estas provas, que vinculassem os depósitos à movimentação da pessoa jurídica, não há como deferir o seu pedido. Impende ressaltar ainda que a Lei n° 9.430/96 estabeleceu esta presunção de omissão de rendimentos que, apesar de ser relativa, só pode ser derrubada contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles rendimentos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária„ Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicá-la, como foi feito na hipótese em exame Ainda em sua defesa, o Recorrente pugna pelo aproveitamento dos rendimentos que já foram por ele declarados para que sejam deduzidos da base de cálculo da exigência aqui em discussão. Tal pedido foi negado através da decisão recorrida, pelos seguintes motivos: "Em relação aos rendimentos já declarados, deve-se ressaltar que sua exclusão do lançamento apenas poderia viabilizar-se na hipótese de ser demonstrado, pelo impugnante, que tivessem sido parte dos depósitos sem origem comprovada, sobre os quais .foi aplicada a presunção de omissão de rendimentos.. Como tal prova não foi apresentada, forçoso é considerar-se que se trata de outros rendimentos, independentes dos tributados de oficio, o que afasta a possibilidade de ocorrência de bis in idem." No entanto, neste aspecto merece ser acolhida a pretensão recursal e reformada a decisão recorrida. Este Conselho vem decidindo de forma reiterada que os rendimentos declarados pela pessoa fisica podem e devem ser considerados corno origem para fins de apuração do TRU' devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei ri° 9.430/96. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. No caso em exame, o Recorrente declarou ter percebido no ano de 2002 o valor de R$ 4,740,00 a título de rendimentos tributáveis e R$ 15.984,86 a título de lucros (rendimentos isentos). Assim sendo, deve ser excluído da base de cálculo deste lançamento o montante total de R$ 20.724,86 Por fim, o Recorrente alega que a tributação em exame não poderia prosperar porque não houve qualquer alteração significativa em seu patrimônio, de forma que estaria claro que ele não consumiu os valores cuja omissão lhe é imputada. Quanto a este particular, é importante reiterar aqui que a tributação ora em exame é aquela prevista no art. 42 da Lei n° 9A30/96, que assim está redigido: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida .junto a instituição „financeira, em relação aos quais o titular, pessoa .fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ) Desde a edição da referida norma, existe a presunção de que os valores depositados em conta são rendimentos tributáveis — quando não comprovada a sua origem. Esta hipótese é diversa de todas as outras hipóteses de tributação por presunção até então existentes. Agora, o simples depósito (sem comprovação) já configura a omissão, pouco importando se o valor depositado será consumido em seguida ou não. Por isso, os argumentos do Recorrente neste sentido não merecem acolhida. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso, a fim de que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 20.724,86. Sala das Sessões, em 09 de março de 2010 oberta de Azer Ferreira Pagetti 6
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001406/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A entrega da declaração de ajuste anual após o prazo fixado, estando o contribuinte obrigado à sua apresentação, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega, não se aplicando ao descumprimento dessa obrigação acessória, o instituto da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 2402-007.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A entrega da declaração de ajuste anual após o prazo fixado, estando o contribuinte obrigado à sua apresentação, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega, não se aplicando ao descumprimento dessa obrigação acessória, o instituto da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 14 06 /2 00 7- 38 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13884.001406/200738 Acórdão n.º 2402007.433 S2C4T2 Fl. 41 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 30/34) em face do Acórdão n. 17 25.457 9ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II DRJ/SPOII (efls. 19/22), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/05), apresentada em 05/10/2007, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante a Notificação de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega de Declaração (MAED) no valor total de R$ 165,74 (efl. 06). Cientificado do teor da decisão de piso em 01/03/2013 (efl. 29), o impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 24/03/2010, reclamando pela nulidade do lançamento em virtude de denúncia espontânea pela apresentação extemporânea da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele conheço. Passo à análise. Em sede recurso voluntário, o Recorrente repisa os mesmos argumentos da impugnação, reclamando pela nulidade do lançamento em virtude de denúncia espontânea pela apresentação extemporânea da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007. Destarte, considerando que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto as razões de decidir da decisão recorrida, a seguir reproduzidas, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 9 de junho de 2015, e alterações posteriores. [...] O artigo 7°, da Lei 9.250, de 1995, estabelece que a entrega da declaração de rendimentos da pessoa flsica deve ser feita até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subseqüente ao da percepção dos rendimentos. O não atendimento a esta determinação legal, segundo artigo 88, I, da Lei 8.981, de 1995, sujeita o contribuinte ao pagamento de multa de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto devido, ainda que o imposto Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13884.001406/200738 Acórdão n.º 2402007.433 S2C4T2 Fl. 42 3 tenha sido pago integralmente, limitada a vinte por cento do imposto devido (artigo 27 da Lei n° 9.532, de 1997) e tendo como valor mínimo R$ 165,74. A Instrução Normativa SRF n° 716, de 05/02/2007, em seu artigo V, I, determina que é obrigada a entrega da declaração de rendimentos a pessoa física que tenha recebido, no ano calendário em questão, rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 14.992,32. A declaração de isento não supre esta obrigatoriedade. Da análise da Declaração de Ajuste Anual 2007 (fl. 5), verifica se que o contribuinte encontravase obrigado a apresentar a declaração de rendimentos por ter recebido rendimentos tributáveis acima daquele limite (R$ 18.840,45). No que se refere à exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, alegada pelo litigante, cabe esclarecer que tal entendimento é equivocado, pois, tratandose no caso de obrigação acessória à qual estão sujeitos todos os contribuintes, é inaplicável o disposto no artigo citado. De acordo com o parágrafo 2° do artigo 113 do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A apresentação da declaração é uma obrigação acessória cujo cumprimento deve se dar no prazo fixado por lei. Assim, excluir a responsabilidade pela apresentação espontânea da declaração equivale a admitir que esta se faça a qualquer tempo, desde que espontaneamente, o que desconstituiria a obrigatoriedade de fazêlo dentro do prazo legalmente estabelecido no interesse da arrecadação e da fiscalização do tributo. Por outro lado, a inobservância de uma obrigação acessória convertea em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (CTN, art. 113, § 3°). Nesse caso, a multa exigida constitui uma obrigação principal, com características que impedem a aplicação do disposto no art. 138 do CTN. É o que esclarece Aldemário Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, no Projeto integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, nos termos a seguir transcritos: [...] Como revelado pelos dispositivos mencionados, a legislação não prevê exclusões a esta regra. Tendo sido a declaração apresentada com atraso e sendo o contribuinte obrigado a fazê lo, a multa deve ser aplicada. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13884.001406/200738 Acórdão n.º 2402007.433 S2C4T2 Fl. 43 4 Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA do lançamento em questão, mantendo integralmente o crédito exigido. [...] Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007283/2006-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2005
Ementa EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL - MONTAGEM E INSTALAÇÃO DE PALCOS E ESTRUTURAS - LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL Dos elementos constantes nos autos se extrai a conclusão de que a montagem e instalação de estruturas e palcos, que demandam serviços de engenheiro (inclusive pela responsabilidade civil decorrente), não informam meros atos preparatórios ou antecedentes da locação de palcos e estruturas. Há, também, “customização” das estruturas e palcos para serem postos à disposição da contratante. No caso vertente, a montagem e instalação de palcos e estruturas versam atividade concorrente com a de locação de bens móveis, não sendo mera atividade-meio. Por demandar serviços de engenheiro, há concreção de hipótese legal vedada para o Simples federal.
RETROATIVIDADE INJURÍDICA - INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO O início dos efeitos da exclusão do regime simplificado, previsto no diploma infralegal posterior ao ano da geração dos efeitos da exclusão, não discrepa do prescrito nas normas legais vigentes àquele tempo, no que concerne ao pressuposto fático de exclusão em dissídio. Inexistência de retroatividade injurídica:
Numero da decisão: 1103-000.784
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcos Takata
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 Ementa EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL - MONTAGEM E INSTALAÇÃO DE PALCOS E ESTRUTURAS - LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL Dos elementos constantes nos autos se extrai a conclusão de que a montagem e instalação de estruturas e palcos, que demandam serviços de engenheiro (inclusive pela responsabilidade civil decorrente), não informam meros atos preparatórios ou antecedentes da locação de palcos e estruturas. Há, também, “customização” das estruturas e palcos para serem postos à disposição da contratante. No caso vertente, a montagem e instalação de palcos e estruturas versam atividade concorrente com a de locação de bens móveis, não sendo mera atividade-meio. Por demandar serviços de engenheiro, há concreção de hipótese legal vedada para o Simples federal. RETROATIVIDADE INJURÍDICA - INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO O início dos efeitos da exclusão do regime simplificado, previsto no diploma infralegal posterior ao ano da geração dos efeitos da exclusão, não discrepa do prescrito nas normas legais vigentes àquele tempo, no que concerne ao pressuposto fático de exclusão em dissídio. Inexistência de retroatividade injurídica:
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Ementa EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL MONTAGEM E INSTALAÇÃO DE PALCOS E ESTRUTURAS LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL Dos elementos constantes nos autos se extrai a conclusão de que a montagem e instalação de estruturas e palcos, que demandam serviços de engenheiro (inclusive pela responsabilidade civil decorrente), não informam meros atos preparatórios ou antecedentes da locação de palcos e estruturas. Há, também, “customização” das estruturas e palcos para serem postos à disposição da contratante. No caso vertente, a montagem e instalação de palcos e estruturas versam atividade concorrente com a de locação de bens móveis, não sendo mera atividademeio. Por demandar serviços de engenheiro, há concreção de hipótese legal vedada para o Simples federal. RETROATIVIDADE INJURÍDICA INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO O início dos efeitos da exclusão do regime simplificado, previsto no diploma infralegal posterior ao ano da geração dos efeitos da exclusão, não discrepa do prescrito nas normas legais vigentes àquele tempo, no que concerne ao pressuposto fático de exclusão em dissídio. Inexistência de retroatividade injurídica: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 72 83 /2 00 6- 47 Fl. 513DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19647.007283/200647 Acórdão n.º 1103000.784 S1C1T3 Fl. 235 2 (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Andrada Márcio Canuto Natal, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Fl. 514DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19647.007283/200647 Acórdão n.º 1103000.784 S1C1T3 Fl. 236 3 Relatório DO LANÇAMENTO O presente processo tem origem no Ato Declaratório Executivo 52, de 17/5/2007, fl. 27, expedido pela DRF de Recife, que excluiu a recorrente do regime do Simples Federal, produzindo efeitos a partir de 1/1/2005. A exclusão se deu pelo exercício de atividade econômica vedada, qual seja, prestação de serviços de engenharia, contrariando as previsões dos arts. 9º, XIII, da Lei 9.317/06 e 20, XII, da IN SRF 608/06. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada em 12/6/2007 e inconformada com o Ato Declaratório Executivo, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em 7/7/2007, de fls. 24 a 32, alegando, resumidamente, o que segue. Afirmou que, apesar da amplitude de seu objeto social, atua exclusivamente na locação de bens móveis e equipamentos para instalação de palcos e estruturas de uso temporário, conforme procurou comprovar através de documentos anexos. Alegou estar eivado de nulidade o Ato Declaratório Executivo pelo fato de ser inadequada sua fundamentação legal motivadora, realizada de modo genérico, não especificando com clareza e exatidão quais dispositivos legais teriam sido violados. Asseverou não praticar nenhuma das atividades previstas nos dois artigos invocados pela fiscalização como fundamentação legal para sua exclusão do Simples – art. 9º, XII, da Lei 9.317/96, e art. 20, XII, da IN SRF 608/06 – de forma a não contrariar a norma proibitiva. De sorte que o serviço de montagem e desmontagem das estruturas somente é realizado quando solicitado pelo locador. Argumentou ainda que os arts. 23, I, e 24, II, da IN SRF 608/06, utilizados para justificar o momento a partir do qual surtiu efeito sua exclusão do regime do Simples Federal, não poderia imputar retroatividade prejudicial a ela, em virtude de se tratar de norma infralegal. Não seria possível, ainda, porque o art. 106 do CTN (status de Lei Complementar) somente possibilita retroatividade benéfica. Nesse sentido, admitida a validade do referido ato declaratório, somente seria possível gerar efeitos a partir da norma que o fundamentou, ou seja, a Instrução Normativa 608/06, em observância do princípio constitucional da irretroatividade da norma tributária. Invocou a proteção prevista pelo art. 151, III, do CTN, para que fosse concedido efeito suspensivo ao presente recurso e que se resguarde de proteção jurídica suficiente para não ser inscrita na dívida ativa até a ocorrência de decisão final na esfera administrativa do município. Fl. 515DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19647.007283/200647 Acórdão n.º 1103000.784 S1C1T3 Fl. 237 4 Requereu, ainda, e por fim, a declaração da nulidade do Ato Declaratório Executivo 52/07 da DRF de Recife que a exclui do regime do Simples Federal. DA DECISÃO DA DRJ Em 28/3/2008, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação da interessada, de acordo com o entendimento que segue. Apesar das alegações feitas pela recorrente, a nota de empenho emitida em razão dos eventos promovidos para a Fundação de Cultura da Cidade de Recife (FCCR) ensejou a emissão da nota fiscal número 1023, que no campo de especificação mencionou atividades de “montagem e desmontagem de palcos”. Afirmou que as referidas atividades são consideradas atividades de construção civil, de forma a exigir habilitação profissional para ser exercida – de engenheiro ou técnico de nível médio – caracterizando o enquadramento à vedação prevista pelo art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96. Garantiu não poder prosperar o pedido de nulidade do Ato Declaratório 52/07 com base na autorização do CTN à retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, tendo em vista que o art. 20, XII, da IN 608/06 reproduz literalmente a matriz legal contida no art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96, que estava em vigor na ocasião do exercício de atividade vedada. Por fim, acrescentou que a atividade de “serviços de engenharia de montagem de estrutura para eventos” foi corretamente descrita no ADE 52/07 e se enquadra perfeitamente no fato hipotético proibitivo para opção pelo regime simplificado. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do Ato Declaratório Executivo, a recorrente interpôs recurso voluntário em 2/2/2009, reiterando o que alegado em sede de manifestação de inconformidade e acrescentando, em síntese, o que segue. Apresentou entendimento proferido pelo TJ/PE quanto à apelação cível promovida por ela própria em face do município de Recife nos autos do processo 001.2003.0354448, objetivando o afastamento da incidência do ISS sobre a locação de palcos e estruturas de uso temporário. A ementa, colacionada em nota de rodapé à fl. 117, teria o fito de evidenciar o afastamento da obrigação de recolher ISS sobre as atividades de “cessão de andaimes, palcos, coberturas e outras estruturas de uso temporário”. O entendimento do referido tribunal foi de que instalação e montagem são apenas fase anterior e necessária à disponibilização em condições de uso das estruturas supramencionadas, de modo que deveria prevalecer o “objeto nuclear do negócio jurídico”: a locação. Fl. 516DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19647.007283/200647 Acórdão n.º 1103000.784 S1C1T3 Fl. 238 5 Nesse sentido, o entendimento do TJ/PE foi de que a atividade executada pela recorrente é puramente de locação de bens móveis, não possuindo natureza de serviço e, muito menos, de serviço de engenharia. No mesmo sentido, julgado do antigo Conselho de Contribuintes, processo 10680.006176/200297, de que não se deve confundir contrato principal, cujo negócio jurídico é pretendido pelas partes, com os atos preparatórios daquilo que realmente se almeja. Ademais, ainda que serviço de engenharia fosse, a Lei Complementar 123/06 possibilitou a inclusão desses serviços no rol de atividades do Simples, juntandose à previsão do art. 106, II, “a” e ”b”, do CTN, que permite a retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte. Apresentou julgados favoráveis à possibilidade de retroatividade de lei nova com base no art. 106 do CTN. É o relatório. Fl. 517DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19647.007283/200647 Acórdão n.º 1103000.784 S1C1T3 Fl. 239 6 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 108 e 111). Dele, pois, conheço. Principio com o exame da preliminar de nulidade. Em análise criteriosa, em que pese tal questão não ter sido arguida pela recorrente, atento para o equívoco cometido no Ato Declaratório Executivo 52/07 emitido pela DRF/PE, da 4ª Região Fiscal (fl. 21), que afirmou ter havido prática de atividade vedada pela lei que regulamentou o regime do Simples Federal, por entender ser matéria reconhecível de ofício. A declaração de exclusão do regime foi embasada no art. 9º, XII, da Lei 9.317/96, quando, na verdade, o correto seria a utilização do art. 9º, XIII, da mesma lei. Por diversas vezes já me manifestei que o mero erro na capitulação legal não é causa de nulidade. Fundamental é o motivo do lançamento. A ausência desse ou o erro ou equívoco do motivo fulmina o lançamento por vício substancial, ainda que a capitulação legal se encontre correta. Não é o que se dá no caso vertente, inclusive, pela expressa remissão à prestação de serviços de engenharia de montagem de estrutura para eventos. Passo à alegação de nulidade da recorrente. A esse respeito invocou ausência de precisa indicação do dispositivo legal no Ato Declaratório Executivo 52/07. A indicação feita pela autoridade fiscal teria sido genérica, sendo levado em consideração que o inciso XII do art. 9º da Lei 9.317/96 possui cinco alíneas contendo atividades diversas, ensejando dúvida sobre qual teria sido a atividade praticada pela recorrente e vedada pela legislação. Conforme restou claro nas manifestações acima, o inciso correto para descrição do fato que sustentou a exclusão do regime do Simples Federal é o inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/96, que traz em sua redação a vedação à opção do Simples às empresas que têm como atividade, dentre todas expressas, a prestação de serviços realizados por engenheiro. E há expressa referência à prestação de serviços de engenharia de montagem de estrutura para eventos – motivo do ato excludente. Em tais termos, rejeito a preliminar de nulidade do ato administrativo. Passo ao mérito. A questão central é se a recorrente desenvolvia atividade de engenharia, precisamente, serviços de engenharia de montagem de estrutura para eventos (atividade vedada pelo Simples federal, extinto em 1º/7/07, conforme o art. 89 da Lei Complementar 123/06), ou locação de estruturas para eventos, como articulado pela recorrente. Eis a dicção do art. 9º, VIII, da Lei 9.317/96: Fl. 518DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19647.007283/200647 Acórdão n.º 1103000.784 S1C1T3 Fl. 240 7 Art. 9º. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (não destacado no original) Em sua defesa, a recorrente alegou ter havido violação do princípio da legalidade, argumentando que, muito embora possua objeto social com grande amplitude de atividades, atua exclusivamente na área de locação de bens móveis. Entretanto, nas fls. 136 a 138, há a quarta alteração do contrato social da recorrente, com protocolo na JUCEPE em 10/06/04, com a delimita de seu objeto social da seguinte forma: “Cláusula 3º OBJETO SOCIAL A sociedade tem pôr objetivo as prestações dos serviços de engenharia para montagens de infra estrutura de eventos, elaboração de projetos e execução de palcos, tablados, camarotes, arquibancadas, sanitários, tendas, escoramentos e correlatas, produções de eventos, artísticos e vídeo, aluguéis de telões, equipamentos de som, luz cênicas, carros de som e trios elétricos, gravações e produções de CDs e mais reformas, colocação de esquadrias em alumínio, restauração de fachadas, ambientação e reformas de teatros e auditório, projetos de iluminação e sonorização;” (não destacado no original) Conforme o art. 565 do Código Civil de 2002: Art. 565. Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. Não há dúvida de que a locação implica uma obrigação de dar. É empréstimo de bem infungível ou de bem infungibilizado a título oneroso, e a contraprestação recebe o rótulo de aluguel. Quando o bem é imaterial, costumase designar o empréstimo como cessão de uso e gozo, e sua remuneração é conhecida ordinariamente como royalty. Bem verdade que, em regra, se as atividades desenvolvidas são para benefício próprio, elas são apenas etapa antecedente ou procedente do dever ou obrigação consequente ao negócio jurídico. Em regra, aí as atividades desenvolvidas que podem consistir num facere são apenas atos preparatórios do cumprimento da obrigação nascida com o negócio jurídico (de ordinário, contrato) – ou atos posteriores a esse cumprimento. São as chamadas atividadesmeio, em contraposição às atividadesfim, conteúdo da obrigação contratada. Fl. 519DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19647.007283/200647 Acórdão n.º 1103000.784 S1C1T3 Fl. 241 8 Também, em regra, se os bens móveis a serem montados ou instalados são de propriedade ou posse da pessoa contratada há locação dos bens, e não atividade de montagem e instalação (prestação de serviços). Entretanto, o que se nota aqui, inclusive pela descrição do objeto social da recorrente, é a “customização” de estruturas e palcos para serem postos à disposição da contratante. Faço aqui um paralelismo, ainda que imperfeito, entre as chamadas cessões de uso (ou de propriedade) de softwares de “prateleira” e softwares encomendados ou “customizados”. Naquelas há incidência de ICMS, ao passo que nessas, a de ISS, como pacificado pelo STJ e pelo STF. Não me parece que a atividade de montagem e instalação de estruturas e palcos sejam, no caso, meros atos preparatórios de uma atividade fim. A “customização” com o relevo que ganham a montagem e a instalação de estruturas e palcos, e que requerem serviço de engenheiro (inclusive pela responsabilidade civil decorrente das montagens e instalações), está a indicar que a referida atividade é concorrente à de locação dos bens. Aliás, a recorrente afirma, na fl. 117, que a montagem é feita de acordo com a conveniência da locatária. Ora, ou os serviços são etapa antecedente e necessária da locação, mero ato preparatório da atividade fim, ou são prestados para e segundo a conveniência da locatária. Por outro lado, em nenhum momento a recorrente disse que os atos de montagem e instalação de palcos e estruturas dispensa atividade de engenharia. O relatório do acórdão nº 140200.502, proferido nos autos do processo 13951.000320/200585 pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 1ª Seção do CARF, nos traz exemplo de documento juntado pela recorrente com o fito de excluir a necessidade de profissional qualificado para o exercício de sua atividade: A empresa apresentou impugnação com a alegação de que efetuou consulta formal ao CREAPR e obteve resposta de que não necessitaria de registro no CREA para exercer as atividades constantes de cláusula segunda de seu contrato social. Às fls. 12 consta correspondência dirigida ao Delegado da DRJ, onde pede que fosse anexado ao processo cópia do ofício do CREA PR, de junho de 2005, no qual consta o seguinte: “Oficiese o interessado esclarecendo que para exercer as atividades constantes da cláusula segunda do contrato social da empresa ’bombas e carneiros hidráulicos’, a empresa não necessita registro no CREA, considerando que a atividade em questão não está regulamentada até a apresente data através de Deliberação Normativa.” Nesse passo, não há subsídio para convencimento no sentido da prescindibilidade de serviços de engenharia, no exercício da atividade da recorrente. Uniuse a esse fator a admissão proferida pela recorrente na cláusula 4ª de seu estatuto social. Fl. 520DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19647.007283/200647 Acórdão n.º 1103000.784 S1C1T3 Fl. 242 9 De outra parte, importa anotar que o acórdão prolatado pela 8ª Câmara Cível do TJ de Pernambuco, favorável à recorrente, versa sobre a ação declaratória por ela intentada, e não à anulatória da pretensão fiscal municipal. Esclareço. É dito expressamente no voto do i. Desembargador relator que, no caso, não se examina naquele tribunal ad quem as atividades concretamente desenvolvidas pela recorrente e que resultaram na pretensão fiscal. O exame se dá sobre uma das atividades constantes em seu objeto social, assim, a “cessão de andaimes, palcos, coberturas e outras estruturas de uso temporário”. Isso, para reconhecer que tal atividade é de locação de bens móveis, e não de prestação de serviços. E não se tem notícia de que a ação tenha transitado em julgado. À vista de tais considerações, nego provimento ao recurso quanto essa questão. Argui a recorrente retroatividade injurídica cometida pelo ato de exclusão, ao se fundar no art. 23, I c/c o art. 24, II, da IN SRF 608/06, impondo os efeitos da exclusão a partir de 1º/01/05. Art. 23. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2º do art. 22, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIII e XVI a XVIII do art. 201; Os preceitos infralegais contidos nos citados dispositivos, no que concerne ao pressuposto fático de exclusão em dissídio, não discrepam das normas legais anteriores a 2004 os arts. 14, I e 15, II, da Lei 9.317/96, com as alterações da Lei 9.732/98: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II2 e § 2º do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; 1 Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: XII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; 2 Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: Fl. 521DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19647.007283/200647 Acórdão n.º 1103000.784 S1C1T3 Fl. 243 10 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) Não há, pois, a retroação ilegal alegada pela recorrente. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; Fl. 522DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09137.EIPU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS SHIGUEO TAKATA em 27/11/2012 22:13:08. Documento autenticado digitalmente por MARCOS SHIGUEO TAKATA em 27/11/2012. Documento assinado digitalmente por: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO em 28/11/2012 e MARCOS SHIGUEO TAKATA em 27/11/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/07/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0719.09137.EIPU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 031EBA65A0E78E1B96E534C860D742C46C5EF1C7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19647.007283/2006-47. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13603.906202/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-006.316
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE Não deve ser reconhecido o direito creditório, quando o contribuinte não carreia aos autos a documentação comprobatória. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório O presente processo trata de pedido de compensação transmitido eletronicamente com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. Após análise eletrônica, foi emitido Despacho Decisório, onde consta que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP correspondente, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 62 02 /2 00 9- 66 Fl. 677DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.316 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.906202/2009-66 Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, essencialmente, o que se segue: - que apresentou DCTF retificadora referente ao mesmo período informando débito menor que o originalmente declarado; - todavia, o pagamento efetuado conforme Darf identificado, corresponde ao valor originalmente declarado; - desta forma, resta comprovada a efetiva existência e disponibilidade do crédito apontado no PER/DComp, tornando-se necessária a reformulação do despacho decisório; - e não há que se questionar o fato de a retificação da DCTF ter sido verificada após a entrega do PER/DComp, pelas seguintes razões; (i) o despacho decisório foi proferido em momento posterior ao processamento daquela retificação, de modo que a existência do crédito já era de conhecimento da Fiscalização; (ii) observância ao princípio da verdade material, ao qual se encontra vinculada a Fiscalização; - destaca ainda acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf (extinto Conselho de Contribuintes); - citando as disposições contidas no art. 11 da Instrução Normativa RFB n º 903/2008, assevera que o presente caso não se enquadra em nenhuma das situações previstas no § 2o, devendo a Fiscalização considerar todos os dados constantes das DCTF atualmente válidas, conforme definido em julgado da DRJ de Campo Grande, cujo acórdão reproduziu; - requer seja dado provimento à sua Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecida a existência do crédito postulado, homologando-se integralmente a compensação declarada; requer, subsidiariamente, caso se considere necessária a obtenção de maiores esclarecimentos ou apresentação de outros documentos, que seja determinada a realização de diligência nesse sentido; - por fim, requer a apreciação conjunta desse com os processos acima referidos. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, concluindo que, verificado que o suposto crédito apontado como pagamento indevido ou a maior foi integralmente utilizado para quitação de débito apurado no Dacon competente e confessado na DCTF original, não há como reconhecer o direito creditório postulado. Concluiu que a retificação da DCTF, nesse caso, não é suficiente, por si só, para comprovar a existência do crédito pretendido. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que argumenta o seguinte: i) Que, antes da emissão do Despacho Decisório, retificou DCTF, para indicar a ocorrência de pagamento a maior de COFINS. Observada a diferença a menor do valor retificado, restou caracterizado o pagamento indevido, que foi utilizado para liquidação de outros débitos. ii) As vendas de mercadorias no período foram realizadas por valores maiores do que os previamente acordados com os clientes, por diferentes motivos, tais como, diferenças Fl. 678DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.316 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.906202/2009-66 entre as quantidades solicitadas e as entregues ou entre o preço inicialmente acertado e o faturado. iii) Os clientes então emitiram "notas de débito" para ajustar os valores faturados a maior. As notas de débito foram analisadas e confirmada a ocorrência dos erros. Diante disto, retificou a apuração da COFINS do período, para deduzir os valores das notas de débito, o que redundou na apuração de pagamento a maior, compensável com débitos futuros. iv) Carreou aos autos os seguintes documentos comprobatórios: planilha com os totais dos valores faturados a maior no período de interesse, por cada uma das quatro áreas de negócio ("Controle Motor", "Centralina", "Eletrônica" e "Escapamentos"), incluindo o impacto total (aumento indevido do valor a pagar) no recolhimento da COFINS; para cada uma das quatro áreas de negócio, planilha com os valores originais faturados contra cada um dos clientes, o valor cobrado a maior e as diferenças produzidas nos tributos incidentes sobre o faturamento, inclusive COFINS; e notas de débito, extratos de "conta corrente fornecedor" e notas fiscais relativas às diferenças de faturamento ocorridas mês de apuração, relativos a uma das divisões de negócio. Cumpre destacar que, juntamente com a Manifestação de Inconformidade, foram carreados a DCOMP, guia de pagamento (DARF) e DCTF Retificadora. É o relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 315, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13603.906201/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006. 315): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de não homologação de Declaração de Compensação (DCOMP). A unidade de origem verificou que o DARF correspondente ao suposto pagamento a maior (COFINS de julho de 2008) fora integralmente utilizado para liquidação de um débito de IPI. Em primeira instância, juntou aos autos a DCTF Retificadora de julho de 2008, em que demonstra valor devido de COFINS de R$ 875.643,01, e pagamento de R$ 926.228,60. E salienta que a fiscalização não levou-a em conta, apesar de protocolizada antes da emissão do Despacho Decisório. A DRJ não acatou o crédito, porque alegou que a DCTF Retificadora não era suficiente para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório, ainda mais no caso em tela, em que o DACON de julho de 2008, onde havia o demonstrativo da base de cálculo, Fl. 679DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.316 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.906202/2009-66 não havia sido retificado e, portanto, continuava demonstrando o valor original da COFINS devida (R$ 926.228,60). À manifestação de inconformidade, foram juntados DCOMP; guia de pagamento do valor de R$ 926.228,60 e DCTF Retificadora (com os valores do débito da COFINS, alterado para R$ 875.643,01, e do pagamento de R$ 926.228,60). No recurso voluntário, a recorrente explicou por que pagou mais COFINS do que deveria: o faturamento das vendas foi emitido por valores maiores do que os corretos, em razão de diferenças nas quantidades ou nos preços pré-acordados. Os clientes emitiram notas de débito, cujos valores, após análise e confirmação de sua adequação, motivaram a retificação da base de cálculo da COFINS, com apuração de pagamento a maior. E trouxe planilhas, identificando as diferenças em cada faturamento, as quais apontam como total pago a maior o valor do crédito pleiteado, isto é, R$ 50.585,58. A recorrente não trouxe toda a documentação necessária à comprovação da higidez de seu direito creditório, cujo ônus lhe cabe, nos termos do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil. Deveria ter trazido, adicionalmente, as apurações original e retificada, devidamente conciliadas com os livros contábeis, DCTF original e retificadora e guia de pagamento e DCOMP. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 680DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908962/2008-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. SÚMULA CARF 124. PRODUTOS NT.
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 9303-008.766
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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SÚMULA CARF 124. PRODUTOS NT. A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802-000.766, de 22 de novembro de 2011 (fls. 188/189 do processo eletrônico), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 89 62 /2 00 8- 09 Fl. 332DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.766 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.908962/2008-09 proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI protocolado pelo Contribuinte, referente ao terceiro trimestre de 2003, no valor de R$ 76.310,94, utilizado na compensação de débitos próprios da empresa. A DRF/Fortaleza/CE, após diligência, indeferiu a totalidade do pedido e considerou não homologadas as compensações sob o argumento de que o produto exportado pela empresa é não tributado. Inconformado com a autuação, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: - tece comentários acerca dos conceitos de produção, industrialização, produto industrializado e campo de incidência, citando exemplos de produtos que sofrem complexo processo de transformação e são classificados como NT e de produtos in natura incluídos no campo de incidência sob alíquota zero da TIPI; - a Lei n.° 9.363/1996, no parágrafo único do art. 3°, pediu ao IPI de forma subsidiária o conceito de produção, fez de modo a determinar que o incentivo somente alcançasse os produtos submetidos a uma daquelas cinco operações que caracterizam a industrialização/produção; - a Lei n.º 9.363/96 pretendia alcançar restritivamente tão-só aos produtos localizado no 'campo de incidência' do IPI, teria feito, quando, em vez de 'mercadorias' (gênero) teria referido 'produtos industrializados, tributados pelo IPI. De sorte que, se as mercadorias industrializadas pela impugnante (produtora e exportadora) fossem do tipo NT, hipótese que admite-se apenas para facilitar o convencimento, o creditamento haveria de ser mantido ao princípio da reserva legal; - castanhas de caju, industrializadas a partir de castanhas in natura -tal como a impugnante as produz e exporta - serão sempre 'castanhas industrializadas'. A Fl. 333DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.766 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.908962/2008-09 despeito de qualquer intenção de classificá-las como zero, NT, 'ex' ou noutra qualquer tipologia"; - com o advento da Lei Complementar n.º 104/2001, a verdade material passou a ter o devido tratamento de “coisamor”, principal, definitiva, pouco ou nada importando os nomes que se deem aos fatos; - a classificação do produto na TIPI e na NCM, não há de ser misturado tratamento fiscal de mercado externo com tratamento fiscal de mercado interno. Acrescenta que a NCM não faz referência a produto à alíquota zero por se destinar ao comércio exterior; - o entendimento de que a Lei n.° 9.363/96 apenas regulamentou uma imunidade preexistente do PIS/Pasep e da Cofins; - seja absurdo classificar castanhas industrializadas como produto não industrializados, citando o Parecer Normativo n.º 408/71, o qual estabeleceu que a venda de castanhas em latas tipo querosene implicava em classificação de alíquota zero. Atualmente, as referidas latas foram substituídas por sacos mais resistentes para o tratamento a vácuo, “devidamente rotulados em embalagens de apresentação". Por fim, requer o Contribuinte a reforma do despacho que negou o seu pleito. A DRJ em Belém/ PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado pelo voto de qualidade, negou provimento ao Recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. Fl. 334DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.766 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.908962/2008-09 O caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O alcance conceitual do termo “empresa produtora”, por expressa disposição legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem”. Nesse âmbito, o artigo 6o da Lei no 10.451/02 exclui do campo de incidência do IPI os produtos relacionados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado). Ainda, o artigo 3o da Lei no 4.502/64 considera “estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Como os produtos gravados na TIPI como “NT” estão fora do campo de incidência do IPI, tais produtos, portanto, para fins do referido imposto, não podem ser considerados como advindos de um processo de industrialização, não sendo, pois, abrangidos, pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI. Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 203 a 209, sendo que estes foram acolhidos (despacho de fls. 214 a 216) e não providos (despacho de fls. 217 a 225), conforme exarado no acórdão nº 3802-01.011, de 22 de maio de 2012. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 229 a 277) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito ao crédito presumido das Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/01 sobre compras de matérias-primas efetuadas a pessoas físicas e suas cooperativas, empregadas na produção de mercadorias classificadas na TIPI com ‘NT”. Fl. 335DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.766 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.908962/2008-09 Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 9303-01.551. A comprovação do julgado firmou-se pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma – documento de fls. 278 a 288. O Recurso Especial do Contribuinte não foi admitido, conforme despacho de fls. 301 e 302, sob o argumento de se tratar de pleito intempestivo. O Contribuinte apresentou agravo às fls. 310 a 313, em que pleiteia a reforma do despacho de admissibilidade e junta documento para provar a tempestividade do Recurso Especial. O agravo foi acolhido, pois na análise do documento juntado foi afastada a intempestividade do Recurso Especial do Contribuinte. Referente ao paradigma apresentado pelo Contribuinte, entendeu-se que diante dos fundamentos jurídicos presentes no acórdão recorrido e no acórdão paradigma, não restou dúvida a similitude fática entre eles, além de possuírem decisões antagônicas, entendendo demonstrada a divergência jurisprudencial (despacho de fls. 317 a 319). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 321 a 330, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran, Relatora. Da admissibilidade Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, entendo que devo conhecê-lo, conforme despacho de fls. 317 a 319 e por atendido os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Fl. 336DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.766 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10380.908962/2008-09 Do mérito Quanto à matéria trazida em recurso, independentemente de meu entendimento, devemos observar a Súmula CARF 124: “A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.” Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. É como voto. (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.958993/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/05/2010
DACON E DCTF RETIFICADOS APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. ACÓRDÃO DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO.
Nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 02, de 28/08/2015, não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação.
Retificada a DCTF depois do Despacho Decisório, e apresentada Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF.
Numero da decisão: 3401-006.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, e determinar a remessa dos autos para que a DRJ-FNS, superada a questão sobre a retificação da DCTF após a data de transmissão da DCOMP, realize novo julgamento, solicitando, caso entenda necessárias, diligências para identificar corretamente o valor do débito de COFINS para o período de apuração de Abril de 2010.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/05/2010 DACON E DCTF RETIFICADOS APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. ACÓRDÃO DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. Nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 02, de 28/08/2015, não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação. Retificada a DCTF depois do Despacho Decisório, e apresentada Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, e determinar a remessa dos autos para que a DRJ-FNS, superada a questão sobre a retificação da DCTF após a data de transmissão da DCOMP, realize novo julgamento, solicitando, caso entenda necessárias, diligências para identificar corretamente o valor do débito de COFINS para o período de apuração de Abril de 2010. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/05/2010 DACON E DCTF RETIFICADOS APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. ACÓRDÃO DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. Nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 02, de 28/08/2015, não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação. Retificada a DCTF depois do Despacho Decisório, e apresentada Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, e determinar a remessa dos autos para que a DRJFNS, superada a questão sobre a retificação da DCTF após a data de transmissão da DCOMP, realize novo julgamento, solicitando, caso entenda necessárias, diligências para identificar corretamente o valor do débito de COFINS para o período de apuração de Abril de 2010. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 89 93 /2 01 2- 48 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.958993/201248 Acórdão n.º 3401006.164 S3C4T1 Fl. 250 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Trata o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica nº 32314.13011.220611.1.3.049692, transmitida em 22/06/2011, por meio da qual o contribuinte solicita compensação de débito próprio com crédito oriundo de suposto pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor original de R$ 32.485,78, corrigido pela SELIC para R$ 36.185,91. 2. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERATSP) decidiu pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório emitido em 04/09/2012, à folha 08, tendo em vista que foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) um pagamento com o DARF indicado na DCOMP integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. 3. Regularmente cientificada, a empresa apresentou, em 15/10/2012, a Manifestação de Inconformidade de fls. 13/17, alegando que a compensação não foi homologada em decorrência do seu equívoco em não ter retificado a DCTF e o DACON, mas que efetivou tal retificação após tomar conhecimento do Despacho Decisório, além de explicitar a razão de tal diminuição do débito tributário, in verbis: Mediante recebimento do Despacho em epígrafe, procedemos às devidas análises e constatamos que a não homologação da Compensação decorreu do equívoco em não se evidenciar nas respectivas DCTF e DACON do período, o direito ao crédito existente a que se refere a PER/DCOMP objeto deste Despacho Decisório. A Intermédica Sistema de Saúde S/A, Operadora de Planos de Assistência à Saúde (OPS); Registro ANS nº 359017; identificou na apuração da Competência Abril/2010, pagamento indevido ou a maior decorrente da não dedução na apuração da Base de Cálculo da COFINS de valor destinado à constituição de provisão técnica, conforme permite e preceitua o artigo 3º, § 9º, inciso II da Lei 9.718 de 27 de Novembro de 1998. Houve na referida competência a constituição do valor de Provisão Técnica denominada como PEONA — Provisão para Eventos Ocorridos e Não Avisados (IBNR — Incurred But Not Reported); Provisão Técnica a ser constituída pelas OPS conforme determina a Resolução Normativa nº 209 de 22 de dezembro de 2009, expedida pela Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar — ANS. (...) Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.958993/201248 Acórdão n.º 3401006.164 S3C4T1 Fl. 251 3 O registro contábil da constituição desta Provisão na Competência da apuração da COFINS segue em anexo ao presente (Documento 3). Para a evidenciação do crédito (Pagamento indevido ou a maior) foram retificadas a DCTF e DACON do período (Documento 4), sendo corrigidas as informações a saber: (...) Estamos juntando à presente petição (Documento 5): i) Cópia do DARF discriminado no PER/DCOMP (R$2.170.626,53); ii) Cópia da PER/DCOMP citada neste Despacho Decisório; iii) Resolução Normativa da ANS ((209/2009) citadas nessa manifestação de inconformidade. 4. A DRJ Florianópolis (DRJ/FNS), em sessão de 11/02/2015, proferiu o Acórdão nº 0736.672, às fls. 133/136, através do qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF, esta não tem o efeito de validar retr oativamente a compensação instrumentada por Dcomp pois, como se viu, a existência do indébito só se aperfeiçoou bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da Dcomp serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em Dcomp, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houvesse retificação da Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.958993/201248 Acórdão n.º 3401006.164 S3C4T1 Fl. 252 4 DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos). Ademais, o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, não se aplica à presente situação, pois nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar a compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da Dcomp, retifica regularmente a DCTF. 5. A ciência deste Acórdão pelo contribuinte se deu em 24/09/2015, conforme "TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM", à fl. 143. Irresignado com a decisão da DRJFNS, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 26/10/2015, às fls. 146/170, basicamente repetindo os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, porém acrescentando decisões administrativas e judiciais, bem como o Parecer Normativo COSIT nº 02, de 28/08/2015, todos no sentido de comprovar a possibilidade de análise do seu direito creditório mesmo nos casos em que a DCTF ou o DACON são retificados somente após a transmissão do PER/DCOMP ou após a emissão do Despacho Decisório. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 7. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 8. Quando o contribuinte apresenta DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório de não homologação, ou mesmo antes deste, só se admite a redução do débito mediante comprovação do erro incorrido na DCTF original, demonstrado pelo contribuinte, com base em escrituração contábil/fiscal e documentos de suporte, como notas fiscais. Esta é a regra estabelecida pelo art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.958993/201248 Acórdão n.º 3401006.164 S3C4T1 Fl. 253 5 informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 9. E nos processos em que o contribuinte reivindica um direito de crédito contra a Fazenda Nacional, temse que o Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição, ressarcimento ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. 10. Ocorre que, compulsando os autos, verifico que o recorrente anexou, às fls. 23/27, cópia dos seus Balancetes Contábeis onde consta o registro de valor destinado à constituição de provisão técnica; às fls. 29/57, cópia da DCTF retificadora, transmitida em 01/10/2012, diminuindo o valor do débito de COFINS para o mesmo montante informado no PER/DCOMP; às fls. 58/72, cópia do DACON retificador, diminuindo o valor do débito de COFINS para o mesmo montante informado na DCTF retificadora; e, à fl. 74, cópia do Comprovante de Arrecadação do valor do débito originalmente informado na DCTF e no DACON. 11. Todos estes documentos foram apresentados juntamente com sua Manifestação de Inconformidade, na qual deixou claro que a razão para a diminuição do débito de COFINS resulta de erro na apuração inicial, decorrente da não dedução dos valores destinados à constituição de provisão técnica — PEONA — Provisão para Eventos Ocorridos e Não Avisados (IBNR — lncurred But not Reported), nos termos do art. 3°, § 9º, inciso II da Lei n° 9.718/98/98. 12. Apresentou planilhas no corpo deste recurso, demonstrando como foi efetuada a apuração inicial, que alega ser incorreta, e como deveria ser a apuração correta, com a devida dedução dos valores destinados à constituição de provisão técnica, chegando ao valor da COFINS informado no DACON e na DCTF retificadores. 13. Tal conjunto probatório não se constitui em prova definitiva do crédito pleiteado, necessitando ser confirmado por uma reapuração dos créditos e débitos de COFINS, através de procedimento fiscal para analisar toda a escrituração contábil/fiscal e os documentos que lhe servem de suporte, notadamente as notas fiscais de aquisições e de vendas, bem como a possibilidade de realizar as deduções alegadas como razão para a nova apuração. 14. Contudo, entendo que os elementos acostados aos autos já se constituem em indícios suficientes de que o contribuinte pode realmente ter direito ao crédito, o que ensejaria o envio do processo para a realização de diligência, tal como pleiteia o contribuinte, de forma alternativa, em seu Recurso Voluntário. 15. Contudo, a DRJ, de forma rigorosamente formalista, a meu ver, fundamentou sua decisão afirmando que "Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF, esta não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp pois, como se viu, a existência do indébito só se aperfeiçoou bem depois". Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.958993/201248 Acórdão n.º 3401006.164 S3C4T1 Fl. 254 6 16. Prossegue sustentando ainda que "A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da Dcomp serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos". 17. Esta afirmação é apenas parcialmente correta, pois o Despacho Decisório negou corretamente o crédito, tendo em vista que o DACON e a DCTF existentes nos sistemas da RFB, naquele momento, não indicavam a existência do crédito. Entretanto, o indébito, ao contrário do que afirma a DRJ, já existia materialmente, apenas não estava formalmente positivado através das respectivas obrigações acessórias. 18. No entanto, em sede de Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou indícios suficientes para indicar que o crédito pleiteado poderia realmente existir. Nesse contexto, caberia à DRJ, exercendo sua função julgadora, ultrapassar o mero cotejo de informações entre declarações existentes no sistema, realizado por programas de informática, para adentrar na verdade material dos fatos e analisar as provas apresentadas. Nesta fase processual, poderia ser confirmada ou não a correção do Despacho Decisório, a partir de diligências solicitadas à unidade local da RFB de jurisdição do contribuinte para um aprofundamento na investigação do crédito. 19. Caso não apresentasse nenhum documento de sua contabilidade e nem uma planilha ou fundamento jurídico/contábil explicando os motivos de ter diminuído o débito do tributo, aí sim não haveria como solicitar uma diligência apenas com base em informações prestadas em DACON ou DCTF, sejam originais ou retificadores, pois diligências não devem se prestar à produção de provas, mas apenas para esclarecer dúvidas do julgador. E, no presente caso, entendo ser inegável que, à luz dos documentos apresentados, há pelo menos uma dúvida razoável quanto ao direito do sujeito passivo. Registrese que não se pode impor a este que saiba exatamente todos os documentos que o julgador entende necessários ao deferimento do pedido. 20. A própria RFB, através do Parecer Normativo COSIT nº 02, de 28/08/2015, já deixou claro esta questão, nos seguintes termos: Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n° 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.958993/201248 Acórdão n.º 3401006.164 S3C4T1 Fl. 255 7 21. Devese ter em mente que o referido instrumento normativo apenas formaliza a interpretação dada pelo Fisco à legislação já existente, não havendo que se falar em inovação legislativa. A possibilidade de retificação das declarações mesmo após emissão de Despacho Decisório denegatório do crédito não é permitida apenas por conta deste Parecer Normativo, pois, em verdade, nunca esteve vedada pela microssistema jurídico tributário. 22. Nesse diapasão, entendo que a decisão da DRJ, ao negar o direito creditório meramente por conta do cumprimento tardio de obrigações acessórias, apesar de anteriores ao recurso administrativo, e sem realizar a análise do conjunto probatório trazido aos autos, cerceou o direito de defesa do contribuinte, gerando como consequencia a nulidade do acórdão recorrido, com base no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal. 23. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para declarar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, e determinar a remessa dos autos para que a DRJFNS, superada a questão sobre a retificação da DCTF após a data de transmissão da DCOMP, realize novo julgamento, solicitando, caso entenda necessárias, diligências para identificar corretamente o valor do débito de COFINS para o período de apuração de Abril de 2010. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.932164/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/10/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/10/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 21 64 /2 01 3- 16 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.408 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932164/2013-16 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.408 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932164/2013-16 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.408 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932164/2013-16 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.408 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932164/2013-16 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 76DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.408 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932164/2013-16 Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900555/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 55 /2 01 4- 52 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.281 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900555/2014-52 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.281 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900555/2014-52 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 70DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.281 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900555/2014-52 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 71DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.281 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900555/2014-52 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 72DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.281 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900555/2014-52 Fl. 73DF CARF MF
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