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Numero do processo: 10940.003043/2002-51
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2002
IPI - CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES (LEI Nº 9.363/96) - MENSURAÇÃO DOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO - A empresa que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somando-se a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindo-se, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. (artigo 3º, §§ 7º e 8º, da Portaria MF nº 38/97), hipótese em que a avaliação dos insumos utilizados na produção mensal será efetuada pelo método PEPS, que, neste caso, deixa de ser opcional para se tornar obrigatório.
.Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2002 IPI - CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES (LEI Nº 9.363/96) - MENSURAÇÃO DOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO - A empresa que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somando-se a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindo-se, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. (artigo 3º, §§ 7º e 8º, da Portaria MF nº 38/97), hipótese em que a avaliação dos insumos utilizados na produção mensal será efetuada pelo método PEPS, que, neste caso, deixa de ser opcional para se tornar obrigatório. .Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2002 IPI CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES (LEI Nº 9.363/96) MENSURAÇÃO DOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO A empresa que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. (artigo 3º, §§ 7º e 8º, da Portaria MF nº 38/97), hipótese em que a avaliação dos insumos utilizados na produção mensal será efetuada pelo método PEPS, que, neste caso, deixa de ser opcional para se tornar obrigatório. .Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 30 43 /2 00 2- 51 Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos presumidos do IPI para fins de ressarcimento do PIS e da Cofins sobre as exportações (fls. 2), formulado por HARIMA DO BRASIL INDÚSTRIA QUÍMICA LTDA., relativo ao período janeiro de 1996 a junho de 2002, no valor de R$ 3.501.186,13, protocolado em 4/12/2002 na Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa/PR. Em 8/12/2005, por meio de Despacho Decisório (fls. 321/324), o Substituto Eventual do Delegado indeferiu o pedido da Recorrente, sem análise de mérito, sob argumentos de prescrição parcial e de não cumprimento dos prazos para apresentação de documentos. Notificada do conteúdo do Despacho Decisório em 9/12/2005 (fls. 325), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 441/451), protocolada em 9/1/2006. Em síntese, alegou que seu pedido fora apresentado antes do decurso do prazo decadencial e que, após as ponderações do agente fiscal, reviu o valor dos créditos presumidos, resultando no montante de R$ 2.138.407,31, logrando comproválos, ainda que após o vencimento dos prazos para tanto. Em que pese os documentos e a argumentação apresentados, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, conforme Acórdão nº 1414.077 (fls. 610/618), proferido em 8/11/2006 pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). A DRJ/RPO argumentou, principalmente, que houve prescrição da pretensão de ressarcimento de créditos dos períodos anteriores ao terceiro trimestre de 1997, inclusive, e de que a não apresentação de documentos no prazo das intimações é causa de indeferimento do pleito de ressarcimento. A Recorrente tomou ciência da mencionada decisão em 30/11/2006, consoante Aviso de Recebimento (AR) de fls. 620. Irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 621/632) em 22/12/2006. Nessa oportunidade, a Recorrente aduziu, preponderantemente, que: 1. segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o prazo para requerer o ressarcimento é de dez anos (5 anos + 5 anos) e, portanto, o Pedido de Ressarcimento da Recorrente não fora atingido pela decadência; 2. a Lei Complementar nº 118/2005 somente é aplicável a situações ocorridas após a sua vigência; 3. em virtude de suas atividades empresarias e da complexidade das exigências, o prazo concedido para a apresentação de documentos foi insuficiente; Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10940.003043/200251 Acórdão n.º 3403002.025 S3C4T3 Fl. 1.979 3 4. apesar de não ter cumprido as exigências fiscais dentro do prazo, todos os documentos foram apresentados e, dessa forma, deveriam integrar o respectivo processo; e 5. a Recorrente, em razão das ponderações feitas pelo agente fiscal, reviu alguns critérios utilizados em seu Pedido de Ressarcimento, resultando na apuração de créditos presumidos no montante de R$ 2.138.407,31. Por fim, requereu o provimento de seu Recurso Voluntário para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, a apresentação de memoriais e oportunidade para sustentação oral. O Recurso Voluntário foi remetido para a segunda instância administrativa, e em 18/9/2007, os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes converteram o julgamento em diligência, para que fossem considerados todos os documentos juntados pela Recorrente e adicionados outros esclarecimentos, consoante Resolução nº 202 01.154 (fls. 649) e voto do Relator (fls. 650/659). Finalizadas as diligências, a Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa (PR) apresentou Relatório de Diligência em 3/9/2009 (fls. 741/754). A conclusão do Relatório foi no sentido de que a forma utilizada pela Recorrente para apuração dos créditos presumidos estava em desacordo com a legislação. Devolvido o processo ao Segundo Conselho de Contribuintes, o julgamento foi novamente convertido em diligência, para permitir que a Recorrente se manifestasse acerca do mencionado Relatório de Diligências, conforme voto do Relator (fls. 756). Notificada em 17/1/2011 (fls. 760), a Recorrente apresentou manifestação em 15/2/2011 (fls. 761/773). Afirmou, em resumo, que restou comprovada, até mesmo por visita técnica, a utilização de insumos adquiridos no mercado interno para industrialização de mercadorias exportadas, e que apresentou documentos capazes de demonstrar com precisão a existência dos créditos presumidos do IPI. Em 5/8/2011, cumprindo às resoluções do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 774), a Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa (PR) anexou diversos processos administrativos a estes autos (fls. 775/1795), no intuito de promover o julgamento uniforme das lides. Os processos anexados se referem às Declarações de Compensação que foram julgadas improcedentes, pois dependem do reconhecimento dos créditos discutidos nos presentes autos. Mediante o Comunicado nº 711/2011 (fls. 1864), a Recorrente fora notificada do citado procedimento em 23/8/2011 (fls. 1866). Em suma, é o relatório. Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Voto Conselheiro Raquel Motta Brandão Minatel, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, pois é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No mérito 1. Prazo para realizar o pedido de ressarcimento Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, os direitos patrimoniais que eventualmente possam ser pleiteados em face da União prescrevem em cinco anos. Nesse sentido também o Parecer Normativo CST nº 515/71. Sendo o ressarcimento de crédito presumido de IPI exigência patrimonial oponível à União deve se submeter à regra geral do prazo quinquenal. De acordo ainda com a Solução de Consulta Interna COSIT nº 5/04, fica esclarecido que o termo inicial do prazo para pleitear o ressarcimento do crédito presumido é a data do encerramento do trimestrecalendário. Assim se dá em razão de que é a partir do desse momento que eventual saldo credor pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento. A jurisprudência administrativa deste Conselho não diverge desse entendimento, consoante se denota do seguinte julgado: IPI. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. PRAZO. Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o direito de aproveitamento dos créditos do IPI fica sujeito ao prazo de cinco anos, a contar da data de aquisição do insumo. Recurso negado. (2º Conselho de Contribuintes / 3ª. Câmara / ACÓRDÃO 203 12.251) Desse modo, visto que o pedido de ressarcimento restou formalizado em dezembro de 2002 (fls. 1), voto pelo não acolhimento do pedido de ressarcimento dos créditos apurados antes do quarto trimestre de 1997. 2. Da comprovação dos créditos presumidos Conforme já indicado no relatório, o presente processo foi convertido em diligência em 18/9/2007, consoante Resolução nº 20201.154 (fls. 649) da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, para que fossem considerados todos os documentos juntados pela Recorrente após a apresentação da impugnação e adicionados outros esclarecimentos. A diligência foi efetuada, resultando no Relatório de Diligência de fls. 741/750, no qual o Fisco, após análise de diversos documentos juntados, bem como, da verificação do processo produtivo realizado no estabelecimento da Recorrente, e conclui: “ não foi encontrada nenhuma relação entre os valores correspondentes aos custos com insumos considerados nos demonstrativos de fls. 329/374 e os demais documentos Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10940.003043/200251 Acórdão n.º 3403002.025 S3C4T3 Fl. 1.980 5 apresentados pelo interessado em resposta às intimações efetuadas; os valores acumulados desses custos conferem com aqueles informados em DIPJ, que por sua vez levam em consideração outros custos que não podem ser considerados na apuração do crédito; diversas foram as oportunidades concedidas ao interessado para o devido esclarecimento desses valores; o interessado apresentou, em fase de discussão administrativa, novos demonstrativos, apurados sobre as aquisições mensais, portanto em desacordo à legislação, elaborados de forma a poder comprovar os novos valores considerados, no intuito de ter reconhecido algum crédito; não é lícito a apuração de crédito em desconformidade com a legislação, ainda que seja de conhecimento do interessado que em algum momento os insumos adquiridos foram aplicados à produção; é de se concluir que o interessado não possuía o adequado controle dos custos dos insumos na produção, capaz de demonstrar com exatidão as informações necessárias ao cálculo do crédito, em conformidade com os §§5° e 7° do art. 3o da Portaria 38/97, não sendo, portanto, o mesmo, hábil a comprovar a regularidade, exatidão e legalidade dos valores pretendidos.” A Recorrente, após regularmente intimada da diligência apresentou manifestação alegando, em suma, que não há que se falar na falta de controle de custos, pois o demonstrou exaustivamente nos autos através de demonstrativos, notas fiscais de entrada e laudo técnico detalhado, o valor acumulado com a aquisição de insumos utilizados na produção das mercadorias efetiva e comprovadamente exportadas. Afirmou ainda que uma vez admitida falta de controle de custos, caberia aos Agentes Fiscais calcular o crédito devido na forma do § 7° do artigo 3º da IN SRF 23/97 c/c §§ 1º ao 4º do artigo 1º da IN SRF 103/97, indicando: “no caso da pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no inicio do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências..." Entendo que a sistemática para apuração do crédito presumido de IPI, é feito nos moldes da Lei 9.363/96, com apuração mensal das aquisições de insumos, ou de forma alternativa, com base no sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração contábil, nos termos da Portaria MF 38/97. Porém, não cabe ao Fisco escolher a sistemática a ser adotada ou fazer os cálculos para o contribuinte. Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 Assim, uma vez apontada pela Recorrente, no Demonstrativo de Crédito PresumidoDCP, a sistemática com base no custo coordenado e integrado, cabe a ela comprovar que atende a condição estabelecida na Portaria MF n° 38/97, relativamente ao controle das quantidades e valores dos insumos que saem do estoque e efetivamente entram no processo produtivo, no período (mês) de apuração do crédito. Ou seja, os registros contábeis resultantes desta movimentação devem ser cabalmente demonstrados, sob pena de indeferimento do crédito. O Fisco realizou diligência e apontou categoricamente que a Recorrente não possuía adequado sistema para apuração de custo coordenado e integrado que lhe permitisse optar por esta sistemática, como se pode verificar do trecho do Relatório a seguir transcrito: “É de se concluir, portanto, que o interessado não atendia a condição estabelecida no §5° do art. 3o da Portaria MF n° 38/97, para apuração do crédito, ou seja, não mantinha o adequado sistema de custos que permitisse o controle da utilização dos insumos adquiridos, de modo a conhecer com exatidão as quantidades e valores utilizados na produção nos meses de apuração do crédito. E nesse caso, a legislação é clara ao estabelecer que deveria ter sido utilizado o método descrito no §7° do mesmo dispositivo. Somente dessa forma seria então possível conhecer os valores que de fato foram aplicados à produção, periodicamente, o que não foi observado pelo interessado, que deveria ter providenciado o devido controle à época.” (fls. 750) Assim, entendo que não há como conceder direito ao crédito presumido do IPI para a Recorrente, posto que não logrou comprovar de forma adequada a apuração do crédito pela sistemática escolhida. Este E. Conselho já se manifestou em outras oportunidades acerca da necessidade de adoção da sistemática estabelecida pela Lei 9.363/96 quando o contribuinte não possui sistema de custo coordenado e integrado, como o julgado que a seguir se transcreve: IPI CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES (LEI Nº 9.363/96) MENSURAÇÃO DOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO As empresas que não mantêm sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial devem apurar a quantidade mensal de insumos utilizados na produção somando se a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose do total a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências (artigo 3º, §§ 7º e 8º, da Portaria MF nº 38/97), hipótese em que a avaliação dos insumos utilizados na produção mensal será efetuada pelo método PEPS, que, neste caso, deixa de ser opcional para se tornar obrigatório. Recurso voluntário negado. (2º Conselho de Contribuintes / 3ª Câmara / Acórdão nº 201 75290) Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10940.003043/200251 Acórdão n.º 3403002.025 S3C4T3 Fl. 1.981 7 Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 10875.910765/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.392
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para sobrestá-lo até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Recorrente SUPERMERCADOS IRMÃOS LOPES LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRERS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para sobrestálo até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Júlio César Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito tem origem, segundo a Recorrente, na exclusão do ICMS da base de cálculo das Contribuições PIS e Cofins. Indeferida a pretensão por meio de despacho decisório eletrônico, a contribuinte alegou o seguinte na Manifestação de Inconformidade, conforme o relatório da DRJ que reproduzo: A ilegalidade/inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. 0 conceito constitucional de faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, que consiste apenas no produto da venda de mercadorias e/ou serviços. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10875.910765/200961 Resolução n.º 3401000.392 S3C4T1 Fl. 79 2 0 valor do ICMS não constitui receita dessas modalidades, mas sim receita dos estados, caracterizandose, pois, como imposto indireto que apenas transita por seu patrimônio. Considerar que tal imposto integra a base de cálculo daquelas contribuições é alterar o conceito de faturamento definido pelo Direito Privado, ofendendose, pois, o art. 110 do Código Tributário Nacional.Também a Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 2008, não pode dar suporte à tal inclusão, pois, por um lado, como dito, o ICMS não compõe o conceito de faturamento, e, por outro, ela não pode validar ato legal editado anteriormente à sua vigência; • A própria Administração Pública reconhece que o valor recolhido a titulo de ICMS não integra o faturamento. Sempre que qualquer contribuinte ajuizar ação objetivando repetição de indébito daquele imposto, a Fazenda Pública Estadual competente invocará em sua defesa a aplicação do art. 166 do Código Tributário Nacional, sustentando que o pedido do contribuinte não pode ser acolhido em razão de ele atuar apenas como intermediário da arrecadação do ICMS, pois o imposto seria pago efetivamente pelo adquirente final do produto. Assim, numa interpretação contrario sensu daquele dispositivo legal, não pode a Unido considerar como receita bruta da recorrente o valor do ICMS; • HA afronta ao principio constitucional da capacidade contributiva, pois embora atue como sujeito passivo de diversas relações jurídicas tributárias, não o é nas relações que envolve o contribuintefinal e o Fisco Estadual, não detendo, assim, capacidade contributiva sobre receitas auferidas pelo Erário; • Aplicase ao caso, por analogia, o estabelecido no art. 212, §1°, da Constituição Federal. Dessa forma, não se pode exigir PIS e Cofins sobre valores transferidos ao Fisco Estadual; • 0 atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal na apreciação do RE n° 240.785MG, que trata de matéria idêntica presente, corrobora todos os argumentos aqui suscitados. Observese que já foram prolatados seis votos em favor dos contribuintes e apenas um contra. Assim, é notório que deverá ser reformado o Despacho Decisório ora recorrido, para que seja aplicado ao caso o atual posicionamento daquele Tribunal. Ao final, requer: • a reforma do Despacho Decisório, para homologação da compensação realizada; • produção de todas as modalidades de prova admitidas em direito, sob pena de cerceamento de direito de defesa; • sejam as intimações realizadas pessoalmente ou via Correios em nome da própria interessada, bem como em nome dos advogados. A DRJ manteve o indeferimento por interpretar que o ICMS integra, sim, a base de cálculo das duas Contribuições. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10875.910765/200961 Resolução n.º 3401000.392 S3C4T1 Fl. 80 3 No Recurso Voluntário insiste na compensação, repisando alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, o julgamento deve sobrestado em obediência do Regimento Interno deste Conselho. O tema referente à inclusão (ou não) do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins está sob análise do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº nº 574706, que versa sobre o seguinte (tema 69): Recurso extraordinário em que se discute, à luz do art. 195, I, b, da Constituição Federal, se o ICMS integra, ou não, a base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFIN Não pode, pois, ser analisado nesta oportunidade, impondose o sobrestamento do julgamento em obediência ao § 2º do art. do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Como informa o sítio do Colendo Tribunal na internet (consulta em 03 de outubro de 2011), o debate A matéria também é objeto da ADC nº 18 e do RE nº 2407852/MG. Apreciando Medida Cautelar na referida Ação Declaratória de Constitucionalidade, o STF, em 13/08/2008, resolvendo questão de ordem suscitada no sentido de dar prosseguimento ao julgamento do RE nº 240.7852/MG, por maioria deliberou pela precedência do controle concentrado em relação ao controle difuso, conforme a ementa seguinte (negrito acrescentado): Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10875.910765/200961 Resolução n.º 3401000.392 S3C4T1 Fl. 81 4 cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal. A eficácia da liminar acima foi prorrogada várias vezes pelo STF (vencidos os Min. Marco Aurélio e Celso de Melo), sempre pelo prazo de 180 dias, sendo que em 25/03/2010 tal prorrogação teria se dado pela última vez, segundo o Plenário do Colendo Tribunal (conforme o sítio do STF na internet, consultado em 30/01/2012). Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e Cofins. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.000059/2004-68
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecer questões de fato relativas a: (a) declaração da recorrente, em conjunto, ou como dependente, de seu então cônjuge e (b) eventual antecipação de recolhimento do tributo pelo cônjuge, no período.
Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. José Roberto Martinez de Lima - OAB/SP 220.567.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
DANIEL PEREIRA ARTUZO
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecer questões de fato relativas a: (a) declaração da recorrente, em conjunto, ou como dependente, de seu então cônjuge e (b) eventual antecipação de recolhimento do tributo pelo cônjuge, no período. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. José Roberto Martinez de Lima - OAB/SP 220.567. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecer questões de fato relativas a: (a) declaração da recorrente, em conjunto, ou como dependente, de seu então cônjuge e (b) eventual antecipação de recolhimento do tributo pelo cônjuge, no período. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. José Roberto Martinez de Lima OAB/SP 220.567. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 05 9/ 20 04 -6 8 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 349 ___________ Inicialmente, adoto o relatório redigido em 1a instância (efls. 286/289), o qual passo a ler: Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, fls. 210/217, relativo ao anocalendário 1998, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 1.249.221,78, conforme abaixo: (...) A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 79, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O contribuinte foi intimado, mediante Termo de Intimação Fiscal, fls. 17, a apresentar extratos bancários do anocalendário 1998, relativos às contas que deram origem a sua movimentação financeira, no valor total de R$ 4.123.151,99 e, a apresentar comprovante de entrega da declaração de rendimentos do anocalendário de 1998. Também lhe foi solicitado comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias relacionadas no referido Termo de Intimação Fiscal. A solicitação foi motivada pela incompatibilidade da movimentação financeira referida com a omissão na entrega da DIRPF 1999. Após requisitar dilação do prazo para apresentação da documentação solicitada, fls. 19, o contribuinte informou, em 25.05.2001, fls. 20, que no anocalendário de 1998, apresentava declaração em conjunto com seu cônjuge, afigurandose como dele dependente, informando ainda que não houve movimentação bancária no Banco Itaú S.A, no Banco Mercantil de São Paulo S.A e no Banco Safra, nas contas mantidas em seu nome e de seu cônjuge, neste anocalendário nos montantes alegados, solicitando à fiscalização que verificasse em seus arquivos internos se essa movimentação era efetivamente referente ao seu CPF. Em vista disso, a fiscalização solicitou, através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF as informações referentes à movimentação financeira da Autuada nos bancos em que possuía contas, fls. 23/34. A contribuinte impetrou Mandado de Segurança n° 2001.16.1.00.0149062 com pedido de liminar objetivando assegurar o direito de não apresentar os documentos exigidos em procedimento fiscal, bem como impedir o seu prosseguimento, por entender que violava seu direito constitucional à intimidade, privacidade e sigilo bancário. O Tribunal Regional Federal da 3a Região julgou improcedente a ação e denegou a segurança pleiteada, nos termos da decisão de fls. 117/123. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000059/200468 Resolução nº 2101000.189 S2C1T1 Fl. 350 3 Em 16.12.2003, fls. 196, foi novamente intimada a contribuinte a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, as fontes dos recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários em seu nome constantes dos quadros de fls. 197/202 e a identificar outros titulares de contascorrentes e contas de poupança dos bancos relacionados no referido termo. Não tendo a contribuinte apresentado nenhum elemento ou documento de forma a atender as exigências da intimação, foi considerado omissão de rendimentos o valor de R$ 1.770.499,03, referentes a depósitos/créditos efetuados no ano de 1998, em obediência ao art. 42 da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação em 18.02.2004, fls. 223/270, alegando em breve síntese que: (...) PRELIMINARMENTE DA CONSUMAÇÃO DA DECADÊNCIA NO PRESENTE CASO CONCRETO (...) DO MÉRITO DA IMPOSSIBILIDADE DE CONFIGURAR COMO RECEITA BRUTA SIMPLES DEPÓSITOS BANCÁRIOS (...) DA NÃO PERMISSÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO BASEADA EM DECISÃO JUDICIAL (...) DA IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 (...) DA NECESSÁRIA JUNTADA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DA OMISSÃO DE RECEITAS E DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL (...) DA INAPLICABILIDADE E DO EFEITO CONFISCATÓRIO DAS MULTAS IMPOSTAS (...) DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAR A TAXA SELIC COMO JUROS DE MORA” Ao analisar a impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (efls. 284/305), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento tributário de efls. 222/227. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove ou apenas comprove em parte, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000059/200468 Resolução nº 2101000.189 S2C1T1 Fl. 351 4 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. PROVAS. Dissociadas de provas materiais que as sustentem as alegações do contribuinte não podem ser consideradas na solução do litígio. SIGILO BANCÁRIO. PRELIMINAR. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras por parte do Fisco, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. RETROATIVIDADE a Lei 10.174/2001, por ampliar os poderes conferidos à fiscalização federal, aplicase ao ato de lançamento realizado após sua publicação, mesmo que este se reporte a fato gerador pretérito. JURISPRUDÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas no litígio. MULTAS DE OFÍCIO. A multa de oficio, no percentual de setenta e cinco por cento, é aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, sendo aplicável a multa de oficio de cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude. DIREITO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação.” (efls. 284/285). Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 310/335), reiterando todos os argumentos da impugnação e requerendo o cancelamento do lançamento tributário. É o relatório. Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO, Relator Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000059/200468 Resolução nº 2101000.189 S2C1T1 Fl. 352 5 O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. A Contribuinte alega que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco lançar o IRPF relativo ao anocalendário de 1998 (Exercício 1999), uma vez que ela somente teve ciência do Auto de Infração em 14/01/2004. Ora, de acordo com o artigo 62A do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no presente caso, devemos observar o entendimento do STJ, o qual, através de sua Primeira Seção, no julgamento do REsp 973.733/SC de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é necessária a consideração sobre a existência ou não de pagamento antecipado para se decidir sobre a aplicação do inciso I do art. 173 ou do § 4º do art. 150, ambos do CTN: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000059/200468 Resolução nº 2101000.189 S2C1T1 Fl. 353 6 "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Dessa forma, tendo em vista que a Contribuinte alega “que no anocalendário de 1.998, apresentava declaração em conjunto com meu então cônjuge, o Sr. Pascoal Roberto Aranha Napolitano, afigurandose como dele dependente” (efl. 22), entendo ser prudente a conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização junte aos autos cópia da referida declaração para ser possível a determinação do prazo inicial decadencial. Frisese que de acordo com as telas juntas às efls. 17 e 18, a única declaração em nome da Recorrente que não foi encontrada foi exatamente a do exercício de 1999. Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização junte aos autos cópia da referida declaração do Sr. Pascoal Roberto Aranha Napolitano, bem como informe a existência de pagamento de imposto efetuado pelo declarante e/ou dependente no referido ano, dando ciência do resultado da diligência à Recorrente para que se manifeste em 30 dias. É o meu voto. (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10670.000215/2005-12
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
A questão não foi apreciada pelo acórdão recorrido sob o ângulo do artigo 14, da Lei n° 9.393, de 1996, nem foram opostos embargos declaratórios para fins de pré-questionamento ou para suprir possíveis omissões quanto a este ponto. Impossibilidade de se alegar contrariedade à determinado dispositivo legal quando o acórdão recorrido não examinou a matéria sob o ângulo da norma apontada como contrariada.
Para que se possa dizer que a decisão recorrida foi contrária a determinado dispositivo de lei, requisito necessário para desafiar recurso especial, é necessário que referida norma, ainda que em razão de embargos de declaração, seja levada em consideração quando do julgamento do acórdão recorrido. No caso concreto, não se pode dizer que o acórdão recorrido contrariou o artigo 14, da Lei n° 9.393, de 1996, quando tal norma, nem de forma indireta, foi citada ou utilizada como razões de decidir.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.878
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10670.000215/2005-12 Recurso n° 334.570 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.878 — 2" Turma Sessão de 11 de maio de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RIO RANCHO AGROPECUÁRIA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. A questão não foi apreciada pelo acórdão recorrido sob o ângulo do artigo 14, da Lei n° 9.393, de 1996, nem foram opostos embargos declaratórios para fins de pré-questionamento ou para suprir possíveis omissões quanto a este ponto. Impossibilidade de se alegar contrariedade à determinado dispositivo legal quando o acórdão recorrido não examinou a matéria sob o ângulo da norma apontada como contrariada. Para que se possa dizer que a decisão recorrida foi contrária a determinado dispositivo de lei, requisito necessário para desafiar recurso especial, é necessário que referida norma, ainda que em razão de embargos de declaração, seja levada em consideração quando do julgamento do acórdão recorrido. No caso concreto, não se pode dizer que o acórdão recorrido contrariou o artigo 14, da Lei n° 9.393, de 1996, quando tal norma, nem de forma indireta, foi citada ou utilizada como razões de decidir. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. J CARLOS AL:: O FREITAS :ARRETO - Presidente MOISES GIA 'à • L1 -4. DA SILVA - Relator EDITADO EM: 3 1 MA I 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Condido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (Suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório O acórdão recorrido (fl. 118/123) pode ser sintetizado por meio da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR Exercício: 2001 Ementa: ITR 2001. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Constitui-se em cerceamento ao direito de defesa a restrição às informações utilizadas à lavratura do auto de infração ao Contribuinte, resultando por corolário, na nulidade do mesmo. Assim, não sendo concedido ao contribuinte o acesso às informações do SIPT — Sistema de Preços de Terras, base de informações para lançamento do VTN não tem este como verificar a fidedignidade destas informações, caracterizando, por certo, o cerceamento ao direito de defesa. 17']? 2001. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. É dever do contribuinte a prova da existência das áreas ocupadas com benfeitorias, omitindo-se, deve-se manter a glosa em relação às mesmas. Pelo o que se extrai da ementa acima, a decisão recorrida, por maioria de votos, acolheu a preliminar de lançamento no concerne ao VTN, por cerceamento do direito de defesa. Por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário quanto às áreas ocupadas com benfeitorias. Na parte em que reconheceu a nulidade do lançamento, a decisão recorrida o fez com base nos seguintes fundamentos: "A glosa da fiscalização para fins do Valor da Terra Nua deu-se através da extração do valor lançado SIPT — Sistema de Preços 2 Processo n° 10670.000215/2005-12 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.878 Fl. 2 de Terras, cujo acesso, nos termos da Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, ocorre de forma restrita, a usuário credenciado pela Cofins — Coordenação Geral de Fiscalização da SRF, não permitindo ao contribuinte visualizar a origem dos valores informados no auto de infração, não oportunizando ao contribuinte conferir se os valores constantes no auto de infração são efetivamente aqueles do SIPT. Ora, não basta a Autoridade Lançadora alegar que os valores constantes no auto de infração são aqueles do SIPT, fis 12 e 15, e preciso oportunizar ao Contribuinte o conhecimento destas informações, a fim de que este manifeste-se apresentando suas razões, se entender necessário. Portanto, caracteriza-se por cerceamento ao direito de defesa a restrição de acesso imposta ao Contribuinte ao Sistema SIPT - de onde foram extraídos os valores utilizados para glosa do valor da terra nua. Por estas razões, com fundamentos no inciso II, do artigo 59, do Decreto 70.235/72 considero como nulo o auto de infração no que concerne ao lançamento do VTN" Regulamente intimada, a Fazenda Nacional ingressou com o recurso especial às fls. 126 e seguintes, alegando contrariedade ao artigo 14, caput, da Lei n°9396, de 1996, que autoriza a SRF a proceder o lançamento de oficio em caso de subavaliação ou prestação incorreta do preço das terras. Sustenta que não houve cerceamento de defesa, pois foi anexado aos autos o resultado da consulta feita pelo SIPT, no qual consta o valor da terra fornecido pelo município de localização do imóvel. O recurso foi admitido às fls. 136/137 e recorrido apresentou contrarrazões de fls. 142 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso e tempestivo, foi interposto por parte legitima, está devidamente fundamentado. Passo a examinar os requisitos de admissibilidade que na época estavam . previstos no artigo 5 0, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época, aprovado pela Portaria n°55, de 16 de março de 1998, a seguir transcrito: Art. 5'. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: I – decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando ibi contrária à lei ou à evidência de prova;e _ _ II – (...) Para que se possa dizer que a decisão recorrida foi contrária a determinado dispositivo de lei, requisito necessário para desafiar recurso especial, é necessário que referid• , / norma, ainda que em razão de embargos de declaração, seja levada em consideração quando do julgamento do acórdão recorrido. Não se pode dizer que o acórdão recorrido contrariou o artigo 14, da Lei n° 9.393, de 1996, abaixo transcrito, quando tal norma, nem de forma indireta, foi citada ou utilizada como razões de decidir. "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do D1AT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização clã imóvel, apurados em procedimentos cie fiscalização. § 1°. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei ir 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2°. As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais." A norma acima transcrita diz respeito ao lançamento feito com base em informações constantes do Sistema de Preços de Terras instituído pela Receita Federal. Todavia, a decisão recorrida não se fere à possibilidade ou não da utilização de tal sistema para fins de lançamento, mas sim na necessidade de se oportunizar ao autuado o conhecimento dos dados constantes destas informações, afim de que possa apresentar suas razões quanto a eventuais discordâncias. Pelas razões acima referidas, entendo que o acórdão recorrido não decidiu com base no artigo 14, da Lei n° 9393, de 1996, situação que impede o conhecimento do recurso com base no artigo 5°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época, aprovado pela Portaria n°55, de 16 de março de 1998. ISTO POSTO, voto no sentido NÃO CONHECER do recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. — Moisés Giacomelli Nunes da Silva - elator 4
score : 1.0
Numero do processo: 13601.000300/2004-01
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO.
A industrialização e/ou comercialização de conexões hidráulicas industriais não é atividade assemelhada à de engenheiro, nem está vinculada à construção civil, portanto não pode impedir a opção do contribuinte pela sistemática de tributação do Simples.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.024
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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EXCLUSÃO. A industrialização e/ou comercialização de conexões hidráulicas industriais não é atividade assemelhada à de engenheiro, nem está vinculada à construção civil, portanto não pode impedir a opção do contribuinte pela sistemática de tributação do Simples. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. M RCIA H IgNA TRAJ O DAMORIM - Presidente \V\ 0C5--Q ' - MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA — Relat a EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Processo n° 13601.000300/2004-01 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.024 Fl. 214 Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório O presente caso trata de retorno de diligência em processo que versa sobre a exclusão do contribuinte da sistemática de tributação do Simples por exercício de atividade vedada, a saber: 4543-8/01 Instalações hidráulicas, sanitárias e de gás. Este Colegiado determinou que fosse realizada diligência nos seguintes termos: Assim, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a delegacia a que está submetida o contribuinte tome as seguintes providências: providencie que um auditor fiscal se dirija, em diligência, ao estabelecimento do contribuinte e verifique no local quais as atividades desenvolvidas pelo mesmo, informando se estas são atividades complexas e exigem formação profissional vedada à opção da sistemática do Simples, quantos empregados o contribuinte tem a seu serviço, que tipo de equipamentos são utilizados nestas atividades e pelo exame da documentação fiscal do contribuinte, quais as atividades exercidas pelo mesmo são as mesmas desde a data da opção, trazendo aos autos exemplos de notas fiscais que demonstrem a execução de atividades vedadas, se for o caso; certifique nos autos, o que ocorreu com as peças que o contribuinte informa em seu recurso ter apresentado como anexo ao mesmo; dê ciência ao contribuinte das informações e resultado da diligência acima, facultando-lhe a manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final da diligência o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil responsável elaborou um Relatório de Diligência do qual extraio a seguinte conclusão: Por tudo o que foi relatado, constatei que as atividades exercidas pela Hidrau-já Indústria e Comércio Ltda são de industrialização e comercialização de conexões hidráulicas industriais. Quando da prestação de serviços efetuados até o ano de 2003, verifiquei tratar-se de conserto de produto usado executada por encomenda de terceiros para aplicação em suas linhas de produção. Em momento algum ficou evidenciada qualquer prestação de serviços hidráulicos, mas tão-somente o reparo de conexões hidráulicas, não vinculado ao ramo de construção de imóveis. Além disso, não vislumbrei qualquer utilização de serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. 2 Processo n° 13601.000300/2004-01 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.024 Fl. 215 Concluindo, não constatei atividades desenvolvidas pela Hidrau- já que justifiquem a sua exclusão do Simples. Tendo sido intimado a se manifestar sobre a diligência, o contribuinte concordou com as conclusões do Sr. Auditor fiscal e reiterou o pedido formulado em seu recurso. Os autos retornaram a este Conselho e pedi sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. 3 Processo n° 13601.000300/2004-01 S3-C1T2 Acórdão n." 3102-00.024 FI. 216 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Conheço do presente recurso por tempestivo e atender aos requisitos legais. A frase final do relatório fiscal resultante da diligência realizada é de clareza impar e merece ser repetida, pois embasa o decidir deste relator: Concluindo, não constatei atividades desenvolvidas pela Hidrau- já que justifiquem a sua exclusão do Simples. A jurisprudência deste Colegiado tem reconhecido inclusive que os serviços hidráulicos também não impediriam a opção pelo Simples. Neste sentido, posso citar, o resultado unânime em acórdão de minha relatoria: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. INCLUSÃO COM EFEITOS. RETROATIVOS. Não existe qualquer obstáculo para que as pessoas jurídicas que prestem serviços de instalação, manutenção, elétrica, hidráulica e mecânica e montagem de painéis elétricos, optem pela sistemática do SIMPLES.RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Observo que no presente caso, não há serviços hidráulicos sendo prestados, nem nunca houve, a atividade do contribuinte é de torneiro mecânico, que não é assemelhada àquela exercida por engenheiros, nem relativa à construção civil. Não há qualquer complexidade maior nesta atividade a exigir a intervenção de profissional de atividade que vede a referida opção, nem há vedação expressa a esta. Assim, VOTO por conhecer e prover integralmente o recurso, para reconhecer o direito da recorrente a ser mantida na sistemática de tributação do Simples, devendo a autoridade competente verificar o cumprimento dos demais requisitos legais. '1 MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA 4
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Numero do processo: 10909.900140/2008-75
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Ker, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Ker, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
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INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Ker, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 01 40 /2 00 8- 75 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.767, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 55 a 58, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 08/17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DComp apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Sustentou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse, ainda, pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis refutou os argumentos da impugnante assentando que, em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações sobre este juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, no sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, mais, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 63 a 75, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados, trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa, Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900140/200875 Acórdão n.º 3803000.629 S3TE03 Fl. 96 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não de aplicação do instituto da denúncia espontânea para o ato praticado pela Contribuinte de prover compensação dos seus débitos a destempo sem a incidência da multa de mora. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários não dolosos (não prestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não é aplicável ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari1 para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais 1 Denari, Zelmo e Costa Jr., Paulo José. Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, 2 ed., São Paulo: Saraiva, 1996, p. 24, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN 4 sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas. A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho2: Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso, a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. 2 Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 6 ed., São Pau: Saraiva, 1993, p. 348/351. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900140/200875 Acórdão n.º 3803000.629 S3TE03 Fl. 97 5 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo o critério acima, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterseá a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN 6 por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação é o meio de constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/05/2015 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001623/91-12
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS RECEITA OPERACIONAL - EX 1988
DECORRÊNCIA
Tratando-se de lançamento reflexivo, a
decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a intima relação de causa e efeito que
vincula Um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.112
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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(LiAto, telatado4 e ci,Lecutído3 os pne4ente4 auto de ite.cuA.- 4v íntetpo4to pot S. C. MENDES BALDI g JURADO 'ADVOGADOS ASSOCIADOS. ACORDAM c., Membto3 da Segunda Camata do Pflímeíto Cone.eho de CvnttauínteA, pok unanímídade de voto, dai'. ptovímento patcíal ao Aecutiso pata adequat uta dec,L4ão ao dec_ídÁido no ptoceo mattíz, no4 te.funo4 do voto da Aelatota. Sala daó Se44o -e4, em 24 de agoto de 1995 WALDEVAN AL\Villi S: OLIVEIRA - VICE-PRESIDENTE11D ,-------,-,,,,,_ URS-UL4 1-1_14S'EN- - RELATORA ^-&-e-z--,--,..---, TO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FAZENDA SÃO DE: NACIONAL. 22 S ET 1995 tícípait.am, aí:Ida, do pte4ente julgamento o4 Seauínte4 Con4elhe-Lto4: Ma- Cia de Andtade Fígueitedo, Jois j CI -j víA A/veA , Jillío C -e-Aat Gome.s da va e Jo -e-, Catlo4 Pa33ue//o. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 02 PROCESSO a 10240/001.623/91-12 RECURSO n. 82.652 ACÓRDÃO n. 102- 30.112 RECORRENTE S C MENDES BALDI & JURADO ADVOGADOS ASSOCIADOS RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 e anexos, lavrado contra 5 C MENDES BALDI & JURADO ADVOGADOS ASSOCIADOS, CGC n. 05.924.11310001-05, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Porto Velho, RO, formalizando a exigência de PIS Receita Operacional, relativa ao exercício de 1988, no valor Cr$ 14.049,20 e correspondentes acréscimos legais. O lançamento, com base na alínea "b" do artigo terceiro da Lei Complementar 07170, c/c parágrafo único do artigo primeiro da Lei Complementar 17/73, decorreu de procedimento de fiscalização em que foram apuradas irregularidades - omissão de receita, ocasionado insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto do Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo 10240/001.626/91-01. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, apresentou, em 10/11/91, sua impugnação de fls. 06, com os anexos de fls. 07/09, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância., de número 39/92, foi proferida às fls. 23/24, e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular em 20/07/92 (fls. 26), a contribuinte, interpôs recurso voluntário em 19/08/92, referindo-se, em suas Razões, anexadas às fls. 29/30, aos argumentos formulados no processo referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e requerendo a sustação do julgamento até que seja decidido aquele processo principal. O recurso é lido integralmente em Plenário. É o relatá . / 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEMO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 03 PROCESSO a. 10240/001.6235/91-12 ACÓRDÃO n. 102- 30 . 112 VOTO Conselheira Ursula Hansen - Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n. 10240/001.626/91-01. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 05 de maio de 1993, foi julgado parcialmente procedente, conforme faz certo o Acórdão n. 102-28.183; Considerando que, nas Ragies de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida, e, Considerando o principio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro, Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso, adequando-se a base tributável ao decidido no processo matriz. BRASÍLIA, DF, 24 de ag o3 to de 1 995 . URSULA -ÉN - Relatora JÁrs ._, 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000998/2007-18
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006
O artigo 22 A da Lei nº 8.212/91 é claro ao definir que Agroindústrias são produtores rurais que industrializam e comercializam bens de sua propriedade ou de produção própria e adquirida de terceiros, podendo beneficiar-se integralmente dos incentivos circunscritos à atividade rural.
O beneficio destina-se a qualquer um que explore atividade rural, e a única limitação é que o bem a ser depreciado seja adquirido para o uso nessa atividade.APLICAÇÃO DO ART. 149, § 2o., I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL À CSLL. CONCOMITÂNCIA.ARGUMENTOS DE DEFESA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (súmula CARF no.1)
Numero da decisão: 1301-001.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006 O artigo 22 A da Lei nº 8.212/91 é claro ao definir que Agroindústrias são produtores rurais que industrializam e comercializam bens de sua propriedade ou de produção própria e adquirida de terceiros, podendo beneficiar-se integralmente dos incentivos circunscritos à atividade rural. O beneficio destina-se a qualquer um que explore atividade rural, e a única limitação é que o bem a ser depreciado seja adquirido para o uso nessa atividade.APLICAÇÃO DO ART. 149, § 2o., I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL À CSLL. CONCOMITÂNCIA.ARGUMENTOS DE DEFESA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (súmula CARF no.1)
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O beneficio destinase a qualquer um que explore atividade rural, e a única limitação é que o bem a ser depreciado seja adquirido para o uso nessa atividade.APLICAÇÃO DO ART. 149, § 2o., I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL À CSLL. CONCOMITÂNCIA.ARGUMENTOS DE DEFESA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (súmula CARF no.1) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 09 98 /2 00 7- 18 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 2 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foram apuradas as seguintes infrações: 1 exclusão indevida de resultado das exportações da base de cálculo da CSLL relativa aos fatos geradores de 31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005 e 31/12/2006; 2 exclusão indevida de créditos de PIS e COFINS na apuração da CSLL do fato gerador de 31/12/2006; 3 exclusão indevida de depreciação incentivada para os fatos geradores da CSLL de 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005 e 31/12/2006. Em conseqüência, foi lavrado o auto de infração de fls. 0508, no qual foi lançada a CSLL apurada, acompanhada de juros de mora, calculados até 30/04/2007, e de multa de ofício (75%). 2. Conforme descrito no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 1550, o contribuinte tem por objeto social "a exploração, produção, industrialização, comércio e exportação de produtos da agricultura e pecuária em geral, e, especificamente, a cultura e industrialização da canadeaçúcar, para a produção de açúcar e álcool e sua comercialização e exportação, podendo ainda dedicarse a outras operações, que direta ou indiretamente estejam ligadas a estas atividades". Afirma a autoridade autuante que o contribuinte desenvolve atividade agroindustrial, de modo que não se ajusta ao conceito de atividade rural previsto no art. 2o. da Lei 8.023/90, com a redação dada pelo art. 17 da Lei 9.205/95. A produção de açúcar e álcool é incompatível com a transformação de produtos agrícolas permitida para a atividade rural, e, ademais, a agricultura não pode ser considerada atividademeio para o conceito legal de atividade rural. Daí a conclusão no sentido de que o contribuinte não pode gozar do benefício da depreciação acelerada incentivada dos bens do ativo permanente imobilizado utilizados na atividade rural. Além disso, este benefício fiscal, previsto no art. 5o. da Medida Provisória 1.74937/99, não alcança os valores incluídos na conta "Canaviais em Formação", já que tal conta não está sujeita a depreciação, mas a exaustão, pois há declínio da capacidade produtiva causada pelo corte da parte externa do vegetal. Os benefícios fiscais devem ser interpretados literalmente, nos termos do art. 111 do CTN. Quanto à atividade rural consistente na produção e venda de soja, sorgo, canadeaçúcar e gado, o resultado desta atividade deve ser segregado daquele proveniente da atividade agroindustrial. 2.1. Quanto ao lançamento relativo aos valores excluídos da base de cálculo da CSLL a título de "crédito PIS/COFINS conf. Lei n° 10.833 art. 3o., § 1o., esclarece a autoridade autuante que esta exclusão vai de encontro ao disposto no art. 1o. do Ato Declaratório Interpretativo n° 3/2007, segundo o qual os valores dos créditos de PIS e de COFINS apurados no regime nãocumulativo não constituem hipótese de exclusão do lucro Fl. 425DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13855.000998/200718 Acórdão n.º 1301001.223 S1C3T1 Fl. 3 3 líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Ressalta a autoridade autuante que o contribuinte tem o direito de excluir da base de cálculo apenas o valor efetivamente desembolsado das contribuições ao PIS e à COFINS nãocumulativas, vale dizer, o montante correspondente à diferença entre débitos e créditos. Conclui afirmando que a limitação imposta pelo ato declaratório é da lógica do IRPJ e da CSLL, pois impede a utilização simultânea do direito de crédito e do custo de aquisição de insumos. Evitase assim a dupla utilização do crédito de PIS e COFINS, como ativo a recuperar e custo de mercadorias. 2.2. A propósito da indevida exclusão do resultado das exportações da base de cálculo da CSLL, esclarece a autoridade autuante que o contribuinte intimado a manifestar se acerca das exclusões, afirmou que estas ocorreram com base no § 2o. do art. 149 da Constituição Federal, que veda a incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Ressalta a autoridade autuante que a imunidade mencionada é aplicável apenas sobre as receitas de exportação, não atingindo o resultado (lucro) decorrente dessas receitas. Traz à colação diversas decisões de Tribunais que não acolhem o entendimento manifestado pelo contribuinte. Finalmente, afirma que o contribuinte, por meio do mandado de segurança 2007.61.13.0009000, já deduziu perante o Poder Judiciário a pretensão de excluir o resultado das exportações para a apuração da CSLL. 3. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 31/05/2007, o contribuinte protocolizou, em 02/07/2007, a impugnação de fls. 170210, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. Ao regular o direito ao crédito do PIS e da COFINS apurados consoante a sistemática da nãocumulatividade, o art. 3o., § 1o., da Lei 10.833/2003 determinou que o valor dos créditos apurados não constituem receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. Conclui a impugnante que a redação da norma revela a determinação do legislador de excluir tais valores do resultado a ser tributado na pessoa jurídica, sobretudo tendo em conta o princípio da tipicidade cerrada que rege o entendimento e a aplicação das normas tributárias. A própria SRF, por meio de soluções de consulta, manifestou o entendimento de que os créditos de PIS e de COFINS não compõem a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A Interpretação Técnica n° 1/2004 do IBRACON tem o condão apenas de esclarecer aspectos atinentes à contabilização dos créditos do PIS e da COFINS, mas não tem valor jurídico para vedar a exclusão de tais valores da receita bruta, pois esta exclusão está prevista na lei. A diferença entre o tratamento contábil e o fiscal é autorizada pelo art. 177, § 2o. , da Lei das Sociedades por Ações. Destarte, o Ato Declaratório Interpretativo n° 1/2007 invocado pela autoridade autuante é ilegal. Ademais, o referido Ato Declaratório representa nítida modificação nos critérios jurídicos adotados pela Administração, quando confrontado com as soluções de consulta que decidiram em sentido oposto, razão pela qual, à luz do disposto no art. 146 do CTN, o novo critério jurídico só pode ser aplicado a fatos posteriores a sua introdução. Aduz a impugnante que o princípio da legalidade garante ao administrado a previsibilidade da ação estatal, conseqüência imediata da segurança jurídica, que tem como corolários a certeza do direito a vedação da arbitrariedade e a confiabilidade no ordenamento jurídico. Da mesma forma, o princípio da irretroatividade protege a segurança jurídica. O art. 100, III , do CTN, ao prescrever que as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis, é conseqüência desses princípios. Este mesmo artigo, em seu parágrafo único, veda a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo àqueles contribuintes que observarem as normas complementares. Daí a conclusão da impugnante no sentido de que, diante das diversas soluções de consulta que decidiram pela Fl. 426DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 4 possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e de COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, há prática reiterada da Administração caracterizadora de norma complementar, de modo que é descabida a imposição de multa e a cobrança de juros de mora no lançamento dos créditos tributários. Eventuais soluções de consulta em sentido contrário não infirmam esta conclusão, pois restou caracterizada a adoção de práticas administrativas reiteradas. Entendimento diverso fere o princípio da isonomia. 3.2. O art. 2o. da Lei 8.023/90, com a redação dada pela legislação superveniente, é aplicável apenas às pessoas físicas, conforme se infere inclusive pela localização sistemática da norma no RIR/99 (arts. 57 e segs.). A legislação conceitua a pessoa jurídica agroindustrial como produtora rural. O art. 22A da Lei 8.212/91, inserido pelo art. 2o. da Lei 10.256/2001, definiu a agroindústria como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. A qualificação da atividade como rural independe da obtenção produtos finais diversos da cana de açúcar in natura, como o açúcar e o álcool. Há incongruência na argumentação da autoridade autuante ao equiparar a cultura de cana às florestas. Caso se admita tal equiparação, deveria a autoridade autuante qualificar a atividade da impugnante como rural, já que o art. 59 da Lei 9.430/96 considera como tal o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. A canadeaçúcar possui uma parte subterrânea, onde se localizam as raízes da planta, coração de todo o ciclo da cultura, e uma parte aérea constituída pelos colmos, que são cortados na colheita. Com os sucessivos cortes a plantação resulta inviável economicamente, pela perda dos teores de sacarose. Há dispêndios com a cultura que se aplicam a um único plantio, enquanto outros, diversamente, se estendem a todos o ciclo produtivo. Nos termos do art. 179, IV, da Lei 6.404/76, devem ser registrados no ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial. O Pronunciamento VII do IBRACON classifica no imobilizado os bens tangíveis ou intangíveis utilizados ou a serem utilizados na manutenção das atividades da entidade, cuja vida útil econômica, em praticamente todos os casos, seja igual ou superior a um ano. Daí a conclusão de que os recursos aplicados na formação da cultura devem ser registrados no ativo imobilizado, conforme reconhece inclusive o Conselho de Contribuintes. Os bens sujeitos a depreciação perdem seu valor econômico por força de desgaste de uso, de seu emprego na atividade social, enquanto aqueles sujeitos a exaustão são bens que se esgotam com o curso do tempo, por força da exploração humana, perdendo as suas propriedades físicas. Embora ambos reflitam a perda da vida útil econômica do bem, no primeiro caso não há seu desaparecimento físico, diferentemente da segunda hipótese. Nos termos do art. 307 do RIR/99, a depreciação se aplica aos bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal. A parte subterrânea da cana deaçúcar permanece viva após os sucessivos cortes. Ocorre que a cultura se torna economicamente inviável, por força do desgaste, deterioração do uso e por ações da natureza, após quatro ou cinco cortes. Diferentemente, os bens sujeitos a exaustão são objeto da própria atividadefim do explorador, tal como ocorre nas jazidas de petróleo ou de minérios e na cultura de florestas para cortes comerciais. A própria SRF, em 1987, na Solução de Consulta n° 33, afirmou, com base no Parecer Normativo n° 18/79, que " o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação". Ademais, o art. 183, § 2°, "c" , da Lei 6.404/76, restringe a exaustão para custos relacionados, exclusivamente, a recursos minerais e florestais, sem reportála à formação de lavouras agrícolas, sendo ilegítima a exigência de exaustão fora das hipóteses veiculadas na norma. Portanto, os custos com a formação das touceiras e soqueiras devem ser submetidos à depreciação integral prevista no art. 6o. da Medida Provisória 2.15970/2001, conforme já reconhecido pelo Conselho de Contribuintes. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13855.000998/200718 Acórdão n.º 1301001.223 S1C3T1 Fl. 4 5 3.3. Alega a impugnante que a Emenda Constitucional 33/2001, introduziu, no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, a imunidade das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Afirma que o STF j á firmou o entendimento de que a CSLL é modalidade de contribuição social. Assim, o art. 149, § 2°, I, da Lei Maior impede a incidência da CSLL sobre as receitas de exportação. Sustenta que as receitas são as parcelas positiva a ser computada na formação do lucro, base de cálculo da CSLL, conforme prescrevem o art. 2o. da Lei 7.689/88 e o art. 186 da Lei 6.404/76. O lucro corresponde à soma das receitas internas e das receitas de exportação, subtraindose do resultado as despesas. Porém, diante da imunidade mencionada, as receitas de exportação devem ser excluídas da apuração do lucro. Essa interpretação se impõe em face do princípio constitucional que preconiza a desoneração da atividade exportadora das empresas situadas em nosso território relativamente às contribuições sociais. A imunidade deve ser interpretada de maneira extensiva, conforme j á assentado pelo STF ao julgar a questão da imunidade tributária dos livros, jornais e periódicos. Sustenta a impugnante que não há que se falar em concomitância decorrente da impetração do mandado de segurança 2007.61.13.0009000, pois o art. 1o., § 2o. do DecretoLei 1.737/79 e o art. 38 da Lei 6.830/80 vedam a concomitância de discussão nas esferas administrativa e judicial apenas nas hipóteses em que a ação judicial é proposta após a autuação e tem por objeto a desconstituição do crédito tributário. O ADN COSIT 3/96 extrapola a lei ao vislumbrar concomitância quando a ação é proposta antes da autuação. Na hipótese dos autos, o mandado de segurança foi impetrado antes da ciência do auto de infração, de modo que não se pode admitir a renúncia ou desistência de algo que sequer teve início, conforme reconhece o Conselho de Contribuintes. 3.4. Por fim, pede a impugnante que seja declarada a insubsistência do auto de infração. Caso assim não se entenda, pede que não se aplique retroativamente o ADI/SRF 01/07. Caso este último pedido não seja acolhido, requer que seja afastada a incidência de multa e juros. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1416.968, de 17/09/2007 (fls. 306 e ss), julgando o lançamento procedente, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO/CSLL Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006 31/12/2003, CRÉDITOS DE PIS E COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ CANADEAÇÚCAR EXAUSTÃO DEPRECIAÇÃO APLICAÇÃO DO ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL À CSLL CONCOMITÂNCIA. O art. 3o., § 10, da Lei 10.833/2003 não autoriza que o contribuinte exclua os créditos do PIS e da COFINS, apurados pela sistemática da nãocumulatividade, da base de cálculo da CSLL. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 6 Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos a exaustão e não a depreciação, de modo que não se aplica a depreciação integral prevista no art. 6o. da Medida Provisória 2.15970/2001. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13855.000998/200718 Acórdão n.º 1301001.223 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário interposto é tempestivo e assente em lei.Dele conheço. Trata os autos do presente processo de auto de infração decorrente de exclusões indevidas da base de cálculo da CSLL, resultante nos lançamentos no valor de R$ 17.609.533,21; juros de mora no valor de R$ 2.952.390,50 e multa de ofício no valor de R$ 13.207.149,89 (totalizando o montante de R$ 33.769.073,60). No recurso voluntário interposto são contestadas três matérias, as quais na mesma seqüência passamos a análise. 1. DO DIREITO. DA EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. (artigo 3°, § 10 e do artigo 15 da Lei rt° 10.833/2003). Transcrevo, a seguir, em breve síntese, as principais alegações da recorrente. “Como é possível verificar, os d. julgadores, ao concluir no acórdão recorrido pela ausência de previsão legal para se excluir do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor relativo aos créditos da contribuição ao PIS e COFINS, não observaram as diretrizes estabelecidas pela legislação dessas contribuições, no que se refere aos créditos decorrentes de sua sistemática nãocumulativa. A Lei n° 10.833/2003, ao instituir a sistemática nãocumulativa da COFINS, elegeu como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (art. 1o., § 2o.) e a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), conforme o art. 2o. do referido diploma. Nesse tom, dando efetividade à nãocumulatividade do tributo, o art. 3o., por sua vez, estabeleceu que do valor apurado, em conformidade com os dispositivos supra mencionados, serão descontados diversos valores empregados pela pessoa jurídica em suas atividades sociais, de sorte que tais valores representam créditos do contribuinte. Ao determinar o tratamento jurídico tributário a tais créditos, o § 10 do art. 3o. estabelece que o valor correspondente a eles não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. Tal disposição se aplica também à contribuição ao PIS, nos termos do que determina o artigo 15 da referida lei. Nesse contexto, o valor dos créditos apurados quer a título de contribuição ao PIS quer da COFINS em regime nãocumulativo não se caracteriza como receita bruta da pessoa jurídica, constituindose mera dedução para apuração do quantum debeatur destes tributos.” Fl. 430DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 8 Verificase, neste ponto, que a matéria em lide está centrada no entendimento da ora recorrente, segundo o qual o disposto no § 10 do art. 3o. da Lei 10.833/2003, assegura a exclusão dos créditos apurados do Pis e da Cofins para fins de apuração da CSLL. Vejamos a dicção legal: Art.3o. Do valor apurado na forma do art.2o. a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. Não me parece correto tal entendimento, como assentado na decisão recorrida, o referido § 10 do art. 3o. não pode disciplinar assunto outro que não o identificado no Caput, o qual, por sua vez, se reporta ao art. 2o., que trata da determinação do valor, tão somente, da COFINS, mais de nenhum outro tributo (art. 15 trata do PIS). Confirase o art. 2o., in verbis:: Art. 2° Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1°, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Adotando como maneira de decidir os bens fundamentados argumentos do voto recorrido, forçoso concluir, que o art. 3o., § 10, da Lei 10.833, de 2003, não institui, ainda que implicitamente, nenhuma hipótese de exclusão do lucro liquido, para fins de apuração da base tributável da IRPJ e da CSLL. Os créditos previstos na legislação da COFINS e da contribuição ao PIS/Pasep com incidência não cumulativa não poderão se constituir ao mesmo tempo em direito de crédito e em custo dos insumos e mercadorias. Portanto, vedado o lançamento do direito de crédito da Cofins e do Pis em contrapartida à conta de receita. No caso em exame, verificase o procedimento da contribuinte em deduzir o valor do PIS e da Cofins devidos da receita bruta auferida nos respectivos anoscalendário e, portanto, do resultado do exercício. Aqui configurase o duplo beneficio, pois a recorrente deduziu os valores apurados das contribuições do resultado do exercício, ao mesmo tempo em que excluiu do lucro líquido o valor dos créditos, como receita não tributável, nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Assim, uma vez que a base de cálculo do imposto de renda e da CSLL apurado pela sistemática do lucro real é o lucro liquido do período, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação de regência, e não havendo previsão legal para que se faça, qualquer ajuste ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real ou, ainda, da base de cálculo da CSLL relativamente aos valores do Pis e da Cofins, correta a glosa das exclusões em análise neste item. Ressaltese, que em memorial entregue na Sessão de Julgamento de 08/05/2013, desta Turma, a recorrente noticia que os valores relativos a glosa deste item do auto de infração (créditos das contribuições ao Pis e a Cofins foi incluída no parcelamento instituído pela Lei no. 11.941/2009, conforme petição apresentada em 24/02/2010, portanto, prejudicada a sua análise por falta de objeto, visto que o parcelamento especial de que trata a citada Lei é confissão de dívida. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13855.000998/200718 Acórdão n.º 1301001.223 S1C3T1 Fl. 6 9 2 DA LEGITIMIDADE DAS EXCLUSÕES NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL A TÍTULO DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. Atividade Rural X Produtor Rural. Neste ponto afirma a recorrente: “Como já descrito e repetido no presente processo, a Recorrente é uma sociedade agroindustrial voltada à plantação e industrialização de canadeaçúcar, exercendo atividade tipicamente rural que vai desde a preparação das terras destinadas às lavouras, passa pela contratação de pessoas que prestam serviços, direta ou indiretamente, relacionados com plantação, cultivo e colheita, assim como pela aquisição de insumos, máquinas e equipamentos (tipicamente agrícolas), até chegar à obtenção dos seus produtos finais, açúcar e álcool, posteriormente comercializados ao mercado. Tratase, à toda vista, de uma verticalização da cadeia produtiva exercida pela Recorrente, toda ela voltada e dependente da canadeaçúcar, base de sua existência social. Por exercer atividade rural, a Recorrente faz jus ao benefício fiscal conhecido como depreciação acelerada, previsto na Medida Provisória n° 2.15970/2001, cujo art. 6o. prevê que "Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição". (...) De fato, nos termos do lançamento realizado e ora combatido, a Recorrente teria praticado redução indevida do lucro tributável, em virtude de exclusão do lucro líquido no exercício, a título de depreciação incentivada, na medida em que, segundo o equivocado entendimento em que se funda o ato administrativo, não preencheria os requisitos legais pertinentes para caracterizar o exercício da atividade rural. (...) Atémse o lançamento, exclusivamente, ao conceito de atividade rural veiculado pelo art. 2o. da Lei n° 8.023/90, com a redação dada pela legislação subseqüente, sem atentar para o fato de que a disposição normativa diz respeito, em nosso ordenamento, apenas e tão somente à tributação relativa às pessoas físicas. De fato, o referido dispositivo baliza as normas do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 para fins de apuração do imposto de renda das pessoas físicas, elencadas, neste aspecto, nos arts. 57 e seguintes do codex. (...) Vêse da decisão ora combatida, que as d. autoridades julgadoras se esforçaram em comparar canadeaçúcar a florestas. Esta comparação é absolutamente injustificável. A lei societária determina a contabilização, como exaustão, a diminuição de jazidas e florestas ativadas. Há uma razão para tanto: jazidas e florestas, uma vez exploradas, se exaurem, se esgotam, desaparecem do mundo em que vivemos. Esta a distinção técnica e jurídica entre depreciação e exaustão. A debastação das florestas implica na exploração destas de forma tal que elas são extirpadas do terreno em que foram plantadas. Arrancase a árvore, devendo haver novo plantio e cultivo da cultura para nova exploração: a árvore morre. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 10 Como visto acima, tal não se dá na cultura da canadeaçúcar. Ela permanece viva, corte após corte. A cana não morre. Mas suas raízes vão ficando mais e mais superficiais e o tratamento a ser dado à terra e à planta, em um dado momento futuro, não mais tem justificativa econômica. Depreciase! (...) Finalmente, independentemente da questão ora enfrentada acerca da classificação contábil da diminuição dos valores em debate, cumpre ressaltar que o E. 1o. Conselho de Contribuintes, através de sua Quarta Câmara, já decidiu pela concessão do benefício da depreciação incentivada para os custos com a formação da lavoura de canadeaçúcar, nos termos do então vigente parágrafo 2o. do artigo 12 da Lei n° 8.023/90: ATIVIDADE RURAL. APROPRIAÇÃO DE CUSTOS. ATIVO PERMANENTE. As regras contábeis que impõe a contabilização do investimento na formação de lavoura canavieira no Ativo Imobilizado, não obstam a apropriação da totalidade do custo no próprio ano dos dispêndios" (Acórdão 10419138, de 5 de dezembro de 2002).” Quanto a este item, importa perquirir se a empresa explora atividade rural propriamente dita e, se todos os valores despendidos na formação da lavoura de cana de açúcar estão sujeitos a depreciação. Em primeiro plano, assento minha total concordância com os argumentos expendidos na decisão de primeira instância a respeito do equivocado entendimento da ora recorrente ao afirmar que o art. 2o. da Lei 8.023/90 se aplica apenas às pessoas físicas. Resta claro, que tal norma discrimina as atividades que, quando desempenhadas por pessoas físicas ou jurídicas, são consideradas rurais. Em seguida, por pertinente, transcrevo o art. 6o. da Medida Provisória no. 2.15970, de 2001, que diz respeito ao benefício correspondente à depreciação acelerada: Art. 6o. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. Verificase no Termo de Verificação Fiscal (fl. 15): A partir das informações constantes da DIPJ do anocalendário 2002 e seguintes verificase que a fiscalizada considera desempenhar atividades conceituadas como rurais. O conceito fiscal do desempenho de referida atividade tem seu desenho normatizado pela Lei n° 8.023/90, com as alterações impostas pela lei n° 9.430/96 (sic Lei 9.250/95), assim disciplinado: Art. 2o. Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; Fl. 433DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13855.000998/200718 Acórdão n.º 1301001.223 S1C3T1 Fl. 7 11 IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Referida lei incentiva as atividades do setor primário da economia, de molde a permitir a fixação do homem ao campo na produção de alimentos. Da leitura do estatuto social da auditada encontrase como objeto social da empresa "a exploração, produção, industrialização, comércio e exportação de produtos da agricultura e pecuária em geral, e, especificamente, a cultura e industrialização da canadeaçúcar, para a produção de açúcar e álcool e sua comercialização e exportação, podendo ainda dedicarse a outras operações, que direta ou indiretamente estejam ligadas a estas atividades" (fls. 453). Constatase, também, a partir dos livros contábeis da fiscalizada, que as usinas de açúcar e álcool dedicamse quase com exclusividade à produção e venda destes produtos. Logo, tratase de uma atividade agroindustrial. Neste caso, evidente a descaracterização de que a usina execute atividade rural em relação a este item de suas vendas (açúcar e álcool), a diferença do processo desta com a do produtor rural é também quantitativa. Tratase de processo industrial o verificado nas usinas com a produção como a deste caso, eis que a quantidade produzida de milhões de litros de álcool e de toneladas de açúcar cristal requer manejo industrial. Não pode, nem foi pensado na lei tributária, um tratamento em bases iguais do produtor rural com o industrial que se utilize de insumos agrícolas e, altera a composição e as características do produto in natura. No caso, considerouse receitas de atividade rural a venda pela empresa ora recorrente da sua produção de soja, venda de gado e de canadeaçúcar. Inclusive, no caso em tela, a usina não industrializa apenas o que planta. Também compra canadeaçúcar de terceiros, uma vez que sua atividade lucrativa é a venda de açúcar e álcool, independendo se tenha que adquirilos de fornecedores ou parceiros. Verifica se por relatório do total de moagem nos anos sob fiscalização, que cerca de 17% do insumo canavieiro empregado advém de fornecedores. A empresa compra o insumo destes diretamente (TVF fl. 19). De plano, inferese que também considerase atividade rural a transformação de produtos agropecuários, mas, tão somente, se feita pelo próprio produtor e não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura (com equipamentos usualmente empregados na atividade rural). Depreendese da legislação examinada duas situações para o gozo do incentivo à depreciação acelerada, primeiro (art. 6o. da MP no. 2.15970, de 2001): que sejam bens do ativo permanente, adquiridos por pessoa jurídica que exerça a atividade rural e para uso nessa atividade; segundo (art. 2o., V, da Lei n° 8.023/90, com as alterações impostas pela lei n° 9.250/95), a saber (repito a transcrição): Art. 2o. Considerase atividade rural: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 12 (...) V a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Resta evidente que a atividade exercida pela recorrente relacionada a produção e venda do açúcar e álcool por alterar a composição e as características do produto in natura, não se trata de atividade rural. Quanto a outra questão desse ponto, é cristalino que a depreciação incentivada (acelerada) atribuído às pessoas jurídicas que exploram atividade rural, e que consiste na depreciação integral, no próprio ano de aquisição, dos bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, somente se aplica às máquinas e equipamentos enquanto empregados na atividade rural (art. 6o. da MP no. 2.15970, de 2001 e art. 314, do RIR/1999). Da análise das DIPJ e LALUR constatase que a empresa utilizouse do benefício da depreciação acelerada/incentivada disposta do citado art. 314. Logo, a fiscalização considerando que a conceituação da contribuinte como exercente de atividade rural em sua totalidade é um erro (item precedente), os efeitos fiscais foram desfeitos na apuração do imposto, isto é, das glosas referente exclusões incorretas e, pelas desconstituição das adições também incorretas. Vejase o seguinte fragmento extraído do Termo de Verificação Fiscal: “ Nos anoscalendário 2002 a 2006 constam no LALUR como exclusões os valores das aquisições ocorridas no período. Nesta rubrica de exclusões aparece o maquinário adquirido para o trato da canadeaçúcar, o maquinário adquirido para o transporte da cana, os custos incorridos na formação da lavoura sob a rubrica "cana em formação", tais como mão de obra dos trabalhadores rurais, encargos previdenciários e trabalhistas, assim como os custos das prestadoras de serviços. Cabe esclarecer que a lei tributária permite que as pessoas jurídicas possam depreciar integralmente os bens do ativo permanente, e que a fiscalizada está utilizandose deste benefício não apenas para o maquinário, mas também para a exclusão dos custos da cana em formação. É bom que se explique que a cana em formação cuida do plantio das mudas de canadeaçúcar plantadas em cada ciclo de cinco anos de produção. Neste qüinqüênio a planta é apenas podada, mas não replantada. Logo, neste processo produtivo os custos de formação da lavoura canavieira estão sendo ativados, para depois serem depreciados. Lançamento: 3.1.1. Canaviais Formação Classificadas pelo contribuinte no Ativo Permanente Imobilizado conta n° 134821 (fl. ), contém todos os investimentos realizados para a formação da cultura (até o período imediatamente anterior ao primeiro corte/produção). Os principais custos são: fertilizantes, fungicidas, herbicidas, inseticidas, corretivos de solo, Fl. 435DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13855.000998/200718 Acórdão n.º 1301001.223 S1C3T1 Fl. 8 13 combustíveis, mão de obra, arrendamento de equipamentos, preparo do solo, mudas, produtos químicos, etc. O contribuinte contabiliza separadamente os custos apropriados à cada período de safra (Canaviais Formação 2001/2002; Canaviais em Formação 2002/2003 , etc). Esta conta do ativo imobilizado sofrerá depreciação em quotas mensais ao tempo da safra ( oito meses ), considerando o tempo de vida útil de cinco anos adotado pelo contribuinte (5 anos), ou seja, o contribuinte amortiza os custos apurados na formação da lavoura canavieira proporcionalmente ao tempo em que irá auferir receitas com o investimento realizado. (...) O contribuinte entende que por ser uma pessoa jurídica que explora atividade rural (nos termos do art. 58, inciso VI, do Decreto n° 3.000 RIR/99), teria direito ao beneficio fiscal previsto nos artigos 307, II, e 314 do RIR/99, podendo depreciar integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura canavieira, registrados na conta Lavoura em Formação. De fato, o contribuinte está utilizando o benefício da depreciação acelerada incentivada e está depreciando, integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura canavieira, registrados na conta Canaviais em Formação, senão vejamos: O sujeito passivo está excluindo, integralmente, nos ajustes do Lucro líquido do período (Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR), os custos da Lavoura em Formação fls. 203/233. Em contrapartida, o custo excluído é adicionado nos próximos 60 (sessenta) meses, ou seja, nos próximos 5 anos, nos ajustes do Lucro líquido do período, no LALUR fls. 203/233). (...) Além do art. 314 do RIR/99 não conter a previsão para a exaustão da lavoura em formação, também a permissão legal somente abrange o uso dos bens na atividade rural. Com efeito, os bens ativados sob a rubrica "canaviais em formação" não podem ser qualificados como sendo utilizados na atividade rural, uma vez que são compostos por mãodeobra e custos trabalhistas, os quais são diferentes das máquinas e equipamentos propriamente usados na atividade rural. Não bastassem as conclusões acima expostas quanto à incompatibilidade entre as atividades praticadas pelo contribuinte e os benefícios da atividade rural, restam outras questões fiscais a serem enfrentadas. Por primeiro, inexiste previsão legal para a dedução integral dos valores aplicados na formação da lavoura canavieira, vez que a lei não permite a dedução integral no cultivo de florestas, bens sujeitos à exaustão. Ao segundo, a lei rural permite exclusivamente a dedução integral da depreciação, e no caso versado deparase com quotas de exaustão.” No caso em exame a autoridade fiscal desconsiderou os efeitos gerados pelas adições e exclusões erradas na apuração do resultado de cada período base, relativas a todos os Fl. 436DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 14 custos incorridos com a formação da lavoura canavieira e sua dedução integral no ano, conforme atesta o Demonstrativo das Bases de Cálculos de fls. 110. Verificase que os valores glosados, contabilizados na conta “Canaviais em Formação” correspondem a aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira e, consoante o art. 15 do Decretolei n° 1.598/77 e Parecer Normativo CST n° 18/79, os custos de formação de culturas que não se extinguem com o primeiro corte, voltando a produzir novos ramos ou troncos, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverão ser classificados no grupo do ativo imobilizado para que seus custos sejam absorvidos, através de quotas de exaustão à medida e na proporção em que seus recursos forem sendo exauridos (e não integralmente no próprio ano de aquisição como no caso das depreciações), alem do que, conforme examinado acima, com relação especificamente a esses recursos os mesmos não foram considerados empregados na atividade rural. Deixar claro, que a empresa por produzir receitas fora da atividade rural e outras própria da atividade rural (2%), para efeito de apuração do resultado, efetuou rateio de uma e outra atividade, segregando os custos, inclusive a depreciação incentivada, conforme verificase do LALUR. No entanto, no caso, a glosa diz respeito às atividades relacionadas com a produção de açúcar e álcool. O referido benefício fiscal, de depreciação integral no próprio ano de aquisição dos bens do ativo imobilizado, atribuído às pessoas jurídicas que exploram atividade rural, não se aplica à agroindústria. Pelo exposto, com relação a este item, nenhum reparo resta a ser feito na decisão recorrida. Por fim, temos que, neste processo, levantase a questão da imunidade das contribuições sociais sobre as receitas de exportação. Para melhor elucidação da matéria reproduzo trechos do recurso voluntário interposto, a saber: “3 DA EXCLUSÃO DO RESULTADO DAS EXPORTAÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 149, 2°, DA CF/88. DO ENTENDIMENTO ATUAL DO PLENÁRIO DO EGRÉGIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ACERCA DA MATÉRIA CSLL. Não Incidência sobre as receitas e o lucro decorrentes de exportação. CONCOMITÂNCIA. Importante destacar que o Plenário do EGRÉGIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, firmou seu entendimento quando do julgamento da Medida Cautelar n° 1.7386, em 17 de setembro de 2007, ocasião em que, por unanimidade de votos foi deferido o pleito de efeito suspensivo ao recurso extraordinário da parte em face da plausibilidade do direito pela ofensa aparente ao disposto nos artigo 149, parágrafo 2°, I, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional 33/2001. O Poder Legislativo, centrado na absoluta necessidade de prosseguir no incentivo às exportações, houve por erigir a nível constitucional a vedação à tributação das receitas decorrentes de exportação, tendo editado, em 11 dezembro de 2001, a Emenda Constitucional n° 33 que, dentre outras providências, alterou a disposição do artigo 149 da Carta Política que, então, passou a vigorar com a seguinte redação: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13855.000998/200718 Acórdão n.º 1301001.223 S1C3T1 Fl. 9 15 "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado 0 disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6o, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1o. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, de sistemas de previdência e assistência social. § 2°. As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: 1 não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (...) Desde de dezembro de 2001 temse, portanto, uma nova hipótese de imunidade, nos termos do disposto no art. 149, § 2o , I, acima transcrito, qual seja: as receitas decorrentes de exportação não são tributadas pelas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, revogandose, via de conseqüência, toda e qualquer incidência das referidas contribuições sobre o produto das exportações. Especificamente quanto à CSLL (instituída pela Lei n° 7.689/88, expressamente referida no acórdão do STF acima citado), tratase a mesma de exação que encontra amparo no artigo 149 da Constituição Federal (através de seu gênero) e no artigo 195, I, da Carta Magna (já, aqui, em sua espécie). no artigo 149 da Constituição Federal, ao determinar que as contribuições sociais (gênero) não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, excluiu as receitas de exportação da tributação por gualguer espécie de contribuição social, inclusive a contribuição social sobre o lucro CSLL, pois a imunidade atinge o nascedouro (gênero) deste tributo, revogando, portanto, a incidência anteriormente prevista desde a edição da Lei n° 7.689/88. III.3.3. A receita e o lucro É sabido que a CSSL incide sobre o lucro das pessoas jurídicas, mas não se pode olvidar que as receitas (dentre elas as decorrentes de exportações) são a parcela positiva de formação do lucro, e a tributação do lucro via CSLL constituise em ônus tributário derivado daquelas receitas, que no caso das receitas de exportação é vedado pelo novel artigo 149, § 2o , I, da Constituição Federal. III.3.4. Da não concomitância da discussão em sede judicial e administrativa. Verificase da r. decisão recorrida, assim como consta do relatório fiscal, que a Recorrente discute em sede judicial, por meio do Mandado de Segurança n° 2007.61.13.0009000, a aplicação à CSLL da imunidade prevista no artigo 149, § 2o. I, da Constituição Federal, razão pela qual a discussão em sede administrativa restaria prejudicada pela suposta concomitância das instâncias judicial e administrativa. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 16 Para tanto, fundamenta sua alegação no pronunciamento da Coordenação Geral de Tributação no Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 03/96, que teve por base o disposto no artigo 1o , § 2°, do Decretolei n° 1.737/79, e do artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/80. Conforme se verifica da redação dos dispositivos legais supra citados, a vedação de concomitância de discussão nas esferas administrativa e judicial, aplica se exclusivamente aos casos em que a ação judicial é proposta após a autuação e tem por objeto a desconstituição do crédito tributário. Finalmente, consta da r. decisão recorrida que consoante os extratos obtidos no site do TRF da 3a Região na internet, a liminar pleiteada no mandado de segurança supra referido teria sido indeferida e, na sentença, a segurança foi denegada, encontrandose os autos aguardando recurso de apelação pela Recorrente. De fato, quando da notificação do auto de infração, a Recorrente encontrava se desamparada de decisão judicial que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário, contudo, a decisão proferida nos autos do agravo de instrumento n° 2007.03.00.0696590, cuja cópia acompanha o presente recurso, concedeu o efeito suspensivo pleiteado para o fim de assegurar o direito líquido e certo da Recorrente de continuar excluindo o resultado líquido de suas exportações, na base de cálculo da CSLL, impedindose a prática de novos atos de constrição decorrente de tal fato, bem como para que sejam sustados os efeitos do auto de infração lavrado, especificamente na parte em que se refere à exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL. Desta feita, nada obstante a Recorrente estivesse, à época da notificação, desamparada de decisão judicial que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário, a decisão proferida nos autos do agravo de instrumento tem o condão de retroagir para esse fim, de modo que atualmente os créditos tributários decorrentes da exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL, exigidos por meio do auto de infração em discussão encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso V do CTN. Diante disso, face à ilegalidade do ADN COSIT n° 03/96, bem como ao fato de que a autuação ora combatida é posterior à ação judicial proposta pela Recorrente, e de que os créditos exigidos encontramse com a exigibilidade suspensa, deve ser afastada a alegação da fiscalização e das autoridades julgadoras de renúncia da esfera administrativa.” No que tange a tais argumentos, considerando que eles foram submetidos ao crivo da Poder Judiciário (Mandado de Segurança n° 2007.61.13.0009000), cabe esclarecer tão somente que, de acordo com a súmula CARF no.1, a qual em razão do disposto no parágrafo 4o. do artigo 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é de adoção obrigatória por parte deste Colegiado, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, tendo sido a questão levada ao Poder Judiciário, a esfera Administrativa não pode se manifestar, visto que qualquer decisão que aqui viesse a ser tomada não poderia se sobrepor àquela que, ao final, será proferida na Justiça e que há de prevalecer. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13855.000998/200718 Acórdão n.º 1301001.223 S1C3T1 Fl. 10 17 No caso, constatase pela recente pesquisa no sítio do TRF (02/05/2013), que julgado o citado Agravo de Instrumento, o mesmo foi considerado prejudicado. A impetrante interpôs recurso de apelação, postulando a reforma integral da sentença, tendo sido improvido com a baixa definitiva dos autos em 11/10/2012. Pelo exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 18 Voto Vencedor Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Redator. Data vênia do posição do ilustre Relator Paulo Jackson, discordo do posicionamento. Tanto a fiscalização quanto a DRJ e o Relator, argumentam que a recorrente não faz jus ao benefício da depreciação acelerada por não execer atividade tipicamente rural, o que desqualificaria a pretensão da recorrente. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, o objeto social da empresa é"a exploração, produção, industrialização, comércio e exportação de produtos de agricultura e pecuária em geral, e, especificamente, a cultura e industrialização de canadeaçúcar, para produção de açúcar e ' álcool e sua comercialização e exportação, podendo ainda dedicarse a outras operações, que direta ou indiretamente pode estar ligada a estas atividades. A autoridade administrativa pondera que a atividade é agroindustrial em que predomina a visão industrial, própria do setor secundário da economia, e que a produção de cana é apenas uma das etapas da obtenção de álcool combustível e de açúcar cristal. Para descaracterizar a possibilidade de utilização da depreciação acelerada, o agente fiscal se reporta à Lei 8023/90, observando que, conquanto as receitas de venda de cana de açúcar se classifiquem como receita de atividade rural, não podem ser aceitas como receitas de atividade rural as decorrentes de venda de açúcar e de álcool. Todavia esses argumentos estão equivocados, uma vez que a Usina Alta Mogiana é sociedade agrícola cujo objeto social é: a plantação e industrialização de cana de açúcar. Equivocam se tanto a fiscalização quanto a DRJ ao desconsiderar a atividade rural da Recorrente ao argumento de que: “a regra é clara ao exigir que a pessoa jurídica explore atividade rural” e “ademais, não procede a alegação da impugnante no sentido de que sua atividade deve ser qualificada como rural”, tese essa que teria amparo no artigo 2º, da Lei nº 8.023/90, com a redação dada pela Lei nº 9.250/95. A tributação beneficiada dos resultados obtidos na atividade rural, não é privativa apenas do setor primário da economia. Nos termos da Medida Provisória nº 2.159 70/2001, e é possível a depreciação de ativo imobilizado quando da exploração da atividade rural. Nesse diapasão também não merece prosperar o entendimento, que o benefício previsto seria apto a beneficiar a atividade preponderantemente rural e que o recorrente exerce atividade preponderantemente industrial. O artigo 22 A da Lei nº 8.212/91 é claro ao definir que Agroindústrias são produtores rurais que industrializam e comercializam bens de sua propriedade ou de produção própria e adquirida de terceiros, podendo beneficiarse integralmente dos incentivos circunscritos à atividade rural. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13855.000998/200718 Acórdão n.º 1301001.223 S1C3T1 Fl. 11 19 O beneficio destinase a qualquer um que explore atividade rural, e a única limitação é que o bem a ser depreciado seja adquirido para o uso nessa atividade. A lavoura de cana é, sem dúvida. uma atividade rural. Não é relevante, a meu ver, que a produção seja utilizada pela a própria empresa, em sua agroindústria, ou seja vendida a terceiros. Como a norma não exige que a empresa aufira receitas de venda da produção rural, não cabe reportarse a Lei 8023/90 para impor limitações ao gozo do benefício. A agente fiscal e a DRJ distingui onde a lei não o fez. A motivação da lei foi incentivar investimentos aplicados na atividade rural. Não pretendeu, a lei, distinguir entre bens do ativo imobilizado sujeitos à amortização ou à exaustão. A meu ver, não importa a denominação contábil dada à apropriação das despesas efetuadas com os investimentos incentivados, se depreciação, ou exaustão, mas sim a EFETIVA REALIZAÇÃO DO INVESTIMENTO DESTINADO À ATIVIDADE QUE SE DESEJA FOMENTAR. Por tais considerações quanto a depreciação acelerada voto no sentido de Dar provimento ao recurso voluntário. No que se refere a não incidência da CSLL sobre as receitas de importação voto com o relator considerando a existência de concomitância. Por tudo que foi exposto, voto no sentido de Dar Parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de aplicar a depreciação acelerada. Sala das Sessões, em 11 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10875.001329/98-11
Data da sessão: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. - Cabe embargos de declaração, opostos pela autoridade julgadora de primeira instância, mediante petição fundamentada, que indique com precisão a existência da contradição apontada.
Embargos acolhidos e providos para retificar a ementa e o enunciado da votação.
Numero da decisão: CSRF/03-05.393
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração para rerratificar a decisão do Acórdão nº CSRF/02-01.049, de 18 de junho de 2001, no sentido de substituir a expressão “recurso negado” por “recurso provido”, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declararam-se impedidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: Otacilio Dantas Cartaxo
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ementa_s : EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. - Cabe embargos de declaração, opostos pela autoridade julgadora de primeira instância, mediante petição fundamentada, que indique com precisão a existência da contradição apontada. Embargos acolhidos e providos para retificar a ementa e o enunciado da votação.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração para rerratificar a decisão do Acórdão nº CSRF/02-01.049, de 18 de junho de 2001, no sentido de substituir a expressão “recurso negado” por “recurso provido”, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declararam-se impedidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Marciel Eder Costa.
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Numero do processo: 10830.721076/2009-08
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de “insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi OAB 334956 SP. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 76 /2 00 9- 08 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 107/146, visando modificar a decisão de piso que manteve a deliberação do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte em tomar crédito de COFINS do período de 01/07/2007 a 30/09/2007, proveniente de despesas de fretes decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos. Consta do Despacho Decisório de fls. 44/45 que o exame do crédito foi formalizado de ofício para tratamento manual de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER – registrado sob nº 37874.89700.110108.1.5.114783 e homologando as compensações declaradas nas Dcomp nºs 04997.64607.311007.1.3.110926 e 09833.12760.110108.1.7.11 8653, do crédito de COFINS no montante de R$ 1.496.194,07, dos R$ 3.170.000,00, decorrente de operações no mercado interno, referentes ao 3º Trimestre/2007. Sendo que os débitos assim compensados foram cadastrados no SIEF. A divergência se refere apropriação de créditos relativos ás despesas de fretes tomados decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos, cujo entendimento é de que essas despesas não integram o conceito de insumo utilizado na produção e por não se tratar de custo de fretes na operação de venda, mesmo pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliados no país. Extraíse, também, da “Informação Fiscal”, o raciocínio de que as despesas descritas no tópico acima não geram direito a créditos a serem descontados das contribuições do PIS e da COFINS. Irresignada com o conteúdo do Despacho Decisório, a Manifestante discorre sobre suas operações, alega que atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não apenas pela fabricação do mesmo, mas também pela extração de minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo (fertilizantes). Destaca que possui diversos estabelecimentos no território nacional, dentre as unidades mineradoras encontram aquelas localizadas em Minas Gerais e na Bahia, bem como os complexos industriais, assim como, possui uma unidade portuária no Estado do Ceará. Assevera que as despesas efetuadas com frete contratados quando da aquisição de insumos, bem como para a realização de transferências de matérias primas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais a confecção do produto, por essas razões o indeferimento parcial do pleito desrespeita disposição legal que assegura o direito a tomada do crédito dos insumos utilizados na produção de bens e serviços, violando, via de conseqüência, o princípio da não cumulatividade insculpido no § 12º do art. 195 da Constituição Federal, por essa razão entende que deve ser reformada a decisão. Quanto aos insumos extraídos pela Manifestante em suas unidades mineradoras, bem como, os adquiridos de terceiros, disse que são indispensáveis ao processo Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721076/200908 Acórdão n.º 3302002.975 S3C3T2 Fl. 7 3 produtivo. Concluiu afirmando o direito assegurado pela norma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, que elenca os custos e despesas sobre os quais o crédito poderá ser calculado, aplicandose o inciso I, para as empresas comerciais que compram e revendem as mercadorias e o inciso II para as empresas industriais e prestadores de serviços. Os argumentos restaram rechaçados ao fundamento de que os gastos efetuados com fretes na transferência de bens e insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito do PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade, por falta de previsão legal, decisão essa que encontra assim resumida: “Cumpre destacar, novamente, que o crédito das contribuições no sistema da não cumulatividade decorre de determinações legais explícitas. E no caso não há base legal para creditamento sobre aquisições isoladas de serviços de fretes nas operações de transferências entre estabelecimentos diferentes da pessoa jurídica, pois não se confundem com fretes na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), como já salientado no Relatório Fiscal. Ainda sobre as possibilidades aventadas para justificar o creditamento, temse o fato de que os gastos com fretes sobre a transferência de produtos e insumos entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica geraria direito ao crédito, por se tratarem de aquisição de serviços utilizados como insumo. Entretanto, tal argumentação não pode prosperar. Isso porque os serviços adquiridos para utilização como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.864, de 2004, implica necessariamente que tais serviços sejam consumidos ou aplicados no processo produtivo, conforme está estabelecido no art. 8º, § 4º, inciso I, letra ‘a’ da IN SRF nº 404, de 2004, já transcrita. Por certo, os serviços de fretes decorrentes dessas transferências não são serviços aplicados especificamente no processo produtivo. Poderseia aceitar que seriam serviços aplicados em fase anterior, preliminar ao processo produtivo, qual seja a aquisição de bens que, geralmente, vão a estoque antes da produção e, dessa forma, os dispêndios com fretes sobre a transferência de produtos entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, não são passíveis de creditamento.” A conclusão do voto se refere ausência de comprovação da vinculação do frete com os insumos transportados: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal”. Ciente da decisão em 16 de novembro de 2014, interpôs o Voluntário em 28.11.2014. Sobreveio o Voluntário, em razões recursais mantém os mesmos fundamentos e Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 irresignação com as glosas, reprisa os termos da defesa e os pleitos formulados em Manifestação de Inconformidade. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A conteda trazida no bojo desse caderno se resume a tomada de crédito de COFINS sobre frete de insumos decorrentes de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A glosa encontra justificada por ausência previsão legal e de que só cabe tomada de crédito de frete nas vendas das mercadorias quando o ônus é suportado pelo vendedor. A discussão se restringe a frete. A Interessada argumenta que os insumos dispensam altercação por serem básicos na produção de fertilizante, declina o nome de alguns dos itens. Em relação ao frete sustenta que esses decorrem do transporte contratado com pessoa jurídicas cujo objeto é a transferência da matéria prima extraídas de minas de sua propriedade para os complexos industriais que encontram implantados longe do local de exploração. De outra banda a Informação Fiscal pouco ou quase nada menciona, afirma que investigou o processo industrial da contribuinte, e, por razões tais entendeu glosar parte dos créditos provenientes de alguns insumos adquiridos e produtos em elaboração, bem como, frete relacionado com a transferência da matéria prima explorada pela Contribuinte para o pátio do complexo industrial por ausência de previsão legal. O inconformismo trazido a exame se refere a frete. Lendo a conclusão do voto do Acórdão recorrido, a conclusão encontra fundamentada na inexistência de comprovação: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal.” Embora a fundamentação do Despacho Decisório é de que restaram comprovado os desembolsos das aquisições de insumos e da prestação de serviços de transportes. Em sede de ressarcimento e ou restituição, não há dúvida de que ônus probante é do Interessado, mas, a fiscalização não glosou por ausência de comprovação. A motivação para glosa não decorre de ausência de documento capaz de não justificar a tomada do crédito, segundo se extraí do relatório fiscal, houve notificação para que a Recorrente prestasse informação e planilhas, bem como, apresentasse os livros fiscais, e especificação dos serviços considerados como Despesas de Frete. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721076/200908 Acórdão n.º 3302002.975 S3C3T2 Fl. 8 5 Portanto, quanto a essa questão não há de se enxergar, pois em momento algum houve registro da ausência de comprovação, sendo assim, tratase de decisão equivocada. Em síntese, o tema se refere a frete de transferência entre e estabelecimentos, é o que se vê do Despacho Decisório. Em sendo assim, o ponto nodal da discussão se refere ao frete pago a terceiros no transporte de insumos básicos, necessários e essenciais atividade produtiva da Recorrente, capaz de obstar a atividade da empresa. A meu sentir, os minerais extraídos pela Interessada em minas longe do complexo industrial é pelo que se deduz dos autos o principal insumo na fabricação de fertilizantes, portanto, necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, fato constatado pela fiscalização. A questão é dirimir se o frete pago a terceiros pessoa jurídica na movimentação dessa matéria prima até o local de produção, fertilizante, integra o conceito de insumo por não se tratar de custo na operação de venda. Cada caso deve ser examinado com observância das particularidades próprias de cada contribuinte. No caso concreto a extração dos minerais dáse em minas de propriedade da empresa que produz o fertilizante, caso não possuísse, a aquisição darseia por meio de compra de fornecedores, cujo frete estaria diretamente interligado ao insumo, o que autoriza a tomada do crédito. De outra banda, a transferência desse material se revela fundamental ao processo de fabricação, o que é cogente reconhecer nesse caso específico tratarse, não de uma simples estocagem para venda, mas, sim, meio necessário e essencial a fabricação do produto final. A meu sentir, impedir a tomada de crédito quando se trata de processo produtivo verticalizado configura, no meu entendimento, uma punição ao contribuinte, por buscar, em decorrência da característica do produto produzido, cercarse de segurança da fonte dos insumos para que o processo produtivo não sofra interrupção. Algumas empresas como a Recorrente necessitam de produzir o próprio insumo, entre tantas, destacase as àquelas voltadas à produção de celulose, que precisam plantar eucalipto e posteriormente transportar até unidade fabril. O serviço de transporte nesse caso, quando tomado de pessoa jurídica interna, configura custo de fabricação do produto final, não há como dissociar esse fato, sem o qual obsta todo o processo produtivo. Assim, penso diversamente do signatário do despacho decisório, bem como, do julgador de piso, pois a meu ver tratase de custo necessário e essencial atividade fabril, e, se revela específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece. No caso concreto, o frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local que é produzido o fertilizante se insere no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento, nesse sentido pronunciou o Min. Campbell Marques, de onde se extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento: “... o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.” Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Com essas considerações, conheço do recurso e dou provimento para autorizar a tomada de crédito decorrente de frete de insumos entre a extração dos minerais até o complexo fabril da Recorrente. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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