Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,220)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,371)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,859)
- Primeira Turma Ordinária (15,833)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,953)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,916)
- Terceira Câmara (66,252)
- Segunda Câmara (54,545)
- Primeira Câmara (19,103)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,775)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,158)
- Segunda Seção de Julgamen (112,982)
- Primeira Seção de Julgame (75,394)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,909)
- Câmara Superior de Recurs (37,687)
- Terceiro Conselho de Cont (25,961)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,650)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,891)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,170)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13707.005731/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68.
Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, porquanto tal verba reveste natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 2401-006.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, porquanto tal verba reveste natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13707.005731/2008-00
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6029080
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.694
nome_arquivo_s : Decisao_13707005731200800.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13707005731200800_6029080.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
id : 7813683
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120102469632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13707.005731/200800 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.694 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2019 Matéria IRPF Recorrente CELSO DE QUEIROZ SANT ANNA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, porquanto tal verba reveste natureza remuneratória e não está beneficiada por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 57 31 /2 00 8- 00 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13707.005731/200800 Acórdão n.º 2401006.694 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier. Relatório CELSO DE QUEIROZ SANT ANNA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1326.364/2009, às efls. 40/43, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação ao exercício 2007, conforme peça inaugural do feito, às fls. 07/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 05/12/2008, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com o seguinte fato gerador: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********17.308,80, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ *************0,00. Inconformado com a Decisão recorrida. o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 47/48, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, requerendo a desconsideração dos valores não tributáveis, que se referem ao "Adicional por Tempo de Serviço", foi incluido ilegalmente, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13707.005731/200800 Acórdão n.º 2401006.694 S2C4T1 Fl. 4 3 conforme estatuído no art. 1°, III, da Lei 8.852/94, uma vez que o mesmo foi indevidamente incluído nos rendimentos tributáveis. Aduz que a própria Lei no 8.852/94, em seu art. l°, inciso III, alínea "n", reconheceu a ilegalidade da incidência do IR no "Adicional por Tempo de Serviço", e assegurou, expressamente, a exclusão da referida vantagem. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Cingese a controvérsia em definir se incide ou não imposto de renda sobre a verba denominada "Adicional por Tempo de Serviço", excluída do conceito de remuneração pelo art. 1º, inciso III, da Lei nº 8.852/1994, assim descrito: Art. 1º. Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço; De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13707.005731/200800 Acórdão n.º 2401006.694 S2C4T1 Fl. 5 4 Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e art. 39 do RIR, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço não está contemplada. Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1° do mesmo Diploma Legal. Portanto, o “Adicional por Tempo de Serviço” resta sujeito ao imposto de renda, porquanto tal verba reveste natureza remuneratória e não esta beneficiados por norma de isenção, que, a propósito, deve ser interpretada literalmente (CTN, art. 111, II) e ser concedida mediante lei específica (CF/1988, art. 150, § 6º). Registro, por importante, que o entendimento acima exposto está em consonância com a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ: TRIBUTÁRIO. ADICIONAL OU GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. IMPOSTO DE RENDA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que o adicional ou gratificação por tempo de serviço possui natureza remuneratória e reflete "acréscimo patrimonial" sujeito à incidência do Imposto de Renda (RMS 23.970/ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJ e 21.10.2010; REsp 976.226/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 3.10.2007, p. 195; AgRg no REsp 848.413/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ 20.11.2006, p. 289). 2. Recurso Especial não provido. (REsp 1.339.596 / ES, julgado em 02/10/2012). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. GRATIFICAÇÕES DE ATIVIDADE POLICIAL FEDERAL, DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA E DE ATIVIDADE DE RISCO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. 1. “Incide Imposto de Renda sobre a 'gratificação de atividade policial federal', a 'gratificação de compensação orgânica' e a 'gratificação de atividade de risco', pagas aos delegados de polícia federal antes do advento da Lei 11.358/2006, visto que tais gratificações possuem natureza remuneratória, segundo consta do acórdão recorrido. Com efeito, as gratificações em questão estão sujeitas ao Imposto de Renda, pois configuram acréscimo patrimonial e não estão beneficiadas por isenção.” (AgRgREsp nº 1.148.279/CE, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, in DJe 24/8/2010). 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1230195 / CE, julgado em 03/03/2011). Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13707.005731/200800 Acórdão n.º 2401006.694 S2C4T1 Fl. 6 5 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.002442/2006-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/06/1998
RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TERMO INICIAL.
O prazo para pleitear a restituição de indébitos tributários reconhecidos por ação judicial inicia-se a partir do trânsito em julgado da decisão.
RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO
Prescreve em cinco anos o direito de pleitear a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, contados do trânsito em julgado da ação que reconheceu o crédito.
Numero da decisão: 3302-007.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/06/1998 RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TERMO INICIAL. O prazo para pleitear a restituição de indébitos tributários reconhecidos por ação judicial inicia-se a partir do trânsito em julgado da decisão. RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO Prescreve em cinco anos o direito de pleitear a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, contados do trânsito em julgado da ação que reconheceu o crédito.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10945.002442/2006-88
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019714
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-007.049
nome_arquivo_s : Decisao_10945002442200688.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE LIMA ABUD
nome_arquivo_pdf_s : 10945002442200688_6019714.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7777765
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120129732608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.002442/200688 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302007.049 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Matéria PIS. COMPENSAÇÃO. INDEVIDA. Recorrente COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA RONDON COPAGRIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/06/1998 RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TERMO INICIAL. O prazo para pleitear a restituição de indébitos tributários reconhecidos por ação judicial iniciase a partir do trânsito em julgado da decisão. RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO Prescreve em cinco anos o direito de pleitear a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, contados do trânsito em julgado da ação que reconheceu o crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 24 42 /2 00 6- 88 Fl. 114DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Tratase de apreciação das compensações declaradas nos PER/Dcomp n° 33669.53561.090704.1.3.570882 (fls. 1 a 4) e n° 15675.58398.090804.1.3.573750 (fls. 5 a 8), todas vinculadas a direito creditório decorrente de decisão judicial transitada em julgado no âmbito do processo judicial n° 93.10130962, da 2a Vara da Justiça Federal em Foz do Iguaçu PR. Por meio de Despacho Decisório de fl. 39, fundamentado na Informação Fiscal n° 416/2006 (fls. 36 a 38) a DRFB em Foz do Iguaçu não homologou a compensação declarada, em razão do transcurso do prazo prescricional de cinco anos para o exercício do direito à repetição de eventual indébito, uma vez que o trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu os créditos da interessada deuse em 29/06/1998 e as Dcomp foram apresentadas somente em 2004. Determinouse ainda a cobrança dos débitos indevidamente compensados. Cientificada em 27/11/2006 (fl. 45), a Interessada, inconformada, ingressou em 22/12/2006 com manifestação de inconformidade de fls. 46 a 53 na qual contesta a não homologação das Dcomp. Considera “no mínimo interessante” a tentativa da União de fazer aplicar a créditos líquidos e certos, reconhecidos e determinados por decisão judicial transitada em julgado, a aplicação do Decreto 20.910/32, ainda que a própria União diga estar utilizando o referido decreto por analogia. A analogia, afirma, é a aplicação a um caso não regulado de modo direto ou específico por uma norma jurídica, de uma prescrição normativa prevista para uma hipótese distinta, mas semelhante ao caso não contemplado. No caso em análise não há que se falar em analogia, eis que as relações tributárias, em especial no que se refere à repetição de indébito, são reguladas pelo CTN. Informa que no voto condutor do acórdão da apelação cível o relator deixou claro que " a compensação, após o trânsito em julgado da decisão, só poderá se dar com contribuições devidas ao PIS, devendo a autora registrálas em sua escrita fiscal — o que independe, de toda forma, de autorização judicial ou pedido à Receita Federal cumulada de correção monetária — a fim de atualizar o valor aquisitivo da moeda , ficando ressalvado o disposto no § 4o do art. 150 , CTN, quanto à homologação do lançamento, bem como o de a União glosar quantias injustificada ou nãocomprovadamente compensadas Logo, não pode o Decreto 20.910/32 ser utilizado de forma a prejudicar a coisa julgada, retirando assim, da Cooperativa ora Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10945.002442/200688 Acórdão n.º 3302007.049 S3C3T2 Fl. 3 3 requerente o próprio direito adquirido por força de decisão judicial. Em 15 de julho de 2010, através do Acórdão n° 1330.316, a 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento Rio de Janeiro II/RJ, por unanimidade de votos, indeferiu a Manifestação de Inconformidade. Entendeu a Turma que: Considerandose que a decisão judicial que reconheceu créditos em favor da interessada tomouse definitiva em 29/06/1998, à data de apresentação das Dcomp em análise, 09/07/2004 e 09/08/2004, já estavam transcorridos mais de cinco anos do trânsito em julgado da ação. Decorre das disposições dos arts. 165 e 168 do CTN que prescreve em cinco anos, da data do trânsito em julgado, o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional decorrente de sentença judicial. E interpretar de outra forma ou de forma literal o dispositivo implicaria a conclusão de que não havería prazo previsto no CTN para exercício de direito creditório decorrente de sentença judicial transitada em julgado. É necessário que se identifique na hipótese normativa de indébito tributário prevista no art. 165, III, do CTN, os créditos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional decorrentes não apenas de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão administrativa ou judicial condenatória, mas também os créditos decorrentes de sentença judicial favorável ao sujeito passivo. A COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA RONDON COPAGRIL foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 08 de dezembro de 2010, às efolhas 96. Em 28 de dezembro de 2010, a COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA RONDON COPAGRIL ingressou com Recurso Voluntário de efolhas 97 à 105. Foi alegado: Em que pese o entendimento exarado no acórdão recorrido, contudo entende a Recorrente que o prazo prescricional de cinco anos a que se refere a decisão que reconheceu o direito a compensação diz respeito aos créditos que poderiam ser aproveitados pela Autora, ou seja, que somente poderia ser objeto de compensação os créditos decorrentes de pagamentos realizados em data não superior a cinco anos da propositura da Ação Declaratória. De fundamental importância para análise do presente Recurso, uma vez ser o fundamento principal da decisão que indeferiu a compensação, está no fato da interpretação em relação ao período de compensação. Não se pode utilizar a regra de forma que as compensações obrigatoriamente ocorram no prazo de cinco anos, sob pena de a Recorrente perder o direito sobre seus créditos. Fl. 116DF CARF MF 4 Desta forma, a jurisprudência tem firmado entendimento de que o início das compensações devam ocorrer antes do decurso de cinco anos (prazo prescricional). Tendo ocorrido o início das compensações antes de decorrido o prazo de cinco anos, deixase de aplicar o prazo prescricional, uma vez que já houve a informação ao fisco sobre o crédito, sendo então um “dever" do fisco, homologar se os valores escriturados na contabilidade da empresa estão em conformidade com a decisão judicial. Necessário destacar que o sistema denominado de PERDCOMP, foi introduzido pela Receita Federal através da instrução normativa SRF n° 320, de 11 de abril de 2003, por certo só a partir de então passou a ser utilizado, contudo, desde muito antes as compensações eram realizadas pela Recorrente, não podendo assim ser admitida a decisão de prescrição para utilização dos créditos. Visto, não há que falar em aplicação por analogia do Decreto 20.910/32 ao caso em análise, eis que as relações tributárias, em especial ao que se refere a repetição de indébito são reguladas pelo Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172/1966, lei ordinária, alçada ao status de Lei Complementar, após o advento da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Logo, não pode o Decreto 20,910/32 ser utilizado de forma a prejudicar a coisa julgada, retirando assim, da Cooperativa ora Requerente o próprio direito adquirido por força da decisão judicial. Vêse que tal atitude não violaria aqui tão somente a coisa julgada, mas também o próprio direito adquirido decorrente de tal norma, eis a transparência da decisão firmada na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis 2.445 e 2.449/88. Por todo o exposto, evidente a impossibilidade de extinção do direito da Requerente fundado em decisão transitada em julgado, por conta da aplicação da prescrição. Necessário observar e manter em mente, que as compensações efetuadas pela Cooperativa não foram pedidos de utilização de Crédito, foram sim pedidos de compensações de crédito, ficando tais compensações conforme já asseverados à homologação da autoridade fiscal, conforme declinado na sentença, com obediência as regras do Código Tributário Nacional, artigo 150, §4°. Contudo, o direito à homologação, restringe se à verificação do quanto e da forma de utilização, eis que a sentença judicial já mencionada é cristalina, quando gerou obrigação para a Requerente de que somente podería utilizar os créditos decorrentes da sentença com débitos vencidos ou vincendos do próprio tributo (PIS), e criou a liberalidade da Receita em Verificar ditos lançamentos/Compensações. Porém, na homologação ou não da compensação, não pode a Receita Federal por seus prepostos, restringir direitos, tutelados Constitucionalmente. Pedidos Por todo o exposto, resta evidente que a não homologação das compensações com conseqüente exigência do recolhimento do tributo fere direito líquido e certo da Recorrente, motivo pelo qual deve ser julgado improcedente o ato declaratório que não homologou a compensação, devendo pois ser julgada procedente a compensação, eis que baseada em direito liquido e certo, cuja prescrição foi afastada pelo inicio do procedimento de Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10945.002442/200688 Acórdão n.º 3302007.049 S3C3T2 Fl. 4 5 compensações, muito antes do período prescricional. Requer assim a reforma total do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, m 08 de dezembro de 2010, às efolhas 96. Em 28 de dezembro de 2010, a COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA RONDON COPAGRIL ingressou com Recurso Voluntário às efolhas 97. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. · A impossibilidade de extinção do direito da Requerente fundado em decisão transitada em julgado, por conta da aplicação da prescrição. Passase à análise. Antes de analisarmos o caso concreto, cabe fazer algumas breves considerações a respeito dos prazos para execução do débito reconhecido judicialmente. O Contribuinte possui o prazo de 5 (cinco) anos para promover a execução do seu direito creditório reconhecido judicialmente, seja na modalidade judicial ou administrativa, com fundamento no art. 1o do Decreto n° 20.910/1932, bem como do inciso IV, §4°, do art. 71 da IN RFB n° 900, de 2008. No caso de direito creditório discutido judicialmente, a legislação tributária estabelece como termo inicial para a contagem do prazo prescricional do direito creditório a data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título Fl. 118DF CARF MF 6 judicial, como ocorreu no caso concreto. A seguir reproduzido o art. 71 da IN n°900/08 que dispôs sobre a matéria: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1° A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: i. o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; ii. certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; iii. na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; iv. cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; v. cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; vi. cópia do documento comprobatório de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2° Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1°, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3° No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2°, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4° O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: i. I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; ii. a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; iii. houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; iv. o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e v. na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. vi. § 5° Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10945.002442/200688 Acórdão n.º 3302007.049 S3C3T2 Fl. 5 7 vii. as pendências a que se refere o § 2° não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou viii. não forem atendidos os requisitos constantes do § 4°. § 6° O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4°. A Receita Federal também expôs mais detalhadamente a questão no Parecer Normativo n°11 de 19 de dezembro de 2014, in verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. O crédito tributário decorrente de ação judicial pode ser executado na própria ação judicial para pagamento via precatório ou requisição de pequeno valor ou, por opção do sujeito passivo, ser objeto de compensação com débitos tributários próprios na via administrativa. Ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento da matéria feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa n° 1.300, de 2012, conforme § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e às demais limitações legais. Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em332 julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao princípio da indisponibilidade do interesse público. O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. Eventual mudança de interpretação sobre a matéria será aplicável somente a partir de sua introdução na legislação tributária. Dispositivos Legais. Constituição Federal, arts. 37 e 100; Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts. 100, 170 e 170A; Decreto n° 20.910, Lei n° 9.430, de 1996, art. 74; Lei n° 9.779, art. 16; Lei n° 9.784, de 1999, art. 2°; Portaria Fl. 120DF CARF MF 8 MF n° 203, de 2012, art. 1°, III, e art. 280, III e XXVI; IN RFB n° 1.300, de 2012, arts. 81 e 82 eprocesso 10880.724252/201346. Considerando que a decisão judicial que reconheceu créditos em favor da interessada tomouse definitiva em 29/06/1998, à data de apresentação das Dcomp em análise, 09/07/2004 e 09/08/2004, já estavam transcorridos mais de cinco anos do trânsito em julgado da ação. Nesse sentido já se posicionou o CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. (Acórdão 10323.503, Sessão de 26/06/2008). Grifei RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida”. (Acórdão n° 10805.791, Sessão de 19/07/1999). Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10945.002442/200688 Acórdão n.º 3302007.049 S3C3T2 Fl. 6 9 Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11159.000912/2007-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade
Numero da decisão: 2002-001.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11159.000912/2007-89
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6029157
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.168
nome_arquivo_s : Decisao_11159000912200789.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 11159000912200789_6029157.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7815010
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120146509824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 113 1 112 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11159.000912/200789 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.168 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Recorrente JOÃO BATISTA LOURENÇO DE MACEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 15 9. 00 09 12 /2 00 7- 89 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11159.000912/200789 Acórdão n.º 2002001.168 S2C0T2 Fl. 114 2 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 8/18), relativo a imposto de renda da pessoa física, exercício 2003. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.249,94 para saldo de imposto a pagar de R$5.712,19. A autuação noticia omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no montante de R$74.300,00, e compensação indevida de IRRF (fl.10). Impugnação Cientificado ao contribuinte em 2/10/2007, o AI foi objeto de impugnação, em 5/10/2007, às fls. 2/44 dos autos, na qual ele alegou que não teria recebido comprovante de rendimentos do município de São Miguel de Guaporé. Discordou dos valores lançados e da aplicação da multa de ofício, bem como pleiteou a inclusão da previdência oficial. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BEL que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 74/77): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. COMPROVAÇÃO. É dedutível a Contribuição à Previdência Oficial, quando sua retenção foi comprovada por meio de Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em formulário aprovado pela Secretaria da Receita Federal. O colegiado de primeira instância decidiu por considerar no cálculo do imposto a dedução da previdência oficial, no valor de R$1.802,65. Recurso voluntário A correspondência encaminhada ao sujeito passivo foi devolvida à RFB pela Empresa de Correios e Telégrafos ECT (fls.86/88). Na sequência, a Unidade da RFB de origem providenciou a afixação do edital de fl.90 em 27/1/2010. Posteriormente, foi enviada carta cobrança ao contribuinte (fls.92 e 96) Em 21/6/2010 (fl. 98), o contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 100/109, no qual alega, em apertado resumo, que: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11159.000912/200789 Acórdão n.º 2002001.168 S2C0T2 Fl. 115 3 residiria no seu endereço há 15 anos e seria muito difícil não encontrar alguém da família em seu endereço. Acrescenta que não teria tirado férias ou licença no período da notificação. o Fisco disporia de outros meios para cientificar o contribuinte da decisão, tais como meio eletrônicos, edital, fax e outros, para o bom andamento do processo tributário, sem prejuízo do direito de defesa do contribuinte. teria direito ao benefício garantido pelo artigo 173 do CTN. Tendo sido notificado em 5/10/2007 e tendo auferido rendimentos de janeiro a novembro de 2002, sobre os quais houve retenção do IR, o crédito já estaria decaído quando o Fisco se manifestou. os cálculos deveriam ser refeitos considerando a prescrição de alguns meses as exação. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade Cabe analisar a tempestividade do recurso voluntário interposto. Sobre a questão, necessário reproduzir as disposições do artigo 23, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal PAF: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11159.000912/200789 Acórdão n.º 2002001.168 S2C0T2 Fl. 116 4 inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11159.000912/200789 Acórdão n.º 2002001.168 S2C0T2 Fl. 117 5 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) ... (destaques acrescidos) Da leitura do dispositivo, constatase que, frustrada a tentativa de intimação pessoal, por via postal, telegrama ou outro meio, farseá à intimação por edital. No caso, tentouse a intimação via postal, mas a correspondência foi devolvida pela ECT após três tentativas, com indicação de que a entrega não ocorreu por motivo de ausência (fl.86). Registro que o endereço consignado na correspondência é aquele indicado pelo recorrente em seu recurso voluntário (fl.100) e no qual foi recebida a carta cobrança (fl.96), constante dos cadastros da RFB (fl.80). Não tendo obtido êxito na ciência via postal, a Unidade da RFB procedeu a afixação do edital de fl.90 em 27/1/2010. Vêse que o procedimento de intimação do recorrente seguiu as disposições atinentes à matéria, não havendo que se cogitar de sua irregularidade. A teor do §2º, inciso IV, do artigo 23, do PAF, acima transcrito, considerase o contribuinte intimado em 11/2/2010, quinze dias após a publicação do edital. Logo, forçoso concluir pela intempestividade do recurso voluntário interposto em 21/6/2010, uma vez que o prazo de trinta dias expirou em 15/3/2010 (segundafeira). Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720009/2017-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012
BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES PARA PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA - PCLD. EXCLUSÃO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
As provisões para perdas no recebimento de créditos liquidação duvidosa - PCLD podem ser excluídas da base de cálculo do Pis, para as instituições financeiras.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO
Não enseja a declaração de nulidade a decisão que mantém o fundamento utilizado no lançamento e apenas acrescenta tratamento teórico às razões de Impugnação ou corrige erro de cálculo.
Numero da decisão: 3201-005.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Não votou a conselheira Larissa Nunes Girard. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator ad hoc
(assinatura digital)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES PARA PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA - PCLD. EXCLUSÃO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As provisões para perdas no recebimento de créditos liquidação duvidosa - PCLD podem ser excluídas da base de cálculo do Pis, para as instituições financeiras. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO Não enseja a declaração de nulidade a decisão que mantém o fundamento utilizado no lançamento e apenas acrescenta tratamento teórico às razões de Impugnação ou corrige erro de cálculo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.720009/2017-44
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6035430
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.480
nome_arquivo_s : Decisao_16327720009201744.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16327720009201744_6035430.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Não votou a conselheira Larissa Nunes Girard. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza- Presidente. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator ad hoc (assinatura digital) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7826142
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120158044160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1958; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 6.628 1 6.627 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720009/201744 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.480 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2019 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente CHINA CONSTRUCTION BANK (BRASIL) BANCO MÚLTIPLO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES PARA PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA PCLD. EXCLUSÃO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As provisões para perdas no recebimento de créditos liquidação duvidosa PCLD podem ser excluídas da base de cálculo do Pis, para as instituições financeiras. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO Não enseja a declaração de nulidade a decisão que mantém o fundamento utilizado no lançamento e apenas acrescenta tratamento teórico às razões de Impugnação ou corrige erro de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Não votou a conselheira Larissa Nunes Girard. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 09 /2 01 7- 44 Fl. 6628DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.629 2 de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Redator ad hoc (assinatura digital) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Inicialmente, esclareço que fui designado como redator ad hoc, nos termos do art. 58, § 13 do do RICARF1, para formalização de acórdão relatado pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, cujo mandato foi extinto. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pelo Relator em sessão de julgamento "Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no montante total de R$ 21.279.428,44, referente aos períodos de apuração janeiro/2012, fevereiro/2012, abril/2012, maio/2012, julho/2012, agosto/2012 e outubro/2012 a dezembro/2012 (fls. 175/180). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 182/196), o autuante assim fundamenta o lançamento de ofício: o Supremo Tribunal Federal adotou o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, devendo ser excluídas da base de cálculo tão somente as receitas estranhas ao objeto social da sociedade, ou seja, aquelas que não sejam oriundas do exercício das atividades empresariais, de exploração da atividadefim da pessoa jurídica, que configura o objeto social constante nos 1 § 13. Na ocorrência de afastamento definitivo do relator, ou provisório por período superior a 2 (dois) meses, sem que tenha sido concluído o julgamento do recurso, o processo permanecerá em pauta e o Presidente da Turma de Julgamento deverá designar redator ad hoc, escolhido, preferencialmente, dentre os conselheiros que adotaram o voto exarado pelo relator afastado. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Fl. 6629DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.630 3 estatutos da entidade. Assim, a receita operacional bruta, deduzidos os valores previstos no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, está sujeita à Cofins; a fiscalizada deduz indevidamente de sua base de cálculo as contas: “8.1.8.30.30.00.00 – PROVISOES PARA OPERACOES DE CREDITO” e “8.1.8.30.60.00.00 – PROVISOES PARA OUTROS CREDITOS – OUTROS”. No demonstrativo apresentado, as referidas contas possuem como nomenclatura “Desp. Incorridas nas Oper. de Interm. Financeira”. No entanto, podemos verificar na escrituração do contribuinte que a correta denominação e natureza das contas é de despesa de provisão para perdas no recebimento de créditos, prevista na resolução 2.682 do BACEN, que dispõe sobre critérios de classificação das operações de crédito e regras para constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa. (Razão e esclarecimentos encaminhados na Resposta do dia 15/08/2016); a Lei nº 9.718, de 1998, define na alínea a, inciso I, do § 6º do art. 3º, que somente poderão ser excluídas ou deduzidas da base de cálculo as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; a intermediação financeira ou atividade financeira intermediada é realizada por instituições financeiras típicas (bancos, sociedades e cooperativas de crédito), que captam recursos junto aos agentes econômicos superavitários e os repassam aos agentes econômicos deficitários. A legislação, ao se referir a despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, reportase àquelas operações praticadas pelas instituições financeiras típicas, isto é, à atividade financeira intermediada, na qual a captação de recursos é essencial; a conta 8.1.8.30.000 – Despesas de Provisões Operacionais, de acordo com o previsto Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, tem como função registrar os encargos necessários à formação de provisões operacionais retificadoras do Ativo. As provisões retificadoras de ativo são constituídas para registrar perdas futuras e incertas da empresa, mas com probabilidade de ocorrerem em decorrências de desvalorização esperada ou não recebimento de bens ou direitos integrantes do ativo. Ou seja, não se trata de operação de intermediação financeira; a base de cálculo da Cofins não é o lucro, mas a receita bruta, pelo que apenas por exceção há dedução de despesas decorrentes da atividadefim da contribuinte; o § 1º, art. 1º da Lei 9.701, de 1998 veda a dedução de qualquer despesa administrativa da base de cálculo; o Anexo I da IN SRF nº 247/2002, ao elencar as contas COSIF integrantes da base de cálculo das contribuições, não contempla como dedução a conta “8.1.8.30.000 – Despesas de Provisões Operacionais”. Assim como, por outro lado, também não oferece à tributação a receita proveniente da reversão das mesmas, tendo Fl. 6630DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.631 4 em vista que a conta “7.1.9.90.008 – Reversão de Provisões Operacionais” integra o Grupo de Exclusões. Inclusive, interessante se faz notar que o contribuinte excluiu a receita de reversão de provisões operacionais quando da apuração da base de cálculo. Conforme escrituração digital entregue à RFB, e também Razões apresentados na resposta do dia 22/12/2016, fica comprovado que a receita de reversão de provisão para perdas no recebimento de créditos integra a conta “7.1.9.90.008 – Reversão de Provisões Operacionais” – na subconta 7.1.9.90.60.0100; o Banco Central do Brasil, em sua Carta Circular nº 3.316, de 2008, inciso III, prevê: III – Despesas de intermediação financeira, que correspondam ao somatório dos valores referentes a: (...) m) outras despesas operacionais originadas de operações que tenham como características: serem decorrentes de intermediação financeira ou de prestação de serviços; não serem decorrente de operações relacionadas ao Ativo Permanente; não representem constituição de provisões; não representem despesas administrativas e não representem taxas pagas a prestadores de serviços terceirizados; intimado a prestar informações acerca do resultado com operações em moedas estrangeiras em espécie (Quadro I do Anexo I da IN 247/02), o mesmo esclarece no item 2 de sua resposta de 15/08/2016 que “O montante em moeda em espécie mantido pela Banco, bem como os ajustes reconhecidos no resultado por conta da variação cambial desses, não são relevantes, motivo pelo qual o Banco não se atentou à consideração de seus efeitos na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS”. Apresentou em anexo a apuração de tais valores (item 2.1), os quais foram considerados por esta fiscalização no que se refere a impossibilidade de dedução na base de cálculo do PIS e da Cofins no caso de resultado negativo, conforme previsto no o inciso II, §2º, at. 10 do Decreto nº 4.524/02; os créditos tributários foram constituídos com a exigibilidade suspensa, por força de medida liminar concedida nos autos do processo judicial nº 2005.61.00.276624 (art. 151, inciso II e IV, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional). Cientificada do auto de infração em 30/01/2017 (fl. 197/198), a contribuinte, em 24/02/2017 (fl. 206) apresentou impugnação (fls. 208/230), na qual, depois de dizer da tempestividade de sua defesa, informa que não contestará a parcela do lançamento referente às rendas de câmbio oriundas do resultado negativo com operações em moedas estrangeiras em espécie contabilizado na conta Cosif nº 71300000000, sendo certo que aguarda o reconhecimento definitivo da sua inexigibilidade nos Fl. 6631DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.632 5 autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0276624, cuja decisão liminar favorável suspende a sua exigibilidade, como reconhecido pelo auditor fiscal. A seguir, a impugnante alega que: a impugnação apresentada afigurase cabível e merece ser conhecida, pois trata de matéria diferente daquela sujeita à alçada do Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0276624; o auditor fiscal lavrou o auto de infração por entender que as despesas glosadas não decorreriam de operações de intermediação financeira, exemplificando que tais operações seriam aqueles em que as instituições financeiras incorrem em despesas para captação de recursos, em função de juros e demais encargos financeiros pagos aos depositantes. O único equívoco no raciocínio do auditor fiscal reside na limitação que faz a operações de captação de recursos, o que não tem base legal, tampouco razão prática na rotina das atividades da contribuinte; no exercício de suas atividades, realiza tanto operações passivas, mediante a captação de recursos financeiros, como operações ativas, de aplicação de recursos financeiros, sendo certo que ambas geram despesas de natureza de intermediação financeira e, com tal, dedutíveis da base de cálculo da Cofins, nos termos do art. 3º, § 6º, inciso I, alínea a, da Lei nº 9.718, de 37 de novembro de 1998, combinado com o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 2012; a evolução legislativa acerca desse tema demonstra a higidez do direito da impugnante. Com efeito, enquanto pelo art. 1º, incisos I e III, da lei nº 9.701, de 1998, permitiase apenas a dedução de despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, inseriu o § 6º no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, ampliando as exclusões e deduções já previstas, abarcando agora também as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira por bancos comerciais e demais instituições financeiras. Essa evolução também se refletiu nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Instrução Normativa SRF nº 37, de 1999, e Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002). De igual modo, em seu sítio na internet, a RFB orienta a apuração da base de cálculo até 31/01/1999 com dedução de despesas de captação e a da base de cálculo a partir de 01/02/1999 com dedução de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira. Está claro, pois, que as deduções na apuração da base de cálculo da Cofins foi ampliada pela legislação, nas quais se incluem as despesas incorridas também nas operações ativas, abrangendo as despesas de intermediação financeira com a provisão para créditos de liquidação duvidosa, a teor do art. 3º, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.718, de 1998; Fl. 6632DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.633 6 na condição de instituição financeira, é obrigada a seguir os padrões contábeis estabelecidos pelo Banco Central do Brasil, inclusive no que se refere à constituição da provisão para créditos de liquidação duvidosa; da análise do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – Cosif, se infere que o código de aglutinação para fins de publicação nº 820 – Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa integra o grupo 15 – Despesas da Intermediação Financeira. Disso se conclui que o próprio Bacen considera a despesa com a provisão para créditos de liquidação duvidosa como despesa de intermediação financeira; a Procuradoria da Fazenda Nacional já se manifestou sobre esse tema por meio do Parecer PGFN/CAT nº 325/2009, que, embora tivesse por escopo tratar de questão fática diversa da que ora se apresenta, acabou por explorar, não só o arcabouço legal, mas também o conceito de despesa de intermediação financeira, incluindo nesta categoria as despesas incorridas com a constituição da Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa; a atividade de intermediação financeira é composta por duas pontas (captação e aplicação) necessariamente coexistentes. De forma que, no desenvolvimento de tal atividade, a instituição assume o compromisso de devolver aos poupadores os recursos captados acrescidos de remuneração (juros) e, por outro lado, a instituição assume o risco do não pagamento pelos tomadores desses recursos (do crédito por ela concedido) (i.e. na ponta aplicação), constituindose eventual inadimplência em despesa intrínseca à atividade por ela exercida nessa intermediação, já que mesmo não tendo recebido os recursos dos tomadores de crédito tem a obrigação de devolvêlos aos aplicadores; a Resolução nº 1.138, de 2008, do Conselho Federal de Contabilidade, dispõe que, nas despesas de intermediação financeira da atividade bancária estão incluídos os gastos com operações de captação, empréstimos, repasses, arrendamento mercantil e outros; o risco de inadimplência e por consequência a despesa com a PCLD não constitui elemento secundário às atividades típicas das instituições financeiras, nem mesmo ajuste contábil, mas sim verdadeiras despesas nas quais incorrem as instituições financeiras ao assumirem o risco de crédito em suas operações ativas, conforme já evidenciado. Logo, a se considerar a delimitação de critérios rigorosos à constituição da PCLD impostos pelo BACEN, se está a admitir seu impacto no ajuste de contas a receber e, consequentemente, sua natureza de despesa efetiva inerente à atividade de intermediação financeira realizada pelas instituições financeiras. Com efeito, diante daquilo que o BACEN entende como risco de perda com créditos de liquidação duvidosa, a Resolução BACEN nº 2.682/999 impõe às instituições financeiras a constituição da Fl. 6633DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.634 7 correspondente PCLD, sendo os lançamentos de partidas dobradas correspondentes: C — PCLD (Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa); D — Resultado: Despesa com PCLD desde a sua constituição, a PCLD origina uma verdadeira despesa às instituições financeiras, graduada de acordo com a classificação de nível de risco da operação, conforme os critérios estabelecidos pelos artigos 4° e 6° da Resolução BACFN n.°2.682/99, sendo que, a partir dos 180 dias de atraso, a PCLD passa a abarcar 100% da operação. Com mais 180 dias de atraso, ou seja, 360 dias o crédito será baixado e transferido, para mero controle, para contas de compensação, permanecendo intacta, entretanto, a despesa desde a sua constituição original; a despesa com a constituição da provisão para devedores duvidosos é considerada efetivamente incorrida, salvo se recuperada. Apesar de denominada impropriamente como provisão, segundo determinação do Bacen, ela não constitui uma mera expectativa de despesa para a instituição financeira, mas, sim, uma despesa efetivamente incorrida na intermediação financeira, o que é reconhecido pelo próprio Bacen ao impor o seu tratamento contábil. A caracterização da provisão para devedores duvidosos como despesa se dá, por óbvio, porque a incerteza está no recebimento do crédito em atraso, que é incerto desde que passou a inadimplente, e não na contabilização de sua perda, atendendo aos rígidos critérios do Bacen; vejase que a Lei nº 9.718, de 1998, permite também deduções a outras pessoas jurídicas, como por exemplo às empresas de seguro deduzirem da base de cálculo da Cofins a parcela dos prêmios destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas, Às entidades de previdência complementar e empresas de capitalização é permitido deduzir a parcela das contribuições destinadas a constituição de provisões ou reservas técnicas. Também às administradoras de plano de saúde facultase a dedução da parcela destinada à constituição de provisões técnicas; a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil previu, por meio da Instrução Normativa nº 1.285, de 2012, que as receitas decorrentes da reversão de provisões apenas poderão ser excluídas validamente da base de incidência da Cofins quando não tenham sido deduzidas da tributação quando de sua constituição. O que se quer dizer é que a pretendida dedução, além de alinhada à hipótese legal, não trará nenhum prejuízo à arrecadação, pois, na hipótese de recuperação dos ativos que originaram a provisão para devedores duvidosos, haverá a imediata subsunção das receitas correspondentes à incidência da Cofins. Se a legislação não permitisse a dedução da Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa constituída, como alega o autuante, a RFB não teria interpretado dessa maneira, isto é, não teria admitido a dedução de despesas com a constituição Fl. 6634DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.635 8 dessa provisão e vedado a exclusão de sua reversão, ainda que a contrario sensu. Afinal, a legislação não tem palavras inúteis; o argumento do auditor fiscal de que a contribuinte teria excluído receita de reversão de provisões operacionais quando da apuração da base de cálculo da Cofins no curso de 2012 não procede, uma vez que apenas lança tal informação, sem demonstrar vínculo entre a provisão revertida e excluída e as despesas com a constituição da provisão glosadas. Por certo, tratase de fatos e operações distintas e devidamente evidenciadas nas apurações contábil e fiscal da Impugnante, não guardando qualquer relação a dedução das despesas com a constituição da provisão para créditos de liquidação duvidosa e a alegada exclusão de reversão de provisões operacionais, ambas ocorridas no curso de 2012, a qual, diga se, sequer foi invalidada pelo Sr. AuditorFiscal; por estar claro que a legislação permite a dedução da base de cálculo da Cofins de despesas de intermediação financeira, sem restringir às despesas incorridas em operações passivas (i.e., ponta de captação), é evidente que não cabe ao auditor fiscal restringir, sob pena de violação do básico princípio do ubi lex non distinguit nec nos distinguere debernus, que reza não caber ao intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto, onde a lei não distingue. A 6ª Turma da DRJ/São Paulo/SP, por meio do Acórdão 1680.591, de 26/10/2017, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 29/02/2012, 01/04/2012 a 31/05/2012, 01/07/2012 a 31/08/2012, 01/10/2012 a 31/12/2012 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DEDUÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os valores referentes à despesa com a constituição de Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa não podem ser deduzidos na apuração da base de cálculo da Cofins. No Recurso Voluntário, a empresa reitera as razões da Impugnação, e suscita nulidade da decisão recorrida por inovação no fundamento da autuação. É o relatório." Fl. 6635DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.636 9 Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator ad hoc Como Redator ad hoc e nos termos do art. 58, § 13 do RICARF, sirvome da minuta de voto apresentada na sessão de abril de 2019 pelo Relator Marcelo Giovani Vieira: "Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 – Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente suscita a nulidade da decisão recorrida, porque teria inovado no fundamento da autuação. Conforme a empresa, o Fisco a autuou sob o entendimento de que as provisões para perdas no recebimento de créditos não poderiam ser excluídas da base de cálculo da Cofins, por não serem despesas de intermediação financeira. A decisão recorrida, sustenta a recorrente, manteve o lançamento sob o entendimento de que tais provisões não são despesas incorridas. Não lhe assiste razão. O fundamento do autuante foi mais geral que o alegado pela recorrente. Recorro, nesse sentido, ao seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 192): “As provisões retificadoras de ativo são constituídas para registrar perdas futuras e incertas da empresa, mas com probabilidade de ocorrerem em decorrências de desvalorização esperada ou não recebimento de bens ou direitos integrantes do ativo. Ou seja, não se trata de operação de intermediação financeira.” (...) “É fundamental anotar que a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins não é o lucro, mas a receita bruta, pelo que, evidentemente, apenas por exceção há dedução de despesas decorrentes da atividadefim do contribuinte. Não procede, neste sentido, a tentativa de exclusão de toda e qualquer despesa da base de cálculo indicada, pois, na verdade, a dedução somente pode ocorrer com lei autorizativa. Não obstante, o §1º, art. 1º da Lei 9.718/98 veda a dedução de qualquer despesa administrativa da base de cálculo. A Lei 9.718, de 1998, determinou, expressamente, as deduções da base de cálculo da Cofins e do PIS. E inexiste previsão de dedução de despesas de provisão”. O fundamento da autuação foi a ausência de previsão legal expressa para a dedução pretendida, de provisões em geral. Além disso, o aututante pontua também que as Fl. 6636DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.637 10 provisões são salvaguardas contábeis de perdas futuras, e por isso não são despesas de intermediação financeira. Portanto, qualquer argumento que sustente a indedutibilidade das provisões está inserida no contexto fundamentado pela autuação. Por outro lado, não foi fundamento da autuação o fato de que as provisões em foco sejam contabilizadas referentes à ponta da aplicação, e não na ponta da captação de recursos. O Fisco não fez tal diferenciação, e desse modo, são vazias as reclamações da recorrente nesse ponto. Por sua vez, a decisão recorrida corrobora o entendimento fiscal de que as provisões para perdas no recebimento de créditos não podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins, por não pertencerem ao conceito de despesas de intermediação financeira (fl. 6.547): Por fim, corrobora, ainda, o entendimento aqui adotado o fato, destacado pelo auditor fiscal, de que o Anexo I da IN SRF nº 247/2002, ao elencar as contas COSIF integrantes da base de cálculo das contribuições, não contempla como dedução a conta “8.1.8.30.000 – Despesas de Provisões Operacionais”. No exercício próprio de sua função de instância julgadora, a decisão recorrida, aprofundando o conceito de provisões e sua distinção das despesas de intermediação financeira., procura justificar conceitualmente a razão pela qual as despesas de provisão não são previstas legalmente para dedução, acrescentando que a distinção entre despesas de intermediação financeira e despesas se reforça porque as provisões não são despesas incorridas(fl. 6.545): O fato é que, mesmo superando esses argumentos do autuante e considerando o entendimento da impugnante como válido, isto é, mesmo considerando que as despesas com Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa sejam relacionadas a intermediação financeira nas operações de aplicações de recursos, tais despesas não podem ser excluídas da base de cálculo porque não são despesas incorridas, ao contrário do que a impugnante afirma em sua defesa. Faz parte natural da dialética processual os reforços teóricos das instâncias julgadoras que contribuam para sustentar o resultado da decisão. Portanto, o argumento de que as provisões não são despesas incorridas é reforço teórico à mesma distinção já procedida pelo aututante. Afasto a preliminar. 2 – Dedutibilidade das provisões para perdas no recebimento de créditos O art. 3º,§6º, inciso I, da Lei 9.718/98 discrimina as possíveis deduções da base de cálculo do Pis e Cofins das instituições financeiras: § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § Fl. 6637DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.638 11 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito. a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; Como se vê, não há previsão para dedução de provisões. A recorrente tenta conceituar as despesas de provisões para perdas de créditos como despesas de intermediação financeira. Todavia, tais rubricas têm naturezas bem diferentes. As despesas de intermediação financeira são aquelas incorridas na operacionalização da instituição, efetivamente despendidas. Estão fundadas, contabilmente, no princípio da competência. Por sua vez, as provisões têm natureza de prevenção, fundada no princípio contábil da prudência, relativos a passivos contingentes, ainda não efetivamente incorridos. A dicção legal, quanto utiliza o termo “despesas de intermediação financeira”, não poderia pretender incluir aí as provisões, dadas as diferenças de natureza entre as rubricas. Vejase que em todos os casos em que as provisões são tratadas pela legislação, o são expressamente, no que se reconhece sua natureza específica. No próprio artigo 3º da Lei 9.718/98, quando as provisões são dedutíveis, o são expressamente, conforme os seguintes artigos parágrafos § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos. Fl. 6638DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.639 12 (...) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; Agora no Decreto 4.524/2002, que regulamenta a tributação de Pis e Cofins: Art. 23. Para efeito de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo, com a alíquota prevista no art. 59, podem ser excluídos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (...) (...) V das reversões de provisões; (...) Art. 25. As operadoras de planos de assistência à saúde, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor (...) II da parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; e (...) Art. 27. As empresas de seguros privados, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor (Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, inciso IV, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, §§ 5º e 6º, inciso II, com a redação da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 2º): (...) III da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e (...) Art. 28. As entidades fechadas e abertas de previdência complementar, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I da parcela das contribuições destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e (...) I restringese aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões; e II aplicase também aos rendimentos dos ativos financeiros garantidores das provisões técnicas de empresas de seguros Fl. 6639DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.640 13 privados destinadas exclusivamente a planos de benefícios de caráter previdenciário e a seguros de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. Art. 29. As empresas de capitalização, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e II dos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Parágrafo único. A dedução prevista no inciso II restringese aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. Releva observar que a reversão das provisões diversas (com a exceção das acima especificadas) podem ser excluídas da base de cálculo, conforme art. 22, V, fato que é eloquente para confirmar que as provisões em geral devem compor a base de cálculo. Art. 22. Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capítulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º): (...) V das reversões de provisões; Portanto, todas as reversões de provisões são excluídas, o que afasta, também, as arguemtações do contribuinte quanto à redação do art. 7º, §1º, da IN RFB 1.285/12. O fato de existir a rubrica de “820 Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa”, dentro do código aglutinador “15 Despesas de Intermediação Financeira”, no Documento 8 – Demonstração do Resultado, no Manual do Cosif, não interefere no que dispõe a legislação, pois tratase de apurar, nesse demonstrativo, o resultado, enquanto a base de cálculo da Cofins é o faturamento, e não o lucro. O mesmo vale para os argumentos da recorrente quanto às exigência do Bacen para constituição dessas provisões. É que não se nega a obrigatoriedade da constituição dessas provisões, e ainda que alterem o resultado, o que se nega é que possa ser excluída da base de cálculo, o faturamento, e não o lucro. 3 Conclusão Por todo o exposto, voto pela manutenção do lançamento. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator" É o que se reproduz do voto do relator original. Fl. 6640DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.641 14 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Redator designado É sabido que as instituições financeiras possuem como atividade principal a "intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros". Tais instituições captam recursos e os colocam à disposição no mercado. No desenvolvimento da atividade de intermediação financeira, portanto, a instituição assume o risco de não receber o valor concedido ao tomador do crédito, sendo que eventual inadimplência de fato constituiria perda intrínseca a tal atividade por ela exercida. A autuação se deu sob o fundamento de que as despesas com PCLD não decorreriam de operações de intermediação financeira. Neste sentido: "As provisões retificadoras de ativo são constituídas para registrar perdas futuras e incertas da empresa, mas com probabilidade de ocorrerem em decorrências de desvalorização esperada ou não recebimento de bens ou direitos integrantes do ativo. Ou seja, não se trata de operação de intermediação financeira." Ocorre que, as instituições financeiras são obrigadas a constituição de provisão de crédito de liquidação duvidosa PCLD pela Resolução CMN nº 2.682, de 1999. Já no plano de contas Cosif, a PCLD é classifica no subitem 820 do item 15 "despesas da intermediação financeira". A PGFN, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 325/2009, o qual, embora tivesse por escopo questão fática diversa do caso em debate, faz ponderações sobre a definição de “intermediação financeira”, conforme a seguir: “20. Notese que a intermediação financeira ou atividade financeira intermediada é realizada por instituições financeiras típicas (bancos, sociedades e cooperativas de crédito), que captam recursos junto aos agentes econômicos superavitários e os repassam aos agentes econômicos deficitários. 21. Vêse, pois, que a mediação ou intermediação financeira é a atividade de captar recursos junto a entidades econômicas Fl. 6641DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.642 15 superavitárias e repassálas às unidades econômicas deficitárias, conforme KAUFMAN.(...) 23. Voltando ao caso concreto, é inequívoco que a legislação, ao referirse a despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, reportase àquelas operações praticadas pelas instituições financeiras típicas, ou seja, à atividade financeira intermediada, onde a captação de recursos é essencial. 24. Para comprovar esta assertiva, recorrase ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF, instituído pela Circular no 1.273, em 29 de dezembro de 1987 que dispõe sobre os critérios e procedimentos contábeis a serem observados pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, com o objetivo de uniformizar os procedimentos de registro e elaboração de demonstrações financeiras , ao qual se submetem as instituições financeiras e as entidades a elas equiparadas (inclusive o Autor, que é sociedade supervisionada pelo Banco Central do Brasil) 25. O COSIF traz planilha que, na elaboração das demonstrações financeiras, deve ser obrigatoriamente preenchida pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. (...) 27. Notese que as despesas inseridas na rubrica despesas de intermediação financeira são "despesas de operações de captação de mercado", despesas de operações de empréstimos e repasses", " despesas de operações de arrendamento mercantil", "resultado de operações de câmbio" e "provisão para créditos de liquidação duvidosa". 28. Ou seja, como despesas de intermediação financeira foram consideradas apenas aquelas diretamente relacionadas com a atividade financeira intermediada das instituições financeiras típicas, não abrangendo outras despesas também operacionais, que podem ser incluídas como despesas administrativas ou outras despesas operacionais." Assim, é possível concluir que a PCLD é uma despesa incorrida na intermediação financeira. Por sua vez, o art. 17 da Lei nº 4.595/1964, ao definir as instituições financeiras, traz o conceito de “intermediação financeira”. Vejamos: “Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.” Fl. 6642DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.643 16 A natureza da despesa com a constituição da PCLD, constitui despesa efetiva, sendo certo que apenas no caso de eventual recebimento por meio de renegociação deverão ser apropriadas como receitas da instituição financeira, conforme previsto no parágrafo segundo, do artigo 8º, da Resolução nº 2.682: “Parágrafo 2º O ganho eventualmente auferido por ocasião da renegociação deve ser apropriado ao resultado quando do seu efetivo recebimento.” No mesmo sentido, aliás, complementa a CartaCircular BACEN nº 2.899/2000, ao dispor que: “12. Esclarecemos ainda que: "(...) VIII o ganho eventualmente auferido por ocasião da renegociação de operações de credito, calculado pela diferença entre o valor da renegociação e o valor contábil dos créditos, deve ser registrado em subtítulo de uso interno da própria conta que registra o credito e ser apropriado ao resultado somente quando do seu recebimento, mediante registro na conta RENDAS DE OPERAÇÕES DE CREDITO, segundo critérios previstos na renegociação ou proporcionalmente aos novos prazos de vencimento; IX os créditos baixados como prejuízo e porventura renegociados devem ser registrados pelo exato valor da renegociação, observado o disposto no inciso anterior quanto ao registro do ganho eventualmente auferido, a credito da conta RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO, com baixa simultânea dos seus valores das respectivas contas de compensação; (...)” Dispõem os arts. 7º e 8º, da Instrução Normativa n.º 1.285/12, que, repitase, limitouse a ratificar e consolidar as disposições já aplicáveis às Instituições Financeiras, in verbis: “Art. 7º As pessoas jurídicas relacionadas no art. 1º podem excluir ou deduzir da receita bruta, para efeito da determinação da base de cálculo apurada na forma do art. 3º: I as reversões de provisões;[...] § 1º Não se aplica a exclusão prevista no inciso I do caput na hipótese de provisão que tenha sido deduzida da base de cálculo quando de sua constituição.[...] Art. 8º Além das exclusões previstas no art. 7º, os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, agências de fomento, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os valores”: I – das despesas incorridas nas operações de intermediação financeira [...]” Fl. 6643DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.644 17 Assim, é de se compreender que as receitas provenientes de reversões de PCLD poderão ser excluídas da base de cálculo de incidência do PIS e da COFINS desde que a PCLD não tenha sido deduzida no momento de sua constituição. Temse que a despesa com a constituição da PCLD é considerada efetivamente incorrida, salvo se recuperada, esclarecimento obrigatório que deve ser feito para a compreensão dos efeitos da sua exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS. Verificase que a PCLD, segundo determinação do BACEN, não constitui uma mera expectativa de despesa para a instituição financeira, mas, uma despesa efetivamente incorrida na intermediação financeira, o que é reconhecido pelo próprio BACEN ao impor o seu tratamento contábil. A caracterização da PCLD como despesa se dá, pelo fato da incerteza estar no recebimento do crédito em atraso, que é incerto e inseguro desde que passou a inadimplente e não na contabilização de sua perda, atendendo aos rígidos critérios do BACEN. É de se registrar, ainda, as importantes considerações tecidas em sessão pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, as quais transcrevo em sua íntegra: “Compreendo o entendimento do ilustre Relator, a quem externo respeito e admiração. Em síntese, defende que a legislação ordinária estabelece de forma clara que apenas podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS as despesas. Desse modo, a conta contábil “provisão para devedores duvidosos”, por não ser despesa, mas, sim, provisão, não poderá ser excluída. Fundamenta seu entendimento no conceito contábil de provisão, destacando o princípio contábil da prudência. Não discordo, em tese, do posicionamento exposto. Contudo, vejo que na hipótese dos autos a controvérsia ultrapassa a questão relativa ao vocábulo provisão. É que, nos termos das regras contábeis aplicáveis às instituições financeiras, regulamentada pelo Banco Central do Brasil, a conta contábil “provisão para devedores duvidosos”, a despeito da sua nomenclatura, é uma conta representativa de despesa. Tanto é assim que no Plano contábil das instituições financeiras há determinação expressa de que, na demonstração de resultado de aplicação obrigatória, a conta “Provisão para Créditos de LiquidaçãoDuvidosa” deve estar inserida como “despesas da intermediação financeira”: 15 DESPESAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 812 Operações de Captação no Mercado 814 Operações de Empréstimos e Repasses Fl. 6644DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.645 18 816 Operações de Arrendamento Mercantil (*) Resultado de Operações de Câmbio 818 Operações de Venda ou de Transferência de Ativos Financeiros 820 Provisão para Créditos de LiquidaçãoDuvidosa Com efeito, “provisão” é contabilmente definida como um passivo de prazo ou valor incertos. Ou seja, aquela operação provisionada ocorrerá, apenas não se sabe quando e em qual montante. Por outro lado, a “despesa” é efetiva, incorrida. Nos termos da RESOLUÇÃO BACEN Nº 3823, que “dispõe sobre procedimentos aplicáveis no reconhecimento, mensuração e divulgação de provisões, contingências passivas e contingências ativas”: “Art. 1º As instituições financeiras e as demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devem observar o Pronunciamento Técnico CPC 25, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), no reconhecimento, mensuração e divulgação de provisões, contingências passivas e contingências ativas.” Referido Pronunciamento Técnico CPC 25 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingente define o termo “provisão”: “10. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados especificados: Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos.” O Pronunciamento CPC 25, que, como dito, aborda exatamente as provisões aplicáveis às instituições financeiras, expressamente exclui os créditos de liquidação duvidosa do seu âmbito de análise: “7 Este pronunciamento define provisão como passivo de prazo ou valor incertos. Em alguns países o termo “provisão” é também usado no contexto de itens tais como depreciação, redução ao valor recuperável de ativos e créditos de liquidação duvidosa: estes são ajustes dos valores contábeis de ativos e não são tratados neste Pronunciamento Técnico.” Ou seja, o CPC 25, que, justamente, define o que seja provisão e qual o tratamento contábil que deve ser dado às provisões, expressamente exclui os créditos de liquidação duvidosa de seu alcance. Ou seja, por conclusão lógica, créditos de liquidação duvidosa não recebem o tratamento contábil de provisão. Mais adiante, ainda o CPC 25 aborda questão relativa à perda operacional futura: “Perda operacional futura Fl. 6645DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.646 19 63. Provisões para perdas operacionais futuras não devem ser reconhecidas. 64. As perdas operacionais futuras não satisfazem à definição de passivo do item 10, nem os critérios gerais de reconhecimento estabelecidos no item 14. 65. A expectativa de perdas operacionais futuras é uma indicação de que certos ativos da unidade operacional podem não ser recuperáveis. A entidade deve testar esses ativos quanto à recuperabilidade segundo o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. 10. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados especificados: Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. 14. Uma provisão deve ser reconhecida quando: (a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado; (b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser reconhecida.” Ou seja, uma Provisão para perdas operacionais futuras, não pode ser reconhecida como provisão. E, nos termos da normatização supra, observase que para que um lançamento seja considerado provisão para perdas operacionais futuras, ele não poderá ter um recebimento provável ou mesmo uma estimativa confiável de valor. Em outras palavras, se houver previsibilidade de recebimento e confiabilidade na estimativa de recebimento, esse lançamento não será perda operacional futura, mas, sim provisão em sentido estrito. No caso da PCLD, os recursos só são ali contabilizados justamente quando se perde a expectativa de recebimento e a confiabilidade do valor. Por isso, ela se enquadra exatamente como provisão para perdas operacionais futuras que, por expressa disposição, não podem ser reconhecidas. E, complementase, contabilmente a expressão “reconhecimento” significa dizer “incorporado a uma demonstração contábil”: uma provisão para perdas operacionais futuras não pode ser reconhecida como provisão. Se o contribuinte possui uma “Provisão para perda operacional futura”, ele não poderá divulgar em seus resultados tal valor como sendo “provisão”, sob pena de maquiar a sua realidade, já que, provisão, como Fl. 6646DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.647 20 exaustivamente mencionado, é apenas aquilo para o qual se tem uma probabilidade maior de recebimento e uma previsibilidade quanto ao montante. E os lançamentos da PCLD são exatamente aquelas “obrigações” cuja probabilidade maior é de não recebimento, além de não possuírem qualquer previsibilidade acerca do valor pela qual poderão eventualmente vir a ser liquidadas. Dentro do cenário exposto, vejase que a Fiscalização adota premissa que acaba por validar todo o exposto. Afirmouse: “As provisões retificadoras de ativo são constituídas para registrar perdas futuras e incertas da empresa, mas com probabilidade de ocorrerem em decorrências de desvalorização esperada ou não recebimento de bens ou direitos integrantes do ativo. Ou seja, não se trata de operação de intermediação financeira.” Vejase que a Fiscalização considerou o lançamento contábil do contribuinte como sendo provisão exatamente por ter uma probabilidade de ocorrer. Toda a explanação contábil supra demonstra exatamente que para a PCLD, não há uma probabilidade de ocorrer a despesa. O lançamento da PCLD só é legitimado justamente quando a probabilidade de “não ocorrer” é superior à probabilidade de “ocorrer”. Ademais, como demonstrado no bem fundamentado voto do Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, os normativos do BACEN são bastante claros ao definir que a conta de provisão para devedores duvidosos representa despesa efetiva. E também deixa claro que apenas que o recebimento destes valores serão reconhecidos como receita se e no momento em que se “recuperarem”. Caso se admita a prevalência do entendimento fiscal, a contribuinte será penalizada com a dupla incidência de tributos sobre uma mesma parcela: no momento que o “Prejuízo” foi lançado na conta de PCLD (já que não se admite sua dedução exclusão) no momento da eventual recuperação (recuperação esta, conforme regulamentação BACEN, pouco provável) E ainda que se defenda que, caso não deduzida (como pede a Fiscalização), a recuperação desse prejuízo poderá ser futuramente excluída na apuração, estará se imputando à Recorrente, uma instituição Financeira regulamentada e fiscalizada, que descumpra uma determinação expressa do BACEN. Fl. 6647DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.648 21 Para que não restem dúvidas, repiso os termos da CartaCircular BACEN nº 2.899/2000: “12. Esclarecemos ainda que: "(...) VIII o ganho eventualmente auferido por ocasião da renegociação de operações de credito, calculado pela diferença entre o valor da renegociação e o valor contábil dos créditos, deve ser registrado em subtítulo de uso interno da própria conta que registra o credito e ser apropriado ao resultado somente quando do seu recebimento, mediante registro na conta RENDAS DE OPERAÇÕES DE CREDITO, segundo critérios previstos na renegociação ou proporcionalmente aos novos prazos de vencimento; IX os créditos baixados como prejuízo e porventura renegociados devem ser registrados pelo exato valor da renegociação, observado o disposto no inciso anterior quanto ao registro do ganho eventualmente auferido, a credito da conta RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO, com baixa simultânea dos seus valores das respectivas contas de compensação; (...)”” Logo, a meu ver, não há como se analisar o alcance da legislação da COFINS quanto aos critérios de dedução e exclusão de forma dissociada das regras contábeis aplicáveis, sob pena, inclusive, de violação ao art. 110 do CTN. “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” Não é porque a conta contábil recebe o nome de “provisão” que ela deva ser necessariamente entendida como “provisão” na acepção contábil do termo. E, como demonstrado, seja pelo exame dos conceitos contábeis, e seja, especialmente, pelo exame de todo arcabouço normativo do BACEN, resta claro que a PCLD é uma conta representativa de despesa e é assim que deve ser tratada para fins tributários.” Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 6648DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.649 22 Possuo muitos entendimentos convergentes com o do nobre colega relator, mas neste caso em concreto, venho por meio desta declaração de voto apresentar este breve entendimento divergente. Verificase que a fiscalização fundamentou seu lançamento sob a premissa de que as movimentações e registros contábeis configurariam receitas operacionais e por isso deveriam ser tributadas, conforme trecho do relatório presente na decisão de primeira instância transcrito a seguir: “A seguir, o auditor fiscal assim fundamenta o lançamento de ofício: o Supremo Tribunal Federal adotou o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, devendo ser excluídas da base de cálculo tão somente as receitas estranhas ao objeto social da sociedade, ou seja, aquelas que não sejam oriundas do exercício das atividades empresariais, de exploração da atividadefim da pessoa jurídica, que configura o objeto social constante nos estatutos da entidade. Assim, a receita operacional bruta, deduzidos os valores previstos no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, está sujeita ao PIS/Pasep; a fiscalizada deduz indevidamente de sua base de cálculo as contas: “8.1.8.30.30.00.00 – PROVISOES PARA OPERACOES DE CREDITO” e “8.1.8.30.60.00.00 – PROVISOES PARA OUTROS CREDITOS – OUTROS”. No demonstrativo apresentado, as referidas contas possuem como nomenclatura “Desp. Incorridas nas Oper. de Interm. Financeira”. No entanto, podemos verificar na escrituração do contribuinte que a correta denominação e natureza das contas é de despesa de provisão para perdas no recebimento de créditos, prevista na resolução 2.682 do BACEN, que dispõe sobre critérios de classificação das operações de crédito e regras para constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa. (Razão e esclarecimentos encaminhados na Resposta do dia 15/08/2016); a Lei nº 9.718, de 1998, define na alínea a, inciso I, do § 6º do art. 3º, que somente poderão ser excluídas ou deduzidas da base de cálculo as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; a intermediação financeira ou atividade financeira intermediada é realizada por instituições financeiras típicas (bancos, sociedades e cooperativas de crédito), que captam recursos junto aos agentes econômicos superavitários e os repassam aos agentes econômicos deficitários. A legislação, ao se referir a despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, reportase àquelas operações praticadas pelas instituições financeiras típicas, isto é, à atividade financeira intermediada, na qual a captação de recursos é essencial;” Contudo, a premissa apresentada pela fiscalização não procede, uma vez que tratase de despesa de intermediação financeira e não receita. É uma despesa operacional e não uma receita operacional e, por esta razão, os tributos não incidem. Fl. 6649DF CARF MF Processo nº 16327.720009/201744 Acórdão n.º 3201005.480 S3C2T1 Fl. 6.650 23 Este é um breve registro a respeito da delimitação dos fatos e a respeito da lide submetida à este colegiado, de forma que, verificada ausência de validade da premissa utilizada pela fiscalização, a matéria será devidamente desenvolvida e trabalhada no voto vencedor deste julgamento. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 6650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.720167/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 23/02/2006, 14/07/2008, 08/09/2008
NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL NO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA REGULAMENTAR. LEGITIMIDADE.
Comprovado nos autos que o intimado não atendeu, no prazo estabelecido, as determinações contidas em Intimações Fiscais, emitidas no curso regular de procedimento de fiscalização, aplica-se a multa regulamentar estabelecida no Decreto-Lei nº 37/1966, artigo 107, IV, letra c, com a redação dada pela lei nº 10.833/2003, a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal.
Numero da decisão: 3301-006.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira ( Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 23/02/2006, 14/07/2008, 08/09/2008 NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL NO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA REGULAMENTAR. LEGITIMIDADE. Comprovado nos autos que o intimado não atendeu, no prazo estabelecido, as determinações contidas em Intimações Fiscais, emitidas no curso regular de procedimento de fiscalização, aplica-se a multa regulamentar estabelecida no Decreto-Lei nº 37/1966, artigo 107, IV, letra c, com a redação dada pela lei nº 10.833/2003, a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.720167/2008-87
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6033899
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.130
nome_arquivo_s : Decisao_13851720167200887.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ARI VENDRAMINI
nome_arquivo_pdf_s : 13851720167200887_6033899.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira ( Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7824341
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120165384192
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-05T17:40:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-07-05T17:40:23Z; Last-Modified: 2019-07-05T17:40:23Z; dcterms:modified: 2019-07-05T17:40:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:e67110e5-91ce-4e41-81c6-5679ac90ae37; Last-Save-Date: 2019-07-05T17:40:23Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-05T17:40:23Z; meta:save-date: 2019-07-05T17:40:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-05T17:40:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-07-05T17:40:23Z; created: 2019-07-05T17:40:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-07-05T17:40:23Z; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-05T17:40:23Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 148 1 147 S3C3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.720167/200887 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301006.130 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2019 Matéria REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA Recorrente UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO USP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 23/02/2006, 14/07/2008, 08/09/2008 NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL NO PRAZO ESTABELECIDO. MULTA REGULAMENTAR. LEGITIMIDADE. Comprovado nos autos que o intimado não atendeu, no prazo estabelecido, as determinações contidas em Intimações Fiscais, emitidas no curso regular de procedimento de fiscalização, aplicase a multa regulamentar estabelecida no DecretoLei nº 37/1966, artigo 107, IV, letra “c”, com a redação dada pela lei nº 10.833/2003, a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira ( Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 01 67 /2 00 8- 87 Fl. 148DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto em face do Acórdão DRJ/Recife Nº 1154.573, exarado pela 8ª Turma daquele órgão julgador. 2. Os presentes autos se referem a lançamento de multas, no valor original de R$ 11.318,42, sendo R$ 10.000,00 referentes a duas multas de R$ 5.000,00 aplicadas por embaraço á fiscalização, por não apresentação de resposta a duas intimações e R$ 1.318,42 relativo a multa de 5% do preço nominal de mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, por descumprimento de condições estabelecidos para aplicação do regime especial. 3. Adoto o relatório do Acórdão DRJ/REC, por bem descrever os fatos, e aqui o reproduzo : O presente processo trata de auto de infração contra a UNIVERSIDADE DE SÃO PAULOUSP, doravante denominada USP, lavrado em 31/10/2008 por AuditorFiscal em exercício na Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, mediante o qual é exigido do contribuinte acima identificado o crédito tributário no valor total de R$ 11.318,42, sendo R$10.000,00 referentes a duas multas aplicadas por embaraço à fiscalização pela não apresentação de resposta, no prazo estipulado a intimação fiscal, prevista no art. 107, IV, alínea ‘c’, do DecretoLei nº 37, de 1966; e ainda R$ 1.318,42, referente à multa de 5% (cinco por cento) do preço nominal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, por descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime, prevista no art. 72, II, da Lei nº 10.833/2003. Nos termos do relatório fiscal e seus anexos, destacamos os seguintes fatos e fundamentos jurídicos: 1. O Autuado, por meio do Processo nº 10831.001285/200590, solicitou e obteve o regime aduaneiro especial de exportação temporária, pelo prazo de 01 (um) ano, com base no § 1º do art. 402, c/c o art. 410 do Decreto nº 4.543/2002, para o bem objeto da DDE nº 2050144040/2, RE nº 05/0163333001. 2. O Regime foi concedido a partir de 21/02/2005, data do desembaraço aduaneiro do despacho de exportação, e vigorou até 22/02/2006. 3. A beneficiária do regime registrou DI nº 05/05721362 para promover o despacho de reimportação, porém na conferência física verificouse que o bem registrado não correspondia ao exportado temporariamente (fl. 27). 4. Em 01/02/2006 a empresa pleiteou a exportação definitiva da mercadoria, nos termos da IN SRF nº 443/2004, juntando cópia do RE nº 05/1668333001 e DDE nº 2060072700/9 (fl. 28). 5. Autorizada a operação, a interessada foi notificada pela Intimação ALF/VCP/EQDEX nº 008/2008 a providenciar declaração de exportação em substituição a DDE nº 2060072700/9, que encontrava se cancelada por expiração de prazo (fl. 30). Ciente em 01/07/2008, não se manifestou. 6. Por meio do Termo de Intimação Fiscal EQAET n° 149 de 19/08/2008, com ciência postal em 26/08/2008, a contribuinte foi intimada a comprovar o recolhimento da multa devida por não atendimento à Intimação ALF/VCP/EQDEX n° 008/2008 e da multa aplicável por descumprimento do regime aduaneiro, contudo não Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13851.720167/200887 Acórdão n.º 3301006.130 S3C3T1 Fl. 149 3 houve apresentação de resposta (fls. 32/33). Categoricamente, alertou a fiscalização que o não atendimento à referida intimação acarretaria em nova aplicação da multa de R$ 5.000,00 prevista no Decretolei nº 37/1966, art. 107, IV, "c". 7. Nestes termos, foram lavradas as multas de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) pelo não atendimento à Intimação ALF/VCP/EQDEX nº 008, de 30/06/2008; a multa de R$5.000,00 (cinco mil reais) pelo não atendimento ao Termo de Intimação Fiscal EQAET nº 149, de 19/08/2008; e a multa de 5% (cinco por cento) do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, por descumprimento de prazo estabelecido para aplicação do regime. Ciente do auto em 12/11/2008, o interessado apresentou impugnação em 04/12/2008, fls. 38/45, alegando, em síntese: Ressaltese, inicialmente, que no campo "Assunto" da referida impugnação o contribuinte inclui Relevação e Perdão do Auto de Infração. ꞏ Que solicitou a extinção do regime de exportação temporária em 01/02/2006, transformandoo em exportação definitiva. ꞏ Que através da Intimação ALF/VCP/EQDEX nº 008/2008, da qual tomou ciência em 01/07/2008, foi notificado a apresentar DDE em substituição a apresentada, que havia sido cancelada por expiração de prazo. ꞏ Considerando que há mais de um ano aguardava a efetivação do RE por parte do Secex Brasília, e isto não acontecia, solicitou via carta anexada à fl. 40, entregue em mãos e não protocolada, uma dilação do prazo para cumprir a Intimação EQAET nº 149/2008, sendo falha sua não ter o protocolo daquele setor. ꞏ Que após apelação ao CNPq de Brasília para que intercedesse junto ao Decex, finalmente o RE foi efetivado, conseguindo concluir o DDE. ꞏ Que são uma entidade de ensino e pesquisa, sem fins lucrativos, que luta com dificuldades e que depende de escassas verbas estaduais e federais, não tendo como arcar com os custos da presente autuação. Tampouco deseja que a empresa se prejudique junto à Receita Federal. ꞏ Solicita análise e atendimento de seu pleito e anexa cópia do RE, DDE concluído, carta mencionada e troca de emails com o Decex. 4. A impugnação foi considerada procedente em parte, conforme ementa assim redigida : ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Data do Fato Gerador: 23/02/2006, 14/07/2008, 08/09/2008 EMENTA RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE DA MULTA PORDESCUMPRIMENTO DE REGIME ADUANEIRO. Aplicandose a retroatividade benigna prevista no art.106, II, "c", do CTN, temse como tempestiva a providência para extinção do regime mediante exportação definitiva, na data do pedido do registro de exportação do bem, desde que haja o desembaraço dos bens e a averbação de embarque, nos termos da IN RFB nº 1600/2015, art.117, §1º, II, não cabendo multa por descumprimento de regime aduaneiro especial de exportação temporária, Fl. 150DF CARF MF 4 quando o registro de exportação para exportação definitiva for registrado dentro da vigência do regime. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, sendo reputada como incontroversa e ficando definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito tributário relativo a ela. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Não se conformando com a decisão exarada pela DRJ/RECIFE, a autuada apresenta Recurso Voluntário, onde alega as seguintes razões de defesa : I – DA TEMPESTIVIDADE – o recurso é tempestivo II – DOS FATOS o Acórdão combatido julgou procedente a impugnação no que se refere á multa por descumprimento de requisitos só Regime Especial, com a consequente exoneração do crédito lançado, entretanto, por considerar não impugnados, manteve integralmente as multas por não atendimento ás Intimações Fiscais, no valor de R$ 5.000,00 cada uma. Pretende a recorrente demonstrar o não cabimento das multas aplicadas, devendo a decisão recorrida ser reformada nesse aspecto. III – MÉRITO – a decisão manteve as multas aplicadas por não atendimento ás intimações fiscais por entender que as infrações não foram expressamente contestadas, entretanto cita trecho do Acórdão combatido, onde consta o voto vencido. considerando o interesse público envolvido, em se tratando de autarquia estadual voltada ao ensino e pesquisa, sem fins lucrativos, onde os recursos tem natureza publica, mostrase de rigor o afastamento das multas, sob pena de se onerar ainda mais a entidade, já tão carente; imperioso ressaltar que a entidade não se quedou inerte em relação ao solicitado, entretanto se viu impedida de cumprir o prazo estipulado. Considerando a morosidade do procedimento junto a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) para liberação do registro de exportação e, consequente, da DDE solicitada, prova disso é que assim que o procedimento foi concluído, os documentos foram apresentados; considerando os princípios que regem a Administração Pública, em especial os da legalidade e da autotutela mostrase de rigor o afastamento das multas aplicadas. 6. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 7. O recurso é tempestivo, apresenta os requisitos de admissibilidade, portanto dele o conheço. 8. A DRJ/RECIFE, ao apreciar os argumentos de defesa apresentados na impugnação, decidiu por exonerar a multa por descumprimento de requisitos e condições do regime especial de Exportação Temporária, no valor de R$ 1.318,00. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13851.720167/200887 Acórdão n.º 3301006.130 S3C3T1 Fl. 150 5 9. Entretanto, manteve a exigência das multas por não resposta ás intimações feitas pela autoridade fiscal, por considerar a matéria não impugnada, assim descritas no auto de infração : pelo não atendimento á INTIMAÇÃO ALF/VCP/EQDEX nº 008, de 30/06/2008, aplicase a multa correspondente a r$ 5.000,00 (cinco mil reais), pelo não atendimento ao TERMO DE INTIMAÇÃO EQAET nº 149, de 19/08/2008, impõese a multa correspondente a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Data 14/07/2008 Valor Multa Regulamentar R$ 5.000,00 Data 08/09/2009 Valor Multa Regulamentar R$ 5.000,00 Enquadramento Legal art. 15, do Decreto 4.543/02, e Art. 107, inciso IV, alínea “c” do DecretoLei nº 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03. 10. Ás fls. 11/34 encontrase cópia do processo administrativo de nº 10831.001285/200590, que trata do pedido de concessão do Regime de Exportação Temporária feito pela recorrente, para conserto das mercadorias descritas no RE 05/0163333 001, vinculado á DDE 2050144040/2, o qual foi deferido por prazo de 01 (um) ano, a partir de 21/02/2005. Por bem descrever os fatos subsequentes, reproduzimos o que relata a decisão de piso : Nos termos do relatório fiscal e seus anexos, destacamos os seguintes fatos e fundamentos jurídicos: 1. O Autuado, por meio do Processo nº 10831.001285/2005 90, solicitou e obteve o regime aduaneiro especial de exportação temporária, pelo prazo de 01 (um) ano, com base no § 1º do art. 402, c/c o art. 410 do Decreto nº 4.543/2002, para o bem objeto da DDE nº 2050144040/2, RE nº 05/0163333001. 2. O Regime foi concedido a partir de 21/02/2005, data do desembaraço aduaneiro do despacho de exportação, e vigorou até 22/02/2006. 3. A beneficiária do regime registrou DI nº 05/05721362 para promover o despacho de reimportação, porém na conferência física verificouse que o bem registrado não correspondia ao exportado temporariamente (fl. 27). 4. Em 01/02/2006 a empresa pleiteou a exportação definitiva da mercadoria, nos termos da IN SRF nº 443/2004, juntando cópia do RE nº 05/1668333001 e DDE nº 2060072700/9 (fl. 28). 5. Autorizada a operação, a interessada foi notificada pela Intimação ALF/VCP/EQDEX nº 008/2008 a providenciar declaração de exportação em substituição a DDE nº 2060072700/9, que encontravase cancelada por expiração de Fl. 152DF CARF MF 6 prazo (fl. 30). Ciente em 01/07/2008, não se manifestou.6. Por meio do Termo de Intimação Fiscal EQAET n° 149 de 19/08/2008, com ciência postal em 26/08/2008, a contribuinte foi intimada a comprovar o recolhimento da multa devida por não atendimento à Intimação ALF/VCP/EQDEX n° 008/2008 e da multa aplicável por descumprimento do regime aduaneiro, contudo não houve apresentação de resposta (fls. 32/33). Categoricamente, alertou a fiscalização que o não atendimento à referida intimação acarretaria em nova aplicação da multa de R$ 5.000,00 prevista no Decretolei nº 37/1966, art. 107, IV, "c". 7. Nestes termos, foram lavradas as multas de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) pelo não atendimento à Intimação ALF/VCP/EQDEX nº 008, de 30/06/2008; a multa de R$5.000,00 (cinco mil reais) pelo não atendimento ao Termo de Intimação Fiscal EQAET nº 149, de 19/08/2008; e a multa de 5% (cinco por cento) do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, por descumprimento de prazo estabelecido para aplicação do regime. Ciente do auto em 12/11/2008, o interessado apresentou impugnação. 11. A intimação objeto da lide, consta das fls. 32 dos autos digitais, nos seguintes termos : Receita Federal Alfândega no Aeroporto Internacional de Viracopos Equipe de Análise de Admissão Temporária – EQAET Processo n° : 10831.001285/200590 Interessado : UNIVERSIDADE DE SAO PAULO CNPJ : 63.025.530/003049 Assunto : Exportação Temporária TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL EQAET N.° 149/2008 Sr.Contribuinte, V.Sa. não atendeu ao Termo de Intimação Fiscal Eqaet 00812008. Portanto, no exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, com fundamento no artigo 4°, inciso IV, da Lei n° 9.784/99, art. 6°, inciso I, da Lei n.° 10.593/02 e art. 18 e 19 do Decreto n° 4.543/02, fica V.Sa . INTIMADA a comprovar junto a esta Alfândega, no prazo de 10 (dez) dies contados do recebimento desta: 1. apresentar o comprovante do recolhimento da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "c" do Decretolei n° 37/66 alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/03. Valor R$ 5.000,00 Código do DARF 2185 Identificar n° do processo no DARF N° de referência do DARF 08.1.77.007 2. Apresentar comprovante do recolhimento da multa capitulada no art. 72, inc. II da Lei 10.833/2003, pelo descumprimento de condições, Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13851.720167/200887 Acórdão n.º 3301006.130 S3C3T1 Fl. 151 7 requisitos e prazos estabelecidos para aplicação do regime de exportação temporária, conforme abaixo: Valor R$ 1.337,65 Código do DARF 2185 Identificar n° do processo no DARF N° de referência do DARF 08.1.77.017 O não atendimento a esta intimação no prazo estipulado implicará em nova aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "c" do Decretolei n° 37/66 alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/03. Endereço para apresentação dos documentos: Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos Equipe de Análise de Admissão e Exportação Temporária EQAET . Rodov. Santos Dumont s/n. Km 8,2 12. Portanto, a intimação é clara quanto ás penalidades a que se sujeitava a recorrente., já a defesa da recorrente tem como base a carta constante de fls. 40 dos autos digitais, assim redigida : Ilmo. Sr. Chefe do EQAET no Aeroporto Internacional de ViracoposSP PROCESSO 10831.001285/200590 — TERMO DE INTIMACAO FISCAL EQAET N° 149/2008 ASSUNTO: JUSTIFICATIVA DE NM) CUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA DENTRO DO PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS) UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO INSTITUTO DE FÍSICA DE SÃO CARLOS, estabelecido à Avenida Dr. Carlos Botelho, 1465 — CEP 13560250, na cidade de São Carlos/SP, devidamente cadastrada no CNPJ sob n°63.025.530/003049, neste ato representada por seu Fl. 154DF CARF MF 8 bastante procurador, abaixo assinado e identificado, vem mui respeitosamente à presença de V.Sa. para prestar esclarecimentos e tentar justificar o fato do não cumprimento do prazo da intimação acima mencionada. desde a data em que tomamos ciência da intimação, estamos solicitando do SECEX/DECEX/CGEX, de Brasilia/DF, a efetivação do RE para que possamos apresentar a esta Receita Federal, e não estamos conseguindo. Além dos email's solicitando, temos falado via telefone dia sim, dia não, com as pessoas do setor. já por duas (2) vezes, encaminhamos a documentação da exportação para Eles e não nos dão uma solução. estamos entrando hoje com uma solicitação junto ao CNPq, de Brasilia, órgão ao qual somos credenciados, para que eles nos ajudem a resolver este problema, visto que, estando todos em Brasilia, acreditamos que tenham mais condições de conseguir urgentemente. informamos que, somos um órgão público, carente de verbas, sem condições financeiras de arcar com os custos desta intimação, e que, a verba referente a este processo, foi extinta em 2005, data do RE inicial. Seria uma tarefa árdua conseguirmos outra verba para tal. Com certeza, vamos conseguir comprovar tudo o que for necessário à Receita Federal. Face ao exposto, solicitamos que aceitem nossas justificativas e nos deem mais um prazo para cumprirmos as exigências. Antecipadamente agradecemos a aguardamos um pronunciamento de V.Sas. São Carlos, 11 de julho de 2008. 13. Esta carta, em resposta á citada Intimação, como afirma a recorrente, foi entregue em mãos, sem que se tivesse o cuidado de se solicitar o protocolo da mesma. O que se pode verificar do seu texto é que a carta foi entregue em resposta á Intimação Fiscal EQAET nº 149/2008 (a qual estabelece dez dias para seu atendimento), portanto, por lógica, tal carta também não foi apresentada no prazo estabelecido na Intimação, já que o próprio recorrente já inicia a carta com os dizeres : “ justificativa de não cumprimento de exigência dentro do prazo de 10 (dez) dias.” 14. Desta forma, descumpridas as duas intimações fiscais. 15. Vejamos o que diz o texto legal que fundamentou o lançamento das penalidades : Decreto nº 4.543/2002 : Art. 15. O exercício da administração aduaneira compreende a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, em todo o território aduaneiro (Constituição da República, art. 237). DecretoLei nº 37/1966 : Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13851.720167/200887 Acórdão n.º 3301006.130 S3C3T1 Fl. 152 9 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (….) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; ( grifos nossos) 16. Desta forma, a determinação legal é que a penalidade deva ser aplicada no caso de não apresentação de resposta a intimação, em procedimento fiscal, no prazo estipulado, que é o caso dos presentes autos. 17. Em que pesem as justificativas apresentadas em sede de recurso voluntário, o que se tem é que as penalidades foram aplicadas em consonância com o texto legal, e realmente ocorreu o fato gerador das multas aplicadas, como comprovado nos presentes autos. 18. Este relator, diante da falha constatada no texto do recurso voluntário, decidiu por uma diligência, para que se verificasse tal falha no texto, por tornar as razões de recurso incompreensíveis. 19. Em resposta a tal diligência, a unidade de origem, a Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, ás fls. 144 dos autos digitais, assim se pronunciou : Em atendimento à Resolução nº 3301001.012, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 136 a 141), a fim de possibilitar a adequada instrução do processo administrativo 13851.720167/200887, almejando propiciar as condições necessárias ao julgamento do contencioso administrativo, verifiquei o que segue: ꞏ A digitalização e juntada dos documentos relativos ao recurso voluntário (fls. 79 a 83) foi realizada pela própria interessada, Universidade de São Paulo, NI 63.025.530/003049, conforme o Termo de Solicitação de Juntada (fl. 77). Consta no sistema que o documento foi assinado digitalmente pelo contribuinte eCAC Adriana Fragalle Moreira, NI 324.340.00827, no dia 14/03/2017 às 14:45:58; ꞏ No dia 15/03/2017, às 10:08:40, foi gerado o Termo de Análise de Solicitação de Juntada (fl. 78), constando a informação que “nenhum documento foi rejeitado” pela Unidade Preparadora; Logo, a Unidade Preparadora apenas analisou a solicitação de juntada efetuada diretamente pela própria interessada, via e CAC, aceitando todos os documentos juntados. Fl. 156DF CARF MF 10 Assim, se houve falha na digitalização do Recurso Voluntário de fls. 79/83, provocando lacuna entre as fls. 81/82, esta foi causada unicamente pela própria interessada, Universidade de São Paulo. 20. Diante dos fatos expostos, não houve a apresentação de argumentos que pudessem desqualificar as penalidades impostas, pois que as mesmas obedeceram ditames legais. Conclusão 21. Assim, uma vez ocorridos os fatos geradores das penalidades, quais sejam o não atendimento, no prazo estipulado, de intimações expedidas no curso de procedimento fiscal, correto o lançamento e, como bem disse o julgador da DRJ “ por não terem sido atacadas expressamente as questões relativas ás multas por não atendimento ás intimações fiscais”, correta a decisão de piso. 22. Portanto, comprovado nos autos que o intimado não atendeu, no prazo estabelecido, as determinações contidas em Intimações Fiscais, emitidas no curso regular de procedimento de fiscalização, aplicase a multa regulamentar estabelecida no DecretoLei nº 37/1966, artigo 107, IV, letra “c”, com a redação dada pela lei nº 10.833/2003, a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. 23. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o meu voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini – Relator. Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16692.721273/2016-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o processo até o retorno da diligência do Processo Administrativo nº 10665.901714/2012-19.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16692.721273/2016-56
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6022415
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-001.141
nome_arquivo_s : Decisao_16692721273201656.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 16692721273201656_6022415.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o processo até o retorno da diligência do Processo Administrativo nº 10665.901714/2012-19. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7791966
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120170627072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 278 1 277 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16692.721273/201656 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301001.141 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2019 Assunto COFINS MULTA ISOLADA Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMÍNIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o processo até o retorno da diligência do Processo Administrativo nº 10665.901714/201219. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por retratar adequadamente os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, ao qual farei as devidas complementações. Relatório Tratase de Impugnação contra Auto de Infração relativo à multa isolada no percentual de 50% sobre os débitos com Declarações de Compensação (DCOMP) não homologadas que integram o processo nº 10665.901714/201219, ao qual o presente foi apensado. O crédito informado nas referidas DCOMP é da Cofins não cumulativa vinculada a receitas de exportação, relativa ao 1º trimestre de 2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 92 .7 21 27 3/ 20 16 -5 6 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 16692.721273/201656 Resolução nº 3301001.141 S3C3T1 Fl. 279 2 A penalidade foi lançada com base no art. 74, § 17 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação dada pelo art. 8º da Lei nº 13.097, de 2015. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) que integra o lançamento informa as DCOMP e seus respectivos débitos, todos com compensações não homologadas, cujos valores serviram de base de cálculo para a multa isolada, que totaliza R$ 4.037.677,37. Na Impugnação, tempestiva, a contribuinte, depois de sintetizar os fatos, alega inexistência de ato ilícito a ensejar a multa e que não houve qualquer exercício abusivo do direito de compensar créditos tributários; que a multa lançada termina por criar a presunção de máfé de todo contribuinte que formula pedido de compensação e “caracteriza patente sanção política em face da utilização da compensação como forma extintiva de débitos”; e que a multa “pelo simples fato da Impugnante exercer o seu direito de efetuar o pedido de compensação, previsto no art. 170 do CTN, e ter provisoriamente indeferido o seu pedido (ainda que parcial), caracterizase como verdadeira sanção sem que a Impugnante tenha praticado qualquer ato ilícito.” Ao final, requer: i) preliminarmente, que se suspenda o julgamento deste processo até o julgamento final do processo nº 10665.901714/201219; e ii) no mérito, que seja cancelado o Auto de Infração, posto que “(a) fere o direito de petição; (b) se caracterizar como verdadeira sanção política com a finalidade de coibir a utilização da compensação como meio de extinção de créditos tributários; (c) não se pode admitir a aplicação de sanção (penalidade pecuniária) sem a prática de qualquer ato ilícito ou com exercício abusivo de direito.” É o relatório. Regularmente processada a Impugnação apresentada, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), por intermédio do Acórdão nº 11 57.929, datado de 18/10/2017, considerou, por unanimidade de votos, improcedente o recurso, nos termos do voto do Relator, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/10/2011, 28/10/2011, 10/11/2011, 24/11/2011, 28/11/2011, 30/11/2011, 19/12/2011, 17/01/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE DEDUÇÃO DOS DÉBITOS ANTES. Os créditos apurados no sistema da nãocumulatividade do PIS e Cofins devem ser utilizados, inicialmente, na dedução dos débitos de cada uma dessas duas Contribuições no próprio período de apuração, sendo autorizado o ressarcimento e a compensação apenas na hipótese de saldo credor remanescente no encerramento de cada trimestre calendário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 24/10/2011, 28/10/2011, 10/11/2011, 24/11/2011, 28/11/2011, 30/11/2011, 19/12/2011, 17/01/2012 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 16692.721273/201656 Resolução nº 3301001.141 S3C3T1 Fl. 280 3 MULTA REGULAMENTAR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. Nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é devida a multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/10/2011, 28/10/2011, 10/11/2011, 24/11/2011, 28/11/2011, 30/11/2011, 19/12/2011, 17/01/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com o resultado do julgado, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário direcionado a este Conselho, no qual tece as seguintes alegações: 1) Após sintetizar os fatos, alega, preliminarmente, a nulidade do acórdão recorrido, em razão da ausência de apresentação de cálculo do valor da multa isolada a ser reduzido, diante do resultado do julgamento nos autos do Processo Administrativo de Crédito nº 10665.901714/201219, no bojo do qual houve reconhecimento de créditos de Cofins, o que a leva a concluir não serem indevidas as compensações efetuadas por meio das DCOMPs vinculadas. Logo, entende que, havendo direito ao crédito, não há que se falar em compensação indevida e, consequentemente, na manutenção da multa isolada cobrada nos presentes autos. Ainda, argumenta que, havendo reconhecimento de crédito de Cofins nos autos do processo administrativo nº 10665.901714/201219, mesmo que supostamente os créditos não tenham sido suficientes para homologação integral das compensações, é patente que o valor que serve de base de cálculo para aplicação do percentual de 50% (cinquenta por cento), também deve ser alterado. 2) No mérito, aduz que não praticou qualquer ilícito apto a ensejar a aplicação de multa e qualquer exercício abusivo do direito de compensar tributos. Ainda, destaca que a aplicação da multa representa sanção política com a finalidade de coibir a utilização da compensação como meio de extinção de créditos tributários. 3) Por fim, requer que o presente processo seja baixado em diligência para que seja apurado o novo valor da multa isolada em razão do reconhecimento dos créditos no processo administrativo nº 10665.901714/201219. 4) Encerra seu recurso com os seguintes pedidos: Fl. 280DF CARF MF Processo nº 16692.721273/201656 Resolução nº 3301001.141 S3C3T1 Fl. 281 4 (i) preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do v. acórdão nº 11 57.929, em razão da ausência de apresentação de cálculo do valor da multa isolada a ser reduzido e, caso assim não se entenda, a conversão do feito em diligência para calcular o novo valor da multa isolada em razão do reconhecimento dos créditos de COFINS nos autos do processo administrativo nº 10665.901714/201219; e, (ii) o conhecimento e o provimento do presente Recurso Voluntário para que, reformandose integralmente o acórdão n° 1157.929, proferido pela 2ª Turma da DRJ de Recife/PE, em razão da (a) inexistência de ato ilícito apto a ensejar a aplicação de multa; (b) da patente sanção política com a finalidade de coibir a utilização da compensação como meio de extinção do crédito tributário; e, (c) ocorrência de aplicação de sanção sem a caracterização de ato ilícito pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais pressuposto de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme acima exposto, o objeto exclusivo destes autos é multa isolada, lavrada contra a Contribuinte em razão da não homologação de compensações pleiteadas no curso do Processo Administrativo nº 10665.901714/201219. Ambos os processos são de relatoria deste mesmo Conselheiro e estão juntados por apensação. Na fase em que os processos se encontram, em grau de Recurso Voluntário, há decisão de primeiro grau naquele outro feito que reverteu parcialmente glosa de crédito, o que, porém, não foi suficiente para interferir nas compensações promovidas pela Recorrente, conforme Acórdão nº 1157.925 2ª Turma da DRJ/REC. Feita tal observação, temos aqui relação de conexão por prejudicialidade e dependência, na medida que o fundamento para a multa de ofício aplicada ao contribuinte é a denegação inicial das compensações debatidas no Processo Administrativo nº 10665.901714/201219. Dessa forma, se forem completamente homologadas as compensações, no mesmo grau recursal de julgamento da presente causa, não existirá mais suporte material para a manutenção da multa de ofício aplicada, independentemente de demais análises sobre sua legalidade ou cabimento no caso apurado. Os processos já se encontram reunidos, em harmonia, assim, com o disposto no art. 6º do Anexo II do RICARF vigente, mostrandose solução segura e garantida da inexistência de dissonâncias decisórias, promovendo higidez e racionalidade processual até seu definitivo desfecho. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 16692.721273/201656 Resolução nº 3301001.141 S3C3T1 Fl. 282 5 O Processo Administrativo nº 10665.901714/201219, de relatoria deste Conselheiro, foi pautado para esta mesma sessão de julgamento, pelas razões acima trazidas. Por outro lado, lá entendeuse pela conversão do julgamento em diligência. Por tal motivo, inexiste condição do prosseguimento com o julgamento destes autos enquanto nos autos principais se realiza diligência. Portanto, a situação ideal deve ser a promoção do julgamento conjunto de tais causas, o que deve e pode ser feito oportunamente, quando da devolução daquele outro processo para o seu regular julgamento. Para isso, ambos os processos devem permanecer apensados. Diante de todo o exposto, voto por sobrestar o processo até o retorno da diligência do Processo Administrativo 10665.901714/201219. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001780/2005-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2003
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM ALUGUEL DE SOFTWARE. POSSIBILIDADE
Por serem "relevantes" para o processo produtivo, as despesas com aluguel de software devem ser consideradas crédito para fins de apuração do PIS.
Recurso especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-008.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2003 PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM ALUGUEL DE SOFTWARE. POSSIBILIDADE Por serem "relevantes" para o processo produtivo, as despesas com aluguel de software devem ser consideradas crédito para fins de apuração do PIS. Recurso especial do Procurador negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.001780/2005-00
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6021378
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.594
nome_arquivo_s : Decisao_11080001780200500.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 11080001780200500_6021378.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7789638
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120185307136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1379; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.001780/200500 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.594 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2019 Matéria PIS NÃOCUMULATIVO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CELULOSE IRANI S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2003 PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM ALUGUEL DE SOFTWARE. POSSIBILIDADE Por serem "relevantes" para o processo produtivo, as despesas com aluguel de software devem ser consideradas crédito para fins de apuração do PIS. Recurso especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 17 80 /2 00 5- 00 Fl. 853DF CARF MF Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 9303008.594 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador (fls. 597/605), admitido pelo despacho de fls. 614/616, contra o Acórdão 3801002.104 (fls. 542/553), de 25/09/2013, assim ementado na parte devolvida ao nosso conhecimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2003 ... PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM ALUGUEL DE SOFTWARE. POSSIBILIDADE. Por serem indispensáveis para o complemento do processo produtivo, as despesas com aluguel de software devem ser consideradas crédito para fins de apuração do PIS. Recurso Voluntário Provido em parte. O contribuinte desistiu do recurso especial que havia manejado. Insurgese a Fazenda, exclusivamente, na parte do recorrido que reconheceu ao contribuinte o direito de creditarse com despesas de aluguéis de software para fins de cálculo da indigitada contribuição por entender que não há previsão para tal, mas, tãosomente, de aluguéis de prédio, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica. Em contrarrazões (fls. 752/757), requer o contribuinte que seja negado provimento ao recurso especial interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do Procurador nos termos em que foi admitido. Nos termos do REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de repetitivos, assim como a interpretação dada a este pela Administração Tributária, veiculada no Parecer COSIT 05/2018, assente que: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 9303008.594 CSRFT3 Fl. 4 3 De sua feita, informa o contribuinte em seu recurso voluntário, e não contestado pelo Fisco, que: Verificase que a legislação concede o desconto de créditos de aluguéis de máquinas e equipamentos quando utilizados nas atividades da empresa. E foi exatamente o autorizado na legislação que a Recorrente procedeu. Fez um levantamento das despesas incorridas com serviço de aluguel de equipamentos (software) utilizados diretamente nas atividades da empresa, e assim tomou o crédito, descontando da apuração do PIS calculado. Ressaltase, que essas despesas possuem direta ligação com o processo produtivo, e sem esse serviço, o processo de produção não restaria completo, sendo impossível chegarse ao produto final. Quer dizer que, as despesas com locação de software utilizados na produção são indispensáveis para a conclusão do produto final, já que esse software locado é utilizado na fábrica de papel e na fábrica de embalagem. Assim, sem precisar me alongar, entendo que o software em questão atende, no mínimo, o requisito da relevância, pois sem ele o processo produtivo estaria prejudicado. Dessarte, sem reparos ao recorrido no ponto. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial da Fazenda, mas negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 855DF CARF MF Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 9303008.594 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 856DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13607.000076/99-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/10/1992, 30/11/1992, 30/12/1992, 29/01/1993, 26/02/1993
RESTITUIÇÃO DE PIS. DECADÊNCIA. PRAZO.
A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 05 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-000.161
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s
Conselheiro(a)s Mauricio Taveira e Silva que nega provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Walber Jose da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200906
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/10/1992, 30/11/1992, 30/12/1992, 29/01/1993, 26/02/1993 RESTITUIÇÃO DE PIS. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 05 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13607.000076/99-99
conteudo_id_s : 6029516
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 06 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2102-000.161
nome_arquivo_s : 210200161_126303_136070000769999_004.PDF
nome_relator_s : Walber Jose da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 136070000769999_6029516.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Mauricio Taveira e Silva que nega provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
id : 7815991
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120188452864
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-15T17:07:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-15T17:07:05Z; Last-Modified: 2009-10-15T17:07:05Z; dcterms:modified: 2009-10-15T17:07:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-15T17:07:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-15T17:07:05Z; meta:save-date: 2009-10-15T17:07:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-15T17:07:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-15T17:07:05Z; created: 2009-10-15T17:07:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-10-15T17:07:05Z; pdf:charsPerPage: 1426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-15T17:07:05Z | Conteúdo => NIF - SEGUNDC"N C r,W--n. ,40 DE CONTRIBUINTES (.3?!GINAL S2-C1T2 Oft. F1.209 `4/ild2k MINISTÉRIO DA FAZENDÁ- '\14. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO„- Processo n° 13607.000076/99-99 Recurso n° 126.303 Voluntário Acórdão n° 2102-00.161 — 1* Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2009 Matéria PIS - Restituição. Decadência. Recorrente GESTIL S/A Recorrida DRJ em Belo Horizonte - MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/10/1992, 30/11/1992, 30/12/1992, 29/01/1993, 26/02/1993 RESTITUIÇÃO DE PIS. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 05 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso Voluntário Provido. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Mauricio Taveira e Silva que nega provimento ao recurso. 4 9 • • Okailiad lk)th . • ta SE A MARIA COELHO MArQ)115a Presidente / WALB JOSÉ DA S VA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes e Gileno Guijão Barreto. o Processo n° 13607.000076/99-99 S2-C1T2 SEGUNr CO ‘. DC. CONTRWINTES Acórdão n.° 2102-00.161 - O Fl. 210 q -rde;11.t.Otrt" !? Relatório No dia 23/03/1999 a empresa GESTIL S/A, já qualificada, ingressou com o pedido de restituição de contribuição para o PIS, relativo a pagamentos efetuados no período de 30/10/1992 a 26/02/1993, alegando que o STF reconheceu seu direito de recolher o PIS pela Lei Complementar n2 07/70, conforme Acórdão no Recurso Extraordinário n2 168.739-8 MG. A DRF em Sete Lagoas - MG indeferiu o pedido da recorrente, alegando, a uma, a extinção do direito de a recorrente pleitear a restitui ç ão; e, a duas, que a sentença transitada em julgado na ação judicial impetrada pela recorrente não reconheceu o direito à restituição pleiteada, conforme Despacho Decisório n2 13607.000076/99-99 (fls. 62/65). Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 69/77, na qual alega, sobre a extinção do direito de pleitear a restituição, que o direito de pedir a restituição extingue-se em dez anos (art. 96 do Decreto n 2 4.524/02) e que não se aplica ao caso o art. 165 do CTN porque o recolhimento não foi espontâneo, pois a recorrente foi obrigada a pagar o PIS Repique pelo art. 87 da Lei n2 8.383/91. Sobre o mérito, alega novas razões para pedir a restituição: que houve pagamento indevido de PIS Repique porque no ano-calendário de 1992 não apurou lucro, conforme prova a DIPJ, tendo direito à restituição pleiteada. A 1 Turma de Julgamento da DRJ em' Belo Horizonte - MG indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão DRJ/BHE riP 4.954, de 09/12/2003, cuja ementa abaixo transcrevo: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992 Ementa: PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional para pleitear a restituiçlía/compensação extingue-se em cinco anos, contados do pagamento do crédito tributário. Solicitação Indeferida." Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído à Conselheira Adriana Gomes Rego Galvão e, em sessão do dia 27/01/2005, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução n2 201-00.493, para a RFB apurar "se o contribuintes possuía créditos e se os mesmos eram passíveis de compensação nos termos pleiteados" (fls. 118/123). Realizado a diligência a DRF em Sete Lagoas confirmou que a recorrente possuía os créditos e que os mesmos eram passíveis de compensação, nos moldes pleiteados, conforme Despacho de fls. 198/199. Desse Despacho a recorrente tomou ciência ern 09/07/2008 e se manifestou às fls. 202/203, concordando com o seu conteúdo. Os autos retornaram a este Colegiado. É o Relatório. 4pitk 2 Processo n° 13607.000076/99-99 S2-C1T2 • Acórdão n.° 2102-00.161 Fl. 211 cZ63 ALL016fr Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário foi conhecido na sessão do dia 27/01/2005, quando o Colegiado resolveu converter o julgamento em Diligência, nos termos da Resolução n 2 201- 00.493. Como relatado, a empresa recorrente ingressou, em consórcio com outras empresas, com ação declaratório pleiteando o direito de recolher o PIS pela Lei Complementar n2 07/70 e, também, o direito ao ressarcimento de valores recolhidos a título de acréscimos legais de PIS pago com base na Lei Complementar n207/70. A decisão de primeiro grau, da qual a recorrente não apresentou recurso, transitou em julgado, com o julgamento definitivo dos recursos de oficio, da União e de algumas empresas impetrantes, mantendo a decisão de primeiro grau que reconheceu o direito de a recorrente de efetuar o recolhimento do PIS Repique, nos termos da Lei n 2 07/70. Alega a recorrente que antes da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88, e da conseqüente publicação da Resolução n2 49/95, pelo Senado Federal, a Receita Federal não reconhecia a legalidade do recolhimento do PIS efetuado com o código de PIS-Repique (Lei Complementar n 2 07/70), impossibilitando a recorrente de efetuar pedido de restituição de valores recolhidos a maior. Pelas razões acima, no recurso voluntário a recorrente defende que o prazo para pleitear a restituição em tela conta-se da data da publicação, pelo Senado Federal, da Resolução acima referida. Mantém, no recurso voluntário, seus argumentos a respeito da inaplicabilidade do art. 165 do CTN (o recolhimento não foi espontâneo) e da aplicação do entendimento do STJ sobre o prazo de 5 mais 5 anos para pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação. São fortíssimos os argumentos da recorrente de que antes da publicação da Resolução do Senado Federal, a Receita Federal não reconhecia a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88 e, certamente, ao pedir a restituição de PIS-Repique recolhido a maior a RFB iria comparar, para encontrar o valor indevidamente recolhido, o valor recolhido com o valor devido com base no faturamento mensal da empresa e não com base no Imposto de Renda devido, por ser a empresa exclusivamente prestadora de serviço. Mais ainda, não vejo possibilidade de a recorrente requerer, e a Receita Federal aceitar, a execução administrativamente da decisão de primeiro grau (por meio de pedido de restituição), antes do seu trânsito em julgado. Em resumo, concordo que o pedido de restituição de pagamentos feitos a maior pela recorrente, a título de PIS-Repique, conforma-se, quanto ao termo inicial do prazo para a repetição do indébito, com o entendimento predominante neste Colegiado de que o mesmo dá-se no dia 10/10/1995, data da publicação no DOU da Resolução n 2 49, do Senado Federal. O, 3 Processo n° 13607.000076/99-99 S2-C1T2 • Acórdão n.° 2102-00.161 O ç'k Fl. 212 (kt-LUCI* Por dever de oficio, devo registrar que sou voto vencido nesta matéria e que adoto o entendimento da maioria de meus pares por obediência ao principio da economia e da racionalidade processual. Entendem a maioria dos membros deste Colegiado que, uma vez tratar-se de declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foi editada a Resolução do Senado Federal de ri 49, de 09/09/1995, retirando a eficácia das aludidas normas legais que foram acoimadas de inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Assim, havendo manifestação senatorial, nos termos do art. 52, X, da Constituição Federal, é a partir da publicação da aludida Resolução que o entendimento da Egrégia Corte produz efeitos erga omnes. Ainda mais, o direito subjetivo da contribuinte de postular a repetição de indébito pago com arrimo em norma declarada inconstitucional, nasceu a partir da publicação da Resolução n' 49, o que ocorreu em 10/10/1995. Não discrepa tal entendimento do disposto no item 27 do Parecer Cosit nQ 58, de 27 de outubro de 1998. E, conforme já do conhecimento desta Câmara, o prazo para tal flui ao longo de cinco anos. No caso concreto, a contribuinte ingressou com seu pedido de restituição no dia 23/05/1999. Em assim sendo, não há óbice a que o pedido de compensação/restituição seja atendido. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição do PIS-Repique recolhido indevidamente, objeto do pedido inicial. Sala das Sessões, em 04 e e junho de 2009. • WALB • JOSÉ DAS IVA 46; 4
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000158/2010-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 9202-007.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a Conselheira Ana Paula Fernandes.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10932.000158/2010-01
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6024285
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.898
nome_arquivo_s : Decisao_10932000158201001.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10932000158201001_6024285.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a Conselheira Ana Paula Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7800461
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120199987200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10932.000158/201001 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.898 – 2ª Turma Sessão de 23 de maio de 2019 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PRO. TE. CO. IDUSTRIAL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a Conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 58 /2 01 0- 01 Fl. 193DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória, Debcad 37.267.8220, em razão de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 8), foi efetuada conciliação entre os valores das Folhas de Pagamento, as GFIP apresentadas antes do início da ação fiscal e as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, constantes do sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil. No referido exame foram constatadas divergência significativa entre o número de trabalhadores e os valores informados em DIRF, comparado com os apresentados em GFIP. O despacho de fl. 106 informa que os feitos fiscais de obrigações principais abaixo listados guardam relação de conexão com o processo sub examem: · Processo nº 10932.000.155/201069 Debcad no 37.267.8246 – Segurados e RAT Parcelamento · Processo nº 10932.000.151/201081 Debcad no 37.267.8270 Contribuição da empresa e de terceiros Parcelamento · Processo nº 10932.000.153/201070 Debcad no 37.267.8262 – Contribuição dos empregados Parcelamento Os créditos tributários objeto de referidas autuações foram parcelados pela Contribuinte. Com relação ao presente processo temse que, em sessão plenária de 10/07/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280301.683 (fls. 147/154), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/04/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32 A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 9202007.898 CSRFT2 Fl. 3 3 implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. O processo foi encaminhado à PGFN em 24/07/2012 (Despacho de fls. 155) e, em 25/07/2012, foram apresentados embargos de declaração de fls. 156/158 (despacho de fl. 159). Informada do não acolhimento de seus embargos em 02/04/2013 (fl. 164) a Fazenda Nacional, em 03/04/2013, interpôs o Recurso Especial de fls. 165/176 (Despacho de Encaminhamento de fl. 177), fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Apresenta como paradigmas os acórdãos nº 20601.782 e nº 240100.127, cujas ementas, no que concerne à matéria em debate, transcrevese a seguir: Acórdão nº 20601.782 Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 [...] MULTA ‑ RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz‑ se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acórdão nº 240100.127 [...] ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP – Guia do recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 195DF CARF MF 4 ASSUNTO : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplica‑ se o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. [...] A Fazenda Nacional requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35A do mesmo diploma legal, para que seja adotada a tese esposada nos acórdãos paradigmas, devendose verificar, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, acrescido pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho datado de 09/07/2015 (fls. 179/186). Cientificado do acórdão de recurso voluntário, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 22/10/2015 (Edital de fls.190/191), a Contribuinte não apresentou manifestação. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. O lançamento decorre de Auto de Infração em razão de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. No mesmo procedimento fiscal foram exigidas multas por descumprimento de obrigações principais, bem como por descumprimento de obrigação acessória por falta de declaração de fatos geradores em GFIP. A solução do litígio passa pelo exame da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN, que dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 9202007.898 CSRFT2 Fl. 4 5 I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (Grifouse) Convém registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição com vistas à aplicação da retroatividade benigna, não basta verificar a denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais ou limites. É necessário que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212/1991, não são cabíveis quando realizado o lançamento de ofício, conjuntamente com a autuação pela não informação de fatos geradores de contribuições sociais em GFIP, conforme juízo extraído do Acórdão nº 9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação anterior à Medida Provisória n° 449/2008 determinava, para a situação em que ocorresse o recolhimento a menor do tributo e a falta de declaração dos valores sujeitos à incidência de contribuições em GFIP, a constituição do crédito tributário de Fl. 197DF CARF MF 6 ofício, acrescido das multas previstas no inciso II dos art. 35 e do § 5º do art. 32 da Lei n° 8.212/1991. Com a superveniência da nova norma, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), previuse somente a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212/1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Por conseguinte, para adequada observância da retroatividade benigna insculpida na alínea “c” do art. 106 do CTN, mostrase necessário comparar o somatório das multas previstas no inciso II do art. 35 e no § 5º do art. 32 da Lei n° 8.212/1991, na redação anterior à MP 449/2008, e a multa prevista no art. 35A da mesma lei, acrescentado pela Medida Provisória referida. As conclusões expostas acima, estão em linha com o entendimento consolidado no âmbito do CARF, muito bem resumido nos excertos Acórdão nº 9202004.499, de 29/09/2016, transcritos a seguir: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 9202007.898 CSRFT2 Fl. 5 7 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. Fl. 199DF CARF MF 8 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse sentido, para fatos geradores ocorridos até a publicação da Medida Provisória 449, 04/12/2008, uma vez concluído o julgamento na esfera administrativa, a autoridade responsável pela execução do acórdão, deverá observar as disposições contidas na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, que está em perfeita consonância com a jurisprudência administrativa. Confirase os procedimentos indicados na referida portaria: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10932.000158/201001 Acórdão n.º 9202007.898 CSRFT2 Fl. 6 9 aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 201DF CARF MF 10 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. De se ressaltar que, com a superveniência da Súmula CARF nº 119/2018 e a atribuição de efeito vinculante a esse enunciado pela Portaria do Ministério da Economia nº 129, de 1º de abril de 2019, o entendimento aqui esposado passou a ser de observância obrigatória por toda a Administração Tributária Federal. Abaixo o inteiro teor da Súmula: Súmula Vinculante CARF nº 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.901486/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/01/2005
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO.
No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.943
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/01/2005 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13227.901486/2012-34
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6032636
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.943
nome_arquivo_s : Decisao_13227901486201234.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 13227901486201234_6032636.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7820862
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120207327232
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-12T14:59:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-12T14:59:05Z; Last-Modified: 2019-07-12T14:59:05Z; dcterms:modified: 2019-07-12T14:59:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-12T14:59:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-12T14:59:05Z; meta:save-date: 2019-07-12T14:59:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-12T14:59:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-12T14:59:05Z; created: 2019-07-12T14:59:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-07-12T14:59:05Z; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-12T14:59:05Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13227.901486/2012-34 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-006.943 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente LATICINIOS CEREJEIRAS MULTIBOM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/01/2005 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 14 86 /2 01 2- 34 Fl. 66DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901486/2012-34 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, transmitido por meio de PER/Dcomp. A DRF de origem indeferiu o pedido, por meio do despacho decisório eletrônico, no qual aponta-se que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito do contribuinte. Devidamente cientificado, o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade para alegar que teria refeito a apuração do PIS e a Cofins, tendo percebido que teria deixado de apropriar créditos autorizados em lei: Alega que a empresa, adquiriu insumos para revenda com incidência de PIS e Cofins, e promoveu a saída do produtos sujeitos à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins, mas, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das mesmas contribuições que lhe são autorizados conforme determinação do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente para PIS e Cofins, de forma que o registro destes créditos em DACON retifícadora resultou em pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins. Teria retificado o Dacon, mas não a DCTF, com o intuito de evidenciar o valor do pagamento efetuado, quando houvesse o cruzamento dos valores das duas declarações. Concluiu, para requerer a reforma do despacho decisório, com reconhecimento integral do direito creditório. A unidade de origem suscitou a intempestividade da manifestação de inconformidade. Contudo, como o dia 24/12/2012 não seria dia de expediente normal, para a contagem do prazo, a data da ciência deveria constar como 26/12/2012. Deste modo, a manifestação foi considerada tempestiva. Por seu turno, a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade pelo fato de não haver identificado qualquer documentação contábil que provasse o alegado. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando o direito ao crédito, contudo deixou de juntar qualquer documento que pudesse comprovar o alegado. Fl. 67DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901486/2012-34 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): Trata-se de pedido de compensação de créditos tributários desacompanhado de documentos contábeis que sirvam de prova para as alegações. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento contábil ou nota fiscal que pudesse provar ou ao menos trouxesse indícios da veracidade dos argumentos nela trazidos. O Recurso Voluntário também veio desacompanhado de qualquer documento. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. O Recurso Voluntário limitou-se a afirmar que o recolhimento a maior teria decorrido de um "equívoco contábil", elaborando uma planilha das diferenças sem, todavia, provar as alegações. Assim, pelo fato da Recorrente não haver se desincumbido do ônus de produzir em momento oportuno as provas do direito creditório alegado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Isto porque no processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido, sendo que o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 68DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901486/2012-34 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
