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Numero do processo: 10880.727013/2016-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). LANÇAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. CUMPRIMENTO. NULIDADE. INEXISTENTE.
Cumpridos os pressupostos do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e tendo o autuante demonstrado de forma clara e precisa os fundamentos da autuação, improcedente a arguição de nulidade quando o auto de infração contém os requisitos contidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e ausentes as hipóteses do art. 59, do mesmo Decreto.
PAF. DECISÃO RECORRIDA. SUFICIÊNCIA DE PROVAS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTENTE.
O julgador não está obrigado a responder todas as questões suscitadas pela parte em defesa das respectivas teses, quando já tenha encontrado fundamentos suficientes para proferir o correspondente voto. Nessa perspectiva, a apreciação e valoração das provas acostadas aos autos é de seu livre arbítrio, podendo ele, inclusive, quando entender suficientes à formação de sua convicção, fundamentar a decisão por meio de outros elementos probatórios presentes no processo.
PAF. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. CARF. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 2. APLICÁVEL.
Compete ao poder judiciário aferir a constitucionalidade de lei vigente, razão por que resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa. Ademais, trata-se de matéria já sumulada neste Conselho.
PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018.
Ainda que a transação se dê já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, não incide imposto de renda sobre o ganho de capital apurado na alienação de participação societária, desde que o contribuinte detenha a propriedade das reportadas ações/quotas por, no mínimo, 5 (cinco) anos, sem mudança de titularidade enquanto vigente o Decreto-lei nº 1.510, de 1976, que perdurou até 31/12/1988.
PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. CAPITALIZAÇÃO. RESERVAS DE CAPITAL. RESERVAS DE INCENTIVOS FISCAIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. EXCLUSÃO.
O aumento de capital decorrente da incorporação de reservas de capital e de incentivos fiscais não reflete no custo de aquisição das ações/quotas alienadas quando da apuração do correspondente ganho de capital.
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR.
Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão.
GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENCONTRO DE CONTAS. EXCLUSÃO DE VALOR COMPENSADO. IMPOSSIBILIDADE.
Valor supostamente compensado não pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, por absoluta falta de previsão legal.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO.
Na transferência de direito de propriedade por doação, incide imposto de renda sobre o ganho de capital apurado entre o valor dos bens transferidos e os respectivos valores constante da declaração de bens do doador.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. SÚMULAS CARF. ENUNCIADOS NºS 4 E 108. APLICÁVEIS.
O procedimento fiscal que ensejar lançamento de ofício apurando imposto a pagar, obrigatoriamente, implicará cominação de multa de ofício e juros de mora.
PAF. JURISPRUDÊNCIA. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do Código Tributário Nacional (CTN), razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho.
Numero da decisão: 2402-010.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: Francisco Ibiapino Luz
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LANÇAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. CUMPRIMENTO. NULIDADE. INEXISTENTE. Cumpridos os pressupostos do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e tendo o autuante demonstrado de forma clara e precisa os fundamentos da autuação, improcedente a arguição de nulidade quando o auto de infração contém os requisitos contidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e ausentes as hipóteses do art. 59, do mesmo Decreto. PAF. DECISÃO RECORRIDA. SUFICIÊNCIA DE PROVAS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTENTE. O julgador não está obrigado a responder todas as questões suscitadas pela parte em defesa das respectivas teses, quando já tenha encontrado fundamentos suficientes para proferir o correspondente voto. Nessa perspectiva, a apreciação e valoração das provas acostadas aos autos é de seu livre arbítrio, podendo ele, inclusive, quando entender suficientes à formação de sua convicção, fundamentar a decisão por meio de outros elementos probatórios presentes no processo. PAF. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. CARF. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 2. APLICÁVEL. Compete ao poder judiciário aferir a constitucionalidade de lei vigente, razão por que resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa. Ademais, trata-se de matéria já sumulada neste Conselho. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. Ainda que a transação se dê já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, não incide imposto de renda sobre o ganho de capital apurado na alienação de participação societária, desde que o contribuinte detenha a propriedade das reportadas ações/quotas por, no mínimo, 5 (cinco) anos, sem mudança de titularidade enquanto vigente o Decreto-lei nº 1.510, de 1976, que perdurou até 31/12/1988. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 70 13 /2 01 6- 91 Fl. 1121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. CAPITALIZAÇÃO. RESERVAS DE CAPITAL. RESERVAS DE INCENTIVOS FISCAIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. EXCLUSÃO. O aumento de capital decorrente da incorporação de reservas de capital e de incentivos fiscais não reflete no custo de aquisição das ações/quotas alienadas quando da apuração do correspondente ganho de capital. PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR. Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENCONTRO DE CONTAS. EXCLUSÃO DE VALOR COMPENSADO. IMPOSSIBILIDADE. Valor supostamente compensado não pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, por absoluta falta de previsão legal. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO. Na transferência de direito de propriedade por doação, incide imposto de renda sobre o ganho de capital apurado entre o valor dos bens transferidos e os respectivos valores constante da declaração de bens do doador. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. SÚMULAS CARF. ENUNCIADOS NºS 4 E 108. APLICÁVEIS. O procedimento fiscal que ensejar lançamento de ofício apurando imposto a pagar, obrigatoriamente, implicará cominação de multa de ofício e juros de mora. PAF. JURISPRUDÊNCIA. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do Código Tributário Nacional (CTN), razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Relator Fl. 1122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte com a pretensão de extinguir crédito tributário decorrente da omissão de rendimento referente à apuração do ganho de capital na alienação de participação societária. Auto de Infração e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto excertos do relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 16-75.595 - proferida pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - DRJ/SPO, transcritos a seguir (processo digital, fls. 1.040 a 1.065): Versa o presente processo sobre Lançamento, relativo ao ano-calendário de 2012, em razão de omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de 47.887.814 ações, representativas do capital da Yoki Alimentos S/A no valor total de R$ 19.878.617,96, conforme demonstrativos abaixo: [...] A Autoridade Fiscal constatou supressão de valores recebidos do cálculo de ganho de capital; utilização equivocada da isenção; e valoração indevida do custo de aquisição das ações. Segundo se extrai do Termo de Verificação Fiscal (fls. 22 e 23), o contribuinte era detentor de 34,44735% do capital da Yoki. Em conformidade com seu percentual, e considerando o valor total pago pela General Mills, a primeira parcela seria de R$ 594.025.260,23 (34,44735% dos R$ 1.724.444.000,00 pagos pela totalidade das ações da Yoki), e não de R$ 564.037.550,85, declarados pela contribuinte. Segundo apurado, a 1 a parcela estaria R$ 29.987.709,38 "menor do que teria direito, dada a sua participação percentual no capital da empresa". A Autoridade Fiscal apurou, ademais, que o contribuinte se valeu de interpretação equivocada da legislação, declarando isento lote de 1.497.018 ações adquiridas em 1987. Relativamente à valoração indevida do curso de aquisição das ações, o MD Auditor- Fiscal examinou as reservas capitalizadas, e concluiu que parte delas não poderia majorar o custo de aquisição das ações para efeito do cálculo de ganho de capital. Dessa forma, expurgou-se os "aumentos de capital efetuados com recursos provenientes de reservas de incentivos fiscais e reservas de capital"'(fls. 37), levando o custo de aquisição ao valor de R$ 66.772.540,58. Inconformado, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1002/1026), sob a alegação, em breve síntese, de que: (i) a operação de venda de parte das ações (1.497.018) é isenta, conforme Decreto-Lei n° 1510/1976, considerando que os títulos foram adquiridas de 1971 a 1981; (ii) há direito adquirido na venda dessas ações em 2012; (iii) houve erro na determinação do custo de aquisição utilizado para fins de apuração do ganho de capital auferido, relativamente às ações adquiridas após 1988. Assinala que a Autoridade Fiscal desconsiderou valores decorrentes de transação na venda das ações (R$ 29.987.710,00), e somou à base de cálculo do tributo. Fl. 1123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 Afirma que erro na apuração do custo ensejou entendimento no sentido de que a doação de 9.130.00 ações da Yoki para o seu filho resultou ganho de capital tributável. Pede o cancelamento do lançamento, a declaração de nulidade do lançamento, por ter sido lavrado em desconformidade com a legislação, viciada a base de cálculo, ou reconhecimento da invalidade da multa confiscatória imposta. (Destaques no original) Julgamento de Primeira Instância A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, por unanimidade, julgou improcedente a contestação da Impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no acórdão recorrido, cuja ementa transcrevemos (processo digital, fls. 1.040 a 1.065): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2012 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI N° 1.510/1976. NÃO-INCIDÊNCIA. REVOGAÇÃO PELA LEI N° 7.713/1988. Inexiste direito adquirido a isenção, salvo se houver sido concedida a prazo certo e sob condição onerosa (CTN, art. 178). Para que possa haver a fruição do benefício, a lei isentiva deve estar em vigor no momento em que ocorre o fato gerador. Raciocínio que se aplica a hipóteses de não-incidência. A não-incidência prevista no Decreto-lei n° 1.510/1976, art. 4°, alínea "d", não gerou direito adquirido ao contribuinte, eis que não era onerosa e nem foi estabelecida a prazo determinado. Está sujeita ao imposto sobre o ganho de capital a alienação de participação societária efetuada a partir de 1 o de janeiro de 1989, ainda que, nessa data, já houvesse decorrido o período de cinco anos da subscrição ou aquisição da participação. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do ato administrativo. DIREITO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (Destaques no original) Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, basicamente repisando os argumentando apresentados na impugnação, o qual, em síntese, traz de relevante para a solução da presente controvérsia (processo digital, fls. 1.072 a 1.104): 1. Em sede preliminar, argui: 1.1. nulidade da decisão recorrida sob o fundamento de que os princípios da motivação, ampla Defesa e verdade real foram infringidos, pois alguns argumentos da impugnação foram desconsiderados; 1.2. nulidade do lançamento por erro na apuração do custo de aquisição das citadas ações sob o fundamento de que foram excluídos os valores correspondentes aos aumentos Fl. 1124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 de capital realizados mediante a capitalização de reservas de correção monetária do capital e de reservas de capital. 2. No mérito, discorre: 2.1. acerca de suposta questão de ordem, tratando da isenção do ganho de capital na alienação do lote de 1.497.018 ações - adquiridas sob a vigência do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976 - a qual foi reconhecida pela PGFN, que incluiu referida matéria no rol das contendas sobre as quais os procuradores estão dispensados, entre outros, de contestar e recorrer, conforme Portaria PGFN nº 502, de 12 de maio de 2016, item 1.22, alínea “u”; 2.2. acerca do direito adquirido à isenção supracitada (Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, art. 4 o , alínea "d"; Súmula n. 544 do STF e CTN art. 178); 2.3. acerca de suposta supressão de R$ 29.987.710,00 recebidos na apuração do ganho de capital sob o fundamento de que referida quantia foi paga mediante compensação correspondente à compra de determinados ativos da Yoki pelo seu cônjuge, Sr. Mitsuo Matsunaga - 4 (quatro) imóveis e a totalidade das ações representativas do capital da empresa Indemil, controlada da Yoki. Tudo contratualmente ajustado e oferecido à tributação, sendo o cônjuge devedor da Yoki, e a Recorrente credora da General Mills; 2.4. acerca de erro na apuração do custo de aquisição das ações alienadas, nestes termos: a) houve exclusão do valor correspondente ao aumento de capital, mediante capitalização de reservas de correção monetária do capial e reservas de capital oriundas de incentivos fiscais; b) aduz erro na apuração do custo de aquisiçãoque, explicitanto, por ocasião da sustentação oral, que foi desconsiderado o custo do lote composto por 45.899.637 ações adquiridas em virtude da dissolução da sociedade Aldeinha. 2.5. acerca da doação realizada pela Recorrente ao seu filho, sob o fundamento de inconstitucionalidade e ilegalidade de lei ordinária que prevê apuração do ganho de capital nas doações efetuadas; 2.6. acerca dos sucessivos aumentos de capital com a utilização de lucros e reservas sob o fundamento de que a isenção prevista no art. 4º do Decrelo-lei nº 1.510, de 1976, reflete nas 1.497.018 ações detidas até 1988, pois não houve emissão de novas ações. 2.7. acerca da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sob o fundamento de que ela tem caráter confiscatório; 2.8. transcreve doutrina e jurisprudência perfilhadas à sua pretensão. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz - Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 9/2/2017 (processo digital, fl. 1.069), e a peça recursal foi interposta em 7/3/2017 (processo digital, fl. 1.072), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais Fl. 1125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Nulidade do lançamento Inicialmente, registre-se que o lançamento é ato privativo da Administração Pública, pelo qual se verifica e registra a ocorrência do fato gerador, a fim de apurar o quantum devido por parte do sujeito passivo da obrigação tributária prevista no artigo 113 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, à luz do art. 142 do mesmo Código, trata-se de atividade vinculada e obrigatória, como tal, sujeita à apuração de responsabilidade funcional em caso de descumprimento, pois a autoridade não deve nem pode fazer juízo valorativo acerca da oportunidade e conveniência do lançamento. Confira-se: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim sendo, não se apresenta razoável a arguição da Recorrente de que o lançamento ora contestado é nulo, supostamente porque houve erro na apuração do custo de aquisição das ações alienadas, assim como pela inconstitucionalidade da multa de ofício. Não obstante mencionada alegação, entendo que o auto de infração contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, trazendo, portanto, as informações obrigatórias previstas nos seus incisos I a VI, especialmente aquelas necessárias ao estabelecimento do contraditório, permitindo a ampla defesa do autuado. Confirma-se: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Nestes termos, ainda na fase inicial do procedimento fiscal, a Contribuinte foi regularmente intimada a apresentar documentação e esclarecimentos relativos à declaração de ajuste anual atinente ao ano-calendário de 2012 (DIRPF 2013). Portanto, compulsando os preceitos legais juntamente com os supostos esclarecimentos disponibilizados pela Recorrente, a autoridade fiscal formou sua convicção, o que não poderia ser diferente, conforme preceitua o já transcrito art. 142 do CTN (processo digital, fls. 44 e seguintes). A tal respeito, dito lançamento identificou a irregularidade apurada e motivou, de conformidade com a legislação aplicável à matéria, o procedimento adotado, tudo feito de forma transparente e precisa, como se pode observar na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” e no “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido”, em consonância, portanto, com os Fl. 1126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da legalidade (processo digital, fls. 2 a 43). Tanto é verdade, que a Interessada refutou, de forma igualmente clara, a imputação que lhe foi feita, como se observa do teor de sua contestação e da documentação anexada. Neste sentido, expôs os motivos de fato e de direito de suas alegações e os pontos de discordância, discutindo o mérito da lide relativamente a matéria envolvida, nos termos do inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, não restando dúvidas de que compreendeu perfeitamente do que se tratava a exigência. A propósito, enfatiza-se que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, sendo incabível sua declaração, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Ademais, conforme art. 60 do mesmo Decreto, se fosse o caso, outras supostas irregularidades, incorreções ou omissões seriam sanadas se houvesse prejuízo ao sujeito passivo, sem que isso importasse forma diversa de nulidade. Confira-se: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por fim, embora referida arguição tenha sido apresentada em sede preliminar, tratando-se, também, da formulação de mérito, como tal será analisada em sua completude, nos termos do já transcrito art. 60 do PAF. Isto posto, esta pretensão preliminar não pode prosperar, porquanto sem fundamento legal razoável. Nulidade da decisão recorrida Todas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida foram enfrentadas por ocasião do julgamento de origem, razão pela qual não procede a alegação da Recorrente no sentido de ter sucedido cerceamento de defesa sob o pressuposto de que alguns argumentos, ali expostos, deixaram de ser considerados. No caso, nota-se ter ocorrido desdobramentos de abordagens já objeto da discussão, como tais, nada inovando as razões já discutidas. A propósito, o julgador não está obrigado a responder todas as questões suscitadas pela parte em defesa das respectivas teses, quando já tenha encontrado fundamentos suficientes para proferir o correspondente voto. Nessa perspectiva, a apreciação e valoração das provas acostadas aos autos é de seu livre arbítrio, podendo ele, inclusive, quando entender suficientes à formação de sua convicção, fundamentar a decisão por meio de outros elementos probatórios presentes no processo. É nesse sentido, ao tratar da fundamentação das decisões judiciais com fulcro no art. 489, § 1°, do CPC/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), verbis: Fl. 1127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585). Por oportuno, cabe destacar, ainda, que o CPC/2015 e, por consequência, os pronunciamentos dos tribunais superiores a ele referentes, são importantes fontes de direito subsidiárias a serem observadas no Processo Administrativo Fiscal. A esse respeito, trata o Acórdão 2402006.494, proferido por Este órgão julgador: PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO. ELEMENTOS PROBATÓRIOS SUFICIENTES. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada. Como visto, o caso em exame não se enquadra nas transcritas hipóteses de nulidade vistas no inciso II do art. 59 do PAF, sendo incabível sua declaração, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Logo, esta pretensão preliminar não pode prosperar, porquanto sem fundamento legal razoável. Princípios constitucionais Ditos princípios caracterizam-se preceitos programáticos frente às demais normas e extensivos limitadores de conduta, motivo por que têm apreciação reservada ao legislativo e ao judiciário respectivamente. O primeiro, deve considerá-los, preventivamente, por ocasião da construção legal; o segundo, ulteriormente, quando do controle de constitucionalidade. À vista disso, resta inócua e incabível qualquer discussão acerca do assunto na esfera administrativa, sob o pressuposto de se vê tipificada a invasão de competência vedada no art. 2º da Constituição Federal de 1988. Nessa perspectiva, conforme se discorrerá na sequência, o princípio da legalidade traduz adequação da lei tributária vigente aos preceitos constitucionais a ela aplicáveis, eis que regularmente aprovada em processo legislativo próprio e ratificada tacitamente pela suposta inércia do judiciário. Por conseguinte, já que de atividade estritamente vinculada à lei, não cabe à autoridade tributária sequer ponderar sobre a conveniência da aplicação de outro princípio, ainda que constitucional, em prejuízo do desígnio legal a que está submetida. Como visto no art. 142, § único, do CTN já transcrito em tópico precedente, o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa, que desempenha suas atividades nos estritos termos determinados em lei. Logo, haja vista reportada vinculação legal, a fiscalização está impedida de fazer juízo valorativo acerca da oportunidade e conveniência da aplicação de suposto princípio constitucional, enquanto não traduzido em norma proibitiva ou obrigacional da respectiva conduta. Fl. 1128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 Diante do exposto, concernente aos argumentos recursais de que tais comandos foram agredidos, supostamente em face da das premissas do caráter confiscatório da multa de ofício, bem como de inconstitucionalidade da tributação do ganho de capital, manifesta-se não caber ao CARF apreciar questão de feição constitucional. Nestes termos, a Medida Provisória n.º 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009, acrescentou o art. 26-A no Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual determina: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6 o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n o 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ademais, trata-se de matéria já pacificada perante este Conselho, conforme Enunciado nº 2 de súmula da sua jurisprudência, transcrito na sequência: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do exposto, improcede a argumentação do Recorrente, porquanto sem fundamento legal razoável. Por fim, embora referida arguição tenha sido apresentada em sede preliminar, tratando-se, também, da formulação de mérito, como tal será analisada em sua completude, nos termos do já transcrito art. 60 do PAF. Mérito Alienação de participação societária - isenção do ganho de capital O Decreto-lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 4º, alínea “d”, afirmava não incidir imposto de renda sobre o ganho de capital das pessoas físicas, nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Confirma-se: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula “H” da declaração de rendimentos. [...] Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] Fl. 1129DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10522.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art43 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art43 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art40 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no art. 1º deste Decreto-lei, presume-se que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. No entanto, mencionado benefício fiscal restou revogado, a partir de 1º de janeiro de 1989, pelos arts. 57 e 58 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, nestes termos: Art. 57. Esta Lei entra em vigor em 1º de janeiro de 1989. Art. 58. Revogam-se o art. 50 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1º a 9º do Decreto-Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os arts. 65 e 66 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, os arts. 1º a 4º do Decreto-Lei nº 1.641, de 7 de dezembro de 1978, os arts. 12 e 13 do Decreto-Lei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, os arts. 15 e 100 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o art. 18 do Decreto-Lei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, o item IV e o parágrafo único do art. 12 do Decreto-Lei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2º do Decreto-Lei nº 2.301, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 7º do Decreto-Lei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, e demais disposições em contrário. Nesse pressuposto, foram suscitas dúvidas acerca dos efeitos advindos em decorrência da referida revogação, em especial, quanto às seguintes hipóteses: 1. mantém-se a presente isenção na subscrição ou aquisição da participação societária original processada até 31 de dezembro de 1983, data limite para o cumprimento do requisito temporal de 5 (cinco) anos antes da citada revogação, em 31/12/1988, ainda que a alienação tenha ocorrido já sob vigência do novo mandamento legal; 2. ainda que a alienação tenha ocorrido já sob vigência do novo mandamento legal, estende-se dito benefício fiscal à capitalização de lucros e reservas ocorrida a qualquer tempo ou somente àquela sucedida até 31/12/1983 (limite temporal de cinco anos na propriedade da participação antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88); 3. na apuração do ganho de capital, a capitalização de lucros e reservas compõe o custo de aquisição da correspondente participação alienada. Participação societária adquiridas até 31/12/1983 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que não incide ganho de capital na alienação de participação societária adquirida até 31/12/1983 que permaneceu no patrimônio do contribuinte por, no mínimo, 5 (cinco) anos, até a revogação do Decreto-lei nº 1.510, de 1976, em 31/12/1988, pela Lei nº 7.713, de 1988. Entendimento recepcionado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a qual, nos termos da Portaria PGFN nº 502, de 12 de maio de 2016, incluiu na lista de “Temas com dispensa de contestar e/ou recorrer", alínea “u” do item 1.22, a isenção tratada no art. 4º, alínea “d” do mencionado normativo legal. Confirma-se: u) Alienação de participação societária - Decreto-lei 1.510/76 - Isenção - Direito adquirido Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei Fl. 1130DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4862.htm#art50 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1510.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1510.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art65 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art66 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art66 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1641.htm#art1. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1641.htm#art1. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1950.htm#art12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1950.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7450.htm#art15 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7450.htm#art100 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2287.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2287.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del2292.htm#art12iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del2292.htm#art12p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del2292.htm#art12p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del2301.htm#art2iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del2301.htm#art2iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2394.htm#art7iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2394.htm#art7iii Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. OBSERVAÇÃO 1: O entendimento acima explicitado não se aplica às ações bonificadas adquiridas após 31.12.1983, ante à impossibilidade lógica de implementação do lapso temporal de 05 (cinco) anos sem alienação até a revogação da isenção prevista no Decreto-Lei nº 1.510/76, indispensável à formação do direito, tratando-se, nesse passo, de mera expectativa de direito, com relação à qual se aplica a norma do art. 178 do CTN e não a garantia constitucional do direito adquirido. Ainda que as bonificações decorram das ações originais, não é correto afirmar que delas fazem parte, não passando de meras atualizações ou modificações integrativas das ações antigas. Na verdade, elas representam efetivo acréscimo patrimonial, não se comunicando a isenção tributária relativa ao imposto de renda quando da alienação, caso a aquisição tenha ocorrido após 31.12.1983. Precedente: ApelREEX 2007.71.03.002523-0, Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 12/01/2011, TRF da 4ª Região. OBSERVAÇÃO 2: A isenção é condicionada a certos requisitos, cuja observância é imprescindível: (i) presença da documentação comprobatória de titularidade das ações – aqui merece especial atenção o fato de que podem haver operações societárias que tenham repercussão no período de cinco anos necessário para a aquisição do direito, como, por exemplo, a cisão de determinada sociedade em que as ações antigas foram utilizadas para integralização do patrimônio da sociedade nova, com a conseqüente extinção das ações antigas; (ii) aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983; (iii) alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do DL 1.510/76, portanto, antes da revogação pela Lei 7.713/88. Citado entendimento foi ratificado em 27 de junho de 2018, data de publicação do o Ato Declaratório PGFN nº 12, de 2018, comunicando a aprovação do Parecer SEI nº 74, de 2018, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, nestes termos: O PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI Nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluem- se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1.164.768/RS, AgRg no REsp 1.231.645/RS, REsp 1.659.265/RJ, REsp 1.632.483/SP, AgRg no AgRg no AREsp 732.773/RS, REsp 1.241.131/RJ, EDcl no AgRg no REsp 1.146.142/RS e AgRg no REsp 1.243.855/PR. Consoante isso, independentemente de suposta convicção pessoal divergente acerca da matéria, resta a este julgador somente verificar se houve integral cumprimento do lapso temporal legalmente estabelecido e, em caso positivo, prover o benefício requerido, conforme estabelece o Regimento Interno do Carf, Anexo II, art. 62, § 1º, inciso II, alínea “c”, verbis: Fl. 1131DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II - que fundamente crédito tributário objeto de: [...] c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Na forma vista, o STJ e a PGFN firmaram entendimento de que referida isenção pode ser concedida nas alienações ocorridas após a sua revogação pela Lei nº 7.713, de 1988, desde que o suposto beneficiário complete 5 (cinco) anos na titularidade da respectiva ação/quota ainda na vigência do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976. Visto a contextualização posta, passo à análise do caso concreto. Em atendimento às requisições da fiscalização, a Recorrente apresentou documentação demonstrando a composição de sua participação societária, aí se incluindo a evolução das correspondentes aquisições, conforme demonstrativo e esclarecimentos transcritos do Termo de Verificação Fiscal (processo digital, fl. 10): (Destaques no original) Oportuno salientar que, para fins de apuração do ganho de capital, a alienação é gênero do qual a herança se traduz espécie, eis que, na partilha em processo de inventário, há a transferência de propriedade das ações/quotas do espólio para o sucessor causa mortis. Assim entendido, no caso em exame, não mais subsiste o requisito da titularidade, durante o lapso temporal legalmente exigido para a fruição do mencionado benefício. Fl. 1132DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 Nessa perspectiva, a própria Norma revogada, em seu art. 4º, alínea “b”, manifestava, expressamente, que a transmissão de titularidade da participação societária na sucessão causa mortis era espécie de alienação. Portanto, isso, por si só, refuta supostas dúvidas acerca da caracterização de alienação das mencionadas ações em reportadas espécies de transferências. Confirma-se: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) pelo espólio, nas alienações “mortis causa”; [...] Em tal cenário, citada isenção tem natureza subjetiva, na medida em que atende situação personalíssima do contribuinte que cumpriu requisito temporal legalmente previsto. Nessa condição, insuscetível de transferência via sucessão causa mortis, razão por que a titularidade do reportado direito era do ascendente falecido, e não da Recorrente. Este é o entendimento da Segunda Turma do STJ, no REsp nº 1.632.483/SP, nestes termos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 2 DO STJ. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES ACIONÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. DECRETO-LEI Nº 1.510/1976. ALIENAÇÃO VIA SUCESSÃO CAUSA MORTIS . IMPOSSIBILIDADE DE TRANSFERÊNCIA DO DIREITO À ISENÇÃO AO SUCESSOR. ART. 111 DO CTN. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. AFASTAMENTO DAS NORMAS GERAIS DO CÓDIGO CIVIL. 1. Inexistência de ofensa ao art. 535 do CPC/1973, eis que o acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre a matéria posta em debate na medida necessária para o deslinde da controvérsia. Não há que se falar, portanto, em negativa de prestação jurisdicional, visto que tal somente se configura quando, na apreciação de recurso, o órgão julgador insiste em omitir pronunciamento sobre questão que deveria ser decidida, e não foi. 2. O acórdão recorrido se manifestou na esteira do entendimento da jurisprudência deste STJ, o qual firmou orientação no sentido de que a isenção concedida pelo art. 4º, "d", do Decreto-Lei nº 1.510/1976, pode ser aplicada a alienações ocorridas após a sua revogação pela Lei n. 7.713/1988, desde que já implementada a condição da isenção. Esse implemento da condição significa completar cinco anos como titular das ações na vigência do Decreto-Lei n. 1.510/76. 3. A palavra alienação vem do latim alienare e significa transmitir a outrem bem ou direito. Não há na legislação de regência qualquer necessidade de manifestação de vontade para que haja alienação do direito, basta a transferência da titularidade para que se caracterize a alienação, o que, na hipótese, ocorreu pelo menos duas vezes com a sucessão causa mortis primeiro do avô e depois da avó da recorrente. Portanto, o argumento segundo o qual a sucessão universal causa mortis não configura alienação não prospera. 4. O fato de o então titular das ações, avô da recorrente, não ter usufruído do direito adquirido à isenção de Imposto de Renda prevista na alínea "d" do art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510/1976, não transfere tal isenção para sua sucessora, uma vez que o benefício está atrelado à titularidade das ações pelo prazo de cinco anos. Além disso, à época em que a impetrante se tornou titular das ações não mais seria possível implementar as condições para fruição da referida isenção, sobretudo porque já revogada pela Lei nº 7.713/1988. Fl. 1133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 5. Transferida a titularidade das ações para o sucessor causa mortis, não mais subsiste o requisito da titularidade para fruição do direito adquirido (reconhecido ao titular anterior) à isenção de Imposto de Renda sobre o lucro auferido com a alienação das ações. É que, nos termos do art. 111, II, do CTN, a lei tributária que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, o que impede o reconhecimento da pretensão da impetrante, ora recorrente. Por fim, faz-se necessário ressaltar que a relação jurídico-tributária atinente à isenção de Imposto de Renda discutida na hipótese está regida pelo Código Tributário Nacional, norma especial em relação ao Código Civil, razão pela qual, forte no princípio da especialidade, aplica-se a disciplina da norma especial em detrimento da norma geral. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido. (REsp 1.632.483/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 14/11/2016) Do exposto, é notório que referidas aquisições se deram posteriormente a 1983, razão por que fica afastado o benefício pretendido por falta do cumprimento de requisito indispensável, qual seja: deter a propriedade das reportadas ações por, no mínimo, 5 (cinco) anos, sem mudança de titularidade, enquanto vigente o Decreto-lei nº 1.510, de 1976, que perdurou até 31/12/1988. Extensão do benefício fiscal à capitalização de lucros e reservas Conforme visto no relatório, a Recorrente manifesta que os sucessivos aumentos de capital com a utilização de lucros e reservas não afetam a isenção vista no art. 4º do Decrelo- lei nº 1.510, de 1976, das 1.497.018 ações detidas até 1988, pois ausente emissão de novas ações. Por conseguinte, trata-se de matéria já enfrentada no tópico anterior, cuja pretensão foi refutada, exclusivamente por falta do cumprimento de requisito indispensável para o gozo do citado benefício fiscal. Custo de aquisição das ações alienadas Incorporação de lucros e reservas A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 10, § único, afirmava que o custo de aquisição referente ao aumento de capital realizado mediante a incorporação de lucros, apurados a partir de janeiro de 1996, ou de reservas por eles constituídas é igual à respectiva capitalização. Confira-se: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Por oportuno, acrescente-se que a alteração implementada por meio da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, art. 9º, ratificou citado comando legal, cuja redação se vê no § 1º por ela introduzido, nestes termos: Art. 10. [...] Fl. 1134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 § 1 o No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados, a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Nesse pressuposto, o eixo mandamental presente no normativo legal transcrito precedentemente, por si só, já confirma a hipótese de que o aumento de capital realizado mediante a incorporação de reservas de capital e de incentivos fiscais não integra o custo de aquisição da participação alienada. Trata-se, pois, de entendimento já consolidado na Receita Federal do Brasil, conforme Solução de Consulta nº 4.015, da SRRF04, de 26/8/2017. Confira- se: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF REFORMA DA SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF04/DIS1T N° 45, DE 7 DE JUNHO DE 2013, PARA ALINHAMENTO `A ORIENTAÇÃO DA COORDENAÇÃO-GERAL DE TRIBUTAÇÃO (COSIT) REFERENTE Á MATÉRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Conforme entendimento da Cosit, somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente á parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituirias [sic] com esses lucros que corresponder á participação do sócio ou acionista na investida. Dispositivos Legais: Lei n= 7 713, de 1988, art 16; Lei n= 9.249, de 1995. art. 10. VINCULAÇÃO À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT N5 10. DE 3 DE FEVEREIRO DE 2016. Tendo em vista o exposto, a fiscalização procedeu exatamente como manda o preceito legal norteador do lançamento questionado, na medida em que, por um lado, considerou os aumentos no custo de aquisição decorrentes da capitalização de lucros ou de reservas por eles constituídas; mas, por outro, isolou tais custos das alterações supostamente advindos pela incorporação de reservas de capital e de incentivos fiscais. Com tal perspectiva, dita participação societária refletiu a seguinte evolução (processo digital, fls. 9 a 43): 1. em 30/4/2010, desconsiderada a capitalização de reservas de incentivos fiscais na quantia de R$ 33.506.476,36, permaneceu o investimento de R$ 8.005.102,83, equivalente à participação societária no capital social (7,6319145% de R$ 104.889.839,04); 2. em 30/4/2011, foi desconsiderada a capitalização de reservas de incentivos fiscais e de capital nas quantias de R$ 31.583.150,14 e R$ 2.064.474,66 respectivamente. Todavia, acatada aquela correspondente à incorporação da reserva de lucro no valor de R$ 2.772.458,20, passou o correspondente investimento para R$ 8.216.694,47, equivalente à participação societária no capital social (7,6319145% de R$ 107.662.297,24); 3. em 12/4/2012, foi desconsiderada a capitalização de reserva de incentivos fiscais na quantia de R$ 34.234.050,73, assim como, em 14/4/2012, capitalização de reserva de capital no valor de R$ 9.221.157,82. Todavia, acatada aquela correspondente à incorporação das reservas de lucro e legal nos valores de R$ 29.872.285,94 e R$ 6.258.463.34 respectivamente, passou o correspondente investimento para R$ 10.974.162,36, equivalente à participação societária no capital social (7,6319145% de R$ 143.793.046,52); Fl. 1135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 4. em 24/7/2012, acatada a capitalização de reserva de lucro na quantia de R$ 50.046.365,16, passou o correspondente investimento para R$ 66.772.540,58, equivalente à participação societária no capital social (34,4473500% de R$ 193.839.411,68). Ações originárias da sociedade Aldeinha Acrescente-se que, embora a Recorrente, em sua peça recursal, não tenha se insurgido diretamente contra o custo de aquisição, considerado pela fiscalização, das ações originárias da sociedade Aldeinha, o que, mais explicitamente, foi manifestado durante a sessão pelo Patrono, entendo que a razão não está com a Recorrente. É o que se infere quando compulsamos os excetos do Termo de Verificação Fiscal transcritos na sequência (processo digital, fls. 10, 11, 20 e 21): [...] Fl. 1136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 [...] 56 - As maiores mudanças na companhia aconteceram nos anos de 2011 e 2012, ano da venda de todas as ações para a General Mills. No final do ano de 2011 o quadro acionário da Yoki S/A estava configurado como se demonstra abaixo: [...] 58 - Em 02 de julho de 2012 houve a dissolução da empresa Aldeinha Participações tendo suas sócias, Yeda Kitano e Misako Matsunaga, recebido as ações da Yoki em devolução do capital da empresa extinta (ver documentos no item "Atos Sociais Aldeinha" do processo). A propósito, transcrevo excerto do Termo de Verificação Fiscal relatando resposta da Recorrente explicitando o critério de valoração das ações recebidas em decorrência da reportada dissolução social, nestes termos (processo digital, fls. 11): 59 - Novamente, em 24/07/2012, houve nova Assembleia Geral Ordinária - AGE na Yoki, onde se aprovou novo aumento de capital com a incorporação dos lucros havidos pela companhia até o mês de julho de 2012. O capital passa a ser de R$ 304.448.721,39 divididos pelos acionistas como se demonstra no quadro abaixo: Fl. 1137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 CAPITAL ACIONÁRIO DA YOKI EM JULHO DE 2012 60 - No início de agosto de 2012 houve a alienação de todas as ações para a General Mills, que passa a ser a controladora da Yoki. (Destaques no original) Desse conjunto probatório, nota-se que, até 1º de julho de 2012 (véspera da alienação), a Recorrente era detentora direta somente de aproximados 7% (sete por cento) do capital social alienado, o qual era composto por 10.430.872 ações. No entanto, com a dissolução da sociedade Aldeinha, no dia seguinte (2/7/2012), citada participação societária alçou o patamar aproximado de 34,5% (trinta e quatro e meio por cento), cuja representação atingiu o quantitativo de 47.887.814 ações. Nesse contexto, referido ganho de capital foi apurado relativamente à parcela recebida de R$ 594.025.260,23, correspondente ao montante de ações do capital alienado que detinha a Recorrente – 34,44735% de R$ 1.724.444.000,00 – (Processo digital, fl.22). Confira- se: Na sequencia, destacamos o custo de aquisição apurado pela fiscalização, sobre o qual foi calculado o reportado ganho de capital ora questionado, nestes termos (processo digital, fls. 37): Fl. 1138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 Arrematando a questão, não há que se embaralhar o patrimônio da extinta sociedade Aldeinha com o da Yoki, pois se tratam de pessoas jurídicas distintas, ainda que a Recorrente fosse acionista de ambas. Assim considerado, conforme se viu precedentemente, tem- se que: 1. os valores de alienação e custo de aquisição, a serem considerados para a apuração do ganho de capital de todos os acionistas, somaram R$ 1.724.444.000,00 e R$ 193.839.411,68 respectivamente; 2. se dita alienação tivesse ocorrido antes de referida reorganização societária, para fins de apuração dos ganhos de capital, a Recorrente e a sociedade Aldeinha teriam se apropriado de quantias proporcionais às suas respectivas participações societárias, que eram aproximados 7% (sete por cento) e 63% (sessenta e três por cento) respectivamente; 3. caso supostamente a sociedade Aldeinha não tivesse sido dissolvida, restaria para a Contribuinte quantias proporcionais a 7,6319% de R$ 1.724.444.000,00 e R$ 193.839.411,68, correspondentes aos valores de alienação e custo de aquisição respectivamente. 4. a Contribuinte detinha participação de 50% (cinquenta por cento) na sociedade Aldeinha, a qual possuía patrimônio próprio, aí se incluindo as 91.799.451 ações da Yoki. Portanto, pelo fato da mencionada dissolução efetivada em 2/7/2012, dentre outros supostos bens recebidos, metade destes papéis foi transferida para o patrimônio da Recorrente, razão por que, excluídas aquelas doadas ao filho, restaram-lhe as 47.887.814, que foram totalmente alienadas; 5. a nova composição societária refletiu na apuração do ganho de capital em discussão, na medida em que os valores de alienação e custo de aquisição corresponderam a aproximados 34,73% (trinta e quatro, virgula setenta e três por cento) de R$ 1.724.444.000,00 e R$ 193.839.411,68 respectivamente. Do exposto, agiu corretamente a fiscalização, pois, excluídos os aumentos de capital decorrentes das incorporações das reservas de incentivos fiscais e de capital por falta de Fl. 1139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 amparo legal, o custo total das ações alienadas somou o montante de R$ 193.839.411,68, do qual a Recorrente se aproveita da parcela de R$ 66.772.540,58, equivalente à sua, agora, participação societária de aproximados 34,73%. De modo diverso, caso o custo de aquisição da suposta “parcela societária recebida da Aldeinha” tivesse sido desconsiderado, como arguíu o patrono, a Recorrente se utilizaria de apenas R$ 14.789.947,11, correspondente à participação anterior de 7,63% (sete, vírgula sessenta e três por cento), o que não se cogitou no procedimento fiscal. Fundamentos da decisão de origem Por oportuno, vale registrar que os §§ 1º e 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017, facultam o relator fundamentar seu voto mediante transcrição da decisão recorrida, quando o recorrente não inovar em suas razões recursais, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Nessa perspectiva, quanto às “compensação de valores com o cônjuge” e “ganho de capital na doação de bens a valor de mercado”, a Recorrente basicamente reiterou os termos da impugnação, nada acrescentando que pudesse alterar o julgamento a quo. Logo, tendo em vista minha concordância com os fundamentos do Colegiado de origem e amparado no reportado preceito regimental, adoto as razões de decidir constantes no voto condutor do respectivo acórdão, nestes termos: Compensação de valores com o cônjuge A Recorrente manifesta que os R$ 29.987.710,00 foram excluídos do valor da alienação quando da apuração do ganho de capital, porque referida quantia foi recebida mediante compensação contratualmente ajustada com seu cônjuge, Sr. Mitsuo Matsunaga. Mais especificamente, o cônjuge era devedor da Yoki, pois dela adquiriu 4 (quatro) imóveis e a totalidade das ações representativas do capital da empresa Indemil, dívida compensada com o crédito remanescente de igual valor que a Recorrente detinha com a General Mills. Tocante a isso, acertada a decisão de origem, cujos fundamentos transcrevemos: [...] 85 - Conclui-se, após os esclarecimentos acima, que o valor a ser considerado como de alienação das ações da Yokl são os constantes do quadro inserido no parágrafo 68 retro, ou seja R$ 594,025.260,00 (1 a parcela) e R$ 8.920.120,00 (2 a parcela). O fato de a contribuinte ter adquirido 4 imóveis, por R$ 2.000.000,00, com parte dessa venda não a autorizava a deduzir tal valor na apuração do imposto incidente sobro o ganho de capital. 86 - Da mesma forma, a parcela do valor a que teria direito pela venda da Yoki utilizada para abater a aquisição da Indemil não pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, por absoluta falta de previsão legal. Fl. 1140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 87 - Portanto, estaremos considerando no cálculo do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, como valor de venda das ações da Yoki, aqueles inseridos no quadro do parágrafo 68 acima. 68 - Portanto, em conformidade ao seu percentual de participação no capital da empresa, era de se esperar que os valores recebidos pela contribuinte sobre os pagamentos efetuadas pela General Mills, fossem os demonstrados abaixo: 69 - Pelas informações da contribuinte, comprovados pelos depósitos efetuados em sua conta bancária, vê-se que a 2 a parcela recebida, no valor de R$ 8.920.120,39, guarda proporcionalidade com o percentual do capitai por ela detido. No entanto, os R$ 564.037.550,85, recebido em agosto de 2012 a título de 1 a parcela, está R$ 29.987.709,38 menor do que teria direito, dada a sua participação percentual no capital da empresa. Nada há para acrescer ao exame feito no curso da autuação. Ganho de capital na doação de bens a valor de mercado 153 - Conforme anteriormente relatado, a contribuinte doou 9.130.000 da Yoki para seu filho, Mauro Kitano Matsunaga. Tal doação pode também ser comprovada por meio do assentamento do Livro de Registro de Ações e ocorreu em 17/07/2012 (ver documentos no item "Livro de Ações" do processo). 154 - Consultando as informações inseridas na DIRPF da Sra. Misako, confirma-se que as ações foram transferidas por R$ 16.707,900,00, Portanto, por ocasião da transferência, cada ação teve seu valor estipulado em R$ 1.83 (ver documento no item DIRPF 2013" do processo). 155 - A legislação do imposto de renda prevê a incidência do imposto de renda sobre a doação efetuada por valor de mercado, quando este for maior que o valor contido na declaração, cabendo ao doador a responsabilidade pelo seu pagamento, Senão vejamos: [...] 156 - Foi demonstrado anteriormente que o custo de aquisição das ações da Yoki estava afetado por reservas de incentivos fiscais e reservas de capital que não podem compor tal custo, por falta de amparo legal. Se tais majorações não valem para aumentar o valor das ações que ficaram em poder da contribuinte também não podem ser aceitas para majorar as ações doadas para o seu filho. 157 - Conforme quadro inserido após o parágrafo 145, que vai novamente colado abaixo, na data de 17/07/2012, as 139.017.414 ações que compunham o capital da empresa valiam, para efeito de custo de aquisição, o valor de R$ 143.793 046,52, ou seja, R$ 1.0343 por ação. [...] Correta e coerente a análise do Auditor-Fiscal, relativamente ao valor apurado para cada ação, de forma a que fosse possível apurar o ganho de capital e imposto devido pelo Impugnante. Fl. 1141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 Como se viu, embora cada ação transferida custasse R$ 1,0343, reportados ativos foram transferidas ao custo unitário de R$ 1,83, restando notório o ganho de capital apurado e tributado pela fiscalização. Multa de ofício e juros de mora aplicáveis As aplicações da multa de ofício e dos juros de mora se impõem, respectivamente, pelos arts. 44, I, e 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Confirma-se: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifo nosso) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 61. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifo nosso) Por tais razões, o CARF pacificou igual entendimento acerca do tema, segundo os Enunciados nºs 4 e 108 de súmulas da sua jurisprudência, abaixo transcritos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019) Como visto, reportada matriz legal impede que a aplicação de tais acréscimos seja submetida à discricionariedade das autoridades tributárias, cujas atividades são vinculadas, nos termos do CTN, art. 142, parágrafo único. Por conseguinte, o procedimento fiscal que ensejar lançamento de ofício apurando imposto a pagar, obrigatoriamente, implicará na cominação de mencionados acréscimos legais, nos exatos termos da legislação. Do exposto, improcede a argumentação da Recorrente, porquanto sem fundamento legal razoável. Vinculação jurisprudencial Como se há verificar, a análise da jurisprudência que o Recorrente trouxe no recurso deve ser contida pelo disposto nos arts. 472 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC) e 506 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (novo CPC), os quais estabelecem que a sentença não reflete em terceiro estranho ao respectivo processo. Logo, por não ser parte no litígio ali estabelecido, o Recorrente dela não pode se aproveitar. Confirma-se: Fl. 1142DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 23 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil: Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Lei nº 13.105, de 2015 - novo Código de Processo Civil: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Mais precisamente, as decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho, conforme Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Confirma-se: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinari o=0(Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinari o=0(Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinari o=0(Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinari o=0(Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) Fl. 1143DF CARF MF Documento nato-digital http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71497#1602411 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621789 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71497#1602414 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621791 Fl. 24 do Acórdão n.º 2402-010.289 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.727013/2016-91 Conclusão Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas no recurso interposto e, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 1144DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720799/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sun Sep 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006, 2007
DECADÊNCIA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. DESCARACTERIZAÇÃO. ART. 150, §4º, DO CTN.
À luz do entendimento manifestado pelo STJ no REsp nº 973.733, ocorrido o fato gerador, não confessado o débito, tem o Fisco o prazo decadencial de cinco anos para efetuar o lançamento, a contar da ocorrência do fato gerador, regra geral, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Na ausência de pagamento ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial se desloca para o primeiro dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 150, §4º c/c art. 173, I do CTN).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Ano-calendário: 2006, 2007
IPI. DEPÓSITOS BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. OCORRÊNCIA. REFLEXO NO IPI
Comprovada omissão de receitas em virtude de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas (art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996) considera-se proveniente de vendas não registradas, sobre as quais é devido o IPI. No caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento, o IPI será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados (Art. 448 do Decreto nº 4.544, de 2002, alterado pelo Decreto nº 4.859, de 2003).
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. PRESUNÇÃO. AFASTAMENTO.
A prática da sonegação ou fraude, com vistas a atrair a multa qualificada, não se presume, tampouco equipara-se à falta de declaração ou declaração inexata. Ao contrário, trata-se de conduta com evidente intuito de fraudar o Fisco, a qual deve estar minuciosamente descrita nos autos e acompanhada de documentos probatórios, tais como, documentos falsos, interposição de pessoas, declarações falsas etc., de forma a permitir a ampla defesa.
Tanto a fraude quanto a sonegação são condutas dolosas que devem ser provadas com elementos materiais diversos da presunção, conforme inteligência das Súmulas Carf nº 14, 25, e 34. A omissão de receita apurada com base em presunção decorrente de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, por si só, não está sujeita à multa qualificada. Para isso, faz-se necessário a prova documental da conduta sonegatória ou fraudulenta. Conduta reiterada de omissão de receita e valor relevante, além do alto grau de subjetividade, na espécie, não se configuram elementos suficientes para comprovar a conduta dolosa imputada, vez que lastreada em presunção.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE. SÚMULA
Súmula CARF nº 172: A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 1201-005.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: i) reduzir a multa de ofício de 150% para 75%; ii) cancelar, em razão da decadência, os lançamentos de IPI referentes às competências 01 a 07/2006.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (Suplente convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Efigênio de Freitas Júnior
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. DESCARACTERIZAÇÃO. ART. 150, §4º, DO CTN. À luz do entendimento manifestado pelo STJ no REsp nº 973.733, ocorrido o fato gerador, não confessado o débito, tem o Fisco o prazo decadencial de cinco anos para efetuar o lançamento, a contar da ocorrência do fato gerador, regra geral, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Na ausência de pagamento ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial se desloca para o primeiro dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 150, §4º c/c art. 173, I do CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Ano-calendário: 2006, 2007 IPI. DEPÓSITOS BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. OCORRÊNCIA. REFLEXO NO IPI Comprovada omissão de receitas em virtude de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas (art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996) considera-se proveniente de vendas não registradas, sobre as quais é devido o IPI. No caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento, o IPI será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados (Art. 448 do Decreto nº 4.544, de 2002, alterado pelo Decreto nº 4.859, de 2003). MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. PRESUNÇÃO. AFASTAMENTO. A prática da sonegação ou fraude, com vistas a atrair a multa qualificada, não se presume, tampouco equipara-se à falta de declaração ou declaração inexata. Ao contrário, trata-se de conduta com evidente intuito de fraudar o Fisco, a qual deve estar minuciosamente descrita nos autos e acompanhada de documentos probatórios, tais como, documentos falsos, interposição de pessoas, declarações falsas etc., de forma a permitir a ampla defesa. Tanto a fraude quanto a sonegação são condutas dolosas que devem ser provadas com elementos materiais diversos da presunção, conforme inteligência das Súmulas Carf nº 14, 25, e 34. A omissão de receita apurada com base em presunção decorrente de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, por si só, não está sujeita à multa qualificada. Para isso, faz-se necessário a prova documental da conduta sonegatória ou fraudulenta. Conduta reiterada de omissão de receita e valor relevante, além do alto grau de subjetividade, na espécie, não se configuram elementos suficientes para comprovar a conduta dolosa imputada, vez que lastreada em presunção. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE. SÚMULA Súmula CARF nº 172: A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-24T19:45:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-24T19:45:24Z; Last-Modified: 2021-08-24T19:45:24Z; dcterms:modified: 2021-08-24T19:45:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-24T19:45:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-24T19:45:24Z; meta:save-date: 2021-08-24T19:45:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-24T19:45:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-24T19:45:24Z; created: 2021-08-24T19:45:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2021-08-24T19:45:24Z; pdf:charsPerPage: 2530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-24T19:45:24Z | Conteúdo => S1-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13971.720799/2011-80 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-005.054 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2021 Recorrente WESTER INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. DESCARACTERIZAÇÃO. ART. 150, §4º, DO CTN. À luz do entendimento manifestado pelo STJ no REsp nº 973.733, ocorrido o fato gerador, não confessado o débito, tem o Fisco o prazo decadencial de cinco anos para efetuar o lançamento, a contar da ocorrência do fato gerador, regra geral, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Na ausência de pagamento ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial se desloca para o primeiro dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 150, §4º c/c art. 173, I do CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Ano-calendário: 2006, 2007 IPI. DEPÓSITOS BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. OCORRÊNCIA. REFLEXO NO IPI Comprovada omissão de receitas em virtude de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas (art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996) considera-se proveniente de vendas não registradas, sobre as quais é devido o IPI. No caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento, o IPI será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados (Art. 448 do Decreto nº 4.544, de 2002, alterado pelo Decreto nº 4.859, de 2003). MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. PRESUNÇÃO. AFASTAMENTO. A prática da sonegação ou fraude, com vistas a atrair a multa qualificada, não se presume, tampouco equipara-se à falta de declaração ou declaração inexata. Ao contrário, trata-se de conduta com evidente intuito de fraudar o Fisco, a qual deve estar minuciosamente descrita nos autos e acompanhada de documentos probatórios, tais como, documentos falsos, interposição de pessoas, declarações falsas etc., de forma a permitir a ampla defesa. Tanto a fraude quanto a sonegação são condutas dolosas que devem ser provadas com elementos materiais diversos da presunção, conforme inteligência das Súmulas Carf nº 14, 25, e 34. A omissão de receita apurada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 99 /2 01 1- 80 Fl. 2064DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 com base em presunção decorrente de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, por si só, não está sujeita à multa qualificada. Para isso, faz-se necessário a prova documental da conduta sonegatória ou fraudulenta. Conduta reiterada de omissão de receita e valor relevante, além do alto grau de subjetividade, na espécie, não se configuram elementos suficientes para comprovar a conduta dolosa imputada, vez que lastreada em presunção. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE. SÚMULA Súmula CARF nº 172: A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: i) reduzir a multa de ofício de 150% para 75%; ii) cancelar, em razão da decadência, os lançamentos de IPI referentes às competências 01 a 07/2006. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (Suplente convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de auto de infração para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente aos anos-calendário 2006 e 2007, no montante consolidado de R$ 2.427.130,59 incluídos principal, juros de mora e multa de ofício de 150%. 2. O lançamento decorreu da apuração de omissão de receitas, no lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos nos autos do processo nº 13971.720798/2011-35. 3. Transcrevo parcialmente o relatório do acórdão recorrido, por bem resumir os fatos, complementando-o ao final com o necessário. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1.606/1.614, foi constatada falta de escrituração de contas bancárias e depósitos bancários de titularidade da Wester, para os quais não houve comprovação de origem, nos anos de 2006 e 2007. Ressaltou-se que, embora a contribuinte tenha apresentado listagem para comprovar a Fl. 2065DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 origem dos recursos depositados, que exibia ocorrências de valores de vendas registradas fiscal e contabilmente, a relação inequívoca não foi comprovada, mediante documentação individualizada, caso a caso, ou mediante a exibição do extrato de cobrança vinculado ao depósito. Os valores relativos aos “recebimentos de cobrança” plenamente coincidentes com os títulos apresentados foram retirados da listagem, com subtração destes do valor total do crédito. Os créditos bancários remanescentes foram considerados receitas omitidas, considerados na base de cálculo do IRPJ e CSLL, com base no lucro real anual, e do PIS e da Cofins, na modalidade de incidência não cumulativa. Foram recalculadas as estimativas mensais devidas pela contribuinte, comparadas às apuradas nas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e as diferenças ensejaram a aplicação da multa e juros isolados. Essas diferenças foram objeto do processo nº 13971.720798/2011-35. A omissão de receitas implicou também na autuação do IPI, objeto deste processo, incidente sobre as vendas não registradas, com o tratamento previsto no § 2º do art. 448 do RIPI/2002, alterado pelo Decreto nº 4.859, de 2003. Foi aplicada a alíquota de 12%, de acordo com o critério previsto no § 1º do art. 448 do RIPI/2002, relacionada à classificação fiscal 8714.19.00, constante da relação dos produtos informados pela empresa em suas DIPJ. A apuração dos débitos de IPI devidos mensalmente foi levada à reconstituição da escrita fiscal da Wester, sendo os valores a débito resultantes lançados de ofício. Foi aplicada a multa de ofício de 150%, prevista na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, II, por entender o autuante que a conduta da impugnante se enquadra no conceito de evidente intuito de fraude, previsto nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Por entender que ocorreu, em tese, crime contra a ordem tributária, conforme definido no art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, foram elaboradas representações fiscais para fins penais, objetos dos processos nº 13971.720800/2011-76 e 13971.720801/2011-76. Considerando a participação consciente do sócio Laurentino Wehrmeister, com poderes de gestão à época dos fatos geradores, que atuou ou teve conhecimento de forma direta, realizando individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultaram nas situações que constituíram ou se relacionaram aos fatos geradores dos tributos sonegados, e os benefícios por ele percebidos, no sentido de que os tributos sonegados contribuíram para resultados econômico-financeiro, revelando o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ele foi considerado responsável solidário pelo crédito tributário constituído, nos termos do CTN, arts. 124 e 135, com a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 1.680). Notificada do lançamento em 08/08/2011, conforme auto de infração, a interessada, representada pela advogada Daniela Guedes de Bassi (procuração de fl. 1.752), ingressou, em 06/09/2011, com impugnação (fls. 1.723/1.751), na qual alegou, em suma: Decadência do crédito tributário referente aos meses de janeiro a julho de 2006; Violação pelo auto de infração ao princípio da razoabilidade e capacidade contributiva; Irregularidade da presunção de omissão de receitas frente à existência de depósitos bancários não contabilizados; Sendo os depósitos considerados como receita omitida, tem-se que arbitrar o IPI, considerando a proporção de sua receita constante na contabilidade e os valores pagos de IPI; Tem-se que arbitrar o IPI considerando que há várias alíquotas empregadas em seus produtos, há saídas para exportação e para a Zona Franca de Manaus que devem ser consideradas; Fl. 2066DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 Necessitando ser arbitrado o IPI, deve ser cancelado o auto de infração, pois somente ao auditor da Fazenda Nacional pode emitir auto de infração, possibilitando a ampla defesa ao contribuinte e o acesso aos graus de análise na esfera administrativa que lhe é garantido pela Constituição e pela lei; Alternativamente, que seja readequado o lançamento pelos julgadores; Há valores considerados pela fiscalização como receitas, todavia, segundo cópia dos cheques em anexo, são transferências entre o mesmo titular, devendo ser excluídos do cômputo dos cálculos; A multa de 150% não pode persistir por não ter a fiscalização demonstrado a existência de fraude, devendo ser aplicada a multa de 75%, autorizando o pagamento dos valores apurados com 50% de desconto. O Sr. Laurentino Wehrmeister foi cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 08/08/2011 e apresentou impugnação (fls. 1.861/1.874) em 06/09/2011, representado pela advogada Daniela Guedes de Bassi (procuração de fl. 1.875), alegando, em suma, que a simples existência de dívida tributária da pessoa jurídica não implica a responsabilidade do sócio-gerente, e que, para tal, há que se demonstrar a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Acrescentou que é necessário demonstrar a culpa ou dolo do sócio- administrador para que ele possa ser tido como responsável pelo crédito tributário, o que não aconteceu. Afirmou que o Fisco não fez prova direta da omissão, apenas presumiu que os depósitos seriam receita e lucro e que o sócio-gerente agiu de forma ilegal ou contra o contrato social. Defendeu que era preciso uma investigação árdua e minuciosa para que se chegasse a tal conclusão, pois, como no Direito Penal, o Direito Tributário não admite “meias certezas” para se definir a existência de uma obrigação tributária. Acrescentou que, estando ausente a verdade real sobre o fato, a tipicidade não está presente, e, por corolário, não há responsabilidade do sócio. Concluiu que o ato fiscal se reputa nulo, por ter se sustentado em indícios, e não em provas concretas e contundentes. Reclamou que o art. 124, I, do CTN, que fundamentou a determinação da solidariedade, não se aplica ao caso concreto, pois a eventual responsabilidade do sócio por crédito tributário devido pela pessoa jurídica somente ocorre se houver dissolução irregular. Defendeu, ainda, que a Wester tem patrimônio suficiente para garantir a dívida, não havendo sequer necessidade de arrolamento em nome do impugnante. Requereu seja julgada a inexistência da responsabilidade do impugnante, ou que a responsabilidade seja considerada subsidiária, e não solidária. Em conseqüência, que seja cancelado o arrolamento de bens procedido em seu nome. 4. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação e reduziu o IPI relativo aos meses de novembro de 2006 e novembro e dezembro de 2007, conforme valores demonstrados no acórdão recorrido, e também manteve a sujeição passiva solidária, conforme ementa abaixo transcrita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 2067DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobra- se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. INFRAÇÃO A LEI. São solidariamente obrigados os sócios com poderes de gestão que tenham agido com infração a lei. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a conduta dolosa, caracterizada por sonegação. DECADÊNCIA. DOLO. IPI. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Em sede de recurso voluntário a recorrente alegou, em síntese: Preliminares i) Decadência do crédito tributário referente aos meses de janeiro a julho de 2006; ii) vício formal no Termo de Início de Procedimento Fiscal em razão de não mencionar como objeto da ação fiscal o IPI mas sim IRPJ, PIS, COFINS e CSLL; iii) violação aos princípios da capacidade contributiva e razoabilidade; iv) ilegalidade da forma de apuração do IPI; confisco Mérito v) questiona a presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; vi) inconstitucionalidade do acesso aos dados bancários sem ordem judicial; vii) ausência do evidente intuito de fraude a atrair a multa de 150%; viii) inexistência de responsabilidade solidária do sócio Laurentino Wehrmeister prevista nos arts. 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN). 6. É o relatório. Voto Fl. 2068DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior – Relator , Relator. 7. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Preliminares Nulidade: vício no Termo de Início de Procedimento Fiscal 8. Alega a recorrente vício insanável no lançamento em razão de o Termo de Início de Procedimento Fiscal especificar como objeto da ação fiscal apenas o IRPJ e autuação abarcar tanto o esse tributo quanto o PIS, COFINS. CSLL e IPI. 9. Consta do referido Termo de Início de Procedimento Fiscal que “no eventual lançamento de ofício de infração que afete os demais tributos e contribuições federais administrados pela RFB, serão apurados os devidos reflexos”. É o caso, o auto de infração do IPI é reflexo da omissão de receita apurada no IRPJ, conforme veremos adiante. 10. Ademais, no âmbito do processo administrativo tributário prevalece o entendimento de que não há nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief). Nessa linha, conforme salienta Leandro Paulsen, a nulidade não decorre especificamente do descumprimento de requisito formal, mas sim do efeito comprometedor do direito de defesa assegurado ao contribuinte pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal. Afinal, continua o autor, as formalidades não são um fim em si mesmas, mas instrumentos que asseguram o exercício da ampla defesa. Nesse contexto, a "declaração de nulidade, portanto, é excepcional, só tendo lugar quando o processo não tenha tido aptidão para atingir os seus fins sem ofensa aos direitos do contribuinte 1 ”. 11. Ante o exposto, afasto a preliminar de nulidade por vício formal. Violação aos princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade. Confisco, 12. Aduz a recorrente que a autuação resultou em uma dívida tributária que supera em muito os valores que circularam pela sua conta bancária, o que não guarda razoabilidade com a conduta imputada e os valores lançados como se devidos fossem. Nessa linha, não há como prevalecer o lançamento que não faz a adequação entre os meios empregados e o resultado pretendido, gerando uma carga elevada que suplanta a ideia de confisco. 13. Alega ainda ilegalidade da forma de apuração do IPI. Tributar 100% dos depósitos como se fosse saída de produto industrializado e considerar as alíquotas máxima do tributo (12%) é proceder ao confisco. 2. Sem razão a recorrente. Nos termos do art. 26-A do Decreto 70.235, de 1972, “no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a 1 PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018, p. 475 Fl. 2069DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Nessa mesma trilha caminha a Súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103-21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102-46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203-09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201-78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005 3. Nesses termos, afasto a preliminar arguida. 4. A preliminar de decadência será analisada mais adiante junto com a multa de ofício em razão da relação de causa e efeito. Mérito Omissão de receita 5. Trata-se de lançamento de IPI, anos-calendário 2006 e 2007, decorrente de lançamento de IRPJ e reflexos nos autos do processo nº 13971.720798/2011-35 no qual se apurou omissão de receitas caracterizada depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. 6. A omissão de receita apurada naqueles autos foi julgada procedente nos termos do Acórdão CARF nº 1202-001.033, de 08.10.2013, conforme ementa abaixo transcrita e o feito arquivado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. 7. A recorrente questiona, em síntese, a presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ao argumento de que depósitos bancários são indícios de saída de produto industrializado; todavia, o Fisco necessita provar a efetivação desses fatos através da demonstração de sinais exteriores de riqueza, sinais de que há industrialização/comercialização de produtos do estabelecimento, bem como o acesso aos dados bancários sem ordem judicial. 8. Pois bem. Acerca do sigilo bancário, o Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314, de 24.02.2016, considerou constitucional o artigo 6º da Lei Complementar (LC) nº 105, de 2001, e, na mesma sessão de julgamento, nos Fl. 2070DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 autos das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI’s) nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859 2 , também considerou constitucionais os artigos 5º e 6º da LC 105, de 2001, e os respectivos Decreto 4.489, de 2001, e 3.724, de 2001. 9. Ao garantir o acesso da administração tributária aos dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, o STF assentou a legitimidade da utilização de um eficiente instrumento de detecção de indícios de irregularidades fiscais. É dizer, o sigilo bancário, instituto de proteção à intimidade e/ou privacidade, continua e deve existir, exceto perante o Fisco. Nesse contexto, os dados bancários transferidos para o Fisco ficam sob a dupla proteção dos sigilos bancário e fiscal 3 . 10. Tendo em vista que foram observados todos os requisitos formais para obtenção dos dados bancários da recorrente durante o procedimento fiscal, conforme consta dos autos, correto lançamento de oficio com base nos dados bancários obtidos pelo Fisco. 11. Quanto aos valores creditados em contas bancárias em relação aos quais a pessoa jurídica titular regularmente intimada não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estão sujeito a lançamento de ofício, mediante presunção relativa de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] (Grifo nosso) 12. Presunção é meio indireto de prova resultante de um processo lógico mediante o qual do fato conhecido, cuja existência é certa, infere-se o fato desconhecido ou duvidoso, cuja existência considera-se provável 4 . As presunções legais podem ser absolutas – jure et jure – , quando não admitem prova em contrário, ou relativas – juris tantum – quando admitem prova em contrário. 13. A presunção legal relativa, caso dos autos, pode ser elidida pela parte cuja presunção milita contra mediante apresentação de elementos probatórios. Maria Rita Ferragut 5 aponta as seguintes características da presunção legal relativa: As presunções legais relativas caracterizam-se, basicamente: por (a) estarem sempre contidas numa proposição geral e abstrata; (b) poderem também ser uma proposição individual e concreta quando do ato de aplicação do direito; (c) serem meios indiretos 2 O julgamento das ADI’s 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859 constam do mesmo acórdão. 3 FREITAS JÚNIOR, Efigênio de. O Entendimento do STF pela constitucionalidade do acesso do Fisco aos dados bancários dos contribuintes e o peso dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. In: MURICI, Gustavo Lanna; CARDOSO, Oscar Valente; RODRIGUES, Raphael Silva (Coord.). Estudos de direito processual e tributário em homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: Editora D'Plácido, 2018. p. 388. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. A prova no procedimento administrativo tributário. Revista Dialética de Direito Tributário nº 34, São Paulo: Dialética, 1998. p. 109. BECKER, Alfredo Augusto. Teoria geral do direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 1972, p. 508. 5 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções: meio de prova do fato gerador? In: FERRAGUT, Maria Rita; NEDER, Marcus Vinícius; SANTI, Eurico Diniz de. (Coords.). A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 116. Fl. 2071DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 de prova; (d) serem compostas por um fato indiciário que implique juridicamente a existência de um outro fato, indiciado; (e) contemplarem uma probabilidade de ocorrência do evento descrito no fato; (f) poderem prever a riqueza da base calculada, quando utilizadas com fundamento no princípio da praticabilidade, e não em decorrência de ilícitos praticados pelo contribuinte; (g) dispensarem o sujeito que tem a presunção a seu favor do dever de provar a ocorrência do evento descrito no fato indiciado, mas não de provar o fato indiciário e (h) admitirem prova a favor de outros indícios, e em contrário ao fato indiciário, à relação de implicação e ao fato indiciado. (Grifo nosso) 14. Dentre as características acima, verifica-se que a presunção legal relativa, meio indireto de prova, é composta do fato indiciário – movimentações financeiras – que implica juridicamente a existência de um outro fato, o fato indiciado – omissão de receita. Com efeito, o sujeito que tem a presunção a seu favor – autoridade fiscal – está dispensado do dever de provar a ocorrência do evento descrito no fato indiciado, mas não de provar o fato indiciário. 15. Portanto, ao contrário do sustentado pela recorrente, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, permite o lançamento de ofício com base em depósitos bancários e inverte o ônus da prova. Questionar a validade desse dispositivo vai de encontro à Súmula CARF nº 2, conforme visto acima. 16. Acerca da tributação das receitas omitidas pelo IPI alega a recorrente inicialmente que o Decreto nº 4.544, de 2002, foi revogado pelo Decreto nº 7.212, de 2010; portanto haveria um enquadramento legal irregular porquanto “deve-se aplicar a legislação que vigora no momento da realização da fiscalização e não a que estava vigente à época dos fatos geradores”. 17. Trata-se de alegação contrária ao disposto no art. 144 do CTN no sentido de que “o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. 18. Sustenta ainda a recorrente, em síntese, que “depósito bancário não é fato gerador de IPI”, mas sim a saída do produto industrializado do estabelecimento (art. 146 do CTN). Nesse sentido, “havendo a omissão de receita tem-se que através de outros meios investigatórios (contagem de estoque, e confrontação dos dados contábeis) chegar-se a um parâmetro para se poder arbitrar a base de cálculo do IPI, ou seja, determinar o montante da receita omitida que se refere a vendas que correspondam a saída sujeita a incidência do IPI”. 19. Por fim, aduz a recorrente: “Como coadunar o art.46 do CTN, art.42 da Lei 9.430/96 e art.448 do RIPI. A única forma legalmente prevista para se encontrar a base de cálculo do IPI, em razão deste fato que faz que se presuma que haja saída de produto industrializado omitido, é o arbitramento” (art. 148 do CTN.). 20. Sem razão a recorrente. Comprovada omissão de receitas em virtude de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, considera-se proveniente de vendas não registradas, sobre as quais é devido o IPI. No caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento, o IPI será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados. É o que estabelece o art. 448 do Decreto nº 4.544, de 2002, alterado pelo Decreto nº 4.859, de 2003: Fl. 2072DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias-primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mão-de-obra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias-primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). § 1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigir-se-á o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerar-se-ão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) (Grifo nosso) 21. É o caso. Ante a impossibilidade de segregar as vendas consideradas não registradas na escrita da recorrente, a autoridade fiscal aplicou a alíquota de IPI mais elevada. Tal impossibilidade restou confirmada pela própria recorrente ao postular o arbitramento da base de cálculo do IPI, conforme visto acima. Veja-se a narrativa dos fatos no Termo de Verificação Fiscal: Tendo em vista que a WESTER comercializou produtos diversos no período fiscalizado, não há como segregar as vendas consideradas como não registradas a partir da análise da escrita e documentação fiscal. Nesse sentido, faz-se necessária a aplicação do critério do §12 do art. 448 do RIPI, sendo que a fiscalização, já de posse da base de cálculo mensal, adotou a alíquota de IPI de 12%, para o período de 2006 e 2007, relacionada à classificação fiscal 8714.19.00, constante da relação dos produtos informados pela empresa em suas DIPJ. A apuração dos débitos de IPI devidos mensalmente, nos termos do quadro abaixo, foi levada à reconstituição da escrita fiscal da WESTER, sendo os valores a débito resultantes lançados de ofício, conforme os demonstrativos de apuração e auto de infração específicos presentes no processo13971.720799/2011-80 . 22. No mesmo sentido é a jurisprudência do CARF, veja-se: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 1997 IPI OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de omissão de receita apurada em lançamento de IRPJ e havendo concordância com a decisão prolatada no Primeiro Conselho de Contribuintes, deverá ser adotada neste processo a mesma decisão daquele do qual decorre. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO DE VENDA NÃO REGISTRADA. Deve ser considerada como oriunda de vendas a omissão de receita, cuja origem não seja comprovada, sendo-lhe exigido o imposto. OMISSÃO DE RECEITAS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. Fl. 2073DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 No caso de omissão de receitas, detido à presunção legal de salda de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a aliquota mais elevada, daquelas praticadas pelo contribuinte, para a quantificação do imposto devido. (Acórdão CARF nº 201-81.705, de 03.02.2009) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IPI. APLICAÇÃO. O art. 42 da Lei 9.430/96 não trata de hipótese incidência tributária, mas apenas de meio de prova indireta (presunção relativa) da existência de receita omitida, razão pela qual a sua aplicação não fica adstrita aos lançamentos do IRPJ. Provada a existência de receitas omitidas, ainda que por meio de presunção legal, perfeito o enquadramento do auto de infração do IPI no art. 108, § 2º, da Lei 4.502/64. (Acórdão CARF nº 1302-001.483) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano-calendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA. PRESUNÇÃO DE SAÍDA DE MERCADORIA. EXIGÊNCIA DO IPI CORRESPONDENTE. Comprovada a omissão de receitas em virtude de depósitos bancários com origens não comprovadas, considera-se proveniente de vendas não registradas, exigindo-se o IPI correspondente. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA. EXIGÊNCIA COM BASE NA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. Uma vez que foram apuradas receitas cuja origem não foi comprovada, e sendo o contribuinte fabricante de produtos sujeitos a alíquotas distintas, a exigência deve ser feita com base na alíquota mais elevada. (Acórdão CARF nº 1402-003.612, de 11 de dezembro de 2018) 23. Na espécie, não se aplica a Súmula 182 do extinto TFR, cujo teor estabelece: “É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários”. Eventual questionamento a esse respeito trata-se, na verdade, de alegação indireta de constitucionalidade de lei e encontra óbice na Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Multa de 150% 24. Insurge-se a recorrente contra a multa qualificada de 150%, e pleiteia sua redução para 75%, ao argumento de que “a intenção de fraudar não se presume deve ser demonstrada pela fiscalização”. Sustenta ainda “inexistência de provas por parte da fiscalização” e cooperação de sua parte “para o viabilizar o conhecimento rápido por parte da fiscalização de todos os seus dados contábeis e financeiros”. 25. Quanto à redução da multa qualificada, a meu, ver assiste razão à recorrente. 26. A despeito das várias alterações no art. 44 da Lei 9.430, de 1996, na essência, esse dispositivo sempre estabeleceu condutas objetivamente concretas para fins de aplicação da multa Fl. 2074DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 de 75%, quais sejam, “falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata”. 27. No tocante à multa qualificada de 150%, a redação anterior determinava a aplicação desse percentual “nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.” O novo dispositivo inserto pela Lei nº 11.488, de 2007, determina a aplicação desse percentual “nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 1964”. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 28. Embora a expressão “evidente intuito de fraude” tenha sido retirada do texto legal, sua essência permaneceu, porquanto a aplicação da multa qualificada foi remetida para as condutas típicas de sonegação, fraude e conluio, previstas na Lei nº 4502, de 1964. Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (Grifo nosso) 29. Para a configuração de tais condutas exige-se sempre o dolo, elemento subjetivo do tipo. É dizer, para haver dolo não basta o agente querer o resultado, é indispensável a vontade consciente de se praticar a conduta prevista no tipo. Nesse sentido, salienta Marco Aurélio Greco 6 com apoio em Cezar Roberto Bitencourt: O dolo não se configura pela simples vontade de obter um resultado ou atingir uma finalidade. À vontade é indispensável associar a consciência de realizar a conduta descrita no tipo. Como expõe a doutrina mais moderna, o dolo corresponde ao elemento subjetivo do tipo, vale dizer, para haver dolo não se trata de querer o resultado, é indispensável que se tenha consciência e se queira a conduta definida no tipo legal. 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. 4ª ed. São Paulo: Quartier Latin, 2019, p. 278. Fl. 2075DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 Como expõe CEZAR ROBERTO BITENCOURT: "Dolo é a consciência e a vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal, ou, na expressão de Welzel, 'dolo, em sentido técnico penal, é somente a vontade de ação orientada à realização do tipo de um delito' " Ou seja, é preciso querer a ação descrita como tipo infracional descrito na lei. (Grifo nosso) 30. Cezar Roberto Bitencourt7, por sua vez, ao discorrer sobre a consciência e a vontade, elementos imanentes ao dolo, dispõe: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constata-se que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que e o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizá-la. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, que e a vontade, que não pode existir sem aquele. Para a configuração do dolo exige-se a consciência daquilo que se pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto e, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada. A previsão, isto é, a consciência, deve abranger correta e completamente todos os elementos essenciais do tipo, sejam eles descritivos, normativos ou subjetivos. [...] A vontade, por sua vez, deve abranger a ação, o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. [...] Para Welzel, a vontade e a espinha dorsal da ação final, considerando que a finalidade baseia-se na capacidade de vontade de prever, dentro de certos limites, as consequências de sua intervenção no curso causal e de dirigi-la, por conseguinte, conforme um piano, à consecução de um fim. (Grifo nosso) 31. Na sonegação, a conduta dolosa visa impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou das condições pessoais de contribuinte que possam afetar o crédito tributário. Nessa hipótese o fato gerador já ocorreu; a conduta é no sentido de encontrar meios para ocultá-lo do Fisco. 32. A sonegação é figura típica de caráter criminal, tal qual prevista no art. 1º da Lei 4.729, de 1965, e que foi englobada – derrogada tacitamente – pelo conceito de crime contra a ordem tributária previsto na Lei nº 8.137, de 1990. A confirmar o caráter criminal da sonegação, verifica-se que a aplicação da multa de 150% deve ser aplicada “independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”, conforme previsto tanto na redação atual do §1º do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, quanto nas redações anteriores. 33. Como observa Leandro Paulsen8, a sonegação, além de ensejar o lançamento do tributo com multa de ofício qualificada, implica responsabilização penal: A diferença entre o simples inadimplemento de tributo e a sonegação, é o emprego de fraude. O inadimplemento constitui infração administrativa que não constitui crime 7 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal, 2, parte especial, dos crimes contra pessoa. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 34. 8 PAULSEN, Leadro. Crimes federais. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018, p. 361. Fl. 2076DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 e que tem por consequência a cobrança do tributo acrescida de multa e de juros, via execução fiscal. A sonegação, por sua vez, dá ensejo não apenas ao lançamento do tributo e de multa de ofício qualificada, como implica responsabilização penal. (Grifo nosso) 34. Na fraude, a conduta dolosa visa, na primeira parte do tipo, impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Nessa hipótese, o fato gerador está prestes a ocorrer, mas a conduta impede ou retarda sua ocorrência. 35. A fraude contempla ainda, na segunda parte do tipo, conduta dolosa que visa excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador. Nesse caso, o fato gerador já ocorreu, afinal, exclui-se ou modifica-se algo que já existe. O objetivo é alterar características essenciais do fato gerador, com vistas a evitar, reduzir ou diferir o pagamento do tributo. 36. Em relação ao conluio, para sua caracterização basta haver o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas visando qualquer dos efeitos da sonegação ou da fraude. É dizer, para que haja conluio faz-se necessário a ocorrência da fraude ou sonegação. 37. Portanto, para aplicação da multa qualificada de 150% exige-se conduta caracterizada por sonegação ou fraude, a qual exige a presença de elemento adicional que a qualifique como evidente intuito de fraudar o Fisco. Tal conduta deve ser provada, e não presumida, por meio de elementos caracterizadores como documentos inidôneos, interposição de pessoas, declarações falsas, dentre outros. Além disso, a conduta deve estar descrita no Termo de Verificação Fiscal ou auto de infração, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa 9 . 38. O Carf tem se posicionado na linha do racional exposto acima, inclusive com a edição de súmulas no sentido de que para fins de qualificação da multa não basta a simples omissão de receita ou rendimentos, faz-se necessário a comprovação de uma conduta qualificada por evidente intuito de fraude. A propósito, veja-se a inteligência das Súmulas Carf nº 14, 25 e 34: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94258, de 01/07/2003 Acórdão nº 101-94351, de 10/09/2003 Acórdão nº 104-19384, de 11/06/2003 Acórdão nº 104-19806, de 18/02/2004 Acórdão nº 104-19855, de 17/03/2004 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de14/07/2010) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº CSRF/04-00.883, de 27/05/2008 Acórdão nº CSRF/04-00.762, de 03/03/2008 Acórdão nº 104-23659, de 17/12/2008 Acórdão nº 104-23697, de 04/02/2009 Acórdão nº 3402-00.145, de 02/06/2009 9 Cf. Ag.Reg.RE 608.426. DJe 21.10.2011: “Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicam-se plenamente à constituição do crédito tributário em detrimento de qualquer categoria de sujeito passivo, irrelevante sua nomenclatura legal (contribuintes, responsáveis, substitutos, devedores solidários etc.). [...]". Fl. 2077DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de14/07/2010) (Grifos nossos) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 106-17001, de 06/08/2008 Acórdão nº 103-23507, de 26/06/2008 Acórdão nº 104-23212, de 28/05/2008 Acórdão nº 106-16708, de 22/01/2008 Acórdão nº 107-09027, de 23/05/2007 Acórdão nº 108-09286, de 25/04/2007 Acórdão nº 195-00008, de 15/09/2008 Acórdão nº CSRF/01-05820, de 14/04/2008 39. No caso em análise, a autoridade fiscal qualificou a multa em razão da “ação plenamente voluntária, consciente e contumaz de abster-se na escrituração de contas bancárias que foram utilizadas para movimentar recursos financeiros”. A aplicação da multa de ofício cabível no presente caso, tem regulação prevista na Lei 9.430/96, especificamente em seu artigo 44, sendo que o inciso II desse dispositivo assim determina sobre o assunto: [...] Os artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, que caracterizam a conduta que define o "evidente intuito de fraude", são dispostos a seguir: [...] Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não enquadrar a omissão de receitas ocorrida nas definições de sonegação e fraude. Baseada nas provas acostadas aos autos, afasta-se completamente qualquer alegação de que houve mero erro ou engano por parte da empresa Wester. Ao contrário, vislumbra-se uma ação plenamente voluntária, consciente e contumaz de abster-se na escrituração de contas bancárias que foram utilizadas para movimentar recursos financeiros, cuja maior parte não teve a origem comprovada, daí a capitulação legal do lançamento feito pela autoridade fiscal. Para se ter idéia das proporções que assumiram tal prática de sonegação fiscal, comparando-se com uma receita bruta declarada na casa dos 11 milhões de reais, no período 2006-2007, verifica-se a ocorrência do recebimento de depósitos bancários não justificados na ordem de quase 7 milhões. É evidente, portanto, que ao não escriturar contas bancárias e depósitos, a empresa visou ocultar, e principalmente apostar na hipótese de uma suposta inércia do Fisco, o que de fato resultou no retardamento do conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias realmente devidas. Assim, por todo o acima exposto, cabe à fiscalização aplicar a multa de ofício qualificada de 150%, pela simples adequação da conduta praticada ao disposto no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96. (Grifo nosso) 40. O acórdão recorrido manteve a qualificação da multa ao argumento de que “restou evidente a conduta de sonegação, na medida em que, reiteradamente, em todos os meses dos anos de 2006 e 2007, omitiu receitas à tributação, o que afasta a possibilidade de mero erro ou engano e demonstra a ação voluntária e consciente de abster-se da escrituração de suas contas bancárias, utilizadas para movimentação financeira, cuja maior parte não teve a origem comprovada”. 41. Como visto acima, tanto a fraude quanto a sonegação são condutas dolosas que devem ser provadas com elementos materiais diversos da presunção, conforme inteligência das Fl. 2078DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 Súmulas Carf nº 14, 25, e 34. A omissão de receita apurada com base em presunção decorrente de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, por si só, não está sujeita à multa qualificada. Para isso, faz-se necessário a prova documental da conduta sonegatória ou fraudulenta. Conduta reiterada de omissão de receita e valor relevante, além do alto grau de subjetividade, não se configuram elementos suficientes para comprovar a conduta dolosa imputada, vez que lastreada em presunção. 42. Nesse sentido, já se manifestou CARF no seguintes julgados: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 MULTA QUALIFICADA REQUISITO DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. (Acórdão CARF nº 9101-001.615, de 16.04.2013) (Grifo nosso) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação divergente de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional as receitas declaradas, mesmo que de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade da contribuinte não justificados e não escriturados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. (Acórdão CARF nº 9101- 001.851, de 29.01.2014) (Grifo nosso) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário:1998 [...] MULTA QUALIFICADA REQUISITO DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado e de não estar a conta contabilizada não é suficiente para caracterizar evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. (Acórdão CARF nº 9101-001.980, de 21.08.2014) (Grifo nosso) Fl. 2079DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 43. Nestes termos dou provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada de 150% para 75%. Decadência 44. Alega a recorrente decadência em relação aos meses de janeiro a julho de 2006, ao argumento de que o IPI é tributo sujeito a lançamento por homologação, houve antecipação de pagamento, bem como não restou provado o dolo ou intuito de fraude. Assim, defende a aplicação do art. 150,§4º do CTN. 45. Pois bem. Em relação ao termo inicial do prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir créditos tributários referentes aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, nos autos do REsp nº 973.733, de 2009, submetido à sistemática dos recursos repetitivos 10 (art. 543C, do Código de Processo Civil de 1973 - CPC), apreciou a matéria e definiu o seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) [REsp nº 973.733, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 18.09.2009] (Grifo nosso) 46. À luz do entendimento manifestado pelo STJ no REsp nº 973.733, ocorrido o fato gerador, não confessado o débito, tem o Fisco o prazo decadencial de cinco anos para efetuar o lançamento, a contar da ocorrência do fato gerador, regra geral, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Na ausência de pagamento ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial se desloca para o primeiro dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 150, §4º c/c art. 173, I do CTN 11 ). 10 Portaria nº 343, de 2015. Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 11 CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a Fl. 2080DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 47. No caso em análise, nota-se que a autoridade fiscal considerou o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN em razão da sonegação e da fraude, tal qual o acórdão recorrido. Entretanto, descaracterizada a fraude e a sonegação, o que atrai o art. 150, §4º, resta verificar se houve ou não pagamento no período questionado. 48. A DIPJ/2007 elenca saldo devedor de IPI nas competências 01 a 07/2006 (e-fls. 19). O Termo de Verificação Fiscal informa que os débitos exigidos nestes autos foram apurados mediante reconstituição da escrita fiscal da recorrente (e-fls. 1610). Assim, considerando-se que foram lançadas somente as diferenças decorrentes da omissão de receita apurada, infere-se ter havido pagamento parcial dos valores referentes às competências 01 a 07/2006, conforme informado pela recorrente. Ademais, conforme dito acima, regra geral é a aplicação do art. 150, §4º; a exceção, art. 173, I, deve ser fundamentada pelo Fisco, e no caso o motivo foi somente a sonegação e a fraude, ora descaracterizados. 49. Com efeito, o termo inicial do prazo decadencial deve obedecer à regra geral do art. 150, §4º do CTN, ou seja, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Tendo em vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 08.08.2011, o lançamento somente poderia alcançar fatos geradores ocorridos a partir de 08.08.2006, inclusive. 50. Isso posto, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar, em razão da decadência, os lançamentos de IPI referentes às competências 01 a 07/2006 (fato gerador mensal). Responsabilidade solidária 51. Postula a recorrente o afastamento da responsabilidade solidária imputada ao Sr. Laurentino Wehrmeister ao argumento de que o art. 124,1 do CTN, não se aplica ao caso concreto. Quanto ao art. 135 do CTN alega que a responsabilidade solidária do sócio somente ocorre no caso de dissolução irregular. Argumenta ainda que, conforme entendimento do STJ, a responsabilidade do art. 135 é subsidiária e que a falta de pagamento de tributo isoladamente não é motivo que justifique a infração. 52. Ocorre que o responsável solidário não apresentou recurso voluntário. É dizer, a responsabilidade solidária foi questionada pelo contribuinte e não pelo sujeito passivo 12 solidário, o qual não possui legitimidade para questionar tal responsabilidade, tal qual previsto na Súmula Carf nº 172, de 2021. Veja-se: homologa.§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]. 12 CTN. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua Obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 2081DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 1201-005.054 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720799/2011-80 Súmula CARF nº 172: A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. Acórdãos Precedentes: 9101-002.986, 1201-001.775, 1301-002.279, 1401-001.817, 1103-000.982 1402-001.528, 1301-002.577, 9101-005.303, 9101-005.394, 1402- 004.522, 1301-004.387, 3302-007.769, 1302-003.823, 1402-003.822, 1103-001.159, 1201-004.636, 1302-001.707, 2201-002.758 e 2202-007.690. 53. Nestes termos, mantenho a responsabilidade solidária do Sr. Laurentino Wehrmeister. Conclusão 54. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para: i) reduzir a multa qualificada de 150% para 75%; ii) cancelar, em razão da decadência, os lançamentos de IPI referentes às competências 01 a 07/2006. É como voto. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Fl. 2082DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13888.003559/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2007 a 30/06/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS E MECANISMOS DE AFERIÇÃO. NECESSIDADE.
A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
In casu, não contam do Plano as metas e objetivos necessários para recebimento da benesse, motivo pelo qual o Plano não obedece os preceitos da legislação de regência.
PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO A RAZOABILIDADE AO CONHECIMENTO PRÉVIO PARA O CUMPRIMENTO DE METAS.
Focando-se o instrumento negocial no incentivo à produtividade, sendo lastreado, especialmente, no inciso II do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando programa de metas e resultados (e não o lucro), inclusive prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, sendo assinado em meados no exercício, ainda em tempo razoável para o fim do exercício, mostra-se hígido, sendo possível perseguir as metas e imputar ao negociado os resultados já alcançados face ao processo prévio de negociação.
Numero da decisão: 2401-009.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rodrigo Lopes Araújo, Gustavo Faber de Azevedo e Miriam Denise Xavier.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: Rayd Santana Ferreira
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 30/06/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS E MECANISMOS DE AFERIÇÃO. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, não contam do Plano as metas e objetivos necessários para recebimento da benesse, motivo pelo qual o Plano não obedece os preceitos da legislação de regência. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO A RAZOABILIDADE AO CONHECIMENTO PRÉVIO PARA O CUMPRIMENTO DE METAS. Focando-se o instrumento negocial no incentivo à produtividade, sendo lastreado, especialmente, no inciso II do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando programa de metas e resultados (e não o lucro), inclusive prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, sendo assinado em meados no exercício, ainda em tempo razoável para o fim do exercício, mostra-se hígido, sendo possível perseguir as metas e imputar ao negociado os resultados já alcançados face ao processo prévio de negociação. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 35 59 /2 01 0- 85 Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rodrigo Lopes Araújo, Gustavo Faber de Azevedo e Miriam Denise Xavier. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto e Miriam Denise Xavier. Relatório CENTROVIAS SISTEMAS RODOVIARIOS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9 a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 14-31.566/2010, às e-fls. 179/187, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições destinadas aos TERCEIROS, incidente sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR, em relação ao período de 03/2007 a 06/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 11/17 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no DEBCAD n° 37.262.772-2. Conforme consta do Relatório Fiscal, os elementos apresentados pela autoridade lançadora para desconsiderar o PLR da empresa são os seguintes: - As reuniões para constituição das comissões para estudos dos parâmetros referentes à participação nos resultados de 2006 e 2007 foram realizadas, respectivamente, em 27/10/06 e 22/10/07, e as reuniões para definição das regras e critérios a serem considerados na participação nos resultados de 2006 e 2007 foram realizadas, respectivamente, em 24/11/06 e 21/11/07. Em ambos os casos, portanto, não houve acordo prévio para PLR, pois as regras foram definidas praticamente no final de cada período. - Apesar de constar nas regras e critérios a serem considerados para participação nos resultados de 2006 a exclusão dos funcionários desligados durante o ano de referência, com exceçao dos que tenham se aposentado, a empresa pagou PLR para os demitidos, conforme anexo “Pagamento de PLR/2006 a Demitidos”. - Nas regras e critérios a serem considerados na participação nos resultados de 2006 ficou deliberado a classificação dos participantes em dois grupos de funcionários, denominados “operacionais” e “estratégicos”, e que ao grupo estratégico seria atribuído um peso de acréscimo na participação. Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 - Nas regras e critérios a serem considerados na participação nos resultados de 2006 constou que a participação se daria em relação a cada funcionário em razão do menor número de faltas não justificadas, menor número de advertências, ou suspensões aplicadas ao empregado pelo cometimento de faltas graves. Da mesma forma, nas regras e critérios a serem considerados na participação nos resultados de 2007, constou como parâmetros individuais absenteísmo e advertências e suspensões. Contudo, para a Lei n° 10.101/00, a participação dos empregados deve ser nos lucros ou nos resultados da empresa. Parâmetros como assiduidade e comportamento do empregado não correspondem a resultados da empresa. - Nas regras de 2006 e 2007 consta que após a aferição das metas e definição do valor a ser distribuído caberá à diretoria da empresa uma avaliação individual dos colaboradores, para atribuição de uma premiação adicional a título de “prêmio destaque". que será em quantidade de salários ou fração. Estes criterios ferem a Lei n° l0.l0l/00. que dispõe que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação. Haja vista que a Medida Provisória n° 449, em vigor desde 04/12/2008.convertida na Lei n° 11.94l/2009, introduziu modificações na penalidade a ser aplicada para a de falta de recolhimento e para a falta de declaração ou declaração inexata. a autoridade lançadora, após proceder, por competência, as comparações devidas. aplicou as multas mais benéficas ao sujeito passivo (CTN, art. l06, ll, “c”): para as competências 03/07 e 03/08. aplicou-se as penalidades vigentes ao tempo da prática da infração; e para as competências 05/07 a 06/07 e 05/08 a 06/08, aplicou-se a penalidade superveniente (multa de oficio de 75%). A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às e-fls. 193/210, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, trazendo alguns contrapontos específicos a decisão, motivo pelo qual adoto o relatório da DRJ: - O Auto de Infração importa ofensa ao disposto no artigo 7°. XI. da Constituição Federal, ao artigo 3° da Lei n° l0.l0l/2000 e ao artigo 28. §9°. '*j" da Lei n° 8.212/91, que excluem a natureza remuneratória da participação nos lucros e resultados da empresa. Trata-se de uma imunidade tributária objetiva. Logo. afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados. - A Administração Pública deve pautar sua atividade no princípio da legalidade (artigo 37, caput da CF), ou seja, deve atuar nos estritos limites legais. - O artigo 2° da Lei n° 10.101/2000 determina que a participação nos lucros e resultados seja negociada entre a empresa e seus empregados. atraves de comissão escolhida pelas partes e integrada por um representante do sindicato, ou com a representação direta do sindicato por meio de negociação coletiva. - Os critérios e condições para a participação nos lucros ou resultados, indicados nos incisos I e II do § l° do artigo 2° da Lei n° l0.l0l/2000, são meramente enunciativos ou exemplificativos, e não obrigatórios ou taxativos. - Não houve ausência de critérios ou condições para distribuição da participação nos resultados da empresa a seus empregados. Na verdade. o Fisco imiscuindo-se em seara Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 alheia, afastando-se do principio da legalidade, ante a inexistência de dispositivo legal a amparar esse procedimento. reputou que os criterios e as condições estabelecidos pela comissão eleita pelas partes não eram claros e objetivos. - Os criterios e condições para a participação nos lucros ou resultados são refratárias ao poder normativo do Poder Judiciário, quiçá, então, do Poder Executivo. No caso de controvérsia entre as partes. a solução será buscada através de mediação ou arbitragem, nos termos do artigo 4° da Lei n° l0.l0l/2000. A participação nos lucros ou resultados consiste em direito eminentemente consensual, a sua instituição não e' obrigatória. - Todos os pagamentos a titulo de participação nos resultados dos exercícios 2006 e 2007. realizados pela empresa. aos seus empregados, preencheram os requisitos estabelecidos pela Lei n° l0.l0l/2000. - Ainda que não sejam os melhores, segundo entendimento da auditora fiscal. os critérios e condições eleitos pela comissão cumprem satisfatoriamente os requisitos da legislação específica. a qual não impõe critérios obrigatórios e inflexíveis para tanto. - Equivocada a observação feita no auto de infração de que a participação nos lucros ou resultados depende da existência de lucro da empresa. Somente a participação nos lucros está atrelada ao lucro da empresa. .lá a participação nos resultados está vinculada a uma ou mais metas de desempenho, corno melhora na qualidade do produto, redução de custos, produtividade. dentre outras. Tais metas podem ser estabelecidas em relação aos colaboradores individualmente (para cada empregado). ou coletivamente (para cada grupo ou setor de empregados). ou para a empresa corno um todo. Cabe aos administradores escolher a forma mais adequada a sua realidade. - Diante da especificidade das atividades desenvolvidas pela empresa autuada. prestação de serviços público por concessão. elegeu-se a participação nos resultados, com estipulação de metas individuais para cada colaborador da empresa. - Assim, dentre os critérios e condições, estabeleceu-se o comprometimento do colaborador no desempenho de suas atribuições durante o ano de referência (tempo trabalhado. absenteísmo e penalidades) para participação nos resultados da empresa. - A formalização dos programas no final dos anos de referência e a distribuição espontânea aos empregados dispensados não são suficientes para desvirtuar a natureza não remuneratória da participação nos resultados paga pela empresa. - No primeiro caso. porque inexiste previsão legal quanto ao prazo para formalização dos programas de participação nos lucros ou resultados. bem como não houve questionamento por parte do interessados (empregados). nem prejuízo para eles, eis que foram cientificados dos critérios e condições previamente ao pagamento pela empresa. - No segundo caso, porque se trata de uma espontaneidade realizada pela empresa com amparo no artigo 3°, §3° da Lei n° 10.101/2000. em corolário ao principio constitucional da isonomia (artigo 5°. caput da CF). O dispositivo da Lei n° 10.101/2000 consagra o princípio da isonomia ao permitir a compensação dos pagamentos espontaneamente feitos pela empresa, a título de participação nos lucros e resultados. com as obrigações decorrentes de acordos e convenções coletivas de trabalho atinentes ao mesmo tipo de participação. E se a lei permite tal compensação, é porque eles possuem a mesma natureza jurídica, ou seja, possuem natureza não remuneratória. - Se por decisão judicial transitada em _julgado. se determinasse a inclusão dos empregados dispensados na participação nos resultados, não se discutiria a natureza não remuneratória do pagamento realizado pela empresa. Obviamente, não se altera esse cenario pelo pagamento espontâneo feito pela empresa. - A participação nos lucros ou resultados da empresa consta como direitos dos trabalhadores desde a CF/46. Entretanto, graças ao incentivo dado pela CF/88. que expressamente a desvinculou da remuneração, ela veio ganhando cada vez mais espaço nas negociações entre empresas e trabalhadores. A Lei n° 10.101/2000, ao regulamentar referido instituto, propiciou maior integração entre capital e trabalho. Ocorre que o Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 procedimento adotado pelo Fisco pode vir a desestimular as empresas a formalizar programas para participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, em prejuizo a toda a classe trabalhadora. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornando-os sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. No caso em tela, os pagamentos a título de PLR ocorreram com respaldo nos programas próprios de PLR (exercícios de 2006 e 2007). Da análise dos referidos instrumentos, a fiscalização constatou que eles não atendem aos requisitos definidos na Lei nº 10.101/2001, pois, em síntese: - os regulamentos/acordos de PLR foram assinados após transcorridos vários meses dos períodos definidos como bases de apuração, caracterizando a ausência do prévio estabelecimento de metas, indicadores e mecanismos de aferição; e, especialmente - ausência de regras claras e objetivas e aferição individual dos empregados; Além dessas duas motivações principais. o fiscal também explicita que houve pagamento de PLR para empregados demitidos, mesmo constando no Programa que não seriam contemplados. Por sua vez, a contribuinte contrapõe-se a pretensão fiscal, argumentando que as verbas pagas a seus funcionários a título de PLR estavam de acordo com a legislação e que, portanto, o lançamento correspondente às contribuições incidentes sobre tais verbas é improcedente. De início, antes mesmo de contemplar as razões de mérito propriamente ditas, com o objetivo de melhor aclarar a demanda posta nos autos, cumpre trazer a lume a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculando-a expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: Art. 28. [...] § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. (grifos nossos) Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...] Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II - convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...] Em suma, extrai-se da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. Atualmente, a Lei n° 10.101/2000 se apresenta com algumas alterações introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada constata-se que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que se tratando de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer à própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Na hipótese dos autos, tendo em vista as particularidades despendidas, dividiremos nossa análise por temática, senão vejamos: Da Negociação Prévia A autuada argumenta que a pactuação da PLR deve ser estabelecida de acordo com os detalhes de cada situação concreta (considerando as circunstâncias do ramo econômico, as condições de mercado, a atuação dos sindicatos, a tradição do setor etc.) e que o momento ideal para celebração do acordo é aquele que, concomitantemente, permite a fixação das metas de modo factível e possibilita o seu cumprimento. Acrescenta que as negociações ocorrem durante o primeiro semestre e não no fim do ano anterior, pois nesta época elas não se mostrariam apropriadas e também devido às práticas sindicais adotadas no setor. Conclui que todos os acordos foram firmados em prazo razoável, no momento mais adequado para que isso ocorresse e após efetiva negociação com o Sindicato da categoria. Reafirma que a Lei nº 10.101/2000 não estabelece prazo expresso para que a pactuação ocorra, e diz que tal diploma normativo foi inteiramente respeitado, inclusive em suas finalidades de integração entre o trabalho e o capital e estímulo da produtividade. Pois bem! Quanto ao ponto, não se pode concordar com a posição adotada pelo Agente Fiscal. Não há determinação na Lei 10.101/00 sobre quão prévio deve ser o ajuste e principalmente, prévio a quê. Tal lacuna deve ser preenchida pelo intérprete, segundo critérios de hermenêutica constitucionais acima expostos. Com o fito de dar maior concretude ao direito constitucionalmente garantido da participação do empregado nos resultados da empresa, entendo que o ajuste entre as partes deve ser firmado antes do pagamento da primeira parcela da PLR, com a antecedência que demonstre que os trabalhadores tinham ciência dos resultados a serem alcançados e que permita que se infira que o ajuste entre as partes foi construído com a devida discussão e busca dos interesses comuns que culminaram no acordo coletivo firmado. Ressalto que não há na Lei da PLR nenhuma determinação que tal ajuste deva ser realizado no ano anterior àquele em que se vai buscar as metas pactuadas, posto que tal exigência, por óbvio inimaginável em empresas dinâmicas e de atividades complexas, não consta da Lei nº 10.101/00. Questiono, em que norma garantidora de direito social se encontra uma disposição literal, ou interpretação com o mínimo de razoabilidade, de que um ajuste prévio é aquele realizado no ano anterior? – Nenhuma!!! Fl. 222DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 Sobre o tema, com intuito de complementar o raciocino, peço vênia para colacionar excertos extraídos do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 2202-005.195. cujo adoto como razões de decidir: (...) Destaco que a famigerada "PLR" é sinônimo de "participação nos lucros" ou de "participação nos resultados", sendo verdadeiro afirmar que a vertente paga com base em "lucros" tem um caráter aproximado das "gratificações de desempenho"3 e a lastreada nos "resultados" se assemelha aos "prêmios por desempenho"4. Para a doutrina jus trabalhista a gratificação independeria de fatores ligados ao empregado, enquanto o prêmio, para que o empregado fizesse jus a ele, dependeria do seu próprio esforço. Rememore-se, igualmente, que, a despeito de se exigir negociação, que pressupõe, então, seja subscrita e, por conseguinte, devidamente formalizada, questões práticas do cotidiano das relações sociais esperadas na média das situações concretas impõem, corriqueiramente, a sua celebração durante o período aquisitivo em curso. A razoabilidade e proporcionalidade devem prevalecer, inclusive por serem corolários lógicos do devido processo legal substantivo, sendo certo que as negociações, por vezes, são complexas e envoltas por vários atores sociais, verbi gratia, entes sindicais, empregados e empregadores, podendo, inclusive, resultar em impasse, hipótese em que a lei prevê os meios de solução (Lei 10.101, art. 4.º). Deste modo, à guisa de complementação, cabe anotar que, se a PLR acordada tem por base "lucros", como, por exemplo, a pessoa jurídica alcançar um determinado "índice de lucratividade", em verdade, como não é possível exigir condutas predefinidas que diretamente contribuam para alcançar o índice almejado, pois atingir o indicador de lucratividade nem sempre vai depender de um específico comportamento volitivo do trabalhador, considerando que inúmeros aspectos, fatores e situações concretas podem interferir na lucratividade, independentemente do agir humano e da própria vontade dos agentes econômicos, não se pode ser tão rigoroso em relação ao prazo da concretização final da negociação da PLR durante o exercício. Neste tipo de negociação prevalece, com mais ênfase, a integração do capital e do trabalho. Por sua vez, se a PLR acordada tem por base "resultados", podese esperar que o trabalhador atinja metas e marcas previamente ajustadas, alcançando resultados concretos, ainda que departamentalizados ou setorizados, precisando conhecer com antecipação sua metas, tarefas e encargos, devendo-se exigir que a negociação seja concretizada mais celeremente, especialmente frente ao período aquisitivo de referência, malgrado se reconheça que, muitas vezes, os planos se repetem no tempo, todavia a mera expectativa de renovação não pode sobrepujar a efetiva renovação em razoável periodicidade. Por isso, neste tipo de negociação, o destaque é o incentivo à produtividade, sempre importando, mesmo em renovações, o restabelecimento de metas, sendo secundária a integração capital e trabalho. (...) Em outras palavras, o verbete "pactuados previamente" está conectado unicamente com "programas de metas, resultados e prazos", ademais, penso que a expressão sequer esteja associada diretamente ao caput, quiçá, do ponto de vista hermenêutico, signifique que, para os fins da negociação do direito social à PLR, possa ser utilizado programas de metas, resultados e prazos já existentes, já pactuados, já em vigor, pois, não raro, as empresas possuem programas de metas em constante fluxo contínuo, tanto que é bem comum se observar a repetição dos planos de resultados firmados com supedâneo na Lei 10.101. De toda sorte, malgrado este raciocínio antecedente, a lei impõe instrumento negociado, pelo que penso, em ponderação e como minha posição efetiva, que é, ao menos, razoavelmente esperado que este instrumento negociado esteja formalizado previamente, podendo-se, repito, "ponderar" a data de sua concretização, avaliando-se integrativamente elementos, tais como, período de negociação, colaboração das partes, ou eventuais negativas sindicais, deliberações, publicação de convocação, existência de assembleia etc. Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 No caso concreto, às reuniões para constituição das comissões para estudos dos parâmetros referentes à participação nos resultados de 2006 e 2007 foram realizadas, respectivamente, em 27/10/06 e 22/10/07; e as reuniões para definição das regras e critérios a serem considerados na participação nos resultados de 2006 e 2007 foram realizadas, respectivamente, em 24/11/06 e 21/11/07. Como dito alhures, o entendimento deste Relator é de que os “acordos” firmados no ano de apuração, mesmo que no final do período, são válidos e obedecem os ditames legais, desde que seja com antecedência capaz de demonstrar que os trabalhadores tinham ciência dos resultados a serem alcançados e que permita que se infira que o ajuste entre as partes foi construído com a devida discussão e busca dos interesses comuns que culminaram no acordo coletivo firmado. O que, in casu, entendo restar preenchido. Portanto, nesse sentido, entendo cumpridos os ditames da Lei nº 10.101/00 quanto à existência de ajuste prévio. Da ausência de regras claras e objetivas Nos programas de participação nos resultados consta que após a aferição das metas e a definição do valor a ser distribuído, caberia à diretoria da empresa uma avaliação individual dos colaboradores, para atribuição de uma premiação adicional a título de “prêmio destaque”, que seria em quantidade de salários ou fração. Essa avaliação a ser efetuada pela diretoria da empresa seria unilateral e subjetiva, vez que não estabelecidas, por meio de negociação entre as partes, regras claras e objetivas para tanto. Ainda que a lei estabeleça que a participação nos resultados deva ser objeto de negociação entre as partes, dos instrumentos decorrentes dessa negociação devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferiçao das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Assim, não procede o argumento da contribuinte de que a definição dos direitos substantivos e regras adjetivas seria discricionária e que o Fisco careceria de legitimidade e interesse para a questionar. Nos programas de participação nos resultados de 2006 e 2007 não constou as metas ou resultados a serem obtidos pela empresa para fins de distribuição da participação nos resultados da contribuinte, conforme estabelece a Lei n° 10.101/00. Constou apenas critérios para a distribuição aos empregados, tais como o tempo efetivamente trabalhado, as faltas ou atrasos injustificados e as advertências ou suspensões aplicadas ao empregado pelo cometimento de faltas graves. Contudo, critérios de distribuição aos empregados não correspondem aos resultados da empresa. Nas regras de 2006 consta “que após a aferição das metas deste instrumento pela Comissão e Diretoria da empresa, o Conselho de Administração definirá o valor a ser distribuído” e “que caberá à Diretoria da empresa, uma avaliação individual dos colaboradores, sendo que desta avaliação competirá à diretoria a atribuição de uma premiação adicional a título de Prêmio Destaque que será em quantidades de salários ou fração de salários” e nas regras de 2007 consta “que após a aferição das metas deste instrumento pela Comissão e Representantes da Empresa a Diretoria da Centrovias Sistemas Rodoviários S/A Fl. 224DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 definirá o valor a ser distribuído. Pergunto, qual é a meta? Qual o resultado ou lucro esperado? – Não há qualquer menção. Tanto é verdade que, na resposta ao TIF-003, ficou claro que a contribuinte não tem programas de metas, conforme documento emitido em 10/06/2010, às e-fls. Portanto, in casu, não estamos falando sobre o aspecto subjetivo da valoração do quão inteligível ou cristalino seja a meta, mas sim da sua completa inexistência. Sendo assim, quanto a este aspecto, deve ser mantida a incidência de contribuições previdenciárias. Dos pagamentos a empregados não participantes do programa (demitidos) Apesar de constar do relatório fiscal a informação de que os trabalhadores demitidos receberam valores a título de PLR, s.m.j., esta razão não foi “motivadora” para desconsideração do Programa. Mesmo assim, por ter sido elencado pela auditoria fiscal, necessário tratarmos no voto. Em seu recurso, a autuada afirma que os pagamentos aos empregados desligados durante o ano de referência tratou-se de espontaneidade dela, guardando guarida no artigo 3°, § 3° da Lei n° 10.101/00. Pois bem! Apesar de constar expressamente no acordo que os trabalhadores demitidos estão excluídos do Programa, creio que tal assertiva vai contra o principio da isonomia, senão vejamos: Primeiramente, não existe previsão na lei de regência sobre a impossibilidade de pagamento a título de PLR aos empregados desligados da empresa antes do fim do período de apuração. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, a parcela Participação nos Lucros e Resultados é calculada sobre o lucro ou resultado da empresa, com base no tempo em que o trabalhador prestou serviços durante o período de apuração, que é, geralmente, anual. Se o ex-empregado contribuiu para a obtenção dos resultados positivos da empresa, terá direito a receber a parcela mesmo que não esteja mais trabalhando no local na data prevista para a distribuição dos lucros. Nesse sentido, as normas coletivas ou regulamentares não podem instituir vantagem que condicione o recebimento da PLR à vigência do contrato de trabalho na data prevista para a distribuição dos lucros, pois essa prática fere o princípio da isonomia. Neste diapasão, o trabalhador que deixa a empresa durante o período aquisitivo da Participação sobre Lucros e Resultados tem direito a receber parcela proporcional do adicional ao tempo em que atuou na companhia. O valor é devido pois o empregado contribuiu para o resultado positivo do empregador. Mais a mais, o Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula 451que versa exatamente sobre o tema, senão vejamos: Súmula 451 do TST PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. RESCISÃO CONTRATUAL ANTERIOR À DATA DA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS. PAGAMENTO Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-009.843 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.003559/2010-85 PROPORCIONAL AOS MESES TRABALHADOS. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Fere o princípio da isonomia instituir vantagem mediante acordo coletivo ou norma regulamentar que condiciona a percepção da parcela participação nos lucros e resultados ao fato de estar o contrato de trabalho em vigor na data prevista para a distribuição dos lucros. Assim, inclusive na rescisão contratual antecipada, é devido o pagamento da parcela de forma proporcional aos meses trabalhados, pois o ex-empregado concorreu para os resultados positivos da empresa. Observa-se da Súmula encimada que o empregado tem o DIREITO a receber o valor de PLR proporcional aos meses trabalhados no período aquisitivo, ou seja, entendimento contrário ao da acusação fiscal. Em outras palavras, caso o empregado demitido impetrasse com medida judicial cobrando tal “verba”, esta seria deferida. Mesmo para aqueles que não compartilhem deste entendimento, creio o Plano como um todo não possa ser desnaturado, devendo a contribuição incidir apenas em relação aos valores pagos aos empregados demitidos. Portanto, com razão a recorrente neste capitulo. Periocidade do pagamento (questão levantada pela DRJ) Por derradeiro, quanto a periodicidade dos pagamentos, em nenhum momento a autoridade lançadora questionou tal matéria, motivo pelo qual deixo de tecer maiores considerações, uma vez que não faz parte da acusação fiscal. Conclusão da PLR Deve ser mantido o lançamento apenas pelo motivo de ausência de metas e objetivos. Por todo o exposto, estando o lançamento sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.906398/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL.
O art. 11 da IN RFB nº 1.300, de 2012, e o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admitem a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, são preceitos de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.
DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSÁRIO COMPROVAR O ERRO EM QUE SE FUNDE.
Embora se admita a possibilidade de retificação da DCTF, mesmo após a emissão do Despacho Decisório da compensação, a retificação da declaração por iniciativa do próprio sujeito passivo, quando vise reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN.
ANÁLISE DE DOCUMENTOS JUNTADOS EXTEMPORANEAMENTE. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. PRECLUSÃO.
A verdade material é princípio que rege o processo administrativo tributário e enseja a valoração da prova com atenção ao formalismo moderado, devendo-se assegurar ao contribuinte a análise de documentos extemporaneamente juntados aos autos, mesmo em sede de recurso voluntário, a fim de permitir o exercício da ampla defesa e alcançar as finalidades de controle do lançamento tributário, além de atender aos princípios da instrumentalidade e economia processuais.
O formalismo moderado dá sentido finalístico à verdade material que subjaz à atividade de julgamento, devendo-se admitir a relativização da preclusão consumativa probatória e considerar as exceções do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, com aplicação conjunta do art. 38 da Lei nº 9.784/99, o que enseja a análise dos documentos juntados supervenientemente pela parte, desde que possuam vinculação com a matéria controvertida anteriormente ao julgamento colegiado.
A busca da verdade material, além de ser direito do contribuinte, representa uma exigência procedimental a ser observada pela autoridade lançadora e pelos julgadores no âmbito do processo administrativo tributário, a ela condicionada a regularidade da constituição do crédito tributário e os atributos de certeza, liquidez e exigibilidade que justificam os privilégios e garantias dela decorrentes.
Numero da decisão: 1201-005.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se devolva o feito à Unidade de Origem, a fim de que a autoridade administrativa reaprecie o pedido de compensação formulado pelo contribuinte, levando em consideração a DCTF retificadora e os demais elementos contábeis e fiscais colacionados aos autos, e, caso a autoridade de origem entender necessário, poderá intimar a parte a apresentar outros documentos que entender relevantes, para, ao final, prolatar novo despacho decisório sobre a matéria dos autos, abrindo nova oportunidade de manifestação ao contribuinte. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.085, de 17 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 16327.903740/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator
Participaram da sessão julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Wilson Kazumi Nakayama, Jeferson Teodorovicz, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (Suplente Convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (Suplente Convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Jeferson Teodorovicz
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. O art. 11 da IN RFB nº 1.300, de 2012, e o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admitem a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, são preceitos de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSÁRIO COMPROVAR O ERRO EM QUE SE FUNDE. Embora se admita a possibilidade de retificação da DCTF, mesmo após a emissão do Despacho Decisório da compensação, a retificação da declaração por iniciativa do próprio sujeito passivo, quando vise reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN. ANÁLISE DE DOCUMENTOS JUNTADOS EXTEMPORANEAMENTE. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. PRECLUSÃO. A verdade material é princípio que rege o processo administrativo tributário e enseja a valoração da prova com atenção ao formalismo moderado, devendo-se assegurar ao contribuinte a análise de documentos extemporaneamente juntados aos autos, mesmo em sede de recurso voluntário, a fim de permitir o exercício da ampla defesa e alcançar as finalidades de controle do lançamento tributário, além de atender aos princípios da instrumentalidade e economia processuais. O formalismo moderado dá sentido finalístico à verdade material que subjaz à atividade de julgamento, devendo-se admitir a relativização da preclusão consumativa probatória e considerar as exceções do art. 16, § AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 63 98 /2 00 8- 11 Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.090 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906398/2008-11 4º, do Decreto nº 70.235/72, com aplicação conjunta do art. 38 da Lei nº 9.784/99, o que enseja a análise dos documentos juntados supervenientemente pela parte, desde que possuam vinculação com a matéria controvertida anteriormente ao julgamento colegiado. A busca da verdade material, além de ser direito do contribuinte, representa uma exigência procedimental a ser observada pela autoridade lançadora e pelos julgadores no âmbito do processo administrativo tributário, a ela condicionada a regularidade da constituição do crédito tributário e os atributos de certeza, liquidez e exigibilidade que justificam os privilégios e garantias dela decorrentes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se devolva o feito à Unidade de Origem, a fim de que a autoridade administrativa reaprecie o pedido de compensação formulado pelo contribuinte, levando em consideração a DCTF retificadora e os demais elementos contábeis e fiscais colacionados aos autos, e, caso a autoridade de origem entender necessário, poderá intimar a parte a apresentar outros documentos que entender relevantes, para, ao final, prolatar novo despacho decisório sobre a matéria dos autos, abrindo nova oportunidade de manifestação ao contribuinte. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.085, de 17 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 16327.903740/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Wilson Kazumi Nakayama, Jeferson Teodorovicz, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (Suplente Convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (Suplente Convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra Acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, a respeito da Declaração de Compensação, a qual se baseou em direito creditório oriundo do pagamento a maior do DARF atinente à estimativa de CSLL, e que não foi homologada pela autoridade de origem, já que o DARF informado na DCOMP havia sido integralmente utilizado no pagamento de crédito tributário (débito) constituído. Ademais, o direito creditório tratado nos autos também embasou outras DCOMPS. Reconhece que o pagamento a maior não foi admitido pela Autoridade Tributária porque o crédito sustentado não teria sido demonstrado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Entendeu também pela necessidade de que o presente processo deva ser analisado conjuntamente aos demais, por se tratar de crédito da mesma origem. Ainda, o contribuinte apresentou tabela com o objetivo de ilustrar a origem do direito creditório em debate, decorrente do pagamento a maior da estimativa de CSLL apurada no período indicado. Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.090 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906398/2008-11 Segundo consta na DIPJ, a estimativa era devida em montante maior do que o efetivamente recolhido (DARF), resultando em CSLL indevidamente recolhido. Salienta também que o crédito em questão não compôs o saldo negativo de CSLL apurado ao final do ano calendário em comento. Ainda, o contribuinte prossegue alegando que a conduta da administração tributária deve ser pautada no princípio da legalidade, pugnando também pelo respeito ao princípio da tipicidade tributária (pois é necessário que tenha ocorrido o fato gerador e todos os seus elementos previstos em lei), além do princípio da verdade material. Logo, no entendimento do contribuinte, nenhuma das circunstâncias previstas em lei teria ocorrido, já que houve um equívoco no preenchimento da DCTF, a qual indicou o débito apurado superior ao efetivamente recolhido, equívoco que a requerente se prontificou a corrigir. Assim, acrescenta que o crédito apontado em DCOMP é existente e que um erro formal não pode obstar o reconhecimento desse direito. Requer a homologação da presente compensação, assim como a juntada ao presente processo de outros processos conectados ao mesmo crédito, requerendo também diligência para comprovação das alegações. O Acórdão recorrido, após reconhecer a tempestividade da manifestação de inconformidade, discorreu sobre a alegação e conexão entre o presente processo e os demais vinculados ao mesmo crédito. Reforça que os processos referidos não foram extintos em face da não homologação das compensações. Os aludidos processos encontram-se, presentemente, suspensos, aguardando o desfecho de outros processos. Considerando que o elemento de conexão entre os processos é o direito creditório, concluiu que a análise conjunta deve envolver os processos de crédito. Quanto ao mérito, examina o crédito alegado à luz do art. 170 do CTN. Após relatar a evolução histórica das instruções normativas referentes ao caso (IN SRF 460/2004; IN SRF 600/2005; IN RFB 900/2008), e verificando que, à época dos fatos, vigorava a IN SRF 460/2004, que determinava a inclusão das estimativas recolhidas a maior e/ou indevidamente na composição do saldo negativo, regra que não se manteve após a IN RFB 900/2008 e a IN RFB 1300/2012. O Acórdão, nesse aspecto, considerou que a regra em comento seria meramente interpretativa dos dispositivos legais vigentes, pois a nova determinação contida no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008 aplica-se imediatamente aos fatos pretéritos pendentes, a teor do art. 106, I, do CTN. Nesse sentido, a Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT nº 19, de 08/12/2011. A diferença recolhida indevidamente e/ou a maior, a título de estimativa, não necessita integrar o saldo negativo, porque corresponde a indébito que pode ser objeto de utilização mediante transmissão de declaração de compensação específica. Ainda, as informações prestadas espontaneamente pela contribuinte em DCTF sempre indicaram que o valor do CSLL a pagar informado na DIPJ estava incorreto. A inconsistência verificada nas declarações não se permite concluir pela liquidez e certeza do direito creditório. Enfim, na data do recebimento do despacho decisório, a DCTF ativa nos sistemas informatizados da RFB indicava que o DARF que teria sido pago a maior havia sido integralmente utilizado no pagamento do CSLL. Reforça que a DCTF é instrumento de confissão de dívida, hábil a constituir o crédito tributário independentemente de qualquer procedimento fiscal, por força do § 1º do artigo 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 1984. Observe-se também que apenas depois do recebimento do despacho decisório foi transmitida uma DCTF retificadora que alterou o valor a pagar de CSLL, para deixá-lo em conformidade com a DIPJ. Assim, acrescentou que a entrega da DCTF retificadora que supostamente acertaria a situação da empresa perante o Fisco foi, portanto, providenciada dentro de um Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.090 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906398/2008-11 contexto em que o direito creditório pleiteado não havia sido reconhecido e os débitos não compensados eram exigidos. Assim, uma vez que os débitos não compensados já estavam sendo cobrados, a DCTF retificadora deve ser apreciada, ponderando-se o disposto no artigo 147 do CTN. Isso posto, entendeu que o contribuinte tem a obrigação de comprovar que a declaração extemporânea, mediante a apresentação da escrituração contábil e dos documentos que lhe dão suporte, corresponde à realidade. Ainda, a verdade material não pode afastar o dever do contribuinte de comprovar, mediante documentos hábeis, a alegação apresentada, afastando o pedido de diligência formulado. O Acórdão concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, mas determinou a reunião dos processos ligados ao mesmo direito creditório para julgamento conjunto, nos termos do art. 1º, inciso IV da Portaria nº 666 de 24 de abril de 2008: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. O art. 11 da IN RFB nº 1.300, de 2012, e o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admitem a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, são preceitos de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. DCTF RETIFICADORA. O contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de não reconhecimento pelo órgão julgador. A transmissão de DCTF retificadora que liberaria o DARF indicado na Dcomp como origem do pagamento indevido não comprova o direito creditório alegado, sendo necessária a apresentação da escrituração contábil e de documentos idôneos que corroborem as alegações expedidas pela contribuinte. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material não pode ser invocado com o objetivo de impor ao Fisco o dever de suprir a má instrução comprobatória realizada pela contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, repisando e reforçando os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, centrando suas alegações na necessidade do reconhecimento do direito creditório alegado (e comprovado) pelo contribuinte; na ocorrência do erro de fato e na necessidade de respeito ao princípio da verdade material; pede nova diligência para comprovação do alegado e; a juntada do presente processo aos demais processos ligados ao mesmo crédito. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.090 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906398/2008-11 Segundo a r. decisão recorrida, a Recorrente não teria se desincumbindo do ônus que lhe recaía de comprovar o crédito pleiteado: A entrega da DCTF retificadora que supostamente acertaria a situação da empresa perante o Fisco foi, portanto, providenciada dentro de um contexto em que o direito creditório pleiteado não havia sido reconhecido e os débitos não compensados eram exigidos. (...) Percebe-se que o ordenamento jurídico impede que exigências fiscais sejam desconstituídas mediante meras retificações de declarações. Se o Fisco já havia iniciado o procedimento de cobrança do débito, a contribuinte tem a incumbência de demonstrar que as novas informações prestadas estão em conformidade com os fatos ocorridos no plano fenomênico. Isso vale dizer que, sobre a contribuinte, recai o ônus de comprovar, mediante a apresentação da escrituração contábil e dos documentos que lhe dão suporte, que a informação prestada ao Fisco extemporaneamente corresponde à realidade. (...) Logo, a comprovação da veracidade de suas argumentações deve oferecida ao órgão julgador, não sendo possível se aceitar que meras alegações e retificações de declarações afastem a decisão proferida pelo Fisco. Trata-se, portanto, de retificação de DCTF após a publicação despacho decisório. A questão foi objeto de proposta de súmula recentemente aprovada pelo pleno deste Conselho, no último dia 06/08/2021: Súmula CARF nº 164: A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. O entendimento não destoa do adotado por esta corte em casos semelhantes, a exemplo do processo n. 16327.910549/2011-22, acórdão n. 1201-005.018, de relatoria do i. conselheiro Wilson Kazumi Nakayama: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2003 DIPJ RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA INDEFERIDA. NULIDADE DO ACÓRDÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O interessado não justificou o motivo da diligência, fê-lo de forma genérica, não formulou os quesitos e além disso, entendeu perfeitamente que deveria apresentar os documentos contábeis e fiscais para a demonstração do direito creditório pleiteado. Não cabe ao julgador determinar diligência e/ou perícia para a juntada de provas que deveriam ter sido apresentadas pelo Recorrente; e que ademais, são de sua própria lavra. A busca pela verdade material não autoriza o julgador substituir os interessados na produção de provas. DIPJ. DOCUMENTO DE CARÁTER MERAMENTE INFORMATIVO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. COMPROVAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. SUMULA CARF N° 92. IMPOSSIBILIDADE. A DIPJ, desde o ano-calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida. Embora a DIPJ seja um documento importante, trata-se de mera declaração sem Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.090 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906398/2008-11 efeitos de confissão de dívidas, não serve para garantir a “homologação tácita” das informações nela inserida e dessa forma não se presta para garantir o direito de crédito pleiteado pelo interessado. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSÁRIO COMPROVAR O ERRO EM QUE SE FUNDE. Embora se admita a possibilidade de retificação da DCTF, mesmo após a emissão do Despacho Decisório da compensação, a retificação da declaração por iniciativa do próprio sujeito passivo, quando vise reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PLEITEADO. ÔNUS DA PROVA DO INTERESSADO. O interessado não juntou aos autos elementos mínimos para possibilitar aos julgadores a análise da certeza e liquidez do crédito pleiteado, como os documentos contábeis e fiscais para comprovação do alegado erro de preenchimento da DCTF. No caso concreto, a Recorrente junta documentos com seu Recurso Voluntário que seriam úteis e suficientes para a comprovação de seu direito creditório pleiteado, a saber, documentos contábeis (balancete — Doc. 5; demonstração do resultado — Doc. 4) e fiscais (lalur: Doc. 6; DIPJ: doc. 5 da MI; DARFs: Doc. 6 e 7 da MI; cálculo da estimativa de IRPJ de dezembro de 2002: Doc. 3). A análise de documentos juntados extemporaneamente, em atendimento ao princípio da verdade material, é matéria já pacificada no âmbito desta e. Turma, conforme demonstra o acórdão n. 1201-004.911, de relatoria do i. Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque, julgado em 16/06/2021: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2014 ANÁLISE DE DOCUMENTOS JUNTADOS EXTEMPORANEAMENTE. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. PRECLUSÃO. A verdade material é princípio que rege o processo administrativo tributário e enseja a valoração da prova com atenção ao formalismo moderado, devendo-se assegurar ao contribuinte a análise de documentos extemporaneamente juntados aos autos, mesmo em sede de recurso voluntário, a fim de permitir o exercício da ampla defesa e alcançar as finalidades de controle do lançamento tributário, além de atender aos princípios da instrumentalidade e economia processuais. O formalismo moderado dá sentido finalístico à verdade material que subjaz à atividade de julgamento, devendo-se admitir a relativização da preclusão consumativa probatória e considerar as exceções do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, com aplicação conjunta do art. 38 da Lei nº 9.784/99, o que enseja a análise dos documentos juntados supervenientemente pela parte, desde que possuam vinculação com a matéria controvertida anteriormente ao julgamento colegiado. A busca da verdade material, além de ser direito do contribuinte, representa uma exigência procedimental a ser observada pela autoridade lançadora e pelos julgadores no âmbito do processo administrativo tributário, a ela condicionada a regularidade da constituição do crédito tributário e os atributos de certeza, liquidez e exigibilidade que justificam os privilégios e garantias dela decorrentes. Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.090 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906398/2008-11 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. A retificação de DCTF que controverta equívoco de preenchimento, ainda que posterior ao Despacho Decisório, é útil à comprovação do crédito reclamado pelo contribuinte, mercê de expressa recomendação do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015. É possível analisar o direito creditório mediante reconhecimento de retificação tardia de DCTF do contribuinte, com fundamento na busca da verdade material. Ante ao exposto, conheço o Recurso Voluntário e voto para lhe dar parcial provimento, para que se devolva o feito à Unidade de Origem, a fim de que a autoridade administrativa reaprecie o pedido de compensação formulado pelo contribuinte, levando em consideração a DCTF retificadora e os demais elementos contábeis e fiscais colacionados aos autos, e, caso a autoridade de origem entender necessário, poderá intimar a parte a apresentar outros documentos que entender relevantes, para, ao final, prolatar novo despacho decisório sobre a matéria dos autos, abrindo nova oportunidade de manifestação ao contribuinte. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se devolva o feito à Unidade de Origem, a fim de que a autoridade administrativa reaprecie o pedido de compensação formulado pelo contribuinte, levando em consideração a DCTF retificadora e os demais elementos contábeis e fiscais colacionados aos autos, e, caso a autoridade de origem entender necessário, poderá intimar a parte a apresentar outros documentos que entender relevantes, para, ao final, prolatar novo despacho decisório sobre a matéria dos autos, abrindo nova oportunidade de manifestação ao contribuinte. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10983.905046/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.436
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cuja crédito é referente ao PIS Faturamento e tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após a Resolução que determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora, informando, de modo conclusivo, sobre o seu acatamento e substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a maior ou não. O pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC foi no no sentido de que não cabe qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação. Além disso, afirmou que o Recurso Voluntário sequer poderia ter sido conhecido, porquanto firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905046/200810 Resolução n.º 3401000.436 S3C4T1 Fl. 93 2 É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante do resultado da primeira diligência há necessidade de uma nova, desta feita para conceder à Recorrente o prazo de trinta dias para sanar a irregularidade na representação processual e, segundo, no mesmo prazo manifestarse, se quiser, sobre o pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC, por ocasião dessa primeira diligência realizada. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, alguns já reanalisados por este Colegiado. Refirome, dentre outros, ao de nº 10983901622/200850, no qual já foi determinada uma segunda diligência, nos termos da Resolução nº 3401000.342, de 10/11/2011, da relatoria da Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, cujos fundamentos, transcritos abaixo, cabe adotar também aqui. Observese: Prejudicial de conhecimento do Recurso Voluntário A Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC tem razão ao apontar, ainda que a destempo, falha na representação processual relacionada ao encaminhamento do Recurso Voluntário ao Carf, o que, em princípio, daria azo ao não conhecimento do mesmo, na linha, inclusive, acrescento eu, de decisões do então denominado Conselho de Contribuintes1. Ocorreu que, de fato, não obstante na procuração outorgada pela empresa aos advogados Vicente Greco Filho e Fabrício Fávero, estivesse expressamente vedado o substabelecimento total ou parcial a qualquer outro advogado/procurador, a pessoa que assinou o Recurso Voluntário foi o advogado Maurício Alvarez Mateos, fato este que passou despercebido, tanto pela Autoridade preparadora que remeteu pela primeira vez o presente processo ao Carf para julgamento, quanto por este relator, que, equivocadamente, atestou o cumprimento de todos os seus requisitos de admissibilidade. Todavia, na Sessão de 31/08/2011, quando da apreciação de idêntica argumentação posta pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis relacionada ao processo nº 10983.901454/200631, em nome da ora interessada Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, deliberáramos, à unanimidade, por meio da Resolução nº 340100.303, que seria dada oportunidade à empresa para que a representação processual fosse regularizada. Não obstante naquela ocasião não o tivesse feito, invoco agora, para o presente caso, a regra constante do Código de Processo Civil, artigo 13, inciso II, segundo a qual “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará 1 Acórdão nº 10194.528, de 18/03/2004 e Acórdão nº 20215.779, de 18/12/2004, por exemplo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905046/200810 Resolução n.º 3401000.436 S3C4T1 Fl. 94 3 prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.” Ora, em nenhum momento deste processo cuidou a Autoridade preparadora de cobrar da interessada regularização da representação processual relacionada ao Recurso Voluntário, de sorte que não me parece razoável a caracterização da revelia, pura e simplesmente. Em face do exposto, deverá a interessada ser cientificada da falha, para que, no prazo de trinta dias, sane o defeito. Contribuição retida na fonte – não aproveitamento – direito a crédito Numa apertadíssima síntese da matéria de mérito que versa o presente processo, esclareço aos meus pares que a interessada, uma concessionária de serviço público de energia elétrica, verificou, em maio de 2004, que no ano de 2002, não obstante tivesse sofrido a retenção na fonte do PIS/Pasep e da Cofins, em face do recebimento pela venda de energia elétrica à Universidade Federal de Santa Catarina [art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19962] deixara de se valer da regra que autorizava a utilização do valor retido como “compensação com a contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 5º da IN 306, de 12/03/2003], ou a utilização do valor retido como “dedução do valor da contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 7º da IN 480, de 15/12/2004, que revogou a referida IN 306/2003], em ambos os casos, compensação/dedução essas relacionadas a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção. E, em não tendo se valido de tal permissão legal, nem à época própria, nem posteriormente, ao menos até a data da entrega da Dcomp, concluiu que o valor então retido configuraria, na verdade, um “pagamento a maior” da contribuição, o que, por sua vez, ensejaria o direito ao reconhecimento de um crédito junto à Fazenda Nacional, passível de ser utilizado em procedimento de compensação, tal qual estabelece o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não teve, porém, reconhecido o alegado crédito, primeiro, pela DRF, que, por meio de despacho eletrônico, apontou como causa para tanto a não localização junto aos sistemas da Receita Federal do Darf indicado na Dcomp como originário de qualquer pagamento indevido ou a maior, e, segundo, pela DRJ, que alegou a inobservância de forma para tanto, visto que, a seu ver, a Dcomp deveria ter sido precedida de uma recomposição formal nos registros e declarações do período de apuração. Na formulação dos termos da Resolução acima mencionada que aprováramos quando tivemos contato com a matéria, eu já admitira,de um lado, a tal inobservância da forma propalada pela instância de julgamento, e, de outro, a invasão de competência perpetrada pela DRJ 2 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoa jurídica, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição para a seguridade social Cofins e da contribuição para o Pis/Pasep. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905046/200810 Resolução n.º 3401000.436 S3C4T1 Fl. 95 4 ao ir além de sua competência para negar o direito da interessada. Além disso, eu já ressalvara as limitações impostas aos contribuintes para esmiuçar as razões de suas postulações nas Dcomp, mormente em casos especialíssimos como o do presente processo. Assim, forma por forma, ambas as partes – contribuinte e Fisco não as teriam obedecido completamente. Pois bem. Este Colegiado, com outra composição, entendeu que “em princípio”, incorrera mesmo a interessada num pagamento indevido ou a maior, o qual, contudo, por não haver sido corretamente demonstrado na Dcomp e nem nas demais manifestações que se seguiram – Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário , mereceria uma nova análise por parte da DRF, desta feita, levando em conta as nossas observações. Daí os termos em que elaborada a Resolução acima referida. Todavia, a DRF, diante dos termos da Resolução, entendeu que, da forma com que estão postas as informações prestadas pela interessada, quer na Dcomp, quer na sua DIPJ e DCTF, os sistemas da Receita Federal do Brasil não são capazes de identificar a existência de qualquer pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Ressalta que o Darf de retenção sob o código “6147”, na verdade, não existe, sendo que o documento juntado aos autos a esse título reporta apenas uma tela do sistema, de modo que o recolhimento efetuado pela fonte retentora da contribuição se deu juntamente com prováveis tantos outros valores retidos de outrem, o que impossibilita a checagem por parte da Receita Federal da existência ou não de determinado valor específico. (...) Não obstante estejam claramente apontadas as razões pelas quais a DRF ou os sistemas da Receita Federal do Brasil não conseguem identificar a existência de pagamento a maior ou indevido na situação especialíssima com a qual nos deparamos, data máxima venia, divirjo da parte da argumentação da DRF quando afirma que, verbis, “Se não há na Dcomp campo para informação desse tipo de crédito é justamente porque não é possível realizar compensação com esse tipo de crédito.” Ora, o fato do Sistema de Compensação de Créditos elaborado pela Receita Federal do Brasil não prever tratamento para tal situação, não significa que há vedação expressa nas normas que regulam os procedimentos de reconhecimento de crédito e homologação de compensações de débitos; ao contrário. Estamos, sim, diante de uma situação especialíssima, para a qual, aparentemente, não foi criada uma solução pelos sistemas de controle engendrados pela Administração Tributária. Não consigo deixar de vislumbrar no presente caso a existência do direito reclamado pela interessada; ressalvando, é claro, as premissas de que tenha havido mesmo a alegada retenção na fonte e que a base Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905046/200810 Resolução n.º 3401000.436 S3C4T1 Fl. 96 5 de cálculo da contribuição e o respectivo recolhimento tenham sido corretamente apurados e efetuados. Suponhamos, então, que no período de apuração de fevereiro de 2002 a interessada tenha sofrido a retenção na fonte da contribuição, digamos, de R$ 100; que a contribuição devida, antes de se considerar essa retenção, fosse de R$ 1.000; e que tivesse efetuado o recolhimento a título dessa contribuição desses R$ 1.000. Ora, por óbvio que, não usufruindo a faculdade prevista na legislação de deduzir, do valor a pagar, o valor que lhe fora retido na forma de antecipação, terá efetuado um pagamento a maior ou indevido de R$ 100, correspondente, justamente, ao valor da retenção [antecipação] não aproveitada. Então, se a DRF afirma que o Sistema de Compensação de Créditos não consegue visualizar isso eletronicamente, é o caso de que tal situação seja visualizada por meio de análise criteriosa de servidor [pessoa humana, e não a máquina] de todos os elementos necessários para tal, ainda que, para isso, seja necessário o envolvimento indispensável da interessada, voltado para a recomposição das bases de cálculos já se considerando as retenções na fonte, seguidas de retificações nas declarações correspondentes [DCTF, DIPJ etc], seguida de disponibilização da documentação fiscal e contábil. O Fisco, por sua vez, de posse dessas informações [e de outras que julgar necessárias] fornecidas pela interessada, já terá elementos para efetuar a confrontação com a DIRF entregue pelo responsável pela retenção e identificar, ou não, a existência do alegado pagamento a maior. A constatação, feita pela Autoridade fiscal, inclusive, de que o sistema PER/Dcomp não permite o reconhecimento de crédito “dessa natureza”, implica em dizer que referido sistema não consegue desincumbirse da tarefa que lhe é posta e que não está vedada pelas normas legais que regulam os procedimentos de compensação, situação essa, contudo, que não pode infligir prejuízos financeiros aos contribuintes em detrimento de um aparente enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Não se nega que a forma com que o contribuinte postulou seu crédito está errada, mas, será que esse erro não comporta retificação? Estaria, então, o contribuinte fadado a se conformar com o seu erro e irremediavelmente arcar com tal prejuízo? Ou, dito de outra forma, será que se o contribuinte demonstrar que fez a antecipação do pagamento da contribuição [retenção na fonte] e que não a deduziu do valor a pagar, não exsurgirá um pagamento a maior? Não se trata aqui de adoção da solução “mais fácil” em detrimento da “mais correta”, mas, sim, de, diante de uma situação especialíssima, buscar a observância aos princípios da eficiência administrativa e o da economia processual, o que pode ser conseguido, não se referendando o voto da DRJ [que implicará na exigência dos débitos cuja compensação não foi homologada] e exigindo do contribuinte uma nova formulação de seu pedido; mas, sim, aproveitando a fase em que Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905046/200810 Resolução n.º 3401000.436 S3C4T1 Fl. 97 6 se encontra o presente processo e a partir de todas as informações nele contidas e de outras a serem obtidas do contribuinte, fazerse uma análise sobre a existência ou não do alegado “pagamento a maior ou indevido”. Em face de todo o exposto, voto pela conversão do presente julgamento em nova diligência, desta vez, determinando à Unidade de origem que, mediante intimação à interessada e consulta aos sistemas de informação da Receita Federal do Brasil, reúna todos os elementos necessários para a elaboração de nova manifestação dando conta a este Colegiado acerca das pretensões formuladas pela interessada no PER/Dcomp objeto deste processo, ou seja, se, primeiro, existe o crédito indicado, e, segundo, se o mesmo é capaz de suportar a compensação a ele atrelada. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a Unidade de origem intime o contribuinte a, no prazo de trinta dias, sanar a falha na representação de seu Recurso Voluntário e, no mesmo prazo, se quiser, manifestarse sobre o pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC, por ocasião da diligência já realizada. Efetuada a intimação e transcorrido o prazo de trinta dias a ser nela estipulado a unidade de origem deve devolver os autos a este Colegiado para julgamento, juntando, se houver, o pronunciamento da Recorrente. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10909.720358/2019-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2019
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PENDÊNCIAS NÃO SANADAS NO PRAZO LEGAL.
A contribuinte não logrou êxito em demonstrar ter regularizado os seus débitos junto à Fazenda Pública Federal no prazo regulamentar, estando, por conseguinte, impedida de ter seu pedido de inclusão para Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Carlos Alberto Benatti Marcon, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Bárbara Santos Guedes
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2019 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PENDÊNCIAS NÃO SANADAS NO PRAZO LEGAL. A contribuinte não logrou êxito em demonstrar ter regularizado os seus débitos junto à Fazenda Pública Federal no prazo regulamentar, estando, por conseguinte, impedida de ter seu pedido de inclusão para Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Carlos Alberto Benatti Marcon, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PENDÊNCIAS NÃO SANADAS NO PRAZO LEGAL. A contribuinte não logrou êxito em demonstrar ter regularizado os seus débitos junto à Fazenda Pública Federal no prazo regulamentar, estando, por conseguinte, impedida de ter seu pedido de inclusão para Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Carlos Alberto Benatti Marcon, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 06-69.911, de 26 de maio de 2020, da 7ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 03 58 /2 01 9- 09 Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.600 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720358/2019-09 Em breve resumo, a Recorrente apresentou, em 08/01/2019, opção para o Simples Nacional para o ano calendário de 2019. Contudo, em 18/02/2019, foi cientificada do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional em razão da seguinte pendência (e-fls. 19): Estabelecimento CNPJ: 23.990.306/0002-19 - Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Débitos Previdenciários Lista de Débitos (saldo devedor em valor original sujeito a acréscimos): 1) Divergências entre GFIP e GPS Período de Apuração: 05/2018 Valor INSS : R$ 288,81 No mesmo dia da ciência do Termo de Indeferimento, a Recorrente apresentou requerimento explicando ter efetuado parcelamento das pendências previdenciárias da matriz em 10/01/2019, incluindo o débito apontado no citado Termo. Aos 07/08/2019, foi proferido Despacho Decisório SIMPLES/BENFIS/SRRF9ªRF nº 585/2019 (e-fls. 42 a 46) mantendo o indeferimento, contudo esclareceu que o Termo de Indeferimento apresentou lista incompleta dos débitos, causando uma inconsistência entre a realidade e o que foi apresentado como resultado final, contudo tanto no momento da solicitação de opção, como no relatório de pendências após o processamento final, foram demonstradas ao contribuinte, corretamente, todas as pendências existentes. Em razão do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade nos seguintes termos: A empresa vem através deste apresentar manifestação em inconformidade do Despacho Decisório do Simples /BENFIS/SRRF9°RF n° 585/2019 de 07 de agosto de 2019 que manteve o Indeferimento pelos fatos que em 2018 a empresa perdeu o Simples Nacional apresentava débitos conforme o documento anexo, regularizou todos dentro do prazo legal o que causa inconformidade no Despacho folha 44 onde estava todos regularizado em 08/012019 conforme documento anexo. Em 15/02/2019 foi consumado a opção feita em 08/01/2019 e nos causou estranheza que estava indeferido pelo débito de 05/2018 de GPS da filial 0002 debito este que não constava na relação de pendencias da exclusão de 2018, débito este que não era devido em GF1P. Deste modo protocolamos a opção via oficio dentro do prazo legal processo n° 10 909 358 2019-09. Aguardando o processo ser analisado e deferido fomos surpreendidos com a 585/2019 que no item 05 informa que no detalhamento da opção realizado em 08/012019 que o termo exibia lista débitos, lista está não exibida dentro do prazo legal ao contribuinte 31/01/2019 no item 06 informa que o contribuinte apresentava pendencias fiscais em suas filiais pendências estas que não foram apresentadas da 31/01/2019 prazo final de regularização, sendo que o resultado da análise só saiu em 15/02/2019 e só após este prazo o sistema da receita exibiu estas pendências_ A empresa parcelou os débitos exigidos na exclusão de 2018 dentro do prazo legal e efetuou o pagamento. Porém o pedido de opção feito em 08/01/2019 estava em analise e só foi julgado em 15/02/2019. No item 11 avisa que o contribuinte foi informado dos seus débitos fato este que não ocorreu 01/01/2019 a 31/01/2019 este é o motivo de contestar o despacho. O contribuinte não pode sofrer penalidade pelo erro do órgão em falta de comunicação. Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.600 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720358/2019-09 No item 10 informa que o contribuinte pagou em 29/04/2019 os débitos das filiais pagou porque em 15/02/2019 tomou ciência do debito e o mesmo precisava de uma CND para outros fins legais da empresa e estava impedido por erro do sistema, e como já havia protocolado dentro do prazo o oficio para solicitar a correção do erro da Receita e não havia sido analisado o mesmo pagou para emitir a CND pois estava aguardando a análise do processo 10 909 720 358 2019-09 para assim aguardar o deferimento da opção em 2019. Diante do exposto contesto a decisão do Órgão e peço deferimento do pedido de opção com efeito 01/01/2019. Atenciosamente. A 7ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, com os fundamentos abaixo: (...) Assim, para os débitos previdenciários, em 2019, a contribuinte tinha até 08/02/2019 para a completa regularização. No caso, de acordo com o Despacho de fls. 42 a 47 e telas de consultas de fls.27 a 32, a regularização dos débitos se deu intempestivamente, cito: “10. Todavia, as divergências entre GFIP e GPS, das filiais, apontadas acima, apenas foram recolhidas em 29/04/2019, conforme telas extraídas do Sistema CCORGFIP , vale dizer, após o prazo final para regularização de pendências, que era o último dia útil do mês de janeiro, conforme legislação transcrita acima (fls. 27/32).” Ou seja, parte dos débitos foi regularizada apenas em 29/04/2019, após o prazo que, como citado, encerrou em 08/02/2019. Assim, resta certo que não houve no caso a regularização tempestiva da totalidade dos débitos impeditivos ao ingresso no SN. Com relação à irregularidade observada na lista de débitos do TI emitido, entendo que esta situação não gerou nenhum prejuízo a defendente e foi devidamente esclarecida à empresa no Despacho de fls.42 a 47. Ocorre no caso que a manifestante foi devidamente cientificada da totalidade de seus débitos, tanto no momento da solicitação da opção (em 08/01/2019), como também no relatório de pendências (fls. 24 a 40), ambos devidamente visualizados pela empresa no Portal do SN, (...) A Recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ no dia 03/09/2020 (e-fls. 76) e apresentou recurso voluntário no dia 24/09/2020 (e-fls. 72 a 74), com os fatos e fundamentos abaixo: I – Os Fatos A empresa vem através deste apresentar manifestação em inconformidade a Intimação Simples/BENFIS/SRRF9ªRF nº 1538/2020 de 29 de maio de 2020 que manteve o Indeferimento pelos fatos que em 2018 a empresa perdeu o Simples Nacional apresentava débitos conforme os documentos anexos na petição inicial, regularizou todos dentro do prazo legal o que causa inconformidade do Despacho onde estava todos regularizados em 08/01/2019 conforme documentos anexos no Despacho Decisório do Simples/BENFIS/SRRF9ªRF nº 585/2019 que indeferiu sua opção pelo Regime Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.600 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720358/2019-09 Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Em 15/02/2019 foi consultada a opção feita em 08/01/2019 e nos causou estranheza que estava indeferida pelo débito de 05/2018 de GPS da filial 0002 débito este que não constava na relação de pendências da exclusão de 2018, débito também este que não era devido em GFIP. Deste modo protocolamos a opção via ofício dentro do prazo legal através do processo acima citado. Aguardando o processo ser analisado e deferido fomos surpreendidos com o Despacho Decisório nº 585/2019 que no item 05 informa que no detalhamento da opção realizado em 08/01/2019 o termo exibia lista de débitos, lista esta não exibida ao contribuinte dentro do prazo legal de 31/01/2019, no item 06 informa ainda que o contribuinte apresentava pendências fiscais em suas filiais pendências estas que não foram apresentadas dia 31/01/2019 prazo final de regularização, sendo que o resultado da análise só saiu em 15/02/2019 e só após esta data o sistema da receita exibiu estas pendências. A empresa parcelou os débitos exigidos na exclusão de 2018 dentro do prazo legal e efetuou o devido pagamento. Porém o pedido de opção feito em 08/01/2019 estava em análise e só foi julgado em 15/02/2019. No item 11 avisa que o contribuinte foi informado dos seus débitos fato este que não ocorreu entre 01/01/2019 e 31/01/2019, sendo este o motivo da contestação do Despacho. O contribuinte não pode sofrer penalidade pelo erro do órgão em falta de comunicação. Ainda no item 10 informa que o contribuinte pagou em 29/04/2019 os débitos das filiais, pagamento este que ocorreu nesta data porque somente em 15/02/2019 tomou ciência do débito porque a empresa precisava de uma CND para outros fins e constatou que estava impedida da emissão de tal documento por erro do sistema, como já havia protocolado dentro do prazo legal o ofício de solicitação de correção do erro da Receita e até a presente não havia sido analisado efetuou o pagamento dos débitos para a obtenção da CND, documento este que estava precisando para apresentação a outros fins, e continuou aguardando a análise do processo n° 10909.720358/2019-09 no intuito de deferimento da opção em 2019. (...) III – A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do termo de indeferimento, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, incluindo-a no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional. Não juntou documentos ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.600 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720358/2019-09 O objeto do presente processo trata do indeferimento da Opção pelo Simples Nacional ocorrida para o ano-calendário de 2019. No Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional – e-fl. 19 – foi descrito como débito motivador do indeferimento o seguinte: Débitos Previdenciários Lista de Débitos (saldo devedor em valor original sujeito a acréscimos): 1) Divergências entre GFIP e GPS Período de Apuração: 05/2018 Valor INSS : R$ 288,81 Segundo informações da Recorrente, a mesma teria efetuado o parcelamento dos débitos previdenciários da matriz em 10/01/2019 e não havia impedimento para a sua inclusão no sistema simplificado. No Despacho Decisório, restou demonstrado ter ocorrido erro no processamento do Termo de Indeferimento, visto que a Recorrente possuía débitos previdenciários na matriz e na filial e apenas os débitos da matriz foram regularizados. Atesta que, independente do erro do Termo de Indeferimento, a Recorrente havia sido cientificada de todos débitos através do sistema na data da opção pelo Simples Nacional. A DRJ, no julgamento da manifestação de inconformidade, manteve o indeferimento, visto que a regularização dos demais débitos ocorreu apenas em 29/04/2019 e, assim como a DRF, entendeu que o Termo de Indeferimento não trouxe prejuízo à Recorrente, pois a mesma teve ciência de todos os débitos no momento da opção e através do despacho decisório. No recurso voluntário, a Recorrente defende que não lhe foi apresentado a lista correta dos débitos. Afirma que, até 31/01/2019, a lista de débitos não estava disponível e só tomou ciência dos mesmos em 15/02/2019, em razão de um pedido de emissão de CND. A existência de débitos é situação impeditiva ao ingresso ao Simples Nacional, conforme disposto no art. 17, inciso V da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, vide abaixo: Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; O art. 6º, § 1º, inciso I, da Resolução CGSN nº 140/2018, determina: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional dar-se-á por meio do Portal do Simples Nacional na internet, e será irretratável para todo o ano-calendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.600 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10909.720358/2019-09 § 1º A opção de que trata o caput será formalizada até o último dia útil do mês de janeiro e produzirá efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para formalização da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I - regularizar eventuais pendências impeditivas do ingresso no Simples Nacional, e, caso não o faça até o término do prazo a que se refere o § 1º, o ingresso no Regime será indeferido; Em que pese a informação da Recorrente de que não teve ciência dos débitos das filiais antes de 15/02/2019, essa não trouxe aos autos nenhum comprovante do alegado. Poderia a mesma ter anexado a lista de pendências apresentada pelo sistema quando da realização da opção pelo Simples Nacional. Conforme asseverado tanto pela DRF como pela DRJ, a Recorrente teve acesso através dos sistemas internos a todos as pendências impeditivas tanto da matriz quanto das filiais. Considerando que a legislação não abre exceções, havendo débito não quitado/ parcelado ou suspenso no prazo estabelecido na Lei Complementar, deve a opção ser indeferida. Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000239/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2008, 2009
INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. CORREÇÃO DE DE DADO INFORMADO ANTERIORMENTE NÃO CONFIGURA A CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa prevista no art. 107, Inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 (SCI Cosit nº 2, de 04/02/2016).
Numero da decisão: 3301-010.683
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário..
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008, 2009 INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. CORREÇÃO DE DE DADO INFORMADO ANTERIORMENTE NÃO CONFIGURA A CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa prevista no art. 107, Inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 (SCI Cosit nº 2, de 04/02/2016).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
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CORREÇÃO DE DE DADO INFORMADO ANTERIORMENTE NÃO CONFIGURA A CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa prevista no art. 107, Inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-Lei nº 37/66 (SCI Cosit nº 2, de 04/02/2016). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 12-086.563 - 4ª Turma da DRJ/RJO: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto- AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 02 39 /2 01 0- 58 Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11968.000239/2010-58 lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 105.000,00. Os fundamentos encontram-se no bojo do auto de infração conforme abaixo se segue: O transportador (interessado) através de seu representante, a agência marítima Aliança Navegação e Logística Ltda., prestou informações sobre conhecimentos eletrônicos depois de vencido o prazo legal para tanto. O transportador prestou as informações dos dados de embarque de exportação no SISCOMEX fora do prazo legal de 7 dias. A obrigação do transportador encontra-se estabelecida no artigo 37 do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. O prazo de prestação de informações deve ser observado pelo transportador para cada navio e viagem realizada, apurando-se a infração a cada operação de embarque, vinculando-se à data do mesmo. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada para cada CE em que considerou ter havido atraso na prestação de informações, baseando-se, também, no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. Devidamente cientificada a interessada ingressou com a impugnação em nome da interessada, alegando em síntese que: a) Existência de duas penalidades para o mesmo navio/viagem Existem mais infrações correspondentes a embarques realizados em apenas e tão somente menos navios/viagem. Ou seja, se infração houve, estas só poderiam ser aplicadas 1 vez por navio/viagem e não a quantidades de embarques realizados; Afirma constar da SCI nº 08/2008 este entendimento: “o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumprir a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez, por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados.” Afirma ainda que não há cumulatividade de multas conforme o disposto do próprio Decreto-Lei nº 37/1966, artigo 99; Verifica ainda que dos navios autuados, entre eles estão também alguns que já foram objeto de auto de infração em outros processos administrativos, devendo, portanto, ser abatida a penalidade; b) Ausência de Tipicidade Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11968.000239/2010-58 O dispositivo legal lançado é taxativo quando dispõe que a multa é aplicável àquele que deixar de prestar informação sob as operações que execute na forma estabelecida pela RFB; Ela prestou as informações, apenas corrigindo-as posteriormente; c) Princípio da Reserva Legal A infração tributária e sua penalidade, segundo o artigo 97, V do CTN deve ser definida em lei (lei ordinária) e não por instrução normativa. d) Falta de elemento essencial Obrigações acessórias. Foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória de prestar informações dos dados de embarque no SISCOMEX no prazo de 7 dias; não há um fim específico que justifique a penalidade; falta finalidade da aplicação da penalidade estar no interesse da arrecadação ou fiscalização; descumprimento do prazo para prestar informações não gera qualquer efeito no âmbito fiscalizatório; não gerou qualquer prejuízo ao fisco a conduta; e) Denúncia espontânea Consoante se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início da fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. É o relatório. A Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2008, 2009 PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de dados sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento ou item incluído ou retificado após o prazo para prestar a devida informação, independente da quantidade de campos alterados. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO. A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga é obrigação acessória autônoma de natureza formal vinculada a Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11968.000239/2010-58 prazo certo, cujo atraso já consuma a infração, causando dano irreversível, razão pela qual não se aplica ao caso a denúncia espontânea, mormente quando a comunicação da irregularidade também é intempestiva, diante da prévia atracação do veículo transportador e do bloqueio realizado no Siscomex Carga no ato do registro intempestivo. NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 está em pleno vigor, logo não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida pelos seus destinatários por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado recurso do contribuinte, no qual foram apresentas questões que serão analisadas no voto que segue. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário, o Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: 1. PRELIMINARES 1.1 DO ARTIGO 50 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 800/07 - PERÍODO DE GRAÇA 1.2 EXCESSO DE PENALIDADES PARA O MESMO NAVIO/ VIAGEM 1.3 DUPLICIDADE 2. MÉRITO 2.1 DENÚNCIA ESPONTÂNEA 2.2 EQUÍVOCO DA FISCALIZAÇÃO 2.2 DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – FALTA DE ELEMENTO ESSENCIAL O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Passemos à análise do Recurso Voluntário. Cabe inicialmente lembrar que o auto de infração foi lavrado porque a impugnante promoveu, depois do prazo regulamentar, retificação. Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11968.000239/2010-58 O enquadramento legal usado pela Fiscalização para a autuação, art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37, de 1966, deixa claro que a penalidade é aplicada com o não cumprimento da obrigação, e não com o seu cumprimento incorreto, mesmo que ocorra prejuízo ao controle aduaneiro em ambos os casos, conforme abaixo (destaque acrescido): Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; Para solucionar controvérsias e a fim de uniformizar os procedimentos atinentes às Unidades da RFB, a Coordenação-Geral de Tributação emitiu a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 2, de 04/02/2016, cuja ementa assim esclareceu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. A SCI acima esclareceu que as alterações ou retificações de informações já prestadas pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa, estabelecida no art. 107, IV, “e” e “f”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Em síntese, o núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo (deixar de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute), não comportando a hipótese dos presentes autos (retificação de CE), de modo a considerá-la como infração. Ademais, o procedimento de retificação tratado nos presentes autos respeitou o artigo 27-A da IN 800, de 27/12/2007, e não pode ser confundido com a determinação regulamentar, de ter deixado de prestar informações; esta sim, ensejadora da multa. Art. 27-A. Entende-se por retificação [...] Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-010.683 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11968.000239/2010-58 II – de CE, a alteração, exclusão ou desassociação de CE, bem como a inclusão, alteração ou exclusão de seus itens após: Enfim, inexistia respaldo legal para a exigência. Portanto, deve ser aplicada a SCI Cosit nº 02, de 2016, à presente situação. Dessa forma, com base no entendimento exarado pela RFB na SCI Cosit nº 02, de 2016, aplicável ao caso dos autos (retificação intempestiva de informações já prestadas), deve ser cancelada a autuação. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10865.911823/2011-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2015 a 02/02/2015
RETIFICAÇÃO DO PER. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA DO CRÉDITO PLEITEADO.
A retificação do PER é procedimento que não é realizado no bojo do processo administrativo fiscal, de modo que, no presente caso, não se trata de mero erro de preenchimento, mas sim de alteração da natureza do crédito pleiteado.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. ARTIGO 170, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Pertence ao contribuinte o ônus da prova do crédito pleiteado, através de documentos fiscais e contábeis hábeis à comprovação de sua certeza e liquidez, nos termos do artigo 170, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3002-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Regis Venter.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Regis Venter - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mariel Orsi Gameiro - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Regis Venter (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, e Mariel Orsi Gameiro.
Nome do relator: Mariel Orsi Gameiro
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2015 a 02/02/2015 RETIFICAÇÃO DO PER. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA DO CRÉDITO PLEITEADO. A retificação do PER é procedimento que não é realizado no bojo do processo administrativo fiscal, de modo que, no presente caso, não se trata de mero erro de preenchimento, mas sim de alteração da natureza do crédito pleiteado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. ARTIGO 170, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Pertence ao contribuinte o ônus da prova do crédito pleiteado, através de documentos fiscais e contábeis hábeis à comprovação de sua certeza e liquidez, nos termos do artigo 170, do Código Tributário Nacional.
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IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA DO CRÉDITO PLEITEADO. A retificação do PER é procedimento que não é realizado no bojo do processo administrativo fiscal, de modo que, no presente caso, não se trata de mero erro de preenchimento, mas sim de alteração da natureza do crédito pleiteado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. ARTIGO 170, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Pertence ao contribuinte o ônus da prova do crédito pleiteado, através de documentos fiscais e contábeis hábeis à comprovação de sua certeza e liquidez, nos termos do artigo 170, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Regis Venter. (documento assinado digitalmente) Paulo Regis Venter - Presidente (documento assinado digitalmente) Mariel Orsi Gameiro - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Regis Venter (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, e Mariel Orsi Gameiro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto relatório da decisão de primeira instância: Trata o processo de Manifestação de Inconformidade (fls. 3/12) contra despacho decisório proferido em razão de declaração PER em que o contribuinte apresentou como crédito PIS/PASEP Não Cumulativo - Exportação referente ao período de 01/07 a 30/09/2008 com o objetivo de solicitar ressarcimento dos valores ali declarados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 91 18 23 /2 01 1- 15 Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.014 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.911823/2011-15 O contribuinte acima identificado enviou, em 30/12/2008, o PER nº 00978.19786.301208.1.1.08-7206 (fls. 111/113), cujo ressarcimento não foi deferido pelo despacho proferido pela DRF Limeira (fl. 105) em 03/01/2012. Cientificada da decisão em 17/01/2012, conforme registro de fl. 109, a interessada, em 18/02/2012, ingressou com a presente Manifestação de Inconformidade, onde alega: A 4ª Turma da DRJ/FOR proferiu acórdão nº 08-45.191, em 28 de novembro de 2018 (e-fls. 116), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, considerando que a pretensão do contribuinte é substituir créditos inexistentes declarados no PER por outro de natureza distinta, e que não se trata de mero erro material, mas sim de direito. A recorrente foi notificada em 12 de dezembro de 2018 (fls. 125), e interpôs Recurso Voluntário em 21 de dezembro de 2018 (e-fls. 126), no qual se limita a afirmar que o direito creditório existe, e que não há pretensão em retificação do PER, e que se trata de erro sanável – afirma que no momento do preenchimento colocou “ressarcimento” e não “restituição” como deveria constar. É o relatório. Voto Conselheira Mariel Orsi Gameiro , Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade, portando, dele tomo conhecimento. O recorrente afirma que no momento do preenchimento do PER houve um mero equívoco de preenchimento, que fez constar “ressarcimento” ao invés de “restituição”. Contudo, sem delongas, entendo que bem caminhou a decisão de primeira instância em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, considerando que, na verdade, o que se faz necessário na controvérsia, é a retificação do próprio PER, por não configurar mero erro no preenchimento, mas sim, na natureza do crédito. Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.014 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.911823/2011-15 Para além da concordância com a decisão de primeira instância, o contribuinte se limita a dizer que não se trata de retificação do PER, ou do DACON, bem como não colaciona qualquer prova nos bojo do processo administrativo fiscal. Me utilizo aqui, enfim, das razões de decidir da DRJ, por entender que não houve mero erro de preenchimento, conforme alegado pelo contribuinte. A manifestação de inconformidade é tempestiva, preenche os demais requisitos de admissibilidade, e dela tomo conhecimento. A contribuinte pretende obter deferimento do ressarcimento formulado, alegando que o crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição para o PIS/PASEP e não de “PIS/PASEP Não Cumulativo – Exportação” conforme declarado no PER/DCOMP. A manifestação de inconformidade revela, em verdade, a pretensão do contribuinte de substituir os créditos inexistentes declarados no PER em questão por outro de natureza distinta. A possibilidade de retificar declaração via PER/DCOMP foi instituída originariamente pela Instrução Normativa SRF nº 460/04, que permitiu efetuar alterações, em caso de inexatidões materiais, mas vedou incluir novos débitos ou aumentar o valor do débito compensado: Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Os dispositivos citados foram reproduzidos nas instruções normativas SRF nº 600/2005, RFB nº 900/2008 e RFB nº 1.300/2012. A expressão “inexatidões materiais” está no Decreto n.º 70.235/72: “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” Como se vê, as inexatidões materiais não se referem a alterações na essência do mérito do tema examinado, mas, sim, a erros de preenchimento (ou de digitação) que não a alteram. O erro no tipo de crédito não se enquadra em inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, em erro de direito, mais especificamente, em erro no critério jurídico, pois se trata de crédito de natureza diversa. Pode-se ver que o enquadramento de PIS/PASEP Não Cumulativo - Exportação (art. 5º da Lei nº 10.637/2002) é uma hipótese de não incidência da contribuição para o PIS/PASEP e a manifestante utilizou totalmente esse crédito para desconto do valor a recolher da contribuição, segundo o inciso I, §1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.014 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.911823/2011-15 II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Neste sentido, é de se ver que as informações prestadas no PER/DCOMP e os batimentos efetuados pelos sistemas da RFB são totalmente diferentes. O próprio programa PER/DCOMP impede a retificação do crédito da maneira pretendida. O procedimento recomendado seria o cancelamento do PER e a transmissão de outro. A retificação de crédito também está impedida no âmbito da manifestação de inconformidade, segundo o art. 77 da IN RFB nº 900/2008. Sua análise desbordaria ao que foi objeto do despacho decisório e extrapolaria o litígio. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mariel Orsi Gameiro Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19647.000548/2003-33
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE E DESTINAÇÃO CONSTITUCIONAL.
A compensação de tributos de mesma espécie e destinação constitucional, desde que comprovadamente efetuada de forma espontânea na escrituração contábil do contribuinte, prescinde de requerimento ou declaração prévia, nos termos da Lei n. 8383/1991, mesmo que tal compensação não tenha constado em DCTF.
Após a alteração do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 10.637, de 2002, é requisito para a compensação a apresentação prévia da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 9101-005.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Andrea Duek Simantob Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocado(a)), Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: Não informado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocado(a)), Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE E DESTINAÇÃO CONSTITUCIONAL. A compensação de tributos de mesma espécie e destinação constitucional, desde que comprovadamente efetuada de forma espontânea na escrituração contábil do contribuinte, prescinde de requerimento ou declaração prévia, nos termos da Lei n. 8383/1991, mesmo que tal compensação não tenha constado em DCTF. Após a alteração do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 10.637, de 2002, é requisito para a compensação a apresentação prévia da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocado(a)), Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 05 48 /2 00 3- 33 Fl. 897DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.739 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19647.000548/2003-33 Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (e-fls. 800 a 807) contra Acórdão nº 1401-001.381 (e-fls. 787 a 798), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 3.3.2015, por meio do qual, decidiu, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para (i) manter a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após encerramento do exercício em que houve apuração de saldos negativos da CSLL por considerá-la matéria preclusa e (ii) afastar a exigência da CSLL por considerar válida a compensação entre créditos de mesma espécie efetuada na contabilidade. A decisão recorrida foi consubstanciada com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. MULTAS ISOLADAS. Considerar-se-á preclusa a matéria que não tenha sido expressamente contestada na primeira instância e, portanto, definitiva na instância administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2001 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DA MESMA ESPÉCIE. REQUISITOS A falta ou insuficiência de recolhimento da CSLL, não confessada, não constitui infração quando demonstrada a compensação entre créditos da mesma espécie foi feita na contabilidade antes da entrada em vigor da sistemática das Dcomps, mesmo que tal compensação não tenha constado em DCTF O presente processo versa sobre lançamento de CSLL relativo a diferenças apuradas, entre o valor escriturado e o pago ou declarado, e falta de pagamento da contribuição sobre a base estimada. A DRJ julgou improcedente a impugnação por entender que constitui infração a falta ou insuficiência da contribuição não confessada e pelo fato de que o débito apurado não se encontrava extinto por compensação, visto que o contribuinte não observou os procedimentos para tal. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, ao dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, decidiu (i) manter a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após encerramento do exercício em que houve apuração de saldos negativos da CSLL em razão de ser matéria preclusa e, em relação a matéria objeto do presente Recurso Especial, (ii) afastar a exigência da CSLL por considerar válida a compensação entre créditos de mesma espécie efetuada na contabilidade. Fl. 898DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.739 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19647.000548/2003-33 Em sede de Recurso Especial, a Fazenda Nacional se insurge contra o entendimento esposado no Acórdão recorrido, pugna que durante a vigência da Lei nº 8.383, de 1991, o contribuinte poderia realizar compensação entre tributos da mesma espécie exclusivamente nos registros contábeis, mas deveria comunicar tal operação por meio de declaração. O Recurso Especial foi admitido conforme Despacho (e-fls. 844 a 846). Cientificado em 12.4.2017 do Despacho que admitiu o Recurso Especial, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (e-fls. 891), o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Duek Simantob, Relatora. 1. Conhecimento Conforme Despacho de Admissibilidade (e-fls. 844 a 846), o Recurso Especial foi admitido em relação à matéria “compensação entre tributos da mesma espécie exclusivamente nos registros contábeis sem comunicar tal operação ao Fisco por meio de declaração, durante a vigência da Lei nº 8.383, de 1991”. Como paradigma, foi indicado o Acórdão nº 3801-00.338. A base do paradigma traz como legislação tributária interpretação do disposto no artigo 66 da Lei n. 8.383/1991, depreendendo que inobstante estar autorizada a compensação de tributos de mesma espécie, perdura o cumprimento das obrigações acessórias, tais como a informação na respectiva DCTF. Por terem sidos observados os requisitos regimentais, não merece reparos o Despacho de Admissibilidade, de sorte que ratifico os seus termos para conhecer o Recurso Especial. 2. Mérito Conforme relatado, a Turma a quo, com base na Lei nº 8.383, de 1991 e, ainda tomando por base a interpretação contida na IN SRF nº 21, de 1997, entendeu como válida a compensação efetuada exclusivamente na escrituração contábil, não obstante a não declaração do encontro de contas na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Fl. 899DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.739 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19647.000548/2003-33 Por seu turno, a Fazenda Nacional, ora Recorrente, entende que a autorização contida primeiramente no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, não eximiria o contribuinte da obrigação legal de comunicar ao Fisco a compensação. A não comunicação impede, sob a ótica da Recorrente, a aferição pela fiscalização sobre a correção do procedimento. Assim, ao não proceder a declaração em DCTF, a compensação não pode ser analisada e tão pouco servir como extinção do crédito tributário. Afirma a PGFN que, embora não se exigisse requerimento prévio nos casos de compensação de tributos de mesma espécie, a legislação não dispensava a comunicação em DCTF, razão pela qual a compensação não tem o condão de extinguir o tributo objeto de lançamento de ofício. O Acórdão paradigma, utilizado na admissibilidade (3801-00.338), entendeu que a compensação, nos termos da Lei nº 8.383, de 1991, só se perfectibilizaria com a declaração do procedimento em DCTF, que permita ao Fisco ter conhecimento e verificar a regularidade do procedimento. Não declarada em DCTF a compensação, é regular a exigência fiscal de débito que se pretendeu compensar. A compensação tributária, por iniciativa do contribuinte, teve disciplinamento inicial no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (g.n.) A IN SRF nº 21, de 1997, em seu art. 14, disciplinava a compensação de tributos de mesma espécie, ou seja a Lei n. 8.383/1991: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Fl. 900DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.739 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19647.000548/2003-33 § 1º A parcela do débito excedente ao crédito utilizado na compensação, que não for paga até o vencimento do prazo estabelecido na legislação para o seu pagamento, ficará sujeita à incidência de juros e multa. § 2º Os créditos relativos a imposto de renda de pessoa física, apurado em declaração de rendimentos, sujeita à restituição automática, não poderão ser utilizados para compensação. § 3º Se a pessoa jurídica pretender compensar créditos em relação aos quais houver ingressado com pedido de restituição, pendente de decisão administrativa, deverá, previamente, manifestar, por escrito, desistência do pedido formulado. § 4º As receitas classificadas sob os códigos 1800 (IRPJ FINOR), 1825 (IRPJ - FINAM) e 1838 (IRPJ - FUNRES) poderão ser compensadas com o imposto de renda classificado sob os códigos 0220, 1599 ou 3373. § 5º O crédito referente ao código 2160 (IPI - RESSARCIMENTO DE SELOS DE CIGARROS) ou ao código 4028 (IOF OURO), somente admitirá ser compensado, cada um, com débito do mesmo código. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. § 7º A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, deverá ser solicitada à DRF ou IRF-A do domicílio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação. (g.n.) A situação fática do caso concreto, refere-se a lançamento, relativo a CSLL do 3º e 4º trimestres de 2001, efetuado a partir do batimento da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a DCTF. Na impugnação, o contribuinte informa que o débito não havia sido declarado em DCTF, pois havia sido extinto por compensação. Por sua vez, a DRJ entendeu inválida a compensação com base na parte final do caput do art. 14 da IN SRF nº 21, em especial, porque excepciona a compensação nos casos em que o tributo compensado tenha sido apurado em procedimento de ofício. Ainda na mesma decisão de primeiro grau, o julgador fez referência a dispositivos das IN SRF nº 210, de 2002, e nº 460, de 2004, que não guardam relação com o procedimento de encontro de contas, efetuado em 2001. A Turma a quo determinou a baixa dos autos em diligência, onde restou evidenciado que o procedimento foi efetuado e registrado na contabilidade do contribuinte no AC2001, conforme disciplinado no art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997, independentemente de requerimento. Ou seja, o débito encontrava-se extinto. O procedimento de compensação atualmente tem disciplinamento e controles mais rigorosos, não se admitindo a compensação sem a correspondente Declaração de Compensação. Fl. 901DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.739 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19647.000548/2003-33 A novo disciplinamento teve origem na Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). Retomando ao caso concreto, entendo que não merece reparos a decisão da A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, pois não se configurou, no caso concreto, a hipótese aventada pela DRJ, isto é, de pretensa compensação de valores apurados em procedimento de ofício e tão pouco de compensação condicionada a apresentação de DComp, posto que o procedimento foi efetuado em 2001, portanto, antes da vigência da MP nº 66, de 2002. Note-se que o procedimento de lançamento, ao se limitar ao cotejamento da DIPJ e DCTF, não verificou a compensação de tributos de mesma espécie, que estava, como de fato se constatou via diligência, registrado na contabilidade do contribuinte. Igualmente equivocada a decisão de primeira instância, que entendeu que a compensação foi requerida na peça de impugnação e a indeferiu por não ser possível a compensação de tributos objeto de lançamento de ofício. Dessa forma, entendo que, ainda que se admita a falha do contribuinte em não ter informado em DCTF o débito extinto por compensação, esse fato não é razão legítima para suportar exigência tributária que materialmente, conforme comprovado nos autos, resta extinta por compensação. Por essa razão, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob Fl. 902DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.739 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19647.000548/2003-33 Fl. 903DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19395.901461/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1401-005.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: Luiz Augusto de Souza Gonçalves
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP (v. e-fls. 24/29) através do qual a Contribuinte indicou como crédito restituível/compensável pagamento indevido/a maior de IRPJ realizado em 30/07/2010. Referida PER/DCOMP recebeu o nº 01934.10438.310111.1.3.04-7323. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 14 61 /2 01 2- 85 Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.794 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19395.901461/2012-85 A Delegacia da Receita Federal de Macaé/RJ – DRF/Macaé, através do despacho decisório de e-fls. 61, não reconheceu a existência do direito creditório, deixando de homologar a compensação declarada. Irresignada com o indeferimento de seu pedido de restituição, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade de e-fls. 02/03 através do qual alega, em apertadíssima síntese: 1) que apurou IRPJ a pagar no período de junho de 2010 no importe de R$264.442,34, entretanto teria recolhido o valor de R$408.036,84, gerando, portanto, um pagamento a maior de R$143.594,50; 2) que no terceiro trimestre teria apurado um valor a pagar de R$56.303,00, tendo quitado tal valor via compensação com o crédito apurado no período imediatamente anterior; 3) que teria retificado a DCTF, conforme comprova o documento de e-fls. 30/38; 4) por último, que o erro material no preenchimento da DCTF poderia ser “facilmente verificado pela análise da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”), referente ao ano calendário de 2010”; 5) Cita os princípios da verdade material, da eficiência, lealdade e boa-fé, além de apelar para o enriquecimento indevido da Fazenda Pública em detrimento do particular (art. 5º, inc. XXIII e LIV da CF) no caso da negativa de seu pleito. A Manifestação de Inconformidade foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife – DRJ/REC, que proferiu o acórdão nº 11-46.313 – 3ª Turma, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.794 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19395.901461/2012-85 O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao sujeito passivo o ônus de provar as alegações contidas na manifestação de inconformidade apresentada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão retro, a Recorrente apresentou o recurso voluntário de e-fls. 72/82. Em seu recurso, a Contribuinte expõe, de forma bastante resumida o seguinte: 1) Os valores devidos a título de IRPJ no segundo trimestre de 2010 foram erroneamente indicados na DCTF original, pois não teria havido a dedução das retenções do imposto suportadas pela Recorrente; 2) O citado equívoco na DCTF teria sido sanado pela Recorrente por meio da apresentação de DCTF retificadora (v. e-fls. 122/131, entregue em 24/10/2014); 3) A Recorrente apresenta em anexo ao seu recurso os comprovantes de retenção do IRPJ, que não foi computado quando da apuração original do imposto e que teria dado origem ao crédito compensado (v. e-fls. 178/179) e as respectivas notas fiscais emitidas pelos serviços prestados (v. e-fls. 133/177); 4) As Autoridade Fiscais teriam deixado de analisar a integralidade das provas acostadas pela Recorrente aos autos quando da apreciação da manifestação de inconformidade, por entender que a retificação da DCTF após a prolação do despacho decisório não poderia ser utilizada como meio de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado; 5) Discorre sobre o direito de corrigir a DCTF, cuja retificadora teria o condão de substituir integralmente a declaração originalmente apresentada. Alega que a IN RFB 903/2008 não elencaria tal hipótese impeditiva de retificação da DCTF; em suas próprias palavras alega que “cabe ressaltar que as alegações do r. despacho decisório no sentido da inviabilidade da retificação realizada pela recorrente não tem guarida em qualquer dispositivo legal, tratando-se de afirmação – data vênia – absolutamente infundada”; 6) Cita, novamente, os princípios da verdade material, da legalidade, da moralidade, da eficiência, da lealdade e boa-fé, além da proteção contra o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública em detrimento do particular, para albergar o seu entendimento de que “não seria justo nem tampouco razoável permitir que, a despeito de provas cabais em favor do contribuinte, mero erro de fato no preenchimento de declaração interfira no seu patrimônio”; 7) Ainda, que “comprovado o recolhimento a maior pela juntada do extrato das retenções e retificação das declarações fiscais quando da apresentação da Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.794 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19395.901461/2012-85 manifestação de inconformidade, é de se reconhecer o direito creditório em questão”. Afinal, vieram os autos para a apreciação deste Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como vimos no Relatório, a decisão recorrida concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade haja vista a deficiência do conteúdo probatório juntado pela Recorrente à sua irresignação ao despacho decisório proferido pela DRF/Macaé. Vejamos o conteúdo da decisão recorrida a respeito: Alega a inconformada que efetuou pagamento maior que o devido, conforme apurado em sua DIPJ. De fato, na DIPJ ano calendário 2010, original entregue em 30/06/2011, consta IRPJ a pagar no valor de R$ 264.442,34 para o 2º trimestre/2010. No entanto, não houve retificação da DCTF do período antes da emissão do Despacho Decisório. Também não consta do sistema de controle da DCTF entrega de retificadora após o decisório, ou seja, a DCTF original ativa no sistema de controle da RFB indica IRPJ no valor de R$ 408.036,84 para o 2º trimestre/2010 com vinculação de pagamento em DARF no mesmo valor. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF nº 077, de 24 de julho de 1998 e nº 14, de 14 de fevereiro de 2000, e posteriores), a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados. Releve-se que a disponibilidade do crédito pleiteado é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Já que não houve retificação da DCTF por ocasião da entrega da DCOMP, cabia ao interessado o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Entretanto, não há, nos autos, documentos comprobatórios do erro de fato no preenchimento da DCTF. Como a simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações trazidas na manifestação de inconformidade, tem-se que quando da transmissão do PER/DCOMP em análise o crédito não existia, já que o pagamento estava integralmente vinculado a débito declarado pela contribuinte em DCTF. Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.794 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19395.901461/2012-85 Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Do excerto acima, extraído da decisão recorrida, percebe-se que à data do julgamento da manifestação de inconformidade a Recorrente não havia ainda apresentado a DCTF retificadora relativa ao período correspondente ao 2º trimestre de 2010 (origem do crédito pretendido). Também nota-se, tanto do voto proferido pela DRJ/Recife, quanto pela análise do próprio processo, que não havia sido juntado aos autos nenhuma prova eficaz do alegado pagamento a maior do IRPJ apurado no 2º trimestre de 2010. Os únicos documentos juntados pela Recorrente foram a DIPJ/2011 e a DCTF retificadora relativa ao 3º trimestre de 2010, que nada tem a ver com a pendenga discutida nos autos. Portanto, absolutamente escorreita a decisão proferida pela DRJ/Recife, à vista dos documentos juntados aos autos até então. Em seu recurso, a Contribuinte alega que o citado equívoco na DCTF teria sido sanado por meio da apresentação de DCTF retificadora (v. e-fls. 122/131) bem assim defende o direito de corrigir a referida declaração, cuja retificadora teria o condão de substituir integralmente a declaração originalmente apresentada. Também argumenta que a IN RFB 903/2008 não elencaria, como hipótese impeditiva à retificação da DCTF, o fato de a mesma ter sido entregue após a edição do despacho decisório, haja vista o teor da decisão recorrida; em suas próprias palavras aduz que “cabe ressaltar que as alegações do r. despacho decisório no sentido da inviabilidade da retificação realizada pela recorrente não tem guarida em qualquer dispositivo legal, tratando-se de afirmação – data vênia – absolutamente infundada”. Cita os princípios da verdade material, da legalidade, da moralidade, da eficiência, da lealdade e boa-fé, além da proteção contra o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública em detrimento do particular, para albergar o seu entendimento de que “não seria justo nem tampouco razoável permitir que, a despeito de provas cabais em favor do contribuinte, mero erro de fato no preenchimento de declaração interfira no seu patrimônio” Em relação às alegações da Contribuinte, primeiramente é preciso ressaltar que a DCTF retificadora, relativa ao 2º trimestre de 2010, foi entregue tão somente em 24/10/2014, ou seja, após a prolação da própria decisão recorrida. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do alegado pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo- se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. Em relação à DIPJ, desde o ano-calendário de 1999, tal declaração tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida, veja-se o teor da Instrução Normativa nº 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6º, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.794 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19395.901461/2012-85 seu art. 1º, a DIPJ – Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica; referida norma deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar. Já a DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 126/1998, sempre foi destinada a tal fim, ou seja, tem conteúdo de confissão de dívida, nos termos do art. 5º, § 1º, do Decreto-lei nº 2.124/84, possuindo o condão de constituir e materializar o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Em relação à argumentação posta pela Recorrente de que a DCTF retificadora teria a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, pode-se dizer que é uma meia verdade. Isso porque a apresentação de DCTF que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições, entregue após o início de qualquer procedimento fiscal, não produz efeitos nos termos do artigo 9º, §2º, inciso II, da IN RFB nº 1.110/2010 (vigente à época da apresentação da DCTF retificadora), in verbis: “Art. 9º. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: (...) II - alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. O despacho decisório foi cientificado à Recorrente em 19/11/2012 (v. e-fls. 56), o acórdão recorrido em 26/09/2014 (v. e-fls. 69) e a DCTF retificadora foi apresentada em 24/10/2014 (v. e-fls. 122). Assim, as alterações inseridas na DCTF retificadora, no presente caso, não possuem a validade que a Recorrente quer emprestar ao documento, frise-se, apresentado tão somente após a edição do acórdão de manifestação de inconformidade. Por isso, seria necessário que a Recorrente tivesse comprovado as alterações procedidas na DCTF retificadora à vista de sua escrituração contábil/fiscal; não basta à Interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, deveria ter trazido, também, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ do 2º trimestre de 2010. Dentre essas provas, podemos citar, exemplificativamente, os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. A Recorrente apresenta em anexo ao seu recurso os comprovantes de retenção do IRPJ, que não teria sido computado quando da apuração original do imposto e que teria dado origem ao crédito compensado (v. e-fls. 178/179) e as respectivas notas fiscais emitidas pelos serviços prestados (v. e-fls. 133/177); aduz, ainda, que “comprovado o recolhimento a maior pela juntada do extrato das retenções e retificação das declarações fiscais quando da apresentação da manifestação de inconformidade, é de se reconhecer o direito creditório em questão”. Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.794 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19395.901461/2012-85 Ocorre que tais documentos são insuficientes à comprovação do erro cometido na informação prestada via DCTF. Verificamos, inclusive, divergências entre os valores faturados nas notas fiscais anexadas às e-fls. 133/177, os dados constantes do informe de rendimentos de e- fls. 178/179, e a própria DIPJ de e-fls. 13 (Ficha 14A). Enquanto o total faturado no período relativo ao 2º trimestre de 2010 foi calculado em R$15.212.736,78 (valor obtido nas notas fiscais), o valor informado no comprovante de retenção pela fonte pagadora foi consignado em R$8.184.980,62 e o declarado na DIPJ importou em R$6.369.797,63. Portanto, ao contrário do que aduz a Recorrente, não existe nenhuma prova cabal juntada aos autos que demonstre o alegado erro cometido na DCTF original apresentada para o 2º trimestre de 2010. Por último, a Contribuinte também alega que as Autoridades Fiscais teriam deixado de analisar a integralidade das provas acostadas pela Recorrente aos autos quando da apreciação da manifestação de inconformidade, tendo sido firmado o entendimento de que a retificação da DCTF após a prolação do despacho decisório não poderia ser utilizada como meio de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tal alegação é uma inverdade absoluta, haja vista que, como já dito, os únicos documentos juntados aos autos foram a DIPJ/2011, que tem caráter meramente informativo, e uma DCTF retificadora que nada tinha a ver com a matéria tratada nos autos. Nesse sentido, conclui-se não ter sido comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, nos termos do art. 170 do CTN, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório proferido pela DRF/Macaé, nem tampouco no acórdão proferido pela DRJ/Recife, ora objeto deste recurso. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital
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