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Numero do processo: 16832.000213/2008-44
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADIVIINISTRATWO FISCAL
Período de apuração: 01/01/200.3 a 31/12/2005
LANÇAMENTO. NULIDADE
É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2003
DECADÊNCIA, TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO
O prazo qüinqüenal de que a Fazenda Nacional dispõe para constituir crédito tributário decorrente de contribuição não-declarada nem paga, em face da ausência de pagamentos, é contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído por meio de lançamento de oficio.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO -
CIDE
Período de apuração: 01/01/200.3 a 31/12/2005
FATO GERADOR
A remessa de valores para residentes ou domiciliados no exterior', a título de pagamento de royalties a qualquer título, inclusive de obrigações referentes à licença de uso de software, constitui fato gerador da CIDE.
MULTA DE. OFÍCIO
No lançamento de oficio para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente.
JUROS DE MORA
Sobre o crédito tributário devido e não1P7a, no vencimento incidem juros de mora independentemente de quaisquerb ;Ovos da inadimplência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.702
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos, quanto à decadência, os conselheiros
Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martinez López que aplicaram o disposto no art. 150, § 4º do CTN, e, quanto à incidência da CIDE e à apuração da
base de cálculo adotada no lançamento, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lépez que deram provimento. Esteve presente pela parte o Dr. Marcos
Vinícius Passarelli Prado inscrito na OAB-SP sob nº 154632.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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ementa_s : PROCESSO ADIVIINISTRATWO FISCAL Período de apuração: 01/01/200.3 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. NULIDADE É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2003 DECADÊNCIA, TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO O prazo qüinqüenal de que a Fazenda Nacional dispõe para constituir crédito tributário decorrente de contribuição não-declarada nem paga, em face da ausência de pagamentos, é contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído por meio de lançamento de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Período de apuração: 01/01/200.3 a 31/12/2005 FATO GERADOR A remessa de valores para residentes ou domiciliados no exterior', a título de pagamento de royalties a qualquer título, inclusive de obrigações referentes à licença de uso de software, constitui fato gerador da CIDE. MULTA DE. OFÍCIO No lançamento de oficio para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente. JUROS DE MORA Sobre o crédito tributário devido e não1P7a, no vencimento incidem juros de mora independentemente de quaisquerb ;Ovos da inadimplência. Recurso Voluntário Negado.
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INFRAÇÃO Recorrente IBM BRASIL INDÚSTRIA DE MÁQUINAS E SERVIÇOS LTDA., Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADIVIINISTRATWO FISCAL Período de apuração: 01/01/200.3 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. NULIDADE É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2003 DECADÊNCIA, TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO O prazo qüinqüenal de que a Fazenda Nacional dispõe para constituir crédito tributário decorrente de contribuição não-declarada nem paga, em face da ausência de pagamentos, é contado a partir do 1" dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído por meio de lançamento de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Período de apuração: 01/01/200.3 a 31/12/2005 FATO GERADOR A remessa de valores para residentes ou domiciliados no exterior', a título de pagamento de royalties a qualquer título, inclusive de obrigações referentes à licença de uso de software, constitui fato gerador da CIDE. MULTA DE. OFÍCIO No lançamento de oficio para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente. JUROS DE MORA Sobre o crédito tributário devido e não1P7a, no vencimento incidem juros de mora independentemente de quaisquerb ;Ovos da inadimplência, - PresidenteR José Adão~6 de Morais - Relatar EDITADO EM: 07/12/201 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos, quanto à decadência, os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martinez López que aplicaram o disposto no art. 150, § 4" do CTN, e, quanto à incidência da CIDE e à apuração da base de cálculo adotada no lançamento, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lépez que deram provimento. Esteve presente pela parte o Dr. Marcos Vinícius Passarelli Prado inscrito na 0A13-SP sob n" 154632. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente), Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão preferida pela DRJ Rio de Janeiro 1, RJ, que julgou procedente o lançamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) referente aos fatos geradores dos meses de competência de janeiro de 2003 a dezembro de 2005. O lançamento decorreu da falta de declaração nas respectivas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (De-1'N) e, conseqüentemente, falta de pagamento das parcelas mensais devidas naquele período de competência. Cientificada do lançamento, inconformada a recorrente impugnou-o, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: "Preliminarmente, requer a nulidade do lançamento, pois. - não corretamente indicada a base de cálculo, pois, a Fiscalização utilizou originalmente os valores constantes no contrato em dólar convertendo-os para Real; - ocorre que o valor da remuneração do sofhvare é determinado originalmente em Reais e assim lançado contabilmente, uma vez que a remuneração pelas licenças de soft•are corresponde a uma parcela das receitas obtidas com a autorização, licenciamento ou distribuição de sofiware em Reais, - isto está claro na cláusula quarta, item 3, do contrato, com a redação dada pelo aditamento, conforme transcrito às .fls. 119; 2 "DECADÊNCIA. Processo n" 16832 000213/2008-44 Acórdão n° 3301-00,702 S3-C3T1 P1315 - a diferença de valores está indicada na planilha de fls. 194; - houve vício na fundamentação legal gerando cerceamento à defesa, pois, não foi indicado qual o inciso (fato gerador), dentre aqueles mencionados nos artigos 2°, e 3', da Lei n° 10.168, de 2000, alterada pela Lei n°10 332, de 2001 Quanto ao mérito- - supondo que a autuação recaia sobre pagamento de royaltie.s pela licença de uso e comercialização de softwares, esta não procede, pois, a legislação que rege a CIDE não prevê tal tributação; - o pagamento de royalties pela licença de comercialização de software não pode ser confiamdido com o pagamento de remuneração de software,- - além disto, as remessas autuadas na realidade não se referem a pagamentos a título de royahies, pois, a natureza jurídica dos pagamentos por licença de uso de software representa, em sentido estrito, pagamento por direito de autor, não se confundindo com royalties, confirme artigos 1°c 2', da Lei n° 9.609, de 1998, ("Lei do Software"), item 1 da Portaria do Ministério da Fazenda mr 181, de 1989, e doutrina transcrita às fls. 129; - às fls. 131/138, transcreve doutrina, .jurisprudência e legislação no sentido de diferençar pagamento por direito de autor de pagamento de royahles; - no mesmo sentido anexa às fls. 195/205 e 206/209, Pareceres do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Secretaria de Política de Infirmática no sentido da não incidência da CIDE .sobre contratos de software, - a legislação, doutrina e jurisprudência transcritas às fls. 124/129, não prevêem como hipótese de incidência da C1DE, os pagamentos realizados a titulo de licença de uso de software, ("direito autoral), - a razão para isto é que o Governo Federal não quer onerar através da CIDE as remessas para pagamento de licença de uso de software quando não houver- transferência de tecnologia, tal como ocorre no presente caso, - tanto assim é que a Lei n° 11.45.2, de 2007, extinguiu a partir de 2006, a cobrança da ODE em tal situação; - agiu em consonância com o artigo 10, do Decreto n° 4.195, de .2002, que não prevê a incidência da IDE no caso de remessas para pagamento de licença de LISO de „sof/11)(1re, - se o referido Decreto, a Decisão SRRF da 8" Região n° 16/2001, o Parecer CST 520/89, bem como os Pareceres do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Secretaria de Política de Informática acostados às lis 19.5/205 e 206/209, estavam?? equivocados, deve ser aplicado o parágrafo único do artigo 100, do CTN, de fOrma a excluir a multa de oficio e os juros; - ocorreu a decadência para os períodos de janeiro a novembro de 2003." Analisada a impugnação, a DIU rejeitou a preliminar de nuli de do lançamento e, no mérito, julgou-o procedente, conforme Acórdão n" 15-2.3.660, d.t a lo de 07/04/2009, às fls v 215/225, sob as seguintes ementas: .c ,) 4 A ausência total de pagamento faz com que se afaste a regra especifica do artigo 150, e se utilize a regra geral do artigo 173, ambos do CTN. CIDE. TATO GERADOR, A Contribuição de Intervenção no Domínio Económico, ODE, incidirá sobre os valores remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliadas no exterior, a titulo de remuneração decorrente das obrigações referentes à licença de uso de software firmados com residentes ou domiciliados no exterior." Inconformada com esta decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 229/265, requerendo, preliminarmente, a nulidade do lançamento por erro na determinação da exigência fiscal e por ausência de fundamentação legal, e, no mérito, a sua improcedência por ter sido demonstrado que as remessas realizadas consistem na remuneração de licença de uso de software (direito autoral) não sujeitas à incidência da CIDE ou, alternativa e sucessivamente, o cancelamento da parte do crédito tributário lançado e exigido para o período de competência de janeiro a novembro de 2003, por ter sido atingido pela decadência quinquenal, e, ainda, a exclusão dos juros de mora e da multa de ofício, nos termos do CTN, art. 100, por ter cumprido o disposto no art. 10 do Decreto n" 4..195, de 11/04/2002, e outros atos normativos, alegando, em síntese, as mesmas preliminares e razões de mérito expendidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço.. As suscitadas preliminares de nulidade do lançamento sob os argumentos de erro na determinação da exigência fiscal e de ausência de fundamentação legal não têm amparo e legal e não merecem prosperar. Ao contrário do entendimento da recorrente, o lançamento somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto n" 70.235, de 06 de março de 1972, art. 59, inciso 1, in verbis: "Art. 59 São nulos. 1 - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente,. " \No presente caso, o auto de infração em discussão foi lavrado por AtWito 1-- Fiscal da Receita Federal, servidor competente para exercer fiscalizações externas de pãsoa jurídicas e, ainda, demonstrada a fundamentação legal, Lei n" 10.168, de 29/12/2000, art. 2.. 2", c/c a Lei n" 10.332, de 19/12/2001, e Decreto n°4.195, de 11/04/2002. \,... Assim, possíveis incorreções e/ ou deficiências não o tomam nulo nem anulável e sim defeituoso ou ineficaz até a sua retificação. r 4 Processo n" 16832.00021.3/2008-44 S3-C311 Acórdão n " 3301-00..702 .316 O alegado erro na determinação da exigência fiscal, por equivoco na base de cálculo utilizada, inexiste. Conforme demonstrado no procedimento fiscal e na decisão recorrida, os valores das bases de cálculo mensais utilizadas na apuração da contribuição lançada e exigida tiveram como origem as planilhas apresentadas pela própria recorrente (fis, 47/50) e correspondem aos pagamentos de remessas, a título de direito de royalties, SLF (licença de direito de uso de software), mercadorias e serviços, remetidos para o exterior.. A Lei n° 10.168, de 29/12/2000, art. 2", determina a incidência da CIDE sobre os valores remetidos mensalmente a residentes ou domiciliados no exterior. Assim, demonstrado e provado que a autuação foi feita com base na planilha apresentada pela própria recorrente contendo os valores remetidos ao exterior, a título de SLF (direito de uso de software), e, ainda, que, em momento algum, alegou erro na sua elaboração ou apresentou nova planilha com os valores a serem retificados, não há que se falar em nulidade do lançamento por erro na determinação da exigência fiscal e muito menos por falta de fundamentação legal. No mérito, a recorrente suscita à decadência de parte do crédito tributário e a não-incidência da CIDE sobre remessas de valores para o exterior, a titulo de remuneração de licença de uso de software, bem como as exigências dos juros de mora e da multa de oficio.. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir créditos tributários, o CTN estabelece duas hipóteses.. Uma, a regra geral, definida em seu art, 173, que assim dispõe, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após .5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente dètuado Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." E uma segunda, especificamente para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os casos em que sujeito passivo cumpriu parcialmente a obrigação tributária, nos termos do art. 150, § 4", ia verbis: "Ar! 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento Sem prévio exame da autorida" administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade,) tomando conhecimento da atividade assim exercida I& obrigado, expressamente a homologa. " ,sç 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do . ftito gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." ( ) Do exposto, conclui-se que a regra do art.. 173, 1, aplica-se para os tributos, em geral, inclusive para os sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo não cumprir o seu dever de lançar e antecipar o pagamento. Já o art. 150, § 4 0, aplica-se quando o sujeito passivo cumpre de forma parcial as obrigações tributárias, efetuando o lançamento e/ ou pagamento em valores inferiores aos efetivamente devidos. No presente caso, conforme se verifica dos autos e prova o demonstrativo de apuração da C1DE às fls. 87/90, a recorrente não efetuou quaisquer pagamentos por conta das parcelas da contribuição lançada e exigida. Assim, a contagem do prazo qüinqüenal deve ser feita nos termos do CTN, art. 173, 1, transcrito acima. Contando-se o prazo segundo esse dispositivo, na data de ciência do lançamento, em 12/12/2008 (fl. 83), o direito de a Fazenda Páblica constituir o crédito tributário correspondente ao período de competência de janeiro a novembro de 2003 ainda não havia decaído. O prazo limite se expiraria em 01/01/2009, na prática na data de 31/12/2008 Já em relação à incidência ou não da C1DE sobre os pagamentos remetidos a exterior, a título de royalties e/ ou por uso licença de uso de software, a Lei n" 10.168, de 29/12/200, que instituiu essa contribuição assim dispõe, ia verbis: "Art 2" Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, .firmados com residentes ou domiciliados no exterior, § Consideram-se, para . fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. sç. 2 A partir de 1" de janeiro de 2002, a contribuição de que nata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhat ite's a serem prestados por residentes ou domiciliadas no exterior, bàyil_ assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditar , c 0.,::n,2 entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer-- título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior(Redação da pela Lei n" 10.332, de 19.12 2001) § 3' A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliadas no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no Nç' 2" deys artigo. (Redação da pela Lei n" 10.332, de 19.12,2001) n ---------- ( ) " 6 Processo n" 168.32 00021.3/2008-44 S3-C3T/ Acórdão n." 3301-00,702 El .317 Já a Lei IV 9,609, de 19/02/1998, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador, sua comercialização no País, assim, estabelece, in verbis: "Art. 1" Programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte fIsico de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para fazê- los funciona;' de modo e para •fins determinados." Os pagamentos remetidos ao exterior pela recorrente, a título de uso de software e objetos do lançamento em discussão, enquadram-se nos dispositivos legais transcritos e estão sujeitos à CIDE.. O fato de ter havido ou não transferência de tecnologia, no presente caso não importa, uma vez que somente a partir de 1" de janeiro de 2006 essa contribuição passou a não incidir sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização distribuição de programas de computador desde que haja a transferência da correspondente tecnologia, nos termos da Lei n" 11..452, de 27/02/2007. As ementas de soluções de consultas transcritas na decisão recorrida e a seguir repetidas reforçam a aplicação da Lei tf 10,168, de 29/12/2000, art. 2", transcrito anteriormente, sobre remessas para o exterior a título de licença de uso de software: "REMESSA AO EXTERIOR - Programas de Computador (Software) - Licença de Usa Estão sideitas à incidência na fonte, à aliquota de quinze por cento, as importâncias pagas, ci editadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a titulo de remuneração pela licença de uso de programa de computador - (software) para distribuição no Pais por caracierirarem pagamento de rovalties. Dispositivos Legais: Art. 3" da Medida Provisória n° .2.1.59-70, de .24.08..2001; art. 2° da Lei n° 10.168, de .29.12.2000 (alterado pelo ar!, 6° da Lá n° 10332, de 19.12 2001); e arts„ 682, I, e 710 do Decreto n° 3.000, de 26.03.1999 (republicado em 17.06.1999). Processo de Consulta n° .210/0.5 órgão . SRRF/8a. Região Fiscal Publicação no D.O U • 1.3 09 2005 (destaque não-original) REMESSA AO EXTERIOR - Programas de Computador (Software) - Licença de Uso Estão snieitas à incidência na finte, à ai/quota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração pela licença de uso de programa de computador - (sofilvare) para comercialização (sublicenciamento) no Pais, por caracterizar pagantento de rovalties. Dispositivos Legais . Art. 30 da Medida Provisória 11° 2 1.59-70, de 24 08.2001; art 2' da Lei n° 10 168, de 29 1.2..2000 (alterado pelo ar! O da Lei n° 10,33.2, de 19 122001); e arts 682, 1, e 710 do Decreto n° 3,000, de 26.03 1999 (republi do em 17 06 1999)Processo de Consulta n° .204/0.5. órgão.' SP 4F / 8a.. Região Fiscal. Publicação no D.O,U.. 13 09 200.5 -( rilb Ir não-original) -,i2.......„.- 7 REMESSA AO EXTERIOR - As remessas .feita.s ao exterior como contraprestação pela licença de uso de programa de computador. caracterizam pagamento de royalty e estão sujeitas à incidência de 1RRF, à alíquota de 1.5% Dispositivos Legais RIR/1999, ar! 710, .1l/IP n°2 062, de 2000, art. 30, §§ I° e 2' ;-MP-n° 2.159/70, de 2001, art 3". Processo de Consulta )7° 173/05. órgão SRRE/9a Região Fiscal, Publicação no D O U • 19 07.2005 REMESSA AO EXTERIOR - Programas de Computador (Software) - Licença de Usa Estão sujeitas à incidência na .fonte, à ai/quota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a titulo de remuneração pela licença de uso de programa de computador - (software de imagens digitais) para comercialização no Pais, por caracterizarem pagamento de royalties Dispositivos Legais. Ar! 3° da Medida Provisória n° 2.159-70, de 24 08,2001; ar!. 2° da Lei n° 10 168, de 29.12.2000 (alterado pelo art. 6° da Lei n° 10. 332, de 19 12.2001); e arts. 682, 1 e 710 do Decreto n° 3.000, de 26.03.1999 (republicado em 17 06.1999). Processo de Consulta n° 152/01 Órgão SRRF / 8a Região Fiscal Publicação no D.O 11. 13 072005. REMESSAS AO EXTERIOR PROGRAMA DE COMPUTADOR NATUREZA. As remessas ao exterior para empresa estrangeira em pagamento de licença de uso objeto de contrato de eyploração de direitos autorais sobre programa de computador estão sujeitas' à incidência de imposto rle renda retido na . fonte à ai/quota de 15% por se referirem a royalties. Dispositivos Legais.. Lei 9608/1998, ar!. l'; 1,4? 2.159-70/2001, R1R/1999, ar! 685, II, e 710. Processo de Consulta n° 143/05 órgão: SRRE / 6a Região Fiscal Publicação no D.O U. 13 06 2005 Também, a Solução de Consulta n" 558 de 2007, da SRRF/8" Região Fiseá pronunciou na mesma direção, conforme parte da ementa transcrita na decisão recorTida e or repetida, in verbis: 'Assunto, Contribuição de Intervenção no Domínio Económico — CIDE LICENÇA DE USO - Programas de Computador (Software) Até 31 de dezembro de 2005, a empresa .signatária de contratos de cessão de licença de uso de solhvare, independentemente de estarem atrelados à transferência de tecnologia, era contribuinte da Cide, relativamente às remessas efetuadas ao exterior a titulo de royalties A partir (te 1° de janeiro de 2006, à vista do disposto nos ruis. 20 e 21 da Lei n" 11 452, de 2007, apenas a remuneração pela licença de USO ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (softnare) que envolver a transferência da correspondente tecnologia estão sujeitas à incidência da Cicie, ou seja, quando para efeito de registro do contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI é obrigatória a entrega, pelo . fornecedor ou receptor da tecnologia, da documentação completa, em especial do código"- Processo e 16832 000213/2008-44 S3-C3T I Acói dio n." 3301 -0MO2 F1 318 fonte comentado, mentorial descritivo, especificações Inficionais internas, rliagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. Dispositivos Legais • Art. 11 da Lei n° 9.609, de 19.02.1998, • ar! 2° da Lei n° 10 168, de 29 12.2000 (alterado pelo art. 6° da Lei n° 10332, de 19.12.2001, e art. 20 da Lei n° 11.452, de 27.02.2007); e art 10 do Decreto n°4. 19.5, de 11 042002." As cópias do contrato acostadas aos autos e do seu aditivo, às fls. 289/307, comprovam que as remessas feitas ao exterior pela recorrente foram a titulo de royalties e/ ou licença de uso de software. Assim, estão sujeitas à CIDE nos termos da legislação transcrita anteriormente. Quanto à exigência dos juros de mota sobre o crédito tributário não-pago no vencimento, ao contrário do entendimento da recorrente, estes são devidos independentemente do motivo determinante do não-pagamento, conforme estabelece o CTN, art. 161, que assim dispõe, ia verbis: "Ari 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de furos de mora, sela qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquet medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária."grifo não-original) Já em relação à multa de oficio, seu lançamento e exigência tiveram como fundamento a Lei n°9430, de 27/12/1996, art. 44, I, ia verbis: 'Ar!. 44 - Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição• 1 - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o ve.ncimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte, ) A multa no lançamento de oficio tem como objetivo punir o sujeito passivo pela prática de infrações tributárias (falta de lançamento, de declaração e de pagamento da contribuição). No presente caso, a requerente não declarou nas respectivas DCTFs nem efeni o pagamento da CIDE que foi então lançada e exigida de oficio. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, rejeit9 as suscitadas preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. José 9
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002216/2003-80
Data da sessão: Tue May 04 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonca, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda (Relator).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonca, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda (Relator).
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score : 1.0
Numero do processo: 10730.900948/2009-12
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO. CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ART. 10, X DA LEI 10.833/2003. ART. 109 DA LEI 11.196/2005. ART. 3º, §§ 2º E 3º DA IN SRF 658/2006.
O contrato por preço predeterminado não fica descaracterizado pela aplicação de reajuste nele mesmo previsto, não sendo motivo de aplicação da hipótese do § 2º do art. 3º da IN SRF 658/2006, mas configurando a ressalva referida pelo § 3º do mesmo dispositivo.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-003.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinatura digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinatura digital)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição do Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO. CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ART. 10, X DA LEI 10.833/2003. ART. 109 DA LEI 11.196/2005. ART. 3º, §§ 2º E 3º DA IN SRF 658/2006. O contrato por preço predeterminado não fica descaracterizado pela aplicação de reajuste nele mesmo previsto, não sendo motivo de aplicação da hipótese do § 2º do art. 3º da IN SRF 658/2006, mas configurando a ressalva referida pelo § 3º do mesmo dispositivo. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Recurso voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1.082 1 1.081 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.900948/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.480 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria COFINS Recorrente CIEN COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2005 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO. CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ART. 10, X DA LEI 10.833/2003. ART. 109 DA LEI 11.196/2005. ART. 3º, §§ 2º E 3º DA IN SRF 658/2006. O contrato por preço predeterminado não fica descaracterizado pela aplicação de reajuste nele mesmo previsto, não sendo motivo de aplicação da hipótese do § 2º do art. 3º da IN SRF 658/2006, mas configurando a ressalva referida pelo § 3º do mesmo dispositivo. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 48 /2 00 9- 12 Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Allegretti. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição do Conselheiro Alexandre Kern. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte em 31.01.2006 (fl. 233), indicando como crédito o recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação ao fato gerador 28/02/2005. A homologação da compensação foi recusada por meio de Despacho Decisório (fl. 27) sob o fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados no PER/DCOMP”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/8) alegando, em síntese, que houve recolhimento a maior a título de Cofins nãocumulativo, em razão de ter computado no regime nãocumulativo receitas que deveriam ter sido submetidas ao regime cumulativo, por força do art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 e arts. 2º e 3º da IN SRF nº 658/2006. Estes dispositivos prevêem o seguinte, sucessivamente: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 3403003.480 S3C4T3 Fl. 1.083 3 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Alega que, tendo percebido o erro na apuração, recalculou os valores pertinentes ao regime nãocumulativo, resultando no indébito cujo valor indicou como crédito na DCOMP, “mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente (doc. 8), fato que induziu a digna autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar, conforme expôs no r. despacho decisório ora enfrentado” (itens 3.5 e 3.5.1 da manifestação de inconformidade). Informou, ainda, que havia usado o índice errado da Selic para a atualização do indébito e que também havia deixado de recolher uma diferença de valor em relação ao regime cumulativo, mas que providenciou o recolhimento destes valores por meio de DARF. Com a manifestação de inconformidade juntou cópia dos contratos firmados com FURNAS – CENTRAIS ELÉTRICAS S/A, em 05.05.1998 (Contrato 12.399, fls. 32 e seguintes), com as CENTRAIS GERADORAS DO SUL DO BRASIL – GERASUL em 20.10.1999 (Contrato 2118002 – fls. 90 e seguintes) e com a COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO RIO DE JANEIRO – CERJ em 26.06.2002 e 21.07.2003 (fls. 154 e seguintes e fls. 200 e seguintes). Todos estes contratos foram firmados pelo prazo de 20 anos. Também juntou cópia da DCTF (fls. 232) e da DCOMP (fls. 233/247) relacionada aos períodos envolvidos. Em seguida o contribuinte protocolou um aditamento à manifestação de inconformidade (fls. 201/202), promovendo a juntada de “demonstrativo da composição das corretas bases de cálculo da COFINS no período, nos regimes cumulativo e não cumulativo, acompanhado do Balancete e das folhas do Livro Razão correspondentes, que indicam (i) a receita bruta de venda de energia elétrica no mês; (ii) a parcela da receita decorrente dos contratos sujeitos ao regime cumulativo; bem como (iii) as receitas diferidas na forma do artigo 7° da Lei n° 9.718/98”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II/RJ (DRJ), por meio do Acórdão nº 1331.336, de 03 de setembro de 2010 (fls. 221/223) manteve a decisão de não homologação, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2005 Preço Predeterminado. Subsistência. Até a primeira alteração. A permanência no regime cumulativo do PIS e da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei n° 10.833/03, depende do miter predeterminado do preço, que subsiste somente até a implementação, após 31/10/03, da primeira alteração do preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, salvo situações excepcionais legalmente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. No voto proferido na DRJ, depois de esclarecer que a IN SRF 486/2004 foi revogada pela IN SRF 658/2006, explicou o Relator o seguinte, analisando os contratos: Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 3403003.480 S3C4T3 Fl. 1.084 5 Em juízo inicial, por meio do confronto dos dados acima sintetizados com os requisitos legais (1 a 4), acima resumidos, concluise que os mencionados contratos atendem as exigências da lei para que a contribuinte possa adotar o regime cumulativo para as receitas dai derivadas. Ocorre que ha outro requisito referente a permanência no regime. A lei impõe a exclusão do regime cumulativo, quando da primeira alteração no preço do fornecimento, conforme se verifica abaixo: Instrução Normativa SRF n°658/2006 Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1° Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 22, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: 1 de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. E necessário, então, voltar a examinar cada contrato para verificar se atende ao disposto no art. 3º da IN n° 658/06, que regulou o preço predeterminado referenciado na Lei. No primeiro contrato, firmado com FURNAS, registrase na cláusula 28, pág. 33 do contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no mês de setembro, deduzindose daí ter havido em setembro de 2004 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de outubro de 2004 as receitas decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime não cumulativo, no periodo de janeiro de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. No segundo contrato, firmado com a GERASUL, registrase na cláusula 28, pág. 34 do contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no mês de setembro, deduzindose dai ter havido em setembro de 2004 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de outubro de 2004 as receitas decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime não cumulativo, no período de janeiro de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. No terceiro contrato, firmado com a CERJ, registrase na cláusula 12, pág. 20 do contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no dia 31/12, deduzindose dai ter havido em 31/12/03 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de janeiro de 2004 as receito decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime nãocumulativo, no período de janeiro de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. No quarto contrato, firmado também com a CERJ, registrase no parágrafo primeiro da cláusula 15, com a redação dada pelo Primeiro Termo Aditivo ao contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no dia 31/12, a partir de 31/12/03, que é a data de inicio conforme na cláusula 2, com a redação dada pelo Primeiro Termo Aditivo ao contrato, deduzindose dai ter havido em 31/12/04 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de janeiro de 2005, as receitas decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime não cumulativo, no período de janeiro de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. Conclusão: Quanto aos contratos analisados, não procede o pedido, porquanto, o regime da nãocumulatividade fora adotado corretamente no período de janeiro de 2005, descabendo a troca para o regime cumulativo, não existindo, assim, o crédito que dai decorreria. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 226/244), no qual reitera os mesmos argumentos da sua manifestação de inconformidade. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 3403003.480 S3C4T3 Fl. 1.085 7 Também sustenta a nulidade do acórdão da DRJ por ter se omitido da apreciação do Ofício ANEEL nº 1431/2006, “no qual o próprio Governo Federal, por intermédio de seu órgão técnico competente, havia afirmado peremptoriamente que esses reajustes ‘visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados’, nas forma prevista nos mencionados artigos 27, § 1º, II da Lei nº 9.069/95 e artigo 109 da Lei nº 11.196/05”, argumentando, ainda, que diante desta prova incumbiria ao Fisco produzir contraprova de que os índices dos contratos seria superiores ao que corresponderiam ao acréscimo do custo de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos. Este Conselho, por meio da Resolução nº 3403000.271 (fls. 307/314e), converteu o julgamento em diligência para que fosse auditada a apuração do indébito apresentada pelo contribuinte, verificando qual o valor das receitas que envolvem cada um dos contratos em questão, e qual seria o valor do indébito, considerando os valores recolhidos e a apuração das demais receitas pelo regime nãocumulativo, se a receita destes contratos de fato devessem se sujeitar ao regime cumulativo. A Delegacia de origem, depois de levantadas as informações necessárias, lavrou TERMO DE ENCERRAMENTO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA (fls. 946/957e), ao final demonstrando o valor devido de Cofins em dois panoramas: considerando as receitas dos contratos envolvidos como sujeitas ao regime nãocumulativo (item 7.1) e como sujeitas ao regime cumulativo (item 7.2). Intimado quanto ao resultado da diligência, a Recorrente apresentou manifestação (fls. 961/968e) diz que a diligência fiscal confirmou a existência do direito creditório pleiteado. Reiterou a alegação de que os contratos em questão foram aprovados e homologados pela ANEEL, com a indicação dos índices e datas dos reajustes aplicáveis ao preço prédeterminado e apresentou precedentes da 2ªTurma da 4ª Câmara da 3ªSeção, que apreciaram os mesmos contratos, concluindo pelo reconhecimento do direito da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 23/09/2013 (fl. 969), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 29/08/2013 (fl. 967). Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma ao acórdão da DRJ, conheço do recurso. A discussão gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração da Cofins as receitas decorrentes de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, desde que “com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço determinado, de bens ou serviços”. É neste texto que surge a tormentosa tarefa de definir e delimitar o conceito de preço determinado. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 O parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006 detalha que “O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”. Não pode haver dúvida, a meu entender, de que o texto da IN apenas pretendeu reiterar o conteúdo normativo do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, verbis: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Percebase que embora ambos os dispositivos, da Lei e da Instrução Normativa, refiramse à Lei nº 9.069/95, esta norma em nada contribui para o detalhamento do conceito, apenas repetindo o mesmo texto: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I omissis II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; Não há maiores detalhamentos, portanto, do que possa significar um reajuste “em função do custo de produção” ou de “variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”. E se não parece simples definir estes conceitos, fica igualmente tormentosa a tarefa de pesquisar se os percentuais aplicados no reajuste porventura ultrapassam tais conceitos. Em primeiro lugar, parece necessário entender que o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio à lume justamente para impedir que se pudesse interpretar que a simples aplicação de um reajuste fosse suficiente para descaracterizar o “preço determinado”. Isto fica evidente, inclusive, pela determinação de que tal interpretação deve ser tomada em conta desde 1º novembro de 2003, por força do parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 3403003.480 S3C4T3 Fl. 1.086 9 Esta nova Lei, portanto, teve a finalidade de integrar o sentido da Lei anterior. Nisto, parece ter se alinhado à interpretação que os Tribunais já vinham pronunciando para o dispositivo da Lei nº 10.833/05, antes da Lei nº 11.196/05 ter vindo à lume. Confiramse os seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEI 10833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO À REGRA ESTABELECIDA PELO ARTIGO 10, INCISO XI, CC. ARTIGO 15, INCISO V, DA LEI N° 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/04. ILEGALIDADE. REVOGADA PELA LEI No 11.196, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2005. 1. Discutese a validade da tributação na forma preconizada pelo artigo 10, inciso XI, cc. artigo 15, inciso V, da Lei n° 10.833/03, diante do contrato de concessão firmado com o Poder Público, antes de 31 de outubro de 2003, por período certo, superior a um ano, e a preço determinado, não se sujeitando a ilegal INSRF n° 468/04, que, desbordando do texto legal e alterando os critérios de tributação traçados pela lei, definiu o que vem a ser preço determinado. 2. A INSRF n° 468/04 conferiu interpretação equivocada ao inciso XI, alínea “c” do artigo 10 da Lei 10.833/03. 3. A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, tratou de dissipar eventual dúvida de interpretação nesse sentido, dispondo sobre o tema, em seu artigo 109, que: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” 4. Apelação e remessa oficial improvidas. (TRF 3ª Região. Rel. ELIANA MARCELO. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007) DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRATOS DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. ART. 10, INCISO XI, ALÍNEA "B" DA LEI 10.833/03. IN 468/04. CUMULATIVIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. É ilegal a exclusão promovida pela IN 468/04 dos contratos de fornecimento de energia elétrica, com prazo superior a 1 (um) ano, celebrados antes de 31/10/2003, a preço determinado, prevista no art. 10, inc. XI, alínea "b" da Lei 10.833/03. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 2. Reconhecido o direito das impetrantes de recolher o PIS e a COFINS pela sistemática da, nos contratos de fornecimento de energia elétrica com prazo superior a 1 (um) ano, celebrados antes de 31/10/2003, a preço determinado. 3. A compensação somente poderá ser implementada após o trânsito em julgado, nos termos do art. 170A do CTN. 4. A correção monetária do indébito deve se dar pela variação da taxa SELIC. 5. Apelação provida. (TRF 4ª Região. Rel. ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007) “DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRELIMINAR DE INADEQUAÇÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA. REJEIÇÃO. COFINS E PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. LEI No 10.833/03. ARTIGOS 10, XI, E 15. REGIME FISCAL ANTERIOR. CONTRATOS FIRMADOS ANTERIORMENTE A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CORREÇÃO MONETÁRIA POR CRITÉRIO PREDETERMINADO (IGPM). ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA No 468/04. INOVAÇÃO DO PRECEITO LEGAL. 1. Rejeitada a preliminar de inadequação da via eleita, uma vez que a alegação da agravada, no sentido da falta de direito líquido e certo no mandado de segurança impetrado na origem, condiz com o próprio mérito, a ser solucionado a tempo e modo, não existindo impedimento processual a seja processada a impetração, pois a "alta indagação do direito" não é incompatível com o rito célere do writ constitucional, nem se comprovou, por outro lado, a necessidade de provas além das que foram produzidas documentalmente nos autos. 2. A previsão, contida nos artigos 10, XI, e 15, da Lei no 10.833/03, de aplicação do regime fiscal anterior da cumulatividade, relativamente ao PISCOFINS, alcança os contratos firmados antes de 31/10/2003, com preços predeterminados, ainda que sujeitos a cláusulas de reajuste, desde que por criteŕio prefixado e destinado à mera recomposição monetária, como ocorre no caso concreto. 3. A IN nº 468, de 08/11/2004, cujo artigo 2o, § 2o, restringiu o benefício do regime fiscal anterior apenas ao período em que não houve reajuste, determinando que, depois do reajuste, periódico ou não, se aplique o regime da não cumulatividade, restringe o alcance de norma legal, incorrendo, como aferido em juízo sumário, em ilegalidade. 4. Provimento do agravo de instrumento para a concessão de liminar, garantindo ao contribuinte a sujeição ao regime fiscal da cumulatividade do PISCOFINS, em relação ao faturamento ou receita oriundos do contrato de concessão, juntado aos autos, mesmo depois de eventuais reajustes, desde que observado o Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 3403003.480 S3C4T3 Fl. 1.087 11 critério de correção monetária previamente fixado. 5. Agravo regimental julgado prejudicado.” (TRF 3ª Região. Rel.Des. Fed. CARLOS MUTA. AG 234522. DJU 21/03/2007 p. 189 ) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. PERMANÊNCIA NO REGIME DA CUMULATIVIDADE. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. CLÁUSULA DE REAJUSTE. REQUISITOS DO ART. 10, XI, B, DA LEI 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 658/06. INADEQUAÇÃO. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. 1. A Secretaria da Receita Federal, ao editar as INs SRF 468/04 e 658/06, impediu que contratos, embora se subsumindo as hipóteses previstas na Lei 10.833/03, usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço. 2. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. 3. Essa desclassificação da natureza jurídica dos contratos com preço préestabelecido pela Receita Federal encontra óbice na inadequação do veículo utilizado: a instrução normativa. 4. Diante da evolução da legislação reguladora da compensação tributária, resta autorizada a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, com qualquer tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, ainda que o destino das arrecadações seja outro, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. 5. Remessa oficial a que se nega provimento. (TRF 1ª Região. Rel. Des. Fed. MARIA DO CARMO CARDOSO. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007) Como visto, os precedentes acima fulminam a já revogada IN 468/04, justamente pelo fato desta Instrução Normativa não contemplar a ressalva depois prevista na Lei nº 11.196/2005, então enxertada no § 3º do art. 3º da IN 658, que lhe sucedeu. Apóiome nos referidos precedentes judiciais, deles extraindo o mesmo critério, para entender que a aplicação de um índice de correção monetária não descaracteriza o “preço determinado” referido pelo art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Faço minhas, portanto, as palavras da Desembargadora Federal Maria do Carmo, de que “O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado”. Vale perceber, ainda, que na sua origem remota, quando o conceito surgiu no art. 27 da Lei nº 9.069/95, pretendiase – em relação aos “contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – autorizar que nestes casos se pudesse utilizar um critério de atualização diferente daquele índice específico fixado no caput. No presente caso, o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 utiliza o mesmo conceito para dizer que o reajuste não configura uma alteração de preço, nem alteração de contrato, mas apenas a preservação dos ajustes necessários ao preço, justamente para permitir a duração do contrato pelo longo período de tempo para o qual foi concebido para durar. Assim, o reajuste por índice de correção previsto no próprio contrato original, firmado e vigente antes de 31 de outubro de 2003, não pode implicar na sua exclusão do conceito de contrato por preço determinado, prevista no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003. Entendo, por isso, que a aplicação do índice de atualização previsto no contrato não desqualificou o “preço predeterminado”, mantendose as receitas no tratamento previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003, devendo por isso ser provido o recurso do contribuinte, para reconhecer o direito de crédito. Destaco, ainda, que este mesmo Conselho, analisando os mesmos contratos desta mesma Recorrente, já reconheceu o mesmo direito ao contribuinte, conforme se verifica na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Cláusula de reajuste. Preço predeterminado. Regime de incidência tributária. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de reajuste com base no IGPM. (Acórdão 3402001887, Processo 10730.900925/200916, rel. Cons. Gilson Macedo Rosemburg Filho, j. 25/09/2012) É o mesmo, o entendimento aplicado ao presente caso. Voto, pois, pelo provimento do recurso. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900948/200912 Acórdão n.º 3403003.480 S3C4T3 Fl. 1.088 13 Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10980.009987/2005-16
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
Constatada a existência de pagamento antecipado de imposto, fica configurada a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir do crédito tributário, quando se verifica que a ciência da Notificação de Lançamento ocorrera após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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DECADÊNCIA. Constatada a existência de pagamento antecipado de imposto, fica configurada a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir do crédito tributário, quando se verifica que a ciência da Notificação de Lançamento ocorrera após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 99 87 /2 00 5- 16 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Por bem reproduzir os fatos que ensejaram a formalização do presente processo, abaixo se reproduz o relatório extraído do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento às fls. 14 a 16: Por meio do auto de infração de fls. 02 a 04, exigese do contribuinte R$ 2.391,66 de restituição indevida a devolver corrigida, relativa ao exercício de 2000, anocalendário 1999. A autuação, efetuada com base nos arts. 8°, II, "a", "b" e "c" e §§ 2° e 3° e 35 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 43 a 46 da Instrução Normativa SRF n° 25, de 02 de maio de 1996, constatou as seguintes infrações na declaração de ajuste anual (fls. 09 a 12): dedução indevida de dependente, R$ 1.080,00, em virtude de Maria de Lourdes Paz de Lima constar como dependente de Alvir Pereira de Lima Júnior, dedução indevida de despesa de instrução, R$ 1.086,50, por não se tratar de despesa do declarante ou seus dependentes, dedução indevida de despesas médicas, R$ 6.319,16, em face de ajuste do valor da Unimed para R$ 4.334,96, conforme comprovação, e glosada a despesa de R$ 4.920,00, não comprovada. Cientificado, o contribuinte apresentou, em 12/09/2005, a impugnação de fl. 01, acatada como tempestiva pelo Órgão de origem (fl. 13), anexando comprovante da Unimed (fl. 05) e alegando que o cônjuge sempre foi seu dependente. Afirma que desconhecia a informação prestada na declaração do filho e entende que esse deve ser intimado a esclarecêla. A DRJ considerou o lançamento procedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 GLOSA DAS DESPESAS COM INSTRUÇÃO E PARTE DA GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIAS AO IMPUGNADAS. Considerase não impugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não se manifesta. DEPENDENTE. DEDUÇÃO SIMULTÂNEA. Incabível a dedução simultânea do dependente, pleiteado na declaração de outro contribuinte. Lançamento Procedente” Tendo sido cientificado da decisão de primeira instância em 06/06/2008, fls. 19, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 20/06/2008, fls. 20/21, alegado, em resumo, que a dependente excluída pelo lançamento é sua esposa há mais de 48 (quarenta e oito) anos e que o lançamento deveria ter sido realizado na pessoa física de seu filho que deduziu indevidamente a mãe como dependente em sua declaração de rendimentos. É o relatório. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.009987/200516 Acórdão n.º 2802002.449 S2TE02 Fl. 31 3 Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Tratandose de lançamento de ofício correspondente ao exercício financeiro de 2000, anocalendário de 1999, do qual o Recorrente foi intimado, via postal em 5 de setembro de 2005, conforme Aviso de Recebimento – AR, fls. 08 (fls. 13 do processo digital) há que se perquirir acerca da decadência do poder/dever da autoridade lançadora proceder este ato administrativo, haja vista que, por se revelar como norma de ordem pública, consoante arts. 219, § 5º e 295, inciso IV, do Código de Processo Civil – CPC, tal instituto se torna passível de ser questionado de ofício. Inicialmente, destaco que nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, com as alterações dadas pela Portaria nº 586, de 2010, ficou determinado que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. A respeito da matéria o E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC, pronunciou entendimento de que o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. I. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fox, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.I42/SP, Rel. Ministro Luiz Fox, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 32DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 (...).” A questão atinente à investigação sobre a existência ou não de recolhimento antecipado pelo contribuinte, no caso dos presentes autos, fica solucionada mediante análise da folha de rosto da Declaração de Ajuste Anual às fls. 09 (item 18 do campo IMPOSTO PAGO). Depreendese dos cálculos consignados na referida declaração, que houve imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 11.378,51. Em virtude de apuração de imposto de renda devido no valor de R$ 8.149,84, restou declarado imposto de renda a restituiu no valor de R$ 3.228,67. Portanto, confirmase a existência de pagamento antecipado na declaração de rendimentos no valor de R$ 8.149,84. Diante dessa situação, evidenciase que o caso em concreto se amolda à regra expressa no art. 150, § 4°, do CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Nesse contexto, constatada a existência de pagamento antecipado de imposto e tratandose o lançamento de fato gerador ocorrido em 31/12/1999, fica configurada a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir do crédito tributário, objeto da Notificação de Lançamento, uma vez que à época da ciência do contribuinte, ocorrida em 05/09/2005, já havia sido ultrapassado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer, de ofício, a decadência do poder/dever de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de IRPF, relativo ao anocalendário de 1999. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 33DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13896.903433/2008-99
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
PER/DCOMP. IDENTIFICAÇÃO EQUIVOCADA DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PER/DCOMP. IDENTIFICAÇÃO EQUIVOCADA DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PER/DCOMP. IDENTIFICAÇÃO EQUIVOCADA DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 34 33 /2 00 8- 99 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 49): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), com indicação equivocada do Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) materializador do pagamento indevido. No julgamento da manifestação de inconformidade, por sua vez, a DRJ entendeu que o ônus da demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito seria do sujeito passivo e que não havia nos autos prova suficiente nesse sentido. O sujeito passivo, nas razões recursais de fls. 58 e ss., alega que que, embora tenha retificado a declaração, cometeu novo equívoco no PER/Dcomp retificadora, indicando data de arrecadação (13/10/2004, ao invés de 15/04/2004) e valor do crédito inicial equivocados (de R$ 21.569,96, quando o correto seria R$ 21.391,03). Sustenta que este lapso não pode afastar o direito à repetição do indébito, porque a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Cita jurisprudência do Carf e requer, ao final, o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13896.903433/200899 Acórdão n.º 3802001.957 S3TE02 Fl. 94 3 O Recorrente teve ciência da decisão no dia 14/12/2011 (fls. 56), interpondo recurso tempestivo em 28/12/2011 (fls. 57). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Inicialmente, cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Nesse sentido, destacase o seguinte julgado da Turma: “[...] PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.339. Rel. Solon Sehn. S. 27/09/2012). No presente feito, notase que o sujeito passivo, em duas oportunidades, indicou inadequadamente a origem do direito de crédito, sendo a última por ocasião da transmissão do PER/Dcomp retificadora. Nesta, por sua vez, foram indicadas a data de arrecadação do Darf (13/10/2004, ao invés de 15/04/2004) e valor do crédito inicial equivocados (de R$ 21.569,96, quando o correto seria R$ 21.391,03). Houve, portanto, equívoco na identificação do direito de crédito, fato que inviabiliza o aperfeiçoamento do encontro de contas pretendido pelo Recorrente, uma vez que nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário têm efeito retificador. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13896.903433/200899 Acórdão n.º 3802001.957 S3TE02 Fl. 95 5 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10140.000983/2001-22
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 26/04/2001
EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DAS CONDIÇÕES.
São cabíveis os tributos suspensos, e as multas aplicáveis, quando descumpridas as condições básicas à aplicação do regime aduaneiro especial de exportação temporária.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.368
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 26/04/2001 EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DAS CONDIÇÕES. São cabíveis os tributos suspensos, e as multas aplicáveis, quando descumpridas as condições básicas à aplicação do regime aduaneiro especial de exportação temporária. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Numero do processo: 12466.000091/2009-31
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/12/2008
CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI.
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 09/12/2008 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 418 1 417 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.000091/200931 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.430 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria II. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/12/2008 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 00 91 /2 00 9- 31 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03), em decorrência de classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, mais especificamente na importação de “cartuchos de toner de diversos modelos”, classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. Segundo entendeu a fiscalização, os citados cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 02/30) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de recolhimento do Imposto de Importação – II (R$ 13.403,26); Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Importação (R$ 26.806,53); PIS/PASEP Importação (R$ 99,70) e COFINS Importação (R$ 459,20), acrescidos da multa de ofício, bem como à multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor de R$ 2.233,87, prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001. Foi constatado pela fiscalização que alguns itens da adição 001 da Declaração de Importação (DI) nº (DI) n° 08/19685962, relacionados nos autos de infração, são partes de equipamentos multifuncionais, classificáveis na Nomenclatura Comum do Mercosul no código 8443.99.39, da TEC, aprovada pela Res. Camex n° 43/2006, sendo que o importador classificou os cartuchos de toner no código NCM 8443.99.29. A auditoria explica que a alínea “b” da Nota 2 da Seção XVI determina que as partes que se possam identificar como específica ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas por uma mesma posição são classificadas na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. A posição 8443 apresenta uma subposição específica para partes (8443.9) e como as Fl. 419DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.000091/200931 Acórdão n.º 3202001.430 S3C2T2 Fl. 419 3 máquinas, nas quais são empregadas os cartuchos de toner, não operam por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 8442, a subposição de segundo nível apropriada para tais mercadorias é 8443.99. Para a determinação do item e subitem para as mercadorias, levouse em consideração a Regra Geral Complementar nº 1. Como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores (8443.99.1), de impressoras ou traçadores gráficos (8443.99.2) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão pela utilização da RGI 3, alínea c, uma vez que não é possível determinar se a função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as RGI 3ª e 3b. Dessa forma, sendo o item 8443.99.3 o último na ordem numérica, dentre os suscetíveis de enquadramento da mercadoria, devese adotálo pela aplicação da Regra 3c. Finalmente, como não existe um subitem apropriado para a sua inclusão, o código NCM apropriado é o 8443.99.39. Informa que tal entendimento é corroborado pela Solução de Consulta SRRF / 9ª. RF / DIANA n° 126, de 26 de março de 2007, que versa sobre a classificação fiscal de cartucho de toner para máquinas multifuncionais, capazes de desempenhar duas ou mais funções, como impressão, cópia, ou transmissão de telecópia. Tratase de importação por conta e ordem de terceiros, cujo adquirente é Hewlett Packard Brasil Ltda, CNPJ 61.797.924/000740, nomeada solidariamente responsável pelo imposto, conforme inciso III do artigo 105 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Regulamento Aduaneiro). Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 91/99, na qual, em síntese: Alega que a Regra Geral nº 3a mostrase suficiente para sustentar a classificação das mercadorias na posição NCM 8443.99.29 (partes e acessórios / de impressoras ou traçadores gráficos/outros), eis que é mais específica do que a posição 8443.99.39. Ademais, em observância ao disposto na segunda parte da Regra 3a combinado com a Regra 3b, a classificação fiscal correta é a eleita pelo contribuinte, pois o produto deve ser classificado pelo artigo que lhe confira a característica essencial e, neste caso, a característica essencial do equipamento multifuncional é de impressora, e não de copiadora. Vejase que a função de copiadora acaba necessariamente utilizando da função de impressão, enquanto que a função de impressora não necessita de nenhum elemento da função de cópia. Aduz que a Regra 3c é de aplicação em caráter subsidiário, não prevalecendo na hipótese de especificidade ou essencialidade do produto, quando então valem as regras 3a ou 3b. Transcreve posicionamento da Diana da 7ª. Região Fiscal, através da Solução de Consulta n° 68, de 06 de outubro de 2008. Pretende a produção de provas, notadamente pericial, formulando quesitos e indicando assistente técnico. Requer a improcedência do presente Auto de Infração e o levantamento dos depósitos efetivados. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação. Confirase a ementa do julgado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/12/2008 CARTUCHO DE TONER COMPATÍVEL COM EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas e, subsidiariamente, a exclusão da multa e dos juros de mora, em razão de seguir conduta reiteradamente adotada pelas autoridades administrativas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”. O importador classificou os produtos no código NCM/SH 8443.99.29, por entender que esta posição é mais específica do que aquela indicada pela fiscalização, devendo ser aplicada a RGI/SH 3B (Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado), subsidiária da RGI/SH 3A. Isto porque “conforme os dizeres da regra 3B das RGISH, uma mercadoria deve ser classificada na posição NCM que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação em produtos que estejam misturados ou em obras compostas por matérias diferentes”. A fiscalização, por sua vez, afirma que os citados cartuchos devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Isto porque, no seu entender, “como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.000091/200931 Acórdão n.º 3202001.430 S3C2T2 Fl. 420 5 (8443.99.1), de impressoras ou tragadores gráficos (8443.99.3) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão em algum dos itens acima. Tal enquadramento deve ser feito pela utilização da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3, alínea c, uma vez que, conforme já foi exaustivamente discutido em processos de solução de consulta anteriores à modificação ocorrida na TEC em 2006, que criou posição específica para as máquinas multifuncionais (8443.31.00), não possível determinar se a função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b”. As posições indicadas pelas partes estão dispostas na TEC conforme abaixo: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Pois bem. Essa matéria não é nova nesta Turma. Já foi apreciada em dois julgados proferidos recentemente: o primeiro, de relatoria do ilustre Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão nº 3202000.551, sessão de 21/08/2012) e o segundo, de relatoria da nobre Presidente e Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Acórdão nº 3202000.774, sessão de 25/06/2013). Nesse último julgado, inclusive, a Recorrente também era a empresa Cisa Trading S/A. Deste modo, por concordar inteiramente com o voto proferido no Acórdão nº 3202000.774, onde há identidade de matéria e de partes com o processo em análise, e também por economia processual, adoto neste voto os mesmos fundamentos e razões de decidir proferidos naquele julgado, o qual se transcreve parcialmente a seguir: Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.30 – De máquinas copiadoras Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.000091/200931 Acórdão n.º 3202001.430 S3C2T2 Fl. 421 7 impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls. 43/48), a saber: “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturado e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma caneta relógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax), não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. No que diz respeito à aplicação das multas e dos juros, requer a contribuinte a sua exclusão, vez que, segundo alega, agiu conforme prática reiterada da Administração. Primeiramente, é de se salientar que não existe a alegada prática reiterada da Administração, tendo em vista, até mesmo, a existência de solução de consulta orientando a classificação da mercadoria no código pretendido pelo Fisco. Muito embora a consulta não seja dirigida à ora recorrente, verificase dali a inexistência de tal prática reiterada pelo órgão competente para dirimir dúvidas acerca de classificação fiscal. De outro giro, não se pode olvidar que o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Os critérios para aplicação dos acréscimos legais são objetivos e não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especifica. No que se refere à multa de ofício, temse que o não recolhimento dos tributos caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a aplicação da multa de ofício de 75%, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. O mesmo se pode dizer da multa de 1% por classificação errônea na NCM, estabelecida no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03. No tocante aos juros moratórios, sua exigência também é pertinente, vez que, ao teor do artigo 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento (no caso, a data do registro da DI) deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, calculados na forma do §3º do art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Como já destacado no irretocável voto acima transcrito, a RGI/SH 3A pode ser aplicável apenas quando uma posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. O termo “genérico” utilizado pela regra, a meu ver, deve ser entendido como uma classe envolvendo diversas espécies, um conjunto de espécies. Pois bem. No caso em tela, dentre os códigos suscetíveis de serem utilizados (8443.99.20 – partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; 8443.99.30 – partes e acessórios de máquinas copiadoras) nenhum é “genérico”. Ambos são específicos e determinados: o primeiro referese às partes/acessórios de impressoras e o segundo, às partes/acessórios de copiadoras. Portanto, como dispõe a parte Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.000091/200931 Acórdão n.º 3202001.430 S3C2T2 Fl. 422 9 final da própria RGI/SH 3A, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma das partes do produto composto, tais posições devem considerarse como igualmente específicas. Por outro lado, a RGI/SH 3B é destinada aos “produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”. Observese que a regra utiliza como fator determinante a composição das matérias/ingredientes que compõem os produtos mesclados, compostos ou sortidos. A máquina multifuncional não é um “produto misturado”, não é uma “obra composta por matérias diferente” ou uma “obra constituída pela reunião de artigos diferente”, nem muito menos uma “mercadoria sortida”! Por isso a máquina multifuncional não deve ser classificada considerandose o critério de sua matéria constitutiva (plástico, metal, etc...). Devese utilizar o critério do uso ou função da mercadoria. A máquina multifuncional, como o próprio nome indica, tem múltiplas funções. Destarte, inaplicável a regra 3B ao caso em tela. Resta, portanto, a aplicação da RGI/SH 3C, uma vez que as Regras 3A e 3B não permitiram efetuar a classificação, de modo que a mercadoria deve ser classificada na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de serem adotadas (8443.99.20 ou 8443.99.30). Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. Por fim, quanto ao argumento de que deve ser excluída a multa e os juros de mora em razão das supostas práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do CTN), entendo que não assiste razão à Recorrente. A litigante alega que algumas soluções de consulta proferidas pela 7ª Região Fiscal, indicando o código indicado por ela, configurariam prática reiterada pela autoridade administrativa, nos termos do art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN, o qual dispõe: Art. 100 São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O equívoco, ao invocarse o art. 100 do CTN, reside em pretender imputar à solução de consultas, registrese de outros contribuintes, como prática reiterada da Administração, quando, em verdade, aquela não possui esse atributo. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 O instituto da consulta fiscal garante ao contribuinte consulente, e apenas a ele, o direito de obter manifestação formal da Administração Tributária, em caso de dúvida sobre a interpretação de dispositivo específico da legislação tributária ou à correta classificação fiscal de um produto específico, de modo que o consulente fica “protegido”, no que se refere à matéria objeto da consulta, contra sanção pelo não pagamento ou pelo pagamento a menor de tributos. Tratase de uma norma individual (vala apenas para a consulente) e concreta (acerca de determinada mercadoria importada ou em vias de o ser). Terceiros não aproveitam dos efeitos da consulta. Como muito bem destacou a decisão recorrida, “as Soluções de Consulta ou de Divergência apenas dizem respeito à situação fática trazida pelo respectivo consulente. Como atos interpretativos que são não têm o poder de instituir normas, limitandose a explicitar o sentido e o alcance das normas integrantes dos atos constitutivos que interpretam. Sua normatividade fundase no poder vinculante do entendimento neles expresso em relação aos órgãos da administração tributária e somente ao sujeito passivo alcançado pela orientação que propiciam. Tratam de casos específicos, inseridos em determinado contexto causal ou temporal, pelos quais não se pode simplesmente aferir a perfeita similaridade com outras situações”. Assim, a premissa adotada pela Recorrente para aplicação do citado dispositivo legal afigurase incorreta, não restando configurada prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa. As práticas reiteradas são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, consagrando, assim, os usos e costumes como fonte do direito tributário e, por isso mesmo, a sua caracterização pressupõe: i) inexistência de norma escrita a respeito de determinada matéria, motivando assim a adoção de práticas, pela autoridade fiscal, com vista a suprir a lacuna legal ou regulamentar a sua execução; ii) a compatibilidade entre a prática tida por reiterada e a lei, já que consistem em normas complementares a esta, sob pena de se admitir a ilicitude da Administração como geradora de direitos. Com efeito, no ordenamento jurídico pátrio é princípio assente a primazia da lei, notadamente em atividade tributária, não cabendo invocar o costume em detrimento do direito escrito. No caso em concreto, o litígio deve ser resolvido com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner de diversos modelos” devem ser classificadas no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C, não cabendo aludir a direito consuetudinário, sob o argumento de que há soluções de consultas em sentido divergente ao adotado pela fiscalização. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.000091/200931 Acórdão n.º 3202001.430 S3C2T2 Fl. 423 11 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 17546.000736/2007-06
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2003
GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DO TRIBUTO.
O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, que impõe a responsabilidade solidária das empresas do mesmo grupo econômico pelo pagamento das contribuições previdenciárias, deve ser interpretado conforme os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da matéria, quais sejam, os arts. 124 e 128.
Restando comprovado pela fiscalização que as empresas apontadas como co-responsáveis compartilhavam de quadro de pessoal e de mesma direção, controle ou administração, devem ser consideradas como solidariamente responsáveis.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. ART. 133 DO CTN. ESTABELECIMENTO COMERCIAL OU FUNDO DE COMÉRCIO.
A legislação tributária prevê a responsabilidade por sucessão tanto na hipótese de transferência do fundo de comércio, quanto na transferência de estabelecimento comercial, sendo este, nos termos do art. 1.142 do CC/02, o complexo de bens destinados ao exercício da empresa, enquando aquele é o sobrevalor atribuído ao estabelecimento, em decorrência de sua perspectiva de produzir resultados.
Numero da decisão: 2302-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrente MONALISA PEREIRA LOPES NOGUEIRA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2003 GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DO TRIBUTO. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, que impõe a responsabilidade solidária das empresas do mesmo grupo econômico pelo pagamento das contribuições previdenciárias, deve ser interpretado conforme os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da matéria, quais sejam, os arts. 124 e 128. Restando comprovado pela fiscalização que as empresas apontadas como co responsáveis compartilhavam de quadro de pessoal e de mesma direção, controle ou administração, devem ser consideradas como solidariamente responsáveis. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. ART. 133 DO CTN. ESTABELECIMENTO COMERCIAL OU FUNDO DE COMÉRCIO. A legislação tributária prevê a responsabilidade por sucessão tanto na hipótese de transferência do fundo de comércio, quanto na transferência de estabelecimento comercial, sendo este, nos termos do art. 1.142 do CC/02, o complexo de bens destinados ao exercício da empresa, enquando aquele é o sobrevalor atribuído ao estabelecimento, em decorrência de sua perspectiva de produzir resultados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 07 36 /2 00 7- 06 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 17546.000736/200706 Acórdão n.º 2302002.634 S2C3T2 Fl. 349 2 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Trata se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em face de MONALISA PEREIRA LOPES NOGUEIRA ME, no valor de R$ 3.307,78 (três mil trezentos e sete reais e setenta e oito centavos), referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurado empregado, correspondente à parte do empregado (alíquota mínima) e à parte da empresa, ao SAT, bem como as destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 41/51. Da análise dos autos, verificase que a fiscalização atribuiu responsabilidade solidária sobre os valores decorrentes dos lançamentos fiscais realizados, visto que entendeu presentes motivos suficientes para caracterizar a existência de um grupo econômico de fato, formado pelas empresas Frigovalpa Comércio e Indústria de Carne Ltda., Frigosef Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. (também considerado sucessor de Frigorífico Mantiqueira Ltda.), André Luiz Nogueira Junior – ME, Tania Pereira Lopes – ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira ME (também considerada sucessora da firma individual Rosa Maria Maciel Rodrigues). Ciente do lançamento em 18/10/2006, a ora Recorrente apresentou impugnação tempestiva às fls. 106/115, assim como as demais empresas solidariamente responsáveis também o fizeram às fls. 120/177. Verificase, às fls. 179/181 dos autos, a conversão do julgamento em diligência, determinando, por ter o contribuinte optado pelo SIMPLES em 01/01/1997, a exclusão de todos os valores pertinentes às rubricas que não correspondam às contribuições previdenciárias de segurados (retenções), motivo pelo que foi retificado o lançamento, conforme se observa às fls. 183/184. Esgotado o prazo para novas manifestações dos contribuintes, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu acórdão às fls. 278/297, em que manteve a exclusão das rubricas referentes à contribuição patronal, ao RAT e às contribuições destinadas a terceiros, bem como considerou extintos, por decadência, os créditos tributários referentes ao período de janeiro de 1996 a julho de 1998, resultando em crédito tributário no valor de R$ 6,27: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2003 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 17546.000736/200706 Acórdão n.º 2302002.634 S2C3T2 Fl. 350 3 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS E CONTRIBUIÇÔES SOBRE REMUNERAÇÃO ARBITRADA DE SEGURADO EMPREGADO, NÃO INSCRITO EM ÉPOCA PRÓPRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. DECADÊNCIA. "Grupo econômico de fato". Constatada a existência, impõese a responsabilização tributária por solidariedade, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, cujo dispositivo está em consonância com os incisos I e II do art. 124 do CTN. Não obstante a falta de apresentação dos livros contábeis e respectivos documentos fiscais, foram documentalmente identificadas operações que evidenciam a prática de atos típicos de "grupos econômicos% inclusive com a caracterização de "confusão patrimonial", assim como foi identificada, também, a existência de "controlador" do "grupo econômico". Entretanto, por não terem sido contatadas ou evidenciadas efetivas relações entre uma das empresas consideradas integrantes do "grupo econômico" e as demais, decidese pela sua exclusão do "grupo", mantidas todas as demais. Súmula vinculante STF n°. 8, de 12/06/2008 (DO 20/06/2008). Inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. Aplicação, em matéria de decadência, do inciso I do art. 173 do CTN. Exclusão de parte dos lançamentos, atingidos pela decadência. Lançamento Procedente em Parte Irresignados, Monalisa Pereira Lopes Nogueira ME e André Luiz Nogueira Jr – ME interpuseram Recursos Voluntários, sob exame, às fls. 329/339 e às fls. 341/344, respectivamente, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Os Recorrentes não fazem parte do suposto grupo econômico, mesmo porque, nos termos da Lei nº 6.404/1976, a formação de Grupo Econômico ou Concentração de Empresas somente se dá em relação a Sociedades Anônimas, o que não é o caso dos Recorrentes, que são empresas individuais – ME, ou das demais empresas relacionadas na decisão recorrida. 2) Não se configura a sucessão, por incorporação, de Rosa Maria – ME por Monalisa Pereira Lopes Nogueira ME, uma vez que aquela continuou a exercer suas atividades regularmente no ano de 2004, em que houve a venda dos equipamentos à Recorrente, ficando inativa a partir de 2005. Ainda, a Recorrente não adquiriu o estabelecimento comercial por meio de trespasse e nem o fundo de comercio, mas tão somente alguns equipamentos. Os demais contribuintes, apesar de devidamente comunicados, não se manifestaram. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 17546.000736/200706 Acórdão n.º 2302002.634 S2C3T2 Fl. 351 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da existência de grupo econômico Insurgemse os Recorrentes contra a autuação promovida pela fiscalização, sob o argumento de que não participam de nenhum grupo econômico, alegando que são empresas distintas, com administrações autônomas. Ocorre que o Relatório Fiscal (fls. 41/51) traz todos os elementos que motivaram o reconhecimento do grupo econômico, os quais também foram elencados pela decisão recorrida (fls. 278 e seguintes) de forma irretocável. Vale mencionar, brevemente, os principais pontos: 1) As empresas exercem a mesma atividade, qual seja, a venda de carne direta ao consumidor, tendo sido instaladas no mesmo local, sucessivamente, utilizando o mesmo equipamento e o mesmo quadro funcional, evidenciandose confusão patrimonial entre elas. 2) As empresas foram constituídas em nome de parentes de primeiro grau do Sr. André Luiz Nogueira, que participa financeiramente e controla estas e outras componentes do grupo, de quem Monalisa Pereira Lopes Nogueira é filha. O conceito de grupo econômico pode ser extraído do senso comum, o qual foi incorporado ao direito positivo através da CLT, cujo art. 1º, §2º dispõe que “sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiver sob a mesma direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis à empresa principal e cada uma das subordinadas”. Tal norma não tem sua aplicação restrita às relações trabalhistas, pois além de ser norma conceitual, que define instituto, possui hierarquia de lei ordinária, suficiente para dispor sobre os conceitos societários. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que “as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei”. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 17546.000736/200706 Acórdão n.º 2302002.634 S2C3T2 Fl. 352 5 Por ser norma de natureza tributária, deve ser necessariamente interpretada conforme as disposições do Código Tributário Nacional acerca da solidariedade: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...). Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Conforme se depreende dos dispositivos acima, a solidariedade somente pode ser imposta àquele que tiver relação com o fato gerador do tributo. Assim também será nos casos em que a responsabilização por solidariedade decorrer da existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas, hipótese em que não será suficiente a relação de uniformidade de direção, sendo necessária também a relação da corresponsável com o fato gerador do tributo. Por esta razão é que a responsabilidade de uma empresa pelos débitos previdenciários das demais empresas do grupo econômico depende da existência de seu interesse no fato gerador daquelas contribuições previdenciárias. Sendo a contribuição incidente sobre a folha de salários, deverá se verificar se existem funcionários prestando serviços em comum para as empresas envolvidas; se a contribuição previdenciária incidir sobre a comercialização da produção rural, terá a fiscalização que comprovar que as corresponsáveis também participaram da operação comercial que deu ensejo à tributação. Ora, devidamente fundamentada a consideração de que existe grupo econômico através dos elementos apresentados pelo Relatório Fiscal acima exposto, e de que há solidariedade em vistas da participação das empresas nas operações comercias que deram ensejo à tributação, não cabe qualquer alegação de que foi indevida a colocação das empresas como solidárias, pois enquadradas nos dispositivos legais acima citados. Da sucessão por incorporação Ainda, a Recorrente Monalisa Pereira Lopes Nogueira – ME insiste que não sucedeu Rosa Maria – ME, alegando que apenas adquiriu, desta, os seus equipamentos. Contudo, restou demonstrado que a Recorrente exerce a mesma atividade que exercia Rosa Maria – ME, no mesmo local e utilizando os mesmos equipamentos, razões suficientes a caracterizar a sucessão tributária, nos termos do art. 133 do Código Tributário Nacional, que considera irrelevante que a continuidade do exercício da atividade se dê sob outra razão social. Observese: Fl. 762DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 17546.000736/200706 Acórdão n.º 2302002.634 S2C3T2 Fl. 353 6 Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Não merece prosperar a alegação de que não adquiriu o estabelecimento, mas apenas os equipamentos da empresa sucedida. Isso porque, nos termos do art. 1.142 do Código Civil, estabelecimento comercial nada mais é do que o complexo de bens organizado para o exercício da empresa. Ora, se adquiriu todos os equipamentos utilizados na empresa anterior e continua exercendo a mesma atividade, no mesmo local, não falta qualquer elemento para se caracterizar a transferência do estabelecimento. Não se pode, contudo, confundir estabelecimento comercial com fundo de comércio. Este, também chamado aviamento, é o valor atribuido a um estabelecimento empresarial, decorrente da sua capacidade de produzir resultados, ou seja, da perspectiva de lucratividade, enquanto aquele é o patrimônio de afetação específicamente destinado ao exercício da empresa. A legislação tributária, porém, admite a responsabilidade por sucessão nas duas hipóteses, ou seja, na aquisição do fundo de comércio ou do estabelecimento comercial, como se infere da mera leitura do art. 133 do CTN, acima colacionado. Assim sendo, irretocável, também neste ponto, a decisão recorrida. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 763DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 17546.000736/200706 Acórdão n.º 2302002.634 S2C3T2 Fl. 354 7 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10814.002033/2004-13
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/12/2002
BEM TRAZIDO INDEVIDAMENTE COMO BAGAGEM ACOMPANHADA.
Cabível a manutenção da multa de oficio e da multa por controle administrativo das importações, uma vez que o contribuinte não comprovou o cumprimento da legislação que estabelece os requisitos para ingresso no território nacional de equipamento usado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.678
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Maria Regina Godinho declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/12/2002 BEM TRAZIDO INDEVIDAMENTE COMO BAGAGEM ACOMPANHADA. Cabível a manutenção da multa de oficio e da multa por controle administrativo das importações, uma vez que o contribuinte não comprovou o cumprimento da legislação que estabelece os requisitos para ingresso no território nacional de equipamento usado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Maria Regina Godinho declarou-se impedida de votar. Luis urra de Castro - Presidente eatriz Veríssimo de Sena - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Maria Regina Godinho (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrásio (Suplente). Processo n° 10814.002033/2004-13 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.678 Fl. 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado em face do contribuinte acima qualificado, para formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado a importação, multa de oficio e multa do controle administrativo das importações, acrescido de juros de mora, devido à importação de uma camera de televisão e acessórios trazidos indevidamente como bagagem acompanhada. Adoto parte do relatório do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo/SP, por bem resumir a lide: Relata a autoridade fiscal no auto de infração que uma câmera de televisão e acessórios de propriedade da empresa em epígrafe foram objeto do Termo de Retenção n° 1175, de 18/12/2002 (cópia na fl. 19), por terem sido trazidos indevidamente como bagagem acompanhada. Após a formalização da retenção da mercadoria, a autuada registrou a DI n° 02/1144609-7, ein 30/12/2002, cópia de fls. 15 a 18, pleiteando a não-incidência do imposto sobre produtos industrializados vinculado, alegando tratar-se de retorno de mercadoria que fora enviada ao exterior para reparo e conserto, conforme relato no campo de Dados Complementares da DI. Documentos acostados aos autos informam que um funcionário da TV Globo embarcou para o exterior coni os equipamentos em questão em 09/12/2002 (fl. 21) e que com eles retornou ao pais em 18/12/2002 (f1.05). Paranietrizada a declaração de importação para o canal vermelho de conferência aduaneira, na fase de análise documental, o despacho foi interrompido e a autoridade fiscal exigiu a documentação relativa a exportação temporária do ben para o reconhecimento do direito da não-incidência tributária na reimportação. Porém, o importador não dispondo desta documentação, por não ter formalizado a saída do bem para o exterior, protocolizou por meio do processo administrativo n° 10814.000097/2003-91, petição solicitando a relevação da inobservância das normas processuais da exportação temporária, alegando desconhecimentos dessas normas. O pedido foi indeferido, pela não comprovação da saída regular dos bens do pais, conforme despachos de fls. 21 a 23. Decorrido o prazo de mais de sessenta dias da interrupção do despacho de importação, a DI foi encaminhada para a aplicação da pena de perdimento das mercadorias por abandono, procedimento formalizado através do processo administrativo n° 10814.006646/2003-31. Diante dos fatos acima expostos, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança (MS n°2003.61.19.004802-7) na 2" Vara Federal de Guarulhos SP, cuja liminar foi indeferida e, coin a 2 Processo IV 10814.002033/2004-13 S3-C I T2 Acórdao n.° 3102-00.678 Fl. 3 posterior desistência da impetrante, o feito foi julgado extinto, sent julgamento de mérito (conforme despacho na fl. 45). Em seguida, a autuada ingressou com a Ação Cautelar 110 2003.61.00.026520-4, COM pedido de depósito judicial para o desembaraço aduaneiro dos equipamentos que se encontravam ainda retidos. Decisão proferida pelo Juiz Federal Substituto da 2" Vara Federal em Guarulhos, em 04/02/2004, determinou a suspensão da exigibilidade do tributo nos termos do art. 151, IL do CTN e autorizou a imediata liberação do hem objeto da DI n° 02/1144609-7, cópia na fl. 31 (cópia do Oficio, na fl. 30). Efetuado o depósito relativo apenas ao IPI (cópia do documento na fl. 36), a autoridade judicial, em 16/02/2004 ordenou a liberação imediata do bem, cópia nafl. 26 (cópia do Oficio na jl. 25), sob pena de desobediência. O desembaraço ocorreu em 17/02/2004 (/1.06). Na data do desembaraço, o Inspetor da repartição de origem encaminhou Oficio (cópia nas fls. 43/44) comunicando o MM Juiz Federal Substituto da 2" Vara Federal de Guarulhos que as mercadorias não haviam sido liberadas, até então, tendo ciii vista que o importador não havia apresentado a devida Licença de Importação, visto tratar-se de mercadorias usadas, tendo sido registrada a exigência no sistema SISCOMEX e que o depósito efetuado pelo importador nos autos da *do Cautelar não correspondia a totalidade do crédito tributário incidente sobre a operação de importação, em virtude da incidência dos seguintes acréscimos legais: a multa de oficio, a multa falta de licença de importação e os juros de mora. O Sr. Inspetor c/a Alliindega do Aeroporto Internacional de São Pmdo/Guarulhos finaliza o Oficio comunicando à autoridade judicial que: "..., em que pesem as irregularidades acima relatadas, estamos dando imediato cumprimento a ordem exarada por Vossa Excelência, efetuando o desembaraço aduaneiro ao amparo da referida decisão, e providenciando o lançamento de ofício dos valores acima descritos, além do tributo já depositado, sem a suspensão da exigibilidade, tendo em vista que o depósito efetuado não atende ao disposto no art. 151, inciso 11 do CTN, bem como a Súmula 112 do STJ." Menciono ainda que a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional, por meio do Oficio n°6.500-051/2004, de 10/02/2004, cópia na fl. 37, questionou a repartição de origem sobre a suficiência do depósito judicial. Ent resposta, a PSFN foi informada, em 16/02/2004, da inexistência de licença de importação para material usado e da insuficiência do depósito, unta vez que se refere somente ao valor principal do imposto devido 40). Assim, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, na eventualidade de decisão judicial definitiva desfavorcivel ao contribuinte, foram lavrados os presentes autos de infração, formalizando a exigência do recolhimento do IPI, da multa de oficio capitulada no art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a gr/ 3 Processo n° 10814.002033/2004-13 S3-C I T2 Acórdão n.° 3102-00.678 Fl. 4 redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96, e da multa do controle administrativo das importações, preceituada no art. 169, inciso I, alínea "b", do Decreto-Lei n°37/66, alterado pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78, regulamentado pelo art. 633, inciso aline(' "a" e § 2°, do Decreto n° 4.543/02, totalizando o valor originário de R$ 484.106,06. Cientificado da lavratura das peças fiscais em 17/03/2004 (17. 01 e 08), o contribuinte, por meio de seu advogado e procurador (Instrumentos de Mandato nas fls. 52/53 e 74/75), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 15/04/2004, de fls. 47 a 51 e 69 a 73 alegando, resumidamente, que: I) em face do que preceitua o art. 63 da Lei n° 9.430/96, a autoridade fiscal jamais poderia ter efetuado o lançamento da multa de ofício a razão de 75% sobre o valor de IPI lançado; 2) equivocou-se também a autoridade fiscal por fazer incidir juros de mora; o crédito tributário, somente torna-se exigível após o vencimento do prazo para o seu pagamento; obtido o provimento jurisdicional a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário, não há que se falar em vencimento da obrigação; a decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário antecipa-se ao próprio nascimento da causa jurídica (impontualidade do pagamento) que enibasa a exigência de juros moratórios; 3) conforme cópia anexa da licença de importação, nas fls. 84/85, de pleno conhecimento da autoridade aduaneira, não há que se falar em ausência de licenciamento de importação. Nas fls. 84/85, há uma cópia do Extrato de Licenciamento de Importação, Li n° 03/0609422-0, registrada em 28/05/2003, deferida em 29/05/2003, com validade até 28/07/2003. Diante da incerteza das matérias que foram encaminhadas para apreciação e decisão do Poder Judiciário, esta relatora decidiu pelo retorno do processo ei repartição de origem (Resolução n° 17-780, de fls. 91 a 93), solicitando el autoridade preparadora a anexação aos autos das cópias das ações judiciais envolvidas neste caso, Ação Cautelar n° 2003.61.00.026520-4 e Ação Ordinária n° 2004.61.19.000901-4, para que não pairasse qualquer dúvida quanto as matérias a serem tratadas no âmbito da esfera administrativa. Cópias das petições das referidas ações judiciais foram juntadas aos autos. Na petição da Ação Cautelar n°2003.61.00.026520-4, de fls. 98 a 115, o contribuinte solicita ao Poder Judiciário a concessão de medida liminar autorizando o depósito judicial do valor exigido pela Receita Federal e o desembaraço do equipamento objeto da DI n° 02/1144609-7. E, a Ação Ordinária n°2004.61.19.000901-4, de fls. 116 a 165, tem por objeto a obtenção de provimento jurisdicional no sentido de declarar a inexigibilidade do IPL requerido por ocasião do desembaraço aduaneiro do equipamento objeto da DI n° 4 Processo n" 10814.002033/2004-13 S3-C1'11 Acórdao n." 3102-00.678 11 5 02/1144609-7, por se tratar, de acordo com o contribuinte, de equipamento amparado pelo regime de exportação temporária. E, no caso de ser declarado devido o IPI, o contribuinte solicita autoridade judicial que determine que a base de cálculo do tributo seja o valor de mercado do bem e não o valor considerado no auto de infração, visto se tratar de equipamento usado e não de equipamento novo como lançado. O contribuinte, cientificado da diligência, manifestou-se de .11s. 172 a 174. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sao Paulo não conheceu da impugnação quanto a exigibilidade do IPI, por entender que essa matéria está sendo submetida a apreciação do Poder Judiciário. Quanto à multa de oficio e aos juros de mora, o lançamento foi julgado procedente, na medida em que a suspensão da exigibilidade do crédito relativo ocorreu após o inicio do despacho aduaneiro, em conformidade corn o disposto no art. 63 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 70 da Medida Provisória 2.158-35, de 24/08/2001. Quanto à multa ao controle da administração, a mesma foi mantida, por se tratar de importação de equipamento usado. 0 interessado interpôs recurso voluntário contra a decisão prolatada pela DRJ, insurgindo-se quanto a aplicação das multas de oficio e ao controle da administração, bem como requerendo o não recolhimento de juros de mora, pelos motivos já expostos na impugnação. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Conforme relatado, o lançamento da multa por falta de guia de importação ou documento equivalente ocorreu porque o Interessado ingressou com câmera dc video e acessórios sem a correspondente documentação. Argumenta o Interessado que a câmera e seus acessórios teriam sido exportados provisoriamente, para manutenção, tendo saído e retornado do pais como bagagem acompanhada. Ocorre, contudo, que o Interessado não apresentou documentos aptos a demonstrar a condição em que se deu a saída dos bens do Brasil, mesmo quando intimado a prestar esclarecimentos, antes da lavratura do auto de infração. Uma vez que devidamente comprovado que houve o ingresso de equipamento de procedência estrangeira em território nacional desacompanhado da documentação exigida pela legislação em vigor, cabia ao contribuinte o ônus de demonstrar exceção A. regra geral. Desse ônus o contribuinte não se desincumbiu, pois não logrou Processo n° 10814.002033/2004-13 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.678 Fl. 6 comprovar que a mercadoria não foi importada usada, nem que já havia cumprido os requisitos fiscais em outra oportunidade. Assim, permanece devida a multa de oficio do artigo 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação do art. 45 da Lei n° 9.430/96, vigente A. época da ocorrência do fato gerador, e o artigo 63 da Lei no 9.430/96. Ocorre que o tributo não foi lançado ou recolhido no prazo previsto na legislação de regência. Por se tratar de importação de equipamento usado, deveria o importador providenciar o devido licenciamento não automático antes do embarque da mercadoria no exterior, o que não ocorreu no caso. Por outro lado, a obtenção da licença de importação posteriormente ao registro da declaração, requer a retificação da DI. Ainda o contribuinte assim tivesse procedido, conforme § 3° do artigo 45 da IN SRF no 206/2002, a retificação da declaração não elidiria a aplicação das penalidades fiscais e sanções administrativas cabíveis. Frise-se que, no que se refere A. suspensão da exigibilidade do crédito tributário por decisão judicial, esta ocorreu após o inicio do procedimento de oficio relativo ao IPI. Com efeito, a declaração de importação foi registrada em 30/12/2002 e a suspensão da exigibilidade ocorreu em 04/02/2004. Uma vez que a suspensão da exigibilidade do tributo ocorreu após o registro da declaração de importação, não cabe a exclusão da multa de oficio aplicada, conforme preceitua o artigo 63 da Lei n° 9.430/96. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. -- riz Veríssimo de Sena , 6
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Numero do processo: 13811.003396/2004-86
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 1999
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3102-000.127
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária/ 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1999 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-19T12:48:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-19T12:48:33Z; Last-Modified: 2009-08-19T12:48:33Z; dcterms:modified: 2009-08-19T12:48:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-19T12:48:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-19T12:48:33Z; meta:save-date: 2009-08-19T12:48:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-19T12:48:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-19T12:48:33Z; created: 2009-08-19T12:48:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-19T12:48:33Z; pdf:charsPerPage: 895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-19T12:48:33Z | Conteúdo => S3-C1T2 F145 fr • : - MINISTÉRIO DA FAZENDA '.4t;e‘—effr CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13811.003396/2004-86 Recurso n° 142.718 Voluntário Acórdão n° 3102-00.127 — i a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente TOBI MODAS LTDA. Recorrida DRJ - SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1999 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Turma Ordinária/l a Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. /0À. M RCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Pr sidente LUCIANO LOPE ALMEIDA 'MORAES Relator Processo n° 13811.003396/2004-86 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.127 Fl. 46 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. 2 Processo n° 13811.003396/2004-86 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.127 Fl. 47 • Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Versa o presente processo sobre exigência da multa por atraso na entrega de Declarações de Débitos e Créditos de Tributos Federais - DCTF, relativas aos 1 0 e 2° trimestres de 2000, conforme auto de infração de fls.03, no valor de R$ 315,37. Cientificada em 26/10/2004 (fls.14), a contribuinte apresentou impugnação em 17/11/2004 (lis. 01/02), alegando, em síntese, que a empresa apresentou dificuldade de entendimento da alteração na legislação da DCTF, no que se refere à obrigatoriedade de os contribuintes apresentarem a DCTF, inclusive os que tinham tributos a declarar em montante inferior a R$1 0.000,00. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPOI n° 6.595, de 01/03/05, fls. 17/19. Às fls. 20/v o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 24/26, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. Processo n° 13811.003396/2004-86 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.127 Fl. 48 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração à legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. De acordo com os termos do § 40, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é princípio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". A decisão recorrida bem trata do tema: Inicialmente, cabe observar que, nos termos do art.3° do Decreto-Lei n° 4.657, de 04/09/1942: "Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece". Cumpre ainda esclarecer que a legislação que regulava a entrega da DCTF no ano-calendário de 1999 era a Instrução Normativa SRF n°126/1998, cujos artigos 2° e 3° dispunham: Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998 — Institui a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF e estabelece normas para a sua apresentação. (.) Art. 2° A partir do ano-calendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. §1° Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário. §2° A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal - SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Processo n° 13811.003396/2004-86S3-C1T2• Acórdão n.° 3102-00.127 Fl. 49 _ §30 No caso de encerramento de atividades, incorporação, fusão ou cisão, a DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. Art. 3° Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: 1- as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; II- as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III - as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, não-operacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4° da Instrução Normativa SRF n°28, de 05 de março de 1998; IV - os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. (grifo nosso) Embora alegue que pagou no ano-calendário de 1999 um valor mensal de impostos e contribuições declarados na DCTF inferior a R$10.000,00, a contribuinte não é uma pessoa jurídica imune ou isenta, o que a exclui da hipótese de dispensa da apresentação da DCTF prevista no art.3°, II, da IN SRF n° 126/1998 e repetida no art.3°, II, da IN SRF n°255/2002. São pelas razões si sra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aq i estivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais ar: entos. Sala das Sessões, e 27 de março de 2009 : — LUCIANO Lln •i DE ,' LMEIDA MORAE - 5
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