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Numero do processo: 10830.013353/2010-31
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTOS. REGRA DO ART. 173 DO CTN. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4o, do CTN, quando ausentes dolo, fraude ou simulação. A falta do pagamento antecipado, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. CONFRONTO DECLARADO/ ESCRITURADO. E devido pela pessoa jurídica os tributos apurados em sua escrituração fiscal e demonstrada na DIPJ, que não tenha sido objeto de recolhimento e nem de confissão em DCTF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº2). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA DECORRÊNCIA. APLICAÇÃO. Tratando-se de lançamento reflexo, qual seja, calcado nas mesmas infrações autuadas em outro processo, dito principal, cumpre aplicar no julgamento deste o princípio da decorrência, repercutindo a mesma decisão daquele quanto ao mérito. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE
LIVROS E DOCUMENTOS. A não apresentação da escrituração obrigatória
para o optante do Lucro Real, bem como dos documentos atinentes às suas
operações, autoriza o arbitramento do lucro. Nos percentuais de apuração do
lucro arbitrado já se consideram os custos inerentes à atividade desenvolvida.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA
DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Para a imposição da multa de ofício
com agravamento em 50% de seu percentual original é preciso que a “falta de
atendimento” tenha caráter de omissão total, ou seja, a contribuinte não
forneça qualquer informação, ou procrastine as respostas, sempre de modo a
dificultar o procedimento do Fisco; ou, ainda, forneça as informações e
respostas evasivamente, sem qualquer conteúdo, em evidente intuito de
obstaculizar a ação fiscal.
OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA DE PIS E COFINS. A omissão de receita enseja
a apuração de todos tributos e contribuições subtraídos à tributação, entre os
quais se destacam o Pis e a Cofins, porque incidentes sobre o faturamento,
entendido como a receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante, à
espécie, a metodologia de cálculo adotada para a determinação do lucro da
pessoa jurídica.
Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
Numero da decisão: 1402-000.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário; 2) negar provimento ao recurso de ofício. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTOS. REGRA DO ART. 173 DO CTN. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4o, do CTN, quando ausentes dolo, fraude ou simulação. A falta do pagamento antecipado, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. CONFRONTO DECLARADO/ ESCRITURADO. E devido pela pessoa jurídica os tributos apurados em sua escrituração fiscal e demonstrada na DIPJ, que não tenha sido objeto de recolhimento e nem de confissão em DCTF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº2). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA DECORRÊNCIA. APLICAÇÃO. Tratandose de lançamento reflexo, qual seja, calcado nas mesmas infrações autuadas em outro processo, dito principal, cumpre aplicar no julgamento deste o princípio da decorrência, repercutindo a mesma decisão daquele quanto ao mérito. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 2 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A não apresentação da escrituração obrigatória para o optante do Lucro Real, bem como dos documentos atinentes às suas operações, autoriza o arbitramento do lucro. Nos percentuais de apuração do lucro arbitrado já se consideram os custos inerentes à atividade desenvolvida. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Para a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original é preciso que a “falta de atendimento” tenha caráter de omissão total, ou seja, a contribuinte não forneça qualquer informação, ou procrastine as respostas, sempre de modo a dificultar o procedimento do Fisco; ou, ainda, forneça as informações e respostas evasivamente, sem qualquer conteúdo, em evidente intuito de obstaculizar a ação fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DE PIS E COFINS. A omissão de receita enseja a apuração de todos tributos e contribuições subtraídos à tributação, entre os quais se destacam o Pis e a Cofins, porque incidentes sobre o faturamento, entendido como a receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante, à espécie, a metodologia de cálculo adotada para a determinação do lucro da pessoa jurídica. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário; 2) negar provimento ao recurso de ofício. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório GASFORTE COMBUSTIVEIS E DERIVADOS LTDA recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para Integração Social Pis, lavrados em 27/09/2010, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 10.559.364,77, incluindo multa de ofício agravada (112,50%) e juros de mora calculados até 31/08/2010, em razão do arbitramento do lucro e da constatação de omissão de receita da revenda de álcool carburante e de combustíveis derivados de petróleo, no ano calendário 2007, conforme discriminado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 36/42: “1. No exercício das funções do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal 0810400200800947 4, procedemos à verificação relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Insuficiência de Declaração e Recolhimento, para o anocalendário 2007, do contribuinte acima identificado, tendo apurado os fatos e adotado os seguintes procedimentos: 2. Foi efetuado em 17/12/2009 o encerramento parcial do MPF referente ao ano de 2004, 2005 e 2006, lavrando Autos de Infração, formalizados através dos processos administrativos n °. 10830.017460/200902 e 10830.017461/200949. 3. Os débitos formalizados nesta ocasião em nome do sujeito passivo totalizaram o montante de R$ 886.915,57 e excederam a trinta por cento de seu patrimônio conhecido, por este motivo foi efetuado o arrolamento de bens formalizado através dos processo administrativo n °. 10830.017459/200970 DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS 4. Dando continuidade à fiscalização demos ciência ao representante legal do contribuinte do Termo de Intimação Fiscal, em 10/02/2010, solicitando os seguintes documentos: Livros Diário, Razão, LALUR, Balancetes de Verificação e Demonstração de resultado referentes ao anocalendário 2007 e planilhas em papel e meio magnético (excel), contendo o resumo das vendas de combustíveis do ano 2007, por mês de competência e por produto. 5. O contribuinte não apresentou os documentos solicitados, lavramos Termo de Intimação Fiscal em 07/04/2010, reintimando o contribuinte a apresentar os documentos. Alertamos o contribuinte que a não apresentação dos livros e documentos acarretaria no ARBITRAMENTO DO LUCRO conforme previsto nos Fl. 395DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 4 Arts. 529, 530 c/c 251, 258, 259, 260 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. 6. Em 16/04/2010 o contribuinte apresentou planilhas em papel timbrado onde constam as vendas realizadas no período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Na ocasião solicitou prazo de mais 10 (dez) dias para a entrega dos outros documentos solicitados. 7. Em 02/06/2010, comparecemos ao endereço do contribuinte para dar ciência de novo Termo de Intimação Fiscal. Intimamos o contribuinte a apresentar os seguintes documentos: a livros Diário, Razão, LALUR, Balancetes de Verificação e Demonstração de resultado referentes ao anocalendário 2007. b Com relação às planilhas das vendas realizadas por essa empresa no período de jan/2007 a dez/2007, enviadas a esta fiscalização federal através da correspondência datada de 16/04/2010, constatamos que para os meses de junho/2007 a out/2007 não foram relacionadas vendas. Assim sendo fica a empresa intimada a ratificar se a planilha apresentada contempla todas as vendas efetuadas pela fiscalizada no anocalendário de 2007. c Apresentar Cópia de todas as GIA’s apresentadas à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, referente ao período de janeiro/2007 a dezembro/2007; 8. Em 22/06/2010 o contribuinte compareceu as dependências desta delegacia e apresentou os seguintes documentos: a Declaração que a empresa não operou no período de junho de 2007 a outubro de 2007 pelo motivo de suspensão temporária da Inscrição Estadual da Secretaria da Receita EstadualSP. b Cópias das GIA’s apresentadas à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, exceto mês de junho/2007. 9. Na ocasião lavramos Termo de Intimação Fiscal, solicitando o seguinte: a Apresentar os documentos solicitados anteriormente nos Termos de Intimação Fiscal de 11/11/2009, 17/12/2009, 10/02/2010, 07/04/2010 e 07/06/2010, ou seja, os livros Diário, Razão, LALUR, Balancetes de Verificação e Demonstração de resultado referentes ao anocalendário 2007; b Apresentar Cópia da GIA apresentada à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, referente ao período de junho/2007; c Planilhas em papel e meio magnético (excel), contendo o resumo das vendas de combustíveis do ano 2007, das filiais, por mês de competência e por produto; d Apresentar Cópia de todas as GIA’s apresentadas às Secretarias da Fazenda do Estado da Bahia e do Espírito Santo, referente ao período de janeiro/2007 a dezembro/2007; 10. Em 13/07/2010 o contribuinte apresentou os seguintes documentos: planilhas em papel e meio magnético das vendas realizadas no período de janeiro a dezembro/2007 da filial na Bahia, CNPJ 34.399.899/000693. Declaração que não houve movimentação na filial do Espírito Santo. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 5 Solicitou prazo de 10 (dez) dias para a entrega da documentação faltante. 11. Lavramos Termo de Intimação Fiscal, em 13/07/2010, solicitando o seguinte: a Apresentar os documentos solicitados anteriormente nos Termos de Intimação Fiscal de 11/11/2009, 17/12/2009, 10/02/2010, 07/04/2010, 07/06/2010 e 22/06/2010 ou seja, os livros Diário, Razão, LALUR, Balancetes de Verificação e Demonstração de resultado referentes ao anocalendário 2007; b Apresentar Cópia da GIA apresentada à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, referente ao período de junho/2007; c Apresentar Cópia de todas as GIA’s apresentadas às Secretarias da Fazenda do Estado da Bahia, referente ao período de janeiro/2007 a dezembro/2007; 12. O contribuinte apresentou em 16/08/2010 cópias das GIA’s da filial Bahia (Jequié) dos meses de 06/2007 a 12/2007. 13. Em 16/08/2010, lavramos novo Termo de Intimação Fiscal, solicitando o seguinte: a Explicar o motivo das seguintes divergências entre os valores das vendas realizadas apresentadas pela empresa a esta fiscalização federal e GIA’s apresentadas à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo no período de jan/2007 a dez/2007: Vendas Realizadas pela Matriz Paulínia AH GC GCA GCC GCE OD Total jan/07 R$ 241.430,00 R$ 197.630,00 R$ 31.050,00 R$ 1.326.250,00 R$ 449.020,00 R$ 139.395,00 R$ 2.384.775,00 fev/07 R$ 11.360,00 R$ 197.535,00 R$ 20.400,00 R$ 249.700,00 R$ 440.650,00 R$ 171.045,00 R$ 1.090.690,00 mar/07 R$ 162.130,00 R$ 566.725,00 R$ 162.725,00 R$ 13.250,00 R$ 904.830,00 abr/07 R$ 51.500,00 R$ 194.690,38 R$ 10.300,00 R$ 256.490,38 mai/07 R$ 130.360,00 R$ 130.360,00 jun/07 R$ 0,00 jul/07 R$ 0,00 ago/07 R$ 0,00 set/07 R$ 0,00 out/07 R$ 0,00 nov/07 R$ 433.350,00 R$ 433.350,00 dez/07 R$ 292.250,00 R$ 292.250,00 R$ 1.270.880,00 R$ 1.013.390,00 R$ 246.140,38 R$ 1.586.250,00 R$ 1.052.395,00 R$ 323.690,00 R$ 5.492.745,38 GIA's 2007 Estado de São Paulo Data Referência Saída jan07 1.653.625,00 fev07 1.061.640,00 mar07 908.050,00 abr07 124.219,50 mai07 16.512.239,12 jun07 2.193.963,01 nov07 360.320,00 dez07 5.313.903,87 28.127.960,50 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 6 Obs: Nos valores das GIA's já estão excluídos as saídas para armazenagem (código 5.663). 14. Em 13/09/2010 o contribuinte solicitou prazo de 10 (dez) dias para atendimento. 15. Diante da não apresentação de documentos solicitados, constatamos as seguintes matérias para o ano calendário de 2007: A OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAIS REVENDA DE COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO 16. Constatamos que não obstante a diversas intimações para apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termos Intimação Fiscal de 11/11/2009, 17/12/2009, 10/02/2010, 07/04/2010, 07/06/2010, 22/06/2010, 13/07/2010 e 16/08/2010 deixou de apresentálos, ficando sujeito ao ARBITRAMENTO DO LUCRO conforme previsto nos Arts. 529, 530 c/c 251, 258, 259, 260 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. 17. Constatamos que, para o anocalendário de 2007, a empresa entregou Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, com tribulação pelo Lucro Real Trimestral, totalmente zerada. Também apresentou DACON e DCTF zeradas para o anocalendário 2007. 18. Totalizamos as planilhas de vendas realizadas de gasolina e óleo diesel entregues pelo contribuinte, houve o seguinte montante de vendas efetuadas pela matriz no período de janeiro a abril de 2007: GC GCA GCC GCE OD Total jan/07 R$ 197.630,00 R$ 31.050,00 R$ 1.326.250,00 R$ 449.020,00 R$ 139.395,00 R$ 2.143.345,00 fev/07 R$ 197.535,00 R$ 20.400,00 R$ 249.700,00 R$ 440.650,00 R$ 171.045,00 R$ 1.079.330,00 mar/07 R$ 566.725,00 R$ 162.725,00 R$ 13.250,00 R$ 742.700,00 abr/07 R$ 51.500,00 R$ 194.690,38 R$ 10.300,00 R$ 256.490,38 R$ 1.013.390,00 R$ 246.140,38 R$ 1.586.250,00 R$ 1.052.395,00 R$ 323.690,00 R$ 4.221.865,38 19. Sendo assim, as receitas apuradas e informadas pelo contribuinte e também declaradas em suas GIA’s GUIAS DE INFORMAÇÕES E APURAÇÃO DO ICMS serão tributados como OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR RECEITA OPERACIONAL OMITIDA, com tributação pelo Lucro Arbitrado. 20. Desta forma, concluise que houve omissão de receitas operacional, proveniente de revenda de combustíveis derivados de petróleo, nos montantes e períodos já relacionados, no item 18, conforme o disposto nos artigos 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. B OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS REVENDA DE COMBUSTÍVEIS ÁLCOOL CARBURANTE 21. Para o álcool hidratado, o contribuinte apresentou relação de notas fiscais de vendas, para a matriz e filial Bahia, nos seguintes totais: Filial Bahia Matriz Total AH AH AH Fl. 398DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 7 jan/07 R$ 2.210.079,98 R$ 241.430,00 2.451.509,98 fev/07 R$ 986.924,96 R$ 11.360,00 998.284,96 mar/07 R$ 966.674,55 R$ 162.130,00 1.128.804,55 abr/07 R$ 991.300,02 991.300,02 mai/07 R$ 1.307.704,64 R$ 130.360,00 1.438.064,64 jun/07 R$ 1.202.101,24 1.202.101,24 jul/07 R$ 433.150,05 433.150,05 ago/07 R$ 87.205,00 87.205,00 set/07 R$ 263.460,72 263.460,72 out/07 R$ 256.650,02 256.650,02 nov/07 R$ 245.370,00 R$ 433.350,00 678.720,00 dez/07 R$ 2.270.530,00 R$ 292.250,00 2.562.780,00 R$ 11.221.151,18 R$ 1.270.880,00 R$ 12.492.031,18 22. O contribuinte também apresentou cópias das GIA’s GUIAS DE INFORMAÇÕES E APURAÇÃO DO ICMS apresentada à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e confirmadas pela fiscalização através de consulta efetuada ao sistema de pesquisa de GIA’s existente nesta delegacia. 23. Na tabela a seguir, reproduzimos mensalmente o valor informado pelo contribuinte em suas GIA’s GUIAS DE INFORMAÇÕES E APURAÇÃO DO ICMS: GUIA DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS GIA GIA 2007 Data Referência Entrada Saída Matriz jan07 0,00 1.653.625,00 fev07 1.361.521,44 1.061.640,00 mar07 985.902,18 908.050,00 abr07 250.877,43 124.219,50 mai07 26.706.544,23 16.512.239,12 jun07 2.574.747,96 2.193.963,01 nov07 902.452,84 360.320,00 dez07 5.239.844,44 5.313.903,87 38.021.890,52 28.127.960,50 24. Constatamos divergências entre os valores informados pelo contribuinte na relação de notas de vendas realizadas pela matriz e nas informações presentes nas GIA’s GUIAS DE INFORMAÇÕES E APURAÇÃO DO ICMS apresentadas à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, no período de maio/2007 a dezembro/2007. 25. Para os meses de janeiro/2007 a abril/2007, os valores a serem tributados são os apresentados pelo contribuinte a relação de notas fiscais de vendas realizadas: Filial Bahia Matriz Total AH AH AH Fl. 399DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 8 jan/07 R$ 2.210.079,98 R$ 241.430,00 2.451.509,98 fev/07 R$ 986.924,96 R$ 11.360,00 998.284,96 mar/07 R$ 966.674,55 R$ 162.130,00 1.128.804,55 abr/07 R$ 991.300,02 991.300,02 26. Para os meses de maio/2007 a dezembro/2007 tributaremos os valores informados pelo contribuinte na relação de notas fiscais de vendas por sua filial na Bahia e os valores verificados em suas GIA’s apresentadas à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e a seguir totalizados: AH Filial Bahia GIA SP Total mai/07 R$ 1.307.704,64 R$ 16.512.239,12 17.819.943,76 jun/07 R$ 1.202.101,24 R$ 2.193.963,01 3.396.064,25 jul/07 R$ 433.150,05 433.150,05 ago/07 R$ 87.205,00 87.205,00 set/07 R$ 263.460,72 263.460,72 out/07 R$ 256.650,02 256.650,02 nov/07 R$ 245.370,00 R$ 360.320,00 605.690,00 dez/07 R$ 2.270.530,00 R$ 5.313.903,87 7.584.433,87 R$ 11.221.151,18 R$ 28.127.960,50 30.446.597,67 27. Sendo assim, as receitas apuradas e declaradas nas relações de vendas realizadas e em sua GIA’s GUIAS DE INFORMAÇÕES E APURAÇÃO DO ICMS serão tributados como OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR RECEITA OPERACIONAL OMITIDA, com tributação pelo Lucro Arbitrado. 28. Desta forma, concluise que houve omissão de receitas operacional, proveniente de revenda de combustíveis (álcool carburante), nos montantes e períodos já relacionados, conforme o disposto nos artigos 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). MULTA MAJORADA 29. Devido à falta de atendimento as diversas intimações lavradas por esta fiscalização federal, o percentual da multa de ofício foi aumentado de metade, conforme previsto no Art. 44, inciso I, parágrafo 2º da Lei 9.430/96, para casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, das intimações. CONCLUSÃO 30. A presente fiscalização restringiuse as apurações demonstradas neste termo, relativas ao anocalendário de 2007, ficando ressalvado o direito da Receita Federal do Brasil de verificar com maior profundidade outros aspectos referentes ao cumprimento das obrigações tributárias relativas a esses impostos nos mencionados períodos. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 9 31. A fim de atender à determinação efetuada no Mandado de Procedimento Fiscal no. 08.1.04.002008009474 e cumprindo o disposto no Parágrafo Único do art. 142 do Código Tributário Nacional (Lei N° 5.172, de 25 de outubro de 1966), foram lavrados Autos de Infrações para cobrança dos créditos tributários decorrente das infrações constatadas, acima mencionadas, sendo este termo parte integrante do mesmo juntamente com seus demonstrativos e anexos. 32. E, para constar e surtir todos os efeitos da lei, foi lavrado o presente Termo, em três vias de igual forma e teor, assinado pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo sujeito passivo ou, seu representante legal, que neste ato recebe uma das vias.” As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos legais: • IRPJ: Arbitramento: Art. 530, inciso III, do RIR/99. 001 – Receita Operacional Omitida (Atividade Não Imobiliária) – Revenda de Álcool Carburante: Arts. 532 e 537 do RIR/99; 002 Receita Operacional Omitida (Atividade Não Imobiliária) – Revenda de Combustíveis Derivados de Petróleo: Arts. 532 e 537 do RIR/99 • PIS: 001 – PIS – Alíquotas Diferenciadas – Álcool Carburante – Falta/Insuficiência de Recolhimento do Pis: Arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 39 e 53, inciso I, do Decreto nº 4.524/02. • COFINS: 001 – COFINS – Alíquotas Diferenciadas – Álcool Carburante – Falta/Insuficiência de Recolhimento da COFINS: Arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 39 e 53, inciso I, do Decreto nº 4.524/02. • CSLL: 001 – CSLL Sobre Omissão de Receita: Arts. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 24 da Lei nº 9.249/95; art. 29 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da Lei nº 10.637/02. A interessada foi cientificada dos autos de infração em 29/09/2010. Inconformada, apresentou, por intermédio de seu representante legal, em 29/10/2010, impugnação de fls. 216/245, acompanhada de documentos de fls. 246/294. Após breve resumo dos fatos, adentrando no mérito da questão, requer a improcedência do auto de infração, por afronta ao conceito de renda e proventos de qualquer natureza, com a tributação do patrimônio, dada a não consideração dos custos. Alega que o procedimento fiscal ofendeu o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, bem como os princípios da reserva legal e da vedação da utilização de tributo com efeito de confisco, “pela tributação da nãorenda”. Fundamentase no art. 43 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 10 do CTN, arts. 5º, II, 150, I, e 153, III, § 2º, I, da CF/88, bem como na doutrina que transcreve. Diz que, no caso em questão, foram colacionados valores lançados, mas como a impugnante é optante pelo lucro real, tem direito à apuração por essa sistemática (adições, deduções e exclusões). Acusa, ainda, que não se demonstrou a matéria tributável, nem tampouco o cálculo do imposto devido. E que “tendo incidido sobre a totalidade dos valores constantes das guias de informações e apuração do ICMS, sem levar, inclusive, em consideração qualquer custo da atividade da impugnante, tendo incidido sobre a totalidade das pretensas receitas, em valores superiores ao lucro líquido, configura tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda, o que afronta o princípio da capacidade tributária e do nãoconfisco”. Em outra frente de defesa, voltase para as exigências do Pis e da Cofins, abordando a tributação monofásica. Argumenta que, relativamente aos combustíveis derivados do petróleo, a partir de fevereiro de 1999, foi instituída a substituição tributária também para o Pis e a Cofins, com base no art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, concentrandose a tributação no início da cadeia de comercialização. E continua, em suas palavras: “31. Outrossim, o governo Federal inventou o inusitado Regime Monofásico ou Concentrado através da Medida Provisória 199115, em 10 de março de 2000, incorporando as parcelas do PIS e da Cofins devidas pela Refinaria, Distribuidora e Consumidor Final no preço exRefinaria, cuja vigência deuse a partir de 1 de julho de 2000, e apressouse em transformála em lei. 32. Paralelamente, através da EC 33/2001, apressouse em possibilitar tributabilidade do PIS/Cofins sobre derivados de petróleo, alterando na Constituição Federal a palavra “tributo” para “imposto” (art. 155, § 3º), eliminando de vez a antiga restrição constitucional que impedia a incidência tributária. 33. Essa complexa engenharia tributária merece cuidadoso detalhamento. Preliminarmente, é preciso conhecer a cadeia de comercialização dos combustíveis derivados de petróleo após o seu refinamento, o denominado Downstream. 34. Para facilitar o entendimento, tomouse como hipótese especificamente o Óleo Diesel, que percorre o seguinte caminho comercial: Refinaria de Petróleo (R) => Distribuidora de Combustíveis (D) => Revendedor Varejista (V) => Consumidor Final (CF). 35. A operação de (R) para (D) é considerada como sendo operação (a) sobre a qual incide o PIS/Cofins de 3,65%. De (D) para (V), operação (b), PIS/Cofins de 3,65% e finalmente de (V) para (CF), operação (c), PIS/Cofins de 3,65%. Da Refinaria ao Consumidor Final, ocorrem ou deveriam ocorrer três operações: (a) = 3,65%; (b) = 3,65% e (c) = 3,65%. 36. Salientese que a carga tributária total (R+D+V) dessas contribuições não corresponde simplesmente a 3,65% x 3, pois uma incide cumulativamente sobre a outra e também sobre uma determinada margem bruta. Então temos: operação (a) Parcela “x” = 3,65%; operação (b) Parcela “y” = 4,15%; e, operação (c) Parcela “z” = 4,72%, totalizando 12,52%. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 11 37. Referidos valores foram incorporados ao preço do Óleo Diesel a partir de 1 de julho de 2000, através da Portaria Interministerial nº 199/2000, que passou de R$ 0,3858 para R$ 0,4311, sem que isso significasse quaisquer aumentos de preços ou tributos. 38. Ocorre que até 30 de junho de 2000, o Consumidor Final que adquirisse combustíveis diretamente de Distribuidoras de Combustíveis estava autorizado pelo art. 6º da INSRF nº 06/99 a recuperar a denominada parcela “z” de 4,72%, em razão da determinação insculpida no § 7º do art. 150 da CF/88, isto é, fato gerador presumido e não realizado. 39. Observese que no regime tributário “a”, a carga tributária total de 12,52% era cobrada antecipadamente por substituição tributária (no início da cadeia), incluindo, para efeito de cobrança, a operação (c). Especificamente, no caso concreto de venda direta do Distribuidor para Consumidor Final, não ocorrida, portanto, a respectiva parcela “z” era restituída (por compensação), imediata e preferencialmente. 40. A partir do novo regime tributário “b”, a mesma carga tributária total de 12,52% foi incorporada ao preço exRefinaria, incluindo as contribuições correspondentes à incidência na venda a varejo (vide art. 6º INSRF 6/99), com a garantia do Ministério da Fazenda de que tudo continuaria igual. 41. Essa garantia do Ministério da Fazenda, debatida à exaustão na Câmara dos Deputados, possibilitou a aprovação do Projeto de Lei n. 2.985/2000, convertido na Lei 9.990/2000, que alterou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o Óleo Diesel de 3,65% para 12,52% (incidência monofásica – Lei 9.990/2000), sem que isso significasse qualquer aumento de alíquota ou imposto. 42. Adicionalmente não é a existência ou ausência de Instrução Normativa, isto é, de dispositivo apenas regulamentar que legitima ou descaracteriza determinado crédito tributário. É a lei “stricto sensu” e sua correta interpretação, no caso em tela, a Medida Provisória 199115, de 10 de março de 2000, que estabeleceu em seu artigo 46 a eficácia das modificações introduzidas no art. 4º da Lei 9.718/98. A partir de 1º de julho de 2000, três meses depois, foi reeditada sob o nº 199118, para modificar as alíquotas anteriormente estabelecidas. As novas alíquotas foram então repetidas pela Lei 9.990/2000, de 21 de julho de 2000, publicada no Diário Oficial da União em 24/07/2000. 43. O novo regime de tributação nada mais é, tecnicamente, do que uma continuação do regime vigente até 30 de junho de 2000, não podendo, portanto, ser enquadrado no § 4º do artigo 149 da CF/88, que assim determina: “A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez”. (gn). (...) 45. Assim sendo, conforme exaustivamente demonstrado, há que se concluir, forçosamente, que a impugnante é detentora de créditos que sequer foi considerado pela fiscalização, não podendo prosperar a presente autuação sem que sejam considerados tais créditos.” Continua, agora, acerca da tomada de créditos. Diz que, na sistemática monofásica, a tributação é concentrada no produtor ou importador e as etapas seguintes da cadeia são tributadas com alíquota zero. E que, na sistemática nãocumulativa, é possibilitado aos contribuintes o crédito em relação a alguns dos insumos e custos, conforme arts. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e Fl. 403DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 12 10.833, de 2003, concluindo, ainda, que referido dispositivo, em seu § 2º, indica a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, razão pela qual, quando efetivamente tributada a receita, não há de se obstar o crédito pelo adquirente. Acrescenta que o art. 16 da Medida Provisória nº 206, de 2004, segundo o qual as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, não impedem a manutenção dos créditos, pelo vendedor, veio esclarecer a legislação então vigente. E salienta que tal normativo é meramente interpretativo, como consta de sua exposição de motivos. Retoma a sistemática monofásica, dizendo que os produtos submetidos a tal apuração foram elencados no art. 2º, § 1º, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. E que a aquisição para revenda de produtos cuja receita esteja sujeita à incidência monofásica não dá direito à tomada de crédito, conforme art. 3º, I, b, da citada legislação. Aduz ser a norma coerente, por manter distinção entre as sistemáticas monofásica e nãocumulativa, distinção esta a qual foi, inclusive, prestigiada na exposição de motivos da Medida Provisória nº 66, de 2002, quando ficou consignado que “sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades [...] os contribuintes tributados em regime monofásico”. Ressalta, contudo, que, com o advento da Lei nº 11.033, de 2004, a vedação ao creditamento constante dos artigos 3º, I, b, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, foi revogada, possibilitando a tomada de crédito por parte dos contribuintes tributados pela sistemática monofásica. Cita doutrina e jurisprudência. Conclui, assim, que a impugnante possui o direito ao crédito na sistemática monofásica e o seu aproveitamento na apuração do Pis e da Cofins devidos, não considerado na presente autuação. Na sequência, passa a abordar a nãocumulatividade. Nesse sentido, disserta acerca do princípio regido na CF/88, relativamente ao ICMS e IPI, conforme artigos 153, IV, § 3º, II, e 155, II, § 2º, concluindo que “a sistemática da não cumulatividade concebida para o IPI e o ICMS possui como finalidade a neutralização da incidência em cascata, através da técnica de compensação de débitos com créditos”. E emenda que “o critério quantitativo do PIS e da COFINS diz respeito à “totalidade das receitas auferidas”, que é fenômeno relacionado à pessoa do contribuinte (empresa jurídica), não possuindo qualquer identidade com algum fenômeno circulatório, traço característico originário do IPI e do ICMS”. Continua, em suas palavras: “69. A nãocumulatividade do PIS e da COFINS é operacionalizada redução da base de cálculo, com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas anteriores. 70. O regime nãocumulativo das referidas contribuições não pode ser restringido, pois os contribuintes têm direito ao crédito das contribuições exigidas anteriormente, como forma de minorar a carga tributária sobre o faturamento, tão prejudicial para as empresas instaladas no País. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 13 71. O Texto Supremo autorizou a existência de 2 (dois) regimes para a COFINS, o cumulativo e o nãocumulativo, o que foi observado pela legislação ordinária, que também abarcou o PIS. 72. Ainda que o legislador ordinário tenha certa flexibilidade para estabelecer a não cumulatividade para determinados contribuintes, utilizando como critério diferenciador o setor de atividade econômica, a concessão desta deve obedecer rigorosamente o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. 73. Com efeito, a utilização do benefício da nãocumulatividade por determinados contribuintes em detrimento de outros em situações equivalentes, é critério discriminador que esbarra nos referidos princípios. 74. De plano, chama a atenção o fato de que na legislação de regência da não cumulatividade, a alíquota do PIS aumentou de 0,65% para 1,65% e a da COFINS de 3% para 7,6%, em que o contribuinte tem o direito de deduzir da base de cálculo das contribuições incidentes sobre os bens e serviços adquiridos. 75. Do exame atento do art. 3º caput e parágrafo 1º das Leis nº 10.637 e 10.833, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos taxativamente. 76. Contudo, inexiste “meia” nãocumulatividade, como quer fazer parecer a legislação em comento. Uma vez definido o setor de atividade econômica, o contribuinte tem o direito irrestrito de compensar todos os custos que culminaram na obtenção das receitas auferidas. 77. Assim, concluise pela existência de créditos que não foram deduzidos, via não cumulatividade, na apuração da base de cálculo, restando prejudicada a presente autuação.” Passa a questionar a multa. Conceitua a multa, dizendo que tem caráter de pena, incluindose a multa administrativa, acrescentando que a penalidade possui valor econômico. Distingue a multa fiscal moratória da multa de lançamento de ofício e faz remissão ao art. 150, IV, e art. 5º, LIV, ambos da CF/88, para concluir que a questão imposta consiste em determinar os parâmetros os quais permitam fixar teto às multas, tanto moratórias quanto de lançamento de ofício. Nesse sentido, busca os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva, dizendo não fazer sentido aplicar multa de lançamento de ofício no percentual máximo, nos casos em que a atuação do contribuinte se enquadre juridicamente em outra classe menos severa de punição. Cita doutrina e jurisprudência. Argumenta que não é qualquer atraso no pagamento dos tributos, ou suposta alegação de débito destes, que deve legitimar a previsão de multa exacerbada, no patamar de 75%, quando a inflação anual gira em torno de 4,4%. E que “nem mesmo a sonegação de determinado tributo, fato este tentado incidir pela fiscalização, mas não subsumido à espécie, justificaria a apenação de uma multa que exproprie desarrazoadamente o sujeito passivo de parcela de seu patrimônio desproporcional à hipotética infração alegada”. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 14 Diz que sempre atendeu aos termos de intimação, se não apresentando de imediato os documentos exigidos, sempre se dirigiu à fiscalização solicitando prorrogação de prazo. E que nenhum prejuízo pode ser imputado ao fisco, porquanto à fiscalização foi dada continuidade em 10 de fevereiro de 2010 e encerrada em 29 de setembro de 2010. Nestes termos, afirma que é ilegal a majoração em 50% da multa de ofício aplicada e, ainda, que é ilegal a própria multa de 75%, também aplicada no auto de infração em lide, por ter caráter confiscatório e, portanto, malferir o disposto no art. 150, IV, da CF/88. Cita mais doutrina, no sentido de a multa não poder ter caráter confiscatório, e alega ser perfeitamente cabível a sua redução em nome dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, de conformidade com orientação do Supremo Tribunal Federal – STF no RE 91.707/MG, cuja ementa transcreve, seguida da transcrição de outras decisões do judiciário. No que concerne aos juros de mora, aponta a ilegalidade da taxa Selic. Diz que a Selic tem característica de juro remuneratório, e não moratório, e, como tal, sua aplicação, como encargo tributário da União, malfere o disposto no art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional – CTN, e no art. 192, § 3º, da CF/88. Transcreve decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ (RESP 291257, em 23/04/2002, Rel: Ministra Eliana Calmon). Argumenta que não se trata somente de inconstitucionalidade manifesta, mas também de quebra de hierarquia das leis, “vez que a Lei ordinária nº 9.065/1995 não poderia ter alterado o Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei nº 5.172/66, porém com status de lei complementar, à teor da Emenda Constitucional nº 01”. Entende ser induvidosa a necessidade de excluir da verba de juros de mora a incidência da taxa Selic, tudo por uma questão de economia processual. Por fim, alega a improcedência das tributações reflexas, reportandose às soluções de divergência COSIT. Em suas palavras: “112. Em março de 2005, a CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, órgão que tem por objeto homogeneizar a interpretação da legislação tributária no âmbito da SRF, expediu dois Pareceres (Soluções) de Divergência, para a DRJ/RJO II, relativamente à lavratura de lançamentos reflexos ou decorrentes, quando a autuação principal o foi por arbitramento do lucro na pessoa jurídica. 113. Prova de que estes pareceres têm a ver com Solução de Divergência é o site em que estão inseridos: www.receita.fazenda.gov.br, legislação, ementários, processos de consulta, COSIT., Sol. Divergência. 114. Os pareceres se referem as improcedências dos reflexos de PIS e COFINS, quando o regime de tributação no IRPJ foi o lucro arbitrado. Por extensão, a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também improcede, por analogia – artigo 108, I, CTN. Senão, vejamos: “Parecer nº 15, de 11/03/2005. ARBITRAMENTO DO LUCRO. LANÇAMENTO DE IRPJ E DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. RELAÇÃO DE DECORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O lançamento do IRPJ com base no lucro arbitrado não enseja Fl. 406DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 15 por si só o lançamento da contribuição para o PIS. Afastandose a relação de decorrência entre essa contribuição e o referido imposto. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. SOLUÇÃO.” (Grifos acrescidos) “Parecer nº 16, de 11/03/2005. ARBITRAMENTO DO LUCRO. LANÇAMENTO DE IRPJ E DE COFINS. RELAÇÃO DE DECORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O lançamento de IRPJ com base no lucro arbitrado não enseja por si só o lançamento da Cofins, afastandose a relação de decorrência entre essa contribuição e o referido imposto. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. SOLUÇÃO.” 115. Lembramos, a bem da verdade, que os pareceres da COSIT, em essência são congêneres às Soluções de Divergência, e como tal, devem ser observados pelas Autoridades Julgadoras, por constituírem “as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição a que a lei atribua eficácia normativa; práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, conforme aduzem os incisos II e III, do artigo 100, do CTN.” Encerra requerendo a total improcedência da autuação, em função das razões apresentadas, bem como por violação do princípio da legalidade, da capacidade contributiva e pela tributação do patrimônio ou da não renda. A decisão recorrida está assim ementada: Omissão de Receita. Matéria não Impugnada. Preclusão. Consolidase administrativamente a matéria que na o tenha sido expressamente impugnada, operandose em relação a ela a preclusão processual. Arbitramento do Lucro. Falta de apresentação de livros e documentos. A não apresentação da escrituração obrigatória para o optante do Lucro Real, bem como dos documentos atinentes às suas operações, autoriza o arbitramento do lucro. Nos percentuais de apuração do lucro arbitrado já se consideram os custos inerentes à atividade desenvolvida. Multa de Lançamento de Ofício. Agravamento. Falta de Atendimento à Intimação. Para a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original é preciso que a “falta de atendimento” tenha caráter de omissão total, ou seja, a contribuinte não forneça qualquer informação, ou procrastine as respostas, sempre de modo a dificultar o procedimento do Fisco; ou, ainda, forneça as informações e respostas evasivamente, sem qualquer conteúdo, em evidente intuito de obstaculizar a ação fiscal. Juros de Mora à Taxa Selic. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade Fl. 407DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 16 e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. Omissão de Receita. Arbitramento do Lucro. Tributação Reflexa de Pis e Cofins. A omissão de receita enseja a apuração de todos tributos e contribuições subtraídos à tributação, entre os quais se destacam o Pis e a Cofins, porque incidentes sobre o faturamento, entendido como a receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante, à espécie, a metodologia de cálculo adotada para a determinação do lucro da pessoa jurídica. Impugnação procedente em Parte. Credito Tributário Mantido em Parte. Cientificada da aludida decisão em 9/2/2011 (AR de fl. 224), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/03/2011 (fls. 247 e seguintes), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 17 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. De igual forma, conheço do recurso de oficio, haja vista a exoneração de crédito tributário em valor acima de R$ 1.000.000,00. Conforme relatado, tratase de procedimento reflexo ao processo 10830.017460/200902 (relativo aos anoscalendário 2004 a 2006) que, à unanimidade de votos, foi julgado procedente na 1a. Turma desta 4ª. Câmara da 1ªem 15/08/2011 (acórdão 140100.652). Vejamos as ementas e os fundamentos do voto condutor do aludido acórdão da lavra do ilustre conselheiro Antonio Bezerra Neto: Ementas NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. (...) VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. CONFRONTO DECLARADO/ESCRITURADO. E devido pela pessoa jurídica os tributos apurados em sua escrituração fiscal e demonstrada na DIPJ, que não tenha sido objeto de recolhimento e nem de confissão em DCTF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (...) VOTO CONDUTOR Preliminar de Nulidade Preliminarmente, a Recorrente requer a nulidade dos autos de infração porque não se demonstrou a matéria tributável, como o cálculo do tributo devido; tributou o patrimônio e não a renda e feriu o princípio da legalidade. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 18 Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: (...) Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal (fls. 04 e 14), com o respectivo detalhamento do cálculo dos tributos devidos e levados ao conhecimento da autuada e tendo a interessada se defendido através da peça impugnatória e recurso voluntário acostados aos autos. Ademais, cabe salientar que o trabalho fiscal se pautou por várias intimações feitas à contribuinte, ao longo do período em que esteve sob fiscalização, não se vislumbrando quaisquer atos ou omissões do autuante que tivessem obstaculizado sua produção de provas. Ao contrário, foramlhe concedidas todas as oportunidades possíveis para se defender. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato ou de direito no que concerne ao lançamento, tratarseia então também de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. (...) MÉRITO Conforme relatado, o IRPJ e CSLL lançados em razão da divergência entre valores declarados (DCTF) e escrituração contábil e DIPJ, resultando na falta de recolhimento e declaração em DCTF, nos anoscalendário 2004 e 2006, conforme discriminado no Descrição dos Fatos e Enquadramento legal de fls. 04 e 14. De fato, a interessada nada informou de tributação do IRPJ e CSLL nas DCTF nos períodos fiscalizados, muito embora tenha demonstrada essa apuração nas correspondentes DIPJ e na escrituração contábil/fiscal. Estando as informações consideradas pelo Fisco declaradas como confissão de dívida (DCTF) e na respectiva escrituração contábil/fiscal, válidos são os fundamentos da autuação, sendo descabida, portanto, a alegação de falta de demonstração da matéria tributável, uma vez que os referidos tributos foram apurados e demonstrados pela própria contribuinte. Como os tributos foram exigidos conforme apurados pela própria pessoa jurídica com base no resultado auferido, constante de sua escrituração, onde se presume já considerados as despesas e custos correlatos às receitas auferidas, não socorre a sua argumentação de que o fisco desrespeitou os princípios constitucionais da legalidade, capacidade contributiva e que tributou patrimônio e não a renda. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 19 Ainda no que se refere a sua alegação de que vários princípios constitucionais foram feridos, entre os quais ainda destaca o princípio da vedação do confisco, cabe salientar que a Administração Pública somente pode fazer o que a lei autoriza, inclusive no que respeita à graduação da penalidade diante do procedimento adotado pelo contribuinte, sendo vedado ao julgador administrativo a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade, afasto a decadência, e, no mérito, nego provimento ao recurso. Registrese que desde a peça impugnatória, a recorrente não se pronunciou acerca da omissão de rendimentos, propriamente dita. Em sua defesa, a contribuinte questiona a forma de tributação do resultado apurado pelo Fisco (arbitramento), a penalidade aplicada e os juros cobrados à taxa Selic, além da incidência reflexa, bem como o direito ao crédito, relativamente às contribuições ao Pis e à Cofins, matérias que foram adequadamente enfrentadas na decisão de 1a. instância, bem como no acórdão 140100.652 (principal). No que tange a matéria que ensejou o recurso de ofício, exclusão do “agravamento da multa em 50%”, entendo que está correta a decisão de 1a.instância. Isso porque a exigência da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original (75% ou 150%), é cabível nos casos de ausência total de atendimento, por parte do sujeito passivo, das intimações emitidas pela fiscalização no curso do procedimento investigativo. Tal qual asseverou a ilustre julgadora “é preciso que a “falta de atendimento” tenha caráter de omissão total, ou seja, a contribuinte não forneça qualquer informação, ou procrastine as respostas, sempre de modo a dificultar o procedimento do Fisco; ou, ainda, forneça as informações e respostas evasivamente, sem qualquer conteúdo, em evidente intuito de obstaculizar a ação fiscal. Em suma, para que se promova o agravamento da multa, na forma do artigo 44, § 2º, I, da Lei nº 9.430/1996 (redação vigente), há de existir claro prejuízo ao desenvolvimento da ação fiscalizatória. De fato, no prosseguimento da auditoria, a interessada foi diversas vezes intimada pela fiscalização, ocasiões nas quais atendeu parcialmente ao quanto solicitado, o que levou ao arbitramento dos lucros. Logo, não é aplicável o agravamento da penalidade ao caso concreto, pois, a fiscalizada apresentou documentos e respostas no curso do procedimento, ainda que mínimos, a saber: as planilhas de vendas, as próprias GIA’s fornecidas ao fisco estadual, documentos tomados como base de confrontação para a constatação de omissão de receitas. Repisese que especificamente quanto às divergências entre as GIA’s e os valores das vendas informados à fiscalização, a interessada afirmou, na resposta datada de 13/09/2010, que “tal fato está sendo analisado pela empresa para possíveis correções em relação às entregas de informações realizadas no período para finalização dos processos envolvidos”, requerendo dilação do prazo para atendimento (fls. 158). Fl. 411DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.013353/201031 Acórdão n.º 140200.910 S1C4T2 Fl. 0 20 Repito: foi justamente a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais solicitados que ensejou o procedimento do arbitramento do lucro. Portanto, não se vislumbra mesmo que a falta do cumprimento total das intimações tenha causado prejuízo ao procedimento de auditoria, a ensejar o agravamento da penalidade ao patamar de 112,50%, razão pela qual correta a redução ao percentual de 75%. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 412DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 19515.002919/2006-60
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - 1RPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
TRANSFERÊNCIA DE NUMERÁRIO NO EXTERIOR EM FAVOR DE TERCEIROS - INEXISTÊNCIA DE SUPORTE NORMATIVO PARA SE PRESUMIR OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Transferências de numerários por meio de ordens de pagamento realizadas entre contas mantidas no exterior, não é fato gerador do imposto de renda. Tais transferências podem servir como informações valiosas para se apurar eventual omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto.
Recurso de oficio negado
Numero da decisão: 3301-000.001
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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Transferências de numerários por meio de ordens de pagamento realizadas entre contas mantidas no exterior, não é fato gerador do imposto de renda. Tais transferências podem servir como informações valiosas para se apurar eventual omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto. Recurso de oficio negado. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do Relator. 11,4 "Hr TE MA, ,LAQ • AS PESSOA MONTEIRO esidente JOSÉ RAI er‘ TA SANTOS Relator Processo n° 19515002919/2006-60 S3-C3TI Acórdão n.° 3301-00.001 Fl. 259 FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Silvana Mancini Karam, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli. Nunes da Silva Relatório A 3" Turma de Julgamento da DRJ São Paulo II recorre de oficio a este Conselho, de sua decisão unânime (Acórdão n° 17-18.277, de 23/05/2007 — fls. 244 a 250), que julgou improcedente o Auto de Infração de IRPF, conforme determina o art. 34 do Decreto 70.235/72. A infração indicada no lançamento e os argumentos de. defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: "Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 192/194) com o lançamento de imposto de renda relativo ao ano-calendário 2001, 2002, 2003 e 2004 de R$ 4.652.988,82, de multa de oficio de R$ 6.979.483,22 e de juros de mora calculados até 30/11/2006 de R$ 1.734.759,28. O procedimento fiscal que resultou na lavratura do presente auto de infração foi iniciado em 06/11/2006, com o recebimento do Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 04/10), em que se intimou o contribuinte a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos movimentados no exterior, por meio de conta mantida no banco JP Morgan Chase Bank, pelas empresas Merchants Crd, MTB Hudson Bank e Lespan TBL, conforme relação apresentada. Segundo consta nos autos, o fato que motivou o início da ação fiscal foram informações obtidas por meio de investigações promovidas a partir da CPI do Banestado. Não tendo sido apresentados documentos hábeis a comprovar o requerido, a ação fiscal é encerrada com a lavratura do auto de infração, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração à legislação tributária, nos anos-calendário referido: Omissão de Rendimentos. Omissão de rendimentos em razão de o contribuinte não ter comprovado a origem dos recursos utilizados nas operações, relativas à transferência de recursos financeiros por meio de conta titulada por residente ou domiciliada no exterior, nem esclareceu a motivação das transferências. Fundamento legal: artigos 1° ao 3° e parágrafos da Lei 7.713/88, artigos 1° ao 3° da Lei 8.134/90; arts. 37, 38, 43, 55, incisos Ia IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR199; art. 1°, da Lei 9.887/99; art. 1°da MP 22/2002, convertida na Lei 10.451/2002. O contribuinte toma ciência do auto de infração 14/12/2006, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 11/01/2007 de fls. 203/238, em que alega, em síntese, que: 4 2 Processo n°19515.002919/2006-60 S3-C3T1 Acórdão n°3301-00.001 Fl. 260 a seleção do impugnante para a fiscalização não observou as determinações constantes da Portaria SRF n° 3.007/02; em nenhum momento foram indicadas pela autoridade fiscal as razões, ou a origem, da fiscalização procedida com relação aos negócios do impugnante; como a fiscalização não foi autorizada pelo Coordenador-Geral de Fiscalização — COFIS, resta evidenciado o desvio de poder, acarretando a nulidade do lançamento; ocorreu cerceamento de seu direito de defesa, assim como o lançamento está fundamentado em documentação que não atende os requisitos necessários à sua validade; o cerceamento de defesa decorreu do fato de não lhe terem sido apresentados os documentos que fundamentaram a Representação Fiscal, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal; a sonegação dos laudos referentes às contas em que foram movimentados os recursos impediram-no de conhecer os elementos contra ele existentes; os documentos enviados a ele ("cópias das ordens de pagamento") são ininteligíveis, redigidos em língua estrangeira e sem assinatura ou autenticação; assim, não possuem valor probante; estes documentos não possuem inscrição no registro de títulos e documentos, nos termos do art. 129, §60, da Lei 6.015/73; a autuação está fundamentada em dispositivo legal inaplicável ao caso, pois conforme situação descrita na autuação, existe disposição legal específica, qual seja o art. 42, da Lei 9.430/96; a cobrança de tributo com base em fato gerador anual contraria a legislação de regência, tendo em vista que no caso, o fato gerador do IRPF é mensal; a tributação incidiu sobre pretensos rendimentos auferidos no exterior, cabia fossem observadas as disposições dos arts. 8° e 25, da Lei 7.713/88, que impõe a sua tributação com base em fato gerador mensal; os Conselhos de Contribuintes já firmou entendimento que a tributação de acréscimos patrimoniais a descoberto deve ser feita mensalmente; já ocorreu a decadência do direito de a Fazenda exigir o pagamento o imposto, já que segundo art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, o lançamento do IRPF é por homologação e o termo inicial é a do fato gerador mensal; a autuação está equivocada, porquanto, não realizou operações financeiras como também não possui qualquer conta bancária no exterior, onde pudessem ter sido depositados os valores considerados; não há como produzir provas negativas, ou seja, comprovar não ter remetido valores para o exterior, não ter recebido valores do exterior e não possuir conta corrente em instituição financeira no exterior; 3 Processo n°19515.002919/2006-60 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.001 Fl. 261 houve aplicação indevida da multa de 150% sobre o tributo devido; é requisito essencial à validade do lançamento tributário, em que sejam aplicadas multas por fraude, que esta fique cabalmente provada, já que a fraude não se presume; a autoridade lançadora deixou de identificar qual o comportamento doloso do contribuinte, optou por enquadrá-lo nos três artigos da Lei 4.502/64, deixando de apontar exatamente, em qual deles se aplicava ao caso. A ementa a seguir transcrita resume o entendimento do órgão julgador a quo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - TRANSFERÊNCIA DE NUMERÁRIO ENTRE CONTAS MANTIDAS EM INSTITUIÇÕES NO EXTERIOR - CONTRIBUINTE ORDENANTE DA REMESSA - INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. Transferências de numerários por meio de ordens de pagamento realizadas entre contas mantidas no exterior, ainda que o contribuinte tenha sido identificado como ordenador da remessa e a origem dos recursos não tenha sido comprovada, por si sós, não são suficientes para demonstrar omissão de rendimentos. Tais transferências podem servir como informações valiosas para se apurar eventual omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, mas são insuficientes para, desacompanhadas de outras comprovações, caracterizar qualquer infração tributária. Como não se trata de depósitos realizados em conta de titularidade do contribuinte, para que fosse possível considerar diretamente estas transferências como rendimentos omitidos, haveria necessidade de lei expressa estabelecendo esta presunção. Lançamento Improcedente É o relatório Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade. O recurso foi interposto pela própria instância julgadora a quo em face da exoneração de crédito tributário em montante superior ao limite de sua alçada. 4 Processo n° 19515.00291912006-60 S3-C3TI Acórdão n.° 3301-00.001 Fl. 262 O voto condutor do Acórdão n° 17-18.277, de 23/05/2007 - fls. 244 a 250 - foi acolhido à unanimidade pela 3 3 Turma da DRJ São Paulo II - que julgou improcedente o Auto de Infração às fls. 187/195, cancelando o crédito tributário exigido. Do exame das peças processuais, só posso concordar com a decisão de primeiro grau, que entendeu inexistir presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada pela transferência de numerário para terceiros. Por outro lado, não foi feito pela fiscalização a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, cujos demonstrativos de origens e aplicações de recursos poderiam evidenciar tal infração. Com efeito, pelo princípio da universalidade da tributação dos rendimentos das pessoas fisicas, os recursos movimentados no exterior por residentes no Brasil estão sujeitos à legislação pátria. Pagamento/transferência bancária realizada por contribuinte brasileiro no território nacional não é fato gerador do imposto de renda. Necessário efetuar levantamento mensal dos recursos disponíveis (rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte), que em confronto com os dispêndios realizados podem caracterizar a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto. No lançamento em exame, sem suporte normativo, a ordem de transferência de numerário foi tomada pela fiscalização como fato gerador do imposto de renda. Ora, ingressos de recursos em conta bancária da pessoa fisica ou jurídica — situação claramente denotativa de possível aquisição de renda, quando não comprovada a origem — somente foi alçado a fato gerador do imposto, por presunção legal, a partir da edição da Lei n° 9.430, de 1996. Antes disso, todos os lançamentos foram cancelados, por decisão administrativa ou judicial. Desta forma, entendo que a decisão a quo deu correta solução ao litígio, estando os seus fundamentos, a seguir transcritos, em consonância com a jurisprudência deste Colegiado: Conforme leitura do auto de infração, a autoridade fiscal identifica o ilícito cometido pelo contribuinte como "Omissão de Rendimentos". A descrição da infração encontra-se no Termo de Verificação Fiscal «Is. 177/184) e tem o seguinte teor: "Considerando que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações, relativos à transferência de recursos financeiros por meio de conta titulada por residente ou domiciliado no exterior, nem esclareceu a motivação das transferências, conforme correspondência enviada:" "Considerando que, em face do relatado, o sr. Nobwnitso Doki, (...), está plena e suficientemente caracterizado como remetente de recursos ao exterior, não declarados, sem se utilizar do Sistema Financeiro Nacional através do Banco Central, e como ordenante de ordens de pagamento, por meio de contas, mantidos ou administradas por uma instituição bancária ou financeira americana, condenada nos Estados Unidos através de ação movida pela Procuradoria Distrito! de Manhatam por receber e transferidos ilegalmente bilhões de dólares em 5 Processo n° 19515.002919/2006-60 S3-C3T I Acórdão n.° 3301-00.001 Fl. 263 transações de "off shores" mantidos por casas de câmbio sul- americanas;" "Considerando, por fim, que o contribuinte omitiu rendimentos nas declarações do Imposto de Renda Pessoa Física nos períodos-base 2001, 2002, 2003 e 2004, além de não haver comprovado a origem do valor de R$ 16.991.052,87, transferidos para o exterior;" "Constituímos em crédito tributário, pelo lançamento de oficio, o não recolhimento do imposto de renda pessoa fisica, concernente à omissão de rendimentos, conforme demonstrativo em anexo." Optou a autoridade fiscal por fazer a descrição dos fatos na forma de considerações, apresentando as hipóteses como "considerando", para alcançar a tese que desejou demonstrar que foi a constituição do crédito tributário. No caso do lançamento tributário, a tese que necessariamente tem que ser demonstrada é a ocorrência do fato gerador do imposto. Se a infração apontada foi "Omissão de Rendimentos", a descrição dos fatos deve reproduzir todo o caminho lógico- dedutivo percorrido pela autoridade lançadora que a levou à conclusão de que o contribuinte auferiu rendimentos, mas não os ofereceu à tributação. A norma que prevê uma situação em abstrato deve ser identificada na realidade fálica demonstrada nos autos. O fato demonstrado deve subsundr-se à norma para que se possa afirmar ter ocorrido o fato gerador. Do contrário, não havendo esta congruência, o raciocínio dedutivo carecerá das hipóteses necessárias para se atingir a conclusão que se deseja e a tese restará não demonstrada. No caso em exame, a tese a ser demonstrada era, necessariamente, a "Omissão de Rendimentos". Daí a primeira falha no raciocínio descrito no Termo de Verificação, pois a omissão de rendimentos foi posta como uma hipótese, como algo já demonstrado, e não como algo a ser demonstrado. A transcrição feita acima mostra que a autoridade fiscal utilizou a omissão de rendimentos como premissa ao incluí-la no rol dos "considerando", ou seja, tratando-a como uma proposição já comprovada, quando, na verdade, era esta a tese a ser demonstrada. Imputar a alguém a infração tributária de omissão de rendimentos pressupõe que este sujeito passivo tenha auferido rendimentos tributáveis e não os tenha oferecido à tributação. Para demonstrar que o contribuinte não ofereceu rendimentos à tributação basta um breve exame à declaração de ajuste. Por outro lado, a comprovação da percepção destes rendimentos requer provas especificas. 6 ProLtsso n° 19515.002919/2006-60 S3-C3T1 Acórdão n°3301-00.001 Fl. 264 No caso de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física ou jurídica, tem que ser identificada a fonte dos pagamentos e comprovada a efetiva percepção dos valores atribuídos. No caso de lançamento com base em demonstrativos de evolução patrimonial, deve restar devidamente provado o acréscimo não justificado por rendimentos declarados. Caso o lançamento se fundamente em alguma presunção legal ou arbitramento, é necessário que todos os pressupostos para a sua aplicabilidade sejam demonstrados. Para cada caso de omissão detectada no procedimento fiscal, estas específicas demonstrações devem vir descritas seja no auto de infração, seja no Termo de Verificação Fiscal, e os documentos que a fundamentam devem estar juntados aos autos. São elementos necessários que devem obrigatoriamente subsidiar o lançamento tributário. No caso em questão, data vênia, não se encontram tais elementos. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, o ponto de partida para a ação fiscal foi o recebimento dos documentos de fls. 11/87, fruto do trabalho da Equipe Especial de Fiscalização, instituída pela Portaria n° 463 de 30/04/2004, que comprovam ter sido o contribuinte o responsável por ordens de pagamentos em contas no exterior. A fiscalização iniciou-se com a intimação do contribuinte para comprovar a origem dos recursos financeiros movimentados no exterior. Não comprovada, a fiscalização foi encerrada com a lavratura do auto de infração por ter sido constada a "Omissão de Rendimentos". Forçoso concluir que os pressupostos utilizados pela autoridade fiscal para inferir a omissão foram: (1) o contribuinte ter sido o ordenador de pagamentos entre contas; e (2) não ter sido comprovada a origem dos recursos envolvidos. Em que pese haver em tais operações indícios veementes de cometimento de ilícitos não só fiscais como também cambiais, não há como destes dois antecedentes se concluir pela omissão de rendimentos proposta. Como visto acima, nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar este tipo de infração. Ordens de pagamento, cuja origem dos recursos restou não justificada, podem servir como informações valiosas para se apurar eventual omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, mas não podem ser utilizados diretamente como rendimentos omitidos. Para que tal inferência fosse possível haveria necessidade de uma lei expressamente prever esta presunção, como existe para os casos de depósitos bancários. 11» 7 Processo n° 19515.00291 9/2006-60 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.001 Fl. 265 Cumpre alertar que o fato em exame não se subsume à norma presuntiva comida no art. 42, da Lei 9.430/96, uma vez as ordens de pagamento tratadas aqui não se identificarem com depósitos realizados em conta corrente de titularidade do contribuinte autuado, conforme expressamente prevê este dispositivo legaL Não é omissão de rendimentos depositar dinheiro em contas de outras pessoas, ainda que não haja comprovação de origem. Não há norma legal que autorize esta conclusão. Lembro que se situação mais grave, que são os depósitos em conta do contribuinte quando não comprovada a origem, necessita de lei especifica prevendo uma presunção de omissão de rendimentos, mais ainda necessita de uma previsão especifica as transferências bancárias. Assim, volto a afirmar que estas transferências poderiam ter sido utilizadas como aplicações em demonstrativos de evolução patrimonial de modo a se apurar eventual omissão com base em acréscimos não justificados; entretanto, desprovidos de outros elementos de prova e de demonstrações complementares, tais ordens de pagamentos não têm o condão de comprovar a omissão de rendimentos. Estas operações apenas apontam o contribuinte como suspeito da prática de uma infração fiscal, cujo fato gerador necessita, ainda, ser comprovado e a base de cálculo apurada. Desse modo, em face de todo exposto, reputo não comprovada a omissão de rendimentos imputada ao contribuinte, razão pela qual voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE o lançamento consubstanciado no auto de infração de j1s. 192/194. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessõe; - z 04 de março de 2009. ii JOSÉ RAI .441. 11 STA SANTOS 8 Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10315.000008/2002-56
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Inaplicabilidade da Lei Complementar nº 118/2005.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-02.606
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Antônio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez
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ementa_s : PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Inaplicabilidade da Lei Complementar nº 118/2005. Recurso especial negado
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Antônio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso.
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Numero do processo: 13808.002142/2001-57
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Rendi( de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998
Ementa: Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula 1°CC n° 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo,
como em razão da compensação da base de cálculo negativa.
Numero da decisão: 1803-00.0217
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Ausente, justificadamente e momentaneamente a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira
Junqueira.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : Imposto sobre a Rendi( de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998 Ementa: Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula 1°CC n° 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA •Itry CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISp 4,1s:ti:To:s.,. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.002142/2001-57 Recurso n° 165.760 Voluntário Acórdão n" 1803-00.217 - 3 a Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2009 Matéria IRPJ e OUTRO - Ano-Calendário: 1998 Recorrente VILA PRUDENTE ATACADO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida 3" TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Assunto: Imposto sobre a Rendi( de Pessoa Jurídica - 1RPJ Exercício: 1998 Ementa: Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula 1°CC n° 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Ausente, justificadamente e momentaneamente a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. LENE FERREIRA DE MORAES - Presidente e Relatora. EDITADO EM: I 1 O E 7 2n0 9u Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Pereira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Benedicto Celso Deludo Júnior, Marcos Antonio Pires (Suplente Convocado) e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Vice-Presidente). Relatório Trata-se de autos de infração de IRPJ c CSLL, relativos ao ano de 1997, no valor total de R$ 77.476,93. A fiscalização apontou os seguintes fatos em seu Termo de Verificação Fiscal: • A contribuinte não logrou comprovar os valores dos seguintes lançamentos: Data Conta n° Nome Valor (R$) 18/02/97 3.1.6.30 Comissões 12.964,60 05/02/97 3.1.8.17 Aluguéis 6.000,00 08/01/97 3.1.6.01 Anúncios e Publicidade 6.600,00 18/11/97 3.1.7.07 Conservação e Reparação 14.541,00 Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) O auto de infração deveria ser julgado inepto de plano, posto não se poder depreender de sua liitura, quais suas razões e nem mesmo quais os direitos invocados. b) A impugnante, por lapso, ao fazer a opção e devida inscrição no REFIS, deixou de lançar o débito em questão, no momento da consolidação do passivo tributário. c) A faculdade de compensar integralmente os prejuízos fiscais com lucro real é garantia do contribuinte, sob pena de completa alteração dos contornos constitucionais atribuídos pela legislação do imposto de renda. d) O critério utilizado para o cálculo do débito é irregular, inexato e arbitrário. e) A multa é confiscatória. Nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430/1996, alega que o percentual de multa aplicável limita-se a 20%. O A taxa Selic é ilegal. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: "Controle de Constitucionalidade. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instáncia revis lona! no STF. Lucro Real. Custos e Despesas. Falta de Comprovação. Glosa. Correta a glosa imposta a despesas e custos cuja comprovação com documentação há bil e idônea não foi realizada pelo sujeito passivo. Multa de Oficio. Confisco. O percentual de multa de lançamento de oficio, determinado por lei, não cabendo a discussão de seu valor no âmbito administrativo, sendo que a proibição de confisco prevista na Constituição Federal aplica-se unicamente a tributo, e não à multa. Juro s de Mora. Processo n° 13808.002142/2001-57 S1..TE03 Acórdão n." 1803-00.211 Fl. 2 Taxa SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percen tual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Devido à relação de causa e efeito existente entre a exigência principal e às de la decorrentes, a orientação decisória deve coincidir" Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Tem se consolidado, cada vez mais, a corrente que entende serem competentes os órgãos julgadores administrativos fiscais para aplicar a norma constitucional em oposição a normas legais ou regulamentares, por inviabilidade de descumprir os mandamentos maiores. g) A faculdade de compensar integralmente os prejuízos fiscais com lucro real é garantia do contribuinte, sob pena de completa alteração dos contornos constitucionais atribuídos pela legislação do imposto de renda. b) O principio da ampla defesa não permite que se vede ao administrado invocar argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade em defesa de seu interesse. E o Estado tem o dever de examinar integralmente todos os argumentos do particular e decidir motivadamente. c) Impor limitações ao livre convencimento da autoridade julgadora, por não poder conhecer da matéria arguida de ilegal ou inconstitucional pelo litigante, implica cerceamento da plena defesa. É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 07/12/2007 (AR de fls. 220 verso). O recurso foi protocolado em 19/12/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente reiterou a alegação aduzida na impugnação acerca da faculdade de compensar integralmente os prejuízos fiscais com o lucro real sob pena de ofensa aos ditames constitucionais. Quanto à decisão da primeira instância, a recorrente insurgiu-se apenas contra o argumento de que o controle de constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Ambas as matérias encontram-se sumuladas: Súmula I"CC n" 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula 1"CC n" 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. De acordo com o art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, as súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF, in verbis: 'Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compele ao Pleno da CSRE a edição de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiada. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do GARE" Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. V"' • r 62R i • s • q• ES 4
score : 1.0
Numero do processo: 10735.003405/2002-39
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1989 a 1992
ILL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência do ano base de 1992, com retorno dos autos à DRF de origem para análise das demais questões.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1989 a 1992 ILL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Recurso especial provido em parte.
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RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência do ano base de 1992, com retorno dos autos à DRF de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Evani Transportes e Turismo LTDA por meio dos documentos de fls. 01/34, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de ILL relativo aos fatos geradores ocorridos entre 1989 e 1992. A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10516.377, que se encontra às fls. 95/100 e cuja ementa é a seguinte: “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN 0 prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o inicio de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tern inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução inridica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão definitive da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de Resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10735.003405/200239 Acórdão n.º 920202.319 CSRFT2 Fl. 2 3 administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade, negou provimento ao recurso. Compulsado o voto condutor percebese que o entendimento que predominou foi o de que, mesmo no caso de sociedades limitadas, o a prazo para apresentação do pedido de restituição de ILL é de cinco anos a contar da edição da Resolução do Senado Federal n. 82, de 11 de novembro de 1996. Intimada do acórdão em 13/05/2006 (fls. 106), a contribuinte interpôs o recurso especial de fls. 107/115, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o entendimento consolidado em acórdão desta C. Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto ao termo inicial do prazo para repetição de indébitos (acórdão CSRF/0103.854). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 105 074/2009 (fls. 131/132). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 136/142. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Recorrente foi admitido para discussão da matéria relativa ao prazo de decadência para requerimento de restituição do ILL. Para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial a Recorrente trouxe aos autos como paradigma acórdãos nºs CSRF/0103.854, in verbis: Acórdão nº CSRF/0103.854 REPETIÇÃO DE INDÉBITO – ILL – SOCIEDADE LIMITADA – INEXISTÊNCIA DE CLAUSULA COM DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DOS LUCROS – E de cinco anos o prazo para repetição de indébito, contados da edição de ato normativo que reconheça a ilegalidade da exigência (IN SRF 63/97). O dissídio jurisprudencial resta claro nos votos e nos registros dos resultados dos acórdãos em confronto: enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos para pleitear a restituição do ILL se inicia a partir da data de publicação da Resolução n. 82 do Senado Federal, de 1996, no acórdão paradigma tal prazo tem inicio a partir da data de publicação da IN SRF n. 63, de 1997. Destarte, conheço do recurso especial interposto. No mérito, já manifestei entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição de tributos cuja inconstitucionalidade ou não incidência foi Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado, pela autoridade fiscal ou por ato do Poder Legislativo deveria se dar a partir da data de publicação do ato que reconheceu tal circunstância. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso do que sempre adotei, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10735.003405/200239 Acórdão n.º 920202.319 CSRFT2 Fl. 3 5 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, com o advento da decisão acima referida, temse que é irrelevante para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade ou reconhecimento de não incidência com efeito erga omnes. Por outro lado, no que diz respeito ao prazo de decadência para restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.002.932, também segundo a sistemática do artigo 543C, do CPC, consolidou o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10735.003405/200239 Acórdão n.º 920202.319 CSRFT2 Fl. 4 7 DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 24/07/2002, verificase que não ocorreu a decadência apenas em relação ao exercício de 1993, com fato gerador materializado em 31/12/1992. Contandose dez anos de 31/12/1992 concluise que o prazo para apresentação do pedido relativamente a este período teria decaído em 31/12/2002. Ressaltese, por oportuno, que os recolhimentos de ILL indicados no pedido como ocorridos a partir de julho de 2002 até o março de 2003 só podem se referir ao fato gerador do anobase de 1992, materializado em 31/12/1992, eis que este foi o último ano em que houve incidência do ILL, nos termos do art. 75 da Lei n. 8.383, de 1991. Nos termos do decidido pelo STJ em sede de recurso repetitivo, entendimento que deve ser reproduzido por este colegiado, o prazo de 10 anos contase da data do fato gerador, e não da data do recolhimento indevido, pelo que impõese a conclusão referida no parágrafo anterior. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Recorrente para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a decadência tão somente em relação aos recolhimentos indevidos relativos ao fato gerador do anobase de 1992, devendo os autos ser remetidos à autoridade fiscal para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 13677.000339/2002-75
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CREDITO PRESUMIDO DE IPI TAXA SELIC.
É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um "plus", sem expressa previsão legal O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.767
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
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RIM IZADOS - IN Período de apuração: 01/10/2000 a .31/ -12/2000 CREDITO PRESUMIDO DE 1PL TAXA SEEIC. 1. imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando sua adoção, pm- analogia, ern processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um ``plus", sem expressa previsão legal O ressarcimento não é espécie do género restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam. os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, cm negar provimento ao recurso . especial.. Vencidos os Conselheiros Nanci Garná, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. EDITADO FM: 30/12/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro 't ones, Nanci. Gama, Judith do Amaral -Marcondes Armando, Rodrigo (.;ardozo Miranda, Gilson. Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa PC.issas, Maria Teresa Mai tinez Lúpez, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de credito presumido do TPI a que se refere a Lei n'' 9.363/1996, A matéria devolvida a este Colegiacto cinge-se Ir questao da incidacia da taxa Selie sobre eventual valor a ressarcir. 0 julgamento deste recurso tem como paradigma o do Recurso n" 228.964, julgado na sessa'o imediatamente anterior a esta, sendo-lhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do ai t.. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARE, aprovado pela Portaria MF n" 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada sintese, este é o relatório V oto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator 0 recurso merece ser conhecido pot ser tempestivo e atender aos pressupostos regimentais de admissibilidade. Este voto segue as disposicóes do § 2, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do C.A.R.F ., aprovado pela Portaria MF n" 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, adoto a tese prevalente no julgamento do Recurso n" 228.964. A quesido da possibilidade de incidência da lax(' Selic no ooiareimento de HI imissa necessal iamente pela difixencia0o dos inslilutos (10 resscireinicrilo da reslitukisio A restitukao é repelly'io indébito Deco)re (le pagamento indevido ou a 111(11.01 que o devido Jó o ressarcimento estii vinculado a qualquer pogamento indevido„ mas decorre de concessao legal Sobrcludo, nJo w pode olvidai que o (bruit() subjetivo ao .res(ireimento son -wine 6 constituíde coin o advent() do despaello da autoridade competente, 0120.*60 00 que ocorre com a lepelio-io do indébito, em que o direito de repetirja nasee intedialamente coin O pagamento it-ulevido ou a li/alui independentemente de qualquer alo autoridade (tannins trativa. Nesta linha, fica evidente wash) duos figui as qr.!): se conliin(Iem • a) restituicao por p(Namento indevido a Mai°, do que o devido (repetieao de indébito),. e 2 rocesso 1`‘ I 3677 000339/2(102-7.S CSIa- I 3 Acillao n.." 9303-00,767 Cl.485 17.) p1'el'i5/0 e!.in Iei concessiva. cello que res. tituição e res.sare.'imento compartilhain alguns aspectos, e.:0mo o de .ser ambos passiveisde schisfação em dinheiro ou mechanic compensae;:ii0, mas de nenhum modo Tessa; cimento espécie de) Noutro giro, não he't que se /alai em. desvalorização do valor a re8SarC00, 111(!•;mo porque o ambiente de ampla eon. eçdo monetaria que vigia no passado foi abolido pelo Legislador Com el eito, o I e?,21sladoi aboliu C repueliou o si sterna i. ei al de indexaçdo da economia através da aprovação das nor mas legais (pie consolidaram 0 .Plaii0 Real, inexistindo atualmente previsão ele atualização monekiria ta/I/O pal a easo essare.imento 1.01110 Ral a caso de restituição Nesse inadmissivel pensar aplicação da taxa „S'elic corn° tun met° de T -c:VO.SiÇ(71) elo valor real da moeda. tax- ei isle? sim, a expressdo ni•nérica dos biros Niio se trata de atualizerção 1/101W4410 ,Ittros, .W1.11 VCZ , e 11111 aCr(S"Cifil0 a0 principal, é um plus. que inclusive se caracteriza como renda parer aquele epic.> o aufere. ()ra, o Estado nau pode pagai- rendimentos na finma de taxer vale diaT, de juror — .5ein pteViS50 levd, mor mente quando o que seria o valor principal (re..ssarclinento) ele próprio, dependente de lei. concessiva. A previsilio legal para a incidéncia de jhros sua vez., somente se refer e aos casos resat/410'o Ao mencionen a cornpensetção (rift. 39, 4), é cloy ü que o dispositivo 1 (fere-se aos valores que ser restituldos, não permitindo interpretacao extensiva. 0 texto da Lei n" 9 250, de 199,5, clam, udo havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo (to caso (10 es8oroimento Neste .sentido deve-se dizer (file 0 al/ 39, 4", da I.ei 9 250/95, inclusive não estetbeleceu a atualizacão de valores rest-111.114os ao contribuitne coin base na 1(1f111 Selie Isto porque, siml)les .nrente, taxa cypressa 111r0S, corree,- do ou atualização monetdria 0 que fui previsto para casos de restituicão fin a aplicacãO de lare'", calCalTO(h)ti com base na taxa Selic Depois, o di,sposhivo trata de restituição, mula falando de IC ssa cim en to Por fi1)1, a data prevista para o inicio da ineide3.noia dos ¡tiros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que winente pode Sei identificada se se tralat de pedido de restituição A ineidencia dos 111105 &lie a peirtir da data de protocol() do processo de pedido de lessen cimento cri//tio que não consta da legislação, 0 que clinva a tese de pie (.)- iffrWr não podem incidir, nesse case) Nos termos do voto paradigma tr rtscrito linhas acima, flega-tie movimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo Carlos Albeit. citas Barreto
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002876/2007-18
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.GLOSA.
Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Numero da decisão: 2101-001.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 10/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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COMPROVAÇÃO.GLOSA. Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 10/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 28 76 /2 00 7- 18 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 43/46) interposto em 16 de setembro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), (fls. 33/38), do qual a Recorrente teve ciência em 21 de agosto de 2009 (fls.42), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 12/16, lavrado em 08 de outubro de 2007, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Mantida a glosas de despesas, visto que o direito à sua dedução é condicionado à comprovação dos requisitos previstos em lei. Lançamento Procedente. Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 43/46), aonde requer preliminarmente a nulidade dos autos em decorrência do não recebimento do auto de infração, vez que recebeu tão somente a Notificação de Lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Como se vê, o Contribuinte não discute o mérito das infrações apuradas. Limitase a arguir a nulidade do lançamento, por alegado cerceamento do direito de defesa, caracterizada pelo não recebimento de Auto de Infração. Relativamente a exigência do crédito tributário, o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, em seu artigo 9º, na redação então vigente à época da lavratura da peça básica, dispunha: Art. 9º A exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificação de lançamento, distinto para cada tributo. Grifo nosso. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10850.002876/200718 Acórdão n.º 2101001.821 S2C1T1 Fl. 55 3 Ora, a Notificação de Lançamento foi emitida regularmente, tudo consoante o Decreto 70.235/72. Em sua argumentação o impugnante informa: “6. (...), que a intimação referente ao Auto de Infração não foi concretizada pelos correios em virtude de endereço insuficiente, ou melhor, faltava o número do apartamento do endereço da contribuinte em questão, fato este que gerou a devolução pelos correios da referida intimação sem cumprimento.” É de se depreender que a intimação mencionada referese a necessidade de o contribuinte prestar informações capazes de comprovar as deduções pleiteadas. O fato se dá ainda na fase perquiritória, ou seja, antes da lavratura da Notificação de Lançamento. É que esta fase do procedimento tem natureza inquisitorial na qual logicamente não há contraditório; é fase de apuração dos fatos por parte do Fisco que nela pode adotar todos os procedimentos que entender necessários, desde que legalmente autorizado, para apurar os fatos, inclusive intimar o contribuinte. O não recebimento de tal intimação, in casu, não é condição necessária para invalidar o lançamento, haja vista o disposto no Artigo 73 do Decreto nº 3.000/99, in verbis: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Vejase que as deduções pleiteadas alcançam o percentual de 30,89% da renda declarada pela contribuinte. Sobre a intimação, o artigo 23, Inciso II do Decreto 70.235/72, disciplina: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim, em sendo o endereço do contribuinte informado pelo mesmo à base de dados da Receita Federal do Brasil, de forma incompleta, caberá ao dito contribuinte arcar com eventuais atropelos de caráter fiscal. Ainda em sua argumentação, o impugnante informa: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 “7.2 Verificase que o Relator citou na notificação de lançamento de fl. 10 para citar quem seriam os profissionais, porém na notificação de lançamento recebida pela Recorrente, ninguém foi citado, o que prejudicou totalmente a impugnação.” No voto à quo o Relator informa: “Em consulta à Notificação de Lançamento (fi.10) verificase que foram glosadas todas as despesas médicas da contribuinte no total de R$ 28.051,76 (ou seja, da DIRPF • EX2005/AC2004 do sujeito passivo: pagamentos feitos à Tatiana Oliveira Zola R$3.500,00; Valéria de Jesus Fonseca Ferreira R$4.500,00; Cecilia Zuanazi R. de Almeida R$2.256,00; Ewerton Rodrigo de Freitas R$3.887,00; Maria do Carmo Favaretto Peral R$ 10.560,00 e Unimed São José do Rio Preto R$3.348,76”. Percebese claramente que o mesmo cita todas as despesas médicas, ou seja, o valor total declarado pela contribuinte em sua DIRPF. Ora, fácil entender que todas as despesas médicas foram glosadas, constando tal glosa na Notificação de Lançamento – Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (fls.15). Assim, não se pode deixar de notar que a Recorrente teve oportunidade, na impugnação e no recurso, para contestar os fatos apurados pela Fiscalização e aduzir suas razões de defesa quanto ao mérito do lançamento, mas mesmo assim não o fez. Superado, de consequência, o argumento de cerceamento de defesa. Não vislumbro, portanto, vício no procedimento fiscal ou na autuação dele decorrente, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade e, como a contribuinte nada aduziu quanto ao mérito, o lançamento deve ser mantido tal qual consta da autuação. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007964/2007-21
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO.
A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO LANÇAMENTO. ART. 150, §4º DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN.
Encontra-se homologado tacitamente o lançamento relativo a parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRINCÍPIO DA UNIVERSALIDADE DO ATENDIMENTO.
O sistema previdenciário brasileiro tem por princípio condutor o da universalidade do atendimento, de modo que todos os segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS possuem os mesmos direitos, nos termos da lei, aos benefícios previdenciários previstos na Lei nº 8.213/91, independentemente de trabalharem na inciativa privada ou em órgãos públicos como comissionados, de serem trabalhadores urbanos ou rurais.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO DE REGIMES. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO APRECIAÇÃO.
A apreciação de questões atinentes à compensação financeira de regimes previdenciários escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Houve o reconhecimento da fluência do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I do CTN.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta (na data da formalização do Acordão).
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO LANÇAMENTO. ART. 150, §4º DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Encontra-se homologado tacitamente o lançamento relativo a parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRINCÍPIO DA UNIVERSALIDADE DO ATENDIMENTO. O sistema previdenciário brasileiro tem por princípio condutor o da universalidade do atendimento, de modo que todos os segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS possuem os mesmos direitos, nos termos da lei, aos benefícios previdenciários previstos na Lei nº 8.213/91, independentemente de trabalharem na inciativa privada ou em órgãos públicos como comissionados, de serem trabalhadores urbanos ou rurais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO DE REGIMES. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO APRECIAÇÃO. A apreciação de questões atinentes à compensação financeira de regimes previdenciários escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Recurso Voluntário Provido em Parte
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VINCULAÇÃO COMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO LANÇAMENTO. ART. 150, §4º DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Encontrase homologado tacitamente o lançamento relativo a parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRINCÍPIO DA UNIVERSALIDADE DO ATENDIMENTO. O sistema previdenciário brasileiro tem por princípio condutor o da universalidade do atendimento, de modo que todos os segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS possuem os mesmos direitos, nos termos da lei, aos benefícios previdenciários previstos na Lei nº 8.213/91, independentemente de trabalharem na inciativa privada ou em órgãos públicos como comissionados, de serem trabalhadores urbanos ou rurais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO DE REGIMES. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO APRECIAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 64 /2 00 7- 21 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 A apreciação de questões atinentes à compensação financeira de regimes previdenciários escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Houve o reconhecimento da fluência do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I do CTN. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta (na data da formalização do Acordão). Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Data da lavratura da NFLD: 26/12/2006. Data da Ciência da NFLD: 29/12/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor do Estado em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e do empregador, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas creditadas ou devidas a segurados empregados, na qualidade de comissionados lotados na Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior SETI, órgão da administração direta do Governo do Estado do Paraná, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 91/99 e anexos a fls. 100/140. Relata a Autoridade Lançadora que o fato gerador das contribuições apuradas neste levantamento é a prestação de serviços remunerados por segurados obrigatórios filiados ao Regime Geral de Previdência Social, na condição de servidores ocupantes, exclusivamente, de cargos em comissão, declarado em lei de livre nomeação e exoneração, cujos salários de Fl. 306DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.007964/200721 Acórdão n.º 2302002.047 S2C3T2 Fl. 300 3 contribuição estão baseados nos dados das folhas de pagamento e das GFIP entregues pela Secretaria de Estado da Administração e da Previdência — SEAP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 154/158. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 279/286, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/03/2008, conforme Termo de Ciência a fl. 287. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 290/293, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que o lançamento fiscal é nulo pelo alicerce no art. 20 da Lei nº 8.212/91; · Que a situação apreciada no caso em tela configura flagrante confisco, uma vez que olvidase, por completo, o princípio da reciprocidade; · Que não se pode olvidar a necessidade de se compor a compensação de regimes; Ao fim, requer a reforma da decisão hostilizada, julgando pela desconsideração da NFLD 35.035.8970 por seu flagrante caráter confiscatório. Assim não entendendo, requer a suspensão dos seus efeitos, até que sejam solucionadas as pendências entre Estado e União que objetivam resolver a compensação de regimes constitucionalmente prevista. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo em epígrafe apresentou recurso tempestivo conforme assim atesta Termo a fl. 298. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não tenha sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.007964/200721 Acórdão n.º 2302002.047 S2C3T2 Fl. 301 5 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário que permeia esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas rubricas qualificadoras dos fatos geradores levantados tenham sido contempladas com recolhimentos antecipados das respectivas contribuições previdenciárias aplicase o regime assentado no §4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Nessas condições, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 29 dias do mês de dezembro de 2006, os efeitos o lançamento em questão alcançaria, tão somente, as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2001, inclusive, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, encontramse homologados tacitamente todos os créditos associados às obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2001, exclusive, circunstância que extirpa da Fazenda Pública o direito potestativo de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 2.2. DA ALEGADA NULIDADE Alega o Recorrente que o lançamento fiscal é nulo pelo alicerce no art. 20 da Lei nº 8.212/91. Se nos antolha que o Recorrente está enxergando chifre na cabeça de cavalo. Senão vejamos. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.007964/200721 Acórdão n.º 2302002.047 S2C3T2 Fl. 302 7 Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. No exercício da competência que lhe fora atribuída, a lei orgânica da Seguridade Social definiu em seus artigos 12 e 13 as categorias de trabalhadores abraçados, compulsoriamente, pelo Regime Geral de Previdência Social e, dessarte, sujeitos às normas emolduradas na Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). (...) Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1o Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). §2o Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Mostrase, ainda, auspicioso destacar que, para os fins específicos das disposições encartadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, são considerados como empresa não somente a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, como, também, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Da análise dos dispositivos legais e constitucionais suso selecionados deflui que, mesmo antes da promulgação da Emenda nº 20/98, imperiosa era a vinculação obrigatória ao Regime Geral de Previdência Social tanto dos servidores efetivos quanto dos ocupantes de cargos em comissão, ou de outro cargo temporário ou de emprego público da União, dos estados, e dos municípios quando não amparados por regime próprio de previdência social. Ocorre que, aos 15 dias de dezembro de 2008, o Congresso Nacional promulgou e fez publicar a Emenda Constitucional nº 20/98, a qual fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88 o parágrafo 13 que impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social. Constituição Federal Art. 40. O servidor será aposentado: (...) §13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) Nessa perspectiva, com a edição da citada Emenda Constitucional, os ocupantes exclusivos de cargo em comissão, bem como de outro cargo temporário ou de Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.007964/200721 Acórdão n.º 2302002.047 S2C3T2 Fl. 303 9 emprego público, não mais poderiam se vincular a RPPS, mas, tão somente, ao RGPS, de maneira compulsória, sem alternativas. Assim, conforme devidamente esclarecido, a Emenda nº 20/98 não criou nova hipótese de exação. Apenas excluiu do RPPS os ocupantes de cargo comissionado, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, os quais passaram a ser regidos, obrigatoriamente, pelo regime geral, pelas regras já existentes na Lei nº 8.212/91. Nada mais. No caso sub examine, a presente NFLD efetuou o lançamento de contribuições previdenciárias a cargo dos segurados incidentes sobre os pagamentos efetuados aos servidores públicos estaduais ocupantes de cargo comissionado, todos na qualidade de segurados empregados, apurados diretamente a partir das informações prestadas pelo Estado do Paraná em suas folhas de pagamento e nas GFIP entregues pela Secretaria de Estado da Administração e da Previdência – SEAP. Conforme muito bem detalhado no Relatório Fiscal, a vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n°. 37.035.9062, tem por finalidade “apurar e constituir o crédito referente às contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), destinadas à Seguridade Social (RGPS), relativamente à parte Patronal (parte da Empresa e a destinada ao financiamento de benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho), e do segurado empregado (de acordo com a faixa salarial), incidentes sobre o total das remunerações pagas aos COMISSIONADOS lotados na Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior SETI, órgão da administração direta do Governo do Estado do Paraná, no período de 01/1999 a 12/2004”. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 20 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu que a contribuição previdenciária a cargo do segurado empregado, categoria da qual fazem parte os COMISSIONADOS apurados pela fiscalização, é calculada mediante a aplicação de alíquota própria incidente sobre o seu Salário de Contribuição, restando a cargo do empregador a responsabilidade pelo desconto de tal contribuição social da remuneração auferida mensalmente pelo trabalhador e o recolhimento aos cofres do fisco federal, no prazo legal, por força das disposições insculpidas no inciso I do art. 30 da mesma Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (Redação dada pela Lei n° 9.032/95). Saláriodecontribuição Alíquota em % até 249,80 8,00 de 249,81 até 416,33 9,00 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 de 416,34 até 832,66 11,00 (Valores e alíquotas dados pela Lei nº 9.129/95) §1º Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Lei n° 8.620/93) §2º O disposto neste artigo aplicase também aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços a microempresas. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 8.620/93) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (grifos nossos) b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Não se mostra demasiada prudência relembrar que a Lei Orgânica da Seguridade Social estabeleceu como presunção absoluta, a efetivação do desconto das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, de suas respectivas remunerações, pelo empregador, não sendo lícito a este alegar omissão para se eximir do correspondente recolhimento, ficando ele diretamente responsável pela importância que deixou de descontar ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.007964/200721 Acórdão n.º 2302002.047 S2C3T2 Fl. 304 11 arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) Conforme demonstrado, o art. 20 da Lei nº 8.212/91 não nulifica o lançamento. Ao contrário, representa o esteio jurídico indispensável para a constituição do crédito tributário referente às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, figurando o Estado do Paraná como responsável pela sua arrecadação e recolhimento, mediante desconto das respectivas remunerações, não lhe sendo licito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei de Custeio da Seguridade Social. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias decididas pelo órgão de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DO ALEGADO CONFISCO Alega o Recorrente que a situação apreciada no caso em tela configura flagrante confisco, uma vez que se olvida, por completo, o princípio da reciprocidade. A rogativa do Recorrente não merece acolhida. Em primeiro lugar, há que se ter em mente que o sistema previdenciário brasileiro tem por princípio condutor o da solidariedade, sendo ele o próprio pilar de sustentação do regime previdenciário. Através dele, temse como objetivo não a proteção de indivíduos de maneira isolada, mas, sim, de toda a coletividade participante como um todo. O direito previdenciário enquadrase como direito de segunda geração por ter inspiração nos princípios da igualdade e da solidariedade, devendo na sua evolução continuar a perseguir os valores da redistribuição da riqueza nacional utilizado e cumprido pelo legislador ao fixar os riscos e a dimensão da necessidade social básica, que no direito previdenciário significa custeio e manutenção de um sistema protetivo, no qual todos têm de ser solidários, para a manutenção do regime de seguridade. A solidariedade cumpre no sistema a função de prover aos necessitados a proteção social, e àqueles que cumpriram os requisitos legais, o direito aos benefícios Fl. 315DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 previdenciários, mister esse que se alcança mediante a contribuição de toda a sociedade, nos termos assinalados no art. 195 da CF/88. Em segundo lugar, mas trigo de outra safra, o sistema previdenciário pátrio também é regido pelo Princípio da Universalidade do atendimento, cuja faceta subjetiva traduzse na possibilidade de todos os integrantes do RGPS, atendidos os requisitos legais, terem acesso às mesmas prestações previdenciárias previstas na lei. Atrelado a tal norteador, temos ainda o Princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços. Por uniformidade devese entender a vedação de proteção social diversa às populações urbanas e rurais. A Constituição vedou o tratamento desigual para a população urbana e rural, corrigindo distorção histórica. A expressão equivalência dá dimensão econômica aos serviços prestados, referese à igualdade geométrica, equivalência de proporções. A dimensão da prestação de seguridade social é efetivada pela própria sociedade que define sua participação na elaboração dos planos de seguridade social e na elaboração do orçamento próprio. Por equivalência devese entender a vedação do estabelecimento de critérios diversificados para cálculo dos benefícios previdenciários. A uniformidade indica mesmo nível de proteção para todos os integrantes do sistema. Nesse contexto, avulta que todos os segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS possuem os mesmos direitos, nos termos da lei, aos benefícios previdenciários previstos na Lei nº 8.213/91, independentemente de trabalharem na inciativa privada ou em órgãos públicos como comissionados, de serem trabalhadores urbanos ou rurais. O sistema previdenciário estatuído na CF/88, assim como na Lei de Benefícios da Previdência Social, não estabelece qualquer distinção entre os segurados de uma mesma categoria quanto aos benefícios previdenciários a que têm direito, ou à carência, nem a valores, nada. Todos são iguais perante a lei, nos termos da lei. Assim, os servidores públicos comissionados vinculados ao RGPS possuem direito a todos os benefícios previdenciários disponíveis a categoria de segurados empregados, inclusive aposentadorias, até porque o servidor público comissionado se configura como um segurado empregado como outro qualquer, sem qualquer distinção. Dessarte, não há como acatar a cantilena exortada pelo Recorrente. 3.2. DA COMPENSAÇÃO DE REGIMES O Recorrente alerta que não se pode olvidar a necessidade de se compor a compensação de regimes; Se nos afigura que o Recorrente não entendeu bem o espírito da coisa. Tal alegação não poderá ser objeto de apreciação por este Colegiado eis que, em seu louvor, nos vertentes autos, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, eis que a matéria aventada é totalmente alheia ao lançamento tributário objeto do presente Processo Administrativo Fiscal. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.007964/200721 Acórdão n.º 2302002.047 S2C3T2 Fl. 305 13 Com efeito, o lançamento tributário em apreciação não trata, nem mesmo indiretamente, da compensação de regimes de previdência social, tampouco da contagem recíproca de tempo de contribuição, tratados no §9º do art. 201 da CF/88 c.c. art. 94 da Lei nº 8.213/91, mas, tão somente, da falta de recolhimento de tributo – obrigação tributária principal , e seus acréscimos legais, incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, não recolhidas aos cofres previdenciários federais em suas épocas próprias. O instituto da compensação financeira de regimes foi idealizado e estruturado somente para os casos de contagem recíproca de tempo de contribuição para efeito de aposentadoria, o que, definitivamente, não é o caso versado nos vertentes autos. Estes tratam unicamente de falta de recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, os quais não foram vertidos aos cofres da autarquia previdenciária federal em suas épocas próprias. Nessas circunstâncias, se em favor a tais segurados houvese por efetuado, equivocadamente, qualquer recolhimento de contribuições previdenciárias para Regime Próprio de Previdência Social do Estado, o caso não atrai a compensação de regimes, tampouco a contagem recíproca de tempo de contribuição, mas, sim, a repetição de indébito, eis que tal recolhimento houvese realizado indevidamente. Tal restituição deve ser requerida diretamente no órgão previdenciário estadual, observados o rito e os demais procedimentos administrativos por ele estabelecidos. Por certo, a apreciação de questões dessa estirpe escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Registrese por relevante que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Recorrente e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento, como se consubstanciam, exatamente, as alegações ora deduzidas pelo Recorrente. Por tais razões, esquivamonos de apreciar alegações de semelhante natureza eis que, em sua referência, não se houve por inaugurada qualquer controvérsia. 4. CONCLUSÃO: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2001, inclusive, e nas competências anteriores a essa. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 318DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13884.003898/2003-72
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/10/1998 a 31/08/1999
AUTO DE INFRAÇÃO DE PIS E COFINS LAVRADOS PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS EXTINTOS. CANCELAMENTO.
A decisão administrativa definitiva homologando compensação de débitos que haviam sido constituídos de oficio para se prevenir o Fisco contra a decadência obriga ao cancelamento da exação, dada a completa extinção dos referidos débitos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-001.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori., Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1998 a 31/08/1999 AUTO DE INFRAÇÃO DE PIS E COFINS LAVRADOS PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS EXTINTOS. CANCELAMENTO. A decisão administrativa definitiva homologando compensação de débitos que haviam sido constituídos de oficio para se prevenir o Fisco contra a decadência obriga ao cancelamento da exação, dada a completa extinção dos referidos débitos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori., Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 38 98 /2 00 3- 72 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório O presente processo retorna a julgamento após ter sido concluída a diligência determinada pela nossa Resolução nº 340100.051, de 26 de agosto de 2010. Na ocasião, determináramos à Unidade de origem que fosse trazida ao processo o resultado do julgamento na esfera administrativa acerca da lide instaurada no processo administrativo nº. 13884.002829/9813 e que versava sobre a compensação de débitos do PIS/Pasep e da Cofins, os mesmos objetos de lançamentos de oficio perpetrados por meio de auto de infração contidos no presente processo. A diligência foi concluída com a juntada aos autos de cópia do Despacho Decisório nº 155, de 28/02/2012, proferido no referido processo, cuja ementa reproduzo: Assunto: Finsocial Exercícios: 1989 a 1991 Ementa: PEDIDO ' DE COMPENSAÇÃO. REFORMA DE DECISÃO. CONVALIDAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. O direito a compensação de tributo pago a maior é assegurado ao, contribuinte na forma da legislação de regência. Por determinação do Terceiro Conselho de Contribuintes as decisões anteriores foram reformadas no sentido de considerar como dies a quo do prazo para solicitação do crédito a data da publicação da MP 1.110/95. A RFB reconheceu a inconstitucionalidade das majorações de alíquota do Finsocial ao convalidar as compensações de Cofins com o Finsocial recolhido em alíquota superior, a 0,5%, pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DEFERIDOS. A “Conclusão” que constou do referido Despacho Decisório foi: Em face do exposto, com esteio na competência prevista no inciso VI do art. 295 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010, combinado com o inciso I do art.7° da Portaria DRF/SJC n° 75, de 12 de Maio de 2011, RECONHEÇO o direito creditório de Finsocial relativamente aos pagamentos a maior efetuados pela matriz entre 04/10/89 e 12/11/91, no valor de 47.638,92 (quarenta e sete mil seiscentos e trinta e oito reais e noventa e dois centavos) atualizado até 1° de janeiro de 1996 e DEFIRO os pedidos de compensação deste crédito com os débitos de Cofins de outubro de 1998 a agosto de 1999 e de PIS de outubro de 1998 a maio de 1999. De outra parte, junto ao referido Despacho Decisório foi anexado uma “Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes”, à fl. 399, a qual permite identificar os valores dos débitos do PIS/Pasep e da Cofins compensados e cujo saldo em favor do Fisco restou Fl. 426DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13884.003898/200372 Acórdão n.º 3401001.998 S3C4T1 Fl. 397 3 reduzido a zero, ou seja, tratamse dos mesmos débitos que constam dos dois autos de infração acima reportados. No essencial, é o Relatório. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator Como visto, as compensações que, inicialmente não haviam sido acatadas pela Administração Tributária, o que, inclusive, ensejara a lavratura dos dois autos de infração de que trata o pressente processo, acabaram sendo revistas e homologadas. Extintos os débitos pela compensação, não há razão alguma para que se proceda na exigência do crédito tributário constituído de oficio por meio dos dois autos de infração de PIS/Pasep e da Cofins que constam deste processo. Voto, pois, pelo seu cancelamento e consequente provimento ao Recurso Voluntário. Odassi Guerzoni Filho Fl. 428DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10218.000441/2005-32
Data da sessão: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ E REFLEXOS - SIMPLES
Exercício: 2002
IRPJ. SIMPLES. DESENQUADRAMENTO. Na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior,receita bruta superior a prevista no inciso II, art. 9°., da Lei n. 9.317, a exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica
até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, não servindo para efeito de desenquadramento, declaração retificadora apresentada após ação fiscal, desacompanhada de documentos hábeis e idôneos para comprovar a situação excludente constante do art. 9°. da referida lei.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO
LEGAL. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO
Súmula 1°CC n° 2: 'O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente
para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS SELIC. "Súmula 1°.CC n. 4: A partir de 1 0. De abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para
títulos federais Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : IRPJ E REFLEXOS - SIMPLES Exercício: 2002 IRPJ. SIMPLES. DESENQUADRAMENTO. Na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior,receita bruta superior a prevista no inciso II, art. 9°., da Lei n. 9.317, a exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, não servindo para efeito de desenquadramento, declaração retificadora apresentada após ação fiscal, desacompanhada de documentos hábeis e idôneos para comprovar a situação excludente constante do art. 9°. da referida lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO Súmula 1°CC n° 2: 'O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC. "Súmula 1°.CC n. 4: A partir de 1 0. De abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Recurso Voluntário Negado.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS %kk:11.'tt, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO - , Processo n0 10218.000441/2005-32 Recurso n° 158.092 Voluntário Acórdão n° 1301-00.200 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2009 Matéria SIMPLES Recorrente DISTRIBUIDORA MEDALHA DE OURO LTDA Recorrida 3' TURMA/DRJ-BELÉM/PA Assunto: IRPJ E REFLEXOS - SIMPLES Exercício: 2002 IRPJ. SIMPLES. DESENQUADRAMENTO. Na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a prevista no inciso II, art. 9°., da Lei n. 9.317, a exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, não servindo para efeito de desenquadramento, declaração retificadora apresentada após ação fiscal, desacompanhada de documentos hábeis e idôneos para comprovar a situação excludente constante do art. 9°. da referida lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO Súmula 1°CC n° 2: 'O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC. "Súmula 1°.CC n. 4: A partir de 1 0. De abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ir) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente _ .~11••nn - Relator 5 ?:; EDITADO EM: „5 \ LU ra Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Décio Lima Jardim, Rogério Garcia Peres, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório DISTRIBUIDORA MEDALHA DE OURO LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3 a numa da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém - PA, que por unanimidade de votos, JULGOU procedentes os lançamentos efetuados a título de imposto de renda e reflexos, decorrente de omissão de receitas — depósitos bancários não escriturados -, diferença de base de cálculo entre os valores escriturados e informados SIMPLES, bem como, insuficiência nos recolhimentos dos impostos/contribuições do ,SIMPLES, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal às fls.205/209. Dessa forma, foram lavrados os autos de infração a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 224/227), no valor de R$ 52.734,56, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 232/236), no valor de R$ 52.734,56, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 241/245), no valor de R$ 87,349,49, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fls. 250/254), no valor de R$ 174.669,13 e Contribuição para Seguridade Social (INSS, fls. 259/262), no valor de R$ 341.558,22, formalizando crédito tributário no montante de R$ 709.075,95, já incluídos os juros de mora calculados até 31.08.2005 e a multa proporcional de 75%. Cientificada dos lançamentos em 03.10.2005, a Contribuinte apresentou em 01.11.2005, impugnações em separado para cada lançamento, às fls. 271/279-CSLL, fls. 281/289-PIS, fls. 291/299-1RPJ, fls. 301/309—INSS e fls. 311/319-COFINS, alegando em síntese que: 2 Processo n° 10218.000441/2005-32 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.200 Fl. 2 (i) Inicialmente, requer seja julgado improcedente os lançamentos efetuados referente ao ano-calendário 2001, por entender que houve violação ao disposto no art.9°, II, da Lei n° 9.317/96. (ii) Esclarece que no ano-base de 2000 obteve faturamento superior ao limite fixado pelo art. 90, II da lei n° 9.31796, que é de R$ 1.200.000,00, razão pela qual mesmo que quisesse continuar a ser optante do Simples, estaria impedido. Dessa forma, a fiscalização não poderia lavrar os autos de infração com base na Lei do Simples. (iii) Ressalta que a atividade administrativa é vinculada não podendo o Agente Administrativo optar pelo que fazer, mas cumprir a noima que lhe é imposta sob pena de nulidade do ato administrativo. Sendo assim, observa que nos termos dos arts. 13, II e 14, I, ambos da Lei n° 9.317/96, a sua exclusão do Simples era obrigatória. (iv) Insurge-se face à aplicação dos juros de mora calculado com base na taxa Selic, por considerá-la inconstitucional. Nesse sentido, afirma que deve ser aplicado o disposto no art. 161, §1 0 do CTN que estabelece a taxa de juros de 1% ao mês. (v) Entende que a multa aplicada de 75% é confiscatória, conforme julgado do STF que transcreve, devendo a referida multa, caso seja mantida a dívida, ser excluída do débito ou reduzida a 20%. (vi) Por fim, requereu a improcedência da cobrança. À vista da Impugnação, a 3'• Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém - PA, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados pelas razões a seguir sintetizadas: Inicialmente, quanto a alegação de inconstitucionalidade da Taxa de Juros calculada com base na Taxa Selic, destacaram os julgadores que sendo a atividade administrativa vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN, não compete ao julgador administrativo fazer qualquer análise de inconstitucionalidade de lei, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Corroborando seu entendimento transcreveram o Parecer Normativo da COSIT/SRF n° 329/1970 e também citaram o art. 70 da Portaria MF n° 258/2001. No mérito, após transcrever o art. 42 da Lei n° 9.430/96, esclareceram que era ônus da contribuinte elidir a presunção de omissão de receitas decorrente da existência de depósitos bancários não escriturados. Dessa forma, mantiveram o lançamento efetuado, uma vez que a contribuinte não apresentou documentos hábeis e idôneos capazes de afastar a presunção relativa de omissão de rendimentos. Salientaram que os julgados administrativos e judiciais trazidos pela contribuinte, mesmo que proferidos por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário, e concluíram que não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. 3 Verificaram que a fiscalização ao proceder o levantamento das receitas omitidas deduziu os valores já recolhidos pela contribuinte, conforme Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre as receitas brutas, fls 211 e a pesquisa nos Sistemas desta Secretaria, fls. 351 e 352, muito embora tenha apresentado sua Declaração no Modelo Simplificado com a Receita Bruta igual à zero para todos os meses do ano-calendário de 2001, conforme recibo de entrega, fls. 14. Em relação à alegação da contribuinte de que não poderia ser tributada pelo SIMPLES porque havia ultrapassado o limite da Receita no ano anterior, ou seja, R$ 1.200.00,00, através de pesquisas nos Sistemas disponíveis, constataram que a primeira declaração apresentada pela Contribuinte na data de 22.03.2001, no modelo simplificado apresentou receita bruta no valor de R$ 61.777,05, ou seja, limite de empresa tributada pelo SIMPLES, na condição de Microempresa, não seria nem empresa de Pequeno Porte. Consignaram que após o encerramento da fiscalização do período de 2001, a Contribuinte apresentou uma segunda declaração para o ano-calendário de 2000, da qual anexou cópia de parte da impugnação apresentada, transmitida em 30.12.2005, preenchida as fichas de PIS e COFINS, com a informação de receitas que em seu somatório anual supera R$1.200.000,00, fazendo constar exclusões superiores a 80% em cada Mês para deten-ninar a base de cálculo dos meses de janeiro a dezembro de 2000, por se tratar de contribuições que o prazo de decadência é de 10 anos. Entretanto, verificaram que a segunda declaração foi cancelada pelo Sistema, fls. 350, uma vez que a Contribuinte era optante do SIMPLES, e essa opção é válida para todo o ano-calendário, salvo em situações específicas, em que as empresas são obrigadas a apresentar duas declarações abrangendo cada uma parte de um mesmo ano-calendário, e concluíram que não seria o caso da Contribuinte. Nesse sentido, concluíram que a Contribuinte tentou burlar o procedimento realizado de fon-na correta pela fiscalização, ' considerando que à época da realização dos trabalhos as informações prestadas por ela, que devem ser consideradas como verdadeiras, indicavam que o total de vendas realizadas no ano-calendário de 2000 totalizaram R$ 61.777,05, o que inibiu a sua exclusão de oficio da forma de tributação denominada de SIMPLES. Pelas razões acima expostas é que a 3'. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém - PA, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados. Intimada da decisão de primeira instância em 17.02.2007, às fls. 366, a contribuinte recorreu a este E. Conselho de Contribuintes, tempestivamente, em 15.03.2007, às fls. 367/370, juntando, ainda, os documentos de fls. 371/374, alegando em síntese o que se segue: Após fazer um breve relato dos motivos que levaram os julgadores de primeira instância a manter o lançamento efetuado, afirma que por força do disposto nos arts. 90, II, 13, II e 14, I, todos da Lei n°9.317/96, a autoridade administrativa não poderia no ano- calendário 2001 autuar a empresa com base no Simples. Isto porque, no ano anterior (2.000) a empresa apurou receita bruta superior a R$ 1.200.000,00. Alega que ao contrário do que afirma os julgadores de primeira instância, durante a fiscalização não prestou informações de que a receita bruta de 2000 era de R$ 61.777,05. Ao contrário, destaca que a fiscalização através das informações relativas a CPMF, 4 • Processo n° 10218.000441/2005-32 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00200 Fl. 3 possuía elementos plausíveis para verificar que a receita anterior era superior a R$ 1.200.000,00, devendo, portanto, aplicar a forma correta de tributação diferente da do SIMPLES por imposição legal. Esclarece que por equívoco, entregou a declaração de forma errada, mas que reconheceu o erro, mesmo após a fiscalização, cuidou de refazer sua escrituração fiscal- contábil e submeter-se a tributação pelo lucro real porque possui escrituração contábil suficiente para poder adequar-se a esta forma de tributação. Infouna, também, que é direito da empresa retificar a declaração de informações. Finalmente insurge-se face à aplicação da Taxa Selic, além de considerar a multa de oficio confiscatória. Pelo exposto requer seja dado provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando-se os lançamentos efetuados. É o relatório. - Voto Conselheiro VALMIR SANDRI O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, torno conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a Recorrente se insurge contra a decisão de primeira instância que manteve a exigência fiscal relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e seus reflexos, relativo ao ano-calendário de 2001, tendo em vista que a contribuinte apesar de intimada diversas vezes não comprovou através de documentos hábeis e idôneos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal ás fls. 205/209. Em relação aos itens 02 e 03 do Auto de Infração — diferença de base de cálculo e insuficiência de recolhimento -, é de se observar que não foi instaurado o litígio quanto a essas matérias, eis que a contribuinte se manteve silente tanto por ocasião de sua impugnação como agora em grau de recurso, tratando-se, portanto, de matéria preclusa. Com relação à matéria de mérito objeto do presente recurso — Omissão de Receitas decorrente de depósitos bancários não escriturados -, alega a Recorrente, em síntese, que: (i) apurou no ano-calendário 2000, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00, razão pela qual não poderia ser tributada pelo SIMPLES no ano-calendário 2001, nos termos dos arts. 90, II, 13, II e 14, I, todos da Lei n° 9.317/96; (ii) por equívoco entregou sua Declaração de forma errada, mas reconheceu o erro e o corrigiu, ainda que após iniciada a fiscalização; (iii) não deve ser aplicada a taxa Selic e, (iv) ser confiscatória a multa de ofício de 75%. Inicialmente, é de se observar que a contribuinte pode a qualquer tempo apresentar DIPJ-Retificadora no prazo de cinco anos, independentemente de autorização da autoridade administrativa, com a mesma natureza da Declaração originariamente apresentada, caso identifique algum equívoco no seu preenchimento. Entretanto, após iniciado o procedimento de fiscalização, qualquer ajustes que venha a ser feito pela contribuinte por inteumédio da Declaração Retificadora, não tem ela o condão de afastar as penalidades pelas irregularidades por ela cometida, eis que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos, conforme preceitua os arts. 832 e 833 do RIR/99, in verbis: "Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (Decreto-Lei n2 1.967, de 1982, art. 21, e Decreto-Lei n2 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 62). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto." "Art. 833. A pessoa jurídica que, depois de iniciada a ação fiscal, requerer a retificação de rendimentos de sua declaração não se eximirá, por isso, das 6 Processo n° 10218.000441/2005-32 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.200 Fl. 4 penalidades previstas neste Decreto, aplicando-se o mesmo procedimento a todas as pessoas físicas ou jurídicas, quanto aos rendimentos oriundos da pessoa jurídica a que se referir aquela ação fiscal, inclusive aos sujeitos ao regime de arrecadação nas fontes (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 63, § 52)." Quanto a alegação da contribuinte de que a receita do ano anterior — ano- calendário de 2000 — ter sido superior a R$ 1.200.000,00 e, portanto, não poderia ter sido tributada pelo SIMPLES no ano-calendário de 2001, inicialmente observo que não há nos autos nenhuma prova concreta nesse sentido e, mesmo que fosse procedente tal alegação, era dever da contribuinte ter comunicado tal fato até o último dia útil do mês de janeiro do ano- calendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, na forma do disposto no art. 12 e parágrafos da Lei n. 9.317, o que não fez, só vindo à fazê-lo após intimada do lançamento, talvez, querendo com isso, se locupletar se sua própria torpeza, eis que no ano- calendário em que diz ter tido receita superior àquela disposta no inciso II, art. 9 0. da lei ora em comento, apresentou declaração na data de 22.03.2001, com receita bruta anual no valor de R$ 61.777,05. Vê se que agiu com acerto a fiscalização ao tributar as omissões de receitas apuradas pela sistemática do SIMPLES, pois a forma de tributação foi efetuada com base na própria informação prestada pela contribuinte ao Fisco, quando informou na sua D1PJ que no ano-calendário anterior (2000), auferiu receita bruta em valor inferior àquela disposta no inciso II, art. 9°. Da Lei n. 9.317, e não havendo, portanto, provas robustas nos autos de que naquele ano-calendário auferiu receitas superiores aquelas permitidas para se enquadrar na condição de empresa de pequeno porque, não há corno acolher suas assertivas no sentido de ilegalidade na autuação com base no Simples em relação ao ano-calendário 2001. Quanto à autuação por omissão de receitas, decorrente de depósitos bancários não justificados, com fundamento no art. 42 da Lei 9.430/96, a contribuinte nada argumentou, se limitando apenas as questões acima ora afastadas, ou seja, de que a autuação é nula por inobservância do inciso I, art. 14 da Lei n. 9.317/96, razão porque deixo de tecer comentários acerca da exigência consubstanciada na presunção legal de omissão de receitas, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a — origem dos recursos creditados em conta de depósito. Com relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de oficio de 75% que entende confiscatória, é de se observar que não cabe ao julgador administrativo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal, tarefa essa privativa do Poder Judiciário, devendo este se limitar a aplicá-la, sem emitir qualquer juizo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade, a não ser nos casos em que a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou no difuso, este a partir do momento e na hipótese de produzir efeitos "erga omnes". A Constituição Federal, em seu art. 150, IV, veda a utilização de tributo com o efeito de confisco. Trata-se de limitação ao poder de tributar que visa evitar o excesso de carga tributária, que implique agravamento exagerado na situação do contribuinte. Porém, não existe um patamar pré-definido que permita dizer que um tributo tem ou não efeito confiscatório, cabendo essa valoração ao legislador ou, mediante provocação, ao órgão judicante competente. 7 Assim, em primeiro plano, pode-se dizer que. o principio do não confisco é urna limitação imposta pelo legislador constituinte ao legislador infra-constitucional, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório, onerando excessivamente a contribuinte. Em segundo plano, o princípio dirige-se, eventualmente, ao poder judiciário, que deve aplicá-lo no controle difuso ou concentrado da constitucionalidade das leis. Dessa forma, não compete à instância administrativa a análise sobre a matéria, pois a vedação constitucional quanto à utilização de tributo com efeito de confisco dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. E sendo assim, por estar às multas de oficio previstas em ato legal vigente (art. 44 da Lei n-.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996), descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação e/ou eficácia. Quanto à alegação de ilegalidade da aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios, é de se observar que a mesma esta sendo aplica em consonância com os dispositivos legais validamente editados, no caso, a Lei n° 8.981/95 que estabeleceu, no seu art. 84, I, que os juros de mora seriam equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional, relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna. A MP n° 947, de 23/03/1995, em seus arts. 13 e 14, alterou o disposto para juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, a serem aplicados a partir de 01/04/1995. Por seu turno, a MP n° 972, de 22/04/1995, convalidou a Medida Provisória anterior e, finalmente, a Lei n° 9.065, de 21/06/1995, no seu art. 13, convalidou o art. 13 das duas Medidas Provisórias antes mencionadas, sendo posteriormente ratificados pelo art. 61 da Lei n° 9.430/96, que vigora até o dia de hoje. O fato é que a questão dos juros moratórios calculados com base na Taxa Selic não comporta mais discussão neste E. Conselho, tendo em vista que a matéria já se encontra sumulada, vejamos: "Súmula 1°.CC 77. 4: A partir de 1 0. De abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais". Como se vê, a exigência de juros de mora calculados com base na taxa Selic foi prevista de forma literal no artigo 13 da Lei ng 9.065/95, e no §3°- do art. 61 da Lei n-(2 9.430/96, não havendo, portanto, como afastá-la sem expurgar os dispositivos literais de lei, bem corno, a súmula do E. Conselho de Contribuintes. Quanto aos lançamentos decorrentes, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação aos mesmos, em vista da íntima relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. É como voto. DRI - Relator 8
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