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Numero do processo: 19311.720179/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.462
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Larissa Nunes Girard, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Larissa Nunes Girard, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS que constituíram o crédito tributário total de R$ 9.604.023,09, somados o principal, multa de ofício agravada e juros de mora. Do relatório da decisão recorrida, extraise os detalhes do litígio: No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade assim contextualiza o lançamento: 3. O contribuinte tem como atividade econômica a industrialização e a comercialização de produtos do segmento de autopeças. 4. A sistemática da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep foi introduzida pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Contribuição RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 17 9/ 20 12 -8 1 Fl. 5118DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.119 2 para o Financiamento da Seguridade Social Cofins pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ambas modificadas pela Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 3º dessas leis estabeleceu os créditos que podem ser descontados dentro da sistemática da nãocumulatividade. (...) Em 2007, com a publicação da Lei n° 11.529, foi permitido ao setor de autopeças aproveitar o desconto de crédito de PIS e da Cofins sobre o valor integral de bens de capital destinados ao seu parque fabril, in verbis: Art. 1º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, de que tratam o inciso VI do caput do art. 3º da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso VI do caput do art. 3º da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o inciso V do caput do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, poderão ser descontados, em seu montante integral, a partir do mês de aquisição no mercado interno ou de importação, na hipótese de referiremse a bens de capital destinados à produção ou à fabricação dos produtos: I classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 28 de dezembro de 2006: a) nos códigos 0801.3, 42.02, 50.04 a 50.07, 51.05 a 51.13, 52.03 a 52.12, 53.06a 53.11; b) nos Capítulos 54 a 64; c) nos códigos 84.29, 84.32, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06; e d) nos códigos 94.01 e 94.03; e II relacionados nos Anexos 1 e II da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo serão determinados: I mediante a aplicação dos percentuais previstos no caput do art. 2º da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro 2003, sobre o valor de aquisição do bem, no caso de aquisição no mercado interno; ou II na forma prevista no § 3º do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de importação. 8. Como se verifica da leitura do art. 3º da Lei n° 10.833, de 2003, o legislador, para fins de utilização de crédito na modalidade da nãocumulatividade, optou por listar de forma exaustiva os bens e serviços capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade. Assim, a aquisição de um bem ou serviço, mesmo que listado, poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. 9. Em relação aos insumos, a legislação definiu que, além dos combustíveis e lubrificantes referidos no inciso II do artigo 3° das Leis n° 10.637, de 2002 e n° Fl. 5119DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.120 3 10.833, de 2003, consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativas, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 10. Portanto, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 11. Na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas SRF n° 247, de 2002, e n° 404, de 2004, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos. 12. Face aos dispositivos legais elencados nos itens anteriores, em 31/01/2012, através dos Termo de Constatação Fiscal n° 0001, o contribuinte foi cientificado a respeito de divergências entre os saldos das contas de passivo "Pis a recolher" e "Cofins a recolher" e os valores declarados nos Dacon, bem como sobre o aproveitamento de valores como desconto de créditos sobre dispêndios em desacordo com a legislação vigente, conforme detalhado no "Demonstrativo das Diferenças entre Dacon e Contabilidade" e no "Demonstrativo de Créditos do PIS/Cofins Glosados". ... 15. Já no que se refere aos valores considerados como créditos glosados sobre gastos com armazenagem de produtos importados e fretes relativos ao transporte dessas mercadorias do recinto alfandegado até o estabelecimento do importador, não assiste razão ao contribuinte que estariam de acordo com a legislação vigente a interpretação da legislação tributária feita pela Secretaria da Receita Federal do Brasil através de Soluções de Consulta. Na verdade, somente os valores de PISImportação e CofinsImportação recolhidos quando do registro das respectivas Declarações de Importações (DI) podem ser descontados na apuração das contribuições no regime nãocumulativo, face ao disposto no art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004 (...). 16. Também não há previsão legal para o desconto de créditos de PIS e da Cofins sobre despesas relacionadas à mãodeobra temporária. ... 18. A partir do esclarecimento do contribuinte no sentido de que o razão contábil não reflete exatamente os créditos descontados, a fiscalização, com o objetivo de identificar os corretos períodos nos quais foram utilizados, confrontou os demais CFOP registrados nos Livros de Apuração de IPI com os valores declarados nos Dacon, levando também em consideração as memórias de cálculo das contribuições apresentadas pelo fiscalizado em resposta aos Termos de Intimação. Nessas memórias, consta que a base de cálculo declarada na LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16 A) é constituída principalmente por valores gastos com mão de obra temporária, armazenagem e fretes sobre compras. Já a base da LINHA 13. OUTRAS Fl. 5120DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.121 4 OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO (fichas 06A e 16A) é formada por dispêndios com serviços de manutenção, partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, locação desses bens e, nos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, créditos extemporâneos desses mesmos gastos e também de mão de obra temporária, armazenagem e frete de mercadorias importadas (recinto alfandegado até o estabelecimento). 19. A partir dos esclarecimentos do contribuinte em resposta ao Termo de Constatação Fiscal n° 0001, ficou claro que os valores registrados nos CFOP 1.124/2.124 industrialização efetuada por outra empresa, compõe a base de cálculo da LINHA 02. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16 A). ... 22. Da confrontação entre os gastos com fretes escriturados nos Livros de Registro de IPI, já deduzidos os valores aproveitados na base de cálculo utilizada na LINHA 07. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES SOBRE VENDAS (fichas 06A e 16A) verificase que os montantes considerados pelo contribuinte como fretes sobre compras na base de cálculo da LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16A), excedem, em vários períodos de apuração, o total dos gastos dessa natureza que constam na escrita fiscal (...). 23. Notase, também, que a base de cálculo considerada na LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16A) supera em praticamente todos os períodos os valores detalhados na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0006. (...). 24. Além dessas diferenças de bases de cálculo ocorridas na apuração das contribuições, existem os dispêndios sobre os quais foram descontados créditos de PIS e da Cofins em desacordo com os arts. 3º das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, tais como mão de obra temporária, armazenagem e fretes de mercadorias importadas, material de escritório, material de segurança do trabalho e serviços de laboratório e de controle de qualidade, que constam detalhados nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte ao longo da ação fiscal, bem como discriminados nas contas de resultado 3.01.01.07 Despesas Operacionais da contabilidade do contribuinte. Cabe observar que os gastos com armazenagem de matériaprima, locação de veículos, equipamentos de escritório e de hardware, apontados no Termo de Constatação Fiscal n° 0001, não foram localizados na memória de cálculo de apuração das contribuições apresentada pelo contribuinte. Os descontos de créditos de PIS e da Cofins sobre os excessos nas bases de cálculo e dispêndios acima mencionados são glosados pela fiscalização e estão relacionados no Demonstrativo de Glosas de Créditos do PIS/Cofins, que segue anexo a este Termo de Verificação Fiscal. MULTA REGULAMENTAR Constatouse, durante o procedimento fiscal, que o contribuinte preencheu com dados incompletos os Dacon dos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, porquanto não declarou os períodos dos créditos extemporâneos nas fichas 13A e 23A, razão pela qual é cabível a aplicação de multa regulamentar, nos termos do disposto no art. 7º, incisos III e IV, e § 3° da Lei n° 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004. MULTA AGRAVADA Fl. 5121DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.122 5 Na aplicação das penalidades é considerado o disposto no art. 959, inciso II do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que implica na majoração da multa prevista no art. 957, inciso I, em 50%, para os períodos de janeiro/2008 e março/2009, uma vez que o contribuinte apresentou à fiscalização fora do prazo regulamentar os arquivos digitais do ano calendário de 2008, no padrão da Instrução Normativa SRF n° 86 de 2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15 de 2001. Tratase de responsabilidade objetiva, isto é, as dificuldades técnicas alegadas pelo contribuinte não afastam essa penalidade. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: 06. Destarte, para consecução do seu objeto social, a Impugnante contrata mão de obra temporária a qual é alocada na produção industrial, bem como se faz necessária a contratação de armazenagem no recinto alfandegário para os insumos importados, da mesma forma que se faz necessário a contratação de frete para transporte desses insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento da Impugnante, onde tais insumos serão aplicados no processo produtivo. 07. Desde já, de suma importância esclarecer que a subtração desses serviços, quais sejam, (i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial, (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário, (iii) frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento, importaria na inviabilidade da produção dos bens comercializados ou na prestação de serviços exercida pela Impugnante. 08. Pois, essencialmente, a Impugnante importa insumos e neste sentido, dispensável salientar que é imprescindível armazenar tais produtos no recinto alfandegário, da mesma forma que posteriormente devem ser transportados para o estabelecimento onde se encontra localizada a produção industrial. 09. Mesmo entendimento se estende a de mão de obra temporária especializada, que é contratada para trabalhar no setor produtivo linha de produção da Impugnante vez que tal serviço visa suprir temporária ou periodicamente as necessidades produtivas da mesma. 10. Assim, com base na legislação1 que trata da sistemática da não cumulatividade das contribuições em tela, mais adiante estudadas pormenorizadamente, a Impugnante se aproveitou do crédito de PIS e COFINS sobre os gastos com a contratação de mão de obra temporária, armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário e frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento. ... 14. Antes de se adentrar ao mérito do direito aos créditos de PIS e COFINS glosados pela presente autuação, considerando que se pretende demonstrar a legitimidade da apropriação dos mesmos, vez que se enquadram perfeitamente a definição de insumo considerada pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, farseá necessário uma sintética explanação acerca da sistemática da não cumulatividade dessas contribuições. ... 21. O fenômeno da cumulatividade está relacionado com a incidência de determinada espécie tributária sobre uma base que já foi objeto de incidência Fl. 5122DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.123 6 desse mesmo tributo, provocando, dessa forma, o efeito da oneração do preço, em razão da superposição tributária. 22. Portanto, quando uma norma afirma que certo tributo não será cumulativo, o que se está determinando é que seja instituído algum meio a fim de impedir que ocorra os nocivos efeitos da incidência em cascata. 23. No caso do ICMS e IPI, a sistemática adotada foi a do direito de abatimento efetivado por meio do desconto do imposto devido do imposto cobrado na operação anterior, sempre que se realizar operação de circulação de mercadorias ou prestação de serviços, para o ICMS, e operação de industrialização de produtos para o IPI. Logo, o método seguido guarda relevância fática com as características destes impostos. 24. Já a técnica empregada para concretizar a nãocumulatividade do PIS e da COFINS se dá pela redução da base de cálculo, com a dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e serviços objeto de faturamento em momento anterior, enquanto a do IPI visa evitar o efeito cascata da tributação, por meio de compensação de débitos e créditos. 25. Assim, evidente que a intenção do legislador, por meio da edição das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, foi a de ampliar o conceito de insumo contemplado na legislação do IPI, uma vez que o PIS e a COFINS alcançam outras receitas e não apenas as diretamente vinculadas ao processo produtivo. 26. Tanto é que o artigo 3°, inciso II, das referidas Leis, acima transcritos, ao estabelecer as hipóteses de creditamento para efeito de dedução dos valores das bases do PIS e da COFINS, contempla o aproveitamento de bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. 27. Todavia, a Delegacia da Receita Federal do Brasil, com a finalidade de regulamentar as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, editou Instruções Normativas SRF n° 247/2002 (que dispõe sobre o PIS e a COFINS) e 404/2004 (que trata da incidência nãocumulativa do PIS e da COFINS) e respondeu a consultas formuladas por contribuintes restringindo o conceito de insumo às matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem e demais bens consumidos no processo produtivo em decorrência do contato físico com o produto em fabricação. 28. Ou seja, buscou na legislação do IPI o critério para os créditos de PIS e de COFINS, numa visão absolutamente restritiva e em descompasso com princípio da nãocumulatividade. ... 30. Ainda que se possa admitir a existência de lacuna quanto ao conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS, devese buscar esse conceito na legislação de tributos que guardem similaridade e que mais se aproximem à do PIS e da COFINS, o que, certamente, não é o IPI. 31. Ora, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS se presta a afastar da receita tributável os gastos necessários à sua obtenção, sejam elas referentes a insumos, ativos ou materiais de uso e consumo, destinados direta ou indiretamente à atividade da empresa. Assim, se sem a aquisição de determinado bem ou serviço for impossível realizar o processo industrial ou prestação dos serviços, não há dúvidas de que o mesmo é aplicado na atividade econômica que gera a receita tributada, motivo pelo qual a despesa incorrida, desde que esteja no âmbito de Fl. 5123DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.124 7 alcance de tais contribuições, junto à outra pessoa jurídica gera direito ao crédito de PIS e COFINS. ... 42. Conforme sinalizado inicialmente, a Impugnante, com base na legislação que trata da sistemática da nãocumulatividade das contribuições em tela, se aproveitou do crédito de PIS e COFINS sobre despesas com: (i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; (iii) frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento. ... 44. Assim, no que tange aos serviços dantes referidos, visando demonstrar sua essencialidade para o processo produtivo da Impugnante, se faz necessário uma análise pormenorizada de cada um deles. 45. Ressaltase ainda que a Impugnante já solicitou a elaboração de Laudos, os quais estão sendo preparados por profissionais técnicos e habilitados para tanto, a fim de comprovar cabalmente que sem tais serviços seu processo produtivo restaria totalmente inviabilizado, uma vez que eles são imprescindíveis às atividades da empresa Contribuinte. 47.1 DOS SERVIÇOS MÃO DE OBRA TERCEIRIZADA Cumpre salientar que a Impugnante necessita contratar mão de obra terceirizada especializada para trabalhar em seu setor produtivo linha de produção. Evidente que apesar da legislação em vigor que regulamenta o PIS e a COFINS não trazer explicitamente o direito ao crédito sobre contratação de mão de obra terceirizada, tal serviço é atrelado ao processo produtivo. A contratação do serviço mão de obra especializada visa suprir temporária ou periodicamente as necessidades produtivas da empresa Impugnante. Ademais, importante salientar que, além das jurisprudências colacionadas no tópico anterior, a Receita Federal já se pronunciou favoravelmente sobre esse assunto por diversas vezes (...). Tanto é possível o crédito sobre os valores pagos à título de mão de obra, que nos § 2°s dos artigos 3°s das Leis n.° 10.367/2002 e 10.8300/2002, há vedação apenas quando a mão de obra é paga a pessoa física, o que não é caso dos autos (...). Evidente que se a vontade do legislador fosse restringir o crédito sobre valores pagos à título de mão de obra tanto à pessoa física, quando à pessoa jurídica, o texto da lei seria diverso. Portanto, diferentemente do apurado pela fiscalização, resta cristalino o direito da Impugnante ao desconto dos créditos de PIS e COFINS sobre as despesas relacionadas à mão de obra pagas a pessoa jurídica, sendo, portanto, totalmente indevida a glosa realizada pela autoridade fazendária. 47.2 FRETE E ARMAZENAGEM NA IMPORTAÇÃO DE INSUMOS Cumpre esclarecer que, essencialmente, a Impugnante importa insumos e neste sentido, tornase imprescindível a armazenagem de tais produtos no recinto alfandegário, da mesma forma que posteriormente devem ser transportados para o estabelecimento onde se encontra localizada sua produção industrial. Desta feita, evidente que sem que o insumo chegue até a empresa, impraticável o processo produtivo da mesma, sendo necessária a contração de armazenagem de insumos importados nos entrepostos aduaneiros e de serviço de frete para transporte desses insumos do porto até seu estabelecimento. Fl. 5124DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.125 8 Ademais, os serviços de frete e armazenagem nas operações de importação de matérias primas devem ser considerados insumos, uma vez que tais serviços incluemse nos custos dos insumos importados adquiridos e utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. ... Assim, novamente em dissonância ao apurado pela fiscalização, resta comprovado o direito da Impugnante ao desconto dos créditos de PIS e COFINS sobre as despesas relacionadas armazenagem de insumos importados e frete relativos ao transporte desses insumos do recinto alfandegário até o estabelecimento da impugnante, restando, pois, totalmente indevida a glosa realizada pela autoridade fazendária. 48. Não obstante a certeza de procedência da presente Impugnação, com o consequente cancelamento do Auto de Infração e Imposição de Multa em referência, em homenagem ao princípio da verdade material, bem como do contraditório e da ampla defesa que norteiam o processo administrativo tributário, requer desde já, seja deferido a posterior juntada dos Laudos Técnicos que estão sendo preparados por profissionais habilitados, a fim de que não restem quaisquer dúvidas acerca da essencialidade dos serviços, cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados pela fiscalização, à atividade produtiva da Impugnante. ... 55. Por fim, tem plena convicção a Impugnante que, a vista dos robustos argumentos apresentados, a exigência administrativa que lhe é feita é totalmente improcedente, todavia, na remota hipótese do não acolhimento destes e apenas para fins de argumentação, resta a improcedência total das multas que foram aplicados. 56. Isto, pois, restou consignado pela Fiscalização que a Impugnante apresentou fora do prazo regulamentar os arquivos digitais do anocalendário de 2008, no padrão da Instrução Normativa SRF n° 86 de 2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15 de 2001 e que, tratandose de responsabilidade objetiva, as dificuldades técnicas alegadas pelo contribuinte não afastam essa penalidade. 57. Cumpre esclarecer a multa aplicada pela fiscalização, embora esteja embasada no Regulamento do Imposto de Renda, art. 957, inciso I, a mesma decorre da previsão legal constante do art. 44 da Lei n2 9.430, de 1996. 58. Assim, como restará demonstrado pelo posicionamento da doutrina, bem como pela jurisprudência administrativa e judicial, para a imputação da penalidade agravada, é necessário que o contribuinte não atenda às intimações da autoridade fiscal e a falta de atendimento deve ser total, de modo que implique em omissão, por parte do sujeito passivo, em responder às indagações da autoridade fiscal e apresentar documentos. 59. Contudo, devese frisar que o fato de a autoridade fiscal considerar que o atendimento, por parte do sujeito passivo, foi precário e não suficiente para esclarecer as dúvidas ou apresentar documentos não é suficiente para caracterizar o tipo da penalidade agravada. 60. In casu, a empresa Impugnante não deixou de atender as solicitações da fiscalização, apenas as atendeu com alguns dias de atraso, contudo, as solicitações foram atendidas na integralidade. 61. Da mesma forma que, não havendo fraude, dolo ou tentativa de embaraçar a fiscalização, o que de fato não aconteceu no presente caso, não há se aplicar a multa agravada. Fl. 5125DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.126 9 ... 65. Desta feita, não estando presente os motivos ensejadores ao agravamento da multa aplicada, na remota hipótese de ser mantida a presente autuação, o que se admite apenas à título de argumentação, a multa agravada deverá ser relevada. 66. Segundo constou do Termo de Verificação Fiscal, a Impugnante teria preenchido com dados incompletos os DACON's dos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, bem como não declarou os períodos dos créditos extemporâneos nas fichas 13A e 23A, razão pela qual lhe foi aplicada a multa regulamentar disciplinada pelo art. 7°, incisos III e IV, e § 3° da Lei n° 10.426/2002. ... 70. O descumprimento da obrigação acessória faz com que recaia multa sobre o infrator, com a finalidade clara de sancionar o descumprimento das obrigações fiscais, e não de recompor o patrimônio desfalcado, o que está evidente no caso em tela, com relação às multas aplicadas no tocante ao período de agosto/2009 e março/2010. 71. Ainda, não restam dúvidas quanto a boa fé da Impugnante, que nunca teve a intenção de fraudar o Fisco com informações inverídicas, não havendo nenhum registro de outros períodos ou autuações neste sentido. 72. Ademais, de se dizer que não há nenhuma norma regulamentadora dispondo acerca da necessidade de declarar em DACON possíveis créditos extemporâneos, desta forma, não lhe é razoável ser aplicada uma multa por falta de declaração, quando, na realidade, não existe lei assim dispondo. Assim, sendo, imperioso que a multa regulamentar aplicada à Impugnante seja cancelada. 73. Diante de todo o exposto, é a presente para requerer à Vossa Senhoria que receba regularmente a Impugnação ora apresentada, vez que tempestiva, devendo ser totalmente acolhida, para cancelar o Auto de Infração e Imposição de Multa constante do Mandado de Procedimento Fiscal n.° 0812400/00228/2011, vez que insubsistentes as alegações tecidas pelo Nobre Agente Fiscal, haja vista ter a Impugnante esclarecido a possibilidade de aproveitamento de crédito de PIS e de COFINS sobre as despesas com (i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; (iii) frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial, vez que a subtração de tais serviços importaria na inviabilidade da produção dos bens comercializados ou na prestação de serviços por ela exercida. 74. No entanto, na remota hipótese de que se confirme a infração imputada à Impugnante no presente AIIM, fazse necessário que sejam relevadas as multas agravada e regulamentar, uma vez comprovado que a empresa atendeu às Intimações da Fiscalização, não havendo que se cogitar tentativa de fraudar ou burlar o Fisco, nos termos da jurisprudência e doutrina colacionadas na presente defesa. A 3ª Turma da DRJ/CPS, no Acórdão 0538.282, manteve a integralidade da atuação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 5126DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.127 10 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CONCEITO. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mão de obra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. FRETES. Somente os valores das despesas realizadas com fretes e armazenagem contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados na sistemática de apuração não cumulativa. Fretes pagos para o transporte de bens dentro ou entre as unidades da empresa não geram créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 (...) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Como bem ressaltou a DRJ, o auto de infração menciona a aplicação da multa regulamentar definida no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, todavia não consta neste presente processo, qualquer ato de ofício que tenha constituído essa penalidade. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera seus argumentos da impugnação, para pleitear o reconhecimento dos créditos de: (i) contratação de mão de obra alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário e (iii) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento, bem como cancelamento da multa agravada aplicada, já que a empresa atendeu a todas as intimações da Fiscalização. Fl. 5127DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.128 11 Em petição datada de 15 de fevereiro, a Recorrente sustenta dois pontos: I) Nulidade do AIIM e (ii) Juntada de novos documentos aos autos que comprovam o direito creditório da Recorrente. Informa que, no presente caso, verificase do “Demonstrativo das glosas de créditos de PIS/COFINS”, que acompanhou o AIIM, elaborado pela D. Fiscalização, que as glosas dos créditos não foram especificadas. E que na apuração do D. Fiscal, em diversas oportunidades, deixa de mencionar a quais notas fiscais se referem os valores indicados como glosados. Alega que o Auditor Fiscal elaborou demonstrativo sem qualquer referência às notas fiscais ou muitas vezes sequer fazendo referência ao fornecedor. Portanto, restou impossível para a Recorrente verificar amplamente quais foram os créditos glosados, o que resultou na impossibilidade de exercer amplamente o seu direito ao contraditório e à ampla defesa no presente processo. Dessa forma, o auto seria nulo por cerceamento de defesa. Salienta que: Cumpre esclarecer que, não obstante o argumento de nulidade do AIIM não ter sido alegado nas razões da Impugnação Administrativa e no Recurso Voluntário destes autos, por se tratar de matéria de ordem pública, alegável a qualquer tempo, a ora Recorrente demonstrará de forma inequívoca a nulidade que macula a integralidade do presente AIIM. Ademais, junta aos autos notas fiscais da prestação de serviços, os quais entende como "insumos" de sua atividade, efls. 32855025. Justifica a recentíssima juntada, nos seguintes termos: Apenas neste momento foi possível o levantamento de referidos documentos, considerando o grande volume de papéis em arquivos físicos e sucessivas trocas de gestão da Recorrente, o que dificultou em muito a sua localização. Ao final de sua manifestação, requer: Por derradeiro, o “Demonstrativo das glosas de Crédito de PIS/COFINS” do Auto de infração em comento, por não indicar Notas Fiscais a que se referem os créditos glosados ou até mesmo em algumas oportunidades não fazer referência ao “fornecedor”, tornou impossível a possibilidade da Recorrente em se defender plenamente das acusações fiscais, de modo que se impera o reconhecimento da nulidade do auto de infração ou, caso não seja este o entendimento dos I. Conselheiros, que seja determinada a baixa dos autos em diligência para esclarecimentos da autoridade administrativa. Esta Turma de Julgamento decidiu pela conversão do feito em diligência, Resolução nº 3301000.282, para a comprovação da efetiva associação das despesas (i) contratação de mão de obra alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário e (iii) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento ao processo produtivo da Recorrente. A diligência foi cumprida, conforme relatório de efls. 5.0475.048, cujo teor é: Fl. 5128DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.129 12 Foram apreciados os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte na impugnação e revisados os procedimentos da fiscalização, chegandose às conclusões a seguir relacionadas. Quanto ao item (i), esclarece a fiscalização que parte dos gastos com mão de obra temporária que foram glosados pela fiscalização são aplicadas diretamente na produção industrial da Recorrente, conforme planilha anexa a este Relatório, elaborada a partir dos centros de custos identificados na conta 0000331113 – Mão de Obra Temporária MOD da Escrituração Contábil Digital; Quanto aos itens (ii) e (iii), esclarece a fiscalização que as despesas com armazenagem e fretes glosadas envolvem na totalidade componentes importados e destinados ao processo industrial da Recorrente, porquanto estão registradas nas Notas Fiscais Eletrônicas de Entradas dessas importações e na Escrituração Fiscal Digital com o CFOP 3.101, isto é, compras para industrialização. A manifestação da empresa sobre o parecer fiscal consta nas efls. 5.109 5.117. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Conforme relatado, quanto ao item (i) contratação de mão de obra alocada na produção industrial, no relatório da diligência fiscal, a autoridade assim se manifestou: (...) esclarece a fiscalização que parte dos gastos com mão de obra temporária que foram glosados pela fiscalização são aplicadas diretamente na produção industrial da Recorrente, conforme planilha anexa a este Relatório, elaborada a partir dos centros de custos identificados na conta 0000331113 – Mão de Obra Temporária MOD da Escrituração Contábil Digital; Em manifestação de efls. 51095117, a empresa expressamente discorda do quantum reconhecido no item (i), apontando muitas divergências. Penso que os pontos elencados pela empresa são importantes e demandam investigação de sua veracidade. Logo, remanesce a dúvida quanto aos critérios utilizados para segregação entre mão de obra terceirizada alocada na produção industrial e a mão de obra administrativa, bem como o porquê do reconhecimento “parcial” apontado na diligência. Fl. 5129DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.462 S3C3T1 Fl. 5.130 13 Então, entendo como necessária a conversão novamente do julgamento em diligência. Isso porque é imperiosa a identificação da efetiva associação das despesas glosadas ao processo produtivo da Recorrente, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade. Da mesma forma, deve haver a clara justificativa para a manutenção da glosa de parte das despesas de mão de obra terceirizada. Assim, voto para converter novamente o processo em diligência para solicitar à unidade de origem que: 1 Esclareça o motivo do reconhecimento “parcial” no item (i), segregando a mão de obra terceirizada alocada na produção industrial e a mão de obra administrativa. Justifique a razão da manutenção das glosas. 2 Manifestese sobre todos os pontos de divergência apontados pela Recorrente nas efls. 51095117. 3 Em razão dos pontos de divergência apontados pelo contribuinte, elabore manifestação, ratificando ou retificando o resultado da diligência anterior, para os itens (i), (ii) e (iii). 4 Após, dêse vista novamente ao contribuinte, para manifestação. Por fim, cientifique a Fazenda Nacional do resultado da nova diligência, devolvendo em seguida estes autos ao CARF, para prosseguimento do julgamento. Sala de Sessões, 27 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 5130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.722310/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011
PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE.
Na importação por conta e ordem, é do real adquirente a legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS-Importação ou PIS/PASEP-Importação recolhidos por ocasião do registro da Declaração de Importação (DI).
Numero da decisão: 3401-009.333
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.325, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 15165.721377/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo Souza Dias (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: RAFAELLA DUTRA MARTINS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. Na importação por conta e ordem, é do real adquirente a legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS-Importação ou PIS/PASEP-Importação recolhidos por ocasião do registro da Declaração de Importação (DI). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.325, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 15165.721377/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo Souza Dias (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos de PIS/COFINS incidentes na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços, supostamente recolhidos indevidamente ou a maior. Conforme o relatório da decisão de primeira instância trata-se de pedido de retificação de declaração de importação cumulado com pedido de restituição de crédito tributário referente à PIS/COFINS - importação, onde a empresa recorrente alega a inconstitucionalidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 23 10 /2 01 2- 15 Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.333 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722310/2012-15 do art. 7.°, I, da Lei n.° 10.865/2004 e registra que há declaração de inconstitucionalidade desta norma legal pelo TRF da 4.a Região. Houve análise do pleito de retificação de DI e de restituição pela Delegacia da Receita Federal indeferindo a retificação e a restituição, bem como manifestação de inconformidade contra estas decisões. Cientificada a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o STF declarou a inconstitucionalidade na parte final do inciso primeiro do artigo 7° da Lei 10.865/2004, excluindo do aspecto quantitativo das contribuições securitárias o valor correspondente ao ICMS e das próprias contribuições devidas no mercado interno. Portanto, a decisão do STF caracteriza-se como questão prejudicial ao regular seguimento deste procedimento administrativo, devendo ser reconhecido e deferido o direito creditório ou, no mínimo, suspenso o trâmite até o trânsito em julgado do RE 559.937/RS. Alega também que o sujeito passivo das contribuições devidas na importação é o importador nos termos do art. 195, IV, da Constituição Federal, e artigo 5°, I, da Lei n° 10.865/04. Dessa forma, a Bluetrade ocupa o lugar de contribuinte de direito na operação de importação, posto que a importação é feita em seu nome. Junta julgado do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria e, por coerência, o mesmo entendimento deve ser aplicado ao presente caso. Requer seja reformado o despacho decisório, deferindo-se o pedido de restituição e retificação”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do seu Acórdão, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada e manteve a decisão administrativa. A recorrente foi devidamente cientificada pelo recebimento da Intimação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cientificando a emissão da decisão recorrida. Não resignada com o deslinde desfavorável após o julgamento de primeira instância, a contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário, por meio do qual alega, em síntese, que: i. ingressou com pedido de restituição dos valores pagos à maior, em razão de que, quando da realização das importações, foi considerado para fins de base de cálculo da PIS/COFINS - importação, além do valor aduaneiro, o valor das próprias contribuições e o valor do ICMS nos termos do artigo 7, da Lei 10.865/2004, considerado inconstitucional; ii. teria direito ao deferimento integral de seu pedido de restituição, independentemente da modalidade de importação, porque existiria ilegalidade na cobrança em razão da mencionada inconstitucionalidade da base de cálculo da PIS/COFINS - importação prevista no referido art. 7°, sedimentada pelo STF no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.937, em março de 2013; iii. a Receita Federal teria emitido o Parecer Normativo Cosit/ RFB n° 1/2017 para regular a restituição dos valores recolhidos indevidamente, mas Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.333 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722310/2012-15 haveria neste Parecer uma “nítida tentativa de restringir as restituições, ao impor óbice, que não encontra guarida na normativa constitucional, para a restituição dos valores pagos quando da importação por conta e ordem de terceiros”; iv. resta claro no do art. 5°, inciso I, da Lei n° 10.865/04 que o importador é o contribuinte do PIS-Importação e da COFINS-Importação, sujeito passivo da obrigação, quando da entrada dos bens em território nacional, de forma que, “por ser a importadora das mercadorias a Requerente faz jus ao pedido de restituição dos valores recolhidos a maior”; e v. o Superior Tribunal de Justiça já teria reconhecido que o importador tem direito à restituição dos valores pagos em decorrência da importação por conta e ordem, nos autos do Recurso Especial n° 1.528.035, e, em caminho inverso, o mesmo Superior Tribunal não reconheceria pleito do contribuinte de fato para solicitar ao poder público repetição de indébito, porque o contribuinte de fato não faria parte da relação jurídica-tributária e, “sendo assim, por coerência, se o contribuinte de fato não tem legitimidade para pleitear o indébito por não compor a relação jurídica, por obvio que o contribuinte de direito que compõe deve ter legitimidade para pleitear”. Nesses termos, “pugna, com o devido acatamento, pelo TOTAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO”. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade do recurso O Recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele se pode tomar conhecimento. Não há arguição de preliminares. Análise do mérito Como relatado, trata-se de questionamento da recorrente contra o indeferimento de Pedido de Restituição de PIS/PASEP-Importação que se alega ter sido recolhida a maior por ocasião do registro de três Declarações de Importação, por meio das quais a empresa teria formalmente figurado como importadora por conta e ordem de mercadorias a serem destinadas a terceiro adquirente, a saber: Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.333 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722310/2012-15 Segundo a recorrente, o recolhimento a maior decorreria da inclusão indevida do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na base de cálculo da Contribuição, considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Inicialmente cabe destacar que a questão da inconstitucionalidade de ICMS na base de cálculo da COFINS-Importação e do PIS/PASEP- Importação exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), RE n o 559.937/RS, já foi reconhecida pela Receita Federal (Parecer Normativo COSIT/RFB n o 1/2017), conforme ressalta a própria decisão recorrida, e não motivou o indeferimento do pedido formulado, como destaca o Despacho Decisório n o 25 /EAC-2/SEORT/DRFFNS/SC, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis - SC (doc. fls. 209 a 212). O fundamento para a denegação da restituição vindicada pela recorrente foi o entendimento de que a Bluetrade Importação e Exportação Ltda. não seria parte legítima para requerer a compensação/restituição de diferenças do PIS e da Cofins pagas a maior em relação às Declarações de Importação objeto do pedido, visto que, na importação por conta e ordem de terceiros, somente o adquirente das mercadorias importadas revestiria a legitimidade necessária para pleitear o reconhecimento do direito creditório dos tributos pagos indevidamente ou a maior no registro da DI. Bem, há diversos julgados deste e. Conselho nos quais se manifesta o entendimento de que PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação não se constituem tributos que, por sua natureza, comportariam transferência do respectivo encargo financeiro e que o sujeito passivo das referidas contribuições não necessitaria comprovar à RFB que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente. Este tem sido o entendimento acolhido por esta c.Turma em julgados recentes. Nesses termos, penso que a importadora estaria legitimada a requerer a restituição do PIS/COFINS-Importação indevidamente recolhidos no registro da DI nas operações promovidas por conta própria. Não obstante, tal entendimento, a meu ver, não se aplica às operações promovidas por conta e ordem de terceiros. Como bem assentou a decisão administrativa que denegou a restituição, não se aplica à importação por conta e ordem o disposto no art. 166 do Código Tributário Nacional (CTN), visto que, nesta modalidade de importação, não há repercussão de ônus financeiro pela natureza do tributo, mas em decorrência da relação contratual entre adquirente e importador, com gravame financeiro gerado pela operação suportado pelo primeiro (fls. 210 e ss.– destaques nossos): “Por sua vez, os procedimentos da Secretaria de Receita Federal do Brasil (RFB), inclusive os de reconhecimento do indébito tributário, se vinculam à decisão do STF em recurso extraordinário na sistemática do Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.333 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722310/2012-15 art. 1.035 da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015, (Código de processo Civil) – rito anteriormente disciplinado no art. 543-B da Lei n° 5.869/73, revogada –, a partir da manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), através de Nota Explicativa, em consonância com o disposto no art. 3° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1, de 12 de fevereiro de 2014. O entendimento consta do Parecer Normativo Cosit/RFB n° 1, de 31 de março de 2017, que disciplina os procedimentos de reconhecimento de crédito passível de restituição, em razão da decisão proferida pelo STF no RE n° 559.937/RS. Segundo consta no referido Parecer, nos casos de importação por conta e ordem, o entendimento adotado pela RFB é o de que a legitimidade para o pedido de restituição é do adquirente, pois o importador atua apenas como um representante (prestador de serviços) perante o Fisco, por conta e ordem daquele, com recursos do adquirente. Logo, a conclusão é que o adquirente é quem de fato importa a mercadoria ou produto. O reconhecimento de que é o adquirente quem pode aproveitar os créditos provenientes do efetivo pagamento do PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação no regime de apuração não cumulativa decorre do exposto nos art. 15 e 18 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004: (...) Por sua vez, não se aplica à importação por conta e ordem o disposto no art. 166 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que é voltado à restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro a terceiro. Na importação por conta e ordem não há repercussão de ônus financeiro, pela própria natureza do tributo, ao importador. Há uma relação contratual entre adquirente (encomendante) e importador (prestador de serviço), com gravame financeiro, gerado pela operação, suportado pelo primeiro. Nesse sentido, o Parecer Cosit n° 47, de 17 de novembro de 2003, dispõe que o art. 166 do CTN não buscou regular a restituição dos tributos objeto dessas transferências “voluntárias” de encargo financeiro, mas sim a restituição daqueles tributos que, em razão de sua natureza jurídica (base de cálculo e/ou fato gerador fixado na lei tributária que instituiu o tributo), comportam uma natural transferência de seu encargo financeiro do sujeito passivo da obrigação tributária (contribuinte de direito) a terceira pessoa (contribuinte de fato)”. O mesmo entendimento também foi adotado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção no Acórdão n o 3301-008.485, de interesse da mesma recorrente (grifei): “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/08/2012COFINS- IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. A legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.333 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722310/2012-15 IMPORTAÇÃO, em caso de importação por conta e ordem, é do real adquirente que, por força de contrato, é o mandante da importação, aquele que efetivamente assume os custos da importação, embora o faça através de uma interposta pessoa.” (Acórdão n o 3301-008.485, de 26 de agosto de 2020 – Conselheiro Ari Vendramini) Ademais, ainda que se entenda que o importador possa deter legitimidade para pleitear restituição de PIS/COFINS – Importação em operações de importação por conta e ordem de terceiros, como sustenta a recorrente, penso que a possibilidade de tomada de créditos da não-cumulatividade pelo adquirente/encomendante inviabilizaria o pedido de restituição feito pelo importador, sob pena de duplicidade de utilização do valor a ser repetido. Cabe lembrar o teor do art. 18 da Lei n o 10.865/2004, que expressamente estabelece que, na importação por conta e ordem de terceiros, os créditos de PIS/COFINS-Importação são aproveitados pelo adquirente. Esse é o entendimento assentado no acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no AgRg no REsp 1.573.681/SC, nos termos da ementa abaixo transcrita (grifei): “AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.573.681 SC (2015/03130146) EMENTA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 211 DO STJ. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO PELO IMPORTADOR. PIS/COFINS- IMPORTAÇÃO. OPERAÇÕES POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 18 DA LEI Nº 10.865/04. LIMITES SUBJETIVOS DO PROVIMENTO MANDAMENTAL. REVOLVIMENTO DO TÍTULO EXECUTIVO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. AÇÃO AUTÔNOMA. REVISÃO DO QUANTUM . INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. 1. Os arts. 244, 741, III, 474, 566 e 568 do CPC; 5º e 6º Lei nº 10.865/04; 119, 121, 123, 124, 127, 166 e 165 do CTN; e 6º da Lei nº 12.016/09, e as teses a eles relativas, não foram objeto de juízo de valor pelo tribunal de origem, o que impossibilita o conhecimento do recurso especial em relação a eles por ausência de prequestionamento. Incide, no ponto, o teor da Súmula nº 211 do STJ. 2. O art. 18 da Lei nº 10.865/04 dispõe que os créditos de que tratam os arts. 15 e 17 da referida lei serão aproveitados pelo encomendante. Nesse sentido, não é possível ao importador que realizou a operação por conta e ordem do terceiro repetir o indébito do tributo pago a maior, até porque os créditos já podem ter sido Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.333 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722310/2012-15 utilizados pelo terceiro encomendante e, assim, não poderiam ser restituído ao importador sob pena de dupla repetição. O título judicial exeqüendo não poderia se referir às importações realizados por conta e ordem de terceiros, mas tão somente às operações realizadas pela própria empresa importadora. [...] 6. Agravo regimental não provido”. Nesse sentido, não vejo fundamentos para reformar da decisão administrativa ou do Acórdão recorrido. À vista de todo o exposto, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905770/2018-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.059
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.045, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10380.905742/2018-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.045, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10380.905742/2018-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 05 77 0/ 20 18 -1 2 Fl. 1832DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.059 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.905770/2018-12 Trata-se de pedido de ressarcimento de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP não-cumulativo, por bem retratar os fatos, reproduzo parte do relatório DRJ: Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório (...), que indeferiu Pedido de Restituição (PER) de pagamento indevido (...). O crédito não foi reconhecido porque o recolhimento se encontra integralmente apropriado ao débito correspondente declarado pelo contribuinte em DCTF e Dacon. (...) o contribuinte manifestou inconformidade (...), alegando em preliminar a nulidade do despacho, por ausência de motivação e análise do mérito, porquanto a avaliação do crédito limitou-se ao cruzamento eletrônico do pedido com os dados das declarações prestadas, o que ofende o princípio da verdade material, ante os meios de que a Administração dispõe para averiguar a existência do crédito (intimação ao contribuinte, diligência fiscal). No mérito, aduz que, diante do rumo jurisprudencial dado ao conceito de insumos (“nem tão próximo do conceito aplicado na legislação do IPI e nem tão distante daquele que refere-se ao Imposto de Renda”), viu-se diante do fato de ter deixado de apropriar créditos que lhe seriam de direito, e, consequentemente, de ter efetuado o recolhimento das aludidas contribuições a maior, sem que tivesse procedido ao desconto do crédito relativo à aquisição de certos insumos em sua apuração mensal (art. 3º, caput, II, e §4º, das Leis nº 10.637/02 e 10. 833/03). Alude que vários créditos foram aproveitados de forma extemporânea, independentemente da retificação da DCTF e Dacon, por força do §4º do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (cf. Solução de Divergência Cosit nº 06/2008). Juntou relação de créditos por operação a serem computados, distinguido-lhes as modalidades pela cor. Em vista disso, pede a restituição do pagamento indevido, corrigido pela taxa Selic. Seguindo a marcha processual normal, foi julgado improcedente o pleito da contribuinte, a DRJ compreendendo que contribuinte não faria jus ao seu pleito. Diante dos fatos acima narrados, a contribuinte pede reforma da decisão em recurso voluntário repisamos os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1833DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.059 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.905770/2018-12 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado na resolução paradigma como razões de decidir: 1 Com a devida vênia, divirjo do bem elaborado voto apresentado pelo Ilustre Conselheiro relator, tendo sido designado para elaboração do voto vencedor em relação à conversão do julgamento em diligência. Minha compreensão foi no sentido de que o processo não se encontra maduro para decisão, merecendo o julgamento ser convertido em diligência. Explica-se: Uma das matérias em litígio diz respeito a possibilidade ou não do aproveitamento dos denominados créditos extemporâneos de PIS e da COFINS. A decisão recorrida, em breve síntese, trilhou no sentido de que no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não-cumulativo, exige-se a segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de repetição segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração, ou seja, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de repetição por qualquer uma das formas previstas (compensação ou ressarcimento, por exemplo). Por sua vez, a Recorrente defende que, nos termos do § 4º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes, autorizando aí, expressamente e sem qualquer oportunidade para interpretação diversa, o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS. Esta Turma de Julgamento em recentes decisões, em processos que envolvem a análise do aproveitamento de créditos extemporâneos das contribuições tem decidido pela conversão do julgamento em diligência. A título ilustrativo cito as Resoluções nº’s 3201-003.009, de 22/06/2021 e 3201- 003.010, de 23/06/2021, ambas de relatoria da Relatora Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Outras Turmas de Julgamento da 3ª Seção, em casos análogos, de igual modo, tem decidido pela conversão do julgamento em diligência, como por exemplo, as Resoluções nº’s 3401-001.999, 3302-001.180, 3401-001.546 e 3401-001.827, tudo com vistas a se apurar efetivamente o crédito pleiteado e se não foi aproveitado em outro período. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decidido no RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários 1 Deixa-se de transcrever o voto vencido do relator, que pode ser consultado na resolução paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 1834DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.059 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.905770/2018-12 para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 1835DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.684269/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte em face do Acórdão 16-032.076, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo.
Os autos dizem respeito a compensação de tributos cuja origem de crédito derivaria de recolhimento indevido ou a maior de COFINS.
O despacho decisório da unidade de origem não homologou a compensação face inexistência do crédito alegado.
A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, sustenta que o montante devido é menor que o efetivamente recolhido e assevera que os documentos carreados aos autos comprovam sua alegação. Protesta, finalmente, pela produção de todas as provas admitidas em direito, notadamente documental e pericial.
Após exame da Manifestação de Inconformidade, a DRJ proferiu acórdão cuja ementa se transcreve na parte objeto da irresignação da Recorrente:
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA.
No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no §4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada.
Tem-se por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previsto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, com redação da pela Lei nº 8.748/1993.
(...)
COFINS APURADA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A redução do valor da Cofins declarada em DIPJ e DCTF em razão de ajustes das receitas e/ou exclusões da base tributável, somente é admitida mediante a apresentação de provas materiais.
Inconformada, a Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado e apresentando novas provas documentais.
É o relatório.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. RECEITAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Recorrente DINÂMICA TRATORES IMPLEMENTOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte em face do Acórdão 16032.076, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Os autos dizem respeito a compensação de tributos cuja origem de crédito derivaria de recolhimento indevido ou a maior de COFINS. O despacho decisório da unidade de origem não homologou a compensação face inexistência do crédito alegado. A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, sustenta que o montante devido é menor que o efetivamente recolhido e assevera que os documentos carreados aos autos comprovam sua alegação. Protesta, finalmente, pela produção de todas as provas admitidas em direito, notadamente documental e pericial. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 84 26 9/ 20 09 -7 7 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.684269/200977 Resolução nº 3201000.790 S3C2T1 Fl. 3 2 Após exame da Manifestação de Inconformidade, a DRJ proferiu acórdão cuja ementa se transcreve na parte objeto da irresignação da Recorrente: APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no §4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Temse por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previsto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, com redação da pela Lei nº 8.748/1993. (...) COFINS APURADA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A redução do valor da Cofins declarada em DIPJ e DCTF em razão de ajustes das receitas e/ou exclusões da base tributável, somente é admitida mediante a apresentação de provas materiais. Inconformada, a Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado e apresentando novas provas documentais. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.762, de 24 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10880.684284/200915, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3201000.762: "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. (...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa no período de apuração de março de 2003. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.684269/200977 Resolução nº 3201000.790 S3C2T1 Fl. 4 3 De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento a maior de COFINS realizado por meio do recolhimento de DARF. Consoante Despacho Decisório proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, apresentando cópias dos seguintes documentos: i) Registro de Entradas e Saídas onde se comprovam as vendas canceladas, devoluções de compras, as exportações, frete e energia elétrica; ii) Extrato do total do acumulado de aliquotas zero nas vendas e compras A DRJ, ao analisar a defesa apresentada, aponta que a conclusão de que o DARF quitado pela Recorrente foi integralmente utilizado para a quitação de débitos da própria contribuinte decorre do exame da DCTF e da DIPJ por ele apresentada. Embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta os seguintes documentos aos autos: i) cópia da DARF com o recolhimento indevido; ii) cópia da DCTF retificadora; iii) cópia da DIPJ com o valor indevido do campo "11. () Receitas Isentas ou Sujeitas a Alíquota zero"; iv) novo cálculo da COFINS cumulativa subtraindo da base de cálculo apenas as receitas sujeitas a alíquota zero; e v) cópia da listagem das vendas dos produtos monofásicos com especificação dos nºs e datas da emissão. Esta Turma, em reiterados julgados, busca sempre prestigiar o princípio da verdade material, notadamente naquelas hipóteses em que o contribuinte nitidamente se esforça para a apresentação de todos os documentos e esclarecimentos necessários para a elucidação da lide. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.684269/200977 Resolução nº 3201000.790 S3C2T1 Fl. 5 4 foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, em prol do princípio da verdade material, e considerando que o contribuinte trouxe aos autos diversos documentos comprobatórios do seu direito, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, à apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias), prorrogável por igual período, para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos, a saber: comprovante do recolhimento (DARF), DCTF retificadora, DIPJ com informação das receitas sujeitas à alíquota zero, apuração da Cofins não cumulativa excluindo da base de cálculo as receitas sujeitas à alíquota zero e listagem das vendas de produtos sujeitos à incidência monofásica (art. 3º da Lei 10.485/2002). Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, à apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias), prorrogável por igual período, para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721794/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Possuindo o Despacho Decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, tendo sido este proferido por autoridade competente contra a qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e constando os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em sua nulidade.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. REJEIÇÃO.
Não há que se falar em ausência de fundamentação quando o despacho decisório, embora contrário ao que foi pleiteado pelo interessado, contém indicação sumária dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a não-homologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o Requerente, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972.
NULIDADE. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O fato de a decisão recorrida ter apreciado se a Recorrente preenchia ou não as condições para ter homologada a compensação pleiteada não se caracteriza como inovação, pois tal análise é necessária para o correto deslinde do mérito do caso.
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. SALDO DEVEDOR. COBRANÇA. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE.
A cobrança do saldo devedor decorrente da homologação parcial da compensação do débito declarado prescinde de lançamento de ofício, para a constituição do respectivo crédito tributário, tendo em vista que a Dcomp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
A Impugnação/Manifestação de Inconformidade, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa. Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.
PRELIMINAR. CONEXÃO. JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE.
Não há norma regimental que imponha o julgamento em conjunto de processos, quando inexiste matéria prejudicial ao julgamento dos feitos.
CARTA-COBRANÇA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
No tocante à compensação, a competência das DRJ limita-se ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação, não se estendendo a questões atinentes ao cabimento da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
COFINS. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. APURAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
A compensação e a restituição submetem-se a regramento próprio, dado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que tem como fundamento os artigos 165 e 170 do CTN.
É dever da autoridade administrativa verificar o cumprimento das obrigações tributárias, por parte do contribuinte, mediante análise da escrituração fiscal e contábil, para apurar o saldo credor passível de repetição/compensação pleiteado por ele, não havendo necessidade de se lançar de ofício os créditos aproveitados indevidamente, assim como não há que se falar na decadência do direito de a Fazenda Nacional deduzir tais créditos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2008
CRÉDITO E DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva DCOMP, na forma da legislação de regência.
DCOMP. CRÉDITO E DÉBITO. EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA.
A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 3201-008.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em conhecer em parte do Recurso Voluntário em razão da preclusão para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lara Moura Franco Eduardo.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em conhecer em parte do Recurso Voluntário em razão da preclusão para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lara Moura Franco Eduardo.
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Possuindo o Despacho Decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, tendo sido este proferido por autoridade competente contra a qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e constando os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em sua nulidade. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. REJEIÇÃO. Não há que se falar em ausência de fundamentação quando o despacho decisório, embora contrário ao que foi pleiteado pelo interessado, contém indicação sumária dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a não-homologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o Requerente, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972. NULIDADE. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA. O fato de a decisão recorrida ter apreciado se a Recorrente preenchia ou não as condições para ter homologada a compensação pleiteada não se caracteriza como inovação, pois tal análise é necessária para o correto deslinde do mérito do caso. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. SALDO DEVEDOR. COBRANÇA. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. A cobrança do saldo devedor decorrente da homologação parcial da compensação do débito declarado prescinde de lançamento de ofício, para a constituição do respectivo crédito tributário, tendo em vista que a Dcomp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A Impugnação/Manifestação de Inconformidade, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa. Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. PRELIMINAR. CONEXÃO. JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. Não há norma regimental que imponha o julgamento em conjunto de processos, quando inexiste matéria prejudicial ao julgamento dos feitos. CARTA-COBRANÇA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limita-se ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação, não se estendendo a questões atinentes ao cabimento da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 COFINS. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. APURAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. A compensação e a restituição submetem-se a regramento próprio, dado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que tem como fundamento os artigos 165 e 170 do CTN. É dever da autoridade administrativa verificar o cumprimento das obrigações tributárias, por parte do contribuinte, mediante análise da escrituração fiscal e contábil, para apurar o saldo credor passível de repetição/compensação pleiteado por ele, não havendo necessidade de se lançar de ofício os créditos aproveitados indevidamente, assim como não há que se falar na decadência do direito de a Fazenda Nacional deduzir tais créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2008 CRÉDITO E DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva DCOMP, na forma da legislação de regência. DCOMP. CRÉDITO E DÉBITO. EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Possuindo o Despacho Decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, tendo sido este proferido por autoridade competente contra a qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e constando os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em sua nulidade. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. REJEIÇÃO. Não há que se falar em ausência de fundamentação quando o despacho decisório, embora contrário ao que foi pleiteado pelo interessado, contém indicação sumária dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a não-homologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o Requerente, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972. NULIDADE. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA. O fato de a decisão recorrida ter apreciado se a Recorrente preenchia ou não as condições para ter homologada a compensação pleiteada não se caracteriza como inovação, pois tal análise é necessária para o correto deslinde do mérito do caso. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. SALDO DEVEDOR. COBRANÇA. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. A cobrança do saldo devedor decorrente da homologação parcial da compensação do débito declarado prescinde de lançamento de ofício, para a constituição do respectivo crédito tributário, tendo em vista que a Dcomp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 17 94 /2 01 3- 86 Fl. 620DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A Impugnação/Manifestação de Inconformidade, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa. Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. PRELIMINAR. CONEXÃO. JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. Não há norma regimental que imponha o julgamento em conjunto de processos, quando inexiste matéria prejudicial ao julgamento dos feitos. CARTA-COBRANÇA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limita-se ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação, não se estendendo a questões atinentes ao cabimento da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 COFINS. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. APURAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. A compensação e a restituição submetem-se a regramento próprio, dado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que tem como fundamento os artigos 165 e 170 do CTN. É dever da autoridade administrativa verificar o cumprimento das obrigações tributárias, por parte do contribuinte, mediante análise da escrituração fiscal e contábil, para apurar o saldo credor passível de repetição/compensação pleiteado por ele, não havendo necessidade de se lançar de ofício os créditos aproveitados indevidamente, assim como não há que se falar na decadência do direito de a Fazenda Nacional deduzir tais créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2008 CRÉDITO E DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva DCOMP, na forma da legislação de regência. DCOMP. CRÉDITO E DÉBITO. EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA. Fl. 621DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em conhecer em parte do Recurso Voluntário em razão da preclusão para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lara Moura Franco Eduardo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: “Trata o presente processo da Declaração de Compensação nº 15333.82299.011008.1.3.044429, na qual foi indicado crédito no valor original de R$ 3.588.928,18, resultante de pagamento indevido ou a maior, originário de DARF relativo à receita de código 5856, do período de apuração de 31/10/2006, com arrecadação em 14/11/2006, e da Declaração de Compensação nº 15984.87812.011008.1.3.042286, na qual foi indicado crédito no valor original de R$ 1.259.852,47, resultante de pagamento indevido ou a maior, originário de DARF relativo à receita de código 5856, do período de apuração de 31/10/2006, com arrecadação em 14/11/2006. A análise do crédito ocorreu nos autos do processo administrativo nº 13896.721382/201346. Através do Despacho Decisório de fls. 16/17 a unidade de origem reconheceu integralmente o crédito pleiteado, homologou totalmente as compensações pleiteadas na Dcomp 15333.82299.011008.1.3.044429, mas homologou parcialmente a compensação pleiteada na Dcomp 15984.87812.011008.1.3.042286, nos termos abaixo: 3 – FUNDAMENTAÇÃO, CONCLUSÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Em 01 de outubro de 2008, o interessado enviou duas declarações de compensação (fls. 02/11), utilizando crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, código de receita 5856, referente ao período de apuração outubro/2006, conforme tabela abaixo: Dcomp Fl. 622DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 15333.82299.011008.1.3.044429 R$ 3.588.928,18 15984.87812.011008.1.3.042286 R$ 1.259.852,47 Total: R$ 4.848.780,65 Através do termo de informação fiscal, às fls. 1379/1414, foi realizada a análise do direito creditório pleiteado nas Dcomp supra. Foram auditados os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACONs, transmitidos pelo sujeito passivo à RFB. Da análise efetuada, resultou o reconhecimento do valor de Cofins a Restituir no montante de R$ 4.848.780,65. Diante do exposto, proponho: –Homologar totalmente as compensações pleiteadas na Dcomp 15333.82299.011008.1.3.044429;–Homologar parcialmente a compensação pleiteada na Dcomp 15984.87812.011008.1.3.042286, no valor de R$ 267.450,23 e efetuar a cobrança do restante do débito, no valor de R$ 1.252.435,79. Enquadramento Legal: Art. 170, Código Tributário Nacional, Art. 74, Lei 9.430/96; Arts. 21 e 26 da IN RFB 600/2005. 4 – DECISÃO Com base no presente texto, o qual aprovo, decido: – Reconhecer o Direito Creditório ao contribuinte Dupont do Brasil S/A, CNPJ: 61.064.929/000179, no valor de R$ 4.848.780,65 (Quatro milhões, oitocentos e quarenta e oito mil, setecentos e oitenta reais e sessenta e cinco centavos); –Homologar totalmente as compensações pleiteadas na Dcomp 15333.82299.011008.1.3.044429;–Homologar parcialmente a compensação pleiteada na Dcomp 15984.87812.011008.1.3.042286, no valor de R$ 267.450,23 e efetuar a cobrança do restante do débito, no valor de R$ 1.252.435,79. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega em síntese que: II.2 Nulidade do Despacho Decisório por Vício de Motivação Apesar de o despacho decisório ter reconhecido exatamente o montante de crédito versado nas compensações em exame, a DCOMP n° 15984.87812.011008.1.3.042286 foi parcialmente homologada tendo o Fisco exigido o suposto saldo remanescente do débito, no montante de R$ 1.252.435,79. Entretanto, ao se analisar o teor referido do despacho decisório, não se encontra nenhum motivo ou fundamentação para a determinação da cobrança do saldo não homologado. Ora, se houve o reconhecimento da integralidade do direito creditório, não há motivo/fundamento para apontar a cobrança de suposto saldo devedor, motivo pelo qual mencionado ato decisório padece de nulidade oriunda de vício de motivação. Citou o artigo 2º da Lei n° 9.784/1999. A hipótese do presente caso se amolda perfeitamente àquelas estabelecidas pela Lei. Isso porque, ao negar e limitar os direitos e interesses veiculados na DCOMP transmitida pela Requerente, bem como impor e agravar encargos contra a Requerente, a Autoridade Julgadora deveria, no mínimo, ter exposto os motivos que a levaram a assim ter procedido, e não simplesmente exigir saldo remanescente sem apresentar uma palavra sequer quanto aos motivos que motivaram a formalização de tal exigência. Assim, levando em consideração que o despacho decisório não preencheu os requisitos legais pertinentes, a sua invalidade afigura-se manifesta. II.3 Nulidade do Despacho Decisório por violação à Ampla Defesa e pelo Cerceamento de Defesa Além de o despacho decisório ser nulo por vício de motivação e de deficiência de fundamentação, o que já é suficiente para conduzir ao acolhimento da presente manifestação de inconformidade, há outro motivo capaz de ensejar sua nulidade, consubstanciado na violação ao princípio da ampla defesa. Fl. 623DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 Isso porque, conforme exaustivamente se demonstrou, embora o despacho decisório tenha reconhecido a integralidade do direito creditório pleiteado na manifestação de inconformidade, exigiu-se da Requerente um suposto saldo remanescente, sem ao menos expor o porquê de tal exigência. Ora, se o despacho decisório não expôs as razões que o levaram a adotar tal contrariedade (reconhecimento integral do crédito, de um lado, e exigência de saldo remanescente, de outro), a Requerente sequer tem elementos capazes de elaborar sua defesa no caso. Logo, se a Requerente sequer tem conhecimento dos motivos que levaram o despacho decisório a dela exigir saldo remanescente, o seu direito à defesa foi manifestamente cerceado, já que nem ao menos é possível [demonstrar o provável equívoco cometido pelo ato decisório ora atacado! Logo, se o despacho decisório não apontou, sequer de forma implícita, o porquê da exigência de saldo remanescente contra a Requerente, a violação ao princípio da ampla defesa é evidente. II.4 Nulidade do Despacho Decisório por Ausência de Liquidez e Certeza Além disso, há outro motivo capaz de ensejar o acolhimento da presente manifestação de inconformidade, conforme se passa a demonstrar. Com visto, o despacho decisório ora atacado homologou a DCOMP n° 15333.82299.011008.1.3.044429. Porém, a DCOMP n° 15984.87812.011008.1.3.042286, que veiculou um crédito de R$ 1.259.852,47, foi homologada parcialmente no "valor de R$ 267.450,23, restando saldo devedor de R$ 1.252.435,79' (g.n.). Porém, se o crédito veiculado por( meio da DCOMP parcialmente homologada foi de R$ 1.259.852.47. e se apenas o valor de R$ 267.450,23 foi homologado, o Fisco poderia exigir, no máximo, a diferença entre tais valores, e não o montante de R$ 1.252.435.79. Tal contexto, aliado ao fato de o Fisco sequer ter demonstrado as circunstâncias que o levaram a exigir o valor de R$ 1.252.435^79 e não a diferença entre o crédito pleiteado (R$ 1.259.852,47) e o montante homologado (R$ 267.450,23) evidenciam a ausência de liquidez e certeza do Despacho Decisório em exame, o que o contamina de nulidade, motivo pelo qual também deverá ser reconhecida a nulidade do Despacho Decisório e determinada a homologação integral da DCOMP ora em análise.' II.5 Impossibilidade de Exigência de Estimativa de IRPJ (Junho/ 2003) Após o Encerramento do Ano Calendário De fato, a DCOMP em análise buscou compensar parte do débito de IRPJ relativo ao recolhimento por estimativa devido no período de junho de 2003 (valor este que se encontra integralmente quitado). Ocorre que a exigência de suposta insuficiência de recolhimento efetuado por estimativa mensal não pode ocorrer após o encerramento do respectivo período de apuração em que o recolhimento for efetuado. Isso porque, o fato gerador do Imposto sobre a Renda ocorre no encerramento de determinado ano-calendário (no presente caso, em 31/12/2003), momento em que surge o direito subjetivo do Fisco de promover o lançamento tributário destinado a formalizar a exigência de eventual insuficiência do tributo devido durante todo o período de apuração. Por isso é que se afirma que não é possível realizar a exigência de eventual recolhimento insuficiente da estimativa mensal após o encerramento do ano calendário, uma vez que tais valores são apenas antecipações do que será efetivamente devido ao final do período.” A decisão recorrida julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e apresenta a seguinte ementa: Fl. 624DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 Ementa: CRÉDITO E DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva DCOMP, na forma da legislação de regência. DCOMP. CRÉDITO E DÉBITO. EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. COBRANÇA DE DÉBITOS. A cobrança em decorrência de compensação frustrada, não comporta manifestação de inconformidade, perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto, mas não impede o recurso, para a segunda instância, contra a não-homologação da compensação, com efeito suspensivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) há vício de motivação, pois apenas a DRJ explicitou as razões tendentes a homologar parcialmente a compensação; (ii) no teor do despacho decisório não se encontra nenhum motivo ou fundamentação para a determinação da cobrança do saldo não homologado; (iii) se houve o reconhecimento da integralidade do direito creditório, não há motivo/fundamento para apontar a cobrança de suposto saldo devedor, razão pela qual o ato decisório está eivado de nulidade, pois ausente motivação decisória; (iv) ocorreu violação à ampla defesa, em razão da incorreta indicação da legislação, eis que o despacho decisório não expôs as razões que o levaram a adotar tal contrariedade (reconhecimento do crédito e exigência de saldo remanescente), não tendo condições de viabilizar a elaboração de sua defesa sobre tal aspecto; (v) enquanto a Fiscalização reconheceu a integralidade do crédito pleiteado, homologando apenas parte das compensações realizadas, sem tecer qualquer tipo de consideração sobre o motivo que a conduziu a assim proceder, a DRJ apontou claramente a razão por ela empregada para justificar a homologação parcial, consubstanciada na alegação de que teriam sido compensados débitos já vencidos, sem o acréscimo dos encargos moratórios; (vi) no presente caso, além de não ter apresentado as razões tendentes a justificar a homologação parcial da compensação, a Fiscalização sequer apontou a legislação adequada a fundamentar a incidência dos encargos moratórios sobre o principal, tendo se restringido a elencar dispositivos legais para legitimar a providência por ela adotada; (vii) os dispositivos legais especificados no despacho decisório não se prestam a fundamentar a incidência dos encargos moratórios que a DRJ, no intuito de justificar tal providência, se valeu de dispositivos distintos dos empregados pela Fiscalização; Fl. 625DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 (viii) a DRJ inovou no processo ao empregar critério jurídico destinado a justificar seu entendimento alegando que teriam sido compensados débitos já vencidos, sem o acréscimo dos encargos moratórios; (ix) a Turma Julgadora da DRJ não tem competência para alterar os fundamentos jurídicos utilizados pela Fiscalização para indeferir o crédito pleiteado, modificando o disposto no despacho decisório e estendendo o objeto da lide, sendo que a Fiscalização sequer informou o critério jurídico aplicado, tendo tal critério sido explicitado apenas pela DRJ; (x) a declaração de compensação em análise foi enviada em 01/10/2008, para compensar parte do débito de estimativa de imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ referente ao mês de junho de 2003, no montante de R$ 1.519.886,02; (xi) em processo de conferência dos valores recolhidos de IRPJ, entendeu-se que haveria saldo a pagar correspondente à estimativa de IRPJ no mês de junho/2003, declarada no montante de R$ 17.401.298,49, o que provocou a quitação do referido saldo por meio da apresentação de diversas declarações de compensação, dentre as quais se encontra a DCOMP em análise, no valor de R$ 1.519.886,02, tendo compensado, inclusive, os valores atinentes aos juros e a multa de mora, conforme se verifica da planilha colacionada suportada pelas DCOMPs transmitidas; (xii) verifica-se que houve a quitação do montante integral da estimativa de IRPJ do mês de junho de 2003, tanto do débito principal quanto dos respectivos juros e multa moratória de 20%; (xiii) retificou a declaração de débitos e créditos tributários (DCTF) em 05/02/2009, para fazer constar as compensações efetuadas; (xiv) a DRJ sequer levou em consideração as demais compensações empregadas para quitar o débitos de estimativa de IRPJ referente a junho de 2003, sejam as que constam declaradas na DCTF para pagamento do principal, sejam as demais DCOMPs utilizadas para quitação dos juros e multas devidos; (xv) o julgador não poderia ter ignorado a composição do pagamento como um todo, o que gerou o errôneo posicionamento acima, já que o procedimento correto seria o exame unificado de todas as DCOMPs, não obstante as compensações seja controladas em processos apartados; (xvi) essa visão isolada da quitação do crédito tributário, desconsiderando a composição do seu pagamento por meio de diversas DCOMPs, as quais abarcaram tanto o principal como os encargos legais (multa e juros), que resultou na imputação indevida; (xvii) se a DRJ tivesse analisado a DCTF retificada, bem como todas as DCOMPs elencadas, teria concluído que as declarações de compensação atreladas ao débito de estimativa de IRPJ (junho/2003) eram suficientes para a quitação integral, evitando-se uma série de imputações como a do caso em apreço e nos demais processos que envolvem o mesmo débito de estimativa em questão; (xviii) parte significativa de tais DCOMPs foi homologada e o débito de outras três DCOMPs foi pago em sede de REFIS, o que corrobora a impossibilidade da imputação proporcional praticada pela Fiscalização; Fl. 626DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 (xix) se os juros e a multa relativos ao débito de junho/2003 foram devidamente e integralmente compensados em diversas DCOMPs, o direito creditório reconhecido, no valor de R$ 155.956,57 no processo em análise, jamais poderia ter sido utilizado para imputação proporcional da multa e dos juros supostamente devidos; (xx) mesmo que se admita que parte das compensações transmitidas para a quitação do montante de R$ 17.401.298,49 (estimativa do mês de junho de 2003) eventualmente não sejam homologadas, o Fisco estará legitimado a promover os atos de cobrança dos débitos derivados das compensações indeferidas, tornando-se indevida a imputação promovida; (xxi) a prevalecer o entendimento equivocado estará sujeita ao pagamento em duplicidade, pois (a) verá o crédito reconhecido ser indevidamente reduzido em decorrência da imputação proporcional realizada com encargos moratórios; (b) será compelida a efetuar o pagamento dos débitos confessados nas DCOMPs empregadas para quitar os encargos moratórios, caso o Fisco entenda pela não homologação de tais compensações e (c) mesmo havendo a homologação das DCOMPs relativas aos encargos moratórios, haverá a cobrança em duplicidade pela imputação indevida; (xxii) em caso análogo ao presente, o CARF firmou o entendimento de que as estimativas mensais de IRPJ e da CSLL compensadas por meio de DCOMPs pendentes de homologação devem compor o saldo negativo ou a base negativa do período em que ocorreram tais compensações, sob pena de se configurar pagamento em duplicidade; (xxiii) se os encargos moratórios podem ser exigidos pelo Fisco, o emprego do direito creditório reconhecido para o fim de realizar a imputação proporcional de tais encargos moratórios revela ilegalidade manifesta, já que ocorreria dupla exigência; (xxiv) levando em consideração que a DCOMP em análise teve a aptidão de constituir o crédito tributário relativo a débito (arte dos juros) de junho de 2003, é possível afirmar que a decisão proferida neste processo pode causar reflexos única e exclusivamente sobre tal montante; (xxv) se a compensação em análise se prestou a constituir crédito tributário (parte dos juros) de junho de 2003, a amplitude da discussão aqui versada encontra-se sobremaneira delimitada, não podendo a Autoridade Julgadora extrapolar o âmbito da discussão englobada no presnete processo administrativo; (xxvi) a justificativa empregada pela DRJ para decidir contrariamente reside no cato de que o débito compensado é originário do período de junho de 2003, mas foi compensado em 01/10/2008 sem o acréscimo da plenitude dos juros e da multa, o que ensejou a realização da imputação proporcional do crédito reconhecido (principal de junho de 2003) com os valores da multa e dos juros relativos ao mesmo período; (xxvii) ainda que os juros e a multa de mora não fossem devidos e não tivessem sido quitados (o que não é verdade), a cobrança desses valores jamais poderia ter sido adotada mediante a não homologação da compensação, mas apenas via lavratura de Auto de Infração; (xxviii) deveria ter sido constituído o crédito tributário mediante lançamento; (xxix) levando em consideração que os juros e a multa referem-se a débito de junho de 2003 (estimativa de IRPJ), eventual formalização de sua exigência deveria se dar em conformidade com o prazo decadencial quinquenal, ou seja, até junho de 2008, com a aplicação do contido no art 150, § 4º do CTN; Fl. 627DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 (xxx) é indevida a alegação de ausência de competência da DRJ em apreciar a Manifestação de Inconformidade em relação à Carta Cobrança, pois a Manifestação de Inconformidade foi fundamentada no art. 74, § 9º da Lei 9.430/1996 e art. 77 da IN SRF nº 1300/2012, devendo as considerações desenvolvidas pela DRJ no tópico “da cobrança” serem desconsideradas pelo CARF; (xxxi) a DCOMP em análise buscou compensar parte do débito de IRPJ relativo ao recolhimento por estimativa devido no período de junho de 2003, sendo que a exigência de suposta insuficiência de recolhimento efetuado por estimativa mensal não pode ocorrer após o encerramento do respectivo período de apuração em que o recolhimento for efetuado; (xxxii) o fato gerador o imposto sobre a renda ocorre no encerramento de determinado ano-calendário, momento que surge o direito subjetivo do Fisco promover o lançamento tributário destinado a formalizar a exigência de eventual insuficiência do tributo devido; (xxxiii) não é possível realizar a exigência de eventual recolhimento insuficiente da estimativa mensal após o encerramento do ano calendário, uma vez que tais valores são apenas antecipações do que será efetivamente devido ao final do período; e (xxxiv) todos os processos que envolvem a quitação da estimativa de IRPJ devida em junho de 2003 devem ser julgados em conjunto. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos legais de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento, com exceção do item que trata da “Impossibilidade de Exigência de Estimativa de IRPJ (Junho/2003) após o encerramento do Ano Calendário”. - Preliminares (a) -Vício de Motivação: Apenas a DRJ explicitou as razões tendentes a homologar parcialmente a compensação Inocorre o alegado vício de motivação do Despacho Decisório. No caso concreto, a Recorrente teve acesso a todos os elementos constantes da análise da declaração de compensação, e apresentou sua Manifestação de Inconformidade, sendo-lhe proporcionado o direito à sua ampla defesa. Deve ser ressaltado, ainda, não existir qualquer impedimento no sentido de a análise do crédito indicado em PER/DCOMP ser efetuado de forma exclusiva por meio de cruzamento eletrônico com informações extraídas de declarações e documentos fiscais apresentados pela própria contribuinte. Fl. 628DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 No caso concreto está claro que a homologação parcial da compensação se deu em razão do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação. Não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do Despacho Decisório consignadas nos arts. 59 e 60 do Decreto no 70.235/1972 que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa da Recorrente. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados no Despacho Decisório, pois ali estão descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso com alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes à homologação parcial das compensações, com condições de elaborar as peças de inconformidade e recursal. Do Despacho Decisório constam: a identificação do sujeito passivo; o número do PER/DCOMP sob análise; a descrição dos fatos (origem do crédito, sua vinculação, tipo de crédito e o período de apuração), a fundamentação legal, o termo de intimação, detalhamento da compensação e a identificação da autoridade autuante, bem como o seu cargo, nada havendo que pudesse prejudicar o direito de defesa do contribuinte. O CARF assim se pronuncia sobre o tema: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2010 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. (...)” (Processo nº 13558.902154/2012-25; Acórdão nº 1401-005.580; Relator Conselheiro André Severo Chaves; sessão de 15/06/2021) “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Possuindo o Despacho Decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, tendo sido este proferido por autoridade competente contra a qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e constando os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em sua nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada para não homologação da compensação declarada, nem afronta ao contraditório se a recorrente foi devidamente Fl. 629DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 cientificada e normalmente exerceu seu direito de defesa nos prazos e na forma legalmente estabelecidos. Na medida em que o Despacho Decisório que indeferiu a solicitação teve como fundamento fático a verificação de valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. (...)” (Processo nº 10120.900470/2010-42; Acórdão nº 3401-008.887; Relator Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche; sessão de 24/03/2021) “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 15/02/2001 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a restituição/compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo do seu indeferimento, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. (...)” (Processo nº 12448.909736/2014-89; Acórdão nº 3003-001.399; Relator Conselheiro Marcos Antonio Borges; sessão de 14/10/2020) Descabe, assim, a alegação de nulidade do Despacho Decisório por insuficiência de motivação da não homologação integral da compensação declarada. Neste sentido, rejeito a preliminar. (b) - Violação à Ampla Defesa – Indicação Incorreta da Legislação Defende a Recorrente que a Fiscalização não apontou a legislação adequada a fundamentar a incidência dos encargos moratórios sobre o principal, tendo se restringido a elencar dispositivos legais para legitimar a providência por ela adotada, conforme o seguinte trecho: “Enquadramento Legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Improcede a argumentação recursal. Como já consignado no tópico precedente, o Despacho Decisório possui a identificação do sujeito passivo; o número do PER/DCOMP sob análise; a descrição dos fatos (origem do crédito, sua vinculação, tipo de crédito e o período de apuração), a fundamentação legal, o termo de intimação, detalhamento da compensação e a identificação da autoridade autuante, bem como o seu cargo, nada havendo que pudesse prejudicar o direito de defesa do contribuinte. Chama-se a atenção que a própria Recorrente em sua peça recursal indica os dispositivos legais encartados no Despacho Decisório. Chamo a atenção para o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e o art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, os quais, respectivamente, possuem as redações a seguir: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 630DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 § 1 o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2 o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3 o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1 o : I - o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV - o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal - SRF; V - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VI - o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VII - o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; VIII - os valores de quotas de salário-família e salário-maternidade; e IX - os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. § 4 o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5 o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6 o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7 o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8 o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7 o , o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9 o . § 9 o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7 o , apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de Fl. 631DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)” “Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicam-se à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica.” Assim tem decidido o CARF: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No caso, os procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a fundamentação apresentada pela autoridade fiscal são suficientes para o pleno exercício do direito de defesa. Ademais, o Despacho Decisório traz todos os elementos formais necessários e foi emitido por autoridade competente. Assim, não vislumbro nulidade no ato administrativo guerreado. (...)” (Processo nº 10880.955522/2010-16; Acórdão nº 1401-004.896; Relator Conselheiro Carlos André Soares Nogueira; sessão de 14/10/2020) “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. REJEIÇÃO. Não há que se falar em ausência de fundamentação quando o despacho decisório, embora contrário ao que foi pleiteado pelo interessado, contém indicação sumária dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a não-homologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o Requerente, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972. (...)” (Processo nº 10480.915739/2009-62; Acórdão nº 3802-001.737; Relator Conselheiro Solon Sehn; sessão de 24/04/2013) Assim, voto por rejeitar a preliminar. (c) - Indevida Inovação do Critério Jurídico – Extrapolação da Competência da DRJ Fl. 632DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 A Recorrente defende ter ocorrido inovação por parte da decisão recorrida, pois segundo o seu entendimento, o Despacho Decisório não homologou parte da compensação realizada, sem expor os motivos que justificassem tal providência. Por sua vez, a DRJ teria inovado quando justificou o seu entendimento com a alegação de que teriam sido compensados débitos já vencidos, sem o acréscimo dos encargos moratórios. Novamente, não assiste razão ao argumento recursal. Não houve inovação por parte da decisão recorrida, eis que, apenas externou seu posicionamento em consonância com o contido no Despacho Decisório. Como já afirmado, está claro que a homologação parcial da compensação em sede de Despacho Decisório se deu em razão do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação. E foi isto justamente isto que a DRJ explicitou em sua decisão, nos seguintes termos: “Com dito linhas acima, existe previsão expressa na legislação que os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, mas o sujeito passivo compensou os débitos R$ 2.319.726,06 (Dcomp 15333.82299.011008.1.3.044429) e R$ 1.519.886,02 (Dcomp 159848781201100813042286) já vencidos, sem acréscimos de multa e juros de mora. Sobre a valoração dos créditos e dos débitos a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, no seu art. 28, assim dispõe: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1 º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (grifou-se) Assim, tratando-se de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, esta deve-se realizar com o acréscimo de juros Selic acumulados mensalmente e de juros de um por cento no mês em que houver a entrega da declaração de compensação, da forma que procedeu a delegacia de origem. Em relação aos acréscimos legais aplicados a débitos vencidos vinculados em PER/DCOMP, a legislação de regência, referida no caput do art. 28 da IN RFB nº 600/2005, nos termos dispostos no art. 161 do Código Tributário Nacional determina que os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (destituída de caráter punitivo, dada sua natureza reparatória), calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, bem como sofrerão a incidência de juros Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Dessa forma, resulta notória a impossibilidade de que seja acolhida a pretensão do sujeito passivo.” No caso concreto não houve qualquer inovação ou elementos novos que propiciassem prejuízo à defesa da Recorrente. Fl. 633DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 O fato de a decisão recorrida ter apreciado o fato de a homologação não ter ocorrido de modo integral em razão do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, nada mais é do que exercer o correto juízo de valor sobre a matéria posta em litígio, não se caracterizando, portanto, como inovação, pois tal análise é necessária para o correto deslinde do mérito do caso. Em tal sentido, sobre a decisão recorrida ter que analisar questão inerente ao aso concreto, cito precedente de minha relatoria: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ano-calendário: 2009, 2010 NULIDADE. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. DO JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA. O fato de a decisão recorrida ter apreciado se a Recorrente preenchia ou não as condições para fazer jus à isenção do PIS e da COFINS nas exportações de serviços prevista nas Leis nº's 10.637/2002 e 10.833/2003 não se caracteriza como inovação, pois tal análise é necessária para o correto deslinde do mérito do caso. (...)” (Processo nº 15582.720087/2015-01; Acórdão nº 3201-005.175; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 27/03/2019) Assim, é de se rejeitar a preliminar. - Mérito (a) Indevida Imputação dos Juros e da Multa sobre o Débito Objeto de Compensação no Presenta Caso – Valores que já se encontram quitados/confessados por meio de PER/DCOMPs – Exigência em Duplicidade A Recorrente argumenta que o débito compensado foi considerado como principal, quando, na verdade, deveria ser analisado sob a condição real de pagamento de juros apurados do principal já compensado, sendo que o julgador não poderia ter ignorado a composição do pagamento como um todo, o que gerou o errôneo posicionamento, eis que o procedimento correto seria o exame unificado de todas as DCOMP’s, não obstante tais compensações sejam controladas em processos apartados. Compreendo que a questão foi analisada de modo correto pela decisão recorrida, razão pelas qual adoto como fundamento decisório: “Feitos tais esclarecimentos, constata-se que o sujeito passivo opõe-se à forma de valoração dos débitos que informou em sua declaração de compensação, haja vista ser esta a causa direta da homologação apenas parcial de tal documento, na medida em que o direito creditório originalmente informado foi integralmente reconhecido pela unidade de origem. Sobre a valoração dos créditos e dos débitos a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, no seu art. 28, assim dispõe: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1 º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Fl. 634DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 (grifou-se) Assim, tratando-se de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, esta deve-se realizar com o acréscimo de juros Selic acumulados mensalmente e de juros de um por cento no mês em que houver a entrega da declaração de compensação, da forma que procedeu a delegacia de origem. Em relação aos acréscimos legais aplicados a débitos vencidos vinculados em PER/DCOMP, a legislação de regência, referida no caput do art. 28 da IN RFB nº 600/2005, nos termos dispostos no art. 161 do Código Tributário Nacional determina que os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (destituída de caráter punitivo, dada sua natureza reparatória), calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, bem como sofrerão a incidência de juros Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” A Instrução Normativa RFB nº 900/2008 assim disciplina: “Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicam-se à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica.” Compreendo que a Recorrente equivocou-se em relação ao seu procedimento de compensação, ao instruir diversos processos de compensação, tendo compensado, principal, multa e juros em processos distintos, o que gerou a incorreta forma de valoração dos créditos e dos débitos informados, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais no mesmo processo de compensação, o que resultou na homologação apenas parcial da compensação. O CARF assim compreende em relação à valoração nos processos de compensação: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Em sede de compensação tributária, efetivada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva Declaração de Compensação - DCOMP, na forma da legislação de regência. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE EQUIVALÊNCIA ENTRE O DÉBITO E O CRÉDITO. A falta de equivalência entre o valor total do crédito e o valor do dos débitos apontados como compensáveis, validados na forma da legislação que rege o instituto da compensação tributária, permite somente a compensação de valores até o limite em que se equivalerem. Fl. 635DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido” (Processo nº 13227.720400/2009-79; Acórdão nº 3301-007.412; Relator Conselheiro Ari Vendramini; sessão de 28/01/2020) “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo contribuinte, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. (Processo nº 10783.900948/2012-01; Acórdão nº 3402-007.211; Relatora Conselheira Cynthia Elena de Campos; sessão de 18/12/2019) “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ano-calendário: 2004 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado” (Processo nº 10880.674783/2009-02; Acórdão nº 3301- 003.380; Relator Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas; sessão de 28/03/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso no tópico. (b) Emprego do Instrumento Indevido na Formalização da Exigência Tributária – Necessidade de Lavratura de Autos de Infração Em casos como o presente, deve-se aplicar regramento próprio, dado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o qual tem, como fundamento, os arts. 165 e 170 do CTN. Existem normas em relação aos institutos do lançamento e da análise de créditos, no âmbito dos processos de restituição, ressarcimento e compensação. É da própria natureza da análise fiscal do direito creditório o confronto de débitos e créditos, em determinado período, para se aferir a existência e a extensão do crédito postulado. O exame de débitos e créditos não implica a constituição do crédito tributário pelo lançamento, representando, tão somente, apuração do direito creditório postulado pelo sujeito passivo: sem a necessária análise de débitos e créditos, não há como apurar a certeza e a liquidez do crédito deduzido, desnaturando a própria natureza da apreciação administrativa das compensações declaradas pelos sujeitos passivos, fato que implicaria sérias distorções na prática. Fl. 636DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 Cabe enfatizar que a análise de processos de restituição/ressarcimento/compensação análise não se confunde com a atividade do lançamento, que, nos termos do art. 142 do CTN, deve ser entendido como “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Na análise do PER/DCOMP, todavia, o contribuinte requer à Fazenda Pública a devolução/compensação de um crédito que alega possuir, o qual, segundo o art. 170 do CTN, devem ser líquidos e certos. Desse modo, qualquer contribuinte que postular o direito ao crédito, nunca o terá de imediato, sendo necessário que haja o reconhecimento formal de sua liquidez e certeza, mediante a manifestação expressa de órgãos administrativos. Nesse contexto, incumbe à autoridade fiscal verificar não apenas a regularidade dos créditos, mas também a extensão dos débitos que com eles devem ser comparados. Só assim pode se chegar a uma conclusão correta a respeito do direito pleiteado. Nessa hipótese, no estrito âmbito da análise do pedido de compensação, não há necessidade de se proceder ao lançamento de ofício, bastando que se emita decisão indeferindo ou deferindo parcialmente o pleito de compensação do contribuinte. Do CARF colaciono o seguinte precedente: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/07/2006 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. SALDO DEVEDOR. COBRANÇA. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. A cobrança do saldo devedor decorrente da homologação parcial da compensação do débito declarado prescinde de lançamento de ofício, para a constituição do respectivo crédito tributário, tendo em vista que a Dcomp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (...)” (Processo nº 10380.905939/2011-50; Acórdão nº 3301-010.162; Relator Conselheiro José Adão Vitorino de Morais; sessão de 28/04/2021) Assim, entendo que não ocorreu extrapolação, por parte da autoridade fiscal, em especial em relação à regra contida no art. 142 do CTN, razão pela qual é de se negar provimento na matéria. (c) Decadência do Direito de Constituição de Supostos Débitos Imputados de Ofício A Recorrente defende que a Fiscalização não poderia exigir a diferença de valores mediante o Despacho Decisório, pois levando em consideração que os juros e a multa referem-se a débito de junho de 2003 (estimativa de IRPJ), eventual formalização de sua exigência deveria se dar em conformidade com o prazo decadencial quinquenal, com a aplicação do contido no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Para evitar o enfado, reporto-me às considerações tecidas no tópico anterior, com os acréscimos a seguir. Fl. 637DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 A administração tributária pode rever documentos e cálculos para a apuração de certeza e liquidez de créditos, mesmo relativamente a períodos já alcançados pela decadência do direito de lançar tributos. Não há óbice temporal à apuração da certeza e liquidez de direito creditório postulado pelo contribuinte, procedimento que não se confunde com lançamento de ofício. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. Não há que se falar em constituição do crédito tributário, mas mera análise dos créditos e débitos declarados para fins de compensação. Do CARF tem-se: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. CERTEZA/LIQUIDEZ. MONTANTE. APURAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. É dever da autoridade administrativa verificar o cumprimento das obrigações tributárias, por parte do contribuinte, mediante análise da escrituração fiscal e contábil, para apurar o saldo credor passível de repetição/compensação pleiteado por ele, não havendo necessidade de se lançar de ofício os créditos aproveitados indevidamente, assim como não há que se falar na decadência do direito de a Fazenda Nacional deduzir tais créditos.” (Processo nº 13896.002766/2002-11; Acórdão nº 9303-005.788; Relator Conselheiro Demes Brito; sessão de 21/09/2017) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. APURAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. A compensação e a restituição submetem-se a regramento próprio, dado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que tem como fundamento os artigos 165 e 170 do CTN. É dever da autoridade administrativa verificar o cumprimento das obrigações tributárias, por parte do contribuinte, mediante análise da escrituração fiscal e contábil, para apurar o saldo credor passível de repetição/compensação pleiteado por ele, não havendo necessidade de se lançar de ofício os créditos aproveitados indevidamente, assim como não há que se falar na decadência do direito de a Fazenda Nacional deduzir tais créditos.” (Processo nº 10280.000468/2003-18; Acórdão nº 9303-008.224; Relator Conselheiro Demes Brito; sessão de 19/03/2019) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2004 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. APURAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. NÃO APLICÁVEL. É dever da autoridade administrativa a análise do saldo credor passível de ressarcimento, restituição ou compensação, não havendo necessidade de lançamento dos créditos aproveitados indevidamente. Neste caso, não há que se falar na decadência do direito de a Fazenda Nacional deduzir tais créditos. A análise dos processos de restituição, ressarcimento e compensação submete-se a regramento próprio, dado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que tem como fundamento Fl. 638DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 os artigos 165 e 170 do CTN. (...)” (Processo nº 10467.720101/2012-19; Acórdão nº 3302-009.483; Relator Conselheiro Vinícius Guimarães; sessão de 24/09/2020) Deste modo, é de se negar provimento ao recurso no tema. (d) Indevida Alegação de Ausência de Competência da DRJ em Apreciar a Manifestação de Inconformidade em relação à Carta de Cobrança A Recorrente pugna em tal tópico tão somente que o CARF desconsidere as considerações desenvolvidas pela DRJ no tópico “Da Cobrança”, sob o entendimento de que a Delegacia Regional de Julgamento externou não possuir competência para apreciar manifestação do contribuinte em relação a avisos de cobrança. A decisão recorrida pontuou a matéria no sentido de que falece competência às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para apreciar manifestação do contribuinte em relação a avisos de cobrança, nos termos a seguir: “Convém, primeiramente, observar a estrutura da Receita Federal do Brasil, consoante o que preceitua o Regimento Interno aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, através da Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009 (DOU de 6.3.2009), in verbis: Art. 203. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (...) IX desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; Art. 226. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat das Derat, Deinf, Demac Rio de Janeiro, ALF Classe " Especial A" e DRF Classe "A", aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat das ALF Classe "A", DRF Classe " B" e IRF Classe "Especial A" e "Especial B" e às Seções de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat das DRF Classe "C" compete realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário. (Redação dada pela Portaria MF nº 206, de 3 de março de 2010) (Vide Art. 6º da P MF 206/2010) (....)”. Como se verifica, o referido Regimento atribui expressamente, no caso ora discutido, à Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – Dicat competência para apreciar manifestação do contribuinte em relação às atividades de controle e cobrança do crédito tributário. Por sua vez, de acordo com o mesmo Regimento: “Art. 212. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: Fl. 639DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e à redução de alíquotas de tributos e contribuições. §1º O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo ou contribuição. §2º O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, ou a não-homologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere. Art. 213. Às turmas das DRJ são inerentes as competências descritas nos incisos I a III do art. 212.” Nada a deferir no tópico. O decidido pela decisão recorrida está em linha com o entendimento do CARF, de acordo com as decisões a seguir ementadas: “Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/09/1989 a 30/04/1991 NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO INSTAURADO POR CARTA DE COBRANÇA. A corta de cobrança não se constitui ato administrativo bastante e suficiente para constituição do crédito tributário. Por sua vez, a insurgência do contribuinte contra tal cobrança, também, não instaura o Processo Administrativo Tributário, nos termos do Decreto n° 70.235/72, donde decorre que não se instauram as competências da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” (Processo nº 10675.003075/2006-67; Acórdão nº 3101-000.952; Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo; sessão de 11/11/2011) “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 CARTA-COBRANÇA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limita-se ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação, não se estendendo a questões atinentes ao cabimento da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada.” (Processo nº 10983.902444/2008-84; Acórdão nº 1001-000.607; Relator Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa; sessão de 07/06/2018) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. INDEFERIMENTO DE COMPENSAÇÃO. AVISO DE COBRANÇA DE DÉBITOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 640DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 O mero envio de carta-cobrança dos débitos cuja compensação não fora homologada, não se trata de lançamento ou de meio indireto de se promover o lançamento. Trata-se tão só de comunicado de cobrança de débito confessado, que prescinde de lançamento, conforme sedimentada jurisprudência do CARF e do STJ. (...)” (Processo nº 14033.000519/2007-08; Acórdão nº 1302-002.405; Relator Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado; sessão de 19/10/2017) “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CARTA COBRANÇA SALDO DEVEDOR DO TRIBUTO COMPENSADO A possível inconsistência em saldo devedor de tributo compensado e cuja carta cobrança emitida decorreu da decisão de não homologação da compensação pleiteada deve ser solucionada junto à unidade preparadora de sua jurisdição, não sendo de competência desse colegiado tal análise, por fugir totalmente da matéria sob litígio. (...)” (Processo nº 11610.005200/2003-48; Acórdão nº 3302-002.372; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; sessão de 27/11/2013) A carta de cobrança não tolhe o direito de defesa da Recorrente, uma vez que este é expressamente ressalvado, tanto que plenamente exercitado perante as duas instâncias administrativas, com o recebimento e apreciação tanto da Manifestação de Inconformidade, quanto do Recurso Voluntário. Assim, é de se negar provimento ao tópico recursal. (e) Impossibilidade de Exigência de Estimativa de IRPJ (Junho/2003) após o encerramento do Ano Calendário A Recorrente não trouxe tal alegação em sede de Manifestação de Inconformidade, tanto que a matéria sequer foi tratada pela decisão recorrida. A pretensão da Recorrente é reabrir matéria preclusa, o que é rejeitado pelo ordenamento processual civil em vigor, e rechaçado pelo Código de Processo Administrativo Fiscal de que trata o Decreto 70.235 de 1972, cujos arts. 16 e 17 assim prescrevem, verbis. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” A jurisprudência é pacífica na matéria: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2007 INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente deduzida em manifestação de inconformidade. Opera-se a preclusão do direito alegar novos fatos em sede recursal. O limite da matéria em julgamento é delimitado pelo que vier a ser alegado em impugnação ou manifestação de inconformidade.” (Processo nº Fl. 641DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 10980.920569/2012-01; Acórdão 3003-001.812; Relatora Conselheira Ariene dArc Diniz e Amaral; sessão de 15/06/2021) “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente deduzida em manifestação de inconformidade. Opera-se a preclusão do direito (alegar novos fatos em sede recursal. O limite da matéria em julgamento é delimitado pelo que vier a ser alegado em impugnação ou manifestação de inconformidade.” (Processo nº 10183.901236/2011-89; Acórdão nº 3302-009.054; Relator Conselheiro Jorge Lima Abud; sessão de 25/08/2020) Significa dizer que as matérias que não foram contestadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade são consideradas como não impugnadas e, em virtude da preclusão consumativa, tornaram-se definitivas na esfera do processo administrativo fiscal tributário. Assim, voto por não conhecer das razões recursais do tópico. (f) Da Necessidade do Julgamento Conjunto de todos os Processos Administrativos que Envolvem a Quitação da Estimativa de IRPJ devida em Junho de 2003 A decisão recorrida esclareceu que quanto às outras DCOMPs, nas quais a Recorrente aduz ter compensado parte do principal, multa e juros, estão sendo tratadas em processos específicos, sendo que em todas onde a compensação foi efetivada após o vencimento do débito foi calculado multa de mora e juros de mora e feito a imputação proporcional, sendo que a homologação foi parcial, pois o acessório acompanha o principal. Entendo que não há necessidade de que todos os processos de compensação alegados pela Recorrente sejam julgados conjuntamente, pois não há questão prejudicial entre eles. O art. 6º do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), que trata do assunto assim dispõe: “Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos;” Já o art. art. 47 do mesmo Anexo, trata da forma de distribuição de processos neste Colegiado. Vejamos: “Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando- se a competência e a tramitação prevista no art. 46.” Fl. 642DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3201-008.978 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.721794/2013-86 Como se vê, não há no RICARF dispositivo que imponha/determine o julgamento de processos em conjunto, quando inexiste matéria prejudicial ao julgamento dos feitos. Assim, nada a prover no assunto. - Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, conhecer em parte do Recurso Voluntário em razão da preclusão e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 643DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13884.901063/2012-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
DIREITO SUPERVENIENTE. RETENÇÃO NA FONTE. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 1003-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Benatti Marcon (relator) que lhe negou provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Redatora Dedignada
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Benatti Marcon - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carlos Alberto Benatti Marcon.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO BENATTI MARCON
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 DIREITO SUPERVENIENTE. RETENÇÃO NA FONTE. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Benatti Marcon (relator) que lhe negou provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente e Redatora Dedignada (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Benatti Marcon - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carlos Alberto Benatti Marcon. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 10 63 /2 01 2- 71 Fl. 662DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação(Per/DComp) nº PER/DCOMP nº 20948.96026.200607.1.3.03-0724, em 20.06.2007, e-fls. 04-33, para compensação dos débitos ali informados e, também, nos PER/DCOMPs nºs DCOMP: 35673.02970.310707.1.3.03-5415 e 28154.63932.200807.1.3.03- 1092, utilizando-se do crédito referente ao Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor original de R$ 212.946,08, o qual atualizado de acordo com a taxa Selic acumulada(4,94%) atingiu o montante de R$ 223.465,62, relativo ao ano-calendário de 2006, apurado pelo regime de tributação pelo lucro real na forma de apuração anual. Consta no Despacho Decisório à e-fls. 50-57: [...] Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 212.946,08 Valor na DIPJ: R$ 212.946,08 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 212.946,08 CSLL devida: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 189.267,86 [...] O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 35673.02970.310707.1.3.03-5415 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 28154.63932.200807.1.3.03-1092 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Fl. 663DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, e-fls. 58-59, a qual teve o seguinte Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE nº 02-94.459, 30 de julho de 2019, e-fls. 512-519: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, para reconhecer direito creditório remanescente no valor de R$ 6.874,01, além do já admitido no despacho decisório, e homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido. Constata-se pelo Despacho Decisório, que a divergência está na Retenção na Fonte, sendo o somatório das parcelas declaradas pela Recorrente no valor de R$ 212.946,08 e o somatório das parcelas confirmadas no Despacho Decisório no valor de R$ 189.267,86, resultando na diferença total de R$ 23.678,22. Cita-se a seguir alguns excertos do relatório e voto de 1ª instância, para que se possa elucidar com maior clareza o objeto da lide: [...] MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que as NF juntadas comprovam 80% das retenções. Argumenta, ainda, que em anexo traz relação de notas que compõem o total de R$ 85.802,26 de retenção, referentes ao total das parcelas confirmadas ou não confirmadas. [...] PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CREDITO - IRRF Só pode ser deduzida da CSLL devida no ano-calendário de 2006 a retenção comprovadamente sofrida no mesmo período de apuração. Considera-se ocorrida a retenção, no caso da CSLL, no momento do pagamento da receita (arts. 30 e 36 da Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O total da CSLL retida na fonte computado pelo interessado na composição do saldo negativo não foi confirmado pelo despacho decisório. Em consulta às DIRF que trazem o interessado como beneficiário, não se verificam retenções que satisfaçam as deduções pretendidas. Atos de lavra de quem sofreu a retenção, sem respaldo de outros elementos de convicção, não fazem prova suficiente. De acordo com o art. 923 do RIR, de 1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. De acordo com o § 2º do art. 943 do RIR/1999, o Comprovante Anual de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido pela fonte pagadora é o documento hábil para comprovar a correta dedução do imposto retido durante o ano-calendário. [...] A defesa tenta suprir a falta do documento prescrito em lei, apresentando notas fiscais. A retenção é ato da fonte pagadora e não do beneficiário do pagamento. A emissão da nota fiscal pelo prestador do serviço não caracteriza a retenção de imposto. As notas fiscais por si só não são suficientes para provar a efetiva retenção. APURAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO Tendo em vista os entendimentos expostos, os dados já admitidos no despacho decisório e os dados extraídos das DIRF, admite-se aqui a dedução de CSLL retida no valor de R$ 196.141,87. [...] Fl. 664DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 Consequentemente, apura-se saldo negativo no valor de R$ 196.141,87. O despacho decisório já admitiu saldo negativo disponível no valor de R$ 189.267,86. Resta a reconhecer direito creditório remanescente no valor de R$ 6.874,01. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada para: reconhecer direito creditório remanescente, além do já admitido no despacho decisório, referente a Saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2006, no valor de R$ 6.874,01; homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido. Recurso Voluntário A Recorrente apresentou o recurso voluntário, e-fls. 528-536, em 19.11.2019, discorrendo sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, importando mencionar que o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: [...] II. DA SÍNTESE DOS FATOS 5. A Recorrente, supra qualificada, apresentou em 20/06/2007, por meio eletrônico, o PER/DCOMP com o demonstrativo de crédito identificado sob o n.º 20948.96026.200607.1.3.03-0724, informando, o saldo negativo de CSLL do ano de 2006, no valor de R$ 212.946,08 (duzentos e doze mil, novecentos e quarenta e seis reais e oito centavos). 6. Referido PER/DCOMP teve por base créditos apurados no período compreendido entre 01/01/2006 a 31/12/2006, relativamente a Saldo Negativo de CSLL. 7. Em 11/08/2010 o PER/DCOMP n.º 20948.96026.200607.1.3.03-0724, sofreu Despacho Decisório de n.º de Rastreamento 019146807, que homologou parcialmente as compensações informadas, reconhecendo o saldo negativo disponível em favor da Recorrente, no importe de R$ 189.267,86 (cento e oitenta e nove mil, duzentos e sessenta e sete reais e oitenta e seis centavos), sendo certo que o valor total lançado no PER/DCOMP era de R$ 212.946,08 (duzentos e doze mil, novecentos e quarenta e seis reais e oito centavos). 8. Ato contínuo, em 16/04/2012 a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese, que as NF juntadas comprovam 80% das retenções, ainda, que anexou a relação de notas fiscais que compõem o total de R$ 85.802,26 de retenção, referentes ao total das parcelas confirmadas ou não confirmadas, comprovando assim a totalidade das parcelas do crédito não confirmado pelo Fisco. Logo, eventuais erros no preenchimento das DIRF´s pelos tomadores dos serviços, ou, ainda eventual falta de recolhimento dos valores retidos pelos mesmos, não poderiam se reverter em prejuízos à Recorrente, em razão da mesma ter oferecido seus rendimentos à tributação, conforme comprovado através da apresentação dos documentos contábeis que substituem os informes de rendimentos (relação e notas fiscais com o destaque da CSLL). 9. No dia 22/10/2019, a Recorrente tomou ciência do v. acordão n.º 02-94.459 – da 2ª Turma da DRJ/BHE (Doc. 03), que julgou a Manifestação de Inconformidade Fl. 665DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 procedente em parte, reconhecendo o direito creditório adicional a Recorrente no importe de R$ 6.874,01 (seis mil oitocentos e setenta e quatro reais e um centavo), totalizando R$ 196.141,87 (cento e noventa e seis mil, cento e quarenta e um reais e oitenta e sete centavos) de saldo negativo reconhecido, com base nas informações existentes nos sistemas da Receita Federal do Brasil, e homologou as compensações pleiteadas até o limite do valor reconhecido. 10. Em que pese a cultura e o notório saber dos ilustres componentes da 2ª Turma da DRJ – Belo Horizonte, impõe-se a reforma parcial do v. Acórdão recorrido, pelas razões de fato e de direito aduzidas a seguir. III. DO DIREITO III.1 DO RECONHECIMENTO TOTAL DOS CRÉDITOS DECLARADOS EM DIPJ E NO PER/DCOMP 11. A Recorrente, quando da apresentação do PER/DCOMP – CSLL do período de 01/01/2006 à 31/12/2006, apurou o Saldo Negativo de CSLL no total de R$ 212.946,08 (duzentos e doze mil, novecentos e quarenta e seis reais e oito centavos). Porém, a 2ª Turma da DRJ/BHE, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente (fls. 58 à 508 dos autos), reconheceu parcialmente o crédito pleiteado e homologou o valor de R$ 189.267,86 (cento e oitenta e nove mil, duzentos e sessenta e sete reais e oitenta e seis centavos). 12. Importante frisar que a Receita Federal do Brasil, no que tange a análise do crédito de saldo negativo de CSLL pleiteado pela Recorrente, só considerou os valores que foram efetivamente declarados em DIRF´s pelas fontes pagadoras. 13. Em que pese o entendimento adotado pela Receita Federal do Brasil, no que tange a sistemática utilizada para reconhecer o valor do crédito em favor da Recorrente, o posicionamento jurisprudencial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) é pacifico, porém, em sentido diverso, ou seja, diante da falta de apresentação dos informes de rendimento pelos tomadores de serviço, o contribuinte prejudicado pela imprecisão dos tomadores, deverá pleitear eventual diferença através da apresentação dos documentos fiscais idôneos, em busca e obediência ao princípio da verdade real. 14. Conforme consta nos autos, para demonstrar e comprovar a retenção dos valores informados no PER/DCOMP sob n.º 20948.96026.200607.1.3.03-0724, a Recorrente juntou as Notas Fiscais e uma relação que substituem os informes de rendimentos, segundo o entendimento jurisprudencial do CARF, são documentos contábeis idôneos capazes de comprovar a origem do crédito pleiteado pelo contribuinte. 15. A possibilidade de comprovar a origem do crédito pleiteado, com base na apresentação de documentos contábeis idôneos, ganhou força frente ao Colegiado do CARF por um simples motivo, se por um lado as empresas prestadoras de Serviços não podem obrigar as Fontes Pagadoras a entregar os Informes de Rendimentos, pois, não possuem poderes inerentes ao fisco, por outro lado, as mesmas não podem ser penalizadas em decorrência dos atos e/ou omissões praticadas por estas empresas, portanto, a apresentação de documentos contábeis idôneos capazes de demonstrar e comprovar o valor Retido pelas Fontes Pagadoras acaba por suprir a falta de entrega do(s) Informe(s) de rendimentos. 16. É o que se pode concluir pela leitura do acórdão do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS – CARF – Primeira Seção de Julgamento, publicado no D.O.U. em 08/11/2011, in verbis: Processo nº 10880.015503/9509 Recurso nº 164225 Voluntário Acórdão nº 140200.260 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Fl. 666DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 Sessão de 03 de setembro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente SEBIL SERVIÇOS ESPECIALIAZADOS DE VIGILÂNCIA INDUSTRIAL E BANCÁRIA LTDA Recorrida 2a. TURMA DRJ SALVADOR/BA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 1989 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Não ocorre ofensa ao princípio da ampla defesa quando todos os documentos que comprovam a autuação estão disponibilizados nos autos do processo. IRPJ E OUTROS — DECADÊNCIA — LANÇAMENTO DE OFICIO — 1) O Imposto de Renda, antes do advento da Lei n.° 8.381, de 30/12/91, era um tributo sujeito a lançamento por declaração, operando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. 2) Tendo sido o lançamento de ofício efetuado na fluência do prazo de cinco anos contado a partir da entrega da declaração de rendimentos, improcede a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar o tributo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Não se aplica o instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Inteligência da Súmula nº 11 do Primeiro Conselho de Contribuintes. IRPJ – GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE IRRF – FALTA DE COMPROVAÇÃO – O imposto de renda na fonte pode ser comprovado com o informe de rendimentos. Na falta deste documento é aceitável para comprovar o direito creditório do contribuinte documentos contábeis que demonstrem a tributação do valor do rendimento bruto, as notas fiscais de serviço que demonstram a retenção do imposto, bem como que o prestador de serviço recebeu pelo serviço prestado valor líquido do IRRF. No presente caso, o contribuinte não comprovou seu direito creditório. (grifamos/negritamos). Recurso Voluntário Desprovido. 17. Sabe-se do excesso de informações e declarações que são prestadas ao Fisco, e também que muitas vezes ocorrem equívocos quando do preenchimento das mesmas - o que pode ter ocorrido, quando os tomadores de serviços da Recorrente (responsáveis tributários, conforme artigo 121 do CTN) tomaram tais providências relativas ao faturamento do ano de 2006, mesmo primando pela retenção e recolhimento do CSLL determinados em Lei. 18. E, assim, pelas retenções que sofre, sejam quais forem as razões que levam ao Fisco à eventual não confirmação total ou parcial do efetivo recolhimento aos cofres públicos das parcelas de crédito decorrente do CSLL retido na fonte, a ora Recorrente não pode ser prejudicada. A própria administração, em linha com a legislação que rege a matéria, tem tido essa preocupação, senão vejamos. E cita o Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002 emitido pela Receita Federal do Brasil - DOU de 25.9.2002, o qual trata de apropriação indébita pela fonte pagadora, na hipótese de retenção sem o devido recolhimento do imposto retido. [...] Cita também, em sua defesa, algumas decisões judiciais. [...] Fl. 667DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 21. Isto posto, em respeito ao princípio da verdade real, frisamos: a Recorrente procedeu aos destaques da retenção do CSLL determinada em Lei, sobre o valor total de suas notas fiscais, aplicando o percentual definido em Lei, recebeu seus créditos líquidos de tais retenções, ofereceu o rendimento à tributação lançando-as em seu Livro Razão e os considerou em suas apurações e em sua DIPJ, registrando tudo em sua contabilidade. Assim, referido crédito decorrente da retenção do CSLL, deve ser considerado em sua totalidade, ou seja, no valor total de R$ 212.946,08 (duzentos e doze mil, novecentos e quarenta e seis reais e oito centavos). IV. DA CONCLUSÃO 22. A Recorrente, por meio das Notas fiscais, comprovou a retenção do CSLL declarado na DIPJ do ano de 2007, no valor original de R$ 212.946,08 (duzentos e doze mil, novecentos e quarenta e seis reais e oito centavos). 23. Os débitos informados nos PER/DCOMP´s devem ser integralmente compensados com o crédito declarado em DIPJ do ano de 2007, o qual totalizou um saldo negativo original no valor de R$ 212.946,08 (duzentos e doze mil, novecentos e quarenta e seis reais e oito centavos), conforme documentação acostada nos autos. V. DO PEDIDO 24. À vista de todo o exposto, comprovada a origem e a procedência dos créditos declarados em DIPJ do ano de 2007, requer que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e provido, para reformar parcialmente o v. acórdão e ao final: (i) Homologar o valor total original do Saldo negativo de CSLL do ano de 2006, no importe de R$ 212.946,08 (duzentos e doze mil, novecentos e quarenta e seis reais e oito centavos), considerando que, conforme o próprio acórdão que já reconheceu o valor de R$ 196.141,87 (cento e noventa e seis mil, cento e quarenta e um reais e oitenta e sete centavos), o presente recurso objetiva o reconhecimento do valor de R$ 16.804,21 (dezesseis mil, oitocentos e quatro reais e vinte um centavos); (ii) Compensar a totalidade do saldo negativo de CSLL declarado em DIPJ, com os débitos informados nos PER/DCOMP´s n° 20948.96026.200607.1.3.03-0724, 28154.63932.200807.1.3.03-1092, 29876.80607.310707.1.7.03-8659, 35673.02970.310707.1.3.03-5415 e 40329.43067.310707.1.7.03-0057. É o Relatório Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Benatti Marcon, Relator. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Em atendimento ao princípio da congruência(art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972), o presente julgamento tem como base o exame do mérito da existência do crédito relativo ao Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - Fl. 668DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 CSLL no valor original de R$ 212.946,08, referente ao ano-calendário de 2006, apurado pelo regime de tributação pelo lucro real na forma de apuração anual. O objeto da lide, em sede de Recurso Voluntário, restringe-se ao valor das parcelas não confirmadas referentes às retenções na fonte relativas ao código de receita 5952- CSLL - Retenção de contribuições - pagamentos de PJ a PJ de direito privado. VALOR DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO A DESPACHO DECISÓRIO B DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA – DRJ C DELIMITAÇÃO DA LIDE D=A-C R$ 212.946,08 R$ 189.267,86 R$ 196.141,87 R$ 16.804,21 Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito O sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo ou contribuição administrados pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, sendo que a compensação será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, Artigo nº 74, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Fl. 669DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 Dos Fatos e dos Fundamentos de Direito Alegados pela Recorrente Do Reconhecimento Total dos Créditos Declarados em DIPJ e no PER/DCOM Conforme verificado na decisão de 1ª Instância, a Recorrente não conseguiu comprovar a totalidade das retenções na fonte por meio da apresentação dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras. Ainda na Manifestação de Inconformidade, alegou que as notas fiscais de prestação de serviços por ela emitidas e juntadas aos autos comprovam 80% das retenções, trazendo em anexo relação das notas que compõem o total de R$ 85.802,26 de retenção, referentes ao total das parcelas confirmadas ou não confirmadas. No Recurso Voluntário, argumenta que o posicionamento jurisprudencial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) é pacifico, no sentido de que diante da falta de apresentação dos informes de rendimento pelos tomadores de serviço, o contribuinte prejudicado pela imprecisão dos tomadores, deverá pleitear eventual diferença através da apresentação dos documentos fiscais idôneos, em busca e obediência ao princípio da verdade real. Para tanto, aduz que juntou as Notas Fiscais e uma relação que substituem os informes de rendimentos, segundo o entendimento jurisprudencial do CARF, são documentos contábeis idôneos e capazes de comprovar a origem do crédito por ela pleiteado. Nas situações as quais o contribuinte não apresenta o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ele se desenquadra do previsto na legislação tributária pertinente ao fato, a qual é reproduzida a seguir por meio dos seguintes artigos do Regulamento do Imposto de Renda – 1999, vigente à época dos fatos: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Art.943. - A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto-Lei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). [...] § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).(Grifo nosso) Art. 733. É responsável pela retenção do imposto (Decreto-Lei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, art. 6º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, § 8º): [...] Parágrafo único. As pessoas jurídicas que retiverem o imposto de que trata este Subtítulo deverão (Decreto-Lei nº 2.394, de 1987, art. 6º, parágrafo único): I - fornecer aos beneficiários comprovante dos rendimentos pagos e do imposto retido na fonte; (Grifo nosso) [...] Fl. 670DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 Ressalte-se que conforme o artigo nº 28, da Lei nº 9.430, de 1996, aplicam-se à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas regras vigentes de apuração da base de cálculo e pagamento para o imposto de renda, o que torna perfeitamente pertinente ao caso os artigos do RIR/99 acima transcritos . Art. 28. Aplicam-se à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1 o a 3 o , 5 o a 14, 17 a 24-B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Da leitura dos textos normativos citados, verifica-se que para que o contribuinte possa compensar os valores retidos a título de CSLL na Fonte na sua DIPJ, ele tem que estar obrigatoriamente de posse do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. O § 2º, do artigo nº 943, o qual se baseia no art. 55 da Lei 7.450/85, é taxativo, ao deixar claro que a não apresentação do comprovante inviabiliza a compensação pretendida. Por sua vez, o § único, I, do artigo nº 733, implica no dever do beneficiário em exigir o comprovante de rendimentos pagos e do imposto retido na fonte. Mesmo na ausência de comprovantes de rendimentos, este Relator é de opinião que devem ser validadas as retenções na fonte que constam na DIRF, pois trata-se de um documento produzido pela fonte pagadora e não pelo próprio contribuinte. E foi o que a DRJ fez em sua decisão. Com base nessa análise conclui-se que o valor a título de retenção na fonte, em 2006, referente ao código de receita 5952 – CSLL - Retenção de contribuições - pagamentos de PJ a PJ de direito privado (Cofins, Pis/Pasep, CSLL), soma o montante de R$ 196.141,87, valor superior, portanto, ao determinado pelo Despacho Decisório, porém ainda menor que o pleiteado pela Recorrente. Sabe-se que o posicionamento atual do CARF é o de que mesmo que o contribuinte não possua o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, mas consiga provar, por outros meios, que efetivamente sofreu as retenções, ele tem o direito de deduzir o IRRF retido e recolhido pelas fontes pagadoras, incidentes sobre as receitas auferidas e oferecidas à tributação. Esse entendimento está claramente expresso na Súmula CARF nº 143 - A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vale a pena reproduzir a ementa do Acórdão nº 9101-005.315 – CSRF / 1ª Turma, de 13 de janeiro de 2021: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2009 DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS. O sujeito passivo tem direito de deduzir o IRRF retido e recolhido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do IRPJ apurado ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por outros meios, que efetivamente sofreu as retenções. Afastado o entendimento de que a retenção não Fl. 671DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 pode ser comprovada por outros meios, que não a apresentação do informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, os autos devem retornar à turma a quo, para novo julgamento. Inteligência da súmula 143 do CARF. Como constata-se pela ementa do acórdão citado e inteligência da Súmula CARF nº 143, a prova de retenção pode ser feita por outros meios, e não exclusivamente pelo informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. No caso em tela não ficou comprovado, pela análise das DIRFs, como pelos Informes de Retenção entregues pelas fontes pagadoras, a integralidade das retenções relativas ao código de receita 5952. Além disso, também não foram apresentados outros documentos contábeis e fiscais que pudessem comprovar tais retenções, exceto pela relação e cópia das notas fiscais de prestação de serviços emitidas, e-fls. 77-507, documentos estes emitidos pela própria Recorrente. Para que se pudesse validar os valores na sua integralidade a título de retenção na fonte, a Recorrente deveria apresentar, além das notas fiscais de prestação de serviços, outros documentos tais como, razão contábil, diário contábil, planilhas de cálculo, Lalur e mais outros que julgasse necessários. Enfim, documentos dos assentos contábeis e fiscais que demonstrassem com clareza que os valores que foram deduzidos no cálculo do IRPJ, foram também oferecidos à tributação. A esse respeito convém reproduzir a Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Frise-se que as provas adicionais mencionadas deveriam ter sido apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade, conforme previsto no artigo nº 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, ressaltando que mesmo que tais provas adicionais fossem apresentadas em sede de Recurso Voluntário, que não foi o caso, ainda assim haveria a necessidade de verificar se se enquadravam em uma ou mais das alíneas do citado parágrafo. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Benatti Marcon Fl. 672DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 Voto Vencedor Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada. Com a devida vênia ouso divergir do voto do Ilustre Conselheiro Relator em relação ao início de comprovação de retenção na fonte. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou CSLL negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Retenção na Fonte. Súmulas CARF nºs 80 e 143 O Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Fl. 673DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 Mudando o que deve ser mudado, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da contribuição devida o valor da contribuição retida na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo da contribuição. A retenção conjunta, código 5952, refere-se importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica e estão sujeitos à incidência na fonte de CSLL, PIS e Cofins, cujos valores, considerados como antecipações, somente podem ser deduzidos com o que for devido em relação à mesma espécie tributária no encerramento do período de apuração (art. 30, art. 31, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual à alíquota incidente de 4,65% correspondente ao somatório das alíquotas de 1,0% de CSLL, de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins. O beneficiário é a pessoa jurídica prestadora do serviço e as contribuições são recolhidas de forma centralizada pela fonte pagadora até o último dia útil da semana subsequente àquela quinzena em que tiver ocorrido o pagamento à pessoa jurídica prestadora dos serviços. Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito, conforme as Súmulas CARF nºs 80 e 143, em cuja apuração do saldo negativo foram deduzidas as retenções de tributos, conforme o acervo fático-probatório composto das notas fiscais do ano-calendário de 2006 com retenção de fonte (Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994) de e-fls. 77-507. Direito Superveniente: Súmulas CARF nºs 80 e 143 Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixa a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento da Per/DComp com base em retenções na fonte. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não Fl. 674DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-002.571 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.901063/2012-71 ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 675DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10920.912281/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.768
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Unidade de Origem até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.766, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10920.912279/2011-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Unidade de Origem até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.766, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10920.912279/2011-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.766, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10920.912279/2011-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao saldo credor do IPI apurado pelo estabelecimento de CNPJ 84.684.455/0069-51 ao final do 4º trimestre/2009. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 12 28 1/ 20 11 -8 8 Fl. 638DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.768 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.912281/2011-88 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: (a) tendo os débitos de IPI apurados pela fiscalização sido analisados em processo de auto de infração próprio, há que se manter a coerência entre a análise ali efetuada e o julgamento da manifestação de inconformidade; mantido o auto de infração, há que se manter os débitos apurados; (b) é imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório; quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito; (c) não se conhece da manifestação de inconformidade com relação às alegações a respeito de matéria não litigada nos autos; na verdade, a multa de ofício é objeto de outro processo, que trata de lançamento em auto de infração, devendo os pertinentes questionamentos serem ali discutidos. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, irresignada com a decisão “a quo”, reproduzindo, em síntese apertada, suas razões de defesa. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto em lei. Passa-se, assim, na sua análise. Conforme exposto anteriormente, constasse que a DRJ condicionou o direito creditório da Recorrente ao resultado do julgamento proferido nos autos do PA 10920.720161/2012-37 (ainda não julgado definitivamente). Aquele processo, resultou na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Como se vê, a decisão definitiva que será proferida no processo nº 10920.720161/2012- 37, por envolver questões conexas, caso seja parcial ou totalmente favorável ao contribuinte, validará parcial ou totalmente o crédito por ele apurado e modificará o despacho que não homologou os pedidos de compensação. Neste cenário, verifica-se que a decisão que será proferida no processo administrativo nº 10920.720161/2012-37 que, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte repercutirá nestes autos, sendo, necessário apurar o reflexo daquela decisão ao presente caso. Diante do exposto, voto por determinar o retorno dos autos a unidade de origem para: (i) sobrestar o julgamento deste processo até o julgamento definitivo do PA 10920.720161/2012-37 (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva a ser proferida naquele processo com o presente caso, elaborando parecer conclusivo; (iii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) retornar os autos ao CARF para julgamento. Fl. 639DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.768 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.912281/2011-88 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de sobrestar o processo na Unidade de Origem até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 640DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13925.000092/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE
A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF.
O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
Numero da decisão: 2401-009.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do imposto relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, referentes ao ano-calendário 2008, informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal (R$ 141.856,40), com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, se mais benéfico ao sujeito passivo.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF. O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do imposto relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, referentes ao ano-calendário 2008, informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal (R$ 141.856,40), com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, se mais benéfico ao sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente).
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AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF. O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do imposto relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, referentes ao ano-calendário 2008, informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal (R$ 141.856,40), com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, se mais benéfico ao sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 5. 00 00 92 /2 01 1- 17 Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.820 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13925.000092/2011-17 A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (e-fls. 133 e ss). Pois bem. Contra o(a) contribuinte retro identificado(a) foi emitida a Notificação de Lançamento – IRPF de fl(s). 22/26 que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$62.626,16, sendo R$32.616,10 de imposto suplementar e o restante de acréscimos legais correspondentes, consoante ali discriminado. O lançamento decorreu da revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2009, apresentada pelo contribuinte à RFB, fls. 123/128, cujo resultado foi de sem saldo de imposto a pagar ou a restituir. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 25 foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$144.538,16, com IRRF de R$4.255,69, sendo R$2.681,76 conforme Dirf da Fundação Attilio Francisco Xavier Fontana, e R$141.856,40, com IRRF de R$4.255,69, conforme Dirf da CEF. Cientificado(a) da exigência, o(a) interessado(a), por meio de seu procurador nomeado conforme instrumento de fl. 16, apresentou a impugnação de fls. 2/14, instruída com os elementos de fls. 28/118. Nessa oportunidade, contesta o feito fiscal argumentando: (a) Deixou de informar os rendimentos considerados omitidos por serem não tributáveis, visto que decorreram de uma ação judicial previdenciária para averbação de tempo de serviço especial, tendo sido favorável condenando o INSS a implantação do benefício de aposentadoria a partir de 19/09/2000, com o pagamento de atrasados de uma só vez até 30/09/2006, no montante de R$141.856,40; o erro foi do INSS que não fez os pagamentos nos valores corretos nas respectivas datas; se assim o fosse, cada valor não teria superado o limite para incidência do IR, logo não pode admitir seja obrigado a recolher o tributo por ter recebido o valor acumulado; da mesma forma o rendimento recebido da Fundação Atílio Fontana, no valor de R$2.681,76, não superaria o limite de isenção previsto na tabela, considerado o recebimento mensal do contribuinte; (b) Por esses motivos, pede a nulidade o lançamento pois o entendimento jurisprudencial majoritário é no sentido de que o imposto de renda incide sobre rendimentos levando em consideração as tabelas das épocas próprias, devendo ser mensal e não global; cita o art. 56 do RIR/1999; se reporta ao Ato Declaratório nº 1/2009 da PGFN autorizando a dispensa de interposição de recursos contra a situação e desistência dos já interpostos, isso baseado na jurisprudência do STJ; menciona a MP nº 497/2010, que modificou a Lei n º 7713/1988, acrescentando o art. 12-A, transcrito, que determina a tributação exclusiva na fonte de rendimentos recebidos de forma acumulada; cita também a exposição de motivos da MP; (c) Reclama da multa de ofício, entendendo que viola princípios constitucionais, do confisco, da capacidade contributiva, e da razoabilidade e proporcionalidade; (d) Solicita a exclusão dos rendimentos lançados do valor de R$42.556,92, referente aos honorários advocatícios pagos ao advogado que patrocinou a ação interposta, conforme recibo e contrato firmado, anexos; (e) Por fim, requer, ainda, a juntada de novos documentos para a complementação de defesa no curso do processo. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão de e-fls. 133 e ss, cujo dispositivo considerou a impugnação procedente em parte, com a manutenção parcial do crédito tributário exigido. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.820 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13925.000092/2011-17 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada pelos motivos especificados na legislação de regência. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Em decorrência da suspensão do Ato Declaratório PGFN nº 01/2009 pelo Parecer nº 2331/2010, os rendimentos recebidos acumuladamente em data anterior a 01/01/2010, devem ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual relativa ao ano calendário do efetivo recebimento dos valores, somando-os aos demais rendimentos auferidos no período. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Admite-se a exclusão das despesas com advogados necessárias ao recebimento dos rendimentos decorrentes de ações judiciais, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, quando devidamente comprovadas nos autos, inclusive a participação do profissional na ação. PENALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Constatado o descumprimento de obrigação tributária pelo contribuinte, a autoridade fiscal, nos termos do artigo 142 do CTN, tem o dever legal de exigir o crédito tributário com os acréscimos legais previstos em Lei, sendo incontroverso que não cabe à autoridade fiscal qualquer discricionariedade relativa à aplicação da multa de ofício, muito menos discutir sua constitucionalidade/legalidade. DECISÕES JUDICIAIS E DOUTRINAS. EFEITOS. Cabe à esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, mormente se as decisões judiciais, suscitadas na petição, não possuírem leis que lhes atribuam eficácia, ou se o ato legal contestado não tiver sido declarado inconstitucional pelo Poder Judiciário, não sendo oponíveis ao texto explícito do direito positivo as respeitáveis doutrinas suscitadas na petição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 148 e ss), alegando, em síntese, que deve ser obedecido o regime de competência na apuração dos rendimentos recebidos acumuladamente, motivo pelo qual, entende que o lançamento seria nulo. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.820 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13925.000092/2011-17 Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. De início, destaca-se que o contribuinte, em seu recurso, insurge-se contra a acusação fiscal acerca dos rendimentos recebidos acumuladamente, alegando que não houve omissão de rendimentos tributáveis na sua declaração de Ajuste Anual 2009, tanto no que se refere à DIRF da Fundação Atílio Francisco Xavier Fontana (R$ 2.681,76) como em relação à DIRF da Caixa Econômica Federal (R$ 141.856,40). Entende, pois, que, em relação aos rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Em suas conclusões, o recorrente entende que deve ser reconhecida a nulidade da notificação de lançamento em epígrafe. A decisão de primeira instância, a esse respeito, entendeu que os rendimentos recebidos acumuladamente, no ano-calendário em questão, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitando-se ao ajuste anual. Pois bem. Entendo que a decisão de piso merece reparos pontuais. Isso porque, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que determinava, para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, a aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido. De acordo com a referida decisão, o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Dessa forma, é necessário que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendário em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Em outras palavras, afastando o regime de caixa, o Supremo Tribunal Federal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.820 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13925.000092/2011-17 Dessa forma, entendo que o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2008, informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal (R$ 141.856,40), deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Não há que se afastar toda a obrigação tributária, mas tão somente ajustar a base de cálculo, o que, a meu ver, não implica na inovação dos critérios utilizados para motivar o lançamento. É por este motivo que entendo que o provimento deve ser parcial, em atenção aos limites da pretensão deduzida pelo recorrente que, por sua vez, pleiteou o cancelamento da acusação fiscal em sua integralidade. Ademais, com relação aos rendimentos percebidos conforme DIRF da Fundação Atílio Francisco Xavier Fontana, R$ 2.681,76, não há como acatar o argumento do recorrente, eis que não foi juntada qualquer prova nos autos que permitisse concluir se tratar de rendimento recebido acumuladamente. Assim, não resta dúvida quanto à correção do feito fiscal sobre esses rendimentos, pois deveriam compor a base tributável na DAA/2009 revisada. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de determinar o recálculo do imposto relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, referentes ao ano-calendário 2008, informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal (R$ 141.856,40), com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, se mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720056/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento da contribuição (PIS/Cofins) pleiteado, decisão essa lastreada em relatórios fiscais elaborados pela Fiscalização, em que se detectaram divergências em relação às informações prestadas pelo contribuinte no Dacon, na Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD Contribuições) e nos arquivos digitais de notas fiscais. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado (i) cerceamento do seu direito de defesa (motivação genérica do despacho decisório), (ii) relação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 20 05 6/ 20 14 -8 5 Fl. 3292DF CARF MF Processo nº 10120.720056/201485 Resolução nº 3301000.909 S3C3T1 Fl. 3.293 2 de causa e efeito existente entre este e o processo administrativo nº 10120.725.254/201516 (auto de infração), (iii) o conceito de insumo na não cumulatividade das contribuições abrange qualquer gasto estritamente necessário para a obtenção das receitas que são a sua base de cálculo, (iv) direito a crédito em relação a fretes entre estabelecimentos da empresa (matérias primas e produtos acabados), às despesas com armazenagem e frete extemporâneos, às despesas com armazenagem consideradas indevidamente como prescritas, a bens e serviços utilizados como insumos e a despesas com material de uso e consumo e (v) crédito presumido (biodiesel, produtos destinados à alimentação e farelo de girassol). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando todos os itens pleiteados pelo contribuinte por falta de previsão legal, bem como em razão da ausência de comprovação eficaz do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. Foram juntados aos autos contratos, memorandos de exportação, telas do Siscomex e do Sisbacen, documentos de confirmação de exportação, Danfe, notas fiscais de armazenagem e notas fiscais de compra de sebo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.908, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10120.730834/201363, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.908): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Tendo em vista o princípio da verdade material, que é diretriz básica de todo o processo administrativo fiscal, verificamos que a contenda se originou da análise de créditos pleiteados em Pedido Eletrônico de Ressarcimento, de créditos de PIS/COFINS não cumulativos. A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e despesas de armazenagem. Neste quadro, destacamos os seguintes fatos : OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS 1 – Com relação à recorrente : em seu recurso voluntário, no item 2.4 – das despesas de armazenagens e fretes extemporâneos (fls. 277 dos autos digitais), a recorrente, citando Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 10120.720056/201485 Resolução nº 3301000.909 S3C3T1 Fl. 3.294 3 Acórdãos do CARF, expõe que “quanto a este tópico, entendeu a fiscalização por glosar o aproveitamento de créditos com despesas de armazenagem incorridas no período ali mencionado. Isso ocorreu porque, segundo a autoridade administrativa, o aproveitamento de tais créditos foi extemporâneo, já que a recorrente teria informado, nos DACON de junho de 2011, o total das despesas com armazenagem havidas no período de fevereiro de 2004 a maio de 2011.” no item 2.4.28 (fls. 284 dos autos digitais) a recorrente afirma que “ por fim, no tocante ao argumento constante do Acórdão recorrido, de que o fiscal não chegou a analisar a qualidade do crédito e, por isso, inexistem liquidez e certeza do mesmo, também não assiste razão, pois, ao fisco foi disponibilizada toda a documentação comprobatória dos gastos, tais como os Contratos e Notas Fiscais de Armazenagem aqui anexados por amostragem (Doc_Comprabatórios0030 a 0058)”. a recorrente junta documentos de fls. 309 a 3204 dos autos digitais, em fase de recurso voluntário 2 – Com relação ao Acórdão DRJ : o Acórdão DRJ, ao analisar este item (fls 227 a 230 dos autos digitais) deixa claro que “ a fiscalização glosou créditos decorrentes de despesas com armazenagem e fretes incorridas no período de fevereiro/2004 a junho/2011 informados no DACON de junho de 2011, sob o argumento de que o aproveitamento de crédito extemporâneo não é válido á luz da legislação vigente. Ressaltou ainda da necessidade da impugnante retificar os DACON correspondentes para pleitear o crédito extemporâneo.” o mesmo Acordão DRJ, ainda analisando este item (fls 230 dos autos digitais), informa que ' quarto, a fiscalização não atestou a validade dos créditos, uma vez que o próprio auditor da ação fiscal disse “se o crédito pudesse ser apurado e informado a qualquer momento no Dacon, inviabilizaria a fiscalização das contribuições, já que qualquer procedimento teria que abranger desde o mês em que a pessoa a ser sujeita ao regime da não cumulatividade”. O período fiscalizado se restringiu a 04/2010 a 06/2012, e o crédito extemporâneo é a partir de 2004. Assim ,entendo que inexiste liquidez e certeza do crédito, nem cabe à DRF, nem a esta DRJ, apurar/reconhecer crédito não declarado, ou diverso do declarado, pela contribuinte.”. 3 – Com relação ao Relatório de Fiscalização : ainda com relação a este mesmo item, os Relatórios de Fiscalização – PER (fls. 30 a 44 dos autos digitais) e Processos (fls. 45 a 51 dos autos digitais) elaborados pela fiscalização, mais especificamente o Relatório de Fiscalização PER, traz em seu item I.D – Despesas de Armazenagem Extemporâneas, uma análise dos créditos apurados neste período. Entretanto, é de se salientar as seguintes afirmações : “ 13. Na consolidação das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda feitas a partir das planilhas apresentadas pelo contribuinte, constante da planilha anexa ao TIF Nº 9, há despesas de armazenagem incorridas no período de fevereiro/2004 a outubro/2011.' “ 14. Conforme apurado e para fins de registro, a fiscalização verificou que os valores das despesas de armazenagem incorridas no período de abril/2010 a Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 10120.720056/201485 Resolução nº 3301000.909 S3C3T1 Fl. 3.295 4 maio/2011 não foram informados nos respectivos Dacons. Quanto aos anteriores, não foi possível verificar tal fato, até porque o período de fevereiro/2004 a março/2010 não é objeto do presente procedimento.' (grifos nossos) “16. Se tal procedimento fosse válido, ainda assim os valores estariam incorretos, conforme quadro abaixo…..” “17. Este quadro e a planilha em anexo “Extemporaneidade – Despesas de Armazenagem e Fretes nas Vendas – RELATÓRIO” foram elaborados a partir da planilha mencionada no item I.E a seguir, feitos os devidos ajustes, para considerar válida, se assim fosse possível, a apropriação extemporânea dos créditos e, supondo que as despesas de armazenagem de fevereiro/2004 a março/2010 não tenham sido apropriadas em período diverso do aqui fiscalizado' (grifos nossos) “ 18. Contudo, entendemos que tal procedimento não é válido á luz da legislação, conforme demonstraremos a seguir.” neste Relatório a fiscalização, interpretando a legislação a seu modo, entende que os créditos extemporâneos devem ser analisados em fase de apuração e fase de utilização, sendo que a fase de apuração obedece aos requisitos impostos pela legislação á apuração dos créditos básicos, para concluir seu raciocínio de que os créditos extemporâneos não podem ser utilizados fora dos seus períodos de apuração. DA AUSÊNCIA DE INCLUSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS EM ARQUIVOS DIGITAIS o Acórdão DRJ, ao analisar o item Dos Bens Utilizados como Insumos – da Glosa (indevida) de créditos do PIS/PASEP e COFINS pela suposta ausência de inclusão de documentos fiscais em arquivos digitais, ás fls. 230 – 231 dos autos digitais, informa que “ A fiscalização diz que apenas os créditos das notas fiscais (uso e consumo) de aquisição de pessoa jurídica e constante dos arquivos digitais foram consideradas. Informa que as notas fiscais não encontradas nos arquivos digitais e cujos valores foram desconsiderados na apuração dos créditos de PIS e Cofins estão relacionadas na planilha "Rateio Notas Fiscais NÃO Encontradas". Por outro lado, narra a impugnante que, embora tenha se manifestado a despeito do equívoco da fiscalização, dado que as notas fiscais geradoras de créditos de PIS/PASEP e COFINS constavam do arquivo da EFD/Fiscal, parte dos créditos foram glosados pelo auditor (planilha "Rateio Notas Fiscais NÃO encontradas"). Para demonstrar que as notas fiscais listadas na planilha foram informadas no EFD/Fiscal, a requerente anexou o "DOC.06", informando o número da linha em que os documentos fiscais estão registradas no arquivo digital transmitido (número do recibo de entrega do arquivo e data de sua transmissão). Se as notas fiscais são de pessoas jurídicas e registradas nos arquivos digitais transmitidos para o SPED das respectivas competências, não vejo motivo em manter a glosa dos créditos das notas fiscais não localizadas pela fiscalização (As notas fiscais não localizadas está listada na planilha denominada "Rateio Notas Fiscais NÃO encontradas ). Ocorre que as notas fiscais juntadas pela contribuinte são de pessoas físicas ou foram (inferese) incluídas nos arquivos digitais (SPED) de outros períodos de competência/apuração11. Reproduzo parcialmente o "DOC.06 para demonstrar tal constatação.” Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10120.720056/201485 Resolução nº 3301000.909 S3C3T1 Fl. 3.296 5 já a recorrente, em sua defesa, em relação ao mesmo item, no seu recurso voluntário, ás fls. 293 dos autos digitais afirma que “ 2.7.1.5. Nesse diapasão, o Acórdão combatido buscou descaracterizar as provas carreadas pela Recorrente, afirmando que, dentre outras impropriedades, as aquisições foram realizadas de pessoas físicas. 2.7.1.6. Entretanto, ilustres Conselheiros, o que ocorreu é que a planilha juntada pela Recorrente foi em formato de "exceli", o qual, como é de conhecimento geral, despreza a informação do numeral "0" quando colocado a esquerda. Essa ação, comum em arquivos nesse formato (exceli), fez com que o CNPJ dos fornecedores que se encontram nessa situação (zero a esquerda) pareçam se referir a CPF (Exemplo: Fornecedor com CNPJ 00.048.496/000173 segue na planilha contida no DOC. 03 da Impugnação com o número 484.960.000173). 2.7.1.7. Sobreleva reiterar, como abordado em linhas anteriores, que eventual erro formal cometido no cumprimento de obrigação acessória transmitida ao banco de dados da Receita Federal do Brasil, não possui o condão de obstar direito que assiste ao contribuinte, especialmente se se provar ser este irrefutável, como o é na situação em testilha. 7. Assim, diante destes fatos narrados, entendo que o presente processo não está em condições de julgamento, antes de que tais pontos sejam esclarecidos. 8. Neste diapasão, entende este Conselheiro que o presente processo deve ser alvo de diligência, para que se esclareçam tais pontos. CONCLUSÃO 9. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem : a) diante do fato de os documentos acostados ás fls. 309 a 3.204 se constituírem em fato novo, manifestese a fiscalização sobre tais documentos; b) analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos, desprezando os critérios de apuração exigidos para os créditos básicos e considerando a data de prescrição como a data de emissão da nota de fiscal de aquisição ou contabilização de tais créditos; c) manifestese a respeito das alegações da recorrente a respeito do erro formal na informação constante da planilha Excell quanto às aquisições de pessoas físicas ou jurídicas, se são procedentes ou não; d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação. 10. Entretanto, diante da petição de fls. 3.234, apresentada pela recorrente, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. 11.Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10120.720056/201485 Resolução nº 3301000.909 S3C3T1 Fl. 3.297 6 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que se esclareçam os seguintes pontos: a) diante do fato de os documentos acostados às fls. 391 a 3.286 se constituírem em fato novo, manifestese a fiscalização sobre tais documentos; b) analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos, desprezando os critérios de apuração exigidos para os créditos básicos e considerando a data de prescrição como a data de emissão da nota de fiscal de aquisição ou contabilização de tais créditos; c) manifestese a respeito das alegações da recorrente a respeito do erro formal na informação constante da planilha Excell quanto às aquisições de pessoas físicas ou jurídicas, se são procedentes ou não; d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação. Entretanto, diante da petição de fls. 3.234 a 3.237 do processo paradigma (10120.730834/201363), apresentada pela recorrente, abrangendo os demais processos com recursos repetitivos, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 3297DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.900023/2011-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor da diligência o Conselheiro Marco Rogério Borges.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor da diligência o Conselheiro Marco Rogério Borges. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 00 02 3/ 20 11 -3 4 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 515 2 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, oferecida face r. Despacho Decisório de 14/02/2011 (fl.20) que não reconheceu os PER/DCOMPs apresentado em 01/12/2006 e 27/092007. Resumidamente, a Recorrente apresentou PER/DCOMP final 8355, retificada pela PER/DCOMP final 9563 a fim de compensar parte deste crédito de saldo negativo de CSLL com débitos de COFINS de dezembro de 2004 no valor de R$ 73.870,94 e a outra parte do saldo negativo de CSLL com débito de COFINS de maio de 2005 no valor de R$ 31.698,26 formalizado pelo PER/DCOMP final 6578. A Fiscalização não homologou as compensações ora em análise devido a não homologação de 3 compensações de estimativas de junho, julho e dezembro de 2001, que comporiam o saldo negativo de CSLL do mesmo ano de 2001. Em relação ao saldo negativo de 2001, a Recorrente fez as seguintes compensações: 1 compensou nas DCTF´s dos meses de junho e julho de 2001 débitos de CSLL com saldos negativo de CSLL proveniente do anocalendário de 2000. 2 Também compensou débitos de CSLL (estimativa) do mês de dezembro de 2001, com pagamento a maior feito por meio de DARF em novembro de 2001 referente à débito de CSLL do mês de outubro do mesmo ano. O motivo da não homologação das compensações analisadas nestes processo (PER/DCOPM final 8355 para compensar SD/2001 de CSLL com COFINS/dezembro 2004 e a PERD/COMP final 6578 para compensar SD/2001 CSLL com débito de COFINS/maio 2005), é devido ao fato de as compensações de CSLL, acima indicadas nos itens 1 e 2, que compuseram o saldo negativo do anocalendário de 2001 não teriam sido homologadas. Em relação ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, a Recorrente apurou prejuízo fiscal de R$ 868.302,85, conforme DIPJ acostada ao Recurso Voluntário e utilizou para compensar com débitos dos meses de junho e julho de 2001, conforme DCTFs acostadas ao recurso. Em relação ao recolhimento a maior feito por meio de DARF no mês de novembro de 2001 e utilizado para compensar débito do mês de dezembro de 2001, ocorreu o seguinte. Conforme exposto na DIPJ (doc. 8 acostado ao recurso voluntário), no mês de outubro de 2001 a Recorrente apurou o valor de R$ 939.328,43 a pagar e efetuou o recolhimento a maior via DARF no montante de R$ 1.052.247,35 (do. 9 do recurso). Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 516 3 Para utilizar o saldo recolhido a maior, a Recorrente utilizou a diferença paga a mais de R$ 112.918,92 para compensar parte do débito de CSLL do mês de dezembro de 2001 no valor de R$ 8.849,40 (doc. 10 do recurso). O r. Despacho Decisório de 14/02/2011 (fl. 20), não homologou as compensações afirmando que o saldo negativo disponível era igual a zero e apontou o valor devedor consolidado até 28/02/2011, correspondente aos débitos indevidamente compensados no importe de R$ 132.547,28 de principal, multa de R$ 26.509,45 e Juros de R$ 92.245,50 A Unidade Preparadora, apresenta informações complementares a respeito da análise do saldo negativo, às fls. 58/60: • Demonstra a confirmação do total de pagamentos + estimativas compensadas com outros pagamentos indevidos ou a maior: R$ 7.002.633,80; • Relata que NÃO confirmou as estimativas compensadas na contabilidade com saldo negativo de períodos anteriores. • Informa que documentos considerados na análise do direito creditório estão arquivados no processo 16312.001296/200980, fls. 424 a 762, documentos estes que foram juntados ao Processo ora em análise, fls. 74/420, conforme Despacho de fls. 421. Em relação ao saldo recolhido a maior, a Recorrente alega que preenche a DCTF de forma equivocada, pois informou que o crédito seria originado de saldo negativo, quando deviria ter indicado no campo da DCTF "tipo de crédito" pagamento indevido a maior. Devido a tal fato, requer seja respeitado o princípio do devido processo legal e sejam reconhecidas os pedidos de compensação. Em relação as todas as compensações feitas, que originaram o saldo negativo de 2001, a Recorrente alega que ocorreu homologação tácita, eis que a fiscalização nunca se pronunciou sobre este crédito. Alega que demonstrou contabilmente o saldo negativo referente a ano calendário de 2001. Sendo assim, aduz que não há que se falar em inexistência de direito creditório pela autoridade fiscal, já que, por força da homologação tácita da compensação, inequívoca a existência do crédito no valor de R$ 961.443,23 (somatório das compensações das antecipações de CSLL nos seguintes montantes: R$ 89.341,76 junho – R$ 863.252,07 junho – e R$ 8.849,49 dezembro) referente as compensações declaradas em DCTF no ano de 2001. A DRJ negou provimento ao manifestação de inconformidade da Recorrente, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 Fl. 516DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 517 4 PER/DCOMP HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Homologação tácita do PER/DCOMP não significa dizer que o crédito pleiteado tenha sido reconhecido, mas sim, que os débitos apontados não poderão ser cobrados. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Não cabe homologação de compensação cuja liquidez e certeza dos créditos apontados não foram comprovadas Basicamente, o v. acórdão afastas a alegação de que teria ocorrido homologação tácita e em relação as demais alagações fundamentou o seguinte: 7. Inicialmente cabe lembrar que para que sejam homologadas as compensações pleiteadas pelo contribuinte, é necessário que o crédito indicado seja líquido e certo, conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifei) 8. O ônus da comprovação do crédito é do interessado que apresentou o PER/DCOMP, nos termos do artigo 333 do CPC. 9. O Impugnante começa sua Manifestação de Inconformidade com as seguintes alegações: O motivo da não homologação decorre de que 3 compensações (antecipações de CSLL de junho, julho e dezembro de 2001) que compuseram o Saldo Negativo de CSLL do AC 2001, supostamente, não foram homologadas. A análise das compensações efetuadas em 2001 pelo agente fiscal é extemporânea, vez que as referidas compensações encontramse homologadas tacitamente. .... Até a presente data não recebeu qualquer despacho decisório ou intimação que informasse não terem sido homologadas as compensações efetuadas. Portanto, da data de entrega das declarações até a presente data, já transcorreram mais de 5 anos sem qualquer manifestação da Receita Federal. A Lei 9430/96, em seu art. 74, §5°, é clara em relação ao prazo de compensações, assim como a IN/SRF/900, em seu §2° do art 37. ... Sendo assim, não há que se falar em inexistência de direito creditório pela autoridade fiscal, já que, por força da homologação tácita da compensação, inequívoca a existência do crédito no valor de R$ 961.443,23 (somatório das compensações das antecipações de CSLL Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 518 5 nos seguintes montantes: R$ 89.341,76 junho – R$ 863.252,07 junho – e R$ 8.849,49 dezembro) referente as compensações declaradas em DCTF no ano de 2001. 10. É certo que o § 5° do artigo 74 da Lei 9430/96, estabelece prazo para homologação da DCOMP, conforme segue: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) 11. Mas, o mesmo artigo 74, estabelece: Art 74.... § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) 12. No entanto, a HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PER/DCOMP não significa dizer que o crédito pleiteado tenha sido reconhecido, mas sim, que os débitos apontados no PER/DCOMP não poderão ser cobrados. 13. Tal entendimento encontra amparo na Solução de Consulta Interna COSIT nº 16, de 18/07/2012, que, de acordo com a Portaria RFB nº 3.222 de 08/08/2011, art. 6º, tem efeito vinculante em relação às unidades da RFB e conclui: 31.1. Após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. 31.2. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de Dcomps homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos.(grifei) Fl. 518DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 519 6 14. A mesma interpretação aplicase as compensações efetivadas antes do PER/DCOMP, ou seja, a Receita Federal tem que verificar a origem, o valor e a certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, haja vista a disposição do artigo 170 do CTN. Verificada a inexistência de créditos compensáveis tem o dever de não homologar as compensações pleiteadas, ficando apenas impedida de cobrar os débitos não compensados. 15. Às fls. 75 consta Informação da Análise do PERDCOMP 36813.30367.1.7.039563, cópia do processo 16312.001296/200980, conforme Despacho de fls. 421: O contribuinte transmitiu os PERDCOMP de n° 36.813.30367.270907.1.7.039563 (principal), retificador do 07095.15918.301106.1.3.038355 e o 24561.75146.011206.1.3.036578, informando na inicial (principal) parte do valor do crédito já tinha utilizado maior parte dos valores e compensação sem processo em 2002. Na análise do Saldo Negativo AC 2001, intimamos o contribuinte para que esclarecesse a natureza do crédito, bem como o ano calendário que foi utilizado na liquidação das estimativas que compuseram o saldo negativo de 2000, visto que este por sua vez foi utilizado na liquidação das estimativas que compuseram o saldo negativo de 2001. O contribuinte apesar de intimado e reintimado não respondeu a natureza do crédito, bem como o ano calendário que foi utilizado na liquidação das estimativas que compuseram o saldo negativo de 2000 visto que este por sua vez foi utilizado na liquidação das estimativas que compuseram o saldo negativo de 2001. Vale ressaltar que, mesmo que fosse reconhecido totalmente o direito creditório original de R$ 7.964.077,03 do saldo negativo, este não comportaria as compensações pleiteadas pelo contribuinte, já que foram totalmente exauridos conforme cálculo do SAPO. Salientamos que nos Anos calendário de 1995 a 1999, somente 1995 apresentou SN de R$ 189.893,24 e mesmo que tivesse sido utilizado, este seria totalmente insuficiente para as compensações efetuadas – vide cálculo do SAPO. Informamos no SCC (quadro demonstrativo) os valores compensados sem processo, bem como não reconhecemos a compensação das estimativas de R$ 961.443,23. 16. Às fls. 59 consta demonstrativo dos valores que não foram confirmados e às fls. 80/82, demonstrativo das compensações com utilização do SN.. 17. O Interessado tenta demonstrar a existência do crédito apenas com informações da DIPJ, não trazendo com a Manifestação de Inconformidade os registros contábeis que amparam suas afirmativas, única forma de comprovar suas alegações. Notase que durante o procedimento de análise do crédito o interessado apresentou apenas ao Auditor, demonstrativos denominados “movimentação contábil” e “eventos financeiros”, como se constata às fls. 406/412. 18. Quanto a alegação: Fl. 519DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 520 7 As compensações pretendidas devem ser consideradas e incluídas no saldo negativo do ano de 2001, conforme a requerente o fez, levandose em conta ter, na PER/DCOMP 36813.30367.270907.1.7.039563 (DOC 07), informado o saldo negativo total no valor de R$ 7.964.077,03, devidamente em acordo com a DIPJ referente àquele ano (doc 08). 19. Não basta que o Saldo Negativo apontado na DCOMP esteja informado na DIPJ, mas é necessário que as parcelas que o compõem sejam comprovadas, o que não ocorreu no presente caso. 20. O contribuinte segue suas argumentações alegando: A requerente, no encerramento do ano calendário de 2000, apurou prejuízo fiscal, restando, assim, saldo negativo de CSLL no valor de R$ 868.302,85, conforme DIPJ do ano calendário de 2000 (doc 03). No mês de outubro de 2001, conforme DIPJ daquele ano (doc 08), foi apurado o valor de CSLL do mês de outubro a pagar no montante de R$ 939.328,4. O recolhimento foi efetuado vida DARF. No entanto, o DARF recolhido em novembro de 2001 perfaz o valor de R$ 1.052.247,35 (doc. 09), ou seja, foi recolhido valor maior que o devido naquele mês. De modo a aproveitar o crédito obtido junto à Receita em razão do recolhimento a maior, foi utilizado o saldo remanescente de R$ 112.918,92 para compensar parte do valor de CSLL devido no mês de dezembro de 2001, no valor de R$ 8.849,40, conforme planilha de controle (doc 10). Apesar disso, equivocadamente, foi informado em DCTF (doc. 11) que o valor compensado originouse de saldo negativo. A autoridade fazendária, todavia, deve considerar a compensação efetuada, vez que a administração pública e o processo administrativo devem se pautar pelo princípio da verdade material. O que ocorreu foi um equívoco no preenchimento da DCTF especificamente no campo "tipo de crédito” onde na original foi informado incorretamente “CSLL saldo negativo” sendo que o correto seria “pagamento indevido a maior”. O que ocorreu foi um erro formal, mas na realidade o recolhimento indevido realmente existiu e por isso a Requerente deve ter seu direito creditório reconhecido. 21. Na cópia de DCTF, juntada aos autos, fls. 378, consta no período de apuração outubro/2001 PA 31/10/2001 o valor de R$ 1.052.247,35 E NÃO R$ 939.328,4, como informou na DIPJ; sendo importante destacar que a DIPJ, é declaração meramente informativa, não constituindo confissão de dívida. 22. Desde o anocalendário de 1998 a DIRPJ (Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica) foi substituída pela DIPJ (Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica), conforme IN SRF nº 127/98 (artigos 1º e 6º), deixando de figurar entre os veículos de confissão de débitos e passando a ter caráter meramente informativo. 23. Com a extinção da DIRPJ, a confissão de dívidas passou a ser feita apenas na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), criada pela IN SRF nº 126/98 (artigo 1º). Fl. 520DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 521 8 24. Além do acima exposto, consultando sistema da RFB, cuja tela ora junto aos autos, fls. 423, constatei que o DARF mencionado, cuja cópia o contribuinte juntou às fls. 54, foi devidamente alocado ao débito confessado em DCTF. 25. Cabe destacar ainda, que conforme estabelece o Código Tributário Nacional, art. 147, § 1°: "A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento." 26. Importante ainda destacar mais uma vez a afirmação do Auditor que analisou a DCOMP às fls. 75, e demonstrou a inexistência de crédito às fls. 80/81, conforme segue: O contribuinte apesar de intimado e reintimado não respondeu a natureza do crédito, bem como o ano calendário que foi utilizado na liquidação das estimativas que compuseram o saldo negativo de 2000 visto que este por sua vez foi utilizado na liquidação das estimativas que compuseram o saldo negativo de 2001. Vale ressaltar que, mesmo que fosse reconhecido totalmente o direito creditório original de R$ 7.964.077,03 do saldo negativo, este não comportaria as compensações pleiteadas pelo contribuinte, já que foram totalmente exauridos conforme cálculo do SAPO. Salientamos que nos Anoscalendário de 1995 a 1999, somente 1995 apresentou SN de R$ 189.893,24 e mesmo que tivesse sido utilizado, este seria totalmente insuficiente para as compensações efetuadas – vide cálculo do SAPO. 27. Notase que em nenhum momento o Interessado refutou a declaração do Auditor, acima transcrita de que, mesmo que fosse reconhecido totalmente o direito creditório original de R$ 7.964.077,03 do saldo negativo, este não comportaria as compensações pleiteadas pelo contribuinte, já que foram totalmente exauridos conforme cálculo do SAPO. Salientamos que nos Anoscalendário de 1995 a 1999, somente 1995 apresentou SN de R$ 189.893,24 e mesmo que tivesse sido utilizado, este seria totalmente insuficiente para as compensações efetuadas – vide cálculo do SAPO. 28. Face o exposto, REJEITO as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade e NÃO HOMOLOGO as compensações pleiteadas pelo Contribuinte, confirmando assim o Despacho Decisório emitido. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo os mesmos argumentos postos na impugnação e junta novamente os documentos que já constam no processo. É o relatório. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 522 9 Voto Vencido: Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Da alegação relativa a homologação tácita: A Recorrente alega que ocorreu a homologação tácita nas compensações feitas em DCTF´s no anocalendário de 2001 (fls. 28/32), que compuseram o saldo negativo de CSLL que se pretende utilizar para compensar com débitos de COFINS de dezembro de 2004 e maio de 2005 na PER/DCOMPs 07095.15918.301106.1.3.038355 (retificada pela 36813.30367.270907.1.7.039563) e na PER/DCOMP 24561.75146.011206.1.3.036578, vejamos. Os créditos de saldo negativo oriundos das compensações de estimativas dos meses de junho, julho e dezembro, feitas por meio das DCTF´s no anocalendário de 2001, que compuseram o crédito de saldo negativo de CSLL do mesmo ano 2001 que se pretende compensar com débitos de COFINS por meio de PER/DCOMPs apresentadas em 01/12/2006 e 27/09/2007 (retificadora), entendo que foram sim atingidos pela homologação tácita. Vejamos. Inicialmente, em relação a manifestação da fiscalização proferida nos autos do processo 16327.001296/200980, negando a regularidade destes créditos do anocalendário de 2001 e que foi utilizada para fundamentar o v.acórdão recorrido, cujas partes foram acostadas a este processo pela Unidade Preparadora às fls. 75/81, entendo que não servem para afastar a alegação de homologação tácita da Recorrente, eis que nos documentos do processo 16327.001296/200980, não consta qualquer informação sobre a data desta manifestação fiscal, o que leva a crer que a manifestação ali contida só ocorreu após o ano de 2009. Assim, de acordo com os documentos que constam nos autos, a primeira manifestação fiscal específica sobre os créditos que compuseram o saldo negativo do ano calendário de 2001, foi no Despacho Decisório proferido neste processo com data de 14/02/2011 (fl 20). E mesmo que tivesse sido feita no outro processo de numero 16327.001296/200980 (ano de 2009), a homologação tácita já teria ocorrido eis que só teria sido feita no ano de 2009, quando já passado mais de cinco anos. Ademais, para afastar qualquer dúvida que se possa ter no julgamento deste Recurso Voluntário, mesmo que a Recorrente tenha recebido em 26/03/2007 (fl. 286) o Termo Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 523 10 de Intimação para retificar o PER/DCOPM final 8355 e tendo retificado em 23/09/2007 por meio da PER/DCOMP final 9563, o crédito de saldo negativo que consta nestas duas PER/DCOMPs não alteraram as compensações que foram feitas nos anos de 2000 e de 2001 (estimativas dos meses de junho, julho e dezembro de 2001) por meio de DCTFs e que compuseram o saldo negativo do anocalendário de 2001. E mesmo que alterasse o crédito a homologação tácita já teria ocorrido, eis que as compensações que foram feitas por meio das DCTFs ocorreram anocalendário de 2001 e a intimação para retificar a PER/DCOMP 07095.15918.301106.1.3.038355 ocorreu em 26/03/2007, ou seja mais de cinco anos depois. Vejam D. Julgadores, estamos falando da possibilidade se ser analisada a compensação de um crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, que foi utilizado para compensar por meio de DCTFs estimativas dos meses de junho e julho do ano calendário de 2001, que em seguida compuseram o saldo negativo do mesmo anocalendário de 2001, que por sua vez foi utilizado para compensar com débitos de COFINS de dezembro de 2004 e maio de 2005. No mesmo sentido, também se aplica a homologação tácita em relação ao crédito do mês de dezembro de 2001, onde o crédito surgiu devido ao pagamento a maior (feito por meio de DARF em novembro de 2001) relativo a estimativa do mês de outubro e foi compensada a diferença no importe de R$ 112.918,92 com débito de CSLL de R$ 8.849,40 do mês dezembro de 2001, compondo em seguida o saldo negativo do anocalendário de 2001, que foi utilizado para compensar com os débitos de COFINS nas PER/DCOMPs em analise neste processo. Não estamos falando de decadência do direito de a fiscalização lançar de ofício (Auto de Infração), mas de homologação tácita de pedidos de compensação feitos a muito mais de cinco anos antes da primeira manifestação da fiscalização. Desta forma, entendo que o motivo utilizado pela D. Auditoria Fiscal no r. Despacho Decisório do dia 14/02/2011 (fl.20) para não homologar as compensações analisadas neste processo, feitas por meio dos PERD/DCOMPs com crédito de saldo negativo de CSLL e débitos de COFINs de dezembro de 2004 e maio de 2005, deve ser afastado. Ou seja, o fato de a fiscalização constatar alguma irregularidade nas compensações das estimativas dos meses de junho, julho e dezembro de 2001, feitas por meio de DCTF´s no anocalendário de 2001 e que compuseram o saldo negativo de CSLL que se pretende compensar com débitos de COFINS de dezembro de 2004 e maio de 2005 nos PER/DCOMPs em analise neste processo, não afasta a homologação tácita das compensações feitas por meio das DCTFs no anocalendário de 2001, eis que as possíveis irregularidades no saldo negativo do anocalendário de 2001 foram verificadas após cinco anos da apresentação do pedido. Este entendimento encontrase albergado no § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, atualmente, o § 2º do art. 73, da Instrução Normativa nº 1.717/2017: “Lei nº 9.430/96 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 524 11 Art. 74. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...) IN nº 1.717/2017 Art. 73. (...) § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” A jurisprudência deste E. CARF/MF também vai no mesmo sentido de entendimento: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999,2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PER DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Conforme § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considerase tacitamente homologada a compensação efetuada.” Complementando meu raciocínio, no presente caso, as estimativas da CSLL compensadas em junho, julho e dezembro de 2001 foram realizadas com crédito originário de saldo negativo de CSLL do ano calendário do ano 2000. Conforme se verifica na DIPJ do AC 2000 acostada no Recurso Voluntário, onde indica que foi apurado CSLL no montante de R$ 4.556.129,52, no entanto, foram recolhidos R$ 5.424.432,37, o que acarretou no Saldo Negativo de CSLL no montante de R$ 868.302,85. Assim, a Autoridade Administrativa não poderia sequer ter questionado a existência do crédito utilizado para compensar as estimativas de CSLL de junho, julho e dezembro de 2001, eis que importaria em revisão do saldo negativo do anocalendário de 2000, Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 525 12 o que já não poderia mais ocorrer em razão do transcurso de mais de 5 anos entre a entrega da DIPJ ocorrida em junho de 2001 (fls. 21/27), ocorrendo neste caso a decadência do direito de lançar de ofício caso fosse verificado imposto a pagar, bem como a homologação tácita na hipótese de compensação. Desta forma, acolho a alegação de que ocorreu homologação tácita das compensações de estimativas do ano de 2001, que compuseram o saldo negativo do mesmo anocalendário de 2001 e reconheço o crédito de R$ 961.443,23 (somatório das compensações das antecipações de CSLL nos seguintes montantes: R$ 89.341,76 junho – R$ 863.252,07 julho – e R$ 8.849,49 dezembro) e homologo as compensações analisadas neste processo até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Voto Vencedor: Conselheiro Marco Rogério Borges Redator Designado O i. relator, no seu brilhante e detalhado voto, como é de costume nesta turma, entendeu que ocorreu homologação tácita de estimativas do ano de 2001, que compuseram o saldo negativo do mesmo anocalendário de 2001, reconhecendo o direito creditório pleiteado pela recorrente. Contudo, no entender do colegiado, por votação de qualidade, ousamos discordar do i. relator, entendendo que não há elementos nos autos que permitam a decisão pretendida pelo nobre relator, havendo a necessidade de maiores detalhamentos dos fatos descritos nos autos, que não se mostraram hábeis o bastante para permitir o julgamento da lide. A discussão gira em relação ao crédito no valor de R$ 961.443,23, referente ao somatório das compensações das antecipações de CSLL de junho/2001 (valor de R$ 89.341,76), julho/2001 (R$ 863.252,07) e dezembro/2001 (R$ 8.849,49), cujas compensações foram declaradas em DCTF no ano de 2001. Nos debates que se seguiram à apresentação do voto, entenderam alguns conselheiros do colegiado que não estava bem esclarecido o direito material em discussão, o que suscitou a votação, acabando decidindo pela maioria qualificada convertendo o presente processo em diligência para maior análise dos elementos fáticos postos nos autos. A questão se insere na dúvida de realmente estes valores pleiteados de 2001 não foram homologados então, quando compensados em DCTF, sem processo. A recorrente alega Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 526 13 que foram homologadas tacitamente, e o despacho decisório glosou tais valores, por não terem sido confirmadas. Perfilandome na opinião que a homologação tácita do PER/Dcomp decorre do débito informado no mesmo, e não necessariamente do direito creditório, pois este pode vir compor um saldo que avança no tempo. Quando utilizado é que iniciase a contagem temporal para manifestação da autoridade fiscal. O saldo negativo da CSLL (do caso concreto) tem que ser verificado na sua origem para apurar sua liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN. Nos autos não se encontra esta comprovação. Para evitar que a discussão se restrinja aqui se a homologação tácita é sobre o débito informado ou o direito creditório pleiteado em PER/Dcomp, cabe uma análise material do direito em questão, para averiguar se realmente existe, algo que entendemos, após debate no colegiado, que não estava claro nos autos, e que em cuja votação, acabou preponderando a decisão de converter o processo administrativo em diligência. Neste cenário, considerando a importância de uma análise mais detida de tal situação, fundado na existência ou não do direito creditório pleiteado, algo que não pode ser feito a contento neste CARF, até por eventuais necessidades de esclarecimentos adicionais, o que só poderia ser obtido na unidade de origem, entendeu o colegiado, na sua maioria qualificada, oportuno a conversão do presente julgamento em diligência, no qual fui designado para ser o redator do voto vencedor. Por conseguinte, encaminhese a presente diligência em que a autoridade fiscal designada, em relação ao direito creditório pleiteado, analise sua existência. A autoridade fiscal poderá trazer aos autos, utilizandose dos meios que entender necessários, qualquer elemento ou informação, mesmo que não contemplado nos explicitado acima, mas que no seu entender seja relevante para um melhor resultado da diligência. Caso entendido necessário, seja intimado a recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos complementares e adicionais julgado devidos no que concerne a questão supramencionada. Após estas providências, elabore relatório DETALHADO e CONCLUSIVO circunstanciando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios necessários. Do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no parágrafo anterior, cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, para prosseguimento de seu julgamento. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16327.900023/201134 Resolução nº 1402000.687 S1C4T2 Fl. 527 14 Destarte, PROPONHO A CONVERSÃO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, o qual já foi acatado pelo colegiado, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 527DF CARF MF
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