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Numero do processo: 19515.003240/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir débitos referentes ao IRPF em função da identificação de depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado, o Contribuinte impugnou o lançamento apresentando provas. A DRJ deu provimento parcial ao lançamento, afastando parte do lançamento e recorreu de ofício. Intimado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário e mais provas. Chegando ao CARF, o processo foi inicialmente suspenso em função da declaração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 24 0/ 20 05 -1 5 Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.812 S2C2T2 Fl. 3.060 2 repercussão geral no STF e, posteriormente, convertido em diligência. Voltando ao CARF, foi convertido em nova diligência. Retornam agora para continuidade do julgamento. Feito o resumo da lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Aproveitase o relatório já constante da resolução CARF nº 2202000.751, de 15/03/2017, complementandoo no que for necessário. Instaurado a fiscalização em 15/05/2005 pela emissão do MPF (fl. 2), e emitido o Termo de Início de Fiscalização em 19/05/2005 (fls. 18/19), o Contribuinte foi intimado em 25/05/2005 (fl. 20) para apresentar no prazo de 20 dias os extratos mensais das contas bancárias mantidas perante o Citibank; Banco Nossa Caixa; BankBoston; Bradesco; Banespa; e Santander referentes aos período de 01/01/2000 a 31/12/2001. Em 29/06/2005 "Termo de Embaraço à Fiscalização" (fl. 21) registrando o transcurso do prazo in albis e informando que, em caso de lançamento de ofício, a multa seria agravada nos termos do art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/1996. Ato contínuo, foram lavradas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 23/34) para que as instituições financeiras apresentassem os referidos extratos bancários. Foram então juntados aos autos extratos bancários e cópias de cheques (fls. 35/689). Em 25/10/2005 foi lavrado "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 709/710 e docs. anexos fls. 711/747) para que o Contribuinte comprovasse, no prazo de 20 dias, a origem dos recursos depositados/creditados em suas contas correntes entre 2000 e 2001. O Contribuinte foi intimado por meio de AR em 26/10/2005 (fl. 726). Em 29/11/2005 foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal (fls. 748/752), esclarecendo que: " o fiscalizado participa como sócio da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C, juntamente com Alexandre Husni e Roberto Cabariti; as contas correntes nºs: 030603282 do Banco do Estado de São Paulo S/A, 010141314 da Nossa Caixa S/A e 271181 do Banco Itaú S/A, foram mantidas em conjunto pelos três sócios, nos anos calendário de 2000 e 2001; em parte dos documentos encaminhados pelo Banco do Estado de São Paulo S/A relativos à conta corrente nº 030603282, podem ser identificados registros indicativos de referiremse os valores creditados, a montantes pagos em cumprimento de Mandados de Levantamento Judicial (MJL), decorrentes de ações promovidas pelo fiscalizado e/ou demais cotitulares, no exercício da profissão; constatase ter sido determinado na Cláusula Segunda da Consolidação do Contrato Social de 11/05/1998 da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C (fls. 691 a 698), que "o objeto da sociedade é disciplinar o expediente e os resultados patrimoniais auferidos na prestação serviços advocatícios; tais serviços, porém serão exercidos individualmente, em se tratando de atos privativos, ainda mesmo que revertam ao patrimônio social os respectivos honorários". Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.812 S2C2T2 Fl. 3.061 3 Foram constatados, ainda, valores referentes a cheques depositados devolvidos, não coincidentes com os depósitos verificados, nos montantes de R$ 167.650,21 e R$ 13.081,09, nos anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente (fls. 721 e 722). Esses montantes foram considerados para fins de apuração dos recursos cuja origem deixou de ser comprovada. Os montantes não comprovados dos depósitos/créditos verificados em contas correntes bancárias, passaram a corresponder, em face das constatações acima citadas, a R$ 6.421.198,84 (seis milhões, quatrocentos e vinte e um mil, cento e noventa e oito reais e oitenta e quatro centavos) e R$ 9.649.889,73 (nove milhões, seiscentos e quarenta e nove mil, oitocentos e oitenta e nove reais e setenta e três centavos), nos anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente, conforme demonstrado às fls. 726 a 737. (...) Cumpre observar que na apuração dos montantes tributáveis em cada mês, conforme encontrase abaixo resumidamente demonstrado, foi atribuída ao fiscalizado, a terça parte dos valores dos depósitos/créditos verificados nas contas correntes mantidas em conjunto pelos sócios da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C." fls. 749/750; Em 01/12/2005 foi lavrado o auto de infração (fls. 756/758), que constituindo crédito de R$ 4.419,549,36 de Imposto e 4.971.993,03 de multa de ofício agravada, além dos juros. Foi apontado como infração: "001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo." fl. 757. Intimado por AR em 12/12/2005 (fl. 761), o Contribuinte apresentou Impugnação em 11/01/2006 (Fls. 768/823 e docs. anexos fls. 824/2.139). Conforme o seu próprio resumo: "i) o auto de infração lavrado apresentava nulidade insanável, uma vez que, embora tempestiva a apresentação dos documentos exigidos, os mesmos não foram aceitos pela autoridade fiscal, requerendose, inclusive, a realização de prova testemunhal; ii) a majoração da multa de ofício deveria ser afastada, reduzindoa para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento), uma vez que as intimações, foram regularmente atendidas pela ora Recorrente e as informações e os documentos apresentados foram injustamente recusados pela fiscalização; Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.812 S2C2T2 Fl. 3.062 4 iii) a autoridade fiscal não utilizou critério uniforme na fiscalização promovida, uma vez que embora tivesse afastado grande parte dos depósitos efetuados. na conta corrente de n.° 030603282, mantida junto ao Banco Banespa S/A, por entender que tais valores originaram se de levantamentos judiciais, manteve os demais valores depositados em outras contascorrentes, cuja origem, igualmente, decorreu do levantamento de mandados judiciais; iv) a farta documentação apresentada demonstra, cabalmente, que quase a totalidade dos depósitos bancários questionados, originaram se do levantamento de depósitos judiciais, numerário esse decorrente de ações judiciais patrocinadas pela sociedade de advogados, destinado aos clientes da mesma, porque a eles devidos. iv) os documentos apresentados na impugnação administrativa deveriam ser submetidos à perícia contábil, procedendose, inclusive, à realização de diligências, visando comprovar a origem dos depósitos bancários em questão, demonstrandose a impossibilidade de tributação de tais valores." Recebendo os autos, e considerando o volume da documentação juntada, a DRJ decidiu converter o julgamento em diligência (fl. 2.143/2.144) para que a autoridade lançadora se pronunciasse sobre as provas juntadas e sobre os argumentos ventilados na impugnação, bem como intimasse o Contribuinte do resultado da diligência para que se pronunciasse, caso desejasse. A autoridade diligenciadora lavrou então o "Relatório Fiscal" (fls. 2.147/2.155) esclarecendo, resumidamente, (1) que as alegações da Impugnante de que houve tentativa de apresentação de provas durante a fiscalização são inverídicas; (2) que os sócios também foram objeto de fiscalização de lavratura de autos de infração referente ao mesmo período, e que todos também se omitiram durante a fiscalização; (3) que a análise dos documentos juntados aos autos dispensa conhecimentos técnicos mais aprofundados, podendo ser realizado pela autoridade julgadora; e (4) que (4.1) não tendo sido constatadas incorreções, omissões ou inexatidões, e (4.2) já tendo decorrido o prazo para o lançamento de ofício, (4.3) não tendo mão de obra suficiente, então seria impossível realizar a diligência solicitada a qual levaria a verdadeira revisão do lançamento. Em 27/06/2008 foi proferido o Acórdão DRJ nº 1726.125 (fls. 2.157/2.177), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.812 S2C2T2 Fl. 3.063 5 Após 1' de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Apresentados, no entanto, na fase impugnatória documento comprobatórios de origem, é de se alterar o lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMO. A alegação de que depósito em sua conta é decorrente de pagamento de empréstimos deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário do contribuinte para o mutuário, não simples apresentação de recibo, desacompanhado de qualquer formalidade, pelo impugnante. PEDIDO DE PERÍCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Deve ser negada a requisição para realização de perícia quando os quesitos formulados pelo impugnante referemse a própria comprovação de origem dos depósitos, cujo ônus é exclusivo do contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. No caso de lançamento de oficio com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a não apresentação pelo contribuinte dos extratos bancários e a não comprovação da origem dos depósitos não dá ensejo ao agravamento da multa. Os efeitos da omissão constituem a própria presunção de omissão © de rendimentos e o conseqüente lançamento, com multa de ofício de 75%. Lançamento Procedente em Parte Tendo em vista que foi exonerado o valor de R$ 2.903.827,36, a DRJ formalizou Recurso de Ofício. A Contribuinte, intimada em 10/12/2008 (fl. 2.186), interpôs Recurso Voluntário em 18/12/2008 (fls. 2.189/2.244 e docs. anexos fls. 2.248/2.416), argumentando em síntese que: · Que o lançamento lastreado no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é nulo tendo em vista que a Recorrente tentou apresentar as provas solicitadas durante a fiscalização mas a autoridade fiscalizadora se recusou a recebêlas; · Que a Secretaria da Receita Federal estava em greve no curso da fiscalização, o que atrapalhou o cumprimento dos prazos; · Que a decisão recorrida é nula por ter sido proferida com cerceamento do direito de defesa do Recorrente, especificamente quanto à negativa de realização de prova pericial; · Que a simples observação de depósitos/créditos bancários não é suficiente para configurar o auferimento de rendimento; Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.812 S2C2T2 Fl. 3.064 6 · Que a documentação apresentada demonstra que boa parte dos depósitos efetuados decorrem de levantamentos judiciais, nos quais constam os clientes do Contribuinte como beneficiários; · Que foram apresentadas, ainda, microfilmagens, livros contábeis da sociedade advocatícia, recibos dos clientes, cartas de prestação de contas aos clientes etc.; · Apresenta diversas operações, indicando os fundamentos e as origens dos recursos depositados/creditados; e · Argumenta que parte dos valores depositados decorreu da venda de bens imóveis, os quais já estavam caducos e, mesmo que não estivessem, foram tratados de forma inadequada, desrespeitando o art. 42, §2º, da Lei nº 9.430/1996. Em 15/05/2013 foi proferida a Resolução nº 2202000.481 (fls. 2.430/2.435), determinando a suspensão do processo em função da tramitação de processo com declaração de Repercussão Geral sobre a mesma matéria perante o STF, nos termos do art. 62, §§1º e 2º do RICARF vigente à época, e do art. 2º, §3º, da Portaria CARF nº 001/2012. Em 07/10/2014 foi proferida a Resolução nº 2202000.595 (fls. 2.436/2.451), determinando a realização de diligência: "1) Para que a autoridade fiscal se manifeste se os cotitulares dos contas em conjunto com o VICENTE RENATO PAOLILLO, recebera por parte da fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem. Ainda nesse ponto argumentase se teria existido a partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares. 2) Propiciese vista a essa manifestação da autoridade fiscal ao recorrente, para se pronunciar, com praza de 10 dias, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento." fls. 2.449/2.450; A autoridade diligenciadora então esclareceu em 26/03/2015 (fls. 2.461/2.462) que: · A contribuinte mantinha 15 contas correntes em instituições financeiras diversas, das quais 5 eram individuais e 10 eram mantidas em co titularidade; · Que as contas mantidas em cotitularidade com seus sócios; · Que todos os sócios foram intimados individualmente a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados nas contas correntes bancárias; · Que os valores não comprovados foram divididos em três partes nas autuações, uma para cada sócio; e · Que as pessoas físicas que eram cotitulares mas não eram sócias não foram intimadas. Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.812 S2C2T2 Fl. 3.065 7 Intimado a se manifestar desse relatório em 27/03/2015, no prazo de 10 dias (fl. 2.463 e 2.466), o Contribuinte pediu em 01/04/2015 a dilatação do prazo para 15 dias (fl. 2.468) e, em 13/04/2015 apresentou mais provas (fl. 2.477 e docs. anexos fls. 2.478/2.921). Retornando os autos ao CARF, foi determinada nova diligência pela Resolução nº 2202000.751, de 15/03/2017 (fls. 2.946/2.959), nos seguintes termos: Diante de tudo quanto exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que: sejam anexados aos autos cópias da prova das intimações dos co titulares antes do lançamento, comprovando o recebimento das intimações e a indicação individualizada dos depósitos supostamente omitidos; seja analisada a documentação juntada aos autos, elaborando relatório circunstanciado dos valores cuja origem o Contribuinte logrou apresentar provas; e seja o Contribuinte intimado a, caso queira, se manifestar sobre o relatório de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Enfim, retornem os autos para continuidade do julgamento. Retornando à DRF, foi então formalizada Informação Fiscal em 20/07/2017 (fls. 2.962/2.968 e docs. anexos fls. 2.969/3.021), no qual se registrou que: "Em atendimento ao solicitado, anexamos ao presente, cópia da prova das intimações dos cotitulares antes do lançamento, comprovando o recebimento das intimações e a indicação individualizada dos depósitos supostamente omitidos." fl. 2.967; "Quanto à requisição de análise da documentação juntada aos autos, e elaboração de relatório circunstanciado dos valores cuja origem o contribuinte logrou apresentar provas (...) A aceitação ou não dos documentos trazidos por ocasião do Recurso Administrativo com objetivo de comprovar a origem dos créditos/depósitos efetuados nas contas de sua titularidade (ou titularidade conjunta), é atribuição da unidade julgadora. Submetêla a mesma autoridade produtora do feito poderia insinuar uma análise tendenciosa, com risco de ferir o princípio da análise independente pela delegacia recursal. A pretendida auditoria e a análise conclusiva não são temas objeto de um procedimento fiscal de diligência, a teor da definição estabelecida no artigo 3º da então vigente Portaria SRF nº 3.007/2001 (atual art. 3º da Port. RFB nº 1.687/2014): são procedimentos destinados a coletar (e não produzir) informações e outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Equiparase a um segundo exame a auditoria e análise que se propõe, o que é vetado pelo artigo 906 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999). Demais disso, com a revogação do artigo 19 do Decreto nº 70.235/1972 (art. 7º da Lei nº 8.748/1993) eliminouse a oitiva do autuante, após conclusão da fase investigatória." Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.812 S2C2T2 Fl. 3.066 8 Dessa forma, proponho o retorno do processo à 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais." fls. 2.967/2.968. O Contribuinte obteve cópia integral dos autos em 11/09/2017 (fl. 3.058). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Constatase que os autos não se encontram em estágio apto a ser julgado. Efetivamente, constatase que o Contribuinte não foi intimado do resultado da diligência solicitada. É necessário suprir essa falta, cientificandoo do resultado ali apurado. Outrossim, diante do volume de provas constantes nos autos, fazse necessário elaborar planilha identificando, em ordem cronológica e separado por conta bancária, especificamente: (1) os valores dos levantamentos judiciais comprovados nos autos; (2) os depósitos bancários incluídos na base de cálculo que coincidem com os valores identificados nos levantamentos judiciais; (3) os valores que o contribuinte comprovou ter repassado aos clientes, seja por meio de cheque, seja por meio de depósitos/transferências bancárias; (4) a soma dos valores identificados nas linhas acima; (5) quaisquer outros valores que considerar relevante. Diante do exposto, proponho diligência para, NESSA ORDEM: · Primeiro, a intimação do Contribuinte do resultado da diligência solicitada pela Resolução CARF nº 2202000.751, de 15/03/2017; · Depois, elabore a planilha especificada acima; · Por fim, realize nova intimação do Contribuinte em relação ao resultado dessa nova diligência solicitada nesta presente resolução. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Relator Fl. 3066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907335/2009-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-005.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido. Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 35 /2 00 9- 10 Fl. 482DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 Trata-se de recurso especial do sujeito passivo em face do acórdão de Turma Ordinária do CARF, que negou provimento ao recurso voluntário. O sujeito passivo apresentou recurso pretendendo questionar as seguintes matérias: (1) “possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ”; e (2) “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”. Em um primeiro momento o recurso especial teve o seguimento negado pelo Presidente de Câmara por meio do despacho. Após agravo do sujeito passivo, interposto exclusivamente quanto à não admissibilidade da primeira matéria acima referida, a Presidente da CSRF deu seguimento ao recurso especial quanto ao tema ali exposto, em despacho assim fundamentado: [...] O Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento decidiu que não restou caracterizada divergência relativamente às seguintes matérias: i) "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ"; e ii) "necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material". A contribuinte interpôs Agravo tão somente em relação à matéria descrita no item "i" acima, ou seja, quanto à POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO DE IRPJ RECOLHIDO A MAIOR APÓS A RETIFICAÇÃO DA DIPJ. Extrai-se, primeiramente, os seguintes fragmentos do exame agravado: [...] Com relação a essa matéria, não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas distintas. Enquanto na decisão recorrida alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”, e que, portanto, teria havido equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32%, e não 8%), no acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1101-000.848, de 2013), ao contrário, tratou-se de existência de débito de estimativa de IRPJ, ao passo que o recolhimento montara [...]. Ou seja, na decisão recorrida tratou-se de alegado erro de direito [erro na aplicação da norma jurídica]; já no acórdão paradigma apontado, de alegado erro de fato [erro na análise dos fatos ocorridos]. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. Evidentemente, o primeiro pressuposto para a configuração de dissídio interpretativo, é, inquestionavelmente, a similitude fática entre a matéria discutida nos acórdãos recorrido e paradigmas. Ou seja, é essencial que reste demonstrado que, decidindo matéria semelhante, órgãos julgadores distintos chegaram a conclusões diversas, em razão de divergências na interpretação da legislação tributária. Em outras palavras, se é certo que a divergência deve dizer respeito a questão de direito, e nunca a questão de fato, é evidente que, se os fatos são diversos, a interpretação da norma jurídica não pode ser considerada divergente. Fl. 483DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 Sendo assim, para configurar o dissídio jurisprudencial, nessa matéria, caberia à Recorrente apresentar acórdão paradigma apreciando situação semelhante à abordada na decisão recorrida (mesmo em se tratando de alegado erro de direito, e não de fato...) e decidindo em sentido contrário a ela (...não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP). Argumenta a Agravante que, ao contrário do assinalado no despacho contestado, a divergência jurisprudencial é evidente, relativamente à interpretação da Lei nº 9.784, de 1999, e da Lei nº 9.430, de 1996. Afirma que na situação enfrentada pelo acórdão paradigma nº 1101-00.848 a Autoridade Administrativa não desconstituiu as informações prestadas em DIPJ retificadoras, bem como não desenvolveu qualquer procedimento para tanto, de modo que o crédito com base na DIPJ deve ser aceito e a compensação homologada, em respeito ao Princípio da Verdade Material. Alega que a similaridade do acórdão paradigma é evidente, visto que no caso em exame o acórdão recorrido reconhece expressamente que houve a retificação da DIPJ, sendo este um dos procedimentos exigidos para reconhecimento do indébito, mas alega ausência de outros procedimentos, como retificação da DCTF e a juntada integral da documentação contábil, enquanto o paradigma entendeu que "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF)", e ainda, que diante do indébito apurado com base nas informações em DIPJ, deveria a autoridade preparadora desenvolver procedimento para desconstituir tal realidade, caso contrário deve ser reconhecido o pagamento a maior e, por consequência, deve ser admitida a sua compensação. Nos presentes autos, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação, por meio da qual indicou crédito decorrente de alegado pagamento a maior ou indevido. Tal indébito teria decorrido do fato de ter utilizado o coeficiente de presunção de 32% (prestação de serviços) ao invés de 8% (industrialização por encomenda). Embora não tenha promovido a retificação da DCTF, a contribuinte transmitiu DIPJ retificadora em data anterior à apresentação da Declaração de Compensação, na qual consignou o valor do tributo que considerava devido. A compensação não foi homologada, haja vista que o valor indicado como crédito já havia sido alocado a um determinado débito. Considerados os termos do seu voto condutor, o acórdão recorrido fincou a negativa de provimento ao recurso voluntário impetrado pela ora Agravante nos seguintes fundamentos: i) tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a apresentação de DIPJ retificadoras não é suficiente para o acolhimento do pedido, sendo necessário que o contribuinte ofereça informações com substância, consistência e devidamente comprovadas; ii) na defesa inaugural (Manifestação de Inconformidade), não foram apresentadas provas capazes de demonstrar que, por realizar industrialização por encomenda, a contribuinte estava sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (e não 32%, como alegou que aplicou), e as que foram carreadas ao processo por meio do recurso voluntário são constituídas por "cópias esparsas de notas fiscais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura"; iii) superadas as dificuldades para identificação dos valores, os montantes retratados nas cópias de notas fiscais trazidas ao processo correspondem a percentuais ínfimos quando comparados com a receita total informada na DIPJ; iv) tratando-se de certeza e liquidez de direito creditório, a comprovação é ônus do contribuinte; e Fl. 484DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 v) se a contribuinte alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se à “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento, bem como os livros contábeis ou fiscais que demonstrassem tal fato. No caso analisado pelo acórdão paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação indicando crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, e, a exemplo do que ocorreu nos presentes autos, a compensação não foi homologada sob a alegação de inexistência de disponibilidade do referido crédito, vez que ele já havia sido alocado a determinado débito da contribuinte. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou que a DIPJ indicava o efetivo valor devido e noticiou a retificação da DCTF. O voto condutor do paradigma em referência assinala inicialmente que, "ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito". Em que pese tal consideração, adiante, o referido voto condutor assinala, verbis: [...] Constatando que o recolhimento tido por parcialmente indevido permanecia vinculado ao débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa detinha evidências suficientes para negar a existência do crédito e não homologar a compensação. A partir daí, a conduta da contribuinte, no sentido de apresentar nova DCTF e entregar DIPJ compatível com a apuração que legitimaria o crédito, assume contornos que não são suficientes para convencimento do julgador administrativo, ante a possibilidade de estar ela orientada por uma objeção já manifestada pela Receita Federal. Imperioso, assim, a demonstração de fatos anteriores à ciência do despacho de não-homologação que motivaram a declaração de compensação. E, neste sentido, a contribuinte junta aos autos cópia da DIPJ referente ao ano-calendário [...]. Veja-se que a Relatora do acórdão recorrido não fez reparos à informação desta declaração, inclusive valendo-se de seus dados para afirmar o reconhecimento parcial do indébito, mas nesta parte restando vencida. Assim, está-se diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: [...] Esta é a interpretação que se extrai deste dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: [...] Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do ano-calendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominar-se Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: [...] Dessa forma, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareça-se, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: [...] Todavia, o descumprimento daquela obrigação não pode ensejar, como penalidade, o perecimento do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: [...] Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizá-lo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não-homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendo-a ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescente-se, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: [...] Observe-se, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Assim, o presente voto é no sentido de REJEITAR as arguições de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a "erro de direito" ou a "erro de fato" como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Em apertada síntese, temos o seguinte: a) nos presentes autos, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na aplicação de percentuais de presunção, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que não foi homologada por se entender que, no caso, não houve comprovação do erro alegado; e b) no caso do paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na apuração de estimativa, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que foi homologada por se entender que, "diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada .... não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado" (nos exatos termos do voto condutor correspondente, "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada". Identifica-se, portanto, similitude entre os fatos apreciados pelos acórdãos comparados, eis que, em ambos, analisou-se a situação em que o contribuinte, constatando erro na apuração do tributo devido, mesmo sem retificar a DCTF, altera primeiramente a DIPJ e, em momento posterior, apresenta Declaração de Compensação. No que diz respeito às decisões veiculadas pelos referidos acórdãos, entretanto, extrai-se sem maiores esforços um conflito interpretativo, visto que, enquanto o acórdão recorrido entende que, tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a retificação da DIPJ deveria vir acompanhada de documentação comprobatória, para o acórdão paradigma nº 1101- 000.848, presente a divergência entre a DIPJ e a DCTF, instrumentos declaratórios que Fl. 487DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 se encontravam na base de dados da Receita Federal, cabia à autoridade administrativa que primeiro analisou a Declaração de Compensação questionar tal fato para fins de definição acerca da informação que deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Constata-se, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõe-se que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ". A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões em que questiona a admissibilidade do recurso especial, transcrevendo trechos do despacho do Presidente de Câmara que não reconheceu como caracterizada a divergência jurisprudencial entendendo trata-se de situações fáticas distintas. Aduz, ainda, que o recurso não merece seguimento haja vista que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base em fundamentos autônomos que não foram, em sua totalidade, abordados em sede de recurso especial. Questiona também o mérito do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Em que pese os judiciosos argumentos da ilustre relatora, Conselheira Livia De Carli Germano, ouso discordar de seu voto quanto ao conhecimento do Recurso Especial. Em seu Apelo, o Contribuinte pretendeu trazer à discussão deste colegiado a possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ, tendo o Despacho de Admissibilidade não admitido o recurso, tendo sido posteriormente reformado em sede de Agravo. Relativamente à matéria “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”, o recurso não foi admitido no Despacho de Admissibilidade, não tendo o Contribuinte se insurgido contra tal decisão. No aresto recorrido (Acórdão nº 1402-002.537), assim consta em seu voto condutor: No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”. [...]. 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. [...]. Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Já no paradigma colacionado pela Recorrente, o voto condutor consigna o contexto da discussão travada naqueles autos: Assim, cabe aqui confirmar se, de fato, houve erro na apuração do débito de estimativa de IRPJ em janeiro/2007 e, por consequência, o recolhimento a maior arguido pela contribuinte na DCOMP. Antes, porém, cabe observar que, ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito. [...]. [...]. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Analisando ambos os julgados, inicialmente conclui-se, de fato, que ambos discutem matéria idêntica: a possibilidade, ou não, de caracterização de indébito decorrente de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ com a consignação do valor que, a seu ver, seria o real débito do tributo. Se analisado sob essa circunstância, poder-se-ia identificar divergência entre os referidos acórdãos, contudo, as conclusões distintas devem-se ao fato de estarem sendo analisadas circunstâncias fáticas com contextos fáticos significativamente distintos: enquanto no acórdão recorrido a recorrente alega que sua atividade, seu objeto social, e sua real operação empresarial seria de “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento” (sujeita à determinação da base de cálculo do lucro presumido mediante utilização de coeficiente de presunção de 8%), e não “prestação de serviços” (cujo coeficiente para apuração do lucro presumido seria de 32%), o acórdão paradigma analisou contexto em que, pela simples analise da DIPJ Retificadora, chegar-se-ia à conclusão de que restaria confirmado o recolhimento a maior. Veja-se que, no acórdão paradigma, consta em seu voto condutor que “as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, tratava-se de simples erro de fato cometido no preenchimento da DIPJ, não envolvendo questões probatórias, no entender daquele colegiado demandasse qualquer esforço adicional. Já no acórdão recorrido o relator entendeu que haveria de ter comprovação das atividades desenvolvidas pelo contribuinte para se demonstrar que, efetivamente, sua atividade era a de industrialização de encomenda, apta, portanto, a atrair a aplicação do coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Confira-se: Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e ue, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, [...] Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõem-se de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegar-se à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 - Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. [destaques da decisão recorrida] Em relação à confrontação dessas duas decisões, assim consta no Despacho em Agravo: Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há, no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a “erro de direito” ou a “erro de fato” como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Com a devida vênia, entendo que razão assistia ao decidido no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial: a comprovação de erro de fato de que trata o acórdão paradigma é significativamente diferente de comprovação de erro de direito. Observa-se, de início, que o acórdão paradigma — nesse ponto concordando com o acórdão recorrido — afirma que, “ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito”. Contudo, naquele caso específico, com suas peculiaridades fáticas, o acórdão paradigma decidiu diferentemente do que afirmara, como segue: “Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada.” Ou seja, no caso específico do acórdão paradigma, como se tratou de um alegado “erro de fato” facilmente comprovável com a só apresentação de DIPJ, demonstrando a apuração das bases de cálculo mensais, o entendimento foi pelo provimento do recurso voluntário interposto para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Já na situação do acórdão recorrido, tratando-se de um suposto “erro de direito”, que dependeria da comprovação da atividade exercida pela empresa - se “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, ou “prestação de serviços” - não seria possível prever como decidiria aquele acórdão paradigma, ou seja, se este se contentaria, tão somente, com a mera mudança do preenchimento de linha relativa ao percentual de presunção na DIPJ para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, não é possível afirmar que o paradigma reformaria o acórdão recorrido. Nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o Recurso Especial somente é cabível se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste E. Conselho. No caso concreto, contudo, não há como se afirmar que haja uma divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma colacionado pelo Contribuinte, uma vez que os fatos tratados em cada um dos julgados possuem distinções significativas. Desse modo, tratando-se de situações fáticas distintas, envolvendo, inclusive, nuances jurídicas próprias, as decisões em sentido contrário nos acórdãos recorrido e paradigma não decorrem de divergência de interpretação de lei, condição prévia a ensejar a uniformização de entendimento por meio do Recurso Especial de divergência. Isso posto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial. Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.625 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.907335/2009-10 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10120.905154/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de parcial deferimento do ressarcimento da contribuição (PIS/Cofins) pleiteado, decisão essa lastreada em relatórios fiscais elaborados pela Fiscalização, em que se detectaram divergências em relação às informações prestadas pelo contribuinte no Dacon, na Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD Contribuições) e nos arquivos digitais de notas fiscais. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado (i) cerceamento do seu direito de defesa (motivação genérica do despacho decisório), (ii) relação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 05 15 4/ 20 13 -1 8 Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Resolução nº 3301000.856 S3C3T1 Fl. 3.501 2 de causa e efeito existente entre este e o processo administrativo nº 10120.725.254/201516 (auto de infração), (iii) o conceito de insumo na não cumulatividade das contribuições abrange qualquer gasto estritamente necessário para a obtenção das receitas que são a sua base de cálculo, (iv) direito a crédito em relação a fretes entre estabelecimentos da empresa (matérias primas e produtos acabados), às despesas com armazenagem e frete extemporâneos, às despesas com armazenagem consideradas indevidamente como prescritas, a bens e serviços utilizados como insumos e a despesas com material de uso e consumo e (v) crédito presumido (biodiesel, produtos destinados à alimentação e farelo de girassol). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando todos os itens pleiteados pelo contribuinte por falta de previsão legal, bem como em razão da ausência de comprovação eficaz do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. Foram juntados aos autos contratos, memorandos de exportação, telas do Siscomex e do Sisbacen, documentos de confirmação de exportação, Danfe, notas fiscais de armazenagem e notas fiscais de compra de sebo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.847, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10120.720057/201420, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.847): 6. O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. 7. Tendo em vista o princípio da verdade material, que é diretriz básica de todo o processo administrativo fiscal, verificamos que a contenda se originou da análise de créditos pleiteados em Pedido Eletrônico de Ressarcimento, de créditos de PIS/COFINS não cumulativos. A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e despesas de armazenagem. Neste quadro, destacamos os seguintes fatos : OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS 1 – Com relação á recorrente : em seu recurso voluntário, no item 2.4 – das despesas de armazenagens e fretes extemporâneos (fls. 277 dos autos digitais), a recorrente, citando Acórdãos Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Resolução nº 3301000.856 S3C3T1 Fl. 3.502 3 do CARF, expõe que “quanto a este tópico, entendeu a fiscalização por glosar o aproveitamento de créditos com despesas de armazenagem incorridas no período ali mencionado. Isso ocorreu porque, segundo a autoridade administrativa, o aproveitamento de tais créditos foi extemporâneo, já que a recorrente teria informado, nos DACON de junho de 2011, o total das despesas com armazenagem havidas no período de fevereiro de 2004 a maio de 2011.” no item 2.4.28 (fls. 284 dos autos digitais) a recorrente afirma que “ por fim, no tocante ao argumento constante do Acórdão recorrido, de que o fiscal não chegou a analisar a qualidade do crédito e, por isso, inexistem liquidez e certeza do mesmo, também não assiste razão, pois, ao fisco foi disponibilizada toda a documentação comprobatória dos gastos, tais como os Contratos e Notas Fiscais de Armazenagem aqui anexados por amostragem (Doc_Comprabatórios0030 a 0058)”. a recorrente junta documentos de fls. 309 a 3204 dos autos digitais, em fase de recurso voluntário 2 – Com relação ao Acórdão DRJ : o Acórdão DRJ, ao analisar este item (fls 227 a 230 dos autos digitais) deixa claro que “a fiscalização glosou créditos decorrentes de despesas com armazenagem e fretes incorridas no período de fevereiro/2004 a junho/2011 informados no DACON de junho de 2011, sob o argumento de que o aproveitamento de crédito extemporâneo não é válido á luz da legislação vigente. Ressaltou ainda da necessidade da impugnante retificar os DACON correspondentes para pleitear o crédito extemporâneo.” o mesmo Acordão DRJ, ainda analisando este item (fls 230 dos autos digitais), informa que ' quarto, a fiscalização não atestou a validade dos créditos, uma vez que o próprio auditor da ação fiscal disse “se o crédito pudesse ser apurado e informado a qualquer momento no Dacon, inviabilizaria a fiscalização das contribuições, já que qualquer procedimento teria que abranger desde o mês em que a pessoa a ser sujeita ao regime da não cumulatividade”. O período fiscalizado se restringiu a 04/2010 a 06/2012, e o crédito extemporâneo é a partir de 2004. Assim ,entendo que inexiste liquidez e certeza do crédito, nem cabe á DRF, nem a esta DRJ, apurar/reconhecer crédito não declarado, ou diverso do declarado, pela contribuinte.”. 3 – Com relação ao Relatório de Fiscalização : ainda com relação a este mesmo item, os Relatórios de Fiscalização – PER (fls. 30 a 44 dos autos digitais) e Processos (fls. 45 a 51 dos autos digitais) elaborados pela fiscalização, mais especificamente o Relatório de Fiscalização PER, traz em seu item I.D – Despesas de Armazenagem Extemporâneas, uma análise dos créditos apurados neste período. Entretanto, é de se salientar as seguintes afirmações : “ 13. Na consolidação das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda feitas a partir das planilhas apresentadas pelo contribuinte, constante da planilha anexa ao TIF Nº 9, há despesas de armazenagem incorridas no período de fevereiro/2004 a outubro/2011.' “ 14. Conforme apurado e para fins de registro, a fiscalização verificou que os valores das despesas de armazenagem incorridas no período de abril/2010 a maio/2011 não foram informados nos respectivos Dacons. Quanto aos anteriores, não foi possível verificar tal fato, Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Resolução nº 3301000.856 S3C3T1 Fl. 3.503 4 até porque o período de fevereiro/2004 a março/2010 não é objeto do presente procedimento.' (grifos nossos) “16. Se tal procedimento fosse válido, ainda assim os valores estariam incorretos, conforme quadro abaixo…..” “17. Este quadro e a planilha em anexo “Extemporaneidade – Despesas de Armazenagem e Fretes nas Vendas – RELATÓRIO” foram elaborados a partir da planilha mencionada no item I.E a seguir, feitos os devidos ajustes, para considerar válida, se assim fosse possível, a apropriação extemporânea dos créditos e, supondo que as despesas de armazenagem de fevereiro/2004 a março/2010 não tenham sido apropriadas em período diverso do aqui fiscalizado' (grifos nossos) “ 18. Contudo, entendemos que tal procedimento não é válido á luz da legislação, conforme demonstraremos a seguir.” neste Relatório a fiscalização, interpretando a legislação a seu modo, entende que os créditos extemporâneos devem ser analisados em fase de apuração e fase de utilização, sendo que a fase de apuração obedece aos requisitos impostos pela legislação á apuração dos créditos básicos, para concluir seu raciocínio de que os créditos extemporâneos não podem ser utilizados fora dos seus períodos de apuração. DA AUSÊNCIA DE INCLUSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS EM ARQUIVOS DIGITAIS o Acórdão DRJ, ao analisar o item Dos Bens Utilizados como Insumos – da Glosa (indevida) de créditos do PIS/PASEP e COFINS pela suposta ausência de inclusão de documentos fiscais em arquivos digitais, ás fls. 230 – 231 dos autos digitais, informa que “ A fiscalização diz que apenas os créditos das notas fiscais(uso e consumo) de aquisição de pessoa jurídica e constante dos arquivos digitais foram consideradas. Informa que as notas fiscais não encontradas nos arquivos digitais e cujos valores foram desconsiderados na apuração dos créditos de PIS e Cofins estão relacionadas na planilha "Rateio Notas Fiscais NÃO Encontradas". Por outro lado, narra a impugnante que, embora tenha se manifestado a despeito do equívoco da fiscalização, dado que as notas fiscais geradoras de créditos de PIS/PASEP e COFINS constavam do arquivo da EFD/Fiscal, parte dos créditos foram glosados pelo auditor (planilha "Rateio Notas Fiscais NÃO encontradas"). Para demonstrar que as notas fiscais listadas na planilha9 foram informadas no EFD/Fiscal, a requerente anexou o "DOC.06", informando o número da linha em que os documentos fiscais estão registradas no arquivo digital transmitido (número do recibo de entrega do arquivo e data de sua transmissão). Se as notas fiscais são de pessoas jurídicas e registradas nos arquivos digitais transmitidos para o SPED das respectivas competências, não vejo motivo em manter a glosa dos créditos das notas fiscais não localizadas pela fiscalização (As notas fiscais não localizadas está listada na planilha denominada "Rateio Notas Fiscais NÃO encontradas ). Ocorre que as notas fiscais juntadas pela contribuinte são de pessoas físicas ou foram (infere se) incluídas nos arquivos digitais (SPED) de outros períodos de competência/apuração11. Reproduzo parcialmente o "DOC.06 para demonstrar tal constatação.” já a recorrente, em sua defesa, em relação ao mesmo item, no seu recurso voluntário, ás fls. 293 dos autos digitais afirma que “ 2.7.1.5. Nesse diapasão, o Acórdão combatido buscou descaracterizar as provas carreadas pela Recorrente, Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Resolução nº 3301000.856 S3C3T1 Fl. 3.504 5 afirmando que, dentre outras impropriedades, as aquisições foram realizadas de pessoas físicas. 2.7.1.6. Entretanto, ilustres Conselheiros, o que ocorreu é que a planilha juntada pela Recorrente foi em formato de "exceli", o qual, como é de conhecimento geral, despreza a informação do numeral "0" quando colocado a esquerda. Essa ação, comum em arquivos nesse formato (exceli), fez com que o CNPJ dos fornecedores que se encontram nessa situação (zero a esquerda) pareçam se referir a CPF (Exemplo: Fornecedor com CNPJ 00.048.496/000173 segue na planilha contida no DOC. 03 da Impugnação com o número 484.960.000173). 2.7.1.7. Sobreleva reiterar, como abordado em linhas anteriores, que eventual erro formal cometido no cumprimento de obrigação acessória transmitida ao banco de dados da Receita Federal do Brasil, não possui o condão de obstar direito que assiste ao contribuinte, especialmente se se provar ser este irrefutável, como o é na situação em testilha. 7. Assim, diante destes fatos narrados, entendo que o presente processo não está em condições de julgamento, antes de que tais pontos sejam esclarecidos. 8. Neste diapasão, entende este Conselheiro que o presente processo deve ser alvo de diligência, para que se esclareçam tais pontos. CONCLUSÃO 9. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem : a) diante do fato de os documentos acostados ás fls. 309 a 3.204 se constituírem em fato novo, manifestese a fiscalização sobre tais documentos; b) analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos, desprezando os critérios de apuração exigidos para os créditos básicos e considerando a data de prescrição como a data de emissão da nota de fiscal de aquisição ou contabilização de tais créditos; c) manifestese a respeito das alegações da recorrente a respeito do erro formal na informação constante da planilha Excell quanto 'as aquisições de pessoas físicas ou jurídicas, se são procedentes ou não; d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação. 10. Entretanto, diante da petição de fls. 3.216, apresentada pela recorrente, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. 11.Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 10120.905154/201318 Resolução nº 3301000.856 S3C3T1 Fl. 3.505 6 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que se esclareçam os seguintes pontos: a) diante do fato de os documentos acostados às fls. 594 a 3.489 se constituírem em fato novo, manifestese a fiscalização sobre tais documentos; b) analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos, desprezando os critérios de apuração exigidos para os créditos básicos e considerando a data de prescrição como a data de emissão da nota de fiscal de aquisição ou contabilização de tais créditos; c) manifestese a respeito das alegações da recorrente a respeito do erro formal na informação constante da planilha Excell quanto às aquisições de pessoas físicas ou jurídicas, se são procedentes ou não; d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação. Entretanto, diante da petição de fls. 3.216 a 3.219 do processo paradigma (10120.720057/201420), apresentada pela recorrente, abrangendo os demais processos com recursos repetitivos, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 3505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910923/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.255
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhandoo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação por meio da qual o contribuinte pretende compensar débitos com suposto direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido. Foi emitido despacho decisório de não homologação em razão de o DARF indicado como origem do direito creditório encontravase integralmente utilizado para a quitação de débitos, não restando saldo disponível. Ciente deste despacho a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alega que o crédito decorre da declaração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 10 92 3/ 20 10 -1 9 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.910923/201019 Resolução nº 3401001.255 S3C4T1 Fl. 3 2 inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF relativamente ao § 1º, art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998 (em sede de Recurso Especial). Relata que recolheu e declarou (na DCTF) COFINS do período, mas que devido à citada inconstitucionalidade surgiu para a empresa um indébito tributário dessa contribuição relativamente às receitas financeiras. Diz que utilizou o citado crédito na presente Dcomp e que os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB não o localizaram porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. A interessada, ainda, demonstra numericamente o crédito que diz possuir e argumenta que está amparada no art. 170 do CTN e que procedeu o aproveitamento do crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição/compensação. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, confirmando a nãohomologação da compensação declarada, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual, essencialmente, reitera a argumentação expressa na impugnação, adicionando planilhas e cópias de razões analíticos. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.249, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 10980.910917/201061, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.249: O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.910923/201019 Resolução nº 3401001.255 S3C4T1 Fl. 4 3 Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS cumulativas, de que trata a Lei nº 9.718/98. A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por haver considerado nas bases de cálculo das contribuições sociais cumulativas, parcelas indevidas, em razão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Dcomp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Pois bem, entendo verossimilhantes as alegações e plausível o direito vindicado, quanto à possíveis efeitos da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista o julgamento do RE 585.235/MG, submetido a repercussão geral, do art. 543B, do CPC/1973, determinandose que a base de cálculo das contribuições sociais cumulativas seja o faturamento da empresa, assim considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). Já quanto aos fatos, insurgese a recorrente contra o fundamento da decisão recorrida de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; apresentando inícios de provas materiais, por meio de planilhas e cópias de razões analíticos. No Processo Administrativo Fiscal PAF, regido pelo Decreto n° 70.235/1972, art. 16, §4º “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF relativamente ao §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não provado e inexistente o direito à repetição de indébito. Diante destas razões, posteriormente trazidas aos autos, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Do exposto, entendo presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, não havendo de se falar em Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.910923/201019 Resolução nº 3401001.255 S3C4T1 Fl. 5 4 preclusão de apresentação de prova documental nesse momento processual de recurso voluntário. Por outro lado, ainda que inícios de provas materiais, as planilhas e as cópias de razões analíticos, por si sós, não são suficientes à quantificação e comprovação do direito creditório pleiteado. Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN. Com essas considerações, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federa, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontando nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluídos os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954803/2017-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/01/2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento: Art. 65 do Ricarf.
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO.
A não intimação do contribuinte durante a análise da autoridade fiscal de origem para posterior publicação do despacho decisório não configura nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no Art. 59 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-008.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votou pelas conclusões. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.627, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.954782/2017-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento: Art. 65 do Ricarf. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. A não intimação do contribuinte durante a análise da autoridade fiscal de origem para posterior publicação do despacho decisório não configura nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no Art. 59 do Decreto 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-20T16:58:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-20T16:58:55Z; Last-Modified: 2021-08-20T16:58:55Z; dcterms:modified: 2021-08-20T16:58:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-20T16:58:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-20T16:58:55Z; meta:save-date: 2021-08-20T16:58:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-20T16:58:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-20T16:58:55Z; created: 2021-08-20T16:58:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2021-08-20T16:58:55Z; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-20T16:58:55Z | Conteúdo => SS33--CC 22TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10880.954803/2017-28 RReeccuurrssoo Embargos AAccóórrddããoo nnºº 3201-008.642 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 22 de junho de 2021 EEmmbbaarrggaannttee TICKETSEG CORRETORA DE SEGUROS S.A. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento: Art. 65 do Ricarf. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. A não intimação do contribuinte durante a análise da autoridade fiscal de origem para posterior publicação do despacho decisório não configura nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no Art. 59 do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votou pelas conclusões. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.627, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.954782/2017-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 48 03 /2 01 7- 28 Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954803/2017-28 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração, opostos pelo contribuinte em face do Acórdão 3201-006.853, em razão de omissão: Os embargos foram admitidos pelo Presidente desta turma, conforme Despacho de Admissibilidade, transcrito parcialmente a seguir: “Trata o presente processo de exame de admissibilidade de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do Acórdão de Recurso Voluntário [...], proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, tendo-se aplicado o decidido no julgamento do processo 10880.954781/2017-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A Embargante foi cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário [...], de modo que, tendo apresentado os Embargos [...], são eles tempestivos, uma vez que apresentados no prazo de 5 (cinco) dias da sua ciência, em conformidade com o que dispõe o § 1º do art. 65 do Anexo II do RICARF, combinado com o art. 5º, parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 1972. Alega a Embargante que o julgado teria incorrido em omissão/obscuridade/contradição, a saber: Omissão e obscuridade quanto à discussão definida pela decisão de 1ª instância - O acórdão recorrido mostra-se obscuro, na medida em que analisou tema distinto do que foi decidido pela 1ª instância administrativa e atacado por meio do Recurso Voluntário apresentado. Com efeito, como se observa dos autos, a decisão de 1ª instância administrativa indeferiu o pleito da Embargante por considerar que não teria ela direito à exclusão do ISS da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins. Assim, considerando que o mérito da decisão recorrida tratou não de provas, mas sim do tema jurídico pertinente à exclusão do ISS da base de cálculo das citadas contribuições, o recurso manejado abordou também essa discussão, não tendo sido apresentadas quaisquer provas complementares, porque não foi esse o objeto da decisão inaugural. - O acórdão recorrido, ao ultrapassar o objeto da discussão definida pela própria decisão de 1ª instância, além de omitir-se sobre a matéria efetivamente tratada no recurso, acarretou supressão de instância que eiva o procedimento de nulidade absoluta. Contradição e omissão sobre as provas dos autos - O v. aresto recorrido apresenta-se, ainda, contraditório quando declara que a Embargante não demonstrou sua alegação, nem realizou a descrição quantitativa ou qualificativa de seu direito de crédito. Em verdade, como exposto na defesa e no recurso apresentados, o pedido de restituição foi indeferido, inicialmente, por conta de evidente vício procedimental em sua apreciação, visto que descumprida a conduta estipulada pela própria Administração quanto à confirmação do crédito pleiteado pelo contribuinte. Isso porque, em nenhum momento a Embargante foi comunicada a respeito da possível inconsistência em seu PER/DCOMP, nos termos do procedimento padrão da Secretaria da Receita Federal do Brasil. - A Administração Pública não pode interpretar as normas de conduta como mera faculdade, em detrimento ao direito dos contribuintes, constituindo verdadeiro poder- Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954803/2017-28 dever a busca pela verdade material e a correta verificação do pleito de restituição a ela submetido. Nesse ponto, dada a formalização de pedido de restituição pelo contribuinte, não é facultado à Administração presumir que se mostra ele indevido, cabendo a ela verificar os fundamentos do pleito e, em caso de dúvida, solicitar maiores esclarecimentos. O v. acórdão recorrido omitiu-se sobre esse tema, bem como sobre os inafastáveis reflexos quanto ao Princípio da Verdade Material, segundo o qual cumpre à Administração utilizar todos os meios a seu alcance para estabelecer os fatos com efeitos tributários efetivamente verificados. - Não fosse isso suficiente, tem-se que o v. aresto mostrou-se contraditório quando declarou que o direito de crédito da Embargante não teria sido devidamente descrito, pois encontra-se ele devidamente quantificado no PER/DCOMP apresentado, sendo certo que sua qualificação, que só não foi realizada antes porque impossível qualquer manifestação administrativa até que apontada divergência na declaração pela Administração Tributária ou indeferido o direito creditório, visto que somente nestes momento formaliza-se um procedimento administrativo vinculado ao PERD/DCOMP apresentado, foi devidamente realizada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, primeiro momento em que permitido à Embargante a prestação de informações detalhadas. Os embargos de declaração, como se sabe, estão disciplinados no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF/2015), nos seguintes termos: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.” Os aclaratórios têm por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida ou contraditória no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. Portanto, a eventual existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios deve ser cabalmente demonstrada pela parte, a fim de oportunizar ao próprio órgão julgador suprir eventual deficiência no julgamento da causa. Pois bem. Como se percebe do que antes relatamos, os vícios apontados nos embargos estão, na verdade, inter-relacionados. No fundo, o que está a contestar é o fato de que os temas levados à apreciação da Turma não foram enfrentados no acórdão recorrido, que teria sido decidido com base em fundamento nunca antes suscitado. Deveras, no recurso voluntário, a Embargante suscitou a nulidade do Despacho Decisório (não teria sido informada acerca de uma possível inconsistência do PER/DCOMP) e, no mérito, alegou que o fundamento do pedido foi a inclusão, no seu entender indevida, do ISS municipal na base de cálculo do PIS/Cofins. A decisão, contudo, não enfrentou os temas propostos: Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3201-006.837, de 25 de junho de 2020, paradigma desta decisão. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954803/2017-28 O contribuinte alega ter pago valores correspondentes ao ISS na base de cálculo de Pis e Cofins mas em nenhum momento demonstrou sua alegação. O Recurso Voluntário foi apresentado desacompanhado de documentos probatórios e inclusive de descrição, seja quantifica ou qualitativa, de seu direito. Em casos de pedidos administrativos de reconhecimento de créditos fiscais para fins de quaisquer das modalidades de devoluções, o ônus da prova é inicialmente do contribuinte, conforme é possível concluir da leitura dos art. 36 da Lei nº 9.784/1999, Art. 16 do Decreto 70.235/72 e Art 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal. Não se nega a busca da verdade material e nem mesmo o direito ou não à exclusão do ISS na base de cálculo do Pis e Cofins (matéria vinculada ao decidido no RESP n.º 1.330.737 – SP em sede de recurso repetitivo), o que ocorre neste processo é anterior à estes dois pontos, porque não há como buscar a verdade material se o contribuinte não juntou sequer um início de prova e também não descreveu seu crédito de forma discriminada. Pela falta de substância material no presente processo o crédito pleiteado é incerto e não possui liquidez. Diante do exposto, vota-se para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (g.n.) Portanto, o Relator propôs a negativa de provimento ao recurso voluntário, porque entendeu não comprovado, mediante a apresentação de documentos, o direito vindicado. Nada falou sobre a alegação de nulidade do Despacho Decisão, tampouco sobre a exclusão ou não do ISS na base de cálculo das contribuições, temas que constaram, expressamente, do recurso voluntário e foram os únicos enfrentados na decisão de primeira instância administrativa. Revela-se patente a existência de omissões no julgado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do RICARF, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos.” Relatório proferido. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o Despacho de Admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Inicialmente, é relevante registrar que o presente processo era integrante de um lote de repetitivos, que tinha como processo paradigma o de n.º 10880.954781/2017-04 e, os embargos de declaração, objeto do presente julgamento, foi apresentado em face do Acórdão nº 3201-006.838, formalizado pelo Presidente desta turma, nos moldes do Art. 47 do Anexo II do regimento interno deste Conselho. Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954803/2017-28 Neste modo de triagem e julgamento, a turma julgadora somente analisa as peças e documentos constantes do processo paradigma, razão pela qual, após a admissibilidade dos Embargos de Declaração, o presente processo necessitou ser analisado em sua totalidade. Com relação à alegação de que houve omissão no julgamento sobre o suposto pedido de nulidade do despacho decisório, observa-se que, em sua manifestação de inconformidade de fls. 22, peça que instaura o processo administrativo fiscal e delimita a lide e o objeto de julgamento, nos moldes do Art. 14 do Decreto 70.235/72 1 , nenhuma nulidade foi alegada. Somente em Recurso Voluntario o contribuinte apresentou o mencionado argumento. Nulidade não há, visto que nenhuma das hipóteses que permitem o reconhecimento da nulidade de atos administrativos fiscais previstos no Art. 59 do Decreto 70.235/72 ocorreu. A mera ausência de intimação do contribuinte durante a análise da autoridade de origem não acarreta a nulidade desse ato administrativo, pois o Despacho Decisório Eletrônico de fls. 28 está revestido da legalidade exigida. Portanto, deve ser acolhida a alegação de omissão com relação à nulidade do despacho decisório, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la A respeito da alegação de não apreciação da matéria que trata da impossibilidade de cobrança de valor referente ao ISS na base de cálculo das contribuições, nota-se que o Acórdão embargado apreciou a alegação, conforme trechos selecionados e reproduzidos a seguir: Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3201-006.837, de 25 de junho de 2020, paradigma desta decisão. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. ... O contribuinte alega ter pago valores correspondentes ao ISS na base de cálculo de Pis e Cofins mas em nenhum momento demonstrou sua alegação. O Recurso Voluntário foi apresentado desacompanhado de documentos probatórios e inclusive de descrição, seja quantifica ou qualitativa, de seu direito. ... Não se nega a busca da verdade material e nem mesmo o direito ou não à exclusão do ISS na base de cálculo do Pis e Cofins (matéria vinculada ao decidido no RESP n.º 1.330.737 – SP em sede de recurso repetitivo), o que ocorre neste processo é anterior à estes dois pontos, porque não há como buscar a verdade material se o contribuinte não juntou sequer um início de prova e também não descreveu seu crédito de forma discriminada. ... Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas.” 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.642 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.954803/2017-28 Ou seja, não é porque o mérito não foi julgado de forma favorável ao contribuinte que a matéria da exclusão do ISS na base de cálculo das contribuições não foi apreciada. Com base em alguns dos argumentos apresentados nos Embargos de Declaração, fica evidente que o contribuinte pretende que o mérito seja novamente julgado. De que adianta registrar no voto que o contribuinte possui direito à exclusão ISS na base de cálculo das contribuições se, em nenhum momento do processo, o contribuinte sequer juntou um documento que comprovasse o valor do ISS na base de cálculo das contribuições? De nada. Este órgão administrativo fiscal e esta turma julgadora tem o poder/dever de analisar as provas juntadas aos autos, análise que, conforme registrado no Acórdão embargado, precede a análise conceitual jurídica. Qualquer alegação oposta à tal entendimento, já registrado no Acórdão embargado, deveria ser objeto de Recurso Especial e não de Embargos de Declaração. Diante de todo o exposto, vota-se para que os Embargos Declaratórios sejam parcialmente acolhidos, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la. Voto proferido. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão quanto à nulidade suscitada do despacho decisório e rejeitá-la. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator. Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10111.720047/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.275
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .7 20 04 7/ 20 13 -1 2 Fl. 9318DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.319 2 Relatório DO LANÇAMENTO Cuida o presente processo de exigência de crédito decorrente de um procedimento especial de fiscalização levado a efeito pela “ALF. Aer. Int. de Brasília Pres. J.K.”, concernente às operações de comércio exterior em questão, realizadas pela empresa PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., importadora ostensiva, denominada doravante de PRIME, e pela UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA., adquirente ostensiva, denominada doravante de UTILIDAD, em razão da ocultação do real adquirente, NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA. (denominada doravante de NOVA DISTRIBUIDORA), que culminou com a lavratura, datada de 11/01/2013, do presente Auto de Infração AI, MPF nº 0117600/00069/12, às fls. 215, em desfavor da NOVA DISTRIBUIDORA (REAL ADQUIRENTE), relativo à conversão da pena de perdimento das mercadorias fruto da ocultação de sujeito passivo mediante a ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros, conforme: art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976 em penalidade pecuniária, tendo em vista a impossibilidade de sua apreensão, devido a sua não localização, consumo ou revenda, conforme descrição a seguir, que caracteriza também os fundamentos dessa penalidade, no importe de R$ 422.859,03, equivalente ao respectivo valor aduaneiro das mercadorias importadas. Foram também arrolados no polo passivo como solidários (art. 95, I, do Decretolei nº 37/1966; art. 124, I, do CTN; art. 135, III, do CTN): (i) AGUIMAR DE ABREU– pessoa física (sócio administrador da NOVA DISTRIBUIDORA); (ii) LUCIANA MAIA MOTHÉ pessoa física (sócia da NOVA DISTRIBUIDORA); (iii) a empresa UTILIDAD (adquirente ostensiva); (iv) FELIPE DA COSTA COELHO – pessoa física (sócio administrador da UTILIDAD); (v) a empresa PRIME HOLDING E PARTICIPAÇÕES EMPRESARIAIS LTDA. (denominada doravante de PRIME HOLDING, apontada como sócia administradora da UTILIDAD, cujos sócios administradores são: Vinicius da Costa Coelho, Daniel Chicrala Chaves de Oliveira e Felipe da Costa Coelho); (vi) a empresa PRIME (importadora ostensiva); (vii) Vinicius da Costa Coelho – pessoa física (sócio administrador e exsócio administrador da UTILIDAD); (viii) Daniel Chicrala Chaves de Oliveira – pessoa física (sócio administrador e exsócio administrador da UTILIDAD), e (ix) EDMAR MOTHÉ– pessoa física (exsócio administrador da UTILIDAD). De acordo com o RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL (às fls. 16 217), aqui apresentado, em apertada síntese, seguindo sua mesma ordem de exposição, a fiscalização averba que, por haver fundados indícios de que a empresa NOVA DISTRIBUIDORA estava se ocultando de maneira fraudulenta; fora autorizado sua inclusão no procedimento de fiscalização, em 12/07/2012, a fim de aplicação do disposto no art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/1976. Logo após, a fiscalização apresenta o “Sumário dos Anexo(s)”: Título “TERMOS” • Termo de Início de Fiscalização nº 104 – 2012 • Termo de Recebimento de Documentos • Termo de ReIntimação nº 1182012 • Termo de Intimação nº 1462012 • Termo de Recebimento de Documentos Título “Documentos Entregues / Fl. 9319DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.320 3 Apresentados pelo Contribuinte” • Livro Inventário de Maio de 2012 • Demais Documentos Entregues / Apresentados pelo Contribuinte Título “Mandado de Busca e Apreensão” • Todos os documentos mencionados no relatório referente a esse título Título “Documentos Retidos Mundo dos Filtros EPP Parte 1” • Planilhas de ações do grupo Mundo dos Filtros • Relatório CCR 20112012 • Planilha da posição do estoque das empresas Mundo dos Filtro • Planilha vendas de várias empresas do grupo Mundo dos Filtros • Balancete da empresa Utilar e presentes Ltda • Declarações de Faturamento das empresas do grupo • Demonstrativo de venda da empresa Filtrolar • Planilhas com margens de faturamento de diversas lojas • Planilhas de faturamento do grupo Mundo dos Filtros • Planilhas de margens de lucro dos produtos Myralux • Planilhas de margens de vendas e lucros de produtos do grupo • Planilhas receitas e despesas Megalar • Planilhas de Resultado do Exercício 2011 • Planilhas de valores de vendas reias e metas • Planilhas faturamento marca Myralux e do grupo • Planilhas resultado gerencial do grupo Mundo dos Filtros • Relação de lojas e números de fones relacionados as empresas do grupo • Relação de estoque período 01012010 a 25092012 • Relação de lojas e números de fones relacionados ao grupo • Cópias processo CPP 399 • Cópias de procuração da Myra para Bruna Fonseca Mothe • Cópias de processos CPPs 401 e 427 • Cópias extratos bancários Myra e cópias de emails • Cópias de email de proforma invoice de transf Banc entre o grupo e Utilidad • Solicitação de numerário Prime de 2012 • Cópias referentes processos 401 e 427 • Relatório da empresa CCR 2010 Título “Documentos Retidos Mundo dos Filtros EPP Parte 2” • Pasta Robson 1 • Pasta Robson 2 • Cópia de email da Prime para Nova Distribuidora • Pasta 1 de estimativas custos e despesas de import. realizadas • Pasta 2 e outros Edmar SP • Planilhas de custos de importação CPPs 133 128 ... • Cópias de emails relativos aos CPPs 413 e 415 Título “D.I.s desta Fiscalização” • Todas as 18 D.I.s citadas pertencentes a este auto de infração Título “Planilhas” • Anexada em arquivos digitais no formato EXCEL, consultar através do CLIPs (anexo do arquivo PDF). Título “D.I.s referentes aos CPPs 413 e 415” • D.I.s Anexo dos documentos relevantes referentes ao processo 10111.720.547/201273 Às fls. 2027, a fiscalização faz um breve introdutório acerca das modalidades de importação (importação direta, importação por conta e ordem de terceiros e importação para revenda a encomendante predeterminado), destacando algumas “vantagens” costumeiramente advindas da prática da ocultação do real adquirente, quais sejam: · deixar de ser equiparado a industrial, não pagando IPI na saída das mercadorias, o que quebra a cadeia desse imposto (o real adquirente da mercadoria, pela legislação, é equiparado a industrial e, portanto, deve recolher o IPI devido na revenda dos produtos, conforme o art. 9º do Decreto nº 7.212/2010 – RIPI); · sonegar outros tributos, como ICMS, PIS, COFINS, IR etc.; · praticar o crime de lavagem de dinheiro; · atuar no comércio internacional sem estar habilitado no sistema SISCOMEX ou ultrapassar a quota semestral para importação, contrariando as legislações pertinentes; · subfaturar as importações, assim como cometer qualquer outra irregularidade tributária, pois, estando o verdadeiro interessado pela mercadoria (o real adquirente) oculto, Fl. 9320DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.321 4 este não é alcançado pela autoridade aduaneira, recaindo somente sobre o importador (“laranja”, em muitos casos) as penalidades devidas; · não cumprir os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações procedidas por conta e ordem de terceiros, inclusive no que diz respeito à prestação de garantia quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Às fls. 27 153, utilizandose de conteúdo extraído do Relatório do PAF nº 10111.720.547/201273, também referente a importações realizadas pela PRIME por conta e ordem da UTILIDAD, a fiscalização faz todo um enquadramento da forma de atuar das empresas PRIME, UTILIDAD e da(s) empresa(s) da marca “MUNDO DOS FILTROS” (no caso, relaciona a NOVA DISTRIBUIDORA), buscando demonstrar que a UTILIDAD oculta o(s) real(ais) adquirente(s), sendo que, dentre essas importações, encontramse também compreendidas as DIs contempladas pela presente autuação (conversão do perdimento em multa pecuniária). Para isso, expõe a relação existente entre a PRIME e a UTILIDAD, a coincidência de sócios e de endereço, asseverando que na prática são a mesma empresa, mas que criam dois níveis de operação, um como importador e outro como adquirente, com fins de ocultar do Fisco o terceiro nível de operação, onde se esconde o real interessado. Que nem a UTILIDAD nem seus sócios possuem capacidade econômicofinanceira capaz de suportar tais operações de importação, e que mesmo com o aumento dos limites de importação negados, a empresa vem operando com volumes incompatíveis com seu patrimônio e/ou com o patrimônio de seus sócios. Que nos inúmeros documentos encontrados e retidos nas sedes das empresas PRIME e UTILIDAD (matriz e filial), foram verificadas várias irregularidades em diversos processos de importação, tais como os apresentados a seguir, a título de exemplificação: · CPP 112 – DI nº 10/17690997, registrada em 07/10/2010. Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na folha 285 do Anexo A.8 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 11210), o tipo de produto (Coifas), a data (05/10/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Mundo dos Filtros). Ou seja, dois dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. No tópico 2.6.4 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Fl. 9321DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.322 5 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...) · CPP 236 – DI nº 11/17330038, registrada em 14/09/2011. Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na folha 126 do Anexo A.12 verificase uma fatura COMERCIAL INVOICE, de mesma numeração, assinada pelo exportador estrangeiro que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativos declarados na DI, porém com valor de $ 63.554,00 (sessenta e três mil e quinhentos e cinqüenta e quatro dólares americanos). Se cotejarmos este valor com o declarado na DI (e Invoice à pág. 116) temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). Ainda, no tópico 2.6.4 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. Expõe também uma análise das documentações entregue pelas empresas, dentre essas: os contratos sociais e suas alterações; as escritas fiscais e contábeis, das quais conclui pela não comprovação da origem e integralização dos recursos para o capital social; e que a contabilidade apresenta indícios de fraude e simulação (saldo credor na conta caixa, emissão de notas fiscais de venda inidôneas, recebimentos de duplicatas em sua maior parte em espécie etc). Que diversas dessas importações são na realidade financiadas por empresas do grupo Mundo dos Filtros, apontando inclusive inúmeras transferências bancárias da UTILIDAD para a conta pessoal do Sr. EDMAR MOTHÉ. Fl. 9322DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.323 6 Que apesar de o Mundo dos Filtros ser uma marca utilizada por diversas empresas com CNPJ diferentes, sócios diferentes, quase sempre há a presença de alguém da família MOTHÉ em seus quadros societários, sendo de fato tais empresas capitaneadas pelo Sr. EDMAR MOTHÉ (exsócio da UTILIDAD e proprietário de diversas empresas da marca Mundo dos Filtros). Que, a UTILIDAD adquire, por conta e ordem, diversos eletrodomésticos etc, repassando as mercadorias das DIs para empresas do grupo Mundo dos Filtros, normalmente no mesmo dia ou poucos dias após, e com baixa agregação. E ainda, os preços de venda para cada um dos adquirentes sob a bandeira do mundo dos filtros são os mesmos. A título de exemplificação, cita a DI nº 11/03450303 (CPP 133), registrada em 23/02/2011 e importada pela PRIME por conta e ordem da UTILIDAD, tendo a NOVA DISTRIBUIDORA, dentre suas adquirentes. Vejase: (...) Comentário da Fiscalização: Todos os adquirentes acima das mercadorias revendidas pela UTILIDAD pertencem à marca Mundo dos Filtros e são todas as empresas da tabela listada neste tópico. Estas empresas adquiriram a totalidade exata da Declaração de importação com exatamente o mesmo valor unitário por modelos. A adição 002 se resume a peças avulsas dos mesmos modelos de liquidificadores adquiridos nesta DI. Conforme demonstrado acima, a agregação entre a nota fiscal de saída e o dispêndio na importação totalizou apenas 10,1% sem contar os gastos com tributos internos, e são totalmente insuficientes para custear os custos operacionais que uma empresa atacadista teria (gastos com depósito, frete, pessoal, aluguel, luz, água, etc) e ainda gerar lucro. Esta situação e os outros elementos já relatados neste Termo formam a convicção de que a relação entre os reais adquirentes (empresas Mundo dos Filtros) e a empresa UTILIDAD não é comercial, e sim uma relação que visa a ocultar os verdadeiros responsáveis pela importação destes produtos e que ficaram ocultos em todas as declarações e documentos apresentados a RFB. A ocultação do real adquirente visa “blindar” os verdadeiros favorecidos pela fraude, uma vez que estas empresas quando chamadas a cumprir com suas obrigações legais (tributárias e até civis) não são alcançadas em virtude da ocultação. Logo após, é feito um expositivo acerca da fiscalização perpetrada na NOVA DISTRIBUIDORA (à fl. 153161). Aduz a fiscalização que foi iniciada ação fiscal na empresa NOVA DISTRIBUIDORA, no dia 18/07/2012, autorizada no Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 01176002012000696, bem como solicitada a documentação necessária para o início da auditoria fiscal e contábil. Que após prorrogação a empresa NOVA DISTRIBUIDORA através de seu sócio administrador Sr. AGUIMAR DE ABREU compareceu àquela Alfândega, no dia 22/08/2012, apresentando a documentação solicitada, porém, foram verificados diversos erros nos arquivos digitais, pelo que foi concedido novo prazo para sua correta apresentação, o que foi atendido no dia 17/09/2012. Fl. 9323DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.324 7 Que, concomitantemente, tendo em vista a quantidade de mercadorias existentes no depósito da NOVA DISTRIBUIDORA e o risco à segurança fiscal, fora solicitado junto à Procuradoria Federal no Distrito Federal que a mesma impetrasse um Mandado de Busca e Apreensão de Documentos e Mercadorias na 10ª Vara Federal do DF, em 01/08/2012. No dia 20/09/2012, fora emitido o Mandado de Busca e Apreensão de documentos nas empresas NOVA DISTRIBUIDORA Matriz e Filial e ainda na empresa Mundo dos Filtros Ltda. – EPP, CNPJ nº 12.903.473/0001 88. O pedido quanto à apreensão de mercadorias foi negado, Decisão nº 583/2012 do processo judicial nº 3906854.2012.4.01.3400 (em anexo no Título “Mandado de Busca e Apreensão”). Que, em cumprimento à Decisão nº 583/2012 do processo judicial nº 39068 54.2012.4.01.3400, o Sr. Inspetor Adjunto da referida Alfândega determinou que fosse realizada diligência fiscal para busca e retenção de documentos de interesse fiscal. Assim no dia 01/10/2012 esta equipe de fiscalização diligenciou até o endereço das empresas objeto da ação fiscal, ou seja: Pessoa Jurídica: NOVA DISTRIBUIDORA – MATRIZ e FILIAL Pessoa Jurídica: Mundo dos Filtros Ltda. – EPP Que, na empresa NOVA DISTRIBUIDORA Filial não havia sequer escritório ou documentos, assim não foi retido qualquer documento no local. Já, na empresa NOVA DISTRIBUIDORA Matriz existia um escritório, e que no local lavrouse um termo de constatação dos fatos (em anexo Título “Mandado de Busca e Apreensão”). Que foram retidos 4(quatro) contratos de armazenamento entre a NOVA DISTRIBUIDORA e as empresas UTILIDAD e PRIME. Os outros dois contratos eram com as empresas Myra Import. Exp. Com. Ltda. e com uma outra empresa do grupo Mundo dos Filtros (Filtrágua). Que na empresa Mundo dos Filtros Ltda. – EPP, após a realização de busca no local e tendo em vista a grande quantidade de documentos, foi feito um Termo de Lacração de duas caixas com os respectivos documentos e agendouse para o dia 08/10/2012 para realizar a conferência e retenção dos documentos com o responsável pela empresa. Que, no dia 08/10/2012, compareceu àquela Alfândega o Sr. EDMAR MOTHÉ, sócio da empresa, e o mesmo acompanhou a conferência e retenção dos documentos lacrados anteriormente na empresa Mundo dos Filtros Ltda. – EPP. Que, em uma análise inicial dessa documentação, constatouse a existência de vários documentos que comprovam o repasse de recursos através de adiantamentos via transferência bancária de diversas empresas do grupo Mundo dos Filtros para as empresas que funcionavam como interpostas pessoas, PRIME e UTILIDAD (Interposição Fraudulenta art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/1976), havia ainda emails que comprovam a ocultação de empresas do grupo Mundo dos Filtros como reais adquirentes. Às fls. 161164, é feita uma análise mais detalhada de toda a documentação apresentada e retida, principiandose sobre a formação do chamado grupo Mundo dos Filtros. Que, dos documentos retidos na empresa Mundo dos Filtros Ltda. – EPP, ficou claro que essa empresa funcionava como escritório central do grupo Mundo dos Filtros, onde se realizava toda operação contábil, econômica e financeira das diversas empresas e também de Fl. 9324DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.325 8 onde se originavam as decisões importantes relativas às mesmas. E que o Sr. EDMAR MOTHÉ gerenciava todo o “grupo”. Que, no conjunto de documentos intitulado “Planilha de Ações do Grupo Mundo dos Filtros” é interessante observar que todas as empresas funcionavam em conjunto e que decisões relativas às mesmas eram tomadas também em conjunto e com a participação do Sr. Edmar (em anexo Título “Documentos Retidos no Mundo dos Filtros EPP – Parte 1”). Da análise de todos os demais conjuntos de documentos do Título “Documentos Retidos no Mundo dos Filtros EPP – Parte 1”, não restam dúvidas da operação e tomada de decisões em conjunto de todas essas empresas, apesar de legalmente serem distintas, mas que de fato todas elas funcionavam como sendo uma única empresa. Que, existem dois documentos encomendados à empresa CCR Consultoria, Comunicação, Resultado e Representações Ltda., os quais analisa e recomenda ações para todas essas empresas em conjunto (Relatório da empresa CCR 2010 e Relatório CCR 2011 2012 no Título “Documentos Retidos no Mundo dos Filtros EPP – Parte 1”). Que, constatou também a relação da NOVA DISTRIBUIDORA com o grupo Mundo dos Filtros, pois, além dos documentos acima citados, existem dois conjuntos de documentos com títulos de “Planilhas vendas de várias empresas do grupo Mundo dos Filtros” e “Planilha da posição do estoque das empresas Mundo dos Filtros” (em anexo Título “Documentos Retidos no Mundo dos Filtros EPP – Parte 1”), em que, no primeiro, temse os valores de vendas das várias empresas e entre elas consta a NOVA DISTRIBUIDORA que recebe a identificação no grupo Mundo dos Filtros como loja 100, e, no segundo documento, temse a posição do estoque das lojas e consta a NOVA DISTRIBUIDORA com código 100. Que, um dos sócios da NOVA DISTRIBUIDORA é a Sra. LUCIANA MAIA MOTHÉ, ou seja, da família MOTHÉ. Existem vários outros documentos que demonstram que a NOVA DISTRIBUIDORA faz parte do grupo Mundo dos Filtros e era a real adquirente oculta de várias mercadorias importadas pela PRIME, e que tinha nas Declarações de Importação(DIs) constando como adquirente a empresa UTILIDAD. Às fls. 164169, consta uma tabela com as importações realizadas pela PRIME tendo a empresa UTILIDAD como empresa adquirente declarada nas DIs, e que tais mercadorias eram vendidas ou repassadas para a NOVA DISTRIBUIDORA, fazendo constar o número de cada DI, os produtos importados, a quantidade importada, a nota fiscal de venda ou repasse para a NOVA DISTRIBUIDORA, a quantidade de produtos da nota fiscal, a data de importação e de emissão da nota fiscal e o CFOP. Que, desse modo, descortinouse o modus operandi de atuação do grupo Mundo dos Filtros. Assim, enquanto aparentemente a importação era feita pela empresa Prime por conta e ordem da empresa UTILIDAD, na verdade quem repassava os recursos e eram os reais adquirentes eram sempre as empresas do denominado grupo Mundo dos Filtros. Que, as mercadorias em vários casos eram repassadas para a empresa Nova Distribuidora que posteriormente repassava as mesmas para alguma empresa do grupo Mundo dos Filtros ou retornava para a empresa UTILIDAD e esta repassava para alguma outra empresa do grupo Mundo dos Filtros. Isso acontecia, pois as lojas do grupo não tinham espaço suficiente para armazenar as cargas e também para colocar mais um nível na cadeia de interposição. Fl. 9325DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.326 9 Relata que, a ocultação da NOVA DISTRIBUIDORA será demonstrada de forma mais detalhada na análise abaixo, importação por importação (às fls. 169186), conforme exemplificação abaixo transcrita: Importação CPP 112, Declaração de Importação nº 10/17690997, de 07/10/2010, Fatura Final 437 : Além das provas já elencadas nos itens 2.6.1, 2.6.2, 2.6.4 para esta importação. Existem ainda várias provas nos documentos retidos na empresa Mundo dos Filtros EPP, os quais passaremos a descrever. Nas folhas 85 e 163 da Pasta Robson 1 (em anexo no Título “Documentos Retidos no Mundo dos Filtros EPP– parte2”) consta uma tabela e no PI número 437(número final da Invoice) temos os valores repassados para a empresa Prime e ainda a fonte pagadora, o Sr. Edmar Mothe. Nas folhas 106 e 108 da mesma pasta consta também uma tabela com mesmo número de PI e ainda o CPP 112 e as datas de pagamento dos adiantamentos de recursos para Prime, observe que a data 24/06/2010 é anterior a data de registro da DI (07/10/10). Na folha 70 da Pasta Robson 2 (em anexo no Título “Documentos Retidos no Mundo dos Filtros EPP – parte2”) consta um email entre Cleide(do Mundo dos Filtros) e Leonardo(sócio da Prime), datado de 02/05/2011, tratando da CPP112. Nas folhas 109 e 110 da mesma pasta temse outro email entre Cleide e Leonardo tratando do CPP 112, datado de 21/01/2011. Nas folhas 122 e 123 da pasta Robson 2, observamos o “Modus Operandi” do grupo, temos na folha 122 uma solicitação de numerário da Prime para o Mundo dos Filtros, nessa solicitação há vários repasses de recursos para diversas importações, inclusive a PI0437. O total da soma de valores é de R$ 23.475,13 e importante na folha seguinte temos uma transferência bancária entre a Casa dos Filtros Ltda (grupo Mundo dos Filtros – Edmar Mothe) e a empresa Prime nesse mesmo valor e datada de 22/12/2010. Assim primeiramente havia um adiantamento de recursos 24/06/2010; depois o registro da DI em 07/10/2010; após emissão das notas fiscais da UTILIDAD para a Nova Distribuidora nº 296(11/10/2010), 579 e 627(14/12/2010); por último um acerto final no dia 22/12/2010. E conforme planilha Excel em anexo (anexo planilha CPP 112) temos várias notas fiscais desses produtos da Nova Distribuidora para as lojas do grupo Mundo dos Filtros do período de outubro de 2010 até julho de 2011. Às fls. 187191, consta análise da fiscalização feita nos “Documentos Retidos no Mundo dos Filtros EPP parte 2”, na Pasta Robson 1 e Pasta Robson 2, onde constam vários relatos e indicações de provas de que a(s) empresa(s) PRIME/UTILIDAD e o grupo Mundo dos Filtros (inclusive através da NOVA DISTRIBUIDORA) simularam operações para ocultar do Fisco os reais adquirentes das mercadorias. Às fls. 191203, a fiscalização aduz acerca da legislação de regência dos fatos, inclusive sobre interposição fraudulenta (IN SRF 228/2002), dentre outras. Às fls. 203212, a fiscalização relata acerca da aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias (art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do Decretolei nº 1.455/1976) para as DIs em questão, por entender que restou comprovada que a empresa UTILIDAD ocultou o real adquirente das mercadorias importadas dita de sua própria importação quando na verdade destinavamse à NOVA DISTRIBUIDORA (que faz parte de fato do grupo Mundo dos Filtros), que financiava as importações da UTILIDAD, sendolhes aplicada a multa substitutiva por terem sido revendidas/repassadas. Fl. 9326DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.327 10 Às fls. 212213, a fiscalização averba sobre a solidariedade na aplicação dessa penalidade devendo figurar as empresas PRIME, UTILIDADE e NOVA DISTRIBUIDORA e seus respectivos sócios, inclusive, o Sr. EDMAR MOTHÉ, exsócio administrador da UTILIDAD, tudo com fulcro nos art. 124, I, e 135, III, do CTN, e no art. 95, I, do Decretolei 37/1966. Outrossim, que foi formalizada em processo próprio Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, a ser encaminhada ao Ministério Público Federal – MPF. Às fls. 213214, a fiscalização faz a seguinte conclusão: Assim, com base na documentação retida, demonstramos nos itens 2.6, 3 e 4 acima o “modus operandi” de atuação do grupo Mundo dos Filtros. A importação era feita pela empresa Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda declarando por conta e ordem da empresa UTILIDAD, mas na verdade quem repassava os recursos e na verdade eram os reais adquirentes, eram sempre empresas do grupo Mundo dos Filtros. Além disso, as mercadorias em vários casos eram repassadas para a empresa Nova Distribuidora que posteriormente repassava as mesmas para alguma empresa do grupo Mundo dos Filtros ou empresa UTILIDAD e esta repassava para alguma empresa do grupo Mundo dos Filtros. Isso acontecia, pois as lojas do grupo não tinham espaço suficiente para armazenar as cargas e também para colocar mais um nível na cadeia de interposição, ou seja, a Nova Distribuidora... Às fls. 214215, a fiscalização relaciona os seguintes responsáveis solidários juntamente à NOVA DISTRIBUIDORA: · AGUIMAR DE ABREU (sócio administrador da NOVA DISTRIBUIDORA); · LUCIANA MAIA MOTHÉ (sócia da NOVA DISTRIBUIDORA); · UTILIDAD (pessoa jurídica – adquirente ostensiva); · FELIPE DA COSTA COELHO (sócio administrador da UTILIDAD); · PRIME HOLDING (pessoa jurídica sócia administradora da UTILIDAD); · PRIME (pessoa jurídica – importadora ostensiva); · VINICIUS DA COSTA COELHO (sócio administrador e exsócio administrador da UTILIDAD); · DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA (sócio administrador e ex sócio administrador da UTILIDAD); · EDMAR MOTHÉ (exsócio administrador da UTILIDAD); DA CIÊNCIA DOS SUJEITOS PASSIVOS Em 15/01/2013, foi dada ciência da autuação, pela via pessoal (por meio de Aguimar de Abreu sócio administrador), ao sujeito passivo NOVA DISTRIBUIDORA (às fls. 9.020 e 9.043). Fl. 9327DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.328 11 Em 15/01/2013, foi dada ciência da autuação, pela via pessoal, ao sujeito passivo (responsável solidário pessoa física): AGUIMAR DE ABREU (à fl. 9.021). Em 31/01/2013, foi dada ciência da autuação, pela via postal AR, ao sujeito passivo (responsável solidário pessoa física): LUCIANA MAIA MOTHÉ (às fls. 9.030 9.031). Em 21/01/2013, foi dada ciência da autuação, pela via postal AR, ao sujeito passivo pessoa jurídica: UTILIDAD (às fls. 9.038 9.039). Em 19/01/2013, foi dada ciência da autuação, pela via postal AR, ao sujeito passivo (responsável solidário pessoa física): FELIPE DA COSTA COELHO (às fls. 9.034 9.035). Em 05/02/2013, foi dada ciência da autuação, pela via pessoal (por meio de Vinicius da Costa Coelho sócio administrador), ao sujeito passivo pessoa jurídica: PRIME HOLDING ( às fls. 9.027 9.029). Além disso, fora afixado em 23/01/2013 e desafixado em 07/02/2013 Edital para ciência do Auto de Infração (à fl. 9.026). Em 21/01/2013, foi dada ciência da autuação, pela via postal AR, ao sujeito passivo pessoa jurídica: PRIME (às fls. 9.040 9.041). Em 19/01/2013, foi dada ciência da autuação, pela via postal AR, ao sujeito passivo (responsável solidário pessoa física): VINICIUS DA COSTA COELHO (às fls. 9.036 9.037). Em 07/02/2013, foi dada ciência ficta, pela via editalícia (afixado em 23/01/2013 e desafixado em 07/02/2013), ao sujeito passivo (responsável solidário pessoa física): DANIEL CHICRALA CHAVES DE OLIVEIRA (à fl. 9.022). Em 19/01/2013, foi dada ciência da autuação, pela via postal AR, ao sujeito passivo (responsável solidário pessoa física): EDMAR MOTHÉ (às fls. 9.032 9.033). DAS IMPUGNAÇÕES DA DEFESA DE EDMAR MOTHÉ O sujeito passivo EDMAR MOTHÉ (pessoa física – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA), irresignado com a autuação, apresentou Peça Impugnativa (às fls. 9.0509.078), em 18/02/2013, alegando, em síntese, conforme a seguir: DOS FATOS · que o impugnante fora incluído como responsável solidário quanto ao crédito em epígrafe, nos termos do Decretolei nº 37/1966, art. 95, I, c/c os arts. 124, I, e 135, III, do CTN, a pretexto de haver figurado como exsócio administrador da UTILIDAD; · que as autoridades fiscais basearam sua autuação na alegativa de que a UTILIDAD teria realizado importações de forma irregular mediante interposição fraudulenta de terceiros, que na versão dos agentes fazendários estaria caracterizada a ocultação pelo fato de a UTILIDAD desde a sua constituição ter se valido de recursos de terceiros nas importações realizadas, tendo inclusive formalizado Representação Fiscal para Fins Penais RFFP; DO DIREITO DO CERNE DA QUESTÃO EM LITÍGIO Fl. 9328DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.329 12 · que o ponto fulcral em litígio concerne na inclusão do impugnante entre os corresponsáveis pelo crédito em questão, vez que, em verdade, não é sócio da NOVA DISTRIBUIDORA e que somente figurou como sócio da UTILIDAD, durante um curto intervalo de tempo, não tendo praticado sequer um ato de gestão, constituindose uma flagrante violação aos ditames insculpidos na CF e no CTN; · que os agentes fazendários distorceram a realidade e articularam falaciosos argumentos no sentido de fazer crer que as operações de importação da UTILIDAD teriam sido realizadas mediante atos fraudulentos; · que na sequência instauraram este processo aplicando multa à adquirente no mercado interno e estenderam essa responsabilidade ao impugnante; DA TEMPESTIVIDADE · que a impugnação ora apresentada é tempestiva; DA NULIDADE QUANTO À PESSOA DO IMPUGNANTE · que, desligou se do quadro societário desde 29/11/2011 e sequer soube do procedimento fiscal contra a empresa Utilidad; · que não lhe foi dada ciência do início da fiscalização nem nunca foi chamado a prestar quaisquer esclarecimentos aos auditoresfiscais; · que tal proceder constitui grave ofensa à ampla defesa, que não se aplica somente à fase contenciosa, mas desde o início da ação fiscal; · que conforme jurisprudência do STF os sócios que vierem a ser responsabilizado por créditos tributários da pessoa jurídica devem ser intimados para participar dos atos que culminaram na constituição definitiva dos referidos créditos; · que os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicamse indistintamente a qualquer categoria de sujeito passivo (contribuintes, responsáveis, substitutos, devedores solidários etc) na fase de constituição do crédito tributário; · que a inclusão de terceiro como responsável pelo crédito sem a demonstração das circunstâncias legais que levaram a tanto é uma ficção inadmissível; · que a notificação encaminhada para a empresa se manifestar em processo administrativo tributário não implica a presunção de que os sócios/exsócios tenham ciência dos fatos que em tese acarretam a sua responsabilidade; · que, na condição de exsócio, foi totalmente relegado ao esquecimento, descartado, durante as etapas do procedimento. No entanto, lavrado o AI os fiscais o incluíram como corresponsável solidário na sua totalidade; · requer a nulidade desde a origem do procedimento fiscal no que diz respeito ao impugnante; DESCABIMENTO DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA QUANTO À PESSOA DO IMPUGNANTE Fl. 9329DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.330 13 · que por não competir se pronunciar quanto à defesa das pessoas jurídicas autuadas, seja por lhe faltar poder para tanto, seja por desconhecer a totalidade dos fatos narrados que não dizem respeito a si ou a suas empresas, irá cingirse a contestar as acusações contra sua pessoa; · que sua participação na sociedade foi efêmera nunca tendo exercido atos de administração não podendo ser arrolado como responsável solidário quanto ao crédito constituído; · que mesmo se admitisse por amor ao debate o seu enquadramento como co devedor solidário quanto ao AI contra a Utilidad, essa solidariedade estaria restrita ao período em que figurou como sócio e desde que comprovado que agira com excesso de poderes, tendo em vista que no tocante aos demais períodos sequer poderia saber dos atos da empresa, muito menos praticar qualquer conduta de gestão apta a lançálo no polo passivo; · que no tocante ao presente processo contra a Nova Distribuidora, da qual o impugnante nunca foi sócio os auditoresfiscais estenderam a corresponsabilidade solidária a sua pessoa, o que é incabível; DA NÃO PARTICIPAÇÃO DO IMPUGNANTE EM ATOS TIDOS COMO IRREGULARES POR PARTE DA UTILIDAD · que a Utilidad conquistou espaço na revenda de produtos importados valendo se de sua própria marca, com qualidade e preços atrativos e que conseguiu boa receptividade junto ao público alvo das lojas do impugnante; · que após a sua entrada na sociedade em pouco tempo se deu conta que o seu foco é o de vendas a consumidor final e não de comércio no atacado, razão pelo que formalizou sua retirada após um curto espaço de tempo; · que os produtos adquiridos da Utilidad pelas empresas do impugnante são apenas uma parcela do catálogo de produtos que as mesmas revendem a consumidores finais, o que demonstra cabalmente a diversidade de seus fornecedores; · que somente a operação registrada em 14/09/2011 ocorrera em período em que o mesmo figurou como sócio da Utilidad. Apesar de haver ingressado em julho de 2011 a quitação do valor das participações adquiridas somente se efetivou em 31/08/2011; · e ainda que se considerasse o período de sua formal participação como sócio, de julho a setembro, das quinze referências do auto de infração duas apenas, de 15/08/2011 e 14/09/2011 se inserem neste intervalo; · que pretender atribuir esse tipo de corresponsabilidade indireta a uma pessoa de forma tão abrangente e arbitrária constituiria um flagrante abuso de autoridade; DA RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS NA SOCIEDADE LIMITADA · que a empresa autuada é uma sociedade de responsabilidade limitada, regulamentada pelo CCB (Lei nº 10.406/2002) em seus artigos 1.052 e seguintes; Fl. 9330DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.331 14 · que assim o acesso aos bens pessoais dos sócios, após a integralização do capital, somente pode ser cogitado se houver a prática de atos realizados com excesso de poderes, os quais culminem em ilícitos, fraudes ou irregularidades que lesem terceiros; · que todo o capital social da Utilidad fora integralizado em 31/08/2011, mediante depósito bancário; cujas origens se comprovam pelas respectivas DIRFs; · que o impugnante nunca foi regularmente cientificado do início e do desenrolar da ação fiscal contra a Utilidad, menos ainda contra a Nova Distribuidora. Em nenhum momento anterior à lavratura do auto de infração foi convocado pelos agentes fiscais a prestar esclarecimentos; · que só com o recebimento da autuação via postal tomou ciência do crédito tributário e das acusações contra sua pessoa. Com que base então se afirma neste auto de infração que ele não teria capacidade financeira ou que o comprovante da integralização do capital em depósito bancário é inidôneo? · que os fiscais omitiram que sua participação societária se limitava a apenas um quarto do capital social, ou seja minoritária; outrossim que a empresa autuada possuía significativos recursos bancários próprios ou oriundos de linhas de crédito em montante mais que suficiente para manter suas importações; · que nunca exerceu efetivamente a administração da sociedade; · que de forma precipitada, abusiva e despida de provas concretas os autuantes afoitaramse a lançar graves acusações contra o impugnante, entre elas a responsabilidade pessoal por infração do art. 135, III, do CTN, por intermédio de RFFP; · que a posição jurídica dominante é a de que o sócio que não exerce atos de administrador e/ou não participa de deliberações, em tese irregulares, das quais resultem transtornos para a empresa, não responderá por ela com seus bens; · que não há nos autos qualquer prova de sua participação em condutas praticadas com excesso de poderes ou em desacordo com a lei. Não há no processo provas documentais de que tenha celebrado contratos, assinado cheques ou outras obrigações, enfim tomado medidas em concreto da administração da sociedade por meio de atos ilícitos exorbitando os poderes de administrador; · que para aplicação da desconsideração da personalidade jurídica e o acesso ao patrimônio particular dos sócios de uma sociedade limitada é imprescindível a atuação do Poder Judiciário, além de ser imperiosa a observância do benefício de ordem; DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA · da inaplicabilidade do art. 134, VII, do CTN, uma vez que sociedade por cotas de responsabilidade limitada não é sociedade de pessoas; · que para caracterizar a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, meramente subsidiária, é mister a presença dos elementos fáticos a apontar a conduta específica praticada com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto e pessoal, devendo tais condutas ser comprovadas; Fl. 9331DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.332 15 · que o impugnante não praticou qualquer ato como administrador dessa sociedade. E mesmo se comprovada a sua participação em ato societário que houvesse culminado em tais irregularidades, o que se admite apenas por argumentação, só responderia apenas pelos eventos irregulares ocorridos no período de sua administração; · que os auditoresfiscais se valeram de simples presunções humanas, sem fundamento legal, para atribuir injusta responsabilidade ao impugnante; · que havendo dúvida na interpretação da legislação em face das circunstâncias materiais do fato, impõese a observância do disposto no art. 112 do CTN, que está em consonância com o art. 150, I, da CF; · que não havendo prova material de conduta dolosa do impugnante no curto período em que foi sócio da Utilidad bem como não tendo sido sócio da empresa Nova Distribuidora o auto de infração quanto a ele deve ser declarado improcedente. DO PEDIDO · requer seja seu nome excluído do polo passivo solidário por absoluta ausência de elementos que permitam comprovar ter praticado atos de administração na referida empresa, com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, exatamente nos termos do que dispõe o art. 135, III, do CTN. Requer igualmente o arquivamento RFFP, no que se refere à indevida inclusão de seu nome. DA DEFESA DA NOVA DISTRIBUIDORA E DOS SÓCIOS AGUIMAR DE ABREU E LUCIANA MAIA MOTHÉ A NOVA DISTRIBUIDORA e seus sócios: AGUIMAR DE ABREU e LUCIANA MAIA MOTHÉ apresentaram conjuntamente Peça Impugnativa (às fls. 9.081 9.105), em 14/02/2013, alegando, em síntese, conforme a seguir: DOS FATOS E DO DIREITO · que os impugnantes foram intimados em 15/01/2012 acerca dessa autuação; · que a fundamentação para a autuação reside na tese que a impugnante Nova Distribuidora estaria sendo ocultada pela Utilidad, que teria omitido a condição de adquirente da impugnante Nova Distribuidora nas importações em questão, muito embora apenas parte das mercadorias tenha sido revendida à impugnante; · que as mencionadas importações foram realizadas pela Prime por conta e ordem da Utilidad, que posteriormente revendeu as mesmas para diversas empresas, dentre as quais a Nova Distribuidora; · que consta nos autos que a Utilidad fora autuada pela prática de irregularidades em comércio exterior (PAF 10111.720547/2012 73), cujo teor parcial foi trazido aos presentes autos, impossibilitando o pleno exercício do direito de defesa dos impugnantes; · que não há nos autos qualquer prova de que os impugnantes tenham praticado qualquer irregularidade, ao contrário, o conjunto probatório carreado pela autoridade fiscal Fl. 9332DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.333 16 apenas demonstra que a Prime importou bens por conta e ordem da Utilidad e que apenas parte desses bens fora vendida à impugnante Nova Distribuidora, terceiro alheio à importação, que adquiriu mercadorias devidamente nacionalizadas; · que a autoridade fiscal de maneira dolosa tenta fazer com que as empresas que adquiriram da Utilidad pareçam uma única pessoa, quando na verdade são empresas com personalidades jurídicas distintas, autônomas, independentes, que apenas compartilham dos mesmos fornecedores por questão comercial e não com intuito fraudulento; · que, em especial, com a Nova Distribuidora não há sequer o uso da marca Mundo dos Filtros, o que denota que a autoridade fiscal tenta imputar a todas as empresas, de maneira genérica, as condutas tidas por irregulares; DA NÃO PARTICIPAÇÃO DOS IMPUGNANTES NOS ATOS TIDOS COMO IRREGULARES · que é irrelevante o fato de que algumas empresas que usam da marca Mundo dos Filtros possuírem em seus quadros pessoas com algum parentesco com o Sr. Edmar Mothé, idealizador da marca; · que, além do nome, a única característica comum é que elas adquirem as mercadorias dos mesmos fornecedores, alguns inclusive fabricantes nacionais, o que reforça a tese que as empresas são varejistas e não importadoras, rememorando que a Nova Distribuidora tem como sua atividade principal a guarda de mercadorias e operação logística, sendo certo que sequer utiliza a marca Mundo dos Filtros; · que salvo raras exceções não pratica atos de comércio ao consumidor final, apenas se incumbe de abastecer lojas com quem mantém relacionamento; todavia, é certo que praticamente todas as empresas acabam se valendo dos serviços da impugnante Nova Distribuidora, o que por essa razão possa haver ocorrido confusão por parte da autoridade fiscal ou até mesmo de fornecedores que tratam as empresas distintas como se fossem uma única empresa ou grupo; · que a Utilidad foi indicada pelo Sr. Edmar Mothé, que realizou uma grande negociação para que todas as empresas que usam a marca Mundo dos Filtros tivessem a mesma condição de compra; · que os impugnantes não importam mercadorias. A Nova Distribuidora é operadora logística e em alguns casos adquire produtos nacionais ou nacionalizados e não possui e não pretende possuir uma estrutura de importação; · que não há que se falar em ocultação ou interposição fraudulenta; · que as empresas relacionadas às importações Prime e Utilidad são devidamente constituídas e abertas ao público, sendo plenamente possível fiscalizálas a qualquer momento, tal como a impugnante Nova Distribuidora, que aparece explicitamente nas notas fiscais das mercadorias que adquiriu da empresa Utilidad; · que todas as mercadorias de origem estrangeira adquiridas pela Nova Distribuidora foram amparadas por nota fiscal, adquiridas de empresa idônea, sobre quem não pairava nenhum processo que pudesse desqualificar a venda e compra e, mais importante, com Fl. 9333DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.334 17 a apresentação do comprovante de importação emitido pela própria Receita Federal do Brasil atestando a entrada regular no País; · que o simples fato de que a maioria dos bens ter sido vendida para empresas que ostentam a marca Mundo dos Filtros não significa uma ocultação, vez que cada qual possui personalidade jurídica própria. Ademais, como se falar em ocultação quando a grande maioria dos bens adquiridos possui a marca do importador (Utilidad)? · que não houve qualquer falta de recolhimento de tributos; · que a operação tida como fraudulenta pela autoridade fiscal nada mais é do que uma operação convencional, uma cadeia de fornecimento convencional, em que há um importador, um distribuidor, revendedores e consumidores finais, não havendo nenhum ilícito em seu modelo de negócios; · que dentro da atual sistemática da Receita Federal e da legislação vigente sempre haverá alguém nessa cadeia ausente da operação de importação e nem por isso deverá ser considerado sujeito oculto da operação, principalmente quando todos os tributos forem recolhidos; · que a empresa ora impugnante optou por atuar como operadora logística abastecendo principalmente empresas que atuam com a marca Mundo dos Filtros; · que não participa de nenhuma das etapas de importação, que apenas realiza operação logística e em casos raros compra mercadorias já nacionalizadas, de empresas idôneas, mediante emissão de nota fiscal e apresentação da documentação que comprove a importação regular; · que qualquer eventual irregularidade cometida em momento anterior ao da aquisição no Brasil ou remessa para armazenamento não haveria como os impugnantes saberem; que realizou diligências necessárias para apurar a regularidade das empresas fornecedoras e dos bens por elas fornecidos. Que nos casos em que atuou apenas como operador logístico não cabem sequer maiores considerações, visto que em nenhum momento teve a propriedade dos bens, apenas a posse em razão do contrato; · que nos casos em que adquiriu bens da Utilidad o fez de boa fé; e que adotou os procedimentos de cautela tidos como padrão nessas negociações; DA REGULAR OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO E RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS INCIDENTES · que, analisandose o conteúdo do Relatório Fiscal é possível verificar foi uma condenação do modelo adotado pelas empresas Prime e Utilidad; · em que pese o fato de o auto de infração ser muito lacônico no tocante à operação de importação, cerne da questão e tema que mereceria uma melhor abordagem pela autoridade fiscal, percebese que houve uma desconsideração da operação realizada pela empresa Prime com a empresa Utilidad (importação por conta e ordem), como se tal operação servisse apenas e tão somente como uma espécie de “segundo nível de ocultação dos verdadeiros responsáveis pelas importações realizadas”; Fl. 9334DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.335 18 · que tal afirmação é fruto de uma imaginação fértil e apenas demonstra a fragilidade da autuação que deveria ser baseada na lei e nos princípios norteadores do direito; · que não há razão para intervenção estatal nesse modelo de negócio, pela simples razão de que não há nenhum impedimento legal para tal modus operandi; que, tratase de exercício do direito de livre iniciativa; · que não se está aqui realizando defesa das empresas Prime e Utilidad, todavia é imperioso destacar que o princípio da livre iniciativa e livre exercício de atividade econômica sem intervenção estatal permite que o empresário conduza seus negócios da forma que melhor lhe convir, podendo optar por qualquer forma lícita de negócio, como no caso em tela, ter uma empresa beneficiada de incentivo concedido pelo governo do Distrito Federal, a Prime, que vende seus bens para outra então distribuir os produtos; · o fato é que os impugnantes não participam da importação e não tem qualquer poder de gerência para exigir que se mude tal modelo de importação. Não sendo importadora, as únicas cautelas exigíveis da Nova Distribuidora seriam: certificarse de que as empresas são idôneas e que a importação foi regular, além de exigir a emissão de nota fiscal (fato incontroverso); · que não se criou uma estrutura de segundo nível com intuito de ocultar ou interpor fraudulentamente terceiros e que a Nova Distribuidora apenas realizou operações logísticas e em alguns casos comprou e revendeu mercadorias que lhe interessava. Se eventualmente tenha ocorrido algum tipo de irregularidade na importação isso não foi perpetrado pelos impugnantes, mas sim pelas empresas importadoras; · que não há lei que proíba o modus operandi das empresas Prime e Utilidad, por conseguinte, não há o que se punir com relação à impugnante Nova Distribuidora (art. 5º, II, CF); · que nem a legislação pátria, nem as instruções normativas editadas pela RFB previram a situação que ora se debate, em que duas empresas figuram na cadeia de fornecimento da importação para somente então distribuir produtos a terceiros. Prova é que o Siscomex não permite, pois não há campo a ser preenchido para que se inclua um “adquirente do adquirente”; · que a impugnante Nova Distribuidora está localizada em ponto de grande circulação, com milhares de metros quadrados e não uma sala comercial escondida. Da mesma forma, as importadoras estão localizadas em um edifício comercial em conhecido shopping de Brasília, seus sócios são conhecidos, não se tratando de laranjas; · que nos autos não há qualquer comprovação documental de fraude nem mesmo de ocultação, mas apenas um grande inconformismo com um modelo de negócios lícito, que respeitou as regras impostas pela lei; · que os documentos juntados, muitos dos quais sem qualquer presunção de veracidade, já que não são revestidos de fé pública, apenas demonstram que determinadas importações foram realizadas pela Prime para a Utilidad e que a impugnante Nova Distribuidora adquiriu uma pequena parcela desses bens; Fl. 9335DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.336 19 · que a autoridade fiscal está incumbida do ônus probandi e não tendo logrado êxito em comprovar a irregularidade, fato associado à ausência de previsão legal proibitiva, não deve prosperar a penalidade proposta, ainda que tal modelo de negócios seja repudiado pelas autoridades fiscais. Que nesse país o direito é positivado e impera o princípio da legalidade; · que as autoridades querem punir a impugnante Nova Distribuidora a qualquer custo, inclusive em relação a bens constantes de notas fiscais de remessa para guarda de mercadorias e de bens jamais recebidos em estoque; DA AUSÊNCIA DE EFETIVO DANO AO ERÁRIO · que os tributos incidentes nas operações de comércio exterior foram devidamente recolhidos tanto pela Prime quanto pela Utilidad; · que os impugnantes não enxergam plausibilidade na aplicação dessa penalidade porque além de não haver ilegalidade nas operações realizadas, não houve insuficiência de recolhimento de tributos capaz de gerar efetivo dano ao Erário, de modo que essa pena imposta é totalmente injustificada, mais ainda tratandose de terceiro adquirente de boa fé; · acaso mesmo assim prevaleça o entendimento das autoridades impugnadas é cabível a relevação da pena de perdimento por ser a medida razoável a ser tomada no caso, conforme arts. 736 e 737 do RA, vez que se amoldam ao caso em tela; · que não se acolhendo os argumentos ora lançados, a ausência de provas carreadas pela autoridade fiscal, subsidiariamente, demonstrase aplicável a relevação da pena; · que a adequação da pena é medida imperiosa, com base na razoabilidade e proporcionalidade; DA RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS NA SOCIEDADE LIMITADA · que, tratase de uma sociedade de responsabilidade limitada (art. 1.052 do CC), e que nos autos não há qualquer disposição ou provas de que a gestão dos sócios excedeu seus poderes, muito menos lesão contra qualquer pessoa, inclusive com relação ao Erário; · que sequer se individualizou a conduta de cada sócio, apenas se arrolou os mesmos em razão de seus poderes teóricos; · que a fiscalização nada comprova de ilícitos; · que a responsabilização dos sócios se dá de maneira subsidiária (art. 135, III, do CTN) e fazse necessária a atuação do Poder Judiciário para a desconsideração da personalidade jurídica, pelo que torna ilegal pretender caracterizála por mero ato administrativo da fiscalização; Fl. 9336DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.337 20 · que não basta indicar o nome de todos os sócios constantes do contrato social; imperioso que se individualize o autor dos atos infracionais e que demonstre comprovadamente sua responsabilização; · que, no caso, revelase desprovida de quaisquer fundamentos fático probatórios e jurídicos a desastrada iniciativa da fiscalização de imputar aos sócios da impugnante Nova Distribuidora o ônus da responsabilidade tributária solidária, pelo que se faz imperativa a exclusão dos mesmos ora impugnantes do auto de infração combatido; DO PEDIDO · requerem os impugnantes seja a ação fiscal julgada improcedente, afastando as penalidades aplicadas no auto de infração. Subsidiariamente, requerem a exclusão dos sócios da Nova Distribuidora do polo passivo do presente processo. Por fim, os impugnantes Aguimar de Abreu e Luciana Maia Mothé requerem o definitivo arquivamento da RFFP contra eles lavrada. DA PETIÇÃO DA UTILIDAD Apesar de cientificada do lançamento em 21/01/2013 (às fls. 9.0389.039), a UTILIDAD apresentou sua Peça Petitória (às fls. 9.1149.141), subscrita por FELIPE DA COSTA COELHO, tão somente, em 07/03/2013. DO DESPACHO DA SARAC À fl. 9.145, consta Despacho exarado pela Sarac da Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília, a seguir transcrito em parte: (...) Assunto : Auto de Infração Os interessados: NOVA DISTRIBUIDORA e LOGÍSTICA LTDA, AGUIMAR DE ABREU, LUCIANA MAIA MOTHÉ E EDMAR MOTHÉ impugnaram tempestivamente o lançamento do crédito tributário. A empresa UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA e FELIPE DA COSTA COELHO, apresentaram impugnação intempestiva, os demais não se manifestaram. Foi juntado ao processo extrato emitido pelo SIEF PROCESSOS. Assim, proponho o encaminhamento do processo à DRJ FORTALEZA, para fins de julgamento. DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE “DECISÃO PARADIGMA” (às fls. 9.1509.170) A NOVA DISTRIBUIDORA requer juntada (protocolada em 10/02/2014) de decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 10111.720453/201385 (Acórdão 07 33.710 da 1ª Turma da DRJ/FNS), por entender ser originária dos mesmos fatos que deram azo à instauração do presente processo, em observância ao art. 38 da Lei nº 9.784/1999. Segue excerto da dita decisão: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 9337DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.338 21 Período de apuração: 07/10/2010 a 02/02/2012 FALTA DE PROVAS. É ônus do Fisco instruir o auto de infração com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado (...) Voto (...) Alegam os impugnantes que o auto de infração não foi instruído com os respectivos elementos de prova, tanto dos fatos jurídicos relacionados à hipótese de ocultação e interposição fraudulenta, quanto dos fatos jurídicos aptos a atribuir aos impugnantes a responsabilidade tributária apontada na autuação. A razão assiste aos interessados. A exigência de crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada seguem o rito do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto n.º 70.235/72, que tem como princípios basilares os da ampla defesa e do contraditório, e que mais especificamente em seu artigo 9° assim determina: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ...(Grifos acrescidos) No presente caso a autoridade fiscal não logrou trazer os elementos de prova capazes de comprovar que os interessados tenham agido em desacordo com o previsto na legislação de regência. A autoridade fiscal, equivocadamente, julgou ser prescindível a apresentação das provas para instruir a presente autuação em razão de entender que em outro processo administrativo já houvera a sua apresentação (fl. 79): Embora parte dos autuados naquele processo tenha sido autuado também no presente processo, a legislação de regência anteriormente citada não permite a omissão de provas relacionadas à comprovação do ilícito, mesmo que referidas provas já tenham sido apresentadas em outro processo administrativo destinado a sustentar outras autuações, não há tal faculdade processual. Vale dizer, cada autuação deve estar instruída com os respectivos elementos probatórios. Ademais, não há registros de que os elementos de prova tenham sido apresentados (em qualquer dos processos) ..., situação que notadamente limita o direito de defesa e possibilidade de contraditório destes autuados (artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72). Assim, não basta apenas que a “Descrição do Fato”, requisito obrigatório do auto de infração nos termos do inciso III, do artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, contenha a necessária concatenação de idéias que permitam fazer a ligação entre todos os elementos que compõem a autuação. É imprescindível que os elementos de prova sejam apresentados e Fl. 9338DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.339 22 atestem que os fatos atribuídos aos autuados se alinham com os dispositivos legais relacionados ao caso. De outra sorte, ainda que pudesse ser superado o vício anteriormente citado, o entendimento desta Relatora é que a autuação igualmente não poderia prosperar. E basicamente por dois motivos. Primeiro porque em momento algum houve a desconsideração da personalidade jurídica das EMPRESAs envolvidas, vale dizer, as EMPRESAs não foram consideradas inexistentes de fato, operacionalmente incapazes, ou com máculas em sua constituição societária. Embora a fiscalização indique indícios da existência de um “grupo econômico” e estruturado, no plano das atividades operacionais relacionadas ao comércio exterior não se vislumbrou sua ocorrência de modo objetivo. As EMPRESAs envolvidas não foram consideradas “laranjas” ou inexistentes: nem o importador declarado (EMPRESA PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA.), nem o adquirente declarado (EMPRESA UTILIDADE COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA.), nem o adquirente da mercadoria nacionalizada (...) Os fatos narrados na autuação são complexos e diversos daqueles que, via de regra, caracterizam as condutas relacionadas à ocultação e interposição fraudulenta no âmbito do comércio exterior. Tamanha a complexidade que, neste ponto, é de se observar que sequer o importador foi autuado, vale dizer, aquele que apresentou a declaração considerada fraudulenta não foi trazido ao pólo passivo da autuação decorrente da ocultação que por ele teria sido perfectibilizada. Segundo os fatos narrados, as operações de importação em apreço teriam sido realizadas por conta e ordem: a (...) adiantou recursos à EMPRESA UTILIDADE COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA (relacionada a uma fração do total de mercadorias), que por sua vez, adiantou recursos à EMPRESA PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. A Instrução Normativa SRF n° 225/02 estabeleceu os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações procedidas por conta e ordem de terceiros (situação, em tese, narrada nos autos) e assim estabeleceu em seus artigos: (...) Como se observa da norma acima, não há qualquer referência expressa à hipótese citada nos autos, onde um importador age por conta e ordem de um terceiro e este (segundo o relato) age em razão de outros (um conjunto de EMPRESAs). Se o importador, ao registrar a declaração de importação indicasse a EMPRESA (...) como real adquirente, estaria, em tese, omitindo o adquirente EMPRESA UTILIDADE COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA, pois o campo que identifica a operação só pode ser preenchido com a identificação de uma empresa. Logo, inevitavelmente, no plano formal, a declaração poderia ser tida como fraudulenta pela Fazenda, vez que aquele que efetivamente ordenou a importação e transferiu os recursos ao importador seria omitido na declaração de importação. Conclusão, não haveria como o importador satisfazer a pretensão fiscal, inevitavelmente uma das duas empresas, tidas por adquirente, seria omitida. Fl. 9339DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.340 23 Os fatos narrados na autuação não apontam para a conclusão de que a EMPRESA (...) tenha negociado as mercadorias com o fornecedor estrangeiro, nem que a EMPRESA UTILIDADE COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA. seja inexistente ou que não tenha participado da operação de comércio exterior. Portanto, o primeiro motivo para improcedência da autuação está relacionado à impossibilidade material de satisfazer a exigência fiscal sem que uma das empresas, tidas por adquirentes, seja formalmente omitida na declaração de importação. O segundo motivo está relacionado ao fato de que cada operação de importação não foi realizada exclusivamente em razão de um “quarto” adquirente, mas de muitos. Apenas a título ilustrativo, no caso da declaração de importação n° 11/03450303 (fl.45), a fiscalização indica que as mercadorias descritas na adição 001 foram adquiridas por 30 (TRINTA) pessoas jurídicas diferentes, situação incompatível com aquelas que, via de regra, tipificam a interposição fraudulenta. A considerar os fundamentos da autuação, o desejo da fiscalização era que o importador declarasse que as mercadorias dessa operação de importação tivessem sido adquiridas por 30 (TRINTA) “reais” adquirentes distintos. Numa única declaração de importação, como já dito acima, seria igualmente impossível. Em 30 (TRINTA) declarações de importação seria possível, mas desde que cada um destes adquirentes tivessem negociado suas mercadorias com o (mesmo) fornecedor estrangeiro e, em favor deles tivessem sido emitidas 30 (TRINTA) faturas comerciais e 30 (TRINTA) conhecimentos de carga, conforme preconizado na Instrução Normativa SRF n° 225/02, ocorrência que não se vislumbra da narração contida nos autos. A considerar a comprovação da tese de “grupo econômico”, a conduta esperada seria justamente aquela adotada: uma empresa importadora do grupo encaminha as mercadorias para um distribuidor do grupo que então os encaminha às diversas empresas de revenda do grupo, para então fazer a venda ao consumidor final. A “ocultação” que se constata nesta hipótese (do adquirente revendedor) não decorre de prática fraudulenta relacionada à operação de comércio exterior, mas sim de mera logística e racionalização na cadeia de distribuição de mercadorias inerentes às operações normais de comércio desenvolvidas no País. Portanto, em razão dos fatos narrados não se subsumirem às hipóteses descritas na legislação de regência, o entendimento deste Relator é de que a autuação não pode prosperar. Por outro lado, fica dispensada a análise dos demais argumentos ofertados pelos interessados. Assim, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, cancelando o crédito tributário exigido. (...) A DRJ/Fortaleza considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: Fl. 9340DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.341 24 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/10/2010 a 14/09/2011 ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no estrito rigor da lei, devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO E/OU IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. REVELIA. EFEITOS. A ausência de impugnação e/ou sua apresentação intempestiva por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra os revéis, a preclusão temporal do direito de praticar os atos impugnatórios, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/10/2010 a 14/09/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A pena de perdimento, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, inclusive, por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida, ou não localizada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/10/2010 a 14/09/2011 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÕES. DA SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem de forma conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, não cabendo benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE SÓCIO DIRIGENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUA EFETIVA PARTICIPAÇÃO. EXCLUSÃO. Deve ser excluído do polo passivo a pessoa física do sócio dirigente, apontada como responsável solidário, quando não restarem demonstrados nos autos elementos de prova concretos e objetivos que possam revelar, de forma individualizada, a sua participação na prática da infração ou o benefício dela obtido, sem prejuízo da obtenção de novos elementos probatórios que venham a estabelecer sua responsabilidade solidária para fins de inclusão em um novo momento processual, inclusive na execução fiscal. DO ARTIGO 112 DO CTN. NÃO APLICABILIDADE. Fl. 9341DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.342 25 Diante da inexistência de dúvidas quanto: à capitulação legal dos fatos; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; nem à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, não há falar da aplicação do art. 112 e incisos do CTN. DA APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. DESCABIMENTO. A Administração Tributária deve se pautar pelo princípio da estrita legalidade, assim como pela presunção relativa de constitucionalidade das leis e atos normativos, não competindo à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, incumbindo ao Poder Judiciário tal mister, seja no controle difuso, diante de um caso concreto, seja no controle concentrado, exercido pelo Supremo Tribunal Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte NOVA DISTRIBUIDORA e o responsável solidário EDMAR MOTHÉ, apresentaram recurso voluntário onde repetem os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 9342DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.343 26 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Preliminarmente, cumpre destacar que há um outro auto de infração que trata dos mesmos fatos presentes nesse processo. Entendo que deva ser determinada a vinculação por conexão, com a consequente distribuição deste processo a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, relatora do processo nº 10111.720547/201273, em consequência dos seguintes fatos: a) O auto de infração a ser julgado nesse processo, isto é, o de nº 10111.720047/201312 , contra a empresa NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA e responsáveis solidários, é consequência dos fatos constatados durante a fiscalização das empresas PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., importadora ostensiva, e UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA, adquirente ostensiva; b) Tal fiscalização anterior, onde foram carreados a totalidade dos fatos e provas, resultou no auto de infração lavrado no processo nº 10111.720547/201273, anterior ao presente processo e que deu origem a presente autuação, pelo fato da fiscalização ter entendido que a empresa NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA era a real adquirente das mercadorias importadas; c) O recurso voluntário da contribuinte alega que "a esmagadora maioria das provas da prática da interposição fraudulenta" foram extraídas do processo nº 10111.720547/201273; d) Em 19 de outubro de 2016, a recorrente requereu que seja sobrestado seu julgamento até decisão final a ser prolatada no processo 10111.720547/201273, reconhecendose sua conexão. Realmente, toda a análise da controvérsia acerca dos procedimentos de importação perpetrados pelas empresas do denominado grupo "Mundo dos Filtros" é decorrência da fiscalização e autuação constantes do processo nº 10111.720547/201273, que ainda não está definitivo na esfera administrativa. Entendo, portanto que o processo ora em análise e o processo nº 10111.720547/201273 são conexos. Tenho como fundamento o inciso I do § 1° c/c o § 2° do art. 6° do Anexo II da Portaria do Ministério da Fazenda n° 343/2015 (RICARF), a saber: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 9343DF CARF MF Processo nº 10111.720047/201312 Resolução nº 3301000.275 S3C3T1 Fl. 9.344 27 I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (. . .) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, (...). Conclusão: Voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja determinada a vinculação por conexão, com consequente distribuição deste processo para a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, relatora do processo nº 10111.720547/201273. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 9344DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.966006/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.449
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas:
a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil;
b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido da contribuição do período de apuração deste processo;
c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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DIREITOS AUTORAIS. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente UNIVERSAL MUSIC PUBLISHING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas: a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil; b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido da contribuição do período de apuração deste processo; c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de tributo por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito para compensar débito de outro tributo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 66 00 6/ 20 09 -1 7 Fl. 906DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 3 2 A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico, no qual a Delegacia de origem, após constatar a improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, não reconheceu o valor do crédito pretendido e decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando que: '(...) se dedica, dentre outros, à edição de obras líteromusicais, literárias ou técnicas, a subedição e a representação de produção musicais, literárias ou técnicas estrangeiras, a produção, a comercialização, a importação e a exportação de fonogramas, produção e direção, montagem e promoção de espetáculos de arte o "management de artistas, serviços e fabricação de discos, fitas, jinglês, trilhas, filmes publicitários, a prestação de serviços de na área musical, com locação de equipamentos, estúdio de gravação e outros serviços inerentes previstos nos objetivos da sociedade, além de poder participar de outras empresas, podendo também dedicar se a atividades congêneres necessárias ou úteis ao desenvolvimento de seu objetivo. (...) Consoante autorizado pela Lei n° 9.430/96 e pela Instrução Normativa RFB n° 900/2008, a Impugnante se utiliza do procedimento de compensação para quitar alguns dos seus débitos fiscais, tal como feito através da presente PER/DCOMP anexada (doe. 02). A despeito da correção com a qual esse procedimento é implementado, a Impugnante foi surpreendida com o recebimento de Despacho Decisório que não homologou a declaração de compensação em referência (...) (...) quando da entrega das suas declarações referentes ao período de apuração vinculado ao mencionado DARF, a Impugnante, efetivamente, acreditava que o seu respectivo débito tributário equivalia àquele montante pago (Doc. 4 DCTF Original). No entanto, em momento posterior, a Impugnante observou que, quando da apuração do seu débito fiscal, não havia se aproveitado, nos termos do artigo 3º , inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, dos créditos decorrentes das despesas: (/) com o pagamento de royalties decorrentes da cessão de direitos autorais e (//) com o custo de gravação; despesas estas enquadradas no rol de "insumos", no que tange a indústria fonográfica (Doc. 5 Planilha com Resumo dos Créditos) (...) procedeu à revisão da sua escrita fiscal e, tendo apurado um valor devido menor que o então recolhido, se utilizou do crédito daí resultante para fins de proceder com a presente compensação (Doc. 6 — DCTF do período de apuração do crédito exigido). Para melhor ilustrar as alegações de direito a crédito de PIS e COFINS, vejamos a tabela abaixo com o resumo dos créditos utilizados pela Impugnante. Note se que no valor devido já foram considerados os créditos decorrentes do pagamento de direitos autorais e custo de gravação (Doc. 05). (...) Suas declarações, inclusive, já foram retificadas, para melhor demonstrar com exatidão a situação acima (Doc. 7 DCTF Retificadora). Com efeito, conforme se pode observar da DACON original e retificadora, nota se que a primeira indicava um saldo a pagar maior que na segunda. A diferença entre ambas corresponde ao valor que foi utilizado como crédito declarado na presente PER/DCOMP (Docs. 8 e 9 DACON original e retifícadora). Aliás, é importante ressaltar que o crédito apurado pela Impugnante em sua DACON é ainda maior que aquele que foi utilizado nesta compensação. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 4 3 O mesmo se pode observar a partir das anexas DCTFs originais e retificadoras já mencionadas. Frisese somente que o sistema da Receita Federal do Brasil não aceitou a transmissão de algumas declarações retificadoras feitas pela Impugnante (a maioria do ano de 2004/2005). Desta forma, a Impugnante salvouas em arquivo digital e desde já requer que sejam aceitas e consideradas transmitidas as declarações retificadoras da Impugnante anexadas à presente Manifestação de Inconformidade através de arquivo digital (Doc. 10) Não obstante as declarações da Impugnante já serem suficientes para evidenciar a existência de crédito tributário suficiente para extinguir o débito em debate, a seguir, passase a demonstrar a legitimidade dos créditos escriturais aproveitados, bem como as razões de direito que justificam a total improcedência deste lançamento. III DOS CRÉDITOS ESCRITURAIS APROVEITADOS (...) Desta forma, tornase claro o entendimento de que todo e qualquer pagamento a título de direitos autorais pagos pela indústria fonográfica, tanto no âmbito nacional como àqueles efetuados para o exterior, desde que sujeito à incidência do PIS/COFINS, gerará direito ao crédito das referidas contribuições. IV DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL (...) Em se tratando de matéria de fato, é mister que a mesma seja dirimida através de prova pericial, a qual possui sua previsão legal no artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72,(...) Independentemente da análise dos quesitos formulados acima, a Impugnante, novamente, esclarece que na presente data está apresentando 25 Manifestações de Inconformidades, as quais se referem a compensações efetuadas entre o ano de 2006 e 2009. Destarte, para fins de se conseguir levantar e organizar toda a documentação que, possivelmente, esse i. Órgão possa entender como necessária à análise do seu direito creditório, a Impugnante teria que fazêlo em menos de 30 dias contados da sua intimação, na medida em que, como se sabe, é preciso tempo hábil também para se elaborar o cabível recurso. Acresçase a essa observação o fato de que os Despachos Decisórios em comento foram gerados eletronicamente, de modo que, ao contrário do que ocorre em uma fiscalização pessoal, a Impugnante sequer poderia esperar ser pega tão de surpresa. Evidentemente, estamos diante da hipótese excepcional constante no artigo 16,§ 4o , "a", do Decreto n° 70.235/72,(...) Apesar de acreditar que os documentos ora anexados sejam suficientes para demonstrar a procedência do seu direito, a Impugnante não quer correr o risco de ter prejudicado a análise dos seus argumentos de defesa com base em uma possível alegação de deficiência probatória. Assim, também com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa administrativa, desde já, requer a Impugnante o deferimento da posterior juntada de cópia do seu Livro Diário, bem como dos documentos que deram origem aos seus respectivos lançamentos. Uma vez juntados aos autos essa documentação, em complementação aos quesitos acima, fazse necessário os seguintes esclarecimentos (...) Fl. 908DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 5 4 (...) Em conformidade com o exposto, respeitosamente, requer a Impugnante o conhecimento e provimento da presente Manifestação de Inconformidade, para o fim de reformar o r. despacho decisório em debate, reconhecendose a existência de crédito suficiente para quitar o débito declarado na PER/DCOMP em comento, extinguindoo completamente, como de direito. A Impugnante requer, ainda, respeitosamente, o deferimento da prova pericial pleiteada, a fim de restarem respondidos todos os quesitos regularmente formulados, bem como o deferimento da posterior juntada de seu Livro Diário e demais documentos que legitimam a sua correta escrituração. Também requer que sejam aceitas e consideradas transmitidas as declarações retificadoras da Impugnante anexadas à presente Manifestação de Inconformidade através de arquivo digital (Doc. 10). Não obstante, a Impugnante também protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, bem como pela posterior formulação de quesitos suplementares. Por derradeiro, requer que todas as intimações relacionadas ao presente feito sejam realizadas em nome dos seus patronos Márcio Calvet Neves (OAB/RJ n° 96.601) e Fernanda Berendt (OAB/RJ n° 118.709), ambos com escritório na Avenida Presidente Wilson, n° 231, 23°, andar, Centro, Rio de Janeiro RJ.' " A DRJ em Juiz de Fora julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09052.518. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que trouxe, além dos argumentos constantes da manifestação de inconformidade, o de que, nos termos do art. 3° da Lei n° 9.610/98 "os direitos autorais reputamse, para fins legais, bens móveis". E, uma vez equiparado à locação de bem móvel, haveria direito ao creditamento de que trata as legislações do PIS e da COFINS inciso IV do art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, que admite o cálculo dos créditos sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". E adicionou documentos, até então não apresentados, tais como: razão contábil, comprovantes de pagamento, demonstrativos de cálculo e declarações originais e retificadoras. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.440, de 25 de julho de 2017, proferida no julgamento do processo 15374.965994/200987, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.440): "O recurso preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 6 5 DOS FATOS Tratase da DCOMP eletrônica nº 03155.41847.200208.1.3.047893, transmitida com objetivo de liquidar débitos tributários federais com crédito de COFINS do período de apuração de agosto de 2004, no montante de R$ 47.881,77, proveniente de pagamento indevido ou a maior. A DCOMP não foi homologada. No Despacho Decisório Eletrônico (fl. 49), consta que o DARF apontado na DCOMP já teria sido utilizado para quitar outro débito tributário. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, o contribuinte assim se apresenta: Prossegue, informando ter se equivocado na apuração do valor da COFINS a pagar, pois se esquecera de calcular créditos sobre i) royalties pagos pela cessão de direitos autorais e ii) custos com gravação, sendo ambos insumos necessário à obtenção dos produtos que comercializa. Ao tratar da matéria de direito, o contribuinte sustentou que a RFB já havia admitido que geram créditos os pagamentos direitos autorais a pessoas jurídicas estrangeiras ou nacionais, desde que tenham sido submetidos às incidências das contribuições (Solução de Consulta n° 33/05). O fundamento deste posicionamento estaria no inciso II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10;833/03 (dispositivo que admite os créditos sobre insumos aplicados na produção de bens ou serviços). E na Lei n° 10.865/04, que trata do PIS/COFINS Importação e que, especificamente no § 6° do art. 15, permite o registro de créditos relativos a direitos autorais pagos a pessoas jurídicas não residentes no País. No recurso voluntário, além do exposto nos parágrafos anteriores, aduziu que o art. 3° da Lei n° 9.610/98 dispõe que "os direitos autorais reputamse, para fins legais, bens móveis". Isto posto, a cessão onerosa dos direitos autorais equipararseia à locação de bens móveis. Neste sentido, cita decisão proferida pela 8° Turma do TRF 1° Região (AC 200138000064868), em 14/05/2010. E, uma vez equiparado à locação de bem móvel, haveria direito ao creditamento de que trata as legislações do PIS e da COFINS inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que admitem o cálculo dos créditos sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". Neste sentido, cita a sentença proferida nos autos do processo n° 002167950.2012.4.03.6100, de 26/03/2013. Com a manifestação de inconformidade, além de outros documentos, a recorrente trouxe aos autos DCTF e PER/DCOMP Retificadores, não aceitas pelo sistema da RFB, DACON Retificador e lista de pagamentos de direitos autorais e custos com gravação. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 7 6 No recurso voluntário, carreou cópias de comprovantes de pagamentos de direitos autorais e de lançamentos no razão contábil e apresentou exemplo da correspondência entre estes elementos. Por outro lado, não foram apresentados comprovantes e registros contábeis concernentes aos gastos com gravação. Importante mencionar que, nas duas peças de defesa, a recorrente pleiteou a realização de perícia ou diligência, para exame dos documentos que comprovariam a legitimidade de seus créditos. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em razão da falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos (art. 170 do CTN). Citou a impossibilidade de reconhecer a legitimidade de declarações retificadoras não formalmente recepcionadas. E fulminou a peça de defesa com a seguinte conclusão: "Não constam do processo provas de que os supostos créditos: 1) decorrem de importações sujeitas aos pagamentos de PIS/Cofins – importação; 2) nem de que se reportam a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; 3) e nem de que são provenientes de direitos autorais pagos pela indústria fonográfica sujeitos ao pagamento do PIS/Cofins – importação. Reforcese que não foi apresentado pela manifestante uma única nota fiscal ou qualquer livro ou documento que suportasse suas alegações." Ademais, negou o pedido de perícia, pois, em primeiro lugar, julgou finda a fase de produção de provas (art. 16 do Decreto n° 70.235/72) e, em segundo, porque não havia "demanda técnica" para tanto, uma vez que não haviam sido apresentados comprovantes de pagamento e os correspondentes registros contábeis. A derradeira e importante informação é a de que, sobre os mesmos temas, outra turma do CARF proferiu cinquenta decisões desfavoráveis à recorrente, publicadas em fevereiro de 2015 (Acórdãos n° 3801003.611 e 3801003.592 a 640). Referiamse a diversos períodos de apuração dos anos de 2003 a 2006. Reproduzo a ementa e o dispositivo do Acórdão n° 3801003.611: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de Fl. 911DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 8 7 serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345." (g.n.) Das citadas decisões, cumpre destacar que: a) Pelo voto de qualidade, negaram direito a créditos sobre direitos autorais, com base na Solução de Divergência COSIT n° 14/11, que alterou o entendimento manifestado na SC n° 33/05, utilizada como argumento pelo contribuinte, e pacificou o entendimento no âmbito da RFB. Os conselheiros vencidos queriam a conversão em diligência, para apuração dos créditos. b) Admitiram gastos com a produção de obras fonográficas, cujos comprovantes haviam sido acostados ao processo. DO MÉRITO Trago proposta de conversão do julgamento em diligência, pelos motivos a seguir expostos. Não obstante, julgo imperioso aprofundarme na discussão do mérito, com o objetivo de demonstrar que há robustas razões de direito militando em favor da Fl. 912DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 9 8 recorrente, além do fato de ter trazido novos documentos aos autos, nesta etapa processual. Com efeito, cumpre mencionar que admito os documentos apresentados, em princípio, a destempo, em prestígio ao "Princípio da Verdade Material", que deriva "Princípio Constitucional da Legalidade". Além disto, há o fato, muito relevante, de outra turma ter negado a realização de diligência para validação dos créditos, justamente por não terem encontrado razões de mérito para tanto. De pronto consigno que não abordarei a questão relacionada à possibilidade de o contribuinte calcular créditos sobre gastos com gravação, pois, conforme acima informado, nenhuma comprovação ou explicação detalhada sobre sua natureza foi trazida aos autos. Assim, passo à análise dos pagamentos de royalties pela cessão de direitos autorais, iniciando por colacionar legislação, doutrina e decisões administrativas e judiciais os em que se fundamentam os argumentos favoráveis e desfavoráveis à tese sustentada pela recorrente. Legislação, doutrina e decisões administrativas e judiciais A Lei n° 9.610/98 rege os direitos autorais e dela devemos atentar para os seguintes dispositivos: Lei n° 9.610/98 "Art. 3º Os direitos autorais reputamse, para os efeitos legais, bens móveis. (. . .) Dos Direitos do Autor Capítulo I Disposições Preliminares Art. 22. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou. (. . .) Dos Direitos Patrimoniais do Autor e de sua Duração Art. 28. Cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica. Art. 29. Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como: I a reprodução parcial ou integral; II a edição; III a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras transformações; IV a tradução para qualquer idioma; Fl. 913DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 10 9 V a inclusão em fonograma ou produção audiovisual; VI a distribuição, quando não intrínseca ao contrato firmado pelo autor com terceiros para uso ou exploração da obra; VII a distribuição para oferta de obras ou produções mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para percebêla em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, e nos casos em que o acesso às obras ou produções se faça por qualquer sistema que importe em pagamento pelo usuário; VIII a utilização, direta ou indireta, da obra literária, artística ou científica, mediante: a) representação, recitação ou declamação; b) execução musical; c) emprego de altofalante ou de sistemas análogos; d) radiodifusão sonora ou televisiva; e) captação de transmissão de radiodifusão em locais de freqüência coletiva; f) sonorização ambiental; g) a exibição audiovisual, cinematográfica ou por processo assemelhado; h) emprego de satélites artificiais; i) emprego de sistemas óticos, fios telefônicos ou não, cabos de qualquer tipo e meios de comunicação similares que venham a ser adotados; j) exposição de obras de artes plásticas e figurativas; IX a inclusão em base de dados, o armazenamento em computador, a microfilmagem e as demais formas de arquivamento do gênero; X quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas. (. . .) Da Transferência dos Direitos de Autor Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: (. . .) Fl. 914DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 11 10 Art. 50. A cessão total ou parcial dos direitos de autor, que se fará sempre por escrito, presumese onerosa." (g.n.) Maria Helena Diniz, em sua obra "Dicionário Jurídico" (2° Ed. São Paulo: Saraiva, 2005), traz o seguinte conceito: "DIREITO AUTORAL. Direito Civil. Conjunto de prerrogativas de ordem não patrimonial (moral) e pecuniária que a lei reconhece a todo o criador de obras literárias, artísticas e científicas de alguma originalidade, no que diz respeito à sua paternidade e ulterior aproveitamento, por qualquer meio, durante toda a sua vida, ou aos seus sucessores, ou pelo prazo que ela fixar (Antônio Chaves)." No tocante ao cálculo de créditos de PIS e COFINS: a) os incisos II (insumos para produção industrial) e IV (locação de bens móveis) do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03; Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .)" b) inciso II e § 6° do art. 15 da Lei n° 10.865/04, que autoriza o registro de créditos de PIS/COFINS Importação incidentes sobre direitos autorais pagos a pessoas jurídicas não residentes no País; Lei n° 10.685/04 (PIS/COFINS Importação) "Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (. . .) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Fl. 915DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 12 11 (. . .) § 6o O disposto no inciso II do caput deste artigo alcança os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica desde que esses direitos tenham se sujeitado ao pagamento das contribuições de que trata esta Lei. (. . .)" (g.n.) c) a Solução de Divergência COSIT n° 14/11, na qual baseouse a turma do CARF que proferiu as citadas decisões desfavoráveis à recorrente no mesmo sentido, foi editada a Solução de Consulta n° 8 de 12 de abril de 2013; "SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 14 de 28 de Abril de 2011 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO. INSUMOS APLICADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DIREITOS AUTORAIS. IMPOSSIBILIDADE. Consideramse insumos, para fins de apuração de créditos da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso de bens, para que estes possam ser considerados insumos, é necessário que sejam consumidos ou sofram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado ou sobre o bem ou produto que está sendo fabricado, o que não ocorre no caso dos direitos autorais. Por absoluta falta de amparo legal, os valores pagos em decorrência de contratos de cessão de direitos autorais, ainda que necessários para a edição e produção de livros, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins porque não se enquadram na definição de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda" (g.n.) d) trecho da decisão judicial que equiparou a cessão onerosa de direitos autorais à locação de bens móveis (AC 200138000064868, proferido pela 8° Turma do TRF 1° Região, em 14/05/2010); e) trecho da sentença proferida nos autos do processo n° 0021679 50.2012.4.03.6100 (25° Vara Federal de São Paulo), em 26/03/13, que reconheceu o direito a créditos de PIS e COFINS sobre direitos autorais (foi reformada em segunda instância e objeto de interposição de recurso, o qual foi sobrestado até o trânsito em julgado de decisão no REsp 1.221.170/PR); "(. . .) A sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 (art. 3º) e 10.833/2003 (art. 10), confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido.O rol de Fl. 916DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 13 12 referidas leis estabelece, in verbis:"Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .)I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do 3o do art. 1o desta Lei (. . .); e b) nos 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (. . .); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (. . .); IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;..." Assim, tendo em vista que, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.610/98, "os direitos autorais reputamse, para os efeitos legais, bens móveis", os contratos de permissão de uso de direitos autorais firmado entre a autora e os autores das obras literárias que publica devem ser considerados locação de bem móvel e, portanto, poderão ser descontados por ocasião do cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, na forma do inciso IV acima transcrito." (g.n.) f) trecho do voto condutor do Acórdão CARF n° 3302003.342, de 24/08/16, que admitiu o registro de créditos de COFINS sobre direitos autorais, por considerálos como insumos e, por conseguinte, amparados pelo inciso II do art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, reproduzido a letra "a", acima. "(. . .) No caso concreto, a produção dos bens pela Recorrente depende de autorização dos detentores dos direitos autorais, jamais poderia ela fabricar “CD” e “DVDs musicais, utilizar os encartes correlatos, sob licenciamento das detentoras dos direito autorais de tais obras. Tanto é assim, para exploração econômica em processo de reprodução (industrialização) e submetida a regime de controle de numero de exemplares, por essa razão a outorga do direito de uso configura matéria prima e essencial a atividade da Recorrente, sem a qual estaria fadada sucumbir, porque, a final se não adquirir, mesmo temporário, o bem, aqui o direito de uso, é certo que teria e terá a sua continuidade prejudicada por não ter como levar adiante o seu processo de produção. Também inexiste espaço para dizer que o direito autoral não é bem passível de alienação, e, de cessão onerosa e gratuita. Constatada cessão contratual de direitos autorais a título oneroso, fazem jus à contribuinte tomada de crédito gerado sobre os pagamentos ocorridos, descontado os créditos da Contribuição devida para o PIS/PASEP e a COFINS. (. . .)" Legitimidade dos créditos calculados sobre direitos autorais Conforme consta no relatório da decisão de primeira instância, a recorrente dedicase "à edição de obras líteromusicais, literárias ou técnicas, a subedição e a representação de produção musicais, literárias ou técnicas estrangeiras, a produção, a comercialização, a importação e a exportação de fonogramas, produção e direção, montagem e promoção de espetáculos de arte, o 'management de artistas, serviços e fabricação de discos, fitas, jinglês, trilhas, filmes Fl. 917DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 14 13 publicitários, a prestação de serviços de na área musical, com locação de equipamentos, estúdio de gravação e outros serviços inerentes'". De acordo com os acima reproduzidos dispositivos da Lei n° 9.610/98, o direito autoral é bem móvel, pertence ao autor e somente pode ser explorado por terceiros, por meio de autorização prévia e expressa do detentor. Desde já, resta claro que o pagamento efetuado pela recorrente a pessoas jurídicas detentoras de direitos de autor, para que tenha autorização legal para produzir e comercializar obras artísticas, é imprescindível ao desenvolvimento de sua atividade empresarial. Dada à natureza jurídica do direito autoral, verificase que tão somente poderia ser incluído nas bases de cálculo de créditos de PIS e COFINS do cessionário, caso possa ser considerado como abrangido pelos incisos II ou IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que novamente transcrevo: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .)" Inicio pelo exame do inciso IV, consignando que discordo do teor da sentença proferida nos autos do processo n° 002167950.2012.4.03.6100 (25° Vara Federal de São Paulo). Concluiu que a cessão de direito autoral equiparase à locação de bem móvel e que, como tal, a tomada do crédito encontraria abrigo no inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. A meu ver, as hipóteses de creditamento foram indicadas no art. 3° de forma taxativa, não cabendo ao intérprete ampliálas, circunstancialmente. Assim, entendo que o inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 compreende tão somente locação de edificações, máquinas e equipamentos e, portanto, não dá suporte à tomada de créditos de PIS/COFINS sobre pagamentos pela cessão de direitos autorais. Contudo, tal conclusão não afasta por completo a possibilidade do registro de créditos de PIS/COFINS calculados sobre direitos autorais. Irrefutável que, sob o ponto de vista jurídico, a cessão onerosa de direito autoral, qualificado pela Lei n° 9.610/98 como bem móvel, equiparase à locação de bem móvel. Contudo, sua participação no processo produtivo não se assemelha às de "edificações, máquinas e equipamentos". Fl. 918DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 15 14 Com o inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, a meu ver, quis o legislador, sob uma visão global dos bens tangíveis formadores de um estabelecimento industrial, listar aqueles cuja locação poderia ser computada nas bases de cálculo dos créditos, por imprescindível que são. Entretanto, não obstante a identidade jurídica existente, os direitos autorais cumprem um outro papel no processo produtivo. Os pagamento pelos direitos de autor viabilizam a inserção daquilo que é o cerne da obra artística, a matériaprima principal para o desenvolvimento do processo produtivo. Não deve, portanto, ser classificado em outro gênero qualquer que não no dos "insumos". E sobre o conceito de insumos, não há que se estender demais a discussão, pois esta turma, ou melhor dizendo, o CARF, já o tem de forma quase consolidada. Não é o da legislação do IPI (IN n° 404/04) e tampouco o de dedutibilidade de despesas da legislação do IRPJ (art. 299 do Decreto n° 3.000/99 RIR). Foi moldado a partir de opiniões de ilustres doutrinadores e importante decisão Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.246.317/MG, publicado em 29/06/2015). Em voto recente que proferi sobre o tema (Acórdão n° 3301002.999), assim sintetizei o conceito de insumos que passei desde então a adotar: "Em suma, repisando as palavras do Conselheiro Rodrigo C. Miranda (Acórdão n° 9303003.079) e trecho da citada decisão do STJ, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, considero como insumo '(. . .) todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo (. . .)' e '(. . .) cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.'" Conforme destaquei em negrito, a classificação de um bem como insumo depende "das especificidades de cada processo produtivo" e "cuja subtração importa na impossibilidade" da realização do processo industrial. O direito autoral não é um bem tangível, como as usuais MP, PI e ME. Porém, viabiliza, sob os pontos de vista material e legal, a inserção do conteúdo artístico em determinado meio físico (ex: CD, DVD etc.), para a conclusão do produto final a ser comercializado. Enfim, tratase de insumo e deve ser admitido nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Por fim, reputo como imprescindível, e talvez definitivo, mencionar que o § 6° c/c com o inciso II do art. 15 da Lei n° 10.865/04, de forma expressa e incontestável, consignou que os direitos autorais incluemse no conceito de insumos na produção de bens destinados à venda. E, como consequência, admitiu o desconto de créditos referentes ao PIS e COFINS Importação pagos, por ocasião das correspondentes remessas internacionais: Lei n° 10.685/04 (PIS/COFINS Importação) "Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas Fl. 919DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 16 15 contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (. . .) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (. . .) § 6o O disposto no inciso II do caput deste artigo alcança os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica desde que esses direitos tenham se sujeitado ao pagamento das contribuições de que trata esta Lei. (. . .)" (g.n.) Assim, com base no acima exposto, com a devida vênia, discordo das outras decisões proferidas pelo CARF em desfavor da recorrente e, por conseguinte, da Solução de Consulta COSIT n° 14/11, na qual se basearam, e também da Solução de Consulta n° 8 de 12 de abril de 2013. Por outro lado, alinhome ao Acórdão n° 3302003.342, do qual extraí trecho e acima reproduzi, que igualmente concluiu, por unanimidade, que direito autoral é insumo de processo de produção de obras artísticas e deve servir de base para cálculo de créditos de PIS e COFINS. CONCLUSÃO Tive de ingressar no mérito da contenda, para justificar minha proposta de conversão do julgamento em diligência. Pretendi demonstrar que estamos diante de um assunto controverso, cuja análise por este colegiado, todavia, somente se justifica, caso a totalidade do crédito pleiteado encontre suporte documental nos elementos carreados aos autos pela recorrente. Foi trazido aos autos extenso volume de documentos junto com o recurso voluntário razão contábil, comprovantes de pagamento, demonstrativos de cálculo e declarações originais e retificadoras. Por amostragem, conciliou valores do razão contábil com comprovantes de pagamentos e cálculos dos créditos. Isto é, além de contestar a glosa de créditos de COFINS, no plano conceitual, apresentou evidências documentais de que de fato incorreu nos gastos que alega ter tido. Diante disto, entendo ser imprescindível que convertamos o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas: a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil. b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido de COFINS do mês de agosto de 2004. c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 15374.966006/200917 Resolução nº 3301000.449 S3C3T1 Fl. 17 16 A unidade de origem deverá revisar o trabalho efetuado pelo contribuinte e emitir relatório conclusivo. Então, abrir prazo para manifestação, findo o qual encaminhar os autos para o CARF para prosseguimento do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas: a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil. b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido da contribuição do período de apuração deste processo. c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos. A unidade de origem deverá revisar o trabalho efetuado pelo contribuinte e emitir relatório conclusivo. Então, abrir prazo para manifestação, findo o qual encaminhar os autos para o CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 921DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.907266/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Oct 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO-EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO.
Para efeito da caracterização da denúncia espontânea a compensação não se equipara ao pagamento (como preceitua o art. 138 do CTN), já que possuem efeitos distintos, pois este extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior, e aquela se sujeita a uma condição resolutória de decisão de não-homologação, que pode retornar o débito à condição de não-extinto.
Numero da decisão: 1402-005.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à equiparação dos termos pagamento e compensação para fins de aplicação do artigo 138, do CTN, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça e Jandir José Dalle Lucca que davam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Jandir José Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO-EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. Para efeito da caracterização da denúncia espontânea a compensação não se equipara ao pagamento (como preceitua o art. 138 do CTN), já que possuem efeitos distintos, pois este extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior, e aquela se sujeita a uma condição resolutória de decisão de não-homologação, que pode retornar o débito à condição de não-extinto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à equiparação dos termos “pagamento” e “compensação” para fins de aplicação do artigo 138, do CTN, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça e Jandir José Dalle Lucca que davam provimento. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Jandir José Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 72 66 /2 01 2- 94 Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.745 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.907266/2012-94 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento xxxx, através do acórdão 06-51.484, que julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. Do litígio fiscal: Por bem descrever os termos do litígio fiscal, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Trata o processo das Declarações de Compensação-Per/Dcomp nº 13297.13848.210911.1.7.02-6434, retificadora da nº 21647.79559.240211.1.3.02- 7490, transmitida em 24/02/2011, págs. 9/15; 39578.87128.210911.1.7.02-8331, retificadora da nº 32399.22456.200411.1.3.02-6248, de 20/04/2011; 28402.88310.210911.1.7.02-5963, retificadora da nº 06165.03710.300611.1.3.02- 8047, de 21/09/2011; 36365.52990.281211.1.7.02-1400, retificadora da nº 08034.43701.210911.1.3.02-0960, de 21/09/2011; págs. 81/92, relativas à compensação de débitos com direito creditório de Crédito Saldo Negativo (SN) de IRPJ de 31/12/2010, requerendo créditos nos valores originais de R$1.394.197,95, R$1.066.341,65, R$17.486,52 e R$14.001,68, respectivamente, totalizando R$2.492.027,80. 2. Cabe registrar que todas as Dcomp descritas, o Despacho Decisório e a Manifestação de Inconformidade a seguir, constam do SIEF da RFB e são atinentes ao processo 10980.906263/2012-33, o qual consta como encerrado, estando apensado ao presente processo. 3. Também foram apensados ao presente os processos 10980.906738/2012- 91, 10980.907264/2012-03 e 10980.907265/2012-40, todos eles encerrados. 4. A DRF Curitiba/PR emitiu o Despacho Decisório de 04/05/2012, nº de rastreamento 022399488, págs. 2/5, no qual reconheceu direito a crédito de R$2.492.02780 requerido; homologou as Dcomp 13297.13848.210911.1.7.02-6434, 39578.87128.210911.1.7.02-8331 e 28402.88310.210911.1.7.02-5963 e homologou parcialmente a 36365.52990.281211.1.7.02-1400; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2012, no valor do principal de R$3.428,29, acrescido de multa e juros de mora. Da manifestação de inconformidade: Por bem descrever os termos da manifestação de inconformidade, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 5. Não tendo retornado o Aviso de Recebimento - AR, pág. 6, foi afixado Edital em 10/09/2012 até 25/09/2012, págs. 7/9; o contribuinte, apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 16/18 em 13/06/2012, por meio de seus representantes legais de págs. 38/73, e documentos. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.745 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.907266/2012-94 6. Afirma que o entendimento no Despacho decisório decorre dos PER/DCOMP'S (anexo 4): 6.1 06165.03710.300611.1.3.02-8047 retificado pelo PER/DCOMP 28402.88310.210911.1.7.02-5963, utilizado para compensar débito da COFINS em atraso (principal 18.256,97-+ juros 182,97), onde a multa não foi paga ou compensada amparada pela Ação Judicial de Denuncia Espontanea 2005.70.00.000194-6 transitada em julgado em 2008, favorável a empresa O Boticário Franchising. . 6.2 08034.43701.210911.1.3.02-0960 retificado pelo PER/DCOMP 36365.52990.281211.1:7.02-1400/ utilizado para compensar débito da COFINS em atraso (principal 15.034,48 + juros 150,34), onde a .multa não-foi paga ou compensada amparada pela Ação Judicial de 'Denúncia Espontânea 2005.70.00.000194-6 (anexo 5) transitada em julgado em 2008, favorável a empresa O Boticário Franchising. . 7. Conseqüentemente, o credito do PER/DCOMP 36365.52990.281211.1.7.02-1400 foi considerado insuficiente para compensar integralmente seus débitos, pelas compensações indevidas das multas. 8. Neste sentido, requer que as multas sejam desconsideradas das compensações, admitindo que o crédito é suficiente para compensar o débito informado na PER/DCOMP 36365.52990.281211.1.7.02-1400 , extinguindo o crédito tributário nos termos do artigo 156 do. Código Tributário Nacional e eximindo o contribuinte O Boticario Franchising. S.A., da exigência fiscal (principal, multa e juros) indicada no Despacho Decisorio 022399488. Da decisão da DRJ: Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu por NEGAR PROVIMENTO TOTAL à mesma, por unanimidade. A decisão foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2010 PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Se o sujeito passivo corrige espontaneamente sua falta antes da constituição do crédito tributário, promovendo o recolhimento do valor principal do tributo, acrescido de juros moratórios, fica excluída a responsabilidade pela infração, pela denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do CTN, não incidindo multa de mora. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO-EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. Para efeito da caracterização da denúncia espontânea a compensação não se equipara ao pagamento, já que possuem efeitos distintos, pois este extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior, e aquela sujeita-se a uma condição resolutória de decisão de não-homologação, que pode retonar o débito à condição de não-extinto. Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.745 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.907266/2012-94 Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 13/06/2016, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 13/07/2016 (fls. 121 e ss), ou seja tempestivamente. No mesmo, em essência reforça os pontos já alegados na sua manifestação de inconformidade, dos quais destaco abaixo: - que se aplica a denúncia espontânea ao caso concreto, ou seja, que compensação seria equiparado ao pagamento, para fins de aplicação do art. 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. Conforme se verifica nos autos, o recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos regimentais para a sua admissibilidade, pelo que o conheço. A matéria em apreço nos autos envolve pedido de compensação do contribuinte, em que os débitos informados foram declarados vencidos, sem o devido acréscimo de multa de mora devido. Após análise, houve imputação parcial, e a compensação homologada parcialmente, por conta de não haver direito creditório disponível para extinguir integralmente o débito. Quanto ao direito creditório, não há nenhuma objeção e foi integralmente reconhecido nos autos. A defesa da agora recorrente é essencialmente apelar para o art. 138 do CTN, em que, no seu entender, haveria denúncia espontânea, e por conseguinte, dispensa da multa de mora. Contudo, divirjo desta posição. O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo 1 . Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. 1 rt. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.745 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.907266/2012-94 Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/0297768-0 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/0046101-0 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.745 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.907266/2012-94 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, e-STJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, tem-se por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: ""A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)."Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente) e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator." Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado (incluindo a multa de mora) em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal. Conclusão: Considerando o exposto acima, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11065.720375/2017-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do Recurso Voluntário nesta Terceira Seção para declinar da competência à Primeira Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do Recurso Voluntário nesta Terceira Seção para declinar da competência à Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do Recurso Voluntário nesta Terceira Seção para declinar da competência à Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 20 37 5/ 20 17 -1 6 Fl. 3775DF CARF MF Processo nº 11065.720375/201716 Resolução nº 3402001.411 S3C4T2 Fl. 3.776 2 Tratase de Auto de Infração para a cobrança de PIS e COFINS decorrente de confusão patrimonial identificada pela fiscalização na pessoa jurídica VIA ITÁLIA COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA, sendo arroladas como responsáveis solidárias as empresas UGLY NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS LTDA e AUTO ROSSO COMERCIO DE VEÍCULOS LTDA. e as pessoas físicas FRANCISCO LONGO, RICARDO BRIZ CASADO e OMAR MOHAMAD MARCONDES DIB. Como identificado pela fiscalização no Relatório Fiscal: "Trata o presente relatório da ação fiscal realizada na empresa VIA ITÁLIA COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 07.638.845/000156, com sede na Rua Major Paladino, 128, Galpão 2, Vila Ribeiro de Barros, São Paulo/SP, CEP: 05.307000, doravante denominada fiscalizada e/ou contribuinte. O presente procedimento visa demonstrar que o contribuinte engendrou um modelo simulado e fraudulento, tendo como propósito única e exclusivamente a economia de tributos, incorrendo em sonegação fiscal. Constatouse, ademais, a utilização de interpostas pessoas (“laranjas”) e ocultação de bens com vistas à blindagem patrimonial. Inicialmente, o procedimento tinha como escopo analisar os procedimentos da fiscalizada no que tange à apuração do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI em concordância com a legislação correlata em relação aos anoscalendário de 2011 a 2013. Entretanto, no curso dos trabalhos foram evidenciados fortes indícios de confusão patrimonial com outra pessoa jurídica, a AUTO ROSSO, CNPJ 11.603.916/000152. De fato, a VIA ITÁLIA e a AUTO ROSSO são uma única empresa, tendo sido a primeira fragmentada, com propósito único e exclusivo, a economia de tributos com redução da carga tributária de maneira evasiva e simulada. Nesse contexto, a fiscalização foi ampliada abrangendo outros tributos: PIS e COFINS tratados no presente processo, e IRPJ e reflexos tratados no processo nº 11065.720334/201711. A fiscalização procede sob TDPF nº 08.1.90.002015010243, abrangendo os tributos mencionados. Foi executada, também, diligência na AUTO ROSSO sob TDPF n° 10.1.07.002015007065. Assim, o procedimento tem como principal objeto demonstrar que a operação entre as duas pessoas jurídicas simula autonomia das partes, culminando com o lançamento de ofício dos tributos sonegados e com a responsabilização dos reais beneficiários das operações, alcançando, sobretudo, o patrimônio ocultado pelas partes envolvidas. " (e fls. 3.321/3.322 grifei) "8. Conclusões Face o exposto, podese afirmar que se verifica no caso concreto a ocorrência de: Confusão de Endereços; Confusão de Quadro Societário, conexões com parentesco entre sócios; Uso de “laranjas” e empresas off shore para ocultação do real beneficiário, com procurações conferindo amplos poderes de administração ao Sr. Francisco Longo; Existência de empresas “de prateleiras” (offshore) como sócias majoritárias (99,5% do capital social) de ambas pessoas jurídicas, Via Itália e Auto Rosso; Procuradores das off shore são os advogados empregados das duas empresas; Unidade de Gestão; Constatação de contratos simulados e/ou forjados entre as empresas; Despesas de aluguel da Auto Rosso suportadas pela Via Itália; Fl. 3776DF CARF MF Processo nº 11065.720375/201716 Resolução nº 3402001.411 S3C4T2 Fl. 3.777 3 Notório conhecimento de que a representante exclusiva das marcas é a Via Itália (Ferrari, Maserati e Lamborghini); e Ocultação patrimonial com venda de bens com utilização de operações simuladas em triangulação com interpostas pessoas e blindagem do patrimônio na empresa “Ugly”. Com base nessas constatações, podese inferir, com relação à Via Itália e à Auto Rosso, a ocorrência de: Com base nessas constatações, podese inferir, com relação à Via Itália e à Auto Rosso, a ocorrência de: Confusão Patrimonial; Simulação – duas pessoas jurídicas constituídas apenas formalmente; de fato, uma única empresa; Fraude; Liame inequívoco entre as duas, ensejadores de solidariedade tributária; Abuso da Pessoa Jurídica; Blindagem Patrimonial. Isto posto, diante dos fortes elementos demonstrados de confusão patrimonial, podese afirmar que a “engenharia” articulada entre as duas empresas VIA ITÁLIA e AUTO ROSSO é mera simulação, portanto, de forma fraudulenta, tratandose, de fato, de uma única empresa. Portanto, para efeitos de constituição do crédito tributário relativo ao PIS e à Cofins assim devem ser consideradas ambas empresas, uma única, para fins tributários, e, por conseguinte, devem ser lançados de ofício os valores que deixaram de ser apurados no “modelo” utilizado pelas duas pessoas jurídicas apenas existentes formalmente. Haja vista a ocorrência de fraude com abuso da pessoa jurídica, devem ser responsabilizados os sócios de ambas empresas bem como o contador que atuou como protagonista em todas as operações fraudulentas. À luz da ocorrência de ocultação patrimonial, por parte dos sócios e contadores, além da responsabilização dos mesmos, deve ser responsabilizada, principalmente, a empresa PATRIMONIAL onde se localizam os BENS. Dessa forma, devese efetuar o lançamento dos valores correspondentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI que deixaram de ser apurados pela VIA ITÁLIA na qualidade de real vendedora final dos veículos importados." (efls. 3.402/3.403) As Impugnações administrativas apresentadas nos presentes autos foram julgadas parcialmente procedentes pela DRJ, em decisão ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012, 2013 IRPJ. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. Caracterizado que a empresa efetuou as vendas ao consumidor final por meio de interposta pessoa jurídica, considerase que as vendas foram efetuadas por ela própria. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ação ou omissão dolosa que leve à sonegação e/ou fraude, a multa de oficio deve ser aplicada com o percentual de 150%. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Comprovandose a infração à lei, os sócios de fato deve ser responsabilizado pelo crédito tributário lançado, bem como o sócioadministrador de direito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efls. 3.602 grifei) Após serem intimadas desta decisão em agosto/2017 (VIA ITALIA em 22/08/2017 efl. 3.647 UGLY NEGÓCIOS em 25/08/2017 efl. 3.648 e demais Fl. 3777DF CARF MF Processo nº 11065.720375/201716 Resolução nº 3402001.411 S3C4T2 Fl. 3.778 4 responsáveis solidários em 24/08/2017 efls. 3.649/3.652), apresentaram Recursos Voluntários as empresas VIA ITÁLIA COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA.(em 19/09/2017 efls. 3.654/3.692) e AUTO ROSSO COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA.(em 19/09/2017 efls. 3.725/3.762), e a pessoa física RICARDO BRIZ CASADO (em 21/09/2017 efls 3.696/3.721). É o relatório no que concerne a presente Resolução. Voto. Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Uma vez que o presente lançamento foi formalizado com base nos mesmos elementos de prova de lançamento de IRPJ (PTA 11065.720334/201711), como verdadeiro lançamento reflexo deste imposto, a competência para sua apreciação e julgamento é da 1ª Seção de Julgamento, na forma do art. 2º, IV, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016: "Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016);" (grifei) Desta forma, diante da incompetência desta Turma para julgamento do processo, não tomo conhecimento do Recurso e proponho que seja declinada a competência para a turma julgadora da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho competente para o julgamento do processo principal n.º 11065.720334/201711, ainda pendente de distribuição neste Conselho. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 3778DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900987/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.236
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB verifique se, à luz dos documentos apresentados, e superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, remanesce o direito de crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 00 98 7/ 20 10 -1 0 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900987/201010 Resolução nº 3401001.236 S3C4T1 Fl. 51 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que não homologou a compensação de débitos tributários referentes a contribuições cumulativas. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório. O contribuinte informou como origem do suposto direito creditório DARF referente ao pagamento de contribuição cumulativa em razão de entender ter havido pagamento a maior decorrente da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições sociais sob égide da Lei Federal 9.718/198 e tal valor ser considerado indevido. A DRF Curitiba, não homologou a compensação requerida, pois o DARF discriminado na DCOMP não fora localizado. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1 0, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 4575531, em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos conforme lhe faculta o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 Que o Auditor da Receita Federal do Brasil, em Despacho Decisório, não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte, em razão de não ter encontrado o crédito informado; Que a razão de não ter sido encontrado o crédito do contribuinte, utilizado na presente compensação, está no fato de que este se encontrava vinculado a um débito indevido (em razão da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo), não restando assim saldo credor disponível. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão da DRJ/CTA, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em síntese, por entender ser aplicável o disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 até sua revogação pela Lei nº 11.941/09, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, somente atingindo as partes envolvidas. Do Recurso Voluntário Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes. Preliminarmente, alega a nulidade do Acordão com base no artigo 59, inciso II, do Decreto Federal 70.235/72, pois alega que a DRJ, sob o fundamento de falta de competência para apreciar a constitucionalidade de lei, teria deixado de analisar todos os argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade negando vigência, assim, à regulamentação do artigo, do citado Decreto, motivo pelo qual deve ser declarada sua nulidade. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.900987/201010 Resolução nº 3401001.236 S3C4T1 Fl. 52 3 Quanto ao mérito, afirma que: O STF, no julgamento do RE 585.235, sob a sistemática da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei Federal 9.718/1998, e que este entendimento deve ser seguido por este Colegiado em razão do disposto no art. 62A do RICARF. Quanto ao direito creditório em si, afirma ser devido, conforme os documentos que traz como provas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.196, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 10980.900714/201067, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.1961: "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS cumulativas, de que trata a Lei nº 9.718/98. A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por haver considerado nas bases de cálculo das contribuições sociais cumulativas, parcelas indevidas, em razão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Dcomp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Pois bem, entendo verossimilhantes as alegações e plausível o direito vindicado, quanto à possíveis efeitos da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista o julgamento do 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado na Resolução paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.900987/201010 Resolução nº 3401001.236 S3C4T1 Fl. 53 4 RE 585.235/MG, submetido a repercussão geral, do art. 543B, do CPC/1973, determinandose que a base de cálculo das contribuições sociais cumulativas seja o faturamento da empresa, assim considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). Já quanto aos fatos, insurgese a recorrente contra o fundamento da decisão recorrida de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; apresentando inícios de provas materiais, por meio de planilhas e cópias de razões analíticos. No Processo Administrativo Fiscal PAF, regido pelo Decreto n° 70.235/1972, art. 16, §4º “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF relativamente ao §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não provado e inexistente o direito à repetição de indébito. Diante destas razões, posteriormente trazidas aos autos, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Do exposto, entendo presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, não havendo de se falar em preclusão de apresentação de prova documental nesse momento processual de recurso voluntário. Por outro lado, ainda que inícios de provas materiais, as planilhas e as cópias de razões analíticos, por si sós, não são suficientes à quantificação e comprovação do direito creditório pleiteado. Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN. Com essas considerações, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.900987/201010 Resolução nº 3401001.236 S3C4T1 Fl. 54 5 sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 57DF CARF MF
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